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Funções do Que e do Se
GR0570 - (Cfn)
— Falar português não é di�cil — me diz um francês
residente no Brasil —, o diabo é que, mal consigo
aprender, a língua portuguesa já ficou diferente. Está
sempre mudando. (1)
E como! No Brasil as palavras envelhecem e caem
como folhas secas (8). Ainda bem a gente não conseguiu
aprender uma nova expressão, já vem o pessoal com
outra.
Não é somente pela gíria que a gente é apanhado.
(Aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do
singular como do plural: tudo é "a gente".) A própria
linguagem corrente vai se renovando (7), e a cada dia
uma parte do léxico cai em desuso. É preciso ficar atento,
para não con�nuar usando palavras que já morreram,
vocabulário de velho que só velho entende. (10)
Os que falariam ainda em cinematógrafo, auto-
ônibus, (3) aeroplano, estes também já morreram e não
sabem. Mas uma amiga minha, que vive preocupada com
este assunto, me chama a atenção para os que falam
assim:
— Assis� a uma fita de cinema com um ar�sta que
representa muito bem. (6)
Os que acharem natural esta frase, cuidado! Não
saberão dizer que viram um filme com um ator que
trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à
praia (9), ves�dos de roupa de banho em vez de calção
ou biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca.
Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro
(4), pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão
andar no passeio em vez de passear na calçada e
percorrer um quarteirão em vez de uma quadra. Viajarão
de trem de ferro acompanhados de sua esposa ou sua
senhora em vez de sua mulher. (2)
A lista poderia ser enorme, mas vou ficando por
aqui, pois entre escrever e publicar há tempo suficiente
para que tudo que eu disser caia em desuso — é dito e
feito. (5)
SABINO, Fernando. Folha de S. Paulo, São Paulo, 1984.
Adaptado
 
Considere a frase abaixo re�rada do texto:
“A própria linguagem corrente vai se renovando (...)” –
(ref. 7).
 
O termo em destaque pode ser classificado como
a) conjunção subordina�va condicional. 
b) substan�vo. 
c) pronome reflexivo. 
d) par�cula exple�va. 
e) conjunção subordina�va integrante.
GR0569 - (Unesp)
Alma minha gen�l, que te par�ste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
 
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
 
E se vires que pode merecer-te
alguma coisa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
 
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
Sonetos, 2001.
 
“Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,” (2ª estrofe)
 
Os termos destacados cons�tuem
a) Pronomes. 
b) Conjunções. 
c) Uma conjunção e um advérbio, respec�vamente. 
d) Um pronome e uma conjunção, respec�vamente. 
e) Uma conjunção e um pronome, respec�vamente.
GR0556 - (Esc. Naval)
Precisamos falar sobre fake news
Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de
pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com
ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente,
vence a distância e a saudade dos netos e netas.
1@professorferretto @prof_ferretto
Mas, para ela, assim como para milhares e milhares
de pessoas, o celular pode ser também uma fonte de
engano. De vez em quando, por acreditar no que chega
por meio de amigos no seu WhatsApp, me envia uma ou
outra mensagem contendo uma fake news. A úl�ma foi
sobre um suposto problema com a vacina da gripe que,
por um momento, diferente de anos anteriores, a fez
desis�r de se vacinar.
Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros,
não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os
chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera
um certo estranhamento (e até constrangimento),
embora nos fascine e facilite a vida. Sejamos sinceros.
Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças
que revolucionaram a comunicação. Pior: é di�cil
destrinchar o que é verdade em tempo de fake news.
Um dos maiores estudos sobre a disseminação de
no�cias falsas na internet, publicado ano passado na
revista Science foi realizado pelo Ins�tuto de Tecnologia
de Massachuse�s (MIT, na sigla em inglês), dos Estados
Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70%
mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais
gente.
Isso porque as fake news se valem de textos
alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque
para no�cias atreladas a temas de saúde, seguidas de
informações men�rosas sobre tudo. Até pouco tempo
atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de
produção de no�cias. E os fatos obedeciam a critérios de
apuração e checagem.
O problema é que hoje mantemos essa mesma
crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais
não iden�ficamos sequer a origem, boa parte delas
disseminada em redes sociais. Confia-se a ponto de
compar�lhar, sem ques�onar.
O impacto disso é preocupante. Par�ndo de
pesquisas que mostram que no�cias e seus
enquadramentos influenciam opiniões e constroem
leituras da realidade, a disseminação das no�cias falsas
tem criado versões alterna�vas do mundo, da História,
das Ciências “ao gosto do cliente”, como dizem por aí.
Os problemas gerados estão em todos os campos.
No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam
de vacinar seus filhos a ponto de criar um grave
problema de saúde pública de impacto mundial. E passa
por jovens ví�mas de violência virtual e �sica.
No mundo corpora�vo, estabelecimentos comerciais
fecham portas, profissionais perdem suas reputações e
produtos são desacreditados como resultado de uma
foto descontextualizada, uma imagem alterada ou uma
legenda falsa.
A democracia também se fragiliza. O processo
democrá�co corre o risco de ter sua força e credibilidade
afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de
mensurar os danos causados, mas inicia�vas
fragmentadas já sinalizam que ela está em risco.
Estamos em um novo momento cultural e social,
que deve ser entendido para encontrarmos um caminho
seguro de convivência com as novas formas e
ferramentas de comunicação.
(...)
O que posso afirmar, como presidente do Congresso
Nacional, é que, embora não saibamos ainda o an�doto
que usaremos contra a disseminação de no�cias falsas
em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém
aceitar a u�lização de qualquer �po de controle que não
seja democrá�co.
O Globo. 10 jul. 2019.
 
No fragmento “[...] contra a disseminação de no�cias
falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de
ninguém aceitar a u�lização de qualquer �po de controle
que não seja democrá�co." (15º parágrafo), o vocábulo
em destaque tem a mesma classificação morfológica que
em:
a) “[...] hoje mantemos essa mesma crença, quase que
religiosa, junto a mensagens das quais não
iden�ficamos sequer a origem, [...]” (7º parágrafo). 
b) “Não há um estudo capaz de mensurar os danos
causados, mas inicia�vas fragmentadas já sinalizam
que ela está em risco” (11º parágrafo)
c) “Nada nem ninguém nos preparou para essas
mudanças que revolucionaram a comunicação.” (4º
parágrafo)
d) “[...] dos Estados Unidos, e concluiu que as no�cias
falsas se espalham 70% mais rápido que as
verdadeiras e alcançam muito mais gente.” (5º
parágrafo)
e) “O problema é que hoje mantemos essa mesma
crença, quase que religiosa, junto a mensagens das
quais não iden�ficamos sequer a origem, [...]" (7º
parágrafo)
GR0566 - (Unifesp)
Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português
Fernando Pessoa.
 
Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
 
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
 
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte¹,
2@professorferretto @prof_ferretto
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
 
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
(Obra poé�ca, 1997.)
¹ “andar a monte”: andar fugido das autoridades
 
“Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?” (2ª estrofe)
 
Os termos destacados cons�tuem
a)pronomes, somente.
b) conjunção, pronome e pronome, respec�vamente.
c) conjunções, somente.
d) pronome, conjunção e conjunção, respec�vamente.
e) conjunção, conjunção e pronome, respec�vamente.
GR0555 - (Esc. Naval)
Atalhos
Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos
todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros.
Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra
caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas
coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos
adolescentes teimosos e dramá�cos. Levamos um século
para aceitar o fim de uma relação, e outro século para
abrir a guarda para um novo amor, e já adultos
demoramos para dizer a alguém o que sen�mos,
demoramos para perdoar um amigo, demoramos para
tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz
aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade
qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente
descobre que o tempo não pode con�nuar sendo
desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é
como se a gente es�vesse com o jogo empatado no
segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola
pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que
esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso
encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito
discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa
idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo,
onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor
atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e
maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando,
não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas,
não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam
etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório
conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro
enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência
para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de
vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência
para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale
nossa dedicação. Pra enrolação, atalho.
MEDEIROS, Martha. Atalhos, 2004. (adaptado)
 
“Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a
gente descobre que o tempo não pode con�nuar sendo
desperdiçado."
 
Os termos destacados no fragmento acima classificam-se
morfologicamente como, respec�vamente.
a) par�cula exple�va e conjunção causal. 
b) pronome rela�vo e conjunção integrante. 
c) pronome indefinido e pronome rela�vo. 
d) preposição acidental e pronome indefinido. 
e) conjunção integrante e conjunção causal.
GR0563 - (Unifesp)
Leia o trecho do livro O oráculo da noite, do
neurocien�sta Sidarta Ribeiro.
A palavra sonho, do la�m somnium, significa muitas
coisas diferentes, todas vivenciadas durante a vigília, e
não durante o sono. Realizei “o sonho da minha vida”,
“meu sonho de consumo” são frases usadas
co�dianamente pelas pessoas para dizer que pretendem
ou conseguiram alcançar algo. Todo mundo tem um
sonho, no sen�do de plano futuro. Todo mundo deseja
algo que não tem. Por que será que o sonho, fenômeno
normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer
quanto o medo, é justamente a palavra usada para
designar tudo aquilo que se quer ter?
O repertório publicitário contemporâneo não tem
dúvidas de que o sonho é a força motriz de nossos
comportamentos. Desejo é o sinônimo mais preciso da
palavra “sonho”. [...] Na área de desembarque de um
aeroporto nos Estados Unidos, uma foto enorme de um
casal belo e sorridente, velejando num mar caribenho em
dia ensolarado, sob a frase enigmá�ca: “Aonde seus
sonhos o levarão?”, embaixo o logo�po da empresa de
cartão de crédito. Deduz-se do anúncio que os sonhos
são como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos,
perfeitos, altamente... desejáveis. As equações “sonho é
igual a desejo que é igual a dinheiro” têm como variável
oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter,
3@professorferretto @prof_ferretto
liberdade que até os mais miseráveis podem
experimentar no mundo de regras frouxas do sonho
noturno, mas que no sonho diurno é privilégio apenas
dos detentores de um mágico cartão plás�co.
A ro�na do trabalho diário e a falta de tempo para
dormir e sonhar, que acometem a maioria dos
trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização
contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância
mo�vacional do sonho e sua banalização no mundo
industrial globalizado. [...] A indústria da saúde do sono,
um setor que cresce aceleradamente, tem valor es�mado
entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares. Mesmo assim a
insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se
despertamos diariamente com o toque insistente do
despertador, ainda sonolentos e já atrasados para
cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão
poucos se lembram que sonham pela simples falta de
oportunidade de contemplar a vida interior, quando a
insônia grassa e o bocejo se impõe, chega-se a duvidar da
sobrevivência do sonho.
E, no entanto, sonha-se. Sonha-se muito e a granel,
sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da
cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das
perspec�vas. Dirá a formiga cé�ca que quem sonha assim
tão livre é o ar�sta, cigarra de fábula que vive de brisa.
[...] Na peça teatral A vida é sonho, o espanhol Pedro
Calderón de la Barca drama�zou a liberdade de construir
o próprio des�no. O sonho é a imaginação sem freio nem
controle, solta para temer, criar, perder e achar.
(O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho,
2019.)
 
A palavra sublinhada em “Se o tempo é sempre escasso,
se despertamos diariamente” (3º parágrafo) pertence à
mesma classe grama�cal da palavra sublinhada em
a) “sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos
da cidade” (4º parágrafo). 
b) “se tão poucos se lembram que sonham” (3º
parágrafo). 
c) “quando a insônia grassa e o bocejo se impõe” (3º
parágrafo). 
d) “chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho” (3º
parágrafo). 
e) “compromissos que se renovam ao infinito” (3º
parágrafo).
GR0559 - (Epcar)
Carta da Terra (excerto)
A Carta da Terra é um documento produzido no final
da década de 1990 com a par�cipação de 46 países.
“Ela representa um grito de urgência face às
ameaças que pesam sobre a biosfera e o projeto
planetário humano. Significa também um libelo em favor
da esperança de um futuro comum da Terra e
Humanidade."
Leonardo Boff
PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA
(...)
4. Garan�r as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e
as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é
condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmi�r às futuras gerações valores, tradições e
ins�tuições que apoiem, em longo prazo, a prosperidade
das comunidades humanas e ecológicas da Terra.
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
Proteger e restaurar a integridade dos sistemas
ecológicos da Terra, com especial preocupação pela
diversidade biológica e pelos processos naturais que
sustentam a vida.
(...)
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas
ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não na�vos ou
modificados gene�camente que causem dano às
espécies na�vas, ao meio ambiente, e prevenir a
introdução desses organismos daninhos.
e. ⁰⁷Manejar o uso de recursos renováveis como água,
solo, produtos florestais e vida marinha de forma que
não excedam as taxas de regeneração⁰⁸ e que protejam a
sanidade dos ecossistemas.
6. ⁰³Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método
de proteção ambiental⁰⁴ e, ⁰⁵quando o conhecimento for
limitado, assumir uma postura de precaução⁰⁶.
a. ⁰¹Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios
ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a
informação cien�fica for incompleta ou não conclusiva⁰².
(...)
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio
ambiente e não permi�r o aumento de substâncias
radioa�vas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
(...)
Ministério do Meio Ambiente. Disponível em:
www.mma.gov.br/estruturas/ agenda21/_arquivos/carta-terra.pdf. Acesso em: 20 maio 2016.
 
Assinale o item que contém uma análise correta sobre a
palavra “que” destacada.
4@professorferretto @prof_ferretto
a) “Transmi�r às futuras gerações valores, tradições e
ins�tuições que apoiem, em longo prazo (...)” –
classifica-se como pronome rela�vo e refere-se ao
termo “gerações”. 
b) “(...) especial preocupação pela diversidade biológica e
pelos processos naturais que sustentam a vida.” –
classifica-se como pronome rela�vo e refere-se aos
termos “diversidade biológica” e “processos naturais”.
 
c) “Controlar e erradicar organismos não-na�vos ou
modificados gene�camente que causem dano às
espécies (...)” – classifica-se como conjunção
integrante e introduz oração adje�va. 
d) “produtos florestais e vida marinha (....) de forma que
não excedam as taxas de regeneração e que protejam
a sanidade dos ecossistemas.” – classifica-se como
conjunção integrante e introduz oração substan�va.
GR0317 - (Fuvest)
Este úl�mo capítulo é todo de nega�vas. Não alcancei a
celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa,
não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas
faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão
com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de
dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba.
Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa
imaginará que não houve míngua nem sobra, e,
conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará
mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério,
achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira
nega�va deste capítulo de nega�vas: Não �ve filhos, não
transmi� a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
 
Não sei por que até hoje todo o mundo diz que �nha
pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se
fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz.
Ser obrigada a ficar à toa é que seria cas�go para mim.
Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique
preguiçosa; a minha esperteza é que a amofina. Eu então
respondo: “Se eu fosse preguiçosa não sei o que seria da
senhora, meu pai e meus irmãos, sem uma empregada
em casa”.
Helena Morley, Minha vida de menina.
 
Nos dois textos, obtém-se ênfase por meio do emprego
de um mesmo recurso expressivo, como se pode verificar
nos seguintes trechos:
a) “Este úl�mo capítulo é todo de nega�vas” / “Eu não
penso assim”.
b) Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui
ministro, não fui califa, não conheci o casamento” /
“Não sei por que até hoje todo o mundo diz que �nha
pena dos escravos”.
c) “Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa
fortuna de não comprar o pão com o suor do meu
rosto” / “Ser obrigada a ficar à toa é que seria cas�go
para mim”.
d) “qualquer pessoa imaginará que não houve míngua
nem sobra” / “Mamãe às vezes diz que ela até deseja
que eu fique preguiçosa”.
e) “Não �ve filhos, não transmi� a nenhuma criatura o
legado da nossa miséria” / “Acho que se fosse
obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz”.
GR0560 - (Ime)
Os Lusíadas - Canto primeiro
Luís de Camões
1
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prome�a a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
 
2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valorosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
 
3
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que �veram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa an�ga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
(...)
 
106
No mar tanta tormenta e tanto dano
Tantas vezes a morte apercebida
5@professorferretto @prof_ferretto
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida
Onde pode acolher-se um fraco humano
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
(CAMÕES, Lus de (1524-1580). Os Lusíadas. São Paulo:
Abril Cultural, [1572] 1979, pp. 2931 e 61.)
 
A palavra “que” nos versos “Que eu canto o peito ilustre,
Lusitano” (verso 21) e “Que outro valor mais alto se
alevanta” (verso 24) tem valor
a) Explica�vo: introduz ideia de explicação. Na forma
apresentada, é uma redução da conjunção “porque”. 
b) Adversa�vo: introduz ideia de contraste entre
lusitanos e demais povos. 
c) Adi�vo: expressa ideia de adição, união do povo
lusitano para a�ngir os feitos cantados pelo poeta. 
d) Conclusivo: expressa uma situação de consequência. 
e) Alterna�vo: ora os heróis são os portugueses, ora
gregos e troianos.
GR0571 - (Eear)
Assinale a alterna�va em que o se é índice de
indeterminação do sujeito na frase.
a) Não se ouvia o barulho.
b) Perdeu-se um gato de es�mação.
c) Precisa-se de novos candidatos militares.
d) Construíram-se casas e apartamentos na rua pacata.
GR0554 - (Ita)
Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo
branco. No Facebook, uma postagem me chama atenção:
é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com
qualquer frase que vier à cabeça. Não quero pichar o
mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este
de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou
trombando nos muros espalhados pelos quarteirões,
repletos de frases tolas, xingamentos e erros de
português. Eu bem poderia modificar isso.
(...)
Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas
quero con�nuar a sonhar”, que serve para exemplificar o
que sinto neste momento, aqui na minha sala,
escrevendo no computador o que gostaria de jogar nos
muros lá fora, a custo me mantendo calmo, um olho na
tela, outro voltado para o lado oposto da rua. Lá tem
aquele muro enorme, branco e virgem, clamando por
frases. Não sei quanto tempo resis�rei até puxar o ga�lho
do spray.
ALVEZ, A. L. Um muro para pichar. Correio do Estado, fev
2018. Disponível em
h�ps://www.correiodoestado.com.br/opiniao/leia-
acronica- de-andre-luiz-alvez-um-muro-para-
pichar/321052/. Acesso em: ago. 2018.
 
Assinale a alterna�va em que o item sublinhado NÃO é
pronome rela�vo.
a) a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que vier à
cabeça 
b) ou no papel amassado que embrulha o pão da manhã
 
c) são tantas, até temo que me faltem os muros 
d) há um certo prazer na loucura que só um louco
conhece 
e) que serve para exemplificar o que sinto neste
momento
GR0561 - (Fgvsp)
O resgate do cocô
Há três mil anos, quando um chinês ia jantar na casa
de um amigo, ele obrigatoriamente �nha que ir até o
quintal desse amigo e fazer um “número dois” por lá
mesmo. É que a e�queta da época dizia que era feio
comer na casa de alguém e não “devolver os nutrientes”.
Faz tanto sen�do que, atualmente, o arquiteto William
Mc Donough e o químico Michel Braungart trabalham
para trazer essa ideia de volta à moda, desenvolvendo e
divulgando modos de produção circular, em que os
resíduos - inclusive o cocô – são usados para criar novos
produtos tão bons quanto os originais.
Baseados na proposta de Mc Donough e Braungart,
pesquisadores do mundo inteiro têm procurado maneiras
de aproveitar o nosso “número dois” de cada dia. Na
cidade de Didcot, na Inglaterra, um projeto piloto já
permite que 200 famílias aqueçam suas casas com
biometano fabricado a par�r de seu próprio cocô. Além
de poupar o meio ambiente, eles economizam dinheiro.
Uma ideia que cheira bem.
Superinteressante, ago. 2013. (Adaptado)
 
Em virtude do contexto sintá�co de seu emprego, a
palavra “que" assume diferentes classificações. Como
conjunção integrante, ela está devidamente marcada em:
a) ... �nha que ir até o quintal desse amigo... 
b) É que a e�queta da época dizia que era feio... 
c) Faz tanto sen�do que, atualmente... 
d) ... em que os resíduos— inclusive o cocô, são
usados... 
e) ... um projeto piloto já permite que 200 famílias...
6@professorferretto @prof_ferretto
GR0565 - (Espm)
Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora
apenas à luz da gramá�ca e da lógica, e já era muito se a
análise reconhecia como palavras exple�vas ou de realce
os termos sobejantes (1) unidos à oração ou nela
encravados.
Hoje que a ciência da linguagem inves�ga os fatos
sem deixar-se pear (2) por an�gos preconceitos, já não
podemos levar essas expressões à conta da
superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decora�vo,
o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no
discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante
justamente no falar desataviado (3) de todos os dias.
Uma coisa é dirigirmo-nos à cole�vidade, a pessoas
desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem
caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e
ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção
a essa pessoa que está diante de nós, para que fique
sempre bem impressionada com as nossas palavras.
(Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semân�cas,
RJ)
 
Sobejantes (1): demasiados, excessivos, de sobras. / Pear
(2): prender. / Desataviado (3): sem enfeites
 
Segundo Celso Cunha, a par�cula exple�va ou de realce
não possui função sintá�ca, serve para dar destaque ou
ênfase e pode ser re�rada da frase, sem prejuízo algum
para o sen�do.
 
Em todas as passagens abaixo, está presente essa
par�cula, exceto em uma. Assinale-a.
a) O que não vão pensar quando souberem que o filho
do ministro defendia os traficantes? 
b) Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou
a transação meio apalavrada. 
c) Sinhá Terta é que �nha uma ponta de língua terrível. 
d) Mas, homem de Deus, que diabo! pense um pouco!
Você ali não pode construir nada. 
e) Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei.
GR0572 - (Cfn)
A noite em que os hotéis estavam cheios
O casal chegou à cidade tarde da noite. Estavam
cansados da viagem; e ela, em adiantada gravidez, não se
sen�a bem (1). Foram procurar um lugar onde passar a
noite. Hotel, hospedaria, qualquer coisa viria bem, desde
que não fosse muito caro, pois eram pessoas de
modestos recursos.
Não seria um empreendimento fácil, como
descobriram desde o início. No primeiro hotel, o gerente,
homem de maus modos, foi logo dizendo que não havia
lugar. No segundo, o encarregado da portaria olhou com
desconfiança o casal e resolveu pedir documentos. O
homem disse que não �nha; na pressa da viagem
esquecera os documentos.
— E como pretende o senhor conseguir um lugar
num hotel, se não tem documentos? (2) — disse o
encarregado.
— Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não!
(3)
O viajante não disse nada. Tomou a esposa pelo
braço e seguiu adiante. No terceiro hotel também não
havia vaga.
No quarto — que não passava de uma modesta
hospedaria — havia lugar, mas o dono desconfiou do
casal e resolveu dizer que o estabelecimento estava
lotado.
— O senhor vê, se o governo nos desse incen�vos,
como dá para os grandes hotéis, eu já teria feito uma
reforma aqui. Poderia até receber delegações
estrangeiras. Mas até hoje não consegui nada. Se eu
fosse amigo de algum polí�co influente... (4) A propósito,
o senhor não conhece ninguém nas altas esferas?
O viajante hesitou, depois disse que sim, talvez
conhecesse alguém das altas esferas.
— Pois então – disse o dono da hospedaria — fala
para esse seu conhecido da minha hospedaria. Assim, da
próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um
quarto de primeira classe, com banho e tudo. O viajante
agradeceu, lamentando apenas que seu problema fosse
mais urgente: precisava de um quarto para aquela noite.
(...)
SCLIAR, Moacyr. In: As cem melhores crônicas brasileiras.
Rio de Janeiro: Obje�va, 2007.
 
Considere as frases abaixo re�radas do texto:
 
I- “Não se sen�a bem.” – (ref. 1) (pronome reflexivo)
II- “— E como pretende o senhor conseguir um lugar num
hotel, se não tem documentos?” – (ref. 2) (par�cula
apassivadora)
III- “— Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não!”
– (ref. 3) (conjunção subordina�va condicional)
IV- “Se eu fosse amigo de algum polí�co influente...” –
(ref. 4) (advérbio)
 
De acordo com as classificações sugeridas, entre
parênteses, para as palavras em destaque, assinale a
opção correta.
a) Apenas em I, II e III as frases estão corretas. 
b) Apenas em II e IV as frases estão corretas. 
c) Apenas em I e III as frases estão corretas. 
d) Apenas em II, III e IV as frases estão corretas. 
e) Apenas em I e IV as frases estão corretas.
7@professorferretto @prof_ferretto
GR0567 - (Espm)
 
O que parece inegável é que, desde o fim da Idade
Média, o desenvolvimento da tecnologia comercial e das
transações era pouco compa�vel com o fracionamento
dos poderes locais. É no fim do Século XIV que nasce um
complexo ins�tucional dotado de poder próprio (os
primeiros exércitos profissionais aparecem no final do
Século XIII), encarregado de garan�r a segurança e a
jus�ça, e que se arroga o monopólio da determinação
dos direitos e deveres de cada um. A par�r do Século XVI,
o paralelismo entre os dois �pos de mutação – polí�ca ou
econômica – torna-se ní�do: “por um lado, a
centralização e, simultaneamente, a burocra�zação do
poder, transformando o aparelho estatal do governo dos
príncipes, por outro lado, a expansão da circulação
capitalista das mercadorias e uma progressiva
perturbação do modo de produção baseado na família”
(Jürgen Habermas, Teoria e Prá�ca: A Doutrina Clássica
da Polí�ca).
Haverá, entre estas duas séries, uma relação de
causalidade ou, simplesmente, de concomitância? A este
respeito, podemos apenas referir-nos às análises,
pruden�ssimas, de Perry Anderson. Embora empregue
conceitos marxistas, Anderson não nos permite afirmar
sem mais que o absolu�smo é o produto da ascensão do
capitalismo. Melhor será dizermos que esta ascensão do
capitalismo foi, geralmente (veremos que devem fazer-se
algumas reservas), favorecida pela consolidação do
absolu�smo.
(Lispector, Clarice. Clarice na cabeceira: crônicas. Rio de
Janeiro: Rocco, 2010)
 
Tomando por base a frase: “e que se arroga o monopólio
da determinação dos direitos e deveres de cada um”, o
termo em destaque é um pronome.
a) recíproco e faz reportar-se à expressão “complexo
ins�tucional”.
b) recíproco e faz reportar-se ao vocábulo “segurança”.
c) reflexivo e faz reportar-se à expressão “poder próprio”.
d) reflexivo e faz reportar-se à expressão “complexo
ins�tucional”.
e) apassivador e o sujeito paciente é “poder próprio”.
GR0558 - (Esc. Naval)
Não, os livros não vão acabar
Não sei se é a próxima chegada da Amazon ao Brasil ou a
profecia maia do fim do mundo, mas o fato é que nunca
vi tanta gente preocupada com o fim do livro. São
estudantes que me escrevem mo�vados por pesquisas
escolares, organizadores de eventos literários que me
pedem palestras, leitores que manifestam sua apreensão.
Em alguns casos, percebo uma espécie perversa de
prazer apocalíp�co, mas logo desaponto quem quer ver o
mar pegando fogo para comer camarão cozido: é que
absolutamente não acredito que o livro vai acabar.
Tenho escrito reiteradas vezes sobre o assunto; estou,
aliás, numa posição bastante confortável para fazê-lo.
Gosto igualmente de livros e de tecnologia, e seria a
primeira a abraçar meus dois amores reunidos num só
objeto; mas embora o Kindle e os vários pads tenham o
seu valor como readers, os livros em papel não estão tão
próximos da ex�nção quanto, digamos, o �gre de
Sumatra.
(...)
Há prazeres e sensações que só tem com o papel. Gosto
de perceber o tamanho de um livro à primeira vista. Um
tablet pode me informar quantas páginas um volume
tem, mas essa informação é abstrata. Saber que um livro
tem 500 páginas ou ver que um livro tem 500 páginas são
coisas diferentes. Gosto também de folhear um livro e de
fazer uma espécie de leitura em diagonal antes de me
decidir pela compra. Isso é impossível de fazer com
ebooks.
Sem falar, é claro, do cheiro inigualável dos livros em
papel.
RONAI, Cora. JornalO Globo, Economia, 12 nov. 2012.
 
Leia o excerto a seguir.
“[...] mas o fato é que nunca vi tanta gente preocupada
com o fim do livro." (1º parágrafo)
 
Assinale a opção que apresenta a classificação
morfológica correta do termo destacado.
8@professorferretto @prof_ferretto
a) Pronome rela�vo.
b) Par�cula de realce.
c) Pronome indefinido.
d) Conjunção integrante.
e) Preposição acidental.
GR0568 - (Efomm)
O homem deve reencontrar o Paraíso...
Rubem Alves
Era uma família grande, todos amigos. Viviam como
todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que
é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava
um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de
vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu,
as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o
que �nham, compraram um barco capaz de atravessar
mares e sobreviver tempestades.
Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber.
São muitos os saberes necessários para se navegar.
Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de
fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de
navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas,
as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o
motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os
mapas... Disse certo o poeta: Navegar é preciso, a ciência
da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números
e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se
aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com
saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos,
instrumentos de navegação não informam mais ou
menos. Assim, eles se tomaram cien�stas, especialistas,
cada um na sua - juntos para navegar.
(...)
Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-
se com os sonhos. Infelizmente a ciência, u�líssima,
especialista em saber como as coisas funcionam, tudo
ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se
decidir sobre o des�no da navegação. Mas o coração
humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é
coisa imprecisa. Disse certo o poeta: Viver não é preciso.
Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o
impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa
ciência de navegar.
Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas
imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus
Cân�cos dizendo: E pois com a nau no mar / assestamos
a quilha contra as vagas...
(...)
Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa
ciência da navegação, sem que os estudantes sejam
levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e
sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a
forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica,
com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu
parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro.
(...)
O meu sonho para a educação foi dito por
Bachelard: O universo tem um des�no de felicidade. O
homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é jardim,
lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e
mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o
deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as
estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira
nacional...
(...)
Sugiro aos educadores que pensem menos nas
tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e
tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um
Paraíso.
OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo
Ortográfico.
 
“Em nossas escolas é isso que SE ensina: a precisa ciência
da navegação, sem que os estudantes sejam levados a
sonhar com as estrelas.”
 
Observando o período acima, nota-se que a par�cula
sublinhada cumpre uma função específica, que aparece
nas outras alterna�vas, EXCETO em
a) Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende
com o rigor da geometria (...) 
b) (...) velas se fazem com saber es exatos sobre tecidos,
cordas e ventos, instrumentos de navegação não
informam ‘meus ou menos’. 
c) É preciso sonhar para se decidir sobre o des�no da
navegação. 
d) Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se
com os sonhos. 
e) Houve um momento em que se viu, por entre as
estrelas, um brilho chamado ‘progresso’. Está na
bandeira nacional...
GR0557 - (Esc. Naval)
Precisamos falar sobre fake news
Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de
pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com
ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente,
vence a distância e a saudade dos netos e netas.
Mas, para ela, assim como para milhares e milhares
de pessoas, o celular pode ser também uma fonte de
engano. De vez em quando, por acreditar no que chega
por meio de amigos no seu WhatsApp, me envia uma ou
outra mensagem contendo uma fake news. A úl�ma foi
sobre um suposto problema com a vacina da gripe que,
por um momento, diferente de anos anteriores, a fez
desis�r de se vacinar.
9@professorferretto @prof_ferretto
Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros,
não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os
chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera
um certo estranhamento (e até constrangimento),
embora nos fascine e facilite a vida. Sejamos sinceros.
Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças
que revolucionaram a comunicação. Pior: é di�cil
destrinchar o que é verdade em tempo de fake news.
Um dos maiores estudos sobre a disseminação de
no�cias falsas na internet, publicado ano passado na
revista Science foi realizado pelo Ins�tuto de Tecnologia
de Massachuse�s (MIT, na sigla em inglês), dos Estados
Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70%
mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais
gente.
Isso porque as fake news se valem de textos
alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque
para no�cias atreladas a temas de saúde, seguidas de
informações men�rosas sobre tudo. Até pouco tempo
atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de
produção de no�cias. E os fatos obedeciam a critérios de
apuração e checagem.
O problema é que hoje mantemos essa mesma
crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais
não iden�ficamos sequer a origem, boa parte delas
disseminada em redes sociais. Confia-se a ponto de
compar�lhar, sem ques�onar.
O impacto disso é preocupante. Par�ndo de
pesquisas que mostram que no�cias e seus
enquadramentos influenciam opiniões e constroem
leituras da realidade, a disseminação das no�cias falsas
tem criado versões alterna�vas do mundo, da História,
das Ciências “ao gosto do cliente”, como dizem por aí.
Os problemas gerados estão em todos os campos.
No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam
de vacinar seus filhos a ponto de criar um grave
problema de saúde pública de impacto mundial. E passa
por jovens ví�mas de violência virtual e �sica.
No mundo corpora�vo, estabelecimentos comerciais
fecham portas, profissionais perdem suas reputações e
produtos são desacreditados como resultado de uma
foto descontextualizada, uma imagem alterada ou uma
legenda falsa.
A democracia também se fragiliza. O processo
democrá�co corre o risco de ter sua força e credibilidade
afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de
mensurar os danos causados, mas inicia�vas
fragmentadas já sinalizam que ela está em risco.
Estamos em um novo momento cultural e social,
que deve ser entendido para encontrarmos um caminho
seguro de convivência com as novas formas e
ferramentas de comunicação.
(...)
O que posso afirmar, como presidente do Congresso
Nacional, é que, embora não saibamos ainda o an�doto
que usaremos contra a disseminação de no�cias falsas
em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém
aceitar a u�lização de qualquer �po de controle que não
seja democrá�co.
O Globo. 10 jul. 2019.
 
Em “Ninguém nos preparou para essas mudanças que
revolucionaram a comunicação.", o pronome rela�vo
exerce a mesma função sintá�ca que o destacado em:
a) As informações diárias que nós recebemos pelos
celulares podem ser falsas e men�rosas. 
b) O jornalista de quem peguei as úl�mas informações
descartou a possibilidade de fake news. 
c) Todos esses são os jornalistas por quem as no�cias
sensacionalistas foram amplamente analisadas.d) O processo democrá�co a que somos favoráveis corre
o risco de ser afetado pelos boatos. 
e) Conhecemos o jornalista que defenderá o problema
nas redes sociais em relação às no�cias
sensacionalistas.
GR0564 - (Ufam)
Leia o texto a seguir:
Em 1582, o jovem Galileu Galilei, então com 22 anos,
assis�a a missa na catedral de Pisa, na Itália, quando, em
meio a longos bocejos, deparou-se com um fenômeno
curioso. Um coroinha acabara de acender as velas do
enorme candelabro sobre o altar. Para tal, �vera que
trazer o candelabro para si, pescando-o com um gancho
do alto de um tablado. Completada a tarefa, o coroinha
largou o candelabro, que passou a oscilar lentamente de
um lado a outro do altar. Galileu ficou olhando para o
candelabro indo e vindo, indo e vindo, quase
hipno�zado. De repente, num lampejo de intuição,
resolveu marcar o tempo que o candelabro demorava
para completar uma oscilação. Como não havia relógios
na época, o astuto Galileu usou seu próprio pulso como
cronômetro. Ainda bem que era um rapaz calmo e de
pulso firme. Caso contrário, seu experimento não
funcionaria. Galileu percebeu que, à medida que o
candelabro oscilava, o ângulo entre a oscilação inicial e
final diminuía. Entretanto, para seu espanto, o tempo
que ele demorava para oscilar entre os dois pontos era o
mesmo! Esse intervalo de tempo, chamado de ―período
de oscilação, parecia ser independente do ângulo inicial
do candelabro.
GLEISER, Marcelo. Poeira das estrelas. Editora Globo,
2006, p. 62. (Adaptado)
 
Leia agora as seguintes afirma�vas:
 
I- O texto é basicamente disserta�vo.
II- Há erro de regência no primeiro período texto.
III- O texto é basicamente narra�vo.
10@professorferretto @prof_ferretto
IV- Em "deparou-se com um fenômeno curioso", o se é
uma par�cula de realce ou exple�va.
 
Assinale a alterna�va correta:
a) Somente as afirma�vas I e II estão corretas. 
b) Somente as afirma�vas I, II e III estão corretas. 
c) Somente as afirma�vas I e III estão corretas. 
d) Somente as afirma�vas II e III estão corretas. 
e) Somente as afirma�vas III e IV estão corretas.
GR0332 - (Fuvest)
Uma úl�ma gargalhada estrondosa. E depois, o silêncio.
O palhaço jazia imóvel1 no chão. Mas seu rosto con�nua
sorrindo, para sempre. Porque a carreira original do
Coringa era para durar apenas 30 páginas. O tempo de
envenenar Gotham, sequestrar Robin2, enfiar um par de
sopapos no Homem-Morcego e disparar o primeiro “vou
te matar” da sua relação. Na briga final do Batman n.° 1,
o “horripilante bufão” sofria um final digno de sua
desumana ironia: ao tropeçar, cravava sua própria adaga
no peito. Assim decidiram e desenharam seus pais3, os
ar�stas Bill Finger, Bob Kane e Jerry Robinson. Entretanto,
o criminoso mostrou, já em sua primeira aventura, um
enorme talento para se4 rebelar contra a ordem
estabelecida. Seu carisma seduziu a editora DC Comics,
que impôs o acréscimo de um quadrinho. Já dentro da
ambulância, vinha à tona “um dado desconcertante”. E
então um médico sentenciava: “Con�nua vivo5. E vai
sobreviver!”.
Tommaso Koch. “O Coringa completa 80 anos e na
Espanha ganha duas HQs, que inspiram debates
filosóficos sobre a liberdade”,
EI País. Junho/2020.
 
Em “Seu carisma seduziu a editora DC Comics, que impôs
o acréscimo de um quadrinho.” (sublinhado), o vocábulo
“que” possui a mesma função sintá�ca desempenhada
no texto por
a) “Imóvel” (1º itálico).
b) “Robin” (2º itálico).
c) “seus pais” (3º itálico).
d) “se” (4º itálico).
e) “vivo” (5º itálico).
GR0405 - (Unesp)
Leia o trecho extraído do ar�go “Cosmologia, 100”, de
Antonio Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira.
“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu
mesmo percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo
da essência do hoje clássico A estrada não percorrida
(1916), do poeta norte-americano Robert Frost (1874-
1963) – está em um ar�go cien�fico publicado há cem
anos, cujo teor cons�tui um marco histórico da
civilização.
Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o
Homo sapiens deixar uma mão com �nta estampada em
uma pedra, a humanidade era capaz de descrever
matema�camente a maior estrutura conhecida: o
Universo. A façanha intelectual levava as digitais de
Albert Einstein (1879-1955).
Ao terminar aquele ar�go de 1917, o �sico de
origem alemã escreveu a um colega dizendo que o que
produzira o habilitaria a ser “internado em um hospício”.
Mais tarde, referiu-se ao arcabouço teórico que havia
construído como um “castelo alto no ar”.
(...)
Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de
1917), impressiona o fato de Einstein ter achado tempo
para escrever uma pequena joia, “Teoria da Rela�vidade
Especial e Geral”, na qual populariza suas duas teorias,
incluindo a de 1905 (especial), na qual mostrara que, em
certas condições, o espaço pode encurtar, e o tempo,
dilatar.
Tamanho esforço intelectual e total entrega ao
raciocínio cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com
problemas no �gado, icterícia e úlcera. Seguiu debilitado
até o final daquela década.
Se deslocados de sua época, Einstein e sua
cosmologia podem ser facilmente vistos como um ponto
fora da reta. Porém, a historiadora da ciência britânica
Patricia Fara lembra que aqueles eram tempos de
“cosmologias”, de visões globais sobre temas cien�ficos.
Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos con�nentes,
do geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930),
marcada por uma visão cosmológica da Terra.
Fara dá a entender que várias áreas da ciência,
naquele início de século, passaram a olhar seus objetos
de pesquisa por meio de um prisma mais amplo,
buscando dados e hipóteses em outros campos do
conhecimento.
(Folha de S.Paulo, 01.01.2017. Adaptado.)
 
Em “Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu
mesmo percorri, árdua e sinuosa.” (1º parágrafo), o
termo destacado exerce a mesma função sintá�ca do
trecho destacado em:
11@professorferretto @prof_ferretto
a) “[...] o derradeiro traço alimentaria debates e traria
arrependimento a Einstein nas décadas seguintes.” (4º
parágrafo)
b) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos
con�nentes [...].” (10º parágrafo)
c) “[...] o cien�sta construiu (de modo muito visual) seu
castelo usando as ferramentas que ele havia forjado
pouco antes [...].” (5º parágrafo)
d) “Seguiu debilitado até o final daquela década.” (9º
parágrafo)
e) “Se deslocados de sua época, Einstein e sua
cosmologia podem ser facilmente vistos como um
ponto fora da reta.” (10º parágrafo)
GR0573 - (Eear)
Coloque C (certo) ou E (errado) para a função do
pronome destacado nas frases e, a seguir, assinale
alterna�va com a sequência correta.
 
(__) O ar�sta olhou-se ao espelho antes do início da
apresentação. (sujeito)
(__) Perguntava-se o pai se aquela cena seria um sonho.
(objeto indireto)
(__) Vão-se os anéis, ficam os dedos. (palavra exple�va)
(__) Ouve-se de longe o toque do tambor indígena.
(símbolo de indeterminação do sujeito)
a) E, C, C, E.
b) C, E, E, C.
c) E, C, E, C.
d) C, E, C, E.
GR0562 - (Esc. Naval)
Felicidade suprema
Às vezes vale a pena pensar sobre a vida.(1) Não
sobre o que temos ou não consumido,(31) tampouco a
respeito(36) do que fizemos ou deixamos de fazer. São
aspectos factuais que, mais do que ajudar(34) em uma
reflexão mais profunda,(15) tornam-se barreiras(18) ao
pensamento abstrato,(25) aquele em que vamos
encontrar as verdadeiras significações.(22) Chegamos
quase à ideia de Platão,(28) mas aí já o terreno é
extremamente perigoso e podemos nos enredar.(24)
Tentar entender o que é a felicidade talvez seja um
dos caminhos para se chegar ao sen�do da vida.(4) É um
assunto para o qual não há dona de álbum(27) de
pensamentos(37) que não tenha uma resposta pronta:
(23) a felicidade não existe. Existem momentos felizes.
(39) Essa é uma verdade chocantemente inofensiva,(10)
pois não chega a pensar o que seja a felicidade como
também não esclarece o que são tais momentos felizes.
Pois bem, o assunto me ocorre ao me lembrar(11)
de que vivemos em uma sociedade(19) excessivamente
consumista,(3) sociedade em que a maioria considera-se
feliz se pode comprar.(37)Assim é o capitalismo:
entranha-se em nossa consciência essa aparência de
verdade fazendo parecer que os interesses de alguns
sejam verdades inques�onáveis.(8) O que é bom para
mim tem de ser(29) bom para todos.(17) Isso tem o
nome de ideologia,(38) palavra tão surrada quão pouco
entendida. E haja propaganda para que a máquina
con�nue girando.(9) Não sou contra o consumo, declaro
desde já, mas contra o consumismo. Elevar o consumo de
bens materiais(21) (principalmente) como o bem
supremo(16) de um ser humano é �rar-lhe toda a
humanidade.(5)
[...]
Schopenhauer, filósofo do século XIX,(30) já
vislumbrava(40) nossa época,(12) a sociedade do
consumismo desenfreado.(35) Ele afirmava que o desejo
é a regência do mundo.(2) E que desejamos o que não
temos.(20) Portanto, somos infelizes. E se o desejo é
sa�sfeito com a obtenção de seu objeto,(32) novos
objetos surgem em seu caminho.(50) Esta insaciabilidade
do ser humano(33) é que o vai manter preso à
infelicidade.(6)
Bem, e a que chegamos? Enquanto alguém que
circule melhor do que eu pela filosofia,(13) que mal
tangencio como curioso,(14) vou con�nuar pensando que
a vida não tem sen�do, apenas existência. E isso, um
pouco à maneira do Alberto Caeiro,(7) para quem pensar
é estar doente.
BRAFF, Menalton. Felicidade suprema. 2012. Disponível
em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 22 fev. 2012
(adaptado).
 
Dentre as frases apresentadas abaixo, re�radas do texto
I, assinale a opção na qual a palavra QUE remete a um
antecedente.
a) “Ele afirmava que o desejo é a regência do mundo."
(2)
b) “Esta insaciabilidade do ser humano é que o vai
manter preso à infelicidade.” (6)
c) “[...] mais do que ajudar em uma reflexão mais
profunda, tornam-se barreiras[...].” (18)
d) “[...] o assunto me ocorre ao me lembrar de que
vivemos em uma sociedade[...].” (19)
e) “[...] desejamos o que não temos.” (20)
GR0633 - (Uema)
O (não) lugar do “pardo”
Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil
passava pelo dilema que todas as nações modernas
enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam):
12@professorferretto @prof_ferretto
como criar uma iden�dade nacional que jus�fique e
mantenha o Estado?
Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo,
inventar uma história que servisse aos interesses da elite
dominante e homogeneizasse a população brasileira.
Ora, essa população era formada, principalmente, por
pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e
uma parcela de gente branca. No centro da discussão
estava: quem seria o cidadão brasileiro.
Houve quem defendesse a educação para o trabalho:
ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela
escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve
aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era
tão grande que não adiantava educar nem nada, era
melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus
debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das
teorias racialistas que estavam em voga na Europa e
sendo amplamente u�lizadas para jus�ficar a colonização
na África depois de séculos e séculos de saque humano.
[...]
Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O
pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro.
Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os
negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não
chegou no estágio sublime de branquitude que garante o
direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova
viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer
tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre,
morre de medo dos pretos fazerem daqui o Hai�.
Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não
é nega�vo, ele é norma�zador. Ou seja, estabelece
normas de conduta, esté�cas, discursivas, e beneficia
aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da
branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja
usando intervenções esté�cas ou compar�lhando o
discurso polí�co e social, mais “tolerável” você vai ser.
Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o
branqueamento esté�co é mais alcançável para nós. Mas
nada disso garante que você vai passar de boa em uma
sociedade racialmente hierarquizada, o
embranquecimento é, sobretudo, uma mu�lação. E pra
quem ainda tem dúvidas, mu�lação é sempre ruim ok?
Não tem gradação de violência e mu�lação. [...]
h�ps://medium.com/@isabelapsena/o-n.
 
Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja
relação morfossintá�ca difere das demais é
a) [...] Notem que eu ouso criar [...] ( §2º).
b) [...] criar uma iden�dade nacional que jus�fique [...]
(§1º).
c) [...] uma história que servisse aos interesses da elite
[...] ( §2º).
d) [...] aqueles que achavam que a inferioridade dos
pretos [...] (§3º).
e) [...] das teorias racialistas que estavam em voga na
Europa [...] (§3º).
GR0670 - (Eam)
Um caminho tortuoso
Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas, não é à
toa que a maioria das pessoas acha que o conhecimento
cien�fico cresce linearmente, sempre se acumulando. No
entanto, uma rápida olhada na história da ciência
permite ver que não é bem assim: o caminho que leva ao
conhecimento é tortuoso e, às vezes, vai até para trás,
quando uma ideia errada persiste por mais tempo do que
deveria.
Isso pode ocorrer por razões como censura polí�ca
[...] ou por ideologias na classe cien�fica, promulgadas
por membros influentes.
Apresentar a ciência nas escolas e universidades ou
nos meios informais de comunicação como um
triunfalismo infalível da civilização esconde um de seus
lados mais interessantes: o drama da descoberta, as
incertezas da cria�vidade.
Cien�stas tendem a reagir nega�vamente às ideias
que ameaçam o que eles pensam ser a verdade. Por um
lado, esse ce�cismo é essencial, dado que a maioria das
ideias novas está errada.
Por outro, ele pode revelar um conservadorismo que
atravanca o avanço do conhecimento. Um bom exemplo
disso é o experimento de Albert Michelson e Edward
Morley, realizado em 1887 para detectar o movimento da
Terra através do éter, o meio material cuja função era
servir de suporte para a propagação das ondas de luz.
Tal qual as ondas de som se propagam no ar,
supunha-se que as ondas luminosas também
necessitassem de um meio para se propagar, o éter. O
experimento mediria as diferenças na velocidade da luz
quando um raio luminoso ia contra o éter ou a favor,
como quando andamos de bicicleta e sen�mos um
"vento" contra nosso corpo. (Uma bola jogada contra ou
a favor do "vento" terá velocidades diferentes.)
Para total e completa surpresa da comunidade
cien�fica, o experimento não detectou diferenças na
velocidade da luz em qualquer direção.
Em meio à perplexidade generalizada, várias
tenta�vas de explicar o achado foram propostas,
inclusive uma por George Fitzgerald e Hendrik Lorentz
que sugeria que as hastes do aparato podiam encolher na
13@professorferretto @prof_ferretto
direção do movimento. Esse encolhimento de fato existe,
mas não como proposto pelos dois.
Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava
acontecendo, com sua teoria da rela�vidade especial: o
éter não existe – a velocidade da luz é sempre a mesma,
uma constante da natureza.
Observações recentes andam ques�onando a
existência de um outro meio material ainda não
detectado, a matéria escura. Essa matéria, supostamente
feita de par�culas diferentes das que compõem o que
conhecemos no Universo (ou seja, coisas feitas de
elétrons, prótons e nêutrons), deve ser seis vezes mais
abundante que a matéria comum e se aglomerar em
torno de galáxias, inclusive a nossa.
As observações não detectaram a quan�dade
esperada de matéria escura. E agora? A coisa é
complicada porque existem outros métodos de detecção
da matéria escura que parecem bastante claros.
Qualquer que seja a resolução do impasse atual, estou
certo de que algo de novo e surpreendente está para
acontecer. Será interessante ver a reação da comunidade
ao se deparar com o inesperado.
GLEISER, Marcelo. Um caminho tortuoso. Folha de São
Paulo, 29 de abril de 2012. Com adaptações.
 
Assinale a opção na qual o termo sublinhado NÃO é um
pronome rela�vo.
a) “[...] a maioriadas pessoas acha que o conhecimento
cien�fico cresce linearmente [...]” (1º parágrafo).
b) “Por outro, ele pode revelar um conservadorismo que
atravanca o avanço do conhecimento.” (4º parágrafo).
c) “Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava
acontecendo, com sua teoria da rela�vidade especial.”
(8º parágrafo).
d) “A coisa é complicada porque existem outros métodos
de detecção da matéria escura que parecem bastante
claros.” (10º parágrafo).
e) “Essa matéria, supostamente feita de par�culas
diferentes das que compõem o que conhecemos no
Universo [...]” (9º parágrafo).
GR0671 - (Fcmscsp)
Leia o início do conto “Troca de datas”, de Machado
de Assis.
I
— Deixa-te de partes, Eusébio; vamos embora; isto
não é bonito. Cirila...
— Já lhe disse o que tenho de dizer, �o João,
respondeu Eusébio. Não estou disposto a tornar à vida de
outro tempo.
Deixem-me cá no meu canto. Cirila que fique...
— Mas, enfim, ela não te fez nada.
— Nem eu digo isso. Não me fez coisa nenhuma;
mas... para que repe�-lo? Não posso aturá-la.
— Virgem San�ssima! Uma moça tão sossegada! Você
não pode aturar uma moça, que é até boa demais?
— Pois, sim; eu é que sou mau; mas deixem-me.
Dizendo isto, Eusébio caminhou para a janela, e ficou
olhando para fora. Dentro, o �o João, sentado, fazia
circular o chapéu de Chile no joelho, fitando o chão com
um ar aborrecido e irritado. Tinha vindo na véspera, e
parece que com a certeza de voltar à fazenda levando o
prófugo Eusébio. Nada tentou durante a noite, nem antes
do almoço. Almoçaram; preparou-se para dar uma volta
na cidade, e, antes de sair, meteu ombros ao negócio. Vã
tenta�va! Eusébio disse que não, e repe�u que não, à
tarde, e no dia seguinte. O �o João chegou a ameaçá-lo
com a presença de Cirila; mas a ameaça não sur�u
melhor efeito, porque Eusébio declarou posi�vamente
que, se tal sucedesse, então é que ele faria coisa pior.
Não disse o que era, nem era fácil achar coisa pior do que
o abandono da mulher, a não ser o suicídio ou o
assassinato; mas vamos ver que nenhuma destas
hipóteses era sequer imaginável. Não obstante, o �o João
teve medo do pior, pela energia do sobrinho, e resignou-
se a tornar à fazenda sem ele.
De noite, falaram mansamente da fazenda e de outros
negócios de Piraí; falaram também da guerra, e da
batalha de Curuzu, em que Eusébio entrara, e donde
saíra sem ferimento, adoecendo dias depois. De manhã,
despediram-se;
Eusébio deu muitas lembranças para a mulher,
mandou-lhe mesmo alguns presentes, trazidos de
propósito de Buenos Aires, e não se falou mais na volta.
— Agora, até quando?
— Não sei; pretendo embarcar daqui a um mês ou
três semanas, e depois, não sei; só quando a guerra
acabar.
 
II
Há uma porção de coisas que estão patentes ou se
deduzem do capítulo anterior. Eusébio abandonou a
mulher, foi para a guerra do Paraguai, veio ao Rio de
Janeiro, nos fins de 1866, doente, com licença. Volta para
a campanha. Não odeia a mulher, tanto que lhe manda
lembranças e presentes. O que se não pode deduzir tão
claramente é que Eusébio é capitão de voluntários; é
capitão, tendo ido tenente; portanto, subiu de posto, e,
na conversa com o �o, prometeu voltar coronel.
(Contos: uma antologia, 1998.)
 
Expressão exple�va é aquela que, embora seja
desnecessária ao sen�do da frase, é empregada como
realce ou ênfase.
 
Verifica-se uma expressão exple�va no seguinte trecho:
14@professorferretto @prof_ferretto
a) “Nem eu digo isso” (4º parágrafo).
b) “eu é que sou mau” (6º parágrafo).
c) “ela não te fez nada” (3º parágrafo).
d) “a ameaça não sur�u melhor efeito” (7º parágrafo).
e) “Não disse o que era” (7º parágrafo).
GR0673 - (Espm)
Dos pronomes rela�vos em destaque nos segmentos
abaixo, assinale aquele que exerça função sintá�ca de
objeto direto:
a) “A promulgação da Lei do Ventre Livre, em 1871,
definia que os bebês que as mulheres escravizadas
parissem a par�r daquela data estariam livres.”
b) “O tema tem adquirido muita relevância nos círculos
feministas no Brasil, onde mulheres têm desenvolvido
suas ações.”
c) “...especialmente em nosso país, marcadamente
caracterizado por inúmeras desigualdades sociais e
pela ausência de polí�cas públicas que garantam
acesso a serviços de saúde, educação, saneamento
básico, segurança, entre outros.”
d) “...Ins�tuto da Mulher Negra, cuja organização é
pioneira na luta e defesa dos direitos das mulheres
negras, entre outros.”
e) “...procura racializar as discussões, ao trazer para o
debate assuntos que foram ignorados pelos
feminismos brancos.”
GR0677 - (Espm)
Segundo Celso Cunha, a par�cula exple�va ou de realce
não possui função sintá�ca, serve para dar destaque ou
ênfase e pode ser re�rada da frase, sem prejuízo algum
para o sen�do. Em todas as passagens abaixo, está
presente essa par�cula, exceto em uma. Assinale-a:
a) O que não vão pensar quando souberem que o filho
do ministro defendia os traficantes?
b) Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou
a transação meio apalavrada.
c) Sinha Terta é que �nha uma ponta de língua terrível.
d) Mas, homem de Deus, que diabo! pense um pouco!
Você ali não pode construir nada!
e) Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei.
GR0687 - (Unifenas)
Prisão, confisco de terra, perda de crédito: Veja punições
a quem escraviza.
Trabalhadores resgatados na produção do vinho em
Bento Gonçalves aguardando volta para casa. Imagem:
Inspeção do Trabalho
Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
03/03/2023 16h20
1 Por conta do resgate de 207 trabalhadores na
produção do vinho de empresas como Aurora, Garibaldi e
Salton, em Bento Gonçalves (RS), voltou à tona a questão
da punição para quem comete esse crime. O Brasil já
conta com uma legislação ampla a respeito. Mais do que
aprovar novas ações, a grande questão é regulamentar as
existentes, recompor a fiscalização e usar o que já existe.
(...)
4 Muitos empregadores flagrados por esse crime
acabam condenados em primeira instância, mas salvos
pelo gongo, ou seja, pela prescrição. Porém, ao condenar
o Brasil por omissão em um caso de trabalho escravo, em
2016, a Corte Interamericana de Direitos Humanos
afirmou que o crime não prescreve. Tribunais começam a
se embasar nessa decisão.
5 Soma-se a isso o crime de tráfico de pessoas (ar�go
149-A), que prevê de quatro a oito anos de cadeia.
Indenizações trabalhistas
6 O Ministério Público do Trabalho tem conseguido,
através de ações civis públicas e termos de ajustamento
de conduta, o pagamento de danos morais por parte dos
empregadores – além da obrigação de fazer e deixar de
fazer. O maior valor até hoje foram os R$ 30 milhões
fruto de um acordo com a Odebrecht por escravizar
trabalhadores brasileiros em Angola.
(...)
Leis estaduais e municipais
14 O Estado de São Paulo conta com uma lei,
aprovada em 2013, e já regulamentada, que prevê o
banimento por dez anos de empresas condenadas por
trabalho escravo. O projeto inspirou outras leis
semelhantes, como a que está vigente no Maranhão.
(...)
18 Do ponto de vista jurídico, essa é a nomenclatura
para definir tal forma de exploração. Mas é o mesmo que
trabalho escravo, trabalho escravo contemporâneo,
escravidão, escravidão contemporânea ou formas
contemporâneas de escravidão. Tais nomenclaturas são
usadas, inclusive, em tratados internacionais assinados
pelo Brasil.
h�ps://no�cias.uol.com.br/colunas/leonardo-
sakamoto/2023/03/03/prisao-confisco-perda-de-credito-
15@professorferretto @prof_ferretto
veja-punicaoprevista-a-quem-escraviza.htm?
cmpid=copiaecola
 
A palavra QUE pode pertencer a mais de uma classe de
palavras. Sabendo disso, analise as sentenças.
 
I. “(...) a grande questão é regulamentar as existentes,
recompor a fiscalização e usar o QUE já existe.
II. “(...) em 2016, a Corte Interamericana de Direitos
Humanos afirmou QUE o crime não prescreve.”
III. “Soma-se a isso o crime de tráfico de pessoas (ar�go
149-A), QUE prevê de quatro a oito anos de cadeia.”
IV. “O projeto inspirou outras leis semelhantes, como a
QUE está vigente no Maranhão.”
 
É correto afirmar que, em:
a) I e II, o “QUE” pertence à mesmaclasse grama�cal:
conjunção.
b) II, o “QUE” é um pronome rela�vo e retoma o verbo
“afirmou”.
c) III, o “QUE” tem função anafórica, pois está depois de
uma vírgula.
d) III e IV, o “QUE” pertence à mesma classe grama�cal:
pronome rela�vo.
e) IV, o “QUE” tem uma função catafórica, pois retoma o
substan�vo “leis”.
GR0788 - (Esa)
Os dois vocábulos em destaque nos enunciados a
seguir possuem função morfológica e sintá�ca idên�cas.
Assinale a alterna�va que apresenta corretamente essas
funções. “Há pai que nunca viu o próprio filho.
Marido que nunca viu a própria mulher.”
a) Pronome rela�vo; objeto direto.
b) Conjunção subordina�va integrante; objeto direto.
c) Pronome rela�vo; sujeito.
d) Conjunção coordena�va explica�va; adjunto
adnominal.
e) Preposição; sujeito.
16@professorferretto @prof_ferretto

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