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Clínica Médica de cães e gatos Data: 26/11/2024 (terça feira) Aluna: Scarlett Sampaio F. Professora: Roberta Rigaud. DOENÇAS ORTOPÉDICAS DE CÃES E GATOS FRATURAS: Descontinuidade óssea completa ou parcial associada a dano de tecidos adjacentes e a irrigação sanguínea além do comprometimento da função. Causas: · Traumas; · Neoplasias; · Osteoartroses; · Doenças metabólicas. Classificação dos Tipos de fratura: Fratura completas e incompletas: Envolvimento das clericais ósseas. · Completa: atinge ambas as corticais. · Incompleta: atinge apenas uma das corticais (é a mais comum na rotina da clínica). Existe uma fratura chamada GALHO VERDE, uma lesão óssea comum em filhotes de cachorro, ocorrendo quando o osso se dobra, mas não se quebra completamente. Localização: (é fundamental definir a localização anatômica onde a fratura se encontra) · Articular; · Epifisaria; · Metafisária; · Diafisária; · Terço proximal, médio e distal. Orientação e número de linhas de fraturas: Comunicação com o meio externo: · Fratura fechada; · Fratura aberta (exposta). Deslocamento: · Se a fratura se deslocou de lugar (precisa informar no resultado do exame se a fratura deslocou). Fraturas epifisárias/ Sater -Harris: · Acomete a linha de crescimento (fise); · Acomete apenas animais jovens (filhotes). Tipos: 1. Tipo I: ocorrem ao longo da cartilagem fisária; 2. Tipo II: ocorrem na cartilagem fisária e em uma porção da metáfise; 3. Tipo III: ocorre na cartilagem fisária e na epífise, e geralmente são fraturas articulares; 4. Tipo IV: que ocorrem na epífise, passando pela cartilagem fisária e metáfise. Estas são, normalmente, fraturas articulares 5. Tipo V: são fraturas por esmagamento ou compressão que envolvem a cartilagem fisária, com distância mínima entre epífise e metáfise (é a mais comum). Sinais clínicos: · Claudicação aguda; · Dor a manipulação; · Não apoio do membro; · Edema. Diagnóstico: · Radiográfico. Tratamento: · Conservador: bandagens; · Cirúrgico: Estabilização de fraturas; Técnicas: - pino intramedular; - placa e parafuso; - pino externo; - fio de aço. Displasia do cotovelo: Má formação da articulação do cotovelo, é uma condição ortopédica que afeta a articulação úmero-rádio-ulnar de cães, causando anormalidades no seu desenvolvimento: · Fragmentação do processo coronoide medial; · Não união do processo ancôneo; · Osteocondrite dissecante do úmero; · Caráter hereditário, ambiental ou nutricional; · Cães Jovens; · Porte médio a gigante; · Condrodistróficos; · Felinos também são acometidos. · A displasia do cotovelo é sempre ligada a problemas no rádio e na una. · As principais raças afetadas são: Bernese Montain, Labrador Retrivier, Rottweiler, Golden Retrivier, Bulldog Inglês, Pastor Alemão. Obs.: A não união do processo ancôneo (NUPA) é uma doença óssea rara que afeta a articulação do cotovelo de cães, principalmente de raças de médio e grande porte. É uma das quatro afecções que caracterizam a displasia do cotovelo, uma anormalidade do desenvolvimento da articulação do cotovelo. A NUPA ocorre quando o processo ancôneo, um pequeno osso na ulna, não se funde corretamente ao resto do osso. Isso pode acontecer por causa de um crescimento maior da rádio em relação à ulna, o que aumenta a pressão no processo ancôneo. A osteocondrite dissecante (OCD) do úmero é uma condição patológica que afeta a cartilagem articular de cães, resultando no desprendimento de fragmentos de cartilagem, ela é causada por um distúrbio na diferenciação das células da cartilagem, o que leva a uma falha na ossificação endocondral. Afeta mais os cães machos do que as fêmeas. Sinais clínicos: · Sinais sutis ou ausentes; · Claudicação aguda ou crônica; · Rigidez do membro; · 5 a 7 meses de idade; · Bilateral; Exame físico: · Redução da amplitude articular / redução da flexão (osteoartrite elevada); · Crepitação articular (ruídos / estalos/ rangidos nas articulações); · Dor na hiperextensão; · Efusão articular (acumulo anormal de liquido em uma articulação); · Edema; · Atrofia muscular. Diagnóstico: · Tomografia computadorizada; · Radiografia. Tratamento: Cirúrgico: (nem todos os animais são aptos) · Restaurar a congruência; - Osteotomia ulnar proximal; - Osteotomia ulnar distal dinâmica: alongamento da ulna; - Osteotomia e alongamento do rádio; - Osteotomia ulnar proximal distal para correção de rádio curto. Luxação de patela: Deslocamento da patela da sua posição anatômica normal que é o sulco troclear do fêmur. Tipos: · Luxação patelar medial ou lateral; · Luxação patelar em ambos os joelhos. · Acomete comumente animais de pequeno porte; · Spitz alemão, Lulu da pomerânia, yorkshire terrier e chihuahua; · Sem relato de predisposição racial; · Origem Multifatorial - genético e traumático. · Em gatos está relacionada ao excesso de peso ou a atividade do animal. Causas: · Desalinhamento do quadríceps; · Joelho varo ou valgo; · Sulco troclear raso; · Deslocamento da crista da tíbia; · Torção tibial. Diagnóstico: · Anamnese; · Claudicação intermitente; · Ganho de peso; · Flexão do membro durante caminhada; · Andar saltitante; · Articulações inchadas; · Dificuldade de locomoção. Exame físico: · Deslocamento da patela; · Diagnóstico clínico; · Radiografia - avaliar desvio angular do fêmur e da tíbia / excluir outras causas. GRAUS DE LUXAÇÃO: Grau II: Deformidades angulares ou de torção femoral leve; Grau III: Deslocamento medial do quadríceps, anormalidade de tecidos moles de suporte, deformidades do fêmur e da tíbia. Grau IV: Deslocamento medial do grupo muscular do quadríceps, anormalidade de tecidos moles de suporte, deformidades do fêmur e da tíbia. TRATAMENTO: · Conservador; · AINE (anti- flamatório não esteroidais) + Analgésicos (Maxicam + dipirona e ou tramadol); · Fisioterapia; · Cirúrgico + conservador (adjuvantes). Doença do Ligamento cruzado cranial (RLCCr): · Doença ortopédica comum que afeta os cães e que pode levar a instabilidade e artrose; · Alterações morfofuncionais; · Também chamada de insuficiência ou ruptura do ligamento cruzado cranial Completa ou parcial. · O ligamento cruzado cranial é uma estrutura do joelho que estabiliza a articulação e impede que o fêmur se mova demais sobre a tíbia. Causas: · Inflamações; · Microtraumas / traumas (hiperextensão / rotação interna excessiva); · Lassidão articular (frouxidão, condição que aumenta a mobilidade articular); · Idade, raça, peso; · Castrações precoces; · Artropatias imunomediadas; · Luxação de patela; · Ângulo do platô tibial aumentado. Sinais clínicos: · Claudicação aguda; · Inchaço na articulação; · Apoio parcial ou não apoia o membro; · Apoio em pinça; · Sentar com membro voltado para fora; · Piora dor ao exercício ou ao levantar/deitar. Exame físico: · Teste de gaveta (dando positivo já é um diagnóstico, animal já pode ser encaminhado para a cirurgia); · Teste de compressão tibial. Diagnóstico: · Clínico; · Artroscopia do joelho: · Avaliação da sinovial, cartilagem articular, ligamentos e menisco. · Ressonância magnética; · Ultrassonografias; · Radiografia: · Avaliação anatômica do joelho; · Osteoartrite; · Planejar cirurgia. Tratamento: Cirúrgico: · Técnica intracapsular; · Técnicas extracapsulares. Osteotomias corretivas: · Estabilização dinâmica do joelho; · Evitar o deslocamento cranial da tíbia; · Nivelamento do platô tibial (TPLO); · Osteotomia em cunha da tíbia (TWO); · Osteotomia de avanço da tuberosidade da tíbia (TTA); · Osteotomia tripla da tíbia (TTO); · Osteotomia de nivelamento baseado no CORA (CBLO). Necrose asséptica da cabeça do fêmur (NACF): · Necrose não inflamatória e não infecciosa; · Acomete pacientes jovens (4-11 meses), antes do fechamento fisário (linhas de crescimento) da cabeça do fêmur; · É uma doença que afeta o quadril de cães, caracterizada pela morte do tecido ósseo na região da cabeça do fêmur. · Também chamada de necrose avascular, osteocondrose juvenil, doença de Legg-Calvé-Perthes. · Raças de pequeno porte: Yorkshire terrier, pug, maltês, daschshund, lhasa apso,chihuahua, pinscher, poodle, West White higland terrier. (MAS, TAMBÉM PODE OCORRER EM RAÇAS MAIORES); · Essa afecção acomete ambos os sexos, podendo ser uni ou bilateral. · Sem relatos em felinos - epifisiólise capital femoral. Fisiopatogenia: · uma diminuição do fluxo sanguíneo intra ósseo na cabeça femoral, que acarreta em morte do tecido ósseo, levando a focos de isquemia (falta de suprimento sanguíneo). Essa isquemia acaba fragilizando a cabeça do fêmur que posteriormente evolui para necrose (morte celular) provocando microfraturas e, consequente, deformação na superfície articular · Colapso do osso subcondral, fissura na cartilagem; · Remodelamento da cabeça e colo do fêmur, incongruência. Causas: · Sinovite; · Alteração anatômica; · Trauma. Sinais clínicos: · Claudicação; · Não apoio do membro; · Irritabilidade; · Automutilação; · Sinais de dor. Exame clínico: · Extensão, flexão e rotação da articulação coxofemoral; · Dor na extensão; · Limitação da amplitude articular; · Crepitação; · Hipotrofia muscular. Diagnóstico: · Radiografia; · Deformidade da cabeça do fêmur; · Encurtamento do colo femoral; · Lise do colo femoral; · Redução da opacidade óssea em epífise femoral; · Projeção frog leg (posicionamento radiográfico); · Tomografia. Tratamento: Conservador: · AINE; · Analgésicos; · Adjuvantes; · Fisioterapia. Cirúrgico: · Colocefalectomia (remoção cirúrgica da cabeça e do colo do fêmur); · Associar ao conservador. Displasia coxofemoral (DCF): · Displasia ( má formação); · Doença genética, caracterizada pela má formação da articulação coxofemoral, envolvendo a cabeça do fêmur, cápsula articular e acetábulo. · É caracterizada por alterações no desenvolvimento dos ossos do quadril, como a cabeça do fêmur e o acetábulo. Isso faz com que as partes da articulação se esfreguem umas contra as outras, em vez de deslizarem suavemente, o que pode causar desgaste e perda de função. · Raças grandes e gigantes: Golden retriever, labrador, rottweiler, berneses, pastor alemão, são bernardo e mastiff; · Acomete felinos – raças maine coon, persa e himalaio. · Multifatorial; · Base genética; · Fatores ambientais; · Nível alto: peso, nutrição, atividade física, suplementações; · Nível médio: piso, castração precoce, massa muscular reduzida, hormonal; · Nível baixo: sedentarismo; · Crescimento rápido. · Não existe cura para a DCF, mas existem tratamentos que podem ajudar a controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do animal. Graus de displasia: GRAU DE GRAVIDADE CLASSIFICAÇÃO CLINICA ADULTOS – RADIOGRAFIA VD ESTENDIDA Grau I Assintomáticos ou sintomas leves Sem sinais evidentes de osteoartrose Grau II Sintomáticos leves a moderados Sinais radiográficos de osteoartrose leve a moderado Grau III Sintomáticos moderados Sinais radiográficos de osteoartrose leve a moderado Grau IV Sintomáticos moderado a grave Sinais radiográficos de osteoartrose grave Grau V Sintomáticos graves e não responsivos ao tratamento Sinais radiográficos de osteoartrose grave Sinais clínicos: · Intolerância ao exercício; · Claudicação; · Dificuldade em levantar; · Andar rebolante; · Atrofia de músculos pélvicos. Exame Físico: · Desvio da diáfise femoral varo; · Dor na extensão, rotação externa e abdução do quadril; · Crepitação; · Atrofia muscular; · Teste Ortolani / Barden. Ambos os testes são realizados com o paciente em decúbito dorsal ou lateral. Uma mão do examinador é projetada dorsalmente no membro pélvico e coluna para estabilização, enquanto a outra mão é projetada no joelho. A pressão proximal e adução do joelho permite com que a cabeça femoral seja luxada acima da borda acetabular dorsal, desse modo ocorre a subluxação da articulação do quadril. Em cães com frouxidão na articulação coxofemoral, pode ser sentido um estalo como resultado da redução da cabeça femoral para luxação ou subluxação manuseando o joelho para a posição original, esse sinal é sugestivo de Displasia. As técnicas de Barden podem ser dolorosas em cães jovens e recomenda-se a utilização entre 6 e 8 semanas de idade. Para a realização desse método o animal deve ser anestesiado ou sedado e posto em decúbito lateral. Uma mão do clínico irá manipular o trocânter maior, enquanto a outra será responsável por segurar a diáfise femoral. O fêmur realizará a adução, atentando-se para o levantamento da cabeça femoral externa ao acetábulo, no qual a mobilidade do trocânter maior é acionada. Trata-se de um teste subjetivo, realizado em filhotes, que depende da experiência do examinador, além da mobilidade do trocânter maior ser avaliada em milímetros, o que diminui a confiabilidade do teste. Diagnóstico: Radiografia · Avaliar grau e alterações fenotípicas; · Projeção ventrodorsal estendida. · Subluxação ou luxação; · Osteoartrose; · Remodelamento da cabeça do fêmur, colo. · Arrasamento acetabular; · Ângulo de Norberg: 105° em cães 95° em gatos Ângulo de Norberg: mede a intersecção da linha que une as duas cabeças femorais com a linha que une o centro da cabeça femoral, com o bordo acetabular cranial do mesmo lado. Ou seja, medida radiográfica que avalia o deslocamento da cabeça do fêmur em relação ao acetábulo, indicando o grau de frouxidão articular. TRATAMENTO: · Conservador; · AINE, analgésico, adjuvantes, fisioterapia; · Nutracêuticos - glicosaminoglicanas e condroitina; · Grau de dor e osteoartrite. Cirúrgico: · Sinfisiodese Púbica Juvenil (3-5 meses); · Osteotomias pélvicas (4-10 meses); · Denervação acetabular seletiva - sintomática; · Colocefalectomia; · Prótese total do quadril. image6.jpeg image7.jpg image8.jpg image9.png image10.png image11.jpg image12.jpg image1.jpg image2.png image3.jpg image4.jpg image5.png