Prévia do material em texto
Socioterritorialidade e Práticas Sociais em Serviço Social Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. Ms. Elisangela Pereira Queiros Mazuelos Revisão Textual: Profa. Ms. Fátima Furlan Socioterritorialidade e práticas em Serviço Social • Socioterritorialidade • Política Nacional de Assistência Social · Análise do entendimento da construção das políticas sociais nos territórios aproximação ao sujeito usuário das políticas sociais nos territórios vulneráveis, analisar criticamente o contexto amplo da sociedade pelo viés neoliberal. OBJETIVO DE APRENDIZADO Socioterritorialidade e práticas em Serviço Social Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como o seu “momento do estudo”. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo. No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados. Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Socioterritorialidade e práticas Socioterritorialidade É no território que as desigualdades sociais se tornam evidentes. (Koga, 2003). Nesta unidade, a intenção é trazer um recorte do que é território e do trabalho do assistente social neste cenário. Para que você tenha aproximação ao conceito de território vamos nos valer do entendimento de autores como Milton Santos e Dirce Koga. Você pode se perguntar, mas território não é bairro? Ou mesmo território não faz parte de um espaço de terra? São essas discussões que ao longo da unidade vamos desvendando. A palavra território vem do latim territorium, que tem em sua raiz a definição “pedaço de terra apropriado” a origem da palavra nos indica que é através do pedaço da terra que vamos construir nossos espaços de interação com o outro. Ex pl or Seguindo a linha da geografia crítica, vejamos como Santos (2002, 63) define território: Formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá. Para que tenhamos a aproximação necessária sobre a temática território e socioterritório, é importante entender o espaço que os autores relatam, no caso do serviço social. Santos (2002) e Koga (2003) apontam que a exclusão e a pobreza nos territórios precisam ser analisadas para melhor intervenção das políticas sociais, assim este é o foco de nossa reflexão como técnicos da área social. O território também representa o chão da nossa cidadania, pois cidadania significa vida ativa no território, onde se concretizam as relações sociais de vizinhança e solidariedade, as relações de poder. É no território que as desigualdades sociais se tornam evidentes entre os cidadãos, as condições de vida entre os moradores de uma mesma cidade mostram-se diferenciadas (...), 2002, p, 33. A autora relata que nesses espaços exercemos efetivamente nossa cidadania ou não, pois nesses locais encontram-se as instituições, o acesso aos bens, as relações entre vizinhos que podem ser conflituosas ou de solidariedade. Dica de documentário: “Trajetos e territórios” - https://goo.gl/io33m3 Ex pl or 8 9 Precisamos nos apropriar do entendimento de cidadania e território para a compreensão dos aparelhos públicos que estão disponíveis e se são efetivamente utilizados pela população. Portanto, compreender o que são territórios está além de vê-los como uma faixa de terra. Vamos entender territórios a partir do ponto de vista das pessoas que vivem neste lugar, do que o local oferece e de como as pessoas utilizam o espaço exercendo a sua cidadania. Telles (2001) relata que nos dias atuais tem ocorrido um desmonte nos referenciais de cidadania, apontando o mercado de trabalho, a desigualdade salarial, a desigualdade de gênero e a desigualdade do espaço territorial como fatores que contribuem para o desmonte. Para que estas discussões façam ressonância nos técnicos que operam nesses territórios e especialmente para o cidadão que vivencia o cotidiano neste território, vamos entender o que o PNAS, relata sobre o território e a atuação nestes espaços. Ressonância: Qualidade do que é ressonante, propriedade de aumentar a intensidade de um som.Ex pl or É importante destacar que o profissional que vai atuar nestes locais entenda as demandas presentes no cotidiano das famílias bem como compreenda as políticas para a atuação nos territórios, pois assim estará mais próximo da realidade social. Política Nacional de Assistência Social A política nacional de assistência social delimitou suas diretrizes a partir da Constituição Federativa do Brasil que evidencia nos artigos 203 e 204 a importância da assistência social. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: Lei nº 8742, de 7.12.1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências: I - A proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; Lei nº 8842, de 4.1.1994, que dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências. II - Amparo às crianças e adolescentes carentes; III - Promoção da integração ao mercado de trabalho; 9 UNIDADE Socioterritorialidade e práticas IV - Habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - Garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no Art. 195, além de outras fontes, e organizadas. A partir desses dispositivos, a descentralização teve seu propulsor com a LOAS, (Lei Orgânica da Assistência Social, 1993). Figura 1 Fonte: iStock/Getty Images Como a imagem sugere, a política de assistência social pretende atender as pessoas com deficiência, crianças e adolescentes, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade social a partir a Lei Orgânica da Assistência Social e dos desdobramentos com o SUAS. LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social): https://goo.gl/G329A5 Ex pl or Entretanto, a efetivação da política de assistênciasocial não foi tarefa fácil. Houve muitos entraves e discussões para a efetivação de uma política nacional voltada ao atendimento da população que tem direito à assistência social, conforme prevê a Constituição. O objetivo, da assistência como uma política de direito é também romper com o ideário de clientelismo que ainda ressoa na sociedade, sobretudo com o projeto conservador em vigor. Assim, o SUAS, 2005 (Sistema Único de Assistência Social) tem como objetivo a gestão da política de assistência social no campo da proteção básica. É importante salientar que o SUAS consolida a gestão compartilhada. 10 11 Você deve se perguntar o que a política de assistência social e território têm em comum? É pela mediação com as políticas sociais, que o assistente social administra e faz valer as políticas nos territórios, portanto, cabe a este profissional além de compreender os territórios aplicar a política social. A política nacional de assistência traz esforços para o comprometimento de uma política comprometida com os territórios e os usuários destes. Podemos ver a mudança na política quando, por exemplo, determina o tamanho populacional dos municípios que irá nortear o financiamento. Esse movimento desafiador já começa a se delinear nos processos de debate da própria PNAS, quando introduz as escalas de tamanho populacional dos municípios, que irá nortear também os novos parâmetros para o financiamento da política. Koga, 2008, p, 41 Política Nacional de Assistência Social Princípios, Diretrizes, Objetivos e Ações da Assistência Social PNAS Resolução CNAS Nº 145/2004 Sistema Único de Assistência Social Organização da Gestão Política no Campos da Proteção Social Brasileira NOB-SUAS Resolução CNAS Nº 130/2005 Figura 2 CRAS - Centro de Referência de Assistência Social nos territórios Como observamos, o SUAS organiza a gestão da assistência social, e para que se efetive a gestão em todo território nacional houve a implantação dos CRAS para o atendimento dentro dos territórios vulneráveis da população. A localização territorial é importante porque dependendo do local em que o aparelho está inserido irá viabilizar o acesso a direitos sociais com mais facilidade. Assim, o CRAS deverá ser instalado em locais onde se concentra famílias com mais vulnerabilidade social. Para a atuação do CRAS, o território é delimitado a partir dos locais em que as famílias residem. Para a organização do atendimento das famílias nos CRAS pode- se utilizar o cadastro único CAD, único para o atendimento das famílias. 11 UNIDADE Socioterritorialidade e práticas O CRAS atende famílias na proteção social básica, que perpassa em prevenir situações de violência, enfrentar as vulnerabilidades nestes territórios, bem como conhecer as suas potencialidades e fragilidades. Política Social Básica Papel do CRAS: Prevenir a ocorrência de riscos e enfrentar vulnerabilidades. Realização de ações de caráter preventivo, voltadas ao território, que visam o desenvolvimento da mobilização comunitária Palestras Campanhas Debates Filmes Diagnóstico do território Figura 3 Para Castel (2005, p, 7), a proteção social significa cobertura contra os principais riscos suscetíveis de acarretar alguma desvinculação na vida do indivíduo, como por exemplo, o desemprego, a velhice sem recursos, acidentes etc. Fatores que podem culminar na decadência social. Nesta perspectiva, precisamos entender que a política de assistência deveria ser ampliada. Sabemos que os recursos e a ideologia contra a política social ainda representam uma tarefa árdua na sociedade de hoje. É comum o atendimento de pessoas em busca de orientação acerca de benefícios sociais nos CRAS. Os CRAS buscam soluções para os mais diversos conflitos e a população está se adaptando aos aparelhos exercendo o direito de usá-los. Trata-se de um processo lento, mas necessário para que se exerça a cidadania. O fenômeno da exclusão social parece gerar o máximo da enfermidade humana. O desemprego, a ausência de direitos mínimos de sobrevivência, segurança, proteção social, a discriminação pela cor, pelo sexo, pela condição física/psicológica, partidária. Enfim o grau de fragilidade a que a situação de exclusão social expõe o sujeito é tão grande que fere sua própria condição humana, sua condição de ser no mundo. Koga, 2008, p, 73. Quando falamos de territórios e de aparelhos públicos para a atuação nestes locais, nos referimos em geral em localizações com alto grau de vulnerabilidade social. 12 13 CREAS- Centro de Referência Especializado em Assistência Social Quando o indivíduo ou sua família tem seu direito violado em casos como agressão física, dependência química, violência e exploração sexual a uma criança entre tantos outros problemas, é possível o atendimento nos aparelhos dos CREAS. Atribuições CREAS - Guia de Orientação Nº 1: https://goo.gl/pTqZeJ Ex pl or Segundo o guia do CREAS, a equipe de técnicos disponíveis para a atuação são: I. Profissional Municípios em Gestão Básica Municípios em Gestão Plena e Serviços Regionais. Coordenador, Assistente social, Psicólogo, Educadores sociais, Advogados e Auxiliares administrativos Estagiários (preferencialmente das áreas de psicologia serviço social e direito). As desigualdades sociais presentes na sociedade capitalista são gritantes. Se apurarmos nosso olhar veremos essas expressões em toda a parte da nossa cidade. São moradores em situação de rua, crianças em mendicância nos semáforos, famílias inteiras experimentando a dor da exclusão social. No enfoque do trabalho social, as situações de vulnerabilidade precisam ser observadas num contexto amplo. Quando falamos de territórios vulneráveis, podemos entendê-los a partir da vivência dos sujeitos, mas por outro lado nesses locais existem outros fatores, como por exemplo, a convivência com a violência. Telles (2003) aponta que as maiores taxas de homicídios estão nos distritos mais pobres da cidade. Este é um desafio para os técnicos dos CREAS que atuam com a ruptura de vínculos e com a quebra de direitos, atuando em locais tão diversos na tentativa de auxiliar a população. Rede Socioassistencial - Proteção social básica - Proteção social especial - Tipifi cação Nacional dos Serviços Socioassistencial. Ver “Dicionário Crítico: Política de Assistência Social no Brasil”: https://goo.gl/PhvJWv Ex pl or A política nacional de assistência social é uma ferramenta importante no que se refere a entender melhor a cidade, a partir do SUAS e a descentralização dos municípios, temos uma aproximação da realidade da cidade. Em São Paulo temos 96 distritos, realmente trata-se de algo novo e de forte impacto conhecer os distritos e atuar neles a partir do entendimento das vivências das famílias que vivem nesses locais. Os desafi os da proteção social: Aldaíza Sposati: https://goo.gl/aBZVqk Ex pl or 13 UNIDADE Socioterritorialidade e práticas Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Medidas de Cidades: Entre Territórios de Vida e Territórios Vividos KOGA. D. São Paulo: Cortez, 2003. Vídeos Desafios da proteção social https://goo.gl/aBZVqk Vulnerabilidades e proteção social https://goo.gl/8oK7Qr Leitura A Interlocução do Território na Agenda das Políticas Sociais ALVES, Vanice A.; KOGA, D. https://goo.gl/5iAdym 14 15 Referências BRASIL, Constituição, 1988. Constituição Federativa do Brasil, DF, Senado. 1988. Koga, D. Medidas de Cidades: entre territórios de vida e territórios vividos. São Paulo: Cortez, 2003. SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 6.ed. Rio de Janeiro. Record, 2002. SOUZA, M.L. O território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: CASTRO, I.E.; GOMES, P.C.C.; CORREA, R.L. Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. p. 77-116. SPOSATI, Aldaiza. Vida urbana e gestão da pobreza. São Paulo, Cortez, 1998. TELLES, Vera da Silva.No fio da navalha: entre carências e direitos. Notas a propósito dos programas de renda mínima no Brasil. In: CACCIA-BAVA, Silvio (org.).“Programas de Renda Mínima no Brasil”. Cadernos Polis. no. 30: 1-24. São Paulo, Pólis, 1998. Sites visitados: Política Nacional de Assistência Social. http://www.sesc.com.br/mesabrasil/doc/ Pol%C3%ADtica-Nacional.pdf . Data de Acesso: 12.10.2016. 15