Prévia do material em texto
Aula 3 – Modelos de Conhecimento Por ser um elemento estratégico, o conhecimento deve fazer parte do escopo de gestão de toda organização que pretende se manter competitiva. Não há escolha: a gestão do conhecimento intra e interorganizacional é uma prerrogativa dos tempos atuais. De maneira geral, tornar o conhecimento acessível para todos é uma das premissas centrais de uma organização que cria e gerencia conhecimento. Nesse sentido, é importante conhecer formas de fazer com que ele seja disponibilizado efetiva e construtivamente. E é justamente isso que você estudará a seguir. Normalmente, a produção do conhecimento envolve um modelo mental. Já ouviu falar disso? Modelo mental é uma representação interna de informações que corresponde ao estado de coisas que estiver sendo representado. Ou seja, cada um de nós faz uma elaboração interna, a partir do conhecimento compartilhado, e o transforma. O resultado de tal elaboração interna é um novo modelo mental. O modelo mental, como o próprio nome diz, está dentro da mente das pessoas. A partir disso, pode- se observar que ele influencia a formação e o compartilhamento do conhecimento, especialmente o tácito. A relação entre os dois tipos de conhecimento, o tácito e explícito, gera quatro padrões básicos para a criação do conhecimento, sobre os quais falaremos agora. − Modelos de conversão do conhecimento Existem diversos modelos teóricos que buscam explicar como o conhecimento é adquirido, armazenado, compartilhado e utilizado dentro das organizações. Alguns dos modelos mais conhecidos incluem: ▪ Modelo de Nonaka e Takeuchi (SECI): descreve quatro modos de conversão de conhecimento: socialização, externalização, combinação e internalização (SECI). Ele enfatiza a importância da interação social e do ciclo contínuo de transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito e vice-versa. ▪ Modelo de Ba (comunidades de prática): proposto por Etienne Wenger, o modelo de Ba se concentra na ideia de "comunidades de prática", nas quais o conhecimento é compartilhado e desenvolvido através da interação entre indivíduos que compartilham interesses comuns, experiências e objetivos. ▪ Modelo de DIKW (dados-informação-conhecimento-sabedoria): descreve uma hierarquia de níveis de informação, começando com dados brutos, que são organizados em informações significativas, interpretadas e contextualizadas para formar conhecimento e finalmente aplicadas de forma ética e efetiva para gerar sabedoria. ▪ Modelo de Huber (modelo de conhecimento organizacional): proposto por Donald Huber, esse modelo sugere que o conhecimento organizacional é composto por conhecimento de conteúdo (o "quê" do conhecimento) e conhecimento de processo (o "como" do conhecimento), que são interconectados por sistemas de aprendizagem e feedback. Esses modelos – bem como outros existentes, mas não apresentados aqui – oferecem diferentes perspectivas sobre como o conhecimento é gerado, compartilhado e aplicado dentro das organizações. Cada um deles tem suas próprias vantagens e limitações, e a escolha do mais adequado depende das necessidades e das características específicas de cada contexto organizacional. Nesta aula, focaremos no modelo SECI. − Modelo SECI O modelo SECI, desenvolvido por Nonaka e Takeuchi, descreve quatro modos de conversão de conhecimento que ocorrem dentro das organizações. O acrônimo SECI representa justamente esses quatro processos de conversão de conhecimento: socialização, externalização, combinação e internalização. ▪ Socialização – conversão de conhecimento TACÍTO para TÁCITO: neste processo, o conhecimento tácito é compartilhado e adquirido por meio da interação social direta entre os membros da organização. Isso ocorre quando os indivíduos observam, imitam e aprendem uns com os outros por meio de experiências compartilhadas, como conversas informais, mentoring ou trabalho em equipe. ▪ Externalização – conversão de conhecimento TACÍTO para EXPLÍCITO: este processo envolve a articulação e a codificação do conhecimento tácito em conceitos explícitos e compartilháveis. Os indivíduos expressam suas ideias, insights e experiências de forma que possam ser compreensíveis para os outros. Isso pode ocorrer por meio de narrativas, metáforas, modelos ou representações simbólicas. A externalização é essencial para transformar o conhecimento tácito em explícito que possa ser comunicado e compartilhado de maneira mais ampla. ▪ Combinação – conversão de conhecimento EXPLÍCITO para EXPLÍCITO: neste processo, diferentes formas de conhecimento explícito são reunidas e integradas para criar conhecimento. Isso pode envolver a organização e a reconfiguração de informações existentes, como dados, documentos ou registros, para gerar insights e soluções inovadoras. A combinação é facilitada por meio de plataformas de compartilhamento de conhecimento, sistemas de informação e comunicação eficazes. ▪ Internalização – conversão de conhecimento EXPLÍCITO para TÁCITO: este processo implica a aplicação e a absorção do conhecimento explícito em contextos práticos e experiências pessoais. Os indivíduos incorporam o conhecimento adquirido em suas habilidades, rotinas e práticas diárias, transformando-o novamente em conhecimento tácito. Isso ocorre por meio da experimentação, da prática e do aprendizado ativo, processos que permitem aos indivíduos internalizarem e adaptarem o conhecimento à medida que o utilizam. Em resumo, o modelo SECI descreve um ciclo contínuo de conversão de conhecimento, durante o qual os conhecimentos tácitos e explícitos são alternadamente compartilhados, articulados, combinados e internalizados dentro das organizações. Esse processo dinâmico de interação e transformação do conhecimento é fundamental para a criação de conhecimentos e a inovação organizacional. − Vamos Exercitar! Vamos exercitar o conteúdo discutido nesta aula? Analisemos, então, o case fictício proposto: A ConsultX é uma empresa de consultoria global que, a fim de potencializar o conhecimento organizacional e desenvolver seus colaboradores para oferecer soluções inovadoras aos clientes e manter sua competitividade no mercado, resolveu implementar um modelo de gestão do conhecimento em seu ambiente interno. Você, colaborador da ConsultX, propôs o modelo SECI de criação do conhecimento, desenvolvido por Nonaka e Takeuchi. Diante disso, como você explicaria a operacionalização desse modelo à diretoria da ConsultX, para que ele possa ser implementado no ambiente organizacional? Vamos pensar juntos na associação do modelo a partir de cada fase? • Socialização: a empresa pode promover a socialização do conhecimento através de atividades como reuniões de equipe, sessões de brainstorming e eventos de networking. Durante essas interações, os funcionários compartilham experiências, histórias de sucesso e desafios enfrentados em projetos anteriores. • Externalização: a empresa pode facilitar a externalização do conhecimento transformando informações tácitas em conhecimento explícito. Isso pode ser feito por meio de técnicas como criação de documentação, elaboração de relatórios e realização de workshops nos quais os colaboradores são incentivados a expressar suas ideias de forma clara e concisa. • Combinação: a organização pode promover combinação do conhecimento ao reunir informações de diferentes fontes e áreas de especialização para criar insights e soluções. Isso pode envolver a criação de bases de dados compartilhadas, fóruns de discussão on-line e a realização de sessões de revisão de conhecimento. • Internalização: a internalização do conhecimento pode ocorrer a partir do incentivo aos colaboradores no que tange à aplicação das novas ideias e dos conceitos em suas práticas diárias de trabalho. Para tanto, podem ser realizados treinamentos práticos, mentorias e programas de desenvolvimento profissionalque permitem aos colaboradores experimentarem o conhecimento adquirido. A implementação do modelo SECI pode resultar em um ambiente mais colaborativo e interativo e, consequentemente, contribuir para a promoção da criatividade e do potencial inovador.