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DERRAME PLEURAL
Introdução:
Derrame pleural é o acúmulo anormal de líquidos na pleura, que envolve os pulmões. Não é uma doença em si, mas um sinal de várias condições, como infecções, câncer, e doenças autoimunes. Após o diagnóstico, é essencial investigar a causa.
Pleura:
A pleura é composta por duas camadas, a pleura visceral, que é a camada interior e fica colada ao pulmão, e a pleura parietal, camada mais externa que fica em contato com as estruturas anatômicas ao redor dos pulmões. Entre as duas camadas de pleura existe um espaço mínimo, de 20 micrômetros (0,02 milímetro), chamado de cavidade pleural, ou espaço pleural. Dentro dele encontra-se uma pequeníssima lâmina de líquido, que faz papel de lubrificante, impedindo o atrito entre as duas camadas de pleura quando os pulmões se enchem e quando se esvaziam de ar. Este líquido recebe o óbvio nome de líquido pleural.
Fisiopatologia:
Derrame pleural ocorre devido a um desequilíbrio entre a produção de líquido pleural e a reabsorção linfática. O líquido pleural normalmente lubrifica a cavidade pleural, mas quando há um distúrbio, esse líquido pode se acumular.
· Aumento da entrada de líquido no espaço pleural:
· A pressão hidrostática nos vasos sanguíneos pode aumentar, como em casos de insuficiência cardíaca, forçando mais líquido a sair dos vasos e entrar na cavidade pleural.
· A diminuição das forças oncóticas no plasma, como em casos de hipoalbuminemia, reduz a capacidade dos vasos de reabsorver o líquido, permitindo que mais líquido se acumule na pleura.
· Dificuldade na saída do líquido do espaço pleural:
· A drenagem do líquido pleural pelos vasos linfáticos pode ser comprometida. Se os vasos linfáticos estiverem bloqueados ou sua função estiver reduzida, o líquido não será drenado de forma eficaz.
· A função dos vasos linfáticos é essencial para manter o equilíbrio do líquido pleural. Eles utilizam contrações rítmicas e os movimentos respiratórios para impulsionar a linfa e drenar o líquido. Quando essa função é prejudicada, o líquido se acumula, levando ao derrame.
· Outros mecanismos:
· O líquido também pode se acumular devido à passagem de líquido da cavidade abdominal para o espaço pleural, através do diafragma ou pela circulação linfática entre o abdome e o tórax.
Tipos de Derrame:
· Transudados: Causados por aumento da pressão hidrostática ou diminuição das forças oncóticas no plasma.
· Exsudados: Resultam de aumento da permeabilidade capilar ou disfunção na drenagem linfática.
Sintomas:
· Pode ser assintomático ou apresentar sintomas como falta de ar, dor torácica, febre, e tosse.
Diagnóstico:
Um exame físico bem feito, com uma boa auscultação dos pulmões, é capaz de sugerir a presença do derrame pleural sempre que houver mais de 300 ml de líquido acumulado. O excesso de líquido se entrepõe ao pulmão e as costas, e os ruídos pulmonares ficam inaudíveis.
Exame físico, radiografia de tórax, tomografia, e ecografia são usados para identificar e avaliar o derrame pleural.
IMAGENS:
· Radiografias onde se observam derrames pleurais bilaterais:
a: Apagamento de ambos os ângulos costofrénicos.
b: Imagem em decúbito lateral mostra a acumulação de líquido devido a um derrame pleural esquerdo (setas).
· Imagem de TC que monstra um derrame pleural bilateral num doente com silicose pulmonar: As regiões em forma de crescente, opacificadas e bilaterais, abaixo dos pulmões são os derrames.
· Ecografia que mostra um derrame pleural (seta a apontar para a região hipoecogénica)
Tratamento:
Toracocentese: Retirada do líquido para análise, diagnóstico, e alívio dos sintomas.
Fazer punção do espaço pleural (toracocentese), retirar uma amostra do líquido e nele dosar as proteínas e a desidrogenase lática, o que permite classificar os derrames em duas grandes categorias: os exsudatos e os transudatos; 2) uma vez feito o diagnóstico de exsudato, outros exames laboratoriais, (bioquímicos, citológicos e bacteriológicos) devem ser conduzidos no líquido. Quando o estudo de três amostras sucessivas de exsudato (colhidas em diferentes ocasiões) revela-se persistentemente não diagnóstico, então se torna necessária uma punção biópsia da pleura. Essa punção biópsia pode ser conduzida já de início, se houver forte suspeita de tratar-se de tuberculose da pleura.
Fisioterapia:
1. Anamnese:
· Histórico clínico: Identificar sintomas, como dor torácica, dispneia, tosse, e fadiga.
· Histórico médico: Investigar doenças prévias, como insuficiência cardíaca, infecções, neoplasias, ou outras condições que possam ter causado o derrame.
· Medicamentos: Revisar o uso de medicamentos que possam influenciar a condição.
2. Exame Físico:
· Inspeção: Observar a simetria torácica, padrão respiratório, e uso de músculos acessórios na respiração.
· Palpação: Avaliar a expansibilidade torácica e a presença de dor ou sensibilidade.
· Ausculta pulmonar: Identificar sons respiratórios diminuídos ou ausentes, estertores, ou outros ruídos adventícios.
3. Avaliação Funcional:
· Capacidade funcional: Avaliar a tolerância ao esforço, por exemplo, utilizando a Escala de Borg para quantificar a dispneia durante atividades.
· Avaliação da dor: Utilizar escalas de dor, como a Escala Visual Analógica (EVA), para mensurar a intensidade da dor torácica.
4. Testes Específicos:
· Teste de Expansibilidade Torácica: Medir a circunferência do tórax durante a inspiração e expiração para avaliar a mobilidade torácica.
· Teste de função pulmonar: Usar espirometria para medir volumes e capacidades pulmonares, identificando possíveis restrições ventilatórias.
· Teste de tosse: Avaliar a eficácia da tosse para a mobilização de secreções, importante em casos onde há acúmulo de líquido ou secreção.
5. Escalas e Questionários:
· Escala de MRC (Medical Research Council) para dispneia: Quantifica a gravidade da dispneia e seu impacto nas atividades diárias.
· Escala de Borg para Percepção de Esforço: Avalia a intensidade do esforço percebido durante a atividade física.
· Questionários de qualidade de vida: Como o SF-36 ou o questionário de St. George, que avaliam o impacto da condição respiratória na qualidade de vida do paciente.
6. Avaliação da Mobilidade e Força Muscular:
· Teste de caminhada de seis minutos (TC6M): Avalia a capacidade funcional global e a resistência ao esforço.
· Avaliação da força dos músculos respiratórios: Usando dispositivos como o manovacuômetro, para medir a pressão inspiratória e expiratória máximas (PImáx e PEmáx).
Objetivos da Fisioterapia no Derrame Pleural:
1. Melhorar a ventilação pulmonar: Aumentar a capacidade pulmonar e a eficiência da troca gasosa.
2. Reduzir a dor torácica: Minimizar o desconforto e a dor, facilitando a respiração e a mobilidade.
3. Facilitar a reabsorção do líquido pleural: Promover a mobilização e drenagem do líquido acumulado.
4. Prevenir complicações respiratórias: Evitar atelectasias e infecções pulmonares.
5. Restaurar a capacidade funcional: Reabilitar o paciente para que retome suas atividades diárias com independência.
Condutas Fisioterapêuticas:
1. Exercícios de expansão pulmonar: Realizar técnicas de respiração profunda e exercícios de expansão torácica para melhorar a ventilação.
2. Respiração diafragmática: Ensinar e praticar a respiração diafragmática para otimizar o uso do diafragma e aumentar a eficiência respiratória.
3. Drenagem postural: Posicionar o paciente de maneira a facilitar a drenagem do líquido pleural.
4. Mobilização torácica: Realizar mobilizações suaves do tórax para aumentar a mobilidade e reduzir a dor.
5. Exercícios de fortalecimento respiratório: Utilizar dispositivos como o inspirômetro de incentivo para fortalecer os músculos respiratórios.
6. Higiene brônquica: Instruir técnicas de tosse assistida e higiene brônquica para prevenir a retenção de secreções e evitar complicações.
7. Reabilitação funcional: Implementar um programa de exercícios para melhorar a capacidade física e funcional, adaptado às necessidades do paciente.

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