Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Tétano
Definição e Agente Causal
· O tétano é uma enfermidade toxinfecciosa não contagiosa que afeta várias espécies de animais domésticos e humanos. É causada pela bactéria Clostridium tetani, que produz a neurotoxina tetanospasmina, uma das toxinas biológicas mais potentes​.
Transmissão e Epidemiologia
· O Clostridium tetani entra no organismo principalmente através de feridas contaminadas por fezes ou terra, objetos perfurocortantes, como agulhas e arames, e durante procedimentos como colocação de ferradura, vacinações, castrações, caudectomia e descorna​.
· O principal reservatório do Clostridium tetani é o solo contaminado por fezes de equinos, ruminantes, cães, gatos, aves e humanos. Os esporos da bactéria são altamente resistentes e podem permanecer viáveis no solo por mais de um século​.
Sinais Clínicos
· Os principais sinais clínicos do tétano incluem rigidez muscular, dificuldade de locomoção, trismo mandibular (dificuldade em abrir a boca), hiperestesia (aumento da sensibilidade), cauda em bandeira, orelhas enrijecidas, dilatação das narinas e opistótono (rigidez corporal com arqueamento das costas)​.
· A tetanospasmina afeta o sistema nervoso ao penetrar nas células nervosas e impedir a liberação de neurotransmissores inibidores, resultando em rigidez muscular, paralisia espástica e hiperestesia​.
Tratamento
· Os principais objetivos no tratamento do tétano incluem tranquilização do animal, relaxamento muscular, evitar asfixia mecânica e acidose metabólica, eliminar o foco de infecção, e neutralizar a tetanospasmina circulante com soro antitetânico. Outras medidas incluem a administração de penicilina, cuidados com o ferimento (uso de peróxido de hidrogênio), e manter o animal hidratado e em ambiente calmo​.
Profilaxia e Controle
· As medidas de profilaxia envolvem o manejo sanitário, como evitar ferimentos, limpeza adequada do cordão umbilical e procedimentos cirúrgicos realizados por veterinários. Em caso de ferimentos, recomenda-se a aplicação de soro antitetânico e penicilinas​.
· O protocolo de vacinação para potros recomenda a primeira dose aos 3 meses (para éguas não vacinadas) ou 6 meses (para éguas vacinadas), com uma segunda dose 30 dias após, e uma terceira dose aos 12 meses de idade. Para animais adultos nunca vacinados, são necessárias duas doses com intervalo de 30 dias, com reforços regulares​.
Botulismo
Definição e Etiologia
· O botulismo é uma intoxicação altamente fatal, não febril, causada por toxinas do Clostridium botulinum. Afeta principalmente bovinos, ovinos, caprinos, equinos e asininos, sendo menos comum em suínos e carnívoros. Caracteriza-se por uma paralisia flácida parcial ou completa, envolvendo os músculos de locomoção e deglutição​.
Características e Epidemiologia
· A contaminação de pastagens e alimentos ocorre pela eliminação dos esporos de Clostridium botulinum nas fezes, contaminação de silagens e armazenamento inadequado de alimentos, o que favorece condições de anaerobiose e a multiplicação da bactéria, que então produz as toxinas​.
· Animais em gestação e lactação são mais suscetíveis ao botulismo devido à maior necessidade de fósforo, especialmente em condições de deficiência de fósforo, o que pode levar à osteofagia (comer ossos) e aumentar o risco de contaminação​.
Patogenia e Sinais Clínicos
· A toxina botulínica interfere na junção neuromuscular ao bloquear a liberação de acetilcolina, impedindo a contração muscular, o que resulta em paralisia flácida​.
· Nos bovinos, os sinais clínicos incluem dificuldade de locomoção, poliflexão de membros, decúbito com estado mental normal, diminuição do tônus da cauda e da língua, sialorreia, bradicardia e dificuldade respiratória​. Nos cães, os sinais incluem incoordenação motora, paralisia flácida com sensibilidade preservada, ausência de febre e estado mental normal​.
Diagnóstico
· No diagnóstico do botulismo em rebanhos, deve-se considerar fatores como casos anteriores, suplementação mineral inadequada, tipo de cocho utilizado, destino das carcaças e ocorrência de surtos após ingestão de alimentos contaminados​.
· Nos cães, o diagnóstico considera seus hábitos alimentares, caça, acesso à rua e ao lixo, além de sinais como incoordenação motora e paralisia flácida​.
Tratamento
· O tratamento envolve o uso de catárticos gástricos para eliminar toxinas não absorvidas, antimicrobianos para tratar pneumonias secundárias, e evitar o uso de medicamentos que intensificam o bloqueio muscular. A antitoxina botulínica é usada para prevenir a doença em animais expostos à toxina, mas que ainda não apresentam sinais clínicos​.
· A antitoxina botulínica deve ser administrada em casos de surtos ou exposição a toxinas, antes do surgimento de sinais clínicos​.
Profilaxia e Controle
· A prevenção envolve o armazenamento adequado de alimentos (feno, silagem, ração), suplementação mineral correta, uso de cochos apropriados e destino adequado das carcaças, como incineração. O enterro inadequado pode permitir que animais escavadores tragam carcaças contaminadas de volta à superfície​.
· É importante incinerar corretamente alimentos contaminados e carcaças para evitar a disseminação da doença​.
Carbúnculo sintomático
Definição e Etiologia
· O carbúnculo sintomático é uma enfermidade aguda, infecciosa, porém não contagiosa, caracterizada por um processo enfisematoso, acometendo principalmente bovinos jovens até 2 anos de idade. O agente etiológico é o Clostridium chauvoei​.
· Além de bovinos, cabras, ovelhas e búfalos também são suscetíveis a essa doença​.
Epidemiologia
· A contaminação ambiental ocorre pela presença de esporos do Clostridium chauvoei no solo. Estes esporos podem ser liberados no ambiente, principalmente em regiões onde há escavação do solo​.
· Bovinos de 6 meses a 3 anos são os mais suscetíveis devido à queda dos anticorpos colostrais e, no caso de troca de dentes, a área exposta serve como porta de entrada para os esporos​.
Patogenia
· Os esporos do Clostridium chauvoei entram no organismo por via oral, atingem a corrente sanguínea e se depositam em tecidos como fígado, músculos e tecido subcutâneo, onde permanecem em estado de quiescência até que condições de anaerobiose e trauma permitam sua ativação. Isso leva à produção de toxinas que causam necrose muscular, edema e hemorragia​.
· As toxinas incluem a toxina letal, hemolítica, além de enzimas como desoxirribonuclease, hialuronidase e hemolisina, que contribuem para a necrose e destruição dos tecidos​.
Sinais Clínicos
· Os sinais clínicos iniciais incluem anorexia, febre alta (41 a 43°C), apatia e claudicação. A evolução da doença é rápida, geralmente entre 1 e 3 dias, podendo chegar até 5 dias​.
· Na fase terminal, os animais apresentam decúbito esternal, queda na temperatura corporal (35 a 37°C), e o óbito ocorre em 12 a 60 horas após o início dos sintomas. Raramente os animais sobrevivem por mais de 5 dias​.
Diagnóstico
· O diagnóstico é baseado em dados epidemiológicos e nos sinais clínicos, como aumento dos músculos afetados, edema e necrose muscular. O tecido muscular pode apresentar aspecto de cozido, ser muito escuro, sem brilho, com fibras separadas por exsudato sanguinolento e bolhas de gás​.
· O exame anatomopatológico também revela odor rançoso ou butírico, típico da infecção​.
Tratamento
· O tratamento envolve o uso de antimicrobianos, como a penicilina benzatina, além de suporte com equilíbrio hidroeletrolítico e energético. No entanto, a viabilidade do tratamento é limitada devido à evolução rápida da doença​.
· O prognóstico geralmente é desfavorável, especialmente se o tratamento não for iniciado dentro das primeiras 24 horas dos sinais clínicos​.
Profilaxia e Controle
· A profilaxia envolve a remoção e correta disposição das carcaças de animais mortos pela doença, que devem ser enterradas em valas profundas (2 metros) com camadas de cal para evitar contaminação​.
· A vacinação é essencial, com a primeira dose administrada entre 3 a 6 meses de idade, a segunda dose após 30 dias, e revacinação anual. Fêmeas devem ser vacinadas no últimomês de gestação para garantir imunidade passiva aos bezerros até 3 meses de idade​.
Brucelose
Quais são os principais fatores de risco para a transmissão da Brucelose entre os rebanhos?
Resposta:
· Compra e venda de animais infectados.
· Proximidade entre rebanhos infectados e rebanhos livres.
· Manutenção inadequada de cercas e divisão dos pastos​.
Descreva os sinais clínicos e as lesões mais comuns observadas em fêmeas infectadas pela Brucelose.
Resposta:
· Tropismo pelo útero e placenta em animais prenhes, levando à placentite necrótica, abortos no último trimestre, natimortos e nascimento de bezerros fracos.
· Retenção de placenta e endometrite crônica, que pode resultar em infertilidade crônica.
· Fêmeas não prenhes apresentam sinais inespecíficos, como febre, apatia e redução na produção​.
Quais são os métodos diretos e indiretos utilizados para o diagnóstico da Brucelose? Explique brevemente cada um.
Resposta:
· Métodos Diretos: Isolamento e identificação de Brucella, Imuno-histoquímica e PCR.
· Métodos Indiretos (Sorológicos): Teste do antígeno acidificado tamponado (AAT), Teste do anel em leite (Ring Test ou TAL), Teste do 2-Mercaptoetanol (2-ME), Teste de soroaglutinação em tubos (SAT) e Teste de fixação de complemento (FC)​.
Quais são as medidas principais e complementares para o controle da Brucelose em rebanhos?
Resposta:
· Medidas Principais: Vacinação em massa das fêmeas (obrigatória) e diagnóstico com sacrifício dos animais positivos.
· Medidas Complementares: Desinfecção de piquetes e baias de parição, controle do trânsito de animais, quarentena e testes em animais novos, e descarte adequado de fetos abortados e fluidos​.
Explique como a Brucelose pode afetar os seres humanos e quais são os principais sintomas e formas de transmissão.
Resposta:
· A Brucelose em humanos é frequentemente de caráter ocupacional, afetando veterinários, tratadores, magarefes, laticinistas e laboratoristas.
· Transmissão ocorre por contato direto com fluidos infectados, ingestão de leite cru e derivados de leite de animais infectados.
· Os sintomas incluem febre, fadiga, cefaleia, dores musculares e articulares, sudorese noturna e outros sintomas inespecíficos, muitas vezes confundidos com gripe recorrente​.
Tuberculose
Quais são as principais formas de transmissão da tuberculose entre os bovinos e outros animais?
Resposta:
· A principal forma de transmissão é a via aerógena, especialmente entre bovinos infectados e sadios.
· Outra via importante é a digestiva, através do consumo de leite contaminado, especialmente em bezerros.
· Espécies silvestres podem servir como reservatórios, e humanos infectados com Mycobacterium bovis também podem transmitir a doença para bovinos​.
Descreva os principais sinais clínicos observados em animais infectados com tuberculose em estágios avançados.
Resposta:
· Sinais clínicos incluem caquexia progressiva, tosse, dispneia, hiperplasia de linfonodos superficiais e/ou profundos, e mastite.
· Outros sintomas podem incluir infertilidade, dependendo da localização das lesões tuberculosas​.
Explique a patogenia da tuberculose causada por Mycobacterium bovis.
Resposta:
· A infecção começa com a inalação de aerossóis contendo M. bovis, que se instala nos pulmões, sendo fagocitada por macrófagos alveolares.
· A bactéria pode replicar-se intracelularmente, espalhando-se para os linfonodos regionais, onde se formam granulomas.
· A resposta imune pode ser eficaz, limitando a infecção, ou ineficaz, levando à tuberculose pulmonar ativa ou disseminada por via linfática e sanguínea​.
Quais são os métodos de diagnóstico utilizados para identificar a tuberculose em animais?
Resposta:
· Diagnóstico Clínico: Baseado nos sinais clínicos, especialmente em casos avançados.
· Anatomopatológico: Inspeção de carcaça ou necropsia, observando lesões nodulares principalmente nos linfonodos e pulmões.
· Diagnóstico Alérgico-Cutâneo: Técnica de referência que envolve a inoculação intradérmica de tuberculina para detectar a infecção​.
Quais são as principais medidas de controle para prevenir a disseminação da tuberculose nos rebanhos?
Resposta:
· Realização de testes tuberculínicos periódicos e descarte dos animais reagentes.
· Limpeza e desinfecção das instalações usando soluções de hipoclorito de sódio, fenol, formaldeído ou cresol.
· Isolamento de animais suspeitos, testes em funcionários, quarentena e inspeção sanitária dos produtos de origem animal (POA)​.
Mastite
O que caracteriza a mastite e quais são as principais alterações que ocorrem no leite e no parênquima mamário?
Resposta:
· A mastite é uma inflamação do parênquima da glândula mamária de fêmeas mamíferas, que resulta em alterações físico-químicas, organolépticas, e na celularidade do leite, além de alterações patológicas no tecido mamário​.
Quais são os principais patógenos causadores de mastite?
Resposta:
· Os principais patógenos incluem Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, Mycoplasma spp., e coliformes como Klebsiella spp. e Escherichia coli. Também há participação de estreptococos ambientais, como Streptococcus uberis e Streptococcus dysgalactiae​.
Descreva os fatores de risco associados à mastite em vacas leiteiras.
Resposta:
· Fatores de risco incluem:
· Características físicas do animal: Alta produção de leite, úbere muito penduloso, problemas no esfíncter e condições da pele do teto.
· Estado imunológico da vaca
· Ambiente e equipamentos de ordenha: Higienização inadequada dos equipamentos e práticas de manejo inadequadas durante a ordenha, como pré-dipping e secagem dos tetos​.
Quais são as diferenças entre mastite clínica e subclínica?
Resposta:
· Mastite Clínica: Apresenta sinais visíveis como dor, calor, rubor, inchaço, presença de grumos no leite e/ou sangue.
· Mastite Subclínica: Não apresenta sinais visíveis, mas há aumento da contagem de células somáticas (CCS), diminuição da produção de leite e alterações na composição do leite, como redução de gordura e proteína​.
Quais são os métodos diagnósticos utilizados para identificar a mastite?
Resposta:
· Os principais métodos diagnósticos incluem o teste da caneca, exame do úbere, cultivo microbiológico, contagem de células somáticas (CMT) e identificação do patógeno através de cultivo microbiológico​.
Leptospirose
Qual é a principal fonte de infecção da leptospirose e como ela é eliminada no ambiente?
A principal fonte de infecção é a urina de animais infectados, que contamina o ambiente, incluindo água, solo e alimentos. A eliminação do patógeno ocorre por longos períodos, mesmo após a cura clínica do animal, através da urina​.
Quais são os principais sinais clínicos associados à forma aguda e sub clínica da leptospirose?
· Forma subclínica: É a mais comum, com vacas vazias ou lactantes apresentando baixa produtividade.
· Forma aguda: Febre transitória, queda na produção de leite, anorexia, apatia, vômito, febre, anemia, icterícia, poliúria, polidipsia, diarreia, presença de sangue na urina e úlceras na boca e língua​​.
Quais os fatores de risco relacionados ao manejo e ao ambiente que facilitam a transmissão da leptospirose?
Fatores como a presença de umidade e água no solo, aquisição de animais infectados, pastejo de diferentes espécies juntas, empréstimo de reprodutores infectados, e o acesso a fontes de água contaminadas, como riachos, rios ou áreas alagadas, aumentam o risco de transmissão​.
Explique os mecanismos de transmissão da leptospirose de forma direta e indireta.
· Transmissão direta: Através de urina, descarga uterina pós-aborto, via sexual, fluidos placentários ou transplacentariamente.
· Transmissão indireta: Contato com água ou solo contaminado com urina infectada, alimentos contaminados ou inseminação artificial​.
Quais são as principais medidas de controle e prevenção da leptospirose em rebanhos?
As principais medidas incluem evitar contato direto com animais infectados, quarentena de animais novos no rebanho, controle de roedores (reservatórios), controle de acesso a áreas alagadas e vacinação semestral comvacinas polivalentes que contêm sorovares endêmicos​.
Como ocorre a patogenia da leptospirose em animais prenhes e quais os efeitos sobre o feto?
Em animais prenhes, a leptospirose pode causar aborto devido à maior vascularização do trato reprodutivo, o que facilita a multiplicação da bactéria. Além disso, podem ocorrer natimortos e nascimentos prematuros​.
Quais os métodos de diagnóstico recomendados para a leptospirose e como eles diferenciam entre infecção aguda e crônica?
· Métodos indiretos: Aglutinação microscópica e ELISA para identificar a presença de anticorpos.
· Métodos diretos: Microscopia em campo escuro, imunofluorescência, bacteriologia, histopatologia e PCR para detectar o agente patogênico diretamente​.
Qual a importância econômica da leptospirose para a produção animal e quais os prejuízos mais comuns?
A leptospirose tem grande importância econômica, principalmente devido aos problemas reprodutivos que ela causa, como infertilidade, abortos, natimortos e baixa produção. Muitos casos são subclínicos, dificultando o diagnóstico e amplificando os prejuízos econômicos​.
Quais as recomendações para o uso de antibióticos no tratamento da leptospirose, dependendo da fase da infecção?
· Forma aguda: Recomenda-se o uso de estreptomicina e tetraciclina.
· Forma crônica: Oxitetraciclina é a mais indicada. Em ambos os casos, o objetivo primário é o controle da infecção antes que ocorra dano irreparável ao fígado e rins​.
Como a vacinação pode ajudar no controle da leptospirose e quais os sorovares comumente incluídos nas vacinas para bovinos e suínos?
A vacinação é fundamental no controle da leptospirose, promovendo imunidade específica aos sorovares presentes na vacina. Para bovinos, a vacina geralmente inclui sorovares como Hardjo, Icterohaemorrhagiae, Wolffi, Bratislava e Pomona. Para suínos, os sorovares mais comuns são Canicola, Icterohaemorrhagiae, Pomona, Bratislava e Hardjo​.
Rinotraqueíte infecciosa bovina
Como o vírus da IBR se perpetua na população hospedeira e qual o papel da infecção latente?
O vírus se perpetua através da infecção latente, que é um fator importante na epidemiologia da doença. Após a infecção inicial, o vírus pode permanecer no hospedeiro e ser eliminado esporadicamente, infectando outros animais suscetíveis. Essa adaptação permite que o vírus se mantenha na população hospedeira​.
Quais são as principais formas de transmissão do vírus da IBR?
A transmissão ocorre de várias formas, incluindo:
· Infecção respiratória: através de aerossóis.
· Infecção genital: por coito (contato direto) ou sêmen e instrumentos contaminados (contato indireto).
· Infecção transplacentária: resultando em mortalidade embrionária, abortos ou mumificação fetal​.
Quais doenças são associadas ao BHV-1 e como elas afetam os bovinos?
O BHV-1 está associado a diversas enfermidades, incluindo:
· Rinotraqueíte infecciosa (doença respiratória).
· Vulvovaginite e balanopostite (doença genital).
· Abortos e falhas reprodutivas​.
Quais são os principais sinais clínicos da rinotraqueíte infecciosa bovina?
· Hipertermia (40,5°C a 42°C).
· Depressão e perda de apetite.
· Hiperemia da mucosa nasal, corrimento nasal seroso e mucoso que pode evoluir para mucopurulento.
· Nos casos graves, há dificuldade respiratória, estertores pulmonares, e a doença pode se complicar com infecções secundárias, como pneumonia​.
Explique o processo patogênico da IBR, desde a infecção até as possíveis complicações.
O vírus penetra pela via intranasal, replica-se nas células epiteliais, causando inflamação aguda da mucosa nasal e levando à rinotraqueíte, rinite, laringite e traqueíte. Pode haver destruição epitelial e infecções secundárias. Em alguns casos, a infecção se espalha pelos nervos e tecidos, levando à disseminação sistêmica​.
Como a infecção genital pelo BHV-1 afeta machos e fêmeas, e quais são os sinais clínicos dessa forma de infecção?
· Fêmeas: apresentam dificuldade para urinar, curvamento do dorso, elevação da cauda após urinar, queda na produção de leite e hesitação na monta.
· Machos: podem desenvolver balanopostite, e em casos graves podem ocorrer sequelas como aderências penianas. Ambos os sexos podem apresentar febre, depressão, redução de apetite, hiperemia, vesículas, erosões e corrimento mucopurulento​.
Quais são as consequências reprodutivas da infecção pelo BHV-1, como abortos e falhas na concepção?
A infecção pelo BHV-1 pode levar a abortos, mumificação fetal e outras falhas reprodutivas, como a endometrite e a redução na taxa de concepção. Abortos podem ocorrer em qualquer estágio da gestação, mas são mais comuns no terço final. A infecção geralmente se dá pela via hematógena, com lesões necróticas no feto abortado​.
Quais são os principais métodos de diagnóstico da IBR e como eles são aplicados?
O diagnóstico da IBR pode ser feito através de:
· Clínico: baseado nos sinais clínicos e histórico epidemiológico.
· Virológico/sorológico: através da detecção do vírus ou de anticorpos em testes laboratoriais​.
Quais medidas de profilaxia e controle são recomendadas para prevenir surtos de IBR em rebanhos?
· Vacinação é recomendada, especialmente em sistemas de recria e confinamento, onde há alta rotatividade de animais e animais de diferentes procedências.
· Medidas de biossegurança, como quarentena e testes sorológicos periódicos, são importantes para evitar a introdução e disseminação do vírus​.
Como as vacinas ajudam no controle da IBR e quais são as situações que indicam maior necessidade de vacinação?
A vacinação é eficaz no controle da IBR, especialmente em rebanhos com histórico comprovado de infecção e sorologia elevada. Rebanhos que apresentam alta movimentação de animais ou estão em confinamento com animais de várias procedências têm maior necessidade de vacinação​.
Diarreia viral bovina
Definição e características da BVD:
· Quais são as características principais da Diarreia Viral Bovina (BVD)?
· A BVD é uma doença infectocontagiosa que pode ser aguda ou crônica, quase sempre com infecções benignas e poucas manifestações clínicas, mas pode causar enfermidades graves, malformações, problemas reprodutivos e imunossupressão​.
Etiologia:
· Quais são as duas espécies do gênero Pestivirus associadas à BVD?
· As duas espécies são BVDV-1 e BVDV-2​.
· Em que medida o vírus da BVD está disseminado globalmente?
· O vírus está amplamente disseminado no mundo​.
Epidemiologia:
· Quem são os principais responsáveis pela manutenção do vírus da BVD nas populações?
· Animais persistentemente infectados (PI) são os principais responsáveis pela manutenção do vírus​.
· Quais são os métodos de transmissão horizontal e vertical da BVD?
· Transmissão horizontal: Contato direto (secreções oronasais, cópula, biotécnicas da reprodução e aerossóis) e contato indireto (agulhas, instrumentos para colocação de brincos e castração, infusões orais, palpação retal)​.
· Transmissão vertical: A transmissão vertical é possível, especialmente de mãe para feto​.
Patogenia:
· Como a infecção pré-natal pelo BVDV pode afetar o feto em diferentes estágios de gestação?
· No início da gestação, o feto é altamente suscetível, podendo resultar em aborto. Entre 40 a 120 dias, o sistema imunológico do feto não está desenvolvido, podendo causar imunotolerância e infecção persistente. Entre 100 a 150 dias, a resposta imunológica é variável, podendo resultar em várias consequências. No último trimestre da gestação, geralmente não há doença fetal, com consequências semelhantes à infecção pós-natal​.
· Qual é a diferença na resposta imunológica de um animal infectado agudamente e de um animal persistentemente infectado (PI)?
· Um animal infectado agudamente desenvolve uma resposta imunológica e elimina a infecção, enquanto um animal PI não elimina o vírus e continua disseminando-o por toda a vida​.
Sinais clínicos:
· Quais são os sinais clínicos mais comuns associados à infecção pré-natal pelo BVDV?
· Infecção pré-natal pode causar reabsorção embrionária, aborto, anomalias congênitas como hipoplasia cerebelar, microcefalia, hidrâncefalia,mielinização deficiente da medula, bragnatismo, artrogripose, atrofia ou displasia de retina, catarata, microlftalmia, aplasia tímica e hipotricose​.
· Como se diferenciam os sinais clínicos de uma doença aguda transitória e de uma doença das mucosas em animais infectados pelo BVDV?
· Doença aguda transitória: A maioria das infecções primárias pelo BVDV são assintomáticas ou apresentam sinais discretos como hipertermia, inapetência, prostração, linfadenopatia, sinais de doença respiratória, diarreia aquosa e diminuição na produção de leite​.
· Doença das mucosas: Afeta somente animais PI, ocorrendo esporadicamente entre 6 meses a 2 anos de idade, com sinais como diarreia aquosa escura, lesões erosivo-ulcerativas, depleção grave de tecidos linfóides e óbito em poucos dias​.
Diagnóstico:
· Quais são os métodos laboratoriais utilizados para o diagnóstico direto e indireto da BVD?
· Diagnóstico direto: Isolamento viral, imunodiagnóstico e métodos moleculares.
· Diagnóstico indireto: Teste de neutralização do vírus e ELISA​.
· Como os achados de necropsia podem ajudar no diagnóstico da BVD?
· Os achados de necropsia, junto com dados epidemiológicos e sinais clínicos como anomalias congênitas e abortamentos, ajudam no diagnóstico da BVD​.
Profilaxia e controle:
· Quais são as medidas gerais recomendadas para a profilaxia e controle da BVD?
· Medidas gerais incluem a adequação do fornecimento de colostro, boas condições de manejo e higiene, conforto animal, evitar situações de estresse e desinfecção de fômites​.
Campilobacteriose
Introdução e Etiologia
1. Quais são os dois tipos de infecções causadas pelo gênero Campylobacter?
· Infecções entéricas e infecções reprodutivas​.
2. Qual é a principal espécie de Campylobacter associada a infecções reprodutivas em bovinos?
· Campylobacter fetus​.
Epidemiologia
3. Qual é a principal forma de infecção em rebanhos livres?
· Introdução de reprodutores infectados​.
4. Quais são os principais veiculadores da infecção em rebanhos?
· Touros, que portam o agente assintomaticamente em seu trato reprodutivo​.
5. Quais fatores de risco podem aumentar a propagação da doença?
· Tipo de exploração, uso de touros de repasse e fômites como vagina artificial, vaginoscópio, pipetas de IA reutilizáveis, espéculos vaginais​.
Patogenia
6. Descreva o processo patogênico após a cópula em relação à infecção reprodutiva.
· Após a cópula, o agente é depositado na vagina, ocorre evasão de células fagocíticas e invasão do epitélio vaginal, resultando em vestibulite e cervicite. Isso leva à secreção catarral ou purulenta, e inflamação local no útero, comprometendo a nidação embrionária e causando morte embrionária e retorno ao cio entre 28 a 35 dias​​.
7. Quais são as consequências da infecção persistente em touros?
· Touros portadores não apresentam lesões penianas, no prepúcio ou nas glândulas acessórias, nem queda de fertilidade ou qualidade do sêmen​.
Sinais Clínicos
8. Quais são as principais manifestações clínicas reprodutivas da infecção?
· Altas taxas de retorno ao cio devido à morte embrionária precoce, infertilidade temporária, estros prolongados ou irregulares, anestros, redução das taxas de concepção, aumento do número de serviços por concepção, endometrites e abortamentos​.
9. Durante qual período da gestação os abortamentos são mais comuns?
· No terço médio da gestação, entre o 4º e 6º mês, embora sejam incomuns​.
Diagnóstico
10. Quais métodos são utilizados para identificar o agente causador em touros suspeitos?
· Identificação do agente no esmegma de touros suspeitos, utilizando lavados prepuciais, swab prepucial, aspiração e raspagem da mucosa prepucial​.
Tratamento
11. Qual é a recomendação para machos positivos, especialmente aqueles com alto valor genético/econômico?
· Descarte dos machos positivos. Para machos com alto valor genético/econômico, pode-se realizar lavagem prepucial com H2O2, infusão prepucial com estreptomicina em solução fisiológica e massagem, além de administração de estreptomicina intramuscular​​.
12. Qual é a abordagem de tratamento recomendada para fêmeas com endometrite?
· Tratamento antimicrobiano com baixa relação custo-benefício, recomendando-se repouso sexual. Para casos de endometrite, realizar infusão uterina com estreptomicina e penicilina G em solução fisiológica​.
Profilaxia e Controle
13. Qual é a principal medida profilática recomendada para prevenir a infecção?
· Inseminação artificial (IA) como principal medida profilática. Além disso, evitar o empréstimo de touros, não reutilizar pipetas de IA, realizar antissepsia de vaginas artificiais, testes anuais de touros reprodutores e descarte de paletas de sêmen de touros positivos​.
14. Quais são as recomendações de vacinação para fêmeas e touros?
· Fêmeas: Vacinação a partir de 18 meses de idade, 30 a 120 dias antes da cobertura ou início da estação de monta, com revacinação 30 dias após a primeira dose.
· Touros: Duas doses com intervalos de 4 a 6 semanas e revacinação anual do rebanho​.
Parvovirose canina
Definição e Etiologia
1. Quais são as manifestações clínicas gastroentéricas associadas à parvovirose canina?
· Vômito e diarreia sanguinolenta​.
2. Qual é o agente etiológico da parvovirose canina?
· Parvovírus canino 2 (PVC-2), pertencente ao gênero Parvovirus, subfamília Parvovirinae e família Parvoviridae​​.
Epidemiologia
3. Qual é a faixa etária mais afetada pela parvovirose canina?
· Acomete principalmente animais jovens, até um ano de idade, com maior incidência do desmame até 6 meses​.
4. Quais são as principais fontes de infecção para a parvovirose canina?
· Animais doentes e portadores inaparentes, que eliminam o vírus nas fezes e podem disseminar o vírus por longas distâncias​.
Patogenia
5. Descreva o processo patogênico da parvovirose canina, desde a exposição viral até a diarreia sanguinolenta.
· Após a exposição viral, o vírus se replica no tecido linfoide da orofaringe e do timo (24 a 48h), levando à viremia. O vírus então se espalha para a medula óssea e tecido linfoide, causando leucopenia grave e imunossupressão. Nos linfonodos mesentéricos, o vírus infecta as células das criptas intestinais, causando colapso das vilosidades, necrose do epitélio germinativo, diarreia sanguinolenta e choque endotóxico devido à absorção de toxinas e bactérias no sangue​​.
6. Quais fatores contribuem para a gravidade da parvovirose canina?
· O status imunológico inicial do hospedeiro, grau e magnitude da viremia, dose infectante, patogenicidade da cepa de PVC-2, divisão celular exacerbada no intestino por processos inflamatórios, verminose intensa e enterite bacteriana​.
Sinais Clínicos
7. Quais são os sinais clínicos iniciais da forma entérica da parvovirose canina?
· Apatia, febre, vômitos frequentes (sem conteúdo sólido, aspecto branco e espumoso)​.
8. Quais são os sinais clínicos respiratórios associados à forma entérica da parvovirose canina?
· Crepitação, estertores secos e úmidos, ruídos de roce pleural​.
Diagnóstico
9. Quais são os métodos diretos e indiretos utilizados para o diagnóstico definitivo da parvovirose canina?
· Métodos diretos: Isolamento viral, imuno-histoquímica, microscopia eletrônica e varredura, teste de ELISA direto, PCR, hemaglutinação direta com hemácias de suínos.
· Métodos indiretos: ELISA para pesquisa de anticorpos​.
Tratamento
10. Quais são os principais componentes do tratamento para a parvovirose canina?
· Reposição hidreletrolítica e energética, antieméticos e protetores gástricos, polivitamínicos, antimicrobianos (como cloranfenicol, cefalosporinas, aminoglicosídeos, fluorquinolonas, sulfonamidas), anti-inflamatórios e inibidores do peristaltismo​.
Enterotoxemias
Qual é a definição de enterotoxemia?
Resposta: Toxinfecção que afeta bovinos, pequenos ruminantes e suínos.
Qual é o agente etiológico responsável pela enterotoxemia?
Resposta: Clostridium perfringens.
Quais são os sinais clínicos observados em neonatos afetados por enterotoxemia?
Resposta: Morte súbita, diarreia, dor abdominal, desidratação, febre, sinais neurológicos (convulsões,desequilíbrio, movimentos de pedalagem, opistótono).
Como ocorre a transmissão da enterotoxemia?
Resposta: Por secreções ou excreções, principalmente via digestiva, ingestão de alimentos e água contaminados.
Quais medidas podem ser tomadas para o controle da enterotoxemia?
Resposta: Mudança gradual na alimentação e vacinação.
Linfadenite caseosa
Qual é a definição de linfadenite caseosa?
Resposta: Doença contagiosa, crônica e debilitante de ovinos e caprinos, caracterizada por formar abscessos nos linfonodos e em órgãos internos.
Qual é o agente etiológico da linfadenite caseosa?
Resposta: Bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis.
Quais são os sinais clínicos da linfadenite caseosa?
Resposta: Aumento do volume dos linfonodos, especialmente pré-partidoides, pré-escapulares, sub-maxilares e pré-crurais.
Como é feito o diagnóstico da linfadenite caseosa?
Resposta: Exames laboratoriais como ELISA e Western Blot.
Qual é o tratamento recomendado para a linfadenite caseosa?
Resposta: Drenagem do abscesso e limpeza da ferida com iodo a 10%.
Quais medidas de controle podem ser adotadas para a linfadenite caseosa?
Resposta: Drenagem e cauterização dos abscessos, isolamento dos animais, desinfecção ambiental e manejo adequado.
Salmonelose
Qual é a definição de salmonelose?
Resposta: Doença infecciosa com sinais entéricos e/ou septicêmicos, com efeito sazonal.
Quais são os agentes etiológicos da salmonelose?
Resposta: Salmonella enterica e Salmonella bongori.
Como ocorre a transmissão da salmonelose?
Resposta: Via oral ou fômites (fezes contaminadas).
Quais são os sinais clínicos da salmonelose?
Resposta: Diarréia, inapetência, febre, perda de peso e desidratação.
Como ocorre a contaminação de ovos em relação à salmonelose?
Resposta: Momento da postura ou via transovariana; ovos não devem ser ingeridos in natura.
Quais medidas de controle podem ser adotadas para prevenir a salmonelose?
Resposta: Redução da contaminação ambiental e isolamento de animais infectados.