Prévia do material em texto
FACULDADE PAULO PICANÇO CURSO DE ODONTOLOGIA KARIZA SOARES DE LAVOR TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA UM RELATO DE CASO FORTALEZA 2024 KARIZA SOARES DE LAVOR TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA UM RELATO DE CASO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Odontologia da Faculdade Paulo Picanço, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Odontologia. Orientador: Prof. Esp. Francisco Nathizael Gonçalves. FORTALEZA 2024 KARIZA SOARES DE LAVOR TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA UM RELATO DE CASO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Odontologia da Faculdade Paulo Picanço, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Odontologia. Aprovada em: __/__/_____ BANCA EXAMINADORA: _______________________________________________________ Prof. Esp. Francisco Nathizael Gonçalves (Orientador) Faculdade Paulo Picanço (FACPP) _______________________________________________________ Prof. Esp. Ravel Bezerra Brasileiro Universidade Federal do Ceará (FACPP) _______________________________________________________ Prof. Me. Leandro Rodrigues de Sena Faculdade Paulo Picanço (FACPP) RESUMO O tratamento endodôntico em primeiros pré-molares inferiores com complexidade anatômica é um desafio significativo na prática odontológica. A complexidade anatômica desses dentes, caracterizada por variações na morfologia dos canais radiculares, como canais acessórios, curvaturas acentuadas, fusões e ramificações, apresenta obstáculos adicionais na busca pela limpeza completa e pela obturação eficaz dos canais. Essas complexidades aumentam o risco de complicações, como falhas no tratamento e dor persistente, exigindo frequentemente retratamentos dispendiosos. A compreensão da anatomia radicular precisa é crucial, bem como a aplicação de técnicas precisas e materiais adequados para superar essas complexidades. A literatura endodôntica fornece uma base sólida para abordar essa questão, abordando fatores que influenciam os resultados do tratamento, como a qualidade da obturação e a eliminação eficaz de infecções. Além disso, as diretrizes clínicas e as técnicas modernas de obturação são fundamentais para garantir o sucesso em casos com complexidade anatômica. Este desafio clínico destaca a importância da educação contínua e do compartilhamento de experiências clínicas, visando fornecer insights valiosos para a comunidade odontológica e melhorar a prática endodôntica em situações complexas, contribuindo para a preservação da saúde bucal e o bem-estar dos pacientes. Palavras-Chave: tratamento endodôntico; primeiro pré-molar inferior; complexidade anatômica; morfologia radicular. ABSTRACT Endodontic treatment of anatomically complex mandibular first premolars is a significant challenge in dental practice. The anatomical complexity of these teeth, characterized by variations in root canal morphology such as accessory canals, sharp curvatures, fusions, and ramifications, presents additional obstacles in the pursuit of complete cleaning and effective root canal obturation. These complexities increase the risk of complications such as treatment failure and persistent pain, often requiring costly retreatments. Understanding the precise root anatomy is crucial, as is applying accurate techniques and appropriate materials to overcome these complexities. The endodontic literature provides a solid foundation for addressing this issue, addressing factors that influence treatment outcomes such as obturation quality and effective elimination of infections. In addition, clinical guidelines and modern obturation techniques are essential to ensure success in anatomically complex cases. This clinical challenge highlights the importance of continuing education and sharing clinical experiences, aiming to provide valuable insights to the dental community and improve endodontic practice in complex situations, contributing to the preservation of oral health and the well-being of patients. Keywords: endodontic treatment; first lower premolar; anatomical complexity; root canal morphology. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………….. 7 2 REFERENCIAL TEÓRICO……………………………………………………. 9 3 CASO CLÍNICO: TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA………………. 12 3.1 Caso clínico……………………….……………………….…………………... 12 4 DISCUSSÃO……………………………………………………………………. 15 5 CONCLUSÃO…………………………………………………………………... 17 REFERÊNCIAS………………………………………………………………… 19 APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO………………………………………………………………… 21 7 1 INTRODUÇÃO A endodontia é uma área da odontologia que trata das lesões e doenças da polpa dentária e dos tecidos periapicais (American Association of Endodontists, [s.d]). A terapia endodôntica é um procedimento comum para tratar dentes com lesões irreversíveis da polpa, e consiste na remoção do tecido pulpar inflamado ou infectado, limpeza e modelagem do canal radicular e obturação do espaço com um material adequado (Sjögren et al.,1990). A morfologia dentária se mostra com características variáveis, onde sua configuração dos canais não é apenas um espaço tubular único e sim um complexo sistema, com canais acessórios, canais laterais, canais secundários e comunicações. (Deus, 1992). A anatomia radicular dos primeiros pré-molares inferiores é variável e complexa, apresentando características que podem tornar o tratamento endodôntico mais desafiador. Isso inclui a presença de canais acessórios, curvaturas acentuadas, ramificações e até mesmo a fusão de raízes (Ingle; Bakland, 2002). Essas complexidades anatômicas podem dificultar a limpeza e a obturação adequadas dos canais radiculares, aumentando o risco de complicações durante o tratamento (Gomes; Nejaim, 2017). O tratamento endodôntico em primeiros pré-molares inferiores com complexidade anatômica apresenta desafios únicos que podem resultar em complicações clínicas, como falhas no tratamento, dor persistente ou até mesmo a necessidade de retratamentos. Os cirurgiões dentistas enfrentam desafios como a identificação precisa da anatomia radicular, instrumentação de condutos tortuosos e com complexidades anatômicas, a obturação adequada para evitar vazamentos. Além disso, o impacto da complexidade anatômica na taxa de sucesso a longo prazo desses procedimentos é uma questão relevante. Portanto, investigar esses desafios e suas implicações na prática clínica da endodontia é a chave para o sucesso (Vertucci, 2005; Gomes; Nejaim, 2017; Lopes; Siqueira Júnior, 2010). Além dos aspectos anatômicos, as condições patológicas podem também alterar a anatomia da cavidade pulpar e seus arredores de maneira significativa. Portanto, a modelagem e a limpeza do sistema de canais radiculares precisa necessariamente alcançar toda a cavidade pulpar e conhecer as possíveis alterações anatômicas, pois será imprescindível para que se tenha o sucesso da 8 terapia endodôntica (Prokopowitsch et al., 2018). A cirurgia de acesso trata-se do passo operatório que se inicia desde a trepanação do teto da câmara pulpar até a sua completa remoção, fazendo com que os canais possam ser localizados, acessador, instrumentados e obturados adequadamente, proporcionando melhor desbridamento de todo o canal radicular e consequentemente reduzindo o risco de fratura a instrumentos, permitindo uma boa irrigação. Então, sem o acesso adequado, o profissional encontrará dificuldades no manuseio e manipulação dos instrumentos, fazendo com que os materiais não sejam inseridos corretamente no interior no sistema de canais radiculares (Prokopowitsch et al., 2018). Este relato de caso terá como objetivo a apresentação de um paciente submetido a um tratamento endodôntico no primeiro pré-molar inferior, caracterizado por complexidades anatômicas, com o propósito de realizar uma análise detalhadado procedimento. Adicionalmente, será abordado neste trabalho os fatores de risco inerentes às complexidades anatômicas, bem como as alternativas de tratamento disponíveis. Além disso, discutiremos os fatores de risco associados as complexidades anatômicas, bem como as opções disponíveis de tratamento. Espera-se contribuir para os acadêmicos de odontologia e cirurgiões-dentistas, por meio da provisão de discernimentos e orientações para a abordagem de casos clínicos semelhantes (Prokopowitsch et al., 2018). 9 2 REFERENCIAL TEÓRICO A American Association of Endodontists ([s.d]) define a endodontia como uma especialidade odontológica dedicada ao tratamento dos tecidos internos dos dentes, incluindo a polpa dental. Essa definição estabelece o campo de estudo e atuação da endodontia, enfatizando a importância do tratamento endodôntico na preservação dos dentes e na saúde bucal como um todo. Lopes e Siqueira Júnior (2010) fornecem uma visão abrangente das técnicas endodônticas em seu livro "Endodontia: Biologia e Técnica". Isso inclui procedimentos específicos que podem ser aplicados em casos com complexidades anatômicas, com ênfase nas abordagens clínicas mais eficazes, onde o uso de técnicas avançadas como a tomografia computadorizada de feixe cônico e sistemas de instrumentação, medicação intracanal tem demonstrado grandes resultados diante dessas complexidades. Portela et al. (2011) enfatizam ser de muita importância o conhecimento da anatomia interna radicular, para que todos os canais existentes sejam localizados e tratados devidamente, contudo eles podem apresentar variações quanto ao número, apresentando suas ramificações e fusões, quanto à direção relativa, quanto ao seu calibre, quanto ao aspecto, à secção e a acessibilidade. O pré-molar inferior geralmente apresenta uma única raiz, sendo amplo ou levemente achatado no sentido mesio-distal, com um canal único, longo e retilíneo. Porém, as suas variações anatômicas consistem no aparecimento de mais uma raiz ou canal radicular. Segundo Silva et al. (2013) a necrose pulpar é quando as células presentes no sistema de irrigação e suprimento sanguíneo do tecido pulpar começar a sofrer morte celular por conta da produção dos ácidos bacterianos causados pela doença cárie, fazendo assim, com que o tecido da parte coronária do dente seja o primeiro a começar seu processo de necrose causando problema irreversível, já que é o mais próximo à lesão de cárie. Então, o dente que apresenta polpa necrótica não responde aos testes térmicos de frio e elétrico, já para os testes de calor e percussão, o elemento dental responde dolorosamente quando os tecidos periapicais já estiverem comprometidos. Schuh e Azevedo (2021) define que os agentes etiológicos da necrose pulpar conforme a sua origem são: físico, químico ou microbiano onde as principais causa 10 destacam-se os microbianos, sendo mais presente a doença cárie. A necrose pulpar cessa as funções vitais da polpa, podendo ocasionar um processe de degeneração, caso não tratado precocemente, poderá levar a proliferação de bactérias para o osso alveolar, ocasionando lesões ósseas periapicais. Kirchhoff, Viapianda e Ribeiro (2013) explica em seu estudo que a pericementite apical pode se apresentar na forma aguda e crônica sendo caracterizada por uma inflamação dos tecidos localizados ao redor do ápice radicular, iniciando com uma inflamação aguda do pericemento aplical que pode se estender até o osso de suporte adjacente. Essas características são mais sintomáticas e microscópicas do que presente nos exames radiográficos. A reação inflamatória no ligamento periodontal aplical se mostra histologicamente com vasodilatação, acúmulo de exsudato que distende o ligamento periodontal ocasionando uma ligeira extrusão do dente e a presença também de leucócitos polimorfonucleares. Em casos de dente com submetidos a tratamento endodônticos, a pericementite apical aguda pode ser consequência de manobras realizadas no interior do canal radicular, traumatizando o ligamento periodontal, sendo um fator de trauma mecânico, quando um corpo estranho se instala no ligamento periodontal, assim como, instrumento endodôntico, cone de papel absorvente. Fachin, Nunes e Mendes (2006) explica que a medicação intracanal tem sido um valioso complemento de desinfecção do sistema de canais radiculares necróticos, diminuindo a microbiota endodôntica e, com isso se obtém o reparo tecidual periapical, então a escolha de um curativo de demora precisa ser bastante criteriosa, pois os antissépticos que ajudam a controlar a infecção também podem causar irritação e até mesmo destruição dos tecidos vivos. Uma ótima opção é a pasta de hidróxido de cálcio, que é a mistura do pó de hidróxido de cálcio puro com água destilada ou soro fisiológico. Seu uso como medicação intracanal devido ao seu pH alto para tratamento de necrose pulpar, baseia-se na sua ação antisséptica, antimicrobiana e reparo tecidual. Então, o hidróxido de cálcio é altamente indicado no tratamento endodôntico de dente com lesões periapicais, pois tem uma maior atividade anti-inflamatória, além de formação de pontes de proteína de cálcio e inibidor da fosfolipase. Fachin, Nunes e Mendes (2006) citam que a clorexidina pode ser outro medicamento usado para medicação intracanal, pois mostra vantagens pelas suas propriedades de ser bactericida e bacteriostática e, possui capacidade de adsorção 11 às superfícies e alta substantividade, além de ser usada para irrigação de canais radiculares durante o preparo químico-mecânico. Gomes e Nejaim (2017) destacam a relevância da obturação adequada do canal radicular na endodontia, um aspecto crítico em casos com complexidades anatômicas. Eles abordam as técnicas e os materiais envolvidos na obturação eficaz, enfatizando a necessidade de lidar com as variações anatômicas com precisão. Vertucci (2005) discute em seu estudo a morfologia dos canais radiculares e sua relação direta com os procedimentos endodônticos. Ele explora a importância de compreender a anatomia radicular ao abordar casos complexos, o que pode influenciar as estratégias de tratamento. Sjögren et al. (1990) exploram os fatores que afetam os resultados a longo prazo do tratamento endodôntico em seu estudo. Eles analisam questões como a qualidade da obturação e a eficácia na eliminação de infecções, destacando a importância desses fatores na obtenção de resultados bem-sucedidos. Lopes e Siqueira Júnior (2010) enfatiza que a conclusão do tratamento endodôntico em sessão única pode envolver várias restrições e causar fadiga tanto do profissional como do paciente, e não pode ser realizado, no caso de periodontite apical aguda, quando os canais radiculares estiverem úmidos devido ao exsudado. Portanto, fatores que precisam ser considerados para a escolha do tratamento endodôntico são a habilidade do profissional, as condições em que o dente se encontra (vital ou não vital), presença ou não de exsudato e edema, as limitações do paciente e sua história médica. 12 3 CASO CLÍNICO: TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA: RELATO DE CASO. Este trabalho de conclusão de curso está baseado no Art. 3º do Regulamento de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Faculdade Paulo Picanço, que regulamenta os formatos aceitos para TCCs de graduação e permite a inserção de Relato de Caso Clínico de autoria ou coautoria do candidato. 3.1 Caso clínico Paciente F.E.O.M.J., sexo masculino, pardo, 49 anos, compareceu ao consultório odontológico da Faculdade Paulo Picanço se queixando de dor ao toque no dente 34. Durante a anamnese, o paciente relatou ser portador de hipertensão e tomar a medicação Losartana Potássica 50 mg, não possuía hipersensibilidade medicamentosa e a anestesia local. Durante o exame clínico, foi constatado presença de restauração em resina composta na face vestibular do dente 34. O paciente relatou dor exacerbada a palpação no fundode saco da região e na percussão vertical do elemento 34, e relatou também presença de dor espontânea. Tinha um leve inchaço no fundo de saco. Ao teste de sensibilidade, com o frio, ele mostrou-se assintomático. No exame radiográfico periapical (Figura 01), foi observado uma área radiolúcida próximo ao ápice radicular, sugestiva de lesão perirradicular, além de imagem sugestiva de 2 canais radiculares. Figura 1 - Dente 34 raio x inicial para auxiliar no diagnóstico. Fonte: Fotografia produzida pelo autor (2023) Sendo assim, o elemento foi anestesiado pela técnica infiltrativa com articaína, isolado com lençol de borracha, arco de ostby plástico para ser feito o 13 acesso na superfície oclusal. Foi utilizado uma ponta diamantadas em alta rotação n 1014 e broca Endo Z. Após o acesso e preparo da câmara pulpar, não houve presença de sangramento, conforme o diagnóstico, dente estava necrosado. Por se tratar de um dente com necrose pulpar, foi realizado irrigação abundante com clorexidina 2% líquida. Em seguida, para localizar ambos os canais foram utilizados uma Lima #10 em 16 mm (comprimento provisório) em seguida utilizou-se limas tipo kerr #20 e #25 para neutralização do conteúdo necrótico nos terços cervical e médio, sempre acompanhada de copiosa irrigação/aspiração com CLX 2%. Dando continuidade ao preparo biomecânico, foi mensurado o comprimento real do elemento, com localizador eletrônico foraminal RomiApex A-15 e Lima # 15, localizando o comprimento de trabalho (CT) de 20 mm para o canal vestibular e 19 mm para o canal palatino. Devido à complexidade anatômica, foi escolhido a utilização de um sistema mecanizado para a instrumentação. A sequência de instrumentais do kit Protaper NeXT, conforme a orientação do fabricante, foi o escolhido. Na sequência, foram utilizadas as limas #SX (na limpeza e modelagem do terço cervical e médio), e por fim a #S1, #S2, #F1 e #F2, em ambos os canais. A lima memória (LM) foi a #F2, na qual sua ponta ativa é equivalente à Lima #25. Sempre irrigando abundantemente a cada troca de instrumental. Seguindo o protocolo de irrigação final, foi feito 3 trocas alternadas de CLX 2% e Ácido etilenodiamino tetra-acético 17% (EDTA), com agitação das soluções químicas auxiliares por 20 segundos com a LM. Para finalizar a primeira sessão, foi manipulada pasta de hidróxido de cálcio com soro e introduzida no interior do canal e realizada a restauração provisória com ionômero de vidro (CIV). O paciente retornou 7 dias depois, com ausência de sensação dolorosa, a percussão vertical e a palpação no fundo de saco, sendo decidido realizar a obturação do sistema de canais. Aplicou-se a anestesia local infiltrativa com articaína, seguido de remoção do CIV com ponta diamantadas em alta rotação n 1014 e isolamento absoluto, conforme foi feito na primeira sessão. Após ter acesso aos sistemas de canais radiculares novamente, foi bastante irrigado/aspirado com CLX 2% e recapitulação com a LM no CT até a remoção completa de toda a medicação intracanal. A patência foi alcançada novamente com a lima #15, e o cone de guta-percha selecionado foi o extra longo médio (M), com sua extremidade menos calibrosa adaptada com referência a LM #25. O cone foi desinfectado com álcool 70, testado e 14 aprovado nos 3 critérios: tátil, visual e radiográfico. O protocolo de irrigação final foi realizado novamente, como na primeira sessão e a rinsagem final ficou a cargo da solução de soro fisiológico. Os canais foram secos com pontas de papel estéreis, e a obturação feita com o cone de guta-percha e cimento endodôntico a base de óxido de zinco e eugenol (endofill). E por fim, feita a termoplastificação com condensador de guta-percha #40 conforme a técnica híbrida de Tagger. Em seguida, foi feito o corte da massa obturadora com calcador de Paiva aquecido até o limite da entrada do canal, feito a compactação vertical com calcador de Paiva frio, a limpeza da câmara pulpar com algodão e álcool, restauração provisória com CIV, remoção do isolamento absoluto e radiografia final. Ao analisarmos a radiografia final, foi visto a adequada obturação do sistema de canais radiculares. Também foi salientado ao paciente a importância da confecção da restauração em resina composta e sobre o retorno com 06 seis meses para a prevenção. Figura 2 - Radiografica final do tratamento endodôntico do dente 34. Fonte: Fotografia produzida pelo autor (2023) 15 4 DISCUSSÃO O tratamento endodôntico desempenha um importante papel na manutenção dos dentes naturais, evitando a sua extração, pois quando tratamos a polpa dentária que está infectada ou inflamada, o profissional alivia a dor do paciente e restaura a função mastigatória normal. O paciente precisa ficar atento as possíveis causas que podem levar a uma necrose pulpar como cáries extensas, toque prematuro, trauma oclusal, restaurações profundas realizadas a bastante anos (Mendiburu-Zavala, 2016). Ao optar pelo tratamento endodôntico o paciente mantém a sua harmonia e a estética do sorriso e preservação da sua oclusão. Além disso, esse tratamento é primordial para o elemento dental poder se reintegrar fisiologicamente ao sistema estomagnático. A pesquisa de Schuh e Azevedo (2021) ressalta a necessidade de realizar o tratamento endodôntico tomando medidas preventivas com uma excelente assepsia contra as bactérias antes e durante o tratamento, a fim de evitar infecções secundárias e persistentes. Sobre a escolha de sessão única ou múltiplas sessões no tratamento endodôntico, o profissional precisa ser cauteloso ao fazer a sua escolha. Siqueira Júnior et al. (2018) enfatiza que apesar da sessão única ser mais vantajosa pelo seu custo benefício e tempo, o profissional deve considerar vários fatores como já mencionado nesse estudo como, a sua habilidade e experiência clínica, condições do dente e presença de exsudato. Nesse estudo foi optado ao paciente a realização do tratamento endodôntico em sessões múltiplas no dente 34, pelo fato da sua complexidade anatômica e presença de exsudato, pois o dente em questão encontrava-se necrosado com proliferação de bactéria anaeróbicas. Umas das etapas muito importantes no tratamento endodôntico é a escolha da medicação intracanal, pois as bactérias não estão apenas no canal radicular principal, e sim, por todo o sistema de canais radiculares (túbulos dentinários e superfície externa da raiz) onde o preparo químico mecânico e uso de irrigantes não consegue alcançar, a medicação irá eliminar e/ou diminuir a proliferação das bactérias. Nesse estudo foi escolhido o uso do Hidróxido de Cálcio, altamente indicado para casos de canal radicular necrosado, por conta de suas propriedades de formar tecido mineralizado, controlar a inflamação e de poder realizar a reabsorção óssea dentária, como mencionado por Rozatto (2010). 16 Por fim, a obturação dos canais radiculares irá selar toda a extensão da cavidade endodôntica, desde a embocadura dos canais até o término apical, com o intuito de concluir clinicamente a terapia endodôntica, esse passo de acordo com Lopes e Siqueira Júnior (2010) é crucial para o sucesso do tratamento, ao evitar infiltrações bacterianas e promove reparação dos tecidos periapicais. 17 5 CONCLUSÃO O tratamento endodôntico de um caso de necrose pulpar com complexidade anatômica, como relatado, exige um alto nível de precisão e um protocolo cuidadosamente planejado. O sucesso do tratamento está diretamente relacionado à aplicação rigorosa de cada etapa, desde o diagnóstico até o acompanhamento pós-tratamento. A primeira etapa essencial é o diagnóstico diferencial, que permite identificar corretamente a condição pulpar do paciente e determinar o melhor curso de ação. Um diagnóstico preciso, apoiado por exames clínicos e radiográficos, é fundamental para compreender a extensão da necrose e as particularidades anatômicas do sistema de canais radiculares. Além disso, a assepsia eficiente por meio do isolamento absolutoé crucial para manter o ambiente livre de contaminantes durante todo o procedimento. A instrumentação adequada é um dos maiores desafios em casos com complexidade anatômica. Canais curvos ou de difícil acesso exigem o uso de instrumentos adequados, como limas de níquel-titânio, que oferecem maior flexibilidade e precisão. A instrumentação inadequada pode causar danos ao sistema de canais, comprometendo a eficácia do tratamento. Outro aspecto vital é a irrigação dos canais com soluções eficazes, como o hipoclorito de sódio, que não só limpa e desinfecta, mas também elimina detritos e bactérias do sistema de canais. A fase final do procedimento é a obturação hermética e tridimensional dos canais radiculares. A obturação precisa ser realizada de forma a selar completamente o sistema de canais, garantindo que não haja espaço para reinfecção. A guta-percha, combinada com seladores apropriados, é o material de escolha para essa etapa, permitindo um preenchimento eficiente de todos os espaços. Finalmente, o acompanhamento pós-tratamento é crucial para garantir a cicatrização adequada dos tecidos e a longevidade do tratamento. Radiografias periódicas e avaliações clínicas permitem monitorar o sucesso do procedimento e identificar qualquer sinal de complicação. O caso clínico relatado acima mostra a realização de uma endodontia em estado de necrose pulpar e com complexidade anatômica, com terapia medicamentosa e um protocolo assertivo, obtendo o sucesso almejado e satisfatório no tratamento diante da condição clínica do paciente. Portanto, é primordial seguir todas as etapas criteriosamente desde o diagnóstico diferencial, assepsia eficiente, 18 instrumentação adequada, irrigações e medicações intracanal com soluções eficazes e apropriadas e por fim uma obturação hermética e tridimensional do sistema de canais radiculares e acompanhamento pós tratamento. 19 REFERÊNCIAS AMERICAN ASSOCIATION OF ENDODONTISTS. What’s the difference between a dentist and na endodontist?. [S.l.; S. D.], Disponível em: https://www.aae.org/specialty/about- endodontics/what-is-an-endodontist/. Acesso em: 10 set. 2023. DEUS, Q. D. Endodontia. 5 ed. Rio de Janeiro : MEDSI Editora Médica e Científica Ltda , 1992. GOMES, M. S.; NEJAIM, Y. Obturação do canal radicular. In: GOMES, M. S.; NEJAIM, Y. (Eds.). Endodontia: diagnóstico, tratamento e prevenção de acidentes. 1. ed. São Paulo: Quintessence Editora Ltda., 2017. p. 437-473. INGLE, J. I.; BAKLAND, L. K. Endodontics. 5. ed. Ontario: BC Decker Inc., 2002. KIRCHHOFF, A. L.; VIAPIANA, R.; RIBEIRO, R. G. Repercussões periapicais em dentes com necrose pulpa. Revista Gaúcha de Odontologia, v.61, suppl. 1, p. 469-475, 2013. LOPES, H.; SIQUEIRA JÚNIOR, J. F. Endodontia: biologia e técnica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. PROKOPOWITSCH, I. et al. Anatomia dental interna. In: GAVINI, G. (org.). Manual de fundamentos teóricos e práticos em endodontia. São Paulo: FOUSP, 2018. cap. 1, p. 4-9. SILVA, M. L. G. et al. Necrose pulpar: Tratamento seção única ou múltipla. Revista FAIPE, v.3, n.1, 2013. SJÖGREN, U. L. F. et al. Factors affecting the long-term results of endodontic treatment. Journal of endodontics, v. 16, n. 10, p. 498-504, 1990. VERTUCCI, F. J. Root canal morphology and its relationship to endodontic procedures. Endodontic topics, v. 10, n. 1, p. 3-29, 2005. PORTELA, C. P. et al. Estudo da anatomia interna dos pré-molares – Revisão de literatura. Odonto, v. 19, n. 37, p. 63-72, 2011. MENDIBURU-ZAVALA, C. et al. Afecciones pulpares de origen no infeccioso en orgános dentários com oclusión traumática. Revista Cubana Estomatologia, v. 53, n. 2, p. 29-36, 2016. SCHUH, W.; AZEVEDO, F. M. G. Necrose pulpar e agentes microbianos: revisão de literatura. Anais de Odontologia, v. 4, n. 1, p. 88 - 94, 2021. FACHIN, E. V. F.; NUNES, L. S. D. S.; MENDES, A. F. Alternativas de medicação intracanal em casos de necrose pulpar com lesão periapical. Revista Odonto Ciência, v. 21, n. 54, p. 351-357, 2006. 20 SIQUEIRA JÚNIOR, J. F. et al. Unprepared root canal surface areas: Causes, clinical implications, and therapeutic strategies. Brazilian Oral Research, v.32, suppl. 1, p.1-19, 2018 ROZATTO, J. R. Revisão de literatura: pastas à base de hidróxido de cálcio usadas como medicação intracanal. 2010. Monografia (Graduação em Odontologia) - Faculdade de Odontologia De Piracicaba, Universidade Estadual De Campinas, Piracicaba, 2010. 21 APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 22 23