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Pós graduação Fundamentos da atuação neuropsicopegógia e instrumentalização para atuação institucional e clínica 2024

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1 
 
FUNDAMENTOS DA ATUAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA 
E INSTRUMENTALIZAÇÃO PARA A ATUAÇÃO 
INSTITUCIONAL E CLÍNICA 
 
2 
 
 
 
Sumário 
FUNDAMENTOS DA ATUAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA E 
INSTRUMENTALIZAÇÃO PARA A ATUAÇÃO INSTITUCIONAL E CLÍNICA ... 1 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 4 
História da Neuropsicopedagogia ............................................................ 5 
O que é Neuropsicopedagogia e qual seu objetivo? ............................... 5 
O aspecto inclusivo da atuação do Neuropsicopedagogo ....................... 6 
A assessoria Neuropsicopedagógica .................................................... 10 
A atuação do Neuropsicopedagogo frente à educação especial ........... 14 
A ética profissional do Neuropsicopedagogo ......................................... 17 
A INTERCONECÇÃO ENTRE A NEUROPSICOPEDAGOGIA E AS 
PRÁTICAS RESTAURATIVAS NO CONTEXTO ESCOLAR ........................... 20 
NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO ..................................................... 21 
TRIAGEM NEUROPSICOPEDAGÓGICA :COMPREENDER 
EMOÇÕES, SENTIMENTOS E NECESSIDADES ....................................... 24 
PRÁTICAS RESTAURATIVAS: TEORIA E PRÁTICA ........................... 29 
CONSOLIDAÇÃO DE NOVAS APRENDIZAGENS ........................... 31 
AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA ......................................... 33 
O PROCESSO DA AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA .......... 37 
INFORME NEUROPSICOPEDAGÓGICO ............................................. 38 
A ESCUTA DAS CRIANÇAS COMO INSTRUMENTO QUALITATIVO 
PARA A ATUAÇÃO DO NEUROPSICOPEDAGOGO ...................................... 41 
A ATUAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA E A APRENDIZAGEM 
ESCOLAR ........................................................................................................ 42 
 
3 
ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO NEUROPSICOPEDAGÓGICO 
INSTITUCIONAL E CLINICA ............................................................................ 43 
NEUROFARMACOLOGIA ..................................................................... 48 
O QUE É NEUROFARMACOLOGIA? ................................................... 48 
OS LOCAIS DA AÇÃO ....................................................................... 48 
ALVOS DA ACÇÃO DA DROGA ....................................................... 49 
NO RECEPTOR ................................................................................. 49 
NO NEUROTRANSMISSOR ............................................................. 50 
ALGUMAS APLICAÇÕES TERAPÊUTICAS ..................................... 50 
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 52 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
História da Neuropsicopedagogia 
 
O entendimento sobre os processos cerebrais é cada vez mais preciso e 
acertado. Há mais de cem anos que os pesquisadores buscam aprimorar seus 
estudos sobre o cérebro humano, e, atualmente, já se pode afirmar que temos 
excelentes conhecimentos nessa área. 
E é claro que a Educação se beneficia dessas descobertas, pois é um 
campo que lida inevitavelmente com as particularidades do cérebro humano, 
principalmente no que se refere aos estímulos da aprendizagem. São das 
funções cerebrais que vem as respostas para muitas indagações da Pedagogia. 
Por isso, as Neurociências têm muito a acrescentar a diversas áreas do 
conhecimento, e é dessa fusão que surgiu a Neuropsicopedagogia. 
 
O que é Neuropsicopedagogia e qual seu objetivo? 
 
De modo geral, diz-se que Neuropsicopedagogia é uma ciência que 
estuda o sistema nervoso e sua atuação no comportamento humano, tendo 
como enfoque a aprendizagem. Para isso, a Neuropsicopedagogia busca 
relações entre os estudos das neurociências com os conhecimentos da 
psicologia cognitiva e da pedagogia. Sendo assim, essa é uma ciência 
transdisciplinar que estuda a relação entre o funcionamento do sistema nervoso 
e a aprendizagem humana. 
Seu objetivo é promover a reintegração pessoal, social e educacional a 
partir da identificação, do diagnóstico, da reabilitação e da prevenção de 
dificuldades e distúrbios da aprendizagem. 
 
 
 
 
6 
 
 O aspecto inclusivo da atuação do Neuropsicopedagogo 
 
A educação especial e a questão da inclusão têm sido dois temas que 
estão em voga neste início do século XXI. As propagandas em favor da inclusão 
têm sido persistentes, e observamos que nem todos os educadores e demais 
profissionais da educação estão preparados para trabalhar com esse público 
cada vez mais crescente tendo em vista a complexidade que se apresentam as 
dificuldades e necessidades específicas de aprendizagem nos diferentes con-
textos em que emergem, muito menos os espaços escolares estão adaptados 
para receber esses cidadãos. 
Os direitos humanos não são contemplados em sua totalidade, sessenta 
e um anos após terem sido proclamados, vivemos injustiças em nosso cotidi-
ano, todos nós educadores, educandos e cidadãos, enquanto pessoas normais, 
com todos os membros, com todos os neurônios funcionando regularmente. 
Não podemos cometer o grande engano de subestimar as capacidades 
dos alunos portadores de necessidades especiais, escolhendo o caminho mais 
fácil para eles percorrerem, sem deixar que eles próprios se conscientizem da 
necessidade do aprendizado. O que dizer então das pessoas portadoras de al-
guma necessidade especial, que necessitam de processos inclusivos educaci-
onais para que tenham promovidas as suas capacidades de aprendizagem? 
Vale citar Beauclair (2009), quando nos diz que a demanda social pela 
aprendizagem em nosso tempo gerou espaços e tempos institucionais novos, 
onde a atuação do profissional de educação se faz necessária e que novas te-
orias capazes de captar novas dimensões se fazem importantes principalmente 
baseadas na sensibilidade e na intuição das dimensões humanas. 
Em linhas gerais, o trabalho de assessoria neuropsicopedagógica está 
relacionado com o objetivo da psicologia educacional/escolar em auxiliar o de-
senvolvimento global do aprendente através de um trabalho em equipe multi-
 
7 
profissional juntamente com os gestores, professores, orientadores, pais e co-
ordenadores de maneira que o aprendente tenha a sua necessidade básica de 
aprendizagem desenvolvida. 
Seu trabalho visa à prevenção, avaliação, orientação psicológica e acom-
panhamento, aplicados preferencialmente no contexto institucional com vistas 
ao aspecto da inclusão educacional, em detrimento do atendimento individual, 
que só é realizado nos casos pelos quais há realmente essa necessidade. 
A Psicologia Escolar tem como referência conhecimentos 
científicos sobre desenvolvimentoo profissional da área da saúde ou educação vai realizar com o 
responsável pelo aluno, em seu primeiro encontro, tentando relembrar fatos 
ocorridos. 
Os objetivos da anamnese são os seguintes: 
 Saber qual a queixa do pacientes para melhor direcionar o tratamento; 
 Obter informações desde o período intrauterino para pesquisar 
possíveis causas da patologia atual; 
 Levantar a hipótese diagnóstica (HD); 
 
38 
 Providenciar os encaminhamentos necessários para avaliações de 
outros especialistas. 
 
 
 INFORME NEUROPSICOPEDAGÓGICO 
 
A avaliação neuropsicopedagógica tem se caracterizado por suas 
diversas possibilidades de levantamento, análise e interpretação de fenômenos 
relacionados ao funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana, 
os quais oportunizam ao neuropsicopedagogo respaldar-se para a tomada de 
decisões e delineamento de intervenções. Antes de mais nada, a consolidação 
dos achados neuropsicopedagógicos, oriundos do processo avaliativo, deve 
substancialmente ser clara, objetiva, concisa e precisa ao que de fato é exigido 
para a demanda profissional investigada. Nisto, o papel do informe 
neuropsicopedagógico resultante do output avaliativo é condição para a clareza 
sobre os objetivos, a justificativa e os procedimentos metodológicos norteadores 
da avaliação. 
 
Nisto, o neuropsicopedagogo encontra-se posicionado frente a contextos 
profissionais os quais a intervenção avaliativa deverá fundamentar-se tanto no 
delicado esmero teórico quanto na adequabilidade prática de sua atuação. Todo 
este processo se realiza para dar uma resposta profissional e especializada à 
demanda destacada e deve veicular-se através da comunicação dos resultados 
deste, que constitui o momento de fechamento da avaliação. 
É através dos informes finais que se pode descrever e transmitir os 
processos neuropsicopedagógicos e a dinâmica interpessoal que caracteriza o 
sujeito, através de suas amostras adquiridas a partir de vários processos durante 
a intervenção/acompanhamento. Isto ocorre segundo os objetivos que orientam 
a avaliação neuropsicopedagógica e as pessoas a quem se destinam o informe. 
Segue abaixo um modelo de informe: 
 IDENTIFICAÇÃO 
Paciente: XXXXX 
D.N XX/XX/XXXX 
 
39 
Modalidade de Ensino: _______________________ 
Instituição de Ensino__________________________ 
AVALIAÇÃO INICIAL 
A Mãe ou rsponsável apresentou a seguinte queixa: 
 
 
(exemplos de tipos de queixa) 
▪ Apresenta distração, tem dificuldade de fazer coisas solicitadas, 
apresenta uma conduta ansiosa, não consegue executar mais de uma 
coisa ao mesmo tempo, apresenta esquecimento, tem dificuldade 
relacionamento interpessoal desde criança, muitas vezes se isola, é 
tímida. 
▪ Mantém sempre uma média de no máximo 2 amigos, os amigos taxam 
ela de infantil para idade, sendo assim ela acaba fazendo amizade com 
pessoas mais novas. 
▪ Estágio de negação nas coisas que falam. 
▪ Tem dificuldade em seguir regras. 
▪ Quando era pequena não entendia metáforas, tem dificuldade de 
distinguir realidade de fantasia. Apresenta boas notas, exceto em exatas, 
já reprovou no 1º ano. 
▪ Muitas vezes e sente triste isolada deprimida, chora quando está 
estressada e apresenta oscilação de humor. 
DADOS DO APRENDENTE 
▪ Tipo de parto___________________ 
▪ Chorou quando nasceu__________ 
▪ Observações sobre o 
parto:_____________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
. 
INSTRUMENTOS UTILIZADOS: 
▪ Anamnse; 
▪ EOCA (Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem); 
 
40 
▪ Avaliação Cognitiva de Funções Executivas (Teste de Repetição de 
Pseudopalavras, Teste de Atenção por cancelamento; 
▪ Torre de Londres; 
▪ Teste das Trilhas; 
▪ SNAP – IV; 
▪ Neurofeedback. 
 
PARECER PSICOPEDAGÓGICO 
Comparando os testes aplicados, com a análise comportamental e 
também com o exame EEG espectral com FEI e Mapa, foi observado que há 
uma _________________________________________________________. 
 
• Inserir o resultado de todos os testes realizados 
 
 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES PARA ENCAMINHAMENTO 
O paciente apresenta características de____________________. 
Sugiro suporte Neuropsicopedagógico para auxiliar nas adaptações 
escolares bimestralmente. 
Terapia Neuropsicopedagógica combinada com treino de 
neurofeedback duas vezes por semana no período de seis meses para intervir 
no controle inibitório, no aperfeiçoamento das funções executivas e 
consequentemente melhora no rendimento escolar. 
Repetição do EEG com Fei (mapa) no período de três meses. 
É indispensável a psicoeducação com a família uma vez por mês para 
intervir em aspectos comportamentais. 
Encaminho para avaliação ainda para avaliação neurológica. 
 Cidade, data. 
Atenciosamente, 
 
_______________________________________ 
Nome do profissional Neuropsicopedagoga 
Nº SBPNN 
 
 
41 
A ESCUTA DAS CRIANÇAS COMO INSTRUMENTO QUALITATIVO 
PARA A ATUAÇÃO DO NEUROPSICOPEDAGOGO 
 
Considerando a importância da escuta das crianças para a atuação do 
neuropsicopedagogo dentro do espaço educativo e deste recurso como 
instrumento qualitativo para o desempenho do trabalho deste profissional, 
indaga-se sobre: o que pensam as crianças a respeito de sua escola, de sua 
professora, de seu ensino e de sua aprendizagem? 
Em decorrência, desta inquietação, surgiram diversos questionamentos 
os quais serviram para nortear este estudo, a saber: a) O que as crianças gostam 
na escola? b) O que as crianças aprendem? c) Como as crianças sabem que 
aprenderam? d) Como é a professora? 
A partir desta problematização o objetivo deste artigo é analisar as 
respostas das crianças entrevistadas de modo a conhecer os diversos fatores, 
entre eles, estruturais, emocionais, didático-pedagógico, os quais constituem o 
cotidiano escolar destes sujeitos. 
Logo, procurou-se apreender seus anseios, necessidades e concepções 
referente à todo o contexto da escola. Nesse sentido, conhecer o que pensam 
as crianças a respeito de aspectos importantes relacionados à sua 
aprendizagem e tudo o que norteia o ambiente escolar, tem sido uma prática 
cada vez mais comum por parte de profissionais neuropsicopedagogos que já 
compreenderam a importância da participação destes sujeitos nas ações do 
processo educativo. 
Os sujeitos apresentados a seguir como exemplo para pesquisa, são 
crianças de 6 (seis) anos de idade, matriculadas no primeiro ano do ensino 
fundamental de uma escola pública pertencente à rede municipal de ensino. 
A abordagem empregada foi a qualitativa, haja vista que foram utilizados 
instrumentos de coleta de dados como a entrevista semiestruturada e o desenho 
oralizado como mote para um diálogo espontâneo com as crianças, o que 
contribuiu para que se alcançasse o objetivo que se buscava, qual seja, o de 
conhecer as percepções dos sujeitos da pesquisa. 
 
42 
 
A ATUAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA E A APRENDIZAGEM 
ESCOLAR 
 
O trabalho do neuropsicopedagogo no espaço escolar torna-se cada vez 
mais relevante haja vista que sua formação está amparada nos conceitos da 
neurociência, o que assegura embasamento teórico diferenciado para lidar com 
as questões que envolvem o funcionamento das estruturas cerebrais, o que 
configura-se indispensável para o emprego de estratégias que corroborem para 
o desenvolvimento da criança nos aspectos relacionados à aprendizagem. 
De acordo com Russo (2015, p.15-16), as normativas da Sociedade 
Brasileira de Neuropsicopedagogia, no artigo 29, estabelece que referente ao 
neuropsicopedagogo institucional, “fica delimitada sua atuação com 
atendimentos neuropsicopedagógicos exclusivamente em ambientes escolares 
e/ou instituições de atendimento coletivo”. Cabendo a este profissional a 
“observação, identificação e análise do ambiente escolar nas questõesrelacionadas ao desenvolvimento humano do aluno nas áreas motoras, 
cognitivas e comportamentais” . 
Ademais, as “neurociências possibilitam uma abordagem mais científica 
do processo ensino-aprendizagem, fundamentada na compreensão de 
processos cognitivos” (RUSSO, 2015, p. 19). Entre eles o raciocínio, a 
capacidade de tomar decisões, de comandar o corpo, e tantos outros em que se 
faz necessário formação específica para o entendimento de questões tão 
complexas relacionadas ao desempenho cognitivo e acadêmico das crianças. 
Nesse contexto, a aprendizagem escolar é orientada por processos 
relacionados ao desenvolvimento de modo a conceber o sujeito como parte 
integrante da escola e esta, por sua vez, como local propício e fundamental para 
seu desenvolvimento intelectual e psíquico. Assim, para Vigotsky (2010, p. 524) 
“[...] o próprio ingresso na escola significa, para a criança, um caminho 
interessantíssimo e novo no desenvolvimento de seus conceitos”. Com isso, 
cabe considerar também que: 
 
43 
A capacidade de raciocínio e a inteligência da criança, as 
suas ideias sobre o que a rodeia, as suas interpretações 
das causas físicas, o seu domínio das formas lógicas do 
pensamento e da lógica abstrata são considerados pelos 
eruditos como processos autônomos que não são 
influenciados de modo algum pela aprendizagem escolar 
(VIGOTSKY, 2005, p. 25). 
Desse modo, conhecer o que pensam as crianças permite-nos maior 
aproximação de seu contexto social e cultural, considerando que o 
desenvolvimento antecede sempre a aprendizagem em razão das experiências 
externas a que estão expostos estes sujeitos. Entrentanto, as abordagens da 
escola quase sempre vão de encontro e não ao encontro das formas de 
expressão das crianças e de suas realidades e experiências pessoais. 
Nessa perspectiva, a educação tem sofrido influências apontando 
caminhos cada vez mais atentos para os meios e recursos didáticos-
pedagógicos em que seja revisto o papel de todos os professionais envolvidos 
neste processo entre eles, o neuropsicopedagogo em seu trabalho de 
observação, identificação e análise para intervenção na aprendizagem, assim 
como também nos conteúdos formais do ensino e na organização curricular da 
escola. 
Portanto, a partir de um espaço de escuta das crianças é possível 
ampliarmos nossos conhecimentos sobre elas. Além disso, um trabalho 
diferenciado nutrido de subsídios qualitativos que visem enriquecer a qualidade 
da avaliação neuropsicopedagógica institucional, tende a promover reais 
benefícios para a formação integral destes sujeitos. 
 
ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO NEUROPSICOPEDAGÓGICO 
INSTITUCIONAL E CLINICA 
 
Partindo de uma concepção de aprendizagem a partir de um espaço de 
escuta em que os sujeitos atuam também como colaboradores nas tomadas de 
decisão referente à ação pedagógica e ao conteúdo curricular praticado em seu 
 
44 
espaço educativo, é que registra-se a relevância destas percepções para 
subsidiar o trabalho do neuropsicopedagogo institucional. 
Este por sua vez, tem suas ações ancoradas nas teorias educacionais e 
nos fundamentos da neurociência. Assim, os dados levantados neste estudo, 
apontam para um processo de avaliação de desempenho da aprendizagem que 
ultrapassa os testes padronizados comumente utilizados para este fim. Estes 
dados, oriundos de um processo de escuta, após categorizados, apresentam nas 
vozes das crianças o aparecimento com recorrência de palavras como: “fazer 
tarefa”, “ler” e “escrever”. 
Cada um destes vocábulos evidenciam-se repletos de significados, 
revelando dados de suas experiências escolares e expectativas. O termo “fazer 
tarefa”, aparece de modo repetitivo demonstrando, por meio da motivação por 
fazer as atividades escolares, haver vínculo estabelecido com a escola e com a 
aprendizagem. 
Com isso, “se percebe que certos alunos [...] têm “desejos de aprender, 
enquanto outros não manifestam esse mesmo desejo. Uns parecem estar 
dispostos a aprender algo novo [...] Outros parecem pouco motivados [...]” 
(CHARLOT, 2000, p.15 apud LIRA e ENRICONE, 2011 p.3). 
A expressão utilizada por Charlot (2000) indica que o “desejo por 
aprender” representa para as crianças, neste caso, avanço na aprendizagem, 
pois, “fazer tarefa”, implica em mais oportunidade de aprendizagem dos 
conteúdos formais e uma expectativa de continuidade, de desenvolvimento e de 
avanço no conhecimento. 
Para tanto, quando indagadas acerca do que “as crianças gostam na 
escola”, Emergem as seguintes categorias: tarefa, escrever, desenhar, 
brincadeiras, educação física e brincar. Isso pode ser observado em suas 
repostas, conforme descrições a seguir: M.N: eu gosto de fazer tarefa, de 
escrever, desenhar, só isso!; M: eu gosto de ir pra física; de escrever, desenhar, 
fazer atividade, é, é, só isso!; M. S: gosto de jogar bola, fazer tarefa, brincar de 
bambolê, fazer desenho e pintar; K: eu gosto de educação física, pular corda, 
jogar bola e fazer tarefa. 
 
45 
Estas categorias representam o universo sobre o qual as crianças 
sentemse atendidas no que diz respeito a sua escola e ao currículo praticado 
nesta. A este respeito, segundo Sacristán (2000, p. 20), destaca que o “conceito 
de currículo como construção social que preenche a escolarização de conteúdos 
e orientações nos leva a analisar os contextos concretos que lhe vão dando 
forma e conteúdo”. 
Assim sendo, para estes sujeitos, as crianças aprendem na escola a: 
fazer tarefa, ler, escrever, pintar e prestar atenção. Sendo portanto, “prestar 
atenção” um elemento importante para sua aprendizagem, de modo que é 
possível inferir ser muito discutido em sala de aula e internalizado como 
importante para sua formação, isso acontece dada a importância da atenção 
para o desenvolvimento da aprendizagem. 
“A atenção influencia tanto o processamento da informação sensorial 
como a programação de atos motores e está envolvida [...] com funções 
complexas como a leitura” (POSNER; RAICHLE, apud RUSSO, 2015 p. 50). A 
seguir, o contexto em que esse diálogo acontece: M: é, é ler, escrever e pintar; 
K: a prestar atenção, ai tem que fazer a tarefa que a tia faz ai a gente faz no 
caderno, ai a gente aprende a ler. 
Seguindo essa dinâmica, agora, busca-se compreender “como as 
crianças sabem que aprenderam”. E, aparecem as seguintes categorias: 
tentando ler, reconhecendo as letras, sabendo escrever. Estas categorias são 
melhor explicadas ao se observar o diálogo das crianças. M. N: ela manda eu 
tentar ler um pouquinho, tentar saber as letras; M: porque elas já sabem 
escrever; M. S: ela sabe que a gente já tá sabendo ler porque a gente escreve. 
Isso demosntra que para elas, a criança sabe que realmente aprendeu quando 
domina a escrita. 
Ainda nesse contexto, solicitadas a falar a respeito de “como é a 
professora”, aparecem as seguintes categorias: boa, grita, castiga, ficar quieto, 
características físicas, faz tarefa, olha o caderno. Com efeito, apresentam em 
suas respostas uma riqueza de dados muito bem definidos a respeito de como 
vêm a professora e sua didática. 
 
46 
No trecho a seguir, detalham o cotidiano da dinâmica da sala de aula e a 
relação com a professora. M: ela é boazinha; M. N: ela não gosta é de menino 
mal educado; M. S: é porque os menino fica correndo na sala, ela fala, mas ela 
tem que gritar com os menino; K: eu acho ela bela e faz a tarefa. ___ vem todo 
dia olhar o caderno. 
Entre outras coisas, olhar o caderno representa uma ação importante para 
as crianças, visto que, demonstra reciprocidade em relação ao que estão 
realizando em suas aprendizagens. A partir destas percepções, é possível 
observar a importância da escuta das crianças para a construção do trabalho 
neuropsicopegagógico desenvolvido dentro do espaço escolar e as várias 
vertecentes didático pedagógicas que envolvem estas experiências para os 
sujeitos da aprendizagem, incluindo a atençãocom o currículo praticado na 
escola. 
E, que nele, encontram-se questões pontuais que precisam ser 
agregadas aos conteúdos formais. Para as crianças, é importante saber 
reconhecer as letras, ler e escrever e, ficam felizes quando constatam que 
dominam esse processo. De acordo com Dehaene (2012, p. 214), “a escrita se 
ancora progressivamente no cérebro do leitor aprendiz. 
Para o autor, “aprender a ler não é possível senão porque o cérebro da 
criança contém já, em grande medida, as estruturas neurais apropriadas”. Isso 
acontece por ser a escrita uma apropriação dos signos da cultura. 
Logo, a aquisição destes símbolos é importante para a criança para que 
esteja inserida histórico e culturalmente, considerando que a vida social do 
sujeito é organizada por meio da escrita, uma vez que as práticas da leitura e da 
escrita estão em todos os espaços cumprindo diferentes funções. Contudo, 
participam de um processo em que: 
Antes de se apropriarem da leitura e da escrita, as 
crianças passam do desenho para o texto e, na 
sequência, do texto para a leitura. No entanto, as 
condições possíveis para elas nesse momento, diferem 
muito das esperadas pelos adultos. Isso acontece “em 
função de exigir uma quantidade mínima de grafias para 
permitir um ato de leitura” (FERREIRO e 
TEBEROSKY,1999, p. 277, grifo do autor). 
 
47 
O que implica em dizer que o processo pelo qual passam, faz com que 
incorporem a necessidade de ler e escrever, como sendo algo urgente e 
fundamental para que se sintam incluídas na cultura letrada da sociedade. 
Nesse sentido, cabe afirmar que, na perspectiva das crianças, a 
aprendizagem se dá por meio da leitura e da escrita e todas as demais atividades 
ocupam lugar secundário. Isso porque essa criança de 6 (seis) anos de idade, 
oriunda da educação infantil, ingressa no ensino fundamental cheia de 
expectativas para dominar os símbolos gráficos, tendo em vista que: 
[...] os sinais escritos constituem símbolos de primeira 
ordem, denotando diretamente objetos ou ações e que a 
criança terá ainda de evoluir no sentido do simbolismo de 
segunda ordem, que compreende a criação de sinais 
escritos representativos dos símbolos falados das 
palavras. Para isso a criança precisa fazer uma 
descoberta básica – a de que se pode desenhar, além de 
coisas, também a fala. Foi essa a descoberta, e somente 
ela, que levou a humanidade ao brilhante método da 
escrita por letras e frases; a mesma descoberta conduz as 
crianças à escrita literal (VIGOTSKY, 2007, p.140). 
Para tanto, o domínio destas duas habilidades representa para as 
crianças o crescente avanço na aprendizagem escolar, não somente pelo fato 
do ato mecânico (escrever-ler), mas por cumprir algo que lhe é cobrado 
socialmente e, que por outro lado, representa também, um processo natural pelo 
qual toda criança vivencia. 
Finalmente, é possível afirmar que nas vozes das crianças encontram-se 
uma variedade de elementos que podem subsidiar todo o trabalho 
neuropsicopedagógico com vistas na construção de uma prática pedagógica e 
um currículo construído com e não somente para elas. E que suas expectativas 
nem sempre são as que os adultos buscam. 
 
 
 
 
48 
NEUROFARMACOLOGIA 
O QUE É NEUROFARMACOLOGIA? 
 
A neurofarmacologia é um ramo do estudo que trata as drogas que afetam 
o sistema nervoso. É centrada sobre a revelação dos compostos que podem ser 
do benefício aos indivíduos que sofrem da doença neurológica ou psiquiátrica. 
Consequentemente, este campo exige um conhecimento detalhado de como as 
funções de sistema nervoso assim como a maneira em que cada droga atua em 
cima dos circuitos neurais e altera o comportamento celular, e eventualmente o 
comportamento do organismo. 
A neurofarmacologia própria entrou a existência somente cinco décadas 
há, antes de que havia somente quatro drogas disponíveis para desordens do 
nervo: morfina, cafeína, óxido nitroso, e aspirin. Nos próximos 50 anos, um grupo 
novo de drogas tais como antistamínicos, os barbituratos, e os análogos do opi-
láceo emergiram. 
Com introspecções modernas na base molecular da ação de muitas dro-
gas e da disponibilidade de métodos atuais da pesquisa, o trabalho é em curso 
compreender como os trabalhos de cérebro a níveis moleculares e celulares. Isto 
inclui a entrega da droga ao cérebro e a compreender o papel da variação gené-
tica em efeitos de droga entre pacientes individuais conseguir o tratamento per-
sonalizado da doença do sistema nervoso. 
OS LOCAIS DA AÇÃO 
A neurofarmacologia trata as drogas que influenciam os processos que 
são regulados pelo sistema nervoso; corrija assim vários desequilíbrios no corpo 
que funciona através do controle neural. 
As várias divisões do sistema nervoso incluem o sistema nervoso central, 
compreendendo o cérebro e a medula espinal, e o sistema nervoso periférico, 
que inclui os nervos e os gânglio somáticos, simpáticos, e paracimpatico . Os 
neurotransmissor atuam nas sinapses, ou em junções neurais, para ativar ou 
desativar a transmissão do impulso de nervo, ou para ativar processos do 
effector em junções da pilha do neural-efetor. 
 
49 
As drogas que podem atuar nestes locais podem obstruir as ações de 
vários produtos químicos naturais ou alterar respostas do órgão do effector. Isto 
pode ser sob a forma do músculo esqueletal ou a excitação ou a inibição do 
músculo cardíaco, o aumento ou a diminuição na saída cardíaca, as alterações 
do tom vascular, e alterações funcionais dos sistemas nervosos respiratórios, 
gástricas, e centrais para regular o apetite, a temperatura, e as anomalias do 
humor, entre outros. A maioria destas drogas atuam nas sinapses, que permitem 
a ação seletiva do nervo atuando em somente um ou algum receptor do nervo. 
Desde o tipo de neurotransmissor e de receptor difere em vários tipos de 
sinapses, a ação de uma droga pode ser diversa segundo onde localiza. Há mais 
do que dúzia neurotransmissor no cérebro. A ação de um agente 
neuropharmacological depende igualmente em cima do número de receptores, 
que melhora suas selectividade, afinidade do receptor, e eficácia. 
A pesquisa no campo da neurofarmacologia concentra-se na revelação 
das drogas novas que podem corrigir desequilíbrios químicos dentro do sistema 
nervoso, assim como avalia-se seu nível de segurança e de potência para o uso 
clínico. Os estudos em relação aos efeitos de tais drogas em funções 
neurológicas diferentes, incluindo o comportamento, memória, emoções, e 
cognição, são incluídos igualmente neste campo. 
 
ALVOS DA ACÇÃO DA DROGA 
Para cruzar a barreira do sangue-cérebro, as drogas que atuam no 
sistema nervoso central são altamente lipido-solúveis. Na maioria dos casos, 
as drogas psicotrópicos devem ser tomadas por semanas à ação estável 
significativa do produto. Os efeitos podem ser devido às respostas adaptáveis 
a longo prazo um pouco do que as diretas, um fenômeno conhecido como o 
neuroplasticidade. Estas drogas podem causar a tolerância e a dependência 
física. 
NO RECEPTOR 
Algumas drogas ativam o receptor e promovem ou inibem a liberação dos 
produtos químicos; por exemplo, a ativação do receptor pela adrenalina e pela 
 
50 
aceticolina conduz à aceleração e ao retardamento da contração cardíaca, 
respectivamente. 
Outro podem causar a inibição a curto prazo ou a longo prazo de 
atividade do receptor downregulating a síntese do receptor. 
As drogas do agonista imitam a estrutura molecular do neurotransmissor 
e ligam-na diretamente aos receptores. Os antagonistas não têm nenhuma 
limitações da forma e não obstruem o receptor da ligação ao neurotransmissor. 
Outro atuam como construtores do canal do íon e impedem a seqüência 
natural da ativação transmissor-induzida do receptor. 
 
NO NEUROTRANSMISSOR 
Algumas drogas aumentam a atividade do transmissor aumentando sua 
síntese ou promovendo a produção de uns neurotransmissor mais ativos com 
afinidade maisalta do receptor. 
Há igualmente as drogas do estimulante que afete o armazenamento 
dos neurotransmissor nas vesículas neuronal ou altere a liberação do 
transmissor. 
Outras drogas atuam aumentando ou inibindo o emperramento do 
transmissor ao receptor, conduzindo à ação sinérgico ou ao antagonismo da 
ação do receptor. 
Algumas drogas modulam a ação do receptor por vários mecanismos: 
• Obstruindo o reuptake do transmissor e de facilitar sua destruição 
• Degradação de inibição do neurotransmissor; assim, aumentando sua 
concentração 
 
ALGUMAS APLICAÇÕES TERAPÊUTICAS 
As drogas que atuam no sistema nervoso podem ter os seguintes efeitos: 
 
51 
• Depressão de combate 
• Ação do anticonvulsivo 
• Efeito do antihipertensivo 
• Ações antiespasmódicas 
• efeitos do Anti-parkinsonism 
• Agentes de obstrução neuromusculares, que são usados como 
anestésicos 
• Ações agonísticas e antagónicas Adrenergic, que produzem várias 
ações excitatorio e inibitórios nos sistemas cardiovasculares pela ação 
direta e indireta em cima dos receptores 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
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3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.emocional, cognitivo e 
social, utilizando-os para compreender os processos e 
estilos de aprendizagem e direcionar a equipe educativa 
na busca de um constante aperfeiçoamento do processo 
ensino/aprendizagem. Sua participação na equipe multi-
disciplinar é fundamental para respaldá-la com conheci-
mentos e experiências científicas atualizadas na tomada 
de decisões de base, como a distribuição apropriada de 
conteúdos programáticos (de acordo com as fases de de-
senvolvimento humano), seleção de estratégias de ma-
nejo de turma, apoio ao professor no trabalho com a he-
terogeneidade presente na sala de aula, desenvolvi-
mento de técnicas inclusivas para alunos com dificulda-
des de aprendizagem e/ou comportamentais, programas 
de desenvolvimento de habilidades sociais e outras 
questões relevantes no dia a dia da sala de aula, nas 
quais os fatores psicológicos tenham papel preponde-
rante (CASSINS et al., 2007, p 17). 
 
Tendo por base o aspecto inclusivo do trabalho do neuropsicopedagogo 
na escola, vale destacar o processo de avaliação e acompanhamento individual 
da escolaridade de alunos socialmente desfavorecidos na forma do trabalho em 
equipe e colaboração com as escolas, no trabalho conjunto com os profissionais 
das escolas para conhecer as situações que propiciam a marginalização e ofe-
recer recursos a fim de vincular os alunos a espaços mais normalizados, assim 
como a colaboração com as escolas no planejamento de atuações dirigidas às 
famílias com desvantagens sociais. 
Também é importante a assessoria neuropsicopedagógica na forma de 
intervenção na comunidade educativa para que seja inclusiva a fim de favorecer 
a ligação entre a escola e os pais e entre a escola e o bairro, mediante progra-
mas de prevenção do absenteísmo, de grupos de autoajuda, dos círculos de 
 
8 
pais e mestres, dos conselhos escolares colaborativos, dente outros, principal-
mente para os educandos com necessidades educacionais especiais. 
O atendimento educacional para tais alunos deve, portanto, privilegiar 
o desenvolvimento e a superação daquilo que lhe é limitado, exatamente como 
acontece com as demais deficiências, como exemplo: para o cego, a possibili-
dade de ler pelo Braille, para o surdo a forma mais conveniente de se comunicar 
e para a pessoa com deficiência física, o modo mais adequado de se orientar e 
se locomover. Para a pessoa com deficiência mental, por exemplo, a acessibi-
lidade não depende de suportes externos ao sujeito, mas tem a ver com a saída 
de uma posição passiva e automatizada diante da aprendizagem para o acesso 
e apropriação ativa do próprio saber. 
Vale destacar que toda e qualquer criança tem o direito a uma educação 
que lhe permita realizar o seu máximo potencial humano, independente da sua 
capacidade de aprendizagem, neste sentido, é tarefa de todos os atores da es-
cola transformar as instituições de ensino em espaços de inclusão social onde 
estão presentes a alma e o corpo das crianças especiais. 
[...] Um processo pelo qual a sociedade se 
adapta para poder incluir, em seus sistemas so-
ciais gerais, pessoas com necessidades especi-
ais e, simultaneamente, estas se preparam 
para assumir seus papéis na sociedade. A inclu-
são social constitui, então, um processo bilate-
ral no qual as pessoas ainda excluídas e a soci-
edade buscam, em parceria, equacionar pro-
blemas, decidir sobre soluções e efetivar a equi-
paração de oportunidades para todos (SAS-
SAKI, 1997, p.41). 
 
É mister sublinhar que é tarefa principal do neuropsicopedagogo o obje-
tivo de promover a assessoria de uma educação de qualidade para todos, com 
foco no trabalho efetivo da educação inclusiva, assim como de prestar o aten-
dimento prioritário às crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem em 
geral. 
 
9 
O AEE para as pessoas com deficiência mental, por exemplo, deve estar 
centrado na dimensão subjetiva do processo de conhecimento, complemen-
tando o conhecimento acadêmico e o ensino coletivo que caracterizam a escola 
comum, por isso, o conhecimento acadêmico exige o domínio de um determi-
nado conteúdo curricular. O atendimento educacional, por sua vez refere-se à 
forma pela qual o aluno trata todo e qualquer conteúdo que lhe é apresentado 
e como consegue significá-lo, ou seja, compreendê-lo. 
Neste sentido, o PPP escolar pode realizar adaptações importantes de 
acesso ao currículo no conjunto de modificações dos elementos físicos e mate-
riais do ensino, bem como aos recursos pessoais do professor quanto ao seu 
preparo para trabalhar com os alunos que apresentam tais dificuldades e limita-
ções de aprendizagem, podem ser definidas no planejamento das atividades 
como alterações ou recursos espaciais, materiais de comunicação que venham 
a facilitar os alunos com necessidades educacionais especiais a desenvolver as 
suas habilidades e competências num currículo escolar que atenda as reais ne-
cessidades destes sujeitos aprendentes. 
É importante pontuar que o documento que norteia a educação inclusiva 
é a Declaração de Salamanca, que se apresenta na forma de Declaração de 
Direitos e de uma proposta de ação. Surgiu na Conferência Mundial, patroci-
nada pela UNESCO, em junho de 1994, em Salamanca, na Espanha, tendo 
como objetivo maior a garantia dos direitos a todos os alunos com qualquer grau 
de deficiência ou distúrbio de aprendizagem, ao que comumente chamamos de 
Educação Comum. 
É função do neuropsicopedagogo promover processos inclusivos educa-
cionais e conscientizar a comunidade escolar que o sentido do termo inclusão 
não significa promover a adequação ou a normatização de acordo com as ca-
racterísticas de uma maioria, seu significado está mais próximo da possibilidade 
de fazer parte, conviver e não se igualar. 
Portanto, é com grande cautela que devemos levantar a bandeira da in-
clusão escolar de crianças com graves problemas de desenvolvimento ao invés 
de tomarmos o assunto partindo de um ideal, do que diz a lei, é mais apropriado 
 
10 
levar em consideração a própria criança, verificar o problema que ela apresenta 
e, a partir daí, avaliar a maneira pela qual podemos promover processos inclu-
sivos educativos de adaptação no cotidiano da escola, sobre isto veremos mais 
adiante. 
 
A assessoria Neuropsicopedagógica 
A assessoria neuropsicopedagógica é regulamentada pela Sociedade 
Brasileira de Neuropsicopedagogia, explicitando basicamente duas áreas de 
atuação para este especialista, a saber: o campo institucional e o campo clí-
nico. 
Se formos analisar o art. 29 do Código de Ética Técnico Profissional 
do Neuropsicopedagogo com formação no campo institucional, iremos consta-
tar que a sua atuação ocorre exclusivamente em ambientes escolares ou em 
instituições de atendimento coletivo, fazendo parte da equipe técnica-pedagó-
gica e do corpo de professores visando à construção de projetos de trabalho 
nas áreas de conhecimento formal, formulando a orientação de estudos inter-
disciplinares, assim como na prevenção da qualidade de vida por meio de cam-
panhas internas relacionadas à saúde, à educação e ao lazer. 
Vale destacar que a prática do neuropsicopedagogo centraliza-se na me-
todologia da práxis em fundamentos teóricos e práticos psicopedagógicos. 
Sobre o tratamento e a assessoria psicopedagógicos, 
deve-se identificar a fragmentação dos conhecimentos, 
as atitudes pedagógicas, a construção que o aluno repro-
duz da imagem do professor e vice-versa, sobre a ideolo-
gia da realidade, dos mitos e símbolos, na direção da im-
plantação de recursos preventivos no cotidiano escolar, 
assim como da investigação de diferentes metodologias 
sócio pedagógicas, histórico antropológicas e etnológico-
educativas (SILVEIRA, 2019, p. 127). 
Nas instituições, o neuropsicopedagogo cumpre a importante função de 
socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimentocognitivo 
e a construção de normas de conduta inseridas num mais amplo projeto social, 
procurando afastar, contrabalançar a necessidade de repressão. 
 
11 
Os procedimentos de adaptação curricular destinados a instituição esco-
lar numa perspectiva inclusiva de educação, sem perder de vista o sentido legis-
lativo da inclusão social, deve constar no PPP escolar, onde podem ser incenti-
vadas a relação professor/aluno nas dificuldades de comunicação do aluno, in-
clusive a necessidade que alguns possuem de utilizar sistemas alternativos de 
ensino, como (Língua de Sinais, Sistema Braille, Sistema Bliss, dentre outros), 
a relação entre colegas pode ser marcada por atitudes positivas de cooperação, 
os alunos podem ser agrupados de modo que favoreça as relações sociais e o 
processo de ensino e aprendizagem, o trabalho do professor da sala de aula e 
dos professores de apoio ou outros profissionais envolvidos pode ser realizado 
de forma cooperativa, interativa e bem definida do ponto de vista dos papéis 
desempenhados no grupo, a organização do espaço e dos aspectos físicos da 
sala de aula em sua funcionalidade, boa utilização e otimização dos recursos, 
assim como a seleção, adaptação e a utilização dos recursos materiais, 
equipamentos e mobiliários de modo que favoreça a aprendizagem de todos os 
alunos numa perspectiva inclusiva de educação. Historicamente, a 
Psicopedagogia surgiu na fronteira entre a Pedagogia e a Psicologia, a partir 
das necessidades de atendimento de crianças com distúrbios de 
aprendizagem, consideradas inaptas dentro do sistema educacional 
convencional. 
No momento atual, à luz de pesquisas psicopedagógicas 
que vêm se desenvolvendo, inclusive no nosso meio, e 
de contribuições da área da psicologia, sociologia, antro-
pologia, linguística, epistemologia, o campo da psicope-
dagogia passa por uma reformulação. De uma perspec-
tiva puramente clínica e individual, busca-se uma com-
preensão mais integradora do fenômeno da aprendiza-
gem e uma atuação de natureza mais preventiva (KI-
GUEL apud BOSSA, 2000, p. 18). 
 
Nos espaços do terceiro setor, como em ONG’s (Organizações Não go-
vernamentais), o neuropsicopedagogo pode atuar de maneira psicopedagógica, 
apresentando projetos interdisciplinares relacionados às dificuldades de apren-
dizagem do aprendente, fazendo triagens para encaminhamentos aos profissi-
 
12 
onais da saúde quando necessários, assim como inserindo as crianças e os ado-
lescentes em oficinas pedagógicas, a fim de acompanhar o desempenho da 
aprendizagem em relação às dificuldades apresentadas. 
Quanto às intervenções do neuropsicopedagogo clínico, vale destacar 
que a sua avaliação deve ter por objetivo principal identificar no aprendente o 
seu desenvolvimento e a aprendizagem em relação a atenção e as funções 
executivas de expressão do comportamento, o aspecto da linguagem, a com-
preensão leitora, a memória dos processos de ensino e aprendizagem, a moti-
vação intrínseca e extrínseca, as próprias estratégias de aprendizagem, o seu 
desenvolvimento neuromotor, as habilidades matemáticas, assim como as habi-
lidades sociais de interação interpessoais. 
Portanto, atua em equipe multiprofissional em consultórios, clínicas, pos-
tos de saúde, terceiro setor, dentre outros, fazendo avaliação e intervenção em 
crianças e adolescentes com dificuldades escolares, considerando que lidar 
com o insucesso escolar, com o baixo rendimento, com as múltiplas implicações 
para a auto avaliação da criança, para a família, professores e comunidade 
constitui-se em tarefa complexa e desafiadora para a qual não se tem ainda 
uma resposta acabada e pronta, o que aponta para a necessidade de buscar 
alternativas que possam minimizar tal situação. 
O arcabouço teórico que sustenta a formação do neuropsicopedagogo 
institucional e clínico está relacionado à neurociência e à educação, principal-
mente, no sentido de que para compreender o mecanismo do aprender é ne-
cessário conhecer um pouco sobre o funcionamento do sistema nervoso, assim 
como da organização dos nossos comportamentos e emoções a partir da com-
preensão de que os 86 bilhões de neurônios do nosso cérebro interagem entre 
si formando redes neurais para que possamos aprender o que é significativo e 
relevante para a vida. 
Cada tipo de habilidade ou comportamento pode ser bem 
relacionado a certas áreas do cérebro em particular. As-
sim, há áreas habilitadas a interpretar estímulos que le-
vam a percepção visual e auditiva, à compreensão e a ca-
pacidade linguística, à cognição, ao planejamento de 
ações futuras, inclusive de movimento, e assim por diante 
(RELVAS, 2010, p. 14). 
 
13 
Na avaliação neuropsicopedagógica clínica, por exemplo, pode aplicar 
testes e escalas padronizadas para a população brasileira em relação a apren-
dizagem adquirida, utilizar a observação clínica, lúdica e do material escolar 
para a elaboração da hipótese diagnóstica. 
O contato com a escola, com a família, com os demais membros que re-
sidem com o sujeito aprendente, com os demais profissionais que atuam no 
caso, torna-se relevante para a compreensão do quadro e do projeto de inter-
venção que melhor poderá se adequar em cada caso específico na demanda 
apresentada. 
Portanto, vale pontuar que as especificidades da sua atuação, seja no 
campo institucional ou no campo clínico, não perdem de vista a sua objetividade 
principal do saber-fazer, principalmente em se tratando da avaliação inicial, o 
neuropsicopedagogo deve elaborar as hipóteses diagnósticas centradas no pró-
prio sujeito nos aspectos orgânicos e afetivo-cognitivos, nos aspectos psicoló-
gicos onde deverá encaminhá-lo a um psicólogo com relatório especificando a 
situação encontrada, nos aspectos familiares, em como aprendeu a aprender 
nos vínculos com a construção do conhecimento. Na escola, a avaliação poderá 
estar centrada na relação professor/aluno, da inadequação metodológica e na 
didática do ensino e da sua instrumentalização, ainda que consideremos ser 
mais difícil a análise porque o professor/ensinante está em atividade com muitos 
alunos. 
Assim, pode-se afirmar que as intervenções neuropsicopedagógicas de-
vem prestar a assessoria desenvolvendo um trabalho com o intuito de criar pos-
sibilidades para que a aprendizagem ocorra satisfatoriamente e desenvolver in-
tervenções com o objetivo de detectar e estimular áreas que estão comprome-
tendo o processo de aprender. 
Para tanto, a intervenção inicial deve possuir um caráter preventivo e, em 
seguida ser reeducativa e desenvolvido em clínicas ou consultórios psicológicos 
para a identificação dos motivos que provocam os problemas de aprendizagem 
como o déficit intelectual, as incapacidades físicas ou sensoriais, as inadapta-
ções grupais, a imaturidade psicomotora, a ausência dos pré-requisitos básicos 
 
14 
para a alfabetização, métodos de ensino inadequados, fatores emocionais, dis-
lexias entre outros, possibilitando a intervenção com o intuito de solucionar os 
problemas de aprendizagem tendo como eixo norteador o aluno, assim como 
de buscar a realização de um diagnóstico e intervenção psicopedagógica, utili-
zando métodos, instrumentos e técnicas próprias da psicopedagogia institucio-
nal. 
 
A atuação do Neuropsicopedagogo frente à educação especial 
 
Historicamente, a educação especial tem sido considerada como a edu-
cação de pessoas com deficiência mental, auditiva, visual, motora, física, múlti-
pla ou decorrente de distúrbios invasivos de desenvolvimento geral ou especí-
fico, além das pessoas superdotadas que também têm integrado o conjunto de 
características dos sujeitos que são direcionados para as políticas de educação 
especial. 
A mobilização social começa nas décadas de 50 e 60 com o surgimento 
e fortalecimento de algumas organizações e de movimentos socioeducativos 
comoocorreram nos primeiros trabalhos de Paulo Freire, com a Pedagogia Pro-
gressista. Por isso, tem sido grandes os progressos nas áreas de diversidade e 
equidade, com melhores oportunidades educacionais e maior disponibilidade 
de informações necessárias a educadores que ensinam grupos de estudantes 
diversos, entretanto, a promoção de ambientes educacionais flexíveis e sensí-
veis às necessidades singulares de todo aluno não é uma tarefa fácil no âmbito 
da educação tradicional. 
Neste contexto de mudanças de paradigmas socioculturais e políticas bra-
sileiras, o governo brasileiro assume em 1961 a educação do deficiente, quando 
promulga a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 
4.024/61, em seu título X, nos art. 88 e 89, que fazem referência à educação 
dos excepcionais, garantindo a educação aos deficientes. 
Art. 88. A educação de excepcionais, deve, no que for 
possível, enquadrar-se no sistema geral de educação, a 
fim de integrá-los na comunidade; Art. 89. Toda iniciativa 
 
15 
privada considerada eficiente pelos conselhos estaduais 
de educação, e relativa à educação de excepcionais, re-
ceberá dos poderes públicos tratamento especial medi-
ante bolsas de estudo, empréstimos e subvenções (BRA-
SIL, LDBEN 4024/61). 
 
Em seu contexto histórico, verifica-se que ao longo do tempo, as demais 
legislações educacionais, como as que foram promulgadas em 11 de agosto de 
1971, na Lei nº 5.692, a Constituição Federal de 1988, assim como a nova LDB 
nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, de alguma forma buscam garantir a in-
clusão de crianças com necessidades educacionais especiais como direito de 
todos e dever do Estado e da família, na promoção e incentivo com a sociedade 
como um todo, para o pleno desenvolvimento do indivíduo, de sua cidadania 
e qualificação para o mundo do trabalho. 
As mudanças na educação ao longo dos anos assumiram muitas formas 
e progressos graduais foram feitos. Os desenvolvimentos têm sido cada vez 
mais progressistas rumo a critérios educacionais e sociais mais inclusivos, na 
educação, o movimento apresenta-se em mudanças como: da educação dos 
privilegiados para a educação da população geral, para o desenvolvimento de 
classes e escolas especiais, para o enfoque nos direitos de todas as crianças de 
receber educação, para o reconhecimento da educabilidade e dos talentos que 
todos os alunos tem a oferecer às suas comunidades e aos seus pares, para o 
reconhecimento da necessidade de proximidade e interação entre alunos de 
diferentes características, sem discriminação, em ambientes escolares natu-
rais. 
A educação especial e os diferentes tipos de necessidades especiais exi-
gem do profissional de Neuropsicopedagogia o planejamento das ações peda-
gógicas, a fim de identificar através do diagnóstico e da avaliação psicopedagó-
gicas as necessidades de aprendizagem apresentadas pelo aprendente, que 
estão basicamente localizadas no âmbito físico, sensorial, mental, na paralisia 
cerebral, no autismo, no TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperativi-
dade), no TDA (Transtorno de Déficit de Atenção), na dislexia e disgrafia, na 
gagueira e na lentidão. 
 
16 
As ações do profissional de Neuropsicopedagogia, quanto à educação in-
clusiva de portadores de necessidades educacionais especiais, devem preocu-
par-se com a igualdade de oportunidades ao acesso ao ensino escolar na es-
cola regular, como afirma Sahb (2004, p.6), que a escola inclusiva para os alu-
nos portadores de necessidades especiais “[...] pressupõe uma nova escola, 
comum na sua organização e funcionamento, pois adota os princípios democrá-
ticos da educação de igualdade, equidade, liberdade e respeito à dignidade que 
fortalecem a tendência de manter na escola regular os alunos”. 
Assim, o trabalho do neuropsicopedagogo coincide com a política educa-
cional inclusiva, integradora, propondo um modo de se construir o sistema edu-
cacional que considere as diferenças e necessidades de todas as crianças, jo-
vens e adultos, sem discriminá-los ou segregá-los nas suas diferenças e dificul-
dades de aprendizagem escolar. 
A defesa da cidadania e do direito à educação das pes-
soas portadoras de deficiência é atitude muito recente em 
nossa sociedade. Manifestando-se através de medi-
das isoladas, de indivíduos ou grupos, a conquista e o re-
conhecimento de alguns direitos dos portadores de defici-
ência podem ser identificados como elementos integran-
tes de políticas sociais, a partir de meados deste século 
(MAZZOTA, 1996, p. 15). 
Neste sentido, pode-se constatar que a mobilização da sociedade mo-
derna é um fenômeno recente que busca incluir em praticamente todos os am-
bientes socioculturais, as crianças, jovens, homens e mulheres com deficiência 
ou dificuldades de aprendizagem em geral, na busca da garantia dos direitos 
sociais e humanos, buscando o direito à qualidade de vida dessas pessoas, um 
direito que é muitas vezes negado pelo Estado que não dá conta de gesticular 
políticas de inclusão na efetivação dos direitos da cidadania, oportunidade 
e igualdade para todos. 
Ainda que se considere que o manejo das dificuldades de aprendizagem 
no ambiente escolar não se constitui em tarefa fácil, e muitas vezes, a alterna-
tiva dada envolve a colocação das crianças em programas especiais de ensino 
como o proposto para as salas de reforço ou de recuperação paralela, destina-
das a alunos com dificuldades não superadas no cotidiano escolar. 
 
17 
Entretanto, a promoção de ambientes educacionais flexíveis e sensíveis 
às necessidades singulares dos educandos, juntamente com a promoção de 
amizades e sistemas de apoio natural entre pares, não será uma tarefa fácil no 
âmbito da educação tradicional, concedendo ao profissional de Neuropsicope-
dagogia o desafio de buscar alternativas interdisciplinares junto a outros profis-
sionais da área da saúde e educação, em parcerias socioeducativas que articu-
lem a busca de uma educação mais igualitária e inclusiva. 
 
A ética profissional do Neuropsicopedagogo 
 
O compromisso ético do neuropsicopedagogo perpassa a sua prática de 
investigação do conhecimento epistêmico das neurociências da educação, no 
sentido de constituir na sua práxis, segundo Ribas (2006), uma visão progres-
siva das complexidades nervosa e comportamental ao longo da evolução das 
espécies, a análise filogenética da própria conceituação de termos como cons-
ciência e psiquismo, principalmente por propiciar especulações sobre os possí-
veis paralelos comportamentais existentes entre as diferentes espécies e o pró-
prio ser humano. 
A partir daí, conceitua-se o reconhecimento das funções essenciais do 
sistema nervoso humano em ajustar o organismo ao ambiente, em perceber e 
identificar as condições ambientais externas, bem como as condições reinantes 
dentro do próprio corpo, em elaborar respostas que adaptem a essas condições, 
em integrar as funções sensoriais, integrativas e motoras. 
A prática no campo institucional e clínico deve ter o objetivo principal de 
integrar, de modo coerente, conhecimentos e princípios de distintas ciências 
humanas, objetivando adquirir uma ampla compreensão sobre os variados pro-
cessos inerentes ao aprender, no sentido de que o neuropsicopedagogo atua 
com metodologia psicopedagógica num amplo conjunto de tarefas e funções 
que prestam assessoramento às escolas, apesar de sua diversidade. O trabalho 
psicopedagógico não se constitui em aula de reforço escolar, é muito mais am-
 
18 
plo e abrangente, embora seja possível trabalhar também com conteúdos edu-
cacionais, deve envolver as defasagens reais biopsicossociais em um trabalho 
voltado para a vinculação com a aprendizagem e o compromisso com o edu-
cando e as famílias envolvidas nestes contextos socioeducativos. 
É interessante pontuarmos que na sua atividade prática (antes, durantee 
depois) das intervenções, o neupsicopedagogo deve estar sempre e constante-
mente avaliando sua postura ética, os procedimentos realizados e as técnicas 
utilizadas a fim de favorecer o aprendizado do educando. 
A natureza dos objetivos do assessoramento psicopedagógico em quatro 
eixos principais, como aponta (COLL; MARCHESI, 2004), o primeiro está nos 
objetivos da intervenção em tarefas que se centram, prioritariamente no sujeito 
e aquelas que têm como finalidade incidir no contexto educacional; o segundo 
está nas modalidades de intervenção que podem ser consideradas como corre-
tivas, preventivas ou enriquecedoras; o terceiro está nos modelos de interven-
ção porque enquanto alguns psicopedagogos trabalham diretamente com 
o aluno de forma individualizada, outros combinam momentos de intervenção 
direta com intervenções indiretas centradas nos agentes educacionais que in-
teragem com ele; e por último, o quatro eixo está no lugar preferencial de inter-
venção na diversidade de níveis e contextos, tanto nas tarefas localizadas no 
nível de sala de aula, em algum subsistema dentro da escola, na instituição em 
seu conjunto, ano, assim como aquelas que se dirigem ao sistema familiar, à 
zona de influência, dentre outras. 
Para a SBNPp, a atuação do neuropsicopedagogo na área institucional, 
de educação especial e de educação inclusiva, deve contemplar observação, 
identificação e análise do ambiente escolar nas questões relacionadas ao de-
senvolvimento humano do aluno nas áreas motoras, cognitivas e comportamen-
tais, deve analisar a criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento 
dos processos de ensino e aprendizagem do educando, assim como de reali-
zar os encaminhamentos dos alunos para outros profissionais quando se fizer 
necessário, sendo a necessidade de assistência de outra área de atuação ou 
especialização. 
 
19 
Constitui-se um princípio ético, a realização por parte do neuropsicopeda-
gogo sobre testagens, protocolos e estratégias de intervenção como determina 
as Normas Técnicas de seu regulamento, observando que no contexto escolar 
deve prestar assessoria em conjunto com toda a equipe técnica e pedagógica 
da instituição, observando e analisando as demandas que necessitam de avali-
ação e intervenção, sem perder de vista o desenvolvimento integral do apren-
dente. 
O neuropsicopedagogo deverá conhecer as características dos contextos 
em que irá atuar, no caso institucional, como em ONG’s, deverá atender de 
forma coletiva, e dependendo do caso em análise, deve prestar assessoria in-
dividual realizando encaminhamentos a outros profissionais especializados 
quando se fizer necessário, assim como de propor o planejamento institucional 
das suas atividades nesses contextos, inclusive considerando a observação e a 
anamnese. 
Cada instituição desempenha atividades em ramos diversificados, assim 
como possuem a cultura própria de atendimento, definindo instrumentos de uso 
coletivo, por isso a necessidade de um diagnóstico institucional para que se 
identifique o que necessita ser trabalhado nesses locais, dentre as necessida-
des podem surgir as funções executivas, as habilidades sociais, a linguagem, as 
habilidades matemáticas e comportamento motor. 
A execução de projetos de trabalho ou oficinas temáticas devem ser pre-
viamente planejadas e socializadas com todos os agentes do contexto instituci-
onal, assim como o tempo necessário pelos indicadores dos objetivos pretendi-
dos. 
Em relação a atividade do neuropsicopedagogo clínico, segundo Paín 
(1989), vale destacar a intervenção com o objetivo de levantar e sistematizar o 
perfil do aluno no processo de aprender, em detectar os principais pontos de 
dificuldades e necessidades apresentadas pelo educando nos diferentes mo-
mentos de sua formação, com a finalidade de identificar o seu desenvolvimento 
em relação a atenção e as funções executivas de expressão do comporta-
 
20 
mento, o aspecto da linguagem, a compreensão leitora, a memória dos proces-
sos de ensino e aprendizagem, a motivação intrínseca e extrínseca e as pró-
prias estratégias de aprendizagem. 
O olhar clínico neuropsicopedagógico pretende analisar a dinâmica rela-
cional do indivíduo nos processos de ensino e aprendizagem na forma preven-
tiva, diagnóstica e curativa, desenvolvendo atividades e dinâmicas de aprendi-
zagem acadêmicas eficazes para o bom andamento da vida escolar do aluno, 
atendendo-o individualmente nas suas necessidades e dificuldades, de maneira 
pedagógica e realizando encaminhamentos quando se fizer necessário para ou-
tros profissionais e especialistas. 
A assessoria neuropsicopedagógica, tanto na equipe gestora de profes-
sores quanto para os alunos, em âmbito institucional ou clínico, torna-se indis-
pensável para a formação da cidadania crítica destes nos seus diferentes con-
textos socioculturais, na participação social, na formação ética, além da prepa-
ração para o mundo do trabalho, no combate ao fracasso escolar e a elevação 
da autoestima. 
 
A INTERCONECÇÃO ENTRE A NEUROPSICOPEDAGOGIA E AS 
PRÁTICAS RESTAURATIVAS NO CONTEXTO ESCOLAR 
 
 
Em pleno século XXI, a cultura da violência ainda se perpetua em nossa 
sociedade e no ambiente escolar exigindo que se ampliem estratégia para que 
a cultura da paz se faça presente. Tendo em vista que, nos deparamos com 
grandes dificuldades em nossas relações intrapessoais e interpessoais, 
questões de conflitos e violências que estão afetando diretamente na questão 
da aprendizagem. 
Percebe-se que os alunos envolvidos em situações de violência e que não 
estão aprendendo de acordo com sua idade/ano estão sendo excluídos do 
contexto escolar, o que gera um obstáculo para o processo de aprendizagem. 
 
21 
Com o objetivo de agregar os conhecimentos do estudo teórico dos 
conhecimentos da neuropsicopedagogia. 
A seguir, será exposto um pouco do que já se vem fazendo em termos de 
práticas restaurativas no ambiente escolar, bem como o impacto que este 
trabalho agrega aos conhecimentos da neuropsicopedagogia podem trazer no 
restabelecimento de vínculos afetivos e consequentemente a consolidação de 
novas aprendizagens. 
 
NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO 
 
Segundo Cosenza, (2011, p.142) “a educação tem por finalidade o 
desenvolvimento de novos conhecimentos ou comportamentos”, pois 
“aprendemos quando somos capazes de exibir, de expressar novos 
comportamentos que nos permitem transformar nossa prática e o mundo em que 
vivemos, realizando-nos como pessoas vivendo em sociedade”. Cada aluno tem 
a sua história de vida pessoal, sua estrutura genética herdada, o meio em que 
está inserido na família, na comunidade, na escola sendo que seu processo de 
aprendizagem é individual e fruto desta história pessoal. 
Observando o mundo em que vivemos atualmente, um dos grandes 
pontos de interrogação na educação hoje é: Porque muitas criança e 
adolescentes não estão aprendendo, porque existem muitos problemas nas 
relações interpessoais e intrapessoais? Porque os índices do IDEB estão tão 
baixos? Porque tanta distorção idade/ano? Porque adolescentes abandonam a 
escola? Responder a estes questionamentos tem sido um desafio e nossas 
escolas tendo em conta as grandes mudanças estruturais das famílias e da 
sociedade. 
Compreender o ser humano na sua plenitude e entender como se 
processa a aprendizagem no contexto escolar tem sido um grande desafio, uma 
tarefa muito difícil para as mais variadas áreas. Com os avanços na área da 
neurociência entendemos que a aprendizagem é mediada pelas propriedades 
 
22 
estruturais e funcionais do sistema nervoso, especialmente do cérebro, sendo 
ele o órgão da aprendizagem. 
O cérebro humano é bem mais complexo do que pensamos, é abrangente 
e criativo e se for corretamente conhecido, estudado e estimulado poderá 
aprender muito mais, podendo se expandir, bem comosaber lidar melhor com 
as emoções. Segundo Antunes (2005, p.10) “a cada dia, neste exato momento, 
em inúmeros lugares, cientistas se debruçam sobre os segredos da mente 
humana, visando desvendá-los não há mais possibilidade de deter o notável 
avanço das ciências cognitivas na busca dos segredos do cérebro.” 
Segundo o autor, estas conquistas cientificas são relativamente recentes, 
iniciando na primeira metade do século XIX. Desta última década, muito se tem 
debatido mundialmente sobre esta temática. Porém, segue o alerta de Cosenza 
(2011, p.142) “embora muitas vezes se observe certa euforia em relação às 
contribuições das neurociências para a educação, é importante esclarecer que 
elas não propõem uma nova pedagogia nem prometem soluções definitivas para 
as dificuldades da aprendizagem”. Porém, podemos observar no dia a dia que 
estes conhecimentos colaboram para fundamentar as intervenções nas práticas 
pedagógicas que respeitam a forma como o cérebro funciona. 
Os avanços das neurociências possibilitam uma abordagem mais 
científica do processo ensino-aprendizagem, fundamentada na compreensão 
dos processos cognitivos envolvidos. As neurociências são ciências naturais que 
estudam princípios que descrevem a estrutura e o funcionamento neurais, 
buscando a compreensão dos fenômenos observados, já a educação tem outra 
natureza e finalidades, como a criação de condições para o desenvolvimento de 
competências pelo aprendiz em um contexto particular, sendo não apenas 
regulada por leis físicas e biológicas, mas principalmente por aspectos humanos. 
(Cosenza 2011, p.143). 
Neste contexto temos a interface entre as neurociências e a educação, 
onde podemos agregar estes conhecimentos no trabalho do professor no 
ambiente escolar: 
 
23 
O trabalho do educador pode ser mais significativo e 
eficiente quando ele conhece o funcionamento cerebral. 
Conhecer a organização e as funções do cérebro, os 
períodos receptivos, os mecanismos da linguagem, da 
atenção e da memória, as relações entre cognição, 
emoção, motivação e desempenho, as dificuldades de 
aprendizagem e as intervenções a elas relacionadas 
contribui para o cotidiano do educador na escola, junto ao 
aprendiz e à sua família. (COSENZA, 2011, p.146) 
 
Reforçando este tema, nos diz Russo (2015p.15,) que “o estudo da 
neurociências ajuda a compreender a complexidade do funcionamento cerebral 
e as articulações entre cérebro e comportamento” Agregar conhecimentos 
neurocientíficos a educação vai permitir explorar as potencialidades do sistema 
nervoso de forma criativa e autônoma com intervenções significativas para a 
melhoria do aprendizado escolar e da qualidade nas relações intrapessoais e 
interpessoais dos alunos Entendemos a necessidade transdisciplinar que 
envolve esta temática. 
Segundo Cosenza (2011, p.145) “por meio dessa perspectiva, as diversas 
áreas do conhecimento utilizarão seus pressupostos para avançar em direção a 
um conhecimento novo”. A transdisciplinariedade é um nível que vai além da 
multidisciplinariedade e interdisciplinariedade, nela não existem fronteiras e nem 
saberes mais importantes. Neste contexto de transdisciplinariedade a 
neuropsicopedagogia vem para contribuir para essa discussão, pois possui um 
olhar múltiplo que busca compreender o ser humano em sua complexidade, 
conforme a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: 
A neuropsicopedagia é uma ciência transdisciplinar, 
fundamentada nos conhecimentos da Neurociência 
aplicada a educação, com interfaces da Psicologia e 
Pedagogia, que tem como objetivo formal de estudo a 
relação entre cérebro e a aprendizagem humana numa 
perspectiva de reintegração pessoal, social e escolar. 
SBNPp (cap.II art.10) 
Considerando esta perspectiva de reintegração pessoal, social e escolar 
temos que agregar os conhecimentos na área da Justiça Restaurativa, que é 
uma nova abordagem de resolução do conflito, focada nas relações pessoais 
prejudicadas em conflito através de práticas restaurativas que se constituem 
 
24 
num amplo campo fértil e desafiador de pesquisa e reflexão que poderá trazer 
benefícios e mudanças em nossa sociedade a longo prazo. 
 
 
TRIAGEM NEUROPSICOPEDAGÓGICA :COMPREENDER 
EMOÇÕES, SENTIMENTOS E NECESSIDADES 
 
Nosso cérebro tem três funções: a reptiliana, responsável por funções 
vitais; o cérebro límbico pelas emoções e o neocortex, essencial para o 
desenvolvimento da linguagem, raciocínio lógico e pensamento abstrato. 
Percebe-se em nossa cultura um grande emprenho pelo desenvolvimento do 
neocortex relegando em segundo plano as questões relacionadas ao emocional. 
Aristóteles já dizia que educar a mente sem educar o coração, definitivamente 
não é educar. Por isso precisamos resgatar a importância do estudo das 
emoções: 
No estudo da mente humana as emoções e as cognições 
não podem ser analisadas cada uma para o seu lado. As 
emoções afetam as cognições e as cognições ampliam o 
leque e de respostas possíveis e adequadas que um 
organismo pode dar face a uma situação. Há mecanismos 
cerebrais distintos e mecanismos comuns no 
processamento da informação (PINTO, p.170) 
Segundo Cosenza (2011, p.75) “o fenômeno emocional tem raízes 
biológicas antigas e foi mantido na evolução exatamente por seu valor para a 
sobrevivência das espécies e dos indivíduos” e na verdade, os processos 
cognitivos e emocionais estão profundamente entrelaçados no funcionamento 
do cérebro evidenciando que as emoções estão presentes em todos os 
momentos importantes da vida dos indivíduos. Sendo assim necessário 
aprender a lidar de forma adequada com elas. 
O autoconhecimento emocional é uma habilidade que pode ser aprendida 
e aperfeiçoada o que pode fazer uma grande diferença na nossa vida pessoal e 
nas nossas relações. A capacidade de conseguir controlar adequadamente é o 
que chamamos de inteligência emocional, e esta contribui para o aumento da 
aprendizagem, a diminuição dos problemas de disciplina e para a preparação de 
 
25 
indivíduos mais capazes de viver a vida em sociedade e de atingir a plenitude 
de realização pessoal (COSENZA, 2011, p.85) 
Para lidar com as questões de conflito, é preciso empatia, acolher sem 
julgamento, é preciso acolher ambas as partes, o que gera o conflito e o que 
sofre com o conflito. Nesta questão temos que aprender com a linguagem da 
comunicação não-violenta, desenvolvida por Marshall B. Rosemberg, em 
psicologia clínica, mediador internacional e fundador do Centro Internacional da 
Comunicação Não Violenta, que é conhecida por sua capacidade de inspirar 
ação compassiva e solidária. 
A comunicação não-violenta é conhecida como a linguagem do coração 
na prática da paz, por ser uma forma de comunicação que leva a nos entregar 
de coração, e fortalece a nossa capacidade de continuarmos humanos mesmo 
em situações adversas. O enfrentamento deste problema é possível, quando 
descobrimos o que tem por trás destas manifestações, precisamos entender as 
mensagens escondidas, as mensagens explicitas atrás dos atos de violência. 
Escondido em cada ato de violência existe uma necessidade não atendida. 
Podemos dizer que a violência é uma manifestação trágica de uma necessidade 
não atendida (ROSEMBERG, 2006). 
Vivemos em uma sociedade em que não podemos demonstrar nossos 
reais sentimento, nossas emoções e muito menos nossas necessidades. Não 
fomos educados para falar de nossos sentimentos e nem de nossas 
necessidades. Todo ser humano tem em sua programação biológica as emoções 
e necessidades. Nosso cérebro é muito sensível a qualquer violação das nossas 
necessidades. 
Entre as necessidades básicas de todos os seres humanos podemos 
citar: nutrição física (ar, alimento, descanso, abrigo...) autonomia (liberdade, 
sonhos, metas e valores) independência (aceitação, respeito, amor, confiança 
apreciação), lazer ( brincar), celebração (celebrar os sonhos realizados, elaborar 
as perdas),comunhão espiritual (paz, harmonia...) 
Considerando que necessidade é algo do qual não se pode abrir mão e 
não tem cérebro humano que possa eliminá-las podemos nos perguntar: Nossos 
 
26 
alunos tem estas necessidade básicas atendidas? O contexto escolar está 
propiciando isso? Percebemos que os alunos vão para a escola com muitas 
destas necessidades básicas não atendidas e, além disto, com redes neurais 
para comportamentos negativos: 
Alguns alunos, vem para a escola com redes neurais para 
comportamentos que são os mais úteis para a 
sobrevivência em um lar ou numa comunidade com stress 
tóxico, porém esses mesmos comportamentos podem 
perturbar demais quando apresentados dentro da sala de 
aula. (PRANIS, 015. p.16) 
Em nossa essência, somos seres biologicamente configurados para o 
bem. Segundo Pranis (2010, p. 22) “cada um tem um eu que é bom, sábio, 
poderoso e sempre presente – o eu verdadeiro”. Segundo Rosenberg (2006, 
p.19) é da nossa natureza gostar de dar e receber de forma compassiva. 
Segundo Gandhi “a violência é fruto da cultura, não é da natureza’. Cappelari 
(2012 p.23) nos fala que nosso cérebro originalmente foi “programado pela 
natureza para cooperar, contribuir, compartilhar e conviver, são redes de 
neurônios organizados em função da nossa herança biológica, por isso 
possuímos circuitos cerebrais bem pavimentados para a solidariedade e o amor”. 
Considerando que a nossa biologia não nos abandona, podemos nos perguntar: 
Porque então existe tanta violência em nosso contexto, porque nos afastamos 
da nossa natureza que é compassiva? Aprendemos a ser assim no convívio com 
os outros, pois conforme Jeferson Cappellari: 
A absorção desses comportamentos é feita de maneira 
espontânea, simplesmente pelo fato de estarmos 
inseridos no meio social em que vivemos, numa cultura 
que nos desconecta de nossas necessidades, emoções e 
sentimentos e nos ensina a usar o poder, a maldade e os 
julgamentos. (2012, p.33) 
Considerando que a aprendizagem do ser humano começa no período do 
neurodesenvolvimento, precisamos entender que a nossa cultura e o meio em 
que vivemos, todas as nossas experiências desde a concepção, período de 
gravidez e a nossa infância ficam registrado em nosso cérebro, mas nem tudo 
 
27 
permanece para sempre. Pois nosso cérebro passa por um processo chamado 
de poda neural: 
A ciência nos diz que a partir dos dois anos começa a 
ocorrer no nosso cérebro um fenômeno biológico, 
chamado poda sináptica... Assim como um jardineiro 
apara os galhos, o cérebro faz o mesmo, eliminando suas 
redes neurais. Esse processo de poda é altamente 
influenciado por estímulos ambientais, mais ou menos 
como a lei do “uso-desuso”. Se determinadas sinapses 
são muito usadas, elas ficam; as que não tem função são 
podadas. Não geram prejuízo para a anatomia do cérebro. 
(CAPPELLARI, 2012 p.28) 
O convívio familiar e na comunidade tem sido complicado e todas as 
experiências vivenciadas e repetidas - sejam de afeto ou de violência - tornam-
se hábitos fazendo com que nosso cérebro se estruture com esses 
comportamentos positivos ou negativos. Crianças com convívios razoavelmente 
afetivos tem vantagens em seu desenvolvimento, mas ainda podem apresentar 
dificuldades em seus relacionamentos, porém as criança que vivem com poucos 
vínculos afetivos, em um ambiente em que a comunicação é fundamentada em 
xingamentos, ameaças, humilhações, que sofrem maus tratos, abandono e 
violência tenderão a ter grandes problemas em seu processo de aprendizagem. 
Se com a poda neural, o que permaneceu foram os registros negativos, 
Cappellari coloca que é por meio destes circuitos neurais que ela irá se 
desenvolver. Traumas na infância, abuso sexual, abuso físico, maustratos 
emocionais e negligência podem ter efeitos diferenciais no cérebro que e 
persistem tornando estes sujeitos reprodutores destas atitudes em seu meio. 
Kay Pranis nos chama a atenção para que estes sujeitos não sejam 
abandonados, separados ou excluídos de nosso meio quando cometem 
violências e atos infracionais, porque compartilha do pensamento de Albert 
Einstein quando diz que o ser humano é parte do todo por nós chamado de 
“universo” e acrescenta dizendo que em nossos relacionamentos estamos 
profundamente interconectados. 
 
28 
A sociedade africana tradicional usa o termo “ubuntu” com a ideia de que 
cada um de nós é, fundamentalmente uma parte do todo. 
Nós acreditamos que este princípio nos faz lembrar que 
não há jovens e pessoas que possamos jogar fora desistir, 
chutar ou nos livrarmos de nada sem, 10 literalmente, 
jogar fora uma parte de nós mesmos. Ao excluir alguém, 
nós nos prejudicamos e prejudicamos o tecido de nossa 
comunidade. Pelo fato de estarmos conectados, o que 
fazemos ao outro, fazemos a nós mesmos, embora 
possamos não nos dar conta de que isto esteja 
acontecendo. (PRANIS 2010, p.23) 
A afirmação de que tudo no universo está ligado, e que é impossível isolar 
algo e agir sobre aquilo sem atingir todo o resto nos remete uma grande 
responsabilidade com nossas crianças e jovens que estão em conflitos com a lei 
nos atos infracionais. Para trabalhar no resgate destes alunos a neurociência, 
que busca entender as bases biológicas do comportamento, mostra-nos que 
podemos criar rotas neurais alternativas para criar novos caminhos para superar 
as aprendizagens negativas que tivemos, dizendo: 
Se os comportamentos dependem do cérebro, a aquisição 
de novos comportamentos, importante objetivo da 
educação, também resulta de processos que ocorrem no 
cérebro do aprendiz. As estratégias pedagógicas 
promovidas pelo processo ensino-aprendizagem, aliadas 
às experiências de vida às quais o indivíduo é exposto, 
desencadeiam processos como a neuroplasticidade, 
modificando a estrutura cerebral de quem aprende. Tais 
modificações possibilitam o aparecimento dos novos 
comportamentos, adquiridos pelo processo da 
aprendizagem. (COSENZA,2011 p. 142) 
Sabemos que esta plasticidade é maior nos primeiros anos de vida, mas 
segundo Russo (2015, p.44) “o conhecimento atual do cérebro e de seu 
funcionamento permite afirmar que a plasticidade nervosa, ainda que diminuída 
permanece pela vida inteira, logo a capacidade de aprender é mantida”. 
Considerando que a plasticidade é a capacidade que o cérebro tem de fazer e 
desfazer ligações entre os neurônios através das interações constantes com o 
ambiente interno e externo do corpo, precisamos investir em nossos 
adolescentes e jovens no sentido e que as negativas encontres estas novas 
rotas de que as aprendizagens positivas possam ser consolidadas em seus 
cérebros 
 
29 
Faz-se necessário que os novos estímulos sejam constantes. Aprender 
dá trabalho, é difícil, gastamos muita energia e tempo, mas é preciso consolidar 
estas novas aprendizagens e novos comportamentos podem ser modulados, 
buscando comportamentos considerados socialmente desejáveis. 
 
PRÁTICAS RESTAURATIVAS: TEORIA E PRÁTICA 
 
As práticas restaurativas podem ser aplicadas nas escolas de forma 
preventiva por meio da construção da Cultura de Paz e dos "Círculos da Cultura 
de Paz". Porém, em situações de crise aplica-se o trabalho de mediação de 
conflitos por meio dos "Círculos Restaurativos" que buscam superar a forte lógica 
de punição. 
Para aquisição de novas aprendizagens, no sentido de resgatar o lado 
bom do eu verdadeiro podemos aprender muito com os ensinamentos de Kay 
Pranis, através dos Círculos de Construção de Paz, que são práticas 
restaurativas inspiradas nos povos indígenas e canadenses que reúnem a antiga 
sabedoria comunitária e o valor contemporâneo do respeito pelos dons, 
necessidades e diferenças individuais num processo que; respeita a presença e 
dignidade de cada participante, valoriza as contribuições de todos os 
participantes, salienta a conexão entre todas as coisas; oferece apoio para a 
expressão emocional e espiritual; dá voz iguala todos. (PRANIS, 2010 ) 
É preciso ajudar as pessoas a reconhecer e buscar alternativas saudáveis 
para suprir suas necessidades. O círculo de construção de paz é um lugar para 
se adquirir habilidades e hábitos para construir relacionamentos saudáveis. No 
círculo as pessoas têm a possibilidade de falar de si, de seus sentimentos e 
necessidades se aproximam das vidas uma das outras a partir da partilha de 
histórias significativas, elas partilham experiencias pessoais de alegria e dor, 
vulnerabilidade e força luta e conquista. 
Quando alguém conta uma história, mobiliza as pessoas a sua volta nos 
níveis emocional, espiritual, físico e mental. O corpo relaxa, se acalma, fica mais 
aberto e menos ansioso. A filosofia subjacente aos círculos reconhece que todos 
 
30 
precisam de ajuda e que ajudando os outros, estamos ao mesmo tempo 
ajudando a nós mesmos (PRANIS, 2010) 
Aprendi a trabalhar com Círculos de Construção de Paz em 2015 através 
de uma formação na Secretaria Estadual de Educação (SEDUC/Porto 
Alegre/RS) e em 2016 na Promotoria Regional de Educação (PREDUC/ Santa 
Maria/RS). Desde então tenho colocado em prática na resolução de conflitos 
envolvendo aluno, professores, funcionários, pais e comunidade escolar, bem 
como multiplicado estes conhecimentos na formação de orientadoras 
educacionais, profissionais membros da CIPAVE e profissionais da Rede de 
Apoio à escola. 
Socializando com colegas que também realizam os círculos, comumente 
dizemos que o círculo é mágico, tudo pode acontecer nele. As pessoas são 
envolvidos emocionalmente, deixam de lado as máscaras e defesas, para estar 
presente como ser humano inteiro, para revelar suas aspirações mais profundas, 
para reconhecer erros e temores e para agir segundo valores. Costumo dizer 
que se as paredes da minha sala falassem poderiam revelar muitas experiências 
positivas. 
A conexão, o sentimento de pertencimento, o ser ouvido, poder falar 12 
de seus sentimentos e necessidades fazem uma grande diferença na vida das 
pessoas, promovem responsabilidade de todos. 
Segundo MARTINS (2017, p. 11) “as práticas restaurativas na escola são 
como ferramentas de resolução de conflitos que emergem em contexto escolar 
a fim de contribuir para a transformação do ofício docente e a melhoria do 
ambiente escolar de maneira geral”. Precisamos aprender e nos empoderar 
destas práticas e este é o empenho da 24ª Coordenadoria Regional de 
Educação, enquanto entidade educacional, realizar estas práticas em seu 
ambiente e multiplicar com os profissionais da educação e profissionais da rede 
de apoio para que a aprendizagem se efetive no dia a dia das escolas e nos 
demais ambientes da sociedade. 
 
 
31 
CONSOLIDAÇÃO DE NOVAS APRENDIZAGENS 
 
Segundo Cosenza (2011), as inteligências emocionais estão ligadas ao 
conceito de funções executivas, que embora não exista um consenso sobre a 
conceituação destas, podemos defini-las como o conjunto de habilidades e 
capacidades que nos permitem executar as ações necessárias para atingir um 
objetivo. Elas também asseguram, que as normas sociais sejam respeitadas, em 
um padrão comportamental considerado tendo como essência a capacidade de 
planejar no longo prazo, de medir a consequência dos próprios atos, de inibir 
comportamentos inadequados. Outro aspecto fundamental do conhecimento a 
neurociência é a questão da consolidação da aprendizagem: 
É indispensável para que os registros no cérebro sejam 
retidos por um tempo maior. Na consolidação ocorrem 
alterações biológicas nas ligações entre os neurônios, por 
meio das quais o registro vai se vincular a outros já 
existentes, tornando-se mais permanente. Essas 
alterações envolvem a produção de proteínas e outras 
substâncias que são utilizadas para o fortalecimento ou a 
construção de sinapses nos circuitos nervosos, facilitando 
a passagem do impulso nervoso. Tratase de um processo 
que não ocorre instantaneamente, que demora algum 
tempo para ocorrer. Terminado o processo, novas 
memórias estarão consolidadas e serão menos 
vulneráveis ao desaparecimento do que as lembranças 
recentes. (COSENZA, 2011, p.63) 
Alguns estudos, tem sido realizado e existem evidências que esta 
consolidação ocorra durante o sono, mostrando a importância de termos um bom 
sono pois sua privação pode acarretar grandes prejuízos na questão da 
aprendizagem. Pois segundo o mesmo autor é durante o sono que os 
mecanismos eletrofisiológicos e moleculares envolvidos na formação de 
sinapses mais estáveis estão em funcionamento. É como se o cérebro, durante 
o sono, passasse a limpo as experiências vividas e as informações recebidas 
durante o período de vigília, tornando mais estáveis e definitivas aquelas que 
são mais significativas (COSENZA, p 65). 
Como foi visto na questão das nossas necessidades básicas, o sono é 
considerado uma de nossas necessidades básica. Sendo ele tão importante na 
consolidação da aprendizagem podemos encontrar outro fator para as 
dificuldades de aprendizagem destas criança e adolescentes que vivem em 
 
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situações de violência e de vulnerabilidade social. Então a escola tem este 
grande desafio, enfrentando as mazelas de nosso mundo contemporâneo, não 
desistindo de seus alunos e professores. Reforçando diariamente o seu trabalho 
de acreditar no ser humano, fortalecendo as relações. 
Segundo Pranis (2015 p.16) “Para escolher comportamentos diferentes, 
os alunos têm de, primeiramente aprender novos comportamentos. E aprender 
qualquer coisa nova leva tempo. É preciso praticar”. Não basta apenas 
desenvolver o trabalho das práticas restaurativas, os valores da justiça 
restaurativas, apenas esporadicamente. 
Faz-se necessário um trabalho constante e persistente para que estas 
novas rotas neurais se estabilizem e virem novos hábitos e formas de viver para 
que as aprendizagens aconteçam. Os alunos podem aprender que é possível 
treinar a controlar nossa maneira de ser e manter o autocontrole das nossas 
condutas e praticar com progressiva segurança aprendizagens positivas. 
A inclusão de todos os sujeitos na escola com permanência e sucesso é 
o grande desafio da educação. Os estudos das neurociências têm comprovado 
que os mais variados tipos de violências, como maus tratos, negligências... tem 
sido uma das causas do insucesso na aprendizagem. Conhecendo como 
funciona o nosso cérebro podemos avançar nas questões da aprendizagem. 
Através do processo de neuroplasticidade cerebral é possível superar 
aprendizagens negativas. 
O estudo da neuropsicopedagogia entrelaçado com as práticas 
restaurativas pode mostrar caminhos, novas alternativas e estratégias para que 
a cultura da paz esteja presente nas escolas e que nosso aluno esteja em 
relações saudáveis criando vínculos afetivos que favoreçam a aprendizagem em 
todos os seus aspectos. 
O trabalho constante com as práticas restaurativas, através de círculo de 
construção de paz e círculos restaurativo - onde as emoções, sentimentos e 
necessidades podem vir à tona e serem reconhecidos - tem como objetivo 
resgatar valores restaurando relações. Enquanto educação precisamos 
 
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reconhecer que as emoções necessitam ser consideradas nos processos 
educacionais, para que as novas rotas neurais sejam consolidadas. 
Logo, é importante que o ambiente escolar seja planejado e organizado 
com estratégias para a gestão dos conflitos, precisando criar espaços humanos. 
É tarefa da educação preparar as futuras gerações para o mundo melhor, 
criando ambientes seguros de aprendizagem e estimulando o uso de soluções 
criativas e pacíficas para os conflitos. 
 
AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA 
 
A Neuropsicopedagogia, aos poucos vem conquistando espaço no 
território brasileiro surgindo como uma nova área do conhecimento e pesquisa 
na atuação interdisciplinar, abarcando conhecimentos neurocientíficos e tendo 
seu foco nos processos de ensino aprendizagem. Está pautada ematividades 
que avaliam e intervêm nos processos de aprendizagem procurando obter 
informações de todas as ciências que possam contribuir para formar o 
entendimento mais detalhado da aprendizagem de cada indivíduo. Assim sendo, 
a Neuropsicopedagogia, que agrega conhecimentos da neurociência, psicologia 
e pedagogia realiza um trabalho de prevenção, pois avalia e auxilia nos 
processos didático-metodológicos e na dinâmica institucional para que ocorra 
um melhor processo de ensino-aprendizagem (HENNEMANN, 2015). 
Em entrevista para a Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPb, 
através de Racy e Vieira (s.d.), Dr Marco Tomanick Mercadante, contextualiza a 
Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras: “Um campo do conhecimento 
que procura reunir os avanços advindos das neurociências com a 
psicopedagogia. Assim, o profissional com essa perspectiva deve ter 
conhecimento amplo das bases neurobiológicas do aprendizado, do 
comportamento e das emoções, e dominar os elementos clássicos da 
psicopedagogia. Além disso, uma coerência epistemológica que garanta uma 
adequada articulação dessas áreas dispares do conhecimento é fundamental 
para a atuação na área”. 
 
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Nesta perspectiva, faremos um breve relato sobre os conhecimentos 
advindos das neurociências para a atuação e avaliação neuropsicopedagógica. 
O cérebro humano é uma maravilhosa máquina que transforma uma 
simples sensação em pensamento, é um órgão complexo, desvendado 
parcialmente pela ciência, composto por células nervosas e glândulas. 
Dentro desta complexidade é importante ressaltar as funções do encéfalo 
e dos neurotransmissores, o encéfalo diferente do cérebro, é um conjunto de 
estruturas que estão anatomicamente e fisiologicamente ligadas, são estruturas 
especializadas que funcionam de forma integradas, para assegurar a unidade 
ao comportamento humano. 
Possui uma constituição elaborada ao receber mensagens que informam 
ao homem a respeito do mundo que o cerca além de receber um permanente 
fluxo de sinais de outros órgãos que o capacita a controlar os procedimentos 
vitais do individuo, batimento cardíaco, a fome e a sede, as emoções, o medo, a 
ira, o ódio e o amor tudo iniciando no encéfalo tendo o cérebro, a parte maior e 
mais importante. 
Na aprendizagem a criança tem na concentração e atenção aspectos 
importantes e fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e motor, o 
aprendizado depende de alguns outros fatores, estimulo, interesse e da 
funcionalidade adequada das estruturas que irão receber tais estímulos e 
principalmente da atenção desta criança. 
Se a atenção é fundamental para a aprendizagem é através do 
desempenho de uma estrutura complexa localizada na parte central do tronco 
encefálico denominada de formação reticular (age como se fosse um filtro), que 
mantém o córtex em condições para que possa receber novos estímulos, 
decodificá-los e interpretá-los principalmente os sensitivos que devem ser 
selecionados onde somente os estímulos importantes passam por este "filtro", 
chegando ao córtex o que os torna conscientes impedindo que os constantes 
bombardeios não venham atingir o córtex de forma indiscriminada. 
 
35 
Quanto aos neurotransmissores, são substancias químicas produzidas 
pelos neurônios, as células nervosas, por meio delas podem enviar informações 
a outras células, podem também estimular a continuidade de um impulso ou 
efetivar a reação final no órgão ou músculo alvo, elas agem nas sinapses que 
são o ponto de junção do neurônio com outra célula. 
Os Neurotransmissores possibilitam que os impulsos nervosos de uma 
célula influenciem os impulsos nervosos de outra permitindo assim que as 
células do cérebro por assim dizer, "conversem entre si". O corpo humano 
desenvolve um grande número dessas mensagens químicas para facilitar a 
comunicação interna e a transmissão de sinais dentro do cérebro, são 
substancias que funcionam como combustível cerebral, nos deixam mais felizes 
e são fundamentais para o bom funcionamento do organismo. 
O interesse dos pesquisadores, suas descobertas, tem crescido em 
resposta á necessidade de, não somente entender os processos 
neuropsicobiológicos normais mais principalmente para respaldar a ciência da 
educação.Modernas técnicas estão começando a revelar como o cérebro tem 
conseguido a notável proeza da aprendizagem, as ciências cognitivas modernas, 
estão sendo capazes de estudar objetivamente muitos componentes do 
processo mental tais como atenção, cognição visual, linguagem, imaginação 
mental etc. 
Novos desafios terão pela frente, certamente novas conquistas, 
possivelmente os obstáculos existentes entre neurocientistas e educadores 
serão ultrapassados, novos paradigmas irão impulsionar a ciência 
principalmente a aqueles que se preocupam com a educação sob novos olhares 
(BARBOSA; KOPPE, 2013). 
O neuropsicopedagogo utiliza-se dos processos de metacognição, o pen-
sar sobre o pensar, fazendo com que o indivíduo entenda o porquê de responder 
"de tal maneira, tal pergunta", de que forma poderia ter feito melhor, sendo as-
sim, os processos metacognitivos vão além da cognição, uma vez que esta se 
baseia somente em ensinar o aluno a dar respostas e se possíveis certas. Aliado 
aos demais profissionais do contexto educativo ele procura transformar “queixas” 
 
36 
em pensamentos, criando espaço para a escuta e observação, para a partir daí 
fazer devolutivas. 
Através de estudos de como o cérebro aprende, de modo mais eficiente, 
encontradas em disciplinas voltadas às neurociências, o neuropsicopedagogo 
possui procedimentos e práticas eficazes para lidar com situações de 
dificuldades de aprendizagem. Dificuldades estas, que podem estar 
relacionadas à linguagem escrita, tanto na matemática quanto na comunicação, 
ou talvez defasagem decorrente de déficit visual, motor ou transtornos 
emocionais, bem como desenvolvimento intelectual diferenciado, tanto de 
alunos com incapacidade como dos com altas habilidades. 
 
 Para que seja realizado uma avaliação neuropsicopedagógica ade-
quada, é necessário compreender como funciona na prática o aparelho cogni-
tivo. 
O encéfalo, nosso aparelho cognitivo, forma um todo complexo pouco compre-
endido, entretanto, o pouco sabido é suficiente para incrementar nossas práti-
cas para avaliação. 
 
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Pode-se didaticamente dividi-lo em três partes: o cerebelo (1), o sistema 
límbico (2) e o córtex (3). O cerebelo (1) é a parte do encéfalo responsável por 
estruturar os comandos mecânicos de nosso corpo. Quando aprendemos a falar, 
a escovar os dentes ou andar de bicicleta é este sistema que recebe as instru-
ções que programam sua rede de neurônios, instruções estas difíceis de serem 
implantadas mas que depois jamais são esquecidas. O sistema límbico (2) se 
compõe do hipotálamo, tálamo, amígdalas e hipocampo. Pode ser entendido 
como um cérebro réptico completo em si mesmo. A evolução fez com que fosse 
somado a este cérebro réptil um córtex capaz de dar suporte as capacidades 
humanas superiores e manteve este cérebro primitivo atribuindo-lhe vários 
papéis instintivos além da função essencial de reter as informações colhidas 
durante o dia. Instintos básicos como o medo e a decisão de lutar ou correr diante 
de uma ameaça são gerenciados pelas amígdalas e hipotálamo, já o hipocampo 
perfaz a memória que registra os dados colhidos durante o dia. É no córtex (3) 
onde se registram definitivamente o que se aprendeu durante o dia. Diversos 
casos clínicos como o do sujeito acidentado que esquece o que aprendeu 
minutos atrás forneceram as pistas de como funciona a aprendizagem. 
 
O PROCESSO DA AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA 
 
O processo de avaliação inclui numerosas atividades entrelaçadas e 
interdependentes entre si. Vamos iniciar pela anamnese. A palavra anamnese 
tem origem grega e significa – ana= trazer novamente – mnesis= memória. É um 
entrevista que

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