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INTEGRALIDADE 
NO CUIDADO EM 
ENFERMAGEM 
DA CRIANÇA E 
DO ADOLESCENTE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar os tipos de câncer mais comuns em crianças e sua respectiva 
incidência.
 > Explicar as características clínicas do câncer infantil.
 > Descrever os tratamentos possíveis e suas implicações.
Introdução
O câncer é definido, de uma forma mais simples, como todo crescimento de-
sordenado de células com capacidade de invadir tecidos e órgãos próximos. O 
conceito do câncer engloba mais de 100 doenças de diferentes etiologias, estágios 
e classificações (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2011).
A maior parte das células do corpo humano, por meio de um processo muito 
complexo, é capaz de formar novas células idênticas às originais e se multi-
plicar como função de manutenção, recuperação e crescimento. No entanto, 
em algum momento, podem ocorrer pequenos erros durante as multiplicações 
celulares, e por ser um processo rigoroso, esses erros também são repassados 
às novas células. 
Esses erros podem ter diferentes estímulos, como exposição a agentes can-
cerígenos ou mutação espontânea. O acúmulo desses erros vai gerar alterações 
Cuidados de 
enfermagem em 
criança com câncer
Eveline Lorena da Silva Amaral
genéticas no DNA da célula e, consequentemente, serão repassados sinais alterados 
para as suas funções. Há, então, uma multiplicação descontrolada e irreversível 
que dará origem ao tumor e, por fim, à presença dos sinais clínicos da doença 
(INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2011). 
O câncer infanto-juvenil é estudado de forma separada dos demais, uma vez 
que há uma particularidade nessa faixa etária devido à sua origem, à localização 
e ao comportamento clínico. Não há como inferir medidas preventivas, uma vez 
que pouco se sabe sobre suas origens e fatores de risco; no entanto, as maiores 
chances de cura foram observadas nessas faixas etárias (INSTITUTO NACIONAL 
DE CÂNCER, 2019a). Foi estimado, pelo Instituto Nacional de Câncer, que, durante 
os anos de 2009 e 2013, o câncer foi responsável por 12% de óbitos de crianças 
e adolescentes entre 1 e 14 anos e 8% da faixa de 1 a 19 anos (BRASIL, 2017) e, no 
ano de 2017, gerou mais de 2.500 mortes a nível nacional, em ambos os sexos 
(INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019a).
As implicações do diagnóstico de câncer na infância podem trazer repercussões 
em todas as esferas da vida do paciente e de seus familiares. Apesar de existir um 
bom prognóstico para o câncer infanto-juvenil, ainda é uma doença com muitos 
estigmas que trazem muitos medos e incertezas sobre lidar com a luta pela vida 
e o temor da morte. Dessa forma, é sempre imprescindível o acompanhamento 
por uma equipe multidisciplinar, cuja atenção se volte aos diferentes aspectos 
daquela criança ou adolescente e de seus familiares. 
Neste capítulo, você vai identificar os principais tipos de cânceres que mais 
atingem a faixa etária de 0 a 19 anos e os índices de suas incidências no Brasil. 
Além disso, conhecerá habilidades de detecção precoce por meio da identificação 
de sinais clínicos e sintomas clássicos de cada patologia, bem como os principais 
tipos de tratamentos e como são conduzidos.
Tipos de câncer mais comuns em crianças
Dentre os principais tipos de câncer que mais acometem a faixa etária infanto-
-juvenil, podemos separar em tumores hematológicos, como a leucemia e 
os linfomas, e em tumores sólidos, como os do sistema nervoso central, 
as massas abdominais, os tumores oculares, tumores ósseos e tumores de 
partes moles (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016).
Cuidados de enfermagem em criança com câncer2
Tumores hematológicos
Os tumores hematológicos acometem as células do sangue e do sistema 
linfático. Mais de 50% dos casos de câncer em indivíduos de 5 a 14 anos são de 
tumores do tipo hematológico, em especial, leucemias (INSTITUTO NACIONAL 
DE CÂNCER, 2016).
Leucemias
As leucemias consistem em um câncer cuja principal característica é a presença 
de células anormais na medula óssea que alteram o processo das células do 
sangue. O tipo da leucemia será definido de acordo com o tipo de célula que se 
tornou anormal. Estima-se que existam mais de 12 tipos de leucemias, sendo 
as mais comuns a mieloide e a linfocítica (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 
2019a). A manifestação clínica mais comum da leucemia é a alteração das 
contagens de células do sangue, facilmente detectada mediante solicitação 
do hemograma. Há uma estimativa de que haja cerca de 10 mil casos novos 
no Brasil.
Linfomas
São cânceres originados no sistema linfático do organismo, podendo ser nos 
gânglios, linfonodos ou tecidos com função de imunidade. O mais comum na 
faixa etária infanto-juvenil é o linfoma de Hodgkin. Esse câncer é caracterizado 
pelo aumento dos linfonodos, normalmente palpáveis, endurecidos, imóveis 
e indolores (BRASIL, 2017). Estima-se que os linfomas representem mais de 
15% dos tumores dessa faixa etária (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016). 
A sua taxa de mortalidade é de 0,35 e 0,25 a cada 100 mil habitantes para 
homens e mulheres, respectivamente (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019a).
Tumores sólidos
Tumores do sistema nervoso central
O segundo tumor mais comum na infância (BRASIL, 2017) classifica-se como 
a formação de células cancerígenas localizadas no sistema nervoso central 
(cérebro e medula espinal), comum em crianças, classificado como medu-
loblastomas e neuroblastomas. É normalmente diagnosticado por meio de 
exames de imagem (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019a) e tem um risco 
Cuidados de enfermagem em criança com câncer 3
estimado de 5,61 casos para cada 100 mil indivíduos do sexo masculino e 4,85 
a cada 100 mil do sexo feminino (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019a).
Massas abdominais
Caracterizam-se pela presença de tumores sólidos na região abdominal, nor-
malmente palpáveis. Nem toda massa abdominal tem característica maligna, 
como a hepatoesplenomegalia (aumento dos órgãos abdominais devido a 
alguma infecção ou disfunção orgânica) e as malformações. Essa condição 
normalmente é associada a dores abdominais frequentes, sintomas gastrin-
testinais e aumento do volume abdominal (BRASIL, 2017). Estima-se que os 
tipos mais comuns possam chegar a uma taxa de incidência de cerca de 1,07 
e 0,92 por milhão para faixa de 0 a 14 anos e de 0 a 19 anos, respectivamente 
(INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016).
Tumores oculares
A incidência dos tumores oculares é de cerca de 2% a 4% em crianças e ado-
lescentes, sendo mais comum abaixo de 4 anos de idade. O retinoblastoma é 
definido como tumor em região ocular, normalmente na forma unilateral, e seu 
sinal clínico mais comum é o “reflexo de olho de gato”, facilmente visualizado 
durante consultas de rotina, e pode apresentar sinais de alteração visual e 
estrabismo (BRASIL, 2017). Em cerca de 10% dos casos diagnosticados havia 
histórico da doença na família (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2011). No 
Brasil, a taxa de incidência na faixa etária de 0 a 14 anos é de 6,6 por milhão 
(INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016).
Tumores ósseos
Comum na faixa etária de 15 a 19 anos, trata-se de um tumor em tecidos 
ósseos, como os sarcomas de Ewing e o osteossarcoma (BRASIL, 2017; INS-
TITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016). A maior característica é a dor no local 
acometido, podendo haver o aumento da região e a presença de lesões. 
A incidência dos tumores da família Ewing, no Brasil, é estimada em 7,19 por 
milhão, e a do osteossarcoma é de 4,13 casos por milhão para os grupos de 
0 a 19 anos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016).
Cuidados de enfermagem em criança com câncer4
Tumores de partes moles
Chamados de sarcomas extraósseos, são comuns na faixa etária infantil e 
podem acometer diversas áreas do corpo. Sua nomenclatura, classificação 
e sintomas dependerão da localização do tumor; normalmente há aumento 
do local acometido, dor local, hemorragias, alterações respiratórias ou gas-
trintestinais. Estima-se que 25% dos casos desenvolvem metástase (BRASIL, 
2017). A incidência é de 6,67e 7,54 por milhão, no Brasil, na faixa de 0 a 14 anos 
e de 0 a 19 anos, respectivamente (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2016).
O número de casos novos de câncer infanto-juvenis esperados para 
o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, é de 4.310 no sexo 
masculino e de 4.150 para o sexo feminino. Esses valores correspondem a um 
risco estimado de 137,87 casos novos por milhão no sexo masculino e de 139,04 
por milhão para o sexo feminino (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019a).
Características clínicas do câncer infantil
Os sinais e sintomas do câncer na infância e adolescência podem ocorrer de 
forma indefinida e, muitas vezes, são parecidos com os de infecções comuns 
da idade. O prognóstico positivo para qualquer tipo de câncer, em especial 
do grupo infanto-juvenil, dependerá da habilidade e expertise do profissional 
que acolherá esse indivíduo mediante seus primeiros sintomas inespecíficos 
para conseguir identificar esses sinais de forma rápida.
Sabe-se que, em todo tipo de câncer, quanto mais rápido se identificar e 
se iniciar o tratamento, maiores serão a sobrevida do paciente e as chances 
de não ter ocorrido metástase. No entanto, o tipo, a localização e o estadia-
mento do tumor também serão fatores importantes que definirão maiores 
ou menores chances de sobrevida (BRASIL, 2017).
Vejamos as principais manifestações clínicas do câncer infanto-juvenil 
no Quadro 1.
Cuidados de enfermagem em criança com câncer 5
Quadro 1. Manifestações clínicas do câncer infanto-juvenil
Tipo de câncer Principais manifestações 
clínicas Possíveis tratamentos
Leucemias
 � Baixas contagens de células 
do sangue
 � Palidez palmar ou conjuntival 
grave
 � Fadiga
 � Irritabilidade
 � Sangramentos anormais sem 
causa definida
 � Esplenomegalia
 � Equimoses (manchas roxas na 
pele)
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Transplante de 
medula óssea
Linfomas
 � Aumento de gânglios
 � Massa mediastinal com 
presença de dificuldade 
respiratória
 � Febre sem causa determinada, 
perda de peso e sudorese 
noturna
 � Alterações em duas ou mais 
séries do hemograma
 � Hepatoesplenomegalia
 � Adenomegalia dura, indolor e 
aderida aos planos profundos
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Cirurgia
Tumores 
do sistema 
nervoso central
 � Cefaleia
 � Vômitos matinais
 � Alteração da força muscular
 � Tonturas
 � Alterações na visão
 � Estrabismo
 � Convulsão sem febre nem 
doença de base
 � Paraparesia, ataxia, 
hemiplegia
 � Perda do equilíbrio ao 
caminhar
 � Alteração do nível de 
consciência
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Cirurgia
(Continua)
Cuidados de enfermagem em criança com câncer6
Tipo de câncer Principais manifestações 
clínicas Possíveis tratamentos
Massas 
abdominais
 � Aumento abdominal
 � Hepatomegalia e 
esplenomegalia
 � Dor abdominal crônica 
recorrente
 � Massa abdominal suspeita, 
dificuldade de exame da 
criança
 � Sinais e sintomas 
constitucionais: palidez, dor 
generalizada, perda de peso, 
febre, linfadenomegalia, 
hematomas, etc.
 � Hematúria
 � Hipertensão arterial
 � Virilização
 � Síndrome de Cushing: fácies 
em lua cheia, obesidade, 
hipertensão arterial, acne, 
estrias e fraqueza
 � Alteração do hábito intestinal
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Cirurgia
Tumores 
oculares
 � Branqueamento de pupilas
 � Estrabismo com aparecimento 
súbito
 � Alteração na visão
 � Irritação ocular
 � Alteração visual
 � Dores de cabeça e vômitos
 � Proptose, protusão ocular
 � Glaucoma
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Cirurgia
Tumores 
ósseos
 � Dores ósseas
 � Edemas em membros
 � Sinais de rarefação e lise 
óssea: lesões osteolíticas
 � Reação periosteal: 
espessamento ou ruptura da 
linha do periósteo
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Cirurgia
(Continua)
(Continuação)
Cuidados de enfermagem em criança com câncer 7
Tipo de câncer Principais manifestações 
clínicas Possíveis tratamentos
Tumores de 
partes moles
 � Edemas em membros
 � Aumento de volume em 
qualquer região do corpo com 
sinais de inflamação
 � Tumor localizado no tronco, 
membros ou virilha (incluindo 
os testículos), ao redor dos 
olhos, no ouvido ou seios 
paranasais podem causar dor 
de ouvido, na bexiga ou da 
próstata (podem ter sangue 
na urina)
 � Tumor na vagina pode 
provocar hemorragia vaginal
 � Alteração dos movimentos 
intestinais: vômitos, dor 
abdominal ou constipação
 � Olhos ou pele amarelados
 � Quimioterapia
 � Radioterapia
 � Cirurgia
Fonte: Adaptado do Graham et al. (2015).
É ideal dar-se maior atenção a indivíduos com perda de peso nos últimos 
meses, sangramentos (hemoptise, epistaxe, hematúria), dores inexplicáveis, 
alterações neurológicas, alterações visuais, palidez, febre inespecífica, ede-
mas, caroços indolores, letargia e fadiga.
Sabe-se que o câncer pediátrico não tem muitos fatores de riscos associa-
dos, além do fator genético e da situação de exposição a agentes cancerígenos. 
As crianças estão em constante crescimento, com rápida multiplicação das 
células, que podem desencadear e acelerar o processo do câncer, sendo 
assim, pouco se sabe ainda sobre como prevenir. 
A seguir, listamos algumas recomendações a serem seguidas pelo 
profissional.
 � Dar atenção às informações passadas pelos pais, pois, por estarem 
próximos à criança, poderão descrever de forma precisa o início e s 
permanência dos sintomas.
 � Para casos que chamem atenção ou que retornem com frequência, 
dar maior apoio e marcar consultas de forma multiprofissional.
(Continuação)
Cuidados de enfermagem em criança com câncer8
 � Discutir casos suspeitos de forma multidisciplinar, buscar apoio de 
outros profissionais para um melhor plano de cuidados.
 � Encaminhar casos suspeitos para o centro de referência de atendimento 
oncológico pediátrico.
 � Trabalhar a referência e a contrarreferência com o oncologista para 
acompanhamento do caso.
 � Oferecer escuta ativa, acesso a cuidados psicológicos, informação sobre 
direitos dos recursos sociais disponíveis e apoio à família em fase de 
diagnóstico e tratamento do câncer infanto-juvenil.
Tratamentos do câncer e suas implicações
Os tratamentos de câncer no Brasil estão garantidos pelo Sistema Único de 
Saúde pela Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/90), que garante prevenção, 
acolhimento, assistência ao diagnóstico, assistência terapêutica, tratamento 
e acompanhamento. 
O tipo de tratamento será definido a partir do diagnóstico do tipo, 
do estadiamento e da localização do tumor, por meio das características 
clínicas associadas aos exames laboratoriais e de imagem.
Existem quatro principais tipos de tratamento para o câncer: quimioterapia, 
radioterapia, cirurgia e transplantes de medula.
Quimioterapia
É a forma de tratamento sistêmico do câncer, na qual se aplica ao paciente 
químicos antineoplásicos que serão definidos pelo médico, bem como quantas 
sessões e o tipo de medicação. O protocolo a ser seguido dependerá do tipo 
de câncer, de seu estágio, do comprometimento e da resposta do paciente 
ao tratamento (GRAHAM et al., 2015). É normalmente o tratamento de escolha 
para os casos infanto-juvenis. Pode ter finalidade curativa (eliminação do 
tumor), potencializadora (associada à radioterapia), paliativa (sem objetivo 
curativo, apenas para minimizar sintomas ou reduzir tumor), adjuvante (após 
radioterapia e cirurgia) e neoadjuvante (antes do tratamento principal) (INS-
TITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2008).
Cuidados de enfermagem em criança com câncer 9
Os químicos antineoplásicos classificam-se em (INSTITUTO NACIONAL DE 
CÂNCER, 2008):
 � alquilantes (altera cadeias do DNA da célula, impedindo a multiplicação);
 � antimetabólicos (bloqueiam produção enzimática);
 � antimitóticos (interferem na fase mitótica da célula);
 � topoisomerase-interativos (interferem na síntese do DNA);
 � antibióticos antitumorais (impede duplicação das cadeias de DNA e 
RNA). 
Os medicamentos podem ser administrados de forma oral, intramuscular, 
intravenosa ou intratecal. Seus efeitos precisam ser constantementemonito-
rados para evitar algum tipo de intoxicação, uma vez que o tratamento pode 
durar até 3 anos (GRAHAM et al., 2015).
Por ser um tratamento sistêmico, apresenta uma gama de reações, como 
queda intensa de cabelo, vômitos e náuseas, perda de peso, fraqueza, diar-
reias, etc. (NASCIMENTO et al., 2020). As repercussões psicológicas podem ser 
fortes durante o tratamento e o processo da doença, que se devem ao seu 
impacto na saúde do indivíduo, seus intensos efeitos colaterais, à necessi-
dade de isolamento social devido aos riscos imunológicos, à permanência 
em ambiente hospitalar longe da escola, de hobbies, à falta de privacidade 
e conforto.
Radioterapia 
Tratamento com utilização de raios ionizantes com intenção de destruir ou 
diminuir o crescimento do tumor, levando à diminuição da multiplicação da 
célula cancerígena. É um tratamento mais local, ou seja, depende da loca-
lização do tumor e é focalizado naquela região. Pode ser externa (por meio 
de focos que irradiam e são posicionados próximos à região a ser tratada) 
ou interna, quando é aplicada por meio de cateteres cujo foco radioativo 
é colocado em uma ponta para que irradie próximo à área a ser tratada 
(INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019b). A radioterapia interna é dividida em: 
teleterapia (a curta distância de fonte que emite a radiação) e braquiterapia 
(as fontes radioativas são colocadas dentro de reservatórios e aplicados 
próximo ao tumor) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2008).
A radioterapia pode, ainda, ser dividida em: radiações ionizantes em cor-
pusculares e eletromagnéticas. As radiações ionizantes têm massa e carga 
e cedem sua energia quando há colisões com os átomos do meio em passa 
Cuidados de enfermagem em criança com câncer10
e, a depender dessa energia, pode-se atingir até dois centímetros do tecido. 
Já as radiações eletromagnéticas são ondas de alta energia que não têm 
massa ou carga e liberam sua energia por meio de decaimentos, podendo 
ser raios gama ou raios X (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2008).
Por apresentar muitas reações adversas, a radioterapia não é um trata-
mento de primeira escolha, mas pode ser associado a outros. As reações mais 
comuns são: perda do olfato ou paladar, dor ao engolir, reações dérmicas, 
cansaço, falta de apetite, náuseas, alterações gastrintestinais, perda de pelos, 
prurido (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019b).
Cirurgia
Estima-se que 60% dos pacientes com câncer realizam algum tipo de cirurgia 
como forma de tratamento. O objetivo é a remoção parcial ou total do tumor e 
de seus anexos, evitando a disseminação da doença. Normalmente é indicada 
para tumores sólidos e tem melhor prognóstico quando realizada nos casos 
iniciais da doença (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2008).
As cirurgias oncológicas são normalmente associadas à quimioterapia e à 
radioterapia. Ainda podem ser consideradas como tratamento paliativo para 
descompressão de órgãos e vias, controle de hemorragias e perfurações, 
retirada de lesão, dentre outros, com objetivo de melhorar a qualidade de 
vida e obter alívio da dor, sem visar à cura (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 
2008, 2011).
Existem várias técnicas cirúrgicas que se tornaram tratamento do cân-
cer. Pode-se observar grandes avanços na área cirúrgica de neoplasias nos 
últimos anos (GRAHAM et al., 2015), como a microscopia transoperatória, 
o aspirador tecidual ultrassônico, o uso de laser de CO2, a ressecção estereo-
tática computadorizada e a eletrocorticografia. Essas tecnologias permitem 
o diagnóstico do tumor durante o procedimento cirúrgico e a visualização 
do tumor e seus anexos em regiões delicadas para facilitar a retirada sem 
grandes danos ao tecido e, consequentemente, promovem melhor recuperação 
e bons prognósticos (GRAHAM et al., 2015; JERÓNIMO et al., 2011; LIMA, 2014).
Transplante de medula óssea
Também conhecido como transplante de células-tronco hematopoiéticas 
(TCTH), é um tratamento comum para neoplasias hematológicas, no qual ha-
verá a troca da medula óssea doente por uma medula saudável. Para receber 
a medula, é preciso encontrar alguém compatível para que não haja rejeição 
Cuidados de enfermagem em criança com câncer 11
do novo material, que pode ser da família ou ser algum doador cadastrado no 
banco de dados de doação de medula óssea, chamado de Registro Nacional de 
Doadores de Medula Óssea (REDOME). O cadastro de pessoas que necessitam 
do transplante é feito no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea 
(REREME) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019b). 
O transplante é classificado em três tipos: 
 � autogênico — no qual as células-tronco são retiradas do próprio pa-
ciente e reinfundidas;
 � singênico — as células-tronco são obtidas por meio de irmão gêmeo 
idêntico, sendo a forma mais segura e com menor rejeição.
 � alogênico — por meio de um doador com histocompatibilidade, que 
pode ser parente ou não.
A coleta pode ser realizada por meio de cirurgia, na qual são usadas agulhas 
para aspirar a medula de ossos da bacia do doador. Outro tipo é chamado de 
coleta aférese, no qual o doador faz uso de uma medicação com o objetivo 
de aumentar o número de células-tronco circulantes no seu sangue e, após 
esse período, coleta-se o sangue da veia do doador; este é considerado um 
procedimento mais simples, sem necessidade cirúrgica (INSTITUTO NACIONAL 
DE CÂNCER, 2019b).
Os riscos do transplante são de rejeição da medula doada e reações 
autoimunes (as novas células atacarem o próprio corpo). Os riscos para o 
doador são mínimos, requerendo uma boa avaliação pré-cirúrgica para evitar 
complicações (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019b).
As principais reações adversas por parte do indivíduo que recebeu o trans-
plante são: febre, tosse, falta de ar, alteração gastrintestinal, reação tópica, 
dores e predisposição a infecções (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2019b).
Para se tornar um doador de medula óssea é necessário ter entre 
18 e 35 anos de idade, estar em bom estado geral de saúde, não 
ter doença infecciosa ou incapacitante, não apresentar doença neoplásica 
(câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico. Vale salientar 
que algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo 
analisado caso a caso.
Cuidados de enfermagem em criança com câncer12
Cuidados paliativos
A Portaria nº 874/2013, instituiu a Política Nacional para a Prevenção e Controle 
do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no 
âmbito do Sistema Único de Saúde. Ela garante a assistência ao paciente com 
câncer desde o diagnóstico até o fim da vida, incluindo os cuidados paliativos.
Para casos em que não há possibilidade de reversão, o cuidado paliativo 
entrará como forma de melhorar a qualidade de vida do paciente, oferecendo 
alívio da dor, conforto e trabalho da espiritualidade (ALMEIDA et al., 2011).
O câncer infanto-juvenil é uma das maiores causas de mortes dessa faixa 
etária, apesar de, nessa idade, a evolução até a cura ser mais comum. A maior 
ação para o controle do câncer infanto-juvenil está no diagnóstico precoce 
da doença e no tratamento imediato. Sendo assim, ressalta-se a importância 
da formação dos profissionais de saúde para identificação precoce.
Para exercitar o conteúdo do capítulo, analise o caso a seguir.
MHP, 14 anos, chegou à unidade com seu pai, que refere que a adoles-
cente tem reclamado de muitas dores no pé direito, as quais permanecem por 
dias, mesmo após uso de formas de alívio. Veio à unidade hoje, pois há alguns 
dias notou aumento na região e permanência da dor. 
Quais perguntas seriam relevantes realizar durante essa consulta?
Referências 
ALMEIDA, M. A. et al. (org.). Processo de enfermagem na prática clínica: estudos clínicos 
realizados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Porto Alegre: Artmed, 2011.
BRASIL. Lei nº 8080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a 
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos 
serviços correspondentes e dá outrasprovidências. Brasília: MS, 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 874, de 16 de maio de 2013. Institui a Política 
Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas 
com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: MS, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de diagnóstico precoce do câncer pediátrico. 
Brasília: MS, 2017.
GRAHAM, D. K. et al. Doença neoplásica. In: HAY JR., W. W. et al. (org.). CURRENT pediatria: 
diagnóstico e tratamento. 22. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. p. 990–1021.
Cuidados de enfermagem em criança com câncer 13
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. ABC do câncer: abordagens básicas para o controle 
do câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Ações de enfermagem para o controle do câncer: uma 
proposta de integração ensino-serviço. 3. ed. Rio de Janeiro: INCA, 2008.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Cartilha: radioterapia. Rio de Janeiro: INCA, 2019b.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil. Rio 
de Janeiro: INCA, 2019a.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Incidência, mortalidade e morbidade hospitalar por 
câncer em crianças, adolescentes e adultos jovens no Brasil: informações dos registros 
de câncer e do sistema de mortalidade. Rio de Janeiro: INCA, 2016.
JERÓNIMO, A. et al. Cirurgia laser CO2 no tratamento de tumores malignos glóticos. 
Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Lisboa, 
v. 49, n. 4, p. 235–241, 2011.
LIMA, B. O. Neoplasias do sistema nervoso central na infância: novas perspectivas 
e abordagens. Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria, Salvador, v. 18, n. 2, 
p. 139–147, 2014.
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unidade de alta complexidade em oncologia (UNACON) em Rio Branco – Acre, Bra-
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Leituras recomendadas
CAPRINI, F. R.; MOTTA, A. B. Câncer infantil: uma análise do impacto do diagnóstico. 
Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, v. 19, n. 2, p. 164–176, 2017. 
PAIXÃO, T. M. et al. Detecção precoce e abordagem do câncer infantil na atenção 
primária. Revista de Enfermagem UFPE on line, Recife, v. 12, n. 5, p. 1437 –1443, 2018.
Cuidados de enfermagem em criança com câncer14

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