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06 - APOSTILAS DE TEOLOGIA - MÓDULO VI - IETB

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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
© Editora Bereana, 2023 
1ª Edição – novembro de 2023 
 
SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: 
Instagram do Instituto Bereana: institutobereana 
Instagram do Professor Danilo Moraes: prof_danilomoraes 
Canal do YouTube: institutobereanaoficial 
Página do Facebook: institutobereana 
 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 3 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Nós, do Instituto de Educação Teológica Bereana, temos por objetivo capacitar e aperfeiçoar os 
membros das Igrejas locais no exercício de suas funções ministeriais, bem como, instruir biblicamente todo aquele 
que deseja se apresentar diante de Deus como um obreiro aprovado. 
Nosso projeto pedagógico visa alcançar, de forma pertinente e oportuna, as necessidades e desafios da 
Igreja Cristã, provendo cursos bíblicos e teológicos amparados na inspiração e autoridade da Palavra de Deus. 
Como Instituição Cristã, visamos não somente o preparo intelectual e espiritual de nossos alunos, mas 
desejamos contribuir em sua inclusão social, capacitando-o para exercer, através de sua vocação, uma influência 
cristã abrangente em todas as áreas de nossa sociedade. 
 
Nossos Objetivos 
Procurando sempre um padrão de excelência superior em todos os âmbitos e com meta de 
aprimoramento constante, a Instituto de Educação Teológica Bereana é, uma instituição organizada, planejada e 
preparada para formar homens e mulheres que darão frutos sem medidas para a expansão do Reino de Deus. 
Apresentamos como missão primordial promover o conhecimento do Senhor e de sua gloriosa Palavra; 
educar pessoas que possam instruir os cristãos brasileiros no caminho da verdade; e auxiliar as igrejas evangélicas 
na preparação de seus obreiros. 
Para tanto, o Instituto de Educação Teológica Bereana oferece cursos livres nas áreas de teologia, e 
especializações, para a difusão, expansão e preservação do evangelho de Cristo e seu Reino. 
 
Nossos Diferenciais 
O Instituto de Educação Teológica Bereana possui um avançado ambiente virtual de aprendizagem, em 
constante reciclagem, sempre atentando para as novas ferramentas que surgem com o avanço da tecnologia em 
favor da pedagogia. 
Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar comprometida com a qualidade do 
conteúdo oferecido, assim como com as ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações 
online com resultados simultâneos, plantão de dúvidas via telefone (WhatsApp), atendimento via internet, 
emprego de redes sociais, e grupos de estudos com alunos, o que proporciona excelente integração entre 
professores e estudantes. 
Além disso, nosso trabalho com o ensino teológico a distância apresenta uma série de vantagens aos 
alunos: garantia de rendimento igual ou melhor que os do método presencial; maior flexibilidade dos horários de 
estudo; oportunidade de formação adaptada às exigências atuais, principalmente às pessoas que não puderam 
frequentar seminários convencionais; otimização do tempo livre às pessoas sem disponibilidade de horários; 
desenvolvimento da autonomia do alunado sem desampará-lo em suas necessidades; economia financeira, pois 
evita gastos com locomoção. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 4 
 
Os cursos presenciais possuem uma equipe treinada e um corpo docente de especialistas, mestres e 
doutores. 
 
Missão 
O Instituto Bereana, em sua missão fundamental, se ocupa em preparar líderes da igreja para servirem 
ao reino de Deus no cumprimento de Sua vontade. Para que os líderes sejam bem preparados. Acreditamos, que 
um líder, homem ou mulher, bem preparado estará em condições de servir dignamente à causa do Evangelho. 
Assim seus alunos aprendem e são aperfeiçoados no uso e compreensão das Escrituras e da fé cristã; na 
comunicação eficaz da fé cristã; na edificação e preparo da igreja para o culto e serviço cristão, inclusive 
fomentando o espírito cooperativo denominacional; na vivência como cidadãos deste mundo; no 
desenvolvimento de uma vida cristã piedosa e devocional; na vivência dos princípios de mordomia cristã; enfim, 
em tudo o que lhes dê condições de serem obreiros fieis e bem preparados para também preparar outros na 
vivência sadia e eficaz para o engrandecimento de nosso Deus como o Senhor de tudo e acima de tudo e todos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 5 
 
SUMÁRIO 
 
APOLOGÉTICA CRISTÃ .................................................................................................................................. 9 
O QUE É APOLOGÉTICA? .......................................................................................................................... 9 
COMO PODEMOS RESPONDER AO ATEÍSMO ...........................................................................................27 
COMO UM DEUS BONDOSO PODE PERMITIR O MAL E O SOFRIMENTO? .................................................45 
PODEMOS CRER NA RESSURREIÇÃO DE JESUS? .......................................................................................62 
BIBLIOGRAFIA .........................................................................................................................................91 
COSMOVISÃO CRISTÃ .................................................................................................................................93 
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................93 
A Igreja versus o Mundo .............................................................................................................................95 
Modernismo ...........................................................................................................................................97 
Pós-modernismo .....................................................................................................................................98 
Pós-modernismo e Igreja ........................................................................................................................99 
Tolerância Intolerante ...........................................................................................................................100 
A verdade da Palavra de Deus ...............................................................................................................101 
QUE É COSMOVISÃO? ...........................................................................................................................105 
Por que as cosmovisões são importantes? ............................................................................................105 
Quantas cosmovisões existem? .............................................................................................................106 
Em que diferem as cosmovisões? ..........................................................................................................107 
Em que acreditam os ateístas? ..............................................................................................................107 
Em que acreditam os panteístas? ..........................................................................................................108 
Em que acreditam os teístas? ................................................................................................................108 
Que é confusão de cosmovisões? ..........................................................................................................109 
Como formular as perguntas certas? .....................................................................................................114 
A NATUREZA DE UMA COSMOVISÃO CRISTÃ .........................................................................................116 
Filosofia Verdadeira Versus Falsa ..........................................................................................................117que uma pessoa siga as leis da razão. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 26 
 
Uma das grandes contribuições feitas pelo falecido Francis Schaeffer foi sua ênfase na 
necessidade de uma abordagem racional para a apologética. Na sua obra Escape from Reason [Fuga 
da Razão], ele mostrou a futilidade dos quem tentam rejeitar a razão. Ele sempre criticou aqueles que 
fazem uma “dicotomia entre a razão e a não-razão.” Ele também critica aqueles que abandonam a 
razão para descer um andar para o materialismo ou subir um andar para o misticismo. 
 
3. Você não pode provar Deus ou o cristianismo pela Razão 
De acordo com esta objeção, a existência de Deus não pode ser provada pela razão humana. 
A resposta depende do que se entende por “provar”. 
Primeiro, se “provar” significa demonstrar, com certeza matemática, então a maioria dos 
teístas2 concordam que a existência de Deus não pode ser provada neste sentido. A razão para isso é 
que a certeza matemática lida apenas com o abstrato, e a existência de Deus (ou qualquer outra coisa) 
é uma questão de existência concreta e real. A certeza matemática baseia-se em certos axiomas ou 
postulados que devem ser assumidos a fim de se obter uma conclusão necessária. Mas se a existência 
de Deus deve ser assumida a fim de ser provada, então a conclusão de que Deus existe é apenas 
baseada na suposição de que Ele existe, caso em que não é realmente uma prova a todos. A certeza 
matemática é dedutiva em sua natureza. Alega a partir de premissas dadas. Mas não se pode concluir 
validamente algo que não já esteja implícito na(s) premissa(s). Neste caso, seria preciso assumir que 
Deus existe na premissa de modo a validamente inferir esta conclusão. Mas isso é petição de princípio. 
Segundo, se por “provar”, no entanto, queremos dizer “dar provas suficientes para” ou “dar 
boas razões para”, então parece lógico que se pode provar a existência de Deus e da verdade do 
cristianismo. De fato, muitos defensores têm oferecido tais provas e as pessoas tem se tornado cristãs, 
depois de ler seus escritos. 
 
4. Ninguém é convencido de verdades religiosas pela razão 
Segundo este argumento, ninguém é persuadido a aceitar uma verdade religiosa através da 
razão. São fatores psicológicos, pessoais e subjetivos que levam a decisões religiosas, não argumentos 
racionais. Mas essa acusação é manifestamente falsa por várias razões. 
Primeiro de tudo, quem já se tornou um crente, por pensar que era irracional e absurdo fazê-
lo? Certamente, a grande maioria das pessoas que acreditam em Deus ou aceitam a Cristo fazem-no 
porque acham que isso é razoável. 
Em segundo lugar, esta objeção confunde dois tipos de crenças: a crença em e crença de que. 
Certamente, a crença religiosa em Deus e em Cristo não é baseada na evidência e na razão. Mas sem 
 
2 O teísmo (do grego Théos, "Deus") é uma crença na existência de deuses, seja um ou mais de um, no caso de mais de 
um, pode existir um supremo. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 27 
 
elas, isso não acaba. Toda pessoa racional olha para ver se há indícios de que o elevador tem um piso 
antes de entrar no mesmo. Da mesma forma, todas as pessoas racionais querem provas de que um 
avião pode voar antes de entrar nele. Assim, a crença de que é anterior à crença em. A apologética 
lida com o primeiro tipo. Ela fornece provas de que Deus existe, de que Cristo é o Filho de Deus, e 
de que a Bíblia é a Palavra de Deus. A decisão religiosa é um passo de fé, à luz das provas, não um 
salto de fé no escuro - na ausência de provas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMO PODEMOS RESPONDER AO ATEÍSMO 
 
Enquanto o politeísmo dominou grande parte do pensamento grego antigo e o teísmo dominou 
a posição cristã medieval, o ateísmo floresceu no mundo moderno. É claro que nem todos que não 
têm fé num ser divino querem ser chamados de “ateus”. Alguns preferem a atribuição positiva 
“humanistas”. Outros talvez sejam mais bem descritos como “materialistas”. Mas todos são não-
teístas, e a maioria é antiteísta. Alguns preferem o termo mais neutro “ateístas”. 
Ao contrário do teísta, que acredita que Deus existe além do e no mundo, e do panteísta, que 
acredita que Deus é o mundo, o ateu acredita que não há Deus neste mundo e nem no além. Só existe 
um universo ou cosmo e nada mais. 
Já que os ateus têm muito em comum com os agnósticos e céticos, são muitas vezes 
confundidos com eles. Tecnicamente, o cético diz: “Eu duvido que Deus exista” e o agnóstico declara 
“Eu não sei (ou não posso saber) se Deus existe”. Mas o ateu afirma que sabe (ou pelo menos acredita) 
que Deus não existe. Uma vez, porém, que ateus são todos não-teístas e já que a maioria dos ateus 
partilha com os céticos a posição antiteísta, muitos dos seus argumentos são iguais. É nesse sentido 
que o ateísmo moderno baseia-se muito no ceticismo de David Hume e no agnosticismo de Immanuel 
Kant. 
Variações do ateísmo. Em geral, há tipos diferentes de ateísmo. O ateísmo tradicional 
(metafísico) afirma que nunca houve, não há e jamais haverá um Deus. Há muitos que defendem essa 
posição. Ateus mitológicos como Friedrich Nietzsche, acreditam que o mito “Deus” jamais foi um 
Ser, mas o modelo vivo pelo qual as pessoas viviam. Esse mito foi morto pelo avanço do 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 28 
 
entendimento e da cultura do homem. Houve uma forma passageira de ateísmo dialético defendido 
por Thomas Altizer que propôs que o Deus transcendente do passado morreu na encarnação e 
crucificação de Cristo, e essa morte foi posteriormente realizada nos tempos modernos. Ateus 
semânticos afirmam que a discussão sobre Deus está morta. Essa posição foi defendida por Paul Van 
Buren e outros influenciados pelos positivistas lógicos que desafiaram seriamente a significância da 
linguagem sobre Deus. É claro que os que apoiam esta última posição não precisam nem ser ateus 
verdadeiros. Podem admitir a existência de Deus e ao mesmo tempo acreditar que não é possível falar 
sobre ele em termos significativos. Essa posição foi chamada “acognosticismo”, já que nega que 
possamos falar de Deus em termos cognitivos e significativos. O ateísmo conceitual acredita que há 
um Deus, mas ele está escondido da nossa visão, obscurecido por nossas construções conceituais. 
Finalmente, ateus práticos confessam que Deus existe, mas acreditam que devemos viver como se 
não existisse. A questão é que não devemos usar Deus como muleta para a incapacidade de agir de 
forma espiritual e responsável. 
Existem outras maneiras de designar os diversos tipos de ateus. Uma maneira seria por meio 
da filosofia que expressa seu ateísmo. Dessa maneira pode-se falar de ateus existencialistas (Sartre), 
ateus marxistas (Marx), ateus psicológicos (Sigmund Freud), ateus capitalistas (Ayn Rand) e ateus 
comportamentais (B. F. Skinner). 
Para propósitos apologéticos, a maneira mais aplicável de considerar o ateísmo é no sentido 
metafísico. Os ateus são pessoas que dão razões para crerem que não existe Deus no mundo nem além 
dele. Assim, estamos falando sobre ateístas filosóficos em vez de ateus práticos, que apenas vivem 
como se não houvesse Deus. 
Argumentos a favor do ateísmo. Os argumentos a favor do ateísmo são em grande parte 
negativos, apesar de alguns poderem ser formulados em termos positivos. Os argumentos negativos 
se dividem em duas categorias: 1) argumentos contra as provas da existência de Deus, e 2) argumentos 
contra a existência de Deus. Na primeira categoria de argumentos, a maioria dos ateus se baseia no 
ceticismo de Hume e no agnosticismo de Kant. 
Os ateus oferecem o que consideram ser razões boas e suficientes para acreditar que não existe 
Deus. Quatro desses argumentos geralmente são usados pelos ateus: 1) a existência do mal; 2) a 
aparente falta de propósito da vida; 3) ocorrências aleatórias no universo; e 4) a primeira lei da 
Termodinâmica — segundo a qual “energia não pode nem ser criadanem destruída” como evidência 
de que o universo é eterno e, logo, não precisa de um Criador. 
Respostas aos argumentos. 
A existência do mal. O raciocínio do ateu é circular. O ex-ateu C. S. Lewis argumentou que, 
para saber que há injustiça no mundo, é preciso haver um padrão de justiça. Então, eliminar Deus 
efetivamente por causa do mal é postular um padrão moral supremo para declarar que Deus é mau 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 29 
 
(Cristianismo puro e simples). Mas, para os teístas, Deus é o padrão moral supremo, já que não pode 
existir uma lei moral suprema sem um Provedor Supremo da lei moral. 
Os ateus argumentam que um Deus absolutamente bom deve ter um bom propósito para tudo, 
mas não há um bom propósito para a maior parte do mal no mundo. Logo, não pode haver um Deus 
absolutamente perfeito. 
Os teístas mostram que só porque não sabemos o propósito das ocorrências do mal não 
significa que não exista um propósito bom. Esse argumento não refuta Deus necessariamente; apenas 
prova nossa ignorância do plano de Deus. Seguindo esse raciocínio, só porque não vemos um 
propósito para todo o mal agora, não significa que jamais saberemos. O ateu é prematuro no seu 
julgamento. Segundo o teísmo, um dia de justiça está chegando. Se existe um Deus, ele deve ter um 
bom propósito para o mal, mesmo que não o conheçamos. Pois o Deus teísta é onisciente e sabe tudo. 
Ele é totalmente benigno e tem uma boa razão para tudo. Assim, pela própria natureza deve ter uma 
boa razão para o mal. 
Falta de propósito. Ao supor que a vida não tem propósito, o ateu está sendo mais uma vez 
um juiz presunçoso e prematuro. Como se pode saber que não há um propósito supremo no universo? 
Só porque o ateu não sabe o verdadeiro propósito da vida não significa que Deus não tenha um. A 
maioria das pessoas passa por situações que não fazem sentido na hora, mas eventualmente 
demonstraram ter grande propósito. 
O universo aleatório. O suposto caráter aleatório do universo não refuta Deus. Algumas 
casualidades são apenas aparentes, não reais. Quando O DNA foi descoberto, acreditava-se que ele 
se dividia aleatoriamente. Agora todo o mundo científico conhece o incrível e complexo padrão 
envolvido na divisão da molécula de hélix dupla conhecida como DNA. Até casualidades reais têm 
um propósito inteligente. 
Moléculas de dióxido de carbono são exaladas aleatoriamente com o oxigênio (e nitogina no 
ar), mas por um bom propósito. Se não fosse assim, inalaríamos os mesmos gases venenosos que 
exalamos. E algumas coisas que parecem ser inúteis podem ser o produto de um processo útil. O 
estrume de cavalo é um bom adubo. Segundo a cronologia do ateu, o universo absorve e neutraliza 
muito bem seus “lixos”. Até onde sabemos, pouco do que se considera lixo é realmente desperdiçado. 
Mesmo que exista tal “lixo”, ele pode ser um subproduto necessário de um processo bom num mundo 
finito como o nosso, assim como serragem resulta da extração e processamento da madeira. 
A eternidade da matéria (energia). Os ateus geralmente citam de modo incorreto a primeira 
lei científica da termodinâmica. Ela não deve ser formulada: “Energia não pode ser criada nem 
destruída”. A ciência como ciência não deve ocupar-se com afirmações de “pode” ou “não pode”. A 
ciência operacional lida com o que é ou não é, baseada na observação. Uma observação só nos diz, 
conforme a primeira lei, que “a quantidade de energia real no universo permanece constante”. Isto é, 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 30 
 
apesar da quantidade de energia utilizável estar diminuindo, a quantidade de energia real permanece 
constante no universo. A primeira lei não diz absolutamente nada sobre a origem ou destruição de 
energia. Ela é apenas uma observação sobre a presença contínua de energia no cosmo. 
Ao contrário da segunda lei da termodinâmica, que diz que a energia utilizável do universo 
está se esgotando e, logo, devemos ter um começo, a primeira lei não afirma que a energia é eterna. 
Portanto, ela não pode ser usada para eliminar um Criador do cosmos. 
As crenças do ateísmo. 
Os ateus não têm crenças idênticas, assim como os teístas. Mas há um núcleo de crenças 
comuns à maioria dos ateus. Então, apesar de nem todos os ateus acreditarem no que se segue, tudo 
que segue é aceito pela maioria dos ateus. E a maioria dos ateus acredita no seguinte: 
Sobre Deus. Os verdadeiros ateus acreditam que apenas o cosmos existe. Deus não criou o 
homem; as pessoas criaram Deus. 
Sobre o mundo. O universo é eterno. Se não foi eterno, então surgiu “do nada e por nada”. É 
autossuficiente e autoperpetuador. Nas palavras do astrônomo Carl Sagan: “O Cosmo é a única coisa 
que existe, existiu, e tudo que jamais existirá.” (Sagan, Cosmos, 4). Quando indagado sobre o que 
causou o mundo?”, a maioria dos ateus responderia com Bertrand Russell que ele não foi causado; 
simplesmente existe. Apenas as partes do universo precisam de uma causa. Elas dependem do todo, 
mas o todo não precisa de uma causa. Se pedirmos uma causa para o universo, então devemos pedir 
uma causa para Deus. 
E se não precisamos de uma causa para Deus, então também não precisamos de uma causa 
para o universo. 
Se alguém insistir que tudo precisa de uma causa, o ateu apenas sugere a regressão infinita de 
causas que jamais chega à primeira causa (i.e., Deus). Pois se tudo deve ter uma causa, então a 
“primeira causa” também precisa ter. Nesse caso não é mais a primeira, e nada mais o é. 
Sobre o mal. Ao contrário dos panteístas que negam a realidade do mal, os ateus a afirmam 
convictamente. Na verdade, enquanto os panteístas afirmam a realidade de Deus e negam a realidade 
do mal, os ateus, por outro lado, afirmam a realidade do mal e negam a realidade de Deus. Eles 
acreditam que os teístas são incoerentes ao tentar apegar-se às duas realidades. 
Sobre os seres humanos. O ser humano é matéria em movimento sem uma alma imortal. Não 
há mente a não ser o cérebro. Nem alma independente do corpo. Apesar de nem todos os ateus serem 
materialistas rígidos que identificam a alma com o corpo, a maioria acredita que a alma é dependente 
do corpo. A alma, na verdade, morre quando o corpo morre. A alma (e mente) pode ser mais que o 
corpo, da mesma forma que um pensamento é mais que palavras ou símbolos. Mas, como a sombra 
de uma árvore deixa de existir com a árvore, a alma também não sobrevive à morte do corpo. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 31 
 
Sobre a ética. Não existem absolutos morais, certamente nenhum absoluto divinamente 
autorizado. Talvez existam alguns valores geralmente aceitos e duradouros. Mas leis absolutamente 
obrigatórias também parecem implicar um Provedor de Leis absoluto, o que não é uma opção. 
Já que valores não são descobertos por alguma revelação de Deus, eles devem ser criados. 
Muitos ateus acreditam que valores morais emergem do processo de tentativa e erro, da mesma forma 
que as leis de trânsito se desenvolveram. Geralmente a ação correta é descrita em termos do que trará 
o maior benefício a longo prazo. Alguns reconhecem sinceramente que situações relativas e mutantes 
determinam o que é certo ou errado. Outros falam sobre o comportamento conveniente (o que 
“funciona”), e alguns exercem toda sua ética em termos de interesse próprio. Mas praticamente todos 
os ateus reconhecem que cada pessoa deve determinar valores pessoais, já que não há Deus para 
revelar o que é certo e errado. Conforme o Manifesto humanista declara: 
O humanismo afirma que a natureza do universo retratada pela ciência moderna torna 
inaceitável qualquer garantia sobrenatural ou cósmica dos valores humanos (Kurtz, p. 8). 
Sobre o destino humano. A maioria dos ateus não vê destino eterno para pessoas, apesar de 
alguns falarem de um tipo de imortalidade coletiva da raça. Mas, apesar da negação da imortalidade 
individual, muitos ateus são utopistas. Acreditam num paraíso terrenofuturo. Marx acreditava que a 
dialética econômica da história produziria inevitavelmente um paraíso comunista. Outros, como 
Rand, acreditam que o capitalismo puro pode produzir uma sociedade perfeita. Ainda outros 
acreditam que a razão humana e a ciência podem produzir uma utopia social. No entanto, quase todos 
reconhecem a mortalidade final da raça humana, mas se consolam na crença de que sua destruição 
está a milhões de anos de acontecer. 
Avaliação. Contribuições positivas do ateísmo. Mesmo do ponto de vista teísta, nem todas as 
posições expressas por ateus são falsas. Os ateus já ofereceram muitas percepções sobre a natureza 
da realidade. 
A realidade do mal. Ao contrário dos panteístas, os ateus não ignoram a realidade do mal. Na 
verdade, a maioria dos ateus tem uma percepção aguçada do mal e da injustiça. Indicam corretamente 
a imperfeição deste mundo e a necessidade de adjudicação da injustiça. Neste caso, eles estão 
absolutamente certos ao dizer que um Deus amoroso e onipotente certamente faria algo sobre a 
situação. 
Conceitos contraditórios de Deus. Ao afirmar que Deus não é causado por outro, alguns 
descreveram Deus como se fosse um ser autocriado (causa sui). Os ateus mostram corretamente essa 
contradição, pois nenhum ser causa a própria existência. Fazer isso seria existir e não existir ao mesmo 
tempo. Pois causar existência é passar da inexistência à existência. Mas a inexistência não pode causar 
existência. Nada não pode causar algo. Nesse ponto os ateus estão absolutamente corretos. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 32 
 
Valores humanos positivos. Muitos ateus são humanistas. Juntamente com outros eles 
afirmam o valor da humanidade e da cultura. Buscam sinceramente as artes e ciências e expressam 
profunda preocupação por questões éticas. A maioria dos ateus acredita que o racismo, o ódio e a 
intolerância são errados. Muitos ateus louvam a liberdade e a tolerância e têm outros valores morais 
positivos. 
A oposição leal. Os ateus são a oposição leal dos teístas. É difícil ver as falhas do próprio 
pensamento. Os ateus servem de corretivo para raciocínios teístas inválidos. 
Seus argumentos contra o teísmo devem fazer cessar o dogmatismo e abrandar o zelo com que 
muitos crentes desprezam espontaneamente a incredulidade. Na verdade, os ateus desempenham um 
papel importante de corretivo para o pensamento teísta. Monólogos raramente produzem um 
raciocínio refinado. Sem ateus, os teístas não teriam uma oposição significativa com que dialogar e 
explicar seus conceitos de Deus. 
Enquanto aqueles que creem em alguma forma de Deus atribuem de alguma maneira a 
existência deste mundo a esse Deus (ou deuses), o ateu, o agnóstico e o cético apresentam uma 
explicação naturalista e alternativa para este mundo. 
 
Definição de Ateísmo 
A palavra ateísmo vem do grego, sendo formada pelo prefixo a (não ou nenhum) e pelo 
substantivo theos (deus ou Deus). Um ateísta é alguém que crê que existem provas em favor da 
inexistência de Deus. Para o ateísta pode-se explicar toda a existência a partir do natural, em vez de 
a partir do sobrenatural. Um ateísta tem convicção de que toda crença, prova e fé religiosas são falsas. 
Ao contrário dos agnósticos, o ateísta assume uma posição bem clara, argumentando que as 
provas relativas à existência ou inexistência de Deus são mutáveis, mas que os indícios favorecem a 
pressuposição da não existência de Deus. 
Agnosticismo 
Agnosticismo é uma palavra de origem grega, sendo formada pelo prefixo a (não ou nenhum) 
e pelo substantivo gnosis (conhecimento, geralmente adquirido pela experiência). Um agnóstico é 
alguém que crê que não existem indícios suficientes para se provar ou refutar a existência ou 
inexistência de Deus ou deuses. Os agnósticos criticam o teísta e o ateísta por seu dogmatismo e pela 
presunção de tal conhecimento. 
Existem dois tipos de agnósticos. Um tipo afirma que não há provas suficientes, mas deixa 
aberta a possibilidade, em algum momento, se chegar-se a ter mais provas de modo que se saiba com 
segurança a respeito. O segundo tipo está convencido de que, objetivamente, é impossível a quem 
quer que seja chegar a ter certeza sobre a existência ou a não existência de Deus ou de deuses. 
Ceticismo 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 33 
 
Ceticismo vem do latim scepticus (indagador, pensativo, aquele que duvida). Por sua vez, a 
palavra latina vem do grego scepsis (indagação, hesitação, dúvida). Os gregos empregaram a palavra 
para se referir a uma determinada escola de pensamento filosófico, os céticos, que ensinava que, por 
ser o conhecimento verdadeiro inatingível, deve-se suspender o juízo em questões pertinentes à 
verdade. 
Uma proposição sobre um método de se chegar ao conhecimento: que cada hipótese se 
submeta continuamente à experimentação; que um método confiável, ou o melhor, ou o único, de se 
chegar ao conhecimento das questões acima mencionadas é duvidar até que se ache algo indubitável 
ou algo tão indubitável quanto possível; que, sempre que as provas não forem conclusivas, suspenda-
se o juízo; que o conhecimento de todas ou de algumas questões repouse, em algum ponto, em 
postulados ou pressuposições não comprovados, o papel do ceticismo é lembrar aos homens que é 
impossível conhecer com certeza absoluta. 
O cético não afirma nem nega a existência de Deus, e em contraste com o agnóstico duro, o 
cético não diz que é impossível saber, o agnosticismo, também, é uma forma de dogmatismo — o 
dogmatismo negativo. O cético afirma que está tomando uma atitude muito mais experimental para 
com o conhecimento. Não tem certeza se Deus existe ou não existe, nem tem certeza se pode ou não 
conhecer a Deus. Na realidade, o cético total não tem certeza de coisa alguma. 
Devido à sobreposição de definições para ateísmo, agnosticismo e ceticismo, às vezes é difícil, 
e até mesmo desnecessário, distinguir o uso que se faz desses termos. O mais importante a se lembrar 
é que a maioria das pessoas não religiosas, embora empreguem um desses três termos para si mesmas, 
geralmente não têm uma clara compreensão de como suas próprias ideias se enquadram em uma 
categoria, nem tampouco as demais. Uma pessoa pode ser considerada uma ateísta, mas, na prática, 
enquadrar-se na definição comum de agnóstico. Uma outra pessoa poderá ser considerada cética, mas 
que admita a possibilidade de mudança de modo a vir a aceitar algumas verdades universais. Se 
alguém questiona todas as coisas, o título “cético” lhe cabe. Mas visto que possa algum dia vir a ter 
alguma certeza, é mais adequado ver essa pessoa como um agnóstico. No entanto, se a essa altura a 
pessoa não crê em Deus, será que “ateísta” é a palavra mais adequada? Embora os três termos nos 
sejam úteis (como quando lemos outras obras de filosofia), os termos são relativamente sem 
importância na maioria dos contatos pessoais. 
Embora o termo ateísmo como designação da crença de que Deus (ou deuses) não existe (m) 
tenha sido empregado a partir do final do século dezesseis, Nicolau Maquiavel (falecido em 1527) já 
havia promovido uma ética social que não dependia da crença em um Deus supremo, ou de sua 
existência. As ideias de muitos filósofos, sendo que nem todos eles foram ateístas de fato, ajudaram 
a dar forma à filosofia ateísta de hoje. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 34 
 
Num rápido e limitado vislumbre da história do ateísmo, recapitularemos algumas das 
contribuições feitas ao ateísmo contemporâneo por Hegel, Feuerbach, Marx, Comte, Nietzsche, 
Jaspers e Sartre. Ideias propostas por filósofos como Bayle, Spinoza, Fichte e Hume, embora não 
mencionados aqui, também contribuíram para o desenvolvimento do pensamento ateísta 
contemporâneo. 
George W. F. Hegel (1770-1831) foi o homem cujos escritos se tornaram uma inspiração para 
o movimento ateísta contemporâneo. Foi um dos primeiros filósofos de renome a propor a ideiasde 
que Deus dependia do mundo pelo menos tanto quanto o mundo dependia de Deus. Ele afirmou que 
sem o mundo Deus não é Deus. De alguma forma, Deus precisava de sua criação. Esse foi o primeiro 
passo para se dizer que visto que Deus não era suficiente em si mesmo, ele era, então desnecessário, 
e no final das contas, imaginário. 
Ludwig Feuerbach (1804-1872) foi um antigo e destacado filósofo ateísta. Ele negou todo 
sobrenaturalismo e atribuiu toda discussão acerca de Deus à discussão acerca da natureza. Para ele, o 
homem não depende de Deus, mas da natureza. Feuerbach divulgou o conceito que é às vezes 
chamado de “projeção da ideia de Deus”. Ele postulou que a ideia de Deus surgiu como consequência 
do desejo humano de ter alguma espécie de Ser sobrenatural como explicação para a existência do 
próprio homem e para os eventos que o homem observa ao seu redor. Esse desejo, ou anseio, foi a 
semente a partir da qual cresceu o mito de Deus. Feuerbach pensava que essa hipótese provava que 
Deus de fato não existia. 
Hegel e Feuerbach tiveram forte influência sobre Karl Marx (1818- 1883) e seu colaborador, 
Friedrich Engels (1820-1895). Marx, um ateísta declarado, pregava que a religião é o ópio do povo e 
a inimiga de todo progresso. Um aspecto da tarefa da grande revolução do proletariado é a destruição 
de toda a religião. 
Augusto Comte (1798-1857) foi um contemporâneo de Marx e Engels, porém um pouco mais 
velho. Cria que Deus era uma superstição irrelevante. 
Frequentemente faz-se referência a Friedrich Nietzsche (1844-1900) como o pai da Escola da 
Morte de Deus. Ele lançou os alicerces para os niilistas que viram mais tarde a ensinar que, uma vez 
que Deus não existe, o homem deve idealizar o seu próprio modo de vida. 
Karl Jaspers (1883-1969) e Martin Heidegger (1889-1971) foram dois proeminentes 
pensadores existencialistas que discutiram a natureza ambígua (e, portanto, desprovida de sentido) da 
transcendência religiosa. De sua parte, Heidegger também enfatizou que a salvação de uma pessoa 
está em sua própria independência como um indivíduo separado de todos os demais indivíduos, 
inclusive, é claro, de qualquer espécie de Deus. 
Jean-Paul Sartre (1905-1981) foi o mais popular proponente do existencialismo. Ele 
argumentava que o homem não apenas cria seu próprio destino, mas também que cada homem tem 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 35 
 
somente a si mesmo como a única justificação para sua existência. A vida é desprovida de qualquer 
significado último, objetivo e eterno. Um indivíduo simplesmente existe, sem ter relação com os 
demais. 
Um bom exemplo da perspectiva ateísta encontra-se no Manifesto Humanista (1933). Foi 
redigido e assinado por humanistas seculares de renome, os quais declaram, num ponto do manifesto, 
que “o humanismo é a fé no valor supremo e na auto-aperfeiçoabilidade da personalidade humana”. 
Embora tenha havido muitos outros importantes pensadores na história do ateísmo, esses representam 
os mais influentes que contribuíram para dar forma ao pensamento ateísta contemporâneo. 
 
Argumentos Contra a Existência de Deus 
Iremos agora apresentar um resumo dos cinco tipos de argumentos que a maioria dos não-
teístas empregam para negar a existência de Deus, e, então, apresentaremos uma resposta cristã para 
cada um deles. 
Linguagem 
Exemplo: Não faz sentido falar sobre Deus. 
“Existem apenas dois tipos de declarações significativas. Uma declaração pode ser 
exclusivamente uma definição (todos os triângulos têm três lados), sem nos informar acerca do mundo 
real (se existem de fato triângulos). Ou uma declaração pode ser feita acerca da realidade por conter 
informação (isto é um triângulo) empiricamente verificável (isto é, que se pode testar pelos sentidos). 
Falar sobre Deus em declarações que sejam exclusivamente definições não nos informa se Ele, de 
fato, existe. Todavia, pelo fato de Ele não ser empiricamente verificável não podemos fazer 
declarações verificáveis a Seu respeito. Visto que declarações que são exclusivamente definições e 
declarações empiricamente verificáveis são os únicos tipos de declarações significativas que existem, 
falar sobre a existência de Deus é algo sem sentido ou (como frequentemente se tem dito) é algo 
absurdo. 
Na verdade, esse argumento não nega que Deus exista, mas declara que toda discussão a seu 
respeito é fútil. 
 
Conhecimento 
Exemplo: Não se pode conhecer o real. 
“Podemos conhecer as coisas no mundo real através do uso dos sentidos e da mente. No 
entanto, visto que nossos sentidos são imperfeitos e seletivos e que nossa mente é influenciada por 
tudo o que experimentou anteriormente, nossa percepção de uma coisa é, desse forma, afetada. 
Portanto, podemos conhecer um objeto conforme ele é para nós, mas não como ele é em si mesmo.” 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 36 
 
Esse argumento não vai especificamente contra a existência de Deus, mas pode ser empregado 
para negar que se possa conhecer objetivamente a respeito de Deus. 
 
Conceitos Morais 
Exemplo: O Deus cristão não poderia permitir o mal. 
“Caso houvesse um Deus Todo-poderoso, então ele poderia destruir todo mal. Caso ele fosse 
totalmente bondoso, então ele iria querer destruir todo mal. Caso esse Deus Todo-poderoso e 
totalmente bondoso existisse, então ele teria destruído todo o mal. O mal existe. Portanto, o seu Deus 
Todo-poderoso e totalmente bondoso com toda certeza não existe. Ou, caso exista, é incapaz de acabar 
com o mal.” 
Esse não é um argumento contra a existência de todos os deuses, mas apenas contra a 
existência desse “Deus Todo-poderoso e totalmente bondoso”. A partir dessa questão surgem todos 
os demais problemas acerca do mal. Entre tais questões pertinentes encontram-se o sofrimento dos 
inocentes, as calamidades naturais, etc. 
 
Métodos Científicos 
Exemplo 1: Deus é resultado da vontade humana (Psicologia). 
“O ser humano se sente insuficiente em si mesmo. Ele anseia por Alguém que seja 
suficientemente grande para salvá-lo das tragédias da vida. Ele deseja que Deus exista. Deus surge a 
partir da mente humana. Portanto, Deus não tem qualquer realidade objetiva. Ele não existe.” 
Exemplo 2: Deus é resultado de crença supersticiosa (Sociologia). 
“O homem primitivo não conseguia explicar, em termos naturais, o mundo ao seu redor. Ele 
inventou Deus para explicar o desconhecido. Hoje em dia a ciência tem demonstrado que as leis 
naturais governam o nosso mundo. As leis naturais explicam todas as coisas. Já não precisamos mais 
da crença em Deus como explicação para as coisas. Portanto, Deus não existe.” 
 
Lógica 
Exemplo 1: A onipotência de Deus é contraditória. 
“Não pode existir um Deus onipotente (todo-poderoso). Um Deus assim seria derrubado pelas 
seguintes questões contraditórias (antinomias): 
1. Pode Deus criar uma pedra tão pesada que nem ele consiga erguer? 
2. Pode Deus fazer com que 2+2 = 6? 
3. Pode Deus fazer com que ele mesmo deixe de existir e, então, fazer com que volte à 
existência? 
4. Pode Deus fazer um círculo quadrado? 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 37 
 
Caso Deus seja todo-poderoso, deve ser capaz de realizar tais coisas. Mas, ao fazê-las, estará 
inviabilizando sua própria onipotência. Logicamente ele não existe. 
Exemplo 2: Os atributos de Deus se contradizem mutuamente. 
“Como um ser pode ao mesmo tempo ter amor e ira? Como Deus pode ser simultaneamente 
alguém que ama totalmente (dando ao homem o livre-arbítrio), e conhece todas as coisas 
(predestinando as ações humanas através de sua presciência)? Como Deus pode ser totalmente bom 
e, ainda assim, totalmente livre (capaz de escolher o mal)? Pelo fato de que, do ponto de vista lógico, 
os atributos de Deus se contradizem mutuamente, certamente ele não existe.” 
 
Respostas Cristãs ao Ateísmo 
Defrontar-se, de uma só vez, com uma variedade de argumentos contra a existência de Deus 
pode seralgo chocante. Muitos estudantes cristãos que não estão familiarizados com a filosofia 
secular, às vezes não conseguem responder a esses argumentos, quando pela primeira vez são 
confrontados com eles. Temos apresentado alguns dentre os argumentos mais comuns que 
representam a atitude cética/agnóstica/ateística dominante em muitos ambientes seculares da 
atualidade. Temos descoberto que a maioria dos argumentos contrários à existência de Deus podem 
ser refutados pelos simples princípios que apresentaremos abaixo. 
 
Refutação do Ceticismo 
O ceticismo é uma ferramenta poderosa nas mãos de um agnóstico ou ateísta. Como vimos 
nas divisões que tratam de definições e história, emprega-se o ceticismo em muitas áreas do 
pensamento não teísta. Frequentemente ele é pressuposto, ou então declarado abertamente, como 
parte de um argumento contra a existência de Deus. 
Em última instância, o ceticismo é sem sentido. Ele se refuta a si mesmo. Se alguém declara: 
“Você nunca pode ter certeza de coisa alguma”, tal pessoa está pegando a si mesma em sua própria 
armadilha. Se não pudermos ter certeza de coisa alguma, então não poderemos estar certos quanto à 
afirmação de que “nada é certo”. Mas caso essa afirmação seja objetivamente verdadeira, poderemos, 
então, ter certeza quanto a uma coisa: essa afirmação. Mas caso possamos estar certos quanto à 
afirmação, então conclui-se que a afirmação é falsa. 
Tanto o niilismo quanto o ceticismo são filosofias que se contradizem a si mesmas e que se 
refutam a si mesmas. Caso a verdade não exista (niilismo), então a verdade postulada do niilismo não 
poderia existir. Caso o conhecimento fosse impossível (ceticismo), como poderíamos chegar a saber 
disso? Ou seja, aparentemente algumas coisas podem ser conhecidas. 
A afirmação do cético, de que não podemos saber coisa alguma, é, em si mesma, uma alegação 
acerca do conhecimento. Se a alegação do cético for falsa, então não precisaremos nos preocupar com 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 38 
 
a acusação do cético. Do outro lado, se foi verdade, então sua posição será contraditória em si mesma, 
porque sabemos pelo menos uma coisa - que não podemos saber coisa nenhuma. 
Os cristãos que frequentemente têm contatos com não-crentes (agnósticos ou ateístas) 
descobrem que muitos argumentos contra a existência de Deus ou contra as asseverações do 
cristianismo são basicamente afirmações de que não se pode conhecer. São argumentos 
essencialmente céticos e refutam-se a si mesmos. Esse único princípio é suficiente para responder a 
inúmeros argumentos antiteístas. 
 
Refutação do Argumento da Linguagem 
Da mesma forma como acontece com o ceticismo, o argumento da linguagem refuta-se a si 
mesmo. Dizer que não se pode falar de modo significativo sobre Deus é falar de modo significativo 
sobre Deus. Ou essa afirmação (“Não se pode falar de modo significativo sobre Deus”) é significativa, 
caso em que ela nos fornece informação significativa sobre Deus, ou é, ela própria, desprovida de 
significação, caso em que não precisamos dar-lhe atenção. No dizer de Geisler: 
...os princípios de verificabilidade empírica, tal como foram postulados por Ayer, 
contradizem-se a si mesmos. Pois não são exclusivamente definições nem são estritamente fatos. Por 
essa razão, tais princípios caem, com base em seu próprio raciocínio, na terceira categoria de 
afirmações irracionais ou absurdas... a tentativa de se limitar o significado ao que se pode definir ou 
verificar é fazer uma afirmação quanto à verdade, afirmação que deve ser mesmo sujeita a algum 
teste. Caso não se possa testá-la, então ela se torna um ponto de vista (GÉISLER, Norman. Christian 
Apologetics (Apologética Cristã). Grand Rapids, Baker, 1976, p. 23). 
 
Refutação do Argumento do Conhecimento 
Quem abraça totalmente a ideia de que não podemos conhecer o real é um outro exemplo de 
alguém que se refuta a si mesmo. É razoável que digamos que não conhecemos tudo sobre o real, mas 
é refutar-se a si mesmo afirmar que nada se conhece sobre o real. Caso alguém de fato nada conheça 
sobre o real, então sua afirmação (“Nada conheço sobre o real”) é falsa: com efeito, ele conhece a 
veracidade de sua afirmação. Sua afirmação não poderá ser verdadeira a menos que, 
contraditoriamente, também seja falsa. O filósofo cristão Warren Young coloca essa questão assim: 
A base da possibilidade de se conhecer repousa sobre uma crença na racionalidade da mente 
humana. À parte da crença na racionalidade, o conhecimento é impossível. A menos que se aceite a 
habilidade organizadora da mente, é impossível conhecer. Os dados organizados pela razão são os 
dados da experiência humana. Apesar da rejeição, pelo cético, da confiabilidade da experiência, sua 
resposta não é final. O homem não é apenas enganado por seus sentidos, mas em quase todos os casos 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 39 
 
ele sabe que está sendo enganado. Sua razão leva-o a compensar o possível engano, a interpretar 
corretamente os dados dos sentidos, e, assim ele é capaz de conhecer (YOUNG, Op. cit., p. 62). 
Geisler também trata desse dilema ao analisar o agnosticismo absoluto. Ele escreve: 
O agnosticismo absoluto refuta-se a si mesmo; ele se resume à afirmação auto- destrutiva de 
que “sabe-se o suficiente sobre a realidade a fim de se afirmar que nada se pode saber sobre a 
realidade.” Essa declaração tem dentro de si mesma tudo o que é necessário para provar que é falsa. 
Pois se alguém conhece algo sobre a realidade, então certamente não pode afirmar ao mesmo tempo 
que toda a realidade é incognoscível. E fica claro que se alguém conhece absolutamente nada sobre a 
realidade, então não possui absolutamente qualquer base para fazer uma afirmação sobre a realidade. 
Não basta dizer que seu conhecimento sobre a realidade é pura e completamente negativo, isto é, um 
conhecimento do qual não se possa afirmar de modo significativo que algo não é — com isto se 
conclui que o agnosticismo absoluto refuta-se a si mesmo, pois presume algum conhecimento sobre 
a realidade a fim de negar qualquer conhecimento sobre a realidade (GEISLER, p. 20). 
 
Refutação do Argumento de Conceitos Morais 
O argumento do problema do mal e de suas várias formas e desenvolvimentos é, 
provavelmente, o argumento usado com mais frequência contra a existência de Deus. Livros e mais 
livros têm sido escritos em busca de uma solução cristã para o problema. Livros e mais livros têm 
sido escritos para estudar em profundidade as ideias, quanto ao conceito, formuladas por não-cristãos. 
Muitos sub-argumentos contra a existência de Deus têm origem nesse argumento básico. Por que 
Deus permite que criancinhas sofram e morram? Por que Deus permite a ocorrência de catástrofes 
naturais? etc. Ao compreender os problemas básicos que envolvem a questão, pode-se aprender os 
princípios para se responder às diferentes formas que a questão assume. 
Um bom método para se achar respostas para tais argumentos é examinar cada passo do 
argumento e verificar se fala ou não a verdade. Se apenas um único passo do argumento for inválido 
ou não verdadeiro, então o peso de todo o argumento se reduz a nada. Quando examinamos este 
argumento, nada há de que discordemos em seu primeiro passo: “Caso houvesse um Deus Todo-
poderoso, então ele poderia destruir todo mal.” Começamos a ter problemas com a segunda premissa: 
“Caso ele fosse totalmente bondoso, então ele iria querer destruir todo mal.” São dois os problemas 
existentes aqui. Um Deus todo-bondoso poderá ter usos benéficos para o mal. Segundo, quem assim 
questiona leva em consideração o elemento tempo. E se Deus quiser fazer uso do mal por algum 
tempo e, então, finalmente destruí-lo? Tal hipótese permitiria a existência de um Deus bom e ao 
mesmo tempo também permitiria a existência do mal na época presente. 
Sob esse ponto de vista poderá haver uma disputa acerca do mal, visto que algumas coisasque acontecem no mundo parecem contrárias àquilo que um Deus amoroso permitiria. Mas o 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 40 
 
problema deve ser, de alguma forma, solucionável, visto que os acontecimentos que condenamos e a 
lei moral pela qual os condenamos podem ser atribuídos a uma mesma origem. Se Deus é aquilo que 
o cristianismo afirma ser, então ele é o Deus de Amor e de Justiça, e também é o Deus que 
aparentemente permite o sofrimento inútil, isso significa que deve existir uma reconciliação entre as 
duas ideias, (Talvez, por exemplo, o sofrimento não seja inútil.) Assim sendo, o mal é um problema 
para o cristianismo, mas não uma objeção a ele. O ponto de vista que reconhece um problema mantém 
a esperança de uma solução. 
 
Refutação dos Argumentos dos Métodos Científicos 
Afirmar que o desejo humano de que Deus exista prova que Deus não existe é algo totalmente 
ilógico. O fato de eu desejar que meus filhos cresçam como cristãos consagrados não é prova de que 
crescerão como ateístas. A minha vontade não faz as coisas existirem, nem as impede de existirem. 
Os argumentos em favor da existência de Deus têm que ser analisados com base em seus próprios 
méritos, não importando se o homem deseja que Deus exista. Será que o fato de que os ateístas 
desejam que Deus não existe prova que ele, de fato existe? É claro que não. Deve- se examinar as 
provas. 
De igual modo, a ideia de que o homem (ou pelo menos alguns homens) baseou sua crença 
em Deus a partir da superstição nada esclarece sobre se esse Deus de fato existe ou não. 
De acordo com esse argumento, a religião se originou em meio ao temor, superstição e 
ignorância; e o medo do desconhecido, numa era de ignorância a respeito das causas científicas, levou 
o homem à superstição. 
Os lógicos criticam o argumento precedente como um exemplo de falácia genética, o erro de 
presumir que se provou uma ideia simplesmente porque se conseguiu identificá-la com sua origem. 
Talvez haja interesse (e, com toda certeza, há interesse pelo menos por parte dos psicólogos e 
historiadores) em se saber, com segurança, como surgiram nossas convicções religiosas e o que lhes 
deu o ímpeto inicial. Mas como prova do ateísmo, tais fatores são irrelevantes. Dessa maneira, os 
indícios de que uma ciência em particular tenha tido origem na magia ou na alquimia não implica que 
essa ciência seja inválida hoje em dia. 
Principiemos pela acusação de que o cristianismo representa um ponto de vista pré-científíco 
e “mágico” acerca do mundo. Não há dúvida de que o cristianismo é pré-científico no sentido de que 
teve início antes do surgimento da ciência moderna. Nesse sentido, a matemática, a lógica, a história 
e muitos outros ramos do conhecimento também são pré-científícos. Mas rejeitamos a afirmação de 
que o cristianismo esteja em oposição a uma compreensão genuinamente científica do universo. 
Quanto à acusação de que o cristianismo representa uma compreensão “mágica” sobre o universo, 
aqui a palavra “mágica” ou simplesmente tem o sentido de não científico ou anticíentífico, ou então 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 41 
 
possui alguma relação com antigas crenças em magia. Aqui ocorre uma confusão. A magia, conforme 
praticada durante muitos séculos, era uma tentativa de exercer poder sobre a natureza por intermédio 
de palavras, rituais, mistura de materiais, etc. Era, em essência, uma tentativa de uma espécie de 
tecnologia, uma tentativa de controlar as forças que proporcionariam poder, riqueza e conhecimentos 
secretos aos homens. Sendo uma tentativa de satisfazer a curiosidade e conferir poder sobre a 
natureza, foi a ancestral da ciência e não da religião. 
De outro lado, o cristianismo crê que determinados acontecimentos maravilhosos têm 
ocorrido, algumas vezes como resposta à oração. Mas esses acontecimentos são o resultado da 
vontade da Pessoa que criou a natureza e suas leis, e não se pode predizer as ações dessa Pessoa, nem 
exigir que ela faça algo, nem forçá-la a alguma coisa. Algumas vezes os resultados desses 
acontecimentos poderão ser benéficos aos seres humanos, mas o seu propósito é revelar algo a 
respeito de Deus ou confirmar alguma revelação. A atitude e a atmosfera da magia se opõem 
totalmente à atitude e atmosfera do cristianismo. De um lado está o mágico, com seus conhecimentos 
secretos, forçando certas coisas ocorrerem por meio de palavras ou poções mágicas. De outro lado 
está o cristão com uma mensagem para todos os homens, orando para que se faça a vontade de Deus, 
algumas vezes obtendo uma resposta maravilhosa paia sua oração. Um grande abismo separa a magia 
do cristianismo. 
 
Refutação dos Argumentos da Lógica 
 São inúmeros os argumentos que buscam demonstrar a autocontradição do Deus cristão. 
Quase todos, no entanto, se ocupam dos atributos de Deus. O alvo mais popular é a onipotência de 
Deus, isto é, o poder infinito. Relacionamos apenas alguns dos argumentos que supostamente negam 
a onipotência de Deus. O que significa a afirmação de que Deus é todo- poderoso? Será que com isso 
estamos dizendo que ele é capaz de fazer tudo o que pudermos imaginar? 
Não. Quando afirmamos que Deus é todo-poderoso, estamos dizendo que qualquer coisa que 
seja passível de ser feita, Deus pode fazer. Ele não pode fazer aquilo que é lógica ou intrinsecamente 
impossível. 
A onipotência não significa que Deus possa fazer qualquer coisa, mas que ele pode, com 
poder, fazer qualquer coisa que o poder seja capaz de fazer. Ele tem todo o poder que existe ou que 
possa existir. 
Pode Deus fazer com que dois mais dois seja igual a seis? Essa é uma pergunta que os céticos 
e as crianças frequentemente fazem. Nossa resposta é indagar quanto poder seria necessário para 
produzir esse resultado. Não é muito difícil de se perceber o absurdo da pergunta. Será que a potência, 
ou a força, de uma tonelada de dinamite faria com que dois mais dois sejam igual a seis? Ou será que 
seria necessário o poder de uma bomba atômica? Ou de uma bomba de hidrogênio? Quando se fazem 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 42 
 
tais perguntas, logo se percebe que os fatos da tabuada não dizem respeito à questão do poder. O 
poder não tem nada a ver com isso. Quando asseveramos que Deus é onipotente, estamos falando 
sobre poder. 
Esse tipo de argumento lógico é logicamente inconsistente. Tal argumento é conhecido como 
a falácia das premissas contraditórias. Quando premissas contraditórias estão presentes num 
argumento, uma premissa anula a outra. É possível que ou uma ou a outra seja verdadeira, mas não 
que ambas sejam simultaneamente verdadeiras. Observe as premissas contraditórias nas seguintes 
perguntas: “Caso Deus seja todo-poderoso, será que ele consegue deixar de existir, e, então, voltar a 
viver tendo o dobro do poder que tinha anteriormente?” “Será que Deus pode criar uma pedra tão 
pesada que não consiga levantá-la?” 
Em vez de dizer que Deus não tem poder para fazer as coisas que acabamos de mencionar, 
estaria mais de acordo com a verdade simplesmente dizer que tais coisas não podem ser feitas de 
modo algum! Deus é infinito em poder, mas o poder só se relaciona de modo significativo com aquilo 
que pode ser feito, com aquilo que é possível de se realizar — não com o que é impossível. É absurdo 
falar de qualquer poder (mesmo de poder infinito) como sendo capaz (tendo poder) de fazer aquilo 
que simplesmente não pode ser feito. Deus pode fazer o que quer que seja possível de ser feito, mas 
ele fará apenas aquilo que estiver em harmonia com sua natureza. Em vez de dizer que Deus não pode 
(ou não consegue) fazer um triângulo com quatro lados, seria mais exato (ou, talvez, mais 
significativo) dizer (à luz do fato de que a palavra “triângulo" significa uma figura com três lados e 
que não pode se referir a figura alguma com quatro lados) que fazer triângulos com quatro lados é 
algo que simplesmente não dá paraser feito. 
A vista da refutação exaustiva acima apresentada, refutação essa acerca dos problemas sobre 
a onipotência de Deus, não parece necessário examinar as outras afirmações quanto às 
autocontradições da pessoa de Deus. Contudo, um rápido exame revelará que essas alegadas 
contradições não são, na verdade, contradições. O Deus cristão possui uma natureza harmônica de 
atributos complementares. Nenhum atributo anula qualquer outro. 
Se apenas examinarmos as pressuposições dos argumentos, poderemos enxergar os 
problemas. Por exemplo, o cético pressupõe que o amor e a ira (o derramamento da justiça) de Deus 
excluem-se mutuamente. A isso poderíamos responder fazendo uma comparação com a experiência 
humana. Ninguém afirmaria que a disciplina imposta por um pai a seu filho ou a punição imposta por 
um juiz a um criminoso comprova que o pai ou o juiz não tem qualquer amor. Pelo contrário, a justiça 
de ambos deveria agir em harmonia com o seu amor. 
Ainda que concordemos que faz parte do amor divino dar ao ser humano o livre-arbítrio, não 
podemos concordar com que a presciência cause a predestinação. Apenas saber o futuro não implica 
predeterminá-lo. Finalmente, para ser uma liberdade autêntica, a liberdade experimentada pelo Deus 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 43 
 
infinitamente bom e eterno (imutável) não precisa incluir a possibilidade de escolher o mal. Liberdade 
não significa liberdade para contradizer a própria natureza. A natureza divina é imutavelmente boa, 
santa e perfeita. (Aqui a palavra perfeita é empregada no sentido de completa.) A vontade de Deus é 
a auto-expressão da sua natureza e, como tal, é necessariamente boa, santa e perfeita. 
Qualidades como o amor e a justiça não são incompatíveis em Deus. São qualidades 
diferentes, mas nem tudo que é diferente é incompatível. Aquilo que é diferente e, às vezes, pelo 
menos na aparência, é incompatível para este mundo, não é obrigatoriamente incompatível para Deus. 
Por exemplo, pode existir algo como amor justo ou justiça amorosa. De igual modo, Deus pode 
conhecer totalmente e amar totalmente, pois o seu conhecimento infinito pode ser exercido ao permitir 
que os seres humanos tenham a liberdade para fazer o mal, sem coagi-los (de acordo com o seu amor) 
a agir contra a vontade, de modo que através de tudo isso ele alcance (por poder infinito) o maior bem 
para todos (de acordo com sua justiça). 
 
Embora mal tenhamos tocado a superfície dos vastos campos do ateísmo, agnosticismo e 
ceticismo, tentamos apresentar respostas cristãs aceitáveis, que irão responder a alguns dos mais 
importantes argumentos contra a existência de Deus. 
Como cristãos num mundo não cristão, alternativamente defendemos o evangelho (1 Pe 3.15) 
e agressivamente proclamamos a verdade (At 2.14-39). Deus não ignora a lógica e a história. Sua 
Palavra continuará de pé muito depois de os pensamentos humanos tiverem se transformado em 
cinzas (1 Pe 1.25), 
 
Ateísmo: Uma Filosofia sem Esperança? 
 
Se Deus não existe, então nós devemos em última instância viver sem esperança. Se não há 
Deus, então em última instância não há esperança de libertação das deficiências de nossas existência 
finita. 
Por exemplo, não há esperança de libertação do mal. Apesar de muitas pessoas perguntarem 
como Deus poderia criar um mundo envolvendo tanto mal, de longe a maior parte do sofrimento no 
mundo é devida a própria desumanidade do homem para com o homem. O horror de duas guerras 
mundiais durante o último século efetivamente destruíram o otimismo ingênuo sobre o progresso 
humano do século 19. Se Deus não existe, então estamos presos sem esperança em um mundo cheio 
de sofrimento sem propósito e sem redenção, e não há esperança para a libertação do mal. 
 
Ou novamente, se não há Deus, não há esperança de libertação do envelhecimento, doenças 
e morte. Apesar de ser difícil para vocês como estudantes universitários contemplarem, o fato certo 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 44 
 
de que a menos que você morra jovem, algum dia você - você mesmo - será um homem velho ou uma 
mulher velha, lutando uma batalha sem vitória contra o envelhecimento, lutando contra o inevitável 
avanço de deterioração, doença e talvez senilidade. E final e inevitavelmente você morrerá. Não há 
vida além do túmulo. Ateísmo é portanto uma filosofia sem esperança. 
Em uma famosa citação, o filósofo ateu Bertrand Russell lamentou, 
Que o homem é o produto de causas que não tinham previsão do fim que estavam atingindo; 
que sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e suas crenças, nada mais 
são que o resultado de colocações acidentais de átomos; que nenhum fogo, heroísmo, intensidade de 
raciocínio e sentimento pode preservar a vida de um indivíduo além do túmulo; que todos os trabalhos 
das eras, toda a devoção, toda a inspiração, todo o brilho do gênio humano, estão destinados à extinção 
na vasta morte do sistema solar, e que o templo das realizações do homem deve inevitavelmente ser 
enterrado por baixo dos escombros do universo em ruínas – todas essas coisas, se não além de disputa, 
são tão certas, que nenhuma filosofia que as rejeita pode ter esperança de permanecer. Somente dentro 
do cadafalso dessas verdades, somente sobre o firme alicerce do desespero obstinado a habitação da 
alma pode ser construída com segurança.3 
Sartre, Camus, e muitos outros ateus tem eloquentemente expressado o desespero para o qual 
o ateísmo leva. Nesse sentido o ateísmo é desesperançoso. 
Ironicamente, o cristianismo, por contraste, não somente provê esperança de libertação do mal 
e do envelhecimento, doença e morte, mas também supre a esperança com o que você mesmo estima: 
libertação das mãos de um Deus justo e santo. Este foi o grande insight de Martinho Lutero. A mesma 
justiça de Deus que moldou sua condenação como um pecador longe de Cristo, tornou-se uma fonte 
de salvação para ele como alguém que pela fé é unido com Cristo. Pois quando você confia em Cristo 
como seu Salvador e Senhor, Deus considera você com a justiça de Cristo. “Portanto agora não há 
nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8.1). 
A maioria dos ateus admitem que o ateísmo não pode ser provado; na verdade, muitos insistem 
nisso. Mas então como eu posso saber que o ateísmo é verdade? A esperança cristã é firmemente 
fundada, não somente no testemunho do Espírito Santo, mas nos argumentos da teologia natural e a 
evidência para Jesus e sua ressurreição. Mas a esperança do ateu é, por sua própria confissão, sem 
um fundamento forte. Então o que acontece se a esperança do ateu for sem fundamento? E se o 
ateísmo estiver errado? 
 
 
 
 
3 Bertrand Russell, “A Free Man’s Worship”, em Basic Writings of Bertram Russell, editado por Robert E. Egner e Lester 
E. Denonn, 1961, p. 67. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 45 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMO UM DEUS BONDOSO PODE PERMITIR O MAL E O SOFRIMENTO? 
 
Por que o mal? 
Há uma imensa quantidade de livros escritos ao longo dos séculos na tentativa de apresentar 
uma explicação para a origem do mal, seus efeitos sobre a humanidade e como corrigi-lo. As 
recomendações que propõem vários modos de explicar e de resolver o problema do mal são tão 
diversas quanto os teólogos e os filósofos que as têm proposto. Nosso foco será a questão do mal em 
relação à existência de Deus: “Se Deus existe, por que o mal?”. Para estreitar ainda mais o foco, não 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 46 
 
estamos nos referindo a qualquer espécie de Deus, mas especialmente ao Deus do teísmo, descrito na 
Bíblia. 
Temos evidências da existência de um Ser moral infinitamente poderoso, eterno e inteligente. 
Todavia, parece que se esse Deus criou todas as coisas, e se o mal é real, então ele também deve ser 
o autor do mal. Portanto, quando consideramos queeste Deus é infinitamente poderoso e poderia pôr 
fim ao mal, e que é infinitamente bom e deveria pôr fim ao mal, parece não fazer sentido que o mal 
exista. Na verdade, esse dilema se torna mais intenso à luz da declaração da Bíblia de que Deus é 
amor e justiça. Se isso é verdade, por que ele não põe fim ao mal? 
A existência do mal parece contradizer a descrição da Bíblia da natureza e dos atributos de 
Deus. Consequentemente, é nossa tarefa mostrar que a Bíblia afirma corretamente tanto a existência 
do mal como a de Deus, e define com precisão tanto a natureza do mal como real quanto a natureza 
de Deus como todo-poderosa, boa, amorosa e justa. Logo, se Deus existe, como os teístas declaram, 
por que existe o mal? E, se existe o mal, onde está o Deus do teísmo quando o mal corre livre e solto, 
por que ele não faz nada a esse respeito? 
 
Onde está Deus? 
No best-seller Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas, o rabino Harold Kushner 
levanta as seguintes perguntas com respeito ao Deus da Bíblia e o Holocausto: 
Onde estava Deus quando tudo aquilo estava acontecendo? Por que ele não interveio para 
por fim? Por que não exterminou Hitler em 1939 e não poupou milhões de vidas e evitou sofrimentos 
indizíveis, ou por que ele não enviou um terremoto para demolir as câmaras de gás? Onde estava 
Deus? 
O rabino Kushner conclui que o problema essencial com Deus é a sua natureza imperfeita e 
finita. Diz: 
Há algumas coisas que Deus não controla [...] Você é capaz de perdoar e amar a Deus mesmo 
quando descobriu que ele não é perfeito? [...] Você pode aprender a amar e a perdoá-lo a despeito 
de suas limitações? 
Faltava realmente poder a Deus para eliminar Hitler? Não teria recursos para demolir os 
edifícios das câmaras de gás? O Criador do universo não tem poder para deter um exército nazista? 
Em primeiro lugar, por que Deus permitiu que essa carnificina ocorresse? Antes de tratar destas 
perguntas, permita-nos mostrar por que somente o teísmo pode ao menos começar a fornecer 
respostas significativas. 
 
Quem pode responder? 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 47 
 
Deve-se lembrar que o teísmo não é a única cosmovisão que precisa dar respostas aceitáveis 
às perguntas relativas ao problema do mal. O ateísmo e o panteísmo também precisam explicar 
coerentemente a origem e a natureza do mal dentro da estrutura de suas respectivas cosmovisões. O 
panteísmo afirma Deus e nega o mal. O ateísmo afirma o mal e nega Deus. O problema para o teísmo 
é afirmar tanto a existência de Deus quanto a do mal — o que parece incompatível. 
Se Deus não existisse (ateísmo), ou se o mal não fosse real (panteísmo), não haveria 
necessidade de tratarmos desse assunto. Apenas quando um lado declara que o mal é real e que o 
Deus todo-poderoso e todo-bondoso existe exige-se uma explicação. Pretendemos demonstrar que é 
reconhecer o mal e declarar que não há Deus é uma concepção auto-anulável. Também explicaremos 
por que os ateístas e panteístas não podem oferecer respostas intelectualmente aceitáveis às perguntas 
referentes ao problema do mal. 
Os panteístas, ignoram o problema do mal o chamando de ilusão. Mas se o mal é ilusão, de 
onde veio a ilusão e por que parece tão real? A dor e o mal são aspectos da vida que todas as pessoas 
deste planeta experimentam em determinado grau. Seria mais fácil dizer que em vista da persistência 
universal da realidade do mal, é ilusão crer que o mal é apenas uma ilusão. Os panteístas não oferecem 
nenhuma explicação substancial para o problema do mal nem nenhuma justificativa inteligente para 
chamar o mal de ilusão. Concluímos, portanto, que o panteísmo carece de capacidade explanatória 
para tratar do problema relativo ao mal. 
Os ateístas (e naturalistas) também precisam explicar por que o mal existe e por que o 
consideram um problema que precisa ser tratado. O próprio fato de o mal ser perturbador para os 
ateístas ou naturalistas conduz logicamente a um padrão de bem ou justiça além do mundo. Vamos 
observar novamente com que C. S. Lewis, quando ateu, se debatia — a validade racional de enquadrar 
o mal e a injustiça em sua cosmovisão ateísta. 
O meu argumento contra Deus era de que o universo parece ser muito cruel e injusto. Mas 
de onde tirei essa ideia de justo e injusto? Ninguém diz que uma linha é torta se não tiver uma ideia 
do que seja a linha reta. Com o que eu comparava este universo quando o chamava de injusto? Se 
todo o panorama fosse mau e absurdo de A a Z, por que eu, que sou necessariamente parte do 
panorama, reagi violentamente contra ele? Nós nos sentimos molhados, se cairmos na água, porque 
não somos animais aquáticos: um peixe não se sente molhado [...] Assim é que ao mesmo tempo em 
que tentava provar que Deus não existe (em outras palavras, que a realidade é totalmente absurda) 
verificava que era obrigado a admitir que uma parte da realidade, a minha ideia de justiça, não era 
absurda e tinha muito sentido. O ateísmo consequentemente, é uma coisa por demais simplista. Se 
todo o universo não tem sentido, nunca descobriríamos que ele não tem sentido, do mesmo modo 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 48 
 
que, se não houvesse luz no universo, nem, consequentemente, criaturas com olhos, nunca 
saberíamos que era escuro. A palavra escuro seria uma palavra sem sentido.4 
Imagine uma vez mais um universo sem luz (sem padrão final do que é justo e bom) e criaturas 
sem olhos (sem conceito inerente do que é bom ou mal). Nessa realidade ateísta teórica, o conceito 
de trevas (mal ou injustiça) é sem sentido afinal. Se, como os ateus dão a entender, o mal enfim é sem 
sentido, então qual é o problema? Se formos meramente parte de um processo molecular cego, como 
os ateístas podem levantar-se acima desse processo e dizer que alguns aspectos dele são maus e outros 
são bons? Átomos são simplesmente átomos; não há átomos maus no universo. Portanto, o ateísmo 
não pode oferecer nenhuma definição lógica de mal sem apelar para um padrão último de bem. Se 
tentarem fazer isso, acabarão declarando a existência real daquilo que afirmam não existir — o bem 
supremo (Deus). 
Diante das convicções do ateísmo e do panteísmo, fica claro que se alguém está sinceramente 
procurando uma explicação para a origem e a natureza do mal, é preciso fazer justiça e ouvir o que 
afirma o teísmo. Entre as três cosmovisões que estamos considerando — o ateísmo (ou naturalismo), 
o panteísmo e o teísmo —, apenas o teísmo é capaz de tratar suficientemente destas questões. Deve-
se ter sempre essa verdade em primeiro plano quando procuramos explicar a presença e a persistência 
do mal no universo teísta. 
Como teístas cristãos, não estamos reivindicando saber todas as respostas a todas as perguntas. 
Mas estamos dizendo que conhecemos as respostas a algumas das questões mais essenciais desta 
vida. Há questões que não podem ser respondidas, mas há também algumas respostas que não podem 
ser questionadas! 
 
Que é o mal? 
E fácil fazer perguntas, mas as respostas muitas vezes podem ser superficiais ou equivocadas 
se não se perceber plenamente a profundidade da pergunta. Isso é verdade tanto para quem pergunta 
quanto para quem responde. Como já ouvimos de Peter Kreeft: “Não há nada mais fora de propósito 
que a resposta a uma pergunta não plenamente entendida, plenamente apresentada. Somos 
extremamente impacientes com perguntas e, portanto, extremamente superficiais em avaliar 
perguntas”.5 
Uma vez que estamos dedicados a responder perguntas acerca do problema do mal e da 
existência de Deus, estamos incumbidos de investigar mais profundamente as implicações e 
inferências dessas questões. Sem definição e entendimento adequados da natureza do mal, as 
respostas que viermos a dar podem parecer superficiais. Portanto, pretendemos não somente 
 
4 Cristianismo puro e simples, p. 20-21. 
5 Making sense out of suffering, p. 27. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICABEREANA 49 
 
responder às perguntas associadas ao mal, mas também analisar o que se quer dizer com o conceito. 
Além disso, defenderemos a única análise cristã da causa original do mal e a prescrição que ela faz 
para a cura permanente do mal. Na oportunidade, também mostraremos como a soberania de Deus é 
capaz de redimir todo mal para um bem maior. 
Numa visão superficial parece fazer sentido crer que, se Deus criou tudo, e se o mal é real, 
Deus criou o mal. Mas isso não é verdade. Deus não criou coisas más, as coisas em si não são más. 
Quando Deus criou tudo, disse que todas as coisas da sua criação eram boas. Como já mencionamos, 
não há moléculas ou átomos maus no mundo. Quando pensamos em pessoas más, não cremos que 
suas más ações sejam consequência de uma estrutura molecular má. 
Então, o que é mal? O mal pode ser real sem ser uma substância, isto é, o mal é a ausência ou 
perda real de algo que deveria estar presente. A cegueira não é uma substância, ela é a falta real da 
visão. Uma pessoa cega carece de integridade física, e nós enxergamos essa deficiência física como 
má ou negativa porque supostamente todos devem ver. Não obstante, não concluímos que as pessoas 
cegas são moralmente más porque não enxergam. Para que um indivíduo seja moralmente mau, ele 
deve ter carência de integridade moral ou bondade. O mal, portanto, é a ausência ou a privação de 
algo que deveria estar presente, mas não está. Por exemplo, se um pai abusa de uma filha quando, ao 
invés, deveria amá-la, podemos chamá-lo de mau porque o abuso está presente e o amor ausente, 
quando o amor é que deveria estar presente. Este exemplo nos ajuda a definir o mal em termos 
relacionais. 
Coisas boas em relações erradas podem resultar no que chamamos de mal. Certas formas de 
câncer são consequência de crescimento descontrolado de células. As células são boas para o nosso 
corpo, mas quando a atividade delas fica fora de controle, e elas não se relacionam uma com as outras 
como deviam, consideramos isso uma forma de mal. Do mesmo modo, a energia nuclear pode ser 
usada por engenheiros para gerar eletricidade e iluminar uma cidade (relação boa) ou ser usado por 
terroristas para destruir uma cidade com pessoas inocentes (relação má). 
Quando as pessoas exercem o livre arbítrio, a capacidade de fazer uma decisão não 
compulsória entre duas ou mais alternativas, elas realizam seu potencial para o bem ou para o mal. 
Quando alguém usa a liberdade para tratar mal o outro, chamamos isso de mal. Pense nisto: o que nos 
incomoda quando ficamos sabendo de um pai que abusa de uma criança ou, ainda, de uma pessoa 
atirando em outra num estacionamento? Por que temos a consciência de afronta quando lemos sobre 
conduta bárbara e impiedosa como assassinato de homens, mulheres e crianças inocentes em lugares 
como Auschwitz e Treblinka? Não hesitamos em rotular essas ações de más. Por natureza cremos 
que as pessoas não devem tratar as outras dessa maneira. 
Quando se visita um lugar como o Museu do Holocausto — quando se examina o que os 
nazistas fizeram a pessoas inocentes — na maioria das vezes experimenta-se uma profunda sensação 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 50 
 
de injustiça e perda. Alguma coisa dentro de cada um de nós chora pela desumanidade de atos como 
esses. 
Portanto, o mal moral pode ser entendido como a relação corrompida entre dois ou mais seres 
humanos — uma relação que não é o que deveria ser. Não perca de vista a importância disto: para 
que o mal moral exista, o agente moral e a lei moral também devem existir. 
Para resumir, consideramos o mal a ausência real ou privação do que é bom. O mal não é uma 
substância. Da mesma maneira que, quando desligamos a luz de uma sala, as trevas aparecem, assim 
também o mal aparece quando o bem não está onde deveria estar. O mal é análogo à ferrugem que 
aparece no carro ou aos buracos causados pela traça na roupa. A ferrugem corrói o bom metal que 
deveria estar ali, e a ausência do bom metal pode ser entendida como mal. Os buracos numa roupa 
comida pela traça a deixaram carente de integridade, ou de tecido bom, resultando no mal. O mal, 
portanto, é um parasita ontológico6 e não existe em si ou por si mesmo. O mal só pode existir em algo 
como corrupção do que deveria estar ali. Em termos relativos, o entendimento corrompido da natureza 
humana (quem somos) e a rejeição das obrigações morais (como devemos nos comportar) são as 
causas primárias do que chamamos mal. 
 
Deus criou o mal? 
Como cristãos teístas, cremos que o maior bem em toda a realidade é Deus. Além do mais, 
sabemos que somos seres finitos e, uma vez que é intrinsecamente impossível para seres finitos se 
transformarem no bem maior (um Deus infinito) a melhor e mais próxima experiência que podemos 
ter é estar em relação de amor com Deus (Mt 22.36,37). Por essa razão, Deus oferece a todas as 
pessoas o seu amor. É o amor de Deus que traz integridade e santidade à vida humana. Ao contrário, 
o maior mal que alguém é capaz de experimentar é estar separado dessa relação de amor com Deus. 
Entretanto, para nos comprometermos numa relação de amor com Deus, precisamos ser livres para 
rejeitar seu amor, pois o verdadeiro amor é sempre persuasivo, nunca coercitivo. Portanto, o 
componente essencial de qualquer relacionamento de amor, até o relacionamento com Deus, é a 
liberdade. Para Deus fazer o universo onde o maior bem (relacionamento de amor com ele) fosse 
factível, ele também teria de criar criaturas livres, capazes de escolher ou rejeitar o bem maior. 
Mas Deus não poderia criar algum outro tipo de mundo onde o amor ainda seja possível e não 
haja mal nem livre escolha — um mundo melhor que o mundo teísta? Uma vez levantada essa ideia, 
como C. S. Lewis assinalou, ela necessariamente implica um padrão pelo qual o mundo deve ser 
avaliado. Posto de volta o padrão na equação, temos o teísmo.7 O Deus da Bíblia revelou na criação 
 
6 Ontologia é a disciplina que trata da natureza do ser. 
7 Isso porque esse padrão deve transcender este mundo, deve ser imutável (para ser possível a avaliação) e deve ser 
eterno. Somente a cosmovisão teísta se harmoniza. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 51 
 
que este mundo, com criaturas livres, capazes de aceitar ou rejeitar seu amor, não é o mundo melhor, 
mas é o melhor modo para o melhor mundo possível — o céu. Não há nenhum modo de criar um 
mundo onde as pessoas sejam livres para amar a Deus a fim de experimentar o bem maior, mas não 
sejam livres para rejeitar o amor de Deus — o maior mal. 
Deus criou a liberdade como uma coisa boa, todavia o mal pode surgir dessa coisa boa. 
Portanto, Deus não é o autor direto do mal, ele criou o potencial para o mal quando criou criaturas 
livres, o que também lhes faz possível experimentar o seu amor (o bem maior). 
Deus não criou robôs, criou seres humanos com o poder de escolher livremente entre o bem e 
o mal. Se ele criou seres humanos já predispostos (além do controle deles) para amá-lo, isso não seria 
o verdadeiro amor. Se programarmos o nosso computador para nos dizer que ele nos ama cada vez 
que o ligamos, na verdade estamos dizendo a nós mesmos que nos amamos. O computador estaria 
apenas reproduzindo nossos pensamentos, não seria livre para nos dizer coisas diferentes. Não 
estaríamos comprometidos numa relação de amor, mas numa forma grave de narcisismo. Um 
relacionamento de amor deve deixar aberta a possibilidade de o amor ser rejeitado — e, portanto, o 
mal ser escolhido. Quando as pessoas rejeitam o amor de Deus, percebem o mal potencial dentro 
delas mesmas, o que afeta todos os outros relacionamentos nos quais elas entram. 
Dizer que seria melhor se Deus não criasse nada, em vez de algo, não faz sentido porque não 
há base comum para comparar nada com alguma coisa. Deus poderia ter criado seres não-livres, isso 
tornaria o bem maior, a relação de amor com ele e com os outros, impossível. Seo pecado (uma 
espécie de mal) se define essencialmente como a rejeição do bem que deveria existir (neste caso o 
amor a Deus), é impossível para Deus ter criado um mundo onde as pessoas fossem livres e o pecado 
não fosse possível. Finalmente, se a “salvação” se define como Deus oferecendo livremente às 
pessoas um caminho de volta para a relação de amor com ele depois de terem rejeitado a relação com 
o pecado, e se o amor requer livre escolha, também é impossível salvar pessoas contra a vontade 
delas. Deus não pode forçar seu amor a ninguém porque amor forçado não é amor, é uma contradição. 
Está claro, portanto, que a criação de seres livres tem o potencial inerente para o mal ocorrer. 
C. S. Lewis referiu-se habilmente a essa questão do livre arbítrio e da total inutilidade de tentar 
contestar Deus achando que ele poderia ter criado um mundo melhor. 
Alguns julgam que podem imaginar uma criatura que fosse livre mas que não tivesse 
possibilidade de agir mal; eu não posso. [...] A felicidade que Deus destinou a suas criaturas 
superiores é a felicidade de serem livres e voluntariamente unidas com Ele e entre si mesmas [...] 
E claro que Deus sabia o que aconteceria se elas fizessem uso de sua liberdade para o mal: 
aparentemente Ele julgou que valeria a pena correr o risco. Talvez nos sintamos inclinados a 
discordar dele. Mas há uma dificuldade em discordar de Deus. Ele é a fonte de toda a nossa faculdade 
de raciocinar: não poderíamos estar certos e Ele errado, assim como uma corrente d’água não pode 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 52 
 
estar acima de sua nascente. Quando discutimos com Ele, discutimos com o próprio poder que nos 
deu a capacidade de discutir: é como cortar o galho onde estamos sentados. Se Deus julga que a 
guerra no universo é um preço que vale a pena ser pago para haver vontades livres, ou seja, para 
fazer um mundo que vive por si mesmo, em que as criaturas podem fazer o bem ou o mal, e onde algo 
realmente importante pode acontecer, ao invés de um mundo de brinquedo que apenas pudesse se 
mover quando Ele apertasse os botões, então devemos considerar que vale mesmo a pena correr esse 
risco.8 
 
Por que Deus não impede o mal? 
Se é preciso permissão de Deus para o mal potencial e para sua realização, por que, então, ele 
não detém o mal quando realizado? Porque a liberdade nos capacita a rejeitar o amor de Deus e 
também a rejeitar e maltratar os outros. Desse modo, não é Deus que realiza o mal potencial — nós 
o realizamos quando livremente preferimos rejeitar seu amor. O máximo poder latente para o mal 
reside em nossa capacidade de recusar a amar Deus. Para Deus deter o mal é necessário eliminar essa 
capacidade: nossa livre escolha. Mas a eliminação de nossa livre escolha significaria que não mais 
poderíamos experimentar o bem maior — o amor divino. Se Deus nos impedisse de ter a capacidade 
de experimentar o bem maior seria o mal maior. A questão real, portanto, é: “Queremos de fato que 
Deus suprima nosso livre arbítrio?”. 
Levando essa solicitação a seu aspecto prático, considere as seguintes situações. 
Digamos que você decida começar a fumar. Mas visto que Deus sabe que é melhor você não 
fumar, ele decide que você não seja livre para fumar. Cada vez que você fuma, Deus transforma seu 
cigarro num canudinho de fazer bolhas. Em vez de a casa ficar cheia de fumaça, ficará cheia de 
bolhas! 
Ou talvez você goste de pisar fundo no acelerador quando dirige. Sabendo que você sempre 
excede o limite de velocidade, mesmo que pouco, Deus garante o aparecimento de um policial toda 
vez que isso acontece, o que lhe garante multas até que pare de exceder a velocidade ou perca sua 
carteira. 
Ou quem sabe você goste de beber umas cervejas. Mas Deus, sabendo que você não pode com 
bebida, decide transformar toda cerveja que você vai beber num copo bem grande de leite. 
O que estamos tentando mostrar é que quase todos nós, se não todos, nos preocupamos com 
o mal produzido pelas escolhas livres que os outros fazem, não com o mal que ocorre em 
consequência de nossas próprias escolhas. Ao reclamar do mal que advém do livre arbítrio, não 
 
8 Cristianismo puro e simples, p. 26-27. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 53 
 
estamos em essência dizendo que Deus deveria impedir as escolhas livres dos outros, mas deveria 
deixar intactas as nossas próprias escolhas livres? 
No capítulo 13 de Lucas, há o registro de uma conversa de Jesus com um pequeno grupo de 
pessoas que o abordara, perguntando a respeito do massacre de pessoas inocentes nas mãos de Pilatos. 
Também queriam saber sobre o trágico acontecimento de uma torre que caíra e matara dezoito 
pessoas. Jesus respondeu, mas não do modo que eles esperavam. Ele não explicou por que aqueles 
fatos ocorreram. Em vez disso, redirecionou a pergunta de volta aos arguidores. 
Seus breves comentários implicam advertência quanto ao perigo iminente que enfrentariam 
se não reconhecessem e não se preocupassem com o mal no próprio coração. Em essência, Jesus 
disse: “O mal que está no mundo os perturba de fato? Se vocês estão perturbados com o mal, 
comecem com o mal que está bem próximo de vocês — o mal em seu próprio coração. Deixem o resto 
do mundo com Deus e fiquem mais preocupados com seus próprios modos maus e as consequências 
que vocês enfrentarão se não os confessarem e não se voltarem para Deus!”. Se quisermos ver Deus 
impedir o mal, devemos pedir-lhe para começar em nós. 
 
Qual a finalidade do mal e do sofrimento? 
Quando o rabino Harold Kushner conclui que Deus é imperfeito, automaticamente presume 
algum padrão de perfeição pelo qual avalia Deus. Entretanto, Kushner deixa de reconhecer o 
problema filosófico que esse tipo de conclusão levanta. É essencialmente a mesma que C. S. Lewis 
enfrentou na sua luta para ser intelectualmente sincero na condição de ateu tratando do problema do 
mal. Quando Lewis reconheceu que o mundo era injusto, foi forçado a pressupor um padrão de justiça 
que está além do mundo. O mesmo princípio aplicase à conclusão do rabino Kushner. Para dizer que 
Deus é imperfeito, Kushner deve ter presumido um padrão de perfeição além de Deus. No entanto, 
Kushner nega que exista o padrão que ele alega ser perfeito. Isso nos leva de volta à posição que 
assumimos no começo: se esse Ser perfeito existe, por que há o mal e o sofrimento no mundo? 
Considerando a largura e a profundidade do problema do mal, concordamos com Peter Kreeft 
quando diz que a existência do mal e do sofrimento é mais um mistério do que um problema. 
Comparou-o ao amor e disse que, uma vez que estamos envolvidos subjetivamente, achamos difícil 
compreender plenamente todas as razões por que o mal acontece. Teorizar a respeito da dor é uma 
coisa quando estamos bem, mas é outra totalmente diferente quando a sofremos. Portanto, 
reconhecemos nossa explicação incompleta para justificar todos os propósitos que o mal e a dor 
possam ter na vida de um indivíduo. Entretanto, conhecemos alguns bons propósitos produzidos pela 
dor e pelo sofrimento. Antes de mencioná-los, queremos tratar da crítica de que não saber os 
propósitos do mal e da dor implica que Deus não tem propósitos bons para as pessoas que sofrem. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 54 
 
Nosso desconhecimento de todos os bons propósitos que Deus tem para a dor e para o 
sofrimento não significa que não haja bons propósitos. Nossa ignorância não significa que Deus (um 
Ser infinito) não conheça. A única conclusão lógica que se pode tirar é que, se Deus é todo-bondoso 
e onisciente, ele deve conhecer os bons propósitos para a dor e para o sofrimento no mundo. Não 
segue disso que o mal demonstra que Deus é imperfeito e limitado, segue que nós somos imperfeitos 
e limitados. 
No que se refere ao mal e ao sofrimento, podemos não conhecer todos os propósitos de Deus, 
mas podemos conhecer alguns deles. Alguma dor física é necessária para o desenvolvimentoPressuposições Bíblicas .........................................................................................................................119 
Filosofia e Sabedoria .............................................................................................................................121 
CRISTIANISMO E OS ELEMENTOS BÁSICOS DE FILOSOFIA ......................................................................122 
Os Elementos Básicos de uma Cosmovisão............................................................................................122 
Epistemologia .......................................................................................................................................122 
Epistemologia Cristã .............................................................................................................................127 
Metafísica .............................................................................................................................................129 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 6 
 
Ética......................................................................................................................................................130 
Política ..................................................................................................................................................132 
O MANDATO CULTURAL ........................................................................................................................136 
A SOBERANIA DAS ESFERAS...................................................................................................................142 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................145 
ARQUEOLOGIA ÍBLICA ...............................................................................................................................146 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................................146 
1. A Arqueologia e a Bíblia ........................................................................................................................146 
1.1 Panorama geral e funções da Arqueologia Bíblica ............................................................................146 
1.1.1 A Arqueologia Bíblica e o Antigo Testamento ...........................................................................146 
1.1.3 A escola arqueológica Minimalista ............................................................................................153 
1.1.4 Os Resultados ...........................................................................................................................154 
1.2 Os Códigos Legais do Antigo Oriente e o Antigo Testamento ...........................................................154 
1.2.1 O Oriente Médio e o Antigo Testamento ..................................................................................158 
1.3.1 Escritos de Povos Antigos .........................................................................................................159 
2. As narrativas patriarcais e a arqueologia ...............................................................................................164 
3. Sodoma e Gomorra ...............................................................................................................................179 
3.1 Incredulidade e negação .................................................................................................................179 
3.2 O Que Disseram os Geólogos...........................................................................................................180 
3.3 A historicidade de Sodoma e Gomorra ............................................................................................181 
3.4 A Procura de Sodoma e Gomorra ....................................................................................................181 
4. O Êxodo ................................................................................................................................................184 
4.1 O Êxodo e a arqueologia ..................................................................................................................184 
4.2 O caminho da terra dos filisteus ......................................................................................................187 
4.3 A rota do êxodo e as imagens de satélites .......................................................................................187 
4.4 O coração endurecido do Faraó .......................................................................................................188 
4.5 Teria Israel atravessado o “Mar Vermelho”? ...................................................................................189 
5. As principais cidades de Canaã e a Arqueologia .....................................................................................191 
5.1 A cidade de Ai .................................................................................................................................191 
5.2 A cidade de Hazor ...........................................................................................................................193 
5.3 A cidade de Jericó ...........................................................................................................................194 
5.4 A Cidade de Siquém ........................................................................................................................196 
5.5 O que estas descobertas podem provar? .........................................................................................197 
6. A monarquia e a Arqueologia ................................................................................................................199 
6.1 Saul, Davi e Salomão .......................................................................................................................199 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 7 
 
6.2 A cidade de Ecrom...........................................................................................................................202 
6.3 As cartas de Laquis ..........................................................................................................................202 
6.4 Selo de barro com impressão digital ................................................................................................202 
7. Os Manuscritos do Mar Morto ..............................................................................................................203 
7.1 O que são os manuscritos? ..............................................................................................................203 
7.2 Qumran e sua relação com eles .......................................................................................................204 
7.3 Como chegaram até as grutas .........................................................................................................204 
7.3.1 A descoberta ............................................................................................................................205 
7.3.2 Data das descobertas ...............................................................................................................206 
7.3.3 País em que foram achados ......................................................................................................206 
7.3.4 Onde se encontram ..................................................................................................................207 
7.3.5 Os atuais donos ........................................................................................................................207 
7.4 Israel Adquire os Principais Manuscritos da Gruta ...........................................................................208do 
caráter. Por exemplo, a compaixão não se atinge sem a miséria, nem a paciência sem a tribulação. 
Não se adquire coragem sem o temor, e a persistência é provocada pela privação. Em resumo, algumas 
virtudes seriam totalmente ausentes sem o mal físico. A edificação do caráter só acontece com aflição. 
Foi Helen Keller que disse: “O caráter não pode ser desenvolvido na comodidade e na quietude. 
Somente através da provação e do sofrimento a alma pode ser fortalecida, a visão clareada, a 
ambição inspirada e o sucesso alcançado”. 
A coragem seria desnecessária sem a presença do mal ou do perigo. Consequentemente, o 
bem maior do desenvolvimento da virtude é impossível sem a presença do mal. Pode parecer um 
preço alto para pagar, mas quando o produto final surge em forma de integridade pessoal e de caráter, 
vale o preço da dor suportada. 
Um pouco de dor física é necessário para ensinar aos indivíduos que certos tipos de conduta 
são errados e têm consequências morais e físicas. A decisão habitual de preferir vícios como orgulho, 
ira, ciúme, avareza, glutonaria, luxúria e preguiça são manifestações da recusa de dominar os 
impulsos físicos e psicológicos. Deixar de aprender a desenvolver e usar o domínio próprio resultará 
na redução do interesse pela virtude e do desejo de cultivar uma boa personalidade. Ensinar as 
crianças a lidar com esses maus hábitos em casa, na escola e na sociedade implica um nível pessoal 
de sofrimento chamado disciplina. As punições são quase sempre necessárias para ensinar os 
indivíduos que eles estão andando sobre bases moralmente perigosas. Somente por meio da dor da 
disciplina uma criança pode aprender o domínio próprio. 
Um pouco de dor é necessário para nos advertir de um perigo iminente maior. A dor é usada 
como sistema de advertência para nos ajudar a permanecer vivos. As pessoas portadoras de lepra 
participaram de experimentos que visavam a ajudá-las a se proteger de se causarem danos ainda 
maiores. Um dos efeitos da lepra é a perda da sensibilidade nas extremidades e, quando alguém com 
lepra inadvertidamente toca um prato muito quente ou corta a ponta dos dedos com um serrote, não 
sente a dor associada com esses atos e pode acabar se queimando ou se mutilando sem perceber. 
Os pesquisadores colocaram pequenos sensores e transmissores elétricos nas pessoas leprosas 
para adverti-las de perigos iminentes. Por exemplo, quando chegavam muito próximo de alguma 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 55 
 
superfície quente, as unidades elétricas lhes davam um choque para adverti-las de não tocar o objeto. 
Porém, depois de algum tempo, as pessoas que participaram desse experimento não gostaram de 
receber o tratamento de choque, e os pesquisadores reduziram a intensidade da descarga da unidade 
elétrica — a fonte da dor. Em consequência desses experimentos, os pesquisadores aprenderam que 
para a dor funcionar adequadamente para advertir alguém do perigo, tinha de vir com a intensidade 
certa e estar fora do controle dos indivíduos. Esse tipo de pesquisa é um incentivo para ver a dor como 
bênção em vez de aflição. 
Um pouco de dor é necessário para nos ajudar a evitar sofrimento maior. A dor de suportar 
sentado na cadeira do dentista é em geral necessária para poupar o indivíduo de sofrimento e dor 
ainda maiores. Quando alguém ignora suas necessidades de saúde (descanso devido, dieta, exercício 
etc.), é bom que o corpo reaja de maneira dolorida para que esse indivíduo saiba que algo está errado 
antes que a situação se torne pior. 
Finalmente, um pouco de dor é usado por Deus para obter nossa atenção moral. Da mesma 
forma que um pai que ama o filho e o disciplina para chamar-lhe atenção, Deus também age. Algumas 
pessoas têm de ter os músculos estirados antes de se voltar para Deus. A maioria das pessoas se volta 
para Deus em tempos de sofrimento, não quando tudo está indo bem. Lewis disse: 
Deus cochicha conosco nos prazeres, fala-nos à consciência, mas grita conosco nas nossas 
dores: a dor é o seu megafone para acordar um mundo [moralmente] surdo [...] Enquanto o homem 
mau não encontra o mal inconfundivelmente presente em sua própria existência, na forma de dor, 
ele permanece enclausurado na ilusão [...] Sem dúvida, a dor como megafone de Deus é um 
instrumento terrível, pode levar a uma rebelião final e sem volta. Mas dá a única oportunidade que 
um homem mau pode ter para se emendar. Remove o véu, planta a bandeira da verdade dentro da 
fortaleza de uma alma rebelde.9 
 
Por que há tanto mal e sofrimento? 
Já mostramos alguns bons propósitos da dor e do sofrimento, mas por que Deus permite que 
exista tanto mal no mundo? Não poderia haver menos inanição, menos abuso de crianças, menos 
estupro, violência, assassinato etc.? De certa forma, já nos referimos a essas questões assinalando que 
para impedir o mal, Deus precisa impedir o livre arbítrio, e impedir o livre arbítrio é impedir o bem 
maior — o que é o mal maior. Mas vamos considerar outra abordagem ao responder a esta pergunta. 
Imagine que você esteja para ir a uma festa e, antes de sair de casa, seja acometido de dor de 
dente. Embora sinta certo desconforto, você decide ir à festa de qualquer jeito. Mas quando chega à 
festa e a noite vai passando, sua dor de dente piora. Agora vamos associar alguns valores quantitativos 
 
9 The problem of pain, p. 93,95. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 56 
 
a essa dor que você está sofrendo. Digamos que o nível mínimo de dor que uma pessoa pode suportar 
antes que o cérebro registre a dor causada no dente seja igual a cinco unidades de dor. Digamos 
também que a intensidade máxima de dor que uma pessoa pode suportar seja cem unidades de dor. 
Quando você entrou na festa, seu cérebro registrou quinze unidades de dor. Duas horas mais tarde, 
ela subiu para 75 unidades. Após mais trinta minutos, atingiu o limite, registrando cem unidades de 
dor. Digamos também que há 25 pessoas na festa (inclusive você), e por alguma estranha 
coincidência, as outras 24 também estão com dor de dente, que finalmente se intensifica, atingindo 
cem unidades de dor. Nossa pergunta é: “Como se sofre tanta dor nesse lugar nessa hora?”. 
Em um sentido, a quantidade total de dor na sala é vinte e cinco vezes cem, ou seja, 2 500 
unidades, mas seria errado dizer que uma pessoa dessa festa está sofrendo 2 500 unidades de dor. 
Deve-se ter em mente que ninguém está sofrendo a intensidade de 2 500 unidades de dor. Essa dor 
composta não está na consciência de um indivíduo. Acrescentar vinte e cinco, dois mil e quinhentos 
ou vinte e cinco milhões de sofredores a esse cenário não aumenta mais a dor, aumenta apenas a 
quantidade de pessoas que sofrem a dor. Por esta razão, a pergunta certa a fazer não é “Por que há 
tanta dor e sofrimento?”, mas: “Por que tantas pessoas experimentam dor e sofrimento?” 
Entenda que não estamos fazendo uma tese a respeito da quantidade de sofrimento no mundo. 
Apenas queremos mostrar que por mais terrível que seja ver um indivíduo sofrer o máximo de dor 
possível, ainda reflete o fato de que a dor e o sofrimento são limitados à experiência de uma só pessoa 
e somente enquanto essa pessoa está sofrendo. O interessante a respeito da solidariedade do 
sofrimento humano é o efeito psicológico positivo que o sofrimento tem sobre os que sofrem: quanto 
mais pessoas compartilham o mesmo tipo de dor, mais fácil lhes é enfrentá-la. A dor pode ficar 
insuportável quando não há ninguém por perto que verdadeiramente entenda e possa se relacionar 
com o sofredor. Ironicamente, a intensidade do sofrimento é, com efeito, diminuída quando mais de 
uma pessoa o experimenta. 
 
Por que as inundações, os furacões, o câncer, a aids etc.? 
O teísmo cristão não afirma que Deus tenha criado o melhor mundo possível. Mas afirma que 
Deus criou o melhor meio para o melhor mundo possível. Segue, portanto, que a espécie de mundo 
físico em que vivemos, com malesnaturais, é compatível com o “melhor meio” para obter o melhor 
mundo possível. Nesse melhor meio para o melhor mundo possível, o mal físico resulta tanto direta 
como indiretamente das leis que regem o universo físico e das decisões dos agentes morais. Deus 
criou o mundo de modo que as leis naturais operem para o benefício global da humanidade. Não 
obstante, o mal natural pode resultar do entrelaçamento dos sistemas no continuum espaço-temporal. 
Onde quer que duas ou mais coisas venham a competir no mesmo lugar e no mesmo tempo, sempre 
haverá conflitos. Se um caminhão e um carro passam juntos num cruzamento com a mesma trajetória, 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 57 
 
mas viajando em direções opostas, haverá colisão se pelo menos um dos veículos não parar ou não 
se desviar do caminho. O resultado acarretará uma forma de dor física. Isso é inerente a um mundo 
de forças físicas. 
O mal físico também pode resultar de subprodutos naturais de processos que mantêm o 
equilíbrio total adequado da natureza. Quando o ar quente e o ar frio de misturam, às vezes produzem 
o relâmpago como um bom subproduto de um temporal. As tempestades são muito boas para a relva 
e para as colheitas. À medida que o relâmpago viaja através do ar, produz óxido nítrico (uma forma 
de fertilizante). Isso é bom porque a chuva vai derramar óxido nítrico (fertilizante) e ajudar a produzir 
relva e colheitas sadias. Contudo, o mesmo relâmpago algumas vezes atinge pessoas ou edifícios e 
outros objetos, o que poderia causar um mal físico. 
Do mesmo modo, os terremotos são parte necessária de um mundo físico. O alívio da pressão 
interna da terra é o que impede o planeta de explodir. O equilíbrio de forças também é necessário 
para manter os oceanos e as montanhas onde estão. Além disso, o movimento das placas tectônicas 
da terra recicla nutrientes que elas coletam do oceano e os leva de volta aos continentes. 
Nenhum desses males subprodutos é consequência planejada do processo natural, mas todos 
eles são a consequência necessária da realização de outros bens naturais. E possível que enchentes, 
secas, terremotos, furacões e outros desastres naturais sejam todos subprodutos necessários deste 
mundo físico — e que este mundo físico seja necessário para o melhor empreendimento moral. 
As consequências das escolhas livres dos agentes morais são outra causa do mal físico. Já 
tratamos deste assunto, mas aqui gostaríamos de enfatizar o princípio da solidariedade humana de 
maneira negativa. Nossas escolhas morais não afetam somente a nós, afetam outras pessoas também. 
Se dois “adultos responsáveis” decidem ter um caso amoroso e um deles é casado e tem filhos, as 
consequências afetam toda a família. Outros exemplos da solidariedade da humanidade são as 
doenças sexualmente transmissíveis, o uso de drogas e álcool, a pornografia etc. Independente da 
causa, o efeito das escolhas individuais na sociedade como um todo foi, e continua sendo, devastador. 
Considerando problemas tais como defeitos congênitos, câncer, doenças do coração etc., 
voltamos à ciência e à segunda lei da termodinâmica. De acordo com essa lei universal da física, tudo 
no universo está em estado de deterioração crescente. Infelizmente, isso inclui os organismos vivos. 
Portanto, à medida que o tempo aumenta, também aumenta a deterioração. Segundo o teísmo cristão, 
quando Deus criou os primeiros seres humanos, eles eram geneticamente puros. 
Depois de terem preferido romper a relação com Deus, as consequências de sua escolha livre 
foram a deterioração progressiva de toda o reino física, até o próprio corpo deles. 
Um modo de ilustrar o efeito da deterioração progressiva do reino físico é mostrar o que 
acontece quando se faz cópia de uma cópia. Digamos que a página que você está lendo é a página 
original que veio da impressora. Imagine que você tome essa página original e faça uma fotocópia 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 58 
 
dela. Pegue a cópia e faça mais uma cópia da cópia. Se continuar fazendo cópia após cópia, cada nova 
cópia reproduzida da antecedente, depois de algum tempo poderá ver quanto a cópia ficou deteriorada 
comparada com a original. Agora, aplique essa ilustração à genética. Dos primeiros seres humanos 
até os que vivem hoje, muitas distorções de cópias e erros aconteceram. Junte este fato à deterioração 
sempre crescente do ecossistema e vai deparar com todo tipo de dificuldades genéticas que podem 
resultar em várias aflições físicas. 
Por fim, seriamos remissos se não incluíssemos uma das explicações fundamentais para a 
causa do mal físico. De acordo com o teísmo bíblico (cristão), Deus permitiu que este mundo fosse 
ocupado por seres espirituais maus com livre arbítrio. As decisões e ações desses seres também devem 
fazer parte da equação referente à explicação do problema do mal físico. Alguns males físicos 
resultam da livre escolha dos seres espirituais maus. Enquanto houver seres livres (humanos ou 
espirituais) cometendo atos maus, haverá consequências morais e/ou físicas sobre este mundo 
causadas pelo comportamento deles. 
Os males naturais são parte inevitável do mundo natural, e o mundo natural é essencial para 
as condições (ao menos não incompatíveis com elas) de plena liberdade necessárias para atingir o 
melhor mundo possível. Apenas o teísmo bíblico pode explicar adequadamente a presença do mal 
neste mundo. “O mal físico é essencialmente ligado ao mal moral. O mal moral é o melhor meio de 
produzir um mundo moral idealmente perfeito. O mal físico é necessário por diversos aspectos: é 
condição, consequência, componente, e advertência num mundo moralmente livre. O mal não 
determinado direta ou indiretamente pela liberdade humana é atribuído aos espíritos maus.”10 
Portanto, concluímos que os males físicos são um aspecto necessário e concomitante da 
melhor espécie de mundo para alcançar o melhor de todos os mundos morais. Foi um Deus soberano 
que permitiu à humanidade exercer a liberdade. Deus soberanamente desejou que os seres humanos 
tivessem controle sobre suas próprias decisões morais. Em fazendo assim, ele providenciou para o 
bem maior, mas também nos deu o poder de cometer atos maus. 
 
Deus pode ser soberano e ainda assim permitir a liberdade humana? 
Espero que agora, tendo um entendimento melhor do problema do mal, possamos voltar à 
conclusão do rabino Harold Kushner mencionada anteriormente. Kushner crê que Deus não está no 
controle de todas as coisas, por isso infere que a soberania de Deus não pode coexistir com a liberdade 
humana e vê a liberdade humana como a desistência de Deus de exercer seu controle no mundo. 
Vejamos a falácia do tipo de pensamento de Kushner, 
 
10 Norman L. GEISLER, Philosophy of religion, p. 402. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 59 
 
... toda ação moral [tem de] ser ou a) causada por algo de fora, b) ou não ser causada, ou c) 
ser auto-causada. Mas causar uma ação moral de fora seria violação da liberdade. Seria determinismo, 
e seria eliminar a responsabilidade individual pela ação. Em última análise, seria tornar Deus 
diretamente responsável por realizar atos maus. E não ter sido causado tornaria o ato gratuito, 
arbitrário, irresponsável e imprevisível. Mas os atos humanos são previsíveis e responsáveis (Deus 
sabe o que o homem vai fazer com a sua liberdade e o considera responsável por ela). Logo, os atos 
morais humanos devem ser auto-causados ou autodeterminados...11 
A autodeterminação não é contraditória nem irresponsável. Um homem é responsável pelo 
que ele vem a ser pela escolha moral. Isto significa que ele é responsável por sua própria livre 
determinação moral [...] Deus determinou que o homem fosse uma criatura com autodeterminação. 
Deus fez que o homem tivesse autocausalidade de pensamento e de ação moral. A liberdade humana 
é delegada soberanamente. O Soberano fez o homem soberano sobre o próprio destino moral. Nãoobstante, Deus está no controle de todo esse processo porque 1) Deus por sua própria presciência vê 
o que a liberdade fará e pode produzir um bem maior dela; 2) Deus está no controle soberano do fim 
em que as escolhas livres dos homens se transformarão permanentemente de acordo com a própria 
vontade deles. Desse modo a livre escolha do mal trará escravidão eterna à autonomia da própria 
vontade má de uma pessoa, e a liberdade para fazer o bem trará libertação eterna para o infinito bem. 
Em resumo, Deus (a causa primeira) está operando na autocausalidade da liberdade humana (a causa 
secundária) e por meio dela para produzir o maior número (a causa final) de acordo com a perfeição 
absoluta de Sua própria natureza (a causa exemplar).12 
Para ter uma ideia do que estamos dizendo, considere esta ajuda visual. Pusemos Deus dentro 
do continuum espaço-tempo e o mostramos como ele é, existindo na eternidade e soberano sobre 
todas as coisas. Deus é o único ser totalmente livre e independente que existe, todos os seres humanos 
são dependentes e contingentes de sua própria natureza. Dentro do continuum espaço-tempo as 
criaturas existem e agem livremente de acordo com a própria vontade. A seta que se desloca para a 
direita representa a progressão de tempo na régua marcada com os dias da semana. As setas que saem 
da eternidade e surgem no tempo representam as proclamações eternas de Deus. Ele decreta desde a 
eternidade, mas os resultados desses decretos ocorrem no tempo. Por exemplo, um médico que 
prescreve um certo remédio para dez dias emite uma receita (decreto), e essa receita acontece no 
decurso do tempo. De modo semelhante, Deus prescreve desde toda a eternidade e suas prescrições 
acontecem no decorrer do tempo. 
 
11 Atos auto-causados não são contradição, como é o caso de seres auto-causados. E possível alguém causar sua própria 
transformação (é o que faz a livre escolha), mas é impossível alguém causas sua própria existência. Ou melhor, podemos 
causar nossas próprias ações, mas não o nosso próprio ser. 
12 Norman L. GEISLER, Philosophy of religion, p. 401-402. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 60 
 
 
Agora vamos supor que os sete dias de nossa ilustração representam os acontecimentos que 
ocorreram durante a semana em que Jesus Cristo foi crucificado. Durante essa semana, certos 
indivíduos fizeram escolhas livres específicas que afetaram o próprio destino deles e causaram a 
morte de Jesus. Judas escolheu livremente trair Jesus e entregá-lo às autoridades por trinta moedas de 
prata. Os discípulos de Jesus livremente escolheram abandoná-lo. As autoridades religiosas 
livremente escolheram entregá-lo às autoridades romanas e exigiram que ele fosse executado. A 
multidão livremente escolheu que Pilatos soltasse Barrabás e crucificasse Jesus. Pilatos escolheu 
livremente condenar Jesus à morte por crucifixão. Isto nos leva ao dia cinco, o dia em que Jesus foi 
crucificado. 
Depois da morte de Jesus, ele foi sepultado numa tumba. Seus amigos choraram sua morte, e 
aqueles que livremente escolheram tomar parte da sua morte cumpriram a tarefa que resolveram fazer. 
O tempo passou e a crucificação, a morte e o sepultamento de Jesus ocorreram. Nada nem ninguém 
na terra podem reverter e mudar os acontecimentos que levaram Jesus Cristo à morte. Do ponto de 
vista humano, parece que Deus estava ausente e não teve o controle para salvar seu próprio Filho do 
sofrimento que suportou das mãos dos homens maus. 
Entretanto, Deus terá a palavra final nessa situação, como em todos os assuntos! Como 
sempre, Jesus submeteu-se ao plano de seu Pai e obedeceu à autoridade terrena sobre ele. Essas 
autoridades escolheram livremente matar Jesus por crucifixão, pensando ter o controle de seu destino 
final. Fizeram sua escolha, e Deus considerou-os responsáveis por suas ações. Contudo, visto que 
Deus é soberano sobre todas as coisas, ele tem a palavra final, e havia decretado desde a eternidade 
que Jesus ressurgiria dos mortos três dias depois de ser crucificado. 
Com a ressurreição, Deus controla o destino final de Jesus sem violar a liberdade dos 
indivíduos maus que sentenciaram Jesus à morte de cruz. Tanto a soberania de Deus como a 
responsabilidade dos seres humanos existe sem contradição. 
A chave para tudo isso é que Deus está fora do tempo, mas pode agir no tempo. Deus usa as 
escolhas livres dos seres humanos para cumprir os seus propósitos. Mesmo quando as pessoas más 
cometem atos cruéis e injustos livremente, jamais podem obstruir os propósitos de um Deus soberano. 
Como disse C. S. Lewis: 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 61 
 
A crucificação em si é o melhor, assim como o pior, de todos os acontecimentos históricos, 
mas o papel de Judas permanece simplesmente mau. Podemos aplicar isso primeiramente ao 
problema do sofrimento de outras pessoas. Um homem misericordioso deseja o bem de seu próximo 
e desse modo faz “a vontade de Deus”, cooperando conscientemente com “o bem simples”. Um 
homem cruel oprime o seu próximo e assim faz o mal simples. Mas fazendo esse mal, ele é usado por 
Deus, sem o seu próprio conhecimento ou consentimento, para produzir o bem complexo — de forma 
que o primeiro homem serve a Deus como filho, e o segundo, como uma ferramenta. Você certamente 
vai cumprir o propósito de Deus, não importa como aja, mas para você faz uma grande diferença 
servir como Judas ou servir como João.13 
Um meio mais simples, mas preciso, de entender como algo pode ser determinado e ainda 
assim ser livremente escolhido é assistir a um videoteipe. Por alguma razão você não pode ver o final 
do campeonato de futebol ao vivo pela TV e pediu que alguém o gravasse em vídeo para você. 
Quando finalmente teve tempo para sentar-se e assistir ao vídeo, você passou a ver um jogo já 
determinado. Mas cada jogada e ação que você está observando foram livremente escolhidas. 
Depois de considerar a natureza do Deus do teísmo cristão e as opções lógicas referentes ao 
mal, concluímos que Deus tem a capacidade de intervir se e/ou quando ele determina. Se decidir não 
intervir, podemos presumir que ele está permitindo que o mal persista a fim de alcançar um bem 
maior, mesmo que não tenhamos nenhum conhecimento do bem maior. Além disso, Deus é capaz de 
redimir as nossas más escolhas, ou o mal que os outros escolhem que façamos, como parte do seu 
plano soberano de produzir um bem maior. Deus permitiu que o mal acontecesse com seu Filho, 
todavia, teve a palavra final quando cumpriu seus propósitos produzindo um bem maior na vida de 
Jesus e de todos os que creem nele. Essa vitória sobre o mal é o tema central da mensagem cristã, 
conhecida como evangelho ou boas-novas. 
Como vimos, o ateísmo e o panteísmo não conseguem fornecer dentro da estrutura de suas 
próprias cosmovisões respostas aceitáveis às perguntas que dizem respeito ao problema do mal. Se 
Deus não existe (ateísmo), ou se o mal não é real (panteísmo), por que, então, se importar com o mal? 
Para os ateus, o mal é meramente problema da ignorância humana, e a resposta ao problema é a 
educação. Para os panteístas, o mal é uma ilusão e não precisa de nenhuma solução, porque não é um 
problema real. Apenas quando alguém afirma que o mal é real e que Deus todo-bom, todo-conhecedor 
e todo-poderoso existe, deve-se dar explicação. O teísmo cristão reconhece que o mal está ancorado 
em cada coração humano e se manifesta num estilo de vida centrado no eu. 
 
 
 
13 The problem of pain, p. 111. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 62 
 
 
 
 
PODEMOS CRER NA RESSURREIÇÃO DE JESUS? 
 
Por que procurais entre os mortos aquele que vive? (Lc 24.4). 
 
Pretendemos fazer uma síntese dos elementos cruciais de uma defesa histórica em favor da 
ressurreição de Jesus, de modo que você pode compartilhá-la com qualquer pessoa que lhe pergunte 
por que você crê no Deus da Bíblia. Essa defesa envolverá dois passos: primeiro, determinarqual é a 
evidência a ser explicada e, segundo, deduzir qual é a melhor explicação para a evidência. 
As evidências podem ser resumidas em três fatos independentes: (1) o sepulcro vazio; (2) as 
aparições de Jesus após sua morte e (3) o início da convicção dos discípulos na ressurreição de Jesus. 
Além disso, a melhor explicação para esses três fatos é que “Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos”. 
Chamo a isso de hipótese da ressurreição. A importância ou o significado da ressurreição de Jesus 
será dado pelo contexto em que ela ocorre: Ela vem como uma justificação das radicais alegações 
pessoais de Jesus, pelas quais ele fora condenado por blasfêmia. 
Vamos primeiro dar uma olhada nas evidências a serem explicadas e, então, na melhor 
explicação para essas evidências. 
 
Evidências da ressurreição 
Se os três fatos mencionados anteriormente — (1) o sepulcro vazio; (2) as aparições de Jesus 
após sua morte e (3) o início da convicção dos discípulos na ressurreição de Jesus — podem ser tidos 
como algo estabelecido, e se não há nenhuma outra explicação natural e plausível para eles que seja 
tão boa quanto a da hipótese da ressurreição, então temos motivo para deduzir que a ressurreição de 
Jesus é a melhor explicação para os fatos. Assim, vamos examinar as evidências que sustentam cada 
um desses três fatos. 
Nos dias de Jesus era evidente o que não significam várias palavras do grego, do aramaico e 
de outras línguas, utilizadas para designar a ressurreição. Ressurreição não significava vida após a 
morte em alguma forma desencarnada, não significava a imortalidade da alma seja no inferno ou no 
paraíso, e também não significava reencarnação. Significava a reversão da morte, a restauração a 
alguma forma de imortalidade no corpo. Muitos pagãos acreditavam em uma vida desencarnada após 
a morte, mas eles consideravam a ressurreição impossível. Alguns judeus (não todos) esperavam a 
ressurreição dos justos no último dia — mas jamais a ressurreição de alguém antes disso. O corpo 
ressurreto poderia diferir dos nossos, mas tinha que ser um corpo. Nem um fantasma nem uma alma 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 63 
 
desencarnada nem mesmo um espírito de um plano superior de consciência teria sido chamado de 
“ressurreto”. 
 
O fato do sepulcro vazio 
Vejamos aqui cinco linhas de evidência que sustentam o fato de que o sepulcro de Jesus foi 
encontrado vazio por um grupo de suas seguidoras, no domingo posterior à sua crucificação. 
A evidência do sepultamento de Jesus 
Primeiro, a confiabilidade histórica do sepultamento de Jesus sustenta o fato do sepulcro 
vazio. Agora, você pode se perguntar: Como o sepultamento de Jesus prova que seu sepulcro foi 
encontrado vazio? E a resposta é: Se a narrativa do sepultamento for basicamente precisa, então o 
local em que ficava o sepulcro era conhecido em Jerusalém, tanto por judeus quanto por cristãos, uma 
vez que os dois grupos estavam presentes quando Jesus foi sepultado. Mas nessa hipótese, o sepulcro 
tinha que estar vazio quando os discípulos começaram a proclamar que Jesus ressuscitara. 
Por quê? Primeiro, porque os discípulos não poderiam ter crido na ressurreição se o corpo de 
Jesus ainda estivesse no sepulcro. Teria sido algo totalmente contrário aos judeus, para não dizer 
estúpido, acreditar que um homem tivesse ressuscitado dos mortos se o seu corpo ainda estivesse no 
sepulcro. Segundo, ainda que os discípulos tivessem proclamado a ressurreição de Jesus apesar de o 
sepulcro não estar vazio, dificilmente alguém teria acreditado neles. Um dos fatos mais notáveis sobre 
a incipiente crença dos cristãos na ressurreição de Jesus foi que ela floresceu na própria cidade em 
que Jesus tinha sido publicamente crucificado. Enquanto as pessoas de Jerusalém pensassem que o 
corpo de Jesus escava no sepulcro, poucas teriam estado preparadas para acreditar em um absurdo 
como o fato de que tinha ressuscitado. E terceiro, ainda que elas tivessem acreditado nisso, as 
autoridades judaicas teriam trazido a verdade à tona simplesmente apontando para o sepulcro de Jesus 
ou, talvez, exumando o corpo como prova definitiva de que Jesus não havia ressuscitado. 
Sugerir, como fizeram certos críticos, que as autoridades judaicas não consideravam essa 
história de Jesus ter ressuscitado como algo que merecesse atenção é uma alegação fantasiosa e 
contrária às evidências. Elas estavam profundamente interessadas em esmagar o nascente movimento 
cristão (lembre-se que até contrataram Saulo de Tarso para perseguir os cristãos judeus!). Elas com 
toda certeza teriam checado o sepulcro à procura do corpo. 
E mesmo que não desse mais para reconhecer os restos mortais que estivessem no sepulcro, o 
ônus da prova recairia sobre quem dissesse que aqueles não eram os restos mortais de Jesus. Mas 
parece que nunca houve essa discussão em torno da identificação do corpo de Jesus. Como veremos, 
a discussão entre os judeus não cristãos e os judeus cristãos se localizava em torno de outra questão. 
Assim, se a história do sepultamento de Jesus é histórica, então é uma inferência muito 
próxima para o fato do sepulcro vazio. Justamente por isso os críticos que negam o sepulcro vazio se 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 64 
 
veem compelidos a argumentar contra o sepultamento. Infelizmente para eles, o sepultamento de 
Jesus no sepulcro é um dos fatos mais consolidados acerca de Jesus. Vejamos dois pontos: 
1. O sepultamento de Jesus é relatado em fontes independentes e extremamente precoces. O 
relato do sepultamento de Jesus em um sepulcro, por José de Arimateia, é parte do material da fonte 
de Marcos para a história da paixão (a história do sofrimento e morte de Jesus). Marcos é o mais 
antigo dos quatro evangelhos, assim, trata-se de uma fonte bem precoce, a qual a maioria dos 
estudiosos crê ser baseada em relatos de testemunhas oculares. 
Além disso, Paulo em 1 Coríntios 15.3-5 cita uma antiga tradição cristã que ele recebeu dos 
primeiros discípulos. Essa tradição provavelmente foi transmitida a ele o mais tardar na época de sua 
visita a Jerusalém, em 36 d.C. (G1 1.18), se não antes, em Damasco. Portanto, ela remonta aos 
primeiros cinco anos posteriores à morte de Jesus, em 30 d.C. A tradição é uma síntese da pregação 
cristã primitiva e pode ter sido usada para o ensino cristão. A forma que possui deve tela tornado 
apropriada para a memorização. Eis o que ela diz: 
Que Cristo morreu por nossos pecados, de acordo com as Escrituras. 
E foi sepultado, 
E ressuscitou ao terceiro dia, de acordo com as Escrituras, e apareceu a Pedro, e depois aos 
Doze. 
Observe que a segunda linha da tradição diz respeito ao sepultamento de Jesus. Porém, pode 
ser que alguém pergunte: O sepultamento mencionado na tradição transmitida por Paulo é o mesmo 
sepultamento feito por José de Arimateia? A resposta para essa pergunta fica clara pela comparação 
entre a formula de quatro linhas transmitida a Paulo e as narrativas dos evangelhos, por um lado, e os 
sermões de Atos, por outro: 
 
 
 
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Essa incrível correspondência entre tradições independentes é uma prova convincente de que 
a fórmula de quatro linhas transmitida a Paulo é uma síntese ou esboço dos acontecimentos básicos 
da paixão e ressurreição. Jesus, incluindo seu sepultamento em um sepulcro. Assim, temos evidência 
de algumas das fontes mais precoce, e independentes. 
Mas isso não é tudo! Mais testemunhos independentes acerca do sepultamento de Jesus por 
José de Arimateia também podem ser encontrados em fontes que estão por trás de Mateus e Lucas e 
do Evangelho de João. As diferenças entre o relato do sepultamento em Marcos e os relatos de Mateus 
e Lucas sugerem que estes tiveram outras fontes| além da de Marcos. 
Além disso, temos outra fonte independente para sepultamento no Evangelho de João. Por 
fim, temos primeiros sermões no livro de Atos, que provavelmentepreservam as primeiras pregações 
dos apóstolos. Esses sermões também mencionam que Jesus foi sepultado em um sepulcro. Logo, 
temos a incrível quantidade de pelo menos cinco fontes independentes para o sepultamento de Jesus, 
algumas das quais são extraordinariamente antigas. 
2. Como era membro do Sinédrio que condenou Jesus, é improvável que José de Arimateia 
seja uma invenção dos cristãos. José de Arimateia é descrito como um homem que era membro do 
Sinédrio. O Sinédrio era uma espécie de tribunal judeu, composto por 70 líderes do judaísmo que 
presidiam em Jerusalém. Havia uma hostilidade compreensível na igreja primitiva em relação aos 
membros do Sinédrio. Aos olhos dos cristãos, eles haviam maquinado judicialmente o assassinato de 
Jesus. Os sermões de Atos por exemplo, chegam ao ponto de dizer que líderes judeus crucificaram 
Jesus (At 2.23,36; 4.10)! Dado seu status de membro do Sinédrio, José de Arimateia é a última pessoa 
que se podia esperar que cuidasse devidamente do corpo de Jesus. Assim, o sepultamento de Jesus 
por José de Arimateia é muito provável, uma vez que seria quase inexplicável imaginar o motivo por 
que os cristãos teriam inventado tal história sobre um membro do Sinédrio que fez o que era correto 
por Jesus. 
Por essas e outras razões, a maioria dos críticos do Novo Testamento concordam que Jesus 
foi sepultado por José de Arimateia. De acordo com o falecido A. T. Robinson, da Universidade de 
Cambridge, o sepultamento de Jesus em um sepulcro é “um dos fatos mais antigos e comprovados 
sobre Jesus”.14 Porém, se essa conclusão for correta, então, é muito difícil negar o fato do sepulcro 
vazio. 
 
Os relatos independentes do sepulcro vazio 
A segunda linha de evidência com respeito ao sepulcro vazio é esta: 
 
14 John A. T. Robinson, The Human Face of God. Philadelphia: Westminscer, p. 131. 
 
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A descoberta do sepulcro vazio de Jesus é um fato relatado de forma independente em fontes 
muito antigas. A fonte do relato da paixão do Evangelho de Marcos provavelmente não terminou com 
o sepultamento de Jesus, mas com a descoberta do sepulcro vazio pelas mulheres. Pois as histórias 
do sepultamento e do sepulcro vazio são na realidade a mesma história, formando uma narrativa suave 
e contínua. Elas estão ligadas por laços gramaticais e linguísticos. Além disso, parece improvável que 
os primeiros cristãos fizessem circular uma história sobre a paixão de Jesus que terminasse com o seu 
sepultamento. A história da paixão fica incompleta sem a vitória no final. Daí o motivo da fonte de 
Marcos provavelmente ter incluído e poder ter terminado com a descoberta do sepulcro vazio. 
Já vimos que em 1 Corintios 15.3-5 Paulo cita uma tradição extremamente antiga que se refere 
à morte e ressurreição de Cristo. Embora o sepulcro vazio não seja explicitamente mencionado, uma 
comparação da fórmula de quatro linhas com as narrativas dos evangelhos de um lado e com os 
sermões de Atos do outro revela que a terceira linha é, de fato, uma síntese do relato do sepulcro 
vazio. 
Além disso, duas outras características da tradição paulina implicam o sepulcro vazio. 
Primeiro, a expressão “foi sepultado” seguida da expressão “ressuscitou” implica o sepulcro vazio. 
A ideia de que um homem pudesse ter sido sepultado e depois ressuscitado, mas seu corpo ainda ter 
permanecido no sepulcro é uma noção peculiarmente moderna! Para os judeus do primeiro século 
não haveria a menor dúvida de que o sepulcro de Jesus estaria vazio. Portanto, quando a tradição 
afirma que Cristo “foi sepultado; e ressuscitou”, nela está automaticamente implícito que um sepulcro 
vazio foi deixado para trás. Dadas as remotas data e origem dessa tradição, os que a esboçaram jamais 
poderiam ter acreditado em algo que dissesse que o sepulcro não estava vazio. 
Segundo, a expressão “ao terceiro dia” implica o sepulcro vazio. Embora bastante sintetizada, 
uma vez que ninguém de fato viu Jesus ressuscitar dos mortos, por que os primeiros discípulos 
proclamavam que Jesus tinha ressuscitado “ao terceiro dia”? Por que não no sétimo dia: A resposta 
mais provável é que foi no terceiro dia que as mulheres encontraram o sepulcro vazio e, com isso, 
naturalmente a própria ressurreição veio a ser datada nesse dia. 
Logo, temos evidências extraordinariamente antigas e independentes para o fato do sepulcro 
vazio. A descoberta do sepulcro vazio não pode ser relatada como um desenvolvimento posterior e 
lendário. 
E mais! Existem boas razões para perceber a presença de fontes independentes para o relato 
do sepulcro vazio nos outros evangelhos e em Atos. Mateus claramente trabalha com uma fonte 
independente, pois ele inclui o relato dos guardas no sepulcro, algo que é exclusivo de seu evangelho. 
Além disso, seu comentário sobre como o rumor de que os discípulos haviam roubado o corpo 
de Jesus era uma história [que] tem sido divulgada entre os judeus “até o dia de hoje” (Mt 28.15) 
demonstra que Mateus está respondendo a uma tradição anterior. Lucas também possui uma fonte 
 
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independente, pois ele conta a história, que não se encontra em Marcos, dos dois discípulos que foram 
ao sepulcro para verificar o que as mulheres contaram sobre o sepulcro estar vazio. A história não 
pode ser considerada uma criação de Lucas, pois o mesmo incidente é relatado de forma independente 
em João. E, mais uma vez, dada a independência de João em relação aos outros três evangelhos, temos 
ainda mais um relato independente do sepulcro vazio. Por fim, nos sermões do livro de Atos, temos 
mais uma vez referências indiretas ao sepulcro vazio. Por exemplo, Pedro traça um nítido contraste 
entre Davi que ‘morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está até hoje entre nós” e Jesus: “Foi a este 
Jesus que Deus ressuscitou” (At 2.29-32; compare com 13.36-37). 
Os historiadores pensam ter feito uma descoberta histórica útil, lucrativa quando possuem dois 
relatos independentes do mesmo acontecimento. Mas no caso do sepulcro vazio temos não menos do 
que seis relatos independentes, sendo que alguns deles estão entre os materiais mais antigos que se 
encontram no Novo Testamento. 
 
A simplicidade do relato de Marcos 
A terceira linha de evidência em prol do sepulcro vazio é que o relato de Marcos é simples e 
carece de desenvolvimentos lendários. Como o relato do sepultamento, o relato de Marcos sobre o 
sepulcro vazio é incrivelmente simples, despido de temas teológicos capazes de caracterizar alguma 
lenda que tivesse surgido posteriormente. Por exemplo, a ressurreição em si não é testemunhada nem 
descrita, e não há qualquer reflexão acerca do triunfo de Jesus sobre o pecado e a morte, não há 
utilização de títulos divinos, não há citações de profecias cumpridas ou mesmo descrições do Senhor 
ressuscitado. Isso é muito diferente de uma ficção criada por cristãos — apenas compare o modo 
como a ressurreição é retratada modernas peças sobre a paixão! 
Para fazer uma ideia de quão comedida é a narrativa de Marcos você tem apenas que ler o 
relato no evangelho apócrifo de Pedro, descreve a triunfante saída de Jesus do sepulcro como uma 
figura de proporções gigantescas, cuja cabeça alcança as nuvens, sustenta por anjos gigantescos, 
seguida por uma cruz que fala, anunciada por uma voz vinda do céu e testemunhada pelos guardas 
romanos; líderes judeus e uma multidão de espectadores! Isso demonstra quão real as lendas se 
parecem: elas são coloridas por acréscimos teológicos e apologéticos. Já o relato de Marcos, por 
contraste, inflexível em sua simplicidade. 
 
A descoberta das mulheres 
A quarta linha de evidência é que o sepulcro provavelmente foi encontrado vazio pelas 
mulheres. A fim de entender esse ponto, precisamos entender duas coisas acerca do lugar da mulher 
na sociedade judaica. 
 
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Primeiro, mulheres nãoeram consideradas testemunhas de crédito. Essa atitude em relação ao 
testemunho de mulheres é evidente na descrição fornecida por Josefo, historiador judeu regras para 
testemunhos admissíveis: “Que o testemunho de mulheres não seja admitido, em função da 
leviandade e atrevimento desse sexo” (Antiguidades iv.8.15). Na Bíblia não se encontra; regulamento 
como esse. Antes, é um reflexo da sociedade patriarcal do judaísmo do primeiro século. 
Segundo, as mulheres ocupavam um baixo nível na hierarquia social da sociedade judaica. 
Comparadas aos homens elas eram consideradas como cidadãos de segunda classe. Considere estes 
termos rabínicos: “Que as palavras da Lei sejam antes queimadas do que entregues às mulheres” 
(Sotah 19a) e também: “Feliz aquele cujos filhos são homens, mas infeliz aquele cujos filhos são 
mulheres” (Kiddushin 82b). A oração diária de todo homem judeu incluía a seguinte bênção: “Bendito 
és tu, Senhor nosso Deus, soberano do universo, que não me criou gentio, escravo ou mulher” 
(Berachos 60b). 
Assim, considerando o seu baixo status social e a incapacidade de servir como testemunhas 
legalmente reconhecidas, é um tanto surpreendente que tenham sido mulheres que encontraram, como 
principais testemunhas, o sepulcro vazio! Se o relato do sepulcro vazio não fosse verídico, ou seja, se 
fosse uma lenda, nessa lenda provavelmente seriam os discípulos que seriam postos como aqueles 
que encontraram o sepulcro vazio. O fato de que mulheres, cujo testemunho era considerado sem 
valor, foram as principais testemunhas do sepulcro vazio somente pode ser explicado plausivelmente 
se, gostassem ou não as pessoas, elas de fato foram as que encontraram o sepulcro vazio, e os 
evangelhos fielmente registram, então, o que para eles era um fato muito embaraçoso. 
 
A primeira reação dos judeus 
Por fim, a primeira reação dos judeus à proclamação da ressurreição de Jesus pressupõe o 
sepulcro vazio. No Evangelho de Mateus encontramos uma tentativa de refutar a primeira reação dos 
judeus à proclamação da ressurreição pelos cristãos: 
Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e 
contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Quando os chefes dos sacerdotes 
se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de 
dinheiro, dizendo-lhes: “Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite 
e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’. Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós 
lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema”. Assim, os soldados receberam 
o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia 
de hoje. Mateus 28:11-15 
Nosso interesse não está tanto na história que Mateus conta sobre os guardas do sepulcro 
quanto está na observação ocasional que ele faz no final do relato: “E essa história tem sido divulgada 
 
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entre judeus até o dia de hoje”. Ela revela que o autor estava preocupado em refutar a explicação 
dada pelos judeus à ressurreição, que foi amplamente divulgada. 
Ora, o que os judeus incrédulos estavam dizendo em resposta à proclamação dos discípulos 
de que Jesus havia ressuscitado? Que eles estavam embriagados com vinho? Que o corpo de Jesus 
ainda estava no sepulcro? Não. Eles estavam dizendo que os discípulos haviam roubado o corpo. 
Pense um pouco nisso. “Os discípulos dele vieram de noite e levaram o corpo enquanto dormíamos”. 
As autoridades judaicas não negaram que o sepulcro estava vazio, mas, antes, meteram os pés pelas 
mãos, volvendo-se em uma série de absurdos para tentar explicar o fato de forma a desmenti-lo. Em 
outras palavras, a alegação dos judeus de que os discípulos haviam levado o corpo pressupõe que 
havia um corpo faltando. 
Se tomadas em conjunto, essas cinco linhas de evidência constituem uma poderosa defesa de 
que o sepulcro de Jesus foi, de fato, encontrado vazio naquele primeiro dia da semana, por um grupo 
de seguidoras dele. Como fato histórico, isso parece estar bem consolidado. Segundo Jacob Kremer, 
um crítico do Novo Testamento que se especializou no estudo da ressurreição: “Decididamente a 
maioria dos estudiosos sustenta firmemente a confiabilidade dos registros bíblicos sobre o sepulcro 
vazio”. De fato, em uma pesquisa feita com mais de 2.200 publicações em inglês, francês e alemão 
sobre a ressurreição, desde 1975, Gary Habermas descobriu que 75 por cento dos estudiosos aceitava 
a historicidade da descoberta do sepulcro vazio. A evidência é tão convincente que uma série de 
estudiosos judeus, como Pinchas Lapide e Geza Vermes, declaram-se convencidos que o sepulcro foi 
encontrado vazio com base nas evidências. Mas ainda há mais coisas por vir. 
 
O fato das aparições de Jesus depois da morte. 
Em 1 Coríntios 15.3-8, Paulo escreve: 
Porque primeiro vos entreguei o que também recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 
segundo as Escrituras; e foi sepultado; e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e 
apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, 
e a maior parte deles ainda vive, mas alguns já faleceram. Depois apareceu a Tiago, e a todos os 
apóstolos. E, depois de todos, apareceu também a mim, como a um nascido fora do tempo certo. 
Essa é uma afirmação realmente notável. Temos aqui uma carta indiscutivelmente autêntica 
de um homem pessoalmente conhecido pelos discípulos que relata que eles de fato viram Jesus vivo 
após sua morte. Mais do que isso, ele afirma que ele mesmo também testemunhou uma aparição de 
Jesus. O que devemos fazer diante dessas afirmações? Jesus realmente apareceu vivo para algumas 
pessoas após sua morte? 
Para responder a essa pergunta, vamos primeiro considerar as evidências em favor da 
ressurreição de Jesus. Mais uma vez, o espaço não me permite examinar em detalhes todas as 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 70 
 
evidências favoráveis às aparições de Jesus após a morte. Mas eu gostaria de examinar três principais 
linhas de evidência. 
 
A lista de testemunhas oculares de Paulo 
Em primeiro lugar, a lista fornecida por Paulo das pessoas que testemunharam as aparições 
de Jesus, após a ressurreição, garante que tais aparições ocorreram. Em 1 Coríntios 15, Paulo fornece 
essa lista de testemunhas oculares. Vamos examinar rapidamente cada uma dessas aparições e 
verificar se é plausível que um evento como esse tenha de fato ocorrido. 
1. A aparição a Pedro. Não temos nenhum relato nos evangelhos, que fale da aparição de 
Jesus a Pedro. Mas essa aparição é mencionada aqui em uma antiga tradição citada por Paulo, que se 
originou na igreja de Jerusalém, e que é confirmada pelo próprio apóstolo Paulo. Como sabemos a 
partir de Gálatas 1.18, Paulo passou cerca de duas semanas com Pedro em Jerusalém, três anos após 
sua conversão na estrada para Damasco. Assim, Paulo sabia pessoalmente se Pedro podia ou não ter 
tido essa experiência. Além disso, a aparição a Pedro é mencionada em outra tradição antiga que se 
encontra em Lucas 24.34: “É verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão”. O fato de que Lucas 
está passando adiante uma tradição anterior fica evidente aqui, pela forma como ela foi inserida em 
sua história sobre aparição no caminho para Emaús. Portanto, embora não tenham, nenhum relato 
sobre a aparição a Pedro, esse fato está bem comprovado historicamente. Em consequência disso, 
praticamente todos críticos neotestamentários concordam que Pedro testemunhou uma aparição do 
Jesus ressurreto. 
2. A aparição aos doze. Sem dúvida alguma, o grupo referido aqui é o grupo original dos 
doze apóstolos escolhidos por Jesus durante seu ministério — menos, é claro, Judas, cuja ausência 
não afetou o título formal do grupo. Dentre as aparições de Jesus esta é a mais bem comprovada. 
Tambémé a que foi incluída na fórmula tradicional bastante antiga que Paulo cita, sendo que o próprio 
Paulo teve contato com integrantes do grupo dos Doze. Além disso, temos relatos independentes 
dessa aparição em Lucas 24.36-42 e João 20.19-20. Inquestionavelmente, a característica mais 
notável desses relatos das aparições de Jesus são as demonstrações físicas de Jesus mostrando suas 
feridas e comendo diante dos discípulos. O propósito de demonstrações físicas é mostrar duas coisas: 
primeiro, que Jesus ressuscitou fisicamente; segundo, que ele era o mesmo Jesus que foi crucificado. 
Não pode restar a menor dúvida de que essa aparição de fato aconteceu, pois ela é atestada em uma 
antiga tradição cristã, confirmada por Paulo, que havia tido contato pessoal com os Doze, além de ser 
descrita em relatos independentes registrados em Lucas e João. 
3. A aparição a mais de quinhentos irmãos. A terceira aparição vem de modo mais chocante: 
“Depois aparece subindo ao céu sob o olhar de mais de quinhentos irmãos de uma só vez”! Isso é 
surpreendente, pois não temos nenhuma menção a essa aparição em outro lugar do Novo Testamento. 
 
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Isso pode nos tornar um tanto céticos acerca dessa aparição, mas o próprio Paulo aparentemente teve 
contato pessoal com esses irmãos, uma vez que sabia que alguns deles haviam morrido. Nota-se isso 
pelo comentário intercalado por Paulo: “e a maior parte deles ainda vive, mas alguns já faleceram”. 
Por que Paulo acrescenta esse comentário? C. H. Dodd, grande estudioso do Novo Testamento da 
Universidade de Cambridge, afirma. “Dificilmente pode haver algum propósito em mencionar o fato 
de que a maior parte dos 500 ainda estava viva, a não ser o de que Paulo estava na verdade dizendo: 
‘As testemunhas estão aqui para serem questionadas”. Observe que Paulo jamais poderia ter dito isso 
se tal fato não tivesse ocorrido. Ele não poderia ter desafiado as pessoas a conversar com as 
testemunhas se o fato nunca tivesse acontecido e se não existissem testemunhas dele. Porém, 
evidentemente havia testemunhas desse fato e Paulo sabia que algumas delas tinham morrido neste 
ínterim. Portanto, o fato tem que ter acontecido. 
Penso que essa aparição não é relatada nos evangelhos porque ela provavelmente aconteceu 
na Galileia. À medida que se reúne as várias aparições registradas nos evangelhos, parece que elas 
ocorreram primeiro em Jerusalém, depois na Galileia e, então, novamente em Jerusalém. A aparição 
aos mais de quinhentos irmãos teria acontecido fora desse trajeto, talvez na encosta de algum monte 
perto de uma vila na Galileia. 
4. A aparição a Tiago. A próxima aparição foi uma das mau incríveis: Jesus apareceu para 
Tiago, seu irmão mais novo. O que torna esse fato mais incrível é que aparentemente nem Tiago ou 
nenhum dos irmãos mais novos de Jesus acreditavam em Jesus durante o tempo de seu ministério 
(Mc 3.21,31-35; Jo 7.1-10). Eles não acreditavam que ele era o Messias, ou um profeta ou nem mesmo 
alguém especial. Pelo critério do constrangimento, este é sem dúvida alguma um fato histórico da 
vida e do ministério de Jesus. 
Mas após a ressurreição, os irmãos de Jesus apareceram no aposento superior onde estava 
reunida a comunidade cristã (At 1.14) Não há mais menção a eles até Atos 12.17, na história da 
libertação de Pedro da prisão por um anjo. Quais foram as primeiras palavras de Pedro? “Anunciais 
isso a Tiago e aos irmãos”. Em Gálatas 1.19 Paulo conta de sua visita de duas semanas a Jerusalém, 
cerca de três anos depois da experiência na estrada para Damasco. Ele conta que além de Pedro, ele 
não vira nenhum dos outros apóstolos, exceto Tiago, o irmão do Senhor. Paulo no mínimo deixa 
implícito que Tiago estava agora sendo reconhecido como um apóstolo. Quando Paulo visitou 
Jerusalém novamente, quatorze anos mais tarde, ele diz que havia três “colunas” da igreja em 
Jerusalém: Tiago, Cefas e João (G1 2.9). Por fim, em Atos 21.18 Tiago é o único líder da igreja em 
Jerusalém e do conselho de presbíteros. Não ouvimos mais nada sobre Tiago no Novo Testamento. 
Porém, por palavras de Josefo, o historiador judeu, ficamos sabendo que Tiago foi apedrejado até a 
morte, ilegalmente, pelo Sinédrio, em algum período após o ano 60 d.C. (Antiguidades 20.200). 
 
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Não apenas Tiago, mas também os outros irmãos de Jesus passaram a crer nele e foram 
atuantes na pregação da mensagem cristã, como podemos ver por 1 Coríntios 9.5: “Não temos nós o 
direito de levar conosco esposa crente, como também fazem os demais apóstolos, os irmãos do Senhor 
e Cefas?” 
Ora, como isso pode ser explicado? Por um lado, parece ser certo que os irmãos de Jesus não 
criam nele durante seu ministério. 
A crucificação de Jesus apenas confirmaria na mente de Tiago o fato de que as pretensões 
messiânicas de seu irmão mais velho eram ilusórias, justamente como ele havia pensado. Por outro 
lado, é igualmente certo que os irmãos de Jesus se tornaram cristãos ardorosos, atuantes no ministério. 
Muitos de nós têm irmãos. O que seria necessário para que acreditássemos que nosso irmão é o 
Senhor, a ponto de morrermos por crer nisso, como fez Tiago? Pode restar alguma dúvida de que a 
razão para essa extraordinária transformação só pode estar no fato de que Jesus apareceu a Tiago? 
Até mesmo Hans Grass, um cético crítico do Novo Testamento, admite que essa conversão de Tiago 
é uma das provas mais irrefutáveis da ressurreição de Cristo. 
5. A aparição a todos os apóstolos. Essa foi provavelmente uma aparição a um círculo 
limitado de missionários cristãos um pouco mais amplo do que os Doze apóstolos. Para informações 
sobre esse grupo, veja Atos 1.21-22. Uma vez mais o fato dessa aparição é garantido pelo contato 
pessoal de Paulo com os próprios apóstolos. 
6. A aparição a Saulo de Tarso. A última aparição é tão extraordinária quanto a aparição a 
Tiago: “E, depois de todos, apareceu também a mim, como a um nascido fora do tempo certo” (l Co 
15.8). A história da aparição de Jesus a Saulo de Tarso na estrada para Damasco é relatada em Atos 
1.1-9 e mais tarde contada de novo, por duas vezes. O fato de que este acontecimento é comprovado 
além de qualquer dúvida pelas referências que Paulo faz a ele em suas próprias cartas. 
Esse acontecimento mudou toda a vida de Paulo. Ele era um rabino fariseu, um respeitado 
líder judeu. Odiava a heresia cristã com todas as suas forças e fazia tudo o que estivesse ao seu alcance 
para acabar com ela. Ele mesmo conta que foi responsável pela execução de cristãos. Então, de 
repente, ele abre mão de tudo isso. Deixa sua posição de respeitado líder judeu e se torna um 
missionário cristão e abraça uma vida de pobreza, labuta e sofrimento. Foi açoitado, espancado, 
apedrejado, deixado para morrer, passou por três naufrágios e viveu em constante perigo, privações 
e ansiedade. Por fim, fez o sacrifício supremo e foi martirizado por sua fé em Roma. E tudo isso 
porque naquele dia, na estrada para Damasco, ele vira Jesus, nosso Senhor (1 Co 9.1). 
Em síntese, os testemunhos de Paulo tornam historicamente certo que vários grupos e pessoas 
presenciaram aparições de Jesus depois de sua morte e sepultamento. 
 
Relatos independentes do evangelho 
 
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Além disso, há relatos dos evangelhos que fornecem registros múltiplos e independentes das 
aparições de Jesus após a morte, até mesmo das mesmas aparições mencionadas na lista de Paulo. A 
aparição a Pedro é mencionada de forma independente por Paulo e Lucas (1 Co 15.5; Lc 24.34) e 
universalmente reconhecida pelos críticos. A aparição aos Doze é relatada de modo independente por 
Paulo, Lucas e João (1 Co 15.5; Lc 24.36-53; Jo 20.19-31) e, também, não é contestada por ninguém. 
A aparição para as seguidoras de Jesus é relatada de forma independente por Mateus e João (Mt 28.9-
10; Jo 20.11-17)e também é objeto de ratificação pelo critério do constrangimento, dada a baixíssima 
credibilidade atribuída a testemunhos de mulheres. É consenso geral que a ausência dessa aparição 
na lista de aparições mencionadas por Paulo é reflexo do desconforto em citar testemunhas femininas. 
Por fim, o fato de que Jesus apareceu aos discípulos na Galileia é objeto de relatos independentes por 
Marcos, Mateus e João (Mc 16; Mt 28.16-20; Jo 21). 
Tomadas em sequência, as aparições seguem o padrão de Jerusalém, Galileia e então 
Jerusalém novamente, estando de acordo com as peregrinações dos discípulos à medida que eles 
voltaram à Galileia depois da Páscoa e então viajaram de novo para Jerusalém, dois meses após o 
Pentecostes. 
O que devemos concluir a partir dessas evidências? Podemos até chamar essas aparições de 
alucinação, se quisermos, mas não podemos negar sua ocorrência. Até mesmo o cético crítico Gerd 
Lüdemann é enfático em dizer: “Pode ser considerado historicamente certo que Pedro e os discípulos 
passaram por experiências após a morte de Jesus nas quais Jesus apareceu a eles como o Cristo 
ressurreto”.15 As evidências tornam certo que, em ocasiões separadas, diferentes indivíduos e grupos 
passaram pela experiência de ter visto Jesus ressuscitado dos mortos. Essa conclusão é virtualmente 
incontestável. 
 
A natureza física das aparições 
Em terceiro lugar, as aparições de Jesus foram físicas e corpóreas. Até aqui as evidências que 
apresentamos não dependem da natureza das aparições de Jesus. Deixamos em aberto a questão de 
elas serem de natureza física ou meras visões. Resta ser visto se mesmo experiências visionárias do 
Cristo ressurreto podem ser plausivelmente explicadas em bases exclusivamente psicológicas. Porém, 
se as aparições foram de natureza física ou corpórea então uma explicação exclusivamente 
psicológica se torna algo próximo do impossível, Assim, vale a pena examinarmos o que se pode 
saber acerca da natureza dessas aparições. 
1. Paulo deixa implícito que as aparições foram físicas. Ele faz isso de duas formas. 
Primeiro, Paulo concebe o corpo ressurreto como físico. Todos reconhecem que ele não ensina a 
 
15 Gerd Lüdemann, What Really Happened to Jesus?, trad. John Bowden. Louisville: Westminster John Knox Press, 1995, 
p. 80. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 74 
 
imortalidade apenas da alma, mas sim a ressurreição do corpo. Em 1 Coríntios 15.42-44 Paulo 
descreve as diferenças entre nosso corpo atual, terreno e nosso corpo futuro, ressurreto, que será como 
o de Cristo. Ele traça quatro contrastes essenciais entre o corpo terreno e o ressurreto: 
 - O corpo terreno é: mortal, marcado pela desonra, marcado pela fraqueza e natural. 
 - O corpo ressurreto é: imortal, marcado pela glória, marcado pelo poder e espiritual. 
Ora, apenas o último contraste poderia possivelmente nos fazer pensar que Paulo não cria na 
ressurreição física do corpo. No entanto o que ele quer dizer por meio das palavras aqui traduzidas 
como “natural” e “espiritual”? 
A palavra traduzida como natural literalmente significa “próprio da alma”. Ora, obviamente 
Paulo não quis dizer que nosso corpo atual é “feito da alma”. Antes, por essa palavra ele quis dizer 
pertencente à natureza humana”. Semelhantemente, quando ele disse que o corpo ressurreto será 
“espiritual”, ele não quis dizer que ele será “feito do espírito”. Antes, ele quis dizer “voltado para o 
Espírito”. Essa palavra é usada no mesmo sentido de quando falamos que alguém é uma pessoa 
espiritual. 
Na verdade, observe o modo como Paulo usa exatamente as mesmas palavras em 1 Coríntios 
2.14-15: 
O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são absurdas; e não pode 
entendê-las, pois se compreendem espiritualmente. Mas aquele que é espiritual compreende todas as 
coisas, ao passo que ele mesmo não é compreendido por ninguém. 
A expressão homem natural não significa homem fisicamente falando, mas sim homem 
voltado para a natureza humana. E aquele que é espiritual não significa alguém que seja intangível, 
invisível, mas sim alguém voltado para o Espírito. O contraste é o mesmo de 1 Coríntios 15. Nosso 
corpo atual, terreno, será libertado da sua escravidão à natureza humana pecaminosa e se tornará por 
sua vez dirigido e sustentado pelo poder do Espírito. Assim, a doutrina de Paulo sobre a ressurreição 
do corpo implica uma ressurreição física. 
A segunda forma pela qual Paulo deixa implícito que as aparições foram físicas está no fato 
de que ele, e a bem da verdade todo o Novo Testamento, fazem uma distinção entre uma aparição e 
uma visão de Jesus. As aparições de Jesus logo cessaram, mas visões dele continuaram no tempo da 
igreja primitiva. Ora, a questão é a seguinte: Qual a diferença entre uma aparição e uma visão? A 
resposta do Novo Testamento parece ser clara: uma visão, embora fosse causada por Deus, acontecia 
exclusivamente na mente da pessoa, enquanto uma aparição acontecia no mundo exterior, real. 
Compare a visão que Estêvão teve de Jesus, em Atos 7, com as aparições do Cristo ressurreto. 
Embora Estêvão tenha visto uma imagem identificável de um corpo, o que seus olhos viram foi a 
visão de um homem, e não um homem que estava fisicamente lá, pois nenhum dos demais presentes 
viu absolutamente nada. Por contraste, as aparições da ressurreição aconteceram no mundo real e 
 
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puderam ser testemunhadas por todos os presentes. Paulo podia com razão considerar sua experiência 
na estrada para Damasco como uma aparição, mesmo tendo ela acontecido após a ascensão de Jesus, 
uma vez que ela envolveu certas manifestações no mundo exterior, como uma luz e uma voz, algo 
que também foi testemunhado pelos que acompanhavam Paulo, ainda que em graus variados. 
Portanto, essa distinção entre uma visão e uma aparição de Jesus também implica que as aparições 
foram físicas. 
2. Os relatos dos evangelhos mostram que as aparições foram físicas e corpóreas. 
Novamente devemos destacar dois pontos. 
Primeiro ponto, toda aparição do Cristo ressurreto relatada nos evangelhos é uma aparição 
física, corpórea. O testemunho unânime dos evangelhos a esse respeito é bastante impressionante. Se 
nenhuma das aparições tivesse sido de natureza física, corpórea em sua origem, então seria muito 
estranho o fato de termos um testemunho inteiramente unânime nos evangelhos de que todas as 
aparições foram físicas, sem a presença do menor traço de supostas aparições originais que não 
fossem físicas. Uma total corrupção de uma tradição oral desse porte em tão curto espaço de tempo, 
enquanto as testemunhares oculares ainda estavam vivas, é altamente improvável. 
Segundo ponto, se todas as aparições fossem de fato visões, então estaríamos completamente 
perdidos no que diz respeito a explicar o surgimento dos relatos dos evangelhos. Pois aparições 
físicas, corpóreas, seriam consideradas como uma completa tolice para os gentios e uma pedra de 
tropeço para os judeus, uma vez que nenhum dos dois grupos aceitava a ressurreição física dos mortos. 
A mentalidade helênica considerava a morte do corpo físico como uma libertação, uma vez que esse 
corpo era um empecilho para a alma. A mentalidade judaica excluía a possibilidade de qualquer 
ressurreição física para a glória e imortalidade que fosse anterior à ressurreição geral que aconteceria 
no fim do mundo. Portanto, os dois grupos teriam sido bastante cínicos em relação a relatos sobre 
aparições reais, corpóreas de alguém que tivesse ressuscitado dos mortos. Porém, ambos teriam 
aceitado de bom grado histórias sobre visões de pessoas mortas. Logo, se as aparições tivessem sido 
meras visões, então seria inexplicável o motivo de ter surgido uma tradição unânime sobre aparições 
físicas. 
Francamente falando, o único motivo para negar que a natureza das aparições após a 
ressurreição tenha sido física, corpórea, é um motivo decaráter filosófico, e não histórico: Tais 
aparições seriam milagres de proporções fabulosas, algo que muitos críticos não conseguem engolir. 
Porém, nesse caso precisamos traçar de novo nossos passos para pensar na evidência da existência de 
Deus. Se Deus existe, não há uma boa razão para sermos céticos em relação a milagres. 
Como muito bem colocou o filósofo agnóstico australiano Peter Slezak, em nosso debate, para 
um Deus capaz de criar um universo inteiro, a bizarra ressurreição seria brincadeira de criança! 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 76 
 
Portanto, com base nessas três linhas de evidências, podemos concluir que o fato de que Jesus 
apareceu após a morte a vários grupos e indivíduos, sob as mais variadas circunstâncias, é algo 
historicamente consolidado, sendo que, além disso, essas aparições foram físicas, corpóreas. 
 
O fato das origens da fé cristã 
O terceiro fato a ser explicado é a própria origem da fé cristã. Todos sabem que o cristianismo 
passou a existir em algum momento da metade do primeiro século depois de Cristo. Por que veio a 
existir? O que fez esse movimento começar? Mesmo estudiosos mais céticos do Novo Testamento 
reconhecem que a fé cristã deve suas origens à crença dos primeiros discípulos no fato de que Deus 
havia ressuscitado Jesus de Nazaré dos mortos. De fato, eles amarraram praticamente tudo a essa 
crença. 
Para dar apenas um exemplo disso, vamos pegar a crença no fato de que Jesus era o Messias. 
Nenhum judeu conceberia um Messias que, em vez de triunfar sobre os inimigos de Israel, seria 
vergonhosamente executado por esses inimigos como um criminoso. Esperava-se que o Messias fosse 
uma figura triunfante que inspiraria o respeito de judeus e gentios e estabeleceria o trono de Davi em 
Jerusalém. Um Messias que falhasse em libertar e reinar, que fosse derrotado, humilhado e executado 
por seus inimigos é uma contradição dos termos. Nenhum dos textos da literatura judaica fala de um 
Messias como esse. Portanto, é difícil exagerarmos o tamanho do desastre que a crucificação foi para 
a fé dos discípulos. A morte de Jesus na cruz significa o fim humilhante de quaisquer esperanças que 
eles tivessem acalentado de que ele fosse o Messias. 
Porém, a crença na ressurreição de Jesus reverteu a catástrofe da crucificação. Pelo fato de 
Deus ter ressuscitado Jesus dos mortos, Jesus era visto como o Messias afinal. Assim, Pedro proclama 
em Atos 2.23-36: “ele, que foi entregue pelo conselho determinado e pela presciência de Deus, vós 
o matastes, crucificando-o pelas mãos de ímpios; e Deus o ressuscitou [...] Portanto, toda a casa de 
Israel fique absolutamente certa de que esse mesmo Jesus, a quem crucificastes, Deus o fez Senhor e 
Cristo”. Foi com base na crença em sua ressurreição que os discípulos puderam acreditar que Jesus 
era o Messias. 
Portanto, não é surpresa o fato de a crença na ressurreição de Jesus ser algo universal na igreja 
primitiva. A fórmula tradicional citada em 1 Coríntios 15.3-7 — na qual o evangelho é definido como 
a morte, o sepultamento, a ressurreição e as aparições de Jesus — mostra que essa compreensão do 
evangelho remonta diretamente ao próprio começo da igreja em Jerusalém. 
Assim, as origens do cristianismo dependem da crença dos primeiros discípulos de que Deus 
havia ressuscitado Jesus dentre os mortos. Mas a questão é: Como se explica a origem dessa crença? 
Como afirma R. H. Fuller, mesmo o mais cético dos críticos deve pressupor um misterioso 
“x” para que o movimento se iniciasse. Mas que “x” foi esse? 
 
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Resumo 
Agora estamos prontos para resumir os três pontos que levantamos: 
Primeiro, vimos que numerosas linhas de evidência histórica provam que o sepulcro de Jesus 
foi encontrado vazio por um grupo de suas seguidoras. 
Segundo, vimos que várias linhas de evidência histórica estabelecem que em diversas ocasiões 
e em diferentes locais vários indivíduos e grupos de pessoas viram Jesus aparecer vivo dos mortos. 
E por fim, terceiro, vimos que as próprias origens da fé cristã dependem da crença dos 
primeiros discípulos de que Deus havia ressuscitado Jesus de Nazaré dos mortos. 
Uma das coisas que mais causa espanto, é perceber que esses três grandes fatos, 
independentemente consolidados, representam a visão da maioria dos críticos neotestamentários de 
hoje. O único ponto de séria discordância seria em torno da natureza física das aparições após a 
ressurreição. Porém, a pesquisa atual firmemente sustenta os três fatos do modo como apresentado. 
Assim, esses fatos não são conclusões da pesquisa de conservadores ou evangélicos; são três 
conclusões da crítica neotestamentária predominante. Como vimos, a vasta maioria dos estudiosos 
que escreveram sobre esse assunto aceita o fato do sepulcro vazio; praticamente ninguém hoje nega 
que os primeiros discípulos testemunharam aparições de Jesus após sua morte; e há de longe um 
consenso entre a maioria dos estudiosos no sentido de que os primeiros discípulos ao menos criam 
que Deus havia ressuscitado Jesus dos mortos. O crítico que negar esses fatos encontra-se hoje na 
defensiva. 
Portanto, não se deixe enganar por incrédulos que querem encontrar inconsistências em 
detalhes circunstanciais dos relatos dos evangelhos. Nossa defesa da ressurreição de Jesus não 
depende desses detalhes. Todos os quatros evangelhos concordam que: 
Jesus de Nazaré foi crucificado em Jerusalém, pela mão da autoridade romana, durante a 
Páscoa, tendo sido preso e condenado por acusações de blasfêmia feitas pelo Sinédrio e, então, 
caluniado diante de Pilatos sob acusações de traição. Ele morreu no curso de algumas horas e foi 
sepultado na tarde de sexta-feira, por José de Arimateia, em um sepulcro que foi lacrado com uma 
pedra. Algumas das seguidoras de Jesus, entre elas Maria Madalena, que tinham presenciado seu 
sepultamento, foram ao sepulcro no domingo de manhã e o encontraram vazio. Depois disso, Jesus 
apareceu aos discípulos, inclusive a Pedro, que então se tornaram proclamadores da mensagem de 
sua ressurreição. 
Todos os quatro evangelhos atestam esses fatos. Muito mais detalhes podem ser fornecidos 
por fatos adicionais que são atestados por três dentre os quatro evangelhos. 
Assim, discrepâncias menores não afetam a nossa defesa. Os historiadores esperam encontrar 
inconsistências mesmo nas fontes mais confiáveis. Nenhum historiador simplesmente descarta uma 
fonte por causa de inconsistências. Do contrário, teríamos que ser céticos em relação a todas as 
 
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narrativas históricas seculares que também contivessem inconsistências, algo que seria totalmente 
descabido. Além disso, em nosso caso as inconsistências não se dão nem ao menos no interior de uma 
única fonte; eles se dão entre fontes independentes. Mas, evidentemente, ninguém conclui com base 
em uma inconsistência entre duas fontes independentes que ambas as fontes estejam erradas. Na pior 
das hipóteses, uma delas está errada, se elas não puderam ser harmonizadas. 
A questão que nos resta, então, é como explicar melhor os três fatos já estabelecidos. 
 
Explicando as evidências 
Chegamos, então, ao segundo passo de nossa defesa; determinar qual é a melhor explicação 
das evidências. Os historiadores colocam na balança vários fatores quando estão investigando 
hipóteses concorrentes. Alguns dos fatores mais importantes que eles levam em conta são os 
seguintes: 
1. A melhor explicação terá um âmbito explicativo mais amplo do que as demais. Isto é, ela 
explicará mais coisas relativas à evidência. 
2. A melhor explicação terá um poder explicativo maior do que as demais. Isto é, ela tornará 
a evidência mais provável. 
3. A melhor explicação será mais plausível do que as demais. Isto é, ela se encaixará melhor 
nas hipóteses de fundo verdadeiras. 
4. A melhor explicação será menos artificial do que as demais.Isto é, não vai exigir a adoção 
muitas hipóteses a mais que não tenham evidência independente. 
5. A melhor explicação será refutada por menos hipóteses aceitas do que as demais. Isto é, 
não vai entrar em conflito com tantas hipóteses aceitas. 
6. A melhor explicação satisfará tão melhor os requisitos 1 a 5 do que as demais que há pouca 
chance de que uma das outras explicações, após investigação mais profunda, irá se sair melhor em 
preencher esses requisitos. 
Uma vez que uma hipótese pode se sair realmente bem em preencher certos requisitos, mas 
não tão bem em satisfazer outros, descobrir qual hipótese é a melhor explicação em geral pode ser 
difícil e exige habilidade. No entanto, se o âmbito e o poder explicativo de uma hipótese são muito 
grandes, de modo que ela se saia bem melhor na explicação de uma variedade maior de fatos, então 
é bem provável que ela seja a explicação verdadeira. 
Assim, vamos aplicar esses testes às típicas hipóteses que têm sido propostas ao longo da 
história para explicar o sepulcro vazio, as aparições de Jesus e as origens da crença dos discípulos na 
ressurreição, e vamos ver se elas se saem melhor ou tão bem quanto a hipótese da ressurreição na 
explicação dos fatos. 
 
 
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Hipótese da conspiração 
Segundo essa hipótese, os discípulos roubaram o corpo de Jesus e mentiram sobre suas 
aparições, forjando dessa maneira a ressurreição. Essa foi a primeira explicação contraposta para 
explicar o sepulcro vazio, como vimos, e foi retomada durante o século XVII por deístas europeus. 
Hoje, entretanto, essa explicação foi completamente abandonada pelos estudos atuais. Vamos ver 
como ele se sai quando avaliada pelos critérios padrões utilizados para testar hipóteses históricas. 
1. Âmbito explicativo. A hipótese da conspiração preenche muito bem esse requisito, pois 
oferece explicações para o sepulcro vazio (afirma que os discípulos roubaram o corpo), para as 
aparições de Jesus (afirma que os discípulos mentiram sobre isso), e para as origens da (suposta) 
crença dos discípulos na ressurreição (afirma, novamente, que eles mentiam). 
2. Poder explicativo. Aqui começam a surgir dúvidas em relação a essa hipótese. Tomemos o 
sepulcro vazio, por exemplo. Se os discípulos roubaram o corpo de Jesus, então não faria o menor 
sentido inventar uma história sobre as mulheres terem encontrado o sepulcro vazio. Uma história 
como essa não seria o tipo de história que um homem judeu inventaria. Além disso, a singeleza da 
história não fica bem explicada pela hipótese da conspiração — onde estão os textos-prova das 
Escrituras, a evidência da profecia cumprida? Por que não descreve Jesus saindo do sepulcro, como 
em falsificações posteriores como o Evangelho de Pedro? Nem a controvérsia como os judeus 
incrédulos fica bem explicada. Por que a guarda de Mateus já não está lá na história de Marcos? 
Mesmo na história de Mateus a guarda aparece muito tarde: o corpo já poderia ter sido roubado antes 
que a guarda chegasse, no sábado de manhã, de modo que eles estavam guardando sem saber um 
sepulcro vazio! Para um álibi infalível contra o roubo do corpo, veja novamente o forjado Evangelho 
de Pedro, onde a guarda é colocada no sepulcro imediatamente após o sepultamento. 
Quanto às histórias das aparições, surgem problemas semelhantes. Alguém que as inventasse 
provavelmente descreveria as aparições em termos das visões de Deus do Antigo Testamento e as 
descrições da ressurreição do fim dos tempos (como em Daniel 12.2). Mas nesse caso Jesus deveria 
aparecer para os discípulos em gloria deslumbrante. E por que não haveria uma descrição da própria 
ressurreição? Por que não haveria aparições e Caifás, o sumo sacerdote, ou aos vilões do Sinédrio, 
como Jesus previra? Eles então poderiam ser rotulados como verdadeiros mentirosos por negar que 
Cristo aparecera para eles! 
No entanto, o poder explicativo da hipótese da conspiração é sem dúvida mais fraco no que 
diz respeito às origens da crença dos discípulos na ressurreição de Jesus. Pois a hipótese é na verdade 
uma negação desse fato; ela procura explicar a mera aparência de crença por parte dos discípulos. 
Porém, como os críticos universalmente reconheceram, não se pode negar com alguma plausibilidade 
que os primeiros discípulos no mínimo criam sinceramente que Jesus ressuscitará. Eles apostaram 
suas vidas nessa convicção. A transformação na vida dos discípulos não pode ser explicada com 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 80 
 
credibilidade pela hipótese de uma conspiração. Essa deficiência por si só tem sido suficiente na 
mente da maior parte dos estudiosos para enterrar de vez a hipótese da conspiração. 
3. Plausibilidade. O verdadeiro calcanhar de Aquiles da hipótese da conspiração é, no entanto, 
sua implausibilidade. Pode ser que alguém levante aqui objeções à inacreditável complexidade de tal 
conspiração ou o suposto estado psicológico dos discípulos; mas o problema primordial que supera 
todas as outras objeções é o fato de que é totalmente anacrônico supor que judeus do primeiro século 
pretendessem fraudar a ressurreição de Jesus. 
A hipótese da conspiração vê os discípulos através do espelho retrovisor da história cristã, em 
vez de vê-los através dos olhos de um judeu do primeiro século. Um judeu não tinha qualquer 
expectativa de um Messias que, em vez de estabelecer o trono de Davi e subjugar os inimigos de 
Israel, fosse vergonhosamente executado pelos gentios como um criminoso. Além do mais, a ideia da 
ressurreição era algo simplesmente desvinculado da ideia de um Messias, e até mesmo incompatível 
com essa ideia, uma vez que não se suponha que o Messias fosse morto. Como tão bem coloca N. T. 
Wright, se você fosse um judeu do primeiro século e seu Messias favorito fosse crucificado, então 
você tinha basicamente duas opções: ir para casa ou arranjar um novo Messias. Contudo, a ideia de 
roubar o corpo de Jesus e dizer que Deus o havia ressuscitado dos mortos dificilmente passaria pelas 
mentes dos discípulos. 
Já se sugeriu que a ideia da ressurreição de Jesus poderia ter se originado da influência da 
mitologia pagã. Perto da virada do século XIX para o século XX, os estudiosos de religiões 
comparadas coletavam paralelos das crenças cristãs em outros movimentos religiosos, e alguns 
achavam que isso explicava as crenças cristãs, inclusive a crença na ressurreição, como resultantes 
da influência de tais mitos. Entretanto, esse movimento logo entrou em colapso, sobretudo devido a 
dois fatores: 
Primeiro fator, os estudiosos vieram a perceber que tais paralelos eram falsos. O mundo antigo 
era literalmente um caldeirão de mitos de vários deuses e heróis. Estudos de religião comparada 
exigem sensibilidade para suas semelhanças e diferenças, ou a distorção e confusão serão inevitáveis. 
Infelizmente, aqueles que estavam ansiosos para encontrar paralelos para a ressurreição de Jesus 
deixaram de colocar em prática essa sensibilidade. 
Muitos dos paralelos que foram alegados eram, na verdade, histórias sobre a assunção de um 
herói aos céus (Hércules, Rômulo). Outros eram histórias sobre um desaparecimento, que alegavam 
que o tal herói desaparecera em uma esfera superior (Apolônio de Tiana, Empédocles). Outros 
paralelos ainda eram símbolos sazonais para o ciclo do plantio, à medida que a vegetação morre na 
estação da seca e volta à vida na estação das chuvas (Tamuz, Osíris, Adônis). Outros eram expressões 
políticas do culto ao imperador (Júlio César, César Augusto). 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 81 
 
Nenhum deles é um paralelo à ideia judaica da ressurreição dos mortos. Na verdade, a maioria 
dos estudiosos veio a duvidar se existiram, propriamente falando, quaisquer mitos de deuses que 
morressem e ressuscitassem. Por exemplo, no mito de Osíris, uma dos mais conhecidos mitos 
simbólicos sazonais, Osíris não volta realmente à vida,7.4.1 Os Manuscritos que foram publicados ......................................................................................209 
7.4.2 Os Idiomas em que Foram Escritos ...........................................................................................210 
7.4.3 As Datas ...................................................................................................................................210 
7.4.4 Duas Cópias de Isaías Descobertas na Gruta .............................................................................213 
Conclusão .................................................................................................................................................213 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................214 
EXEGESE BÍBLICA I .....................................................................................................................................216 
PREVENINDO O ANALFABETISMO EXEGÉTICO .......................................................................................216 
A TAREFA DA EXEGESE ..........................................................................................................................216 
O TEXTO................................................................................................................................................230 
PESQUISA..............................................................................................................................................237 
ANÁLISE CONTEXTUAL ..........................................................................................................................241 
ANALISE FORMAL ..................................................................................................................................249 
ANÁLISE DETALHADA DO TEXTO ...........................................................................................................261 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................279 
EXEGESE BÍBLICA II ....................................................................................................................................281 
SÍNTESE.................................................................................................................................................281 
REFLEXÃO: INTERPRETAÇÃO TEOLÓGICA E O TEXTO DE HOJE ...............................................................284 
APRIMORAMENTO E AMPLIAÇÃO DA EXEGESE .....................................................................................300 
DIRETRIZES PRÁTICAS PARA ESCREVER UM TRABALHO DE PESQUISA EXEGÉTICA ..................................303 
A CRÍTICA BÍBLICA E SUAS ESCOLAS .......................................................................................................306 
TRÊS EXEMPLOS DE TRABALHOS DE EXEGESE ........................................................................................340 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 8 
 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................363 
RELIGIÕES COMPARADAS .........................................................................................................................364 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................................364 
CONHECIMENTO RELIGIOSO .................................................................................................................367 
RELIGIÕES COM ORIGEM NA ÍNDIA .......................................................................................................389 
HINDUÍSMO ..........................................................................................................................................389 
BUDISMO ..............................................................................................................................................398 
RELIGIÕES DO EXTREMO ORIENTE ........................................................................................................415 
CONFUCIONISMO .................................................................................................................................416 
TAOÍSMO ..............................................................................................................................................418 
XINTOÍSMO ...........................................................................................................................................421 
RELIGIÕES AFRICANAS ..........................................................................................................................424 
RELIGIÕES SURGIDAS NO ORIENTE MÉDIO ............................................................................................429 
ISLAMISMO ...........................................................................................................................................430 
NOVAS RELIGIÕES E NOVAS PERSPECTIVAS ...........................................................................................445 
RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS: RELIGIÕES DOS ORIXÁS .........................................................................452 
CANDOMBLÉ .........................................................................................................................................453 
UMBANDA, A “RELIGIÃO BRASILEIRA” ...................................................................................................456 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................459 
HISTÓRIA DO PENSAMENTO CRISTÃO .......................................................................................................461 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................................461 
ESCRITURA E TRADIÇÃO ........................................................................................................................461 
OS TRÊS TIPOS EM SUA FORMULAÇÃO CLÁSSICA ..................................................................................465 
CENTROS DE ATIVIDADE TEOLÓGICA DOS PRIMEIROS SÉCULOS E SEUS PROTAGONISTAS .....................466 
DEUS, A CRIAÇÃO E O PECADO ORIGINAL ..............................................................................................476 
O CAMINHO E A META DA SALVAÇÃO ...................................................................................................489 
O USO DAS ESCRITURAS ........................................................................................................................499 
O CURSO DA TEOLOGIA OCIDENTAL ......................................................................................................507 
A TEOLOGIA PATRÍSTICA: O PAPEL DE SANTO AGOSTINHO ....................................................................508 
A TEOLOGIA MEDIEVAL .........................................................................................................................519 
A PARTIR DA REFORMA .........................................................................................................................524 
RELEVÂNCIA ATUAL ..............................................................................................................................533 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................547 
 
 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 9 
 
 
APOLOGÉTICA CRISTÃ 
 
O QUE É APOLOGÉTICA?mas simplesmente continua a existir no mundo 
dos mortos. 
Em geral, os estudiosos vieram a perceber que a mitologia pagã é simplesmente o contexto 
errado para se entender Jesus de Nazaré. Jesus e seus discípulos foram judeus do primeiro século, e 
é em contraste com esse pano de fundo que eles devem ser entendidos. O colapso dos paralelos 
apontados é apenas uma indicação de que a mitologia pagã é o contexto interpretativo errado para 
compreender a crença dos discípulos na ressurreição de Jesus. 
Segundo fator do colapso, não há um vínculo causal entre os mitos pagãos e as origens da 
crença dos discípulos na ressurreição. Os judeus conheciam as divindades sazonais (Ez 8.14-15) e as 
consideravam abominações. Portanto, não há vestígio de cultos em torno de deuses que morriam e 
ressuscitavam no Israel do primeiro século. De qualquer modo, e altamente improvável que os 
primeiros discípulos nutrissem a ideia de que Jesus de Nazaré ressuscitara dos mortos por terem 
ouvido sobre mitos pagãos sobre deuses sazonais que morreriam e depois ressuscitariam. Portanto, 
os estudiosos contemporâneos abandonaram essa abordagem. 
Mas será que talvez os discípulos conceberiam essa ideia sobre a ressurreição com base em 
influências judaicas? De novo afirmo que é improvável, pois a concepção judaica de ressurreição 
diferia pelo menos em dois aspectos fundamentais da ressurreição de Jesus. 
Em primeiro lugar, no pensamento judeu a ressurreição para a glória e imortalidade sempre 
acontecia após o fim do mundo. Os judeus não acalentavam qualquer ideia que fosse de uma 
ressurreição que acontecesse no curso da história. É por isso mesmo que, segundo acredito, os 
discípulos sentiram tanta dificuldade em entender as previsões de Jesus sobre a sua própria 
ressurreição. Eles pensavam que ele estava se referindo à ressurreição no fim do mundo. Veja a 
passagem de Marcos 9.9-11, por exemplo: 
Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, 
até que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos. E eles guardaram o caso em segredo, 
conversando sobre o que seria o ressuscitar dentre os mortos. Então perguntaram-lhe: Por que os 
escribas dizem ser necessário que Elias venha primeiro? 
Aqui Jesus prediz sua ressurreição e o que os discípulos perguntam? “Por que os escribas 
dizem ser necessário que Elias venha primeiro?”. No judaísmo do primeiro século, acreditava-se que 
o profeta Elias voltaria antes do grande e terrível dia do Senhor, o dia do julgamento em que os mortos 
seriam ressuscitados. Os discípulos não podiam compreender a ideia de uma ressurreição que 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 82 
 
ocorresse no curso da história, antes do fim do mundo. Daí porque as predições de Jesus apenas os 
confundiram. 
Portanto, dada a concepção que os judeus tinham de ressurreição, os discípulos, após a 
crucificação, não apareceriam com a ideia de que Jesus já tinha sido ressuscitado. Eles teriam apenas 
olhado para o futuro, para a ressurreição no último dia e, talvez, seguindo o costume judaico, teriam 
preservado seu sepulcro como um santuário onde o corpo de Jesus pudesse aguardar até o dia da 
ressurreição. 
Em segundo lugar, no pensamento judaico a ressurreição era sempre a ressurreição de todos 
os justos mortos. Para eles não existia o conceito de ressurreição de um indivíduo apenas. Além do 
mais, não só não havia qualquer ligação entre a ressurreição individual do fiel e a ressurreição anterior 
do Messias, não existia em absoluto qualquer crença no sentido de que haveria uma ressurreição 
anterior do Messias. E por esse motivo que não temos exemplos de outros movimentos messiânicos 
afirmando que seu líder executado havia ressuscitado dos mortos. Wright tem insistido neste ponto: 
“Os seguidores dos movimentos messiânicos do primeiro século [...] eram comprometidos com a 
causa de uma forma fanática [...] Em nenhum outro caso, entretanto, ao longo de todo século, antes e 
depois de Cristo, ouvimos falar de algum grupo de judeus que dissesse que seu líder executado tivesse 
ressuscitado dos mortos”. 
Para os judeus não existia um conceito que sustentasse a ideia da ressurreição de um indivíduo 
isolado, especialmente do Messias. Portanto, após a crucificação, tudo o que os discípulos puderam 
fazer era esperar com anseio pelo dia da ressurreição dos mortos para ver seu Mestre de novo. 
Observe que esse ponto mina não só uma possível teoria da conspiração que suponha que os 
discípulos proclamaram a ressurreição de Jesus de forma não sincera, mas também qualquer teoria 
que sugira que, com base em influências pagãs ou judaicas, eles vieram a crer e pregar com 
sinceridade a sua ressurreição. 
4. Menos artificial. Como todas as teorias de conspiração da história, a hipótese da conspiração 
é artificial em supor que tudo para o que a evidência parece apontar é, na verdade, meramente 
aparência, algo que pode ser descartado por ser explicado por hipóteses para as quais não existe 
nenhuma evidência. Especificamente falando, ela postula que havia motivos e ideias nas mentes dos 
discípulos e ações da parte deles para os quais não há sequer um farrapo de evidência. Ela pode ficar 
ainda mais artificial à medida que se tenha que multiplicar hipóteses para lidar com as objeções à 
teoria. Por exemplo, como explicar a aparição para os quinhentos irmãos ou o papel das mulheres no 
sepulcro vazio e outros relatos da aparição. 
5. É refutada por poucas crenças aceitas. A hipótese da conspiração tende a ser refutada por 
nosso conhecimento geral das conspirações, sendo sua instabilidade e tendenciosidade coisas a se 
desvendar. Além do mais, ela é refutada por convicções geralmente aceitas, tais como a sinceridade 
 
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dos discípulos, a natureza das expectativas messiânicas dos judeus do primeiro século e assim por 
diante. 
6. Supera outras hipóteses no cumprimento dos requisitos de 1 a 5. A hipótese da conspiração 
obviamente falha em preencher esse requisito, uma vez que existem hipóteses bem melhores (tal 
como as hipóteses da alucinação), que não descartam a crença dos discípulos na ressurreição como 
sendo uma mentira deslavada. 
Nenhum estudioso defenderia a hipótese da conspiração nos dias de hoje. O único lugar que 
se lê sobre histórias desse tipo é na impressa popular e sensacionalista ou em ficções que circulam na 
internet. 
 
Hipótese da morte aparente 
Uma segunda explicação foi a hipótese da morte aparente. No início do primeiro século, certos 
críticos alegaram que Jesus não estava inteiramente morto quando foi retirado da cruz. Ele foi 
reanimado no sepulcro e escapou de lá para convencer seus discípulos que havia ressuscitado dos 
mortos. Hoje tal hipótese também parece ter sido quase que inteiramente abandonada. Mais uma vez 
vamos aplicar nossos critérios para a melhor explicação: 
1. Âmbito explicativo. A hipótese da morte aparente também propõe explicações para o 
sepulcro vazio, para as aparições de Jesus após sua morte e para as origens da crença dos discípulos 
na ressurreição de Jesus. 
2. Poder explicativo. Aqui essa hipótese começa a afundar. Algumas de suas versões eram na 
verdade variações da hipótese da conspiração. Em vez de terem roubado o corpo, supõe-se que os 
discípulos (juntamente com o próprio Jesus!) conspiraram para forjar a morte de Jesus na cruz. Em 
casos como esse, a teoria compartilha dos mesmos pontos fracos da hipótese da conspiração. Uma 
versão não conspiratória dessa hipótese era que simplesmente aconteceu de Jesus ter sobrevivido à 
crucificação, embora os guardas tenham pensado que ele estivesse morto. Mas tal versão também 
vem acompanhada de dificuldades insuperáveis: 
Como explicar o sepulcro vazio, uma vez que um homem trancado dentro de um sepulcro não 
poderia mover a pedra da entrada para escapar? Como explicar as aparições de Jesus após a morte, 
uma vez quea aparição de um homem meio morto, necessitando desesperadamente de atendimento 
médico, dificilmente iria induzir os discípulos a concluírem que ele era o Senhor ressurreto que havia 
derrotado a morte? Como explicar as origens da crença dos discípulos na ressurreição de Jesus, uma 
vez que o fato de vê-lo novamente apenas os levaria a concluir meramente que ele não havia morrido? 
Eles jamais pensariam que ele, contrariando o pensamento judeu (bem como seus próprios olhos), 
havia gloriosamente ressuscitado dos mortos. 
 
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3. Plausibilida.de. Nesse ponto a teoria mais uma vez falha miseravelmente. Os executores 
romanos gozavam de credibilidade quanto a assegurarem a morte de suas vítimas. Uma vez que o 
momento exato da morte por crucificação é algo incerto, os executores podiam se assegurar da morte 
fincando uma lança na lateral do corpo da vítima. Foi isso que aconteceu com Jesus (Jo 19.34). Além 
disso, o que essa teoria sugere é literalmente impossível. O historiador judeu Flavio Josefo conta a 
respeito de três conhecidos que haviam sido crucificados e retirados da cruz, mas a despeito dos 
melhores cuidados médicos dois de três deles acabaram morrendo (Vida 75:420¬421). A extensão 
das torturas que Jesus sofreu foi de tal porte que ele jamais poderia ter sobrevivido à crucificação e 
ao sepultamento. A sugestão de que um homem tão gravemente ferido viesse a aparecer aos discípulos 
em várias ocasiões, em Jerusalém e na Galileia, não passa de pura fantasia. 
4. Menos artificial. A hipótese da morte aparente, sobretudo em suas versões conspiratórias, 
pode se tornar imensamente artificial. Somos convidados a imaginar a existência de sociedades 
secretas, poções administradas na calada da noite, alianças conspiratórias entre os discípulos e 
membros do Sinédrio, e coisas do gênero, e tudo isso sem sequer um fragmento de evidência para 
sustentar. 
5. Refutada por poucas crenças aceitas. A hipótese da morte aparente é maciçamente refutada 
por fatos médicos que dizem respeito ao que aconteceria a uma pessoa que tivesse sido açoitada e 
crucificada. Também é refutada por evidência unânime de que Jesus não continuou entre seus 
discípulos após ter morrido. 
6. Supera outras hipóteses no cumprimento dos requisitos de 1 a 5. Essa teoria também 
dificilmente se destaca como uma das melhores! Justamente por isso possui poucos defensores entre 
os historiadores do Novo Testamento nos dias de hoje. 
 
Hipótese da remoção do corpo 
Em uma das poucas tentativas judaicas modernas de lidar com os fatos que dizem respeito à 
ressurreição de Jesus, Joseph Klausner, em 1922, propôs que José de Arimateia colocou o corpo de 
Jesus no sepulcro que lhe pertencia temporariamente, devido ao adiantado da hora e pelo fato de o 
sepulcro de sua família ser mais próximo do local da crucificação. Porém, mais tarde ele teria passado 
o corpo para um sepulcro comum destinado a criminosos. Sem saber da remoção do corpo, ao 
encontrar o sepulcro vazio, os discípulos inferiram que Jesus havia ressuscitado. Embora nenhum 
estudioso defenda essa hipótese nos dias de hoje, já testemunhei tentativas de autores populares de 
trazê-la de volta. À luz do que já foi dito de outras teorias, seus pontos fracos são evidentes: 
1. Âmbito explicativo. A hipótese da remoção do corpo possui um âmbito explicativo 
reduzido. Ela tenta explicar o sepulcro vazio, mas nada diz a respeito das aparições de Jesus e das 
 
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origens da crença dos discípulos na ressurreição. É necessária a adoção de hipóteses independentes 
dessa para explicar todo o âmbito das evidências. 
2. Poder explicativo. A hipótese defendida por Klausner não tem poder explicativo em relação 
às aparições ou às origens da fé cristã. Quanto ao sepulcro vazio, essa hipótese enfrenta um problema 
evidente: Uma vez que José e os eventuais servos que tivesse levado consigo sabiam o que eles tinham 
feito com o corpo, a teoria falha em explicar porque o engano dos discípulos diante do sepulcro vazio 
não foi corrigido por quem sabia a verdade, logo que eles começaram a anunciar que Jesus havia 
ressuscitado — a menos que se recorra a hipóteses forjadas para salvar a pátria, como dizer que José 
e seus servos morreram subitamente! 
É possível que alguém diga que o corpo de Jesus já não poderia mais ser identificado. No 
entanto, essa alegação não é de fato verdadeira. As práticas de sepultamento dos judeus tipicamente 
envolviam a exumação dos ossos da pessoa falecida um ano depois da morte, para transferi-los para 
um ossuário. Assim, a localização dos sepulcros, mesmo o dos criminosos, era cuidadosamente 
observada. Porém, de um modo ou de outro, essa objeção não trata do ponto que interessa. O ponto 
importante é que as primeiras discussões entre judeus e cristãos sobre a ressurreição de Jesus não se 
desenrolaram em torno da localização do sepulcro de Jesus ou da identificação do corpo, mas sim em 
torno do fato de que o sepulcro estava vazio. Se José de Arimateia tivesse removido o corpo de lugar, 
essa controvérsia entre judeus e cristãos teria tomado um rumo bem diferente. 
3. Plausibilidade. Essa hipótese também é implausível por uma série de razões. Até onde 
podemos contar com fontes judaicas, o sepulcro destinado aos criminosos ficava apenas a 50 a 60 
jardas do local da crucificação. Além disso, o costume judaico era sepultar os criminosos executados 
no mesmo dia da execução; assim, seria isso que José de Arimateia teria tentado fazer. Portanto, ele 
poderia e de fato teria depositado o corpo diretamente no sepulcro destinado aos criminosos, 
eliminando assim a necessidade de removê-lo posteriormente ou de violar o sepulcro de sua própria 
família. Na verdade, a lei judaica nem ao menos permitia que o corpo fosse removido depois, exceto 
se fosse para o sepulcro da família da pessoa que morrera. José teve tempo suficiente para um 
sepultamento simples, que provavelmente consistia em lavar o corpo e envolvê-lo em tecido tratado 
com ervas secas. 
4. Menos artificial. A teoria é levemente artificial ao atribuir a José de Arimateia motivos e 
atividades para as quais não temos absolutamente nenhuma evidência. Ela só se torna totalmente 
artificial se tivermos que inventar coisas como a morte súbita de José para salvá-la. 
5. Refutada por poucas crenças aceitas. A teoria sofre refutação por aquilo que sabemos sobre 
os procedimentos judeus para o sepultamento de criminosos, como mencionamos acima. 
6. Supera outras hipóteses no cumprimento dos requisitos de 1 a 5. E, mais uma vez, não existe 
um historiador sequer que defenda essa teoria. 
 
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Hipótese da alucinação 
Na obra The Life of Jesus, Critically Examined [A vida de Jesus analisada criticamente], de 
1835, David Strauss propôs que as aparições de Jesus foram meras alucinações dos discípulos. O 
defensor mais destacado dessa teoria hoje é um crítico alemão do Novo Testamento, Gerd Lüdemann. 
Como essa hipótese da alucinação se sai quando analisada pelos nossos critérios? 
1. Âmbito explicativo. A hipótese da alucinação possui um âmbito explicativo reduzido. Não 
diz absolutamente nada que explique o sepulcro vazio. Portanto, nos obriga a negar o fato do sepulcro 
vazio (e, juntamente com isso, o sepultamento) ou combinar a ela alguma outra hipótese independente 
para explicá-lo. 
Essa hipótese também nada diz para explicar as origens da crença dos discípulos na 
ressurreição de Jesus. Alguns estudiosos já tentaram chamar a atenção para supostas semelhanças 
entre as aparições de Jesus e as visões que pessoas enlutadas costumam ter dos que morreram há 
pouco tempo. Porém, a lição primordial que extraímos dessas visões é que as pessoas enlutadas não 
concluem que os mortos voltaram fisicamente à vida em consequência dessas experiências, por mais 
reais e tangíveis que elaspossam parecer — antes, os mortos são vistos no contexto da vida após a 
morte. Como bem observa Wright, para alguém que vivesse no mundo antigo, visões dos mortos não 
eram evidência de que a pessoa estivesse viva, mas sim de que estava morta! 
Além disso, em um contexto judeu era mais fácil encontrar outras interpretações para a 
ressurreição, mais apropriadas. Dadas as crenças então comuns sobre a vida após a morte, os 
discípulos, se tivessem tido alucinações de Jesus, possivelmente o teriam visto no céu, no seio de 
Abrão, onde se acreditava que a alma de um justo permanecia até a ressurreição final. E uma visão 
como essa não teria levado ninguém a crer que Jesus havia ressuscitado. Na melhor das hipóteses, 
teria apenas levado os discípulos a dizerem que Jesus fora arrebatado aos céus, mas não ressuscitado. 
No Antigo Testamento, figuras como Enoque e Elias foram retratadas como não tendo 
morrido, como tendo sido arrebatadas. Em um documento judeu extrabíblico chamado O testamento 
de Jó (40) conta-se a história de duas crianças que morreram no desabamento de uma casa. Quando 
as pessoas que procuravam resgatá-las conseguiram retirar os destroços do caminho não encontraram 
os corpos das crianças. Nesse meio tempo, a mãe das crianças tem uma visão delas glorificadas no 
céu, onde tinham sido levadas por Deus. É preciso enfatizar que, para um judeu, a ascensão aos céus 
não é a mesma coisa que a ressurreição. Ascensão é ser arrebatado ou levado em corpo desse mundo 
para o céu. Ressurreição é trazer de volta à vida, no universo espaço-temporal, uma pessoa morta. 
São ideias completamente distintas. 
Dadas as crenças dos judeus em relação à ascensão e ressurreição, os discípulos, se tivessem 
tido visões celestiais de Jesus, não teriam pregado que Jesus ressuscitara dos mortos. Na melhor das 
 
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hipóteses, o sepulcro vazio e alucinações os teriam levado a acreditar na ascensão de Jesus para a 
glória, pois isso era consistente com sua estrutura de pensamento. Mas jamais iriam ter acreditado 
que Jesus tinha ressuscitado dos mortos, pois isso contrariava as crenças judaicas acerca da 
ressurreição dos mortos, como já vimos. Portanto, mesmo que com base na hipótese da alucinação, a 
crença na ressurreição de Jesus continua sem explicação. 
2. Poder explicativo. A hipótese da alucinação obviamente nada faz no sentido de explicar o 
sepulcro vazio e as origens da crença dos discípulos na ressurreição de Jesus. Mas indiscutivelmente 
tem um frágil poder de explicação no que diz respeito às aparições. Suponhamos que Pedro foi um 
daqueles que tivesse tido uma visão de alguém ente querido que partira ou que tivesse tido uma visão 
motivada pela culpa, como imagina Lüdemann. Isso bastaria para explicar as aparições da 
ressurreição? De fato não, pois a diversidade das aparições ultrapassa os limites de qualquer coisa 
encontrada em casos descritos em livros de psicologia. Jesus não apareceu apenas uma vez, e sim 
muitas vezes; não apareceu apenas em um local ou em uma determinada circunstância, mas sim em 
vários locais e sob uma grande variedade de circunstâncias; não apareceu apenas para um indivíduo, 
mas para diferentes pessoas; não apenas para indivíduos, mas para diversos grupos de pessoas; não 
apenas para os que nele criam, mas também para os incrédulos e até mesmo a inimigos. Postular que 
houve uma reação em cadeia entre os discípulos também não resolveria o problema, pois pessoas 
como Tiago e Paulo não fazem parte dessa cadeia. Os que explicariam as aparições em termos 
psicológicos são levados a construir um mosaico, reunindo diferentes casos não relacionados de 
experiências alucinatórias, o que serve apenas para ressaltar que não há nada parecido com aparições 
da ressurreição nos livros de psicologia. 
3· Plausibilidade. Lüdemann tenta tornar plausível sua hipótese da alucinação por meio de 
uma psicanálise de Pedro e Paulo. Ele acredita que ambos sofriam de um complexo de culpa que 
encontrou vazão nas alucinações de Jesus. Mas a psicanálise de Lüdemann é implausível por três 
razões: primeiro, o uso que ele faz da psicologia profunda baseia-se em certas teorias de Jung e Freud, 
que são objetos de altas polêmicas. Segundo, os dados para se fazer uma psicanálise de Pedro e Paulo 
são insuficientes. Uma psicanálise já é algo difícil o bastante para ser feita com pacientes ali, no divã 
do analista, que dirá dessa tentativa praticamente impossível de analisar figuras históricas. Justamente 
por isso a tentativa de escrever psicobiografias é algo refutado pelos historiadores atuais. Em terceiro 
lugar, a evidência que de fato temos sugere que Paulo nunca lutou com um complexo de culpa, como 
supõe Lüdemann. Perto de 50 anos atrás, Krister Stendahl, um estudioso sueco, apontou que os 
leitores ocidentais tendiam a interpretar Paulo à luz da luta de Martinho Lutero com a culpa e o 
pecado. Mas Paulo (ou Saulo), o fariseu, não passou por essa luta. Stendhal escreve: 
Contraste com Paulo, um judeu muito feliz e bem-sucedido, alguém que pode dizer: “quanto 
à justiça que há na lei, eu era irrepreensível” (Fp 3.6). Isso foi o que ele disse. Ele não tinha 
 
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dificuldades, problemas ou dramas de consciência. Ele fora um aluno brilhante, o estudante que 
ganharia a melhor bolsa de estudos do seminário de Gamaliel [...] Em lugar algum nos escritos de 
Paulo existe o menor sinal [...] de que ele tivesse algum problema de consciência. 
A fim de justificar o perfil que constrói de um Paulo que carrega um sentimento de culpa, 
Lüdermann é forçado a interpretar Romanos 7 em termos da experiência de Paulo anterior ao 
cristianismo. Contudo, essa interpretação é rejeitada por quase todos os comentaristas desde o final 
da década de 1920. Logo, a psicanálise de Lüdermann é positivamente implausível. 
Um segundo sentido em que a hipótese da alucinação é implausível é quando toma as 
aparições posteriores à ressurreição como experiências meramente visionárias. Lüdemann reconhece 
que a hipótese da alucinação depende do pressuposto de que aquilo que Paulo viveu na estrada de 
Damasco foi o mesmo que todos os demais discípulos viveram. Porém, esse pressuposto é infundado. 
Ao se incluir na lista de testemunhas oculares das aparições de Cristo após a ressurreição, Paulo, de 
modo algum, está deixando implícito que todas elas foram exatamente como a visão que ele teve. 
Muitos dos opositores de Paulo em Corinto negavam que ele fosse um verdadeiro apóstolo; assim, 
Paulo estava ansioso para se incluir entre os demais apóstolos que tinham visto a Cristo. Paulo estava 
tentando trazer a sua experiência para a objetividade e realidade deles, e não o contrário, ou seja, 
rebaixar a experiência dos apóstolos ao nível de meras experiências visionárias. 
Portanto, a hipótese da alucinação sofre de implausibilidade com respeito à psicanálise que 
faz das testemunhas e à grosseira redução das aparições a experiências visionárias. 
4. Menos artificial. A versão de Lüdemann para a hipótese da alucinação é artificial por uma 
série de motivos. Por exemplo, ela presume que os discípulos fugiram para a Galileia, após a prisão 
de Jesus; presume que Pedro estava tão obcecado pela culpa que projetou uma alucinação de Jesus; 
presume que os outros discípulos também tinham tendência a ter alucinações e que Paulo tinha 
dificuldades com a lei judaica e uma atração secreta pelo cristianismo. 
5. Refutada por poucas crenças aceitas. Algumas das crenças aceitas pelos estudiosos atuais 
do Novo Testamento tendem a refutar a hipótese da alucinação, ou pelo menos a refutar o modo como 
Lüdemann a apresenta. Por exemplo, eles aceitam que Jesus foi colocado no sepulcro por José de 
Arimateia, que as mulheres encontraram o sepulcro vazio, que é impraticável fazer a psicanálise de 
figuras históricas, que Paulo estava basicamente feliz com sua vida soba lei judaica e que o Novo 
Testamento faz uma distinção entre meras visões e uma aparição posterior à ressurreição. 
6. Supera outras hipóteses no cumprimento dos requisitos de 1 a 5. A hipótese da alucinação 
continua a ser uma opção presente nos dias de hoje e, nesse aspecto, superou suas rivais naturalistas. 
Mas a verdadeira questão é se ela supera a hipótese da ressurreição. 
 
Hipótese da ressurreição 
 
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Já vimos como as típicas explicações para o sepulcro vazio, as aparições posteriores à 
ressurreição e as origens da fé dos discípulos se saem quando avaliadas por critérios padrões para 
testar hipóteses históricas. Elas são especialmente fracas no que diz respeito ao seu âmbito e poder 
explicativos e, em geral, altamente implausíveis. 
Mas será que a hipótese da ressurreição se sai melhor na explicação das evidências? Existe 
uma explicação melhor do que as implausíveis explicações naturalistas propostas no passado? A fim 
de responder a essas questões, vamos aplicar os mesmos critérios aplicados anteriormente à hipótese 
de que “Deus ressuscitou Jesus dos mortos”. 
1. Âmbito explicativo. O âmbito explicativo dessa hipótese é maior do que o das explicações 
concorrentes, como a das hipóteses da alucinação ou da remoção do corpo, pois ela explica todos os 
três principais fatos em discussão, enquanto as outras hipóteses explicam apenas um. 
2. Poder explicativo. Essa talvez seja maior força da hipótese da ressurreição. As hipóteses da 
conspiração e da morte aparente, por exemplo, simplesmente não oferecem uma explicação 
convincente para o sepulcro vazio, para as aparições de Jesus e para as origens da fé cristã; de acordo 
com essas teorias as evidências (por exemplo, a transformação dos discípulos) se tornam bastante 
improváveis. Por contraste, de acordo a hipótese da ressurreição de Jesus, parece extremamente 
provável que o sepulcro devesse estar vazio, que os discípulos devem ter testemunhado aparições do 
Jesus ressurreto e que eles devem ter vindo a crer na sua ressurreição. 
3. Plausibilidade. A plausibilidade da ressurreição de Jesus cresce exponencialmente uma vez 
que a consideremos em seu contexto histórico, a saber, a vida sem comparação de Jesus e suas 
afirmações radicais, e em seu contexto filosófico, a saber, a evidência em favor da existência de Deus. 
Uma vez que alguém aceite a visão de que Deus existe, a hipótese de que Deus ressuscitaria Jesus 
dos mortos não é mais implausível do que as hipóteses concorrentes. 
4. Menos artificial. A hipótese da ressurreição possui grande âmbito e poder explicativos, mas 
alguns estudiosos acusaram-na de ser artificial. Ser artificial, como você deve se lembrar, é uma 
questão de quantas novas suposições uma hipótese deve fazer que não sejam implícitas pelo 
conhecimento existente. 
Com base nessa definição, no entanto, é difícil ver por que a hipótese da ressurreição é tão 
extraordinariamente artificial. Pois ela requer apenas uma única suposição nova: que Deus existe. 
Certamente as hipóteses concorrentes requerem muitas suposições novas. Por exemplo, a hipótese da 
conspiração requer que suponhamos que o caráter moral dos discípulos tinha falhas, algo que por 
certo não fica implícito pelo conhecimento já existente. A hipótese da morte aparente requer a 
suposição de que a lança que o centurião cravou no lado do corpo de Jesus fez apenas um arranhão 
superficial ou é um detalhe não histórico na narrativa, o que de novo vai além do conhecimento 
existente. A hipótese da alucinação requer que suponhamos alguma espécie de preparo emocional 
 
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dos discípulos que os deixaram predispostos a projetar visões de Jesus ressurreto, algo que também 
não está implícito no conhecimento que temos. Exemplos como esses podem se multiplicar. 
Além do mais, para uma pessoa que já crê em Deus, a hipótese da ressurreição nem sequer 
introduz a nova suposição da existência de Deus, uma vez que esse dado já está implícito no 
conhecimento que essa pessoa tem. Portanto, não se pode dizer que a hipótese da ressurreição seja 
artificial simplesmente em virtude da quantidade de novas suposições que ela introduz. 
Se nossa hipótese é artificial, então deve ser por outros motivos. As hipóteses cientificas 
normalmente incluem a suposição da existência de novas entidades, tais como quarks, cordas, 
grávitons, buracos negros e coisas do gênero, sem que essas teorias sejam taxadas de serem artificiais. 
Os filósofos da ciência acharam notoriamente difícil explicar o que exatamente torna a hipótese da 
ressurreição artificial. Parece haver um clima de artificialidade acerca de uma hipótese que julgam 
ser artificial, um clima que pode ser sentido por aqueles que são praticantes experientes da ciência 
relevante. 
Hoje penso que a sensação de desconforto que muitas pessoas, mesmo cristãs, sentem a 
respeito de apelar a Deus como parte de uma hipótese para explicar algum fenômeno está no fato de 
que fazer isso tem esse ar de artificialidade. Simplesmente parece ser tão fácil, quando alguém se vê 
confrontado por algum fenômeno sem explicação, apenas levantar a mão e dizer: Foi Deus que fez 
isso!. A hipótese de que “Deus ressuscitou Jesus dos mortos” é artificial nesse sentido? 
Não acredito nisso. Uma explicação sobrenatural para o sepulcro vazio, as aparições de Jesus 
e as origens da fé cristã dificilmente pode ser considerada artificial dado o contexto sem paralelos da 
própria vida de Jesus, de seu ministério e de suas alegações pessoais. Uma hipótese sobrenatural 
prontamente se encaixa em tal contexto. Além disso, é precisamente por causa desse contexto 
histórico que a hipótese da ressurreição não parece artificial, quando comparada com explicações 
miraculosas de outros tipos. Por exemplo, com a explicação de que um milagre psicológico ocorreu, 
levando homens e mulheres perfeitamente normais a se tornarem conspiradores e mentirosos 
dispostos a serem martirizados por suas mentiras; ou que um “milagre biológico aconteceu, algo que 
impediu que Jesus morresse na cruz (a despeito da lança cravada em seu corpo e assim por diante). 
São essas hipóteses miraculosas que deveriam nos causar admiração por serem artificiais, e não a 
hipótese da ressurreição, pois ela faz todo sentido do mundo no contexto do ministério e das alegações 
pessoais radicais de Jesus. Portanto, a meu ver parece que a hipótese da ressurreição não pode ser 
taxada de excessivamente artificial. 
5. Refutada por poucas crenças aceitas. Não consigo pensar em alguma crença aceita que seja 
capaz de refutar a hipótese da ressurreição a menos que alguém pense, digamos, na afirmação 
“homens mortos não ressuscitam” como uma refutação. No entanto, essa generalização baseada no 
que naturalmente acontece quando as pessoas morrem nada faz no sentido de refutar a hipótese de 
 
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que Deus ressuscitou Jesus dos mortos. Pode de forma consistente acreditar em ambas, ou seja, que 
os seres humanos não ressuscitam naturalmente dos mortos e que Deus ressuscitou Jesus dos mortos. 
Por contraste, as teorias concorrentes são refutadas por crenças aceitas como, por exemplo, a 
instabilidade das conspirações, a probabilidade da morte em consequência da crucificação, as 
características psicológicas das experiências alucinatórias e assim por diante, como já vimos. 
6. Supera outras hipóteses no cumprimento dos requisitos de 1 a 5. Certamente existe pouca 
chance de alguma das hipóteses concorrentes algum dia superar a hipótese da ressurreição no que 
concerne ao cumprimento dos requisitos apontados. A perplexidade dos eruditos contemporâneos 
quando confrontados com fatos como o sepulcro vazio, as aparições de Jesus e as origens da fé cristã 
sugere que não há no horizonte nenhuma hipótese rival que seja melhor. Uma vez que se abra mão 
do preconceito contra milagres,é difícil negar que a ressurreição de Jesus é a melhor explicação para 
os fatos. 
 
Conclusão 
Concluindo, portanto, temos três fatos estabelecidos e independentes — o sepulcro vazio, as 
aparições de Jesus e as origens da fé cristã — que apontam todos para a mesma maravilhosa 
conclusão: que Deus ressuscitou Jesus dos mortos. Dado o fato de que Deus existe, essa conclusão 
não pode ser barrada por ninguém que esteja em busca do sentido da existência. 
 
 
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COSMOVISÃO CRISTÃ 
INTRODUÇÃO 
 
Todo mundo tem uma cosmovisão. Uma cosmovisão é uma série de crenças, um sistema de 
pensamentos, sobre as questões mais importantes da vida. A cosmovisão de uma pessoa é sua 
filosofia. “Cosmovisão” e “filosofia” são virtualmente palavras sinônimas. Grandes pensadores tais 
como Platão, Aristóteles, Agostinho e Tomás de Aquino, cada um deles tinha um sistema de crença 
com respeito à filosofia, que foi escrito numa forma sistemática. Cada sistema expressou a 
cosmovisão do filósofo particular. Mas mesmo que elas possam não perceber, todas pessoas (adultas) 
necessária e inescapavelmente têm uma cosmovisão, um sistema filosófico de pensamento. A 
cosmovisão delas pode não ser escrita, ou sistematizada como as dos quatro pensadores mencionados 
acima, mas elas têm uma cosmovisão apesar de tudo. 
Cosmovisão, visão de mundo, mundividência, é um conjunto ordenado de valores, crenças, 
impressões, sentimentos e concepções de natureza intuitiva, anteriores à reflexão, a respeito da época 
ou do mundo em que se vive. Em outros termos, é a orientação cognitiva fundamental de um 
indivíduo, de uma coletividade ou de toda uma sociedade, num dado espaço-tempo e cultura, a 
respeito de tudo o que existe - sua gênese, sua natureza, suas propriedades. Uma visão de mundo pode 
incluir a filosofia natural, postulados fundamentais, existenciais e normativos, ou temas, valores, 
emoções e ética. 
Entendemos que a cosmovisão cristã, é a única cosmovisão ou filosofia confiável. O fim 
principal do homem é glorificar a Deus (1Co 10.31; Rm 11.36), e gozá-lo para sempre (Sl 73.25-28). 
Sendo assim, estamos obrigados a adotar uma filosofia que honre a Deus. Precisamos, como o 
apóstolo Paulo declarar, de uma filosofia que esteja de “acordo com Cristo” (Cl 2.8). Temos uma 
filosofia cristã, que é baseada no axioma da revelação divina: a Palavra de Deus. 
Visão de mundo cristão, ou cosmovisão cristã refere-se ao conjunto das distinções filosóficas 
e religiosas que caracterizam o Cristianismo em relação a questões como a natureza da verdade, a 
existência do homem, o sentido do universo e da vida, os problemas da sociedade, dentre outros. 
A forma como nós enxergamos o nosso mundo define como nós vamos nos relacionar com 
ele, como vamos viver, usar nosso tempo, nossos talentos e habilidades, as escolhas que vamos fazer. 
Tudo isso é definido por nossa cosmovisão, pela forma como nós percebemos a realidade. 
Por isso que é tão importante nós refletirmos sobre isso. Nem sempre nós estamos cientes de 
que nossas escolhas não são feitas pelas circunstâncias, elas são feitas a partir da forma como nós 
enxergamos nossa vida. Quando a gente para pra pensar sobre uma cosmovisão cristã, nós estamos 
 
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falando sobre a forma de ver o mundo sob Cosmovisão cristã é enxergar o mundo com os olhos de 
Cristo, perceber a realidade não a partir de uma filosofia niilista, não a partir de uma perspectiva 
espiritualista, mas perceber o mundo a partir dos olhos de Cristo. 
Como você enxerga o mundo? Como você observa a natureza, a sociedade, as pessoas, o seu 
trabalho, os seus estudos, o seu lazer? 
Estudar cosmovisão é algo muito importante. A verdadeira cosmovisão ela nos é dada a partir 
do próprio ensino de Jesus, dos apóstolos, profetas nas Escrituras. Estude mais sobre cosmovisão 
cristã, vamos pensar mais sobre essa realidade porque isso vai nos ajudar a olhar para a nossa vida de 
uma forma diferente, a perceber que há um sentido, um propósito, uma missão, uma vocação. E que 
nós podemos experimentar a vontade de Deus, que é boa perfeita e agradável. Tudo isso é importante 
porque quando nós olhamos para ensino de Cristo nós descobrimos que podemos perceber a realidade 
com olhos totalmente diferentes, uma ótica cristã. 
O movimento evangélico da atualidade não está mais unido como era no passado. Alguns que 
se denominam evangélicos andam insistindo abertamente que a fé só em Jesus não é o único caminho 
para o céu. Eles agora estão convencidos que os povos de todas as crenças estarão no céu. Outros 
simplesmente estão acovardados, constrangidos ou hesitantes em afirmar a exclusividade do 
evangelho numa época em que o exclusivismo, pluralismo e tolerância são tidos pelo mundo secular 
como virtudes supremas. Eles pensam que seria um tremendo fora cultural declarar que o 
Cristianismo é a única verdade e que todas as outras crenças são erradas. Aparentemente o maior 
medo que o movimento evangélico tem hoje em dia é de ser visto como posicionado em desarmonia 
com o mundo. 
Por que se deu essa dramática mudança? 
Por que o movimento evangélico abandonou aquilo que outrora aceitava como verdade? Eu 
creio que é porque, em sua busca desesperada pelo relevante e atual (na moda), os líderes da Igreja 
na verdade não conseguiram ver para onde se encaminha o mundo contemporâneo e por quê. 
Nós não estamos mais vivendo no mundo moderno. Este é o mundo pós-moderno. E o pós-
modernismo é tão hostil à verdade do Cristianismo quanto o foi o modernismo — talvez mais ainda. 
As questões filosóficas são diferentes, mas a hostilidade do mundo para com a verdade das Escrituras 
não diminuiu nem um pouco. 
Este não é o momento de se fazer amizade com o mundo. E certamente não é tempo de render-
se aos gritos do mundo por pluralismo e inclusivismo. A menos que recuperemos nossa convicção de 
que Cristo é o único caminho para o céu, o movimento evangélico se tornará cada vez mais fraco e 
irrelevante. 
É irônico que tantos que estão demolindo a exclusividade de Cristo, assim fazem porque 
acreditam que isso é uma barreira à “relevância”. Na verdade, o Cristianismo não é relevante de modo 
 
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algum se ele for apenas um dos muitos caminhos para Deus. A relevância do evangelho tem sido 
sempre sua exclusividade absoluta, sumariada na verdade que só Cristo fez a expiação pelo pecado 
e, portanto, só Cristo pode fazer a reconciliação com Deus daqueles que creem somente nele. 
A Igreja primitiva pregou a Cristo crucificado, sabendo que a mensagem era uma pedra de 
tropeço para os judeus religiosos e loucura para os gregos filósofos (1Co 1.23). Nós precisamos 
recuperar essa ousadia apostólica. Nós precisamos lembrarque pecadores não são ganhos através de 
relações públicas bem engendradas, mas o evangelho — uma mensagem inerentemente exclusiva — 
é o poder de Deus para a salvação. 
Justamente esta estreiteza coloca o Cristianismo à parte de qualquer outra cosmovisão. Afinal 
de contas, o ponto central do sermão melhor conhecido de Jesus foi declarar que a estrada para a 
destruição é larga e bem viajada, enquanto que a estrada da vida é tão estreita que poucos a encontram 
(Mt 7.14). Nossa obrigação como embaixadores de Deus é justamente apontar a estrada tão estreita. 
Cristo é, ele mesmo, o único caminho para Deus, e obscurecer o fato é, na realidade, negar Cristo e 
desacreditar o evangelho em si. 
Devemos resistir à tendência de sermos absorvidos nas modas e modismos do pensamento 
humano. Nós precisamos enfatizar, não diminuir, o que torna o Cristianismo único. E para fazer isso 
de modo eficaz nós precisamos ter uma melhor compreensão de como o pensamento do mundo está 
ameaçando a sã doutrina na Igreja. Devemos ser capazes de apontar exatamente onde a estrada estreita 
se afasta da estrada larga. 
 
“Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se 
estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto 
está escrito: 
Ele apanha os sábios na própria astúcia deles” (1Co 3.18-19). 
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão 
por mim.” (Jo 14.6) 
 
A Igreja versus o Mundo 
 
“Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia.” (1Jo 3.13) 
Por que os evangélicos tentam tão desesperadamente cortejar o favor do mundo? As Igrejas 
planejam seus cultos de adoração para servir aos “sem-Igreja”. Os produtores cristãos imitam a 
coqueluche mundana do momento em termos de música e entretenimento. Os pregadores se sentem 
 
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aterrorizados de que a ofensa do evangelho possa fazer alguém se voltar contra eles; então 
deliberadamente omitem partes da mensagem que o mundo pode não se agradar. 
O movimento evangélico parece ter sido sabotado por legiões de falsos especialistas 
mundanos que estão empenhados em tentar fazer o melhor que podem para convencer o mundo de 
que a Igreja pode ser tão inclusiva, pluralista e de mente aberta quanto a mais politicamente correta 
pessoa mundana. 
A busca pela aprovação do mundo é nada mais, nada menos que adultério espiritual. Na 
verdade, isto é precisamente a imagem que o apóstolo Tiago usou para descrevê-la. Ele escreveu, 
“Infiéis: adúlteros e adúlteras”, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? 
Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). 
Existe e sempre existiu uma incompatibilidade fundamental, irreconciliável entre a Igreja e o 
mundo. A fé genuína em Cristo implica numa negação de todo valor mundano. A verdade bíblica 
contradiz todas as religiões do mundo. 
Jesus disse a seus discípulos, “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, 
me odiou a mim. Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois 
do mundo, pelo contrário, dele vos escolhei, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15.18,19). 
Observe que o nosso Senhor considerou como certo que o mundo desprezaria a Igreja. Longe 
de ensinar a seus discípulos a que tentassem ganhar o favor do mundo, reinventando o evangelho para 
se adequar às suas preferências, Jesus expressamente advertiu que a busca pelas aclamações 
mundanas é uma característica dos falsos profetas: “Ai de vós, quando todos vos louvarem. Porque 
assim procederam seus pais com os falsos profetas” (Lc 626). 
Ele foi mais longe, “Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou 
testemunho a seu respeito de que as suas obras são más” (Jo 7.7). Em outras palavras, o desprezo do 
mundo pelo Cristianismo deriva de motivos morais, não intelectuais: “O julgamento é este: que a luz 
veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. 
Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem 
arguidas as suas obras” (Jo 3.19,20). É por esta razão que, não importa quão dramaticamente a 
opinião do mundo possa vir a variar, a verdade cristã não será jamais popular ao mundo. 
Contudo, virtualmente em toda época da história da Igreja, tem havido gente na Igreja que 
está convencida de que a melhor maneira de ganhar o mundo é satisfazer os seus gostos. Tal tipo de 
abordagem tem sempre sido em detrimento da mensagem do evangelho. As únicas vezes que Igreja 
causou impacto significativo sobre o mundo foi quando o povo de Deus permaneceu firme, se recusou 
a compactuar e ousadamente proclamou a verdade apesar da hostilidade do mundo. Quando os 
cristãos se desviam da tarefa de confrontar os enganos do mundo com as impopulares verdades 
 
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bíblicas, a Igreja invariavelmente perde sua influência e impotente se mescla ao mundo. Tanto as 
Escrituras quanto a história atestam esse fato. 
E a mensagem cristã simplesmente não pode ser torcida para se conformar com a instabilidade 
da opinião do mundo. A verdade bíblica é fixa e constante, não sujeita a mudança ou adaptação. A 
opinião do mundo, por outro lado, está sempre em fluxo constante. Os vários modismos e filosofias 
mudam radicalmente e regularmente de geração para geração. 
Ao que tudo indica, o mundo não abraçará por muito tempo qualquer das ideologias que estão 
atualmente em voga. Se a história servir como indicador, quando nossos netos se tomarem adultos a 
opinião do mundo terá sido dominada por um sistema completamente novo de crenças e um conjunto 
de valores totalmente diferente. A geração de amanhã renunciará a todas os modismos e filosofias de 
hoje, mas urna coisa permanecerá imutável: até que o Senhor mesmo volte, seja qual for a ideologia 
que ganhe popularidade no mundo, ela será tão hostil às verdades bíblicas corno o foram todas as 
precedentes 
 
Modernismo 
Pense no que aconteceu no século passado, por exemplo. Cem anos atrás a Igreja estava 
ameaçada pelo modernismo. Modernismo era urna cosmovisão baseada na noção de que somente a 
ciência podia explicar a realidade. O modernista, com efeito, começou com a pressuposição de que 
nada sobrenatural é real. 
Deveria ter ficado instantaneamente óbvio que o modernismo e o Cristianismo eram 
incompatíveis no nível mais básico. Se nada sobrenatural era real, então grande parte da Bíblia seria 
falsa e sem autoridade; a encarnação de Cristo seria um mito (anulando a autoridade de Cristo 
também); e todos os elementos sobrenaturais do Cristianismo, incluindo o próprio Deus, teriam de 
ser totalmente redefinidos em termos naturalistas. O modernismo foi anticristão até à sua medula. 
Não obstante, a Igreja visível no começo do século 20 ficou cheia de gente que estava 
convencida de que modernismo e Cristianismo podiam e deviam ser conciliados. Eles insistiam que 
se a Igreja não acompanhasse o passo dos tempos, abraçando o modernismo, o Cristianismo não 
sobreviveria ao século 20. A Igreja se tornaria paulatinamente irrelevante para o povo moderno, eles 
diziam, e logo desapareceria. Assim sendo, eles inventaram um “evangelho social” desprovido do 
verdadeiro evangelho da salvação. 
Naturalmente, o Cristianismo bíblico sobreviveu o século 20 muito bem, obrigado. Nos 
lugares onde os cristãos permaneceram comprometidos com a verdade e autoridade das Escrituras, a 
Igreja floresceu, mas, ironicamente, aquelas Igrejas e denominações que abraçaram o modernismo 
foram as que se tornaram pouco a pouco irrelevantes e desapareceram antes do fim do século. Muitos 
 
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edifícios de pedra, grandiosos, mas quase vazios, dão testemunho da fatalidade da conformação com 
o modernismo.Pós-modernismo 
O modernismo é agora considerado como um modo de pensar do passado. A cosmovisão 
dominante tanto no círculo secular quanto no acadêmico atualmente é chamada de pós-modernismo. 
Os pós-modernistas têm repudiado a confiança absoluta dos modernistas na ciência como único 
caminho para a verdade. Na realidade os pós-modernistas perderam completamente o interesse pela 
“verdade”, insistindo que não existe tal coisa como verdade absoluta ou universal. 
O modernismo era de fato insustentável com a fé cristã e precisava ser abandonado, mas o 
pós-modernismo é um passo trágico na direção errada. Ao contrário do modernismo, que estava ainda 
preocupado com a possibilidade de convicções básicas, crenças e ideologias serem objetivamente 
verdadeiras ou falsas, o pós-modernismo simplesmente nega que qualquer verdade possa ser 
objetivamente conhecida. 
Para o pós-modernista a realidade é o que o indivíduo imagina que seja. Isso significa que o 
que é “verdadeiro” é determinado subjetivamente por cada um, e não existe tal coisa como a chamada 
verdade objetiva, com autoridade que governa ou se aplica universalmente a toda humanidade. O pós-
modernista acredita naturalmente que não faz sentido debater se a opinião A é superior à opinião B. 
No final de contas, se a realidade é meramente uma invenção da mente humana a perspectiva de 
verdade de uma pessoa é afinal tão boa quanto a de outra. 
Tendo desistido de conhecer a verdade objetiva, o pós-modernista se ocupa em lugar disso, 
com a busca para “entender” o ponto de vista da outra pessoa. Então as palavras “verdade” e 
“compreensão” tomam significados radicalmente novos. Ironicamente, “compreensão” requer que 
primeiro de tudo desacreditemos na possibilidade de conhecer qualquer verdade afinal. E “verdade” 
se torna nada mais do que uma opinião pessoal, geralmente melhor guardada para si mesmo. 
Essa é uma exigência essencial, não negociável que o pós-modernismo faz a todo mundo: nós 
não devemos pensar que conhecemos qualquer verdade objetiva. Os pós-modernistas frequentemente 
sugerem que toda opinião deveria receber igual respeito. E, portanto, numa visão superficial, o pós-
modernismo parece movido por uma preocupação pela mente aberta para se chegar à harmonia e 
tolerância. Tudo soa muito caridoso e altruísta, mas o que realmente sublinha o sistema de crenças 
pós-modernistas é uma intolerância total por toda cosmovisão que faça alegações de qualquer verdade 
universal, particularmente o Cristianismo bíblico. 
Em outras palavras, o pós-modernismo começa com uma pressuposição que é irreconciliável 
com a verdade objetiva, divinamente revelada nas Escrituras. Da mesma forma que o modernismo, o 
pós-modernismo é fundamental e diametralmente oposto ao evangelho de Jesus Cristo. 
 
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Pós-modernismo e Igreja 
Não obstante, a Igreja atualmente está cheia de gente que advoga ideias pós-modernistas. 
Alguns deles fazem isso consciente e deliberadamente, mas a maioria o faz sem querer. Tendo 
embebido em demasia do espírito dos tempos, eles estão simplesmente regurgitando opiniões do 
mundo. O movimento evangélico como um todo, ainda se recuperando de sua longa batalha contra o 
modernismo, não está preparado para um adversário novo e diferente. Muitos cristãos, portanto, não 
reconheceram ainda o perigo extremo colocado pelo pensamento pós-modernista. 
A influência pós-modernista claramente já infecta a Igreja. Os evangélicos estão baixando o 
tom da sua mensagem para que as rígidas alegações de verdades do evangelho não soem tão 
desagradáveis aos ouvidos pós-modernos. Muitos evitam fazer afirmações inequívocas de que a 
Bíblia é verdadeira e todos os outros sistemas religiosos do mundo são falsos. Alguns que se intitulam 
cristãos foram ainda mais longe, determinadamente negando a exclusividade de Cristo e abertamente 
questionando sua alegação de ser ele o único caminho para Deus. 
A mensagem bíblica é clara. Jesus disse, “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém 
vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). O apóstolo Pedro proclamou a uma audiência hostil, “... não 
há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os 
homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). O apóstolo João escreveu, “quem crê no 
Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre 
ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36). Repetidas vezes as Escrituras enfatizam que Jesus Cristo é a 
única esperança de salvação para o mundo. “... há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os 
homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Somente Cristo pode expiar pecados e, portanto, somente 
Cristo pode dar salvação. “... o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está 
no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” 
(1Jo 5.11,12). 
Essas verdades são contrárias à doutrina central do pós-modernismo. Elas fazem alegações de 
verdade exclusivas, universais, declarando ser Cristo o único caminho para o céu e errôneos todos os 
outros sistemas de crença. Isto é o que as Escrituras ensinam. É o que a Igreja verdadeira tem 
proclamado ao longo de toda sua história. É a mensagem do Cristianismo. E simplesmente não pode 
ser ajustado para acomodar as sensibilidades pós-modernas. Em vez disso, muitos cristãos 
simplesmente vão passando por cima das alegações exclusivas de Cristo, debaixo de um silêncio 
constrangedor. Pior ainda, alguns na Igreja — incluindo alguns dos mais conhecidos líderes 
evangélicos — começaram a sugerir que talvez o povo possa ser salvo fora do conhecimento de 
Cristo. 
 
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Os cristãos não podem ceder ao pós-modernismo sem sacrificar a essência da nossa fé. A 
alegação da Bíblia de que Cristo é o único caminho da salvação está certamente em desarmonia com 
a noção pós-moderna de “tolerância”, mas é, no final de contas, exatamente o que a Bíblia claramente 
ensina. E a Bíblia, não a opinião pós-moderna, é a autoridade suprema para o cristão. Somente a 
Bíblia deve determinar o que nós cremos e proclamar isso ao mundo. Nós não podemos abrir mão 
disso, não importa quanto o mundo pós-modernista reclame que nossas crenças fazem de nós pessoas 
“intolerantes”. 
 
Tolerância Intolerante 
A veneração da tolerância pelo pós-modernista é uma característica óbvia, mas essa versão da 
“tolerância” é, na verdade, uma distorção perigosa da verdadeira virtude. Aliás, tolerância nunca é 
mencionada na Bíblia como uma virtude, exceto no sentido de paciência, longanimidade e mansidão 
(ver Ef 4.2). De fato, a noção contemporânea de tolerância é um conceito pateticamente fraco 
comparado ao amor que as Escrituras ordenam aos cristãos que mostrem aos seus inimigos. Jesus 
disse, “amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, 
orai pelos que vos caluniam” (Lc 6.27,28; confira os versículos 29-36). 
Quando nossos avós falaram de tolerância como uma virtude, eles tinham isso em mente. A 
palavra então significava respeitar as pessoas e tratá-las com bondade mesmo quando acreditamos 
que elas estão erradas, mas a noção pós moderna de tolerância significa que nós nunca devemos 
considerar a opinião de ninguém como errada. A tolerância bíblica é para as pessoas; a tolerância pós-
moderna é para ideias. 
Aceitar toda crença como igualmente válida dificilmente é uma virtude real, mas é 
praticamente o único tipo de virtude que o pós-modernismo conhece. As virtudes tradicionais 
(incluindo humildade, domínio próprio e castidade) são abertamente zombadas e até mesmo 
consideradas como transgressões, no mundo do pós-modernismo. 
Previsivelmente a beatificação da tolerância pós-moderna tem tido seus efeitos desastrosos 
sobre a verdadeira virtude em nossa sociedade. Nestes tempos de tolerância,o que era proibido passou 
a ser encorajado. O que era tido como imoral é agora festejado. Infidelidade marital e divórcio foram 
normalizados. Impureza é o lugar comum. Aborto, homossexualidade e perversões morais de todos 
os tipos são aclamados por grandes grupos e entusiasticamente promovidos pela mídia popular. A 
noção pós-moderna de tolerância está sistematicamente virando virtude genuína na cabeça deles. 
Uma exceção notável àquela regra se destaca claramente: os pós-modernistas aceitam a 
intolerância se for contra aqueles que alegam conhecer a verdade, particularmente os cristãos bíblicos. 
De fato, aqueles que se proclamam os advogados líderes de tolerância atualmente são frequentemente 
os oponentes mais declarados do Cristianismo evangélico. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 101 
 
Basta dar uma olhada na Internet, por exemplo, e veja o que está sendo dito pelos auto 
estilizados campeões de tolerância religiosa. O que você vai encontrar é uma grande quantidade de 
intolerância pelo Cristianismo bíblico. 
Por que isso? Por que o Cristianismo bíblico autêntico depara com tal feroz oposição de 
pessoas que pensam ser modelos de tolerância? É porque as alegações de verdade das Escrituras e 
particularmente as alegações de Jesus de ser o único caminho para Deus — são diametralmente 
opostos às pressuposições fundamentais da mente pós-moderna. A mensagem cristã representa um 
golpe fatal à cosmovisão pós-modernista. 
Mas se os cristãos se deixam enganar ou são intimidados a suavizar as alegações diretas de 
Cristo e a alargar o caminho estreito, a Igreja não fará qualquer progresso contra o pós-modernismo. 
Nós precisamos recuperar a distinção do evangelho. Precisamos reconquistar nossa confiança no 
poder da verdade de Deus. E nós precisamos proclamar com ousadia que Cristo é a única verdadeira 
esperança para o povo deste mundo. 
Isso pode não ser o que o povo quer ouvir neste tempo pseudo-tolerante do pós-modernismo, 
mas é verdade assim mesmo. E precisamente porque é verdade e o evangelho de Cristo é a única 
esperança para um mundo perdido é que é ainda mais urgente levantarmos acima de todas as vozes 
de confusão no mundo e dizer desta forma. 
 
A verdade da Palavra de Deus 
“A tua palavra é a verdade”. (Jo 17 .17) 
O Cristianismo autêntico começa com a premissa de que existe uma fonte de verdade fora de 
nós. Especificamente a Palavra de Deus é verdade (Sl 19.151; Jo 17.17). Ela é objetivamente verdade 
— quer dizer, ela é verdade quer fale subjetivamente a um dado indivíduo ou não; é verdade 
independente de como alguém se sente sobre ela; é verdade para todos universalmente e sem 
exceções; é absolutamente verdade. 
Isso, é claro, contradiz a pressuposição básica que governa o pensamento da maioria das 
pessoas atualmente. A filosofia pós-moderna diz que não existe tal coisa como verdade absoluta ou, 
se houver, será impossível de ser conhecida. Segundo o pós-modernismo, verdade nada mais é do 
que uma criação da mente humana; as pessoas determinam sua própria realidade; e, portanto, ninguém 
tem a verdade. Acima de tudo, o pós-modernista está convencido de que nenhuma religião é superior 
a outra. Nós não devemos pensar que nossas crenças são necessariamente válidas para mais ninguém. 
Nem tampouco qualquer posição teológica será, em tempo algum, tida como certa ou errada. O que 
eu acredito é válido para mim; e seja lá o que for que você crê é igualmente válido para você. E desta 
forma nós podemos aceitar a religião um do outro, mesmo se nossas crenças totalmente contradizem 
uma a outra. Esse é o credo do pós-modernista. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 102 
 
Podemos não nos dar conta de quão profundamente esse tipo de pensamento penetrou na 
consciência contemporânea, mas ele já tomou conta do mundo acadêmico e secular. Dois meses após 
o dia 11 de setembro de 2001, do dia que ocorreu o ataque terrorista ao World Trade Center [Centro 
Mundial de Comércio] e ao Pentágono, o ex-presidente dos Estados Unidos da América, EUA, Bill 
Clinton, proferiu um discurso na Universidade de Georgetown, no qual ele sugeriu que o senso 
“arrogante de justiça” dos norte-americanos era em parte responsável por ter feito a nação um alvo 
do terrorismo. 
Aparentemente, para Clinton, toda a confusão poderia ter sido evitada se todas as pessoas de 
ambos os lados tivessem simplesmente se dado conta de que não existe tal coisa como uma verdade 
absoluta ou universal e que, portanto, nenhuma ideologia merece briga. “Ninguém tem a verdade”, 
disse ele aos estudantes. “Vocês estão numa universidade que basicamente crê que ninguém nunca 
tem a verdade toda. Nós somos incapazes de alguma vez ter a verdade completa. Os terroristas, 
sugeriu Clinton, estão sendo brutais e intolerantes apenas porque acreditam serem donos da verdade, 
enquanto que as atitudes mais tolerantes de nossa sociedade são enraizadas na compreensão de que a 
verdade absoluta é impossível de ser conhecida. Eles acreditam tê-la, mas nós, porque acreditamos 
que ninguém pode ser dono de toda a verdade, nós pensamos que todos são importantes.” 
Essas observações praticamente resumem a atitude da sociedade atualmente. O ceticismo foi 
entronizado e consagrado, enquanto que a fé confiante foi banida e exorcizada. A única coisa de que 
podemos estar certos é que nós não podemos estar certos de coisa alguma. Ter convicções fortes sobre 
qualquer coisa (outra que não seja nossa própria inabilidade de descobrir a verdade), é tido como 
inerentemente intolerante até mesmo perverso. Além disso, de acordo com o modo de pensar pós-
moderno, pouco adianta tentar combater as falsas ideias com as verdadeiras. Afinal de contas, eles 
dizem se alegarmos que temos a verdade, nós nos tornamos exatamente tão maus quanto os terroristas. 
Então, em vez disso, a inteligência pós-moderna está fazendo o que pode para tirar de todo mundo a 
noção arcaica de que verdade absoluta e objetiva é passível de ser conhecida de alguma forma. 
Este ponto de vista está moldando o mundo em que vivemos. Multidões literalmente e de todo 
coração acreditam que podem construir sua própria realidade e definir sua própria verdade. Explica 
também porque as pessoas de hoje em dia são mais voltadas para si mesmas e mais narcisistas do que 
praticamente as de qualquer outra geração na história. 
O ex-presidente Clinton estava sugerindo que é arrogância alguém pensar que conhece a 
verdade absoluta, mas arrogância de fato é aquela da pessoa que pensa que pode inventar sua própria 
verdade para a ocasião. 
Quando tudo depende de sua definição de o que é — quando os indivíduos podem reimaginar 
e reinterpretar tudo subjetivamente de modo que cada pessoa determina o que é certo a seus próprios 
olhos — a civilização encontra-se em sérias dificuldades. Essa é a direção na qual caminha nossa 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 103 
 
sociedade. Tendo acatado a noção de que verdade absoluta é impossível de ser conhecida, as pessoas 
se dispõem a aceitar quase qualquer coisa em lugar da verdade. 
Mesmo na Igreja tem havido uma erosão séria de confiança na verdade objetiva das Escrituras. 
Dogmatismo sobre qualquer ponto da doutrina é geralmente considerado fora de moda; incerteza e 
abertura a múltiplos pontos de vista é o estilo próprio entre os pregadores e professores nestes dias. 
Os movimentos de massa mais populares no meio evangélico atual são ecumênicos em sua confiança, 
insistindo para que coloquemos de lado a doutrina por amor à harmonia. Tais tendências refletem 
uma capitulação diante da ideia pós-moderna de que verdade absoluta é impossível de ser conhecida 
e, portanto, ela não importa muito, afinal de contas. 
O desprezo do pós-modernismo pela verdade objetiva está se infiltrando na Igreja de formas 
sutis, também. É só participar de um típico encontro evangélico para estudo da Bíblia no lar e você 
verá que, com grande probabilidade,será convidado a compartilhar sua opinião sobre “o que este 
versículo significa para mim,” como se a mensagem das Escrituras fosse diferente para cada 
indivíduo. É raro o professor estar preocupado com o que as Escrituras significam para Deus. 
Se realmente cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus, por que nós hesitamos em dizer 
que ela tem um significado objetivo; é absolutamente verdade; e todas as outras interpretações são 
falsas? Os evangélicos sempre acreditaram que as Escrituras são claras — seu significado essencial 
é evidente de imediato. Não é um segredo ou um mistério para ser solucionado. A Bíblia é a revelação 
de Deus para nós. É uma revelação da verdade; não é um enigma. E em todos os assuntos essenciais 
ela fala com perfeita clareza. 
Certamente que nas Escrituras “... há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e 
instáveis deturpam ... para a própria destruição deles” (2Pe 3.16). Existem também muitos assuntos 
de importância secundária sobre os quais nós não precisamos discutir muito. Em tais assuntos 
indiferentes a regra é clara: “Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” (Rm 14.5), 
mas a mensagem principal das Escrituras e a mensagem do evangelho em particular é clara e sem 
ambiguidade. Não “provém de particular elucidação,” e seu significado não está sujeito a 
preferências individuais. “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; 
entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1.20,21). 
Repetidas vezes a Escritura faz esse tipo de alegação sobre si mesma: “Toda a Escritura é 
inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na 
justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” 
(2Tm3.16,17). Em outras palavras, a Escritura não apenas é inspirada por Deus, mas é também 
suficiente para nos equipar totalmente com toda a verdade espiritual de que precisamos. É mais segura 
do que os nossos próprios sentidos (2Pe 1.19). Ela “permanece eternamente” (1Pe 1.25). É garantida 
 
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até cada til e i (Mt 5.18). É imutável e “permanece eternamente” (Is 40.8). Jesus mesmo disse, 
“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mt 24.35). 
O Cristianismo autêntico sempre sustentou que as Escrituras são a verdade absoluta, objetiva. 
É tão verdade para uma pessoa quanto o é para outra, independente da opinião seja lá de quem for 
sobre ela. Ela tem um significado verdadeiro que se aplica a todo mundo. É a Palavra de Deus para a 
humanidade e seu verdadeiro significado é determinado por Deus; não é alguma coisa que possa ser 
formatada para encaixar nas preferências de ouvintes individuais. 
As Escrituras são absolutamente verdadeiras, quer afetem você e eu, quer não. As Escrituras 
seriam verdadeiras mesmo que não existíssemos. De nenhuma maneira a verdade das Escrituras é 
decidida pela experiência de alguém. Se ela nos afeta ou não subjetivamente nada tem a ver com seu 
significado de fato ou veracidade. A mensagem das Escrituras não é maleável. Não é singular para 
cada pessoa. Não é determinada pela experiência pessoal ou opinião pessoal. 
Isso significa um forte golpe para um grande segmento dos que professam o Cristianismo 
atualmente. Multidões estão procurando ouvir a voz de Deus em suas cabeças ou buscando algum 
tipo de epifania intuitiva na qual a verdade lhe será revelada subjetivamente, mas a única verdade 
final e absoluta para o cristão — a verdade que supera todas as opiniões particulares, sentimentos 
pessoais e experiências subjetivas é a verdade objetiva de Deus como revelada nas Escrituras quando 
corretamente interpretada. 
A verdade bíblica é objetiva. É verdadeira em si mesma. É verdadeira se sentimos ou deixamos 
de sentir que é verdadeira. É verdadeira se foi ou não validada pela experiência de alguém. É 
verdadeira porque Deus disse que é verdadeira. É verdadeira por completo e é verdadeira até o menor 
til ou i. O Salmo 119. 160 diz, “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um 
dos teus justos juízos dura para sempre” (Sl 119.160). 
Esse é exatamente o ponto de partida e o alicerce necessário para uma cosmovisão cristã 
verdadeira. Abra mão do fundamento da verdade bíblica e seja qual for o sistema de crença que reste 
não vale a pena ser chamado cristão, mesmo se ele retiver vestígios do simbolismo e da terminologia 
cristãos. 
Muitos que se intitulam cristãos atualmente estão precisamente nessa situação. Eles usam 
linguagem e simbolismo cristãos, mas a fonte real da autoridade deles é algo além das Escrituras. 
Alguns simplesmente vivem pelo que sentem e moldam suas crenças segundo suas preferências 
pessoais. Outros alegam que Deus lhes fala diretamente por meio de vozes, impressões fortes, ou 
sentimentos vagos que eles interpretam como revelações diretas do Espírito Santo. Outros ainda 
pensam que as Escrituras são escritos improvisados que eles podem modificar ou interpretar da 
maneira que desejarem. De qualquer modo, a vida e crença deles são comandadas pelas suas 
 
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preferências pessoais. As crenças deles não são realmente diferentes daquelas dos seguidores da Nova 
Era que acreditam que a verdade é encontrada dentro deles mesmos. 
Mas o Cristianismo histórico é baseado na revelação objetiva das Escrituras. Essa é a razão 
pela qual nossa primeira palavra-chave para descrever a cosmovisão cristã é objetividade. Nossa fé 
está firmada na convicção de que Deus falou e a sua Palavra é a verdade objetiva. O que ele nos deu 
é absoluto e inabalável. É a verdade pelas quais todas as outras alegações de verdade são medidas. 
Veracidade: “Agora, pois, Ó SENHOR Deus, tu mesmo és Deus, e as tuas palavras são 
verdade, e tens prometido a teu servo este bem.” (2Sm 7.28) 
Autoridade: “Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem 
autoridade e não como os escribas.” (Mc 1.22) 
 
QUE É COSMOVISÃO? 
 
A cosmovisão é análoga à lente intelectual através da qual as pessoas veem a realidade e que 
a cor da lente é um fato fortemente determinante que contribui para o que elas creem acerca do mundo. 
Além disso, cosmovisão é um sistema filosófico que procura explicar como os fatos da realidade se 
relacionam e se ajustam um ao outro. Uma vez reunidos os componentes da lente, ela focalizará o 
plano geral da realidade que dá a estrutura na qual as partes menores da vida se harmonizam. Em 
outras palavras, a cosmovisão dá forma ou colore o modo que pensamos e fornece a condição 
interpretativa para entender e explicar os fatos de nossa experiência. 
Ainda mais importante que entender o que é uma cosmovisão, e mais crítico, é compreender 
as consequências lógicas associadas a viver de acordo com as convicções que uma determinada 
cosmovisão sustenta como verdadeira. Essa reflexão nos leva a nossa próxima pergunta. 
 
Por que as cosmovisões são importantes? 
Uma vez que nossas ideias influenciam nossas emoções, reações e conduta, é particularmente 
importante para nós conhecer aquilo em que cremos e por quê. Pense no tipo de consequências 
históricas que advêm direta e logicamente de uma cosmovisão — as crenças ou convicções. Um 
homem, Adolf Hitler, apelou para o povo de seu país a fim de obter apoio para avançar na realização 
lógica da cosmovisão deles. Disse: 
O mais forte deve dominar, não se igualar ao mais fraco, o que significaria o sacrifício de 
sua própria natureza superior. Somente o indivíduo que é fraco de nascimento pode entender este 
princípio como cruel. E, se faz isso, é meramente porque é de natureza mais fraca e de mente mais 
obtusa, pois se essa lei não direcionasse o processo de evolução, o desenvolvimento superior da vida 
orgânica não seria concebível de forma alguma [...] Se a Natureza não desejaque os indivíduos mais 
 
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fracos se igualem aos mais fortes, deseja ainda menos que uma raça superior se misture com uma 
inferior, porque nesse caso todos os seus esforços, ao longo de centenas de milhares de anos, para 
estabelecer um estágio evolutivo mais alto do ser, podem-se traduzir em inutilidade.16 
Hitler referia-se a essa solução da natureza como “totalmente lógica”. De fato, era tão lógica 
para os nazistas que eles construíram campos de concentração para levar a cabo suas convicções 
acerca da raça humana. Auschwitz era um desses campos de concentração onde os preceitos teóricos 
foram aplicados ao mundo real. Se estivéssemos visitando Auschwitz hoje, poderíamos andar nos 
corredores de alguns edifícios onde veríamos o impacto inimaginável que uma cosmovisão pode 
causar (e de fato causou) sobre todo o mundo. A maioria dos visitantes não está preparada e fica 
chocada ao ver as fotos de mulheres grávidas e de criancinhas que foram torturadas até a morte por 
oficiais nazistas. Lembrando os cinquenta anos da libertação de Auschwitz, a revista Newsweek 
publicou como matéria de capa uma entrevista com o general Vasily Petrenko, o único comandante 
sobrevivente das quatro divisões do Exército Vermelho, que cercou e libertou Auschwitz: 
Petrenko era um veterano endurecido de uma das piores batalhas da guerra. “Eu havia visto 
muita gente morta”, Petrenko diz. “Havia visto muitas pessoas penduradas e muitas queimadas. Mas 
ainda não estava preparado para Auschwitz.” O que o espantou sobremaneira foram as crianças, 
algumas ainda em idade tenra, que foram deixadas para trás na fuga rápida. Essas crianças eram 
os sobreviventes dos experimentos médicos perpetrados pelo dr. Josef Mengele, médico do campo, e 
os filhos dos prisioneiros políticos poloneses recolhidos após a malfadada revolta em Varsóvia.17 
A citação de Mein kampf (Minha vida), bem como este breve excerto do Newsweek, deve ser 
um lembrete de que as cosmovisões levam a conclusões e consequências. As convicções fortes de 
homens como Hitler e Mengele mostram que a maneira de ver o mundo (cosmovisão) pode mudar a 
face deste mundo. Entender o que as diferentes cosmovisões ensinam e a consequência lógica de cada 
uma é crucial. Por isso, pretendemos tratar de alguns pontos centrais das cosmovisões a fim de 
averiguar-lhes as convicções e constatar quais têm credibilidade. Mas há muitos outros modos de ver 
a realidade. Parece que pode haver tantas cosmovisões quantas pessoas há no mundo. Assim, antes 
de ir aos princípios principais das cosmovisões que discutiremos, vamos identificar quais deles 
pretendemos examinar. 
 
Quantas cosmovisões existem? 
Podemos colocar a existência das seguintes cosmovisões: teísmo, ateísmo, panteísmo, 
panenteísmo, deísmo, politeísmo, e o deísmo limitado. Sabemos que todas essas cosmovisões se 
difundiram em nossa cultura e existem, de uma forma ou de outra, em praticamente todas as 
 
16 Mein Kampf, 161-162. 
 .Jerry Adler, The last days of Auschwitz, Newsweek, 16/1/995, p. 47־17
 
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faculdades seculares ou campus universitários do Brasil e de muitas do restante do mundo. Vamos 
investigar somente as três cosmovisões mais influentes em nossa cultura ocidental: ateísmo, 
panteísmo e teísmo. 
 
Em que diferem as cosmovisões? 
A discordância mais fundamental entre as cosmovisões baseia-se na existência e na natureza 
de Deus. A ideia de Deus tem guiado ou enganado mais vidas, mudado mais a história, inspirado mais 
músicas e poesias e filosofias que qualquer outra coisa, real ou imaginada. Tem feito mais diferença 
na vida humana neste planeta, tanto individual como coletivamente, do que nada jamais fez. 
Para obter algum entendimento das diferenças principais existentes entre o ateísmo, o 
panteísmo e o teísmo, precisamos apenas definir cada cosmovisão e arrolar suas doutrinas principais. 
O motivo dessa comparação é demonstrar a natureza logicamente impossível das declarações 
essenciais de verdade que cada cosmovisão tem a respeito de Deus, da realidade, da humanidade, do 
mal e da ética. Recomenda-se algum estudo adicional de cada cosmovisão, mas os princípios aqui 
expostos vão servir para o nosso propósito. 
 
Em que acreditam os ateístas? 
O ateísmo acredita que não existe Deus nenhum, seja no próprio universo, seja além dele. O 
universo ou cosmos é tudo o que existe ou existirá, ele é auto-sustentável. Entre os mais famosos 
ateus estão Karl Marx, Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Jean-Paul Sartre. Seus escritos tiveram 
tremenda influência sobre o mundo. Esses homens expressaram suas ideias de modos diferentes, mas 
todos sustentaram a convicção básica de que Deus não existe. Entre os principais ensinos do ateísmo 
estão os seguintes: 
• DEUS — Não existe. Existe somente o universo. 
• UNIVERSO — É eterno; ou casualmente veio a ser. 
• HUMANIDADE (origem) — Evoluímos, somos compostos de moléculas e não somos 
imortais. 
• HUMANIDADE (destino) — Não temos nenhum destino eterno e seremos aniquilados. 
• MAL (origem) — É real, causado pela ignorância humana. 
• MAL (destino) — Pode ser derrotado pelo homem por meio da educação. 
• ÉTICA (base) — É criada pela humanidade e fundamentada na própria humanidade. 
• ÉTICA (natureza) — É relativa, determinada pela situação. 
 
 
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Em que acreditam os panteístas? 
Outra visão de mundo importante é a crença de que Deus é o universo. Essa visão se chama 
panteísmo, manifesta-se na forma popular como Movimento Nova Era. Para o panteísta não há 
criador além do universo, criador e criação são dois modos diferentes de enxergar a mesma realidade, 
e em última análise existe apenas uma realidade, não muitas realidades diferentes. Deus permeia todas 
as coisas e se encontra em todas elas. Nada existe à parte de Deus: Deus é o mundo e o mundo é 
Deus; Deus é o universo e o universo é Deus. Há diferentes tipos de panteísmo, representados por 
certas correntes do hinduísmo, do budismo zen e da Nova Era. As ideias desses grupos diferem a 
respeito de como Deus e o mundo se identificam, mas todos creem que Deus e o mundo são um. Entre 
os principais ensinos do panteísmo estão: 
• DEUS — É um, infinito, normalmente impessoal; ele é o universo. 
• UNIVERSO — É uma ilusão, uma manifestação de Deus, o único que é real. 
• HUMANIDADE (origem) — O verdadeiro eu (atmã) do homem é Deus (Brahman). 
• HUMANIDADE (destino) — Nosso destino é determinado pelos ciclos da vida, o carma. 
• MAL (origem) — É uma ilusão causada pelos erros da mente. 
• MAL (destino) — Será reabsorvido por Deus. 
• ÉTICA (base) — Os princípios éticos se baseiam em manifestações inferiores de Deus. 
• ÉTICA (natureza) — Os princípios éticos são relativos, transcendem a ilusão do bem e do 
mal. 
 
Em que acreditam os teístas? 
O teísmo ensina que há somente um Ser infinito e pessoal, que está além deste universo físico 
finito. Os teístas creem que os atributos do Deus da Bíblia podem ser parcialmente conhecidos por 
meio da natureza, do mesmo modo que os atributos de um artista podem ser reconhecidos em sua 
pintura. A Bíblia informa-nos que Deus plantou com raízes profundas no coração e na mente de todo 
ser humano um conhecimento indelével de alguns de seus atributos, conhecimento este claramente 
perceptível na observação da natureza: 
“Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. 
Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza 
divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que 
tais homens são indesculpáveis.” (Rm 1.19-20). 
A luta pela verdade concentra-se no que Deus revelou a todas as pessoas a respeito de si 
próprio. De acordo com o teísmo bíblico, esse versículo deixa claro que Deus vai considerarEstai sempre preparados para responder a todo o que vos pedir a razão da esperança que 
há em vós (1 Pe 3.15). 
 
Você não gostaria de ser capaz de defender sua fé com inteligência? Não gostaria de ter alguns 
argumentos na ponta da língua para apresentar a alguém que diga que os cristãos não têm bons 
motivos para crerem naquilo que professam? Já não está cansado de se sentir intimidado por 
incrédulos? Se estiver, então você fez a escolha certa ao decidir estudar apologética! 
Apologética significa uma defesa. Apologética vem do grego apologia, que significa defesa, 
como a que se faz em um tribunal. A apologética cristã implica em fazer uma defesa em favor da 
verdade da fé cristã. 
A Bíblia na verdade nos recomenda que tenhamos essa defesa pronta para oferecer àquele que 
nos pedir a razão de nossa fé. Assim como dois competidores, numa partida de esgrima, aprendem a 
se desviar dos ataques, bem como a atacar o rival, nós também devemos estar sempre “Em guarda”. 
A passagem de 1 Pedro 3.15 diz: “Estai sempre preparados para responder a todo o que vos pedir a 
razão da esperança que há em vós. Mas fazei isso com mansidão e temor”. 
Note bem a atitude que devemos assumir quando estivermos fazendo a nossa defesa: Devemos 
ser mansos e respeitosos. A apologética também é a arte de não fazer o outro lamentar o fato de você 
ser cristão! Podemos apresentar uma defesa da fé cristã sem nos tornamos defensivos. Podemos 
apresentar argumentos em favor do cristianismo sem nos tornarmos argumentativos, ou seja, 
briguentos. 
A apresentação de argumentos em defesa da fé cristã é de vital importância que não seja 
entendida como discussão, bate-boca. Jamais devemos bater-boca a respeito de nossa fé com alguém 
que não compartilhe dela. Isso apenas enfurece as pessoas e as afasta ainda mais. Argumentar em 
termos filosóficos não é o mesmo que discutir ou ter uma troca de palavras ásperas; argumentar é 
apenas apresentar uma série de enunciados ou premissas que levem a uma conclusão. E isso é 
tudo. 
Ironicamente, quem tem bons argumentos na sustentação da sua fé se torna menos inclinado 
a bate-bocas e a sair frustrado da discussão. Quanto melhores forem meus argumentos, menos 
beligerante eu me torno. Quanto melhor for a minha defesa, menos preciso ficar na defensiva. Se você 
 
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tem boas razões para aquilo em que crê e sabe as respostas para as perguntas e objeções que alguém 
que não é cristão costuma fazer, não tem motivo para se exaltar. Pelo contrário, você perceberá que 
estará calmo e confiante, mesmo quando estiver sob ataque, pois sabe que tem as respostas. 
Se você tem boas razões para aquilo em que crê, então, em vez de sentir raiva, sentirá uma 
compaixão genuína pelos perdidos, que em geral estão tão desorientados. A boa apologética envolve 
falar “a verdade em amor” (Ef 4.1 5). 
 
A apologética é bíblica? 
Algumas pessoas pensam que a apologética não é bíblica. Elas dizem que você deve apenas 
pregar o evangelho e deixar que o Espírito Santo faça a sua parte! No entanto, acredito que o exemplo 
de Jesus e dos apóstolos afirma o valor da apologética. Jesus apelava para milagres e cumprimento 
das profecias para provar que suas alegações eram verdadeiras (Jo 14.11). E os apóstolos? Ao falar 
para outros judeus, eles apelavam para o cumprimento das profecias, para os milagres de Jesus e 
especialmente para a ressurreição a fim de provar que Jesus era o Messias. Tomemos, por exemplo, 
o sermão de Pedro no dia de Pentecostes, registrado no segundo capítulo de Atos. No versículo 22, 
ele apela para os milagres de Jesus. Nos versículos 25-31, ele apela para o cumprimento da profecia. 
No versículo 32, ele apela para a ressurreição de Cristo. Por meio desses argumentos os apóstolos 
procuravam mostrar aos outros judeus que o cristianismo era verdadeiro. 
Ao falar para os que não eram judeus, os apóstolos procuravam demonstrar a existência de 
Deus por meio da sua obra na natureza (At 14.17). Em Romanos 1, Paulo afirma que apenas com 
base na natureza todo homem pode saber que Deus existe (Rm 1.20). Paulo também apelava para as 
palavras de testemunhas oculares da ressurreição de Jesus para mais uma prova de que o cristianismo 
era verdadeiro (1Co 15.3-8). 
Fica, portanto, claro que tanto Jesus quanto os apóstolos não temiam dar evidências em favor 
da verdade daquilo que proclamavam. Isso não quer dizer que eles não confiavam no Espírito Santo 
para trazer as pessoas a Cristo. Antes, confiavam que o Espírito usava os argumentos e as evidências 
deles para fazer isso. 
 
Por que a apologética é importante? 
É de vital importância que os cristãos de hoje sejam treinados em apologética. Por quê? 
Vejamos três razões para isso. 
1. Para influenciar a cultura. Todos já ouvimos falar da chamada batalha cultural que 
acontece hoje na sociedade ocidental. Pode ser que alguns não apreciem essa metáfora militar, mas a 
verdade é que uma tremenda luta pela alma das pessoas está sendo travada exatamente agora. Esse 
esforço de guerra não tem matizes somente políticas. Traz também em si uma dimensão religiosa e 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 11 
 
espiritual. Os secularistas têm a tendência de eliminar do mapa a religião da esfera pública. Os 
chamados novos ateístas, representados por pessoas como Sam Harris, Richard Dawkins e 
Christopher Hitchens são ainda mais agressivos. Eles pretendem riscar totalmente do mapa qualquer 
forma de religião. 
A sociedade ocidental já se tornou uma sociedade pós-cristã. A crença em um Deus genérico 
ainda é regra geral, mas crer em Jesus Cristo é hoje politicamente incorreto. Quantos filmes 
produzidos por Hollywood retratam cristãos de forma positiva? E as novelas da Rede Globo? Em vez 
disso, quantas vezes já não vimos nesses filmes os cristãos sendo retratados como vilões superficiais, 
preconceituosos e hipócritas? Como a cultura de hoje vê os cristãos que creem na Bíblia? 
Por que essas considerações acerca da cultura são importantes? Por que nós, cristãos, não 
podemos apenas seguir a Cristo e ignorar o que acontece na cultura que nos rodeia? Por que apenas 
não pregamos o evangelho para esse mundo sombrio, as portas da morte? 
A resposta é porque o evangelho nunca é ouvido em isolamento. Ele sempre é ouvido em 
contraste com o pano de fundo da cultura na qual nascemos e fomos criados. Alguém que tenha sido 
criado em uma cultura que olhe para o cristianismo com simpatia será aberto ao evangelho de um 
modo que outra pessoa, criada em uma cultura secular, não será. No caso de pessoas inteiramente 
secularizadas, dizer para crer em Jesus é como dizer para acreditar em fadas e duendes! A mensagem 
de Cristo soa absurda em seus ouvidos. 
Para perceber a influência que a cultura tem na forma como pensamos, imagine o que você 
pensaria se um seguidor da religião hindu ou um Hare Krishna, com sua cabeça raspada e aquela 
roupa alaranjada, abordasse você em um aeroporto ou shopping center e lhe oferecesse uma flor, e 
convidasse você a se cornar um seguidor de Krishna. Um convite como esse provavelmente soaria 
bizarro a seus ouvidos, uma aberração, talvez até um pouco engraçado. Agora pense em como haveria 
uma reação completamente diferente se essa mesma pessoa abordasse alguém em Deli, na índia! Por 
ter sido criado na índia, é possível que ele levasse esse convite muito a sério. 
Se essa tendência de cair no secularismo1 é geral hoje, nos Estados Unidos, no Brasil, o que 
nos espera amanhã já está evidente na Europa de hoje. A Europa ocidental se tornou uma sociedade 
tão secularizada que é difícil até mesmo ter hoje uma chance justa de ser ouvido. Em consequência 
disso, missionários precisam trabalhar anos a fio para ganhar meia dúzia de convertidos por lá. O 
cristianismo é coisa de mulheres idosas e crianças. Nas universidades da Europa, raramente se ouve 
falar que exista um filósofo cristão. 
Se o evangelhocada 
indivíduo, sem levar em conta sua cultura ou sociedade, responsável pelo que revelou de si por 
intermédio da natureza. Os primeiros dois capítulos da Carta aos Romanos nos ajudam a entender 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 109 
 
exatamente o que Deus revelou claramente: ele é a fonte de poder eterno e infinito que causou e 
sustém a existência do universo e sua divina natureza é a base para a ética. Entretanto, Deus também 
diz que essa verdade tem sido suprimida pela má condição moral dos indivíduos, não por causa da 
ignorância intelectual. 
Por sua vez, o teísmo é a cosmovisão que sustenta a crença de que o mundo é mais do que 
apenas o universo físico (ateísmo). Ao mesmo tempo, os teístas não aceitam a ideia de que Deus é o 
mundo (panteísmo). Creem na existência de Deus e veem sua existência como o componente 
essencial da cosmovisão teísta. Os teístas estão convencidos de que o universo teve uma Causa 
Primeira sobrenatural infinitamente poderosa e inteligente, um Deus infinito que está além do 
universo e nele se manifesta. Esse Deus é o Deus pessoal, separado do mundo, que criou o universo 
e o sustém. Os teístas creem que Deus pode agir no universo de maneira sobrenatural. As religiões 
tradicionais, judaísmo, islamismo e cristianismo, representam o teísmo. 
Entre seus principais funda- mentos estão: 
• DEUS — É um só, pessoal, moral, infinito em todos os seus atributos. 
• UNIVERSO — É finito, criado pelo Deus infinito. 
• HUMANIDADE (origem) — Somos imortais, criados e sustentados por Deus. 
• HUMANIDADE (destino) — Por escolha seremos eternamente separados de Deus ou 
viveremos eternamente com ele. 
• MAL (origem) — É a privação ou imperfeição causada pela escolha. 
 • MAL (destino) — Será finalmente derrotado por Deus. 
• ÉTICA (base) — Os princípios éticos se baseiam na natureza de Deus. 
• ÉTICA (natureza) — Os princípios éticos são absolutos, objetivos e prescritivos. 
 
Que é confusão de cosmovisões? 
Nosso juízo de certas questões da vida depende de como vemos o mundo. Nossa cosmovisão 
influencia nossas conclusões por causa das suposições que fazemos quando a formulamos. Por 
exemplo, os ateístas, que decidiram que a macro evolução é responsável pela vida que observamos 
no universo, baseiam sua teoria em suposições puramente naturalistas feitas dentro da cosmovisão 
ateísta. Consequentemente, concluíram eles que não existe Deus algum. Ao mesmo tempo, os teístas 
podem olhar as mesmas evidências e mostrarem que a única resposta para a existência de vida 
inteligente no universo observável é a ação de uma Causa Primeira (Deus) inteligente. Os mesmos 
fatos do universo são disponíveis para o ateu e para o teísta, todavia, as suas conclusões são 
inconciliáveis. Essas respostas incompatíveis resultam do que chamamos confusão de cosmovisões. 
Uma vez que nossos juízos a respeito da vida são influenciados por nossa cosmovisão, e as diferentes 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 110 
 
cosmovisões chegam essencialmente a respostas diferentes às mesmas questões, que caminho 
tomaremos daqui para frente? 
Sugerimos lançar um olhar mais próximo na estrutura da lente intelectual (cosmovisão) 
empregada para interpretar os dados sob investigação e adquirir algum conhecimento de como se 
constitui essa lente. Entender as hipóteses que constituem a estrutura principal das cosmovisões é um 
aspecto essencial para aprender a transmitir nossas convicções a várias cosmovisões sem interpretá-
las erroneamente através de lentes de outras cores. Portanto, esta lente é o ponto de partida para a 
busca do terreno comum: os princípios empregados na formulação de toda e qualquer cosmovisão. À 
primeira vista, as cosmovisões apresentadas acima parecem não compartilhar muitos atributos. 
Todavia, como as lentes, elas são feitas de superfície curva de vidro e cada uma tem um ponto focal. 
Por essa razão, somos capazes de encontrar algumas hipóteses comuns sobre as quais construir uma 
discussão lógica antes de argumentar a respeito de qual interpretação das evidências é a correta. O 
que queremos dizer é que um bom modo de dialogar com as cosmovisões é fazer as perguntas 
corretas. 
 Por que é tão importante fazer perguntas? 
Há muitas boas razões para fazer perguntas sinceras num diálogo. Uma delas é que a pergunta 
sincera permite ao outro perceber que estamos genuinamente interessados na opinião dele. Lembre-
se de que a meta final da apologética (dar razões da nossa fé) é confirmar e defender nossas 
convicções gentilmente, na esperança de que Deus leve os indivíduos a um relacionamento com ele 
por intermédio de Jesus Cristo. Apenas vomitar respostas ou desafiar antipaticamente as pessoas com 
a fé cristã não vai ajudar a construir nenhum relacionamento com aqueles que precisam conhecer a 
Deus. Portanto, é essencial reconhecer que uma pergunta devidamente colocada, feita em atitude de 
amor e preocupação, pode ser muito mais eficaz do que apenas tentar provar um ponto e vencer uma 
discussão. 
Já se disse com razão que alguém pode ganhar uma discussão, mas perder o oponente nesse 
processo. Fazer o tipo certo de perguntas pode ajudar a desarmar um diálogo potencialmente 
explosivo e transformá-lo numa discussão eficaz. Quando se está emocionalmente envolvido numa 
questão, fica cada vez mais difícil seguir um argumento lógico. A confusão pode ficar tão grande que 
o resultado é normalmente uma discussão que “produz mais calor que luz”. Nossa tarefa principal é 
fugir do aspecto emocional do diálogo e procurar estabelecer uma base comum para haver 
comunicação útil. A sala de aula é simplesmente o tipo de lugar onde as emoções podem fugir ao 
controle, de modo que vamos usar essa arena para observar o que pode acontecer quando um professor 
ou um colega de classe questiona o cristianismo. 
Imagine-se como aluno de uma faculdade cujo professor de biologia sabe que você crê que 
Deus criou o universo. Um dia ele decide pedir-lhe que justifique sua posição perante a classe e 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 111 
 
pergunte: “Como você consegue acreditar na Bíblia se ela contradiz tudo o que conhecemos como 
científico? Por exemplo, a ciência demonstrou que é impossível ocorrer milagres. Apesar disso você 
prefere crer nos milagres registrados na Bíblia a acreditar na ciência. Por quê?”. O que você 
responderia a esse professor? Quase todos nós fomos ensinados a responder a perguntas com 
respostas. Entretanto, esta nem sempre é a abordagem mais sábia. Pode acontecer que a pergunta do 
seu professor de biologia precise ser mais bem entendida. O filósofo Peter Kreeft diz: 
“Não há nada mais sem sentido que a resposta a uma pergunta não plenamente entendida, 
ou não totalmente exposta. Somos impacientes demais com perguntas e, por isso, muito superficiais 
na apreciação das respostas.”18 
Em vez de dar uma resposta imediata à pergunta do professor, talvez seja mais sábio esclarecer 
a posição dele primeiro, fazendo uma pergunta para ele. Mas a sua pergunta tem de ser muito boa, 
senão poderá ver-se envolvido numa conversa emocionalmente carregada. Por essa razão, queremos 
apresentar um método que o vai ajudar a fazer os tipos certos de perguntas em circunstâncias difíceis. 
São perguntas planejadas para neutralizar uma discussão potencialmente carregada de emoção. 
Antes de tudo, devemos ter em mente que nem toda pergunta é feita com sinceridade. Porém, 
devemos procurar responder ao que parece uma pergunta insincera da maneira mais amável e 
verdadeira. Podemos não vencer o proponente da pergunta, mas podemos influenciar os que estão em 
torno esperando a nossa resposta. É altamente improvável, por exemplo, que um professor diante de 
uma classe seja convencido da verdade do cristianismo nessa situação. 
Contudo, Deus pode usar essa situação para influenciar a mente de outros alunos. O princípio 
essencial que queremos ensinar acerca de fazer o tipo certo depergunta diz respeito à mudança do 
foco da discussão de uma questão particular para um princípio geral da verdade que subjaz ao assunto 
em questão. Consideramos isso a chave mestra para desbloquear o diálogo. Uma vez de posse dessa 
chave, devemos ser capazes de abrir a mente de nossos ouvintes com a mudança de uma simples 
pergunta. Sugerimos o emprego deste método em todas as situações em que for possível. 
Contudo, o sucesso dele depende não de fazer apenas algumas perguntas, mas de fazer as 
perguntas corretas. Mais uma vez imagine-se na aula de biologia que mencionamos antes. Agora, em 
vez de responder ao professor com uma resposta, vejamos o que acontece se você lhe responder com 
a pergunta certa. 
Seu professor perguntou-lhe: “Como você consegue acreditar na Bíblia se ela contradiz tudo 
o que conhecemos da ciência? Por exemplo, a ciência demonstrou que é impossível ocorrer milagres. 
Apesar disso você prefere crer nos milagres registrados na Bíblia a acreditar na ciência. Por quê?”. 
Vamos supor que a esta altura do semestre você já descobriu que seu professor é um naturalista — 
 
18 Making sense out of suffering, p. 27. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 112 
 
crê que fora da natureza não existe nada. Como você espera que ele venha a crer na Palavra de Deus 
se Deus não existe? Da mesma maneira, como pode um naturalista acreditar em milagres, ou atos de 
Deus, se não há Deus nenhum que possa agir? Dizer-lhe os motivos por que você crê que a Bíblia é 
verdadeira — porque ela é a Palavra de Deus — pode servir apenas para isolá-lo dele e do resto da 
classe. Aonde você pode ir daqui para frente? 
A esta altura não existe solo comum entre o seu professor e você. Por isso, é hora de fazer a 
pergunta correta para mudar a discussão desse assunto específico (a credibilidade da Bíblia e dos 
milagres) para um princípio geral de verdade por detrás dele. Isso exporá a suposição escondida na 
pergunta do seu professor. Para fazer isso, você precisa pensar em que o seu professor, como 
naturalista, crê e encontrar um meio de lhe fazer uma pergunta que ponha vocês dois num território 
compartilhado. 
Visto que a lógica é uma área fundamental, em que há base comum, sugerimos que você utilize 
um dos primeiros princípios da lógica, como a “lei da não-contradição” (LNC), por exemplo, para 
formular a pergunta certa. O professor fez uma afirmação muito confiante e crucial quando disse: 
“Milagres são impossíveis”. Você pode observar, contudo, que ele nunca lhe deu uma definição de 
milagre. Logo, para começar certifique-se de que você e seu professor concordam na definição dos 
termos importantes que vocês vão empregar. Peça-lhe para definir o que quer dizer com milagre. 
Muito provavelmente ele responderá algo como isto: “Milagre é um acontecimento na natureza 
causado por algo que está fora dela”. Uma vez que crê que não existe nada além da natureza, ele é 
forçado a concluir que os milagres são impossíveis. 
Você acabou de detectar a suposição dele: ele crê que não existe nada fora da natureza e que 
a ciência demonstrou isso. Além do mais, como naturalista, ele acredita que a ciência se preocupa 
apenas com a natureza e, por isso, está restrita às causas naturais dos eventos da natureza. Seu 
professor, portanto, definiu a não existência de milagres, mas não com o emprego do método 
científico, mas com uma hipótese filosófica. Como pode a ciência provar que algo não existe fora 
da natureza se, segundo seu professor, a ciência não pode ir além da natureza? Há alguma coisa 
errada aí! Seu professor está aplicando a disciplina acadêmica errada a essa questão sobre milagres. 
C. S. Lewis explicou como a ciência não pode provar a falsidade do miraculoso: 
“[O] método científico meramente mostra (o que ninguém que eu conheça jamais negou) que 
se os milagres de fato ocorreram, a ciência, como ciência, não pode provar, nem negar, a ocorrência 
deles. Aquilo em que não se pode confiar para recorrer não é assunto para a ciência: é por isso que 
a História não é considerada ciência. Não se pode constatar o que Napoleão fez na batalha de 
Austerlitz pedindo-lhe que venha e realize outra vez a batalha num laboratório com os mesmos 
combatentes, no mesmo campo de batalha, com as mesmas condições climáticas e na mesma época. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 113 
 
É preciso ir aos registros. Com efeito, não provamos que a ciência exclui os milagres: provamos 
apenas que a questão dos milagres, como inúmeras outras, exclui o tratamento laboratorial.”19 
Seu professor não somente foi não-científico quando afirmou que milagres são impossíveis, 
mas também cometeu uma falácia lógica chamada: assumir veracidade para não discutir. Comete-se 
essa falácia quando se discute num círculo. Lewis assinalou que se alguém afirma que é impossível 
ocorrer milagres, esse alguém precisa ter conhecimento de que todos os relatos de milagres são falsos. 
Todavia, o único jeito de saber se todos os relatos de milagres são falsos é saber de antemão que 
jamais ocorreu nenhum milagre de fato, porque isso é impossível.20 A única saída a esse raciocínio 
circular é estar aberto à possibilidade de que os milagres ocorreram de fato. Pensando nisso, você 
também pode considerar a possibilidade de pedir a seu professor que defina o termo natural, embora 
ele não tenha utilizado essa palavra na pergunta que lhe fez. Vamos aplicar a definição de Lewis e 
ver aonde ela nos leva. 
“Se o “natural” significa aquilo que pode ser enquadrado numa classe, obedece a uma 
norma, pode ter paralelo, pode ser explicado por referência a outros eventos, então a própria 
natureza como um todo não é natural. Se milagre significa aquilo que simplesmente precisa ser 
aceito, a realidade irrespondível que não dá explicação de si, mas simplesmente existe, então o 
universo é um grande milagre.”21 
A única coisa que o seu professor crê que existe é o universo, e então, por definição, vem a 
ser o maior milagre de todos. Não estamos querendo dizer que ele vai concordar com você. Estamos 
demonstrando como lidar com esse tipo de problema. Pedir esclarecimento leva a pergunta original 
do seu professor de volta a um princípio comum em que você pode conseguir construir pontes da 
verdade para a visão de mundo cristã. Você pode partilhar com seu professor que se ele concorda 
com a definição exposta sobre milagre e natural, vocês têm uma convicção comum. De fato, mais 
tarde você pode justificar como a Bíblia está em harmonia com o método científico, porque ela é 
coerente com o princípio da causalidade. Em Gênesis 1.1, a Bíblia declara que Deus é a Causa não-
causada do universo finito. 
Esperamos que esse roteiro que acabamos de propor tenha ajudado a demonstrar quanto pode 
ser útil para orientar a direção de uma discussão fazer o tipo certo de pergunta. Nosso objetivo é 
transferir o ônus da prova de nós para os que nos questionam. Pedindo esclarecimento e usando a Lei 
da não Contradição, podemos pedir aos nossos indagadores que definam seus termos, o que por sua 
vez pode obrigá-los a refletir sobre suas suposições. Conforme se assinalou acima, procurar a 
definição dos termos milagre e natural e sondar até que as suposições fossem expostas mostrou que 
 
19 Deus no banco dos réus, p. 134. 
20 Milagres, p. 96. 
21 Deus no banco dos réus, p. 36. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 114 
 
esse professor ou raciocinava em círculo, ou aceitava o maior de todos os milagres — o universo. 
Esse método e esse processo de raciocínio podem ou não influenciar um professor de faculdade, mas 
pode por certo fazer diferença no modo que os outros ouvintes vão perceber aquilo em que cremos. 
Pode ser uma ferramenta muito poderosa, mas não espere ser capaz de dominá-la num período curto 
de tempo, vai ser necessário prática e perspicácia para usá-la eficazmente em situações da vida real. 
De novo, o sucesso dele depende não meramente de fazer perguntasquaisquer, mas de fazer as 
perguntas certas. 
 
Como formular as perguntas certas? 
Fazer as perguntas certas depende de nossa capacidade de conhecer e utilizar com propriedade 
os preceitos gerais (os primeiros princípios) relacionados ao problema específico que se está 
discutindo. Lembre-se de que quando as crenças se tornam convicções, o aspecto pessoal introduz 
um diálogo em que as emoções podem-se aprofundar muito. A pergunta correta pode trazer a conversa 
de volta à base comum, um primeiro princípio, sobre a qual há mais probabilidade de ocorrer uma 
discussão sadia. Com isso em mente, estamos chamando as perguntas corretas de perguntas de 
princípio. 
Uma pergunta de princípio pode catapultar uma conversa do nível emocional e subjetivo para 
o nível racional e objetivo. Questionar princípios em vez de crenças pessoais a fim de comprometer 
as pessoas com conceitos, e não com convicções faz diferença. Lembre-se: nosso primeiro objetivo é 
trabalhar a partir de suposições compartilhadas. Devemos nos esforçar para encontrar o princípio 
primeiro relacionado à questão em pauta. Vamos procurar ilustrar o que queremos dizer empregando 
essa técnica a uma questão conhecida a respeito da capacidade de Deus criar uma pedra maior do que 
ele possa carregar. 
Volte novamente a sua escola imaginária. Agora você vai encontrar um aluno chamado Pedro 
que está irritado porque não se conforma com sua crença aparentemente absurda em Deus. Ele mal 
pode esperar a oportunidade de o constranger na frente de outros alunos interessados em ouvir mais 
a respeito de sua fé. Um dia, enquanto almoça com alguns daqueles alunos receptivos, Pedro decide 
sentar-se à sua mesa e dizer: 
 
— Você se importa se eu lhe fizer algumas perguntas? 
Você reage dizendo que as perguntas dele são bem-vindas. 
Pedro então pergunta: 
— Jesus não disse em Mateus 19.26 que “para Deus todas as coisas são possíveis?” 
— Sim — você responde. 
Pedro continua — Você acredita que Deus é todo-poderoso e pode fazer tudo? 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 115 
 
 Novamente sua resposta é positiva. 
Pedro imagina que o tão esperado momento está chegando e, com um risinho sarcástico, 
pergunta: 
— Certo. Deus pode criar uma rocha tão grande que ele próprio não possa levantá-la? 
 
Você avalia a pergunta por um instante e pensa com você: “Se eu responder ‘sim’, estarei 
admitindo que Deus é poderoso bastante para criar a pedra, mas não o suficiente para movê-la! Porém, 
se disser ‘não’, estarei admitindo que Deus não é todo-poderoso, porque não pode criar uma pedra de 
tal magnitude”. Parece que qualquer uma das respostas vai forçá-lo a violar a Lei da não Contradição 
e contradizer sua concepção de Deus, definida como um Ser todo-poderoso. Parece também que 
Pedro está usando os primeiros princípios para desacreditar você e sua concepção de Deus. É verdade 
que Pedro está falando corretamente do poder de Deus, mas estaria ele empregando os primeiros 
princípios corretamente? 
Antes de examinarmos as perguntas de Pedro, lembre-se de que agora não é hora de apelar 
para a ignorância dizendo a Pedro que ele está querendo usar o raciocínio humano e que há coisas 
que não podemos compreender a respeito de Deus. Nem tampouco deve dizer que de algum modo 
Deus está isento dessa questão. Isto apenas daria a Pedro mais combustível emocional para pensar 
em outros assuntos escolhidos para levantar com você e atingir o objetivo dele de desacreditar sua fé 
na frente dos outros colegas. Em vez disso, você deve concentrar-se nessa questão e pensar numa 
pergunta sobre princípio que desvie a conversa de uma base emocional instável para um solo 
conceituai firme. 
Vamos retomar a pergunta de Pedro e aplicar a ela o que aprendemos com o uso correto da 
Lei da Não Contradição. Pedro quer que Deus crie uma pedra tão grande que o próprio Deus não a 
possa erguer. O que Pedro na verdade está pedindo para Deus fazer? Para saber, precisamos definir e 
esclarecer o emprego das palavras de Pedro. A primeira pergunta que vem à mente é: “De que 
tamanho é a pedra que Pedro quer que Deus crie?”. Bem, Pedro quer que Deus crie uma pedra tão 
grande que seria impossível ao próprio Deus movê-la. Ora, que tamanho uma pedra poderia ter para 
que Deus não fosse capaz de movê-la? Qual é a maior entidade física que existe? Obviamente, a maior 
entidade física é o universo, e independentemente de quanto se expanda, o universo será sempre 
limitado, uma realidade física finita — uma realidade que Deus pode “carregar”. Mesmo se Deus 
criasse uma pedra do tamanho de um universo em expansão constante, Deus ainda seria capaz de 
erguê-la e controlá-la. A única opção lógica é Deus criar algo que exceda o seu poder de carregar e 
de controlar. Mas, uma vez que o poder de Deus é infinito, ele teria de criar uma rocha de proporções 
infinitas! Esta é a chave: Pedro quer que Deus crie uma pedra, e uma pedra é um objeto físico, finito. 
Como pode Deus criar um objeto que é finito por natureza e dar a ele um tamanho infinito? Há alguma 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 116 
 
coisa terrivelmente errada na pergunta de Pedro. Então vamos aplicar corretamente a Lei da não 
Contradição para analisá-la. 
É lógica e concretamente impossível criar uma coisa finita fisicamente e fazer que ela seja 
infinitamente grande! Por definição, uma coisa infinita, não-criada não tem limites, e uma coisa finita, 
criada tem. Consequentemente, Pedro acabou de perguntar se Deus pode criar uma pedra 
infinitamente finita, isto é, uma pedra que tem limites e, ao mesmo tempo e no mesmo sentido, não 
tem limites. A pergunta dele, portanto, viola a Lei da não Contradição e vem a ser absurda. Pedro 
achava que estava fazendo uma pergunta muito importante, que poria o cristão num grande dilema. 
Em vez disso, ele apenas conseguiu mostrar a própria incapacidade de pensar com clareza. 
Agora que temos entendimento claro da pergunta de Pedro, é só uma questão de formular uma 
pergunta de princípio a fim de que o erro dele se revele. Que tal esta: “Pedro, qual é o tamanho da 
pedra que você quer que Deus crie? Se você me disser o tamanho dela, eu lhe direi se ele pode criá-
la”. Bem, podemos continuar perguntando até que as respostas se aproximem do tamanho do universo 
e finalmente introduzam a ideia da infinitude. Uma vez que Pedro chegue ao ponto em que comece a 
enxergar o que está realmente pedindo para Deus fazer — criar uma pedra infinita —, é necessário 
mostrar-lhe que está pedindo que Deus faça algo logicamente irrelevante e impossível. Deus não pode 
criar uma pedra infinitamente finita assim como não pode criar um círculo quadrado. Ambos são 
exemplos de impossibilidades intrínsecas. Comentando sobre a impossibilidade intrínseca e um Deus 
todo-poderoso, C. S. Lewis disse: 
“É impossível [o intrinsecamente impossível] em todas as condições e em todos os mundos e 
para todos os agentes. “Todos os agentes” aqui incluem o próprio Deus. Sua onipotência significa 
poder para fazer tudo o que é intrinsecamente possível, não para fazer o intrinsecamente impossível. 
Pode- se atribuir milagres a ele, mas não, absurdos.”22 
Nem toda pergunta que se faz é automaticamente significativa apenas por ser uma pergunta. 
A pergunta pode parecer significativa, mas devemos testá-la com os primeiros princípios para 
verificar se é válida. Seja cuidadoso, portanto, não apressado demais, para responder às perguntas. 
Você pode ficar completamente enrolado ao tentar encontrar uma resposta irrefutável à pergunta que 
não possui relevância lógica. Lembre-se do que disse Peter Kreeft: “Não há nada mais sem sentido 
que a resposta a uma pergunta não plenamente entendida”. Faremos bem em prestar atenção nesta 
advertência e utilizar o nosso entendimento dos primeiros princípios antes de dar nossa resposta. 
 
A NATUREZA DE UMA COSMOVISÃO CRISTÃ 
 
 
22 O Problema do sofrimento, p. 28. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃOTEOLÓGICA BEREANA 117 
 
Filosofia Verdadeira Versus Falsa 
Em Colossenses 2.8, o apóstolo Paulo escreve: “Tende cuidado para que ninguém vos faça 
presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os 
rudimentos do mundo e não segundo Cristo”. Nesse versículo, o apóstolo adverte seus leitores contra 
ser levado cativo por falsas filosofias. Antes, ele diz que eles deveriam adotar uma filosofia “segundo 
Cristo”. Esse versículo não ensina, como alguns têm dito, que a própria filosofia é indigna do estudo 
cristão. De fato, o versículo ensina precisamente o oposto. Ele é um imperativo para a busca da 
disciplina. Para se guardar contra ser cativo por uma filosofia “segundo a tradição dos homens”, a 
pessoa deve ter uma consciência de tal filosofia errônea. E mais importante, ele deve ter um 
conhecimento daquela que é verdadeira. Muitos cristãos não estão cientes desse fato. Portanto, eles 
têm negligenciado o estudo da filosofia em geral. Tristemente, essas pessoas são aquelas que mais 
provavelmente serão cativas pelas falsas filosofias deste mundo. 
Nenhuma sociedade pode sobreviver, nenhuma civilização pode funcionar, sem algum 
sistema unificador de pensamento. O que faz de uma sociedade um sistema unificado? Certo tipo de 
cola que é encontrado num sistema unificado de pensamento, o qual chamamos de cosmovisão. O 
fato da questão é que pensamentos moldam sociedades. Cosmovisões, ou filosofias, são importantes. 
Os cristãos, portanto, precisam estudar filosofia para compreender o mundo em que vive e suas 
cosmovisões. 
Porque muitos elementos de uma cosmovisão são filosóficos na natureza, os cristãos precisam 
se tomar mais conscientes da importância da filosofia. Embora a filosofia e a religião [isto é, teologia] 
frequentemente usem linguagem diferente e frequentemente [de maneira errônea] cheguem em 
conclusões diferentes, elas tratam com as mesmas questões, as quais incluem questões sobre o que 
existe (metafísica), como os humanos devem viver (ética), e como os seres humanos conhecem 
(epistemologia). Filosofia é importante! Ela é importante porque a cosmovisão cristã tem uma 
conexão intrínseca com a filosofia e com o mundo de ideias. Ela é importante porque a filosofia está 
relacionada de uma maneira criticamente importante com a vida, cultura e religião. E ela é importante 
porque os sistemas que se opõem ao Cristianismo usam os métodos e argumentos filosóficos. 
Colossenses 2.8 nos ensina que há duas cosmovisões filosóficas radicalmente diferentes: a 
cristã e a não-cristã. Não há terreno neutro. O filósofo não-cristão está comprometido com uma total 
independência do Deus da Escritura. Assim, ele vê Deus, o homem e o mundo de um ponto de vista 
não-bíblico. 
O filósofo cristão, por outro lado, está comprometido com uma dependência absoluta de Deus 
e de sua Palavra. Ele filosofa sobre Deus e sua criação de uma perspectiva totalmente diferente. Ele 
vê Cristo, a Palavra de Deus encarnada, como central para toda a verdade. Nele, escreve Paulo, “todos 
os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Colossenses 2.3). Uma filosofia bíblica, 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 118 
 
portanto, deve estar “arraigada e edificada” em Cristo (Colossenses 2.7). O filósofo cristão deve 
analisar todas as coisas por meio da revelação infalível de Deus, procurando “levar cativo todo 
pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10.5). 
A Bíblia está repleta de ensinos filosóficos. O livro de Eclesiastes é um exemplo primário. O 
pregador (1.1), o autor do livro, nos apresenta duas cosmovisões distintas e opostas. Ele pode assim 
o fazer, pois ele esteve pessoalmente envolvido em ambas. Ele escreve como um homem velho 
olhando para trás em sua vida, e admoesta seus leitores a prestarem atenção à sua instrução (12.lss). 
Por um lado, ele vê as questões da vida de um ponto de vista do homem que é está debaixo do sol 
(1.3,9; 2.11). Esse é um homem não regenerado, que somente tem uma consciência de Deus e sua 
criação por meio da revelação geral, uma revelação que ele suprime. 
Por outro lado, o pregador apresenta a cosmovisão apropriada do homem regenerado, que faz 
uso da revelação especial. Esse homem conhece a Deus como Salvador, e possui a verdadeira 
sabedoria (Provérbios 1.7; .10). Sem essa sabedoria, diz o pregador, todas as coisas na vida são tolas 
(2.25-26). Sua conclusão é dada em 12.13-14: uma cosmovisão apropriada deve começar com o temor 
de Deus: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; 
porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que 
estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”. Destituído disso, o homem está destinado à 
futilidade filosófica, um “correr atrás do vento” (Eclesiastes 4.4). 
A mensagem do pregador é clara: filosofia correta é Cristianismo correto. Sem uma filosofia 
biblicamente baseada, o esforço filosófico é inútil. A cosmovisão cristã, baseada na Palavra de Deus 
somente, não é apenas uma boa filosofia, é a melhor filosofia, ela é a única filosofia que é consistente 
consigo mesma e que responde as questões da vida e trata com os problemas da vida e nos dá as 
respostas. 
Qual, então, é a natureza da filosofia cristã? É uma filosofia que é “segundo Cristo”. Ela 
procura estudar a arena filosófica inteira por meio da Palavra de Cristo. Ela reconhece que somente 
o Deus trino da Escritura é sábio: Pai (Romanos 16.27), Filho (1 Coríntios 1.24,30), e Espírito Santo 
(Isaías 11.2). E a filosofia cristã genuína entende que somente a Palavra de Deus pode tomar uma 
pessoa sábia (Salmo 19.7). 
O verdadeiro filósofo cristão, usando a Escritura como seu ponto de partida, crê em Jesus 
Cristo e se compromete a ir além disso, à uma visão de Deus, da criação, do homem, do pecado, da 
história e de todas as atividades culturais da raça humana, e nessa visão ele encontra a interpretação 
correta e o poder motivador para pensar os pensamentos de Deus e fazer a sua vontade segundo ele. 
 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 119 
 
Pressuposições Bíblicas 
Todas as cosmovisões ou filosofias (como vimos, essas palavras são usadas como sinônimos 
virtuais) têm pressuposições, que são fundacionais. Numa cosmovisão cristã logicamente consistente, 
a primeira e absolutamente essencial pressuposição é que a Bíblia somente é a Palavra de Deus, e ela 
tem um monopólio sistemático sobre a verdade. Esse é o ponto de partida axiomático23. 
Nas palavras do apóstolo Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, 
para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja 
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Timóteo 3.16-17). Todo o conselho de 
Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do 
homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À 
Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por 
tradições dos homens. 
A palavra da qual o termo “filosofia” (philosophia) é derivado significa “o amor pela 
sabedoria”. A Escritura nos ensina que somente Deus é sábio (Romanos 16.27; 1Timóteo 1.17). O 
Espírito Santo é “o Espírito de sabedoria” (Isaías 11.2). E Jesus Cristo, o Filósofo Mestre, é a própria 
Sabedoria (Provérbios 8.22-36; João 1.1-3,14; 1Coríntios 1.24,30). Nele “todos os tesouros da 
sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Colossenses 2.3). E Cristo nos deu esses tesouros em 
sua Palavra, que é uma parte de sua mente (1Coríntios 2.16). Portanto, se alguém há de ser um filósofo 
cristão (um amante da sabedoria), ele deve ir até a Palavra de Deus. É nela que uma pessoa aprende 
“o temor do Senhor [que] é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9.10). 
A Bíblia reivindica ser a Palavra de Deus infalível einerrante (2Timóteo 3.16-17; 2Pedro 
1.20-21), e o Espírito Santo produz essa crença nas mentes (1Coríntios 2.6-16). A autoridade da 
Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, depende somente de Deus (que é a 
própria verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus. Além 
do mais, nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da 
operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações. 
Simplesmente não há maior autoridade que a Palavra de Deus. Como o autor de Hebreus reivindica: 
“Visto que [Deus] não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo” (6.13). 
Segundo, a partir do axioma da Escritura, aprendemos, , que há só um Deus, o Deus vivo e 
verdadeiro e há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três são um Deus, 
da mesma substância [essência], iguais em poder e glória (veja Deuteronômio 6.4; Mateus 28.19). 
Também aprendemos que esse Deus trino é autoexistente e independente, possuindo todas as 
 
23 Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e 
é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por 
essa razão, é aceito como verdade e serve como ponto inicial para dedução de outras verdades. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 120 
 
perfeições. Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, 
bondade e verdade. Além do mais, Deus é tanto transcendente (distinto de sua criação) como imanente 
(onipresente em sua criação) (Isaías 57.15; Jeremias 23.23-24). Nele todas as coisas “vivem, movem 
e têm [sua] existência” (Atos 17.28). 
Terceiro, as Escrituras nos ensinam que Deus, em seu eterno decreto, soberanamente pré-
ordenou todas as coisas que aconteceriam (Efésios 1.11). Além do mais, ele executa seus propósitos 
soberanos através das obras da criação (Apocalipse 4.11) e da providência (Daniel 4.35). Não somente 
Deus criou todas as coisas ex nihilo (a partir de nenhuma substância pré-existente), incluindo o 
homem, mas ele soberanamente preserva, sustenta e governo tudo da sua criação, trazendo todas as 
coisas para o seu fim apontado. O teísmo cristão deve ser visto como uma filosofia única da história 
que vê toda a diversidade de processos e eventos que acontecem no mundo de Deus como não mais, 
e não menos, do que o desenrolar do seu grande plano pré-ordenado para as suas criaturas e sua Igreja. 
Quarto, Deus criou o homem à sua própria imagem, tanto metafísica como eticamente 
(Gênesis 1.26-28). O homem é uma “alma vivente” que consiste de um elemento físico (corpo) e um 
não-físico (espírito, alma ou mente) (Gênesis 2.7). 
De acordo com o Cristianismo bíblico, o homem é um ser espiritual, racional, moral e imortal, 
criado com um conhecimento inato e proposicional, incluindo o conhecimento de Deus, para ter um 
relacionamento espiritual com o seu Criador. Aqui ele difere de todo o resto da criação. Depois de 
haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, 
e dotou-as de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de 
Deus escrita em seus corações. Esse conhecimento inato, é entendido como o sensus divinitatis, ou o 
sendo da divindade, que está gravada na alma de todos os homens. Esse conhecimento é uma verdade 
proposicional e inerradicável, e deixa todos os homens sem escusa. 
Os teólogos se referem a esse conhecimento inato como “revelação geral”. É geral tanto em 
audiência (o mundo todo) como em conteúdo (teologia ampla), enquanto a revelação especial (as 
comunicações verbais da Escritura), por outro lado, é específica em audiência (aqueles que leem a 
Bíblia) e detalhada em conteúdo. A revelação geral, como observado, revela Deus como Criador, 
deixando assim os homens sem escusa (Romanos 1.18-21; 2.14-15). Mas ela não revela Cristo como 
o único Redentor. Esse último é encontrado somente nas Escrituras (Romanos 1.16- 17; 10.17). 
Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a 
bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são 
suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por 
isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja 
aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro 
estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da came e malícia de Satanás e do mundo, 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 121 
 
foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto toma indispensável a Escritura Sagrada, tendo 
cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo. 
Quando propriamente estudada, a revelação geral e especial estão em perfeita harmonia. Mas 
a criação sempre deve ser estudada à luz da revelação especial. A Bíblia somente tem um monopólio 
sobre a verdade. Como claramente ensinado em Provérbios 8, um entendimento devido da criação só 
pode ser derivado de um estudo da Escritura. Isso não significa que devemos evitar um estudo da 
criação. Antes, somos compelidos pela revelação especial a interagir com ela (por exemplo, 
investigação científica e histórica), como visto no mandato de domínio de Gênesis 1.26-28. Mas 
somente a Escritura, não o estudo da ciência ou da história, nos dá a verdade. 
Isso nos traz para a nossa quinta consideração. Devido à Queda do homem, o pecado afetou o 
cosmos inteiro (Gênesis 3; Romanos 8.18-23). O homem e o universo estão num estado de 
anormalidade. Os efeitos da Queda têm impedido grandemente a capacidade do homem de filosofar. 
Metafisicamente falando, o homem ainda é a imagem de Deus, embora a imagem esteja desfigurada. 
Ele ainda é um ser espiritual, racional, moral e imortal (Gênesis 9.6; Tiago 3.9). O homem caído está 
num estado de “depravação”, incapaz de fazer algo que agrade a Deus (Romanos 3.9-18; 8.7-8). A 
imagem ética é restaurada somente através da obra salvífica na cruz de Jesus Cristo (Efésios 4.24; 
Colossenses 3.10). Para filosofar propriamente, o homem deve ser regenerado (João 3.3-8). Até que 
ele não nasça de novo, o homem não pode ver o reino de Deus, ou, aliás, não pode ver nada 
corretamente. 
 
Filosofia e Sabedoria 
Como notado, a Bíblia ensina que a verdadeira sabedoria começa com “o temor do Senhor” 
(Provérbios 9.10). Assim, uma pessoa que não conhece salvificamente o “Senhor” Jesus Cristo, que 
é a sabedoria encarnada (1 Coríntios 1.24,30; Colossenses 2.3), não pode ser “sábio” no sentido 
bíblico (confirme com João 14.6). A Bíblia descreve tal indivíduo como um “tolo”. O “tolo” é uma 
pessoa que odeia o conhecimento (Provérbios 1.22), é infantil em seu pensamento, pronta para crer 
em qualquer coisa (Provérbios 14.15), e confiar em si mesmo (Provérbios 28.26), antes do que em 
Deus (Salmos 14.1). Ele diz “no seu coração: Não há Deus” (Salmos 14.1). O tolo pode ser um 
indivíduo altamente educado, uma pessoa que é bem versada na disciplina da filosofia; todavia, ele é 
um tolo, pois ele rejeita o Deus da Escritura, e a Bíblia como a única fonte de sabedoria (Mateus 7.26-
27). Por conseguinte, ele “procura a sabedoria e não a encontra”, pois ele sempre está procurando 
no lugar errado (Provérbios 14.6). 
O apóstolo Paulo descreve a natureza dessa tolice, da filosofia secular, em Romanos 1.18- 25. 
O não-cristão suprime o conhecimento de Deus que ele possui, ele rejeita a Palavra de Deus como o 
único padrão de verdade, e atribui tudo da criação a outra coisa que não o Deus da Escritura 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 122 
 
(versículos 18-21). Diz o apóstolo, tais tolos se tomaram “fúteisem seus pensamentos”, “seu coração 
insensato se obscureceu” (versículo 21); “dizendo-se sábios, tomaram-se loucos” (versículo 22). E 
como filósofos falsos, eles escolheram “adorar e servir a criatura em lugar do Criador” (versículo 
25). O filósofo cristão, por outro lado, é um homem sábio. Ele constrói seu sistema filosófico sobre 
a Rocha de Cristo e sua Palavra (Mateus 7.24-25). Ele vê todas as coisas (isto é, filosofa) por meio 
dos “espetáculos” da Escritura. Dessa forma, o filósofo cristão não é apenas um homo spiritualis 
(“homem espiritual”), ele é também um homo sapiens (“homem possuidor de sabedoria”). 
 
CRISTIANISMO E OS ELEMENTOS BÁSICOS DE FILOSOFIA 
 
Os Elementos Básicos de uma Cosmovisão 
 
Como temos visto, uma cosmovisão ou filosofia é uma série de crenças concernentes às 
questões mais importantes da vida. Portanto, qualquer cosmovisão bem modelada deve ser capaz de 
tratar adequadamente com os quais elementos ou princípios mais básicos da filosofia: epistemologia, 
metafísica, ética e política. 
Primeiro, epistemologia é aquele ramo da filosofia que está preocupado com a teoria do 
conhecimento. Como conhecemos o que conhecemos? Qual é o padrão da verdade? A verdade é 
relativa? O conhecimento sobre Deus é possível? Deus pode revelar coisas aos seres humanos? se 
sim, como? 
Segundo, metafísica tem a ver com a teoria da realidade. Por que as coisas são como elas são? 
Por que há algo, ao invés de nada? Como pode haver unidade no meio da diversidade no universo? 
O mundo é uma criação? É um fato bruto? Há propósito no universo? 
Terceiro, a ética se preocupa com como alguém deve viver. É o estudo dos pensamentos, 
palavras e feitos certos e errados. Qual é o padrão para a ética? Há uma lei absoluta à qual todo 
homem deve se conformar? Há uma razão lógica para perguntamos o porquê alguém “deve” fazer 
isso ou aquilo? A moralidade é relativa para com indivíduos, culturas ou períodos históricos? Ou a 
moralidade transcende essas fronteiras? 
Quarto, política é aquele ramo da filosofia que tem a ver com a teoria de governo. Que tipo 
de governo é o correto? O governo deve ser limitado? Os cidadãos têm um direito à propriedade 
privada? Qual é a função do magistrado civil? 
 
Epistemologia 
 
 
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Epistemologia é o componente chave de qualquer sistema teológico ou filosófico. Metafísica, 
ética e teoria política podem ser estabelecidas somente sobre uma base epistemológica. Sem um 
padrão, uma base para crença (epistemologia), uma pessoa não pode saber o que uma verdadeira 
teoria da realidade é; nem ela pode saber como devemos determinar o que é certo e o que é errado; 
nem pode saber qual é a teoria política apropriada. Uma base epistemológica é sempre primária. 
Embora a questão de como podemos conhecer a Deus é uma pergunta fundamental na filosofia 
da religião, por detrás dela descansa, na filosofia geral, a questão última: Como podemos conhecer 
alguma coisa? Se não podemos falar inteligivelmente sobre Deus, podemos falar inteligivelmente 
sobre moralidade, sobre nossas próprias ideias, sobre arte, política — poderíamos sequer falar sobre 
ciência? Como podemos saber alguma coisa? A resposta para essa pergunta, tecnicamente chamada 
de teoria da epistemologia, controla todas as questões subjetivas que reivindicam ser inteligíveis ou 
cognitivas. 
Na história da filosofia, tem havido três principais teorias não-cristãos de conhecimento: 
racionalismo (puro), empirismo e irracionalismo. 
PRIMEIRO, o racionalismo puro afirma que a razão, a parte da revelação ou experiência 
sensorial, fornece a fonte primária, ou a única, da verdade. Os sentidos não são confiáveis, e o nosso 
conhecimento a priori (o conhecimento que temos antes de qualquer observação ou experiência) deve 
ser aplicado à nossa experiência para que nossa experiência possa ser feita inteligível. 
Na epistemologia bíblica (que pode ser chamada de racionalismo cristão, ou escrituralismo), 
o conhecimento vem através da razão, à medida que uma pessoa estuda as proposições reveladas da 
Escritura. No racionalismo puro, por outro lado, o conhecimento vem da razão somente. A razão 
humana, sem nenhuma ajuda, se toma o padrão último pelo qual todas as crenças são julgadas. Até 
mesmo a revelação deve ser julgada pela razão. Uma falsa suposição feita aqui pelo racionalista é que 
o homem, a parte da revelação, é capaz de chegar a um verdadeiro conhecimento de pelo menos 
algumas coisas, incluindo o conhecimento de Deus. 
Há diversos erros fundamentais no sistema racionalista de pensamento. Primeiro, homens 
caídos podem e erram em seu raciocínio. A possibilidade de erros formais em lógica é um exemplo. 
Segundo, há a questão do ponto de partida. Onde alguém começa no racionalismo puro? Platão, 
Descartes, Leibniz e Spinoza, todos dos quais foram classificados como racionalistas, tinham 
diferentes pontos de partida. Platão começou com suas Ideias eternas, Descartes com a 
impossibilidade de duvidar de todas as coisas (seu cogito ergo sum – penso logo existo), Leibniz com 
seu sistema de mônadas, e Spinoza, que era um panteísta, com seu Deus sive Natura (“Deus, isto é, 
natureza”). Parece que os racionalistas não concordam sobre um ponto de partida, um axioma sobre 
o qual o sistema deles deve ser baseado. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 124 
 
SEGUNDO, o empirismo mantém que todo conhecimento origina nos sentidos. De acordo 
com o empirismo, a experiência ordinária a partir de nossos sentidos físicos produz conhecimento. 
No empirismo, o método científico de investigação é enfatizado. Certamente, é alegado, os numerosos 
triunfos da ciência na era moderna demonstram a verdade do método empírico. A ciência, certamente, 
é baseada na observação, e a observação repetida. 
Numa epistemologia empírica consistente, a mente é considerada como sendo uma tabula 
rasa no nascimento. Ela não tem nenhuma estrutura inata, formas, ou ideias. Portanto, todo 
conhecimento vem através dos sentidos. 
Enquanto os racionalistas procedem pela dedução, empiristas usam o raciocínio indutivo 
também. Alguém coleta suas experiências e observações e traça inferências e conclusões delas. O 
conhecimento empírico é a posteriori, isto é, ele vem depois e através da experiência. Uma pessoa 
deve ser capaz de cheirar, provar, sentir, ouvir ou ver algo para que ela possa conhecê-lo. Uma vez 
que algo é experimentado (ou “sentido”), então a mente, que é uma tábua branca antes da experiência, 
de alguma forma relembra, imagina, combina, transpõe, categoriza e formula a experiência sensorial 
em conhecimento. 
Os problemas filosóficos com o empirismo são muitos, alguns dos quais serão expostos aqui. 
Primeiro, todos os argumentos indutivos24 são falácias lógicas formais. No estudo indutivo, cada 
argumento começa com premissas particulares e termina com conclusões universais. A dificuldade é 
que não é possível coletar experiências suficientes sobre nenhum assunto para alcançar uma 
conclusão universal. Simplesmente porque o sistema depende da coleção de experiências para suas 
conclusões, ele nunca pode estar certo de que alguma nova experiência ou observação não mudará 
suas conclusões anteriores. Assim, ele nunca pode ser absolutamente conclusivo. Por exemplo, 
alguém pode observar 1000 corvos e perceber todos como sendo pretos. Mas quando o corvo número 
1001 se toma um albino, a conclusão anterior sobre corvos sendo pretos deve ser revisada. 
Então também, juntamente com essa linha de pensamento, tenha em mente quão 
frequentemente os cientistas revisam e derrubam suas conclusões anteriores. O fato é que a ciência 
nunca pode nos dar a verdade absoluta em tudo; ela trata em grande parte somente com teorias, não 
absolutos. Foi Einsten quem disse: “Nós [cientistas] não sabemos nada sobre ela [natureza], de forma 
alguma. Nosso conhecimento é apenas o conhecimento do colegial. Nós conheceremosum pouco 
mais do que conhecemos agora. Mas a natureza real das coisas — essa nós nunca conheceremos”.25 
E o filósofo Karl Popper escreveu: “Na ciência não há conhecimento no sentido que Platão e 
 
24 Um argumento indutivo é aquele no qual se parte de experiências sobre fatos particulares e se infere daí conclusões 
gerais. Quando dizemos que todos os homens que nascerem irão morrer porque até hoje ninguém deixou de morrer 
estamos usando um argumento indutivo. Tais argumentos se baseiam na experiência passada para sustentar uma 
conclusão. 
25 Citado em Gordon H. Clark, First Corinthians (Trinity Foundation, 1991), 128. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 125 
 
Aristóteles usaram a palavra, no sentido que implica finalização; na ciência nunca temos razão 
suficiente para crer que alcançamos a verdade”.26 
Segundo, os sentidos podem e frequentemente (talvez sempre) nos enganar. Ninguém pode 
ter a mesma experiência duas vezes. O antigo filósofo Heráclito fala disso em seu famoso ditado: 
“Não é possível banhar-se rio duas vezes no mesmo rio”. Coisas finitas continuamente mudam, assim 
como a água no rio continua a fluir. Em tal sistema, a verificação, que é a inferência de uma conclusão 
por consequência boa e necessária, não é possível. De fato, o axioma básico do empirismo — que 
teorias, ideias e proposições devem ser verificadas ou refutadas pela observação sensorial — não 
pode ele mesmo ser verificado ou refutado pela observação sensorial. Assim, o empirismo descansa 
sobre uma autocontradição e, portanto, um falso ponto de partida. 
Terceiro, como temos visto, os empiristas mantém que todos os homens nascem com uma 
mente branca. Mas isso não é possível. Uma consciência que não é consciente de nada é uma 
contradição de termos. Aqui também o empirismo é autocontraditório. 
Quarto, as verdades da matemática não podem ser derivadas a partir dos sentidos; as leis da 
lógica não podem ser abstraídas ou obtidas a partir da sensação; nem podem os sentidos nos dar ideias 
tais como “igual”, “paralelo” ou “justificação”. Essas nunca são encontradas na experiência sensorial. 
Jamais duas coisas que experimentamos são perfeitamente iguais, paralelas ou justas. Antes, essas 
são abstrações que não têm nada a ver com nossos sentidos. 
Essas dificuldades categóricas com o empirismo são insuperáveis. O empirismo não pode nos 
dizer como os sentidos somente podem nos dar concepções. Se o “conhecedor” já não está equipado 
com elementos conceituais ou ideias (isto é, conhecimento inato), como ele pode conceitualizar o 
objeto sentido? Embora o racionalismo, com seu conceito de ideias universais, nos dê uma explicação 
para categorias e similaridades, o empirismo não tem explanação para elas. Sem essas, o discurso 
racional não é possível. 
Quinto, assim como o racionalismo puro, o solipsismo é inescapável numa epistemologia 
empírica. As sensações de alguém são apenas isso: as sensações de uma pessoa. Ninguém mais pode 
experiência-las. Mas se esse é o caso, ninguém pode estar certo de que há um mundo externo. 
Qualquer evidência que possa ser oferecida é apenas uma experiência subjetiva. 
Finalmente, em ética, se assumirmos que o empirismo (na melhor das hipóteses) pode nos 
dizer o que é, ele nunca pode nos dizer o que deve ser. O “deve” nunca pode ser derivado do “é”. 
Observações empíricas nunca podem nos dar princípios morais. Um princípio moral pode ser somente 
uma proibição ou mandamento divinamente revelado. Mesmo no Jardim do Éden, antes da Queda, o 
homem era dependente da revelação proposicional de Deus para o conhecimento. Pela observação 
 
26 Citado em John W. Robbins, “An Introduction to Gordon H. Clark,” Parte 2, TheTrinity Review (Agosto, 1993). 
 
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somente ele não poderia ter determinado seu dever diante de Deus. Após a Queda, certamente, o 
problema foi agravado pelo pecado e corrupção. Em 1Coríntios 2.9-10, o apóstolo Paulo distingue 
entre filosóficas construídas sobre racionalismo puro e empirismo, e revelação proposicional da parte 
de Deus: “Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram [empirismo], nem jamais 
penetrou em coração [mente] humano [racionalismo puro] o que Deus tem preparado para aqueles 
que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito”. Qual foi a conclusão de Paulo? Simplesmente 
essa: nem o racionalimo puro nem o empirismo podem produzir conhecimento. Antes, manteve o 
apóstolo, a revelação proposiconal27 é o sine qua non do conhecimento. 
TERCEIRO, o irracionalismo, promovido por homens tais como Soren Kierkegaard, (numa 
extensão menor) Immanuel Kant, Friedrich Schleiermacher, e teólogos neo-ortodoxos, é uma forma 
de ceticismo. Ele é antirracional e anti-intelectual. A verdade real, dizem os céticos, nunca pode ser 
obtida. As tentativas dos racionais de explicar o mundo nos deixam em desespero. A realidade não 
pode ser comunicada proposicionalmente; ela deve ser adquirida “pessoal e apaixonadamente” 
(Kierkegaard). A verdade é subjetiva. Embora o homem nunca possa saber se há um deus que dá 
propósito e significado para a vida, ele deve todavia dar um “salto de fé” (Kierkegaard). Ele deve 
viver a vida como se existisse um deus, um ser superior, um universo com sentido, pois não o fazer 
seria pior (Kant). 
O irracionalismo se manifesta nos círculos teológicos na neo-ortodoxia de Karl Barth e Emil 
Brunner. Para esses homens, a lógica deve ser desdenhada. A lógica deve ser restringida para permitir 
a fé. Afinal, é alegado, a lógica de Deus é diferente da “mera lógica humana”, de forma que podemos 
encontrar a verdade somente no meio de paradoxos e contradições. Nessa “teologia do paradoxo”, 
Deus podo até mesmo nos ensinar através de falsas declarações. 
Tristemente, o irracionalismo tem afetado também a Igreja ortodoxa. A grande maioria 
daqueles dentro dos círculos cristãos têm sido vítimas do movimento anti-razão, anti-intelectual e 
anti-lógico. Nesse momento, não há maior ameaça diante da verdadeira Igreja de Cristo do que o 
irracionalismo que controla toda a nossa cultura. Estamos vivendo, “na era do irracionalismo”. Não 
obstantes os muitos adversários filosóficos que a Igreja cristão tem que enfrentar, não obstantes as 
muitas ideias falsas que competem por supremacia, não há ideia tão perigosa como aquelas de que 
não conhecemos e não podemos conhecer a verdade. 
O problema com o irracionalismo é que quando alguém divorcia a lógica da epistemologia, 
ele é deixado com nada. O ceticismo é auto-contraditório, pois ele afirma com certeza que nada pode 
ser conhecido com certeza. O teísmo cristão por outro lado, mantém que Deus “é a própria verdade”: 
 
27 Por revelação proposicional entende-se que a auto revelarão de Deus também foi feita através de palavras e palavras 
sugerem informações. Deus através de palavras humanas se comunica e se dá a conhecer ao homem. Para ser mais 
claro Deus comunicou informações sobre ele mesmo. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 127 
 
Pai (Salmo 31.5), Filho (João 14.6) e Espírito Santo (1João 5.6), e que a verdade é proposicional e 
lógica. A lei da contradição é um teste negativo para a verdade. A razão diz que uma contradição é 
sempre um sinal de erro. Declarações contraditórias não podem ser ambas verdadeiras (1 Coríntios 
14.33; 1Timóteo 6.20). A lei da contradição (ou não-contradição) declara que A (que pode ser 
qualquer proposição ou objeto) não pode ser tanto B como não-B ao mesmo tempo e no mesmo 
sentido. 
De fato, a Bíblia nos ensina que Jesus Cristo é a Lógica (Logos) de Deus (João 1.1). Ele é a 
Razão, Sabedoria e Verdade encarnada (1Coríntios 1.24,30; Colossenses 2.3; João 14.6). As leis da 
lógica não foram criadas por Deus ou pelo homem; elas são a forma de Deus pensar. E visto que as 
Escrituras são uma expressão da mente de Deus (1Coríntios 2.16), elas são os pensamentos lógicos 
de Deus. A Bíblia expressa a mente deDeus numa forma logicamente coerente para a humanidade. 
O homem, como o portador da imagem de Deus (Gênesis 1.26-28), possui inerentemente a 
lógica como parte da imagem. O homem é o “sopro de Deus” (Gênesis 2.7; Jó 33.4), pois o Espírito 
de Deus soprou no homem seu espírito. Contrário então ao aparentemente piedoso absurdo dos 
irracionalistas, a Escritura nos ensina que não há tal coisa como “mera lógica humana”. Lemos em 
João 1.9 que Cristo, como o Logos (Lógica) de Deus é “a verdadeira Luz que dá luz a todo homem”. 
Esse sendo o caso, é evidente que a lógica de Deus e a lógica do homem são a mesma lógica. 
Devemos entender, então, que raciocinar logicamente é raciocinar de acordo com a Escritura 
(Romanos 12.20), que é ela mesma uma revelação dos pensamentos lógicos de Deus. O homem 
redimido deve aprender progressivamente a pensar os pensamentos de Deus (2Coríntios 10.5). A 
lógica é fixa, universal, necessária e insubstituível. A irracionalidade contradiz o ensino bíblico do 
princípio ao fim. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó não é insano. Deus é um ser racional. 
 
Epistemologia Cristã 
 
Como já estudamos, o ponto de partida da epistemologia cristã é a revelação preposicional 
dos 66 livros do Antigo e Novo Testamento. Se vamos evitar as falácias do racionalismo puro, as 
ciladas do empirismo, e o ceticismo do irracionalismo, precisamos de uma fonte de verdade 
autoritativa. E essa fonte é a revelação preposicional do Deus da Escritura, que “é a própria verdade”. 
Passagens da Escritura tais como Jó 11.7-9, Provérbios 20.24, Eclesiastes 3.11; 7.27-28; 8.10,17, 
Mateus 16.17, 1Coríntios 2.9-10, apenas para citar algumas, tomam claro que a parte da revelação 
divina, o homem não pode verdadeiramente conhecer a Deus ou sua criação. 
Não pode ser inadequado observar que a epistemologia se tomou a questão mais 
profundamente perturbante confrontado a mente moderna, simplesmente porque a filosofia moderna 
rejeitou a solução bíblica e tem procurado respostas de várias outras fontes, todas das quais têm levado 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 128 
 
à conclusão desesperadora de que o homem simplesmente não pode conhecer a realidade e que não 
há nenhuma verdade última que possa ser conhecida. 
O ponto de partida para a filosofia cristã é a Palavra de Deus. Esse é o axioma: a Bíblia 
somente é a Palavra de Deus, e ela tem um monopólio sistemática sobre a verdade. A Bíblia reivindica 
ser a Palavra de Deus, e o Espírito Santo produz essa crença nas mentes dos eleitos de Deus. A Bíblia 
deve ser recebida (simplesmente) porque ela é a Palavra de Deus, e embora ela própria 
abundantemente manifeste ser a Palavra de Deus, nossa plena persuasão e certeza da sua infalível 
verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a 
palavra testifica em nossos corações. Algumas vezes isso é referido como “dogmatismo”, 
“pressuposicionalismo bíblico”, “racionalismo cristão” ou “escrituralismo”. 
Com muita frequência, todos os críticos dizem que tal pressuposicionalismo nada mais é do 
que uma questão circular; ela é um raciocínio circular; ela assume o que deve ser provado. Alguém 
não pode assumir que a Bíblia é a Palavra de Deus, simplesmente porque a Bíblia reivindica ser a 
Palavra de Deus. Primeiro, é alegado, uma pessoa deve provar que a Bíblia é de fato a Palavra de 
Deus. 
Há muitas reivindicações e requerentes falsos. Mas não pode ser racionalmente negado que a 
Bíblia reivindica ser a Palavra de Deus inerrante e infalível (2Timóteo 3.16-17; 2Pedro 1.20-21). E 
isso é significante. É uma reivindicação que poucos escritos fazem. Portanto, visto que a Bíblia faz 
tal reivindicação, explícita e predominantemente, é razoável crer no testemunho da própria Bíblia. 
Simplesmente, de acordo com a Escritura, não há maior autoridade do que a Palavra auto 
autenticadora de Deus. Novamente, para citar o autor de Hebreus: “porque ele [Deus] não podia jurar 
por ninguém maior, jurou por si mesmo” (6.13). 
Além disso, na epistemologia cristã, não há dicotomia entre a fé (revelação) e a razão (lógica). 
As duas andam de mãos dadas, pois é Cristo o Logos quem revela a verdade. O Cristianismo é 
racional. De fato, a fé cristã é totalmente dependente da persuasão da razão (pensamento coerente) 
para a sua proclamação e entendimento. Deus se comunica conosco numa forma coerente em sua 
Palavra por meios de declarações racionais e proposicionais. A revelação pode chegar somente a uma 
pessoa racional. 
Há uma distinção filosófica importante entre “conhecimento” e “opinião”. Há uma diferença 
entre o que “sabemos” e o que “opinamos”. Conhecimento não é somente possuir ideias ou 
pensamentos; é possuir ideias ou pensamentos verdadeiros. O conhecimento é o conhecimento da 
verdade. Ele justifica a crença verdadeira. 
Opiniões, por outro lado, podem ser verdadeiras ou falsas. A ciência natural é uma opinião; a 
arqueologia é uma opinião; a história é uma opinião. Aqui não há nenhuma justificativa para a crença 
verdadeira. Opinar algo não é conhecê-lo, embora a opinião possa ser verdadeira. Um aluno pode 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 129 
 
supor a resposta correta para uma questão aritmética, mas a menos que ele possa mostrar como 
alcançar a resposta, ele não pode dizer que a conhece. 
Na visão bíblica, uma proposição é verdadeira porque Deus pensa que ela é verdadeira. E visto 
que Deus é onisciente (conhecendo todas as coisas), se o homem há de conhecer a verdade, ele deve 
conhecer o que está na mente de Deus. A mesma verdade que existe na mente do homem existe 
primeiro na mente de Deus. Na teoria da verdade coerente, a mente e o objeto conhecimento são 
partes de um sistema, um sistema no qual todas as partes estão em perfeito acordo, pois elas são 
encontradas na mente de Deus. 
 
Metafísica 
 
Metafísica (do grego antigo μετα (meta) = depois de, além de tudo; e Φυσις [physis] = natureza 
ou física). Como visto, metafísica tem a ver com a teoria da realidade; não apenas o físico, mas 
também o que transcende o físico. Objetos físicos podem aparecer para os sentidos de várias formas, 
mas o metafísico está preocupado com o que o objetivo verdadeiramente é. Metafísica é o estudo das 
questões últimas. 
Agostinho continuou para ensinar que Jesus Cristo, o eterno Logos de Deus, é aquele que nos 
dá uma coerência entre o infinito e o finito, o Criador e a criação. Em outras palavras, é Cristo quem 
revela a solução para o problema do um e dos muitos. A parte de um entendimento apropriado da 
teologia do Logos (isto é, Cristo como a eterna Palavra que veio para revelar a verdade de Deus ao 
homem), não há solução real. 
Drasticamente diferentes das visões não-cristãs de metafísica, a Escritura ensina que todas as 
coisas existem como elas são porque o Deus trino da Escritura é o Criador e Sustentador de todas as 
coisas. Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável 
conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória 
da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as 
suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor. 
Porque Deus é o Criador há algo ao invés de nada. E porque Deus é o Criador e Sustentador 
do universo, o mundo não é um fato bruto, nem uma máquina sem propósito. Há ordem, significado 
e propósito no universo porque ele é a obra proposital do Artesão Mestre. E essa ordem, significado 
e propósito são encontradas no pacto eu Deus estabeleceu com sua criação (Gênesis 1; 2.15-17; 3.15; 
9.9-17; Jeremias 33.19-26). É “nele [que] vivemos, nos movemos e temos nossa existência” (Atos 
17.28). 
 
 
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Ética 
 
Embora as pessoas algumas vezes considerem “ética” e “moral” como sendo virtudes 
sinônimas, tecnicamente,há uma diferença entre as duas. Ética é uma disciplina normativa, que 
procura prescrever obrigações para a humanidade. Ela tem a ver com o que uma pessoa “deve” fazer. 
Ética é uma questão de autoridade. Moral, por outro lado, descreve o comportamento padrão de 
indivíduos e sociedades, isto é, o que as pessoas fazem. A ética de alguém deve determinar sua moral. 
A ética cristã depende da revelação. O Cristianismo mantém que há somente um padrão ético 
para a humanidade. A lei moral de Deus obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as 
pessoas justificadas como as outras. E o pecado é apropriadamente definido, como qualquer falta de 
conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão dessa lei. Se não houvesse nenhuma lei de 
Deus, então não haveria nenhum pecado. Nossa conduta moral, então, deve ser guiada pelo padrão 
ético da Palavra de Deus. Boas obras são somente aquelas que Deus ordena em sua santa palavra, não 
as que, sem autoridade dela, são aconselhadas pelos homens movidos de um zelo cego ou sob 
qualquer outro pretexto de boa intenção. Atrás da validade da lei moral de Deus, está, certamente, a 
autoridade do Deus que nos dá a lei. O prólogo dos Dez Mandamentos é: “Eu sou o Senhor”. Teologia, 
e não ética, é primária. A distinção entre certo e errado é inteiramente dependente dos mandamentos 
de Deus, pois ele é “o Senhor”. O sistema cristão de ética é baseado na própria natureza de Deus. 
“Sereis santos, porque eu [Deus] sou santo” (Levítico 11.44; 1Pedro 1.16). 
Como Paulo aponta nos primeiros dois capítulos de sua epístola aos Romanos, o homem tem 
suprimido o conhecimento inato de Deus e sua Palavra, que ele sabe ser verdadeira, e suplantando-a 
com os seus próprios falsos sistemas. 
Já temos observado que o homem foi criado à imagem de Deus. A Queda, contudo, deixou o 
homem eticamente num estado de depravação. O homem não-regenerado é agora incapaz de fazer 
algo que agrade a Deus (Romanos 3.9-18; 8.7-8). Seu padrão ético é autônomo; ele não tem nenhum 
ponto de referência eterno. O homem não-cristão está entre a foice e o martelo: ele está buscando 
construir um sistema ético sem uma autoridade divina e eterna por detrás dele. Nas palavras de Cristo, 
o homem caído está edificado sobre a areia (Mateus 7.26- 27). 
As Escrituras são claras sobre esse assunto. Há um elo bíblico entre as cosmovisões não-
cristãs e a prática daqueles que aderem a ela. Salmo 14 declara o assunto claramente. É “o tolo quem 
diz no seu coração [que] não há Deus”. E, como o salmista continua para dizer, é por causa dessa 
negação de Deus que eles “têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém 
que faça o bem” . Paulo ensina a mesma coisa em Romanos 3. Nos versículo 10-17, ele nos dá um 
catálogo dos pecados que infectam o não- regenerado. Então no versículo 18, ele resume a denúncia 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 131 
 
dizendo que “não há temor de Deus diante de seus olhos”. Isto é, quando o homem rejeita o Deus da 
Escritura, isso leva a “obras abomináveis”. 
Há muitos sistemas éticos não-cristãos. Talvez as duas que têm tido o maior impacto 
(negativo) sobre o Cristianismo são o legalismo é o antinomianismo, ambas das quais são o que Jesus 
se referiu como “o caminho espaçoso que conduz a perdição” (Mateus 7.13-14). 
O legalismo, em sua forma mais consistente, reivindica que o guardar a lei, por si próprio, é o 
salvador tanto do homem como da sociedade. Ele se preocupa com a conformidade externa a um 
padrão de lei, um padrão que é sempre, de uma forma ou de outra, uma lei criada pelo homem. Como 
Paulo escreve, os homens, “procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça 
de Deus” (Romanos 10.3). Essa forma de legalismo foi adotada pelos fariseus dos dias de Jesus 
(Mateus 15.1-9; 23.1-39). Esse é também o erro do Pelagianismo. Igualmente falso e perigoso é o 
ensino semi-pelagiano da Igreja Católica Romana, de que a justificação é uma mistura de graça e 
obras. Pelágio foi um monge britânico do quarto século que propagou esse sistema de legalismo. Seus 
ensinos foram firmemente combatidos por Agostinho. 
Algumas vezes, numa forma menos consistente, o legalismo chega na forma de listas não-
bíblicas de “faça” e “não faça”. Outras vezes ela é encontrada na mera tradição. Mas ela é sempre 
humanista na origem. A lei de homem é posta em oposição à lei de Deus. 
O legalismo implica, juntamente com a afirmação de Protágoras, que “o homem é a medida” 
de todas as coisas. Mas se o homem é a medida de todas as coisas, então o que um homem crê é tão 
verdadeiro quanto o que qualquer outro homem creia. Ambos seriam capazes de reivindicar estar 
certo. Assim, se alguém deles crê que o outro esteja errado, então o segundo homem está 
necessariamente errado. E se o segundo homem crê que o primeiro está errado, então o primeiro está 
necessariamente errado. Por conseguinte, ambos estão certos e errados ao mesmo tempo, o que é uma 
contradição. Jesus fala contra o legalismo em Mateus 15 e Marcos 7. E Paulo o condena no livro de 
Gálatas. 
O Antinomianismo (“anti-lei”) toma diversas formas: libertinismo, espiritualismo gnóstico e 
situação ética. O libertinismo, de uma forma ou de outra, nega que a lei moral de Deus é obrigatória 
para a humanidade hoje. Tristemente, ela tem encontrado seu caminho na (pseudo) Igreja. 
“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da 
graça”. Essa, contudo, é uma declaração errônea e um entendimento incorreto do versículo. Embora 
os verdadeiros crentes não estejam debaixo da lei como pacto de obras, para serem por ela justificados 
ou condenados, contudo, ela lhes serve de grande proveito, como aos outros; manifestando-lhes, como 
regra de vida, a vontade de Deus, e o dever que eles têm, ela os dirige e os obriga a andar segundo a 
retidão. Isto é, em Romanos 6.14, o apóstolo Paulo não nega que os cristãos, ou “os justificados”, 
estejam obrigados a obedecer a lei de Deus; antes, ele ensina que que eles não estão debaixo da lei 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 132 
 
como uma maldição (confirme Gálatas 3.10-13). Além disso, ele deixa isso claro numa passagem 
anterior na mesma epístola, onde ele escreve: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! 
Antes, estabelecemos a lei” (Romanos 3.31). 
O espiritualismo gnóstico, frequentemente encontrado em algumas Igrejas carismáticas e 
pentecostais, bem como nas ordens monásticas, eleva os sentidos e experiência místicas acima da lei 
de Deus. Aqueles que “possuem” tais experiências reivindicam uma fonte ou forma de conhecimento 
superior. Os mandamentos da Escritura devem ser postos de lado, quando tais experiências ocorrem. 
O Espírito de Deus, dizem os gnósticos, guia-os a parte (sem a necessidade) da revelação bíblica. 
De acordo com a Escritura, contudo, o Espírito Santo não é antinomiano. Ele é “o Espírito da 
verdade”, que guia a Igreja “em toda verdade” (João 16.13). Mas ele assim o faz por meio da 
Escritura, não a parte dela (João 16.13-15; 1Coríntios 2.10-16). É a Escritura, escreve Paulo, não as 
experiências místicas, que equipa perfeitamente a Igreja “para toda boa obra” (2Timóteo 3.16-17). 
Além do mais, escreve Salomão: “O que confia no seu próprio coração [sentimentos] é insensato” 
(Provérbios 28.26). 
A situação ética, ou a “nova moralidade”, é uma construção que nega que haja quaisquer 
verdades absolutas. Antes, “a lei do amor” deve ditar a ética de alguém em cada situação específica. 
Isto é, o amor sempre “triunfa” sobre a lei, e toma a ação correta. 
Como observador, na situação ética, o único absoluto, se ele pode ser assim chamado, é “a lei 
do amor”. Mas essa é uma “lei” definida por concepções distorcidas, não pela Palavra de Deus. 
Enquanto o “amor”, de um ponto de vista bíblico, é objetivo em natureza — definido por Jesus como 
“guardar os meus mandamentos” (João 14.15),e por Paulo como “o cumprimento da lei [de Deus]” 
(Romanos 13.10) — para os que disporcem a ética cristã, ele é meramente pessoal e subjetivo. A 
“situação” dita; não há norma, nenhum padrão absoluto pelo qual todos devem ser julgados. A 
situação ética tem mais em comum com altruísmo vago em contradição com a ética cristã, onde o 
amor é manifesto numa vida de obediência à lei de Deus: “E o amor é este: que andemos segundo os 
seus [de Deus] mandamentos” (2 João 6). 
Todos os sistemas éticos não-cristãos são falíveis. Eles não têm nenhum padrão eterno sobre 
o qual permanecer. Tendo rejeitado a revelação divina, esses sistemas não fornecem nenhum grau 
certo para quaisquer leis morais (Mateus 7.26-27). O pregador de Eclesiastes sumariza a obrigação 
ética do homem quando ele escreve: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda 
os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda 
obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (12:13-14). 
 
Política 
 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 133 
 
A cosmovisão cristã sustenta que há três instituições bíblicas principais ordenadas por Deus: 
a família, a Igreja e o magistrado civil (ou Estado). As instituições existem, assim como todas as 
coisas, para glorificar a Deus (7 Coríntios 10.31). Elas são separadas para funcionar de acordo com 
uma autoridade, e não como a autoridade. Todas as três devem ser governadas pela Escritura. A 
família é a instituição bíblica primária. Ela foi a primeira estabelecida (Gênesis 1-2), e, num sentido, 
as outras duas instituições estão fundamentas sobre a família. 
A segunda instituição bíblica é a Igreja. Teólogos distinguem entre a Igreja visível e invisível. 
A primeira, consta de todos aqueles que pelo mundo inteiro professam a verdadeira religião, 
juntamente com seus filhos. A Igreja invisível, por outro lado, compreende os verdadeiros santos de 
todos os tempos, mesmo aqueles que ainda não nasceram. A Igreja Católica ou Universal, que é 
invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão 
reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que 
cumpre tudo em todas as coisas. 
A terceira instituição bíblica, que é o nosso presente foco, é o magistrado civil. A diferença 
entre essa instituição e as outras duas é que ela é, nas palavras de Agostinho, um “mal necessário”. 
Isto é, o magistrado civil foi feito necessário devido à Queda do homem e o propósito principal do 
Estado é punir os malfeitores (Romanos 13.1-7; 1Pedro 2.13-17). E para esse propósito o Estado é 
“ministro de Deus” (Romanos 13.4,6). Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua 
glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, e a este 
fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores. 
Dois erros principais têm se desenvolvido na história da relação Igreja-estado: o papalismo e 
o erastianismo. O primeiro afirma que a Igreja (a saber, o papa) governa tanto a Igreja como o estado. 
O último mantém que ambas as instituições estão sob a liderança do magistrado civil. 
A visão bíblica evita ambos os erros, e ensina que a Igreja e o estado são instituições ordenadas 
por Deus separadas, sob a lei de Deus. Novamente, elas são separadas para funcionar de acordo com 
uma autoridade, e não como a autoridade. 
Em Provérbios 14.34, lemos: “A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos 
povos”. O que constitui a justiça que exalta uma nação? Com a justiça é definida? Primeiro, o Deus 
trino é justo: “Justiça e juízo são a base do seu [de Deus] trono” (Salmo 97.2). E, escreve o salmista, 
assim é a Palavra de Deus: “A justiça dos teus testemunhos é eterna.... pois todos os teus 
mandamentos são justiça” (Salmo 119.144,172). O apóstolo Paulo, em concordância com o Antigo 
Testamento, escreve: A lei de Deus é “santa, justa e boa” (Romanos 7.12). 
Parece, então, que de acordo com a Bíblia, uma nação é considerada justa quando ela procura 
honrar o Deus da Escritura aplicando seu justo padrão (isto é, sua Palavra) a todas facetas dos 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 134 
 
interesses da nação. A lei de Deus é uma perfeita regra de justiça, que obriga para sempre a todos a 
prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras [para incluir nações]. 
Há pelo menos cinco valores básicos que são essências para uma nação ser considerada 
justa: 
Primeiro: Um Reconhecimento da Soberania de Deus. A soberania de Deus é universal. “O 
SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Salmo 103.19); 
“Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz” (Salmo 115.3). Pela sua muito sábia 
providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, 
Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, 
bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e 
todas as coisas, desde a maior até a menor. 
Com respeito às questões nacionais, o reconhecimento da soberania de Deus significa que 
Deus, não o estado, sociedade, raça, ou Igreja é a fonte de segurança. Diz o salmista: “É melhor 
confiar no SENHOR do que confiar no homem. E melhor confiar no SENHOR do que confiar nos 
príncipes [magistrados]” (118.8-9); “Vão é o socorro do homem. Em Deus faremos proezas; porque 
ele é que pisará os nossos inimigos” (60.11-12). Quando o povo de uma nação olha para o magistrado 
civil, ou para a Igreja, antes do que para Deus, para satisfazer suas necessidades, eles têm negado a 
soberania de Deus. 
Segundo: Governo Limitado. O fato de Deus ser soberano precisa limitar o poder e a 
autoridade de todas as instituições humanas. Em Romanos 13 e 1Pedro 2, lemos que a autoridade do 
magistrado é limitada àquela de defesa e justiça. Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, 
para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, 
e a este fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos 
malfeitores. 
Terceiro: A Primazia do Indivíduo. A Reforma enfatizou esse princípio. A primazia do 
indivíduo de forma alguma nega que Deus desde a eternidade entrou num pacto com seu povo, que é 
a Igreja de Jesus Cristo, e é uma comunhão de santos. Mas Deus cumpre seu pacto historicamente 
através da salvação de santos individuais. Todo homem, mulher e criança é individualmente 
responsável diante de Deus. Nem linhagem nem cidadania nacional salva alguém: “Mas a todos 
quantos o [Cristo] receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que criem no seu 
nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da came, nem da vontade do varão, mas 
de Deus” (João 1.12-13). 
As várias liberdades e proteções individuais que os cidadãos de uma nação devem desfrutar, 
são derivadas dessa doutrina: liberdade da religião, liberdade da imprensa, liberdade de expressão, e 
assim por diante. Também derivada dessa doutrina é a responsabilidade individual dentro da 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 135 
 
sociedade. Nenhuma pessoa saudável deve viver de “esmola do governo”. O Estado cristão não 
deveria se envolver diretamente no bem-estar. Nas palavras de Paulo: “Se alguém não quiser 
trabalhar, não coma também” (2Tessalonicenses 3.10). 
Quarto: O Direito de Propriedade Privada. Dois dos Dez Mandamentos, pelo menos 
implicitamente, ensinam o direito de propriedade privada: “Não furtarás... [e] não cobiçarás” (Êxodo 
20.15,17). Se todas as propriedades fossem sustentadas em comum, o roubo e a cobiça não seriam 
possíveis. Também, em Mateus 20 Jesus ensina a parábola dos trabalhadores na vinha, na qual ele 
concluideve ser ouvido como algo intelectualmente viável por mulheres e homens 
que pensam, então é vital que nós, cristãos, moldemos nossas culturas de tal forma que a fé cristã não 
 
1 Secularismo é uma cosmovisão que não abre espaço para o sobrenatural: não crê em milagres, nem na revelação 
divina, nem em Deus. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 12 
 
possa ser descartada como mera superstição. É nesse ponto que entra a apologética cristã. Se os 
cristãos puderem ser treinados para fornecer sólidas evidências daquilo em que creem e boas respostas 
para as perguntas e objeções dos incrédulos, então a imagem que se tem dos cristãos vai pouco a 
pouco mudar. Os cristãos passarão a ser vistos como pessoas inteligentes e preparadas, a serem 
levadas a sério, e não meros fanáticos ou palhaços. E o evangelho será uma opção concreta para essas 
pessoas seguirem. 
Não estou dizendo com isso que as pessoas se tornarão cristãs por causa de bons argumentos 
e evidências. Antes, estou dizendo que argumentos e evidências ajudarão a criar uma cultura na qual 
a fé cristã seja vista como algo razoável. E ajudarão também a criar um ambiente em que as pessoas 
estarão abertas ao evangelho. Portanto, ter uma boa formação em apologética é uma maneira de vital 
importância de ser sal e luz nas culturas ocidentais de hoje em dia. 
2. Para fortalecer os que creem. Os benefícios da apologética em sua vida pessoal como 
cristão são imensos. Vou mencionar três deles. Primeiro, saber em que e porque você crê vai lhe dar 
mais confiança na hora de compartilhar sua fé. 
Pessoas que não são treinadas na apologética costumam ter medo de compartilhar sua fé ou 
falar de Cristo por temerem que alguém lhes faça alguma pergunta. Mas quem souber as respostas 
para essas perguntas não terá medo de entrar na caverna dos leões — na verdade, vai até gostar disso! 
Um bom treinamento em apologética ajudará a transformá-lo em alguém que testemunha a Cristo 
sem medo e com ousadia. 
O segundo benefício é que a apologética também poderá ajudá-lo a manter sua fé em tempos 
de dúvidas e tribulações. As emoções só levarão você até certo ponto; dali para frente você precisará 
de algo mais substancial. Alguns pais costumam dizer: “Ah se eu tivesse resposta para as dúvidas de 
meu filho! Nosso filho tinha uma série de perguntas sobre a fé cristã e não sabíamos respondê-las. 
Hoje ele está afastado dos caminhos do Senhor”. Na verdade, parece haver mais e mais relatos de 
pessoas que estão abandonando a fé cristã. Algumas estatísticas dizem que 40% dos jovens cristãos 
abandonam a fé depois de sua formação universitária. 
Estamos falando de 40%! O que está acontecendo não é que eles estejam perdendo a fé no 
ambiente hostil das universidades. Ao contrário, muitos deles já tinham abandonado a fé quando ainda 
participavam de um grupo de jovens, mas continuaram deixando-se levar até que estivessem fora do 
alcance da autoridade dos pais. 
A igreja está realmente falhando com esses jovens. Em vez de fornecer a eles um bom 
treinamento na defesa da fé crista, nós ficamos envolvidos em lhes proporcionar experiências de 
louvor carregadas de emoção, ficamos nos preocupando com suas necessidades e em entretê-los. Não 
é à toa que eles se tornam presas fáceis para um professor que racionalmente ataca a sua fé. No 
segundo grau e na faculdade, os estudantes são bombardeados com todo tipo de filosofia não cristã 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 13 
 
combinada com um avassalador relativismo e ceticismo, lemos que preparar nossos jovens para essa 
guerra. Como temos coragem de enviá-los desarmados para essa zona de guerra intelectual? Os pais 
devem fazer mais do que apenas levar seus filhos à igreja e ler histórias da Bíblia para eles. Pais e 
mães precisam ser bem treinados em apologética para que sejam capazes de explicar aos filhos, desde 
pequenos e cada vez com maior profundidade, porque cremos naquilo que cremos. Honestamente 
falando, acho difícil de entender como casais cristãos, nesses tempos em que vivemos, podem correr 
o risco de trazer filhos ao mundo sem terem recebido um bom treinamento em apologética como parte 
de seu ofício de pais. 
É evidente que a apologética não garante que você e seus filhos vão manter a fé. Existem 
muitos outros fatores de caráter moral e espiritual que também influenciam nessa questão. Alguns 
dos websites ateístas mais eficazes trazem ex-cristãos que sabiam apologética e ainda assim 
abandonaram a fé. Mas se você olhar bem de perto os argumentos que eles usam para justificar o 
abandono da fé verá que em geral são argumentos fracos e confusos. 
Ironicamente, algumas dessas pessoas assumem posturas mais radicais — como dizer, por 
exemplo, que Jesus jamais existiu. Porém, embora a apologética não seja garantia de nada, ela pode 
ajudar. Existem pessoas que estavam a ponto de abandonar a fé, mas se reaproximaram dela após ter 
lido um livro de apologética ou assistido a um debate. 
Quando se está passando por um período difícil e Deus parece distante, a apologética pode 
ajudar a pessoa a se lembrar de que sua fé não está baseada em emoções, e que, portanto, é necessário 
permanecer firme na fé. 
Finalmente, o terceiro benefício é que o estudo da apologética fará de você uma pessoa mais 
profunda e interessante. A cultura ocidental é tão incrivelmente superficial hoje em dia, tem fixação 
por celebridades, entretenimento, esportes e conforto pessoal. Estudar apologética fará você deixar 
tudo isso de lado e ir à busca das questões mais profundas sobre a existência e a natureza de Deus, a 
origem do universo, a fonte dos valores morais, o problema do mal e do sofrimento e assim por diante. 
À medida que for buscando respostas para essas questões, você mesmo vai sendo 
transformado e se tornará uma pessoa mais profunda e bem preparada. Aprenderá a pensar de forma 
lógica e a analisar o que outras pessoas falam. Em vez de dizer timidamente, “eu me sinto dessa forma 
sobre tal assunto. Veja bem, é só minha opinião”, será capaz de dizer: “Eis o que eu penso de tal 
assunto e essas são minhas razões para pensar assim...”. Como cristão, você começará a apreciar com 
mais profundidade as verdades cristãs sobre Deus e o mundo, e a perceber como todas elas se 
encaixam para formar uma cosmovisão cristã. 
3. Para ganhar os incrédulos. Muita gente concorda com o que eu disse sobre o papel da 
apologética para reforçar a fé dos cristãos, mas negam que ela seja de alguma utilidade para ganhar 
os incrédulos para Cristo. Costumam dizer: “Ninguém vem a Cristo através de argumentos!” 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 14 
 
Até certo ponto acredito que essas pessoas são meras vítimas de falsas expectativas. Quando 
alguém se dá conta de que apenas uma minoria dos que ouvem o evangelho o aceita e passa a crer em 
Jesus Cristo, não deveria nos surpreender o fato de que a maior parte das pessoas não se deixem 
convencer pelos argumentos e evidências apresentadas por cristãos. Pela própria natureza da questão, 
deveríamos esperar que a maior parte dos incrédulos não se deixe convencer por nossos argumentos 
apologéticos, assim como a maioria não se comove com a mensagem da cruz. 
E lembre-se, ninguém sabe nada ao certo sobre os efeitos cumulativos desses argumentos; é 
como uma semente, que é plantada e regada muitas vezes, de forma que nem sequer imaginamos. 
Assim, não devemos esperar que um incrédulo, já na primeira vez que ouvir nossa defesa apologética 
da fé, vai logo cair prostrado! É lógico que ele vai relutar. Pense bem no que está em jogo para ele. 
Mas devemos plantar e regar a semente, com paciência, na esperança de que com o tempo ela floresça 
e dê frutos. 
Pode ser que você se pergunte: “Mas por que devo me importar com essa minoria de uma 
minoria para quem a apologética fará efeito? Primeiro, porque toda pessoa é preciosa para Deus, é 
alguém por quem Cristo morreu. Assim como um missionárioque é justo para um homem fazer o que ele quiser com as suas possessões (versículo 15). 
Então há o ensino bíblico sobre a vinha de Nabote em 1Reis 21, ondemos somos ensinados que o 
magistrado civil está proibido de expropriar a propriedade privada. Essa consideração toma as leis de 
“domínio eminente” para “projetos públicos” nada mais do que intrusões ímpias. 
Quinto: O Trabalho Ético. Esse princípio está fundamentado no quarto mandamento: “Seis 
dias trabalharás e farás toda a tua obra” (Êxodo 20:9). O trabalho duro não é uma maldição da 
Queda. Mesmo antes da Queda, Adão foi ordenado a “lavrar e guardar” o Jardim do Éden (Gênesis 
2.15). Em Provérbios 14.23 lemos que “em todo trabalho há proveito”. O homem deve trabalhar para 
viver. O que Max Weber chama de trabalho ético protestante é um conjunto de virtudes econômicas: 
honestidade, pontualidade, diligência, obediência ao quarto mandamento — ‘seis dias trabalharás’, 
obediência ao oitavo mandamento — ‘não furtarás’, e obediência ao décimo mandamento — ‘não 
cobiçarás’. Um reconhecimento da significância do trabalho produtivo origina-se da Bíblia e da 
Reforma. 
O trabalho ético também inclui um entendimento apropriado do princípio sabático. O homem 
deve trabalhar seis dias por semanas, mas ele deve perceber que “o sétimo dia é o sábado do 
SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu 
servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. 
Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia 
descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou” (Êxodo 20.10-11). Como 
cristãos, não estamos debaixo da Lei de guardar o dia semanal do sábado, Jesus é nosso descanso; 
nos apropriamos deste descanso (Jesus) e reconhecemos o princípio bíblico do descanso sabático 
tirando um dia qualquer para descanso e adoração a Deus. 
Interessantemente, Isaías 33:22 foi um versículo importante no estabelecimento dos Estados 
Unidos da América. Delineados esse versículo estão os três ramos de governo: judicial, legislativo e 
executivo: “Porque o SENHOR é o nosso Juiz [judicial]; o SENHOR é o nosso Legislador 
[legislativo]; o SENHOR é o nosso Rei [executivo]; ele nos salvará”. 
 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 136 
 
O Cristianismo é um sistema filosófico completo que é fundamentado sobre o ponto de partida 
axiomático da Bíblia como a Palavra de Deus. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas 
necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado 
na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em 
tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens. 
Nesse sistema, cada uma das partes que temos estudado — epistemologia, metafísica, ética e 
política — é importante. E as ideias encontradas nelas são todas arranjadas num sistema lógico, com 
cada parte reforçando mutuamente as outras. Se o aluno está preocupado em seguir dos ditames da 
Escritura, tendo sua mente sendo transformada pelos ensinos da Escritura (Romanos 12.1-2), e 
levando todo pensamento cativo à obediência de Cristo (2 Coríntios 10.5), então ele deve aprender a 
pensar como o próprio Logos de Deus pensa: lógica e sistematicamente. Isso feito, o aluno aprenderá 
a única filosofia viável, uma filosofia “de acordo com Cristo” (Colossenses 2.8), que é fundamentada 
sobre a Palavra de Deus. 
 
O MANDATO CULTURAL 
 
Quando Deus determinou criar a raça humana, ele estabeleceu alguns propósitos e parâmetros 
para um bom relacionamento entre criador e criatura. Esses propósitos e parâmetros são descritos 
pela Bíblia e por nossa teologia na forma de uma aliança. Deus fez uma aliança com a criatura e 
estabeleceu pelo menos três diferentes mandatos para a humanidade: o mandato espiritual (seu 
relacionamento com o Criador), o mandato social (seu relacionamento em família) e o mandato 
cultural (seu relacionamento com a sociedade). Não é surpresa de ninguém que quebramos os três! O 
homem negou seu Criador, desobedecendo suas ordens, quebrou os seus elos familiares com 
mentiras, acusações e esquivando-se de suas responsabilidades (Adão e Eva - marido e esposa - Caim 
e Abel - irmãos) e desenvolveu o mandato cultural da pior forma possível (poligamia, assassinato, 
brutalidade, etc.). Verifique Gênesis 4.17-23. Coisas boas aconteceram, mas as ruins prevaleceram: 
“Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enoque. Depois Caim 
fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enoque. 
A Enoque nasceu-lhe Irade, Irade gerou a Meujael, Meujael a Metusael, e Metusael a 
Lameque. 
Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá. 
Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. 
O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 
Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de 
bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 137 
 
Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem 
minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou.” 
 
Vamos dar ênfase na quebra do terceiro mandato – o cultural. Como os cristãos podem e 
devem relacionar-se com o que tem acontecido no nosso mundo? Quais devem ser os nossos limites 
e a nossa influência na cultura em que vivemos? O que de fato tem acontecido com os cristãos na 
modernidade? 
É fundamental que, antes de mais nada, o cristão conheça a sua cidadania: “Eles continuam 
no mundo... Eles não são do mundo...” (João 17.11,16). Nós somos cidadãos dos céus, mas as nossas 
passagens para lá ainda não chegaram, e enquanto estamos aqui temos muito o que fazer, sem, no 
entanto, esquecermos que somos de lá. O problema é que além de sermos muitos parecidos com o 
pessoal do lado de cá, muitas vezes nos deixamos influenciar com os erros do mundo, desobedecendo 
o mandato cultural. 
Observando o que acontece nos Estados Unidos, de onde as missões que nos trouxeram o 
evangelho saíram, pode-se observar como as coisas estão se deteriorando rapidamente, e mais rápido 
ainda, chegando aqui. Ao contrário do nosso Brasil, os Estados Unidos nasceram de ideais religiosos, 
recebendo forte influência da Palavra de Deus. Hoje é proibido falar em Deus nas escolas públicas 
(professores que por ventura o façam correm o risco de ser demitidos); o mesmo povo que luta por 
salvar as baleias (o que se deve fazer), luta pela legalização do aborto e igualdade para os 
homossexuais (algo semelhante acontecendo no Brasil). Onde chegamos!? Ora, estes são apenas 
exemplos dos extremos. Muitas coisas bem pequeninas têm influenciado comunidades inteiras de 
cristãos (estou falando de verdadeiros cristãos e não dos que apenas se chamam assim), e essas 
pequenas influências vão se tornando imensos tropeços. Não estamos defendendo nenhum 
isolacionismo cristão (a história já comprovou que os monastérios não funcionam). Isto é errado. Mas 
que os cristãos precisam conhecer melhor o terreno em que estão pisando. 
Como esta influência nos assalta? Já que nos livramos dos perigos de imperadores malucos 
como Nero e de ameaças terríveis como o Coliseu, como livrar-nos da má influência cultural? Não é 
livrar-se da cultura, mas do que é podre nela. O grande problema que temos ao enfrentar a chamada 
“cultura popular” é que na verdade somos moldados por ela, não só naquilo que pensamos e sentimos, 
mas na forma como pensamos e sentimos. Como isso aconteceu? 
Primeiro, filosoficamente. O fato é que os “grandes filósofos” conseguiram destruir toda a 
base para que o homem continue crendo em verdades absolutas. Tudo é relativo tudo é meia-verdade 
(não meia-mentira).que tem um chamado para uma obscura 
minoria étnica, o apologista cristão tem a responsabilidade de alcançar essa minoria de pessoas que 
irão responder de forma positiva a argumentos e evidências racionais. 
Em segundo lugar, essa minoria, embora modesta em termos numéricos, tem grande 
influência. Uma das pessoas dessa minoria foi, por exemplo, C. S. Lewis. Pense no impacto que a 
conversão desse homem continua a ter até hoje! 
De qualquer modo, a conclusão geral de que a apologética não é eficaz no evangelismo 
simplesmente não é verdade. Lee Strobel já perdeu a conta das pessoas que aceitaram a Cristo depois 
de terem lidos seus livros, The Case for Christ [Em defesa de Cristo] e The Case for Faith [Em defesa 
da fé]. Sem dúvida muitas pessoas entregam suas vidas a Jesus através de apresentações do evangelho 
combinadas com apologética. 
Quando a apologética é apresentada de forma convincente e, com sensibilidade, combinada à 
apresentação do evangelho e a um testemunho pessoal, o Espírito de Deus fica feliz em usá-la para 
trazer pessoas a Cristo. 
Pretendo que este curso seja uma espécie de manual a fim de prepará-1o para cumprir o 
mandamento de 1 Pedro 3.15· Portanto, é um curso para ser estudado, e não apenas lido. Você 
encontrará nele vários argumentos. Dessa forma você já estará de antemão preparado para as possíveis 
perguntas que encontrará quando for compartilhar sua fé. 
Por exemplo, suponhamos que nosso argumento fosse o seguinte: 
1. Todos os homens são mortais. 
2. Sócrates é homem. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 15 
 
3· Logo, Sócrates é mortal. 
Esse é um argumento que chamamos de logicamente válido. Isso equivale a dizer que, se os 
passos 1 e 2 são verdadeiros, então o passo 3, a conclusão, também é. 
A lógica é uma expressão da mente de Deus (Jo 1.1). Ela descreve como um ser supremamente 
racional raciocina. Existem somente cerca de nove regras básicas de lógica. Desde que você as siga, 
elas garantem a você que, se os passos do seu argumento forem verdadeiros, a conclusão também 
será. Dizemos, então, que dos passos do argumento se segue logicamente a verdade da conclusão. 
Você pode, então, se perguntar: Os passos 1 e 2 do argumento apresentado são verdadeiros? 
Em apoio ao passo 1, podemos apresentar evidências médicas e cientificas em favor do fato de que 
todo homem é mortal. Em apoio ao passo 2, podemos nos basear em evidências históricas para provar 
que Sócrates foi homem. Ao longo desse processo, podemos considerar quaisquer objeções aos passos 
1 e 2 e respondê-las. Por exemplo, alguém pode negar o passo 2 por acreditar que Sócrates não 
passava de uma figura mítica, que não existiu de fato. Nesse caso, teremos que demonstrar porque as 
evidências sugerem que essa crença é equivocada. 
Os passos 1 e 2 de um argumento são chamados premissas. Se você seguir as regras da lógica 
e suas premissas forem verdadeiras, então sua conclusão necessariamente será verdadeira também. 
Ora, um cético convicto pode refutar qualquer conclusão simplesmente refutando uma de suas 
premissas. Você não tem como forçar alguém a aceitar a conclusão se ele estiver disposto a pagar o 
preço de rejeitar uma das premissas. No entanto, o que você pode fazer é aumentar o preço de se 
rejeitar a conclusão, fornecendo sólidas evidências da verdade das premissas. 
Por exemplo, a pessoa que rejeitar a segunda premissa do argumento apresentado estará 
abraçando um ceticismo em relação à história que a vasta maioria dos historiadores profissionais 
acharia infundado. Assim, essa pessoa até pode refutar a segunda premissa se quiser, mas pagará o 
preço de parecer um maluco. E além disso dificilmente ela poderá chamar de irracional alguém que 
de fato aceite a segunda premissa como verdadeira. 
Portanto, ao apresentar nossos argumentos apologéticos para determinada conclusão, nosso 
objetivo é aumentar o máximo possível o preço de alguém negar sua conclusão. Nosso objetivo é 
ajudar um incrédulo a ver o que lhe custará em termos intelectuais a refutação da conclusão. Mesmo 
que ele esteja disposto a pagar o preço, ele no mínimo terá que admitir que nós não somos obrigados 
a pagá-lo, e com isso pode ser que ele pare de ridicularizar os cristãos, acusando-os de serem 
irracionais ou de não ter razão para crerem naquilo que professam. E caso ele não esteja disposto a 
pagar o preço, pode ser então que ele venha a mudar de ideia e aceite a conclusão que apresentamos. 
 
As razões para a necessidade de defender a fé 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 16 
 
Há muitas boas razões para fazer apologética. Primeiro de tudo, Deus nos ordena a fazê-lo. 
Em segundo lugar, a razão exige isso. Terceiro, o mundo precisa dela. Em quarto lugar, os resultados 
confirmam isso. 
 
Deus ordena o Uso da Razão 
A razão mais importante para se fazer apologética é que Deus nos disse para fazê-lo. Mais e 
mais o Novo Testamento exorta-nos a defender a fé. 1 Pedro 3.15 diz: “Mas em seus corações 
reconheçam Cristo como o Senhor santo. Estejam sempre preparados para dar uma resposta a todo 
aquele que vos pedir a razão da esperança que vocês tem.” Este versículo diz várias coisas 
importantes. 
Primeiro, ele diz que devemos estar preparados. Nós podemos nunca se deparar com alguém 
que faz as perguntas difíceis sobre a nossa fé, mas ainda devemos estar prontos para esse caso. Mas 
estar preparado não é apenas uma questão de ter as informações corretas disponíveis, é também uma 
atitude de disponibilidade e vontade de partilhar com os outros a verdade daquilo em que acreditamos. 
Segundo, devemos dar uma razão para aqueles que fazem as perguntas (Cl. 4.5-6). Não se 
espera que cada um precise de pré-evangelismo, mas quando alguém precisar dele, temos de ser 
capazes e dispostos a dar-lhes uma resposta. 
Finalmente, isso conecta o pré-evangelismo com fazer de Jesus Cristo o Senhor em nossos 
corações. Se Ele é realmente Deus, então devemos ser obedientes a Ele “destruindo as especulações 
e cada sofisma que se levante contra o conhecimento de Deus, e... levando cativo todo pensamento à 
obediência de Cristo” (2 Coríntios. 10.5). Em outras palavras, devemos confrontar as questões em 
nossas próprias mentes e nas ideias expressas de outras pessoas que as estão impedindo de conhecer 
a Deus. É disso que se trata a apologética. 
Em Filipenses 1.7, Paulo fala de sua missão como sendo a de “defender e confirmar o 
evangelho”. Ele acrescentou, no versículo 16: “Estou posto aqui para a defesa do evangelho” (Fp 
1.16). E fomos postos onde estamos para defendê-lo também. 
Judas 3 declara: “Amados, embora fazendo todo esforço para escrever-vos acerca da nossa 
comum salvação, senti a necessidade de escrever-vos para que batalhem diligentemente pela fé que 
de uma vez por todas entregue aos santos”. As pessoas para quem Judas escreveu estavam sendo 
assediadas por falsos mestres e ele precisava incentivá-los a proteger (literalmente, agonizar pela) fé 
conforme foi revelada através de Cristo. Judas faz uma declaração importante sobre qual deve ser 
nossa atitude ao fazer isso no versículo 22, quando diz, “tem piedade de alguns, que estão em dúvida.” 
Apologética, então, é uma forma de compaixão. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 17 
 
Tito 1.9 torna o conhecimento das evidências cristãs um requisito para a liderança da igreja. 
Um ancião na igreja deve estar “retendo a palavra fiel, que está em conformidade com o ensino, para 
que ele seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina quanto para refutar quem a contradiz.” 
Em 2 Timóteo 2.24-25 Paulo declara que “ao servo do Senhor não convém contender, mas ser 
gentil para com todos, apto para ensinar, paciente quando injustiçado, corrigindo com mansidão os 
que estão na oposição, esperando que porventura Deus lhes conceda o arrependimento que leva ao 
conhecimento da verdade.” Qualquer pessoa tentando responder às perguntas dos descrentes serácertamente injustiçado e tentado a perder a paciência, mas o nosso objetivo final é que eles possam 
chegar ao conhecimento da verdade de que Jesus morreu pelos seus pecados. 
De fato, o comando para usar a razão faz parte do maior mandamento. Porque Jesus disse: 
“Amarás o Senhor teu Deus com todo seu coração e com toda tua alma e com toda tua mente. Este é 
o primeiro e maior mandamento” (Mt 22.37-38). 
 
A Razão o exige 
Deus nos criou com uma razão humana. Ela faz parte de Sua imagem em nós (Gn 1.27. Cl. 
3.10). Na verdade, é através dela que somos distinguidos de “animais irracionais” (Judas 10). Deus 
convida-nos a usar nossa razão (Is 1.18) para discernir a verdade do erro (1 João 4.6), para determinar 
o certo do errado (Hebreus 5.14), e discernir um verdadeiro de um falso profeta (Deuteronômio 18.19-
22). 
Um princípio fundamental da razão é o de que nós devemos ter motivos suficientes para aquilo 
em que nós acreditamos. Uma crença não justificada é apenas isso - não- justificada. Tendo sido 
criados como criaturas racionais e não “animais irracionais” (Judas 10), espera-se de nós que usemos 
a razão que Deus nos deu. Sócrates disse: “A vida não examinada não vale a pena viver.” Da mesma 
forma, a fé não examinada não vale a pena ter. Portanto, cabe aos cristãos “dar uma razão para a sua 
esperança" (1Pd 3.15). Isso faz parte do grande comando de amar a Deus com toda nossa mente, 
assim como nossa alma e coração (Mt 22.36-37). 
 
O mundo precisa disso 
Muitas pessoas se recusam a acreditar sem alguma evidência, como de fato deveriam. Uma 
vez que Deus nos criou como seres racionais, Ele espera que vivamos racionalmente. Ele quer que 
olhemos antes de saltar. Isso não significa que não há espaço para a fé. Mas Deus quer nos dar um 
passo de fé na luz - à luz das provas. Ele não quer que saltemos no escuro. 
Nós deveríamos ter evidência de que algo é verdadeiro antes de colocarmos nossa fé naquilo. 
Por exemplo, nenhuma pessoa racional entra em um elevador a menos que tenha alguma razão para 
acreditar que ele vai segurá-la. Da mesma forma, nenhuma pessoa racional entra em um avião que 
 
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tem uma asa quebrada e fumaça saindo do final da cauda. Uma vez estabelecido isso, uma pessoa 
pode colocar sua fé nele. Assim, a pessoa racional vai querer alguma evidência de que Deus existe, 
antes que de colocar sua fé em Deus. Da mesma forma, os incrédulos racionais querem provas para 
a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus antes de colocarem sua confiança nEle. 
 
Os resultados confirmam isso 
Há um pensamento equivocado comum entre muitos cristãos de que a apologética nunca ajuda 
a levar alguém a Cristo. Esta é uma grave deturpação dos fatos. 
 
1. A conversão de Santo Agostinho 
Houve vários pontos de mudança racional na vida de Agostinho, antes de ele vir a Cristo. 
Primeiro, ele raciocinou seu caminho para fora do dualismo maniqueísta. Um ponto de mudança 
significativo aqui foi o sucesso de um jovem cristão debatedor chamado Helpidius sobre os 
maniqueus. 
Em segundo lugar, Agostinho raciocinou seu caminho para fora do ceticismo total, vendo a 
natureza autodestrutiva do mesmo. 
Em terceiro lugar, se não fosse por estudar Plotino, Agostinho nos informa que ele não teria 
sequer sido capaz de conceber um ser espiritual, e muito menos acreditar em um. 
 
2. A conversão de Frank Morrison 
Este advogado cético decidiu refutar o Cristianismo mostrando que a ressurreição nunca 
ocorreu. A busca terminou com sua conversão e em um livro intitulado Who Moved the Stone? [Quem 
Moveu a Pedra?], cujo primeiro capítulo foi intitulado “O Livro que se recusava a ser escrito”! Mais 
recentemente, outro advogado incrédulo teve uma viagem semelhante. 
 
3.A conversão de Simon Greenleaf 
Na virada do século, o professor de Direito em Harvard, que escreveu o livro sobre evidências 
legais, foi desafiado por alunos a aplicar as regras de evidências legais no Novo Testamento para ver 
se o seu testemunho teria valor em um tribunal. O resultado foi um livro intitulado The Testimony of 
the Evangelists [O Testemunho dos Evangelistas], na qual exprime a sua confiança nos documentos 
e nas verdades básicas da fé cristã. 
 
4. Os resultados de Debates 
Muitas pessoas têm sido levadas em direção ou para dentro do cristianismo, como resultado 
dos debates que temos com ateus e céticos. Após um debate entre Craig e o filósofo da Universidade 
 
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de Berkley Michael Scriven sobre “O Cristianismo é crível?” a plateia da Universidade de Calgary 
votou 3 contra 1 a favor do cristianismo. O jornal do campus relatava: “Ateu não consegue converter 
os cristãos do Campus!” 
Após um debate de Craig sobre a racionalidade da crença no cristianismo com o chefe do 
departamento de filosofia da Universidade de Miami, a liderança cristã estudantil realizou uma 
reunião de acompanhamento. O professor ateu compareceu e manifestou dúvidas sobre a sua visão 
expressa no debate. Foi relatado que cerca de 14 pessoas que tinham assistido ao debate tomaram 
decisões para Cristo. 
Depois de um debate de Craig sobre a religião da Unificação do reverendo Moon na 
Northwestern University em Evanston, Illinois, uma moça Moonie fez algumas questões sobre o 
Cristianismo. Podia se ver que ela tinha sido convencida de que a Igreja da Unificação não estava 
ensinando a verdade. Depois de um tempo esta moça entregou sua vida a Cristo. 
Don Bly, informou que ele era ateu. Ele concordou em ler o livro de Frank Morrison. A 
evidência para a ressurreição de Cristo convenceu-o e ele entregou sua vida a Cristo. Ele 
posteriormente criou sua família para Cristo e tornou-se um líder de uma igreja ao sul de St. Louis. 
 
5. Os resultados da leitura de escritos de caráter apologético 
Várias pessoas foram convertidas à crença de que Deus existe ou à crença em Cristo depois 
de ler livros apologéticos. Deus usou os seus argumentos como um instrumento para aproximar as 
pessoas a Cristo. 
O notável ex-ateu Francis Collins disse: “Após 28 anos como um crente, a Lei Moral ainda se 
destaca para mim como o mais forte sinal para Deus. Mais do que isso, ela aponta para um Deus que 
se preocupa com os seres humanos, e um Deus que é infinitamente bom e santo.” 
Um estudante universitário, escreveu: “Deus me enviou a ler o livro 'Eu não tenho fé suficiente 
para ser um ateu'... Abri o livro pensando que eu ia detoná-lo com o meu ponto de vista superior e a 
cerca de um quarto do caminho acabei pedindo perdão a Deus e o aceitando em meu coração. Tenho, 
desde então, crescido exponencialmente em Cristo, e pensei que em agradecê-lo por seu livro 
inspirador.” “Acabei de ler Why I Am a Christian [Porque eu sou um cristão], e fiquei encantado. 
Esse é talvez o mais poderoso e influente livro cristão que já li. Foi exatamente o que eu estava 
procurando. Forneceu as respostas para as barreiras que estavam me guardando contra a minha fé... 
Este livro pressionou o botão vermelho da bomba nuclear da minha fé.” 
Uma boa filosofia deve existir, se não por outro motivo, porque más filosofias precisam ser 
respondidas. A razão por que nós precisamos defender a verdadeira religião é porque existem 
religiões falsas. A razão pela qual precisamos levantar-se pelo cristianismo autêntico é que existem 
formas falsificadas do cristianismo. 
 
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Uma apologética em favor da apologética 
O cristianismo está sob ataque hoje, e deve ser defendido. Há ataques internos, de cultos, 
seitas e heresias. E há ataques externos, por ateus, céticos e outras religiões. A disciplina que lida 
com uma defesa racional da fé cristã é chamada de apologética. 
 
As objeções à defesa da Fé: Bíblicas e extrabíblicas 
Muitas objeções têm sido oferecidas contra fazer apologética. Alguns tentam oferecer uma 
justificação bíblica. Outros são baseados no raciocínioextrabíblicos. Primeiro, vamos dar uma olhada 
nas que se baseiam em textos bíblicos. 
 
Objeções à Apologética de dentro da Bíblia 
 
1. A Bíblia não precisa ser defendida 
Uma objeção para a apologética feita muitas vezes é a afirmação de que a Bíblia não precisa 
ser defendida, simplesmente precisa ser exposta. Hebreus 4.12 é frequentemente citado como 
evidência: “A Palavra de Deus é viva e poderosa...”. Diz-se que a Bíblia é como um leão; não precisa 
ser defendida, mas simplesmente solta. Um leão pode se defender. Várias coisas devem ser notadas 
como resposta a isso. 
Em primeiro lugar, isso nos leva a perguntar se a Bíblia é ou não a Palavra de Deus. É claro, 
a Palavra de Deus é suprema, e fala por si mesma. Mas, como sabemos que a Bíblia é a Palavra de 
Deus, e não o Alcorão, o Livro de Mórmon, ou algum outro livro? É preciso apelar para a evidência 
para determinar quais dos muitos livros em conflito realmente é a Palavra de Deus. 
Em segundo lugar, nenhum cristão aceitaria sem questionar se um muçulmano declarasse “o 
Alcorão é vivo e poderoso e mais penetrante que uma espada de dois gumes...”. Nós exigiríamos 
evidências. Da mesma forma, nenhum não-cristão deve aceitar a nossa alegação sem provas. 
Em terceiro lugar, a analogia do leão é enganosa. O rugido de um leão fala com autoridade 
apenas porque sabemos, a partir de um conhecimento prévio, o que um leão pode fazer. Sem os contos 
admiráveis sobre a ferocidade de um leão, seu rugido não teria o mesmo efeito de autoridade sobre 
nós. Da mesma forma, sem evidência para estabelecer o crédito à autoridade, não há nenhuma boa 
razão para se aceitar essa autoridade. 
 
2. Jesus se recusou a fazer sinais para homens maus 
Alguns argumentam que Jesus repreendeu as pessoas que procuravam por sinais. Por isso, 
devemos estar contentes simplesmente com acreditar sem evidências. Na verdade, Jesus em uma 
 
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ocasião repreendeu buscadores de sinais. Ele disse: “Uma geração má e adúltera pede um milagre!” 
(Mateus 12.39 cf. Lucas 16.31). No entanto, isso não significa que Jesus não queria que as pessoas 
olhassem para a evidência antes de acreditarem, por muitas razões: 
Em primeiro lugar, nesta mesma passagem, Jesus ofereceu o milagre da Sua ressurreição como 
um sinal de quem Ele era, dizendo: “Mas nenhum lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas” 
(Mateus 12.39-40). Da mesma forma, Paulo deu muitas evidências para a ressurreição (em 1 Coríntios 
15). E Lucas fala de “muitas provas incontestáveis” (Atos 1.3) da ressurreição. 
Em segundo lugar, quando João Batista perguntou se Ele era o Cristo, Jesus ofereceu milagres 
como prova, dizendo: “Ide e anunciai a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os 
leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e as boas novas são anunciadas aos 
pobres” (Mt 11.5). Ao responder aos escribas, Ele disse: “Mas, para que saibais que o Filho do 
Homem tem na terra poder para perdoar pecados. Ele disse ao paralítico: Eu te digo, levanta-te, toma 
o teu leito e vai para casa” (Mc 2.10-11). Nicodemos disse a Jesus: “Rabi, sabemos que és um Mestre 
vindo da parte de Deus. Pois ninguém poderia realizar os sinais miraculosos que estás fazendo, se 
Deus não fosse com ele” (João 3.2). 
Em terceiro lugar, Jesus se opunha à busca de sinais e a entreter as pessoas através de milagres. 
De fato, Ele se recusou a realizar um milagre para satisfazer a curiosidade do rei Herodes (Lc 23.8). 
Em outras ocasiões, Ele não fez milagres por causa da sua incredulidade (Mt 13.58), não desejando 
“lançar pérolas aos porcos”. O propósito dos milagres de Jesus foi apologético, ou seja, o de confirmar 
a sua mensagem (cf. Êx 4.1;. Jo 3.2;. Hb 2.3-4). Ele fez isso em grande abundância, pois “Jesus de 
Nazaré foi um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus fez 
entre vocês por intermédio dele...” (Atos 2.22). 
 
3. Paulo não teve sucesso com seu uso da razão no Areópago e, posteriormente, descartou 
essa abordagem 
Os opositores da apologética muitas vezes argumentam que Paulo não foi bem sucedido em 
sua tentativa de alcançar os pensadores no Areópago (Atos 17), que rejeitou o método e que, 
posteriormente, disse aos coríntios que ele queria “conhecer a Jesus e a Ele somente” (1 Co 2.2 ). No 
entanto, esta interpretação é baseada em um mal-entendido do texto. 
Primeiro, Paulo teve resultados no Areópago, pois algumas pessoas foram salvas, incluindo 
um filósofo. O texto diz claramente “Alguns homens se tornaram seguidores de Paulo e creram. Entre 
eles estava Dionísio, membro do Areópago, também uma mulher chamada Damaris, e uma série de 
outros” (Atos 17.34). 
 
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Segundo, em nenhum lugar, nem em Atos nem em 1 Coríntios, Paulo indica qualquer 
arrependimento ou pesar pelo que ele fez no Areópago. Esta é uma leitura no texto que simplesmente 
não está lá. 
Terceiro, a declaração de Paulo sobre pregar Jesus e Jesus comente não é uma mudança no 
conteúdo da pregação de Paulo. Isso é o que ele fazia em toda parte. Mesmo para os filósofos “ele 
pregava a Jesus e a ressurreição” (Atos 17.18, 31). Então, nesse texto, não há nada de original sobre 
aquilo que ele pregava, era simplesmente assim que ele fazia. 
Paulo adaptava o seu ponto de partida à situação da audiência. Com os pagãos em Listra, ele 
começou com um apelo à natureza (Atos 14) e terminou pregando Jesus a eles. Com os judeus, 
começou com o Antigo Testamento e direcionou-se para Cristo (Atos 17.2-3). Mas, com os 
pensadores gregos, Paulo começou com a criação e a razão para um Criador e depois falou de Seu 
Filho Jesus que morreu e ressuscitou (Atos 17.24). 
 
4. Somente a fé, não a razão, pode agradar a Deus 
Hebreus 11.6 insiste que “sem fé é impossível agradar a Deus.” Isto parece argumentar contra 
a necessidade da razão. Na verdade, parece que pedir razões, em vez de simplesmente acreditar, 
desagradaria a Deus. Em resposta a este argumento contra a apologética, dois pontos importantes 
devem ser levantados. 
Antes de tudo, o texto não diz que com a razão é impossível agradar a Deus. Ele diz que sem 
fé não se pode agradar a Deus. Ele não elimina a razão acompanhando a fé ou uma fé racional. 
Em segundo lugar, Deus de fato nos convida a usar a nossa razão (1 Ped. 3.15). Na verdade, 
deu “claras” (Rm 1.20) e “convincentes provas” (Atos 1.3) de modo que não tenhamos de exercer 
uma fé cega. 
Em terceiro lugar, este texto de Hebreus não exclui a “evidência”, mas na verdade a pressupõe. 
Pois da fé é dito ser “a evidência” das coisas que não vemos (Hebreus 11.1). Por exemplo, a evidência 
de que alguém é uma testemunha confiável justifica minha crença no seu testemunho do que viu e eu 
não. Mesmo assim, nossa fé em “coisas que não vemos” (Hebreus 11.1) é justificado pelas provas 
que temos de que Deus existe, que é “claramente visto, a ser entendido a partir do que foi feito” (Rm 
1.20). 
 
5. Paulo disse que Deus não pode ser conhecido pela razão humana quando ele escreveu, “o 
mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus” (1 Co 1.21) 
No entanto, isso não pode significar que não há provas da existência de Deus, uma vez que 
Paulo declarou em Romanos que as provas da existência de Deus são tão “evidentes” que tornam o 
próprio pagão “indesculpável” (Rm 1.19-20). Além disso, o contexto de 1 Coríntios não é a existência 
 
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de Deus, mas seu plano de salvação através da cruz. Isso não pode ser conhecido por mera razão 
humana, mas apenas por revelação divina. 
Além disso, a “sabedoria” de que fala é “a sabedoria deste mundo” (v. 20), não a sabedoria de 
Deus. Paulo chamou um sofista de “argumentador deste mundo” (v. 20). Um sofista poderia 
argumentar só por argumentar. Isto não leva ninguém a Deus. 
Além disso, a referência de Paulo ao mundo como a sabedoria nãoconhecer a Deus não é uma 
referência à incapacidade do ser humano de conhecer a Deus através das provas que Ele tem revelado 
na criação (Rm 1.19-20) e consciência (Rm 2.12-15). Pelo contrário, é uma referência à depravada e 
louca rejeição do homem à mensagem da cruz. Finalmente, nesse mesmo livro de 1 Coríntios, Paulo 
dá a sua maior prova apologética da fé cristã - as testemunhas oculares da ressurreição de Cristo, que 
seu companheiro de Lucas chamou de “muitas provas incontestáveis” (Atos 1.3). 
De fato, embora o homem conheça claramente por meio da razão humana que Deus existe, no 
entanto, ele “suprime” ou “sufoca” essa verdade em injustiça (Romanos 1.18). Assim, é a presença 
de tais fortes evidências que o torna “indesculpáveis” (Rm 1.20). 
 
6. O homem natural não pode entender as verdades espirituais 
Paulo insistiu que “o homem sem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus 
...” (1 Co 2.14). Eles não podem sequer “conhecê-las”. Que uso, então, teria a apologética? Em 
resposta a este argumento contra a apologética, duas coisas devem ser observadas. 
Primeira, Paulo não diz que as pessoas naturais podem não perceber a verdade sobre Deus, 
mas apenas que eles não podem recebê-la. De fato, Paulo declarou enfaticamente que as verdades 
básicas sobre Deus são “claramente vistas” (Rm 1.20). O problema não é que os incrédulos não estão 
cientes da existência de Deus, mas que eles não querem aceitá-Lo por causa das consequências morais 
que isso teria na sua vida pecaminosa. 
Segunda, 1 Coríntios. 2.14 diz que eles não “conhecem” (gr. ginosko), o que pode significar 
“conhecer pela experiência.” Em outras palavras, eles conhecem a Deus em sua mente (Rm 1.19-20), 
mas não aceitaram a Ele em seu coração (Romanos 1.18). A Bíblia diz: “Diz o insensato em seu 
coração, Não há Deus” (Salmo 14.1). 
 
7. Somente o Espírito Santo pode trazer alguém para Cristo 
A Bíblia diz que a salvação é uma obra do Espírito Santo. Só ele pode condenar, convencer e 
converter (João 16.8; Ef 2.1; Tito 3.5-7). Isto é certamente verdadeiro, e nenhum cristão ortodoxo 
nega isso. No entanto, duas coisas devem ser mantidas em mente. 
Primeiro, a Bíblia não ensina que o Espírito Santo vai sempre fazer isto aparte da razão e da 
evidência. Não é “ou o Espírito Santo ou a razão.” Pelo contrário, é o razoável Espírito Santo usando 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 24 
 
uma boa razão para alcançar pessoas racionais. Deus é sempre a causa eficiente da salvação, mas os 
argumentos apologéticos podem ser uma causa instrumental usada pelo Espírito Santo para trazer 
uma pessoa para Cristo. 
Em segundo lugar, os apologistas não acreditam que a apologética salve alguém. Ela apenas 
fornece a evidência à luz da qual as pessoas podem tomar decisões racionais. Ela apenas fornece 
evidências de que o cristianismo é verdadeiro. A pessoa ainda deve pôr sua fé em Cristo para ser 
salva. A apologética só leva o “cavalo” para a água. Somente o Espírito Santo pode convencer-lhe a 
beber. 
 
8. A apologética não é usada na Bíblia 
É argumentado que, se a apologética é bíblica, então por que não a vemos ser praticada na 
Bíblia? Há duas razões básicas para este mal-entendido. Em primeiro lugar, em grande parte, a Bíblia 
não foi escrita para os incrédulos, mas para os crentes. Uma vez que eles já acreditam em Deus, 
Cristo, etc., já estão convencidos de que estes são verdadeiros. Assim, a apologética é dirigida 
principalmente para aqueles que não creem, para que eles possam ter uma razão para acreditar. 
Em segundo lugar, ao contrário da alegação dos críticos, apologética é usada na Bíblia. 1) O 
primeiro capítulo do Gênesis confronta os relatos míticos da criação conhecidos naqueles dias. 2) os 
milagres de Moisés no Egito eram uma apologética que Deus estava falando através dele (Êx 4.1-9). 
3) Elias fez apologética no Monte Carmelo, quando ele provou miraculosamente que o Senhor é o 
Deus verdadeiro, e não Baal (1 Reis 18). 4) Jesus estava constantemente envolvido em apologética, 
provando com sinais e maravilhas que Ele era o Filho de Deus (João 3.2, Atos 2.22). 5) O apóstolo 
Paulo fez apologética em Listra, quando ele deu provas da natureza para as nações que o Deus 
supremo do universo existiu e que a idolatria era errada (Atos 14). 6) O caso clássico da apologética 
no Novo Testamento é Atos 17, onde Paulo argumentou com os filósofos no Areópago. Ele não só 
apresentou evidências naturais de que Deus existe, mas também históricas de que Cristo é o Filho de 
Deus. Na verdade, ele citou pensadores pagãos em apoio da sua argumentação. 
 
Objeções à Apologética de fora da Bíblia 
 
Essas objeções contra a apologética são orientadas a mostrar a sua irracionalidade, 
inadequação ou inutilidade. Muitas vêm de um ponto de vista racionalista ou cético. Outros são 
fideístas, que negam que a razão deve ser utilizada para apoiar a fé de uma pessoa. 
 
1. A razão humana não pode nos dizer nada sobre Deus. 
 
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BEREANA 25 
 
Alguns críticos afirmam que a razão humana não pode nos dar qualquer informação a respeito 
de Deus. 
Primeiro, isso diz que a razão não se aplica a questões sobre Deus. Mas essa declaração em si 
mesma é oferecida como uma declaração razoável sobre a questão de Deus. A fim de dizer que a 
razão não se aplica a Deus, é necessário aplicar a razão a Deus nessa declaração. Então, o raciocínio 
a respeito de Deus é inescapável. A razão não pode ser negada sem ser utilizada. 
Em segundo lugar, a razão puramente hipotética em si não nos diz nada sobre a existência de 
algo, inclusive Deus. Mas, uma vez que inegavelmente existe algo (por exemplo, eu existo), então a 
razão pode nos dizer muito sobre a existência, inclusive Deus. Por exemplo, se algo finito e 
contingente existe, então algo infinito e necessário deve existir (ou seja, Deus). E se Deus existe, 
então é falso que Ele não existe. E se Deus é um ser necessário, então Ele não pode deixar de existir. 
Além disso, se Deus é o Criador e nós somos criaturas, então não somos Deus. Da mesma forma, a 
razão nos informa que, se Deus é onipotente, então Ele não pode fazer uma pedra tão pesada que Ele 
não pode levantar. Pois, tudo o que Ele pode fazer, Ele pode levantar. 
 
2. A razão é inútil em assuntos religiosos 
O Fideísmo argumenta que a razão não tem qualquer utilidade em questões que tratam de 
Deus. Deve-se simplesmente acreditar. Fé, não a razão, é o que Deus requer (Hebreus 11.6). Em 
resposta a isso, vários pontos podem ser levantados. 
Em primeiro lugar, mesmo do ponto de vista bíblico, Deus convida-nos a usar nossa razão 
(Isaías 1.18; 1 Pe 3.15; Mateus 22.36-37). Deus é um ser racional, e Ele nos criou como seres 
racionais. Deus não insultaria a razão que Ele nos deu pedindo-nos para ignorá-la em questões tão 
importantes como as nossas crenças sobre Ele. 
Em segundo lugar, esta posição é fideísta e é auto-refutadora. Pois, ou há uma razão para 
acreditarmos que não devemos raciocinar sobre Deus ou não há. Se houver, então ela derrota a si 
mesma usando a razão para dizer que não devemos usar a razão. Se o fideísmo não tem nenhuma 
razão para não usar a razão, então é uma posição irracional, em cujo caso não há nenhuma razão pela 
qual alguém deveria aceitar o fideísmo. 
Além disso, afirmar que a razão é apenas opcional para um fideísta não será suficiente. Pois, 
ou o fideísta oferece algum critério para quando devemos ser racionais e quando não devemos, ou 
então sua visão é simplesmente arbitrária. Se ele oferece alguns critérios racionais para quando 
devemos ser racionais, então ele tem uma base racional para seu ponto de vista, caso em que ele não 
é realmente um fideísta, no final das contas. A razão não é o tipo de coisa em que uma criatura racional 
pode optar por participar. Em virtude de ser racional por natureza, uma pessoa deve ser parte do 
discurso racional. E um discurso racional exige

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