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1 UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS Curso: Fisioterapia Disciplina: Fisioterapia Neurofuncional Aluno: Kátia Cilene Santos Vasconcellos R.A: 2223703 Polo: Brasília – Asa Sul Data: 31/08 – 21/09 – 05/10 – 26/10 e 23/11/2024. 2 Sumário 1. Introdução 2. Aula 1 Roteiro 1: Avaliação Fisioterapêutica Neurológica l 3. Aula 2 Roteiro 1: Avaliação Fisioterapêutica Neurológica ll 4. Aula 3 Roteiro 1: Avaliação Fisioterapêutica Neurológica lll 5. Aula 4 Roteiro 1: Avaliação Fisioterapêutica Neurológica lV 6. Conclusão 7. Referências 3 Introdução A fisioterapia neurofuncional é uma área da fisioterapia voltada para a avaliação, tratamento e reabilitação de indivíduos com disfunções neurológicas. Essas disfunções podem ser causadas por lesões no sistema nervoso central ou periférico, decorrentes de condições como acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cranioencefálicos, lesões medulares, doenças neurodegenerativas (como Parkinson e esclerose múltipla) e paralisia cerebral, entre outras. (Paulo H. F. Bertolucci, 2021). O principal objetivo da fisioterapia neurofuncional é promover a recuperação da funcionalidade, autonomia e qualidade de vida dos pacientes, auxiliando na reabilitação motora, no controle postural, no equilíbrio e na marcha. Por meio de abordagens terapêuticas específicas, o fisioterapeuta neurofuncional busca facilitar a reorganização do sistema nervoso, estimular a neuroplasticidade e promover adaptações que melhorem o desempenho nas atividades da vida diária. As intervenções na fisioterapia neurofuncional são personalizadas e baseadas em uma avaliação detalhada das capacidades motoras, sensoriais e funcionais do paciente, buscando estratégias que envolvam o fortalecimento muscular, a recuperação de movimentos, a coordenação motora e a prevenção de complicações secundárias às condições neurológicas. 4 Aula 1 – Roteiro 1 Avaliação Neurológica é o ponto inicial da investigação clínica quando um paciente apresenta uma queixa que possa ser decorrente de lesão ou envolvimento do sistema nervoso central ou periférico. (O ‘Sullivan, S. B. 2010). Tríade de Parkinson A Doença de Parkinson (DP), também conhecida por parkinsonismo primário ou paralisia agitante, é uma afecção crônica, progressiva e idiopática do sistema nervoso central, envolvendo os gânglios da base e resultando em perturbações no tônus, posturas anormais e movimentos involuntários). (O ‘Sullivan, S. B. Schmitz, T.J. 1998). - Bradicinesia : apresenta uma dificuldade de iniciar o movimento, além da lentidão e pobreza na realização deles. -Tremor ao repouso: É caracterizado por movimentos alternados de flexo-extensão dos dedos e polegar, sendo também comum nos lábios, mento e língua. - Rigidez: é um dos sinais mais importantes, e pode ser definida como uma resistência aumentada ao movimento passivo, que afeta toda a musculatura estriada. (O ‘Sullivan, S. B. Schmitz, T.J. 1998). Dados gerais e anamnese - Dados pessoais. Afasia: ausência de linguagem; Dislalia trocas silábicas e Disatria: disfunção articular ATM. - História Familiar/Familial: Pai, mãe e irmãos – tios, avós. - História social: Faz atividade física, sono, tabagista, etilista, alimentação - Queixas do Paciente: Como o paciente se encontra no momento. - História da doença atual (HDA): Onde, Como, Exames etc. - História da doença pregressa (HDP): Relatar tudo antes da patologia. 5 Exame físico geral: - Pressão arterial : (bradicardia, taquicardia, normocardia) - Frequência cardíaca: Com os dedos no pulso 1min.) - Frequência respiratória: (Eupneia; Bradipneia; Taquipneia e apneia). - Saturação. (O ‘Sullivan, S. B. Schmitz, T.J. 2010). Exame Nível de consciência nível de consciência é a capacidade de responder a estímulos voluntaria e conscientemente. • Vígil - Apresenta abertura ocular espontânea, estado alerta e responsivo. • Obnubilado – alterado • Comatoso - Grau I - Grau II - Grau III - Grau IV. (Celmo Celeno Porto. 2013). Fonte: https://revistamedica.com/wp-content/uploads/2022/01/escala-coma-glasgow-1 Figura 1 - Escala de coma de Glasgow Avaliação de Sensibilidade 6 O Estesiômetro serve para avaliar e monitorar o grau de sensibilidade cutânea à percepção de forças aplicadas como estímulos aos nervos sensíveis ao toque leve e à pressão. As forças são graduadas em passos refletindo os limiares funcionais considerados mais críticos para as mãos e os pés, compreendidos em seis faixas entre 0,05gf (0,49mN) e 300gf (2,94N). (BELL- KROTOSKI, 1989). Protocolo tradicional de mapeamento dos limiares Fonte: Lehman, L.F., Orsini, M.P.B., Nicholl, A.R.J. 1993. Figura 2 – Protocolo de mapeamento Homúnculo de Penfield: é basicamente uma imagem corporal que o homem tem dele mesmo, possibilitando reconhecer a correspondência de regiões corticais cerebrais com áreas do corpo humano. O Homúnculo de Penfield coleta os dados da nossa representação corporal, seja sensorial ou motor, e se for afetado, pode levar a uma doença curiosa: o membro fantasma. Quando sofre desta doença, o cérebro continua a sentir ou perceber as sensações de um membro amputado. (Angelo Machado, Lucia machado Haertel, 2013). Fonte: https://nepsa.es/que-es-el-homunculo-cortical/ Figura 3 – Imagem do Homúnculo https://amenteemaravilhosa.com.br/7-enigmas-do-cerebro-humano/ https://nepsa.es/que-es-el-homunculo-cortical/ 7 Dermátomos e miótomos Através da avaliação sensorial dos dermátomos ao toque leve e à dor podemos determinar o nível sensitivo da lesão. São avaliados pontos chaves, atribuindo-se as seguintes pontuações: - Ausência de sensibilidade; - Sensibilidade alterada (diminuída ou aumentada); - Sensibilidade normal. (Emerich, L.; Parsons, K. C.; Stein, A., 2012). Ao todo existem 31 dermátomos que "dividem" o corpo em fatias, como mostra a imagem a seguir: Fonte: https://www.tuasaude.com/dermatomos/ Figura 4 - Mapa de dermátomos do corpo. Os miótomos são responsáveis pelo movimento de flexão, extensão, adução e abdução, por exemplo, de acordo com a sua localização, enquanto os dermátomos estão relacionados com alterações da sensibilidade e formigamento, por exemplo. (Emerich, L.; Parsons, K. C.; Stein, A., 2012). O quadro a seguir indica os miótomos e os principais movimento associados: 8 Fonte: https://www.tuasaude.com/dermatomos/ Figura 5 – Principais movimentos miótomos A avaliação dos graus de força muscular é determinada através do teste de força muscular manual dos seguintes miótomos: C5, C6, C7, C8, T1, L2, L3, L4, L5 e S1. A partir do resultado obtido nesse teste, conseguimos determinar o nível motor da lesão (ASIA, 2015). ASIA, Associação Americana de Lesão Medular. (Emerich, L.; Parsons, K. C.; Stein, A., 2012). Fonte: Bohannon r. W.; Smith, M. B.1987. Figura 6 - Miótomos e grupos musculares. Exame Físico Específico (Teste de sensibilidade Superficial) 9 Sensibilidade à temperatura:é geralmente testada com tubos de ensaio contendo água quente e água fria, ou duas toalhinhas, uma aquecida e a outra resfriada. Sensibilidade ao tato: pode-se utilizar materiais como agulha sem ponta, cotonete, ponta do dedo, tampa da caneta, entre outros. Pressão: (pressionar com o polegar). (Celmo Celeno Porto. 2013). Normoestesia: Sensibilidade normal, o paciente sabe distinguir o estímulo e a área; Hipoestesia: sensibilidade reduzida; Hiperestesia: sensação exagerada a um certo estímulo sensitivo. Anestesia: ausência de sensibilidade. (Celmo Celeno Porto. 2013). Sensibilidade Combinada Grafestesia: é a capacidade de perceber a escrita de palavras ou números escrita sobre a pele estando de olhos fechados. Estereognosia: é a capacidade de perceber e reconhecer a forma de um objeto na ausência de informações visuais e auditivas. Barestesia: é um termo médico usado para descrever a capacidade dos humanos de distinguir entre vários graus de pressão exercida em vários pontos do corpo. Topognosia: é a perda do sentido do local de uma estimulação táctil . Barognosia: é um termo médico usado para descrever a capacidade do ser humano de distinguir a diferença de peso entre dois objetos, usando apenas o sentido do tato. (Celmo Celeno Porto. 2013). Exercícios realizado em sala dia 31/08/2024. No final da aula formamos grupos e realizamos alguns testes de sensibilidade combinada. A grafestesia, o fisioterapeuta pede para o paciente fechar os olhos, faz um desenho na mão (círculo, coração....), em seguida pede para ele adivinhar. No exercício de barognosia, colocamos duas bolas com pesos diferentes na mão do paciente, e pedimos para diferenciar o peso. Já no teste de Esterognosia, entregamos uma caneta para a paciente e pedimos para ela identificar o objeto. No teste de Topognosia, fiz pressão em dois pontos https://pt.wikipedia.org/wiki/Pele https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho https://pt.wikipedia.org/wiki/Vis%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Audi%C3%A7%C3%A3o 10 (10cm), com os polegares ao mesmo tempo, e fui juntando os dedos e pedi para identificar a diferença nos dois pontos. E por final executei o teste de barestesia, fiz pressão no bíceps um mais forte e outro mais fraco, pedi ao paciente para identificar a diferença entre as pressões. Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal Figura 7 - Grafestesia Figura 8 - Barognosia Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal Figura 9 - Esterognosia Figura 10 - Topognosia 11 Aula 2 – Roteiro 1 Avaliação Muscular O tônus muscular é o estado de tensão permanente do músculo estriado em repouso (contração ligeira), a qual pode ser clinicamente verificada pela resistência que o músculo oferece ao movimento passivo. (LANCE, 1980). O tônus de repouso é explicado pelas propriedades elásticas das fibras musculares e pela ação do proprioceptor fuso muscular, cujo circuito neural está localizado na medula, sendo responsável pelo reflexo de estiramento (miotáticos). (Nitrini, R.; Bacheschi, L. A.; 2015). O tônus postural é aquele que será recrutado para a motricidade voluntária e os ajustes posturais. O controle do tônus postural depende da ação equilibrada de vias supras segmentares descendentes excitatórias e inibitórias para a medula espinal. (Nitrini, R.; Bacheschi, L. A.; 2015). O tônus muscular pode ser avaliado através da inspeção, da palpação e do alongamento passivo rápido do músculo. Tanto a inspeção como a palpação não oferecem uma avaliação fidedigna do tônus muscular, mas podem auxiliar a interpretação do fisioterapeuta após a mobilização passiva do músculo. (Nitrini, R.; Bacheschi, L. A.; 2015). Na síndrome piramidal frequentemente há hipertonia, porque a mobilização estimula os fusos musculares, através do arco reflexo, os motoneurônios. (Naitrini, R.; Bacheschi, L. A.; 2015). Escala de avaliação da força muscular A Escala de Ashworth Modificada é utilizada na avaliação da espasticidade. A espasticidade constitui uma das formas de hipertonia, caracterizada pelo aumento da resistência ao movimento articular passivo devido à hiperatividade do reflexo fásico de estiramento por lesão do neurônio motor superior (NMS) (Hinderer; Dixon, 2001). 12 Fonte: Bohannon r. W.; Smith, M. B.1987. Figura 11 - Escala de Ashworth Modificada Reflexos Reflexos são por definição, respostas musculares involuntárias desencadeadas por determinado estímulo de maneira estereotipada, ou seja, o mesmo estímulo desencadeia sempre a mesma resposta. Às vezes, podem ser suprimidos por uma ação voluntária. Reflexos superficiais: A hiporreflexia é uma condição médica caracterizada pela diminuição ou ausência dos reflexos normais do corpo. Pode ser causada por várias condições, como lesões na medula espinhal, doenças neuromusculares, neuropatias periféricas, uso de medicamentos e deficiências nutricionais. Hiperreflexia é uma condição neurológica caracterizada por atividade aumentada dos reflexos. A principal causa é lesão da medula espinhal que torna o arco reflexo totalmente independente da inibição cortical. Normorreflexia é uma resposta normal ou reflexo normal a um estímulo simples. (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Reflexos profundos: Os reflexos profundos ou miotendinoso mais comumente pesquisados, com sua inervação e seu segmento medular/raiz relacionado, são: . bíceps: C5-C6 – nervo musculo cutâneo; . tríceps: C7 – nervo radial; . braquiorradial: C5-C6 – nervo radial; https://pt.wikipedia.org/wiki/Reflexos https://pt.wikipedia.org/wiki/Medula_espinhal https://pt.wikipedia.org/wiki/Reflexo 13 . quadríceps (patelar): L3-L4 – nervo femoral; . aquiliano: S1 – nervo ciático. (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Exercícios realizado em sala dia 05/10/2024. Depois de ministrada a aula, formamos grupos e fomos colocar em prática o que aprendemos. Começamos com o reflexo mentoniano, paciente sentado, com a boca levemente entreaberta, e músculos relaxados. O examinador com o dedo indicador sobre o queixo do paciente estabiliza a mandíbula, com o martelo de reflexo da uma leva batida sobre o dedo que está posicionado no queixo do paciente, a resposta foi uma leve contração dos músculos da mandíbula. Em seguida realizamos o reflexo braquiorradial, o antebraço semifletido e apoiado sobre a mão do examinador, em pequeno grau de pronação. A percussão acontece sobre o processo estiloide do rádio, que determinará a contração do músculo braquiorradial, produzindo flexão e pequena pronação. Realizamos o reflexo plantar, paciente em decúbito dorsal, a estimulação ocorre através da ponta de um lápis sobre a superfície plantar, partindo o estímulo do calcâneo para a borda lateral do pé. Por fim, realizamos o reflexo cutâneo abdominal, paciente em decúbito dorsal, com o auxílio de um lápis, deslizamos o objeto do quadrante superior esquerdo em direção ao umbigo, depois no quadrante superior direito e nos quadrantes médios e inferiores. Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal Figura 12 – Reflexo Mentoniano Figura 13 – Reflexo Braquiorradial 14 Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivopessoal Figura 14 – Reflexo plantar Figura 15 – Reflexo cutâneo abdominal 15 Aula 3 – Roteiro 1 Trocas Posturais As trocas posturais acontecem no mesmo plano, como por exemplo as trocas de decúbito (Decúbito dorsal para lateral), e passar de deitado para sentado na beira do leito e, posteriormente ,retornar para deitado ou para cadeira. (Alexandre, N. M. C; Rogante, M. M 2000). As transferências podem ser definidas como um método de mover um paciente de uma superfície para outra, onde o paciente é capaz de ajudar na transferência, suportando parte do peso em pelo menos uma de suas pernas. (Alexandre, N. M. C; Rogante, M. M 2000). Inicialmente, deve-se fazer uma avaliação das condições físicas da pessoa que será movimentada, de sua capacidade de colaborar, bem como a observação da presença de soros, sondas e outros equipamentos instalados. Também é importante, para um planejamento cuidadoso do procedimento, uma explicação, ao paciente, do modo como se pretende movê-lo, como pode cooperar, para onde será encaminhado e qual o motivo da locomoção. Existem algumas orientações, especificamente relacionadas com os princípios básicos de mecânica corporal, que devem ser utilizadas durante a manipulação de pacientes. • Deixar os pés afastados e totalmente apoiados no chão; • Manter as costas eretas; • Usar o peso corporal como um contrapeso ao do paciente; • Flexionar os joelhos em vez de curvar a coluna; • Utilizar movimentos sincrônicos; • Trabalhar o mais próximo possível do corpo do cliente, que deverá ser erguido ou movido. (Alexandre, N. M. C; Rogante, M. M 2000). Lembrar que o paciente deve ser estimulado a movimentar-se de uma forma independente, sempre que não existir contraindicações nesse sentido. Outro ponto que não pode ser esquecido é procurar ter à disposição camas e colchões apropriados, dependendo das condições e necessidades do cliente. O ideal são camas com altura regulável, que possam ser ajustadas, dependendo do procedimento que será realizado. Durante a movimentação, deve-se, sempre 16 que possível, utilizar elementos auxiliares, tais como: barra tipo trapézio no leito, plástico antiderrapante para os pés, plástico facilitador de movimentos, entre outros. (Alexandre, N. M. C; Rogante, M. M 2000). Exercícios realizado em sala dia 21/09/2024. Após o término da aula a professora demonstrou a mudança de decúbito com o auxílio do paciente, de decúbito dorsal para lateral. Em seguida em duplas fomos colocar em prática o que aprendemos. Realizei a transferência da paciente Fabi da cadeira de rodas para a cama, e em seguida realizei a mudança de decúbito dorsal para decúbito lateral com o auxílio da paciente, transferindo- a para a cadeira de rodas. A professora fez algumas correções em relação a postura, para assim evitarmos problemas futuros quando estivermos atendendo pacientes. Fonte: arquivo pessoal Figura 16 - Transferência cadeira de rodas para cama. Fonte: Cantera,I., Domingo, P. (1996). Figura 17 – Transferência de cama para cadeira de rodas. 17 Aula 4 – Roteiro 1 Avaliação da marcha A marcha humana é uma sequência de ações coordenadas dos segmentos articulares de membros superiores, inferiores e tronco, compondo um movimento altamente complexo. Mais comum de todos os movimentos humanos. O padrão de variabilidade de uma passada no dia a dia é moderadamente baixo. (Lobo Da Costa, P.H.L. ; Sacco, I. C. 2010). O objetivo principal é melhorar as características da marcha, como a velocidade, o comprimento do passo, a cadência e a simetria, para reduzir a instabilidade postural e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. (Ferreira; Martins; Viana, 2020). Durante a observação da marcha, também é possível observar o equilíbrio dinâmico do paciente, principalmente através da extensão da base de sustentação, dissociação entre as cinturas escapular e pélvica, alteração na velocidade e solicitação de mudança de direção. (Ferreira; Martins; Viana, 2020). Fonte: : Vaughan, Davis e O’Connor 1992. Figura 18 – Representação dos ciclos da marcha humana Algumas marchas são típicas de comprometimentos específicos, sendo as mais comuns: Marcha parkinsoniana: rigidez, bradicinesia e perda dos movimentos associados. Passos curtos. O paciente adquire atitude em bloco, com a cabeça e o tronco inclinados para a frente. Eventualmente, pode ocorrer (marcha propulsiva) com aceleração dos passos no início do caminhar; 18 Marcha escarvante (“equina”): fraqueza da musculatura anterior da perna (músculos dorsiflexores do pé e dos artelhos). Com pés caídos, tende a elevar os joelhos (flexão da coxa) para não tocar a ponta dos pés no solo. Observada em polineuropatias periféricas bilateralmente, em lesões do nervo fibular unilateralmente, entre outras; Marcha atáxica: alargamento da base de sustentação, perda de equilíbrio (“ebriosa”). Pode ter origem cerebelar ou sensitiva (alteração proprioceptiva que piora com o fechar dos olhos); Marcha parética (“ceifante”): ocasionada por comprometimento piramidal do SNC contralateral ao déficit motor, levando a espasticidade no membro inferior, predominantemente da musculatura extensora. A perna parética realiza um movimento de semicírculo. No comprometimento bilateral, torna a marcha extremamente dificultosa com pequenos passos; Marcha “em pequenos passos”: pode ser observada em pacientes com comprometimento frontal difuso, demonstrando passos curtos, membros inferiores enrijecidos e arrastando os pés. Marcha talonante ou calcaneante: está presente em pacientes com ataxia sensitiva. Nesse padrão, o andar é inseguro e os passos irregulares. A base de sustentação é larga, com as pernas afastadas entre si e ao pisar, devido ao déficit sensitivo, os pés batem fortemente contra o chão; o fechamento dos olhos piora a instabilidade da marcha. (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Outras dificuldades de marcha são observadas, como dificuldade em subir escadas ou levantar-se da cadeira, nas fraquezas proximais (p.ex., miopatias), e dificuldade para andar na ponta dos pés (comprometimento dos nervos tibiais ou raízes de S1-S2). (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Equilíbrio O exame do equilíbrio e da marcha corresponde a um dos pontos mais importantes da avaliação fisioterapêutica de pacientes neurológicos. O exame do equilíbrio realizado pelo fisioterapeuta consiste em observar a bipedestação, que irá provocar desequilíbrios súbitos no sentido lateral e anteroposterior, estando o paciente descalço, com os pés juntos e olhos abertos e depois fechados. Deverá observar a capacidade do paciente em reagir aos 19 desequilíbrios propostos e se manter estável na postura. Além da postura bípede, o fisioterapeuta deverá observar o equilíbrio estático e dinâmico do paciente em diferentes posturas, cuja exigência da ação da gravidade é progressivamente maior, sendo assim, maior o controle do equilíbrio. (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). O equilíbrio dinâmico consiste na capacidade de manutenção do equilíbrio em uma determinada postura, enquanto o paciente realiza movimentos dos membros. O equilíbrio estático pede-se que o paciente permaneça com os olhos abertos e membros inferiores justapostos. A dificuldade em permanecer nessa posição pode ser evidenciada por oscilações corporais, necessidade de apoio e alargamento da base de sustentação (disbasia). (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Equilíbrio: Mensuração Sinal de Romberg:é observado quando o paciente, permanece com postura adequada e estável com os olhos abertos, apresenta desequilíbrio acentuado com oscilação e, às vezes, queda ao fechar os olhos. Com os olhos abertos, o desequilíbrio tende a ser menor, pois a visão pode compensar parcialmente o comprometimento vestibular e proprioceptivo. A piora do equilíbrio ao fechar os olhos é característica de comprometimento da sensibilidade proprioceptiva. (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Manobras Deficitárias: Manobra de Mingazzinni: O paciente, em decúbito dorsal, mantém por até 3 minutos as coxas fletidas em ângulo de 90° em relação à bacia, com as pernas formando ângulo de 90° com as coxas, paralelas e sem se tocarem. Manobra de Barré: O paciente, em decúbito ventral, mantém por até 3 minutos as pernas fletidas em ângulo de 90° com as coxas, paralelas e sem se tocarem. Manobra dos braços estendidos: O paciente mantém por até 3 minutos os membros superiores estendidos em ângulo de 90° com o tronco, paralelos e com os antebraços em supinação. O membro parético tende a oscilar e a cair em movimento de sucessiva pronação da mão e flexão do antebraço. (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). 20 Index Prova índex-nariz: Pede-se para o paciente tocar a ponta do nariz com o dedo, mantendo-se o braço em ângulo de 90° com o tronco. Pode-se aumentar a sensibilidade do teste ao solicitar que o paciente o execute com os olhos fechados. Movimentos Diadococinesia: é a capacidade que uma pessoa tem em realizar movimentos rápidos alternadamente. Adiadococinesia: é a incapacidade em que o paciente tem dificuldade em realizar movimentos alternados e rápidos. Disdiadococinesia: é utilizado para descrever dificuldade em executar movimentos rápidos e alternadas, geralmente por grupos musculares opostos. . (Paulo H. F. Bertolucci; 2021). Exercícios realizados em sala dia 21/09/2024. Depois de ministrada a aula, formamos grupos e fomos praticar o que aprendemos. Começamos com a marcha: Paciente Fabi, falha na fase de pré balanço, não toca os dedos no solo, pisada pronada. A paciente Marina, pisada supinada pé direito, fraqueza glútea lado direito. Recomendação: Fazer musculação para fortalecimento tibial anterior e posterior e glúteo. Paciente Kátia, pisada pronada, rotação interna de joelho, indicação: fortalecimento glúteo e extensores anterior e posterior. Realizamos o teste de Romberg e Romberg sensibilizado, Index nariz. Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal Figura 19 - Index-nariz Figura 20 - Manobra braços estendidos 21 Conclusão A disciplina de Neurofuncional proporcionou um entendimento aprofundado sobre os princípios e práticas relacionados à reabilitação de pacientes com disfunções neurológicas. Ao longo do curso, foi possível compreender as diferentes abordagens terapêuticas voltadas para condições como acidentes vasculares cerebrais (AVC), lesões medulares, traumatismos cranioencefálicos, doenças neurodegenerativas e outras patologias que afetam o sistema nervoso. O aprendizado incluiu a realização de avaliações fisioterapêuticas neurológicas, com foco na análise de reflexos, tônus muscular, coordenação motora, sensibilidade e equilíbrio. Também foram abordadas estratégias de tratamento baseadas na neuroplasticidade, que buscam maximizar a recuperação funcional por meio de exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular, reeducação da marcha e melhora do controle postural. A aplicação prática dos conceitos estudados permitiu o desenvolvimento de habilidades para elaborar planos de tratamento personalizados e eficazes, visando a restauração da funcionalidade e a promoção da independência dos pacientes nas atividades diárias. 22 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 1 https://revistamedica.com/wp-content/uploads/2022/01/escala-coma-glasgow-1 Figura 2 LEHMAN, L.F., Orsini, M.P.B., Nicholl, A.R.J.: The development and adaptation of Semmes-Weinstein monofilaments in Brazil. J Hand Therapy, Philadelphia, 1993. Figura 3 https://nepsa.es/que-es-el-homunculo-cortical/ Figura 4 https://www.tuasaude.com/dermatomos/ Figura 5 https://www.tuasaude.com/dermatomos/ Figura 6 BOHANNON, R. W.; Smith, M. B. Interrater reliability of a modified Ashworth scale of muscle spasticity. Phys Ther, v. 67, n. 2, Feb. 1987. Figura 7 Arquivo pessoal Figura 8 Arquivo pessoal Figura 9 Arquivo pessoal Figura 10 Arquivo pessoal Figura 11 Arquivo pessoal Figura 12 Arquivo pessoal Figura 13 Arquivo pessoal Figura 14 Arquivo pessoal Figura 15 Arquivo pessoal https://nepsa.es/que-es-el-homunculo-cortical/ 23 Figura 16 Arquivo pessoal Figura 17 Fonte: Cantera,I., Domingo, P. (1996) – Guias práticos de enfermagem – Geriatria. Rio de Janeiro. Figura 18 Fonte: : Vaughan, Davis e O’Connor 1992. Figura 19 Arquivo pessoal Figura 20 Arquivo pessoal 24 REFERÊNCIAS ALEXANDRE, N. M. C; ROGANTE, M. M. Movimentação e transferência de pacientes: aspectos posturais e ergonômicos. Rev.Esc.Enf.USP, v. 34, n. 2, p. 165-73, jun. 2000. ANGELO Machado, Lucia machado Haertel. Neuroanatomia Funcional 3ª edição, Editora Atheneu, 2013. BELL Krotoski, J.A.: Light touch - deep pressure testing using the Semmes-Weinstein monofilaments. In Hunter JM, et al. (Eds): Rehabilitation of the Hand, 3rd ed. St. Louis CV Mosby Co, Ch. 42, 1989. CELMO Celeno Semiologia Médica - Porto – 7ª Edição. 2013. Editora Guanabara Koogan. EMERICH, L.; Parsons, K. C.; stein, A. Competent care for persons with spinal cord injury and dysfunction in acute inpatient rehabilitation. Top Spinal Cord Rehabil, v. 18, n. 2, p. 149-166, 2012. FERREIRA, R. M.; Martins; M. C. L.; Viana, M. S. S. Efeitos do treinamento de marcha com feedback auditivo em pacientes com Parkinson: 2020. GUSTAVO José Luvizutto, Luciane A. Pascucci Sande de Sousa. Reabilitação Neurofuncional: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações Ltda, 2022. HINDERER, S. R.; Dixon, K. Physiologic and Clinical monitoring of spastic hypertonia. Phys Med Rehabil Clin N Am, v. 12, n. 4, p. 733-746, nov. 2001. LANCE JW Sinopse do simpósio. Em: Feldman RG, Young RR, Koella WP, editor. Espasticidade: Controle Motor Desordenado . 1980. LOBO DA COSTA, P.H.L. ; SACCO, I. C. N. . Marcha Humana. In: Lobo da Costa, P. H. ; Serrão, F. V. (Org.) Movimento Articular: Aspectos morfológicos e funcionais. v.2, Ed. Manole, 2010. NITRINI, R.; Bacheschi, L. A. A neurologia que todo médico deve saber. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2015. O´SULLIVAN, S.B.; SCHMITZ, T.J. Doença de Parkinson. In. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2.ed. São Paulo: Manole, 1998. O’SULLIVAN, S. B.; Schmitz, T. J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 5 ed. Barueri: Manole, 2010. 25 PAULO H. F. Bertolucci Neurologia : diagnóstico e tratamento [et al.] - 3. ed. - Barueri [SP] : Manole, 2021.