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FACULDADE DO MARANHÃO CURSO DE ENFERMAGEM MAIANA MELO OLIVEIRA SAÚDE MENTAL DOS ENFERMEIROS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: uma revisão intergrativa da literatura. São Luís -MA 2024 MAIANA MELO OLIVEIRA SAÚDE MENTAL DOS ENFERMEIROS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: uma revisão intergrativa da literatura. Artigo apresentado ao curso de Curso de Enfermagem, da Faculdade do Maranhão, FACAM, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. Orientadora: Profa. Esp. Selma Fernanda Arruda. Aprovada em: _____ / ____ / _____ BANCA EXAMINADORA: _______________________________ Profa. Esp. Selma Fernanda Arruda (Orientadora) __________________________________ 1º Examinador (a) ______________________________________ 2º Examinador (a) Catalogação na fonte elaborada pelo bibliotecário Luís Eduardo Lima Rêgo – CRB 13-97 Oliveira, Maiana Melo. Saúde mental dos enfermeiros na urgência e emergência: uma revisão integrativa da literatura. /Maiana Melo Oliveira. – São Luís - MA, 2024. 20 f. il. Impresso por computador (fotocópia). Orientadora: Profa. Selma Fernanda Silva Pereira. TCC (Graduação em Enfermagem) – Curso de Enfermagem, Faculdade do Maranhão, 2024. 1. Transtornos mentais. 2. Enfermagem - profissionais. 3. Setor de urgência. I. Título. CDU 616.89 2 SAÚDE MENTAL DOS ENFERMEIROS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: uma revisão intergrativa da literatura¹. Autor: Maiana Melo Oliveira² Orientador: Selma Fernanda Arruda³ RESUMO Os transtornos mentais constituem 12% do total de doenças e incapacidades no mundo. Diante desse cenário, encontram-se os profissionais da saúde, em especial os trabalhadores da Enfermagem, que são expostos a diversas situações de estresse e desgaste. Trata-se de um estudo descritivo, exploratório com abordagem qualiquantitativos do tipo revisão integrativa da literatura. Foram selecionadas 07 publicações, em periódicos nacionais e internacionais. Os estudos selecionados foram publicados no período de 2014 a 2024, onde foi realizada a sistematização dos resultados encontrados. Os profissionais da enfermagem são mais propensos a adquirir em problemas de saúde mental como a depressão por conta da exaustão emocional, quando comparado a população adulta no gera. Constatou-se que as dificuldades encontradas no ambiente de trabalho, influenciaram diretamente o quadro de saúde mental dos profissionais. Estes fatores se interligaram de alguma forma, contribuindo para uma exaustão profissional. Logo, visando a melhoria da saúde mental e o bem estar desses profissionais se faz necessário a adoção de medidas preventivas e terapêuticas que possam promover um ambiente de trabalho com boas condições e reconhecimento. Palavras-chaves: Transtornos mentais; Profissionais de enfermagem; Setor de urgência. ABSTRACT Mental disorders constitute 12% of all illnesses and disabilities in the world. Faced with this scenario, health professionals, especially nursing workers, are exposed to various situations of stress and exhaustion. This is a descriptive, exploratory study with a qualitative and quantitative approach of the integrative literature review type. 12 publications were selected, in national and international journals. The selected studies were published between 2014 and 2024, where the results found were systematized. Nursing professionals are more likely to develop mental health problems such as depression due to emotional exhaustion, when compared to the general adult population. It was found that the difficulties encountered in the work environment directly influenced the mental health status of professionals. These factors were interconnected in some way, contributing to professional exhaustion. Therefore, aiming to improve the mental health and well-being of these professionals, it is necessary to adopt preventive and therapeutic measures that can promote a working environment with good conditions and recognition. Keywords: Mental disorders; Nursing professionals; Emergency sector. __________ ¹ Artigo científico apresentado ao curso de Enfermagem da Faculdade do Maranhão para obtenção do grau de bacharel em Enfermagem. ² Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade do Maranhão. ³ Professora da Faculdade do Maranhão 3 1 INTRODUÇÃO A Enfermagem enquanto a arte do cuidado é voltada à assistência do indivíduo e às pessoas a ela relacionadas no ambiente em que estão inseridos, promovendo-lhes saúde, prevenindo agravos, reabilitando e melhorando seu estado físico e mental, oferecendo-lhes conforto e respeitando sua singularidade e dignidade. (Horta, 1979). O trabalho de enfermagem caracteriza-se pelo cuidado humano, cuidado este, que se fundamenta na ciência e na tecnologia (Neman,2019). Entre as atividades que são consideras prioritárias no processo de trabalho da enfermagem, estão as atividades assistenciais. Por quanto, a assistência de enfermagem se faz presente pelo olhar íntegro do ser humano dependente de cuidados, que articulada com outras ações, constituem-se em ações sistematizadas que facilitam o trabalho da enfermagem. A abordagem de caráter humanizado pode ser de fundamental importância no atendimento inicial ao paciente em situação de urgência e emergência, e uns dos papéis do enfermeiro assistencialista na sala de emergência é a de decisão segura e livre de riscos. Os serviços de emergência lidam com a elevação crescente na busca por seus serviços, acolhendo pacientes que dão entrada na urgência, pacientes com quadros percebidos como urgências, pacientes que não têm acesso à atenção primária e especializada e as urgências sociais. Todas essas demandas, consequentemente, sobrecarregam os serviços de emergência, o que leva a má diminuição da qualidade da assistência prestada à população (Brasil,2013). A principal função da enfermagem em urgências e emergências sem dúvida é a de oferecer um atendimento e manutenção das principais funções vitais do indivíduo, sempre protegendo a vida. As ações de enfermagem exercidas nas instituições hospitalares exigem de certas formas conhecimentos teóricos e práticos de forma a fundamentar e habilitar o desenvolvimento das atividades, uma vez que se caracterizam por diferentes níveis de complexidade. No espaço de trabalho de enfermagem, percebe-se que a demanda das responsabilidades transcende a assistência (Felliver, 2020). Com a crescente ascensão do número de profissionais do ramo de enfermagem nas mais diversas unidades de saúde, se torna cada vez mais importante a capacitação e atualizações para o bom atendimento ao paciente em especial nos casos de urgência e emergência. O TMC associa-se ao esgotamento profissional (burnout), uma vez que prejudica os aspectos físicos e emocionais da pessoa, pelas demandas excessivas de energia. O ambiente de assistência ao paciente grave favorece o estresse ocupacional pela dinâmica do trabalho, 4 pressões das atividades e sentimentos conflituosos, como a morte. Apesar de constituírem importante problema de saúde pública mundial na atualidade, observa-se insuficiência de estudos sobre a temática na literatura científica nacional. Nesse sentido, investigar a presença destes transtornos nos profissionais de enfermagem é fundamental para subsidiar as medidas de proteção à saúde mentaldos trabalhadores com enfoque no cuidado seguro e de qualidade aos pacientes e, por conseguinte, assegurar melhor funcionamento dos serviços de assistência à saúde. A assistência de Enfermagem ela é garantida de acordo com o que dispõem Código de Ética do Profissional de Enfermagem (COFEN, 2007) que destaca no artigo 12: “Assegurar à pessoa, família e coletividade assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência”. Revista Extensão - 2019 - v.3, n.1 85 Este conceito é concordante com o Código Civil Brasileiro (Brasil, 2012, p.12). Nas variáveis profissionais, os trabalhadores de enfermagem dos setores de urgencia e emergencia - e PSA (atenção terciária) apresentaram duas vezes mais chances de indicativo para TMC que das UPA (atenção secundária), o que se justifica pela complexidade dos cuidados de enfermagem e a sobrecarga de trabalho nos hospitais. artigo 186, que refere: “aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Evidenciando, que deve ocorrer um atendimento preciso e com qualidade, em vista da segurança do paciente, até seu tratamento. O enfermeiro se destaca pelas suas características peculiares generalistas, que lhe permitem na realização de triagem no setor de emergência assumir a responsabilidade pela avaliação inicial do paciente, bem como iniciar a obtenção do diagnostico, encaminhando o paciente para a área clinica adequada, supervisionando o fluxo de atendimento, ter autonomia e dirigir os demais membros da equipe (Rocha,2019). Sendo ainda prioritário um conjunto de conhecimentos, atitude, capacidades e aptidões que habitam o profissional a um atendimento humanizado. De acordo com Baggio; Callegaro; Erdmann (2018) a ação na urgência e emergência constitui para o enfermeiro e demais integrantes da equipe de saúde um dos mais complexos e diversificados momentos de circunstâncias opostas de saúde e doença com situações de imprecisões de anseios e emoções. A atuação do profissional de enfermagem nesse contexto deve ser de muita habilidade e eficaz, entretanto, sem esquecer-se de apreciar ainda a impessoalidade do ser humano. 5 Neste contexto, Corbani; Brêtas; (2020) considera que o processo de humanização se faz necessária para o atendimento ao paciente, deve ser realizado de forma comedida, de modo que não prejudique o cuidar necessário ao paciente. No entanto, para que seja possível humanizar o acolhimento no serviço de enfermagem se faz necessário que o quadro de profissionais tenha conscientização e preparo para realizar um cuidado distinto, passando a compreender de modo que o paciente é figura humana mais importante ; o enfermeiro é responsável por nortear, sanar dúvidas relacionadas ao procedimento apresentando a máxima calma e segurança, não esquecendo de que ele ainda necessita de um espaço apropriado para concretizar o seu trabalho (Bedin, et al., 2016). Com a evolução do cuidar, que inicialmente era intuitivo, foram elaboradas diversas teorias de enfermagem, através das quais possibilitou o desenvolvimento do pensamento crítico, norteando a assistência. Este deixou de ter um caráter curativo (tal qual o modelo médico de assistência), passando a atuar de forma preventiva, voltada para o cliente e não para a patologia por ele manifestada. Apesar dos estudos já desenvolvidos em torno dos problemas vivenciados pela enfermagem no exercício da profissão e dos desdobramentos e consequências da precarização do trabalho em enfermagem ao longo da história, ainda é necessário o desenvolvimento de maiores investigação em torno do assunto, no sentido de explorar e compreender as consequenciais deste processo. A enfermagem desde sua origem no desenvolvimento do cuidar, convive com a dor, sofrimento e morte em seu cotidiano, o que ao passar do tempo pode interferir em sua saúde mental, tudo isso, ainda somada ao déficit de pessoal, escassez de equipamentos/materiais, carga horária exaustiva de trabalho e baixa remuneração. Na contemporaneidade, muito se tem falado de síndromes como a de Burnout, transtornos depressivos, ansiosos e outros, no entanto, muitos deles são estudados de modo isolado, deixando pequenas lacunas no que diz respeito a uma visão mais abrangente e totalitária em torno dos sentimentos destes profissionais (Pires,2019). Que esta pesquisa possa ser utilizada por enfermeiros, como incentivo para a realização de outras pesquisas nesta área. Acredita-se que, se o profissional enfermeiro dispuser de informações fidedignas referentes ao estresse, ansiedade, depressão e outros agentes estressores e principalmente, aos danos que pode causar, terá melhores subsídios para trabalhar no sentido de preparar a equipe (mecanismo de enfrentamento), a adotar estratégias que visem a minimizar e até eliminar situações que afetam a saúde mental e no desempenho dos profissionais. 6 Este estudo teve como objetivo geral identificar os fatores abrangentes sobre os fatores estressantes, como sobrecarga, ansiedade e depressão no âmbito das urgências e emergências que interfere na saúde mental do enfermeiro. Objetivos específicos: Descrever as situações, as quais evidenciam o estresse do profissional enfermeiro na urgência e emergência, relatar a importância da saúde mental para o enfermeiro no trabalho em equipe e com a assistência prestada na unidade de emergência hospitalar, identificar os fatores (internos/externos) que ocasionam o estresse do enfermeiro em unidade de emergências. Este estudo se justifica na identificação precoce dos impactos mentais que atingem a saúde mental dos profissionais da enfermagem que atuam nas urgências e emergência, para despertar na categoria maior organização e envolvimento na luta em prol de condições adequadas de trabalho e servir de contribuição acadêmica do tema em questão, facilitando o enfrentamento dos fatores prejudiciais nos profissionais. Esperamos contribuir e fortalecer a produção cientifica da linha de pesquisa relacionada à saúde mental, em específico os trabalhadores de enfermagem que atuam nas urgências e emergências dos hospitais. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Conceituando Saúde Mental. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde mental (ou sanidade mental) é um termo usado para descrever um nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional ou a ausência de uma doença mental. Na perspectiva da psicologia positiva ou do holismo, a saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. A Organização Mundial de Saúde afirma que não existe definição "oficial" de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a saúde mental é definida. (Gonçalves,2015). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo saúde mental (ou sanidade mental) é utilizado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional, ou a inexistência de uma doença mental. De acordo com a psicologia positiva ou o holismo, a saúde mental pode abarcar a habilidade de uma pessoa apreciar a vida e buscar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para alcançar a resiliência psicológica. A OMS afirma que não há uma definição "oficial" de saúde mental. As diferenças culturais, julgamentos subjetivos e teorias concorrentes influenciam como a "saúde mental" é conceituada. Saúde Mental é o equilíbrio 7 emocional entre o interior e as experiências externas. É a capacidade de gerenciar a própria vida e emoções em meio a uma diversidade de situações, sem deixar de lado a realidade e seu valor. É ser capaz de agir por conta própria sem perder a noção de tempo e espaço. É buscar viver plenamente,respeitando a lei e o próximo. Saúde Mental é estar em paz consigo e com os outros, aceitando as demandas da vida. É saber lidar tanto com emoções positivas quanto negativas: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa; frustrações. Reconhecer os limites e procurar ajuda quando necessário. (Amaral ,2018). Todavia, apesar de a patologia não ser recente, ao longo dos séculos, a forma de lidar com a doença, foram modificadas graças aos avanços da medicina, em áreas como a psicologia e psiquiatria nas quais foram desenvolvidas formas mais humanitárias de se tratar os pacientes com transtornos psicológicos. Contudo, esse viés humanitário no trato as patologias relacionadas à psique humana, é recente, uma vez que, tais doenças eram tratadas de forma cruel e degradante. No entanto, esta realidade tende a mudar no século XIX. (Amstalden ,2014). No período do Renascimento, (1300 – 1600) as pessoas com transtornos mentais eram consideradas inaceitáveis para o convívio em sociedade, sendo banidas dos muros das cidades europeias, ficando, nas palavras de Passos, (2014) fadadas a vagarem pelas cidades, como também eram postas em navios, para navegarem sem destino pelos mares até ancorarem em algum porto. Cuidado em saúde mental, exige dos profissionais de saúde uma postura ativa, que permita reconhecer o outro na sua liberdade, na sua dignidade e singularidade (Zeferino , 2016). A assistência a pessoas em sofrimento psíquico no hospital geral possui como vantagens o fato de estarem disponíveis os cuidados de uma equipe multidisciplinar e a possibilidade de utilização de recursos apropriados para diagnóstico de distúrbios orgânicos que possam estar causando os sintomas psiquiátricos Vale ressaltar que a enfermagem tem um importante papel na implantação da humanização nos serviços de saúde seja na assistência direta aos usuários, na educação em saúde juntamente com os demais membros da equipe ou na gestão dos serviços de saúde, já que parte considerável dessa equipe é composta por profissionais de enfermagem, que permanecem mais tempo em contato com os usuários (Carvalho et al., 2015). 2.2 Importância do Atendimento Urgência e Emergência. Segundo Santos et al., (2018), a emergência é uma propriedade que aonde certas situações assumem quando um conjunto de circunstâncias a modifica. A assistência em 8 situações de emergência e urgência se caracteriza pela necessidade de um paciente ser atendido em um curtíssimo espaço de tempo. A emergência é caracterizada como sendo a situação onde não pode haver uma protelação no atendimento, o mesmo deve ser imediato. Os casos de emergência se caracterizam pela avaliação de todas as especialidades, pois o risco de vida é eminente e o início do tratamento terá que ser imediato, há no setor a sala de politrauma, local que possui suporte completo e equipe sintonizada aos procedimentos necessários ao atendimento. Após o quadro clínico estabilizado o cliente é removido as unidades básicas de apoio, onde receberá continuidade ao tratamento (Andrade, 2015). A busca de maneira errada aumenta a pressão sobre os serviços de atendimento em urgência e emergência, pois os pacientes portadores de agravos resultantes do não tratamento se aumentam e esses poderiam ter encontrado solução nos serviços da rede básica e nas unidades de urgência de baixa complexidade (Santos, 2016). O enfermeiro pode desenvolver um papel decisivo, quando agindo com pro atividade na identificação das necessidades que a população apresenta em uma consulta na atenção básica, bem como na promoção e proteção da saúde dos indivíduos em suas diferentes dimensões. Estar preparado para atuar na urgência e emergência vai muito além de saber técnico, precisa saber fazer, compreender os sinais e sintomas que os pacientes apresentam pra saber intervir de maneira rápida, sendo assim os enfermeiros são peças fundamentais neste setor. (Avelar et al., 2016). Quando o profissional enfermeiro consegue planejar e direcionar a equipe de maneira satisfatória na assistência, propicia o favorecimento para o desenvolvimento das atribuições básicas, desde as atividades administrativas quanto as assistenciais, garantindo execução organizada e cooperativa da equipe, transformando isso em resultados de qualidade. (Fonseca et al., 2017). 2.3 Transtornos Mentais e Comportamentais na Saúde Mental dos Enfermeiros. É evidente que a situação atual exige uma visão holística do processo saúde/doença mental, uma vez que na história da psicologia como ciência e profissão, o trabalho ocupou muitas vezes uma posição secundária, sendo utilizado apenas como campo de estudo, informação psicológica ou como Indicadores de Adaptação e Vida Saudável (Freitas et al, 2022). Mora et al., (2022 p.25) “constataram que os casos de transtornos mentais e comportamentais aumentaram na população em geral durante as duas últimas décadas do século 9 XXI e que as atividades laborais têm uma relação importante com o surgimento e o desenvolvimento de transtornos mentais.” Um dos transtornos mentais relacionados à vida dos trabalhadores e às vivências pessoais dos trabalhadores são os transtornos mentais e comportamentais. Experiências negativas na vida diária podem desencadear essa doença mental de forma independente e serem incorporadas ao ambiente (Macher et al., 2019). Na concepção de Nascimento et al. (2021 p.12),” o sofrimento mental tem múltiplos impactos na vida dos profissionais de enfermagem.” Um estudo realizado por Rocha et al. (2022), demonstraram que nos últimos anos houve um aumento significativo de transtornos psiquiátricos e comportamentais na área da enfermagem devido à especialização de cada profissional, como usuários com atividades de ritmo acelerado e alta demanda dos serviços de saúde. Houve um tempo em que a dor no trabalho estava associada a problemas de saúde. Segundo a corrente teórica de alguns estudiosos, esta ligação ainda está em vigor e é maioritariamente física. No entanto, esta realidade está a mudar, com a psicopatologia a centrar- se na doença e na causa epidemiológica, e a psicodinâmica a centrar-se no período que antecede o início da doença e o sofrimento nem sempre se manifesta sob a forma de doença, mas sim como desconforto difuso. Em relação às doenças mais comuns entre os enfermeiros, Nascimento et al. (2021 p.63) “afirmaram que a doença mental é o motivo mais comum de absentismo dos enfermeiros, embora a sua etiologia varie entre os autores”. Na maioria dos estudos, os distúrbios musculoesqueléticos são o motivo mais comum de licença médica, seguido por doenças mentais, depressão e ansiedade. Portanto, levando em consideração as condições e os determinantes dessa complexa relação entre saúde e trabalho, a saúde física e mental de uma pessoa não pode ser dissociada de suas atividades profissionais e do ambiente de trabalho (Jesus, 2022). 3. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que permite a construção de uma análise ampla, contribuindo para discussões sobre resultados e métodos de pesquisas, assim como reflexões a respeito de estudos futuros. De acordo com Mendes et al. (2015), a revisão integrativa da literatura é a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a melhoria da prática clínica e para a tomada de decisão, possibilitando o conhecimento de um determinado 10 assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que precisam da realização de novos estudos para que possam ser preenchidas. Para os autores, este método permite a síntese de múltiplos assuntos publicados e possibilita que se chegue a conclusões gerais a respeito de uma área de estudo. Assim, os autores afirmam que é um método valioso para a enfermagem. (A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2024 a partir da base de dados on-line Lilacs, Scielo, Google Acadêmico,esta base será acessada por meio da Biblioteca Virtual em Saúde Pública (BVS), onde as seguintes palavras-chave serão utilizadas em português: Enfermagem, Saúde Mental, Urgência e Emergência.) A coleta dos dados ocorreu de fevereiro de 2024 a maio de 2024, nessa pesquisa, foram estabelecidos critérios como inclusão: estudos originais e completos disponibilizados de maneira gratuita nesses bancos de dados estabelecidos previamente. O período de publicação foi estipulado entre os últimos dez anos (2014 a 2024), e outro critério a ser a dotado foi estar publicado no idioma português. Para a construção desta revisão integrativa da literatura, optou-se pela adoção de etapas que foram estabelecidas pelo método de Gil (2010). A seguir, será feita a descrição dos procedimentos utilizados: Identificação do tema e seleção da hipótese para a elaboração da pesquisa integrativa, Estabelecimento de critérios para a inclusão e exclusão de estudos/amostragem ou busca na literatura, Definição das informações a serem retiradas dos estudos selecionados, Avaliação dos estudos, Interpretação dos resultados, Apresentação da revisão/síntese do conhecimento. Nos bancos de dados foram estabelecidos de maneira antecipadamente, foram utilizados os seguintes descritores: “Transtornos mentais”; “Profissionais da enfermagem”; e “Setor Urgência e Emergência”, para a escolha dos artigos científicos. Em primeiro momento foram analisados os títulos e resumos de cada artigo, a fim de realizar uma primeira filtragem dos estudos relacionados à temática proposta. Após essa primeira seleção, os artigos selecionados passaram para análise completa, na qual as pesquisadoras analisaram a pertinência do estudo e a relação com a pergunta de pesquisa, selecionando somente os artigos que consigam responder à questão norteadora. Os dados levantados nessa pesquisa foram. analisados de forma descritiva. Por se tratar de um estudo de revisão integrativa da literatura, esse estudo não passou por análise do Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (CEP), pois não foi levantado nenhum dado individualizado, porém a pesquisadora se comprometa em respeitar todas as questões éticas e legais regidos nas resoluções CNS 466/2012 e CNS 510/2015.3. 11 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após a leitura atenta dos artigos supracitados, emergiram três categorias; situações que evidenciam o estresse do profissional de enfermagem na urgência e Emergência; foco em fatores de risco para transtornos mentais em profissionais da enfermagem; Estratégias utilizadas para minimizar as consequências dos fatores estressores. 4.1 Situações que evidenciam os fatores estressores em Urgência e Emergência. Nos estudos que serviram como base para a análise em questão, percebeu-se que entre os frequentes fatores estressores que acometem os trabalhadores que atuam na Urgência e Emergência cita-se: o ambiente físico; a dificuldade de relacionamento entre os profissionais; o excesso de trabalho relacionado ao escasso número de profissionais onde fica notória a influência na qualidade da assistência prestada ao cliente; a rapidez de ação que precisa ter na tomada de decisões e nas realizações das intervenções de enfermagem (Rodrigues, 2019). No ambiente hospitalar predominam inúmeros fatores que geram insalubridade e sofrimento aos profissionais que nele atuam. A unidade emergência, dentro do hospital, pode ser considerada um dos ambientes em que os profissionais estão sujeitos a um maior sofrimento psíquico em decorrência da dinâmica do serviço que funciona continuamente. Vale mencionar que há outros fatores estressores que também são encontrados no dia a dia evidenciam-se: a utilização de mecanismos de defesas inadequados como à impaciência e a falta de cooperação no trabalho em equipe, o que resulta na sobrecarga de trabalho para alguns membros da equipe e a falta de continuidade das intervenções iniciadas, o que resultará na ineficiência da qualidade do atendimento prestado ao paciente (Moura et al., 2021). Onde há cuidado, há um enfermeiro. Ele deve promover assistência, planejamentos e organização da unidade, prestando atendimento adequado, principalmente aos pacientes graves com risco eminente de morte. Para um bom atendimento, é necessário que o profissional esteja preparado e tenha conhecimento teórico e prático. Porém, não é apenas esse conhecimento que vai fazer o seu atendimento ter um diferencial, para isso, o enfermeiro deve ter autonomia, manter a postura e firmeza do que faz, proporcionando ao paciente e aos acompanhantes confiança e segurança. (Santana et al., 2021). Alves (2019), afirma que o trabalho do enfermeiro é complexo. O clima de grande tensão emocional, o desgaste físico e psíquico pode contribuir como fator desencadeante do stress, o que 12 exigira do profissional enfermeiro uma adaptação em relação a esses agentes estressores. o enfermeiro presta assistência em setores desgastantes, tanto pela carga de trabalho como pelas especificidades das tarefas, e nesse panorama, encontram-se os enfermeiros que trabalham na unidade de emergência. Segundo a explicação de Assis e Luvizotto (2022), a urgência e a emergência são conceitos semelhantes, porém não possuem o mesmo significado. A urgência demanda atenção rápida, com prazo máximo de duas horas, devido ao perigo de causar danos irreversíveis. Por outro lado, a emergência requer assistência imediata, uma vez que o risco de óbito é iminente. O profissional de enfermagem atuante em situações de urgência e emergência é responsável por cuidar da vida dos pacientes. Monitorando sinais vitais, realizando a triagem, classificando os riscos e assumindo diversas responsabilidades como coordenar a equipe, avaliar a assistência prestada, aplicar a Sistematização da Enfermagem (SAE), realizar punção venosa, e desempenhar tarefas administrativas como repor materiais, entre outras atividades. Os estudos apontam que na enfermagem, o estresse ocupacional se faz presente, sendo um dos maiores e recorrentes causas de adoecimento mental. Devido à responsabilidade pela vida das pessoas e à proximidade com a dor e o sofrimento alheio, os profissionais de enfermagem lidam com situações diversas no exercício de suas atividades, e sendo expostos a fatores estressores, o que pode ocasionar esgotamento físico e mental. Os autores apontam ainda que pesquisadores têm evidenciado em estudos uma associação entre a ocorrência de transtornos mentais comuns e o trabalho exercido por esses profissionais de saúde. Também foram realizadas pesquisas associando elevada prevalência de transtornos mentais comuns com alta demanda e o baixo controle no trabalho. De acordo com Braga et al., (2020 p.05), “a precarização do trabalho tem sido responsável pela piora das condições de saúde dos trabalhadores, com destaque para o aumento das doenças relacionadas ao trabalho e, entre elas, os transtornos mentais”. As autoras apontam que, além das exigências inerentes à atenção integral à saúde e à humanização das práticas, os trabalhadores da saúde ficam expostos à pobreza e à desigualdade social, assim como pelas deficiências do sistema de saúde. 4.2 Estudos com foco em fatores de risco para transtornos mentais em profissionais da enfermagem. De acordo com Munhoz e Dantas et al (2020), apoiando-se em Alves (2021), o estudo da manifestação do estresse ocupacional entre enfermeiros pode ajudar a compreender melhor 13 alguns dos problemas enfrentados pela profissão, como insatisfação profissional, produção no trabalho, absenteísmo, acidentes de trabalho e algumas doenças laborais. Os enfermeiros e a equipe de enfermagem, entre os trabalhadores da saúde, demonstraram os maiores índices de exaustão emocional, despersonalização e baixo nível de realização profissional. Os autores do estudo reforçam ainda que algumas das condições laboraisfortemente relacionadas ao adoecimento mental do enfermeiro são: deficiências de recursos humanos, problemas de relacionamento, ambiguidade de papéis, ritmo excessivo de trabalho, jornadas longas, duplas ou triplas, pouco tempo para o descanso diário necessário para a recuperação, etc. (Munhoz, Dantas, 2020). Ainda sobre esse aspecto, Aquino et al (2021 p.12) “apontam que as empresas de saúde devem colaborar no sentido de dar suporte psicológico, oferecer condições de trabalho que sejam de qualidade”. A relação entre gestores e profissionais deve ser, de cortesia, respeito e valorização e de oportunidades de crescimento, para que minimizem as chances de descontentamento e doenças causadas por um ambiente que não atende o mínimo de condições exigidas para que o trabalhador tenha dignidade, conforto e a promoção e atenção à saúde no trabalho. Segundo, Ferreira et al (2022) também afirma que em decorrência de mudanças na sociedade, a qualidade de vida para os trabalhadores em enfermagem está cada vez mais prejudicada, gerando stress emocional, causando nos trabalhadores problemas como depressão, dificuldade para dormir e diminuição de autoestima. De acordo com os autores, o stress está diretamente relacionado com ambiente hospitalar, falta de autonomia, além das duplas jornadas de serviço enfrentadas pelo trabalhador. De acordo com alguns os autores, os transtornos mentais e de comportamento são a segunda maior causa de doenças ocupacionais em trabalhadores da área de saúde, em destaque o enfermeiro. Apoiando-se em estudos (Carvalho et al,2018), Oliveira et al (2021) afirmam que: [...] os transtornos mentais e comportamentais são condições clínicas peculiares por alterações nos pensamentos e nas emoções ou por comportamentos tangentes à angústia pessoal e/ou à deterioração do funcionamento psíquico, tendo efeitos deletérios, alcançando não apenas o indivíduo, como também a família e a comunidade. São prevalentes em todo o mundo: estima-se que 10% dos adultos apresente tais condições e que 25% da população mundial manifesta, pelo menos, um transtorno mental ao longo da vida, tendo a profissão enfermeiro como potencializador desses agravos mentais. Os transtornos mentais relacionados ao trabalho têm sido um problema de saúde pública por conta de sua alta prevalência em profissionais e de suas consequências, como o absenteísmo, incapacidades para o trabalho e aposentadoria precoce. A enfermagem é considerada uma das profissões que carregam consigo um grande vínculo emocional, devido às 14 exposições ao sofrimento e à morte, o que acarreta desgaste físico e principalmente psíquico, podendo se agravar dependendo das condições de trabalho e das individualidades do trabalhador, tornando-o susceptível ao desenvolvimento de transtornos mentais (Oliveira et al 2021). Ainda de acordo com os autores, os fatores mais comuns do aparecimento de transtornos mentais em profissionais de enfermagem se devem ao auto comprometimento imposto na efetuação das atividades de assistência no âmbito hospitalar e atividades dirigidas ao público acadêmico no caso do enfermeiro docente, gerando uma sobrecarga de trabalho, e algumas outras características também fazem com que surjam transtornos mentais aos enfermeiros, como situações como baixa remuneração, multiplicidade de trabalho, desemprego e sexo. O desenvolvimento de transtornos mentais em enfermeiros se dá com o predomínio de episódios depressivos, com possibilidade de prejuízo também na saúde física, por conta da falta de comunicação, do trabalho cansativo e repetitivo, da fadiga e da insatisfação profissional, da precarização de recursos humanos. Santos et al (2021), também apontam que os profissionais de enfermagem apresentam mais predisposição para sofrimento mental, sendo a depressão uma das doenças que mais os acometem. Isto se deve não só à natureza da atividade que desenvolvem, mas também a condições de trabalho e falta de reconhecimento profissional. Segundo Pinhatti et al., (2018, p.206), “a maioria dos sintomas de ansiedade e depressão representa uma ameaça específica à participação no trabalho, reduzindo a funcionalidade e afetando também, negativamente, a renda, a autoestima e a qualidade devida”. Os autores afirmam, ainda, que os transtornos depressivos e de ansiedade têm sido considerados problemas sociais e econômicos entre as populações trabalhadoras, devido à alta prevalência e impacto no trabalho. Os autores apontam que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os brasileiros têm a maior taxa de ansiedade do mundo (9,3%), e o país ocupa a 5ª posição nos casos de depressão (5,8%). De acordo com Fernandes et al (2017), no Brasil, os transtornos mentais e comportamentais são responsáveis pelo crescimento na concessão de benefícios como o auxílio-doença. Segundo Reese, Linden e Martins (2021), a sobrecarga de tarefas e a busca por valorização no ambiente de trabalho fazem com que os profissionais se sintam desanimados e mentalmente cansados. Os autores afirmam que a enfermagem tem um maior número de profissionais de saúde, e todo o trabalho é centralizado no indivíduo e suas necessidades, por isso há uma ligação mais 15 direta entre profissionais e pacientes, o que expõe os profissionais aos impactos negativos gerados pela proximidade. Os autores enfatizam que quando faltam recursos humanos, a sobrecarga afeta os trabalhadores, acarretando a diminuição da produtividade e o aumento dos índices de acidentes de trabalho, causando assim o adoecimento mental dos trabalhadores. Ainda, de acordo com os autores, a depressão estava presente na maioria das vezes em técnicos de enfermagem e nos enfermeiros em cargo assistencial, especialmente os que possuíam contato mais próximo com os pacientes. 4.3 Estratégias utilizadas para minimizar as consequências dos fatores estresses nos Enfermeiros. Estratégias defensivas são mecanismos por meio das quais o trabalhador busca modificar, transformar e minimizar sua percepção da realidade que o faz sofrer. É um processo praticamente interno do indivíduo, já que ele geralmente não consegue, muitas vezes, mudar a pressão imposta pela organização do trabalho (Silva et al., 2021). Para que haja controle dos fatores estressantes nos setores de urgência e emergência e assim reduzir o estresse nos profissionais, sugere-se a realização de reuniões de equipe, planejamento das atividades e a valorização dos distintos saberes com ênfase nas experiências dos profissionais, em prol da saúde dos trabalhadores e da qualidade do trabalho. Devendo buscar a autonomia, ter participação ativa nas decisões da equipe multiprofissional e, acima de tudo, obter melhorias para evitar a sobrecarga de trabalho, o que resultará em um bom ambiente de trabalho, trabalhador sadio e assistência de qualidade prestada ao paciente (Oliveira et al., 2021). Merece destaque como estratégia a realização de estudos com o objetivo de identificar os fatores estressantes na prestação da assistência na urgência e emergência, o que resultará na identificação das principais causas e sintomas que acometem essa classe de profissionais. A partir daí, pode-se obter subsídios para se propor meios de enfrentamento que cause danos cada vez menores aos trabalhadores que atuam nesses setores (Neto et al., 2020). Refere-se que a carga psíquica negativa gerada pela exposição contínua dos enfermeiros a essas situações de variabilidade que podem emergir os fatores estressores, entre elas o ruído, que entra como mais um agravante, provoca insatisfação e ansiedade, e devem ser administradas pelos profissionais através da estratégia de descontração por meio de brincadeiras e de conversas nos encontros, na realização das atividades e nas pausas. 16 Em consonância aos autores, cabe-se ressaltar que o aumento do número de funcionários de acordo coma quantidade de leitos proporcionaria uma melhoria das condições de trabalho (Resolução COFEN 293/2004). Sabe-se que as atividades atribuídas aos enfermeiros que atuam nas urgências e emergências são de alta complexidade, e quando estas atividades são elevadas, aumenta-se também a responsabilidade e a atenção que estes profissionais merecem. Para Ramos-Toescher et al (2020), os profissionais da enfermagem tornam-se facilmente alvos de vivências estressoras como: fadiga, sobrecarga, exposição a mortes, frustrações em relação à qualidade da assistência, etc. De acordo com os autores, os enfermeiros podem desenvolver distúrbios psiquiátricos importantes após vivenciarem eventos estressantes, como em surtos globais de SARS, MERS e Ebola, responsáveis por níveis elevados de estresse. A doença mental decorrente do excesso de trabalho, desgaste cognitivo e sobrecarga emocional ocasionados pela natureza das tarefas e condições de execução requer uma abordagem mais focalizada na saúde do trabalhador e nos sentimentos envolvidos, os quais podem afetar seu desempenho, como estresse e sintomas depressivos. É fundamental acompanhar a saúde desses profissionais, pois muitos não dão a devida importância aos seus problemas de saúde, o que pode comprometer a qualidade do seu trabalho e resultar em complicações tanto no aspecto emocional quanto na saúde em geral. (Freitas, 2022). É preciso um olhar importante para esses profissionais, eles também necessitam de um cuidado maior, para que possam cuidar de outras pessoas. Estratégias de cuidado podem ser estabelecidas, como atividades físicas, psicoterapias aliadas ou não a fármacos, sono adequado, também são fatores beneficentes a saúde mental. 5. CONCLUSÃO Os resultados mostram que através da realização deste estudo pode-se confirmar que os objetivos inicialmente traçados foram alcançados. Além disso, as informações e dados apresentados ao longo do caminho incluem aspectos novos e familiares que contribuem para a compreensão a cerca da saúde mental dos enfermeiros, que atuam nas urgencias e emergencias dos hospitais. Com base nos dados colhidos podemos perceber que esse é um assunto de suma importância para os profissionais da área da enfermagem que atuam ou almejam atuar em unidades de urgência e emergência, uma vez que, o risco de ser acometido por uma doença psicológica é real. 17 A luz das bibliografias pesquisadas respondeu-se ao objetivo desse estudo que é identificar os fatores que influenciam na saúde mental dos profissionais de enfermagem que atuam nas urgências e emergências. Conclui-se, portanto, que dentre esses fatores estão a exigência e a pressão de um trabalho bem realizado, a rotina de lidar com os sofrimentos humano e, por muitas vezes com a morte de alguns pacientes, situações precárias de trabalho como a falta de recursos e de profissionais, o desgaste físico, emocional e mental. É importante não apenas identificar esses fatores que podem vir afetar a saúde psicológica dos profissionais supracitados, mas também apresentar um projeto de intervenção capaz de minimizar as consequências dos mesmos. Nesse sentido, torna-se viável ofertar aos enfermeiros, com problemas de saúde mental devido aos diversos enfrentamento no cotidiano da profissão um plano de tratamento, suporte individualizado, onde os enfermeiros podem acessar a ajuda por meio de um site, gerenciado e monitorado aos casos delicados. Como futuras pesquisas, sugere-se que sejam realizados estudos de casos e pesquisas mais aprofundadas identificando números de profissionais da área de enfermagem das unidades de urgência e emergência que adoecem anualmente a partir de uma amostragem definida pelo pesquisador utilizando coleta de dados e entrevista estruturada para que através desses dados gestores e coordenadores criem estratégias específicas e articuladas com o intuito de dar melhor suporte a estes profissionais visando cada vez mais a sua atuação. Proteger a saúde dos profissionais de enfermagem é primordial, pois o trabalho deles é essencial para proporcionar cuidado e garantir a segurança, tranquilidade e satisfação dos pacientes em unidades de urgência e emergência, seja em hospitais públicos ou privados. Suas competências técnicas e científicas asseguram a segurança, eficácia e eficiência diante de situações de risco imediato e de avaliação do tempo de espera. Que esta pesquisa possa ser utilizada por enfermeiros, como incentivo para a realização de outras pesquisas nesta área. Acredita-se que, se o profissional enfermeiro dispuser de informações fidedignas referentes ao estresse, ansiedade, depressão e outros agentes estressores e principalmente, aos danos que pode causar, terá melhores subsídios para trabalhar no sentido de preparar a equipe (mecanismo de enfrentamento), a adotar estratégias que visem a minimizar e até eliminar situações que afetam a saúde mental e no desempenho dos profissionais de enfermagem. 18 REFERÊNCIAS ALVES J. S. et al. Sintomas psicopatológicos e situação laboral da enfermagem do sudeste brasileiro no contexto da COVID –19. Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1518-8345.5768.3518. Acesso em: 11 abril. 2024 BRAZIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n.466 de 12 de dezembro de 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. 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