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Prévia do material em texto

Marina de Paiva Lemos
Fisiologia geral e do exercício
Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central Uniube
 Lemos, Marina de Paiva.
L544f Fisiologia geral e do exercício / Marina de Paiva Lemos. – 
 Uberaba: Universidade de Uberaba, 2021.
 130 p. : il. p&b. 
 Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. 
		 Inclui	bibliografia.
 ISBN
		 1.	Exercícios	físicos	–	Aspectos	fisiológicos.	2.	Exercícios	
físicos. 3. Fisiologia do exercício. I. Universidade de Uberaba. 
Programa de Educação a Distância. II. Título.
 CDD 612.044
© 2021 by Universidade de Uberaba
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico 
ou	mecânico,	incluindo	fotocópia,	gravação	ou	qualquer	outro	tipo	de	sistema	de	
armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, 
da Universidade de Uberaba.
Universidade de Uberaba
Reitor
Marcelo Palmério
Pró-Reitor de Educação a Distância
Fernando Cesar Marra e Silva
Coordenação de Graduação a Distância
Sílvia Denise dos Santos Bisinotto
Coordenação de Produção de Materiais
Erileine F. Rodrigues Carotenudo
Editoração e Arte
Produção de Materiais Didáticos-Uniube
Editoração
Márcia Regina Pires
Raul Sérgio Reis Rezende
Revisão textual
Erlane Silva Nunes
Diagramação
Andrezza de Cássia Santos
Ilustrações
Getty Images
Projeto da capa
Agência	Experimental	Portfólio
Edição
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário
Marina de Paiva Lemos
Mestra em Educação Física, pela Universidade Federal do Triângulo 
Mineiro (UFTM), com a linha de pesquisa em “Exercício Físico, Ajustes 
e	Adaptações	Neuromusculares,	Cardiorrespiratórias	 e	Endócrino-
metabólica”.	Especialista	em	Fisiologia	do	Exercício	Aplicada	à	Promoção	
da Saúde e do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo 
(Unifesp). Graduada em Educação Física pela Universidade Federal 
do	Triângulo	Mineiro	–	UFTM.	É	membro	do	Laboratório	de	Fisiologia	
Comparativa e Experimental do Exercício (LAFICEE) e dos grupos 
de pesquisa Biodinâmica do Desempenho (UFTM) e de Fisiologia do 
Exercício na Saúde e no Desempenho Humano (UNIUBE). É docente 
da Universidade de Uberaba (UNIUBE). 
Sobre a autora 
Sumário
Apresentação ..........................................................................................
Capítulo 1 Conceitos e contextos da Fisiologia do Exercício ...............1
1.1	Definições	conceituais	de	atividade	física,	exercício	físico	e	treinamento	físico	 ...3
1.1.1	Definição	de	atividade	física	e	exercício	físico ..............................................5
1.1.2 Atividade física e saúde .................................................................................7
1.1.3 Comportamento sedentário .........................................................................12
1.2	Considerações	finais..............................................................................................14
Capitulo 2 Sistema de controle ............................................................19
2.1	Sistema	de	controle	biológico ................................................................................21
2.1.1 Funções dos sistemas de controle e seus componentes ...........................25
2.1.2	Exemplo	de	sistema	de	controle	biológico ..................................................28
2.1.3	Exercício	físico	e	sistema	de	controle	biológico ..........................................31
2.2	Considerações	finais..............................................................................................31
Capítulo 3 Metabolismo e exercício físico .........................................33
3.1 Substratos energéticos ..........................................................................................35
3.1.1 Estimativa de utilização de substratos .........................................................38
3.1.2	Fatores	que	influenciam	na	seleção	do	substrato .......................................39
3.2 Bioenergética .........................................................................................................40
3.2.1	Vias	energéticas	anaeróbias ........................................................................40
3.2.2	Via	energética	aeróbia .................................................................................43
3.3	Considerações	finais..............................................................................................46
Capítulo 4 Sistema neuromuscular ...................................................49
4.1 Sistema nervoso ....................................................................................................51
4.1.1 Sistema nervoso autônomo .........................................................................53
4.1.2 Sistema somático .........................................................................................55
4.2 Sistema neuromuscular .........................................................................................56
4.2.1 Contração muscular .....................................................................................57
4.2.2 Fibras musculares .......................................................................................58
4.2.3 Ações musculares ........................................................................................59
4.3	Considerações	finais..............................................................................................61
Capítulo 5 Termorregulação ................................................................63
5.1 Temperatura ...........................................................................................................65
5.1.1 Formas de troca de calor ............................................................................67
5.1.2	Efeitos	fisiológicos	para	controle	da	temperatura	 .......................................70
5.2 Controle hídrico ......................................................................................................73
5.3	Considerações	finais..............................................................................................75
Capítulo 6 Exercícios em ambientes extremos ...................................77
6.1 Ambientes extremos ..............................................................................................78
6.1.1 Termorregulação ..........................................................................................79
6.1.2 Altitude ..........................................................................................................83
6.1.3 Poluição do ar ..............................................................................................86
6.2	Considerações	finais..............................................................................................87
Capítulo 7 Sistema	cardiorrespiratório ................................................89
7.1	Sistema	cardiorrespiratório ....................................................................................91
7.1.1	Sistema	respiratório .....................................................................................92
7.1.2	Fisiologia	do	sistema	respiratório	e	exercício ..............................................96
7.1.3 Sistema cardiovascular ................................................................................96
7.1.4 Sistema cardiovascular e exercício ...........................................................102
7.2	Considerações	finais............................................................................................104
Capítulo 8 Sistema hormonal ...........................................................107
8.1	Sistema	neuroendócrino ......................................................................................108
8.1.1 Glândulas e hormônios ..............................................................................109
8.2	Considerações	finais............................................................................................117(Figura	6)	(KENNEY;	WILMORE;	
COSTILL, 2013).
Figura 6 –	Produção	aeróbia	de	ATP	seguindo	os	três	estágios:	formação	de	acetil-coA,	ciclo	de	
Krebs	e	cadeia	transportadora	de	elétrons
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. 
44 UNIUBE
Como o ponto inicial da via oxidativa é a formação da molécula de acetil-
CoA, devemos entender como essa molécula pode ser formada, certo?! 
A molécula de acetil-CoA pode ser formada pela degradação dos três 
macronutrientes (gordura, proteína e carboidratos). Assim que a molécula 
é	formada,	a	via	passa	para	o	segundo	estágio:	ciclo	de	Krebs.	A	função	
principal do ciclo é remover os hidrogênios, essa remoção se dá através 
de agentes transportadores de elétrons denominados Nicotinamida 
Adenina Dinucleotídeo (NAD) e Flavina Adenina Dinucleotídeo (FAD) 
(Figura 7). É possível notar na imagem a seguir que, durante o ciclo, é 
formada apenas uma molécula de ATP.
Figura 7 –	Ciclo	de	Krebs	e	seus	agentes	transportadores	de	elétrons	NAD	e	FAD
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
 UNIUBE 45
Conforme mencionado anteriormente, a função do ciclo é remover 
hidrogênios. Essa função é importante pelo fato de que esses hidrogênios 
serão depositados no terceiro estágio da via oxidativa que é a cadeia 
transportadora de elétrons.	A	produção	aeróbia	de	ATP	se	dá	em	virtude	
de um mecanismo que usa a energia proveniente dos transportadores 
de hidrogênio reduzidos (NADH e FADH). Esses hidrogênios são 
depositados e passam por uma sequência de transportadores de 
elétrons denominados de citocromos. Diante dessa passagem pelos 
citocromos, há liberação de energia para refosforilar o ADP e formar o 
ATP.	A	produção	final	total	de	ATP	nessa	via	é	de	32.	
Você deve estar se perguntando onde o oxigênio participa da via 
oxidativa.	O	oxigênio	é	o	aceptor	final	de	hidrogênio	no	final	da	cadeia	
transportadora de elétrons, formando água e não deixando acumular 
hidrogênios	na	matriz	mitocondrial	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Por	fim,	vale	ressaltar	que	todas	as	vias	energéticas	são	concomitantemente	
acionadas pelo exercício, com variação do substrato energético e é 
priorizada	uma	dada	via	metabólica	de	acordo	com	o	tipo,	duração	e	
intensidade do exercício físico.
A relação entre alimentação e exercício físico não é uma novidade. Basta 
pesquisarmos, brevemente, na internet e encontramos vários textos acerca 
dessa temática. Mas, agora, você sabe porque isso acontece, não é mesmo?
Sendo assim, convidamos você para ler o artigo “Carboidratos e gordura: 
combustíveis	do	corpo	durante	prática	de	exercício”,	de	Turíbio	Barros,	
disponível no site	“Eu	Atleta”.	Com	certeza,	agora	você	fará	leituras	como	
essas, de forma muito mais crítica e acurada! Para ler o texto, acesse:
PESQUISANDO NA WEB
46 UNIUBE
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/2013/09/carboidratos-
e-gordura-combustiveis-do-corpo-durante-pratica-de-exercicios.html
A partir da leitura da reportagem supracitada, podemos relembrar os 
principais substratos utilizados durante a prática de atividade física, sendo 
eles a gordura e o carboidrato. Por outro lado, a reportagem ainda revela 
que a dependência dos macronutrientes são provenientes da intensidade 
do esforço. 
Para atividades realizadas com baixa intensidade, o substrato empregado é 
a gordura. Por outro lado, para atividades com intensidade elevada, a fonte 
utilizada é o carboidrato predominantemente.
Esteja aberto para outras leituras, também!
Considerações finais3.3
Podemos	concluir	que,	para	que	exista	a	produção	de	energia	biológica,	é	
necessária a ingestão diária de macronutrientes (carboidratos, gordura e 
proteínas). Além disso, a utilização desses substratos durante o exercício 
é	dependente	da	intensidade	e	duração	do	exercício.	Por	fim,	o	corpo	
humano	possui	vias	energéticas	anaeróbias	(alática	e	lática)	e	aeróbias	
para produção de energia.
Resumo
• O	metabolismo	é	definido	como	o	total	de	reações	que	ocorrem	nas	
células.	Por	outro	lado,	bioenergética	refere-se	às	reações	químicas	
de transferência de energia dos macronutrientes em ATP.
• Enzimas são proteínas que regulam a velocidade com que as reações 
ocorrem.	A	atividade	enzimática	é	influenciada	pela	temperatura	e	pH.
 UNIUBE 47
• Gordura, carboidrato e proteína são macronutrientes que fornecem 
a energia necessária para atividade celular em repouso e durante a 
prática de exercício físico.
• O carboidrato é armazenado no músculo e no fígado na forma de 
um polissacarídeo denominado glicogênio.
• A gordura é armazenada no tecido subcutâneo na forma de triglicerídeo 
e é usada como fonte de energia na forma de ácidos graxos.
• A	utilização	de	substratos,	durante	o	exercício,	é	influenciada	pela	
duração, intensidade e reservas.
• Metabolismo	anaeróbio	se	refere	à	produção	de	energia	(ATP)	sem	
a presença de oxigênio, por outro lado, a produção de ATP com o 
uso	de	oxigênio	é	denominada	de	metabolismo	aeróbio.
• Existem	três	vias	energéticas,	sendo	duas	anaeróbias	(sistema	ATP-
CP	e	glicólise	anaeróbia)	e	uma	aeróbia	(oxidativa).
• A fosforilação oxidativa ocorre na mitocôndria e é dividida em três 
estágios:	formação	da	molécula	de	acetil-CoA;	ciclo	de	Krebs;	cadeia	
respiratória.
Referências
ANDRADE,	Priscila	de	Mattos	Machado;	RIBEIRO,	Beatriz	Gonçalves;	CARMO,	
Maria das Graças Tavares do. Papel dos lipídios no metabolismo durante o esforço. 
Metabólica, v. 8, n. 2, p. 80-88, 2006.
BARROS, Turíbio. “Carboidratos e gordura: combustíveis do corpo durante prática de 
exercício”.	Eu Atleta. 2013. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/
saude/noticia/2013/09/carboidratos-e-gordura-combustiveis-do-corpo-durante-pratica-
de-exercicios.html. Acesso em: 23 mar. 2021.
CERMAK,	Naomi	M.;	VAN	LOON,	Luc	J.	C.	The	use	of	carbohydrates	during	exercise	
as an ergogenic aid. Sports Medicine, [s.l.], v. 43, n. 11, p. 1139-1155, 12 jul. 2013.
COYLE, E. F. Substrate utilization during exercise in active people. The American 
Journal Of Clinical Nutrition, [s.l.], v. 61, n. 4, p. S968-S979, 1 abr. 1995.
FOX, Stuart Ira. Fisiologia humana. 7. ed. Barueri: Manole, 2007.
48 UNIUBE
KENNEY,	W.	Larry;	WILMORE,	Jack	H.;	COSTILL,	David	L.	Fisiologia do Esporte e 
do Exercício. 5 ed. Barueri: Manole, 2013.
MACEDO,	Denise	Vaz;	LAZARIM,	Fernanda	Lorenzi;	SILVA,	Fernando	Oliveira	Catanho	
da;	TESSUTI,	Lucas	Samuel;	HOHL,	Rodrigo.	Is	lactate	production	related	to	muscular	
fatigue? A pedagogical proposition using empirical facts. Advances In Physiology 
Education, [s.l.], v. 33, n. 4, p. 302-307, dez. 2009.
POWER,	Scott	K.;	HOWLEY,	Edward	T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação 
ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri: Manole, 2014.
Introdução
Sistema neuromuscular Capítulo
4
Por qual motivo você consegue falar, movimentar-se, visualizar 
objetos e ouvir? Isso é possível pelo fato de possuirmos um 
sistema que comanda e controla a atividade de bilhões de células 
que o nosso organismo possui. E quando uma dessas ações não é 
possível, provavelmente há alterações no controle ou coordenação 
desse sistema, denominado sistema nervoso.
O sistema nervoso se relaciona com os diversos orgãos e vísceras 
do nosso organismo, entre eles o sistema muscular. Portanto, para 
que seja possível realizar uma contração muscular, precisamos 
contar com a interação entre o sistema nervoso com o muscular, 
ao qual denominamos de sistema neuromuscular.
No Capítulo 3, conversamos acerca do que o corpo necessita para 
conseguir realizar uma contração muscular. Mas, além de entender 
do que o corpo necessita para gerar a contração muscular, também 
devemos entender todo o processo de contração.
Reflitam	de	acordo	com	o	conhecimento	empírico	que	possuem	
a respeito do sistema neuromuscular: quais fatores podem afetar 
a força muscular. Para que possa compreender a relação entre 
o sistema neurmoscular com a produção de força muscular, o 
50 UNIUBE
presente capítulo irá abordar, de maneira simples e objetiva, o 
processo	de	contração,	a	característicadas	fibras	musculares	e	os	
fatores que interferem diretamente na produção de força muscular.
Quando prescrito o exercício físico, a forma como o aluno executa a 
contração/musculação	e	o	tempo	de	tensão	podem	influenciar	na	
resposta aguda e crônica. Portanto, a compreensão do funcionamento 
e	os	fatores	que	influenciam	no	processo	de	produção	de	força	se	
mostra como uma importante aliada durante um planejamento de 
uma sessão de treinamento.
Ao término deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: 
• demonstrar	a	função	dos	sistema	nervoso	e	suas	subdivisões;
• demonstrar a interação do sistema nervoso com o sistema 
muscular;
• explicar	todo	o	processo	de	contração	muscular;
• diferenciar	os	tipos	de	fibras	musculares	existentes;
• descrever os fatores que afetam a magnitude de força.
4.1 Sistema nervoso
4.1.1 Sistema nervoso autônomo
4.1.2 Sistema somático
4.2 Sistema neuromuscular
4.2.1 Contração muscular
4.2.2 Fibras musculares
4.2.3 Ações musculares
4.2.4 Fatores que afetam a magnitude de força
4.2	Considerações	finais
Objetivos
Esquema
 UNIUBE 51
Sistema nervoso4.1
O sistema nervoso é o meio que o corpo possui para responder e perceber 
eventos (ou estímulos) que ocorrem nos ambientes externos e internos 
(dentro do corpo). Além de controlar as respostas de forma voluntária e 
involuntária, o sistema nervoso é responsável pelo armazenamento de 
memórias	(referente	a	experiências	ou	vivências	prévias).
O sistema nervoso se subdivide em duas porções, sendo elas: sistema 
nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é 
composto pelo encéfalo e medula espinal. Por outro lado, todas as 
células nervosas (neurônios) que se localizam fora do SNC fazem parte do 
SNP. O SNP funciona em conjunto com duas vias: via sensorial ou também 
chamada de via aferente e via motora ou eferente. A via aferente tem a 
função de levar a informação da periferia para o SNC. Já a via eferente, 
transmite	a	informação	do	SNC	até	a	periferia	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Para	que	fique	claro,	devemos	pensar	em	um	momento	que	encostamos	
em algo que está quente. Receptores térmicos percebem uma alteração 
na temperatura e encaminham uma informação (via neurônios) até o SNC 
(via aferente). O SNC vai estimular a ação de contração muscular para 
que possamos tirar a superfície da pele que estava em contato com o 
objeto (via eferente) (Figura 1).
A via eferente ainda se subdivide em duas: sistema nervoso autônomo 
(SNA) e sistema nervoso somático.	O	SNA	inerva	órgãos	e	vísceras,	
sendo que essa inervação não está sob controle voluntário. Por outro 
lado, sistema somático inerva os músculos esqueléticos e o seu controle 
se dá por ações voluntárias (Figura 1).
52 UNIUBE
Figura 1 – Subdivisões do sistema nervoso
Fonte: Elaborado pela autora.
A estrutura funcional do sistema nervoso são os neurônios. O neurônio 
é composto por três estruturas: dendritos;	corpo celular e axônio. Os 
dendritos são uma área receptora, que capta informação de um receptor 
e converte esse estímulo em um impulso elétrico (sinal elétrico) e o 
transmite até o corpo celular. Por sua vez, o corpo celular contém o 
núcleo	e	por	isso	é	o	centro	de	operação	do	neurônio.	Por	fim,	o	axônio	
transporta a mensagem elétrica ao longo do corpo em direção a outro 
neurônio	ou	órgão	(Figura	2)	(FOX,	2007).
Figura 2 –	Ilustração	dos	três	componentes	do	neurônio:	dendritos;	corpo	celular;	axônio
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
 UNIUBE 53
A	 transmissão	 do	 estímulo	 elétrico	 entre	 neurônios	 ou	 órgãos	 é	
denominada de sinapse. Sinapse é o ponto de encontro entre o axônio 
de um neurônio e o dendrito de outro neurônio. Para que ocorra essa 
transmissão de sinal, uma cascata de eventos acontece em sequência: 
o	impulso	chega	até	o	terminal	do	axônio;	acontece	a	abertura	dos	
canais	de	cálcio;	cálcio	entra	para	dentro	do	axônio;	acorre	a	fusão	de	
vesículas	com	neurotransmissores;	a	membrana	se	abre,	liberando	o	
neurotransmissor	na	fenda	sináptica	(espaço);	neurotransmissor	se	liga	
ao	receptor	na	membrana	pós-sináptica;	geração	do	potencial	excitatório	
pós-sináptico	ou	potencial	inibitório	pós-sináptico	(Figura	3).
Figura 3 – Ilustração da sinapse
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
4.1.1. Sistema nervoso autônomo
O	sistema	nervoso	autônomo	inerva	órgãos	e	vísceras	e	controla	as	
funções	involuntárias	mediadas	pela	atividade	de	fibras	musculares	lisas,	
cardíacas e de glândulas. O SNA possui dois neurônios (neurônio pré e 
pós-ganglionar).	O	SNA	é	subdividido	em:	sistema nervoso simpático 
(SS);	sistema nervoso parassimpático (SP) (FOX, 2007).
54 UNIUBE
O SP e SS se diferenciam em três aspectos: anatômico;	farmacológico e 
fisiológico.	Anatomicamente,	refere-se	à	diferenciação	entre	a	localização	
dos neurônios pré-ganglionares dos gânglios autonômicos e extensão 
das	fibras	pré-ganglionares	e	pós-ganglionares.	Farmacologicamente,	
refere-se	à	diferenciação	entre	os	neurotransmissores	(colinérgicos	ou	
noradrenérgicos).	E	fisiologicamente,	os	sistemas	agem	antagonicamente.	
De modo geral, a ação simpática tende a aumentar o funcionamento dos 
órgãos	(relacionado	à	luta	ou	à	fuga),	por	outro	lado,	o	parassimpático	tende	
a inibir o funcionamento (redução da frequência cardíaca, por exemplo) 
(Figura 4).
A	primeira	diferença	anatômica	se	refere	à	localização	do	neurônio	
pré-ganglionar. Neurônios parassimpáticos pré-ganglionares encontram-se 
nos níveis crânio-sacral, já os neurônios simpáticos estão presentes na 
região toracolombar (Figura 4). A segunda diferença é referente ao tamanho 
das	fibras	musculares.	O	neurônio	pré-glanglionar	do	simpático	é	curto	
e	do	pós-ganglionar,	longo,	diferentemente	do	sistema	parassimpático,	
o	neurônio	pré-ganglionar	é	longo	e	o	pós	é	curto	(POWERS;	HOWLEY,	
2014).
Outra distinção entre os ramos autonômicos se refere ao neurotransmissor 
liberado	no	órgão	efetor.	Na	sinapse	entre	o	neurônio	parassimpático	
pós-ganglionar	e	o	órgão	o	neurotransmissor,	o	nome	do	neurotransmissor	
é	acetilcolina,	já	do	ramo	simpático,	o	neurônio	pós-ganglionar	libera	os	
neurotransmissores	noradrenalina	e	adrenalina	(POWERS;	HOWLEY,	
2014).
 UNIUBE 55
Figura 4 – Ilustração do sistema nervoso simpático e parassimpático e suas ações
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
4.1.2 Sistema somático
O	 sistema	 somático	 se	 refere	 à	 inervação	 voluntária	 do	 músculo	
esquelético. Esses sinais elétricos do SNP até o músculo irão determinar 
a contração muscular. Diferente do SNA, o sistema somático possui 
apenas um neurônio e esse é denominado de motoneurônio ou 
neurônio motor. O neurotransmissor liberado na via somática é a 
acetilcolina (Ach), e o receptor é o nicotínico (FOX, 2007).
Unidade motora é o termo utilizado para descrever um neurônio 
motor	com	as	fibras	musculares	que	ele	inerva	(Figura	5).	Quando	um	
único	neurônio	motor	é	estimulado,	todas	as	fibras	musculares	por	ele	
inervadas são estimuladas e se contraem. Por outro lado, a junção 
neuromuscular aponta a ligação entre o neurônio motor e a placa motora 
(POWERS;	HOWLEY,	2014).
56 UNIUBE
Figura 5 – Ilustração da Unidade motora
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Na Internet, você consegue ter acesso a vídeos de animação que contemplam 
esse	conteúdo.	Natália	Reinecke,	em	seu	canal	“Anatomia	e	etc.”,	mostra	
uma animação da sinapse neuromuscular (traduzida para o português), 
realizada pela Pearson Education (2009). Para assisti-la, acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=VoDjmSRkYyk
Após	ter	assistido	ao	vídeo,	desejamos	que	você	compreenda	os	processos	
que devem ocorrer em forma de cascata para que o estímulo desencadeado 
pelo	sistema	nervoso	central	se	propague	e	chegue	até	a	célula	ou	fibra	
muscular. Como visto em seu material didático, este processo de conexão 
entre o sistema nervoso com a musculatura é conhecido como sinapse. 
PESQUISANDO NA WEB
Sistema neuromuscular4.2
O corpo humano possui cerca de 600 músculos esqueléticos e constituem de 
40% a 50% da massa corporal total.por 
grande parte da população, entretanto os mecanismos de controle 
térmico	físicos	e	fisiológicos	pouco	são	conhecidos.	Você	já	parou	
para pensar em como é possível manter nossa temperatura 
corporal em equilíbrio?
Entenda que a temperatura muito se correlaciona ao movimento. 
Pensando nisso, durante o exercício físico, qual seria o comportamento 
da nossa temperatura corporal? Você possivelmente respondeu 
que a temperatura irá se elevar durante a prática de exercício, e 
sua resposta está relativamente correta.
64 UNIUBE
Cremos	que	já	tenha	escutado	o	termo	desidratação.	Afinal,	o	que	
seria a desidratação e, além disso, quais suas consequências? 
Essa é uma pergunta relevante no âmbito da Fisiologia do Exercício, 
uma	vez	que	irá	influenciar	na	performance de um atleta ou um 
praticamente de exercício físico.
Reflitam	de	acordo	com	o	conhecimento	empírico	que	possuem	a	
respeito do controle térmico e dos efeitos da desidratação neste 
controle. Para que possa compreender o funcionamento dos 
sistema	fisiológico	para	o	controle	térmico	e	a	sua	importância	
em	relação	à	prática	do	exercício	 físico,	o	presente	capítulo	
irá abordar, de maneira simples e objetiva, os mecanismos de 
controle da temperatura corporal, os efeitos da hipoidratação e os 
mecanismos para controle da desidratação.
Durante a prática de exercício físico, é inevitável que haja um 
pequeno aumento da temperatura corporal, porém quando a prática 
é realizada em um ambiente quente e único, essa temperatura 
corporal pode elevar muito e chegar a valores que proporcionam 
risco	ao	aluno,	podendo	levá-lo	à	morte.	Diante	disso,	o	conhecimento	
e a detecção de sinais e sintomas de desidratação e hipoidratação 
irão	proporcionar	ao	profissional	mais	segurança	e	confiança	no	
momento da prescrição do exercício físico. Além disso, caso haja 
intercorrências	durante	a	prática,	o	profissional	deve	estar	apto	a	
agir e tomar as melhores atitudes para a saúde de seu aluno.
Ao término deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: 
• explicar	os	fatores	que	realizam	o	controle	térmico;
• explicar	o	termo	desidratação;
Objetivos
 UNIUBE 65
5.1 Temperatura
5.1.1 Formas de troca de calor
5.1.2	Efeitos	fisiológicos	para	controle	da	temperatura	
5.2 Controle hídrico
5.3	Considerações	finais
Esquema
Temperatura5.1
O	sistema	termorregulador	mantém	a	temperatura	central	próxima	de	
37°C	para	manutenção	das	funções	metabólicas.	A	temperatura	costuma	
ser medida por um termômetro (Figura 1) que irá indicar o grau de 
intensidade de calor. A temperatura corporal humana varia entre 36 e 
37,5°C e um incremento desses valores indica que a temperatura está 
elevada, provocando febre, que, em geral, está associada a uma resposta 
corporal diante de uma doença.
• avaliar	a	importância	da	manutenção	do	equilíbrio	hídrico;
• demonstrar	meios	para	adequação	da	reidratação;
• avaliar sinais de lesões induzidas pelo calor.
Figura 1 – Ilustração de um termômetro para medição da temperatura corporal
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
66 UNIUBE
Antes de começarmos a relatar os mecanismos de controle da temperatura, 
precisamos conceituar o termo temperatura. Temperatura é uma grandeza 
física que avalia a energia cinética média dos átomos quando eles se 
movimentam. Em outras palavras, temperatura representa uma medida 
estática do nível de agitação entre substâncias, relacionado com o 
deslocamento de energia cinética de uma molécula. Em meios funcionais, 
temperatura representa o potencial para troca entre substâncias ou 
objetos	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Quando o corpo humano entra em contato com um objeto de diferente 
temperatura (energia térmica), ocorre uma transferência do corpo ou 
região de maior temperatura (energia térmica) para o objeto de menor 
energia térmica (menor temperatura) de forma espontânea, pelo método 
denominado de condução.
Conforme relatado anteriormente, a temperatura corporal do organismo 
humano	é	próxima	dos	37°C,	portanto,	se	for	exposto	a	uma	temperatura	
ambiental superior, ocorrerá a transferência de calor no sentido do 
ambiente para o corpo, de forma proporcional ao gradiente de temperatura. 
José encostou sua mão (temperatura de 35°C), em uma mesa com 
temperatura de 15°C, pensando na forma de transferência de calor, para 
onde será transmitido o calor? 
Da mesa para a mão de José ou de José para a mesa?
Agora veja se acertou: o calor é transferido de José para a mesa.
AGORA É A SUA VEZ
 UNIUBE 67
5.1.1 Formas de troca de calor 
Existem quatro meios de troca de calor: (1) irradiação;	(2)	condução;	
(3) convecção;	(4)	evaporação. Iremos discutir brevemente os quatro 
meios de troca ou transferência de calor.
Todos os objetos emitem ondas térmicas eletromagnéticas (energia 
radiante ou infravermelho), invisível a olho nu. Esse tipo de transferência 
de calor não exige contato molecular entre os objetos, ou entre o corpo 
humano e o objeto. O exemplo mais comum desse tipo de transferência 
de calor (radiação) é o sol (Figura 2).
Figura 2 – Ilustração de uma troca de calor por irradiação
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
O segundo tipo de troca de calor é denominado de condução. Neste 
caso, a transferência se dá de molécula para molécula, ou seja, há a 
necessidade de contato entre as partes para que ocorra a troca. As 
moléculas com maior energia térmica vibram com maior intensidade e, 
ao entrar em contato (direto) com outras, transferem parte dessa energia, 
aumentando desta forma o nível de agitação da molécula. Essa troca 
de energia ocorre até que se atinja o equilíbrio térmico (gradiente de 
temperatura	zero)	(KENNEY;	WILMORE;	COSTILL,	2013).
68 UNIUBE
Outra forma de transferência de calor é a convecção. A convecção se 
refere	à	forma	de	perda	condutiva	de	calor	que	é	transmitida	para	as	
moléculas de ar ou de água em contato com nosso corpo. Portanto, nesse 
tipo	de	transmissão	não	ocorre	em	matéria	sólida,	somente	em	gases.	
As moléculas de ar ou água são aquecidas e se movem para longe de 
fontes	de	calor,	sendo	substituídas	por	moléculas	mais	frias	(KENNEY;	
WILMORE;	COSTILL,	2013).	Um	exemplo	clássico	de	transferência	de	
calor por convecção é o ventilador (Figura 3). 
Figura 3 – Ilustração de uma troca de calor por convecção utilizando do ventilador
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
O ventilador irá gerar movimentação do ar. As partículas de ar se aproximam 
da superfície corporal, aquecem-se (a partir da troca de calor com o 
corpo humano) e afastam-se da região, isso ocorre de forma recorrente 
enquanto o ventilador estiver ligado.
Por	fim,	o	último	meio	de	troca	de	calor	é	a	evaporação. A evaporação é 
o meio mais efetivo de perda de calor durante o exercício físico. O corpo 
humano possui milhões de glândulas sudoríparas (Figura 4). Quando 
a temperatura corporal se eleva, há estímulo para produção de suor nas 
glândulas.	O	suor	é	composto	por	eletrólitos	e	água.	O	suor	é	feito	a	 
 UNIUBE 69
partir da porção líquida do sangue (plasma), ao ser formado, ele carrega 
parte	da	energia	térmica	armazenada	no	interior	do	corpo	em	direção	à	
periferia.	Quando	evapora	(água	ganhou	calor	suficiente),	essa	energia	
térmica é liberada no ambiente, levando ao resfriamento do organismo 
(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Entre os mecanismos, durante a prática do exercício físico, a evaporação 
do	suor	é	a	mais	eficaz.	Vale	lembrar	que	não	basta	suar,	faz-se	necessário	
a evaporação do suor para que seja efetivo o resfriamento da pele 
(CARVALHO;	MARA,	2010).
Figura 4 – Ilustração da localização e anatomia das glândulas sudoríparas 
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
70 UNIUBE
Nossos sistemas orgânicos trabalham em conjunto para manter o corpo 
em homeostase (equilíbrio). Portanto, o sistema de controle biológico se 
refere aos mecanismos responsáveis em manter o nosso corpo em equilíbrio 
(FOX, 2007).
RELEMBRANDO
Em ambientes com temperaturas elevadas, há um prejuízo na dissipação 
de calor. O sentido de troca de calor se inverte em ambientes quentes.O 
corpo, em vez de transferir calor para o ambiente, começa a receber calor. 
Nessa situação, três dos processos de troca descritos anteriormente são 
afetados, sendo eles: radiação, condução e convecção.
Se o controle térmico fosse dependente apenas dos processos de trocas 
físicas, seria difícil a manutenção da temperatura corporal em ambientes 
com temperatura elevada. Portanto, além dos processos físicos, o corpo 
humano possui mecanismo adicional para controle da temperatura.
5.1.2 Efeitos fisiológicos para controle da temperatura 
O controle da temperatura corporal tem fundamental importância para 
sobrevivência	e	para	a	manutenção	de	funções	fisiológicas.	O	sistema	
termorregulador	funciona	de	acordo	com	o	sistema	de	controle	biológico.	
O principal centro de regulação da temperatura é o hipotálamo (Figura 
5). O controle da termorregulação é feito em três etapas: (1) percepção 
da	alteração	térmica	(receptores);	(2)	a	avaliação	do	sinal	e	regulação	
central	(centro	de	controle);	(3)	resposta	para	o	controle	por	meio	da	via	
eferente	(efetores)	(VANNI;	BRAZ,	1999).
 UNIUBE 71
Figura 5 – Ilustração da localização e anatomia do hipotálamo
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
O	primeiro	passo	para	que	haja	um	controle	fisiológico	correto	da	
temperatura é a percepção ou detecção da variação da temperatura 
corporal. Para isso, o corpo possui termorreceptores, ou seja, receptores 
sensitivos	 à	 alteração	 na	 temperatura.	O	Receptor periférico ou 
subcutâneo	está	localizado	no	tecido	subcutâneo	e	proporciona	influxo	
para área de controle central (hipotálamo) quando há alterações na 
superfície	corporal.	Outro	receptor	avalia	as	modificações	na	temperatura	
do sangue que percorre o entorno do hipotálamo, estimulando diretamente o 
hipotálamo, esses receptores são denominados de receptores centrais 
e	ficam	na	porção	anterior	do	hipotálamo	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Em uma hipotermia (redução da temperatura corporal), receptores 
detectam alteração e encaminham um sinal elétrico para o hipotálamo. 
Para que ocorra uma diminuição da perda de calor, o hipotálamo estimula 
72 UNIUBE
Figura 6 – Termorregulação induzida pelo frio: produção de calor
Fonte: Adaptado de Powers e Howley (2014, p. 267).
Por outro lado, na hipertermia (aumento da temperatura corporal), há 
aumento da perda de calor, em resposta a uma vasodilatação periférica 
e produção de suor pelas glândulas sudoríparas (Figura 7), além de 
alterações comportamentais, através de uso de vestimentas leves. A 
fim	de	manter	o	volume	de	líquido	(perdido	pela	sudorese),	ocorre	a	
produção de dois hormônios: aldosterona e vasopressina. Aldosterona 
é	produzida	no	córtex	suprarrenal	e	possui	a	função	de	reter	sódio.	Por	
outro	lado,	a	vasopressina	é	secretada	pelo	lobo	posterior	da	hipófise	e	
tem	a	função	de	reter	líquido	(VANNI;	BRAZ,	1999).
uma vasoconstrição periférica, um aumento da produção de calor 
pelo metabolismo, através da termogênese pelo tremor, ou atividade 
muscular, bem como pela produção de catecolaminas (norepinefrina 
e epinefrina) e, quando necessário, produção de tiroxina (Figura 6). 
Além disso, pode-se contar com alterações comportamentais, como a 
colocação	de	roupas	de	frio	(VANNI;	BRAZ,	1999).
 UNIUBE 73
Controle hídrico5.2
A manutenção do líquido corporal relativamente constante é essencial para 
manter a homeostasia e o controle térmico efetivo. A quantidade ingerida 
de água diária por indivíduo é alterada por vários fatores, como prática de 
exercício físico (intensidade e duração da sessão), condições ambientais 
e vestimenta,	por	exemplo	(CARVALHO;	MARA,	2010).
Conforme mencionado, o meio mais efetivo de controle térmico em 
ambiente quente e durante a prática do exercício é a produção do suor 
e sua evaporação. Por outro lado, vale ressaltar que a perda de suor 
significa	a	perda	de	eletrólitos	e	água	que	devem	ser	repostos	para	evitar	
alterações	do	funcionamento	fisiológico.
O	termo	desidratação	refere-se	à	perda	de	água	corporal	de	um	estado	
hiperidratado (hidratação acima do que é necessário) para eurifratado 
(hidratação dentro do necessário) descendo para a hipoidratação 
(hidratação abaixo do necessário). Sabe-se que há uma perda de água 
(desidratação) expressiva na execução de exercício físico. Portanto, 
para um funcionamento térmico efetivo, deve haver um equilíbrio entre 
a perda de água e a ingesta, dessa forma irá ocorrer a manutenção do 
Figura 7 – Termorregulação induzida pelo calor: dissipação de calor
Fonte: Adaptado de Powers e Howley (2014, p. 267).
74 UNIUBE
Caso não ocorra a reidratação durante a execução do exercício, diante 
da	perda	de	líquido	(suor),	há	a	possibilidade	de	ocorrer	déficits	hídricos	
nos compartimentos intra-extra celular (hipovolemia). À medida que a 
hipoidratação acontece, ocorre a redução na taxa de transpiração, 
diminuição do fluxo sanguíneo periférico e como consequência a 
termorregulação se torna progressivamente mais difícil.
O	grau	de	desidratação	pode	ser	identificado	por	duas	maneiras:	(1)	
pequenos	volumes	de	urina	e	sua	coloração	amarelada;	(2)	determinado	
pela	variação	da	massa	corporal	verificada	antes	e	após	a	prática	de	
exercício físico. A perda de cada 0,5kg corresponde a aproximadamente 
480-500	ml	de	líquido	(CARVALHO;	MARA,	2010).
Figura 8 – Para manter a termorregulação efetiva durante o exercício, existe a 
necessidade de ingerir água e não derramar água sobre a cabeça
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
volume plasmático para que os mecanismos (circulação e transpiração) 
continuem	funcionando	de	forma	positiva	(CARVALHO;	MARA,	2010;	
POWERS;	HOWLEY,	2014).	Logo,	para	manter	o	controle	térmico	efetivo	
durante o exercício, faz-se necessária a ingestão de água (Figura 8).
 UNIUBE 75
Existem alguns sinais e sintomas que se manifestam diante do aumento 
da	temperatura	corporal	e	da	desidratação,	são	eles:	fadiga;	sede;	
perda	de	apetite;	 tontura;	oligúria e aumento da 
concentração da urina. Além disso, caso a desidratação 
progrida (desidratação grave), as manifestações 
serão:	olhos	afundados;	espasmos	musculares	e	
visão	fosca	(CARVALHO;	MARA,	2010).
Considerações finais5.3
A partir do conhecimento supracitado, podemos concluir que há formas 
de controle térmico pelos mecanismos físicos, entretanto três deles são 
dependentes da temperatura ambiental. Além disso, existem mecanismos 
fisiológicos	para	a	termorregulação,	sendo	o	hipotálamo	o	centro	regulador.	
Outro ponto interessante é a importância de a pessoa se manter hidratada 
durante a prática de exercício físico, uma vez que o meio mais efetivo 
para dissipação de calor é a evaporação do suor e, caso ocorra a 
hipoidratação, esse meio é afetado e a termorregulação se torna difícil 
podendo chegar a ocorrer lesões induzidas pelo calor.
Resumo
• Existem	quatro	meios	físicos	de	transferência	de	calor:	(1)	irradiação;	
(2)	condução;	(3)	convecção;	(4)	evaporação.	Entretanto,	apenas	
o mecanismo evaporativo não é dependente da temperatura 
ambiental.
• Durante a prática de exercício físico, o mecanismo físico mais 
eficiente	para	dissipação	de	calor	é	a	evaporação.
• O hipotálamo é o centro regulador da temperatura corporal.
• As respostas ao frio são: vasoconstrição periférica, atividades 
musculares, tremores, produção de catecolaminas e tiroxinas. As 
respostas ao calor são: vasodilatação cutânea e evaporação do suor.
Oligúria
volume baixo 
de urina, menor 
que 400 ml em 
um dia ou 30 ml 
em uma hora.
76 UNIUBE
• A	desidratação	se	 refere	à	perda	de	água	corporal.	À	medida	
que	a	desidratação	ocorre,	há	uma	dificuldade	progressiva	na	
termorregulação, afetando a taxa de transpiração e a circulação 
periférica.
• A	reidratação	adequada	pode	ser	identificada	através	da	avaliação	
da coloração da urina e da pesagem antes e depois de uma prática 
esportiva.
• Os	sintomas	de	estresse	térmicos	são:	fadiga;	sede;	perda	de	
apetite;	tontura;	oligúria	e	aumento	da	concentração	da	urina;	olhos	
afundados;	espasmosmusculares	e	visão	fosca.
Referências
CARVALHO,	Tales	de;	MARA,	Lourenço	Sampaio	de.	Hidratação	
e nutrição no esporte. Revista Brasileira de Medicina do 
Esporte, [S.L.], v. 16, n. 2, p. 144-148, abr. 2010.
KENNEY,	W.	Larry;	WILMORE,	Jack	H.;	COSTILL,	David	L.	Fisiologia 
do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013.
POWERS,	Scott	K.;	HOWLEY,	Edward	T. Fisiologia do exercício: teoria e 
aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri: Manole, 2014.
VANNI,	Simone	Maria	D’Angelo;	BRAZ,	José	Reinaldo	Cerqueira.	Hipotermia	
perioperatória:	novos	conceitos.	Rev Bras Anestesiol, v. 49, n. 5, p. 360-367, 1999.
Introdução
Exercícios em 
ambientes extremos
Capítulo
6
Possivelmente, você já escutou que um time de futebol foi para 
um país com altitude elevada, dias antes do jogo, para sua 
aclimatação. Primeiramente, o que seria a aclimatação? Por qual 
motivo ela é necessária?
Para pensarmos no sentido de aclimatação, deveríamos compreender 
as alterações que ocorrem quando realizamos exercício em 
ambientes extremos (frio, quente, com altitude e poluído). Quando 
há prática de exercício no calor, por exemplo, o que ocorre no 
corpo humano? Quais perturbações ocorrem para que o corpo 
crie ajustes para tolerar melhor essa condição? Esses mesmos 
questionamentos se aplicam aos demais ambientes extremos.
Além de pensar no contexto da aclimatação, devemos nos atentar 
às	alterações	fisiológicas	causadas	em	nosso	corpo,	quando	nos	
expomos	à	prática	de	exercício	físico	em	ambientes	extremos.	
Talvez, você já tenha escutado alguma reportagem, principalmente 
nas grandes cidades, como exemplo São Paulo (SP), relatando 
sobre	alterações	respiratórias	na	população	que	ali	reside.	Seria	
mesmo a poluição um problema para saúde em geral, bem como 
para prática de exercício físico?
78 UNIUBE
Essas e outras perguntas serão respondidas ao longo deste 
capítulo. O conhecimento aqui construído irá contribuir de forma 
expressiva em sua prescrição de exercícios quando realizados em 
ambientes	extremos	(altitude	e	poluição,	por	exemplo).	Identificar	
alterações, bem como analisar possíveis adaptações, irão 
proporcionar segurança na prescrição, e também potencialização 
de performance.
Ao término deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: 
• explicar	as	alterações	fisológicas	em	ambientes	quente,	frio,	
com	altitude	e	poluído;
• avaliar	sinais	de	lesões	induzidas	pelo	calor	e	frio;
• explicar	o	termo	aclimatação;
• discutir as aclimatações em ambientes extremos.
Objetivos
6.1 Ambientes extremos 
6.1.1 Termorregulação
6.1.2 Altitude
6.1.3 Poluição do ar
6.2	Considerações	finais
Esquema
Ambientes extremos6.1
Diversos	 fatores	 influenciam	 no	 desempenho	 físico,	 entre	 eles	 a	
alimentação adequada (dieta principalmente de carboidratos, caso o 
desempenho	envolva	metabolismo	anaeróbio	lático),	genética,	capacidade	 
 UNIUBE 79
metabólica,	interação	neuromuscular	e	a	técnica	do	movimento.	Além	dos	
fatores citados anteriormente, o ambiente no qual se realiza a prática do 
exercício físico pode alterar a performance.
6.1.1 Termorregulação
Conforme mencionado no capítulo anterior, o corpo humano possui 
mecanismos para controle da temperatura, sendo o hipotálamo (Figura 
1) o centro regulador da temperatura corporal. De maneira geral, o corpo 
tolera maiores declínios da temperatura corporal do que incrementos 
(CARVALHO;	MARA,	2010).	Observe	a	Figura	1	que	traz	a	localização	
do hipotálamo que é considerado o centro regulador da temperatura 
corporal.
Figura 1 – Ilustração da localização do hipotálamo
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
80 UNIUBE
Apesar de o corpo humano possuir mecanismos de controle térmico, 
dependendo da exposição ao ambiente com temperaturas muito 
elevadas ou muito baixas, bem como o estado hídrico atual do indivíduo, 
os	mecanismos	de	controle	se	tornam	ineficientes	para	o	controle	da	
temperatura, podendo propiciar hipertermia ou hipotermia.
O corpo tolera um aumento da temperatura corporal 
(hipertermia) de oito graus. Valores acima de 45°C 
podem	levar	à	morte.	A	lesão	por	calor	inclui	uma	
série de estágios. Caso seja de seu conhecimento 
o sinal ou o sintoma, problemas mais graves podem 
ser evitados. São enfermidades relacionadas ao 
calor:	 cãibras;	 exaustão; Intermação ou heat 
stroke. São sinais e sintomas das enfermidades: 
dor	de	cabeça;	náuseas;	sudorese;	palidez;	tontura;	
sede;	respiração	fraca.
Intermação 
É uma hipertermia 
acompanhada por 
resposta sistêmica 
inflamatória,	
causando 
múltiplas 
disfunções 
orgânicas e, 
frequentemente, a 
morte.
Heat stroke 
insolação.
O	mecanismo	de	controle	fisiológico	da	temperatura	é	dependente	primeiramente	
da detecção de termorreceptores, posteriormente a isso, o hipotálamo irá 
avaliar a informação (concedida pelos receptores) e ordenar algumas ações. 
No caso de necessidade de redução da perda de calor e incremento de 
produção de calor: há um acionamento simpático, propiciando vasoconstrição 
periférica;	atividade	muscular	involuntária	(calafrios)	ou	tritação	e	produção	
hormonal de catecolaminas (epinefrina e norepinefrina). Por outro lado, se 
há a necessidade de dissipação de calor, as ações são: redução da atividade 
simpática,	 promovendo	 a	 vasodilatação	 periférica;	 evaporação	 do	 suor	
produzido	pelas	glândulas	sudoríparas	(KENNEY;	WILMORE;	COSTILL,	2013).
RELEMBRANDO
 UNIUBE 81
Figura 2 –	Ilustração	de	possíveis	fatores	que	influenciam	nas	lesões	de	calor	
(exaustão):	roupa	inadequada;	vestimenta
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Como visto na Figura 2, apesar de serem importantes vestimentas que 
proporcionam correntes convectivas em torno do corpo e superfície 
exposta, em ambientes com temperaturas muito elevadas, elas podem 
gerar queimadura na superfície corporal. Sendo assim, roupas térmicas, 
confeccionadas com alta tecnologia e tecidos leves são apropriadas para 
ambientes extremos.
Em condição de ambiente quente, dois fatores possivelmente estão 
relacionados	à	perda	de	desempenho,	sendo	eles:	aumento da temperatura 
central e o aumento do estresse cardiovascular. Quando há um aumento 
da temperatura central, ocorre uma redução dos estímulos nervosos 
para a musculatura esquelética, gerando fadiga precoce. Além disso, 
o exercício em ambiente quente promove um estresse cardiovascular, 
que	 aumenta	 o	 seu	 esforço	 para	 atender	 à	 demanda	 energética,	
além da necessidade de realizar troca de calor para o meio ambiente. 
Vale ressaltar que o processo de desidratação perturba ainda mais o 
funcionamento do sistema cardiovascular.
Observe a Figura 2:
82 UNIUBE
Por outro lado, a queda do desempenho em ambientes frios, está muito 
associada ao maior consumo de substratos energéticos. Em ambientes 
frios, a produção maior de hormônios (catecolaminas) aumenta o 
consumo de carboidrato.
Em ambientes frios, é comum ocorrer quadros 
de hipotermia (redução da temperatura corporal 
abaixo de 35°C). A hipotermia ocorre quando 
a perda de calor excede a produção de calor. 
A hipotermia pode variar em graus como leve 
(35°C a 34°C), moderado (33°C a 29°C) e grave 
(28°C a 13,7°C). São sinais de hipotermia leve: 
amnésia e tremores máximos. Hipotermia 
moderada: ataxia,	apatia,	fim	dos	 tremores	
e inconsciência. Hipotermia grave: fibrilação 
ventricular,	 ausência	 de	 resposta	 à	 dor,	
hipotensão e bradicardia (POWERS;	HOWLEY,	
2014).
Ataxia
Termo referente a um 
conjunto de sintomas 
que são caracterizados 
pela perda de equilíbrio 
ou coordenação, 
possivelmente devido a 
danos no cérebro, nos 
nervos ou nos músculos.
Fibrilação ventricular
série potencialmente 
fatal de contrações 
descoordenadas, 
ineficazes	e	muito	rápidas	
dos ventrículos causadas 
por múltiplos impulsos 
elétricos	caóticos.
Bradicardia
o ritmo cardíaco irregular 
ou lento, normalmente 
com menos de 60 
batimentos por minuto.
Em 2019, uma onda de calor provocou um aumento do número de mortes na 
França.	O	artigo	“Onda	de	calor	deixa	1.500	mortosna	França”,	disponibilizado	
no site da Folha de São Paulo, mostra como isso ocorreu. Para ler o texto, acesse:
https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/09/onda-de-calor-deixa-
1500-mortos-na-franca.shtml#:~:text=A%20onda%20de%20calor%20
intensa,tinha%20mais%20de%2075%20anos.
Na matéria, conseguimos perceber que os idosos foram os mais prejudicados. 
PESQUISANDO NA WEB
 UNIUBE 83
Assim como nas lesões por calor, a hipotermia também pode ser 
afetada por alguns fatores, sendo eles: gordura subcutânea, índice de 
resfriamento	pelo	vento	e	vestimenta	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
6.1.2 Altitude
A prática de exercício físico em altitude tem tido um aumento expressivo 
ao longo dos últimos anos. Podemos citar como exercícios em altitudes 
o	alpinismo,	esqui	e	montanhismo.	Não	só	a	prática	dessas	modalidades	
esportivas, mas qualquer prática realizada em um ambiente com altitudes 
elevadas	pode	proporcionar	alterações	fisiológicas	(MAGALHÃES	et al., 
2002).
Para que possamos compreender as alterações que ocorrem em altitude 
elevadas, é preciso entender o comportamento da pressão do ambiente 
interno e externo. Veja na Figura 3, três situações (1, 2 e 3). Na situação 
1, o ambiente é estável e em equilíbrio e dessa forma a pressão externa é 
igual	à	pressão	interna.	Na	situação	2,	há	uma	elevação	do	meio	interno.	
Por	esse	motivo,	a	pressão	interna	fica	maior	que	a	pressão	externa.	
Na última situação (3), refere-se a uma situação de depressão do meio 
interno.	Dessa	forma,	é	notório	que	a	pressão	externa	se	torna	maior	que	
a pressão interna.
Figura 3 – Ilustração para compreensão da pressão do meio interno em confronto ao meio externo
Fonte: Elaborado pela autora.
84 UNIUBE
Na Figura 3, na situação 2 temos uma característica de comportamento 
da pressão ambiental em situações de altitude. Em ambientes com altitude 
elevada, a pressão atmosférica (coluna de ar, que exerce uma pressão 
em	um	ponto	específico	da	terra)	é menor. Além da pressão atmosférica 
ser menor, o ar é menos denso, contendo menos moléculas de gases 
(oxigênio	e	gás	carbônico)	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
A redução da pressão parcial de oxigênio no ambiente afeta a captação 
de oxigênio pelos álveolos, capilares e tecido muscular, isso porque as 
trocas gasosas são dependentes da variação de pressão. Para que o 
oxigênio chegue até a célula muscular, ele passa por diversos locais 
(Figura 4) e essa troca de gases sempre será de uma local de maior 
pressão	para	um	de	menor	pressão	(denominado	de	fluxo	de	massa)	
(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Figura 4 – Ilustração das regiões em que ocorrem trocas gasosas (oxigênio e gás carbônico), 
sendo essa troca dependente de gradiente de pressão
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
 UNIUBE 85
Em	exercícios	realizados	a	nível	do	mar,	temos	a	condição	de	normóxia	
(pressão de oxigênio normal) e, em ambientes com altitude elevada, 
temos a condição de hipóxia	(ausência	de	oxigênio	suficiente	em	tecidos	
para manutenção das funções corporais). Em exercícios realizados a 
nível do mar, a pressão parcial de oxigênio no ar inspirado é constante. 
Por outro lado, em altitude, a pressão de oxigênio se encontra abaixo do 
valor	de	normóxia	(150	mmHg)	(PINILLA,	2014).
Pensando	na	característica	do	exercício	físico	realizado	(aeróbio	ou	
anaeróbio),	a	baixa	pressão	parcial	de	oxigênio	e	como	consequência	
a	baixa	captação	de	oxigênio	pelo	sistema	fisiológico	pode	afetar	o	
desempenho.	Quando	o	exercício	é	de	característica	anaeróbia,	a	
pressão de oxigênio baixa não afeta o desempenho. Por outro lado, na 
prática	de	exercícios	de	características	aeróbias,	a	pressão	parcial	de	
oxigênio baixa muda o desempenho esportivo, uma vez que irá afetar o 
transporte de oxigênio para os tecidos musculares.
Para melhor tolerância da prática de exercício físico em ambientes com 
altitude elevada, residentes a nível do mar, os esportistas vão, tempos 
antes da competição, para o local, com o intuito de aclimatação. As 
principais	manifestações	à	exposição	à	altitude	são	a	hiperventilação 
(aumento da respiração) e um aumento de circulação sanguínea por 
minuto (aumento do débito cardíaco). Por outro lado, exposições 
prolongadas	à	altitude	(com	intuito	de	aclimatação),	com	o	objetivo	de	
tolerar	melhor	a	condição	de	hipóxia,	causam	o	aumento	da	produção	
eritropoetina, que, por sua vez, estimula a produção de hemácias e aumenta 
concentração de hemoglobina. O tempo necessário para aclimatação é em 
média	15	dias	e	as	adaptações	duram	por	volta	de	20	dias	após	retornar	
ao ambiente com pressão a nível do mar (ARAÚJO, 2009).
86 UNIUBE
Certamente, você já ouviu acerca de algumas estratégias que as equipes de 
esporte fazem para lidar com a altitude quando há jogos em certos países, 
não é mesmo?
No	artigo	“A	estratégia	da	Seleção	para	driblar	a	altitude	boliviana”,	da	
redação do site Goal, vemos uma forma encontrada pela equipe da seleção 
brasileira de 2017, para lidar com isso. Para ler o texto, acesse:
https://www.goal.com/br/not%C3%ADcias/a-estrategia-da-selecao-para-
driblar-a-altitude-boliviana/1rrxpg11s2s4j1xff12l9qxghl
Observe	o	que	o	fisiologista	Antônio	Crescente	explica.	Vemos	que	anteriormente	
as	equipes	iam	dias	antes	a	fim	de	gerar	uma	aclimatação,	porém	para	
que de fato isso ocorra se faz necessário um tempo longo. Diante da 
impossibilidade de estar com a seleção por um longo tempo no país com 
altitude	elevada,	o	fisiologista	releva	a	necessidade	de	chegar	próximo	à	
competição,	uma	vez	que	os	efeitos	fisiológicos	e	mecânicos	proporcionados	
pela	altitude	elevada	começam	a	ser	potencializados	após	seis	ou	oito	horas	
de exposição.
PESQUISANDO NA WEB
6.1.3 Poluição do ar
Assim como a prática de exercício físico em ambientes quentes e frios 
e em altitudes elevadas, ambientes com gases poluentes também 
podem	influenciar	negativamente	no	desempenho	esportivo.	Os	gases	
podem afetar a performance por diversos motivos, como a redução da 
capacidade de transportar o oxigênio na corrente sanguínea. 
Entre os gases que afetam o desempenho esportivo, podemos citar o 
dióxido de enxofre.	O	dióxido	é	comumente	encontrado	em	usinas	
refinadoras	e	elétricas	que	utilizam	combustíveis	fósseis	para	produção	 
 UNIUBE 87
de energia. O gás inalado gera uma resposta inflamatória, causando uma 
redução no diâmetro dos brônquios (broncoconstrição), afetando a passagem 
de	oxigênio	no	sistema	respiratório,	dificultando	a	chegada	de	oxigênio	
nos alvéolos e, como consequência, a troca gasosa. Já o monóxido de 
carbono	afeta	o	desempenho	devido	à	sua	ligação	na	hemoglobina 
(molécula	que	transporta	o	oxigênio),	dificultando	desta	maneira	a	ligação	
do oxigênio na molécula para que ele seja transportado.
Considerações finais6.2
A partir do conhecimento supracitado, podemos concluir que existe 
um	mecanismo	fisiológico	para	controle	térmico,	entretanto	quando	
o exercício é realizado em ambientes extremos (muito frio ou muito 
quente),	o	mecanismo	de	controle	pode	não	ser	suficiente,	gerando	
lesões induzidas pelo calor ou pelo frio. 
Além disso, foi relatado o possível motivo que explique a redução 
do desempenho em ambientes com altitude elevada, bem como as 
alterações	fisiológicas	que	ocorrem	em	exposição,	por	muito	tempo,	em	
ambientes com altitude elevada. Outro fator, além da altitude, que pode 
afetar o desempenho é a exposição a gases poluentes.
Resumo
• Quando o exercício é realizado em ambientes muito quentes, pode 
ocorrer a hipertermia, por outro lado, quando o ambiente está muito 
frio é possível que ocorra a hipotermia.
• São lesões induzidas pelo calor: cãibras, intermação e exaustão.
• Em ambientes com altitude elevada, a pressão atmosférica é menor, 
assim como a densidade do ar, reduzindo a pressão parcial de 
oxigênio. 
88 UNIUBE
• O	desempenho	 de	 exercícios	 predominantemente	 anaeróbios	
em altitude elevada não é afetado, por outro lado, exercícios 
predominantemente	aeróbios	são	afetados,	pela	dificuldade	de	
transporte e captação deoxigênio pelo músculo.
• Exposições	 prolongadas	 à	 altitude	 aumentam	 a	 produção	 de		
eritropoetina, estimulando assim a produção de hemácias e 
aumentando a concentração de hemoglobina.
• Os	gases	poluentes	afetam	o	desempenho	esportivo,	influenciando 
o	transporte	do	oxigênio	(monóxido	de	carbono)	e	alterando	o	fluxo	
de	oxigênio	no	sistema	respiratório,	desencadeado	por	um	processo	
inflamatório	(dióxido	de	enxofre).
Referências
ARAÚJO,	R.	C.	Efeito	da	exposição	à	altitude	no	desempenho	
físico. Revista Digital efdeportes, v. 13, n. 129, 2009.
CARVALHO,	Tales	de;	MARA,	Lourenço	Sampaio	de.	Hidratação	
e nutrição no esporte. Revista Brasileira de Medicina do 
Esporte, [S.L.], v. 16, n. 2, p. 144-148, abr. 2010.
FOLHA de São Paulo. Onda de calor deixa 1.500 mortos na França. 2019. Disponível 
em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019. Acesso em: 23 mar. 2021.
GOAL. A estratégia da Seleção para driblar a altitude boliviana. 2019. Disponível 
em: https://www.goal.com/br/not%C3%ADcias/a-estrategia-da-selecao-para-
driblar-a-altitude-boliviana/1rrxpg11s2s4j1xff12l9qxghl.	Acesso	em:	23	mar.	2021.
KENNEY,	W.	Larry;	WILMORE,	Jack	H.;	COSTILL,	David	L.	Fisiologia 
do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013.
MAGALHÃES, J. et al.	O	desafio	da	altitude.	Uma	perspectiva	fisiológica.	
Revista Portugesa de Ciências do Desporto, v. 2, n. 4, p. 81-91, 2002.
PINILLA, Olga Cecilia Vargas. Exercise and training at altitudes: physiological 
effects	and	protocols.	Rev Cienc Salud, v. 12, n. 1, p. 111-126, 2014.
POWERS,	Scott	K.;	HOWLEY,	Edward	T. Fisiologia do exercício: teoria e 
aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri: Manole, 2014.
Introdução
Sistema cardiorrespiratórioCapítulo
7
Durante a prática de exercício físico ou atividade física, você 
provavelmente percebeu que há uma alteração no funcionamento 
do	seu	sistema	cardiorrespiratório,	não	é?!	Para	que	possamos	
pensar	nas	alterações,	primeiramente	devemos	refletir:	o	que	
compõe	o	sistema	cardiorrespiratório	e	qual	seria	sua	função?
Já percebeu quantas vezes você respira em um minuto? Por 
volta	de	15	vezes,	ou	algo	próximo	a	isso?!	Além	disso,	nesse	
processo de respiração, você pode perceber que existem dois 
momentos distintos?! Acredito que deva ter prestado atenção que 
há um momento de entrada de ar nos pulmões e outro de saída, 
certo?! Como eles são denominados, você sabe? Agora pensando 
na prática de exercício físico, você permanece respirando por 
15	vezes,	ou	há	um	aumento	na	frequência	respiratória?	Neste	
capítulo,	vamos	refletir	acerca	dessas	questões.
Outro ponto que atualmente vem sendo utilizado para calcular 
a intensidade do exercício físico é a frequência cardíaca. Com 
o aumento do comércio de frequencímetros e a redução do 
custo,	vários	profissionais	de	educação	física	têm	observado	o	
comportamento da frequência cardíaca em seus clientes para 
controlar e prescrever o exercício físico de forma adequada e com 
o	intuito	de	alcançar	objetivos	específicos.
90 UNIUBE
Acreditamos que deve ser claro para você que a frequência cardíaca 
aumenta durante a prática de exercício físico, não é mesmo?! Mas 
fisiologicamente,	o	que	é	alterado	no	organismo	que	faz	com	que	haja	
um incremento da frequência cardíaca? Nesse momento, você deve 
se lembrar do funcionamento do sistema nervoso, pois ele tem um 
forte	papel	no	controle	de	órgãos	do	corpo	humano.
Agora, pense: qual seria o comportamento da frequência cardíaca 
em repouso de um atleta (ou pessoa que treina por algum tempo)? 
O coração de uma pessoa treinada bate na mesma velocidade 
que uma pessoa destreinada, em tempos de repouso? Se você 
acredita que há uma diferença entre as duas situações (treinados 
e sedentários), por qual motivo ocorre essa diferença?
Muitas perguntas foram levantadas. Possivelmente você tenha 
conseguido	responder	algumas.	Ao	final	do	capítulo	esperamos	
que	fiquem	claras	as	respostas	de	cada	questionamento	levantado.	
Saber	utilizar	de	parâmetros	fisiológicos	(frequência	cardíaca)	
para dosar a intensidade do treinamento, bem como utilizar o 
controle da intensidade para alcançar adaptações favoráveis 
para o seu aluno, faz com que você potencialize os efeitos 
crônicos, bem como analise se a sua prescrição está alcançando 
os objetivos esperados, por você e pelo seu aluno, em âmbito 
cardiorrespiratório,	tanto	para	performance quanto para saúde.
Ao término deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: 
• explicar	a	função	do	sistema	cardiorrespiratório	e	seus	componentes;
• explicar	a	fisiologia	do	sistema	respiratório;
Objetivos
 UNIUBE 91
• avaliar	as	alterações	e	adaptações	do	sistema	respiratório;
• explicar	a	fisiologia	do	sistema	cardiovascular;
• avaliar as alterações e adaptações do sistema cardiovascular.
7.1	Sistema	cardiorrespiratório
7.1.1	Sistema	respiratório
7.1.2	Fisiologia	do	sistema	respiratório	e	exercício
7.1.3 Sistema cardiovascular
7.1.4 Fisiologia do sistema cardiovascular e exercício
7.2	Considerações	finais
Esquema
Sistema cardiorrespiratório7.1
O	sistema	cardiorrespiratório	envolve	a	interação	de	dois	sistemas,	sendo	
eles: sistema respiratório e sistema cardiovascular. Vejamos.
Portanto, para manter as concentrações dos gases (pressão parcial de 
oxigênio	e	dióxido	de	carbono)	em	níveis	ótimos,	o	sistema	respiratório	e	o	
sistema cardiovascular trabalham em conjunto e com isso a demanda de 
nutrientes e de oxigênio do organismo é ofertada, bem como a remoção 
do	dióxido	de	carbono	para	o	meio	externo.	O	ponto	de	conexão	entre	os	
dois	sistemas	(respiratório	e	cardíaco)	se	dá	entre	a	conectividade	dos	
capilares que envolvem os sacos alveolares (Figura 1). Nesse ponto 
de ligação é onde, de fato, ocorrem as trocas gasosas (gás carbônico e 
oxigênio), também denominado de hematose.
92 UNIUBE
Figura 1	–	Ilustração	da	localização	do	ponto	de	ligação	do	sistema	respiratório	(alvéolo)	com	o	
cardiovascular (capilar)
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
7.1.1 Sistema respiratório
Como	mencionado	anteriormente,	o	sistema	respiratório	possui	a	função	
de	fornecer	ao	corpo	humano	o	oxigênio	e	remover	o	dióxido	de	carbono.	
Esse sistema é composto por duas zonas: zona condutora e zona 
respiratória. A zona condutora tem a função de conduzir, filtrar e 
umidificar o ar e é composta por: boca, nariz, faringe, laringe, traqueia, 
brônquios e bronquíolos terminais. Por outro lado, a zona respiratória é 
onde de fato ocorrem as trocas gasosas e é composta pelos bronquíolos 
respiratórios	e	sacos	alveolares	(POWERS;	HOWLEY,	2014)	(Figura	2).
 UNIUBE 93
Figura 2	–	Anatomia	do	sistema	respiratório
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
O termo ventilação pulmonar	se	refere	à	mobilização	para	dentro	e	para	
fora dos pulmões. Esse processo de mobilização do ar se dá por meio 
do fluxo de massa. Fluxo de massa se refere ao processo que envolve 
movimento de moléculas ao longo de uma passagem em decorrência de 
uma diferença de pressão entre as extremidades. Portanto, para que 
ocorra a movimentação do ar, faz-se necessária a diferença de pressão 
do meio externo (pressão atmosférica) com o meio interno (pulmão) 
(POWERS;	HOWLEY,	2014).	Observe	a	Figura	3.
94 UNIUBE
Figura 3 –	Anatomia	do	sistema	respiratório
Fonte: Elaborado pela autora.
Conforme pôde ser observado na Figura 3, a pressão atmosférica a 
nível do mar é de 760 mmHg. Em algum momento, a pressão pulmonar 
fica	inferior	à	da	atmosfera	e	nesse	momento	o	ar	tende	a	entrar	para	
os pulmões. Por outro lado, a pressão pulmonar pode se tornar maior, 
comparada	à	atmosfera,	e,	nesse	momento,	o	ar	 tende	a	sair	dos	
pulmões e ir para o meio externo.
Para que ocorra essa diferença de pressão no pulmão, há a necessidade 
de variar o volume da caixa torácica. Quando aumenta o volume da caixa, 
a pressão tende a reduzir e o ar entra nos pulmões, já quando há uma 
redução do volume da caixa torácica, a pressão aumenta e o ar tende 
a sair. Esses processos de entrada e saída do ar são denominadosde 
inspiração e expiração, respectivamente.
Inspiração é um processo ativo, que envolve a contração de dois 
músculos esqueléticos: diafragma e intercostais externos	(POWERS;	
HOWLEY, 2014).
 UNIUBE 95
Figura 4 – Ilustração dos processos de inspiração e expiração
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Observando a Figura 4 , vemos que, na inspiração, o músculo diafragma 
vai	comprimir	os	órgãos	e	aumentar	de	forma	transversal	a	caixa	torácica.	
Os músculos intercostais vão puxar as costelas para cima e para fora 
e o esterno para frente e para cima, aumentando a caixa torácica 
longitudinalmente. Dessa forma, a pressão pulmonar irá reduzir e o ar, 
entrar. Já o processo de expiração refere-se a um processo passivo, que 
envolve o relaxamento dos músculos diafragma e intercostais, retornando 
à	posição	anatômica	e	reduzindo	o	volume	da	caixa	torácica.	Assim,	a	
pressão pulmonar aumenta, e o ar tende a sair do pulmão para meio 
externo	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
96 UNIUBE
7.1.2 Fisiologia do sistema respiratório e exercício
Como já mencionado, a ventilação pulmonar refere-se ao movimento 
de gases para dentro e para fora dos pulmões. A quantidade de gás 
ventilado por minuto (ventilação por minuto) é o produto da quantidade 
de gás deslocado por ventilação (volume corrente) e a frequência da 
respiração	(frequência	respiratória).
Durante a prática do exercício físico, a demanda multiplica-se e, como 
consequência, a ventilação por minuto irá aumentar. Ela amplia tanto 
pelo	aumento	da	frequência	respiratória,	quanto	pelo	aumento	do	volume	
corrente.
Pensando	no	efeito	crônico	do	sistema	respiratório,	de	maneira	geral,	
não há adaptações no pulmão. Portanto, diferente dos outros sistemas, 
o sistema pulmonar não se adapta diante de estímulos de prática de 
exercício	regular	(POWERS;	HOWLEY,	2014),	apenas	pode	ocorrer	uma	
melhora	na	função	muscular	(músculos	respiratórios)	para	potencializar	
o efeito da respiração forçada.
7.1.3 Sistema cardiovascular
Como vimos, o sistema cardiovascular possui a função principal de 
transporte	de	nutrientes	e	oxigênio	e	remoção	de	dióxido	de	carbono,	mas	
ele também colabora para o controle térmico, por exemplo, proporcionando 
vasodilatação	ou	constrição,	redirecionando	o	fluxo	de	sangue.	O	sistema	
cardiovascular é composto por três componentes: coração, vasos 
sanguíneos e sangue.
O sistema cardiovascular possui duas circulações: a sistêmica e a 
pulmonar. A circulação sistêmica, ou também denominada de grande 
circulação, inicia-se no ventrículo esquerdo, transporta o sangue para 
todo	os	órgãos	e	tecidos	e	retorna	através	das	veias	cavas	para	o	átrio	 
 UNIUBE 97
direito. Já a pequena circulação ou circulação pulmonar inicia seu 
percurso pelo ventrículo direito, a circulação vai em direção ao pulmão, 
lá é realizada a troca gasosa e retorna para o coração através das veias 
pulmonares	para	o	átrio	esquerdo	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Observe a Figura 5:
Figura 5 – Ilustração da circulação do corpo humano
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
98 UNIUBE
Entre os componentes do sistema cardiovascular, o coração é uma 
bomba contrátil que tem a função de gerar pressão para que o sangue 
possa ser transportado por todo o corpo. Anatomicamente, ele possui 
quatro câmaras, sendo elas: ventrículo esquerdo, ventrículo direito, 
átrio direito, átrio esquerdo. A massa ventricular esquerda é mais 
espessa	quando	comparada	à	direta	pela	necessidade	de	maior	força	
de contração. Além disso, o coração faz conexão com vários vasos 
sanguíneos, entre eles artérias como aorta e pulmonar e veias como a 
cava	superior	e	inferior	e	pulmonares	(Figura	6)	(KENNEY;	WILMORE;	
COSTILL, 2013).
Figura 6 – Anatomia do coração
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
 UNIUBE 99
O coração possui quatro propriedades importantes, sendo elas: automatismo, 
excitabilidade, condutibilidade e contratilidade. Por todo o coração, há 
células	capazes	de	produzir	seu	próprio	potencial	de	ação	(sem	nenhum	
estímulo externo), entretanto elas estão aglomeradas em dois pontos 
específicos:	(1)	logo	abaixo	da	veia	cava	superior,	que	é	denominada	de	
nó sinoatrial ou sinusal e (2) entre o átrio e o ventrículo, denominado de 
nó atrioventricular.	Esses	nós	geram	estímulo	por	si	só	(automatismo) 
por	cerca	de	70	vezes	por	minuto	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Além	da	célula	conseguir	gerar	o	seu	próprio	potencial	de	ação,	ela	
é capaz de excitar a célula vizinha (excitabilidade). A partir disso, o 
potencial começa a ser conduzido (condutibilidade) e quando ele é 
conduzido por todo o coração, o coração contrai (contratibilidade). Caso 
haja uma alteração na condução elétrica, pode ser desencadeada uma 
arritmia	e	o	coração	pode	fibrilar,	por	exemplo	(Figura	7).
Na internet, é possível encontrar várias animações acerca do sistema 
cardiovascular. Por meio delas, podemos ver o sistema em funcionamento e 
entendê-lo	melhor.	O	vídeo	“Sistema	Cardiovascular.	Sistema	Respiratório”,	
disponibilizado por Flávio Miranda, mostra, de uma forma bem didática, o 
que estamos estudando. Para assistir ao vídeo, acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=R1mOEbfhzGk
O vídeo demostra a ligação dos elementos do sistema cardiovascular, 
sendo eles: coração, vasos sanguíneos e sangue. Observe também a 
movimentação do sangue, a partir da circulação sistêmica e pulmonar, bem 
como	as	trocas	gasosas	(oxigênio	e	dióxido	de	carbono).
PESQUISANDO NA WEB
100 UNIUBE
Figura 7 – Condução elétrica cardíaca
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Vale	ressaltar	que	“fibrilar”	é	quando	as	câmaras	cardíacas	não	contraem	
em	ritmo	síncrono,	em	vez	disso,	elas	tremem	ou	fibrilam.
Além do comando interno do coração, ele possui inervações do sistema 
nervoso autônomo que controla seu funcionamento. O ramo autonômico 
parassimpático possui uma inervação focal, inervando diretamente os 
nós	(sinusal	e	atrioventricular).	Quando	estimulado,	o	parassimpático	
retarda o disparo do potencial de ação, reduzindo a frequência cardíaca. 
Por outro lado, o ramo autonômico simpático possui uma inervação 
mais difusa por todo o miocárdio que, quando estimulado, aumenta 
a força de contração e a frequência do disparo do potencial de ação, 
aumentando a frequência cardíaca (POWERS;	HOWLEY,	2014).	 
 UNIUBE 101
Figura 8 – Tipos de vasos sanguíneos existentes
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Outros integrantes do sistema cardiovascular são os vasos sanguíneos. 
Os vasos possuem a função de conduzir o sangue para os tecidos. 
Existem três tipos de vasos: (1) artérias, que levam o sangue do coração 
para	o	corpo,	possuem	paredes	mais	espessas	e	elásticas;	(2)	veias, que 
levam	ao	coração	o	sangue	vindo	do	corpo,	têm	paredes	mais	finais	se	
comparadas	às	artérias;	(3)	capilares, que são vasos de conexão entre 
artérias e veias, possuem uma única camada celular e é o local onde 
ocorrem as trocas gasosas entre os tecidos. Observe a Figura 8.
102 UNIUBE
Além do coração e vasos sanguíneos, o sangue também faz parte do 
sistema cardiovascular. O sangue é dividido didaticamente em três partes: 
plasma, glóbulos brancos, glóbulos vermelhos. Grande porcentagem 
(90%) do plasma é de água onde encontram-se dissolvidos os nutrientes 
(aminoácidos,	glicose,	lipídios	e	sais	minerais).	Os	glóbulos	brancos	são	
as	células	de	defesa	do	organismo.	Por	fim,	glóbulos	vermelhos,	também	
chamados de hemácias, possuem uma vasta quantidade de hemoglobina 
que	tem	a	propriedade	de	transportar	o	oxigênio	(KENNEY;	WILMORE;	
COSTILL, 2013).
Agora, já relatado o funcionamento dos três componentes do sistema 
cardiovascular, para compreendermos o funcionamento desse sistema, 
devemos nos atentar ao conceito de débito cardíaco (DC). DC se refere 
à	quantidade	de	sangue	ejetado	pelo	ventrículo	esquerdo	por	minuto.	De	
maneira geral, o DC se relaciona ao entendimento de quanto (quantidade) 
de sangue que circula no corpo em um minuto. E ele é dado pelo disparo 
do potencial de ação no coração (frequência cardíaca) vezes o quanto 
de sangueque é ejetado a cada batimento (volume sistólico). Em 
média, em um minuto, cinco litros de sangue circulam no corpo humano 
em condição de repouso.
7.1.4 Sistema cardiovascular e exercício
Durante a prática de exercício físico (efeito agudo), ocorre uma alteração 
no funcionamento do sistema cardiovascular para atender ao aumento da 
demanda. Diante da prática do exercício, há um aumento da quantidade 
de sangue circulante por minuto (DC).
O	DC	irá	ampliar	à	medida	que	a	intensidade	e	a	duração	do	exercício	
físico aumentam, conforme a da frequência cardíaca e o volume 
sistólico.	A	frequência	cardíaca	aumenta	de	forma	similar	à	intensidade 
 UNIUBE 103
do esforço. O incremento da frequência se dá 
inicialmente pela retirada vagal (parassimpático) 
e posteriormente pelo acionamento do sistema 
nervoso	 simpático.	 Já	 o	 volume	 sistólico	
aumenta e quando chega a uma intensidade 
moderada de exercício atinge um platô e não 
aumenta mais. Esse platô demostra que o 
volume	de	enchimento	cardíaco	chegou	à	sua	
capacidade máxima (Figura 9) (BRUM et al., 2004).
Observe a Figura 9:
Retirada vagal 
(parassimpático)
termo utilizado para 
determinar a redução 
da ação do sistema 
nervo parassimpático, 
nervo este que tem 
como nome nervo 
vago.
Figura 9	–	Comportamento	do	débito	cardíaco	(DC),	frequência	cardíaca	(FC)	e	volume	sistólico	
(VS) de acordo com a intensidade do exercício
Fonte: Elaborado pela autora.
Além de compreender o efeito agudo do exercício físico no sistema 
cardiovascular, também devemos entender as adaptações (efeito crônico) 
do sistema diante do treinamento físico.
Uma das adaptações mais conhecidas do sistema cardiovascular é a 
bradicardia de repouso, ou seja, redução da frequência cardíaca de 
repouso. A bradicardia pode ser explicada por alguns fatores, sendo 
eles:	(1)	redução	da	atividade	simpática	no	coração;	(2)	redução	da	
frequência intrínseca de marcapasso cardíaco e (3) aumento da atividade 
parassimpática (BRUM et al., 2004).
104 UNIUBE
Além	de	uma	bradicardia,	outro	efeito	agudo	é	o	aumento	do	volume	sistólico.	
Portanto, para cada batimento, mais sangue é ejetado. Esse aumento do 
volume	sistólico	está	relacionado	à	hipertrofia	excêntrica,	aumentando	o	
tamanho do coração, fazendo com que haja uma possibilidade de aumento 
do	volume	diastólico	final	(quantidade	de	sangue	que	cabe	dentro	do	coração	
quando ele está relaxado) (BRUM et al., 2004).
Outra adaptação do treinamento físico no sistema cardiovascular é a 
hipotensão (redução da pressão arterial) crônica em pessoas hipertensas. 
Pessoas	treinadas	podem	reduzir	valores	pressóricos	e	desta	maneira	
contribuir para controle dessa patologia que é muito recorrente na 
população	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Considerações finais7.2
A partir do conhecimento supracitado, podemos compreender que há 
uma	relação	entre	o	sistema	cardiovascular	com	o	respiratório.	Ambos	
trabalham em conjunto para atender a demanda do organismo, diante do 
suprimento	de	oxigênio	e	nutrientes	e	da	remoção	do	dióxido	de	carbono.
Além disso, vale ressaltar a importância da interação entre os componentes 
dos sistemas para o bom funcionamento. Outro ponto relevante é o 
entendimento dos efeitos agudos e crônicos de cada sistema. Entendam 
que o efeito agudo é necessário para que, a longo prazo, as adaptações 
para melhor funcionamento do organismo sejam alcançadas. 
Resumo
• Sistema cardiovascular tem a função de suprir as demandas do 
organismo em termos de nutrientes e oxigênio.
• O	sistema	respiratório	repõe	o	oxigênio	e	elimina	o	dióxido	de	
carbono para o meio externo.
 UNIUBE 105
• O	sistema	respiratório	possui	duas	zonas:	zona	respiratória	e	zona	
condutora.
• Durante o exercício físico, a ventilação por minuto aumenta, pelo 
aumento	da	frequência	respiratória	e	volume	corrente;
• Não existe uma adaptação do pulmão de pessoas treinadas em 
relação	às	destreinadas.
• O sistema cardiovascular é composto pelo coração, vasos sanguíneos 
e sangue.
• O coração possui controle intrínseco cardíaco e externo (controle 
autonômico).
• Durante o exercício, para suprir a demanda, há uma elevação do 
débito cardíaco em decorrência do aumento da frequência cardíaca 
e	do	volume	sistólico.
• São adaptações do sistema cardiovascular diante da prática do 
exercício físico a longo prazo: bradicardia, hipotensão crônica, 
aumento	do	volume	sistólico.
BRUM, Patricia Chakur et al. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico 
no sistema cardiovascular. Rev. Paul. Educ. Física, v. 18, n. 1, p. 21-31, 2004.
KENNEY,	W.	Larry;	WILMORE,	Jack	H.;	COSTILL,	David	L.	Fisiologia do esporte 
e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013.
POWERS,	Scott	K.;	HOWLEY,	Edward	T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação 
ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri: Manole, 2014.
SISTEMA	Cardiovascular.	Sistema	Respiratório.	Produção	de	Flávio	Miranda.	Vídeo.	
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=R1mOEbfhzGk. Acesso em: 23 mar. 
2021.
Referências
Introdução
Sistema hormonal Capítulo
8
No Capítulo 2, conversamos a respeito de um conceito extremamente 
importante,	 denominado	 de	 “Sistema	 de	 controle	 biológico”.	
Todas	as	variáveis	fisiológicas	tendem	a	manter	um	equilíbrio,	
denominado	de	homeostase.	O	sistema	de	controle	biológico	
possui a função de manter a homeostasia.
Você deve estar se perguntando sobre a relação entre o sistema 
de	controle	biológico	e	o	sistema	hormonal,	não	é	mesmo?!	Pois	
bem,	grande	parte	do	controle	das	variáveis	fisiológicas	depende	
da secreção de hormônios. Portanto, de maneira geral, para o 
controle efetivo da homeostasia, dois sistemas trabalham em 
conjunto: o sistema nervoso e o sistema hormonal.
Falando em sistema hormonal, você sabe do que se trata? E, se 
sim, você já ouviu falar de algum hormônio e sua respectiva função? 
Possivelmente já escutou o termo adrenalina, ou testosterona, 
insulina ou algo do tipo? Pois bem, esses são hormônios e cada um 
deles	exerce	uma	função	importante	para	controle	fisiológico.
Durante o exercício, o comportamento dos hormônios pode 
alterar? Além disso, quais hormônios você acredita que sejam de 
extrema	importância	durante	e	após	a	prática	de	exercício	físico?	 
108 UNIUBE
Muitas perguntas foram levantadas. Possivelmente você conseguiu 
responder	a	algumas.	Ao	final	do	capítulo,	esperamos	que	fiquem	
claras as respostas de cada questionamento levantado. 
Vale ressaltar que, durante a execução de exercício físico, 
uma	gama	de	hormônios	trabalham	a	fim	de	manter	o	corpo	
em equilíbrio e em funcionamento efetivo para a realização da 
tarefa exigida. Dependendo do tipo de estímulo empregado pelo 
profissional,	as	respostas	hormonais	podem	variar,	alterando	o	
efeito agudo e o crônico. Para tanto, o conhecimento do efeito 
hormonal é determinante para um bom controle das variáveis do 
treinamento físico.
Ao término deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: 
• explicar	a	função	do	sistema	endócrino;
• descrever	os	mecanismos	de	atuação	dos	hormônios	nas	células;
• identificar	as	glândulas	e	seus	respectivos	hormônios;
• avaliar o efeito hormonal durante a prática de exercício físico.
8.1	Sistema	neuroendócrino	
8.1.1 Glândulas e hormônios
8.2	Considerações	finais
Objetivos
Esquema
Sistema neuroendócrino8.1
O	sistema	neuroendócrino	refere-se	à	interdependência	entre	o	sistema	
nervoso com o sistema hormonal para manter a homeostasia corporal. 
O	 sistema	 endócrino	 é	 responsável	 pelo	 controle	 das	 atividades	 
 UNIUBE 109
metabólicas	do	organismo,	atuando,	a	longo	prazo,	através	de	liberação	
de hormônios no sangue que circulam até os tecidos. Por outro lado, 
o sistema nervoso libera neurotransmissores para transmitir sinais de 
um nervo para outro, ou do neurônio para o tecido.
Como	supracitado,	o	sistema	endócrino	libera	hormônios, que por sua 
vez são substâncias químicas produzidas e liberadas por glândulas 
endócrinas	e	atuam	controlando	o	funcionamento	de	órgãos,	mantendo	
a homeostasia.Apresentação
Prezado(a) aluno(a),
Este livro foi projetado para que você tenha uma melhor compreensão 
sobre as estruturas geradoras ou limitadoras e funcionais do corpo 
humano.	O	estudo	da	fisiologia	humana	e	do	exercício	irá	lhe	proporcionar	
um conhecimento sobre o funcionamento dos sistemas orgânicos e suas 
conexões e alterações durante a prática de exercício físico.
Em um primeiro momento, o livro apresenta uma abordagem básica 
dos	conceitos	de	fisiologia,	assim	como	de	exercício	e	atividade	física	
em	seus	momentos	de	análise	(agudo,	subagudo	e	crônico).	Por	fim,	
os demais capítulos, irão tratar do funcionamento do sistema em 
homeostase e durante a prática de exercício físico. Vejamos.
No primeiro capítulo, intitulado “Conceitos e contextos da Fisiologia do 
Exercício”,	veremos	os	conceitos	básicos	destinados	ao	componente	
para que os capítulos posteriores possam ser compreendidos de uma 
forma mais efetiva. Além disso, abordaremos termos ditos de forma 
recorrente	em	nossa	prática	profissional,	tais	como	atividade	física	e	
exercício físico serão conceituados.
Em	“Sistema	de	controle”,	apresentaremos	a	definição	de	sistemas	de	
controle	biológico	e	demostraremos	o	controle	do	funcionamento	dos	
sistemas	fisiológicos,	bem	como	a	conexão	entre	eles	para	manter	o	
equilíbrio	das	variáveis	fisiológicas	em	repouso	e	durante	o	exercício.
No	capítulo	3,	“Metabolismo	e	exercício	físico”,	versaremos	acerca	
da produção de energia biologicamente utilizável e a relação entre as 
vias	energéticas	anaeróbias	e	aeróbias	durante	os	diferentes	tipos	de	
exercício físico.
Já,	no	capítulo	4,	“Sistema	neuromuscular”,	teremos	a	descrição	das	etapas	
da	contração	muscular,	bem	como	os	tipos	de	fibras	musculares	existentes	
com	suas	devidas	classificações.	Além	disso,	será	explanado	os	fatores	que	
geram fadiga neuromuscular afetando o desempenho físico.
No	capítulo	“Termorregulação”,	falaremos	a	respeito	dos	mecanismos	de	
controle da temperatura corporal, a importância do controle hídrico, além 
do conhecimento da detecção dos sinais e sintomas da desidratação.
Em	“Exercícios	em	ambientes	externos”,	discorremos	acerca	da	prática	
de exercício físico em ambientes extremos tais como ambientes com 
altitude elevada, bem como ambientes com poluição. A performance, 
nesses	ambientes,	pode	ser	alterada	diante	de	alterações	fisiológicas,	
desencadeadas	pelas	situações	específicas	empostas	pelo	ambiente.
No	capítulo	7,	intitulado	“Sistema	cardiorrespiratório”,	trataremos	da	
relação entre o sistema pulmonar e cardiovascular e o funcionamento em 
conjunto desses sistemas para manter a oferta de nutrientes e oxigênio 
para os tecidos, em condição de repouso e suas alterações durante o 
exercício para suprir a demanda.
E,	finalmente,	no	último	capítulo,	“Sistema	hormonal”,	apresentamos	as	
principais glândulas do corpo humano e seus respectivos hormônios. 
Além disso, será destaca a função dos principais hormônios, inclusive 
sua função durante a prática de exercício físico.
Todos os capítulos são acompanhados de introdução, objetivo, esquema, 
desenvolvimento,	abordando	detalhadamente	a	temática	e,	por	fim,	as	
considerações	finais	e	um	resumo.	Além	disso,	os	capítulos	contam	com	
figuras	e	quadros	didaticamente	desenhados	e	legendados,	ilustrando	
os assuntos abordados e facilitando a sua compreensão. Ademais, o 
livro	apresenta	momentos	reflexivos	e	de	curiosidades,	o	que	muito	irá	
agregar	para	a	sua	formação	profissional.	Vale	ressaltar	que	ao	final	
de cada capítulo estão algumas sugestões de leituras para que possa 
aprofundar a ampliar o conhecimento.
Bons estudos!
Introdução
Conceitos e contextos da 
Fisiologia do ExercícioCapítulo
1
Por mais que hoje você não pratique um exercício estruturado e 
sistematizado, algum dia você já foi exposto(a) a essa situação, 
certo?! Tente recordar quais foram as alterações que o seu corpo 
teve ao realizar o exercício. Você pode ter sentido o seu coração 
bater	mais	forte,	ou	ter	ficado	um	pouco	ofegante,	transpirou,	não	
é mesmo?! 
Ainda pensando nos dias em que realizou exercícios físicos, você 
percebeu alguma resposta diferente do seu corpo quando praticou 
no frio ou no calor?! Alimentado ou em jejum?! Pela manhã ou 
pela noite?! Além disso, as respostas de quando você realizou 
musculação foram as mesmas de quando você estava correndo 
na esteira?! Essas e mais outras perguntas serão discutidas por 
toda a disciplina.
Caso você pratique uma modalidade esportiva, a corrida por 
exemplo, você começou correndo cinco quilômetros no primeiro 
dia?!	Possivelmente	sua	resposta	foi	não.	Apenas	após	meses	de	
treinamento, é que foi possível alcançar uma longa quilometragem. 
A pergunta é: quais adaptações o seu corpo sofreu para que fosse 
possível melhorar seu desempenho?!
2 UNIUBE
Ainda que as perguntas pareçam envolver uma série de áreas 
de	conhecimento,	as	respostas	são	de	natureza	fisiológica.	O	
conhecimento das alterações e adaptações do organismo, frente 
a um estresse (exercício físico), exige uma base de conhecimento 
da Fisiologia do Exercício. Portanto, este livro fornecerá uma base 
para coomprensão dos ajustes e adaptações do corpo humano 
em detrimento da prática de um exercício físico estruturado e 
sistematizado. 
Sendo assim, neste capítulo, você conseguirá distinguir termos 
recorrentes	em	nossa	prática	profissional,	tais	como	atividade	
física	e	exercício.	Exercício	é	uma	das	ferramentas	do	profissional	de	
Educação	Física	e	você	deve	conhecer	os	tipos	e	suas	definições.		
Além disso, o conhecimento da expressão comportamento sedentário 
e suas implicações irá trazer uma informação robusta para que você 
possa trabalhar em prol da saúde da população, que, diga-se de 
passagem, permanece por horas em comportamento sedentário.
Ao término deste capítulo, você deverá ser capaz de: 
• definir	os	termos	atividade	física,	exercício	físico,	treinamento	físico;
• explicar	os	comportamentos	sedentários	e	suas	implicações;
• explicar	o	que	é	fisiologia	e	o	que	é	Fisiologia	do	Exercício;
• demonstrar efeito agudo e crônico do exercício físico.
1.1	Definições	conceituais	de	atividade	física,	exercício	físico	e	
treinamento físico
1.1.1	Definição	de	atividade	física	e	exercício	físico
1.1.2 Atividade física e saúde 
1.1.3 Comportamento sedentário 
1.2	Considerações	finais
Objetivos
Esquema
 UNIUBE 3
1.1 Definições conceituais de atividade física, exercício 
físico e treinamento físico 
O	termo	fisiologia	(do	grego	antigo	Physis,	“função	ou	funcionamento”,	e	
Logos,	“estudar	ou	discurso”)	refere-se	à	ciência	que	estuda	as	funções	
físicas	e	bioquímicas	dos	seres	vivos.	De	maneira	geral,	a	fisiologia	
se empodera dos conceitos da química e da física para explicar como 
ocorrem as funções vitais dos organismos e suas respostas e adaptações 
frente	aos	estímulos	do	meio	ambiente	(FORJAZ;	TRICOLI,	2011).
Compreendendo	o	conceito	de	fisiologia,	fica	fácil	imaginar	a	função	da	
área de conhecimento da Fisiologia do Exercício, certo?! De maneira 
simplificada,	a	Fisiologia	do	Exercício,	também	denominada	de	Fisiologia	
do Esforço, estuda como o funcionamento do organismo (funções 
orgânicas)	se	adapta	ao	estresse	imposto	pelo	exercício	físico	(FORJAZ;	
TRICOLI, 2011). Em outras palavras, a Fisiologia do Exercício avalia os 
efeitos	fisiológicos	agudos	e	crônicos	do	exercício	sobre	os	inúmeros	
sistemas corporais (ROCHA et al., 2006).
Após	entendermos	o	conceito	de	Fisiologia	do	Exercício,	dois	termos	
devem ser salientados para compreensão da área de conhecimento, 
sendo eles: efeito agudo e crônico do exercício. Efeito agudo, também 
denominado	de	“respostas”,	é	um	efeito	que	acontece	imediatamente	ou	
logo	após	uma	única	sessão	de	exercício	físico,	ou	seja,	alterações	que	
ocorrem	em	detrimento	à	execução	do	exercício.	Por	outro	lado,	efeitos	
crônicos,	termo	esse	relacionado	a	“adaptações”,	são	observados	em	
um indivíduo que treinou por um período (semanas, meses de prática 
de	exercício	físico),	portanto	correspondemOs hormônios podem ser divididos em diversas classes 
como: (1) quanto à natureza e (2) quanto à solubilidade.
Diante da natureza química os hormônios podem ser divididos em 
esteroides ou proteínas.	A	natureza	química	influencia	na	maneira	com	
que	o	hormônio	é	transportado	no	sangue.	Os	hormônios	à	base	de	
esteroide (gordura) são transportados acoplados a uma proteína. Por 
outro lado, hormônios proteicos são transportados de forma isolada pelo 
sangue	até	o	tecido.	No	que	se	refere	à	solubilidade, os hormônios 
podem ser lipossolúveis ou hidrossolúveis. Os hormônios lipossolúveis 
(à	base	de	esteroides)	atravessam	a	membrana	plasmática	e	exercem	
sua função dentro da célula. Em contrapartida, hormônios hidrossolúveis 
não ultrapassam a membrana para exercer sua função e possuem um 
receptor na membrana das células (POWERS, HOWLEY, 2014).
8.1.1 Glândulas e hormônios
O	corpo	humano	possui	diversas	glândulas	endócrinas	(Figura	1).	Neste	
momento, iremos apresentar as principais glândulas e seus respectivos 
hormônios secretados. Para que seja possível compreendermos o controle 
fisiológico	e	sua	relação	com	a	prática	de	exercício	físico,	devemos	ter	o	
conhecimento da função dos hormônios.
110 UNIUBE
A Figura 1 ilustra a localização das glândulas e seus respectivos 
hormônios. Entre as glândulas existentes, podemos citar: (1) pâncreas 
produzindo	os	hormônios	glucagon	e	insulina;	(2)	tireoide	produzindo	
tri-iodotironina,	 tiroxina	 e	 calcitonina;	 (3)	 suprarrenal	 produzindo	
catecolaminas	(epinefrina	e	norepinefrina);	(4)	testículos	produzindo	
testosterona;	(5)	ovários	produzindo	estrogênios	etc.	(FOX,	2007).
Figura 1 –	Ilustração	das	glândulas	endócrinas	existentes	e	seus	respectivos hormônios
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
 UNIUBE 111
Antes de relatar cada hormônio e sua respectiva função, é necessária 
a compreensão do controle para secreção dos hormônios, que se dá 
através do eixo hipotálamo-hipófise (Figura 2). O hipotálamo faz parte 
do sistema nervoso central e regula várias funções do organismo. Além 
disso,	o	hipotálamo	se	conecta	à	hipófise (glândula mãe). Como foi dito 
no	início	do	capítulo,	a	interação	entre	sistema	nervoso	e	endócrino	é	de	
extrema importância para a homeostase. 
A	hipófise	é	dividida	em	duas	porções:	lobo anterior (também denominado 
de adeno-hipófise) e lobo posterior (ou neuro-hipófise). Essas porções 
se	divergem	em	relação	à	localização	anatômica,	bem	como	à	função.	A	
neuro-hipófise	não	produz	hormônios,	apenas	realiza	o	armazenamento	
e	secreção,	diferentemente	da	adeno-hipófise	que	produz	e	secreta	
hormônios (Figura 2) (FOX, 2007).
Figura 2	–	Ilustração	da	ligação	hipotálamo-hipófise,	bem	como	a	divisão	da	hipófise	
e seus respectivos hormônios
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
112 UNIUBE
A adeno-hipófise produz e secreta vários hormônios que regulam 
a secreção hormonal de outras glândulas como ovário, tireoide e 
adrenal,	por	exemplo.	São	hormônios	produzidos	pela	adeno-hipófise:	
adrenocorticotrófico	 (ACTH),	 foliculoestimulante	 (FSH),	 hormônio	
luteinizante (LH), hormônio estimulante da tireoide (TSH), hormônio do 
crescimento (GH) e prolactina (POWERS, HOWLEY, 2014).
O hormônio do crescimento	é	produzido	pela	adeno-hipófise	e	é	
estimulado durante a execução do exercício físico, quando há uma 
redução na concentração de glicose plasmática e durante o sono. O 
GH possui uma importante função de estimular a captação de aminoácidos 
pelo	tecido	muscular,	a	síntese	proteica	e	o	crescimento	ósseo	(Figura	
3) (FOX, 2007).
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Figura 3 – Ilustração da regulação de produção do hormônio do crescimento (eixo hipotálamo-
hipófise)	e	sua	função
 UNIUBE 113
A neuro-hipófise armazena dois hormônios, sendo eles: ocitocina e 
hormônio antidiurético (ADH, também denominada de vasopressina). 
O ADH possui a função de reduzir a perda de água do corpo humano, 
favorecer a reabsorção de água nos túbulos renais e como consequência 
manter os líquidos (Figura 4). O ADH é estimulado quando ocorre uma 
baixa concentração hídrica ou baixo volume plasmático, que é comum 
quando se realiza exercício físico em ambiente quente e utiliza da 
produção de suor pelas glândulas sudoríparas para controle térmico 
(POWERS, HOWLEY, 2014).
Figura 4 – Ilustração do hormônio antidiurético e sua função de retenção de líquido
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
114 UNIUBE
Figura 5 – Ilustração dos hormônios produzidos na glândula tireoide e seu controle pelos 
hormônios	produzidos	na	hipófise
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Outra glândula que produz importantes neurônios é a tireoide. A glândula 
tireoide produz tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4). Os hormônios 
tireoidianos	têm	uma	importante	função	no	controle	da	taxa	metabólica	
basal. Além da produção de T3 e T4, a tireoide também libera a 
calcitonina, que regula a concentração de cálcio no plasma. Quando 
há um aumento da concentração de cálcio no plasma, aumenta-se a 
produção de calcitonina para que ela bloqueie a liberação de cálcio nos 
ossos	e	estimule	a	excreção	nos	rins	(Figura	5)	(KENNEY,	WILMORE,	
COSTILL, 2013).
 UNIUBE 115
A glândula suprarrenal produz diversos hormônios. Essa glândula 
é subdividida em medula suprarrenal e córtex suprarrenal. Na 
região suprarrenal, são produzidas as catecolaminas (adrenalina 
e noradrenalina)	e	na	 região	do	córtex	suprarrenal	os	hormônios	
esteroides aldosterona e cortisol	(KENNEY,	WILMORE,	COSTILL,	
2013) (Figura 6).
Adrenalina e noradrenalina estão envolvidas no controle da pressão 
arterial (aumentando a frequência cardíaca e a resistência periférica 
total) e na concentração de glicose no plasma (aumenta a quebra das 
reservas de glicogênio). Durante a prática de exercício físico, há um 
aumento na produção desses hormônios (POWERS, HOWLEY, 2014).
A aldosterona,	produzida	no	córtex	suprarrenal,	possui	uma	importante	
função de reabsorção de sódio e da secreção de potássio nos rins. 
Devido	à	sua	importante	função	de	controle	da	relação	de	sódio	com	
água corporal, ela exerce um papel relevante no volume plasmático 
e, como consequência, na pressão arterial. Já o cortisol, hormônio 
produzido pela mesma glândula, possui diversas funções, entre elas: 
manutenção da glicose em condição de jejum e durante a prática de 
exercício	físico;	estimula	a	mobilização	de	gordura	do	tecido	adiposo;	
promove	a	degradação	de	proteínas	(KENNEY,	WILMORE,	COSTILL,	2013).
116 UNIUBE
Figura 6	–	Ilustração	da	glândula	suprarrenal	e	suas	áreas	(córtex	e	medula)	com	os	respectivos	
hormônios produzidos
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Outra glândula que merece destaque é o pâncreas. Os hormônios 
liberados são a insulina e o glucagon. A insulina é secretada pelas 
células beta das ilhotas de Langerhans e é considerada o único 
hormônio hipoglicemiante, uma vez que ela facilita a captação de 
glicose em diversos tipos de células, principalmente as musculares e 
as do fígado, onde a molécula de glicose será armazenada na forma 
de glicogênio. Portanto, quando aumenta-se a concentração de glicose 
no sangue, a insulina é produzida para que a glicose seja captada e 
armazenada nos tecidos. Quando há um problema na produção ou ação 
da insulina e as concentração de glicose permanecem elevadas, temos 
o quadro de diabetes (FOX, 2007)
Diferentemente da insulina, o glucagon é um hormônio hiperglicemiante, 
ou seja, ele tem a função de aumentar a concentração de glicose no 
plasma. Portanto, quando há uma redução nos níveis de glicose no 
 UNIUBE 117
Pesquisando na internet, pode-se encontrar várias animações acerca do 
sistema	endócrino.	Elas	são	interessantes	porque	nos	mostram	o	sistema	
no	organismo	humano,	com	mobilidade.	O	vídeo	“Sistema	Endócrino	–	
Animação”,	disponibilizado	por	Gustavo	Barbosa,	mostra	esse	sistema	em	
detalhes. Para assistir ao vídeo, acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=pmwy7lnA3iY
O vídeo traz as principais glândulas, seus respectivos hormôniose suas 
funções. Vale ainda ressaltar que a animação também relata uma doença 
metabólica,	denominada	diabetes,	comum	na	população	mundial	e	brasileira,	
que	pode	ter	como	fisiopatologia	alteração	na	produção	hormonal	de	insulina.
PESQUISANDO NA WEB
plasma, o pâncreas (células alfa de Langerhans) libera glucagon 
e estimula a quebra das reservas de glicogênio. Durante a prática 
de exercício físico, há um aumento da produção de hormônios 
hiperglicemiantes, sendo eles: glucagon, catecolaminas e cortisol 
(POWERS, HOWLEY, 2014).
Considerações finais8.2
A partir dos conhecimentos contemplados neste capítulo, podemos 
compreender	que	há	uma	relação	entre	o	sistema	nervoso	e	endócrino	
para	manter	a	homeostasia.	O	corpo	possui	diversas	glândulas	endócrinas	
que secretam hormônios que possuem diversas funções. Vale ressaltar 
a	importância	da	glândula	hipófise	no	controle	nas	demais	glândulas	e	
sua relação com o hipotálamo.
Durante a execução do exercício físico, há um aumento da secreção dos 
hormônios hiperglicemiantes e uma redução do hipoglicemiante. Além 
118 UNIUBE
disso, dependendo do grau de desidratação, aumenta-se a produção 
de aldosterona e ADH para controle hídrico. Outros hormônios que 
aumentam durante a prática de exercício físico é o GH e a testosterona 
a	fim	de	estimular	a	síntese	proteica.
Resumo
• Para manter o corpo humano em homeostase, é imprescindível a 
interação entre o sistema nervoso e o sistema hormonal.
• O	sistema	endócrino	possui	 diversas	glândulas	que	 secretam	
hormônios (substâncias químicas).
• Os hormônios podem ser divididos em diversas em classes, como: (1) 
quanto	à	natureza	(proteico	ou	esteroide)	e	(2)	quanto	à	solubilidade	
(lipossolúvel e hidrossolúvel).
• A	hipófise	é	considerada	a	glândula	mãe	por	controlar	a	produção	de	
hormônios	das	diversas	glândulas	existentes.	A	hipófise	se	conecta	
com	o	hipotálamo	e	é	dividida	em	dois	lobos:	adeno-hipófise	e	neuro-
hipófise.
• O GH tem a função de estimular a síntese proteica e o crescimento 
ósseo	(hipófise	anterior).	O	ADH	favorece	a	reabsorção	de	água	nos	
túbulos	renais	(hipófise	posterior).
• Os hormônios tireoidianos são responsáveis pelo controle do 
metabolismo basal (T3, T4) e concentração dos íons de cálcio 
(calcitonina). Por outro lado, a glândula suprarrenal produz uma 
ampla diversidade de hormônios com diversas funções: controle da 
pressão,	controle	da	glicemia	e	retenção	de	sódio.
• Os	hormônios	da	glândula	endócrina	pâncreas	são	responsáveis	pelo	
controle da glicemia, sendo a insulina um hormônio hipoglicemiante 
e o glucagon o hiperglicemiante.
 UNIUBE 119
Referências
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https://www.youtube.com/watch?v=pmwy7lnA3iY. Acesso em: 23 mar. 2021.às	alterações	funcionais	
decorrentes de um período prolongado e regular de treinamento físico 
(FORJAZ;	TRICOLI,	2011).
4 UNIUBE
Após	a	leitura	conceitual	da	expressão	efeito agudo, você conseguiria 
citar	alguma	resposta	fisiológica	que	ocorre	durante	a	execução	do	
exercício? 
Após	a	leitura	conceitual	da	expressão efeito crônico, você 
conseguiria	citar	alguma	adaptação	fisiológica	que	ocorre	após	
um período de treinamento físico? 
Para	que	fiquem	claros	os	conceitos	(agudo	e	crônico),	citarei	alguns	
exemplos.	São	exemplos	comuns	dos	efeitos	agudos	fisiológicos	durante	
o exercício: taquicardia (aumento da frequência cardíaca), sudorese, 
aumento	da	temperatura	corporal,	aumento	da	frequência	respiratória.	
Por outro lado, como efeito crônico: bradicardia (redução da frequência 
cardíaca),	hipertrofia	muscular	(aumento	do	tamanho	do	músculo)	etc.
Para	que	fiquem	claros	os	conceitos	de	efeito	agudo	e	efeito	crônico,	iremos	
usar	uma	variável	fisiológica,	como	exemplo,	para	compreendermos	os	
possíveis interesses da Fisiologia do Exercício. 
Imagine: você é um cientista do exercício e pretende avaliar o comportamento 
da frequência cardíaca diante da execução do exercício físico (corrida) de 
uma pessoa.
Caso o seu interesse seja saber se a frequência cardíaca se altera durante a 
realização do exercício físico, seria análise do efeito __________, por outro 
lado,	se	seu	objetivo	é	avaliar	o	efeito	após	meses	de	treinamento	regular	na	
frequência cardíaca, seu interesse se torna investigar o efeito ___________. 
Agora, veja se acertou: agudo e crônico.
AGORA É A SUA VEZ
 UNIUBE 5
1.1.1 Definição de atividade física e exercício físico
Para que possam conversar sobre o campo de conhecimento da 
Fisiologia do Exercício, há a necessidade de compreender a diferença 
de dois termos, atividade física e exercício físico. No cotidiano as pessoas 
usam esses termos (atividade física e exercício) como sinônimos, 
entretanto: eles apresentam uma distinção no meio acadêmico. Observe 
os	conceitos	a	seguir	e	reflita	acerca	das	diferenças	entre	eles.
Para	que	fique	clara	a	compressão	entre	a	distinção	dos	termos	atividade	
física e exercício físico, devemos nos atentar a algumas características. 
Você acredita que o simples fato de você tomar banho faz com que 
você gaste mais energia do que se estivesse em uma condição de 
repouso?! Para que possa responder, volte o olhar para o conceito no 
esquema	acima	e	reflita	se	o	banho	seria	uma	atividade	física	ou	um	
exercício físico. O fato de tomar banho é um exercício estruturado? 
Possui	um	objetivo	de	melhora	de	função	física/	fisiológica?	Caso	as	
respostas sejam negativas, o ato de tomar banho pode ser considerado 
um exercício físico? Você deve ter notado que o ato de tomar banho é 
uma atividade física (Figura 1) e não um exercício físico (Figura 2).
6 UNIUBE
Figura 1 – Atividade física 
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Figura 2 – Exercício físico
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Portanto, a partir de agora, compreenda que existe uma diferença conceitual 
entre	os	termos	supracitados	e,	necessariamente,	para	que	você	afirme	
estar fazendo um exercício físico, precisa atender a alguns critérios.
Maria mora a três quarteirões de sua prima Joana.
a) Caso Maria visite sua prima duas vezes por semana. O que Maria fez? 
Uma atividade física ou um exercício físico? Para responder, observe 
as informações e releia os conceitos.
AGORA É A SUA VEZ
 UNIUBE 7
b) Caso Maria se programe para ir três vezes por semana na casa 
de Joana, no tempo de 10 minutos, com o objetivo de melhorar a 
capacidade	cardiorrespiratória,	Maria	está	realizando	uma	atividade	
física ou um exercício físico?
Agora, veja se acertou: a) atividade física e b) exercício físico.
1.1.2 Atividade física e saúde
Após	compreender	o	conceito	de	atividade	física,	precisamos	conhecer	
a importância da prática da atividade física para a saúde. Apesar de 
muitos acreditarem que apenas o exercício físico possui correlação com a 
melhora ou manutenção da saúde, a prática de atividade física cotidiana 
tem se mostrado de grande relevância para saúde humana.
Numerosos estudos têm destacado a importância da prática de atividade 
física para a prevenção e tratamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis 
(DCNT), bem como na redução de mortalidade por doenças cardiovasculares 
(PAFFENBARGER et al., 2007). Além dos benefícios supracitados acima, há 
uma melhora no âmbito mental e social (BARBOSA et al., 2015), auxiliando 
desta maneira na qualidade de vida.
IMPORTANTE!
Diante de fortes evidências da importância da atividade física no retardo 
das DCNT, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem sensibilizando os 
países	quanto	à	importância	da	mudança	do	estilo	de	vida	inativo	para	um	
perfil	fisicamente	ativo,	a	fim	de	proporcionar	mais	qualidade	de	vida.
De	acordo	com	a	OMS,	a	fim	de	melhorar	as	funções	musculares	e	
cardiorrespiratórias	e	reduzir	o	risco	de	DCNT,	deve-se	realizar	no	
mínimo	150	minutos	de	intensidade	moderada	de	atividade	aeróbia	por	 
8 UNIUBE
semana ou pelo menos 75 minutos de intensidade vigorosa de atividade 
física	aeróbia	por	semana.	Portanto,	para	que	sejamos	considerados	
fisicamente	ativos,	precisamos	alcançar	os	minutos	estipulados	pela	
OMS (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2011). Vale ressaltar que , 
para contabilizar os minutos, a atividade física deve ter uma duração 
mínima de 10 minutos contínuos.
Atualmente,	 fala-se	de	uma	somatória	 de	minutos	 recomendados	de	
atividade semanal (150 minutos) pela OMS, entretanto ela subdivide essa 
recomendação de acordo com faixa etária (criança, adultos e idosos).
Verifique	nos	links, a seguir, o que seria recomendado para cada faixa etária 
em	específico,	de	acordo	com	as	recomendações	da	organização.
De 5 a 17 anos:
https://www.who.int/dietphysicalactivity/physical-activity-recommendations-
5-17years.pdf
De 18 a 64 anos:
https://www.who.int/dietphysicalactivity/physical-activity-recommendations-
18-64years.pdf
Acima de 64 anos:
https://www.who.int/dietphysicalactivity/global-PA-recs-2010.pdf
Após	realizar	a	pesquisa,	cite	os	pontos	semelhantes	e	diferentes	entre	as	
recomendações de acordo com cada faixa etária.
Você deve ter constatado que diferente das outras faixas etárias, pessoas 
com idade entre 5 a 17 anos devem realizar pelo menos 60 minutos de 
atividade física moderada a vigorosa por dia. Por outro lado, pessoas entre
PESQUISANDO NA WEB
 UNIUBE 9
18 a 64 anos e acima de 64 anos devem realizar 150 minutos de atividade 
física com intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa 
por semana. 
Vale ressaltar que as atividades devem perdurar por, pelo menos, 10 minutos 
contínuos. Uma diferença entre a recomendação 18 a 64 e a acima de 64 
anos é que para benefícios adicionais, o grupo 2 (18 a 64 anos) deve realizar 
exercícios resistidos envolvendo grandes grupamentos musculares por, 
pelo menos, duas vezes por semana. Já no grupo 3 (acima de 64 anos), 
para benefícios adicionais a recomendação, além de solicitar o exercício 
resistido, orienta a prática de exercício de mobilidade por, ao menos, três 
vezes na semana.
De maneira geral, a atividade física pode ser incluída no lazer (por 
exemplo: caminhada, jardinagem, dança), transporte (por exemplo: 
andar	de	bicicleta	até	o	trabalho,	o	próprio	trabalho,	ou	seja,	no	trabalho	
fazer uma atividade que eleve o gasto energético acima da condição de 
repouso) e doméstica (lavar louças, varrer a casa, limpar o banheiro). 
A partir da recomendação de atividade semanal da Organização Mundial de 
Saúde,	você	se	considera	um	indivíduo	fisicamente	ativo?!	Pensando	na	sua	
rotina	semanal,	você	cumpre	os	150	minutos	de	atividade	física	aeróbia	de	
intensidade moderada por semana?
PARADA PARA REFLEXÃO
A ciência utiliza alguns recursos (avaliações) para caracterizar os sujeitos 
como	fisicamente	ativos	ou	inativos.	Entre	as	avaliações,	temos	medidas	
diretas/objetivas e indiretas.Entre as medidas diretas/objetivas do nível 
de atividade física, podemos citar a frequência cardíaca, uma vez que 
essa	é	um	indicador	direto	da	resposta	fisiológica	de	alguém	à	atividade	
física. Outra medida direta são os monitores de atividade, acelerômetro 
e	pedômetro	(REIS;	PETROSKI;	LOPES,	2000).
10 UNIUBE
Acelerômetros	“são	aparelhos	portáteis	que	são	sensíveis	à	aceleração	
do	corpo	e	transformam	esta	informação	em	unidades	de	gasto	energéticos.”	
(HENSLEY;	AINSWORTH;	ANSORGE,	1993,	p.	58).	Entre	os	acelerômetros	
existentes, o mais utilizado é o Caltrac. Por outro lado, o pedômetro é 
um	contador	mecânico	que	grava	movimentos	de	passos	em	resposta	à	
aceleração	vertical	do	corpo	(REIS;	PETROSKI;	LOPES,	2000).
Diferentemente dos itens supracitados (avaliações diretas), existem 
avaliações subjetivas ou indiretas, que seriam a forma de avaliar o nível 
de atividade física através de questionários. Entre eles, o Questionário 
Internacional de Atividade Física (IPAQ – International Physical Activity 
Questionnaire) vem sendo o mais utilizado e tem demostrado uma alta 
correlação com as medidas diretas.
O Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) tem se mostrado 
eficiente	para	avaliar	o	nível	de	atividade	física	da	população.	O	instrumento	
classifica	os	sujeitos	como	fisicamente	ativos	ou	inativos	de	acordo	com	o	
tempo gasto semanalmente realizando atividade física.
Para que avalie o seu nível de atividade física, acesse o link e responda ao 
questionário (IPAQ).
http://www.webipaq.com.br/
Após	conhecer	o	instrumento	e	respondê-lo,	foi	possível	identificar	as	
subdivisões para avaliação do nível de atividade física (doméstica, trabalho 
etc.)?	Além	disso,	você	é	considerado	uma	pessoa	fisicamente	ativa?
PESQUISANDO NA WEB
Embora haja evidências dos efeitos positivos da atividade física, há um 
número	grande	de	pessoas	inativas	(BARETTA;	BARETTA;	PERES,	2007;	
MORAES et al.,	2009;	SOUZA,	2011;	HALLAL	et al., 2012). Um estudo 
realizado com 575 adultos de ambos os sexos encontrou uma prevalência 
de	inatividade	física	em	57,4%	(BARETTA;	BARETTA;	PERES,	2007).	 
 UNIUBE 11
Outro estudo objetivou avaliar a prevalência de inatividade física em 122 
países no ano de 2012. Em todo o mundo, 31,1% dos adultos (acima 
de 15 anos) não atingem as recomendações de atividade física para a 
saúde.	No	que	se	refere	em	específico	à	população	brasileira,	estimou-se	que	
49,2% dos adultos não praticavam, pelo menos, 150 minutos semanais 
de atividade física moderada a vigorosa (HALLAL et al., 2012).
Diversos estudos têm demostrado uma redução de jovens e crianças 
fisicamente	ativas	(GONÇALVES et al., 2009), e como consequência 
passam	a	sofrer	alterações	metabólicas,	aumentando,	dessa	maneira,	
o número de crianças e jovens obesos, por exemplo (CABRERA et al., 
2014). Acrescentando, estudos com humanos e animais demostraram 
que a redução no número de passos provoca uma redução da aptidão 
aeróbia,	além	de	alterações	na	composição	corporal,	mesmo	sem	ocorrer	
mudanças	na	ingestão	calórica	e	no	peso	corporal	(LAYE et al., 2010).
Além da população jovem, outra faixa etária que demostra uma alta 
prevalência de pessoas inativas é a população idosa (QUEIROZ et al., 
2016). O estudo de Queiroz et al. (2014) contou com a participação de 316 
idosos, nele, constata-se que a prevalência de inatividade física (avaliada 
através do questionário IPAQ) foi de 46,5%. Além disso, os autores 
demostraram que a inatividade física está associada positivamente com 
a idade, a falta de ocupação, a dependência nas Atividades Instrumentais 
da Vida Diária (AIVD) e nas Atividades Básicas de Vida Diária (ABVD).
É comum, quando tratamos de ciência na terceira idade, dividirmos os 
termos de atividade em Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD) e 
Atividades Básicas da Vida Diária (ABVD). 
CURIOSIDADE
12 UNIUBE
As ABVD são tarefas básicas de autocuidado que incluem: alimentar-se, ir ao 
banheiro,	vestir-se,	escolher	a	própria	roupa,	arrumar-se	e	cuidar	da	higiene	
pessoal. Por outro lado, as AIVD são habilidades complexas necessárias 
para viver de maneira independente, ou habilidades que permitem a 
integração	de	uma	pessoa	na	comunidade,	sendo	inclusas:	ir	às	compras,	
utilizar o telefone e outros aspectos de comunicação, utilizar transportes 
(dirigir	ou	usar	transporte	público),	gerenciar	medicações,	gerenciar	finanças,	
entre outros.
1.1.3 Comportamento sedentário
Além da importância da avaliação do nível de atividade física, o termo 
comportamento sedentário também tem ganhado destaque na literatura 
científica.	Comportamento	sedentário	“é	o	termo	direcionado	para	as	
atividades que são realizadas na posição deitada ou sentada e que 
não	aumentam	o	dispêndio	energético	acima	dos	níveis	de	repouso”	
(MENEGUCI et al., 2015, p. 1). Autores descobriram que “41,5% da 
população mundial com 15 anos ou mais despende quatro horas ou 
mais	por	dia	em	comportamento	sedentário”	(HALLAL et al., 2012, p. 
1). São exemplos de atividades sedentárias relacionadas a uma baixa 
exigência	energética,	ver	televisão,	assistir	às	aulas,	usar	o	computador,	
jogos eletrônicos na posição sentada, entre outros. 
São exemplos de atividades sedentárias as que estão 
relacionadas com uma exigência energética baixa, 
como	ver	televisão,	o	uso	do	computador,	assistir	às	
aulas, trabalhar ou estudar numa mesa e a prática 
de	jogos	eletrônicos	na	posição	sentada.	(AMORIM;	
FARIA,	2012;	OWEN	et al., 2010 apud MENEGUCI et 
al., 2015, p. 163).
Estudos têm demonstrando uma forte relação entre tempo sentado e 
incidência	de	DCNT	e	mortalidade	(HU,	2003;	KATZMARZYK et al., 
2009). Hu (2003) avaliou o tempo gasto de uma pessoa assistindo 
televisão (TV) e demostrou que independentemente se as pessoas 
 UNIUBE 13
realizam exercício ou são sedentárias, um prolongado tempo gasto 
assistindo	à	TV	está	associado	a	um	maior	risco	de	ser	obeso	e	ter	
Diabetes do tipo 2. Além disso, outro trabalho revelou uma relação entre 
tempo sentado e causa de mortalidade por doenças cardiovasculares e 
câncer	(KATZMARZYK et al., 2009).
Após	compreender	a	distinção	entre	os	termos	atividade	física	e	comportamento	
sedentário,	faça	uma	reflexão	do	seu	dia	e	quanto	tempo	você	gasta	dele	
em comportamento sedentário.
PARADA PARA REFLEXÃO
Em um estudo realizado com 4210 estudantes do ensino médio, 
“verificou-se	prevalência	de	exposição	a	comportamento	sedentário	de	
40,9%	[...]	em	dias	de	semana	e	49,9%	em	dias	de	final	de	semana”	
(TENÓRIO et al., 2010, p. 1). Vale ressaltar que foram considerados 
expostos ao comportamento sedentário aqueles que preferiram assistir 
à	TV	por	três	horas	ou	mais	por	dia.	Além	disso,	os	autores	demostraram	
que o local de residência, o turno de aulas e a participação nas aulas de 
educação	física	foram	fatores	associados	à	exposição	a	comportamento	
sedentário em dias de semana.
Estudantes residentes em áreas rurais podem apresentar mais chances 
de	serem	classificados	como	insuficientemente	ativos.	Esses	resultados	
podem	estar	associados	à	oferta	de	área	pública	de	lazer,	tais	como	
quadras e praças, nas cidades. Além disso, o turno da aula pode se associar 
à	inatividade	física,	uma	vez	que	o	turno	da	tarde,	ficando	disponível	
(livre), leva os adolescentes a procurarem mais atividades e brincadeiras 
quando confrontado com o turno matutino.
14 UNIUBE
Considerações finais1.2
A partir dos conceitos supracitados, podemos concluir que há uma 
distinção entre as expressões atividade física e exercício físico. Além 
disso, compreender o efeito do exercício físico no momento da execução 
(agudo), bem como a sua adaptação diante do tempo de prática (crônico) 
são áreas de conhecimento da Fisiologia do Exercício.
Resumo
• Fisiologia do Exercício estuda como o funcionamento do corpo se 
adapta ao estresse imposto pelo exercício físico.
• Efeito agudo refere-se a respostas observadas durante ou imediatamente 
após	a	realização	de	um	exercício	físico	ou	atividade	física.
• Adaptações funcionaisque são decorrentes do treinamento físico 
são denominadas de efeito crônico.
• Atividade física refere-se a qualquer movimento corporal produzido 
pela musculatura esquelética que resulte em um gasto energético 
acima da condição de repouso.
• Exercício físico refere-se a uma atividade sistematizada, planejada, 
orientada e que possui o objetivo de melhorar uma aptidão.
• Estudos têm destacado a importância da prática de atividade física 
para a prevenção e tratamento de DCNT, bem como na redução de 
mortalidade por doenças cardiovasculares.
• São medidas comumente utilizadas para avaliar nível de atividade 
física: acelerômetro, pedômetro, frequencímetro, questionários.
• Fisicamente ativo refere-se ao sujeito que cumpre a recomendação 
mínima de prática de atividade física semanal da OMS (150 
minutos de atividade física moderada por semana), por outro lado, 
insuficientemente	ativo	relaciona-se	a	pessoas	que	não	atingem	o	
nível mínimo recomendado.
 UNIUBE 15
• Atividades que são realizadas na posição deitada ou sentada que 
não elevam o gasto energético acima dos níveis de repouso são 
denominadas de comportamento sedentário.
• Estudos têm demostrado uma relação entre comportamento 
sedentário e mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer.
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TENÓRIO, Maria Cecília Marinho et al. Atividade física e comportamento 
sedentário em adolescentes estudantes do ensino médio. Revista 
Brasileira de Epidemiologia, [s.l.], v. 13, n. 1, p. 105-117, mar. 2010.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global Recommendations on Physical 
Activity for Health. 2011. Disponível em: https://www.who.int/dietphysicalactivity/
physical-activity-recommendations-18-64years.pdf. Acesso em: 01 nov. 2019.
Introdução
Sistema de controleCapítulo
2
Provavelmente, em alguns momentos de sua vida, alguém já 
aferiu sua pressão arterial, haja vista que essa é uma prática muito 
comum	nas	consultas	médicas.	Convidamos	você	a	refletir	um	
pouco sobre isso. Nessas oportunidades, constataram-se valores 
iguais	ou	próximos,	mesmo	que	medidos	em	dias	diferentes,	em	
horários diferentes ou por pessoas diferentes? Geralmente, a sua 
pressão	arterial	estava	no	valor	de	120/80	mmHg	ou	próximo	a	isso?!	
Ou	algo	diferente	ocorreu?	Após	a	aferição,	constatou-se	que	sua	
pressão arterial estava num valor acima de 140/90 mmHg? Se isso 
aconteceu e se manteve, possivelmente o médico o diagnosticou 
com uma doença denominada de hipertensão arterial. Esses 
valores elevados e sustentados de pressão arterial demostram 
que algo não está correto. Talvez isso não tenha ocorrido com 
você, mas pôde ver acontecer com algum familiar.
Podemos	fazer	a	mesma	reflexão	com	a	temperatura	corporal.	
Sempre	que	sua	temperatura	era	medida,	ela	estava	próxima	
de	37ºC,	certo?!	Poderíamos	citar	qualquer	variável	fisiológica,	
frequência	cardíaca,	frequência	respiratória,	índice	glicêmico,	
entre outras, que, possivelmente sempre que analisadas em 
condição	de	 repouso	elas	 iriam	permanecer	próximo	de	um 
 
20 UNIUBE
valor.	Então,	pense:	por	qual	motivo	nossas	variáveis	fisiológicas	
mantêm	um	valor	constante	ou	próximo	dele?	Além	disso,	quem	
controla	nossas	variáveis	fisiológicas?
Para que possa responder aos questionamentos anteriores, 
precisamos	compreender	a	história	da	Fisiologia	do	Exercício	
e sua evolução como conhecimento. Bem como as interações 
dos	sistemas	orgânicos	para	tal	controle	fisiológico.	Portanto,	o	
capítulo irá revelar componentesimportantes que controlam todas 
as	variáveis	fisiológicas	e,	além	disso,	como	o	exercício	físico	irá	
se	comportar	diante	do	controle	do	funcionamento	biológico.
Com este conhecimento, você irá prescrever o exercício físico de 
uma forma mais segura e assertiva, compreendendo as alterações 
e conseguindo prever os benefícios diante da aplicação daquele 
estímulo	específico	em	seu	aluno.	
Ao término deste capítulo, esperamos que seja capaz de: 
• definir	o	sistema	de	controle;
• explicar	a	função	dos	componentes	do	sistema	de	controle;
• demonstrar	os	sistemas	de	controle	biológico;
• avaliar o efeito do exercício físico sobre o sistema de controle 
biológico.
2.1	Sistema	de	controle	biológico
2.1.1 Funções dos sistemas de controle e seus componentes
2.1.2	Exemplo	de	sistema	de	controle	biológico
2.1.3	Exercício	físico	e	sistema	de	controle	biológico
2.2	Considerações	finais
Objetivos
Esquema
 UNIUBE 21
Sistema de controle biológico2.1
Para que possamos compreender o funcionamento dos sistemas de 
controle, há a necessidade de discutirmos dois termos relevantes, 
“homeostase”	 e	 “estado	 estável”.	 Para	 discutirmos	 sobre	 o	 termo	
homeostasia,	iremos	trazer	um	breve	histórico	sobre	um	fisiologista	
chamado Walter Bradford Cannon.
Em meados da década de 90, Cannon começou a se interessar pelos 
mecanismos	de	manutenção	da	constância	fisiológica,	ou	seja,	ele	se	
dedicava	a	avaliar	os	mecanismos	que	mantêm	as	variáveis	fisiológicas	
próximas	da	constância.	A	partir	de	então,	o	fisiologista	começou	a	formular	
o conceito de homeostase. A ideia teve início no Congresso dos Médicos e 
Cirurgiões Americanos, em 1925, e posteriormente foi contemplado em 
um	artigo	científico	(BRITO;	HADDAD,	2017).
A homeostasia (do grego Homeo, forma abreviada de homoio,	“semelhante”	
ou	“similar”	e	stasis, “estático”)	é	um	termo	que	concerne	a	algo	semelhante	
que	admite	alguma	variação.	Portanto,	 refere-se	à	constância	que	
o organismo mantém em condição de repouso ou a manutenção do 
ambiente	interno	constante	(BRITO;	HADDAD,	2017).	
Compreendendo o termo homeostase e compreendendo o controle interno 
do	organismo,	convidamos	você	a	testar	seu	controle	biológico.
Determine	três	horários	do	seu	dia.	Vá,	por	quatro	dias	seguidos,	à	fármarcia	
e peça para aferir sua pressão arterial e/ou sua temperatura corporal. Anote 
sempre	os	resultados	e,	após	os	quatro	dias,	compare	se	há	um	equilíbrio,	
ou constância nos valores encontrados. 
Após	isso,	faça	uma	reflexão	sobre	a	sua	compreensão	de	homeostasia	e	
os possíveis fatores que poderiam rompê-la.
EXPERIMENTANDO
22 UNIUBE
Ao analisarmos a Figura 1, a seguir, podemos observar o comportamento 
da frequência cardíaca de dois sujeitos (sujeito 1 e sujeito 2) por quinze 
segundos (segundo 5 ao 20). Compreendendo o termo homeostasia, é 
possível	identificar	que	ambos	os	sujeitos	estiveram	em	equilíbrio	e	em	
algum momento esse equilíbrio foi rompido, concorda?!
Figura 1 – Avaliação do comportamento da frequência cardíaca (batimento por minuto/bpm), 
observada por 15 segundos de dois sujeitos (sujeito 1 e sujeito 2). 
Fonte: Da autora (2020).
Ao	analisarmos	a	figura	anterior,	podemos	observar	que	o	sujeito	1	(inicia-se	com	
a linha mais baixa) mantém uma homeostase da frequência cardíaca, do 
segundo 5 até o 12. Posteriormente a isso, há uma variação grande da 
variável (frequência cardíaca) que descaracteriza o conceito estudado 
(homeostase). Por outro lado, o sujeito 2 começa com os valores oscilando 
(reduzindo) e alcança a homeostase da frequência cardíaca por volta do 
segundo 13 até o segundo 20.
Analise	a	figura	a	seguir	(Figura	2)	e	observe	o	comportamento	da	temperatura	
corporal no sujeito 1 (inicia-se com a linha mais baixa) e no sujeito 2. 
AGORA É A SUA VEZ
 UNIUBE 23
Observe os seguintes pontos: 
É possível notar a homeostasia da temperatura corporal nos dois sujeitos?
Houve algum sujeito que demostrou quebra na homeostasia? 
Se	sim,	justifique	sua	resposta.
Figura 2 – Avaliação do comportamento da temperatura corporal (°C), observada por 15 
segundos de dois sujeitos (sujeito 1 e sujeito 2)
É importante você ter percebido que houve inicialmente (até os oito segundos 
iniciais) uma homeostase em ambos os sujeitos. Por outro lado, o sujeito 2, 
após	os	oito	segundos,	rompeu	(quebra)	a	homeostase,	variando	os	valores	
de temperatura de forma expressiva, até 40º. Vale ressaltar que a quebra da 
homeostase	pode	estar	vinculada	a	fatores	internos	(alterações	fisiológicas	
anormais/ estado febril) ou fatores externos (prática de exercício físico). 
Fonte: Da autora (2020).
24 UNIUBE
Além do contexto já discutido anteriormente (homeostase), outro termo 
que ganha importância quando discutimos Fisiologia do Exercício é 
o estado estável ou “steady state”.	Diferentemente	de	homeostasia,	
estado	estável	é	utilizado	por	fisiologistas	do	exercício,	referindo-se	a	um	
ambiente interno constante em condição de estresse (exercício físico). 
Em outras palavras, estado estável refere-se ao momento em que há um 
equilíbrio entre as demandas impostas pelo organismo (exercício físico) 
e	as	respostas	deste	a	demandas	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Ao analisarmos a resposta da frequência cardíaca em um esforço físico 
constante (intensidade constante) por alguns minutos, podemos observar 
que, no início do exercício, ela aumenta de forma linear e posteriormente 
atinge um platô (Figura 3). Chamamos de estado estável o momento 
que	uma	variável	fisiológica	atinge	um	equilíbrio	em	condição	de	esforço.	
(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Figura 3 – Avaliação do comportamento da frequência cardíaca (batimentos por minuto), 
observada por 38 segundos do sujeito 1 realizando exercício físico constante
Fonte: Da autora (2020).
Analise	 a	 figura	 a	 seguir	 (Figura	 4)	 e	 observe	 o	 comportamento	 da	
temperatura corporal nos sujeitos (1 e 2) que estão realizando exercício 
físico constante (mesma intensidade). Observe os seguintes pontos: 
É possível notar o surgimento do estado estável nos dois sujeitos? 
Houve algum sujeito que atingiu o estado estável mais rápido do que outro?
Se sim, em qual segundo isso ocorreu?
AGORA É A SUA VEZ
Figura 4 – Avaliação do comportamento da temperatura corporal (°C), observada por 20 
segundos dos sujeitos (1 e 2) que estão realizando exercício físico constante
Fonte: Da autora (2020).
2.1.1. Funções dos sistemas de controle e seus componentes
Compreendendo os dois termos (homeostasia e estado estável), 
é	possível	discutirmos	o	conceito	de	sistema	de	controle	biológico.	
Entenda que os nossos sistemas orgânicos trabalham em conjunto 
para manter o corpo em homeostase. Portanto, sistema de controle, 
refere-se aos mecanismos responsáveis por manter o nosso corpo em 
equilíbrio (FOX, 2007).
26 UNIUBE
Assim, o sistema de controle possuirá sempre três componentes que 
trabalharão	de	forma	interligada	a	fim	de	manter	a	homeostase,	em	
outras	palavras,	manter	os	parâmetros	físicos	e	químicos	próximo	do	
constante. Os três componentes são: (1) receptores, que possuem a 
função	de	perceber	ou	captar	as	alterações	em	variáveis	fisiológicas	
e encaminhar uma mensagem ao (2) centro de integração que, ao 
analisar a informação encaminhada pelo receptor, encaminha uma 
mensagem adequada para o componente (3) efetor, que possui a função 
de corrigir aquilo que houve variação (rompimento da homeostase) e foi 
detectado pelo receptor (Figura 5) (FOX, 2007).
Figura 5 – Ilustração dos três componentes do sistema de controle (receptor, centro de controle 
e efetor)
Fonte: Adaptado de FOX (2007, p. 7).
É	importante	destacar	que	a	maioria	dos	sistemas	de	controle	biológicos	
funcionam através da retroalimentação negativa (Figura 6). O termo 
retroalimentação	negativa	está	relacionado	à	reação	inversa	do	controle	
daquilo	que	foi	perturbado	ou	alterado,	ou	seja,	se	uma	variável	fisiológica 
 UNIUBE 27
reduziu seus valores além do esperado (quebrou a homeostase), a 
resposta do sistema de controle será de aumentaros valores da variável. 
Caso aconteça o contrário, se uma variável aumentar seus valores acima 
do normal, a resposta de controle do sistema será de reduzir aquela 
variável (FOX, 2007).
Figura 6 – Sistema de controle e sua relação com a resposta inversa (retroalimentação negativa) 
para controle e retorno da homeostasia
Fonte: Da autora (2020).
José	afere	constantemente	sua	pressão	arterial	e	possui	valores	pressóricos	
dentro da normalidade (120/80 mmHg). Diferentemente da normalidade, em 
dois dias que José aferiu a pressão, ela estava irregular. No dia (A), a sua 
pressão estava 100/50 mmHg e no dia (B) a pressão estava 150/100 mmHg.
Pensando	no	conceito	de	controle	do	sistema	biológico	e	na	forma	desse	
controle (retroalimentação negativa), em qual dos dias o papel do sistema 
será de aumentar a variável em questão e em qual dia o intuito do sistema 
é reduzir a variável pressão arterial?
Observação: não se esqueça do conceito de retroalimentação negativa. 
Agora, veja se acertou: No primeiro dia (A) a resposta será de aumentar a 
variável em questão. No segundo dia (B), a resposta será de redução da 
pressão arterial.
AGORA É A SUA VEZ
28 UNIUBE
2.1.2. Exemplo de sistema de controle biológico
Todo e qualquer sistema orgânico é controlado pelo sistema de controle com 
seus três componentes. Para que você compreenda o funcionamento e 
o	controle	das	variáveis	fisiológicas,	em	seguida	serão	citados	alguns	
controles	fisiológicos.
A nossa temperatura corporal está quase sempre em constância (valor 
próximo	a	37°C),	quando	esse	valor	foge	da	constância	(temperatura	a	
40°C) sabemos que há um problema, certo?! A pergunta é: como nossa 
temperatura	mantém	o	valor	sempre	próximo	a	37°C?	A	resposta	é:	
devido	à	ação	do	sistema	de	controle	biológico.	
Para que possamos manter nossa temperatura a um valor desejável, 
precisamos de algo que perceba alteração ou mudança da temperatura. 
O nosso corpo possui receptores térmicos na pele e na região anterior 
do hipotálamo. Portanto, o primeiro componente (receptores) do sistema 
de controle em relação ao controle da temperatura são os receptores 
térmicos na pele e no hipotálamo. Esses receptores percebem alteração 
na temperatura e encaminham uma mensagem para o centro de 
integração que, no caso do controle em questão, é o hipotálamo. O 
hipotálamo recebe a mensagem dos receptores, avalia e ordena ações 
para a solução do problema (efetores). 
A mudança térmica percebida pelos receptores pode ser de aumento 
ou redução da temperatura. Caso o estímulo tenha sido de aumento 
da temperatura corporal, o hipotálamo irá ordenar ações que 
reduzam a temperatura, como estimular as glândulas sudoríparas 
a produzir suor e inibir a atividade simpática que irá gerar uma 
vasodilatação periférica (aumentar o calibre do vaso). Por outro 
lado, caso o estímulo seja por redução da temperatura corporal, o 
 UNIUBE 29
hipotálamo irá estimular a vasoconstrição periférica (reduzir o calibre 
do	vaso)	para	que	o	sangue	fique	envolta	dos	órgãos	(região	central)	
os aquecendo, além disso, o hipotálamo irá também estimular atividade 
muscular, gerando calafrios (tremores) para que haja aumento da 
temperatura	corporal	(WILMORE;	COSTILL;	KENNEY,	2013).
Analise a descrição supracitada do controle da temperatura corporal e 
encontre quem são os receptores, o centro de controle e quais foram os 
efetores, tanto no aumento quanto na redução da temperatura corporal.
Agora, veja se acertou: 
Receptores: subcutâneo (pele) e hipotálamo 
Centro de controle: Hipotálamo 
Efetores	–	resposta	à	queda	da	temperatura:	vasoconstrição	periférica,	
calafrios e atividade muscular.
Efetores – resposta ao aumento da temperatura: vasodilatação periférica, 
produção de suor.
AGORA É A SUA VEZ
Outro	exemplo	de	ação	do	sistema	de	controle	biológico	é	no	controle	
da pressão arterial. De modo geral, nossa pressão arterial média é 93 
mmHg (homeostasia), entretanto, há a possibilidade de rompermos a 
homeostasia e é nesse momento que os sistemas de controle irão agir.
Temos receptores que percebem quando há alteração na pressão com 
a qual o sangue sai do coração, no caso do controle da pressão arterial, 
eles são denominados de barorreceptores. Os barorreceptores estão 
localizados	no	arco	aórtico	e	seio	carotídeo	e	captam	alteração	na	
pressão que o sangue faz nos vasos sanguíneos ao sair do coração. Ao 
detectar uma alteração na pressão, os barorreceptores encaminham uma 
mensagem ao bulbo. O bulbo irá analisar a informação, encaminhada 
pelos receptores, e irá ordenar uma ação que resolva o problema.
30 UNIUBE
Caso haja um aumento da pressão arterial, o bulbo irá acionar ações 
para reduzi-la, essas ações são: aumento da atividade parassimpática 
no coração, gerando uma redução da frequência cardíaca (bradicardia 
reflexa) e uma redução da atividade simpática nos vasos 
sanguíneos, gerando uma vasodilatação (aumento do calibre do 
vaso), reduzindo dessa forma a pressão arterial. Por outro lado, caso 
tenha ocorrido uma redução da pressão arterial, o bulbo irá reduzir 
a atividade parassimpática no coração, propiciando um aumento da 
frequência cardíaca (taquicardia reflexa) da atividade simpática nos 
vasos sanguíneos, gerando uma vasoconstrição (redução do calibre 
do vaso), aumentando por esses dois mecanismos a pressão arterial 
(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Analise a descrição do controle da pressão arterial e encontre quem é o 
receptor, o centro de controle e quais foram os efetores, tanto no aumento 
quanto na redução da pressão arterial.
Agora, veja se acertou:
Receptores: barorreceptor
Centro de controle: bulbo
Efetores – resposta ao aumento da pressão: aumento da atividade parassimpática 
(resposta	bradicardia	reflexa)	e	vasodilatação	(gerada	para	inibição	da	
atividade simpática).
Efetores	–	resposta	à	redução	da	pressão:	redução	da	atividade	parassimpática	
(resposta	taquicardia	reflexa)	e	vasoconstrição	(gerada	pela	ativação	da	
atividade simpática).
AGORA É A SUA VEZ
É importante que você observe que os dois sistemas citados como 
exemplo (temperatura corporal e pressão arterial) foram controlados por 
retroalimentação negativa, ou seja, quando o estímulo ou perturbação 
foi	de	aumento	de	uma	variável	fisiológica,	a	resposta	do	sistema	de	
controle	biológico	foi	para	a	variável	reduzir	(FOX,	2007).
 UNIUBE 31
2.1.3. Exercício físico e sistema de controle biológico
É possível romper a homeostasia de diversas maneiras, algum problema 
agudo (febre, por exemplo), por questões emocionais (estresse, por 
exemplo), mudança de ambiente (lugar quente para um ambiente 
frio, mudança de altitude), entre outros. Além dos possíveis fatores 
que perturbam a homeostase, o exercício físico é um dos principais 
instrumentos para rompê-la e fazem com que diversos sistemas de 
controle	biológico	trabalhem.
Para que possa entender o efeito do exercício físico nos sistemas 
fisiológicos,	vamos	imaginar	uma	prova	de	atletismo	de	400	metros:	
(1) durante a execução da prova, ocorrerá um aumento da temperatura 
corporal, portanto exigindo que o sistema de controle de temperatura 
trabalhe	para	que	esse	incremento	de	temperatura	seja	controlado;	(2)	
aumento	do	consumo	de	oxigênio	e	produção	de	metabólitos,	fazendo	
com	que	aumente	a	frequência	respiratória	e	cardíaca	(com	objetivo	
de	manter	a	oferta	de	oxigênio	e	eliminar	o	gás	carbônico);	(3)	há	um	
aumento de íons de hidrogênio no músculo, gerando acidose muscular, 
portanto necessariamente é preciso acionar os sistemas de equilíbrio 
ácido-base	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
Vale ressaltar que, dependendo da duração do exercício, bem como sua 
intensidade	de	esforço,	podem	ser	manifestadas	alterações	fisiológicas	
diferentes e acionamento de sistemas de controle em proporções 
diferentes. Por outro lado, toda vez que se realizar um exercício físico, 
lembre-se	de	que	vários	sistemas	de	controle	biológico	trabalharão	para	
controlar as perturbações causadas pelo exercício. 
Considerações finais2.2
Podemos concluir,a partir das informações supracitadas, que todo o 
funcionamento	fisiológico	do	corpo	humano	é	controlado	pelo	sistema	de	
controle	biológico,	que	possui	três	componentes:	os	receptores,	centro	 
32 UNIUBE
de controle e efetores. Qualquer alteração em um dos três componentes pode 
desencadear perturbação no funcionamento do organismo. Além disso, 
a prática de exercício físico é o teste mais dramático para os sistemas 
de	controle	biológico,	por	outro	lado,	o	treinamento	físico	(efeito	crônico)	
melhora	o	funcionamento	dos	chamados	sistemas	de	controle	biológico.
Resumo
• Homeostase	refere-se	à	manutenção	do	ambiente	interno	constante	
ou inalterado em condição de repouso.
• Estado estável relaciona-se a um ambiente interno constante em 
condição de estresse (exercício físico).
• Sistemas	de	controle	biológico	são	mecanismos	responsáveis	por	
manter a homeostasia.
• São	componentes	do	sistema	de	controle	biológico:	(1)	receptor,	
que percebe alterações e encaminha informação para o centro de 
controle;	(2)	caixa	de	controle,	que	avalia	o	sinal	encaminhado	pelo	
efetor	e	ordena	ações	para	resolução;	(3)	efetor,	que	executa	as	
ações ordenadas pela caixa de controle.
• A	maior	parte	dos	sistemas	de	controle	biológico	trabalham	por	
retroalimentação negativa.
• O	principal	instrumento	que	altera	as	funções	fisiológicas	e	faz	
com	que	os	sistemas	de	controle	biológicos	sejam	acionados	é	o	
exercício físico.
Referências
BRITO,	Ivana;	HADDAD,	Hamilton.	A	formulação	do	conceito	de	homeostase	por	
Walter Cannon. Filosofia e História da Biologia, v. 12, n. 1, p. 99-113, 2017.
FOX, Stuart Ira. Fisiologia humana. 7. ed. Barueri: Manole, 2007.
POWER,	Scott	K;	HOWLEY,	Edward	T. Fisiologia do exercício: teoria e 
aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri: Manole, 2014.
WILMORE.	Jack	H.;	COSTILL,	David	L.;	KENNEY,	W.	Larry.	Fisiologia 
do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013.
Introdução
Metabolismo e 
exercício físico Capítulo
3
Já parou para pensar do que seu corpo necessita para conseguir 
realizar uma contração muscular?! Somente pelo fato de manter 
as células vivas, necessitamos de energia para isso e quando 
realizamos um exercício físico essa necessidade energética 
aumenta de forma exponencial. 
Sabemos que o corpo precisa de energia, entretanto, qual é a 
energia que o corpo utiliza e de onde vêm essa produção de 
energia?!	Vocês	já	devem	ter	ouvido	falar	de	metabolismo	aeróbio	
e	anaeróbio,	não	é	mesmo?!	Pois	bem,	iremos	aprofundar	nossos	
conhecimentos acerca da produção de energia em condição de 
prática de exercício físico.
Reflitam	de	acordo	com	o	conhecimento	que	possuem	sobre	
metabolismo. Qual o comportamento do metabolismo em condição 
de repouso, no ínicio da realização do exercício físico, durante e 
após?	Além	disso,	quais	as	respostas	metabólicas	ao	exercício	de	
alta intensidade, incremental e contínuo?
34 UNIUBE
Para que possa compreender a relação entre produção de energia 
e sua relação com o exercício físico, este capítulo irá abordar de 
maneira simples e objetiva as vias energéticas, bem como os 
substratos que participam da produção de energia e as variáveis que 
possam interferir no funcionamento do metabolismo energético.
Diante	do	objetivo	específico	de	sua	sessão	de	exercício	físico,	
o conhecimento da via energética utilizada se faz de grande 
importância,	uma	vez	que	a	dependência	dessa	via	irá	influenciar	
diretamente no substrato depredado e no efeito crônico almejado. 
Portanto, o conhecimento e a compreensão sobre os fatores que 
influenciam	a	utilização	das	vias	energéticas	é	importantíssimo	
para	sua	atuação	profissional.	
Ao término deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: 
• explicar a função dos substratos como produtores de energia 
durante	o	exercício	físico;
• explicar	sobre	as	vias	energéticas	anaeróbias	para	produção	
de	energia;
• explicar	sobre	a	via	energética	aeróbia	e	sua	contribuição	
para	produção	de	energia;
• discutir a relação entre intensidade e duração do exercício 
físico	com	as	vias	energéticas;
• demonstrar os fatores reguladores da seleção de combustível 
durante a execução do exercício físico.
Objetivos
 UNIUBE 35
3.1 Substratos energéticos
3.1.1 Estimativa de utilização de substratos
3.1.2	Fatores	que	influenciam	na	seleção	de	substratos	
3.2 Bioenergética
3.2.1.	Vias	energéticas	anaeróbias	
3.2.2.	Via	energética	aeróbia
3.3	Considerações	finais
Esquema
Substratos energéticos3.1
O corpo humano necessita de consumir nutrientes (carboidratos, 
gorduras e proteínas) para fornecer energia necessária para manter o 
funcionamento celular tanto em condição de repouso, quanto durante 
a realização de exercício físico. Em condição de repouso, a utilização 
predominante de substrato para obtenção de energia é de gordura. Por 
outro lado, durante a execução de exercício físico, carboidrato e gordura 
são os nutrientes primários, sendo que o maior consumo de um ou de 
outro irá depender de vários fatores que iremos discutir ao longo deste 
capítulo. A proteína, por sua vez, contribui com uma pequena parte para 
formação	de	energia	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
O nutriente carboidrato, quando armazenado, fornece ao corpo a cada 
1 grama aproximadamente 4 kcal/energia. As células armazenam 
carboidrato no músculo e no fígado na forma de glicogênio e, para 
utilização	metabólica,	o	glicogênio	é	convertido	em	glicose (Figura 1). 
Portanto, quando há um aumento nas concentrações de glicose, há a 
necessidade de armazenamento nos tecidos (músculo e fígado), sendo 
esta reação denominada de glicogênese. Por outro lado, quando há 
uma redução nas concentrações de glicose no sangue, as reservas são 
requebradas e o nome da reação é glicogenólise (quebra de glicogênio 
em glicose).
36 UNIUBE
Figura 1 – Esquema de armazenamento e utilização de carboidrato
Fonte: Da autora (2020).
Diferentemente do carboidrato, a gordura, quando armazenada, fornece 
ao corpo, a cada 1 grama, aproximadamente 9 kcal/energia. As células 
armazenam gordura no tecido subcutâneo na forma de triglicerídeo (3 
ácidos graxos livres + glicerol). Já para obtenção de energia primária 
de gordura, ela deve estar na forma de Ácido graxo livre (Figura 2). O 
processo de quebra de triglicerídeo em ácido graxo livre é denominado de 
lipólise, e o processo de formação para o armazenamento denomina-se 
lipogênese	(ANDRADE;	RIBEIRO;	CARMO,	2006).
Figura 2 – Esquema de forma de armazenamento e utilização da gordura
Fonte: Da autora (2020).
 UNIUBE 37
A proteína, quando armazenada, fornece ao corpo, a cada 1 grama, 
aproximadamente 4 kcal/energia. As células armazenam proteína 
no	músculo	na	forma	de	proteína	e,	para	utilização	metabólica,	ela	é	
quebrada em aminoácidos (Figura 3). Para que a proteína participe de 
modo efetivo no metabolismo energético, o aminoácido é convertido no 
fígado em glicose, reação essa denominada de gliconeogênese. 
Figura 3 – Esquema de forma de armazenamento e utilização da proteína
Fonte: Da autora (2020).
É	possivel	calcular	o	total	de	Kcal	energia	de	uma	pessoa	após	uma	refeição.	
Basta saber o total de gramas consumido de cada nutriente (gordura, 
carboidrato e proteína).
Caso Maria faça a ingestão de 40 gramas de gordura, 80 gramas de carboidrato 
e	60	gramas	de	proteína,	qual	o	total	de	Kcal	energia	que	Maria	ingeriu?
Sabemos que uma grama de gordura fornece um total de 9 kcal energia. 
Sendo assim, se Maria consumiu 40 gramas, teremos um total de 360 kcal/
energia de gordura. Carboidratos e proteínas a cada grama fornecem 4 kcal/ 
energia. Maria ingeriu 80 gramas de carboidrato que daria 320 kcal/energia 
de carboidrato. A quantidade de proteína ingerida foi de 60 gramas, que daria 
o	total	de	240	kcal/energia	de	proteína.	Fazendo	o	total	de	Kcal/energia	da	
refeição, temos o total de 920 kcal/energia (360+ 320 + 240).
EXEMPLIFICANDO!
38 UNIUBE
3.1.1 Estimativa de utilização de substratos
Dentre as estratégias para estimar acontribuição 
(em percentual) de cada substrato para o 
metabolismo energético, existe uma técnica 
não invasiva denominada de razão de 
troca respiratória (R). Para realizar essa 
técnica, faz-se um teste denominado de 
ergoespirometria e, a partir disso, calcula-se 
a	razão	entre	o	débito	de	dióxido	de	carbono	
(VCO2) e o volume de oxigênio consumido 
(VO2). A razão entre VCO2/O2 é chamada 
de	razão	de	troca	respiratória.
Para se utilizar a R como estimativa de 
utilização de substrato durante o exercício, é 
importante que o indivíduo alcance o estado 
estável. Devido ao fato da oxidação de gorduras requerer mais oxigênio 
do	que	o	carboidrato,	quando	realizada	a	R,	é	possível	identificar	a	
contribuição dos substratos. A R irá variar entre 1 e 0,7, quanto maior a 
R,	mais	próximo	do	1,	maior	a	contribuição	do	carboidrato.	Por	outro	lado,	
quanto	menor	a	R,	mais	próximo	do	0,7,	maior	a	contribuição	da	gordura.	
A Tabela 1 retrata a contribuição (%) de cada substrato de acordo com 
o valor de R.
Tabela 1	–	Percentual	de	gordura	e	carboidrato	determinados	pela	razão	de	troca	respiratória	(R)
R Gordura (%) Carboidrato (%)
0,70 100 0
0,75 83 17
0,80 67 33
0,85 50 50
0,90 33 67
0,95 17 83
1,0 0 100
 Fonte: Da autora (2020).
Substrato
Em bioquímica, é 
designado substrato um 
composto químico 
que sofre uma reação 
catalisada por uma 
ou mais enzimas. Os 
substratos energéticos 
principais são obtidos 
da dieta: carboidratos, 
proteínas e gorduras. 
Quando esses 
substratos são oxidados 
a gás carbônico e 
água nas células, é 
liberada energia pela 
transferência de elétrons 
para o oxigênio. A 
energia desse processo 
de oxidação gera calor 
e adenosina trifosfato 
(ATP). 
 UNIUBE 39
Durante	o	nível	4	de	um	teste	incremental,	após	calcular	o	QR	de	Maria,	o	
resultado foi 1.
Qual o substrato está sendo utilizado (depredado) para fonte de metabolismo 
para obtenção de energia? 
No mesmo nível do teste, o QR de João estava em 0,80. Qual substrato está 
sendo predominantemente utilizado por João? 
Agora, veja as respostas: 
Durante o nível 4, a utilização é 100% carboidrato para Maria.
Para João, no estágio 4, a utilização predominante era de carboidrato.
AGORA É A SUA VEZ
3.1.2 Fatores que influenciam na seleção do substrato
Durante a execução de exercício físico, os macronutrientes primários que 
auxiliam na produção de energia são gordura e carboidrato. Para que os 
macronutrientes sejam depredados, com maior proporção de gordura ou 
carboidrato, existem alguns fatores importantes para se discutir, como 
intensidade, duração, reservas corporais	etc.	(POWERS;	HOWLEY,	2014).
De maneira geral, quanto menos intenso for o exercício, maior a 
utilização de gordura, enquanto os carboidratos são recrutados em 
maior porcentagem quando o exercício é intenso (alta intensidade), 
portanto, o R aumenta de modo que a intensidade do exercício se eleva 
(COYLE,	1995;	CERMAK;	VAN	LOON,	2013).
Outro	fator	que	influencia	na	seleção	do	combustível	é	a	duração da 
sessão de exercício. Caso realize um exercício de intensidade moderada, 
a R diminui ao longo do tempo, demostrando um deslocamento gradual 
40 UNIUBE
para contribuição de gordura. Além disso, outro fator que contribui para 
a seleção de combustíveis é a reserva corporal de glicogênio muscular, 
glicose plasmática, ácido graxo livre plasmático e triglicerídeo muscular 
(POWERS;	HOWLEY,	2014).	Caso	os	estoques	de	glicogênio	muscular	
estejam	acabando,	a	via	energética	anaeróbia	lática	fica	comprometida.	
Desta	forma,	a	dependência	da	via	aeróbia	começa	a	ser	potencializada	
assim como a utilização de gordura como fonte primária.
Bioenergética3.2
Bioenergética são reações químicas de transferência de energia 
dos macronutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos) em energia 
biologicamente utilizada (adenosina trifosfato) para trabalho celular. 
Todas as reações químicas no corpo coletivamente são denominadas 
de metabolismo	(KENNEY;	WILMORE;	COSTILL,	2013).
Como supracitado, metabolismo é um conjunto de reações químicas, 
e a velocidade com que essas reações ocorrem são controladas por 
catabolizadores, denominados de enzimas	 (FOX,	2007;	KENNEY;	
WILMORE;	COSTILL,	2013).	Alguns	fatores	afetam	a	atividade	enzimática,	
tais como temperatura e pH (POWERS;	HOWLEY,	2014).	As	células	
podem gerar energia por três vias metabólicas: sistema anaeróbio 
alático, sistema anaeróbio lático e aeróbio.
3.2.1. Vias energéticas anaeróbias 
Vias energéticas anaeróbias	são	vias	que	produzem	energia	biológica	
(adenosina trifosfato - ATP) sem a presença de oxigênio. Existem duas 
vias que independem da produção de oxigênio para produção de ATP: 
via anaeróbia alática e via anaeróbia lática.
 UNIUBE 41
Via	anaeróbia	alática	também	denominada	de	Sistema	ATP-CP	ou	
Sistemas Fosfagênios é o método mais simples e como consequência 
o mais rápido para obtenção de energia. Para produção de ATP, faz-se 
apenas uma reação química. 
O músculo esquelético armazena uma pequena quantidade de molécula 
de fosfato de alta energia denominada de fosfocreatica ou CP (também 
chamada de fosfato de creatina). Nesse sistema, basta a CP doar seu 
fosfato inorgânico (Pi) para uma molécula de adenosina difosfato 
(ADP), transformando-a na molécula biologicamente utilizável, a 
adenosina trifosfato (ATP). A enzima creatina quinase regula essa 
reação	(POWERS;	HOWLEY,	2014)	(Figura	4).
Figura 4	–	Reação	química	do	sistema	anaeróbio	alático.	Nota:	CP:	fosfocreatina;	ADP:	
adenosina	difosfato;	ATP:	adenosina	trifosfato;	C:	creatina
Fonte: Da autora (2020).
Apesar de ser um sistema simples, possui limitações que fazem com 
que perdure de 8 a 12 segundos na prática de exercício físico. Dentre 
os fatores limitantes, temos a baixa quantidade de estoque de 
fosfocreatina no músculo, além disso a ressíntese de CP (creatina 
receber um fosfato e voltar a ser CP) acontece somente em condição de 
repouso	(KENNEY;	WILMORE;	COSTILL,	2013).
O	 segundo	 sistema	 anaeróbio,	 também	 denominado	 de	 sistema 
anaeróbio lático ou glicólise anaeróbia, acontece no sarcoplasma 
(citosol) da célula e envolve uma série de reações que ocorrem a partir 
da degradação de glicose, formando duas moléculas de ácido pirúvico 
ou ácido lático e dois ATPs. 
42 UNIUBE
Diferente	da	via	anaeróbia	alática,	a	via	anaeróbia	lática	necessita	
de uma sequência de 10 reações para que sejam formadas energias 
biológicas.	Essa	sequência	de	reações	se	divide	em	duas	fases:	fase de 
investimento e fase de geração (Figura 5). A fase de investimento irá 
gastar duas moléculas de ATP para prosseguir as reações, por outro 
lado, na fase de geração, serão formados quatro ATPs. Como há um 
gasto	de	2	ATPs	nessa	via	e	se	formam	4	ATPs,	a	produção	final	desse	
sistema é de 2 ATPs.
Figura 5 – Reações químicas da via glicolítica
Fonte: Getty Images. Acervo Uniube.
Exercícios de alta intensidade e curta duração (aproximadamente um 
minuto e trinta segundos) utilizam esse sistema predominantemente 
para produção de energia, entretanto, não diferente do sistema ATP-CP, 
sistema	anaeróbio	lático	também	possui	fatores	que	limitam	a	sua	utilização.	
O fator limitante do sistema é a chamada acidose muscular, ou seja, 
 UNIUBE 43
acúmulo de hidrogênio no músculo esquelético. O hidrogênio se acumula 
no	tecido	muscular	pela	própria	hidrólise (quebra) de ATP, pelas 
reações da via glicolítica e pela conversão de ácido lático em lactato 
(MACEDO;	LAZARIM;	SILVA;	TESSUTI;	HOHL,	2009).
3.2.2. Via energética aeróbia
Sistema energético aeróbio, também denominado de sistema oxidativo, 
refere-se	à	via	metabólica	que,	para	produção	de	energia,	necessita 
da presença de oxigênio.	O	processo	de	produção	aeróbia	de	ATP	é	
denominado de fosforilação oxidativa, acontece na mitocôndria e se 
divide em três estágios: 
1. geração da molécula de Acetil coenzima A ou acetil-CoA;
2. oxidação do Acetil-CoA no ciclo de Krebs;	
3. formação de ATP na cadeia transportadora de elétrons ou também 
denominada	de	cadeia	respiratóriae suas 
funções. Vale ainda ressaltar que a animação também relata uma doença 
metabólica,	denominada	diabetes,	comum	na	população	mundial	e	brasileira,	
que	pode	ter	como	fisiopatologia	alteração	na	produção	hormonal	de	insulina.
PESQUISANDO NA WEB
plasma, o pâncreas (células alfa de Langerhans) libera glucagon 
e estimula a quebra das reservas de glicogênio. Durante a prática 
de exercício físico, há um aumento da produção de hormônios 
hiperglicemiantes, sendo eles: glucagon, catecolaminas e cortisol 
(POWERS, HOWLEY, 2014).
Considerações finais8.2
A partir dos conhecimentos contemplados neste capítulo, podemos 
compreender	que	há	uma	relação	entre	o	sistema	nervoso	e	endócrino	
para	manter	a	homeostasia.	O	corpo	possui	diversas	glândulas	endócrinas	
que secretam hormônios que possuem diversas funções. Vale ressaltar 
a	importância	da	glândula	hipófise	no	controle	nas	demais	glândulas	e	
sua relação com o hipotálamo.
Durante a execução do exercício físico, há um aumento da secreção dos 
hormônios hiperglicemiantes e uma redução do hipoglicemiante. Além 
118 UNIUBE
disso, dependendo do grau de desidratação, aumenta-se a produção 
de aldosterona e ADH para controle hídrico. Outros hormônios que 
aumentam durante a prática de exercício físico é o GH e a testosterona 
a	fim	de	estimular	a	síntese	proteica.
Resumo
• Para manter o corpo humano em homeostase, é imprescindível a 
interação entre o sistema nervoso e o sistema hormonal.
• O	sistema	endócrino	possui	 diversas	glândulas	que	 secretam	
hormônios (substâncias químicas).
• Os hormônios podem ser divididos em diversas em classes, como: (1) 
quanto	à	natureza	(proteico	ou	esteroide)	e	(2)	quanto	à	solubilidade	
(lipossolúvel e hidrossolúvel).
• A	hipófise	é	considerada	a	glândula	mãe	por	controlar	a	produção	de	
hormônios	das	diversas	glândulas	existentes.	A	hipófise	se	conecta	
com	o	hipotálamo	e	é	dividida	em	dois	lobos:	adeno-hipófise	e	neuro-
hipófise.
• O GH tem a função de estimular a síntese proteica e o crescimento 
ósseo	(hipófise	anterior).	O	ADH	favorece	a	reabsorção	de	água	nos	
túbulos	renais	(hipófise	posterior).
• Os hormônios tireoidianos são responsáveis pelo controle do 
metabolismo basal (T3, T4) e concentração dos íons de cálcio 
(calcitonina). Por outro lado, a glândula suprarrenal produz uma 
ampla diversidade de hormônios com diversas funções: controle da 
pressão,	controle	da	glicemia	e	retenção	de	sódio.
• Os	hormônios	da	glândula	endócrina	pâncreas	são	responsáveis	pelo	
controle da glicemia, sendo a insulina um hormônio hipoglicemiante 
e o glucagon o hiperglicemiante.
 UNIUBE 119
Referências
FOX, Stuart Ira. Fisiologia humana. 7. ed. Barueri: Manole, 2007.
KENNEY,	W.	Larry;	WILMORE,	Jack	H.;	COSTILL,	David	L.	Fisiologia 
do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013.
POWERS,	Scott	K.;	HOWLEY,	Edward	T. Fisiologia do exercício: teoria e 
aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri: Manole, 2014.
SISTEMA	Endócrino.	Produção	de	Gustavo	Barbosa.	Vídeo.	Disponível	em:	
https://www.youtube.com/watch?v=pmwy7lnA3iY. Acesso em: 23 mar. 2021.

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