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SAÚDE COLETIVA: 
HISTÓRIA E CONCEITOS
2
Josiane Moreira Germano 
Mariana da Silva Castro Vianna
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2022
 SAÚDE COLETIVA: HISTÓRIA E CONCEITOS
1ª edição
3
2022
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Head de Platos Soluções Educacionais S.A
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Coordenador
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Revisor
Nathalia Assis Augusto
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Germano, Josiane Moreira
Saúde coletiva: história e conceitos / Josiane Moreira 
Germano, Mariana da Silva Castro Vianna. – São Paulo: 
Platos Soluções Educacionais S.A., 2022.
32p.
ISBN 978-65-5356-099-4
1. Atuação. 2. Construção. 3. Fundamentos. I. Vianna, 
Mariana da Silva Castro. II. Título. 
CDD 610.7
_____________________________________________________________________________ 
 Evelyn Moraes – CRB: 010289/O
G373s 
© 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
https://www.platosedu.com.br/
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Preventivismo, Medicina Social e Saúde Coletiva _____________ 07
Saúde Coletiva e Saúde Pública ______________________________ 19
Eixos da Saúde Coletiva ______________________________________ 31
Formação e atuação profissional em saúde coletiva _________ 43
SAÚDE COLETIVA: HISTÓRIA E CONCEITOS
5
Apresentação da disciplina
Prezado (a) aluno (a),
Na disciplina Saúde Coletiva–história e conceitos, estudaremos como se 
deu a construção histórica e social da saúde no Brasil. Veremos como 
houve a incorporação do pensamento social na saúde e quais foram 
suas contribuições para a emergência do Sistema Único de Saúde (SUS), 
tido como um sistema universal, equânime e integral. Nem sempre 
foram considerados os determinantes sociais da saúde (condições de 
moradia, emprego, fatores ambientais, políticos econômicos, hábitos de 
saúde, saneamento básico) no processo de adoecimento do indivíduo e 
das populações. Então, falaremos desses aspectos nesta disciplina.
Serão quatro conteúdos programáticos, sendo que o primeiro é o 
Preventivismo ou Medicina Preventiva, Medicina Social e Saúde Coletiva, com 
movimentos importantes para conhecermos as bases que auxiliaram 
na ampliação dos cuidados em saúde das populações, compreendendo 
saúde para além da ausência de doença e a garantia do Estado na 
proteção à saúde de sua população. Você sabia que a saúde se tornou 
um direito, no Brasil, na década de 1980? Veremos sobre isso.
O segundo conteúdo será Saúde Coletiva e Saúde Pública. Estudaremos os 
conceitos, as apostas de cada um deles, que são facilmente confundidos. 
Aprenderemos quais são as correntes de pensamento da Saúde 
Pública, que dizem respeito ao diagnóstico e tratamento de doenças 
com o objetivo de assegurar uma boa qualidade do indivíduo dentro 
da comunidade. Enquanto, a Saúde Coletiva se estabeleceu no Brasil, a 
partir da década de 1960, como efeito de debates da Medicina Social, 
6
Ciências Sociais, influenciando diretamente no próprio movimento de 
reforma da saúde no Brasil, o Movimento Sanitário.
O terceiro conteúdo será os Eixos da Saúde Coletiva. Veremos como 
funciona a Saúde Coletiva como campo de conhecimento estruturado, 
em três pilares: epidemiologia; política, planejamento e gestão em 
Saúde; e, Ciências Sociais em Saúde. A articulação desses três eixos, 
mostrará como os problemas devem servir de ferramentas para o 
planejamento de políticas a nível local, regional e nacional, levando 
em consideração as questões socioculturais ambientais e políticas que 
abarcam os indivíduos .
Por fim, fecharemos a disciplina com o tema Formação e atuação 
profissional em Saúde Coletiva. O conteúdo deste assunto visa 
demonstrar os possíveis campos de atuação, uma vez que a Saúde 
Coletiva abarca uma multiplicidade de fatores, como anunciado nos 
Conteúdos Programáticos acima.
Tenha um excelente tempo de estudo, aprendizagem e reflexões!
7
Preventivismo, Medicina Social 
e Saúde Coletiva
Autoria: Josiane Moreira Germano
Leitura crítica: Nathalia Assis Augusto
Objetivos
• Apresentar os conceitos de medicina preventiva, 
medicina social e saúde coletiva. 
• Conhecer a incorporação do pensamento social na 
área da saúde e as ressonâncias na saúde coletiva.
• Refletir a respeito das contribuições desses 
movimentos na construção do Movimento de 
Reforma Sanitária Brasileiro.
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1. Apresentação do conteúdo desta 
Leitura Digital
Nesta Leitura Digital abordaremos conceitos e propostas que foram 
importantes para a construção do pensamento social em saúde. 
Você sabia que nem sempre os aspectos sociais eram levados em 
consideração no processo saúde-doença das populações? E o que é 
processo saúde-doença? Também vamos falar dele.
Você também conhecerá as influências do preventivismo no ensino em 
saúde, especialmente nas escolas médicas, na década de 1970, com a 
criação dos departamentos de medicina preventiva, medicina social ou 
medicina comunitária, como são conhecidos. Além disso, veremos a 
emergência da medicina social e da saúde coletiva como contrapontos 
ao modelo biomédico.
Vamos iniciar os estudos. Boa leitura!
2. Conhecendo os conceitos de Medicina 
Preventiva, Medicina Social e Saúde Coletiva
Antes de adentrar no assunto diretamente, vale a pena contextualizar 
como chegamos ao preventivismo e à medicina social no Brasil. No 
cenário da saúde no âmbito nacional, especialmente no final do século 
XIX e início do século XX (período colonial), as ações em saúde eram 
bastante restritas e. Mediante a exportação de matéria-prima, houve 
a necessidade de controle sanitário dos portos para preservação do 
ambiente, e nota-se que essa prática tinha por objetivo o controle de 
insetos e do ambiente no geral. A assistência à população pobre tem 
um grande apoio da filantropia, enquanto a corte, abastada, pagava por 
médicos e remédios. Dessa maneira, o processo saúde-doença era visto 
9
apenas com a presença de alguma enfermidade, ou seja, quando se 
manifestava algum sintoma clínico.
A medicina preventiva, também conhecida como preventivismo, surgiu 
nos Estados Unidos (EUA) nos anos 1940, e podemos considerá-la uma 
crítica a um tipo de medicina que se alcunhou na fragmentação e na 
especialização. Também conhecida como modelo biomédico (vamos 
entender esse modelo mais à frente, quando falarmos de processo 
saúde-doença), tinha foco nas práticas clínicas. O preventivismo, 
preocupado com a formação biologicista, teceu várias críticas ao modelo 
pedagógico das escolas médicas.
O fruto desse movimento, que teve o apoio da Organização Pan-
Americana da Saúde, culminou nos anos 1960 na implementação dos 
preventivistas em muitas escolas médicas na América Latina e no Brasil. 
Hoje, universidades como a Universidade de São Paulo e a Universidade 
do Estado do Rio de Janeiro ainda apresentam os Departamentos de 
Medicina Preventiva e Instituto de Medicina Social, respectivamente, 
que são frutos desse período, quando o movimento ganhou visibilidade 
no país. O intuitode inserir essas disciplinas inaugurou a perspectiva 
biopsicossocial e a atuação pedagógica para além dos muros 
hospitalares, criando trabalhos comunitários (NUNES, 2007).
Ainda na década de 1960, chega na América Latina a medicina 
comunitária, que também surgiu nos EUA. Essa proposta levava em 
consideração as desigualdades na cobertura de assistência médica às 
populações mais vulnerabilizadas. Em resposta a essa fragilidade de 
acesso à prestação de cuidados básicos em saúde, surgem centros 
comunitários.
Já a medicina social chegou na América Latina entre o final da década 
de 1960 e o início de 1970. Com ela, observamos a valorização do social 
no processo saúde-doença, cujo foco era a prevenção de doenças e 
a promoção da saúde (OSMO; SCHRAIBER, 2015), com o objetivo de 
10
superar o modelo biomédico que despreza os fatores socioeconômicos 
em suas abordagens.
Esse movimento nasceu na Europa, em meados do século XIX, e as 
proposições desta aposta de medicina como ciência social empregava os 
seguintes princípios no pensamento sanitarista:
1. Saúde das pessoas como um assunto de interesse societário e a 
obrigação da sociedade em proteger seus membros; 2) Que as 
condições sociais e econômicas têm um impacto crucial sobre a 
saúde e a doença e estas devem ser estudadas cientificamente; 3) 
Que as medidas a serem tomadas para a proteção da saúde são 
tanto sociais quanto médicas. (NUNES, 2007, p. 296)
Nota-se que esses princípios fortaleceram os debates acerca 
das relações entre saúde e sociedade no país, o que auxiliou na 
sistematização dos conhecimentos no campo da medicina social e, 
posteriormente, na saúde coletiva.
Curiosidade: você sabia que, no Brasil, a saúde foi considerada um 
direito nos anos 1980? De acordo com o art. 196 da Constituição Federal 
de 1988:
A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas 
sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros 
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua 
promoção, proteção e recuperação. (BRASIL, 1988, [s. p.])
Portanto, observamos que tanto a medicina preventiva quanto a 
medicina social foram construindo seus territórios próprios ao mesmo 
tempo que ampliavam suas fronteiras. Não foi diferente para a saúde 
coletiva. Esta engloba lutas coletivas, a saúde pública, e valoriza a 
dimensão social, constituindo-se como um campo de conhecimentos 
políticos. Percebemos que o conceito de saúde coletiva ainda não tem 
um consenso, então vamos dizer que saúde coletiva é um conceito 
11
polissêmico, ou seja, que pode ser interpretado de diversas formas. Por 
isso, é marcado por tensões metodológicas, epistemológicas e, assim, 
não tem a pretensão de unificar uma teoria explicativa dos fenômenos. 
A única certeza que temos são as críticas ao saber universalista médico e 
a concepção de saúde pública.
Para Nunes (2007):
[…] parece uma boa ideia para entender a Saúde Coletiva, mas a imagem 
que associo ao entendimento de campo é a de um mosaico–conjunto 
formado por partes separadas mas, que se aproximam quando a 
compreensão dos problemas ou a proposta de práticas se situam além dos 
limites de cada “campo disciplinar”, exigindo arranjos interdisciplinares. 
(NUNES, 2007, p. 305)
Observamos que a saúde coletiva é diversa e complexa, refletindo o 
próprio conceito ampliado de saúde em suas múltiplas dimensões.
Suas três grandes áreas são: Ciências Sociais e Humanas; Epidemiologia 
e Política Planejamento; e Gestão. Veja a aposta de cada uma delas a 
seguir (NUNES, 2007; PAIM; TEIXEIRA, 2006):
Ciências Sociais e Humanas
• Contempla as áreas de antropologia, sociologia, política, história, 
filosofia, artes, ética, estética.
• Ajuda na compreensão dos processos de viver, morrer, adoecer e 
do trabalho.
• Visa articular biológico, social e cultural.
Epidemiologia
• Investigação científica, (iniciada por John Snow no século XIX).
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• Metodologia quantitativa.
• Estudo de causa e efeito de eventos relacionados à saúde.
• Engloba disciplinas do social, da demografia e da geografia, entre 
outras.
Política, Planejamento e Gestão
• Conjunto coordenado de ações visando à consecução de um 
determinado objetivo.
• Estudos das estratégias de enfrentamento de problemas e dos 
mecanismos de implementação de políticas; e estudos teóricos e 
metodológicos para construção de planos, programas e projetos.
Conhecemos os conceitos de medicina preventiva, medicina social e 
saúde coletiva. A seguir, veremos a imbricação desses conceitos na 
construção do pensamento social na saúde.
3. Pensamento social na saúde: ressonâncias 
do processo saúde-doença
Quando perguntamos a alguém sobre saúde, geralmente ouvimos como 
resposta “está tudo bem, não precisei tomar medicamentos nos últimos 
tempos” ou ainda “está tudo bem, não tenho ficado doente nos últimos 
meses, nem precisei ir ao médico”. Caso contrário, sabemos que a 
resposta seria outra: a pessoa não estava gozando de boa saúde.
Sabemos que esse pensamento é resultado de um lema histórico de 
que ter saúde é não estar doente. Segundo a Organização Mundial de 
Saúde (OMS), saúde é um estado completo de bem-estar físico, mental 
13
e social (SEGRE; FERRAZ, 1997). É possível estarmos nessa dimensão 
constantemente?
Situações diversas podem nos trazer indisposição, alegria ou ansiedade. 
Por vezes nosso corpo não apresenta sintoma fisiopatológico algum, 
mas os atravessamentos da vida são tão complexos que desanimamos 
e desestabilizamos. Em outros momentos, estamos alegres e dispostos 
a cuidar da saúde e da vida. E o que queremos dizer com isso? Que 
algumas causas são identificáveis e outras não. Com isso, ainda podem 
ocorrer agravos à saúde que não são identificados e sequer percebidos. 
Quando analisamos a expressão “está tudo bem, não precisei tomar 
medicamentos nos últimos tempos”, observamos que a compreensão de 
saúde se limita à presença ou não de processos fisiopatológicos. Não se 
consideram outras causas, como preocupação com filhos, desemprego, 
fome, pobreza e condições de moradia, por exemplo.
Como exemplo, toma a seguinte tarefa: entreviste três pessoas, 
preferencialmente de diferentes idades, e preencha o quadro:
Quadro 1 – Processo saúde-doença para as diferentes faixas etárias
O que é ter saúde 
para você?
O que significa estar 
doente?
O que afeta a saúde 
das pessoas?
Fonte: elaborado pela autora.
Depois de preenchido o quadro, compare as respostas e reflita a 
respeito desse primeiro aspecto apresentado.
Estamos vivendo um momento bastante delicado na saúde pública 
brasileira devido à pandemia da covid-19. Em meio à transmissibilidade 
da doença e os agravos e consequências que ela traz, é possível a 
14
permanência de um estado completo de bem-estar? Ou a pandemia 
também trouxe fatores que contribuem para o aparecimento de outras 
doenças? Um exemplo são os efeitos do isolamento na saúde mental e 
funcional de idosos; outro são as populações vulnerabilizadas que não 
podem ou puderam realizar o isolamento social e se expõe/expuseram 
ao vírus.
Esses exemplos mostram quão complexas podem ser as causas do 
processo de adoecimento, que pode ser multicausal e variar de pessoa 
para pessoa, a depender da cultura e do meio em que está inserida. 
Portanto, em algumas localidades do país a falta de saneamento básico 
e de acesso a água potável pode ser um problema, e algumas doenças 
passarão a ser recorrentes, como diversas viroses, cujo sintoma comum 
é a diarreia. Determinadas ocupações também podem se constituir 
como fator de adoecimento, vide pessoas que trabalham em escavações, 
ou profissionais de saúde que sofrem com a síndrome de Burnout, 
também conhecida como estresse no trabalho.
O desenvolvimento do conhecimento humano e da ciência permitiu 
outras abordagens ao processo saúde-doença, e a teoria e prática 
orientadoras do saber-fazer dos trabalhadores da saúde variam ao 
longo do tempo. Na Grécia antiga, por exemplo, observava-se que saúde 
e doençaconstavam dos fenômenos naturais, assim, o estudo da saúde 
era dirigido ao estudo do ar, da água e do lugar.
Vale ressaltar que com a invenção do microscópio, descobre-se que as 
doenças têm são causadas por micróbios, que são causa visível. Isso 
também orientou o conhecimento e as novas práticas do processo 
saúde-doença, a fim de evitar a presença desse agente. Exemplos do 
pensamento microbiano são as ações preventivas nas campanhas 
sanitárias e a erradicação de doenças por meio de vacinas.
Discutido o processo saúde-doença e entendido que outros fatores são 
importantes e influenciam esse processo, vamos estudar mais alguns 
15
desses fatores: os determinantes sociais da saúde (DSS). Como vimos, 
saúde é um processo móvel e instável, e a saúde dos indivíduos e do 
coletivo é influenciada por múltiplas causas (multicausalidade); logo, 
depende de diversos DSS.
Existem alguns determinantes que interferem na saúde e que 
podem estar relacionados às condições de moradia, asfaltamento, 
desenvolvimento social e econômico da cidade ou de uma locorregião, e, 
ainda, relacionam-se à infraestrutura e à oferta de empregos. A ausência 
de espaços de participação social das pessoas, para necessidades 
sociopolíticas nos bairros, também é considerada como fator 
relacionado ao processo saúde-doença. Então, podemos dizer que as 
condições de vida e de trabalho influenciam diretamente esse processo, 
além da falta de saneamento básico, de alimentação suficiente, presença 
de ambientes poluídos e de violência, como já sabemos.
Esses fatores levaram à construção do pensamento ampliado na saúde 
no Brasil. Mas nem sempre foi assim. Vale ressaltar que a área da saúde 
tem grande influência do paradigma cartesiano. Você já ouviu falar de 
um filósofo chamado Francis Bacon (1596-1650)? Ele é um dos pais da 
ciência moderna, e foi um dos primeiros a questionar a natureza por 
meio do método científico. Para ele, tinha mais valor e era considerado 
conhecimento seguro o que era advindo da razão e que pudesse ser 
submetido à experimentação para ser quantificado. E é pela influência 
do paradigma cartesiano que o modelo biomédico ganha visibilidade 
na área da saúde. O corpo humano, por conseguinte, passa a ser visto 
como uma máquina que pode ser analisada em termos de suas peças. 
Vamos resgatar aquelas expressões citadas anteriormente: “está tudo 
bem, não precisei tomar medicamentos nos últimos tempos” e “está 
tudo bem, não tenho ficado doente nos últimos meses, nem precisei ir 
ao médico”. Elas corroboram com esse modelo, já que a doença é vista 
como mal funcionamento do corpo.
16
Em um breve recuo histórico à Idade Contemporânea, notamos um 
olhar fortemente marcado pela ciência positivista (com um caráter 
matemático, epidemiológico descritivo e microscópico) e mais voltado 
aos aspectos sociais. Quem nos ajuda a pensar um pouco mais a 
respeito da medicina social é o filósofo francês Michael Foucault, que em 
sua obra Microfísica do Poder destinou um capítulo para discorrer sobre 
o nascimento da medicina social. As etapas da medicina social descritas 
por Foucault (1984) veremos a seguir:
A primeira foi a medicina de Estado, cujo principal exemplo é a 
Alemanha de meados do século XVIII.
• Intervenção do Estado na área da saúde.
• Doutrina de governo fortemente centralizadora (entre outras 
medidas, como as estatizantes e corporativistas).
• Normatização do ensino médico e a estatização da medicina 
(desenvolvimento da noção de polícia médica ou sanitária, com 
forte viés autoritário).
A segunda etapa é a chamada medicina urbana, que tem a França 
de fins do século XVIII como principal exemplo, e que ocorre em um 
contexto de grande crescimento das cidades.
• Preocupação com as epidemias urbanas, levando à busca do 
controle sobre a circulação – não dos indivíduos, mas de elementos 
que poderiam causar doenças no espaço urbano, qualidade do ar 
e água.
• Medicina urbana não é verdadeiramente uma medicina dos 
homens, corpos e organismos. É chamada de medicina das coisas, 
das condições de vida e do meio de existência.
17
Já a terceira etapa tem a Inglaterra do século XIX como principal 
exemplo e diz respeito à medicina da força de trabalho.
• Necessidade de tratamento gratuito ou de baixo custo da 
população pobre.
• Garantia de que ricos não fossem vítimas de epidemias.
• Foco na redução dos prejuízos da produção industrial.
Pode-se observar que, no contexto da medicina, em função do 
paradigma cartesiano, a quantificação dos fenômenos vitais será 
supervalorizada para explicar as causas das doenças. Não à toa os dados 
clínicos dos exames serem expressos por meio dos números. Outra 
influência desse paradigma é a adoção das medidas de contagem do 
pulso e a medida da temperatura corporal como práticas comuns, e, 
então, a estatística torna-se prática central do contexto da saúde.
Ressalta-se que a estatística não se limitou aos aspectos vitais 
individuais; também passou a ser utilizada no contexto social. Não 
por acaso, a estatística coincide com o surgimento de Estados fortes e 
centralizadores (LOCK et al., 2017).
Dessa maneira, observamos que esse cenário contribuiu para o que 
discutimos em relação ao pensamento social na saúde, agregando 
fatores que, outrora, não seriam considerados elementos que poderiam 
causar problemas de saúde nas populações. Em que pese a adoção do 
conceito ampliado de saúde pelo SUS e a mudança nos currículos dos 
cursos, ainda encontramos grandes influências do modelo biomédico 
hegemônico, constituindo-se, assim, um campo de disputas e de 
produção de poder, quando se depara com outras perspectivas.
Analisamos que o cerne dos debates tensiona um conceito de saúde 
estático. Os três movimentos apresentados nos mostram outro modo 
de compreender saúde e doença, produção da vida e do cuidado. 
18
Vale ressaltar que essa ampliação do conceito de saúde fortaleceu os 
debates que movimentaram a luta pela redemocratização da saúde no 
Brasil, inserindo a saúde como um direito e, ainda, agregando em um 
dos princípios do SUS a integralidade da atenção, ou seja, o olhar do 
indivíduo e dos coletivos como um todo.
Referências
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil 
de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em:http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 14 dez. 2021.
FOUCAULT, M. O nascimento da medicina social. In: FOUCAULT, M. Microfísica do 
poder. Organizado por R. Machado. São Paulo: Graal, 1984. p. 79-98.
LOCK, M. R. et al. Aspectos históricos e concepções sobre a Saúde e a Doença. In: 
ANDRADE, S. M. et al. Bases da Saúde Coletiva. Londrina: Eduel, 2017. p. 529-544.
NUNES, E. D. Saúde coletiva: história recente, passado antigo. In: CAMPOS G. W. S. 
et al. (org.). Tratado de saúde coletiva. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Fiocruz, 
2007. p. 305.
OSMO, A.; SCHRAIBER, L. B. O campo da Saúde Coletiva no Brasil: definições e 
debates em sua constituição. Saúde e Sociedade, v. 24, supl. 1, p. 205-218, abr.-jun. 
2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-12902015S01018. Acesso em: 
10 dez. 2021.
PAIM, J.; TEIXEIRA, C. F. Política, planejamento e gestão em saúde: balanço do estado 
da arte. Rev. Saúde Pública, v. 40, n. esp., p. 73-78, 2006. Disponível em: https://
www.scielo.br/j/rsp/a/T59CdBgDQyGf3hqLpZCjyks/?format=pdf&lang=pt. Acesso 
em: 10 dez. 2021.
SEGRE, M.; FERRAZ, F.C. O conceito de saúde. Rev. de Saúde Pública, v.31, n.5, 
p.538-42. Disponível em: http://dói.org/10.1590/S0034-89101997000600016. Acesso 
em: 23 mar. 2022.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://doi.org/10.1590/S0104-12902015S01018
https://www.scielo.br/j/rsp/a/T59CdBgDQyGf3hqLpZCjyks/?format=pdf&lang=pt
https://www.doi.org/
19
Saúde Coletiva e Saúde Pública
Autoria: Josiane Moreira Germano
Leitura crítica: Nathalia Assis Augusto
Objetivos
• Apresentaras perspectivas históricas da saúde 
pública no Brasil.
• Conhecer as contribuições da saúde coletiva como 
campo emergente para a construção do Sistema 
Único de Saúde.
• Apresentar as ações de saúde pública e saúde 
coletiva presentes no Brasil na atualidade.
20
1. Apresentação do conteúdo desta Leitura 
Digital
Nesta Leitura Digital, abordaremos a trajetória da saúde pública e da 
saúde coletiva no Brasil. Você aprenderá as políticas de saúde no país 
em seus momentos históricos e políticos. Esse resgate ajudará você a 
entender uma das estratégias mais emblemáticas de saúde pública na 
atualidade: as campanhas de vacinação como meio de erradicação de 
doenças e controle de vetores, herdada da República Velha.
 
Também serão apresentados os conceitos de saúde pública e saúde 
coletiva e, ainda, como a saúde coletiva se consolidou como um campo 
de saberes e práticas emergente, plural e amplo, para lidar com a saúde 
das coletividades inserindo a complexidade da vida e as diferenças no 
cuidado em saúde. Você também entenderá como este mesmo campo 
de práticas foi importante na construção do Sistema Único de Saúde, o 
SUS.
Então, pronto para iniciar os estudos? Boa leitura!
2. Perspectivas históricas da saúde 
pública brasileira
Discutir o cuidado em saúde no Brasil é algo complexo e ao mesmo 
tempo interessante. Esse debate necessariamente passa pela filantropia 
religiosa, que são as ações de caridade. Vale a pena fazer um rápido 
recuo histórico nas políticas de saúde.
É importante dizer que nem sempre as populações que estavam no 
Brasil por volta de 1500 (ou as que chegaram depois – sejam os africanos 
escravizados, a corte, a família real ou os colonizadores –, pensando 
21
no período escravocrata, por enquanto) tinham o mesmo acesso aos 
serviços de saúde ofertados. Parte da população, especialmente as 
pessoas mais pobres e as escravizadas, eram atendidas por casas de 
caridade, com a filantropia (CARVALHO, 2013).
Entre essas populações, as africanas, por pertencerem a outro eixo 
civilizatório (não ocidental), tinham o seu próprio modo de cuidado 
em saúde. É interessante enfatizar esse pertencimento a outro eixo 
civilizatório, pois isso vai ser bem importante quando falarmos das 
relações dos humanos com o mundo.
Deve-se abrir um parêntese: a visão de mundo (cosmovisão), como a 
própria filosofia, aproximava-os muito mais da natureza, da terra e de 
práticas mais naturais (assim como as práticas indígenas observadas 
na atualidade), inseridas nos cuidados em saúde. Cuidar da saúde era 
também um cuidado com todos esses elementos (água, terra e ar), 
inclusive com os benefícios que a própria natureza trazia para os corpos 
e mentes. Práticas indígenas e outras não ocidentais – como algumas 
da medicina tradicional chinesa –, pelo olhar racionalista-hegemônico, 
foram e ainda são lidas como conhecimento primitivo ou não científico, 
por vezes chamado de “mágico religioso”.
Por esse pertencimento e cosmovisão, na qual o homem não é 
dissociado da natureza, o conhecimento não tradicional dessas 
populações era bastante utilizado, especialmente quando se recorria a 
ervas, chás, massagens e invocações aos deuses, para se buscar a cura. 
Observava-se que outro grupo de pessoas, chamadas de boticários, 
também detinha o conhecimento das ervas, auxiliando as populações 
mais vulnerabilizadas, inclusive das zonas rurais.
As concepções de cuidado, saúde, doença, corpo e mente passaram 
por várias mudanças ao longo dos períodos históricos: por exemplo, é 
na Idade Contemporânea que se percebe a junção de múltiplos olhares 
acerca dos fenômenos do processo saúde-doença (ao longo do texto, 
22
você vai estudar que uma visão múltipla e dinâmica será crucial no 
pensamento da saúde coletiva e na construção do SUS para os diversos 
processos que englobam o adoecer e a produção de saúde no mundo).
Voltando para as populações mais abastadas da sociedade brasileira 
no período escravocrata, a corte recorria a médicos e medicamentos, 
e contava com a tecnologia mais sofisticada para cuidados em saúde e 
cirurgias, especialmente de médicos formados na Europa, destinados 
a cuidar dessa população. Percebemos, então, que o acesso à saúde 
também terá a sua diferenciação pela riqueza, pela classe social e pela 
função que se exerce na sociedade – como trabalhadores com carteira 
assinada, um pouco mais tarde, nos anos 1920.
Curiosidade: você sabia que a questão do acesso à saúde no Brasil vai 
ser um dos grandes debates no Movimento de Reforma Sanitária (nos 
anos 1970) que deu origem ao SUS? A luta era para a garantia da saúde 
como um direito de todos, convocando o Estado para a garantia de 
ações que permitiriam o acesso à saúde para todo e qualquer cidadão 
brasileiro, independentemente da classe social. Então, no Brasil, a 
saúde é um direito de todos há mais de 30 anos, expresso em um dos 
princípios do SUS, que é a universalidade.
Na modernidade, identificamos a origem da medicina social (que nasceu 
na Europa no século XIX), visando ao controle da sociedade sobre os 
indivíduos por meio dos corpos humanos. A preocupação da medicina 
social englobava diversos aspectos presentes em três países da Europa: 
mudanças nas condições ambientais, especialmente relacionadas às 
fábricas (Inglaterra), planejamento da cidade, por meio da medicina 
urbana (França), e a medicina de Estado (Alemanha), que apostava 
na imposição do controle estatal do comportamento dos indivíduos 
(SOUZA, 2014).
Diversos movimentos em outras partes do mundo são construídos 
influenciados pela medicina social, como a criação do Departamento 
23
Nacional de Saúde, nos Estados Unidos no final do século XIX, que teve 
grande influência do modelo de saúde pública inglês. As ações eram 
voltadas para o saneamento e controle de doenças infecciosas com forte 
influência da bacteriologia, descoberta por Pasteur.
O Brasil, durante a República Velha, também foram adotadas medidas 
de saneamento nos espaços de circulação do café, e era papel do Estado 
a realização de ações que visavam ao controle de epidemias. Essas 
ações são conhecidas: campanhas de vacinação e ações de saneamento 
básico, e foram tomadas especialmente para o fortalecimento 
do mercado de exportação, na limpeza de portos e aeroportos. 
Esse modelo de saúde também é conhecido como sanitarismo 
campanhista.
No mesmo período houve uma das campanhas mais emblemáticas da 
história: a campanha contra a febre amarela, no Rio de Janeiro, sob o 
comando do médico sanitarista Oswaldo Cruz. Ele percebeu que o índice 
de mortalidade era muito diferente em lugares onde o saneamento 
básico era mais precarizado, portanto, observou que os fatores 
ambientais estavam diretamente relacionados à ocorrência de doenças 
e mortes (CARVALHO, 2013).
Entre os marcos da história da saúde pública brasileira, foram 
implementadas, a partir do Estado Novo, campanhas sanitárias via 
programas de saúde pública pelo Ministério da Educação e Saúde 
Pública, que passará a se chamar Ministério da Saúde em 1953.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi fortemente influenciado 
pelo modelo norte-americano de organização dos programas de saúde 
pública, sendo um deles a criação do Serviço Especial de Saúde Pública, 
o SESP, que visava à proteção dos trabalhadores envolvidos na extração 
da borracha natural na Amazônia. As ações do SESP englobaram 
técnicas educacionais na área da saúde. Foram introduzidas ações de 
educação em saúde de grupos, recursos audiovisuais e o trabalho com a 
24
comunidade, assim como ações individuais e atendimentos de urgência 
e emergência (SILVA et al., 2010).
Em relação às ações de Saúde Pública, observamos que a Organização 
Pan-Americana de Saúde (OPAS) elencou onze ações essenciais de saúde 
pública, que são:
1. Monitoramento, análise e avaliação da situação de saúde; 2) 
Vigilância, investigação, controle de riscos e danos à saúde; 
3) Promoção da saúde; 4) Participação social em saúde; 5) 
Desenvolvimento de políticas e capacidadeinstitucional de 
planejamento e gestão pública da saúde; 6) Capacidade de 
regulação, fiscalização, controle e auditoria em saúde; 7) Avaliação 
e promoção do acesso equitativo da população aos serviços de 
saúde necessários; 8) Administração, desenvolvimento e formação 
de recursos humanos em saúde; 9) Promoção e garantia da 
qualidade dos serviços de saúde; 10) Pesquisa e incorporação 
tecnológica em saúde; 11) Condução da mudança do modelo de 
atenção à saúde. (SOUZA, 2014, p. 16)
Muitas foram as ações de construção da saúde pública no Brasil. Vimos 
que o Estado tinha como foco as ações coletivas, como as campanhas 
de vacinação e o controle sanitário, enquanto outros sistemas de saúde 
eram construídos paralelamente, alinhados ao setor privado, como 
planos de saúde para trabalhadores de carteira assinada, médicos 
privados em consultórios particulares, hospitais privados fomentados 
pela industrialização e ampliação do complexo médico hospitalar, e 
a manutenção dos serviços filantrópicos para as populações menos 
abastadas. Ou seja, formavam-se múltiplos sistemas de saúde, e a saúde 
era tida como um bem de consumo, já que grande parte da população 
não tinha direito ao acesso a ela.
Um marco importante para a saúde pública no país foi a 3ª Conferência 
Nacional de Saúde em 1963. Foi a primeira após a criação do Ministério 
25
da Saúde (dissociado da Educação em 1953) e trouxe as seguintes 
pautas:
1. Situação sanitária da população brasileira.
2. Distribuição e coordenação das atividades médico-sanitárias nos 
níveis federal, estadual e municipal.
3. Municipalização dos serviços de saúde.
4. Fixação de um plano nacional de saúde.
Percebe-se que emerge a urgência de pensar a descentralização da 
saúde, distribuindo as responsabilidades para todas as esferas dos 
governos e colocando a esfera municipal em franco protagonismo na 
solução dos problemas de saúde pública pertinentes a cada região 
do país em suas especificidades. Como sabemos, o Brasil é um país 
continental e absolutamente diverso, e o destaque dessa conferência foi: 
um sistema de saúde para todos, no qual a saúde passa ser um direito 
da população, e com organização descentralizada, com os municípios 
como protagonistas.
Essa proposta de um sistema nacional de saúde enfrentou diversas 
dificuldades no período da ditadura militar, iniciada em março de 1964, 
que aboliu a ideia de saúde como direito, especialmente pelos projetos 
privatizantes como o “Vale Consulta”, uma releitura do SESP (CARVALHO, 
2013).
Porém, é nos porões da ditadura que se gestava um sistema de saúde 
(hoje conhecido como SUS), com o objetivo de colocar a saúde como 
direito de todos, e dever do Estado promover as condições para a 
garantia desse direito. Esse movimento, denominado Reforma Sanitária, 
aconteceu em meados dos anos 1970 e apostava na construção de um 
sistema público de saúde universal, integral e equânime, fortemente 
influenciado pela medicina social e pela saúde coletiva.
26
3. Contribuições da saúde coletiva como 
campo emergente para a construção do 
 Sistema Único de Saúde
Muitas foram as políticas de saúde no Brasil ao longo do tempo. Elas se 
articulavam pelo meio privado, na construção de complexos hospitalares 
e planos privados de saúde, modelo de saúde chamado de modelo 
biomédico, cujo foco é o olhar especialista para as queixas. Esse modelo 
é o que vai fragmentar o corpo em especialidades e subespecialidades 
(ortopedia, neurologia e cardiologia, por exemplo).
Não só a profissão médica tomará essas especialidades em sua 
organização, mas diversas outras também seguirão neste nicho. Esse 
modelo vai confrontar a gênese da saúde coletiva, pois terá grandes 
dificuldades de compreender o indivíduo, agora fragmentado, como um 
todo.
A saúde coletiva emerge no Brasil sob influência da medicina social. Por 
sua vez, a medicina social é motivada pela intersecção de duas outras 
perspectivas sanitárias, oriundas dos Estados Unidos nos anos 1950 e 
1960: a medicina preventiva e a medicina comunitária. Essas propostas 
trazem outro sentido para a própria medicina, abrindo debates para 
os grandes custos dos cuidados por meio da especialização e a própria 
dificuldade de expansão da cobertura para as populações em geral. Há, 
também, nessa perspectiva, um apelo à reforma educacional dos cursos 
médicos, com a criação das faculdades de medicina, os departamentos 
de medicina preventiva. Assim, os cursos de medicina passariam a 
abordar disciplinas como epidemiologia, bioestatística e administração 
de serviços de saúde.
Com isso, propõe-se, superar o biologicismo, o individualismo e o 
hospitalocentrismo da formação, buscando desenvolver nos discentes 
uma visão global dos indivíduos, apesar de todos os desafios e 
27
incoerências que a medicina preventiva e comunitária apresenta. No 
Brasil, em meados dos anos 1960 e 1970 são criados os Departamentos 
de Medicina Preventiva nas escolas médicas, e a dimensão social ou 
coletiva da saúde é redefinida, refletindo a respeito das dimensões 
sociais na saúde. Aspectos sociais e coletivos emergem dessa reflexão 
“como conjunto de efeitos da vida social, como interação entre 
elementos, como campo específico e estruturado de práticas sociais” 
(SOUZA, 2014, p. 10).
Nesse sentido, o movimento que se denomina Saúde Coletiva é o herdeiro 
imediato, porém rebelde, de um movimento ideológico–o preventivismo–
que, como diz Arouca, alude a uma crise real da assistência médica, mas 
ilude e se ilude com a proposição de uma mudança que, na verdade, é 
uma tentativa de manutenção. Essa breve revisão dos movimentos de 
ideologias e intervenções sobre a saúde na perspectiva populacional 
já deixa ver que a Saúde Coletiva tem características próprias que não 
permitem confundi-la com a Saúde Pública, seja entendida como o 
Sanitarismo, especificamente, seja vista, genericamente, como qualquer 
tipo de intervenção sobre a saúde da coletividade. Todavia, para afirmar a 
existência dessas diferenças, apontando-as com precisão, faz-se necessário 
ainda descrever a evolução da Saúde Coletiva brasileira do final dos anos 
70 aos dias atuais. (SOUZA, 2014, p. 10-11)
Assim, a saúde coletiva é tida como uma área do saber que analisa 
as necessidades sociais de saúde e as relaciona à estrutura da 
sociedade, concebendo as ações de atenção à saúde como práticas 
simultaneamente técnicas e sociais. Dessa maneira, impulsionado pela 
8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986, o SUS é concebido como 
um sistema universal, equânime e integral, e o Estado passa a garantir a 
saúde como direito a todos os cidadãos brasileiros, independentemente 
de classe social. A Constituição Federal de 1988 institui o SUS, enquanto 
as Leis Orgânicas da Saúde (Leis n. 8.080/90 e n. 8.142/90) sedimentam 
as diretrizes e o funcionamento do sistema (SOUZA, 2014).
28
Figura 1 – Determinantes sociais da saúde elaborados 
por Dahlgren e Whitehead
Fonte: Dahlgren e Whitehead (1991 apud CARVALHO, 2012, p. 84).
A saúde deve inserir em suas análises pesquisas sobre epidemiologia, 
agregando os condicionantes e determinantes da saúde, e divulgá-los. 
Dessa maneira, o SUS engloba ações de assistência às pessoas por meio 
de ações de proteção, promoção e recuperação da saúde (CARVALHO, 
2013).
4. Ações de saúde pública e saúde coletiva 
presentes no Brasil na atualidade
O SUS, como o sistema de saúde vigente no país, passou e ainda passa 
por uma série de mudanças (seja no financiamento ou nas propostas 
dos programas de assistência), e não cabe discorrer detalhadamente 
a respeito de cada uma delas nesta Leitura Digital. Entretanto, a 
29
organização do SUS em uma rede de serviços que vai desde as 
unidades básicas de saúde, os ambulatórios de especialidades e os 
hospitais de pequeno, médio e grande porte, além de uma série de 
serviços, como laboratórios de fabricação de vacinas, medicamentos, 
laboratórios de tecnologias, serviços de transplantes, articulados com 
setor privado, compondo, desta maneiraum sistema amplo e complexo. 
O SUS também é espaço de formação profissional articulado com 
universidades em nível de graduação e pós-graduação na oferta de 
serviços de diversas ordens para as comunidades, com projetos de 
pesquisa e extensão mediante as diretrizes curriculares dos cursos da 
área de saúde.
Atualmente, a atenção primária à saúde desponta como um dos 
principais programas do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando-
se pela sua estreita ligação com os territórios. Operacionalizada 
através da Estratégia Saúde da Família (ESF), esse programa busca um 
paradigma diferente de cuidados de saúde, incorporando dimensões 
sociais, políticas e econômicas, em contraposição à concepção de saúde 
meramente como a ausência de doença.
A proposta da ESF é o trabalho interprofissional, a fim de romper com 
a lógica fragmentada do cuidado. Tem como estratégia de trabalho 
o compartilhamento de saberes, ampliando as fronteiras de atuação 
de cada profissão e agrupando no campo de cada uma delas os 
fatores extrabiológicos que podem impactar a qualidade de vida e 
as condições de saúde. Logo, é comum que os profissionais realizem 
parcerias com escolas, igrejas e centros de assistência social, ou seja, 
outros serviços presentes nos territórios – o que pode ser chamado de 
intersetorialidade – para ampliar o cuidado e tratar a saúde das famílias, 
dos indivíduos e das coletividades de modo mais plural possível.
O SUS abarca uma rede complexa de serviços, e a atenção básica é um 
dos elementos cruciais para o desenvolvimento de vínculo, por estar 
próximo à população.
30
Por exemplo, uma das orientações de precaução contra a covid-19 é 
lavar as mãos com água e sabão, porém 50% da população brasileira 
não usufrui do direito ao saneamento (MASSA; CHIAVEGATTO, 2020). 
Cabe à saúde pública e à saúde coletiva agregar seus conhecimentos no 
fomento aos debates e na formulação de políticas de assistência a essas 
populações em especial, inserindo temas que tratam da desigualdade 
social no país e dando visibilidade à urgência da equidade no sistema.
Outro exemplo de ação de saúde pública na atualidade realizada pelas 
equipes de saúde da família é o acompanhamento das gestantes, 
desde a descoberta da gravidez, passando pelas orientações e 
acompanhamento de pré-natal, até o planejamento familiar e 
orientações em geral sobre a saúde da mulher e da criança, por meio de 
políticas específicas. Outras políticas de saúde pública também podem 
ser exemplificadas, como as campanhas de vacinação contra a influenza 
e a poliomielite, além das campanhas de conscientização no combate à 
dengue e outras doenças que incidem sobre a saúde das populações.
Referências
CARVALHO, G. A saúde pública no Brasil. Estudos Avançados, São Paulo, v. 27, n. 
78, p. 7-26, 2013.
MASSA, K. H. C. e CHIAVEGATTO, A. D. P. Saneamento básico e saúde autoavaliada 
nas capitais brasileiras: uma análise multinível. Rev. Bras. Epidemiologia, v. 23, 
e200050, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-549720200050. Acesso 
em: 23 mar.2022.
SILVA, C. M. da C. et al. Educação em saúde: uma reflexão histórica de suas práticas. 
Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 5, p. 2.539-2.550, 2010.
SOUZA, L. E. P. F. Saúde Coletiva ou Saúde Pública? Revista Espaço para a Saúde, 
Londrina, v. 15, n. 4, p. 7-21, 2014.
31
Eixos da Saúde Coletiva
Autoria: Mariana da Silva Castro Vianna
Leitura crítica: Nathalia Assis Augusto
Objetivos
• Conhecer os três eixos/ pilares da saúde coletiva: 
ciências sociais; política, planejamento e gestão; e 
epidemiologia.
• Compreender a saúde coletiva como campo de 
saber interdisciplinar.
• Refletir a respeito de como a saúde coletiva se faz 
presente em nosso dia a dia.
32
1. Eixos da Saúde Coletiva
A saúde coletiva é um campo de saber que, no Brasil, apresenta 
uma interdisciplinaridade com as ciências sociais, a epidemiologia, 
a filosofia e as ciências biológicas, citando algumas. Pelo seu caráter 
abrangente, não seria possível explorar todo o campo da saúde 
coletiva em um texto tão breve como este, mas podemos refletir um 
pouco acerca dos principais eixos que sustentam esse campo de 
saber.
Como pilares da saúde coletiva podemos elencar (PAIM, 2006):
• Ciências sociais em saúde, com os determinantes sociais da 
saúde.
• Política, planejamento e gestão em saúde, por meio da 
organização dos serviços de saúde.
• Epidemiologia clássica e social.
Isso significa que, enquanto profissionais de saúde, a saúde coletiva 
nos auxilia a compreender o processo saúde-doença para além do 
campo biomédico, incluindo instrumentos para a investigação desse 
processo nas populações e na organização dos serviços de saúde 
(PAIM, 2006).
1.1 Determinação social da saúde
O entendimento do processo saúde-doença já teve várias explicações 
ao longo da história, e ainda é um fenômeno a ser pesquisado e 
compreendido. Hoje já se entende que não são apenas os aspectos 
biológicos, como vírus e bactérias, os únicos responsáveis pelo 
adoecimento das pessoas. As relações sociais e econômicas têm 
um papel relevante na saúde das pessoas, e o acesso à moradia, 
33
educação, boa alimentação, além de condições de trabalho e renda, 
produzem condições de vida diferentes, com desfechos diversos nas 
vidas das pessoas (CARVALHO; BUSS, 2012).
Mesmo quando consideramos uma doença causada por agente 
etiológico biológico, como um vírus, também observamos forte 
relação com os aspectos sociais e o adoecimento das pessoas. 
Pessoas com má alimentação, por exemplo, podem ser mais 
suscetíveis a contrair o vírus da gripe do que pessoas que com 
alimentação mais saudável. O acesso aos serviços de saúde também 
pode ser determinante no desfecho do processo saúde-doença de 
uma pessoa ou uma comunidade. Por exemplo, pessoas com baixa 
renda têm mais dificuldade em se deslocar até os serviços de saúde, 
o que pode levá-las a ter menos acesso aos serviços de saúde e não 
conseguir cuidar da saúde de forma adequada.
Essas relações entre condições de saúde e condições sociais de uma 
população são refletidas na forma como essa população adoece, e 
vêm sendo objeto de estudo da saúde coletiva brasileira desde a sua 
constituição, mostrando a forte relação das ciências sociais com a 
saúde (MARSIGLIA, 2013).
Diversos modelos já foram criados para explicar a relação entre as 
condições sociais de uma população e o seu impacto no processo 
saúde-doença. Em 2005, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou a 
Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde, objetivando promover 
no mundo uma reflexão acerca do papel dos determinantes sociais nas 
condições de saúde das pessoas (SOBRAL; FREITAS, 2010). Em 2006, o 
Brasil criou a Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde 
(CNDSS) com o propósito de garantir a equidade na saúde, orientar 
intervenções e atuar nas iniquidades de saúde, adotando o modelo 
conceitual de determinação social da saúde criado por Dahlgren e 
Whitehead em 1991 (SOBRAL; FREITAS, 2010).
34
Figura 1 – Modelo de determinação social elaborado por 
Dahlgren e Whitehead
Fonte: Dahlgren e Whitehead (1991 apud SOBRAL; FREITAS, 2010, p. 39).
O modelo de Dahlgren e Whitehead nos mostra a necessidade 
de atuar em diversos setores da sociedade, de forma a promover 
intervenções nos determinantes sociais da saúde e elaborar políticas 
públicas capazes de viabilizar a equidade na saúde (CARVALHO; BUSS, 
2012). O diagrama em camadas mostra a relação entre o processo 
saúde-doença a partir das características individuais (como estilo 
de vida, sexo e idade) na camada inferior, até alcançar as condições 
sociais de uma população, em que só a atuação dos serviços e dos 
profissionais de saúde não é mais capaz de interferir no processo 
saúde-doença (RIBEIRO et al., 2018).
Os macrodeterminantes, destacados na última camada desse modelo, 
necessitam de políticas públicas intersetoriais e da participação 
35
social que garantam melhores condições de vida para as pessoas, 
com políticasde saneamento básico, moradias saudáveis, geração de 
emprego e renda, além de ações voltadas para a promoção da saúde 
e de uma cultura de paz (CARVALHO; BUSS, 2012).
A saúde coletiva visa superar o modelo biomédico, em que a relação 
entre agente etiológico e doença é dominante, ampliando o olhar para 
o processo saúde-doença a partir dos determinantes sociais da saúde. 
Procure olhar para a região onde você mora: quais são os problemas 
de saúde mais prevalentes? Eles estão mais associados a um agente 
etiológico (como vírus e bactérias) ou estão mais relacionados à maneira 
como as pessoas vivem e se relacionam entre si?
Nenhuma pessoa é um ser isolado do seu meio. A forma como 
moramos, as condições de trabalho a que estamos expostos ou 
o ambiente de paz ou de violência no qual estamos inseridos 
contribuem para a configuração da nossa saúde, que é muito mais do 
que apenas a ausência de doenças (CARVALHO; BUSS, 2012).
1.2 Organização dos serviços de saúde
Outro eixo pertinente à saúde coletiva diz respeito à política, 
planejamento e gestão dos serviços de saúde. Como vimos pelos 
determinantes sociais da saúde, o processo saúde-doença é complexo 
e se relaciona com diferentes instâncias da vida em sociedade. As 
formas como os serviços de saúde se organizam também afetam 
a saúde das pessoas, e são, por isso, um tema relevante da saúde 
coletiva.
O Sistema Único de Saúde (SUS) faz parte de uma grande política 
pública de saúde do país, enquanto papel do Estado, com diretrizes 
36
que abrangem desde a promoção da saúde até a reabilitação de 
doenças, e é apoiado nos princípios de universalidade, equidade e 
integralidade (BRASIL, 1990). Embora abrangente nas suas diretrizes, 
o SUS permite que os municípios e os estados tenham uma relativa 
autonomia na tomada de decisão das políticas locais de saúde, 
definindo prioridades na alocação dos recursos e no planejamento 
das ações de saúde (BRASIL, 1990). Em teoria, essa autonomia 
permite que o planejamento das ações de saúde e a organização 
dos serviços sejam realizados de forma a atender às necessidades 
de saúde da população de uma determinada localidade. Na prática, 
percebemos que existem muitas diferenças na forma como estados 
e municípios organizam o seu sistema de saúde, contribuindo muitas 
vezes para manter as iniquidades de saúde da população.
Como exemplo de política pública de saúde que afeta o planejamento 
e a gestão dos serviços de saúde, podemos citar a organização do 
SUS por meio das Redes de Atenção à Saúde (RAS), um arranjo que 
busca superar o modelo fragmentado de atenção à saúde ainda 
existente e alcançar a equidade e a integralidade, princípios do SUS 
(MENDES, 2011; BRASIL, 1990).
As RAS colocam a atenção primária como a coordenadora do cuidado 
e ordenadora da rede de atenção, com as equipes de saúde da família 
e equipes de atenção primária (BRASIL, 2017). Essas equipes, por 
sua vez, devem atuar de maneira a conectar os diversos pontos da 
rede: serviços de média e alta complexidade, de apoio diagnóstico e 
transporte sanitário, entre outros.
37
Figura 2 – Diferença dos sistemas piramidais e hierárquicos para 
as redes de atenção à saúde
Fonte: Mendes (2011, p. 84).
Para que os serviços de saúde fortaleçam as relações em uma rede 
de serviços, e para que se alcancem os princípios do SUS, também é 
necessário que as equipes de saúde inseridas nesses serviços sejam 
capazes de planejar as ações que serão oferecidas para a população. 
Entre as diferentes ferramentas de planejamento utilizadas, destaca-se o 
Planejamento Estratégico Situacional (PES).
O PES se caracteriza por tentar conciliar a ação sobre uma realidade 
complexa, com um olhar estratégico e situacional, considerando a visão 
de múltiplos atores e a utilização de ferramentas operacionais para o 
enfrentamento de problemas. (BRASIL, 2015, p. 59)
Assim, o PES pode ser dividido em quatro momentos (BRASIL, 2015):
• Explicativo: escolha e análise dos principais problemas que 
precisam ser modificados.
• Normativo: elaboração do plano de ação, com destaque para as 
metas a serem alcançadas.
38
• Estratégico: análise de viabilidade do plano, considerando os 
recursos existentes e disponíveis.
• Tático-operacional: aplicação prática do plano.
A elaboração de um planejamento não é neutra nem imparcial, e vai 
depender de quais atores estão envolvidos nas etapas do planejamento 
e como se dão as relações de poder entre esses atores (SILVA, 2018). 
Assim, a participação social assume um papel fundamental na gestão 
do SUS, para que sejam priorizados os problemas de saúde que mais 
afetam as pessoas.
De forma resumida, podemos apresentar esse eixo da saúde coletiva no 
quadro a seguir.
Quadro 1 – Eixo política, planejamento e gestão 
dos serviços de saúde
Elementos Exemplos
Impacto na vida das 
pessoas
Política de Saúde (papel 
do Estado)
Princípios e diretrizes do 
SUS
Políticas temáticas de 
saúde (saúde da criança, 
saúde da mulher, saúde 
do trabalhador etc.).
Acesso aos serviços de 
saúde (universalidade), 
priorização das 
necessidades de saúde 
(equidade) e cuidado 
integral (integralidade).
Planejamento Planejamento Estratégico 
Situacional
Priorização de 
problemas; diferentes 
atores; relações de 
poder.
Gestão Redes de Assistência à 
Saúde
APS como coordenadora 
do cuidado e ordenadora 
da rede.
Fonte: elaborado pela autora.
39
1.3 Epidemiologia clássica e social
Para escolha e análise dos problemas de saúde que são mais 
relevantes para uma determinada localidade, e para posterior 
elaboração do planejamento em saúde, são necessários diferentes 
indicadores de saúde e sociais, capazes de fazer uma leitura, ainda 
que recortada, da realidade. Para isso, a saúde coletiva se apoia na 
epidemiologia como campo de conhecimento.
A epidemiologia clássica utiliza abordagens quantitativas para 
explicar a frequência e a distribuição de agravos de saúde em grupos 
populacionais, na tentativa de compreender o seu surgimento e 
quais medidas são necessárias para combatê-lo (LEAL; BITTENCOURT, 
2018). Muitas críticas são feitas ao caráter positivista e cartesiano da 
epidemiologia clássica, mas é indiscutível o seu papel para avaliar o 
perfil de morbimortalidade da população e, dessa forma, contribuir 
para o desenvolvimento de estratégias de promoção, prevenção e 
cuidado dos problemas de saúde.
Concomitantemente ao período de crítica à saúde pública higienista, 
que culminou com o surgimento da saúde coletiva no Brasil nas 
décadas de 1960 e 1970, também houve uma crítica à epidemiologia 
clássica, fazendo surgir uma nova vertente: a epidemiologia social, ou 
crítica (RAMOS et al., 2016).
A epidemiologia social vem sendo utilizada na área da saúde coletiva 
junto com a epidemiologia clássica, por se debruçar na forma 
como as comunidades e os seus diversos arranjos organizacionais 
impactam a saúde das pessoas, articulando saúde com as ciências 
sociais na busca pelos determinantes sociais da saúde (RAMOS et al., 
2016).
40
Assim, tão importante quanto saber o coeficiente de mortalidade 
infantil de uma região, por exemplo, também é relevante conhecer 
quais fatores sociais (como renda, escolaridade materna e acesso 
ao pré-natal) impactam a taxa de mortalidade infantil dessa mesma 
região. Comparar esses indicadores entre regiões diferentes 
utilizando o mesmo rigor científico também auxilia a compreender 
como a relação desses fatores influencia a vida das pessoas. É 
dessa forma que a saúde coletiva utiliza os conhecimentos da 
epidemiologia: ampliando os olhares para além da causalidade das 
doenças (epidemiologia clássica) e envolvendo os aspectos sociais 
nesse processo (epidemiologia social).
2. Conclusão
Como você deve ter percebido, os eixos da saúde coletiva contam 
com diferentes instrumentos que se aplicam em temas semelhantes, 
e por isso são utilizados quase que concomitantemente. Este texto 
tentou trazer para você, de forma didática, como que cada uma 
dessas áreas de conhecimento se articulacom a saúde coletiva, de 
forma segmentada. Mas, na prática, fica mais difícil saber quando 
uma área acaba e a outra começa, como mostra a Figura 3. Utilizamos 
essas ferramentas constantemente no dia a dia profissional, sem 
perceber todo o arcabouço teórico que existe por trás delas.
Mais do que buscar compreender e explicar um problema de saúde, 
a saúde coletiva se preocupa em entender como a vida das pessoas 
afeta a sua saúde, buscando instrumentalizar políticas e estratégias 
que visam melhorar a vida – e a saúde – dessas pessoas.
41
Figura 3 – Eixos da saúde coletiva
Fonte: elaborada pela autora.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Lei 8080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre 
as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e 
o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, 
1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso 
em: 11 dez. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Planejamento no SUS. Brasília: Ministério 
da Saúde, 2015. Disponível em: https://www.conass.org.br/guiainformacao/wp-
content/uploads/2016/03/Manual_planejamento_sus.pdf. Acesso em: 20 jan. 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2436, de 21 de setembro de 2017. Aprova 
a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para 
42
a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Brasília, 2017.
CARVALHO, A. I.; BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na 
intervenção. In: GIOVANELL, L. Políticas e Sistema de Saúde no Brasil. 2. ed. rev. e 
amp. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2012.
LEAL, M. C.; BITTENCOURT, S. A. Desenvolvimento da pesquisa epidemiológica em 
saúde pública. In: HORTALE, V. A. et al. Pesquisa em saúde coletiva: fronteiras, 
objetos e métodos. 2. reimpressão. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2018.
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sausoc/a/xt9VTQXXLTgxhm6WMyhz3TD/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 20 jan. 
2022.
43
Formação e atuação profissional 
em saúde coletiva
Autoria: Mariana da Silva Castro Vianna
Leitura crítica: Nathalia Assis Augustos
Objetivos
• Conhecer as diretrizes curriculares da área da saúde 
e suas semelhanças com a saúde coletiva.
• Compreender a atuação do profissional de saúde 
coletiva. 
• Refletir a respeito dos desafios a serem superados 
pela saúde coletiva e pelo SUS.
44
1. O ensino da saúde e a saúde coletiva
A área da saúde envolve diferentes profissões que, com seus saberes 
específicos, atuam sobre as pessoas e as maneiras como ocorre o 
processo saúde-doença, em diferentes espaços sociais.
Desde o início dos anos 2000, com o Plano Nacional de Educação 
(BRASIL, 2001) e com a aprovação das Diretrizes Curriculares 
Nacionais (DCN), os cursos superiores da saúde são pautados por 
uma formação que qualifique a assistência à saúde e que contemple 
os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), fruto de uma 
articulação entre Ministério da Saúde (MS) e Ministério da Educação 
(MEC) (COSTA et al., 2018).
Até hoje, foram poucas as mudanças realizadas nas DCN para as 
profissões das áreas da Saúde (BRASIL, 2022), com a maior parte dos 
currículos de graduação orientados para formar profissionais capazes 
de atuar diante das necessidades sociais e de transformar a realidade, 
considerando a atenção à saúde como um conjunto de ações de 
prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, e rompendo 
com a lógica de um cuidado fragmentado (COSTA et al., 2018).
As DCN exigem que os cursos da área da saúde incluam nos seus projetos 
pedagógicos o ensino a respeito do SUS e a inserção precoce do estudante 
nos seus serviços de saúde, acrescentando o ensino da epidemiologia e do 
processo saúde-doença e buscando garantir conhecimento da realidade de 
saúde da sua região (HADDAD et al., 2010).
A relação entre as DCN e o campo da saúde coletiva pode ser vista 
sob diferentes análises. Quando consideramos o campo de saber da 
saúde coletiva e sua trajetória histórica e social, podemos perceber 
45
sua aproximação com os princípios e diretrizes do SUS – em partes 
porque suas origens são semelhantes. A saúde coletiva prioriza a 
atenção à saúde a partir da integralidade e da equidade propostas 
pelo SUS, superando o modelo clínico hegemônico biologicista 
(centrado na doença, no cuidado médico e na assistência hospitalar), 
para criar vínculos entre a população e os profissionais de saúde sob 
uma lógica de cuidado, e não de cura (CARVALHO; CECCIM, 2009). Isso 
vai ao encontro das DCN para as graduações da área da saúde, que 
também orientam a formação de profissionais capazes de trabalhar 
em equipe, superando o modelo clínico hegemônico e o cuidado 
fragmentado do ser humano (COSTA et al., 2018).
Sabemos que, apesar de existirem há cerca de 20 anos, as DCN 
podem não ser suficientes para garantir que a formação dos 
profissionais de saúde alcance o que nelas está previsto. Mesmo com 
orientações para superar métodos de ensino e práticas profissionais 
fragmentadas, percebe-se que ainda é necessário avançar nesse 
quesito (COSTA et al., 2018).
Faça a seguinte reflexão: sua formação na graduação teve mais 
ênfase na cura e cuidado das doenças ou nos processos de vida e 
suas necessidades de saúde? Suas atividades práticas priorizaram os 
serviços de média e alta complexidade, como hospitais, ou buscaram 
trazer a realidade de vida das pessoas, por meio dos serviços de 
atenção primária à saúde (APS)? Essa reflexão é importante para 
entendermos os diferentes olhares que existem sobre o cuidado e 
assistência à saúde, e o quanto estão próximos – ou distantes – das 
orientações previstas nas DCN e dos pressupostos da saúde coletiva.
46
Figura 1 – Semelhanças entre a saúde coletiva e as diretrizes 
curriculares nacionais para a área da saúde
Fonte: adaptada de Costa et al. (2018) e Carvalho e Ceccim (2009).
Um profissional de saúde precisa ter o saber científico e técnico, 
específico da sua área, mas também precisa se amparar em saberes 
das ciências humanas e sociais, para que cuide do outro de maneira 
singularizada e responsável, já que o cuidado em saúde ocorre nas 
relações com o outro, exigindo do profissional um constante repensar 
acerca de sua forma de cuidar (CARVALHO; CECCIM, 2009).
Historicamente, a saúde coletiva surgiu em cursos de pós-graduação, 
na década de 1970. Durante esse período houve uma grande expansão 
na oferta de cursos de pós-graduação em saúde coletiva, incluindo as 
especializações e os programas de mestradoacadêmico, mestrado 
profissional e doutorado (BARATA; SANTOS, 2013). Mais recentemente 
surgiram os cursos de graduação em saúde coletiva, com suas primeiras 
turmas formadas em 2012 (LORENA et al., 2016).
47
A saúde coletiva pressupõe a formação de profissionais, no âmbito da 
graduação ou da pós-graduação, capazes de atender às necessidades de 
saúde da população, considerando as doenças infecciosas e as crônico-
degenerativas e o impacto que a vida social de hoje traz para a saúde 
das pessoas (CARVALHO; CECCIM, 2009). É na saúde coletiva que os 
princípios e diretrizes do SUS se articulam com a prática profissional, 
na tentativa de consolidar o SUS efetivamente (CAMPOS; AGUIAR; 
BELISÁRIO, 2012).
Assim, a formação dos profissionais de saúde no Brasil deve considerar 
os diferentes cenários de atuação profissional, promovendo o trabalho 
em equipe, diversificando os cenários de ensino-aprendizagem, 
valorizando atitudes éticas e humanistas e dando destaque para os 
problemas de maior prevalência e relevância existentes nos cenários de 
prática (CAMPOS; AGUIAR; BELISARIO, 2012).
2. Atuação profissional em saúde coletiva
Pensando em todas essas características da formação em saúde e em 
saúde coletiva, percebe-se que o campo de atuação profissional é vasto, 
considerando os diferentes cenários em que encontramos relação com o 
processo saúde-doença e as necessidades de saúde.
Tradicionalmente, a saúde coletiva é desdobrada em seus campos 
clássicos: políticas e planejamento em saúde, epidemiologia e ciências 
sociais aplicadas à saúde. No entanto, a prática profissional de um 
profissional de saúde coletiva está além desse desdobramento.
Assim, o meio ambiente; o saneamento; as condições de trabalho; as 
condições de produção e comercialização dos alimentos; o impacto das 
diferentes maneiras de viver sobre a saúde das pessoas e das populações; 
a promoção da saúde; a prevenção das doenças; as maneiras como se 
organizam o sistema, os serviços e o cuidado à saúde das pessoas; o 
48
controle sobre a produção e a prescrição de medicamentos; o estudo e o 
controle sobre o comportamento das doenças na população; a educação 
e a informação em saúde; os modos de governar e planejar a saúde, 
envolvendo a participação de diferentes atores sociais; a saúde como 
direito do cidadão; a saúde como direito do consumidor; as maneiras 
como os distintos segmentos sociais compreendem a saúde, a doença e 
a morte e como se organizam para interferir sobre elas – nas cidades e 
nas regiões rurais – são exemplos de temas relacionados às necessidades 
sociais de saúde. (AKERMAN; FEUERWERKER, 2009, p. 172)
Quando pensamos nas áreas de atuação em saúde coletiva, devemos 
considerar alguns aspectos:
• Qual a realidade de saúde do território onde estou inserido?
• Como se organiza o sistema de saúde nesse território?
• Qual o perfil dos serviços de saúde existentes nesse espaço?
• São serviços de saúde públicos? Privados? Centrados no hospital 
ou na APS?
Esses questionamentos são necessários para que se compreenda 
melhor o perfil de atuação profissional, que vai variar conforme o 
cenário de prática.
Figura 2 – Cenários diferentes, diferentes necessidades de saúde
Fonte: pixdeluxe/iStock.com. e AerialPerspectiveWorks/iStock.com. 
49
Ao observamos as duas imagens apresentadas, podemos refletir que 
os modos de viver nesses dois locais é diferente, o que traz diferentes 
necessidades de saúde para as populações desses dois espaços. Qual é 
a realidade social do local onde você vive? Isso também vai interferir na 
sua atuação profissional.
Atuar em saúde coletiva é fazer esse questionamento constantemente, 
já que o principal interesse da saúde coletiva diz respeito às relações 
entre o meio em que vivemos e seu impacto na vida das pessoas.
Dessa forma, retomando os campos clássicos da saúde coletiva, o 
campo de atuação profissional pode exigir mais conhecimentos em 
epidemiologia, por exemplo. Ou pode exigir do profissional mais 
habilidades relacionadas ao planejamento e gestão dos serviços de 
saúde.
A atividade prática da saúde coletiva, enquanto processo de trabalho, 
envolve três componentes básicos (PAIM, 2006):
• Objeto de trabalho: necessidades sociais de saúde.
• Instrumentos de trabalho: epidemiologia, sociologia, economia 
política, ciências sociais.
• Atividades: planejamento, programação, controle e avaliação dos 
serviços e ações de saúde.
O profissional de saúde coletiva pode atuar, portanto, nos serviços de 
saúde propriamente ditos, públicos e privados, oferecendo assistência 
à saúde diretamente à população, como também pode atuar nas áreas 
de gestão em saúde, seja nos próprios serviços ou em órgãos de gestão, 
como secretarias municipais e estaduais de saúde. O terceiro setor 
também é um dos segmentos possíveis de atuação em saúde coletiva, 
com muitas organizações não governamentais (ONGs) atuando pela 
50
melhoria das condições de vida e de saúde das pessoas (AKERMAN; 
FEUERWERKER, 2009).
Aqueles que optarem por atuar na saúde coletiva devem ser
[…] capazes de apoiar a implementação de estratégias voltadas para a 
diretriz da integralidade das ações de saúde e para o desenvolvimento de 
políticas públicas intersetoriais. (PAIM, 2006, p. 108)
Independentemente do espaço de atuação profissional, é necessário 
superar alguns desafios que se apresentam tanto na saúde coletiva 
quanto no SUS, sendo imprescindíveis profissionais capazes de atuar na 
superação desses desafios.
Figura 3 – Desafios a serem superados pela saúde 
coletiva e pelo SUS
Fonte: elaborada pela autora.
Seja qual for o espaço de inserção profissional que você encontrar, é 
esperado do profissional com formação em saúde coletiva competências 
51
e habilidades que o subsidiem a atuar nas necessidades de saúde, 
assumindo a:
[…] direção do processo coletivo de trabalho (planejamento, programação, 
controle e avaliação) como forma de viabilizar a intervenção estruturada 
para atender a tais necessidades. Portanto, suas atividades envolvem 
uma dimensão epidemiológica e social dos meios de trabalho que incide 
na apreensão das necessidades de saúde e na seleção de tecnologias 
para atendê-las e uma dimensão organizacional/gerencial que visa à 
apreensão dos problemas dos serviços de saúde e das organizações, bem 
como a adoção de procedimentos que interferem na factibilidade e na 
viabilidade do trabalho coletivo em saúde. Daí o tripé da Saúde Coletiva 
estar assentado na Epidemiologia, na Planificação & Gestão e nas Ciências 
Sociais em Saúde. (PAIM, 2006, p. 106-107)
Figura 4 – Tripés da saúde coletiva
Fonte: Paim (2006, p. 83).
52
Diante desse contexto, é possível entender o vasto campo de atuação 
da saúde coletiva, que permite trabalharmos em diferentes contextos 
sociais, políticos e organizacionais. Retomando as DCN, a saúde 
coletiva está presente nas graduações da área da saúde ao exigir 
dos profissionais de saúde competências para atuar na promoção, 
na prevenção e no cuidado integral, na tomada de decisões, na 
comunicação e na educação em saúde, na liderança e no trabalho em 
equipes multiprofissionais, na tomada de decisões, administração 
e gerenciamento do cuidado em saúde, dos serviços e do sistema 
de saúde, e na educação permanente (AKERMAN; FEUERWERKER, 
2009). A formação em nível de pós-graduação visa aprimorar essas 
competências, permitindo aos seus alunos organizar múltiplos saberes 
para intervir nos problemas de saúde mais relevantes, com a capacidade 
de avaliar o impacto das intervenções realizadas, traduzindo o 
conhecimento acadêmico para a realidade prática dos serviços de saúde 
(BARATA; SANTOS, 2013).
Os processos de globalização do mundo contemporâneo permitem 
grande rapidez na disseminação de novos conhecimentos, novas 
culturas e, também, novas doenças. As desigualdades sociais tendem 
a se acentuar nesse processo, exigindo cada vez mais profissionais de 
saúde comprometidos a atuar sobre as realidades locais e suprir as 
necessidades sociaisde saúde da população, em constante mudança 
(BARATA; SANTOS, 2013).
Para garantir a atualização constante diante de novos contextos de 
saúde, o profissional de saúde coletiva também deve atuar nos espaços 
de educação permanente, tanto entre os profissionais dos serviços 
de saúde que já estão atuando como na atualização do seu próprio 
conhecimento. A educação permanente exige a reflexão a respeito da 
realidade encontrada nos serviços de saúde, com o objetivo de alterar os 
processos de trabalho existentes, melhorando, assim, o cuidado à saúde 
da população (CAMPOS; AGUIAR; BELISÁRIO, 2012).
53
3. Conclusão
Como apresentado, o profissional de saúde coletiva precisa ter várias 
competências que o habilitem a trabalhar com as necessidades de saúde 
das pessoas. Isso é possível atuando em serviços públicos e privados 
de saúde, seja na assistência direta à saúde ou em cargos de gestão. 
Secretarias de saúde, tanto municipais quanto estaduais, também 
se beneficiam do trabalho desse profissional, além de instituições 
pertencentes ao terceiro setor.
Com tantas possibilidades de inserção profissional, é importante não 
se esquecer do caráter dinâmico que esse profissional deve ter, capaz 
de reunir várias áreas do conhecimento em prol do cuidado à saúde da 
população.
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Onde posso atuar e que competências preciso desenvolver? In: CAMPOS, G. W. S. et 
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BARATA, R. B.; SANTOS, R. V. Ensino de pós-graduação em Saúde Coletiva: situação 
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CAMPOS, F. E.; AGUIAR, R. A. T.; BELISÁRIO, S. A. A formação superior dos 
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54
CARVALHO, Y. M.; CECCIM, R. B. Formação e Educação em Saúde: Aprendizados com 
a Saúde Coletiva. In: CAMPOS, G. W. S. et al. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: 
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COSTA, D. A. S. et al. Diretrizes curriculares nacionais das profissões da Saúde 2001-
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HADDAD, A. E. et al. Formação de profissionais de saúde no Brasil: uma 
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LORENA, A. G. et al. Graduação em Saúde Coletiva no Brasil: onde estão atuando os 
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PAIM, J. S. Desafios para a saúde coletiva no século XXI. Salvador: EDUFBA, 2006. 
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pdf. Acesso em: 20 jan. 2022.
55
BONS ESTUDOS!
	Sumário
	Apresentação da disciplina
	Preventivismo, Medicina Social e Saúde Coletiva
	Objetivos
	1. Apresentação do conteúdo desta Leitura Digital
	2. Conhecendo os conceitos de Medicina Preventiva, Medicina Social e Saúde Coletiva
	3. Pensamento social na saúde: ressonâncias do processo saúde-doença
	Referências
	Saúde Coletiva e Saúde Pública
	Objetivos
	1. Apresentação do conteúdo desta Leitura Digital
	2. Perspectivas históricas da saúde pública brasileira
	3. Contribuições da saúde coletiva como campo emergente para a construção do Sistema Único d
	4. Ações de saúde pública e saúde coletiva presentes no Brasil na atualidade
	Referências
	Eixos da Saúde Coletiva
	Objetivos
	1. Eixos da Saúde Coletiva
	2. Conclusão
	Referências
	Formação e atuação profissional em saúde coletiva
	Objetivos
	1. O ensino da saúde e a saúde coletiva 
	2. Atuação profissional em saúde coletiva
	3. Conclusão
	Referências

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