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Funções do Que e do Se GR0570 - (Cfn) — Falar português não é di�cil — me diz um francês residente no Brasil —, o diabo é que, mal consigo aprender, a língua portuguesa já ficou diferente. Está sempre mudando. (1) E como! No Brasil as palavras envelhecem e caem como folhas secas (8). Ainda bem a gente não conseguiu aprender uma nova expressão, já vem o pessoal com outra. Não é somente pela gíria que a gente é apanhado. (Aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é "a gente".) A própria linguagem corrente vai se renovando (7), e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso. É preciso ficar atento, para não con�nuar usando palavras que já morreram, vocabulário de velho que só velho entende. (10) Os que falariam ainda em cinematógrafo, auto- ônibus, (3) aeroplano, estes também já morreram e não sabem. Mas uma amiga minha, que vive preocupada com este assunto, me chama a atenção para os que falam assim: — Assis� a uma fita de cinema com um ar�sta que representa muito bem. (6) Os que acharem natural esta frase, cuidado! Não saberão dizer que viram um filme com um ator que trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia (9), ves�dos de roupa de banho em vez de calção ou biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro (4), pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada e percorrer um quarteirão em vez de uma quadra. Viajarão de trem de ferro acompanhados de sua esposa ou sua senhora em vez de sua mulher. (2) A lista poderia ser enorme, mas vou ficando por aqui, pois entre escrever e publicar há tempo suficiente para que tudo que eu disser caia em desuso — é dito e feito. (5) SABINO, Fernando. Folha de S. Paulo, São Paulo, 1984. Adaptado Considere a frase abaixo re�rada do texto: “A própria linguagem corrente vai se renovando (...)” – (ref. 7). O termo em destaque pode ser classificado como a) conjunção subordina�va condicional. b) substan�vo. c) pronome reflexivo. d) par�cula exple�va. e) conjunção subordina�va integrante. GR0569 - (Unesp) Alma minha gen�l, que te par�ste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no Céu eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te alguma coisa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou. Sonetos, 2001. “Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente,” (2ª estrofe) Os termos destacados cons�tuem a) Pronomes. b) Conjunções. c) Uma conjunção e um advérbio, respec�vamente. d) Um pronome e uma conjunção, respec�vamente. e) Uma conjunção e um pronome, respec�vamente. GR0556 - (Esc. Naval) Precisamos falar sobre fake news Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente, vence a distância e a saudade dos netos e netas. 1@professorferretto @prof_ferretto Mas, para ela, assim como para milhares e milhares de pessoas, o celular pode ser também uma fonte de engano. De vez em quando, por acreditar no que chega por meio de amigos no seu WhatsApp, me envia uma ou outra mensagem contendo uma fake news. A úl�ma foi sobre um suposto problema com a vacina da gripe que, por um momento, diferente de anos anteriores, a fez desis�r de se vacinar. Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros, não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera um certo estranhamento (e até constrangimento), embora nos fascine e facilite a vida. Sejamos sinceros. Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças que revolucionaram a comunicação. Pior: é di�cil destrinchar o que é verdade em tempo de fake news. Um dos maiores estudos sobre a disseminação de no�cias falsas na internet, publicado ano passado na revista Science foi realizado pelo Ins�tuto de Tecnologia de Massachuse�s (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente. Isso porque as fake news se valem de textos alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque para no�cias atreladas a temas de saúde, seguidas de informações men�rosas sobre tudo. Até pouco tempo atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de produção de no�cias. E os fatos obedeciam a critérios de apuração e checagem. O problema é que hoje mantemos essa mesma crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais não iden�ficamos sequer a origem, boa parte delas disseminada em redes sociais. Confia-se a ponto de compar�lhar, sem ques�onar. O impacto disso é preocupante. Par�ndo de pesquisas que mostram que no�cias e seus enquadramentos influenciam opiniões e constroem leituras da realidade, a disseminação das no�cias falsas tem criado versões alterna�vas do mundo, da História, das Ciências “ao gosto do cliente”, como dizem por aí. Os problemas gerados estão em todos os campos. No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam de vacinar seus filhos a ponto de criar um grave problema de saúde pública de impacto mundial. E passa por jovens ví�mas de violência virtual e �sica. No mundo corpora�vo, estabelecimentos comerciais fecham portas, profissionais perdem suas reputações e produtos são desacreditados como resultado de uma foto descontextualizada, uma imagem alterada ou uma legenda falsa. A democracia também se fragiliza. O processo democrá�co corre o risco de ter sua força e credibilidade afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de mensurar os danos causados, mas inicia�vas fragmentadas já sinalizam que ela está em risco. Estamos em um novo momento cultural e social, que deve ser entendido para encontrarmos um caminho seguro de convivência com as novas formas e ferramentas de comunicação. (...) O que posso afirmar, como presidente do Congresso Nacional, é que, embora não saibamos ainda o an�doto que usaremos contra a disseminação de no�cias falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém aceitar a u�lização de qualquer �po de controle que não seja democrá�co. O Globo. 10 jul. 2019. No fragmento “[...] contra a disseminação de no�cias falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém aceitar a u�lização de qualquer �po de controle que não seja democrá�co." (15º parágrafo), o vocábulo em destaque tem a mesma classificação morfológica que em: a) “[...] hoje mantemos essa mesma crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais não iden�ficamos sequer a origem, [...]” (7º parágrafo). b) “Não há um estudo capaz de mensurar os danos causados, mas inicia�vas fragmentadas já sinalizam que ela está em risco” (11º parágrafo) c) “Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças que revolucionaram a comunicação.” (4º parágrafo) d) “[...] dos Estados Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente.” (5º parágrafo) e) “O problema é que hoje mantemos essa mesma crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais não iden�ficamos sequer a origem, [...]" (7º parágrafo) GR0566 - (Unifesp) Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa. Sou um evadido. Logo que nasci Fecharam-me em mim, Ah, mas eu fugi. Se a gente se cansa Do mesmo lugar, Do mesmo ser Por que não se cansar? Minha alma procura-me Mas eu ando a monte¹, 2@professorferretto @prof_ferretto Oxalá que ela Nunca me encontre. Ser um é cadeia, Ser eu é não ser. Viverei fugindo Mas vivo a valer. (Obra poé�ca, 1997.) ¹ “andar a monte”: andar fugido das autoridades “Se a gente se cansa Do mesmo lugar, Do mesmo ser Por que não se cansar?” (2ª estrofe) Os termos destacados cons�tuem a)pronomes, somente. b) conjunção, pronome e pronome, respec�vamente. c) conjunções, somente. d) pronome, conjunção e conjunção, respec�vamente. e) conjunção, conjunção e pronome, respec�vamente. GR0555 - (Esc. Naval) Atalhos Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramá�cos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sen�mos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode con�nuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente es�vesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol. Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade. Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada. Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela. O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro. A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera. Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho. MEDEIROS, Martha. Atalhos, 2004. (adaptado) “Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode con�nuar sendo desperdiçado." Os termos destacados no fragmento acima classificam-se morfologicamente como, respec�vamente. a) par�cula exple�va e conjunção causal. b) pronome rela�vo e conjunção integrante. c) pronome indefinido e pronome rela�vo. d) preposição acidental e pronome indefinido. e) conjunção integrante e conjunção causal. GR0563 - (Unifesp) Leia o trecho do livro O oráculo da noite, do neurocien�sta Sidarta Ribeiro. A palavra sonho, do la�m somnium, significa muitas coisas diferentes, todas vivenciadas durante a vigília, e não durante o sono. Realizei “o sonho da minha vida”, “meu sonho de consumo” são frases usadas co�dianamente pelas pessoas para dizer que pretendem ou conseguiram alcançar algo. Todo mundo tem um sonho, no sen�do de plano futuro. Todo mundo deseja algo que não tem. Por que será que o sonho, fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra usada para designar tudo aquilo que se quer ter? O repertório publicitário contemporâneo não tem dúvidas de que o sonho é a força motriz de nossos comportamentos. Desejo é o sinônimo mais preciso da palavra “sonho”. [...] Na área de desembarque de um aeroporto nos Estados Unidos, uma foto enorme de um casal belo e sorridente, velejando num mar caribenho em dia ensolarado, sob a frase enigmá�ca: “Aonde seus sonhos o levarão?”, embaixo o logo�po da empresa de cartão de crédito. Deduz-se do anúncio que os sonhos são como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos, perfeitos, altamente... desejáveis. As equações “sonho é igual a desejo que é igual a dinheiro” têm como variável oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter, 3@professorferretto @prof_ferretto liberdade que até os mais miseráveis podem experimentar no mundo de regras frouxas do sonho noturno, mas que no sonho diurno é privilégio apenas dos detentores de um mágico cartão plás�co. A ro�na do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância mo�vacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. [...] A indústria da saúde do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor es�mado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares. Mesmo assim a insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão poucos se lembram que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho. E, no entanto, sonha-se. Sonha-se muito e a granel, sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspec�vas. Dirá a formiga cé�ca que quem sonha assim tão livre é o ar�sta, cigarra de fábula que vive de brisa. [...] Na peça teatral A vida é sonho, o espanhol Pedro Calderón de la Barca drama�zou a liberdade de construir o próprio des�no. O sonho é a imaginação sem freio nem controle, solta para temer, criar, perder e achar. (O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho, 2019.) A palavra sublinhada em “Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente” (3º parágrafo) pertence à mesma classe grama�cal da palavra sublinhada em a) “sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade” (4º parágrafo). b) “se tão poucos se lembram que sonham” (3º parágrafo). c) “quando a insônia grassa e o bocejo se impõe” (3º parágrafo). d) “chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho” (3º parágrafo). e) “compromissos que se renovam ao infinito” (3º parágrafo). GR0559 - (Epcar) Carta da Terra (excerto) A Carta da Terra é um documento produzido no final da década de 1990 com a par�cipação de 46 países. “Ela representa um grito de urgência face às ameaças que pesam sobre a biosfera e o projeto planetário humano. Significa também um libelo em favor da esperança de um futuro comum da Terra e Humanidade." Leonardo Boff PRINCÍPIOS I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA (...) 4. Garan�r as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações. a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras. b. Transmi�r às futuras gerações valores, tradições e ins�tuições que apoiem, em longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra. II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida. (...) c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas. d. Controlar e erradicar organismos não na�vos ou modificados gene�camente que causem dano às espécies na�vas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos. e. ⁰⁷Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração⁰⁸ e que protejam a sanidade dos ecossistemas. 6. ⁰³Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental⁰⁴ e, ⁰⁵quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução⁰⁶. a. ⁰¹Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação cien�fica for incompleta ou não conclusiva⁰². (...) d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permi�r o aumento de substâncias radioa�vas, tóxicas ou outras substâncias perigosas. (...) Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: www.mma.gov.br/estruturas/ agenda21/_arquivos/carta-terra.pdf. Acesso em: 20 maio 2016. Assinale o item que contém uma análise correta sobre a palavra “que” destacada. 4@professorferretto @prof_ferretto a) “Transmi�r às futuras gerações valores, tradições e ins�tuições que apoiem, em longo prazo (...)” – classifica-se como pronome rela�vo e refere-se ao termo “gerações”. b) “(...) especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.” – classifica-se como pronome rela�vo e refere-se aos termos “diversidade biológica” e “processos naturais”. c) “Controlar e erradicar organismos não-na�vos ou modificados gene�camente que causem dano às espécies (...)” – classifica-se como conjunção integrante e introduz oração adje�va. d) “produtos florestais e vida marinha (....) de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.” – classifica-se como conjunção integrante e introduz oração substan�va. GR0317 - (Fuvest) Este úl�mo capítulo é todo de nega�vas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira nega�va deste capítulo de nega�vas: Não �ve filhos, não transmi� a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. Não sei por que até hoje todo o mundo diz que �nha pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obrigada a ficar à toa é que seria cas�go para mim. Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a minha esperteza é que a amofina. Eu então respondo: “Se eu fosse preguiçosa não sei o que seria da senhora, meu pai e meus irmãos, sem uma empregada em casa”. Helena Morley, Minha vida de menina. Nos dois textos, obtém-se ênfase por meio do emprego de um mesmo recurso expressivo, como se pode verificar nos seguintes trechos: a) “Este úl�mo capítulo é todo de nega�vas” / “Eu não penso assim”. b) Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento” / “Não sei por que até hoje todo o mundo diz que �nha pena dos escravos”. c) “Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto” / “Ser obrigada a ficar à toa é que seria cas�go para mim”. d) “qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra” / “Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa”. e) “Não �ve filhos, não transmi� a nenhuma criatura o legado da nossa miséria” / “Acho que se fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz”. GR0560 - (Ime) Os Lusíadas - Canto primeiro Luís de Camões 1 As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados, Mais do que prome�a a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram; 2 E também as memórias gloriosas Daqueles Reis, que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando; E aqueles, que por obras valorosas Se vão da lei da morte libertando; Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte. 3 Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandro e de Trajano A fama das vitórias que �veram; Que eu canto o peito ilustre Lusitano, A quem Neptuno e Marte obedeceram: Cesse tudo o que a Musa an�ga canta, Que outro valor mais alto se alevanta. (...) 106 No mar tanta tormenta e tanto dano Tantas vezes a morte apercebida 5@professorferretto @prof_ferretto Na terra tanta guerra, tanto engano, Tanta necessidade aborrecida Onde pode acolher-se um fraco humano Onde terá segura a curta vida, Que não se arme e se indigne o céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? (CAMÕES, Lus de (1524-1580). Os Lusíadas. São Paulo: Abril Cultural, [1572] 1979, pp. 2931 e 61.) A palavra “que” nos versos “Que eu canto o peito ilustre, Lusitano” (verso 21) e “Que outro valor mais alto se alevanta” (verso 24) tem valor a) Explica�vo: introduz ideia de explicação. Na forma apresentada, é uma redução da conjunção “porque”. b) Adversa�vo: introduz ideia de contraste entre lusitanos e demais povos. c) Adi�vo: expressa ideia de adição, união do povo lusitano para a�ngir os feitos cantados pelo poeta. d) Conclusivo: expressa uma situação de consequência. e) Alterna�vo: ora os heróis são os portugueses, ora gregos e troianos. GR0571 - (Eear) Assinale a alterna�va em que o se é índice de indeterminação do sujeito na frase. a) Não se ouvia o barulho. b) Perdeu-se um gato de es�mação. c) Precisa-se de novos candidatos militares. d) Construíram-se casas e apartamentos na rua pacata. GR0554 - (Ita) Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo branco. No Facebook, uma postagem me chama atenção: é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que vier à cabeça. Não quero pichar o mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou trombando nos muros espalhados pelos quarteirões, repletos de frases tolas, xingamentos e erros de português. Eu bem poderia modificar isso. (...) Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas quero con�nuar a sonhar”, que serve para exemplificar o que sinto neste momento, aqui na minha sala, escrevendo no computador o que gostaria de jogar nos muros lá fora, a custo me mantendo calmo, um olho na tela, outro voltado para o lado oposto da rua. Lá tem aquele muro enorme, branco e virgem, clamando por frases. Não sei quanto tempo resis�rei até puxar o ga�lho do spray. ALVEZ, A. L. Um muro para pichar. Correio do Estado, fev 2018. Disponível em h�ps://www.correiodoestado.com.br/opiniao/leia- acronica- de-andre-luiz-alvez-um-muro-para- pichar/321052/. Acesso em: ago. 2018. Assinale a alterna�va em que o item sublinhado NÃO é pronome rela�vo. a) a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que vier à cabeça b) ou no papel amassado que embrulha o pão da manhã c) são tantas, até temo que me faltem os muros d) há um certo prazer na loucura que só um louco conhece e) que serve para exemplificar o que sinto neste momento GR0561 - (Fgvsp) O resgate do cocô Há três mil anos, quando um chinês ia jantar na casa de um amigo, ele obrigatoriamente �nha que ir até o quintal desse amigo e fazer um “número dois” por lá mesmo. É que a e�queta da época dizia que era feio comer na casa de alguém e não “devolver os nutrientes”. Faz tanto sen�do que, atualmente, o arquiteto William Mc Donough e o químico Michel Braungart trabalham para trazer essa ideia de volta à moda, desenvolvendo e divulgando modos de produção circular, em que os resíduos - inclusive o cocô – são usados para criar novos produtos tão bons quanto os originais. Baseados na proposta de Mc Donough e Braungart, pesquisadores do mundo inteiro têm procurado maneiras de aproveitar o nosso “número dois” de cada dia. Na cidade de Didcot, na Inglaterra, um projeto piloto já permite que 200 famílias aqueçam suas casas com biometano fabricado a par�r de seu próprio cocô. Além de poupar o meio ambiente, eles economizam dinheiro. Uma ideia que cheira bem. Superinteressante, ago. 2013. (Adaptado) Em virtude do contexto sintá�co de seu emprego, a palavra “que" assume diferentes classificações. Como conjunção integrante, ela está devidamente marcada em: a) ... �nha que ir até o quintal desse amigo... b) É que a e�queta da época dizia que era feio... c) Faz tanto sen�do que, atualmente... d) ... em que os resíduos— inclusive o cocô, são usados... e) ... um projeto piloto já permite que 200 famílias... 6@professorferretto @prof_ferretto GR0565 - (Espm) Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora apenas à luz da gramá�ca e da lógica, e já era muito se a análise reconhecia como palavras exple�vas ou de realce os termos sobejantes (1) unidos à oração ou nela encravados. Hoje que a ciência da linguagem inves�ga os fatos sem deixar-se pear (2) por an�gos preconceitos, já não podemos levar essas expressões à conta da superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decora�vo, o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante justamente no falar desataviado (3) de todos os dias. Uma coisa é dirigirmo-nos à cole�vidade, a pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que fique sempre bem impressionada com as nossas palavras. (Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semân�cas, RJ) Sobejantes (1): demasiados, excessivos, de sobras. / Pear (2): prender. / Desataviado (3): sem enfeites Segundo Celso Cunha, a par�cula exple�va ou de realce não possui função sintá�ca, serve para dar destaque ou ênfase e pode ser re�rada da frase, sem prejuízo algum para o sen�do. Em todas as passagens abaixo, está presente essa par�cula, exceto em uma. Assinale-a. a) O que não vão pensar quando souberem que o filho do ministro defendia os traficantes? b) Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada. c) Sinhá Terta é que �nha uma ponta de língua terrível. d) Mas, homem de Deus, que diabo! pense um pouco! Você ali não pode construir nada. e) Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei. GR0572 - (Cfn) A noite em que os hotéis estavam cheios O casal chegou à cidade tarde da noite. Estavam cansados da viagem; e ela, em adiantada gravidez, não se sen�a bem (1). Foram procurar um lugar onde passar a noite. Hotel, hospedaria, qualquer coisa viria bem, desde que não fosse muito caro, pois eram pessoas de modestos recursos. Não seria um empreendimento fácil, como descobriram desde o início. No primeiro hotel, o gerente, homem de maus modos, foi logo dizendo que não havia lugar. No segundo, o encarregado da portaria olhou com desconfiança o casal e resolveu pedir documentos. O homem disse que não �nha; na pressa da viagem esquecera os documentos. — E como pretende o senhor conseguir um lugar num hotel, se não tem documentos? (2) — disse o encarregado. — Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não! (3) O viajante não disse nada. Tomou a esposa pelo braço e seguiu adiante. No terceiro hotel também não havia vaga. No quarto — que não passava de uma modesta hospedaria — havia lugar, mas o dono desconfiou do casal e resolveu dizer que o estabelecimento estava lotado. — O senhor vê, se o governo nos desse incen�vos, como dá para os grandes hotéis, eu já teria feito uma reforma aqui. Poderia até receber delegações estrangeiras. Mas até hoje não consegui nada. Se eu fosse amigo de algum polí�co influente... (4) A propósito, o senhor não conhece ninguém nas altas esferas? O viajante hesitou, depois disse que sim, talvez conhecesse alguém das altas esferas. — Pois então – disse o dono da hospedaria — fala para esse seu conhecido da minha hospedaria. Assim, da próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um quarto de primeira classe, com banho e tudo. O viajante agradeceu, lamentando apenas que seu problema fosse mais urgente: precisava de um quarto para aquela noite. (...) SCLIAR, Moacyr. In: As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Obje�va, 2007. Considere as frases abaixo re�radas do texto: I- “Não se sen�a bem.” – (ref. 1) (pronome reflexivo) II- “— E como pretende o senhor conseguir um lugar num hotel, se não tem documentos?” – (ref. 2) (par�cula apassivadora) III- “— Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não!” – (ref. 3) (conjunção subordina�va condicional) IV- “Se eu fosse amigo de algum polí�co influente...” – (ref. 4) (advérbio) De acordo com as classificações sugeridas, entre parênteses, para as palavras em destaque, assinale a opção correta. a) Apenas em I, II e III as frases estão corretas. b) Apenas em II e IV as frases estão corretas. c) Apenas em I e III as frases estão corretas. d) Apenas em II, III e IV as frases estão corretas. e) Apenas em I e IV as frases estão corretas. 7@professorferretto @prof_ferretto GR0567 - (Espm) O que parece inegável é que, desde o fim da Idade Média, o desenvolvimento da tecnologia comercial e das transações era pouco compa�vel com o fracionamento dos poderes locais. É no fim do Século XIV que nasce um complexo ins�tucional dotado de poder próprio (os primeiros exércitos profissionais aparecem no final do Século XIII), encarregado de garan�r a segurança e a jus�ça, e que se arroga o monopólio da determinação dos direitos e deveres de cada um. A par�r do Século XVI, o paralelismo entre os dois �pos de mutação – polí�ca ou econômica – torna-se ní�do: “por um lado, a centralização e, simultaneamente, a burocra�zação do poder, transformando o aparelho estatal do governo dos príncipes, por outro lado, a expansão da circulação capitalista das mercadorias e uma progressiva perturbação do modo de produção baseado na família” (Jürgen Habermas, Teoria e Prá�ca: A Doutrina Clássica da Polí�ca). Haverá, entre estas duas séries, uma relação de causalidade ou, simplesmente, de concomitância? A este respeito, podemos apenas referir-nos às análises, pruden�ssimas, de Perry Anderson. Embora empregue conceitos marxistas, Anderson não nos permite afirmar sem mais que o absolu�smo é o produto da ascensão do capitalismo. Melhor será dizermos que esta ascensão do capitalismo foi, geralmente (veremos que devem fazer-se algumas reservas), favorecida pela consolidação do absolu�smo. (Lispector, Clarice. Clarice na cabeceira: crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2010) Tomando por base a frase: “e que se arroga o monopólio da determinação dos direitos e deveres de cada um”, o termo em destaque é um pronome. a) recíproco e faz reportar-se à expressão “complexo ins�tucional”. b) recíproco e faz reportar-se ao vocábulo “segurança”. c) reflexivo e faz reportar-se à expressão “poder próprio”. d) reflexivo e faz reportar-se à expressão “complexo ins�tucional”. e) apassivador e o sujeito paciente é “poder próprio”. GR0558 - (Esc. Naval) Não, os livros não vão acabar Não sei se é a próxima chegada da Amazon ao Brasil ou a profecia maia do fim do mundo, mas o fato é que nunca vi tanta gente preocupada com o fim do livro. São estudantes que me escrevem mo�vados por pesquisas escolares, organizadores de eventos literários que me pedem palestras, leitores que manifestam sua apreensão. Em alguns casos, percebo uma espécie perversa de prazer apocalíp�co, mas logo desaponto quem quer ver o mar pegando fogo para comer camarão cozido: é que absolutamente não acredito que o livro vai acabar. Tenho escrito reiteradas vezes sobre o assunto; estou, aliás, numa posição bastante confortável para fazê-lo. Gosto igualmente de livros e de tecnologia, e seria a primeira a abraçar meus dois amores reunidos num só objeto; mas embora o Kindle e os vários pads tenham o seu valor como readers, os livros em papel não estão tão próximos da ex�nção quanto, digamos, o �gre de Sumatra. (...) Há prazeres e sensações que só tem com o papel. Gosto de perceber o tamanho de um livro à primeira vista. Um tablet pode me informar quantas páginas um volume tem, mas essa informação é abstrata. Saber que um livro tem 500 páginas ou ver que um livro tem 500 páginas são coisas diferentes. Gosto também de folhear um livro e de fazer uma espécie de leitura em diagonal antes de me decidir pela compra. Isso é impossível de fazer com ebooks. Sem falar, é claro, do cheiro inigualável dos livros em papel. RONAI, Cora. JornalO Globo, Economia, 12 nov. 2012. Leia o excerto a seguir. “[...] mas o fato é que nunca vi tanta gente preocupada com o fim do livro." (1º parágrafo) Assinale a opção que apresenta a classificação morfológica correta do termo destacado. 8@professorferretto @prof_ferretto a) Pronome rela�vo. b) Par�cula de realce. c) Pronome indefinido. d) Conjunção integrante. e) Preposição acidental. GR0568 - (Efomm) O homem deve reencontrar o Paraíso... Rubem Alves Era uma família grande, todos amigos. Viviam como todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o que �nham, compraram um barco capaz de atravessar mares e sobreviver tempestades. Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. São muitos os saberes necessários para se navegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os mapas... Disse certo o poeta: Navegar é preciso, a ciência da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos, instrumentos de navegação não informam mais ou menos. Assim, eles se tomaram cien�stas, especialistas, cada um na sua - juntos para navegar. (...) Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz- se com os sonhos. Infelizmente a ciência, u�líssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir sobre o des�no da navegação. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa imprecisa. Disse certo o poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar. Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus Cân�cos dizendo: E pois com a nau no mar / assestamos a quilha contra as vagas... (...) Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica, com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro. (...) O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O universo tem um des�no de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional... (...) Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso. OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. “Em nossas escolas é isso que SE ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas.” Observando o período acima, nota-se que a par�cula sublinhada cumpre uma função específica, que aparece nas outras alterna�vas, EXCETO em a) Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende com o rigor da geometria (...) b) (...) velas se fazem com saber es exatos sobre tecidos, cordas e ventos, instrumentos de navegação não informam ‘meus ou menos’. c) É preciso sonhar para se decidir sobre o des�no da navegação. d) Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se com os sonhos. e) Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamado ‘progresso’. Está na bandeira nacional... GR0557 - (Esc. Naval) Precisamos falar sobre fake news Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente, vence a distância e a saudade dos netos e netas. Mas, para ela, assim como para milhares e milhares de pessoas, o celular pode ser também uma fonte de engano. De vez em quando, por acreditar no que chega por meio de amigos no seu WhatsApp, me envia uma ou outra mensagem contendo uma fake news. A úl�ma foi sobre um suposto problema com a vacina da gripe que, por um momento, diferente de anos anteriores, a fez desis�r de se vacinar. 9@professorferretto @prof_ferretto Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros, não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera um certo estranhamento (e até constrangimento), embora nos fascine e facilite a vida. Sejamos sinceros. Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças que revolucionaram a comunicação. Pior: é di�cil destrinchar o que é verdade em tempo de fake news. Um dos maiores estudos sobre a disseminação de no�cias falsas na internet, publicado ano passado na revista Science foi realizado pelo Ins�tuto de Tecnologia de Massachuse�s (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente. Isso porque as fake news se valem de textos alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque para no�cias atreladas a temas de saúde, seguidas de informações men�rosas sobre tudo. Até pouco tempo atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de produção de no�cias. E os fatos obedeciam a critérios de apuração e checagem. O problema é que hoje mantemos essa mesma crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais não iden�ficamos sequer a origem, boa parte delas disseminada em redes sociais. Confia-se a ponto de compar�lhar, sem ques�onar. O impacto disso é preocupante. Par�ndo de pesquisas que mostram que no�cias e seus enquadramentos influenciam opiniões e constroem leituras da realidade, a disseminação das no�cias falsas tem criado versões alterna�vas do mundo, da História, das Ciências “ao gosto do cliente”, como dizem por aí. Os problemas gerados estão em todos os campos. No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam de vacinar seus filhos a ponto de criar um grave problema de saúde pública de impacto mundial. E passa por jovens ví�mas de violência virtual e �sica. No mundo corpora�vo, estabelecimentos comerciais fecham portas, profissionais perdem suas reputações e produtos são desacreditados como resultado de uma foto descontextualizada, uma imagem alterada ou uma legenda falsa. A democracia também se fragiliza. O processo democrá�co corre o risco de ter sua força e credibilidade afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de mensurar os danos causados, mas inicia�vas fragmentadas já sinalizam que ela está em risco. Estamos em um novo momento cultural e social, que deve ser entendido para encontrarmos um caminho seguro de convivência com as novas formas e ferramentas de comunicação. (...) O que posso afirmar, como presidente do Congresso Nacional, é que, embora não saibamos ainda o an�doto que usaremos contra a disseminação de no�cias falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém aceitar a u�lização de qualquer �po de controle que não seja democrá�co. O Globo. 10 jul. 2019. Em “Ninguém nos preparou para essas mudanças que revolucionaram a comunicação.", o pronome rela�vo exerce a mesma função sintá�ca que o destacado em: a) As informações diárias que nós recebemos pelos celulares podem ser falsas e men�rosas. b) O jornalista de quem peguei as úl�mas informações descartou a possibilidade de fake news. c) Todos esses são os jornalistas por quem as no�cias sensacionalistas foram amplamente analisadas.d) O processo democrá�co a que somos favoráveis corre o risco de ser afetado pelos boatos. e) Conhecemos o jornalista que defenderá o problema nas redes sociais em relação às no�cias sensacionalistas. GR0564 - (Ufam) Leia o texto a seguir: Em 1582, o jovem Galileu Galilei, então com 22 anos, assis�a a missa na catedral de Pisa, na Itália, quando, em meio a longos bocejos, deparou-se com um fenômeno curioso. Um coroinha acabara de acender as velas do enorme candelabro sobre o altar. Para tal, �vera que trazer o candelabro para si, pescando-o com um gancho do alto de um tablado. Completada a tarefa, o coroinha largou o candelabro, que passou a oscilar lentamente de um lado a outro do altar. Galileu ficou olhando para o candelabro indo e vindo, indo e vindo, quase hipno�zado. De repente, num lampejo de intuição, resolveu marcar o tempo que o candelabro demorava para completar uma oscilação. Como não havia relógios na época, o astuto Galileu usou seu próprio pulso como cronômetro. Ainda bem que era um rapaz calmo e de pulso firme. Caso contrário, seu experimento não funcionaria. Galileu percebeu que, à medida que o candelabro oscilava, o ângulo entre a oscilação inicial e final diminuía. Entretanto, para seu espanto, o tempo que ele demorava para oscilar entre os dois pontos era o mesmo! Esse intervalo de tempo, chamado de ―período de oscilação, parecia ser independente do ângulo inicial do candelabro. GLEISER, Marcelo. Poeira das estrelas. Editora Globo, 2006, p. 62. (Adaptado) Leia agora as seguintes afirma�vas: I- O texto é basicamente disserta�vo. II- Há erro de regência no primeiro período texto. III- O texto é basicamente narra�vo. 10@professorferretto @prof_ferretto IV- Em "deparou-se com um fenômeno curioso", o se é uma par�cula de realce ou exple�va. Assinale a alterna�va correta: a) Somente as afirma�vas I e II estão corretas. b) Somente as afirma�vas I, II e III estão corretas. c) Somente as afirma�vas I e III estão corretas. d) Somente as afirma�vas II e III estão corretas. e) Somente as afirma�vas III e IV estão corretas. GR0332 - (Fuvest) Uma úl�ma gargalhada estrondosa. E depois, o silêncio. O palhaço jazia imóvel1 no chão. Mas seu rosto con�nua sorrindo, para sempre. Porque a carreira original do Coringa era para durar apenas 30 páginas. O tempo de envenenar Gotham, sequestrar Robin2, enfiar um par de sopapos no Homem-Morcego e disparar o primeiro “vou te matar” da sua relação. Na briga final do Batman n.° 1, o “horripilante bufão” sofria um final digno de sua desumana ironia: ao tropeçar, cravava sua própria adaga no peito. Assim decidiram e desenharam seus pais3, os ar�stas Bill Finger, Bob Kane e Jerry Robinson. Entretanto, o criminoso mostrou, já em sua primeira aventura, um enorme talento para se4 rebelar contra a ordem estabelecida. Seu carisma seduziu a editora DC Comics, que impôs o acréscimo de um quadrinho. Já dentro da ambulância, vinha à tona “um dado desconcertante”. E então um médico sentenciava: “Con�nua vivo5. E vai sobreviver!”. Tommaso Koch. “O Coringa completa 80 anos e na Espanha ganha duas HQs, que inspiram debates filosóficos sobre a liberdade”, EI País. Junho/2020. Em “Seu carisma seduziu a editora DC Comics, que impôs o acréscimo de um quadrinho.” (sublinhado), o vocábulo “que” possui a mesma função sintá�ca desempenhada no texto por a) “Imóvel” (1º itálico). b) “Robin” (2º itálico). c) “seus pais” (3º itálico). d) “se” (4º itálico). e) “vivo” (5º itálico). GR0405 - (Unesp) Leia o trecho extraído do ar�go “Cosmologia, 100”, de Antonio Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira. “Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da essência do hoje clássico A estrada não percorrida (1916), do poeta norte-americano Robert Frost (1874- 1963) – está em um ar�go cien�fico publicado há cem anos, cujo teor cons�tui um marco histórico da civilização. Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o Homo sapiens deixar uma mão com �nta estampada em uma pedra, a humanidade era capaz de descrever matema�camente a maior estrutura conhecida: o Universo. A façanha intelectual levava as digitais de Albert Einstein (1879-1955). Ao terminar aquele ar�go de 1917, o �sico de origem alemã escreveu a um colega dizendo que o que produzira o habilitaria a ser “internado em um hospício”. Mais tarde, referiu-se ao arcabouço teórico que havia construído como um “castelo alto no ar”. (...) Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917), impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para escrever uma pequena joia, “Teoria da Rela�vidade Especial e Geral”, na qual populariza suas duas teorias, incluindo a de 1905 (especial), na qual mostrara que, em certas condições, o espaço pode encurtar, e o tempo, dilatar. Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocínio cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com problemas no �gado, icterícia e úlcera. Seguiu debilitado até o final daquela década. Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia podem ser facilmente vistos como um ponto fora da reta. Porém, a historiadora da ciência britânica Patricia Fara lembra que aqueles eram tempos de “cosmologias”, de visões globais sobre temas cien�ficos. Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos con�nentes, do geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada por uma visão cosmológica da Terra. Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naquele início de século, passaram a olhar seus objetos de pesquisa por meio de um prisma mais amplo, buscando dados e hipóteses em outros campos do conhecimento. (Folha de S.Paulo, 01.01.2017. Adaptado.) Em “Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo percorri, árdua e sinuosa.” (1º parágrafo), o termo destacado exerce a mesma função sintá�ca do trecho destacado em: 11@professorferretto @prof_ferretto a) “[...] o derradeiro traço alimentaria debates e traria arrependimento a Einstein nas décadas seguintes.” (4º parágrafo) b) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos con�nentes [...].” (10º parágrafo) c) “[...] o cien�sta construiu (de modo muito visual) seu castelo usando as ferramentas que ele havia forjado pouco antes [...].” (5º parágrafo) d) “Seguiu debilitado até o final daquela década.” (9º parágrafo) e) “Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia podem ser facilmente vistos como um ponto fora da reta.” (10º parágrafo) GR0573 - (Eear) Coloque C (certo) ou E (errado) para a função do pronome destacado nas frases e, a seguir, assinale alterna�va com a sequência correta. (__) O ar�sta olhou-se ao espelho antes do início da apresentação. (sujeito) (__) Perguntava-se o pai se aquela cena seria um sonho. (objeto indireto) (__) Vão-se os anéis, ficam os dedos. (palavra exple�va) (__) Ouve-se de longe o toque do tambor indígena. (símbolo de indeterminação do sujeito) a) E, C, C, E. b) C, E, E, C. c) E, C, E, C. d) C, E, C, E. GR0562 - (Esc. Naval) Felicidade suprema Às vezes vale a pena pensar sobre a vida.(1) Não sobre o que temos ou não consumido,(31) tampouco a respeito(36) do que fizemos ou deixamos de fazer. São aspectos factuais que, mais do que ajudar(34) em uma reflexão mais profunda,(15) tornam-se barreiras(18) ao pensamento abstrato,(25) aquele em que vamos encontrar as verdadeiras significações.(22) Chegamos quase à ideia de Platão,(28) mas aí já o terreno é extremamente perigoso e podemos nos enredar.(24) Tentar entender o que é a felicidade talvez seja um dos caminhos para se chegar ao sen�do da vida.(4) É um assunto para o qual não há dona de álbum(27) de pensamentos(37) que não tenha uma resposta pronta: (23) a felicidade não existe. Existem momentos felizes. (39) Essa é uma verdade chocantemente inofensiva,(10) pois não chega a pensar o que seja a felicidade como também não esclarece o que são tais momentos felizes. Pois bem, o assunto me ocorre ao me lembrar(11) de que vivemos em uma sociedade(19) excessivamente consumista,(3) sociedade em que a maioria considera-se feliz se pode comprar.(37)Assim é o capitalismo: entranha-se em nossa consciência essa aparência de verdade fazendo parecer que os interesses de alguns sejam verdades inques�onáveis.(8) O que é bom para mim tem de ser(29) bom para todos.(17) Isso tem o nome de ideologia,(38) palavra tão surrada quão pouco entendida. E haja propaganda para que a máquina con�nue girando.(9) Não sou contra o consumo, declaro desde já, mas contra o consumismo. Elevar o consumo de bens materiais(21) (principalmente) como o bem supremo(16) de um ser humano é �rar-lhe toda a humanidade.(5) [...] Schopenhauer, filósofo do século XIX,(30) já vislumbrava(40) nossa época,(12) a sociedade do consumismo desenfreado.(35) Ele afirmava que o desejo é a regência do mundo.(2) E que desejamos o que não temos.(20) Portanto, somos infelizes. E se o desejo é sa�sfeito com a obtenção de seu objeto,(32) novos objetos surgem em seu caminho.(50) Esta insaciabilidade do ser humano(33) é que o vai manter preso à infelicidade.(6) Bem, e a que chegamos? Enquanto alguém que circule melhor do que eu pela filosofia,(13) que mal tangencio como curioso,(14) vou con�nuar pensando que a vida não tem sen�do, apenas existência. E isso, um pouco à maneira do Alberto Caeiro,(7) para quem pensar é estar doente. BRAFF, Menalton. Felicidade suprema. 2012. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 22 fev. 2012 (adaptado). Dentre as frases apresentadas abaixo, re�radas do texto I, assinale a opção na qual a palavra QUE remete a um antecedente. a) “Ele afirmava que o desejo é a regência do mundo." (2) b) “Esta insaciabilidade do ser humano é que o vai manter preso à infelicidade.” (6) c) “[...] mais do que ajudar em uma reflexão mais profunda, tornam-se barreiras[...].” (18) d) “[...] o assunto me ocorre ao me lembrar de que vivemos em uma sociedade[...].” (19) e) “[...] desejamos o que não temos.” (20) GR0633 - (Uema) O (não) lugar do “pardo” Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): 12@professorferretto @prof_ferretto como criar uma iden�dade nacional que jus�fique e mantenha o Estado? Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro. Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente u�lizadas para jus�ficar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...] Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Hai�. Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é nega�vo, ele é norma�zador. Ou seja, estabelece normas de conduta, esté�cas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções esté�cas ou compar�lhando o discurso polí�co e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento esté�co é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mu�lação. E pra quem ainda tem dúvidas, mu�lação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mu�lação. [...] h�ps://medium.com/@isabelapsena/o-n. Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja relação morfossintá�ca difere das demais é a) [...] Notem que eu ouso criar [...] ( §2º). b) [...] criar uma iden�dade nacional que jus�fique [...] (§1º). c) [...] uma história que servisse aos interesses da elite [...] ( §2º). d) [...] aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos [...] (§3º). e) [...] das teorias racialistas que estavam em voga na Europa [...] (§3º). GR0670 - (Eam) Um caminho tortuoso Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas, não é à toa que a maioria das pessoas acha que o conhecimento cien�fico cresce linearmente, sempre se acumulando. No entanto, uma rápida olhada na história da ciência permite ver que não é bem assim: o caminho que leva ao conhecimento é tortuoso e, às vezes, vai até para trás, quando uma ideia errada persiste por mais tempo do que deveria. Isso pode ocorrer por razões como censura polí�ca [...] ou por ideologias na classe cien�fica, promulgadas por membros influentes. Apresentar a ciência nas escolas e universidades ou nos meios informais de comunicação como um triunfalismo infalível da civilização esconde um de seus lados mais interessantes: o drama da descoberta, as incertezas da cria�vidade. Cien�stas tendem a reagir nega�vamente às ideias que ameaçam o que eles pensam ser a verdade. Por um lado, esse ce�cismo é essencial, dado que a maioria das ideias novas está errada. Por outro, ele pode revelar um conservadorismo que atravanca o avanço do conhecimento. Um bom exemplo disso é o experimento de Albert Michelson e Edward Morley, realizado em 1887 para detectar o movimento da Terra através do éter, o meio material cuja função era servir de suporte para a propagação das ondas de luz. Tal qual as ondas de som se propagam no ar, supunha-se que as ondas luminosas também necessitassem de um meio para se propagar, o éter. O experimento mediria as diferenças na velocidade da luz quando um raio luminoso ia contra o éter ou a favor, como quando andamos de bicicleta e sen�mos um "vento" contra nosso corpo. (Uma bola jogada contra ou a favor do "vento" terá velocidades diferentes.) Para total e completa surpresa da comunidade cien�fica, o experimento não detectou diferenças na velocidade da luz em qualquer direção. Em meio à perplexidade generalizada, várias tenta�vas de explicar o achado foram propostas, inclusive uma por George Fitzgerald e Hendrik Lorentz que sugeria que as hastes do aparato podiam encolher na 13@professorferretto @prof_ferretto direção do movimento. Esse encolhimento de fato existe, mas não como proposto pelos dois. Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava acontecendo, com sua teoria da rela�vidade especial: o éter não existe – a velocidade da luz é sempre a mesma, uma constante da natureza. Observações recentes andam ques�onando a existência de um outro meio material ainda não detectado, a matéria escura. Essa matéria, supostamente feita de par�culas diferentes das que compõem o que conhecemos no Universo (ou seja, coisas feitas de elétrons, prótons e nêutrons), deve ser seis vezes mais abundante que a matéria comum e se aglomerar em torno de galáxias, inclusive a nossa. As observações não detectaram a quan�dade esperada de matéria escura. E agora? A coisa é complicada porque existem outros métodos de detecção da matéria escura que parecem bastante claros. Qualquer que seja a resolução do impasse atual, estou certo de que algo de novo e surpreendente está para acontecer. Será interessante ver a reação da comunidade ao se deparar com o inesperado. GLEISER, Marcelo. Um caminho tortuoso. Folha de São Paulo, 29 de abril de 2012. Com adaptações. Assinale a opção na qual o termo sublinhado NÃO é um pronome rela�vo. a) “[...] a maioriadas pessoas acha que o conhecimento cien�fico cresce linearmente [...]” (1º parágrafo). b) “Por outro, ele pode revelar um conservadorismo que atravanca o avanço do conhecimento.” (4º parágrafo). c) “Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava acontecendo, com sua teoria da rela�vidade especial.” (8º parágrafo). d) “A coisa é complicada porque existem outros métodos de detecção da matéria escura que parecem bastante claros.” (10º parágrafo). e) “Essa matéria, supostamente feita de par�culas diferentes das que compõem o que conhecemos no Universo [...]” (9º parágrafo). GR0671 - (Fcmscsp) Leia o início do conto “Troca de datas”, de Machado de Assis. I — Deixa-te de partes, Eusébio; vamos embora; isto não é bonito. Cirila... — Já lhe disse o que tenho de dizer, �o João, respondeu Eusébio. Não estou disposto a tornar à vida de outro tempo. Deixem-me cá no meu canto. Cirila que fique... — Mas, enfim, ela não te fez nada. — Nem eu digo isso. Não me fez coisa nenhuma; mas... para que repe�-lo? Não posso aturá-la. — Virgem San�ssima! Uma moça tão sossegada! Você não pode aturar uma moça, que é até boa demais? — Pois, sim; eu é que sou mau; mas deixem-me. Dizendo isto, Eusébio caminhou para a janela, e ficou olhando para fora. Dentro, o �o João, sentado, fazia circular o chapéu de Chile no joelho, fitando o chão com um ar aborrecido e irritado. Tinha vindo na véspera, e parece que com a certeza de voltar à fazenda levando o prófugo Eusébio. Nada tentou durante a noite, nem antes do almoço. Almoçaram; preparou-se para dar uma volta na cidade, e, antes de sair, meteu ombros ao negócio. Vã tenta�va! Eusébio disse que não, e repe�u que não, à tarde, e no dia seguinte. O �o João chegou a ameaçá-lo com a presença de Cirila; mas a ameaça não sur�u melhor efeito, porque Eusébio declarou posi�vamente que, se tal sucedesse, então é que ele faria coisa pior. Não disse o que era, nem era fácil achar coisa pior do que o abandono da mulher, a não ser o suicídio ou o assassinato; mas vamos ver que nenhuma destas hipóteses era sequer imaginável. Não obstante, o �o João teve medo do pior, pela energia do sobrinho, e resignou- se a tornar à fazenda sem ele. De noite, falaram mansamente da fazenda e de outros negócios de Piraí; falaram também da guerra, e da batalha de Curuzu, em que Eusébio entrara, e donde saíra sem ferimento, adoecendo dias depois. De manhã, despediram-se; Eusébio deu muitas lembranças para a mulher, mandou-lhe mesmo alguns presentes, trazidos de propósito de Buenos Aires, e não se falou mais na volta. — Agora, até quando? — Não sei; pretendo embarcar daqui a um mês ou três semanas, e depois, não sei; só quando a guerra acabar. II Há uma porção de coisas que estão patentes ou se deduzem do capítulo anterior. Eusébio abandonou a mulher, foi para a guerra do Paraguai, veio ao Rio de Janeiro, nos fins de 1866, doente, com licença. Volta para a campanha. Não odeia a mulher, tanto que lhe manda lembranças e presentes. O que se não pode deduzir tão claramente é que Eusébio é capitão de voluntários; é capitão, tendo ido tenente; portanto, subiu de posto, e, na conversa com o �o, prometeu voltar coronel. (Contos: uma antologia, 1998.) Expressão exple�va é aquela que, embora seja desnecessária ao sen�do da frase, é empregada como realce ou ênfase. Verifica-se uma expressão exple�va no seguinte trecho: 14@professorferretto @prof_ferretto a) “Nem eu digo isso” (4º parágrafo). b) “eu é que sou mau” (6º parágrafo). c) “ela não te fez nada” (3º parágrafo). d) “a ameaça não sur�u melhor efeito” (7º parágrafo). e) “Não disse o que era” (7º parágrafo). GR0673 - (Espm) Dos pronomes rela�vos em destaque nos segmentos abaixo, assinale aquele que exerça função sintá�ca de objeto direto: a) “A promulgação da Lei do Ventre Livre, em 1871, definia que os bebês que as mulheres escravizadas parissem a par�r daquela data estariam livres.” b) “O tema tem adquirido muita relevância nos círculos feministas no Brasil, onde mulheres têm desenvolvido suas ações.” c) “...especialmente em nosso país, marcadamente caracterizado por inúmeras desigualdades sociais e pela ausência de polí�cas públicas que garantam acesso a serviços de saúde, educação, saneamento básico, segurança, entre outros.” d) “...Ins�tuto da Mulher Negra, cuja organização é pioneira na luta e defesa dos direitos das mulheres negras, entre outros.” e) “...procura racializar as discussões, ao trazer para o debate assuntos que foram ignorados pelos feminismos brancos.” GR0677 - (Espm) Segundo Celso Cunha, a par�cula exple�va ou de realce não possui função sintá�ca, serve para dar destaque ou ênfase e pode ser re�rada da frase, sem prejuízo algum para o sen�do. Em todas as passagens abaixo, está presente essa par�cula, exceto em uma. Assinale-a: a) O que não vão pensar quando souberem que o filho do ministro defendia os traficantes? b) Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada. c) Sinha Terta é que �nha uma ponta de língua terrível. d) Mas, homem de Deus, que diabo! pense um pouco! Você ali não pode construir nada! e) Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei. GR0687 - (Unifenas) Prisão, confisco de terra, perda de crédito: Veja punições a quem escraviza. Trabalhadores resgatados na produção do vinho em Bento Gonçalves aguardando volta para casa. Imagem: Inspeção do Trabalho Leonardo Sakamoto Colunista do UOL 03/03/2023 16h20 1 Por conta do resgate de 207 trabalhadores na produção do vinho de empresas como Aurora, Garibaldi e Salton, em Bento Gonçalves (RS), voltou à tona a questão da punição para quem comete esse crime. O Brasil já conta com uma legislação ampla a respeito. Mais do que aprovar novas ações, a grande questão é regulamentar as existentes, recompor a fiscalização e usar o que já existe. (...) 4 Muitos empregadores flagrados por esse crime acabam condenados em primeira instância, mas salvos pelo gongo, ou seja, pela prescrição. Porém, ao condenar o Brasil por omissão em um caso de trabalho escravo, em 2016, a Corte Interamericana de Direitos Humanos afirmou que o crime não prescreve. Tribunais começam a se embasar nessa decisão. 5 Soma-se a isso o crime de tráfico de pessoas (ar�go 149-A), que prevê de quatro a oito anos de cadeia. Indenizações trabalhistas 6 O Ministério Público do Trabalho tem conseguido, através de ações civis públicas e termos de ajustamento de conduta, o pagamento de danos morais por parte dos empregadores – além da obrigação de fazer e deixar de fazer. O maior valor até hoje foram os R$ 30 milhões fruto de um acordo com a Odebrecht por escravizar trabalhadores brasileiros em Angola. (...) Leis estaduais e municipais 14 O Estado de São Paulo conta com uma lei, aprovada em 2013, e já regulamentada, que prevê o banimento por dez anos de empresas condenadas por trabalho escravo. O projeto inspirou outras leis semelhantes, como a que está vigente no Maranhão. (...) 18 Do ponto de vista jurídico, essa é a nomenclatura para definir tal forma de exploração. Mas é o mesmo que trabalho escravo, trabalho escravo contemporâneo, escravidão, escravidão contemporânea ou formas contemporâneas de escravidão. Tais nomenclaturas são usadas, inclusive, em tratados internacionais assinados pelo Brasil. h�ps://no�cias.uol.com.br/colunas/leonardo- sakamoto/2023/03/03/prisao-confisco-perda-de-credito- 15@professorferretto @prof_ferretto veja-punicaoprevista-a-quem-escraviza.htm? cmpid=copiaecola A palavra QUE pode pertencer a mais de uma classe de palavras. Sabendo disso, analise as sentenças. I. “(...) a grande questão é regulamentar as existentes, recompor a fiscalização e usar o QUE já existe. II. “(...) em 2016, a Corte Interamericana de Direitos Humanos afirmou QUE o crime não prescreve.” III. “Soma-se a isso o crime de tráfico de pessoas (ar�go 149-A), QUE prevê de quatro a oito anos de cadeia.” IV. “O projeto inspirou outras leis semelhantes, como a QUE está vigente no Maranhão.” É correto afirmar que, em: a) I e II, o “QUE” pertence à mesmaclasse grama�cal: conjunção. b) II, o “QUE” é um pronome rela�vo e retoma o verbo “afirmou”. c) III, o “QUE” tem função anafórica, pois está depois de uma vírgula. d) III e IV, o “QUE” pertence à mesma classe grama�cal: pronome rela�vo. e) IV, o “QUE” tem uma função catafórica, pois retoma o substan�vo “leis”. GR0788 - (Esa) Os dois vocábulos em destaque nos enunciados a seguir possuem função morfológica e sintá�ca idên�cas. Assinale a alterna�va que apresenta corretamente essas funções. “Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher.” a) Pronome rela�vo; objeto direto. b) Conjunção subordina�va integrante; objeto direto. c) Pronome rela�vo; sujeito. d) Conjunção coordena�va explica�va; adjunto adnominal. e) Preposição; sujeito. 16@professorferretto @prof_ferretto