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MICROBIOLOGIA Lisiane da Luz Rocha Balzan Doenças microbianas do sistema urinário Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever os modos de transmissão das infecções do sistema urinário. Listar os principais microrganismos causadores de doenças no sistema urinário. Diferenciar cistite, pielonefrite e leptospirose. Introdução A infecção do trato urinário (ITU) é uma condição que acomete pacientes da comunidade e pacientes internados em centros hospitalares, atin- gindo todas as faixas etárias e sendo mais prevalente no sexo feminino. As bactérias gram-negativas são a causa mais comum de ITU e, dentre elas, destaca-se a família da ordem Enterobacterales, representada pela Escherichia coli. As bactérias gram-positivas também são responsáveis pelas infecções, nas quais Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus spp. são as principais espécies encontradas. As infecções são classifica- das em trato urinário inferior, restritas à bexiga, e trato urinário superior, acometendo os rins. Também há relatos de comprometimento renal em casos de infecções por leptospirose. A amostra biológica de urina é o principal fluido biológico proces- sado no laboratório de análises clínicas. O exame qualitativo de urina ou exame simples de urina e cultura bacteriana da urina auxiliam o clínico no diagnóstico e tratamento da infecção. Neste capítulo, você vai conhecer os modos de transmissão das infec- ções do sistema urinário, vai aprender a descrever os principais micror- ganismos causadores de doenças no sistema urinário e a diferenciar as principais infecções clínicas: cistite, pielonefrite e leptospirose. Infecções do trato urinário As infecções do trato urinário são o tipo de infecção bacteriana mais co- mumente encontrada em pacientes, podendo apresentar episódio de baixa complexidade e evoluir para infecções sistêmicas graves. A avaliação do quadro clínico vai depender de cada paciente, mas, geralmente, mulheres e crianças são as mais acometidas (HOOTON, 2012). Pacientes hospitalares são diagnosticados com ITU com relação às infecções relacionadas a assistência à saúde (IRAS) devido a procedimentos invasivos — uso de cateter ou doenças de base associada (BRASIL, 2013). As infecções são classificadas em trato urinário inferior quando ocorre a aderência de bactéria, fungos ou agentes específicos à bexiga e trato urinário superior quando acometem os rins e órgãos adjacentes. Na Figura 1, você pode observar os principais órgãos acometidos pelas ITU. A principal via de acometimento do sistema urinário é a via ascendente. Devido às condições anatômicas, a mulher é a mais afetada, já que apresenta menor extensão da uretra. Após o microrganismo atingir o trato urinário, poderá ocorrer a infecção ou colonização do órgão acometido (BARBER et al., 2013). As ITU podem ser complicadas ou não complicadas, e o sucesso terapêu- tico depende da condição do indivíduo. As infecções complicadas acometem indivíduos com doenças de base associada ou com obstruções nos órgãos do sistema urinários, como, por exemplo, pacientes transplantados renais ou com obstruções por tumores. A identificação do patógeno e a avaliação do perfil de susceptibilidade também podem contribuir para a caracterização do episódio de ITU (NABER, 2000). As ITU possuem altos índices de mortalidade e morbidade, sendo prevalen- tes em todas as regiões do mundo. A resistência bacteriana é um problema de saúde mundial, de modo que diversos mecanismos de resistência são detectados para reduzir o uso de classes de antimicrobianos. Internações hospitalares são necessárias para a administração de antimicrobianos de amplo espectro, mas é de extrema importância a avaliação e a confirmação dos casos de bacteriúria sintomática para direcionamento da terapia antimicrobiana adequada (SAKKA; GOULD, 2016). Nos casos de bacteriúria assintomática, o tratamento com antimicrobianos vai depender da avaliação clínica do paciente, bem como de fatores complicadores, como gravidez e transplante renal (HEILBERG, SCHOR, 2003). Doenças microbianas do sistema urinário2 Figura 1. Sistema urinário. Fonte: joshya/Shutterstock.com. Conforme a orientação da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA), a quantificação ≥ 105 UFC/mL de bactéria isolada em cultura de urina pode sugerir infecção do trato urinário. Para mulheres, o resultado deve ser confirmado com uma nova coleta, totalizando duas uroculturas consecutivas com o mesmo germe e con- tagem bacteriana ≥ 105 UFC/mL. Para homens, uma amostra com contagem ≥ 105 UFC/mL pode sugerir infecção devido a condições anatômicas (NICOLLE et al., 2019). Principais microrganismos causadores de doenças no sistema urinário Os microrganismos responsáveis pela ITU geralmente são bactérias colonizadoras da uretra, e a urina é considerada um líquido biológico estéril. Porém, a coleta inadequada e/ou episódios de infecções podem levar ao crescimento bacteriano. As infecções são causadas por bactérias gram-positivas e bactérias gram-negativas, bem como alguns fungos e vírus. Na rotina laboratorial contagens bacterianas, ≥ 105 UFC/mL são considerados patógenos infectantes (PRAH et al., 2019). 3Doenças microbianas do sistema urinário Coleta de urina A coleta de urina é uma etapa extremamente importante no laboratório clí- nico para garantir a qualidade do exame realizado. O paciente deve receber orientações para coleta, armazenamento e entrega do material. Muitas vezes, o fl uido biológico é tratado como um material simples devido ao fato de não possuir uma coleta invasiva. No entanto, orientações devem ser seguidas para realização do diagnóstico clínico adequado. O fl uído biológico deve ser tratado como um material nobre e importante para análise e interpreta- ção laboratorial correta. O laboratório deve responsabilizar-se pelas orien- tações pré-analíticas, bem como pelos critérios de rejeição para execução adequada do exame. Veja, a seguir, as informações base da coleta de urina (MUNDT; SHANAHAN, 2012; XAVIER; DORA; BARROS, 2016). Instruções gerais: coletar a primeira urina da manhã ou a urina retida na bexiga por 2 a 3 horas. Amostra livre de contaminação por fezes ou sangue (menstruação). Amostra coletada do jato médio e volume adequado, não menor do que 10 mL, em recipiente limpo e seco. Para culturas de urinas, há necessidade de recipiente estéril. Instruções para coleta: antes da coleta, higienização da genitália com solução antisséptica suave ou sabão neutro. Para mulheres, afastar os lábios vaginais durante a micção, evitando a contaminação da microbiota vaginal. Durante a coleta, desprezar o primeiro jato urinário (somente o jato médio deve ser coletado no frasco). Estabilidade da amostra: manter em temperatura ambiente até 2 h ou refrigerada (2–8°C) até 24 h. Critérios de rejeição: amostras não refrigeradas em tempo > 2 h após a micção; presença de fezes; amostras coletadas em frasco não estéril. Diagnóstico laboratorial O exame de urina de rotina inclui a avaliação de características físicas, como cor, características químicas, incluindo pH, proteínas, glicose, cetonas, sangue, bilirrubina, nitrito, esterase leucocitária e urobilinogênio. Consiste, ainda, em avaliação do sedimento urinário, em que se observam estruturas Doenças microbianas do sistema urinário4 microscópicas, como eritrócitos, leucócitos e outros patógenos, como bro- tamento de levedura e Trichomonas vaginalis. O exame de urina realizado por laboratórios utiliza a metodologia de uma tira reagente, que consiste em mensurações qualitativas (positivo ou negativo) ou semiquantitativas (por exemplo, de traços a 4+) das características citadas anteriormente. Após, a amostra é centrifugada a 2.000 rpm por cerca de 5 minutos e é realizada a análise do sedimento urinário em microscópico no aumento de 100x e, após, para quantifi cação, em aumento de 400x. Cristais, bactérias e parasitas podemser relatados como presentes, raros, alguns moderados ou frequentes. Amostras coletadas para o exame de urina de rotina devem apresentar volume mínimo de 10 mL, e a coleta deve ser realizada em frasco limpo e seco (MUNDT; SHANAHAN, 2012). Cultura bacteriana de urina ou urocultura O exame solicitado para o isolamento de bactérias responsáveis pelas ITU é a cultura de urina, que se baseia no isolamento e na caracterização dos microrganismos isolados. A metodologia consiste na semeadura da amos- tra de urina em meio de cultura apropriado para crescimento bacteriano e posterior teste de susceptibilidade aos antimicrobianos. A técnica utilizada é a semeadura por esgotamento, na qual a amostra é estriada com alça ca- librável sobre a superfície do meio de cultura. A placa de cultura é incu- bada em estufa bacteriológica com temperatura de 35±2°C por 24h; após, é avaliada a ausência ou a presença do crescimento bacteriano. A semeadura com alça calibrada permite fazer quantifi cação das bactérias no material, por meio da contagem das unidades formadoras de colônia por mililitro (UFC/mL). Cada colônia bacteriana equivale a 1.000 UFC/mL. Em casos de infecção, encontramos contagem bacteriana superior a 100.00 UFc/mL (XAVIER; DORA; BARROS, 2016). As bactérias gram-negativas são as principais responsáveis pelos casos de ITU, e a maioria dos episódios são causados pela bactéria Es- cherichia coli e, em segundo lugar, pela Klebsiella pneumoniae, am- bas pertencentes à família da ordem Enterobacterales. No Quadro 1, a seguir, você pode conferir outros patógenos comumente encontrados (KHOSHNOOD et al., 2017; PRAH et al., 2019). 5Doenças microbianas do sistema urinário Fonte: Adaptado de Khoshnood et al. (2017); Prah et al. (2019). Gram- negativos Gram-positivos Fungos Outros Escherichia coli Klebsiella pneumoniae Enterobacter spp. Proteus mirabilis Serratia spp. Pseudomonas aeruginosa Staphylococcus saprophyticus Enterococcus spp. Staphylococcus aureus Staphylococcus epidermidis Streptococcus agalactiae Candida spp. Trichomonas vaginalis Schistosoma haematobium Mycobacterium tuberculosis Leptospira Quadro 1. Microrganismos causadores de ITU Os bacilos gram-negativos responsáveis pelas infecções do trato urinário pertenciam à família Enterobacteriaceae, mas estudos de taxonomia realizaram novas avaliações e passou-se a adotar a classificação na ordem Enterobacterales, que são uma ordem de anaeróbios facultativos gram-negativos em forma de bastonete (ADEOLU et al., 2016). Cistite, pielonefrite e leptospirose Doenças do trato urinário incluem cistite, pielonifrite, uritrite e outras infec- ções resumidas no Quadro 2. O diagnóstico baseia-se na coleta de urina e análise laboratorial, juntamente com a avaliação das manifestações clínicas (MEDINA; CASTILLO-PINO, 2019). Pacientes internados em centros hospi- talares possuem maior risco de ITU e, normalmente, são submetidos a proce- dimentos invasivos e à utilização de sonda urinária. As infecções nosocomiais são causadas por germes multirresistentes e representam um problema de saúde pública (BRASIL, 2013). Doenças microbianas do sistema urinário6 O diagnóstico de ITU em crianças sem controle esfincteriano é realizado pela coleta de urina em saco coletor; portanto, esse material tem um risco maior de contaminação. A coleta de urina não deve ser contaminada com fezes, e o saco coletor deve ser trocado a cada 30 minutos. Uroculturas que apresentarem crescimento de dois ou mais germes devem ser consideradas contaminadas e, para confirmação do resultado, é indicada a coleta suprapú- bica. Crianças de até 2 anos com febre acima de 40°C e presença de dor na região suprapúbica têm uma prevalência maior para caracterização como ITU. O diagnóstico é necessário para evitar sequelas graves, como lesão renal crônica (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). As mulheres têm maior propensão às infecções urinárias devido a suas condições anatômicas e, normalmente, essas infecções são caracterizadas como cistite. Já nas gestantes, a infecção urinária é mais grave, sendo caracterizada como pielonefrite. Nesses casos, observa-se complicações que podem levar a internações e a diagnóstico de sepse urinária, podendo trazer consequências graves ao recém-nascido (KENNETH et al., 2014). Fonte: Adaptado de Medina e Castillo-Pino (2019). Classificação Definição Bacteriúria assintomática Presença de bactérias no trato urinário, sem comprometi- mento da função renal. Cistite Infecção do trato urinário inferior, bexiga; paciente relata disúria, dor ao urinar. Pielonifrite Infecção do trato urinário superior, rins e pélvis; presença de febre; infecção grave. ITU complicadas Pacientes que possuem anormalidades no trato urinário ou que causam síndromes sistêmica, como a leptospirose. Uretrites Inflamação da uretra frequentemente causadas por doen- ças sexualmente transmissíveis. Quadro 2. Classificação das infecções do trato urinário 7Doenças microbianas do sistema urinário A leptospirose é uma infecção sistêmica que acomete o sistema renal. No link a seguir, acesse um artigo de revisão que descreve a etiologia e a manifestação clínica da leptospirose. https://qrgo.page.link/wY61M Paciente mulher, 32 anos, relata dor ao urinar e desconforto na micção. Como realizar o diagnóstico de cistite? A coleta de urina deve ser obtida do jato médio, realizando higiene adequada e desprezando o primeiro jato. Não deve ser iniciado tratamento antimicrobiano até a coleta da amostra. O exame qualitativo de urina ou exame simples de urina avalia a presença de leucóci- tos e a determinação de outros parâmetros químicos. A cultura de urina é uma técnica quantitativa que avalia o crescimento bacteriano relatando unidades formadoras de colônias por mililitro (UFC/mL). Na Figura 2, observamos o crescimento bacteriano em meio de cultivo específico. Para orientação da terapia antimicrobiana, deve ser solicitado o antibiograma, teste de difusão em ágar do antimicrobiano para avaliação do perfil bacteriano. Na Figura 3, observamos o teste de antibiograma. Figura 2. Crescimento de bacilo gram-negativo em meio de cultura ágar MacConkey. Fonte: Jarun Ontakrai/Shutterstock.com. Doenças microbianas do sistema urinário8 Figura 3. Avaliação do teste de susceptibilidade aos antimicrobianos. Fonte: Jarun Ontakrai/Shutterstock.com. ADEOLU, M. et al. Genome-based phylogeny and taxonomy of the ‘Enterobacteriales’: proposal for Enterobacterales ord. nov. divided into the families Enterobacteriaceae, Erwiniaceae fam. nov., Pectobacteriaceae fam. nov., Yersiniaceae fam. nov., Hafnia- ceae fam. nov., Morganellaceae fam. nov., and Budviciaceae fam. nov. International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, v. 66, n. 12, p. 5.575-5.599, 2016. Disponível em: https://ijs.microbiologyresearch.org/content/journal/ijsem/10.1099/ ijsem.0.001485#tab1. Acesso em: 2 set. 2019. BARBER, A. E. et al. Urinary tract infections: current and emerging management stra- tegies. 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