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26 JUSTIFICATIVA: Pessoas de todas as idades e grupos socioeconômicos podem sofrer lesão por queimadura. O método mais comumente empregado para estimar a extensão das queimaduras em adultos é a regra dos nove. Esse sistema baseia-se na divisão do corpo em regiões anatômicas, representando, cada uma delas, aproximadamente 9% da Area de Superfície Corporal Total (ASCT) o que possibilita o profissional obter rapidamente uma estimativa. Se uma parte de determinada área anatômica estiver queimada, calcula-se a ASCT de acordo – por exemplo, se aproximadamente metade da parte anterior do braço estiver queimada, a ASCT deve ser de 4,5%. As lesões por queimaduras constituem algumas das lesões traumáticas mais graves sofridas, visto que a lesão inicial pode evoluir e agravar-se com o passar do tempo. A evolução clínica das queimaduras depende da agressão inicial e dos fatores ambientais e de tratamento subsequentes. A lesão por queimadura é a consequência de lesão química ou transferência de calor de um local para outro, causando destruição tecidual por meio de coagulação, desnaturação das proteínas ou ionização do conteúdo celular. A ferida da queimadura não é homogênea; com efeito, ocorre necrose tecidual no centro da lesão, com regiões de viabilidade tecidual em direção à periferia. A área central da ferida é denominada zona de coagulação, devido à ocorrência da necrose de coagulação característica das células. A zona circundante, denominada zona de estase, descreve uma área de células lesionadas que permanecem viáveis; todavia, com a persistência do fluxo sanguíneo diminuído, essas células sofrem necrose dentro de 24 a 48 h. A zona mais externa, a zona de hiperemia, sofre lesão mínima e pode se recuperar por completo com o passar do tempo. O evento sistêmico inicial depois de uma grande lesão por queimadura consiste em instabilidade hemodinâmica, que resulta da perda da integridade capilar e de um deslocamento subsequente de líquido, sódio e proteína do espaço intravascular para o espaço intersticial, provocando choque hipovolêmico. As lesões térmicas graves provocam, em última análise, alterações na fisiopatologia de todos os sistemas orgânicos. Essas alterações precipitam condições como choque, sepse, síndrome de angústia respiratória aguda (SARA), íleo paralítico e insuficiência renal. Nas queimaduras com mais de 45% da ASCT, ocorre déficit contrátil intrínseco do miocárdio. Em caso de lesão, ocorre diminuição imediata do débito cardíaco, que precede a perda do volume plasmático. Devido às respostas compensatórias vasoconstritoras, a carga de trabalho do coração aumenta. O débito cardíaco pode ser mantido pela resposta ao estresse do corpo, porém isso pode ocorrer à custa de uma demanda crescente de oxigênio do miocárdio. A hipovolemia é a consequência imediata da perda de líquido e resulta em diminuição da perfusão e da liberação de oxigênio. À medida que a perda de líquido continua, e o volume vascular diminui, o débito cardíaco também continua diminuindo, e ocorre queda da pressão arterial. Este é o início do choque por queimadura. Ocorre rápida formação de edema após uma lesão por queimadura. Uma queimadura superficial provoca a formação de edema dentro de 4 h após a lesão, enquanto uma queimadura mais profunda continua formando edema por um período mais longo de tempo, de até 18 h após a lesão. Esse edema é causado pelo aumento da perfusão para a área lesionada e reflete a quantidade de lesão microvascular e linfática do tecido. Há perda da integridade capilar, e o líquido se localiza na própria queimadura, resultando em formação de bolhas e edema na área da lesão. A função renal pode estar alterada em decorrência do volume sanguíneo diminuído. A destruição dos eritrócitos no local da lesão resulta na liberação de hemoglobina livre na urina. A reposição adequada do volume de líquidos restaura o fluxo sanguíneo renal, aumentando a taxa de filtração glomerular e o volume de urina. Se houver um fluxo sanguíneo inadequado através dos rins, a hemoglobina e a mioglobina provocam oclusão dos túbulos renais, com consequente necrose tubular aguda e insuficiência renal. A perda da pele também resulta em incapacidade de regular a temperatura corporal. Por conseguinte, os clientes com lesões por queimadura podem exibir baixas temperaturas corporais nas primeiras horas depois da lesão. A primeira etapa no manejo consiste em remover o cliente da fonte de lesão e interromper o processo de queimadura enquanto é preciso evitar a lesão do reanimador. 9. (EBSERH, 2018 – adaptada) No cuidado de paciente em que a integridade tissular tenha ficado comprometida por queimadura, exigem-se do enfermeiro conhecimentos e habilidades durante todos os estágios do tratamento. Isso assegura a qualidade do cuida... JUSTIFICATIVA: