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Princípios Básicos da Economia Apresentação O estudo das Ciências Econômicas constitui-se um corpo unitário, passível de uma divisão entre as principais áreas do conhecimento, como a macroeconomia, a microeconomia, o desenvolvimento econômico e a economia internacional. Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá estudar os principais teóricos responsáveis pela evolução do pensamento econômico, relacionando aspectos da vida política, social e econômica dos indivíduos, assim como compreender o papel do Estado nesses aspectos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as diferentes áreas do conhecimento no estudo das Ciências Econômicas.• Identificar os precursores da teoria econômica.• Relacionar as funções do Estado na economia e na sociedade.• Desafio O fisiocrata Adam Smith (1723-1790) é, até os dias de hoje, considerado o “pai” da economia, devido à publicação do seu livro A riqueza das nações, em 1776. Pertencente ao grupo dos teóricos da Economia Clássica, defendia o “laissez-faire”. Relacione o significado desse termo com a frase apresentada na imagem. Infográfico Agentes econômicos são todos os indivíduos, instituições ou conjunto de instituições que, através das suas decisões e ações, tomadas racionalmente, intervêm num circuito econômico. Essas relações podem ser representadas pelo chamado fluxo circular da renda, apresentado no Infográfico. Neste caso, reproduz-se uma economia completa, ou seja, aberta e com governo. Clique na imagem abaixo e veja como acontece o fluxo circular da renda em uma economia aberta. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Conteúdo do livro Os primeiros indícios de estudos relacionados às Ciências Econômicas foi na antiguidade, em assuntos que compreendiam o dia a dia das famílias, a administração privada, passando pelas finanças públicas. No entanto, a complexidade e interdisciplinaridade das questões econômicas não permitiam a definição de uma área específica. Ao longo do tempo, permitiu-se a consideração da Economia como Ciência e até os dias de hoje novas contribuições teóricas têm surgido. Entre os temas mais discutidos está o nível adequado de intervenção do Estado. Por isso, é de fundamental importância relacionar quais as funções do Estado tanto na economia, quanto na sociedade como um todo. Leia o capítulo Princípios Básicos de Economia, do livro Economia. Para reforçar os principais pontos deste capítulo, clique no resumo em áudio a seguir: Conteúdo: ECONOMIA Daniele Fernandes da Silva Princípios básicos da economia Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: n Reconhecer as diferentes áreas de conhecimento no estudo das Ciências Econômicas. n Identi� car os precursores da Teoria Econômica. n Relacionar as funções do Estado na economia e sociedade. Introdução O estudo das ciências econômicas constitui-se um corpo unitário, mas passível de uma divisão entre as principais áreas do conhecimento, como a macroeconomia, a microeconomia, o desenvolvimento econômico e a economia internacional. Neste texto, você irá estu- dar os principais teóricos responsáveis pela evolução do pensamento econômico, relacionando aspectos da vida política, social e econômica dos indivíduos, assim como compreender o papel do Estado nesses aspectos. Corpo de estudo das Ciências Econômicas As Ciências Econômicas estão presentes no cotidiano dos indivíduos sem que eles a notem. Desde a decisão sobre o que comprar com o orçamento familiar até as notícias a respeito da política estão relacionadas à econo- mia. Portanto, acaba-se por tomar decisões econômicas sem que se tenha um estudo aprofundado nessa área. Isso não signifi ca, contudo, que essas decisões e opiniões a respeito da política sejam adequadas, uma vez que é necessário aprofundar o conhecimento técnico dessa área, conhecida por sua complexidade. O estudo das Ciências Econômicas constitui-se de um corpo unitário de conhecimento da realidade, passível de uma divisão, Economia_U1_C01.indd 1 25/07/2017 18:21:48 principalmente por razões didáticas, entre quatro principais áreas: a micro- economia, a macroeconomia, o desenvolvimento econômico e a economia internacional, veja a seguir: n Microeconomia: é o ramo da ciência econômica voltado ao estudo do comportamento das unidades de consumo (indivíduos e famílias), assim como das empresas em relação à produção e à formação de preços dos diversos bens, serviços e fatores produtivos, tomando-se como base a demanda e a oferta de mercado. Os preços representam os sinais para o uso eficiente dos recursos que são escassos na sociedade. n Macroeconomia: estuda o comportamento do sistema econômico por um reduzido número de fatores, como a produção ou produto total de uma economia (Produto Interno Bruto [PIB] e Produto Nacional Bruto[PNB]), o nível de emprego e poupança, o investimento, o consumo e o nível geral dos preços. Os principais objetivos da macroeconomia estão relacionados ao crescimento do produto e do consumo, no ele- vado nível de oferta de empregos, na inflação reduzida e controlada e no comércio internacional vantajoso. Também estuda as condições de equilíbrio entre a renda e a despesa nacionais, objetivadas pelas políticas econômicas de intervenção. n Desenvolvimento econômico: é a subárea responsável pelo estudo do processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. O maior objetivo é que a riqueza gerada em uma nação seja distribuída entre os membros da sociedade, promovendo igualmente níveis satisfatórios de bem-estar. n Economia internacional: trata das condições de equilíbrio do comér- cio externo, ou seja, entre as importações e as exportações, além dos fluxos de capital. Existem, ainda, algumas terminologias próprias da área econômica de fundamental importância para o seu conhecimento, uma vez que tratam de assuntos que envolvem o dia a dia dos indivíduos em qualquer sociedade, assim como a sua interação. Entre esses termos podem ser citados os seguintes: n Agentes econômicos: são os próprios indivíduos, as instituições ou conjunto de instituições que, através das suas decisões e ações, es- tabelecem relações econômicas entre si e intervêm em um circuito econômico. Cada agente econômico intervém nesse circuito de forma Princípios básicos da economia2 Economia_U1_C01.indd 2 25/07/2017 18:21:49 diferente, seja através da produção de bens ou serviços, pelo consumo ou pelo investimento. São considerados agentes econômicos: ■ Estado: responsável pela tomada de decisões de consumo e de in- vestimento, mas relacionados à política econômica, representando as necessidades comuns dos indivíduos de uma sociedade. ■ Famílias: tomam decisões sobre o consumo de bens e/ou serviços e de poupança, que estão condicionados aos rendimentos auferidos, assim como sobre a demanda por trabalho. ■ Empresas: também tomam decisões sobre investimento e de pro- dução, bem como da oferta de trabalho. ■ Instituições financeiras: tomam decisões a respeito de seus serviços de intermediação financeira, tendo como contrapartida os juros e os prêmios (no caso dos seguros). ■ Exterior: suas decisões são acerca da troca de bens, serviços e capitais. Tipos de economias Em uma economia fechada, sem a realização de trocas comerciais com o exterior, as relações econômicas se dão entre as instituições fi nanceiras, o Estado, as famílias e as empresas. Caso seja uma economia fechada, sem a intervenção do governo, o circuito econômico é formado apenas pelas ins- tituições fi nanceiras, as empresas e as famílias. Em uma economia aberta, com governo, agora havendo transações comerciais com o exterior, o circuito econômico é maior, incluindo também o exterior. Na Figura 1, você pode observar a representação do chamado Fluxo Circularuma olhada na Figura 1, a seguir). Figura 1. Grandes categorias da teoria microeconômica. Fonte: Vasconcellos (2009, p. 30). Teoria da demanda/ procura Teoria do consumidor (demanda individual) Demanda de mercado Teoria da oferta Análise das estruturas de mercado Teoria do equilíbrio geral e do bem-estar Imperfeições de mercado: externalidades, bens públicos, informação assimétricaOferta individual Oferta de mercado Teoria da produção Teoria dos custos da produção Mercado de bens e serviços Mercado de insumos e fatores de produção Teoria microeconômica Demanda Oferta Mercado Em resumo, a teoria microeconômica se assenta em três pilares: a demanda, a oferta e o mercado. Nesse contexto, a análise microeconômica acontece em dois mercados: o mercado de bens e serviços, e o mercado dos serviços dos fatores de produção (terra, trabalho e capital). 3Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 3 13/03/2018 15:10:42 Na prática, é da relação entre a demanda e a oferta nos dois mercados que surge a preocupação fundamental da microeconomia: a formação dos preços. É por isso que a microeconomia pode ser chamada também de teoria de preços. Já para Pindyck e Rubinfeld (1999), a microeconomia se assenta em dois grandes grupos: compradores (demandantes) e vendedores (ofertantes). É a partir da interação entre esses dois grupos que surgem os mercados. Nesse sentido, o mercado é um grupo de compradores e vendedores que, por meio das suas reais ou potenciais interações, determina o preço de um produto ou conjunto de produtos. É importante você notar que o mercado não é a mesma coisa que a indústria: a indústria é um conjunto de empresas que vendem o mesmo produto ou produtos correlatos. Assim, uma indústria corresponde apenas a um dos grupos (o lado dos vendedores) que compõem um mercado. Características da microeconomia O estudo da microeconomia caracteriza-se por, pelo menos, quatro axiomas ou princípios teóricos que servem de base para todas as cinco grandes categorias apresentadas anteriormente. Em outras palavras, trata-se de características que permeiam todas as análises microeconômicas. Análise dedutiva ou teórica: a microeconomia se caracteriza como um ramo da economia de natureza dedutiva ou teórica. Esse caráter dedutivo decorre da complexidade e entrelaçamento de infl uências que subjazem às situações reais que são objeto de estudo. Ou seja, a análise microeconômica trabalha com muitas variáveis que não podem ser observadas ou mensuradas. Noções de microeconomia4 C06_Nocoes_microeconomia.indd 4 13/03/2018 15:10:43 É o caso, por exemplo, do grau de utilidade que os consumidores desfrutam ao dispor de certos bens ou serviços. Logo, a microeconomia lança mão de modelos teóricos, ou seja, de construções teóricas compostas por uma série de hipóteses, a partir das quais as conclusões são elaboradas. Assim, a partir da situação do mundo real, são selecionadas as variáveis mais signifi cativas do fenômeno que se estuda, permitindo que a complexidade do mundo seja teoricamente manipulável (SANDRONI, 2005). Condição coeteris paribus: o estudo da microeconomia se baseia muito na condição coeteris paribus. Coeteris paribus é uma expressão em latim que signifi ca “tudo o mais permanecendo constante”. Assim, a análise micro- econômica, para poder analisar um mercado isoladamente, supõe todos os demais mercados constantes. Ou seja, supõe que o mercado em estudo não afeta nem é afetado pelos demais. Por exemplo, ao se adotar essa condição, verifi ca-se como a demanda — ou até mesmo a oferta — é infl uenciada pelo preço, permanecendo os demais fatores (hábitos, renda, entre outros) constantes (VASCONCELLOS, 2009). A condição coeteris paribus pode ser chamada também de análise de equilíbrio parcial. Análise estático-comparativa: a microeconomia tende a confrontar duas ou mais situações de equilíbrio, sem se preocupar com o período intermediário entre essas situações inicial e fi nal. De acordo com Carrera-Fernandez (2009), a análise estático-comparativa é a técnica que analisa as consequências de variações nos parâmetros econômicos da demanda e da oferta sobre o equilíbrio de mercado. Visão positiva/científi ca: a microeconomia se enquadra dentro do ramo da ciência positiva. Isso implica a ausência de juízo de valor ou conotação ética nas teorias microeconômicas, que se mantêm exclusivamente descritivas (CARRERA-FERNANDEZ, 2009; SANDRONI, 2005). Comportamento da demanda: a teoria do consumidor A teoria do consumidor é uma peça fundamental da chamada teoria econô- mica neoclássica. Para Carrera-Fernandez (2009), a teoria do consumidor talvez seja a mais importante das teorias econômicas da microeconomia. Consequentemente, é uma teoria muito criticada devido aos seus postulados teóricos de comportamento. 5Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 5 13/03/2018 15:10:43 Assim, a teoria neoclássica do consumidor está fundamentada no prin- cípio da racionalidade e postula um comportamento otimizador por parte dos consumidores. Em outras palavras, todos os consumidores estão sempre buscando o máximo com o mínimo de esforço”. Logo, a teoria do consumidor desconsidera consumidores irracionais, até porque seria impossível montar uma teoria dos consumidores irracionais, já que não há padrão de comportamento para realizar uma modelagem teórica. É daí que a teoria do consumidor fundamenta dois postulados de comportamento: maximização da utilidade; minimização do gasto ou custo. O primeiro — maximização da utilidade — refere-se ao fato de que o consumidor escolhe o consumo de cada mercadoria de modo a maximizar a sua satisfação ou utilidade, estando condicionado ao seu conjunto de possibi- lidade de consumo, limitado pela sua capacidade orçamentária (CARRERA- -FERNANDEZ, 2009). Já o segundo postulado refere-se ao fato de que o consumidor escolhe as quantidades das mercadorias a serem consumidas de modo a minimizar o seu gasto ou custo, estando limitado a atingir certo nível de utilidade(CARRERA-FERNANDEZ, 2009). É importante você saber que, na teoria do consumidor, o conceito de mercadoria é amplo. Ele envolve qualquer bem ou serviço que de alguma forma pode ser consumido ou gerar um fluxo de serviços de consumo. Nesse grupo de mercadorias, podem ser incluídas também aquelas que desagradam os consumidores e, logo, são fonte de insatisfação e “desutilidade”. Por exemplo, a poluição e o tempo dedicado ao trabalho são bons exemplos de mercadorias que desagradam grande parte dos consumidores. Ao lado dos dois postulados de comportamento, a teoria do consumidor apresenta ainda dois pressupostos básicos: informação completa; existência de uma função de utilidade. Noções de microeconomia6 C06_Nocoes_microeconomia.indd 6 13/03/2018 15:10:43 A informação completa é o pressuposto de que o consumidor possui perfeito conhecimento de todas as mercadorias, bem como da forma pela qual esses bens e serviços atendem às suas necessidades. Nessa situação, o consumidor conhece também todos os preços das mercadorias, bem como sua renda. Esse pressuposto é utilizado no sentido de garantir que todos os consumidores tomarão as melhores decisões, ou seja, não faltam informações sobre o mercado (CARRERA-FERNANDEZ, 2009; SAN- DRONI, 2005). Já o pressuposto da existência de uma função de utilidade revela que os consumidores derivam satisfação dos bens e serviços consumidos de acordo com uma função de preferência ou uma função de utilidade — que, na análise microeconômica, é representada graficamente e matematicamente. Assim, a existência de uma função de utilidade é um pressuposto mais amplo que a existência de preferências. Isso significa dizer que o pressuposto de que os consumidores têm preferências não é suficiente para garantir a existência de uma função de utilidade. Mas, ao se pressupor que os consumidores têm uma função de utilidade, pode-se afirmar que eles têm,de fato, preferências. Essa questão é fundamental para compreender a teoria do consumidor. A ideia de que os consumidores estão sempre buscando o máximo com o mínimo de esforço é a lei do interesse pessoal ou princípio hedonístico. O hedonismo deriva do grego hedone, que significa prazer. Na economia, foi um princípio introduzido por John Stuart Mill, em que cada um dos indivíduos procura o bem e a riqueza e evita o mal e a miséria. Logo, o bem e a riqueza são tratados como valores superiores, alinhados ao critério quantitativo da aritmética dos prazeres. Em suma, é a doutrina que considera o prazer como a essência da felicidade e como suprema norma moral. Preferências Em termos gerais, a utilidade é um conceito subjetivo que se modifi ca de consumidor para consumidor e, por conseguinte, não pode ser quantifi cada. Vários economistas marginalistas, no princípio das bases da teoria do consu- midor, imaginaram que a utilidade pudesse ser mensurada do mesmo modo que qualquer conceito objetivo, como a temperatura, o peso, o volume e a altura. 7Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 7 13/03/2018 15:10:43 Atualmente, para a moderna teoria do consumidor, a utilidade é um con- ceito estritamente ordinal, ou seja, necessita apenas ser ordenado. Em outras palavras, tudo que é requerido na moderna teoria do consumidor é que o consumidor seja capaz de ordenar as várias cestas de bens. Dessa maneira, quando confrontados com duas ou mais cestas de bens, os consumidores podem ordená-las de acordo com as suas preferências. Por exemplo, com apenas duas cestas de bens, é possível encontrar três situações mutuamente excludentes que podem ocorrer: a cesta A é preferida à cesta B; a cesta A não é preferida à cesta B; a cesta A é indiferente à cesta B. Nesse contexto, apenas uma situação pode ser escolhida de cada vez, de modo que qualquer mudança na escolha é um indicativo de que houve altera- ção nas preferências dos consumidores. Logo, as três situações mutuamente excludentes podem ser visualizadas também a partir da função utilidade, em que (CARRERA-FERNANDEZ, 2009): 1. utilidade de A > utilidade de B; 2. utilidade de Aalcançado esse ponto, não haverá incentivos para que o consumidor execute uma realocação de sua renda gasta no consumo dos dois bens (VASCONCELLOS, 2009). Ainda na Figura 3b, se a renda do consumidor aumenta, ou, alternativamente, se os preços dos bens e serviços reduzem, a RO se eleva — por exemplo, de RO0 para RO1 —, permitindo que o consumidor atinja níveis maiores de satisfação. Em síntese, na Figura 3b, você pode observar as várias alternativas de equilíbrio do consumidor. Nesse sentido, há um mapa de possibilidades de tangenciamento entre a reta orçamentária e a curva de indiferença, dados as rendas do consumidor e os preços dos bens e serviços. Assim, você pode perceber que o mapa de equilíbrio do consumidor é dinâmico, não estático. Comportamento da oferta: a teoria da firma e as estruturas de mercado Uma parte da teoria microeconômica se dedica a explicar e prever os com- portamentos da oferta a partir da compreensão do funcionamento da fi rma, em especial no que se refere à produção, aos custos e ao lucro. De acordo com Vasconcellos (2009), a teoria da fi rma trata justamente do problema da produção, dos custos de produção e dos rendimentos (lucros) da fi rma. Logo, a teoria da fi rma pode ser dividida em teoria da produção, teoria dos custos e teoria do lucro. Além disso, a microeconomia se dedica ao estudo dos tipos de estruturas de mercado, ou seja, se dedica à forma como os mercados se estruturam do ponto de vista econômico. É importante você se lembrar de que as firmas e 11Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 11 13/03/2018 15:10:44 a competição entre elas acontecem nos mercados. Pelo menos seis tipos de mercados são relevantes (SANDRONI, 2005; VASCONCELLOS, 2009): concorrência perfeita; concorrência monopolista; monopólio; oligopólio; monopsônio; oligopsônio. Teoria da firma: produção, custos e lucro A teoria da fi rma se assenta no intuito de entender a racionalidade do com- portamento da oferta de um bem ou serviço. Lembre-se de que o grande objetivo da fi rma que opera na economia capitalista é a maximização dos lucros. Daí que o primeiro dilema das fi rmas é a escolha do processo de produção — e as escolhas das relações tecnológicas, das quantidades a serem produzidas e das quantidades de insumos a serem usados na produção (VASCONCELLOS, 2009). Teoria da produção: a produção é o processo pelo qual uma fi rma transforma os fatores de produção adquiridos em bens ou serviços para a comercialização no mercado. Assim, a teoria da produção refere-se aos conceitos e princípios que norteiam a análise de preços e o emprego dos fatores de produção. Ela é a base para a análise dos custos e da oferta dos bens produzidos. É fundamental você compreender que a firma — da teoria microeconômica — é a unidade técnica que produz bens e serviços. Já os fatores de produção — mão de obra, capital físico, área ou terra e matérias-primas — são os bens e serviços intermediários que, combinados, suscitam outros bens e serviços finais. Em outras palavras, a firma é uma intermediária: compra insumos (inputs), combina-os segundo um processo de produção escolhido e vende os bens e serviços (outputs) nos mercados. Noções de microeconomia12 C06_Nocoes_microeconomia.indd 12 13/03/2018 15:10:44 O processo de produção pode ser intensivo em um dos fatores de pro- dução. Ou seja, pode depender quase exclusivamente de um dos fatores de produção, que também passa a ter relevância na estrutura total de custos. Fundamentalmente, existem três possibilidades em um processo de produção (VASCONCELLOS, 2009): 1. mão de obra intensivo, em que a mão de obra é indispensável para a produção; 2. capital intensivo, em que máquinas, equipamentos e instalações são altamente relevantes; 3. terra intensivo, em que a área ou a terra é o insumo primordial para que a produção aconteça. Em suma, a produção pode depender em maior quantidade de algum dos fatores de produção. Além disso, a escolha do processo de produção depende da sua eficiência. A eficiência pode, por um lado, ser avaliada do ponto de vista tecnológico — processo que permite produzir uma mesma quantidade de produto usando menor quantidade física de fatores de produção. De outro lado, ela pode ser avaliada do ponto de vista econômico — processo que permite produzir uma mesma quantidade de produto com menor custo de produção. Na teoria da produção, um dos conceitos mais relevantes é o da função de produção. Logo, a função de produção é a relação técnica entre a quantidade física de fatores de produção e a quantidade física de produto em determi- nado período de tempo. Em outras palavras, a quantidade de produto está em função ( f ) da quantidade de fatores de produção (mão de obra, capital físico e matérias-primas utilizadas). É importante você observar que o conceito de função de produção não deve ser confundido com o conceito de função de oferta. Este é um conceito econômico que relaciona a produção com os preços dos fatores de produção. 13Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 13 13/03/2018 15:10:44 Soma-se a tudo isso a questão do prazo e a distinção entre fatores de produção fixos e variáveis. Segundo Vasconcellos (2009), os fatores de produção fixos são aqueles que permanecem inalterados quando a firma aumenta ou diminui a produção. Enquanto isso, os fatores de produção variáveis se alteram com a mudança da quantidade produzida pela firma. Por exemplo, são fatores de produção fixos o capital físico e as instalações da empresa. E são fatores de produção variáveis a mão de obra e as matérias- -primas usadas. Com relação ao prazo, define-se curto prazo o período no qual existe pelo menos um fator de produção fixo. Já no longo prazo todos os fatores de produção variam. Teoria dos custos: todas as fi rmas na teoria microeconômica têm como objetivo maximizar os lucros por meio de sua atividade produtiva, ou seja, combinar de maneira efi ciente os fatores de produção. É nesse caso que os estudos dos custos das fi rmas tornam-se de fundamental importância para a economia. Assim, a quantidade empregada de cada fator de produção, multiplicada pelo seu preço de mercado, constituirá os custos da empresa, originando o custo total de produção (PINDYCK; RUBINFELD, 1999). Em outras palavras, o custo total de produção é o total das despesas realizadas pela firma com a utilização da combinação mais econômica dos fatores por meio da qual é obtida uma determinada quantidade de bens ou serviços (VASCONCELLOS, 2009). Dessa forma, os custos totais de produ- ção podem ser divididos em custos fixos e custos variáveis. Os custos fixos são aqueles que não dependem da quantidade produzida. Eles são decorrentes dos fatores de produção fixos. Já os custos variáveis de produção são aqueles que dependem da quantidade produzida, logo serão maiores quanto maior a produção e vice-versa. Na microeconomia, os custos também são analisados a partir do prazo — curto e longo prazo. Nesse caso, os custos de produção no curto prazo são afetados apenas pelos fatores de produção variáveis. Logo, você pode notar que os custos no curto prazo dependem diretamente do nível de produção estabelecido pela firma. Já os custos de produção no longo prazo são afetados por todos os fatores de produção, já que, nesse caso, não há fatores de produção fixos e logo não existem custos fixos de produção. Em outras palavras, no longo prazo todos os custos são variáveis (CARRERA- -FERNANDEZ, 2009). Noções de microeconomia14 C06_Nocoes_microeconomia.indd 14 13/03/2018 15:10:44 Além dos custos totais, fixos e variáveis, a teoria microeconômica se interessa também por outras análises de custos. Nesse contexto, a microeconomia analisa ainda os custos médios e os custos marginais. Os custos médios se referem aos custos totais divididos pelas quantidades produzidas. Ou seja, constituem o custo unitário da produção (ou o custo por unidade). Existe tambémo custo variável médio, que é o custo variável dividido pela quantidade, e o custo fixo médio, que é o custo fixo dividido pela quantidade. Já os custos marginais referem-se às variações dos custos em resposta às variações na quantidade produzida. Lucro: a teoria da fi rma postula um comportamento otimizador por parte dessa unidade produtiva. Em outras palavras, o propósito maior da fi rma é a maximização do lucro. A maximização do lucro ocorre quando a fi rma escolhe o nível de utilização de insumos e, portanto, o nível de produção, de modo a maximizar o seu lucro, condicionado à tecnologia disponível e dados os preços dos insumos e do produto (CARRERA-FERNANDEZ, 2009). De acordo com Carrera-Fernandez (2009), o postulado de maximização do lucro é mais amplo que o de minimização do custo. Em termos práticos, o autor defende que, ao se postular que a firma maximiza lucros, isso implica que ela estará minimizando o seu custo de produção. Porém, o inverso não é verdadeiro: se a firma minimiza os custos, isso não quer necessariamente dizer que ela esteja maximizando o lucro (CARRERA-FERNANDEZ, 2009). Quando analisado sob o ponto de vista econômico, o lucro da firma pode ser definido pela diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT). Vale lembrar que a receita total é o resultado da multiplicação do preço do produto pelo nível de produção. Já o custo total é a soma do gasto com todos os fatores de produção. Estruturas de mercado Como você sabe, na economia os mercados podem ser estruturados de manei- ras diferentes. Dois fatores básicos diferenciam a competição dos mercados (VASCONCELLOS, 2009): o número de firmas produtoras operando no mercado; a homogeneidade ou a diferenciação existente entre os produtos das firmas. 15Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 15 13/03/2018 15:10:44 É a partir desses dois fatores básicos que podem ser classificados, pelo menos, quatro tipos de mercados de bens e serviços: 1. concorrência perfeita; 2. concorrência monopolista; 3. monopólio; 4. oligopólio. Além disso, são classificados mais dois mercados de insumos e fatores de produção: 1. monopsônio; 2. oligopsônio. A seguir, você pode ver mais detalhadamente as características gerais de cada uma dessas estruturas de mercado e compreender como funciona o processo de determinação de preço e quantidade produzida. Concorrência perfeita: é uma estrutura de mercado que visa a revelar qual deveria ser o funcionamento ideal de uma economia, servindo de base comparativa para as demais estruturas de mercado. Apesar de ser uma cons- trução teórica, existem algumas situações que se aproximam da concorrência perfeita, como o mercado das commodities agrícolas ou de uma feira livre. Nesse sentido, a concorrência perfeita é uma situação de mercado assinalada pela existência de um grande número de compradores e vendedores que são tão pequenos que nenhum deles, de maneira isolada, é capaz de determinar o preço de mercado. Em outras palavras, tanto os produtores como os con- sumidores são tomadores de preços. Além disso, na concorrência perfeita, os produtos são homogêneos, não existindo diferenças entre eles. Logo, todos os produtos nesse mercado são perfeitos substitutos entre si. Ou seja, o consumidor comprará de qualquer firma, sendo indiferente a qualquer tipo de vendedor. Soma-se a isso, na concorrência perfeita, a inexistência de barreiras legais e econômicas tanto para a entrada como para a saída de firmas do mercado. Também há, tanto para compradores como para vendedores, informações perfeitas acerca do funcionamento do mercado. Ou seja, é um mercado com grande transparência nos preços, custos e lucros (PINDYCK; RUBINFELD, 1999). Noções de microeconomia16 C06_Nocoes_microeconomia.indd 16 13/03/2018 15:10:45 Concorrência monopolista: é a estrutura de mercado que contém ele- mentos da concorrência perfeita e do monopólio. Fica em uma posição intermediária entre as duas estruturas citadas. Da mesma maneira que na concorrência perfeita, existe na concorrência monopolista um grande número de fi rmas vendedoras que respondem por uma pequena fração do mercado total e possuem ainda a possibilidade de entrar e de sair do mercado com relativa facilidade. Logo, o que distingue a concorrência monopolista da concorrência perfeita é o afrouxamento da hipótese dos produtos homogêneos. Ou seja, as firmas na concorrência monopolista produzem produtos diferenciados — entretanto, substitutos próximos. Em termos práticos, cada firma procura diferenciar seu produto a fim de torná-lo único no mercado. É essa diferenciação no produto que dá à firma o poder de monopólio, uma vez que apenas ela produz aquele tipo de bem ou serviço. Isso permite que as empresas tenham alguma liberdade para fixar os seus preços (VASCONCELLOS, 2009). Monopólio: é a estrutura de mercado mais concentrada. É justamente o oposto da concorrência perfeita. Em outras palavras, é a situação de mercado em que há um só produtor de um bem ou serviço, que não tem substituto próximo, ou o produto não é homogêneo. Nesse mercado, o grau de diferen- ciação (exclusividade) do produto é pleno. Nesse contexto, a fi rma monopo- lista exerce grande infl uência na determinação do preço e das respectivas quantidades que serão vendidas ao mercado (SANDRONI, 2005). Em síntese, as características básicas do monopólio são: determinado bem ou serviço é fornecido por uma única empresa; não há substitutos próximos para esse bem ou serviço; existem obstáculos à entrada e à saída de novas firmas desse mercado. É importante você compreender que essa última característica revela que, para que o monopólio exista, é fundamental manter os concorrentes em poten- cial completamente afastados do mercado, mediante barreiras que impeçam ou desestimulem o surgimento de novas firmas. Basicamente, esses obstáculos podem ser oriundos de: monopólio natural (ou puro), que é aquele inerente ao próprio negócio, por exigir grandes investimentos financeiros; controle sobre o fornecimento de matérias-primas; 17Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 17 13/03/2018 15:10:45 proteção mediante patentes; processos burocráticos do sistema; monopólio legal, que é aquele em que o governo tem direito exclusivo de ser o produtor. Oligopólio: é o tipo de estrutura de mercado em que poucas empresas detêm o controle da maior parcela do mercado. O oligopólio é uma tendência das economias capitalistas modernas, em que a concentração da propriedade em poucas fi rmas de grande porte acontece a partir de fusão, incorporação ou mesmo compra e eliminação das pequenas fi rmas. Nesse mercado, as fi rmas dominam as áreas de atuação, limitando assim os custos de concorrência e fi xando os preços que ampliam as margens de lucro (SANDRONI, 2005). Na prática, o oligopólio pode ser classificado como puro — com produtos homogêneos — e diferenciado — com produtos heterogêneos. Assim, o oligo- pólio puro é aquele em que as firmas oferecem exatamente o mesmo produto. Já no oligopólio diferenciado as firmas oferecem produtos diversificados, em geral com uma competição focada na qualidade e no marketing. É importante você notar que há uma tendência ao oligopólio em setores da economia que exigem grandes volumes de investimentos. Monopsônio: é a estrutura de mercado em que existe apenas um comprador de uma mercadoria, em geral matéria-prima ou produto primário. No mo- nopsônio, mesmo quando diversos produtores fortes oferecem o produto, os preços não são determinados pelos vendedores, mas pelo único comprador. Nesse sentido, por exemplo, o monopsônio puro é muito raro. Ele costuma acontecer principalmente com empresas estatais que garantem a compra de determinados produtos estratégicos para o país (SANDRONI, 2005). Oligopsônio: é a estrutura de mercado em que poucas fi rmas — de grande porte — são as compradoras de determinada matéria-prima ou produto pri- mário.Nesse contexto, o oligopsônio pode ter duas formas: um mercado comprador muito concentrado, com poucas firmas grandes que negociam com muitos pequenos produtores; um mercado consumidor concentrado e um mercado vendedor também concentrado, com poucos e grandes produtores. Esse último caso é chamado também de oligopsônio bilateral. Noções de microeconomia18 C06_Nocoes_microeconomia.indd 18 13/03/2018 15:10:45 Na economia real, existem inúmeros exemplos das estruturas de mercado. Algumas estruturas de mercado são mais predominantes do que outras e, logo, são mais fá- ceis de serem visualizadas. O exemplo mais clássico de concorrência perfeita é a feira livre, em que inúmeros vendedores (inúmeras “barraquinhas”) comercializam o mesmo produto, em geral produtos agrícolas in natura. Em outras palavras, são muitos vendedores que comercializam produtos homogêneos. Já o caso da concorrência monopolista apresenta vários exemplos na realidade concreta. Talvez essa seja a estrutura de mercado em que é possível encontrar o maior número de exemplos reais. Dois casos ilustram muito bem essa estrutura de mercado. Primeiro, você pode considerar o exemplo dos salões de beleza. Existem inúmeros salões de beleza em qualquer cidade, mas cada salão de beleza faz uso de serviços cuja execução é praticamente exclusiva. Para entender melhor: imagine que existem muitos salões de beleza para cortar o cabelo, mas cada um corta de uma maneira diferente, sendo quase um monopólio no que realiza. Um segundo exemplo são as padarias. Como você sabe, todas produzem pães e produtos de panificação, mas cada uma tem o seu sabor específico e a sua qualidade peculiar. No monopólio, são comuns os casos relativos ao fornecimento de serviços con- siderados de natureza pública. Por exemplo, o fornecimento de água e esgoto, de energia elétrica, de telecomunicações, de estradas ou vias públicas, entre outros. Já os exemplos de oligopólio são comuns em grande parte dos setores contemporâneos, especialmente nos setores industriais mais complexos. Isso inclui, por exemplo, a indús- tria automobilística, a indústria farmacêutica, a indústria de tecnologia da informação, a indústria aeronáutica, entre outras. Ou seja, são exemplos em que existem apenas poucas firmas ou poucos big players (grandes participantes) no mercado produtor. Por fim, tanto o monopsônio como o oligopsônio apresentam exemplos nos setores de matérias-primas estratégicas, como o petróleo, os minérios, a energia, etc. No Brasil, um exemplo de monopsônio são as usinas de energia solar, que são obrigadas a vender a energia para um único distribuidor elétrico. Já um exemplo de oligopsônio são os pequenos/médios exploradores de petróleo que, em alguns países, são obrigados a vender os barris de óleo para poucas refinarias de petróleo. 19Noções de microeconomia C06_Nocoes_microeconomia.indd 19 13/03/2018 15:10:45 CARRERA-FERNANDEZ, J. Curso básico de microeconomia. Salvador: EDUFBA, 2009. PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 4. ed. São Paulo: Makron Books do Brasil, 1999. SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005. VASCONCELLOS, M. A. S. Economia: micro e macro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Leituras recomendadas FRANK, R. H. Microeconomia e comportamento. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. KISHTAINY, N. et al. O livro da economia. São Paulo: Globo, 2013. Noções de microeconomia20 C06_Nocoes_microeconomia.indd 20 13/03/2018 15:10:45 Dica do professor A Teoria da Firma utiliza dois gráficos para analisar o comportamento da oferta, sendo eles a isoquanta de produção, que é a linha na qual todos os pontos representam infinitas combinações de fatores de produção, e o mapa de produção, que revela a escolha da quantidade que o empresário deseja produzir. Na Dica do Professor a seguir, você vai conhecer esses gráficos e também compreender como eles são utilizados na análise do comportamento da oferta. Confira. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/2b74f6a707cdab4517ce09fe2ac598bc Exercícios 1) A Microeconomia é o ramo da Economia que estuda o comportamento das unidades individuais, tais como os consumidores, as empresas, os proprietários de fatores de produção e os governos. Sobre essa área de estudos, assinale o que é correto afirmar. A) A teoria microeconômica se assenta em três pilares: (1) a demanda; (2) a oferta; e (3) em dois mercados: o mercado de bens e serviços e o mercado dos serviços dos fatores de produção (terra, trabalho e capital). B) A Microeconomia é um ramo da Economia totalmente empírico, baseado em análises de campo sobre os compradores e vendedores. C) A Microeconomia realiza suas análises a partir de juízos de valores, que aparecem nas relações entre demandantes e ofertantes nos mercados. Nesse sentido, os preços são valores arbitrários. D) A Microeconomia foca seus estudos na produção das empresas e em como elas colocam seus produtos nos mercados E) A Microeconomia faz uso da análise de equilíbrio total, levando em consideração todas as variáveis dos mercados. 2) Sobre a Teoria do Consumidor, marque a alternativa correta. A) A Teoria do Consumidor está fundamentada no princípio da irracionalidade e postula um comportamento reducionista por parte dos consumidores. B) A Teoria do Consumidor é a mais importante dentre as teorias da Microeconomia, sendo unânime entre todos os economistas modernos. C) A Teoria do Consumidor apresenta dois pressupostos básicos: informação completa e existência de uma função de utilidade. D) A Teoria do Consumidor estabelece dois postulados de comportamento: minimização da utilidade e maximização do gasto ou custo. E) A Teoria do Consumidor considera consumidores racionais e irracionais ao realizar suas modelagens teóricas. 3) Sobre a curva de indiferença, a reta orçamentária e o equilíbrio do consumidor, assinale o que é correto afirmar. A) O equilíbrio do consumidor ocorre quando a reta orçamentária tangenciar a sua curva de indiferença. B) A utilidade é um conceito objetivo que não se modifica de consumidor para consumidor e, por conseguinte, pode ser quantificada. C) Os limites da escolha do consumidor estão restritos à sua possibilidade de consumo, o que significa dizer que o seu gasto total pode exceder a sua renda nominal e gerar mais satisfação nas preferências. D) A curva de indiferença apresenta duas características básicas: inclinação positiva e convexidade em relação à reta orçamentária. E) Define-se a reta orçamentária como as combinações minímas possíveis de bens e serviços, dados a renda do consumidor e os preços dos bens. 4) Sobre a Teoria da Firma, o que é correto afirmar? A) A Teoria da Produção refere-se aos conceitos e princípios que norteiam a análise dos custos de produção. B) O custo total de produção é o total das receitas realizadas pela firma com a venda de determinada quantidade de bens ou serviços. C) A função de produção pode ser definida pela diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT). D) A Teoria da Firma postula um comportamento reducionista por parte dessa unidade produtiva. Em outras palavras, o propósito maior da firma é a minimização do lucro. E) A Teoria da Firma trata justamente do problema da produção, dos custos de produção e dos rendimentos (lucros) da firma. 5) Em relação às estruturas de mercado, é correto afirmar que: A) a concorrência perfeita é a estrutura de mercado que contém elementos da concorrência perfeita e do monopólio, ficando em uma posição intermediária entre as duas estruturas citadas. B) o oligopólio é o tipo de estrutura de mercado em que poucas empresas detêm o controle da maior parcela do mercado. C) o monopólio é a estrutura de mercado em que existe apenas um comprador de uma mercadoria, em geral matéria-prima ou produto primário.D) a concorrência monopolista é o tipo de estrutura de mercado em que poucas empresas detêm o controle da maior parcela do mercado. E) o oligopsônio é a estrutura de mercado que contém elementos da concorrência perfeita e do monopólio, ficando em uma posição intermediária entre as duas estruturas citadas. Na prática Na Teoria da Firma, o grande objetivo da produção é a maximização de lucros. Do ponto de vista econômico, o lucro total (LT) é a diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT). Dessa forma, essa teoria divide-se em Teoria da Produção e Teoria dos Custos. Imagine que uma firma venda 1.000 unidades de um produto qualquer, que custa $ 10,00, sendo a receita total a multiplicação do preço de venda (p) e da quantidade produzida (q). Já o custo total é o somatório do custo variável total (CVT) e do custo fixo total (CFT). Nesse caso, a firma tem um custo variável total de $ 5.000, relacionado as matérias-primas e itens diretamente ligados à produção. Enquanto isso, o custo fixo total é de $ 2.000, sendo 1.000 de instalações e 1.000 de despesas com o pessoal administrativo, não tendo qualquer relação com a produção da firma. Observe, Na Prática, como fica esse cálculo e qual é o lucro total (LT) dessa empresa. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Microeconomia em detalhes Leia no site para compreender a Microeconomia com mais detalhes e mais profundidade teórica. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Microeconomia reducionista e microeconomia sistêmica Leia este artigo que procura identificar a diferença entre a Microeconomia reducionista e a Microeconomia sistêmica. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. A ortodoxia neoclássica Verifique aspectos da história da influência da teoria neoclássica no ambiente acadêmico brasileiro, por meio da leitura deste artigo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.remessaonline.com.br/blog/microeconomia-conceito-ecossistema-e-vantagens/ http://www.scielo.br/pdf/neco/v16n2/04.pdf http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n41/v15n41a03.pdf Administração da produção: aplicabilidade Apresentação As organizações são compostas por grupos de pessoas que, de maneira coordenada e organizada, unem esforços para alcançar objetivos comuns. Sua existência está diretamente ligada à produção de bens e serviços, criados para atender às necessidades de seus clientes. Essa produção é viabilizada por meio de um processo de transformação, em que os recursos disponíveis são convertidos nos resultados desejados. Nesse contexto, a administração da produção é responsável pelo planejamento, pela organização e pelo controle de todos os recursos envolvidos no processo produtivo. Trata-se de uma função essencial para garantir eficiência e qualidade nas operações de diferentes tipos de organizações (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). Esse conceito aplica-se a uma ampla variedade de organizações, independentemente de seu porte ou setor de atuação, como indústrias, empresas de serviços, escolas, hospitais e até mesmo residências. Em todas essas situações, pessoas e recursos são mobilizados para atingir objetivos específicos. A principal diferença entre elas está na forma como a produção é realizada, nas operações que compõem o processo produtivo e nos impactos gerados tanto para a organização quanto para seus clientes. Compreender essas particularidades é fundamental para reconhecer a importância da administração da produção na busca pela eficiência e pela satisfação dos objetivos organizacionais (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender os princípios básicos relacionados à gestão de processos produtivos e o modo como as organizações transformam recursos em resultados, além de identificar as diferentes formas de operação e suas aplicações práticas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar a maneira como as organizações produzem seus bens e serviços.• Reconhecer os diferentes tipos de operação da produção.• Identificar as atividades e responsabilidades da administração da produção.• Desafio A administração da produção ajuda as empresas a se manterem competitivas em um ambiente em constante mudança. Um dos conceitos-chave da administração da produção são os quatro Vs da produção, que ajudam a orientar a estrutura e as operações do negócio: Volume considera a quantidade de produtos ou serviços oferecidos, com maior padronização em produções em larga escala e maior personalização em volumes menores. • Variedade analisa a diversidade de produtos ou serviços disponíveis, atendendo a diferentes preferências do consumidor. • Variação na demanda trata das oscilações no mercado, como períodos sazonais ou eventos imprevistos. • Visibilidade avalia o grau de interação e transparência com os clientes durante o processo produtivo. • Esses elementos permitem que empresas adaptem suas operações às necessidades específicas de seus mercados (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). A partir dessas informações sobre os quatro Vs da produção, considere-se parte da seguinte situação: Diante desse cenário, responda: Considerando as variáveis envolvidas, os impactos das decisões e as estratégias básicas necessárias para garantir a viabilidade e o sucesso do Café Artesanal Dona Ana, quais aspectos você analisaria para ajudar a estruturar o modelo de negócio ideal? Infográfico A administração da produção conecta recursos e estratégias para transformar inputs em outputs, sejam eles bens, serviços ou uma combinação de ambos. O conceito dos quatro Vs (Volume, Variedade, Variação na demanda e Visibilidade) permite compreender como diferentes operações produtivas se organizam e enfrentam desafios específicos. Cada um desses fatores impacta diretamente os processos, desde o planejamento e a execução até a entrega de valor aos clientes (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). Além disso, os tipos de produção destacam como ela pode ser vista sob duas perspectivas complementares, como função, responsável pela criação e pela entrega de produtos e serviços ao cliente externo, e como atividade, que administra processos internos em diversas áreas organizacionais, como marketing, finanças e recursos humanos. Essa integração entre operações internas e externas reforça a importância da administração da produção em alinhar os objetivos organizacionais às demandas do mercado. Neste Infográfico, você vai conhecer a aplicabilidade dos quatro Vs da produção e os tipos de produção que fazem parte das atividades organizacionais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//infografico,-2024-12-23T15:02:15-03:00. Conteúdo do livro Todas as organizações, independentemente do setor ou do porte, realizam algum tipo de produção, seja de bens, serviços ou uma combinação de ambos. Essa característica comum evidencia a presença da função produção em sua estrutura organizacional a fim de alcançar os objetivos empresariais. A administração da produção é responsável por gerenciar os recursos necessários para o processo produtivo, garantindo a satisfação dos clientes e a competitividade da organização no mercado (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). O que cada organização decide produzir é um fator determinante que influencia significativamente a maneira como seus processos produtivos são estruturados e executados. Essa escolha define as particularidades das operações e diferencia uma organização de outra. Apesar dessas especificidades, todas as empresas compartilham uma característica fundamental no processo produtivo: a transformação. Essa transformaçãoé baseada em um modelo básico que inclui entradas (inputs), processamento e saídas (outputs), sendo o cerne da administração da produção e seu impacto organizacional (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). No capítulo Administração da produção: aplicabilidade, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender como ocorre o processo de transformação dos insumos em produtos e serviços e as responsabilidades da administração da produção. Boa leitura. ADMINISTRAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Gisele Lozada Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 A238 Administração de produtos e serviços [recurso eletrônico] / Organizadora, Gisele Lozada. – Porto Alegre : SAGAH,2016. Editado como livro impresso em 2016. ISBN 978-85-69726-63-0 1. Administração - Produtos. 2. Administração – Serviços. 3. Sistemas de produção. I. Lozada, Gisele. CDU 658.64 Administração da produção: aplicabilidade Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Analisar a maneira como as organizações produzem seus bens e serviços. � Entender os diferentes tipos de operação da produção. � Identificar as atividades e responsabilidades da administração da produção. Introdução A administração da produção é a função empresarial responsável por planejar, coordenar e controlar os recursos envolvidos na produção, por meio dos quais são produzidos os bens e serviços que se des- tinam à satisfação das necessidades dos clientes. Este cenário pode ser aplicado a inúmeros formatos e tamanhos de organizações, sejam indústrias, empresas, escolas, hospitais ou até mesmo uma casa. A di- ferença estará no que a organização produz, e como ela desempenha esta função. Neste texto, você vai estudar os modelos de transformação, os dife- rentes tipos de operações, e também as atividades e responsabilida- des da administração da produção de bens e serviços, que demons- tram sua aplicabilidade no contexto organizacional. Modelos de transformação O processo de produção, sob a perspectiva operacional, engloba recursos que são submetidos a um processo de transformação, dando origem ao produto final, que corresponde aos bens e serviços oferecidos pela organização. A função produção foca na transformação, que é o processo central, aplicando os insumos na geração de algo novo, que pode ser um produto ou um ser- viço, destinado à satisfação de um desejo ou necessidade sinalizada por seus clientes. Qualquer operação de produção, seja de bens ou serviços, ou até mesmo um misto dos dois, necessariamente implica em um processo de transfor- mação. Este processo tem como objetivo o emprego dos recursos, mudando o estado ou a condição de algo, e gerando um resultado. Em resumo, é composto por três estágios ou elementos fundamentais: entrada (input), processamento (transformação) e saída (output), conforme a Figura 1: Figura 1. Elementos fundamentais do processo de produção. Fonte: adaptada de Slack et al. (2006, p. 32). Entradas (inputs) As entradas integram o trio de elementos básicos da produção, correspon- dendo à sua base, seu ponto de partida, conforme ilustrado na Figura 2. São os recursos empregados no processo de transformação, para que sejam geradas as saídas, correspondendo essencialmente a dois grupos: recursos transfor- mados e recursos de transformação. Os recursos transformados são aqueles que sofrem o impacto direto do processo de transformação, sendo tratados, transformados, modificados ou convertidos através dele. Podem ser um ou mais, formando um conjunto, onde pelo menos um será o objeto central do processo de transformação. Normal- mente são compostos de: � Matérias-primas e componentes � Informações � Consumidores Já os recursos transformadores são aqueles que atuam sobre os recursos transformados, agindo diretamente sobre eles. Fazem parte do processo de produção, mas não sofrem alterações diretamente, apenas permitem que a transformação ocorra. Os recursos transformadores apresentam menor dife- renciação, se comparados com os recursos transformados, correspondendo a apenas dois grupos: 17Administração da produção: aplicabilidade � Instalações: compõem a infraestrutura utilizada (como prédios, má- quinas, equipamentos, ferramentas e outros) e conhecimento (a tecno- logia e o domínio da técnica empegada no processo de produção); � Funcionários: força de trabalho utilizada para operar, manter, planejar e administrar a produção. Figura 2. Os recursos no processo de produção. Fonte: adaptada de Slack et al. (2006, p. 32). Processamento O processamento corresponde à ação de transformação aplicada sobre as en- tradas, que resulta na alteração de sua forma ou condição inicial. De acordo com a natureza dos inputs, a operação de processamento adquire caracterís- ticas específicas, definindo seu propósito em razão do tipo de recurso que será processado: materiais, informações ou consumidores. O processamento de materiais, por exemplo, normalmente resulta na transformação das propriedades físicas dos inputs (forma, composição ou ca- racterísticas), aplicável com maior frequência às operações de manufatura. Con- tudo, é importante ressaltar a possibilidade de a transformação implicar na mo- dificação de outras questões como localização (entrega de encomendas), posse/ propriedade (venda de varejo) ou estocagem/acomodações (guarda volumes). No processamento de informações, as ações são voltadas para a trans- formação das propriedades informativas (forma) do input, incluindo exemplos como o realizado por contadores e bancos. Neste caso também existem al- terações relacionadas à localização (como telecomunicações), posse/proprie- Administração de produtos e serviços18 dade (como a venda dos resultados de uma pesquisa de mercado) e estocagem (como bibliotecas). Já o processamento de consumidores corresponde a processos que re- sultam na transformação física do próprio cliente, como, por exemplo, cabe- leireiros e dentistas. Esta modalidade igualmente inclui questões relacionadas a localização (como transportes de passageiros) e acomodações (como hotéis), ou ainda aquelas que afetam seu estado fisiológico (hospitais ou restaurantes) ou psicológico (teatros e cinemas). Note que o processamento de consumidores apresenta algumas variações de transformação inexistentes dos demais (materiais e informações), veja o Quadro 1. Entradas Processo de transformação Materiais e informações Propriedades físicas Localização Posse ou propriedade Estocagem ou acomodação Consumidores Propriedades físicas Localização Posse ou propriedade Estocagem ou acomodação Estado fisiológico Estado psicológico Quadro 1. Quadro comparativo das esferas de processamento em razão da natureza das entradas. 19Administração da produção: aplicabilidade Falar em processamento de consumidores pode parecer estranho num primeiro mo- mento, mas é algo facilmente entendido se você pensar em situações simples e coti- dianas como ir ao dentista ou ao cabelereiro. Em ambas as circunstâncias, o profissional presta um serviço, que acarreta uma modificação da condição física do cliente. Assim, temos entradas, processamento e saídas, formando o conjunto básico de elementos que compõem o processo de produção. Saídas (outputs) As saídas correspondem ao resultado final do processo produtivo, também denominadas como outputs ou produto final. Corresponde algo novo, dife- rente da entrada (que foi processada) e que tem por objetivo o atendimento de um desejo ou necessidade. Contudo, é importante ressaltar uma questão importante: a diferença entre produtos e serviços. Estes dois grupos básicos de saídas possuem características muito específicas. Neste contexto, as saídas podem ser analisadas e diferenciadas em razão de questões como: � Tangibilidade: verifica se a saída possui a capacidade de ser vista, to- cada, sentida, palpada. � Estocabilidade: verifica se a saída apresenta a capacidade de ser ar-mazenada ou estocada, estando diretamente associada à questão da tangibilidade. � Transportabilidade: verifica se a saída pode ser transferida ou trans- portada de um local para outro, mantendo suas condições, possuindo igualmente uma relação direta com a tangibilidade. � Simultaneidade: verifica se as ações de produção e consumo/venda das saídas ocorrem ao mesmo tempo, ou se são realizadas em momentos distintos. � Contato com o consumidor: verifica o nível de envolvimento do cliente no processo de transformação, possuindo uma estreita relação com a questão da simultaneidade. � Qualidade: verifica a conformidade da saída com o padrão estipulado ou desejado, podendo ser objetiva ou subjetiva, em razão de questões como tangibilidade, simultaneidade e contato com o cliente. Administração de produtos e serviços20 A percepção destes fatores é mais facilmente alcançada por meio da com- paração sintética entre produtos e serviços, verificando as características apresentadas em cada um destes fatores, conforme o Quadro 2: Bens Serviços São tangíveis São intangíveis Podem ser estocados Não podem ser estocados Podem ser transportados Não podem ser transportados A produção precede o consumo A produção e o consumo são simultâneos Reduzido nível de contato com o cliente Elevado nível de contato com o cliente Qualidade é objetiva (conformidade) Qualidade é subjetiva (per- cepção do cliente) Quadro 2. Quadro comparativo das principais características de bens e serviços. Neste contexto, a unificação das características relativas a cada um dos três elementos básicos do processo produtivo (entradas, processamento e sa- ídas) torna possível a montagem de um panorama exemplificativo, que au- xilia no entendimento dos diferentes modelos de transformação, conforme demonstrado no Quadro 3: 21Administração da produção: aplicabilidade Fonte: adaptado de Slack et al. (2006, p. 33). Operação Entradas Processamento Saídas Dentista dentistas, equi- pamentos, enfer- meiras, pacientes. exames e trata- mentos dentários, orientações pre- ventivas (transfor- mação fisiológica do paciente). pacientes com dentes e gen- givas saudáveis. Loja bens à venda, vendedores, caixas registradoras, consumidores. exibição de bens, orientação de vendedores, vendas de bens (transformação de mudança de propriedade). bens ajustados às necessidades dos consumidores. Polícia policiais, sistema de computadores, informações, cida- dãos e criminosos. prevenção de crimes, solução de crimes, prisão de criminosos (trans- formação psicoló- gica dos cidadãos). sociedade pro- tegida, público com sentimento de segurança. Gráfica gráficos e desig- ners, impressoras, papel, tinta etc. edição, impressão, encadernação (transformação das proprie- dades físicas) materiais im- pressos. Quadro 3. Algumas operações vistas da perspectiva entradas-transformação-saídas. A soma de múltiplos processos de transformação resulta no estabeleci- mento dos sistemas de produção, que por sua vez podem ser classificados de diversas formas, entre as quais vale ressaltar aquela que se baseia no nível de contato do sistema com o ambiente: � Sistemas abertos (adaptáveis ou orgânicos): quando há comunicação, interação ou interação com ambiente que o circunda. Neste caso, a matéria e a energia que o integram é constantemente renovada, mas conserva-se no mesmo estado (autorregulação); Administração de produtos e serviços22 � Sistemas fechados (estáveis ou mecânicos): quando o sistema é isolado de seu ambiente, sem intercâmbio ou interação. Neste contexto, os sis- temas possuem limites pré-determinados (físicos ou conceituais), que representam as barreiras delimitadoras de sua atuação e o diferenciam de seu ambiente. Leia mais sobre sistemas de produção, suas caraterísticas básicas e classificações em: ANTUNES, J. et al. Sistemas de produção: conceitos e práticas para projetos e gestão da pro- dução enxuta. Porto Alegre: Bookman, 2008. Tipos de operações de produção As operações de produção apresentam significativas semelhanças entre si em razão da forma básica de transformar entradas (inputs) em saídas (outputs). Agora é chegado o momento de avaliar as diferenças e as implicações de cada uma delas. Esta diferenciação pode ser realizada por meio da observação de quatro dimensões: volume de output, variedade de output, variação da de- manda do output e grau de contato com o cliente envolvido na produção do output. Através delas, as organizações adotam uma posição específica, deter- minando muitas das características de seus processos produtivos: Volume de output Nesta dimensão a produção é marcada pelo alto grau de repetição, induzindo à especialização das tarefas. O trabalho é padronizado e sistematizado, por meio do estabelecimento de normas e instruções detalhadas para cada etapa do processo, e muitas vezes dotado de automação. O alto volume de produção, associados a todas estas características, acaba por resultar na mais importante delas: o baixo custo unitário, possibilitado pela diluição dos custos fixos. Este é o principal objetivo da produção voltada para o volume de output, através do qual a organização visa atingir o equilíbrio financeiro. 23Administração da produção: aplicabilidade Variedade de output Nesta dimensão a produção é voltada para o atendimento das necessidades do cliente, através da formação dos chamados mix de produtos, demonstrando o nível de flexibilização da organização frente às exigências do mercado. Con- tudo, é importante lembrar que uma maior variedade implica em menor vo- lume e padronização, o que consequentemente afeta o custo, que se reflete no preço dos produtos e serviços oferecidos. Variação da demanda do output Nesta dimensão a produção é baseada na previsão de demanda pelo produto ou serviço que a organização se dispõe a oferecer. Está diretamente relacio- nada ao grau de estabilidade do mercado, que pode, por exemplo, possuir ca- racterísticas de sazonalidade, ocasionando um misto de ociosidade produtiva e incapacidade de atendimento da demanda em determinados períodos. A fim de lidar com estas questões, e minimizar o impacto financeiro das mesmas, as empresas adotam alternativas como produtos pré-acabados, estoques e apli- cação do método kanban. Grau de contato com o consumidor do output Nesta dimensão, também denominada visibilidade (o que é definido por Slack et al. (2006) como os 4Vs da produção) o cenário é voltado para a preocupação de como o cliente percebe a produção, ou o quando ela é exposta para o cliente. Normalmente as operações que envolvem o processamento de consumidores apresentam maior nível de exposição e visibilidade. É importante lembrar que a decisão de aceitar ou não o consumidor na operação é de extrema impor- tância, e está diretamente relacionada à origem do próprio serviço ou produto que a empresa pretende oferecer. Esta questão tem ainda outro importante reflexo: quanto maior o envolvimento, maior o custo. Dentro do contato com o consumidor temos ainda as chamadas operações mistas (que incluem um misto de alto e baixo contato). Nelas, algumas ati- vidades envolvem um alto contato com seus consumidores, realizadas pelos funcionários da chamada “linha de frente”. Em organizações desta natureza, é apropriada a separação das atividades das linhas de frente (alto contato) das atividades de retaguarda (baixo contato), tendo em vista que exigem di- Administração de produtos e serviços24 ferentes habilidades por parte dos operadores, bem como distintas formas de organização de trabalho e objetivos operacionais, conforme demonstrado na Figura 3: Figura 3. Operações de contato misto. Fonte: Adaptada de Slack et al. (2006, p. 49). O entendimento de todas as caraterísticas e implicações de cada uma destas 4 dimensões pode ser facilitado através da análise conjunta das mesmas, con- forme ilustrado pela Figura 4: Figura 4. Síntese das dimensões da produção, principais característicase reflexos. Fonte: Adaptada de Slack et al. (2006, p. 48). 25Administração da produção: aplicabilidade Como alguns exemplos ilustrativos dos diferentes tipos de operações de produção temos: � Volume: restaurantes fast-food; � Variedade: táxi (em comparativo ao ônibus); � Variação da demanda: hotéis. � Grau de contato com o consumidor: vendas em lojas físicas ou pela internet. Atividades e responsabilidade da administração da produção Para a abordagem deste ponto, é necessário introduzir uma figura importante para o contexto da administração da produção: o gerente. Suas atividades se refletem em responsabilidades, que se estendem ao longo de toda a operação, por vezes ultrapassando as barreiras da esfera produtiva, conectando-se com as demais atividades que, de alguma forma, contribuem para a produção dos bens e serviços. As responsabilidades do gerente são divididas em indiretas e diretas. Responsabilidades indiretas � Suprir as outras funções organizacionais de informações relativas a oportunidades e restrições apresentadas pela capacidade de produção instalada; � Interagir com as demais funções, promovendo o debate sobre o ali- nhamento da produção aos demais objetivos da empresa na busca de melhorias e resultados recíprocos; � Promover a participação das outras funções por meio da manifes- tação de opiniões e ideias que visem melhores serviços internos pres- tados pela produção. Administração de produtos e serviços26 Responsabilidades diretas � Entender os objetivos estratégicos da produção, bem como o co- nhecimento e entendimento dos objetivos da empresa, do papel da produção e sua contribuição para o atingimento dos mesmos. Além disso, preocupar-se com o alinhamento dos objetivos organizacionais e o desempenho da produção, incluindo aspectos como qualidade, velo- cidade, confiabilidade, flexibilidade e custo. � Desenvolver uma estratégia de produção composta por princípios orientadores, que permita o alinhamento do desempenho da atividade produtiva aos objetivos da empresa no longo prazo, sendo dotada de clareza e prioridades, permitindo a vinculação direta das necessidades dos consumidores com o comportamento dos concorrentes. � Projetar produtos, serviços e processos de produção, definindo a forma física, aspecto e composição física dos mesmos, estabelecendo o cenário para todas as outras atividades. � Planejar e controlar a produção, colocando todos os recursos de pro- dução em ação na sua melhor forma de emprego para a obtenção de sucesso e funcionamento efetivo, e garantindo a execução do que foi previsto. � Melhorar o desempenho da produção, correspondendo à atividade permanente de estabelecer, monitorar, manter e ampliar a performance obtida em todas as demais responsabilidades, garantindo a melhoria contínua da produção, com vista ao atendimento do consumidor e ao acompanhamento da concorrência. 27Administração da produção: aplicabilidade 1. Os elementos básicos de um pro- cesso de transformação, em sua ordem correta, correspondem a: a) Output, input e transformação. b) Transformação, output e input. c) Input, transformação e output. d) Input, output e transformação. e) Input e output. 2. O processo de produção em sua perspectiva operacional engloba recursos dos tipos: a) Recursos transformados: materiais, informações ou consumidores. b) Recursos de transformações: materiais, informações ou consu- midores. c) Recursos transformados: instala- ções e funcionários. d) Recursos de transformação: insta- lações e materiais. e) Recursos transformados: informa- ções e funcionários. 3. É correto afirmar que bens e serviços se diferenciam respectivamente por: a) Bens são tangíveis, não podem ser estocados, mas podem ser transportados, enquanto que ser- viços são intangíveis, não podem ser estocados e transportados. b) Bens são intangíveis, não po- dendo ser estocados e nem transportados, enquanto que serviços são tangíveis, podendo ser estocados e transportados. c) Bens são tangíveis, não podendo ser estocados e nem transpor- tados, enquanto que serviços são intangíveis, podendo ser esto- cados e transportados. d) Bens são tangíveis, podendo ser estocados mas não transpor- tados, enquanto que serviços são intangíveis, podendo ser trans- portados mas não estocados. e) Bens são tangíveis, podem ser estocados e transportados, en- quanto que serviços são intangí- veis, não podendo ser estocados e nem transportados. 4. No estudo dos tipos de operações envolvidos na produção de bens e serviços são abordados aspectos como repetição de atividades, padro- nização de processos e a busca pelo baixo custo unitário. Estas caracterís- ticas pertencem a qual das opções abaixo: a) Variedade de output. b) Volume de output. c) Variação de demanda de output. d) Grau de envolvimento com o consumidor do output. e) Recursos de transformados e de transformação. 5. Dentro do contexto da administração da produção, o gerente ocupa um papel de extrema importância. As responsabilidades da gerência de produção se subdividem em dois conjuntos essenciais, que são: a) Responsabilidades diretas e indiretas. b) Tangibilidade e estocabilidade. c) Contato com o cliente e volume de output. d) Processamento de materiais e processamento de consumidores. e) Bens e serviços. Administração de produtos e serviços28 SLACK, N. et. al. Administração da produção. ed. compacta. São Paulo: Atlas, 2006. Leituras recomendadas ANTUNES, J. et al. Sistemas de produção: conceitos e práticas para projetos e gestão da produção enxuta. Porto Alegre: Bookman, 2008. SLACK, N. et al. Gerenciamento de operações e processos: princípios e práticas de impacto estratégico. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. Referência 29Administração da produção: aplicabilidade Conteúdo: Dica do professor Algumas operações se dedicam exclusivamente à produção de produtos, como a mineração, que gera itens tangíveis, padronizados, armazenáveis e distantes do consumo imediato. Outras se concentram apenas na prestação de serviços, como clínicas de psicoterapia, que oferecem tratamentos personalizados e intangíveis, com interação direta com o cliente. No entanto, muitas operações se situam entre esses extremos ou combinam produtos e serviços, resultando em uma mistura integrada de ambos (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). Atualmente, a distinção entre produtos e serviços se torna menos relevante, pois todas as operações compartilham o objetivo essencial de atender às necessidades dos clientes. Segundo a lógica de domínio do serviço, todas as operações são, na essência, provedores de serviço e os bens físicos são apenas um meio de entrega desse valor. Essa abordagem reforça que o serviço é o fundamento das trocas, com o cliente participando ativamente como cocriador de valor, independentemente da natureza tangível ou intangível dos outputs (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). Na Dica do Professor, você vai acompanhar uma breve explanação sobre produtos e serviços, que correspondem às duas tipologias básicas do que pode ser produzido por uma empresa. Você também vai ver um resumo de suas principais características e diferenças, bem como entender a influência que o produto ou serviço impõe sobre seu processo de produção. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/7e681ebedefc29f13958c60f02f38c5e Exercícios 1) No contexto da produção, as entradas são os elementos básicos que compõem o ponto de partida do processo de transformação. Esses recursos são classificados em transformados, que sofrem o impacto direto da transformação, e em transformadores, que atuam sobre os transformados sem sofrer alterações. Nesse sentido, analise as afirmações a seguir sobre os recursos das entradas: Os recursos transformados incluem matérias-primas, informações e consumidores, que são modificados ou tratadosdurante o processo de transformação. I. Os recursos transformadores, como máquinas, equipamentos e pessoas, sofrem alterações diretas no processo de transformação, sendo fundamentais para que os recursos transformados se convertam em saídas. II. Os recursos transformados são sempre físicos, como matérias-primas e componentes, ao passo que informações e consumidores são excluídos desse grupo. III. Os recursos transformadores não sofrem alterações diretas no processo de produção, mas são indispensáveis para que a transformação dos recursos transformados ocorra. IV. Assinale a alternativa correta. A) Apenas I e II estão corretas. B) Apenas I e IV estão corretas. C) Apenas II e III estão corretas. D) Apenas I, III e IV estão corretas. E) Apenas II, III e IV estão corretas. No contexto da produção, o processamento é a ação de transformação aplicada sobre as entradas, alterando sua forma ou condição inicial. De acordo com o tipo de input processado (materiais, informações ou consumidores), o processamento apresenta características específicas. Nesse sentido, analise as afirmações a seguir sobre os tipos de processamento: O processamento de materiais resulta na transformação de propriedades físicas, como forma e composição, mas pode também modificar aspectos como localização, posse ou estocagem. I. 2) O processamento de informações abrange transformações informativas, podendo incluir alterações de localização, posse e estocagem, como telecomunicações e bibliotecas. II. O processamento de consumidores limita-se a alterações físicas diretas, como aquelas realizadas por cabeleireiros e dentistas, sem afetar o estado psicológico ou fisiológico do cliente. III. O processamento de consumidores inclui variações únicas de transformação, como alterações psicológicas, que se diferenciam do processamento de materiais ou informações. IV. Assinale a alternativa correta. A) Apenas I e II estão corretas. B) Apenas I e IV estão corretas. C) Apenas II e III estão corretas. D) Apenas I, II e IV estão corretas. E) Apenas II, III e IV estão corretas. 3) As saídas de um processo produtivo são os resultados finais gerados a partir do processamento das entradas. Essas saídas, classificadas como produtos ou serviços, têm características específicas que as diferenciam. Com base nisso, analise as afirmativas a seguir sobre as características das saídas: A tangibilidade é uma característica dos produtos físicos, e os serviços, por sua natureza, são essencialmente intangíveis. I. A estocabilidade está diretamente relacionada à tangibilidade, pois apenas saídas tangíveis podem ser armazenadas para consumo futuro. II. A simultaneidade é uma característica marcante dos serviços, pois sua produção e seu consumo geralmente ocorrem ao mesmo tempo. III. O contato com o consumidor é menor em serviços do que em produtos devido à necessidade de maior automação nos processos de produção. IV. Assinale a alternativa correta. A) Apenas I e II estão corretas. B) Apenas I e IV estão corretas. C) Apenas II e III estão corretas. D) Apenas I, II e III estão corretas. E) Apenas II, III e IV estão corretas. 4) As saídas de um processo produtivo, sejam produtos ou serviços, têm características distintas que impactam diretamente sua forma de entrega e consumo. Enquanto algumas dessas características estão relacionadas à sua tangibilidade, outras envolvem aspectos como estocabilidade, transportabilidade e nível de interação com o cliente. Além disso, as diferenças entre produtos e serviços influenciam a percepção de qualidade e a forma como atendem às demandas do mercado. Com base nisso, analise as afirmativas a seguir sobre as características das saídas: Produtos têm alta transportabilidade, pois podem ser transferidos de um local para outro, mantendo suas condições originais. I. Serviços são mais difíceis de serem transportados, mas têm maior flexibilidade em relação à simultaneidade, já que podem ser consumidos em momentos distintos da produção. II. A qualidade de um serviço é frequentemente mais subjetiva do que a de um produto devido ao contato direto do cliente e à simultaneidade da produção e do consumo. III. A tangibilidade e a estocabilidade são fatores que influenciam diretamente a capacidade de produtos atenderem a demandas sazonais. IV. Assinale a alternativa correta. A) Apenas I e II estão corretas. B) Apenas I e IV estão corretas. C) Apenas II e III estão corretas. D) Apenas I, II e III estão corretas. E) Apenas I, III e IV estão corretas. Os sistemas de produção são constituídos por múltiplos processos de transformação e podem ser classificados com base no nível de contato com o ambiente. Com base nessa classificação, analise as afirmações a seguir: I. Sistemas de produção podem ser classificados em sistemas abertos, que têm interação contínua com o ambiente, e sistemas fechados, que operam de forma isolada, sem 5) intercâmbio com o ambiente. PORQUE II. A classificação em sistemas abertos e fechados reflete a capacidade dos sistemas de se autorregular (no caso dos abertos) ou manter limites rígidos e predeterminados (no caso dos fechados), diferenciando-se pelo nível de interação com o ambiente. Assinale a alternativa correta. A) As afirmações I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. B) As afirmações I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I. C) A afirmação I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. D) A afirmação I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. E) As afirmações I e II são proposições falsas. Na prática A administração da produção é primordial para o planejamento, a organização e o controle de processos produtivos, garantindo eficiência e qualidade na entrega de produtos ou serviços. Sua aplicação abrange desde a gestão de recursos, como mão de obra e tecnologia, até a redução de custos operacionais e o aumento da produtividade, por meio da eliminação de gargalos. Empresas de diversos setores utilizam técnicas dessa função para se manterem competitivas e atenderem às demandas do mercado (Slack; Brandon-Jones; Burgess, 2023). Além disso, a administração da produção não se limita a processos físicos e é amplamente aplicada em serviços. No setor de saúde, por exemplo, otimiza o fluxo de pacientes e reduz tempos de espera; no setor de tecnologia, auxilia no gerenciamento de projetos e no cumprimento de prazos. Assim, ela melhora a eficiência operacional, bem como eleva a satisfação dos clientes e a sustentabilidade dos negócios. Neste Na Prática, você vai acompanhar um caso prático de administração da produção envolvendo o setor alimentício. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//napratica,-2024-12-23T15:02:48-03:00. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Administração da produção e operações No Capítulo 1 deste livro, confira uma abordagem detalhada sobre a administração da produção e de suprimentos. O capítulo explora as principais estratégias para garantir o sucesso das operações nas organizações. Com esse conteúdo, você vai ter uma base sólida para compreender os fundamentos da área e aplicar conceitos estratégicos no contexto empresarial, contribuindo para uma gestão mais eficiente e alinhada aos objetivos organizacionais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Proposta de implantação de ferramentas de planejamento, programação e controle da produção em uma indústria de pequeno porte na Serra Gaúcha/RS Leia este artigo para compreender mais sobre a administração da produção em uma indústria de pequeno porte. Você vai conferir que os resultados destacam a informalidade do processo produtivo, decisões pautadas no know-how dos diretores e diversos desafios operacionais, como a ausência de gestão de estoques, falta deda Renda em uma eco- nomia fechada e sem governo. 3Princípios básicos da economia Economia_U1_C01.indd 3 25/07/2017 18:21:49 Figura 1. Fluxo circular da renda em economia fechada e sem governo. Conforme demonstra a Figura 1, as famílias oferecem os seus fatores de produção no mercado de fatores de produção, e eles são demandados pelas empresas para a produção de bens e serviços. Com o valor da venda desses bens e serviços pelas empresas, as famílias são remuneradas pela utilização de sua mão de obra física ou intelectual, seus imóveis ou terras, tecnologia, etc. Estas, por sua vez, decidem a parte de suas rendas que será gasta na aquisição de bens e serviços produzidos pelas empresas e a parte que será poupada junto às instituições financeiras. Com o dinheiro da poupança das famílias, as instituições financeiras dispõem de recursos para emprestar para as empresas. A troca física de fatores de produção e de bens e serviços é chamada de fluxo real, enquanto a troca monetária (gasto das famílias e remuneração dos fatores de produção pelas empresas) se constitui em fluxo monetário. Quando se inclui o governo nesse fluxo, ele realiza seus gastos em serviços públicos para os demais agentes econômicos, utilizando os recursos dos tributos (taxas e impostos) pagos pelos mesmos. Abrindo essa economia para o comér- cio exterior, ou seja, quando se trata de uma economia aberta, o exterior (ou resto do mundo) exporta os seus produtos para o país em questão, recebendo divisas por essa transação, mas também importa bens e serviços, tendo que Princípios básicos da economia4 Economia_U1_C01.indd 4 25/07/2017 18:21:49 pagar por essa aquisição. O saldo entre as exportações e as importações se chama saldo comercial, que pode ser positivo ou negativo. Precursores da Teoria Econômica Há aproximadamente 400 anos a.C. foi possível identifi car algumas referências à economia entre os primeiros fi lósofos da Grécia antiga. Aristóteles (384 a.C.), foi um dos precursores da antiguidade, por meio de seus estudos sobre a administração privada e fi nanças públicas. Também Xenofonte (440-335 a.C.), que cunhou o termo economia (oiko = casa; nomos = lei), no sentido de gestão dos bens privados, em que um casal deveria dividir as atribuições e responsabilidades perante a sua família. Neste caso, o homem tinha o dever sobre a propriedade, gerando patrimônio e bens, ao passo que a mulher teria o dever sobre o governo do lar, administrando a riqueza trazida pelo homem. Já Platão (427-347 a.C.) afi rmava que “[...] disfarçavelmente violento e ganancioso, o homem é levado pelo desejo de ter sempre mais (poder, glória, conforto, prazeres e vantagens, por exemplo) [...]” (PLATÃO apud FÉLIX, 2014). Contudo, na antiguidade os estudos não apresentavam um padrão homo- gêneo ou sistemático das relações econômicas, não havendo contribuições consistentes para o surgimento da Teoria Econômica. Assim, a atividade econômica do homem era tratada e estudada como parte integrante da filosofia social, moral e ética, devendo-se orientar pelos princípios gerais da ética, justiça e igualdade. Foi apenas entre os séculos XV e XVIII, na era mercantilista, que a econo- mia começou a dar os seus primeiros passos em termos de reconhecimento de campo científico. Nessa época, as preocupações se davam sobre a acumulação de riquezas em uma nação e o fortalecimento do Estado, ou seja, fomentar o comércio exterior seria o caminho para entesourar riquezas, mas restringindo as importações por meio de políticas protecionistas. O acúmulo de metais (ouro e prata) adquiriu grande importância no período mercanti- lista, pois considerava-se que o governo de um país seria mais forte e poderoso quanto maior fosse seu estoque desses metais. Surgem, portanto, relatos mais elaborados sobre a moeda, utilizada como dinheiro, instrumento de troca e medida de valores. 5Princípios básicos da economia Economia_U1_C01.indd 5 25/07/2017 18:21:51 Nessa época, era grande a importância do Estado nos assuntos econômicos, defendendo o maior intervencionismo, mediante à implementação de novas indústrias, o controle do consumo interno de determinados produtos, propor- cionando melhoria da infraestrutura e promovendo a colonização de novos territórios (monopólio) como forma de garantir o acesso a matérias-primas, bem como o escoamento de produtos manufaturados. Era Clássica No século XVIII, como reação ao mercantilismo, surgiu a primeira escola econômica. Foram os chamados fi siocratas que, na França, desenvolveram seus trabalhos originando a Teoria Econômica. O termo fi siocracia, signifi ca “governo da natureza”, ou seja, se considera a terra como a única fonte de riqueza. Deste modo, contradizendo os mercantilistas, os fi siocratas defendiam que a riqueza das nações era gerada pelo valor das terras agrícolas ou pelos produtos dessas terras, isto é, a importância destes era tamanha que deveriam ter os seus preços elevados. No mesmo sentido, o trabalho produtivo, relacio- nado à lavoura, à pesca e à mineração, era a fonte de riqueza. O principal marco da fisiocracia foi o fato da intervenção estatal ser des- necessária, contradizendo, mais uma vez, a crença dos mercantilistas. Essa dispensabilidade do estado devia-se a consideração da supremacia da lei da natureza, e tudo o que fosse contra esta seria derrotado. Portanto, acreditava- -se em uma ordem natural que fazia com que o universo fosse regido por leis naturais, absolutas, imutáveis e universais, desejadas pela providência divina para a felicidade dos homens. Para os fisiocratas, toda a vida permanece dependente da produtividade do solo bruto e a capacidade do meio ambiente natural se renovar. Os pensadores dessa época representam a Teoria Econômica Clássica. O principal deles, o professor Adam Smith, foi considerado o “pai” da economia, sendo reconhecido como tal após a publicação de seu livro A Riqueza das Nações em 1776, no qual defendia o liberalismo, ou seja, a livre concorrência e a desnecessidade do governo nas questões econômicas, o que ficou conhecido por laissez-faire, ou “deixar-fazer”, em francês. Outro importante pensador clássico a ser citado é David Ricardo, que, por meio de suas teorias de determinação do valor de renda da terra e das vantagens comparativas relacionadas ao comércio internacional, explica o porquê de as nações negociarem entre si. Princípios básicos da economia6 Economia_U1_C01.indd 6 25/07/2017 18:21:51 Era Neoclássica Após a era Clássica, o pensamento econômico evoluiu para as teorias Neoclás- sicas, iniciadas em meados da década 1870 e estendendo-se até as primeiras décadas do século XX. Esses estudos privilegiavam aspectos microeconômicos, pois defendiam o Estado mínimo, devido à crença de autorregulação dos mercados, deixando de lado questões macroeconômicas ou políticas. Deste modo, as contribuições da era neoclássica se deram pelos estudos de redução de custos, da utilidade marginal (capacidade de satisfazer as necessidades humanas), a lei da oferta e da demanda, a formação de preços, entre outros. As teorias Neoclássicas são utilizadas até os dias atuais e serviram como base e inspiração para a criação de outras posteriormente, no campo da microeconomia, como a análise do comportamento do consumidor (desejo de maximizar da utilidade/satisfação do consumo) e do comportamento do empresário (desejo de maximizar o lucro). A evolução da teoria microeconômica passou a considerar também res- trições de fatores de produção e orçamentárias nas decisões de consumo e produção, desenvolveu conceitos de receitas e custos marginais (Teoria Marginalista), bem como a Teoria Quantitativa da Moeda, que relaciona a quantidade de dinheiro aos níveis de atividade econômica e de preços. Dentre os teóricos neoclássicos, destaca-se Léon Walras, com sua Teoria Geral do Equilíbrio (dos preços), Willian Jevons, com a Teoria da Utilidade Marginal e Alfred Marshall, com a publicação do livroplanejamento da capacidade produtiva, não utilização de um sistema de informação, problemas nas entregas aos clientes e ausência de controle efetivo da produção. O estudo também evidencia a importância de implementar ferramentas adequadas para otimizar a gestão e a eficiência operacional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Influências da indústria 4.0 na produção por projetos: estudo de caso em uma indústria moleira Neste artigo, explore um estudo científico que aborda como as tecnologias da indústria 4.0 estão transformando os processos de fabricação de móveis sob medida. A pesquisa destaca a importância https://seer.ufrgs.br/index.php/ProdutoProducao/article/download/138458/92082/617069 de adotar ferramentas adequadas para melhorar a gestão e aumentar a eficiência operacional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://admpg.com.br/2024/anais/arquivos/07162024_090730_66966b2e0fa19.pdf Estudo das Elasticidades Apresentação A elasticidade é uma medida de sensibilidade que mede o quanto as alterações em uma variável afetam outra variável. Sabe-se que o comportamento dos preços afeta as decisões tanto de demanda pelos consumidores quanto de oferta pelos empresários. Assim, por exemplo, a elasticidade-preço da demanda indica em que medida a quantidade demandada de um bem reage (se altera) a mudanças em seu preço. Por sua vez, a elasticidade- preço da oferta indica de que forma a quantidade ofertada responde a alterações no preço do bem. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá a calcular a elasticidade-preço da demanda e a elasticidade-preço da oferta. Você também descobrirá como classificar a demanda e a oferta em elástica, inelástica ou unitariamente elástica. A partir dessa classificação, você poderá analisar a política de preço mais adequada ao empresário. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer e calcular a elasticidade-preço da demanda.• Determinar a elasticidade-preço da oferta.• Analisar a política de preço mais adequada ao empresário, conforme estudo da elasticidade.• Desafio Há grandes variações nos preços dos ingressos para assistir a uma partida de futebol. No início do campeonato, os assentos apresentam preços mais atrativos do que na final do campeonato. Isso ocorre devido à elasticidade dos preços. A teoria econômica estuda a elasticidade como o envolvimento entre duas variáveis, em que a primeira justifica a variação da segunda. Por exemplo, se o preço das passagens aéreas subir 20%, a intensidade da queda na demanda por passagens pode ser maior, menor ou igual a 20%. A elasticidade é importante para o estudo da microeconomia, pois auxilia na análise dos impactos individualizados. No verão, os consumidores desejam mais água de coco, pois o produto é considerado um isotônico natural. Se o preço da água de coco subir 50% em janeiro, o aumento na oferta do produto pode ser maior, menor ou igual a 50%. A elevação do preço estimula os produtores, mas não garante maior oferta, considerando o ciclo próprio de colheita do coco. A partir dessas considerações em relação à elasticidade dos preços, analise a seguinte situação: Você é analista econômico de um grande time de futebol e está procurando realizar previsões de receita futura. Elabore a seguinte análise em relação ao preço dos ingressos de futebol: a) Considerando a realidade do torcedor (demandante de ingressos), classifique a elasticidade-preço dos ingressos de futebol e justifique a classificação. b) Considerando a realidade do clube de futebol (ofertante de ingressos), classifique a elasticidade- preço da oferta de ingressos e argumente sobre a melhor estratégia de venda. Infográfico Tanto na elasticidade-preço da demanda quanto na elasticidade-preço da oferta, a variação percentual nos preços induz uma variação percentual nas quantidades. Se a variação percentual no preço for maior que a variação percentual nas quantidades, classifica- se a demanda ou a oferta como inelástica; se a variação percentual no preço for menor que a variação percentual nas quantidades, classifica-se a demanda ou a oferta como elástica. Se as variações percentuais forem iguais, classifica-se a demanda ou a oferta como unitariamente elástica. Neste Infográfico, você vai compreender como ocorre o comportamento da elasticidade nos eventos de oferta e demanda. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/02b0e86a-7eda-4f4b-aa04-b5b3ea09efbc/cab05a96-2506-44f3-a348-efc480a401a6.jpg Conteúdo do livro Analisar e discutir sobre como os preços são formados e como eles afetam as decisões de consumidores e empresários é um dos focos de estudo da microeconomia. Portanto, compreender como os preços se comportam é condição indispensável para todos os profissionais que atuam em empresas e necessitam considerar isso em seus processos de decisão. O grande desafio para os gestores é entender como as variáveis preço e demanda se comportam, pois são fatores que influenciam a venda de produtos, assim como a compra de matéria-prima para a produção de bens de consumo ou a compra de produtos acabados para serem comercializados. Dessa forma, é estratégico conhecer a elasticidade para a correta tomada de decisão. No capítulo Estudo das elasticidades, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai ver que a elasticidade e as suas tipologias constituem a área responsável por compreender o comportamento dos preços. Entre os focos de estudos da elasticidade, destaca-se a sensibilidade que determinados níveis de preços têm nos diferentes públicos de consumidores. Também é por meio da elasticidade que são estudados como os preços se comportam em diferentes taxas básicas de juros e como o consumo e o nível de investimentos são alterados por essa taxa. Boa leitura. ECONOMIA Daniele Fernandes da Silva Estudo das elasticidades Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer e calcular a elasticidade-preço da demanda. � Determinar a elasticidade-preço da oferta. � Analisar a política de preço mais adequada ao empresário, conforme estudo da elasticidade. Introdução Você já sabe que os comportamentos dos preços afetam as decisões tanto dos empresários quanto dos consumidores. Neste texto, você analisará a magnitude das variações de preço e o impacto delas sobre a política de preços dos empresários. Esse tipo de análise é classificada como estudo das elasticidades e tipologias. A elasticidade-preço da demanda O estudo da elasticidade pertence à subárea da microeconomia, pois está relacionado à sensibilidade de um produto em relação a variações no seu preço ou no salário do consumidor. Portanto, tem grande importância para as tomadas de decisões dos empresários em relação ao planejamento futuro. Na macroeconomia, o estudo das elasticidades também se revela muito importante. Ele é usado, por exemplo, para avaliar o impacto do aumento da taxa de juros básica sobre o consumo e os investimentos. Um dos principais conceitos é o da elasticidade-preço da demanda. Ela mede a sensibilidade da demanda de um bem X em relação a variações no seu preço, coeteris paribus (mantendo as demais variáveis constantes). Outra forma de medir a elasticidade-preço da demanda é em termos percentuais. Nesse caso, se revela qual é a variação percentual da demanda de um bem X em relação a uma alteração percentual no seu preço. Você pode representar isso da seguinte forma: Onde: Epd = Elasticidade (E) do preço (p) da demanda (d) Qd = Quantidade (Q) demandada (d) P = Preço De modo alternativo, a fórmula pode ser: Onde: Epd = Elasticidade (E) do preço (p) da demanda (d) ∆Q = Variação (∆) das quantidades (Q) demandadas do bem Q = Quantidadesdo bem ∆P = Variação (∆) do preço (P) do bem P = Preço Note que, na fórmula da elasticidade-preço da demanda, a correlação entre preço e quantidade demandada é inversa. Isso se dá pois, quando ocorre um aumento dos preços, a quantidade procurada de um bem diminui, e vice-versa. Desse modo, para evitar problemas com o sinal matemático em caso negativo, o valor da elasticidade pode ser colocado em módulo. Dependendo do tipo de produto, a variação na demanda pode ser maior ou menor, conforme as variações nos preços. Assim, surgem novos conceitos que você precisa conhecer: demanda elástica, demanda inelástica e demanda de elasticidade-preço unitária. Estudo das elasticidades2 A demanda elástica ocorre quando a quantidade demandada de um bem X é maior do que a alteração no seu preço: │Epd│ > 1 Ou, por exemplo: Epd = −1,5 Nesse caso, quando │Epd│ > 1, se refere a produtos que apresentam uma grande sensibilidade em relação ao preço. Quando este cai, a demanda aumenta mais que proporcionalmente. Contudo, quando o preço aumenta, a procura pelo produto cai consideravelmente. Segundo o exemplo, quando o preço cair em Y%, o aumento da demanda será 1,5 vezes Y%. São situações em que os empresários possuem pouco poder de barganha na sua política de preços, pois em casos de alterações positivas o impacto na demanda pode inclusive prejudicar os seus negócios. Com relação à demanda inelástica, ocorre quando modificações percen- tuais nos preços de determinados produtos levam a variações percentuais inferiores nas suas quantidades demandadas: │Epd│ 1 Ou, por exemplo: Epo = – 1,5 Nesse caso, quando Epo > 1, se refere a produtos que apresentam uma grande sensibilidade em relação ao preço. Quando este cai, a oferta cai mais que proporcionalmente. Contudo, quando o preço aumenta, a oferta se eleva consideravelmente. Segundo o exemplo, quando o preço cair em Y%, a queda na 5Estudo das elasticidades oferta será 1,5 vezes Y%. São casos em que os empresários são mais sensíveis às alterações nos preços, tanto quando forem positivas quanto quando forem negativas. Isso acontece pois um aumento na oferta representa maior receita quando os preços forem maiores. Contudo, quando os preços forem mais baixos, a disponibilidade em ofertar diminui, pois significa menos receita. Com relação à oferta inelástica, ocorre quando modificações percentuais nos preços de determinados produtos levam a variações percentuais inferiores nas suas quantidades ofertadas: │Epo│× 1,25 = 20%. Nesse caso, trata-se de um produto altamente sensível a alterações no preço. Portanto, é possível dizer que se trata de um produto com demanda elástica. Desse modo, o aumento no preço desse bem não é uma boa decisão para o empresário, uma vez que a queda na procura é proporcionalmente maior do que o aumento do preço. Isso prejudica a entrada de recursos financeiros. De modo contrário, uma queda no preço do bem traz um resultado diferente e benéfico para o empresário. Isso pois, se tratando de um produto elástico, o aumento da demanda é proporcionalmente superior à queda no preço, bene-ficiando as receitas. Se o produto apresentasse inelasticidade de demanda, um aumento no seu preço resultaria apenas em aumento de receita. Isso pois a queda na procura seria propor- cionalmente inferior à elevação do seu valor. Já uma queda no preço traria prejuízo ao produtor, pois a demanda aumentaria proporcionalmente menos que essa redução de valor do produto. Caso o cachorro-quente apresentasse uma demanda com elasticidade unitária, seria indiferente uma alteração positiva ou negativa. Isso pois um aumento no preço reduziria a demanda na mesma proporção. Paralelamente, uma queda provocaria um aumento na procura exatamente na mesma proporção, não afetando a receita do produtor. Agora, quanto ao vendedor, ou seja, à oferta, a relação entre preço e quan- tidade ofertada é direta. Ela traz resultados diferentes, como você pode ver no exemplo a seguir, que considera a mesma barraca de cachorro-quente apresentada anteriormente. P0 = Preço inicial = R$ 10,00 P1 = Preço final = R$ 12,00 Q0 = Quantidade ofertada ao preço P0 = 20 Estudo das elasticidades8 Q1 = Quantidade ofertada ao preço P1 = 30 Primeiro passo: calcular a variação percentual do preço. Segundo passo: calcular a variação percentual da quantidade ofertada. Terceiro passo: calcular o valor da elasticidade-preço da oferta. Como você pode perceber, esse resultado revela que um aumento de 20% no preço do cachorro-quente eleva a quantidade ofertada em 2,5 vezes, ou seja, 20% × 2,5 = 50%. Trata-se de um produto que apresenta elasticidade na oferta, já que é altamente sensível a alterações no preço. Portanto, quanto mais elevado o valor do bem, maior é a receita do empresário, por isso a sua maior disponibilidade em ofertá-lo no mercado. De modo contrário, uma queda no preço do cachorro-quente significaria queda nas receitas, por isso a oferta diminuiria em uma proporção superior. 9Estudo das elasticidades VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. Leitura recomendada 11Estudo das elasticidades Dica do professor O estudo da elasticidade é a área da microeconomia que se dedica a entender como ocorre o comportamento de consumo de empresas e consumidores de acordo com os diferentes níveis de preços. Esse estudo auxilia a organização a prever a demanda futura de seus produtos ou bens a serem comercializados ou produzidos em relação ao preço demandado. É importante destacar que a elasticidade se classifica como elasticidade-preço da demanda, elasticidade-preço da oferta, elasticidade-renda da demanda e, por fim, elasticidade-preço cruzada da demanda. Conhecer a variação de preços e seus impactos no consumo auxilia empresas e profissionais a entenderem como o mercado pode reagir à precificação de um produto ou serviço. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer todas as características da elasticidade bem como os conceitos que envolvem o tema. Você vai observar como a elasticidade-preço da demanda, a elasticidade-preço da oferta e a elasticidade-renda da demanda atuam no ambiente macroeconômico. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/1cbfee1630e50a9279677e7b158e6c47 Exercícios 1) Sabe-se que a elasticidade pode ser utilizada como um dos instrumentos de política de preço pelas empresas. Desse modo, a elasticidade-preço da demanda (Epd) guarda uma relação com o faturamento da empresa (receita total). Com base nisso, assinale a alternativa correta: A) Se a demanda do bem em questão for inelástica, a queda no preço desse bem induzirá aumento na receita, mantendo as demais variáveis constantes. B) Se a demanda do bem em questão for elástica, a queda no preço desse bem induzirá aumento na receita, mantendo as demais variáveis constantes. C) Se a demanda do bem em questão for inelástica, a queda no preço desse bem induzirá aumentos proporcionais na quantidade demandada do bem e não alterará a receita do vendedor, mantendo as demais variáveis constantes. D) A receita total do vendedor nunca aumentará, pois a Epd será sempre negativa. E) O preço do bem e a receita de venda da empresa guardam relação direta quando a Epd for elástica. 2) Sabe-se que a elasticidade-preço da demanda de um bem é um importante indicador para a empresa decidir sobre a política de preço mais adequada, em determinado momento. Sendo assim, assinale a alternativa correta sobre a Epd: A) Se o preço de um bem variar 100% e a quantidade demandada cair 60%, concluímos que a demanda é elástica. B) A elasticidade-preço da demanda de caviar é elevada. C) A elasticidade-preço da demanda de produtos de vestuário para as classes econômicas mais baixas é geralmente elevada. D) Produtos com elasticidade unitária indica a possibilidade de o vendedor sempre aumentar os seus preços. E) A energia elétrica pode ser considerada um bem de demanda elástica, já que a disponibilidade na sociedade ocorre 24 horas por dia. 3) Na ilha de IAPE, o sal é um produto sem substitutos próximos. Devido a sua escassez, é tratado pelos habitantes como um bem de luxo. Em um inverno rigoroso, o aumento de preço do produto, em 40%, provocou a queda de 20% na quantidade demandada. A partir do caso apresentado, qual é a classificação da elasticidade correta para a demanda de sal? A) Totalmente inelástica. B) Inelástica. C) Infinitamente elástica. D) Unitariamente elástica. E) Elástica. 4) A Fazenda Renascer divide a sua área produtiva para o plantio das seguintes leguminosas: soja, feijão e ervilha. Na última safra, mediu-se a elasticidade-preço da oferta desses produtos observando-se os seguintes resultados, respectivamente: 0,74; 1,1 e 1,5. Desse modo, é correto afirmar o seguinte: A) A variação nas quantidades ofertadas de ervilha ocorre 1,5% a mais que a variação nos preços. B) O feijão possui a elasticidade-preço da oferta unitariamente elástica. C) Sendo a soja uma leguminosa com curva de oferta inelástica, será sempre vantagem, para o fazendeiro, aumentar os preços desse produto. D) A curva de oferta de soja é inelástica, sobretudo em decorrência da impossibilidade de ampliar áreas produtivas para o produto e da limitação da produtividade no plantio. E) A elasticidade-preço da oferta dos produtos indica que o plantio de ervilha pode ser sacrificado para se produzir mais soja. Certa vez, os produtores de trigo no sul da Rússia encararam uma situação inusitada. A escassez do produto no mercado internacional elevou seu preço na ordem de 100%. Entretanto a produtividade do cultivo respondeu passivamente à oportunidade de mercado e ampliou-se em apenas 25%. 5) Com base no caso apresentado, é possível afirmar que a oferta em relação ao preço será a seguinte: A) Totalmente inelástica. B) Inelástica. C) Infinitamente elástica. D) Unitariamente elástica. E) Elástica. Na prática O entendimento sobre a elasticidade é fundamental para a tomada de decisões financeiras. Isso se justifica pelo custo financeiro das variações de preço e demanda, que refletem no resultado operacional das organizações. Neste Na Prática, você vai compreender como a elasticidade afeta o mercado de transporte aéreo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/28c48775-ddbf-4611-affb-6e93e25544f9/2849975d-4652-4f57-b1b3-21d8e638f9b5.jpgSaiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Estratégias de precificação para empresas com poder de mercado Leia o capítulo 11 do livro Economia de empresas e estratégias de negócios, de Michael R. Baye (p. 427-429), para saber mais sobre a elasticidade da demanda e sobre fatores que influenciam o fato de a demanda por um produto ser elástica ou inelástica. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Concorrentes e concorrência No capítulo 8 de A economia da estratégia (p. 217-220), você vai aprender a elasticidade-preço cruzada da demanda de um produto em relação a outro, a qual pode ser utilizada para a identificação de concorrentes. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Oferta e demanda: elasticidade e aplicações Leia o capítulo 4 do livro Economia, de Samuelson e Nordhaus (p. 61-65), para mais exemplos e aplicações da elasticidade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!Princípios de econo- mia, em 1890. Este último, utilizava métodos matemáticos para investigação e explicação dos fenômenos econômicos, introduziu o fator tempo para a análise do valor e incluiu as necessidades humanas diversas para o valor de uma mercadoria (utilidade marginal). Era Keynesiana Na década de 1920, a Teoria Econômica apresentou uma nova fase, a Era Keyne- siana. A teoria Keynesiana surgiu a partir da publicação do livro Teoria geral do emprego, dos juros e da moeda, de John Maynard Keynes, em 1936. O motivo 7Princípios básicos da economia Economia_U1_C01.indd 7 25/07/2017 18:21:51 dessa mudança na evolução do pensamento econômico foi a Grande Depressão (1930), que devastava a economia mundial. A causa dessa turbulência foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, provocando alto nível de desemprego nos Estados Unidos e na Europa. Criticou-se, então, a realidade econômica dos prin- cipais países, pois a Teoria Econômica, até então vigente, defendia o autoequilíbrio, enquanto essa crise estava levando um tempo signifi cativo para se fi nalizar. Foi, portanto, a publicação de Keynes que revelou algumas combinações de políticas econômicas que seriam a solução para tirar o mundo daquele contexto econômico. Para Keynes, um dos fatores responsáveis pelo volume de emprego é o nível de produção nacional de uma economia, determinado pela demanda agregada ou efetiva de bens e serviços. Assim, torna-se necessária a intervenção do Estado por meio de políticas expansionistas (aumento de gastos públicos, redução de tributos e da taxa de juros da economia), ou seja, não existem forças autorregulatórias. A recuperação das economias se deu após a implementação dessas políticas, resultando no fim da crença no laissez-faire, de Adam Smith. Após esse período novas abordagens e teorias econômicas foram criadas, inspiradas nas diversas citadas ao longo desse tópico. Entre as principais questões tratadas nesses estudos e que são levantadas até os dias atuais está o nível de intervenção do Estado nas economias, sem que alguma conclusão concreta se tenha chegado. Funções do Estado As ações do Estado na economia e na sociedade têm como principal objetivo a promoção do bem-estar da população. Nesse sentido, torna-se importante o papel do direito no estabelecimento de normas que regulam as relações entre os indivíduos e grupos, bem como entre governos, indivíduos e organizações internacionais. A evolução e o surgimento da sociedade civil exigiram a promoção e a ampliação dos direitos naturais do homem à vida, à liberdade e à propriedade. No Brasil, as normas constitucionais foram criadas, com base nesses princípios, visando promover o bem-estar geral da sociedade. Essas normas encontram-se na Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988). Você pode notar a forte presença do direito nos assuntos econômicos, po- dendo ainda observar tal relação ao analisar os princípios gerais da atividade econômica, da política urbana, agrícola e fundiária, o Sistema Financeiro Nacional e as políticas monetárias de crédito, cambial e de comércio exterior. Além da intervenção do governo na promoção do bem-estar da sociedade, existem preocupações em outras esferas que têm tomado cada vez mais espaço Princípios básicos da economia8 Economia_U1_C01.indd 8 25/07/2017 18:21:52 no meio político e jurídico, que são a criação de normas jurídicas de proteção a natureza, em relação à fauna, à flora e aos mananciais, assim como ao meio ambiente de modo geral. O Protocolo de Quioto e a regulamentação do mer- cado de carbono são exemplos dessas questões. Outras normas, com relação à ação negativa do homem em quanto ao meio ambiente podem ser lembradas, como as punições fiscais a empresas que não realizam de forma adequada e sustentável o descarte de material tóxico na natureza. De modo geral, o intuito das normas jurídicas é regular as atividades econômicas, no sentido de tornar os mercados mais eficientes (função alocativa), e buscar melhor qualidade de vida para a população como um todo (função distributiva). Assim, temos as funções básicas do governo na economia e na sociedade, que são: a função alocativa, a função distributiva e a função estabilizadora. Função alocativa A função alocativa está relacionada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. Esses bens são chamados de bens públicos, que têm como principal característica a não exclusão de alguns indivíduos de seu consumo, ou seja, qualquer indivíduo tem o direito de usufruir deles, mesmo que não tenha realizado contribuição fi nanceira para sua criação. Ninguém pode ter qualquer vantagem sobre o outro na utilização desse bem, que é de direito de todos. O princípio da exclusão está relacionado, por exemplo, a um indivíduo A que adquire um bem com o seu dinheiro e tem o direito de consumi-lo quando e onde quiser, ao passo que um indivíduo B, que não pagou pelo mesmo bem, não tem o mesmo direito de consumi-lo, ou seja, é excluído desse consumo. Nesse caso, o consumo de um bem é considerado rival (ou de consumo excludente), pois o consumo realizado por um agente exclui automaticamente o consumo por outros indivíduos (o consumo de um shop, por exemplo). Já o consumo de um bem não rival (ou que não satisfaz o princípio da exclusão) acontece quando o consumo de um bem por um indivíduo não diminui a quantidade a ser consumida pelos demais. Um poste de luz em uma via pública é um exemplo de bem de consumo não rival. 9Princípios básicos da economia Economia_U1_C01.indd 9 25/07/2017 18:21:52 Função distributiva A função distributiva está relacionada ao governo atuando como um agente redistribuidor de renda, veja alguns exemplos dessa ação: n Aplicação de uma política fiscal de tributos, utilizando a regra do imposto de renda progressivo, em que a alíquota cresce na medida em que o salário aumenta (até chegar a um teto). Isto representa a retirada de recursos dos segmentos mais ricos da sociedade (pessoas, setores, regiões), transferindo-os para os segmentos menos favorecidos, por meio de políticas sociais. n No caso brasileiro, o estabelecimento de determinados impostos em níveis inferiores em estados com menor desenvolvimento econômico, atraindo investidores para essas regiões e criando empregos e renda. Ainda pode ocorrer por meio da combinação de impostos sobre pro- dutos adquiridos por pessoas mais ricas, com subsídios para produtos adquiridos por consumidores de baixa renda. n Na redistribuição setorial ou regional por meio de uma política de gastos públicos e subsídios para os segmentos menos favorecidos. Função estabilizadora A função estabilizadora compreende a intervenção do Estado na economia, por meio de medidas fi scais e monetárias que infl uenciem o comportamento dos preços e emprego, pois são variáveis importantes para o crescimento econômico e que não adquirem estabilidade de forma automática. Por exemplo, em uma economia com a inflação mais elevada do que os níveis desejados pelo governo, este pode intervir aumentando a taxa de juros básica da economia, sinalizando para as instituições financeiras que sigam esse comportamento, de modo a encarecer os empréstimos para as famílias e empresas com o intui de reduzir o consumo e os investimentos, assim como a sua pressão sobre o nível geral de preços. O objetivo, neste caso, é um nível inflacionário mais baixo. Crescimento da participação do setor público na economia A partir do início do século XX, após a Grande Depressão de 1929, os go- vernos, de modo geral, passam a regular com maior intensidade a atividade Princípios básicos da economia10 Economia_U1_C01.indd 10 25/07/2017 18:21:52 econômica de seus países. Passou a ser colocado em dúvida o papel da “mão invisível” de Adam Smith, na condução dos mercados ao seu ponto de equi- líbrio, resolvendo os problemas fundamentais da economia: O que e quanto? Como? E para quem produzir? O governodeixou de desempenhar as suas funções tradicionais, como a justiça e a segurança, para realizar a oferta de bens públicos, como a ele- tricidade, o saneamento, as rodovias, as ferrovias, os portos, entre outros, proporcionando, desse modo, melhores condições de infraestrutura para a atuação e o desenvolvimento das indústrias no mercado. Passou-se a observar uma crescente participação do Estado na produção nacio- nal e o aumento de leis que buscavam a regulamentação da atividade econômica. Além do acontecimento da Grande Depressão, que levou a chamada re- volução keynesiana, Vasconcellos e Garcia (2014) citam outros motivos que levaram a crescente intervenção do estado na economia: n As falhas de mercado (caracterizadas pelo poder de monopólios e oli- gopólios, as assimetrias de informações e as externalidades). n O desemprego. n O crescimento da renda per capita (que leva ao aumento da demanda por bens e serviços públicos, como o lazer, a educação superior, os serviços médicos, entre outros). n As mudanças tecnológicas (invenção do motor de combustão que aumen- tou a demanda por rodovias e infraestrutura, o que repercute também sobre o crescimento de outros setores da economia). n As mudanças populacionais (o aumento populacional leva a aumentos dos gastos do governo em educação, saúde e outros). n Os efeitos da guerra (aumentando a participação do Estado na economia). n Os fatores políticos e sociais (em que novos grupos sociais passam a ter maior presença política, demandando novos empreendimentos públicos). n Mudanças da Previdência Social (com o passar do tempo essa institui- ção passou a ser um instrumento de distribuição de renda, elevando a participação do Estado no mecanismo previdenciário). Além desses elementos, os autores citam que o desenvolvimento dos mer- cados financeiros e do comércio internacional, tornaram mais complexas as relações econômicas, adicionando elementos de incerteza e especulação (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014). Isso exigiu o alargamento das funções públicas do Estado, no sentido de promover a estabilidade econômica, o cres- cimento do produto e do bem-estar da população. 11Princípios básicos da economia Economia_U1_C01.indd 11 25/07/2017 18:21:52 1. No início do Pensamento Econômico, esta matéria fez parte da Filosofia, Moral e Ética. Mas, com o passar do tempo, foi se adaptando às necessidades e às novas realidades de cada país, formando cada vez mais o seu próprio corpo teórico. Foi na época dos descobrimentos, século XVI, o motor para as primeiras considerações propriamente econômicas. Com relação aos teóricos do Pensamento Econômico, marque a alternativa correta: a) A maior preocupação da Era Mercantilista era como fortalecer um país e acumular riquezas. b) Na era Clássica, o Estado deveria regular o mercado até este encontrar o seu nível de equilíbrio. c) Para os fisiocratas, é o acúmulo de materiais preciosos que gera a riqueza de uma nação. d) Através da especialização do trabalho, os funcionários perdem as suas capacidades de dinamismo e criatividade, prejudicando a produtividade e geração de lucro dos capitalistas. e) Uma das principais características do Mercantilismo foi a participação minimalista do Estado nas economias. 2. Agentes econômicos são todos os indivíduos, instituições ou conjunto de instituições que, através das suas decisões e ações, tomadas racionalmente, intervêm num circuito econômico. Com relação a quem são esses agentes econômicos e a relação entre os mesmos, marque a opção certa: a) O Estado toma decisões de consumo, de investimento e de política econômica. b) As instituições financeiras tomam decisões sobre o consumo de bens e serviços e de poupança mediante os rendimentos auferidos, assim como sobre a demanda por trabalho. c) As famílias tomam decisões sobre investimento, sobre produção e a oferta de trabalho. d) As empresas tomam decisões a respeito de seus serviços de intermediação financeira, tendo como contrapartida os juros e os prêmios (no caso dos seguros). e) O Estado toma as suas decisões acerca da troca de bens, serviços e capitais. 3. Na década de 1920, a teoria econômica apresentou uma nova fase, a “era Keynesiana”. A respeito desse período, marque a opção certa: a) A teoria Keynesiana surgiu a partir da publicação do livro “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, em 1936. b) O motivo da mudança de fase do pensamento econômico foi a Grande Depressão (1930), que devastava a economia mundial, que demorava para retornar ao equilíbrio. c) Para Keynes, um dos fatores responsáveis pelo volume de emprego é o excesso de oferta em uma economia, provocando sobreacumulação produtiva de bens e serviços Princípios básicos da economia12 Economia_U1_C01.indd 12 25/07/2017 18:21:52 e, consequentemente, crise. d) Para Keynes, torna-se necessária a intervenção do Estado, através de políticas contracionistas (redução de gastos públicos, aumento de tributos e da taxa de juros da economia), ou seja, não existem forças autorregulatórias. e) A recuperação das economias se deu após a eliminação da atuação do Estado na economia, corroborando o sucesso na crença do “laissez-faire” de seu antecessor, Adam Smith. 4. Com relação às funções econômicas do Estado, escolha a opção certa: a) A função estabilizadora está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. b) A função alocativa é quando o governo funciona como um agente redistribuidor de renda, na medida em que, por meio da tributação, retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade (pessoas, setores, regiões) e os transfere para os segmentos menos favorecidos. c) A função estabilizadora está relacionada à intervenção do Estado na economia, de modo a alterar o comportamento dos preços e dos empregos. d) A função alocativa está relacionada à intervenção do Estado na economia, de modo a alterar o comportamento dos preços e dos empregos. e) A função distributiva está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. 5. Para que o Estado possa cumprir suas funções com a sociedade, precisa arrecadar recursos e a principal fonte de arrecadação é através dos tributos. Com relação aos impostos que são recolhidos na economia brasileira, é correto afirmar que: a) O IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), o IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) são exemplos de impostos indiretos. b) Os impostos diretos incidem sobre as transações com mercadorias e serviços. c) Nos impostos indiretos, as empresas sempre arcam com o seu ônus. d) O ICMS – Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, o IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados e o ISS – Imposto Sobre a Prestação de Serviços são exemplos de impostos diretos. e) Os impostos diretos incidem sobre a renda e sobre o patrimônio. 13Princípios básicos da economia Economia_U1_C01.indd 13 25/07/2017 18:21:53 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF, 1988. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2017. FÉLIX, L. Platão: o mito do anel de Giges. Carta Forense, São Paulo, 02 jun. 2014. Dis- ponível em: . Acesso em: 05 jun. 2017. VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. Princípios básicos da economia14 Economia_U1_C01.indd 14 25/07/2017 18:21:54 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: Dica do professor Crescimento e desenvolvimento econômico não possuem o mesmosignificado. O crescimento econômico trata da mensuração quantitativa da atividade econômica ao longo do tempo (pode ser mensurada pelo crescimento do PIB). Pode-se ter crescimento sem desenvolvimento econômico. O crescimento com desenvolvimento econômico é uma avaliação qualitativa da evolução de uma economia. Trata da avaliação de se o crescimento econômico/geração de renda está sendo distribuído de forma adequada à sociedade, promovendo o seu bem-estar, e não apenas o aumento de renda (pode ser avaliado através do IDH, por exemplo). Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/101837ffc83ba6b80d55a340a4144424 Exercícios 1) No início do Pensamento Econômico, esta matéria fez parte da Filosofia, Moral e Ética. Mas, com o passar do tempo, foi se adaptando às necessidades e às novas realidades de cada país, formando cada vez mais o seu próprio corpo teórico. Foi na época dos descobrimentos, século XVI, o motor para as primeiras considerações propriamente econômicas. Com relação aos teóricos do Pensamento Econômico, marque a alternativa correta: A) A maior preocupação da Era Mercantilista era como fortalecer um país e acumular riquezas. B) Na era Clássica, o Estado deveria regular o mercado até este encontrar o seu nível de equilíbrio. C) Para os fisiocratas, é o acúmulo de materiais preciosos que gera a riqueza de uma nação. D) Através da especialização do trabalho, os funcionários perdem as suas capacidades de dinamismo e criatividade, prejudicando a produtividade e geração de lucro dos capitalistas. E) Uma das principais características do Mercantilismo foi a participação minimalista do Estado nas economias. 2) Agentes econômicos são todos os indivíduos, instituições ou conjunto de instituições que, através das suas decisões e ações, tomadas racionalmente, intervêm num circuito econômico. Com relação a quem são esses agentes econômicos e a relação entre os mesmos, marque a opção certa: A) O Estado toma decisões de consumo, de investimento e de política econômica. B) As instituições financeiras tomam decisões sobre o consumo de bens e serviços e de poupança mediante os rendimentos auferidos, assim como sobre a demanda por trabalho. C) As famílias tomam decisões sobre investimento, sobre produção e a oferta de trabalho. D) As empresas tomam decisões a respeito de seus serviços de intermediação financeira, tendo como contrapartida os juros e os prêmios (no caso dos seguros). E) O Estado toma as suas decisões acerca da troca de bens, serviços e capitais. 3) Na década de 1920, a teoria econômica apresentou uma nova fase, a “era Keynesiana”. A respeito desse período, marque a opção certa: A) A teoria Keynesiana surgiu a partir da publicação do livro "A Riqueza das Nações", de Adam Smith, em 1936. B) O motivo da mudança de fase do pensamento econômico foi a Grande Depressão (1930), que devastava a economia mundial, que demorava para retornar ao equilíbrio. C) Para Keynes, um dos fatores responsáveis pelo volume de emprego é o excesso de oferta em uma economia, provocando sobreacumulação produtiva de bens e serviços e, consequentemente, crise. D) Para Keynes, torna-se necessária a intervenção do Estado, através de políticas contracionistas (redução de gastos públicos, aumento de tributos e da taxa de juros da economia), ou seja, não existem forças autorregulatórias. E) A recuperação das economias se deu após a eliminação da atuação do Estado na economia, corroborando o sucesso na crença do “laissez-faire” de seu antecessor, Adam Smith. 4) Com relação às funções econômicas do Estado, escolha a opção certa: A) A função estabilizadora está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. B) A função alocativa é quando o governo funciona como um agente redistribuidor de renda, na medida em que, por meio da tributação, retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade (pessoas, setores, regiões) e os transfere para os segmentos menos favorecidos. C) A função estabilizadora está relacionada à intervenção do Estado na economia, de modo a alterar o comportamento dos preços e dos empregos. D) A função alocativa está relacionada à intervenção do Estado na economia, de modo a alterar o comportamento dos preços e dos empregos. E) A função distributiva está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. As afirmações abaixo se relacionam com qual área da economia: Macroeconomia ou Microeconomia? I - Analisa o comportamento das contas nacionais, como PIB e PNB. 5) II - Analisa como famílias tomam decisões de consumo e poupança. III - Analisa como firmas determinam os preços de seus produtos. IV - Analisa fenômenos que atingem toda a economia, como crescimento, inflação e desemprego. A) I - Macro II - Micro III - Macro IV - Macro B) I - Macro II - Micro III - Macro IV - Micro C) I - Micro II - Macro III - Macro IV - Micro D) I - Micro II - Macro III - Micro IV - Macro E) I - Macro II - Micro III - Micro IV - Macro Na prática Maria Eduarda é uma estudante de classe média alta, que vive em uma das cidades mais desenvolvidas do Brasil, São Caetano do Sul, no Estado de São Paulo. Sua qualidade de vida é relativamente superior à da maior parte dos brasileiros, pois ela tem acesso a bens e serviços de qualidade e ao lazer. Seus pais possuem um bom nível de renda, derivado de bons empregos, dado à suas boas formações acadêmicas. Veja: Esta situação é diferente da de muitos outros brasileiros que vivem em outras regiões e que pagam os mesmos recursos ao governo. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O mercado como ordem social em Adam Smith, Walras e Hayek Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Relembrando o 1929, o ano da quebra da Bolsa de Nova Iorque Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Mercantilismo Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.scielo.br/pdf/ecos/v21n1/06.pdf https://www.youtube.com/embed/bBLN8LU46tE?rel=0 http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/mercantilismo Mercados Apresentação Em seu conceito inicial, o mercado correspondia a certo lugar em que as transações eram realizadas. Na Idade Média, por exemplo, os mercados eram locais nos quais os comerciantes negociavam seus produtos com apoio dos nobres, que se beneficiavam com a arrecadação de tributos. Por tradição histórica, atualmente, qualquer cidade apresenta um mercado, lugar definido e edificado para o encontro de comerciantes e consumidores no qual as transações são efetuadas. Entretanto, esse conceito evoluiu. Economicamente, o mercado hoje existe em função de sua própria dinâmica: a relação vendedor e comprador no conhecido binômio oferta e demanda. Nesta Unidade de Aprendizagem, você compreenderá que essa relação não é tão simples nem tão óbvia quanto parece. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito econômico de mercado.• Definir as diferentes estruturas de mercado.• Analisar as imperfeições de mercado e as intervenções regulatórias.• Desafio Tomaz é um importante produtor de bens agrícolas, especialmente de soja. Sua fazenda tem capacidade para exportar uma boa parcela de sua produção. Já Samantha é proprietária de uma empresa voltada para pesquisa e desenvolvimento de materiais. Seu produto não possui substituto, devido a sua característica única e tecnicamente sofisticada. Ambos buscam vender seus produtos, mas Tomaz precisa praticar os preços observados no mercado para poder competir, ao passo que Samantha precisa se preocupar comoutros fatores (que não o preço) no processo de venda. Infográfico A concorrência perfeita, o oligopólio e o monopólio são caracterizados por algumas diferenças, entre elas: a quantidade de concorrentes, o domínio sobre o preço e a homogeneidade do produto. Acompanhe essa representação no infográfico a seguir. Conteúdo do livro Para entender a concorrência perfeita, leia o item Concorrência imperfeita selecionado a seguir; nele, você vai perceber o contraponto que há nesses dois cenários. Além disso, o trecho também aborda outros tipos de concorrência. O livro é Princípios da economia, base teórica desta Unidade de Aprendizagem. No Capítulo 9, leia até a Figura 9.1 da página 237. Boa leitura! RobeRt H . FRank ben S . beRnanke QuaRta ed ição economia PRincÍPioS de Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB 10/2052 F828p Frank, Robert H. Princípios de economia / Robert H. Frank, Ben S. Bernanke, Louis D. Johnston ; tradução: Heloisa Fontoura, Monica Stefani ; revisão técnica: Giácomo Balbinotto Neto, Ronald Otto Hillbrecht. – 4. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2012. xliv, 892 p. : il. ; 28 cm. ISBN 978-85-8055-096-2 1. Economia. I. Bernanke, Ben S. II. Johnston, Louis D. III. Título. CDU 330 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Após ler este capítulo, você conseguirá: 1. Definir concorrência imperfeita e descrever como ela se diferencia da con- corrência perfeita. 2. Definir poder de mercado e mostrar como isso afeta a curva de demanda da empresa. 3. Explicar como os custos iniciais afetam as economias de escala e o poder de mercado. 4. Entender e utilizar os conceitos de custo marginal e receita marginal para encontrar o nível de produção e de preço que maximize o lucro de um mo- nopolista. 5. Mostrar como o monopólio altera o excedente do consumidor, o excedente do produtor e o excedente econômico total relativo à concorrência perfeita. 6. Descrever a discriminação de preços e seus efeitos. 7. Discutir políticas públicas geralmente aplicadas aos monopólios naturais. Alguns anos atrás, os estudantes em todos os Estados Unidos ficaram obce- cados pelo jogo Magic. Para jogá-lo, você precisa de um baralho de Magic Cards, fornecido apenas pelos criadores do jogo. Diferentemente de outros jogos de cartas comuns, que podem ser comprados na maioria das lojas por apenas um ou dois dólares, um baralho de Magic Cards é vendido por mais de $10. E como os Magic Cards não têm um custo de produção maior que o de cartas normais, seus produtores obtêm um enorme lucro econômico. Em um mercado perfeitamente competitivo, os empreendedores enxerga- riam este lucro econômico como dinheiro na mesa. Isso faria com que ofereces- sem os Magic Cards a preços levemente inferiores, de modo que, enfim, os bara- lhos fossem vendidos por um valor próximo de seu custo de produção, como os jogos de cartas comuns. Entretanto, os Magic Cards estão no mercado há anos, e isso não aconteceu. A razão é que as cartas são protegidas por direitos autorais, o que significa que os criadores do jogo receberam do governo uma licença ex- clusiva para vendê-las. MONOPÓLIO, OLIGOPÓLIO E CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA CAPÍTULO 9 234 PARTE III IMPERFEIÇÕES DE MERCADO O proprietário de um direito autoral é o exemplo de uma empresa imperfeita- mente competitiva, ou formadora de preços, isto é, uma empresa com pelo menos alguma liberdade para estabelecer seu próprio preço. A empresa competitiva, ao con- trário, é uma tomadora de preços, ou seja, não tem influência sobre o preço de seu produto. Neste capítulo abordamos como os mercados atendidos por empresas imperfeita- mente competitivas diferem daqueles servidos por empresas perfeitamente competiti- vas. Uma diferença marcante é a capacidade da empresa imperfeitamente competitiva, sob certas circunstâncias, de cobrar mais do que seu custo de produção. Contudo, se o produtor dos Magic Cards pudesse cobrar o preço que desejasse, por que cobraria apenas $10? Por que não $100, ou até mesmo $1 mil? Veremos que, embora essa empresa possa ser a única vendedora de seu produto, sua liberdade de precificação está longe de ser absoluta. Também veremos como algumas empresas imperfeitamente competitivas conseguem obter lucro econômico, mesmo no longo prazo e sem prote- ções governamentais, como direitos autorais. Finalmente, analisaremos por que a mão invisível de Adam Smith não está em evidência em um mundo atendido por empresas imperfeitamente competitivas. CONCORRÊNCIA IMPERFEITA O mercado perfeitamente competitivo é um ideal; os mercados reais que encontramos na vida diária diferem desse ideal em graus variados. Os livros de economia em geral distinguem três tipos de estruturas de mercado imperfeitamente competitivas. As clas- sificações são um pouco arbitrárias, mas são bastante úteis na análise dos mercados do mundo real. DIFERENTES FORMAS DE CONCORRÊNCIA IMPERFEITA O monopólio puro está muito distante do ideal perfeitamente competitivo, um mer- cado no qual uma só empresa é a única vendedora de um produto único. O produtor de Magic Cards é um monopolista puro, assim como muitos fornecedores de energia elétrica. Se os moradores de Miami não comprarem sua eletricidade da Florida Power and Light Company, simplesmente ficarão sem eletricidade. No meio desses dois ex- tremos há diferentes tipos de concorrência imperfeita. Aqui vamos nos concentrar em dois deles: concorrência monopolística e oligopólio. Concorrência monopol íst ica Lembre-se do capítulo sobre oferta perfeitamente competitiva que, em uma indústria perfeitamente competitiva, muitas empresas normalmente vendem produtos que são basicamente substitutos perfeitos dos outros. Em contrapartida, a concorrência mono- polística é uma estrutura industrial na qual muitas empresas rivais vendem produtos parecidos, mas não são substitutos perfeitos. Os produtos rivais podem ser semelhan- tes em muitos aspectos, mas, aos olhos de alguns consumidores, sempre há ao menos alguma característica que diferencia um produto do outro. A concorrência monopo- lística tem em comum com a concorrência perfeita o fato de que não existem barreiras significativas que impeçam as empresas de entrar ou sair do mercado. Os postos de gasolina locais são um exemplo de uma indústria monopolistica- mente competitiva. A gasolina vendida por diferentes postos pode ser praticamente idêntica em termos químicos, mas a especial localização de um posto é uma carac- terística que importa para muitos consumidores. As lojas de conveniência são outro exemplo. Embora a maioria dos produtos encontrados nas prateleiras de qualquer loja seja também oferecida pela maioria das outras, as listas de produtos de diferentes lojas não são idênticas. Algumas alugam DVDs,por exemplo, e outras não. E ainda mais im- portante do que no caso dos postos de gasolina, a localização das lojas de conveniência é uma característica de diferenciação importante. Lembre-se de que se uma empresa perfeitamente competitiva cobrasse apenas um pouco mais do que o preço corrente de mercado para seu produto, ela nada venderia. empresa formadora de preço ou imperfeitamente competitiva companhia que tem, pelo menos, alguma liberdade para estabelecer seu próprio preço monopólio puro único fornecedor de um produto sem substituto próximo concorrência monopolística estrutura industrial na qual muitas empresas fabricam produtos levemente diferenciados que são substitutos próximos, mas não perfeitos Por que um baralho de Magic Cards é vendido por cerca de 10 vezes o preço dos baralhos comuns, embora não custe mais para ser produzido? 235CAPÍTULO 9 MONOPÓLIO, OLIGOPÓLIO E CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA A situação é diferente para a empresa monopolisticamente competitiva. O fato de que seu produto não é um substituto perfeito para os de suas rivais significa que ela pode cobrar um preço levemente superior e não perder todos os seus clientes. Entretanto, isso não significa que empresasmonopolisticamente competitivas vão obter lucros econômicos positivos no longo prazo. Ao contrário, uma vez que novas empresas podem entrar livremente no mercado, uma indústria monopolisticamente competitiva é igual a uma indústria perfeitamente competitiva neste quesito. Se as atuais empresas monopolisticamente competitivas estivessem obtendo lucros econô- micos positivos com os preços correntes, as novas empresas teriam um incentivo para entrar no setor. Haveria pressões negativas sobre os preços, pois um número maior de empresas competiria por um grupo limitado de potenciais consumidores.1 Contanto que se mantivessem os lucros econômicos positivos, a entrada continuaria e os preços cairiam ainda mais. Ao contrário, se as empresas em uma indústria monopolistica- mente competitiva estivessem inicialmente sofrendo perdas econômicas, algumas delas começariam a sair do setor. Contanto que se mantivessem as perdas econômicas, a saída e as consequentes pressões positivas sobre os preços continuariam. Assim, no equilíbrio de longo prazo, as empresas monopolisticamente competitivas são, neste as- pecto, essencialmente iguais às perfeitamente competitivas: todas esperam obter lucro econômico zero. Embora as empresas monopolisticamente competitivas tenham liberdade para variar os preços de seus produtos no curto prazo, a precificação não é a decisão es- tratégica mais importante que elas enfrentam. Uma questão muito mais importante é como diferenciar seus produtos daqueles das empresas rivais existentes. Um produto deve ser feito para se parecer o máximo possível com o produto de uma rival? Ou o objetivo é fazê-lo o mais diferente possível? Ou a empresa deve buscar algo no meio termo? Analisaremos essas questões no próximo capítulo, quando iremos nos concen- trar nesse tipo de tomada de decisões estratégicas. Oligopól io Entre a concorrência perfeita e o monopólio puro existe o oligopólio, uma estrutura na qual todo o mercado é atendido por um pequeno número de grandes empresas. Vantagens de custos associadas a grandes empresas são uma das principais razões para o monopólio puro, como analisaremos agora. Normalmente o oligopólio também é consequência das vantagens de custo que impossibilitam as pequenas empresas de competir efetivamente. Em alguns casos, os oligopolistas vendem produtos não diferenciados. No mer- cado de serviços de telefonia celular, por exemplo, os produtos da AT&T, da Verizon e da Sprint são totalmente idênticos. A indústria de cimento é outro exemplo de oligopó- lio que vende um produto absolutamente não diferenciado. Nesses casos, as decisões estratégicas mais importantes enfrentadas pelas empresas envolvem mais precificação e propaganda do que características específicas de seu produto. Discutiremos essas decisões no próximo capítulo. Em outros casos, como as indústrias automobilística e de tabaco, os oligopolistas são mais concorrentes monopolísticos do que monopolistas puros, no sentido de que as diferenças nas características de seus produtos têm um efeito significativo sobre a demanda do consumidor. Muitos antigos compradores da Ford, por exemplo, jamais poderiam pensar em comprar um Chevrolet, e poucos fumantes trocaram de Camel para Marlboro. Assim como os oligopolistas que fabricam produtos não diferencia- dos, a precificação e a propaganda são decisões estratégicas importantes nessas indús- trias, bem como as relacionadas às características específicas do produto. Uma vez que as vantagens de custo associadas a grandes companhias são normal- mente tão importantes nos oligopólios, não há possibilidade de que a entrada e a saída oligopólio estrutura industrial na qual um pequeno número de grandes empresas fabrica produtos que são substitutos próximos ou perfeitos 1 Veja Edward Chamberlin, The Theory of Monopolistic Competition (Cambridge, MA: Harvard University Press, first edition, 1933, 8th, 1962) and Joan Robinson, The Economics of Imperfect Competition (London: Macmillan, first edition, 1933, second edition, 1969). 236 PARTE III IMPERFEIÇÕES DE MERCADO levarão o lucro econômico para zero. Considere, por exemplo, um oligopólio atendido por duas empresas, cada uma delas obtendo lucro econômico. Uma nova empresa deve entrar nesse mercado? Possivelmente, mas também pode acontecer que uma terceira empresa, suficientemente grande para atingir as vantagens de custo das duas existen- tes, inunde efetivamente o mercado, baixando tanto os preços que as três sofreriam perdas econômicas. Não existe garantia, no entanto, de que um oligopolista obterá um lucro econômico positivo. Como veremos na próxima seção, a característica essencial que diferencia as em- presas imperfeitamente competitivas das perfeitamente competitivas é a mesma em cada um dos três casos. Assim, neste capítulo, usaremos o termo monopolista para nos referirmos a qualquer um dos três tipos de empresas imperfeitamente competitivas. No próximo capítulo, consideraremos mais detalhadamente as decisões estratégicas enfrentadas pelos oligopolistas e pelas empresas monopolisticamente competitivas. RECAPITULANDO CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA E OLIGOPÓLIO A concorrência monopolística é a estrutura industrial na qual um grande núme- ro de pequenas empresas oferecem produtos similares em muitos aspectos, mas que não são substitutos perfeitos aos olhos de alguns consumidores. As indústrias monopolisticamente competitivas se assemelham às indústrias perfeitamente com- petitivas, pois a entrada e a saída fazem os lucros econômicos tenderem a zero no longo prazo. O oligopólio é uma estrutura industrial na qual um pequeno número de gran- des empresas atende todo o mercado. Vantagens de custos associadas a operações de grande escala tendem a ser importantes. Os oligopolistas podem produzir tanto produtos padronizados quanto diferenciados. A PRINCIPAL DIFERENÇA ENTRE EMPRESAS PERFEITAMENTE E IMPERFEITAMENTE COMPETITIVAS Em cursos avançados de economia, os professores geralmente dão muita atenção à análise de diferenças sutis no comportamento de diversos tipos de empresas imperfei- tamente competitivas. Muito mais importante para nossos objetivos, no entanto, é fo- calizar a única característica comum que diferencia todas as empresas imperfeitamente competitivas de suas contrapartes perfeitamente competitivas: isto é, enquanto a em- presa perfeitamente competitiva se depara com uma curva de demanda perfeitamente elástica para seu produto, a empresa imperfeitamente competitiva se depara com uma curva de demanda com inclinação negativa. Na indústria perfeitamente competitiva, as curvas de oferta e de demanda cruzam-se para determinar o preço de equilíbrio de mercado. A esse preço, a em- presa perfeitamente competitiva pode vender quantas unidades desejar. Ela não tem incentivos para cobrar mais do que o preço de mercado, pois, se fizer isso, nada venderá. Nem possui incentivos para cobrar menos do que o preço de mercado, porque pode vender quantas unidades desejar ao preço de mercado. A curva de demanda da empresa perfeitamente competitiva será, portanto, uma linha horizontal no preço de mercado, como vimos nos Capítulos 6 e 8. Em contrapartida, se um posto de gasolina local – um concorrente imper- feito – cobrasse alguns centavos a mais do que seu rival por um litro de gaso- lina, alguns de seus clientes o abandonariam. Contudo, outros permaneceriam, talvez porque estejam dispostos a pagar um pouco mais para continuar abastecendo em um local mais conveniente. Assim, uma empresa imperfeitamente competitiva se depara com uma curva de demanda negativamente inclinada. A Figura 9.1 representa a dife- rença entre as curvas de demanda com que se deparam as companhias perfeitamente competitivas e as imperfeitamente competitivas. Se o posto Sunoco das ruas State e Meadow aumentasse seus preços em três centavos por litro, todos os seus clientes comprariam em outro posto? 237CAPÍTULO 9 MONOPÓLIO, OLIGOPÓLIO E CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICACINCO FONTES DE PODER DE MERCADO Diz-se que as empresas que se deparam com curvas de demanda negativamente incli- nadas desfrutam de poder de mercado, um termo que se refere à sua capacidade de es- tabelecer os preços de seus produtos. Um equívoco comum é pensar que uma empresa com poder de mercado pode vender qualquer quantidade ao preço que desejar. Ela não pode. Tudo o que ela pode fazer é estabelecer uma combinação preço-quantidade ao longo de sua curva de demanda. Se a empresa optar por aumentar seu preço, deve se preparar para vendas reduzidas. Por que algumas empresas têm poder de mercado enquanto outras não? Como o poder de mercado muitas vezes traz consigo a capacidade de cobrar um preço acima do custo de produção, esse poder tende a surgir de fatores que limitam a competição. Na prática, os cinco fatores que conferem esse poder são: controle exclusivo sobre in- sumos, patentes e direitos autorais, licenças governamentais ou franquias, economias de escala e economias de rede. CONTROLE EXCLUSIVO SOBRE INSUMOS IMPORTANTES Se uma única empresa controla um insumo essencial à produção de um determinado produto, esta terá poder de mercado. Por exemplo, à medida que alguns inquilinos estão dispostos a pagar um prêmio por um espaço de escritório no prédio mais alto da cidade de Chicaco, nos Estados Unidos, o Willis Tower, o proprietário desse prédio possui poder de mercado. PATENTES E DIREITOS AUTORAIS As patentes dão aos inventores ou desenvolvedores de novos produtos o direito exclu- sivo de vender esses produtos por um determinado período de tempo. Ao isolar esses vendedores da concorrência por algum tempo, as patentes permitem que os inovadores cobrem preços mais altos para recuperar seus custos de desenvolvimento do produto. As companhias farmacêuticas, por exemplo, gastam milhões de dólares em pesquisa, na expectativa de descobrir novos remédios para doenças graves. Os remédios que elas descobrem ficam isolados da concorrência por um intervalo de tempo – atualmente 20 anos, nos Estados Unidos – por meio de patentes governamentais. Durante a vida da pa- tente, apenas seu proprietário pode vender o remédio legalmente. Esta proteção permite que o detentor da patente estabeleça um preço acima do custo marginal de produção para recuperar o custo de pesquisa do remédio. Da mesma forma, os direitos autorais protegem os autores de filmes, software, músicas, livros e outros trabalhos publicados. LICENÇAS GOVERNAMENTAIS OU FRANQUIAS A Yosemite Concession Services Corporation possui uma licença exclusiva do governo norte-americano para operar as atividades de alojamento e concessão no Yosemite poder de mercado capacidade da empresa de aumentar o preço de um bem sem perder todas as suas vendas $/ un id ad e de p ro du çã o Empresa perfeitamente competitiva P re ço Quantidade (b) D 0Quantidade (a) Preço de mercado D 0 Empresa imperfeitamente competitiva Figura 9.1 As curvas de demanda com que se deparam empresas perfeitamente e imperfeitamente competitivas. (a) A curva de demanda com que se depara uma empresa perfeitamente competitiva é perfeitamente elástica no preço de mercado. (b) A curva de demanda com que se depara uma empresa imperfeitamente competitiva é negativamente inclinada. Dica do professor Na Dica do professor, você vai observar como o conceito de mercado da época do escambo se transformou no que chamamos hoje de oferta-procura. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/c3b2919009e1d962dfe36236e23783a7 Exercícios 1) Você consulta um médico e necessita comprar certo medicamento prescrito para seu problema. Após pesquisar em diversas farmácias, você percebe que todas apenas disponibilizam uma marca comercial e com preços iguais. Considerando as estruturas de mercado, estamos tratando de quê? A) Concorrência perfeita. B) Concorrência monopolística. C) Concorrência oligopolística. D) Podem-se considerar todas as estruturas em conjunto. E) O que está descrito no enunciado não se trata de uma estrutura de mercado. 2) Em determinado dia, você decide almoçar cachorro-quente. Uma busca rápida pela Internet indica que você possui cinco diferentes alternativas em seu bairro. Todos os estabelecimentos possuem o mesmo produto e praticam os mesmos preços, o que facilita sua escolha. Considerando essa situação hipotética, você pode concluir que se trata de um mercado: A) Oligopolizado com alta competitividade entre os estabelecimentos. B) Monopolizado com alta competitividade entre os estabelecimentos. C) Concorrência perfeita com alta competitividade entre os estabelecimentos. D) Concorrência perfeita com baixa competitividade entre os estabelecimentos. E) Oligopolizado com baixa competitividade entre os estabelecimentos. Sua mãe, há algum tempo, cogita a contratação de serviço de televisão por assinatura e pede para você efetuar as pesquisas de mercado para a tomada de decisão. Você argumenta que vai optar pela empresa que oferecer a melhor relação custo-benefício. Após algum tempo de pesquisa, você percebe que existem apenas três prestadoras disponíveis e que todas oferecem um determinado pacote, no qual incluem outros serviços além do que foi solicitado por sua mãe. 3) Considerando que sua mãe gostaria de contratar apenas os serviços de TV a cabo, claramente existe um modelo de produto que é padronizado no mercado, porém, oferecido por poucas empresas. Estamos falando, afinal, de qual estrutura de mercado? A) Concorrência perfeita. B) Concorrência monopolística. C) Podem-se considerar todas as estruturas em conjunto. D) Concorrência oligopolística. E) O cenário exposto é de crise econômica, por isso não define uma estrutura econômica tradicional. 4) Os mercados podem ser, efetivamente, instrumentos de organização da economia. Embora as diferentes estruturas não sejam igualmente eficientes do ponto de vista social, outros mecanismos de organização da economia não produziram resultados equivalentes ao que a moderna economia conseguiu por meio do mercado. Afinal, o que significa mercado? A) O mercado é um lugar determinado em que os agentes econômicos realizam suas transações. B) Mercado diz respeito ao local em que um grupo de consumidores se dirige com intuito de adquirir deterinado bem ou serviço. C) Mercado refere-se ao bem ou ao serviço oferecido para determinado público que possui certa necessidade de consumo. D) É o local em que a empresa busca a maximização de seu lucro otimizando os recursos que dispõe. E) Mercado: constante tensão ou interação entre compradores e vendedores de determinado bem ou serviço, podendo apresentar diversas formas estruturais. 5) Quando nos referimos a uma concorrência por preços, mercado rivalizado e com poucos produtores e empresas com total controle sobre seus preços, estamos falando, respectivamente, de quê? A) Concorrência oligopolística, concorrência monopolística e concorrência perfeita. B) Concorrência perfeita, concorrência oligopolística e concorrência monopolística. C) Concorrência monopolística, concorrência oligopolística e concorrência perfeita. D) Concorrência oligopolística, concorrência, concorrência perfeita e concorrência oligopolística. E) Todas são características de uma mesma estrutura de mercado. Na prática Podemos identificar as estruturas de mercado em muitas situações. A trajetória do Doutor Alexandre Fialho é uma delas: Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Estruturas de mercado: concorrência perfeita, monopólio e oligopólio Veja o vídeo no link a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Qualidade, estrutura de mercado e mudança tecnológica Leia o artigo no link a seguir. Aponte a câmera para o código e acesseo link do conteúdo ou clique no código para acessar. O que é economia? Veja o vídeo no link a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Microeconomia e comportamento Leia o livro no link a seguir. https://www.youtube.com/embed/4je7_3n9wP0 https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901990000300004&lng=pt&tlng=pt https://www.youtube.com/embed/kxOvtIpnqA4 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Introdução à economia do meio ambiente Leia o livro no link a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Noções de Microeconomia Apresentação Seja bem-vindo! A Microeconomia é o ramo da Economia que foca o comportamento das unidades individuais, tais como os consumidores, as empresas, os proprietários de fatores de produção e os governos. Basicamente, a teoria microeconômica tem dois lados analíticos: o da demanda e o da oferta. Enquanto o comportamento microeconômico da demanda é analisado a partir da Teoria do Consumidor, o comportamento da oferta é estudado a partir da Teoria da Firma e da Teoria dos Mercados. Em todos os casos, a Microeconomia apresenta uma perspectiva microscópica dos fenômenos econômicos, ou seja, uma análise parcial destes. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer o objeto de estudo da Microeconomia, além de compreender o que é o comportamento da demanda e da oferta. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o objeto de estudo da Microeconomia.• Analisar o comportamento da demanda: a Teoria do Consumidor.• Identificar o comportamento da oferta: a Teoria da Firma e as estruturas de mercado.• Desafio A Microeconomia dedica-se ao estudo dos tipos de estruturas de mercado. Em outras palavras, centra-se na maneira como os mercados se estruturam, do ponto de vista econômico. O desafio desta Unidade de Aprendizagem colocará você dentro dessas estruturas, entre as formas como os negócios/firmas operam em seus diferentes mercados competitivos. A partir disso, observe as imagens a seguir e identifique as diferenças entre os tipos de estruturas de mercado, apontando suas principais características. Infográfico Na teoria microeconômica, observa-se que o consumidor se comporta de maneira diferente frente às variações de preços e de renda. Acompanhe, no Infográfico a seguir, como se dá o comportamento da demanda diante dessas variações. Confira, também, os tipos de bens que surgem dessa análise. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b7b606ba-cee8-40c0-b15e-7f71339f1952/c42b84da-fa61-44a9-97ee-db18a0a8d527.jpg Conteúdo do livro A Microeconomia ocupa-se da forma como as unidades individuais que compõem a economia agem e reagem umas sobre as outras. É importante notar que, antes do início do século XX, a Economia era uma ciência exclusivamente microeconômica. Nesse sentido, as análises microeconômicas são, essencialmente, dedutivas/teóricas, estático-comparativas e positivistas. Fundamentalmente, a teoria microeconômica se assenta em dois grandes grupos: compradores (demandantes) e vendedores (ofertantes). Na demanda, a Microeconomia utiliza a Teoria do Consumidor para entender as preferências e os limites da escolha. Já na oferta, a teoria microeconômica utiliza tanto a Teoria da Firma para entender a produção, os custos e o lucro das unidades produtoras, como a teoria dos mercados para compreender como acontecem as diferentes concorrências nos mercados capitalistas. No capítulo Noções de Microeconomia, da obra Economia Política, que serve como base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender melhor o objeto de estudo da Microeconomia, além de identificar os comportamentos da demanda e da oferta. Boa leitura. ECONOMIA POLÍTICA Filipe Prado Macedo da Silva Noções de microeconomia Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o objeto de estudo da microeconomia. Analisar o comportamento da demanda: a teoria do consumidor. Analisar o comportamento da oferta: a teoria da firma e as estruturas de mercado. Introdução A microeconomia é o ramo da economia que se concentra no compor- tamento das unidades individuais, como os consumidores, as empresas, os proprietários de fatores de produção e os governos. Basicamente, a teoria microeconômica tem dois lados analíticos: o da demanda e o da oferta. Enquanto o comportamento microeconômico da demanda é analisado a partir da teoria do consumidor, o comportamento da oferta é estudado a partir da teoria da firma e da teoria dos mercados. Em todos os casos, a microeconomia apresenta uma perspectiva microscópica dos fenômenos econômicos, ou seja, uma análise parcial deles. Neste capítulo, você vai conhecer o objeto de estudo da microe- conomia. Além disso, vai compreender o que é o comportamento da demanda e o que é o comportamento da oferta. Objeto de estudo da microeconomia A microeconomia é o ramo da economia que estuda o comportamento das unidades individuais, como os consumidores, as empresas, os proprietários de fatores de produção e os governos. Em outras palavras, a microeconomia se ocupa da forma como as unidades individuais que compõem a economia — consumidores privados, empresas, trabalhadores, produtores de bens e serviços, etc. — agem e reagem umas sobre as outras (SANDRONI, 2005). C06_Nocoes_microeconomia.indd 1 13/03/2018 15:10:42 Assim, a microeconomia se preocupa em estudar como e por que os agentes econômicos capitalistas agem de determinadas formas. Entre inúmeras per- guntas, a microeconomia procura respostas para as seguintes questões: o que determina o preço dos bens e serviços em uma economia? O que determina o quanto de cada mercadoria será produzido? O que determina a maneira pela qual uma família gasta a sua renda? Para Vasconcellos (2009), deve ser observado que a microeconomia não tem seu foco na empresa, portanto não deve ser confundida com a administração. O foco da microeconomia está no mercado no qual as em- presas e os consumidores interagem, analisando os fatores econômicos que determinam tanto o comportamento da demanda quanto o da oferta. Logo, a microeconomia apresenta uma perspectiva “microscópica” dos fenômenos econômicos, ou seja, uma análise parcial desses fenômenos. Enquanto a microeconomia se preocupa mais com uma análise parcial, a macroeconomia foca nos grandes agregados econômicos dentro de uma análise global. É importante você notar que, antes do início do século XX, a economia era uma ciência exclusivamente microeconômica (SANDRONI, 2005). A divisão da economia em dois grandes ramos — microeconomia e macroeconomia — apareceu no início da década de 1930. Apesar de es- ses dois grandes ramos da economia caminharem por canais distintos, a separação é muito frágil. Afinal, os fenômenos econômicos requerem o inter-relacionamento das teorias que se inserem em ambos os ramos. Fundamentalmente, a análise microeconômica pode ser dividida em cinco grandes categorias: 1. a teoria da demanda/procura; 2. a teoria da oferta; 3. a análise das estruturas de mercado; 4. a teoria do equilíbrio geral e do bem-estar; 5. as imperfeições de mercado (as externalidades, os bens públicos e as informações assimétricas). Dentro da teoria da demanda/procura aparecem: a) a teoria do consumidor (que é a demanda individual); b) a demanda de mercado. Noções de microeconomia2 C06_Nocoes_microeconomia.indd 2 13/03/2018 15:10:42 Já na teoria da oferta surgem: a) a oferta individual — com a teoria da produção e a teoria dos custos da produção; b) a oferta de mercado. E, por fim, na análise das estruturas de mercado há: a) a análise do mercado de bens e serviços; b) a análise do mercado de insumos e de fatores de produção (dê