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LUIZ FERNANDO DO NASCIMENTO
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PROJETO DE ENSINO EM HISTÓRIA
O Protagonismo Feminino no Processo de Independência do Brasil
Osasco
2024
LUIZ FERNANDO DO NASCIMENTO
PROJETO DE ENSINO EM HISTÓRIA
O Protagonismo Feminino no Processo de Independência do Brasil
Projeto de Ensino apresentado à Faculdade Anhanguera
como requisito parcial à conclusão do Curso de Licenciatura em História.
Docente supervisor: Prof. Jamile Ruthes Bernardes
Osasco
2024
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO	4
1	TEMA	5
2	JUSTIFICATIVA	7
3	PARTICIPANTES	8
4	OBJETIVOS	9
5	PROBLEMATIZAÇÃO	10
6	REFERENCIAL TEÓRICO	11
6.1 D. MARIA LEOPOLDINA 12
6.2 DOMITILA DE CASTRO CANTO E MELO. 13
6.3 MARIA GRAHAM. 13
6.4 MARIA FELIPA. 14
6.5. MARA QUITÉRIA. 14
6.6. JOANA ANGÉLICA. 15 
7	METODOLOGIA	17
8	CRONOGRAMA	18
9	RECURSOS	19
10	AVALIAÇÃO	20
CONSIDERAÇÕES FINAIS	21
REFERÊNCIAS	22
INTRODUÇÃO
A Independência do Brasil, proclamada por Dom Pedro I, em 07 de setembro de 1822, às margens plácidas do rio Ipiranga em São Paulo, foi um marco fundamental na história do país. No entanto, na narrativa oficial muitas vezes é negligenciado o papel desempenhado pelas mulheres no processo revolucionário, e por muitas vezes apagados ou reduzidos a mera incumbência de mães, filhas, irmãs ou esposas. 
Neste projeto procurei destacar e reconhecer as contribuições das mulheres na luta pela independência, promovendo uma compreensão mais inclusiva e abrangente da história brasileira.
UNIVERSIDADE PITÁGORAS UNOPAR ANHANGUERA 
SISTEMA DE ENSINO A DISTÂNCIA 
LICENCIATURA EM HISTÓRIA
Como objetivo, este plano de ensino visa promover uma reflexão crítica sobre o protagonismo feminino no processo de independência do Brasil. Ao longo do plano de ensino, escolhi destacar algumas destas figuras históricas, com o intuito de compreender o contexto social e político em que estavam inseridas e sua importância no processo de independência do Brasil.
Público
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Público
1 O protagonismo feminino no processo de independência do Brasil
A importância das mulheres no processo de Independência do Brasil é um tema que merece destaque, pois por muitas vezes suas contribuições foram subestimadas ou esquecidas na narrativa oficial. 
Durante o processo de independência, enquanto todos os olhos estavam voltados para a família real e para a postura omissa de D. Pedro I, várias mulheres desempenharam papeis cruciais, desafiando as normas machistas, sociais e políticas impostas pelo patriarcado no período colonial.
 No início do século XIX, na idade moderna, a Europa passava por uma “ Dupla Revolução”, termo utilizado pelo historiador marxista britânico Eric J. Hobsbawm (1917-2012), para se referir a, Revolução Francesa (1789) e a Revolução Industrial Inglesa (1760), em seu livro " A ERA DAS REVOLUÇÕES: EUROPA 1789 -1848’’,lançado em 1962. E a abertura econômica do Brasil, por sua vez, não agradava as elites em Portugal, que já estavam insatisfeitas com a presença do regente no Brasil e com a transformação de colônia para parte integrante do reino de Portugal. Estas insatisfações da elite portuguesa deram início a Revolução Liberal do Porto em 1820.
O Brasil vivia um período de intensas transformações políticas e sociais. Revoltas acontecem em todo país contra a coroa portuguesa, como a independência da Bahia (1821-1823) e onde outros países tentavam invadir e colonizar o Brasil, a abolição dos escravos ainda era sonho distante, entre outros fatos que ocorriam paralelamente no reinado de Dom Pedro I.
No século XVIII, apesar de não possuírem direito a voto, as mulheres chefiavam fazendas, propriedades, negócios e eram responsáveis pela circulação de mercadorias, alimentos e por boa parte da base da economia do Brasil da época. É o que explica a historiadora e pesquisadora Dra. Cecília Helena L. de Salles Oliveira, docente da USP e do Museu do Ipiranga, em São Paulo, em entrevista ao Canal CNN Brasil ( 2022).
“Foram descobertos, tanto no Rio de Janeiro quanto na Bahia, inúmeros manifestos, escritos e assinados por mulheres, que defendiam a separação de Portugal, que defendiam a cidadania, a liberdade e que se insurgiram contra as medidas das cortes, medidas tomadas por Dom Pedro I, ou atitudes tomadas pelas lideranças locais”, dia a docente.
As mulheres, apesar de estarem por detrás das cortinas na participação política e terem seus direitos tirados, onde a violência contra as mulheres era normalizada as regras da época, pois as mulheres eram tidas como posse dos homens, elas encontram maneiras inspiradoras de influenciar e contribuir para a causa da independência.
Na corte ou no campo de batalha, nas províncias brasileiras todos lutavam por liberdade e as mulheres assumiram este protagonismo. 
No Palácio de São Cristóvão, na Rua Quinta de Boa Vista, a imperatriz D. Maria Leopoldina, assumiu as rédeas do processo de independência, fez acordos, emitiu ordens e cobrou uma postura firme de seu marido, o príncipe regente Dom Pedro I. 
Do outro lado da corte, a mais amada amante do imperador, a Marquesa de Santos, senhora Domitila de Castro do Canto e Melo, recebeu diplomatas e pessoas de grande influência nas cortes nacionais e internacionais.
 No campo de batalha Maria Quitéria, a primeira mulher a vestir as cores do exército Brasileiro, se destacando com sua coragem e conquistando o status de heroína nacional.
 Nas províncias da Bahia, Maria Felipa e suas 40 companheiras, vivenciaram um fato engraçado, porém importante para a independência baiana e também para a brasileira. Elas dão uma "surra de cansanção" nos portugueses e queimaram em torno de 30 embarcações. Este fato enfraquece o exército Português, sendo fatídica sua rendição às tropas brasileiras.
A jornalista e viajante Maria Graham, escreveu sobre a corte, sobre o processo de independência e sobre as mulheres que lutaram no Brasil de 1822. Assim com sua escrita, o mundo pôde saber delas.
A abadessa Joana Angélica, que de peito aberto defendeu suas noviças e o tesouro sagrado que era a igreja.
A importância de mulheres comuns no processo emancipatório Nacional, também é lembrado pelo historiador e professor da UFRR/CNpq Álvaro Pereira do Nascimento, em entrevista ao canal CNN Brasil no Bicentenário da Independência do Brasil. “ Foram muitas Conceições. muitas Joanas, muitas Marias, que cotidianamente trabalhavam muito para transformar essa história”, comenta.
 No período colonial não faltaram mulheres atuantes na política, na educação e que lutaram no processo de independência, mas que não foram mencionadas ou citadas nos anais da história brasileira. Seja por causa da masculinidade hegemônica ou do preconceito em relação a pessoas negras, escravizadas, indígenas ou ao próprio gênero feminino.
2 JUSTIFICATIVA
Este trabalho visa trazer à luz e reconhecer que ao longo da história, as mulheres que por muitas vezes assumem um papel de destaque em muitos fatos históricos no decorrer dos tempos e suas participações têm sido apagadas ou minimizadas nas narrativas da História nacional. Ao discorrer sobre o tema, visamos trazer luz e reconhecimento à contribuição feminina neste período crucial para a história brasileira. 
Também se busca a desconstrução de estereótipos da imagem da mulher, como figura restrita ao ambiente doméstico. As mulheres da independência eram ativas, corajosas e desempenharam papeis únicos na luta pela independência.
Assim, ao estudar sobre estas mulheresda independência, queremos inspirar as pessoas, fazendo elas perceberem que a mulher tem espaço em qualquer lugar e que pode fazer a diferença nas vidas das pessoas e nas transformações da sociedade.
Compreendendo o contexto social que as mulheres viviam na época da independência e discutindo sobre a participação das mulheres no processo do revolucionário, estaremos promovendo a igualdade de gênero e incentivando a desconstrução de preconceitos e discriminações.
A participação feminina em grandes fatos nacionais e mundiais é apagada ou reduzida. Muitas vezes elas são transformadas em vilãs, para engrandecer a posição masculina que por muitas vezes é nula. 
Assim, busca-se com este plano de ensino ressaltar a importâncias destas mulheres no processo de independência e fazer com que os alunos criem interesse de se aprofundar em um tema que a priori parece um pouco distante, mas que está presente diariamente em nossa sociedade.
3 PARTICIPANTES
Este projeto tem como público alvo os estudantes dos anos finais do ensino fundamental, do ensino médio e E.J.A (Educação de Jovens e Adultos). Como pode ser aberto a quaisquer pessoas que queiram conhecer o papel essencial das mulheres no processo de independência do Brasil.
4 OBJETIVOS
Objetivo geral: 
· Trazer aos participantes uma visão diferenciada do que é ensinado tradicionalmente em sala de aula, trazendo um outro aspecto do processo revolucionário, fazendo eles conhecerem sobre as mulheres que alicerçaram a luta pela independência.
Objetivos específicos:
· Trazer reconhecimento histórico a estas mulheres, e incluir este tema no currículo escolar.
· Desconstruir estereótipos que tanto norteiam as mulheres.
· Empoderamento dos participantes, trazendo estas informações faremos as alunas ter maior conhecimento sobre as mulheres que nos antecederam.
5 PROBLEMATIZAÇÃO
	
Durante os estágios acadêmicos, onde temos maior contato com a realidade escolar do Brasil. Ao observar as narrativas de alguns alunos, observa- se que o pouco se sabe sobre a luta feminina nos últimos séculos. 
E na questão escolar as mulheres têm lutado desde muito antes por seus direitos, de serem inseridas nas questões da sociedade, como iguais, como conhecedoras e produtoras de conhecimento. A pouco tempo que a educação passou a ser um direito feminino, nas colônias brasileiras valia ainda a influência portuguesa onde uma de suas leis estabeleceu as mulheres como, imbecilitus sexus (sexo imbecil). No início do século XX, a educação feminina atendia apenas as questões domésticas, como ingressaram tardiamente na escola, a educação era voltada para os cuidados do lar e das famílias. 
As mulheres já superaram os homens em vários segmentos, porém na educação elas reinam absolutas, 85% dos professores no Brasil são mulheres, conforme censo da educação superior em 2023. E por isso muitas vezes a maior resistência em sala de aula dos alunos homens é respeitar o espaço do corpo docente feminino. As escolas formam homens e mulheres, e por isso é local de discutir sobre a importância das mulheres em fatos históricos, fazendo com que o ‘’ontem possa de alguma forma influenciar o amanhã’’ dos nossos alunos.
E por causa do exposto, houve a necessidade de maior aprofundamento sobre o tema. Pois o ensino machista se inicia em casa, com as famosas frases: ‘’isto é coisas de menino’’, ‘’rosa é cor de menina e azul de menino, ‘’ bata como um homem’’, em que tudo que é fraco ou feio ou estranho é comparado ao feminino e o que é belo e traz orgulho ao masculino.
Acontece também dentro do ambiente escolar, além das regras que muitas vezes são impostas para as mulheres e não para os homens, entre outros fatores. Nos livros didáticos as mulheres são apenas 10% dos personagens históricos citados em livros, elas são mais citadas como membros da família e não como protagonistas do fato, principalmente se o acontecimento estiver ligado a algum processo de destaque na História. 
6 REFERENCIAL TEÓRICO
Os alunos das escolas brasileiras em seus mais diversos níveis escolares, ao leem seus livros didáticos, aprendem sobre a vida, a sociedade, o descobrimento do Brasil ou sobre a Independência e a importância de homens como o José Bonifácio, Dom Pedro I, Dom João VI, porém não a muita menção a Dona Maria Leopoldina e Domitila ‘’ a marquesa de santos’’, a escritora Maria Graham, ou a qualquer outra mulher que tenha participado deste fato histórico. 
A maioria dos livros didáticos brasileiros costumam privilegiar uma história masculina, branca e eurocêntrica.
O papel das mulheres na independência do Brasil é fundamentado em diversas abordagens e trabalhos dos mais diversos pesquisadores.
A pesquisadora Mary del Priore, tem escrito extensivamente sobre as mulheres na história nacional, seus trabalhos e publicações ajudam a entender o contexto social e cultural que as mulheres estavam inseridas, e assim ela destaca suas contribuições para o processo de independência nacional. Em um trecho de seu livro sobreviventes e guerreiras, Mary del Priore diz: 
 ‘’ Enquanto você lê este livro, a cada duas horas uma mulher é assassinada. ’’ 
 DEL PRIORE, Mary. Sobreviventes e guerreiras: uma breve história das mulheres no Brasil: 1500-2000. São Paulo: Planeta, 2020.
Mary del Priore em suas obras têm discutido o que é essencial para se entender o porquê de, até hoje, ser fundamental discutir e, principalmente, lutar pela igualdade de direitos para o gênero feminino.
Apesar de o Brasil já ter tido uma presidente e de 45% dos lares serem comandados por mulheres (segundo pesquisa do IPEA de 2018), a brasileira continua sendo agredida, desqualificada, perseguida, insultada. 
Vivemos uma época de transição onde o patriarcado e o machismo, raízes de séculos de desigualdade, são combatidos pelo feminismo e pela cultura contemporânea. Mas, para que uma nova ordem social e cultural se torne realidade, é preciso procurar no passado as raízes deste poder dos homens sobre as mulheres e, sobretudo, aprender com elas como se fizeram ouvidas. 
Como escreve a poetisa e romancista nicaraguense Gioconda Belli, em seu poema "Conselhos para a mulher forte", que diz:
"…se és uma mulher forte
Se proteja com palavras e árvores
e invoca a memória de mulheres antigas.
Saberás que és um campo magnético até onde viajarão uivando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
 Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constroi. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós…"
Conselhos para a mulher forte (Gioconda Belli, Nicarágua, 1948)
A história mostra que a brasileira sempre procurou se reinventar, achar um espaço, e resistir. Desde 1500, quando a esquadra portuguesa, chefiada por Pedro Álvares Cabral, atracou na terra de pau-brasil que várias mulheres se destacaram na luta por liberdade. Seja ela indígena, escravizada, portuguesa ou de qualquer outra nacionalidade ao pisar em solo brasileiro adquirem uma força única.
Pularemos alguns períodos da história e falaremos sobre as “senhoras da Independência do Brasil”, mulheres estas que foram únicas neste tão atribulado processo. Começaremos pela nossa primeira regente de Pindorama, a Imperatriz austríaca Dona Maria Leopoldina da Áustria.
6.1- Imperatriz D. Leopoldina
Nascida em Viena, a arquiduquesa Austríaca e cunhada do imperador Napoleão Bonaparte, se apaixonou às cegas pelo príncipe Dom Pedro I. Como cultural da família Austríaca, Leopoldina teve uma educação única como membro da família Habsburgo, que se baseava na crença educacional, que acreditava "que as crianças deveriam ser desde cedo inspiradas a ter qualidades elevadas, como humanidade, compaixão e o desejo de fazer o povo feliz". Com sua sólida educação após 86 dias de mar pelo Atlântico, desembarca no rio de janeiro e se instala numa casa de campo na Quinta da Boa Vista.
A historiadora Isabel Lustosa, relata duas impressões iniciais de Leopoldina a respeito do Brasil e de seu marido,D. Pedro. Do país, ela menciona seu encantamento com a beleza natural do Rio de Janeiro, e do príncipe, ela destaca o imediato apreço que sentiu pelo português.
 No momento, ficaremos em sua influência no processo de independência do Brasil. A imperatriz colocou o interesse nacional acima dos seus, pois a mesma devido às traições públicas do marido, era infeliz neste casamento.”. Para muitos historiadores é tida como a principal articuladora dos eventos ocorridos entre 1821 e 1822. O historiador Paulo Rezzutti, autor do livro “D. Leopoldina- A história não contada: a mulher que arquitetou a independência do Brasil”, segundo ele, a prometida de D. Pedro “ abraçou o Brasil como seu país, os brasileiros como seu povo e a independência como sua causa”. Foi também conselheira de Pedro em várias e importantes decisões políticas, como o Dia do Fico e a posterior oposição e desobediência às cortes portuguesas quanto ao retorno do casal a Portugal. Consequentemente, por reger o país em ocasião das viagens de Pedro pelas províncias brasileiras, é considerada “a primeira mulher a se tornar chefe de Estado de um país americano independente”. 
6.2 - Domitila de Castro Canto e Melo
A Marquesa de Santos, título que foi concedido por Dom Pedro I. Ela ficou conhecida por seu relacionamento com o imperador. Alguns historiadores descrevem a marquesa como uma mulher de forte influência sobre Dom Pedro. Dizem até se quisesse conseguir algo do príncipe, deviam agradar a Domitila. Ela também deixou um legado ao desafiar as normas sociais e culturais da época, ao ir contra a violência física e emocional de seu primeiro casamento com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, que era alcoólatra e viciado em jogos, onde por diversas vezes, tentou matar Domitila e ficar com sua herança. Fato este que não aconteceu, devido a Marquesa ter tido coragem de denuncia-lo e lutar pela guarda de seus filhos. Um estudo sobre Domitila é o artigo “A Marquesa de Santos e o gosto pelo poder: de ‘favorita’ à militante liberal”, escrito por Paulo Rezzutti. Nesse artigo, são abordados aspectos da vida de Domitila, especialmente sua relação com o poder. Ele explora desde sua condição de amante do imperador, registrada nas cartas trocadas entre eles de 1822 a 1829, até sua vida após a saída da Corte. O artigo destaca como a Marquesa de Santos, diferentemente da maioria das mulheres de sua época, tinha uma predileção pela política e continuou envolvida em assuntos políticos mesmo após deixar o papel de “favorita” do imperador. Ela ficou conhecida principalmente por ajudar os estudantes da Faculdade de Direito em São Paulo.
6.3 - Maria Graham
Também conhecida como Lady Maria Callcott, era escritora inglesa, que em seu diário de viagem descreve sobre suas experiências enquanto esteve no Brasil. Neles além de descrever as paisagens e cidades brasileiras ao qual visitou, ela também compartilha suas impressões sobre o processo de independência e eventos históricos que testemunhou. Após a morte de seu marido Thomas Graham, ela passa por dificuldades e encontra na amizade com José Bonifácio e D. Maria Leopoldina aos quais escrevia cartas e lhe passava sua experiência política. Descrevia os Portugueses como vilões no processo de independência. Graham agiu como mediadora nas negociações entre as postulações de D. Pedro I e as lideranças da confederação do Equador, cabendo a Maria o acordo de armistício e a rendição do comandante da federação. Ela também foi preceptora da jovem princesa D. Maria da Glória, que seria a futura rainha do reino de Portugal e Algarves.
6.4 - Maria Felipa
 No trecho do livro Maria Felipa de Oliveira - Heroína da Independência da Bahia, de Eny Kleyde Vasconcelos Farias, se refere a esta personagem no mínimo controversa da história baiana e brasileira:
 "Nasceu escrava, mas depois de liberta colocou a liberdade como maior tesouro de sua vida, moradora da Ilha de Itaparica, negra, alta, desde cedo aprendeu a trabalhar como marisqueira, pescadora, trabalhadora braçal que aprendeu na luta da capoeira a brincar e a se defender, que vestiam saias rodadas, bata, torso e chinelas, foi líder de um grupo de mais de 40 mulheres e homens de classes e etnias diferentes, onde vigiava a praia dia e noite a fortificando com trincheiras para prevenir a chegada do exército inimigo, e organizava o envio de alimentos para o interior da Bahia (recôncavo), atuando na luta pela libertação da dominação portuguesa."
Maria Felipa viveu em um dos períodos mais importantes do processo de independência, a luta na emancipação da Bahia contra os Portugueses e a própria independência do Brasil. Além das façanhas já descritas acima, Maria Felipa também organizava o envio de alimentos ao interior da Bahia, contribuindo para a luta pela libertação. Mas sua história é pouco mencionada, sendo apenas em 2018, que a mesma foi reconhecida como uma das heroínas da Independência ao lado de Joana Angélica e Maria Quitéria.
6.5 - Maria Quitéria
Maria Quitéria de Jesus, vulgo “Soldado Medeiros” (1792 – 1853), que contrariando sua família, alista-se ao exército na luta pela independência, foi a primeira mulher a integrar as forças armadas, e foi condecorada como heroína por D. Pedro I. Em 1822 enquanto o grito de independência ou morte! ”, era ecoado em São Paulo e os conflitos aumentavam na Bahia, Maria Quitéria lutava pela liberdade do Brasil. Em 1823, comandou um grupo de mulheres civis que se uniram para lutar contra os portugueses. Muitos relatos sobre Maria Quitéria estão escritos em jornais da época e também nos livros da escritora Maria Graham, em seu livro intitulado Journal of a Voyage to Brazil, de 1824. Exaltada pelo Exército a partir de 1950 é o rosto emblemático na luta de organizações femininas pela anistia no período da ditadura militar. Em 1996 o exército, homenageou a brasileira, como patrono da Corporação, ao lado de figuras como Duque de Caxias e Marechal Rondon. Ela se tornou patrono do quadro complementar de Oficiais.
6.6 - Joana Angélica: O historiador Bernardino José de Souza (1884-1949) escreveu que dos acontecimentos "tormentosos" da época, "nenhum impressionou mais fundo a alma da Bahia do que o selvagem ataque dos soldados contra o indefeso convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa". Foi o episódio no qual, segundo suas palavras, "morreu nobremente a primeira heroína da epopeia da Independência".
Neste trecho, do livro Heroínas Baianas, Souza referia-se à religiosa concepcionista Joana Angélica de Jesus (1761-1822). O convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, em Salvador, é o mais antigo construído no Brasil. Servia como local de recolhimento de mulheres consideradas de má fama e que eram enclausuradas por seus pais e maridos. Joana Angélica, aos 20 anos, escolheu ser freira por convicção. Percorreu todos os postos do convento com dedicação. Foi escrivã e vigária geral. Em uma sociedade patriarcal, onde predomina a vontade masculina e silencia-se as vozes femininas, Joana Angélica, destaca-se por sua liderança forte. Tornou-se madre superiora no processo da independência do Porto, o que causou várias mudanças que afetaram a província baiana. No cenário da independência do Brasil em fevereiro de 1822, a pólvora chega a Salvador, brasileiros, militares e civis com pouco armamento, temendo avanço das tropas portuguesas, fogem para a mata do Tororó. Os soldados portugueses acreditando que o convento era local de abrigo dos revoltosos, o invadem e se deparam com a abadessa Joana Angélica de braços abertos na entrada do convento, após ter deixado todas a enclausuradas fugiram pelos fundos do convento, a fim de protegê-las contra qualquer outro crime. Os soldados portugueses desferem golpes de baioneta no ventre da religiosa, que cai ensanguentada e no dia posterior não resistindo aos ferimentos veio a falecer. A morte da freira, gera grande comoção entre a igreja e o povo brasileiro e grande revolta contra a coroa portuguesa. O fato do " martírio " da religiosa chegou até a capitalreal, os Rios de Janeiro, em seu velório em trajes de luto, compareceram o Príncipe Regente Dom Pedro I e a Imperatriz D. Leopoldina. Para a historiografia, acabou sendo aclamada como uma heroína do processo que culminaria, no mesmo ano, na Independência do Brasil. Para a Igreja Católica, seu ato de bravura a torna uma mártir da fé, postulando-a à devoção dos altares.
Diante dos fatos expostos, observa-se a importância destas mulheres no processo de independência do Brasil. Onde seus atos devem ser relatados nos livros de História e nos materiais acadêmicos das mais variadas turmas de ensino. A fim de fomentar, o protagonismo feminino e para promover a igualdade de gênero, como também garantir oportunidades equitativas em todas as áreas. Ao tratarmos deste tema, percebemos que esta luta não diz respeito à realização individual, mas também é essencial para o desenvolvimento socioeconômico e cultural do País.
7 METODOLOGIA
Para a abordagem da temática do projeto de ensino, sobre “o protagonismo feminino no processo de independência do Brasil”, necessário trabalhar o campo de experiência da BNCC que vincula, “os processos de independência das américas”. Com objetivo de caracterizar a organização social e política do Brasil, desde a chegada da corte em 1808 até 1822 e seus desdobramentos para a história política brasileira.
 Considerando-se o conhecimento histórico como uma forma de pensar, de indagar sobre o passado e o presente, de construir explicações e interpretar o mundo. Com metodologia aplicada para desenvolver este plano de ensino, buscaremos criar atividades que envolvam o participante com ludicidade, a imaginação e que principalmente agucem seu interesse pelo tema exposto. O projeto acontecera durante a semana da independência de Brasil, onde as atividades serão realizadas sempre nos dois últimos horários de aula. O trabalho será desenvolvido, utilizando os métodos seguintes:
1° dia:
O professor explanara sobre o tema “ independência do Brasil”, afim de criar uma base sob a temática do plano de ensino. 
2° dia:
O professor desenvolvera sobre a temática, inserindo as figuras da Imperatriz D. Leopoldina e de Domitila de Castro. Onde deverá alancar a importância delas no processo emancipatório do Brasil.
3° dia:
O professor argumentara sobre o tema deste plano de ensino. Expondo as figuras da escritora Maria Graham e da Militar Maria Quitéria. Trazendo para a contemporaneidade a presença das mulheres no meio acadêmico e nas forças militares.
4° dia:
O professor irá expor sobre as figuras da baiana Maria Felipa e da Abadessa Joana Angélica. Procurando trazer aos participantes a luta das várias “ marias” no dia a dia lutando por um espaço e para sobreviver e da presença da mulher na igreja.
5° dia:
Acontecera o encerramento do projeto. Inicialmente o professor agradecera a participação de todos, e fara uma palestra sobre a importância feminina na história moderna e contemporânea, suas lutas e vitórias e sobre a relevância de ensinar os valores trabalhados no contexto escolar e familiar.
8 CRONOGRAMA
O projeto seguira o cronograma abaixo:
	TURMAS
	DESCRIÇÃO
	PERIODO
	6° Ano ao 9° Ano 
	Ciclo de Palestra e 
Apresentação de vídeos
	De segunda-feira a quinta-feira
Sexta feira encerramento
	1° Ano ao 3° Ano E.M
	
	
	E.J.A
	
	
9 RECURSOS 
· Recursos Humanos:
Professores, auxiliares, coordenadores, supervisores e alunos.
· Recursos Materiais:
Papel; 
Caneta;
Projetor;
 Caixa de som;
 Xerox;
Bloco para anotações; 
Livros;
Impressão de fotos ilustrativas.
10 
AVALIAÇÃO
A avaliação configura-se como uma forma de ferramenta para analisar se os objetivos propostos foram alcançados. Sendo assim, é necessário que o docente acompanhe durante todo o processo o envolvimento do aluno na execução das atividades, assim como suas participações, envolvimento com o que foi apresentado e registar tudo o que foi feito e executado. Contudo, será feita a avaliação de acordo com o interesse dos alunos em relação às atividades propostas. Posterior a apresentação do projeto, será solicitado às turmas participantes um breve resumo sobre a temática exposta.
11. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A luta feminina por seus direitos, não é apenas uma luta individual ou de gênero. É um desafio que vem sendo intensificado ao longo dos anos. Essa luta possibilitou avanços significativos em diversas áreas, como a conquista por direitos civis, como o voto, o acesso à educação ou a participação política e oportunidades de trabalho. Mas isso é reflexo do machismo e do patriarcado que está presente há séculos na história mundial e nacional. As mulheres nunca estiveram ausentes da história, ainda que a historiografia tradicional durante décadas, as tenham excluídas. As mulheres, pela sua representação no decorrer da história, foram tornadas invisíveis, ou ainda representadas, apenas exercendo papéis secundários. A falta da presença de mulheres individualizadas nas narrativas históricas, principalmente as mulheres negras e indígenas, foi uma das dificuldades encontradas para redigir este plano de ensino.
Este projeto de ensino procurou, escancarar o discurso patriarcal que pautou a construção das narrativas históricas do Brasil, mostrando as mulheres que não foram citadas nos livros didáticos sobre o processo de independência do Brasil e que tiveram seu protagonismo nas mais diversas áreas da política e da sociedade da época.
Por este motivo, este projeto é de suma importância de ser realizado ao público descrito neste projeto. Com o propósito de gerar um pensamento sociocrítico sobre o tema exposto, pois a luta feminina é uma luta diária e está presente tanto no meio acadêmico, como também no ambiente social que os participantes estão inseridos.
REFERÊNCIAS
MOTA, Ana Claudia de A.A. “Documentos avulsos do Convento da Lapa (Salvador, Bahia, séculos XVIII e XIX): edição e estudo”. Ana Cláudia de Ataída Almeida Mota; orientador Silvio de Almeida Toledo Neto. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-graduação em Filologia e Língua Portuguesa. Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH da USP - São Paulo, 2011.
SANTOS, Antônia da Silva. “Joana Angélica, saindo dos papéis à beatificação”. Anais do XV Congresso Nacional de Linguística e Filologia. Cadernos do CNLF, Vol. XV, Nº 5, t. 2. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2011.
Quem foi Maria Quitéria mulher que se vestiu de homem para lutar na independência do Brasil, BBC NEWS BRASIL,2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59953275. Acesso em:18/10/2024.
Quem foi Maria Felipa, a escravizada liberta que combateu marinheiros portugueses e incendiou navios, BBC NEWS BRASIL,2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62353785. Acesso em: 15/10/2024.
GRAHAM, M. Journal of a voyage to Brazil, and residence there, during … the years 1821-1823. Londres: Longman, Hurst, Rees, Orme, Brown, and Green, 1824. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8022.
Menck, José Theodoro Mascarenhas. D. Leopoldina, imperatriz e Maria, do Brasil [recurso eletrônico] 200 anos da câmara dos deputados.
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