Prévia do material em texto
PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA Patologia Clínica Veterinária Angela Maria Coraiola Angela Maria Coraiola GRUPO SER EDUCACIONAL gente criando o futuro A realização e interpretação de exames laboratoriais são essenciais na rotina veteri- nária pois podem fornecer importantes informações sobre o estado geral e o meta- bolismo animal, assim como sobre a presença de possíveis infecções e outras doen- ças. Portanto, os exames laboratoriais são úteis para o diagnóstico, prognóstico e acompanhamento do tratamento de diversas enfermidades. Estão incluídos nesses exames: a hematologia, as provas bioquímicas, a urinálise e os exames de citologia, como a análise de derrames cavitários, líquido cefalorraquidiano, medula óssea, etc. Durante a disciplina, você encontrará os detalhes sobre a coleta e preparação de amostras para os exames laboratoriais, o passo a passo para a realização das análises e, � nalmente, a interpretação dos resultados obtidos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA SER_MV_PACLIV_capa.indd 1,3 28/07/2021 17:28:30 © Ser Educacional 2021 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira Angela Mara Coraiola DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 2 28/07/2021 16:38:24 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 3 28/07/2021 16:38:25 Unidade 1 - Introdução à Patologia Clínica Veterinária Objetivos da unidade ........................................................................................................... 12 Introdução à patologia clínica .......................................................................................... 13 O laboratório de patologia clínica ................................................................................ 16 Termos importantes......................................................................................................... 22 Coleta e preparação de amostras ..................................................................................... 24 Sangue .............................................................................................................................. 24 Urina .................................................................................................................................. 30 Outros materiais .............................................................................................................. 31 Sintetizando ........................................................................................................................... 34 Referências bibliográficas ................................................................................................. 35 Sumário SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 4 28/07/2021 16:38:25 Sumário Unidade 2 - Hemograma e mielograma Objetivos da unidade ........................................................................................................... 37 Hemograma............................................................................................................................ 38 Eritrograma ....................................................................................................................... 38 Leucograma ...................................................................................................................... 50 Mielograma ........................................................................................................................... 59 Hematopoiese .................................................................................................................. 59 Técnica para o mielograma ........................................................................................... 62 Sintetizando ........................................................................................................................... 64 Referências bibliográficas ................................................................................................. 65 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 5 28/07/2021 16:38:25 Sumário Unidade 3 - Coagulograma e Bioquímica Clínica Objetivos da unidade ........................................................................................................... 67 Coagulograma ....................................................................................................................... 68 Processo de Coagulação ............................................................................................... 68 Testes de Coagulação..................................................................................................... 71 Coagulopatias .................................................................................................................. 73 Bioquímica Clínica............................................................................................................... 78 Provas de Função Hepática .......................................................................................... 78 Provas de Função Renal ................................................................................................. 83 Outras Provas ................................................................................................................. 85 Sintetizando ........................................................................................................................... 95 Referências bibliográficas ................................................................................................. 96 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 6 28/07/2021 16:38:25 Sumário Unidade 4 - Urinálise e citologia Objetivos da unidade ........................................................................................................... 98 Urinálise ................................................................................................................................. 99 Formação da urina .......................................................................................................... 99 Análises de urina ........................................................................................................... 102 Citologia ............................................................................................................................... 113 Derrames cavitários ......................................................................................................pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. , ácido fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. , ácido fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007. n. p. (Adaptado). Existem outros tipos de classifi cações que as anemias podem ter. Uma de- las é a classifi cação de acordo com a proporção de eritrócitos em relação ao volume de plasma sanguíneo, em que uma anemia pode ser classifi cada como relativa ou absoluta. Uma anemia relativa pode acontecer, por exemplo, por um aumento no volume de plasma que ocorre após fl uidoterapia. Já anemias absolutas são mais importantes, pois signifi cam uma perda na capacidade de transporte de O2, e não simplesmente um aumento no volume de plasma. Outro tipo de classifi cação das anemias é em relação à sua etiologia, como mostrado no Quadro 2: maior) ou microcíticos (tamanho pequeno). Com o CHCM é possível analisara coloração e, consequentemente, a quantidade de hemoglobina dos eritrócitos, sendo classifi cados em normocrômicos (coloração normal) e hipocrômicos (co- loração diminuída). Não existem anemias hipercrômicas, mas um falso aumen- to de CHCM pode acontecer no caso de um nível de hemoglobina falsamente aumentado em casos de hemólise, por exemplo. Os índices hematimétricos auxiliam na classifi cação e interpretação dos di- ferentes tipos de anemia, conforme você pode ver no Quadro 1: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 44 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 44 28/07/2021 16:49:25 Tipo Possíveis causas Perda sanguínea ou anemias hemorrágicas Aguda Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Crônica Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos ou externos. Destruição acelerada dos eritrócitos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Anasplasma sp., Babesia sp., mycoplasmas, Ehrlichia sp., Clostridium sp. etc.), intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Diminuição da produção dos eritrócitos (eritropoiese reduzida) Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como Ehrlichia sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. Eritropoiese inefi caz Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B12). QUADRO 2. CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS EM RELAÇÃO À SUA ETIOLOGIA Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Babesia intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Babesia intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., mycoplasmas, intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., mycoplasmas, intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos ou externos. Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., mycoplasmas, intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos ou externos. Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., mycoplasmas, intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos ou externos. Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., mycoplasmas,intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos ou externos. Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., mycoplasmas, Ehrlichia intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Ehrlichia intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Ehrlichia intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina K e coagulação intravascular disseminada (CID). Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como sp., Clostridium intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Traumas agudos, problemas de coagulação, defi ciência de vitamina Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Clostridium intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. Lesões gastrointestinais (neoplasias e úlceras), neoplasias com sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Parasitas sanguíneos (vírus, bactérias e riquétsias, como Anasplasma Clostridium intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia,parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. sangramento cavitário, trombocitopenias e parasitas internos Anasplasma Clostridium sp. etc.), intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. Anasplasma sp. etc.), intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. Anasplasma sp. etc.), intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. intoxicações (por exemplo por fenotiazina, acetominofen, azul de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. de metileno, vitamina K; cobre, chumbo, zinco etc.), intoxicação por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. por algumas plantas, acidentes com cobras, doenças metabólicas (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus eritematoso, reação à transfusão sanguínea etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. (problemas hepáticos, por exemplo), defeitos em algumas enzimas intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. intraeritrocitárias, anemia hemolítica imunomediada (AHIM), lúpus Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. Doença renal crônica (pela falta de eritropoietina), defi ciências nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático e mastocitoma), doenças imunes etc. nutricionais (de proteínas, minerais e algumas vitaminas), doenças infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas (quimioterapia), radioterapia, parasitas sanguíneos (como Ehrlichia sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático infl amatórias (infl amação crônica e neoplasias), doenças endócrinas (hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo), drogas citotóxicas Ehrlichia sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Ehrlichia sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático sp.), mielopatias (leucemias, mieloma múltiplo, linfoma metastático Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina)e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos (defi ciência de folato e vitamina B Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos 12). Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre e piridoxina) e desordem da síntese de ácidos nucleicos Desordem na síntese de hemoglobina (defi ciência do ferro, cobre EXPLICANDO Em colorações de rotina, os eritrócitos imaturos aparecem com uma coloração diferente, um pouco mais azulada que o normal, por isso quando estão presentes e podem ser identificados na lâmina do esfregaço sanguíneo, podemos dizer que a amostra apresenta poli- cromatofilia (do grego polys = muitos e chroma = cor). Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007. n. p. (Adaptado). Uma das mais importantes formas de classificação das anemias é baseada na resposta da medula óssea. Nessa classificação, as anemias podem ser regenerativas ou não-regenerativas (arregenerativas), e essa classificação é obtida com a contagem de eritrócitos imaturos na circulação, os chamados reticulócitos. A presença dos reticulócitos na circulação indicam que a medula óssea está respon- dendo à anemia, portanto, ela é classifica- da como regenerativa. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 45 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 45 28/07/2021 16:49:26 A ausência de reticulócitos na circulação pode indicar uma anemia não regenerativa (em que a medula óssea não está respondendo à anemia), e que deve ser investigada. No início de uma hemorragia, por exemplo, o apa- recimento de reticulócitos na circulação é baixo, já que a medula óssea pode levar de dois a quatro dias para começar a liberar os eritrócitos jovens na circulação. Uma anemia não-regenerativa pode ter diferentes causas, podendo ser primária (por comprometimento na própria medula óssea como em neopla- sias, por exemplo) ou secundária (em que a medula óssea não está neces- sariamente comprometida, mas algo a impede de responder ao estímulo. Um exemplo é a doença renal crônica, em que há redução na liberação de eritropoetina). A anemia regenerativa geralmente é causada por hemorra- gias ou hemólise. Os reticulócitos apresentam coloração mais clara e azulada que os eri- trócitos maduros, e geralmente também são maiores. Por isso, uma prática comum é analisar a capacidade de regeneração da medula pelos índices hematimétricos. Se houver anemia, mas o VCM e o CHCM estiverem nor- mais (normocítico e normocrômico), há uma indicação de que a anemia seja não-regenerativa. A confirmação da regeneração ou não da medula óssea vem através da técnica de contagem de reticulócitos (ou através de um mielograma). Em uma lâmina corada, normalmente, teremos a policromatofilia, mas muitas vezes ela não é tão evidente, então, para contagem de reticulócitos, utiliza- mos uma técnica de coloração especial (chamada de coloração supra vital), que cora os grânulos (restos de organelas e ácidos nucleicos) presentes nos eritrócitos imaturos, como você pode ver na Figura 4. O corante utilizado para isso é o azul de cresil brilhante. Coloca-se, em um tubo de ensaio, 0,5 ml da amostra de sangue e 0,5 ml do co- rante, e leva-se essa mistura para o banho-maria a 37 °C por 15 minutos. Depois, faz-se um esfregaço em lâmina. A contagem é feita em pelo menos dez campos da lâ- mina, contando-se o número de reticulócitos e de eritrócitos normais, para depois calcular a propor- ção entre eles. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 46 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 46 28/07/2021 16:49:26 Reticulócitos No eritrograma, além das análises quantitativas, é sempre importante rea- lizar a análise da morfologia dos eritrócitos, observando-os sob o microscópio no esfregaço sanguíneo. A observação é realizada na região da praia do esfre- gaço, onde a camada de células é mais fina. A morfologia dos eritrócitos pode ser classificada de acordo com o tama- nho, a forma, a cor, a disposição das células e a presença de estruturas anor- mais, internas ou externas às células: • Tamanho: Normal: o tamanho normal do eritrócito varia conforme a espécie. Por exemplo, em cães é uma célula grande, já em caprinos é bem pequena; Anisocitose: é a diferença de tamanho entre os eritrócitos de uma mesma amostra. É um indicativo da presença de anemia regenerativa (já que os reticulócitos geralmente são maiores que os eritrócitos maduros); Macrocitose: eritrócitos grandes predominando na lâmina. Comum em anemias regenerativas graves; Microcitose: eritrócitos pequenos predominando na lâmina. Comum em anemia ferropriva crônica; • Forma: Normal: aspecto bicôncavo, com centro mais claro que as bordas; Esferócitos: eritrócitos com aspecto de esfera, sem a palidez central. Presente em anemia hemolítica autoimune; Poiquilócitos: são alterações na forma dos eritrócitos, sendo que exis- tem vários tipos: Figura 4. Contagem de reticulócitos com uso de corante supra vital. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 47 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 47 28/07/2021 16:49:27 Equinócitos: eritrócitos com formas espiculadas, com várias projeções regulares. Pode ser um artefato, causado pela demora no processamento da amostra ou pelo excesso de anticoagulante. Também pode ocorrer em quadros de uremia ou na coagulação intravascular disseminada (CID); Acantócitos: eritrócito com projeções irregulares e variadas. Pode ocor- rer em quadros de hiperbilirrubinemia, dietas com excesso de colesterol etc.; Esquisócitos: fragmentos irregulares de eritrócitos. Pode ocorrer em doença renal, deficiência crônica de ferro etc.; Crenação: eritrócitos com formato de engrenagem. Pode ocorrer por artefatos, ou ser causada por desidratação. Em bovinos é comum; • Coloração: Normal: pode variar conforme o corante utilizado, mas geralmente é vermelho-claro; Policromatofilia (ou policromasia): variação na coloração entre os eritrócitos de uma mesma amostra. Geralmente os reticulócitos apresen- tam uma coloração mais azulada. Pode ocorrer em anemias regenerativas; Hipocromia: eritrócitos mais claros que o normal e com uma maior área de palidez central. Geralmente causado por redução da hemoglobina, comum em deficiência de ferro; • Disposição das células: Rouleaux: eritrócitos apresentam-se empilhados, formando estrutu- ras semelhantes a correntes. É normal em equinos, mas em outras espécies pode indicar desidratação ou inflamação; Aglutinação: eritrócitos aglomerados. Pode ocorrer em doenças au- toimunes ou como reação a transfusãosanguínea incompatível; • Presença de estruturas anormais: Corpúsculos de Howell-Jolly: inclusões esféricas com coloração arro- xeada nos eritrócitos. São restos nucleares e podem ocorrer pela resposta da medula óssea à anemia, ou pelo uso de glicocorticoides em cães; Metarrubrócitos: eritrócitos imaturos nucleados. Podem estar pre- sentes em anemias regenerativas graves, assim como em doenças mielo- proliferativas ou hemangiossarcomas; Corpúsculos de Heinz: inclusões esféricas de coloração clara próximas à membrana dos eritrócitos. Ocorre devido à oxidação da hemoglobina; PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 48 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 48 28/07/2021 16:49:27 Reticulócitos: eritrócitos imaturos que podem apresentar restos de organelas e ácidos nucleicos visualizados com coloração supra vital; Ponteado basófilo: eritrócitos com presença de grânulos basofílicos (arroxeados) no seu citoplasma. Os grânulos são resíduos de ácidos nuclei- cos e podem aparecer quando há uma eritropoiese intensa, ou em casos de intoxicação por chumbo; Corpúsculos de Lentz: inclusões virais nos eritrócitos. Muito comum em casos de cinomose em cães. Também pode aparecer em leucócitos; Parasitas internos à célula: os mais comuns são: Haemobartonella fe- lis, H. canis, Anaplasma marginalis, Babesia equi, B. caballi, B. canis, Eperythro- zoon suis e Cytauxzoon felis; Parasitas externos à célula: principalmente microfilárias. Veja, na Figura 5, alguns dos aspectos morfológicos importantes dos eritró- citos, e, na Figura 6, dois exemplos de hemoparasitas: Esferócito microcítico e policromatófilo Esferócito macrocítico e policromatófilo Corpúsculo de Howell-Jolly Metarrubrócitos Hipocromia Micrócito A B C Rouleaux Figura 5. Lâminas contendo alterações morfológicas de eritrócitos. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). Na Figura 5a estão presentes anisocitose moderada, policroma- tofilia, hipocromia, presença de esferócitos, presença de metarrubrócitos e corpúsculos de Howell-Jolly. Na Figura 5b vemos poiquilocitose acentuada, com presença de esquisócitos. Na lâmina da Figura 5c vemos rouleaux eritrocitário. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 49 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 49 28/07/2021 16:49:28 Dirofi laria immitis Babesia sp. A B Figura 6. Lâminas contendo hemoparasitas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). Na lâmina da Figura 6a vemos um parasita intracelular em um eritrócito, a Babesia sp. Na lâmina da Figura 6b temos um hemoparasita extracelular, uma microfi lária da espécie Dirofi laria immitis. Leucograma Os leucócitos (ou glóbulos brancos) são células sanguíneas produzidas na medula óssea, que são responsáveis pela resposta do organismo a processos infl amatórios e infecciosos. Os leucócitos são provenientes de células-tronco presentes na medula óssea. Para o leucograma, são feitos dois tipos de contagens. A primeira é a conta- gem total de leucócitos, que pode ser feita por equipamentos automáticos ou de forma manual, com a utilização da câmara de Neubauer, como na contagem de eritrócitos. Como os leucócitos não são tão abundantes no sangue quanto os eritrócitos, a diluição para contagem é feita de forma diferente. Além disso, para que não ocorram erros pela presença dos eritrócitos (que podem causar confusão na hora da contagem) é utilizado o chamado líquido de Turk, que é composto por ácido acético (que causa hemólise) e um coran- te para evidenciar os leucócitos (que pode ser azul de metileno ou violeta de PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 50 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 50 28/07/2021 16:49:29 genciana). A diluição é de 1/21, sendo feita da seguinte forma: em um tubo de ensaio, adiciona-se 0,4 ml do líquido de Turk e 20 µL de sangue. Após a diluição, é feito o preenchimento da câmara de Neubauer e a contagem é realizada nos quatro quadrantes externos da câmara, sob microscopia, como na Figura 4. O resultado é obtido pela fórmula: Leucócitos/μL = leucócitos contados ∙ 50 A leucocitose (aumento na contagem total de leucócitos) pode estar associada à presença de reações inflamatórias, mas também pode ser um processo fisiológi- co normal. A leucocitose fisiológica pode ocorrer como resposta a adrenalina, por exemplo, em que os leucócitos presentes no chamado compartimento marginal (capilares do baço e pulmões, por exemplo) são liberados para a circulação geral. Em geral, a leucopenia (redução na contagem total de leucócitos) tende a ser causada por processos mais graves, e pode ser diferenciada conforme o tipo de célula está com números mais baixos. A neutropenia (redução do número de neutrófilos) é mais comum em infecções bacterianas, enquanto a linfopenia (redução do número de linfócitos) é comum em infecções virais. A leucopenia também pode estar associada a um comprometimento da medula óssea, com uma menor produção de leucócitos. A outra contagem realizada no leucograma é a contagem diferencial, para determinar as quantidades relativas e absolutas de cada tipo de leucócito. Essa contagem é realizada na lâmina do esfregaço sanguíneo, contando-se 100 leu- cócitos e marcando, dentro dessas 100 células, quantas são de cada tipo. Com isso, obtém-se a contagem diferencial relativa, em que os resultados são ex- pressos em porcentagem. Para obter os resultados da contagem diferencial absoluta, simplesmente multiplicam-se os valores obtidos na contagem diferencial relativa pelo valor obtido na contagem total de leucócitos. Existem equipamentos que realizam a contagem diferencial, porém é sempre indicado que os leucócitos sejam ao menos observados no microscópio, para análise da morfologia dos leucócitos. Os leucócitos podem ser classificados em polimorfonucleados (com o núcleo segmentado) ou em mononucleados. Os polimorfonucleados são os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos, nomeados de acordo com a coloração dos grânulos presentes no seu citoplasma. Os mononucleados são os monócitos e os linfócitos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 51 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 51 28/07/2021 16:49:29 Os neutrófilos são um dos principais leucócitos, apresentando citoplasma claro, sem muitos grânulos visíveis com corantes de rotina. Seu núcleo é baso- fílico (arroxeado escuro), podendo ser segmentado ou em forma de bastonete, como você pode ver na Figura 7: Neutrófilos segmentados Neutrófilos bastonetes Os neutrófilos com núcleo segmentado são maduros, e os neutrófilos com núcleo em forma de bastonete são jovens, quando o núcleo ainda não está to- talmente segmentado. O aumento de bastonetes na circulação indica uma rea- ção inflamatória intensa (em que a medula óssea é estimulada a liberar as célu- las mais jovens). Por convenção, essa presença de altos números de neutrófilos bastonetes na circulação, pode ser chamada de desvio à esquerda. Conforme a quantidade de neutrófilos segmentados e bastonetes na circulação, o desvio à esquerda pode ser classificado como regenerativo ou degenerativo. EXPLICANDO O desvio à esquerda regenerativo ocorre quando o número de neutrófilos bas- tonetes está abaixo do número de neutrófilos segmentados. Isso significa que a medula está conseguindo responder à demanda por células de maneira suficiente (há uma boa resposta ao processo inflamatório). Já no desvio degenerativo há um maior número de neutrófilos bastonetes do que de neutrófilos segmentados, sendo que o número total de leucócitos pode, inclusive, estar abaixo do normal (a medula óssea apresenta um esgotamento). Muitas vezes, o prognóstico nesses casos é desfavorável, sendo necessária uma intervenção terapêutica intensa. Figura 7. Lâmina contendo neutrófilos segmentados e bastonetes. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 52 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 52 28/07/2021 16:49:30 Os neutrófi los são liberados pela medula óssea, porém nem todos fi cam cir- culantes o tempo todo. Uma parte dosneutrófi los liberados pela medula óssea pode fi car aderido à parede de capilares e pequenos vasos presentes no baço e nos pulmões. Esses neutrófi los podem ser liberados para a corrente sanguínea pela presença de adrenalina ou corticoides endógenos, em casos de estresse, exercícios intensos, traumas ou infecções. Eles geralmente permanecem na circulação por sete a 14 horas, e podem se infi ltrar em tecidos e cavidades do organismo de maneira aleatória. A principal função dos neutrófi los é a fagocitose de microrganismos, mas também podem apresentar função de liberação de substâncias importantes na infl amação (especialmente citocinas, pirógenos e moléculas de adesão). A presença de bactérias infeccionando um tecido causa aumento da permeabi- lidade vascular no local, permitindo que os neutrófi los (e outros leucócitos) al- cancem o tecido lesado mais facilmente. Depois a própria morte dos neutrófi los no local, com liberação das substâncias presentes no seu citoplasma, aumenta o processo infl amatório. Com isso, aumenta a capacidade dos neutrófi los e dos monóci- tos em realizar a fagocitose das bactérias. As característi- cas funcionais dos neutrófi los estão no Quadro 3: Função Características Aderência A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Quimiotaxia Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. Fagocitose A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Atividade antimicrobiana Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Exocitose Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo do fagossomo. QUADRO 3. CARACTERÍSTICAS FUNCIONAIS DOS NEUTRÓFILOS A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área dainfl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão na superfície do neutrófi lo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A presença de bactérias infeccionando um tecido atrai os neutrófi los, que se aderem ao redor da região infeccionada, passando entre as junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, que atraem os leucócitos até a região. A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo do fagossomo. junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomaisdos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo do fagossomo. junções intercelulares do endotélio capilar até entrar no tecido afetado. A propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo do fagossomo. propriedade de aderência ocorre pela presença de moléculas de adesão Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem tanta capacidade de fagocitose. Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo do fagossomo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo do fagossomo. Ocorre pela presença de substâncias quimiotáticas na área da infl amação, A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo A fagocitose é estimulada pela presença de moléculas que se aderem à superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo superfície das bactérias (como opsoninas) e servem como receptores para que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo que ocorra a fagocitose. Células jovens (como bastonetes) não possuem Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo Os grânulos lisossomais dos neutrófi los se fundem com a cavidade do fagossomo, liberando as substâncias capazes de digerir a bactéria. Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo Após a digestão da bactéria, o neutrófi lo realiza a exocitose do conteúdo Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007. n. p. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 53 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 53 28/07/2021 16:49:30 Os neutrófilos podem apresen- tar algumas alterações morfológicas (também chamadas de alterações tóxicas), principalmente em relação ao tamanho da célula (maiores do que o normal), forma do núcleo (hi- persegmentado), características dos grânulos (grânulos tóxicos e/ou cor- púsculo de Döhle) e do citoplasma (basofilia citoplasmática). Essas alterações podem ocorrer em casos de in- flamação aguda, septicemia, infecção grave ou grande destruição tecidual. Existem diversas causas para uma neutrofi lia ou para uma neutropenia, como você pode ver no Quadro 4: Neutrofi lia Fisiológica Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Relativa Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Proliferativa Leucemia mieloide aguda ou crônica. Neutropenia Sobrevivência de neutrófi los diminuída Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, anafi laxia etc. Produção diminuída Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Produção inefi caz Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Os eosinófi los são morfologicamente parecidos com os neutró- fi los, porém seus grânulos apresentam coloração eosinofílica (ro- sada), como você pode ver na Figura 8. Eles também são produzidos principalmente na medula óssea (e uma pequena quantidade também pode ser pro- duzida pelo baço, timo e linfonodos cervicais). Eles podem permanecer na circulação por cerca de quatro a seis horas. QUADRO 4. CAUSAS DE NEUTROFILIA E NEUTROPENIA Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia,toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, anafi laxia etc. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e hiperadrenocorticismo). Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, anafi laxia etc. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia Liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, anafi laxia etc. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia glicocorticoides (trauma, dor, estresse crônico e Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, anafi laxia etc. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, anafi laxia etc. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Presença de infecções locais ou sistêmicas, necrose de tecidos, doenças imunomediadas, neoplasias etc. Leucemia mieloide aguda ou crônica. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia mieloide ou linfoide etc. Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Infecção bacteriana aguda, septicemia, toxemia, Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia mieloide ou linfoide. Infecções agudas, toxemia, radiação, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia Vírus da leucemia felina, mieloptise, leucemia Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007. n. p. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 54 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 54 28/07/2021 16:49:31 Eosinófilo Os eosinófilos aparecem aumentados em quadros de parasitose (parasitas in- ternos ou externos) e em reações alérgicas. Nesses casos, a entrada dos eosinófi- los nos tecidos afetados é estimulada pela presença de substâncias quimiotáticas específicas, como a presença de complexos contendo IgE, histamina, fator quimio- tático a eosinófilos (FQE) etc. Nas reações alérgicas, os eosinófilos têm um papel importante na regulação, sendo capazes de fagocitar complexos imunes e grânulos de histamina (e outras substâncias) liberados pelos mastócitos. Além disso, eles liberam algumas subs- tâncias (prostaglandinas e zinco) que inibem a liberação dos grânulos de mastóci- tos e possuem a histaminase, enzima que inativa a histamina. Em relação às parasitoses, os eosinófilos são atraídos para o local afetado tam- bém pela presença de substâncias liberadas pelos mastócitos. Primeiro haverá a ligação de IgGs específicos na superfície do parasita, estimulando uma resposta inflamatória no local. Depois, os IgEs específicos também se ligarão, estimulando a resposta dos mastócitos, que liberarão substâncias (como histamina, FQEs e ou- tros) que atrairão os eosinófilos para o local. Como ocorre com os neutrófilos, existem várias causas para a eosinofilia e para eosinopenia. A eosinofilia pode ocorrer por perda tecidual crônica, reações alérgi- cas, parasitismo (interno ou externo), hipoadrenocorticismo etc. Já a eosinopenia ocorre em casos de inflamações e/ou infecções agudas, liberação de adrenalina (estresse agudo) ou glicocorticoides (estresse crônico) hiperadrenocorticismo etc. Figura 8. Lâmina contendo um eosinófilo. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 55 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 55 28/07/2021 16:49:31 Os basófilos apresentam grânulos basofílicos (arroxeados), como você pode ver na Figura 9, e são bastante raros na circulação. Também são produzidos na medula óssea, e seus grânulos são ricos em histamina e heparina. Eles também estão en- volvidos na resposta inflamatória, sendo que quando estimulados por antígenos específicos eles podem sintetizar fatores de ativação plaquetária (FAP), tromboxa- nos e substâncias de reação à anafilaxia (SRA). Também são capazes de sintetizar o FQE, sendo que, geralmente, aparecem aumentados junto com os eosinófilos. Figura 9. Lâmina contendo dois basófilos, um neutrófilo e um linfócito. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). Figura 10. Lâmina contendo um monócito e um neutrófilo. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). Com relação aos mononucleados, primeiramente temos os monócitos, que são células grandes, geralmente com forma ameboide, citoplasma claro sem grânulos e núcleo roxo claro arredondado, irregular ou em forma de ferradura, como você pode ver na Figura 10. Seu citoplasma pode apresentar vacúolos. Linfócito Basófilos Neutrófilo Monócito Neutrófilo PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 56 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 56 28/07/2021 16:49:32 A produção dos monócitos também ocorre na medula óssea e, normalmen- te, aparecem em pequena quantidade na circulação e podem permanecer por oito a 71 horas. Os monócitos circulantes podem dar origem aos macrófagos presentes nos tecidos. Sua função está associada a fagocitose de microrga- nismos e de restos celulares, regulação da resposta imune e inflamatória, se- creção de enzimas e outras substâncias, efeito citotóxico em tumores, reparo tecidual etc. Com isso, os monócitos, macrófagos e seus precursores formam o chamado sistema fagocítico mononuclear. O outro tipo de leucócito mononucleado é o linfócito, que é uma célula pe- quena, com citoplasma claro e um núcleo roxo claro que preenche quase toda a célula, como você pode ver na Figura 11: Neutrófilo Linfócitos Os linfócitos são produzidos em pequena quantidade na medula óssea. Sua maior produção acontece nos órgãos linfoides, como no timo, baço,114 Líquido cefalorraquidiano ............................................................................................ 117 Líquido ruminal ............................................................................................................... 119 Sintetizando ......................................................................................................................... 122 Referências bibliográficas ............................................................................................... 123 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 7 28/07/2021 16:38:25 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 8 28/07/2021 16:38:25 A realização e interpretação de exames laboratoriais são essenciais na ro- tina veterinária pois podem fornecer importantes informações sobre o estado geral e o metabolismo animal, assim como sobre a presença de possíveis in- fecções e outras doenças. Portanto, os exames laboratoriais são úteis para o diagnóstico, prognóstico e acompanhamento do tratamento de diversas enfer- midades. Estão incluídos nesses exames: a hematologia, as provas bioquími- cas, a urinálise e os exames de citologia, como a análise de derrames cavitários, líquido cefalorraquidiano, medula óssea, etc. Durante a disciplina, você encon- trará os detalhes sobre a coleta e preparação de amostras para os exames laboratoriais, o passo a passo para a realização das análises e, fi nalmente, a interpretação dos resultados obtidos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 9 Apresentação SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 9 28/07/2021 16:38:25 Dedicado a todos os futuros médicos veterinários, que dedicarão suas vidas a cuidar com carinho e empenho de seus pacientes animais. A professora Angela Mara Coraiola é mestre em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Paraná (UFPR, 2012). É especialista em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens pelo Instituto Qualittas de Pós-graduação (2009) e é graduada em Medicina Ve- terinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR, 2008). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9974562952436782 PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 10 A autora SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 10 28/07/2021 16:38:26 INTRODUÇÃO À PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 1 UNIDADE SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 11 28/07/2021 16:38:35 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Realizar uma introdução e apresentar os aspectos gerais a serem vistos na disciplina; Apresentar uma lista de termos importantes relativos à Patologia Clínica Veterinária; Abordar a coleta e preparação de amostras para os diferentes tipos de exames laboratoriais realizados na Patologia Clínica Veterinária. Introdução à patologia clínica O laboratório de patologia clínica Termos importantes Coleta e preparação de amostras Sangue Urina Outros materiais PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 12 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 12 28/07/2021 16:38:35 Introdução à patologia clínica Na Patologia Clínica Veterinária, estudam-se a execução e interpretação de exames laboratoriais. Esses exames auxiliam no diagnóstico e monitoramento de diversas doenças, bem como no direcionamento do tratamento ou na con- duta clínica (LOPES, BIONDO e SANTOS, 2007). Com os exames realizados em um laboratório de patologia clínica, podemos analisar diversas funções do organismo, e as principais amostras utilizadas, ge- ralmente, são as de sangue. Porém, também é comum analisar urina, medula óssea, líquido cefalorraquidiano, líquido ruminal, derrames cavitários (abdomi- nais ou torácicos) ou outras amostras. Dessa forma, as principais análises realizadas na patologia clínica são: • Hemograma; • Bioquímica clínica; • Provas de função renal; • Provas de função hepática; • Outras provas; • Urinálise; • Citologia. O hemograma e a bioquímica clínica são realizados com a análise do san- gue. A hematologia analisa a porção celular do sangue (eritrócitos, leucócitos e plaquetas). Já na bioquímica clínica, o soro é analisado para dosagem de di- ferentes substâncias que podem indicar o estado de diversos órgãos, como apontam Feldman, Zinkl e Jain (2000). A utilização de exames laboratoriais será sempre defi nida pelo clínico vete- rinário conforme a suspeita clínica, ao passo que os resultados serão interpre- tados conforme os valores de referência defi nidos para cada espécie. A inter- pretação desses resultados deve sempre ser feita em associação ao histórico clínico do animal. EXPLICANDO Os valores de referência podem ser encontrados em diversas literaturas, podendo variar de acordo com a espécie, a idade e o sexo. Esses valores são obtidos a partir de estudos que utilizam grandes números de animais PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 13 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 13 28/07/2021 16:38:35 saudáveis, ou seja, busca-se obter uma média dos valores obtidos em cada parâmetro. A Tabela 1 apresenta valores de referência para hematologia em diferentes espécies. TABELA 1. VALORES DE REFERÊNCIA PARA HEMATOLOGIA EM DIFERENTES ESPÉCIES Canino Felino Bovino Equino Ovino Caprino Suíno Er it og ra m a Eritrócitos (x106) 5,5 – 8,5 5,0 – 10,0 5,0 – 10,0 6,8 – 12,9 9,0 – 15,0 8,0 – 18,0 5,0 – 18,0 Hemoglo- bina (g/ dL) 12,0 – 18,0 8,0 – 15,0 8,0 – 15,0 11,0 – 19,0 9,0 – 15,0 8,0 – 12,0 10,0 – 16,0 Hemató- crito (%) 37 – 55 24 – 45 24 – 46 32 – 53 27 – 45 22 – 38 32 – 50 HGM (pg) 19 – 23 13 – 17 11 – 17 10 – 20 8 – 12 5,2 – 8,0 17 – 21 VGM (fl) 60 – 77 39 – 55 40 – 60 37 – 58 28 – 40 16 – 25 50 – 68 CHGM (%) 32 – 36 31 – 35 30 – 36 31 – 36 31 – 34 30 – 36 30 – 34 Le uc og ra m a Leucócitos Totais 6000 - 17.000 5500 – 19.500 4000 – 12.000 5400 – 14.500 4.000 – 12.000 4.000 – 13.000 11.000 – 12.000 Bastone- tes (%) 0 – 3 0 – 3 0 – 2 SD* raros raros 0 – 4 Bastone- tes (μL) 0 – 300 0 – 300 0 – 120 0 – 100 raros raros 0 – 800 Neutró- filos (%) 60 – 77 35 – 75 15 – 45 SD* 10 – 50 30 – 48 28 – 47 Neutró- filos (μL) 3000 – 11.500 2500 – 12.500 600 – 4000 2260 – 8.580 700 – 6000 1.200 – 7.200 3.200 – 10.000 Linfócitos (%) 12 – 30 25 – 55 45 – 75 SD* 40 – 75 50 – 70 39 – 62 Linfócitos (μL) 1000 – 4800 1500 – 7000 2500 – 7500 1500 – 7700 2000 – 9000 2000 – 9000 4500 – 13.000 Eosinófilos (%) 2 – 10 2 – 12 2 – 20 SD* 0 – 10 1 – 8 1 – 11 Eosinófilos (μL) 150 – 1250 0 – 1500 0 – 2400 0 – 1000 0 – 1000 50 – 650 50 – 2000 Monócitos (%) 3 – 10 1 – 4 2 – 7 SD* 0 – 6 0 – 4 2 – 10 Monócitos (μL) 150 – 1350 0 – 850 25 – 840 0 – 1000 0 – 750 0 – 550 250 – 2000 PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 14 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 14 28/07/2021 16:38:36 Le uc og ra m a Basófilos (%) raros raros 0 – 2 SD* 0 – 3 0 – 2 0 – 2 Basófilos (μL) raros raros 0 – 200 0 – 290 0 – 300 0 – 120 0 – 400 Pl aq ue to gr am a Plaquetas (x103) 200 – 500 300 – 800 100 – 800 100 – 350 300 – 600 300 – 600 100 – 900 Pr ot ei no gr am a Proteínas Plasmáti- cas Totais (PPT) (g/dL) 6,0 – 8,0 6,0 – 8,0 7,0 – 8,5 5,8 – 8,7 6,0 – 7,5 6,0 – 7,5 6,0 – 8,0 * - Sem dados Já a Tabela 2 mostra valores de referência para bioquímica clínica em dife- rentes espécies. Canino Felino Bovino Equino Ovino Caprino Suíno Ácido úrico (mg/dL) 0 – 2 0 – 1,0 0 – 2 0,9 – 1,1 0 – 1,9 0,3 – 1,0 0,5 – 1,95 Albumina (g/dL) 2,6 – 3,3 2,1 – 3,3 3,3 – 3,55 2,6 – 3,7 2,4 – 3,0 2,7 – 3,9 1,8 – 3,3 ALT (UI/L) 21 – 86 28 – 83 11 – 40 3 – 23 6 –19 24 – 83 31 – 58 AST (UI/L) 6,2 – 13 6,7 – 11 20 – 34 58 – 94 SD* 43 – 132 8,2 – 21,6 Bilirrubina Total (mg/ dL) 0,1 – 0,5 0,15 – 0,50 0,01 – 0,5 1 – 2,0 0,1 – 0,5 0 – 0,1 0 – 10 Cálcio (mg/ dL) 9,0 – 11,3 6,2 – 10,2 9,7 – 12,4 11,2 – 13,6 11,5 – 12,8 8,9 – 11,7 7,1 – 11,6 Colesterol (mg/dL) 40 – 78 40 – 86 80 – 120 75 – 150 52 – 76 80 – 130 36 – 54 Creatinina (mg/dL) 0,5 – 1,5 0,8 – 1,8 1 – 2 1,2 – 1,9 1,2 – 1,9 1,0 – 1,8 1,0 – 2,7 Fosfatase Alcalina (UI/L) 20 – 156 25 – 93 0 – 488 143 – 395 68 – 387 93 – 387 118 – 395 Gama GT (UI/L) 1,2 – 6,4 1,3 – 5,1 6,1 – 17,4 4,3 – 13,4 20 – 52 20 – 56 10 – 60 TABELA 2. VALORES DE REFERÊNCIAlinfonodos, placas de Peyer, tonsilas e apêndices. Os linfócitos são as células mais impor- tantes na resposta imune, sendo que existem duas linhagens de linfócitos, os linfócitos T e os linfócitos B (que não são diferenciáveis morfologicamente). A linfopoiese é estimulada pela presença de antígenos, e é suprimida pela pre- sença de corticoides e hormônios sexuais. Figura 11. Lâmina contendo três linfócitos e um neutrófilo. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 57 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 57 28/07/2021 16:49:33 Na circulação, cerca de 70% dos linfócitos são da linhagem T (geralmente de vida longa), 20% são da linhagem B (geralmente de vida curta) e 10% das células são de linhagem desconhecida. Existem ainda os linfócitos T e B de memória, que apresentam vida longa e podem durar em torno de quatro anos, mas que não aparecem na circulação, permanecendo nos órgãos linfoides. Os linfócitos possuem as funções de imunidade (celular e humoral), re- gulação da resposta imune e atividade citotóxica. Diferente dos outros leu- cócitos, os linfócitos podem realizar a chamada recirculação, ou seja, eles podem sair para os tecidos, executar suas funções e depois retornar para a circulação. Isso permite que os linfócitos que forem expostos a um antígeno presente nos tecidos retornem à circulação e estimulem uma resposta imu- ne sistêmica, inclusive, produzindo linfócitos de memória, o que tornará as respostas imunes àquele antígeno ainda mais rápidas e eficientes no futuro. Os linfócitos T e B possuem receptores de membrana para o reconheci- mento de antígenos, e existe uma terceira linhagem de linfócitos que não apresenta essa propriedade, são os chamados natural killer (ou células exter- minadoras naturais), que são importantes por terem a capacidade de destruir determinadas linhagens de células tumorais, pela liberação de grânulos pre- sentes no seu citoplasma, mesmo sem uma sensibilização prévia. Os linfócitos podem estar aumentados (linfocitose) ou diminuídos (lin- fopenia) por diferentes fatores. A linfocitose é normal em animais jovens, e pode ocorrer, independentemente da idade, em casos de estresse agudo, leucemia linfocítica, linfossarcoma, vírus da imunodeficiência felina, es- timulação antigênica, infecção crô- nica, hipersensibilidade, doenças autoimunes, hipoadrenocorticismo etc. A linfopenia ocorre em casos de estresse crônico, hiperadenocorticis- mo, infecção sistêmica aguda (viral ou bacteriana), toxoplasmose, ehrli- chiose, leishmaniose, lesão em linfo- nodos, neoplasias, inflamação crôni- ca, quimioterapia, radioterapia etc. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 58 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 58 28/07/2021 16:49:33 Mielograma A medula óssea é um tecido hema- topoiético, ou seja, é o responsável pela produção das células presentes na circu- lação sanguínea. Por isso, a sua avaliação pode fornecer informações importantes sobre a produção efi ciente dessas célu- las, ou sobre a presença de distúrbios, como neoplasias, por exemplo. A realização do mielograma é indi- cada quando há suspeitas de anemias não-regenerativas, quando são veri- fi cadas neutropenias, trombocitope- nias ou quando há suspeita de com- prometimento da medula óssea. No mielograma é realizada a contagem e a observação da morfologia das células precursoras dos eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Cada uma dessas células possui uma série de precursores exclusivos, que podem ser identifi ca- dos nas análises do mielograma. Veremos, a seguir, quais são as células precursoras das células sanguíneas e como ocorre a hematopoiese (produção das células sanguíneas). Em seguida, veremos a técnica do mielograma e a identifi cação das células presentes na medula óssea. Hematopoiese A hematopoiese varia em localização conforme a fase do desenvolvimento do indivíduo. Na vida fetal, o fígado, o baço e a medula óssea são os principais tecidos hematopoiéticos. Conforme o desenvolvimento avança, a medula ós- sea (e os órgãos linfoides, no caso dos linfócitos) passa a ser a única responsá- vel pela hematopoiese. Em animais jovens, a medula óssea de todos os ossos é ativa na hematopoiese. Aos poucos, o tecido hematopoiético fi ca restrito aos ossos chatos e às epífi ses dos ossos longos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 59 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 59 28/07/2021 16:49:34 O processo de formação dos eritrócitos pode ser chamado de eritropoiese. A formação de um eritrócito maduro leva de sete a oito dias. Os eritrócitos são produzidos a partir de células precursoras nucleadas. A partir de uma cé- lula-tronco que sofre mitose é produzido o rubroblasto (a primeira célula na linha de formação dos eritrócitos). A partir dos rubroblastos, são formados os pró-rubrócitos, que sofrem mitose para formar dois rubrócitos. Os rubrócitos podem sofrer duas mitoses até a formação dos metarrubrócitos. Então, os metarrubrócitos dão origem aos reticulócitos, ao perderem seu núcleo (que posteriormente são fagocitados por macrófagos). Os reticulócitos sofrem uma maturação até chegarem a eritrócitos. A fase chamada de prolife- ração compreende as etapas de célula-tronco até a formação dos metarrubró- citos, e leva cerca entre dois e três dias. A fase de maturação de reticulócito até eritrócito maduro leva cerca de cinco dias. A eritropoiese é estimulada principalmente pela pressão de O2 nos tecidos. Essa pressão é detectada pelos rins, que produzem a eritropoietina em casos de hipóxia tecidual. A eritropoietina estimula a diferenciação dos precursores de eritrócitos, estimula a mitose dos precursores e aumenta a liberação de reticulócitos para a circulação. A produção dos leucócitos também ocorre principalmente na medula ós- sea (exceto no caso dos linfócitos, que são principalmente produzidos nos ór- gãos linfoides), por um processo que pode ser chamado de leucopoiese. Esse processo ocorre de maneira se- melhante a eritropoiese, partindo de uma célula-tronco que dá origem ao mieloblasto. O mieloblasto dá origem ao pró-mielócito, que então se divide para formar os mielócitos. Os mielócitos sofrem mitose e formam os metamie- tócitos, que então sofrem o processo de maturação. Cada um dos leucócitos produzidos na medula óssea (neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos) possui um precursor pró-mielócito específico, que dará origem à célula madu- ra. Veja, na Figura 12, um esquema de como acontece a hematopoiese: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 60 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 60 28/07/2021 16:49:35 Cé lu la s- tro nc o Cé lu la s- tro nc o lin fo id es M eg ac ar io bl as to M ie lo bl as toCé lu la s- tro nc o m ie lo id es M on ob la st o Pr ó- m ie ló cit os Ru br ob la st o Pr ó- ru br óc ito M et ar ru br óc ito M et am ie ló cit os Ba só fil o ba st on et e Ba só fil o Eo sin ófi lo ba st on et e Eo sin ófi lo Ne ut ró fil o ba st on et e Ne ut ró fil o Er itr óc ito Re tic ul óc ito Pr om on óc ito M ie ló cit os Ru br óc ito Pr ó- m eg ac ar óc ito M eg ac ar ió cit o Pl aq ue ta s M on óc ito Lin fo bl as to Pr ol in fó cit o Lin fó cit o na tu ra l k ill er Lin fó cit o im at ur o Lin fó cit o B Lin fó cit o T Fi gu ra 1 2. E sq ue m a da h em at op oi es e. F on te : S hu tt er st oc k. A ce ss o em : 0 6/ 07 /2 02 1. (A da pt ad o) . PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 61 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 61 28/07/2021 16:49:36 Técnica para o mielograma O mielograma consiste no exame citológico de amostras de medula ós- sea. Esse tipo de exame é útil quando existem anormalidades identifi cadas no hemograma, por exemplo, mas que não são facilmente explicadas por esse exame. Após a punção e coleta de amostra da medula óssea devem ser confec- cionados cinco esfregaços, que serãocorados com coloração de rotina. A avaliação é feita pela visualização da presença e da morfologia das células precursoras dos eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Na Figura 13, você pode ver as características morfológicas das células precursoras de eritrócitos: Figura 13. Lâmina de mielograma contendo precursores de eritrócitos. Fonte: THRALL et al., 2017, p. 327. (Adaptado). Na Figura 13 estão identifi cados cada precursor dos eritrócitos: rubroblasto (1), pro-rubrócito (2), rubrócitos (3), metarrubrócitos (4), reticulócito (5) e eritró- cito maduro (6). Na Figura 14, você pode ver as características morfológicas das células pre- cursoras dos neutrófi los (que são muito semelhantes àquelas precursoras dos eosinófi los e dos basófi los): 1 2 3 4 5 6 PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 62 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 62 28/07/2021 16:49:37 1 2 3 4 65 Figura 14. Lâmina de mielograma contendo precursores de neutrófilos. Fonte: THRALL et al., 2017, p. 329. (Adaptado). Figura 15. Lâmina de mielograma contendo um megacariócito. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. Na Figura 14 estão identificados cada um dos precursores dos neutrófilos: mieloblasto (1), pró-mielócito (2), mielócito (3), metamielócito (4), neutrófilo bastonete (5) e neutrófilo segmentado (6). No mielograma, também é possível avaliar as células que dão origem às plaquetas, os megacariócitos, que você pode observar na Figura 15: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 63 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 63 28/07/2021 16:49:38 Sintetizando Como vimos nessa unidade, o hemograma é o exame realizado com amos- tras de sangue coletadas com anticoagulante. Ele pode ser dividido em eritro- grama e leucograma. O eritrograma é a parte em que são feitas análises dos eritrócitos, com os testes de hematócrito (e dosagem das PPT), dosagem da hemoglobina, contagem de eritrócitos, cálculo dos índices hematimétricos e leitura do esfregaço sanguíneo. O leucograma é a análise das células brancas do sangue, os leucócitos. Os leucócitos são responsáveis pela resposta do organismo a processos inflama- tórios e infecciosos. Essas células podem ser: polimorfonucleadas (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) ou mononucleadas (monócitos e linfócitos). No leuco- grama são realizadas a contagem total de leucócitos e a contagem diferencial de leucócitos. Por último, vimos como ocorre a hematopoiese, que pode ser dividida em eritropoiese e leucopoiese. De forma geral, a formação das células sanguíneas ocorre por uma sequência de mitoses e diferenciações celulares, a partir de uma célula-tronco. Cada uma das células precursoras das células sanguíneas pode ser avaliada quantitativamente e morfologicamente através da realização do mielograma. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 64 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 64 28/07/2021 16:49:38 Referências bibliográficas FELDMAN, B. F.; ZINKL, J. G.; JAIN, C. N. Schalm’s veterinary hematology. 5. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2000. KANEKO, J. J.; HARVEY, D. W.; BRUSS, W. L. Clinical biochemistry of domestic animals. 6. ed. São Diego: Academic Press, 2008. KERR, M. G. Veterinary laboratory medicine: clinical biochemistry and hema- tology. 2. ed. Oxford: Blackwell Science, 2002. LOPES, S. T. A.; BIONDO, A. W.; SANTOS, A. P. Manual de patologia clínica veterinária. 3. ed. Santa Maria: UFSM/Departamento de Clínica de Pequenos Animais, 2007. Disponível em: . Acesso em: 06 jul. 2021. THRALL, M. A. et al. Hematologia e bioquímica clínica veterinária. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 65 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 65 28/07/2021 16:49:38 COAGULOGRAMA E BIOQUÍMICA CLÍNICA 3 UNIDADE SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 66 28/07/2021 17:02:41 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Abordar a hemostasia, os processos envolvidos na coagulação sanguínea e os exames que podem ser realizados para sua avaliação; Apresentar a bioquímica clínica e as diferentes dosagens que podem ser realizadas para avaliação das funções hepática e renal; Apresentar outros testes de bioquímica clínica utilizados para a avaliação das condições gerais de saúde dos animais. Coagulograma Processo de coagulação Testes de coagulação Coagulopatias Bioquímica Clínica Provas de função hepática Provas de função renal Outras provas PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 67 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 67 28/07/2021 17:02:41 Coagulograma O sistema de vasos sanguíneos do organismo está predisposto a sofrer le- sões (ou até microlesões) a todo momento, por isso, é importante que exista um mecanismo que impeça a perda excessiva de sangue por essas lesões. Esse mecanismo é a coagulação, que ocorre por meio de processos envol- vendo as plaquetas e os chamados fatores de coagulação (moléculas que par- ticipam de uma cadeia de reações para formar o coágulo). Processo de coagulação O processo de coagulação também pode ser chamado de hemostasia. Pode ser dividida em hemostasia primária, secundária e terciária, que são processos interrelacionados que ocorrem quando há lesão em um vaso. A hemostasia primária compreende a vasoconstrição local e a agregação pla- quetária, que promove uma redução no sangramento local. Logo após, inicia-se a hemostasia secundária, com uma cascata de fatores de coagulação que for- mam a fi brina a partir do fi brinogênio. Na hemostasia terciária, ocorre a fi brinó- lise, que promove um equilíbrio entre a coagulação e a degradação do coágulo. As plaquetas, principais componentes da hemostasia primária, são forma- das na medula óssea. Nos mamíferos, elas não são células completas e sim fragmentos de uma célula maior chamada megacariócito. CURIOSIDADE Nas aves, répteis, anfíbios e peixes, não há plaquetas, e sim os chamados trombócitos, que são células completas com função análoga às plaquetas dos mamíferos. A liberação de plaquetas para o sangue é estimulada pela trombopoetina e pela eritropoetina. O processo de produção de plaquetas dura de 3 a 5 dias e pode permanecer na circulação por cerca de 8 dias. Para que ocorra a adesão plaquetária é essencial a participação do chamado fator de von Willebrand (FVW), uma glicoproteína sintetizada pelo endotélio vascular e pelos megacariócitos. O fator de von Willebrand liga as plaquetas ao colágeno pre- sente no subendotélio vascular (que fi ca exposto quando o endotélio é lesionado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 68 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 68 28/07/2021 17:02:41 As plaquetas aderidas ao colágeno do subendotélio liberam aminas vasoa- tivas (adrenalina, catecolaminas etc), que promovem uma vasoconstrição no local da lesão para reduzir ainda mais o sangramento. Essa reação ADP (adeno- sina difosfato), faz com que mais plaquetas se liguem a esse primeiro tampão (essa reação é dependente da presença de íons de cálcio). Após a formação desse primeiro coágulo plaquetário, inicia a chamada cas- cata de coagulação, que constitui a hemostasia secundária. A cascata de coagu- lação é uma série de reações realizadas pelos fatores de coagulação descritos na no Quadro 1. QUADRO 1. FATORES DE COAGULAÇÃO Fator Nome do composto Fator I Fibrinogênio Fator II Protrombina Fator III Tromboplastina tecidual Fator IV Cálcio Fator V Proacelerina Fator VII Proconvertina Fator VIII:C Fator anti-hemofílico Fator IX Fator de Christmas Fator X Fator de Stuard-Prower Fator XI Antecedente da tromboplastina do plasma Fator XII Fator de Hageman Fator XIII Estabilizador da fibrina Precalicreina Fator de Fletcher Cininogênio de alto peso molecular (CAPM) Fator de Fitzgerald Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 50. (Adaptado). A cascata de coagulação pode ser dividida nos sistemas intrínseco, extrín- seco e comum. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 69 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 69 28/07/2021 17:02:41 O sistemaintrínseco inicia pelo contato do sangue com o colágeno presente no subendotélio vascular, que além de promover a ativação plaquetária (da hemostasia primária) promove a ativação do fator XII. O fator XII, por sua vez, ativa o fator XI (através de uma reação em que é necessária a presença do cini- nogênio de alto peso molecular, da calicreína e da precalicreína). O fator XI ativa o fator IX, que então ativa o fator VIII. O sistema extrínseco começa com a lesão vascular, que libera a tromboplas- tina tecidual (fator III). A tromboplastina ativa o fator VII. A ativação desses fatores, junto da presença de cálcio (fator IV) e de fosfo- lipídios plaquetários, formam o sistema comum em que ocorre a ativação do fator X e depois a protrombina (fator II), que é convertida em trombina (fator II ativado). A trombina converte o fibrinogênio em fibrina. O fator XIII torna a fibrina mais estável, permitindo a formação de uma malha de fibrina por cima do coágulo de plaquetas. A vitamina K é essencial na formação de alguns dos fatores de coagulação (II, VII, IX e X). Você pode ver um resumo da cascata de coagulação no Diagrama 1. DIAGRAMA 1. VIAS INTRÍNSECA, EXTRÍNSECA E COMUM DA CASCATA DE COAGULAÇÃO Via intrínseca Via comum Via extrínseca Fibrina estávelFibrinaFibrinogênio Colágeno subendotelial Fator XII Fator XI Fator IX Fator VIII Lesão tecidual (Fator III) Fator VII Fator X Fator V Fator II Fator XIIIFator lla Fonte: Shutterstock. Acesso em: 25/06/2021. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 70 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 70 28/07/2021 17:02:41 A hemostasia terciária envolve a fi brinólise, ou seja, a degradação da fi brina presente no coágulo. A plasmina atua nessa degradação e os resíduos são re- movidos por macrófagos. O processo de coagulação e de fi brinólise ocorrem ao mesmo tempo, exis- tindo um equilíbrio entre os dois processos. Testes de coagulação Morfologicamente as plaquetas são pequenos discos com grânulos eosi- nofílicos, como você pode ver na Figura 1. Na circulação, as plaquetas duram cerca de oito dias. Problemas nos processos de adesão, agregação ou liberação plaquetária podem levar a hemorragias. Plaquetas Figura 1. Lâmina de esfregaço sanguíneo com a presença de eritrócitos e plaquetas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 25/06/2021. A contagem de plaquetas é o primeiro tipo de teste de avaliação da coagula- ção que podemos fazer. Essa contagem pode ser feita de forma automática, por equipamentos ou de forma manual, seja com o uso da câmara de Neubauer ou por contagem estimada na lâmina do esfregaço sanguíneo. A contagem na câ- mara de Neubauer é difícil e com muita chance de erro. A contagem estimada em lâmina é feita em objetiva de 100x, fazendo-se a contagem em, no mínimo, dez campos e então faz-se uma média. Para cada plaqueta contada, considera- -se de 15.000 a 20.000 plaquetas/μL. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 71 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 71 28/07/2021 17:02:42 Também deve ser observada a morfologia das plaquetas, sendo que a pre- sença de agregados plaquetários ou de megaplaquetas deve ser descrita no laudo, já que pode influenciar na contagem. A avaliação da medula óssea é indicada em casos de trombocitopenia (núme- ro de plaquetas abaixo do normal) e trombocitose (número de plaquetas acima do normal), pois com isso é possível realizar a investigação das possíveis causas desses quadros. O número normal de megacariócitos presentes em uma lâmina de medula óssea é de uma a três células por campo. Em casos de trombocitopenia com presença de megacariócitos no mielograma, a provável causa é a destruição ou o consumo excessivo de plaquetas. Caso haja trombocitopenia com ausência de megacariócitos no mielograma (ou megacariócitos com maturação anormal), pode estar ocorrendo uma produção diminuída ou uma destruição dos megacariócitos. Caso o animal apresente uma coagulopatia severa, o mielograma é con- traindicado, pois pode ocorrer hemorragias graves no momento da coleta. Existem alguns outros testes que podem ser feitos para a avaliação da he- mostasia. O primeiro deles é o Tempo de sangramento da mucosa oral (TSMO), que é um teste de função plaquetária. O teste consiste em realizar um corte de 0,5cm na mucosa oral e observar o tempo necessário para a formação do primeiro tampão plaquetário, esse tempo normalmente varia de 1,7 a 4,2 mi- nutos. O TMSO poderá ser maior se o número de plaquetas estiver reduzido. Se o TMSO estiver normal, mas após a formação do coágulo inicial ocorrer sangra- mento, pode indicar anormalidades nos fatores de coagulação. Outro teste é o Tempo de coagulação ativado (TCa), em que uma amostra de sangue venoso (2mL) é colocada em um tubo preaquecido a 37°C contendo proteínas de contato. Depois o tubo é colocado em banho-maria até a forma- ção do coágulo (é preciso observá-lo a cada 5 ou 10 segundos). Em cães, nor- malmente o coágulo se forma em 60 a 90 segundos. Em animais com trombo- citopenia severa podem ter o TCa aumentado. O Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) ou também chamado de tromboplastina parcial, é outro teste que pode ser realizado. Nesse teste é utilizada a cefalina (um substituto do fator plaquetário), adicionando-a a uma amostra de plasma (de sangue coletado com citrato de sódio) e observando em quanto tempo ocorre a formação do coágulo de fibrina. Em cães, esse tempo varia de 6 a 16 segundos. O TTPa mede alguns dos fatores plaquetários. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 72 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 72 28/07/2021 17:02:42 O Tempo de protrombina (TP) é um teste semelhan- te ao TTPa, porém, nesse caso, é avaliada uma outra via de coagulação, a chamada via extrínseca. Os testes de Produtos da degradação da fi bri- na (PDF) e a dosagem de fi brinogênio são dois tes- tes para avaliação da hemostasia terciária (fi brinólise). Para dosagem dos PDFs, utiliza-se o método de aglutina- ção em látex, com kits comerciais. O aumento dos PDFs indica uma fi brinólise excessiva. Para a dosagem do fi brinogênio, coloca-se o microtubo em banho-maria a 57° C, e realiza-se nova centrifugação. Depois dis- so, faz-se a leitura em refratômetro. O calor precipita o fi brinogênio, então o valor da leitura da Proteína Plasmática Total (PPT) reduzido do valor obtido após o aquecimento, será o valor do fi brinogênio plasmático. A coleta do sangue para qualquer um dos testes de coagulação deve ser feita de maneira cuidadosa, evitando lesões que possam causar a agregação plaquetária e consumo dos fatores de coagulação. Também é preciso utilizar os tubos e anticoagulantes corretos para cada tipo de teste. Tubos de vidro podem ativar a via intrínseca da cascata de coagulação, portanto, devem ser utilizados tubos de plástico. Para contagem de plaquetas, o sangue deve ser coletado em tubos com EDTA (tampa roxa), para os testes de TTPa e TP, deve-se utilizar tubos com citrato de sódio (tampa azul) e para o TCa, a amostra deve ser coletada sem anticoagulante. Coagulopatias As coagulopatias podem causar tanto um excesso de coagulação (como trombose intravascular, por exemplo), quanto uma redução na coagulação (como hemorragias). Ambos podem causar sérios danos ao animal e até le- vá-lo à morte. As coagulopatias podem estar relacionadas a problemas envolvendo as pla- quetas ou os fatores de coagulação. Em relação à contagem de plaquetas, pode ocorrer trombocitose ou trom- bocitopenia, como você pode ver no Quadro 2. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 73 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 73 28/07/2021 17:02:42 QUADRO 2. CAUSAS DE TROMBOCITOSE E TROMBOCITOPENIA Trombocitose Reativa Doenças crônicas; deficiência de ferro; hiperadrenocorticismo; neoplasias; etc. Transitória Exercício físico intenso (mobilização esplênica ou pulmonar). Maligna Leucemia granulocítica megacariocítica. Trombocitopenia Produção diminuída Problemas na medula óssea; mieloptise, que causa pancitopenia (redução em todasas células sanguíneas); quimioterapia; excesso de estrógeno; estágios crônicos de doenças infecciosas; produção defeituosa de trombopoetina; etc. Destruição de plaquetas Retirada das plaquetas da circulação pelo sistema mononuclear fagocitário (SMF); infecções; neoplasias; doenças autoimunes; etc. Indicado fazer mielograma para diagnóstico diferencial dos problemas de produção. Consumo de plaquetas Coagulação intravascular disseminada (CID); secundária a vários problemas. Sequestro de plaquetas Esplenomegalia; hepatomegalia; hipotermia; endotoxemia; neoplasias; etc. Perda de plaquetas Perda massiva de sangue ou transfusão incompatível. Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p.53. (Adaptado). Além de problemas relacionados à quantidade de plaquetas, podem ocor- rer problemas envolvendo a função plaquetária. Essa função pode ser inibida pela maioria dos anti-inflamatórios não esteroidais. Além disso, existem alguns problemas hereditários que podem causar disfunção plaquetária. O principal deles é a doença de von Willebrand, que está associada à deficiência no fator de von Willebrand (FVW). Nesses casos, não ocorre a ativação das plaquetas, pois elas não respondem ao colágeno subendotelial, com isso o coágulo não se forma. A dosagem do FVW pode ser feita por imunoeletroforese ou teste de ELISA (imunoensaio enzimático). Existem três tipos de doença de von Willebrand de acordo com o tipo de de- feito na molécula ou função: tipo I (forma mais comum, em que as unidades mul- timéricas do FVW são normais, mas estão em menor número); tipo II (unidades multiméricas do FVW apresentam defeito de função); e tipo III (forma mais grave, em que o FVW apresenta valores muito reduzidos ou até indetectáveis). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 74 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 74 28/07/2021 17:02:42 Uma outra coagulopatia comum em animais domésticos é a hemofilia A, que é uma deficiência do fator VIII:C. Muitas vezes ela é confundida com a doença de von Willebrand, pois o FVW e o fator VIII:C circulam no plasma de forma associada. Outras deficiências em fatores de coagulação já foram descritas em animais domésticos, porém, não são tão comuns. Pode ocorrer também a deficiência no fibrinogênio, que pode causar he- morragia grave. Animais que apresentam deficiência nos fatores II, V e X ou no fibrinogênio apresentam TP, TCa e TTPa aumentados. No Diagrama 2 você pode ver um resumo de como as deficiências nos fatores de coagulação podem afetar os diferentes testes da hemostasia. Tempo de Coagulação Ativada (TCa ou TTPa) Normal Normal Normal Normal Normal Prolongado Prolongado Prolongado Prolongado Prolongado Tempo de trombina Deficiência do fator VII Possível deficiência do fator XIII Possível deficiência dos fatores: I, II, V, VIII, C, IX, X, XI e XII de pré-calicreína ou de CAPM Possível deficiência dos fatores X, V, II ou I ou disfunção de gama-carbolixilase Deficiência do fator I (fibrinogênio) Possível deficiencia dos fatores X, V, II ou de gama-carboxilase Possível deficiência dos fatores XII, XI, VII:C e IX e de pré-calicreína ou de CAPM Disfunção plaquetária ou trombocitopenia grave TP TP TTPa DIAGRAMA 2. DIFERENTES DEFICIÊNCIAS DOS FATORES DE COAGULAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA NOS TESTES DE HEMOSTASIA Fonte: THRALL et al., 2015, p. 420. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 75 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 75 28/07/2021 17:02:42 A vitamina K é um composto im- portante durante o processo de coa- gulação, portanto, a sua deficiência ou a administração de substâncias anta- gonistas à vitamina K (por exemplo, a cumarina e a varfarina) podem causar uma coagulopatia grave. Um quadro grave, e relativamente comum, em animais domésticos é a coagulação intravascular dissemina- da (CID), que está associada a várias doenças. Nesses casos, ocorre um ex- cesso na ativação do processo de coa- gulação (em uma região localizada ou no organismo como um todo). A CID pode iniciar, por exemplo, por uma lesão tecidual extensa, ou pela produção de proteínas que es- timulam a coagulação, o que ocorre em alguns tipos de leucemia. Isso pode levar a uma trombose difusa, levando a uma redu- ção nos níveis de plaquetas e fatores de coagulação, de- senvolvendo hemorragias (sendo que esse é um dos principais sinais apresentados pelos animais quando são atendidos). O diagnóstico de um quadro de CID pode ser bastante complicado e não há parâmetros claros para isso, mas geralmente, pode ocorrer prolongamento do TTPa e do TP, redução nos níveis de fibrinogênio e plaquetas, presença de eritrócitos esquisó- citos e aumento nos PDFs. No Diagrama 3 você pode ver um “mapa” para o diagnóstico das diferentes coagulopatias em casos de hemorragia. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 76 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 76 28/07/2021 17:02:44 Co nt ag em d e pl aq ue ta s No rm al No rm al No rm al No rm al No rm al PD F, dí m er o D PD F, dí m er o D No rm al Pr ol on ga do Pr ol on ga do Au m en ta do Au m en ta do No rm al PD F Pr ol on ga do Pr ol on ga do TP Pr ol on ga do Pr ol on ga do An ta go ni sm o ou de fic iê nc ia d e vi ta m in a K em es tá gi o in ici al In fla m aç ão o u an om al id ad e va sc ul ar lo ca l Di sfu nç ão p la qu et ár ia co m o na do en ça d e vo n W ill eb ra nd , ad m in ist ra çã o de á cid o ac et ils al icí lic o, tr om bo pa tia , e tc . Tr om bo cit op en ia im un om ed ia da , in fe cç ão p or Eh rli ch ia , a pl as ia d a m ed ul a, in to xi ca çã o po r e st ró ge no , he m or ra gi a ex te ns a, h ip er ex pl en ism o. Tr om bo cit op en ia m ai s g ra ve enzimas, me- tabólitos e eletrólitos. Para dosagem dessas substâncias, geralmente são utilizados aparelhos auto- máticos chamados espectrofotômetros, que utilizam uma fonte de luz para deter- minar qual a quantidade de luz absorvida, transmitida ou refl etida pela amostra. Um esquema do funcionamento do espectrofotômetro você pode ver na Figura 2. Fonte de luz Seletor Solução com a amostra DetectorColimador Prisma Figura 2. Esquema do funcionamento de um espectrofotômetro de luz UV. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 25/06/2021. A seguir, veremos os principais exames de bioquímica clínica utilizados para avaliação da função hepática, da função renal e de funções de outros órgãos. Provas de função hepática Uma avaliação ampla da função hepática, muitas vezes só é conseguida com uma biópsia hepática, pois esse é um órgão envolvido em muitos processos de metabolismo, tanto de produtos normais do organismo, quanto de substâncias exógenas (como medicamentos, por exemplo). Por esse motivo, o fígado pode ser afetado por diferentes processos patológicos, desde problemas extra-he- páticos quanto problemas no próprio órgão. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 78 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 78 28/07/2021 17:02:45 Apesar disso, existem várias análises bioquímicas do sangue que podem fornecer informações importantes sobre o estado geral do fígado, mesmo que essas análises não ofereçam uma forma de diferenciação entre problemas he- páticos primários e secundários. De qualquer forma, os resultados obtidos nos exames de bioquímica clínica devem ser interpretados em conjunto com os sinais clínicos e o histórico do paciente. No Quadro 3 observe quais são as principais indicações para a solici- tação de exames específicos para avaliação da função hepática. QUADRO 3. INDICAÇÕES PARA SOLICITAÇÃO DE EXAMES DE AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO HEPÁTICA Suspeita de doença hepática primária Hepatite infecciosa; necrose tóxica; hemangioma hepático; hepatite supurativa; adenoma do ducto biliar. Suspeita de doença hepática secundária Lipidose infiltrativa (hipotireoidismo; diabetes melito); doenças pancreáticas; congestão passiva (cardiopatias; intoxicações). Diagnóstico diferencial de icterícias Pré-hepática (hemolítica); hepática; e pós-hepática (obstruções). Sinais de problemas no metabolismo sem causa determinada Emagrecimento (proteínas, carboidratos ou lipídios); ascite ou edemas (proteínas); apatia (carboidratos). Prognóstico de diferentes doenças Avaliação da terapia; avaliação da lesão tecidual; riscos anestésicos. Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p.76. (Adaptado) O primeiro tipo de análise bioquímica que pode ser realizado para avaliação da função hepática são as provas enzimáticas. As enzimas analisadas nessas provas aparecem com níveis aumentados quando há alteração na permeabi- lidade celular ou necrose dos hepatócitos. As principais enzimas analisadas para avaliação da função hepática são: alanina-aminotransferase (ALT ou TGP); aspartato-aminotransferase (AST ou TGO); Sorbitol-desidrogenase (SDH); fos- fatase-alcalina (FA); e Gama-glutamil-transferase (GGT). A ALT aumentada indica lesão hepática em cães e gatos (para grandes ani- mais, a sua dosagem não é tão importante). Nesses animais, a ALT está den- tro dos hepatócitos, portanto, quando ocorre degeneração ou morte celular, seus níveis aparecem elevados no sangue. Porém, em situações de cirrose ou neoplasias hepáticas, os valores de ALT podem estar normais. Essa enzima também está presente em outras células do organismo, por isso, em casos de PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 79 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 79 28/07/2021 17:02:45 necrose muscular severa em cães, ela também pode estar aumentada, mesmo que não haja doença hepática. O aumento da ALT ainda pode estar associado à congestão e esteatose hepá- tica, hepatites tóxicas ou infecciosas, colangites e colangiohepatites, obstrução de ducto biliar e algumas neoplasias (como carcinoma). A hemólise e a adminis- tração de drogas hepatotóxicas também podem causar um aumento na ALT. A AST tem pouco valor diagnóstico para cães e gatos, pois está presente em pequena quantidade e em diversos tecidos, sendo mais indicada para grandes animais e aves. Além de ser importante no diagnóstico da função hepática des- ses animais, ela também pode estar aumentada em algumas lesões muscula- res. Degeneração e necrose celular de hepatócitos e células musculares podem levar a um aumento nos níveis séricos de AST. A hemólise e a administração de drogas hepatotóxicas também podem levar a um aumento dessa enzima. A SDH é uma enzima hepato-específica na maioria das espécies, ou seja, está presente quase que exclusivo no tecido hepático, tendo pouca ou nenhu- ma atividade em outros tecidos. Mesmo assim, sua dosagem é pouco utilizada na rotina, pois sua estrutura é bastante instável. A FA é uma enzima presente nas mitocôndrias de células de diversos teci- dos, principalmente no tecido ósseo, mucosa gastrointestinal, fígado e vesícula biliar. Sua dosagem é indicada para o diagnóstico de colestase (em especial em pequenos animais). EXPLICANDO A colestase é uma redução ou interrupção no fluxo biliar. O fígado realiza a produção da bile, que fica armazenada na vesícula biliar e é liberada para auxiliar nos processos digestivos. Alguns problemas no fígado, vesícula biliar, dutos biliares ou pâncreas podem promover um quadro de colestase. A interpretação dos valores da FA deve ser feita com base no histórico e si- tuação clínica do animal, já que eles podem estar elevados em casos de lesões nos dutos biliares, por exemplo, mas também podem aparecer aumentados durante o crescimento ósseo de filhotes. A hemólise também pode causar um aumento na FA. A GGT é importante no diagnóstico de problemas que levem a uma colesta- se, especialmente em grandes animais. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 80 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 80 28/07/2021 17:02:45 A dosagem da bilirrubina é outro exame bioquímico que pode fornecer in- formações a respeito da função hepática. A bilirrubina é formada a partir da degradação da hemoglobina e você pode ver um resumo do metabolismo da bilirrubina na Figura 3. Hemoglobina Fe + bilirrubina não conjugadaHeme Fígado Bilirrubina não conjugada Bilirrubina conjugada 90% excretada nas fezes 10% recirculam no sistema porta Excreção renal Conjunção pelo ácido glicurônico Sistema biliar Bilirrubina conjugada Urobilinogênio Redução bacteriana Intestino delgado heme + globina Figura 3. Metabolismo da bilirrubina. Fonte: THRALL et al., 2015, p. 875. Os eritrócitos velhos (senescentes) são fagocitados por macrófagos pre- sentes principalmente no baço (mas também no fígado e na medula óssea). A hemoglobina presente nesses eritrócitos é catabolizada para ser reutilizada, dando origem a aminoácidos (vindos da porção globina), ferro e protoporfi rina (vindos do grupo heme). Os aminoácidos e o ferro são reciclados, porém, a pro- toporfi rina é transformada em biliverdina e depois em bilirrubina. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 81 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 81 28/07/2021 17:02:47 A bilirrubina não-conjugada (ou indireta) que foi formada, se liga à albumi- na e é transportada até o fígado. Dentro dos hepatócitos, ela se liga a grupos de carboidratos, formando bilirrubina conjugada (ou direta). A maior parte da bilirrubina conjugada é transportada para os canalículos biliares para ser ex- cretada na bile. Uma pequena parte retorna ao sangue, onde pode se ligar à albumina ou não. Caso essa bilirrubina conjugada não se ligue à albumina, ela é rapidamente excretada pelos rins. Caso se ligue, ela pode permanecer no sangue por períodos maiores. A bilirrubina conjugada presente na bile é excretada para o intestino del- gado, e então, é transformada em urobilinogênio. A maior parte desse urobi- linogênio é excretado pelas fezes (na forma de estercobilinogênio), mas uma pequenaparte é reabsorvida, entrando na corrente sanguínea, podendo ir pa- rar no fígado (onde será novamente excretado pela bile) ou nos rins (onde será excretado pela urina). A hiperbilirrubinemia pode indicar um problema hepatobiliar ou um proble- ma hematopoiético e geralmené caracterizada por uma icterícia. Esse aumento da bilirrubina no sangue pode ser classificado em formas: • Pré-hepática: quando há grande quantidade bilirrubina não conjugada na circulação. Isso ocorre principalmente em casos de hemólise intravascular, em que a quantidade de bilirrubina não conjugada produzida pelos macrófagos é superior à capacidade do fígado em metabolizar essa bilirrubina para formar a bilirrubina conjugada. O principal sinal clínico presente nesses casos, além da icterícia, é a presença de urina e fezes escuras. • Hepática: ocorre quando há falha na conjugação da bilirrubina. É causada principalmente por lesão tóxica ou infecciosa que leva a um comprometimento na função dos hepatócitos. Secundariamente, pode ocorrer uma colestase, por obstrução dos canalículos biliares. Nesses casos, ocorre um aumento principal- mente da bilirrubina não-conjugada. • Pós-hepática: ocorre por problemas na excreção da bilirrubina. É causada por obstrução das vias biliares, gerando uma colestase e acúmulo de bilirrubi- na conjugada. Nesses casos, as fezes são claras e a urina é escura. Exames envolvendo a dosagem das proteínas plasmáticas também po- dem ser importantes para a avaliação da função hepática, como veremos adiante. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 82 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 82 28/07/2021 17:02:47 Você pode ver um resumo das principais análises realizadas para avaliação da função hepática no Quadro 4. QUADRO 4. ANÁLISES BIOQUÍMICAS INDICADAS PARA AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO HEPÁTICA Suspeita clínica Exames bioquímicos indicados Lesão hepatocelular aguda ALT (pequenos animais) AST (grandes animais) SDH Colestase Bilirrubinas FA (pequenos animais) GGT (grandes animais) Lesão hepatocelular crônica Proteínas plasmáticas Eletroforese de proteínas plasmáticas Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p.77. (Adaptado). Provas de função renal Para avaliação da função renal, além da urinálise, existem algumas provas bioquímicas que podem ser utilizadas, tanto para diagnóstico quanto para mo- nitoramento de tratamentos, por exemplo. Seja qual for o caso, esses testes devem sempre ser interpretados em conjunto com o histórico clínico do animal. As principais análises bioquímicas realizadas para avaliação da função renal são a dosagem da ureia e da creatinina. Além disso, podem ser dosados alguns eletrólitos, como sódio, potássio, cálcio e fósforo. A ureia é produzida no fígado, sendo o principal produto da degradação de proteínas. Ela é então encaminhada aos rins, passando pelos glomérulos e fazendo parte do fi ltrado glomerular. Cerca de 25 a 40% da ureia fi ltrada pelos glomérulos é reabsorvida nos túbulos renais e cerca de 60% é eliminada na urina. Essa reabsorção depende da velocidade do fl uxo do fi ltrado nos túbulos, então, uma velocidade maior irá promover uma menor reabsorção da ureia (e vice-versa). Quando há algum problema renal, com redução na velocidade da fi ltração glomerular, uma maior quantidade de ureia será reabsorvida pelos túbulos, fazendo com que os níveis de ureia aumentem no sangue. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 83 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 83 28/07/2021 17:02:47 A ureia também pode estar aumentada no sangue por fatores não relacio- nados aos rins, por isso, sempre deve ser analisada em conjunto com outros testes bioquímicos. Como você pode ver no Quadro 5, a uremia pode ser extra- -renal, pré-renal, renal ou pós-renal. QUADRO 5. PRINCIPAIS CAUSAS DE UREMIA Extra-renais Aumento da síntese Alta ingestão de proteínas Hemorragia gastrointestinal Catabolismo tecidual Febre e trauma tecidual generalizado Aplicação de glicocorticoide e tetraciclina Pré-renais Redução no fluxo renal Redução na pressão glomerular Hipotensão e choque Insuficiência cardíaca Aumento de pressão osmótica Desidratação Renais 75% ou mais dos néfrons afuncionais Pós-renais Ruptura e/ou obstrução do trato urinário Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p.71. (Adaptado). A redução na concentração de ureia no sangue pode ocorrer devido à redu- ção na produção (por exemplo em casos de insuficiência hepática ou cirrose); ou redução na ingestão de proteínas (com hipoproteinemia). A creatinina é uma substância formada durante o metabolismo muscular, a partir da creatina e da fosfocreatina. Ela é totalmente filtrada pelos glomérulos e não é reabsorvida pelos túbulos renais, portanto, é um excelente marcador para a função renal. Ela pode estar aumentada no sangue devido a causas ex- tra-renais (excesso de atividade muscular); pré-renais (redução no fluxo san- guíneo renal); renais (redução na filtração glomerular); ou pós-renais (ruptura e/ou obstrução do trato urinário). A interpretação dos resultados obtidos nos principais exames de função renal (ureia e creatinina) é muito importante. O aumento dos níveis desses compostos nitrogenados no sangue pode ser chamado de azotemia. Existem PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 84 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 84 28/07/2021 17:02:47 alguns sinais clínicos característicos dessa azotemia, que são: hálito urêmico; úlceras na cavidade bucal e língua; vômitos e diarreia. A dosagem de eletrólitos também pode fornecer informações importantes para a avaliação da função renal. O sódio é o primeiro deles, sendo fi ltrado e reabsorvido pelos rins saudáveis. A hiponatremia (redução nos níveis sanguí- neos de sódio) pode ocorrer por uma lesão renal crônica, em que o sódio não será reabsorvido e irá carregar água ao ser excretado. A concentração de sódio também pode variar com a dieta. O potássio é outro eletrólito excretado pelos rins. Na lesão renal com oli- guria ou anuria ocorre a retenção de potássio, levando a um aumento nos ní- veis séricos desse elemento (hipercalemia). Como o sódio, os níveis de potássio também podem ser afetados pela dieta. O cálcio também pode ser utilizado na avaliação da função renal, apesar de não ser afetado por lesões renais agudas. Em lesões crônicas, ocorre uma perda na capacidade de reabsorção renal, o que provoca uma eliminação ex- cessiva de cálcio, e consequentemente, uma hipocalcemia (redução nos níveis sanguíneos de cálcio). Com o tempo, essa hipocalcemia pode esti- mular a paratireoide a mobilizar o cálcio dos ossos para manter a homeostase. Esse processo é chamado de hiperparatireoi- dismo secundário renal. O fósforo é outro eletrólito que pode ser utilizado para avaliação da função renal, pois, em lesões renais crôni- cas, pela redução na velocidade da fi ltração glomerular, ocorre uma diminuição na excreção de fósforo, cau- sando uma hiperfosfatemia (especialmente em cães e gatos). Esse aumento no fósforo sérico também contri- bui para o hiperparatireoidismo secundário renal. Outras provas Existem ainda muitas outras provas bioquímicas utilizadas na avaliação do estado geral de saúde dos animais. Veremos aqui as análises realizadas para avaliação do metabolismo da glicose, dos lipídios, das proteínas plasmáticas, além das provas que avaliam as lesões musculares e o sistema hormonal. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 85 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 85 28/07/2021 17:02:47 Avaliação do metabolismo da glicose Para avaliação do metabolismo da glicose podem ser realizadas algumas análises bioquímicas. A primeira delas é a dosagem da glicose sérica. Para essa análise, deve haver um jejum prévio de doze horas e é recomendado que a co- leta da amostra seja realizada em tubo com fluoreto de sódio, que impede que a glicólise ocorra nos eritrócitos após a coleta. A concentração sanguínea de glicose é controlada principalmente pela in- sulina e pelo glucagon. A insulina é secretada pelas células β das ilhotasde Langerhans, no pâncreas e é responsável pela redução dos níveis de glicose no sangue, especialmente por promover a absorção da glicose pelo fígado, mús- culo e tecido adiposo. O glucagon é secretado pelas células α das ilhotas de Langerhans, em resposta à hipoglicemia. Ele aumenta a concentração de glico- se no sangue pela estimulação da gliconeogênese e da glicogenólise no fígado. No Quadro 6, você pode ver as principais causas de hipoglicemia e de hiperglicemia. QUADRO 6. PRINCIPAIS CAUSAS DE HIPOGLICEMIA E DE HIPERGLICEMIA H ip og lic em ia Medicamentos Superdosagem de insulina em animais diabéticos; medicamentos do grupo das sulfonilureias (como a glipizida e gliburida). Esforço intenso Glicólise em níveis maiores do que a gliconeogênese ou a glicogenólise são capazes de suprir. Insuficiência/falência hepática Perda de mais de 70% da função hepática pode reduzir a gliconeogênese e a glicogenólise. Hipoadrenocorticismo Baixos níveis de cortisol podem causar uma leve hipoglicemia. Hipoglicemia juvenil e neonatal Muitas vezes desencadeada por fatores estressantes, como diarreia, parasitismo, jejum prolongado, hipotermia etc, já que animais jovens podem ter um estoque inadequado de glicogênio e de proteínas. Hipoglicemia lactacional Conhecida como cetose bovina espontânea, esse quadro ocorre durante períodos de grande produção leiteira em bovinos, quando a demanda de glicose excede a capacidade de gliconeogênese hepática. Neoplasia Insulinomas (neoplasias das células β do pâncreas) promovem um excesso de insulina no sangue. Hipoglicemia gestacional Ocorre por uma diminuição da resposta normal a hipoglicemia, levando a uma redução na produção de glicose pela gliconeogênese, glicogenólise e lipólise. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 86 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 86 28/07/2021 17:02:47 H ip og lic em ia Sepse Muitas vezes está associada à endotoxemia; também pode ser causada pelo aumento na utilização da glicose pelos tecidos. Inanição ou má absorção Ocorre somente após um longo período de inanição ou de má absorção, já que a gliconeogênese ajuda a manter glicemia normal. H ip er gl ic em ia Medicamentos ou toxinas Detomidina, xilazina, propranolol e tiroxina inibem a liberação de insulina; progestágenos e morfina estimulam a liberação do hormônio do crescimento, que reduz a utilização de glicose pelos tecidos etc. Fisiológica Durante o diestro, a progesterona estimula a liberação do hormônio de crescimento; estresse agudo (com liberação de epinefrina e norepinefrina) estimula a liberação de hormônio de crescimento, inibe a secreção de insulina e estimula a glicogenólise; estresse crônico (com a liberação de corticosteroides), estimula a gliconeogênese e a liberação de glucagon, podendo levar a uma resistência à insulina; após a alimentação, animais monogástricos apresentam uma hiperglicemia transitória (normalmente dura cerca de quatro horas). Diabetes melito Causado pela deficiência na produção de insulina ou resistência dos tecidos à insulina. Geralmente ocorrem níveis mais altos de hiperglicemia, ocorrendo, inclusive, glicosúria. Febre do leite Nesses casos, além da hiperglicemia, ocorre hipocalcemia e hipofosfatemia. Neoplasia Acromegalia, que geralmente é causada por um adenoma pituitário secretor de hormônio de crescimento; glucagoma (tumor das células α do pâncreas) causa aumento dos níveis sanguíneos de glucagon; hiperadrenocorticismo (causado por neoplasia adrenal ou pituitária), causa aumento na produção de cortisol, causando aumento da gliconeogênese e resistência à insulina; feocromocitomas que secretam catecolaminas, inibindo a secreção de insulina e estimulando a glicogenólise etc. Pancreatite A destruição das células β decorrente de pancreatite pode levar ao desenvolvimento de diabetes melito insulinodependente. Fonte: THRALL et al., 2015, p. 915. (Adaptado). Outros testes para a avaliação do metabolismo da glicose são: dosagem da insulina; dosagem da frutosamina; dosagem da hemoglobina glicada; curva glicêmica; e teste de tolerância à glicose. A dosagem de insulina sérica geralmente é realizada por imunoensaio. Esse exame geralmente é realizado em animais com suspeita de insulinoma, deven- do ser interpretado junto com a glicemia. Normalmente, se a concentração de glicose estiver baixa no sangue, os níveis de insulina também estarão. Hipogli- cemia com níveis de insulina superiores aos valores de referência é um forte indício de insulinoma. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 87 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 87 28/07/2021 17:02:47 A frutosamina é formada quando a glicose se liga de maneira irreversível à albu- mina ou a outras proteínas no sangue. A dosagem da frutosamina é um indicador da concentração de glicose sanguínea nas semanas anteriores. Aumento nos níveis de frutosamina indicam uma hiperglicemia persistente, por isso, ela é bastante uti- lizada para o diagnóstico e monitoramento do tratamento em quadros de diabetes. A hemoglobina glicada é formada dentro dos eritrócitos, por uma ligação irreversível entre carboidratos (principalmente a glicose e a hemoglobina). Ela é formada continuamente durante a vida do eritrócito e a quantidade de hemo- globina glicada varia conforme a quantidade de glicose disponível no sangue, por isso, a dosagem da hemoglobina glicada reflete a glicemia presente du- rante a vida do eritrócito. Sendo assim, ela é um indicador da concentração de glicose no sangue em períodos maiores, que podem chegar a 150 dias (depen- dendo do tempo de vida dos eritrócitos na espécie em questão). A indicação da dosagem de hemoglobina glicada é a mesma da frutosamina, porém, a presen- ça de hiperglicemia aumenta a frutosamina mais rapidamente. A resposta da hemoglobina glicada à hiperglicemia é mais lenta. Os testes de curva glicêmica e de tolerância a glicose são realizados de ma- neira semelhante, para avaliar a resposta do animal à ingestão de glicose ou à aplicação de insulina (no caso de animais diabéticos). A curva glicêmica é obtida por coletas e dosagens da glicemia a cada uma ou duas horas, gerando um resultado de gráfico. Geralmente esse tipo de exame é realizado para monito- ramento do tratamento em animais diabéticos. O teste de tolerância à glicose não é muito utilizado na rotina, por ser bas- tante específico e trabalhoso, mas ele pode fornecer informações importantes sobre a resistência à insulina. O procedimento é realizado inicialmente em je- jum, com uma coleta e medição da glicemia. Depois dessa primeira medição, é administrada uma quantidade conhecida de glicose e então são realizadas novas medições em intervalos predeterminados, obtendo-se um gráfico do consumo de glicose durante o tempo. Avaliação do metabolismo dos lipídios Na rotina clínica, geralmente são realizadas apenas as dosagens dos trigli- cerídeos e do colesterol, pois essas duas substâncias são mais facilmente men- suradas por espectrofotometria. A dosagem de ácidos graxos e de cetonas é realizada principalmente em pesquisas científicas. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 88 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 88 28/07/2021 17:02:47 A lipemia se refere ao aspecto turvo do plasma ou soro quando há aumento nos níveis de lipídeos sanguíneos (hiperlipidemia). A hiperlipidemia pode ser fisiológica, que ocorre logo após a alimentação (hiperlipidemia pós-prandial). Nesse caso, ocorre um aumento dos triglicerí- deos na forma de quilomícrons cerca de uma a duas horas após o consumo de gorduras. Por esse motivo, é recomendado um jejum de 12 horas para a coleta de amostras de sangue, especialmente em cães e gatos. A hiperlipidemia pode ocorrer também de forma secundária a processos patológicos. As principais causas de hiperlipidemia e hipolipidemia você pode ver no Quadro 7. QUADRO 7. PRINCIPAIS CAUSAS DE HIPERLIPIDEMIA E HIPOLIPIDEMIA H ip er lip id em ia Hipotireoidismo Comum em cães e geralmente acompanhadopor uma hipercolesterolemia e às vezes uma hipertrigliceridemia. Diabete melito A síntese da lipase é dependente de insulina, por isso, com baixos níveis séricos de insulina, ocorre a hipertrigliceridemia e hipercolesterolemia. Hiperadrenocorticismo Ocorrem efeitos diretos dos glicocorticoides sobre o metabolismo lipídico e efeitos indiretos decorrentes da resistência à insulina induzida pelos glicocorticoides, que contribuem para a hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia. Pancreatite A hipertrigliceridemia ocorre pela redução da atividade da lipase e a hipercolesterolemia ocorre pela colestase associada à pancreatite. Colestase A colestase pode ser causada por uma série de problemas e leva a um aumento nos níveis de colesterol (e às vezes também de triglicerídeos). Lipidose hepática Também chamada de fígado gorduroso, ocorre quando os triglicerídeos se acumulam nos hepatócitos, estando elevados também no sangue. Esse processo pode ser causado por diferentes mecanismos. Síndrome nefrótica Ocorre por lesões glomerulares com proteinúria, causadas por diferentes processos. Essas lesões causam ascite, edema, hipoalbuminemia, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia. Obesidade Indivíduos obesos podem apresentar concentrações séricas de triglicerídeos de normal a marcadamente elevada e concentrações variáveis de colesterol. Endotoxemia e inflamação As alterações nos lipídios e nas lipoproteínas séricas podem ser vistas como resposta a endotoxinas e à liberação de citocinas inflamatórias induzidas pelas endotoxinas. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 89 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 89 28/07/2021 17:02:47 H ip ol ip id em ia s Enteropatia com perda de proteínas / má absorção / má digestão Condições que resultam em má absorção e/ou má digestão podem estar associadas à hipocolesterolemia e à hipotrigliceridemia, embora esses achados sejam inconsistentes. Insuficiência hepática não colestática Pode causar hipocolesterolemia devido à redução da produção de colesterol. Hipoadrenocorticismo Deficiência nos níveis de glicocorticoides pode levar à hipocolesterolemia. Neoplasia hematopoética Cães com sarcoma histiocítico hemofagocitário e gatos com mieloma múltiplo podem apresentar hipocolesterolemia. A interleucina-6 e o fator de necrose tumoral-a reduzem a síntese hepática do colesterol. Fonte: THRALL et al., 2015, p.1036-1047. (Adaptado). Proteínas Plasmáticas A avaliação dos níveis de proteí- nas plasmáticas pode fornecer infor- mações sobre a condição geral do animal, e em especial, sobre a fun- ção hepática, já que a maioria delas é sintetizada no fígado a partir dos aminoácidos obtidos da dieta. Uma redução nos níveis de proteínas plas- máticas pode indicar quatro tipos de problemas: dieta deficiente; proble- ma na absorção dos aminoácidos; síntese deficiente; ou perda proteica. Existem muitos tipos de proteínas presentes no plasma, porém as duas mais abundantes são a albumina e as globulinas. A albumina é sintetiza- da no fígado, sendo a proteína plas- mática mais abundante e a principal responsável pela pressão oncótica do plasma. Ela também é importante no transporte de diferentes substâncias pelo sangue, como ácidos graxos livres, ácidos biliares, bilirrubina, cálcio, hor- mônios e medicamentos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 90 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 90 28/07/2021 17:02:48 ASSISTA A eletroforese é uma técnica de separação de moléculas com o uso de cargas elétricas. Veja como funciona a eletro- forese das proteínas plasmáticas no vídeo presente no link. Portanto, a separação das frações das proteínas plasmáticas forma um pa- drão eletroforético, que pode ser convertido em um gráfico, como você pode ver na Figura 4. Figura 4. Resultado da eletroforese das proteínas plasmáticas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 25/06/2021. A alfa, beta e gama-globulinas correspondem a conjuntos de diferentes glo- bulinas, como você pode ver no Quadro 8. As globulinas são um grupo heterogêneo de proteínas de diferentes tama- nhos. Existem centenas de tipos de globulinas presentes no plasma, incluindo: as imunoglobulinas (anticorpos como IgG, IgM e IgA); as proteínas do sistema complemento; os fatores de coagulação; algumas enzimas; e outras proteínas transportadoras. Exceto pelas imunoglobulinas (que são produzidas nos teci- dos linfoides), a maioria das globulinas é produzida pelo fígado. As globulinas são classificadas em: alfa-globulinas (1 e 2), beta-globulinas e gama-globulinas, de acordo com a sua migração durante a eletroforese. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 91 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 91 28/07/2021 17:02:49 QUADRO 8. GLOBULINAS CORRESPONDENTES À ALFA, BETA E GAMA-GLOBULINAS Fração de globulinas Proteínas que compõem a fração Alfa-globulinas α1-fetoproteína α1-glicoproteína ácida (orosomucoide) α1-antitripsina (inibidor de protease) α1-antiquimotripsina (inibidor de protease) α1-lipoproteína (HDL; transporta lipídios) ceruloplasmina (transporta cobre) haptoglobina (ligada à hemoglobina) α2-macroglobulina (inibidor de protease) amiloide A sérica Beta-globulinas β2-lipoproteína (LDL; transporta lipídios) transferrina (transporta ferro) ferritina (armazena ferro) componentes do sistema complemento (C3 e C4) fibrinogênio (no plasma, mas não no soro) Gama-globulinas imunoglobulinas e suas frações: IgA, IgG, IgM e IgE Fonte: THRALL et al., 2015, p.1255. (Adaptado). Variações nos níveis de proteínas plasmáticas podem ocorrer por motivos fisiológicos, como a idade, presença de hormônios, prenhez e lactação, assim como por problemas nutricionais, estresse, ou presença de doenças. A melhor forma de interpretar problemas relacionados aos níveis de proteínas plasmá- ticas é pela relação entre os níveis de albumina e de globulinas (relação A:G), como você pode ver no Quadro 9. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 92 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 92 28/07/2021 17:02:49 QUADRO 9. INTERPRETAÇÃO DAS DISPROTEINEMIAS COM BASE NA RELAÇÃO A:G Relação A:G Nível de proteína plasmática Causas prováveis Reduzida Redução na Albumina Perda seletiva de albumina (doença renal ou gastrintestinal); redução na síntese de albumina (hepatopatia ou má nutrição). Aumento nas alfa- globulinas Doença inflamatória aguda; severa hepatite ativa; nefrite aguda ou síndrome nefrótica. Aumento nas beta- globulinas Hepatite aguda; síndrome nefrótica; dermatopatias supurativas. Aumento nas gama- globulinas Doença inflamatória crônica; doença infecciosa; hepatite crônica; abscesso hepático; doença supurativa; doença imunomediada; neoplasias (linfossarcoma, mieloma múltiplo). Normal Hiperproteinemia geral Desidratação (vômito, diarreia, queimaduras). Hipoproteinemia geral Super hidratação; perda aguda de sangue; perda de plasma (doenças exsudativas, diarreia, doença gastrointestinal, parasitas). Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p.81. (Adaptado). Lesões musculares A lesão muscular pode ser avaliada através da dosagem de algumas subs- tâncias que estão normalmente presentes nas fibras musculares, e que, em caso de lesão, extravasam para o plasma sanguíneo. As principais são: creati- noquinase (CK); a AST; e a lactato desidrogenase (LDH). A CK é uma enzima presente em grandes quantidades nas células do mús- culo esquelético, cardíaco e liso, sendo considerada uma enzima músculo-es- pecífica. Seus níveis aumentam rapidamente após uma lesão muscular, em cerca de 6 a 12 horas, mas também reduzem rapidamente, em um ou dois dias. A AST está presente em maior quantidade nos hepatócitos, mas as células musculares esqueléticas e cardíacas também possuem níveis altos. Depois de uma lesão muscular, os níveis de AST aumentam em uma velocidade menor do que os níveis de CK e diminuem mais lentamente também. A LDH é uma enzima presente na maioria das células do organismo, por isso, lesões em diferentes tecidos podem levar a um aumento nos níveis séri-cos de LDH. Sendo assim, essa é uma enzima inespecífica. Porém, ela possui cinco isoenzimas que podem ser dosadas por eletroforese e que possuem ati- vidades específicas em determinados tecidos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 93 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 93 28/07/2021 17:02:49 Lesões musculares graves também podem ser detectadas pela presen- ça de mioglobina na urina. Nesses casos, a urina apresenta uma coloração marrom escura. Hormônios A avaliação do sistema endócrino pode ser complexa em muitos casos. O exame hormonal sempre deve ser analisado em conjunto com o exame físico e o histórico do animal, e muitas vezes para um correto diagnóstico, são neces- sárias repetições das dosagens em diferentes momentos. Os hormônios envolvidos na atividade da tireoide são importantes e fre- quentemente dosados, são eles: hormônio estimulante da tireoide (TSH); tiro- xina (T4); e a triiodotironina (T3). O TSH sempre deve ser interpretado em conjunto com os níveis de T4. A dosagem do TSH é realizada principalmente para diferenciar hipotireoidismo primário, hipotireoidismo secundário e síndrome da doença eutireoidea. A dosagem de T4 é um ótimo exame para a confirmação de hipertireoidis- mo (em gatos) e exclusão de hipotireoidismo (em cães). A dosagem de T3 não é relevante para o diagnóstico de hipo ou hipertireoidismo em animais. Para avaliação de problemas nas glândulas adrenais, pode-se realizar a do- sagem de cortisol. Os níveis de cortisol podem estar diminuídos em casos de hipoadrenocorticismo (primário ou secundário à lesão na hipófise). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 94 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 94 28/07/2021 17:02:49 Sintetizando Como vimos, a hemostasia pode ser dividida em primária, secundária e ter- ciária. As plaquetas, que são fragmentos dos megacariócitos, participam ativa- mente da hemostasia primária, agregando-se em torno da lesão para formar o coágulo. A hemostasia secundária ocorre pela cascata de coagulação, em que a fibrina é formada, e a hemostasia terciária ocorre pelo controle da formação desse coágulo e posterior destruição do coágulo. Existem diversos testes que podem ser realizados para a avaliação das plaquetas e dos fatores de coagula- ção, que podem estar comprometidos por diferentes coagulopatias. Vimos também os principais exames realizados na bioquímica clínica, que avaliam a presença e a dosagem de diferentes substâncias no sangue. Essas dosagens podem auxiliar no diagnóstico de diversas doenças, além de servi- rem para a realização do monitoramento de tratamentos. De maneira mais aprofundada, vimos os principais testes realizados para avaliação da função hepática (com dosagens de diferentes enzimas, como: ALT; AST; SDH; FA; e GGT; além da bilirrubina) e da função renal (com dosagem da ureia e da creatinina), além da dosagem de alguns eletrólitos, como: sódio; po- tássio; cálcio; e fósforo. Por fim, vimos algumas outras provas bioquímicas úteis na avaliação de di- ferentes órgãos e sistemas, como: a avaliação do metabolismo da glicose, dos lipídios, das proteínas plasmáticas, além das provas que avaliam as lesões mus- culares e o sistema hormonal. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 95 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 95 28/07/2021 17:02:49 Referências bibliográficas Eletroforese. Postado pelo canal Universo da Biologia Molecular (22mim.04s.) son. color.port. Disponível em: . Acesso em: 11.jul.2021. LOPES, S. T. A.; BIONDO, A. W.; SANTOS, A. P. Manual de Patologia Clínica Ve- terinária. 3. ed. Santa Maria: UFSM/Departamento de Clínica de Pequenos Ani- mais, 2007. THRALL, M. A.; WEISER, G.; ALLISON, R. W.; CAMPBELL, T. W. Hematologia e Bio- química Clínica Veterinária. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 96 SER_MV_PACLIV_UNID3.indd 96 28/07/2021 17:02:49 URINÁLISE E CITOLOGIA 4 UNIDADE SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 97 28/07/2021 17:15:53 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Conhecer a urinálise, o processo de formação da urina e as análises realizadas; Aprender sobre as alterações que podem ser observadas na urina; Apresentar os exames de citologia com análise dos derrames cavitários; Apresentar a citologia do líquido cefalorraquidiano; Conhecer a citologia do líquido ruminal. Urinálise Formação da urina Análises de urina Citologia Derrames cavitários Líquido cefalorraquidiano Líquido ruminal PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 98 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 98 28/07/2021 17:15:53 Urinálise Como os rins são órgãos fundamentais para a manutenção da homeostase do organismo, sua avaliação é essencial durante a busca por um diagnóstico. A análise da urina é um exame relativamente simples, mas que pode fornecer informações muito importantes para a avaliação do estado geral de saúde de um animal, além de, é claro, fornecer informações sobre a função renal em si. Com isso, é possível avaliar a capacidade de fi ltração do sangue e de for- mação da urina concentrada pelos rins, assim como verifi car a presença de cálculos renais, infecções ou outros processos patológicos que envolvam rins e vias urinárias (ureteres, bexiga e uretra). Além de realizarem a produção da urina, os rins são essenciais no contro- le da pressão sanguínea, pois participam do sistema renina-angiotensina-al- dosterona. Eles também são responsáveis pela produção da eritropoietina, um hormônio que estimula a produção e liberação de eritrócitos pela medula óssea. Assim, quando ocorre uma lesão renal, não é somente a fi ltração san- guínea e a produção da urina que fi cam comprometidas. Uma série de outros problemas sistêmicos podem ser ocasionados por uma lesão renal. Neste tópico, veremos, primeiramente, como ocorre a formação da urina pelos rins. Depois, vamos ver os exames envolvidos na urinálise e como eles podem fornecer informações sobre a função renal e as condições gerais do sistema urinário. Formação da urina Os rins são órgãos muito importantes, tanto para o metabolismo do orga- nismo, quanto para a constituição dos fl uidos orgânicos. Ao formarem a urina, os rins são capazes de determinar quais compostos permanecerão no sangue e quais serão eliminados na urina. A urina é formada por uma série de processos de fi ltração e reab- sorção que acontecem no néfron, a unidade funcional dos rins. O néfron é formado por uma sequência de estrutu- ras responsáveis pela fi ltração do sangue e pela forma- ção da urina, conforme você pode ver na Figura 1: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 99 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 99 28/07/2021 17:15:53 Arteríola aferente Arteríola eferente Túbulo contornado proximal Túbulo contornado distal Duto coletor Cápsula de Bowman Ramo descendente da alça de Henle Ramo ascendente da alça de Henle Alça de Henle Glomérulo Figura 1. Estrutura do néfron. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. (Adaptado). Cada segmento do néfron possui uma função específica. A filtração começa no glomérulo, onde aproximadamente 20% do sangue atravessa as paredes do glomérulo, formando o filtrado glomerular. O sangue entra no glomérulo pela arteríola aferente e sai pela arteríola eferente, passando por uma rede de ca- pilares ramificados e anastomosados, envoltos pela cápsula de Bowman, que capta o líquido filtrado. Isso ocorre, em grande parte, devido à pressão hidros- tática do sangue ao chegar nos capilares glomerulares. O tamanho e a carga dos elementos também são fatores determinantes para a filtração glomerular. Moléculas muito grandes e/ou com cargas negativas não passam pela barreira glomerular, permanecendo no sangue. EXPLICANDO A pressão hidrostática do sangue ao chegar nos glomérulos é de cerca de 45 mmHg. Porém existe uma força que se opõe a ela, a pressão osmótica exercida pelas proteínas plasmáticas. Essa pressão osmótica é de cerca de 20 mmHg. Sendo assim, a pressão resultante, que é a força de filtra-ção, é de cerca de 15 mmHg. É essa força que faz com que determinados elementos passem do sangue para o filtrado glomerular. À medida que o filtrado glomerular atravessa os túbulos renais ocorre a reabsorção de cerca de 99% do filtrado glomerular. O principal composto reab- sorvido é a água, mas também ocorre a reabsorção de algumas substâncias e a excreção de outras. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 100 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 100 28/07/2021 17:15:54 Após a formação do filtrado glomerular, o líquido filtrado segue para o tú- bulo contornado proximal, onde são reabsorvidos cerca de 85% da água e dos sais que foram filtrados pelo glomérulo, além de 100% da glicose, aminoácidos, peptídeos e proteínas de baixo peso molecular. A absorção de água nos túbulos proximais ocorre devido ao transporte ativo de sódio através das células do túbulo, carreando a água junto com o sódio. Nos túbulos proximais também ocorre a excreção de alguns íons orgânicos. Na alça de Henle ocorre a concentração da urina. O ramo fino descendente é muito permeável à água, mas impermeável ao sódio e à ureia. Nessa parte do néfron ocorre o mecanismo de contracorrente, que faz com que a água e o sódio sejam reabsorvidos, concentrando a urina. No túbulo contornado distal ocorre a reabsorção do sódio, do cloreto e do cálcio por transporte ativo. Esse segmento do néfron é impermeável à água. Os dutos coletores, além de coletarem a urina formada por vários néfrons, têm a função de regular a composição final da urina. No Quadro 1, você pode ver um resumo da função específica de cada por- ção do néfron na formação da urina: Porção do néfron Função Glomérulo Filtração do sangue. Túbulo contornado proximal Reabsorção da maior parte da água e solutos filtrados. Ramos finos da alça de Henle Concentração da urina pelo mecanismo de contracorrente. Ramo grosso da alça de Henle Reabsorção de NaCl, diluição do fluido tubular e reabsorção de cátions divalentes. Túbulo contornado distal Reabsorção de NaCl, diluição do fluido tubular e reabsorção de cátions divalentes. Dutos coletores Controle final da taxa de excreção de eletrólitos, controle de ácido-base e da concentração de água. QUADRO 1. FUNÇÃO DE CADA PORÇÃO DO NÉFRON NA FORMAÇÃO DA URINA Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 61. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 101 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 101 28/07/2021 17:15:54 Análises de urina A forma de coleta da urina para análise irá dependerá da espécie em ques- tão e das análises a serem realizadas. Para a urinálise de rotina, a coleta pode ser por micção natural, cateterismo ou cistocentese. A análise deve ser feita o mais brevemente após a coleta, para evitar a de- gradação de alguns compostos, a proliferação de bactérias ou a formação de alguns tipos de cristais. A urinálise pode ser dividida em três etapas: exame físico, exame químico e exame do sedimento urinário. Exame físico O exame físico nada mais é do que a análise e classifi cação de alguns pa- râmetros simples, como volume, cor, odor, aspecto e densidade. O volume é, na verdade, a quantidade de amostra recebida pelo laboratório. Não se refere, necessariamente, à quantidade de urina expelida pelo animal no momento da coleta. O volume mínimo para a realização da urinálise é de 10 mL. A taxa de fi ltração glomerular (TFG) é a medida do volume de líquido fi ltrado pelo glomérulo, e é um parâmetro importante para a avaliação da função renal. A TFG é regulada pelo organismo, para se manter relativamente constante. Ela é controlada pelos rins, por meio de alterações na pressão sanguínea sistêmica e volume intra- vascular, pelo controle do fl uxo sanguíneo renal, pelo controle da pressão capilar glomerular e pelo controle do coefi ciente de ultrafi ltração (Cf). O sistema renina-angiotensina-aldosterona é um mecanismo importante no controle da TFG e do fl uxo sanguíneo renal. A renina é um hormônio liberado por células específi cas presentes na proximidade do glomérulo, as células do aparelho justaglomerular, que liberam a renina em resposta à diminuição da pressão de per- fusão renal. A renina estimula a formação da angiotensina II, que além de causar uma vaso- constrição sistêmica, estimula a liberação de prostaglandinas vasodilatadoras re- nais, que aumentam o fl uxo sanguíneo renal. A angiotensina II também estimula a liberação da aldosterona pelas glândulas adrenais. A aldosterona tem a função de estimular a retenção de íons de sódio pe- los rins, o que também estimula a retenção de água, ajudando a manter o volume sanguíneo normal. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 102 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 102 28/07/2021 17:15:54 A análise da cor geralmente é realizada de forma subjetiva ou comparando a amostra com uma tabela padrão de classificação da coloração da urina. A coloração vai variar de acordo com a quantidade de urocromos presentes na urina e, normalmente, quanto maior o volume de urina, mais clara ela será (e vice e versa). A cor da urina pode ser classificada em diversos níveis, geralmen- te determinados pelo próprio laboratório. Um exemplo das cores que podem ser utilizadas na classificação da urina está presente no Quadro 2: Cor Possível significado Pálida ou amarelo-clara Geralmente é uma urina diluída, com densidade baixa e associada à poliúria. Amarelo-citrino É a coloração normal da urina. Amarelo-escura ou âmbar Geralmente é uma urina concentrada, com densidade elevada e associada à oligúria. Alaranjado-âmbar ou amarelo- esverdeada Pode estar relacionada com a presença de bilirrubina. Avermelhada Pode indicar presença de hemoglobina e/ou hemácias. Marrom Pode indicar presença de hemoglobina, mioglobina. Em equinos, essa pode ser uma coloração normal. QUADRO 2. CLASSIFICAÇÃO DA URINA DE ACORDO COM SUA COR Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 65. (Adaptado). Normalmente, após ser agitada, a urina pode formar uma espuma de co- loração branca. Essa espuma pode ser utilizada como um indicativo de alguns tipos de problemas. Por exemplo, se a espuma formada for abundante e demo- rar a desaparecer, pode indicar a presença de uma proteinúria. Se a espuma tiver uma coloração esverdeada ou acastanhada, pode indicar uma bilirrubinú- ria. E se for de coloração avermelhada, indica uma hemoglobinúria. O odor da urina também deve ser analisado no exame físico. O odor normal é chamado de odor sui generis (do latim: de seu próprio gênero). Porém, o odor também pode ser: pútrido (indicando uma necrose tecidual das vias urinárias); adocicado (indicando a presença de corpos cetônicos ou associado ao diabetes melito); amoniacal (indicando infeções bacterianas), entre outros. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 103 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 103 28/07/2021 17:15:54 A análise do aspecto da urina serve para classificá-la em límpida ou turva. O aspecto normal da urina é límpido e translúcido (exceto nos equinos, que apre- sentam uma urina turva). O aspecto turvo pode indicar a presença de: células em geral (leucócitos, eritrócitos, células epiteliais, bactérias etc.); muco; cristais; contaminação por secreções genitais etc. Para determinar qual é a causa da turvação da urina é necessário o exame do sedimento urinário. A análise da densidade da urina indica a sua concentração. (relação entre os compostos sólidos e os líquidos presentes na urina). É um parâmetro utilizado para a avaliação da reabsorção tubular e da capacidade renal em concentrar a urina. A determinação da densidade urinária é realizada utilizando-se o re- fratômetro. Deve-se pipetar uma gota da urina sobre a lente do refratômetro e realizar a leitura. Caso a densidade seja superior à escala do refratômetro, deve-se fazer uma diluição da urina em água destilada (diluição de 1:1) e, então, ao realizar a leitura, duplica-se os dois últimos dígitos (por exemplo: se a leitura for de 1024 μL, então a densidade final é de 1048 μL). Existem algumas fitas reagentesPARA BIOQUÍMICA CLÍNICA EM DIFERENTES ESPÉCIES Fonte. FELDMAN; ZINKL; JAIN, 2000. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 15 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 15 28/07/2021 16:38:36 O laboratório de patologia clínica Em um laboratório de patologia clí- nica, existem diversos equipamentos e insumos utilizados para a realização dos exames. Conhecer cada um deles é fundamental. Homogeneizador Trata-se de um equipamento utili- zado para homogeneizar as amostras de sangue, como mostrado na Figura 1. É útil quando há uma grande quantidade de amostras a serem analisadas ao mesmo tempo. Glicose (mg/dL) 70 – 110 70 – 110 45 – 75 75 – 115 50 – 80 50 – 75 85 – 150 LDH (U/L) 45 – 233 63 – 273 692 – 1445 162 – 412 238 – 440 123 – 392 380 – 634 Proteínas Totais (Soro) (g/ dL) 5,4 – 7,1 5,4 – 7,8 6,7 – 7,4 5,2 – 7,9 6,0 – 7,9 6,4 – 7,0 7,9 – 8,9 Uréia (mg/ dL) 21,4 – 59,92 42,8 – 64,2 42,8 – 64,2 21,4 – 51,36 17,12 – 42,8 21,4 – 42,8 21,4 – 64,2 * - Sem dados De acordo com Kerr (2002), a urinálise é a análise das características físicas e bioquímicas da urina, além da análise do sedimento urinário, que é capaz de detectar cristais e outras substâncias. Considerando Lopes, Biondo e Santos (2007), a citologia é a análise de qual- quer líquido corpóreo que não seja sangue ou urina. No caso de derrames ca- vitários (abdominais ou torácicos), eles podem ser classifi cados como: transu- datos, transudatos puros ou exsudatos, dependendo de sua origem. Com o exame desses líquidos, podemos detectar diversos problemas, desde hiper ou hipoproteinemia até infecções generalizadas. Fonte. KANEKO; HARVEY; BRUSS, 2008. (Adaptado). Figura 1. Homogeneizador automático para tubos de amos- tras sanguíneas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 16 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 16 28/07/2021 16:38:37 Centrífuga Essa máquina é utilizada para centrifugação dos tubos de amostras, para separação das partes líquida e celular do sangue ou para separação do sedi- mento urinário, por exemplo. Veja a imagem de uma centrífuga de tubos na Figura 2. Figura 2. Centrífuga de tubos. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Figura 3. Microcentrífuga. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Microcentrífuga Trata-se de uma centrífuga especial para microtubos, utilizados na deter- minação do hematócrito (ou volume globular), uma etapa importante do he- mograma. Tanto as centrífugas quanto as microcentrífugas nunca devem ser utilizadas de forma desequilibrada. No caso de um número ímpar de amos- tras, deve-se completar a centrífuga com tubos extras para que a centrifugação ocorra de maneira correta. Veja a imagem de uma microcentrífuga na Figura 3. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 17 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 17 28/07/2021 16:38:39 Refratômetro Aparelho utilizado para a dosagem ou determinação da densidade de diver- sas substâncias. Para a medição, o aparelho utiliza o nível de refração da luz causado pela substância. A Figura 4 mostra um refratômetro. Figura 4. Refratômetro. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Figura 5. Aparelho de análise hematológica automática. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Analisador automático Trata-se de uma máquina que realiza todas as análises do hemograma de forma automática. Aparelhos de uso humano utilizados na veterinária podem dar resultados inconsistentes. Portanto, recomenda-se que seja feita a confe- rência de algumas das análises, especialmente a contagem diferencial de leu- cócitos. Já existem equipamentos desse tipo específicos para uso veterinário. Veja a imagem de um aparelho automático de análise hematológica na Figura 5. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 18 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 18 28/07/2021 16:38:42 Microscópio Um dos equipamentos mais utilizados, não só na hematologia, mas na uri- nálise e nos diversos exames citológicos. Veja uma imagem desse equipamento com seus principais componentes na Figura 6. Lentes oculares Lentes objetivas Macrômetro Micrômetro Platina Condensador Fonte de luz Charriot Figura 6. Componentes de um microscópio. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. (Adaptado). Figura 7. Micropipetas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Micropipetas automáticas Utilizadas para medição, mistura ou separação de líquidos em diversos mo- mentos em um laboratório. Possuem ajuste de volume e são bastante precisas. Veja como são as micropipetas na Figura 7. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 19 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 19 28/07/2021 16:38:45 Analisador bioquímico Trata-se de um equipamento automático, utilizado para análises bioquímicas do soro. Existem diversas marcas e modelos. A Figura 8 mostra um exemplo. Figura 8. Analisador bioquímico. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Figura 9. Microtubos de hematócrito. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Entre os insumos utilizados em laboratório, os principais são: • Tubos de ensaio: utilizados para diversas finalidades, como coleta de amos- tras, separação de componentes das amostras, etc.; • Lâminas e lamínulas: utilizadas para exames que precisam de visualização de células ao microscópio; • Reagentes: existem muitos corantes e reagentes que são utilizados na ro- tina do laboratório; • Microtubos: pequenos tubos de vidro, utilizados para a realização da etapa do hematócrito do hemograma. Veja uma imagem desse exame na Figura 9; PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 20 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 20 28/07/2021 16:38:48 • Ponteiras: são ponteiras de plástico descartáveis, utilizadas nas micropi- petas. Veja uma imagem na Figura 10. Figura 10. Ponteiras para micropipetas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. Figura 11. Tubo tipo Eppendorf. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. • Tubos tipo Eppendorf: são pequenos tubos plásticos com tampa utiliza- dos para separação e análise bioquímica do soro sanguíneo. Veja uma imagem na Figura 11. Um laboratório de Patologia Clínica Veterinária, assim como todo tipo de laboratório, deve ter normas e procedimentos padronizados, de modo que a qualidade e confiabilidade das análises sejam sempre mantidas. Também é preciso se atentar a questões de segurança, como o uso de equipa- mentos de proteção individual (EPIs), como aventais, luvas, óculos de proteção, etc. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 21 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 21 28/07/2021 16:38:51 Termos importantes Vejamos um pequeno glossário de termos importantes na Patologia Clínica Veterinária: • Albuminúria: presença de albumina na urina; • Anemia: diminuição na quantidade de hemácias; • Anticoagulante: substância capaz de impedir a coagulação; • Anúria: supressão total da secreção urinária; • Ascite: edema com acúmulo de líquido, localizado na cavidade peritoneal; • Azotemia: aumento de compostos nitrogenados no sangue; • Bacteremia: presença de bactérias patogênicas no sangue; • Bacteriúria: presença de bactérias na urina; • Bilirrubinemia: presença de bilirrubina no sangue; • Bilirrubinúria: presença de bilirrubina na urina; • Biópsia: retirada de um fragmento de órgão ou tecido para análise laboratorial; • Blenúria: presença de muco na urina; • Cetonúria: presença de corpos cetônicos na urina; • Cianose: coloração azulada das extremidades causada por falta de oxigênio; • Cistite: infl amação da bexiga; • Coagulação: aglutinação de um líquido com formação de coágulo; • Desidratação: perda de líquidos e eletrólitos pelo organismo; • Disúria: micção difícil e dolorosa. Em termos simples, dor ao urinar; • Edema: inchaço; acúmulo anormal de água em certa parte do corpo; • Esfregaço: material espalhado em uma lâmina de vidro para exame por microscópio; • Espermatúria: presença de esperma na urina; • Estafi lococemia: presença de estafi lococos no sangue; • Estrangúria: micção dolorosa; • Exsudato: substância liquida eliminada patologicamente; • Garrote: torniquete; aperto de um membro com(como as que veremos a seguir no exame químico) que fornecem o dado de densidade urinária, porém como geralmente são desenvolvidas para humanos, nem sempre esse dado é exato para animais (principalmente para cães). A densidade pode ser afetada por diversos fatores, desde a idade do ani- mal, temperatura ambiente e grau de hidratação, até lesões renais graves. No Quadro 3, você pode ver as principais causas de alteração na densidade uriná- ria, desde as causas fisiológicas até as patológicas: Não patológico (transitório) Patológico Diminuição na densidade (com poliúria) Ingestão excessiva de água, fluidoterapia, administração de diuréticos e administração de corticoides. Diabetes (melito ou insípido), insuficiência renal (aguda ou crônica), hipoplasia renal, pielonefrite, piometra, hepatopatias e hiperadrenocorticismo. Aumento na densidade (com oligúria) Redução de ingestão de água, temperatura ambiente elevada, hiperventilação e alta atividade física. Desidratação por perda e febre. QUADRO 3. CAUSAS DE ALTERAÇÃO NA DENSIDADE URINÁRIA Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 66. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 104 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 104 28/07/2021 17:15:54 Exame químico O exame químico da urina é realizado através de fitas reagentes, como a mostrada na Figura 2. A fita é mergulhada na urina, aguarda-se alguns segun- dos, e depois se faz a leitura dos resultados conforme a graduação de cores de cada reagente (geralmente essa graduação está presente no rótulo do próprio frasco em que as fitas são vendidas). Figura 2. Fitas reagentes utilizadas na urinálise. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. Existem diversos fabricantes desse tipo de fita reagente, e cada modelo pode fornecer a leitura de diferentes substâncias. Vamos ver, a seguir, cada uma delas. A primeira leitura, geralmente, é a do pH, que pode ser influenciado pela dieta do animal. Animais com dieta vegetal geralmente apresentam urina al- calina (pH de 7,5 a 8,5) e animais com dietas ricas em proteínas apresentam a urina mais ácida (pH de 5,5 a 7,0). O pH pode estar alterado em diferentes situações e, muitas vezes, essa alteração indica alterações sistêmicas, não ne- cessariamente no sistema urinário, como mostra o Quadro 4: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 105 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 105 28/07/2021 17:16:01 pH Possíveis causas Alcalino Cistite associada a bactérias produtoras de urease (Staphylococcus sp. e Proteus sp.); administração de agentes alcalinizantes (bicarbonato de sódio, lactato de sódio ou citrato de sódio); retenção urinária vesical; alcalose metabólica ou respiratória; e demora no processamento e má conservação da amostra. Ácido Dieta hiperproteica; administração de agentes acidificantes (cloreto de amônio, cloreto de cálcio e fosfato ácido de sódio); catabolismo de proteínas (febre, jejum e diabetes melito); e acidose metabólica ou respiratória. Classificação Possíveis causas Proteinúria fisiológica Exercício muscular excessivo, convulsões, ingestão excessiva de proteínas e função renal alterada nos primeiros dias de vida. Proteinúria patológica Pré-renal Doença primária não renal, como na hemoglobinúria, mioglobinúria ou gama-globulinúria. Renal Aumento da permeabilidade capilar, doença tubular com perda funcional e presença de sangue ou exsudato inflamatório renal. Como na nefrose, nos cistos renais, na glomerulonefrite, na nefrite, na pielonefrite, nas neoplasias e na hipoplasia. Pós-renal Infecções do trato urinário inferior, hematúria pós-renal e obstrução por cálculos (urolitíase). Como na pielite, na ureterite, na cistite, na uretrite, na vaginite e na postite. QUADRO 4. CAUSAS DE ALTERAÇÃO NO PH URINÁRIO QUADRO 5. CLASSIFICAÇÕES E CAUSAS DE PROTEINÚRIA Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 67. (Adaptado). Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 68. (Adaptado). A detecção de proteínas na urina deve ser interpretada em conjunto com a densidade urinária e com outros dados do exame clínico. Normalmente, há somente uma pequena quantidade de proteínas presentes na urina, que não é detectável pelas fitas reagentes. O excesso de proteínas na urina pode indicar a presença de lesão renal, como mostra o Quadro 5: A detecção de glicose na urina é outro parâmetro medido pelas fitas rea- gentes. Em animais saudáveis, toda glicose filtrada pelos glomérulos é reab- sorvida pelos túbulos contornados proximais. Dessa forma, a glicosúria ocor- rerá quando a glicemia estiver alta, de forma que impeça a reabsorção renal. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 106 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 106 28/07/2021 17:16:01 As principais causas de glicosúria são: hiperglicemia (que ocorre no diabetes melito, no hiperadrenocorticismo, na pancreatite necrótica aguda, na ingestão excessiva de açúcares etc.); nefropatias congênitas ou hereditárias; e doenças renais com comprometimento dos túbulos contornados proximais. Os corpos cetônicos (ácido aceto-acético, β-hidrobutírico e acetona) tam- bém podem ser detectados na urina. Eles são produtos do metabolismo lipídi- co e normalmente não aparecem na urina. A cetonuria pode estar relacionada à acidose, jejum prolongado, hepatopatias, febre em animais jovens e diabetes melito em pequenos animais (melito é a causa mais comum de cetonúria em cães e gatos). A bilirrubina é outra substância detectada na urina. Normalmente, uma pequena quantidade de bilirrubina está presente na urina, porém seus níveis devem ser interpretados em conjunto com o valor da densidade urinária. A bilirrubinúria está relacionada a hepatopatias (hepatite infecciosa canina, lep- tospirose e neoplasias) ou à obstrução das vias biliares. A detecção do urobilinogênio também está presente na maioria das fitas rea- gentes, porém a detecção realizada pela fita tem pouco valor diagnóstico para animais, já que essas fitas, geralmente, são desenvolvidas para uso humano. Por último, as fitas reagentes podem detectar a presença de sangue oculto na urina, que, normalmente, deve estar ausente. Esse teste pode dar positivo em casos de hematúria, hemoglobinúria ou mesmo mioglobinúria, porém ele não é capaz de diferenciar essas três situações. Para isso, deve-se realizar os seguintes procedimentos: primeiro, para diferenciar a hematúria das outras duas, realiza-se a centrifugação da urina, observando o aspecto do sedimento e do sobrenadante. Em casos de hematúria, o sobrenadante fica com coloração límpida, enquanto na hemoglobinúria e na mioglobinúria o sobrenadante con- tinua com a mesma coloração de antes da centrifugação (avermelhado ou amarronzado). Para diferenciar a hemoglobinúria da mioglobinú- ria deve-se adicionar cerca de 2,8 g de sulfato de amônio a 5 mL de urina. Depois disso, realiza-se a centrifugação dessa amostra, e se passa novamente a fita reagen- te. Se o sangue oculto continuar como positivo, é um caso de mioglobinúria, se der negativo, então é uma hemoglobinúria. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 107 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 107 28/07/2021 17:16:01 A hematúria está presente principalmente quando há lesões com sangra- mento nas vias urinárias. A hemoglobinúria pode ocorrer em algumas doen- ças infecciosas (como leptospirose, piroplasmose e algumas estreptococoses), também na ingestão de algumas plantas tóxicas ou intoxicação por agentes químicos (como cobre e mercúrio), em casos de transfusões sanguíneas incom- patíveis, na anemia infecciosa equina e na doença hemolítica do recém-nas- cido. A mioglobinúria pode ocorrer em casos de mioglobinúria paralítica dos equinos ou em acidentes ofídicos por veneno de cascavel. Exame do sedimento urinário O exame do sedimento urinário é a última etapa da urinálise, em que são avaliadas, sob o microscópio, a presença de células, de cristais ou de outros elementos na urina. O primeiro passo para esse exame é a centrifugação da urina. Como normalmente ele é realizado por último,pode-se centrifugar toda a amostra. Caso uma parte precise ser guardada para uma posterior análise, pode-se centrifugar somente uma parte da amostra, desde que o volume seja de, no mínimo, 5 mL. A centrifugação é feita a 1500 rpm por cinco a dez minutos. Depois de centrifugada, o sobrenadante da amostra pode ser descartado. O sedimento deve ser levemente agitado, para que ocorra uma ressuspensão e homogeneização. Pega-se, então, uma gota desse sedimento, colocando-a sobre uma lâmina, com uma lamínula por cima. A leitura dessa lâmina de sedimento deve ser realizada utilizando-se a ob- jetiva de 40x. Como geralmente não são utilizados corantes, pode-se baixar o condenador do microscópio para melhorar o contraste entre as estruturas. É realizada, então, a observação da presença e das quantidades das seguintes estruturas: células epiteliais, eritrócitos, leucócitos, bactérias, cilindros, cristais e outras estruturas. EXPLICANDO As quantidades das estruturas observadas no sedimento urinário podem ser classificadas por número de estruturas por campo (utilizada, princi- palmente, para as estruturas maiores, como os eritrócitos, os leucócitos e as células epiteliais), ou com uma classificação por cruzes (+, ++, +++), dependendo da quantidade visualizada da estrutura (utilizada para estruturas menores ou mais numerosas, como bactérias, cristais, esper- matozoides etc.). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 108 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 108 28/07/2021 17:16:01 Normalmente, as células epiteliais devem estar ausentes ou em pequena quantidade. Quando é observada uma quantidade maior do que cinco células por campo, pode haver uma lesão no trato urinário, que pode ser localizada ou mesmo difusa. Com alguma prática, é possível realizar a diferenciação das célu- las epiteliais conforme a sua origem (células do epitélio renal, da pelve renal, da bexiga, da uretra ou do canal vaginal). Você pode ver um exemplo da presença de células epiteliais na urina na Figura 3: Figura 3. Lâmina de sedimento urinário contendo células epiteliais, com presença de bactérias em seu citoplasma. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. A presença de eritrócitos na urina pode ser considerada normal quando há uma ou duas células por campo. Se esse valor for acima de cinco células por campo, é considerada hematúria. Esse quadro pode estar associado a: in- flamações do trato urinário (pielonefrite, ureterite, cistite etc.); traumas (pela cateterização ou cistocentese, ou pela presença de neoplasias renais, vesicais ou prostáticas); congestão renal; infarto renal; presença de alguns parasitas (Dioctophima renale, Sthefanurus sp ou dirofilariose); intoxicação (por cobre ou mercúrio); ou distúrbios hemostáticos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 109 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 109 28/07/2021 17:16:07 Os leucócitos, quando presentes, são maiores que os eritrócitos e meno- res que as células epiteliais. No caso dos eritrócitos, a presença de um ou dois leucócitos por campo é normal, mas quando há mais de cinco células por campo, é considerada piúria (presença de pus na urina). A piúria está associa- da a: inflamações renais (nefrite, glomerulonefrite, pielonefrite); inflamações do trato urinário inferior (uretrite, cistite); e inflamações genitais (vaginite, prostatite e metrite). Na Figura 4, você pode ver uma lâmina contendo a presença de eritrócitos e de leucócitos no sedimento urinário: Eritrócitos Leucócitos Figura 4. Lâmina de sedimento urinário contendo muitos eritrócitos e leucócitos. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. (Adaptado). A presença de bactérias também deve ser analisada e deve ser interpre- tada conforme a forma de coleta. A urina coletada por micção natural tende a apresentar uma maior quantidade de bactérias, já que ela é estéril até atingir a porção distal da bexiga e início da uretra. Também deve ser consi- derado o tempo e a forma de armazenamento da urina antes da realização dos exames. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 110 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 110 28/07/2021 17:16:19 A presença de uma grande quantidade de bactérias em uma urina coleta- da há pouco tempo pode ser indicativo de infecção urinária, especialmente se for identificados eritrócitos, leucócitos e proteínas na urina. Os cilindros são outra estrutura que deve ser analisada no sedimento uri- nário. Eles são compostos principalmente por mucoproteínas e proteínas, e normalmente devem estar ausentes. Eles são formados nos túbulos renais (túbulos contornados, alça de Henle e dutos coletores), quando ocorre a con- centração e acidificação da urina, o que pode promover a precipitação de proteínas e mucoproteínas. Lesões nos túbulos renais podem promover o aparecimento de diferentes tipos de cilindros na urina, conforme você pode ver no Quadro 6: Tipo Composição Possíveis causas Hialino Mucoproteínas e proteínas Podem aparecer em processos como febre e congestão ou em doença renal. Geralmente associados à proteinúria. Hemático Muco e eritrócitos Podem ocorrer em casos de hemorragia glomerular e tubular, glomerulonefrite aguda e nefropatia crônica em fase evolutiva. Leucocitário Muco e leucócitos Associados à inflamação renal, pielonefrites e abscessos renais. Epitelial Muco e restos celulares Presentes em casos de inflamações renais. Granuloso Muco e outras estruturas Associados à degeneração tubular e necrose de células tubulares. Céreo Cilindros angulares Ocorrem na fase final da degeneração tubular e na lesão tubular crônica. QUADRO 6. TIPOS DE CILINDROS URINÁRIOS Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 70. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 111 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 111 28/07/2021 17:16:19 Na Figura 5, você pode ver um cilindro do tipo hialino em uma lâmina de sedimento urinário: Cilindro hialino Cristais de fosfato triplo Cristais de oxalato de cálcio Cristais de ácido úrico Figura 5. Lâmina de sedimento urinário contendo um cilindro hialino. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. (Adaptado). Figura 6. Lâminas de sedimento urinário contendo cristais de fosfato triplo, oxalato de cálcio e ácido úrico. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. (Adaptado). Além dos cilindros, temos também os cristais que podem estar presen- tes na urina. A presença de cristais pode estar relacionada com a formação de cálculos renais, mas não necessariamente estarão presentes sempre que houver presença de cálculos. Os cristais são produtos finais da alimentação do animal, e dependendo do pH urinário, eles poderão ser formados. Existem diversos tipos de cristais que podem ser encontrados na urina. Na Figura 6, você pode ver três exemplos: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 112 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 112 28/07/2021 17:16:31 Além dessas, o sedimento urinário pode apresentar outras estruturas incomuns, por exemplo: espermatozoides (aparecem normalmente em cães, porém em bo- vinos pode indicar distúrbios reprodutivos); muco (aparecem como pequenos fi la- mentos, normalmente em pequena quantidade); fungos ou leveduras; ovos e para- sitas (como Stephanurus sp., Dioctophyme renale, Capillaria spp. e Dirofi laria immitis). No Quadro 7, você pode encontrar os achados mais comuns na urinálise confor- me a ocorrência de algumas doenças: Doença Exame físico e químico Exame de sedimento Doença renal aguda - Densidade normal ou reduzida; - Proteinúria. - Cilindros; - Leucócitos; - Eritrócitos. Insufi ciência renal aguda (IRA) - Densidade reduzida. - Cilindros; - Leucócitos; - Células epiteliais. Insufi ciência renal crônica (IRC) - Densidade reduzida; - pH reduzido. - Poucos cilindros. Cistite - Proteinúria. - Bactérias; - Leucócitos. Neoplasias urinárias - Densidade normal ou reduzida. - Células neoplásicas; - Eritrócitos. Hemólise - Hemoglobinúria; - Urobilinogênio elevado. - Eritrócitos. Hepatopatia - Bilirrubinúria; - Urobilinogênio elevado. - Cristais de bilirrubina. Diabetesmelito - Glicosúria; - Cetonúria. - Bactérias; - Leucócitos. QUADRO 7. DOENÇAS RENAIS E NÃO RENAIS E SEUS ACHADOS NA URINÁLISE Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 74. (Adaptado). Citologia A citologia compreende a análise de qualquer líquido do organismo com presença de células que não seja sangue ou urina. Mesmo a análise da medu- la óssea pode ser considerada um exame de citologia. A coleta de amostras para as análises de citologia geralmente é realizada pela punção do local onde está o líquido a ser analisado. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 113 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 113 28/07/2021 17:16:31 Neste tópico, vamos ver, principalmente, as análises de derrames cavitá- rios (abdominais e torácicos), líquido cefalorraquidiano e líquido ruminal. A análise de derrames cavitários são bastante frequentes na rotina clínica. Esses derrames não são normais e podem ocorrer por diversos fatores pato- lógicos, desde uma hiper ou hipoproteinemia até uma infecção generalizada. A análise do líquido cefalorraquidiano é indicada quando há suspeita de patologias com envolvimento do sistema nervoso central (SNC), como menin- gites por exemplo. Com relação à análise do líquido ruminal, ela é realizada para o diagnós- tico de transtornos metabólicos, além de fornecer informações importantes sobre a sua composição, com a presença de bactérias, protozoários, fungos e micoplasmas. Derrames cavitários O plasma sanguíneo possui proteínas (em especial a albumina) que impe- dem que o líquido extravase totalmente dos vasos. O movimento do líquido e de outras substâncias entre o sangue e o tecido são determinados pela relação entre a pressão hidrostática e a oncótica que regulam o equilíbrio do líquido do organismo. A pressão hidrostática (exercida primariamente pelos batimentos cardía- cos) força continuamente os líquidos e outras substâncias para fora do vaso, e a pressão oncótica, exercida pelas pro- teínas plasmáticas, mantém o líquido e outras substâncias dentro do vaso. Muitos fatores podem afetar esse equilíbrio entre as pressões, o que pode levar a um extravasamento de lí- quido e de outras substâncias do vaso para o tecido intersticial. Alguns des- ses fatores são: ingestão excessiva ou reduzida de água, desequilíbrio eletro- lítico, defi ciência de proteínas, proces- sos infl amatórios e algumas doenças sistêmicas. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 114 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 114 28/07/2021 17:16:37 O edema é o acúmulo de líquidos nos tecidos ou cavidades e pode ocorrer por quatro processos: obstrução linfática (que impede o retorno dos líquidos extravasados para a corrente sanguínea); aumento da permeabilidade capilar (que aumenta ainda mais o vazamento de plasma dos vasos para o tecido); diminuição da pressão oncótica capilar (associada à baixa concentração de proteínas plasmáticas, que faz com que os líquidos tenham a tendência de sair do vaso); e aumento da pressão hidrostática capilar (geralmente por obs- trução venosa, que faz o líquido tender a sair do vaso). Especificamente em relação aos derrames cavitários, eles podem ser de três tipos, conforme o tipo de líquido presente: transudato puro, transudato modificado e exsudato. As características de cada um podem ser vistas no Quadro 8: Parâmetro Transudato puro Transudato modificado Exsudato Características Líquido límpido e incolor (cães e gatos) ou amarelado (herbívoros). Líquido leve a moderadamente turvo. Líquido turvo, com coloração branca, rosa, âmbar, vermelha etc. Geralmente coagulam. PT (g/dL) 3,0 Contagem total de células nucleadas (/μL) 7000 Densidade 1025 Células predominantes Mesoteliais, poucos linfócitos e neutrófilos íntegros e raros macrófagos e eritrócitos. Depende da sua causa. Geralmente apresenta neutrófilos não degenerados em pequena quantidade, células mesoteliais reativas, pequenas quantidades de linfócitos e macrófagos, com poucos eritrócitos. Predominância de neutrófilos, macrófagos e células mesoteliais. Bactérias podem estar presentes. QUADRO 8. TIPOS DE DERRAMES CAVITÁRIOS E SUAS CARACTERÍSTICAS PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 115 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 115 28/07/2021 17:16:37 Causas Redução da concentração de proteínas plasmática (diminuição da pressão oncótica). Ocorre na nefropatia, hepatopatia crônica, enteropatia e deficiência nutricional. Aumento da pressão hidrostática capilar. Ocorre na estase venosa do sistema porta-hepático; ruptura de bexiga, ureter ou uretra; insuficiência cardíaca; ruptura do duto biliar; neoplasias; hemorragias intracavitárias; bloqueio das veias que drenam os tecidos; e torção pulmonar. Bloqueio do sistema linfático. Ocorre na presença de massas, tumores e outros. Ocorre principalmente em processos inflamatórios com presença de substâncias vasoativas (aumento da permeabilidade vascular) e quimiotáticas (atraem células para o local). Podem ser divididos em: • Sépticos: causados por agentes patogênicos (bactérias, fungos etc.); • Assépticos: uroperitônio, peritonite biliar, pancreatite necrótica e neoplasias. Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007, p. 95. (Adaptado). Após a coleta do líquido, podem ser realizadas a determinação das pro- teínas totais presentes no líquido e da densidade do líquido, com a utilização de um refratômetro (como na deter- minação das PPT no hemograma e da densidade na urinálise). Além disso, o aspecto e coloração do líquido devem ser descritos no laudo. Porém a parte mais importante da citologia é a observação do líquido em microscópio, para a realização da contagem total de células nucleadas (CTCN) e determinação dos tipos ce- lulares presentes no líquido. A conta- gem pode ser realizada em hemocitô- metro, ou estimada no esfregaço em lâmina. Para a observação da morfologia das células presentes no líquido, realiza- -se um esfregaço do líquido em lâmina, e para facilitar a identificação das cé- lulas, utilizam-se corantes de rotina (panóptico rápido, Wright etc.). Na Figura 7, veja um exemplo de lâmina de citologia de um derrame torácico: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 116 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 116 28/07/2021 17:16:40 Líquido cefalorraquidiano O exame do líquido cefalorraquidiano é realizado quando há suspeitas de doenças com acometimento do SNC, sendo um recurso complementar no diagnóstico de diferentes patologias. A indicação para a realização desse exa- me deve vir do exame clínico. Células mesoteliais Neutrófi lo Neutrófi lo Figura 7. Lâmina de citologia de derrame pleural, contendo células mesoteliais e neutrófi los. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. (Adaptado). CURIOSIDADE Em alguns casos, a coleta do líquor é realizada para redução da pressão intracraniana, então, além de servir como forma de diagnóstico, nesses casos, também serve como um procedimento terapêutico. Porém quando há suspeita de excesso de pressão intracraniana, é preciso realizar a coleta de forma lenta e cuidadosa, para evitar uma descompressão repentina. A realização desse exame é contraindicada quando o animal não puder ser anestesiado, pois a coleta é um procedimento delicado. Também há contrain- dicação para animais que possuam infecções cutâneas próximas ao local de coleta, pois a própria coleta pode abrir portas para uma infecção que pode se tornar grave e até fatal. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 117 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 117 28/07/2021 17:16:47 As técnicas de citologia utilizadas para análise do líquido cefalorraquidiano são semelhantes a outros tipos de líquidos. Como geralmente há menor nú- mero de células presentes, a preparação de lâminas para leitura pode ser feita após a centrifugação da amostra, realizando um esfregaço com o sedimento presente no tubo após a centrifugação. Veja, na Figura 8, um exemplo de lâmi- na de citologiade líquido cefalorraquidiano: Neutrófilos Linfócitos Figura 8. Lâmina de citologia de líquido cefalorraquidiano contendo leucócitos (neutrófilos e linfócitos). Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. (Adaptado). O líquido cefalorraquidiano normalmente é límpido e incolor. Pode estar turvo em alterações que causem o aumento no número de células e proteínas, ou em situações de infecção bacteriana, com o aumento no número de neutró- filos. A coloração pode estar amarelada em alterações com hemorragia antiga ou mesmo em infecções, e pode estar avermelhada ou roseada em casos de contaminação por sangue durante a coleta ou em casos de traumatismos. Em cães e gatos, as principais células encontradas no líquido cefalorraqui- diano são monócitos e linfócitos. Podem estar presentes alguns macrófagos, que estarão em quantidades aumentadas em alguns processos patológicos. A presença de linfócitos reativos indica a existência de processos infecciosos, neoplasias e doenças imunomediadas. Em alguns processos patológicos pode haver neutrófilos e eosinófilos, principalmente em casos de problemas infla- matórios e infecciosos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 118 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 118 28/07/2021 17:16:52 Líquido ruminal O líquido ruminal saudável possui microrganismos fermentadores, como bactérias, protozoários, fungos e micoplasmas. A relação entre os ruminantes e essa fl ora é simbiótica, pois os microrganismos fornecem, ao animal, ácidos graxos voláteis, proteínas e vitaminas, enquanto o animal fornece, à microbio- ta, substrato e ambiente ideais para o seu crescimento. A avaliação do líquido ruminal pode fornecer informações importantes sobre diferentes anomalias digestivas, que podem ser causadas por erros de dieta ou determinadas doenças. A coleta também pode ser utilizada para tra- tamentos, como a transferência de líquido ruminal de um animal saudável para outro doente. Para que a amostra seja representativa, a coleta deve ser de, pelo menos, 500 mL de líquido ruminal. Podem ser realizadas diferentes análises nessa amostra. A observação da coloração é a primeira delas, que poderá variar conforme o alimento ingerido pelo animal, conforme você pode ver no Quadro 9. Geralmente, a coloração varia de verde oliva a verde amarronzado ou mesmo acinzentado. Cor Possíveis causas Verde escura Dieta baseada em pasto ou feno de alta qualidade. Amarela acastanhada Dieta baseada em silagem ou alimento seco. Esbranquiçada ou acinzentada Dieta baseada em grãos ou concentrados. Verde enegrecido Estase ruminal (fl uxo digestivo parado). QUADRO 9. COLORAÇÃO DO LÍQUIDO RUMINAL CONFORME A ALIMENTAÇÃO DO ANIMAL OU PRESENÇA DE PATOLOGIAS Fonte: ZILIO et al., 2008, n. p. (Adaptado). A consistência é outro parâmetro analisado, sendo normalmente ligeira- mente viscosa. A espuma pode estar presente, porém se estiver em excesso é um indicativo de timpanismo primário ou indigestão vagal. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 119 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 119 28/07/2021 17:16:52 O odor do líquido ruminal geralmente é forte, mas não necessariamente desagradável. Alterações no odor podem indicar problemas, como putrefação de proteínas (odor de podre ou mofo), formação excessiva de ácido lático (odor intenso e desagradável) etc. Quando o líquido ruminal apresenta-se sem odor, é uma indicação de inatividade ruminal. Outra análise realizada é a determinação do pH do líquido ruminal. Para isso, geralmente utilizam-se fitas reativas, como as de urinálise. O pH normal do líquido ruminal varia de 6,2 a 7,2. Um pH alto (8,0 a 10,0) pode ocorrer em processos de putrefação de proteína ou se a amostra estiver contaminada com saliva (por esse motivo, durante a coleta, devem ser eliminados os primeiros 200 mL da amostra). Um pH baixo (4,0 a 5,0) ocorre quando há um excesso no consumo de grãos e acidose lática. Após essas primeiras análises, é realizado o teste de sedimentação e flutua- ção, que consiste em deixar uma porção da amostra em repouso e realizar a medição do tempo até ocorrerem a sedimentação e a flutuação (a porção mais pesada do líquido irá sedimentar e as porções mais leves irão flutuar). Normal- mente, esse tempo é de quatro a oito minutos. Depois é realizado o teste de atividade redutiva bacteriana, com a adição de 0,5 mL de azul de metileno (solução de 0,03%) em uma amostra de 10 mL do líquido ruminal. Depois disso, mede-se o tempo entre a adição do corante e a sua completa degradação na amostra. Essa degradação será realizada pelas bactérias presentes no líquido, portanto quanto maior o tempo, menor a quan- tidade de bactérias presentes. Normalmente, esse tempo varia de três a seis minutos. Em casos de indigestão, o tempo pode estar acima de oito minutos, e em casos de acidose aguda, pode estar acima de 30 minutos. Além dessas análises, pode ser realiza- da a observação sob microscópio. Coloca- -se uma gota do líquido sobre uma lâmina e cobre-se com uma lamínula. As principais estruturas a serem observadas são os proto- zoários, que podem ser, inclusive, contados. Na Figura 9, você pode ver um exemplo de protozoário observado em líquido ruminal: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 120 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 120 28/07/2021 17:16:52 Figura 9. Lâmina de líquido ruminal contendo um protozoário do gênero Entodinium. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 19/07/2021. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 121 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 121 28/07/2021 17:16:54 Sintetizando Nessa unidade, vimos que a urina pode fornecer muitas informações impor- tantes para o diagnóstico e tratamento de animais. Os rins são responsáveis, principalmente, pela filtração do sangue, com a eliminação de substâncias des- necessárias ao organismo. Em diferentes doenças, essa capacidade de forma- ção da urina pode estar comprometida, podendo ser detectada pela urinálise. Vimos que a urinálise pode ser dividida em três fases: o exame físico, o exa- me químico e o exame do sedimento urinário. No exame físico são analisados o volume, a cor, o odor, o aspecto e a densidade. No exame químico são feitas as análises do pH, proteínas, glicose, corpos cetônicos, bilirrubina, urobilinogênio e sangue oculto. No exame de sedimento urinário são observados os aspectos microscópicos do sedimento da urina, realizando a observação e contagem de células epiteliais, eritrócitos, leucócitos, bactérias, cilindros, cristais e outras estruturas. Os exames de citologia variam bastante. De modo geral, podem ser classi- ficados como citologia, qualquer análise de amostra que não seja sangue ou urina. Desde a análise de líquidos provenientes de derrames cavitários, a aná- lise do líquido cefalorraquidiano, análises de acúmulos de líquidos em geral (edemas, tumores etc.), até a análise do líquido ruminal. Nas análises de citologia podem ser realizados diferentes testes, como a de- terminação da presença de proteínas, da densidade e do pH do líquido. Porém a parte mais importante desse tipo de análise, é a observação do líquido sob o microscópio. Dependendo do tipo de líquido, poderá ser feito um esfregaço corado, ou a amostra poderá ser visualizada a fresco (com a utilização de uma lamínula sobre uma gota da amostra). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 122 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 122 28/07/2021 17:16:54 Referências bibliográficas FELDMAN, B. F.; ZINKL, J. G.; JAIN, C. N. Schalm’s veterinary hematology. 5. ed. Filadélfia: Lippincott Williams & Wilkins, 2000. KANEKO, J. J.; HARVEY, J. W.; BRUSS, M. L. Clinical biochemistry of domestic animals. 5. ed. São Diego: Academic Press, 1997. KERR, M. G. Veterinary laboratory medicine: clinical biochemistry and hemato- logy. 2. ed. Oxford: Blackwell Science, 2002. LOPES, S. T. A.; BIONDO, A. W.; SANTOS, A. P. Manual de patologia clínica ve- terinária. 3. ed. Santa Maria: UFSM/Departamento de Clínica de Pequenos Ani- mais, 2007. THRALL, M. A. et al. Hematologia e bioquímicaclínica veterinária. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. ZILIO, B. S. et al. Análise do líquido ruminal – revisão de literatura. Revista Cien- tífica Eletrônica de Medicina Veterinária, Garça, [s. v.], n. 11, [s. p.], 2008. Dis- ponível em: . Acesso em: 19 jul. 2021. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 123 SER_MV_PACLIV_UNID4.indd 123 28/07/2021 17:16:54tira, faixa ou elástico para diminuir ou interromper a circulação sanguínea; • Glicemia: quantidade ou nível de glicose no sangue; • Glicosúria: presença de glicose na urina; • Hematoma: acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia; PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 22 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 22 28/07/2021 16:38:51 • Hematúria: presença de sangue na urina; • Hemocultura: cultura de sangue através de técnicas laboratoriais; • Hemoglobina: pigmento dos glóbulos vermelhos, destinados ao transpor- te de oxigênio; • Hemólise: destruição dos glóbulos vermelhos do sangue; • Hemostasia: processo de equilíbrio no qual o sangue circula sem coagular; • Hidremia: excesso de água no sangue; • Hidruxia: urina excessiva e em grande quantidade; • Hiperglicemia: excesso de glicose no sangue; • Hipoglicemia: diminuição do nível de glicose no sangue; • Hipóxia: falta de oxigênio; • Intravenoso: associação ao interior de uma veia; dentro da veia; • Isquemia: insuficiência local de sangue; • Lipidemia: concentração de lipídios no sangue; • Melanúria: eliminação de urina escura; • Mucopurulento: que contém muco e pus; • Necrose: morte de um grupo de células, tecido ou órgão, geralmente devi- do à ausência de suprimento sanguíneo; • Oligúria: diminuição da frequência e volume urinários; • Polaciúria: eliminação urinária frequente com pequeno volume de micção; • Policitemia: aumento no número total de células sanguíneas; • Polidipsia: sede excessiva; • Poliúria: excessiva eliminação urinária; • Proteinemia: presença de proteínas no sangue; • Proteinúria: presença de proteínas na urina; • Trombolítico: que destrói ou dissolve coágulo intravascular; trombo; • Trombose: coagulação do sangue nos vasos sanguíneos do in- divíduo vivo; • Uricemia: quantidade de ácido úrico ou uratos no sangue; • Vasoconstrição: contração dos vasos com estreitamento do seu canal ou luz; • Vasodilatação: dilatação dos vasos san- guíneos. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 23 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 23 28/07/2021 16:38:51 Coleta e preparação de amostras Qualquer exame laboratorial começa pela coleta da amostra. Uma cole- ta feita de forma inadequada pode inviabilizar a sua análise. O ideal é que a amostra seja coletada no mesmo local onde será feito o exame. Entretanto, muitas vezes a realidade não permite isso. Portanto, é preciso saber como fazer a coleta da melhor forma possível e como arma- zenar a amostra para que se possa examiná-la em um segundo momento. Independentemente da amostra a ser coletada ou da análise a ser rea- lizada, alguns detalhes devem ser observados. O mais importante deles é a identificação da amostra. É preciso que todo frasco de amostras seja identificado com nome ou número de identificação do animal (a mesma identificação também deve estar na re- quisição do exame). A escrita deve ser clara e tal que não apague durante o acondicionamento da amostra, especialmente se ela for refrigerada. Sangue Na rotina da Patologia Clínica Veterinária, o sangue é o principal tipo de amos- tra utilizada e pode ser preparado para uma grande variedade de exames. De acordo com Lopes, Biondo e Santos (2007), o sangue é um tipo especiali- zado de tecido conjuntivo, composto por uma parte celular e uma parte líquida. A parte celular é composta pelos eritrócitos, leucócitos e plaquetas. A parte líquida do sangue é chamada de plasma. Cerca de 92% do plasma é composto por água. Nos outros 8% estão eletrólitos, proteínas, glicose, enzimas, coleste- rol e hormônios. Ainda segundo os autores mencionados anteriormente, o volume de san- gue no organismo varia em torno de 6% a 10% do peso corporal. É indicado que o volume coletado não ultrapasse 1% do volume total de sangue. Para animais de grande porte, isso não é um problema, mas se pensarmos em uma coleta de sangue em um canário de 20 g, por exemplo, pode haver uma limitação no número e tipos de análises que poderão ser realizadas de acordo com o volume de sangue coletado. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 24 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 24 28/07/2021 16:38:51 A alimentação pode influenciar o aspecto e a composição do plasma sanguí- neo, podendo causar alterações nas dosagens de algumas substâncias. Por isso, recomenda-se que seja realizado um jejum de 8 horas para a maioria dos exames (esse tempo de jejum pode ser maior dependendo da análise a ser realizada). Os locais de coleta sanguínea variam de acordo com a espécie. De forma geral, a veia jugular pode ser utilizada na maioria dos casos. A Tabela 3 mostra locais de coleta, levando em consideração a espécie. Espécie / Grupo Vasos utilizados para coleta Bovinos Veias jugular, caudal e mamária Equinos Veia jugular Suínos Veia cava cranial Cães Veias jugular, cefálica e safena Gatos Veias jugular, cefálica e safena Aves Veias jugular direita, alar, metatársica Répteis Veias jugular, caudal ventral, cardiocentese, seio venoso occipital TABELA 3. VASOS MAIS UTILIZADOS PARA COLETA SANGUÍNEA DE ACORDO COM A ESPÉCIE OU GRUPO DE ANIMAIS. Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007. (Adaptado). Durante a coleta, é preciso evitar ao máximo o estresse do animal causado pela contenção. O estresse agudo pode alterar alguns parâmetros sanguíneos. A antissepsia com álcool ou álcool iodado no local de coleta antes que a agulha seja introduzida é muito importante. Afinal, a presença de sujidades na agulha pode estimular a coagulação sanguínea. O ideal é que a área da coleta seja depilada, mas isso nem sempre é realizado na rotina clínica. Faz-se então o garrote (compressão do vaso a ser puncionado), que re- sulta em um aumento no volume de sangue presente na veia, facilitando a coleta. Após a coleta, mas antes de se retirar a agulha do vaso, o garrote deve ser solto. Caso contrário, podem ocorrer hematomas ou hemorragias no local. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 25 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 25 28/07/2021 16:38:51 Existem vários tamanhos de agulhas que podem ser utilizadas para coleta de sangue, como mostra a Figura 12. Figura 12. Alguns dos diferentes tamanhos de agulhas utilizadas para coleta sanguínea. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. (Adaptado). Também é importante escolher uma agulha de calibre adequado, levando em consideração a espécie e calibre do vaso, como mostra a Tabela 4. Espécie / Grupo Calibres de agulhas utilizados mais utilizados Cão 25x7 / 25x8 / 25x9 / 40x12 Gato 25x7 / 25x8 Bovino 40x12 / 40x16 Equino 40x12 / 40x16 Ovinos e Caprinos 40x10 / 40x12 / 40x16 Suínos 40x12 / 40x16 Aves 13x3,8 / 13x4,5 / 25x5,5 / 20x6 / 25x7 / 25x8 / 40x12 Répteis 13x3,8 / 13x4,5 / 25x5,5 / 20x6 / 25x7 / 25x8 / 40x12 TABELA 4. CALIBRES DE AGULHAS RECOMENTADOS PARA CADA ESPÉCIE Fonte: LOPES; BIONDO; SANTOS, 2007. (Adaptado). 25x12 (25 x 1,20mm) 25x8 (25 x 0,8mm) 25x7 (25 x 0,7mm) 20x6 (20 x 0,6mm) 20x5,5 (20 x 0,55mm) 13x4,5 (13 x 0,45mm) 13x3,8 (13 x 0,38mm) PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 26 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 26 28/07/2021 16:38:52 Ao transferir o sangue da seringa para o tubo após a coleta, é preciso retirar a agulha e realizar a transferência de forma lenta, de modo a evitar a hemólise (rompimento das células sanguíneas). Existem basicamente três tipos de amostras que podemos obter a partir de uma coleta sanguínea. 1. Sangue total: utiliza-se este tipo para a realização do hemograma. Como fora do organismo o sangue sofre coagulação em poucos minutos, é preciso utilizar anticoagulantes para se obter uma amostra de sangue total. 2. Plasma: ao utilizar um anticoagulante em uma amostra, obtém-se o plas- ma sanguíneo. Com o plasma, é possível realizar diversas análises, sendo a principal a medição das Proteínas Plasmáticas Totais (PPT). Para utilizar o plas- ma em um exame é preciso separar a parte celular do sangue da parte líqui- da. Para isso, faz-se a centrifugação, que promove a sedimentação das células sanguíneas e a separação do plasma. Os principaistipos de anticoagulante uti- lizados para obter amostras de sangue total e de plasma são: o EDTA (Etileno Diamino Tetra Acetato de sódio ou de potássio); o Fluoreto de Sódio; a Heparina e o Citrato de Sódio. Para diferenciar o tipo de tubo de coleta com cada tipo de anticoagulante, utilizam-se diferentes cores nas tampas dos tubos, como se pode ver na Figura 13; a. EDTA: o mais utilizado na rotina, principalmente em mamíferos, pois não causa alterações na morfologia celular. A diluição é realizada a 10% e deve ser utilizado 0,1 mL de EDTA para 5 mL de sangue, de acordo com Lopes, Biondo e Santos (2007). Tubos com EDTA têm tampas da cor lilás; b. Fluoreto de sódio: utilizado especificamente para a dosagem da glico- se sanguínea no plasma pois impede que ocorra a glicólise nos eritrócitos. De acordo com Lopes, Biondo e Santos (2007), utiliza-se 1 gota de Fluoreto de só- dio para cada 3 mL de sangue. O tubo tem tampa na cor cinza; c. Heparina: mais utilizada para coleta em aves e répteis. Lopes, Biondo e Santos (2007) apontam que a diluição é de 0,1 mL de solução a 1% para 5 mL de sangue. O tubo de heparina tem tampa na cor verde; e d. Citrato de sódio: utilizado principalmente em provas de coagulação (tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial ativada). A utilização é de 0,5 mL para 4,5 mL de sangue, conforme Lopes, Biondo e Santos (2007). O tubo tem tampa na cor azul. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 27 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 27 28/07/2021 16:38:53 3. Soro: para obter o soro, a coleta é feita em tubos sem anticoagulan- te. Nesse caso, o sangue irá coagular e a parte líquida será o soro, que será utilizado para análises bioquímicas. Os tubos para coleta de soro podem ser totalmente vazios com tampas na cor vermelha (em que o sangue irá coagular e o soro poderá ser separado após a coagulação) ou podem conter um gel se- parador (nesse caso, após a coagulação, o tubo deverá ser centrifugado e o gel ficará entre a parte celular e o soro, facilitando a separação). EXPLICANDO Há uma diferença entre o plasma e o soro: no caso do plasma, como não ocorre a coagulação (pois há o anticoagulante), ainda estão presentes o fibrinogênio e os fatores de coagulação. No soro, tanto o fibrinogênio quanto os fatores de coagulação são consumidos quando o sangue coagula. Muitas análises bioquímicas podem ser feitas com a utilização do plasma, mas, por uma questão de praticidade, a maioria dos laboratórios utiliza o soro para essas análises. Tubo de EDTA Tubo para Soro com Gel Tubo para Soro sem Gel Tubo de Citrato de Sódio Tubo de Fluoreto de Sódio Tubo de Heparina Figura 13. Tipos de tubos para amostras sanguíneas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/05/2021. (Adaptado). OBJETOS DE APRENDIZAGEM Clique aqui PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 28 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 28 28/07/2021 16:38:54 Sangue total COM ANTICOAGULANTE SEM ANTICOAGULANTE Plasma Soro Figura 14. Tipos de amostras sanguíneas. (Adaptado). As amostras precisam ser devidamente acondicionadas até que possam ser analisadas. Amostras de sangue total devem ser analisadas em até uma hora. Caso não haja essa possibilidade, o tubo deve ser refrigerado por até 24 horas. Amostras de sangue total não devem ser congeladas pois o congelamento cau- sa lise celular. Já as amostras de plasma e de soro a serem utilizadas para análises bioquí- micas devem ser centrifugadas e separadas o quanto antes, para que não ocorra consumo de substâncias presentes no sangue pelas células sanguíneas, o que ocorre especialmente com a glicose. Após a separação, o soro é transferido para tubos do tipo Eppendorf para, então, ser analisado. Essa análise deve ocorrer ra- pidamente. Caso contrário, o soro deve ser refrigerado de 24 a 48 horas. O soro pode ser congelado caso a análise não possa ser feita dentro de 48 horas, po- dendo ser armazenado a -70° C caso haja a necessidade de um armazenamento a longo prazo (o que ocorre muito em casos de pesquisas científicas). Antes de realizar qualquer análise, é preciso homogeneizar o tubo, espe- cialmente tubos de sangue total. Porém, caso o tubo tenha sido refrigerado, é necessário aguardar que ele chegue à temperatura ambiente antes de realizar a homogeneização. Caso contrário, poderá ocorrer a hemólise. Faz-se a homo- geneização do tubo com movimentos suaves (para evitar a hemólise) até que as partes líquida e celular do sangue se misturem. Veja um resumo das amostras obtidas através do sangue na Figura 14. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 29 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 29 28/07/2021 16:38:54 Para realizar o Hemograma, além da amostra coletada em tubo com anti- coagulante, é essencial que se faça um esfregaço sanguíneo em lâmina para a contagem diferencial de leucócitos e observação da morfologia das células em microscópio. O ideal é realizar o esfregaço sanguíneo no momento da coleta, com a amostra retirada diretamente da seringa, sem o anticoagulante, uma vez que ele pode alterar a morfologia ou coloração das células. Após a secagem do sangue sobre a lâmina, é feita a fixação e coloração do esfregaço. Para isso, na rotina, utiliza-se o sistema chamado Panótico Rápido, um kit de três líquidos: o primeiro é um fixador; o segundo é um corante ácido (cora de rosa os componentes básicos das células); e o ter- ceiro é um corante básico (cora de roxo os componentes ácidos das célu- las). Também podem ser utilizadas outras técnicas de coloração, como May-Grunwald-Giemsa ou Wright. Para realizar a pesquisa de hemoparasitas, deve-se fazer um pequeno corte na ponta da ore- lha e, com a gota formada, realizar um esfregaço sanguíneo. Isso é feito para analisar o sangue periférico, onde é mais provável a visualização dos hemoparasitas. Urina Assim como as análises de hemograma e bioquímica sanguínea, a urinálise é um dos exames laboratoriais mais frequentes na rotina clínica, e pode fornecer informa- ções importantes sobre o estado geral e metabolismo do animal. A coleta da urina pode ser feita por: micção natural, cateterismo vesical ou cis- tocentese. Recomenda-se a coleta da primeira urina da manhã, pois a ingestão de água durante o dia pode diluir algumas substâncias a serem analisadas. A coleta por micção natural se dá colocando a urina em um coletor universal estéril no momento da micção. Esse método de coleta é utilizado principalmente em grandes animais, sendo possível estimular a micção através de uma leve massagem na região perige- nital. É importante higienizar a região antes da coleta. A porção inicial da urina deve ser desprezada pois pode conter bactérias e restos celulares que podem interferir na análise. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 30 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 30 28/07/2021 16:38:54 De acordo com Lopes, Biondo e Santos (2007), a coleta por meio de cateterismo vesical é realizada através de sondas, que devem ser adequadas para a espécie, sexo e tamanho do animal. Esse tipo de coleta é bastante útil quando há a necessida- de de uma coleta rápida, por exemplo. Porém, é preciso evitar a contaminação da amostra e o trauma da uretra. CURIOSIDADE A coleta por cateterismo vesical é bastante utilizada em animais de pe- queno porte, mas também pode ser realizada em fêmeas de espécies de grande porte. A cistocentese é a forma de coleta mais indicada para animais de pequeno porte, principalmente quando há a necessidade de cultura bacteriana da urina. Porém, tal método só é possível quando há volume sufi ciente de urina na bexiga. Deve-se realizar a punção da bexiga com uma agulha de calibre 25x7 ou 30x8 e, pre- ferencialmente, utilizar ultrassom para identifi car o local correto da punção. Sempre deve-se especifi car o método de coleta na guia de requisição do exame. O volume de urina a ser coletado em todos os casos é de, pelo menos, 10 mL. Caso não se analise a amostra logo após a coleta, ela deve ser man- tida sob refrigeração por até 12 horas.Em temperatura ambiente, podem ocorrer alterações nas substâncias presentes na urina depois de 2 horas. Caso seja refrigerada, é preciso aguardar que a amostra atinja a tempera- tura ambiente antes da análise. Outros materiais Além das análises sanguíneas e de urina, a Patologia Clínica Veterinária também abrange exames de citologia (qualquer exame realizado para detecção ou identifi - cação de células em uma amostra), como: análise de derrames cavitários; líquido cefalorraquidiano; líquido ruminal; medula óssea; etc. Um dos principais exames realizados na citologia é a análise de derrames cavi- tários, que podem ser torácicos ou abdominais. Esses derrames não são normais e podem ocorrer por diversos fatores patológicos. Coleta-se líquidos provenientes de derrames cavitários através da abdomino- centese ou toracocentese (dependendo do local em que o líquido está acumulado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 31 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 31 28/07/2021 16:38:54 Com esses métodos, é possível diagnosticar vários tipos de alterações de líquidos cavitários, que podem ter origem traumática, infecciosa, inflamatória, etc. Para a abdominocentese em pequenos animais, o local de coleta é de 2 cm a 3 cm caudalmente ao umbigo; porém, só é possível realizar a coleta facilmente quan- do há quantidades maiores de líquido no abdome (a partir de 5 mL). Com o animal em decúbito dorsal, utiliza-se anestesia local para realizar uma pequena incisão e in- troduzir um cateter especial (introduzido em direção caudal), acoplado a uma serin- ga de 20 mL. Caso não se obtenha nenhum líquido, é possível realizar uma lavagem abdominal, introduzindo 22 mL/kg de solução fisiológica estéril no abdome. O ani- mal pode ser movimentado para os lados, para que ocorra a dispersão do líquido e, em seguida, o líquido é coletado (não é necessário coletar todo o líquido infundido). Em bovinos, a abdominocentese dificilmente trará algum líquido inflamatório pois, no caso desses animais, casos de peritonite costumam ser localizados. Já em equinos, casos de peritonite tendem a ser difusos; porém, a presença de fibrina pode dificultar a coleta de grandes volumes de líquido. O local de coleta nesses ani- mais deve ser definido de acordo com o exame clínico. A toracocentese segue os mesmos princípios. O local de coleta pode ser deter- minado por radiografia, ultrassonografia ou por percussão, para que se determine onde há mais presença de líquido. Normalmente, é realizado no nível das articula- ções condrocostais, na região do sétimo ao nono espaço intercostal. É interessante que o líquido coletado seja acondicionado em tubos com anticoa- gulante (EDTA), no caso da análise citológica, e sem anticoagulante, para a avaliação das características físicas e químicas e da coagulabilidade da amostra. Também é possível realizar culturas bacterianas e antibiograma. Por isso, todos os materiais utilizados durante a coleta devem ser estéreis. Caso o aspecto do líquido coletado seja turvo, também se indica um esfregaço no momento da coleta. Indica-se a análise do líquido cefalorraquidiano quando se suspeita de proble- mas relacionados ao Sistema Nervoso Central (SNC). Para coleta, é necessário que o animal esteja anestesiado. As regiões de coleta podem ser a região suboccipital (cisterna magna) ou a região lombossacra (entre L5 e L6 ou entre L6 e L7). A punção é feita no espaço intervertebral, sendo que a agulha atinge o espaço dural, e o líqui- do flui pela agulha e deve ser acondicionado em 3 frascos diferentes (preferencial- mente, um deles deve ser sem anticoagulante), para se evitar a contaminação com sangue. O volume de líquido coletado deve ser de cerca de 1 mL para cada 5 kg e a PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 32 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 32 28/07/2021 16:38:54 amostra deve ser analisada em, no máximo, 30 minutos após a coleta. A coleta de líquido cefalorraquidiano envolve muitos riscos e, por isso, deve ser realizada so- mente por profissionais treinados. A coleta do líquido ruminal é feita através da sonda esofágica de 2 a 3 metros, utilizando uma bomba de via dupla. O volume a ser coletado é de até 500 mL. O líquido deve ser analisado em até 8 horas depois da coleta. Caso não seja possível, a amostra pode ser refrigerada por até 24 horas. Como a alimentação pode ter in- fluência direta sobre os parâmetros analisados, o ideal é que a coleta seja feita de 3 a 5 horas após a alimentação. O exame da medula óssea é importante em casos de suspeita de problemas na hematopoiese, que podem ser causados por diversos fatores. Em animais adultos, a medula óssea vermelha (aquela que é ativa na produção de células sanguíneas) está presente nos ossos chatos (costelas, ossos da pelve e ossos da cabeça), em ossos menores (como nas vértebras) e nas extremidades dos ossos longos. A crista ilíaca é o local de coleta mais utilizado, tanto em pequenos como em grandes animais. Introduz-se uma agulha especialmente desenvolvida para esse fim, acoplada a uma seringa de 20 mL com EDTA a 3%. Faz-se então a aspiração de 0,5 a 1 mL de medula óssea, o que já é suficiente para as análises necessárias. Após a coleta, o indicado é realizar cinco lâminas de esfregaço imediatamente. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 33 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 33 28/07/2021 16:38:54 Sintetizando Como vimos, a Patologia Clínica é uma disciplina essencial na rotina clínica veterinária, pois pode fornecer informações importantes sobre o estado de saúde dos animais e ajudar tanto no diagnóstico quanto no prognóstico de diversas doenças. A realização de qualquer exame laboratorial começa pela coleta adequa- da de amostras. Uma amostra coletada ou armazenada de forma incorreta pode inviabilizar o exame ou fornecer resultados que podem ser erronea- mente interpretados. A coleta, armazenamento e transporte de amostras de sangue devem ser feitos de forma cuidadosa, de modo a evitar a hemólise. Com a coleta de sangue, podemos obter três tipos de materiais para análise: o sangue total (armazena- do em tubos com anticoagulante); o plasma (obtido a partir da centrifugação de amostras de sangue total); e o soro (coletado e armazenado em tubos sem anticoagulante). Pode-se coletar urina através de três métodos: micção natural, mais utilizada em grandes animais; cateterismo vesical, realizado através de sonda e utilizado em pequenos animais e em fêmeas de animais de grande porte; e cistocentese, nome dado para a punção da bexiga urinária realizada com agulha, ideal para exames de cultura bacteriana. Os exames de citologia também são importantes na rotina clínica e servem para detectar ou identificar células em diferentes tipos de amostras. A coleta para esse tipo de exame geralmente é feita por punção e obtenção do líquido a ser analisado. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 34 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 34 28/07/2021 16:38:54 Referências bibliográficas JAIN, N. C.; FELDMAN, B. F.; ZINKL, J. G. Schalm’s veterinary hematology. 5. ed. Filadéfia: Lea & Febiger, 2000. KANEKO, J.J.; HARVEY, J.; BRUSS, M. L. Clinical biochemistry of domestic ani- mals. 6. ed. San Diego: Academic Press, 2008. KERR, M. G. Veterinary laboratory medicine: clinical biochemistry and hemato- logy. 2. ed. Oxford: Blackwell Science, 2002. LOPES, S.; BIONDO, A.; SANTOS, A. Manual de patologia clínica veterinária. 3. ed. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria / Departamento de clínica de pequenos animais, 2007. Disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2021. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 35 SER_MV_PACLIV_UNID1.indd 35 28/07/2021 16:38:54 HEMOGRAMA E MIELOGRAMA 2 UNIDADE SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 36 28/07/2021 16:49:20 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Conhecer o eritrograma; Conhecer o leucograma; Apresentar a hematopoiese; Aprendersobre a realização do mielograma e sua avaliação. Hemograma Eritrograma Leucograma Mielograma Hematopoiese Técnica para o mielograma PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 37 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 37 28/07/2021 16:49:20 Hemograma O hemograma nada mais é do que o exame das porções celulares do san- gue. Nele são examinados, por meio de diferentes técnicas, os aspectos quantitativos e qualitativos dos eritró- citos (células vermelhas) e dos leucóci- tos (células brancas). Os eritrócitos são responsáveis pelo transporte do oxigênio e do dióxido de carbono pelo sangue. Em casos de redução no número de eritrócitos cir- culantes (anemia), esse transporte poderá ser comprometido. Em relação aos leucócitos, sua principal função é a defesa do organismo. Existem cinco tipos de leucócitos e cada um age por diferentes vias para manter as defesas celula- res do organismo. Para a realização do hemograma, utiliza-se amostras de sangue total (co- letado com anticoagulantes). O exame dos eritrócitos pode ser chamado de eritrograma, e o dos leucócitos de leucograma, como veremos a seguir. Eritrograma A principal função dos eritrócitos é transportar oxigênio através da hemo- globina, uma proteína que faz parte dos seus componentes. O oxigênio é es- sencial para os processos bioquímicos das células de todos os tecidos do orga- nismo, e é função dos eritrócitos levá-lo a cada um desses tecidos. A membrana dos eritrócitos é bastante permeável e fl exível, sendo compos- ta por lipídios, proteínas e carboidratos. As proteínas presentes na membrana fazem parte do citoesqueleto, que contribui para o formato e para a integrida- de do eritrócito. Os eritrócitos de mamíferos não possuem núcleo e, geralmente, apresen- tam uma morfologia de disco bicôncavo (exceto nos camelídeos, em que são ovoides). Já em aves, répteis, anfíbios e peixes, os eritrócitos têm núcleo e apre- sentam uma morfologia lentiforme. Essa variação de morfologia entre as dife- rentes espécies pode ser observada na Figura 1: PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 38 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 38 28/07/2021 16:49:20 Mamífero Ave Réptil Anfíbio Peixe Figura 1. Morfologia dos eritrócitos em diferentes espécies. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). No microscópio, a característica bicôncava dos eritrócitos de mamíferos causa um aspecto mais claro no centro em comparação com a periferia das células, e isso é observado principalmente na espécie canina. Em animais que possuem eritrócitos menores (como em felinos, equinos, bovinos, ovi- nos e caprinos) esse aspecto não é tão evidente. Em relação às técnicas laboratoriais realizadas no eritrograma, temos: • Hematócrito e dosagem das proteínas plasmáticas totais; • Dosagem da hemoglobina; • Contagem de eritrócitos; • Cálculo dos índices hematimétricos; • Leitura do esfregaço sanguíneo. Esses exames que compõem o eritrograma (com exceção da leitura do esfregaço sanguíneo) podem ser realizados por meio de equipa- mentos automáticos, em que a amostra é inserida e, em poucos minutos, o equipamento fornece os resultados. Porém é importante que você conheça como são realizadas es- sas técnicas manualmente, também. Vamos ver cada uma delas a seguir. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 39 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 39 28/07/2021 16:49:22 O hematócrito (também chamado de volume globular) é a medição da por- centagem de eritrócitos presente no sangue. Alguns equipamentos podem for- necer esse valor automaticamente, porém, na rotina, esse teste é realizado de maneira manual, através dos seguintes passos: • Homogeneização do tubo com a amostra de sangue total; • Colocar o microtubo (também chamado de tubo capilar) na amostra, dei- xando que o sangue preencha cerca de 2/3 do tubo (esse processo acontece por capilaridade); • Fechar uma das extremidades do microtubo (esse fechamento pode ser fei- to com fogo ou com uma massa especial); • Centrifugar o microtubo na micro centrífuga a 1200 rpm, por cinco minutos; • Fazer a leitura do hematócrito com auxílio da tabela de microhematócrito. Após a centrifugação, ocorrerá a separação entre os eritrócitos, os leucócitos e as plaquetas e o plasma sanguíneo, como você pode ver na Figura 2. O resulta- do do hematócrito pode nos fornecer informações importantes sobre o estado geral do animal, como a presença de anemia (diminuição do número de eritróci- tos) ou policitemia (aumento no número de células sanguíneas). Sangue normal Policitemia Anemia Plasma - Água - Proteínas - Glicose - Hormônios ... Capa leucocitária - Leucócitos e plaquetas Hematócrito - Eritrócitos Figura 2. Componentes do sangue que podem ser evidenciados no hematócrito. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 40 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 40 28/07/2021 16:49:23 Para realização da leitura, alinha-se a linha de baixo da tabela de leitura com o nível inferior do sangue no tubo, e a linha superior da tabela com o ní- vel superior do plasma. A linha em que o nível de células vermelhas termina é o número do hematócrito. O resultado é expresso em porcentagem (%). Níveis de hematócrito abaixo do normal indicam uma situação de anemia. Se estiver acima do normal, pode indicar policitemia, mas também pode in- dicar desidratação, que causa um aumento relativo do número de células no sangue. O hematócrito sempre deve ser interpretado em conjunto com ou- tros exames. DICA Para diferenciar uma policitemia verdadeira de uma desidratação, pode- mos utilizar os valores de proteína plasmática total, por exemplo. Se esses valores estiverem elevados, isso indica que o animal apresenta um quadro de desidratação. E se estiverem no nível normal, possivelmente é um quadro de policitemia, que deverá ser investigado. Além de fornecer informações so- bre a quantidade de células verme- lhas presentes no sangue, o hemató- crito também pode evidenciar outros problemas, especialmente com a análise da coloração do plasma. Nor- malmente, o plasma tem uma cor límpida e translúcida (em herbívoros, ele pode ser levemente amarelado devido à alimentação). Uma colora- ção amarelada (plasma ictérico) pode indicar problemas hepáticos; uma cor esbranquiçada (plasma lipêmico) pode indicar falta de jejum antes da coleta, ou problemas como diabetes, hipotireoidismo etc.; já uma cor aver- melhada (plasma hemoglobinêmico) pode ser um artefato (por hemólise durante ou depois da coleta) ou pode indicar uma anemia hemolítica (por problemas autoimunes, intoxicação ou por hemoparasitas, por exemplo). PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 41 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 41 28/07/2021 16:49:24 Com o plasma presente no micro- tubo após a realização do hematócri- to, pode ser realizada a dosagem das proteínas plasmáticas totais (PPT) e do fibrinogênio plasmático. Para o teste de PPT, quebra-se o microtubo na por- ção em que está o plasma e coloca-se o líquido em um refratômetro. Para a dosagem do fibrinogênio, coloca-se o microtubo em banho-maria a 57 °C e realiza-se nova centrifugação. Depois disso, faz-se a leitura em refratômetro. O calor precipita o fibrinogênio, então, o valor da leitura das PPT é reduzido do valor obtido e, após o aquecimento, será o valor do fibrinogênio plasmático. A dosagem da hemoglobina é uma parte essencial do eritrograma. A hemo- globina é uma proteína conjugada ao ferro, capaz de se ligar ao O2 e ao CO2 para realizar o transporte desses gases no sangue. A hemoglobina está presente no interior dos eritrócitos. Existem diversas técnicas para realizar a dosagem da hemoglobina. Geral- mente essa dosagem é realizada de forma automatizada, podendo ser feita, inclusive, por meio de aparelhos portáteis. O método semiautomático mais usado para determinar a concentração de hemoglobina é a técnica da ciano- metahemoglobina, em que um reagente com cianeto de potássio e ferrociane- to de potássio (reagentede Drabkin) é adicionado à amostra e, posteriormente, a leitura é realizada em um fotocolorímetro ou espectrofotômetro. O resultado da hemoglobina é expresso em g/dL. A hemoglobina geralmente está abaixo do normal em casos de anemia (quando também há redução no número total de eritrócitos no sangue), e em alguns casos (por exemplo, na deficiência de ferro) a anemia é causada justa- mente pela baixa produção da hemoglobina. A contagem de eritrócitos é mais um exame presente no eritrograma e pode ser realizado de forma automática (por equipamentos) ou de forma manual. A contagem manual é realizada por meio de um hemocitômetro (ou câmara de Neubauer) e apesar de poderem ocorrer erros de contagem, essa técnica é bastante utilizada na veterinária. PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 42 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 42 28/07/2021 16:49:24 Hemocitômetro Área de contagem de eritrócitos Área de contagem de leucócitos Figura 3. Áreas presentes na câmara de Neubauer (hemocitômetro). Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. (Adaptado). A contagem dos eritrócitos deve ser realizada nos cinco quadrantes do cen- tro. Após a contagem, o número obtido é multiplicado por 10.000, sendo que o resultado será expresso em milhões de eritrócitos/μL. Depois de obter os resultados dos exames realizados até agora, são realiza- dos os cálculos dos índices hematimétricos, volume corpuscular médio (VCM) e a concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM), que são calculados pelas fórmulas: VCM = Hematócrito ∙ 10 Eritrócitos CHCM = Hematócrito Hemoglobina ∙ 100 Para realizá-la, é preciso realizar uma pequena diluição da amostra de san- gue em solução fisiológica (0,9% NaCl), também podem ser utilizadas soluções corantes que facilitam a visualização. A diluição é na proporção 1:201, feita com 4 ml de solução fisiológica para 20 µL de sangue. Após a diluição é feito o preen- chimento da câmara de Neubauer com a amostra diluída. Esse preenchimento ocorre por capilaridade, entre a câmara e uma lamínula. A contagem será realizada sob o microscópio, sendo que a câmara de Neubauer possui várias subdivisões para guiar a contagem, como mostra a Figura 3: Com o VCM podemos analisar o tamanho dos eritrócitos, que podem ser classificados como normocíticos (tamanho normal), macrocíticos (tamanho PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 43 SER_MV_PACLIV_UNID2.indd 43 28/07/2021 16:49:25 VCM CHCM Possíveis causas Macrocítica Hipocrômica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Macrocítica Normocrômica Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B12, ácido fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Microcítica Hipocrômica Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Normocítica Normocrômica Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. QUADRO 1. CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS COM BASE NOS ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS MacrocíticaMacrocíticaMacrocíticaMacrocítica Hipocrômica Macrocítica Hipocrômica Macrocítica Hipocrômica Macrocítica HipocrômicaHipocrômica Normocrômica Microcítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também Normocrômica Microcítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também Normocrômica Microcítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em Normocrômica Normocítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Hipocrômica Normocítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na Hipocrômica Normocítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos Hipocrômica Normocítica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos Hipocrômica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à Normocrômica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a Normocrômica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal).Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Normocrômica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Normocrômica Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Normocrômica Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. Perda aguda de sangue ou hemólise aguda. O grau de macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também pode ser causada por doenças infl amatórias, que podem inibir a eritropoiese, reduzir o ferro ou encurtar a vida dos eritrócitos. Defi ciências nutricionais (piridoxina, cobre etc.) ou intoxicações (chumbo, por exemplo) também podem causar esse tipo de anemia. Causada pela depressão da eritropoiese em doenças crônicas como infecções, doença renal crônica, neoplasias, hipoplasia ou aplasia da medula óssea e algumas desordens endócrinas. A resposta da medula óssea é ausente ou insignifi cante. macrocitose e hipocromia depende da severidade da anemia e da resposta da medula óssea. Os eritrócitos imaturos (também chamados de reticulócitos) liberados pela medula óssea em resposta à anemia aumentam o VCM e reduzem o CHCM. Algumas defi ciências nutricionais (vitamina B fólico, cobalto em bovinos etc.) que causam alterações na eritropoiese, fazendo a medula óssea liberar eritrócitos megaloblásticos (muito maiores que o normal). Tipicamente causada por defi ciência de ferro, que leva à defi ciência na produção da hemoglobina. Também