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Objetivos:
1- Compreender as etapas da puericultura
2- Entender os marcos infantis
(desenvolvimento)
3- Elucidas calendário vacinal
4- Compreender a introdução alimentar
5- Rever exames de rotina, sorologias IgG
e teste de intolerância a lactose
A puericultura consiste na consulta
médica periódica de uma criança onde
devem estar presentes: orientações
educativas, ações de promoção da saúde,
ações relacionadas à prevenção de
doenças e observação dos riscos e
vulnerabilidades sob a qual está
submetida a respectiva criança.
Puericultura é a consulta periódica de
uma criança feita com o propósito de
avaliar seu crescimento e
desenvolvimento de maneira próxima.
é papel da puericultura observar fatores
de risco e vulnerabilidades que cercam as
diferentes fases do processo de
crescimento e desenvolvimento da
criança.
Nos primeiros 2 anos de vida as consultas
são mais frequentes devido ao processo
de crescimento e desenvolvimento ser
mais intenso, por isso, no 1º ano de vida é
recomendado um mínimo de 7 consultas
de rotina: na 1ª semana, no 1º/2º/4º/6º/9º
e 12º mês; além disso, no 2º ano de vida,
deve se ter um mínimo de 2 consultas de
rotina: no 18º e 24º mês.
Além da oportunidade de avaliar o
desenvolvimento da criança, tal
organização da frequência de consultas
adotada pelo Ministério da Saúde toma
como base o calendário de vacinação,
permitindo a verificação do cartão vacinal
em meses oportunos: ao nascimento, com
1, 2, 3, 4, 5, 6, 12 e 15 meses.
Primeira consulta
A primeira etapa de uma consulta
completa é apresentar-se, perguntar o
nome dos familiares e da criança e então
ouvir não somente os responsáveis, mas
também a própria criança, estimulando
sua participação ainda que a mesma não
tenha o domínio da linguagem.
Idealmente, a primeira consulta de uma
criança deve ser na sua 1a semana de
vida, porém, algumas vezes é possível
que a primeira consulta de uma criança
seja quando a mesma esteja em idade
mais avançada, até mesmo na
adolescência.
Independente da etapa da infância, é
preciso realizar uma anamnese completa
de modo a compreender melhor aspectos
da vida e da saúde da criança e de sua
família, devendo ser realizadas perguntas
que auxiliem na compreensão de quais
pessoas estão envolvidas no cuidado à
criança, o que construirá a base para o
atendimento integral da mesma.
Anamnese
A anamnese deve ser completa, com
todos os itens de uma anamnese comum,
mas devendo também abordar:
Antecedentes pessoais da criança com
informações desde a sua concepção, com
ênfase nos antecedentes patológicos e
alimentares, questionando acerca da
gestação, nascimento e período neonatal.
Gestação: uso de medicamentos, no de
consultas no pré-natal, doenças;
Nascimento: tipo de parto, motivo do
parto, peso e comprimento ao nascer;
Período Neonatal: tempo de permanência
na unidade neonatal, doenças;
Patológicos: idade de aparecimento das
doenças, duração e tratamentos
recebidos, acidentes, cirurgias,
internações;
Alimentares: período de amamentação
exclusiva com leite materno, início e
motivo do desmame, época de introdução
de alimentos complementares ao leite
materno e quais, aceitação dos alimentos,
se há intolerância alimentar.
Desenvolvimento neuropsicomotor
(DNPM) onde é preciso colher um relato
da família sobre o aparecimento de
habilidades motoras, aquisição de
linguagem gestual e falada, controle
esfincteriano e desenvolvimento
socioafetivo da criança com membros da
família e amigos.
Antecedentes vacinais devendo além de
registrar as vacinas tomadas e períodos
em que foram realizadas, registrar
eventos adversos (locais ou sistêmicos)
caso tenham ocorrido. Quais já foram
aplicadas, no número de doses, idade em
que foram aplicadas; Questionar
acompanhante sobre efeitos adversos
(locais e/ou sistêmicos) de cada vacina;
História de formação da família,
relacionamento dos pais e aceitação da
criança neste processo. Relação entre os
pais, se a criança foi planejada,
significado da mesma na vida destes; Se
pais separados, perguntar de quem é a
guarda e como a criança lida com isso;
Como os pais dividem o cuidado com a
criança; Outros familiares que participam
da vida da criança.
Habitação é um ponto importante para a
compreensão do profissional acerca das
condições de vida e saúde da criança e
sua família, de modo a conseguir
compreender se existem fatores de risco
para doenças respiratórias,
infectoparasitárias e dermatológicas. -
Características do bairro e da rua;
Características da casa: - Fatores de risco
para doenças infecto-parasitárias: relação
pessoa cômodo ≥ 3, ausência de água
tratada e esgoto não tratado; - Fatores de
risco para doenças respiratórias:
ventilação inadequada, umidade, poeira
(tapetes, pelúcia), animais e plantas; -
Fatores de risco para doenças
dermatológicas: presença de insetos e
outros animais. Hábitos atuais da criança
também devem ser questionados à
família, abarcando seus respectivos
hábitos: alimentares, intestinais, urinários,
sono, higiene corporal e bucal, lazer e
atividade física. Neste ponto, é relevante
também questionar, quanto tempo a
criança fica exposta a telas de telefone,
tablets, televisão, etc. Alimentares: quem
ajuda a criança a comer/ como a mesma
se alimenta, descrição do dia alimentar
(detalhar horários e composição de todas
as refeições); Intestinais e urinários:
frequência e características; Sono:
períodos de sono, despertares noturno,
em que quarto e cama dorme, quem
coloca para dormir, se há problemas
relacionados ao sono ou hora de dormir;
Banho corporal: nº de vezes, produtos
utilizados; Higiene bucal: como é
realizada limpeza da boca/ escovação
dentária; Lazer e tempo de tela: quais
brinquedos mais utiliza, com quem brinca,
tempo de uso de telas, frequência de
passeios. OBS: Em 2019, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) lançou
Diretrizes acerca da “Atividade
psíquica, comportamento sedentário e
sono” onde recomenda que crianças
menores de 2 anos não devem passar
nenhuma hora na frente de telas e que,
entre 2 e 5 anos de idade o tempo
máximo destinado a atividades na
frente de uma tela (smartphone,
computador ou TV) deva ser de no
máximo 1 hora.
Exame físico
Deve-se explicar para a criança (e para os
pais) o que será feito no momento do
exame físico independentemente da idade
que esta tenha. Na Puericultura nem
sempre será possível realizar o exame
físico na sequência craniocaudal com
costuma-se realizar nas outras áreas da
Medicina, assim, é possível iniciar parte
do exame físico com a criança ainda no
colo de um dos seus familiares. Na fase
entre os 7 meses e 2 anos de idade as
crianças estranham mais a realização do
exame físico. Uma boa estratégia é deixar
o exame da orofaringe e a otoscopia para
serem realizados ao final, pois estes
costumam causar maior desconforto na
criança e se feitos logo no início podem
dificultar a avaliação dos outros órgãos e
sistemas. A 1ª consulta de toda criança
deve ser ainda na sua 1a semana de vida
é importante ressaltar alguns, dentre
todos os sistemas que não devem ser
esquecidos nesta consulta com o
recém-nascido.
PESO E COMPRIMENTO
- A aferição do peso e comprimento/altura,
é realizada por métodos diferentes a
depender das características da criança
examinada.
- O peso pode ser aferido por meio da
balança pediátrica que deve ser utilizada
para crianças de até 25 kg ou 2 anos ou
até a criança poder ficar em pé, quando
então poderá ser pesada na balança em
pé.
- A medida do comprimento é realizada
com a régua antropométrica com haste
fixa que deve ficar na cabeça e a haste
móvel é colocada logo abaixo do pé da
criança, mais uma vez é fundamental o
auxílio dos pais neste momento; em
crianças a partir dos 2 anos é possível
medir a altura da criança com
estadiômetro onde a mesma em pé e
cabeça retificada.
PERÍMETRO CEFÁLICO
- O perímetro cefálico (PC) deve ser
medido em todas as consultas até os 2
anos de vida.
Ausculta Cardiaca
DESENVOLVIMENTO SENSORIAL
- Deve-se indagar se a criança focaliza
objetos e os segue com o olhar e se
prefere o rosto materno.
- No exame dos olhos, deve-se estar
atento ao tamanhodas pupilas, pesquisar
o reflexo fotomotor bilateralmente e o
reflexo vermelho.
- A audição inicia-se por volta do 5o mês
de gestação, portanto, ao nascimento, a
criança já está familiarizada com os ruídos
do organismo materno e com as vozes de
seus familiares. Deve-se perguntar se o
bebê se assusta, chora ou acorda com
sons intensos e repentinos, se é capaz de
reconhecer e se acalmar com a voz
materna e se procura a origem dos sons.
- Quanto à interação social, o olhar e o
sorriso, presentes desde o nascimento,
representam formas de comunicação,
mas, entre a 4ª e a 6ª semana de vida
surge o “sorriso social” desencadeado por
estímulo, principalmente pela face
humana.
- Já no 2º semestre de vida, a criança não
responde mais com um sorriso a qualquer
adulto, pois passa a distinguir o familiar do
estranho.
- Relativo à linguagem, durante os
primeiros meses de vida, o bebê
expressa-se por meio de sua mímica
facial e, principalmente, pelo choro.
- Entre o 2º e o 3º mês, a criança inicia a
emissão de arrulhos e, por volta do 6º
mês, de balbucio ou sons bilabiais, cujas
repetições são realizadas pelo simples
prazer de se escutar.
- Entre 9 e 10 meses, emite balbucios
com padrão de entonação semelhantes à
linguagem de seu meio cultural.
- A linguagem gestual também aparece no
2º semestre de vida e é fruto da
significação dada pelos adultos do seu
meio. Nessa fase, é comum a criança
apontar e obedecer aos comandos
verbais como bater palmas, acenar.
- Por volta dos 12 meses de idade,
surgem as primeiras palavras
denominadas palavras-frase. Aos 18
meses, a criança inicia frases simples e, a
partir daí, ocorre um grande aumento em
seu repertório de palavras. Nessa fase,
também começa o diálogo com troca de
turnos (criança fala e depois aguarda a
resposta do outro para nova
interferência).
Amamentação
O aleitamento materno (AM) protege mãe
e criança contra algumas doenças (a
proteção se mantém enquanto a criança
for amamentada, independentemente da
idade) e promove o desenvolvimento
cognitivo e emocional da criança, além do
bemestar de ambas.
O padrão de AM pode ser classificado em:
• AM exclusivo (AME): criança recebe
somente leite materno, direto da mama ou
ordenhado, sem outros líquidos ou
sólidos; • AM predominante: além do leite
materno, recebe água ou bebidas à base
de água e sucos de frutas; • AM
complementado: além do leite materno,
recebe alimentos complementares,
definidos como qualquer alimento sólido
ou semissólido; e • AM misto ou parcial:
além do leite materno, recebe outros tipos
de leite. - A Organização Mundial da
Saúde (OMS), o Ministério da Saúde (MS)
e a Sociedade Brasileira de Pediatria
(SBP) recomendam AM por 2 anos ou
mais, sendo exclusivo nos primeiros 6
meses.
A introdução precoce de alimentos
aumenta a chance de adoecer por
infecção intestinal e o risco de alergia
alimentar e diminui a duração do AM,
interfere na absorção de micronutrientes
importantes nele existentes, como ferro e
zinco, e reduz a eficácia da lactação na
prevenção de novas gestações.
Alimentação antes dos 6 meses em
situações em que o aleitamento materno
não é praticado ou é praticado
parcialmente.
utilização de fórmula infantil ou de leite de
vaca integral fluido ou em pó.
O profissional de saúde deve orientar a
mãe quanto aos procedimentos a seguir,
que incluem o preparo de leite de vaca
integral com a diluição adequada para a
idade, a correção da deficiência de ácido
graxo linoleico com óleo nos primeiros
quatro meses e a suplementação de
vitamina C e ferro ou o preparo de
fórmulas infantis de acordo com a idade e
as recomendações do rótulo do produto.
A fórmula infantil consiste em leite
modificado para atender às necessidades
nutricionais e para não agredir o sistema
digestório do bebê não amamentado. - O
leite de vaca “in natura”, integral, em pó
ou fluido não é considerado alimento
apropriado para crianças menores de um
ano pelo risco de anemia, além de
apresentar várias inadequações na sua
composição.
O consumo regular do leite de vaca
integral por crianças menores de 1 ano
pode também acarretar a sensibilização
precoce da mucosa intestinal dos
lactentes e induzir neles a
hipersensibilidade às proteínas do leite de
vaca, predispondo-os ao surgimento de
doenças alérgicas e de micro hemorragias
na mucosa intestinal, o que contribui
ainda mais para o aumento da deficiência
de ferro.
Até a criança completar 4 meses, o leite
diluído deve ser acrescido de óleo, ou
seja, 1 colher de chá de óleo para cada
100ml. Após o bebê completar 4 meses
de idade, o leite integral líquido não
deverá ser diluído e nem acrescido do
óleo, já que nessa idade a criança
receberá outros alimentos. O preparo de
fórmulas infantis deve seguir as
recomendações do rótulo do produto.
Introdução alimentar
Para que a criança goste de uma
variedade de alimentos, é importante
apresentar a ela a maior diversidade
possível dos alimentos saudáveis que sua
família pode obter.
- A partir dos 8 meses, já pode receber
gradativamente os alimentos preparados
para a família, desde que sem temperos
picantes, alimentos industrializados,
pouco sal e oferecidos amassados,
desfiados, triturados ou picados.
- A introdução dos alimentos
complementares deve ser lenta e gradual,
a criança tende a rejeitar as primeiras
ofertas.
- Se a criança recusa um alimento porque
não gosta, é importante que a família
continue a oferecê-lo para ela, sem forçar,
pois quanto mais oferecer esse alimento
maior será a chance de ela aceitar.
- A alimentação deve ser complementar
ao leite materno e não o substituir. I
Obs.: A introdução deve ser lenta e
gradual, respeitando-se a aceitação da
criança. - Para garantir o aporte de
nutrientes, a papa salgada deve conter
um alimento de cada grupo desde a
primeira oferta, principalmente carne, para
prevenir a anemia.
Calendário Vacinal
Os exames de rotina solicitado para
crianças
Exame de urina: por meio dele, é possível
identificar a presença de bactérias,
infecções e também quantificar se há
perda de proteína e desnutrição infantil.
Exame parasitológico de fezes
O bolo fecal é de grande ajuda para
identificar patologias e infecções. A
análise de fezes permite a identificação
de parasitas, sangue oculto, e muco
anormal, que revelam informações
importantes sobre a saúde da criança.
Hemograma
Anticorpos para Hepatites A, B e C
Glicemia e insulina

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