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Tétano Definição e Agente Causal · O tétano é uma enfermidade toxinfecciosa não contagiosa que afeta várias espécies de animais domésticos e humanos. É causada pela bactéria Clostridium tetani, que produz a neurotoxina tetanospasmina, uma das toxinas biológicas mais potentes. Transmissão e Epidemiologia · O Clostridium tetani entra no organismo principalmente através de feridas contaminadas por fezes ou terra, objetos perfurocortantes, como agulhas e arames, e durante procedimentos como colocação de ferradura, vacinações, castrações, caudectomia e descorna. · O principal reservatório do Clostridium tetani é o solo contaminado por fezes de equinos, ruminantes, cães, gatos, aves e humanos. Os esporos da bactéria são altamente resistentes e podem permanecer viáveis no solo por mais de um século. Sinais Clínicos · Os principais sinais clínicos do tétano incluem rigidez muscular, dificuldade de locomoção, trismo mandibular (dificuldade em abrir a boca), hiperestesia (aumento da sensibilidade), cauda em bandeira, orelhas enrijecidas, dilatação das narinas e opistótono (rigidez corporal com arqueamento das costas). · A tetanospasmina afeta o sistema nervoso ao penetrar nas células nervosas e impedir a liberação de neurotransmissores inibidores, resultando em rigidez muscular, paralisia espástica e hiperestesia. Tratamento · Os principais objetivos no tratamento do tétano incluem tranquilização do animal, relaxamento muscular, evitar asfixia mecânica e acidose metabólica, eliminar o foco de infecção, e neutralizar a tetanospasmina circulante com soro antitetânico. Outras medidas incluem a administração de penicilina, cuidados com o ferimento (uso de peróxido de hidrogênio), e manter o animal hidratado e em ambiente calmo. Profilaxia e Controle · As medidas de profilaxia envolvem o manejo sanitário, como evitar ferimentos, limpeza adequada do cordão umbilical e procedimentos cirúrgicos realizados por veterinários. Em caso de ferimentos, recomenda-se a aplicação de soro antitetânico e penicilinas. · O protocolo de vacinação para potros recomenda a primeira dose aos 3 meses (para éguas não vacinadas) ou 6 meses (para éguas vacinadas), com uma segunda dose 30 dias após, e uma terceira dose aos 12 meses de idade. Para animais adultos nunca vacinados, são necessárias duas doses com intervalo de 30 dias, com reforços regulares. Botulismo Definição e Etiologia · O botulismo é uma intoxicação altamente fatal, não febril, causada por toxinas do Clostridium botulinum. Afeta principalmente bovinos, ovinos, caprinos, equinos e asininos, sendo menos comum em suínos e carnívoros. Caracteriza-se por uma paralisia flácida parcial ou completa, envolvendo os músculos de locomoção e deglutição. Características e Epidemiologia · A contaminação de pastagens e alimentos ocorre pela eliminação dos esporos de Clostridium botulinum nas fezes, contaminação de silagens e armazenamento inadequado de alimentos, o que favorece condições de anaerobiose e a multiplicação da bactéria, que então produz as toxinas. · Animais em gestação e lactação são mais suscetíveis ao botulismo devido à maior necessidade de fósforo, especialmente em condições de deficiência de fósforo, o que pode levar à osteofagia (comer ossos) e aumentar o risco de contaminação. Patogenia e Sinais Clínicos · A toxina botulínica interfere na junção neuromuscular ao bloquear a liberação de acetilcolina, impedindo a contração muscular, o que resulta em paralisia flácida. · Nos bovinos, os sinais clínicos incluem dificuldade de locomoção, poliflexão de membros, decúbito com estado mental normal, diminuição do tônus da cauda e da língua, sialorreia, bradicardia e dificuldade respiratória. Nos cães, os sinais incluem incoordenação motora, paralisia flácida com sensibilidade preservada, ausência de febre e estado mental normal. Diagnóstico · No diagnóstico do botulismo em rebanhos, deve-se considerar fatores como casos anteriores, suplementação mineral inadequada, tipo de cocho utilizado, destino das carcaças e ocorrência de surtos após ingestão de alimentos contaminados. · Nos cães, o diagnóstico considera seus hábitos alimentares, caça, acesso à rua e ao lixo, além de sinais como incoordenação motora e paralisia flácida. Tratamento · O tratamento envolve o uso de catárticos gástricos para eliminar toxinas não absorvidas, antimicrobianos para tratar pneumonias secundárias, e evitar o uso de medicamentos que intensificam o bloqueio muscular. A antitoxina botulínica é usada para prevenir a doença em animais expostos à toxina, mas que ainda não apresentam sinais clínicos. · A antitoxina botulínica deve ser administrada em casos de surtos ou exposição a toxinas, antes do surgimento de sinais clínicos. Profilaxia e Controle · A prevenção envolve o armazenamento adequado de alimentos (feno, silagem, ração), suplementação mineral correta, uso de cochos apropriados e destino adequado das carcaças, como incineração. O enterro inadequado pode permitir que animais escavadores tragam carcaças contaminadas de volta à superfície. · É importante incinerar corretamente alimentos contaminados e carcaças para evitar a disseminação da doença. Carbúnculo sintomático Definição e Etiologia · O carbúnculo sintomático é uma enfermidade aguda, infecciosa, porém não contagiosa, caracterizada por um processo enfisematoso, acometendo principalmente bovinos jovens até 2 anos de idade. O agente etiológico é o Clostridium chauvoei. · Além de bovinos, cabras, ovelhas e búfalos também são suscetíveis a essa doença. Epidemiologia · A contaminação ambiental ocorre pela presença de esporos do Clostridium chauvoei no solo. Estes esporos podem ser liberados no ambiente, principalmente em regiões onde há escavação do solo. · Bovinos de 6 meses a 3 anos são os mais suscetíveis devido à queda dos anticorpos colostrais e, no caso de troca de dentes, a área exposta serve como porta de entrada para os esporos. Patogenia · Os esporos do Clostridium chauvoei entram no organismo por via oral, atingem a corrente sanguínea e se depositam em tecidos como fígado, músculos e tecido subcutâneo, onde permanecem em estado de quiescência até que condições de anaerobiose e trauma permitam sua ativação. Isso leva à produção de toxinas que causam necrose muscular, edema e hemorragia. · As toxinas incluem a toxina letal, hemolítica, além de enzimas como desoxirribonuclease, hialuronidase e hemolisina, que contribuem para a necrose e destruição dos tecidos. Sinais Clínicos · Os sinais clínicos iniciais incluem anorexia, febre alta (41 a 43°C), apatia e claudicação. A evolução da doença é rápida, geralmente entre 1 e 3 dias, podendo chegar até 5 dias. · Na fase terminal, os animais apresentam decúbito esternal, queda na temperatura corporal (35 a 37°C), e o óbito ocorre em 12 a 60 horas após o início dos sintomas. Raramente os animais sobrevivem por mais de 5 dias. Diagnóstico · O diagnóstico é baseado em dados epidemiológicos e nos sinais clínicos, como aumento dos músculos afetados, edema e necrose muscular. O tecido muscular pode apresentar aspecto de cozido, ser muito escuro, sem brilho, com fibras separadas por exsudato sanguinolento e bolhas de gás. · O exame anatomopatológico também revela odor rançoso ou butírico, típico da infecção. Tratamento · O tratamento envolve o uso de antimicrobianos, como a penicilina benzatina, além de suporte com equilíbrio hidroeletrolítico e energético. No entanto, a viabilidade do tratamento é limitada devido à evolução rápida da doença. · O prognóstico geralmente é desfavorável, especialmente se o tratamento não for iniciado dentro das primeiras 24 horas dos sinais clínicos. Profilaxia e Controle · A profilaxia envolve a remoção e correta disposição das carcaças de animais mortos pela doença, que devem ser enterradas em valas profundas (2 metros) com camadas de cal para evitar contaminação. · A vacinação é essencial, com a primeira dose administrada entre 3 a 6 meses de idade, a segunda dose após 30 dias, e revacinação anual. Fêmeas devem ser vacinadas no últimomês de gestação para garantir imunidade passiva aos bezerros até 3 meses de idade. Brucelose Quais são os principais fatores de risco para a transmissão da Brucelose entre os rebanhos? Resposta: · Compra e venda de animais infectados. · Proximidade entre rebanhos infectados e rebanhos livres. · Manutenção inadequada de cercas e divisão dos pastos. Descreva os sinais clínicos e as lesões mais comuns observadas em fêmeas infectadas pela Brucelose. Resposta: · Tropismo pelo útero e placenta em animais prenhes, levando à placentite necrótica, abortos no último trimestre, natimortos e nascimento de bezerros fracos. · Retenção de placenta e endometrite crônica, que pode resultar em infertilidade crônica. · Fêmeas não prenhes apresentam sinais inespecíficos, como febre, apatia e redução na produção. Quais são os métodos diretos e indiretos utilizados para o diagnóstico da Brucelose? Explique brevemente cada um. Resposta: · Métodos Diretos: Isolamento e identificação de Brucella, Imuno-histoquímica e PCR. · Métodos Indiretos (Sorológicos): Teste do antígeno acidificado tamponado (AAT), Teste do anel em leite (Ring Test ou TAL), Teste do 2-Mercaptoetanol (2-ME), Teste de soroaglutinação em tubos (SAT) e Teste de fixação de complemento (FC). Quais são as medidas principais e complementares para o controle da Brucelose em rebanhos? Resposta: · Medidas Principais: Vacinação em massa das fêmeas (obrigatória) e diagnóstico com sacrifício dos animais positivos. · Medidas Complementares: Desinfecção de piquetes e baias de parição, controle do trânsito de animais, quarentena e testes em animais novos, e descarte adequado de fetos abortados e fluidos. Explique como a Brucelose pode afetar os seres humanos e quais são os principais sintomas e formas de transmissão. Resposta: · A Brucelose em humanos é frequentemente de caráter ocupacional, afetando veterinários, tratadores, magarefes, laticinistas e laboratoristas. · Transmissão ocorre por contato direto com fluidos infectados, ingestão de leite cru e derivados de leite de animais infectados. · Os sintomas incluem febre, fadiga, cefaleia, dores musculares e articulares, sudorese noturna e outros sintomas inespecíficos, muitas vezes confundidos com gripe recorrente. Tuberculose Quais são as principais formas de transmissão da tuberculose entre os bovinos e outros animais? Resposta: · A principal forma de transmissão é a via aerógena, especialmente entre bovinos infectados e sadios. · Outra via importante é a digestiva, através do consumo de leite contaminado, especialmente em bezerros. · Espécies silvestres podem servir como reservatórios, e humanos infectados com Mycobacterium bovis também podem transmitir a doença para bovinos. Descreva os principais sinais clínicos observados em animais infectados com tuberculose em estágios avançados. Resposta: · Sinais clínicos incluem caquexia progressiva, tosse, dispneia, hiperplasia de linfonodos superficiais e/ou profundos, e mastite. · Outros sintomas podem incluir infertilidade, dependendo da localização das lesões tuberculosas. Explique a patogenia da tuberculose causada por Mycobacterium bovis. Resposta: · A infecção começa com a inalação de aerossóis contendo M. bovis, que se instala nos pulmões, sendo fagocitada por macrófagos alveolares. · A bactéria pode replicar-se intracelularmente, espalhando-se para os linfonodos regionais, onde se formam granulomas. · A resposta imune pode ser eficaz, limitando a infecção, ou ineficaz, levando à tuberculose pulmonar ativa ou disseminada por via linfática e sanguínea. Quais são os métodos de diagnóstico utilizados para identificar a tuberculose em animais? Resposta: · Diagnóstico Clínico: Baseado nos sinais clínicos, especialmente em casos avançados. · Anatomopatológico: Inspeção de carcaça ou necropsia, observando lesões nodulares principalmente nos linfonodos e pulmões. · Diagnóstico Alérgico-Cutâneo: Técnica de referência que envolve a inoculação intradérmica de tuberculina para detectar a infecção. Quais são as principais medidas de controle para prevenir a disseminação da tuberculose nos rebanhos? Resposta: · Realização de testes tuberculínicos periódicos e descarte dos animais reagentes. · Limpeza e desinfecção das instalações usando soluções de hipoclorito de sódio, fenol, formaldeído ou cresol. · Isolamento de animais suspeitos, testes em funcionários, quarentena e inspeção sanitária dos produtos de origem animal (POA). Mastite O que caracteriza a mastite e quais são as principais alterações que ocorrem no leite e no parênquima mamário? Resposta: · A mastite é uma inflamação do parênquima da glândula mamária de fêmeas mamíferas, que resulta em alterações físico-químicas, organolépticas, e na celularidade do leite, além de alterações patológicas no tecido mamário. Quais são os principais patógenos causadores de mastite? Resposta: · Os principais patógenos incluem Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, Mycoplasma spp., e coliformes como Klebsiella spp. e Escherichia coli. Também há participação de estreptococos ambientais, como Streptococcus uberis e Streptococcus dysgalactiae. Descreva os fatores de risco associados à mastite em vacas leiteiras. Resposta: · Fatores de risco incluem: · Características físicas do animal: Alta produção de leite, úbere muito penduloso, problemas no esfíncter e condições da pele do teto. · Estado imunológico da vaca · Ambiente e equipamentos de ordenha: Higienização inadequada dos equipamentos e práticas de manejo inadequadas durante a ordenha, como pré-dipping e secagem dos tetos. Quais são as diferenças entre mastite clínica e subclínica? Resposta: · Mastite Clínica: Apresenta sinais visíveis como dor, calor, rubor, inchaço, presença de grumos no leite e/ou sangue. · Mastite Subclínica: Não apresenta sinais visíveis, mas há aumento da contagem de células somáticas (CCS), diminuição da produção de leite e alterações na composição do leite, como redução de gordura e proteína. Quais são os métodos diagnósticos utilizados para identificar a mastite? Resposta: · Os principais métodos diagnósticos incluem o teste da caneca, exame do úbere, cultivo microbiológico, contagem de células somáticas (CMT) e identificação do patógeno através de cultivo microbiológico. Leptospirose Qual é a principal fonte de infecção da leptospirose e como ela é eliminada no ambiente? A principal fonte de infecção é a urina de animais infectados, que contamina o ambiente, incluindo água, solo e alimentos. A eliminação do patógeno ocorre por longos períodos, mesmo após a cura clínica do animal, através da urina. Quais são os principais sinais clínicos associados à forma aguda e sub clínica da leptospirose? · Forma subclínica: É a mais comum, com vacas vazias ou lactantes apresentando baixa produtividade. · Forma aguda: Febre transitória, queda na produção de leite, anorexia, apatia, vômito, febre, anemia, icterícia, poliúria, polidipsia, diarreia, presença de sangue na urina e úlceras na boca e língua. Quais os fatores de risco relacionados ao manejo e ao ambiente que facilitam a transmissão da leptospirose? Fatores como a presença de umidade e água no solo, aquisição de animais infectados, pastejo de diferentes espécies juntas, empréstimo de reprodutores infectados, e o acesso a fontes de água contaminadas, como riachos, rios ou áreas alagadas, aumentam o risco de transmissão. Explique os mecanismos de transmissão da leptospirose de forma direta e indireta. · Transmissão direta: Através de urina, descarga uterina pós-aborto, via sexual, fluidos placentários ou transplacentariamente. · Transmissão indireta: Contato com água ou solo contaminado com urina infectada, alimentos contaminados ou inseminação artificial. Quais são as principais medidas de controle e prevenção da leptospirose em rebanhos? As principais medidas incluem evitar contato direto com animais infectados, quarentena de animais novos no rebanho, controle de roedores (reservatórios), controle de acesso a áreas alagadas e vacinação semestral comvacinas polivalentes que contêm sorovares endêmicos. Como ocorre a patogenia da leptospirose em animais prenhes e quais os efeitos sobre o feto? Em animais prenhes, a leptospirose pode causar aborto devido à maior vascularização do trato reprodutivo, o que facilita a multiplicação da bactéria. Além disso, podem ocorrer natimortos e nascimentos prematuros. Quais os métodos de diagnóstico recomendados para a leptospirose e como eles diferenciam entre infecção aguda e crônica? · Métodos indiretos: Aglutinação microscópica e ELISA para identificar a presença de anticorpos. · Métodos diretos: Microscopia em campo escuro, imunofluorescência, bacteriologia, histopatologia e PCR para detectar o agente patogênico diretamente. Qual a importância econômica da leptospirose para a produção animal e quais os prejuízos mais comuns? A leptospirose tem grande importância econômica, principalmente devido aos problemas reprodutivos que ela causa, como infertilidade, abortos, natimortos e baixa produção. Muitos casos são subclínicos, dificultando o diagnóstico e amplificando os prejuízos econômicos. Quais as recomendações para o uso de antibióticos no tratamento da leptospirose, dependendo da fase da infecção? · Forma aguda: Recomenda-se o uso de estreptomicina e tetraciclina. · Forma crônica: Oxitetraciclina é a mais indicada. Em ambos os casos, o objetivo primário é o controle da infecção antes que ocorra dano irreparável ao fígado e rins. Como a vacinação pode ajudar no controle da leptospirose e quais os sorovares comumente incluídos nas vacinas para bovinos e suínos? A vacinação é fundamental no controle da leptospirose, promovendo imunidade específica aos sorovares presentes na vacina. Para bovinos, a vacina geralmente inclui sorovares como Hardjo, Icterohaemorrhagiae, Wolffi, Bratislava e Pomona. Para suínos, os sorovares mais comuns são Canicola, Icterohaemorrhagiae, Pomona, Bratislava e Hardjo. Rinotraqueíte infecciosa bovina Como o vírus da IBR se perpetua na população hospedeira e qual o papel da infecção latente? O vírus se perpetua através da infecção latente, que é um fator importante na epidemiologia da doença. Após a infecção inicial, o vírus pode permanecer no hospedeiro e ser eliminado esporadicamente, infectando outros animais suscetíveis. Essa adaptação permite que o vírus se mantenha na população hospedeira. Quais são as principais formas de transmissão do vírus da IBR? A transmissão ocorre de várias formas, incluindo: · Infecção respiratória: através de aerossóis. · Infecção genital: por coito (contato direto) ou sêmen e instrumentos contaminados (contato indireto). · Infecção transplacentária: resultando em mortalidade embrionária, abortos ou mumificação fetal. Quais doenças são associadas ao BHV-1 e como elas afetam os bovinos? O BHV-1 está associado a diversas enfermidades, incluindo: · Rinotraqueíte infecciosa (doença respiratória). · Vulvovaginite e balanopostite (doença genital). · Abortos e falhas reprodutivas. Quais são os principais sinais clínicos da rinotraqueíte infecciosa bovina? · Hipertermia (40,5°C a 42°C). · Depressão e perda de apetite. · Hiperemia da mucosa nasal, corrimento nasal seroso e mucoso que pode evoluir para mucopurulento. · Nos casos graves, há dificuldade respiratória, estertores pulmonares, e a doença pode se complicar com infecções secundárias, como pneumonia. Explique o processo patogênico da IBR, desde a infecção até as possíveis complicações. O vírus penetra pela via intranasal, replica-se nas células epiteliais, causando inflamação aguda da mucosa nasal e levando à rinotraqueíte, rinite, laringite e traqueíte. Pode haver destruição epitelial e infecções secundárias. Em alguns casos, a infecção se espalha pelos nervos e tecidos, levando à disseminação sistêmica. Como a infecção genital pelo BHV-1 afeta machos e fêmeas, e quais são os sinais clínicos dessa forma de infecção? · Fêmeas: apresentam dificuldade para urinar, curvamento do dorso, elevação da cauda após urinar, queda na produção de leite e hesitação na monta. · Machos: podem desenvolver balanopostite, e em casos graves podem ocorrer sequelas como aderências penianas. Ambos os sexos podem apresentar febre, depressão, redução de apetite, hiperemia, vesículas, erosões e corrimento mucopurulento. Quais são as consequências reprodutivas da infecção pelo BHV-1, como abortos e falhas na concepção? A infecção pelo BHV-1 pode levar a abortos, mumificação fetal e outras falhas reprodutivas, como a endometrite e a redução na taxa de concepção. Abortos podem ocorrer em qualquer estágio da gestação, mas são mais comuns no terço final. A infecção geralmente se dá pela via hematógena, com lesões necróticas no feto abortado. Quais são os principais métodos de diagnóstico da IBR e como eles são aplicados? O diagnóstico da IBR pode ser feito através de: · Clínico: baseado nos sinais clínicos e histórico epidemiológico. · Virológico/sorológico: através da detecção do vírus ou de anticorpos em testes laboratoriais. Quais medidas de profilaxia e controle são recomendadas para prevenir surtos de IBR em rebanhos? · Vacinação é recomendada, especialmente em sistemas de recria e confinamento, onde há alta rotatividade de animais e animais de diferentes procedências. · Medidas de biossegurança, como quarentena e testes sorológicos periódicos, são importantes para evitar a introdução e disseminação do vírus. Como as vacinas ajudam no controle da IBR e quais são as situações que indicam maior necessidade de vacinação? A vacinação é eficaz no controle da IBR, especialmente em rebanhos com histórico comprovado de infecção e sorologia elevada. Rebanhos que apresentam alta movimentação de animais ou estão em confinamento com animais de várias procedências têm maior necessidade de vacinação. Diarreia viral bovina Definição e características da BVD: · Quais são as características principais da Diarreia Viral Bovina (BVD)? · A BVD é uma doença infectocontagiosa que pode ser aguda ou crônica, quase sempre com infecções benignas e poucas manifestações clínicas, mas pode causar enfermidades graves, malformações, problemas reprodutivos e imunossupressão. Etiologia: · Quais são as duas espécies do gênero Pestivirus associadas à BVD? · As duas espécies são BVDV-1 e BVDV-2. · Em que medida o vírus da BVD está disseminado globalmente? · O vírus está amplamente disseminado no mundo. Epidemiologia: · Quem são os principais responsáveis pela manutenção do vírus da BVD nas populações? · Animais persistentemente infectados (PI) são os principais responsáveis pela manutenção do vírus. · Quais são os métodos de transmissão horizontal e vertical da BVD? · Transmissão horizontal: Contato direto (secreções oronasais, cópula, biotécnicas da reprodução e aerossóis) e contato indireto (agulhas, instrumentos para colocação de brincos e castração, infusões orais, palpação retal). · Transmissão vertical: A transmissão vertical é possível, especialmente de mãe para feto. Patogenia: · Como a infecção pré-natal pelo BVDV pode afetar o feto em diferentes estágios de gestação? · No início da gestação, o feto é altamente suscetível, podendo resultar em aborto. Entre 40 a 120 dias, o sistema imunológico do feto não está desenvolvido, podendo causar imunotolerância e infecção persistente. Entre 100 a 150 dias, a resposta imunológica é variável, podendo resultar em várias consequências. No último trimestre da gestação, geralmente não há doença fetal, com consequências semelhantes à infecção pós-natal. · Qual é a diferença na resposta imunológica de um animal infectado agudamente e de um animal persistentemente infectado (PI)? · Um animal infectado agudamente desenvolve uma resposta imunológica e elimina a infecção, enquanto um animal PI não elimina o vírus e continua disseminando-o por toda a vida. Sinais clínicos: · Quais são os sinais clínicos mais comuns associados à infecção pré-natal pelo BVDV? · Infecção pré-natal pode causar reabsorção embrionária, aborto, anomalias congênitas como hipoplasia cerebelar, microcefalia, hidrâncefalia,mielinização deficiente da medula, bragnatismo, artrogripose, atrofia ou displasia de retina, catarata, microlftalmia, aplasia tímica e hipotricose. · Como se diferenciam os sinais clínicos de uma doença aguda transitória e de uma doença das mucosas em animais infectados pelo BVDV? · Doença aguda transitória: A maioria das infecções primárias pelo BVDV são assintomáticas ou apresentam sinais discretos como hipertermia, inapetência, prostração, linfadenopatia, sinais de doença respiratória, diarreia aquosa e diminuição na produção de leite. · Doença das mucosas: Afeta somente animais PI, ocorrendo esporadicamente entre 6 meses a 2 anos de idade, com sinais como diarreia aquosa escura, lesões erosivo-ulcerativas, depleção grave de tecidos linfóides e óbito em poucos dias. Diagnóstico: · Quais são os métodos laboratoriais utilizados para o diagnóstico direto e indireto da BVD? · Diagnóstico direto: Isolamento viral, imunodiagnóstico e métodos moleculares. · Diagnóstico indireto: Teste de neutralização do vírus e ELISA. · Como os achados de necropsia podem ajudar no diagnóstico da BVD? · Os achados de necropsia, junto com dados epidemiológicos e sinais clínicos como anomalias congênitas e abortamentos, ajudam no diagnóstico da BVD. Profilaxia e controle: · Quais são as medidas gerais recomendadas para a profilaxia e controle da BVD? · Medidas gerais incluem a adequação do fornecimento de colostro, boas condições de manejo e higiene, conforto animal, evitar situações de estresse e desinfecção de fômites. Campilobacteriose Introdução e Etiologia 1. Quais são os dois tipos de infecções causadas pelo gênero Campylobacter? · Infecções entéricas e infecções reprodutivas. 2. Qual é a principal espécie de Campylobacter associada a infecções reprodutivas em bovinos? · Campylobacter fetus. Epidemiologia 3. Qual é a principal forma de infecção em rebanhos livres? · Introdução de reprodutores infectados. 4. Quais são os principais veiculadores da infecção em rebanhos? · Touros, que portam o agente assintomaticamente em seu trato reprodutivo. 5. Quais fatores de risco podem aumentar a propagação da doença? · Tipo de exploração, uso de touros de repasse e fômites como vagina artificial, vaginoscópio, pipetas de IA reutilizáveis, espéculos vaginais. Patogenia 6. Descreva o processo patogênico após a cópula em relação à infecção reprodutiva. · Após a cópula, o agente é depositado na vagina, ocorre evasão de células fagocíticas e invasão do epitélio vaginal, resultando em vestibulite e cervicite. Isso leva à secreção catarral ou purulenta, e inflamação local no útero, comprometendo a nidação embrionária e causando morte embrionária e retorno ao cio entre 28 a 35 dias. 7. Quais são as consequências da infecção persistente em touros? · Touros portadores não apresentam lesões penianas, no prepúcio ou nas glândulas acessórias, nem queda de fertilidade ou qualidade do sêmen. Sinais Clínicos 8. Quais são as principais manifestações clínicas reprodutivas da infecção? · Altas taxas de retorno ao cio devido à morte embrionária precoce, infertilidade temporária, estros prolongados ou irregulares, anestros, redução das taxas de concepção, aumento do número de serviços por concepção, endometrites e abortamentos. 9. Durante qual período da gestação os abortamentos são mais comuns? · No terço médio da gestação, entre o 4º e 6º mês, embora sejam incomuns. Diagnóstico 10. Quais métodos são utilizados para identificar o agente causador em touros suspeitos? · Identificação do agente no esmegma de touros suspeitos, utilizando lavados prepuciais, swab prepucial, aspiração e raspagem da mucosa prepucial. Tratamento 11. Qual é a recomendação para machos positivos, especialmente aqueles com alto valor genético/econômico? · Descarte dos machos positivos. Para machos com alto valor genético/econômico, pode-se realizar lavagem prepucial com H2O2, infusão prepucial com estreptomicina em solução fisiológica e massagem, além de administração de estreptomicina intramuscular. 12. Qual é a abordagem de tratamento recomendada para fêmeas com endometrite? · Tratamento antimicrobiano com baixa relação custo-benefício, recomendando-se repouso sexual. Para casos de endometrite, realizar infusão uterina com estreptomicina e penicilina G em solução fisiológica. Profilaxia e Controle 13. Qual é a principal medida profilática recomendada para prevenir a infecção? · Inseminação artificial (IA) como principal medida profilática. Além disso, evitar o empréstimo de touros, não reutilizar pipetas de IA, realizar antissepsia de vaginas artificiais, testes anuais de touros reprodutores e descarte de paletas de sêmen de touros positivos. 14. Quais são as recomendações de vacinação para fêmeas e touros? · Fêmeas: Vacinação a partir de 18 meses de idade, 30 a 120 dias antes da cobertura ou início da estação de monta, com revacinação 30 dias após a primeira dose. · Touros: Duas doses com intervalos de 4 a 6 semanas e revacinação anual do rebanho. Parvovirose canina Definição e Etiologia 1. Quais são as manifestações clínicas gastroentéricas associadas à parvovirose canina? · Vômito e diarreia sanguinolenta. 2. Qual é o agente etiológico da parvovirose canina? · Parvovírus canino 2 (PVC-2), pertencente ao gênero Parvovirus, subfamília Parvovirinae e família Parvoviridae. Epidemiologia 3. Qual é a faixa etária mais afetada pela parvovirose canina? · Acomete principalmente animais jovens, até um ano de idade, com maior incidência do desmame até 6 meses. 4. Quais são as principais fontes de infecção para a parvovirose canina? · Animais doentes e portadores inaparentes, que eliminam o vírus nas fezes e podem disseminar o vírus por longas distâncias. Patogenia 5. Descreva o processo patogênico da parvovirose canina, desde a exposição viral até a diarreia sanguinolenta. · Após a exposição viral, o vírus se replica no tecido linfoide da orofaringe e do timo (24 a 48h), levando à viremia. O vírus então se espalha para a medula óssea e tecido linfoide, causando leucopenia grave e imunossupressão. Nos linfonodos mesentéricos, o vírus infecta as células das criptas intestinais, causando colapso das vilosidades, necrose do epitélio germinativo, diarreia sanguinolenta e choque endotóxico devido à absorção de toxinas e bactérias no sangue. 6. Quais fatores contribuem para a gravidade da parvovirose canina? · O status imunológico inicial do hospedeiro, grau e magnitude da viremia, dose infectante, patogenicidade da cepa de PVC-2, divisão celular exacerbada no intestino por processos inflamatórios, verminose intensa e enterite bacteriana. Sinais Clínicos 7. Quais são os sinais clínicos iniciais da forma entérica da parvovirose canina? · Apatia, febre, vômitos frequentes (sem conteúdo sólido, aspecto branco e espumoso). 8. Quais são os sinais clínicos respiratórios associados à forma entérica da parvovirose canina? · Crepitação, estertores secos e úmidos, ruídos de roce pleural. Diagnóstico 9. Quais são os métodos diretos e indiretos utilizados para o diagnóstico definitivo da parvovirose canina? · Métodos diretos: Isolamento viral, imuno-histoquímica, microscopia eletrônica e varredura, teste de ELISA direto, PCR, hemaglutinação direta com hemácias de suínos. · Métodos indiretos: ELISA para pesquisa de anticorpos. Tratamento 10. Quais são os principais componentes do tratamento para a parvovirose canina? · Reposição hidreletrolítica e energética, antieméticos e protetores gástricos, polivitamínicos, antimicrobianos (como cloranfenicol, cefalosporinas, aminoglicosídeos, fluorquinolonas, sulfonamidas), anti-inflamatórios e inibidores do peristaltismo. Enterotoxemias Qual é a definição de enterotoxemia? Resposta: Toxinfecção que afeta bovinos, pequenos ruminantes e suínos. Qual é o agente etiológico responsável pela enterotoxemia? Resposta: Clostridium perfringens. Quais são os sinais clínicos observados em neonatos afetados por enterotoxemia? Resposta: Morte súbita, diarreia, dor abdominal, desidratação, febre, sinais neurológicos (convulsões,desequilíbrio, movimentos de pedalagem, opistótono). Como ocorre a transmissão da enterotoxemia? Resposta: Por secreções ou excreções, principalmente via digestiva, ingestão de alimentos e água contaminados. Quais medidas podem ser tomadas para o controle da enterotoxemia? Resposta: Mudança gradual na alimentação e vacinação. Linfadenite caseosa Qual é a definição de linfadenite caseosa? Resposta: Doença contagiosa, crônica e debilitante de ovinos e caprinos, caracterizada por formar abscessos nos linfonodos e em órgãos internos. Qual é o agente etiológico da linfadenite caseosa? Resposta: Bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis. Quais são os sinais clínicos da linfadenite caseosa? Resposta: Aumento do volume dos linfonodos, especialmente pré-partidoides, pré-escapulares, sub-maxilares e pré-crurais. Como é feito o diagnóstico da linfadenite caseosa? Resposta: Exames laboratoriais como ELISA e Western Blot. Qual é o tratamento recomendado para a linfadenite caseosa? Resposta: Drenagem do abscesso e limpeza da ferida com iodo a 10%. Quais medidas de controle podem ser adotadas para a linfadenite caseosa? Resposta: Drenagem e cauterização dos abscessos, isolamento dos animais, desinfecção ambiental e manejo adequado. Salmonelose Qual é a definição de salmonelose? Resposta: Doença infecciosa com sinais entéricos e/ou septicêmicos, com efeito sazonal. Quais são os agentes etiológicos da salmonelose? Resposta: Salmonella enterica e Salmonella bongori. Como ocorre a transmissão da salmonelose? Resposta: Via oral ou fômites (fezes contaminadas). Quais são os sinais clínicos da salmonelose? Resposta: Diarréia, inapetência, febre, perda de peso e desidratação. Como ocorre a contaminação de ovos em relação à salmonelose? Resposta: Momento da postura ou via transovariana; ovos não devem ser ingeridos in natura. Quais medidas de controle podem ser adotadas para prevenir a salmonelose? Resposta: Redução da contaminação ambiental e isolamento de animais infectados.