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UNIDADE
Curso de Graduação 
Filosofia
2
AO FINAL DESTA UNIDADE, VOCÊ 
DEVERÁ SER CAPAZ DE:
1. Conhecer o conceito de soberania;
2. Arguir as repercussões da guerra civil na 
sociedade moderna;
3. Conhecer algumas teoria contratualistas;
4. Observar a postura do homem moderno em 
relação à política.
Soberania Popular: Hobbes, Locke 
e Weber
O século XVI traz como uma de suas características o surgimento 
dos grandes Estados nacionais. São monarquias que se instalam nas 
sociedades europeias. Consequentemente, surge um novo problema 
no campo da filosofia política, qual seja, o problema da legitimação do 
poder ou de se estabelecer os seus limites. Daí a discussão de qual 
é o melhor modelo para a sociedade: se a monarquia absoluta ou o 
parlamentarismo.
Unidade 2 - Soberania Popular: Hobbes, Locke e Weber
2.1. 
O problema da soberania em Jean Bodin
O problema da soberania ocupa lugar central na 
filosofia política moderna, visto que se trata de discutir 
e estabelecer os limites do exercício do poder e as 
condições que o legitimem.
Um dos temas centrais da filosofia política moderna é a soberania 
e esse tema é abordado do ponto de vista institucional.
Jean Bodin sugere a existência de um poder central, capaz de 
elaborar leis, que se coloca acima dos demais. Ele atribui o exercício 
desse poder à República, de maneira impessoal. 
O poder soberano da República é capaz de garantir estabilidade ao 
corpo político e defender o interesse ou bem comum dos cidadãos.
Aspecto curioso na obra de Bodin é que ele não se preocupa com 
a legitimação do poder soberano, o que é costumeiro no ambiente 
cultural do século XVI, mas demonstra o caráter absoluto desse 
poder.
[SAIBA MAIS]
Bodin apresenta um dos temas centrais da filosofia 
política na modernidade, a soberania ou o poder 
soberano, exercido de maneira impessoal pela 
República.
Chama-nos a atenção o fato de que o jurista trata a 
soberania do ponto de vista institucional, mas não se 
preocupa como o problema da legitimação do uso 
desse poder, o que era comum no século XVI.
PINZANI, Alessandro. Filosofia Política II. Florianópolis: 
UFSC, 2009. (Apostila).
ALIGHIERI, Dante. Monarquía. Tradução ao espanhol: 
Laureano Robles Carcedo y Luis Frayle Delgado. 
Madrid: Tecnos, 1992.
Unidade 2 - Soberania Popular: Hobbes, Locke e Weber
2.2. 
Hobbes e o Leviatã
Com a disputa pelo poder entre as grandes famílias (representadas 
pela rosa branca e pela rosa vermelha), na Inglaterra, o experiente 
Thomas Hobbes se viu na obrigação de apresentar uma alternativa 
à guerra civil religiosa, que se anunciava.
Seu método era o mesmo da ciência: a razão que calcula, mede as 
consequências, firma sua proposta como algo que deverá trazer 
paz às várias instituições.
Hobbes propõe o Leviatã, um modelo de estado forte, até então 
inexistente, capaz de garantir a estabilidade do corpo político e 
tirar o homem do seu estado de natureza e, graças ao pacto social, 
instituir o Estado, dando ao súdito o status de cidadão.
Sem dúvida, Hobbes apresenta uma das mais expressivas 
doutrinas políticas de todos os tempos, pela densidade de sua 
argumentação e pela teor normativo das instituições, preconizadas 
no Leviatã.
[SAIBA MAIS]
Hobbes apresenta uma das mais contundentes 
doutrinas políticas de todos os tempos.
Ele quer evitar a iminente guerra civil religiosa na 
Inglaterra – e consegue. 
O Leviatã, um Estado monstruoso, forte, imbatível 
vislumbra a concentração de poderes nas mãos do 
Soberano (expressão da reta razão, da verdade política) 
e garante aos súditos o status de cidadãos de um 
Estado civil, no qual é possível exercer sua liberdade.
O Leviatã registra a passagem do homem do estado 
de natureza ao estado civil, graças ao pacto social, 
firmado graças à razão, como cálculo.
PINZANI, Alessandro. Filosofia Política II. Florianópolis: 
UFSC, 2009. (Apostila).
HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, forma e poder 
de um Estado Eclesiástico e Civil. Tradução: João 
Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. Rio de 
Janeiro: Abril Cultural, [s. d.]. (Os Pensadores).
LEBRUN, Gérard. Hobbes aquém do liberalismo. In: 
______. A filosofia e sua história. São Paulo: Cosac 
Naify, 2006.
Unidade 2 - Soberania Popular: Hobbes, Locke e Weber
2.3. 
Spinoza e a radical democracia
Ao lado de Althusius, Spinoza representa a grande virada do século 
XVII para a radical-democracia. De fato, ele defende a liberdade de 
opiniões, mesmo que essas divergências sejam contra o Estado 
constituído ou contra as instituições religiosas. Entende que o 
Estado existe em função do povo e, portanto, deve se encarregar 
de garantir a plena liberdade civil dos cidadãos.
A radical democracia é encontrada no pensamento 
político de Althusius e de Spinoza.
Entendem esses teóricos que a função precípua do 
Estado moderno é a garantia de plena liberdade aos 
cidadãos. Portanto, a liberdade de opiniões deve ser 
observada, mesmo que se expressem contra o Estado 
ou contra a Igreja.
[SAIBA MAIS]
PINZANI, Alessandro. Filosofia Política II. Florianópolis: 
UFSC, 2009. (Apostila).
Unidade 2 - Soberania Popular: Hobbes, Locke e Weber
2.4. 
Locke e o estado liberal
Embora partindo da ideia de estado de natureza, como Hobbes, 
Locke vê naquela condição natural do homem, não um espaço 
de guerras constantes, mas de liberdade natural do ser humano. 
Entretanto, a migração para o estado civil, através do pacto social, 
garante ao homem maior liberdade, na medida em que essa 
liberdade é então regulada pelo Estado, pelas leis. 
O Estado garante a cada indivíduo a defesa da sua vida, da liberdade 
e da propriedade, de maneira igualitária entre os cidadãos.
Locke parte o estado de natureza, para indicar que o 
homem realiza o pacto social, tendo em vista o princípio 
de preservação da vida. Não significa que naquele 
estado primitivo ele esteja em guerras constantes. Há 
naquela situação uma liberdade natural. Entretanto, o 
Estado civil, quando instituído, garante as liberdades 
individuais, como também a vida e a propriedade.
[SAIBA MAIS]
LOCKE, John. Segundo Tratado do Governo Civil. 
Petróolis: Vozes, 2019.
PINZANI, Alessandro. Filosofia Política II. Florianópolis: 
UFSC, 2009. (Apostila).
Unidade 2 - Soberania Popular: Hobbes, Locke e Weber
2.5. 
Weber e a política como vocação
O sociólogo Max Weber identifica três tipos de autoridade no Estado 
moderno: o poder tradicional, o carismático e o legalista. Entende que a 
racionalização do estado supõe a presença de funcionários qualificados, 
que trabalham ao lado de funcionários políticos.
Esses, por sua vez, se dedicam à política por paixão, por sentimento de 
responsabilidade ou por senso de proporção.
A teoria política de Weber fala sobre o problema da ética (da convicção 
e da responsabilidade), como elementos determinantes da situação do 
estado moderno. É, portanto, a ética que dá o tom da organização social 
do Estado moderno.
Max Weber enfatiza a importância da ética nos 
modelos políticos modernos. Entende o sociólogo que 
a atuação política do cidadão supõe sua vocação, visto 
que por interesses pessoais ele não consegue exercer 
um papel administrativo ou legislativo condizente com 
as necessidade da sociedade civil.
A ética assume papel central no pensamento weberiano, 
na medida em que se pauta pelas convicções do 
indivíduo e lhe atribui responsabilidades.
[SAIBA MAIS]
WEBER, Max. Política como vocação. In: ______. 
Ciência e política: duas vocações. Tradução: Leonidas 
Hegenberg e Octany Silveira da Mota. Posfácio: Manoel 
T. Berlinck. 14. ed. [s. n. t.], 2007.

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