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Paradoxo das gêmeas Assista ao vídeo para entender mais o fenômeno da dilatação do tempo. Nele você verá o famoso experimento mental proposto por Einstein para exemplificar a teoria da dilatação do tempo, e ainda verá como esse fenômeno afeta os satélites de GPS e a importância da correção do tempo registrado por eles. Aproveite! Introdução à Relatividade Especial FÍ SI C A 91Bernoulli Sistema de Ensino Quando a velocidade de um corpo é comparável à velocidade da luz, o fator γ é suficientemente maior que 1, de modo que a dilatação do tempo é perceptível. Para exemplificar esse fenômeno, considere que a nave da figura 3 se afaste da Terra com velocidade v = 0,6c. O astronauta comunica à estação de controle terrestre que ele vai descansar durante 1 hora. Na Terra, quanto tempo irá durar o descanso? A resposta não é 1 hora, pois o início e o fim do descanso não ocorrem na mesma posição no referencial terrestre. Portanto, o tempo terrestre é dilatado do fator de Lorentz, que vale: γ = = =1/ 1 0,6 1/0,8 1,25_ 2 Então, Δt = 1,25.Δt’ = 1,25 . 1h = 1,25 h. Portanto, o descanso medido na Terra é de 1,25 h. Contração do comprimento Um fenômeno diretamente relacionado à dilatação do tempo é a contração do comprimento. Para explicarmos esse conceito, observe a grande régua da figura 3. O comprimento da régua medido no referencial S, no qual ela se acha em repouso, é chamado de comprimento próprio LP. Ana Lúcia pode calcular esse comprimento usando a expressão LP = v.Δt, em que v é a velocidade da nave, e Δt é o tempo que a nave leva para se deslocar de xA até xB (posições alinhadas com as extremidades da régua). De dentro da nave, o astronauta vê a Terra passando com uma velocidade –v (o sinal negativo indica que o sentido de movimento da Terra é oposto ao da nave). De forma semelhante, o astronauta pode calcular o comprimento da régua pela expressão L = vΔt’. Para ele, as passagens das extremidades da régua pela nave ocorrem em uma mesma posição do seu referencial S’. Por isso, o tempo Δt’ medido por ele é menor que o tempo Δt medido por Ana Lúcia. Como consequência disso, o astronauta vê a barra contraída. É fácil mostrar que o fator de contração do comprimento vale 1/γ. Assim, se a nave se move com uma velocidade v = 0,6c (ou seja, 1/γ = 0,8) e o comprimento próprio da régua for LP = 10 m, o astronauta verá a régua com o comprimento L = LP(1/γ) = 10 . 0,8 = 8 m. Agora, imagine que o astronauta veja a sua nave com um comprimento de 3 m e uma altura de 2 m. Esses são os comprimentos próprios da nave, pois ela está em repouso em relação ao astronauta. Da Terra, Ana Lúcia vê a nave contraída com um comprimento L = 3 . 0,8 = 2,4 m. Como a nave não apresenta movimento na direção vertical (y), a altura da nave não é contraída. Portanto, Ana Lúcia vê a nave com a sua altura própria, de 2 m. Logo, podemos concluir que, assim como na dilatação do tempo, a contração do comprimento é percebida nos referenciais em movimento em relação ao objeto de medida. Adição relativística de velocidades Considere um trem que se afasta com velocidade de 60 km/h de uma estação. Se um passageiro caminhar com velocidade de 1 km/h em relação ao trem no sentido do seu movimento, alguém parado na estação verá o passageiro se afastando com a velocidade de 61 km/h. Para pequenas velocidades, o cálculo por meio da simples adição ou subtração das velocidades é adequado. Porém, para velocidades comparáveis à velocidade da luz, o cálculo feito dessa maneira não fornece resultados corretos. Por exemplo, considere uma nave se afastando de uma estação espacial com uma velocidade v1 = 0,4c (c é a velocidade da luz). Dentro da nave, um elétron é emitido no mesmo sentido do movimento da nave com uma velocidade v2 = 0,8c em relação à nave. Qual é a velocidade do elétron em relação à estação? A adição simples das velocidades nos conduz à seguinte resposta: 0,4c + 0,8c = 1,2c. Porém, essa velocidade é maior que a velocidade da luz, o que é impossível de acordo com a Teoria da Relatividade. No caso de as velocidades serem comparáveis à velocidade da luz, devemos usar a seguinte equação relativística de adição de velocidades (não vamos deduzir a equação, tampouco você precisa memorizá-la): v v v v v c = + + 1 2 1 2 21 ( )/ Substituindo as velocidades do elétron e da nave nessa expressão, obtemos: = + + =v 0,4c 0,8c 1 (0,4c . 0,8c / c ) 0,91c 2 Agora, o resultado é possível. Um cientista na estação espacial detecta o elétron se afastando dele com uma velocidade muito alta, porém inferior à velocidade da luz. Podemos usar a equação anterior para calcular a velocidade da luz no seguinte caso. Em vez do elétron, imagine que um pulso de luz seja disparado de dentro da nave com a velocidade v2 = c e no mesmo sentido da velocidade v1 = 0,4c da nave. A velocidade do pulso luminoso em relação à estação pode ser obtida substituindo-se as velocidades da nave e do pulso na equação anterior. Isso nos leva ao seguinte resultado: v c c c c c c c= + + = =0 4 1 0 4 1 4 1 42 , ( , . ) , ,/ Assim, a velocidade do pulso de luz em relação à estação também vale c, o que é consistente com o 2º Postulado da Teoria da Relatividade. Por último, destacamos o fato de que a equação relativística de adição de velocidades se reduz à equação clássica quando as velocidades são pequenas. Nessas situações, o produto v1.v2 é muito menor que c2. Por isso, o termo entre parênteses na equação relativística é praticamente zero, o denominador se iguala a 1 e a velocidade v se iguala à soma algébrica simples de v1 e v2. https://youtu.be/kjHNZ5uyQ10 Frente C Módulo 18 92 Coleção 6V A energia relativística No início do século XX, os princípios da conservação da energia e da massa eram conceitos distintos. Basicamente, o Princípio da Conservação da Energia envolvia os processos mecânicos, térmicos, químicos e eletromagnéticos. De outro lado, a Conservação da Massa se aplicava à não modificação da massa em transformações físicas (ebulição, forjamento, etc.) e químicas (oxidação, combustão, etc.). No desenvolvimento da Teoria da Relatividade, Einstein concluiu que a matéria em si é uma forma de energia. Com essa ideia, Einstein unificou os princípios da conservação da energia e da massa em um único conceito. De acordo com a Teoria da Relatividade, um corpo de massa m possui uma energia, que se deve a essa massa, dada pela seguinte equação: E = mc2 Essa energia é chamada de energia de repouso. Naturalmente, se um corpo está em movimento, além da parcela mc2, o corpo também possuirá uma parcela de energia cinética. A energia de repouso, quando liberada, aparece na forma de energia eletromagnética. Como a velocidade da luz é muito grande e como aparece elevada ao quadrado na equação anterior, podemos verificar, por meio de cálculos simples, o gigantesco potencial energético da massa. Imagine, por exemplo, que uma massa igual a 1 kg tenha sido integralmente convertida em energia. De acordo com Einstein, essa energia possui um valor igual a 1,0(3 . 108)2 joules ou 2,5 . 1010 kWh. A um custo de 50 centavos o kWh, essa energia vale 12,5 bilhões de reais. Não é simples converter grandes quantidades de massa em energia. Na natureza, parcelas ínfimas de massas atômicas são transformadas em energia. Quando a taxa de átomos mutantes é elevada, a energia gerada pode ser muito grande. É dessa forma que ocorre a produção de energia nas estrelas, nas quais núcleos leves de hidrogênio se fundem, transformando-se em núcleos de hélio (fusão nuclear). A conversão de massa em energia também explica a geração de energia nas usinas nucleares, nas quais núcleos pesados de urânio são quebrados em núcleos mais leves (fissão nuclear). De forma inversa, a energia eletromagnética também pode ser convertida em massa. Por exemplo, a figura 4 mostra o processo de formação de pares elétron/pósitron em que dois fótons de radiação gama colidem, convertendo as suasenergias nas massas das duas partículas produzidas: um elétron (e−) e um pósitron (e+). O pósitron (antipartícula do elétron) possui a mesma massa e carga de mesmo módulo que o elétron, tendo, contudo, carga positiva. Fóton de radiação gama Fóton de radiação gama e e + _ Pósitron Elétron Figura 4. A produção de pares é um exemplo de conversão de energia em massa. As massas dos fótons são nulas. As massas do elétron e do pósitron valem, cada uma, m = 9,1 . 10–31 kg. Essas massas surgem das energias dos fótons, cuja soma vale 2hf (h = 6,6 . 10–34 J.s é a constante de Planck, e f é a frequência de cada fóton). Igualando 2hf com a energia de repouso E = 2mc2 das duas partículas, obtemos para a frequência dos fotóns o valor f = 1,24 . 1020 Hz. Veja que esse valor de frequência está inserido na faixa da radiação gama. Ao efetuarmos o cálculo relativo ao processo de produção do par elétron/pósitron, igualamos a energia hf de cada fóton à energia mc2 de cada partícula e, por consequência, desprezamos a energia cinética EC das partículas. Nas situações em que essa energia é expressiva, devemos efetuar os cálculos considerando a energia total, que é dada por: E = EC + mc2 Para velocidades comparáveis à velocidade da luz, a energia cinética não pode ser calculada pela equação clássica EC = mv2/2. Considerando os efeitos relativísticos, é possível provar que a energia cinética de uma partícula é dada por: EC = (γ – 1)m.c2 Substituindo essa expressão na equação anterior, obtemos uma expressão para a energia relativística total: E = (γ – 1)mc2 + mc2 = γ.mc2 Na produção do par elétron/pósitron descrito anteriormente, as velocidades das partículas são pequenas, de forma que γ = 1. Por isso, a energia total pôde ser aproximada por E = mc2. Em alguns textos sobre a Teoria da Relatividade, a quantidade de movimento de uma partícula é expressa pela equação clássica Q = mv, em que a massa é dada por m = γm0. Desse ponto de vista, a massa é relativística e aumenta com a velocidade. Para a partícula em repouso, γ = 1, e a sua massa vale m0 (massa de repouso). Para a partícula em movimento, γ > 1, e a massa vale m > m0. Atualmente, entende-se que a massa é uma propriedade física da matéria, tendo o mesmo valor em todos os referenciais. Nesse caso, a quantidade de movimento é dada por Q = γmv. Quando a velocidade de uma partícula aumenta, a sua quantidade de movimento também aumenta, pois tanto v quanto o fator γ crescem. Contudo, a massa da partícula permanece constante. Você deve ficar atento, pois, em alguns exames, o conceito da massa relativística ainda é usado. RADIOATIVIDADE Descoberta e constituição da radioatividade Em 1896, Antoine Becquerel descobriu acidentalmente a radioatividade, quando colocou sais de urânio dentro de uma caixa fechada, na qual também havia uma placa fotográfica. Apesar de o interior da caixa ser escuro, no dia seguinte, Becquerel verificou que a placa havia sido sensibilizada por algum tipo de radiação. Ele concluiu corretamente que o urânio tinha a propriedade de emitir espontaneamente essa radiação. Em seguida, diversos cientistas se dedicaram ao estudo da radiação emitida espontaneamente por corpos frios. Entre eles, destacam-se os nomes de Pierre e Marie Curie.