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FACULDADE PAULO PICANÇO
CURSO DE ODONTOLOGIA
KARIZA SOARES DE LAVOR
TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM
COMPLEXIDADE ANATÔMICA UM RELATO DE CASO
FORTALEZA
2024
KARIZA SOARES DE LAVOR
TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM
COMPLEXIDADE ANATÔMICA UM RELATO DE CASO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Odontologia da
Faculdade Paulo Picanço, como requisito
parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Odontologia.
Orientador: Prof. Esp. Francisco
Nathizael Gonçalves.
FORTALEZA
2024
KARIZA SOARES DE LAVOR
TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR COM
COMPLEXIDADE ANATÔMICA UM RELATO DE CASO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Odontologia da
Faculdade Paulo Picanço, como requisito
parcial para obtenção do título de
Bacharel em Odontologia.
Aprovada em: __/__/_____
BANCA EXAMINADORA:
_______________________________________________________
Prof. Esp. Francisco Nathizael Gonçalves (Orientador)
Faculdade Paulo Picanço (FACPP)
_______________________________________________________
Prof. Esp. Ravel Bezerra Brasileiro
Universidade Federal do Ceará (FACPP)
_______________________________________________________
Prof. Me. Leandro Rodrigues de Sena
Faculdade Paulo Picanço (FACPP)
RESUMO
O tratamento endodôntico em primeiros pré-molares inferiores com complexidade
anatômica é um desafio significativo na prática odontológica. A complexidade
anatômica desses dentes, caracterizada por variações na morfologia dos canais
radiculares, como canais acessórios, curvaturas acentuadas, fusões e ramificações,
apresenta obstáculos adicionais na busca pela limpeza completa e pela obturação
eficaz dos canais. Essas complexidades aumentam o risco de complicações, como
falhas no tratamento e dor persistente, exigindo frequentemente retratamentos
dispendiosos. A compreensão da anatomia radicular precisa é crucial, bem como a
aplicação de técnicas precisas e materiais adequados para superar essas
complexidades. A literatura endodôntica fornece uma base sólida para abordar essa
questão, abordando fatores que influenciam os resultados do tratamento, como a
qualidade da obturação e a eliminação eficaz de infecções. Além disso, as diretrizes
clínicas e as técnicas modernas de obturação são fundamentais para garantir o
sucesso em casos com complexidade anatômica. Este desafio clínico destaca a
importância da educação contínua e do compartilhamento de experiências clínicas,
visando fornecer insights valiosos para a comunidade odontológica e melhorar a
prática endodôntica em situações complexas, contribuindo para a preservação da
saúde bucal e o bem-estar dos pacientes.
Palavras-Chave: tratamento endodôntico; primeiro pré-molar inferior; complexidade
anatômica; morfologia radicular.
ABSTRACT
Endodontic treatment of anatomically complex mandibular first premolars is a
significant challenge in dental practice. The anatomical complexity of these teeth,
characterized by variations in root canal morphology such as accessory canals,
sharp curvatures, fusions, and ramifications, presents additional obstacles in the
pursuit of complete cleaning and effective root canal obturation. These complexities
increase the risk of complications such as treatment failure and persistent pain,
often requiring costly retreatments. Understanding the precise root anatomy is
crucial, as is applying accurate techniques and appropriate materials to overcome
these complexities. The endodontic literature provides a solid foundation for
addressing this issue, addressing factors that influence treatment outcomes such as
obturation quality and effective elimination of infections. In addition, clinical
guidelines and modern obturation techniques are essential to ensure success in
anatomically complex cases. This clinical challenge highlights the importance of
continuing education and sharing clinical experiences, aiming to provide valuable
insights to the dental community and improve endodontic practice in complex
situations, contributing to the preservation of oral health and the well-being of
patients.
Keywords: endodontic treatment; first lower premolar; anatomical complexity; root
canal morphology.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………….. 7
2 REFERENCIAL TEÓRICO……………………………………………………. 9
3 CASO CLÍNICO: TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ
MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA………………. 12
3.1 Caso clínico……………………….……………………….…………………... 12
4 DISCUSSÃO……………………………………………………………………. 15
5 CONCLUSÃO…………………………………………………………………... 17
REFERÊNCIAS………………………………………………………………… 19
APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO………………………………………………………………… 21
7
1 INTRODUÇÃO
A endodontia é uma área da odontologia que trata das lesões e doenças da
polpa dentária e dos tecidos periapicais (American Association of Endodontists,
[s.d]). A terapia endodôntica é um procedimento comum para tratar dentes com
lesões irreversíveis da polpa, e consiste na remoção do tecido pulpar inflamado ou
infectado, limpeza e modelagem do canal radicular e obturação do espaço com um
material adequado (Sjögren et al.,1990).
A morfologia dentária se mostra com características variáveis, onde sua
configuração dos canais não é apenas um espaço tubular único e sim um complexo
sistema, com canais acessórios, canais laterais, canais secundários e
comunicações. (Deus, 1992).
A anatomia radicular dos primeiros pré-molares inferiores é variável e
complexa, apresentando características que podem tornar o tratamento endodôntico
mais desafiador. Isso inclui a presença de canais acessórios, curvaturas acentuadas,
ramificações e até mesmo a fusão de raízes (Ingle; Bakland, 2002). Essas
complexidades anatômicas podem dificultar a limpeza e a obturação adequadas dos
canais radiculares, aumentando o risco de complicações durante o tratamento
(Gomes; Nejaim, 2017).
O tratamento endodôntico em primeiros pré-molares inferiores com
complexidade anatômica apresenta desafios únicos que podem resultar em
complicações clínicas, como falhas no tratamento, dor persistente ou até mesmo a
necessidade de retratamentos. Os cirurgiões dentistas enfrentam desafios como a
identificação precisa da anatomia radicular, instrumentação de condutos tortuosos e
com complexidades anatômicas, a obturação adequada para evitar vazamentos.
Além disso, o impacto da complexidade anatômica na taxa de sucesso a longo prazo
desses procedimentos é uma questão relevante. Portanto, investigar esses desafios
e suas implicações na prática clínica da endodontia é a chave para o sucesso
(Vertucci, 2005; Gomes; Nejaim, 2017; Lopes; Siqueira Júnior, 2010).
Além dos aspectos anatômicos, as condições patológicas podem também
alterar a anatomia da cavidade pulpar e seus arredores de maneira significativa.
Portanto, a modelagem e a limpeza do sistema de canais radiculares precisa
necessariamente alcançar toda a cavidade pulpar e conhecer as possíveis
alterações anatômicas, pois será imprescindível para que se tenha o sucesso da
8
terapia endodôntica (Prokopowitsch et al., 2018).
A cirurgia de acesso trata-se do passo operatório que se inicia desde a
trepanação do teto da câmara pulpar até a sua completa remoção, fazendo com que
os canais possam ser localizados, acessador, instrumentados e obturados
adequadamente, proporcionando melhor desbridamento de todo o canal radicular e
consequentemente reduzindo o risco de fratura a instrumentos, permitindo uma boa
irrigação. Então, sem o acesso adequado, o profissional encontrará dificuldades no
manuseio e manipulação dos instrumentos, fazendo com que os materiais não sejam
inseridos corretamente no interior no sistema de canais radiculares (Prokopowitsch
et al., 2018).
Este relato de caso terá como objetivo a apresentação de um paciente
submetido a um tratamento endodôntico no primeiro pré-molar inferior, caracterizado
por complexidades anatômicas, com o propósito de realizar uma análise detalhadado procedimento. Adicionalmente, será abordado neste trabalho os fatores de risco
inerentes às complexidades anatômicas, bem como as alternativas de tratamento
disponíveis. Além disso, discutiremos os fatores de risco associados as
complexidades anatômicas, bem como as opções disponíveis de tratamento.
Espera-se contribuir para os acadêmicos de odontologia e cirurgiões-dentistas, por
meio da provisão de discernimentos e orientações para a abordagem de casos
clínicos semelhantes (Prokopowitsch et al., 2018).
9
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A American Association of Endodontists ([s.d]) define a endodontia como uma
especialidade odontológica dedicada ao tratamento dos tecidos internos dos dentes,
incluindo a polpa dental. Essa definição estabelece o campo de estudo e atuação da
endodontia, enfatizando a importância do tratamento endodôntico na preservação
dos dentes e na saúde bucal como um todo.
Lopes e Siqueira Júnior (2010) fornecem uma visão abrangente das técnicas
endodônticas em seu livro "Endodontia: Biologia e Técnica". Isso inclui
procedimentos específicos que podem ser aplicados em casos com complexidades
anatômicas, com ênfase nas abordagens clínicas mais eficazes, onde o uso de
técnicas avançadas como a tomografia computadorizada de feixe cônico e sistemas
de instrumentação, medicação intracanal tem demonstrado grandes resultados
diante dessas complexidades.
Portela et al. (2011) enfatizam ser de muita importância o conhecimento da
anatomia interna radicular, para que todos os canais existentes sejam localizados e
tratados devidamente, contudo eles podem apresentar variações quanto ao número,
apresentando suas ramificações e fusões, quanto à direção relativa, quanto ao seu
calibre, quanto ao aspecto, à secção e a acessibilidade. O pré-molar inferior
geralmente apresenta uma única raiz, sendo amplo ou levemente achatado no
sentido mesio-distal, com um canal único, longo e retilíneo. Porém, as suas
variações anatômicas consistem no aparecimento de mais uma raiz ou canal
radicular.
Segundo Silva et al. (2013) a necrose pulpar é quando as células presentes
no sistema de irrigação e suprimento sanguíneo do tecido pulpar começar a sofrer
morte celular por conta da produção dos ácidos bacterianos causados pela doença
cárie, fazendo assim, com que o tecido da parte coronária do dente seja o primeiro a
começar seu processo de necrose causando problema irreversível, já que é o mais
próximo à lesão de cárie. Então, o dente que apresenta polpa necrótica não
responde aos testes térmicos de frio e elétrico, já para os testes de calor e
percussão, o elemento dental responde dolorosamente quando os tecidos
periapicais já estiverem comprometidos.
Schuh e Azevedo (2021) define que os agentes etiológicos da necrose pulpar
conforme a sua origem são: físico, químico ou microbiano onde as principais causa
10
destacam-se os microbianos, sendo mais presente a doença cárie. A necrose pulpar
cessa as funções vitais da polpa, podendo ocasionar um processe de degeneração,
caso não tratado precocemente, poderá levar a proliferação de bactérias para o osso
alveolar, ocasionando lesões ósseas periapicais.
Kirchhoff, Viapianda e Ribeiro (2013) explica em seu estudo que a
pericementite apical pode se apresentar na forma aguda e crônica sendo
caracterizada por uma inflamação dos tecidos localizados ao redor do ápice
radicular, iniciando com uma inflamação aguda do pericemento aplical que pode se
estender até o osso de suporte adjacente. Essas características são mais
sintomáticas e microscópicas do que presente nos exames radiográficos. A reação
inflamatória no ligamento periodontal aplical se mostra histologicamente com
vasodilatação, acúmulo de exsudato que distende o ligamento periodontal
ocasionando uma ligeira extrusão do dente e a presença também de leucócitos
polimorfonucleares. Em casos de dente com submetidos a tratamento endodônticos,
a pericementite apical aguda pode ser consequência de manobras realizadas no
interior do canal radicular, traumatizando o ligamento periodontal, sendo um fator de
trauma mecânico, quando um corpo estranho se instala no ligamento periodontal,
assim como, instrumento endodôntico, cone de papel absorvente.
Fachin, Nunes e Mendes (2006) explica que a medicação intracanal tem sido
um valioso complemento de desinfecção do sistema de canais radiculares
necróticos, diminuindo a microbiota endodôntica e, com isso se obtém o reparo
tecidual periapical, então a escolha de um curativo de demora precisa ser bastante
criteriosa, pois os antissépticos que ajudam a controlar a infecção também podem
causar irritação e até mesmo destruição dos tecidos vivos. Uma ótima opção é a
pasta de hidróxido de cálcio, que é a mistura do pó de hidróxido de cálcio puro com
água destilada ou soro fisiológico. Seu uso como medicação intracanal devido ao
seu pH alto para tratamento de necrose pulpar, baseia-se na sua ação antisséptica,
antimicrobiana e reparo tecidual. Então, o hidróxido de cálcio é altamente indicado
no tratamento endodôntico de dente com lesões periapicais, pois tem uma maior
atividade anti-inflamatória, além de formação de pontes de proteína de cálcio e
inibidor da fosfolipase.
Fachin, Nunes e Mendes (2006) citam que a clorexidina pode ser outro
medicamento usado para medicação intracanal, pois mostra vantagens pelas suas
propriedades de ser bactericida e bacteriostática e, possui capacidade de adsorção
11
às superfícies e alta substantividade, além de ser usada para irrigação de canais
radiculares durante o preparo químico-mecânico.
Gomes e Nejaim (2017) destacam a relevância da obturação adequada do
canal radicular na endodontia, um aspecto crítico em casos com complexidades
anatômicas. Eles abordam as técnicas e os materiais envolvidos na obturação
eficaz, enfatizando a necessidade de lidar com as variações anatômicas com
precisão.
Vertucci (2005) discute em seu estudo a morfologia dos canais radiculares e
sua relação direta com os procedimentos endodônticos. Ele explora a importância de
compreender a anatomia radicular ao abordar casos complexos, o que pode
influenciar as estratégias de tratamento.
Sjögren et al. (1990) exploram os fatores que afetam os resultados a longo
prazo do tratamento endodôntico em seu estudo. Eles analisam questões como a
qualidade da obturação e a eficácia na eliminação de infecções, destacando a
importância desses fatores na obtenção de resultados bem-sucedidos.
Lopes e Siqueira Júnior (2010) enfatiza que a conclusão do tratamento
endodôntico em sessão única pode envolver várias restrições e causar fadiga tanto
do profissional como do paciente, e não pode ser realizado, no caso de periodontite
apical aguda, quando os canais radiculares estiverem úmidos devido ao exsudado.
Portanto, fatores que precisam ser considerados para a escolha do tratamento
endodôntico são a habilidade do profissional, as condições em que o dente se
encontra (vital ou não vital), presença ou não de exsudato e edema, as limitações do
paciente e sua história médica.
12
3 CASO CLÍNICO: TRATAMENTO ENDODÔNTICO NO PRIMEIRO PRÉ
MOLAR INFERIOR COM COMPLEXIDADE ANATÔMICA: RELATO DE CASO.
Este trabalho de conclusão de curso está baseado no Art. 3º do Regulamento
de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Faculdade Paulo Picanço, que
regulamenta os formatos aceitos para TCCs de graduação e permite a inserção de
Relato de Caso Clínico de autoria ou coautoria do candidato.
3.1 Caso clínico
Paciente F.E.O.M.J., sexo masculino, pardo, 49 anos, compareceu ao
consultório odontológico da Faculdade Paulo Picanço se queixando de dor ao toque
no dente 34. Durante a anamnese, o paciente relatou ser portador de hipertensão e
tomar a medicação Losartana Potássica 50 mg, não possuía hipersensibilidade
medicamentosa e a anestesia local. Durante o exame clínico, foi constatado
presença de restauração em resina composta na face vestibular do dente 34. O
paciente relatou dor exacerbada a palpação no fundode saco da região e na
percussão vertical do elemento 34, e relatou também presença de dor espontânea.
Tinha um leve inchaço no fundo de saco. Ao teste de sensibilidade, com o frio, ele
mostrou-se assintomático. No exame radiográfico periapical (Figura 01), foi
observado uma área radiolúcida próximo ao ápice radicular, sugestiva de lesão
perirradicular, além de imagem sugestiva de 2 canais radiculares.
Figura 1 - Dente 34 raio x inicial para auxiliar no diagnóstico.
Fonte: Fotografia produzida pelo autor (2023)
Sendo assim, o elemento foi anestesiado pela técnica infiltrativa com
articaína, isolado com lençol de borracha, arco de ostby plástico para ser feito o
13
acesso na superfície oclusal. Foi utilizado uma ponta diamantadas em alta rotação n
1014 e broca Endo Z. Após o acesso e preparo da câmara pulpar, não houve
presença de sangramento, conforme o diagnóstico, dente estava necrosado. Por se
tratar de um dente com necrose pulpar, foi realizado irrigação abundante com
clorexidina 2% líquida. Em seguida, para localizar ambos os canais foram utilizados
uma Lima #10 em 16 mm (comprimento provisório) em seguida utilizou-se limas tipo
kerr #20 e #25 para neutralização do conteúdo necrótico nos terços cervical e médio,
sempre acompanhada de copiosa irrigação/aspiração com CLX 2%.
Dando continuidade ao preparo biomecânico, foi mensurado o comprimento
real do elemento, com localizador eletrônico foraminal RomiApex A-15 e Lima # 15,
localizando o comprimento de trabalho (CT) de 20 mm para o canal vestibular e 19
mm para o canal palatino. Devido à complexidade anatômica, foi escolhido a
utilização de um sistema mecanizado para a instrumentação. A sequência de
instrumentais do kit Protaper NeXT, conforme a orientação do fabricante, foi o
escolhido. Na sequência, foram utilizadas as limas #SX (na limpeza e modelagem do
terço cervical e médio), e por fim a #S1, #S2, #F1 e #F2, em ambos os canais. A
lima memória (LM) foi a #F2, na qual sua ponta ativa é equivalente à Lima #25.
Sempre irrigando abundantemente a cada troca de instrumental.
Seguindo o protocolo de irrigação final, foi feito 3 trocas alternadas de CLX
2% e Ácido etilenodiamino tetra-acético 17% (EDTA), com agitação das soluções
químicas auxiliares por 20 segundos com a LM. Para finalizar a primeira sessão, foi
manipulada pasta de hidróxido de cálcio com soro e introduzida no interior do canal
e realizada a restauração provisória com ionômero de vidro (CIV).
O paciente retornou 7 dias depois, com ausência de sensação dolorosa, a
percussão vertical e a palpação no fundo de saco, sendo decidido realizar a
obturação do sistema de canais. Aplicou-se a anestesia local infiltrativa com
articaína, seguido de remoção do CIV com ponta diamantadas em alta rotação n
1014 e isolamento absoluto, conforme foi feito na primeira sessão. Após ter acesso
aos sistemas de canais radiculares novamente, foi bastante irrigado/aspirado com
CLX 2% e recapitulação com a LM no CT até a remoção completa de toda a
medicação intracanal.
A patência foi alcançada novamente com a lima #15, e o cone de guta-percha
selecionado foi o extra longo médio (M), com sua extremidade menos calibrosa
adaptada com referência a LM #25. O cone foi desinfectado com álcool 70, testado e
14
aprovado nos 3 critérios: tátil, visual e radiográfico.
O protocolo de irrigação final foi realizado novamente, como na primeira
sessão e a rinsagem final ficou a cargo da solução de soro fisiológico. Os canais
foram secos com pontas de papel estéreis, e a obturação feita com o cone de
guta-percha e cimento endodôntico a base de óxido de zinco e eugenol (endofill). E
por fim, feita a termoplastificação com condensador de guta-percha #40 conforme a
técnica híbrida de Tagger.
Em seguida, foi feito o corte da massa obturadora com calcador de Paiva
aquecido até o limite da entrada do canal, feito a compactação vertical com calcador
de Paiva frio, a limpeza da câmara pulpar com algodão e álcool, restauração
provisória com CIV, remoção do isolamento absoluto e radiografia final. Ao
analisarmos a radiografia final, foi visto a adequada obturação do sistema de canais
radiculares. Também foi salientado ao paciente a importância da confecção da
restauração em resina composta e sobre o retorno com 06 seis meses para a
prevenção.
Figura 2 - Radiografica final do tratamento endodôntico do dente 34.
Fonte: Fotografia produzida pelo autor (2023)
15
4 DISCUSSÃO
O tratamento endodôntico desempenha um importante papel na manutenção
dos dentes naturais, evitando a sua extração, pois quando tratamos a polpa
dentária que está infectada ou inflamada, o profissional alivia a dor do paciente e
restaura a função mastigatória normal. O paciente precisa ficar atento as possíveis
causas que podem levar a uma necrose pulpar como cáries extensas, toque
prematuro, trauma oclusal, restaurações profundas realizadas a bastante anos
(Mendiburu-Zavala, 2016). Ao optar pelo tratamento endodôntico o paciente mantém
a sua harmonia e a estética do sorriso e preservação da sua oclusão. Além disso,
esse tratamento é primordial para o elemento dental poder se reintegrar
fisiologicamente ao sistema estomagnático.
A pesquisa de Schuh e Azevedo (2021) ressalta a necessidade de realizar o
tratamento endodôntico tomando medidas preventivas com uma excelente assepsia
contra as bactérias antes e durante o tratamento, a fim de evitar infecções
secundárias e persistentes.
Sobre a escolha de sessão única ou múltiplas sessões no tratamento
endodôntico, o profissional precisa ser cauteloso ao fazer a sua escolha. Siqueira
Júnior et al. (2018) enfatiza que apesar da sessão única ser mais vantajosa pelo seu
custo benefício e tempo, o profissional deve considerar vários fatores como já
mencionado nesse estudo como, a sua habilidade e experiência clínica, condições
do dente e presença de exsudato. Nesse estudo foi optado ao paciente a realização
do tratamento endodôntico em sessões múltiplas no dente 34, pelo fato da sua
complexidade anatômica e presença de exsudato, pois o dente em questão
encontrava-se necrosado com proliferação de bactéria anaeróbicas.
Umas das etapas muito importantes no tratamento endodôntico é a escolha
da medicação intracanal, pois as bactérias não estão apenas no canal radicular
principal, e sim, por todo o sistema de canais radiculares (túbulos dentinários e
superfície externa da raiz) onde o preparo químico mecânico e uso de irrigantes não
consegue alcançar, a medicação irá eliminar e/ou diminuir a proliferação das
bactérias. Nesse estudo foi escolhido o uso do Hidróxido de Cálcio, altamente
indicado para casos de canal radicular necrosado, por conta de suas propriedades
de formar tecido mineralizado, controlar a inflamação e de poder realizar a
reabsorção óssea dentária, como mencionado por Rozatto (2010).
16
Por fim, a obturação dos canais radiculares irá selar toda a extensão da
cavidade endodôntica, desde a embocadura dos canais até o término apical, com o
intuito de concluir clinicamente a terapia endodôntica, esse passo de acordo com
Lopes e Siqueira Júnior (2010) é crucial para o sucesso do tratamento, ao evitar
infiltrações bacterianas e promove reparação dos tecidos periapicais.
17
5 CONCLUSÃO
O tratamento endodôntico de um caso de necrose pulpar com complexidade
anatômica, como relatado, exige um alto nível de precisão e um protocolo
cuidadosamente planejado. O sucesso do tratamento está diretamente relacionado à
aplicação rigorosa de cada etapa, desde o diagnóstico até o acompanhamento
pós-tratamento. A primeira etapa essencial é o diagnóstico diferencial, que permite
identificar corretamente a condição pulpar do paciente e determinar o melhor curso
de ação. Um diagnóstico preciso, apoiado por exames clínicos e radiográficos, é
fundamental para compreender a extensão da necrose e as particularidades
anatômicas do sistema de canais radiculares. Além disso, a assepsia eficiente por
meio do isolamento absolutoé crucial para manter o ambiente livre de
contaminantes durante todo o procedimento.
A instrumentação adequada é um dos maiores desafios em casos com
complexidade anatômica. Canais curvos ou de difícil acesso exigem o uso de
instrumentos adequados, como limas de níquel-titânio, que oferecem maior
flexibilidade e precisão. A instrumentação inadequada pode causar danos ao
sistema de canais, comprometendo a eficácia do tratamento. Outro aspecto vital é a
irrigação dos canais com soluções eficazes, como o hipoclorito de sódio, que não só
limpa e desinfecta, mas também elimina detritos e bactérias do sistema de canais.
A fase final do procedimento é a obturação hermética e tridimensional dos
canais radiculares. A obturação precisa ser realizada de forma a selar
completamente o sistema de canais, garantindo que não haja espaço para
reinfecção. A guta-percha, combinada com seladores apropriados, é o material de
escolha para essa etapa, permitindo um preenchimento eficiente de todos os
espaços. Finalmente, o acompanhamento pós-tratamento é crucial para garantir a
cicatrização adequada dos tecidos e a longevidade do tratamento. Radiografias
periódicas e avaliações clínicas permitem monitorar o sucesso do procedimento e
identificar qualquer sinal de complicação.
O caso clínico relatado acima mostra a realização de uma endodontia em
estado de necrose pulpar e com complexidade anatômica, com terapia
medicamentosa e um protocolo assertivo, obtendo o sucesso almejado e satisfatório
no tratamento diante da condição clínica do paciente. Portanto, é primordial seguir
todas as etapas criteriosamente desde o diagnóstico diferencial, assepsia eficiente,
18
instrumentação adequada, irrigações e medicações intracanal com soluções
eficazes e apropriadas e por fim uma obturação hermética e tridimensional do
sistema de canais radiculares e acompanhamento pós tratamento.
19
REFERÊNCIAS
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a dentist and na endodontist?. [S.l.; S. D.], Disponível em:
https://www.aae.org/specialty/about- endodontics/what-is-an-endodontist/. Acesso
em: 10 set. 2023.
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APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
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