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FATORES PATOGÊNICOS E DIAGNÓSTICO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA UNIDADE III O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Elaboração Benila Maria Silveira Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE III O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO .................................................................................................................5 CAPÍTULO 1 CONSTITUIÇÃO E APRESENTAÇÃO ........................................................................................................................................ 6 CAPÍTULO 2 LÍNGUA .......................................................................................................................................................................................... 10 CAPÍTULO 3 OLHOS ............................................................................................................................................................................................ 15 CAPÍTULO 4 PULSO............................................................................................................................................................................................. 18 CAPÍTULO 5 ABDOME ........................................................................................................................................................................................ 26 REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................27 4 5 UNIDADE IIIO DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO O diagnóstico pela observação é um dos aspectos mais importantes para a Medicina Tradicional Chinesa (MACIOCIA, 2005, p. 1). Ao observar o paciente é possível obter várias informações úteis ao diagnóstico. Pode- se observar o tipo de corpo, a constituição, cor predominante, como se expressa, entre outros aspectos (MACIOCIA, 2005, p. 1). Um dos princípios no qual o diagnóstico por observação é baseado é de que cada pequena parte individual do corpo reflete o todo. Alguns exemplos são: língua, pulso, abdome, face, orelha (MACIOCIA, 2007, p. 235). Outro princípio é que os Órgãos Internos e desarmonias se manifestam externamente (MACIOCIA, 2005, p. 1). Nesta unidade serão dadas informações importantes para o diagnóstico, bem como algumas formas de fazê-lo. Alguns necessitam de bastante prática e estudo, mas são de extrema importância. Então, sempre os utilize, mesmo que tenha dúvidas e não identifique o diagnóstico imediatamente. Para um diagnóstico preciso, é ideal estudar cada caso, e assim ir construindo um conhecimento mais sólido. 6 CAPÍTULO 1 CONSTITUIÇÃO E APRESENTAÇÃO Observar a constituição e como cada indivíduo se apresenta é importante para o diagnóstico, pois indica a tendência a certas desarmonias, e ajuda a entender qual a gravidade delas (MACIOCIA, 2005, p. 9). Sabendo das disposições e facilidades a certas desordens é possível alertar a pessoa de que hábitos são mais prejudiciais ao seu tipo constitucional (MACIOCIA, 2005, p. 9). Assim, pode-se diminuir ou até evitar problemas futuros. Além disso, um tratamento baseado na constituição de cada um tem resultados úteis em nível mental e emocional (MACIOCIA, 2005, p. 9). O formato do corpo de uma pessoa é determinado pela constituição pré-natal, e influenciada pela constituição e nutrição pós-natal (MACIOCIA, 2005, p. 11). Existem algumas maneiras de classificar a forma do corpo de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa. São elas: de acordo com o Yin e Yang, com os Cinco Elementos, com as Essências Pré e Pós-Natais e de acordo com a compleição do corpo (MACIOCIA, 2005, pp. 11-12). Serão apresentadas detalhadamente as mais utilizadas. Classificação da constituição de acordo com o Yin e Yang Essa classificação mostra a tendência de cada pessoa às características Yang ou Yin. É importante ressaltar que independentemente da classificação, não necessariamente a pessoa terá aquela deficiência ou excesso. As características indicam uma tendência a tal. Forma do corpo abundante em Yang São características de pessoas predominantemente Yang: tendência à face vermelha, preferência ao frio e intolerância ao calor, voz e risada alta, porte físico forte, com tórax e estômago à frente ao andar (MACIOCIA, 2005, p. 12). Indivíduos com abundância de Yang possuem a tendência ao excesso de Yang patológico. Dessa forma, o Calor, Fogo e o Vento geralmente acometem esse tipo de pessoa. Para atingir o equilíbrio, é importante no tratamento sempre nutrir o Yin e acalmar o Yang (MACIOCIA, 2005, pp. 12-13). Forma do corpo abundante em Yin A tendência do Yin predominante é caracterizado por pessoas com tendência à obesidade, músculos frouxos e pele grossa, preferem o calor e manter-se agasalhadas, e mais quietas (MACIOCIA, 2005, p. 13). 7 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Assim, esse tipo é acometido geralmente pelo Frio, Umidade, Fleuma e a estagnação do Qi e Sangue (Xue). Então, o tratamento consiste em retirar esses fatores patogênicos já quando presentes, e regular e fortificar o Qi e o Sangue (Xue) (MACIOCIA, 2005, p. 13). Forma do corpo deficiente em Yang Indivíduos com corpo com tendências de deficiência em Yang são mais desanimados e apáticos, tendem a ter movimentos lentos, fraqueza, músculos frouxos, sobrepeso, membros frios, preferem o calor e têm aversão ao frio (MACIOCIA, 2005, p. 13). Os sintomas para esse tipo de pessoa são relacionados ao Frio, à Umidade e à Fleuma (MACIOCIA, 2005, p. 14). Forma do corpo deficiente em Yin Quando há a tendência do tipo de corpo deficiente em Yin, a pessoa tende a ter bochechas e lábios vermelhos, expressão inquieta dos olhos, sensação de calor. O corpo tende a ser delgado e alto, pescoço fino e longo, e também se curva para frente ao andar (MACIOCIA, 2005, p. 14). Quando há deficiência de Yin, sinais de Calor e energia Yang aparecem. Dessa forma, estes indivíduos têm tendência a desenvolver Calor, Fogo ou Secura (MACIOCIA, 2005, p. 14). Forma do corpo com equilíbrio de Yang e Yin Quando a constituição do corpo tende a um equilíbrio de Yang e Yin, possui características medianas: estatura média, não é muito robusto nem delgado, possui movimentos equilibrados, e é capaz de se adaptar às mudanças mais facilmente (MACIOCIA, 2005, p. 14). Fatores patogênicos externos atacam menos esse tipo de pessoa (MACIOCIA, 2005, p. 15). Classificação da forma do corpo de acordo com os Cinco Elementos Estas classificações são gerais, de forma que também são tendências corporais. Não necessariamente por apenas uma característica, o indivíduo deve ser moldado a um tipo específico. É importante lembrar-se de que a constituição depende também da nutrição pós-natal. Esta pode influenciar algumas particularidades, como o tônus muscular e o tamanho do abdome (MACIOCIA, 2005, p. 19). Quando o indivíduo é identificado como um tipo dentro dos Cinco Elementos, porém foge de uma característica, ele pode mostrar alguma desarmonia (MACIOCIA, 2007, p. 243). 8 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Os tipos dos elementos são importantes também para o prognóstico. É menos desarmônico para uma pessoa sofrer de um padrão que pertence ao seu tipo de Elemento do que sofrer de um padrão de um Elemento diferente (MACIOCIA, 2007, p. 243). Para identificar melhor essa classificação, lembre-se de todas as características que a Medicina Tradicional Chinesa engloba em cada um dos Cinco Elementos. Tipo Madeira Possui cor levemente esverdeada, face longa, apesar da cabeça pequena, ombros largos e membros longos, corpo alto, musculoso e ereto. Geralmente são inteligentes, mentes ativas e tendem a se preocupar (MACIOCIA, 2005, p. 15). Sofrem com as doenças do outono e inverno, e sentem-se mais saudáveis durante a primavera e o verão (MACIOCIA, 2005, p. 15). Tipo Fogo Possui cores avermelhadas, principalmenteno rosto; dentes largos, cabelos enrolados ou escassos, dorso, quadris, cabeça bem desenvolvidos. São pensadores, rápidos e ativos. Tendem a pensar muito. Ótimos observadores e analistas (MACIOCIA, 2005, p. 16). A invasão de fatores patogênicos acontece mais facilmente no outono e no inverno. São indivíduos que tendem a sofrer morte súbita (MACIOCIA, 2005, p. 16). Tipo Terra São indivíduos com o corpo proporcional, com cores amareladas. Cabeça grande com rosto arredondado e mandíbulas largas; abdome largo, músculos em geral bem torneados. Andam firmes. Geralmente são calmos e generosos, de fácil convivência (MACIOCIA, 2005, p. 16). Na primavera e no verão são acometidos pelos fatores patogênicos dessas épocas, e geralmente são mais saudáveis nas outras duas estações do ano (MACIOCIA, 2005, p. 17). Tipo Metal Geralmente são mais pálidos. O corpo como um todo é pequeno, cabeça, ombros, mãos e abdome. A face é quadrada. Geralmente são mais quietos e calmos. Líderes e administradores natos. Possuem voz forte (MACIOCIA, 2005, p. 17). Também ficam mais doentes no verão e na primavera (MACIOCIA, 2005, p. 18). 9 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Tipo Água Possuem pele mais escura com tendência a rugas. Possuem coluna longa, com corpo e face arredondados. Ombros pequenos, mas abdome largo. Ficar parado é uma dificuldade, e se movimentam bastante quando caminham. Indivíduos mais solitários, bons negociantes, atentos e sensíveis (MACIOCIA, 2005, p. 18). O verão e a primavera são épocas em que esses indivíduos são mais acometidos por fatores patogênicos externos (MACIOCIA, 2005, p. 19). A constituição do corpo, tipo físico, do rosto, pele e partes do corpo indicam de várias formas as tendências e as desarmonias de cada indivíduo. Para que seja mais bem entendido, leia capítulos dos livros usados como referência. 10 CAPÍTULO 2 LÍNGUA Este é um microssistema muito importante para o diagnóstico dentro da Medicina Chinesa. Com ele, é possível identificar a condição dos Órgãos Internos e fatores patogênicos que, por ventura, estejam presentes (ZHUFAN, 2009, p. 86). Permite diagnosticar com objetividade e que auxilia no esclarecimento de condições complicadas (MACIOCIA, 2005, p. 163). O que também torna o diagnóstico pela língua interessante é que entre os atendimentos ela modifica, indicando a evolução do tratamento. Ao diagnosticar uma língua, observa-se primeiramente a cor, depois o formato, a umidade e, por último, a saburra (MACIOCIA, 2005, p. 163). Essa ordem é importante para evitar o erro no diagnóstico, pois se a língua ficar muitos segundos para fora, a cor modifica de acordo com a circulação do sangue. Se necessário, peça para a pessoa voltar e coloque-a novamente para fora para que possa observar todos os aspectos sem alterações. Cada área da língua é relacionada com os Órgãos e Vísceras (Zang Fu). Essa correspondência é indicada na Figura 5. Figura 5. Topografia da língua. Fígado e Vesícula Biliar Fígado e Vesícula Biliar Estômago Baço Rins Bexiga Intestinos Pulmões Coração Fonte: Adaptado de Maciocia (2005, p. 167). Na ponta estão Coração (Xin) e Pulmão (Fei), as bordas representam Fígado (Gan) e Vesícula Biliar (Dan), a raiz Rim (Shen), Bexiga (Pang Guan) e Intestinos. O centro o Estômago (Wei) e Baço (Pi). 11 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Cor do corpo da língua Uma língua normal é umedecida, de cor vermelha clara, coberta com uma saburra fina. Pálida Indica deficiência de Yang, Qi e de Sangue (Xue). Na primeira, tende a ser mais úmida. Deficiente de Qi, além de pálida, a língua tende ao aumento de volume. Na deficiência de Sangue (Xue) é mais seca, sem mudança de forma e tamanho. Quando a palidez está mais lateral, indica a deficiência de Sangue (Xue) do Fígado (Gan) (MACIOCIA, 2007, p. 255; ZHUFAN, 2009, p. 86). Vermelha Quando mais vermelha que o normal, indica o calor patogênico. Se, por excesso, possui saburra, geralmente amarela; se por deficiência, não possui saburra e possui fissuras (MACIOCIA, 2007, p. 255; ZHUFAN, 2009, p. 86). O vermelho intenso pode aparecer em áreas respectivas ao Órgão onde está a desordem. Por exemplo, o vermelho além do normal, na ponta da língua, indica Calor ou Fogo no Coração (Xin) (MACIOCIA, 2007, p. 255; ZHUFAN, 2009, p. 86). Vermelho-encarnado Indica uma condição mais grave que as patologias da língua vermelho intenso (MACIOCIA, 2007, p. 255; ZHUFAN, 2009, p. 87). Quando acompanhada de saburra amarela, indica que há patologia também no Yin (ZHUFAN, 2009, p. 87). Púrpura Indica estagnação extrema de Sangue, Calor ou Frio. Essa cor pode também estar em áreas isoladas da língua (MACIOCIA, 2007, p. 255; ZHUFAN, 2009, p. 86). Quando púrpura-avermelhada, indica Calor e estase de Sangue (Xue), e é precedido por uma língua vermelha. E púrpura-azulada indica Frio e estagnação de Sangue (Xue), precedido por uma língua pálida (MACIOCIA, 2007, p. 255). Também existe a possibilidade de petéquias, que indicam estase do Sangue (Xue) e/ou Calor (aumento de Yang). Formato do corpo da língua Indica o estado do Sangue (Xue), do Qi e se há excesso ou deficiência (MACIOCIA, 2007, p. 256). 12 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Língua fina Quando mais fina e menor que o normal. Quando está pálida, indica deficiência do Sangue (Xue) e do Qi. Se estiver na cor vermelho intenso é deficiência de Yin, com consequente Fogo hiperativo (MACIOCIA, 2007, p. 256; ZHUFAN, 2009, p. 87). Também indica que há diminuição de fluidos corporais (ZHUFAN, 2009, p. 88). Língua inchada Indica retenção de Umidade ou Fleuma. Quando parcialmente, indica Calor no Órgão correspondente à região (MACIOCIA, 2007, p. 256; ZHUFAN, 2009, p. 86). Geralmente é flácida e acompanhada de marcas de dentes. Isso indica a deficiência de Qi do Baço (Pi) (ZHUFAN, 2009, p. 87). Língua rachada Indica consumo dos fluidos corporais, Calor e deficiência de Yin. Quando a língua também está pálida indica a deficiência de Sangue (Xue). Exemplo: rachaduras no centro indicam deficiência do Yin do Estômago (Wei) (MACIOCIA, 2007, p. 256; ZHUFAN, 2009, p. 88). Língua longa; língua curta A língua mais longa mostra tendência ao Calor, principalmente do Coração (Xin) (MACIOCIA, 2007, p. 256). Já a língua curta, quando combinada com palidez e umidade, indica Frio. Quando vermelha e seca, deficiência de Yin (MACIOCIA, 200, p. 256). Língua rígida Indica Vento interno ou estagnação de Sangue (Xue) (MACIOCIA, 2007, p. 256). Língua trêmula Geralmente, indica deficiência de Qi do Baço (MACIOCIA, 2007, p. 256). Também indica presença de Vento interno ou intoxicação por álcool (ZHUFAN, 2009, p. 88). Quando pálida, indica deficiência do Qi e Sangue (Xue) com Vento interno. Se vermelha, Vento do Fígado (Gan). Quando vermelho-púrpura e o tremor é apenas quando coloca para fora, indica intoxicação por álcool (ZHUFAN, 2009, p. 88). 13 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Saburra da língua Como já exposto, a língua normal possui uma saburra fina. A cor saudável é um leve esbranquiçado, com pequena umidade (ZHUFAN, 2009, p. 88). Saburra espessa indica fator patogênico (MACIOCIA, 2007, p. 256). Quanto mais espessa, mais profundo o fator patogênico (ZHUFAN, 2009, p. 88). A cor indica se o patógeno é por Frio, quando branca, ou Calor, quando amarelada (ZHUFAN, 2009, p. 88). A formação da saburra é relacionada à condição e à função do Estômago (Wei) (MACIOCIA, 2007, p. 257; ZHUFAN, 2009, p. 88). Saburra espessa Quanto mais espessa a saburra, mais profundo e forte é o fator patogênico. Pode indicar que seja interno ou externo, caracterizando Vento, Umidade, Fleuma ou retenção de alimentos (MACIOCIA, 2007, p. 257; ZHUFAN, 2009, p. 89). Saburra fina ou ausente Indica deficiência de Yin do Estômago (Wei) ou do Rim (Shen). Quando também está vermelha, indica presença de Calor (MACIOCIA, 2007, p. 257). Saburra seca; saburra úmidaMostra a condição dos fluidos corporais. Quando seca, intuitivamente, indica o consumo dos fluidos corporais. Quando muito úmida e escorregadia, sugere a presença de Umidade (ZHUFAN, 2009, p. 89). Saburra pegajosa Neste caso, a saburra é turva, oleosa e difícil de ser removida. Indica retenção de Umidade, muco e alimentos (ZHUFAN, 2009, p. 89). Saburra branca Quando o branco é mais forte, indica Frio interno (camada fina) ou externo (camada espessa). Quando também é oleosa, indica Umidade (ZHUFAN, 2009, pp. 89-90). Saburra amarela Indica Calor interno. Quando mais escuro o amarelo, maior o comprometimento. Umidade-Calor é indicada por saburra amarela espessa e oleosa (ZHUFAN, 2009, p. 90). 14 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Saburra cinza ou preta A cor cinza na saburra indica tanto Calor quanto Frio-Umidade. Quando escurece, torna-se preta. Indica uma evolução do quadro, com Calor ou Frio extremo (ZHUFAN, 2009, p. 90). Essas são características gerais do diagnóstico da língua. Quando combinados, indicam a condição do indivíduo de forma objetiva e funcional. 15 CAPÍTULO 3 OLHOS Os olhos refletem o estado da Mente (Shen), da Essência (Jing), e de todos os Órgãos Internos. Além disso, representam os orifícios do Fígado (Gan) (MACIOCIA, 2005, p. 62; MACIOCIA, 2007, p. 248). Fígado (Gan) Pela teoria dos Cinco Elementos, olhos e Fígado (Gan) são diretamente relacionados (MACIOCIA, 2005, p. 63). Os olhos produzem uma visão normal quando bem nutridos pelo Sangue (Xue) do Fígado (Gan) e pelo Yin do Fígado (Gan). Olhos secos indicam deficiência do Yin do Fígado, e visão turva indica deficiência do Sangue (Xue) do Fígado (Gan) (MACIOCIA, 2005, p. 64). Rim (Shen) O Rim (Shen) também nutre e umedece os olhos, além de lubrificá-los. Influenciam na pressão intraocular, dessa forma, a deficiência do Rim (Shen) é relacionada ao glaucoma (MACIOCIA, 2005, p. 64). Coração (Xin) Os olhos só recebem o Sangue (Xue) do Fígado (Gan) quando o Qi do Coração (Xin) está harmônico e saudável (MACIOCIA, 2005, p. 64). Estômago (Wei) e Baço (Pi) As pálpebras e os músculos que controlam o fechamento e abertura dos olhos são influenciados pelo Baço (Pi). O Estômago (Wei) é responsável pelo transporte das essências dos alimentos até os olhos (MACIOCIA, 2005, p. 64). Essa relação é mais bem visualizada com a expressão antiga “Cinco Rodas”. Ela indica que cada área do olho é correspondente a um Órgão Interno (Zang), estabelecendo uma relação fisiológica (MACIOCIA, 2005, p. 65). As Cinco Rodas são: a Roda do Vento, a do Sangue, de Água, a Muscular e a de Qi. Cada uma corresponde a um Órgão Interno (Zang), e, consequentemente, a uma essência. 16 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Essas informações estão resumidas no quadro 15 (MACIOCIA, 2005, p. 65). Na Figura 6 as Cinco Rodas estão indicadas na figura de um olho. Assim, o aspecto dos olhos indicam as possíveis desordens internas relacionadas aos Órgãos (Zang). Os principais sinais e sintomas internos de acordo com uma desordem ocular estão resumidos no quadro 16. Quadro 15. Cinco Rodas e a área ocular. Cinco Rodas Zang Correspondente Essência Área olho Roda de Vento Fígado Dos tendões Íris Roda de Sangue Coração Do Sangue Cantos da esclera Roda de Qi Pulmão Do Qi Esclera Roda Muscular Baço/Pâncreas e Estômago Dos músculos Pálpebras Roda de Água Rim Dos ossos Pupila Fonte: Adaptado de Maciocia (2005, p. 65). Figura 6. Representação das Cinco Rodas e órgãos correspondentes no olho. BP – Baço/Pâncreas; F – Fígado; R – Rim; P – Pulmão; C – Coração; E – Estômago Fonte: Maciocia (2005, p. 65). Quadro 16. Sinais e sintomas sistêmicos identificados no olho. Sinais do olho Entorpecido ou nublado: perturbação da Mente, Essências dos órgãos Yin debilitadas; problemas emocionais profundos e de longo prazo Canto do olho vermelho: Fogo do Coração (Xin) Canto branco-pálido: deficiência Sangue (Xue) Esclera vermelha: Calor no Pulmão (Fei) Esclera amarela: Calor-Umidade Olho inteiro vermelho, doloroso, inflamado: invasão de Vento-Calor ou Fogo do Fígado (Gan) Edema sob os olhos: deficiência do Rim (Shen) Manchas cinzentas e espalhadas: danos provocando estagnação do Qi Manchas preto-escuras: dano induzindo estase de Sangue (Xue) Fonte: Adaptado de Maciocia (2007, p. 249). 17 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Importante lembrar que o brilho dos olhos refere-se à vitalidade, refletindo um estado normal da Mente e do Espírito (MACIOCIA, 2005, p. 66). Quando o olho mantém o brilho, apesar de mostrar algum outro sinal de desarmonia, indica que a Mente e o Espírito estão fortes. Assim, independente da desordem interna, a vida emocional e mental do indivíduo está menos comprometida e mantém algum equilíbrio (MACIOCIA, 2005, p. 66). Sinais e sintomas dos olhos podem ser observados durante o interrogatório, confirmando o diagnóstico, ou indicando por qual caminho seguir nas perguntas. 18 CAPÍTULO 4 PULSO Este é um dos mais importantes recursos de diagnóstico da Medicina Tradicional Chinesa, porém também é o mais desafiador. É complexo e depende da sensibilidade de cada um, mas principalmente de estudo e adquirir experiência. Diagnosticar pelo pulso é uma habilidade muito sutil e, por isso desafiadora ao aprender (MACIOCIA, 2007, p. 288). Mas é um recurso de grande valor e que pode ser combinado com as outras formas de diagnóstico, até que se torne mais fácil. Esse diagnóstico fornece informações sobre o estado dos Zang Fu, do Qi e do Sangue (Xue), tanto qualitativamente quanto quantitativamente (MACIOCIA, 2007, p. 288). Inicialmente, diagnosticar pelo pulso pode ser feito de maneira dinâmica, entendendo se o Qi está fluindo e em que nível (superficial, médio ou profundo), se é mais Yin ou Yang, se há deficiência ou excesso (MACIOCIA, 2007, p. 291). Ao utilizar o pulso são observadas as profundidades do nível superficial, o médio e o profundo. A primeira é apenas como toque suave dos dedos no pulso. O nível profundo é quando sente o pulso mais duro, e o médio é entre as duas pressões (MACIOCIA, 2007, p. 219). O quadro 17 apresenta diagnósticos possíveis de acordo com o nível de pressão no pulso. Quadro 17. Níveis de pressão para diagnóstico do pulso. Níveis do pulso Nível superficial: reflete estado do Qi e Órgãos Yang Nível médio: reflete estado do Sangue Nível profundo: reflete estado do Yin e Órgãos Yin Fonte: Maciocia (2007, p. 291). Para sentir o pulso do indivíduo, o ideal é que o braço esteja na horizontal, abaixo do nível do coração. Ou seja, quando sentado o braço deve repousar na mesa, e quando deitado na maca, com os braços ao lado do corpo (MACIOCIA, 2007, p. 292). 19 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Figura 7. Posição da mão do paciente e do profissional para sentir o pulso. Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/tradicional-chinesa-diagn%C3%B3stico-3666183/. Acesso em: 23 de março de 2020. Os dedos utilizados são: indicador, médio e anelar. Os três são colocados ao mesmo tempo na artéria radial. Inicialmente, faz-se a análise geral, e depois, a análise individual, deixando apenas um dos dedos em contato com o pulso (MACIOCIA, 2007, p. 292). A posição dos dedos depende da idade e tamanho da pessoa, mas os três, geralmente, estão seguidos um do outro (MACIOCIA, 2007, p. 292). E para identificar e sentir melhor o pulso, pode-se mover os dedos, levantando, pressionando e deslizando (MACIOCIA, 2007, p. 293). Estão representadas na Figura 8 as posições dos dedos no pulso, e a correspondência de cada com os Órgãos e Vísceras. Os Órgãos (Zang), de natureza Yin, são mais profundos. As Vísceras (Fu) são mais superficiais. Figura 8. Posição e correspondência do pulso e Zang Fu. Rim Bexiga Fígado Vesícula Biliar Coração Int. Delgado Aquecedor Inferior Aquecedor Médio Aquecedor Superior Água Madeira Fogo P7 P8 P9 Esquerda P7 P8 P9 Direita PericárdioTriplo Aquecedor Baço Estômago Pulmão Int. Grosso Fogo Terra Metal Fonte: Adaptado de Maciocia (2005, p. 359). https://pixabay.com/pt/photos/tradicional-chinesa-diagn%C3%B3stico-3666183/ 20 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Tipos de pulso De acordo com Maciocia (2007), ao todo são 28 tipos de pulso. Flutuante (Fu) Pode ser sentido já na pressão mais leve. Ao aumentar essa pressão, se torna mais fraco, e desaparece no pulso profundo. Ou seja, é localizado no exterior. (FLAWS, 2005, p. 19; MACIOCIA, 2007, p. 295). Indica a presença de fatores patogênicos externos, tais como Vento-Calor (Flutuante e Rápido) ou Vento-Frio (Flutuante e Tenso). Agentes externos invadem o corpo e se alojam inicialmente na superfície (FLAWS, 2005, p. 40; MACIOCIA, 2007, p. 295). Quando se identifica o flutuante no nível superficial, mas vazio no nível profundo, indica deficiência de Yin (MACIOCIA, 2007, p. 295). Profundo (Chen) Pode ser sentido apenas após a pressão dos dedos mais perto do osso. Assim, é um pulso apenas de nível profundo (FLAWS, 2005, p. 23; MACIOCIA, 2007, p. 295). Indica desordem nos Órgãos Yin. Quando também estiver fraco, indica também deficiência de Qi e Yang. Quando Profundo-Cheio, indica estagnação do Qi e Sangue (Xue) (MACIOCIA, 2007, p. 295). Lento (Chi) Quando apresenta cerca de três batidas no pulso do paciente, por ciclo de respiração do profissional (MACIOCIA, 2007, p. 295). Indica Frio e deficiência de Yang, quando Lento e Fraco; e padrão de Frio por excesso, quando Lento e Cheio. (MACIOCIA, 2007, p. 295). Rápido (Shu) Neste caso, quando mais de cinco batidas por respiração do profissional. O Calor é a causa desse pulso. Se também estiver Flutuante e Rápido, indica deficiência de Yin; se Cheio e Rápido, indica Calor por excesso (MACIOCIA, 2007, p. 295). 21 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Vazio (Xu) O pulso Vazio é suave, quase não pode ser sentido. No nível profundo, é possível sentir uma pressão mais forte e mole. É também um termo geral para tipos de pulsos deficientes. (FLAWS, 2005, p. 21; MACIOCIA, 2007, pp. 295-296). Indica a deficiência de Qi (MACIOCIA, 2007, pp. 295-296). Cheio (Shi) É possível sentir um pulso cheio, longo, com a sensação de mais volume, duro. É um termo geral para os pulsos fortes (FLAWS, 2005, p. 25; MACIOCIA, 2007, p. 296). Indica, intuitivamente, padrão de excesso. Quando Rápido de Calor, e quando Lento de Frio (MACIOCIA, 2007, p. 296). Deslizante (Hua) É um pulso suave, que desliza ao toque, como se escapasse. Indica Fleuma, Umidade e retenção de alimentos (MACIOCIA, 2007, p. 296). Áspero (Se) Pulso que produz uma sensação de pontada áspera, oposto de suave, com mudanças rápidas. Não flui livremente, estagnado e difícil (FLAWS, 2005, p. 28; MACIOCIA, 2007, p. 296). Sugere uma deficiência de Sangue (Xue) e esgotamento de fluidos (MACIOCIA, 2007, p. 296). Longo (Chang) É mais longo, comprido e suave que o normal. Indica Calor (MACIOCIA, 2007, p. 296). Curto (Duan) Pulso breve, mais curto que o normal. Indica deficiência grave de Qi (MACIOCIA, 2007, p. 296). Transbordante (Hong) Estende-se além do pulso, é sentido grande, e é mais superficial, como se fosse transbordar do pulso. Indica Calor extremo e por deficiência (MACIOCIA, 2007, p. 296). 22 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Fino (Xi) Mais fino que o normal, estreito. Macio, sem energia, mas persistente. Não desaparece com a pressão (FLAWS, 2005, p. 28; MACIOCIA, 2007, p. 297). Indica deficiência de Sangue (Xue), Umidade interna e deficiência de Qi (MACIOCIA, 2007, p. 297). Mínimo (Wei) Pulso pequeno e difícil de sentir, mais fino que o pulso anterior. Insuficiente, imperceptível e muito deficiente (FLAWS, 2005, p. 28; MACIOCIA, 2007, p. 297). Deficiência grave de Qi e Sangue (Xue) (MACIOCIA, 2007, p. 297). Tenso (Jin) Pulso mais rígido, que passa a sensação de algo contorcido, tenso, amplo e forte (FLAWS, 2005, p. 26; MACIOCIA, 2007, p. 297). Indica Frio, Interior ou Exterior. Quando Flutuante, indica invasão de Frio; se Cheio e Profundo, indica Frio Interior em excesso; e se também Fraco e Profundo, mostra Frio Interior por deficiência (MACIOCIA, 2007, p. 297). Em Corda (Xian) Pulso que passa a sensação de uma corda esticada. Longo e forte. Mais fino e mais duro que o pulso Tenso. Bate nos dedos em uníssono (FLAWS, 2005, p. 26; MACIOCIA, 2007, p. 297). Indica desarmonia do Fígado (impede o livre e harmônico fluxo de Qi), dor e/ou Fleuma (MACIOCIA, 2007, p. 297). Compassado (Huan) Possui cerca de quatro batidas por ciclo respiratório. Representa, geralmente, um pulso saudável (MACIOCIA, 2007, p. 297). Ou seja, não é Rápido, nem muito Lento, Em Corda ou Apertado (FLAWS, 2005, p. 25). 23 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE III Oco (Kou) Não é sentido em nível médio, e é encontrado no nível superficial e profundo. Ou seja, é vazio/oco no meio. Assemelha-se a uma haste de cebolinha. (FLAWS, 2005, p. 22; MACIOCIA, 2007, p. 297). Esse pulso é comum após hemorragia (MACIOCIA, 2007, p. 297). Em Couro (Ge) Superficialmente é duro e apertado, e em nível médio e profundo é vazio. Pulso grande, amplo e não fino. É assim chamado por ser comparado a um tambor. Indica deficiência da Essência ou de Yin do Rim (FLAWS, 2005, p. 19; MACIOCIA, 2007, p. 298). Firme (Lao) É um pulso Em Corda em nível profundo, pois não é sentido em nível superficial e médio. Apenas em nível profundo, de forma dura, firme, Em Corda, Forte e Longo (FLAWS, 2005, p. 24; MACIOCIA, 2007, p. 298). Acontece em estase de Sangue, Frio Interior ou dor (MACIOCIA, 2007, p. 298). Encharcado (ou Flutuante-Fraco ou Macio) (Ru) Sentido apenas em nível superficial, de forma macia e um pouco flutuante, macio e flexível. (FLAWS, 2005, p. 23; MACIOCIA, 2007, p. 298). Indica Umidade com deficiência de Qi. Também indica deficiência do Yin ou de Essência (MACIOCIA, 2007, p. 298). Fraco (Ruo) Sentido apenas em nível profundo, de forma mole, muito fino, como um fio. (FLAWS, 2005, p. 23; MACIOCIA, 2007, p. 298). Acontece na deficiência de Yang e de Sangue (MACIOCIA, 2007, p. 298). Disperso (San) Sentido superficialmente, de forma muito pequena. Passa a sensação de onda, como se “quebrado” em pequenas partes. Torna-se facilmente irregular, disperso, e sob pressão é ausente (FLAWS, 2005, p. 22; MACIOCIA, 2007, p. 298). 24 UNIDADE III | O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO Indica deficiência de Qi e Sangue, e do Qi do Rim. Sempre em condição grave (MACIOCIA, 2007, p. 298). Escondido (Fu) Como se o pulso estivesse abaixo do osso, muito profundamente. É difícil de sentir, pois é mais profundo que o pulso Profundo (FLAWS, 2005, p. 24; MACIOCIA, 2007, p. 298). Indica deficiência extrema do Yang (MACIOCIA, 2007, p. 298). Móvel (Dong) Pulso arredondado, curto e vibra sob o dedo, sem muita forma definida. Indica choque, medo, ansiedade. Geralmente aparece em pessoas com problemas emocionais profundos (MACIOCIA, 2007, p. 298-299). Precipitado (Cu) Rápido e com intervalos irregulares. Indica Calor extremo, deficiência do Qi do Coração ou Fogo do Coração (MACIOCIA, 2007, p. 299). Atado (Jie) Pulso relaxado, lento e com intervalos irregulares (FLAWS, 2005, p. 29; MACIOCIA, 2007, p. 299). Indica Frio e deficiência de Yang do Coração (MACIOCIA, 2007, p. 299). Intermitente (Dai) Interrompe-se em intervalos irregulares, e podem ser intervalos longos. Relaxado e fraco quanto à frequência (FLAWS, 2005, p. 29; MACIOCIA, 2007, p. 299). Indica alteração nos órgãos Yin, principalmente do Coração (MACIOCIA, 2007, p. 299). Acelerado (Ji) Muito rápido, agitado e urgente. Indica excesso de Yang, com o Fogo consumindo o Yin (MACIOCIA, 2007, p. 299). Os quadros 18 e 19 resumem os pulsos de acordo com as características similares e a natureza dos tipos de pulso. Assim, fica mais fácil para identificá-los. 25 O DIAGNÓSTICO POR OBSERVAÇÃO E PALPAÇÃO | UNIDADE IIIQuadro 18. Grupos de pulsos com características similares. Pulsos Tipo/Característica Flutuante, Oco, Em Couro Flutuante Profundo, Firme, Escondido Profundo Lento, Atado Lento Rápido, Precipitado, Acelerado, Móvel Rápido Cheio, Transbordante, Em Corda, Tenso, Longo Cheio Vazio, Fraco, Fino, Mínimo, Encharcado, Disperso Vazio Fonte: Adaptado de Maciocia (2007, p. 299). Quadro 19. Grupos de pulsos com características similares de acordo com a natureza dos pulsos. Pulsos Natureza de acordo com Flutuante, Profundo, Escondido, Firme, Em Couro Profundidade Vazio, Cheio, Fraco, Disperso Força Lento, Rápido, Compassado, Acelerado, Móvel Velocidade Grande, Transbordante, Fino, Mínimo Tamanho Longo, Curto, Móvel Comprimento Deslizante, Áspero, Em Corda, Tenso, Móvel, Oco, Firme Forma Atado, Precipitado, Intermitente Ritmo Fonte: Adaptado de Maciocia (2007, p. 299). 26 CAPÍTULO 5 ABDOME Observar o abdome permite identificar o estado do Estômago (Wei), do Baço (Pi) e dos Rins (Shen), que são as raízes do Qi Pós e Pré-Natal (MACIOCIA, 2005, p. 119). A distensão abdominal é um sinal e um sintoma, caracterizado tanto pela sensação de inchaço quanto pela distensão em si. A causa mais comum é a estagnação do Qi, relacionada com Fígado (Gan), Baço (Pi) e Intestinos. Condições mais graves indicam desordem no Aquecedor Inferior, que pode ser Umidade e Fleuma que causam edema (MACIOCIA, 2005, p. 120). A sensação de plenitude é causada por Umidade e retenção de alimentos. O indivíduo sente-se cheio e tem náuseas. O abdome fica duro à palpação (MACIOCIA, 2005, p. 612). Abdome grande indica Fleuma, e, consequentemente, deficiência do Baço (Pi). Quando é caído, macio e aumentado, geralmente observado em obesos, indica deficiência do Yang do Baço (Pi) e Rim (Shen), associado da Umidade-Fleuma. A deficiência do Qi e do Sangue pode ser indicado por um abdome fino e macio (MACIOCIA, 2005, p. 120). Sempre lembrando que ao observar essas condições, deve-se levar em consideração o tipo da constituição da pessoa (MACIOCIA, 2005, p. 120). Nódulos no abdome são decorrentes da estagnação do Qi. Quando na parte inferior são decorrentes também da estagnação de Sangue (Xue), Umidade-Fleuma ou Umidade- Calor (MACIOCIA, 2005, p. 120). A forma do umbigo também indica algumas desordens. Quando afundado, indica a estase do Sangue com afundamento do Qi, além de poder também indicar Umidade- Calor. Quando projetado para frente, pode ser decorrente de Frio e estagnação do Qi e Sangue, além de indícios de uma deficiência do Baço (Pi) e Rim (Shen) (MACIOCIA, 2005, p. 121). Outra indicação de estagnação de Sangue (Xue) são veias abdominais distendidas e arroxeadas. O Calor no Sangue (Xue) faz com que as veias fiquem vermelhas, e o Frio que fiquem azuladas (MACIOCIA, 2005, p. 121). Esta unidade apresentou formas importantes no auxílio do diagnóstico. Apesar de demandar muita prática e estudo, as informações são essenciais para um tratamento mais eficiente. Língua e pulso, por exemplo, podem mostrar padrões de desarmonia que não foram identificados pelo interrogatório. Nem todo paciente sente-se à vontade para responder com sinceridade a todas as perguntas iniciais. A próxima unidade aborda as principais perguntas para traçar um diagnóstico. 27 REFERÊNCIAS AUTEROCHE, B.; NAVAILH, P. O diagnóstico na medicina chinesa. São Paulo: Editora Andrei, 1992. FLAWS, Bob. O segredo do diagnóstico chinês pelo pulso. São Paulo: Ed. Roca, 2005. HIRSCH, Sônia. Manual do herói – ou a filosofia chinesa na cozinha. 2. ed.. São Paulo, Ed. Corre Cotia, 2001. MACIOCIA, Giovanni. Diagnóstico na medicina chinesa: um guia geral. São Paulo: Ed. Roca, 2005. MACIOCIA, Giovanni. Fundamentos da medicina chinesa: um texto abrangente para acupunturistas e fisioterapeutas. São Paulo: Ed. Roca, 1996. MACIOCIA, Giovanni. Fundamentos da Medicina Chinesa: um texto abrangente para acupunturistas e fisioterapeutas. 2. ed. São Paulo: Ed. Roca, 2007. MACIOCIA, Giovanni. Os fundamentos da medicina chinesa. 3. ed.. São Paulo: Ed. Roca, 2017. ROSS, Jeremy. Zang Fu – Sistemas de órgãos e vísceras da medicina tradicional chinesa: funções, inter- relações e padrões de desarmonia na teoria e na prática. 2. ed. São Paulo: Ed. Roca, 1994. YAMAMURA, Ysao. Acupuntura tradicional: a arte de inserir. 2. ed. São Paulo: Ed. Roca, 2004. ZHUFAN, Xie. Prática da medicina tradicional chinesa. São Paulo: Ed. Ícone, 2009. UNIDADE III O diagnóstico por observação e palpação Capítulo 1 Constituição e apresentação Capítulo 2 Língua Capítulo 3 Olhos Capítulo 4 Pulso Capítulo 5 Abdome Referências