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A Psicologia Humanista
José Augusto Rento Cardoso
Descrição
A história do desenvolvimento da Psicologia Humanista, considerada a
terceira força da Psicologia no século XX, bem como seus principais
representantes e influência na Psicologia atual.
Propósito
A Psicologia Humanista é um movimento da Psicologia dedicado ao
estudo dos aspectos saudáveis da pessoa e dos meios para seu pleno
desenvolvimento, sendo seu conhecimento de grande importância para
os estudantes e profissionais da Psicologia na construção do conceito
de saúde e visão de ser humano.
Objetivos
Módulo 1
O humanismo e a Psicologia
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Humanista
Identificar o humanismo e sua relação com a Psicologia Humanista.
Módulo 2
O pensamento de Abraham H.
Maslow e Carl R. Rogers
Reconhecer os pontos centrais do pensamento de Abraham H.
Maslow e Carl R. Rogers.
Módulo 3
Carl R. Rogers e a prática
psicológica
Analisar as principais contribuições de Carl R. Rogers para a prática
psicológica.
Módulo 4
Críticas à Psicologia Humanista
Avaliar as principais críticas à Psicologia Humanista e sua influência
na Psicologia moderna.
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Introdução
A Psicologia Humanista, considerada a terceira força da
Psicologia moderna, surge no contexto da Psicologia americana
como uma resposta e uma alternativa às perspectivas
psicanalíticas e comportamentais (behavioristas). Ela apresentou
uma nova visão sobre a pessoa, bem como sobre a pesquisa
psicológica, voltando-se para o estudo dos aspectos saudáveis
dos indivíduos e para o potencial de crescimento deles.
A Psicologia Humanista deixou marcas significativas em
diferentes áreas da Psicologia, tais como a clínica, as teorias da
personalidade e os estudos sobre motivação humana,
influenciando modelos psicoterápicos e novos movimentos da
Psicologia moderna.
Nesta jornada, vamos compreender melhor a Psicologia
Humanista e aprender a olhar a partir dessa perspectiva, que
acredita na motivação humana para a autorrealização,
criatividade e bondade, vendo a pessoa para além de seus
instintos e de seu meio.

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1 - O humanismo e a Psicologia Humanista
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o humanismo e sua
relação com a Psicologia Humanista.
Humanismo ou
humanismos?
Humanismo não é um termo com apenas um significado, pois ele é
utilizado em diferentes situações e de diferentes formas, o que pode
gerar certa confusão e dificuldade para compreendê-lo bem.
Nicola Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia, afirma que o termo
humanismo pode indicar duas ideias diferentes: o movimento literário e
filosófico com origem na Itália, no século XIV, e que foi de grande
importância para o desenvolvimento da cultura moderna; ou aqueles
movimentos da Filosofia que se centram e possuem, como aspecto
fundamental, a natureza humana, seu desenvolvimento e suas
limitações (ABBAGNANO, 2007).
Nogare (1973) compartilha, em parte, o afirmado por Abbagnano,
descrevendo três sentidos para o termo humanismo:
Histórico-Literário 
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Corresponde ao movimento dos séculos XIII e XIV de retorno à
cultura clássica greco-romana, buscando fazer ressurgir as
formas literárias, bem como os valores compartilhados por
essas culturas.
Compreende todas aquelas doutrinas que se debruçam sobre a
natureza do homem, sua origem e seu destino.
Surge como um aspecto prático do segundo, ou seja, que
compreende o homem como um fim em si mesmo, ao qual todas
as demais realidades são subordinadas. Nesse sentido, o
homem é visto como alguém que nunca pode ser utilizado como
meio para algum fim, isto é, como um objeto de utilidade.
Diante do que foi apresentado, portanto, poderíamos dizer que o mais
adequado seria falarmos de humanismos em vez de humanismo.
Entretanto, será que existiria um aspecto compartilhado por todos os
tipos de humanismo?
De certa forma, podemos afirmar que:
Algo comum aos humanismos é demarcar e ressaltar a
especificidade do homem em relação aos demais
seres, ou seja, sublinhar que o homem é um ser único e
diferente de todos os outros que habitam em nosso
mundo, dotado de uma dignidade particular.
Temos aqui, então, uma definição do que seria humanismo: o conjunto
de saberes (filosófico, artístico, literário) que busca enfatizar o valor e
a dignidade do homem.
Especulativo-filosófico 
Humanismo de caráter mais ético 
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Quem é o homem?
Os escritos de Homero podem ser considerados os primeiros materiais
encontrados sobre a reflexão do que é ser homem, tendo na Odisseia e
na Ilíada o encontro da metáfora do herói e da jornada humana. Nesses
escritos, que foram considerados a Bíblia para o povo grego, temos já
uma reflexão sobre o humano, sobre seus desafios, dores, medos e
destino, bem como ideais de como o homem deveria ser na sua vida
concreta.
Representação da Odisseia, um dos principais poemas épicos da Grécia Antiga, escrita por
Homero no século IX a. C.
Ao que parece, a concepção do homem recebe um viés sobre a forma
humana, relacionando todo o seu humanismo e toda a formação
humana, o autêntico ser. A vida para o ser humano tem seu drama, e sua
existência precisa ser suportada a aprendida por meio de virtudes (RUIZ,
2019).
Nogare (1973) afirma que a filosofia e a arte dos gregos possuíam um
sentido, e esse sentido era produzir o homem. Com isso, queremos
afirmar que os gregos se preocupavam, tanto na filosofia como na arte,
em como contribuir para o desenvolvimento do homem de forma plena,
uma formação humana cercada de conhecimento, de virtudes, dos
valores morais, realizando-se em sociedade e em si mesma.
Muito do pensamento grego influenciará o pensamento
cristão e o desenvolvimento do que podemos chamar
de humanismo cristão.
Entretanto, podemos afirmar que esse humanismo cristão, para além de
dar ênfase à vida virtuosa, colocará a essência da pessoa sobretudo na
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vivência do amor e na relação com Deus. Essa perspectiva, impregnada
de uma quebra de divisões (formação humana individual e formação
humana coletiva, na sociedade, convivendo com o seu meio
ecocultural), na qual o homem encontra no outro um semelhante,
demarcou a importância da comunidade e da relação entre as pessoas
como caminho para o desenvolvimento individual e da sociedade.
Embora a influência do humanismo cristão se dê até os dias atuais, na
jornada histórica que estamos realizando, vemos que o Renascimento,
com seu retorno ao mundo grego, trouxe novamente a ênfase na
perfeição humana, não mais centrada no amor e na relação com Deus,
mas na beleza física e no valor da individualidade. Com o Renascimento,
vemos recolocado no centro da reflexão o homem. Aqui vamos
encontrar aquela principal característica que permeia os diferentes
humanismos, qual seja: o homem é o mais importante ser de toda a
criação.
O homem vitruviano, de Leonardo da Vinci, realizada em 1490.
Já chegando ao final de nossa viagem, podemos adentrar a influência
das filosofias nascentes do século XIX, notadamente o pensamento de
Søren Aabye Kierkegaard (1813-1855), considerado por alguns como o
fundador do movimento existencialista contemporâneo (PENNA, 1985).
O existencialismo colocará em evidência a reflexão sobre a angústia da
existência, sobre a finitude da pessoa, dando ênfase na dramaticidade
do existir. Veremos que, em parte, o existencialismo influenciacríticas, esse movimento
tem crescido de maneira significativa em todo o mundo e ampliado sua
influência para a Educação, a Economia, a Psiquiatria e a Neurociência.
In�uências da psicologia
humanista na psicologia
positiva
Neste vídeo o especialista discorre sobre as influências da Psicologia
Humanista no surgimento e nos postulados da Psicologia Positiva.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Dentre as críticas à Psicologia Humanista, uma das mais
contundentes se dirige a seus status de ciência. No que diz respeito
a essa crítica podemos afirmar que:
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Parabéns! A alternativa B está correta.
A letra A erra ao afirmar que a Psicologia Humanista apresentou
fortes evidências científicas de sua validade, sendo que as
pesquisas na área foram, de alguma forma, incipientes na época. A
letra B é a correta ao apontar a dificuldade de atender ao
pressuposto de regularidade do objeto e a realidade da pessoa de
não ser completamente previsível em seu comportamento. A letra C
erra tendo em vista os psicólogos humanistas se preocuparem, de
A
A Psicologia Humanista apresentou fortes
evidências científicas de sua validade, entretanto,
houve pouca aceitação pela comunidade científica
da época devido ao domínio da Psicanálise e do
Comportamentalismo.
B
A Psicologia Humanista, haja vista sua aproximação
ao fenômeno humano, enfrentou o dilema de como
atender a pressupostos científicos como a
regularidade do objeto e se manter fiel à premissa
do mistério da pessoa e sua irredutibilidade a um
mecanismo estímulo-resposta.
C
Os psicólogos humanistas descartavam
completamente o valor da ciência, não querendo se
adaptar a ela.
D
A Psicologia Humanista não conseguiu
financiamentos que permitissem reproduzir
pesquisas para corroborar ou desmentir suas
hipóteses.
E
A Psicologia Humanista decidiu não assumir a
missão da ciência moderna devido às resistências
ao modelo comportamentalista.
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alguma forma, em como suas ideias seriam científicas. A letra D
erra ao vincular o problema à questão somente de financiamentos
para pesquisas. A letra E erra ao vincular o problema a não seguir o
modelo comportamentalista, sendo que embora houvesse críticas
ao Comportamentalismo, não foi essa a dificuldade quanto ao
status de ciência.
Questão 2
A Psicologia Positiva vem sendo apontada como um movimento
que ressurge com as principais premissas da Psicologia
Humanista. Entretanto, a Psicologia Positiva demarca que há uma
importante diferença entre ela e sua influência mais antiga, ou seja,
a Psicologia Humanista. Essa diferença consiste em:
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Parabéns! A alternativa C está correta.
A letra A erra tendo em vista que a Psicologia Positiva se interessa
pelos temas da saúde psíquica e desenvolvimento da pessoa. A
letra B erra, pois a Psicologia Positiva também critica as teses
psicanalíticas e algumas comportamentalistas. A letra C está
correta, já que a Psicologia Positiva tenta se esforçar para usar o
padrão científico em suas pesquisas e teses. A letra D erra, pois a
Psicologia Positiva não é contrária às hipóteses diagnósticas. A
letra E erra ao afirmar que a aproximação é com a Psicologia
Existencial, pois embora haja pontos de encontro entre essas duas,
as teses da Psicologia Humanista são muito mais retomadas pela
Psicologia Positiva.
A
A Psicologia Positiva não se interessa pelos temas
da saúde psíquica e desenvolvimento da pessoa
como a Psicologia Humanista.
B
A Psicologia Positiva concorda com as teses
psicanalíticas e comportamentalistas, ao contrário
da Psicologia Humanista.
C
A Psicologia Positiva se esforça por abordar seus
temas seguindo uma rigorosa metodologia
científica, algo não realizado pela Psicologia
Humanista de forma consistente.
D
A Psicologia Positiva não concorda com as
rotulações diagnósticas, ao contrário da Psicologia
Humanista.
E
A Psicologia Positiva, na realidade, se aproxima
mais da Psicologia Existencial do que da Psicologia
Humanista.
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Considerações �nais
Como você pôde observar, a Psicologia Humanista foi um importante
movimento na História da Psicologia que desafiou as perspectivas
psicanalíticas e comportamentalistas vigentes na época, apresentando
uma alternativa interessante de aproximação e entendimento do ser
humano.
A Psicologia Humanista permitiu à Psicologia observar o lado saudável
e positivo da vida humana, bem como, atualmente, por meio da
Psicologia Positiva, adentrar no estudo científico da felicidade e do
florescimento, expandindo-se para a construção de uma sociedade na
qual os indivíduos possam alcançar seu pleno desenvolvimento, ou seja,
possam efetivamente se tornar pessoas.
Podcast
Agora, o especialista José Augusto Cardoso finaliza com uma reflexão
sobre a importância da Psicologia Humanista nos diversos campos de
atuação da Psicologi

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Interlocuções entre psicologia positiva e abordagem centrada na
pessoa. Contextos Clínicos, v. 7, n. 2, p. 192-206, 2014.
Explore +
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Psicologia Humanista, mas também é criticado por alguns
representantes dela pelo seu peso no lado negativo da existência.
Por fim, há que se pontuar também que dois outros movimentos
contribuirão para a Psicologia Humanista. São eles:
 Fenomenologia
Pode ser definida como um método, uma atitude de
pensamento, uma tentativa de apreender
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Quão humanista é a
Psicologia Humanista?
A Psicologia Humanista surge no contexto da Psicologia norte-
americana na segunda metade do século XX, em um momento em que
duas grandes forças se faziam presentes na Psicologia: a Psicanálise e
o Comportamentalismo (Behaviorismo).
fenômenos de forma objetiva. Com a
fenomenologia, a experiência subjetiva consciente é
sublinhada como central para compreensão da
pessoa, sendo esse aspecto muito presente na
Psicologia Humanista. Exemplo: imagine um
guarda-chuva. Ele tem uma haste, e essa haste é a
fenomenologia, um recurso, um método para as
abordagens e práticas lidarem com o indivíduo. A
fenomenologia dá a sustentação. A parte de cima,
que dá cobertura, é o movimento humanista, que
compreende o indivíduo de maneira única, cada
qual com seus aspectos subjetivos e singulares.
 Personalismo
Também influenciará a Psicologia Humanista. De
acordo com Emmanuel Mounier (1905-1950),
principal nome do personalismo, ele é uma filosofia
que tem como centro a reflexão sobre a pessoa
considerada livre e criadora. Além disso, enquanto
movimento que se estruturou ao longo de seu
desenvolvimento, o personalismo, com Martin
Buber (1878-1965), deu ênfase, por exemplo, à
realidade dialógica da pessoa, ou seja, afirmou que
ela se realiza e se desenvolve no encontro autêntico
com outra pessoa.
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Cada uma dessas forças apresentava uma compreensão, ou visão, do
funcionamento humano, dando origem a uma teoria da personalidade,
desprendendo-se disso uma metodologia de intervenção clínica, ou seja,
a psicoterapia.
No que diz respeito à Psicanálise, três aspectos são importantes para a
melhor compreensão da sua influência, ainda que negativa, para o
surgimento da Psicologia Humanista.
Em primeiro lugar, a Psicanálise enfatizava a importância do
inconsciente na vida consciente e no comportamento da pessoa. Em
síntese, o modelo de funcionamento humano preconizado pelos
primeiros psicanalistas e, principalmente, por Freud, afirmava que o
homem é, sobretudo, movido por forças inconscientes. Como não se
lembrar da famosa frase de Freud “o eu não é mais senhor em sua
própria casa” (FREUD, 1917/2010, p. 186), que demonstra esse poder
das forças que povoam a vida inconsciente na determinação da atitude
da pessoa?
Sigmund Freud (1856-1939), em 1885.
Em segundo lugar, a Psicanálise apresentava uma visão negativa da
pessoa, sobretudo no que diz respeito a acreditar que os seres humanos
são egoístas e que, se fosse possível, utilizariam o outro para o seu
prazer.
Em terceiro lugar, muitos dos estudos iniciais de Freud se debruçaram
sobre pessoas acometidas por doenças mentais, o que gerará a crítica
de que a Psicanálise não se preocupava com as pessoas saudáveis,
aquelas bem adaptadas em seu ambiente e, acima de tudo, realizadas.
Com relação ao Comportamentalismo (Behaviorismo), também
podemos apresentar três pontos que contribuíram para a insatisfação
dos psicólogos que vieram a construir a perspectiva da Psicologia
Humanista.

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Uma rápida olhada nas premissas humanistas permite concluir o quanto
tal modelo gerava insatisfação aos nascentes psicólogos humanistas,
avaliando que a aproximação comportamentalista era desumanizadora
e, nesse caso, não zelava pela defesa dos animais.
Esse era o contexto da Psicologia no momento do surgimento da
Psicologia Humanista, que, insatisfeita com as perspectivas e
metodologia da Psicanálise e do Comportamentalismo, decidiu se
insurgir como uma terceira força na Psicologia.

Em primeiro lugar, o Comportamentalismo
apresentava uma visão do funcionamento do
homem desde uma perspectiva de um organismo
reagente a estímulos, ou seja, o homem era
basicamente regido por estímulos-resposta. Nesse
sentido, se compreendermos todas as respostas de
uma pessoa a determinados estímulos, podemos
chegar a uma previsibilidade de comportamento.
 Em segundo lugar, os modelos de pesquisa do
Comportamentalismo almejavam encaixar a pessoa
nos padrões científicos, nos quais a busca por
prever todos os comportamentos baseados em
uma relação de causa e efeito era o padrão a ser
alcançado na tentativa de entender o fenômeno
humano.
 Em terceiro lugar, muitas das pesquisas iniciais do
Comportamentalismo se baseavam em modelos
animais, ou seja, as conclusões sobre o
comportamento humano se baseavam em
comportamentos de ratos, por exemplo.
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Comentário
Inicialmente, os psicólogos humanistas almejavam complementar as
teorias anteriores sobre o funcionamento humano e não as suprimir.
Eles queriam propor reflexões sobre as limitações e possibilidades do
método científico no estudo da pessoa, bem como uma nova forma de
intervenção clínica pautada na realidade do encontro entre o terapeuta e
o cliente.
Diversos psicólogos se inseriam no movimento humanista: Gordon
Allport (1897-1967), Abraham Maslow (1908-1970), Carl Rogers
(1902-1987), entre outros. Cada um deles havia desenvolvido teorias e
técnicas que apresentavam em comum os cinco postulados que se
seguem.
O homem sempre é mais do que a soma de suas partes. Para a
Psicologia Humanista, a pessoa é mais complexa do que a soma
de seus comportamentos, o que a torna, de alguma forma,
imprevisível. Em outras palavras, ela será sempre um mistério
em algum nível.
Por mais que possamos adentrar na compreensão de um
mistério, ele sempre tem a possibilidade de nos surpreender.
Para os psicólogos humanistas, a pessoa é dotada dessa
possibilidade, ou seja, por mais que possamos mapear seu
comportamento, ela sempre será mais do que a soma deles.
Além disso, os psicólogos humanistas propõem uma visão
integral da pessoa, considerando não apenas seu ambiente, mas
sua realidade biopsicossocial-espiritual (ainda que esse
espiritual seja no sentido antropológico e não religioso).
O homem é um ser interpessoal. Com isso, a Psicologia
Humanista defende a profunda realidade relacional da pessoa,
ou seja, ela se desenvolve, se cura e se autorrealiza no encontro
genuíno com outras pessoas.
Primeiro postulado 
Segundo postulado 
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Esse postulado se contrapõe à premissa psicanalítica de que a
pessoa sempre tenderá a utilizar o outro para o seu prazer. Ao
contrário, para os psicólogos humanistas somente quando o
outro é visto em sua dignidade de único e particular é que se
estabelece uma relação humana.
Para além disso, os psicólogos humanistas acreditavam na
bondade da pessoa e naquilo que seria mais próprio de sua
natureza, ou seja, a adoção de comportamentos de gentileza e
pró-sociais.
Além disso, os psicólogos humanistas propõem uma visão
integral da pessoa, considerando não apenas seu ambiente, mas
sua realidade biopsicossocial-espiritual (ainda que esse
espiritual seja no sentido antropológico e não religioso).
O homem é consciente. Para a Psicologia Humanista, o
comportamento da pessoa não é fruto apenas de uma resposta
ao estímulo e tampouco somente uma manifestação do
inconsciente.
Os psicólogos humanistas acreditavam que as pessoas
buscavam conscientemente seu desenvolvimento e quenão
eram apenas regidas pelas forças inconscientes, mas pelo belo,
pelo bem, pelo amor, pela verdade etc.
O quarto postulado é um dos que mais geram discussões, pois
ele se entrelaça com o anterior: o homem é livre.
Tanto a Psicanálise quanto o Comportamentalismo
(Behaviorismo) adotam uma visão determinista da pessoa,
acreditando que o inconsciente e o ambiente vão determinar o
comportamento humano.
Para a Psicologia Humanista o homem é dotado de livre-arbítrio.
A partir da influência da fenomenologia, os psicólogos
Terceiro postulado 
Quarto postulado 
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humanistas vão afirmar que na experiência do sujeito sempre vai
haver a possibilidade da escolha, ou seja, ele terá que decidir o
que fazer com a realidade que lhe é imposta.
O homem é intencional. Com isso, os psicólogos humanistas
querem afirmar que a pessoa orienta seu comportamento, por
exemplo, pela busca de valores, e não somente para alcançar o
equilíbrio homeostático.
O comportamento do homem pode ter múltiplas intenções, é
complexo e algumas vezes paradoxal, trazendo à tona uma
interioridade que sempre nos desafia em sua compreensão.
Diante desses postulados, podemos perceber que a Psicologia
Humanista vai questionar a tentativa de enquadrar o fenômeno da
pessoa no método científico, afirmando que a investigação do humano
deve considerar o quanto tal realidade pode não se deixar apreender
pelos métodos da ciência (HOLANDA, 1997).
A Psicologia Humanista também defenderá o estudo do homem
saudável, daquelas pessoas que se mostram criativas, autorrealizadas e
autotranscendentes, acreditando ser esse um objeto legítimo de estudo
da Psicologia.
O surgimento da psicologia
humanista e seus postulados
Quinto e último postulado 

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Assista ao vídeo sobre o contexto em que surge a Psicologia Humanista
e suas críticas ao Behaviorismo e Psicanálise, discorrendo sobre os
postulados básicos da Psicologia Humanista.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No que diz respeito à definição de humanismo, analise as
alternativas a seguir quanto a sua veracidade:
I – O humanismo é um termo inequívoco, tendo apenas uma
definição ao longo de toda a história do pensamento humano.
II – O mais adequado seria que afirmássemos a existência de
humanismos em vez de somente um humanismo, já que existem
diferentes acepções para o termo e mesmo diferentes perspectivas
dentro desse movimento.
III – O sentido histórico-literário do termo humanismo se refere ao
movimento que buscou, por exemplo, retomar os gêneros literários
das culturas clássicas grega e romana.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
A primeira afirmativa incorre no erro de afirmar que o termo
humanismo é inequívoco, sendo que existem diferentes definições
para ele. As afirmativas II e III retratam o fato de que existem
diferentes acepções para o termo humanismo, podendo, inclusive,
falarmos sobre humanismos, sendo um de seus sentidos, conforme
descreve Nogare (1973), o histórico-literário.
Questão 2
Dentro dos diversos humanismos podemos citar como importante
o humanismo cristão, que influenciou a Psicologia Humanista
notadamente na ideia de que:
A Estão corretas as afirmações I e II.
B Estão corretas as afirmações II e III.
C Estão corretas as afirmações I e III.
D Somente a afirmação II está correta.
E Somente a afirmação I está correta.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Embora o humanismo cristão tenha enfatizado aspectos como a
relação do homem com Deus e mesmo a importância das virtudes,
a sua principal influência na Psicologia Humanista pode ser
percebida pelo reconhecimento do amor e de que as pessoas se
autorrealizam e se desenvolvem em um encontro genuíno com a
outra pessoa.
A
As pessoas devem buscar a Deus para se
autorrealizarem.
B
O caminho das virtudes é a única forma de alcançar
a felicidade.
C
A essência da pessoa é o amor e esse se mostrará
nas relações autênticas de pessoa para pessoa.
D
Ao homem é impossível alcançar a felicidade plena
nesta terra.
E
O homem deve descobrir sua dignidade à luz do
amor de Deus.
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2 - O pensamento de Abraham H. Maslow e Carl
R. Rogers
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os pontos centrais do
pensamento de Abraham H. Maslow e Carl R. Rogers.
Abraham H. Maslow: o pai da
Psicologia Humanista
Embora a Psicologia Humanista seja repleta de vários importantes
nomes e, de certa forma, não se apresente como um movimento
unificado, é ponto pacífico que Abraham Harold Maslow foi o fundador
dele (SCHULTZ E SCHULTZ, 2019; FEIST et al, 2015).
Abraham Harold Maslow (1908-1970) foi um psicólogo americano e
fundador do centro de pesquisa National Laboratories for Group
Dynamics.
Maslow, além de ser reconhecido como um dos principais iniciadores do
movimento da Psicologia Humanista, é considerado um dos dez
psicólogos mais influentes do século XX (KOLTKO-RIVERA, 2006).
Embora tenha tido uma infância e adolescência marcada pela relação
negativa com os pais, ele buscou desenvolver ao longo de sua vida uma
teoria que apontasse para a importância dos vínculos e reconhecesse
os aspectos positivos da pessoa.
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Em síntese, Maslow (1970) defendia que as pessoas, em seu estado
genuíno, buscariam desenvolver-se positivamente. Ele afirmava ainda
que estudar a saúde e compreender aquelas pessoas que se mostravam
exemplares tanto no nível social quanto em seus ramos de atuação era
um importante tópico de estudo para a Psicologia.
Comentário
Nesse sentido, Maslow foi um pioneiro na Psicologia da Saúde e, como
veremos, um importante nome na pré-história da Psicologia Positiva, já
 1954
Maslow deu o pontapé inicial da Psicologia
Humanista quando desenvolveu uma lista de
correspondência com 125 pessoas, cujo interesse
era o estudo científico de temas como os valores, o
crescimento, a autorrealização, o amor e a
criatividade (MOSS, 2005).
 1961
Foi lançado o Journal of Humanistic Psychology,
promovendo o reconhecimento da Psicologia
Humanista como uma área de estudos e pesquisas.
 1970
Pode-se dizer que Maslow, ao iniciar esse
movimento, definiu alguns pontos importantes: O
primeiro deles foi de que a natureza humana não
era somente má e marcada pelo adoecimento, mas
também boa e voltada para o desenvolvimento,
para a criatividade, para os valores etc.
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que ele defendia o estudo das potencialidades humanas, tal como esse
recente movimento da Psicologia moderna.
Maslow (1970, p. 31) afirma que o estudo das pessoas que alcançam a
autorrealização “poderá nos ensinar muito sobre os nossos próprios
erros, as nossas deficiências, as direções adequadas em que devemos
crescer”, acreditando que esse estudo pode contribuir para
compreender também os problemas e dificuldades que as pessoas
enfrentam.
Isso quer dizer que saúde, doença, felicidade e
sofrimento fazem parte de uma mesma realidade e que
não se deve cair no engano de pensar que a saúde
psicológica é a ausência de problemas ou sofrimento.
Para Maslow (1970), o sofrimento também pode
permitir o amadurecimento e o desenvolvimento.
O iniciador da Psicologia Humanista criticava os psicólogos de seu
tempopor se orientarem sobretudo para a doença mental e para as
pessoas com problemas mentais, bem como por explicarem
experiências humanas elevadas (positivas) como formas de
mecanismos neuróticos.
Hierarquia de necessidades
de Maslow
Maslow desenvolveu uma das mais importantes teorias da motivação
humana.
Sua teoria tem algumas características importantes:
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Primeira característica
Ela se apresenta como uma hierarquia de necessidades na qual
uma necessidade mais básica deve ser satisfeita para que se
alcance outra.
Segunda característica
A teoria de Maslow afirma que todas as pessoas são
motivadas pelas mesmas necessidades básicas, ainda que sua
expressão possa ter algumas diferenças devido a questões
culturais, por exemplo.
Terceira característica
A teoria de Maslow afirma que a não satisfação de alguma
dessas necessidades, ou seja, sua privação, acarreta algum
tipo de patologia, seja ela física, emocional ou mesmo
existencial.
Veja abaixo uma ilustração representativa da Pirâmide da hierarquia de
necessidades de Maslow:
Pirâmide da hierarquia de necessidades de Maslow.
Dito isso, vamos apresentar a hierarquia de necessidades de Maslow:
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 As primeiras necessidades da
hierarquia:
As necessidades �losó�cas
Nelas estão incluídas as necessidades de comida,
água, oxigênio etc. A satisfação dessas
necessidades é necessária para que a pessoa
possa se motivar para alcançar e satisfazer outras.
Nesse sentido, uma pessoa com fome e sede
dificilmente poderia se motivar e se dedicar a saciar
sua necessidade de segurança (a próxima na
hierarquia). As necessidades fisiológicas podem ser
completamente satisfeitas, mas são recorrentes, ou
seja, em algum momento terão que ser satisfeitas
novamente.
 O segundo conjunto de
necessidades:
As necessidades de segurança
Sabemos que é importante para a pessoa se sentir
segura, tendo controle do seu ambiente e se
sabendo protegida. Na realidade, hoje sabemos que
segurança e afeto são primordiais para o sadio
desenvolvimento de uma criança, inclusive em seus
aspectos neurofisiológicos. As necessidades de
segurança incluem a segurança física, estabilidade,
proteção contra catástrofes naturais, bem como a
existência de uma sociedade segura e de um
Estado que garanta o cumprimento de leis.
 O terceiro conjunto de
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necessidades:
Envolve amor e pertencimento
Constitui os relacionamentos interpessoais, sejam
com um parceiro, com uma família ou com
amizades. O afeto é muito importante para a
constituição da pessoa. A satisfação das
necessidades de amor e pertencimento está no
âmago da saúde mental e mesmo do tratamento de
transtornos mentais, sendo que a inserção das
pessoas em grupos que promovam um suporte
social para o tratamento de alguns transtornos é
altamente positiva.
 O quarto conjunto de
necessidades:
De estima
Satisfeitas as necessidades de amor e
pertencimento, o quarto conjunto de necessidades
na hierarquia é o das necessidades de estima, que
incluem o respeito próprio, a competência e a
confiança em si, sendo que Maslow as divide em
dois níveis: reputação e autoestima.
Enquanto a reputação está relacionada à avaliação
que a pessoa faz do reconhecimento alcançado
perante as outras, a autoestima engloba as
avaliações positivas que ela tem de si mesma,
afetando seu senso de confiança.
 O quinto conjunto de
necessidades:
De autorrealização
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A partir disso, Maslow (1970) identifica um conjunto de características
das pessoas que são autorrealizadas (MASLOW, 1970; FEIST et al,
2015). São elas:
Característica 1
Uma percepção mais eficiente da realidade: têm mais
facilidade de distinguir o falso do genuíno, além de terem
menos medo de situações desconhecidas.
Característica 2
Aceitação de si, dos outros e da natureza: menor
culpabilização e críticas direcionadas a si mesmo e aos outros,
não cobrando perfeição de si nem dos demais.
Característica 3
Espontaneidade, simplicidade e naturalidade: vivem de forma
simples, não buscam construir uma aparência e nem querem
usar “máscaras” para enganar as pessoas.
Característica 4
Autonomia: são autônomas e acreditam em si mesmas para o
O último, mas não menos importante conjunto de
necessidades a serem satisfeitas engloba as
necessidades de autorrealização. Segundo Maslow
(1970), as necessidades de autorrealização
incluem a realização de todo o potencial da pessoa
e uma experiência de ser criativa, em seu sentido
mais amplo.
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seu crescimento.
Característica 5
Apreciação do novo: essas pessoas podem observar uma
mesma paisagem de forma renovada todos os dias.
Característica 6
A experiência culminante (experiência de pico): essas
experiências, algumas vezes de natureza mais mística, não se
limitam aos aspectos religiosos, podendo ser descritas como
todas aquelas experiências nas quais a pessoa vivenciou
algum tipo de transcendência.
Característica 7
Sentimento de pertencimento comunitário: um sentimento
maior de unidade com a espécie humana em geral. Ainda que
essas pessoas possam se sentir chateadas ou zangadas com
alguém, seu apreço pelo humano é algo presente.
Característica 8
Relações interpessoais profundas: pessoas autorrealizadas
tendem a ter uma experiência profunda em alguns de seus
relacionamentos interpessoais.
A teoria da hierarquia de necessidades de Maslow deu origem à famosa
Pirâmide de Maslow, na qual as necessidades são colocadas
graficamente da mais básica até a mais elevada. Essa teoria teve
influência não somente na Psicologia, mas também na Educação e nas
organizações, sendo adaptada pela Administração e pela Gestão de
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Pessoas para melhor lidar com os colaboradores das organizações.
Hierarquia das necessidades de Maslow.
Nos últimos anos de sua vida, Maslow começou a desenvolver alguns
estudos e sugeriu a criação de uma quarta força na Psicologia, ao que
ele chamou de Psicologia Transpessoal, dedicada ao estudo das
experiências de autotranscedência, as chamadas experiências de pico, e
ao mais alto grau de desenvolvimento humano.
Ainda que muitos temas dessa área tenham sido abordados em outras
escolas de pensamento, e mesmo que o interesse por ela tenha sido
retomado nos últimos anos, a Psicologia Transpessoal nunca se tornou
a quarta força defendida por Maslow.
Carl Ramson Rogers e a
terapia centrada na pessoa
Nada é mais importante no processo terapêutico do que a relação entre
o terapeuta e o cliente, que é uma relação de pessoa para pessoa.
Certamente, essa poderia ser uma frase para se atribuir a Carl Ramson
Rogers (1902-1987), reconhecido como aquele que traduziu muitas das
premissas e ideias da Psicologia Humanista para o campo clínico.
De fato, Carl Rogers possuía uma ampla experiência clínica, tendo
trabalhado durante muitos anos com jovens delinquentes, o que,
posteriormente, influenciou suas conclusões sobre a importância da
atenção positiva incondicional no desenvolvimento sadio da pessoa.
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Carl Ramson Rogers (1902-1987)
De acordo com Feist e colaboradores (2015), Rogers também teve uma
infância desafiadora, sobretudo pela tendência ao isolamento de sua
família e a uma educação de cunho religioso muito rígida.
Rogers(1985;2020) desenvolveu uma terapia centrada na pessoa (ou
centrada no cliente), também conhecida como abordagem/teoria
centrada na pessoa. Vamos, a partir deste ponto, compreender um
pouco melhor esse modelo terapêutico.
Segundo Rogers (1985;2020), a teoria centrada na pessoa apresenta
dois pressupostos amplos:
Tendência formativa
É o processo universal, diz respeito ao processo universal de tendência
da matéria, seja ela orgânica ou inorgânica, em desenvolver-se das
formas mais simples para as formas mais complexas.
Tendência atualizante
É o processo humano ou não humano (animais e plantas) de movimento
em direção à realização de todo o seu potencial. Relaciona-se de modo
semelhante à tendência formativa.
No caso da pessoa, a tendência atualizante se manifesta na propensão
pelo crescimento e melhoramento do organismo, ainda que isso possa
gerar sofrimento e dor.
Rogers (1985;2020) acreditava, inclusive, que a pessoa possuía todo o
necessário para o seu crescimento, sendo que o papel do terapeuta
deveria ser de facilitador para esse desenvolvimento, a partir do
encontro genuíno com o cliente.
A pessoa necessita sobretudo de relações sadias, nas quais haja
autenticidade, empatia e consideração positiva incondicional. Esses são
os ingredientes principais que permitem o seu crescimento psicológico
e desenvolvimento pleno. Nas palavras de Rogers:
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Se posso proporcionar um certo tipo
de relação, o outro descobrirá
dentro de si mesmo a capacidade
de utilizar aquela relação para
crescer, então mudança e
desenvolvimento pessoal ocorrerão.
(ROGERS, 1985/2020, p. 37)
A tendência atualizante é percebida desde os primeiros estágios do
desenvolvimento da pessoa, sendo que o bebê, ao longo de sua
interação com o meio e a partir da tomada de consciência de sua
identidade, vai se diferenciando de sua mãe (ou cuidador primário) e
experimentando diferentes aspectos da realidade que o levam a um
desenvolvimento rudimentar da consciência de si, o que se chama self.
No decorrer de seu desenvolvimento, a pessoa, a partir da tendência à
atualização, desenvolve a autoatualização, ou seja, a tendência a
atualizar o self, a desenvolver a si mesmo de forma mais plena.
O self é dividido em dois subsistemas:
Autoconceito
Envolve as diversas experiências e aspectos da pessoa que são
percebidos na consciência. Ele não engloba todo o self, mas apenas
aquelas partes que a pessoa toma consciência. Nesse sentido, ao longo
da vida vamos desenvolvendo um autoconceito que pode excluir outros
aspectos do nosso self e, algumas vezes, gerar dificuldades de
adaptação e nos relacionamentos.
Self ideal
Engloba a visão de como a pessoa gostaria que fosse o seu self, que
características ela gostaria que fizessem parte dele, ou seja, uma
imagem ideal. Aqui podemos falar da relação entre autoconceito e self
ideal. As pessoas saudáveis tendem a ter uma discrepância pequena
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entre self ideal e autoconceito.
No processo de tornar-se pessoa, a experiência de consideração
positiva incondicional é primordial, ou seja, a pessoa necessita
experimentar-se amada, estimada e aceita pelo outro, para assim iniciar
o desenvolvimento da autoconsideração positiva. Durante a infância, em
muitos casos, temos a oportunidade de experienciar a consideração
positiva incondicional no amor de nossos pais.
A autoconsideração positiva envolve o processo de valorizar e amar a si
mesmo. Desenvolver uma sadia autoconsideração é parte fundamental
do processo de autorrealização, ou seja, realização de todas as
potencialidades da pessoa.
Percebe-se, então, que o processo de autorrealização é construído
durante toda a vida, sendo alcançado principalmente quando na relação
com o outro consigo construir uma visão adequada de mim e adoto
uma consideração positiva sobre mim mesmo, bem como adoto essa
atitude com os outros.
Terapia centrada na pessoa
Rogers (1985/2020), ao longo de sua vida, desenvolveu uma rica
experiência por meio do contato com seus clientes, sendo que sua
teoria psicoterapêutica em muito se baseia nessas experiências. De
acordo com ela, a pessoa carrega dentro de si o potencial para o
crescimento e o amadurecimento, necessitando apenas do ambiente, ou
melhor, do clima psicológico adequado para que esse potencial possa
se transformar em realidade.
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De certa forma, essa premissa foi transpassada para a psicoterapia, ou
seja, Rogers (1985/2020) vai entender o processo terapêutico como um
encontro de pessoas, no qual o desenvolvimento do cliente se dá pela
posse do terapeuta de três características simples em sua explicação,
porém complexas em sua vivência: ser congruente (ou autêntico), ter
aceitação incondicional positiva do cliente e ser empático.
A ênfase na relação leva Rogers (1985/2020) a afirmar que abordagens
baseadas somente no treinamento, no ensino de algo que deva ser
utilizado, tendem a ser ineficazes
Mais importante do que as técnicas a serem utilizadas
é a pessoa que se encontrará com o cliente e como ela
facilitará o crescimento dele.
Sendo assim, Rogers (1985/2020) vai pontuar que o primeiro aspecto ou
condição importante na relação terapeuta/paciente é a congruência, ou
o ser genuíno. Nas palavras do autor:
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Descobri que quanto mais conseguir
ser genuíno na relação, mais útil
esta será. Isso significa que devo
estar consciente de meus próprios
sentimentos, o mais que puder, ao
invés de apresentar uma fachada de
uma atitude. […] Ser genuíno
também envolve a disposição para
ser e expressar, em minhas palavras,
e em meu comportamento, os vários
sentimentos e atitudes que existem
em mim. […] É somente ao
apresentar a realidade genuína que
está em mim, que a outra pessoa
pode procurar pela realidade em si
com êxito.
(ROGERS, 1985/2020, p. 37-38)
Ser genuíno, portanto, desafia o terapeuta não somente no sentido de se
expressar autenticamente para o paciente, mas em se conhecer, em ter
adentrado no processo de autoconsideração positiva, compreendendo
seus sentimentos positivos e negativos, diminuindo a disparidade entre
o autoconceito e o self ideal e, com isso, conseguindo adotar atitudes
adequadas no processo terapêutico com o paciente.
Uma segunda condição apontada por Rogers (1985;2020) é a aceitação
incondicional do paciente, que significa aceitar essa pessoa de forma
afetuosa, considerando-a portadora de um valor único que independe de
seus comportamentos, sentimentos ou condição.
Comentário
Essa aceitação incondicional do paciente favorece a experiência de
afeto, contribuindo para que ele possa, pouco a pouco, desenvolver a
autoconsideração positiva, tão importante para seu processo de
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autoatualização e autorrealização.
Por fim, a última atitude necessária e importante por parte do terapeuta
é a escuta empática. Rogers (1985;2020) manifesta que não é suficiente
aceitar o paciente, pois o terapeuta também deve compreendê-lo. Isso
significa compreender os sentimentos e pensamentos do paciente para,
assim, favorecer sua liberdade de explorar toda sua realidade interior,
ainda que difícil e assustadora.
A atitude empática, segundo Rogers (1985/2020), também envolve a
não realização de julgamentos morais e o não estabelecimento de
diagnósticos, sendo que a ênfase nesse último é uma das críticas feitas
pela Psicologia Humanista.
Na realidade, a Psicologia Humanista vê nos
diagnósticos uma rotulação da pessoa, acabando porprejudicar sua compreensão enquanto realidade única
e dotada de dignidade, aprisionando-a em uma
determinada categoria diagnóstica.
Conceitos básicos da teoria de
Rogers e a terapia centrada na
pessoa
Assista ao vídeo sobre os conceitos básicos da teoria de Rogers e a
terapia centrada na pessoa
Falta pouco para atingir seus objetivos.

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Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Abraham Maslow é considerado o pai da Psicologia Humanista. Em
suas pesquisas, ele buscou defender uma modificação de
perspectiva quanto aos interesses de estudo da Psicologia. No que
diz respeito a esses interesses, Maslow defendia que a Psicologia
deveria:
Parabéns! A alternativa D está correta.
Maslow defendia que o estudo das pessoas saudáveis e
autorrealizadas deveria ser o foco da Psicologia, o que o fazia
A
Manter a ênfase no estudo das pessoas com
patologias, buscando formas mais eficazes de
ajudá-las.
B
Adotar uma perspectiva comportamentalista,
enfatizando o papel do meio no condicionamento
dos comportamentos do indivíduo.
C
Estudar somente as pessoas autorrealizadas, sendo
que as pessoas doentes deveriam ser objeto de
estudo da psiquiatria.
D
Debruçar-se sobre as pessoas saudáveis e
autorrealizadas, acreditando que esse estudo
poderia contribuir para melhor compreensão dos
erros e dificuldades vivenciados por elas.
E
Focar nos aspectos inconscientes da experiência da
pessoa.
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criticar a perspectiva psicanalítica de abordar somente as pessoas
com transtornos mentais ou dificuldades de adaptação. A resposta
C, embora pontue a questão do estudo das pessoas
autorrealizadas, também afirma que as pessoas doentes não
deveriam ser objeto dos estudos da Psicologia, algo que não era
defendido por Maslow.
Questão 2
Carl R. Rogers é conhecido como o fundador da Terapia Centrada
na Pessoa. Dentro desse modelo terapêutico Rogers estabelece as
condições fundamentais para que o terapeuta possa facilitar o
processo de desenvolvimento do paciente. As três atitudes
fundamentais do terapeuta para o paciente são:
Parabéns! A alternativa C está correta.
Rogers defende que o terapeuta, em sua relação com o paciente,
A
Congruência (autenticidade), aceitação condicional
do paciente, empatia.
B
Congruência (autenticidade), aceitação
incondicional do paciente, atenção seletiva.
C
Congruência (autenticidade), aceitação
incondicional do paciente, empatia.
D
Escuta ativa, aceitação condicional do paciente,
empatia.
E
Escuta ativa, congruência (autenticidade), aceitação
condicional do paciente.
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deve ser autêntico (apresentar congruência), aceitar o paciente de
forma incondicional, sem efetivar julgamento ou lhe aplicar rótulos,
e ser empático. Essas seriam as condições fundamentais para o
efetivo processo terapêutico.
3 - Carl R. Rogers e a prática psicológica
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar as principais
contribuições de Carl R. Rogers para a prática psicológica.
Ênfase na relação terapêutica
O modelo terapêutico de Rogers traz uma grande novidade para a
Psicologia. Como já dito anteriormente, Rogers apresentou três
condições necessárias indispensáveis ao terapeuta durante o processo
terapêutico. Elas são a congruência (ou autenticidade) no
relacionamento com o paciente, a consideração positiva incondicional e
a atitude empática.
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Essas três condições são uma revolução a título de aspectos a serem
considerados pelos terapeutas. Até hoje, pode-se perceber o quanto tais
condições foram assimiladas por outros modelos psicoterapêuticos,
como a terapia cognitivo-comportamental, a terapia comportamental
dialética, a terapia de aceitação e compromisso, entre outros.
A ênfase no relacionamento terapêutico é demarcada em quase todos
os modelos psicoterápicos como a chave para o sucesso da
intervenção, sendo em muito influenciada pelas conclusões de Rogers
(1985/2020) sobre o poder do encontro na cura e desenvolvimento da
pessoa.
Além disso, a abordagem centrada na pessoa (teoria centrada na
pessoa) apresenta uma visão do ser humano como alguém capaz de
dar suporte para o crescimento do outro, bem como uma perspectiva
não patologizante, o que a difere de muitas abordagens atuais.
Terapia comportamental
dialética
A terapia comportamental dialética (DBT – Dialectical Behavior Therapy)
é um modelo de tratamento psicoterápico voltado principalmente para
casos graves, sendo considerado o padrão de tratamento, por exemplo,
para o Transtorno de Personalidade Borderline.
A DBT se insere na chamada terceira onda das terapias cognitivo-
comportamentais, integrando aspectos da análise do comportamento,
da terapia cognitiva e do zen-budismo. Trata-se de uma combinação de
técnicas comportamentais, cognitivas e do zen-budismo, tais como
técnicas de relaxamento e de mindfulness (atenção plena).
DBT
A diversidade de embasamentos teóricos da terapia cognitivo-
comportamental é analisada por muitos autores em três ondas. Sendo a
primeira onda predominantemente comportamentalista, a segunda
cognitivista e a terceira se caracteriza por uma sensibilidade especial ao
contexto e às funções do fenômeno psicológico..
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Saiba mais
A DBT foi desenvolvida pela psicóloga e autora norte-americana Marsha
Linehan, cujas primeiras publicações datam do início da década de
1990. Inicialmente, a DBT foi aplicada em mulheres que apresentavam
altos índices de comportamento suicida. Ao longo dos anos, no entanto,
a DBT passou a ser utilizada nos quadros em que a desregulação
emocional é um aspecto central.
A DBT é um modelo complexo que inclui diferentes modos de
tratamento concomitantes, mesclando estratégias comportamentais e
cognitivas, visando contribuir para que o paciente adquira habilidades
para melhor regulação de suas emoções, efetividade nos
relacionamentos interpessoais e evitação de comportamentos de risco.
Dentro dos aspectos importantes no modelo da DBT estão a aceitação
incondicional do paciente e a relação empática, podendo se perceber
uma influência da abordagem centrada na pessoa.
Os pacientes, principalmente aqueles que apresentam quadro de
transtorno de personalidade borderline, experimentam sofrimento
significativo frente à possibilidade de abandono e rompimento da
relação. Por isso mesmo, a construção de uma sólida relação
terapêutica baseada na aceitação e na empatia se faz necessário,
sendo que o paciente necessita experimentar, nessa relação, o suporte
de que o terapeuta estará presente para lhe ajudar a melhor regular suas
emoções.
Instabilidade emocional e desordens de personalidade
Na prática clínica, verifica-se que as estratégias de validação, por
exemplo, são importantes no modelo de psicoterapia individual e se
caracterizam pela empatia e reforço, por parte do terapeuta, de que a
visão do paciente apresenta aspectos válidos dentro do contexto de
vida dele.
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Também podemos observar uma genuinidade do terapeuta para com o
cliente, o que se mostra de forma mais clara nas técnicas de
autorrevelação, quando o terapeuta apresenta suas vivências com o
intuito de contribuir para o processo terapêutico.Comentário
A DBT vem sendo cada vez mais estudada no Brasil, sendo que nos
últimos anos houve o aumento das publicações na área.
Terapia baseada em processos
Tratamentos clínicos efetivos constituem,cada vez mais, um desafio
para profissionais psicólogos. Além disso, modelos psicoterápicos se
proliferam, havendo mais de uma centena de propostas, acabando por
prejudicar o status científico da psicoterapia.
Essa realidade foi um desafio para os psicólogos
humanistas, incluindo Carl Rogers. Como desenvolver
uma abordagem científica do tratamento de uma
pessoa, podendo generalizar achados, mas sem perder
a especificidade e a particularidade de cada indivíduo.
Vale lembrar que Rogers (1985;2020) foi, sobretudo, um psicólogo
clínico, sendo que sua experiência se formou dentro desse contexto em
que o encontro entre pessoas era o caminho para o desenvolvimento e a
cura do cliente.
O desafio de desenvolver uma ciência (Psicologia) que possa realizar
generalizações sem desconsiderar a realidade (única e particular) da
pessoa ainda ecoa na Psicologia moderna, se inserindo na questão da
pesquisa de base nomotética e da pesquisa de base idiográfica. Vamos
falar um pouco desses modelos de pesquisa. A pesquisa de base
nomotética tem como objetivo alcançar dados e realizar generalizações,
sendo o padrão de grande maioria das pesquisas científicas de viés
quantitativo.
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No entanto, observando a proposta de Rogers, podemos verificar que
ele, além de se posicionar reticente quanto aos diagnósticos, enfatizava
a realidade particular e individual de cada pessoa como ponto central a
ser considerado, não havendo generalizações.
Essa forma de aproximação faz parte da chamada pesquisa de base
idiográfica, na qual o fenômeno em particular deve ser observado e
estudado, levando em consideração seu contexto específico. Essa
tensão entre uma abordagem nomotética, quantitativa e idiográfica,
mais qualitativa, ganha grandes proporções em alguns contextos.
O olhar para a particularidade da pessoa vem sendo
retomado, de alguma forma, pelo modelo da Terapia
Baseada em Processos.
Segundo Barthel, Hofmann e Hayes (2021) a terapia baseada em
processos busca responder à pergunta de quais processos
biopsicossociais devem ser abordados com um cliente em concreto
visando retratá-lo da maneira mais eficiente possível.
Embora os modelos-padrão de tratamento psicoterápico ainda sejam
preferidos por operadoras de saúde, percebe-se que eles nem sempre
são efetivos.
Comentário
Há uma variável fundamental que é a unicidade e a particularidade da
pessoa, por isso mesmo, ainda que se possa desenvolver modelos
padronizados de intervenção, deve-se também apontar a importância da
realidade individual.
Sendo assim, a terapia baseada em processos busca, por um lado,
considerar tratamentos efetivamente comprovados, mas, por outro, não
renuncia à avaliação individual, observando a realidade concreta da
pessoa e buscando oferecer tratamentos cada vez mais personalizados.
A terapia baseada em processos também traz esperança para um
modelo mais integrativo, algo que a Psicologia Humanista já defendia
como necessário para melhor lidar com a complexidade e o mistério
humanos.
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In�uências rogerianas em
outras áreas
A influência de Rogers não se reduziu ao campo da psicoterapia e,
quiçá, da Psicologia, sendo que a Educação, a Administração, a Gestão
de Pessoas, o Serviço Social e outras áreas se viram influenciadas pela
Abordagem Centrada na Pessoa.
Rogers (1985/2020) manifestou acreditar que a relação terapêutica é
apenas um tipo de relação, pontuando que se as atitudes de
congruência, aceitação positiva incondicional e empatia fossem
desenvolvidas em outras relações, o crescimento e o desenvolvimento
da pessoa se dariam. Nas palavras do autor:
Há todas as razões para se supor
que a relação terapêutica constitui
apenas um exemplo das relações
humanas, e que a mesma
legitimidade rege todas essas
relações. Dessa forma, parece
razoável levantar a hipótese de que
se os pais criarem com seu filho um
clima psicológico do tipo que
descrevemos, então a criança se
tornará mais autodirigida,
socializada e madura.
(ROGERS, 1985/2020, p. 42)
No campo da Educação, uma das influências de Rogers foi naquilo
denominado por ele mesmo de ensino centrado no aluno. Essa
perspectiva se baseava nos princípios terapêuticos da abordagem
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centrada na pessoa aplicados a educação.
Segundo Pinheiro e Batista (2018), no ensino centrado no aluno se faz
importante que este último apreenda o tema estudado como algo
relevante para ele, sobretudo por meio da facilitação do professor nesse
encontro.
Rogers (1985;2020) não deixa de ser polêmico ao propor o ensino
centrado no aluno, já que afirma que exames e títulos deveriam ser
dispensados, pois não apontam para aquilo que é mais importante no
processo de aprendizagem: a experiência do aluno de aprendizado
autodescoberto e auto apropriado.
Outro campo de estudo influenciado por Rogers foi o do
aconselhamento psicológico. Segundo Scorsolini-Comin (2014) o
aconselhamento psicológico surgiu no início do século XX tendo uma
aproximação mais tecnicista e objetiva da realidade humana,
acreditando que, por meio da mensuração das características da
pessoa, se poderia alcançar um plano para ela se adaptar e lidar com
suas disfuncionalidades.
Scorsolini-Comin (2014) define o aconselhamento como:
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[...] uma tecnologia de ajuda e
cuidado utilizada em situações
diversas que envolvem o manejo de
crises e em que se busca a
adaptação, a autonomia, a maior
capacidade de se tomar decisões e
também o crescimento pessoal.
(SCORSOLINI-COMIN, 2014, p. 194)
Rogers (1985/2020) atuou no aconselhamento em parte de sua vida,
entretanto, em seus primeiros anos de desenvolvimento da abordagem
centrada na pessoa, criticou esse viés mais psicométrico de condução
do aconselhamento, trazendo a perspectiva do encontro e as atitudes
indispensáveis do terapeuta para essa área.
O aconselhamento psicológico é muito utilizado em abordagens visando
a ajuda de pacientes com dependência química, bem como situações de
crise, como a vivenciada com a pandemia de covid-19.
A aplicação da abordagem centrada na pessoa
também é vista nos mais diversos tipos de grupos, tais
como grupos escolares, grupos de pessoas com
doenças específicas e grupos de encontro, sendo uma
forma de facilitar o processo de autoaceitação por
meio da aceitação incondicional que as diferentes
pessoas do grupo vão pouco a pouco compartilhando.
Uma outra influência do pensamento de Carl Rogers pode ser vista
naquilo que se denominou Psicoterapia Humanista-Existencial. Existem
discussões sobre a junção dessas duas perspectivas. O próprio Maslow
(1970), embora reconhecesse o papel do existencialismo na Psicologia
Humanista, criticava alguns aspectos desse movimento, como, por
exemplo, a ênfase na dramaticidade da vida. No entanto, a psicoterapia
humanista-existencial constituiu a reunião de diferentes nomes sob uma
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perspectiva psicoterapêutica. Esse foi o caso de Viktor Frankl que, como
pode ser visto em outra jornada (A Psicologia Existencial), foi o fundador
da Logoterapia e da Análise Existencial.
Em síntese, as premissas de Rogers, sua ênfase na relação de pessoa
para pessoa e sua contínua crença no potencial de desenvolvimento
humano constituem aspectos duradouros na história da Psicologia,
retomados ao longo do seu desenvolvimento na empreitada contínua de
tornar mais pessoa cada ser humano.
A in�uência do pensamento
de Carl Rogers em outras
áreas
Neste vídeo o especialista discorresobre as influências do pensamento
de Carl Rogers, em outras áreas como na Educação, no aconselhamento
psicológico.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No que diz respeito às influências de Rogers nas práticas
profissionais atuais, podemos afirmar que:

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Parabéns! A alternativa D está correta.
A letra A incorre no erro de afirmar que a influência de Rogers foi
pequena e limitada à visão de pessoa. A letra B também erra
quando afirma não haver influência e ao associar esse fato à falta
de fundamento científico da teoria. A letra C realiza uma
generalização indevida, já que nem todos os modelos assimilaram
as ideias de Rogers. A letra D reconhece que a influência é grande,
sobretudo no aspecto da relação terapêutica, sendo de fato algo
perceptível e, portanto, sendo a alternativa correta. A letra E
também erra ao associar a influência às terapias existenciais.
A
As influências de Rogers foram pequenas,
limitando-se a sua visão de pessoa como ser que
busca se desenvolver necessitando apenas de uma
relação humana favorável.
B
Não houve influências de Rogers nas práticas
profissionais atuais, pois sua teoria não possui
quaisquer fundamentos científicos.
C
As influências de Rogers podem ser vistas em todos
os modelos psicoterapêuticos que assimilaram,
principalmente, a aceitação incondicional do cliente
como atitude fundamental do terapeuta.
D
Sua influência é grande, sobretudo pela ênfase dada
na relação terapeuta-paciente, sendo que a relação
terapêutica é algo demarcado como fundamental na
maioria das psicoterapias atuais.
E
Sua influência limitou-se às terapias de perspectiva
existencial, não alcançando outros modelos
psicoterápicos.
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Questão 2
A terapia baseada em processos é uma abordagem atual que vem
afirmando a importância de tratamentos personalizados para
alcançar maior efetividade. Essa afirmativa se relaciona com a
seguinte ideia presente no pensamento rogeriano:
Parabéns! A alternativa C está correta.
A terapia baseada em processos vem afirmando a importância de
se considerar a particularidade das pessoas e seu contexto para o
sucesso dos tratamentos, sublinhando a necessidade de se
considerar as pesquisas de base idiográfica. Nesse sentido,
A
O processo terapêutico é sobretudo um conjunto de
técnicas que são validadas pela constante testagem
e generalização.
B
O processo terapêutico tem como objetivo o
alcance de uma hipótese diagnóstica para, então, se
selecionar os tratamentos com base em evidências.
C
A terapia é, sobretudo, um encontro de pessoa com
pessoa, sendo que esse encontro particular e único
é o caminho para a cura e o desenvolvimento do
cliente.
D
O desenvolvimento de técnicas e seu ensino deve
ser o foco dos que buscam atuar no campo da
psicoterapia.
E
A base para a efetividade dos processos
terapêuticos se encontra nas pesquisas
nomotéticas.
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enfatizam o valor da pessoa e o quão importante é considerar essa
realidade única na construção de modelos de tratamento.
4 - Críticas à Psicologia Humanista
Ao �nal deste módulo, você será capaz de avaliar as principais críticas à
Psicologia Humanista e sua in�uência na Psicologia moderna.
Críticas à Psicologia
Humanista
Como foi dito, a Psicologia Humanista surgiu como uma resposta ao
inconformismo provocado pelas abordagens psicanalíticas e
comportamentalistas vigentes na Psicologia da metade do século XX.
Somente por isso, já se poderia esperar um conjunto de críticas ao
pensamento desenvolvido por essa abordagem. Muitas das premissas,
objetos de estudo e preocupações da Psicologia Humanista eram vistas
com maus olhos pelos psicólogos da época.
Comentário
Tanto Maslow (1970) quanto Rogers (1985;2020) relatam dificuldades
que enfrentaram em seus centros acadêmicos quanto à aceitação de
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suas ideias.
Embora Maslow (1970) tenha se preocupado em promover uma postura
integralista, enfatizando a importância de considerar os aspectos
negativos e positivos da existência, bem como em complementar os
aspectos pontuados pela Psicanálise e pelo Comportamentalismo, a
Psicologia Humanista acabou, com o tempo, sendo criticada por ambas
as escolas.
Apresentaremos a seguir críticas gerais ao movimento da Psicologia
Humanista e, posteriormente, às teorias de Maslow e Rogers.
Psicologia Humanista não é
cientí�ca
Provavelmente esta é uma das mais fortes críticas ao movimento da
Psicologia Humanista, ou seja, de que ela não teria alcançado o status
de científica.
Essa crítica se manifesta concretamente quando tratamentos que são
ditos baseados em evidência substituem, por exemplo, uma abordagem
centrada na pessoa, como anteriormente já foi apresentado.
Comentário
Ela também é utilizada para justificar o declínio da Psicologia
Humanista em muitos grandes centros acadêmicos, sendo uma cadeira
relegada à margem em muitas instituições.
Entretanto, Castañon (2007) traz uma interessante reflexão ao dilema
vivenciado pela Psicologia Humanista. Segundo esse autor, os
pressupostos filosóficos da ciência moderna são:
 O realismo ontológico, ou seja, a crença de que o
objeto de estudo existe independente da mente do
pesquisador que o estuda.
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Aqui se tem o grande problema para a Psicologia Humanista. Por um
lado, os psicólogos humanistas queriam, de alguma forma, construir
conhecimentos válidos cientificamente, por outro, a realidade de seu
objeto de estudo, qual seja, a pessoa, tornava difícil essa empreitada.
Isso porque, por mais que se possa estudar o comportamento humano
em termos de causa e efeito, não é possível isolar todas as variáveis
internas e externas que afetam esse comportamento, tais como o
sentido das experiências e da própria vida, que são aspectos da
realidade individual de cada pessoa.
Não há como quantificar de forma integral as nossas
experiências individuais.
 A regularidade do objeto, que significa que alguns
aspectos desse objeto de estudo devem
permanecer estáveis.
 O otimismo epistemológico, que quer dizer que é
possível alcançar conhecimento do fenômeno
estudado utilizando-se o método adequado.
 Os pressupostos lógicos, ou seja, a possibilidade de
se construir argumentos sólidos por meio da lógica
clássica.
 O representacionismo, que afirma a possibilidade
de, através da linguagem, representar o mundo de
forma adequada e estável.
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Vejamos um exemplo interessante. Se eu mostro para um conjunto de
dez pessoas uma cartolina azul e pergunto qual é a cor da cartolina, é
provável que a maioria deles, senão todos, responda que é azul.
Entretanto, se pergunto de zero a dez qual a intensidade desse azul, é
possível que eu obtenha até cinco intensidades diferentes.
Essa experiência, a qual podemos chamar Qualia, aponta para uma
realidade mais particular e não quantificável da pessoa, mas que a
Psicologia Humanista defende que seja abordada.
Acreditar e defender que a pessoa é um ser consciente, auto orientado e
criativo envolve dizer que, por mais que os comportamentos, traços de
personalidade e vivências emocionais de um indivíduo possam ser
mapeados, ele sempre pode vir a surpreender e a adotar um
comportamento diverso.
Esse é o dilema vivenciado pela Psicologia Humanista que,
posteriormente, foi corrigido, ou pelo menos teve umatentativa de
correção na Psicologia Positiva, como você verá antes do fim desta
jornada.
Qualia
Termo utilizado para definir características ou qualidades subjetivas da
experiência.
Críticas à teoria de Abraham
Maslow
Fora a crítica geral à Psicologia Humanista, que se estendeu obviamente
ao pensamento de Maslow, duas críticas foram mais fortemente
dirigidas a aspectos centrais de sua teoria.
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A primeira delas diz respeito à hierarquia de necessidades de Maslow.
Conforme apresentado anteriormente, Maslow (1970) afirmava que as
necessidades se apresentavam de forma hierárquica, na qual havia a
necessidade de satisfação do nível inferior para se alcançar o nível
superior.
Uma pessoa somente conseguiria avançar para o nível das
necessidades de segurança se tivesse suas necessidades fisiológicas
satisfeitas, e assim por diante. Entretanto, essa hierarquização foi
criticada, afirmando-se que não necessariamente essas necessidades
deveriam ser satisfeitas de forma hierárquica e colocando-se outros
aspectos que podem modificar tal estrutura de necessidades.
Exemplo
Algumas pesquisas apontaram, por exemplo, que as pessoas em campo
de concentração muitas vezes renunciavam a suas necessidades
básicas para satisfazer necessidades mais elevadas na hierarquia. Em
situações extremas, como no caso de guerras, as pessoas não
necessariamente satisfazem as suas necessidades seguindo a
hierarquia da pirâmide de Maslow.
Por outro lado, retirando essas situações mais extremas, a teoria das
necessidades de Maslow apresenta certa coerência, pois, no dia a dia, é
comum observar que as pessoas que não têm atendidas suas
necessidades mais básicas não conseguem se dirigir às necessidades
mais elevadas. Alguém com pouca disponibilidade de alimentação
dificilmente será capaz de se dedicar à ciência política.
Uma outra crítica se dirige à pesquisa de Maslow (1970) sobre pessoas
autorrealizadas. Primeiramente, os críticos afirmaram que Maslow, na
sua busca por essa categoria de pessoas, usou critérios particulares
seus, ou seja, baseou-se na sua avaliação subjetiva de pessoas que
seriam autorrealizadas.
Além disso, a replicação das pesquisas voltadas para a questão da
autorrealização se viu prejudicada, notadamente devido à falta de
clareza inicial em sua definição, como apontam Feist e colaboradores.
(2015).
Críticas à teoria de Carl R.
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Rogers
Além das críticas generalizadas para o movimento da Psicologia
Humanista, Rogers sofreu algumas críticas em relação aos termos que
fazem parte da teoria centrada na pessoa – tais como
autoconsideração positiva, funcionamento pleno e tornar-se pessoa –,
que afirmavam que eles eram vagos e pouco científicos.
Atenção
Outro aspecto notório é a resistência dos terapeutas posteriores que
utilizavam a abordagem centrada na pessoa em buscar algum tipo de
evidência para sua prática, bem como a aplicação aos mais diversos
tipos de população com transtornos.
O próprio Rogers (1985;2020) manifestou que sua prática e pesquisas
iniciais tinham sido restritos a um pequeno grupo de pessoas que nem
sempre apresentam quadros psicopatológicos graves. Entretanto, isso
não necessariamente invalida a terapia centrada na pessoa no
tratamento dos mais diversos transtornos, sendo necessário, entretanto,
maiores pesquisas.
Psicologia positiva: um
ressurgimento de premissas
da psicologia humanista
No final do século XX, a Psicologia moderna viu o nascimento de um
novo movimento, impulsionado pelo então presidente da Associação
Americana de Psicologia, Martin Seligman (2002). Esse movimento se
chamou Psicologia Positiva.
Os nomes iniciais da Psicologia Positiva manifestavam que a Psicologia
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do século XX, devido a uma série de acontecimentos, teria se esquecido
de alguns pontos de pesquisa importantes, tais como a saúde mental e
o desenvolvimento pleno das pessoas, comunidades e instituições.
Nesse sentido, a Psicologia Positiva afirma que a
Psicologia deve se voltar para estudar aquilo que faz a
vida valer a pena de ser vivida, apontando como
legítimos campos de estudo os valores e virtudes
humanas, o bem-estar subjetivo, os relacionamentos
positivos, o sentido de vida etc.
Os objetivos de estudo da Psicologia Positiva são, portanto, as
experiências subjetivas positivas, os traços individuais positivos e as
instituições positivas, havendo grande número de pesquisas nessas três
áreas. Você já deve notar que o que a Psicologia Positiva vem
defendendo foi anteriormente pontuado como importante pela
Psicologia Humanista. De fato, Abraham Maslow é considerado um
importante representante da pré-história da Psicologia Positiva.
Na realidade, Maslow já se perguntava “o que é o normal” (1954, p. 171),
pontuando a preocupação pelo estudo das pessoas ditas saudáveis.
Além disso, ele (1954) pontua a normalidade em termos de valores,
afirmando que é importante para a Psicologia voltar-se para essa
realidade.
[...] um verdadeiro esforço por
construir uma Psicologia dos
valores que possa servir, em última
instância, como guia prático para as
pessoas e, também, como marco
teórico de referência para
professores de Filosofia e outros
especialistas.
(MASLOW, 1954, p. 172)
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A Psicologia Positiva tem exatamente esse objetivo, ou seja, estudar as
pessoas saudáveis, felizes, criativas, bem como os relacionamentos
positivos, as instituições que levam ao florescimento das pessoas, as
escolas que contribuem para o bem-estar de seus alunos e as
comunidades que ajudam no crescimento de seus membros.
O grande ponto da Psicologia Positiva é a afirmação de
que todos esses estudos devem ser realizados desde
uma perspectiva científica, ou seja, buscam utilizar o
que existe de melhor nas metodologias ditas
científicas para melhor compreender o lado positivo da
vida humana.
A Psicologia Positiva teve um enorme desenvolvimento ao longo dos
últimos 20 anos. Inicialmente, ela procurava servir de ajuda para que as
pessoas pudessem ter uma vida mais realizada, ou seja, ela se voltava
para a promoção e potencialização de aspectos positivos da pessoa.
Nos últimos anos, a Psicologia Positiva também vem desenvolvendo
intervenções para pessoas que apresentam algum transtorno mental,
dando origem ao que hoje vem sendo chamado de Psicoterapia Positiva
(RASHID; SELIGMAN, 2019).
Para a Psicologia Positiva as pessoas felizes e, por que não dizer,
autorrealizadas, apresentam relacionamentos positivos, realização,
engajamento, experiências de flow, emoções positivas e sentido de vida.
Flow
Tipos de experiências em que a pessoa se entrega totalmente à vivência
com sensação de prazer e energia positiva.
Exemplo do piezômetro.
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Além disso, a Psicologia Positiva defende que as virtudes e forças
pessoais são os ingredientes principais para uma vida feliz, tendo
realizado uma ampla pesquisa e estabelecendo as seis virtudes
consideradas ubíquas na história, ou seja, presentes na maior parte das
culturas e manifestações religiosas. São elas: sabedoria e
conhecimento, coragem, humanidade, justiça, temperança e
transcendência.
Segundo os estudos da Psicologia Positiva, as pessoas
devem conhecer quais são suas forças pessoais
vinculadas às seis virtudes mencionadas
anteriormente e praticar aquelas que se apresentam
como principais em sua personalidade.
A Psicologia Positiva vem ampliando e mantendo o legado da
Psicologia Humanista. Mesmo enfrentando

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