Prévia do material em texto
������������ ��� � ��������������� Tradução: Ana Lucia Peixoto de Freitas Professora Adjunta do Departamento de Análises da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Mestre em Microbiologia pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Doutora em Ciências Médicas pela UFRGS Beatriz A. Rosário Graduada em Farmácia Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ex-professora Substituta de Controle de Qualidade da Faculdade de Farmácia da UFRJ Joiza Lins Camargo Chefe da Unidade de Bioquímica e Imunoensaios do Serviço de Patologia Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) Mestre em Bioquímica Clínica pela Universidade de Londres Doutora em Ciências Médicas: Endocrinologia pela UFRGS Simone Martins de Castro Professora Adjunta do Departamento de Análises da Faculdade de Farmácia da UFRGS Farmacêutica-Bioquímica Responsável Técnica do Laboratório de Referência em Triagem Neonatal do RS – HMIPV – PMPA Mestre em Farmacologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Doutora em Ciências Biológicas (Bioquímica) pela UFRGS E82t Estridge, Barbara H. Técnicas básicas de laboratório clínico [recurso eletrônico] / Barbara H. Estridge, Anna P. Reynolds ; tradução: Ana Lucia Peixoto de Freitas ... [et al.] ; revisão técnica: Afonso Luis Barth, Suzane Silbert. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2011. Editado também como livro impresso em 2011. ISBN 978-85-363-2536-1 1. Farmacologia. 2. Laboratório farmacêutico. I. Reynolds, Anna P. II. Título. CDU 615.12 Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB-10/Prov-009/10 731LIÇÃO 8-2 Coleta e Processamento de Amostras para Exame Parasitológico INTRODUÇÃO Apesar de laboratórios pequenos normalmente não executarem o exame microscópico para parasitas, os técnicos precisam for- necer aos pacientes instruções para coleta de amostras e devem processá-las antes de enviá-las para um laboratório de referên- cia. A compreensão básica dos ciclos de vida dos parasitas é importante para assegurar que o espécime mais apropriado seja obtido, aumentando as chances de detecção. Os dois testes mais comuns do laboratório de parasitologia são o pedido de exame de fezes para ovos e parasitas (O & P) e de exame de sangue para parasitas da malária. O teste O & P requer uma amostra fecal e o esfregaço para malária requer uma amostra fresca de sangue. Esta lição descreve a coleta e o processamento rotineiro de amostras para detectar parasitas intestinais e o procedimento para detecção de Enterobius. A Lição 8-3 descreve os procedi- mentos para preparar exames diretos e esfregaços de fezes para coloração, como também técnicas de concentração fecal. O pro- cedimento para preparar e corar esfregaços de sangue para detec- ção de parasitas do sangue é descrito na Lição 8-4. TIPOS DE AMOSTRAS PARA EXAME PARASITOLÓGICO Amostras fecais (fezes) A amostra fecal é examinada quando há suspeita de infecção por parasitas intestinais. Helmintos, amebas e outros protozoários intestinais podem ser identificados durante o exame microscópi- co de amostras fecais por exame direto, corado ou concentrado. Amostras fecais também são usadas para testes imunológicos de detecção de antígenos de Giardia, Cryptosporidium e Entamoe- ba histolytica. Amostras de sangue O sangue é examinado quando há suspeita de infecção por pa- rasitas do sangue, como o da malária, filiariose ou certos tripa- nossomas. São preparados esfregaços corados ou exames diretos do sangue. O sangue para pesquisa de malária deve ser coletado a intervalos cronometrados. A coleta de sangue e preparação de esfregaços sanguíneos para exame para parasitas é descrita deta- lhadamente na Lição 8-4. Amostras para testes imunológicos Mesmo sendo desenvolvidos testes imunológicos para vários pa- rasitas, apenas alguns têm uso difundido. Kits comerciais para de- tectar e diferenciar doenças diarreicas parasitárias causadas por Cryptosporidium, Giardia ou Entamoeba histolytica são usados por muitos laboratórios. As amostras frescas são centrifugadas e filtradas para uso nos kits. Os antígenos do parasita no material filtrado, se presentes, são detectados usando um teste imunoenzi- mático colorimétrico rápido, que contém anticorpos contra antí- genos específicos de parasitas. Também podem ser usados testes imunológicos para de- tectar a presença de anticorpos contra o parasita no soro pa- ciente, como no teste para Toxoplasma. Se houver suspeita de infecção aguda, são feitos testes pareados do soro (amostras coletadas com 2 a 3 semanas de intervalo) para detectar a pre- sença de IgM e IgG ou para um título crescente de anticorpos. A toxoplasmose é discutida em Tópicos Atuais, mais adiante nesta lição. Outras amostras Amostras distintas de sangue ou fezes podem ser testadas ou exa- minadas para parasitas. O tipo de amostra requerida depende do organismo suspeito, com base nos sintomas e na história médica do paciente. Por exemplo: ■ escarro é examinado para Paragonimus; ■ secreção vaginal é examinada para Trichomonas; ■ tecido, normalmente processado ou corado pelo laboratório de histologia, é examinado quando há suspeita de Trichi- nella, Toxoplasma ou outros parasitas de tecido. Exemplos de organismos que podem ser encontrados em amostras não fecais estão listados na Tabela 8-7. COLETA E PROCESSAMENTO DE AMOSTRAS FECAIS Precauções de segurança Existem vários perigos potenciais du- rante a coleta e o processamento de amostras para exame parasitológico. Eles incluem a possível exposição a cistos, oocistos, ovos ou lar- vas, formas infecciosas de parasitas em amostras de fezes, bem como exposição a patógenos não parasitas que estejam presen- tes nas fezes e fluidos biológicos. Os técnicos devem usar as pre- cauções-padrão e as práticas de segurança em microbiologia. As precauções-padrão devem ser usadas até mesmo com material preservado (fixado), pois algumas formas do parasita permane- cem viáveis mesmo semanas após a fixação. As boas práticas de segurança incluem, mas não se limitam, a uso de roupa protetora resistente a fluidos e luvas, uso de cabine TABELA 8-7 Exemplos de organismos encontrados em amostras não fecais TIPO DE AMOSTRA ORGANISMOS POSSÍVEIS Escarro Paragonimus, Ascaris Sangue Plasmodium, Babesia, Trypanosoma Líquido cerebrospinal Amoebae, Toxoplasma, Trypanosoma Fígado Amoebae, Leishmania, Schistosoma Urina Trichomonas, Schistosoma Músculo Trichinella Aspirado duodenal Giardia, Isospora Secreção vaginal Trichomonas 732 UNIDADE 8 Parasitologia Básica T Ó P I C O S AT U A I S TOXOPLASMOSE Uma das infecções humanas mais comuns em todo o mundo é a toxoplasmose, causada pelo protozoário uni- celular Toxoplasma gondii. Nos Estados Unidos, mais de 20% da população (mais de 60 milhões de pessoas) apre- senta teste positivo para anticorpos contra Toxoplasma. As duas formas infecciosas de Toxoplasma são oocistos e cistos de tecido. Ciclo de vida e epidemiologia Os hospedeiros definitivos do Toxoplasma gondii são os gatos domésticos e selvagens. Os humanos e muitas outras espécies animais são hospedeiros intermediários. Os gatos são infectados pela ingestão de cistos de T. gondii presen- tes em carnes animais ou pela ingestão de oocistos. Após a ingestão, os parasitas libertados dos cistos de tecido ou oocistos invadem as células epiteliais do intestino delgado do gato, se replicam e formam oocistos, que são excreta- dos nas fezes. De 1 a 5 dias após a excreção, o oocisto, es- porula (evolui para a fase infecciosa). Esses oocistos são resistentes a desinfetantes, congelamento e dessecação e permanecem viáveis por meses no ambiente, mas são des- truídos por aquecimento a 70°C durante 10 minutos. Humanos e outros animais são infectados ingerindo oocistos viáveis ou cistos de tecido. Isso pode acontecer por intermédio da: ■ ingestão acidental de oocistos viáveis pelas mãos ou alimento contaminado comfezes de gato (como, por exemplo, tocar a mão na boca depois de limpar uma caixa de lixo, jardinagem ou após tocar qualquer ob- jeto que tenha tido contato com fezes de gato); ■ ingestão ou toque das mãos na boca após o manu- seio de carne crua ou mal cozida, especialmente carne de porco, cordeiro ou veado. Esse método de transmissão é calculado pelo Departamento de Agri- cultura norte-americano como responsável por 50% de casos norte-americanos, e também é aceito como importante causa de morte por organismos relacio- nados a alimentos; ■ ingestão de água contaminada com Toxoplasma; ■ transmissão transplacentária; ■ transplante de órgão ou transfusão de sangue de do- ador infectado (ocorrência rara). Uma vez que a forma infecciosa é ingerida por um hospedeiro intermediário, os parasitas libertados (cha- mados trofozoítas) invadem os tecidos e formam cistos de tecido – em geral, no tecido musculoesquelético, no músculo cardíaco ou no cérebro – onde podem perma- necer por toda a vida do hospedeiro. Nos cistos de te- cido dormentes, os parasitas são chamados bradizoítos. No indivíduo saudável, os cistos de tecido normalmente ocorrem em pequeno número e são mantidos dormentes pelo sistema imune. A microfotografia eletrônica mostra um cisto de toxoplasma em tecido corado com a técnica de anticorpo fluorescente. Sintomas clínicos e complicações Os sintomas de toxoplasmose variam conforme a saúde e a capacidade imunológica do indivíduo. Na população saudável, a toxoplasmose costuma ser benigna. A maioria das pessoas tem poucos sintomas, e algumas podem nem mesmo saber que têm a infecção. Outras sentem sintomas semelhantes a uma gripe moderada, com dores muscula- res e linfonodos inchados. Para indivíduos imunocomprometidos e mulheres grávidas, a infecção por Toxoplasma pode causar compli- cações graves. Em HIV/AIDS, quimioterapia ou pacientes transplantados, a toxoplasmose podem causar dano no cé- rebro, nos olhos e em outros órgãos. Reativação de infec- ção anterior pode ocorrer quando o sistema imunológico se tornar incapaz de manter a infecção dormente e os cis- tos de tecido romperem, libertando os parasitas. Nos Esta- dos Unidos, desenvolvem-se complicações como doença disseminada ou toxoplasmose encefálica, a infecção neu- rológica mais grave frequente entre pessoas com AIDS. A toxoplasmose congênita pode ocorrer em crian- ças nascidas de mulheres que foram infectadas durante a gravidez (ou logo antes). Muitas crianças com toxoplas- mose congênita nascem com graves lesões oculares ou cerebrais, incluindo hidrocefalia. A gravidade das com- plicações pode ser reduzida pelo rápido diagnóstico e tra- tamento da mãe. As crianças também podem nascer com infecção subclínica e permanecer assintomáticas até sua adolescência, quando a toxoplasmose ocular se desenvol- ve, causando uma condição chamada retinocoroidite. Cisto de Toxoplasma corado com corante fluorescente mostrando numerosos cistos parasitários em forma de banana. (Foto cortesia de C. A. Sundermann, Auburn University, AL.) 733LIÇÃO 8-2 Coleta e Processamento de Amostras para Exame Parasitológico de segurança biológica, descontaminação frequente da superfície de trabalho, lavagem das mãos antes de vestir e depois de remover as luvas e descarte de todos os objetos afiados em recipiente para materiais perfurocortantes. As amostras devem ser processadas em uma capela de exaus- tão, para evitar a inalação de vapores de conservantes e minimizar odores desagradáveis. Todas as amostras e os materiais proces- sados devem ser descartados da mesma maneira que espécimes bacterianos ou contaminados. Avaliação da qualidade As amostras devem ser colhidas e processadas de acordo com os procedimentos estabelecidos pelo laboratório. O momento de coleta é essen- cial para alguns testes, como esfregaços de sangue para malária e teste de Enterobius. ■ As amostras devem ser coletadas antes da administração de medicamentos antiparasitários aos pacientes. ■ Amostras fecais não devem ser coletados nos sete dias pos- teriores à administração de antiácidos, óleo mineral, bário, bismuto ou determinados medicamentos antidiarreicos, ou três semanas após certos agentes antimicrobianos e corantes. ■ As amostras devem ser processadas o mais rapidamente pos- sível após a coleta, para assegurar que a morfologia do para- sita seja mantida. ■ O exame microscópico de amostras não fixadas deve ser exe- cutado entre 30 minutos a 1 hora após a coleta, para aumen- tar a possibilidade de encontrar formas móveis. Coleta da amostra As amostras fecais devem ser coletadas em um recipiente de boca larga, limpo, seco, com tampa bem-ajustada e à prova de vaza- mento. As amostras podem ser coletadas em uma comadre e de- pois transferidas ao recipiente, mas não devem ser contaminadas com urina ou água. Os pacientes devem esperar uma semana depois de ingerir medicamento antidiarréico, compostos de con- traste (bário) ou óleos laxantes antes da coleta de amostras fecais para exame de parasitas. O recipiente com a amostra deve ser etiquetado com o nome do paciente, a data e a hora da coleta. Recomenda-se que pelo menos três amostras separadas sejam coletadas em um período de 3 a 5 dias. As amostras devem ser entregues no laboratório o mais cedo possível (em até duas horas após a coleta). Se o trans- porte for demorado, kits com frascos com conservantes e reci- pientes para transporte devem ser utilizados (Figs. 8-4 e 8-5). T Ó P I C O S AT U A I S (continuação) Diagnóstico laboratorial de toxoplasmose Já que anticorpos contra Toxoplasma gondii aparecem no início da infecção e permanecem detectáveis por toda a vida, o método primário de detectar infecção por T. gon- dii em indivíduos imunocompetentes é o teste sorológico. O soro do paciente é testado para anticorpos IgG ou IgM específicos para T. gondii por métodos de imunofluores- cência (IF). Em adultos, um título crescente de IgG, ou a presença de IgM na fase aguda e IgG na convalescente, indica infecção recente ou ativa. Em pacientes imunocomprometidos, os resultados da sorologia não são sempre seguros, pois os níveis de anticorpo tendem a ser baixos mesmo quando a infec- ção estiver presente. Nesses pacientes, os parasitas po- dem ser observados no sangue, nos fluidos do corpo, no lavado broncoalveolar e na biópsia de linfonodo ou outro tecido. Na suspeita de toxoplasmose congênita, o recém-nascido deve ser testado para IgA e IgM, já que o teste para IgA tem mais sensibilidade em crianças. Méto- dos moleculares, como reação em cadeia da polimerase (PCR), podem ser usados para detectar infecções con- gênitas in utero. Já que a sensibilidade e a especificidade dos kits variam e os testes são complexos e nem sempre fáceis de interpretar, testes para anticorpos de T. gondii devem ser executados por laboratórios onde os testes são realizados frequência. Prevenção Mulheres antes de ficarem grávidas e indivíduos com siste- ma imunológico debilitado devem ser testados para anticor- pos IgG específicos para Toxoplasma . Em mulheres imu- nocompetentes, um teste IgG-positivo significa que houve infecção anterior, existe imunidade e geralmente não há receio da passagem da infecção para o feto, em caso de gra- videz. Para indivíduos imunocomprometidos com teste po- sitivo, pode ser indicada terapia para prevenir reativação da infecção. Um teste negativo para qualquer paciente desses grupos indica que eles não foram infectados, que são mais suscetíveis à infecção, devendo ser tomadas precauções para evitar exposição ao parasita. Essas precauções incluem: ■ uso de luvas na jardinagem ou no manuseio de solo; ■ lavagem das mãos com água e sabão após atividades ao ar livre; ■ ter alguém para trocar a caixa higiênica do gato dia- riamente, antes que os oocistos tenham tempo de tornarem-se infecciosos; ■ lavagem das mãos após manusear carne crua e após comer ou preparar outros alimentos; ■ lavagem abundante de facas e outros utensílios usa-dos em carne crua; ■ cozinhar todas as carnes até uma temperatura interna de 70°C, até que não esteja mais rosada ou que os sucos se tornem descoloridos. 734 UNIDADE 8 Parasitologia Básica Processamento da amostra As amostras devem ser processadas e examinadas o mais rapi- damente possível após chegarem ao laboratório. É muito impor- tante processar amostras aquosas dentro de 30 minutos a 1 hora, pois formas como trofozoítos de protozoários deterioram com rapidez. A consistência da amostra deve ser analisada e registrada (aquosa, pastosa, macia ou formada). Em infecções por helmin- tos, às vezes podem ser vistas lombrigas de adulto ou proglotes de tênias, que devem ser informados. Se houver presença de san- gue ou muco na amostra fecal, porções dessas áreas devem ser selecionadas para o exame. Em infecções por protozoários, as formas de trofozoítos são mais encontradas em amostras fluidas, e as formas de cisto em amostras mais formadas. Preservação Porções da amostra devem ser preservadas para exame futuro e coloração. Anteriormente, era necessário usar dois conservan- tes separados: formalina e PVA (álcool polivinílico), pois não havia um único conservante capaz de manter a morfologia do parasita e também proporcionar resultados satisfatórios na co- loração tricrômica para parasitas e testes imunoquímicos. Po- rém, ambos tinham a desvantagem de produzir vapores tóxicos (formalina) e conter mercúrio (PVA). Para atender às exigências de segurança, atualmente são usados conservantes ambiental- mente seguros de PVA a base de zinco e cobre, livres de forma- lina e mercúrio (Fig. 8-4). Esses novos agentes, como Para-Pak EcoFix (Meridian Diagnostic), Parasafe (Scientific Device La- boratory) e Par-One (Remel), permitem preservação satisfatória da morfologia, da coloração e dos testes imunoquímicos com o uso de só um conservante. Transporte da amostra As amostras fecais, para serem transportadas, devem ser colo- cadas em frascos com fixador e adequadamente etiquetadas. O frasco deve ser colocado em um recipiente ou bolsa à prova de vazamento, que deve ser colocada em uma caixa de papelão de transporte devidamente rotulada (Fig. 8-5). Frascos para trans- porte devem ser aprovados para transporte de material biológico por um serviço de transportadora indicado. A B FIGURA 8-4 Frascos com fixador para preservação de amostras fecais. (Foto A cortesia de Scientific Device Lab, Inc., Des Plaines, IL; foto B cortesia de Remel, Inc., Lenexa, KS.) FIGURA 8-5 Potes para transporte ou envio de amostras biológicas. 464 UNIDADE 5 Urinálise Etiquetagem das amostras de urina Amostras de urina devem ser claramente identificadas com o nome do paciente, bem como a data e o tempo da coleta. As eti- quetas devem estar no frasco, e não na tampa. Armazenamento das amostras de urina Amostras de urina, com exceção dos testes para urina de 24 horas, devem ser examinadas dentro de uma hora após a cole- ta. Se não for possível, o armazenamento no escuro em frasco com tampa, sob refrigeração (4 a 6°C), por até 4 horas, pode prevenir a deterioração. Os resultados dos testes são afetados pela maneira como as amostras de urinas são manipuladas após a coleta. Quando a urina é mantida em temperatura ambien- te por um período prolongado, as bactérias presentes irão se multiplicar rapidamente. Isso pode aumentar o pH e causar o desenvolvimento de odor desagradável, semelhante ao cheiro de amoníaco. A demora na análise também pode causar aumen- to da decomposição dos componentes do sedimento urinário, como cilindros e células. Preservação das amostras de urina As amostras de urina que não podem ser refrigeradas ou que pre- cisam ser transportadas por longas distâncias podem ser adicio- nadas de conservantes. A adição de conservantes retarda o cres- cimento bacteriano e diminui a destruição ou a decomposição de outros componentes urinários. O conservante usado não deve interferir nos testes solicita- dos. Alguns conservantes urinários muito utilizados são ácido clorídrico (HCl), ácido sulfúrico, hidróxido de sódio (NaOH), carbonato de sódio e ácido bórico (Tab. 5-4). Frascos para coleta de urina de 24 horas podem ser adicionados de conservantes, o que deve ser feito no início da coleta da urina. Nenhum conser- vante deve ser adicionado à amostra de urina destinada a cultura bacteriológica. PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE AMOSTRAS DE URINA Precauções de segurança Todos os funcionários devem seguir as pre- cauções-padrão. Todas as amostras devem ser entregues no laboratório em frascos limpos e sem vazamentos. Equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas, máscaras e jalecos, devem ser sempre usados duran- te a manipulação de amostras biológicas. Respingos e a forma- ção de aerossóis devem ser evitados durante a manipulação e o descarte da urina. Os derramamentos de urina devem ser limpos com desinfetante para laboratório. As pias usadas para descartar urina devem ser lavadas com água e desinfetante apropriado. Os pacientes devem ser instruídos para a correta coleta de urina de 24 horas com informações escritas que também contenham ins- truções para o manejo seguro de qualquer conservante contido no frasco de coleta. Avaliação da qualidade As amostras devem ser coletadas, etiquetadas, transportadas e armazenadas seguindo os pro- cedimentos operacionais-padrão (POPs) do la- boratório clínico. O paciente deve receber instruções completas de como coletar corretamente a urina. Instruções escritas, que se- jam entendidas por todos os pacientes, devem ser disponibiliza- das. A etiquetagem das amostras deve ser cuidadosa e completa. Os frascos (não as tampas) contêm nome, data, horário e método de coleta. As amostras são entregues na recepção do laboratório e processadas logo após a coleta. O horário do recebimento da amostra é registrado, para garantir que a amostra seja analisada em tempo-limite máximo tolerado. As amostras que não forem analisadas após uma hora do término da coleta devem ser man- tidas tampadas e refrigeradas (4 a 8°C) até serem processadas e analisadas. Amostras de jato médio Amostras para urinálise de rotina devem ser coletadas pelo mé- todo do jato médio. O paciente deve ser instruído para come- çar a urinar no vaso sanitário e interromper o jato para coletar somente a porção média no frasco de coleta. A utilização desse método evita contaminar a amostra com células epiteliais, mi- crorganismos ou muco da uretra. Esse método é usado para coletas de primeira amostra da manhã, de jejum, aleatórias e cronometradas. Amostras de urina estéril Amostras urinárias estéreis são usadas para a realização de cul- tura bacteriana. Se a mesma amostra for utilizada também para a realização de urinálise, a cultura deverá ser processada antes, evitando a contaminação da amostra durante o procedimento da urinálise. TABELA 5-4 Conservantes urinários e suas aplicações CONSERVANTE USO Ácido sulfúrico Preserva cálcio Ácido clorídrico Preserva cálcio, magnésio e fósforo Carbonato de sódio Preserva porfirinas, urobilinogênio Hidróxido de sódio Preserva mioglobina Ácido bórico Preserva creatinina, ácido úrico, proteína, esteroides e glicose Refrigeração Uso para testes de proteínas, barbitúricos e rastreamento para subtâncias de abuso 466 UNIDADE 5 Urinálise Intervalos de referência para volumes de urina de 24 horas Diversos fatores influenciam o volume urinário, como ingestão de fluidos, dieta, perda de líquidos na transpiração, níveis hormo- nais e estado das funções renais e cardíacas. A produção exces- siva de urina é chamada poliúria. Oligúria é a produção insufi- ciente e anúria é a ausência total de produção de urina. O termo noctúria refere-se à produção excessiva de urina durante a noite. O volume de urina normalmente excretado em 24 horas va- ria de acordo com a idade. Neonatos produzem entre 20 e 350 mL em 24 horas. Para crianças de 1 ano, 300 a 600 mL em 24 horas é nor mal. Para crianças de 10 anos, o volume urináriode 24 horas varia de 750 a 1.500 mL. Adultos produzem de 750 a 2.000 mL por dia, sendo 1.500 mL a média (Tab. 5-5). Instruções para Coleta de Urina de 24horas Nome do paciente: ____________________ Data: ___________ Seu médico solicitou testes em urina de 24 horas. Para esse exame, a urina geralmente é coletada a partir do período da manhã de um dia até o mesmo horário do dia seguinte (por exemplo, início às 8 horas da manhã de terça-feira até as 8 horas da manhã de quarta-feira). É importante que você siga estas instruções com cuidado: 1. Para começar a coleta, urine no toalete como de costume e anote o horário. NÃO GUARDE ESTA URINA. 2. Colete TODA a urina da próxima vez que for urinar e todas as urinas depois desta, durante 24 horas. Cada vez que você for urinar, colete a urina em um frasco e transfira toda a urina para o recipiente de coleta que você recebeu do laboratório. 3. Após 24 horas do início da coleta (na manhã do segundo dia), esvazie sua bexiga e adicione essa urina ao recipiente de coleta. 4. Leve toda a urina coletada no recipiente de coleta para o laboratório na manhã do segundo dia. Informações adicionais: • Programe o fim da coleta em um dia que o laboratório esteja aberto para receber a urina. • Mantenha o recipiente de urina de 24 horas bem fechado durante todo o período da coleta. • Após o início da coleta, armazene o recipiente com a urina: � Em temperatura ambiente � Sob refrigeração Em casos de dúvidas sobre este procedimento, por favor, contate o laboratório no telefone 555-1234. FIGURA 5-7 Modelo de ficha de instrução de coleta de urina de 24 horas para pacientes. TABELA 5-5 Valores de referência para volumes urinários de 24 horas IDADE VOLUME (mL/24 horas) Neonatos 20–350 1 ano 300–600 10 anos 750–1.500 Adultos 750–2.000 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.