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ASMA NA INFÂNCIA Professora Andrea Rocha Asma - Definição • Doença inflamatória crônica heterogênea das vias aéreas que leva a alteração do fluxo expiratório pulmonar. • História de sintomas respiratórios recorrentes: chiado, falta de ar, aperto no peito e tosse. • Ligada a fatores desencadeantes ou espontânea: mudanças climáticas, infecções, poluentes, irritantes primários, alérgenos e estresse. Asma na Infância • Doença crônica mais comum na infância. • Dificuldade diagnóstica em pré-escolares por quadros virais associados a sibilância. • Questionário ISAAC-105 países e 300 centros Brasil: Escolares 6-7 anos:24,3% Adolescentes 13-14 anos: 19% Gina: Estratégia Global para Tratamento e Prevenção Da Asma 2023 Não é uma diretriz, é uma abordagem prática para tratamento da asma, baseada em evidências e relevante para países em desenvolvimento e desenvolvidos. O que diz a literatura Vários nomes, mesmo problema..... Bronquite Bronquite alérgica Bronquite asmática Hiperreatividade das vias aéreas Outros ASMA Fisiopatologia Fenótipo: Endotipo Alérgica Não alérgica Asma com obesidade • Asma na infância • História clínica • Inflamação eosinofílica e IgE • Boa resposta a CI • Início tardio • Padrão neutrofílico, eosinofílico ou paucicelular • Baixa resposta a CI • Idade acima da adolescência • Predomínio sexo feminino • Controle difícil • Padrão neutrofílico Fisiopatologia Fisiopatologia Fisiopatologia Ativação IGE mediada ou por irritantes químicos ou por exercício • Mastócitos, eosinófilos, células dendríticas Mediadores de fase aguda: Prostaglandinas, leucotrienos, histamina • Contração musculatura lisa • Hipersecreção de muco e vasodilatação • Edema Perpetuação da inflamação+ hiper-responsividade das vias aéreas. • Eosinófilos, neutrófilos • Linfócitos T → linfócitos TH2 • Linfócitos B →IgE e IgA Lesão de células epiteliais: exposição neurossensorial com Hiperresponsividade da musculatura lisa Fisiopatologia Células epiteliais e macrófagos Produção de fatores de crescimento (estimulação de fibroblastos) • Remodelamento tecidual • Fibrose de via aérea Obstrução fixa de vias aéreas . Fisiopatologia Alergeno mastócito Mediadores: interleucinas e leucotrienos Broncoconstrição Eosinófilos na mucosa brônquica Excesso de muco hipertrofia e hiper- reatividade da musculatura lisa Causas de Limitação do Fluxo Aéreo Broncoconstrição aguda Via aérea normal Remodelamento de via aérea Diagnóstico CLÍNICO: • Sibilos, dispnéia, tosse, desconforto respiratório • Variabilidade dos sintomas pela manhã e noite • Fatores desencadeantes • Melhora espontânea ou com medicações ESPIROMETRIA: Método objetivo, necessita da colaboração do paciente. É a medida do ar que entra e sai dos pulmões (manobras de respiração lenta ou manobras expiratórias forçadas). Geralmente porem ser realizadas a partir de 6 anos Critérios diagnósticos Sintomas: • Presença de mais de um sintoma: sibilância, respiração curta, constrição torácica e tosse • Variabilidade de sintomas durante períodos do dia • Piora com infecção viral Variação de fluxo expiratório • Redução de VEF1 associada a redução VEF1/CVF • VEF1/CVF normal: >0,75-0,85 adultos >0,9 crianças • Teste positivo BD: VEF1>12% e 200ml em adultos; VEF1>12% em crianças • PEF com variação durante o dia: adultos >10%; crianças >13% • Teste de esforço positivo: queda adultos>10% e 200ml; crianças queda VEF1>12% ou PEF>15% • Teste de provocação : queda de VEF1>20% com metacolina( adultos) • Variação PEF de função entre as visitas Diagnóstico clínico Sintomas respiratórios asma sim História detalhada/exame para asma História compatível com asma? sim Espirometria/PEF com teste de reversibilidade Asma? ( variação >10% e crianças >13%) Limitação de fluxo VEF1/VFC adulto>0,75-0,80 Criança>0,90 Reversibilidade Adultos VEF1>12% e 200 ml Crianças VEF1>12% trat empírico Rever resposta Testes com 1-3m Tratar para asma sim Rever história, Diagnósticos diferenciais Diagnostico diferencial confirmado? Repetir PFP, ou outro teste. Asma confirma Teste diagnóstico para asma ou outro diagnóstico não não sim Tratar diagnóstico alternativo não GINA 2023 Diagnóstico É asma? Mais de um tipo de sintoma (tosse, sibilos, falta de ar...) Pioram à noite ou ao despertar Variam no tempo e intensidade Desencadeado com infecções virais, alérgenos, riso, fumaça de cigarro... Não é asma? Tosse isolada Produção crônica de escarro Falta de ar com tontura, formigamento periférico.... Dispneia induzida pelo exercício com estridor. Atenção aos sinais de alerta Asma na Infância: Índice Preditivo de Asma IPA modificado • Critérios maiores: • Pai ou mãe com asma • Dermatite atópica • Sensibilização a aeroalérgenos • Critérios menores: • Sensibilização alérgica alimentar • Sibilância não associada a IVAS • Eosinofilia >4% IPA Original • Critérios maiores: • Pai ou mãe com asma • Dermatite atópica • Critérios menores: • Rinite alérgica diagnosticada • Sibilância não associada a IVAS • Eosinofilia> 4% Critérios: • Diagnóstico de lactente sibilante • Positividade se 1 critério maior presente e/ou 2 critérios menores. Controle: 6- 11 anos Ultimas 4 semanas Bem controlado Parcialmente controlado Não controlado Sintomas diurnos > 2x/ semana Nenhum sintoma 1 ou 2 3 ou 4 Algum despertar noturno por asma Necessidade de medicações de alívio > 2x/ semana Alguma limitação de atividade por asma Controle: 5 anos ou menos Ultimas 4 semanas Bem controlado Parcialmente controlado Não controlado Sintomas diurnos por mais de alguns minutos > 1x/ semana Nenhum sintoma 1 ou 2 3 ou 4 Algum despertar noturno por asma Necessidade de medicações de alívio > 1x/ semana Alguma limitação de atividade por asma Manejo - objetivos • Controle dos sintomas e promover atividades diárias •⬇ risco de exacerbações e hospitalização •⬇ risco de mortalidade ligado a asma •⬇ a limitação permanente do fluxo respiratório • Controle de efeitos colaterais medicamentosos • Promover o desenvolvimento da criança • Estabelecer boa comunicação: paciente/cuidador/profissional da saúde • Tratamento individualizado Manejo - objetivos Relação médico / paciente ou cuidador: Boa comunicação = ↑aderência “Alfabetização” = plano de ação escrito Manejo - cuidados Rever a resposta Avaliar Ajustar o Tratamento Diagnós6co Controle de sintomas Técnica Preferência dos pais Medicamentos antiasmáticos Estratégias não farmacológicas Fatores de risco modificáveis Sintomas Exacerbações Efeitos colaterais Satisfação dos pais PFP Adolescentes acima de 12 anos (Gina 2022-2023) Gina 2023 Tratamento Inicial Adultos e adolescentes Confirmar diagnóstico Controle de sintomas e riscos modificáveis Comorbidades Técnicas Inalatórias Preferências do paciente e metas Primeiro acesso Sintomas diários, despertar uma noite na semana ou mais e baixa função pulmonar? Sintomas a maioria dos dias ou despertar uma noite na semana ou mais? Sintomas duas vezes ao mês Se Comece com Dose média de CI- Formoterol de manutenção e resgate (MART) Dose Média/alta CI-LABA + SABA se necessário (ou CI-SABA) Dose baixa de CI- Formoterol de manutenção e resgate (MART) Dose baixa CI-LABA+ SABA se necessário (ou CI-SABA) Tomar baixa dose de CI sempre que necessário usar SABA Dose baixa de CI- Formoterol se necessário Dose baixa de CI+ SABA quando necessário Dose baixa de CI- Formoterol se necessário 1 opção 2 opção Sim Sim Sim Não Step 4 Step 3 Step 2 Step 1 Crianças de 6-11anos ( Gina 2022-2023) Gina 2023 Tratamento Inicial Crianças 6-11 anos Confirmar diagnóstico Controle de sintomas e riscos modificáveis Comorbidades Técnicas Inalatórias Preferências do paciente e metasPrimeiro acesso Sintomas diários, despertar uma noite na semana ou mais e baixa função pulmonar? Sintomas a maioria dos dias ou despertar uma noite na semana ou mais? Sintomas duas vezes ao mês Se Comece com Dose média de CI-LABA e SABA se necessário ou Dose baixa MART Dose baixa de CI-LABA ou dose média de CI e SABA se necessário ou dose dose muito baixa de MART Dose baixa de CI sempre que necessário uso de SABA Dose diária baixa de CI e se necessário SABA Sim Sim Sim Não Step 4 Step 3 Step 2 Step 1 Crianças 5 anos ou menores Crianças 5 anos ou menores Step 2 – Step 3 Dobrar dose baixa de CI Beclometasona Beclometason HFA Dose Baixa Dose Média Dose Alta 200-400 mcg >400 mcg Adolescentes e adultos > 12 anos 200-500 mcg >500-1000 mcg >1000 mcg GINA 2023 Dose de CI em maiores de 6 anos Dose de CI em menores de 6 anos Classificação de gravidade • Asma leve: bem controlada com step 1 ou 2, uso de medicação de controle apenas SABA • Asma moderada: bem controlada com step 3 • Asma severa: step 4 ou 5. Estudos epidemiológicos asma severa não tratada em países sem recursos medicamentosos. Associação com gravidade de sintomas ed irreversibilidade de vias aéreas Seguimento Avaliar nível de controle em 4 semanas Retorno a cada 3 meses Manter a menor dose de medicação possível para manter controle da asma Tratamento de Crise Leve • Falta de ar ao caminhar, consegue deitar, dificuldade de falar frases, pode ter agitação • FR aumentada, sem musculatura acessória • sibilos esparços • FC 70% do previsto • SAT O2% (AA) >95% Moderada • Falta de ar em repouso, prefere ficar sentado, dificuldade de falar frases, usual agitado • Sibilos difusos, expiratórios • FR aumentada, uso de musc acessória • FC aumentada • PFE entre 40-69% • SAT O2% (AA) 90-95% Grave • Falta de ar em repouso, senta-se recostado, dificuldade de falar palavras. Em quadros graves: sonolento ou confuso • Sibilos difusos, durante ins e expiração. Tórax silencioso • FR aumentada, uso acentuado de musculatura acessória • FC aumentada, casos graves bradicardia • PFE94% Iniciar tratamento Salbutamol (100 mcg- 5 jatos, ou 10 gotas BD+ BI 10-20 gotas a cada 20 min, 3x. Associar CO-prednisolona 1-2 mg/kg dose máx 20mg em 94% Guia Prático de Atualização de Tratamento de crise- ASBAI 2021 Tratamento de Crise Iniciar tratamento Salbutamol (100 mcg- 2 a 4 jatos, ou 10 gotas salbutamol/fenoterol NBZ, repetir a cada 20 min, conforme necessidade , até 3 x Iniciar tratamento Salbutamol (100 mcg- 2 a 4 jatos, ou 10 gotas BD + Brometo de IPA 10-20 gotas a cada 20 min, 3x. Associar CO-prednisolona 1-2 mg/kg dose máx 20mg em 94% Iniciar tratamento Salbutamol (100 mcg- 5 jatos, ou 10 gotas BD+ BI 10-20 gotas a cada 20 min, 3x. Associar CO-prednisolona 1-2 mg/kg dose máx 20mg em 94% Leve. Moderada Grave Leve Boa resposta e estável após 4h de observação • Casa com BD a cada 4-6h, 7dias • Ajustar dose e técnica de CI, reavaliar em 48h Pouca resposta ou sintomas retornam após 1-2h de obs Repetir salbutamol a cada 20 mn, 3x + BI. Associar CO- Prednisolona 1- 2mg/kg dose. Considerar internar. Boa resposta e Estável após espaçamento e uso do salbutamol. Liberar com SABA e CO, 3-5 dias NÃO RESPONDEU EM 1-2H; SINAIS DE GRAVIDADE; PIORA • Repetir Salbutamol, a cada 20 min, 3x. • Sulfato de Mg EV > 2 anos(25-75mg/Kg/dose). • Internação, considerar UTI Guia Prático de Atualização de Tratamento de crise- ASBAI 2021 Prevenção Primária Evitar exposição a fumaça de cigarro na gestação e nos 1ºs anos de vida Estimular parto vaginal Estimular o aleitamento materno Evitar, na medida do possível, o uso de paracetamol e ATB de largo espectro nos 1ºs anos de vida Uso dos espaçadores https://www2.incor.usp.br/sites/incor2022/videos/asma-dpoc/esp/ https://www2.incor.usp.br/sites/incor2022/videos/asma-dpoc/esp/