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Como citar este material: 
Stocker, Fabrício. Análise Microeconômica: Impactos no Funcionamento do Mercado e 
na Sociedade. Rio de Janeiro: FGV, 2022. 
 
Todos os direitos reservados. Textos, vídeos, sons, imagens, gráficos e demais componentes 
deste material são protegidos por direitos autorais e outros direitos de propriedade intelectual, de 
forma que é proibida a reprodução no todo ou em parte, sem a devida autorização
 
 
SUMÁRIO 
ANÁLISE MICROECONÔMICA: IMPACTOS NO FUNCIONAMENTO DO MERCADO E NA SOCIEDADE
 .......................................................................................................................................................... 5 
PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA ECONOMIA ...................................................................................... 6 
História e evolução do pensamento econômico ...................................................................... 6 
NÍVEIS DA ECONOMIA E ANÁLISE MICROECONÔMICA ................................................................. 9 
Mercado e agentes econômicos ............................................................................................ 10 
PRINCÍPIOS DA OFERTA, DEMANDA E ELASTICIDADE ................................................................. 11 
Demanda e oferta .................................................................................................................... 11 
Curva da oferta......................................................................................................................... 14 
Elasticidade no mercado ......................................................................................................... 14 
COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR E DECISÃO ECONÔMICA ............................................. 15 
PRODUÇÃO, CUSTOS E EFICIÊNCIA ECONÔMICA ........................................................................ 18 
Função da empresa para a economia ................................................................................... 18 
Função e período da produção .............................................................................................. 19 
Custos da produção................................................................................................................. 20 
Custos totais e custos médios .......................................................................................... 21 
Economias de escala ............................................................................................................... 22 
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................ 25 
BIBLIOGRAFIA COMENTADA .......................................................................................................... 26 
PROFESSOR-AUTOR ....................................................................................................................... 27 
FABRICIO STOCKER .................................................................................................................. 27 
FORMAÇÃO ACADÊMICA ......................................................................................................... 27 
EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS ............................................................................................... 27 
PUBLICAÇÕES E PRÊMIOS ....................................................................................................... 27 
 
 
 
 
 
 
Este curso tem por objetivo apresentar os pressupostos básicos e os fundamentos da ciência 
econômica, tendo o seu foco na atividade econômica do indivíduo e da empresa. Partimos do ponto 
de vista da análise microeconômica, em que são analisados os aspectos desagregados e mais 
elementares da economia, para, posteriormente, entender o seu impacto no funcionamento do 
mercado e na sociedade. 
Os objetivos de aprendizagem para este curso são: 
a) reconhecer a ciência econômica como a ciência que explica a forma como os agentes 
econômicos alocam os seus recursos escassos; 
b) listar os elementos que definem a oferta e demanda do mercado; 
c) relacionar a quantidade demandada às variações de preço – elasticidade-preço da 
demanda; 
d) compreender o comportamento do consumidor para análise do mercado e 
e) definir o custo de oportunidade das decisões de produção. 
 
Para tanto, este curso está divido em cinco unidades: 1 – Pressupostos básicos da economia; 
2 – Níveis da economia e análise microeconômica; 3 – Princípios da oferta, demanda e elasticidade; 
4 – Comportamento do consumidor e decisão econômica; e 5 – Produção, custos e eficiência 
econômica. 
ANÁLISE MICROECONÔMICA: IMPACTOS 
NO FUNCIONAMENTO DO MERCADO E NA 
SOCIEDADE 
 
6 
 
Pressupostos básicos da economia 
O homem e a sociedade vêm aprendendo e desenvolvendo diferentes formas de administrar a 
produção e o consumo dos bens e materiais. Diferentemente do início da civilização, quando o homem 
produzia na sua própria fazenda tudo o que consumia e não negociava o que era excedente da sua 
produção, hoje, e já a um bom tempo, a economia e aqueles que são responsáveis por essa área, estudam, 
planejam e executam planos e estratégias de como maximizar a produção, buscando eficiência 
econômica de modo a satisfazer as necessidades de cada indivíduo e também da sociedade. 
Pode-se entender a Economia por meio da sua definição clássica, que, segundo Mochón 
(2007), é “a ciência que estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo 
de produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade”. Nessa 
perspectiva, o conceito de economia, visto como a “alocação eficaz dos recursos escassos para 
obtenção de um conjunto ordenado de objetivos” (MOCHÓN, 2007, p.1), apresenta-nos já os 
princípios básicos da economia, relacionando-os com a escolha de como os recursos disponíveis na 
sociedade serão utilizados; além disso, considerando que esses recursos são escassos (finitos), os 
indivíduos estarão sempre preocupados com a oportunidade de melhor explorá-los e com o custo 
da oportunidade em obtê-los. 
O argumento constante sobre escassez de recursos dá ênfase à preocupação dos economistas 
e de todos os agentes econômicos quanto à disponibilidade, na sociedade, de recursos como água, 
alimento e energia bem como tempo e mão de obra, que, por serem “finitos”, precisam ser bem 
administrados para que todos tenham acesso a curto, médio ou longo prazos. 
Outra preocupação dos economistas é com relação ao processo de produção e de consumo, 
ou seja, como serão produzidos esses bens (carros, casas e bens materiais) e o que leva os indivíduos 
a consumirem e utilizarem determinados bens e serviços. Em outras palavras, é de interesse da 
economia a análise dos fatores de produção – custo marginal, eficiência econômica de produção e 
escalas de produção – bem como o comportamento do consumidor no que se refere à predição de 
decisões de compra e ao monitoramento de oferta e demanda por bens e serviços. 
 
História e evolução do pensamento econômico 
A Teoria Econômica e a forma como a Economia é analisada hoje passaram por diversas 
transformações e períodos de reflexão. É importante, portanto, conhecer quais as suas raízes e os 
estágios pelos quais tais estudos passaram para você poder entender qual o atual estado da arte da 
economia, ou seja, o que pensam, atualmente, os economistas e estudiosos dessa área. 
 
 
 7 
 
Embora existam outras obras e filósofos estudiosos da área econômica e comercial, Adam 
Smith é considerado o pai da economia, cuja obra A riqueza das nações foi publicada em 1776. 
Nesse período, entre os séculos XVI e XVII, os países mais poderosos eram os que viviam sob a 
forma das monarquias, em que o governo era ainda representado por reis, rainhas e os seus 
monarcas. Um exemplo disso é a Grã-Bretanha – Inglaterra, que era símbolo de poder e riqueza 
para a Europa e para todo o mundo.Nessa época, a riqueza dos países era simbolizada pelo número de posses e controle de recursos 
preciosos, como pedras e metais, muito utilizados para manufatura (ferrovias, indústrias e grandes 
construções); porém os países europeus possuem uma limitação geográfica e, por isso, a preocupação 
em expandir os seus territórios sempre foi muito grande. Nesse sentido, esses governos realizaram 
uma grande exploração nas suas colônias e em todos os territórios ainda não explorados. Um exemplo 
disso foi a grande exploração realizada pelo reino português nas terras brasileiras, quando grande parte 
dos recursos naturais brasileiros eram levados para a Europa, transformados e negociados para gerar 
riqueza, o que valorizava a moeda de Portugal. Esse pensamento de exploração do comércio e 
valorização da moeda local foi chamado de mercantilismo e é o marco inicial da teoria e prática 
econômica, que, neste curso, chamaremos de marco 1 do pensamento econômico. 
Para os mercantilistas, os países deveriam preocuparem-se com uma produção suficiente, 
utilizando o máximo possível dos seus recursos, principalmente o trabalho humano, que, nesta 
época, ainda era representado por condições de trabalho análogas à escravidão. Nesse sistema, os 
países-colônia forneciam recursos materiais (pedra, minério, madeira, etc.) para a metrópole e 
somente no país principal é que a manufatura e o comércio se desenvolviam. 
Ainda nesse mesmo período – próximo do século XVIII –, uma outra corrente econômica e de 
pensamento de produção também se desenvolvia, a chamada fisiocracia. Nessa vertente, os bens de 
produção e todo o funcionamento da sociedade eram baseados no excedente da produção agrícola. 
Ou seja, diferente de antes, os produtores agrícolas e grandes latifundiários não deveriam se importar 
apenas com a subsistência, e sim com o máximo de produção em determinada área agrícola, para que, 
com os recursos gerados na sua terra (plantação, etc.), pudessem negociar com outras regiões e países. 
Naquele tempo, os fisiocratas – todos indivíduos que faziam parte do sistema –, acreditavam 
que somente o trabalho agrícola apresentaria possíveis ganhos para sociedade e, por isso, grande 
parte da organização do trabalho e de toda a comunidade se via em torno das fazendas. Desse modo, 
definia-se, na sociedade, quem eram os proprietários de terra (os donos das fazendas, responsáveis 
pela exploração da riqueza), a classe produtiva (que eram os arrendatários de terra, responsáveis pelo 
cultivo, plantio e, até, pela negociação) e a classe estéril (que eram todos os outros artesões e 
trabalhadores que não estavam vinculados à produção agrícola). Embora esse modo de pensar não 
tenha durado muito tempo, essa forma de organização do trabalho e geração de riqueza para os 
países, chamada de Fisiocracia, trouxe importantes contribuições para o pensamento atual da 
Economia. Esse movimento ficou determinado como o marco 2 do pensamento econômico. 
 
8 
 
O marco 3 do pensamento econômico recebe o nome de Utilitarismo e representa um 
momento histórico de disruptura no modo como a economia e a organização do trabalho deveriam 
ser pensadas. Nesse período, os pensadores econômicos começaram a refletir sobre a utilidade do 
homem, se deveria limitar-se a gerar riqueza para o país ou a realizar o trabalho agrícola. Dessa 
maneira, novas formas de trabalho e perspectivas de progresso econômico começaram a ser 
discutidas, tendo uma maior preocupação sobre o bem-estar social, sobre o desenvolvimento das 
cidades e sobre como o aumento da população poderia influenciar a diversificação do trabalho e a 
geração de riqueza para a sociedade. 
Dentro desse contexto de pensamento sobre o progresso econômico e sobre como os países e 
as regiões poderiam desenvolverem-se social e economicamente, Adam Smith lança a sua 
contribuição para o pensamento econômico, introduzindo a “Teoria da Mão Invisível” e a reflexão 
sobre a atuação dos agentes econômicos e do Governo na geração de riqueza e equilíbrio social e 
econômico dos países. É a partir desse momento que surge o marco 4 do pensamento econômico, 
o qual começamos a chamar de Economia Clássica. 
Para Smith, não deveria haver regulação do governo no mercado, uma vez que a dinâmica de 
oferta e demanda seria a principal responsável pelo equilíbrio da economia e das negociações entre os 
países. Nessa fase, o crescimento econômico já estaria pautado em três diferentes etapas: 1) aumento 
da produtividade; 2) especialização da mão de obra e 3) acumulação de capital. Mas, para conseguir 
esse crescimento econômico, dois fatores seriam preponderantes – o liberalismo e o individualismo. 
Na perspectiva da economia clássica, fundamentada pelos pensamentos de Adam Smith 
(1723-1790) e David Ricardo (1772-1823), o sistema de livre comércio e produção de bens e 
serviços passa a ter um caráter científico, enquanto os sistemas de produção baseados na eficiência 
em custos, na vantagem comparativa entre países e regiões e nos princípios de tributação e 
contabilidade são agregados às decisões sobre o funcionamento e regulação do mercado. Cabia, 
contudo, ao Estado, a função de proteção e zelo das condições de equilíbrio do mercado, obras 
públicas e administração e justiça social. 
Outros importantes pensadores econômicos que têm influência até hoje na forma como políticas 
públicas e decisões econômicas são tomadas são: (i) John Maynard Keynes (1883-1937), autor da obra 
Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicada em 1936, cuja abordagem, denominada 
keynesianismo, pressupõe a intervenção do Estado para o Bem-Estar social, em oposição ao modelo 
liberalista econômico; e (ii) Milton Friedman (1912-2006), economista norte-americano, ganhador do 
Prêmio Nobel em Economia em reconhecimento às significativas contribuições para a modelagem de 
sistemas econômicos, considerado um dos principais economistas modernos. 
A partir desses 4 marcos do pensamento econômico, você pode entender a economia 
neoclássica, que é a que mais se aproxima do panorama atual, cujos pressupostos debatem sobre a 
organização da sociedade e atuação do Estado, os fatores de produção, os modelos de 
monitoramento da oferta e demanda do mercado bem como a distribuição de renda e demais 
modelos macroeconômicos emergentes deste milênio. 
 
 9 
 
Níveis da economia e análise microeconômica 
A economia, assim como outras áreas de conhecimento, divide-se em diferentes abordagens, 
dado o foco de análise e a intenção de aprofundamento. Os níveis da economia são representados 
pela micro e macroeconomia. A microeconomia está direcionada a estudar as unidades econômicas 
de forma individual, focalizando o comportamento das famílias e dos consumidores, e, 
principalmente, os fatores de produção e o seu funcionamento no nível da firma, ou seja, analisa 
como são tomadas as decisões; além disso, também se ocupa em calcular o custo de produção e os 
demais atributos do processo produtivo. 
Já a macroeconomia está direcionada para entender o funcionamento dos mercados e o 
conjunto das unidades econômicas, observando, por exemplo, como o aumento do desemprego 
pode ocasionar problemas na economia de um determinado país, ou como as negociações entre 
diferentes blocos econômicos (União Europeia e Mercosul) podem influenciar a economia do 
mercado asiático. 
Enquanto a análise macroeconômica está preocupada com o comportamento agregado dos 
agentes, a análise microeconômica preocupa-se com o comportamento individual dos agentes 
econômicos. A análise microeconômica tem por objetivo analisar as unidades individuais do 
mercado econômico. Nesse contexto, por unidades de análise, pode-se considerar o indivíduo – 
consumidor, a empresa e até mesmo o mercado. 
Partindo do pressuposto básico de que a economia deve gerenciar a escassez dos recursos, a 
análise microeconômica se concentrará na decisão dos indivíduos perante esse problema de escassez. 
Ou seja, analisará como se dá o comportamento de desejo ede compra de um determinado grupo 
de indivíduos ante um bem ou serviço que não está disponível para todos. 
A limitação que o agente econômico sofre é denominada “restrição orçamentária”. Essa 
restrição simboliza o máximo dos seus recursos disponíveis contra o seu desejo de aquisição de bens 
e serviços. Em outras palavras, considerando-se que uma família tem uma quantia X de renda 
(somados os salários de cada membro da família), a soma de todas as despesas da casa (aluguel, 
água, luz, gastos com mercado, farmácia e gastos gerais) não poderá ultrapassar esse valor X, visto 
que ele representa a restrição orçamentária dessa família. 
Assim como temos esse termo de restrição orçamentária para indivíduos/famílias, no caso das 
empresas e do governo, utiliza-se o conceito de orçamento. Tanto as empresas como o governo 
planejam o uso dos seus recursos e a aplicação correta dos seus investimentos, considerando o 
orçamento disponível; caso contrário, o fechamento mensal/anual não irá acontecer, ou melhor, 
acontecerá, mas a empresa/governo ficará em dívida pelo fato dos débitos serem maiores que o total 
de receitas disponível (orçamento). 
 
 
10 
 
Mercado e agentes econômicos 
O funcionamento de um país e da sua economia se dá por meio das operações que acontecem no 
seu mercado. Neste sentido, a palavra mercado figura como a instituição (física ou não) onde os fatores 
produtivos são vendidos e comprados. A exemplo disso, temos o mercado imobiliário (venda e compra 
de imóveis, casas, apartamentos), o mercado de bens de consumo (automóveis, eletrodomésticos, 
móveis, lojas de vestuário, supermercados, materiais de consumo em geral), entre outros. 
Conceitualmente, Mochón (2007) define como mercado toda instituição social na qual bens 
e serviços assim como os fatores produtivos são trocados livremente. Para a economia, o 
funcionamento do mercado é representado pelo conjunto de regras que estabelecem toda a ordem 
de comercialização, produção e venda dos bens gerados no país. Por isso, geralmente, ouvimos falar 
sobre como “anda” o mercado brasileiro ou, então, o mercado de determinado setor. Isso representa 
o modo como a economia de determinado país ou setor está se comportando e reagindo às 
influências externas e internas. 
As influências externas e internas representam todos os fatos e acontecimentos que podem 
interferir no funcionamento e na regulação do mercado. Influências internas podem ser ilustradas 
de diferentes formas, por exemplo, pelo aumento do número de desemprego, pelas condições 
ambientais dos países com chuva em excesso ou seca, pela melhoria nas condições sociais da 
população, etc. Todos esses fatores podem acelerar a dinâmica do mercado ou enfraquecê-lo. 
Já as influências externas no mercado econômico podem ser representadas, por exemplo, pela 
oscilação de câmbio (dólar, libra, euro – moedas que afetam diretamente os preços de diversos 
produtos no Brasil) ou pelos acordos políticos e econômicos em outros países, que podem afetar a 
negociação de produtos brasileiros, entre vários outros acontecimentos de ordem externa ao Brasil, 
mas que, de alguma forma, interferem no andamento do comércio interno e externo. 
No contexto geral do mercado, identifica-se, pelo menos, três agentes econômicos que 
influenciam e são influenciados pelas atividades econômicas. O agente 1 – empresa – representa todos 
os atores envolvidos no processo de produção e comercialização dos bens e serviços. Para esse agente 
econômico, os pressupostos da economia direcionam-se para buscar a maximização dos lucros e as 
melhores decisões de produção, frente aos custos e investimentos necessários para tais objetivos. A 
empresa é entendida como a entidade produtiva, seja indústria, seja comércio, seja instituição social, 
que participa do mercado como agente motor, impulsionando os demais agentes do mercado. 
Um outro agente econômico – o agente 2 – é a família, que representa o conjunto de 
indivíduos ou unidade familiar cujo comportamento de compra e cujas condições orçamentárias 
são foco de análise para a economia. Esse agente é responsável tanto por fornecer capital intelectual, 
mão de obra e trabalho para a empresa, como por demandá-la por meio da aquisição de recursos, 
bens e serviços. Para a economia, analisar a restrição orçamentária, a decisão de consumo e o 
comportamento desses atores, é fundamental para melhor prever e explicar as condições econômicas 
de uma determinada região ou país. 
 
 11 
 
Já o agente econômico 3 – governo – representa a atuação do Estado nas atividades 
econômicas, seja na sua esfera municipal, seja na estadual, seja na federal. Esse importante ator 
assume, por vezes, o papel de produtor de bens e serviços, por meio de empresas públicas e de 
economia mista, mas assume, também, o papel de regulador e intermediador das atividades 
econômicas por meio do seu sistema político e econômico. 
Por meio da atuação desses diferentes agentes econômicos e do funcionamento do mercado, é 
que a economia, especificamente a microeconomia, analisa e desenha os modelos econométricos para 
predição e compreensão da situação econômica bem como das condições da empresa e dos indivíduos 
em satisfazer as suas necessidades, em função da restrição de recursos e do seu próprio orçamento. 
 
Princípios da oferta, demanda e elasticidade 
Compra de produtos, venda de bens, troca de mercadorias, financiamento de imóveis e bens 
de alto valor agregado, todas essas operações são possíveis graças à existência e regulação dos mercados. 
A formação dos mercados é composta, basicamente, por grupos de compradores e vendedores, 
podendo ter mais agentes operadores ao passo que a complexidade desse mercado aumenta. 
Esse sistema de mercado é ilustrado por um fluxo monetário e um fluxo de produtos, ou seja, 
o fluxo do pagamento pelos produtos (dinheiro, financiamento e demais formas monetárias) e o 
fluxo dos fatores produtivos (produto, terra, trabalho humano e demais itens que podem ser 
negociados e pagos). 
O mercado econômico é representado por dois tipos de agentes: os compradores e os 
vendedores, os quais, na Economia, são responsáveis por dois diferentes fenômenos – demanda e 
oferta. Os compradores são os agentes responsáveis pela busca de determinado bem ou produto e, 
por essa razão, estimulam a demanda por esse bem. Para a Economia, demanda é a quantidade de 
um bem ou serviço de que os compradores/clientes estão em busca para efetuar o pagamento por 
um preço definido pelo mercado. 
Já a oferta é o resultado do que os agentes vendedores efetuam no mercado ao 
disponibilizarem um determinado bem ou serviço, podendo também estimular o seu consumo, o 
que gera uma elasticidade entre a oferta e a demanda. Esses conceitos e a forma como a Economia 
interpreta as suas variações e implicações práticas serão aprofundados nesta unidade. 
 
Demanda e oferta 
A demanda de um determinado bem ou serviço refere-se à quantidade que um indivíduo tem 
intenção de adquirir, em um determinado tempo, em razão do preço definido pelo mercado para a 
sua aquisição (MOCHÓN, 2007). 
 
 
12 
 
Nesse sentido, a intenção de compra de um indivíduo está relacionada com o preço do 
produto, ou seja, quanto maior o preço de um produto, menor será a quantidade que o consumidor 
estará disposto a pagar. Sob as mesmas condições, quanto menor o preço do produto, maior será a 
demanda pela sua aquisição, uma vez que mais consumidores terão acesso para compra. 
A Lei da Demanda, como é denominada na economia, explica a relação inversa existente 
entre o preço de um bem e a quantidade demandada, no sentido de que o aumento dos preços 
diminui a quantidade demandada, e, em contrapartida, a diminuição do preço aumenta a 
quantidade demandada. 
Exemplificando: 
Imagine um determinado produto, que você use todos os dias e que tem um valor médio 
determinado pelo mercado – por exemplo, um calçado. A definição do preço do calçado é levada 
em conta somando-se todos osseus custos de produção, distribuição e venda, além da margem de 
lucro do operador de vendas. O aumento do custo na produção e, consecutivamente, do preço dos 
calçados vai gerar uma demanda baixa pelo produto, uma vez que as pessoas terão menos chance 
de adquirir o produto em função do seu valor alto. 
Da mesma forma, quando o número de unidades produzidas aumenta e, com isso, o custo é 
diluído, o preço de venda pode vir a diminuir. Nessa dinâmica, o produto custará menos e terá uma 
oferta maior para os consumidores, gerando, desse modo, uma demanda menor de consumo e uma 
oferta maior de produtos. Essa dinâmica de oferta e demanda pode ser aplicada a praticamente 
todos os bens na sociedade, desde alimentos – laranja, feijão, tomate –, até bens de alto valor 
agregado, como carros e imóveis. 
Para analisar a tabela de demanda e a relação entre o preço de um determinado produto e a 
quantidade demandada, utilizaremos o exemplo do lançamento de uma nova linha de calçados. 
Atribuindo os fatores de produção, custos e mão de obra, esse produto é oferecido a um valor de 
R$ 300,00 no mercado. Para tal, apenas 10 unidades são demandadas, uma vez que apenas 10 
indivíduos têm a possibilidade de gastar essa quantia de valor por esse determinado produto. 
Conforme a empresa maximiza a eficiência de produção desse produto, diluindo os seus custos, o 
produto é oferecido a um preço mais baixo, chegando a custar até R$ 30,00. Nessas condições, 
haveria uma procura de até 1 mil unidades, ou seja, considerando a compra de uma unidade por 
consumidor, teríamos até mil consumidores dispostos a pagar esse valor pelo produto. 
 
 
 13 
 
Figura 1 – Tabela de demanda 
preços e quantidades demandadas 
preço quantidade demandada 
R$ 30,00 1.000 unidades 
R$ 45,00 700 unidades 
R$ 90,00 300 unidades 
R$ 180,00 50 unidades 
R$ 300,00 10 unidades 
 
Figura 2 – Gráfico da curva de demanda – relação entre preço e quantidade demandada 
 
Fonte: elaboração própria. 
 
Cabe ressaltar que a análise da demanda leva em consideração a intenção de compra e a 
restrição orçamentária dos indivíduos, uma vez que consideramos que o aumento do preço de um 
determinado bem pode levar à procura de outro bem; além disso, a intenção de compra também 
pode afetar a disponibilidade e oferta no mercado. Um fenômeno existente que tem relação com a 
oferta e demanda refere-se ao efeito substituição, cuja relação está na decisão de substituir o produto 
desejado por um outro produto similar, em contextos em que a condição financeira do indivíduo 
possibilita apenas a compra do item/bem substituto. Esse fenômeno é, frequentemente, 
mencionado em períodos de crise ou recessão econômica, quando o índice de inflação é alto, o que 
faz com que os consumidores mudem os seus hábitos de compra, tendo que tomar a decisão de 
compra por itens mais baratos, ainda que estes não satisfaçam as suas necessidades. 
 
14 
 
Curva da oferta 
Seguindo o mesmo princípio da demanda, a curva da oferta estará intimamente relacionada 
aos fatores de produção e à intenção dos produtores de determinado bem/produto/serviço em 
oferecer no mercado uma quantidade desse item por uma quantia de valor. Aqui, a curva é analisada 
sob a perspectiva do ofertante: o quanto ele estará disposto a vender e por qual preço, considerando 
o seu custo marginal de produção, ou seja, o preço do produto a ser ofertado precisa ser superior 
aos custos de produção, e essa decisão estará, ainda, condicionada à eficiência econômica e técnica 
da produção. 
Nesse contexto, a lei da oferta representa a relação entre o preço do produto e a quantidade 
que está sendo ofertada, sendo que, quanto maior o preço, maior será a quantidade ofertada, uma 
vez que os ofertantes buscarão um lucro maior frente ao aumento da oferta. 
A curva de oferta também pode sofrer com deslocamento em razão de alguns aspectos, como 
os preços dos fatores de produção e a tecnologia disponível. Quando ocorre uma melhoria nos 
meios de fabricação de determinado bem, seja pelo uso de tecnologia ou não, e, por alguma razão, 
o preço dos fatores de produção é reduzida, a curva de oferta é alterada uma vez que uma maior 
quantidade de produtos estará disponível para venda. 
 
Elasticidade no mercado 
A curva de oferta e demanda pode sofrer alterações por uma série de fatores, e o reflexo dessa 
alteração é o que se denomina na economia de elasticidade de oferta e demanda no mercado. Alguns 
fatores podem interferir na curva de oferta e demanda, tais como: alteração do nível de renda dos 
consumidores, mudanças do comportamento do consumidor com relação a gostos e preferências e 
também alteração dos preços de outros bens relacionados, que podem substituir o item que está 
sendo analisado. 
Quando há um aumento na renda média da população, argumenta-se que a economia será 
aquecida, uma vez que esses consumidores estarão dispostos a comprar mais bens/produtos; como 
o seu poder de compra foi elevado, isso certamente movimentará a curva de demanda, sem que, 
necessariamente, o valor do preço do item seja diminuído. 
Vale ressaltar que alguns bens podem ser classificados como “bem normal” e outros como 
“bem inferior”: a diferença básica entre eles é que a demanda por cada um tem uma dinâmica 
diferente, conforme a renda do consumidor aumenta ou diminui. Exemplo: um alimento como 
margarina – à medida que a renda é aumentada, a demanda pela sua procura poderá ser diminuída, 
uma vez que o consumidor terá recursos para adquirir outros produtos que a substituem. 
 
 
 15 
 
Em ambos os casos, a economia irá se preocupar com a elasticidade da demanda dos 
consumidores e a elasticidade da oferta dos produtores desses bens. Toda variação entre demanda e 
oferta, busca e procura, pelos bens e serviços na sociedade pode ser explicada pelas diferentes 
tipologias de elasticidade econômica. 
 
Figura 3 – Deslocamentos da demanda 
 
Fonte: elaboração própria. 
 
O ponto de equilíbrio entre a curva de oferta e demanda simboliza a satisfação entre os 
compradores e vendedores, ou seja, consumidores e ofertantes sobre o preço que está sendo 
praticado e a quantidade de unidades e preço que os consumidores estão dispostos a comprar. A 
figura anterior apresenta o gráfico dos preços (P1 e P2) e das quantidades (Q1 e Q2), para os quais 
teríamos dois pontos diferentes de demanda (D1 e D2), considerando que diferentes fatores 
influenciaram essa demanda. O ponto de equilíbrio, nesse caso, representaria o preço de equilíbrio 
(linha S), cujas quantidades demandas e ofertadas seriam igualadas. 
 
Comportamento do consumidor e decisão econômica 
Um dos princípios da Economia refere-se ao fato de os indivíduos estarem sempre envolvidos 
em trade-offs – escolhas. Dessa forma, a teoria da escolha do consumidor vai olhar o trade-off, 
observando o que os consumidores, formando a demanda no mercado, vão fazer para escolher, em 
um determinado momento, uma quantidade de qualquer bem, ou seja, como a decisão é tomada 
quando, para comprar uma quantidade de um bem, deverá renunciar a outro. O ponto principal é 
a limitação das escolhas representada pela renda – restrição orçamentária, que é o limite das 
combinações de consumo dos bens que o consumidor poderá adquirir. 
 
16 
 
Analisar as preferências e escolhas dos consumidores, envolve entender como se comporta a 
linha orçamentária dos indivíduos, que está condicionada à sua renda média, observar as curvas de 
indiferença, considerando-se a taxa marginal de substituição de produtos, assim como compreender 
os efeitos das variações de preço nas decisões de consumo. Todos esses fatores influenciam a curva 
de oferta e demanda, conforme mencionado na unidade anterior. 
Para a abordagem econômica, duas premissas principais regem a teoria do consumo: a 
maximização da utilidade e a minimização do gasto. Na maximização da utilidade, o consumidor é 
limitado pela sua restrição orçamentária. Dessa forma, a escolha para o consumo dedeterminado 
bem ou serviço está relacionada ao máximo de satisfação ou utilidade em adquirí-lo. Essa premissa 
parte do princípio da racionalidade, ou seja, considera-se que o consumidor é racional, uma vez que 
são analisados os benefícios da utilidade e do consumo, dadas as suas condições orçamentárias. 
O pressuposto da racionalidade, nesse sentido, reforça o argumento de que os indivíduos e a 
família, entre as diversas possibilidades de escolhas de produtos, optarão por aquele que trará maior 
utilidade e bem-estar individual. É o que se chama de comportamento padrão, isto é, o consumidor 
tem as suas escolhas e julga as suas preferências de modo a otimizar a decisão de compra, sem incluir 
mais variáveis e viezes para a decisão. Sabe-se, contudo, que outras abordagens teóricas, 
principalmente nas áreas de Marketing, Consumo e Economia Comportamental, analisam o 
processo de compra e decisão de forma a abranger a sua complexidade, as suas heurísticas e os seus 
viezes, porém sem ignorar o pressuposto básico, abordado pela economia, sobre a decisão racional 
e econômica do indivíduo. 
A segunda premissa da teoria do consumo pela abordagem econômica refere-se à intenção de 
minimizar os gastos, ou seja, o consumidor irá escolher o número de mercadorias em face da sua 
intenção de gastos, limitando-se, dessa maneira, a um nível de utilidade da compra. Esse ponto de 
equilíbrio, entre a restrição orçamentária e a curva de indiferença, representa o quanto de um 
determinado bem o consumidor está disposto a comprar em relação ao consumo de outro bem. 
Quando se fala da teoria do consumidor, outros conceitos são apresentados e discutidos, tais 
como: preferência, curva de indiferença, utilidade, taxa marginal de substituição e o próprio ponto 
de equilíbrio. 
A conceito de preferência refere-se ao fato de que, na diversidade de produtos, o consumidor, 
tendo recursos para adquirí-los, irá ordenar, de acordo com a sua preferência, quais produtos irá 
comprar/consumir. A representação disso se dá da seguinte forma: produto A é preferido ao produto 
B; produto C não é preferido ao produto B; produto D é indiferente ao produto E. 
A análise econômica da preferência do consumidor irá considerar o seu desejo de compra, 
uma vez que o consumo de cada indivíduo irá influenciar na curva de demanda, conforme já 
discutimos anteriormente. 
 
 
 
 17 
 
Exemplificando: 
A curva de indiferença surge exatamente para exemplificar os possíveis pontos e momentos 
de decisão do consumidor em relação a querer comprar número x de produtos A e, ao mesmo 
tempo, comprar número x-1 de produtos B. Em outras palavras, suponhamos que um determinado 
consumidor tem a intenção de consumir até R$ 500,00 por mês em refeições prontas. Para tanto, 
ele pode ir seis vezes a um restaurente e pedir duas vezes a entrega de refeição na sua casa, ou o 
mesmo consumidor poderá pedir seis vezes a entrega de refeição em casa e ir duas vezes a um 
restaurante. Considerando a diferença entre os valores e a restrição orçamentária do indivíduo, esse 
consumidor terá de optar pela forma como irá usar os seus recursos. 
No exemplo do mapa de preferências (figura seguinte), você poderá observar que o indivíduo 
(ou a família) estará satisfeito com o consumo tanto no ponto “C” como no ponto “G” da curva de 
indiferença. Ou seja, a curva ilustra as combinações de consumo que se mostram indiferentes, mas 
ainda preferíveis pelo consumidor. 
 
Figura 4 – Mapa de preferência e taxa marginal de substituição 
 
Fonte: PARKIN (2008, p. 170). 
 
Nesse momento, cabe, ainda, analisar a taxa marginal de substituição, quer dizer, o custo pelo 
qual o consumidor está disposto a pagar para adquirir mais de um bem em detrimento de outro. A 
inclinação na curva de indiferença representa a taxa marginal de substituição, ou o quão disposto o 
consumidor está para trocar as suas combinações de consumo. 
Essa margem de substituição pode ser acentuada quando o consumidor é apresentado a bens 
substitutos próximos, em que o benefício e a utilidade de determinado bem ou serviço é bem 
parecido e análogo ao do produto a ser adquirido, como no caso de produtos similares cuja 
diferenciação de dá pela marca. A menos que a compra pela marca tenha um apelo social – via 
aceitação de grupo, status social ou outros atributos da marca, as demais características do produto 
podem ser muito similares e, por isso, facilmente substituído. Além disso, o consumidor pode optar 
por bens complementares, ou seja, deixa de optar pelo produto A e B, em razão do produto C 
atender todas as necessidades. 
 
18 
 
Acompanhar a tendência de consumo e as preferências dos consumidores, auxilia as decisões 
de produção e funcionam como um termômetro do ambiente econômico, uma vez que essas 
informações estão intrinsicamente relacionadas ao orçamento das famílias e indivíduos e, dessa 
forma, à possibilidade de movimentação das curvas de oferta e demanda do mercado. 
 
Produção, custos e eficiência econômica 
Função da empresa para a economia 
Para a economia, a função principal da empresa é dada pela sua função produtiva. Ou seja, a 
empresa é encarregada de combinar os fatores de produção (trabalho, capital e recursos naturais), 
utilizando-os para gerar os bens e serviços que serão vendidos no mercado. 
Para a Teoria Econômica, a atividade fundamental da empresa é a produção, e o seu principal 
objetivo é maximizar o lucro (PARKIN, 2008). Para isso, o foco da empresa será na alocação dos 
seus recursos, como mão de obra, máquinas, equipamentos e espaço físico, de modo a minimizar 
os custos de produção da quantidade oferecida, buscando sempre alcançar a eficiência econômica e 
maximização dos lucros. 
Um importante pressuposto do pensamento econômico deriva-se da Teoria da Firma, a qual 
é responsável por discutir as variáveis econômicas das empresas, tais como preço, produção e 
crescimento. Para a Teoria da Firma, o objetivo principal de uma empresa é a maximização dos 
lucros. Mas o que isso significa? 
No processo produtivo, a empresa está envolvida por uma série de custos por conta dos seus 
inputs no processo de produção, ou seja, trata-se de atividades que indicam o quanto a empresa está 
gastando para adquirir os recursos e materiais necessários para a produção de um determinado bem, 
o quanto a empresa está investindo na contratação do capital humano (trabalhadores) e o quanto a 
empresa investiu para a aquisição das suas instalações físicas, equipamentos e maquinários. Ao final 
do processo de produção, o produto gerado deverá ser precificado de modo que todos esses custos 
na produção sejam recompensados e, além disso, ainda há as taxas de impostos e os lucros esperados 
pela empresa. 
O foco da Teoria da Firma, centrado nesse pensamento econômico racional, argumenta que 
as empresas devem ser o máximo possível eficientes para que os custos sejam minimizados e, dessa 
forma, os lucros sejam cada vez maiores. É um discurso voltado para a centralização do 
acionista/proprietário da empresa, sendo este o responsável e também o maior beneficiário dessa 
eficiência econômica. 
 
 
 
 19 
 
Função e período da produção 
Para explicar a produção na perspectiva econômica, é importante dar atenção a alguns 
conceitos relevantes, quais sejam: função de produção, produção de curto e longo prazo, produto 
total e produto médio do trabalho, rendimentos de escala, eficiência técnica e eficiência econômica. 
A seguir, adentraremos em cada um desses conceitos. 
A função de produção representa a quantidade máxima de produção de um determinado 
produto, dadas as condições produtivas da empresa, considerando os seus recursos e materiais 
disponíveis. 
Exemplificando: 
A função de produção de uma indústria de móveis irá representar o número total de itens que 
a indústria pode produzir (seja guarda-roupas, seja camas, seja outros itens), considerando o seu 
espaço físico, os equipamentos e maquinários e também os trabalhadores queestão operando. Essa 
função de produção é utilizada para calcular a capacidade máxima de produção de uma empresa. 
A produção de curto e longo prazo representa, no processo de produção, o período de tempo 
em análise, seja ele de curto, seja de longo prazo; o que pode trazer variáveis significativas para a 
análise da função de produção e eficiência da produção. Na produção, alguns fatores são 
denominados como fixos e outros como fatores variáveis, e a variação entre esses fatores influenciará 
a quantidade da produção. 
Em outras palavras, no processo produtivo, a empresa pode aumentar a sua função de 
produção, porém, em um curto prazo, ela terá alguns fatores de produção disponíveis, enquanto no 
longo prazo, mais funcionários, equipamentos e outros fatores de produção precisariam ser 
incorporados na operação da empresa. 
Produto total e produto médio do trabalho é um conceito que remete à quantidade de um 
bem, produzido em uma empresa, que pode ser representado de duas formas: (i) produto total, que 
é a quantidade total da produção obtida por diferentes níveis de trabalho, e (ii) produto médio do 
trabalho, que é a média/quociente entre o total da produção e a quantidade de trabalho gasto para 
a produção; essa média pode ser calculada em razão do tempo, do material ou dos trabalhadores. 
O que é importante destacar nesses dois conceitos é que a produtividade não é constante 
conforme se aumenta os níveis de produção, isso porque os demais itens da produção serão 
utilizados ao mesmo tempo e, além de outras razões, a curva de produtividade não será sempre 
ascendente/positiva. 
 
 
 
20 
 
Figura 5 – Produto médio e produtividade 
 
 
Rendimentos de escala remete aos rendimentos de produção, que podem ser de economias 
de escala crescentes ou rendimentos constantes de escala. Para o primeiro tipo de rendimento de 
escala, a proporção de utilização dos fatores de produção é a mesma em relação à quantidade que 
será obtida de produtos. Nesse esquema de produção, se dobrarmos a quantidade de fatores, 
obteremos o dobro de produtos produzidos. Já no rendimento constante de escala, à medida que a 
utilização dos fatores de produção é aumentada, ocorre uma variação na quantidade de produção. 
Eficiência técnica refere-se à maximização da produção diante do total de fatores de 
produção disponíveis. Ou seja, empregando oito horas de trabalho com quatro funcionários, a 
técnica de produção “A” entregará um produto. Enquanto isso, a técnica de produção “B” 
despenderá 17 horas de trabalho com três funcionários. Na proporção final, a técnica B é mais 
ineficiente, enquanto a técnica A é a mais eficiente. 
Eficiência econômica: enquanto a eficiência técnica irá se preocupar com a quantidade de 
produtos, entregues com determinado número de fatores de produção; a eficiência econômica avaliará 
qual produção será mais eficiente economicamente, ou seja, qual permitirá produzir determinado 
produto com o menor preço. Para esse fator, a escolha é feita pelos custos envolvidos nos fatores de 
produção. Isso é utilizado, principalmente, quando se tem técnicas de produção similares, em que 
ambas são eficientes, porém a diferenciação pode ocorrer por meio da eficiência econômica. 
 
Custos da produção 
Como atividade principal produtiva, as empresas estão, frequentemente, preocupadas com a 
aplicação eficiente dos seus recursos e a diminuição dos seus custos. De fato, a própria alocação correta 
e eficiente dos recursos já é uma forma de diminuição dos custos, mas há, também, uma série de 
outras possibilidades de gerenciamento que vão afetar o processo produtivo e os custos da produção. 
Para melhor discutir o processo de produção, a economia de custos se baseia em diferentes funções 
de análise do custo, como os custos totais, custos fixos e outros, que serão esclarecidos na sequência. 
 
 
 21 
 
Custos totais e custos médios 
A quantidade de itens produzidos e a variação dos custos envolvidos no processo irão 
determinar os custos totais da produção. Esse montante final de custo pode ser representado pela 
soma dos custos fixos (todos os gastos com fatores fixos já programados, como instalação física, 
trabalhadores, entre outros fatores que não dependem da quantidade de produtos que será 
produzida) e também pelos custos variáveis (custos condicionados à quantidade de itens a serem 
produzidos), de modo que, quanto maior o volume de produção, maior serão os custos variáveis. 
Exemplificando: 
No caso de uma indústria de calçados, os custos fixos da produção estão relacionados à 
instalação física do imóvel, incluindo custos com o aluguel, a energia elétrica, os impostos da 
propriedade, entre outros; também são custos fixos os salários dos funcionários e todos os outros 
gastos que a empresa terá, operando na sua capacidade mínima ou máxima. 
Já os custos variáveis estão relacionados com o volume da produção, logo, se a empresa 
produzir 200 calçados no mês, será necessário um determinado volume de matéria prima, que gerará 
um custo para a empresa. Mas, se a empresa produzir 400 calçados no mês, consecutivamente, a 
empresa terá um custo maior por conta da compra de mais matéria-prima. Nesse sentido, os custos 
variáveis estarão, proporcionalmente, relacionados ao volume de produção. 
Outra forma de analisar os custos da produção é por meio do cálculo dos custos médios. Esse 
valor representa o quanto os custos totais da produção estão diluídos em cada unidade produzida. 
Para cálculo dos custos médios, deverão ser divididos os custos totais pelo total da quantidade de 
unidades produzidas. 
Na representação a seguir, temos um exemplo em que a produção de um único produto tem um 
custo total de R$ 200,00; por ser uma produção única, o custo médio permanece o mesmo. Quando é 
aumentado o número de unidades produzidas, o custo total aumenta, mas o custo médio diminui. 
 
Figura 6 – Exemplo da diluição dos custos totais da produção 
unidades do produto custo total custo médio 
1 200 200 
2 280 140 
3 330 110 
4 450 112,50 
5 625 125 
 
 
 
22 
 
O que é interessante notar é que o custo médio é representando por um valor que, após uma 
determinada quantidade de produção, irá diminuindo até chegar a um ponto em que ele voltará a 
aumentar. Desse modo, é possível identificar que o número de quantidades ideal para produção é 
três, em que o custo médio da produção ficou menor, em R$ 110,00. A partir de três unidades, o 
custo total da empresa ficará mais alto e o custo médio por unidade produzida deixará de diminuir, 
o que pode representar uma menor margem de lucro. 
 
Economias de escala 
Cada empresa tem um fluxo produtivo e uma dinâmica de trabalho. Em alguns casos, porém, 
as economias de escala são utilizadas como estratégia para a minimização dos custos e, dessa forma, 
aumentar os lucros sobre a produção. A economia de escala nada mais é que encontrar o ponto de 
equilíbrio entre a máxima produtividade e o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis e, 
com isso, um melhor custo médio por unidade produzida. 
As economias de escala são representadas por curvas gráficas que simbolizam a quantidade de 
unidades de produtos pelo valor dos custos médios a longo prazo. Dessa maneira, pode-se ter dois 
tipos de curvas, crescente e decrescente, conforme é ilustrado na figura seguinte. 
 
Figura 7 – Gráfico das economias de escala 
 
 
O que se pode observar é que o custo médio dos produtos vai diminuindo até certo ponto, 
conforme a quantidade de unidades que são produzidas. Nesse movimento, a expansão da produção 
está associada à redução do custo unitário do produto e, por isso, tem-se um rendimento crescente 
ou uma economia de escala. 
 
 
 23 
 
Por outro lado, quando a produção é aumentada, os custos médios por unidade de produto 
também aumentam e, então, os rendimentos serão decrescentes, resultando na curva de produção 
que será chamada de deseconomia de escala. Nesse esquema de produção, a empresa precisa se 
ajustare repensar a utilização dos seus recursos – materiais, humanos e outros – para que o aumento 
da produção não represente um aumento proporcional de custos médios, impedindo uma melhor 
geração de lucro. 
 
 
 
 
 
 
 25 
 
BIBLIOGRAFIA 
BANCO CENTRAL DO BRASIL – Política Monetária do Governo Federal. Disponível em: 
https://www.bcb.gov.br/controleinflacao. Acesso em: 08 ago. 2022. 
 
BRANDENBURGER, Adam M.; NALEBUFF, Barry J. The right game: use game theory to shape 
strategy. Chicago: Harvard Business Review, 1995 
 
COMEX – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – Comex estatísticas. Disponível 
em: http://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis. Acesso em: 01 ago. 2022. 
 
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. Sistema De Contas Nacionais Trimestrais – 
SCNT. 2.Trimestre 2020. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-
nacionais/9300-contas-nacionais-trimestrais.html?=&t=resultados. Acesso em: 01 ago. 2022. 
 
IBRE/FGV– Instituto Brasileiro De Economia Da Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: 
https://portalibre.fgv.br/. Acesso em: 26 jul. 2022. 
 
IBRE/FGV– Portal da Inflação do Instituto Brasileiro De Economia Da Fundação Getúlio Vargas. 
Disponível em: https://portal-da-inflacao-ibre.fgv.br/. Acesso em: 26 jul. 2022. 
 
MOCHÓN, Francisco. Princípios de economia. São Paulo: Editora Pearson Prentice Hall. 2007. 
 
PARKIN, Michael. Economia. 8. ed. São Paulo: Editora Pearson. 2008. 
 
WORLD BANK – Indicados De Desenvolvimento Do Banco Mundial - Databank. Disponível em: 
https://databank.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD.ZG/1ff4a498/Popular-Indicators. 
Acesso em: 01 ago. 2022. 
 
https://www.bcb.gov.br/controleinflacao
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/9300-contas-nacionais-trimestrais.html?=&t=resultados
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/9300-contas-nacionais-trimestrais.html?=&t=resultados
https://portalibre.fgv.br/
https://portal-da-inflacao-ibre.fgv.br/
https://databank.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD.ZG/1ff4a498/Popular-Indicators
 
26 
 
BIBLIOGRAFIA COMENTADA 
PARKIN, Michael. Economia. 8. ed. São Paulo: Editora Pearson. 2008. 
Nesta obra, já tradicional na área de economia, o renomado autor apresenta os princípios das 
ciências econômicas e aprofunda o conteúdo, exemplificando como a ação econômica tem 
impacto na vida cotidiana da população, no desenvolvimento e na decisão dos negócios bem 
como no crescimento e desenvolvimento econômico dos países. 
 
MOCHÓN, Francisco. Princípios de economia. São Paulo: Editora Pearson Prentice Hall. 2007. 
Neste livro de Mochón, somos apresentados a toda a base conceitual da economia e também 
temos a sua aplicação ferramental no contexto das empresas brasileiras, graças à contribuição 
do professor Rogério Mori da FGV/EESP. Nesta obra, são aplicados e analisados os conceitos 
de oferta e demanda em todos os aspectos da economia, além de ser apresentado o seu reflexo 
tanto no viés macro quanto no microeconômico para a decisão dos países e das empresas. 
 
ROTH, Alvin. Como funcionam os mercados: a nova economia das combinações e escolhas. São 
Paulo: Portfolio Penguin, 2016. 
Ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2002, Roth apresenta, neste livro, os novos 
desdobramentos do pensamento econômico, refletindo os atuais problemas de competição 
entre os mercados e a organização das estruturas de mercado. Nesta obra, são discutidos, 
ainda, conceitos econômicos clássicos, que têm grande impacto no cotidiano de qualquer 
indivíduo, e também novas estruturas de negócios, com o surgimento de empresas baseadas 
em alta tecnologia e criação de demanda em mercados até então não explorados. 
 
 
 
 27 
 
PROFESSOR-AUTOR 
FABRICIO STOCKER 
FORMAÇÃO ACADÊMICA 
 Pós-Doutor pela FGV/EBAPE 
 Ph.D pela Rotterdam School of Management – Erasmus 
University of Rotterdam. 
 Doutor em Administração pela Faculdade de Economia, 
Administração e Contabilidade da Universidade de São 
Paulo (FEA/USP). 
 
EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS 
 Possui experiência profissional em cargos de gestão na indústria de alimentos, tecnologia 
e inovação, indústria farmacêutica e serviços. 
 Consultor técnico na área de estratégia, risco e stakeholders na FGV Projetos. 
 Atua como professor em cursos de graduação e pós-graduação, nas áreas de economia, 
gestão, estratégia para negócios, responsabilidade corporativa, ESG e gestão 
de stakeholders. 
 
PUBLICAÇÕES E PRÊMIOS 
 Como pesquisador, é autor de publicações em revistas científicas nacionais e internacionais 
como Public Management Review, Corporate Social Responsibility and Environmental 
Management, The Bottom Line, International Journal of Management and Decision Making, 
Brazilian Business Review bem como recebeu destaque acadêmico e a premiação de melhor 
pesquisa em diversas categorias. 
 
 
 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
	SUMÁRIO
	ANÁLISE MICROECONÔMICA: IMPACTOS NO FUNCIONAMENTO DO MERCADO E NA SOCIEDADE
	Pressupostos básicos da economia
	História e evolução do pensamento econômico
	Níveis da economia e análise microeconômica
	Mercado e agentes econômicos
	Princípios da oferta, demanda e elasticidade
	Demanda e oferta
	Curva da oferta
	Elasticidade no mercado
	Comportamento do consumidor e decisão econômica
	Produção, custos e eficiência econômica
	Função da empresa para a economia
	Custos da produção
	Custos totais e custos médios
	BIBLIOGRAFIA
	BIBLIOGRAFIA COMENTADA
	PROFESSOR-AUTOR
	FABRICIO STOCKER
	FORMAÇÃO ACADÊMICA
	EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS
	PUBLICAÇÕES E PRÊMIOS

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