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Questões
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(Mackenzie-SP) Texto para as questões de 1 a 3.
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma 
 [vestida!)
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender [...].
Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.
1. No contexto da obra do poeta, a imagem alma vestida (verso 6) pode ser cor-
retamente compreendida assim:
a) Desde a infância o indivíduo incorpora valores culturais com os quais de-
fine sua percepção de mundo e de vida.
b) O ser humano é fundamentalmente mesquinho: nunca se revela sincero 
nos relacionamentos.
c) Porque nascemos com o pecado original, a realização religiosa estará sem-
pre comprometida.
d) A essência da alma humana é inatingível.
e) Nosso espírito está sempre protegido dos apelos mundanos.
2. As estrofes confirmam a ideia de que, para Caeiro, o homem deve estabelecer 
com o mundo uma relação eminentemente:
a) metafísica.
b) emotiva.
c) racional.
d) sensorial.
e) espiritual.
3. Considere os seguintes aspectos da poesia de Caeiro: a liberdade formal, o 
vocabulário simples e a tendência ao discurso redundante. No contexto da 
obra do poeta esses traços:
a) são coerentes com o modo de ser despojado de um eu que busca integrar-
-se plenamente na natureza, avesso, portanto, a requintes estéticos.
b) são índices da relevante influência que o movimento futurista exerceu so-
bre Fernando Pessoa, criador do heterônimo.
c) são reflexos do equilíbrio interior de Caeiro, coerente, pois, com uma con-
cepção clássica de vida.
d) revelam certa falta de maturidade estética do próprio Fernando Pessoa, 
já que Caeiro foi seu primeiro heterônimo.
e) são contrários a uma proposta modernista e, por isso, coerentes com o 
fato de esse heterônimo, segundo seu criador, ter vivido em época muito 
antiga.
4. (Uepa) 
Como aludido, Ricardo Reis é um poeta doutrinário. Ele considera 
a existência humana um jogo em que, por definição, sairemos derro-
tados – o xeque-mate nos é aplicado pelas mãos hábeis e insondáveis 
do Destino.
oliveira, Paulo. Revista Discutindo Literatura, ano 1, 2. ed. 
Segundo a citação, Ricardo Reis – heterônimo pagão de Fernando Pessoa – 
põe a existência humana nas mãos das forças irrevogáveis do Destino. Há 
momentos que seus versos inflamam-se de tamanha consciência da brevi-
1
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3
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6
7
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1. Resposta: a
A – CERTA – No poema, o eu lírico lamenta que 
a alma esteja vestida, referindo-se aos valores 
culturais que medeiam a relação do sujeito 
com o mundo, impedindo a visão verdadeira 
das coisas.
B – ERRADA – O poema reflete sobre como o 
homem deve interagir com o mundo e valoriza 
o ato de ver como fonte de conhecimento; não 
há referência a relações interpessoais.
C – ERRADA – A referência à “alma” não leva o 
poema para o universo religioso; Caeiro rejeita 
concepções metafísicas. 
D – ERRADA – Ao lamentar que a alma esteja 
vestida, o eu lírico refere-se à impossibilidade 
de se ver realmente o mundo e não a uma ten-
tativa frustrada de compreender a própria in-
terioridade. 
E – ERRADA – A vestimenta da alma não é vista 
como aquilo que a protege, mas sim como o 
obstáculo para a real interação do sujeito com 
o mundo.
2. Resposta: d
Para Caeiro, o mundo só pode ser conhecido 
com a aplicação dos sentidos (“O essencial é 
saber ver”), dispensando o uso dos sentimen-
tos (alternativa “b”), do pensamento racional/
científico (alternativa “c”) e de referências 
religiosas/transcendentais (alternativas “a” 
e “e”).
3. Resposta: a
A - CERTA – As construções linguísticas mais 
simples estão adequadas ao pensamento de 
Caeiro, que valoriza o contato com a natureza e 
a simplicidade do pensamento, conduzido pelos 
sentidos, sem o apoio de tradições culturais. 
B – ERRADA – Álvaro de Campos, outro heterô-
nimo de Fernando Pessoa, revela influência do 
Futurismo em seus poemas sobre temas con-
temporâneos e urbanos, marcados pelo ritmo 
febril que imita as máquinas. Tal influência não 
é sentida em Caeiro.
C – ERRADA – Ricardo Reis, também heterôni-
mo criado por Fernando Pessoa, apoia-se nas 
concepções clássicas da vida, retomando 
ideias como o carpe diem, a busca pela felici-
dade moderada ou a indiferença frente às leis 
do destino. Essa tradição, provinda da filosofia 
clássica, não é vista nos poemas de Caeiro.
D – ERRADA – A opção por um estilo mais sim-
ples resulta de uma operação consciente por 
parte de Fernando Pessoa, que busca a coe-
rência de seu heterônimo, e não de uma fragi-
lidade técnica.
E – ERRADA – Segundo Fernando Pessoa, 
Caeiro teria vivido entre 1889 e 1915.
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dade da vida, que beiram a um pessimismo esnobe por considerar-se úni-
co sabedor de que tudo passa. Deste modo investe-se de certo didatismo 
e convida o leitor a atentar para a consciência de que nada somos, de que 
nada sabemos. Com base na citação e nessa afirmação, interprete os ver-
sos em que o poeta, afastando-se dessa linha, propõe uma meta apenas 
para si próprio.
a) “Ninguém, na vasta selva virgem
 Do mundo inumerável, finalmente
 Vê o Deus que conhece.”
b) “Seja qual for o certo,
 Mesmo para com esses
 Que cremos sejam deuses, não sejamos
 Inteiros numa fé talvez sem causa.”
c) “Deixemos, Lídia, a ciência que não põe
 Mais flores do que a Flora pelos campos
 Nem dá de Apolo ao carro
 Outro curso que Apolo.”
d) “Quero ignorado, e calmo
 Por ignorado, e próprio
 Por calmo encher meus dias.
 De não querer mais deles.”
e) “Não te destines que não és futura.
 Quem sabe se, entre a taça que esvazias,
 E ela de novo enchida, não te há sorte
 Interpõe o abismo?”
5. (Unicamp-SP) No poema abaixo, Alberto Caeiro compara o trabalho do poeta 
com o do carpinteiro.
XXXVI
E há poetas que são artistas 
E trabalham nos seus versos 
Como um carpinteiro nas tábuas! ... 
Que triste não saber florir! 
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um 
 [muro 
E ver se está bem, e tirar se não está! ... 
Quando a única casa artística é a Terra toda 
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como 
 [quem respira, 
E olho para as flores e sorrio... 
Não sei se elas me compreendem 
Nem se eu as compreendo a elas, 
Mas sei que a verdade está nelas e em mim 
E na nossa comum divindade 
De nos deixarmos ir e viver pela Terra 
E levar ao colo pelas Estações contentes 
E deixar que o vento cante para adormecermos 
E não termos sonhos no nosso sono.
Poemas completos de Alberto Caeiro. In: Pessoa, Fernando. 
Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 1983. p. 156.
a) Por que tal comparação é feita? Por que ela é rejeitada pelo eu lírico na se-
gunda estrofe do poema? Justifique sua resposta.
b) Identifique duas características próprias da visão de mundo de Alberto 
Caeiro presentes na terceira estrofe. Justifique sua resposta.
4. Resposta: d
A – ERRADA – Os versos trazem considerações 
de caráter genérico (“ninguém”) sobre a ine-
xorabilidade do Destino, sugerindo que, mes-
mo que antecipado pelo pensamento, ele será 
sempre desconhecido.
B – ERRADA – Os versos incluem o leitor na re-
flexão, sugerindo que ambos – eu lírico e leitor 
– estejam atentos às condições do Destino, 
sem aderir integralmente a uma crença.
C – ERRADA – As considerações sobre o mundo 
aparecem como orientação para Lídia, sua in-
terlocutora, portanto, não há uma meta exclu-
sivamente pessoal.
D – CERTA – A reflexão sobre o destino e o de-
sejo de não lutar contra suas leis envolvem 
exclusivamente o eu lírico, que confessa o de-
sejo de manter-se lúcido e calmo diante da 
consciência da brevidade da vida.
E – ERRADA – O eu lírico sugere a imprevisibili-
dade da morte (a “sorte” que se pode colocar 
entre o esvaziar e o encher novamente uma 
taça) a partir deuma pergunta dirigida ao in-
terlocutor, sugerindo um conhecimento supe-
rior das leis da existência humana.
5. Respostas:
a) O eu lírico sugere que o “poeta” e o “car-
pinteiro” aproximam-se por realizar um traba-
lho calculado e técnico, representado na ima-
gem da “construção de um muro”. Essa con-
cepção racional da arte é rejeitada na segunda 
estrofe, na qual o eu lírico propõe uma con-
cepção mais próxima da harmonia e da espon-
taneidade da natureza.
b) Na terceira estrofe, afirma-se a preferência 
pela compreensão direta das coisas, sem a in-
tromissão da cultura ou da metafísica, eviden-
ciada no verso “Penso nisto, não como quem 
pensa, mas como quem respira,”. O verso tam-
bém mostra a valorização da apreensão senso-
rial, evidente, igualmente, em “E olho para as 
flores e sorrio.../Não sei se elas me compreen-
dem/nem se eu as compreendo a elas,”. Nota- 
-se também o objetivismo, presente em “Mas 
sei que a verdade está nelas e em mim”.
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