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DIREITO DAS 
FAMÍLIAS E 
SUCESSÕES
Cinthia Louzada Ferreira Giacomelli
Pacto antenupcial
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar a natureza jurídica e os aspectos gerais do pacto antenupcial.
  Interpretar os requisitos do pacto antenupcial.
  Analisar julgamentos que exemplifiquem as possibilidades e vedações 
ao pacto antenupcial.
Introdução
Contrato que é, o pacto antenupcial é a manifestação do acordo de von-
tades entre os futuros cônjuges com a finalidade de estabelecer o regime 
de bens e determinar como serão desenvolvidas as relações patrimoniais 
na vigência do casamento. Caracteriza-se como um negócio jurídico que 
deve, obrigatoriamente, ser realizado por escritura pública e não pode 
contrariar normas públicas, sob pena de nulidade. O regime da comunhão 
parcial de bens é o único que dispensa o pacto antenupcial, mas é lícito 
ao casal realizá-lo ainda que opte pelo regime legal, com a finalidade 
de estabelecer aspectos particulares na administração dos seus bens. 
Neste capítulo, você vai ler sobre a natureza jurídica, os requisitos do 
pacto antenupcial, as possibilidades e as vedações ao pacto antenupcial, 
de acordo com a jurisprudência. 
Conceitos fundamentais
O pacto antenupcial é o instrumento jurídico necessário para o casamento, 
exceto quando a opção for o regime da comunhão parcial de bens. A fi gura do 
pacto antenupcial está disposta no art. 1.653 do Código Civil de 2002 (BRASIL, 
2002) e caracteriza-se como o acordo de vontade entre as partes, realizado, 
obrigatoriamente, por meio de instrumento público, antes do casamento. 
Segundo Lôbo (2003, p. 270), “O pacto antenupcial é o negócio jurídico 
bilateral de direito de família mediante o qual os nubentes têm autonomia para 
estruturarem, antes do casamento, o regime de bens distinto da comunhão 
parcial”. Assim, o pacto antenupcial tem como maior finalidade resguardar 
o interesse patrimonial das partes considerando a realização do casamento.
O regime da comunhão parcial de bens não exige o pacto antenupcial, mas nada 
impede que os nubentes o façam, estabelecendo particularidades sobre a relação 
patrimonial dos cônjuges no casamento.
O pacto antenupcial é entendido como de natureza contratual. Conforme 
Madaleno (2008, p. 528), “[...] no pacto antenupcial o Direito de Família permite 
exercer livremente a autonomia da vontade, podendo os nubentes contratar 
acerca do regime que melhor entendam deva dispor sobre as relações patri-
moniais de seu casamento [...]”. Como em toda relação contratual, no entanto, 
é necessário observar as normas pertinentes ao tema, bem como seguir os 
princípios das relações contratuais. 
O contrato é o instrumento jurídico que formaliza um acordo de vontades 
entre duas ou mais pessoas. Existem diversos tipos de contratos, que podem ser 
realizados em diferentes contextos, como comerciais, familiares, administra-
tivos, internacionais, entre tantos outros. Contudo, os contratos possuem uma 
base jurídica comum, que se aplica a qualquer situação contratual, incluindo 
o pacto antenupcial: são os princípios. 
Os princípios do Direito Contratual são normas abrangentes, expressas em 
dispositivos de lei ou deles extraídas por reflexão, os quais ajudam a nortear os 
juízes na apreciação de demandas que versam sobre a existência, a validade e o 
cumprimento dos contratos. Os princípios possuem o mesmo valor, mas, depen-
dendo das circunstâncias de cada caso, certos princípios prevalecem sobre outros. 
A autonomia privada é o reconhecimento pelo Direito da eficácia jurídica da vontade 
dos contratantes. Os futuros cônjuges podem dispor sobre os seus interesses patri-
moniais mediante acordo livremente negociado e estabelecido entre eles por meio 
do pacto antenupcial, observados os limites da ordem jurídica. 
Pacto antenupcial2
Para Pereira (2012, p. 220), “[...] o pacto antenupcial, embora exprima a liberdade 
contratual dos nubentes, está subordinado a princípios que condizem com a ordem 
pública, sejam aquelas de cunho patrimonial, sejam as de natureza pessoal e ainda 
aquelas que atentem contra os bons costumes”. Assim, tudo o que for avençado 
entre o casal, nessas condições, possui plena validade para o Direito.
A vinculação das partes é decorrência imediata do princípio da autonomia 
privada. Para atribuir eficácia aos acordos realizados pelos próprios interessados, 
o ordenamento jurídico deve impor aos contratantes a obrigação de cumprir o 
contrato. Por outro lado, deve disponibilizar, aos lesados pelo descumprimento 
de obrigações contratuais, os meios para acionar o Estado a fim de minimizar 
o prejuízo. A vinculação das partes é, portanto, um dos princípios essenciais 
do Direito Contratual, sem o qual o conceito de acordo de vontades se dilui. No 
casamento, os cônjuges se vinculam ao que contrataram no pacto antenupcial e 
obrigam-se a cumprir a declaração então manifestada nos seus exatos termos. 
Já o equilíbrio dos contratantes prevê que o contratante mais forte não pode 
ter vantagens, em detrimento do menos favorecido, em virtude da sua condição 
econômica ou qualquer outra. Somente são reconhecidas a validade e a eficácia 
ao acordo de vontades se os contratantes possuírem iguais meios para defendê-
-los. Caso contrário, o mais forte acabará fazendo prevalecer seus interesses, 
e não se realizará a articulação de interesses amparada na autonomia privada. 
Entre os contratantes iguais, como se presume no casamento, o equilíbrio é 
alcançado pela isonomia. Nesse caso, nenhum dos cônjuges pode gozar de um 
direito contratual que não seja juridicamente reconhecido também para o outro. 
Quanto à relatividade, caracteriza-se pela impossibilidade de um contrato 
criar obrigações para quem não é parte. Chama-se de princípio da relatividade a 
regra que impede a extrapolação dos efeitos atinentes à criação de obrigação para 
além dos próprios contratantes. Para Coelho (2012, p. 77), “[...] pelo princípio da 
relatividade, os efeitos do contrato atinentes à criação de obrigações são restritos às 
partes contratantes. Ninguém pode ser obrigado em razão de contrato de que não 
participa”. Assim, as disposições do pacto antenupcial obrigam apenas os cônjuges.
O princípio da boa-fé objetiva indica que as atitudes dos contratantes, 
demonstradas por meio das informações prestadas e da conduta apresentada, 
devem condizer com os conceitos de lealdade, probidade e honestidade. Para 
Silva (2009, p. 412), “[...] a boa-fé objetiva passa a integrar o negócio jurídico 
por meio dos chamados deveres anexos de conduta (proteção, cooperação e 
informação, entre outros), os quais visam a consagrar sua finalidade precí-
pua, qual seja o adimplemento do contrato, devendo ser observados na fase 
pré-contratual, de execução do contrato e pós-contratual”. Não é possível 
3Pacto antenupcial
admitir que o pacto antenupcial seja elaborado com a intenção prévia de um 
dos nubentes em desrespeitá-lo, por exemplo.
A boa-fé objetiva impõe-se, assim, como elemento essencial dos contratos, 
com o objetivo principal de garantir a estabilidade e a segurança da relação 
patrimonial entre os cônjuges, regulando a justa expectativa do casal, que acre-
dita e espera que o cônjuge aja em conformidade com o pactuado, cumprindo 
as obrigações assumidas durante toda a vigência do casamento.
Requisitos
Para a formalização do pacto antenupcial, é necessário observar algumas regras, 
previstas nos arts. 1.653 a 1.657 do Código Civil. Analisaremos as principais 
delas, começando pelas disposições do art. 1.653 do Código Civil: “Art. 1.653 
É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e inefi caz se 
não lhe seguir o casamento (BRASIL, 2002, documento on-line). De início, 
analisaremos a escritura pública, que se trata de documento elaborado por 
um tabelião, cuja fi nalidade é formalizar juridicamente a vontade das partes. 
Sobre a escritura pública, o art. 215 do Código Civil prevê o seguinte:Art. 215 A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado 
de fé pública, fazendo prova plena.
 § 1º Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve 
conter:
 I — data e local de sua realização; 
II — reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos 
hajam comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou 
testemunhas; 
III — nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência 
das partes e demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do 
regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; 
IV — manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V — referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à 
legitimidade do ato; 
VI — declaração de ter sido lida na presença das partes e demais compare-
centes, ou de que todos a leram; 
VII — assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião 
ou seu substituto legal, encerrando o ato (BRASIL, 2002, documento on-line).
Pacto antenupcial4
A escritura pública é instrumento considerado autêntico e verdadeiro para 
todos os efeitos. Ainda, na emissão da escritura pública, também são cobrados 
valores: os emolumentos, que podem ser dispensados por meio de gratuidade, 
nos termos do art. 6º da Resolução nº. 35, de 24 de abril de 2007, do Conselho 
Nacional de Justiça (CNJ) (BRASIL, 2007).
A escritura pública é um documento elaborado por um tabelião de notas, que deve 
observar os requisitos previstos em lei. Esse documento instrumentaliza um negócio 
jurídico entre as partes, garantindo sua publicidade, autenticidade, eficácia e segurança 
(Lei nº. 8.935, de 18 de novembro de 1994).
Outra consideração importante sobre o pacto antenupcial, conforme art. 
1.653, é o fato de que ele se torna ineficaz se não ocorrer o casamento. Para 
Tartuce (2018, p. 168), “[...] o pacto antenupcial do qual não se seguir o ca-
samento, pode até ser válido, mas não gerará efeitos práticos (ineficaz), pois 
o casamento não foi celebrado. Trata-se de negócio jurídico celebrado sob 
condição suspensiva, uma vez que só começa a produzir efeitos com o ca-
samento”. Da mesma forma, se anulado o casamento, o pacto é invalidado; 
porém, se invalidado o pacto, esse fato não atinge a validade do casamento, 
apenas se considerando como adotado o regime da comunhão parcial de bens. 
Sobre os efeitos do pacto antenupcial, cumpre destacar também a previsão 
do art. 1.657 do Código Civil: “Art. 1.657 As convenções antenupciais não terão 
efeito perante terceiros senão depois de registradas, em livro especial, pelo oficial 
do Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges (BRASIL, 2002, documento 
on-line). Assim, o pacto antenupcial somente terá validade se atendidos dois requi-
sitos: a forma pública e a inscrição do pacto no registro de imóveis do domicílio 
dos cônjuges, sendo esta última condição referente à validade perante terceiros. 
Alguns autores criticam essa previsão, a exemplo de Farias e Rosenvald 
(2012, p. 373), que afirmam “[...] melhor seria se o legislador tivesse ordenado 
o registro no cartório de imóveis do lugar onde estivessem registrados os seus 
bens”, pois a regra de publicidade será ineficaz se os cônjuges tiverem imóveis 
em outros locais que não o de seu domicílio.
5Pacto antenupcial
Há entendimentos doutrinários que defendem a utilização do pacto antenupcial como 
instrumento para regulamentar questões além da esfera patrimonial, como o dever 
de fidelidade e de coabitação, por exemplo. No entanto, a finalidade essencial do 
pacto antenupcial é dispor sobre relações patrimoniais na constância do casamento. 
Jurisprudência dos tribunais
O Judiciário brasileiro, ao analisar as demandas que envolvem o pacto ante-
nupcial, costuma decidir pela manutenção da vigência do pacto e pela pre-
valência dos princípios que o regem, dada a sua natureza contratual. Para o 
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por exemplo, é obrigatório o pacto 
antenupcial, por escritura pública, sob pena de caracterizar-se o regime da 
comunhão parcial de bens, único regime de dispensa o pacto antenupcial. 
Assim entendeu o julgador: “[...] não havendo pacto antenupcial, é inefi caz o 
registro na certidão de casamento do regime da comunhão universal de bens, 
vigorando o regime da comunhão parcial. Inteligência do art. 1.640 do CC” 
(RIO GRANDE DO SUL, 2013, documento on-line).
Em recente decisão do mesmo tribunal, também se referindo à manutenção das 
cláusulas do pacto antenupcial, negócio jurídico que é, o julgador entendeu que:
[...] ainda que as partes tenham sido casadas pelo regime da comunhão universal 
de bens, mostra-se descabida a partilha dos valores decorrentes de ação trabalhista 
ajuizada pela autora, pois constituem apenas frutos civis do trabalho dela e, como 
tal, não se comunicam. 4. Só ocorre a comunicabilidade quando expressamente 
prevista em pacto antenupcial, o que não se verifica no caso. Incidência do art. 
1.659, inc. VI, do CCB (RIO GRANDE DO SUL, 2019, documento on-line).
Nesse sentido, compreendendo que o princípio da autonomia da vontade 
somente pode ser limitado em razão de conflito com norma de ordem pública, 
conforme se depreende do art. 1.655 do Código Civil, o Tribunal de Justiça 
de São Paulo concluiu pelo princípio da boa-fé objetiva aplicada ao pacto 
antenupcial, conforme a seguinte decisão:
Ação anulatória. Tutela antecipada que suspendeu os efeitos do pacto antenup-
cial firmado entre as partes. Manutenção. Como qualquer negócio jurídico, 
está sujeito a requisitos de validade e deve ser iluminado e controlado pelos 
Pacto antenupcial6
princípios da boa-fé objetiva e da função social. Não se alega coação e nem 
vício de consentimento, mas nulidade por violação a princípios cogentes que 
regem os contratos. [...] O litígio entre o casal, que desbordou para os autos do 
inventário da genitora da autora, e a significativa mutação patrimonial fundada 
em casamento de curtíssima duração, autorizam a suspensão dos efeitos do 
pacto antenupcial (SÃO PAULO, 2008, documento on-line). 
Ainda sobre as cláusulas consideradas nulas no pacto antenupcial, destacamos 
a seguinte decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, que considera 
nula a cláusula que exclui expressamente o direito sucessório do cônjuge sobre-
vivente, afastando as regras de sucessão legítima previstas na legislação civil:
RECURSO ESPECIAL — SUCESSÃO — CÔNJUGE SUPÉRSTITE — 
CONCORRÊNCIA COM ASCENDENTE INDEPENDENTE O REGIME 
DE BENS ADOTADO NO CASAMENTO — PACTO ANTENUPCIAL 
— EXCLUSÃO DO SOBREVIVENTE NA SUCESSÃO DO DE CUJUS — 
NULIDADE DA CLÁUSULA — RECURSO IMPROVIDO. 1 — O Código 
Civil de 2.002 trouxe importante inovação, erigindo o cônjuge como concor-
rente dos descendentes e dos ascendentes na sucessão legítima. Com isso, 
passou-se a privilegiar as pessoas que, apesar de não terem qualquer grau 
de parentesco, são o eixo central da família. 2 — Em nenhum momento o 
legislador condicionou a concorrência entre ascendentes e cônjuge supérstite 
ao regime de bens adotado no casamento. 3 — Com a dissolução da sociedade 
conjugal operada pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente terá direito, 
além do seu quinhão na herança do de cujus, conforme o caso, a sua mea-
ção, agora sim regulado pelo regime de bens adotado no casamento. 4 — O 
artigo 1.655 do Código Civil impõe a nulidade da convenção ou cláusula do 
pacto antenupcial que contravenha disposição absoluta de lei. 5 — Recurso 
improvido (BRASIL, 2011, documento on-line). 
A jurisprudência sobre o pacto antenupcial corrobora as previsões legais, 
tanto no sentido de compreendê-lo como instrumento contratual quanto na 
observância dos limites a ele incidentes.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº. 35, de 24 de abril de 2007. Dis-
ciplina a aplicação da Lei nº. 11.441/07 pelos serviços notariais e de registro. Diá-
rio Oficial da União, 2 maio 2007. Disponível em: http://www.cnj.jus.br/busca-atos-
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7Pacto antenupcial
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TARTUCE, F. Direito civil: direito de família. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2018.
Pacto antenupcial8

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