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O BARROCO
Pode-se afirmar que o estilo barroco se configurou nos moldes da Contrarreforma e dos Concílios de Trento (século XVI), tentando “conciliar a novidade renascentista com a tradição religiosa que vinha da Idade Média” (PROENÇA FILHO, 1973: 139), pois foram principalmente esses dois acontecimentos que marcaram os princípios ideológicos do homem daquele tempo, impondo-lhe “traços relevantes em pensamento, concepções sociais e políticas, arte e, naturalmente, religião.” (p. 140).
PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura (através de textos comentados). 4ª ed. rev. e ampl. [Rio de Janeiro; São Paulo]: Liceu, 1973.
CONCÍLIOS 
DE TRENTO 
E A 
CONTRA-REFORMA
No século XVI, a Igreja Católica estava passando por uma forte crise. Neste contexto, ganhou força o protestantismo e as novas religiões surgidas na Europa como, por exemplo, o calvinismo e o luteranismo.
Para tentar barrar o avanço do protestantismo, após a Reforma Protestante, o Papa Paulo III convocou um concílio para a cidade italiana de Trento. O Concílio de Trento foi realizado entre os anos de 1545 e 1563. Vários assuntos foram discutidos e várias ações entraram em execução.
Principais decisões tomadas durante a Contrarreforma:
1
RETORNO DA INQUISIÇÃO 
tinha como objetivo vigiar, perseguir, prender e punir aqueles que não estavam seguindo a doutrina católica. Milhares de protestantes, judeus e integrantes de outras religiões foram perseguidos e punidos pelo Tribunal do Santo Ofício.
2
CRIAÇÃO DO ÍNDICE DE LIVROS PROIBIDOS (INDEX LIBRORIUM PROIBITORIUM)
relação de livros contrários aos dogmas e ideias defendidas pela Igreja Católica. Os livros apreendidos eram queimados. Quem fosse pego com materiais deste tipo receberia punições severas. Vários escritores, muitos deles cientistas, foram presos e condenados por escreverem livros com ideias não aceitas pelos católicos. Era uma forma de barrar o avanço de outras doutrinas e manter o controle cultural nas mãos da Igreja Católica.
3
CRIAÇÃO DA 
COMPANHIA DE JESUS 
os integrantes desta companhia eram os jesuítas. Estes foram encaminhados aos continentes africano, americano e asiático. Tinham como objetivo principal transformar os nativos em novos católicos, através da catequização (ensino da língua portuguesa, doutrina católica e hábitos europeus). Os índios brasileiros foram catequizados por jesuítas como, por exemplo, Padre Manoel da Nobre e José de Anchieta.
Características do Barroco, segundo Domício Proença Filho (p.140-142): 
1 – O culto do contraste; 
2 – Oposição do homem voltado para o céu ao homem voltado para a terra; 
3 – Preferência (dentro do espírito de contrastes) pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes; 
4 – Pessimismo; 
5 – Intensidade; 
6 – Acumulação de elementos; 
7 – Impulso pessoal; 
8 – Tendência para a descrição; 
9 – Culto da solidão.
O culto do contraste 
seja no plano estético, através, por exemplo, do recurso ao exagero nos relevos, aos choques de coloridos; seja na área das ideias, constrastando elementos como o amor e sofrimento, vida e morte, juventude e velhice, ascetismo e mundaneidade, carne e espírito, realismo e idealismo, naturalismo e iluminismo, céu e terra, numa tentativa de conciliar pólos opostos até aquele tempo considerados irreconciliáveis: a razão e a fé.
Oposição do homem voltado para o céu ao homem voltado para a terra
Preferência (dentro do espírito de contrastes) pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes, numa tentativa de mostrar ao homem a miséria do homem através de vigorosas impressões sensoriais.
Pessimismo – nascido do conflito entre o eu e o mundo, dentro daquele dualismo chave e que leva, inclusive, a um bifrontismo do homem, santo e pecador.
Intensidade – “desejo de exprimir intensamente o sentido da existência, expressa no abuso da hipérbole, na exacerbação das paixões e sentimentos, na intensidade da dor amorosa, do ciúme, do arrependimento (até conduzindo à loucura), do desejo sexual, traduzido em palavras de fogo, levando até o assassinato, a violação, ao incesto; nos excessos de desespero; no orgulho desmesurado, no gosto das emoções fortes, do espetáculo aterrador, da morte, do macabro, das alucinações, do fantástico” (COUTINHO, p.107)
Acumulação de elementos
Impulso pessoal – mais do que normas ditadas por modelos.
Tendência para a descrição – levada até a inverossimilhança.
Culto da solidão – o poeta, mais que outros, é um raro, que cria o seu mundo particular e nele se isola. 
Diante das coisas transitórias, surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao terreno e entregar-se à eternidade?
Assim, o criador barroco ora ajoelha-se diante de Deus, ora celebra as delícias da vida. 
CULTISMO ou GONGORISMO 
É o jogo de palavras; é o rebuscamento da forma, é a obsessão pela linguagem culta, erudita, do uso de palavras difíceis. O principal cultista do barroco mundial foi o espanhol Luiz de Gôngora. 
CONCEPTISMO ou QUEVEDISMO 
É o aspecto construtivo do Barroco, voltado para o jogo das ideias e dos conceitos. É a preocupação com as associações inesperadas, as ideias de contrastes. O principal conceptista do barroco mundial foi o espanhol Francisco de Quevedo. 
PEDRO ALMODOVAR
TRISTE, LOUCA OU MÁ (Francisco, el hombre)
CAETANO VELOSO – O QUERERES
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