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Definição de asma: Doença heterogênea, crônica não transmissível mais comum. 20% prevalência no Brasil. Apenas 12,3% dos asmáticos brasileiros têm a doença bem controlada. A asma é definida como uma doença heterogênea, crônica, geralmente caracterizada por crônica inflamação das vias respiratórias (vias aéreas inferiores) caracterizada por hiperresponsividade brônquica . É definida pelo histórico dos sintomas respiratórios, como: chiado, falta de ar, aperto no peito e tosse variável juntamente com a limitação variável do fluxo aéreo expiratório. Fatores de risco: ● Genéticos: antecedentes familiares; ● Sexo e idade (homens mais jovens); ● Fatores ambientais e exposição ocupacional (ex.: poluição do ar); ● Obesidade; ● Sedentarismo; ● Dieta pobre em antioxidantes e rica em ácidos graxos saturados; ● Tabagismo ativo e passivo; ● Histórico de infecções respiratórias na infância. Fisiopatologia: ● Asma eosinofílica alérgica; interleucina 4 e IgE ● Asma eosinofílica não alérgica; ● Asma não eosinofílica; Mecanismos fisiopatológicos: ● Inflamação das vias aéreas: ○ broncoconstrição; ○ edema de via aéreas. Gina, 2022 Recomendações para o manejo da asma da SBPT. Medicina respiratória 2014. ● Hiper-responsividade: ○ estreitamento exagerado da via aérea; ○ desencadeado por histamina ou metacolina; ● Remodelamento: ○ consequência da inflamação crônica; ○ danos epiteliais, fibrose subepitelial; ○ hipersecreção de muco. Fenótipos da asma: Heterogênea e diferentes processos da doença. ● Adult onset (late-onset): geralmente não alérgica, geralmente precisam de altas doses de ICS ou são relativamente refratários a tratamento com corticosteróides. Deve-se fazer o diagnóstico diferencial de asma ocupacional. ● Allergic asthma: geralmente começa na infância, associado a histórico familiar juntamente com alergia alimentar, eczema ou rinite alérgica. O exame de escarro desses pacientes geralmente revela vias aéreas eosinofílicas com inflamação. Geralmente, esses pacientes respondem bem ao tratamento com corticosteróides inalatórios. ● Non-allergic asthma: o escarro desses pacientes apresenta neutrófilos, eosinófilos ou contém poucas células inflamatórias. Demonstram menos resposta de curto prazo aos ICS. ● Asthma with persistent airflow limitation: pacientes asmáticos há tempo desenvolvem limitação da via aérea que é persistente ou incompletamente reversível. Acredita-se que isso deva-se à remodelação das vias aéreas. ● Asthma with obesity: geralmente apresentam sintomas respiratórios proeminentes e pouco eosinófilo. Diagnóstico: História clínica, exame físico e confirmação da limitação do fluxo aéreo. História clínica: ● Anamnese: ○ histórico pessoal e familiar; ○ início dos sintomas na infância; ○ Rinite alérgica; eczema, histórico familiar: aumenta probabilidade de asma. ○ Sintomas respiratórios (padrão e variação): sibilância, dispneia, dor torácica e tosse. ■ Tosse seca que piora durante a manhã e à noite. Possui gatilhos. ● Exame físico: ○ Dor da asma: opressão retroesternal; ○ Uso de músculos acessórios na respiração; ○ Sibilos na ausculta pulmonar; ○ Possibilidade de cianose; ○ Crepitação; ○ Avaliar nariz: rinite x polipose nasal; ● Confirmação da limitação variável do fluxo aéreo: ○ variabilidade refere-se à melhore e/ou deterioração dos sintomas e da função pulmonar; ○ variabilidade excessiva pode ser documentada: ■ ao longo de um dia; ■ dia a dia; ■ visita a visita; ■ sazonalmente; ■ teste de reversibilidade. ○ reversibilidade: refere-se à mudança rápida de VEF1 ou PFE após um broncodilatador de curta duração ou ao longo de semanas após introdução de ICS (ICS: corticoide inalatório). ○ espirometria: ■ VEF/CVF reduzido com acréscimo no VEF Pós BD de 12% e 200 mL. ■ Variabilidade excessiva no PFE 2x ao dia por 2 semanas > 10%; ■ Acréscimo no VEF1 de 12% e 200 mL (ou >20% no PFE) após 4 semanas de ICS; ■ Teste do exercício positivo: queda no VEF1 >10% E 200 ML ■ Teste de broncoprovocação: ● queda da linha de base do VEF1> ou igual 200 mL com doses de metacolina ou histamina; ● OU > ou igual hiperventilação padronizada, solução hipertônica ou manitol. ■ Variação excessiva entre as consultas: ● variação no VEF1 >12% E 200 mL, fora de infecções respiratórias. Padrões de sintomas que são característicos da asma: Sintomas que são típicos da asma e que se presentes aumentam a probabilidade de o paciente ser asmático. Sintomas respiratórios de chiado, falta de ar, tosse e aperto no peito: ● Pacientes (principalmente adultos) com mais de um desses sintomas; ● Sintomas piores à noite ou começo da manhã; ● Sintomas que variam de acordo com o tempo e em intensidade; ● Sintomas são ativados por infecções virais, exercício, exposição à alérgenos, mudança climática, risadas ou substâncias irritantes. Sintomas que diminuem a possibilidade de ser asma: ➢ Tosse isolada sem outro sintoma respiratório; ➢ Crônica produção de escarro; ➢ Falta de ar associada a tonturas, atordoamentos ou formigamento periférico (parestesia); ➢ Dor no peito; ➢ Dispneia induzida por exercício com inspiração ruidosa. Controle da asma Exacerbação da asma: Sintomas de asma não controlada são um importante fator de risco para exacerbações. Fatores de risco adicionais potencialmente modificáveis para surtos (exacerbações), mesmo em pacientes com poucos sintomas incluem: ● Medicações: alto uso de SABA (beta 2 agonista de curta duração), uso inadequado de ICS, falta de prescrição de ICS, baixa aderência e mau uso do inalador. ● Outras doenças e condições: obesidade, rinossinusite crônica, refluxo gastroesofágico, alergia alimentar e gravidez. ● Exposições: cigarros, cigarros eletrônicos, exposição à alérgenos e ar poluído. ● Contexto: problemas psicológicos ou econômico-sociais. ● Função pulmonar: baixa FEV1, alta capacidade de resposta à BD. ● Tipo 2 de marcadores inflamatórios: eosinófilos sanguíneos, elevado FeNO (em adultos com asma alérgica em uso de ICS). Fatores de risco não modificáveis para exacerbação: ● Intubação e/ou intensivo tratamento para asma. ● Uma ou mais exacerbações severas nos últimos 12 meses. Fatores de risco para desenvolver limitação persistente do fluxo aéreo: ➔ Histórico: nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e maior ganho de peso infantil e crônica hipersecreção de mucosidade. ➔ Medicações: baixo ICS no tratamento de pacientes com severa exacerbação. ➔ Exposições: fumaça de cigarro, produtos químicos nocivos e exposição ocupacional. ➔ Investigações: baixo FEV1 inicial, escarro ou eosinófilos no sangue. Fatores de risco para efeitos colaterais de medicamentos: ● Sistêmicos: frequente uso de corticoides orais, longo prazo de uso, alta dose e/ou potente ICS, uso também de Inibidores P450: citocromo inibidores de P450 como ritonavir, cetoconazol, itraconazol; ● Local: altas doses ou alta potência de ICS, técnica inalatória inadequada. Classificação da Gravidade: Refere-se a quantidade de medicamento necessária para atingir o controle, refletindo uma característica intrínseca da doença e que pode ser alterada lentamente com o tempo. ● Leve; ● Moderada; ● Grave. Paciente com asma aparentemente leve ainda tem o risco de ter sérios efeitos adversos. Pacientes com Asma Grave x Pacientes com Asma de Difícil Controle ● Asma de Difícil Controle: é aquela que, apesar de se encontrar nos STEPS IV e V de tratamento do GINA, permanece não controlada OU que necessita desse tratamento devido a presença concomitante de um ou mais fatores modificáveis que podem interferir no controle da doença. ● Asma Grave: é um subgrupo da asma de difícil controle, que tem boa adesão ao tratamento, minimização ou eliminação de fatores associados à falta de controle e ainda assim necessita do uso de ICS dose alta (>800 BUD) + 2° dose de controle e/ou antileucotrienos ou corticóide oral em mais de 50% dos dias do ano anterior para manter o controle da doença ou mesmo que ainda assim permaneça não controlada devidoa sua gravidade. Para identificar, é necessário antes: ➔ Identificar, reduzir, ou eliminar exposições que pioram o controle da asma: tabagismo, exposição ambiental e/ou ocupacional, alérgenos, drogas, etc. ➔ Identificar e tratar comorbidades que pioram o controle da asma: rinossinusite crônica com ou sem polipose nasal, DCV, respiração disfuncional, DRGE, bronquiectasias, obesidade, AOS, ansiedade/depressão, ABPA,etc. Fenótipo Clínico: Conjunto de características clínicas observáveis que descreve diferenças entre indivíduos, relacionados a desfechos clinicamente importantes. EX.: obesidade, atopia. Fenótipo Molecular: Via inflamatória específica relacionada a um fenótipo clínico. EX.: T2 alto, T2 baixo. ● Asma T2 alto: eosinofilia escarro ou sangue, IgE específica + e/ou prick test +, FeNO alto: ○ T2 alto eosinofílica alérgica: ■ Asma de início precoce, responsiva a CI. Mediadores: IL-4, IL-13, IgE. ■ Asma de início precoce, alérgica moderada/grave, mais ou menos responsiva a doses altas de CI. Mediadores: IL-4, IL-5, IL-13, IgE. ○ T2 alto eosinofílica não alérgica: ■ Asma de início tardio, não alérgica moderada/grave, menos responsiva ao CO. Polipose nasal. Mediadores: IL-4, IL-5, IL-13, leucotrienos. ■ Asma T2 complexo muito grave, associada à autoimunidade.IL-4, IL-5, IL-13, IFY. ○ Asma T2 não alta: ausência de marcadores T2, obesidade, síndrome metabólica, altas doses de CO, TH1/Th17 neutrofilia. ■ Neutrofílica: asma de início tardio, tabagismo/infecções, neutrofilia no IE, produção de escarro. Mediadores: neutrófilos, inflamassoma. ■ Paucigranulocítica: asma de início precoce, longa duração, obstrução fixa, mínima resposta ao BC. Endotipo: Via fisiopatológica específica que contribui para a doença e que é confirmada por meio de bloqueio terapêutico. EX.: IgE, IL-5. Fenótipo Asma Grave: T2 alto: ● Asma grave alérgica: prick test + e/ou IgE específica +. ● Asma grave eosinofílica: EosEl ≥ 2,3% ou EosS ≥ 150 cls/decilitro. T2 não alto: ● Asma grave não eosinofílica: EosEl ≥ 2% ou EosS ≥ 150 cls/decilitro em > 1 ocasião, fora de exacerbação e na menor dose possível de corticoide. Asma em Outros Contextos: ● Paciente com tosse persistente não produtiva como único sintoma: diagnóstico a ser considerado é tosse crônica de vias aéreas superiores. Pacientes que têm tosse-variante asmática, tem a tosse persistente como seu único sintoma, associado com hiperresponsividade das vias aéreas. Geralmente, é mais problemático a noite, a função pulmonar pode estar normal. Deve ser distinguida de bronquite eosinofílica de paciente com tosse e catarro eosinofílico, mas espirometria normal e vias aéreas responsivas. ● Asma ocupacional e asma exacerbada pelo trabalho: asma pode ser induzida ou agravada pela exposição a alérgenos ou outros sensibilizantes no trabalho. Asma de início tardio pode ser atribuída à ocupacional. Monitoramento de PEF no trabalho e longe do trabalho ajuda a confirmar o diagnóstico. ● Atletas: o diagnóstico em atletas deve ser confirmado com o teste de função pulmonar, usualmente com broncoprovocação, deve-se excluir outros possíveis diagnósticos diferenciais. Sempre excluir: cardiopatia, excesso de treino, desordem laríngea e respiração disfuncional. ● Mulheres Grávidas: deve-se investigar a asma em mulheres com suspeitas e, se confirmado, fazer o correto tratamento. Caso seja necessário exames para a confirmação, não deve ser feito testes de broncoprovocação. Em mulheres já em tratamento, não se deve mudar a terapia de asma até o nascimento. ● Idosos: asma é frequentemente não diagnosticada em idosos em virtude da má percepção da limitação do fluxo de ar, dispneia e falta de atividade física. A presença de outras comorbidades pode atrapalhar o diagnóstico. Uma história e exame físico cuidadosos, combinados com um eletrocardiograma e radiografia de tórax, auxiliarão no diagnóstico.Medição do polipeptídeo natriurético cerebral (BNP) plasmático e avaliação da função cardíaca com ecocardiografia também pode ser útil. Em idosos com história de tabagismo ou exposição a combustível de biomassa, DPOC e sobreposição de asma e DPOC (sobreposição de asma-DPOC) devem ser considerados. ● Tabagistas e ex-tabagistas: dificuldade de distinguir asma da DPOC. Reversibilidade broncodilatadora clinicamente importante (>12% e >200 mL) é frequentemente encontrado na DPOC. A baixa capacidade de difusão é mais comum na DPOC do que na asma, O histórico e os sintomas podem ajudar a distinguir as doenças.A incerteza no diagnóstico deve levar a encaminhamento para investigação especializada e recomendações de tratamento, pois pacientes com sobreposição asma-DPOC têm resultados piores do que aqueles com asma ou DPOC isoladamente. ● Obesos: a asma é mais comum em obesos do que em não obesos. Sintomas respiratórios associados com obesidade podem imitar asma. Em pacientes obesos com dispneia aos esforços é importante confirmar o diagnóstico com medida objetiva da limitação variável do fluxo aéreo expiratório. Um estudo constatou que não obesos são tão propensos a ser diagnosticados erroneamente como asmático quanto obesos. Avaliação da asma: Asma Controlada: As características da asma controlada depende dos sintomas visíveis nos pacientes, sintomas reduzidos ou sintomas que foram abolidos. O controle da asma é observado em dois pilares: controle dos sintomas e risco de resultados adversos. O mau controle de sintomas é oneroso para os pacientes e aumenta o risco de exacerbações, mas pacientes com bom controle de sintomas ainda podem ter graves exacerbações. Asma Severa: ➔ É baseado na avaliação dos últimos 2-3 meses do controle de tratamento e do tratamento necessário para controle dos sintomas e exacerbações. ➔ Essa definição é clinicamente útil para asma grave, pois identifica pacientes cuja asma é relativamente refratária a altas doses convencionais de ICS-LABA e que podem se beneficiar de tratamento adicional, como terapia. ➔ É importante distinguir entre asma grave e asma não controlada devido a alterações modificáveis fatores como técnica inalatória incorreta e/ou má adesão. Avaliação do Paciente Asmático ➔ A avaliação depende da frequência dos sintomas diurnos e noturnos da asma, vigília noturna, limitação de atividade e frequência do uso de medicações de resgate. ➔ Avaliação do risco futuro do paciente ter exacerbações, mesmo quando o controle dos sintomas está adequado. ➔ Fatores de risco para exacerbações que não dependem do controle dos sintomas incluem: ◆ uma ou mais exacerbações no último ano; ◆ problemas socioeconômicos; ◆ má aderência do tratamento; ◆ incorreto uso do inalador; ◆ baixo volume expiratório forçado em 1 segundo (FEV1); ◆ tabagismo; ◆ eosinofilia. ➔ Após o diagnóstico asmático, os testes de função pulmonar é a avaliação do risco futuro. Deve ser registrado no momento do diagnóstico, 3 a 6 meses após o início do tratamento e periodicamente a partir de então. Tratamento da asma: Objetivos do Tratamento: ● Obter controle dos sintomas; ● Minimizar o risco de morte relacionado à asma; ● Minimizar o risco de exacerbações; ● Minimizar o risco de limitações persistentes do fluxo aéreo; ● Minimizar os efeitos colaterais das medicações. Medidas não Farmacológicas: ● Cessar tabagismo; ● Atividade física; ● Se ocupacional: eliminar os sensibilizadores; ● Evitar o uso de AINEs, AAS ou beta-bloqueadores; ○ mas não são contra indicações absolutas. ● Redução de peso em pacientes idosos; ● Vacinação: ○ Recomendada a vacinação para Influenza, visto que está associada a maior morbidade nesses pacientes (evidência C); ○ GINA 2020: sem evidências suficientes para recomendar a vacinação pneumocócica de rotina em pessoas com asma (evidência D); ○ SBPT 2020: recomenda o uso sequencial das vacinas: 13-valente conjugada, seguida da 23-valente após 6 meses. Categorias de Medicamentos: ★ Controladores; ★ Resgate; ★ Complementares: para asma grave. Uso regular de SABA, mesmo que por apenas 1 ou 2semanas, em associação com aumento da hiper responsividade de vias aéreas, reduz o efeito do broncodilatador, aumenta a resposta alérgica e diminui os eosinófilos. Pode levar a ciclo vicioso e auto consumo. Esse aumento do consumo está associado com aumento de exacerbação e aumento de mortalidade. Step Up x Step Down? Pacientes asmáticos devem ser reanalisados regularmente para monitorar o controle de sintomas, fatores de risco e ocorrência de exacerbações. Antes de trocar o tratamento, deve ser analisado: ● A técnica de inalação; ● Se há má adesão; ● Exposições frequentes a alérgenos, cigarro, poluição; ● Uso de medicamentos, como BB ou AINEs; ● Comorbidades associadas a sintomas respiratórios ou a má qualidade de vida. Outras Terapias: ● Imunoterapia subcutânea (SCIT) ou sublingual (SLIT): ○ Opções para asmáticos com componentes alérgicos proeminentes; ○ Redução de sintomas e medicação de controle nos imunossensibilizados para ácaro domésticos e com asma leve/moderada; ○ Para pacientes adultos com rinite alérgica e sensibilizados para ácaro e poeira doméstica, com sintomas persistentes de asma, apesar de baixos para terapia contendo ICS em dose média, considere adicionar SLIT, desde que o VEF1>70% do previsto (evidência B). ● Termoplastia Brônquica (TB): ○ Envolve o tratamento das vias aéreas durante 3 broncoscopias separadas com um pulso de radiofrequências localizados; ○ Pacientes adultos cuja asma permanece descontrolada, apesar da otimização da terapia e encaminhamento para um centro especializado em asma grave, a TB é uma opção de tratamento potencial no STEP 5 em alguns países (evidência B). Mecanismo de Ação SABA / LABA / LAMA Agonista B2 adrenérgicos: ● Relaxam a musculatura lisa das vias aéreas; ● Inibem a liberação de mediadores broncoconstritores pelos mastócitos; ● Aumentam transporte mucociliar; ○ Atuam no receptor B2 acoplado à proteína G: diminui o tônus muscular; ○ Aumentam a condutância K+: hiperpolarização e relaxamento muscular; ○ Aumentam a AMPc: reduz citocinas que reduz inflamação aguda. ● Curta e longa ação: ○ Curta: início 1 a 5 minutos e duração de 3-4hs; ○ Longa: duração de ao menos 12hs. ● Efeitos colaterais: ○ Tremores; ○ Taquicardia e palpitações; ○ Hipocalemia; ○ Desequilíbrio ventilação x perfusão (hipoxemia). Mepolizumabe - Anti-IL 5- Asma Grave Eosinofílica Anticorpo Monoclonal Humanizado anti IL-5. Resultado de estudos mostram: ● Redução das exacerbações; ● Efeito poupador de CO em dependentes; ● Melhora na qualidade de vida; ● Melhora sintomas e função pulmonar. Dupilumabe - Anticorpo Monoclonal anti IL-4Rα (IL-13) IL-4 e IL-13 são mediadores de inflamação T2. Asma grave com T2 alta (EOS e/ou FeNO elevados) não controlada com altas doses de CI-LABA. Omalizumabe - Anticorpo Monoclonal Humanizado anti-IgE Asma Grave Alérgica Asma grave, alérgica, não controlada com altas doses de CI-LABA. Prick teste positivo e/ou IgE específica positiva. Estudos mostram: ● Redução em exacerbações; ● Melhora QV; ● Diminuição na dose de CO; ● Melhora no controle; ● Redução de visitas à emergência; ● Redução de hospitalização; ● Redução de 32% dose CL; ● 83% de redução ou eliminação de CO. Exacerbação da Asma Definição: ● Episódios caracterizados por um aumento progressivo dos sintomas de falta de ar, tosse, sibilância ou opressão torácica e diminuição progressiva da função pulmonar, ou seja, apresentam uma mudança no status habitual do paciente. Gatilhos para exacerbação: ● Infecções respiratórias virais; ● Exposição a alérgenos; ● Alergia alimentar; ● Uso irregular de ICS; ● Poluição; ● Mudanças sazonais / climáticas. Fatores de risco para exacerbação grave: ● Antecedente de exacerbação com necessidade de VM; ● Necessidade de internação por exacerbação no último ano; ● Uso de CO; ● Não uso de ICS; ● Uso excessivo de SABA; ● Histórico de doenças psiquiátricas ou distúrbios psicossociais; ● Má adesão ao tratamento controlador; ● Antecedente de alergia alimentar. Diagnóstico de exacerbação: ● Através de mudanças no sintoma e piora da função pulmonar habitual do paciente; ● PFE ou VEF1 = marcadores mais confiáveis de gravidade que os sintomas. Manejo da Exacerbação da Asma na Atenção Primária ● Oxigenoterapia: ○ SatO2 entre: 93-95%; ● Antibioticoterapia. ● Quando alta, aqueles que não tratam, iniciar tratamento controlado com ICS. Manejo da Exacerbação da Asma na Emergência ● Verificação com PFE a cada 1 hora; ● GA não de rotina; ● Uso de SABA com pMDI + espaçador (evidência A); ● CO x endovenoso; ● ICS; ● Uso de brometo de Ipratrópio em exacerbação moderada-graves está associado a menor internação e maior melhora no VEF1 ou PFE; ● Uso de xantinas não é recomendado (EC grave); ● Sulfato Mg pode ser utilizado nas exacerbações graves que não respondem ao tratamento inicial e hipoxemia persistente. ● Leucotrienos não são recomendados; ● ICS + Laba: sem evidências; ● Antibioticoterapia ? ● VNI sem evidências. Critérios para Internação ● Se VEF1/PFE pré-tratamento for < 25% previsto ou do melhor prévio, ou se VEF1/PFE pós tratamento for < 40%. ○ Se a função pulmonar pós tratamento for 40-60% do previsto, a alta pode ser possível após considerar os fatores de risco do paciente. ● Uso de mais de 8 inalações com SABA nas últimas 24hs. ● Gravidade da exacerbação. ● Sexo feminino, idade avançada. ● Histórico prévio de exacerbações graves. ● Condições sociais. Resumo do Tratamento pelo Gina Pontos importantes: ● Uso de corticoides inalatórios em todas as etapas; ● Medicação de controle vs medicação de alívio; ● Alívio: uso de B2-agonistas de início de ação rápida; ○ Formoterol (único de longa ação com início rápido) + corticoide inalatório; ○ B-agonistas de curta ação (qualquer um); ○ Não associar dois B2-agonistas de longa duração diferentes. Já um longa ação com um curta ação é possível de associar. Tratamento - Primeira Escolha: Alívio: ➔ Formoterol + Corticoide Inalatório; Controle: ➔ Formoterol + CI dose baixa 12/12h, seguindo as indicações de alívio. ➔ Formoterol + CI dose moderada 12/12h, seguindo as indicações de alívio. Caso não haja melhora do paciente com essas medicações, aumentar tratamento com alguma dessas opções: ➢ CI alta dose; ➢ Antileucotrienos; ➢ Azitromicina; ➢ Corticoide sistêmico; ➢ Anticolinérgico de longa duração; ➢ Imunobiológicos. Tratamento - Secunda Escolha: Alívio: ➔ B2-agonista de curta ação + Corticoide Inalatório; Controle: ➔ CI dose baixa 12/12h, com medicação de alívio sendo B2-agonista de curta ação; ➔ Beta agonista de longa ação + CI dose baixa, com medicação de alívio sendo B2-agonista de curta ação (se estiver usando Formoterol, mantê-lo também para alívio). ➔ Beta agonista de longa ação + CI dose moderada a alta, com medicação de alívio sendo B2-agonista de curta ação (se estiver usando Formoterol, mantê-lo também para alívio). Caso não haja melhora do paciente com essas medicações, aumentar tratamento com alguma dessas opções: ➢ CI alta dose; ➢ Antileucotrienos; ➢ Azitromicina; ➢ Corticoide sistêmico; ➢ Anticolinérgico de longa duração; ➢ Imunobiológicos. Parâmetros para Identificar a Exacerbação: ● Frequência respiratória acima de 30 rpm. ● Uso de musculatura acessória. ● Saturação >90%. ● Paciente sem uso de corticoide inalatório. ● Uso recente de corticoide oral. ● Paciente monossilábico. ● História prévia. Tratamento: ● Beta 2 agonista (fenoterol ou salbutamol);