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INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA — EAD OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Descrever o fluxo básico de uma produção de conteúdo. > Identificar o uso de metodologias ativas na produção de materiais didáticos para EAD. > Definir direitos autorais e a atuação do Creative Commons em projetos educativos. Introdução A educação a distância (EAD) é uma modalidade de ensino que permite a construção do conhecimento usando ferramentas e recursos on-line. Na EAD, professores e alunos estão em tempos e espaços diferentes, mas estão conectados para atingir um objetivo. A praticidade de concluir os estudos dentro de casa, assistindo às aulas quantas vezes forem necessárias e conciliando o estudo com o trabalho, tem levado alunos do mundo inteiro a optarem por essa modalidade. Diante disso, muitos recursos tecnológicos foram utilizados, e as plataformas educacionais ganharam destaque no cenário educacional. Pais, alunos e profes- sores passaram a estar conectados tecnologicamente em busca da construção do conhecimento. Trata-se do início de um novo tempo. A partir dessa perspectiva, a EAD e a produção de conteúdos se encontram em uma nova fase, criando um novo modo de fazer a educação e o processo de ensino e aprendizagem. Quando falamos em transformação educacional, o movimento da EAD com bases nas tecnologias no mundo on-line tem papel central. O material didático para EaD Tamires Pereira Duarte Goulart Nos ambientes on-line, todo conteúdo precisa ser previamente organizado, planejado e preparado por professores. Esses profissionais seguem uma produção e um fluxo contínuo de trabalho, obedecendo cronogramas e padrões preesta- belecidos pela instituição. Neste capítulo, vamos estudar tudo que envolve essas questões. Fluxo básico de uma produção de conteúdo O ensino presencial carrega consigo a logística de que o professor de uma turma, ou de um componente curricular, deve, por meio de um planejamento, dar a sua aula a um grupo de alunos. No presencial, a aula flui e as dúvidas surgem, e o professor pode conduzir de forma a sanar qualquer dificuldade que possa aparecer durante esse processo. Às vezes, pelo olhar do aluno, o professor já consegue reforçar ideias e informações. Além disso, no presencial, o professor conhece e vive a realidade dos alunos. No ensino on-line, isso não acontece. O professor, que não conhece seus alunos e não está inserido em suas realidades, precisa produzir conteúdos e prever, dentro de suas ideias e atividades, os anseios de diferentes contextos e realidades. Não é uma tarefa fácil. Para que resultados positivos sejam alcançados, existe uma gama de fatores que devem ser seguidos pelos agentes envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. A EAD é construída com muitas mãos, e o fluxo de produção passa por olhares de profissionais de diferentes áreas. Uma única produção demanda muito tempo para ser produzida e organizada, atentando-se às ideias desses diferentes setores. A Figura 1 mostra a demanda de um fluxo de trabalho para a produção de um conteúdo EAD. Esse trabalho precisa ser em equipe, por isso é sempre importante ter um intercâmbio entre os profissionais que estão responsáveis pela organização da unidade de aprendizagem ou disciplina que está em produção. Segundo Filatro (2018), preparar conteúdos para EAD significa incorporar, nos materiais digitais, boa parte da comunicação didática que, na educação presencial, acontece ao vivo e de forma oral. O material didático para EaD2 Figura 1. Profissionais no fluxo de produção. Coordenadores de curso Backstage Auxiliares fi nanceiros e administrativos Professores conteudistas Designers educacionais Videomaker Intérpretes de Libras Designers gráfi cos Revisores de texto Em cada uma dessas etapas, os profissionais responsáveis trabalham cole- tivamente para que o material atinja qualidade e significado para os diversos alunos que terão acesso a ele em tempos e lugares distintos. Por exemplo, uma produção de 2022 pode ser um material estudado em 2026. Por isso existe a necessidade de não pontuar situações temporais e momentâneas, já que elas podem ser de difícil entendimento sem uma contextualização adequada. Agora que você já conhece os profissionais envolvidos na produção de conteúdo para EAD, vamos estudar o que cada um deles fazem, conforme Filatro e Bileski (2015) e a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO, c2017). Os coordenadores de curso são os responsáveis por organizar, pensar e programar um determinado curso, bem como todas as unidades temáticas e disciplinas ofertadas, para que se tenha uma previsão de quantos e quais profissionais serão necessários. Além disso, são responsável por promover as contratações e fazer reuniões para repassar as demandas. Os professores conteudistas são os responsáveis pela produção em si. É por meio deles que as outras demandas vão ter sequência. O conteudista planeja, prepara, escreve, faz questões avaliativas e, muitas vezes, grava as videoaulas. Todo o conteúdo é pensado por ele. O material didático para EaD 3 Os designers educacionais organizam e planejam as demandas, com um tempo de trabalho determinado em cada etapa. Além disso, promovem o diálogo entre as equipes, atentando-se à qualidade e didática do material produzido. Depois de o conteudista criar o conteúdo e de o designer educacional fazer ajustes, o material é passado para as revisões pedagógicas e linguísticas. Os revisores pedagógicos cuidam da didática da produção. Eles avaliam se o conteúdo está adequado, se as questões atendem aos padrões e se o material está de fácil acesso e entendimento ao público. Por outro lado, o revisor de texto fica responsável pela revisão linguística, atentando-se às normas da língua portuguesa e à redação do texto em todo o material. O conteúdo também conta com o apoio do revisor técnico, que vai validar a produção tecnicamente, com feedbacks e sugestões específicas da área. Depois disso, o material volta para o designer educacional, que o en- caminha para os designers gráficos, cuja atribuição é preparar as imagens gráficas e a identidade de cada curso, padronizando todo o material. Assim, os videomakers poderão editar e publicar os materiais audiovisuais. Depois, esses vídeos são repassados aos intérpretes de Libras, para que fiquem acessíveis ao público surdo. Quem organiza tudo isso são os backstages, que vão inserir os conteúdos e as atividades na plataforma escolhida pela instituição, podendo também dar suporte aos alunos. Os auxiliares financeiros e administrativos vão dar suporte aos trâmites burocráticos que envolvem as equipes. Esses são apenas alguns exemplos de profissionais que trabalham na produção de conteúdo para EAD. Ainda que haja outros profissionais, esses exemplos são suficientes para que você entenda que é preciso descentralizar as demandas e trabalhar em equipe. É importante destacar que o fluxo de cada instituição pode variar, acrescentando ou excluindo profissionais no ciclo de produção. Por exemplo, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) conta com uma equipe mais reduzida na produção de conteúdo, sendo o professor conteudista o responsá- vel, junto com o coordenador de curso, por toda a produção. No entanto, há o apoio de tutores presenciais, para os polos de atuação dos cursos, e de tutores virtuais, que dão suporte ao professor conteudista em relação ao contato com os alunos e à correção de atividades. O material didático para EaD4 O primeiro passo para o professor conteudista é construir a ementa da disciplina a ser ofertada, se esta já não foi elaborada anteriormente. Caso ela já tenha sido elaborada, o primeiro passo é analisar a ementa e traçar possíveis recursos, temas e estímulos a serem utilizados durante o desenvolvimento do conteúdo. Esse olhar do conteudista para a criação do material é fundamental para o desenvolvimento da disciplina. Se exigimos que seja estimulada a criatividade do estudante, precisamos estimular acriatividade do autor. É por isso que a voz do professor conteudista e a construção em equipe são tão importantes. O próximo passo do professor é se apropriar de conceitos teóricos, livros, artigos, reportagens e vídeos que reflitam sobre a temática. Também é imprescindível que o professor estude e entenda a metodologia adotada pela empresa ou instituição que oferta o material desenvolvido. Analisar a filosofia de trabalho e os templates a serem seguidos é o início de uma trajetória bem sucedida na produção de conteúdos EAD. As metodologias ativas podem enriquecer o material e trazer o engaja- mento de diversos tipos de estudantes. Na próxima seção, vamos estudá-las. Metodologias ativas e metodologia imersiva na produção de materiais para EAD A EAD e a produção de conteúdo contam com uma série de metodologias que favorecem o processo de ensino e aprendizagem. O professor conteu- dista tem a possibilidade de produzir um material dinâmico e construtivo, estimulando a vivência e a aprendizagem dos estudantes. Dois momentos são importantes dentro desse processo: as aulas síncronas e as aulas assíncronas. Os momentos síncronos são aqueles em que o professor consegue dar uma aula virtual em tempo real com os alunos, ou seja, no momento da aula, enquanto o professor fala, os alunos estão presentes, podendo questionar, dar opiniões e tirar dúvidas. Algumas universidades de EAD proporcionam esses momentos de forma escalonada, organizada e agendada. Por outro lado, os momentos assíncronos são as aulas gravadas pelo professor de forma atemporal, que podem ser assistidas várias vezes pelo aluno, mas não têm a interação entre aluno e professor. O material didático para EaD 5 Essas oportunidades de interação são importantes para os estudantes. Também são essenciais para o professor avaliar sua prática, podendo recalcu- lar rotas e próximos passos. No entanto, nem sempre é possível ter momentos síncronos. No mercado a distância, há formatos de ensino apenas assíncronos. Isso não diminui a qualidade de aprendizagem ofertada, tendo em vista que se pode contar com outros elementos facilitadores do conhecimento, como chats, fóruns de discussão, glossários, dicas do professor, materiais de apoio e materiais interativos. Para promover uma aula, seja síncrona ou assíncrona, o professor pode contar com as inovações metodológicas ativas, que são caminhos de enga- jamento do estudante com a construção ativa do conhecimento. A partir das metodologias ativas, o aluno é o protagonista do conhecimento, enquanto o professor é o mediador do processo, oferecendo alguns caminhos para se chegar ao conhecimento e à aprendizagem significativa. Bacich e Moran (2018) afirmam que é essencial existir uma educação que ofereça condições de aprendizagem em contextos de incertezas, desenvolvimento de múltiplos letramentos, questionamento da infor- mação e autonomia para resolução de problemas complexos. Os autores entendem que: É preciso reinventar a educação, analisar as contribuições, os riscos e as mudanças advindas da interação com a cultura digital, da integração das TDIC [(tecnologias da informação e comunicação)], dos recursos, das interfaces e das linguagens midiáticas à prática pedagógica, explorar o potencial de integração entre espaços profissionais, culturais e educativos para a criação de contextos autênticos de aprendizagem midiatizados pelas tecnologias. Para impulsionar o engajamento dos estudantes nos processos de ensino e aprendizagem é premente recontextualizar as metodologias de ensino diante das suas práticas sociais inerentes à cultura digital, ou seja, integrar as mídias e as TDIC no desenvolvimento e na recriação de metodologias ativa (BACICH; MORAN, 2018, p. 21). Existem várias metodologias ativas, e cada uma delas oferece uma gama de alternativas para o professor propor novas formas de fazer educação. O Quadro 1 apresenta alguns exemplos. O material didático para EaD6 Quadro 1. Metodologias ativas na EAD Metodologia ativa Conceito Aplicabilidade na EAD Aprendizagem baseada em problemas Construir a aprendizagem a partir de problemas, unindo a teoria com a prática. O estudante se torna protagonista, solucionando situações dos mais diferentes âmbitos: sociais, educacionais, culturais, ambientais, entre outros. É possível criar situações fantasiosas, mas que podem ser verdadeiras, dependendo da área de interesse do curso ou disciplina. Assim, os alunos vão construir soluções baseadas em argumentos e fatos por meio de atividades de escrita, chat, podcast, vídeo, etc. É preciso deixar o aluno argumentar e exercitar seu ponto de vista com base em fatos. Gamificação A gamificação convida o estudante a trabalhar com alguns elementos presentes nos jogos, como regras, desafios, competitividade e trabalho em equipe. Não é um jogo em si, mas busca no jogo e nos seus recursos ideias para criar momentos de aprendizagem. Pode-se proporcionar um quiz de revisão com conceitos importantes e oportunizar que o estudante crie regras, jogos e desafios, podendo fazer um intercâmbio entre grupos. É possível criar um desafio para engajar os estudantes, com alguma bonificação. Aprendizagem por projetos O conhecimento é desenvolvido e estimulado por meio de projetos que partem do interesse e da realidade dos alunos. Os desafios da realidade da vida humana são elementos que podem nortear uma proposta. Pode-se fomentar a criação de projetos dentro da perspectiva de cada estudante, com uma ideia central que permita a cada um explorar a sua temática e realidade com apresentações, seminários, imagens, fotos, vídeos, etc. (Continua) O material didático para EaD 7 Metodologia ativa Conceito Aplicabilidade na EAD Sala de aula invertida Metodologia centrada em três momentos: antes, durante e depois da aula. É possível nos momentos de interação síncronos com o professor . Metodologia possível para aqueles cursos com encontros síncronos. O conteúdo é transmitido antes do encontro, e os alunos estudam e trazem ideias e dúvidas a serem partilhadas com o grande grupo. Em seguida, faz-se um fechamento em portfólio, fórum, mapa mental, etc. Sala de aula compartilhada Estudantes envolvidos na construção de um mesmo fim. Unem-se disciplinas e temáticas diferentes para construir uma ideia e chegar a uma solução. Professores trabalham coletivamente para que o aluno sinta que a educação é um todo, não fragmentos. Deve-se permitir a construção de pensamentos coletivos pelo Google Drive, Skype, entre outros. Os estudantes de diferentes realidades podem se unir em busca de uma finalidade, de uma resolução de problemas. Cloud words, Canvas e jamboards podem ser recursos importantes. Design thinking Design thinking é uma prática poderosa de transformação das relações e dos desafios cotidianos vividos no lócus educacional. É uma metodologia que ensina a projetar para criar novos produtos, ideias e modos de fazer. Envolve a união de vários professores e estudantes em cooperação para se chegar à criatividade e inovação. Pesquisas, entrevistas, formas de pensar diferentes, infográficos, montagem de fotos, jogos e atividades. Os alunos pensam e produzem textos, resenhas e imagens para a promoção do conhecimento. Fonte: Adaptado de Moran (2018) e Rocha (2018). É importante que, ao construir o material de EAD, o professor crie situações e propostas de atividades que promovam a metodologia ativa, deixando o aluno ser o centro das descobertas. Isso deve ser feito por meio de buscas, construções, escritas, pesquisas, jogos, mapas mentais, infográficos, apre- sentações, etc. O aluno ativo é aquele que tem o protagonismo do processo. (Continuação) O material didático para EaD8 Durante as videoaulas e no próprio material escrito, o professor deve chamar o aluno para pensar e deve colocar situações de reflexão que liguem a teoria e a prática, independentemente da áreade atuação ou da formação que o curso, unidade de aprendizagem ou disciplina promova. Mesmo distante do estudante e sem conhecer suas diferentes realidades, o professor precisa aproximar o conteúdo trabalhado das expectativas do público nas áreas de educação, saúde, economia, meio ambiente, engenharias, etc. Colocar o estudante para refletir sobre situações que podem acontecer diariamente é uma das possibilidades de trazer o estudante para dentro das ideias abordadas. Ainda, há inúmeros recursos e fazeres na perspectiva da metodologia imersiva, cujo foco também está no protagonismo do estudante, fazendo-o vivenciar o conhecimento de forma real. Sem sair do lugar, a aula imersiva consegue, por meio do mundo digital, conduzir os alunos para além de leituras e escritas. É no concreto, na vivência de um problema ou de uma situação que está a necessidade da aprendizagem in loco. É a vida real acontecendo por meio de simulados e feedbacks do professor e de outros estudantes. Uma das vertentes imersivas são as storytellings, em que, por meio de histórias, o aluno é convidado a viver situações e refletir sobre pontos impor- tantes e necessários a um determinado momento. Prática e experiência são duas palavras que descrevem essas aulas, conduzindo o aluno a realmente aplicar o que foi apreendido. É inegável que essas práticas pedagógicas estão relacionadas às metodologias ativas, em especial à cultura maker, no sentido de aprender fazendo. Independentemente da metodologia ativa ou imersiva escolhida para desenvolver uma aula, um projeto ou uma disciplina, a premissa básica é o protagonismo do aluno, promovendo situações para que ele possa refletir e encontrar soluções. Esse protagonismo leva à discussão sobre a importância de enxergar o aluno como produtor de conteúdo, e não apenas consumidor. Diante disso, é essencial atentar-se para a produção autoral, respeitando os direitos autorais na produção de ideias e informações. Um modelo de universidade que vem conquistando muitos estudantes é a Universidade Aberta de Portugal, que é a primeira universidade portuguesa que buscou disseminar uma metodologia de ensino e aprendiza- gem totalmente virtual. Seu ensino de graduação e especialização em nível de mestrado e doutorado totalmente on-line está ganhando espaço em discussões internacionais. Para saber mais sobre esse assunto, leia o material “Modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta”, autoria de Alda Pereira et al. ([2006]). O material didático para EaD 9 Acessibilidade na produção de materiais de EAD A acessibilidade é uma condição importante em todas as produções de ma- teriais. Isso significa que os materiais devem sempre atender ao máximo de públicos distintos, considerando as diferenças e deficiências que podem estar presentes na pessoa que vai receber o material. Para que essa garantia se efetive, alguns caminhos são trilhados e aprovei- tados na hora de planejar e preparar a aula de EAD. De acordo com Iwarsson e Stahl (2003), a acessibilidade é o encontro entre a capacidade funcional de uma pessoa ou um grupo e o design e as demandas do ambiente físico. A acessibilidade precisa estar presente em todo o contexto educacional, da educação infantil até o ensino superior. É ela que garante o direito de todos terem acesso ao conhecimento, em especial ao ensino obrigatório, que abrange a faixa etária de 4 e 18 anos. Na EAD, a acessibilidade é imprescindível, pois a EAD é a difusora da ampliação da educação e busca chegar àqueles que não têm condições para concluir seus estudos de forma presencial. A acessibilidade é fundamental nos polos de apoio físico ao aluno, nos ambientes virtuais de aprendizagem e na produção do conteúdo, e deve-se pensar nas diferenças desde o começo do processo de EAD. Uma das possíveis condutas para trabalhar com a acessibilidade é por meio do desenho universal da aprendizagem. Essa é uma prática que pode ser um caminho para promover o acesso e o uso de ambientes virtuais de aprendizagem, incluindo a acessibilidade em bibliotecas digitais on-line, em materiais educacionais digitais, entre outros. É importante lembrar que não estamos falando de criar ambientes e materiais adaptados para alunos com deficiência, mas promover ambientes digitais flexíveis e acessíveis a todos os usuários que contemplem as diferenças existentes entre as pessoas. É importante que você entenda que os materiais EAD estão atingindo cada vez mais os públicos, e a tendência é que a EAD cresça ainda mais. Da mesma forma, cresce o número de alunos com deficiência que chegam ao ensino superior. Esses alunos buscam se qualificar para o mercado de trabalho ou para aperfeiçoamento pessoal. Por isso, os materiais precisam dar conta de construir um conhecimento de qualidade para todos os públicos. O material didático para EaD10 Direitos autorais e a atuação do Creative Commons em projetos educativos No momento em que se almeja um aluno ativo, que produz conteúdo em sala de aula, presencialmente ou a distância, torna-se inevitável atentar- -se aos direitos autorais em todos os projetos educacionais. É necessário encaminhar os alunos à escrita criativa, respeitando os direitos autorais de outros e fazendo valer o direito de cada um que escreve e cria um material. No Brasil, a Lei nº 9.610/98 (BRASIL, 1998) ampara os autores, estabelecendo regras de proteção de direitos autorais, além dos direitos e limitações que o autor tem perante sua obra. O principal fator para a proteção de uma obra é a sua originalidade. A produção EAD feita pelo professor conteudista também deve atender a essas exigências, sendo, em sua maioria, autoral. Quando o professor precisar de fontes bibliográficas para afirmar ou exemplificar uma ideia, é necessário usar as citações diretas ou indiretas. Sobre isso, Leffa (2020) explica que ideias de até três linhas podem ser identificadas no corpo do texto, seguindo as seguintes regras: Sobrenomes dos autores, quando fora dos parênteses, ponha só a inicial em mai- úscula, ligados pela conjunção "e". Ponha ano e página entre parênteses, como aparece no exemplo. Como você está citando as palavras dos autores, ponha o que eles disseram entre aspas. Quando os sobrenomes dos autores estão dentro dos parênteses, ponha tudo em maiúsculas, separados por ponto e vírgula (LEFFA, 2020, documento on-line). As ideias com mais de três linhas precisam estar à margem direita, com espaçamento de 4,5, com o sobrenome do autor em maiúsculas. Quando fora de parênteses e fazendo parte da frase, deve-se colocar apenas a inicial em maiúscula. O ano de publicação deve vir entre parênteses (LEFFA, 2020). Copiar as ideias que outra pessoa já escreveu ou produziu em algum formato digital sem mencionar a fonte pode ser considerado crime de plágio. Para auxiliar nesse processo, algumas alternativas podem ser úteis, como a licença Creative Commons. O material didático para EaD 11 O Creative Commons é uma organização não governamental que tem como foco a elaboração e manutenção de licenças livres que auxiliem na cultura de criação e compartilhamento. O Creative Commons ganhou força com a expansão mundial da internet. Hoje, as licenças estão em sua terceira versão e foram adotadas e adaptadas por mais de 55 países, incluindo o Brasil (CADERNO REA, 2013). Existem vários tipos de licença que objetivam a promoção e o comparti- lhamento de materiais educativos, sendo, no Brasil, amparadas pela Lei de Direitos Autorais e pelo Código Civil. Para ser válida, toda licença precisa estar mencionada em algum campo do material que for compartilhado (CADERNO REA, 2013). Essa iniciativa tem contribuído com a propagação e divulgação do conhe- cimento, tendo em vista que são licenças de fácil acesso por todos e o próprio autor é quem decide como deve ser compartilhada e utilizada sua produção. O controle da divulgação de autoria é todo do autor, não permitindo, por exemplo, modificações e uso comercial do arquivo. Isso não querdizer que o Creative Commons seja contra os direitos autorais. As licenças primam por disponibilizar determinadas obras e pro- duções ao público para algumas finalidades, preservando alguns direitos autorais do autor. É importante lembrar que o autor que quer garantir a totalidade dos seus direitos autorais não deve fazer uso das licenças Creative Commons. A disseminação do conhecimento, da criatividade e da cultura é o maior objetivo do Creative Commons, abrangendo, dessa forma, a licença para vários tipos de produções, como textos, livros, materiais didáticos, materiais educativos, músicas, fotografias, etc. Da arte ao conhecimento científico, pelo Creative Commons, o autor concede, previamente, a autorização dos direitos autorais, permitindo ao público em geral o uso e acesso ao material produzido. A era digital e a própria EAD favorecem a divulgação de materiais e in- formações de forma mais intensa e rápida, e é nesse sentido que a atuação da licença Creative Commons se torna válida e importante. O acesso a esse recurso é gratuito e disponível a todos que queiram publicar uma produção na internet para pesquisa, informação, compartilhamento, entre outras funções. Há também opções dentro do Creative Commons que permitem ao autor escolher qual é a melhor forma de se cadastrar e divulgar o material. O material didático para EaD12 O projeto Creative Commons surgiu nos Estados Unidos a partir da ideia de resguardar parte dos direitos autorais e deixar uma margem para o material atingir maiores públicos, sendo reutilizado e divulgado. Entre- tanto, é o autor que tem o poder sobre sua obra, e não intermediários. Vale ressaltar que o Creative Commons não substitui as leis de direitos autorais organizadas por cada país. O projeto são normatizações que funcionam paralelamente às leis, possibilitando outras formas de propagação dos conteúdos produzidos. A propagação da internet em todos os lugares do mundo e a facilidade de acesso por meio de telas (tablets, smartphones, laptops) têm ampliado as possibilidades de produção de conteúdo em todas as áreas do conhecimento. A EAD contribui com esse processo e a cada dia se intensifica, mostrando-se uma modalidade de educação organizada. A EAD atende às necessidades de tempo e espaço dos mais variados tipos de púbicos que, na modalidade presencial, não conseguiriam terminar os estudos. Ela também serve para os que querem aperfeiçoar seus conhecimentos. Além disso, também cresce o número de pessoas que buscam informa- ções e constroem aprendizagens de forma autônoma pela internet em sites, redes sociais, aplicativos, entre outros. Com isso, a produção de conteúdos EAD ganhou destaque, se tornando um ramo de trabalho e propagação do conhecimento e atingindo diferentes formatos, como fotografias, textos escritos, mapas mentais, músicas e vídeos. Afinal, hoje é prático e fácil criar conteúdos e lançá-los no mundo digital. Diante de tantos caminhos, é importante sempre cultivar o respeito aos direitos autorais. Esses direitos podem ser parciais, por meio de licenças como a do Creative Commons, que possibilita a utilização e o compartilhamento entre usuários digitais e pessoas em geral. Tudo isso conduz ao caminho das novas profissões do futuro. O mundo digital e o universo da EAD trabalham na perspectiva de que, em um futuro muito próximo, ou até em um presente imediato, os alunos ocupem os es- paços profissionais das novas tendências profissionais. Tais tendências são tecnológicas e desenvolvem muitos tipos de materiais on-line. Nesse sentido, é necessário compreender que a produção EAD não é um sistema fechado, pois novas profissões estão surgindo, como videomaker, designer multimídia e analista de dados, e elas podem contribuir para esse modelo de educação. A EAD estará sempre aberta a novos desafios profissionais. O material didático para EaD 13 Referências BACICH, L.; MORAN, J. Apresentação. In: BACICH, L.; MORAN. J. (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 17-24. BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro e 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm. Acesso em: 4 set. 2022. CADERNO REA: Creative Commons. Educação Aberta, 2013. Disponível em: https:// educacaoaberta.org/cadernorea/licen%C3%A7as. Acesso em: 4 set. 2022. CLASSIFICAÇÃO Brasileira de Ocupações (CBO). Portal Emprega Brasil, c2017. Disponível em: https://empregabrasil.mte.gov.br/76/cbo/. Acesso em: 4 set. 2022. FILATRO, A. Como preparar conteúdos para EAD. São Paulo: Saraiva, 2018. FILATRO, A.; BILESKI, S. M. C. Produção de conteúdos educacionais. São Paulo: Saraiva, 2015. IWARSSON, S.; STAHL, A. Accessibility, usability and universal design - positioning and definition of concepts describing person environment relationships. Disability and rehabilitation, v. 25, n. 2, p. 57-66, 2003. LEFFA, V. J. Normas da ABNT: dois autores, artigo, citação direta. Leffa.pro, 2020. Dispo- nível em: https://www.leffa.pro.br/textos/abnt/2autores.html. Acesso em: 4 set. 2022. MORAN, J. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. In: BACICH, L.; MORAN. J. (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 41-82. ROCHA, J. Design thinking na formação de professores: novos olhares para os desafios da educação. In: BACICH, L.; MORAN. J. (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 318- 358. Leitura recomendada PEREIRA, A. et al. Modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta: para uma uni- versidade do futuro. Lisboa: Universidade Aberta, [2006]. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. O material didático para EaD14