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Citopatologia: Padrões Malignos

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CITOPATOLOGIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar padrões citopatológicos tipicamente malignos.
 > Descrever a citopatologia exfoliativa não ginecológica de malignidade.
 > Explicar a biópsia por aspiração com agulha fina.
Introdução
Os fluidos corporais são importantes para que os órgãos possam se movimentar 
e para que alguns deles até mesmo possam receber nutrientes ou terem resí-
duos formados removidos. Quando há um acúmulo de líquido em determinada 
região, isso pode ser indicativo de alguma patologia, muitas vezes referente a 
malignidade. Devido a isso, é importante conhecer os padrões característicos 
de células malignas.
Diversas técnicas podem ser utilizadas para avaliar alterações celulares em 
amostras de fluidos corporais, incluindo a citopatologia exfoliativa, que avalia 
as células esfoliadas de determinada área/tecido, e a biópsia por aspiração 
com agulha fina, responsável por coletar amostra voltadas a um esfregaço para 
análise microscópica. Uma coleta bem realizada e a análise das características 
celulares permitem um diagnóstico precoce mesmo com esses procedimentos 
menos invasivos e danosos ao organismo do paciente.
Citopatologia não 
ginecológica
Adriana Dalpicolli Rodrigues
Neste capítulo, você conhecerá os padrões citopatológicos malignos, verá 
detalhes da citopatologia exfoliativa não ginecológica de malignidade e en-
tenderá como é realizada a biópsia por aspiração com agulha fina.
Padrões citopatológicos tipicamente 
malignos
O organismo humano é rico em fluidos/líquidos corporais, que podem ser 
divididos em: líquido cerebrospinhal (líquor), vários líquidos serosos das 
cavidades revestidas por membranas serosas (fluido visualizado entre as 
paredes parietais e viscerais do tórax, abdome, coração, bolsa escrotal), 
líquido sinovial (encontrado nas articulações), secreções respiratórias (como 
lavado broncoalveolar), entre outros (MUNDT; SHANAHAN, 2012). 
Está dentro da normalidade ser observada a presença de líquido em 
cavidades do organismo. Em geral, esses líquidos promovem a lubrifica-
ção de superfícies orgânicas submetidas a movimentação constante dos 
órgãos dessas cavidades. O que controla a concentração de fluido residual é 
o equilíbrio estabelecido entre forças hemodinâmicas arteriais e venosas e o 
ambiente conjuntivo circunjacente, quando ocorre fluxo contínuo de plasma 
de vasos sanguíneos para o estroma e sua absorção pelos vasos linfáticos. 
Esse processo pode ser descompensado pelas mais variadas condições pa-
tológicas, resultando em acúmulo de fluidos na cavidade da área afetada, o 
que é chamado de derrame cavitário (ou efusão). Tais acúmulos podem ainda 
receber uma denominação mais específica de acordo com sua localização, 
como os derrames pleurais (pleura/pulmão), peritoneais ou ascéticos (peritô-
nio/região abdominal) e pericárdicos (pericárdio/coração) (Figura 1). Quando 
ocorre qualquer alteração nesses líquidos, geralmente o paciente apresenta 
sintomas de acordo com a patologia, como dor, febre e desconforto (HORTA, 
2013; MUNDT; SHANAHAN, 2012).
Citopatologia não ginecológica2
Figura 1. Localização das cavidades serosas.
Fonte: Adaptada de Horta (2013).
Pericárdio
Pleural
Peritoneal
Hidrocele
Sinovial
Informações clínicas do paciente, exames de imagem e análises citopa-
tológicas e laboratoriais dos líquidos corporais permitem diagnosticar as 
causas envolvidas no surgimento dos derrames. Essas causas podem ser: 
 � sistêmicas — alteram a pressão osmótica e/ou hidrostática (insuficiên-
cias cardíaca, hepática e renal); 
 � lesão local a membranas serosas e vasos (doenças autoimunes); 
Citopatologia não ginecológica 3
 � dano direto — neoplasias, infecções, traumatismos, radioterapia, 
quimioterapia; 
 � aumento da pressão negativa na cavidade pleural — obstrução brôn-
quica, atelectasia. 
Os derrames ainda podem ser classificados como transudatos ou exudatos, 
de acordo com as características apresentadas. O transudato é formado em 
razão de doença sistêmica que altera o equilíbrio na regulação da filtração e da 
reabsorção do fluido, como as mudanças na pressão hidrostática criadas por 
insuficiência cardíaca congestiva, cirrose, síndrome nefrótica, hipoproteinemia. 
Por sua vez, o exudato é formado em condições que envolvem diretamente as 
membranas da cavidade, como infecções, inflamações, hemorragia e doenças 
neoplásicas (HORTA, 2013; MUNDT; SHANAHAN, 2012).
A primeira causa de derrames cavitários é a insuficiência cardíaca conges-
tiva e a segunda é a malignidade. O aumento ou alteração no volume de líquido 
seroso pode ser a exteriorização inicial de uma neoplasia, principalmente em 
ovário e pulmão e em mesoteliomas, e pode ser também indicativo de evolução 
em caso de histórico de câncer, especialmente de mama. É muito comum a 
ocorrência de implantes neoplásicos no mesotélio (tecido que reveste epitélios 
como a pleura, o peritônio e o pericárdio), e a presença de células malignas 
em líquidos serosos ajuda a definir se o tumor é primário (mesotelioma) ou 
metastático. Cistos ou nódulos de diferentes tecidos corporais também podem 
ser aspirados para avaliação da celularidade e determinação de diagnósticos 
neoplásicos, como em mama, tireoide e glândulas salivares (HORTA, 2013).
O núcleo, o citoplasma, a membrana e a matriz extracelular de uma 
célula são elementos fundamentais de análise citológica para se chegar a um 
diagnóstico. Embora nenhuma característica seja específica de malignidade, 
a soma de vários critérios ajuda a levar a esse diagnóstico. A análise do 
núcleo é muito importante, pois reflete o estado de saúde da célula — se está 
normal ou apresentando inflamação, degeneração, hiperplasia, metaplasia 
ou neoplasia. No núcleo hipercromático, encontra-se mais heterocromatina, 
o que indica inatividade, com fios condensados e área que cora de escuro. Já 
no núcleo hipocromático, há mais eucromatina, o que indica que está ativa, 
representada por áreas claras. 
A hipercromasia e a cor azulada associadas ao aumento nuclear são su-
gestivos de malignidade, embora as células malignas possam algumas vezes 
apresentar núcleos pálidos. A condensação da cromatina pode ser fina ou 
grosseira, regular ou irregularmente distribuída. No câncer, essa condensação 
acontece de modo irregular em forma, tamanho e distribuição. Ao dividir o 
Citopatologia não ginecológica4
núcleo em quadrantes, se for observada desigualdade, isso significa que a 
cromatina está distribuída irregularmente. 
Poliploidia e aneuploidia — anormalidades no número de cromossomos — 
também estão relacionadas a câncer. Em casos de malignidade, os nucléolos 
geralmente apresentam-se grandes, múltiplos (mais de seis por núcleo são 
considerados anormais) e irregulares, podendo permanecer ativos, como 
um nucléolo proeminente ou um macronucléolo. O aumento da atividade 
mitótica e mitoses atípicas também estão associadas, pois na malignidade 
a divisão celular está fora de controle, e o núcleo, caso sofra divisão precoce 
em relação ao citoplasma, poderá alterar a relação núcleo/citoplasmática. 
Entretanto, o diagnóstico de malignidade não deve ter como base apenas 
núcleos desnudos (PINTO; KATZ, 2012). 
As mitocôndrias presentes no citoplasma são abundantes em tumores 
oncocíticos, acarretando um aumento da eosinofilia. Pigmentos e outros 
materiais intracelulares podem ser detectados no material citológico, como 
a melanina (melanoma maligno) e a queratina (carcinoma escamoso que-
ratinizante). Em relação à membrana celular, a maioria das células cresce 
até preencher seus espaços e entrar em contato com as células vizinhas, 
havendo um reconhecimento intercelular através das membranas. Toda-
via, essa característica é perdida e um crescimento contínuo é favorecido 
nos casos malignos, podendo ocorrer invasão e metástase. Num processo 
neoplásico, o material extracelular (“fundo” do esfregaço ou background) 
pode apresentar diátese tumoral, indicando a ocorrência de um processo 
destrutivo tecidual, presençade hemácias íntegras ou degeneradas, fibrina 
e debris celulares necróticos (PINTO; KATZ, 2012). A seguir são apresentados 
os principais padrões citopatológicos de malignidade em diferentes âmbitos.
 � Células — comumente numerosas, desorganizadas, com grupos em-
pilhados e sincícos. Células atípicas, únicas e isoladas. Canibalismo, 
caracterizado por célula dentro da célula. Pleomorfismo, anisocitose, 
contornos anormais, aumento da relação núcleo/citoplasma. Intensa 
variação das características de uma célula para outra célula.
 � Núcleo — desorganizado, perda de polaridade, sobreposição, au-
mentado, hipercromático. Pleomórfico (forma e tamanho), contornos 
anormais. Multinucleação, amoldamento, núcleo desnudo. Contorno 
nuclear irregular e espesso. Nucléolos proeminentes, múltiplos (mais 
de seis) ou macronucléolos. Cromatina anormal, irregular, figuras de 
mitose particularmente anormais.
Citopatologia não ginecológica 5
 � Citoplasma — pleomorfismo (perda dos limites celulares). Coloração 
anormal: policromasia, orangeofilia. Produtos celulares anormais: 
queratina, mucina, etc.
 � Material extracelular — necrose, sangue, hemossiderina, diátese 
tumoral.
 � Geral — hipercelularidade, pouca coesividade, desorganização, mitoses 
atípicas.
Citopatologia exfoliativa não ginecológica 
de malignidade
A citologia exfoliativa é uma metodologia diagnóstica que consiste na avaliação 
das características de células que descamaram (esfoliaram) de superfícies 
corporais de modo natural ou com auxílio de pressão de algum instrumento, 
como em aspiração por agulha (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). Essa metodolo-
gia pode ser aplicada nos líquidos citados no tópico anterior. A seguir, serão 
citados os principais casos de malignidade.
O adenocarcinoma metastático é a principal lesão maligna encontrada em 
pleura, peritônio e pericárdio, estando com frequência vinculado a lesões de 
pulmão, mama, ovário e tubo gastrointestinal. O adenocarcinoma metastático 
em cavidades corporais apresenta as seguintes características nos esfregaços 
de análise citológica de líquido: dupla população celular e células mesote-
liais normais intercaladas por outra população, constituída por numerosos 
grupamentos celulares esféricos, pluricelulares e tridimensionais, com bor-
das arredondadas ou papiliformes, esporadicamente mostrando formações 
acinares, com lúmen central, ou com padrão tubulopapilar. Geralmente, os 
grupamentos são compostos por células atípicas, volumosas, com citoplasmas 
abundantes e basofílicos, vacuolados ou microvacuolados, exibindo núcleos 
redondos ou ovais, cariomegálicos, com anisocariose dentro do grupamento e 
com rechaçado para periferia em vigência de grandes vacúolos com substância 
eosinofílica em seu interior (mucina). 
Nesses casos, a cromatina é levemente grosseira ou regular e opaca, 
pouco anaplásica, mostrando membrana nuclear raramente espessada, já 
que muitos adenocarcinomas são hipodiploides, causando hipocromatismo 
nuclear. Normalmente, os nucléolos são únicos ou múltiplos, volumosos e 
irregulares, representando características importantes para a definição 
da malignidade. Mitoses podem ser achados comuns em líquidos malignos; 
entretanto, o mesotélio reacional (em geral caracterizado por célula isolada, 
Citopatologia não ginecológica6
pequenas células, núcleo benigno, ausência de mucina), também pode exibi-
-las, mesmo que em menor quantidade. Vale destacar que toda essa descrição 
refere-se a casos de adenocarcinomas bem diferenciados mucossecretores, 
como metástase de tumores de ovário, pulmão e intestino (HORTA, 2013). 
Exemplos podem ser visualizados na Figura 2.
Figura 2. Adenocarcinoma: (a) de pulmão em líquido pleural; (b) em mesotélio reacional com 
vacuolização (Papanicolaou 400×).
Fonte: Horta (2013, p. 213).
A B
Há casos de adenocarcinomas pouco diferenciados com maior sinal de 
anaplasia nuclear em células isoladas, ou formando pequenos grupamentos, 
sendo rara a presença de estruturas acinares ou papiliformes. Nesses casos, 
em derrames pleurais pode não ser possível o diagnóstico diferencial mediante 
de análise citológica com carcinomas pulmonares de grandes células ou car-
cinoma escamoso não queratinizante. Em alguns casos de adenocarcinoma 
gástrico, observam-se células menores, isoladas ou formando pequenos 
grupamentos de duas a seis células, com escassa atipia nuclear, citoplasma 
geralmente basofílico, podendo apresentar vacúolo único rechaçando o núcleo 
para periferia (“anel de sinete”). Com a coloração de Papanicolaou, podem ser 
visualizados histiócitos vacuolados, isolados ou em pequenos grupamentos, 
bem como eventuais núcleos reniformes e inclusões pigmentadas intrava-
cuolares (procedência macrofágica das células). 
Carcinomas ductais podem exibir grandes conglomerados tridimensionais, 
aspecto côncavo-convexo, células pequenas não vacuoladas com citoplasma 
denso ou pequenos conjuntos de poucas células com as mesmas caracterís-
ticas. Já adenocarcinomas de cólon podem apresentar células em paliçada 
(células cilíndricas lado a lado) e núcleos basais atípicos em arranjo pseu-
doestratificado. Calcificações e corpos psamomatosos podem ser vistos em 
adenocarcinoma, sendo interessante correlacionar com lesões papiliformes, 
Citopatologia não ginecológica 7
principalmente em metástases de ovário e tireoide, além de efusões decor-
rentes de mesoteliomas carcinomatosos (epiteliais) (HORTA, 2013).
Em relação aos carcinomas de células escamosas (Figura 3), os tumores 
primários mais comuns são de pulmão, laringe e trato genital. Os carcino-
mas escamosos queratinizantes em derrames se caracterizam por serem 
paucicelulares (poucas células) e com raras células poligonais, isoladas, com 
citoplasmas volumosos, arredondados ou de formas anômalas, queratinizados 
ou basofílicos, com núcleos irregulares, hipercromáticos e com tendência 
a aspecto de “tinta nanquim”, o que induz ao diagnóstico de metástase ou 
envolvimento das membranas serosas por essa neoplasia. Já nos carcinomas 
escamosos não queratinizantes, as células mostram-se isoladas ou agrupa-
das, formando pequenos conglomerados de células redondas, citoplasma 
basofílico e núcleos irregulares, anaplásicos, com cromatina grosseira e 
nucléolos eosinofílicos, semelhantes às células de adenocarcinoma pouco 
diferenciado. Algumas vezes, a anaplasia dessas células é insignificante, com 
núcleos pequenos e pouco irregulares, condensados, assemelhando-se à 
célula escamosa benigna (HORTA, 2013).
Figura 3. Carcinoma escamoso em líquido pleural (Papanicolaou 400×).
Fonte: Horta (2013, p. 217).
A B
Outro exemplo de caso maligno envolve os tumores de pequenas células 
(Figura 4). São identificados pequenos grupamentos de duas a 20 células, com 
tamanhos de 1,5 a 2 vezes o diâmetro de linfócitos (leucócito), amoldadas, 
Citopatologia não ginecológica8
coesas, com citoplasma ausente ou mínimo, basofílico, cromatina densa 
e hipercromática e contorno nuclear irregular. O carcinoma de pequenas 
células pulmonar metastático para pleura é o tumor mais frequente, mas 
deve-se fazer o diagnóstico diferencial principalmente de linfoma/leucemia, 
plasmocitoma, neoplasias de pequenas células azuis (neuroblasto-ma, tumor 
de Wilms, sarcoma de Ewing) e carcinoides malignos (HORTA, 2013). 
Figura 4. Carcinoma de pequenas células (Papanicolaou 400×)
Fonte: Horta (2013, p. 218).
A B
O diagnóstico de doenças linfoproliferativas (Figura 5) em derrames pode 
ocorrer pela da identificação das seguintes características: hipercelularidade 
de células mononucleadas (esfregaço recoberto por pequenas células leucoci-
tárias de padrão linfocítico), dispersão celular, monomorfismo celular (grande 
número de células de mesmo aspecto, com escasso citoplasma basofílico e 
núcleo central arredondado ou oval), necrose tecidual e apoptose. O padrão 
de células relativamente isoladas, sem formar sincícios, conglomerados tri-
dimensionais ou amoldamentos nucleares, é o que ajuda na distinção entre 
linfoma/leucemiase carcinomas de pequenas células. Em comparação com os 
processos reacionais benignos, as diferenças principais são as células que se 
mostram em formas variadas, dismórficas, com ampla variação morfológica 
desde linfócitos pequenos e maduros, com núcleos redondos, regulares e 
cromatina fina hipercromática, ou linfócitos mais volumosos, com núcleos 
clivados e com protrusões intercaladas por plasmócitos, eosinófilos e ma-
crófagos com fagocitose de corpúsculos basofílicos (HORTA, 2013). 
Citopatologia não ginecológica 9
Figura 5. (a) Linfoma com predomínio de linfócitos em líquido pleural (Papanicolaou 400×); 
(b) biópsia de pleura (HE 200×).
Fonte: Horta (2013, p. 219).
A B
Os tumores mesoteliais (mesotelioma) (Figura 6) de origem mesenquimal 
(benignos ou malignos) raramente causam derrames. Quando isso acontece, 
a descamação celular é mínima, constituída por esparsos elementos fusi-
formes e estromais, sem atipias. A citologia é praticamente indistinguível 
de condições reacionais benignas de mesotélio. Assim sendo, o diagnóstico 
citológico de neoplasias mesoteliais em líquidos se restringe ao mesotelioma 
epitelial ou carcinomatoso. O esfregaço apresenta-se hipercelular, com vários 
grupos celulares tridimensionais de células cuboides com padrão mesotelial, 
distribuídos em meio a numerosas células mesoteliais em diversos graus 
de ativação nuclear. Não é observada dupla população celular, mas nota-se 
um progressivo incremento do grau de atipias entre as células mesoteliais, 
isoladas ou dentro de cada grupamento, desde formas normais até a presença 
de cariomegalia, hipercromasia, contorno nuclear irregular e espessado e 
cromatina grosseira, com nucléolos eosinofílicos exuberantes. Os aglomerados 
hipercelulares são maiores e mais prevalentes do que os encontrados em 
mesotélio reativo, além de apresentarem contorno arredondado, podendo 
ser papiliformes. As células mesoteliais da periferia apresentam citoplasmas 
densos, exteriorizando-se no grupamento com um aspecto de pétalas de 
margarida (HORTA, 2013). 
Citopatologia não ginecológica10
Figura 6. Mesoteliomas malignos: (a) epitelial; (b) sarcomatoide (HE 200×).
Fonte: Terra et al. (2008, documento on-line). 
A B
Biópsia por aspiração com agulha fina
A origem dos preparados citológicos pode ser muito diversificada, envolvendo 
amostras oriundas de líquidos orgânicos (urina, líquor, líquido ascítico, peri-
cárdico ou sinovial), punções aspirativas por agulha fina, secreções, lavados 
cavitários e raspados. A punção aspirativa com agulha fina é muito praticada 
em todo mundo, já que, além de ser uma boa técnica diagnóstica, é pouco 
invasiva, sendo baixo o risco de complicações. Ademais, a dor causada é leve e 
a técnica permite um diagnóstico mais rápido e com menor custo de internação. 
Em geral, a punção aspirativa com agulha fina permite determinar se um 
caso se trata de um processo inflamatório ou reativo, ou se é uma neoplasia 
benigna ou maligna. Ela se baseia na obtenção de amostras de nódulos ou 
tumores de diferentes regiões do organismo, podendo ser feita tanto em 
órgãos superficiais — como mama, tireoide, linfonodos e glândulas salivares — 
quanto de órgãos profundos — como pulmão, fígado, pâncreas e retroperitônio. 
Em órgãos profundos, muitas vezes outros métodos devem ajudar a guiar o 
procedimento, como exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia 
computadorizada). Para a realização da punção, são necessários os seguintes 
materiais: agulha, seringa (10 ou 20 mL), luvas, gaze estéril, solução de álcool, 
lâminas de vidro para microscopia e fixador de material, sendo que alguns 
autores recomendam a utilização de pistola (porta-seringa) para facilitar a 
coleta (Figura 7). As agulhas mais utilizadas para a coleta são de pequeno 
calibre, entre 0,5 e 0,7 mm. Porém, quando o material é mais espesso ou 
purulento geralmente é preciso usar agulhas de 0,8 ou de 0,45 mm (agulhas 
Citopatologia não ginecológica 11
de aplicação de insulina) para puncionar nódulos mais superficiais (PINTO; 
KATZ, 2012; MEDRADO, 2014). 
Figura 7. Agulha, seringa e porta-seringa. 
Fonte: Pinto e Katz (2012, p. 12).
Para a realização da punção aspirativa com agulha fina, o paciente deve 
ser colocado em posição adequada. A lesão precisa ser identificada por 
palpação e deve ser feita a antissepsia do local a ser puncionado. A agulha 
deve ser acoplada à seringa e ao porta-seringa (se for de interesse) e deve-se 
fixar a lesão entre o dedo indicador e o médio. A técnica de coleta pode ser 
desempenhada da seguinte forma (PINTO; KATZ, 2012):
1. Com o êmbolo da seringa ser mantido na posição zero, a agulha deve 
ser introduzida na lesão perpendicularmente à superfície da pele. 
2. Deve-se promover forte pressão negativa no interior da seringa, des-
locando o êmbolo para estabelecer vácuo, mantendo-o.
3. Deve-se efetuar movimentos de “vai e vem” com a agulha na lesão, em 
diversas direções e profundidades, mantendo a pressão negativa, até 
aparecer material no início da seringa.
4. O êmbolo deve ser solto, desfazendo-se a pressão negativa, ainda 
com a agulha na lesão.
5. A agulha deve ser retirada da lesão e o local deve ser comprimido 
com gaze. 
6. A agulha deve ser retirada da seringa com o êmbolo na posição zero.
7. Deve-se puxar o êmbolo, fazendo vácuo.
Citopatologia não ginecológica12
8. Por fim, deve-se acoplar a agulha na seringa, para em seguida, em-
purrando o êmbolo, depositar o material na lâmina. A partir daí, basta 
preparar o esfregaço e fixá-lo.
A técnica utilizada para confecção dos esfregaços varia principal-
mente com o tipo de amostra. Para materiais líquidos retirados 
de nódulos císticos, por exemplo, há a necessidade de centrifugação prévia, 
para que seja utilizado o sobrenadante para a preparação do esfregaço. Nesse 
tipo de caso, o profissional responsável pela coleta deve enviar as amostras 
para o laboratório em recipiente limpo, ou então na própria seringa (sem a 
agulha, fechada com tampa e vedada com esparadrapo). Se o envio não puder 
ser imediato, a amostra deve ser refrigerada. Não é necessária a fixação prévia 
do material nem o uso de anticoagulante. 
Em amostras celulares de nódulos sólidos, deve-se remover a agulha da 
seringa e puxar o êmbolo, permitindo a entrada de ar na seringa. Em seguida, 
deve-se acoplar de novo a agulha e com o orifício do bisel tocar de leve numa 
lâmina e empurrar o êmbolo da seringa para depositar uma gota da amostra, 
com 2 mm a 3 mm de diâmetro, para a preparação dos esfregaços. Em casos 
de material hemorrágico e semissólido, deve-se utilizar a extremidade de 
outra lâmina inclinada a 45° para estender o espécime delicadamente, em 
movimento único, rápido e uniforme, como é feito no preparo de esfregaço 
hematológico para realização do hemograma. Para amostras muito fluidas, 
deve-se inclinar a lâmina para baixo e remover o excesso de líquido deslo-
cado com papel absorvente, utilizando a parte mais consistente restante 
na lâmina para preparo do esfregaço. Amostras constituídas por coloide ou 
alguma substância semelhante devem ser comprimidas entre duas lâminas, 
puxando-as horizontalmente em direções opostas, de modo suave (PINTO; 
KATZ, 2012).
A fixação do material nas lâminas requer o uso de substâncias ou materiais 
para preservar as características morfológicas das células coletadas. Para 
secar, o esfregaço normalmente é deixado a seco em ar ambiente ou utilizando 
metanol, polietilenoglicol e álcool etílico 95%. Antes de ser feita a análise 
da lâmina pelo citopatologista, ainda é preciso corar os esfregaços. Uma das 
colorações mais utilizadas em citopatologia é a de Papanicolaou, constituída 
por um corante nuclear, a hematoxilina, e dois citoplasmáticos, o Orange G e a 
Citopatologia não ginecológica 13
Eosina Amarela. Outros exemplos de coloração são a de May-Grünwald-Giemsa 
e a de Romanovsky (MEDRADO, 2014).
A maioria das amostras de líquor é obtida por punção lombar realizada em 
L3-L4 ou L4-L5. Como o conteúdo celular dolíquor costuma ser muito escasso, 
é preciso adotar algum método de concentração celular eficiente, como a 
filtração por membrana e a citocentrifugação (mais utilizada, por permitir o 
preparo de várias lâminas e possibilitar a realização de técnicas complemen-
tares). Uma amostra normal deve mostrar apenas linfócitos e monócitos. O 
sistema nervoso central costuma ser uma região com prevalência de lesões 
metastáticas, ocorrendo meningite neoplásica em 3 a 5% dos pacientes com 
câncer. As principais origens das metástases são pulmão, mama e melanomas. 
A partir do líquor, também é possível identificar principalmente leucemias. 
Além disso, pode ser realizada biopsia estereotáxica quando os riscos de uma 
cirurgia são altos, devido à localização do tumor (em áreas vitais, profundos 
no cérebro ou que não podem ser tratados com cirurgia) (HORTA, 2013).
A biopsia estereotáxica utiliza um sistema de coordenadas tridimen-
sionais para localizar o alvo tumoral e realizar a biópsia. Para saber um 
pouco mais sobre essa técnica e ver exemplo diagnóstico, leia o artigo “Biópsia 
estereotáxica no diagnóstico de tumores cerebrais e lesões não-neoplásicas: 
indicações, acurácia e dificuldades diagnósticas” (PITTELLA, 2008). 
Em mama, uma amostra de punção aspirativa com agulha fina é satisfatória 
quando são encontrados de cinco a seis grupamentos de células bem preser-
vadas. Em amostras com pouca probabilidade de malignidade, a categoria 
utilizada no laudo é “atípica”, comum quando se tem uma mistura de achados 
citológicos de entidades benignas e malignas). Por sua vez, a categoria “sus-
peita” é empregada quando os achados são provavelmente de malignidade. 
São descritos como atípicos, por exemplo, os casos em que as células 
atípicas são pouco numerosas e mal preservadas, e a amostra é 
hemorrágica ou inflamatória, não permitindo o diagnóstico definitivo de maligno, 
ou também quando os achados sugerem um câncer de atipias mínimas (carcinoma 
lobular, tubular ou papilar). 
Citopatologia não ginecológica14
Em casos malignos, é possível observar uma abundante celularidade, com 
células dispersas, desordenadas e pleomorfismo. O núcleo é hipercromático, 
frequentemente excêntrico, aumentado de volume, com contorno nuclear 
espessado e irregular e mitoses atípicas quando presentes. O nucléolo é 
proeminente, irregular ou múltiplo. No citoplasma, lúmens podem ser vistos 
contendo mucina ou lipídios positivos. No fundo do esfregaço, pode-se ter 
hipercelularidade, presença de muco, debris celulares e necrose. Por sua vez, 
células mioepiteliais estão ausentes. Deve-se ter cuidado ao diagnosticar 
malignidade quando existem padrões de benignidade, como: aspirado pobre-
mente celular, ausência de células isoladas, presença de células mioepiteliais 
e atipia ausente ou escassa (PINTO; KATZ, 2012; HORTA, 2013).
Na tireoide, quando as células foliculares se apresentam amontoadas, 
formando numerosos microfolículos (rosetas ou estruturas microacinares) ou 
papilas, é sugestivo o diagnóstico de neoplasia. O amoldamento nuclear não é 
comum e o contorno nuclear irregular sugere carcinoma principalmente quando 
presente na maioria das células. Núcleos aumentados, hipercromáticos ou 
desnudos ocasionais podem ser vistos em esfregaços benignos. A cromatina 
é finamente granular e moderadamente hipercromática, variando também 
de acordo com o estado funcional da célula. Quando densa, picnótica e mais 
aberta, é sugestiva de hiperatividade. Quando presentes e proeminentes ou 
múltiplos, os nucléolos sugerem malignidade, assim como o citoplasma que se 
apresenta denso e escamoide. Células de Hürtle são células foliculares repletas 
de mitocôndrias, tornando-se oncócitos, e são encontradas em diferentes 
órgãos e tumores. A neoplasia folicular ou um nódulo suspeito de neoplasia 
folicular são caracterizados por alta celularidade, células isoladas, grupos 
ou microfolículos, coloide escasso ou ausente e fundo hemático. As células 
mostram-se normais ou um pouco aumentadas de volume, relativamente 
uniformes, com citoplasma escasso ou em quantidade moderada. O núcleo 
é redondo, levemente hipercromático e com nucléolo invisível. Alguma atipia 
pode ser observada (PINTO; KATZ, 2012; HORTA, 2013). 
No pulmão, a malignidade é indicada pela presença de muitas células 
atípicas, arranjos desorganizados com superpopulação e sem coesão e alta 
relação núcleo/citoplasma. Em geral, o núcleo apresenta-se seis vezes maior 
que o tamanho normal, a membrana nuclear é irregular e a cromatina é 
grosseira. A pleura é o local mais frequente dos mesoteliomas malignos, mas 
estes também podem ocorrer no pericárdio e peritônio (PINTO; KATZ, 2012).
É de extrema importância conhecer os líquidos corporais e onde se loca-
lizam para que no momento da análise citopatológica seja possível definir 
se o conteúdo celular ali presente está normal, alterado por algum processo 
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infeccioso/inflamatório/reativo ou com presença de malignidade, seja ela 
própria do local ou uma metástase. Também é fundamental o conhecimento 
sobre os padrões citopatológicos (concentração celular, características de 
núcleo, nucléolo, citoplasma, membrana e material extracelular) que carac-
terizam ou sugerem malignidade. Além do entendimento desses aspectos 
corporais e celulares, neste capítulo foram discutidas as técnicas de citologia 
exfoliativa e biópsia por punção com agulha fina, que são muito utilizadas e de 
grande auxílio no diagnóstico de casos de malignidade em diversos tecidos.
Referências 
HORTA, A. L. Líquidos biológicos. In: GAMBONI, M.; MIZIARA, E. F. (ed.). Manual de cito-
patologia diagnóstica. Barueri: Manole, 2013. p. 193-224.
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2013.
MEDRADO, L. Citologia e histologia humana: fundamentos de morfofisiologia celular 
e tecidual. São Paulo: Érica, 2014.
MUNDT, L. A.; SHANAHAN, K. Exame de urina e de fluidos corporais de Graff. 2. ed. Porto 
Alegre: Artmed. 2012.
PINTO, F. R. G.; KATZ, L. M. C. Caderno de referência 2: citopatologia não ginecológica. 
Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: CEPESC, 2012.
TERRA, R. M. et al. Mesotelioma pleural maligno: experiência multidisciplinar em hospital 
público terciário. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 34, n. 1, 2008. Disponível em: 
https://www.jornaldepneumologia.com.br/details/130/pt-BR/mesotelioma-pleural-
-maligno--experiencia-multidisciplinar-em-hospital-publico-terciario. Acesso em: 
2 jun. 2022.
Leitura recomendada 
PITTELLA, J. E. H. Biópsia estereotáxica no diagnóstico de tumores cerebrais e lesões 
não-neoplásicas: indicações, acurácia e dificuldades diagnósticas. Jornal Brasileiro de 
Patologia e Medicina Laboratorial, v. 44, n. 5, 2008. Disponível em: https://www.scielo.
br/j/jbpml/a/QCxZXHkj6PmyFPSxXPb89Xv/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 2 jun. 2022.
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