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A INVESTIGAÇÃO PARTICIPATIVA EM EJA 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um 
grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação 
e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer 
serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, 
aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. 
Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que 
constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do 
ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma 
confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das 
instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
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Sumário 
A INVESTIGAÇÃO PARTICIPATIVA EM EJA .......................................................... 0 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................................... 1 
1. O PÚBLICO DOS PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
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1.1 -O Contexto Social ........................................................................................ 5 
1.2 -A Dimensão Econômica .............................................................................. 5 
1.3 -A Dimensão Política .................................................................................... 7 
1.4 -A Dimensão Cultural .................................................................................... 8 
1.5 -Diversidade Cultural E Cultura Letrada ....................................................... 9 
2. OS JOVENS E ADULTOS E A ESCOLA ............................................................ 10 
2.1- Expectativas ................................................................................................. 10 
2.2- Conquistas Cognitivas .................................................................................. 12 
3. A ESCOLA COMO ESPAÇO DE INSERÇÃO SOCIAL ....................................... 14 
4. APRENDIZAGEM DE ATITUDES E VALORES .................................................. 18 
5. O EDUCADOR DE JOVENS E ADULTOS ......................................................... 19 
6. OS CONHECIMENTOS JÁ ADQUIRIDOS ......................................................... 21 
7. A MARCA DO TRABALHO ................................................................................. 24 
8. O PLANEJAMENTO ............................................................................................ 27 
9. HISTÓRIA DO PLANEJAMENTO ....................................................................... 28 
11. PLANEJAMENTO - O QUE DIZ ESTA PALAVRA? .......................................... 29 
12. PLANEJAMENTO CURRICULAR ..................................................................... 31 
13. PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO OU PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO . 31 
14. O PLANEJAMENTO DO (A) PROFESSOR (A) ................................................ 33 
14.1 Como planejar ............................................................................................. 33 
14.2 Para que ensinar? ....................................................................................... 34 
14.3-O que ensinar? ............................................................................................ 35 
14.4-Como ensinar? ............................................................................................ 37 
15. REFERÊNCIAS: ................................................................................................ 40 
file://///192.168.0.2/v/Pedagogico/EDUCAÇÃO/LUDOPEDAGOGIA%20E%20EJA/A%20INVESTIGAÇÃO%20PARTICIPATIVA%20NO%20EJA/A%20INVESTIGAÇÃO%20PARTICIPATIVA%20NO%20EJA.docx%23_Toc153534518
 
 
 
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1. O PÚBLICO DOS PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E 
ADULTOS 
 
 
Figura: 1 
No Brasil, há mais de 35 milhões de pessoas maiores de catorze anos que não 
completaram quatro anos de escolaridade. Esse grande contingente constitui o público 
potencial dos programas de educação de jovens e adultos correspondentes ao primeiro 
segmento do ensino fundamental. 
Além dos 20 milhões identificados como analfabetos pelo Censo de 1991, estão 
incluídas nesse contingente pessoas que dominam tão precariamente a leitura e a escrita 
 
 
 
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que ficam impedidas de utilizar eficazmente essas habilidades para continuar aprendendo, 
para acessar informações essenciais a uma inserção eficiente e autônoma em muitas das 
dimensões que caracterizam as sociedades contemporâneas. 
Em países como o Brasil, marcados por graves desníveis sociais, pela situação de 
pobreza de uma grande parcela da população e por uma tradição política pouco 
democrática, baixos níveis de escolarização estão fortemente associados a outras formas 
de exclusão econômica e política. Famílias que vivem em situação econômica precária 
enfrentam grandes dificuldades em manter as crianças na escola; seus esforços nesse 
sentido são também mal recompensados, já que as escolas a que têm acesso são pobres 
de recursos e normalmente não oferecem condições de aprendizagem adequadas. 
No público que efetivamente frequenta os programas de educação de jovens e 
adultos, é cada vez mais reduzido o número daqueles que não tiveram nenhuma passagem 
anterior pela escola. 
É também cada vez mais dominante a presença de adolescentes e jovens recém-
saídos do ensino regular, por onde tiveram passagens acidentadas. Em levantamento 
realizado no programa de educação básica de jovens e adultos do município de São Paulo, 
em 1992, apurou-se que 26% do alunado tinha até dezoito anos de idade e 36% tinha entre 
dezenove e 26. 
Na cidade do Recife, apurou-se que, dos alunos de programas para jovens e adultos 
das redes municipal e estadual, 48% tinha de treze a dezoito anos de idade e 26%, de 
dezoito a 24 anos. A presença dos adolescentes tem sido tão marcante que se começa a 
pensar em programas ou turmas especialmente destinadas a essa faixa etária. 
A quase totalidade dos alunos desses programas, incluídos os adolescentes, são 
trabalhadores. Com sacrifício, acumulando responsabilidades profissionais e domésticas 
ou reduzindo seu pouco tempo de lazer, dispõe-se a frequentar cursos noturnos, na 
expectativa de melhorar suas condições de vida. 
A maioria nutre a esperança de continuar os estudos: concluir o 1º grau, ter acesso 
a outros graus de ensino e a habilitações profissionais. 
 
 
 
 
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1.1 -O Contexto Social 
 
As exigências educativas da sociedade contemporânea são crescentes e estão 
relacionadas a diferentes dimensões da vida das pessoas: ao trabalho, à participação social 
e política, à vida familiar e comunitária, às oportunidades de lazer e desenvolvimento 
cultural. 
 
1.2 -A Dimensão Econômica 
 
O mundo contemporâneo passa atualmente por uma revolução tecnológica que está 
alterando profundamente as formas do trabalho. Estão sendo desenvolvidas novas 
tecnologias e novas formas de organizar a produção que e levam bastante à produtividade, 
e delas depende a inserção competitiva da produção nacional numa economia cada vez 
mais mundializada. 
 
Figura: 2 
 
 
 
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Essas novas tecnologiase sistemas organizacionais exigem trabalhadores mais 
versáteis, capazes de compreender o processo de trabalho como um todo, dotados de 
autonomia e iniciativa para resolver problemas em equipe. Será cada vez mais necessária 
a capacidade de se comunicar e de se reciclar continuamente, de buscar e relacionar 
informações diversas. 
O outro lado da moeda do avanço tecnológico é a diminuição dos postos de trabalho, 
que torna a disputa pelo emprego mais acirrada. Níveis de formação mais elevados 
passam a ser exigidos na disputa pelos empregos disponíveis. A um grande número de 
pessoas, impõe-se a necessidade de buscar formas alternativas de se inserir na economia, 
por meio do auto emprego, organização de microempresas ou atuação no mercado 
informal. A invenção dessas formas alternativas também exige autonomia, capacidade de 
iniciativa, de comunicação e reciclagem constante. 
Portanto, podemos dizer que, de forma geral, uma inserção vantajosa no mercado 
de trabalho exige hoje uma melhor formação geral e não apenas treinamento em técnicas 
específicas. 
No Brasil, alguns setores de ponta da indústria e dos serviços já assimilaram esses 
avanços tecnológicos. Entretanto, sabemos que essas inovações convivem com a 
manutenção de formas de trabalho tradicionais, que utilizam tecnologias arcaicas e onde a 
maioria exerce funções que exigem pouca qualificação. 
Nas zonas urbanas, alunos de programas de educação de jovens e adultos 
normalmente são empregados com baixa qualificação no setor industrial, comercial e de 
serviços, e uma grande parte atua no mercado informal. 
Nas zonas rurais, são pequenos produtores ou empregados de empresas agrícolas. 
Nessas funções, eles têm poucas oportunidades de utilizar-se da leitura e escrita e 
escassas oportunidades de aperfeiçoamento, acabando por limitar-se a conhecimentos 
específicos do ofício, em muitos casos transmitidos oralmente por familiares ou 
companheiros mais experientes. 
No aspecto econômico, o Brasil tem de enfrentar ainda uma somatória de problemas 
antigos e modernos: produzir mais para suprir as carências materiais de grandes parcelas 
 
 
 
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da população, distribuir a riqueza mais equitativamente e cuidar para que uma exploração 
predatória não esgote os recursos naturais de que dispomos. 
Parece haver um razoável consenso de que para se atingir essas metas é preciso 
elevar o nível de educação de toda a população. 
Reforçando argumentos nesse sentido, tem sido muito apontado o exemplo de 
países asiáticos que conseguiram um importante desenvolvimento econômico baseado 
num investimento maciço em educação. Trabalhadores com uma formação mais ampla, 
com mais iniciativa e mais capacidade de resolver problemas e aprender continuamente 
têm mais condições de trabalhar com eficiência e negociar sua participação na distribuição 
das riquezas produzidas. 
 
1.3 -A Dimensão Política 
 
Neste ponto nos remetemos às exigências educativas que a sociedade nos impõe 
no âmbito político. A possibilidade de os diversos setores da sociedade negociarem 
coletivamente seus interesses está na essência da ideia de democracia. Na história da 
civilização moderna, o ideal de democracia sempre contemplou o ideal de uma educação 
escolar básica universalizada. 
Através dela, pretende-se consolidar a identidade de uma nação e criar a 
possibilidade de que todos participem como cidadãos na definição de seus destinos. Para 
participar politicamente de uma sociedade complexa como a nossa, uma pessoa precisa 
ter acesso a um conjunto de informações e pensar uma série de problemas que extrapolam 
suas vivências imediatas e exigem o domínio de instrumentos da cultura letrada. 
Um regime político democrático exige ainda que as pessoas assumam valores e 
atitudes democráticas: a consciência de direitos e deveres, a disposição para a 
participação, para o debate de ideias e o reconhecimento de posições diferentes das suas. 
Na última década, o Brasil vem reconstruindo as instituições democráticas e nesse 
processo a educação tem um papel a cumprir com relação à consolidação da democracia 
 
 
 
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em nosso país. Um grande número de pessoas ainda não tem acesso a informações 
necessárias para fazer sua opção política de forma mais consciente. 
Além disso, os longos anos de autoritarismo que marcaram a nossa história desafiam 
a educação a desenvolver atitudes e valores democráticos. É preciso ter em mente que a 
democracia não se esgota na eleição de representantes para os poderes Executivo e 
Legislativo, ela deve implicar também a possibilidade de maior participação e 
responsabilidade em todas as dimensões da vida pública. 
 
1.4 -A Dimensão Cultural 
 
Assim, chegamos às exigências educacionais que a própria vida cotidiana impõe 
crescentemente. Para se ter acesso a muitos dos benefícios da sociedade moderna, é 
preciso ter domínio dos instrumentos da cultura letrada: para se locomover nas grandes 
cidades ou de uma localidade para outra, para tirar os documentos ou para cumprir 
um sem número de procedimentos burocráticos, para mover -se no mercado de 
consumo e , finalmente, para poder usufruir de muitas modalidades de lazer e cultura. 
Até no âmbito do convívio familiar, surgem cada vez mais exigências educacionais. 
Para educar crianças expostas aos meios de comunicação, num mundo com tão rápidas 
transformações, os pais precisam constantemente se atualizar, precisam ter condições para 
apoiar os filhos em seu percurso escolar, cuidar de sua saúde etc. Até para planejar a 
família, para que se possa ter quantos filhos se deseje e se possa criá-los é preciso ter 
acesso à informação, referenciar-se a valores e assumir atitudes para as quais a educação 
pode contribuir. 
Vemos assim que promover a educação fundamental de jovens e para educar 
crianças expostas aos meios de comunicação, num mundo com tão rápidas 
transformações, os pais precisam constantemente se atualizar adultos que não tiveram a 
oportunidade de cumpri-la na infância é importante para responder aos imperativos do 
presente e também para garantir melhores condições educativas para as próximas 
gerações. Melhorar o nível educacional de um país é um desafio grande e complexo, que 
exige esforços em todos os níveis. 
 
 
 
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1.5 -Diversidade Cultural E Cultura Letrada 
 
No item anterior, caracterizamos o público dos programas de educação de jovens e 
adultos como um grupo homogêneo do ponto de vista socioeconômico. Do ponto de vista 
sociocultural, entretanto, eles formam um grupo bastante heterogêneo. 
Chegam à escola já com uma grande bagagem de conhecimentos adquiridos ao 
longo de histórias de vida as mais diversas. São donas de casa, balconistas, operários, 
serventes da construção civil, agricultores, imigrantes de diferentes regiões do país, mais 
jovens ou mais velhos, homens ou mulheres, professando diferentes religiões. 
 
Figura: 3 
Trazem, enfim, conhecimentos, crenças e valores já constituídos. É a partir do 
reconhecimento do valor de suas experiências de vida e visões de mundo que todos os 
jovens e adultos pode se apropriar das aprendizagens escolares de modo crítico e 
original, sempre da perspectiva de ampliar sua compreensão, seus meios de ação 
e interação no mundo. 
Os jovens e adultos já possuem alguns conhecimentos sobre o mundo letrado, que 
adquiriram em breves passagens pela escola ou na realização de atividades cotidianas. 
 
 
 
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É inegável, entretanto, que a participação dessas pessoas nessas atividades é muito 
precária, limitada e dependente. 
Por exemplo, um recém-chegado na cidade grande pode demorar muito tempo para 
sair do bairro onde mora e se aventurar, de ônibus, num passeio ao centro da cidade.Para 
ler uma carta que chegou do interior, essa mesma pessoa dependerá da boa vontade d os 
outros. As informações que recebe p elo rádio e pela televisão podem ser assimilada de 
forma incompleta e fragmentada. 
Por exemplo, a pessoa pode saber que o jogo do Brasil na Copa do Mundo será 
transmitido por satélite, mas terá uma noção muito vaga do que é um satélite. 
Pode votar nas eleições para a Câmara Federal sem saber o que compete a um 
deputado federal. Além disso, se as pessoas pouco letradas podem criar estratégias 
alternativas para resolver problemas práticos simples, tais como saber o destino de um 
ônibus ou preencher um formulário, elas se encontram radicalmente excluídas da 
possibilidade que nossa cultura oferece de estudar uma ciência ou ler literatura, de ser 
médico ou operário especializado. 
Vemos, portanto, que, apesar de as pessoas pouco letradas possuírem muitos 
conhecimentos válidos e úteis, elas estão excluídas de outras muitas possibilidades que a 
nossa cultura oferece. Muitas vezes elas interpretam essa desvantagem como 
incapacidade, a ponto de não reconhecerem como tal aquilo que sabem ser conhecimento 
útil e válido. A exclusão do conhecimento que se adquire na escola marca essas pessoas 
profundamente pela imagem que fazem de si e pelo estigma que a sociedade lhes impõe. 
É por isso que muitas delas, mesmo tendo outras responsabilidades no trabalho e 
em casa, decidem estudar. 
 
 2. OS JOVENS E ADULTOS E A ESCOLA 
 
2.1- Expectativas 
 
 
 
 
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Com base na experiência ou em pesquisas sobre o tema, sabemos que os motivos 
que levam os jovens e adultos à escola referem-se predominantemente às suas 
expectativas de conseguir um emprego melhor. Mas suas motivações não se limitam a 
este aspecto. Muitos se referem também à vontade mais ampla de “entender melhor as 
coisas”, “se expressar melhor”, de “ser gente”, de “não de pender sempre dos outros”. 
Especialmente as mulheres, referem-se muitas vezes também ao desejo de ajudar os filhos 
com os deveres escolares ou, simplesmente, de lhes dar um bom exemplo. 
Todos os adultos, quando se integram a programas de educação básica, têm uma 
ideia do que seja a escola, muitas vezes construída baseada na escola que eles 
frequentaram brevemente quando crianças. Quase sempre, apesar de se referirem à 
precariedade dessas escolas, lembram-se delas com carinho e sentem com pesar o fato 
de terem tido de abandoná-la ou de nunca terem tido chance de frequentá-la. 
É provável que esperem encontrar um modelo bem tradicional de escola, com 
recitação em coro do alfabeto, pontos copiados do quadro negro, disciplina rígida, 
correspondendo a um modelo que conheceram anteriormente. 
Com relação aos educandos com essas expectativas, o papel do educador é ampliar 
seus interesses, mostrando que uma verdadeira aprendizagem depende de muito mais que 
atenção às exposições do professor e atividades mecânicas de memorização. 
 
Figura: 4 
 
 
 
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Com relação aos adolescentes, essa situação tende a ser diferente. 
Especialmente nos centros urbanos, eles estão normalmente retornando depois de 
um período recente de sucessivos fracassos na escola regular. Têm, portanto, uma relação 
mais conflituosa com as rotinas escolares. Com relação a eles, o grande desafio é a 
reconstrução de um vínculo positivo com a escola e, para tanto, o educador deverá 
considerar em seu projeto pedagógico as expectativas, gostos e modos de ser 
característicos dos jovens. 
A imagem que os educandos têm da escola tem muito a ver com a imagem que têm 
de si mesmos dentro dela. Experiências passadas de fracasso e exclusão normalmente 
produzem nos jovens e adultos uma autoimagem negativa. Nos mais velhos, essa baixa 
autoestima se traduz em timidez, insegurança, bloqueios. Nos mais jovens, é comum que 
a baixa autoestima se expresse pela indisciplina e autoafirmação negativa (“se não posso 
ser reconhecido por minhas qualidades, serei reconhecido por meus defeitos”). 
Em qualquer dos casos, será fundamental que o educador ajude os educandos a 
reconstruir sua imagem da escola, das aprendizagens escolares e de si próprios. 
 
2.2- Conquistas Cognitivas 
 
Mas o que, de fato, a educação escolar pode trazer de novo para esses jovens e 
adultos que já são cidadãos e trabalhadores, que já estão integrados de um modo ou de 
outro em nossa sociedade? Podemos enumerar algumas conquistas bem evidentes, como 
o domínio da leitura e da escrita, das operações matemáticas básicas e de alguns 
conhecimentos sobre a natureza e a sociedade que compõem as disciplinas curriculares. 
Mas os produtos possíveis da educação escolar não se resumem a esses mais evidentes. 
Muitos estudiosos e pesquisadores da cognição humana trataram de estudar as diferenças 
cognitivas, ou diferenças nas formas de pensamento, entre pessoas que dominam a escrita 
e que passaram por vários anos de escolarização e pessoas que não o fizeram. 
 
 
 
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Muitos desses estudos concluem que pessoas com mais tempo de escolaridade têm 
mais facilidade para realizar operações mentais a partir de proposições abstratas ou 
hipotéticas, operando com categorias que não são as organizadas pela experiência 
imediata. Esse tipo de operação cognitiva está bastante relacionado com a escrita e com o 
desenvolvimento do pensamento científico. Através da escrita nos chegam informações dos 
séculos passados, de outras partes do mundo ou de mundos imaginados; ela impõe uma 
relação mais distanciada entre os interlocutores. Com base na escrita também se 
desenvolveram as ciências modernas, que organizam os dados da experiência em 
categorias e leis gerais, formulando proposições altamente abstratas. 
Outra característica importantíssima das formas de pensamento letrado e científico 
diz respeito à chamada meta cognição, ou seja, à capacidade de tomar consciência das 
operações mentais, de pensar sobre o pensamento e, assim, poder controlá-lo melhor. A 
meta cognição é a marca distintiva do pensamento científico: diferentemente de uma 
pessoa que resolve problemas práticos do cotidiano ou de um oráculo que adivinha o futuro, 
o cientista tem de demonstrar ou justificar seus postulados e teorias. 
 
Figura: 5 
 
Essa capacidade de pensar sobre o pensamento está relacionada com o domínio da 
escrita de forma mais geral: um texto escrito é uma forma de pensamento plasmado no 
 
 
 
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papel, é como se no papel pudéssemos “ver o pensamento”, retomar quantas vezes 
quisermos seu ponto de partida ou cada um de seus enlaces. É comum as pessoas 
recorrerem à escrita para “organizar as próprias ideias”. A escrita nos ajuda a controlar 
nossa atividade cognitiva quando, por exemplo, fazemos uma lista de compras antes de ir 
ao supermercado e riscamos cada item à medida que os compramos. 
A escrita amplia de forma geral a capacidade de planejamento, quando podemos 
anotar no papel todas as tarefas que temos a cumprir nos próximos meses e conferir 
periodicamente quais ainda não foram cumpridas. 
A vida na sociedade moderna oferece uma série de oportunidades para 
desenvolvermos essas formas de pensamento autoconsciente e que transcendem nosso 
contexto de vivência. Mas a escola é, sem dúvida, um lugar privilegiado para se 
desenvolvê-las e, certamente por isso, as pessoas que a frequentam por muitos anos levam 
vantagens nesse aspecto. 
Isso porque a escola é o privilegiado para se lugar aonde as pessoas vão para 
aprender coisas, tendo a oportunidade de pensar sem estarem premidas pela necessidade 
de resolver problemas reais imediatos. Por exemplo, ao conferir o troco que lhe deu o 
cobrador de um ônibus, a pessoa tem de fazer uma operação rápida, empurrada pelo 
passageiro que vem atrás. Na escola, ela poderá resolver, comcalma, um grande número 
de operações de subtração usando diferentes procedimentos representá-las no papel, 
compreender o porquê do “empresta um”, chegar a uma compreensão ampla sobre o 
funcionamento do sistema de numeração decimal. 
Ela aprenderá na escola um conjunto de conceitos que não têm nenhuma utilidade 
prática imediata, mas que podem ajudar a organizar o sistema de conceitos que compõem 
sua estrutura cognitiva. Na escola, ela exercita a realização de tarefas segundo planos ou 
instruções prévias. Todas essas aprendizagens colaboraram para desenvolver essa 
modalidade cognitiva que definimos como característica do letramento. 
 
3. A ESCOLA COMO ESPAÇO DE INSERÇÃO SOCIAL 
 
 
 
 
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Na década de 1940, quando começaram as primeiras iniciativas governamentais 
para lidar com o analfabetismo entre adultos, entendia-se que o seu fim seria fundamental 
para o crescimento econômico do país. O analfabetismo era visto como um mal social e o 
analfabeto como um sujeito incapaz. 
A década de 1950, por sua vez, viu no adulto analfabeto um eleitor em potencial, 
uma vez que, nessa época, analfabeto não votava. Era a crença na participação de todos 
- como eleitores - para o desenvolvimento do país. 
No começo da década de 1960 a alfabetização juntou-se aos movimentos estudantis 
e sindicais e a questão do analfabetismo passou a ser vista como consequência direta da 
pobreza e de uma política de manutenção de desigualdades. 
Foi nesse contexto que as ideias de Paulo Freire ganharam dimensão nacional. Sua 
proposta inovadora pregava a necessidade de uma alfabetização voltada para a libertação, 
para a conscientização dos homens e mulheres como sujeitos capazes de transformar a 
realidade social. A educação passou a ser entendida com um ato político. 
 
 Paulo Freire, educador pernambucano, nasceu em 1921 e morreu em 1997. 
Durante a ditadura, foi exilado e passou 16 anos fora do Brasil morando no Chile, 
Estados Unidos e Suíça. “Tornou-se conhecido e respeitado, em todo o mundo, por 
suas ideias expostas em livros, como: “Educação como Prática da Liberdade”, 
Pedagogia do Oprimido” e outros mais. Inspirou trabalhos de educação junto aos 
povos pobres de todos os cantos do mundo. No Brasil, suas ideias estão presentes 
principalmente na educação de jovens e adultos. Dedicou toda sua vida ao sonho 
de ajudar a construir uma sociedade justa e democrática e m que homens e 
mulheres não fossem mais vítimas da opressão e da exclusão social. 
 
 
Desde Freire, a educação de jovens e adultos vem caminhando na direção de uma 
educação democrática e libertadora, comprometida com a realidade social, econômica e 
 
 
 
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cultural dos mais pobres. No entanto, ainda temos muito por construir nessa direção. 
Vejamos um exemplo: 
Renata, uma professora em Rio Claro, cidade do interior de São Paulo, é 
alfabetizadora de um grupo de colonos da região de sua cidade. Influenciada pelas ideias 
de Paulo Freire ela, desde o começo dos encontros com seus alunos e alunas, procurou 
conversar com eles sobre o que gostariam de ler e escrever e por que isso era importante 
para eles. Já no primeiro encontro, os alunos contaram que todos os meses precisam ir até 
a cidade para fazer as compras do mês. Iam num determinado supermercado, que enviava 
um ônibus para buscá-los. Lá recebiam panfletos com produtos e preços em ofertas. 
Queixavam-se de não conseguir ler os folhetos para fazer suas listas de acordo com os 
preços mais baixos. A professora foi percebendo que a ida ao supermercado era um a 
geradora de situações ligadas a conhecimentos com o: ler, escrever, contar, comparar 
preços e escolher produtos. Tudo poderia se transformar em bons materiais para o trabalho 
junto aos alunos. Na sala de aula, o grupo passou, então, a identificar os produtos, listar 
seus nomes, comparar palavras em termos de quantidade, variação e semelhança entre 
letras, a escrever novas palavras a partir daquelas. Puderam, ainda, se dedicar ao cálculo 
de preços: produtos mais baratos, mais caros, cálculo total a partir de uma lista dos produtos 
que precisavam comprar, aumentos nos preços ocorridos de um mês para outro etc. 
 
Figura: 6 
Pensando sobre o trabalho da professora Renata e seus alunos podemos observar 
coisas interessantes: 
 
 
 
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Desde o princípio, a professora Renata atuou a partir de um novo paradigma: o de 
que seus alunos lidam com problemas reais e que, a partir deles, a construção de 
conhecimentos sobre a leitura, a escrita, os números e as operações pode acontecer de 
maneira eficaz e significativa. Ela acreditou, desde o início, que era possível estabelecer 
uma aliança entre o mundo real e concreto dos alunos e os conhecimentos formais, 
podemos dizer escolares. 
É bom lembrar que, muitas vezes, o (a) professor (a) chega para as aulas com 
propostas de leitura e escrita prontas e preparadas segundo um modelo clássico: palavras 
simples, muitas vezes desprovidas de sentido e significado, sobre as quais os alunos vão 
se debruçar memorizando suas partes, seus sons, copiando-as, repetindo-as. 
Nos momentos dedicados à Matemática, esse (a) professor (a) geralmente propõe 
que leiam em voz alta e copiem os números em blocos crescentes. Só mais tarde vai 
ensinar a calcular - sempre recorrendo à conta armada, primeiro com quantidades 
pequenas para ficar mais fácil. 
A professora Renata, ao contrário, sabia que o universo de escrita, números e 
cálculos de seus alunos adultos é mais complexo, porque é real, vivo e carregado de sentido 
bastante prático. Sabia, também, que aprendemos a ler lendo, aprendemos a escrever 
escrevendo e que aprimoramos nossa capacidade de cálculo, calculando. Por isso ela criou 
situações onde os alunos eram convidados a ler e a escrever, mesmo não realizando estas 
ações de forma convencional. Além disso, acreditava que seus alunos eram capazes de 
aprender e que quanto mais os conteúdos estivessem vinculados às questões reais, 
maiores seriam as chances de proporcionarem novos conhecimentos. 
Outro aspecto interessante de ser notado na prática dessa professora é o fato de 
olhar para seus alunos como sujeitos sociais e sujeitos do conhecimento, isto é pessoas 
que tomam iniciativa e atuam sobre o que estão conhecendo. Ela os convidou a falar, a 
pensar e expor suas necessidades e a construir, com seu auxílio, caminhos de mudança. 
Juntos foram construindo um corpo de saberes que, para além do conhecimento do 
código ou de alguns recursos de cálculo, mudam a relação destes homens e mulheres com 
a realidade com a qual lidam diariamente: tornam-se mais poderosos capazes de avaliar 
vantagens e desvantagens, de programar/planejar suas compras; tornaram-se mais 
 
 
 
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conscientes e, por isso mesmo, mais donos das situações, com menor chance de serem 
enganados. 
O conceito de conhecimento na escola e nas classes de EJA não deve perder essa 
dimensão de tornar os alunos mais capazes de agir de forma autônoma e independente 
reagindo a imposições que tira deles a escolha do que mais lhes convêm. 
A forma de agir da professora Renata e seus alunos confirmam nossa crença de que 
é possível aprender a ler, escrever e calcular por caminhos os mais diversos. Há que se 
optar por aqueles nos quais os alunos são sujeitos e podem trabalhar para suprir uma 
necessidade real em suas vidas. 
Afinal, os alunos jovens e adultos não voltam para a escola para recuperar um tempo 
perdido e distante, voltam para satisfazer necessidades atuais em suas vidas. 
 
4. APRENDIZAGEM DE ATITUDES E VALORES 
 
 
Figura: 7 
É importante também ter em vista que o valor que a escola pode ter para esses 
jovens e adultos transcende em muito a mera aquisição de conhecimentos ou essasconquistas intelectuais a que nos referimos. 
 
 
 
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Ao avaliarem sua passagem por programas de educação fundamental, muita jovem 
e adulta tematizam conquistas que dizem respeito à sua autoimagem e à sua sociabilidade: 
“agora eu me sinto mais seguro, não tenho vergonha de falar”; “a escola era o lugar onde 
eu podia encontrar amigos e conversar”; “na escola a gente aprende a conviver com gente 
diferente” etc. 
Somados a esses aspectos, devemos lembrar também que a escola é um espaço 
especialmente propício para a educação da cidadania: um espaço para se aprender a 
cuidar dos bens coletivos, discutir e participar pessoal pelo bem-estar comum. 
 
5. O EDUCADOR DE JOVENS E ADULTOS 
 
Algumas das qualidades essenciais ao educador de jovens e adultos são a 
capacidade de solidarizar-se com os educandos, a disposição de encarar dificuldades como 
desafios estimulantes, a confiança na capacidade de todos de aprender e ensinar. 
Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador procure conhecer 
seus educandos, suas expectativas, sua cultura, as características e problemas de seu 
entorno próximo, suas necessidades de aprendizagem. 
E, para responder a essas necessidades, esse educador terá de buscar conhecer 
cada vez melhor os conteúdos a serem ensinados, atualizando-se constantemente. Como 
todo educador, deverá também refletir permanentemente sobre sua prática, buscando os 
meios de aperfeiçoá-la. 
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram 
um projeto pedagógico, o professor deve esta r em condições de definir, para cada caso 
específico, as melhores estratégias para prestar uma ajuda eficaz aos alunos em seu 
processo de aprendizagem. O educador de jovens e adultos tem de ter uma especial 
sensibilidade para trabalhar com a diversidade, já que numa mesma turma poderá 
encontrar educandos com diferentes bagagens culturais. 
É especialmente importante, no trabalho com jovens e adultos, favorecer a 
autonomia dos educandos, estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas 
 
 
 
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carências, ajudá-los a tomar consciência de como a aprendizagem se realiza. 
Compreendendo seu próprio processo de aprendizagem, os jovens e adultos estão mais 
aptos a ajudar outras pessoas a aprender, e isso é essencial para pessoas que, como 
muitos deles, já desempenham o papel de educadores na família, no trabalho e na 
comunidade. 
Também é uma responsabilidade importante dos educadores de jovens e adultos 
favorecerem o acesso dos educandos a materiais educativos como livros, jornais, revistas, 
cartazes, textos, apostilas, vídeos etc. Deve-se considerar o fato de que se trabalha com 
grupos sociais desfavorecidos economicamente, que têm pouco acesso a essas fontes de 
informação fora da escola. 
Finalmente, os educadores devem atentar para o fato de que o processo educativo 
não se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. 
 O convívio numa escola ou noutro tipo de centro educativo, para além da assistência 
às aulas, pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. Por esse 
motivo, é importante também considerar a dimensão do centro educativo com o espaço de 
convívio, lazer e cultura, promovendo festas, exposições, debates ou torneios esportivos, 
motivando os educandos e a comunidade a frequentá-lo, aproveitando essa experiência em 
todas as suas possibilidades. 
 
SÍNTESE DOS OBJETIVOS GERAIS 
 
Que os educandos sejam capazes de: 
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor 
compreender e atuar no mundo em que vivem. 
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, 
assim como a outras oportunidades de desenvolvimento cultural. Incorporar-se ao mundo 
do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na distribuição da 
riqueza produzida. 
 
 
 
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Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas, conhecer direitos e 
deveres da cidadania. 
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na 
educação das crianças, no âmbito da família e da comunidade. 
Conhecer e valorizar a diversidade cultural brasileira, respeitar diferenças de gênero, 
geração, raça e credo, fomentando atitudes de não discriminação. 
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, 
valorizar a educação como meio de desenvolvimento pessoal e social. 
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a 
produção literária e artística como patrimônios culturais da humanidade. 
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência 
em diferentes espaços sociais. 
 
 6. OS CONHECIMENTOS JÁ ADQUIRIDOS 
 
 
Figura: 8 
 
 
 
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Os conhecimentos de uma pessoa, que procura tardiamente a escola, são inúmeros 
e adquiridos ao longo de sua história de vida. Enfatizamos, nesta publicação, duas espécies 
destes conhecimentos, originados das experiências de vida dos alunos e alunas: o saber 
sensível e o saber cotidiano. 
O saber sensível diz respeito aquele saber do corpo, originado na relação primeira 
com o mundo e fundado na percepção das coisas e do outro. Caracterizado pela Filosofia 
como um saber pré-reflexivo, nos leva à ideia de que existe um conhecimento essencial, 
acessível a toda a humanidade: uma verdade mais antiga que todas as verdades 
conquistadas pela ciência, anterior a todas as construções realizadas pela cultura humana. 
O saber sensível é um saber sustentado pelos cinco sentidos, um saber que todos nós 
possuímos, mas que valorizamos pouco na vida moderna. É aquele saber que é pouco 
estimulado numa sala de aula e que muitos professores e professoras atribuem sua 
exploração apenas às aulas de artes. 
No entanto, qualquer processo educativo, tanto com crianças quanto com jovens e 
adultos, deve ter suas bases nesse saber sensível, porque é somente através dele que o(a) 
aluno(a) abre-se a um conhecimento mais formal, mais reflexivo. 
Os alunos jovens e adultos, pela sua experiência de vida, são plenos deste saber 
sensível. A grande maioria deles é especialmente receptiva às situações de aprendizagem: 
manifestam encantamento com os procedimentos, com os saberes novos e com as 
vivências proporcionadas pela escola. 
Essa atitude de maravilhamento com o conhecimento é extremamente positiva e 
precisa ser cultivada e valorizada pelo (a) professor (a) porque representa a porta de 
entrada para exercitar o raciocínio lógico, a reflexão, a análise, a abstração e, assim 
construir outro tipo de saber: o conhecimento científico. 
Olhar, escutar, tocar, cheirar e saborear são as aberturas para nosso mundo interior. 
Ler e declamar poesia, escutar música, ilustrar textos com desenhos e colagens, jogar, 
dramatizar histórias, conversar sobre pinturas e fotografias são algumas atividades que 
favorecem o despertar desse saber sensível. 
A segunda espécie de saber dos alunos jovens e adultos é o saber cotidiano. 
 
 
 
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Por sua própria natureza, ele se configura como um saber reflexivo, pois é um saber 
da vida vivida, saber amadurecido, fruto da experiência, nascido de valores e princípios 
éticos, morais já formados, anteriormente, fora da escola. 
O saber cotidiano possui uma concretude, origina-se da produção de soluções que 
foram criadas pelos seres humanos para os inúmeros desafios que enfrentam na vida e 
caracterizam-se como um saber aprendido e consolidado em modos de pensar originados 
do dia-a-dia. 
Esse saber, fundado no cotidiano, é uma espécie de saber das ruas, frequentemente 
assentado no “senso comum” e diferente do elaborado conhecimento formal com que a 
escola lida.É também um conhecimento elaborado, mas não sistematizado. É um saber 
pouco valorizado no mundo letrado, escolar e, frequentemente, pelo próprio aluno. 
 O saber cotidiano não é necessariamente um saber utilitário, desenvolvido para 
atender a uma necessidade imediata da pessoa. Pelo contrário, pode também se configurar 
em uma espécie de conhecimento que requer um afastamento, uma transcendência com 
relação ao seu objeto. 
 
Figura: 9 
Uma cozinheira, por exemplo, pode executar uma simples receita, mas pode, 
também, recriá-la, estabelecendo hipóteses a respeito de um novo ingrediente que poderia 
ser acrescentado para melhorar o sabor do prato em questão. 
 
 
 
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Os conhecimentos que os alunos e alunas trazem estão diretamente relacionados 
às suas práticas sociais. Essas práticas norteiam não somente os saberes do dia-a-dia, 
como também os saberes aprendidos na escola. 
 
7. A MARCA DO TRABALHO 
 
As alunas e alunos da EJA, em sua maioria, são trabalhadores e, muitas vezes, a 
experiência com o trabalho começou em suas vidas muito cedo. Nas cidades, seus pais 
saíam para trabalhar e muitos deles já eram responsáveis, ainda crianças, pelo cuidado da 
casa e dos irmãos mais novos. Outras vezes, acompanhavam seus pais ao trabalho, 
realizando pequenas tarefas para auxiliá-los. É comum, ainda, que nos centros urbanos, 
estes alunos tenham realizado um sem número de atividades cuja renda completava os 
ganhos da família: guardar carros, distribuir panfletos, auxiliar em serviços na construção 
civil, fazer entregas, arrematar costurar, cuidar de crianças etc. 
Nas regiões rurais, a participação no mundo do trabalho começa ainda mais cedo: 
cuidar da terra, das plantações ou da criação de animais; auxiliar nos serviços caseiros. 
Muitas vezes, acompanhando os pais e irmãos mais velhos, é comum encontrar um grande 
número de crianças e jovens já mergulhados no trabalho. 
Nessas regiões, os horários, os períodos de colheita, de chuva e de seca marcam a 
vida cotidiana das pessoas e isto, aliado às grandes distâncias, configura condição bastante 
precária para a escolarização. 
 
 
 
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Figura: 10 
Se cada região de nosso país tem suas particularidades em relação às demais, todas 
as salas de EJA se unificam em torno deste fato: a grande maioria dos alunos são 
trabalhadores que chegam para as aulas após um dia intenso d e trabalho. É claro, que 
estas mesmas salas apresentam um número significativo de desempregados e de 
trabalhadores temporários ou informais. 
Mas, sempre que pensamos em EJA temos que considerar que nossa atividade 
conta com mulheres e homens trabalhadores. Vale notar, ainda, que em todas as regiões 
do país, o trabalho é apontado pelos alunos de EJA tanto como motivo para terem deixado 
a escola, como razão para voltarem a ela. Sem dúvida alguma, o tema TRABALHO tem um 
lugar especial na EJA e deve importar ao trabalho dos professores, das professoras e da 
escola. 
Entretanto é preciso lembrar que o trabalho experimentado pelas alunas e alunos 
não passa nem de longe pelo trabalho como atividade fundamental pela qual o ser humano 
se humaniza e se aperfeiçoa. O trabalho que conhecem é na maior parte das vezes 
repetitivo, cansativo e pouco engrandecedor. 
Apesar de tudo, vale pensar, por exemplo, na quantidade de saberes que todas 
destes alunos-trabalhadores possuem em função das atividades que realizam ou 
realizaram. Saberes, certamente, não escolares, mas saberes. Saberes a partir dos quais 
novos conhecimentos poderão ser construídos. 
 
 
 
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Uma tarefa fundamental para o (a) professor (a) é conhecer que saberes e 
habilidades os alunos e alunas desenvolveram em função do seu trabalho. 
Procure fazer um quadro sobre os saberes de seus alunos. Como pode ser visto no 
exemplo acima, muito do que pretendemos ensinar na escola tem relação direta com o que 
fazem nossos alunos e alunas em seu cotidiano. É importante estabelecermos estas 
relações. 
 
Figura: 11 
Muitos alunos dizem estar na escola para poder “arrumar um emprego”, “conseguir 
um trabalho melhor”, “crescer na profissão”. Sabemos que nos centros urbanos e no âmbito 
do trabalho formal a escolarização básica e, muitas vezes, a conclusão do ensino médio, 
são pré-requisitos para muitos empregos. Ao preencher uma ficha atestando a não 
escolaridade muitas pessoas são excluídas de entrevistas ou da realização de seleção. 
O mundo do trabalho se caracteriza hoje pela diversidade de atividades e vínculos. 
Nossos alunos, das classes de EJA, são muitas vezes pessoas que administram sua 
sobrevivência econômica: fazem “bicos”, são autônomos, circulam por diferentes profissões 
como auxiliares ou ajudantes de pintura, construção serviços domésticos, venda ambulante 
etc. Possuir um certificado escolar ou profissionalizante não implica em garantia de 
 
 
 
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trabalho, haja vista a quantidade de profissionais que formados numa área, atuam em 
outra. 
Pode ser interessante pensar sobre as habilidades que a escola pode ajudar a 
desenvolver e que contribuam para uma atuação mais eficiente nesse universo 
diversificado e competitivo que é o do trabalho. Não queremos dizer com isto que a escola 
deva tomar para si a responsabilidade da preparação do trabalhador, nem deixar a 
responsabilidade da conquista de um “emprego melhor” nas mãos do(a) aluno(a). 
Como já sabemos, esta é uma responsabilidade social mais ampla e mais próxima das 
políticas governamentais e empresariais. 
O que queremos pensar é justamente nas formas da escola potencializar essa 
competência que os jovens e adultos já desenvolvem em sua vida cotidiana de administrar 
suas finanças e sua sobrevivência. 
Comunicar-se de forma competente com clareza, ordenação de ideias, 
argumentação; conhecer as diferentes formas de trabalho da nossa sociedade nos dias 
atuais, o trabalho formal e o informal, por exemplo; dominar os caminhos possíveis para a 
obtenção de empregos, a procura por agências, a preparação de currículos; ver na 
construção de uma pequena fábrica, na abertura de um comércio em sua região um 
possível canal de trabalho; conhecer, em sua região ou comunidade, os espaços gratuitos 
de formação técnica cursos de eletricidade, pintura, computação, confecção e outros são 
saberes passíveis de serem aprendidos na escola. Ela funcionaria, assim, como espaço de 
conhecimentos ligados ao mundo do trabalho. 
 
8. O PLANEJAMENTO 
 
O planejamento faz parte da história da humanidade porque mulheres e homens 
sempre quiseram transformar suas ideias em realidade e isso sempre exigiu planejamento. 
Todos os dias são enfrentados inúmeras situações que demandam algum tipo de 
planejamento. 
 
 
 
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Até mesmo um simples passeio envolve planejar: quanto dinheiro pretende gastar, 
qual o tempo que disponho, como chegarei ao lugar escolhido, levarei que tipo de lanche, 
quem convidarei 
Como nossas ações diárias vão se transformando em fatos rotineiros, nem nos 
damos conta dos diferentes planejamentos que estão embutidos nelas. 
Diferentemente, para realizar as atividades que fogem do dia-a-dia, precisamos 
pensar e estabelecer uma forma para chegar ao que desejamos. 
É impossível considerar todos os tipos e níveis de planejamento que são necessários 
às ações que realizamos. Por tudo isso, o planejamento sempre foi um instrumento 
importante, em qualquer setor da vida em sociedade: no governo, na empresa, no comércio, 
em casa, na igreja, na escola, com o planejamento podemos definir o que queremos a curto, 
médio ou longo prazo. 
 
Figura: 12 
 
Isto significa que tanto podemos traçar planos para a noite de hoje como para a 
compra de uma casa, no futuro. Alémdisso, o planejamento nos leva a prever situações, 
organizar atividades, dividir tarefas para facilitar o trabalho e até avaliar o que já foi feito. 
 
9. HISTÓRIA DO PLANEJAMENTO 
 
 
 
 
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 Homens e mulheres fizeram planos desde que se descobriram com capacidade de 
pensar antes de agir. A arqueologia nos mostra desenhos indicando como seriam feitas 
construções que exigiam tarefas complicadas ou a presença de muita gente na sua 
execução. 
Com o crescimento do comércio, no início do capitalismo, a administração das 
riquezas exigiram novas formas de conduta. O aumento da concorrência entre os 
comerciantes tornou necessário o saber prever, antecipar situações, projetar novos 
negócios. Com a industrialização cresceu a produtividade. 
Tornaram necessárias as previsões das matérias primas, as funções dos operários, 
os salários, o comportamento dos mercados. A organização racional das empresas chegou 
à análise das relações entre os trabalhadores. Mais uma vez, o planejamento entrou em 
cena. Com a industrialização surgiu, também, o planejamento das vendas. 
No começo do século XX, o planejamento atingiu todos os setores da sociedade 
causando grande impacto. Como vimos, o planejamento é uma arte que se desenvolveu 
para melhorar a capacidade de intervenção das pessoas na sua realidade. 
Na educação não é diferente. Nela o planejamento busca a intervenção mais 
eficiente do (a) professor (a), organizando melhor os recursos disponíveis: o tempo do (a) 
professor (a) e dos alunos, o espaço físico, os materiais pedagógicos disponíveis, a 
experiência dos alunos etc. 
Hoje em dia, a palavra PLANEJAMENTO faz parte do nosso vocabulário diário e 
ocupa um lugar de destaque nos meios de comunicação. 
 
11. PLANEJAMENTO - O QUE DIZ ESTA PALAVRA? 
 
 
 
 
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Figura: 13 
 
Consultando o dicionário encontramos: 
Planejamento - Ato ou efeito de planejar. Trabalho de preparação para qualquer 
empreendimento, segundo roteiro e métodos determinados. (Dicionário Aurélio). 
Planejamento - Serviço de preparação de um trabalho, de uma tarefa, com o 
estabelecimento de métodos convenientes; planificação. Determinação de um conjunto de 
procedimentos, de ações, visando à realização de determinado projeto. (Dicionário 
Houaiss). 
Num sentido amplo, planejamento é um processo que visa dar respostas a um 
problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua resolução, de modo a atingir 
objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro, mas 
considerando as condições do presente, as experiências do passado e os diferentes 
aspectos da realidade. Desta forma, planejar e avaliar anda de mãos dadas. 
 
 
 
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Na escola existem diferentes planejamentos que devem se articular em torno dos 
mesmos princípios e da mesma visão de conhecimento. 
 
 12. PLANEJAMENTO CURRICULAR 
 
É a proposta geral das aprendizagens que serão desenvolvidas. Funciona como a 
espinha dorsal da escola. O planejamento curricular envolve os fundamentos das áreas que 
serão estudadas, a proposta metodológica escolhida e a forma como se dará a avaliação. 
 
13. PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO OU PROJETO POLÍTICO 
PEDAGÓGICO 
 
É o projeto integral da escola. Envolve o s aspectos pedagógicos, comunitários e 
administrativos. Em função da sua grande importância, voltaremos a ele mais adiante. 
Existem outros termos que se referem ao planejamento. 
Vamos acrescentá-los: 
Plano: um documento utilizado para o registro de decisões, como o que se pensa 
fazer, como fazer, quando fazer, com quem fazer. Todo plano começa pela discussão sobre 
os fins e objetivos do que se pretende realizar. Na educação, ele apresenta de forma 
organizada as decisões tomadas em torno das práticas educativas que serão 
desenvolvidas. 
 O plano é produto do planejamento e funciona como guia do (a) professor (a). Com 
o acompanha uma prática, está sempre sujeito a modificações. 
Há diferentes planos na educação 
Plano Nacional de Educação: nele se reflete a política educacional de um povo, 
num determinado momento da história do país. É o de maior abrangência porque interfere 
nos planejamentos feitos no nível nacional, estadual e municipal. 
 
 
 
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Plano de Curso: é a organização do conjunto de matérias que vão ser ensinadas e 
desenvolvidas durante o período de duração de um curso. O plano sistematiza a proposta 
geral de trabalho do professor. 
Plano de Ensino: o plano de disciplinas, de unidades e experiências propostas pela 
escola, professores, aluno s ou pela comunidade. Ele é mais específico e concreto em 
relação aos outros planos. 
Plano de Aula: é o plano mais próximo da prática do professor e da sala de aula. 
Refere-se totalmente ao aspecto didático. 
 
 
Figura: 14 
 
Projeto: a palavra projeto significa ir para frente. O projeto traz a ideia de 
movimento. No projeto são registradas as decisões das propostas futuras. Como tudo que 
envolve mudança, projetar significa sair de uma situação conhecida para buscar outra. 
 
 
 
 
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14. O PLANEJAMENTO DO (A) PROFESSOR (A) 
 
Com registros em cadernos, fichas, ou qualquer outra folha de papel, boa parte dos 
professores planeja o que pretende desenvolver na sala de aula. 
Mesmo assim, há professores que dizem que o planejamento é dispensável. Muitas 
delas afirmam que não sentem, como necessário, fazer o planejamento por escrito, uma 
vez que já tem tudo pronto na cabeça. 
Para outros professores, o planejamento é o cumprimento de uma exigência. 
Provavelmente, um planejamento feito com esse espírito não tem função no dia-a-
dia porque não corresponde a nenhuma necessidade apontada pela avaliação da realidade 
onde o trabalho acontecerá. 
Infelizmente, existem professores que trabalham na base do improviso: “Na hora eu 
decido o que vou fazer com os alunos.” 
Outros transformam o livro didático em plano de trabalho. Dizem: “É mais prático, 
não tenho tempo para ficar criando novidades.” 
Ainda outros, repetem todos os anos o mesmo plano: “Afinal, para que mudar?”. Para 
o (a) professor (a) comprometido (a) com seu trabalho, o planejamento faz parte do 
processo de tomada de decisão sobre a sua forma de agir, no dia-a-dia da sua prática 
pedagógica. Nele estão envolvidas ações e situações que se dão de forma continuada entre 
professor (a) e alunos e alunos entre si. 
 
14.1 Como planejar 
 
Para planejar, o (a) professor (a) precisa responder a algumas perguntas: 
►Para que ensinar? Pergunta que leva aos objetivos; 
►O que ensinar? Pergunta que faz pensar na seleção dos conteúdos; 
►Como ensinar? Pergunta que faz escolher quais métodos e técnicas usar. 
 
 
 
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14.2 Para que ensinar? 
 
Esta pergunta nos leva a considerar onde esperamos chegar com o nosso trabalho 
educativo. Isto significa dizer quais os resultados que buscamos atingir. 
Mas, só temos condições de estabelecer esses objetivos depois de analisar o grupo 
de alunos, com as suas características, seus limites, suas histórias de vida e suas 
facilidades. 
Sem estas considerações corremos o risco de tornar o nosso planejamento um 
instrumento sem função, inútil por não corresponder às verdadeiras necessidades dos 
envolvidos. 
Esse processo de definição dos objetivos se torna muito mais eficiente quando 
envolve os alunos. Afinal, esse processo é tão importante para o (a) professor (a) quanto 
para eles. Alguns cuidados são importantes na definição dos objetivos que buscamos com 
o nosso trabalho. 
É preciso que os objetivos escolhidos sejam: 
 
Figura: 15 
 
 
 
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Claros, objetivos - para que não deixem dúvidas. Os objetivos devem ser expressosde tal forma que tenham o mesmo significado, tanto para o(a) professor(a) quanto para 
o aluno. Para isso devem estar numa linguagem simples e de fácil compreensão; 
Viáveis - ou de possível realização. A escolha dos objetivos deve levar em conta 
as condições reais do grupo e da escola, respeitando sua capacidade, interesse e 
motivações; 
Apresentados na sua totalidade - os objetivos devem ser apontados como uma 
ação que envolve atividades a serem realizadas ou comportamentos a serem 
demonstrados; 
Possíveis de serem avaliados - os objetivos devem deixar evidentes os 
Conteúdos que serão desenvolvidos, para que permitam conhecer o avanço dos 
alunos no domínio deles. 
 
14.3-O que ensinar? 
 
O que ensinar é a pergunta que nos leva aos conteúdos, isto é, ao conhecimento a 
ser desenvolvido. Abrange tanto os conhecimentos que a humanidade acumulou durante 
sua história - informações, dados, fatos, princípios e conceitos - quantas atitudes e 
comportamentos. 
Na hora de escolher os conteúdos, alguns critérios devem ser levados em conta. 
Apontando alguns deles, podemos dizer que o s conteúdos devem: 
Ter validade - devem ser os mais importantes e significativos para a realidade e a 
época em que se vive; 
Ter significado - devem estar relacionadas com os alunos, suas histórias de vida, 
suas experiências e motivações; 
Possibilitar a reflexão - devem levar o aluno a associar, comparar, compreender, 
selecionar, organizar, criticar e avaliar os próprios conteúdos; 
 
 
 
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Ser flexível - devem estar sujeitos a modificações, adaptações, renovações e 
enriquecimentos; 
Ter utilidade - deverão considerar as exigências e as características do 
Contexto socioeconômico e cultural dos alunos; 
Ser viável - os conteúdos deverão ser possíveis de aprendizagem dentro das 
limitações de tempo e dos recursos que temos. A razão de ser desses critérios é apontar 
para aspecto s que facilitam o trabalho pedagógico. 
Mas, não podemos esquecer que os conteúdos mais válidos são sempre aqueles 
que melhor levam os alunos a responder as suas necessidades, fazendo-os aprender o que 
é mais útil para a vida deles. 
Na educação de jovens e adultos, os conteúdos devem permitir aos alunos o 
exercício pleno da cidadania, o saber indispensável às suas ações que vão desde 
desempenhar uma profissão até participar de sua comunidade. 
 A organização dos conteúdos 
Precisamos lembrar que planejar não é apenas relacionar atividades a serem 
desenvolvidas. 
É um processo de: 
►Conhecer a realidade sobre a qual se vai trabalhar; 
►Propor ações para influir nela e desenvolver as ações propostas avaliando sempre 
seus resultados para a continuidade do mesmo processo: avaliação, planejamento, 
execução e avaliação, e assim por diante. 
 
 
 
 
 
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Figura: 16 
 
Pensando assim, o planejamento que o(a) professor(a) faz envolve aspectos que 
são nossos velhos conhecidos: 
O conhecimento dos alunos - o que eles já sabem suas experiências de vida, suas 
expectativas, motivações etc.; 
A realização de atividades de aprendizagem que respondem ao nosso projeto - a 
coerência entre o que fazemos e o projeto educativo é fundamental; 
 
14.4-Como ensinar? 
 
Ao fazer esta pergunta, indagamos sobre os procedimentos, métodos e técnicas que 
poderão criar as condições adequadas à aprendizagem. 
 
 
 
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Para alguns autores, as condições que melhor favorecem a aprendizagem são 
aquelas que criam entre alunos e professores um clima de afetividade e estima etc. Para 
outros, são os procedimentos didáticos que garantem a aprendizagem. Com certeza, o 
elemento afetivo entra no processo ensino aprendizagem. Mas é importante que a 
professora saiba definir seus objetivos, selecionar os conteúdos, utilizar boas técnicas de 
ensino e avaliar constantemente seus alunos. 
Não podemos esquecer que todo projeto educativo tem como base uma concepção 
de educação, acontece num determinado contexto socioeconômico e cultural e envolve 
pessoas de uma classe social bem definida na sociedade. 
Desta forma, a opção que o (a) professor (a) faz por um método, uma técnica e pela 
forma d e orientar as atividades didáticas não pode se dar por acaso. Sua opção precisa 
ser coerente com seu projeto político-pedagógico. 
É comum confundir método e técnica de ensino. 
Um método é o modo sistemático e organizado pelo qual o (a) professor (a) 
desenvolve suas atividades, tendo em vista à aprendizagem dos alunos. 
Para utilizar um método, o (a) professor (a) se vale de técnicas. Assim, técnica é um 
conjunto de procedimentos didáticos que a professora utiliza para operacionalizar o método. 
Por exemplo, o texto é um recurso que o (a) professor (a) pode utilizar para que os 
alunos aprendam um assunto. O estudo através da leitura de textos constitui uma técnica 
de ensino. 
Todas as técnicas e todos os métodos têm vantagens e limitações. 
As técnicas variam segundo: 
Os objetivos a alcançar - por exemplo, se queremos desenvolver nos alunos a 
capacidade de análise, devemos utilizar o técnico de estudo dirigido ou de trabalho de 
grupo; 
A experiência didática do (a) professor (a) - qualquer técnica só tem êxito quando 
utilizada com espontaneidade e segurança. Para isso o (a) professor (a) precisa saber o 
que está fazendo; 
 
 
 
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As características dos alunos - interesses, motivações, necessidades, idade etc.; O 
tempo disponível para realizá-las - não é boa coisa deixar o trabalho incompleto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
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15. REFERÊNCIAS: 
 
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Dominante. Dissertação (Mestrado em Didática), Universidade De São Paulo Faculdade 
de Educação, 1997, 132 p, sob orientação da profa. Dra. Nídia Nacib Pontuschka. 
São Paulo. 
WHITAKER Ferreira, Francisco - Planejamento Sim e Não, 14ª ed. Paz e Terra Rio 
de Janeiro – 1979.

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