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FACULDADE DO MARANHÃO 
CURSO DE ENFERMAGEM 
 
 
 
 
 
 
MAIANA MELO OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE MENTAL DOS ENFERMEIROS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: uma 
revisão intergrativa da literatura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Luís -MA 
2024 
 
 
MAIANA MELO OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE MENTAL DOS ENFERMEIROS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: uma 
revisão intergrativa da literatura. 
 
 
 
 
Artigo apresentado ao curso de Curso de Enfermagem, 
da Faculdade do Maranhão, FACAM, como requisito 
para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. 
 
Orientadora: Profa. Esp. Selma Fernanda Arruda. 
Aprovada em: _____ / ____ / _____ 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA: 
 
 
_______________________________ 
 
Profa. Esp. Selma Fernanda Arruda (Orientadora) 
 
 
__________________________________ 
 
1º Examinador (a) 
 
 
______________________________________ 
2º Examinador (a) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Catalogação na fonte elaborada pelo bibliotecário 
Luís Eduardo Lima Rêgo – CRB 13-97 
Oliveira, Maiana Melo. 
 
 Saúde mental dos enfermeiros na urgência e emergência: uma revisão integrativa 
da literatura. /Maiana Melo Oliveira. – São Luís - MA, 2024. 
 
20 f. il. 
Impresso por computador (fotocópia). 
Orientadora: Profa. Selma Fernanda Silva Pereira. 
 
TCC (Graduação em Enfermagem) – Curso de Enfermagem, Faculdade do 
Maranhão, 2024. 
 
1. Transtornos mentais. 2. Enfermagem - profissionais. 3. Setor de urgência. I. 
Título. 
 
CDU 616.89 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
SAÚDE MENTAL DOS ENFERMEIROS NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: uma 
revisão intergrativa da literatura¹. 
 
 
 
 Autor: Maiana Melo Oliveira² 
 
 Orientador: Selma Fernanda Arruda³ 
 
 
 
 
RESUMO 
 Os transtornos mentais constituem 12% do total de doenças e incapacidades no mundo. Diante desse 
cenário, encontram-se os profissionais da saúde, em especial os trabalhadores da Enfermagem, que são 
expostos a diversas situações de estresse e desgaste. Trata-se de um estudo descritivo, exploratório com 
abordagem qualiquantitativos do tipo revisão integrativa da literatura. Foram selecionadas 07 
publicações, em periódicos nacionais e internacionais. Os estudos selecionados foram publicados no 
período de 2014 a 2024, onde foi realizada a sistematização dos resultados encontrados. Os profissionais 
da enfermagem são mais propensos a adquirir em problemas de saúde mental como a depressão por 
conta da exaustão emocional, quando comparado a população adulta no gera. Constatou-se que as 
dificuldades encontradas no ambiente de trabalho, influenciaram diretamente o quadro de saúde mental 
dos profissionais. Estes fatores se interligaram de alguma forma, contribuindo para uma exaustão 
profissional. Logo, visando a melhoria da saúde mental e o bem estar desses profissionais se faz 
necessário a adoção de medidas preventivas e terapêuticas que possam promover um ambiente de 
trabalho com boas condições e reconhecimento. 
Palavras-chaves: Transtornos mentais; Profissionais de enfermagem; Setor de urgência. 
 
ABSTRACT 
 Mental disorders constitute 12% of all illnesses and disabilities in the world. Faced with this scenario, 
health professionals, especially nursing workers, are exposed to various situations of stress and 
exhaustion. This is a descriptive, exploratory study with a qualitative and quantitative approach of the 
integrative literature review type. 12 publications were selected, in national and international journals. 
The selected studies were published between 2014 and 2024, where the results found were systematized. 
Nursing professionals are more likely to develop mental health problems such as depression due to 
emotional exhaustion, when compared to the general adult population. It was found that the difficulties 
encountered in the work environment directly influenced the mental health status of professionals. These 
factors were interconnected in some way, contributing to professional exhaustion. Therefore, aiming to 
improve the mental health and well-being of these professionals, it is necessary to adopt preventive and 
therapeutic measures that can promote a working environment with good conditions and recognition. 
Keywords: Mental disorders; Nursing professionals; Emergency sector. 
 
__________ 
¹ Artigo científico apresentado ao curso de Enfermagem da Faculdade do Maranhão para obtenção do grau de 
bacharel em Enfermagem. 
 ² Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade do Maranhão. 
 ³ Professora da Faculdade do Maranhão 
 
 
 
3 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A Enfermagem enquanto a arte do cuidado é voltada à assistência do indivíduo e às 
pessoas a ela relacionadas no ambiente em que estão inseridos, promovendo-lhes saúde, 
prevenindo agravos, reabilitando e melhorando seu estado físico e mental, oferecendo-lhes 
conforto e respeitando sua singularidade e dignidade. (Horta, 1979). 
O trabalho de enfermagem caracteriza-se pelo cuidado humano, cuidado este, que se 
fundamenta na ciência e na tecnologia (Neman,2019). Entre as atividades que são consideras 
prioritárias no processo de trabalho da enfermagem, estão as atividades assistenciais. Por 
quanto, a assistência de enfermagem se faz presente pelo olhar íntegro do ser humano 
dependente de cuidados, que articulada com outras ações, constituem-se em ações 
sistematizadas que facilitam o trabalho da enfermagem. 
A abordagem de caráter humanizado pode ser de fundamental importância no 
atendimento inicial ao paciente em situação de urgência e emergência, e uns dos papéis do 
enfermeiro assistencialista na sala de emergência é a de decisão segura e livre de riscos. Os 
serviços de emergência lidam com a elevação crescente na busca por seus serviços, acolhendo 
pacientes que dão entrada na urgência, pacientes com quadros percebidos como urgências, 
pacientes que não têm acesso à atenção primária e especializada e as urgências sociais. Todas 
essas demandas, consequentemente, sobrecarregam os serviços de emergência, o que leva a má 
diminuição da qualidade da assistência prestada à população (Brasil,2013). A principal função 
da enfermagem em urgências e emergências sem dúvida é a de oferecer um atendimento e 
manutenção das principais funções vitais do indivíduo, sempre protegendo a vida. 
As ações de enfermagem exercidas nas instituições hospitalares exigem de certas formas 
conhecimentos teóricos e práticos de forma a fundamentar e habilitar o desenvolvimento das 
atividades, uma vez que se caracterizam por diferentes níveis de complexidade. No espaço de 
trabalho de enfermagem, percebe-se que a demanda das responsabilidades transcende a 
assistência (Felliver, 2020). Com a crescente ascensão do número de profissionais do ramo de 
enfermagem nas mais diversas unidades de saúde, se torna cada vez mais importante a 
capacitação e atualizações para o bom atendimento ao paciente em especial nos casos de 
urgência e emergência. 
O TMC associa-se ao esgotamento profissional (burnout), uma vez que prejudica os 
aspectos físicos e emocionais da pessoa, pelas demandas excessivas de energia. O ambiente de 
assistência ao paciente grave favorece o estresse ocupacional pela dinâmica do trabalho, 
4 
 
pressões das atividades e sentimentos conflituosos, como a morte. Apesar de constituírem 
importante problema de saúde pública mundial na atualidade, observa-se insuficiência de 
estudos sobre a temática na literatura científica nacional. Nesse sentido, investigar a presença 
destes transtornos nos profissionais de enfermagem é fundamental para subsidiar as medidas de 
proteção à saúde mentaldos trabalhadores com enfoque no cuidado seguro e de qualidade aos 
pacientes e, por conseguinte, assegurar melhor funcionamento dos serviços de assistência à 
saúde. 
A assistência de Enfermagem ela é garantida de acordo com o que dispõem Código de 
Ética do Profissional de Enfermagem (COFEN, 2007) que destaca no artigo 12: “Assegurar à 
pessoa, família e coletividade assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de 
imperícia, negligência ou imprudência”. Revista Extensão - 2019 - v.3, n.1 85 Este conceito é 
concordante com o Código Civil Brasileiro (Brasil, 2012, p.12). 
Nas variáveis profissionais, os trabalhadores de enfermagem dos setores de urgencia e 
emergencia - e PSA (atenção terciária) apresentaram duas vezes mais chances de indicativo 
para TMC que das UPA (atenção secundária), o que se justifica pela complexidade dos cuidados 
de enfermagem e a sobrecarga de trabalho nos hospitais. 
artigo 186, que refere: “aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete 
ato ilícito”. Evidenciando, que deve ocorrer um atendimento preciso e com qualidade, em vista 
da segurança do paciente, até seu tratamento. 
O enfermeiro se destaca pelas suas características peculiares generalistas, que lhe 
permitem na realização de triagem no setor de emergência assumir a responsabilidade pela 
avaliação inicial do paciente, bem como iniciar a obtenção do diagnostico, encaminhando o 
paciente para a área clinica adequada, supervisionando o fluxo de atendimento, ter autonomia 
e dirigir os demais membros da equipe (Rocha,2019). Sendo ainda prioritário um conjunto de 
conhecimentos, atitude, capacidades e aptidões que habitam o profissional a um atendimento 
humanizado. 
De acordo com Baggio; Callegaro; Erdmann (2018) a ação na urgência e emergência 
constitui para o enfermeiro e demais integrantes da equipe de saúde um dos mais complexos e 
diversificados momentos de circunstâncias opostas de saúde e doença com situações de 
imprecisões de anseios e emoções. A atuação do profissional de enfermagem nesse contexto 
deve ser de muita habilidade e eficaz, entretanto, sem esquecer-se de apreciar ainda a 
impessoalidade do ser humano. 
 
5 
 
 Neste contexto, Corbani; Brêtas; (2020) considera que o processo de humanização 
se faz necessária para o atendimento ao paciente, deve ser realizado de forma comedida, de 
modo que não prejudique o cuidar necessário ao paciente. No entanto, para que seja possível 
humanizar o acolhimento no serviço de enfermagem se faz necessário que o quadro de 
profissionais tenha conscientização e preparo para realizar um cuidado distinto, passando a 
compreender de modo que o paciente é figura humana mais importante ; o enfermeiro é 
responsável por nortear, sanar dúvidas relacionadas ao procedimento apresentando a máxima 
calma e segurança, não esquecendo de que ele ainda necessita de um espaço apropriado para 
concretizar o seu trabalho (Bedin, et al., 2016). 
Com a evolução do cuidar, que inicialmente era intuitivo, foram elaboradas diversas 
teorias de enfermagem, através das quais possibilitou o desenvolvimento do pensamento crítico, 
norteando a assistência. Este deixou de ter um caráter curativo (tal qual o modelo médico de 
assistência), passando a atuar de forma preventiva, voltada para o cliente e não para a patologia 
por ele manifestada. 
Apesar dos estudos já desenvolvidos em torno dos problemas vivenciados pela 
enfermagem no exercício da profissão e dos desdobramentos e consequências da precarização 
do trabalho em enfermagem ao longo da história, ainda é necessário o desenvolvimento de 
maiores investigação em torno do assunto, no sentido de explorar e compreender as 
consequenciais deste processo. 
A enfermagem desde sua origem no desenvolvimento do cuidar, convive com a dor, 
sofrimento e morte em seu cotidiano, o que ao passar do tempo pode interferir em sua saúde 
mental, tudo isso, ainda somada ao déficit de pessoal, escassez de equipamentos/materiais, 
carga horária exaustiva de trabalho e baixa remuneração. Na contemporaneidade, muito se tem 
falado de síndromes como a de Burnout, transtornos depressivos, ansiosos e outros, no entanto, 
muitos deles são estudados de modo isolado, deixando pequenas lacunas no que diz respeito a 
uma visão mais abrangente e totalitária em torno dos sentimentos destes profissionais 
(Pires,2019). 
Que esta pesquisa possa ser utilizada por enfermeiros, como incentivo para a realização 
de outras pesquisas nesta área. Acredita-se que, se o profissional enfermeiro dispuser de 
informações fidedignas referentes ao estresse, ansiedade, depressão e outros agentes estressores 
e principalmente, aos danos que pode causar, terá melhores subsídios para trabalhar no sentido 
de preparar a equipe (mecanismo de enfrentamento), a adotar estratégias que visem a minimizar 
e até eliminar situações que afetam a saúde mental e no desempenho dos profissionais. 
 
6 
 
Este estudo teve como objetivo geral identificar os fatores abrangentes sobre os fatores 
estressantes, como sobrecarga, ansiedade e depressão no âmbito das urgências e emergências 
que interfere na saúde mental do enfermeiro. Objetivos específicos: Descrever as situações, as 
quais evidenciam o estresse do profissional enfermeiro na urgência e emergência, relatar a 
importância da saúde mental para o enfermeiro no trabalho em equipe e com a assistência 
prestada na unidade de emergência hospitalar, identificar os fatores (internos/externos) que 
ocasionam o estresse do enfermeiro em unidade de emergências. 
Este estudo se justifica na identificação precoce dos impactos mentais que atingem a 
saúde mental dos profissionais da enfermagem que atuam nas urgências e emergência, para 
despertar na categoria maior organização e envolvimento na luta em prol de condições 
adequadas de trabalho e servir de contribuição acadêmica do tema em questão, facilitando o 
enfrentamento dos fatores prejudiciais nos profissionais. Esperamos contribuir e fortalecer a 
produção cientifica da linha de pesquisa relacionada à saúde mental, em específico os 
trabalhadores de enfermagem que atuam nas urgências e emergências dos hospitais. 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1 Conceituando Saúde Mental. 
 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde mental (ou sanidade 
mental) é um termo usado para descrever um nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional 
ou a ausência de uma doença mental. Na perspectiva da psicologia positiva ou do holismo, a 
saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um 
equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. A Organização 
Mundial de Saúde afirma que não existe definição "oficial" de saúde mental. Diferenças 
culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a 
saúde mental é definida. (Gonçalves,2015). 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo saúde mental (ou sanidade 
mental) é utilizado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional, ou a 
inexistência de uma doença mental. De acordo com a psicologia positiva ou o holismo, a saúde 
mental pode abarcar a habilidade de uma pessoa apreciar a vida e buscar um equilíbrio entre as 
atividades e os esforços para alcançar a resiliência psicológica. A OMS afirma que não há uma 
definição "oficial" de saúde mental. As diferenças culturais, julgamentos subjetivos e teorias 
concorrentes influenciam como a "saúde mental" é conceituada. Saúde Mental é o equilíbrio 
7 
 
emocional entre o interior e as experiências externas. É a capacidade de gerenciar a própria vida 
e emoções em meio a uma diversidade de situações, sem deixar de lado a realidade e seu valor. 
É ser capaz de agir por conta própria sem perder a noção de tempo e espaço. É buscar viver 
plenamente,respeitando a lei e o próximo. Saúde Mental é estar em paz consigo e com os 
outros, aceitando as demandas da vida. É saber lidar tanto com emoções positivas quanto 
negativas: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa; 
frustrações. Reconhecer os limites e procurar ajuda quando necessário. (Amaral ,2018). 
Todavia, apesar de a patologia não ser recente, ao longo dos séculos, a forma de lidar 
com a doença, foram modificadas graças aos avanços da medicina, em áreas como a psicologia 
e psiquiatria nas quais foram desenvolvidas formas mais humanitárias de se tratar os pacientes 
com transtornos psicológicos. Contudo, esse viés humanitário no trato as patologias 
relacionadas à psique humana, é recente, uma vez que, tais doenças eram tratadas de forma 
cruel e degradante. No entanto, esta realidade tende a mudar no século XIX. (Amstalden ,2014). 
No período do Renascimento, (1300 – 1600) as pessoas com transtornos mentais eram 
consideradas inaceitáveis para o convívio em sociedade, sendo banidas dos muros das cidades 
europeias, ficando, nas palavras de Passos, (2014) fadadas a vagarem pelas cidades, como 
também eram postas em navios, para navegarem sem destino pelos mares até ancorarem em 
algum porto. 
 Cuidado em saúde mental, exige dos profissionais de saúde uma postura ativa, que 
permita reconhecer o outro na sua liberdade, na sua dignidade e singularidade (Zeferino , 2016). 
A assistência a pessoas em sofrimento psíquico no hospital geral possui como vantagens o fato 
de estarem disponíveis os cuidados de uma equipe multidisciplinar e a possibilidade de 
utilização de recursos apropriados para diagnóstico de distúrbios orgânicos que possam estar 
causando os sintomas psiquiátricos 
Vale ressaltar que a enfermagem tem um importante papel na implantação da 
humanização nos serviços de saúde seja na assistência direta aos usuários, na educação em 
saúde juntamente com os demais membros da equipe ou na gestão dos serviços de saúde, já que 
parte considerável dessa equipe é composta por profissionais de enfermagem, que permanecem 
mais tempo em contato com os usuários (Carvalho et al., 2015). 
 
 2.2 Importância do Atendimento Urgência e Emergência. 
 
Segundo Santos et al., (2018), a emergência é uma propriedade que aonde certas 
situações assumem quando um conjunto de circunstâncias a modifica. A assistência em 
8 
 
situações de emergência e urgência se caracteriza pela necessidade de um paciente ser atendido 
em um curtíssimo espaço de tempo. A emergência é caracterizada como sendo a situação onde 
não pode haver uma protelação no atendimento, o mesmo deve ser imediato. 
Os casos de emergência se caracterizam pela avaliação de todas as especialidades, pois 
o risco de vida é eminente e o início do tratamento terá que ser imediato, há no setor a sala de 
politrauma, local que possui suporte completo e equipe sintonizada aos procedimentos 
necessários ao atendimento. Após o quadro clínico estabilizado o cliente é removido as 
unidades básicas de apoio, onde receberá continuidade ao tratamento (Andrade, 2015). 
A busca de maneira errada aumenta a pressão sobre os serviços de atendimento em 
urgência e emergência, pois os pacientes portadores de agravos resultantes do não tratamento 
se aumentam e esses poderiam ter encontrado solução nos serviços da rede básica e nas 
unidades de urgência de baixa complexidade (Santos, 2016). O enfermeiro pode desenvolver 
um papel decisivo, quando agindo com pro atividade na identificação das necessidades que a 
população apresenta em uma consulta na atenção básica, bem como na promoção e proteção da 
saúde dos indivíduos em suas diferentes dimensões. 
Estar preparado para atuar na urgência e emergência vai muito além de saber técnico, 
precisa saber fazer, compreender os sinais e sintomas que os pacientes apresentam pra saber 
intervir de maneira rápida, sendo assim os enfermeiros são peças fundamentais neste setor. 
(Avelar et al., 2016). 
Quando o profissional enfermeiro consegue planejar e direcionar a equipe de maneira 
satisfatória na assistência, propicia o favorecimento para o desenvolvimento das atribuições 
básicas, desde as atividades administrativas quanto as assistenciais, garantindo execução 
organizada e cooperativa da equipe, transformando isso em resultados de qualidade. (Fonseca 
et al., 2017). 
 
 2.3 Transtornos Mentais e Comportamentais na Saúde Mental dos Enfermeiros. 
 
É evidente que a situação atual exige uma visão holística do processo saúde/doença 
mental, uma vez que na história da psicologia como ciência e profissão, o trabalho ocupou 
muitas vezes uma posição secundária, sendo utilizado apenas como campo de estudo, 
informação psicológica ou como Indicadores de Adaptação e Vida Saudável (Freitas et al, 
2022). 
Mora et al., (2022 p.25) “constataram que os casos de transtornos mentais e 
comportamentais aumentaram na população em geral durante as duas últimas décadas do século 
9 
 
XXI e que as atividades laborais têm uma relação importante com o surgimento e o 
desenvolvimento de transtornos mentais.” Um dos transtornos mentais relacionados à vida dos 
trabalhadores e às vivências pessoais dos trabalhadores são os transtornos mentais e 
comportamentais. Experiências negativas na vida diária podem desencadear essa doença mental 
de forma independente e serem incorporadas ao ambiente (Macher et al., 2019). 
Na concepção de Nascimento et al. (2021 p.12),” o sofrimento mental tem múltiplos 
impactos na vida dos profissionais de enfermagem.” Um estudo realizado por Rocha et al. 
(2022), demonstraram que nos últimos anos houve um aumento significativo de transtornos 
psiquiátricos e comportamentais na área da enfermagem devido à especialização de cada 
profissional, como usuários com atividades de ritmo acelerado e alta demanda dos serviços de 
saúde. 
Houve um tempo em que a dor no trabalho estava associada a problemas de saúde. 
Segundo a corrente teórica de alguns estudiosos, esta ligação ainda está em vigor e é 
maioritariamente física. No entanto, esta realidade está a mudar, com a psicopatologia a centrar-
se na doença e na causa epidemiológica, e a psicodinâmica a centrar-se no período que antecede 
o início da doença e o sofrimento nem sempre se manifesta sob a forma de doença, mas sim 
como desconforto difuso. 
Em relação às doenças mais comuns entre os enfermeiros, Nascimento et al. (2021 p.63) 
“afirmaram que a doença mental é o motivo mais comum de absentismo dos enfermeiros, 
embora a sua etiologia varie entre os autores”. Na maioria dos estudos, os distúrbios 
musculoesqueléticos são o motivo mais comum de licença médica, seguido por doenças 
mentais, depressão e ansiedade. Portanto, levando em consideração as condições e os 
determinantes dessa complexa relação entre saúde e trabalho, a saúde física e mental de uma 
pessoa não pode ser dissociada de suas atividades profissionais e do ambiente de trabalho 
(Jesus, 2022). 
 
3. METODOLOGIA 
 
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que permite a construção de uma 
análise ampla, contribuindo para discussões sobre resultados e métodos de pesquisas, assim 
como reflexões a respeito de estudos futuros. De acordo com Mendes et al. (2015), a revisão 
integrativa da literatura é a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a melhoria da 
prática clínica e para a tomada de decisão, possibilitando o conhecimento de um determinado 
10 
 
assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que precisam da realização de novos estudos 
para que possam ser preenchidas. 
Para os autores, este método permite a síntese de múltiplos assuntos publicados e 
possibilita que se chegue a conclusões gerais a respeito de uma área de estudo. Assim, os autores 
afirmam que é um método valioso para a enfermagem. (A pesquisa foi realizada no primeiro 
semestre de 2024 a partir da base de dados on-line Lilacs, Scielo, Google Acadêmico,esta base 
será acessada por meio da Biblioteca Virtual em Saúde Pública (BVS), onde as seguintes 
palavras-chave serão utilizadas em português: Enfermagem, Saúde Mental, Urgência e 
Emergência.) A coleta dos dados ocorreu de fevereiro de 2024 a maio de 2024, nessa pesquisa, 
foram estabelecidos critérios como inclusão: estudos originais e completos disponibilizados de 
maneira gratuita nesses bancos de dados estabelecidos previamente. 
O período de publicação foi estipulado entre os últimos dez anos (2014 a 2024), e outro 
critério a ser a dotado foi estar publicado no idioma português. Para a construção desta revisão 
integrativa da literatura, optou-se pela adoção de etapas que foram estabelecidas pelo método 
de Gil (2010). A seguir, será feita a descrição dos procedimentos utilizados: Identificação do 
tema e seleção da hipótese para a elaboração da pesquisa integrativa, Estabelecimento de 
critérios para a inclusão e exclusão de estudos/amostragem ou busca na literatura, Definição 
das informações a serem retiradas dos estudos selecionados, Avaliação dos estudos, 
Interpretação dos resultados, Apresentação da revisão/síntese do conhecimento. 
Nos bancos de dados foram estabelecidos de maneira antecipadamente, foram 
utilizados os seguintes descritores: “Transtornos mentais”; “Profissionais da enfermagem”; e 
“Setor Urgência e Emergência”, para a escolha dos artigos científicos. Em primeiro momento 
foram analisados os títulos e resumos de cada artigo, a fim de realizar uma primeira filtragem 
dos estudos relacionados à temática proposta. Após essa primeira seleção, os artigos 
selecionados passaram para análise completa, na qual as pesquisadoras analisaram a pertinência 
do estudo e a relação com a pergunta de pesquisa, selecionando somente os artigos que 
consigam responder à questão norteadora. Os dados levantados nessa pesquisa foram. 
analisados de forma descritiva. Por se tratar de um estudo de revisão integrativa da 
literatura, esse estudo não passou por análise do Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres 
Humanos (CEP), pois não foi levantado nenhum dado individualizado, porém a pesquisadora 
se comprometa em respeitar todas as questões éticas e legais regidos nas resoluções CNS 
466/2012 e CNS 510/2015.3. 
 
 
11 
 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
Após a leitura atenta dos artigos supracitados, emergiram três categorias; situações que 
evidenciam o estresse do profissional de enfermagem na urgência e Emergência; foco em fatores 
de risco para transtornos mentais em profissionais da enfermagem; Estratégias utilizadas para 
minimizar as consequências dos fatores estressores. 
 
 4.1 Situações que evidenciam os fatores estressores em Urgência e Emergência. 
 
 Nos estudos que serviram como base para a análise em questão, percebeu-se que entre 
os frequentes fatores estressores que acometem os trabalhadores que atuam na Urgência e 
Emergência cita-se: o ambiente físico; a dificuldade de relacionamento entre os profissionais; o 
excesso de trabalho relacionado ao escasso número de profissionais onde fica notória a influência 
na qualidade da assistência prestada ao cliente; a rapidez de ação que precisa ter na tomada de 
decisões e nas realizações das intervenções de enfermagem (Rodrigues, 2019). 
No ambiente hospitalar predominam inúmeros fatores que geram insalubridade e 
sofrimento aos profissionais que nele atuam. A unidade emergência, dentro do hospital, pode ser 
considerada um dos ambientes em que os profissionais estão sujeitos a um maior sofrimento 
psíquico em decorrência da dinâmica do serviço que funciona continuamente. 
Vale mencionar que há outros fatores estressores que também são encontrados no dia a 
dia evidenciam-se: a utilização de mecanismos de defesas inadequados como à impaciência e a 
falta de cooperação no trabalho em equipe, o que resulta na sobrecarga de trabalho para alguns 
membros da equipe e a falta de continuidade das intervenções iniciadas, o que resultará na 
ineficiência da qualidade do atendimento prestado ao paciente (Moura et al., 2021). 
Onde há cuidado, há um enfermeiro. Ele deve promover assistência, planejamentos e 
organização da unidade, prestando atendimento adequado, principalmente aos pacientes graves 
com risco eminente de morte. Para um bom atendimento, é necessário que o profissional esteja 
preparado e tenha conhecimento teórico e prático. Porém, não é apenas esse conhecimento que 
vai fazer o seu atendimento ter um diferencial, para isso, o enfermeiro deve ter autonomia, manter 
a postura e firmeza do que faz, proporcionando ao paciente e aos acompanhantes confiança e 
segurança. (Santana et al., 2021). 
Alves (2019), afirma que o trabalho do enfermeiro é complexo. O clima de grande tensão 
emocional, o desgaste físico e psíquico pode contribuir como fator desencadeante do stress, o que 
12 
 
exigira do profissional enfermeiro uma adaptação em relação a esses agentes estressores. o 
enfermeiro presta assistência em setores desgastantes, tanto pela carga de trabalho como pelas 
especificidades das tarefas, e nesse panorama, encontram-se os enfermeiros que trabalham na 
unidade de emergência. 
Segundo a explicação de Assis e Luvizotto (2022), a urgência e a emergência são 
conceitos semelhantes, porém não possuem o mesmo significado. A urgência demanda atenção 
rápida, com prazo máximo de duas horas, devido ao perigo de causar danos irreversíveis. Por 
outro lado, a emergência requer assistência imediata, uma vez que o risco de óbito é iminente. 
O profissional de enfermagem atuante em situações de urgência e emergência é responsável por 
cuidar da vida dos pacientes. Monitorando sinais vitais, realizando a triagem, classificando os 
riscos e assumindo diversas responsabilidades como coordenar a equipe, avaliar a assistência 
prestada, aplicar a Sistematização da Enfermagem (SAE), realizar punção venosa, e 
desempenhar tarefas administrativas como repor materiais, entre outras atividades. 
 Os estudos apontam que na enfermagem, o estresse ocupacional se faz presente, sendo 
um dos maiores e recorrentes causas de adoecimento mental. Devido à responsabilidade pela 
vida das pessoas e à proximidade com a dor e o sofrimento alheio, os profissionais de 
enfermagem lidam com situações diversas no exercício de suas atividades, e sendo expostos a 
fatores estressores, o que pode ocasionar esgotamento físico e mental. Os autores apontam ainda 
que pesquisadores têm evidenciado em estudos uma associação entre a ocorrência de 
transtornos mentais comuns e o trabalho exercido por esses profissionais de saúde. Também 
foram realizadas pesquisas associando elevada prevalência de transtornos mentais comuns com 
alta demanda e o baixo controle no trabalho. 
De acordo com Braga et al., (2020 p.05), “a precarização do trabalho tem sido 
responsável pela piora das condições de saúde dos trabalhadores, com destaque para o aumento 
das doenças relacionadas ao trabalho e, entre elas, os transtornos mentais”. As autoras apontam 
que, além das exigências inerentes à atenção integral à saúde e à humanização das práticas, os 
trabalhadores da saúde ficam expostos à pobreza e à desigualdade social, assim como pelas 
deficiências do sistema de saúde. 
 
4.2 Estudos com foco em fatores de risco para transtornos mentais em profissionais da 
enfermagem. 
De acordo com Munhoz e Dantas et al (2020), apoiando-se em Alves (2021), o estudo 
da manifestação do estresse ocupacional entre enfermeiros pode ajudar a compreender melhor 
13 
 
alguns dos problemas enfrentados pela profissão, como insatisfação profissional, produção no 
trabalho, absenteísmo, acidentes de trabalho e algumas doenças laborais. 
Os enfermeiros e a equipe de enfermagem, entre os trabalhadores da saúde, 
demonstraram os maiores índices de exaustão emocional, despersonalização e baixo nível de 
realização profissional. Os autores do estudo reforçam ainda que algumas das condições 
laboraisfortemente relacionadas ao adoecimento mental do enfermeiro são: deficiências de 
recursos humanos, problemas de relacionamento, ambiguidade de papéis, ritmo excessivo de 
trabalho, jornadas longas, duplas ou triplas, pouco tempo para o descanso diário necessário 
para a recuperação, etc. (Munhoz, Dantas, 2020). 
Ainda sobre esse aspecto, Aquino et al (2021 p.12) “apontam que as empresas de saúde 
devem colaborar no sentido de dar suporte psicológico, oferecer condições de trabalho que 
sejam de qualidade”. A relação entre gestores e profissionais deve ser, de cortesia, respeito e 
valorização e de oportunidades de crescimento, para que minimizem as chances de 
descontentamento e doenças causadas por um ambiente que não atende o mínimo de condições 
exigidas para que o trabalhador tenha dignidade, conforto e a promoção e atenção à saúde no 
trabalho. 
Segundo, Ferreira et al (2022) também afirma que em decorrência de mudanças na 
sociedade, a qualidade de vida para os trabalhadores em enfermagem está cada vez mais 
prejudicada, gerando stress emocional, causando nos trabalhadores problemas como depressão, 
dificuldade para dormir e diminuição de autoestima. De acordo com os autores, o stress está 
diretamente relacionado com ambiente hospitalar, falta de autonomia, além das duplas jornadas 
de serviço enfrentadas pelo trabalhador. 
 De acordo com alguns os autores, os transtornos mentais e de comportamento são a 
segunda maior causa de doenças ocupacionais em trabalhadores da área de saúde, em destaque 
o enfermeiro. Apoiando-se em estudos (Carvalho et al,2018), Oliveira et al (2021) afirmam que: 
 [...] os transtornos mentais e comportamentais são condições clínicas peculiares por 
alterações nos pensamentos e nas emoções ou por comportamentos tangentes à 
angústia pessoal e/ou à deterioração do funcionamento psíquico, tendo efeitos 
deletérios, alcançando não apenas o indivíduo, como também a família e a 
comunidade. São prevalentes em todo o mundo: estima-se que 10% dos adultos 
apresente tais condições e que 25% da população mundial manifesta, pelo menos, um 
transtorno mental ao longo da vida, tendo a profissão enfermeiro como 
potencializador desses agravos mentais. 
 
Os transtornos mentais relacionados ao trabalho têm sido um problema de saúde pública 
por conta de sua alta prevalência em profissionais e de suas consequências, como o 
absenteísmo, incapacidades para o trabalho e aposentadoria precoce. A enfermagem é 
considerada uma das profissões que carregam consigo um grande vínculo emocional, devido às 
14 
 
exposições ao sofrimento e à morte, o que acarreta desgaste físico e principalmente psíquico, 
podendo se agravar dependendo das condições de trabalho e das individualidades do 
trabalhador, tornando-o susceptível ao desenvolvimento de transtornos mentais (Oliveira et al 
2021). 
Ainda de acordo com os autores, os fatores mais comuns do aparecimento de transtornos 
mentais em profissionais de enfermagem se devem ao auto comprometimento imposto na 
efetuação das atividades de assistência no âmbito hospitalar e atividades dirigidas ao público 
acadêmico no caso do enfermeiro docente, gerando uma sobrecarga de trabalho, e algumas 
outras características também fazem com que surjam transtornos mentais aos enfermeiros, 
como situações como baixa remuneração, multiplicidade de trabalho, desemprego e sexo. 
O desenvolvimento de transtornos mentais em enfermeiros se dá com o predomínio de 
episódios depressivos, com possibilidade de prejuízo também na saúde física, por conta da falta 
de comunicação, do trabalho cansativo e repetitivo, da fadiga e da insatisfação profissional, da 
precarização de recursos humanos. 
Santos et al (2021), também apontam que os profissionais de enfermagem apresentam 
mais predisposição para sofrimento mental, sendo a depressão uma das doenças que mais os 
acometem. Isto se deve não só à natureza da atividade que desenvolvem, mas também a 
condições de trabalho e falta de reconhecimento profissional. 
Segundo Pinhatti et al., (2018, p.206), “a maioria dos sintomas de ansiedade e depressão 
representa uma ameaça específica à participação no trabalho, reduzindo a funcionalidade e 
afetando também, negativamente, a renda, a autoestima e a qualidade devida”. Os autores 
afirmam, ainda, que os transtornos depressivos e de ansiedade têm sido considerados problemas 
sociais e econômicos entre as populações trabalhadoras, devido à alta prevalência e impacto no 
trabalho. Os autores apontam que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os 
brasileiros têm a maior taxa de ansiedade do mundo (9,3%), e o país ocupa a 5ª posição nos 
casos de depressão (5,8%). 
De acordo com Fernandes et al (2017), no Brasil, os transtornos mentais e 
comportamentais são responsáveis pelo crescimento na concessão de benefícios como o 
auxílio-doença. 
Segundo Reese, Linden e Martins (2021), a sobrecarga de tarefas e a busca por 
valorização no ambiente de trabalho fazem com que os profissionais se sintam desanimados e 
mentalmente cansados. 
 Os autores afirmam que a enfermagem tem um maior número de profissionais de saúde, 
e todo o trabalho é centralizado no indivíduo e suas necessidades, por isso há uma ligação mais 
15 
 
direta entre profissionais e pacientes, o que expõe os profissionais aos impactos negativos 
gerados pela proximidade. 
Os autores enfatizam que quando faltam recursos humanos, a sobrecarga afeta os 
trabalhadores, acarretando a diminuição da produtividade e o aumento dos índices de acidentes 
de trabalho, causando assim o adoecimento mental dos trabalhadores. Ainda, de acordo com os 
autores, a depressão estava presente na maioria das vezes em técnicos de enfermagem e nos 
enfermeiros em cargo assistencial, especialmente os que possuíam contato mais próximo com 
os pacientes. 
4.3 Estratégias utilizadas para minimizar as consequências dos fatores estresses nos 
Enfermeiros. 
 Estratégias defensivas são mecanismos por meio das quais o trabalhador busca 
modificar, transformar e minimizar sua percepção da realidade que o faz sofrer. É um processo 
praticamente interno do indivíduo, já que ele geralmente não consegue, muitas vezes, mudar a 
pressão imposta pela organização do trabalho (Silva et al., 2021). 
Para que haja controle dos fatores estressantes nos setores de urgência e emergência e 
assim reduzir o estresse nos profissionais, sugere-se a realização de reuniões de equipe, 
planejamento das atividades e a valorização dos distintos saberes com ênfase nas experiências 
dos profissionais, em prol da saúde dos trabalhadores e da qualidade do trabalho. 
Devendo buscar a autonomia, ter participação ativa nas decisões da equipe 
multiprofissional e, acima de tudo, obter melhorias para evitar a sobrecarga de trabalho, o que 
resultará em um bom ambiente de trabalho, trabalhador sadio e assistência de qualidade 
prestada ao paciente (Oliveira et al., 2021). 
Merece destaque como estratégia a realização de estudos com o objetivo de identificar 
os fatores estressantes na prestação da assistência na urgência e emergência, o que resultará na 
identificação das principais causas e sintomas que acometem essa classe de profissionais. A 
partir daí, pode-se obter subsídios para se propor meios de enfrentamento que cause danos cada 
vez menores aos trabalhadores que atuam nesses setores (Neto et al., 2020). 
Refere-se que a carga psíquica negativa gerada pela exposição contínua dos enfermeiros 
a essas situações de variabilidade que podem emergir os fatores estressores, entre elas o ruído, 
que entra como mais um agravante, provoca insatisfação e ansiedade, e devem ser 
administradas pelos profissionais através da estratégia de descontração por meio de brincadeiras 
e de conversas nos encontros, na realização das atividades e nas pausas. 
 
16 
 
Em consonância aos autores, cabe-se ressaltar que o aumento do número de funcionários 
de acordo coma quantidade de leitos proporcionaria uma melhoria das condições de trabalho 
(Resolução COFEN 293/2004). Sabe-se que as atividades atribuídas aos enfermeiros que atuam 
nas urgências e emergências são de alta complexidade, e quando estas atividades são elevadas, 
aumenta-se também a responsabilidade e a atenção que estes profissionais merecem. 
Para Ramos-Toescher et al (2020), os profissionais da enfermagem tornam-se 
facilmente alvos de vivências estressoras como: fadiga, sobrecarga, exposição a mortes, 
frustrações em relação à qualidade da assistência, etc. De acordo com os autores, os enfermeiros 
podem desenvolver distúrbios psiquiátricos importantes após vivenciarem eventos estressantes, 
como em surtos globais de SARS, MERS e Ebola, responsáveis por níveis elevados de estresse. 
A doença mental decorrente do excesso de trabalho, desgaste cognitivo e sobrecarga 
emocional ocasionados pela natureza das tarefas e condições de execução requer uma 
abordagem mais focalizada na saúde do trabalhador e nos sentimentos envolvidos, os quais 
podem afetar seu desempenho, como estresse e sintomas depressivos. É fundamental 
acompanhar a saúde desses profissionais, pois muitos não dão a devida importância aos seus 
problemas de saúde, o que pode comprometer a qualidade do seu trabalho e resultar em 
complicações tanto no aspecto emocional quanto na saúde em geral. (Freitas, 2022). 
É preciso um olhar importante para esses profissionais, eles também necessitam de um 
cuidado maior, para que possam cuidar de outras pessoas. Estratégias de cuidado podem ser 
estabelecidas, como atividades físicas, psicoterapias aliadas ou não a fármacos, sono adequado, 
também são fatores beneficentes a saúde mental. 
 
5. CONCLUSÃO 
 
 Os resultados mostram que através da realização deste estudo pode-se confirmar que 
os objetivos inicialmente traçados foram alcançados. Além disso, as informações e dados 
apresentados ao longo do caminho incluem aspectos novos e familiares que contribuem para a 
compreensão a cerca da saúde mental dos enfermeiros, que atuam nas urgencias e emergencias 
dos hospitais. 
Com base nos dados colhidos podemos perceber que esse é um assunto de suma 
importância para os profissionais da área da enfermagem que atuam ou almejam atuar em 
unidades de urgência e emergência, uma vez que, o risco de ser acometido por uma doença 
psicológica é real. 
17 
 
A luz das bibliografias pesquisadas respondeu-se ao objetivo desse estudo que é 
identificar os fatores que influenciam na saúde mental dos profissionais de enfermagem que 
atuam nas urgências e emergências. Conclui-se, portanto, que dentre esses fatores estão a 
exigência e a pressão de um trabalho bem realizado, a rotina de lidar com os sofrimentos 
humano e, por muitas vezes com a morte de alguns pacientes, situações precárias de trabalho 
como a falta de recursos e de profissionais, o desgaste físico, emocional e mental. 
 É importante não apenas identificar esses fatores que podem vir afetar a saúde psicológica 
dos profissionais supracitados, mas também apresentar um projeto de intervenção capaz de 
minimizar as consequências dos mesmos. Nesse sentido, torna-se viável ofertar aos 
enfermeiros, com problemas de saúde mental devido aos diversos enfrentamento no cotidiano 
da profissão um plano de tratamento, suporte individualizado, onde os enfermeiros podem 
acessar a ajuda por meio de um site, gerenciado e monitorado aos casos delicados. 
Como futuras pesquisas, sugere-se que sejam realizados estudos de casos e pesquisas 
mais aprofundadas identificando números de profissionais da área de enfermagem das unidades 
de urgência e emergência que adoecem anualmente a partir de uma amostragem definida pelo 
pesquisador utilizando coleta de dados e entrevista estruturada para que através desses dados 
gestores e coordenadores criem estratégias específicas e articuladas com o intuito de dar melhor 
suporte a estes profissionais visando cada vez mais a sua atuação. 
Proteger a saúde dos profissionais de enfermagem é primordial, pois o trabalho deles é 
essencial para proporcionar cuidado e garantir a segurança, tranquilidade e satisfação dos 
pacientes em unidades de urgência e emergência, seja em hospitais públicos ou privados. Suas 
competências técnicas e científicas asseguram a segurança, eficácia e eficiência diante de 
situações de risco imediato e de avaliação do tempo de espera. 
Que esta pesquisa possa ser utilizada por enfermeiros, como incentivo para a realização 
de outras pesquisas nesta área. Acredita-se que, se o profissional enfermeiro dispuser de 
informações fidedignas referentes ao estresse, ansiedade, depressão e outros agentes estressores 
e principalmente, aos danos que pode causar, terá melhores subsídios para trabalhar no sentido 
de preparar a equipe (mecanismo de enfrentamento), a adotar estratégias que visem a minimizar 
e até eliminar situações que afetam a saúde mental e no desempenho dos profissionais de 
enfermagem. 
 
 
 
 
18 
 
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