Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA SOB A PERSPECTIVA DA RELAÇÃO 
ENTRE PROFESSOR E ALUNO 
 
Larisse de Maria Souto Sales 
 
Resumo 
Este trabalho tem como objetivo ressaltar o papel do professor no processo de 
ensino- aprendizagem, destacando- o como mediador e não apenas como mero 
transmissor de conhecimento. Para isso, utilizamos como fonte de pesquisa, 
documentos renomados como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), 
dando conta de que as funções do professor alinham- se a capacidade de zelar 
pela aprendizagem do aluno e estabelecer estratégias para um ensino 
significativo. Libâneo (1998), Santos (2001), Cury (2003) e Furlani (2004), 
também se apresentam como fortes estimuladores da prática do pensar, refletir 
e recriar dentro do processo de ensino - aprendizagem, quando assim for 
necessário. Por fim, chegamos à conclusão de que, embora não seja o dono do 
saber, o professor é a ferramenta essencial de intervenção no processo 
pedagógico e de ampliação do conhecimento por meio do diálogo. 
 
Palavras-chave: Papel do Professor, Interatividade e Ensino- aprendizagem. 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A inquietação acerca do papel do professor e da atuação deste frente a 
formação do educando no processo de ensino aprendizagem vem, por muitos 
anos, gerando estudos entre os pesquisadores, com o objetivo de ressaltar a 
importância do professor na prática educativa, assim como sua atuação que 
deve estar voltada para a produção do conhecimento significativo do aluno. 
Neste caso, há muito tempo, a proposta que se prevê ao sistema 
educacional, ou pelo menos é assim que deveria ser, é a de que não existe quem 
ensina ou quem aprende, mas quem aprende a aprender. Por isso, o objetivo 
deste trabalho é fazer uma abordagem sobre o papel do professor no processo 
de ensino- aprendizagem e suas responsabilidades, além de mostrar como a 
presença deste é importante para um verdadeiro ato educativo. 
Nesse sentido, intencionalmente, o referido estudo encontra- se dividido 
em dois pontos essenciais: o primeiro que destaca o professor como mediador 
da formação do aluno, onde este considera- se também um aprendiz e não como 
alguém dono do saber, pois o foco é, principalmente, levar em consideração a 
realidade do aluno e suas experiências. 
Já o segundo momento, é amparo pela Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação- LDB, onde o documento é claro e objetivo com relação às funções do 
professor e principalmente suas responsabilidades no que compete a uma 
aprendizagem significativa do aluno e uma relação de interatividade dos 
envolvidos no processo. Por isso, a base teórica, neste momento passa pela 
análise dos conhecimentos de Cury (2003), quando este aposta na exposição 
interrogada como estratégia importante para que o aluno assuma de vez o 
compromisso com a sua aprendizagem e o professor com a sua prática 
pedagógica eficiente. 
Mediante tais reflexões, chegamos à conclusão de que o papel do 
professor jamais poderá ser fixado à imagem de um mero transmissor de 
informações, mas gerenciador do conhecimento, valorizando sempre a 
experiência de seu aluno. Já este, deve além de assumir a sua personalidade 
como alguém capaz de pensar, criar e vivenciar o novo, sentir-se seguro para 
posicionar- se como verdadeiro cidadão. 
 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
 
Em análise ao processo de ensino- aprendizagem atual, compreendemos 
que o mesmo resulta, desde muito tempo, da necessidade da proporção de 
ações conjuntas que ultrapassem a transmissão e recebimento de informações 
dentro dos ambientes escolares, haja visto que, por muitos anos, a prática 
educativa era centrada apenas na figura do professor, onde este, repassava os 
conteúdos e os alunos absorviam ou memorizavam sem qualquer reflexão ou 
indagação. 
Hoje, com o avanço do sistema educacional e de outras ferramentas que 
colaboram para o processo de interação entre o professor e o aluno, o próprio 
sistema não admite um ensino que seja pautado apenas na mera transmissão 
de informações, já que esta prática pedagógica em nada contribui para o aspecto 
cognitivo do ser humano. 
 
A relação, professor aluno constitui o cerne do processo pedagógico. 
Não se limitando apenas a transmissão e recebimento de informações. 
Os professores podem criar situações de ensino que atendam às 
características de aprendizagem dos estudantes e consequentemente 
a eficácia do seu papel de educador, quando conhecem os interesses 
e necessidades dos alunos (SANTOS, p. 25, 2001). 
 
Logo, a ideia apresentada pelo autor apenas comprova a importância 
dessa ação educativa e vai justamente ao encontro do que afirma Furlani (2004, 
p. 54) quando este menciona que, “o acesso ao conhecimento se faz, 
principalmente, por meio da relação que os alunos estabelecem com o 
professor”. Afinal, ensinar bem, não significa transformar o aluno em uma 
máquina de repetição de conhecimentos, mas estimulá- lo a prática do pensar, 
refletir e criticar quando necessário. 
Esse contato é, sem dúvida, o mais importante dessa relação, uma vez 
que, ao sentir o professor mais próximo e como aliado, o aluno se sentirá mais 
seguro e amparado na hora de enfrentar as suas dificuldades. Porém, assim 
como o aluno, esse movimento de interação também será capaz de promover o 
crescimento do professor e fazê- lo refletir sobre a sua prática pedagógica? 
Freire (1996) é categórico ao refletir sobre a ideia de que é possível que, 
juntos, professores e alunos ensinem e aprendam simultaneamente, 
conhecendo o mundo em que vivem criticamente e construindo relações de 
respeito mútuo, de justiça, constituindo um clima real de disciplina, por relações 
dialógicas, tornando a sala de aula um espaço interessante e desafiador a todos 
os envolvidos. 
Já Libâneo (1998) reconhece por meio desse processo de interatividade, 
a oportunidade de reflexão da prática docente, uma vez que, ao se questionar, 
o professor encontrará respostas que o farão refletir sobre a experiência e o 
significado que o aluno traz à sala de aula, seu potencial, sua capacidade e 
interesse, seu procedimento de pensar e sua forma de trabalhar. Afinal, o 
conhecimento de mundo ou o conhecimento prévio do aluno precisa ser 
respeitado e ampliado para que este esteja apto a questionar, debater e romper 
paradigmas. 
A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação- LDB (1996) é clara 
quando, além de decretar o direito à educação a todo cidadão, estabelece 
processos formativos que também se apresentam as funções do professor e que 
deverão ser desenvolvidos dentro do sistema educacional desde a família às 
manifestações culturais. São elas: 
 
Art. 13- I. Participar da elaboração da proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino; 
II. Elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta 
pedagógica do estabelecimento de ensino; 
III. Zelar pela aprendizagem dos alunos; 
IV. Estabelecer estratégias de recuperação dos alunos de menor 
rendimento; 
V. Ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de 
participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à 
avaliação e ao desenvolvimento profissional; 
VI. Colaborar com as atividades de articulação da escola com as 
famílias e a comunidade. 
 
Dessa forma, percebe- se que a função do professor, segundo a LDB 
(1996) ultrapassa a ideia de apenas transmitir informações. A este incumbe- se 
a responsabilidade de participar da elaboração da proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino, como também estabelecer metas, repensar sobre o 
perfil do aluno que se quer formar e as estratégias que pretende lançar para 
alcançar tamanho objetivo. 
Cury (2003) aposta na exposição interrogada como um aspecto positivo a 
ser considerado pelo professor no processo de ensino aprendizagem junto ao 
aluno. Para ele, essa metodologia gera a curiosidade do aluno, fazendo- o refletir 
e buscar respostas paraseu entendimento, além disso, o professor deixa de ser 
persuasivo, ou seja, que tem como meta convencer o aluno, passando a 
provoca- lo, estimulando a sua inteligência. “[..] a exposição interrogada gera a 
dúvida, a dúvida gera o estresse positivo, e este estresse abre as janelas da 
inteligência. Assim, formamos pensadores, e não repetidores de informações” 
(CURY, 2003, p. 127). 
Logo, esse contato dialógico laçado por Cury (2003) é, sem dúvida, um 
auxílio reflexivo tanto para o aluno que assume o compromisso com a sua própria 
aprendizagem, como para o professor que passa a enxergar novos caminhos 
para o desenvolvimento do aprendizado do educando e sua formação 
profissional. Afinal, como bem afirma Freire (1996, p. 96): 
 
O bom professor é o que consegue, enquanto fala trazer o aluno até a 
intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim como 
um desafio e não como uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, 
não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu 
pensamento, surpreendem suas imaginações, sua dúvidas, suas 
incertezas. 
 
Portanto, a relação professor/ aluno depende, fundamentalmente, do 
ambiente estabelecido pelo professor, da relação empática com seus alunos, da 
sua capacidade de saber ouvir, refletir e discutir o nível de compreensão dos 
alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Afinal, “se 
os professores entrassem nos mundos que existem na distração dos seus 
alunos, eles ensinariam melhor. Tornar- se- iam companheiros de sonho e 
invenção” (ALVES, 1994, p. 100). 
Neste caso, conclui- se que o professor é, sem sombras de dúvidas, o 
pilar do estabelecimento de ensino, pois a ele incumbe- se a importante tarefa 
de formar cidadãos e de desenvolver neles a capacidade crítica da realidade, 
para que possam utilizar o que aprenderam na escola em diversas situações 
e/ou lugares. 
Por isso, antes de qualquer decisão acerca da educação, não podemos 
esquecer que é preciso ouvir o professor em seus anseios e angústias, haja visto 
que, é ele que acompanha o aluno, medeia seus conhecimentos, enfrenta as 
dificuldades de aprendizagem dos mesmos, suas carências efetivas, e 
principalmente sabe como adequar os seus conhecimentos prévios aos 
conteúdos curriculares da escola. Afinal, motivar o professor a caminhar frente 
às exigências da sociedade é também um dos importantes pilares para uma 
aprendizagem significativa. 
 
 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Sabe- se que a educação vai muito além do espaço educacional, porém 
são os conhecimentos e as competências adquiridas na escola que darão 
sentido à afirmação da identidade do aluno. É justamente por meio dessa lógica 
que o referido trabalho se propõe a identificar o papel do professor no processo 
ensino- aprendizagem do aluno, bem como sua intervenção junto à produção 
significativa do conhecimento e a relação de interatividade necessária entre 
ambos. 
Nesta perspectiva, os questionamentos apresentados ao longo do 
trabalho dão conta de que a convivência humana no processo de aprendizagem 
tem um papel significativo. Logo, foi possível constatarmos que quando o 
relacionamento entre professor e aluno é feita de forma em que o indivíduo é 
valorizado nesta interação social, seja quem ensina ou quem aprende, o fim é a 
aprendizagem significativa de ambas as partes, assim como bem afirma 
Savianni (1985, p. 51): 
 
[...] o processo educativo e, mais especificamente, a construção do 
conhecimento são processos interativos, e portanto, sociais, nos quais 
os agentes que deles participam estabelecem relações entre si. Nessa 
interação, eles transmitem e assimilam conhecimentos, trocam idéias, 
expressam opiniões, compartilham experiências, manifestam suas 
formas de ver e conceber o mundo e veiculam os valores que norteiam 
suas vidas. Portanto, a interação humana tem uma função educativa, 
pois é convivendo com os seus semelhantes que o ser humano é 
educado e se educa. 
 
Por isso, uma das propostas apresentadas ao longo do estudo é 
justamente a “exposição interrogada” apresentada por Cury (2003). A essa 
prática metodológica permite- se a troca de diálogos, além do conhecimento 
prévio do aluno ser respeitado e ampliado, fazendo com que este deixe de ser 
um agente passivo para se tornar o sujeito da ação. Afinal, o professor tem em 
suas mãos e em sua fonte de conhecimentos, as habilidades necessárias para 
provocar no aluno situações que o leve a pensar, criticar e desenvolver seu 
aspecto cognitivo, baseando- se na sua experiência de vida. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Lei 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 
DF, 21 de dezembro de 1996. Disponível em: 
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70320/65.pdf. Acesso em: 10/ 03/ 
2023. 
 
CURY, Augusto Jorge. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: 
Sextante, 2003. 
 
FREIRE. Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática 
educativa. São Paulo. Paz e Terra, 1996. 
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70320/65.pdf
 
FURLANI, L. M. T. A parceria e a aproximação na relação professor aluno na 
universidade. In: ALMEIDA, Laurinda Ramalho de; PLACCO, Vera Maria Nigro 
de Souza. (Org.). As relações interpessoais na formação de professores. 2.ed. 
São Paulo: Ed. Loyola, 2004. p. 51-64. 
 
SANTOS, C. P; SOARES, S. R. Aprendizagem e relação professor aluno na 
universidade: duas faces da mesma moeda. São Paulo. 2011. 
 
SAVIANI, Dermeval, Escola e democracia. – 8ª ed.Campinas SP: Autores 
associados, 1985.

Mais conteúdos dessa disciplina