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Autores: Prof. Claudio Ditticio
 Prof. Maurício Felippe Manzalli
Colaboradora: Profa. Ivy Judensnaider
Ciências Econômicas 
Interdisciplinar
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Professores conteudistas: Claudio Ditticio/Maurício Felippe Manzalli
Claudio Ditticio
Graduado em Economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) e 
mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC‑SP). Participou de cursos de 
especialização em Métodos Quantitativos, Banking, Marketing, Processos Administrativos e Operacionais, Derivativos, 
Avaliação de Empresas e Tecnologia da Informação.
Foi administrador e diretor de instituições financeiras, de varejo e atacado, bem como de empresas comerciais. 
Atuou em consultoria de economia e de análise política. Também foi professor e pesquisador da Escola de Contas do 
TCM (Tribunal de Contas do Município de São Paulo).
Atualmente é coordenador do curso de Tecnologia em Gestão Pública da Educação a Distância (EAD) da 
Universidade Paulista (UNIP), atua como professor conteudista e ministra aulas para graduação e pós‑graduação em 
vários campi da UNIP.
Maurício Felippe Manzalli
Graduado em Economia pela Universidade Paulista (UNIP) e mestre em Economia Política pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC‑SP). É professor da UNIP nos cursos de Ciências Econômicas e Administração 
e coordenador do curso de Ciências Econômicas, na mesma universidade, nas modalidades presencial e a distância.
Tem experiência em administração e finanças, notadamente aquelas ligadas ao setor de transporte de passageiros, 
atuando há 29 anos no ramo.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
D617c Ditticio, Claudio.
Ciências Econômicas interdisciplinar. / Claudio Ditticio, Maurício 
Felippe Manzalli. – São Paulo: Editora Sol, 2016.
212 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXII, n. 2‑066/16, ISSN 1517‑9230.
1. Economia da saúde. 2. Finanças públicas. 3. Competitividade 
sistêmica. I. Manzalli, Maurício Felippe. II. Título.
CDU 33
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Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Ana Luiza Fazzio
 Vitor Andrade
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Sumário
Ciências Econômicas Interdisciplinar
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 10
Unidade I
1 AGRONEGÓCIO E AGROENERGIA ............................................................................................................. 13
1.1 Considerações iniciais ......................................................................................................................... 13
1.2 Antes, dentro e após a porteira ...................................................................................................... 18
1.3 Instituições que apoiam as atividades do agronegócio ....................................................... 21
1.4 Abrangência dos mercados de produtos agropecuários ...................................................... 22
1.5 A segurança alimentar ....................................................................................................................... 24
1.6 Características da produção agropecuária ................................................................................ 26
1.7 Integração dos canais de comercialização de produtos agropecuários ........................ 30
1.8 Bolsas de mercadorias e futuros .................................................................................................... 31
1.9 Problemas que afetam a produção e a comercialização nos 
países em desenvolvimento (emergentes) ......................................................................................... 33
1.10 Financiamentos e controles de riscos para os diferentes setores 
(PGPM, AGF e EGF) ...................................................................................................................................... 36
1.10.1 As políticas para o setor rural ......................................................................................................... 36
1.10.2 Atuação das cooperativas ................................................................................................................. 37
1.11 A OMC (Organização Mundial do Comércio) e o combate ao protecionismo ........... 37
1.12 Agroenergia .......................................................................................................................................... 38
1.13 Perspectivas de crescimento do agronegócio ........................................................................ 39
2 A QUESTÃO DOS TRANSPORTES NO BRASIL: ENTRAVES LOGÍSTICOS ....................................... 41
2.1 Considerações iniciais ......................................................................................................................... 42
2.2 O que atrai os investimentos em infraestrutura? ................................................................... 43
2.3 Relação entre investimentos em infraestrutura e crescimento econômico ................ 47
2.4 Risco regulatório no Brasil ............................................................................................................... 48
2.5 Financiamento do investimento privado em infraestrutura .............................................. 50
2.6 Infraestrutura e sustentabilidade ambiental ............................................................................ 55
2.7 A influência da infraestrutura sobre as exportações brasileiras ....................................... 56
2.8 Questões relacionadas a outros modais de transportes ....................................................... 57
2.8.1 Cabotagem ................................................................................................................................................ 57
2.8.2 Modal aeroportuário ............................................................................................................................. 58
2.8.3 Setor ferroviário ...................................................................................................................................... 60
2.8.4 Modal hidroviário ................................................................................................................................... 62
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2.8.5 Comparações de custos entre os diferentes modaise 
também o Brasil, praticam fortes intervenções nos mercados importadores na forma de tarifas, cotas, 
embargos, proibições, barreiras fitossanitárias etc.
Em especial, o protecionismo agrícola afigura‑se muito intenso nessas economias. As 
barreiras protecionistas geram críticas em países exportadores de alimentos e fibras, como é 
o caso do Brasil.
Não há um consenso entre os especialistas da razão de os países mais avançados adotarem 
consideráveis barreiras à concorrência estrangeira no setor agropecuário. Um fato inicial que 
chama a atenção é que a agricultura e os produtos de origem animal representam uma parcela 
relativamente modesta das exportações desses países e uma parcela ainda menor dos respectivos 
PIBs (Produto Interno Bruto). Re
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Unidade I
Outra razão para que o protecionismo agrícola tenha, como de fato possui, intensidade acima 
do comum aponta para o sucesso dos lobbies agrícolas ao utilizarem argumentos retóricos sobre 
a necessidade de garantir‑se o abastecimento de alimentos pela produção interna, por motivos de 
segurança nacional.
Mais uma explicação da aceitação das medidas protecionistas na agricultura pela opinião pública 
dos países que a praticam recai no fato de o setor ser desconcentrado. Com isso, a proteção agrícola 
torna‑se mais palatável ao eleitorado em geral, por não ter a conotação impopular de defesa dos grandes 
interesses econômicos.
1.12 Agroenergia
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento:
O Brasil é referência na produção de agroenergia. Programas como os do 
etanol e do biodiesel atraem a atenção do mundo por ofertar alternativas 
econômica e ecologicamente viáveis à substituição dos combustíveis 
fósseis. Menos poluente e mais barata, a geração de energia com o uso 
de produtos agrícolas representa a segunda principal fonte de energia 
primária do País.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) o planeja e 
promove ações que mobilizem a sociedade e Estado no sentido de reduzir 
o uso de combustíveis fósseis, a ampliação da produção e do consumo 
de biocombustíveis, a proteção do meio ambiente, maior participação no 
mercado internacional e a contribuição para a inclusão social.
O investimento em pesquisa é a base para o desenvolvimento de 
tecnologias de produção agrícola, permitindo a identificação de plantas 
mais aptas, sistemas de produção mais eficientes e regiões com potencial. 
O Plano Nacional de Agroenergia sistematiza as estratégias e ações para 
organizar e desenvolver propostas de pesquisa, desenvolvimento, inovação 
e transferência de tecnologia. O objetivo é garantir sustentabilidade e 
competitividade para as cadeias produtivas da agroenergia.
Para orientar o mercado, o Mapa dispõe de dados atualizados mensalmente 
das cotações de preços, da produção e do mercado internacional. Com esses 
instrumentos e a participação da sociedade, tem‑se assegurado resultados 
no aumento da oferta de produtos agroenergéticos, na desconcentração 
espacial da produção e na liderança mundial na produção de biocombustíveis 
(BRASIL, [s.d.]b).
39
CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR
 Saiba mais
O Anuário Estatístico da Agroenergia reúne séries históricas dos números 
dos setores sucroalcooleiro, do biodiesel e de algumas oleaginosas usadas 
como matérias‑primas para geração de agroenergia.
Também é possível acompanhar dados atualizados das exportações, 
preços e produção do setor.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Anuário 
Estatístico de Agroenergia 2012: Statistical Yearbook of Agrienergy. 
Secretaria de Produção e Agroenergia. Bilíngue. Brasília: Mapa/ACS, 
2013. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
O gráfico da figura a seguir, extraído do Anuário Estatístico da Agroenergia 2012, apresenta dados 
sobre a variação do consumo de etanol (em litros) no mercado brasileiro:
‑
2.600
5.200
7.800
10.400
13.000
15.600
18.200
20.800
23.400
26.000
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71
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Anos
Anidro Hidratado Total
Figura 11 
1.13 Perspectivas de crescimento do agronegócio
Como mencionamos, o agronegócio pode ser considerado o maior negócio do Brasil, representando 
mais de um terço do PIB no país.
Naturalmente, os fatores relacionados com a maior exploração da tecnologia (e o Brasil se destaca 
neste aspecto, sobretudo através da atuação da Embrapa, como já destacamos) são um dos que mais 
contribuem para o crescimento da produção, no país e no exterior. Os resultados das pesquisas, contudo, 
são normalmente obtidos em longo prazo.
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A tecnologia ligada à agricultura pode ser historiada em diferentes fases. Podemos classificar a 
tecnologia mecânica, desenvolvida no Brasil após os anos 1950, a química, no período compreendido 
entre 1950 e 1990, e a biotecnologia, em desenvolvimento desde os anos 1980.
Esta última inclui a engenharia genética e a cultura de tecidos de plantas e animais, além de ser 
recheada de aspectos polêmicos sob as óticas sociais, religiosas etc.
A tabela a seguir, adaptada a partir dos dados do Food and Agriculture Organization of the United 
Nations Statistics Division, revela dados relacionados com a produtividade agrícola, nos países desenvolvidos 
(PD) e em desenvolvimento (PED), de trigo, milho e arroz no período de 1960 a 2005 em kg/ha:
Tabela 4 
Períodos
Trigo (kg/ha) Milho (kg/ha) Arroz beneficiado (kg/ha)
Mundo PD PED Mundo PD PED Mundo PD PED
Anos 1960 1.208 1.450 0.970 2.160 3.490 1.270 2.075 4.980 1.960
Anos 1970 1.680 1.900 1.350 2.800 4.620 1.640 2.480 5.340 2.380
Anos 1980 2.150 2.270 1.995 3.430 5.500 2.150 3.140 5.515 3.070
Anos 1990 2.580 2.630 2.500 3.990 6.440 2.720 3.670 5.885 3.630
Anos 2000 2.780 2.800 2.750 4.535 7.400 3.050 3.940 6.500 3.870
Fonte: Adaptado de Faostat (2006).
Cabe considerar também que os custos com equipamentos, matérias‑primas, estoques, terras e 
transportes fazem com o que o agronegócio necessite de financiamento regular e constante.
Lembra‑se também dos diferentes ciclos, de alta e baixa, dos preços das commodities, que afetam, 
acima de tudo, as economias dos países emergentes, como é o caso do Brasil.
Esses períodos devem ser acompanhados por adequadas políticas econômicas, capazes de promover 
o desenvolvimento do País.
Com relação ao suprimento mundial de alimentos, as economias com agronegócio 
desenvolvido e estável são aptas a produzir não só para o mercado interno quanto para o 
incremento das exportações.
Estamos, aqui, abordando economias, como as do Reino Unido, do Canadá e dos Estados Unidos.
O Brasil figura entre elas, como indicado neste texto, seja na produção de alimentos, seja nas 
alternativas de energia renovável.
Finalmente, outro fator diretamente associado com o sucesso do agronegócio é o crescimento da 
preocupação com relação ao meio ambiente.
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Segundo Andréa Oliveira:
Entre as principais atualizações do Código Florestal Brasileiro, podemos 
destacar a obrigatoriedade de proteger e usar, de forma sustentável, as 
florestas, consagrando o compromisso do País com a compatibilização 
e a harmonização entre o uso produtivo da terra e a preservação da 
água, do solo e da vegetação. Da mesma forma, incentiva a pesquisa 
científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável 
do solo e da água, a recuperaçãoe a preservação das florestas e demais 
formas de vegetação nativa. Outra alteração bastante significativa foi 
quanto ao uso das faixas marginais de qualquer curso d’água natural, 
perene e intermitente. Foi incluído também o Capítulo III – A, que 
aborda o uso ecologicamente sustentável dos apicuns e salgados, 
estes podendo ser utilizados em atividades de carcinicultura e salinas, 
contanto que se garanta a manutenção da qualidade da água e do solo 
(OLIVEIRA, [s.d.]).
 Saiba mais
Procure conhecer a Lei nº 12.727/2012, que regulamenta o Código 
Florestal Brasileiro, recentemente alterado. Para tanto, acesse:
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos 
Jurídicos. Lei nº 12.727, de 17 de outubro de 2012. Brasília: DF, 2012. 
Disponível em: . Acesso em: 15 out. 2016.
Concluímos apontando que são muito favoráveis as perspectivas de crescimento dos setores ligados 
ao agronegócio no Brasil, contribuindo decisivamente para o atendimento ao mercado interno e como 
um fator fundamental para o crescimento das exportações e dos resultados do país no comércio 
internacional.
2 A QUESTÃO DOS TRANSPORTES NO BRASIL: ENTRAVES LOGÍSTICOS
Tratar das atividades de transporte é abordar uma das áreas infraestruturais de extrema 
importância para a economia brasileira pelo simples motivo de que é através desta atividade 
que se dá o escoamento da produção de mercadorias entre diferentes regiões. Portanto, as 
condições presentes neste quesito impactam decisivamente as decisões dos agentes econômicos 
e também os preços dos bens que são transacionados. Vamos entender um pouco mais desta 
área? Você está convidado.
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Unidade I
2.1 Considerações iniciais
Motta e Ouverney (2014) conceituam infraestrutura econômica:
[...] adotamos o conceito definido pelo Ipea (2010), que compreende o conjunto 
de atividades que condicionam o nível de produtividade e competitividade de 
uma economia, fornecendo, simultaneamente, suporte para os setores produtivos 
e bem‑estar para a sociedade. Dentro desse escopo, por exemplo, incluem‑se os 
setores de transporte (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos), energia, saneamento 
e telecomunicações (MOTTA; OUVERNEY apud PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 65).
Há uma prioridade indisputada ao se abordar a questão da infraestrutura em transportes no Brasil.
Pinheiro e Frischtak (2014, p. 7) comentam que “a forte concentração das nossas exportações em 
granéis sólidos, ou seja, grãos e minérios, torna ainda mais importante a existência de uma infraestrutura 
moderna, eficiente e com capacidade necessária.”
Apesar disso, nada é mais diferente do que a realidade do Brasil nesta metade da segunda década 
do século XXI.
De início, vem a constatação de que o transporte no Brasil, em sua grande maioria, é feito pelo 
modal rodoviário, usualmente tido por vários estudiosos como o mais caro e poluidor.
É nítida a desvantagem competitiva dos produtos brasileiros quando comparados aos internacionais.
A culpa pode ser atribuída, principalmente, às carências e aos problemas com os investimentos em 
nossa infraestrutura de transportes.
Há a comentar, de pronto, a insuficiência e os problemas ocorridos nos investimentos gerados sob a 
“bandeira” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
 Saiba mais
Criado em 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 
promoveu a retomada do planejamento e a execução de grandes obras de 
infraestrutura social, urbana, logística e energética do País, contribuindo 
para o seu desenvolvimento acelerado e sustentável. Para mais informações 
sobre o programa, acesse:
BRASIL. Ministério do Planejamento. Programa de Aceleração do 
Crescimento (PAC). Sobre o PAC. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
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Pinheiro e Frischtak (2014, p. 8) atribuem à burocracia estatal e às constatações de corrupções e 
desvios de recursos financeiros as razões dos parcos resultados.
Dada a sua pequena (para não dizer quase nula) capacidade de investimento, o setor público tentou 
contar com a participação do setor privado através de concessões.
A melhora dos níveis de investimentos demanda a superação de uma série de obstáculos envolvendo 
recuperação da capacidade de grandes empresas, como a Eletrobras e a Petrobras.
Figura 12 – Porto de Suape
2.2 O que atrai os investimentos em infraestrutura?
Muitos estudiosos têm considerado como fatores capazes de ampliar a capacidade de investimento:
• fortalecimento das agências reguladoras;
• retomada de concessões e privatizações;
• expectativas de bons retornos em projetos;
• expansão do mercado de capitais;
• atração de novos players, sejam nacionais, sejam internacionais;
• capitalização de empresas públicas com apetite para os investimentos.
Em 2015, o investimento em infraestrutura (transportes, energia elétrica, telecomunicações e 
saneamento) somou R$ 108,6 bilhões (1,84% do PIB), queda nominal de 17% em relação aos R$ 130,9 
bilhões (2,3% do PIB), aplicados no ano anterior.
Consideram os técnicos, porém, que precisamos investir em torno de 3% do PIB.
O gráfico da figura a seguir, obtido em consulta à publicação especial do jornal Valor Econômico 
sobre infraestrutura em transportes, mostra a evolução dos investimentos desde a década de 1970:
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1971‑1980 1981‑1989 1990‑2000 2001‑2010 2011–2014
2,13
1,47
0,76 0,62
0,69
0,63
0,18
0,70
0,49
0,90
0,19
0,73
0,63
0,15
0,43
1,48
0,24
0,80
2,03
0,46
5,42
3,62
2,27 2,12 2,28
Investimento em infraestrutura
Em
 %
 d
o 
PI
B
Saneamento Transporte Telecomunicações Eletricidade
Figura 13 
É preciso reforço nas fases de definição e de planejamento de concessões. Uma das ideias em voga é 
que quem elabora o projeto deve ficar afastado da concessão. Planeja‑se, também, uma diminuição da 
participação do BNDES nos novos projetos.
De outra parte, a alta taxa de juros é um considerável desestímulo à tomada de capital no mercado.
O setor do agronegócio é um dos mais ansiosos na busca de alternativas para a sustentação e 
ampliação de suas operações internas e, principalmente, exportações.
Os problemas trazidos por uma precária infraestrutura travam as oportunidades de crescimento 
ainda maior nos números do setor, notadamente quanto às exportações.
Se os produtos pudessem ser encaminhados à exportação pelo norte, e não pelo sudeste e sul do País 
(como é, neste início do século XXI, o caso de Santos e Paranaguá), aumentaria a eficiência e tornaria 
mais competitivo o produto nacional na concorrência com o externo.
Muitas empresas relacionadas a esse setor têm investido diretamente na opção de transporte de 
grãos pelas vias fluviais, de forma a reduzir tais custos de transportes.
O problema é configurado pelo fato de que a tonelada de soja, partindo de Sorriso, em Mato Grosso 
do Sul, chega ao porto de Santos com custo de logística de US$ 99. Enquanto isso, o custo dessa 
tonelada, transferida de Illinois, no centro‑oeste dos Estados Unidos da América chega ao porto, ao sul 
de New Orleans, com um custo de US$ 51.
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Figura 14 – Trecho da BR 163
Enquanto nosso transporte é feito através de rodovia, naquele país há uma utilização mais intensa 
da hidrovia. Assim, o produto brasileiro perde muita competitividade quando comparado, em termos de 
preço, com o norte‑americano.
Há esforços de grandes holdings do agronegócio na realização de vultosos investimentos para o uso 
dos rios e escoamento dos produtos pelos portos da região norte do País.
O Rio Tapajós transformou‑se emum canteiro de obras com investimentos de cerca de R$ 2 bilhões 
na constituição de uma infraestrutura hidroviária. Investe‑se, também, na infraestrutura portuária, em 
Miritituba e Santarém, no Pará.
 Saiba mais
Para obter mais informações sobre as hidrovias da região Norte, acesse:
BRASIL. Ministério dos Transportes. Hidrovia Tapajós‑Teles Pires. 
Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (AHIMOR), Belém 
(PA), [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
Highlight
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Unidade I
Figura 15 – Projeto Hidrovias – Rio Tapajós
Estima‑se que poderão ser transportados até 200 milhões de toneladas de grão em dez anos pelos 
terminais da região Norte.
 Lembrete
Os principais rios visados para o transporte dos produtos do agronegócio 
são Madeira, Tapajós e Tocantins.
Os investimentos em infraestrutura guardam, ainda, estreita conexão com a posição do Brasil no 
ranking das agências especializadas na medição do controle de dívida soberana do país.
Segundo o BNDES, diante da possibilidade de frustração de receitas, o valor do financiamento 
concedido tende a ser menor do que o esperado. Existe também retração do mercado de capitais para 
projetos já performados, devido ao alto custo de oportunidade das emissões, e há restrições de crédito 
e custos cobrados pelos agentes financeiros.
Esses fatos podem ser atestados quando se comparam os desembolsos do BNDES para logística 
(rodovias, ferrovias, portos, aeroportos) no período de 2014 a 2016:
Tabela 5 
Ano Desembolsos do BNDES 
(em R$ bi)
2014 11,4
2015 8,3
2016 6,7
O crescimento dos investimentos guarda relação entre o montante aplicado, a tarifa a ser cobrada dos 
usuários da infraestrutura e, naturalmente, a taxa de retorno, que cabe ao acionista do empreendimento.
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Um exemplo de setor que atrai investimentos, mesmo em épocas difíceis, é de geração e transmissão 
de energia eólica.
Este segmento apresenta projetos menos complexos e com receita pouco afetada pelo desempenho 
da economia como um todo. Mesmo neste caso, porém, não são poucos os percalços.
Uma reportagem do Jornal Nacional revela que dos 167 parques eólicos do Brasil, 36 estão 
sem linhas de transmissão, e acrescenta que a energia desperdiçada abasteceria uma cidade do 
tamanho de Fortaleza.
Ainda, segundo a matéria, o vento é a fonte de energia que mais aumenta no Brasil. Entre 
2006 e 2013, a energia do vento cresceu 829%. E deve estar disponível nos próximos anos para 24 
milhões de residências.
Figura 16 – Energia eólica
2.3 Relação entre investimentos em infraestrutura e crescimento econômico
É praticamente consenso a relação direta entre essas duas variáveis. O Fórum Econômico Mundial, 
em 2015, classificou a infraestrutura de transportes brasileira na 77ª posição entre 140 nações que 
foram avaliadas.
De outra parte, a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) estimou, em 2014, em R$ 987 bilhões 
a demanda por investimentos no setor.
Tais indicadores demonstram o grande potencial de retorno no longo prazo, ao considerar a 
possibilidade de exploração pelo setor privado dessas oportunidades de investimentos.
Novamente, voltamos a mencionar a contrapartida representada por problemas, como carência de 
linhas de crédito, dificuldades ou morosidade para liberação de recursos financeiros pelas entidades 
estatais, além da capacidade de absorção de novos projetos, em especial pelas grandes empreiteiras.
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Unidade I
Tal situação é verificada não só em nível federal como também nos estados da Federação.
2.4 Risco regulatório no Brasil
O risco regulatório está relacionado com as negociações ou renegociações entre governos e 
concessionários de serviços. Tais riscos podem ser responsabilizados pela diminuição dos investimentos 
na economia.
A questão tem a ver com as condições da agência reguladora no comprometimento com contratos 
de longo prazo.
 Saiba mais
Existe um modelo econométrico sobre as alternativas de 
comprometimento das agências reguladoras com contratos de serviços de 
longo prazo. Para saber mais sobre o modelo, leia:
CARRASCO, V.; JOAQUIM, G.; MELO, J. M. P. Risco Regulatório no 
Brasil: teoria e mensuração. In: PINHEIRO, A. C.; FRISCHTAK, C. R. Gargalos 
e soluções na infraestrutura de transportes. Rio de Janeiro: FGV Editora, 
2014. p. 22 (e‑book).
Argumentam Pinheiro e Frischtak (2014) que:
[...] uma mesma melhoria na qualidade regulatória pode ter um 
efeito muito maior em um país relativamente desorganizado, porque 
pequenas melhorias afetam muito o lucro das empresas. Já na Suécia, 
uma melhoria regulatória grande pode ter efeito pequeno, porque já 
há uma percepção geral de que não haverá expropriação (PINHEIRO; 
FRISCHTAK, 2014, p. 34).
O modelo econométrico propicia a discussão de diferentes aspectos quanto ao risco regulatório em 
geral, e com aplicações às questões de infraestrutura, em particular, e também é possível fazer uma 
estimativa do retorno adicional requerido por investidores devido ao risco regulatório no Brasil.
Esse risco regulatório pode e deve ser mensurado de modo a não desestimular as aplicações em 
projetos de longo prazo, como são os direcionados para obras de infraestrutura.
Risco dos países mudarem as regras do jogo. Ex: adicionar novo imposto sobre investimento.
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 Saiba mais
O trabalho Risco regulatório no Brasil: Conceito e Contribuição para 
o Debate, de Gabriel G. Fiuza de Bragança (técnico de Planejamento e 
Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e 
da Democracia do Ipea – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada) traz 
mais informações acerca do assunto. Para tanto, acesse:
BRAGANÇA, G. G. F. Risco regulatório no Brasil: conceito e contribuição 
para o debate. Boletim de Análise Político‑Institucional – Ipea, n. 7, jan./
jun. 2015. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
Entre os chamados riscos de regulação, podemos considerar:
• Os que são gerados pela própria existência de regulação: neste caso, as incertezas 
relativas ao processo regulatório e às revisões tarifárias podem determinar mais riscos para 
as empresas.
• Diferença de risco em diferentes modelos regulatórios: regimes regulatórios fundamentados 
fortemente em incentivos, como tetos tarifários, são mais arriscados para as firmas do que os de 
garantia de retorno.
• Risco institucional: a medição do risco é feita dentro de um enfoque pelo qual se deseja avaliar 
o papel de variáveis institucionais no risco ou no retorno esperado das empresas, além de aspectos 
particulares da empresa ou do mercado.
• Risco de intervenções políticas ou regulatórias: neste caso, pretende‑se medir o efeito de 
intervenções governamentais específicas em variáveis, como volatilidade, risco sistemático (beta) 
e retorno esperado.
Os estudos realizados apontam para a existência de risco institucional e intervenções regulatórias 
no Brasil.
Com relação ao primeiro, há um custo de endividamento mais alto de empresas brasileiras no 
exterior, quando comparadas às entidades semelhantes de países com índices melhores de governança 
ou desenvolvimento do mercado financeiro.
Os riscos de intervenções regulatórias são mais altos e, consequentemente, levam a retornos mais 
baixos para as organizações, o que se traduz em um maior custo de capital.
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Unidade I
No geral, tudo isso conduz ao desincentivo ao investimento.Recomenda‑se, então, que, além de 
configurar o investimento em infraestrutura, o Estado deve procurar reforçar as instituições brasileiras 
e reduzir intervenções setoriais inesperadas.
Trata‑se, aqui, de gerenciar, de forma adequada, as expectativas dos agentes econômicos, o que for 
necessário em qualquer tipo de política, macro ou microeconômica.
2.5 Financiamento do investimento privado em infraestrutura
O objetivo de transferência dos investimentos para a responsabilidade do setor privado esbarra na 
capacidade de financiamento para esses agentes.
Como comentam Frischtak e Davies (2014):
A ampliação dos investimentos no país não se dará por mera vontade 
dos governantes, mas por mudanças profundas nas políticas de governo 
e na melhoria da qualidade das instituições. Este certamente parece 
ser o caso da infraestrutura (apud PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 39).
Entre os aspectos fiscais que devem ser previstos para a criação de um ambiente que propicie tais 
transferências de responsabilidades, do setor público para o privado, podem ser mencionados:
• aumento significativo da poupança pública;
• regularidade e disciplina na manutenção das contas do setor público;
• definitiva independência e autonomia das agências reguladoras;
• maior utilização do mercado de capitais, em substituição aos subsídios concedidos pelos 
bancos públicos.
A participação do governo nos financiamentos de infraestrutura tem sido muito alta, chegando a 
quase 80% do total, via BNDES, CEF (Caixa Econômica Federal), através do oferecimento de garantias do 
Tesouro Nacional em operações intermediadas com o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano 
de Desenvolvimento (BID).
Certamente, tal participação gera um enorme estresse sobre as contas públicas.
Sob a ótica do provedor dos recursos financeiros, os obstáculos considerados mais relevantes são 
os riscos de atrasos, e não pagamentos durante a fase de construção e a falta de liquidez de um dos 
importantes instrumentos de captação: as debêntures incentivadas de infraestrutura.
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A respeito das debêntures incentivadas de estrutura:
A emissão do título destina‑se ao financiamento de projetos voltados para 
a implantação, ampliação, manutenção, recuperação ou modernização, 
entre outros, do setor de logística e transporte, no qual está inserido o 
segmento portuário.
Com o lançamento das debêntures de infraestrutura[,] buscou‑se incentivar 
a criação de um funding de longo prazo, via mercado de capitais, como 
alternativa complementar às já existentes. Atualmente, a maior parte dos 
projetos estruturantes, que se caracterizam pelo longo prazo, é financiada 
por meio de recursos públicos.
Em resumo, as principais características das DI são:
1. prazo médio ponderado mínimo de 4 anos;
2. vedação à recompra do título ou valor mobiliário pelo emissor 
ou parte a ele relacionada nos dois primeiros anos após a sua 
emissão e à liquidação antecipada por meio de resgate ou 
pré‑pagamento;
3. inexistência de compromisso de revenda assumido pelo comprador;
4. prazo de pagamento periódico de rendimentos, se existentes, com 
intervalos de, no mínimo, 180 dias;
5. comprovação de que o título ou valor mobiliário esteja registrado em 
sistema de registro devidamente autorizado pelo Banco Central ou 
pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
6. procedimento simplificado que demonstre o compromisso de alocar 
os recursos captados no pagamento futuro ou no reembolso de gastos, 
despesas ou dívidas relacionadas aos projetos de investimento;
7. a debênture incentivada é remunerada por taxa de juros 
prefixada, vinculada ao índice de preço ou à taxa referencial (TR), 
vedada a pactuação total ou parcial de taxa de juros pós‑fixada 
(MESQUITA, 2016).
Uma das opções bem‑avaliadas quanto aos financiamentos é o que se apoia nas estruturas 
de project finance, que, no País, ainda enfrentam barreiras devido à carência de seguros para o 
suporte às operações.
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Pinheiro e Frischtak (2014) comentam:
É inquestionável que se investe pouco em infraestrutura no Brasil. Mesmo 
para uma economia madura e um sistema de infraestrutura relativamente 
denso, com necessidades atendidas, calcula‑se que o investimento total em 
infraestrutura para compensar a depreciação do capital fixo per capita é da 
ordem de 3% do PIB (PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 41).
Tabela 6 – Brasil – Investimento em infraestrutura por setor 
Σ2001-12, em R$ bilhões correntes
Segmento R$ bilhões % PIB1
Energia elétrica 201,7 0,63
Telecomunicações 195,8 0,61
Saneamento 60,4 0,19
Transportes 234,8 0,73
Rodoviário 136,6 0,42
Ferroviário 41,1 0,13
Metroviário 20,8 0,06
Aeroportuário 9,4 0,03
Portuário 23,9 0,07
Hidroviário 3,1 0,01
Total 692,8 2,16
Fonte: Pinheiro; Frischtak (2014, p. 43).
Há, também, a preocupação com a qualidade dos investimentos, considerando que os projetos 
são escolhidos com base em critérios não relacionados com ganhos de bem‑estar, devido a erros ou 
processos indevidos na execução.
Tais investimentos, por isso, não costumam ser vistos como uma melhora da oferta de serviços de 
infraestrutura.
É a materialização do que se costuma criticar sob as condições de:
• graves problemas de mobilidade urbana;
• congestionamentos em aeroportos;
• má qualidade das estradas;
• dificuldades de acessos aos portos.
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De acordo com Pinheiro e Frischtak (2014):
Utilizando a folga fiscal propiciada pela disciplina imposta pela Lei de 
Responsabilidade Fiscal (maio de 2000), pelas reformas dos anos 1990‑2005 
e por um superciclo de commodities que inverteu os termos de troca 
e ampliou as receitas do governo, o PAC foi pensado inicialmente como 
um instrumento para ampliar a taxa de investimento. Ao final de 2008, e 
tendo por referência o conceito de política fiscal anticíclica[,] adicionou‑se 
uma nova função ao PAC: impulsionar a demanda agregada (PINHEIRO; 
FRISCHTAK, 2014, p. 45).
De qualquer forma, verifica‑se que os investimentos sob o comando do setor privado têm sido 
ampliados (veja a tabela a seguir) sistematicamente após a crise 2008/2009. Entretanto, foram 
consideradas insuficientes, as carências de qualidade dos serviços, notadamente os relacionados 
com transportes.
Tabela 7 – Investimento em infraestrutura de transportes 
por instância pública e privada 2007–2015, em R$ bilhões e % do PIB
Setor 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Governo Federal (OGU)
R$ bi 6,6 7,4 10,7 15,7 13,3 10,9
% PIB 0,25 0,25 0,33 0,42 0,32 0,25
Empresas estatais federais
R$ bi 0,6 0,4 0,4 0,6 1,1 1,7
% PIB 0,02 0,01 0,01 0,02 0,03 0,04
Empresas estaduais e autarquias
R$ bi 4,3 7,2 11,9 10,8 7,4 8,4
% PIB 0,16 0,24 0,37 0,29 0,18 0,19
Empresas privadas
R$ bi 5,8 7,9 6,3 10,1 11,6 17,4
% PIB 0,22 0,26 0,19 0,27 0,28 0,39
Investimento total
R$ bi 17,3 23,0 29,3 37,1 33,4 38,4
% PIB 0,65 0,76 0,90 0,99 0,81 0,87
Fonte: Pinheiro; Frischtak (2014, p. 46).
A oferta de crédito no País, como um todo, apesar de ter crescido, ainda é insuficiente para atender 
às demandas da sociedade, lembrando‑se de que os bancos comerciais concentram suas operações no 
curto prazo.
No caso específico dos transportes, admite‑se que é transitória a predominância do setor público no 
total de investimentos do setor, à medida que crescem as expectativas de concessões e privatizações, as 
Parcerias Público‑Privadas (PPPs) em rodovias, aeroportos, portos e ferrovias.
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Unidade I
 Saiba mais
Há uma ampla discussão sobre os processos de concessões rodoviárias 
no Brasil. Para saber mais acerca do assunto, leia:
DUTRA, J.; MENEZES, F.; SAMPAIO, P. Regulação e concorrência em 
concessõesrodoviárias no Brasil. In: PINHEIRO, A. C.; FRISCHTAK, C. R. 
Gargalos e soluções na infraestrutura de transportes. Rio de Janeiro: FGV 
Editora, 2014 (e‑book).
Devolve‑se a preocupação para a definição de novos e modernos instrumentos de captação 
de recursos financeiros nos mercados através, por exemplo, das debêntures incentivadas, 
mencionadas anteriormente.
Afinal, tais papéis oferecem boa segurança e rentabilidade ao aplicador, tendo em vista a escassez 
relativa de ativos de infraestrutura e pela sua capacidade de geração de caixa.
Não podemos, contudo, olvidar os riscos aos portadores dessas debêntures na fase de implementação 
do projeto, considerando as restrições que vão se tornando cada vez mais complexas no tocante a 
licenciamento ambiental, desapropriação fundiária e baixa liquidez no mercado secundário de capitais.
 Observação
As operações nos mercados de capitais ocorrem nos chamados mercado 
primário e secundário.
No primário, temos os lançamentos de novas ações ou debêntures 
no mercado necessários à abertura ou expansão de capital para cobrir os 
investimentos pretendidos pelas empresas.
O secundário, refletido pela atuação da bolsa de valores, visa propiciar 
liquidez aos títulos negociados, com a definição de um preço justo, formado 
pela interação da oferta e da demanda do mercado.
Essas considerações dão corpo à ideia de estruturação de operações sob a forma de project finance 
– um tipo de engenharia/colaboração financeira sustentado contratualmente pelo fluxo de caixa de um 
projeto, servindo como garantia à referida colaboração, a ativos desse projeto a serem adquiridos e aos 
valores recebíveis ao longo do projeto.
Os contratos de project finance, como veremos mais adiante, são baseados na análise e na 
quantificação dos riscos envolvidos cujo objetivo básico é o de prever qualquer variação no fluxo de 
Mercado primário: IPO, onde a empresa lança o ativo
Mercado secundário: bolsa, onde o ativo é comercializado entre acionistas
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caixa do projeto, minimizando os riscos através de obrigações contratuais. Trata‑se de uma modalidade 
de apoio mais comum a projetos de grande porte, normalmente para o setor de infraestrutura, como 
usinas, estradas, projetos de saneamento básico e outros.
Para os investidores ou patrocinadores, o project finance ainda oferece o atrativo do modelo non 
recourse, que limita sua responsabilidade aos capitais aportados, sem direito de regresso.
 Saiba mais
Para saber mais acerca de project finance, acesse:
BORGES, L. F. X. Project finance e infraestrutura: descrição e críticas. 
Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
2.6 Infraestrutura e sustentabilidade ambiental
Os projetos de infraestrutura apresentam como uma de suas distinguíveis características o 
fato de conterem sunks costs elevados, demandando longos períodos de retorno financeiro ao 
capital investido.
 Observação
Sandroni (2005, p. 805) assim define sunk costs: “expressão em inglês 
que significa que se um produto novo não passa pelo teste de mercado, o 
investimento inicial feito para a sua produção não tem um uso alternativo.”
Apesar de propiciarem grandes ganhos sociais e financeiros, esses projetos acarretam custos externos 
ambientais de monta.
Tais externalidades fazem com que esses programas estejam sempre em oposição aos objetivos de 
sustentabilidade ambiental.
Há os efeitos ambientais diretos, relacionados apenas com o projeto, usualmente de curto prazo e 
associados à fase de construção.
Os impactos indiretos decorrem da interação das iniciativas de infraestrutura no espaço e no tempo 
e, dessa forma, demandam a análise dos impactos de sua operação no desenvolvimento da base de 
recursos ambientais.
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O Brasil é reconhecido por seu desempenho ambiental no uso de energias renováveis, como 
hidroeletricidade e etanol, criação de unidades de conservação e redução do desmatamento na 
Amazônia. É, de fato, entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) o país de melhor 
desempenho nesses quesitos.
Contudo, há um constante debate incriminando o processo de licenciamento ambiental e colocando‑o 
entre os vilões que justificam os atrasos nos empreendimentos de infraestrutura no País.
A análise do licenciamento envolve um conjunto amplo de leis de proteção ambiental 
(biodiversidade, água etc.) e de instituições (ambientes, patrimônio, indígenas etc.) que podem 
interferir no projeto em qualquer fase do licenciamento e, por isso, resultam em um processo 
complexo e demorado.
Pinheiro e Frischtak (2014) comentam ainda que:
[...] existem conflitos de competência ambiental entre União e estados 
federados. Isso tudo cria um ambiente do qual resultam soluções negociadas 
que incluem investimentos não ambientais na forma de compensações 
(construção de escolas, hospitais etc.), portanto, gastos que, não estando 
diretamente relacionados com o impacto ambiental, acabam por criar 
incerteza no valor total da obra e atraso em sua execução (PINHEIRO; 
FRISCHTAK, 2014, p. 70).
O Banco Mundial, em 2008, apresentou estudos indicando que os agentes públicos responsáveis 
pela outorga das licenças vivem sob a ameaça de sofrer processos administrativos com base nas 
Leis de Crimes Ambientais e Improbidade Administrativa, que lhes atribuem responsabilidade penal 
ainda que possam agir de boa‑fé em circunstâncias complexas. Com isso, fica mais demorado o 
processo de licenciamento.
Esse panorama faz com que seja muito difícil o desenvolvimento dos processos relacionados aos 
projetos de infraestrutura no País.
2.7 A influência da infraestrutura sobre as exportações brasileiras
Quando se debate a política comercial praticada no Brasil, vem à mente a questão do protecionismo e 
das barreiras impostas ao livre comércio – tarifárias ou não. Mencionam‑se os acordos de livre comércio 
sempre discutidos nos fóruns da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Tal ênfase foi diminuindo à medida que avançou o processo de liberalização comercial, não só no 
Brasil como em outros países latino‑americanos. Mas outros obstáculos passaram à ordem do dia nessas 
discussões. Estamos nos referindo aos custos de transportes e aos entraves de natureza administrativa 
nas regiões de fronteira.
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Pinheiro e Frischtak (2014), citando Mesquita Moreira, Volpe e Blyde, analisam:
Sua importância crescente reflete, por um lado, um desenvolvimento 
precário e regionalmente desbalanceado da infraestrutura de transporte e, 
por outro, a crescente especialização da América Latina em bens intensivos 
em transporte, sejam commodities, sejam bens manufaturados “pesados” 
ou de rápida entrega, reflexo da emergência asiática na economia mundial 
(PINHEIRO; FRISCHTAK; 2014, p. 128).
O que se conclui é que os ganhos de exportação em virtude de diminuição dos valores dos 
fretes internacionais podem ser, muitas vezes, superiores a uma subtração equivalente nas 
barreiras tarifárias.
Referimo‑nos, basicamente, aos custos de envio da mercadoria desde o local onde é produzida até 
a alfândega.
Maurício Mesquita Moreira, em Pinheiro e Frischtak (2014), discute um modelo econométrico visando 
estimar a relação entre esses custos e o montante e a diversificação das exportações.
Para tanto, estimou uma equação que relaciona exportações municipais no nível de produto com 
seus custos de transporte ad valorem até a alfândega e com outras características dos municípios 
(vantagens comparativas e instituições), dos produtos (dimensão e transportabilidade) e das alfândegas 
(especialização portuária capaz de afetar as exportações).
O estudoconclui que a maioria dos ganhos se concentraria nos municípios das regiões Norte e 
Centro‑Oeste, gerando aumento de exportações, em média, de 13% e 12%, respectivamente, exatamente 
as regiões de maior desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
No caso da região Sudeste, os maiores benefícios seriam trazidos pela redução do congestionamento 
do tráfego.
2.8 Questões relacionadas a outros modais de transportes
2.8.1 Cabotagem
A cabotagem, navegação entre portos do mesmo país – e se contrapõe à navegação de longo curso 
–, é realizada entre portos de diferentes países. É apontada como um modal promissor, tendo em vista 
que o Brasil possui uma extensa costa navegável, e as principais cidades, polos industriais e grandes 
centros consumidores se concentram no litoral ou próximos a ele.
A enorme extensão da costa brasileira coloca‑a, naturalmente, como uma importante opção de 
transporte para a melhoria da eficiência da distribuição dos produtos, seja no próprio Brasil, seja 
via exportações.
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transporte marítimo entre portos pelo litoral
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 Observação
A fronteira marítima brasileira contempla uma extensão de 7.408 
quilômetros de costa.
Reclama‑se dos regulamentos sobre o transporte marítimo, que, por exemplo, não permitem a 
compra de navios estrangeiros, o que poderia trazer saudáveis reduções do custo de frete para o 
produto brasileiro.
Como indicam Pinheiro e Frischtak (2014) sobre a cabotagem:
Poder‑se‑ia também acrescentar que este modo, assim como o ferroviário, 
compete de maneira desigual com o transporte rodoviário, pois se beneficia 
da falta de fiscalização nas rodovias e dos subsídios concedidos ao óleo 
diesel e ao pedágio de carga.
Devido a esses entraves, além dos conhecidos problemas de 
congestionamento dos portos brasileiros, a participação da cabotagem 
nos fretes internos continua bem abaixo de 1% (PINHEIRO; FRISCHTAK, 
2014, p. 144).
 Saiba mais
Para conhecer mais a respeito do transporte de cabotagem e suas 
dificuldades no Brasil, acesse:
DIAS, J. R. M. Fatores que inibem o desenvolvimento da cabotagem no 
Brasil – visão do usuário. Apresentação feita no seminário sobre cabotagem 
da Antaq, Brasília: Antaq, ago. 2009. Disponível em: Disponível em: . 
Acesso em: 23 set. 2016.
2.8.2 Modal aeroportuário
O Brasil posiciona‑se muito desfavoravelmente quando se trata de comparações de competitividade 
em termos de transporte aéreo.
De uma forma global, em vários países e regiões, esse tipo de transporte vem experimentando forte 
aumento da demanda, até maiores do que as que ocorreram no Brasil.
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Segundo Pinheiro e Frischtak (2014):
Esses desdobramentos positivos na aviação, entretanto, não encontraram 
correspondência no avanço da infraestrutura portuária que, se tivesse 
ocorrido a contento, poderia ter potencializado esse crescimento, em bases 
mais sustentáveis e com menor sacrifício da qualidade percebida, [e] o 
crescimento da demanda não serve como justificativa para os problemas 
dos aeroportos brasileiros (PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 163).
O gráfico da figura a seguir apresenta os investimentos da Infraero no período de 2000 a 2012:
0
2000 2001 2002 2003 2004
Dotação Realizado
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
Investimento da Infraero, 2000‑12
R$
 m
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an
te
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e 
20
12
 D
GP
–D
I
170 246 189 84 70
408
856 721
465 512
743
1.213 1.347
Figura 17 
 Lembrete
A Infraero é uma empresa pública federal brasileira de administração 
indireta vinculada à Secretaria de Aviação Civil.
A operação direta dos aeroportos pelo Estado tem sido justificada por razões estratégicas, que são 
colocadas superiormente em relação às especificações técnicas e econômicas.
A criação da Anac se deu em 2005, substituindo a Secretaria de Aviação Civil (SAC), prevendo novos 
procedimentos e controles regulatórios.
Pinheiro e Frischtak (2014, p. 168) indicam que “a operação estatal implica custo de oportunidade de 
alocação de recursos públicos escassos em outras áreas, como educação e saúde.”
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Unidade I
Destarte, tal como em outros modais, espera‑se uma participação cada vez maior da exploração 
diretamente pelo setor privado, mantendo‑se a propriedade como pública (veja o quadro a seguir):
Quadro 2 – Alguns modelos de distribuição da propriedade e da operação hoje existentes
Operação
Pública Corporação sem 
fins lucrativos Privada/concessões
Pública
Brasil, Espanha, 
Cingapura, Finlândia, 
Suécia e EUA
Canadá
Chile, Brasil (novo modelo), 
Argentina, Chile, Uruguai, 
Peru, Turquia (Instanbul, 
Atatük), Egito (Cairo) e Índia 
(Nova Delhi e Mumbai)
Parcialmente privada
Roma (Itália), Frankfurt 
(Alemanha), Zurique (Suíça)
Totalmente privada
Maioria dos aeroportos no 
Reino Unido, Austrália e 
Nova Zelândia
Fonte: Pinheiro; Frischtak (2014, p. 171).
É ainda Pinheiro e Frischtak (2014) que, a respeito dessa operação pelo setor privado, argumentam:
Antes tratado como um monopólio natural típico, cuja função primordial 
era prover infraestrutura para receber carga e passageiro, hoje, em muitos 
lugares, o aeroporto é tratado como um modelo de negócio tipicamente 
comercial, que é capaz de gerar várias receitas e até mesmo concorrer em 
diferentes dimensões (PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 173).
O novo modelo aeroportuário brasileiro prevê um incremento da participação do setor privado, exemplificado 
pela concessão de um aeroporto federal, o de São Gonçalo do Amarante (Asga) e rodadas posteriores.
É preciso certa celeridade, considerando que o crescimento da demanda no setor em épocas recentes 
provocou, em momentos de crises, o que ficou denominado como “apagão aéreo”.
A respeito dos incentivos à maior atuação do capital privado, Pinheiro e Frischtak (2014, p. 200) 
elucidam que a consolidação de uma regulação mais previsível e independente e a definição do modelo 
das futuras licitações, menos suscetível a intervenções discricionárias, como se observou recentemente, 
são fatores‑chave para a consolidação eficiente do setor.
2.8.3 Setor ferroviário
As ferrovias brasileiras foram instaladas a partir da segunda metade do século XIX, com a expectativa 
de uma taxa de retorno predeterminada, muitas vezes independente do fluxo de transporte (o risco de 
demanda era assumido pelo Estado).
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As garantias de retorno dadas às concessionárias mostraram‑se por demais onerosas para o Tesouro, 
especialmente quando choques externos causavam simultaneamente queda no preço das exportações 
e fortes desvalorizações da moeda nacional (PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 206).
Figura 18 – Transporte de cargas por ferrovias
A estatização do setor aconteceu desde o início do século XX e até os anos 1980, materializada, por 
exemplo, pela criação da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) em 1957.
Como uma característica mais ou menos genérica dos serviços públicos, as tarifas não 
acompanharam as taxas de inflação. Nesse período, todavia, os investimentos tinham como prioridade 
a malha rodoviária.
O processo de privatização ocorreu nos anos 1990, iniciado com o leilão da RFFSA, que prosseguiu 
até a privatização da Fepasa. Posteriormente, a criação da empresa Valec passou a representar um início 
de reestruturação do marco regulatório do setor.
Apesar do sucesso atribuído às privatizações do setor, persistem significativos problemas, como:
• gargalos no acesso aos principais portos;
• pequenas áreas reservadas para a descarga dos trens;
• demora para a entrada e saída dos portos;• inúmeras passagens de nível, inclusive com as vias férreas cruzando ruas e estradas;
• áreas degradadas em torno das vias férreas.
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 Saiba mais
O assunto da regulação do setor notadamente a partir da reforma 
estabelecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), desde 
2011, pode ser estudado com maior riqueza de detalhes e informações em:
PINHEIRO, A. C.; FRISCHTAK, C. R. A Nova reforma regulatória do setor 
ferroviário. In: Gargalos e soluções na infraestrutura de transportes. Rio de 
Janeiro: FGV Editora, 2014 (e‑book).
2.8.4 Modal hidroviário
Este é o meio considerado, genericamente, como o mais barato, até por consumir menos energia 
do que os outros. Por conta disso, costuma sempre ser lembrado quando se fala em transportes a 
longas distâncias.
Essa condição propicia o transporte de produtos de baixo valor agregado e com grandes 
volumes, visto que, nessa situação, o transporte representa um percentual significativo do 
valor comercializado.
277,9
57,9
60,9
61,6
293,2 301,5
265,0 56,0
57,0
58,0
59,0
60,0
61,0
62,0
270,0
275,0
280,0
Ano 2010
Ferrovias Hidrovias
Ano 2011 Ano 2012
285,0
290,0
295,0
300,0
305,0
Bi
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Bi
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TK
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Tonelada útil transportada (TKU) por modal – 2010‑12
TK
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Figura 19 
Nada obstante, o meio mais utilizado para o transporte de cargas no Brasil ainda é o rodoviário.
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 Observação
O modal hidroviário compreende as alternativas de transporte 
marítimas, fluviais e lacustres (as duas últimas referem‑se ao transporte 
hidroviário interior).
Os rios brasileiros, caudalosos, apresentam as restrições das quedas e das cachoeiras para utilização 
como meio de transporte. Eles já foram vistos, aliás, desde o Segundo Império, como uma alternativa 
para a integração norte‑sul do País, o que revela uma certa precocidade na sua visualização como modal 
competitivo para o transporte de pessoas e, principalmente, de cargas.
Posteriormente, admitiu‑se a impossibilidade de utilização mais intensa desse meio, dadas as 
mudanças da matriz produtiva e econômica do País, originando a prevalência das ferrovias.
Pinheiro e Frischtak (2014, p. 245) mencionam que “a competitividade trazida pela ferrovia influencia 
o planejamento dos transportes brasileiros daquela época, levando à substituição das interconexões 
fluviais por novas linhas férreas.”
As características dos rios brasileiros demandam a realização de obras para torná‑los mais navegáveis 
e garantir, por exemplo, que o movimento das embarcações não comprometa o seu uso para outros fins, 
relacionados à sobrevivência humana e animal.
Assim, a hidrovia é um rio navegável que conta com intervenções diversas e normatizações necessárias 
para garantir, além da segurança para a navegação, a sustentabilidade do recurso e o uso múltiplo das 
águas (PINHEIRO; FRISCHTAK, 2014, p. 248).
Entre os exemplos da realidade brasileira, podemos mencionar a bacia hidrográfica do Rio São 
Francisco cuja exploração iniciou‑se já no século XVI, com a plantação de cana‑de‑açúcar, a pecuária 
bovina e a extração mineral no Alto São Francisco.
Outro exemplo é constituído pela hidrovia do Rio Madeira, uma importante alternativa para o 
escoamento da produção de grãos no Mato Grosso.
2.8.5 Comparações de custos entre os diferentes modais
Estudos indicados por Pinheiro e Frischtak (2014) revelam que o custo de uma ferrovia começa 
a rivalizar com a rodovia quando há volumes de carga acima de 350 mil toneladas mensais, e que o 
modal hidroviário costuma apresentar um custo‑benefício melhor ao ser comparado a transportes com 
rodovias ou ferrovias.
O gráfico da figura a seguir compara os custos entre ferrovia e hidrovia:
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Ferrovia 
5 milhões 
t/ano
Hidrovia 
5 milhões 
t/ano
Ferrovia 
10 milhões 
t/ano
Hidrovia 
10 milhões 
t/ano
20
30
40
50
60
R$/t
Comparação de custos entre ferrovia e rio navegável
57
35
16 16
Infraestrutura Transbordo Combustível Veículos
Figura 20 
 Saiba mais
Informações detalhadas sobre a opção de transporte via hidrovia são 
apresentadas no capítulo 8. Para tanto, leia:
POMPERMAYER, F. M. et al. Hidrovias brasileiras: elevado potencial, 
mas por que não são implantadas? In: PINHEIRO, A. C.; FRISCHTAK, C. R. 
Gargalos e soluções na infraestrutura de transportes. Rio de Janeiro: FGV 
Editora, 2014 (e‑book).
Ainda, relacionado a esse assunto, sugere‑se a leitura do capítulo 
imediatamente posterior:
GUIMARÃES E. A. Regulação dos portos no Brasil: evolução e perspectivas. 
In: PINHEIRO, A. C.; FRISCHTAK, C. R. Gargalos e soluções na infraestrutura 
de transportes. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2014 (e‑book).
3 RELAÇÕES DE TRABALHO, EMPREGO E REGULAÇÃO NO BRASIL
Sabemos que a economia é uma atividade baseada em trocas. Para tanto, produção deve ocorrer, 
mas sem um elemento importante neste processo ela não acontece. O elemento principal dos processos 
de produção é o trabalhador e, portanto, o entendimento de alguns aspectos relacionados às relações 
de trabalho se faz necessário. É este nosso caminho agora.
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3.1 Considerações iniciais
As relações de trabalho podem ser compreendidas como os vínculos que acabam sendo estabelecidos 
no momento e no local em que ocorre a interação do trabalho. Trata‑se do relacionamento entre o 
trabalho (com base no emprego fornecido pela mão de obra, um dos fatores de produção) e o capital 
(que constitui a demanda para a concretização de uma atividade).
O grande instrumento regulador dessa relação é o contrato de trabalho, em que são acordados os 
direitos e as obrigações de cada parte (empregado e empregador).
A figura a seguir mostra a hierarquia obedecida nas decisões e nos procedimentos de regulação, 
controle e fiscalização do trabalho:
C.F.
Leis ordinárias
N.R.
Legislativo
Executivo
Figura 21 
É de responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego a publicação e a divulgação das NRs 
(Normas Regulamentadoras).
3.2 Evolução das relações de trabalho
Iniciamos com o advento da Revolução Industrial, surgida na Inglaterra em meados do século XVIII 
e que se expandiu para o mundo a partir do século seguinte.
A partir dela, foram alteradas de forma radical as relações sociais e econômicas no meio urbano (até por força 
do aumento ocorrido neste ambiente devido à migração do campo) e as condições de vida dos trabalhadores.
Esse deslocamento do meio rural para o urbano ocasionou enormes concentrações populacionais, 
determinando, a seguir, o excesso de mão de obra e, por consequência, o desemprego.
São notórias as difíceis condições de trabalho naquele período.
As primeiras máquinas utilizadas na produção das manufaturas e fábricas eram experimentais, o que 
facilitava a ocorrência, relativamente frequente, dos acidentes de trabalho.
Assim, os operários, desprovidos de equipamento de segurança, eram atingidos por constantes 
explosões e eram vítimas de mutilações; em contrapartida, não recebiam nenhum suporte de assistência 
médica, nem seguridade social.
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Foi nesse contexto que começaram a surgir os primeiros protestos por mudanças nas jornadas e 
relações de trabalho.
Reconhecida como a primeira lei trabalhista, o Moral and Health Act foi promulgado na Inglaterra 
por iniciativa do então primeiro‑ministro, Robert Peel, em 1802, que estabeleceu:
• duração máxima da jornada de trabalho infantil em 12 horas;
• proibição de trabalho em período noturno.
Cresceram os movimentos socialistas, preocupados em resolveras insatisfações e aos requerimentos 
de igualdade pelos trabalhadores.
Tais condições precárias de trabalho foram o combustível que alimentou as ideias de Karl Marx 
e Friedrich Engels, que, em 1848, publicaram o Manifesto comunista, considerado como o primeiro 
documento histórico a discutir os direitos do trabalhador.
Temendo adesões às causas socialistas, o chanceler alemão Otto von Bismarck impulsionou, em 
1881, a criação de uma legislação social voltada para a segurança do trabalhador.
Ele foi o primeiro a obrigar empresas a subscreverem apólices de seguros contra acidentes de 
trabalho, incapacidade, velhice e doenças, além de reconhecer a existência de sindicatos.
Essa iniciativa abriu um precedente para a criação da responsabilidade social de Estado, que foi 
seguida por muitos países ao longo do século XX.
Por todo o mundo, a luta pelos direitos sociais começava a dar resultados.
Na América, não foi diferente: a Constituição do México, promulgada em 1917, foi a primeira 
da História a prever a limitação da jornada de trabalho para oito horas, a regulamentação 
do trabalho da mulher e do menor de idade, férias remuneradas e proteção do direito da 
maternidade. Logo depois, a partir de 1919, as Constituições dos países europeus consagravam 
esses mesmos direitos.
Após a Primeira Guerra Mundial, o Tratado de Versalhes, que garantiu a criação da Organização 
Internacional de Trabalho (OIT), promoveu a formação de um Direito do Trabalho mundial.
Àquela época, o conflito entre o capital e o trabalho era visto como uma das principais causas dos 
desajustes sociais e econômicos que motivaram a eclosão da guerra.
No Brasil, o trabalho livre e assalariado ganhou espaço após a abolição da escravatura, em 1888, e 
com a vinda dos imigrantes europeus para o País.
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Contudo, as condições impostas eram muito ruins, gerando as discussões iniciais sobre leis 
trabalhistas. O atraso da sociedade brasileira em relação a esses direitos impulsionou a organização dos 
trabalhadores, formando o que viriam a ser os primeiros sindicatos brasileiros.
O Ministério do Trabalho surge em 1930, por iniciativa de Getúlio Vargas.
As primeiras normas trabalhistas surgiram no País a partir da última década do século XIX, 
caso do Decreto nº 1.313, de 1891, que regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. Em 
1912 foi fundada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), durante o 4º Congresso Operário 
Brasileiro, que tinha o objetivo de reunir as reivindicações operárias, como: jornada de trabalho 
de 8 horas, fixação do salário mínimo, indenização para acidentes, contratos coletivos ao invés de 
individuais, dentre outros.
Assim, a política trabalhista brasileira toma forma mais duradoura após a Revolução de 1930, no 
momento em que Getúlio Vargas encerrou a Velha República, em vigor desde a Proclamação, em 1889, 
notadamente após a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.
A Constituição de 1934 foi a primeira a tratar de Direito do Trabalho no Brasil, assegurando, então, 
liberdade sindical, salário mínimo, jornada de 8 horas, repouso semanal, férias anuais remuneradas, 
proteção do trabalho feminino e infantil e isonomia salarial.
O termo “Justiça do Trabalho” também apareceu a princípio na Constituição de 1934. Essa justiça 
especializada foi mantida na Carta Magna de 1937, mas só foi instalada de fato em 1941.
A necessidade de reunir as normas trabalhistas em um único código abriu espaço para Consolidação 
das Leis do Trabalho (CLT), criada no dia 1º de maio de 1943.
Em 1948, foi criada a OMS (Organização Mundial de Saúde), preocupada, principalmente, com a 
saúde e a segurança no trabalho.
Entre os anos 1940 e 1953, a classe operária duplicou seu contingente. Aos poucos, também iam 
nascendo os sindicatos rurais.
De 1960 a 1970, surgem movimentos sindicais com reinvindicações dos trabalhadores na Alemanha, 
França, Inglaterra, Estados Unidos e Itália.
Atendendo ao convite do governo brasileiro, técnicos da OIT estudavam as condições de segurança 
e higiene do trabalho no País.
O golpe militar de 1964 representou a mais dura repressão enfrentada pela classe trabalhadora 
do País. As intervenções atingiram sindicatos em todo o Brasil e o ápice foi o Decreto nº 4.330, 
conhecido como “lei antigreve”, impondo tantas regras para realizar uma paralisação, que, na prática, 
elas tornaram‑se proibidas.
Highlight
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Uma das inovações na legislação trabalhista nesse período, em 1967, foi a instituição do 
FGTS, um mecanismo que ampliava o poder de demissão das empresas e que, aliado às práticas 
autoritárias e repressivas de gestão e à proibição das greves, fortalecia o grau de submissão 
dos trabalhadores.
Depois de anos sofrendo cassações, prisões, torturas e assassinatos, em 1970 a classe trabalhadora 
viu surgir um novo sindicalismo, concentrado no ABCD paulista. Com uma grande greve em 1978, os 
operários de São Bernardo do Campo (SP) desafiaram o regime militar e iniciaram uma resistência que 
se estendeu por todo o País.
 Lembrete
Após o fim da ditadura, em 1985, as conquistas dos trabalhadores foram 
restabelecidas.
Posteriormente, a Lei nº 7.783/89 instituiu o direito de greve e a livre associação sindical e profissional.
Os anos de 1990 trouxeram grandes transformações na economia brasileira.
Os novos padrões tecnológicos e competitivos do comércio global afetaram as empresas, 
outrora protegidas por reserva de mercado e o movimento sindical, forçando modificações 
nas estratégias empresariais, na gestão do trabalho, no perfil do mercado de trabalho e na 
legislação trabalhista.
As mudanças estruturais na economia brasileira nesse período, como a abertura comercial iniciada 
pelo governo Collor e ampliada no de Fernando Henrique Cardoso, romperam com a política de 
substituição de importações praticada desde 1930.
Essa experiência de adaptação competitiva ao mercado global deu início a processos generalizados 
de reestruturação produtiva dentro das empresas, como fechamento de fábricas, enxugamento de 
plantas, redução de hierarquias, concentração da produção nas áreas ou produtos de maior retorno, 
terceirização, modernização tecnológica e redefinição organizacional dos processos, resultando em 
demissão em massa.
No início do século XXI, favorecido pelo crescimento da economia internacional e nacional, foram 
sendo reduzidos de forma significativa os índices de desemprego no País, que voltaram a aumentar a 
partir da segunda década do século.
3.3 Participação dos organismos internacionais
A OIT – Organização Internacional do Trabalho foi criada após o término da Primeira Guerra Mundial, 
em 1919, como parte do Tratado de Versalhes.
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CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR
 Lembrete
Assinado em 28 de junho de 1919, o Tratado de Versalhes foi um acordo 
de paz assinado pelos países europeus após o fim da Primeira Guerra 
Mundial (1914‑1918).
Durante as discussões para a formação da OIT, franceses e italianos objetivavam valorizar o papel 
desempenhado pelo governo.
Os norte‑americanos consideravam relevante a atuação dos empregados e empregadores, consoante 
ao modelo liberal de não intervenção do estado estatal.
Foi vitoriosa a posição inglesa, uma espécie de meio‑termo, ou seja, a OIT tem uma participação 
tripartite (governos, trabalhadores e empregadores), possuindo uma produção normativa muito intensa, 
abarcando, em quase todas as partes do mundo, os principais problemas relativos ao trabalho na 
contemporaneidade.
De fato, é inquestionável a importância da Organização Internacional do Trabalho e de outras instituições 
internacionais no processo evolutivo do direito do trabalho e dos direitos sociais no mundo inteiro.
As normas produzidaspela OIT − tanto as convenções como as recomendações − contribuíram 
efetivamente para a aprovação de leis e regulamentos nos ordenamentos jurídicos de diversos países, 
inclusive do Brasil.
 Observação
Conforme a teoria, as economias baseadas na livre iniciativa dos agentes 
econômicos levam a resultados mais eficientes nos processos de produção 
e distribuição de bens e serviços.
Opondo‑se a essa alternativa, há os sistemas centralizados cuja 
produção e distribuição dos bens e serviços são comandadas por órgãos 
diretivos, que elaboram e executam planos e orçamentos periódicos.
As oito Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) são:
• Trabalho Forçado ou Obrigatório, 1930 (nº 29).
• Liberdade Sindical e Proteção do Direito Sindical, 1948 (nº 87).
• Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva, 1949 (nº 98).
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Unidade I
• Igualdade de Remuneração de Homens e Mulheres Trabalhadores por Trabalho de Igual Valor, 
1951 (nº 100).
• Abolição do Trabalho Forçado, 1957 (nº 105).
• Discriminação em Matéria de Emprego e Ocupação, 1958 (nº 111).
• Idade Mínima para Admissão a Emprego, 1973 (nº 138).
• Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e a Ação Imediata para a sua Eliminação, 
1999 (nº 182).
3.4 Produtividade e reforma trabalhista
A reforma trabalhista no Brasil tornou‑se matéria prioritária na agenda nacional. Para tanto, vem 
ocupando permanentemente a atenção da mídia, dos operadores do direito, dos sindicalistas, dos 
empresários, dos poderes da República e até de organismos internacionais.
A frequência da discussão sobre reforma trabalhista é diretamente proporcional à conjuntura 
econômica. Cresce em épocas de recessão e diminui nos momentos de crescimento.
Gerbelli e Pereira (2016), em artigo especial no caderno de Economia & Negócios do jornal O 
Estado de S. Paulo, sob o título Produtividade é a pior desde os anos 1950, estabelecem comparações 
entre as situações do Brasil e dos Estados Unidos, indicando que a produtividade do trabalhador 
brasileiro continua decaindo em relação à do norte‑americano. Nessa época, quando o Brasil estava 
praticando/iniciando seu processo de industrialização, ainda é a pior relação.
Entre 1930, quando houve uma mudança de prioridades e de rumo, para o atendimento ao mercado 
interno da economia brasileira; em 1980, o País diminui essa diferença de produtividade em relação aos 
Estados Unidos da América.
A situação se inverteu a partir da década de 1980, apesar de alguns pequenos ganhos, oriundos da 
abertura comercial iniciada no começo dos anos 1990.
Vários fatores são admitidos como responsáveis por essa perda de competitividade desde aquela 
época, materializados por transportes ineficientes, excesso de burocracia e má qualidade da infraestrutura 
de uma forma geral.
Ainda podemos citar as condições de saúde e, notadamente, educacionais dos trabalhadores brasileiros.
O gráfico da figura a seguir, extraído dessa reportagem (e adaptado), mostra a evolução da 
produtividade e a comparação do Brasil com os EUA desde 1950:
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40.000
60.000
80.000
100.000
120.000
20152010200019901980197019601950
Processo de 
provocou 
aumento da 
produtividade
Produtividade 
do Brasil 
equivale 
a 25% da 
americana
Estados Unidos
US$ 118.826
Coreia
US$ 71.287
Brasil
US$ 29.583
China
US$ 25.198
Produtividade do Brasil em relação aos 
Estados Unidos é a pior desde a década de 1950
Brasil anda para trás
Figura 22 
Sandroni (2005, p. 687), ao definir produtividade, diz que: “comumente, o termo se refere à 
produtividade resultante do trabalho humano com a ajuda de determinados meios de produção 
(máquinas, ferramentas e equipamentos).”
3.5 A migração de trabalhadores
Verifica‑se em várias regiões do mundo, como é o caso da União Europeia, intensa circulação 
de trabalhadores e a integração de sistemas produtivos, apesar de conflitos e divergências de 
natureza política.
O Brasil também é signatário da IOM − International Organization for Migration (Organização 
Internacional para a Migração), fundada em 1951.
A constituição da IOM reconhece a ligação entre migração e desenvolvimento econômico, social e 
cultural, bem como o direito de liberdade de locomoção.
A IOM estima que 105 milhões de pessoas estão trabalhando em um país diferente do seu local de 
nascimento. Segundo suas estatísticas, a mobilidade de trabalhadores tem sido uma característica‑chave 
da globalização e da economia global.
Todavia, a IOM destaca que, apesar dos esforços que já foram feitos para assegurar a proteção dos 
trabalhadores migrantes, muitos deles permanecem vulneráveis e assumem riscos significativos durante 
o processo de migração.
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Nada obstante, os problemas dramaticamente anunciados pela imprensa, notadamente com a imigração 
na União Europeia, acentuaram‑se a partir do fim da primeira década do século XXI. Então, um número 
crescente de países que originam e, por outro lado, de países que recebem trabalhadores migrantes, enxerga 
a migração internacional como parte integrante do seu desenvolvimento e de estratégias de emprego.
Em contrapartida, os países de origem se beneficiam da circulação de trabalhadores entre esses países 
e também sobre a relação existente entre a integração regional, o livre comércio e os direitos laborais.
3.6 Os custos trabalhistas como fator importante do custo Brasil
Uma das razões mais aventadas para a reforma refere‑se à tentativa de redução de custos trabalhistas, 
que compõem o chamado Risco Brasil.
Para o cálculo dos custos da mão de obra, é necessário atentar para as incidências sociais (INSS, FGTS/
normal e FGTS/rescisão) e trabalhistas (Provisões de Férias, 13º salário e Descanso Semanal Remunerado 
– DSR) sobre os valores das remunerações pagas.
Esses valores variam conforme o tipo de empresa e seu regime fiscal.
A tabela a seguir contempla um exemplo para uma empresa não optante pelo regime fiscal Simples 
e refere‑se a um cálculo sobre um salário/hora:
Tabela 8 – Encargos sociais e trabalhistas
Encargos trabalhistas (%) (%)
13º Salário 9.75%
Férias 13.00%
DSR – Descanso Semanal Remunerado 16.99%
Encargos sociais
INSS 20.00%
SAT/RAT até 3.00%
Salário educação 2.50%
Incra/Sest/Sebrae/Senat 3.30%
FGTS 8.00%
FGTS/provisão de multa para rescisão 4.00%
Total previdenciário 40.80%
Providenciário s/13º/férias/DSR 16.21%
Soma básica 96,75%
 Lembrete
O Simples Nacional estabelece normas gerais relativas ao tratamento 
tributário diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e 
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às empresas de pequeno porte no âmbito da União, dos estados, do Distrito 
Federal e dos municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive 
obrigações acessórias.
Há, assim, uma permanente preocupação em se flexibilizar os custos trabalhistas, estudando opções 
com o fito de aumentar a produtividade e melhorar as condições para o crescimento econômico.
Entre as ideias usualmente discutidas para tal flexibilização, podem ser citadas:
• restrição das pautas das negociações coletivas à redução da jornada de trabalho e salários;
• flexibilização de garantias, como FGTS, licença‑maternidade, 13º salário, e previdência social;
• regulamentações de terceirizações de atividade, chegando‑se, inclusive, a admitir a possibilidade 
de cobrir atividades fundamentais da empresa, além de acessórias.
3.7 Globalização, tecnologia e alterações nas relações de trabalho
Tem sido de grande importância o papel da globalização e a consequente internacionalização das 
organizações, especialmente no fim do último século e início do XXI.Com a globalização, as atividades econômicas passaram progressivamente a se desenvolver de forma 
quase independente dos recursos disponíveis em um território nacional, favorecendo a mobilidade dos 
fatores produtivos, sem ocorrer perda de eficiência, competitividade e rentabilidade.
 Observação
Com a globalização, a competição entre as empresas não se verifica apenas 
ao nível do produto, mas também à tecnologia dos processos produtivos.
Nada obstante, a globalização provoca situações preocupantes no mundo do trabalho e dos direitos 
sociais, pois permite, ao mesmo tempo, ao lado dos seus aspectos positivos, a disseminação de práticas 
abusivas e atentatórias dos direitos humanos nos sistemas empresariais de produção.
Os meios de comunicação e de informática apresentaram uma acelerada evolução tecnológica nos 
últimos anos, facilitando o intercâmbio de informações entre os trabalhadores no mundo inteiro.
As telecomunicações, as mensagens eletrônicas e as redes sociais, como o Facebook, o LinkedIn, entre 
outras, promovem uma facilidade nunca antes experimentada para a troca de ideias e a comparação das 
culturas e das formas de vida entre as pessoas.
É consenso que o progresso técnico melhora os padrões de subsistência das sociedades à medida que 
aumenta o padrão gerado por trabalhador.
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Como indica Kon (2016):
Desde o começo de sua história, o homem aprendeu a aumentar o excedente 
sobre a produção mínima necessária para sua subsistência, por meio de 
invenções e melhoramentos nos processos produtivos.
O papel do progresso técnico sobre a geração do produto, a distribuição 
do excedente e o desenvolvimento econômico tem sido tema de interesse 
constatado na literatura econômica desde o século XVIII, a partir das teorias 
clássica e posteriormente marxista, que consideravam como dado o fato 
de que existem, em todas as sociedades, métodos indiretos relacionados 
às condições técnicas da produção que elevam a produtividade do 
trabalho. No contexto das ideias clássicas, a divisão crescente do trabalho 
e a especialização das funções no processo de produção representavam 
um avanço das sociedades no sentido da racionalização de sua capacidade 
produtiva. Marx desenvolve essas ideias enfatizando que, para cada 
base tecnológica subjacente, as sociedades dividem o trabalho em seus 
componentes entre operações produtivas, distribuindo tarefas e ofícios ou 
especialidades produtivas em uma forma de divisão do trabalho conceituada 
como “divisão social do trabalho” (KON, 2016, posição 2.206).
A inovação tecnológica leva à maior produtividade e mais eficiência na combinação dos recursos 
disponíveis (materiais e humano) para a produção e irá influenciar a maior ou menor quantidade de 
utilização do fator trabalho, de diferentes níveis qualitativos.
Também é reconhecido que o progresso técnico estimula o investimento, gerado pela expectativa de 
maiores lucros, com a modificação dos processos e a introdução de um novo ou com as mudanças em 
produtos já existentes.
Comenta Kon (2016) que:
[...] políticas de emprego e salariais estão fortemente atreladas às 
necessidades dos condicionantes externos, tanto no que se refere à 
necessidade do aumento da velocidade de introdução de tecnologias mais 
avançadas e libertadoras de mão de obra que restringem a oferta de postos 
de trabalho nas empresas quanto no diz respeito à diminuição dos custos 
do trabalho, que em muitos países impõe a contenção salarial (KON, 2016, 
posição 2.364).
É visível a transformação do ambiente das organizações de todos os portes, influenciando a 
estruturação ocupacional, a partir do desenvolvimento tecnológico.
As mudanças tecnológicas conduzem as empresas a rever seus métodos e sistemas adotados em 
seus processos produtivos e de gestão.
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A implementação das mudanças tecnológicas traz impactos em sua competitividade e também em 
todas as relações de trabalho, criando novas oportunidades de emprego e/ou eliminando postos de 
trabalho, além de dificultar ao trabalhador o entendimento de todo o processo.
Assim, em última análise, a inovação tecnológica exige o desenvolvimento intelectual e profissional 
do trabalhador.
3.8 Medições do emprego (desemprego)
A economia neoclássica aponta o pleno emprego, tendo como sustentação o estado de equilíbrio 
entre a oferta e a demanda dos fatores de produção. Não existe desperdício do capital ou do trabalho, 
nem desemprego.
Para os neoclássicos, só se admitia a existência de dois tipos de desemprego:
• Friccional: também dito como natural, é o que acontece em um período de tempo em que 
um ou mais indivíduos se desempregam de um trabalho para procurar outro, ou quando 
o trabalhador estiver num período de transição de um para outro trabalho. Configura a 
mobilidade da mão de obra.
• Voluntário: ocorre quando o trabalhador não deseja trabalhar aos preços (salários) vigentes 
no mercado.
Diferentemente das escolas de economia clássica e neoclássica, Keynes, com o fito de explicar a crise 
de 1929, considerava que a posição normal de uma economia capitalista é aquela em que prevalece o 
desemprego involuntário.
Para a OIT (Organização Internacional do Trabalho), o pleno emprego é condição fundamental para 
que se obtenha a erradicação da pobreza e da fome. Admite, outrossim, que é uma condição necessária 
para a restauração da dignidade dos trabalhadores e uma condição essencial para a estabilidade e o 
progresso sociais.
 Observação
A OIT considera que o pleno emprego é estabelecido quando as taxas 
de desocupados ficam abaixo de 3% (índices registrados nos países 
desenvolvidos no período após a Segunda Guerra Mundial).
A tabela a seguir mostra as taxas de desempenho no Brasil, no mundo e em países desenvolvidos em 
2007, 2010 e 2012 (em %).
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Tabela 9 
2007 
(antes da 
crise)
2010 2012 2013 2014*
Brasil 8.2 5.7 6.0 6.7 6.6
Mundo 5.6 6.2 6.2 6.0 6.1
Países desenvolvidos 5.8 8.8 8.5 8.6 8.6
Fonte: Kon (2016, posição 5.389).
No início de 2014, o IBGE, que adotava a metodologia PME (Pesquisa Mensal de Emprego – veja o 
primeiro texto em destaque), comunicou a ampliação de suas pesquisas sobre o mercado de trabalho ao 
publicar os resultados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) contínua.
Os indicadores PNAD foram desenvolvidos considerando os novos conceitos, definições e 
nomenclaturas de acordo com as recomendações da OIT, discutidas na Conferência Internacional dos 
Estatísticos do Trabalho, em outubro de 2013.
A tabela a seguir revela os indicadores de trabalho no Brasil em 2009 e 2013, em duas distintas 
metodologias (PME e PNAD):
Tabela 10 
PME PNAD
2009 2013 2009 2013
População em idade ativa – PIA (milhões) 41.0 42.8 162.8 156.6
População economicamente ativa – PIA (milhões) 23.3 24.4 96.2 102.5
Taxa de atividade (PEA/PIA) (%) 56.8 57.1 62.1 61.1
População ocupada – PO (milhões) 21.5 23.1 96.4 95.9
PO – com carteira (%) 44.2 50.3 33.9 36.8
Taxa de desocupação (%) 7.7 3.1 8.3 6.5
Empregados/PEA (%) 40.8 47.5 56.5 47.5
Nível de ocupação (%) 52.4 54.0 56.9 57.3
Fonte: Kon (2016, posição 5.412).
Como adverte Kon (2016, posição 5.420), esse mapa destaca a significativa diferença nos vários 
indicadores, em 2009 e 2013, quando a amostra abrange apenas algumas regiões metropolitanas (7,7% 
e 3,1%) ou o País como um todo (8,3% e 6,5%).
A OIT adota também o conceito de trabalho decente, que se relaciona com o trabalho produtivo, 
executado em condições de liberdade, igualdade, segurança e dignidade.
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Sobre esse conceito, Kon (2016) comenta:
Abarca todas as modalidades de trabalho, tanto o com................................................................ 63
3 RELAÇÕES DE TRABALHO, EMPREGO E REGULAÇÃO NO BRASIL ................................................ 64
3.1 Considerações iniciais ......................................................................................................................... 65
3.2 Evolução das relações de trabalho ................................................................................................ 65
3.3 Participação dos organismos internacionais ............................................................................. 68
3.4 Produtividade e reforma trabalhista ............................................................................................ 70
3.5 A migração de trabalhadores .......................................................................................................... 71
3.6 Os custos trabalhistas como fator importante do custo Brasil ......................................... 72
3.7 Globalização, tecnologia e alterações nas relações de trabalho ....................................... 73
3.8 Medições do emprego (desemprego) ........................................................................................... 75
3.9 Informalidade no mercado de trabalho ...................................................................................... 78
3.10 Assimetrias no mercado de trabalho ......................................................................................... 79
3.11 Considerações finais .......................................................................................................................... 80
4 ECONOMIA DA SAÚDE NO BRASIL ........................................................................................................... 86
4.1 Considerações iniciais ......................................................................................................................... 86
4.2 Histórico da saúde pública no Brasil ............................................................................................ 88
4.3 O SUS – Sistema Único de Saúde .................................................................................................. 89
4.3.1 Altos custos dos sistemas de saúde ................................................................................................ 90
4.4 Transição demográfica ....................................................................................................................... 91
4.5 Transição nutricional........................................................................................................................... 96
4.6 Transição epidemiológica .................................................................................................................. 97
4.7 Gastos em saúde no Brasil ................................................................................................................ 99
4.7.1 Gastos privados em saúde no Brasil .............................................................................................100
4.8 Conclusão ..............................................................................................................................................101
Unidade II
5 POLÍTICAS INDUSTRIAIS NO BRASIL: DA NECESSIDADE À 
DIFICULDADE DE SUA IMPLEMENTAÇÃO ................................................................................................110
5.1 Política industrial: conteúdos gerais ..........................................................................................110
5.2 Aspectos da industrialização brasileira no século XX e 
as ênfases das políticas industriais .....................................................................................................113
5.3 Linhas gerais para uma política industrial no Brasil ............................................................116
5.4 Considerações finais ..........................................................................................................................118
6 COMPETITIVIDADE SISTÊMICA E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS ...................................................119
6.1 Conceito de produtividade .............................................................................................................119
6.2 Conceito de competitividade ........................................................................................................122
6.3 Fatores determinantes de competitividade externos à empresa ....................................123
6.3.1 Ambiente macroeconômico ............................................................................................................ 123
6.3.2 Infraestrutura econômica ................................................................................................................. 123
6.3.3 Infraestrutura técnico‑científica e educacional ..................................................................... 125
6.4 Fatores determinantes de competitividade internos à empresa.....................................125
6.4.1 Estratégia competitiva ....................................................................................................................... 125
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6.4.2 Preço, qualidade do produto e produtividade da empresa ................................................ 126
6.4.3 Domínio tecnológico .......................................................................................................................... 126
6.5 Fatores determinantes de competitividade sistêmica .........................................................126
6.6 Questão tecnológica: alguns aprofundamentos do 
ponto de vista das inovações ................................................................................................................128
6.6.1 Processo de inovações schumpeteriano ..................................................................................... 128
6.6.2 Inovações e processo de concorrência na busca de vantagens competitivas ............ 130
6.6.3 Dinâmica tecnológica e evolução industrial no enfoque 
evolucionário/neoschumpeteriano ...........................................................................................................131
6.6.4 Desenvolvimento tecnológico e impactos sociais da escolha tecnológica ...................131
6.7 Considerações finais ..........................................................................................................................132
7 FINANÇAS PÚBLICAS ...................................................................................................................................133
7.1 Receitas e despesas do setor público .........................................................................................136
7.1.1 Receitas públicas .................................................................................................................................. 136
7.1.2 Recolhimentos ...................................................................................................................................... 143
7.1.3 Despesas públicas ................................................................................................................................ 143
7.2 Princípios orçamentários ................................................................................................................148
7.2.1 Princípio da legalidade ...................................................................................................................... 148
7.3 Execução orçamentária e financeira ..........................................................................................154
7.4 Demais abordagens ...........................................................................................................................156
7.4.1 Dívida pública ........................................................................................................................................carteira assinada, o 
autônomo, o trabalho na agricultura familiar e o autoemprego, incluindo o 
produtivo e o reprodutivo. Nesse sentido, visando a melhor das condições de 
vida dos indivíduos, implica existência de (I) oportunidades para encontrar 
um trabalho produtivo com rendimento justo, que garanta aos trabalhadores 
e suas famílias desfrutar de uma qualidade de vida decente; (II) liberdade 
para a escolha do trabalho e a livre participação em atividades sindicais; 
(III) condições de tratamento justo aos trabalhadores, sem discriminação, de 
modo que sejam capazes de conciliar trabalho e responsabilidades familiares; 
(IV) condições de segurança para proteger a saúde dos trabalhadores e 
proporcionar‑lhes a proteção social adequada; (V) condições de dignidade 
humana para que todos os trabalhadores possam participar na tomada de 
decisão sobre suas condições de trabalho (KON, 2016, posição 5.199).
A OIT admite o estudo do emprego (desemprego) via abordagem macro ou microeconômica. A 
primeira estuda de forma agregada as inter‑relações entre os mercados de trabalho e os de produtos, 
monetários etc.
Já a análise sob a ótica da microeconomia foca no papel do indivíduos, das famílias e das firmas 
componentes dos mercados de trabalho cujos resultados afetam as questões macroeconômicas e são, 
também, por elas afetadas.
A unidade das duas visões é que, na verdade, dará a explicação da situação de emprego em um dado 
momento na economia.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) conceitua pessoas desocupadas como a parcela da 
PEA (População Economicamente Ativa) que engloba indivíduos sem trabalho no período analisado, mas que 
estavam disponíveis para assumir um trabalho e que tomaram alguma providência efetiva para consegui‑lo.
Kon (2016, posição 5.270), tratando a respeito das POs (pessoas ocupadas), considera como 
pertencentes a ela quatro tipo de categorias:
• empregado: quem trabalha para determinado empregador, normalmente sendo obrigado a 
cumprir uma jornada de trabalho;
• conta própria: quem explora, sozinho ou em sociedade, o seu próprio empreendimento e que 
não conta com a ajuda de empregado ou de alguém não remunerado;
• empregador: quem trabalha explorando o seu próprio empreendimento, tendo ao menos um empregado;
• trabalhador não remunerado: quem trabalha sem obter remuneração em empreendimento, por 
exemplo, de membros de unidade familiar.
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Unidade I
Portanto, o indicador da taxa de emprego medido em termos do total da população mensura 
somente a quantidade, sem referir‑se à qualidade do emprego.
A tabela a seguir apresenta a distribuição ocupacional no Brasil (2002, 2008 e 2012) em % (PNAD‑IBGE):
Tabela 11 
Categorias 
ocupacionais
Agropecuária Indústria Serviços
2002 2008 2012 2002 2008 2012 2002 2008 2012
Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0
Empresas 30.1 32.3 32.3 70.7 73.4 73.2 64.5 68.5 70.7
 Dirigentes 3.4 3.8 2.8 6.7 6.8 6.0 7.5 7.7 7.1
 Qualificados 0.1 0.2 0.2 5.2 5.9 6.8 12.6 13.6 14.9
 Semiqualificados 26.2 27.9 29.0 55.5 57.2 57.3 32.3 35.3 37.0
 Não qualificados 0.3 0.4 0.3 3.3 3.6 3.1 12.0 12.0 11.7
Conta própria 69.9 67.7 67.7 29.3 26.6 26.8 22.4 19.7 18.7
 Profissionais liberais ‑ 0.4 ‑ 0.1 0.1 0.1 1.5 1.4 1.9
 Outros 69.9 67.7 67.7 29.2 26.5 26.7 20.9 18.3 16.8
Serviços domésticos - - - - - - 13.1 11.7 10.6
Fonte: Kon (2016, posição 5.822).
Nos textos em destaque, apresentaremos informações extraídas do IBGE sobre as duas metodologias 
de medição (PME e PNAD contínua).
3.9 Informalidade no mercado de trabalho
As razões que acarretaram a ampliação da informalidade no Brasil surgiram com o período de 
industrialização por substituição de importações.
Globalização e políticas com foco primordial na estabilização econômica tem sido os fatores, 
segundo alguns estudiosos, para que se verifiquem, na atualidade, as condições de informalidade no 
mercado de trabalho.
O quadro a seguir classifica os trabalhadores em mercados informais e formais:
Quadro 3
Mercado informal Mercado formal
Trabalhador em empresa, sem carteira Trabalhador em empresa, com carteira
Conta própria Trabalhador doméstico, com carteira
Trabalhador na produção para próprio consumo Militares e estatutários
Trabalhador na construção para próprio uso
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Trabalhador doméstico sem carteira
Trabalhadores sem remuneração
Sem classificação
Fonte: Kon (2016, posição 6.000).
3.10 Assimetrias no mercado de trabalho
Essas assimetrias são notadas com mais ênfase na distribuição dos trabalhadores por gênero, em 
prejuízo das mulheres.
Vem sendo discutidas políticas públicas que visem à redução na disparidades de tratamento, 
notadamente quanto aos rendimentos do trabalho.
Os progressos que vêm sendo obtidos são ainda insuficientes para atingir um status que propicie 
maior desenvolvimento econômico e social.
Para Kon (2016):
A incorporação das mulheres no trabalho remunerado no Brasil, a maior 
parte das vezes, não significou o abandono de suas tarefas domésticas, 
mas sim a extensão de sua jornada de trabalho, somando às atividades 
produtivas, as responsabilidades no campo da reprodução da força de 
trabalho e do desenvolvimento no ambiente comunitário. Nesse sentido, as 
políticas voltadas para a institucionalização do cuidado dos filhos por meio 
da provisão adequada de creches estão também afeitas à responsabilidade 
do planejamento do espaço urbano e ao direcionamento das normas 
urbanas [...]. Esse apoio se relaciona à disponibilidade e localização da 
habitação, dos serviços complementares, equipamentos e fontes de 
emprego que respeitem essas necessidades de acesso feminino à esfera 
pública da sociedade [...]. Da mesma forma, tal institucionalização poderia 
ser repensada no sentido de permitir a maior participação masculina 
na responsabilidade do cuidado infantil, ampliando os instrumentos 
trabalhistas legais [...] (KON, 2016, posição 7.681).
 Lembrete
Além da assimetria por gênero, as condições de trabalho podem ser 
analisadas sob os prismas de nível de escolaridade e pela distribuição entre 
as regiões brasileiras.
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Unidade I
O gráfico da figura a seguir apresenta a distribuição de ocupados no setor informal, segundo nível 
de escolaridade, em 2003 (em %):
Sem 
instrução ou 
menos de 
um ano de 
estudo
Ensino 
Fundamental 
ou 1º grau 
incompleto
Ensino 
Fundamental 
ou 1º grau 
completo
Ensino Médio 
ou 2º grau 
incompleto
Ensino Médio 
ou 2º grau 
completo
Superior 
incompleto
Superior 
completo
 Mulheres 6,2 30,0 13,6 10,4 27,8 3,6 8,3
 Homens 9,2 38,8 14,5 10,0 18,3 2,9 6,0
Figura 23 
3.11 Considerações finais
Fatores externos, sejam sociais, sejam político‑econômicos, têm afetado a forma como entendemos 
e executamos o trabalho.
A importância da melhora das condições e da produtividade do trabalho é crucial, como seria de se 
esperar, na superação de pobreza e subdesenvolvimento.
É, também, fundamental quando se aborda o crescimento individual e as próprias condições 
de equilíbrio e emocionais do indivíduo, por isso as mudanças no trabalho precisam ser muito bem 
planejadas e executadas.
Na busca pelo desenvolvimento, mais até do que o crescimento econômico, elas contribuem para a 
maior estabilidade da nação e dos seus componentes.
Assim, sem emprego, não há crescimento econômico. Sem emprego, a sociedade estará menos feliz.
Talvez isso ajude a entender o porquê das dificuldades em se implementar novos processos de 
trabalho nas sociedades. É algo que está relacionado também com a própria evolução do homem.
Um interessante programa foi aplicado na segunda década do século XXI, apoiado na Lei de 
Aprendizagem (10.097/2000). Trata‑se do Aprendiz Legal, que objetivaa inserção de jovens no trabalho.
Preconiza a lei que empresas de médio e grande porte devem contratar jovens com idade entre 14 
e 24 anos como aprendizes.
A expectativa é de que, além de contribuir para a melhora da renda, dá mais condições aos jovens 
de manterem seus estudos, reduzindo a evasão escolar.
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 Saiba mais
Para obter mais informações sobre o Programa Aprendiz Legal, acesse:
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos 
Jurídicos. Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000. Altera dispositivos 
da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto‑Lei nº 
5.452, de 1º de maio de 1943. Brasília: DF, 2000. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
 Saiba mais
Sobre as questões relacionadas às mudanças no trabalho, sugerimos a 
leitura do trabalho do professor José Pastore, apresentado para a publicação 
nos Cadernos de Economia da Fecomercio, em 2006.
PASTORE, J. Reforma trabalhista: o que pode ser feito? Cadernos de 
Economia da Fecomercio, São Paulo, nov. 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
Para reduzir custos e crescer, é preciso, inegavelmente, que o Brasil realize mudanças na legislação trabalhista.
O professor José Pastore, em trabalho anteriormente indicado, comenta a respeito dos custos da não 
reforma, focando nos exemplos do Brasil e da França:
A resistência à modernização institucional está gerando um alto preço para 
qualquer nação. No caso da França, o país já se defronta com uma grave crise 
demográfica caracterizada por um número decrescente dos que trabalham 
e por um escalada acelerada dos que não trabalham. Com um crescimento 
médio de apenas 1,5% anuais desde 1990, o desemprego afeta mais de 20 
milhões de pessoas quando se incluem os familiares dos desocupados. Na 
União Europeia, a França transformou‑se em um dos enfermos mais graves. 
Além do baixo crescimento, o país apresenta um aumento de produtividade 
anual de apenas 0,8%, sendo que o poder aquisitivo da população vem 
se reduzindo na base de 0,3% ao ano. O êxito das empresas em direção à 
Europa Central e do Leste, assim como à Ásia, deixa para trás os sindicalistas 
e os desempregados.
E, no meio de tudo isso, o país decidiu trabalhar menos, aprovando uma 
jornada de apenas 35 horas por semana. Hoje, a França se parece como 
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uma casa de repouso: alguns espicham as férias, outros trabalham pouco, 
e uma enorme massa de pessoas está cronicamente desempregada – pagas 
por generosas verbas da Previdência Social e do Seguro Desemprego. Não é 
à toa que, o berço da democracia viu, em 2005, a ordem pública ameaçada 
pelos imigrantes das periferias das cidades e, em 2006, a paralisação do país 
comandada por estudantes que desejam das empresas as proteções que elas 
não podiam e não podem garantir.
No caso do Brasil, o problema é diferente, mas, igualmente grave. A 
inadequação das nossas instituições do trabalho e da Previdência Social 
fere mais os desprotegidos, na medida em que 60% dos brasileiros que 
trabalham não dispõem de uma licença remunerada para tratar da saúde, de 
uma aposentadoria na hora da velhice ou de um amparo aos descendentes 
depois da morte. São 48 milhões de trabalhadores colocados no meio de 
uma verdadeira selvageria, sem nenhuma segurança para os dias de hoje e 
muito menos para os dias do amanhã.
O mais grave, porém, é que o inferno astral em que vivem os trabalhadores 
informais se reproduz continuamente. A desproteção de hoje é a causa da 
desproteção do amanhã. Sim, porque a informalidade é um dos principais 
determinantes do déficit da Previdência Social[,] que, em 2005, chegou 
perto dos R$ 40 bilhões e, em 2006, ameaça chegar nos R$ 50 bilhões. 
Como se sabe, o rombo da Previdência Social é a principal causa do déficit 
público (PASTORE, 2006).
A avaliação dos efeitos do nível de emprego em uma sociedade é relacionada também com 
a verificação das questões estruturais sobre a qualidade do trabalho da população ocupada, das 
possibilidades de desenvolvimento profissional e da criação de condições que favoreçam a mobilidade 
profissional e geográfica.
Trabalho em condições precárias e diferenças regionais persistem no Brasil e é necessário que isso 
seja corrigido visando à elevação do nível de bem‑estar da população.
Finalmente, a interpretação equivocada dos indicadores dificulta as análises conjunturais e o 
entendimento da real situação do País no contexto mundial, particularmente em momentos de crise 
econômica, podendo conduzir a viés na elaboração de políticas públicas e privadas voltadas para a 
modernização do mercado de trabalho.
Medição do emprego no Brasil (PME)
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é responsável pelos cálculos e a 
divulgação das taxas de emprego no País.
A PME é uma pesquisa de periodicidade mensal sobre mão de obra e rendimento do trabalho.
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Os dados são obtidos de uma amostra probabilística de, aproximadamente, 38.500 
domicílios situados nas Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de 
Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Os dados referem‑se a determinados períodos de tempo denominados períodos de referência.
A pesquisa segue as recomendações da Organização Internacional do Trabalho e objetiva 
produzir resultados que facilitem a análise de sua série em conjunto com as contas nacionais 
e que viabilizem a comparação a nível internacional.
Assim, os procedimentos metodológicos visam separar os indivíduos que trabalham 
daqueles que não trabalham (os que procuram trabalho e os inativos).
O conceito fundamental é o de trabalho: significa a ocupação econômica remunerada 
em dinheiro, produtos ou outras formas não monetárias, ou a ocupação econômica sem 
remuneração, exercida pelo menos durante 15 horas na semana, em ajuda a membro da 
unidade domiciliar em sua atividade econômica, ou a instituições religiosas beneficentes 
ou em cooperativismo ou, ainda, como aprendiz ou estagiário. Para os indivíduos que 
trabalham[,] investiga‑se a ocupação, o ramo de atividade, a posição na ocupação, a 
existência de mais de um trabalho, o rendimento efetivamente recebido no mês anterior, o 
número de horas efetivamente trabalhadas etc.
Para os indivíduos que procuram trabalho[,] investiga‑se a providência tomada, o tempo 
de procura, se trabalharam antes com ou sem remuneração, a ocupação, o ramo de atividade 
e a posição na ocupação do último trabalho. Para os inativos, se procuraram trabalho no 
período de referência de 30 ou 60 dias.
A população economicamente ativa compreende o potencial de mão de obra com que 
pode contar o setor produtivo, isto é, a população ocupada e a população desocupada, 
assim definidas: população ocupada – aquelas pessoas que, num determinado período 
de referência, trabalharam ou tinham trabalho[,] mas não trabalharam (por exemplo, 
pessoas em férias).
As pessoas ocupadas são classificadas em:
• Empregados: aquelas pessoas que trabalham para um empregador ou mais, 
cumprindo uma jornada de trabalho, recebendo em contrapartida uma remuneração 
em dinheiro ou outra forma de pagamento (moradia, alimentação, vestuário etc.).
Incluem‑ se, entre as pessoas empregadas, aquelas que prestam serviço militar obrigatório 
e os clérigos.
Os empregados são classificados segundo a existência ou não de carteira de 
trabalho assinada.
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• Conta própria: aquelas pessoas que exploram uma atividade econômica ou exercem 
uma profissão ou ofício, sem empregados.
• Empregadores: aquelas pessoasque exploram uma atividade econômica ou exercem 
uma profissão ou ofício, com auxílio de um ou mais empregados.
• Não remunerados: aquelas pessoas que exercem uma ocupação econômica, sem 
remuneração, pelo menos 15 horas na semana, em ajuda a membro da unidade 
domiciliar em sua atividade econômica, ou em ajuda a instituições religiosas, 
beneficentes ou de cooperativismo, ou, ainda, como aprendiz ou estagiário.
População desocupada – aquelas pessoas que não tinham trabalho, num determinado 
período de referência, mas estavam dispostas a trabalhar, e que, para isso, tomaram alguma 
providência efetiva (consultando pessoas, jornais etc.).
A população não economicamente ativa é composta pelas pessoas não classificadas 
como ocupadas ou desocupadas.
A partir dos dados levantados pela pesquisa, são gerados mensalmente vários indicadores, 
como: 
Taxa de desemprego aberto – relação entre o número de pessoas desocupadas 
(procurando trabalho) e o número de pessoas economicamente ativas num determinado 
período de referência.
Taxa de desemprego aberto – pessoas que nunca trabalharam: relação entre 
o número de pessoas desocupadas que nunca trabalharam e o número de pessoas 
economicamente ativas, num determinado período de referência.
Taxa de desemprego aberto – pessoas que já trabalharam: relação entre o número 
de pessoas desocupadas que trabalharam e o número de pessoas economicamente ativas, 
num determinado período de referência.
Taxa de desemprego aberto por setor de atividade: relação entre o número de 
pessoas desocupadas cujo último trabalho foi num determinado setor (indústria de 
transformação, comércio, construção civil, serviços ou outras atividades) e o número 
de pessoas economicamente ativas no respectivo setor, num determinado período de 
referência.
Taxa de atividade: relação entre o número de pessoas economicamente ativas e o 
número de pessoas em idade ativa num determinado período de referência.
Proporção de pessoas ocupadas por setor de atividade: relação entre o número 
de pessoas ocupadas num determinado setor (indústria de transformação, comércio, 
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construção civil, serviços ou outras atividades) e o número de pessoas ocupadas, num 
determinado período de referência.
Proporção de pessoas ocupadas por posição na ocupação: relação entre o número 
de pessoas ocupadas em cada posição (empregados com ou sem carteira assinada conta 
própria e empregadores) e o número de pessoas ocupadas, num determinado período 
de referência.
Fonte: IBGE (s.d.a).
Medição do emprego no Brasil (PNAD contínua)
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD, População)
É uma pesquisa por amostra probabilística de domicílios, de abrangência nacional, 
planejada para atender a diversos propósitos. Visa produzir informações básicas para o 
estudo do desenvolvimento socioeconômico do País e permitir a investigação contínua de 
indicadores sobre trabalho e rendimento. A PNAD Contínua segue um esquema de rotação 
de domicílios. Isso significa que cada domicílio selecionado será entrevistado cinco vezes, 
uma vez a cada trimestre, durante cinco trimestres consecutivos.
Principais indicadores que serão produzidos com base na PNAD Contínua:
• População residente segundo o sexo e os grupos de idade.
• Taxa de desocupação.
• Taxa de atividade.
• Nível da ocupação.
• Taxa de analfabetismo segundo os grupos de idade e o sexo.
• Pessoas de 14 anos ou mais segundo a condição de ocupação.
• Pessoas ocupadas na semana de referência segundo o sexo e os grupos de anos 
de estudo.
• População residente segundo a naturalidade em relação à Unidade da Federação e 
ao município de residência.
• Rendimento médio mensal per capita dos domicílios.
Fonte: IBGE (s.d.b).
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4 ECONOMIA DA SAÚDE NO BRASIL
Por que se estudar a economia da saúde em um livro dedicado à Ciência Econômica? Pelo simples 
motivo de que uma população com saúde é uma população mais produtiva e pode contribuir para 
o crescimento e desenvolvimento econômico da nação em que está assentada. Só isso já justifica 
dedicarmos um espaço de nosso estudo para o assunto. Vamos conhecer um pouco mais sobre a área.
4.1 Considerações iniciais
Economia da saúde pode ser definida como o ramo de conhecimento relacionado ao desenvolvimento 
e ao uso de conceitos de economia na análise, na formulação e na implementação dos procedimentos 
e das políticas de saúde.
Envolve a análise e o desenvolvimento de metodologias relacionadas ao financiamento do sistema, 
a mecanismos de alocação de recursos, à apuração de custos, à avaliação tecnológica etc.
Visa atingir aumentos de eficiência no uso dos recursos públicos e a adequada distribuição dos 
benefícios de saúde pela sociedade.
Campino (2011) informa que o início da disciplina Economia da Saúde pode ser atribuído ao artigo 
de Kenneth J. Arrow, Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care, publicado em 1963. 
Acerca do assunto do artigo, Arrow indica (tradução livre):
Deve ser observado que o assunto é a indústria de cuidados médicos[,] 
e não saúde.
A saúde é determinada por muitos fatores [...]. Particularmente, em 
baixos níveis de renda, aspectos como nutrição, abrigo, vestuário 
e saneamento podem ser muito mais importante. É o complexo de 
serviços centrados no médico, hospitais e saúde pública que discutirei 
(CAMPINO, 2011, p. 385).
A Economia da Saúde é uma área importante em nações desenvolvidas, como Estados Unidos, 
Europa, Canadá e Austrália, e está na sua fase inicial, começando a surgir no Brasil.
Campino (2011) adverte, porém, para a pouca literatura disponível no Brasil, em língua portuguesa, 
mencionando o primeiro livro na área publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 
em 1995, organizado por Sergio Francisco Piola e Solon Magalhães Vianna.
A figura a seguir procura selecionar os temas de interesse da Economia da Saúde:
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Saúde e 
desenvolvimento
Eficiência das ações e 
serviços de saúde
Financiamento das 
ações e serviços de 
saúde
Regulação econômica 
em saúde
Alocação de 
recursos
Figura 24 
Um aspecto de preocupação mais ou menos permanente é o que se relaciona com a constante 
elevação dos custos associados ao atendimento e à prestação de serviços de saúde da população.
As tabelas seguintes ilustram os custos de saúde em alguns países selecionados e no Brasil:
Tabela 12 
Total Health Expenditure 
% of GDP
Public Expenditure 
% of total expenditure
2004 1995 2004 1995
Australia 9.2 8.0 67.5 66.7
Canada 9.9 9.2 69.8 71.4
France 10.5 9.4 78.4 76.3
Germany 10.9 10.3 78.2 80.5
Italy 8.4 7.1 76.4 71.9
Japan 8.0 6.8 81.5 83.0
Mexico 6.5 5.6 46.4 42.1
Poland 6.5 5.6 68.6 72.9
Portugal 10.0 8.2 71.9 62.6
Slovak Republic 5.9 5.8 88.3 91.7
Spain 8.1 7.4 70.9 72.2
Switzerland 11.6 9.7 58.4 53.8
United Kingdom 8.3 7.0 85.5 83.9
United States 15.3 13.3 44.7 45.3
Fonte: Nunes; Pôrto Junior (2008, p. 7).
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Ao comparar o comportamento em países desenvolvidos e em desenvolvimento, Campino (2011) 
analisa os aspectos mais destacados, em cada grupo, relacionados com os custos de assistência 
médico‑hospitalar, que, no caso dos países emergentes ou menos desenvolvidos, transforma, 
principalmente, o problema – como acontece no Brasil –, destacando o que deve ser feito para cobrir o 
tamanho da população sem acesso ao sistema formal de assistência à saúde.
Tabela 13 
2000 2001 2002 2003 2004
Gasto total em saúde (% PIB) 7.6 7.8 8.3 8.7 8.8
Gasto do governo (% gasto total em saúde) 41 42.9 49 52.3 54.1
Gasto do privado (% gasto total em saúde) 59 57.1 51 47.7 45.9
Gasto do governoem saúde (% gasto total do governo) 8.5 9.2 11.4 13.6 14.2
Gasto do plano de saúde privado (% gasto privado total em saúde) 35.1 35.9 35.8 35.8 35.8
Gasto total em saúde per capita (US$) 263.0 224.4 214.8 243.2 289.5
Fonte: Nunes; Pôrto Junior (2008, p. 8).
De início, cabe salientar que o mercado de serviços de saúde apresenta comportamento bem distinto 
em relação a outros mercados.
A respeito da demanda por esses serviços, é possível entender que ela é irregular e imprevisível, 
contando, ainda, com grande probabilidade de perda ou redução na capacidade dos indivíduos de auferir 
renda (a doença gera custos médicos, e não médicos).
Outro aspecto desse mercado é o fato de inexistir a livre entrada de ofertantes (há barreiras como 
a exigência de obtenção de licenças e o suporte a custos elevados), caracterizando uma situação de 
monopólio e perda de bem‑estar.
Assim como ocorre com os estudos e definições associadas aos mercados de uma forma geral, neste 
há uma constante preocupação com a eficiência e a equidade no tratamento da população.
4.2 Histórico da saúde pública no Brasil
A análise histórica revela a existência de sucessivas reorganizações administrativas e edições de 
muitas normas referentes ao desenvolvimento da saúde pública no País.
Desde o tempo colonial até a década de 1930, as ações eram desenvolvidas sem significativa 
organização institucional.
A partir daí iniciou‑se uma série de transformações, tendo sido criados e extintos diversos órgãos de 
prevenção e controle de doenças.
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Desde a década de 1960, novas normas foram criadas para acompanhar o aumento da produção e 
do consumo de bens e serviços.
Regulamentou‑se a iodação do sal e as águas de consumo humano e serviços. Reformou‑se o 
laboratório de análises, surgindo o Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde (INCQS), que 
recebeu um grande estímulo pela implantação do Programa Nacional de Imunização, cuja execução 
requeria o controle sanitário de vacinas.
No movimento pela redemocratização do País, notadamente a partir dos anos 1980, aumentaram 
os ideais pela reforma da saúde brasileira e o envolvimento de diversos atores sociais, sujeitos coletivos 
e pessoas de destaque.
A democratização na saúde fortaleceu‑se com base no movimento pela Reforma Sanitária, avançando 
e organizando suas propostas na VIII Conferência Nacional de Saúde, de 1986, que estabeleceu as bases 
para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 1988, nova ordem jurídica, assentada na Constituição, define o Brasil como um Estado Democrático 
de Direito e proclama a saúde um direito de todos e dever do Estado. Surge o SUS, colocando o Brasil, 
em teoria, entre os mais desenvolvidos nessas políticas sociais.
Em 1991, criou‑se a Fundação Nacional de Saúde.
 Saiba mais
No site da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) encontramos um 
grande número de informações a propósito da cronologia histórica da 
saúde pública no Brasil. Para saber mais acerca do assunto, acesse:
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional da Saúde 
(Funasa). Cronologia histórica da saúde pública. Brasília: DF, [s.d.]. 
Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
4.3 O SUS – Sistema Único de Saúde
Os aspectos de universalidade e a integralidade fazem com que o SUS enfrente os desafios comuns 
aos sistemas universais de saúde, no que concerne à garantia de sustentabilidade financeira.
As discussões no País se dão entre os que debitam as falhas do sistema a subfinanciamentos e aos 
que atribuem a responsabilidade à má gestão dos recursos, ambos fatores que, de fato, podem justificar 
o difícil acesso e a má qualidade dos serviços atinentes a esse sistema.
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Segundo Núcleos de Economia da Saúde, do Ministério da Saúde:
O cenário atual é agravado por causas associadas ao envelhecimento da 
população, com o aumento da demanda por ações e serviços de saúde; 
ao surgimento de novas tecnologias diagnósticas e terapêuticas, que 
pressionam o orçamento dos governos; à tríplice carga de doenças, em 
que coexistem as doenças crônicas, infecto‑parasitárias e decorrentes das 
violências (BRASIL, 2012, p. 7).
O financiamento e a gestão do SUS são de responsabilidade das três esferas de governo: União, 
estados e municípios.
Dada a extensão e a complexidade da federação brasileira, as ações do Ministério da Saúde devem 
ser desenvolvidas de forma a atingir as diferentes regiões do País.
4.3.1 Altos custos dos sistemas de saúde
Praticamente em todos os países e regiões constatam‑se aumentos significativos nos gastos em saúde.
São vários os fatores determinantes dessa realidade, entre os quais podem ser citados:
• mudanças demográficas;
• urbanização;
• envelhecimento da população;
• proporção entre ricos e pobres na população;
• aumento da expectativa de vida;
• introdução e disseminação de novas tecnologias;
• custos dos fornecedores de recursos para a saúde;
• aumento do número e da remuneração de médicos;
• elevação do número de pacientes.
Um aspecto importante a respeito do emprego da tecnologia indica que esta tende a ser cumulativa 
e não substitutiva.
A utilização da ressonância magnética não exclui, por exemplo, o uso da tomografia computadorizada 
nos testes de diagnóstico (NUNES; PÔRTO JUNIOR, 2008).
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Enquadram‑se entre as denominadas tecnologias em saúde:
• medicamentos;
• equipamentos e procedimentos técnicos;
• sistemas organizacionais, educacionais, de informação e de suporte;
• programas e protocolos assistenciais.
As denominadas transições, demográfica, tecnológica e epidemiológica, que detalharemos 
posteriormente, tanto para os países de alta renda quanto para os de baixa renda, estão no topo das 
preocupações relacionadas à oferta e aos custos dos sistemas de saúde.
Campino (2011) faz a inter‑relação entre essas três transições, comentando:
Na Teoria da Transição Demográfica (doravante denominada TTD), verifica‑se 
como se comporta a mortalidade geral à medida que o país se desenvolve. 
A transição epidemiológica detalha o comportamento dessa mortalidade 
geral, mostrando como variam as causas da mortalidade à medida que 
os países evoluem. Há a redução na mortalidade por causas infecciosas 
e parasitárias e o aumento [...] por causas como neoplasias e problemas 
coronarianos. Em parte, a mortalidade por essas causas deve‑se a mudanças 
ocorridas na alimentação das pessoas à medida que os países se urbanizam, 
o que é estudado pela transição nutricional (CAMPINO, 2011, p. 387).
4.4 Transição demográfica
Esse processo caracteriza as alterações ocorridas nos indicadores de natalidade e mortalidade, ambas 
em queda desde o fim do século passado, acarretando diminuição, de forma significativa, das taxas de 
crescimento vegetativo da população.
Esse fenômeno que há pouco tempo era verificado, sobretudo, nos países desenvolvidos, torna‑se, 
agora, presente também em nações com menor crescimento econômico.
Ademais, ele determina uma mudança de perfil da pirâmide etária, reduzindo o número de crianças 
(base) e ampliando o de idosos (faixas superiores).
Antes, desde o início da Revolução Industrial (século XVIII), os países apresentavam uma baixa taxa 
de crescimento vegetativo, dados os altos índices de natalidade e de mortalidade.
A Teoria da Transição Demográfica trabalha com base em três premissas fundamentais. De início, 
verifica‑se a queda do índice de mortalidade, cujas causas podem ser atribuídas aos seguinte itens:
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• conquistas sociais muito associadas ao progresso técnico;
• melhoriados sistemas de saneamento (notadamente nas áreas urbanas);
• novas descobertas relacionadas ao controle e ao combate a doenças transmissíveis.
A redução precoce das taxas de mortalidade comparativamente às de natalidade costuma promover 
ritmos acelerados de crescimento populacional.
Argumenta‑se que a alta taxa de mortalidade, especialmente a infantil, seria, portanto, o maior 
estímulo à manutenção das elevadas taxas de fecundidade no período pré‑transicional.
A segunda premissa ocorre com a transição reprodutiva, que acontece em três fases:
• retardamento dos casamentos;
• maior nível de escolaridade e de participação da mulher no mercado de trabalho;
• controle da fecundidade por parte das pessoas que vivem em união.
Decrescem, pois, de forma acentuada, dois indicadores: de mortalidade e de fecundidade.
A terceira premissa se dá pelas influências do crescimento econômico moderno, que destaca a 
importância dos mercados na mobilidade e na dinâmica do crescimento populacional, determinadas 
pela expansão do comércio mundial e dinâmica da urbanização e da modernização agrícola, expulsando 
mão de obra do campo para a cidade.
Campino (2011, p. 387) exemplifica esse fato comentando que serão necessários menos pediatras e 
mais oncologistas.
 Saiba mais
O trabalho de André Cezar Medici e Kaizô Iwakami Beltrão discute com 
maior riqueza de detalhes o processo de transição demográfica no mundo 
e, em particular, no Brasil, procurando estabelecer a correlação entre a 
evolução dos índices de mortalidade no Brasil, com base na relação entre a 
natureza do desenvolvimento econômico e a dinâmica das políticas sociais, 
particularmente as de saúde. Para saber mais acerca do assunto, acesse:
MEDICI, A. C.; BELTRÃO, K. I. Transição demográfica no Brasil: uma 
agenda para pesquisa. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
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Cabe reafirmar que a transição demográfica não ocorre da mesma forma e compasso entre as 
diversas sociedades, dada a multiplicidade de fatores explicativos em cada caso.
Um ponto de grande relevância é que, no começo do envelhecimento da população, constata‑se um 
aumento relativo da população em idade ativa, como reflexo dos níveis de natalidade elevados do passado.
Esse período é o do chamado gap populacional, em que há um maior número de agentes econômicos 
ativos do que inativos.
Com a aproximação do comportamento que traduz os baixos níveis de natalidade e mortalidade, 
verifica‑se uma estagnação das taxas de crescimento, com a diminuição do peso da população em 
idade ativa.
A tabela a seguir apresenta indicadores de estrutura etária, fecundidade e mortalidade nas grandes 
regiões do Brasil, de 1970 a 2010:
Tabela 14 – Indicadores de estrutura etária, fecundidade e mortalidade nas grandes regiões
Região Indicador 1970 1980 1991 2000 2010
Norte População 4.188.313 5.842.980 10.032.583 12.898.444 15.864.451
Idade mediana 16 16 18 20 22
. Acesso em: 23 set. 2016.
Concluímos com o gráfico da figura a seguir mostrando o comportamento da taxa de natalidade na 
segunda metade do século XX:
1950 1960 1970 1980 1991 2000
43,5 44
37,7
31,87
29,72
21,06
Taxa bruta de natalidade
• 81,2% da população urbana
• Esperança de vida no Brasil – de 45,7 
para 72,8 anos (1950 a 2008)
• 9,8% da população com 60 anos ou 
mais (2006)
Figura 25 – Transição demográfica no Brasil
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4.5 Transição nutricionalCom essa teoria, procura‑se descrever as modificações verificadas na dieta das populações e em suas 
atividades físicas.
De pronto, é necessário o entendimento de que as áreas urbanas refletem antes essas mudanças do 
que os espaços rurais.
Assim, Campino (2011, p. 389) conclui que a transição nutricional está associada à dieta urbana e 
ocidental, caracterizada por:
• alta proporção de calorias (açucares, óleos e gorduras);
• grande quantidade de produtos de origem animal;
• alto consumo de carboidratos refinados, alimentos industrializados e gordura saturada;
• baixo consumo de fibras.
As estratégias de marketing também são responsáveis por esse padrão de alimentação.
Campino (2011, p. 390) comenta que a transição nutricional traz problemas associados aos seguintes 
fatores:
• aumento do número de pessoas obesas (vide gráfico da figura a seguir);
1975 1975 1989 2003 20061989 2003
18,6
28,6
40,7 39,2
43
29,5
412,2x 1,5x
Homens Mulheres
Figura 26 
• predominância de doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e hipertensão;
• coexistência de segmentos da população com desnutrição e doenças relacionadas com pobreza.
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É novamente Campino (2011, p. 390) que propõe ações para a reversão desses efeitos da transição 
nutricional via:
• implementação de políticas públicas relativas a preços de alimentos;
• educação e programas específicos em escolas;
• educação nutricional e intervenções diretas voltadas para o incentivo ao consumo de alimentos, 
como frutas, legumes e verduras.
O Brasil acompanhou a tendência mundial paralela à rápida transição demográfica, particularmente 
acelerada no período de 1960 a 1980, quando ocorreram outras mudanças significativas, como na 
estrutura de ocupações e empregos, passando de um mercado de trabalho fundado no setor primário 
(agropecuária e extrativismo) para uma demanda de mão de obra concentrada nos setores secundário 
e, sobretudo, no terciário da economia.
É um elenco de grandes transformações no que tange à geração de renda, estilos de vida e 
demandas nutricionais.
Nas últimas décadas, notadamente a partir do fim do século XX e mais ainda do início do XXI, aumentou 
o acesso, a cobertura das ações de saúde, a proteção com a aplicação de vacinas, as condições sanitárias 
(água potável e esgotos sanitários) e o acesso aos meios de comunicação de massa, especialmente a TV.
Mencionam Batista Filho e Rissin (2003):
[...] nos últimos 25 anos, a desnutrição em crianças (relação altura/
idade) apresentou um declínio cumulativo de 72%, enquanto em adultos 
sua prevalência baixou em 49% no meio rural e 52,7% no meio urbano, 
praticamente desaparecendo como problema epidemiológico em maiores 
de 18 anos.
Em contraposição, a frequência de obesidade em adultos triplicou no 
Nordeste e duplicou no Sudeste, havendo evidências de que começa a se 
reduzir nos estratos de renda mais elevada (quartil superior) (BATISTA FILHO; 
RISSIN, 2003, p. 187).
4.6 Transição epidemiológica
O perfil de adoecimento e morte relaciona‑se com a chamada transição epidemiológica, entendida 
como o elenco de transformações sociais, econômicas e demográficas.
Mais especificamente tratam‑se, aqui, dos padrões de morte, mobilidade e invalidez da população.
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Medici e Beltrão (1995) definem transição epidemiológica como:
o processo de mudança na incidência ou na prevalência de doenças, bem 
como nas principais causas de morte, ao longo do tempo. Esse processo está, 
em geral, condicionado por dois fatores: a) mudanças associadas à estrutura 
etária da população, ocorridas ao longo do processo de transição demográfica 
e propiciadas pela rápida queda da fecundidade em um contexto mais suave de 
declínio da mortalidade; b) mudanças no grau e no estilo de desenvolvimento, 
caracterizando a passagem de sociedades rurais para urbanas, bem como na 
elevação dos níveis de assalariamento e monetarização da sociedade, aumento 
na cobertura dos serviços sociais básicos de saúde, educação, aumento na 
distribuição da renda nacional (MEDICI; BELTRÃO, 1995, p. 201).
A primeira questão a ser abordada com relação a essa transição é o fato de que ocorre de forma 
diferenciada, no que tange à sequência, intensidade e velocidade em diferentes regiões.
Campino (2011, p. 390) define transição epidemiológica como “o processo de modificação nos 
padrões de morbimortalidade, que se dá em estágios sucessivos e seguindo a trajetória de um padrão 
tradicional para um moderno.”
Critica‑se o fato de que essa teoria enfatiza a tecnologia médica como o seu fator determinante.
Os estudiosos costumam enxergar uma correlação direta entre os processos de transição 
epidemiológica e demográfica. No início, as quedas nos índices de mortalidade concentram‑se entre os 
portadores de doenças contagiosas, beneficiando os segmentos mais jovens da população. Na medida 
em que cresce o número de idosos e aumentam os índices de expectativa de vida, as doenças não 
transmissíveis tornam‑se mais comuns.
Especificamente no tocante ao Brasil, muitos autores ressaltam a importância de processos 
histórico‑sociais, como a escravidão e a imigração europeia, que alteraram profundamente a estrutura 
demográfica e socioeconômica do Brasil durante o período primário‑exportador e ao longo das primeiras 
fases da industrialização.
Tais processos trouxeram fortes desequilíbrios regionais e afetaram o caminho para o desenvolvimento.
Em virtude desses desequilíbrios, ocorreram grandes fluxos migratórios internos que explicam 
a recolonização rural (expansão e ocupação das fronteiras agrícolas em regiões, como o Norte e o 
Centro‑Oeste) e o acentuado crescimento urbano das últimas décadas, bem como alguns de seus efeitos 
(o desemprego e a miséria, por exemplo).
Entre os tipos básicos de transição epidemiológica, podemos mencionar:
• Clássico ou ocidental: com progressiva redução na mortalidade e na fecundidade e o predomínio 
de doenças degenerativas (EUA e Europa Ocidental).
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• Acelerado: com rápida e acentuada queda de mortalidade e fecundidade e inversão nas causas 
de óbito (Japão – segunda metade do século XX).
• Tardio ou contemporâneo: quando há uma queda de mortalidade, mais lenta e recente do que 
a observada nos países desenvolvidos, e não sequenciada pela queda na fecundidade na mesma 
proporção (países subdesenvolvidos).
Entre as causas para a modificação dos padrões de morbimortalidade, podem ser invocadas:
• diminuição da população infantil e crescimento do número de idosos;
• mudança nos padrões alimentares relacionada ao crescimento da urbanização.
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2004
Infecciosas e parasitárias
Aparelho respiratório
Aparelho circulatório
Outras causas
Neoplasias
Causas externas
Figura 27 – Causas de mortalidade no Brasil, por grupos diferentes, entre 1930 e 2004
4.7 Gastos em saúde no Brasil
Os três tipos de transições – demográfica, nutrição e epidemiológica – discutidos anteriormente 
ocasionam variações e aumentos significativos dos gastos com saúde no País.
Os custos para tratamento da população idosa são, em média, maiores do que os relacionados com 
a população infantil.
Os preços são mais elevados tanto em relação aos equipamentos quanto à necessidade de pessoa 
qualificada para o tratamento das doenças específicas que afligem a população idosa.
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Segundo o Portal Brasil (2016), os gastos com saúde alcançaram 8% do PIB, em 2013, e o consumo 
final de bens e serviços de saúde totalizou, em 2013, R$ 424 bilhões. Em 2013, do total do consumo finalde bens e serviços de saúde, 77,6% foram destinados ao consumo de serviços e 20,6% a medicamentos.
4.7.1 Gastos privados em saúde no Brasil
Ainda em 2013, as despesas com o consumo final de bens e serviços de saúde representaram 18,9% 
do total do consumo final do governo e 7,1% do total do consumo final das famílias.
A despesa per capita com o consumo de bens e serviços de saúde foi de R$ 1.162,14 para famílias e 
instituições sem fins de lucro a serviço das famílias e de R$ 946,21 para o governo.
O principal gasto das famílias é feito com a contratação de serviços de saúde privados (incluindo 
planos de saúde), chegando a 2,7% do PIB (R$ 141,3 bilhões).
Na despesa de consumo do governo, o principal item é a saúde pública, com 2,8% do PIB (R$ 149,9 
bilhões) em 2013.
O gerente de Bens e Serviços da Coordenação de Compras Nacionais do IBGE, Ricardo Moraes, 
observou que, quando se olha para bens e serviços de saúde, a participação das famílias é maior que a 
do governo. Ao avaliar somente os serviços de saúde, as despesas do governo se mostram mais elevadas 
(BRASIL, 2016b).
A POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2002/2003 estima em 70,9%, de todo o consumo privado, 
os gastos relacionados com saúde.
Campino (2011, p. 398) analisou os dados dessa pesquisa e concluiu que 6,7% dos domicílios 
apresentavam um gasto em saúde igual ou superior a 20% de sua renda ajustada.
A tabela seguinte mostra a incidência dos chamados gastos catastróficos em saúde conforme a 
região do País (2002/2003).
Nos domicílios em que há pessoas com educação de nível superior e/ou crianças, quanto maior 
for a renda familiar e o número de moradores, menor a probabilidade de um dispêndio desastroso em 
saúde.
De outra parte, a possibilidade desses consumos aumentará quando o domicílio tiver pessoa com 65 
de idade anos ou mais e for localizado na zona rural.
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Tabela 15 – Incidência de gastos catastróficos em 
saúde segundo região (Brasil 2002-2003)
Região Limite de 20% 
(em %)
Limite de 30% 
(em %)
Limite de 40% 
(em %)
Norte 5.0 1.6 0.7
Nordeste 6.2 2.1 0.8
Sudeste 6.8 1.9 0.8
Sul 7.5 2.9 1.3
Centro‑Oeste 7.8 3.3 1.4
Brasil 6.7 2.2 0.9
 Fonte: Campino (2011, p. 398).
Na metade de 2016, era anunciado que os planos de seguro de saúde começavam a perder usuários 
em razão do crescimento dos índices de desemprego no Brasil.
4.8 Conclusão
O debate entre os estudiosos relaciona‑se, acima de tudo, aos gastos e às despesas com saúde e 
costuma considerar que é pouco o dispêndio no Brasil, comparativamente a outros países, em termos 
de assistência médica.
Ainda é preciso destacar que, independentemente das medidas socioeconômica e de saúde utilizadas, 
o Brasil caracteriza‑se pela ocorrência de desigualdades sociais em saúde, a favor das camadas mais 
privilegiadas da população.
Estudos divulgados pelo Ministério do Planejamento (BRASIL, 2015) indicam:
• O Brasil gasta três vezes mais do que a China per capita na área de saúde, mas tem indicadores 
semelhantes de mortalidade infantil e expectativa de vida.
• O Brasil gasta mais do que a Coreia do Sul em ensino universitário, no entanto a proporção de 
jovens brasileiros matriculados na universidade é de 18%, enquanto a de sul‑coreanos é de 82%.
• Os gastos previdenciários equivalem a 11% do PIB no Brasil e a 6% do PIB nos Estados Unidos, 
sendo que a proporção da população norte‑americana acima dos 60 anos (16% da população 
total) é o dobro da brasileira (8% do total).
É difícil compreender a extensão dos gastos aqui no Brasil quando comparados a outros países.
De início, há a dificuldade das próprias medidas, visto que não é possível garantir que os valores se 
referem aos mesmos tipos e indicadores de gastos.
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Para melhorar as condições desse confronto, normalmente são utilizados os dados da 
Organização Mundial de Saúde (OMS), do Banco Mundial e da OCDE, que ajustam as informações 
fornecidas pelos respectivos governos, de maneira a propiciar melhores condições para a sua 
comparação com outros.
Mesmo assim, diferenças de contabilização e elaboração das estatísticas públicas tornam difícil 
uma comparação internacional dos gastos governamentais, notadamente em países organizados como 
uma Federação (caso do Brasil), quando despesas forem de responsabilidade também de governos 
subnacionais.
Deve ser indicada a atualidade dos dados que faz com que, muitas vezes, sejam realizadas comparações 
de anos bem diferentes.
O Ministério do Planejamento adverte que:
[...] deve‑se ter presente que o impacto das políticas sociais se dá a longo 
prazo. Uma análise da eficiência dos gastos sociais deve, portanto, se basear 
na avaliação da evolução ao longo do tempo dos indicadores sociais[,] e 
não apenas na comparação entre países do seu nível em um determinado 
período. Um país pode, por exemplo, ter elevado a proporção dos gastos 
públicos em um determinado setor social e, ao mesmo tempo, ter para esse 
setor indicadores ruins, que, no entanto, estão melhorando rapidamente ao 
longo do tempo. Em uma situação desse tipo não se pode afirmar que o 
gasto público é ineficiente ou ineficaz.
[...]
Um indicador largamente utilizado para a comparação internacional de 
despesas com saúde é o gasto per capita. O gasto do governo geral per 
capita em dólares correntes de 2002 é cerca de 5 vezes maior do que o da 
China, aproximadamente 16 vezes maior do que o da Índia e ligeiramente 
abaixo da média da América Latina. No entanto, o gasto per capita em 
dólares correntes é muito afetado por variações cambiais. Por isso, um 
parâmetro mais adequado é o gasto per capita ajustado pela paridade 
do poder de compra que atenua os problemas relacionados ao câmbio e 
permite uma comparação mais adequada entre os países. Nesse caso, o 
gasto per capita do governo geral do Brasil é três vezes maior que o da 
China, 14 vezes maior que o da Índia e acima da média da América Latina 
(BRASIL, 2015).
As transições demográfica, nutricional e epidemiológica, discutidas anteriormente, determinam 
necessidades de continuadas adequações nos variados sistemas de saúde. No Brasil, elas têm ocorrido 
mais rapidamente do que outrora nos países mais desenvolvidos.
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Analisando percentualmente (em relação ao PIB), é alto o gasto do Brasil com saúde, porém a 
constatação fica mais esmaecida ao se analisarem os números per capita.
Foi abordado no Fórum de Tecnologia e Acesso à Saúde, em agosto de 2015, que os países europeus 
têm um gasto 7,8 vezes maior por habitante do que no Brasil.
Naquele evento, José Gomes Temporão, ex‑ministro da Saúde, comentou: “Deveríamos estimular o 
reconhecimento do sistema público de saúde como um patrimônio fundamental para a justiça social e 
a democracia brasileira como parte do processo civilizatório e que deve ser fortalecido.”
Uma reportagem no jornal O Estado de São Paulo indica que:
O governo brasileiro destina por ano à saúde de cada cidadão menos do 
que a média mundial. Os dados estão sendo publicados pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS) e apontam que mais da metade da conta da saúde 
de um brasileiro continua sendo arcada pelo bolso do paciente. Em média, 
o gasto público nos países ricos chega a ser mais de cinco vezes [a]o que o 
Estado brasileiro oferece.
O governo brasileiro destinou em média a cada cidadão US$ 512 por ano 
em saúde. O valor, referente a 2012, é quase cinco vezes superior ao que 
se investia em 2000, quando o gasto público com saúde era de apenas 
US$ 107 por ano. 
Apesar do crescimento, a constatação da OMS é de que os valores continuam 
abaixo da média mundial. Segundo a entidade, os gastos públicos com saúde 
no mundo em 2012 foram de US$ 615,00 por pessoa.
Um outroaspecto, já mencionado, que contribui para o aumento constante 
dos custos de saúde, em vários países, inclusive no Brasil, é refletido pelo 
aumento do uso da tecnologia cada vez mais sofisticada.
Aspectos relacionados com (má) gestão dos recursos também podem ser 
listados entre os responsáveis por aumento dos custos.
Uma constatação da OMS é de que, no Brasil, quem paga ainda pela saúde é 
o paciente, por meio de planos de saúde ou gastos privados (CHADE, 2015).
Os estudos da OMS apontam para o fato de que o Brasil tem caminhado satisfatoriamente:
• em 2000, 4,1% do orçamento nacional do Estado ia para a saúde;
• em 2012, essa taxa chegou a 7,9%;
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• segundo a OMS, em média, os governos destinam 14% de seus orçamentos nacionais para a saúde;
• nos países ricos, a taxa é de 16,8%;
• no total, 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi destinado para a saúde em 2012, 
contra 7,2% em 2000.
O Ministério da Saúde informou que o orçamento federal voltado às ações de saúde triplicou entre 
2004 e 2014, passando de R$ 32,7 bilhões para R$ 92,6 bilhões.
Reproduzimos a seguir os gastos em saúde no Brasil de 2007 a 2015.
Tabela 16 – Gasto médio per capita X PIB
Categoria despesa Períodos Gasto médio per 
capita (em R$) PIB (em R$)
Médico-hospitalar
2007 87,33 2.720.263,00
2008 96,14 3.109.803,00
2009 104,78 3.333.040,00
2010 109,73 3.885.848,00
2011 122,96 4.373.658,00
2012 138,08 4.805.912,00
2013 153,45 5.316.455,00
2014 175,49 5.687.310,00
2015* 148,10 5.904.332,00
*As informações de 2015 são referentes aos dados coletados até set/2015
O Congresso Nacional aprovou a destinação de 15% das receitas correntes líquidas da União, 
escalonadas, a partir de 2016, quando o percentual for de 13,2%, até atingir a meta de 15%, em 2020.
A aprovação da participação de capital estrangeiro no setor é tida também como muito importante 
para que se adquiram ganhos de eficiência e qualidade e o emprego cada vez maior de tecnologia.
Estudos elaborados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) fazem as projeções da 
população brasileira para o período 2010‑2050, conforme a figura a seguir:
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174,2 milhões
Variante alta Variante baixa
254,6 milhões
218,5 milhões
187,0 milhões
270
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46
20
48
20
50
Máximo na variante baixa: 
204,5 milhões em 2025
Máximo na variante média: 
220,2 milhões em 2042
Variante média
Figura 28 
A respeito dessa configuração, o estudo alerta que o primeiro cenário está longe da realidade, pois 
pressupõe constância da fecundidade. O segundo e o terceiro cenários são mais realistas.
Considerando‑se a dinâmica atual da fecundidade e, supondo a ausência de mudanças significativas 
na esperança de vida e na migração internacional, a população deverá crescer entre as variantes 
média e baixa.
Em 2050, a população estaria entre 190 milhões e 220 milhões de habitantes.
 Resumo
Prezado aluno. Gostaríamos de lembrar nosso objetivo com esta 
disciplina: percorrer diversos assuntos relacionados à economia que não 
necessariamente estejam interligados, mas que fazem sentido em termos 
analíticos, pois o economista se debruça, dentre outras preocupações, sobre 
o nível de atividade econômica e o funcionamento de diferentes setores 
da área. É neste sentido que alguns setores, não desmerecendo outros que 
aqui não figuraram, foram tratados.
Especificamente nesta unidade, os setores analisados foram o 
agronegócio e a agroenergia como área de potencial crescimento da 
economia real e que em muito contribui para o crescimento do produto 
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nacional. Abordamos os transportes e seus modais como atividade 
responsável pelo escoamento da produção no País. Estudamos a economia 
do trabalho e seus meios de regulação, além da economia da saúde, num 
momento em que o mundo apresenta envelhecimento.
O que se pode depreender de cada um dos assuntos aqui desenvolvidos? 
Quanto ao agronegócio, vimos que é uma área de destaque na economia 
brasileira devido a seu peso relativo no potencial exportador, resultando, muitas 
vezes, em superávits comerciais ao se considerarem as contas do balanço 
de pagamentos nacional. Além do mais, trata‑se de atividade expressiva 
na geração de emprego e renda nas áreas rurais e urbanas. A discussão do 
agronegócio iniciou‑se com o Pacto Colonial no Brasil e seus ciclos doravante, 
que, na atualidade, são muito bem representados pelas chamadas commodities, 
influenciando, inclusive, o mercado de capitais com os contratos de derivativos. 
Como o setor apresenta importância relativa para as economias nacionais, e 
também para a brasileira, tratamos de lhe apresentar os órgãos que apoiam as 
atividades provenientes do agronegócio. Em relação à agroenergia, o destaque 
se dá tanto para a produção de etanol quanto para a de biodiesel como 
atividades inovadoras no que diz respeito à produção de energias renováveis, 
contando com elevados níveis de investimentos por parte do setor público e 
impulsionando o crescimento das exportações do cenário nacional.
Outro fator relevante foi o setor de transporte. Tratamos dos transportes 
como área infraestrutural de extrema influência para a economia devido 
ao escoamento da produção de mercadorias entre diferentes regiões, 
principalmente na economia brasileira, em que a maior parte do transporte 
de produção ocorre pela malha rodoviária. Portanto, as condições presentes 
nessa área impactam decisivamente nas decisões dos agentes econômicos 
e também nos preços dos bens que são transacionados. É notório lembrar 
de que o setor foi, de certa forma, beneficiado pelo Programa de Aceleração 
do Crescimento (PAC) criado em 2007, mas, mesmo assim, existe uma 
quantidade considerável de entraves a ser superada. Vimos que há grande 
relação entre o setor de agronegócios e o de transporte, pois um não 
funciona sem o outro em termos de logística. Neste aspecto, diversos 
modais foram considerados, apresentando suas vantagens e desvantagens 
de utilização, inclusive em termos de custos.
Outro tema tratado está ligado às relações de trabalho e emprego no 
Brasil atual. Compreende‑se que as relações sejam vínculos estabelecidos 
no momento e em local onde ocorre a interação do próprio trabalho, 
vínculo este regulado pelo contrato de trabalho. Evidenciamos uma breve 
evolução das relações de trabalho desde a Revolução Industrial, passando 
pela constituição da Organização Mundial de Saúde e Organização 
Internacional do Trabalho, chegando aos anos 1990, além das discussões 
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acerca da flexibilização das leis trabalhistas como tendência internacional 
na busca de competitividade.
Finalizamos com a economia da saúde no Brasil como um ramo 
do conhecimento que se preocupa com a análise, a formulação e a 
implementação de políticas de saúde via financiamento de um sistema, 
que procura manter a integridade sociais em termos de padrão produtivo. 
Efetuamos um breve passeio pela história da saúde no Brasil, notadamente 
ao tratamento do Sistema Único e Saúde (SUS) e seus custos em tempos de 
mudança demográfica e transição nutricional.
 Exercícios
Questão 1. (Enade, 2006) A tabela a seguir mostra como se distribui o tipo de ocupação dos jovens 
de 16 a 24 anos que trabalham em 5 Regiões Metropolitanas e no Distrito Federal.
Distribuição dos jovens ocupados, de 16 a 24 anos, segundo posição na ocupação
Regiões Metropolitanas e Distrito Federal - 2005 (em porcentagem)Regiões 
Metropolitanas e 
Distrito Federal
Assalariados
Empregado 
doméstico Outros
Total
Setor privado
Setor 
público
Autônomos
Total
Com 
carteira 
assinada
Sem 
carteira 
assinada
Total
Trabalha 
para o 
público
Trabalha 
para 
empresas
Belo Horizonte 79,0 72,9 53,2 19,7 6,1 12,5 7,9 4,6 7,4 (1)
Distrito Federal 80,0 69,8 49,0 20,8 10,2 9,8 5,2 4,6 7,1 (1)
Porto Alegre 86,0 78,0 58,4 19,6 8,0 7,7 4,5 3,2 3,0 (1)
Recife 69,8 61,2 36,9 24,3 8,6 17,5 8,4 9,1 7,1 (1)
Salvador 71,6 64,5 39,8 24,7 7,1 18,6 14,3 4,3 7,2 (1)
São Paulo 80,4 76,9 49,3 27,6 3,5 11,3 4,0 7,4 5,3 (1)
Fonte: Convênio DIEESE/Seade, MTE/FAT e convênios regionais. PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego Elaboração: DIEESE
Nota: (1) A amostra não comporta a desagregação para esta categoria 
Das regiões estudadas, aquela que apresenta o maior percentual de jovens sem carteira assinada, 
dentre os jovens que são assalariados do setor privado, é
a) Belo Horizonte.
b) Distrito Federal.
c) Recife.
d) Salvador.
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e) São Paulo.
Resposta correta: alternativa C.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: Belo Horizonte: 19,7 sem carteira assinada, totalizando 72,9 do setor privado, ou seja, 27,0%.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: Distrito Federal: 20,8 sem carteira assinada, totalizando 69,8 do setor privado, ou seja, 29,8%.
C) Alternativa correta.
Justificativa: Recife: 24,3 sem carteira assinada, totalizando 61,2 do setor privado, ou seja, 39,7%.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: Salvador: 24,7 sem carteira assinada, totalizando 64,5 do setor privado, ou seja, 38,3%.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: São Paulo: 27,6 sem carteira assinada, totalizando 76,9 do setor privado, ou seja, 35,9%.
Questão 2. (Enem, 2008) No gráfico a seguir, estão especificados a produção brasileira de café – 
em toneladas –, a área plantada – em hectares (ha) – e o rendimento médio do plantio – em kg/ha, no 
período de 2001 a 2008.
3.000.000 3.000
2.500.000 2.500
2.000.000 2.000
1.500.000 1.500
1.000.000 1.000
500.000
Produção (toneladas) Área plantada (ha)
Café (em grão) ‑ Brasil
Rend. médio (kg/ha)
500
0
2001 2002 2003 2004
Ár
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 p
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e 
pr
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2005 2006 2007 2008
Fonte: IBGE
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A análise dos dados mostrados no gráfico revela que:
A) A produção em 2003 foi superior a 2.100.000 toneladas de grãos.
B) A produção brasileira foi crescente ao longo de todo o período observado.
C) A área plantada decresceu a cada ano no período de 2001 a 2008.
D) Os aumentos na produção correspondem a aumentos no rendimento médio do plantio.
E) A área plantada em 2007 foi maior que a de 2001.
Resolução desta questão na plataforma.156
7.4.2 NFSP em seu conceito operacional .............................................................................................. 157
7.5 Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ...........................................................................................159
8 CRESCIMENTO DE LONGO PRAZO E RESTRIÇÕES EXTERNAS .....................................................162
8.1 Considerações iniciais .......................................................................................................................162
8.2 A medição do crescimento econômico .....................................................................................163
8.3 Uma brevíssima visão do processo de desenvolvimento 
econômico com foco no Brasil .............................................................................................................163
8.4 O que é importante para o desenvolvimento? .......................................................................168
8.5 A importância da produtividade no crescimento das nações ..........................................169
8.6 Os efeitos do setor externo sobre o crescimento do produto brasileiro ......................173
8.7 Teorias econômicas relacionadas ao crescimento e ao 
desenvolvimento econômico ................................................................................................................174
8.7.1 Modelo de Thirlwall ............................................................................................................................ 175
8.8 Estabilização e abertura comercial versus crescimento econômico ..............................177
8.9 A globalização e o crescimento econômico ............................................................................178
8.10 Considerações finais .......................................................................................................................179
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APRESENTAÇÃO
Caro aluno.
A disciplina Ciências Econômicas Interdisciplinar procura percorrer uma miríade de assuntos que 
permeiam a economia não somente do ponto de vista da teoria, mas também da prática analítica de 
diferentes setores da atividade econômica, de forma a integrar diversos conhecimentos a partir da 
análise de conjuntura de setores selecionados, bem como do pensamento e da maneira com que a 
política pública pode ser adotada, ora favorecendo setores, ora criando entraves.
O principal objetivo desta disciplina é expor o aluno à riqueza de abordagens existentes da economia 
moderna, novamente, não em termos puramente teóricos, mas práticos, que auxiliam na tomada de 
decisão em políticas públicas e empresariais.
A ideia é a de que, a partir da análise de conjuntura de diferentes setores da economia, o aluno 
possa identificar, ali, a carga teórica que fundamenta tais elementos de seu conteúdo programático. 
De outra forma, a disciplina procura auxiliar o bacharel quanto à sua formação profissional, uma 
vez que o leva a interpretar setores da economia de maneira analítica, para que seja possível chegar 
a conclusões em termos do que pode ser efetuado de melhoria em cada setor ou área de atenção 
deste manual. Como uma das principais atividades de um economista está em elaborar cenários 
econômicos com base nas interpretações dos dados do passado e do presente, a disciplina já indica a 
participação profissional.
Para que possamos encontrar, então, nosso objetivo, estudaremos primeiramente os assuntos que 
versam sobre a problemática do agronegócio e da agroenergia, uma vez que são áreas de potencial 
crescimento da economia real e muito contribuirem para o crescimento do produto nacional. De igual 
importância é a questão dos transportes no Brasil, notadamente seus entraves logísticos, que em muito 
dificultam o escoamento da produção industrial e fazem crescer o chamado “Custo Brasil”. Dois outros 
temas que merecem atenção na atualidade são a economia do trabalho – e seus meios de regulação – e 
a economia da saúde, num momento em que o mundo apresenta envelhecimento.
Por fim, evidenciaremos discussões pertinentes aos assuntos da economia regional e urbana e 
seus relacionamentos de produção e comércio, bem como da necessidade de políticas industriais e 
das inovações tecnológicas como impulsionadoras de produtividade e competitividade nacional. 
Ainda abordaremos temas importantes nas análises de conjuntura e formação de cenários 
futuros: a questão da tributação e despesas públicas, além da necessidade de reforma tributária, 
terminando com o mapeamento das condições de crescimento de longo prazo em ambiente de 
restrições externas.
Claro está que, devido à multipluralidade de conteúdos aqui elencados, este livro‑texto não 
pretende esgotar o assunto tratado, mas levantar insights para que possamos elevar o pensamento 
acerca de algumas problemáticas que permeiam o mundo da economia e se apresentam como 
preocupação de estudo dos economistas, tanto para que se possa entender o momento em que 
a sociedade brasileira está passando quanto formar cenários para a tomada de decisão futura do 
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ponto de vista da iniciativa privada e do setor público com seu planejamento econômico e sua 
política econômica.
Esperamos que aproveite!
INTRODUÇÃO
Tenha em mente que a análise que a Ciência Econômica faz da sociedade é dinâmica. Em que 
sentido? Simples: o comportamento da sociedade se modifica ao longo do tempo e, com essa alteração, 
a análise do economista também varia. E por que muda? Porque as empresas e o governo respondem 
à conversão do comportamento da sociedade, fazendo com que a famosa condição coeteris paribus 
nem sempre entre em ação. Ao economista, resta estar atento a tais mudanças e procurar formas de 
entendê‑las num contexto socioeconômico direcionado ao capitalismo.
Nesta vertente, um curso de Ciências Econômicas deve ensejar condições para que o bacharel esteja capacitado 
a compreender as questões científicas, técnicas, sociais e políticas relacionadas à economia, imbuído de sólida 
consciência social indispensável ao enfrentamento das situações emergentes na sociedade humana e politicamente 
organizada. Trata‑se de formar um profissional capaz de enfrentar as transformações político‑econômicas e 
sociais, contextualizadas na sociedade brasileira e percebidas no conjunto das funções econômicas mundiais.
O bacharel em Ciências Econômicas deve, ainda, apresentar um perfil centrado em sólida formação 
geral e com domínio técnico dos estudos relacionados à formação teórico‑quantitativa e teórico‑prática, 
peculiares ao curso, além da visão histórica do pensamento econômico aplicado à realidade brasileira e 
ao contexto mundial, de tal forma que possa revelar sua base cultural ampla, sua capacidade de tomada 
de decisão, bem como sua visão analítica e visão crítica.
É nesse sentido que se insere a disciplina Ciências Econômicas Interdisciplinar. Buscamos apresentar 
várias facetas da Ciência Econômica por um ângulo analítico, diríamos provocativo, levantando questões 
que permeiam a atividade profissional e são motivadas pelas mudanças sociais. Os temas desenvolvidos 
neste livro‑texto não são analisados no sentido de esgotá‑los por debate. A preferência foi a de levantar 
assuntos, apresentar suas nuances provocativas e fazer com que você possa compreender por onde 
avançam as oportunidades analíticas do cientista econômico. Temos, aqui, um olhar ampliado das várias 
áreas de compreensão da economia aplicada, ressaltando suas problemáticas.
Vejamos, por exemplo, a questão do agronegócio. Desde sempre a evolução da economia brasileira 
deu‑se com base agrícola, ora prevalecendo as condições internas de consumo, ora visando ao mercado 
internacional. Ainda hoje o tema é presente, sendo uma área que contribui para o crescimento econômico 
e requer estratégias de planejamento, seja de produção, sejade distribuição. O que há ainda a se fazer 
em favorecimento do setor que emprega grande quantidade de trabalhadores?
O mesmo se faz com o setor de saúde, tanto no âmbito da oferta pública quanto da privada. O 
volume de investimentos necessários, os entraves ao real entendimento do funcionamento do setor, 
bem como sua contribuição para o produto nacional. Quais são as oportunidades de melhorar a oferta 
pública e tornar a oferta privada menos discricionária?
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O que mais podemos levantar de problemática? As relações de trabalho e a estrutura do emprego 
na atualidade. Como é possível manter certa quantidade de pessoas empregadas nos períodos em que 
a economia tende à ascensão ou nos períodos de recessão? Quais as alternativas para amenizar os 
conflitos existentes entre as partes pertencentes ao mercado de trabalho?
Esses são apenas alguns pontos levantados nesta disciplina. Há mais assuntos instigantes que lhe 
apresentaremos. Esperamos, verdadeiramente, que os aprecie, bem como a forma pela qual foram 
desenvolvidos.
Bons estudos!
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Unidade I
1 AGRONEGÓCIO E AGROENERGIA
Abordaremos assuntos interessantes relacionados ao agronegócio e à agroenergia em diferentes 
períodos de desenvolvimento econômico do Brasil.
1.1 Considerações iniciais
O agronegócio é destaque na economia brasileira e mundial. No Brasil, poderíamos salientar a:
• participação do setor nas exportações, contribuindo para o alcance e, muitas vezes, superação de 
metas de superávits comerciais;
• manutenção de um grande número de empregos diretos e indiretos, no campo e nas zonas 
urbanas.
Mendes e Padilha Junior (2007) mencionam, no prefácio do seu livro, que “[...] o agronegócio é o 
maior negócio da economia brasileira.”
Mesmo quando ocorrerem números negativos nas exportações de bens e serviços de outros setores 
ou, ainda, se observarem índices negativos de crescimento, por exemplo, na indústria e no comércio, 
dificilmente se constatará o mesmo comportamento no agronegócio.
Além disso, o Brasil, no mundo, é o país com maiores perspectivas de desenvolvimento em termos 
de agronegócios.
Muitos, com visão menos abrangente, consideram que essa situação reflete a realidade permanente 
da economia brasileira, sempre voltada, desde o descobrimento, às atividades primárias fortemente 
representada na divisão do Pacto Colonial.
 Observação
O Pacto Colonial partia de uma estrutura governamental monopolizadora, 
formada por um conjunto de leis, regras e normas, que eram executadas 
com forte intervenção e imposições das metrópoles para com suas colônias.
As colônias devem comprar e vender à Metrópole os seus produtos, 
sendo totalmente proibida a comercialização com estrangeiros, aplicando‑se 
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Unidade I
também, para isto, tarifas e tributos vultosos a ponto de inviabilizar tais 
atividades comerciais.
O Pacto somente foi rompido em 1808, quando veio ao Brasil a família 
real portuguesa e foi instituída por D. João VI a abertura dos portos às 
nações amigas, principalmente a Inglaterra.
De fato, o País viveu diversos ciclos de commodities que caracterizaram a economia até, pelo menos, 
1930 ou, como muitos consideram, a segunda década dos anos 1950 do século X.
Todavia, o agronegócio atual é, seguramente, muito mais amplo, como provam as extensas cadeias 
de produção e comercialização, não envolvendo apenas atividades agrícolas e pecuárias.
Sandroni (2005) assim define commodity:
O termo significa literalmente “mercadoria”, em inglês. Nas relações 
comerciais internacionais, o termo designa um tipo particular de mercadoria 
em estado bruto ou produto primário de importância comercial, como é o 
caso do café, do chá... do algodão, da juta, do estanho, do cobre etc. Alguns 
centros se notabilizaram como importantes mercados desses produtos 
(commodity exchange). Londres, pela tradição colonial e comercial britânica, 
é um dos mais antigos centros de compra e venda de commodities, grande 
parte das quais nem sequer passa por seu porto (SANDRONI, 2005, p. 165).
 Lembrete
Lembre‑se de que o primeiro produto a ter grande destaque 
econômico foi o pau‑brasil, seguido por: cana‑de‑açúcar, borracha, cacau, 
algodão, fumo, soja, sisal, frutas e derivados, carnes, couros, calçados e, 
posteriormente, pelo café cuja cultura iniciou‑se no fim do século XVII.
A partir do desenvolvimento do ciclo de mineração, iniciado no fim do século XVII e expandido no 
período seguinte, que alimentou a notável expansão da exploração do café, houve uma mudança de 
eixo de desenvolvimento do País – da região Nordeste para o Sudeste/Sul.
Desde a década de 1930, com maior ênfase nos períodos de governo de Getúlio Vargas e Juscelino 
Kubitscheck (respectivamente na primeira e segunda metades dos anos 1950), a prática de substituição 
de importações gerou rápido desenvolvimento industrial e a ampliação do processo de migração 
populacional do campo para as cidades.
Desse modo, a prioridade, em termos de programas governamentais, foi deslocada do setor rural 
para o urbano (industrial). Apesar de já ter ocorrido pequeno desenvolvimento antes, foi a partir de 1930 
que o País passou a dedicar maior atenção ao seu mercado interno e à indústria.
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Na década de 1970, novas e grandes modificações ocorreram no panorama agrícola (pecuário) do 
Brasil com o desenvolvimento dos centros produtores na região Centro‑Oeste.
Muitos veem esse movimento como a sequência da Marcha para o Oeste, iniciada em 1938, já no 
Estado Novo, de Getúlio Vargas.
Como indica Santiago:
Apesar do extenso território, o Brasil havia prosperado quase que 
exclusivamente na região litoral, enquanto o vasto interior mantinha‑se 
estagnado, vítima da política mercantilista colonial, da falta de estradas 
viáveis e de rios navegáveis, do liberalismo econômico e do sistema 
federalista que caracterizaram a República Velha (1889‑1930) [...]. Até a 
segunda metade do século XX, o Brasil central continuava a ser uma área 
desconhecida para a maior parte dos brasileiros, carregando ares mitológicos 
devido a seu território pouco desbravado e hostil (SANTIAGO, s.d.).
O sucesso da exploração agropecuária em novas terras, antes tidas como não adaptáveis para o 
cultivo (especialmente o Centro‑Oeste e algumas regiões do Norte e Nordeste), transformou o Brasil 
num dos maiores exportadores de grãos de todo o mundo, como mostram anualmente os números das 
produções e exportações de soja e seus derivados, além do trigo e do milho.
Mais recentemente, esse crescimento atingiu a pecuária.
O Centro‑Oeste é, na atualidade, a região mais desenvolvida e rica ao se medir a produção do 
agronegócio, de lá partindo o maior montante exportado pelo Brasil.
Os gráficos a seguir, extraídos de Mendes e Padilha Junior (2007), mostram a diferença de participação 
do valor gerado pela agricultura e pecuária, no Brasil e nos Estados Unidos, em 2005/2006 (em %):
Pecuária
29,7%
Agricultura
70,3%
Brasil
Pecuária
53,9%
Agricultura
46,1%
Estados Unidos
Figura 1 
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O crescimento brasileiro vem ocorrendo não somente pela expansão da área de exploração, mas 
acima de tudo pelo desenvolvimento tecnológico, no qual o País é internacionalmente reconhecido com 
os resultados que vêm sendo atingidos pelas atividades da Embrapa (Empresa Brasileira de Agropecuária) 
e outros institutos voltados aos estudos do agronegócio.
O gráfico da figura a seguir foi extraído do Anuário Estatístico da Agroenergia e revela o crescimento 
que tem se verificado na produção brasileira de cana‑de‑açúcar:
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Figura 2 – Evolução da produção brasileira de cana‑de‑açúcar
Em 2015, era festejado pelo Canal Rural (2016) que as exportações do complexo soja renderam 
R$ 27,96 bilhões. Incorporamos uma larga área de terras degradadas dos cerrados aos sistemas produtivos, 
formando uma região que nos dias de hoje é responsável por quase 50% da nossa produção de grãos.
O mapa da figura a seguir ilustra a região no País conhecida como Mapitoba, formada por regiões 
dos estados: Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, onde ocorrem uma grande concentração de atividades 
relacionadas ao agronegócio:
Figura 3 
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Quadruplicamos a oferta de carne bovina e suína e ampliamos em 22 vezes a oferta de frango.
Essas são algumas das conquistas que tiraram o País de uma condição de importador de alimentos 
básicos para a condição de um dos maiores produtores e exportadores mundiais (EMBRAPA, s.d.).
Os embarques de grãos, farelo e óleo da leguminosa responderam por 14,6% do total das vendas externas 
do Brasil em 2014. Essa performance é verificada também com a produção e a exportação de minerais.
O gráfico da figura a seguir traz os aspectos estatísticos da economia mineral brasileira:
3.000.000
4.992.745
(*) Total exportado das empresas associadas do SINFERBASE, 
Em 2011, foram 287.060 milhões de toneladas
(**) FOB – (Free on Board) Livre a bordo – Valor médio do ano
Até novembro, 2012
Exportação: 294 milhões de toneladas
9.415.082
11.754.156
13.887.799
16.538.421
13.246.904
28.911.882
41.817.251
7.700.000
12.400.000
17.100.000
21.800.000
26.500.000
31.200.000
35.900.000
40.500.000
45.300.000
50.000.000
Ano X Preço médio** (FCB)
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Fonte: Ibram, 2012
Figura 4 
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) argumenta ainda que:
A China é o grande comprador do minério de ferro brasileiro, mais de 
45% de nossas exportações destinam‑se àquele país. É esperado que até 
2020 a China precise importar pelo menos 300 milhões de toneladas/ano. 
Segundo o bando Barclays, destes 400 milhões de toneladas/ano, 50% 
seriam supridos pela Austrália e ao menos 30% pelo Brasil. Para efeito 
comparativo, 390 milhões de toneladas foi a produção total brasileira em 
2011 de minério de ferro, sendo que 330,8 milhões de toneladas foram 
exportadas (IBRAM, 2012, p. 36).
O Brasil é o segundo maior produtor de minério de ferro, de acordo com o U.S. Geological Survey e 
a Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento).
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Unidade I
A tabela a seguir mostra a lista dos maiores produtores mundiais em 2012:
Tabela 1 
Posição País Produção 
(toneladas)
1º China 1,33 bi 
2º Austrália 480 mi
3º Brasil 390 mi
Contudo, diz o Ibram (2012) que, quando for considerado o teor médio do minério chinês, a 
produção daquele país poderá ser considerada de 380 milhões de toneladas, rivalizando com o 
Brasil e a Austrália.
1.2 Antes, dentro e após a porteira
Não é possível, na atualidade, o entendimento do agronegócio apenas pelo seu lado da produção 
agrícola ou pecuária, devendo ser somados os valores dos múltiplos setores que atuam “antes” e “após” 
a porta, da fazenda ou estância.
Antes da porteira, como se costuma classificar, ocorrem os processos das empresas e pessoas 
envolvidas com os suprimentos para o atendimento à produção agropecuária.
Após a porteira, as commodities transitam por um grande número de intermediários, voltados a seu 
beneficiamento, manipulação e variados serviços.
Isso revela a diversificação e o tamanho expressivo das cadeias relacionadas ao agronegócio, seja na 
produção, seja na comercialização.
Insumos destinados 
à produção 
agropecuária
Produção 
agropecuária
Processamento 
e distribuição 
da produção 
agropecuária
Figura 5 – Inter‑relacionamento dos setores do agronegócio
E, inegavelmente, os avanços da tecnologia têm cumprido um papel de muita importância no 
desenvolvimento de todas essas atividades.
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Há, desse modo, uma interação bastante forte e constante entre todas as fases do ciclo de produção, 
comercialização e consumo.
Entre as atividades relacionadas à comercialização, destacam‑se as de armazenagem de produtos, 
que permitem o suporte a um descasamento entre os momentos de produção e venda.
A figura a seguir, adaptada de Mendes e Padilha Junior (2007, p. 9), relaciona a sequência 
de atividades/fases compreendidas desde a compra de insumos pelos produtores até o consumo 
final dos bens:
Compra de insumos 
dos fornecedores
Produção de bens
Venda da produção
Processamento 
dos bens
Atividades de 
atacado
Atividades de 
varejo
Consumo final 
de bens
Figura 6 
O quadro a seguir mostra a variedade de atividades e produtos relacionados às cadeias do agronegócio:
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Unidade I
Quadro 1 – Setores e agentes envolvidos com o agronegócio
Fornecedores de 
insumos
Produção 
agropecuária
Processamento e 
transformação
Distribuição e 
consumo Serviços de apoio
Sementes Produção animal Alimentos Restaurantes Agronômicos
Calcário Lavouras 
permanentes Produtos têxteis Hotéis Veterinários
Fertilizantes Horticultura Vestuário Bares Pesquisa
Rações Silvicultura Calçados Padarias Bancários
Defensivos Floricultura Madeira Feiras Marketing
Produtos veterinários Extração vegetal Bebidas Supermercados Vendas
Combustíveis Indústria rural Álcool Comércio Transporte
Tratores Papel e papelão Exportação Armazenagem
Colheitadeiras Fumo Portos
Uma outra vertente analisada, ao se estudar o agronegócio, é relacionada com a agroindústria. 
Sandroni (2005) define‑a como:
Atividade constituída pela gestão dos processos produtivos agrícolas 
e industriais no âmbito de um mesmo capital social ou, quando tal não 
acontece, a atividade caracteriza‑se por uma grande proximidade física 
entre a área que produz a matéria‑prima e o processamento industrial. Com 
a crescente preponderância da indústria sobre a agricultura e a subordinação 
desta última à primeira, proporções crescentes das atividades agrícolas 
encontram‑se hoje totalmente submetidas ao capital industrial, sendo esta 
uma tendência mundial (SANDRONI, 2005, p. 27).
Os produtores rurais, na sua maioria, atuam normalmente em pequenos empreendimentos e, entre 
outros aspectos, possuem pouca informação e instrução, oferecendo produtos brutos.
 Observação
Apesar de poderem negociar com qualquer canal de comunicação, 
os produtores rurais normalmente vendem diretamente aos 
intermediários primários.
As negociações com outros níveis de comercialização são executadas 
pelos intermediários empresariais (pessoas físicas e jurídicas) de maior porte.
A quantidade de camadas de intermediação dependerá dos tipos e da complexidade de cada produto, 
dos locais de comercialização etc.
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O intermediário, na maioria dos casos, tem mais instruções e informação do que o produtor e, 
geralmente, estabelece seus preços, que são basicamente aceitos por este último.
Não obstante a pouca formalização das transações, na maioria das vezes, os intermediários sofremmenos riscos do que o produtor, visto que este atua nas regiões mais distantes, de menor porte e 
menos desenvolvidas.
Um outro aspecto desse desenvolvimento pode ser constatado na tabela a seguir, que revela a 
drástica mudança do perfil da população brasileira, residindo em áreas rurais ou urbanas, a partir da 
década de 1940:
Tabela 2 
Período
População nas 
áreas rurais
(milhões)
População nas 
áreas urbanas
(milhões)
Total da população
(milhões)
% rural/
total
% urbana/
total
1940 28,2 13,0 41,2 68,45 31,55
1950 33,1 18,8 51,9 63,78 36,22
2000 32,1 138 170,1 18,87 81,13
2010 29,8 160,9 190,8 15,64 84,36
1.3 Instituições que apoiam as atividades do agronegócio
No âmbito internacional, destacam‑se os trabalhos da Food and Agriculture Organization 
of the United Nations (FAO), Food and Agricultural Policy Research Institute (Fapri), 
International Food Policy Research Institute (IFPRI), Organization for Economic Co‑Operation 
and Development (OECD), Organização das Nações Unidas (ONU) e United States Department 
of Agriculture (USDA).
No Brasil, podem ser citadas a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Fundação 
Getulio Vargas (FGV), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Estudos 
do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 
a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Embrapa Gado de Leite, a Empresa de Pesquisa 
Energética (EPE), a União da Indústria de Cana‑de‑açúcar (Unica), a Associação Brasileira de Produtores 
de Florestas Plantadas (Abraf), a STCP Consultoria, Engenharia e Gerenciamento, a Associação Brasileira 
de Celulose e Papel (Bracelpa), a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e a 
Associação Brasileira do Agribusiness (Abag).
Um grande destaque deve ser conferido à atuação da Embrapa, empresa governamental 
voltada à inovação tecnológica e à geração de novos conhecimentos relacionados com a 
agricultura e a pecuária:
[...] vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 
desde a nossa criação, em 26 de abril de 1973, assumimos um desafio: 
desenvolver, em conjunto com nossos parceiros do Sistema Nacional de 
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Unidade I
Pesquisa Agropecuária – SNPA, um modelo de agricultura e pecuária tropical 
genuinamente brasileiro, superando as barreiras que limitavam a produção 
de alimentos, fibras e energia no nosso país (EMBRAPA, [s.d.]b).
Com sede em Brasília, a Embrapa conta com 46 unidades descentralizadas pelo Brasil.
 Saiba mais
Para conhecer mais informações e projetos desenvolvidos, 
ou em desenvolvimento, por esse importante órgão de pesquisa 
agropecuária e mineral, que tanto suporte tem dado ao agronegócio 
brasileiro, acesse:
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (Embrapa). 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Quem somos. 
Disponível em: . Acesso em: 29 
set. 2016.
Como fomentadoras da cadeia do agronegócio, além da Embrapa, podem ser mencionadas a Ceplac, 
instituição pública federal vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as 
Secretarias de Agricultura dos Estados e as próprias escolas e universidades, públicas (como exemplo, 
mencionamos o Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São 
Paulo‑Pensa/USP) e particulares.
1.4 Abrangência dos mercados de produtos agropecuários
Os primeiros vendedores de produtos agropecuários são os diferentes tipos de agricultores e 
pecuaristas, localizados nas principais regiões produtoras.
Nada obstante, os agentes que comercializam a produção situam‑se em um mercado regional com 
características e especificidades próprias. Isso ocorre, também, devido às condições de perecibilidade e 
custos de transportes dos produtos.
Os pequenos produtores costumam ocupar o entorno dos centros urbanos consumidores (formados 
por pessoas físicas e empresas). Outros produtores se concentram em regiões mais distantes e procuram 
se associar por meio de cooperativas, que atuam no mercado nacional e internacional.
O acesso ao mercado externo é possível graças à diferenciação do produto (propiciada por atividades, 
como as de controle de qualidade, certificação e logística).
Assim, a abrangência geográfica depende de:
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• especificações do produto (perecibilidade, valor agregado, relação entre preço, volume e peso etc.);
• condições naturais específicas (clima e solo) que concentram a produção em certas regiões;
• tecnologia de distribuição disponível (logística, certificação, controle etc.);
• restrições legais e sanitárias;
• acordos comerciais entre países e blocos econômicos;
• características organizacionais e estratégias dos compradores e vendedores.
Os mercados de produtos rurais estão entre os melhores exemplos de estrutura que atuam no regime 
de concorrência perfeita, fazendo‑se, neste caso, a distinção entre a agropecuária de pequeno porte e a 
que é constituinte do agronegócio.
 Observação
Outro aspecto observado com relação aos produtos agropecuários é 
a menor elasticidade‑preço comparada a outros produtos, notadamente 
os manufaturados.
Afinal, um grande número desses produtos é formado por alimentos, que são incluídos entre os 
produtos essenciais para o consumo das famílias. E os alimentos representam certamente – no Brasil e 
no exterior – o setor mais importante do agronegócio.
De qualquer forma, as conclusões obtidas sobre os alimentos podem também ser estendidas, em 
maior ou menor grau, ao conjunto das atividades agropecuárias e a outros produtos, como vestuário, 
calçados etc.
Sandroni (2005, p. 287) define elasticidade‑preço como a associação entre a variação relativa na 
quantidade procurada ou ofertada de um bem e uma variação relativa de preço.
O coeficiente de elasticidade‑preço da demanda pode ser obtido dividindo‑se a variação percentual 
da quantidade demandada pela variação dos seus preços.
Quando o coeficiente for maior do que 1, a demanda será tida como elástica. Nos casos em que esse 
coeficiente é menor do que 1, a demanda é inelástica – uma variação percentual no preço resulta numa 
variação menor na quantidade demandada – o que se verifica com os produtos agropecuários.
A tabela a seguir, adaptada de Mendes e Padilha Jr. (2007), apresenta coeficientes que revelam essa 
característica de inelasticidade dos produtos agropecuários:
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Tabela 3 
Produto
Magnitude da elasticidade-preço 
da demanda (em módulo)
No Brasil Nos Estados Unidos 
da América
Açúcar 0,13 0,24
Arroz 0,10 (*)
Banana 0,49 (*)
Batata inglesa 0,15 0,25
Café em pó 0,12 0,21
Café solúvel 0,85 1,10
Carne bovina 0,94 0,77
Carne de frango 0,96 0,80
Carne suína 0,70 0,60
Farinha de trigo 0,35 0,15
Feijão 0,16 (*)
Frutas 0,50 0,45
Laranja (*) 0,66
Leite 0,14 0,34
Manteiga (*) 0,66
Margarina (*) 0,84
Ovos 1,20 0,30
Pão (*) 0,15
Queijo (*) 0,55
Tomate 1,20 (*)
Produtos agrícolas 
em geral (*) 0,42
Carnes em geral (*) 0,60
Alimentos em geral 0,50 0,12
Não alimentos (*) 1,02
Fonte: Adaptado de Mendes; Padilha Jr. (2007, p. 73).
1.5 A segurança alimentar
Mendes e Padilha Junior argumentam:
Nos países de baixa renda, é o nível de produção doméstica que determina 
o de consumo, uma vez que se trata de países, de um lado, com baixo nível 
tecnológico e, de outro, com baixo nível de renda e sem moeda forte e 
abundante, capaz de garantir a importação de alimentos (MENDES; PADILHA 
JUNIOR, 2007, p. 106).
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Em várias localidades, o nível de produção doméstica é incapaz de atender às necessidadesdo 
mercado interno, como tem ocorrido com o Brasil.
Mendes e Padilha Jr. (2007, p. 107) argumentam que “isso acontece porque a tecnologia agrícola 
ainda não chegou de forma ampla a todos os produtos, como ocorreu, por exemplo, com a soja, o 
frango, os suínos, a soja, a cana‑de‑açúcar e a laranja.”
A questão maior relacionada à produção de alimentos é a desigual distribuição entre os países.
Estudo conduzido pela Food and Agriculture Organization (FAO) mostra que haverá alimento, 
em termos globais, para suportar o crescimento populacional até 2030, mas, apesar disso, prevê que 
centenas de milhões de pessoas, a maioria residindo nos países em desenvolvimento, não terão acesso 
a ele; o que identifica a preocupação com a insegurança alimentar.
Alguns países terão condições de importar alimentos, mas existirão outros sem condições de fazê‑lo.
Mendes e Padilha Jr. (2007, p. 145‑6) lembram que:
• China e Índia, apesar de serem grandes produtores de grãos, também são importadores, dado o 
elevado contingente populacional.
• Estados Unidos são notáveis exportadores de produtos agrícolas, algo em torno de 129 milhões 
de toneladas de grãos.
• União Europeia pratica um elenco significativo de medidas protecionistas.
• Ásia, África, Leste Europeu e Oriente Médio são grandes regiões importadoras de produtos 
agrícolas.
O comportamento dos preços praticados no mercado é, sem dúvida, uma relevante variável admitida 
pela teoria econômica, capaz de justificar os padrões e os montantes de consumo interno e exportação 
dos produtos.
No que se refere, especificamente, a alimentos, é preciso destavar os seguintes itens:
• taxa de crescimento da população e sua composição etária;
• distribuição geográfica;
• condições de mobilidade;
• nível educacional.
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Isso é relacionado diretamente com a atualidade e as expectativas futuras, atuando na composição 
da demanda e, consequentemente, naquilo que será ofertado pelos agentes produtores.
Maior população determina um aumento direto dessas necessidades para todos os produtos. Esse 
tipo de variação faz com que em cada nível de preço que possa ser praticado no mercado seja diferente 
(e normalmente maior) às quantidades procuradas pelos consumidores.
Entre os fatores que merecem ser observados de forma a garantir segurança alimentar, podem ser mencionados:
• disponibilidade de alimentos;
• condições de acesso aos alimentos;
• condições de comprá‑los;
• adequação do uso do alimento, apoiado em educação e saúde.
Como exemplos de culturas/produtos em que há predominância de produtores empresariais, podem 
ser mencionados:
• soja;
• trigo;
• café;
• bovinocultura de corte.
1.6 Características da produção agropecuária
A produção agrícola apresenta, entre outras, as seguintes características:
• variabilidade da produção periódica: fenômeno observado na produção agroindustrial, mas que 
não se reflete no lado do consumo, gerando, assim, a necessidade de serviços de armazenamento 
e conservação para o atendimento à demanda;
• sazonalidade: condições climáticas de cada região, dividindo períodos de safra e entressafra 
(excesso e falta de produção, em relação à demanda);
• influência de pragas e doenças: condições que levam à diminuição da quantidade e da qualidade 
dos produtos ou, eventualmente, à perda de grande parte ou até de toda a produção, podendo 
ocorrer em momento de cultivo, colheita ou até em fases depois da porteira;
• variações climáticas.
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Com relação à questão climática, Araújo (2013, p. 9) comenta: “normalmente, a certeza do agricultor é a de que 
realizou o plantio e que dele irá cuidar, mas se irá colher e o quanto colherá, como ele próprio o diz, só Deus sabe.”
Por se tratar de atividade de alto risco, é difícil a prática do seguro agrícola, que se constitui 
em importante fator de hedging (proteção) para o produtor rural, em razão da perecibilidade: um 
determinado produto é considerado perecível quando pode se estragar com relativa facilidade.
A perecibilidade é combatida com o desenvolvimento tecnológico e métodos especializados e adequados de 
colheita, classificação e tratamento dos produtos agropecuários e, na fase depois da porteira, com especificações 
e estruturas destinadas à armazenagem e à conservação, às embalagens, à logística de distribuição etc.
• distribuição geográfica;
• atomização da produção;
• variação da qualidade do produto;
• baixo valor agregado: o valor agregado é cada vez mais entendido como o que é percebido pelo 
cliente/consumidor e é baixo, ao menos ao nível do produtor, por se tratar de commodities.
Esses fatores conduzem, naturalmente, à baixa remuneração no âmbito dos produtores e a um custo 
mais alto (percentual por unidade de produto) em termos de logística de distribuição e transporte; dadas a:
• dificuldade de ajustamento;
• existência de estruturas diversificadas de mercado.
O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indica:
No Brasil, o agronegócio contempla o pequeno, o médio e o grande produtor 
rural e reúne atividades de fornecimento de bens e serviços à agricultura, 
produção agropecuária, processamento, transformação e distribuição de 
produtos de origem agropecuária até o consumidor final (BRASIL, [s.d.]a).
Além dos produtos relacionados ao agronegócio propriamente dito, deve ser mencionada a 
agricultura familiar, voltada à subsistência dos próprios produtores rurais.
Entre os produtos de maior destaque nessa modalidade de agricultura, estão:
• feijão;
• mandioca;
• suinocultura;
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• bovinocultura de leite;
• milho;
• aves;
• ovos;
• arroz.
O diagrama da figura a seguir, extraído de Mendes e Padilha Junior (2007), revela o dualismo 
estrutural no agronegócio com base em fatores tecnológicos:
Dualismo 
tecnológico
Características em nível de:
Produção Comercialização
Pequenos 
produtores
a) Mercado interno
b) Grande número de comerciantes
c) Pequenos lotes
d) Comerciantes ineficientes
e) Custos e margens elevadas
f) Baixos preços aos produtores
g) Elevados preços aos consumidores
h) Demanda‑preço mais inelástica
1 – Agricultura 
tradicional
a) Pequena escala i) Qualidade inferior
b) Insumos tradicionais j) Consumidores de baixa renda
c) Baixo nível tecnológico
d) Pouca especialização
Médios/grandes 
produtores
a) Mercado interno
e) Crédito difícil b) Poucos intermediários
f) Produção dispersa c) Lotes maiores
g) Prudução conjunta d) Comerciantes com maior escala
e) Margens menores
f) Intermediários mais eficientes
g) Consumidores de renda média‑alta
2 – Agricultura 
moderna
a) Escala maior
b) Insumos modernos
Médios e 
grandes 
produtores
a) Mercado externo e interno
c) Tecnologia moderna b) Poucos intermediários
d) Maior especialização c) Maior organização – produtores
e) Fácil acesso ao crédito d) Demanda mais elástica
f) Maior grau de mecanização e) Menor variabilidade de preços
g) Maior uso de capital f) Melhor infraestrutura
Figura 7 
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CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR
 Saiba mais
A Lei n° 11.326 estabelece as diretrizes para a formulação da Política 
Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Para 
saber mais acerca da lei, acesse:
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos 
Jurídicos. Lei n° 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a 
formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos 
Familiares Rurais. Brasília: DF, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ato2004‑2006/2006/lei/l11326.htm>. Acesso em: 23 set. 2016.
No Censo Agropecuário de 2006 (IBGE, 2006), foram identificados4.366.267 estabelecimentos de 
agricultura familiar, o que representa 84,36% das instalações brasileiras. Esse numeroso contingente de 
agricultores familiares abrangia uma área de 80,10 milhões de hectares, ou seja, 24% da área ocupada 
pelos comércios agropecuários brasileiros.
Tais resultados mostram uma estrutura agrária ainda concentrada no País: os estabelecimentos não 
familiares, apesar de representarem 15,6% do total, envolviam 75,9% da área ocupada. A área média dos 
locais familiares era de 18,34 hectares e a dos não familiares de 313,3 hectares.
Dos 80,1 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, enquanto 
área com matas, florestas ou sistemas agroflorestais ocupava 24%; por fim, as lavouras, 22%.
Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens (17,6 milhões e 36,2 milhões de 
hectares, respectivamente), a agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança 
alimentar do País como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno.
As centrais de abastecimento, pela sua infraestrutura, desempenham um forte papel no que tange 
ao suporte mais próximo aos produtores, fornecendo‑lhes também informações e executando serviços 
relacionados com seleção, classificação, beneficiamento e embalagem de produtos.
Podem ser considerados como objetivos dessas centrais:
• diminuição do poder dos intermediários;
• identificação de novos locais e oportunidades de comercialização;
• obtenção de melhores preços para os produtos agropecuários.
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Figura 8 
1.7 Integração dos canais de comercialização de produtos agropecuários
Mendes e Padilha Junior (2007) comentam o propósito dessas integrações:
A integração vertical ocorre quando uma empresa combina atividades 
não semelhantes às que regularmente realiza [...]. A integração horizontal 
se verifica quando uma empresa absorve outras firmas que executavam 
atividades similares às suas.
A procura pela integração vertical está relacionada, por exemplo, com a 
necessidade de garantia de insumos para a produção e de produtos para a 
comercialização.
A integração vertical ocorre quando uma única empresa ou empreendimento 
coordena todo o processo produtivo e/ou de comercialização desde 
a obtenção dos insumos até o término da produção e/ou da entrega ao 
consumo dos produtos agropecuários.
Esse processo pode levar, também, a uma maior dependência e subordinação 
dos produtores à integradora. Um dos inconvenientes da integração é a maior 
dificuldade para a gestão e os altos custos demandados por sua consecução, 
o que pode liberar menos recursos financeiros do que os necessários para a 
produção propriamente dita.
A integração pode contribuir também com a formação de barreiras à entrada 
no mercado de novas empresas, à medida que sejam verticalizadas fontes de 
matérias‑primas. Isso se dá em prejuízo da concorrência e faz com que os 
preços não sejam totalmente determinados pelos livres mercados (MENDES; 
PADILHA JUNIOR, 2007, p. 220).
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É preciso, todavia, lembrar as economias de escala e consequentes reduções de custos propiciados 
pela integração.
Um exemplo de integração vertical pode ser constatado pela existência das cooperativas locais ou 
regionais envolvendo diferentes produtores rurais. A horizontal, por outro lado, objetiva diminuir riscos 
e custos, além de melhorar qualidade com base no princípio de economia de escala.
Com as economias de escala, há a produção de bens em larga escala, o que propicia significativa 
redução nos custos. Também chamadas de economias internas, as economias de escala resultam 
da racionalização intensiva da atividade produtiva, graças ao empenho sistemático de novos 
engenhos tecnológicos e de processos avançados de automação, organização e especialização 
do trabalho.
Representada fisicamente por gigantescas unidades de produção, as empresas que conseguem obter 
economia de escala possibilitam o emprego de amplo contingente de mão de obra altamente qualificada 
e são dotadas de grande capacidade de estocagem de produção e matérias‑primas. Seu elevado grau 
de especialização garante melhores processos e métodos de controle de qualidade da produção e maior 
uniformidade na padronização dos produtos.
Além disso, os recursos colocados à sua disposição possibilitam maiores investimentos na pesquisa 
e na criação de novos produtos, além da elaboração de eficientes campanhas publicitárias e sólidas 
estratégias de marketing.
Todos esses fatores proporcionados pela economia de escala não são usufruídos pelas pequenas 
e médias empresas. A tendência é a concentração sob a forma monopolista, fundamentalmente de 
caráter multinacional.
1.8 Bolsas de mercadorias e futuros
Sandroni (2005) define as bolsas de mercadorias como:
Mercado centralizado para transações com mercadorias, sobretudo os 
produtos primários de maior importância no comércio internacional e no 
comércio interno, como café, açúcar, algodão, cereais etc. (as chamadas 
commodities). Realizando negócios tanto com estoques existentes quanto 
estoques futuros, as Bolsas de Mercadorias exercem papel estabilizador no 
mercado, minimizando as variações de preço provocadas pelas flutuações 
de procura e reduzindo os riscos dos comerciantes [...]. Na atualidade, as 
mais importantes Bolsas de Mercadorias do mundo são as de Chicago, Nova 
Iorque e Londres; suas cotações regulam os preços de quase todo o comércio 
internacional [...] (SANDRONI, 2005, p. 91).
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Unidade I
Figura 9 
A BM&FBovespa (BVMF) foi criada em maio de 2008 com a integração da BM&F (bolsa de derivativos) 
e da Bovespa (bolsa de ações). É a única bolsa de valores mobiliários do Brasil e também provedora de 
serviços de contraparte central e custódia de títulos.
Atualmente está entre as maiores bolsas do mundo em valor de mercado, além de ser líder na 
América Latina.
 Saiba mais
BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros indica que as 
trajetórias da BM&FBOVESPA e do setor de bolsas no Brasil estão intimamente 
ligadas desde o início. Para saber mais sobre Bolsa de Valores, acesse:
BM&FBOVESPA S.A. Perfil histórico. São Paulo, 16 abr. 2016. 
Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016.
As operações nesses mercados propiciam ao agricultor ou pecuarista obter hedge (proteção), que lhe 
dá garantias de um determinado preço de venda para a sua lavoura ou criação.
Nesse caso, é firmado contrato ou opção de venda futura a determinado investidor (especulador), 
que assume o risco de eventuais problemas com os empreendimentos, como a ocorrência de fatores 
climáticos (enchentes, geadas etc.) ou baixa de preços no mercado no momento da colheita.
São nessas bolsas que podem ser constatadas as atuações de aplicadores (conhecidos como 
investidores) especuladores.
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CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR
Sandroni (2005) define especulação como:
Compra e a venda sistemática de títulos, ações, imóveis etc. com a 
intenção de obter lucro rápido e alto, aproveitando a oscilação dos 
preços. A atuação de um especulador consiste em comprar títulos ou 
commodities quando seus preços estiverem baixos ou em baixa e vender 
esses mesmos títulos ou commodities quando os preços estiverem em 
alta ou alcançarem um ponto máximo de elevação. As áreas preferidas 
para a ação dos especuladores são as Bolsas de Valores e de Mercadorias 
ou os gêneros de primeira necessidade. E no caso da especulação com 
produtos agrícolas ou provenientes da mineração, ou do extrativismo 
vegetal, a especulação ocorre geralmente com o produto em estado bruto, 
e não com o jáprocessado por algum sistema de beneficiamento, pois as 
oscilações de preços para cima ou para baixo são muito mais acentuadas 
nas matérias‑primas do que nos produtos acabados. Nos períodos de crise 
econômica ou de grande instabilidade financeira, os especuladores tendem 
a atuar com maior desenvoltura (SANDRONI, 2005, p. 311).
1.9 Problemas que afetam a produção e a comercialização nos países em 
desenvolvimento (emergentes)
Podemos classificar esses fatores entre os que se relacionam com as condições sociais e econômicas, com 
as estruturas de mercados e os processos de intervenção do governo nas atividades econômicas, entre os quais:
• elevada taxa de crescimento populacional;
• intensificação da migração de pessoas e trabalhadores do campo para a cidade;
• alta concentração de renda, riqueza e do poder político na sociedade;
• altos custos de produção e de distribuição de bens e serviços;
• infraestrutura inadequada de transportes.
Todos esses quesitos podem ser verificados no Brasil, apesar da melhora ocorrida tanto nos aspectos 
econômicos quanto sociais, a partir da década de 1990.
Entre os itens que causam dificuldades ao processo de comercialização, pode ser mencionado o 
baixo nível de especialização na fase de produção de bens. Esse fator normalmente é constatado em 
agriculturas de menor porte, e não nas de produtos voltados à exportação.
Há, nesse caso, por exemplo, um aproveitamento ineficiente das condições climáticas e de solo 
da região. Ocorrem perdas de produção, o que gera maiores custos de transações. Nessas situações, o 
produtor está inserido numa estrutura monopsonista que diminui a sua rentabilidade.
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Unidade I
 Lembrete
Podemos identificar a estrutura de mercado conhecida como 
monopsônio quando se observar a existência de um único comprador 
defrontando‑se com um grande número de ofertantes.
Mendes e Padilha Jr. (2007, p. 222) comentam que “na agroindústria brasileira, inúmeros casos se 
aproximam do status oligopolista. Isso acontece tanto pelo lado do produto agrícola processado quanto 
dos fatores de produção vendidos à agricultura.”
• existem grandes concentrações industriais em diversos segmentos, como café solúvel;
• óleos e gorduras vegetais;
• leite em pó e derivados;
• carnes em conserva;
• amido de milho;
• álcool e açúcar;
• papel e celulose;
• frigoríficos.
No tocante ao segmento antes da porteira, são comuns os oligopólios na exploração de 
atividades, como:
• sementes;
• fertilizantes;
• defensivos;
• rações;
• máquinas agrícolas.
O pouco apoio governamental e de fornecimento de crédito reduz a eficiência das atividades de 
comercialização agropecuária.
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Comentam Mendes e Padilha Junior (2007):
A posição básica da maioria dos governos latino‑americanos é de que 
as empresas de comercialização são, na melhor das hipóteses, um mal 
necessário. As leis e os programas governamentais têm a intenção de 
regular ou controlar os intermediários, em vez de procurar mudar suas ações 
indesejáveis pela educação, assistência técnica e por incentivos econômicos 
(MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p. 35).
Os oferecimentos de créditos são usualmente direcionados com maior frequência às atividades de 
produção do que às de comercialização e, por isso, podem sofrer de carência de capital para suas 
operações, o que ocorre também com os desenvolvimentos técnicos.
De outra parte, tanto o processamento quanto a preservação de alimentos têm sido bastante 
influenciados pelas mudanças tecnológicas.
Entre as dificuldades enfrentadas pelas várias cadeias de produção e de comercialização dos produtos 
agropecuários, destaca‑se o chamado custo Brasil. Essa expressão engloba um conjunto de custos de 
produção, ou de despesas que incidem direta ou indiretamente sobre a produção, dificultando ou até 
inviabilizando a colocação dos produtos no mercado nacional e, principalmente internacional, dada a 
perda relativa de competitividade com importados.
Esses custos devem‑se a aspectos:
• legais (legislação trabalhista, por exemplo, e os encargos sociais), institucionais (excesso de 
burocracia para a instalação de empresas ou para a exportação de produtos);
• tributários (excesso de impostos, contribuições e taxas incidentes sobre produtos que direta ou 
indiretamente participam das exportações ou sofrem concorrência de artigos estrangeiros);
• infraestrutura (falta ou precariedade de estradas bem‑conservadas, comunicações deficientes e caras);
• corporativas (domínio de sindicatos de trabalhadores sobre certos tipos de atividade, dificultando 
a incorporação do progresso técnico e o aumento da produtividade).
Muitos estudiosos entendem como importantes fatores que levam ao custo Brasil:
• déficit público;
• falta de competividade internacional e confiança nas políticas do governo;
• inflação;
• falta de mão de obra qualificada.
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1.10 Financiamentos e controles de riscos para os diferentes setores (PGPM, 
AGF e EGF)
Araújo (2013, p. 42) elucida que “os agentes econômicos atuantes no agronegócio antes da porteira 
são formadores de preços e os agropecuaristas são tomadores de preços.”
A produção e a comercialização agropecuárias demandam a utilização de uma gama de capitais, 
notadamente financeiros.
O agente do agronegócio pode recorrer a financiamentos obtidos junto aos setores privado e público 
para não somente dar mais garantia e segurança à sua produção, bem como facilitar a comercialização 
da safra.
Há operações cujo agente pode obter de forma antecipada os recursos (ou parte deles) previstos 
para serem utilizados em momento de comercialização antes mesmo de esta ser completada.
1.10.1 As políticas para o setor rural
O diagrama da figura a seguir, adaptado do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), 
ilustra alternativas das políticas de apoio do Governo Federal à agropecuária:
PGPM
Política de Garantia de Preços Mínimos
Compra
Aquisição do Governo Federal 
AGF
Prêmio para Escoamento de Produto 
PEP
Prêmio Equalizador pago ao Produtor 
Pepro
Contrato de Opção de Venda 
COV
Contrato Privado de Opção de Venda 
Prop
Linha Especial de Crédito 
LEC
Empréstimo do Governo Federal 
EGF
Financiamento
1992
1996
2003
Figura 10 
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CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR
1.10.2 Atuação das cooperativas
As cooperativas (associações sem fins lucrativos) permitem a redução de riscos e custos e agregam 
mais valor às atividades dos produtores rurais.
O objetivo fundamental do cooperado é obter serviços, diferentemente do acionista de uma empresa, 
que está procurando maior retorno financeiro para suas aplicações de capital.
Cooperativas são, então, mais uma agregação de trabalho do que de capital. Uma classificação para 
elas permite que sejam distinguidas entre:
• comerciais: atuam após o término do processo de produção, em atividades como classificação, 
embalagem, venda etc.;
• de consumo: visam fornecer aos associados os suprimentos de que necessitam para a execução 
de suas atividades;
• de serviços: agregação de serviços que podem beneficiar todos os associados, como 
telecomunicações, energia, irrigação etc.;
• de beneficiamento: objetivam prover serviços de beneficiamento e transportes de produtos 
agropecuários.
Pela necessidade de sua interação com setores oligopolistas, a agricultura é candidata natural às 
associações e ao cooperativismo.
1.11 A OMC (Organização Mundial do Comércio) e o combate ao 
protecionismo
A OMC iniciou suas atividades a partir de 1999. Apesar de existirem várias considerações teóricas 
contrárias à prática perfeccionista, muitos países, principalmente os de economia desenvolvida,

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