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Disciplina: Clínica Cirúrgica II Urologia – Prof. Dr. Davidson Bezerra da Silva Aula 01: 1- SEMIOLOGIA UROLÓGICA Anamnese: • Atenção: órgão genitais masculinos → dupla função: sexual e urinária (sintomas associados ou isolados) • Sinais e sintomas: ü Dor → uretral (disúria), testicular (local ou irradiação), períneo/ sacro (prostatite) ü Hemospermia (sangue no esperma) → >ioria: benigno ü Priapismo ü Ejaculação rápida ü Impotência sexual ü Infertilidade ü Hematúria ü Alterações miccionais/ Retenção urinária ü Corrimento uretral • Hematúria: sangue na urina ü Origem → vias urinárias (“acima” da uretra anterior) ü Classificação: - Inicial → uretra ou próstata - Final → vesical - Total → renal ou vesical ü Características: - micro ou macroscópica - indolor ou dolorosa - com ou sem coágulos… • Uretrorragia (ou hematouretrorragia): ü “perda” de sangue → meato uretral externo (sem relação com a micção) Exame Físico: • Rins: ü Raramente palpáveis no adulto; ü Pacientes magros: pólo inferior D pode ser palpado (final da expiração profunda) andre Texto digitado gonoccocica "leite condensado" ou não gonoccocica (clamidia principalmente) andre Texto digitado TGU superior --> ureter pra cima andre Texto digitado começa vermelha e termina claro andre Texto digitado começa claro e termina vermelho andre Texto digitado vermelho no inicio e fim andre Texto digitado por traumas, queda a cavaleiro, etc ü Punho-percussão loja renal (Manobra de Giordano): SUTIL!!! → positiva: distensão da cápsula renal (obstrução ou infecção) ü Dor lombar? → pesquisa de sinais de irritação de raízes nervosas ou dor osteomuscular • Bexiga: ü Palpável: > 300 ml urina ü Crianças ou pacientes magros: tumoração mediana infraumbilical ü Percussão: bexiga hiperdistendida (sínfise púbica → cranial) 2- HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA • ♂: tumor benigno mais comum • Pode associar-se → Sintomas do Trato Urinário Inferior (“LUTS”) → • Cirurgia: 10 a 25% • História natural: ü Processo proliferativo: presente ≃ 70 e 90 % ♂ na 7ª e 9ª décadas de vida, respectivamente. • Histopatologia: ü Região periuretral (zona de transição) → ↑ número de células epitelias e estromais • Avaliação Inicial: ü História clínica → sintomas/ dx. Diferencial/ comorbidades (prejuízo tratamento) ü Qualidade de vida ü atividades diárias ü Sono andre Texto digitado ex: ureterolitiase ou pielonefrite andre Texto digitado sintomas não estão correlacionados ao tamanho da prostata --> prostata crescimento irregular andre Texto digitado normal, se assintomatico andre Texto digitado é aqui onde a prostata cresce, "apertando" a uretra andre Texto digitado etiologia: teorias --> DHT, GH, 'etc andre Texto digitado LUTS andre Linha ü Exame físico → Exame digital da Próstata (EDR) ü Exames Lab. → PSA (principal), função renal, urina tipo I (hematúria/ ITU) ü Sintomáticos: Ø Ultrassonografia Ø Urofluxometria Ø Estudo Urodinâmico • “LUTS”: Lower Urinary Tract Symptoms (sintomas do trato urinário inferior) - 2 tipos: ü Esvaziamento (“obstrutivos”) → Esvaziar = eliminar Ø Hesitação Ø Jato fraco Ø Intermitência Ø Sensação de esvaziamento vesical incompleto Ø Esforço miccional Ø Gotejamento terminal ü Armazenamento (“irritativos”) → Armazenar = guardar Ø Urgência miccional Ø Incontinência urinária Ø Polaciúria Ø Noctúria • Complicações: ü Retenção urinária; ü Infecção do trato urinário; ü Calculose vesical/ Divertículos ü Hematúria; ü Incontinência Urinária; ü Deficiência de Contração da Bexiga urinária ü Uretero-hidronefrose/ Insuficiência renal. Tratamento: • Terapia Comportamental: ü Restrição de ingesta hídrica: - Antes de dormir (2 h) → noctúria; - Antes de sair de casa → polaciúria/ urgência miccional/ incontinência urinária; ü Evitar álcool; ü Micção programada; ü Medicações anti-hipertensivas (diuréticos); ü Evitar café. Hipocontratilidade detrusora Estenose de Uretra Dissinergismo vésico-esfincteriano Calculose vesical Tumor vesical andre Texto digitado sintoma de dificuldade de esvaziar a bexiga andre Texto digitado a urina demora pra sair andre Texto digitado 1. andre Texto digitado 2. andre Texto digitado 3. andre Texto digitado 4. 5. 6. andre Texto digitado PUNI andre Texto digitado paciente diabético pode ter tbm andre Texto digitado avalia força do jato andre Texto digitado avalia pressão, residuos, contração, etc andre Texto digitado avalia resíduo pos-miccional --> residuo é meio de cultura p bacteria --> risco de infecção andre Texto digitado TGU é estéril andre Texto digitado 50-60 anos homem começa a ter residuo por conta do aumento da prostata = risco de infeccção andre Texto digitado principal causa de IRA pos renal em homens = Prostata (Hiperplasia Prostática Benigna) = Conduta: Sondagem vesical de demora andre Texto digitado HPB sintomatica --> IPSS > 8 --> terapia medicamentosa, cirurgia, avaliação periodica andre Texto digitado (cafeina) • Terapia Medicamentosa: ü 𝛂 bloqueadores → doxazosina, tansulosina; - Mecanismo de Ação: Bloqueio receptor 𝛂1 adrenérgico → músculo liso (estroma prostático, colo vesical e uretra) - Efeitos: rápida percepção - Sintomas → melhora = 30 a 40% - Fluxo Urinário → melhora = 25% - EC → Principal: hipotensão ortostática (risco de queda) ü Inibidores da 5𝛂 redutase → finasterida (5 mg), dutasterida; - Mecanismo de Ação: ↓ 70% a 90%dos níveis intracelulares prostáticos da DHT - Efeitos: percepção ± 6 meses - Redução sérica do valor de PSA em 40 - 50% → ATENÇÃO!!! - Redução do tamanho da próstata em 20% - EC → disfunção sexual e ginecomastia. - ü Outras opções: - Terapia Combinada: 𝛂 bloqueador + Inibidor da 5𝛂 redutase - Inibidor da 5 fosfodiesterase (“depósito”): Tadalafila 5mg (diária) → disfunção erétil + disfunção miccional 3- PROSTATITE: • Diagnóstico: 9 – 16 % dos homens • 3 a 12% das causas de consulta urológica • Diagnóstico urológico comum após HPB e Câncer Prostático • ↑ células inflamatórias do parênquima prostático → sintomas ou não (biópsia/ autópsia) • Diagnóstico: Anamnese/ Exame Físico • Exames Laboratoriais: ü Clássico de Meares e Stamey (1968) = Teste dos 4 copos: - Copo 1 = 10 ml do primeiro jato de urina (uretra) - Copo 2 = jato médio (bexiga) - Copo 3 = coleta da secreção pós massagem da prostática - Copo 4 = 10 ml de urina pós massagem ü Teste dos 2 copos (1997): - Copo 1 = urina jato médio pré massagem - Copo 2 = primeiros 10 ml de urina pós massagem da próstata andre Texto digitado finasterida 1mg - contra alopecia andre Texto digitado testosterona ---------------------> DHT andre Texto digitado 5alfa-redutase andre Texto digitado se tiver tomando finasterida, o psa pode estar mascarado, pode multiplicar por 2 pra ver o valor real, isso somente se estiver tomando já andre Texto digitado * cuidado no paciente hipotenso * pode ter hipotensão ortostática * pode ter ejaculação retrograda EC = efeitos colaterais andre Texto digitado alfabloqueador e inibidor da 5 fosfodiesterase pode tomar junto, só nao esse ultimo com o inibidor da 5a redutase • Classificação: 3.1- Prostatite Bacteriana Aguda: ü Agente etiológico: - E coli, Pseudomonas, Klebsiella, Enterobacter: 65 a 80% ü Fisiopatologia: - Bactérias ascendem com refluxo de urina e penetração nos ductos prostáticos ü Quadro Clínico: - Dor perineal - Disfunçãomiccional - Febre - Náuseas/ vômitos - Queda do estado geral ü Tratamento: - ATB → hospitalar endovenoso (cefalosporinas): início do quadro • Início: empírico • Duração: 10 -14 dias → prolongar + 2 semanas (persistência dos sintomas) • Infecções mais graves: 4 semanas - RUA → 1 em 10 pacientes • Cistostomia: evita infecção crônica • Cateterização uretral: “menos invasiva” - Após 48 horas → não ocorreu melhora = exame de imagem - Abscesso: drenagem Prostatite - Classificação Categoria I Prostatite Bacteriana Aguda Categoria II Prostatite Bacteriana Crônica Categoria III Síndrome da dor pélvica crônica Desconforto ou dor na região pélvica com sintomatologia miccional ou sexual variável sem infecção demonstrável IIIA Síndrome da dor pélvica crônica inflamatória Leucócitos no sêmen e/ou secreções prostáticas (EPS ou VB3). IIIB Síndrome da dor pélvica crônica não inflamatória Sem leucócitos no sêmen ou secreções prostáticas (EPS ou VB3). Categoria IV Prostatite inflamatória assintomática Evidência de inflamação em biópsia, sêmen ou secreções prostáticas na ausência de sintomas andre Texto digitado tem retenção urinária aguda andre Texto digitado complicação mais comum 3.2- Prostatite Bacteriana Crônica: ü Mesmos patógenos da Prostatite Bacteriana Aguda ü Fisiopatologia: - Formação de biofilme e/ ou cálculos nos ácinos prostáticos com menor penetração dos antibióticos ü Quadro Clínico → sintomas (mais "brandos”) > 3 meses: - Disúria - Polaciúria - Noctúria - Desconforto em hipogástrio ou perineal - Hemospermia - Secreção uretral ü Exames Complementares: - Urina I - Urocultura - Exame de Imagem ü Tratamento: - ATB → fluorquinolonas, sulfa • Duração: 4 -6 semanas → terapia intermitente - RTU Próstata 4- INCONTINÊNCIA URINÁRIA • Incontinência urinária (IU): “perda involuntária de urina” • Tipos mais descritos na literatura: ü Incontinência Urinária de Esforço (IUE) ü Incontinência Urinária de Urgência (IUU) ü Incontinência Urinária Mista = IUE + IUU → Tratar ambas (preferência: + sintomática) • Importante impacto na qualidade de vida • Mecanismo IU: Pressão intravesical (PU) X resistência uretral (RU) • IU irá ocorrer quando PU > RU andre Texto digitado precedida de esforço fisico, ↑ pressão intra-'abdominal, ex: tosse, se abaixar, pular corda andre Texto digitado precedida por urgencia urinaria 4.1- Incontinência Urinária Feminina: • Fatores de Risco: ü Idade ü Obesidade Ø Bem estabelecido como fator de risco IU Ø Perda ponderal → melhora/ remissão Ø ♀ submetidas a cirurgia bariátrica: redução IUE - 61% →12%; Ø Estudo com gêmeas: obesidade = fator de risco ü Gestação Ø Prevalência IUE: 40% → ½ = importante impacto QV Ø Perda de urina durante a gestação = ↑ IUE Ø Após gestação (3 meses): 30 % → importante melhora QV ü Paridade ü Tipo de Parto Ø Parto Normal: 2x + chance de desenvolver IU (cesárea) ü Doenças Neurológicas ü Alterações cognitivas ü Alterações físicas ü DM ü Depressão ü ITU ü Hereditariedade → Gêmeas/ Familiar: ↑ risco IU (principal: IUU) ü Etnia → Caucasianas = 2x + negras ü Histerectomia → alt. Anatomia assoalho pélvico ü TRH → estrogênios (menopausa) ü Cafeína ü Ingesta de álcool ü Exercício Físico de alto impacto • Incontinência Urinária de Esforço: o Fisiopatologia: ü Anatômica: - Devido a falta de sustentação da unidade esfincteriana ü Disfunção esfincteriana intrínseca: - Lesão ou mal funcionamento da unidade esfincteriana o Diagnóstico: ü Clínico (sintomas x sinais): - Teste de esforço + - Hipermobilidade uretral - Alterações do Assoalho Pélvico andre Texto digitado IOGP ü Estudo Urodinâmico o Tratamento: ü Primeira escolha: Sling de uretra média - Motivos: Ø Técnicas menos invasivas Ø Material sintético seguro Ø Novo entendimento da Fisiopatologia ü Medidas comportamentais: - Tratamento das condições crônicas (p. ex. tosse e constipação) - Reabilitação do assoalho pélvico - Tratamento da infecção urinária - Redução de Peso • Incontinência Urinária de Urgência: o Fisiopatologia: ü Hiperatividade detrusora + Pressão intravesical > pressão de oclusão uretral o Diagnóstico: ü Clínico (sintomas x sinais): - Urgência Miccional - Polaciúria - Incontinência Urinária - Nocturia ü Estudo Urodinâmico o Tratamento: ü Medidas comportamentais: - Moderação da ingesta de líquidos (1,5L/dia) - Esvaziar a bexiga antes de dormir - Modificação das medicações que exacerbam a incontinência urinária (p. ex., diuréticos) - Micção Programada ü Medicamentoso (2ª linha): - Anticolinérgicos (antimuscarínicos) Ø Mecanismo de ação: Antagonizam de maneira competitiva → receptores muscarínicos Ø Objetivos: Inibição das CNI, relaxamento detrusor, ↑ CCM Ø Efeitos colaterais: o Periféricos: boca seca, olho seco, visão turva, constipação; o Centrais: cefaléia, sonolência, prejuízos cognitivos (atravessam barreira hematoencefálica) - Beta 3 agonistas adrenérgicos → ↑ relaxamento vesical andre Texto digitado "tipoia" andre Texto digitado posição de lipotimia andre Texto digitado = CIRURGIA andre Texto digitado na IUE andre Texto digitado 1 linha de tratamento andre Texto digitado parassimpatico = acetilcolina antiparassimpatico = anticolinérgico andre Texto digitado (ccm = capacidade cistometrica maxima) andre Texto digitado contraindicação absoluta ao uso de anticolinergicos ==> GLAUCOMA DE ANGULO FECHADO!!!!!!! aí pode dar agonista beta-3 adrenergicos -> mirabegrona andre Texto digitado !!! ü Cirúrgico (3ª linha): - Aplicação intravesical de toxina botulínica (tipo A) - Neuromodulação sacral (S2 - S4). 4.2- Incontinência Urinária Masculina: • Fatores de Risco: ü Idade → ↑ senilidade (maior que ♀) ü Sintomas do Trato Urinário Inferior (STUI) → Associados com IU Ø Urgência miccional Ø Hesitação Ø Jato fraco Ø Intermitência Ø Sensação de esvaziamento vesical incompleto Ø Urgência Miccional Ø Noctúria ü Prostatectomia Radical Ø Importante impacto QV Ø Etiologia → 90% = deficiência esfincteriana Ø Incidência: 4 - 50% Ø Tratamento: o 6 – 12 meses: medidas educativas/ comportamentais o > 12 meses: cirurgia (Esfincter artificial/ Sling masculino) → recuperação continência = 80 – 90% ü Doenças Neurológicas → + comum: IUU Ø Doença de Parkinson Ø Esclerose múltipla Ø Acidente vascular cerebral Ø Lesão/ cirurgias medulares Ø Mielodisplasia ü Alterações cognitivas ü Alterações físicas ü DM → + comum: IUU ü ITU → associação: ♂> 60 anos ü Cafeína → “irritante” vesical ü Ingesta de álcool → ↑ diurese = ↑ risco de IU