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Trabalho temporário x terceirização TRABALHO TEMPORÁRIO TRABALHO TEMPORÁRIO é prestado por pessoa física, contratada por empresa de trabalho temporário (agência), que coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços ou cliente, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. Lei 6.019/1974, alterada pela Lei 13.429/17 Regulamento do Trabalho temporário – Decreto 10.060/2019 PRAZO: 180 dias consecutivos ou não, prorrogável por até 90 dias, consecutivos ou não. OBS: Se nova contratação ocorrer antes de 90 dias, caracteriza vínculo de emprego. CARACTERÍSTICAS TRABALHO TEMPORÁRIO Aumento temporário de demanda ou produção, como em datas de maior demanda (carnaval, páscoa, dia das mães, dos pais, das crianças) para o comércio ou período de final de ano (natal ou ano novo). Necessidade de substituir funcionários por pouco tempo, como pode ocorrer em períodos entre a saída de um funcionário e a contratação de outro, ou durante o afastamento de funcionários, seja por problemas de saúde ou licença. OBS: É proibida por Lei, a contratação de trabalho temporário para substituir trabalhadores em greve. Equiparação salarial: os trabalhadores contratados sob esse regime possuem os mesmos direitos garantidos pela CLT aos funcionários da empresa, inclusive carteira assinada, a diferença é que esses trabalhadores estão vinculados a uma empresa prestadora de serviços, e o contrato com a empresa final é assinado entre empresas. AGÊNCIAS Agências de mão de obra de trabalho temporário são registradas no Ministério da Economia. Responsáveis por selecionar e fornecer empregados a um tomador de serviços que precisa contratar alguém por um período curto. Contrato civil de prestação de serviços entre agência e empresa, com regras estabelecidas nos artigos 9º, da Lei 6.019/74 e art. 32 do Decreto 10.060/19. Compete à agência remunerar e assistir os trabalhadores temporários em relação a seus direitos (anotação da CTPS, recolhimento de contribuição previdenciária, FGTS, horas extras, no máximo de duas por dia, remuneradas com acréscimo de no mínimo 50%, adicional noturno, no mínimo 20% da remuneração, e descanso semanal remunerado). TRABALHO TEMPORÁRIO OBS: Não existe vínculo empregatício com a tomadora do serviço, mas esta estenderá ao trabalhador temporário, o mesmo salário e atendimento médico, ambulatorial e de refeição, destinado aos seus empregados. Também é obrigação da tomadora, garantir as condições de segurança, higiene e salubridade do local de trabalho. Além disso, exerce o poder técnico, disciplinar e diretivo sobre os trabalhadores temporários colocados à sua disposição. OBS: Diferentemente da Terceirização, a empresa tomadora de trabalho temporário exerce poder diretivo sobre o empregado, mas, apesar disso, não há vínculo empregatício entre ambos. OBS: O trabalhador temporário não tem direito a indenização de 40% sobre o FGTS, a aviso prévio, a seguro desemprego e a estabilidade provisória (gestante). TERCEIRIZAÇÃO Terceirização de serviços é uma modalidade de contratação que visa atender demandas de trabalho de empresas, instituições ou condomínios, para execução de qualquer atividade, por tempo indeterminado. Essa modalidade é regulamentada pela Lei da Terceirização (Lei 13.429/2017). Segundo a legislação, a terceirização consiste em: (…) transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução (alteração do artigo 4º-A da Lei 6.019/74). Portanto, por meio dessa modalidade de trabalho, as empresas podem terceirizar tanto suas atividades-meio (atividades de suporte à finalidade principal da empresa) quanto suas atividades-fim (o foco principal do negócio). TERCEIRIZAÇÃO CONCEITO: Terceirização é a contratação de serviços por meio de empresa intermediária (interposta) entre o tomador de serviços e a mão de obra, mediante contrato de prestação de serviços. A relação de emprego se faz entre o trabalhador e a empresa prestadora de serviços, e não diretamente com o contratante (tomador) destes. OBS: Qualquer que seja o ramo da empresa tomadora de serviços, NÃO EXISTE VÍNCULO de emprego entre ela e os trabalhadores contratados pelas empresas terceirizadas, nos termos do §2º, do art. 4º, da Lei 6.019/74, alterada pela Lei 13.429/17, art. 4º A, §2º. A prestadora de serviço (terceirizada) contrata, remunera e dirige o trabalho. TERCEIRIZAÇÃO OBS: FISCALIZAÇÃO DA TOMADORA – verificação mensal da documentação das empresas TERCEIRIZADAS PAGAMENTO VERBAS TRABALHISTAS AOS EMPREGADOS TERCEIRIZADOS = ÔNUS TRABALHISTA NA ATIVIDADE TERCEIRIZADA OBS: A CONTRATANTE (TOMADORA DO SERVIÇO), É SEMPRE RESPONSÁVEL SUBSIDIARIAMENTE PELO PAGAMENTO DAS VERBAS TRABALHISTAS AO EMPREGADO DO TERCEIRO. Caso a empresa intermediária (PRESTADORA DOS SERVIÇOS) NÃO cumpra suas obrigações com o empregado, este poderá pleitear em juízo (JUSTIÇA DO TRABALHO), os direitos não pagos pelos serviços, à empresa contratada (INTERMEDIÁRIA) e contratante (TOMADORA DOS SERVIÇOS) OBS: Trabalhador demitido não pode prestar serviços à mesma tomadora antes de 18 meses. Diferenças trabalho temporário e terceirização Enquanto um trabalhador temporário responde para a empresa contratante e tem contrato vigente por 180 dias, o trabalhador terceirizado responde a uma empresa que presta serviços a outra empresa, e pode ou não haver um tempo pré-determinado de contratação. A terceirização de mão de obra consiste na contratação de atividades específicas, independentemente do trabalhador que executa o serviço. A empresa terceirizada atua como uma fornecedora de mão de obra, designando seus funcionários a outras empresas, para prestar um determinado serviço. Neste caso, a empresa contratada, e não a contratante, é responsável por remunerar e dirigir seus funcionários, sem qualquer subordinação à empresa contratante (tomadora). Diferenças trabalho temporário e terceirização Na terceirização, a empresa prestadora de serviços é a responsável, ela deve possuir meios e materiais próprios para a realização das atividades. Da mesma forma, é essa empresa quem deve fornecer Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), bem como outros equipamentos, além de controlar ponto e jornada de trabalho. O trabalhador terceirizado é contratado de acordo com as regras vigentes na CLT, com um contrato sem limite temporal. O tempo de serviço para a empresa contratante é irrelevante para esta relação de trabalho. A empresa contratada deve ser especializada no serviço oferecido, bem como possuir toda a documentação legal de seus colaboradores e os referidos contratos de prestação de serviços. DIFERENÇAS Terceirização Trabalho temporário Duração máxima do contrato Sem prazo máximo. Acompanha a duração do contrato firmado entre a tomadora e a prestadora dos serviços Prazo máximo de 6 meses Vínculo empregatício O funcionário possui vínculo e está subordinado à empresa terceirizada. Uma ETT (Empresa de Trabalho Temporário) intermedia o vínculo entre o funcionário e a empresa contratante. O funcionário é vinculado legalmente à empresa prestadora. Especialização O funcionário é habilitado para exercer uma função específica (como vigilante, zelador, limpeza) Funcionários menos especialistas e mais generalistas, podendo atender a diferentes necessidades. Motivo da contratação Simplificar a estrutura funcional, especializar a mão de obra e reduzir custos Em geral, para cobrir demandas pontuais e passageiras Responsabilidade por direitos trabalhistas Responsabilidade da empresa terceirizada (pode haver responsabilização subsidiária) Responsabilidade da ETT (pode haver responsabilização subsidiária) JURISPRUDÊNCIA CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. FRAUDE. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO DIRETAMENTE COM O TOMADOR DE SERVIÇOS NO PERÍODO IMPRESCRITO. Faculta a Lei 6.019/74a contratação de mão de obra, mediante pessoa jurídica interposta, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços, restando autorizada, pois, nessas hipóteses, inclusive a terceirização de atividade-fim do tomador de serviços. Evidenciando-se dos autos, todavia, que tal contratação foi operada em descompasso com a real condição funcional ostentada pela autora ou como meio de escamoteá-la, e que após o fim da vigência do contrato temporário, a autora foi contratada pela empresa de trabalho temporário por meio de contrato indeterminado, continuando a prestar serviço a empresa tomadora de forma ininterrupta, de forma a justificar a prorrogação da contratação temporária, mas sob a forma de terceirização das atividades a exigir contratação a título indeterminado, deve ser declarada a nulidade do contrato temporário, com reconhecimento do vínculo empregatício diretamente com o tomador de serviços, com lastro nos arts. 9º da CLT e 166, VI, do Código Civil. O rótulo de "contratação temporária" não autoriza, por si só, o estabelecimento de mecanismo de fraude a direitos trabalhistas, como alternativa de redução de custos de operação do negócio. (TRT da 3.ª Região; PJe: 0011020-98.2018.5.03.0017 (ROT); Disponibilização: 12/05/2020, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 910; Órgão Julgador: Setima Turma; Relator(a)/Redator(a) Marcelo Lamego Pertence) JURISPRUDÊNCIA TERCEIRIZAÇÃO. ISONOMIA. VERBAS ORIUNDAS DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. "Em face da sentença proferida originalmente nesta instância, o Eg. TRT da 3ª Região reconheceu a ilicitude da terceirização de serviços havida entre as Rés, considerando a existência de diferenças entre o caso e o leading case que gerou o entendimento firmado pelo Excelso STF por ocasião do julgamento do RE 958.252 do Tema 725, de repercussão geral, e do ADPF n. 324, no que concerne à possibilidade de fracionamento da atividade produtiva empresarial, com a contratação de empregados, por meio de empresa interposta, para laborar em todas as etapas, inclusive abarcando a atividade-fim. Uma vez declarada a fraude na terceirização, assegurou-se à Reclamante, por aplicação do princípio da isonomia e do disposto no artigo 12 da Lei 6.019/74 (trabalho temporário), por analogia, todos os direitos conferidos aos empregados da tomadora, CEF, mediante aplicação dos instrumentos normativos a ela pertinentes, o que encontrou esteio na Orientação Jurisprudencial 383 SDI-1 do TST, porquanto a 3ª Reclamada é sociedade de economia mista/empresa pública, integrante a Administração Pública Indireta. Logo, não cabendo mais discussões a esse respeito, deve a Reclamante receber todos os direitos da função de Técnico Bancário, consoante normas coletivas aplicáveis à categoria dos empregados vinculados à CEF" (Fragmento da sentença de lavra do MM. Juiz do Trabalho Marcel Luiz Campos Rodrigues). (TRT da 3.ª Região; PJe: 0010385-23.2017.5.03.0092 (ROT); Disponibilização: 23/06/2020, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 469; Órgão Julgador: Primeira Turma; Relator(a)/Redator(a) Convocado Marcio Toledo Goncalves) JURISPRUDÊNCIA TERCEIRIZAÇÃO. ATIVIDADE-FIM. EFEITOS. A respeito da terceirização em atividade-fim, é certo que esta Turma, em compasso com a jurisprudência trabalhista amplamente dominante, vinha entendendo que, de acordo com a ordem constitucional vigente, bem como pelos efeitos nocivos provocados à sociedade, a intermediação de mão-de-obra era vedada pelo Direito do Trabalho, formando-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador, salvo nas hipóteses de trabalho temporário ou nos casos de contratação de serviços de vigilância, conservação e limpeza, bem como de funções especializadas ligadas à atividade-meio do tomador, desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta, tal qual preconizado na Súmula 331, itens I e III, do C. TST. Não se desconhece, porém, que no dia 30/08/2018, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 324 e deu provimento ao Recurso Extraordinário (RE) nº 958.252, com repercussão geral, e estabeleceu a tese jurídica de que: "É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária das empresas contratantes". É cediço, ainda, que o julgamento realizado pelo STF não se referia ao quadro normativo trazido pelas Leis nº 13.429/2017 e 13.467/2017, mas sim às situações anteriores à vigência dessa normatividade, como no caso em apreço. Assim, por disciplina judiciária ao entendimento exarado pelo E. STF, pelo que se considera que o trabalhador dos autos, malgrado haja laborado na atividade-fim da tomadora exclusiva de seus serviços, não faz jus ao pleito de declaração de ilicitude da terceirização perpetrada. (TRT da 3.ª Região; PJe: 0010020-28.2016.5.03.0019 (ROT); Disponibilização: 26/08/2021, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 1840; Órgão Julgador: Oitava Turma; Relator(a)/Redator(a) Convocado Carlos Roberto Barbosa) JURISPRUDÊNCIA TERCEIRIZAÇÃO. ATIVIDADE FIM. DECISÃO DO STF QUE JULGOU EM 30/08/2018, O MÉRITO DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL, SUSCITADA NO LEADING CASE RE Nº 958.252. Nos termos da Súmula nº 331, incisos I e III, do Col. TST, esta d. Turma vinha decidindo que a intermediação de mão-de-obra é vedada pelo Direito do Trabalho, excetuadas as hipóteses de trabalho temporário, serviços de vigilância, conservação e limpeza, ou serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, quando inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta, ao menos até a entrada em vigor das Leis 13.429/17 e 13.467/17, as denominadas Lei da Terceirização e da Reforma Trabalhista, respectivamente. Assim, quando constatada a terceirização em atividade-fim da tomadora dos serviços, por desenvolver o empregado atividades inseridas no núcleo da dinâmica empresarial do tomador de serviços, em função essencial à finalidade de seu empreendimento, era declarada ilícita a terceirização e a formação do vínculo de emprego diretamente com a tomadora dos serviços, conforme procedido na r. sentença. Portanto, a consequência jurídica da ilicitude da terceirização era a formação de vínculo empregatício diretamente com a tomadora de serviços, real beneficiária da força de trabalho despendida pelo empregado terceirizado, nos termos do item I da Súmula 331 do colendo TST, com o consequente enquadramento do trabalhador na categoria profissional correspondente, sendo solidária a responsabilidade das empresas reclamadas pelos efeitos da condenação, em decorrência da fraude (art. 942/CC). JURISPRUDÊNCIA Todavia, o Excelso STF julgou, em 30/08/2018, o mérito da questão constitucional suscitada no Leading Case RE nº 958.252 do respectivo Tema 725 de repercussão geral, no qual se discutia, "à luz dos arts. 2º, 5º, II, XXXVI, LIV e LV e 97 da Constituição Federal, a licitude da contratação de mão-de-obra terceirizada, para prestação de serviços relacionados com a atividade-fim da empresa tomadora de serviços, haja vista o que dispõe a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho e o alcance da liberdade de contratar na esfera trabalhista", declarando a constitucionalidade da terceirização de serviços em qualquer atividade, seja ela meio ou fim, do tomador de serviços. Portanto, prevaleceu o entendimento de que é lícita a terceirização em todas as etapas do processo produtivo, sem distinção entre atividade-meio ou atividade-fim. A tese de repercussão geral aprovada no RE foi a seguinte: "É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante". Desse modo, não se sustenta mais o reconhecimento do vínculo direto com a tomadora, em razão apenas e tão somente da terceirização da atividade-fim, fundamento que não subsiste diante do julgamento do Excelso STF, preservadaa coisa julgada. (TRT da 3.ª Região; PJe: 0011421-59.2016.5.03.0020 (ROT); Disponibilização: 01/04/2022, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 344; Órgão Julgador: Primeira Turma; Relator(a)/Redator(a) Luiz Otavio Linhares Renault)