Prévia do material em texto
Primeira Unidade 1. Da Legislação que rege o lançamento Dia do fato gerador Dia do lançamento Lei X em vigência Lei Y em vigência Qual Lei se aplica? Regra Geral: art. 144, CTN. No lançamento aplica-se a lei que estava em vigor no dia da ocorrência do Fato Gerador. Ex. ISS O Serviço foi prestado em mar/17 – não houve o lançamento e tampouco o respectivo pagamento – O Fisco realiza o lançamento de ofício em Mar/18. # Qual lei se aplica ao exemplo acima? No direito tributário vigora o princípio do tempus regit actum Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Regra geral: Em caso de conflito entre leis no tempo, em que exista uma lei aplicável à época do lançamento e outra à época da ocorrência do fato gerador, prevalece, em regra, a lei aplicável ao período do fato gerador, de acordo com a redação do Art. 144, do CTN. Exceções: a) Em relação aos aspectos formais, em geral novas leis que alteram procedimentos relativos à fiscalização. Nessa situação, segundo a regra do § 1º do Art. 144, aplica-se a lei vigente ao tempo do lançamento § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. b) No tocante aos tributos lançados de forma periódica. Neste caso, utiliza-se a lei da data em que o fato gerador ocorreu. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. c) Quando referir-se ao Imposto de Renda, cujo fato gerador ocorre em 31/12, aplica-se a lei em vigor no exercício financeiro da entrega da declaração, de acordo com o entendimento do STF. Súmula 584 do STF: Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. d) Em casos de infrações e penalidades, utiliza-se a lei mais favorável ao contribuinte, independentemente de ser a lei da época do lançamento ou do fato gerador, conforme previsto no Art. 112 do CTN. #Então, temos o seguinte quadro: · Parte substancial (tributo): a lei em vigor na data de ocorrência do fato gerador · Penalidade (multa): a lei mais favorável ao sujeito passivo · Aspectos formais: a lei em vigor na data do lançamento - No que tange aos aspectos formais, vige a regra segundo a qual as leis processuais ou procedimentais têm aplicação imediata. É com amparo nessa ideia que o STJ vem propugnando pela legalidade da quebra do sigilo bancário pelo Fisco para apurar fatos geradores anteriores à lei permissiva (LC 105, considerada constitucional, como cediço, pelo STF). Como recente exemplos, podemos lembrar as medidas trazidas pelos art. 20-B da Lei 10.522, aprovadas em 2018. 1.1. Alteração do lançamento Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. #Segundo o STJ, aqui se encontra a possibilidade de revisão do lançamento por erro de direito. Questões factuais, portanto, darão ensejo à revisão. Segundo Hugo de Brito Machado, há erro de direito quando o lançamento é feito ilegalmente, em virtude de ignorância ou errada compreensão da lei. O lançamento, vale dizer, a decisão da autoridade administrativa, situa-se, neste caso, fora da moldura jurídica. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. ambém há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura de um lançamento, pretende alterar esse lançamento, mediante outra interpretação. Súmula 227 do ex-TFR “a mudança no critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento”. #O auto de infração equivale ao lançamento? Tanto quanto o lançamento, ele constitui o crédito tributário? Não, o auto de infração apenas constitui a sanção tributária, consoante PAULO DE BARROS CARVALHO (CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, ED. SARAIVA, 2002:408 E SS.): “temos um fato delituoso, caracterizado pelo descumprimento de um dever estabelecido no consequente de norma tributária.” No lançamento temos “um fato lícito, em que não encontraremos violação de qualquer preceito, simplesmente uma alteração no mundo social a que o direito atribui valoração positiva.” Prossegue o autor esclarecendo que “de vezes, sob a epígrafe ‘auto de infração’, deparamo-nos com 2 atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dá-se a conjunção num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser duas normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa, estão reunidos no mesmo suporte físico. Pela freqüência com que ocorrem essas conjunções, falam, alguns, em “auto de infração” no sentido largo (dois atos no mesmo instrumento) e “auto de infração” stricto sensu, para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário”. O auto de infração é um ato administrativo porque corresponde a uma manifestação objetiva da vontade do Estado, enquanto parte diretamente interessada em uma relação jurídica. Fora dessas hipóteses, o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo não pode ser alterado. Assim com o auto de infração, o lançamento é constituído, mas não definitivamente constituído (pois pode ser alterado por impugnação, por exemplo). Assim, apenas quando estiver definitivo é que inicia o decurso da prescrição. Não tendo sido notificado o contribuinte a reversibilidade do lançamento é absoluta contudo, após a notificação alterações só poderão ser processadas nas hipóteses trazidas pelo CTN. 1.5. Hipóteses de alteração do lançamento: a) em razão de solicitação do contribuinte: quando o próprio contribuinte discorda do lançamento efetuado e resolve impugnar a cobrança. Nesse caso, se a impugnação for aceita o lançamento será revisto. A impugnação do sujeito passivo (a notificação deve expressamente prever o prazo para defesa, sob pena de nulidade – RESP 1227676) – registrar que, com o contencioso, é possível administrativamente a modificação para pior (lançamento suplementar, previsto expressamente pelo art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/1972).Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; b) automático: por meio de um recurso de ofício, que nada mais é que uma remessa obrigatória nos casos em que a Fazenda Pública perde. Ela nem chega a protocolar um recurso de fato. O processo é encaminhado a uma instância superior para avaliar e, se necessário, revisar o lançamento. É um reexame necessário para as causas que superem 100, 500 ou 1000 salários-mínimos. (Art. 496, §3º, CPC). recurso de ofício; iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...) II - recurso de ofício; c) quando solicitado pela Fazenda Nacional: nos casos em que a Fazenda Pública se sente prejudicada e resolve alterar o lançamento. Para não se ofender a segurança jurídica, somente é possível nos casos expressamente previstos no art. 149, CTN, quais sejam: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...) III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.