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1 SOCIOLINGUÍSTICA: OUTRA PERSPECTIVA PARA O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA1 Tatiane Aparecida de Souza Pena2 Josefferson Kaff Tavares Chaves3 RESUMO Este trabalho fora desenvolvido com o intuito de analisar a inserção de princípios da Sociolinguística no ensino de Concordância Verbal e Concordância Nominal no 9º ano do Ensino Fundamental II para alunos da Escola de Aplicação da UFPA do Munícipio de Belém no Estado do Pará. O Referencial teórico está fundamentado em Marcos Bagno (1999; 2008), Mário Perini (2005), Irandé Antunes (2007), Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990) e Cecília Molica (2004). O corpus da pesquisa foi retirado do livro Projeto Teláris, utilizado no lócus da pesquisa. A Sociolinguística tem como objeto de estudo os modelos de comportamento linguísticos que são observados dentro de uma comunidade de fala, por meio das regras variadas. Na primeira seção, abordo os aspectos teóricos, baseados em autores como Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990), Marcos Bagno (1999; 2008), Cecília Molica (2004), Mário Perini (2005) e Irandé Antunes (2007) à luz das contribuições das mais recentes teorias que norteiam os estudos sociolinguísticos. Já na segunda seção, explano de que modo um ensino baseado na Sociolinguística pode combater o olhar preconceituoso que vigora na escola quando, um de seus alunos fala diferente e são logo corrigidos pelo professor de Língua Portuguesa. Na terceira seção, apresento o Percurso Metodológico traçado para a construção deste trabalho, com o objetivo de orientar a pesquisa e validar seus processos Durante a pesquisa a professora falou que trabalha com os princípios da Sociolinguística em suas aulas e também pude observar que a maioria dos alunos por terem uma familiaridade com a Sociolinguística não apresentam dificuldades na hora de fazer a atividade no livro, enquanto alguns têm dificuldade em resolver a atividade trabalhada no livro, por não terem uma certa intimidade com a Sociolinguística, em que a professora explica mais de uma vez o assunto para estes, de forma que eles tenham um bom entendimento do assunto. PALAVRAS - CHAVE: Educação, Sociolinguística, Variação, Gramática. 1. INTRODUÇÃO Este artigo versou acerca da Sociolinguística como outra perspectiva para o Ensino da Língua Portuguesa, com ênfase no papel do professor de Língua Portuguesa, enquanto agente motivador na construção do conhecimento de seus alunos. Em relação aos objetivos propostos, ao analisarmos a inserção de princípios da Sociolinguística no Ensino de Concordância Verbal e Concordância Nominal no 9º ano do Ensino Fundamental II, ratificamos a importância das variáveis linguísticas registradas na fala de um indivíduo ou de um grupo com pessoas, variáveis que mudam de acordo com a classe socioeconômica, faixa etária, escolaridade, sexo, etnia e contexto geográfico dessas pessoas. 1 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Letras da pela Faculdade de Minas Gerais - EAD (Facuminas), utilizado como requisito para obtenção do grau de Licenciada em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa. 2 Graduanda em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa pela Faculdade de Minas Gerais - EAD (Facuminas). E-mail: tatianepenna1979@gmail.com 3 Orientador: Prof. Msc. em Ensino de Espanhol para alunos brasileiros, Docente do Curso de Licenciatura em Letras da Faculdade de Minas Gerais - EAD (Facuminas). E-mail: joseffersonchaves@gmail.com 2 No primeiro momento, realizamos a leitura de livros e artigos sobre o tema em questão. No segundo momento, selecionamos o referencial teórico necessário à fundamentação das análises, focalizando especialmente a Sociolinguística no Ensino de Língua Portuguesa. A pesquisa é bibliográfica e de campo. Para tanto, apoiamo-nos nos estudos de em Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990), Marcos Bagno (1999; 2008), Mário Perini (2005), Irandé Antunes (2007) e Cecília Molica (2004). Em seguida, realizamos a pesquisa de campo na Escola de Aplicação da UFPA, no Munícipio de Belém, no Estado do Pará, em que foi consultada uma professora de Língua Portuguesa do 9º ano do ensino fundamental maior da referida escola, para quem, após ser elaborado, foi aplicado o questionário de pesquisa. Posteriormente, iniciamos a elaboração e a revisão deste artigo, objetivando evidenciar como se dá a Sociolinguística no Ensino de Língua Portuguesa, no decorrer dos anos e em face aos avanços dos estudos acerca da Sociolinguística. Este tipo de resultado é importante, pois mostra como o professor de Língua Portuguesa pode trabalhar a Sociolinguística no ensino da língua materna com seus alunos em sala de aula, afastando-se um pouco de práticas meramente estruturalistas, as quais, muitas vezes, só consideram a regra sem considerar o eixo enunciativo-discursivo da língua como prática social, que vive e que pulsa no cotidiano de cada falante/ouvinte de uma nação. Quanto à estrutura, este trabalho de conclusão de curso está organizado em três capítulos, a saber: Na seção I, esboço o quadro teórico os Aspectos Teóricos, fundamentados em autores como Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990), Marcos Bagno (1999; 2008), Mário Perini (2005), Irandé Antunes (2007) e Cecília Molica (2004). Este capítulo, em geral, foi elaborado à luz das contribuições das mais recentes teorias norteiam os estudos sociolinguísticos, elucidando questões sobre a Sociolinguística, ciência que analisa a língua do ponto de vista de sua estreita união com o meio social onde se gera, enfatizando o estudo das variações linguísticas para a construção da identidade de uma comunidade. Na seção II, elucido de que maneira um ensino baseado na Sociolinguística pode combater o olhar preconceituoso que se manifesta na escola quando um aluno fala diferente e é logo corrigido pelo professor de Língua Portuguesa, porque não está baseado nas regras da Gramática Normativa Tradicional. Essa variação linguística trazida pelo aluno de sua casa para a escola parece ser esquecida nesse momento pelo professor. Na seção III, descrevo o Percurso Metodológico traçado para a construção deste trabalho, com o objetivo de orientar a pesquisa e validar seus processos. Para tanto, recorri 3 novamente às informações de Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990), Marcos Bagno (1999; 2008), Mário Perini (2005), Irandé Antunes (2007) e Cecília Molica (2004). A análise dos dados observados nos permitiu conhecer como o conteúdo Concordância Verbal e Nominal é ensinado no 9º ano e em que medida os alunos são convidados a refletir sobre os aspectos sociais, culturais e educacionais, aos quais esse conteúdo está associado. Seguem, ainda, as Considerações Finais, as Referências, em cujo item constam as fontes de consulta usadas na elaboração deste TCC, e, por fim, há os Apêndices, constituído da pesquisa realizada com uma professora de Língua Portuguesa do 9º ano, da referida escola, acerca da aplicação dos ditames sociolinguísticos como outra perspectiva para o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II. Este trabalho de conclusão de curso de Língua Portuguesa intitulado Sociolinguística: outra perspectiva para o ensino da língua portuguesa para os alunos do 9º ano na Escola de Aplicação da UFPA, no Munícipio de Belém, no Estado do Pará, justifica-se a partir de dois pontos de vista. O primeiro traz relevância à academia, porque nós, estudantes do curso de Letras da Unama, com esta proposta, aproximamos a Universidade da comunidade. Acreditamos que, com este trabalho, o aprendizado dos alunos surge como consequência do trabalho do professor de Língua Portuguesa na escola, sendo um instrumento de interação com adolescentes do 9º ano, além de estabelecer novas leituras de mundo. O segundo encontra sua relevância no aspecto social, por ser o conhecimento adquirido pelos alunos sobre esse assunto, uma vez que é umaproposta de intervenção na educação e envolver os estudantes com a Sociolinguística. Após duas semanas de observação em uma turma de 9º ano do Ensino Fundamental, com 25 alunos da Escola de Aplicação da UFPA, no Munícipio de Belém, no Estado do Pará, na faixa etária entre 14 e 17 anos de idade, foi verificado que um pequeno percentual significativo apresentava dificuldade nas variações linguísticas “Nós vai” e “Nós Vamos”, pois alguns pareciam não entender essas duas formas variacionistas, e isto percebi nas respostas orais desses alunos. A partir dessas observações nasceu a ideia de elaborar o TCC sobre Sociolinguística: outra perspectiva para o ensino da língua portuguesa, com a finalidade de observar e analisar o processo de ensino-aprendizagem para, em seguida, apresentar sugestões de intervenção. 4 Em face dos dados coletados em sala de aula no período de observação e mediante as leituras sobre a teoria sociolinguística, instigou-me o seguinte questionamento: É possível trabalhar tópicos gramaticais tão ligados a regras, ou seja, a práticas estruturalistas, associando-os aos princípios Variacionistas da Sociolinguística? Então, a fim de responder a esse questionamento, foram elencados os seguintes objetivos: Identificar os aspectos importantes contidos na construção do ensino de Língua Portuguesa no 9º ano, no que diz respeito aos princípios variacionistas da Sociolinguística; Analisar a inserção de princípios da Sociolinguística no Ensino de Concordância Verbal e Concordância Nominal no 9º ano do Ensino Fundamental II; Observar a relação do ensino dos tópicos gramaticais Concordância Nominal e Concordância Verbal com o ensino da língua em uso, priorizado pela Sociolinguística; e, Demonstrar alternativas metodológicas viáveis para os alunos não gerarem o preconceito linguístico entre eles e a sociedade a que pertencem. 5 2. DESENVOLVIMENTO 2.1. O CONCEITO DE SOCIOLINGUÍSTICA Muitos aspectos considerados “errados” no português não padrão (e no português padrão do Brasil) são na verdade arcaísmos, vestígios da língua portuguesa falada muitos séculos atrás. A língua escrita não deve ser usada como camisa-de-força para submeter e aprisionar a língua falada; a escrita é tentativa de representação da língua falada e nasceu centenas de anos depois do homem ter começado a falar. Nesta perspectiva Bagno diz que a Sociolinguística é o ramo da linguística, que estuda as diferentes variedades da língua portuguesa, cada uma delas com características próprias, com diferenças em seu status social, mas todas com uma lógica facilmente demonstrável. (BAGNO; Marcos, 2008). Então, Bagno conceitua a Sociolinguística como o campo da linguística, que analisa as diversas variações da língua portuguesa, cada uma delas com particularidades adequadas, com contestações em seu status social, porém todas com uma coerência naturalmente demonstrável. As duas formas devem ser consideradas, tanto a norma padrão quanto a não padrão. A norma padrão segue as regras da gramática normativa e a norma não padrão segue os deslocamentos linguísticos da língua, os indivíduos mesmo com Ensino Superior, apresentam variações na língua oral. Como, por exemplo, se você pergunta a uma pessoa com Ensino Superior: você vai viajar hoje e ela responde: - Sei não! Ela utilizou a variação linguística regional dela, que é um deslocamento possível do termo não dentro da nossa língua. Contudo a escola, ainda hoje, condena esses usos linguísticos que não estão de acordo com o português padrão, pois a professora corrige o seu aluno e diz para ele que o modo como ele fala está errado, em virtude de a escola ainda preservar o português padrão. Como, por exemplo, se a professora faz uma pergunta ao seu aluno e ele não sabe responder, ele deve dizer à professora: - Eu não sei! , com base nos seus conhecimentos gramaticais já aprendidos e apreendidos. 2.2. PRECONCEITO LINGUÍSTICO Falar diferente não é falar “errado”, pois existe o preconceito que pesa sobre o português não padrão, o qual faz parte de toda uma triste coleção de inverdades, que povoam a mente da maioria das pessoas, mesmo as supostamente mais bem informadas. Ele está no 6 mesmo porão escuro da nossa imaginação onde se amontoam mitos e preconceitos de toda a ordem. “Segundo Bagno, a variação linguística se configura como um fenômeno universal e acontece quando há a concordância entre o verbo e o sujeito e esse uso sofre influência interna e externa. A interna se configura com a mudança das novas regras gramaticais e a externa acontece pela influência do convívio com outros grupos”. (BAGNO; Marcos, 1999). Conforme o artífice, a variante linguística se acomoda como um acontecimento comum e ocorre quando existe a aceitação entre verbo e o sujeito e esse caráter suporta entusiasmo interior e exterior. O interior se conforma com a alteração das atuais normas da gramática e o exterior ocorre pelo controle da convivência com diferentes grupos. Nesta perspectiva, é muito importante que o professor de língua materna leve para as salas de aula do nosso país, práticas a fim de possibilitar a compreensão dos alunos em relação ao caráter heterogêneo e mutante da língua, a qual está intrinsicamente ligada à cultura e à identidade do povo que a usa. Desse modo, não se pode falar em uma língua portuguesa, mas em todas as línguas que cabem dentro dela. A maior arma de combate ao preconceito é, sem dúvida, a informação. Assim, entende-se que, algumas regras gramaticais ainda são ensinadas sem se considerar o que de mais importante há em uma constituição linguística: sua realização. E isso é muito fácil de perceber quando confrontamos com as leis determinadas pela gramática normativa e as formas práticas encontradas pelas ruas. As dúvidas acerca das normas de concordância, por exemplo, são constantes, haja vista estas serem elaboradas fora de uma lógica pragmática e ensinadas mais longe ainda destes contextos. Há muitos cidadãos que criticam as pessoas quando estas utilizam a forma nominal “pobrema”, mas, quando eles (cidadãos) precisam escrever uma placa anunciando algo, escrevem “aluga-se casas”. A distância entre a regra e o uso é tamanha, que o usuário sequer reconhece ser um desvio. Aqui nasce uma forma de preconceito infundada (se é que haja alguma fundamentação para preconceitos) e que perpetuam um caráter fixo e disfuncional para o ensino e para o uso da língua portuguesa. Os exemplos característicos do uso adequado da concordância verbal e nominal, são: nós vamos ao shopping fazer compras e nós vamos ao bosque mostrar a natureza aos alunos. Entretanto, apresentamos também exemplos de inadequação de concordância verbal e nominal, como por exemplo, nós vamos no shopping fazer compras e nós vamos no bosque mostrar a natureza aos alunos. 7 2.3. RELEVÂNCIA DAS VARIÁVEIS LINGUÍSTICAS Segundo Molica (2004), é apropriado que, de abertura, os acontecimentos sugeridos para análise pelos estudiosos da variação, abrangendo, sobretudo contestações de pronúncia, eram apoiados pela sociedade. É sensato ainda que, ao rumo das exterioridades sociais, continuamente se averiguou a extensão de Variantes (ou coligações de fatores) internos, isto é, de caráter linguístico (fonológicos, morfofonológicos, sintáticos, semânticos, etc). Mas a precedência dos fatores sociais tinha uma justificativa acessória: marcava uma maneira teórica contraposta à imaginação gerativista e despontava a conduta de um falante / ouvinte legítimo, numa sociedade linguística longe de ser igualitária. Ampliava-se, assim, um estudo da língua na sociedade mais conciso, rígido: em resumo, científico, sustentada nos procedimentos de análise quantitativa colocados por Lemos (2000). Nesse sentido, Molica fala que os fatos indicados para diagnóstico pelospensadores das mudanças linguísticas, podem envolver as alterações no sotaque dos indivíduos que eram sustentados pela sociedade de cada época. Entretanto, hoje podemos ver que as várias comunidades linguísticas que existem, estão distantes de serem todas iguais. 2.4. CONJUNTO DE REGRAS QUE DEFINEM O FUNCIONAMENTO DE UMA LÍNGUA Na primeira acepção, gramática abrange todas as regras de uso de uma língua. Abarca, deste modo, desde os padrões de formação das expressões e sílabas, ocorrido por meio da formação de palavras e de suas flexões, até aqueles níveis mais intricados de distribuição e arrumação das unidades para a constituição das frases e dos períodos. Na segunda acepção, a gramática é detalhada, ou seja, não abrange toda a realidade da língua, pois considera apenas aqueles usos considerados aceitáveis na ótica da língua bem- conceituada socialmente. Condiz-se, assim, no domínio do normativo, no qual delibera o certo, o como deve ser da língua e, por oposição, distingue o errado, o como não deve ser dito. A visão simplista de que basta saber a gramática para falar, ler e escrever bem funda - se no sinal daquele primeiro equívoco: o de que a gramática equivale à língua. Com resultado, o agrupamento dos programas em questões meramente gramaticais e o afã dos pais junto às escolas para que essas deem aulas de gramática, mesmo que pareçam irrelevantes, apenas se justificam pela fé de que a noção da gramática satisfaz. 8 Seria importante para todos os cidadãos e gratificante para o professor e aluno poderem distinguir, no final do caminho escolar, que o trabalho do colégio trouxe bom êxito, esse “bom êxito” seria o sucesso tanto do professor quanto dos seus alunos, pois foram instruídas e percebidas lições de programas vastos, que ganham a valoração da sociedade culta, como a aspiração pela literatura, o exercício da leitura e da análise plural e crítica, da produção verbal e escrita de textos adaptados e destacados e a atração indiscriminada pela classe variável e alterável das revelações linguísticas. A norma culta, na concepção tradicional conduzida pelo colégio, obedece àquele raciocínio apresentado como “modelo”, como “certo”, conforme as normas estipuladas nas gramáticas normativas. Estabelece, deste modo, a reprodução do que seria o falar rigoroso, aquele sem “falhas”, por isso ainda é o mais bem-conceituado socialmente. Todavia, o conceito de norma - padrão em certo momento da história no Brasil, foi associado a um projeto da sociedade literata de almejar garantir, para a sociedade pátria, uma sensata identidade linguística, percebida aqui como o determinado por designar uma língua corriqueira, padronizada, com destaque no universal, e não em peculiaridades das regiões, localidades ou ambitais. Há circunstâncias sociais diversas; imediatamente, necessita existir, além disso, modelos de estilos das línguas díspares. A mudança, portanto, surge como um fato decisivamente normal. Ou seja, são diferenças linguísticas não porque as pessoas são arrogantes ou desregradas; tem, porque as línguas consistem em acontecimentos da sociedade, estabelecidos num período e num lugar reais, com desempenhos determinados, E, como tais, são dependentes por esses fatores. Nesta perspectiva Perini diz, que os usos ativos da língua, isto é, aquela coisa que, atualmente, falam e registram as pessoas que passam por ocorrências formais de uso da língua é que organizam o amparo mais permitido para se resolver frente à multiplicidade de normas; para que não se desabe no excesso e no afastamento de pôr normas à insistência do uso. (PERINI; Mário, 2005). Então, Perini expõe que os modos ligadas da língua, isto é, fatos articulados e anotados pelas pessoas que através da natureza de caráter linguístico é que constituem ao meu ver o amparo mais acatado para se determinar diante à pluralidade de regras, para que não se caia no abuso e na abdução de colocar regras à constância do uso. 9 2.5. A RELAÇÃO ENTRE LÍNGUA E SOCIEDADE Os prováveis modos de guerrear o "caos" linguístico que é associado a um campo de luta. Também sugere um ponto de partida para a análise do pesquisador, a relação entre língua e sociedade. E por conclusão, demarca o modelo de analise acercar-se à teoria da variação linguística, padrão teórico-metodológico que tem como objeto de estudo o “caos” linguístico. O sentido de língua num ponto de vista de que consiste em percebê-la como acontecimento social, como um sistema consagrado obtido pelos indivíduos durante a comunicação social, e, logo, está submisso a mudanças de ordem fonológica, morfossintática, estilística e/ou semântica. Desse modo, seria muito pertinente pensar que, se a maioria não faz diferença entre os termos “meio/ meia” como propõe a gramática, deveríamos repensar na regra, adequando-a ao uso que os usuários fazem dela. Isso acontece com frequência nas áreas das ciências biológicas, sociais e jurídicas, mas encontra resistência ferrenha diante de puristas que insistem em “santificar” um idioma em cuja variação centra-se sua beleza, significância e imortalidade. Esse padrão teórico-metodológico tem como precursor William Labov (LEMOS, 2000). Seu modelo analítico é chamado por alguns estudiosos de sociolinguística quantitativa. Portanto, Tarrallo (1990, p.7) esse modelo teórico metodológico parte da identificação do objeto, o fato linguístico, a língua falada. No que se refere à teoria, consiste na investigação científica sobre a língua, servindo como suporte para definir os procedimentos metodológicos a serem empregados durante o estudo. Para Tarrallo, o fato sociolinguístico, é a língua discorrida. No que se refere ao ensinamento, versa na investigação científica a respeito do dialeto, acertado como apoio para determinar os artifícios metodológicos a ficarem conduzidos no durante o estudo. O autor expõe, ainda, “O método de entrevista sociolinguística: a coleta de narrativas de experiência pessoal”, que incide na escolha dos falantes, organizados em módulos: classe social, faixa etária, etnia, sexo, nível de escolaridade e entrevistados adotando um roteiro de perguntas com o acompanhamento de um gravador, sem que este seja visto como um componente de “advertência” pelo falante. É importante elucidar que este modelo de pesquisa sociolinguística não se aplica ao caso deste trabalho, por não termos a pretensão de adentrar no campo da etnografia, mas sim, do ensino-aprendizagem. Todas essas variações fonológicas começaram a ser estudadas, a partir dos trabalhos sobre simplificação do grupo consonantal em inglês com a variável t, d precedida de 10 consoante como em: missed e kept., conforme Molica (2004). Ao comparar a variante de mesma natureza em línguas diferentes, temos um objetivo duplo em mente, como descrever, analisar e sistematizar o envelope de variações em cada uma das línguas. Enquanto o segundo irá comparar os resultados das análises com vistas à projeção de possíveis rumos que as variantes tomarão. Diante dos resultados da análise e como pesquisador que somos, devemos desvendar as artimanhas de que dispõem as variantes com o intuito de implementar no sistema da língua falada. As artimanhas das variantes poderão se tornar fatores condicionadores linguísticos. 2.6. A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM PRIMEIRA E SEGUNDA ESTÂNCIAS Os fatores extralinguísticos servem de pretexto e contexto a variável (isto é, tudo aquilo que não for estritamente linguístico) poderá ser relevante para a resolução de seu “caos”. A formalidade vs. a informalidade do discurso, o nível socioeconômico do falante, sua escolaridade, faixa etária e sexo poderão ser considerados como possíveis grupos de fatores condicionadores linguísticos. Esses parâmetros não são, no entanto, facilmente operacionalizáveis, portanto, a inclusão dos fatores externos possibilitará retratar o campo debatalha de outros ângulos, pois qualquer perspectiva nova sobre o “caso” merece ser levada em consideração. “Desse modo, as variações linguísticas são avaliadas relacionando a condicionantes externos (classe socioeconômica, sexo, etnia, faixa etária etc.), identificado na fala da comunidade durante a pesquisa, resta saber, no entanto qual o devido valor dado às variantes pelos falantes do grupo”. (TARRALLO; FERNANDO, 1990). Isto equivale a dizer que as variantes linguísticas são ponderadas considerando-se os fatores exteriores, como classe socioeconômica, sexo, etnia, faixa etária etc, e identificadas no discurso do grupo no decorrer da investigação, cabe saber, afinal qual a real importância dessas mudanças para os integrantes das sociedades em que estão inseridos e com as quais convivem. A estrutura da língua pode ser correlacionada ao seu uso e que os padrões podem ser objetivamente medidos, levando à diferenciação entre as escolhas que o falante faz e as que ele poderia fazer. Os modelos de gramática deveriam incluir a noção de uso linguístico e caracterizar a comunidade de fala mediante seus traços e suas referências no plano sociolinguístico. É somente pela correlação entre fatores linguísticos e não linguísticos que 11 você chegará a um melhor conhecimento de como a língua é usada e de que é constituída. Cada comunidade de fala é única; cada falante é um caso individual. 2.7. SOFRENDO A GRAMÁTICA A tentativa de ensinar a língua impondo regras é frustrada, pois não garante que seus usuários as obedeçam do jeito que estão nos livros, como se fossem estruturas fixas, óbvias e livres de ideologias e interferências sociais, históricas, geográficas etimológicas e ideológicas. Portanto, Perini (2005, p.56) diz que de acordo com a linguagem atual, as gramáticas estão preocupadas com a descrição da língua e não como receitas de como as pessoas deveriam falar e escrever. E acima de tudo, precisamos de gramáticas que façam sentido, isto é, que tenham lógica, que as definições sejam compreensíveis e que sejam respeitadas em todo o trabalho. Compreende-se com a fala de Perini que, de acordo com a língua contemporânea, as gramáticas estão absorvidas com a definição do dialeto e não como prescrições da forma como as pessoas deveriam discorrer e armazenar. Diante de tudo, necessitamos de gramáticas que tenham significado, isto é, que apresentem conexão, que as significações sejam acessíveis e que sejam acatadas em todo o trabalho. 2.8. O ESCOPO DA SOCIOLINGUÍSTICA Para se compreender Labov segundo Lemos (2000), uma dificuldade terminante diz respeito à demarcação do campo de estudo que compõe hoje a disciplina chamada Sociolinguística, já que este termo denota muitas coisas para várias pessoas e, se vastamente determinado, engloba um extenso campo interdisciplinar que está subordinado a distintas expectativas de estudo. Portanto, Lemos (2000, p.39) diz que uma das tarefas da sociolinguística segundo Labov é descrever as línguas em sua diversidade funcional e social. E, para tanto, o pesquisador terá que registrar dados. Em vez de partir do modelo abstrato, ele inicia seu trabalho nas situações concretas em que a fala ocorre. Lemos (2000, p.39) ratifica a proposta de Labov ao acentuar que um dos trabalhos da Sociolinguística é expor as línguas em sua variedade ativa e social, em que o pesquisador deverá armazenar informações. Portanto, ele não poderá romper o padrão contemplativo, por isso dará início a seus afazeres nas condições reais em que o discurso acontece. Ainda para contemplar a ideia de Labov segundo Lemos (2000), informa que há precisão de se ter algum conhecimento a respeito de técnicas de verificação baseado na experiência. Diversamente de outros fluxos linguísticos, o estudo da variação parte da 12 suposição de que a diversidade despontada na fala pode ser considerada de forma lógica. O Pesquisador necessita, pois, desamparar o desejo de acreditar em percepção e repousar-se em moldes estabelecidos por ele próprio para, em vez disso, obter uma adequada somatória de informações numa sociedade. Tais dados comporão o material contido nas análises estatísticas para testar a sua hipótese. As ideias discutidas no capítulo, em relação ao escopo da sociolinguística, podemos perceber que Labov expõe as línguas em sua abundância intensa e social, em que nós durante a pesquisa devemos registrar os dados. Além disso, precisamos desprezar a vontade de confiar na nossa esperteza e confortar-se em modelos instituídos por nós mesmos. 13 3. METODOLOGIA No primeiro momento, realizamos a leitura de livros e artigos sobre o tema em questão. No segundo momento, selecionamos o referencial teórico necessário à fundamentação das análises, focalizando especialmente a Sociolinguística no Ensino de Língua Portuguesa. A pesquisa é bibliográfica e de campo. Para tanto, apoiamo-nos nos estudos de em Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990), Marcos Bagno (1999; 2008), Mário Perini (2005), Irandé Antunes (2007) e Cecília Molica (2004). Em seguida, realizamos a pesquisa de campo na Escola de Aplicação da UFPA, no Munícipio de Belém, no Estado do Pará, em que foi consultada uma professora de Língua Portuguesa do 9º ano do ensino fundamental maior da referida escola, para quem, após ser elaborado, foi aplicado o questionário de pesquisa. Depois, houve a observação da aula em sala de aula. Em seguida, iniciamos a elaboração de textos iniciais, coleta de informações e elaboração e revisão do projeto, tabulação dos dados e análise dos resultados obtidos, definição dos dois primeiros capítulos, elaboração do texto preliminar, redação e impressão final. Posteriormente, iniciamos a elaboração e a revisão deste artigo, objetivando evidenciar como se dá a Sociolinguística no Ensino de Língua Portuguesa, no decorrer dos anos e em face aos avanços dos estudos acerca da Sociolinguística e fizemos a entrega do artigo. A seguir, há de se esclarecer alguns itens pertinentes à pesquisa. 3.1. CORPUS DA PESQUISA O corpus da pesquisa foi do livro Projeto Teláris, utilizado no lócus da pesquisa, a qual é a coletânea usada no 9º ano do Ensino Fundamental II na Escola de Aplicação da UFPA, para posterior análise. Sendo assim, é importante compreender os seguintes aspectos: 3.2. COLETA DE DADOS 3.2.1. EXPERIMENTAÇÃO OU OBSERVAÇÃO Para realizarmos uma pesquisa, devemos primeiro observar quais os sujeitos iremos trabalhar durante a realização. A linguagem é um objeto de estudo ingrato: pouco se presta à experimentação, já que só se manifesta na espécie humana, que é dificilmente manipulável para fins de pesquisa. Assim, o linguista que quiser estudar afasia não poderá provocá-la, terá que esperar que surjam sujeitos afásicos. Mas, nós, linguistas, temos sempre que nos contentar apenas com a observação. Observar, entretanto, não significa apenas uma ação passiva, um observar ocasional. (MOLICA, 2004). 14 Nesse sentido, Molica explicita que a linguagem é uma parte de estudo improdutiva, pois pouco se oferece ao experimento, logo só aparece nos seres humanos, que são arduamente dominados para as conclusões de pesquisa. Desse modo, o linguista que desejar pesquisar a compreensão da linguagem relacionada as teorias sociolinguísticas no Ensino de Língua Portuguesa não poderá estimular a ação de um indivíduo, terá que aguardar para que apareçam os sujeitos que perderam a capacidade de compreender a linguagem relacionada as teorias sociolinguísticas no Ensino de Língua Portuguesa. No entanto, os estudiosos da linguística têm que sucessivamente se satisfazer somente com a investigação. Analisar, contudo, não se constitui exclusivamente a um ato tranquilo, um notar eventual. 3.2.2. COLETA DE DADOS Para concretizarmos uma pesquisa, devemos fazera análise de dados para sabermos a quantidade de pessoas que iremos trabalhar durante a realização. Segundo Molica (2004): Uma vez que se sabe quantos, como e onde procurar os falantes, inicia-se a pesquisa, que precisa estar bem definida, bem planejada. Mesmo que o seja, sempre haverá imprevistos, aspectos insuspeitos que surgirão no decorrer da pesquisa, mas as dificuldades de toda sorte. È necessário ter um arcabouço firmemente delineado, mas, ao mesmo tempo, amplo “Jogo de Cintura”. Serão, pois, previstos, nos mínimos detalhes todos os passos subsequentes para evitar hesitações frente ao falante. (MOLICA, 2004). Nesse sentido, Molica esclarece que quando conhecemos a quantidade de pessoas a serem entrevistadas, o lugar onde encontrar os falantes da sociolinguística no Ensino de Língua Portuguesa, começamos a pesquisa, a qual deve ficar bem determinada, bem delineada. Também devemos esperar que o pesquisador linguista seja continuamente ativo, sendo que terão ocorridos não previstos, aspectos não suspeitos que aparecerão no transcorrer da pesquisa, porém os obstáculos serão de todo o acaso. È indispensável apresentar uma estrutura decididamente apresentada na pesquisa da variação linguística no Ensino de Língua Portuguesa, contudo, ao mesmo período, largo o “Jogo de Cintura”. Partirão, já que, se podem prever nos menores detalhes todos os estreitos imediatos para impedir os embaraços frente ao falante. 3.2.3. FICHA SOCIAL Para materializarmos uma pesquisa, devemos fazer a ficha social para compreendermos quais as informações que iremos coletar durante a realização. Portanto: Para colher as informações a respeito das características sociais do informante, suas atitudes linguísticas e seus interesses, organizou-se a “ficha social”. Embora se 15 soubesse previamente a faixa etária, o sexo e o grau de instrução do informante a ser contactado, havia interesse em detalhar as características de idade e instrução. A ficha contém as primeiras perguntas que servem para selecionar o informante adequado e foram planejadas para serem feitas ao informante, logo ao se estabelecer o primeiro contato. Na ficha social a ênfase dada tanto ao local onde viveu o informante o período de aquisição da língua quanto à sua língua materna. (MOLICA, 2004). Para Molica, obter os dados a respeito das particularidades sociais do informante, as suas maneiras linguísticas e a sua devida importância, se estabelecerão na “ficha social”. Mesmo que se conheça antecipadamente a idade, o sexo e o grau instrução do informante a se comunicar, caso tenham o empenho em particularizar os atributos de idade e instrução. A ficha tem as principais perguntas, as quais se enquadrarão na escolha do informante certo e serão esquematizadas para serem realizadas ao informante, depois do primeiro contato. Na ficha social o destaque é dado tanto ao local onde morou o informante no período de obtenção da variação linguística relacionada ao Ensino de Língua Portuguesa quanto à sua língua maternal. 3.2.4. ENTREVISTA Para corporificarmos uma pesquisa, necessitamos fazer a entrevista para compreendermos as formas linguísticas do falante no Ensino de Língua Portuguesa durante a realização. “Desse modo, ao planejar a entrevista, portanto, o entrevistador, utilizando o roteiro e a ficha social, preocupava-se em provocar o aparecimento de formas linguísticas variadas, em elicitar vários gêneros de discurso e em abordar tópicos de interesse do falante, sondados previamente durante o preenchimento da ficha social. Na realização da entrevista, o entrevistador trabalhava assistido por um acompanhante que podia ser outro entrevistador, um pesquisador ou uma pessoa qualquer, mesmo estranha à pesquisa. Tal decisão foi tomada não só para facilitar o acesso a certos lugares como também para encarregar o acompanhante de observar as situações, gestos e a intervenção de outras pessoas e de auxiliar a manejar o equipamento. O entrevistador foi orientado a conduzir a entrevista de maneira descontraída e natural, usando estratégias que incentivassem a fala fluente, ainda que dirigida, falando pouco e evitando interromper o falante”. (MOLICA, 2004). Isto equivale a dizer que o entrevistador ao esquematizar a entrevista, usando o roteiro e a ficha social, ele atentava-se em importunar a manifestação de várias formas linguísticas no Ensino de Língua Portuguesa, em descrever os diversos gêneros de discurso e em aproximar- se de assuntos de importância do falante, estudados antecipadamente no decorrer da observância dos resultados da ficha social. Na efetivação da entrevista, o entrevistador, fazia o trabalho auxiliado por um acompanhador que podia ser mais um entrevistador, um pesquisador ou alguma pessoa até que não conhecesse a pesquisa. 16 A determinação foi aceita não somente para promover a entrada a ambientes adequados como para incumbir o acompanhador de analisar as condições, os sinais e a influência de outras pessoas e de assessorar a manobrar o aparelho. O entrevistador foi dirigido a dirigir a entrevista de modo animado e acomodado. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho de análise de dados permitiu-nos algumas reflexões fundamentadas na atuação do professor de Língua Portuguesa na Sociolinguística como outra perspectiva de ensinar a nossa língua materna. Em primeiro lugar, é preciso dizer que essa análise de dados sugere um preliminar aprofundamento sobre o papel do professor de Língua Portuguesa, discutindo seus objetivos e suas estratégias para a educação de seus alunos. Com certeza, os referenciais teóricos de Lemos (2000), Fernando Tarrallo (1990), Marcos Bagno (1999;2008), Mário Perini (2005), Irandé Antunes (2007) e Cecília Molica (2004), norteiam como efetivamente o professor de Língua Portuguesa atua no espaço da escola e na comunidade que circunda esta instituição. Este processo de ensinar a Língua Portuguesa por meio da perspectiva Sociolinguística não é fácil, porque alguns pais e alunos desconsideram outras formas de falar (de uso efetivo da língua) na sociedade em que vivem e, geralmente, o professor de Língua Portuguesa irá deparar-se com a falta de incentivo dos pais e alunos para que ocorra esse novo ensino da Língua Portuguesa na escola, com base em pesquisas feitas dentro deste campo na educação brasileira. Além da falta de conhecimento do processo de ensino sobre as diferentes formas de falar em sociedade, que, para alguns educadores da linguagem, é considerado ilusório e impossível de ser concretizado, na realidade contraditória das escolas públicas da sociedade brasileira. Além disso, os professores de Língua Portuguesa na escola fecham-se nas normas da gramática normativa tradicional, influenciados por um ensino tradicional conservador e atravessado. É o caso de uma professora de Língua Portuguesa, que tive do 6º ano do Ensino Fundamental ao Convênio do Ensino Médio, na escola onde estudei. Logo, faz-se necessário que a ação do professor de Língua Portuguesa busque alcançar e praticar as atividades planejadas, por meio de uma ação integrada aos estudos sociolinguísticos. 17 Desse modo, para que o ensino de Língua Portuguesa por meio da Sociolinguística realmente aconteça é necessário todos os envolvidos procurarem realizar uma reflexão diária sobre a aceitação dos diferentes modos de falar de um povo, convertendo o educando em sujeito de seu próprio desenvolvimento linguístico, a fim de favorecer a transformação de toda sociedade, mediante o respeito dos diferentes modos de usar a língua trazida pelos alunos do seu cotidiano para a escola. Indubitavelmente, professores de Língua Portuguesa e pais devem estar conscientes destes fatores básicos para que o processo de ensinar a nossa língua materna por meio da Sociolinguística seja realmente implantado na escola. Neste trabalho, propusanalisar a inserção de princípios da Sociolinguística no Ensino de Concordância Verbal e Concordância Nominal. Identificar os aspectos importantes contidos na construção do ensino de Língua Portuguesa no 9º ano do Ensino Fundamental II, no que diz respeito aos princípios variacionistas da Sociolinguística. Além disso, foi observada a relação do ensino dos tópicos gramaticais Concordância Nominal e Verbal relacionado ao ensino da língua em uso, priorizado pela Sociolinguística. Foram demonstradas, pela professora, alternativas metodológicas, como por exemplo, debate entre os alunos e a professora sobre as diferentes formas de falar para que os alunos não criem o preconceito linguístico entre eles e a sociedade na qual estão inseridos. Ressalto que, em relação aos objetivos propostos, ao analisar o trabalho da professora, pude perceber que ela fez muitas atividades orais, como por exemplo, perguntas aos alunos às quais respondiam oralmente relacionando sempre os princípios da Sociolinguística. Em dado momento, a professora perguntou oralmente aos seus alunos: Vocês sabem qual a importância das duas formas de falar com base nos estudos sociolinguísticos na sociedade em que vivemos? Ao mesmo tempo, observei nas respostas escritas pelos alunos na atividade trabalhada no livro didático, que a maioria apresenta uma familiaridade com a sociolinguística, pois os alunos trazem um conhecimento sobre as diversas formas de dentro da sociedade em que pertencem, por isso não têm dificuldade na hora de realizar a atividade. No entanto, observei também que alguns alunos, por não apresentarem certa intimidade com a Sociolinguística, demonstram dificuldades durante as repostas escritas na atividade trabalhada no livro didático, pois eles afirmam não terem muito conhecimento sobre as diversas formas usadas na sociedade em que vivem. Diante disso, a professora explicou mais uma vez o assunto a fim de eles o compreenderem melhor, cuja explicação me fez refletir e, consequentemente, ratificar a importância de o professor conhecer os postulados sociolinguísticos e saber aplicá-los em suas aulas. 18 5. REFERÊNCIAS ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística. 16 ed. São Paulo: Contexto, 2008. ______________. Preconceito linguístico - o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 1999. MOLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Orgs.). Introdução à sociolinguística: o tratamento da variação. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2004. MONTEIRO, José Lemos. Para compreender Labov. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática: ensaios sobre a linguagem. São Paulo: Ática, 2005. TARRALLO, F. A pesquisa sociolinguística. São Paulo: Ática, 1990. 19 6. APÊNDICES QUESTIONÁRIO 1 – DADOS PESSOAIS: 1.1 – Sexo: Masculino ( ) Feminino ( X ) 1.2 – Idade: 48 anos 1.3 – Ano de Formação: 1989 2 – QUESTÕES ESPECÍFICAS SOBRE A PESQUISA: 1) Você trabalha princípios da Sociolinguística em suas aulas de Língua Portuguesa? R = Sim, procuro mostrar a heterogeneidade que existe na sociedade com relação à linguagem, fazendo trabalhos, escritos e orais, trabalhando a língua na sua produção real, ou seja, demostrando o falar de uma comunidade com suas variações linguísticas. 2) Você acha importante trabalhar com as variações linguísticas em sala de aula? Por quê? R = Sim, porque é importante que os alunos saibam que existem várias situações de fala, e que dependendo da situação escolhe-se uma variação da língua, a que é a mais adequada a essa situação. Com isso, eles terão mais chances na sociedade em que vivem, além de respeitarem as variações linguísticas existentes. 3) Durante sua formação no ensino básico você lembra de terem sido trabalhadas questões variacionistas nas aulas de Português? R = Não, acho que devem ter sido trabalhadas de maneira bastante superficial. Na universidade foi que eu estudei mais profundamente esse assunto. Belém - PA, 05/ 11 / 2024