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Anamnese Aula 1 Definição de Anamnese - Origem do termo: "Aná" (trazer de novo) + "Mnesis" (memória). - Consiste na coleta de fatos relacionados à doença e ao paciente. Tipos de Anamnese 1. Livre: O paciente narra livremente, mas é necessário controlar o tempo. 2. Dirigida: Médico conduz com um roteiro, evitando interrupções excessivas. 3. Mista: Combina aspectos livres e dirigidos. Estrutura da Anamnese 1. Identificação - Dados como nome, idade, sexo/gênero, etnia, estado civil, profissão, local de trabalho, naturalidade (onde nasceu) , procedência (local de procedência anterior do paciente ex: viagem) , residência (impacto de condições ambientais ex:enchente) , nome da mãe, nome do responsável (crianças ou idosos), religoão, filiação de orgãos e plano de saúde - Exemplos de implicações clínicas: doenças ligadas à ocupação (ex.: pneumoconiose em trabalhadores de minas) ou características hereditárias. Queixa e Duração (QD) - Principal motivo da consulta e o tempo desde o início→ o que o levou a procurar o médico - Exemplo: "Dispneia há 1 hora". QUEIXA PRINCIPAL ESCREVE DA FORMA QUE O PACIENTE FALA!! História da Doença Atual (HDA) - Relato cronológico detalhado dos sintomas, desde o início até o momento da consulta: Início; Duração; Localização; Características; Sintomas associados. - Envolve: - Sintoma-guia: baseado na queixa principal (principal foco da queixa): Início, Duração, Características do sintoma na época em que teve início, Evolução Fatores de melhora e de piora, Relação com outras queixas e Situação do sintoma no momento atual. Exemplo: dor de estômago há 3 meses. - Sintomas associados - Características: início, localização, intensidade, irradiação, periodicidade, duração, fatores de melhora/piora. DOR - Deve incluir sintomas associados e fatores relacionados. Interrogatório Sintomatológico (ISDA) - Revisão detalhada dos sistemas do corpo: 1. Sintomas gerais: febre, perda de peso, fadiga. 2. Pele: lesões, prurido, alterações de textura. 3. Cabeça e pescoço: cefaleia, tontura, alterações visuais, auditivas, entre outros. 4. Tórax: dor, dispneia, tosse. 5. Abdome: dor, náuseas, alterações intestinais. 6. Genitourinário: alterações urinárias, disfunções sexuais. 7. Outros sistemas, incluindo cardiovascular, endócrino, musculoesquelético, nervoso e psíquico. Antecedentes Pessoais e Familiares - Fisiológicos: gestação, desenvolvimento psicomotor, sexual, histórico alimentar. - Patológicos: doenças anteriores, cirurgias, traumas, alergias, transfusões, imunizações. - Familiares: doenças hereditárias ou de risco em parentes. Hábitos de Vida - Alimentação (vegetariana, láctea, etc.). - Tabagismo e etilismo (tipo, frequência, duração). - Atividade física (intensidade, frequência). - Histórico ocupacional (exposição a fatores de risco). Condições Socioeconômicas 1.Habitação: - Condições de saneamento básico. 2. Socioeconômicas: - Capacidade de arcar com tratamentos. 3. Culturais: - Religiosidade, grau de escolaridade, medicina popular. icas e Culturais Ferramentas Auxiliares 1. Genograma: Representação gráfica das relações familiares. 2. Ecomapa: Relações da família com estruturas sociais e ambientes. Exemplo de Anamnese - Homem, pardo, 45 anos, procura hospital com queixa de dispneia há 1 hora: - Identificação: nome, idade, naturalidade, profissão. - Queixa Principal: "falta de ar". - HDA: início há 1 hora, sintomas associados (sudorese, palpitações). - ISDA: revisão cardiovascular e respiratória. Exame físico qualitativo Qualitativo Esse exame avalia aspectos subjetivos que dependem da interpretação do examinador. Ele observa características gerais do paciente que podem variar conforme a percepção do profissional. Inclui: - Tipo morfológico: Estrutura física e constituição do corpo. - Estado geral e de consciência: Como o paciente parece no momento (alerta, confuso, sonolento). - Fácies: Expressão facial que pode indicar emoções ou doenças. - Palidez, icterícia e cianose: Mudanças na coloração da pele que podem refletir doenças (anemia, problemas hepáticos ou falta de oxigênio, respectivamente). - Estado de hidratação e presença de edema: Indica retenção de líquidos ou desidratação. Características O exame qualitativo é mais subjetivo, pois se baseia na percepção do examinador. O parâmetro principal utilizado é o “conceito de normalidade”, ou seja, o que é considerado normal para a maioria das pessoas em situações semelhantes. ECTOSCOPIA Definição A ectoscopia (ou somatoscopia) é a avaliação visual inicial do paciente, feita desde o primeiro contato, para identificar sinais gerais de saúde ou doença. 1. Estado Geral: Avaliação subjetiva da aparência total do paciente, incluindo: - Nível de consciência: Se o paciente está alerta, sonolento ou confuso. - Fala e confusão mental: Observação da clareza e lógica na comunicação. - Mobilidade: Como o paciente se move ou mantém a postura. 2. Aspecto Geral: - Estado aparente de saúde: O paciente parece saudável ou apresenta sinais de doença aguda/crônica? - Sinais de sofrimento: Dor, angústia respiratória, ansiedade ou depressão. 3. Postura, Marcha e Atividade Motora: - Alterações no equilíbrio, tremores ou inquietação podem ser sinais de condições neurológicas ou dor. 4. Higiene e Vestuário: - Aparência desleixada pode indicar depressão ou outras condições psicológicas. - Excesso de roupa pode sugerir intolerância ao frio, como no hipotireoidismo. 5. Hálito e Odores Corporais: - Alterações como hálito cetônico são comuns no diabetes descontrolado. 6. Coloração da Pele: - Palidez (anemia), icterícia (problemas hepáticos) ou cianose (falta de oxigênio). Exame da pele Fácies (expressão facial): Alterações como: 1. Hipocrática: Indicativa de doenças graves. ➔ • Olhos fundos, parados e inexpressivos • Afilamento do nariz e lábios adelgaçado • Quase sempre rosto recoberto de suor • Palidez cutânea • Rosto afinalado Comum em Doenças Graves 2. Adenoideana: Associada à respiração bucal. ➔ • Nariz pequeno • Boca sempre entreaberta • Micrognatia 3. Renal: Palidez e edema, comum em síndromes renais. ➔ • Edema ao redor dos olhos com predomínio no período da manhã • Palidez Cutânea Comum na Síndrome Nefrótica e Glomerilonefrite Aguda 4. Mixedematosa: Relacionada ao hipotireoidismo. ➔ • Rosto arredondado • Nariz e Lábios grossos • Acentuação dos sulcos da face • Cabelos Secos e sem brilho • Supercíclios escassos • Desânimo e apatia 5. Fáceis Hipertireoidismo/ Basedowiana ➔ Exofitalmia e olhos brilhantes • Rosto Magro • Aspecto de espanto e ansiedade Comum no Hipertireoidismo 6. Cushingóide: Rosto arredondado, comum na síndrome de Cushing. ➔ •Arredondamento do rosto •Bochechas Vermelhas Comum em pacientes que fazem uso prolongado de corticoídes e Sd. de Cushing 7. Acromegálica: Crescimento exagerado de estruturas faciais. ➔ •Proeminência das maçãs do rosto • Maior desenvolvimento do maxilar inferior •Aumento do nariz, lábio e orelhas •Olhos parecem pequenos dentro do conjunto de estruturas hipertrofiadas 8. Fáceis Miastêmica ➔ Ptose Palpebral que obruga a franzir a testa e levantar a cabeça 9. Fáceis Leonina ➔ Pele espessa •Supercílios caem • Nariz espesso e largo •Barba desaparece •Bochecha e mento com nódulos Comum em Mal de Hansen 10.Parkinsoniana: Olhar fixo, pele oleosa e movimentos limitados. ➔ • Cabeça Inclinada um pouco para frente e imóvel •Olhar fixo •Supercílios elevados • Fronte Enrugada •Pele Oleosa Exame de Cabeça e Pescoço Cabeça 1. Inspeção: - Observar simetria, deformidades e lesões. - Procurar sinais de trauma, massas, inchaço, ou alterações na pele e couro cabeludo. - Observar o alinhamento das estruturas faciais, como olhos, nariz e boca. 2. Palpação: - Crânio: Verificar sensibilidade, massas ou depressões ósseas. - Articulação temporomandibular (ATM):* Avaliar crepitação, dor ou limitação de movimento. - Couro cabeludo: Detectar lesões, nódulos ou alteraçõesde textura. Pescoço 1. Inspeção: - Avaliar simetria e abaulamentos. - Verificar a posição da traqueia (deve estar centralizada). - Observar sinais de edema, cicatrizes ou pulsação anormal das artérias carótidas. 2. Palpação: - Traqueia: Confirmar se está no eixo médio do pescoço. - Linfonodos cervicais: Examinar os grupos linfáticos (submandibular, cervicais anterior e posterior, supraclaviculares). - Verificar tamanho, consistência, mobilidade e sensibilidade. Linfonodos aumentados podem indicar infecção ou neoplasia. - Tireóide: Palpação para avaliar tamanho, textura e presença de nódulos. - Consistência aumentada: Pode indicar tireoidite. - Nódulos isolados: Sugerem cistos ou neoplasias. - Tireomegalia difusa:Sinal de bócio ou doenças como hipertireoidismo. Exame da Boca e Orofarínge 1. Inspeção: 1. Lábios: Observar cor, lesões, rachaduras ou cianose. 2. Mucosa bucal: Verificar úlceras, inflamações ou placas brancas (indicativas de candidíase). 3. Dentes e gengivas: - Avaliar má higiene, cáries ou doença periodontal. 4. Língua: - Observar tamanho, textura, lesões ou alterações de cor (ex.: língua lisa sugere deficiência nutricional). 5. Orofaringe: - Examinar úvula, tonsilas palatinas e parede posterior da faringe. - Observar sinais de hiperemia, exsudato ou aumento das tonsilas (sugestivos de infecção). Palpação: Realizar em casos específicos para avaliar lesões ou massas em mucosa, língua e assoalho da boca. Exame Pulmonar 1. Inspeção: - Simetria torácica: Identificar abaulamentos ou retrações intercostais. - Padrão respiratório: Observar a frequência, ritmo e uso de músculos acessórios. - Deformidades: Cifose, escoliose ou tórax em barril (comum em DPOC). 2. Palpação: - Expansibilidade torácica: Colocar as mãos no tórax para avaliar movimento simétrico durante a respiração. - Frêmito toracovocal: Solicitar que o paciente diga "33" enquanto palpa o tórax. Áreas de maior ou menor vibração podem indicar consolidação (ex.: pneumonia) ou derrame pleural. 3. Percussão: - Determina a qualidade do som pulmonar. - Som claro pulmonar: Normal. - Som maciço: Indica consolidação, como em pneumonias. - Som timpânico: Sugere pneumotórax ou enfisema. 4. Ausculta: - Murmúrio vesicular: Som normal e suave. - Adventícios: - Estertores crepitantes: Líquido nos alvéolos (pneumonia, insuficiência cardíaca). - Sibilos: Obstrução brônquica (asma ou DPOC). - Roncos: Secreções nas vias aéreas maiores. Exame Cardiovascular 1. Inspeção: - Observar pulsação precordial, abaulamentos ou movimentos anormais. - Procurar cianose ou edema periférico, que podem sugerir insuficiência cardíaca. 2. Palpação: - Ictus cordis: Localizar o choque da ponta do coração no 5º espaço intercostal esquerdo. - Deslocamento lateral pode indicar hipertrofia ventricular. - Frêmitos: Vibrações associadas a sopros cardíacos intensos. 3. Ausculta: - Ouvir focos cardíacos: aórtico, pulmonar, tricúspide e mitral. - S1 e S2: Normais. - Sopros cardíacos: Podem indicar estenose ou insuficiência valvar. - S3: Sinal de insuficiência cardíaca. - S4: Comum em hipertrofia ventricular. Exame Abdominal 1. Inspeção: - Avaliar *simetria, abaulamentos ou cicatrizes*. - Observar movimentação respiratória ou pulsação da aorta abdominal. 2. Ausculta: - Ruídos intestinais: - Normais: Borborigmos regulares. - Ausentes: Íleo paralítico. - Hiperativos: Obstrução ou diarreia. 3. Percussão: - Timpanismo: Indica presença de gás. - Macicez: Pode sugerir ascite ou massa. 4. Palpação: - Superficial: Detectar rigidez, dor ou massas. - Profunda: Avaliar órgãos específicos. Exame Abdominal: Fígado e Baço Fígado: - Percussão: Avaliar a borda inferior do fígado. Hepatomegalia (aumento) sugere doenças como hepatite ou insuficiência cardíaca. - Palpação: A borda deve ser macia e regular. Bordas duras ou irregulares podem indicar cirrose ou neoplasias. Baço - Palpação: Baço normal não é palpável. Esplenomegalia sugere infecções ou doenças hematológicas. - Percussão de Traube: Macicez pode indicar aumento esplênico.