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Eliane Potiguara - Exrcícios

Ficha de estudo sobre Eliane Potiguara: breve biografia, características e temas de sua literatura, trecho do poema "Agonia dos pataxós" e exercícios de interpretação com avaliação de assertivas sobre o poema.

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Sissa Zoe

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Sim, Eliane Potiguara é uma importante líder indígena brasileira, escritora, jornalista e 
ativista pelos direitos dos povos indígenas, em especial das mulheres indígenas. Ela pertence 
à etnia Potiguara e é conhecida por sua luta em defesa dos direitos humanos, da preservação 
da cultura indígena e da promoção da igualdade de gênero dentro das comunidades indígenas. 
Eliane Potiguara também é fundadora da ONG Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH), 
que tem como missão promover a inclusão social e defender os direitos dos povos indígenas e 
de outras populações vulneráveis. Sua atuação tem contribuído significativamente para 
ampliar a visibilidade e a conscientização sobre questões indígenas no Brasil e no mundo. 
Você sabe me dize as caracteristicas da literatura de Eliane Potiguara? 
Eliane Potiguara tem se destacado como escritora, abordando em suas obras temas relevantes 
relacionados à cultura e à realidade dos povos indígenas, com ênfase nas questões de gênero e 
identidade. Algumas características da literatura de Eliane Potiguara incluem: 
1. Abordagem das questões indígenas: As obras de Eliane Potiguara frequentemente 
trazem à tona a realidade, os desafios e as experiências dos povos indígenas no Brasil, 
lutando contra estereótipos e promovendo uma visão mais autêntica e diversa. 
2. Foco na voz das mulheres indígenas: Eliane Potiguara dá destaque às questões 
enfrentadas pelas mulheres indígenas, abordando temas como empoderamento 
feminino, violência de gênero, ancestralidade e a importância do papel das mulheres 
nas comunidades indígenas. 
3. Resgate e preservação da cultura indígena: A autora valoriza e busca preservar a 
cultura, os costumes e as tradições dos povos indígenas em suas narrativas, 
contribuindo para a valorização e o reconhecimento das riquezas culturais dessas 
comunidades. 
4. Engajamento político e social: Por meio de suas obras, Eliane Potiguara também busca 
promover reflexões sobre questões políticas, sociais e ambientais que afetam os povos 
indígenas, contribuindo para o debate e a conscientização sobre esses temas. 
Essas são algumas das características que permeiam a literatura de Eliane Potiguara, 
marcada por uma forte atuação em prol dos direitos indígenas e da valorização da diversidade 
cultural. Suas obras contribuem para ampliar a representatividade e a visibilidade das 
narrativas indígenas na sociedade contemporânea. 
Quais são os temas mais trabalhados por ela, na literatura? 
Eliane Potiguara aborda em suas obras uma variedade de temas relevantes, destacando 
questões fundamentais para os povos indígenas e para a sociedade em geral. Alguns dos 
temas mais trabalhados por ela na literatura incluem: 
 Identidade Indígena: Eliane Potiguara discute a importância da preservação da 
identidade indígena, a valorização das tradições, costumes e línguas dos povos 
originários. 
 Empoderamento Feminino: A autora enfatiza a voz e os direitos das mulheres 
indígenas, abordando questões de gênero, violência, ancestralidade e o papel das 
mulheres nas comunidades. 
 Racismo e Discriminação: Ela denuncia o racismo estrutural e a discriminação 
enfrentados pelos povos indígenas, promovendo a conscientização sobre a importância 
do respeito à diversidade cultural. 
 Sustentabilidade e Meio Ambiente: Potiguara destaca a relação harmoniosa dos povos 
indígenas com a natureza, promovendo a reflexão sobre a importância da preservação 
ambiental e do conhecimento tradicional indígena. 
 Direitos Indígenas: A escritora também aborda a luta pelos direitos dos povos 
indígenas, defendendo a demarcação de terras, o respeito aos modos de vida 
tradicionais e a autonomia das comunidades. 
Esses temas são recorrentes nas obras de Eliane Potiguara, refletindo seu engajamento na 
defesa dos direitos indígenas, na promoção da igualdade de gênero e na valorização da cultura 
e da diversidade dos povos originários. Sua literatura contribui significativamente para 
ampliar a compreensão e o diálogo sobre questões indígenas na sociedade contemporânea. 
 
 
Leia o poema de Eliane Potiguara para responder à questão. 
 
Agonia dos pataxós 
Às vezes 
Me olho no espelho 
E me vejo tão distante 
Tão fora de contexto! 
Parece que não sou daqui 
Parece que não sou desse tempo. 
 (POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004, p.60) 
 
Sobre o poema de Eliane Potiguara, avalie as assertivas a seguir. 
I - O eu-poético pataxó critica as consequências devastadoras da colonização realizada nas 
diversas etnias que viviam no país, como os pataxós. 
II - A expressão temporal “às vezes” sugere que o eu-poético, em primeira pessoa, manifesta 
conflito interior de forma pontual e, por isso, sem muito compromisso ou preocupação. 
III - Os dois últimos versos são formados por anáfora para enfatizar a tensão do eu-poético em 
relação aos desafios colonialistas vinculados ao espaço e ao tempo que ele ocupa. 
 
1 – Está correto o que se afirma em: 
a) II, apenas. b) I, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 
 
Leia o texto de Eliane Potiguara para responder à questão. 
 
Mulher indígena: mãe, mulher e professora 
[...] A libertação do povo indígena passa radicalmente pela cultura, pela espiritualidade e pela 
cosmovisão das mulheres. O papel da mulher na luta pela identidade é natural, espontâneo e 
indispensável. A mulher tem a função política de gerar o filho e educá-lo conforme as 
tradições, assim como na sociedade envolvente. Se criarmos um adolescente num ambiente de 
tráfico de drogas, ele poderá vir a ser um marginal procura- do pela polícia. Com relação à 
cultura indígena, a mulher é uma fonte de energias, é intuição, é a mulher selvagem não no 
sentido primitivo da palavra, mas selvagem como desprovida de vícios de uma sociedade 
dominante, uma mulher sutil, uma mulher primeira, um espírito em harmonia, uma mulher 
intuitiva em evolução para com sua sociedade e para com o bem-estar do planeta Terra. Essa 
mulher não está condicionada psicológica e historicamente a transmitir o espírito de 
competição e dominação segundo os moldes da sociedade contemporânea. O poder dela é 
outro. Seu poder é o conhecimento passado através dos séculos e está reprimido pela história. 
A mulher intuitivamente protege os seios e o ventre contra seu dominador e busca forças nos 
antepassados e nos espíritos da natureza para sobrevivência da família. Todos esses aspectos 
foram mais preservados do que no homem. Franz Fanon, escritor argelino/África, nos mostra 
em seu livro Condenados da Terra como o processo de violência, tortura, repressão e opressão 
deixou o povo argelino anestesiado, cabisbaixo, triste, infeliz e até louco, na luta pela 
libertação nacional, na década de 1960 do século XX. O mesmo aconteceu com os povos das 
Missões Guarani. Senão vejamos: existiu de 1610 a 1768, portanto um século e meio, um tipo 
de sociedade chamada República Cristã dos Guarani ou República dos Guarani, envolvendo os 
estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e uma parte do 
Paraguai, Argentina e Uruguai, criada pelos bem-intencionados jesuítas contra os espanhóis e 
portugueses que queriam submetê-los, subjugá-los como escravos. Mas mesmo nessas missões 
onde a população aprendia artes, ofícios, astrologia, filosofia, matemática, física etc não foi o 
suficiente para torná-los felizes. Após a expulsão dos jesuítas por Marquês de Pombal, em 
1759, a República foi totalmente dissolvida. 
POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004, p.46 
 
2 – Sobre o texto da indígena Eliane Potiguara, avalie as afirmações a seguir e marque V para 
alternativas verdadeiras e F para as falsas. 
( ) Ao comparar de forma intertextual os argelinos com os guaranis, a autora aborda sobre 
causas e consequências das relações colonialistas que são semelhantes, embora tenham 
ocorrido em continentes distintos.( ) No excerto “se criarmos um adolescente num ambiente de tráfico de drogas, ele poderá vir 
a ser um marginal procurado pela polícia” é uma oração subordinada condicional que 
evidencia a responsabilidade de educadores na trajetória de uma pessoa. 
( ) A autora defende uma sociedade onde as mulheres atuem na transmissão de princípios, 
rituais e tradições do povo, por- que elas são superiores aos homens. 
( ) No trecho “mas mesmo nessas missões onde a população aprendia artes, ofícios, 
astrologia, filosofia, matemática, física etc. não foi o suficiente para torná-los felizes, as 
palavras destacadas são, respectivamente: conjunção adversativa, pronome relativo e 
pronome oblíquo. 
( ) No fragmento “a mulher é uma fonte de energias, é intuição, é a mulher selvagem”, Eliane 
apresenta uma mulher que não sabe lidar com as questões da sociedade atual, porque ela se 
preocupa exclusivamente com o que os indígenas antigos faziam. 
( ) O enunciado “a mulher intuitivamente protege os seios e o ventre contra seu dominador e 
busca forças nos antepassados e nos espíritos da natureza para sobrevivência da família”, 
reforça a relevância da identidade cultural na transmissão de valores às novas gerações. E é, 
gramaticalmente, um período composto por coordenação aditiva cujos verbos são transitivos 
diretos. 
( ) O texto sugere que Eliane fala do seu lugar como mulher e cidadã indígena. Ela se 
posiciona política e criticamente frente à sociedade brasileira onde as mulheres ainda lutam 
por respeito e reconhecimento. 
 
Está correta a alternativa que apresenta a sequência, marcada de cima para baixo. 
a) IV, V, F, V, F, V e V. b) F, V, F, V, V, F e V. c) IF, F, V, V, V, F e F. 
d) V, F, V, F, V, V e V. e) V, F, F, V, F, V e F. 
 
A chegada do Pitiguary* ancestral 
Quando o vi co’a maraca negra 
No meio da relva verde e do rubro 
entardecer 
O sol batia calmo nas suas sofridas 
bainhas. 
Era um homem amado, todo humilde, - tão 
guerreiro! 
 
Quando o vi co’a maraca negra 
No meio do Brasil verde e o vermelho sol 
poente 
O vento batia mais forte às portas da 
América Latina: 
Era um homem da fé, simples, - muito 
guerreiro! 
 
Quando o vi co’a maraca negra 
No coração deste continente 
O sol reabria no poente 
Seus fortes raios prepotentes. 
 
Era gente de todas as caras 
Era gente de todas as correntes 
Era gente comum 
Era uma gente crente! 
 
Salve a maraca negra! 
Salve a indumentária indígena 
daquele pajé 
que guiava gerações 
e iluminava as mentes! 
 
* “Ave passeriforme, silvícola, da família dos vireonídeos ( Cyclarhisgujanensis ), encontrada do México à Bolívia 
e Argentina e em todo o Brasil, com até 16 cm de comprimento, bico cinzento forte e adunco, face cinzenta com 
fronte e sobrancelhas ferrugíneas ou castanhas, dorso oliváceo, peito verde-amarelado e íris amarela, laranja ou 
vermelha”. 
 
POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004. 
 
Sobre o texto de Eliane Potiguara e conhecimentos pessoais, avalie as assertivas a seguir. 
I. Quanto ao gênero, o texto é poema cujo título remete à ancestralidade indígena, ou seja, a 
relação com a memória dos antepassados. Os povos autóctones, no presente, em sintonia com 
os espíritos e seres de outrora. 
II. Ao evocar o ancestral herói, guerreiro e resistente, o eu-lírico o faz de maneira gradativa, 
acrescentando outras qualidades em cada nova estrofe. E a maraca negra, indumentária 
indígena, evoca musicalidade como também autoridade da liderança que a maneja. 
III. Aspectos como tempo e espaço não aparecem no texto para que a figura ancestral da 
liderança indígena, comparada a um Pitiguary, seja exaltada. 
 
3 – Está correto o que se afirma em: 
a) III e III, apenas. b) I, apenas. 
c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. 
 
A chegada do Pitiguary* ancestral 
Autora: Eliane Potiguara 
 
Quando o vi co’a maraca negra 
No meio da relva verde e do rubro 
entardecer 
O sol batia calmo nas suas sofridas 
bainhas. 
Era um homem amado, todo humilde, - tão 
guerreiro! 
 
Quando o vi co’a maraca negra 
No meio do Brasil verde e o vermelho sol 
poente 
O vento batia mais forte às portas da 
América Latina: 
Era um homem da fé, simples, - muito 
guerreiro! 
 
Quando o vi co’a maraca negra 
No coração deste continente 
O sol reabria no poente 
Seus fortes raios prepotentes. 
 
Era gente de todas as caras 
Era gente de todas as correntes 
Era gente comum 
Era uma gente crente! 
 
Salve a maraca negra! 
Salve a indumentária indígena 
daquele pajé 
que guiava gerações 
e iluminava as mentes! 
 * “Ave passeriforme, silvícola, da família dos vireonídeos ( Cyclarhisgujanensis ), encontrada do México à Bolívia 
e Argentina e em todo o Brasil, com até 16 cm de comprimento, bico cinzento forte e adunco, face cinzenta com 
fronte e sobrancelhas ferrugíneas ou castanhas, dorso oliváceo, peito verde-amarelado e íris amarela, laranja ou 
vermelha”. 
 POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004. 
 
4 – Sobre o texto de Eliane Potiguara e conhecimentos pessoais, avalie as assertivas a seguir. 
 I. Quanto ao gênero, o texto é poema cujo título remete à ancestralidade indígena, ou seja, a 
relação com a memória dos antepassados. Os povos autóctones, no presente, em sintonia com 
os espíritos e seres de outrora. 
II. Ao evocar o ancestral herói, guerreiro e resistente, o eu-lírico o faz de maneira gradativa, 
acrescentando outras qualidades em cada nova estrofe. E a maraca negra, indumentária 
indígena, evoca musicalidade como também autoridade da liderança que a maneja. 
III. Aspectos como tempo e espaço não aparecem no texto para que a figura ancestral da 
liderança indígena, comparada a um Pitiguary, seja exaltada. 
 
Está correto o que se afirma em: 
a) III e III, apenas. b) I, apenas. 
c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. 
Para responder à questão, leia o texto a seguir, intitulado “Órfã”, de autoria da escritora 
indígena e ativista Eliane Potiguara. O poema integra uma coletânea de textos de diferentes 
gêneros produzidos pela autora ao longo de cerca de 20 anos, publicados pela primeira vez nos 
anos 1990. 
 
“Não adianta fugir dessa realidade 
Quando te trazem aos braços 
Uma criança que nem dois anos completos tem 
E tua boca que gargalhadas davam 
Ao sabor do álcool 
Se cala 
E emudece de vez 
E te desarma 
É uma criança faminta 
Doente 
Órfã de pais 
Órfã de país.” 
POTIGUARA, Eliane. Órfã. In: Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004. pp. 35-36. 
 
5 – Considerando a temática, o estilo e os aspectos discursivos que caracterizam o poema, é 
correto afirmar que nele se apresenta: 
a) um eu lírico que se manifesta de modo alheio ao mundo e a seus problemas sociais. 
b) um sujeito cujo olhar assume uma dimensão social e política de viés reivindicatório. 
c) um narrador que expressa ocorrências cotidianas da vida humana e social brasileira. 
d) um sujeito que narra sua apreensão pessoal e angustiada do estar no mundo. 
e) um eu que narra suas próprias experiências e de uma perspectiva indigenista.

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