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INTRODUÇÃO 
À EDUCAÇÃO A 
DISTÂNCIA — EAD
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever o fluxo básico de uma produção de conteúdo.
 > Identificar o uso de metodologias ativas na produção de materiais didáticos 
para EAD.
 > Definir direitos autorais e a atuação do Creative Commons em projetos 
educativos.
Introdução
A educação a distância (EAD) é uma modalidade de ensino que permite a construção 
do conhecimento usando ferramentas e recursos on-line. Na EAD, professores e 
alunos estão em tempos e espaços diferentes, mas estão conectados para atingir 
um objetivo. A praticidade de concluir os estudos dentro de casa, assistindo às 
aulas quantas vezes forem necessárias e conciliando o estudo com o trabalho, 
tem levado alunos do mundo inteiro a optarem por essa modalidade.
Diante disso, muitos recursos tecnológicos foram utilizados, e as plataformas 
educacionais ganharam destaque no cenário educacional. Pais, alunos e profes-
sores passaram a estar conectados tecnologicamente em busca da construção 
do conhecimento. Trata-se do início de um novo tempo.
A partir dessa perspectiva, a EAD e a produção de conteúdos se encontram em 
uma nova fase, criando um novo modo de fazer a educação e o processo de ensino 
e aprendizagem. Quando falamos em transformação educacional, o movimento 
da EAD com bases nas tecnologias no mundo on-line tem papel central.
O material didático 
para EaD
Tamires Pereira Duarte Goulart
Nos ambientes on-line, todo conteúdo precisa ser previamente organizado, 
planejado e preparado por professores. Esses profissionais seguem uma produção 
e um fluxo contínuo de trabalho, obedecendo cronogramas e padrões preesta-
belecidos pela instituição. Neste capítulo, vamos estudar tudo que envolve essas 
questões.
Fluxo básico de uma produção de conteúdo
O ensino presencial carrega consigo a logística de que o professor de uma 
turma, ou de um componente curricular, deve, por meio de um planejamento, 
dar a sua aula a um grupo de alunos. No presencial, a aula flui e as dúvidas 
surgem, e o professor pode conduzir de forma a sanar qualquer dificuldade 
que possa aparecer durante esse processo. Às vezes, pelo olhar do aluno, o 
professor já consegue reforçar ideias e informações. Além disso, no presencial, 
o professor conhece e vive a realidade dos alunos.
No ensino on-line, isso não acontece. O professor, que não conhece seus 
alunos e não está inserido em suas realidades, precisa produzir conteúdos e 
prever, dentro de suas ideias e atividades, os anseios de diferentes contextos 
e realidades. Não é uma tarefa fácil. Para que resultados positivos sejam 
alcançados, existe uma gama de fatores que devem ser seguidos pelos agentes 
envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.
A EAD é construída com muitas mãos, e o fluxo de produção passa por 
olhares de profissionais de diferentes áreas. Uma única produção demanda 
muito tempo para ser produzida e organizada, atentando-se às ideias desses 
diferentes setores. A Figura 1 mostra a demanda de um fluxo de trabalho para 
a produção de um conteúdo EAD. Esse trabalho precisa ser em equipe, por 
isso é sempre importante ter um intercâmbio entre os profissionais que estão 
responsáveis pela organização da unidade de aprendizagem ou disciplina 
que está em produção.
Segundo Filatro (2018), preparar conteúdos para EAD significa incorporar, 
nos materiais digitais, boa parte da comunicação didática que, na educação 
presencial, acontece ao vivo e de forma oral.
O material didático para EaD2
Figura 1. Profissionais no fluxo de produção.
Coordenadores 
de curso Backstage
Auxiliares 
fi nanceiros 
e administrativos
Professores 
conteudistas
Designers 
educacionais
Videomaker
Intérpretes 
de Libras
Designers 
gráfi cos
Revisores 
de texto
Em cada uma dessas etapas, os profissionais responsáveis trabalham cole-
tivamente para que o material atinja qualidade e significado para os diversos 
alunos que terão acesso a ele em tempos e lugares distintos. Por exemplo, 
uma produção de 2022 pode ser um material estudado em 2026. Por isso existe 
a necessidade de não pontuar situações temporais e momentâneas, já que 
elas podem ser de difícil entendimento sem uma contextualização adequada.
Agora que você já conhece os profissionais envolvidos na produção de 
conteúdo para EAD, vamos estudar o que cada um deles fazem, conforme 
Filatro e Bileski (2015) e a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO, c2017).
Os coordenadores de curso são os responsáveis por organizar, pensar e 
programar um determinado curso, bem como todas as unidades temáticas 
e disciplinas ofertadas, para que se tenha uma previsão de quantos e quais 
profissionais serão necessários. Além disso, são responsável por promover 
as contratações e fazer reuniões para repassar as demandas.
Os professores conteudistas são os responsáveis pela produção em si. 
É por meio deles que as outras demandas vão ter sequência. O conteudista 
planeja, prepara, escreve, faz questões avaliativas e, muitas vezes, grava as 
videoaulas. Todo o conteúdo é pensado por ele.
O material didático para EaD 3
Os designers educacionais organizam e planejam as demandas, com um 
tempo de trabalho determinado em cada etapa. Além disso, promovem o 
diálogo entre as equipes, atentando-se à qualidade e didática do material 
produzido.
Depois de o conteudista criar o conteúdo e de o designer educacional fazer 
ajustes, o material é passado para as revisões pedagógicas e linguísticas. 
Os revisores pedagógicos cuidam da didática da produção. Eles avaliam se o 
conteúdo está adequado, se as questões atendem aos padrões e se o material 
está de fácil acesso e entendimento ao público. Por outro lado, o revisor 
de texto fica responsável pela revisão linguística, atentando-se às normas 
da língua portuguesa e à redação do texto em todo o material. O conteúdo 
também conta com o apoio do revisor técnico, que vai validar a produção 
tecnicamente, com feedbacks e sugestões específicas da área.
Depois disso, o material volta para o designer educacional, que o en-
caminha para os designers gráficos, cuja atribuição é preparar as imagens 
gráficas e a identidade de cada curso, padronizando todo o material. Assim, 
os videomakers poderão editar e publicar os materiais audiovisuais. Depois, 
esses vídeos são repassados aos intérpretes de Libras, para que fiquem 
acessíveis ao público surdo.
Quem organiza tudo isso são os backstages, que vão inserir os conteúdos 
e as atividades na plataforma escolhida pela instituição, podendo também 
dar suporte aos alunos. Os auxiliares financeiros e administrativos vão dar 
suporte aos trâmites burocráticos que envolvem as equipes.
Esses são apenas alguns exemplos de profissionais que trabalham na 
produção de conteúdo para EAD. Ainda que haja outros profissionais, esses 
exemplos são suficientes para que você entenda que é preciso descentralizar 
as demandas e trabalhar em equipe.
É importante destacar que o fluxo de cada instituição pode variar, 
acrescentando ou excluindo profissionais no ciclo de produção. Por 
exemplo, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) conta com uma equipe mais 
reduzida na produção de conteúdo, sendo o professor conteudista o responsá-
vel, junto com o coordenador de curso, por toda a produção. No entanto, há o 
apoio de tutores presenciais, para os polos de atuação dos cursos, e de tutores 
virtuais, que dão suporte ao professor conteudista em relação ao contato com 
os alunos e à correção de atividades.
O material didático para EaD4
O primeiro passo para o professor conteudista é construir a ementa 
da disciplina a ser ofertada, se esta já não foi elaborada anteriormente. 
Caso ela já tenha sido elaborada, o primeiro passo é analisar a ementa e 
traçar possíveis recursos, temas e estímulos a serem utilizados durante o 
desenvolvimento do conteúdo. Esse olhar do conteudista para a criação do 
material é fundamental para o desenvolvimento da disciplina. Se exigimos 
que seja estimulada a criatividade do estudante, precisamos estimular acriatividade do autor. É por isso que a voz do professor conteudista e a 
construção em equipe são tão importantes. O próximo passo do professor é 
se apropriar de conceitos teóricos, livros, artigos, reportagens e vídeos que 
reflitam sobre a temática. Também é imprescindível que o professor estude 
e entenda a metodologia adotada pela empresa ou instituição que oferta 
o material desenvolvido. Analisar a filosofia de trabalho e os templates a 
serem seguidos é o início de uma trajetória bem sucedida na produção de 
conteúdos EAD.
As metodologias ativas podem enriquecer o material e trazer o engaja-
mento de diversos tipos de estudantes. Na próxima seção, vamos estudá-las.
Metodologias ativas e metodologia imersiva 
na produção de materiais para EAD
A EAD e a produção de conteúdo contam com uma série de metodologias 
que favorecem o processo de ensino e aprendizagem. O professor conteu-
dista tem a possibilidade de produzir um material dinâmico e construtivo, 
estimulando a vivência e a aprendizagem dos estudantes. Dois momentos 
são importantes dentro desse processo: as aulas síncronas e as aulas 
assíncronas. 
Os momentos síncronos são aqueles em que o professor consegue dar 
uma aula virtual em tempo real com os alunos, ou seja, no momento da aula, 
enquanto o professor fala, os alunos estão presentes, podendo questionar, 
dar opiniões e tirar dúvidas. Algumas universidades de EAD proporcionam 
esses momentos de forma escalonada, organizada e agendada. Por outro 
lado, os momentos assíncronos são as aulas gravadas pelo professor de 
forma atemporal, que podem ser assistidas várias vezes pelo aluno, mas não 
têm a interação entre aluno e professor.
O material didático para EaD 5
Essas oportunidades de interação são importantes para os estudantes. 
Também são essenciais para o professor avaliar sua prática, podendo recalcu-
lar rotas e próximos passos. No entanto, nem sempre é possível ter momentos 
síncronos. No mercado a distância, há formatos de ensino apenas assíncronos. 
Isso não diminui a qualidade de aprendizagem ofertada, tendo em vista que 
se pode contar com outros elementos facilitadores do conhecimento, como 
chats, fóruns de discussão, glossários, dicas do professor, materiais de apoio 
e materiais interativos.
Para promover uma aula, seja síncrona ou assíncrona, o professor pode 
contar com as inovações metodológicas ativas, que são caminhos de enga-
jamento do estudante com a construção ativa do conhecimento. A partir das 
metodologias ativas, o aluno é o protagonista do conhecimento, enquanto 
o professor é o mediador do processo, oferecendo alguns caminhos para se 
chegar ao conhecimento e à aprendizagem significativa.
Bacich e Moran (2018) afirmam que é essencial existir uma educação 
que ofereça condições de aprendizagem em contextos de incertezas, 
desenvolvimento de múltiplos letramentos, questionamento da infor-
mação e autonomia para resolução de problemas complexos. Os autores 
entendem que:
É preciso reinventar a educação, analisar as contribuições, os riscos e as mudanças 
advindas da interação com a cultura digital, da integração das TDIC [(tecnologias 
da informação e comunicação)], dos recursos, das interfaces e das linguagens 
midiáticas à prática pedagógica, explorar o potencial de integração entre espaços 
profissionais, culturais e educativos para a criação de contextos autênticos de 
aprendizagem midiatizados pelas tecnologias. Para impulsionar o engajamento dos 
estudantes nos processos de ensino e aprendizagem é premente recontextualizar 
as metodologias de ensino diante das suas práticas sociais inerentes à cultura 
digital, ou seja, integrar as mídias e as TDIC no desenvolvimento e na recriação de 
metodologias ativa (BACICH; MORAN, 2018, p. 21).
Existem várias metodologias ativas, e cada uma delas oferece uma gama 
de alternativas para o professor propor novas formas de fazer educação. O 
Quadro 1 apresenta alguns exemplos.
O material didático para EaD6
Quadro 1. Metodologias ativas na EAD
Metodologia 
ativa Conceito Aplicabilidade na EAD
Aprendizagem 
baseada em 
problemas
Construir a aprendizagem 
a partir de problemas, 
unindo a teoria com a 
prática. O estudante se torna 
protagonista, solucionando 
situações dos mais 
diferentes âmbitos: sociais, 
educacionais, culturais, 
ambientais, entre outros. 
É possível criar situações 
fantasiosas, mas que 
podem ser verdadeiras, 
dependendo da área de 
interesse do curso ou 
disciplina. Assim, os alunos 
vão construir soluções 
baseadas em argumentos e 
fatos por meio de atividades 
de escrita, chat, podcast, 
vídeo, etc. É preciso deixar 
o aluno argumentar e 
exercitar seu ponto de vista 
com base em fatos.
Gamificação A gamificação convida o 
estudante a trabalhar com 
alguns elementos presentes 
nos jogos, como regras, 
desafios, competitividade 
e trabalho em equipe. Não 
é um jogo em si, mas busca 
no jogo e nos seus recursos 
ideias para criar momentos 
de aprendizagem.
Pode-se proporcionar 
um quiz de revisão com 
conceitos importantes e 
oportunizar que o estudante 
crie regras, jogos e 
desafios, podendo fazer um 
intercâmbio entre grupos. 
É possível criar um desafio 
para engajar os estudantes, 
com alguma bonificação.
Aprendizagem 
por projetos
O conhecimento é 
desenvolvido e estimulado 
por meio de projetos que 
partem do interesse e da 
realidade dos alunos. Os 
desafios da realidade da 
vida humana são elementos 
que podem nortear uma 
proposta.
Pode-se fomentar a 
criação de projetos dentro 
da perspectiva de cada 
estudante, com uma ideia 
central que permita a 
cada um explorar a sua 
temática e realidade com 
apresentações, seminários, 
imagens, fotos, vídeos, etc.
(Continua)
O material didático para EaD 7
Metodologia 
ativa Conceito Aplicabilidade na EAD
Sala de aula 
invertida
Metodologia centrada em 
três momentos: antes, 
durante e depois da aula. É 
possível nos momentos de 
interação síncronos com o 
professor . 
Metodologia possível 
para aqueles cursos com 
encontros síncronos. O 
conteúdo é transmitido 
antes do encontro, e os 
alunos estudam e trazem 
ideias e dúvidas a serem 
partilhadas com o grande 
grupo. Em seguida, faz-se 
um fechamento em 
portfólio, fórum, mapa 
mental, etc.
Sala de aula 
compartilhada
Estudantes envolvidos na 
construção de um mesmo 
fim. Unem-se disciplinas e 
temáticas diferentes para 
construir uma ideia e chegar 
a uma solução. Professores 
trabalham coletivamente 
para que o aluno sinta que 
a educação é um todo, não 
fragmentos.
Deve-se permitir a 
construção de pensamentos 
coletivos pelo Google Drive, 
Skype, entre outros. Os 
estudantes de diferentes 
realidades podem se unir 
em busca de uma finalidade, 
de uma resolução de 
problemas. Cloud words, 
Canvas e jamboards podem 
ser recursos importantes.
Design 
thinking
Design thinking é uma 
prática poderosa de 
transformação das relações 
e dos desafios cotidianos 
vividos no lócus educacional. 
É uma metodologia que 
ensina a projetar para criar 
novos produtos, ideias e 
modos de fazer. Envolve a 
união de vários professores 
e estudantes em cooperação 
para se chegar à criatividade 
e inovação.
Pesquisas, entrevistas, 
formas de pensar diferentes, 
infográficos, montagem de 
fotos, jogos e atividades. Os 
alunos pensam e produzem 
textos, resenhas e imagens 
para a promoção do 
conhecimento.
Fonte: Adaptado de Moran (2018) e Rocha (2018).
É importante que, ao construir o material de EAD, o professor crie situações 
e propostas de atividades que promovam a metodologia ativa, deixando o 
aluno ser o centro das descobertas. Isso deve ser feito por meio de buscas, 
construções, escritas, pesquisas, jogos, mapas mentais, infográficos, apre-
sentações, etc. O aluno ativo é aquele que tem o protagonismo do processo. 
(Continuação)
O material didático para EaD8
Durante as videoaulas e no próprio material escrito, o professor deve chamar 
o aluno para pensar e deve colocar situações de reflexão que liguem a teoria 
e a prática, independentemente da áreade atuação ou da formação que o 
curso, unidade de aprendizagem ou disciplina promova.
Mesmo distante do estudante e sem conhecer suas diferentes realidades, 
o professor precisa aproximar o conteúdo trabalhado das expectativas do 
público nas áreas de educação, saúde, economia, meio ambiente, engenharias, 
etc. Colocar o estudante para refletir sobre situações que podem acontecer 
diariamente é uma das possibilidades de trazer o estudante para dentro das 
ideias abordadas.
Ainda, há inúmeros recursos e fazeres na perspectiva da metodologia 
imersiva, cujo foco também está no protagonismo do estudante, fazendo-o 
vivenciar o conhecimento de forma real. Sem sair do lugar, a aula imersiva 
consegue, por meio do mundo digital, conduzir os alunos para além de leituras 
e escritas. É no concreto, na vivência de um problema ou de uma situação 
que está a necessidade da aprendizagem in loco. É a vida real acontecendo 
por meio de simulados e feedbacks do professor e de outros estudantes.
Uma das vertentes imersivas são as storytellings, em que, por meio de 
histórias, o aluno é convidado a viver situações e refletir sobre pontos impor-
tantes e necessários a um determinado momento. Prática e experiência são 
duas palavras que descrevem essas aulas, conduzindo o aluno a realmente 
aplicar o que foi apreendido. É inegável que essas práticas pedagógicas 
estão relacionadas às metodologias ativas, em especial à cultura maker, no 
sentido de aprender fazendo.
Independentemente da metodologia ativa ou imersiva escolhida para 
desenvolver uma aula, um projeto ou uma disciplina, a premissa básica é o 
protagonismo do aluno, promovendo situações para que ele possa refletir e 
encontrar soluções. Esse protagonismo leva à discussão sobre a importância 
de enxergar o aluno como produtor de conteúdo, e não apenas consumidor. 
Diante disso, é essencial atentar-se para a produção autoral, respeitando os 
direitos autorais na produção de ideias e informações.
Um modelo de universidade que vem conquistando muitos estudantes 
é a Universidade Aberta de Portugal, que é a primeira universidade 
portuguesa que buscou disseminar uma metodologia de ensino e aprendiza-
gem totalmente virtual. Seu ensino de graduação e especialização em nível de 
mestrado e doutorado totalmente on-line está ganhando espaço em discussões 
internacionais. Para saber mais sobre esse assunto, leia o material “Modelo 
pedagógico virtual da Universidade Aberta”, autoria de Alda Pereira et al. ([2006]).
O material didático para EaD 9
Acessibilidade na produção de materiais de EAD
A acessibilidade é uma condição importante em todas as produções de ma-
teriais. Isso significa que os materiais devem sempre atender ao máximo de 
públicos distintos, considerando as diferenças e deficiências que podem 
estar presentes na pessoa que vai receber o material.
Para que essa garantia se efetive, alguns caminhos são trilhados e aprovei-
tados na hora de planejar e preparar a aula de EAD. De acordo com Iwarsson 
e Stahl (2003), a acessibilidade é o encontro entre a capacidade funcional 
de uma pessoa ou um grupo e o design e as demandas do ambiente físico. 
A acessibilidade precisa estar presente em todo o contexto educacional, da 
educação infantil até o ensino superior. É ela que garante o direito de todos 
terem acesso ao conhecimento, em especial ao ensino obrigatório, que abrange 
a faixa etária de 4 e 18 anos.
Na EAD, a acessibilidade é imprescindível, pois a EAD é a difusora da 
ampliação da educação e busca chegar àqueles que não têm condições para 
concluir seus estudos de forma presencial. A acessibilidade é fundamental 
nos polos de apoio físico ao aluno, nos ambientes virtuais de aprendizagem 
e na produção do conteúdo, e deve-se pensar nas diferenças desde o começo 
do processo de EAD.
Uma das possíveis condutas para trabalhar com a acessibilidade é por 
meio do desenho universal da aprendizagem. Essa é uma prática que pode 
ser um caminho para promover o acesso e o uso de ambientes virtuais de 
aprendizagem, incluindo a acessibilidade em bibliotecas digitais on-line, em 
materiais educacionais digitais, entre outros.
É importante lembrar que não estamos falando de criar ambientes e 
materiais adaptados para alunos com deficiência, mas promover ambientes 
digitais flexíveis e acessíveis a todos os usuários que contemplem as diferenças 
existentes entre as pessoas.
É importante que você entenda que os materiais EAD estão atingindo cada 
vez mais os públicos, e a tendência é que a EAD cresça ainda mais. Da mesma 
forma, cresce o número de alunos com deficiência que chegam ao ensino 
superior. Esses alunos buscam se qualificar para o mercado de trabalho ou 
para aperfeiçoamento pessoal. Por isso, os materiais precisam dar conta de 
construir um conhecimento de qualidade para todos os públicos.
O material didático para EaD10
Direitos autorais e a atuação do Creative 
Commons em projetos educativos
No momento em que se almeja um aluno ativo, que produz conteúdo em 
sala de aula, presencialmente ou a distância, torna-se inevitável atentar-
-se aos direitos autorais em todos os projetos educacionais. É necessário 
encaminhar os alunos à escrita criativa, respeitando os direitos autorais de 
outros e fazendo valer o direito de cada um que escreve e cria um material.
No Brasil, a Lei nº 9.610/98 (BRASIL, 1998) ampara os autores, estabelecendo 
regras de proteção de direitos autorais, além dos direitos e limitações que 
o autor tem perante sua obra. O principal fator para a proteção de uma obra 
é a sua originalidade.
A produção EAD feita pelo professor conteudista também deve atender 
a essas exigências, sendo, em sua maioria, autoral. Quando o professor 
precisar de fontes bibliográficas para afirmar ou exemplificar uma ideia, 
é necessário usar as citações diretas ou indiretas. Sobre isso, Leffa (2020) 
explica que ideias de até três linhas podem ser identificadas no corpo do 
texto, seguindo as seguintes regras:
Sobrenomes dos autores, quando fora dos parênteses, ponha só a inicial em mai-
úscula, ligados pela conjunção "e". Ponha ano e página entre parênteses, como 
aparece no exemplo. Como você está citando as palavras dos autores, ponha o 
que eles disseram entre aspas. Quando os sobrenomes dos autores estão dentro 
dos parênteses, ponha tudo em maiúsculas, separados por ponto e vírgula (LEFFA, 
2020, documento on-line).
As ideias com mais de três linhas precisam estar à margem direita, com 
espaçamento de 4,5, com o sobrenome do autor em maiúsculas. Quando 
fora de parênteses e fazendo parte da frase, deve-se colocar apenas a inicial 
em maiúscula. O ano de publicação deve vir entre parênteses (LEFFA, 2020).
Copiar as ideias que outra pessoa já escreveu ou produziu em algum 
formato digital sem mencionar a fonte pode ser considerado crime de plágio. 
Para auxiliar nesse processo, algumas alternativas podem ser úteis, como a 
licença Creative Commons.
O material didático para EaD 11
O Creative Commons é uma organização não governamental que tem 
como foco a elaboração e manutenção de licenças livres que auxiliem 
na cultura de criação e compartilhamento. O Creative Commons ganhou força 
com a expansão mundial da internet. Hoje, as licenças estão em sua terceira 
versão e foram adotadas e adaptadas por mais de 55 países, incluindo o Brasil 
(CADERNO REA, 2013).
Existem vários tipos de licença que objetivam a promoção e o comparti-
lhamento de materiais educativos, sendo, no Brasil, amparadas pela Lei de 
Direitos Autorais e pelo Código Civil. Para ser válida, toda licença precisa estar 
mencionada em algum campo do material que for compartilhado (CADERNO 
REA, 2013).
Essa iniciativa tem contribuído com a propagação e divulgação do conhe-
cimento, tendo em vista que são licenças de fácil acesso por todos e o próprio 
autor é quem decide como deve ser compartilhada e utilizada sua produção. 
O controle da divulgação de autoria é todo do autor, não permitindo, por 
exemplo, modificações e uso comercial do arquivo.
Isso não querdizer que o Creative Commons seja contra os direitos 
autorais. As licenças primam por disponibilizar determinadas obras e pro-
duções ao público para algumas finalidades, preservando alguns direitos 
autorais do autor. É importante lembrar que o autor que quer garantir 
a totalidade dos seus direitos autorais não deve fazer uso das licenças 
Creative Commons.
A disseminação do conhecimento, da criatividade e da cultura é o maior 
objetivo do Creative Commons, abrangendo, dessa forma, a licença para 
vários tipos de produções, como textos, livros, materiais didáticos, materiais 
educativos, músicas, fotografias, etc. Da arte ao conhecimento científico, 
pelo Creative Commons, o autor concede, previamente, a autorização dos 
direitos autorais, permitindo ao público em geral o uso e acesso ao material 
produzido.
A era digital e a própria EAD favorecem a divulgação de materiais e in-
formações de forma mais intensa e rápida, e é nesse sentido que a atuação 
da licença Creative Commons se torna válida e importante. O acesso a esse 
recurso é gratuito e disponível a todos que queiram publicar uma produção 
na internet para pesquisa, informação, compartilhamento, entre outras 
funções. Há também opções dentro do Creative Commons que permitem ao 
autor escolher qual é a melhor forma de se cadastrar e divulgar o material.
O material didático para EaD12
O projeto Creative Commons surgiu nos Estados Unidos a partir da ideia 
de resguardar parte dos direitos autorais e deixar uma margem para o 
material atingir maiores públicos, sendo reutilizado e divulgado. Entre-
tanto, é o autor que tem o poder sobre sua obra, e não intermediários. Vale 
ressaltar que o Creative Commons não substitui as leis de direitos autorais 
organizadas por cada país. O projeto são normatizações que funcionam 
paralelamente às leis, possibilitando outras formas de propagação dos 
conteúdos produzidos.
A propagação da internet em todos os lugares do mundo e a facilidade 
de acesso por meio de telas (tablets, smartphones, laptops) têm ampliado as 
possibilidades de produção de conteúdo em todas as áreas do conhecimento. 
A EAD contribui com esse processo e a cada dia se intensifica, mostrando-se 
uma modalidade de educação organizada. A EAD atende às necessidades 
de tempo e espaço dos mais variados tipos de púbicos que, na modalidade 
presencial, não conseguiriam terminar os estudos. Ela também serve para 
os que querem aperfeiçoar seus conhecimentos.
Além disso, também cresce o número de pessoas que buscam informa-
ções e constroem aprendizagens de forma autônoma pela internet em sites, 
redes sociais, aplicativos, entre outros. Com isso, a produção de conteúdos 
EAD ganhou destaque, se tornando um ramo de trabalho e propagação do 
conhecimento e atingindo diferentes formatos, como fotografias, textos 
escritos, mapas mentais, músicas e vídeos. Afinal, hoje é prático e fácil criar 
conteúdos e lançá-los no mundo digital.
Diante de tantos caminhos, é importante sempre cultivar o respeito aos 
direitos autorais. Esses direitos podem ser parciais, por meio de licenças como 
a do Creative Commons, que possibilita a utilização e o compartilhamento 
entre usuários digitais e pessoas em geral.
Tudo isso conduz ao caminho das novas profissões do futuro. O mundo 
digital e o universo da EAD trabalham na perspectiva de que, em um futuro 
muito próximo, ou até em um presente imediato, os alunos ocupem os es-
paços profissionais das novas tendências profissionais. Tais tendências são 
tecnológicas e desenvolvem muitos tipos de materiais on-line. Nesse sentido, 
é necessário compreender que a produção EAD não é um sistema fechado, 
pois novas profissões estão surgindo, como videomaker, designer multimídia 
e analista de dados, e elas podem contribuir para esse modelo de educação. 
A EAD estará sempre aberta a novos desafios profissionais.
O material didático para EaD 13
Referências
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ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico prática. Porto Alegre: 
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CADERNO REA: Creative Commons. Educação Aberta, 2013. Disponível em: https://
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MORAN. J. (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem 
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inovadora: uma abordagem teórico prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 318- 358. 
Leitura recomendada
PEREIRA, A. et al. Modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta: para uma uni-
versidade do futuro. Lisboa: Universidade Aberta, [2006].
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
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