Prévia do material em texto
Disciplina ESTRUTURA DO SUS Unidade 1 Princípios e Diretrizes Organizacionais Aula 1 Antecedentes do SUS Antecedentes do SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos a fascinante trajetória da política de saúde no Brasil, mergulhando nas nuances do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) e no surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, abordaremos o processo de saúde-doença e a relação com a criação do sistema de saúde, proporcionando uma compreensão abrangente das transformações históricas que moldaram o cenário da saúde pública em nosso país. Vamos juntos? Bons estudos! Ponto de Partida Estudante, ao longo desta aula, exploraremos os marcos históricos que moldaram a saúde pública brasileira, desde as primeiras iniciativas até os avanços signi�cativos que nos trouxeram ao Sistema Único de Saúde (SUS). Desbravaremos o cenário político e social que in�uenciou a criação dessas instituições, entendendo como cada uma contribuiu para a evolução do sistema de saúde no país. Além disso, vamos compreender o elo entre o SUS e o processo saúde- doença. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Nesse contexto, imagine-se como um investigador do tempo, capaz de viajar pelas diferentes épocas da história da saúde no Brasil. Nessa jornada, você se depara com um cenário desa�ador: a transição entre o período do INPS, INAMPS e a chegada do SUS. Ao entrar nesse universo, você percebe que a população está enfrentando sérios problemas de acesso aos serviços de saúde e está ansiosa por uma mudança, e é aí que sua missão começa. Como pesquisador do tempo, sua tarefa é entender como esses sistemas funcionavam, quais eram suas limitações e como contribuíram para a construção do SUS. Quais eram os principais desa�os enfrentados pela população? Como as políticas de saúde in�uenciavam o panorama epidemiológico? Como o processo saúde-doença era abordado em cada uma dessas fases? Suas descobertas contribuirão para uma compreensão mais profunda da saúde no contexto brasileiro. Bons estudos! Vamos Começar! O desenvolvimento do sistema de saúde no Brasil é um processo histórico que remonta a séculos, marcado pela organização governamental visando a cuidados com a saúde da população. O entendimento dessa história é essencial para compreendermos os desa�os e conquistas atuais no cenário da saúde pública brasileira. Esse contexto histórico teve seu início em 1808, marcando o começo de medidas pioneiras de saúde pública focadas no controle de doenças nos portos, pois careciam de estruturas de saneamento. Com a chegada da família real, teve início um movimento de reorganização das cidades, principalmente nas áreas urbanas, e a migração de pessoas do interior para os centros urbanos em busca de trabalho e melhores condições de vida se intensi�cou. Contudo, a falta de atenção com a saúde coletiva por parte das autoridades públicas e a falta de preparo das cidades para receber um grande número de habitantes levaram a um declínio na saúde, resultando no surgimento de várias doenças, especialmente as infectocontagiosas. As Santas Casas de Misericórdia, representadas por instituições religiosas, acolhiam pessoas sem condições �nanceiras para tratamento em hospitais particulares. Porém, o índice de infecções e doenças transmissíveis era elevado e a sobrevivência muitas vezes dependia de doações e serviços de caridade, pois essas instituições careciam de condições adequadas, tanto em termos de instalações quanto de recursos humanos. Com a Independência do Brasil, em 1822, novas políticas públicas foram implementadas, mantendo o foco no controle sanitário dos portos nacionais. A Proclamação da República, em 1889, marcou o início de uma nova fase nas práticas de saúde em nível nacional (Moreira, 2023; Solha, 2014). No ano de 1900, durante o período conhecido como sanitarista (a saúde pública funcionava principalmente na forma de campanhas e com o apoio da polícia sanitária), a história da saúde coletiva no Brasil testemunhou um marco signi�cativo. O médico, cientista e sanitarista Oswaldo Cruz desempenhou um papel crucial no combate à febre amarela, desa�ando a crença popular Disciplina ESTRUTURA DO SUS de que a doença era transmitida por objetos e contato com secreções, pois ele propôs a teoria de que a febre amarela era transmitida por mosquitos. Além disso, Oswaldo Cruz dedicou seus estudos à varíola, uma doença com alta taxa de mortalidade, resultando na criação de uma vacina como medida de proteção. Em 1904, ocorreu a Revolta da Vacina, originada por uma abordagem de intervenção conhecida como Campanhista. Nesse contexto, apoiadores políticos e militares invadiram as residências, realizando vacinações em massa contra a varíola sem o devido consentimento das pessoas, tornando a vacinação obrigatória. A população, revoltada com a imposição dessa obrigatoriedade, manifestou seu descontentamento nas ruas, principalmente no estado do Rio de Janeiro. Entretanto, apesar da controvérsia, a vacinação contribuiu signi�cativamente para a drástica redução do número de casos da doença e esta foi considerada a primeira vacinação em âmbito nacional (Moreira, 2023; Solha, 2014; Benchimol, 2018). Somente no governo de Getúlio Vargas teve início no Brasil a estruturação de projetos de políticas públicas direcionadas especi�camente para o planejamento e execução de serviços públicos de assistência à saúde. Em 1930, o presidente suspendeu temporariamente as aposentadorias concedidas pelas Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPS) por seis meses e implementou uma reestruturação que resultou na substituição das CAPS pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPAS). Estes últimos, autarquias centralizadas no âmbito nacional e vinculadas ao governo federal, adotavam um novo modelo de �liação, agora organizado por categorias pro�ssionais, em contraste com o formato das CAPS, que se baseava na associação por empresas. No entanto, somente durante o segundo mandato de Getúlio Vargas, em 1953, foi estabelecido um aparato político-administrativo de alcance nacional dedicado exclusivamente a conceber soluções, projetos, programas e investimentos com recursos públicos na área da proteção à saúde de todos os brasileiros: o Ministério da Saúde. A partir desse momento, políticas públicas planejadas para organizar a oferta de serviços de assistência médica à população brasileira foram efetivamente formuladas e implementadas, especialmente nas áreas rurais do país (Moreira, 2023; Solha, 2014). Em 1964, ocorreu no Brasil o Golpe Militar e a deposição do Presidente João Goulart, inaugurando o período da Ditadura Militar. Durante essa época, observou-se um signi�cativo avanço tecnológico na área da saúde, mas esse progresso ocorreu predominantemente em hospitais particulares e militares. A saúde pública não era prioritária, o que contribuiu para a deterioração das condições de saúde daqueles desprovidos de recursos. Nesse ano, foi criada uma comissão para reformular o sistema previdenciário, que culminou com a fusão de todos os IAPAS no INPS (Instituto Nacional da Previdência Social), o�cializado em 1966. O INPS representou um esforço para organizar a previdência social e proporcionar assistência médica aos trabalhadores vinculados ao sistema previdenciário, consolidando o componente assistencial, com marcada opção de compra de serviços assistenciais do setor privado. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Concretizava-se o modelo assistencial hospitalocêntrico, curativista e médico-centrado (Moreira, 2023; Solha, 2014). Em 1977, foi instituído o Sistema Nacional de Assistência e Previdência Social (SINPAS), que incluía a criaçãonovas esferas de participação e negociações entre os atores nas políticas públicas (Moreira et al., 2018). Nesse contexto, a administração do Sistema Único de Saúde (SUS) em nível municipal é conduzida pelos secretários municipais de saúde, sendo esses representados nacionalmente pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Conasems, cuja trajetória teve início em 1984 durante as lutas pela reforma sanitária, desempenhando um papel crucial nesse cenário (Silva, 2021; Solha, 2014). Após a promulgação da nova Constituição em 1988, o Conasems foi o�cialmente estabelecido para auxiliar a implementação do SUS. Ele buscava assegurar um acesso mais amplo e equitativo aos serviços de saúde, destacando a importância da descentralização e da adequada alocação de recursos. Embora tenha enfrentado desa�os iniciais devido à falta de infraestrutura para abranger todas as secretarias municipais do país, o Conasems consolidou-se ao longo do tempo, mantendo sua relevância até os dias atuais. É reconhecido como uma entidade representativa dos entes municipais no que diz respeito a questões relacionadas à saúde; conforme estabelecido pela Lei nº 8.08 de 19 de setembro de 1990, ele integra o Conselho Nacional de Saúde e recebe recursos do Fundo Nacional de Saúde. Sua atuação abrange diversas áreas, incluindo educação em saúde, capacitação de pro�ssionais de saúde, fortalecimento dos Conselhos Municipais de Saúde (Cosems) e participação ativa no Conselho Nacional de Saúde. Além disso, desempenha um papel fundamental nas Comissões Intergestoras Tripartites (CIT), abordando aspectos operacionais do SUS (Brasil, 2014; Silva, 2021; Solha, 2014). Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) foram estruturados simultaneamente à organização e formação do Conasems. Essa iniciativa revelou-se crucial para ampliar o respaldo político do Conasems e conferir-lhe legitimidade em seus estágios iniciais, considerando as di�culdades enfrentadas por esse conselho quando de sua criação. Ao longo do tempo, os Cosems fortaleceram sua in�uência política e importância, desempenhando um papel signi�cativo nas Comissões Intergestoras Bipartites (CIB). Conforme estabelecido pela Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, os Cosems são entidades o�cialmente reconhecidas como representantes dos entes municipais em âmbito estadual, com a responsabilidade de tratar de assuntos relacionados à saúde. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Essa representação é condicionada à vinculação institucional ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conasems), de acordo com as disposições delineadas em seus estatutos. Os Cosems, enquanto entidades estaduais, possuem estatutos individuais e foram criados em diferentes momentos, variando de acordo com os interesses políticos de cada estado. Os primeiros conselhos surgiram nos estados de Pernambuco, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, enquanto os Cosems do Acre e do Mato Grosso foram estabelecidos em 2004 (Brasil, 2014 ; Silva, 2021; Solha, 2014). Por outro lado, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) é reconhecido como entidade representativa dos entes estaduais para abordar questões relacionadas à saúde, sendo declarado de utilidade pública e de relevante função social, conforme estipulado pelo regulamento. O Conass teve sua origem em 1982, em Curitiba, desempenhando um papel signi�cativo na Reforma Sanitária. Após a implementação do SUS, participou ativamente das discussões sobre diversas Normas Operacionais Básicas do sistema (NOBs), e contribuiu para a formulação das Normas Operacionais da Assistência à Saúde nº 01 e 02 (NOAS) e do Pacto pela Saúde em 2006. A entidade também se envolve em debates sobre o �nanciamento do SUS, manifestando posição contrária à PEC nº 55, de 2016, que limitou os gastos sociais por 20 anos. Além de sua atuação direta na formulação de políticas públicas, o Conass presta apoio técnico às Secretarias Estaduais de Saúde e estabelece acordos de cooperação internacional, como os celebrados com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Universidade de Montreal. O Conass é representado no Conselho Nacional de Saúde e recebe �nanciamento do Fundo Nacional de Saúde (Brasil, 2014; Silva, 2021; Solha, 2014). Para compreender a importância e a atuação de cada um desses conselhos, considere-se como o secretário municipal da cidade de Gurupi, em Tocantins. Dentro do Cosems, você terá a oportunidade de compartilhar experiências de gestão com outros gestores do estado, obtendo insights sobre práticas bem-sucedidas que podem ser implementadas em seu município, além de aprender com experiências malsucedidas para evitar repetir os mesmos erros. Após alguns anos como secretário de saúde em Gurupi, você é nomeado secretário estadual de saúde de Tocantins. No Conass, ocorre a troca de informações entre os secretários estaduais de saúde de todo o Brasil, proporcionando discussões sobre políticas públicas e estratégias para apoiar e fortalecer as secretarias estaduais de saúde. Siga em Frente... A descentralização pode ser vista também como facilitadora para o controle social da saúde e para a participação popular, regulamentada pela Lei 8.142, datada de 28 de dezembro de 1990 (Moreira et al., 2018). Essa legislação estabelece duas instâncias de participação da sociedade para cada esfera de governo: Conferências de saúde: são fóruns de debate que contam com a representação dos diversos segmentos sociais. Seu propósito é analisar a situação de saúde e propor diretrizes para a Disciplina ESTRUTURA DO SUS formulação das políticas da área. As conferências devem ser realizadas a cada quatro anos; a participação dos usuários deve ser paritária em relação aos demais segmentos. A convocação das Conferências pode ser realizada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por este ou pelo Conselho de Saúde, conforme estabelece a Lei nº 8.142/90 (Brasil, 2014 ; Silva, 2021; Paim; Almeida Filho, 2014). Conselhos de saúde: con�guram-se como instâncias permanentes e deliberativas, sendo órgãos colegiados compostos por representantes dos segmentos governamentais, prestadores de serviços, pro�ssionais de saúde e usuários (50%). Os conselhos têm a responsabilidade de atuar na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na respectiva esfera de governo, inclusive em aspectos econômicos e �nanceiros. Suas decisões são homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada nível governamental. A participação dos usuários nos conselhos de saúde e nas conferências deve ser paritária em relação aos demais segmentos. É importante destacar que o Conass e o Conasems têm representação no Conselho Nacional de Saúde (CNS), ressaltando a relevância desses órgãos no contexto do SUS (Brasil, 2014 ; Silva, 2021; Paim; Almeida Filho, 2014). Em 2003, foi promulgada a Resolução nº 333, a qual trata das orientações para a construção e estruturação dos conselhos estaduais e municipais de saúde. Essa resolução introduziu ampliações nos conselhos de saúde, como a criação de conselhos regionais e conselhos distritais de saúde, entre outros (Coelho, 2012). Apesar de serem formuladas para promover a democratização da gestão do SUS, algumas di�culdades comprometem a efetiva participação da população (Paim; Almeida Filho, 2014): Os Conselhos de Saúde muitas vezes ocorrem em horário comercial, di�cultando a participação de trabalhadores que não podem ausentar-se de seus empregos. Disputas político-partidárias dentro dos Conselhos podem comprometer os interesses reais da população. A ausência de remuneração, auxílio para participação dos usuários ou mesmo reconhecimento moral pode diminuir o interesse de parte da população em participar dos Conselhos. Apesar de serem órgãos deliberativos, os Conselhos Municipais de Saúde, em muitas situações, acabam sendo apenas consultivos, o que reduz a e�cácia dessa instância crucial. É relevante destacar que, embora existam outras formas de participação e controle social, como integrar movimentos sociais, protestar, ou utilizarouvidorias e �liações partidárias, os Conselhos e as Conferências de Saúde são os espaços de participação social no SUS previstos em lei. Como futuro gestor, é fundamental lembrar que a gestão compartilhada e democrática é mais efetiva do que gestões autoritárias, verticais e carentes de espaços para discussões. Garantir a participação social nos serviços de saúde pública é uma competência essencial do gestor. Vamos Exercitar? Disciplina ESTRUTURA DO SUS Retomemos o estudo de caso que se refere a uma bem-sucedida gestão na prefeitura de Paramirim, Bahia, e o convite para você liderar a secretaria municipal de saúde em São Paulo, uma realidade totalmente diferente. Baseado no modelo de gestão do SUS e reconhecendo a importância da participação popular e do controle social, o que você faria para que a prefeitura de São Paulo melhorasse o serviço prestado e aumentasse sua resolutividade? Qual seria a sua primeira ação para resolver os problemas encontrados? O que não poderia faltar ao apresentar uma proposta de planejamento das ações a serem realizadas? Como as instâncias colegiadas e de controle social do SUS poderiam ser importantes no processo de formulação de estratégias para esse desa�o? A abordagem para aprimorar o serviço e aumentar a resolutividade não segue um único caminho. Há várias possibilidades, sendo crucial desenvolver habilidades analíticas e de resolução de problemas. Contudo, com base no modelo de gestão do SUS e reconhecendo a importância da participação popular e do controle social, algumas ações são indispensáveis na resolução desse estudo de caso: a primeira ação seria compreender a realidade local, reconhecendo que o princípio da descentralização visa conceder mais autonomia aos gestores locais, adaptando-se às peculiaridades territoriais. Paramirim não é como São Paulo! É essencial conhecer o per�l epidemiológico da nova cidade, assim como aspectos culturais e sociais que in�uenciam a percepção da população paulistana em relação à saúde. Junto a isso, é importante que você conheça as ações já praticadas pela gestão anterior, antes de decidir fazer tudo diferente. Pode haver coisas boas a serem aproveitadas! Lembre-se de que o SUS nasceu da luta da sociedade civil e que a participação social é extremamente importante dentro do sistema. Assim, consulte o Conselho Municipal de Saúde sobre as suas visões e aplique as resoluções dele. Outra forma de participação social poderia ser através de uma consulta pública, para que toda a população pudesse opinar sobre os rumos da saúde na cidade. Você também poderia se basear em ouvidorias, vendo os serviços mais elogiados e os com menor aprovação. Não se esqueça de consultar a opinião dos pro�ssionais de saúde também. Ao apresentar um plano de ações, seria fundamental destacar a descentralização, a participação social e a integralidade, alinhando as estratégias com a diversidade da metrópole. As instâncias colegiadas e de controle social do SUS desempenhariam um papel crucial no processo, fornecendo subsídios e legitimidade às decisões; elas garantiriam uma gestão mais democrática e e�caz. Logo, participar do Cosems-SP é vital para compartilhar experiências e receber apoio técnico. Não se esqueça de que a sua resposta deve estar em consonância com os princípios do SUS! Ela contemplou todos os itens? Saiba mais As entidades abordadas durante esta aula têm seus próprios sites com informações relevantes e notícias recentes sobre suas atuações. Acesse o site do Conasems e do Conass para obter mais https://portal.conasems.org.br/ https://www.conass.org.br/ Disciplina ESTRUTURA DO SUS informações. Fica a sugestão também para você pesquisar o site do Cosems do seu estado! Referências BRASIL. Lei nº 8.080/90, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília: Casa Civil, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 26 jan. 2024. BRASIL. Lei nº 8.142/90, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos �nanceiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília: Casa Civil, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm. Acesso em: 26 jan. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. CONASS 25 anos. Brasília: CONASS, 2007. E-book. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/conass-25-anos.pdf. Acesso em: 26 jan. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A história do Conasems – da fase heróica da década de 80 ao desejo de mudança do modelo de atenção e gestão dos anos 2000. Brasília: CONASEMS, 2008. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/historia_conasems.pdf. Acesso em: 26 jan. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Para entender o controle social na saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Ebook. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Manual_Para_Entender_Controle_Social.pdf. Acesso em: 26 jan. 2024. COELHO, J. S. Construindo a Participação Social no SUS: um constante repensar em busca de equidade e transformação. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 21, supl. I, p. 138-151, 2012. MOREIRA, T. de C. M.; et al. Saúde coletiva. [recurso eletrônico]. Porto Alegre: SAGAH, 2018. PAIM, S. J., ALMEIDA FILHO, N. de. Saúde coletiva: teoria e prática. [recurso eletrônico]. Rio de Janeiro: MedBook, 2014. SILVA, B. T. da; LIMA, I. M. S. O. Conselhos e conferências de saúde no Brasil: uma revisão integrativa. Ciência e Saúde Coletiva, São Paulo, v. 26, n. 1, p. 319-328, 2021. SOLHA, R. K. T. Sistema único de saúde: componentes, diretrizes e políticas públicas. São Paulo: Érica, 2014. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/conass-25-anos.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/historia_conasems.pdf http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Manual_Para_Entender_Controle_Social.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS WORLD BANK. World development indicators. Washington, DC, 2020. Disponível em: http://wdi.worldbank.org/table. Acesso em: 24 set. 2021. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, você verá o contexto histórico que in�uenciou a criação do SUS, seus princípios organizativos, doutrinários e a estrutura do sistema, através das instâncias colegiadas. Vamos compreender o papel crucial da participação da sociedade nesse processo por meio dos Conselhos de Saúde. Vamos entender juntos como esses elementos fundamentais se entrelaçam para promover um sistema de saúde mais inclusivo e e�ciente. Estão prontos? Vamos lá! Ponto de Chegada Estudante, para desenvolver a competência desta Unidade, que é “entender as condições políticas e administrativas fundamentais que levaram o SUS a se constituir nos dias de hoje como a principal política pública de saúde em nosso país”, você deverá primeiramente conhecer os marcos históricos que moldaram a saúde pública brasileira até a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) para que, assim, possa compreender como o sistema funciona e é organizado, e como acontece a articulação entre os níveis de atenção. Com isso, você poderá entender os princípios organizativos e doutrinários do SUS, bem como sua estrutura institucional e decisória. Você aprendeu que o Brasil teve suas políticas de saúde diretamente in�uenciadas pelos eventos históricos e econômicos de cada época. Durante muitos anos,a saúde pública foi http://wdi.worldbank.org/table Disciplina ESTRUTURA DO SUS responsabilidade do Departamento Nacional de Saúde (atual Ministério da Saúde) e a assistência individual e curativa (consultas médicas e internações) era ligada à Previdência Social. Só possuíam o direito ao atendimento os trabalhadores com carteira assinada ou as pessoas que podiam pagar como particulares. O restante da população era atendido pelas Santas Casas. Apenas em 1988 é que a saúde teve o status de direito reconhecimento pela Constituição e o atendimento passou a ser universalizado, com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir daí, uma nova organização de serviços foi de�nida pela Lei n. 8.080/1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Outra lei importante é a 8.142/90, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos �nanceiros na área da saúde e dá outras providências. Os princípios e diretrizes do SUS estão na Constituição Federal de 1988, regulamentados e con�rmados no capítulo II, artigo 7 da lei 8.080/90, sendo fundamentais para orientar e nortear a atuação do sistema. Eles promovem uma abordagem ética, equitativa e integral no cuidado à saúde da população. Destacam-se a universalidade, a integralidade, a equidade, a descentralização, a regionalização, a hierarquização, a resolubilidade, a complementariedade do setor privado e a participação social. Esta última é prevista na Lei n 8.142, de 28 de dezembro de 1990, uma diretriz essencial na organização e operacionalização do SUS em todas as suas esferas de gestão. Segundo a Constituição, a população, por meio de suas entidades representativas, deve participar do processo de formulação e avaliação das políticas de saúde e do controle da sua execução, em todos os níveis, desde o federal até o local. Essa participação ocorre por meio dos Conselhos de Saúde, instituídos por lei, e devem ser estabelecidos em todos os serviços de saúde. Existem conselhos em níveis nacional, estadual e municipal, sendo esta última esfera a de maior destaque, priorizando o aprimoramento dos conselheiros para o exercício de suas atribuições. No que se refere à estrutura do SUS, temos o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), os Cosems (Conselhos Estaduais de Secretarias Municipais de Saúde) e o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), que representam instâncias fundamentais na estruturação e no aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. O Conasems, como entidade nacional, desempenha um papel crucial ao uni�car as vozes dos gestores municipais de saúde, promovendo a troca de experiências e atuando na defesa dos interesses desses gestores. Por sua vez, os Cosems atuam em nível estadual, facilitando a interlocução entre os municípios e promovendo a implementação de políticas de saúde de acordo com as realidades locais. Já o Conass, representando os gestores estaduais de saúde, contribui para a articulação entre as esferas estadual e federal, in�uenciando diretamente a formulação de políticas e diretrizes para o setor. Essas entidades desempenham papéis complementares, fortalecendo a descentralização, a regionalização e a efetividade do SUS em todo o país. Disciplina ESTRUTURA DO SUS É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Para contextualizar sua aprendizagem, re�ita sobre essa situação hipotética: no município �ctício “Esperança”, a equipe de saúde identi�cou desa�os signi�cativos relacionados à promoção da saúde em uma comunidade especí�ca. A população dessa comunidade enfrenta barreiras socioeconômicas, baixa escolaridade e falta de acesso a informações sobre práticas saudáveis. As taxas de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) estão em ascensão, e há uma necessidade urgente de intervenções e�cazes na atenção básica. Considerando esse contexto e os tópicos estudados, como a equipe de saúde em bem-estar pode desenvolver e implementar estratégias baseadas nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) para promover a saúde e enfrentar os desa�os especí�cos dessa comunidade, levando em consideração a equidade, a integralidade, a participação social e a universalidade? Como a equipe de saúde pode incorporar uma gestão participativa? Como os movimentos sociais podem in�uenciar positivamente a construção de sociedades mais justas e igualitárias, considerando seu papel na promoção de mudanças, participação cidadã e defesa de direitos? Como os princípios e diretrizes organizacionais do Sistema Único de Saúde (SUS), como universalidade, integralidade, equidade e participação social, podem ser efetivamente aplicados e fortalecidos em meio aos desa�os contemporâneos, garantindo um sistema de saúde justo e acessível para toda a população brasileira? Para abordar os desa�os identi�cados na promoção da saúde em Bem-Estar, a equipe de saúde deve adotar uma abordagem centrada nos princípios do SUS. Aqui estão algumas estratégias: Equidade: realizar levantamento socioeconômico para entender as desigualdades na comunidade; desenvolver ações especí�cas para atender às necessidades das populações mais vulneráveis; garantir o acesso igualitário aos serviços de saúde, considerando as particularidades de cada grupo. Integralidade: implementar ações preventivas e de promoção da saúde em todas as fases da vida; integrar diferentes pro�ssionais de saúde para oferecer cuidados abrangentes, estabelecer parcerias com organizações locais para abordar determinantes sociais da saúde. Participação social: realizar reuniões comunitárias para entender as necessidades e expectativas da população, envolver a comunidade na elaboração de estratégias de promoção da saúde; criar conselhos de saúde locais para promover a participação ativa dos moradores nas decisões relacionadas à saúde. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Universalidade: garantir que todos os residentes tenham acesso igualitário aos serviços de saúde; implementar campanhas educativas abrangentes para conscientizar sobre práticas saudáveis; oferecer serviços de saúde preventivos e educativos em locais acessíveis à comunidade. Para uma gestão participativa, a equipe de saúde poderia realizar reuniões comunitárias para entender as necessidades e expectativas da população, envolver a comunidade na elaboração de estratégias de promoção da saúde; criar conselhos de saúde locais para promover a participação ativa dos moradores nas decisões relacionadas à saúde. Disciplina ESTRUTURA DO SUS ABASSINELLO, G. Saúde Coletiva. [recurso eletrônico]. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. Disciplina ESTRUTURA DO SUS ALMEIDA FILHO, N.; BARRETO, M. Epidemiologia e saúde: fundamentos, métodos e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. ANTUNES, A. A volta da fome. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2020. Disponível em: https://www.epsjv.�ocruz.br/noticias/reportagem/a-volta-da-fome. Acesso em: 23 jan. 2024. BRASIL. Lei nº 8.080/90, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília: Casa Civil, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 31 jan. 2024. BRASIL. Lei nº 8.142/90, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos �nanceiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília: Casa Civil, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm. Acesso em: 31 jan. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. CONASS 25 anos. Brasília: CONASS,2007. E-book. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/conass-25-anos.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A história do Conasems – da fase heróica da década de 80 ao desejo de mudança do modelo de atenção e gestão dos anos 2000. Brasília: CONASEMS, 2008. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/historia_conasems.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. BRASIL. Decreto de 13 de março de 2006. Institui, no âmbito do Ministério da Saúde, a Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde – CNDSS. Diário O�cial da União, Brasília, 14 mar. 2006, p. 21. Disponível em: https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/95933/decreto-06. Acesso em: 31 jan. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Para entender o controle social na saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Ebook. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Manual_Para_Entender_Controle_Social.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. CEBALLOS, A. G. da C. M. Conceituais de saúde, determinação social do processo saúde e doença, promoção da saúde. Recife: [s.n.], 2015. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3332/1/2mod_conc_saude_2016.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. COELHO, J. S. Construindo a Participação Social no SUS: um constante repensar em busca de equidade e transformação. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 21, supl. I, p. 138-151, 2012. CRUZ, M. M. da. Concepção de saúde-doença e o cuidado em saúde. In: GONDIM, R.; GRABOIS, V.; MENDES JUNIOR; W. V. (orgs.). Quali�cação dos Gestores do SUS. 2ª ed. Rio de Janeiro: Fiocruz/ENSP/EAD; 2011. p. 21-33. Disponível em: https://moodle.ead.�ocruz.br/modulos_saude_publica/sus/�les/media/saude_doenca.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. DEMARZO, M. M. P. Reorganização dos Sistemas de Saúde. [recurso eletrônico]. 2012. Disponível em: https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/1/unidades_conteudos/unidade02/p_03.ht m. Acesso em: 31 jan. 2024. GEROLIN, F. S. F. Modelo Assistencial do Hospital Alemão Oswaldo Cruz: Um estudo de caso. Tese de Doutorado. Escola Paulista de Enfermagem – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2016. https://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/a-volta-da-fome http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/conass-25-anos.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/historia_conasems.pdf https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/95933/decreto-06 http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Manual_Para_Entender_Controle_Social.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3332/1/2mod_conc_saude_2016.pdf https://moodle.ead.fiocruz.br/modulos_saude_publica/sus/files/media/saude_doenca.pdf https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/1/unidades_conteudos/unidade02/p_03.htm https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/1/unidades_conteudos/unidade02/p_03.htm Disciplina ESTRUTURA DO SUS JÚNIOR, J. P. B.; ALMEIDA, E. R. de. Equipes multipro�ssionais (eMulti): potencialidades e desa�os para a ampliação da atenção primária à saúde no Brasil [recurso eletrônico]. Cadernos de Saúde Pública, vol. 39, n. 10, 2023. Disponível em: https://cadernos.ensp.�ocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8406/18747. Acesso em: 31 jan. 2024. MALTA, D. C. Saúde suplementar e Modelos Assistenciais. [recurso eletrônico]. Disponível em: https://www.epsjv.�ocruz.br/upload/d/Saude_Suplementar_e_ModelosAssistenciais.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. MARTINS, K. P. dos S.; et al. Transição Nutricional no Brasil de 2000 a 2016, com ênfase na desnutrição e obesidade. ASKLEPION: Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 113-132, out. 2021/mar. 2022. Disponível em: https://asklepionrevista.info/asklepion/article/view/22/53. Acesso em: 31 jan. 2024. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM/MS nº 635, de 22 de maio de 2023. Diário O�cial da União, Brasília, DF, 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de- 22-de-maio-de-2023-484773799. Acesso em: 31 jan. 2024. MOREIRA, T. de C.; et al. Saúde Coletiva. [recurso eletrônico]. Porto Alegre: SAGAH, 2018. MOREIRA, D. de J. Saúde coletiva. [recurso eletrônico]. Santo André: Difusão Editora, 2023. OLIVEIRA, J. M. de. Nutrição em saúde coletiva. Barueri: Manole, 2022. OMRAM, A. R. The Epidemiologic Transition: A Theory of the Epidemiology of Population Change. Bulletin of the World Health Organization, [s. l.], v. 79, n. 2, p. 509-538, jan. 2001. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/registro/The_epidemiologic_transition__a_theo ry_of_the_epidemiology_of_population_changes/44. Acesso em: 31 jan. 2024. PAIM, J. S., ALMEIDA FILHO, N. Saúde coletiva: teoria e prática. [recurso eletrônico]. 2ª ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2023. PETTRES, A. A.; ROSS, M. A. da. A determinação social da saúde e a promoção da saúde. Arquivos Catarinenses de Medicina, vol. 47, n. 3, p. 183-196, 2018. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/10/915936/375-1511-1-ce.pdf. Acesso em: 31 jan. 2024. PINTO, S. N. Saúde Coletiva. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2016. SILVA, B. T. da; LIMA, I. M. S. O. Conselhos e conferências de saúde no Brasil: uma revisão integrativa. Ciência e Saúde Coletiva, São Paulo, v. 26, n. 1, p. 319-328, 2021. ROUQUAYROL, M. Z.; SILVA, M. G. C. da. Epidemiologia e saúde. 7ª ed. Rio de Janeiro: Medbook, 2013. SOARES, L. R.; et al. A transição da desnutrição para a obesidade. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research, Ipatinga, vol. 47, n. 2, 2014. Disponível em: http://www.mastereditora.com.br/bjscr. Acesso em: 31 jan. 2024. SOLHA, R. K. de T. Saúde coletiva para iniciantes: políticas e práticas pro�ssionais. 2a ed. São Paulo: Érika, 2014. VERDI, M. I. M.; et al. Saúde e Sociedade. Universidade Aberta do SUS. Florianópolis: UFSC, 2010. Disponível em: https://unasus2.moodle.ufsc.br/plugin�le.php/33307/mod_resource/content/1/Unidade%201/to p4_1.html. Acesso em: 31. jan. 2024. WORLD BANK. World development indicators. Washington, DC, 2020. Disponível em: http://wdi.worldbank.org/table. Acesso em: 24 set. 2021. , https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8406/18747 https://www.epsjv.fiocruz.br/upload/d/Saude_Suplementar_e_ModelosAssistenciais.pdf https://asklepionrevista.info/asklepion/article/view/22/53 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/registro/The_epidemiologic_transition__a_theory_of_the_epidemiology_of_population_changes/44 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/registro/The_epidemiologic_transition__a_theory_of_the_epidemiology_of_population_changes/44 https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/10/915936/375-1511-1-ce.pdf http://www.mastereditora.com.br/bjscr https://unasus2.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/33307/mod_resource/content/1/Unidade%201/top4_1.html https://unasus2.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/33307/mod_resource/content/1/Unidade%201/top4_1.html http://wdi.worldbank.org/table Disciplina ESTRUTURA DO SUS Unidade 2 Hierarquização dos Níveis de Complexidade de Atenção Aula 1 Atenção Básica Atenção básica Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Neste vídeo, você vai entender o papel fundamental das unidades básicas de saúde (UBS) como ponto inicial no atendimento aos usuários do SUS; o conceito e a importância da atenção básica, com destaque para a estratégia de saúde da família (ESF); além de assimilar os aspectos do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e das equipes multidisciplinares (eMulti) para umacompreensão abrangente e concisa da estrutura e operação dos serviços de saúde. Vamos lá? Bons estudos! Ponto de Partida Estudante, a atenção básica assume um papel essencial no Sistema Único de Saúde (SUS), representando o primeiro ponto de contato com os indivíduos ao oferecer serviços de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de maneira universal e acessível. Este setor é predominantemente representado pelas unidades básicas de saúde (UBS) e pela estratégia de saúde da família (ESF), que se dedicam ao acompanhamento contínuo da saúde da população, por meio de equipes multidisciplinares e uma abordagem centrada na família e na comunidade. Além de tratar doenças, essa abordagem prioriza a promoção da saúde, prevenindo complicações e contribuindo para elevar a qualidade de vida de todos os cidadãos. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Para aplicar os conhecimentos adquiridos, analise a situação descrita a seguir e re�ita sobre as questões propostas. A atenção básica desempenha um papel imprescindível na promoção do acesso universal aos cuidados de saúde, garantindo que todos os cidadãos, independentemente de sua localização geográ�ca ou condição socioeconômica, tenham acesso aos serviços essenciais de saúde. A implementação de equipes de saúde da família (ESF) emerge como a principal estratégia, estabelecendo um contato direto e contínuo com as famílias da comunidade. Imaginando que será implementada uma UBS em um novo bairro, humilde e distante do centro, para atender às necessidades da comunidade, como membro de uma equipe de saúde da família, quais as estratégias e ações iniciais devem ser implementadas por essa equipe em relação às famílias atendidas? Nessa comunidade, foram observados problemas de desnutrição infantil, de tabagismo e alcoolismo em adultos. Quais exemplos de ações de promoção à saúde podem ser implementados nessa comunidade para tentar conter esses problemas. Vamos Começar! A mudança de paradigma na assistência à saúde, que coloca a atenção básica no centro com enfoque na família, representou uma transformação signi�cativa no cenário sanitário brasileiro, caracterizado por con�itos e disputas sociais tanto em âmbito nacional quanto internacional. No Brasil, o surgimento da atenção primária à saúde (APS) remonta às décadas de 1970 e 1980, um período marcado por intensos debates políticos e pela necessidade de reavaliação do modelo de saúde adotado. Durante esse período, sob um regime militar, as políticas de saúde estavam predominantemente voltadas para um modelo hospitalocêntrico e curativo, com pouca ênfase na prevenção e na promoção da saúde. Entretanto, movimentos sociais, pro�ssionais da saúde e acadêmicos começaram a questionar essa abordagem, defendendo uma reorientação do sistema de saúde brasileiro. Foi nesse contexto que surgiram experiências pioneiras de atenção primária em diferentes regiões do país, como os centros de saúde comunitária e as unidades básicas de saúde (UBS), os quais buscavam uma maior proximidade com as comunidades, destacando a integralidade e a promoção da saúde como elementos essenciais (Moreira, 2023). Essas iniciativas foram in�uenciadas por movimentos internacionais, como a Declaração de Alma-Ata, em setembro de 1978, que de�niu a atenção primária à saúde como: Atenção essencial à saúde baseada em tecnologia e métodos práticos, cienti�camente comprovados e socialmente aceitáveis, tornados universalmente acessíveis a indivíduos e famílias na comunidade por meios aceitáveis para eles e a um custo que tanto a comunidade como o país possam arcar em cada estágio de seu desenvolvimento, um espírito de autocon�ança e autodeterminação. É parte integral do sistema de saúde do país, do qual é função central, sendo o enfoque principal do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. É o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, levando a atenção à saúde o mais próximo possível do local onde as Disciplina ESTRUTURA DO SUS pessoas vivem e trabalham, constituindo o primeiro elemento de um processo de atenção continuada à saúde. (OMS, 1978). No entanto, a consolidação da APS no Brasil não foi um processo linear. Houve resistência por parte de setores conservadores da sociedade e do próprio Estado, que viam na mudança de paradigma uma ameaça aos interesses econômicos e políticos estabelecidos. Além disso, questões estruturais, como a desigualdade social e a falta de investimentos adequados na saúde pública, também constituíram obstáculos para a efetivação da APS. Foi somente com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) que a APS ganhou maior respaldo legal e institucional no Brasil. O SUS consagrou os princípios da universalidade, integralidade e equidade, estabelecendo a atenção primária como uma potência para a coordenação do cuidado dentro da rede de assistência à saúde, que requer constante articulação e troca entre os diversos pontos de atenção. Ele tem a APS como base e centro organizador dessas redes de atenção integral à saúde, englobando todas as iniciativas de saúde voltadas para promover e proteger a saúde, e implementando políticas e ações públicas para prevenir doenças, realizar diagnósticos precoces, tratamentos e reabilitações. Por sua abrangência, é a “porta de entrada” do SUS, na qual as políticas e ações iniciais são realizadas (Moreira, 2023). A partir de então, foram implementadas diversas políticas e programas voltados para o fortalecimento da APS, como o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), criado em 1991. Os agentes comunitários de saúde são pro�ssionais que realizam um trabalho de busca ativa na comunidade para conhecer a população local, cadastrando-a a �m de garantir a oferta adequada de serviços de saúde e realizando atividades de vigilância em saúde. Além disso, fazem visitas regulares às famílias atendidas, acompanham suas necessidades e fornecem orientações sobre a utilização dos serviços de saúde disponíveis, desempenhando assim um papel fundamental na aproximação da comunidade aos serviços de saúde prestados, com ações de promoção da saúde em nível local, prevenção de doenças e acompanhamento das famílias (Rocha et al., 2012). Ainda que os agentes comunitários de saúde tenham sido um avanço signi�cativo na aproximação dos serviços de saúde das comunidades e na promoção da saúde preventiva, havia a percepção de que esse modelo precisava ser ampliado para oferecer uma atenção mais abrangente e integral às famílias brasileiras. O Programa Saúde da Família (PSF) foi então projetado para preencher essa lacuna, adotando uma abordagem baseada em equipes multipro�ssionais que atuam de forma integrada no cuidado à saúde das famílias. O PSF incorporou o trabalho dos agentes comunitários de saúde, mas expandiu suas atividades, incluindo a atuação de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros pro�ssionais de saúde. Além disso, o PSF estabeleceu o conceito de “território de abrangência”, atribuindo a cada equipe de saúde uma área geográ�ca especí�ca para atuar, o que permitia uma atenção mais personalizada e integral às necessidades de saúde das famílias (Rocha et al., 2012). A criação do PSF após o PACS re�ete uma evolução e um aprofundamento da estratégia da APS no Brasil. O PSF, lançado em 1994, foi concebido como uma expansão e aprimoramento do modelo de atenção básica existente, principalmente em áreas mais carentes e distantes dos Disciplina ESTRUTURA DO SUS centros urbanos, com o objetivo de superar algumas limitações percebidas no PACS. Assim, tanto o PACS quanto o PSF foram criados como parte de um esforço mais amplo para fortalecer a APS no Brasil e garantir o acesso universal e equitativo aos serviços de saúde (Rocha et al., 2012). Atualmente, o PSF é de�nido como estratégia saúde da família (ESF), ao invés de programa, visto que o termo “programa” aponta para uma atividade com início, desenvolvimento e �nalização. A ESF é uma estratégia de reorganizaçãoda atenção primária e tem como pontos centrais o estabelecimento de vínculos e a criação de laços de compromisso e de corresponsabilidade entre os pro�ssionais de saúde e a população adscrita. Essa perspectiva faz com que o núcleo familiar como um todo passe a ser o objetivo da atenção, ao mesmo tempo em que também é compreendido como sujeito de sua história, visto a partir do seu ambiente sociocultural e o seu território. Assim, o território ganha uma dimensão que transcende uma simples de�nição geográ�ca, sendo hoje reconhecido como um importante espaço onde se constroem as relações intra e extrafamiliares e onde se desenvolve a luta cotidiana pela vida, estando sua responsabilidade sanitária vinculada à equipe de saúde que atua nesse espaço. Permite-se, assim, uma compreensão ampliada do processo saúde-doença, e, portanto, da necessidade de intervenções de maior impacto e signi�cação social. Trata-se de uma estratégia que possibilita a integração e a organização das atividades em um território de�nido, com o propósito de identi�car as maiores necessidades e propiciar o enfrentamento e a resolução dos problemas identi�cados. Sendo uma especialidade de inclusão que se propõe a trabalhar com o princípio da vigilância à saúde através da atuação inter e multidisciplinar e responsabilidade integral sobre a população que reside na sua área adscrita, a ESF não visa à atenção exclusiva a certos grupos constituídos por fases do ciclo vital (Moreira, 2023; Rocha et al., 2012). Siga em Frente... A seguir, apresentam-se alguns conceitos fundamentais relacionados à atenção básica e à implementação da estratégia saúde da família (Moreira, 2023): Acessibilidade: refere-se ao conjunto de condições que possibilitam a entrada do paciente no sistema de saúde, em suas diferentes instâncias de atendimento. A atenção básica deve ser a porta de entrada preferencial para o sistema público de saúde, garantindo sua plena utilização pelos cidadãos. Atenção integral, contínua e de boa qualidade: a ESF enfatiza a atenção integral, que não se limita às ações preventivas, mas engloba também a proteção de segmentos populacionais em situação de risco, diagnóstico e tratamento precoce de problemas de saúde, atendimento a urgências de baixa complexidade, cuidados a doentes crônicos, reabilitação e promoção da saúde. Essa atenção deve ser oferecida ao longo da vida das pessoas, em Disciplina ESTRUTURA DO SUS diferentes ambientes, como domicílios, locais de trabalho, escolas e unidades de saúde, em qualquer circunstância. Adscrição dos usuários a um território de�nido: essa prática envolve a construção coletiva do diagnóstico local, que permite o conhecimento das características sociais, recursos, capacidades, di�culdades e vulnerabilidades dos grupos presentes no território. Isso é essencial para estruturar um cuidado sistemático e abrangente, bem como para contextualizar as famílias residentes no território. Su�ciência tecnológica e resolubilidade: os pro�ssionais de saúde da família devem ser capazes de resolver cerca de 85% dos problemas de saúde neste nível de atenção. Isso requer o domínio de conhecimentos consolidados em instrumentos de intervenção, indo além da simples utilização de equipamentos. Os problemas enfrentados pelas equipes são complexos e envolvem diversas questões interligadas, como aquelas relacionadas à cultura e às relações sociais. Clínica ampliada: exige a compreensão sociocultural do indivíduo, de sua família e da comunidade em que estão inseridos. Compreender o papel da pessoa doente em sua estrutura familiar, identi�car o signi�cado da doença para ela e para os diferentes membros do grupo familiar aumenta a capacidade de intervenção da equipe de saúde e pode melhorar a qualidade e a adequação da intervenção proposta. Coordenação do cuidado: a ESF deve identi�car a necessidade de contar com recursos de assistência de maior densidade tecnológica. O encaminhamento do indivíduo deve ser feito de maneira clara, explicando-se as razões para o encaminhamento e o que se espera alcançar com ele. Responsabilização: os indivíduos devem ser considerados como parte do sistema de saúde, cabendo a todos os pro�ssionais da rede a responsabilidade de ajudá-los a resolver suas di�culdades de acesso aos serviços de saúde. Da mesma forma, os indivíduos que enfrentam di�culdades para acessar serviços de saúde de níveis superiores devem contar com o apoio da ESF para resolver essas questões. A responsabilização vai além da prestação de cuidados pontuais, requerendo a compreensão das necessidades dos indivíduos e o apoio na construção de um novo projeto de vida. Organização social: os grupos sociais organizados têm buscado ocupar cada vez mais espaços nas instâncias participativas da área da saúde. Os agentes comunitários têm um papel importante nesse contexto, pois compreendem as origens e potencialidades de sua comunidade e vivenciam suas condições como moradores locais. Eles têm legitimidade para propor a reorganização da sociedade a partir de questões de saúde, apoiados pela ESF. Ações intersetoriais: a intersetorialidade pressupõe uma visão de interdependência entre os fatores determinantes e condicionantes da saúde, indo além de seus aspectos biológicos. Interferir positivamente nesses fatores para melhorar a qualidade de vida das pessoas requer um trabalho amplo e articulado dos vários setores da sociedade. Trabalho em equipe: a capacidade de trabalho em equipe não surge espontaneamente. É necessário investimento para que isso ocorra. No contexto da ESF, contar com múltiplos saberes pode facilitar a compreensão dos processos de adoecimento, aumentando a capacidade de identi�car recursos e soluções adequadas. O trabalho em equipe também evita a sobrecarga de um único pro�ssional em situações familiares complexas e prolongadas, como doenças terminais, promovendo uma abordagem mais equilibrada e e�caz. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Cada equipe de saúde da família deve ser responsável por, no máximo, 4.000 pessoas, sendo a média recomendada de 3.000 pessoas, respeitando critérios de equidade para essa de�nição. Recomenda-se que o número de pessoas por equipe leve em consideração o grau de vulnerabilidade das famílias daquele território, sendo que, quanto maior o grau de vulnerabilidade, menor deverá ser a quantidade de pessoas por equipe. As equipes são compostas, no mínimo, por médico, enfermeiro, auxiliar e/ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde (ACS). Além disso, também podem fazer parte da equipe o agente de combate às endemias (ACE), os pro�ssionais da saúde bucal e, recentemente, com o apoio dos pro�ssionais das equipes eMulti, que surgem em um momento de reconstrução da APS no Brasil, destacando-se pelo fortalecimento das ações interpro�ssionais e pela integração com a agenda de incorporação de tecnologias e inovações na área da saúde. Esse novo modelo representa uma evolução e aprimoramento do conceito do núcleo de apoio à saúde da família (NASF), estabelecido em 2008, enquanto introduz novos mecanismos organizacionais e estruturais (Bispo Júnior; Almeida, 2023; Brasil, 2023). A Portaria nº 635, de 22 de maio de 2023, estabelece o incentivo �nanceiro federal para a implantação e custeio das eMulti na APS. As eMulti são equipes compostas por pro�ssionais de saúde de diversas áreas, que trabalham de forma complementar e integrada à APS, assumindo uma responsabilidade conjunta pela população e pelo território, em colaboração com outros setores e com a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Essas equipes foram organizadas em três modalidades, cada uma com uma composição especí�ca de pro�ssionais e carga horária mínima: a eMulti Ampliada, que se vincula a 10 a 12 equipes de APS e possui uma carga horária mínima de 300 horas; a eMulti Complementar, destinada a atender de cinco a nove equipes, com uma carga horária mínima de 200 horas; e a eMulti Estratégica, que deve prestar atendimento de uma a quatro equipes de APS, com uma carga horária mínima de 100 horas. Isso possibilita a universalizaçãodas eMulti para todos os municípios do país (Bispo Júnior; Almeida, 2023; Brasil, 2023). Uma característica importante é a �exibilidade de vinculação das eMulti a todas as modalidades de equipes de APS, incluindo ESF, equipe de Saúde da Família Ribeirinha, equipe de Consultório na Rua, equipe de Atenção Primária e equipe de Unidade Básica de Saúde (UBS) �uvial. Por outro lado, as equipes de APS estão vinculadas apenas a uma eMulti. Além disso, as eMulti têm um amplo leque de atividades que podem ser desenvolvidas, como atendimento individual, em grupo e domiciliar, atividades coletivas, apoio matricial, discussões de casos, atendimento compartilhado entre pro�ssionais e equipes, oferta de ações de saúde a distância, projetos terapêuticos, intervenções no território, e práticas intersetoriais. Essa diversidade de atividades, quando organizada e oferecida de maneira adequada, tem o potencial de contribuir signi�cativamente para a ampliação da capacidade de resolução da APS. Uma outra vantagem é a ampla variedade de pro�ssões que podem fazer parte das equipes: conforme estipulado na portaria, até 12 pro�ssões de diversas áreas do conhecimento podem atuar nas eMulti. Além disso, como uma novidade signi�cativa, 11 especialidades médicas também podem ser integradas às equipes. Essa amplitude reforça o compromisso com a Disciplina ESTRUTURA DO SUS interpro�ssionalidade na APS. Dessa forma, a reintrodução das equipes multipro�ssionais é fundamental para promover o cuidado integral da população, o que contribuirá para expandir o leque de práticas e a capacidade de resolução da APS (Bispo Júnior; Almeida, 2023). Em síntese, a APS desempenha um papel fundamental no sistema de saúde, atuando como porta de entrada para os serviços de saúde e promovendo cuidados integrais e acessíveis. A ESF fortalece esse conceito, ao enfatizar o acompanhamento próximo das famílias em seu contexto social e territorial. Além disso, o PACS desempenha um papel essencial ao estabelecer vínculos comunitários e facilitar o acesso aos serviços de saúde. E, recentemente, com a introdução das equipes multidisciplinares (eMulti), há uma ampliação signi�cativa na oferta de serviços e na resolução de problemas de saúde na APS, através da integração de pro�ssionais de diversas áreas. Esse conjunto de iniciativas re�ete o compromisso do sistema de saúde em proporcionar cuidados abrangentes e e�cazes, com foco na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida da população. Vamos Exercitar? As equipes de saúde da família têm como um dos principais objetivos estabelecer um vínculo sólido com a comunidade, visando identi�car suas necessidades e implementar ações direcionadas à prevenção e promoção da saúde das famílias assistidas. Para atender a esse propósito, a equipe designada para essa comunidade deve, primeiramente, concentrar esforços na construção desse vínculo com os residentes, que pode ser conduzido através de visitas domiciliares para coletar dados e cadastrar as famílias no sistema da UBS, possibilitando o monitoramento contínuo dos indicadores das necessidades locais. Adicionalmente, durante esse primeiro contato, as equipes podem orientar os moradores sobre os serviços oferecidos, incentivando-os a buscar atendimento local quando necessário. Entre os problemas identi�cados na comunidade, destaca-se a desnutrição infantil, uma questão intimamente relacionada ao contexto social. Dessa forma, uma abordagem viável consiste no acompanhamento regular dessas crianças, associado a orientações às famílias sobre a oferta de alimentos nutritivos para melhorar a nutrição infantil. Ademais, políticas de promoção para a distribuição de alimentos saudáveis, com o apoio das autoridades locais e da comunidade, podem ser implementadas para enfrentar esse desa�o. Outras questões identi�cadas na comunidade incluem o alcoolismo e o tabagismo em adultos. Nesse sentido, é fundamental realizar campanhas informativas sobre os riscos desses hábitos, enquanto oferecem intervenções com pro�ssionais para ajudar os indivíduos a superarem o vício. Tais medidas podem contribuir signi�cativamente para a redução da mortalidade infantil e dos problemas de saúde associados ao consumo de álcool e tabaco na comunidade. Saiba mais Estudante, con�ra as indicações a seguir e aprenda mais sobre o assunto estudado. Disciplina ESTRUTURA DO SUS O governo federal elaborou um guia com a Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), com as atribuições, os componentes, as responsabilidades, a infraestrutura e outros dados sobre atenção básica. Outro material que pode auxiliar a compreensão da importância da atenção básica e do SUS como um todo foi preparado pela Fiocruz e está disponível no site Pense SUS. Nesse material, os autores apresentam, de maneira simples e direta, temas como atenção básica, saúde da família, princípios do SUS, entre outros. Referências BISPO JÚNIOR, J. P.; ALMEIDA, E. R. de. Equipes multipro�ssionais (eMulti): potencialidades e desa�os para a ampliação da atenção primária à saúde no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, vol. 39, n. 10, 2023. Disponível em: https://cadernos.ensp.�ocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8406/18747. Acesso em: 23 fev. 2024. BITTAR, T. O. ; et al. O Sistema de Informação da Atenção Básica como ferramenta da gestão em saúde. Revistada Faculdade de Odontologia – UPF, v. 14, n. 1, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: MS, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde: PNPS: Anexo I da Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS Nº 635, de 22 de Maio de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia Saúde da Família. [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/estrategia-saude-da-familia. Acesso em: 22 fev. 2024. CECILIO, L. C. de O.; REIS, A. A. C. dos. Apontamentos sobre os desa�os (ainda) atuais da atenção básica à saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 34, n. 8, 20 ago. 2018. Disponível em: https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MTE4OA https://pensesus.fiocruz.br/ https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8406/18747 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799 https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/estrategia-saude-da-familia Disciplina ESTRUTURA DO SUS https://www.scielo.br/j/csp/a/mW3MtBCvQT5cHWCkDqZhrJN/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 22 fev. 2024. DE ALMEIDA, E. R.; et al. Política Nacional de Atenção Básica no Brasil: uma análise do processo de revisão (2015–2017). Revista Panamericana de Salud Pública, v. 42, 2018. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/rpsp/2018.v42/e180/. Acesso em: 22 fev. 2024. GIOVANELLA, L. Atenção básica ou atenção primária à saúde? Cadernos de Saúde Pública, v. 34, n. 8, 20 ago. 2018. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csp/2018.v34n8/e00029818/. Acesso em: 22 fev. 2024. GOMES, C. B. S., et al. Política Nacional de Atenção Básica de 2017: análise da composição das equipes e cobertura nacional da Saúde da Família. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 4, p.1327- 1338, abr. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/w4j9dwRc4ysdfcdRzGnMrQg/? lang=pt.Acesso em: 22 fev. 2024. MOREIRA, D. de J. Saúde coletiva. [livro eletrônico]. Santo André: Difusão Editora, 2023. OPAS. Atenção primária à saúde. [s.d.]. Brasília. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude. Acesso em: 22 fev. 2024. PINTO, L. F.; GIOVANELLA, L. Do Programa à Estratégia Saúde da Família: expansão do acesso e redução das internações por condições sensíveis à atenção básica (ICSAB). Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 6, p. 1903–1914, jun. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/dXV7f6FDmRnj7BWPJFt6LFk/?lang=pt. Acesso em: 22 fev. 2024. ROCHA, J. S. Y. R; et al. Manual de Saúde Pública & Saúde Coletiva no Brasil. São Paulo: Editora Atheneu, 2012. Aula 2 Média Complexidade Média complexidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você https://www.scielo.br/j/csp/a/mW3MtBCvQT5cHWCkDqZhrJN/?lang=pt&format=pdf https://www.scielosp.org/article/rpsp/2018.v42/e180/ https://www.scielosp.org/article/csp/2018.v34n8/e00029818/ https://www.scielo.br/j/csc/a/w4j9dwRc4ysdfcdRzGnMrQg/?lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/w4j9dwRc4ysdfcdRzGnMrQg/?lang=pt https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude https://www.scielo.br/j/csc/a/dXV7f6FDmRnj7BWPJFt6LFk/?lang=pt Disciplina ESTRUTURA DO SUS Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Este vídeo explora os conceitos e a importância da atenção de média complexidade dentro da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele ressalta o papel fundamental desempenhado pelas clínicas, unidades de pronto atendimento e hospitais-escola nessa modalidade de cuidado. Ao compreender a importância desses elementos, você entenderá como o sistema de saúde aborda condições de saúde que requerem intervenções mais especializadas. Ótimos estudos! Ponto de Partida A atenção de média complexidade é uma parte essencial do sistema de saúde, situada entre a atenção primária e a atenção hospitalar de alta complexidade. Ela abrange serviços especializados que demandam recursos técnicos e humanos mais avançados do que aqueles disponíveis na atenção primária, mas que não requerem internação hospitalar. Esses serviços são frequentemente oferecidos em ambulatórios especializados, policlínicas, centros de especialidades, e serviços de pronto-atendimento. Além disso, essa modalidade de atenção também pode incluir exames diagnósticos mais so�sticados, procedimentos cirúrgicos de menor complexidade e reabilitação. O objetivo principal da atenção de média complexidade é garantir um cuidado abrangente e integrado, oferecendo uma resposta e�caz às necessidades de saúde da população em diferentes estágios de doença e em casos que não podem ser resolvidos na atenção primária. Dessa maneira, esta é uma oportunidade para aplicar seus conhecimentos consolidados. A atenção de média complexidade destina-se a indivíduos com agravos e doenças que requerem atendimento especializado, sendo implementada de forma regionalizada para atender pessoas de diferentes municípios. As unidades de pronto atendimento (UPA) são responsáveis por atender casos de urgência e emergência de média complexidade, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana. Suponha que você seja médico em uma UPA e três pacientes chegam para atendimento: o primeiro paciente queixa-se de dores de cabeça moderadas, sem outras manifestações clínicas evidentes; o segundo paciente apresenta fortes dores no peito, sintomas agudos de infarto; e o terceiro paciente, trazido pelo SAMU, sofreu um acidente e apresenta sinais de fraturas. Explique, com base nos seus conhecimentos sobre unidades de pronto atendimento e atenção de média complexidade, qual desses pacientes deveria procurar atendimento em níveis de menor complexidade dentro da estrutura do SUS e o porquê. Faça uma breve explicação do motivo pelo qual os outros dois pacientes devem ser atendidos nas UPAs e quais as condutas clínicas devem ser adotadas. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Vamos Começar! A história da atenção de média complexidade está intimamente ligada ao desenvolvimento do sistema de saúde em diversos países ao longo do tempo. Historicamente, a atenção de saúde foi evoluindo de acordo com as necessidades da população e os avanços da medicina. No contexto do surgimento dos sistemas de saúde modernos, a atenção de média complexidade emergiu como uma resposta à crescente demanda por cuidados de saúde especializados, que não eram fornecidos de forma abrangente na atenção primária, mas que também não justi�cavam internações hospitalares de alta complexidade. Durante o século XX, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, houve um aumento signi�cativo na oferta e na demanda por serviços de saúde especializados, que levou ao estabelecimento de clínicas e centros de especialidades médicas. Neles, os indivíduos podiam receber diagnósticos mais precisos e tratamentos especí�cos para uma variedade de condições de saúde. Desta maneira, a atenção especializada se divide em dois elementos, sendo a atenção secundária e terciária, correspondendo à média e alta complexidade, respectivamente. A média complexidade é de�nida pela Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), do Ministério da Saúde (MS), como um conjunto de ações e serviços ambulatoriais voltados para abordar os principais problemas e agravos de saúde da população. Essa complexidade demanda a presença de pro�ssionais especializados e o uso de recursos tecnológicos para apoio diagnóstico e tratamento. Os procedimentos realizados nesse nível de atenção compreendem cirurgias ambulatoriais especializadas, procedimentos traumato-ortopédicos, ações especializadas em odontologia, patologia clínica, anatomopatologia e citopatologia, radiodiagnóstico, exames ultrassonográ�cos, �sioterapia, terapias especializadas, próteses e órteses, e anestesia. Os serviços desse nível de atenção são fornecidos de forma regionalizada em clínicas especializadas, unidades de pronto atendimento (UPA) e hospitais universitários (Ministério da Saúde, 2022; Conass, 2007). Nas clínicas, são concentrados serviços especializados em áreas especí�cas da saúde, permitindo o encaminhamento de indivíduos com uma ou mais comorbidades especí�cas. Os pro�ssionais que atuam nessas clínicas devem receber treinamento e capacitação adequados para oferecer atendimento especializado de acordo com a área de atuação da clínica. Além disso, é fundamental que esses locais disponham dos equipamentos e insumos necessários para o tratamento dos indivíduos encaminhados para seus cuidados (Ministério da Saúde, 2022; Brasil, 2021). As unidades de pronto atendimento (UPA) desempenham um papel essencial nos atendimentos de urgência e emergência, pois, além de atender às necessidades durante feriados e �nais de semana, quando as UBS estão fechadas, a UPA também recebe indivíduos encaminhados quando o atendimento requerido exige cuidados de média complexidade. Ela oferece assistência para uma ampla gama de condições traumáticas e não traumáticas, tais como fraturas, febres Disciplina ESTRUTURA DO SUS elevadas, traumas, infarto, acidente vascular encefálico (AVE), falta intensa de ar, cólicas renais, convulsões, vômitos persistentes, dores intensas no peito, entre outros. Siga em Frente... A estrutura da UPA inclui consultórios médicos, leitos de observação, laboratório de exames, serviços de pediatria, eletrocardiogra�a e sala de raio-X. Além disso, ela está equipada com uma sala de estabilização para casos mais graves; os pacientes são encaminhados para atendimento hospitalar após receberem os cuidados necessários de estabilização, mediante regulação do acesso assistencial (Ministério da Saúde, 2022; Brasil, 2021). O atendimento hospitalar no SUS abrange casos de média e alta complexidade, geralmente sendo o próximo passo após o primeiro atendimentorealizado em uma UBS ou UPA. Uma categoria hospitalar integrante da estrutura do SUS são os hospitais-escola, mais conhecidos como hospitais universitários (HU), que estão ligados a instituições de ensino e têm como objetivo principal a formação de recursos humanos e o desenvolvimento tecnológico na área da saúde. Os hospitais-escola não possuem uma estrutura uniforme, variando em termos de instalações, incorporação de tecnologias e serviços oferecidos de acordo com a abrangência de sua área de atuação e as necessidades e demandas apresentadas pelos usuários. O atendimento dos usuários do SUS nesses hospitais promove melhorias nos serviços e contribui para o desenvolvimento de protocolos técnicos para o tratamento de diversas patologias. Esses hospitais precisam equilibrar seu papel no ensino, na formação de pro�ssionais de saúde e no desenvolvimento tecnológico com seu compromisso de oferecer atendimento de qualidade aos usuários do sistema, visando sempre impactar positivamente a qualidade de vida dessas pessoas (Brasil, 2021). A gestão estadual é responsável por estabelecer critérios para a implementação dos serviços realizados na média complexidade, considerando a necessidade de pro�ssionais quali�cados, a complexidade das atividades oferecidas e o custo dos equipamentos necessários. A distribuição de recursos para a implementação e o aprimoramento dos serviços nesse nível de atenção deve ser feita levando em consideração a estrutura regionalizada desses serviços. Em outras palavras, os recursos devem ser alocados considerando não apenas a população da cidade que receberá os atendimentos, mas sim toda a região que foi delimitada para ser abrangida. Alguns indicadores podem ser utilizados para avaliar a situação desses atendimentos, como a falta de determinados procedimentos de saúde em uma região especí�ca, o que requer uma análise dos gestores sobre a viabilidade da implementação desse serviço. Esse processo envolve avaliações de demanda e custo, e, caso a implementação não seja possível, os gestores devem buscar alternativas para garantir o acesso dos indivíduos a esse serviço, como a criação de parcerias ou encaminhamentos para outras regiões. Outro indicador relevante é a insu�ciência do serviço prestado, ou seja, quando as unidades de saúde não conseguem atender a toda a demanda. Nesse caso, os gestores devem avaliar a Disciplina ESTRUTURA DO SUS possibilidade de expandir o atendimento para garantir o acesso adequado aos cuidados de saúde. Isso permite estabelecer um �uxo adequado de pacientes, direcionando aqueles provenientes de cidades com menor complexidade de serviços de saúde para as cidades que oferecem atendimentos de média complexidade (Brasil, 2007). Vamos Exercitar? Considerando o atendimento prestado na UPA, destinado a casos de urgência e emergência, o primeiro paciente, com dores de cabeça moderadas e sem outras manifestações clínicas, pode ser encaminhado para atendimento em níveis de menor complexidade, como a unidade básica de saúde (UBS), pois seu quadro não sugere urgência ou emergência. Os usuários do SUS devem preferencialmente buscar esse tipo de atendimento quando seu quadro se encaixar nessa categoria. Assim, ele poderia ter buscado atendimento em uma UBS, onde seria avaliado pelos pro�ssionais de saúde, e, se necessário, encaminhado para atendimento especializado. Os outros dois pacientes, com sintomas de infarto e fraturas, devem ser atendidos na UPA, pois seus quadros representam urgência e emergência de média complexidade. Para o paciente com sintomas de infarto, é fundamental iniciar imediatamente o protocolo de atendimento para infarto agudo do miocárdio, incluindo monitoramento cardíaco, administração de medicamentos especí�cos, ser observado por até 24 horas ou, se necessário, ser encaminhado para uma unidade hospitalar para realização de procedimentos cardíacos. Para o paciente com fraturas, é necessário realizar avaliação clínica completa, imobilização adequada das áreas afetadas e encaminhamento para realização de exames de imagem, como raio-X, e procedimentos cirúrgicos, se necessário. Saiba mais Estudante, acesse os links a seguir para aprofundar seus conhecimentos sobre os temas abordados: O Conselho Nacional de Secretários de Saúde disponibiliza um material informativo sobre a atenção de média complexidade. O Ministério da Saúde disponibiliza informações sobre as unidades de pronto atendimento, com as diretrizes e competências. Referências BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2011. Disponível em: https://www.conass.org.br/bibliotecav3/pdfs/colecao2011/livro_4.pdf. Acesso em: 22 fev. 2024. https://www.conass.org.br/bibliotecav3/pdfs/colecao2011/livro_4.pdf https://www.conass.org.br/bibliotecav3/pdfs/colecao2011/livro_4.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/u/upa-24h https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/u/upa-24h https://www.conass.org.br/bibliotecav3/pdfs/colecao2011/livro_4.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Ministério da Educação. Hospitais universitários. [s.d.]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=512&id=12267&option=com_content&view=article. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Educação. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 373, de 27 de fevereiro de 2002. Aprova a Norma Operacional da Assistência à Saúde – NOAS-SUS 01/2002 que amplia as responsabilidades dos municípios na Atenção Básica; estabelece o processo de regionalização como estratégia de hierarquização dos serviços de saúde e de busca de maior equidade; cria mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão do Sistema Único de Saúde e procede à atualização dos critérios de habilitação de estados e municípios. Brasília: MS, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0373_27_02_2002.html. Acesso em: 22 fev. 2024. GÖTTEMS, L. B. D.; PIRES, M. R. G. M. Para além da atenção básica: reorganização do SUS por meio da interseção do setor político com o econômico. Saúde e Sociedade, v. 18, n. 2, p. 189-198, jun. 2009. SOLLA, J.; CHIORO, A. Atenção ambulatorial especializada. In: GIOVANELLA, L.; et al. (org.). Políticas e sistemas de saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008. cap. 17, p. 627-663. Disponível em: http://www.escoladesaude.pr.gov.br/arquivos/File/ATENCAO_AMBULATORIAL_ESPECIALIZADA_ Solla_e_Chioro.pdf. Acesso em: 22 fev. 2024. Aula 3 Alta Complexidade Alta complexidade http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=512&id=12267&option=com_content&view=article https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0373_27_02_2002.html http://www.escoladesaude.pr.gov.br/arquivos/File/ATENCAO_AMBULATORIAL_ESPECIALIZADA_Solla_e_Chioro.pdf http://www.escoladesaude.pr.gov.br/arquivos/File/ATENCAO_AMBULATORIAL_ESPECIALIZADA_Solla_e_Chioro.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos compreender a alta complexidade, que se refere aos procedimentos e tratamentos mais especializados, geralmente realizados em hospitais de referência, e a relação entre os níveis de atenção, fundamentais na estrutura do sistema de saúde. Essa relação envolve a integração entre atenção básica, média e alta complexidade para oferecer um cuidado abrangente aos indivíduos. Compreender essa dinâmica é essencial para garantir um atendimento e�caz e acessível a todos os usuários do sistemade saúde. Ótimos estudos! Ponto de Partida Nesta aula, você compreenderá o conceito e a relevância das redes de alta complexidade no âmbito do SUS. Essa modalidade de atenção está intimamente relacionada aos demais níveis de cuidado em saúde, como a atenção básica e a média complexidade, formando uma rede integrada que visa oferecer um atendimento completo e contínuo aos usuários do sistema de saúde. A relação entre esses diferentes níveis de atenção é fundamental para garantir que os indivíduos recebam o cuidado adequado em cada etapa do processo, com encaminhamentos oportunos e coordenados entre os serviços conforme a necessidade de cada caso. Essa integração é essencial para assegurar a e�cácia, e�ciência e acessibilidade do sistema de saúde como um todo. Estudante, que tal pôr em prática tudo o que você aprendeu? Analise a situação a seguir e faça sua re�exão. Imagine que você é um gestor público de uma pequena cidade e o seu município apresenta problemas comuns em municípios desse porte, como o acesso aos procedimentos de alta complexidade por parte dos usuários do SUS devido à inexistência de hospitais su�cientemente equipados na rede pública da região. Quais seriam as alternativas viáveis para solucionar os problemas desses munícipes usuários do SUS? Vamos Começar! Disciplina ESTRUTURA DO SUS De acordo com o Ministério da Saúde, a alta complexidade é de�nida como um conjunto de procedimentos com o objetivo de proporcionar à população acesso a serviços quali�cados, integrando-os aos demais níveis de atenção à saúde. Hospitais gerais de grande porte, hospitais universitários, Santas Casas e unidades de ensino e pesquisa fazem parte do nível de alta complexidade da atenção especializada, locais com leitos de UTI, centros cirúrgicos grandes e complexos. Além disso, no SUS, existem unidades de altíssima complexidade ou atenção quaternária, que são centros de referência nacional ou mesmo internacional para o encaminhamento de pacientes com necessidades extremamente complexas. A Figura 1 representa a organização do SUS em atenção básica (nível primário), atenção de média complexidade (nível secundário) e atenção de alta complexidade (nível terciário) (Brasil, 2022). Figura 1 | Modelo da pirâmide, hierarquização e regionalização do SUS. Fonte: Gonçalves (2014, p. 52). Para garantir o funcionamento adequado do sistema, é ideal que, para cada conjunto de serviços de atenção primária (com um determinado número de UBS), haja um serviço secundário de referência (como ambulatórios de especialidades e hospitais gerais). Da mesma forma, para cada conjunto de serviços de atenção secundária (com um grupo de hospitais), deve existir hospitais e ambulatórios especializados de referência (Gonçalves, 2014). As redes de alta complexidade devem ser entendidas como uma componente essencial do sistema de saúde, e não como um apêndice separado, pois essa perspectiva contradiz o princípio da integralidade do SUS. Portanto, são essenciais para complementar o SUS, estando disponíveis para indivíduos que necessitam delas. É importante salientar que não existe uma hierarquia de relevância entre os diferentes níveis de atenção. É fundamental entender a interação entre esses diversos níveis e como funcionam de forma integrada. Apesar do senso comum de que os serviços hospitalares, devido à sua tecnologia mais avançada, têm mais importância do que os atendimentos realizados em unidades de pronto atendimento (UPA), por exemplo, isso não re�ete uma verdade absoluta (Brasil, 2007). A Portaria SAS/MS nº 968, de 11 de dezembro de 2002, estabeleceu o conjunto de procedimentos considerados de alta complexidade ambulatorial e hospitalar, que envolve Disciplina ESTRUTURA DO SUS terapias e procedimentos de custo elevado e alta especialização, destacando-se aqueles relacionados às seguintes especialidades médicas: traumato-ortopedia, partos de risco, transplantes, oftalmologia, cardiologia, oncologia, neurocirurgia, diálise. Além disso, abrange cirurgias bariátricas, reparadoras, reprodução assistida e genética clínica. Entre os procedimentos considerados de alta complexidade estão a medicina nuclear, cirurgias complexas, exames de alto custo como a ressonância magnética, fornecimento de próteses ósseas, marca-passos, stents cardíacos e outros dispositivos médicos. Esses procedimentos, em sua maioria, estão relacionados na tabela do SUS como procedimentos hospitalares, embora alguns também sejam de�nidos como procedimentos ambulatoriais de alta complexidade. Nas políticas nacionais de saúde, eles compõem as áreas de atenção de média e alta complexidade (BRASIL, 2007; BRASIL, 2002). Dentre elas, destacam-se: Política Nacional de Atenção Cardiovascular. Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva. Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Renal. Política Nacional de Procedimentos Eletivos de Média Complexidade. Política Nacional de Atenção Oncológica. Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de De�ciência. Política Nacional de Saúde Bucal. Política Nacional de Atenção de Alta Complexidade em Traumato-Ortopedia. Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Neurológica. Política Nacional para Hospitais de Pequeno Porte. Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Política Nacional de Saúde Mental. Política Nacional de Atenção Integral Genética Clínica. Política Nacional de Oftalmologia. Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas. Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de De�ciência na Rede de Cuidados à Pessoa com De�ciência. Política Nacional de Atenção às Urgências e Emergências na Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE). Além disso, outras áreas de atenção de média e alta complexidade incluem: Assistência em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Redes estaduais de assistência a queimados. Assistência de alta complexidade ao portador de obesidade grave. Assistência de alta complexidade em terapia nutricional. Programa Nacional de Triagem Neonatal. Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos. Programa de Assistência Ventilatória Não Invasiva. Programa SOS Emergências. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Política Nacional de Atenção e Saúde Mental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP). Assistência às pessoas com lesão labiopalatal e/ou anomalias crânio e buco-maxilo-facial. Processo transexualizador no SUS (Brasil, 2007; 2015). A organização hospitalar abrange funções preventivas, curativas e reabilitadoras, tanto para pacientes internados quanto ambulatoriais (Gonçalves et al., 2010). Os hospitais empregam tecnologias de ponta e servem como ambiente para atividades de ensino, aprendizagem e pesquisa cientí�ca. Conforme a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP), no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), Art. 3º – Os hospitais são instituições complexas, dotadas de tecnologia especí�ca, caracterizadas pela abordagem multipro�ssional e interdisciplinar, incumbidas de prestar assistência aos usuários com condições de saúde agudas ou crônicas, apresentando potencial de instabilidade e complicações em seu estado de saúde (...). (Brasil, 2013). Siga em Frente... Na classi�cação quanto ao tipo de administração, os hospitais podem ser: públicos (administrados por autoridades federais, estaduais ou municipais) e privados (subdivididos em convênios) (Portal Gestão de Saúde Pública, 2020). Os hospitais podem ser classi�cados quanto ao tipo de administração ou ao nível de atenção do serviço prestado. Podem ainda ser classi�cados sob vários outros aspectos, como o porte, o per�l assistencial (hospital de clínicas básicas, hospital geral, hospital especializado, hospital de urgência, hospital universitário e de ensino e pesquisa)do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS). Este último visava à prestação de serviços médicos à população, abrangendo não apenas os bene�ciários da previdência, mas toda a sociedade. A partir desse momento, as responsabilidades regimentais do INPS foram limitadas à administração da concessão de benefícios previdenciários no país, enquanto o INAMPS �cou encarregado exclusivamente da gestão dos serviços de assistência médica no Brasil, tanto na rede pública quanto na privada. Por meio desse sistema, recursos públicos eram destinados à rede privada de saúde para �nanciar serviços médicos prestados à população brasileira. A gratuidade desses serviços variava conforme a renda familiar do segurado. Essa abordagem de assistência restrita só foi alterada no Brasil após a promulgação da Lei Federal nº 8.080, em 19 de setembro de 1990, que instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS) (Moreira, 2023; Solha, 2014). Siga em Frente... Através do histórico da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível compreender o processo saúde-doença, que re�ete as mudanças nas políticas de saúde e na abordagem do Estado em relação à saúde pública no Brasil. Antes do SUS, o cenário de assistência à saúde no país era caracterizado por diversas iniciativas fragmentadas, com diferentes modelos de atendimento e acesso restrito a determinados grupos sociais. O enfoque predominante era curativo, com uma atenção signi�cativa dada aos procedimentos hospitalares e à assistência médica especializada, muitas vezes acessíveis apenas àqueles que podiam pagar por serviços privados. O processo saúde-doença naquela época re�etia desigualdades socioeconômicas e disparidades no acesso aos serviços de saúde. O atendimento estava centrado nas doenças já instaladas, com pouca ênfase em prevenção, promoção da saúde e atenção primária. Com a criação do SUS, marcada pela Constituição de 1988 e pela Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990), houve uma mudança paradigmática nesse contexto, pois se propôs uma abordagem mais abrangente e preventiva, enfatizando a atenção primária, a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a universalidade no acesso aos serviços. A ideia era não apenas tratar doenças já estabelecidas, mas também promover condições para a manutenção e melhoria da saúde da população. Assim, o processo saúde-doença passou a ser encarado de forma mais ampla, considerando não apenas a cura de enfermidades, mas também a promoção do bem-estar e a prevenção de agravos à saúde. O SUS buscou integrar ações nos diversos níveis de atenção, promovendo uma visão mais holística e equitativa do cuidado em saúde. Essa transformação no modelo de atenção à saúde teve impactos signi�cativos na forma como a sociedade brasileira lida com o processo saúde-doença, promovendo uma abordagem mais inclusiva e voltada para a prevenção (Moreira, 2023; Solha, 2014). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Dessa forma, a relação entre o histórico da criação do SUS e o processo saúde-doença está na transformação do modelo assistencial. Após uma extensa trajetória, pesquisadores de diversas áreas e a população em geral chegaram à conclusão de que a saúde e a doença não podem ser adequadamente compreendidas por meio de uma única perspectiva, dada a complexidade do tema. Alguns modelos explicativos reforçaram a concepção de que o corpo humano opera como uma máquina e que toda doença resulta de desajustes em suas partes constituintes. Essa abordagem in�uenciou profundamente a con�guração da assistência à saúde, adotando a lógica conhecida como modelo biomédico. Tal modelo tende a negligenciar a complexidade do processo de saúde-doença, concentrando-se na atuação de um pro�ssional especí�co – o médico – visto como detentor das “ferramentas” para a cura e usuário de tecnologias cada vez mais avançadas, deixando para segundo plano o cuidado ampliado em saúde, que está intrinsecamente relacionado aos determinantes sociais da saúde (DSS) (Solha, 2014). Considerando essa complexidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS), criada após a Segunda Guerra Mundial pela Organização das Nações Unidas (ONU) para apoiar o desenvolvimento dos países e melhorar as condições de saúde, propôs a seguinte de�nição: “saúde é o completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de enfermidade”. Embora essa de�nição seja considerada utópica, reconhecendo a natureza em constante busca por felicidade e aperfeiçoamento, ela acerta ao ressaltar que saúde não se limita à mera ausência de doenças (Solha, 2014). No Brasil, a década de 1980 foi marcada por uma abertura política após anos de Ditadura Militar, resultando no aumento da participação popular e da sociedade nas discussões sobre como o país e a saúde dos brasileiros deveriam ser abordados. O movimento de saúde desempenhou um papel crucial nesses debates, culminando em 1986 com a VIII Conferência Nacional de Saúde. A participação ativa da população, pesquisadores e pro�ssionais nela resultou na seguinte de�nição de saúde: Em sentido amplo, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de organização social, de produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida. (Brasil, 1986, online). E foi garantida como direito na Constituição de 1988, na seção II, art. 196, capítulo 1: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (Brasil, 1988, online). Essas de�nições alinham-se ao que é conhecido como “conceito ampliado de saúde”, o qual examina o processo a partir da análise de diversos determinantes e condicionantes. De acordo com esse conceito, para alcançar a saúde, é crucial integrar os diferentes setores da sociedade, incluindo política, educação, economia, trabalho, segurança, lazer, entre outros. A integração Disciplina ESTRUTURA DO SUS desses setores é fundamental para articular políticas abrangentes, que vão além dos serviços de saúde tradicionais, como hospitais e unidades básicas de saúde, por exemplo. Logo, a compreensão do desenvolvimento do processo saúde-doença é de suma importância para os pro�ssionais da área da saúde, pois capacita sua atuação de maneira mais crítica e politizada. Vale ressaltar que, nesse contexto, o termo “política” refere-se à arte de pensar e agir em prol da coletividade, não estando diretamente relacionado a partidos políticos. Essa abordagem permite que os pro�ssionais estejam mais conscientes do meio em que atuam e vivem, contribuindo para uma visão mais abrangente e efetiva na promoção da saúde (Solha, 2014). Vamos Exercitar? Estudante, após explorarmos os marcos históricos que moldaram a saúde pública brasileira, temos conhecimento para a resolução da situação hipotética apresentada anteriormente, em que você, investigador do tempo, se depara com de transição entre o período do INPS, INAMPS e a chegada do SUS com as di�culdades que a população está enfrentando para ter acesso aos serviços de saúde. Então, você inicia a missão de entender como esses sistemas funcionavam, quais eram suas limitações e como contribuíram para a construção do SUS. Dessa forma, as questões norteadoras são: quais eram os principais desa�os enfrentados pela população? Como as políticas de saúde in�uenciavam o panorama epidemiológico? Como o processo saúde- doença era abordado em cada uma dessas fases? O INPS (Instituto Nacional de Previdência Social) e o INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) foram criados para oferecer serviços de saúde, especialmente aos trabalhadores vinculados à previdência social. O INPS estava mais focado na previdência, enquanto o INAMPS tinha a responsabilidade de garantire o nível de complexidade (hospital de nível básico ou primário, secundário, terciário ou quaternário) (Portal Gestão de Saúde Pública, 2020). A assistência do SUS é composta por diversos tipos de serviços que formam duas redes: Rede própria: integrada por serviços pertencentes aos governos federal, estadual e municipal. A rede federal própria é bem diminuta, restringindo-se a alguns serviços de referência para todo o país. A rede estadual própria é bastante variada em cada estado em relação ao tipo de serviços, mas geralmente é constituída por hospitais especializados e por ambulatórios de especialidades. Já a rede municipal também é variável em cada município, principalmente segundo o tamanho dos municípios; apresenta uma maior regularidade pela presença de unidades básicas de saúde e/ou centros de saúde; em municípios de maior porte populacional, é complementada por hospitais secundários (hospitais gerais). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Rede contratada: composta de serviços privados que atendem aos usuários do SUS. É composta, em sua maior parte, por serviços dos níveis secundários (geralmente hospitais) e alguns dos terciários (principalmente na área de radiologia por imagem e de diálise renal). Os procedimentos hospitalares geralmente são contratados junto a serviços de saúde privados, �lantrópicos ou universitários, de acordo com a disponibilidade dos prestadores. Os centros de atendimento de média e alta complexidade são regionalizados e se encontram em emergências, ambulatórios de especialidades e unidades hospitalares, visando à otimização de custos. A média e alta complexidades mantêm uma relação direta com o �nanciamento e a manutenção do setor privado de serviços (Portal Gestão de Saúde Pública, 2020). A relação entre os diferentes níveis de atenção em saúde é fundamental para garantir uma assistência integral e e�caz aos usuários do sistema. A atenção básica possui uma estrutura descentralizada e é responsável pelos primeiros atendimentos dentro do SUS. Quando necessário, os usuários são encaminhados para atendimento em níveis superiores de complexidade. Já a atenção especializada, tanto de média quanto de alta complexidade, oferece cuidados mais especí�cos e tecnológicos, e estão organizados de forma regionalizada, concentrando-se em centros de referência. Enquanto na atenção básica o atendimento busca estabelecer um vínculo próximo com o usuário, na média e alta complexidade, os usuários geralmente são encaminhados pela atenção básica. Além disso, os serviços especializados de média e alta complexidade atendem a uma parcela mais restrita da população, enquanto a atenção básica visa atender a maioria. O �uxo de atendimentos entre os diferentes níveis de complexidade é organizado com base no sistema de referência e contrarreferência, garantindo que o indivíduo receba o atendimento adequado e seja acompanhado após o tratamento. A qualidade dos serviços prestados pelo SUS está diretamente relacionada à integração entre os diferentes níveis de complexidade, garantindo uma assistência integral aos usuários. Essa interconexão é essencial para garantir a continuidade do cuidado e a resolutividade dos problemas de saúde, promovendo uma assistência de qualidade e acessível a todos. Vamos Exercitar? O estudo de caso proposto teve como objetivo aplicar os conhecimentos sobre a estrutura e funcionamento do SUS, especialmente no que diz respeito à regionalização dos serviços, articulação entre os diferentes níveis de atenção e o percurso do usuário nos serviços de saúde. Considerando a abordagem sobre a regionalização das redes de alta complexidade em comparação com as da atenção básica, uma alternativa seria veri�car a disponibilidade desses serviços em municípios vizinhos ou próximos. Outra possibilidade seria investigar a oferta de serviços na rede privada do município, se houver, conforme discutido nos conceitos abordados. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Além disso, dependendo do conhecimento administrativo do gestor, uma solução poderia ser propor uma análise sobre a viabilidade de construção de um hospital no município, baseada em estudos de demanda e disponibilidade �nanceira. Para uma resposta mais abrangente, uma pesquisa sobre administração municipal poderia sugerir a inclusão de um hospital ou equipamentos no Plano Diretor de Investimento (PDI) regional, após uma avaliação de viabilidade econômica. Outras soluções poderiam ser consideradas integrando conhecimentos de disciplinas como logística, tributação e normativas, proporcionando uma abordagem multidisciplinar para o problema. Saiba mais Estudante, acesse os links a seguir para aprofundar seus conhecimentos sobre os temas abordados. De acordo com a Constituição Federal de 1988, os municípios devem destinar 15% da arrecadação para a saúde, os estados devem destinar 12% e o Governo Federal deve contabilizar o que foi gasto no ano anterior e somar à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior para de�nir qual será o valor da aplicação mínima naquele ano. Para se aprofundar no assunto, não deixe de conhecer o livro A Gestão Administrativa e Financeira no SUS, da coleção Para Entender a Gestão do SUS, publicada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O portal do Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (Conasems) tem muitos conteúdos interessantes não só para os gestores municipais, mas também para o público em geral. Nele, você pode encontrar vídeos educacionais, capacitações, cursos e muito mais. Futuro gestor público, não deixe de conhecer! Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção Primária e Atenção Especializada: Conheça os níveis de assistência do maior sistema público de saúde do mundo. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS. Brasília: CONASS, 2007. (Coleção Progestores – Para entender a gestão do SUS, v. 4) BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS (Atualização). Brasília: CONASS, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS de A a Z: garantindo saúde nos municípios. Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. 3ª ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/a-gestao-administrativa-e-financeira-no-sus/ https://portal.conasems.org.br/ https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps Disciplina ESTRUTURA DO SUS https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.390, de 30 de dezembro de 2013. Institui a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo-se as diretrizes para a organização do componente hospitalar da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt3390_30_12_2013.html. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 968, de 11 de dezembro de 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2002/prt0968_11_12_2002.html. Acesso em: 24 fev. 2024. GONÇALVES, M. A. Organização e funcionamento do SUS. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC; Brasília: CAPES / UAB, 2014. GÖTTEMS, L. B. D.; PIRES, M. R. G. M. Para além da atenção básica: reorganização do SUS por meio da interseção do setor político com o econômico. Saúde e Sociedade, v. 18, n. 2, p. 189-198, 2009. MENDES, E. V. Os Grandes Dilemas do SUS. Salvador: Casa da Qualidade, 2001. Coleção Saúde Coletiva. PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. Direito, necessidades de saúde e integralidade. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (org.). Construção social da demanda: direito à saúde, trabalho em equipe, participação e espaços públicos. Rio de Janeiro: Cepesc; UERJ; Abrasco, 2005. PORTAL GESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA. Diferençaentre UBS, UPA e Hospital. 2020. Disponível em: https://gestaodesaudepublica.com.br/diferenca-entre-ubs-upa-e-hospital/. Acesso em: 24 fev. 2024. Aula 4 Redes de Atenção a Saúde Redes de atenção à saúde Este conteúdo é um vídeo! https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt3390_30_12_2013.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2002/prt0968_11_12_2002.html https://gestaodesaudepublica.com.br/diferenca-entre-ubs-upa-e-hospital/ Disciplina ESTRUTURA DO SUS Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Neste vídeo, vamos explorar as redes de atenção em saúde (RAS) e a gestão em redes, um modelo já validado pela experiência em muitos países. Além dos dispositivos legais, outros documentos normativos também desempenham um papel importante na estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) em redes de atenção. O vídeo nos proporciona uma visão abrangente dos principais aspectos da Política Nacional de Atenção Básica relacionados a esse tema. Ótimos estudos! Ponto de Partida Estudante, nesta aula, você será apresentado às redes de atenção à saúde (RAS) do Sistema Único de Saúde (SUS), que representam uma abordagem integrada e coordenada para organizar os serviços de saúde em uma determinada região ou sistema. Elas buscam articular os diversos níveis de atenção, além de outros serviços relacionados, como assistência social e saúde mental. Essas redes são fundamentais para garantir uma assistência mais e�ciente, contínua e centrada no indivíduo, promovendo o acesso adequado aos serviços e a integração entre os pro�ssionais de saúde. Ao conectar diferentes pontos de cuidado, as redes de atenção visam melhorar a qualidade da assistência e os resultados em saúde da população atendida. Este conteúdo ampliará sua compreensão do SUS e fornecerá fundamentos para uma sólida formação como gestor público na área da saúde. Para colocar em prática tudo o que você aprendeu até aqui, analise a situação a seguir e re�ita sobre as questões propostas. Imagine que você é um gestor em saúde e trabalha na Secretaria de Saúde de um município do interior do estado de São Paulo. Nessa cidade, foram implementados, inicialmente, os sistemas piramidais e hierárquicos para o atendimento aos usuários do SUS, e lhe foi dado o desa�o de transitá-los para a gestão em redes de atenção. A princípio, você se sentiu inseguro, pois sabe da necessidade de desempenhar algumas competências para que a transição seja bem-sucedida. Dessa maneira, quais competências o auxiliariam nesse processo e em quais aspectos seriam relevantes? Cite três competências necessárias a um gestor para conduzir esse processo de transição, justi�cando cada competência com base no desa�o pro�ssional que se apresenta. Vamos Começar! Disciplina ESTRUTURA DO SUS Um dos principais desa�os enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a discrepância entre a carga de doenças predominantes no Brasil, onde as condições crônicas têm grande relevância, e o modelo de atenção à saúde adotado: fragmentado, episódico, reativo e focado principalmente em condições agudas. Ademais, o cenário de saúde brasileiro é marcado por uma transição demográ�ca acelerada e uma situação de tripla carga de doenças que envolve a persistência de doenças infecciosas e problemas relacionados à saúde reprodutiva, o crescente desa�o das doenças crônicas e seus fatores de risco, como tabagismo, obesidade e estresse, além do aumento signi�cativo da violência e outras causas externas. Diante dessa realidade complexa, era necessária uma abordagem ampla e integrada para lidar com os diversos desa�os de saúde enfrentados pela população brasileira. As redes de atenção à saúde (RAS) surgiram como uma resposta viável a esse desa�o, pois representam uma nova abordagem na organização do sistema de saúde, integrando serviços de forma a responder de maneira e�caz, e�ciente, segura, com qualidade e equidade às necessidades da população brasileira. É consenso de que a organização dos sistemas de saúde em redes integradas é a estratégia mais adequada para garantir uma atenção integral e e�caz às populações atendidas, promovendo a cooperação e solidariedade entre equipes e níveis de gestão do sistema de saúde (Oliveira, 2016). O conceito da RAS tem sido desenvolvido em vários campos, como a sociologia, a psicologia social, a administração e a tecnologia de informação. Contudo, entre as mais referenciadas pela literatura, a ideia vigente é de que “são estruturas organizacionais que englobam uma variedade de ações e serviços de saúde, abrangendo diferentes níveis de complexidade tecnológica, que, integrados por sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, visam garantir a integralidade do cuidado”, segundo a Portaria de Consolidação nº 03 (Brasil, 2017, online). Para Mendes (2011), as RAS seriam organizações poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde (Figura 1), vinculados entre si por uma missão única, por objetivos comuns e por uma ação cooperativa e interdependente, que permite ofertar uma atenção contínua e integral a determinada população. Essa ação seria coordenada pela atenção primária à saúde (APS), que desempenha um papel central como ordenadora do cuidado. A APS é o principal ponto de contato e comunicação com os demais níveis de atenção – prestada no tempo certo, no lugar certo, com o custo certo, com a qualidade certa, de forma humanizada, com equidade e com responsabilidades sanitária e econômica. Isso possibilita a oferta de uma atenção integral e contínua a uma população especí�ca, a �m de garantir a integralidade e longitudinalidade do cuidado (Oliveira, 2016; Ouverney; Noronha, 2013). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 1 | Diferença entre a organização piramidal e hierárquica entre os níveis de atenção e a organização poliárquica em rede. Fonte: Ramos e Rosa (2016, p. 4). Desta maneira, a RAS é fundamental porque integra os diferentes pontos de atenção, como a atenção primária, secundária e terciária, proporcionando um cuidado mais abrangente e coordenado aos indivíduos. Isso permite uma melhor gestão dos recursos e uma resposta mais e�caz às necessidades de saúde da população. Além disso, a RAS promove a continuidade do cuidado, facilitando o acesso dos indivíduos aos serviços necessários em cada etapa do tratamento, o que contribui para a promoção da saúde e prevenção de doenças (Oliveira, 2016). As RAS são mencionadas na legislação brasileira de saúde por meio de portarias e normativas do Ministério da Saúde, assim como em leis como a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) e a lei que regulamenta o SUS (Lei nº 8.142/1990). Elas estabelecem princípios e diretrizes para a organização do sistema de saúde brasileiro, incluindo a importância da regionalização e hierarquização dos serviços de saúde, aspectos fundamentais para a estruturação das redes de atenção. A Lei nº 8.080/1990, em seu artigo 7º, estipula como princípios do sistema a universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência e a integralidade da assistência, re�etindo a escolha do país por um sistema público e universal de saúde, que garanta atendimento integral a todos os cidadãos. Em 28 de junho de 2011, o Decreto nº 7.508 foi publicado, regulamentando a Lei nº 8.080, de 1990, e estabelecendo a organização do SUS, a assistência à saúde, seu planejamento e a articulação interfederativa. O objetivo do Decreto 7.508 é regular a estrutura organizativa do SUS, esclarecer conceitos e garantir o acesso igualitário e universal da população aos serviços oferecidos pelo SUS, valorizando a atenção primária como principal porta de entrada do sistema e exercendo o papel Disciplina ESTRUTURA DO SUSde ordenadora. As responsabilidades dos entes federativos nas RAS são esclarecidas pela Portaria nº 4.279/2010 e pela Portaria de Consolidação nº 03/2017, que estabelece diretrizes para a organização da RAS como estratégia para superar a fragmentação da atenção e da gestão nas regiões de saúde e aperfeiçoar o funcionamento do sistema para garantir o conjunto de ações e serviços de que o usuário necessita, com efetividade e e�ciência. Essa organização visa, portanto, consolidar os princípios da universalidade, integralidade e equidade (Brasil, 2011 ; Brasil, 1990). De acordo com a Portaria GM/ MS nº 4.279/2010, que institui as RAS no SUS, é possível identi�car seis características importantes e inerentes à sua matriz conceitual (Brasil, 2010): 1. Formar relações horizontais entre os diferentes pontos de atenção, concebidos como locais onde uma variedade de serviços de saúde são oferecidos, todos igualmente relevantes para alcançar os objetivos da RAS. Em contraste com os sistemas de saúde hierárquicos, que têm uma estrutura piramidal e são organizados com base na complexidade de cada nível de atenção (primário, secundário e terciário), as RAS são espaços projetados para garantir um compromisso com a melhoria da saúde da população, fornecendo serviços contínuos em diferentes níveis de atenção à saúde. Portanto, na perspectiva das RAS, tanto um pronto-socorro quanto um centro de especialidades desempenham papéis igualmente importantes na prestação de cuidados de saúde aos usuários, uma vez que ambos atendem a necessidades especí�cas da população. 2. Atenção primária como ordenadora das ações: segundo a Portaria nº 2.488 do Ministério da Saúde, que estabelece a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a Atenção Básica em Saúde (AB) compreende um conjunto de intervenções tanto em nível individual quanto coletivo que abrange a promoção e proteção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde, cujo objetivo é desenvolver uma atenção integral que tenha impacto na saúde das pessoas, em sua autonomia, bem como nos determinantes e condicionantes de saúde das comunidades. A escolha do termo “atenção básica” pelo Ministério da Saúde para se referir à atenção primária re�ete a necessidade de harmonizar a proposta da saúde da família com os cuidados primários de saúde, entendidos como uma política de focalização e atenção inicial à saúde. Embora se promova uma relação horizontal e não hierárquica entre os diferentes níveis e pontos de atenção à saúde, isso não implica que um deles não deva receber prioridade em termos de investimentos e alocação de recursos. A lógica de organização do SUS em redes de atenção, a partir da AB, reitera seu papel de: (1) ser a principal porta de entrada do usuário no sistema de saúde; (2) de ser responsável por coordenar o caminhar dos usuários pelos outros pontos de atenção da rede, quando suas necessidades de saúde não puderem ser atendidas somente por ações e serviços da APS; (3) e de manter o vínculo com estes usuários, dando continuidade à atenção (ações de promoção da saúde, prevenção de agravos, entre outros), mesmo que estejam sendo cuidados também em outros pontos de atenção da rede. Essa posição estratégica da APS no �uxo da atenção à saúde do usuário tem por objetivo potencializar a garantia da integralidade, continuidade, e�ciência e e�cácia do sistema de saúde. (BRASIL, 2011b, online). Disciplina ESTRUTURA DO SUS 3. Planejar e organizar as ações segundo as necessidades de saúde de uma população especí�ca: as intervenções em saúde devem ser fundamentadas no diagnóstico da população sob a responsabilidade da equipe de saúde, levando em conta os fatores e determinantes de saúde dessa população. Na prática, isso se manifesta na realidade da chamada “tripla carga de doenças”, que se refere a uma situação epidemiológica que envolve simultaneamente: Figura 2 | Tripla carga de doenças. Fonte: Oliveira (2016, p. 26). O desa�o apresentado pela tripla carga de doenças, na qual predominam as condições crônicas, não pode ser efetivamente abordado por um sistema de saúde fragmentado, que historicamente tem se concentrado no tratamento de condições agudas. Além disso, é fundamental que as intervenções sejam embasadas em evidências cientí�cas devidamente comprovadas. 4. Ofertar atenção contínua e integral: trata-se de serviços e sistemas integrados que têm o potencial de oferecer atenção integral aos usuários. Em tais sistemas, cerca de 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos pela APS, enquanto os 20% restantes seguem um �uxo no qual a complexidade do tratamento aumenta progressivamente em cada nível de atenção subsequente. No �nal, a continuidade do cuidado deve ser assegurada pelas equipes da atenção básica. 5. Cuidado multipro�ssional: a composição multipro�ssional das equipes de saúde é essencial, pois os problemas de saúde frequentemente são causados por múltiplos fatores e apresentam complexidades que requerem diferentes perspectivas pro�ssionais para serem adequadamente abordados. No entanto, além da presença de pro�ssionais de diferentes áreas, é fundamental estabelecer ações interdisciplinares entre esses membros da equipe, pois garantem o compartilhamento de conhecimento e a corresponsabilização na prática de saúde, promovendo uma abordagem mais abrangente e e�caz para o cuidado dos indivíduos. 6. Compartilhar objetivos e compromissos com os resultados, em termos sanitários e econômicos: a missão de uma equipe de saúde deve englobar tanto objetivos sanitários, como aumentar a taxa de aleitamento materno na região de atuação e melhorar o atendimento à população, quanto objetivos econômicos, visando uma melhor alocação dos recursos humanos, tecnológicos e �nanceiros, de modo a proporcionar o melhor custo-benefício para os Disciplina ESTRUTURA DO SUS bene�ciários do serviço de saúde. Os fundamentos de uma RAS são os pilares que constituem e sustentam sua base teórica. Siga em Frente... Segundo a Portaria nº 4.279 que estabelece as diretrizes da RAS no âmbito do SUS, os atributos essenciais das RAS são: População e territórios de�nidos. Extensa gama de estabelecimentos de saúde prestando diferentes serviços. APS como primeiro nível de atenção. Serviços especializados. Mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e assistência integral fornecidos de forma continuada. Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e nas comunidades, levando em consideração as particularidades de cada um. Integração entre os diferentes entes federativos a �m de atingir um propósito comum. Ampla participação social. Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico. Recursos su�cientes. Sistema de informação integrado. Ação intersetorial. Financiamento tripartite. Gestão baseada em resultados (Brasil, 2010; Mendes, 2002; 2007a; 2009, 2011). Ademais, uma RAS possui três elementos fundamentais: uma população; uma estrutura operacional e um modelo de atenção à saúde, como segue (Oliveira, 2016; Brasil, 2010): A população: o primeiro componente, delimitado por uma área geográ�ca especí�ca, é o cerne da rede e constitui sua responsabilidade sanitária e econômica. Por essa razão, é essencial que seja conhecida e adequadamente registrada, ou seja, adscrita. Isso implica segmentar a população, subdividindo-a em subgrupos de acordo com os fatores de risco para as condições de saúde. O entendimento dessa população envolve um processo complexo com as seguintes etapas: territorialização; cadastramento das famílias; classi�cação das famílias de acordo com os riscos socio sanitários; vinculação das famílias à unidade de atenção primária em saúde (APS) / equipe da estratégia de saúde da família (ESF); identi�cação de subpopulações com fatores de risco; identi�cação das subpopulações com condições de saúde estrati�cadas por níveis de risco; e identi�cação de subpopulações com condições de saúde altamente complexas. A estrutura operacional: é constituído pelos pontos de atençãodas redes e compreende cinco elementos que compõem essa estrutura: centro de comunicação, pontos de atenção à saúde secundários e terciários, sistemas de apoio, sistemas logísticos e sistemas de governança. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Centro de comunicação: representa o ponto central de intercâmbio, coordenando os �uxos e contra�uxos do sistema de atenção à saúde. Ele é composto pela APS – atenção primária à saúde (atenção básica e estratégia saúde da família). Essa é uma das características mais distintivas das redes de atenção, pois essa con�guração do sistema de saúde promove e mantém a proximidade com os indivíduos assistidos e seu contexto cotidiano. Portanto, esse elemento deve realizar intervenções de saúde e facilitar a conexão entre os demais pontos de atenção, garantindo assim a integralidade e continuidade da assistência à saúde dos usuários (Mendes, 2008). Estruturas de atenção à saúde secundária e terciária: são os pontos da rede nos quais são oferecidos serviços especializados, com diferentes densidades tecnológicas, e servem de suporte à atenção primária. Os pontos de atenção terciária dispõem de uma densidade tecnológica mais elevada; porém, não há uma relação de primazia ou subordinação entre eles, pois constituem uma rede poliárquica. Sistemas de apoio: são os lugares institucionais em que se realizam serviços comuns a todos os pontos de atenção à saúde nos campos diagnóstico e terapêutico, assistência farmacêutica e dos sistemas de informação à saúde. São exemplos de pontos de atenção à saúde: os domicílios, as unidades básicas de saúde, unidades ambulatoriais especializadas, serviços de hemoterapia e hematologia, centros de apoio psicossocial, residências terapêuticas, entre outros. Hospitais podem abrigar distintos pontos de atenção à saúde: ambulatório de pronto atendimento, unidade de cirurgia ambulatorial, centro cirúrgico, maternidade, unidade de terapia intensiva, entre outros. Sistemas logísticos: são soluções tecnológicas fortemente ancoradas nas tecnologias de informação. Oferecem soluções em saúde baseadas nas tecnologias de informação, voltadas para promover a e�caz integração e comunicação entre pontos de atenção à saúde e os sistemas de apoio. Podem referir-se a pessoas, produtos ou informações, e estão fortemente ligados ao conceito de integração vertical. Os sistemas logísticos são: identi�cação do usuário por meio do cartão nacional do SUS; prontuário clínico; sistema de acesso regulado à atenção e sistemas de transporte. Sistema de governança: trata-se de um mecanismo organizacional que viabiliza a gestão de todos os elementos das redes de atenção à saúde. Envolve diversos atores, estratégias e procedimentos para administrar, de forma compartilhada e interfederativa, as interações entre as outras quatro estruturas operacionais mencionadas anteriormente, visando alcançar uma maior interdependência e melhores resultados sanitários e econômicos. Desse modo, por meio desses sistemas transversais, os componentes da RAS são articulados em conformidade com a missão, a visão e os objetivos comuns das redes. No SUS, a governança das RAS é realizada pelas comissões intergestoras, que compreendem a comissão intergestoras tripartite em nível federal, as comissões intergestoras bipartite em nível estadual e nas regiões de saúde, e as comissões intergestoras regionais. O modelo de atenção à saúde: esse modelo representa um sistema lógico que organiza o funcionamento das redes, estabelecendo de maneira singular as interações entre a população e suas subpopulações estrati�cadas por riscos, os focos das intervenções do sistema de saúde e os diversos tipos de intervenções sanitárias. Ele é de�nido com base na visão predominante da saúde, nas Disciplina ESTRUTURA DO SUS características demográ�cas e epidemiológicas, e nos determinantes sociais da saúde presentes em uma sociedade e em um período especí�cos. A necessidade de reformular os sistemas de atenção à saúde para lidar de maneira e�caz, e�ciente e segura com as condições crônicas predominantes levou ao desenvolvimento de modelos de atenção à saúde, que são predominantemente focados no manejo das condições crônicas, apesar de também abordar modelos de atenção às condições agudas, dependendo da natureza especí�ca dessas condições de saúde. Embora exijam diferentes modelos de atenção à saúde, as condições agudas e as complicações decorrentes das condições crônicas são inter- relacionadas, representando aspectos complementares da mesma questão (Oliveira, 2016). O propósito de um modelo de atenção às condições agudas é identi�car, o mais rapidamente possível, com base em indicadores de alerta, a gravidade de uma situação de urgência ou emergência de uma pessoa e determinar o ponto de atendimento adequado para aquela circunstância, levando em consideração, como variável essencial, o tempo necessário para o atendimento de acordo com o risco classi�cado. Isso implica a implementação de um modelo de triagem de risco nas redes de atenção às urgências e emergências. Lidar com a organização do sistema de saúde para atender às demandas das condições agudas e das complicações agudas das condições crônicas implica, na perspectiva das RAS, o desenvolvimento de uma linguagem que permeie todo o sistema, estabelecendo o local mais apropriado para responder a uma determinada situação. Experiências internacionais têm demonstrado que essa linguagem é estruturada em diretrizes clínicas codi�cadas em um sistema de classi�cação de risco, servindo como base para uma rede de atenção às urgências e emergências. Por sua vez, os modelos de atenção à saúde direcionados para condições crônicas têm como base um modelo conhecido como modelo de atenção crônica, do qual derivam várias adaptações aplicadas em diferentes regiões do mundo, referidas como modelos derivados do modelo de atenção crônica (Oliveira, 2016). A implementação das RAS no país ocorre na forma de redes temáticas, com ênfase em algumas linhas de cuidado, alinhadas à concepção de RAS que incorporam e rede�nem os novos modelos de atenção à saúde os quais têm demonstrado e�cácia e e�ciência no controle das condições crônicas (Oliveira, 2016). Portaria Rede Temática Portaria GM/MS nº 1459, de 24 de junho de 2011 (BRASIL, 2011c) Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) a Rede Cegonha. Portaria GM/MS nº 1600, de 7 de junho de 2011 (BRASIL, 2011d) Reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no Sistema Único de Saúde (SUS). Portaria GM/MS nº 3088, de 23 de dezembro de 2011 (BRASIL, Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com Disciplina ESTRUTURA DO SUS 2011e) sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do SUS. Portaria GM/MS nº 793, de 24 de abril de 2012 (BRASIL, 2012) Institui a Rede de Cuidados à Pessoa com De�ciência no âmbito do SUS. Portaria GM/MS nº 483, de 1º de abril de 2014 (BRASIL, 2014) Rede�ne a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes para a organização das suas linhas de cuidado. Tabela 1 | Redes temáticas de atenção à saúde no SUS. Fonte: OLIVEIRA, 2016, p. 41. É essencial que os pro�ssionais de saúde estejam preparados para adotar práticas alinhadas às diretrizes da APS e das RAS, superando o modelo biomédico predominante. Para que a APS possa desempenhar efetivamente seu papel como centro de comunicação das RAS, é fundamental contar com pro�ssionais tecnicamente competentes, em número su�ciente e comprometidos com a organização do trabalho em equipe. Isso inclui promover a territorialização, o registro dos usuários, o acolhimento, o estabelecimento de vínculos, a responsabilização, a integralidade e a resolutividade da atenção. Ademais, o acolhimento deve permear todas as interações entre os usuários e a equipe de saúde, sendo uma prática essencial nas relações de cuidado. Desde o momento da chegada do usuário à UBS, é fundamentalque a equipe o atenda de forma empática, ouvindo-o atentamente, compreendendo suas necessidades e garantindo uma atenção resolutiva. Quando necessário, devem ser realizados encaminhamentos seguros, por meio da articulação com outros pontos e serviços de atenção à saúde. Vamos Exercitar? O estudo de caso teve o objetivo de levar você a re�etir sobre o exercício pro�ssional de um gestor público e as competências necessárias para concluir grandes desa�os. Nesse cenário, algumas competências seriam fundamentais para facilitar a transição da gestão em saúde do modelo piramidal e hierárquico para o modelo em redes de atenção. Primeiramente, é essencial ter habilidades de liderança e comunicação e�cazes para engajar os diversos atores envolvidos, como pro�ssionais de saúde, gestores, usuários e outros parceiros da comunidade. Além disso, é importante possuir capacidade de planejamento estratégico e visão sistêmica, para entender as interações entre os diferentes pontos de atenção e promover a integração entre eles. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Ter conhecimento sobre as diretrizes e políticas de saúde pública também é crucial para alinhar as ações com os objetivos e metas estabelecidos pelos órgãos superiores. A capacidade de con�ar e delegar tarefas é fundamental para reestruturar os componentes da rede de atenção à saúde, envolvendo e contando com o apoio das equipes localizadas nos diferentes níveis de assistência. Isso promove uma distribuição e�ciente de responsabilidades e fortalece a colaboração entre os pro�ssionais, contribuindo para o sucesso da transição para uma gestão em redes de atenção. A resiliência e a paciência são essenciais para lidar com os desa�os e obstáculos inevitáveis durante o processo de transição. É necessário aguardar o momento adequado para implementar mudanças signi�cativas e compreender que os resultados positivos podem levar tempo para se materializar. Manter a resiliência e a paciência permite ao gestor enfrentar as di�culdades com determinação e perseverança, buscando soluções e�cazes para os problemas que surgem ao longo do caminho. Por �m, é relevante desenvolver habilidades de monitoramento e avaliação, para acompanhar o processo de transição, identi�car possíveis desa�os e ajustar as estratégias conforme necessário. Ao combinar essas competências, é possível conduzir com sucesso a transformação do modelo de atenção em saúde, proporcionando uma assistência mais integrada, e�ciente e centrada no indivíduo. Saiba mais O Pacto pela Saúde é um conjunto de compromissos estabelecidos entre os gestores da saúde nas três esferas de governo, com o objetivo de fortalecer o SUS. A proposta do Pacto foi construída durante três anos e publicada em fevereiro de 2006, enfatizando, entre outras coisas, a conformação e o planejamento integrado de Redes de Atenção regionalizadas. Conheça o Pacto pela Saúde em seu site. Para conhecer melhor as ações realizadas no processo de implementação das RAS no Brasil, conheça a publicação o�cial do Ministério da Saúde: Implantação das Redes de Atenção à Saúde e outras estratégias da SAS. Referências BRASIL. Constituição 1988. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2016. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Portaria GM/MS 4.279/2010. A atenção à saúde coordenada pela APS: construindo as redes de atenção no SUS. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_coordenada_APS_construindo_red es_atencao_sus_2ed.pdf. Acesso em: 24 fev. 2024. https://conselho.saude.gov.br/webpacto/index.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/implantacao_redes_atencao_saude_sas.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/implantacao_redes_atencao_saude_sas.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_coordenada_APS_construindo_redes_atencao_sus_2ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_coordenada_APS_construindo_redes_atencao_sus_2ed.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, DF, 1990a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos �nanceiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília, DF, 1990b. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde – SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências. Brasília, DF, 2011a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2011/decreto/d7508.htm. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.600, de 7 de julho de 2011b. Reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no Sistema Único de Saúde (SUS). 2011.Disponível em: http://tinyurl.com/4dt7ct3e. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt4279_30_12_2010.html. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 3, de 28 de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre as redes do Sistema Único de Saúde. 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0003_03_10_2017.html. Acesso em: 24 out. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Implantação das Redes de Atenção à Saúde e outras estratégias da SAS. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011. OUVERNEY, A. M.; NORONHA, J. C. de. Modelos de organização e gestão da atenção à saúde: redes locais, regionais e nacionais. In: FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. A saúde no Brasil em 2030: prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro: organização e gestão do sistema de saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz; Ipea; Ministério da Saúde; Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, 2013. OLIVEIRA, N. R. de C. O. Redes de Atenção à Saúde: a atenção à saúde organizada em redes. Universidade Federal do Maranhão. UNA-SUS/UFMA. São Luís, 2016. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt4279_30_12_2010.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0003_03_10_2017.html Disciplina ESTRUTURA DO SUS https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/7563/1/Redes%20de%20aten%C3%A7%C3%A3o% 20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20- %20A%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20organizada%20em%20redes. pdf. Acesso em: 24 out. 2024. RAMOS, L. H. D.; ROSA, A. da S. Planejamento e gestão de serviços de saúde. 2016. Disponível em: https://unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/7/unidades_conteudos/unidade12/unidade12.p df. Acesso em: 24 out. 2024. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto noaplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, você entenderá como os níveis de atenção em saúde compõem uma rede integrada de cuidados. A atenção primária é a porta de entrada do sistema, focada na promoção da saúde e prevenção de doenças; a atenção secundária e terciária oferecem cuidados especializados e de alta complexidade quando necessário. A relação entre esses níveis é de complementaridade e hierarquia, garantindo uma assistência contínua e adequada às necessidades dos indivíduos. Estão prontos? Vamos lá! Ponto de Chegada Estudante, para desenvolver a competência desta Unidade, que é “compreender a complexidade estrutural do SUS, os mecanismos de acesso a esse sistema e a relação entre os níveis de atenção”, você deverá lembrar que a atenção básica é o pilar fundamental do sistema de saúde, https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/7563/1/Redes%20de%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20-%20A%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20organizada%20em%20redes.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/7563/1/Redes%20de%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20-%20A%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20organizada%20em%20redes.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/7563/1/Redes%20de%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20-%20A%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20organizada%20em%20redes.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/7563/1/Redes%20de%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20-%20A%20aten%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20organizada%20em%20redes.pdf https://unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/7/unidades_conteudos/unidade12/unidade12.pdf https://unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/7/unidades_conteudos/unidade12/unidade12.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS sendo a porta de entrada para a rede de assistência e desempenhando um papel essencial na promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação. Por meio de ações integradas e abrangentes, a atenção primária visa atender às necessidades de saúde da população, priorizando a resolução dos problemas de saúde mais comuns e a promoção de estilos de vida saudáveis. Além disso, é responsável por coordenar o cuidado contínuo e integral, estabelecendo vínculos duradouros entre pro�ssionais de saúde e indivíduos, famílias e comunidades. Ao fortalecer esse nível de atenção, é possível reduzir a incidência de doenças, evitar complicações, minimizar o impacto de condições crônicas e melhorar os indicadores de saúde da população. Por sua vez, a atenção em média complexidade desempenha um papel essencial na estrutura de saúde, oferecendo uma gama diversi�cada de serviços especializados e procedimentos ambulatoriais. Por meio de pro�ssionais capacitados e recursos tecnológicos adequados, essa modalidade de atendimento visa atender às demandas da população em relação a problemas de saúde mais complexos, que requerem diagnóstico preciso e tratamento especializado. Portanto, ao garantir o acesso a serviços como cirurgias ambulatoriais, exames diagnósticos avançados e terapias especializadas, a média complexidade desempenha um papel imprescindível na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, complementando as ações desenvolvidas na atenção primária e preparando o caminho para intervenções de maior complexidade, quando necessário. A atenção de alta complexidade engloba procedimentos e intervenções de natureza mais especializada e tecnológica, geralmente realizados em ambientes hospitalares altamente equipados e com equipe multidisciplinar. Essa vertente da assistência à saúde é fundamental para o tratamento de patologias graves, cirurgias de alta complexidade, transplantes de órgãos, cuidados intensivos em unidades de terapia intensiva (UTIs) e procedimentos de diagnóstico avançado, como ressonância magnética e tomogra�a computadorizada. A importância da alta complexidade reside na capacidade de oferecer tratamento de ponta e suporte vital para indivíduos em situações críticas, aumentando suas chances de recuperação e melhorando sua qualidade de vida. Além disso, o desenvolvimento contínuo desse nível de atenção contribui para avanços signi�cativos na medicina e na melhoria dos resultados clínicos, impactando positivamente a saúde da população como um todo. Esses níveis de atenção em saúde estão interligados e formam uma rede integrada de cuidados que visam atender às necessidades da população em diferentes momentos e contextos. A atenção primária, representada pelos serviços de saúde de base, como unidades básicas de saúde, é responsável pelo primeiro contato entre o indivíduo e o sistema de saúde. Quando necessário, encaminha os indivíduos para a atenção especializada de média complexidade, onde são oferecidos serviços mais especializados e procedimentos diagnósticos e terapêuticos mais avançados, geralmente em ambulatórios e hospitais. Por sua vez, a atenção de alta complexidade é acionada para casos mais graves e complexos, como cirurgias complexas, tratamentos intensivos em UTIs, transplantes de órgãos e cuidados especializados em doenças crônicas. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Como podemos ver, esses diferentes níveis de atenção trabalham em conjunto para proporcionar uma cobertura abrangente e contínua aos indivíduos, garantindo que recebam o cuidado mais apropriado para suas necessidades em cada etapa do processo de saúde e doença. É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Para contextualizar sua aprendizagem, re�ita sobre essa situação hipotética: Maria, uma mulher de 45 anos, está enfrentando alguns problemas de saúde há algum tempo. Ela tem notado uma dor persistente no peito, acompanhada de falta de ar e tonturas frequentes. Além disso, ela tem histórico de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, condições que exigem cuidados regulares. Maria decide procurar sua unidade básica de saúde (UBS) local para uma consulta. Lá, ela é atendida por um clínico geral, que realiza uma avaliação inicial de sua condição de saúde. O médico veri�ca seus registros médicos anteriores, incluindo os resultados de seus exames de pressão arterial e glicose no sangue. Ele também realiza um exame físico básico e discute com Maria seu histórico de sintomas. Devido à persistência dos sintomas de Maria e ao risco de complicações devido às suas condições crônicas, o médico da UBS decide encaminhá-la para uma consulta com um cardiologista em um ambulatório especializado, que faz parte da rede de atenção à saúde de média complexidade. Lá, ela passa por exames cardiológicos mais detalhados, como um ecocardiograma e um teste ergométrico, para avaliar sua saúde cardiovascular. Após avaliação pelo cardiologista, Maria é diagnosticada com doença arterial coronariana signi�cativa e é encaminhada para um hospital de alta complexidade para realizar uma angioplastia coronariana. No hospital, ela é admitida na unidade de cardiologia, onde recebe cuidados intensivos pré e pós-operatórios. Considerando esse contexto, responda os questionamentos a seguir: 1. Como a equipe da UBS pode trabalhar de forma colaborativa para oferecer a Maria um plano de cuidados abrangente e personalizado, considerando suas condições de saúde pré- existentes e os sintomas atuais? 2. Como a coordenação entre a atenção primária à saúde (APS) e os serviços de média complexidade pode garantir uma transição suave para Maria, garantindo que ela receba o acompanhamento e os tratamentos necessários para suas condições de saúde? 3. Como a equipe multidisciplinar do hospital de alta complexidade pode garantir o melhor resultado para Maria, considerando não apenas a intervenção médica, mas também aspectos psicossociais e de reabilitaçãoapós o procedimento? Disciplina ESTRUTURA DO SUS Quais são os principais desa�os enfrentados na coordenação e colaboração entre a atenção primária, a atenção especializada de média complexidade e a atenção de alta complexidade? De que maneira as políticas de saúde podem ser desenvolvidas para promover uma distribuição equitativa dos recursos e serviços de saúde em todos os níveis de atenção, visando atender às necessidades variadas da população? A equipe da UBS pode trabalhar de forma colaborativa através de reuniões de equipe interdisciplinares, nas quais pro�ssionais de saúde, como médicos, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos, podem compartilhar informações sobre o caso de Maria e colaborar na elaboração de um plano de cuidados abrangente. Eles podem integrar estratégias de manejo da hipertensão arterial e diabetes mellitus com o tratamento dos sintomas cardíacos, enfatizando a importância do autocuidado e da adesão ao tratamento. A coordenação entre a APS e os serviços de média complexidade pode ser garantida através da emissão de um encaminhamento completo e claro, que inclua informações detalhadas sobre o histórico de saúde de Maria, resultados de exames anteriores e motivo especí�co para a consulta com o cardiologista. Além disso, a comunicação direta entre os pro�ssionais de saúde da UBS e do ambulatório especializado, através de registros eletrônicos de saúde compartilhados ou contato telefônico, pode garantir uma transição suave e a continuidade do cuidado. A equipe multidisciplinar do hospital de alta complexidade pode garantir o melhor resultado para Maria através da implementação de um plano de cuidados integrado e personalizado. Isso inclui cuidados médicos especializados durante a angioplastia coronariana, acompanhamento por pro�ssionais de enfermagem e �sioterapia intensiva pós-operatória, suporte psicológico para lidar com o estresse emocional da cirurgia e orientações sobre mudanças no estilo de vida e reabilitação cardíaca após a alta hospitalar. A comunicação e�caz entre os membros da equipe e o envolvimento ativo de Maria e de sua família no processo de tomada de decisões também são fundamentais para alcançar os melhores resultados. Disciplina ESTRUTURA DO SUS BITTAR, T. O.; et al. O Sistema de Informação da Atenção Básica como ferramenta da gestão em saúde. Revistada Faculdade de Odontologia – UPF, v. 14, n. 1, 2009. Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: MS, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde: PNPS: Anexo I da Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS Nº 635, de 22 de maio de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia Saúde da Família. [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/estrategia-saude-da-familia. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2011. Disponível em: https://www.conass.org.br/bibliotecav3/pdfs/colecao2011/livro_4.pdf. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Educação. Hospitais universitários. [s.d.]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=512&id=12267&option=com_content&view=article. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Educação. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 373, de 27 de fevereiro de 2002. Aprova a Norma Operacional da Assistência à Saúde – NOAS-SUS 01/2002 que amplia as responsabilidades dos municípios na Atenção Básica; estabelece o processo de regionalização como estratégia de hierarquização dos serviços de saúde e de busca de maior equidade; cria mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão do Sistema Único de Saúde e procede à atualização dos critérios de habilitação de estados e municípios. Brasília: MS, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0373_27_02_2002.html. Acesso em: 22 fev. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS. Brasília: CONASS, 2007. (Coleção Progestores – Para entender a gestão do SUS, v. 4). BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS (Atualização). Brasília: CONASS, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS de A a Z: garantindo saúde nos municípios. Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. 3ª ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.390, de 30 de dezembro de 2013. Institui a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo-se as diretrizes para a organização do componente hospitalar da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799 https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/estrategia-saude-da-familia https://www.conass.org.br/bibliotecav3/pdfs/colecao2011/livro_4.pdf http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=512&id=12267&option=com_content&view=article https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0373_27_02_2002.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt3390_30_12_2013.html. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 968, de 11 de dezembro de 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2002/prt0968_11_12_2002.html. Acesso em: 24 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção Primária e Atenção Especializada: Conheça os níveis de assistência do maior sistema público de saúde do mundo. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps. Acesso em: 24 fev. 2024. CECILIO, L. C. de O.; REIS, A. A. C. dos. Apontamentos sobre os desa�os (ainda) atuais da atenção básica à saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 34, n. 8, 20 ago. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/mW3MtBCvQT5cHWCkDqZhrJN/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 22 fev. 2024. DE ALMEIDA, E. R.; et al. Política Nacional de Atenção Básica no Brasil: uma análise do processo de revisão (2015–2017). Revista Panamericana de Salud Pública, v. 42, 2018. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/rpsp/2018.v42/e180/. Acesso em: 22 fev. 2024. GIOVANELLA, L. Atenção básica ou atenção primária à saúde? Cadernos de Saúde Pública, v. 34, n. 8, 20 ago. 2018. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csp/2018.v34n8/e00029818/. Acesso em: 22 fev. 2024. GOMES, C. B. S.; et al. Política Nacional de Atenção Básica de 2017: análise da composição das equipes e cobertura nacional da Saúde da Família. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 4, p.1327- 1338, abr. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/w4j9dwRc4ysdfcdRzGnMrQg/?lang=pt. Acesso em: 22 fev. 2024. GONÇALVES, M. A. Organização e funcionamento do SUS. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC; Brasília: CAPES / UAB, 2014. GÖTTEMS, L. B. D.; PIRES, M. R. G. M. Para além da atenção básica: reorganização do SUS por meio da interseção do setor político com o econômico. Saúde e Sociedade, v. 18, n. 2, p. 189-198, jun. 2009. BISPO JÚNIOR, J. P.; ALMEIDA, E. R. de. Equipes multipro�ssionais (eMulti): potencialidades e desa�os para a ampliação da atenção primária à saúde no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, vol. 39, n. 10, 2023. Disponível em: https://cadernos.ensp.�ocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8406/18747. Acesso em: 23 fev. 2024. MENDES, E. V. Os Grandes Dilemas do SUS. Salvador: Casa da Qualidade, 2001. Coleção Saúde Coletiva. MINAS GERAIS. Sistema único de saúde. Secretaria de Estado da Saúde. [s.d.]. Disponível em: https://www.saude.mg.gov.br/sus. Acesso em: 22 fev. 2024. MOREIRA, D. de J. Saúde coletiva. [livro eletrônico]. Santo André: Difusão Editora, 2023. OPAS. Atenção primária à saúde. Brasília. [s.d.]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude. Acesso em: 22 fev. 2024. PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. Direito, necessidades de saúde e integralidade. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (org.). Construção social da demanda: direito à saúde, trabalho em equipe, participação e espaços públicos. Rio de Janeiro: Cepesc; UERJ; Abrasco, 2005. PINTO, L. F.; GIOVANELLA, L. Do Programa à Estratégia Saúde da Família: expansão do acesso e redução das internações por condições sensíveis à atenção básica (ICSAB). Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 6, p. 1903–1914, jun. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/dXV7f6FDmRnj7BWPJFt6LFk/?lang=pt. Acesso em: 22 fev. 2024. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt3390_30_12_2013.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2002/prt0968_11_12_2002.html https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps https://www.scielo.br/j/csp/a/mW3MtBCvQT5cHWCkDqZhrJN/?lang=pt&format=pdf https://www.scielosp.org/article/rpsp/2018.v42/e180/ https://www.scielosp.org/article/csp/2018.v34n8/e00029818/ https://www.scielo.br/j/csc/a/w4j9dwRc4ysdfcdRzGnMrQg/?lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/w4j9dwRc4ysdfcdRzGnMrQg/?lang=pt https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8406/18747 https://www.saude.mg.gov.br/sus https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude https://www.scielo.br/j/csc/a/dXV7f6FDmRnj7BWPJFt6LFk/?lang=pt Disciplina ESTRUTURA DO SUS PORTAL GESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA. Diferença entre UBS, UPA e Hospital. 2020. Disponível em: https://gestaodesaudepublica.com.br/diferenca-entre-ubs-upa-e-hospital/. Acesso em: 24 fev. 2024. ROCHA, J. S. Y. R. Manual de Saúde Pública & Saúde Coletiva no Brasil. São Paulo: Editora Atheneu, 2012. SOLLA, J.; CHIORO, A. Atenção ambulatorial especializada. In: GIOVANELLA, L.; et al. (org.). Políticas e sistemas de saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008. cap. 17, p. 627-663. Disponível em: www.escoladesaude.pr.gov.br/arquivos/File/ATENCAO_AMBULATORIAL_ESPECIALIZADA_Solla_ e_Chioro.pdf. Acesso em: 22 fev. 2024. , Unidade 3 Gestão e Planejamento Aula 1 Distribuição Federativa de responsabilidades e competências Distribuição federativa de responsabilidades e competências Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula serão apresentados os tipos de participação na gestão em saúde e governança no SUS. Exploraremos a responsabilidade da federação enquanto gestora, dos estados e dos municípios, delineando suas atribuições especí�cas. Compreender esses papéis é fundamental para entender a complexidade e a interação dos diversos níveis de governo no Sistema Único de Saúde. Prepare-se para absorver informações essenciais sobre a estrutura e funcionamento do SUS. Aproveite esta oportunidade de aprendizado e aprofunde seus conhecimentos! https://gestaodesaudepublica.com.br/diferenca-entre-ubs-upa-e-hospital/ http://www.escoladesaude.pr.gov.br/arquivos/File/ATENCAO_AMBULATORIAL_ESPECIALIZADA_Solla_e_Chioro.pdf http://www.escoladesaude.pr.gov.br/arquivos/File/ATENCAO_AMBULATORIAL_ESPECIALIZADA_Solla_e_Chioro.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS Ponto de Partida Ao longo de nossos estudos, você compreenderá a distribuição federativa de responsabilidades e competências. A relevância desse tema reside na necessidade de planejamento e gestão e�cazes em saúde, fundamentais para uma política pública sólida. Os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), delineados na Constituição Federal e na Lei nº 8.080/1990, estabelecem a gestão do SUS com base na distribuição de competências entre as esferas federal, estadual e municipal. Abordaremos as distinções entre essas esferas e as funções das comissões intergestoras na saúde, visando compreender o planejamento e gestão em saúde nos municípios, estados e federação, conforme preconizado pela legislação vigente. Para contextualizar sua aprendizagem, imagine-se como um pro�ssional de saúde atuando na atenção primária em uma unidade básica de saúde (UBS) em um município do interior de Minas Gerais, com cerca de 20 mil habitantes. Anualmente, o Ministério da Saúde (MS) promove a Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe. No ano de 2024, o MS anunciou a antecipação da vacinação contra a gripe para março nas regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. De acordo com o comunicado que descreve a estratégia de vacinação do governo federal, a 26ª campanha nacional será realizada de 25 de março a 31 de maio, com o Dia “D” de mobilização nacional marcado para 13 de abril. Estão elencados como grupos prioritários para receberem a vacina: crianças de seis meses a menores de seis anos; crianças indígenas de seis meses a menores de nove anos; trabalhadores da saúde; gestantes; puérperas; professores dos ensinos básico e superior; povos indígenas e pessoas com mais de 60 anos. A meta é de imunizar 75 milhões de pessoas em todo o país. Com isso em mente, avalie a situação do município e a meta de vacinação estabelecida. Quais são os fatores envolvidos para cumprimento da meta? Para irmos além na capacidade de compreensão e resolução da situação relatada, e para que �que mais fácil a visualização do contexto por você, faça a mesma re�exão tendo, como base, a cidade onde reside, seu local de trabalho ou mesmo os estabelecimentos de saúde de sua cidade. Nesse caso, você acha que também atingiriam a meta na vacinação? Caso a meta não seja cumprida, o que deve ser feito? Qual esfera de gestão governamental deve ser cobrada? Vamos Começar! Estudante, é importante re�etirmos sobre o conceito de distribuição federativa de responsabilidades e competências, que no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), signi�ca que a gestão da saúde é compartilhada entre as três esferas de governo: federal, estadual e municipal. De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, a saúde é considerada um dever do Estado. Nesse contexto, o termo “Estado” não se limita apenas ao governo federal, mas abrange o Poder Público como um todo, incluindo União, estados, Distrito Federal e municípios. Outro ponto relevante a ser destacado é que a direção do SUS é única, o que signi�ca que o SUS é uma responsabilidade constitucional das três esferas de governo, não havendo possibilidade de nenhuma delas se eximir dessa obrigação. Além disso, a descentralização é uma diretriz Disciplina ESTRUTURA DO SUS fundamental no sistema de saúde brasileiro, contribuindo para essa divisão de responsabilidades. Na Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, encontram-se as atribuições comuns e competências especí�cas de cada nível de governo na organização e gestão do SUS, ou conforme a legislação,na direção do SUS, no âmbito administrativo (Brasil, 2021; Brasil, 1988). No que diz respeito aos representantes da federação no papel de gestores, destacam-se o Presidente da República, os Deputados Federais e os Senadores. Nessa esfera, são atribuídas ações e responsabilidades que englobam todo o território nacional (Ferreira; Monken, 2009). Quando nos referimos ao âmbito nacional, é imprescindível mencionar a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), criada pela Portaria Ministerial nº 1.180/1991, que representa o fórum de negociação e pactuação entre os gestores das três esferas de governo. A CIT é composta pelos representantes da direção do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS). Além disso, é importante ressaltar que à União cabe uma série de atribuições de natureza estratégica para o desenvolvimento da política de saúde, que inclui a formulação, apoio e avaliação da implementação de políticas prioritárias em âmbito nacional; a elaboração do planejamento estratégico do SUS em âmbito nacional; a coordenação de sistemas de alta complexidade, laboratórios de saúde pública, vigilância epidemiológica e sanitária; a formulação e participação na execução da política nacional de produção de insumos e equipamentos para a saúde; a promoção da descentralização de ações e serviços de saúde para estados e municípios; o estabelecimento e coordenação dos sistemas nacionais de auditoria e ouvidoria, entre outras responsabilidades (Brasil, 2016). No âmbito governamental estadual, encontramos os governadores e os deputados estaduais como agentes políticos de saúde. Esta esfera se situa em uma posição intermediária entre a esfera federal e a municipal, logo, sendo responsável por lidar com as demandas residuais em saúde (Brasil, 2015). O termo “demanda residual em saúde” refere-se a uma situação em que determinado problema de saúde possui uma complexidade que não justi�ca a intervenção ou resolução a nível federal, mas, ao mesmo tempo, está além das capacidades de resolução do nível municipal. Para ilustrar essa questão, considere um cenário em que cinco municípios do estado de Minas Gerais tenham experimentado recentemente um surto eventual de meningite bacteriana. Embora essa situação represente uma complexidade relativamente baixa em termos de escala nacional, é de alta complexidade para os recursos e capacidades dos municípios individuais. Nesse contexto, a responsabilidade pela resolução do problema recai sobre o estado, que possui a capacidade e os recursos necessários para lidar com essa questão de maneira e�caz. Dentre as competências da esfera estadual, encontram-se: promover a articulação sistêmica, o planejamento e coordenação regional das políticas, ações e serviços de saúde; monitorar e avaliar as redes regionalizadas e hierarquizadas no SUS; elaborar e sistematizar os planos de médio e longo prazo no âmbito estadual; fornecer apoio técnico e �nanceiro aos municípios nas Disciplina ESTRUTURA DO SUS ações de descentralização; coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros, por exemplo. Siga em Frente... Portanto, compete aos estados e ao Distrito Federal: Firmar contrato organizativo de ação pública de saúde com os municípios (art. 34 do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011). Instituir as regiões de saúde, em articulação com os municípios, respeitadas as diretrizes gerais pactuadas na Comissão Intergestora Tripartite (CIT) (art. 4º do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011). Preconizar relações especí�cas e complementares de ações e serviços de saúde, em consonância com a Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde (RENASES), desde que respeitadas as responsabilidades dos entes pelo seu �nanciamento, conforme o pactuado nas Comissões Intergestores (art. 24 do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011). Adotar relações especí�cas e complementares de medicamentos, em consonância com a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), respeitadas as responsabilidades dos Entes pelo �nanciamento de medicamentos, de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores (art. 27 do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011). Aqui temos também a atuação das Comissões Intergestores Regionais (CIR) que compõem as instâncias de governança federativa do SUS — CIB e CIT —, conforme art. 30, incisos II e III, do Decreto n° 7.508, de 20 de junho de 2011. Portanto, as CIR estão vinculadas às respectivas secretarias estaduais de saúde para efeitos operacionais e administrativos, devendo observar as diretrizes de�nidas na respectiva CIB. A CIB possui norma Operacional Básica nº 1/1993 e instaladas em todos os Estados do País (Machado; Lima; Batista, 2009). Quando se trata das responsabilidades municipais, destaca-se que sua esfera de atuação é mais localizada e próxima dos cidadãos; prefeitos e vereadores são responsáveis pela gestão local. Além disso, os municípios têm a obrigação de gerir o Sistema Único de Saúde (SUS), atuando de maneira integrada com outras esferas governamentais, com o objetivo de desenvolver políticas setoriais e intersetoriais que garantam à população um acesso universal e equitativo aos serviços de saúde. Adicionalmente, cabe aos municípios a prestação direta de ações e serviços de saúde, principalmente nos cuidados primários e, quando possível, de média e alta complexidade, o que os torna a esfera de contato mais próxima com a população. A distribuição das competências municipais, conforme estabelecido pela Lei n° 8.080, de 1990, abrange atividades como planejamento, organização e avaliação dos serviços de saúde locais; gerenciamento das unidades públicas de saúde; execução de serviços de Vigilância Epidemiológica e Sanitária, alimentação e nutrição, saneamento básico, saúde do trabalhador; implementação da política de Disciplina ESTRUTURA DO SUS insumos e equipamentos em saúde, bem como controle e �scalização dos procedimentos dos serviços privados de saúde (Brasil, 2021; Brasil, 2009). Agora que já exploramos as competências dos três níveis de cada esfera governamental e compreendemos as peculiaridades de cada uma, vamos analisar as competências comuns entre elas. Conforme estabelecido pelo Inciso X da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, essas competências englobam acompanhar, avaliar e divulgar o nível de saúde da população; administrar recursos orçamentários e �nanceiros; estabelecer padrões e mecanismos de controle e avaliação dos serviços de saúde; organizar e coordenar sistemas de informação; elaborar e atualizar os planos de saúde, o Relatório de Gestão, Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA) e a Programação Anual de Saúde (PAS); de�nir normas para regular as atividades dos serviços privados de saúde; fomentar, coordenar e executar programas e projetos estratégicos e elaborar proposta orçamentária (Brasil, 2021). Vamos Exercitar? Para cumprir a meta de vacinação estabelecida pelo Ministério da Saúde (MS) na Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe, diversos fatores precisam ser considerados no contexto do município de 20 mil habitantes em Minas Gerais: Disponibilidade de vacinas: é essencial garantir que haja um suprimento adequado de vacinas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender à demanda dos grupos prioritários. Infraestrutura e recursos humanos: as UBSs devem ter uma infraestrutura adequada para armazenar e administrar as vacinas. Além disso, é importante contar com pro�ssionais de saúde capacitados para realizar a vacinação de forma e�ciente e segura. Mobilização e conscientização: é necessário promover campanhas de conscientização e mobilização para incentivar a população a participar da vacinação, especialmente os grupos prioritários. Logística de distribuição: deve-se garantir uma logística e�ciente para distribuir as vacinas para todas as UBSs do município, garantindo o acesso igualitário à imunização. Ao considerar o contexto especí�co de sua cidade ou local de trabalho,é importante avaliar se os recursos e a logística disponíveis seriam su�cientes para atingir a meta de vacinação. Caso a meta não seja cumprida, medidas como intensi�car a divulgação da campanha, ampliar os pontos de vacinação e realizar campanhas de conscientização podem ser adotadas. Nesse caso, a esfera de gestão municipal seria a principal responsável por coordenar essas ações e garantir o alcance da meta estabelecida. Saiba mais Para uma melhor compreensão acerca do estudo de caso e a importância das competências do gestor municipal, leia o texto a seguir: CNM – Confederação Nacional de Municípios: Gestor https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/gestor-municipal-saiba-a-importancia-da-vacinacao-e-qual-sua-responsabilidade Disciplina ESTRUTURA DO SUS municipal, saiba a importância da vacinação e qual sua responsabilidade. Para uma melhor compreensão sobre a importância da gestão em saúde, você poderá ver a palestra do Doutor Arthur Chioro, pro�ssional sanitarista e ex-Ministro da Saúde do Brasil entre os anos de 2014 e 2015, que nos convida você a uma re�exão sobre a gestão da saúde pública no Brasil. Para contextualizar melhor o assunto com relação às funções das Comissões Intergestores – CIT e CIB, recomendamos a leitura dos links a seguir: Resolução nº 1, de 11 de maio de 2016. CIB-SUS/MG (Comissão Intergestores Bipartite). Referências BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A Gestão do SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2015. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Centro Grá�co, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Gestão Municipal de Saúde: textos básicos. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde,2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestao_municipal_de_saude.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de planejamento no SUS. Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamen to_atual.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 1, de 11 de maio de 2016. Aprova o Regimento Interno da Comissão Intergestores Tripartite (CIT). Diário O�cial da União, Brasília, DF, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/res0001_11_05_2016.html. Acesso em: 7 mar. 2024. https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/gestor-municipal-saiba-a-importancia-da-vacinacao-e-qual-sua-responsabilidade https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/res0001_11_05_2016.html https://www.saude.mg.gov.br/cib https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestao_municipal_de_saude.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/res0001_11_05_2016.html Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Planejamento do SUS (PlanejaSUS): uma construção coletiva –trajetória e orientações de operacionalização. Ministério da Saúde; Organização Pan- Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/planejaSUS_livro_1a6.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde antecipa campanha de vacinação contra a gripe. Governo do Brasil, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt- br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao- contra-a-gripe. Acesso em: 7 mar. 2024. CONASEMS; COSEMS-RJ; APPIS; IMS; UERJ (orgs.). Manual do(a) Gestor(a) Municipal do SUS: “Diálogos no Cotidiano”. 2ª ed. Rio de Janeiro: CEPESQ, 2019. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/07/manual_do_gestor_F02_tela.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. FERREIRA, S. C. C.; MONKEN, M. (Orgs.). Gestão em saúde: contribuições para a análise da Integralidade. Rio de Janeiro: EPSJV, 2009. Disponível em: https://www.epsjv.�ocruz.br/publicacao/livro/gestao-em-saude-contribuicoes-para-a-analise-da- integralidade. Acesso em: 7 mar. 2024 GARCIA, P. T.; REIS, R. S. Gestão Pública em Saúde: O plano de saúde como ferramenta de gestão. Unidade IV, 2016.Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360. Acesso em: 7 mar. 2024. MACHADO, C. V.; LIMA, L. D.; BAPTISTA, T. W. F. Princípios organizativos e instâncias de gestão do SUS. In: OLIVEIRA, R. G.; GRABOIS, V.; MENDES JÚNIOR, W. V. (orgs.). Quali�cação de Gestores do SUS. Rio de Janeiro: EAD/Ensp, 2009. p. 47-72. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/cfc-193776. Acesso em: 7 mar. 2024. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Comissão Intergestores Bipartite. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, 2021. Disponível em: https://www.saude.mg.gov.br/cib. Acesso em: 7 mar. 2024. PINAFO, E.; et al. Problemas e estratégias de gestão do SUS: a vulnerabilidade dos municípios de pequeno porte. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 5 p.1619-1628, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/gPnKF8DqfgKyxtgPyb5hYgG/?lang=pt. Acesso em: 7 mar. 2024. SCHRAIBER, L. B.; et al. Planejamento, gestão e avaliação em saúde: identi�cando problemas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 4, n. 2, p. 221-242, 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/TvtKzPc3nZQTskgqLyDL9hv/abstract/?lang=pt. Acesso em: 7 mar. 2024. SILVA, R. M.; BESSA, M. S.; SILVA JÚNIOR, J. A. G. (orgs.). Planejamento, gestão e avaliação nas práticas de saúde. Fortaleza: EdUECE, 2015. Disponível em: http://www.uece.br/ppsacwp/wp- https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/planejaSUS_livro_1a6.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/07/manual_do_gestor_F02_tela.pdf https://www.epsjv.fiocruz.br/publicacao/livro/gestao-em-saude-contribuicoes-para-a-analise-da-integralidade https://www.epsjv.fiocruz.br/publicacao/livro/gestao-em-saude-contribuicoes-para-a-analise-da-integralidade https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/cfc-193776 https://www.saude.mg.gov.br/cib https://www.scielo.br/j/csc/a/gPnKF8DqfgKyxtgPyb5hYgG/?lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/TvtKzPc3nZQTskgqLyDL9hv/abstract/?lang=pt http://www.uece.br/ppsacwp/wp-content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE-SAUDE-EBOOK-548pg.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE- SAUDE-EBOOK-548pg.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. Aula 2 Legislação do SUS Legislação do SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.a assistência médica. Nas fases iniciais, os desa�os estavam relacionados à falta de acesso generalizado aos serviços de saúde, especialmente por camadas mais vulneráveis da população. Além disso, a alta incidência de doenças infecciosas e a falta de saneamento básico eram questões signi�cativas. Com a transição para o SUS, os desa�os passaram a envolver a garantia de uma atenção integral, a descentralização dos serviços e a promoção da equidade no acesso. Ao longo das diferentes fases, as políticas de saúde in�uenciaram diretamente o panorama epidemiológico. Nas fases iniciais, ações mais pontuais eram focadas no controle de epidemias e no tratamento de doenças especí�cas. Com o tempo, políticas mais abrangentes, como a implementação de programas de vacinação, contribuíram para a redução de certas doenças infecciosas. A criação do SUS buscou não apenas tratar doenças, mas também promover ações preventivas, alterando o per�l epidemiológico do país. Em cada fase histórica, o entendimento e abordagem do processo saúde-doença variaram. Nas fases iniciais, predominava uma visão mais restrita à biomedicalização, focada no tratamento de doenças individuais. Com o tempo, a transição para o SUS representou uma mudança paradigmática na prestação de serviços de saúde. O impacto foi sentido na melhoria do acesso Disciplina ESTRUTURA DO SUS aos serviços, na promoção de ações preventivas, na descentralização dos atendimentos e na busca por uma abordagem mais integral da saúde. A participação social e a ênfase na atenção básica também impactaram positivamente a relação entre pro�ssionais de saúde e usuários, promovendo uma maior humanização nos cuidados. Essas mudanças contribuíram para uma melhoria geral na qualidade de vida da população, embora desa�os persistentes, como a necessidade de ampliação da infraestrutura e a gestão e�ciente dos recursos, continuem a ser foco de esforços no contexto do SUS. Saiba mais Para um entendimento detalhado a respeito de como as doenças mentais nas sociedades contemporâneas podem ser compreendidas quando analisadas da perspectiva do processo saúde-doença como base simultaneamente biológica, social e histórica, não deixe de ler o artigo “Adoecimento psíquico na sociedade contemporânea: notas conceituais da teoria da determinação social do processo saúde-doença”. Para aprofundar seu aprendizado sobre o panorama histórico das políticas públicas em saúde no Brasil, assista ao vídeo produzido pela Fiocruz, no qual os antecedentes institucionais do Sistema Único de Saúde são apresentados de maneira leve e divertida. Para uma compreensão sobre como o INPS e o INAMPS estruturaram institucional e organizacionalmente as políticas públicas de saúde em grande parte da metade do século XX em nosso país, assista ao vídeo “Como era a política de saúde brasileira antes do SUS?”. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. VIII Conferência Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1986. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0219VIIIcns.pdf. Acesso em: 28 jan. 2024. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. Disponível em: http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_05.10.1988/CON1988.pdf. Acesso em: 28 jan. 2024. BENCHIMOL, J. L. Revolução pasteuriana na saúde pública e na pesquisa biomédica brasileiras (1880 a 1920). In: TEIXEIRA, L. A.; PIMENTA, T. S.; HOCHMAN, G. História da saúde no Brasil. São Paulo: Hucitec, 2018. p. 225-283. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/his-40753. Acesso em: 28 jan. 2024. MOREIRA, D. de J. Saúde coletiva. [recurso eletrônico]. Santo André: Difusão Editora, 2023. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/Y36fDqvZL5Js4nnWpXrYpBb/ https://www.scielo.br/j/sdeb/a/Y36fDqvZL5Js4nnWpXrYpBb/ http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0219VIIIcns.pdf http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_05.10.1988/CON1988.pdf https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/his-40753 Disciplina ESTRUTURA DO SUS MENICUCCI, T. M. G. História da reforma sanitária e do Sistema Único de Saúde: mudanças, continuidades e a agenda atual. História, Ciências, Saúde, Manguinhos, v. 21, n. 1, p. 77-92, 2014. SOLHA, R. K. T. Sistema único de saúde: componentes, diretrizes e políticas públicas. São Paulo: Érica, 2014. SOLHA, R. K. T. Saúde coletiva para iniciantes: políticas e práticas pro�ssionais. 2ª ed. São Paulo: Érica, 2014. Aula 2 Processo de Implantação do SUS Processo de implantação do SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos como os movimentos sociais brasileiros in�uenciaram o debate público sobre saúde ao longo do século XX. Além disso, você compreenderá o papel desempenhado pelas Conferências Nacionais de Saúde nos processos de gestão pública do país e entenderá a importância histórica da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Não perca essa oportunidade valiosa de aprofundar seus conhecimentos. Bons estudos! Ponto de Partida Estudante, os “movimentos sociais” constituem manifestações da sociedade civil, expressando a união de pessoas com o objetivo de promover alterações signi�cativas na estrutura social. Essas iniciativas coletivas desempenham um papel vital ao in�uenciar e moldar o cenário público, especialmente no contexto brasileiro. Dentro desse cenário, as Conferências Nacionais de Saúde Disciplina ESTRUTURA DO SUS emergem como uma instância fundamental, proporcionando um fórum de discussão e deliberação sobre políticas de saúde no Brasil. Além disso, a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) representa um marco signi�cativo na história brasileira, promovendo mudanças substanciais na oferta de serviços de saúde. Para aplicar esses conhecimentos, suponha que você seja prefeito de um município que assumiu recentemente o governo da cidade e que não tenha ainda nenhum projeto sobre como gerir da melhor maneira possível as responsabilidades administrativas do município no que se refere à gestão de políticas públicas em saúde. O envolvimento da sociedade civil nos processos de gestão pública é amplamente reconhecido nos dias de hoje por gestores públicos de todo o mundo como uma estratégia necessária para conferir legitimidade democrática às decisões e ações governamentais. Logo, que tipo de iniciativa você poderia colocar em prática para contar com o apoio da sociedade municipal na formulação dessas políticas? Bons estudos! Vamos Começar! A Constituição Federal de 1988 delineou um novo modelo de política de saúde, estabelecendo-se como um marco legal na transição de um modelo da medicina curativa e individual para a adesão do modelo de saúde universal e coletivo. Tal fato culminou-se a partir de um longo processo mobilizatório, composto por diversos movimentos e ações coletivas de caráter democrático, que buscavam a efetivação do direito à saúde. Os movimentos sociais podem ser considerados como os motores da História, visto que produzem transformações nas relações de poder e introduzem novos valores com base nas relações sociais em que ressurgem (Araújo; Nascimento, 2014). Os primeiros relatos de mobilizações e movimentos em prol da saúde no Brasil ocorrem na década de 1970, durante o período da Ditadura Militar, como agentes de resistência. Esses movimentos eram compostos por pro�ssionais de saúde, acadêmicos, trabalhadores e ativistas que contestavam o modelo de assistência médica centrado na elite e exigiam uma abordagem mais democrática e a inclusão de toda a sociedade no acesso aos serviços de saúde. Esses movimentos encontravam-se diretamente vinculados à noção de direitos básicos, articulando-se em defesa da saúde da população. Eles foram ganhando maior adesão popular e visibilidade,Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos explorar a legislação fundamental que estrutura o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus instrumentos de gestão. Abordaremos de maneira clara e objetiva as particularidades de cada uma das normas operacionais básicas (NOBs), além de discutir o processo de transição da centralização para a descentralização, foco das NOBs, e o movimento de regionalização, objeto das NOAS. Também vamos compreender as ações de saúde contempladas nos três componentes articulados pelo Pacto em Saúde. Vamos lá? Ponto de Partida Estudante, quando abordamos a legislação do Sistema Único de Saúde (SUS), é fundamental enfatizar que ele é regido por uma série de normativas que estabelecem os princípios, diretrizes e formas de sua organização no Brasil. Entre essas normativas, destacam-se as normas operacionais básicas (NOBs), que de�nem os padrões de funcionamento e organização dos serviços de saúde, visando garantir a universalidade, integralidade e equidade no acesso aos serviços. Além disso, há as normas operacionais da assistência à saúde (NOAS), que estabelecem as diretrizes para a organização e funcionamento da rede de atenção à saúde, buscando garantir uma oferta de serviços de qualidade e com resolutividade. Por �m, o Pacto pela Saúde é um http://www.uece.br/ppsacwp/wp-content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE-SAUDE-EBOOK-548pg.pdf http://www.uece.br/ppsacwp/wp-content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE-SAUDE-EBOOK-548pg.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS acordo entre os gestores do SUS, que estabelece compromissos e responsabilidades para o fortalecimento do sistema, promovendo uma gestão compartilhada e integrada entre os diferentes níveis de governo. Logo, compreender essas legislações e instrumentos é fundamental para uma atuação e�caz no campo da saúde pública no país. Para contextualizar seu aprendizado, imagine que você é um pro�ssional de saúde que trabalha no nível de atenção primária em uma unidade básica de saúde (UBS) de sua cidade, localizada no interior de seu estado, com uma população de quase 30 mil habitantes. Nessa UBS, são atendidos, com recorrência, pacientes jovens adultos e idosos com doença renal crônica (DRC), os quais necessitam realizar, com frequência, o procedimento de terapia renal substitutiva (TRS) – conhecida por hemodiálise – como forma de tratamento dessa condição. O tratamento proporciona alívio das condições �siológicas dos rins, melhora a qualidade de vida e bem-estar do paciente. Assim, sabendo que em sua cidade não há unidade de saúde ou hospitalar com suporte ou disponibilização de tratamento para realização da TRS, qual seria sua conduta para que os pacientes com DRC sejam atendidos de forma a contemplar a necessidade de realização frequente de hemodiálise? O que fazer, neste caso, enquanto pro�ssional de saúde ou gestor do SUS? Vamos Começar! Para atender às demandas operacionais do Sistema Único de Saúde (SUS), foram criados instrumentos de gestão indispensável: as normas operacionais básicas (NOBs), portarias do Ministério da Saúde, elaboradas para cumprir o propósito de regular a direção nacional do SUS. Elas desempenham objetivos e diretrizes estratégicas para a descentralização da política de saúde, oferecendo suporte para a normatização e operacionalização das relações entre as diferentes esferas de governo. Esses aspectos não são detalhados nas leis orgânicas da saúde, sendo pilares fundamentais para o funcionamento efetivo do SUS. Outro aspecto relevante é a natureza transitória desses instrumentos. Sua característica dinâmica permite que sejam reeditados ou substituídos à medida que a descentralização avança, possibilitando a atualização das regras em diferentes estágios de implementação do SUS (Moreira et al., 2018; Brasil, 2003). A Constituição de 1988 estabelece os princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto as Leis Orgânicas da Saúde fornecem a estrutura básica, de�nindo objetivos, atribuições, competências, �nanciamento, controle social e participação do setor privado. No entanto, foi a partir de 1991, com a implementação das normas operacionais básicas (NOBs), que o SUS foi efetivamente implantado (Brasil, 2011). A NOB SUS 01/91 desempenhou um papel histórico crucial na construção do SUS, regulamentando as muitas lacunas deixadas pelas Leis Orgânicas da Saúde de 1990. Na NOB SUS 01/92, muitos municípios aderiram à NOB SUS 01/91 e à sua substituta, a NOB SUS 01/92, e foram assinados convênios com 1.074 municípios até o �nal de 1993. As mudanças estabelecidas com essas portarias e NOBs foram efetivadas entre fevereiro de 1991 e novembro de 1994. A NOB SUS 01/93 possui características distintas de suas antecessoras. Destaca-se por Disciplina ESTRUTURA DO SUS de�nir o gerenciamento descentralizado nos três níveis de governo, através da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), das Comissões Intergestores Bipartite (CIB) e dos Conselhos Municipais, além das condições de gestão para municípios (incipiente, parcial e semiplena) e estados (parcial e semiplena), abrangendo os diferentes estágios de descentralização. Por sua vez, a NOB SUS 01/96, editada em 6 de novembro de 1996, visava dar continuidade ao processo de consolidação do SUS. Seu objetivo primordial era promover e consolidar o pleno exercício do poder público municipal e do Distrito Federal, rea�rmando a responsabilidade dos gestores em fornecer atenção à saúde dos munícipes, com foco na de�nição das responsabilidades dos Estados, do Distrito Federal e da União (Leucovitz; Lima; Machado, 2001). O Quadro 1 oferece um resumo das quatro NOBs, emitidas entre 1991 e 1996. Norma Operacional Básica 01/91 Editada pelo INAMPS/MS em janeiro de 1991 e reeditada em julho do mesmo ano, a NOB 01/91 (Brasil, 1991) reproduz em seu texto muitos dos elementos que compõem as Leis Orgânicas da Saúde, uma vez que elas constituem as bases de implantação e operacionalização do SUS, com foco principal nos meios de �nanciamento do SUS – repasse, acompanhamento, controle e avaliação dos recursos �nanceiros para os municípios e/ou estados, considerados fator de incentivo ao processo de descentralização. Norma Operacional Básica 01/92 Segue orientações da NOB anterior, no que tange ao �nanciamento e regulamentação de repasses �nanceiros – através de convênios; em relação à descentralização, considerada um instrumento normativo de transição, pois avança no esclarecimento de elementos e princípios da descentralização e não deve ser entendida apenas pelo cumprimento aos critérios estabelecidos na Lei 8142/90, para repasse dos recursos �nanceiros federais para cobertura das ações e serviços de saúde a Disciplina ESTRUTURA DO SUS serem implementados pelos municípios, mas, sim, deve ser entendida principalmente pela nova responsabilidade do município de administrar as ações e serviços de saúde em sua área de abrangência, desde o planejamento até a execução das atividades, incluindo recursos humanos, materiais e �nanceiros. É o estabelecimento do comando único do SUS na esfera municipal (Brasil, 1990b). Norma Operacional Básica 01/93 É editada pelo próprio Ministro da Saúde e busca regulamentar o �nanciamento, bem como o processo de descentralização da gestão dos serviços e ações no âmbito do SUS. A NOB 01/93 de�ne o gerenciamento do processo de descentralização nas três esferas de governo, através da Comissão Intergestores Tripartite, das Comissões Intergestores Bipartites e dos Conselhos Municipais, bem como as condições de gestão para municípios e estados, buscando contemplar os diferentes estágios em que se encontram estados e municípios em relação à descentralização, tendo em vista a grande diversidades dos municípios brasileiros e também a tradição histórica ligada a um padrão administrativo e �nanceiro centralizador (Brasil, 1993). Norma OperacionalBásica 01/96 A NOB 01/96, editada pelo Ministro da Saúde em 06/11/96, pretende dar continuidade ao processo de consolidação do SUS, colocando como �nalidade primordial “promover e consolidar o pleno exercício, por parte do poder público municipal e do Disciplina ESTRUTURA DO SUS Distrito Federal, da função de gestor da atenção à saúde dos seus munícipes, com consequente rede�nição das responsabilidades dos Estados, do DF e da união” (Brasil, 1996). A partir da NOB 01/96, os municípios puderam habilitar-se em duas condições: Gestão Plena de Atenção Básica e Gestão Plena do Sistema Municipal. Quadro 1 | Normas operacionais básicas. Fonte: Moreira et al. (2018, p. 97). Agora que compreendemos a importância e as funções das normas operacionais básicas (NOBs) como instrumento estruturante do SUS, vamos explorar o objetivo por trás da criação das normas operacionais da assistência à saúde (NOAS). A estratégia delineada pelas NOAS visa ampliar as responsabilidades dos municípios na garantia do acesso aos serviços de atenção básica, destacando a regionalização e a hierarquização como mecanismos essenciais para alcançar a equidade na alocação de recursos e serviços de saúde (Sauter; Girardon-Perlini; Kopf, 2012). As NOAS surgiram em resposta aos desa�os enfrentados após a implementação da NOB/SUS 01/96, em 2001. Após discussões entre gestores das três esferas de governo, foi publicada a Norma Operacional da Assistência à Saúde 01/01 – NOAS/SUS 01/01 – 2001, cujo objetivo principal é aumentar as responsabilidades dos municípios para garantir o acesso aos serviços de saúde, além de reorganizar a assistência com foco na regionalização e nos desa�os a serem superados. Ela possibilita a ampliação das responsabilidades municipais na Atenção Básica, de�ne a regionalização da assistência e promove opções para fortalecer a gestão do sistema de saúde (Sauter; Girardon-Perlini; Kopf, 2012). Por sua vez, a NOAS/SUS 01/02 – 2002 foi criada para promover maior equidade na alocação de recursos e no acesso da população aos serviços de saúde em todos os níveis de atenção. Entre as estratégias da NOAS/SUS 01/02, destacam-se a regionalização e organização da assistência com o Plano Diretor de Regionalização (PDR) e o Plano Diretor de Investimentos (PDI), a ampliação da atenção básica com o aumento do �nanciamento federal, a quali�cação das regiões/microrregiões e a política para a alta complexidade, além do fortalecimento da capacidade de gestão do SUS (Sauter; Girardon-Perlini; Kopf, 2012). A NOAS/SUS 01/02 também destaca a importância da organização, controle, regulação e avaliação para disponibilizar alternativas assistenciais mais adequadas às necessidades do cidadão em tempo oportuno, otimizar a utilização dos recursos assistenciais disponíveis, subsidiar a PPI e subsidiar o controle e avaliação. É importante ressaltar que a NOAS/SUS 01/02 foi objeto de alterações pelas Portarias GM/MS 1.734, de 19 de agosto de 2004; 384, de 4 de abril de 2003; 385, de 4 de abril de 2003; 321, de 8 de fevereiro de 2003; e pelas Portarias/GM 399, de Disciplina ESTRUTURA DO SUS 22 de fevereiro de 2006; e 699, de 30 de março de 2006, que tratam do Pacto pela Saúde (Sauter; Girardon-Perlini; Kopf, 2012). Siga em Frente... Por �m, para complementar e fortalecer a consolidação do SUS, no início do ano de 2006, foi aprovado o Pacto pela Saúde. Este instrumento estruturante do SUS tem como função promover um movimento de mudança que não se limita a uma norma operacional, mas sim a um acordo interfederativo, articulado em três dimensões: o Pacto pela Vida, o Pacto em Defesa do SUS e o Pacto de Gestão (Moreira et al., 2018; Sauter; Girardon-Perlini; Kopf, 2012). Os Pactos pela Saúde e Gestão do SUS representam compromissos públicos �rmados pelos gestores, com o intuito de aprimorar a gestão e potencializar a e�cácia das ações de saúde. Prioridades foram estabelecidas, como o comprometimento com os princípios do SUS, o reforço da atenção primária, a valorização da saúde e a integração interinstitucional. Além disso, destaca-se o fortalecimento do papel dos estados e a busca pela regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, que determina os recursos mínimos para o �nanciamento das ações e serviços públicos de saúde (Moreira et al., 2018). O Pacto pela Vida visa à promoção da saúde e à redução das desigualdades sociais em saúde. Ele estabelece prioridades e metas para enfrentar os principais problemas de saúde pública do país, como a mortalidade infantil, a mortalidade materna, as doenças crônicas não transmissíveis, as doenças emergentes e as endemias, buscando fortalecer a atenção primária, ampliar o acesso aos serviços de saúde e promover a qualidade da assistência. Para cumprir tais metas, os municípios devem gerir os serviços de saúde de acordo com as diretrizes pactuadas. Um exemplo prático desse pacto seria a implementação de um programa de combate à mortalidade infantil em uma determinada região. Nesse programa, os gestores do SUS estabelecem metas para reduzir os índices de mortalidade infantil, como a implementação de políticas de pré-natal adequado, ampliação do acesso a serviços de saúde para gestantes e recém-nascidos, e investimento em ações de promoção da saúde e prevenção de doenças em crianças. As equipes de saúde locais, em parceria com a comunidade, trabalham para atingir essas metas, monitorando os indicadores de saúde infantil e ajustando as estratégias conforme necessário (Moreira et al., 2018). O Pacto em Defesa do SUS tem como objetivo rea�rmar os princípios e diretrizes do SUS, bem como fortalecer a participação social na gestão e no controle social do sistema de saúde. Ele enfatiza a importância da universalidade, da integralidade, da equidade e da participação popular na organização e na prestação dos serviços de saúde. Um exemplo prático desse pacto seria a realização de conferências de saúde em um município, nas quais a população tem a oportunidade de participar ativamente na de�nição das políticas de saúde locais. Durante essas conferências, os cidadãos discutem e deliberam sobre as principais demandas e necessidades de saúde da comunidade, contribuindo para a formulação de planos de ação e políticas públicas Disciplina ESTRUTURA DO SUS voltadas para fortalecer o SUS e garantir o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde (Moreira et al., 2018). O Pacto de Gestão busca aprimorar a gestão do SUS, promovendo a integração e a articulação entre os diferentes entes federativos (União, estados e municípios) na organização e na execução das políticas de saúde. Ele estabelece metas de gestão, como a melhoria da qualidade dos serviços, a otimização dos recursos e a garantia da e�ciência administrativa. Um exemplo prático desse pacto seria a implementação de um sistema integrado de gestão de saúde em uma região, por meio do qual os gestores do SUS dos diferentes níveis de governo trabalham de forma colaborativa para otimizar os recursos e melhorar a e�ciência na prestação dos serviços de saúde. Isso pode envolver a integração de Sistemas de Informação em Saúde, a padronização de protocolos clínicos e administrativos, e a implementação de mecanismos de monitoramento e avaliação da qualidade dos serviços. O objetivo é garantir uma gestão mais e�ciente e transparente, promovendo a melhoria contínua da saúde da população (Moreira et al., 2018). Em síntese, as NOBs (normas operacionais básicas) e NOAS (normas operacionais de assistência à saúde) são instrumentos normativos utilizados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Elas são elaboradas pelo Ministério da Saúde e têm o propósito de estabelecer diretrizes, critérios e padrões para a organização e funcionamento do sistema de saúde, visando à melhoria da e�ciência, qualidade e equidade na prestação dos serviços de saúde à população. As NOBs surgiram inicialmente nos anos 1990, com o objetivo de regulamentar o processo de descentralização das ações e serviços de saúde, delineando as responsabilidades e atribuições de cada esferade governo (federal, estadual e municipal) no �nanciamento e na gestão do SUS. Já as NOAS foram instituídas posteriormente, a partir do ano 2000, com foco na organização da atenção à saúde, com ênfase na quali�cação da assistência, na integração dos serviços e na ampliação do acesso. Quanto ao Pacto pela Saúde, sua criação ocorreu em 2006 como uma estratégia de pactuação entre os gestores do SUS (União, estados e municípios) para fortalecer a gestão e a organização do sistema de saúde no país. O Pacto pela Saúde visa promover a integração entre os entes federativos, estabelecendo metas, compromissos e responsabilidades compartilhadas, além de reforçar a regionalização e a hierarquização dos serviços de saúde. Ele se estrutura em três componentes: Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão. Em conjunto, esses pactos buscam fortalecer o SUS, promovendo uma gestão mais e�ciente, integrada e participativa, e garantindo o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde para toda a população brasileira. Vamos Exercitar? Espera-se que você enfatize que a conduta do pro�ssional de saúde e dos gestores deve se basear na Portaria nº 1.675, de 7 de junho de 2018 (Brasil, 2018), que dispõe sobre os critérios para a organização, funcionamento e �nanciamento do cuidado da pessoa com DRC no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a referida Portaria, �cam mantidas as Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao Paciente com DRC no SUS. Assim, deve ocorrer a Disciplina ESTRUTURA DO SUS organização da rede de atenção à saúde (RAS) com a atenção básica como coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços disponibilizados na rede. Segundo o art. 63. da referida Portaria (Brasil, 2018), são atribuições, no cuidado da pessoa com DRC na RAS de pessoas com Doenças Crônicas do componente da Atenção Básica: realizar acolhimento com classi�cação e estrati�cação de risco e vulnerabilidade, diagnóstico precoce e tratamento oportuno da DRC de acordo com as Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao paciente com DRC no SUS; coordenar o cuidado atuando como o centro de comunicação entre os diversos componentes da RAS e ordenar os �uxos e contra�uxos de pessoas; além disso realizar a atenção ambulatorial e hospitalar de forma multipro�ssional e intersetorial, conforme o documento das Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao paciente com DRC no SUS, incluindo a necessidade da Terapia Renal Substitutiva (TRS), nas modalidades de hemodiálise e diálise peritoneal; manter a comunicação com as equipes multipro�ssionais dos demais componentes da RAS. Por �m, deve-se garantir o encaminhamento ou transferência por meio da regulação de acesso de urgência e emergência para hospital vinculado ao SUS que acolha os casos que necessitem de internação decorrente do tratamento dialítico (Brasil, 2018). Assim, para atendimento deste paciente com DRC, temos responsabilidades tanto para a atenção básica quanto para rede especializada, conforme descrito, a seguir, nos artigos 64 e 65 da Portaria: Art. 64. Compete ao componente da Atenção Básica a gestão do cuidado à pessoa com DRC e a atenção dos estágios clínicos 1 ao 3, conforme disposto nas Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao paciente com DRC no SUS. Art. 65. Compete ao componente da Atenção Especializada o cuidado à pessoa com DRC dos estágios clínicos 4e 5 - pré-dialítico e dialítico -, bem como o matriciamento às equipes da Atenção Básica para o estágio clínico 3, conforme disposto nas Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao paciente com DRC no SUS. (BRASIL, 2018, [s. p.]) Em síntese, diante da situação exposta, quando um usuário do SUS necessitar de atendimento especializado devido a uma doença com condição crônica, caso sua cidade de origem não disponha de atendimento especializado, este paciente deverá ser referenciado para centros de atendimento que disponham de estrutura e tecnologias para tal, a exemplo dos municípios polos e os de referências em atendimento de uma macrorregião. São muito importantes os princípios estruturantes, como a descentralização e regionalização, segundo os quais é possível o reconhecimento das necessidades locais dos usuários, bem como é possível o �uxo de interligação e de atendimentos entre regiões, para que, no �nal, o paciente do SUS seja atendido de forma integral. Saiba mais Disciplina ESTRUTURA DO SUS Para uma melhor compreensão sobre a importância do “Pacto pela Saúde 2006 e a Programação Pactuada Integrada (PPI)”, no vídeo do Ministério da Saúde, é apresentada a PPI como ferramenta para um processo de planejamento, por meio do qual cada gestor identi�ca os principais problemas de saúde do seu município. Por �m, para uma melhor compreensão sobre a importância do Pacto pela Saúde de forma geral, veja o vídeo do Ministério da Saúde “O Pacto pela Saúde 2006 e as mudanças que ele trouxe ao SUS”. Embora o Decreto n° 7.508 tenha aprimorado muitos pontos que o Pacto de�niu na época, o Pacto pela Saúde 2006 ainda continua valendo e sendo cobrado em provas de concursos públicos, provas de residências multipro�ssionais e a�ns. Referências BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Legislação do SUS. Brasília: CONASS, 2003. Disponível em: http://sindsaudesp.org.br/download/documentos/legislacao_sus.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Legislação Estruturante do SUS. Brasília: CONASS, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/para_entender_gestao_sus_v13.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.203, de 5 de novembro de 1996. Diário O�cial da União, Brasília, DF,1996. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1996/prt2203_05_11_1996.html. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Resolução n° 258, de 7 de janeiro de 1991. Diário O�cial da União, Brasília, DF, 1991. Disponível em: http://siops.datasus.gov.br/Documentacao/Resolu%C3%A7%C3%A3o%20258_07_01_1991.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. LEVCOVITZ, E.; LIMA, L. D.; MACHADO, C. V. Política de saúde nos anos 90: relações intergovernamentais e o papel das Normas Operacionais Básicas. Ciência & Saúde Coletiva, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 269-318, 2001.Disponível em https://pesquisa.bvsalud.org/enfermeria/resource/pt/ens-13316. Acesso em: 8 mar. 2024. MOREIRA, T. C. M.; et al. Saúde coletiva. [recurso eletrônico]. Porto Alegre: SAGAH, 2018. SAUTER, A. M. W.; GIRARDON-PERLINI, N. M. O.; KOPF, A. W. Política de regionalização da saúde: das normas operacionais ao pacto pela saúde. Revista Mineira de Enfermagem, Belo Horizonte, v. 16, n. 2, p. 265-274, 2012. Disponível em https://cdn.publisher.gn1.link/reme.org.br/pdf/v16n2a16.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. http://sindsaudesp.org.br/download/documentos/legislacao_sus.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/para_entender_gestao_sus_v13.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1996/prt2203_05_11_1996.html http://siops.datasus.gov.br/Documentacao/Resolu%C3%A7%C3%A3o%20258_07_01_1991.pdf https://pesquisa.bvsalud.org/enfermeria/resource/pt/ens-13316 https://cdn.publisher.gn1.link/reme.org.br/pdf/v16n2a16.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS SCATENA, J. H. G.; TANAKA, O, Y. Os instrumentos normalizadores (NOB) no processo de descentralização da saúde. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 47-74, 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/xbT9QBLhKC6TyKwKRng7KfL/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. Aula 3 Instrumentos de Planejamento Instrumentos de planejamento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, abordaremos o papel e a importância de instrumentos como o Plano de Saúde, o Plano Diretor de Regionalização (PDR) e o Plano Plurianual de Investimentos(PPI) na organização e gestão das políticas de saúde no Brasil. A compreensão desses instrumentos é fundamental para garantir uma gestão e�ciente e integrada do sistema de saúde, contribuindo para a melhoria do acesso, qualidade e equidade nos serviços oferecidos à população. Está pronto? Vamos lá! Ponto de Partida Estudante, os instrumentos de planejamento do Sistema Único de Saúde (SUS) são essenciais para orientar e direcionar as ações e políticas de saúde no Brasil. Além do Plano de Saúde, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), é importante mencionar o Plano Plurianual (PPA). O PPA é um instrumento de médio prazo que estabelece as diretrizes, objetivos e metas do governo para um período de quatro anos. No contexto da saúde, o PPA de�ne as prioridades e os investimentos a serem realizados ao longo desse período, contribuindo para o planejamento estratégico e a gestão e�ciente dos recursos públicos. Assim, os instrumentos de planejamento, incluindo o PPA, são fundamentais para garantir uma alocação https://www.scielo.br/j/sausoc/a/xbT9QBLhKC6TyKwKRng7KfL/?lang=pt&format=pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS adequada de recursos e uma execução e�caz das políticas de saúde, visando sempre a promoção da saúde e o bem-estar da população brasileira. Para contextualizar seu aprendizado, imagine-se como um pro�ssional de saúde atuando na atenção terciária de um hospital universitário, especi�camente no pronto atendimento. Este hospital de alta complexidade está situado em um município do estado de Minas Gerais, com uma população de cerca de 350 mil habitantes, sendo referência para o atendimento em saúde de casos mais complexos para outros 26 municípios na macrorregião do Triângulo Sul, especialmente na região do Triângulo Mineiro. Os atendimentos realizados neste pronto atendimento são diversos, abrangendo desde indivíduos que sofreram acidentes automobilísticos, infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular encefálico (AVE), tentativas de autoextermínio variadas, vítimas de afogamento e incêndios, acidentes com animais peçonhentos, entre outros, além da demanda gerada pela atual pandemia da covid-19, com o atendimento de pacientes com complicações respiratórias graves. Agora, imagine-se sem os recursos necessários para realizar esses diversos atendimentos. Será que a falta de recursos pode comprometer os socorros iniciais e primordiais aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS)? Por que o planejamento governamental é fundamental nesse contexto? A escassez de recursos no pronto atendimento e no hospital em geral pode levar a uma situação caótica? Re�etindo sobre a importância e as funções dos instrumentos de planejamento mais próximos da sua realidade, você acredita que há operações ou procedimentos que podem ser aprimorados na gestão municipal da sua cidade? Consegue identi�car se há alguma vantagem especí�ca que destaque a prefeitura local? Os recursos humanos disponíveis na prefeitura estão adequados em quantidade e qualidade? E qual é a situação �nanceira atual do seu município em relação aos investimentos na cidade? Vamos Começar! A Constituição Federal estabelece que o planejamento governamental deve ser realizado em todas as esferas, desde o municipal até o federal, em conformidade com seus órgãos deliberativos. Isso implica compatibilizar as necessidades da política de saúde com os recursos disponíveis nos municípios, estados, Distrito Federal e União. Assim, o planejamento é uma responsabilidade compartilhada entre as três esferas de governo, desempenhando um papel essencial na organização do sistema e na oferta de serviços à população (Couto; Cardoso Júnior, 2020). O Plano Plurianual (PPA) é um instrumento de planejamento governamental de médio prazo, conforme estabelecido no artigo 165 da Constituição Federal. Ele delineia, de maneira regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública. O planejamento governamental é uma prática contínua da gestão pública, sendo o PPA vigente por um período de quatro anos, iniciando-se no segundo ano do mandato do chefe do Executivo e encerrando-se no Disciplina ESTRUTURA DO SUS �nal do primeiro ano do mandato subsequente, garantindo, assim, a continuidade do processo de planejamento. O ciclo de elaboração do PPA compreende o envio do documento ao legislativo até quatro meses antes do término do primeiro exercício �nanceiro do mandato do chefe do Executivo, ou seja, até 31 de agosto do primeiro ano. A devolução ao Executivo deve ocorrer até o �m da sessão legislativa, geralmente em 22 de dezembro do primeiro ano de mandato. O PPA detalha minuciosamente os atributos das políticas públicas implementadas, como metas físicas e �nanceiras, públicos-alvo, produtos a serem entregues à sociedade, entre outros (Cavalcanti, 2007). O planejamento de médio prazo, representado pelo PPA, deve ser submetido ao Congresso Nacional ainda no primeiro ano de governo. Ele serve de orientação para as leis orçamentárias anuais (LOAs), por meio das leis de diretrizes orçamentárias (LDOs), que, além das questões �scais, estabelecem as prioridades para o orçamento do ano seguinte (Cavalcanti, 2007). Existem quatro pilares metodológicos considerados fundamentais para a construção de um PPA (Lima et al., 2020), os quais serão brevemente elucidados a seguir: Simpli�cação metodológica: visa à construção de uma metodologia simpli�cada para orientar a elaboração do PPA, contendo apenas o essencial. Assim, o foco do PPA restringe-se à de�nição de diretrizes, objetivos e metas. Como exemplo, imagine que uma prefeitura decide elaborar um PPA simpli�cado para orientar suas ações nos próximos quatro anos. Em vez de criar um documento extenso e detalhado, eles optam por focar apenas nas diretrizes principais, objetivos-chave e metas mensuráveis. Por exemplo, uma das diretrizes pode ser “promover o desenvolvimento sustentável” com objetivos como “reduzir a pegada de carbono municipal em 20% até 2028” e metas especí�cas para cada setor municipal relacionado. Realismo �scal: refere-se à importância de compatibilizar o PPA com o espaço �scal disponível, considerando a situação atual do país como meio de aumentar a capacidade de �nanciamento das políticas públicas no médio prazo. Esse pilar envolve garantir que os recursos orçamentários necessários para �nanciar a programação do plano sejam compatíveis com a disponibilidade �nanceira do país. Por exemplo, se o país está enfrentando dé�cits �scais, o governo pode priorizar programas que tenham um impacto positivo signi�cativo, mas que também sejam �nanceiramente sustentáveis a longo prazo. Integração entre planejamento e avaliação: a qualidade do planejamento governamental depende de a gestão do plano ter processos e�cientes de monitoramento e avaliação do gasto público, acompanhando a atuação governamental ao longo do período de quatro anos. Como exemplo, uma agência governamental responsável pelo desenvolvimento econômico decide integrar o planejamento e a avaliação de suas políticas. Eles estabelecem um sistema de monitoramento contínuo para acompanhar o progresso das iniciativas incluídas no PPA. Isso pode envolver a coleta regular de dados, análise de indicadores-chave de desempenho e avaliações periódicas do impacto das políticas implementadas. Com base nessas avaliações, ajustes podem ser feitos para garantir que os recursos sejam alocados de forma e�caz e os objetivos sejam alcançados. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Visão estratégica e foco em resultados: para tornar o PPA um instrumento estratégico de decisão governamental, é necessário cuidar da qualidade e do rigor técnico do desenho dos programas de governo. A visão estratégica e o foco em resultados são requisitos importantes para fortalecer a atuação governamental e aumentar o impacto das políticas públicas sobre a realidade social. Por exemplo, um programa de melhoria da educação pode ter como objetivo aumentar a taxa de alfabetização em determinada faixa etária em 15% nos próximos quatro anos, comindicadores de desempenho como taxas de aprovação escolar e resultados em testes padronizados. O governo acompanha regularmente o progresso desses indicadores e ajusta suas políticas conforme necessário para alcançar os resultados desejados. Assim, o planejamento se fundamenta na implementação de ações a médio prazo, integradas no PPA, um instrumento que orienta as principais prioridades tanto nacional quanto regionalmente ao longo de um período de quatro anos. Contudo, é fundamental destacar que este plano requer revisão anual, considerando o orçamento disponível e quaisquer prioridades emergentes, como situações de emergência, desastres naturais ou con�itos armados. Desta forma, �ca evidente que o PPA não atua isoladamente no processo de execução do planejamento governamental. Ele é complementado por outros dois documentos essenciais: a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Estes documentos são essenciais para alinhar as metas delineadas no planejamento com a prática �nanceira do governo (Lima et al., 2020; Brasil, 2009). Siga em Frente... A LDO desempenha um papel essencial ao estabelecer as diretrizes anuais para a elaboração da LOA, agindo como uma ponte entre o planejamento delineado no PPA e sua implementação efetiva re�etida na LOA. Ao de�nir as diretrizes para o ano, a LDO autoriza o governo a executar as metas, determinando o exercício �nanceiro por meio da LOA. Em suma, a LDO é responsável por conectar o planejamento estratégico apresentado no PPA com a prática �nanceira representada pela LOA (Vainer; Albuquerque; Garson, 2001). Vamos fazer uma analogia simples para entender melhor. Imagine que o governo seja como uma residência e, a cada mês, é preciso decidir onde empregar o dinheiro. Existem despesas essenciais, como alimentação, transporte, moradia e luz, que garantem nossa manutenção básica. O mesmo princípio se aplica ao planejamento na área da saúde. Assim, a LDO desempenha um papel imprescindível como elo fundamental entre os objetivos estabelecidos no PPA e a realidade �nanceira, ajustando as ações do governo de acordo com o que é viável a cada ano, com base no orçamento previsto (Vainer; Albuquerque; Garson, 2001). E qual é o papel da LDO nos municípios? Assim como ocorre em nível federal, os municípios também seguem um processo semelhante de planejamento e utilização das receitas. Entretanto, cada município possui seu próprio PPA, LDO e LOA. Uma particularidade da LDO municipal é que ela não é avaliada por órgãos nacionais, mas sim pelas legislações locais, sendo responsabilidade do prefeito a execução das metas estabelecidas (Vainer; Albuquerque; Garson, 2001). Disciplina ESTRUTURA DO SUS A LDO desempenha um papel imprescindível como um dos documentos que acompanham o PPA na execução do planejamento governamental. Ela estabelece as diretrizes anuais para a elaboração da LOA, garantindo o alinhamento entre o planejamento estratégico delineado no PPA e a prática �nanceira re�etida pela LOA. Cada LDO é elaborada com base no orçamento do ano anterior, que, por sua vez, foi desenvolvido com a contribuição do projeto de LDO, tornando-se vigente após a aprovação no Senado. Além disso, anualmente, a LDO apresenta um anexo das despesas obrigatórias que não podem ser alteradas pelos contingenciamentos orçamentários, garantindo assim a estabilidade das �nanças públicas. A LDO surge com o objetivo de estabelecer um acordo entre o poder Executivo e o Legislativo sobre as diretrizes para a elaboração da LOA. Essa relação é fundamental para garantir o equilíbrio entre receitas e despesas sob uma administração responsável, sendo este o foco central da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) (Vainer; Albuquerque; Garson, 2001). Quanto à Lei Orçamentária Anual (LOA), sua função é estimar as receitas e despesas de acordo com as prioridades estabelecidas no PPA, seguindo as diretrizes estabelecidas na LDO. Em outras palavras, é a LDO que estabelece a conexão entre a LOA e o PPA. Além disso, a LOA é comumente referida como a “Lei de Meios”, pois provê os recursos necessários para a execução das ações dos diversos órgãos e entidades que compõem a administração pública (Distrito Federal, 2021). Essa lei abrange três pontos principais: Contempla o orçamento �scal dos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, incluindo as instituídas e mantidas pelo poder público. Abrange o orçamento da seguridade social, que inclui todas as entidades e órgãos a ela vinculados, desde a administração direta e indireta até os fundos e fundações mantidos pelo poder público. Refere-se ao orçamento de investimento das empresas em que a União detém a maioria do capital social com direito a voto, seja de forma direta ou indireta. É essencial ressaltar que nenhuma despesa pública pode ser executada sem estar previamente contemplada na Lei Orçamentária Anual (LOA), o que evidencia sua relevância como instrumento de gestão. Enquanto o Plano Plurianual (PPA) abarca o planejamento governamental de médio prazo para um período de quatro anos, a LOA detalha esse planejamento anualmente de maneira prática, especi�cando as ações a serem implementadas e os recursos disponíveis para �nanciá- las. Dessa forma, a LOA representa o planejamento de curto prazo e abrange o orçamento �scal dos Poderes do Estado, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta (Distrito Federal, 2021). Conforme mencionado anteriormente, a integração entre o PPA e a LOA é atribuição da LDO, estabelecida pela Constituição Federal de 1988 como um instrumento de organização orçamentária. Em resumo, a LOA representa o orçamento propriamente dito, sendo uma lei que estipula as receitas e �xa as despesas públicas para o período de um ano �scal, incluindo as despesas do Governo Federal. Em síntese, o PPA, a LDO e a LOA representam os pilares fundamentais do planejamento e execução das políticas públicas em diferentes esferas governamentais. Enquanto o PPA estabelece as diretrizes e metas de médio prazo, a LDO atua como elo entre o PPA e a LOA, Disciplina ESTRUTURA DO SUS delineando as diretrizes anuais para a elaboração do orçamento anual. Por sua vez, a LOA detalha esse planejamento anualmente, determinando as receitas e despesas públicas para o período �scal em questão. A integração harmoniosa desses instrumentos é essencial para garantir a e�cácia na gestão dos recursos públicos, promovendo o desenvolvimento socioeconômico e o bem-estar da população. Vamos Exercitar? Para abordar os questionamentos suscitados pela situação descrita no estudo de caso, é essencial garantir que os recursos necessários para realizar esses atendimentos estejam sempre disponíveis. O pronto-socorro e o hospital de alta complexidade são referências para mais de 26 municípios na macrorregião Sul do Triângulo Mineiro, além de atender à demanda da própria população local, que conta com 350 mil habitantes. Nesse contexto, torna-se evidente a importância dos instrumentos de planejamento para a gestão do gasto público, tais como o Plano Plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais. Esses instrumentos devem ser meticulosamente estruturados e elaborados pelos gestores, de modo a reconhecer as necessidades e demandas em saúde de seus respectivos municípios e regiões. Dessa forma, é fundamental que haja um orçamento público su�ciente e adequadamente direcionado para garantir a realização de cada procedimento necessário. Saiba mais Para uma melhor compreensão e conhecimento do Plano Plurianual (PPA) Nacional, nessa página você terá acesso à proposta do atual governo de 2024-2027, bem como terá acesso aos planos de anos anteriores. Para uma melhor compreensão e conhecimento das Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), você poderá ler sobre os arquivos referentes às LDO. Para uma melhor compreensão e conhecimento da Lei Orçamentária Anual (LOA), na página da Secretaria de Economia do Distrito Federal, você encontra os arquivos referentes a ela. Para uma melhor �xaçãodo modelo orçamentário brasileiro de�nido na Constituição Federal de 1988, composto pelos três instrumentos de planejamento, você poderá assistir “O que é o Plano Plurianual (PPA)”? Referências BRASIL. Câmara dos Deputados. Orçamento da União. Lei de Diretrizes Orçamentárias. Câmara dos Deputados, 2021. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis- orcamentarias/ldo. Acesso em: 8 mar. 2024. https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/ldo https://www.economia.df.gov.br/loa/ https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/ldo https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/ldo Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Centro Grá�co,1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Sistema Único de Saúde (SUS): instrumentos de gestão em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_instrumento.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de planejamento no SUS. Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamen to_atual.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS de A a Z: garantindo saúde nos municípios. Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. 3ª ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. CAVALCANTE, P. L. O Plano Plurianual: resultados da mais recente reforma do Planejamento e Orçamento no Brasil. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 58, n. 2, p. 129-150, 2007. Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/1386/1/2007%20Vol.58%2cn.2%20Cavalcante.pdf. Acesso em: 08 mar. 2024. COUTO, L. F.; CARDOSO JÚNIOR, C. A função dos planos plurianuais no direcionamento dos orçamentos anuais: avaliação da trajetória dos PPAs no cumprimento da sua missão constitucional e o lugar do PPA 2020-2023. Brasília; Rio de Janeiro: Ipea, 2020. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/9801/1/td_2549.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. DISTRITO FEDERAL. Secretaria de Economia do Distrito Federal. Lei Orçamentária Anual – LOA. Secretaria de Economia do Distrito Federal, 2021. Disponível em: https://www.economia.df.gov.br/loa/. Acesso em: 8 mar. 2024. LIMA, L. L.; et al. Plano Plurianual como proxy para medir capacidades estatais: um estudo sobre o planejamento governamental nos municípios da região metropolitana de Porto Alegre. Urbe - Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 12, p. 1-16, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/urbe/a/CwpGKTJVDkbJJp8SWqSfVsn/abstract/?lang=pt. Acesso em: 8 mar. 2024. VAINER, A.; ALBUQUERQUE, J.; GARSON, S. Lei de Diretrizes Orçamentárias: manual de elaboração. Brasília: BNDES Biblioteca Digital, 2001. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2702/1/Lei%20de%20Diretrizes%20Or%C3%A 7ament%C3%A1rias%20-%20Manual%20de%20Elabora%C3%A7%C3%A3o_P.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_instrumento.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/1386/1/2007%20Vol.58%2cn.2%20Cavalcante.pdf http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/9801/1/td_2549.pdf https://www.economia.df.gov.br/loa/ https://www.scielo.br/j/urbe/a/CwpGKTJVDkbJJp8SWqSfVsn/abstract/?lang=pt https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2702/1/Lei%20de%20Diretrizes%20Or%C3%A7ament%C3%A1rias%20-%20Manual%20de%20Elabora%C3%A7%C3%A3o_P.pdf https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2702/1/Lei%20de%20Diretrizes%20Or%C3%A7ament%C3%A1rias%20-%20Manual%20de%20Elabora%C3%A7%C3%A3o_P.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS Aula 4 Instrumentos de Gestão Instrumentos de gestão Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, você terá a oportunidade de compreender as diferentes etapas envolvidas na elaboração dos Planos de Saúde (PS), os prazos atualmente em vigor e como ocorre a aprovação por parte dos respectivos conselhos em cada esfera governamental. Além disso, vamos explorar o processo de elaboração do Plano Diretor de Regionalização (PDR) e da Programação Pactuada e Integrada (PPI), assim como as responsabilidades atribuídas tanto ao Ministério da Saúde quanto às Secretarias pertinentes. Desejo a você excelentes estudos! Ponto de Partida Estudante, os instrumentos de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) desempenham um papel fundamental na organização e operacionalização das políticas de saúde no Brasil. Entre esses instrumentos, destacam-se o Plano de Saúde (OS), o Plano Diretor de Regionalização (PDR) e o Plano Plurianual de Investimentos (PPI). O PS estabelece as diretrizes, objetivos e metas para o período determinado, orientando as ações dos gestores e pro�ssionais de saúde na prestação de serviços à população. Já o PDR de�ne as diretrizes para a organização e a gestão dos serviços de saúde em determinada região, buscando promover a integração e a hierarquização dos serviços de saúde, além de garantir o acesso equitativo da população aos diferentes níveis de assistência. Por �m, o PPI estabelece as prioridades e os investimentos necessários para fortalecer a infraestrutura e os recursos humanos do SUS, visando aprimorar a qualidade e a e�ciência dos serviços de saúde oferecidos à população. Esses instrumentos de gestão são essenciais para promover uma Disciplina ESTRUTURA DO SUS gestão estratégica e e�caz do sistema de saúde, contribuindo para a melhoria da saúde e do bem-estar da população brasileira. Para contextualizar seu aprendizado, imagine-se como um pro�ssional de saúde atuando na atenção primária de saúde (APS) em uma unidade básica de saúde (UBS) em um município com cerca de 20 mil habitantes, localizado na Mesorregião do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A UBS, sendo a porta de entrada para o SUS, desempenha um papel fundamental na oferta de atendimentos básicos à saúde da população. Além disso, na mesma UBS, são atendidas gestantes de risco que necessitam de atendimento e acompanhamento especializado em ginecologia e obstetrícia. Considerando que a UBS enfrenta limitações de recursos, especialmente em relação aos equipamentos e pro�ssionais para realização de exames de imagem (ultrassonogra�a, ressonância magnética, etc.), o que você, enquanto pro�ssional da saúde, faria, juntamente com sua equipe, para que essas gestantes sejam acolhidas e tenham atendimento integral durante a gestação? Levando a re�exão para mais próximo de sua realidade, como você acha que seria ou é resolvida a situação relatada acima no local onde você mora? Vamos Começar! Para iniciar nossa exploração sobre os instrumentos de gestão em saúde (IGS), é fundamental contextualizarmos o que são essas ferramentas. Elas desempenham um papel essencial no correto funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os seus níveis de gestão governamental. Os IGS podem ser locais, especí�cos de cada município, estado, Distrito Federal ou da União. Conforme as exigências constitucionais,o SUS adotou esses instrumentos de gestão, os quais são desenvolvidos conforme as necessidades emergentes e as orientações dos diversos gestores do SUS ao longo do tempo. Além disso, é fundamental que estejam alinhados com a cronologia da gestão em cada esfera governamental e sejam revisados anualmente em consonância com as Agendas de Saúde e a Programação Pactuada e Integrada (PPI) (Brasil, 2021). A legislação atual sobre o planejamento do SUS, conforme o art. 36 da Lei Orgânica n° 8.080, de 1990, estabelece que os Planos de Saúde têm como objetivo principal traçar o caminho do planejamento e orçamento no SUS, que deve ser progressivo, iniciando-se no âmbito municipal e culminando no federal. Além disso, deve-se garantir o equilíbrio �nanceiro entre os entes da Federação. Dessa forma, o PS é reconhecido como um IGS fundamental para o planejamento setorial e confere ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) a responsabilidade de estabelecer as diretrizes gerais para a elaboração dos PS, os quais devem ter uma duração de quatro anos. Ademais, é importante ressaltar que a elaboração do PS requer uma análise situacional, visando de�nir intenções e resultados que devem ser expressos em objetivos, diretrizes e metas. Em outras palavras, as regiões de saúde identi�cadas devem ser orientadas pela análise situacional apresentada no mapa da saúde (Brasil, 2015). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Além dos Planos de Saúde, que são essenciais para a constituição de uma Secretaria de Saúde, existem outros instrumentos de gestão no âmbito do SUS disponíveis para integrar o planejamento. São eles: a Programação de Saúde Anual (PAS) e o Relatório Anual de Gestão (RAG). A PAS traduz em ações concretas as intenções delineadas no PS, buscando anualizar suas metas e prever a alocação dos recursos orçamentários a serem utilizados. Por sua vez, o RAG permite ao gestor apresentar os resultados obtidos com a implementação da PAS e orienta possíveis ajustes necessários no PS (Bernardes; Leite, 2020). Outro IGS que merece destaque é o Plano Diretor de Regionalização (PDR), que é elaborado pelas Secretarias Estaduais de Saúde, em conjunto com as Secretarias Municipais de Saúde, com o objetivo de promover a territorialização e garantir o acesso e a integração dos municípios nas respectivas regiões de saúde do estado. Nesse contexto, a regionalização visa assegurar que a população tenha suas necessidades de saúde atendidas o mais próximo possível de suas residências, favorecendo a proximidade geográ�ca. Assim, o PDR busca otimizar os �uxos de usuários do SUS entre os municípios, estabelecendo quais serão as localidades que receberão usuários referenciados de outras áreas. É importante destacar que o PDR não deve ser confundido com um plano de governo, que expressa apenas a visão do prefeito; pelo contrário, ele deve re�etir as aspirações de todos os cidadãos em relação ao desenvolvimento municipal (Dantas; Feitosa, 2013). Módulos e microrregiões de saúde: o PDR estipula que a divisão dos estados deve ser realizada em módulos e microrregiões ou regiões de saúde, considerando as peculiaridades de cada estado. Os módulos consistem em um ou mais municípios e devem garantir o primeiro nível de referência para atendimento em saúde de média complexidade. Cada módulo está vinculado a um município sede, o qual deve possuir habilitação em Gestão Plena do Sistema Municipal e, consequentemente, receber os usuários encaminhados pelos municípios integrantes do módulo. É importante destacar que as microrregiões ou regiões de saúde devem ter uma complexidade superior à dos módulos, contando com a designação de municípios polos para receber os usuários encaminhados por todos os municípios componentes da respectiva microrregião ou região, para serviços de maior complexidade (Rezende; Ultramari, 2007). Relações e pactos intergestores: o PDR abrange as relações e pactos intergestores, e sua proposta, elaborada pela Secretaria Estadual de Saúde, deve ser amplamente discutida na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), nos Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde. Além disso, os gestores precisam estar cientes e concordar com o que é proposto para seus municípios no PDR. Os pactos são essenciais para garantir que os municípios sede de módulos e os municípios polos de microrregiões tenham direito a receber os recursos referentes aos usuários encaminhados por outros municípios (Meurer; Vieira, 2010). Plano Diretor de Investimentos: o PDR deve incluir um Plano Diretor de Investimentos, que fornecerá orientações para a elaboração dos respectivos Planos Plurianuais (PPA) e sugestões orçamentárias. Após aprovação nas instâncias estaduais, o PDR deve ser encaminhado à Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que o repassará ao gestor federal para análise de conteúdo e viabilidade (Meurer; Vieira, 2010). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Diretrizes do Estatuto da Cidade: por �m, as diretrizes do Estatuto da Cidade devem ser consideradas pelo município de acordo com suas características locais, por meio do plano diretor, que é o instrumento básico da política de desenvolvimento e crescimento urbano municipal. A lei do plano diretor deve ser revisada pelo menos a cada dez anos, e suas diretrizes e prioridades devem ser incorporadas ao Plano Plurianual (PPA), à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e à Lei Orçamentária Anual (LOA). O plano diretor também deve contemplar as demandas tanto da área rural quanto da urbana, abrangendo todo o território municipal (Meurer; Vieira, 2010). Siga em Frente... A Programação Pactuada e Integrada (PPI) é um instrumento destinado a de�nir e quanti�car as ações de saúde para a população residente em cada território, além de direcionar os recursos �nanceiros conforme critérios e parâmetros pactuados entre os gestores. A elaboração da PPI deve ocorrer de forma ascendente, partindo da base municipal, e respeitar a autonomia de cada gestor. O estado tem a responsabilidade de coordenar todo o processo, iniciando com as diretrizes, parâmetros e critérios de distribuição dos recursos. As de�nições devem ser resultado de acordo entre os Conselhos de Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, aprovado no Conselho Estadual de Saúde. A PPI precisa ser aprovada no Conselho Municipal de Saúde, e o estado deve adaptar e compatibilizar os programas municipais, permitindo o acesso dos usuários aos diversos níveis de complexidade da atenção e aprovando os produtos �nais na Comissão Intergestores Bipartite (CIB). As pactuações entre os gestores municipais devem estar alinhadas com o PDR e outros instrumentos de planejamento (Moreira; Tamaki, 2017). A interação entre o PDR e a PPI é fundamental, exigindo uma ampla colaboração na utilização desses dois IGS. Os recursos disponíveis para investimentos federais, estaduais ou municipais devem ser programados de acordo com as prioridades estabelecidas para a rede assistencial. A programação de ações ambulatoriais e hospitalares, por exemplo, que não estão disponíveis no estado, deve ser negociada com outros gestores, com o apoio do Ministério da Saúde. Em suma, o PS é um instrumento fundamental de planejamento que estabelece as diretrizes, objetivos e metas para a gestão da saúde em determinado período. Ele orienta as ações dos gestores e pro�ssionais de saúde, visando garantir o acesso, qualidade e equidade nos serviços oferecidos à população. O plano aborda questões como organização dos serviços, investimentos em infraestrutura, prioridades de atuação e estratégias de enfrentamento de problemas de saúde especí�cos. O Plano Diretor de Regionalização (PDR) é um instrumento que de�ne as diretrizes para a organização e gestão dos serviços de saúde em uma determinada região. Ele busca promover a integração e hierarquização dos serviços, garantindo o acesso equitativo da população aos diferentes níveis de assistência. O PDR considera as características epidemiológicas, Disciplina ESTRUTURA DO SUS demográ�cas e socioeconômicas da região, além das demandas e necessidades de saúde da populaçãolocal. Por sua vez, o Plano Plurianual de Investimentos (PPI) é um instrumento de médio prazo que estabelece as prioridades e os investimentos necessários para fortalecer a infraestrutura e os recursos humanos do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele de�ne as ações a serem realizadas ao longo de um período de quatro anos, visando a melhoria da qualidade e e�ciência dos serviços de saúde oferecidos à população. O PPI considera as demandas identi�cadas no Plano de Saúde e no Plano Diretor de Regionalização, garantindo uma gestão integrada e e�caz dos recursos públicos destinados à saúde. Vamos Exercitar? Para solucionar esta situação-problema, é necessário encaminhar as gestantes de risco para uma unidade de serviço especializado em saúde. Recomenda-se o encaminhamento para um centro estadual de atenção especializada (CEAE). Para estabelecer a conexão com o CEAE, é crucial iniciar o atendimento a partir da atenção primária à saúde (APS). Os CEAEs têm como objetivo ser pontos de atenção microrregionais, oferecendo serviços especializados ambulatoriais para um público-alvo especí�co. Os serviços prestados pelos CEAEs incluem atendimento a gestantes de risco, crianças em situação de risco, pacientes com câncer de mama e colo do útero, e indivíduos com hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM) e doença renal crônica (DRC) em alto e muito alto grau de risco. Neste contexto, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) é o órgão responsável. O serviço é regido pelas Resoluções SES/MG Nº 4.971, de 21 de outubro de 2015, e Resolução SES/MG N°4.972, de 21 de outubro de 2015, que estão atualmente em processo de reformulação. O �uxo de atendimento entre APS e CEAE funciona da seguinte maneira: os usuários do SUS são referenciados a partir da APS de seu respectivo município, considerando a identi�cação de sua condição de risco. Os critérios de encaminhamento visam organizar o �uxo e direcionar os usuários para um atendimento adequado de acordo com sua condição de saúde. O CEAE é um programa coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) e gerenciado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (CISAJE). No caso descrito, o CEAE CISAJE é a referência para os 15 municípios da Região de Saúde na Mesorregião do Jequitinhonha. Após o atendimento na APS e a veri�cação de que o usuário se enquadra nos critérios de encaminhamento do CEAE, a APS emite a guia de referência. O usuário, então, apresenta essa guia juntamente com um documento de identi�cação no CEAE, onde será atendido. O tratamento subsequente deve ser compartilhado com a APS de sua cidade por meio da guia de contrarreferência. Para ser atendido em um CEAE, o usuário do SUS deve possuir a guia de referência, o Cartão SUS e um documento de identidade. O atendimento é gratuito e presencial, e o tempo para ser Disciplina ESTRUTURA DO SUS atendido varia conforme o serviço e a logística dos municípios de origem, não ultrapassando 45 dias. Saiba mais No site do Ministério da Saúde, você poderá aprimorar seus conhecimentos sobre os instrumentos do Planejamento do SUS: Plano Nacional de Saúde (PNS); Programa Anual de Saúde (PAS) e Relatório Anual de Gestão (RAG). Você poderá assistir no “Medicina.blog.br” sobre Programação Pactuada e Integrada (PPI) e sobre o Plano Diretor Regionalização (PDR), e o qual é um instrumento fundamental para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) no “Saúde MG – SES MG”. Referências BERNARDES, B. M.; LEITE, M. E. O Plano Diretor como instrumento de planejamento e gestão urbana dos centros emergentes no Norte de Minas/MG. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 30, p. 41-55, 2020. Disponível em: https://revistaarqurb.com.br/arqurb/article/view/420/428. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A Gestão do SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2015. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Instrumentos de Planejamento do SUS. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/gestao-do-sus. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de planejamento no SUS. Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamen to_atual.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Departamento de Apoio à Descentralização. O SUS no seu município: garantindo saúde para todos. Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Departamento de Apoio à Descentralização. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_municipio_garantindo_saude.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Planejamento do SUS (PlanejaSUS): uma construção coletiva – trajetória e orientações de operacionalização. Ministério da Saúde, Organização Pan- Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/planejaSUS_livro_1a6.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/gestao-do-sus https://revistaarqurb.com.br/arqurb/article/view/420/428 https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/gestao-do-sus https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_municipio_garantindo_saude.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/planejaSUS_livro_1a6.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Sistema Único de Saúde (SUS): instrumentos de gestão em saúde. Ministério da Saúde, Secretaria Executiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_instrumento.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. CONASEMS; COSEMS-RJ; LAPPIS; IMS; UERJ (orgs.). Manual do(a) Gestor(a) Municipal do SUS: “Diálogos no Cotidiano”. 2ª ed. Rio de Janeiro: CEPESQ, 2019. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/07/manual_do_gestor_F02_tela.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. DANTAS, A.; FEITOSA, L. C. A efetividade do plano diretor de regionalização do sus no Rio Grande do Norte. Revista da ANPEGE, v. 9, n. 11, p. 21-26, 2013. https://www.semanticscholar.org/paper/A-EFETIVIDADE-DO-PLANO-DIRETOR-DE- REGIONALIZA%C3%87%C3%83O-DO-Dantas/cc79c68e5dee0255cef46d5c992f53877d49875f. Acesso em: 9 mar. 2024. GARCIA, P. T.; REIS, R. S. Gestão Pública em Saúde: o Plano de Saúde como Ferramenta de Gestão. São Luís: EDUFMA, 2016. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360. Acesso em: 9 mar. 2024. MEURER, F.; VIEIRA, G. F. Plano Diretor para Municípios de Pequeno Porte: a experiência do plano diretor regional participativo da AMAVI. In: PPLA 2010: Seminário Política e Planejamento, Curitiba: Ambiens, 2010. Disponível em: https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas- tecnicas/planejamento-territorial/artigos_publicados/Artigo_Plano_Diretor_PPLA.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. MOREIRA, L. C. O.; TAMAKI, E. M. A Programação Pactuada e Integrada como instrumento de garantia da integralidade da atenção à saúde no SUS. INTERAÇÕES, Campo Grande, v. 18, n. 4, p. 99-108, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/inter/a/CXfW8CxgPRXhzgsKXtByydB/? format=pdf&lang=pt. Acesso em: 9 mar. 2024. REZENDE, D. A.; ULTRAMARI, C. Plano diretor e planejamento estratégico municipal: introdução teórico-conceitual. RAP, Rio de Janeiro, v. 41, n. 2, p. 255-271, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rap/a/5ttcZM34mg6YZpLsmmFH6Hh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 9 mar. 2024. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_instrumento.pdfhttps://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/07/manual_do_gestor_F02_tela.pdf https://www.semanticscholar.org/paper/A-EFETIVIDADE-DO-PLANO-DIRETOR-DE-REGIONALIZA%C3%87%C3%83O-DO-Dantas/cc79c68e5dee0255cef46d5c992f53877d49875f https://www.semanticscholar.org/paper/A-EFETIVIDADE-DO-PLANO-DIRETOR-DE-REGIONALIZA%C3%87%C3%83O-DO-Dantas/cc79c68e5dee0255cef46d5c992f53877d49875f https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360 https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/planejamento-territorial/artigos_publicados/Artigo_Plano_Diretor_PPLA.pdf https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/planejamento-territorial/artigos_publicados/Artigo_Plano_Diretor_PPLA.pdf https://www.scielo.br/j/inter/a/CXfW8CxgPRXhzgsKXtByydB/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/inter/a/CXfW8CxgPRXhzgsKXtByydB/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rap/a/5ttcZM34mg6YZpLsmmFH6Hh/?format=pdf&lang=pt Disciplina ESTRUTURA DO SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, discutiremos a distribuição federativa de responsabilidades e competências entre os diferentes entes federativos. Abordaremos também a legislação do SUS, incluindo as normas operacionais básicas (NOB), normas operacionais de assistência à saúde (NOAS) e o Pacto pela Saúde, que orientam as políticas de saúde. Além disso, analisaremos os instrumentos de planejamento e gestão do SUS, que buscam garantir uma administração e�ciente e transparente dos recursos e serviços de saúde no Brasil. Ponto de Chegada Estudante, para desenvolver a competência desta Unidade, que é “compreender o planejamento e gestão em saúde para o alicerce de uma política pública”, você deverá primeiramente entender sobre as responsabilidades e competências dos entes federativos, sobre a legislação do SUS, os instrumentos de planejamento e de gestão. Na estrutura federativa do Brasil, as responsabilidades e competências em relação à saúde são compartilhadas entre os diferentes níveis de governo: federal, estadual e municipal. Essa distribuição busca adequar as políticas de saúde às necessidades especí�cas de cada região, promovendo a descentralização administrativa e a autonomia local. Assim, enquanto o governo federal tem responsabilidades como formulação de políticas e �nanciamento, os estados e municípios �cam encarregados da implementação e gestão dos serviços de saúde, incluindo a atenção básica, média e de alta complexidade. O Sistema Único de Saúde (SUS) é regulamentado por uma série de normativas que orientam seu funcionamento e organização. As normas operacionais básicas (NOB) e Normas operacionais de assistência à saúde (NOAS) são documentos que estabelecem diretrizes e padrões para a organização dos serviços de saúde, buscando garantir acesso, integralidade e qualidade na assistência. O Pacto pela Saúde é um acordo entre os gestores do SUS (em nível federal, estadual e municipal) que de�ne compromissos e responsabilidades para o cumprimento das diretrizes do sistema, promovendo uma gestão compartilhada e integrada. Os instrumentos de planejamento do SUS são ferramentas utilizadas para estabelecer metas, diretrizes e prioridades para a saúde em determinado período. O Plano de Saúde de�ne objetivos estratégicos e ações prioritárias para o período de quatro anos, enquanto o Plano Diretor de Disciplina ESTRUTURA DO SUS Investimentos estabelece as prioridades de aplicação dos recursos �nanceiros. Já o Plano Plurianual de Saúde de�ne metas e indicadores para orientar as políticas de saúde ao longo de um período mais longo, geralmente de quatro anos. Os instrumentos de gestão no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) desempenham um papel fundamental na organização e no direcionamento das ações e recursos destinados à saúde pública. O Plano Diretor de Regionalização (PDR) é um instrumento que visa promover a articulação entre os diferentes níveis de atenção à saúde em uma determinada região, estabelecendo diretrizes para a oferta de serviços e a gestão integrada dos recursos disponíveis. O Plano de Investimentos (PPI), por sua vez, é responsável por de�nir as prioridades de aplicação dos recursos �nanceiros no sistema de saúde, identi�cando áreas que necessitam de investimentos e garantindo a e�ciência na alocação de recursos. Já o Plano de Saúde é um documento estratégico que estabelece objetivos, metas e ações para o desenvolvimento da saúde em determinado período, orientando as políticas e programas de saúde e promovendo a qualidade e a efetividade dos serviços prestados à população. Esses instrumentos são essenciais para garantir uma gestão e�ciente, transparente e integrada no âmbito do SUS, contribuindo para a melhoria da saúde pública no país. É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Para contextualizar sua aprendizagem, re�ita sobre essa situação hipotética: A comunidade do bairro Nova Pacaembu, uma área carente de uma cidade brasileira, enfrenta diversos desa�os em relação à Saúde Pública. A falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, aliada à precariedade das condições de vida, tem impactado negativamente a saúde e o bem-estar dos moradores locais. O governo municipal reconheceu a necessidade urgente de melhorar a atenção básica de saúde nessa comunidade. Para isso, é fundamental considerar as competências e responsabilidades do SUS, além de utilizar adequadamente a legislação, os instrumentos de planejamento e gestão disponíveis. Considerando esses aspectos, quais são as responsabilidades do governo municipal, estadual e federal em relação à oferta de serviços de saúde para a comunidade do bairro? Como utilizar as diretrizes estabelecidas no Pacto pela Saúde para promover uma gestão integrada e compartilhada entre os diferentes níveis de governo? Como elaborar um Plano de Saúde especí�co para o bairro, considerando as demandas locais e os recursos disponíveis? Como Disciplina ESTRUTURA DO SUS organizar a oferta de serviços de saúde na comunidade por meio de um Plano Diretor de Regionalização? Como a distribuição federativa de responsabilidades e competências impacta a efetividade e a qualidade dos serviços de saúde prestados à população em diferentes regiões do Brasil? De que forma as normativas, como as NOBs, NOAS e o Pacto pela Saúde, contribuem para a integração e a articulação entre os diferentes níveis de gestão do SUS, visando à melhoria da cobertura e da qualidade dos serviços de saúde? Quais são os desa�os enfrentados na elaboração e implementação dos instrumentos de planejamento do SUS, como o Plano de Saúde e o Plano Plurianual de Saúde, e como esses desa�os podem ser superados para garantir uma gestão e�ciente e e�caz no sistema de saúde? As respostas para a situação hipotética apresentada são: As responsabilidades do governo municipal incluem a oferta de serviços de atenção básica, como consultas médicas, vacinação e programas de promoção da saúde. O governo estadual é responsável pela gestão de serviços de média complexidade, como hospitais regionais, enquanto o governo federal coordena políticas, �nancia programas e distribui recursos para os estados e municípios. As normativas, como NOB, NOAS e o Pacto pela Saúde, oferecem diretrizes claras para a organização e funcionamento dos serviços de saúde. O Pacto pela Saúde promove a articulação entre os entes federativos, facilitando a integração e a cooperação na gestão da saúde. O Plano de Saúde especí�co para o bairro deve ser elaborado em consulta com a comunidade, considerando suas demandas e necessidades especí�cas. O Plano Diretor deRegionalização organiza a oferta de serviços de saúde na comunidade, priorizando ações de acordo com as necessidades locais e disponibilidade de recursos. Disciplina ESTRUTURA DO SUS BERNARDES, B. M.; LEITE, M. E. O Plano Diretor como instrumento de planejamento e gestão urbana dos centros emergentes no Norte de Minas/MG. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. Disciplina ESTRUTURA DO SUS 30, p. 41-55, 2020. Disponível em: https://revistaarqurb.com.br/arqurb/article/view/420/428. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A Gestão do SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2015. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Centro Grá�co, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, DF, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Gestão Municipal de Saúde: textos básicos. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestao_municipal_de_saude.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de planejamento no SUS. Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamen to_atual.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 1, de 11 de maio de 2016. Aprova o Regimento Interno da Comissão Intergestores Tripartite (CIT). Diário O�cial da União, Brasília, DF, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/res0001_11_05_2016.html. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Planejamento do SUS (PlanejaSUS): uma construção coletiva – trajetória e orientações de operacionalização. Ministério da Saúde; Organização Pan- Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/planejaSUS_livro_1a6.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde antecipa campanha de vacinação contra a gripe. Governo do Brasil, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt- br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao- contra-a-gripe. Acesso em: 7 mar. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Legislação do SUS. Brasília: CONASS, 2003. Disponível em: http://sindsaudesp.org.br/download/documentos/legislacao_sus.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Legislação Estruturante do SUS. Brasília: CONASS, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/para_entender_gestao_sus_v13.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.203, de 5 de novembro de 1996. Diário O�cial da União, Brasília, DF,1996. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1996/prt2203_05_11_1996.html. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Resolução n° 258, de 7 de janeiro de 1991. Diário O�cial da União, Brasília, DF, 1991. Disponível em: https://revistaarqurb.com.br/arqurb/article/view/420/428 https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestao_municipal_de_saude.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/res0001_11_05_2016.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/planejaSUS_livro_1a6.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/fevereiro/ministerio-da-saude-antecipa-campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe http://sindsaudesp.org.br/download/documentos/legislacao_sus.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/para_entender_gestao_sus_v13.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1996/prt2203_05_11_1996.html Disciplina ESTRUTURA DO SUS http://siops.datasus.gov.br/Documentacao/Resolu%C3%A7%C3%A3o%20258_07_01_1991.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Câmara dos Deputados. Orçamento da União. Lei de Diretrizes Orçamentárias. Câmara dos Deputados, 2021. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis- orcamentarias/ldo. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Sistema Único de Saúde (SUS): instrumentos de gestão em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_instrumento.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS de A a Z: garantindo saúde nos municípios. Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. 3ª ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Instrumentos de Planejamento do SUS. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/gestao-do-sus. Acesso em: 9 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Departamento de Apoio à Descentralização. O SUS no seu município: garantindo saúde para todos. Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Departamento de Apoio à Descentralização. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_municipio_garantindo_saude.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. CAVALCANTE, P. L. O Plano Plurianual: resultados da mais recente reforma do Planejamento e Orçamento no Brasil. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 58, n. 2, p. 129-150, 2007.Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/1386/1/2007%20Vol.58%2cn.2%20Cavalcante.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. COUTO, L. F.; CARDOSO JUNIOR, C. A função dos planos plurianuais no direcionamento dos orçamentos anuais: avaliação da trajetória dos PPAs no cumprimento da sua missão constitucional e o lugar do PPA2020-2023. Brasília; Rio de Janeiro: Ipea, 2020. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/9801/1/td_2549.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. CONASEMS; COSEMS-RJ; APPIS; IMS; UERJ (orgs.). Manual do(a) Gestor(a) Municipal do SUS: “Diálogos no Cotidiano” 2ª ed. Rio de Janeiro: CEPESQ, 2019. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/07/manual_do_gestor_F02_tela.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. DANTAS, A.; FEITOSA, L. C. A efetividade do plano diretor de regionalização do SUS no Rio Grande do Norte. Revista da ANPEGE, v. 9, n. 11, p. 21-26, 2013. https://www.semanticscholar.org/paper/A-EFETIVIDADE-DO-PLANO-DIRETOR-DE- REGIONALIZA%C3%87%C3%83O-DO-Dantas/cc79c68e5dee0255cef46d5c992f53877d49875f. Acesso em: 9 mar. 2024. DISTRITO FEDERAL. Secretaria de Economia do Distrito Federal. Lei Orçamentária Anual – LOA. Secretaria de Economia do Distrito Federal, 2021. Disponível em: https://www.economia.df.gov.br/loa/. Acesso em: 8 mar. 2024. FERREIRA, S. C. C.; MONKEN, M. (orgs.). Gestão em saúde: contribuições para a análise da Integralidade. Rio de Janeiro: EPSJV, 2009. Disponível em: https://www.epsjv.�ocruz.br/publicacao/livro/gestao-em-saude-contribuicoes-para-a-analise-da-pois confrontaram a Ditadura Militar e envolveram-se nas batalhas pela redemocratização do país e pela democratização da vida social (Carlos, 2018; Paim; Almeida Filho, 2014). No ano de 1976, a consolidação de um projeto singular ocorreu no Brasil com a criação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), liderado por um movimento social característico, composto principalmente por estudantes e professores universitários da Universidade de São Paulo (USP). O Movimento da Reforma Sanitária Brasileira emergiu com o objetivo de estruturar condições sanitárias adequadas nas cidades do país, englobando um conjunto de ideias sobre as Disciplina ESTRUTURA DO SUS mudanças necessárias na área da saúde. As propostas da Reforma Sanitária culminaram na consagração do direito universal à saúde, formalizado pela Constituição Federal de 1988 e pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa abordagem inovadora tornou-se amplamente reconhecido academicamente e foi disseminada. Ao longo dessa transformação na abordagem da saúde, diversas correntes desempenharam papéis de destaque: o movimento estudantil, através de eventos como as Semanas de Estudos sobre Saúde Comunitária e os Encontros Cientí�cos dos Estudantes de Medicina, teve um papel crucial na disseminação das ideias, atraindo jovens estudantes para essa nova perspectiva de saúde. Estes eventos, por sua vez, foram espaços praticamente ignorados pela repressão militar, que não percebia o caráter político de suas discussões. Dentre os protagonistas desse movimento sanitário, destacam-se os médicos residentes, que, na época, enfrentavam condições precárias de trabalho; as primeiras greves pós-1968; e os sindicatos médicos, que passaram por transformações signi�cativas (Carlos, 2018; Paim; Almeida Filho, 2014). Com o �m da Ditadura, o movimento já possuía propostas concretas; uma delas era transferir o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS), que caracterizava a saúde como um benefício para os trabalhadores, para o Ministério da Saúde. A estratégia envolvia a utilização das Conferências de Saúde, até então espaços predominantemente burocráticos, para convidar a sociedade a discutir e participar ativamente. A 8ª Conferência Nacional de Saúde marcou uma mudança signi�cativa no modelo previamente estabelecido para a tomada de decisões na área da saúde (Santos, 2013). Siga em Frente... As Conferências de Saúde foram instituídas em 1937, durante o governo de Getúlio Vargas, por meio da Lei n. 378 de 13 de janeiro de 1937. Essas conferências tinham como propósito permitir que o governo acompanhasse as ações desenvolvidas pelos estados no âmbito da saúde e educação (Portal da Reforma Sanitária, [s.d.]). O histórico das conferências de saúde é dividido em duas fases: antes e depois da Constituição Federal de 1988. Até o ano de 2024, já foram realizadas 17 Conferências Nacionais de Saúde (CNS) e cada uma abordou temas centrais especí�cos, conforme expomos a seguir: 1ª CNS, realizada em 1941, teve como temas centrais de discussão a organização sanitária estadual e municipal; a ampliação e sistematização das campanhas nacionais contra lepra e tuberculose; a determinação do desenvolvimento dos serviços básicos de saneamento; desenvolvimento da obra nacional de proteção à maternidade, à infância e à adolescência. 2ª CNS, realizada em 1950, discutiu a legislação referente à higiene e segurança do trabalho. 3ª CNS, realizada em 1963, abordou a situação sanitária da população brasileira; atividades desenvolvidas por médico-sanitárias nos níveis federais, estaduais e municipais; municipalização dos serviços de saúde; �xação do plano nacional de saúde. Disciplina ESTRUTURA DO SUS 4ª CNS, realizada em 1967, teve como tema os recursos humanos para as atividades em saúde. 5ª CNS, realizada em 1975, discutiu sobre a implementação do Sistema Nacional de Saúde; o Programa de Saúde Materno-Infantil; o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica; o Programa de Controle das Grandes Endemias; Programa de Extensão das Ações de Saúde às Populações Rurais. 6ª CNS, realizada em 1977, discutiu sobre a atual situação do controle das grandes endemias; a operacionalização dos novos diplomas legais básicos aprovados pelo governo federal; interiorização dos serviços de saúde e a Política Nacional de Saúde. 7ª CNS, realizada em 1980, teve como pauta a extensão das ações por meio dos serviços de saúde. 8ª CNS, realizada em 1986, foi base para a elaboração do capítulo da Saúde para a construção da Constituição Federal de 1988 e para a construção do Sistema Único de Saúde (SUS). Os principais assuntos debatidos foi a saúde como direito; a reformulação do Sistema Nacional de Saúde e �nanciamento setorial. 9ª CNS, realizada em 1992, teve como tema a municipalização, a sociedade, governo e saúde; implantação do SUS; controle social. 10ª CNS, realizada em 1996, discutiu sobre a saúde, cidadania e políticas públicas; gestão e organização dos serviços de saúde; controle social na saúde; �nanciamento da saúde; recursos humanos para a saúde; atenção integral à saúde. 11ª CNS, realizada em 2000, teve como tema central a efetivação do SUS, o acesso, qualidade e humanização na atenção à saúde com controle social; o controle social entrou em pauta novamente, assim como �nanciamento da atenção à saúde; foi discutido o modelo assistencial e de gestão com o intuito de garantir acesso, qualidade e humanização na atenção à saúde. 12ª CNS, realizada em 2003, tinha como tema central “Saúde, direito de todos e dever do Estado, o SUS que temos e o SUS que queremos”. Os eixos temáticos eram o direito à saúde; a seguridade social e a saúde; a intersetorialidade da saúde; a construção do SUS pelas três esferas do governo; a organização da saúde; controle social e gestão participativa; o trabalho na saúde; ciência e tecnologia; �nanciamento da saúde e a comunicação e informação em saúde. 13ª CNS, realizada em 2007, teve como tema central a saúde e qualidade de vida, políticas de Estado e desenvolvimento. Os eixos temáticos foram sobre os desa�os para a efetivação do direito humano à saúde no século XXI; políticas públicas para a saúde e qualidade de vida; participação da sociedade na efetivação do direito humano à saúde. 14ª CNS, realizada em 2011, tratou do SUS para todos, da seguridade social, da saúde como patrimônio do povo brasileiro. 15ª CNS, realizada em 2015, teve como eixos temáticos o direito à saúde; garantia de acesso e atenção de qualidade; participação social; valorização do trabalho e da educação em saúde; �nanciamento do SUS e relação público-privado; gestão do SUS e modelos de atenção à saúde; informação, educação e política de comunicação do SUS; ciência, tecnologia e inovação no SUS; reformas democráticas e populares do Estado. 16ª CNS, realizada em 2019, teve como tema “Democracia e Saúde”; trouxe o subtítulo de 8ª + 8, porque, além de ter o mesmo tema da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que lançou as bases para a construção do SUS, procurou resgatar o espírito e as diretrizes 8ª CNS, realizada em 1986. Disciplina ESTRUTURA DO SUS 17ª CNS, realizada em 2023, cujo tema foi “Garantir direitos, defender o SUS a vida e a democracia – Amanhã vai ser outro dia!”, destacou, por meio das propostas e orientações aprovadas em sua assembleia, a reiteração da relevância do Sistema Único de Saúde (SUS), o reconhecimento dos pro�ssionais de saúde e a imprescindibilidade de promover equidade nas políticas públicas. Especialmente a 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), realizada em 1986, durante o período da Nova República, destacou-se pela urgência de mudanças. Pela primeira vez, mais de cinco mil representantes de diversos setores da sociedade civil se reuniram para debater um novo paradigma de saúde para o Brasil. Contou com a participação de quase 4.500 pessoas, dentre os quais, mil delegados, usuários, trabalhadores da saúde, gestores (governo) e prestadores de serviço de saúde, a �m de discutir o rumo da saúde no país. Foi apontada nesse eventointegralidade. Acesso em: 7 mar. 2024. http://siops.datasus.gov.br/Documentacao/Resolu%C3%A7%C3%A3o%20258_07_01_1991.pdf https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/ldo https://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/ldo https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_instrumento.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/gestao-do-sus https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_municipio_garantindo_saude.pdf https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/1386/1/2007%20Vol.58%2cn.2%20Cavalcante.pdf http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/9801/1/td_2549.pdf https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/07/manual_do_gestor_F02_tela.pdf https://www.semanticscholar.org/paper/A-EFETIVIDADE-DO-PLANO-DIRETOR-DE-REGIONALIZA%C3%87%C3%83O-DO-Dantas/cc79c68e5dee0255cef46d5c992f53877d49875f https://www.semanticscholar.org/paper/A-EFETIVIDADE-DO-PLANO-DIRETOR-DE-REGIONALIZA%C3%87%C3%83O-DO-Dantas/cc79c68e5dee0255cef46d5c992f53877d49875f https://www.economia.df.gov.br/loa/ https://www.epsjv.fiocruz.br/publicacao/livro/gestao-em-saude-contribuicoes-para-a-analise-da-integralidade https://www.epsjv.fiocruz.br/publicacao/livro/gestao-em-saude-contribuicoes-para-a-analise-da-integralidade Disciplina ESTRUTURA DO SUS GARCIA, P. T.; REIS, R. S. Gestão Pública em Saúde: o Plano de Saúde como Ferramenta de Gestão. São Luís: EDUFMA, 2016. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360. Acesso em: 9 mar. 2024. LEVCOVITZ, E.; LIMA, L. D.; MACHADO, C. V. Política de saúde nos anos 90: relações intergovernamentais e o papel das Normas Operacionais Básicas. Ciência & Saúde Coletiva, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 269-318, 2001.Disponível em https://pesquisa.bvsalud.org/enfermeria/resource/pt/ens-13316. Acesso em: 8 mar. 2024. LIMA, L. L.; et al. Plano Plurianual como proxy para medir capacidades estatais: um estudo sobre o planejamento governamental nos municípios da região metropolitana de Porto Alegre. Urbe – Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 12, p. 1-16, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/urbe/a/CwpGKTJVDkbJJp8SWqSfVsn/abstract/?lang=pt. Acesso em: 8 mar. 2024. MACHADO, C. V.; LIMA, L. D.; BAPTISTA, T. W. F. Princípios organizativos e instâncias de gestão do SUS. In: OLIVEIRA, R. G.; GRABOIS, V.; MENDES JÚNIOR, W. V. (orgs.). Quali�cação de Gestores do SUS. Rio de Janeiro: EAD/Ensp, 2009. p. 47-72. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/cfc-193776. Acesso em: 7 mar. 2024. MEURER, F.; VIEIRA, G. F. Plano Diretor para Municípios de Pequeno Porte: a experiência do plano diretor regional participativo da AMAVI. In: PPLA 2010: Seminário Política e Planejamento, Curitiba: Ambiens, 2010. Disponível em: https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas- tecnicas/planejamento-territorial/artigos_publicados/Artigo_Plano_Diretor_PPLA.pdf. Acesso em: 9 mar. 2024. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Comissão Intergestores Bipartite. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, 2021. Disponível em: https://www.saude.mg.gov.br/cib. Acesso em: 7 mar. 2024. MOREIRA, L. C. O.; TAMAKI, E. M. A Programação Pactuada e Integrada como instrumento de garantia da integralidade da atenção à saúde no SUS. INTERAÇÕES, Campo Grande, v. 18, n. 4, p. 99-108, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/inter/a/CXfW8CxgPRXhzgsKXtByydB/? format=pdf&lang=pt. Acesso em: : 9 mar. 2024. PINAFO; E.; et al. Problemas e estratégias de gestão do SUS: a vulnerabilidade dos municípios de pequeno porte. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 5 p.1619-1628, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/gPnKF8DqfgKyxtgPyb5hYgG/?lang=pt. Acesso em: 7 mar. 2024. REZENDE, D. A.; ULTRAMARI, C. Plano diretor e planejamento estratégico municipal: introdução teórico-conceitual. RAP, Rio de Janeiro, v. 41, n. 2, p. 255-271, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rap/a/5ttcZM34mg6YZpLsmmFH6Hh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 9 mar. 2024. SAUTER, A. M. W.; GIRARDON-PERLINI, N. M. O.; KOPF, A. W. Política de regionalização da saúde: das normas operacionais ao pacto pela saúde. Revista Mineira de Enfermagem, Belo Horizonte, v. 16, n. 2, p. 265-274,2012. Disponível em https://cdn.publisher.gn1.link/reme.org.br/pdf/v16n2a16.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. SILVA, R. M.; BESSA, M. S.; SILVA JÚNIOR, J. A. G. (orgs.). Planejamento, gestão e avaliação nas práticas de saúde. Fortaleza: EdUECE, 2015. Disponível em: http://www.uece.br/ppsacwp/wp- content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE- SAUDE-EBOOK-548pg.pdf. Acesso em: 7 mar. 2024. SCATENA, J. H. G.; TANAKA, O, Y. Os instrumentos normalizadores (NOB) no processo de descentralização da saúde. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 47-74, 2001. Disponível https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360 https://pesquisa.bvsalud.org/enfermeria/resource/pt/ens-13316 https://www.scielo.br/j/urbe/a/CwpGKTJVDkbJJp8SWqSfVsn/abstract/?lang=pt https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/cfc-193776 https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/planejamento-territorial/artigos_publicados/Artigo_Plano_Diretor_PPLA.pdf https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/planejamento-territorial/artigos_publicados/Artigo_Plano_Diretor_PPLA.pdf https://www.saude.mg.gov.br/cib https://www.scielo.br/j/inter/a/CXfW8CxgPRXhzgsKXtByydB/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/inter/a/CXfW8CxgPRXhzgsKXtByydB/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/gPnKF8DqfgKyxtgPyb5hYgG/?lang=pt https://www.scielo.br/j/rap/a/5ttcZM34mg6YZpLsmmFH6Hh/?format=pdf&lang=pt https://cdn.publisher.gn1.link/reme.org.br/pdf/v16n2a16.pdf http://www.uece.br/ppsacwp/wp-content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE-SAUDE-EBOOK-548pg.pdf http://www.uece.br/ppsacwp/wp-content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE-SAUDE-EBOOK-548pg.pdf http://www.uece.br/ppsacwp/wp-content/uploads/sites/37/2016/04/PLANEJAMENTO-GESTAO-E-AVALIACAO-NAS-PRATICAS-DE-SAUDE-EBOOK-548pg.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/xbT9QBLhKC6TyKwKRng7KfL/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. SCHRAIBER, L. B.; et al. Planejamento, gestão e avaliação em saúde: identi�cando problemas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 4, n. 2, p. 221-242, 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/TvtKzPc3nZQTskgqLyDL9hv/abstract/?lang=pt. Acesso em: 7 mar. 2024. VAINER, A.; ALBUQUERQUE, J.; GARSON, S. Lei de Diretrizes Orçamentárias: manual de elaboração. Brasília: BNDES Biblioteca Digital, 2001. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2702/1/Lei%20de%20Diretrizes%20Or%C3%A 7ament%C3%A1rias%20-%20Manual%20de%20Elabora%C3%A7%C3%A3o_P.pdf. Acesso em: 8 mar. 2024. , Unidade 4 Gestão, Regulação e Financiamento Aula 1 Formas de Gestão da Organização Pública Formas de gestão da organização pública Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos abordar os aspectos fundamentais para a elaboração do contrato organizativo de ação pública da saúde (COAP) e seu período de validade. Exploraremos exemplos de organizações sociais (OS) e outras formas de organização que desempenham papéis essenciais na sociedade. Além disso, discutiremos as características das parcerias público-privadas (PPP) e os principais campos de atuação das organizações da sociedade civil de direito público (OSCIP), destacando suas vantagens e contribuições. https://www.scielo.br/j/sausoc/a/xbT9QBLhKC6TyKwKRng7KfL/?lang=pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/csc/a/TvtKzPc3nZQTskgqLyDL9hv/abstract/?lang=pt https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2702/1/Lei%20de%20Diretrizes%20Or%C3%A7ament%C3%A1rias%20-%20Manual%20de%20Elabora%C3%A7%C3%A3o_P.pdfhttps://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/2702/1/Lei%20de%20Diretrizes%20Or%C3%A7ament%C3%A1rias%20-%20Manual%20de%20Elabora%C3%A7%C3%A3o_P.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS Está pronto? Ótimos estudos! Ponto de Partida Estudante, ao explorar a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível compreender as diferentes abordagens de gestão adotadas na esfera pública. A relevância desse estudo reside na capacidade de analisar o �uxo �nanceiro e orçamentário de uma política pública, além de discutir os desa�os contemporâneos enfrentados nesse contexto. As formas de gestão da organização pública são estratégias adotadas para gerir serviços e recursos em setores governamentais. Entre essas formas, destacam-se o contrato organizativo da ação de saúde pública (COAPS), utilizado na área da saúde para estabelecer diretrizes entre gestores municipais, estaduais e federais. Além disso, há as autarquias e fundações públicas, que são entidades com autonomia administrativa e �nanceira para executar atividades especí�cas do Estado. As organizações sociais (OS) são entidades privadas sem �ns lucrativos que gerenciam serviços públicos por meio de contratos de gestão. Já as parcerias público-privadas (PPPs) são acordos entre o setor público e empresas privadas para fornecer serviços públicos. As organizações da sociedade civil de direito público (OSCIPS) são entidades privadas sem �ns lucrativos que atuam em parceria com o Estado para a promoção de atividades de interesse público, desempenhando um papel importante na implementação de políticas públicas e no fortalecimento da participação social no Brasil. Essas formas visam aprimorar a e�ciência, transparência e qualidade na prestação de serviços à população. Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você é um agente administrativo que trabalha no Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento, mais popularmente conhecido como companhia de abastecimento de água tratada, em uma cidade de torno de 350 mil habitantes. Nesse município, a chegada de novas indústrias e o alavanque do setor da pecuária local (criação de raças zebuínas de alta performance em genética bovina) gerou novos empregos com consequente crescimento da cidade e um aumento da população, tanto das áreas centrais quanto em bairros mais distantes. Esse fenômeno resultou em uma maior demanda também dos serviços prestados pela companhia de abastecimento de água tratada em que você trabalha. Assim, notadamente tornou-se necessário um maior número de pro�ssionais das funções de assistente de serviço de saneamento e agente de saneamento para cobertura de todas as ordens de serviço e atendimento da população. Sabendo que essa companhia de abastecimento de água tratada é uma autarquia municipal, o que você, enquanto agente administrativo, descreveria como conduta a ser tomada para recrutamento desses pro�ssionais? Trazendo a re�exão do estudo de caso para mais próximo de sua realidade local, pense e relembre como é realizado o recrutamento de mão de obra em sua cidade. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Vamos Começar! As formas de gestão da organização pública desempenham um papel essencial na e�cácia e e�ciência dos serviços de Saúde Coletiva. Compreender essas formas de gestão, como o contrato organizativo da ação de saúde pública (COAPS), autarquias, fundações públicas, organizações sociais (OS), parcerias público-privadas (PPP) e organizações da sociedade civil de direito público (OSCIPS), é essencial para pro�ssionais de saúde, gestores e demais envolvidos na área da saúde. Isso se deve ao fato de que cada uma dessas modalidades de gestão possui suas características, vantagens e desa�os especí�cos. Por exemplo, o COAPS é um instrumento jurídico que estabelece a organização e a gestão das ações de saúde entre diferentes esferas do governo, visando a uma maior integração e efetividade. Já as PPPs envolvem a participação do setor privado na prestação de serviços de saúde, enquanto as OSCIPs agregam o apoio de entidades da sociedade civil na execução de políticas públicas de saúde. Com base nisso, é fundamental explorar mais detalhadamente como cada uma das formas de gestão funcionam na prática, suas vantagens e desa�os, bem como os impactos na qualidade e acesso aos serviços de saúde. Ao entender melhor essas formas de gestão, podemos identi�car oportunidades de aprimoramento e inovação no sistema de saúde, visando sempre a melhoria contínua da assistência à saúde da população. O contrato organizativo da ação pública da saúde (COAPS) foi estabelecido pelo Decreto nº 7.508/2011 como um instrumento que detalha os compromissos �rmados em cada região de saúde. Ele proporciona uma visão abrangente da situação atual e das intervenções necessárias para o futuro, delineando a Programação Geral de Ações e Serviços de Saúde para a região. Além disso, o COAPS desempenha um papel fundamental na alocação de recursos das esferas Federal, Estadual e Municipal. A gestão do COAPS é conduzida pelos entes signatários competentes, com a Comissão Intergestores (CIT, CIB e CIR) pactuando o acompanhamento e a operacionalização das ações e serviços. Os Conselhos de Saúde têm a responsabilidade de monitorar a execução do COAPS, garantindo o exercício do controle social. O Ministério da Saúde se compromete a disponibilizar as informações através de diversos meios, assegurando a participação da comunidade no SUS (Medeiros et al., 2011; Brasil, 2011). A palavra “autarquia” tem origem no grego “autos-arkhé”, signi�cando autonomia e independência. De acordo com o artigo 19 da Constituição Federal Brasileira de 1988, as autarquias devem ser estabelecidas por leis especí�cas, dedicadas exclusivamente a esse assunto. São entidades jurídicas de direito público, prestadoras de serviço público, sem �ns lucrativos, criadas por lei especí�ca e com atividades típicas do Estado. Possuem gestão descentralizada, patrimônio e recursos próprios, bem como receita própria. Operam sob regime estatutário e executam serviços de interesse coletivo ou de natureza estatal, que não devem ser delegados a particulares. Exemplos de autarquias no Brasil incluem as federais, como o Banco Disciplina ESTRUTURA DO SUS Central, o INCRA e o INSS; as estaduais, como o DETRAN; e as municipais, como a CODAU de Uberaba-MG (Nóbrega, 2018; Morais et al., 2017; Brasil, 1988). O conceito de fundação pública mais tradicional é delineado no artigo 5º, inciso IV do Decreto-Lei nº 200/1967, conforme alterado pela Lei nº 7.596 de 1987. Uma fundação pública, seja de direito privado ou estatal, constitui uma entidade de natureza pública com personalidade jurídica própria, estabelecida por lei para realizar atividades de interesse social que não são exclusivas do Estado. Ela detém autonomia administrativa, possui um patrimônio próprio regulado pelos órgãos de direção e é �nanciada por recursos públicos provenientes do Tesouro do Ente que a criou, além de outras fontes. Além disso, as fundações públicas têm objetivos não lucrativos, focando em áreas como educação, saúde, assistência ao trabalhador, entre outras. Por exemplo, a Fundacentro, vinculada ao Ministério do Trabalho, tem como propósito disseminar conhecimentos sobre segurança e saúde no ambiente de trabalho; o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) busca compreender e promover o desenvolvimento do Brasil por meio da coleta de informações estatísticas; e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) se dedica ao amparo das populações indígenas, entre outras atribuições (Dourado; Lima; Silva, 2020). COAPS Autarquias Fundações Públicas Permite retratar a situação atual e as intervenções necessárias para um contexto futuro. É um instrumento de alocação de recursos das esferas Federal, Estadual e Municipal. São prestadoras de serviço público e criadas por lei especí�ca. Tem gestão descentralizada, regime estatutário, patrimônio e receita próprios. Executam serviços de natureza estatal ou que interessem à coletividade. São estruturas públicas, com autonomia administrativae patrimônio próprio. Desenvolvem atividades não privativas de Estado na área social. Não visam ao lucro. Quadro 1 | Resumo de COAPS, autarquias e fundações públicas. As organizações sociais (OS) representam uma abordagem inovadora na gestão do setor de saúde no Brasil, surgindo como uma ferramenta adicional para esse �m. Estabelecidas inicialmente pela Medida Provisória nº 1.591/1997 e posteriormente pela Lei nº 9.637/1998, as OS têm abrangência em diversos setores, incluindo saúde, educação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, cultura e meio ambiente. Seu principal objetivo é permitir que atividades antes Disciplina ESTRUTURA DO SUS realizadas pelo governo sejam transferidas para essas organizações, as quais recebem recursos públicos para executá-las. Esse modelo representa uma parceria entre o Estado e a sociedade, proporcionando um espaço não estatal capacitado para desempenhar funções públicas, mesmo que não exclusivas (Puccini, 2004; Melo; Tanaka, 2001; Mare, 1988). Siga em Frente... É fundamental destacar que essas entidades devem ser classi�cadas como pertencentes ao terceiro setor, composto por organizações privadas que não têm �ns lucrativos e econômicos, dedicadas a atividades de interesse coletivo. Além das organizações sociais (OS), que já foram mencionadas, também se enquadram nessa categoria as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP), que serão abordadas em breve. Conforme estabelecido pela Lei Federal nº 9637 de 1998, algumas características devem ser observadas para que um grupo de pessoas possa ser reconhecido como uma organização social (OS): Deve possuir personalidade jurídica, ou seja, ter um CNPJ registrado. Não pode ter �nalidade lucrativa em suas atividades. Suas atividades devem estar alinhadas com áreas como ensino, pesquisa cientí�ca, desenvolvimento tecnológico, preservação do meio ambiente, promoção da cultura e saúde. Deve contar com um conselho administrativo e diretoria que inclua representantes do Poder Público e da comunidade. Deve tornar públicos ou publicar os seus atos e atividades. Deve permitir o controle do Tribunal de Contas sobre os recursos públicos recebidos e manter contratos transparentes com o poder público, estabelecendo metas a serem alcançadas e controlando os resultados. As parcerias público-privadas (PPPs) foram o�cialmente regulamentadas no Brasil em 2004 pela Lei nº 11.079, estabelecendo que entidades privadas assumam a responsabilidade pela prestação de serviços públicos. Essas parcerias envolvem contratos de longo prazo entre empresas privadas e a administração pública, abrangendo a execução de obras, fornecimento de bens e prestação de serviços públicos. A legislação de�niu prazos especí�cos para a duração dos contratos de PPP: até 35 anos, incluindo possíveis prorrogações, e um prazo mínimo de cinco anos. Além disso, estabeleceu-se um valor mínimo por contrato, inicialmente em 20 milhões de reais, reduzido para 10 milhões de reais pela Lei nº 13.529/2017. Embora a legislação tenha alcance nacional, alguns estados e municípios adaptaram esses parâmetros de acordo com suas realidades locais e regionais (PBHATIVOS, 2018; Fortini, 2018). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 2 | Resumo de organizações sociais (OS) e parcerias público-privadas (PPPs). Com base no que foi discutido sobre as formas de gestão da organização pública, você conseguiria identi�car o que é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP)? Quais são suas características distintivas? As OSCIPs foram concebidas no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso com o propósito de facilitar a viabilização e implementação de políticas públicas. Elas foram estabelecidas pela Lei nº 9.790 de 1999, uma legislação destinada a regular e trazer transparência a um setor que experimentou um crescimento rápido e desordenado nos últimos anos. As OSCIPs são conhecidas como parte do terceiro setor. Surgindo como resultado de debates entre os diversos atores do setor e o poder público, a Lei do Terceiro Setor visa resolver desa�os, superar di�culdades e aproveitar oportunidades que o setor possa encontrar (Barreto, [s.d.]). Podemos entender que a OSCIP compartilha semelhanças com organizações não governamentais (ONGs), uma vez que requer a obtenção de um certi�cado emitido pelo poder público federal para comprovar o cumprimento dos requisitos necessários. Para ser reconhecida como OSCIP, é necessário atender aos seguintes critérios: ser uma pessoa jurídica de direito privado, sem �ns lucrativos; apresentar cópias autenticadas dos documentos exigidos e cumprir com os objetivos sociais e as normas estatutárias estabelecidas pela legislação. É imprescindível ressaltar que essas entidades devem cumprir simultaneamente os requisitos de não ter �ns lucrativos e realizar atividades que bene�ciem o coletivo, ou seja, atender às demandas gerais da sociedade (Garcia; Reis, 2016; Medeiros et al., 2011). Quando uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) obtém a quali�cação legal, adquire o status de pessoa jurídica de direito privado, sem �ns lucrativos, sendo estabelecida por iniciativa privada com o propósito de oferecer serviços sociais que não são exclusivos do Estado. As OSCIPs desempenham suas atividades com respaldo e supervisão do Poder Público, estabelecendo uma relação jurídica por meio de termo de parceria. Após a quali�cação, a OSCIP deve aderir aos princípios que regem a Administração Pública, conforme delineado no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, incluindo legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e e�ciência (Garcia; Reis, 2016; Medeiros et al., 2011). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Quanto ao funcionamento prático, uma OSCIP pode ter um número ilimitado de membros, porém, na prática, é necessário garantir que haja um mínimo su�ciente para ocupar os cargos do Conselho Administrativo, Diretoria e Conselho Fiscal, conforme exigido pela legislação (Garcia; Reis, 2016; Medeiros et al., 2011). Vamos Exercitar? Vale destacar algumas das características de uma autarquia: é uma entidade regida por um estatuto próprio; tem natureza de pessoa jurídica de direito público; atua como prestadora de serviço público, sem �ns lucrativos; é criada por uma lei especí�ca para sua existência, desempenha atividades típicas do Estado; possui gestão descentralizada e tem patrimônio e recursos próprios, assim como receita própria. Além disso, as autarquias executam serviços de interesse coletivo ou de natureza estatal, que não devem ser delegados a particulares. Portanto, para recrutar pro�ssionais, uma autarquia municipal segue os procedimentos de admissão estabelecidos na Constituição Federal de 1988, que exige a realização de concurso público (art. 37 II) com base nas especi�cações do edital. Quanto aos dirigentes, cabe ao chefe do Poder Executivo nomear os aprovados nos respectivos cargos, conforme o art. 84, XXV. Saiba mais Para uma melhor compreensão acerca das formas de gestão da organização pública, leia o documento Terceiro Setor, do Senado Federal. Acerca das formas de gestão da organização pública estudados, leia o artigo “Uma abordagem dos métodos aplicáveis de gestão na administração pública”, disponível no site Âmbito Jurídico. Para aprofundar seus conhecimentos nas formas de gestão da organização pública estudados, leia o artigo “Gestão estratégica de pessoas no setor público: percepções de gestores e funcionários acerca de seus limites e possibilidades em uma autarquia federal”, disponível na Revista ENAP. Referências BARRETO, A. L G. Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999. [s.d.]. Disponível em: http://www.sagres.org.br/artigos/oscip.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A Gestão do SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2015. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/509179/terceiro_setor_1ed.pdf?sequence=1https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-administrativo/uma-abordagem-dos-metodos-aplicaveis-de-gestao-na-administracao-publica/ https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-administrativo/uma-abordagem-dos-metodos-aplicaveis-de-gestao-na-administracao-publica/ https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/1759 https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/1759 http://www.sagres.org.br/artigos/oscip.pdf https://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/A-GESTAO-DO-SUS.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Resolução nº 3, de 30 de janeiro de 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0003_30_01_2012.html. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm. Acesso em: 19 mar. 2024. DOURADO, P.; LIMA, A.; SILVA, H. Fundação pública de direito privado. 16 set. 2020. Disponível em: https://goias.gov.br/saude/. Acesso em: 19 mar. 2024. FEHOESP 360. Diminui valor mínimo para celebrar contrato de PPP. 2017. Disponível em: https://fehoesp360.org.br/noticia/5055/diminui-valor-minimo-para-celebrar-contrato-de-ppp. Acesso em: 19 mar. 2024. FORTINI, C. Mudanças na disciplina nacional das PPPs: uso intensi�cado, riscos não abordados. 2018. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2018-fev-08/interesse-publico-recentes- mudancas-disciplina-nacional-ppps.Acesso em: 19 mar. 2024. GARCIA, P. T.; REIS, R. S. Gestão pública em saúde: o plano de saúde como ferramenta de gestão. Unidade IV, 2016. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360. Acesso em: 19 mar. 2024. MARE – Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. Organizações Sociais (OS). Caderno 2, 5. ed. Brasília – DF, 1998. Disponível em: http://www.bresserpereira.org.br/documents/mare/os/caderno2.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. MARTINELLI, T. Organizações da sociedade civil de interesse público: espaço de enfrentamento à questão social através de políticas sociais? Revista Virtual Textos & Contextos, n. 5, nov. 2006. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/1018. Acesso em: 19 mar. 2024. MEDEIROS, M. I. G.; et al. Estrutura organizacional e modelo de gestão: uma análise no instituto federal sul-rio-grandense – IFSUL. II Congresso Internacional IGLU. Gestão Universitária, Cooperação Internacional e Compromisso Social. Florianópolis 7 a 9 de dezembro de 2011. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/26140/5.34.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. MELO, C.; TANAKA, O. As organizações sociais no setor saúde: inovando as formas de gestão? 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/j/osoc/a/MsWtZ64J6pVrTtcJGgnsGdy/? format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0003_30_01_2012.html http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm https://goias.gov.br/saude/ https://fehoesp360.org.br/noticia/5055/diminui-valor-minimo-para-celebrar-contrato-de-ppp https://www.conjur.com.br/2018-fev-08/interesse-publico-recentes-mudancas-disciplina-nacional-ppps https://www.conjur.com.br/2018-fev-08/interesse-publico-recentes-mudancas-disciplina-nacional-ppps https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/7360 http://www.bresserpereira.org.br/documents/mare/os/caderno2.pdf https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/1018 https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/26140/5.34.pdf https://www.scielo.br/j/osoc/a/MsWtZ64J6pVrTtcJGgnsGdy/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/osoc/a/MsWtZ64J6pVrTtcJGgnsGdy/?format=pdf&lang=pt Disciplina ESTRUTURA DO SUS MORAIS, G. M. de.; et al. As autarquias e seu papel na administração pública. Revista Cientí�ca Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, ed. 7, ano 2, v. 1, pp 312-321, out. 2017. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/as-autarquias-administracao-publica. Acesso em: 19 mar. 2024. NÓBREGA, T. C. de. A. As autarquias no compasso e no descompasso do direito administrativo brasileiro. Revista da AGU, Brasília-DF, v. 17, n. 1, p. 335-358, jan./mar. 2018. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/324671607_AS_AUTARQUIAS_NO_COMPASSO_E_NO_ DESCOMPASSO_DO_DIREITO_ADMINISTRATIVO_BRASILEIRO. Acesso em: 19 mar. 2024. PBHATIVOS. Manual de parcerias público-privadas: orientações gerais. Prefeitura de Belo Horizonte. Belo Horizonte, jan. 2018. 50 p. Disponível em: https://pbhativos.com.br/arquivos/03- CONCESSOES-E-PPPS/03.1%20-%20O%20QUE%20E/01%20-%20Manual%20de%20PPP%20- %202018.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. PUCCINI, P. de. T. As organizações sociais e o direito à saúde. 2004. Disponível em: http://idisa.org.br/img/File/SUS%20OS%20Paulo%20Puccini%20Fim%206_4_2011.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. Aula 2 Financiamento Financiamento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos explorar o �nanciamento e a gestão compartilhada do SUS. Começaremos com um histórico, incluindo a Emenda Constitucional 29/2000 e o Decreto 7.508. Em seguida, abordaremos as fontes de receita, os fundos de saúde, as transferências intergovernamentais, os custeios e gastos dos serviços de saúde, bem como as modalidades de repasses federais e os instrumentos de acompanhamento. https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/as-autarquias-administracao-publica https://www.researchgate.net/publication/324671607_AS_AUTARQUIAS_NO_COMPASSO_E_NO_DESCOMPASSO_DO_DIREITO_ADMINISTRATIVO_BRASILEIRO https://www.researchgate.net/publication/324671607_AS_AUTARQUIAS_NO_COMPASSO_E_NO_DESCOMPASSO_DO_DIREITO_ADMINISTRATIVO_BRASILEIRO https://pbhativos.com.br/arquivos/03-CONCESSOES-E-PPPS/03.1%20-%20O%20QUE%20E/01%20-%20Manual%20de%20PPP%20-%202018.pdf https://pbhativos.com.br/arquivos/03-CONCESSOES-E-PPPS/03.1%20-%20O%20QUE%20E/01%20-%20Manual%20de%20PPP%20-%202018.pdf https://pbhativos.com.br/arquivos/03-CONCESSOES-E-PPPS/03.1%20-%20O%20QUE%20E/01%20-%20Manual%20de%20PPP%20-%202018.pdf http://idisa.org.br/img/File/SUS%20OS%20Paulo%20Puccini%20Fim%206_4_2011.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS Prepare-se para entender melhor a organização e o �nanciamento do SUS. Vamos lá? Ponto de Partida Estudante, compreender a importância do �nanciamento envolve analisar o funcionamento �nanceiro e orçamentário de uma política pública, além de discutir os desa�os atuais. Embora os direitos à saúde da população estejam garantidos, enfrentamos o desa�o de garantir recursos adequados para mantê-los. Diante dessa situação, o SUS propôs mecanismos de apoio ao �nanciamento da saúde para lidar com essa questão. Neste momento, você tem a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos consolidados até aqui. Leia atentamente as informações sobre a situação seguinte para propor uma solução. Imagine que você é um gestor em uma unidade matricial de saúde (UMS), a qual engloba três equipes de estratégia de saúde da família (ESF), realizando o atendimento dos usuários do bairro central e dos arredores. O matriciamento ou apoio matricial na atenção básica é um modo de produzir saúde, no qual há duas ou mais equipes de ESF, bem como de equipe eMulti, envolvidas num processo de construção compartilhada, as quais criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica. Assim, o matriciamento objetiva transformar a dinâmica tradicional dos sistemas de saúde em ações mais abrangentes, agregando componentes e saberes nosdiferentes níveis de assistência. Entre as ferramentas envolvidas no processo do matriciamento, podemos citar: a interconsulta, a consulta conjunta, a visita domiciliar conjunta, os grupos de educação em saúde, a educação permanente/continuada, entre outros. Sabe-se que nessa UMS, além dos procedimentos relatados anteriormente, também são realizados atendimentos odontológicos básicos e coleta de materiais biológicos para exames laboratoriais de rotina. Uma vez você é gestor dessa UMS, saberia dizer se é possível utilizar recursos federais aqui? Em caso positivo, qual é a forma de repasses federais ao município, ou seja, como eles ocorrem? Vamos Começar! Para discorrermos sobre o histórico do �nanciamento do SUS, é fundamental compreender a importância e o impacto do avanço da saúde pública no Brasil, impulsionado pela VIII Conferência Nacional da Saúde em 1986 e consolidado pela promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF/88). O �nanciamento do SUS foi estabelecido na CF/88 e regulamentado pelas Leis Orgânicas da Saúde nº 8.080 e 8.142, de 1990. Assim, é responsabilidade das três esferas de governo garantir recursos provenientes dos orçamentos da Seguridade Social e Fiscal, em nível federal, estadual e municipal. Após a implementação do SUS em 1990, surgiu o desa�o do �nanciamento da saúde, especialmente em meio a uma crise �nanceira no setor em 1993. Para superar essa crise, uma das propostas foi estabelecer a vinculação orçamentária para a saúde, detalhando percentuais e modalidades de �nanciamento na CF/88. Isso levou à Disciplina ESTRUTURA DO SUS elaboração da Emenda Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000 (EC n° 29/2000) (Brasil, 2000). Essa emenda promove alterações nos artigos 34, 35, 156, 160, 167 e 198 da CF/88, além de adicionar um artigo ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, garantindo recursos mínimos para o �nanciamento das ações e serviços públicos de saúde. Constituiu-se como um marco histórico ao consolidar a vinculação de recursos da seguridade social, estabelecendo percentuais mínimos de investimento da Receita Corrente Líquida (RCL) para estados e municípios. No entanto, para o governo federal, não foi estipulado um percentual mínimo vinculado à RCL, atribuindo aos demais entes federativos maior responsabilidade. O mecanismo de correção pelo Produto Interno Bruto (PIB), inicialmente temporário pela EC nº 29/2000, foi mantido na regulamentação pela Lei Complementar nº 141/2012, apesar das expectativas de substituição por um modelo que destinasse mais recursos da União à saúde. Mesmo assim, a EC nº 29/2000 foi um avanço ao estabelecer responsabilidades claras entre União, estados e municípios (Campelli; Calvo, 2007). A regulamentação do Sistema Único de Saúde (SUS) e de suas leis orgânicas só se concretizou 21 anos após sua criação, por meio do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, publicado no Diário O�cial da União. Esse decreto desempenha um papel fundamental ao estabelecer a estrutura organizativa do SUS, incluindo a integração dos serviços privados nos instrumentos de planejamento da saúde e delineando aspectos relacionados à organização, planejamento, assistência e articulação entre os diferentes níveis federativos. Seu principal objetivo é promover transparência na estrutura organizacional, garantindo maior segurança jurídica na de�nição das responsabilidades dos entes federativos e permitindo que os cidadãos tenham acesso às informações sobre as ações e serviços de saúde disponíveis em suas regiões. Além disso, contribui para esclarecer o Ministério Público e o Poder Judiciário sobre as competências e atribuições dos entes federativos no contexto das redes de atenção à saúde (Campelli; Calvo, 2007). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 1 | Resumo do histórico do �nanciamento do SUS. A seguir, você aprenderá cada um dos fatores envolvidos na gestão compartilhada do SUS. As fontes de receita para o �nanciamento da saúde podem derivar de estados e municípios, provenientes de impostos, multas, juros de mora e outros encargos tributários, assim como da dívida ativa dos impostos e suas atualizações, além de receitas de transferências constitucionais e legais, transferências do Sistema Único de Saúde (SUS), transferências voluntárias, receitas oriundas de operações de crédito vinculadas à saúde e outras fontes orçamentárias. No caso da União, as receitas são provenientes do orçamento da Seguridade Social (Gomes, 2007; Zucchi; Del Nero; Malik, 2000). Os fundos de saúde são estabelecidos em cada estado, município e Distrito Federal, conforme previsto na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. A obrigatoriedade de utilização dos recursos por meio desses fundos antecede à Emenda Constitucional nº 29/2000. Conforme estabelecido no art. 33 da Lei Orgânica da Saúde (8.080/90), os recursos �nanceiros do SUS devem ser depositados em uma conta especial em cada esfera de atuação, sujeitos à �scalização dos respectivos Conselhos de Saúde. A Lei nº 8.142/1990 determina que estados, o Distrito Federal e municípios devem contar com um Fundo de Saúde para a gestão desses recursos. Com a promulgação da EC nº 29/2000, essa exigência foi reforçada, estabelecendo que os recursos para saúde devem ser utilizados exclusivamente por meio dos Fundos de Saúde (Brasil, 2011). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 2 | Antecedentes da EC nº 29/2000. No que tange às transferências intergovernamentais; é comum que, em todas as federações, a arrecadação seja maior no nível mais amplo e menor nos níveis locais, o que requer a transferência de recursos da instância central para os governos menores. O propósito das transferências intergovernamentais é garantir recursos e a autonomia �nanceira dos entes descentralizados, permitindo que de�nam suas prioridades locais de acordo com seus gastos públicos. Isso representa uma oportunidade de reduzir disparidades regionais (Gomes, 2007). Considerando os custeios, com o passar do tempo, houve uma crescente preocupação com o controle dos custos na área de saúde, destacando a importância da apuração e gestão adequadas dos custos. As principais técnicas para avaliação econômica de políticas, programas e serviços na saúde incluem custo-benefício, custo-efetividade e custo-utilidade. Com relação aos gastos em serviços de saúde, o envelhecimento das populações é frequentemente citado como a principal razão para o aumento dos gastos em saúde, devido à maior procura por serviços médicos. Isso leva a uma maior oferta desses serviços. Embora seja um fator importante, não explica todos os gastos em saúde (Gomes, 2007; Zucchi; Del Nero; Malik, 2000). Siga em Frente... Poderíamos resumir o aumento das despesas com a saúde em algumas causas. Uma delas decorre do aumento dos preços dos bens e serviços oferecidos, o que pode ser analisado tanto em nível microeconômico quanto macroeconômico. A análise microeconômica envolve as relações de custo-benefício, custo-e�cácia e custo-utilidade. Por outro lado, a análise macroeconômica permite estudar e analisar as despesas totais. Legalmente, cada ente federativo deve destinar parte dos recursos obtidos por meio de impostos e transações constitucionais para o setor de saúde (Gomes, 2007; Zucchi; Del Nero; Malik, 2000). Após a aprovação do orçamento pelo Congresso Nacional e sua sanção pela Presidência da República, o Ministério da Saúde inicia a execução do Fundo Nacional de Saúde. Nesse processo, a Receita Federal é responsável por arrecadar os impostos e outras contribuições, repassando a parcela destinada à saúde para o Fundo Nacional de Saúde. A partir desse fundo, são transferidos recursos diretamente aos estados e municípios. Esses repasses federais podem ocorrer de três maneiras, conforme ilustrado na Figura 3. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 3 | Modalidades de repasse federal. Ademais, os repasses de recursos federais a municípios são efetuados por meio de três formas de transferências, conforme esquematizado na Figura 4. Figura 4 | Formas de transferências de repasses federaisa municípios. A gestão dos recursos �nanceiros do SUS é complexa, envolvendo o gerenciamento de contratos, transferências e a garantia da boa aplicação dos recursos para melhorar os serviços de saúde pública. O Ministério da Saúde emprega diversos instrumentos para esse �m, como o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) e o Relatório de Gestão (Brasil, 2018). O SIOPS foi criado nos anos 1990 para acompanhar �nanceiramente a saúde pública no Brasil, reunindo informações das três esferas de governo. Ele ajuda a avaliar se o mínimo obrigatório de investimento em saúde está sendo aplicado corretamente. Implantação em 2000, é utilizado pelo Ministério da Fazenda desde 2006 para acompanhar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Portanto, a Lei Complementar nº 141/2012 estabelece que o Ministério da Saúde deve manter um sistema eletrônico para consolidar todas as informações sobre o orçamento de saúde. União, Distrito Federal, estados e municípios são responsáveis por manter esses dados atualizados no SIOPS (Brasil, 2018). O Relatório de Gestão, por sua vez, é um instrumento da gestão do SUS, regulamentado pela Lei Orgânica de Saúde (Lei nº 8.142/1990) e pela Lei Complementar nº 141/2012. Trata-se de um documento elaborado pelos gestores, apresentado anualmente aos órgãos de controle interno e externo como prestação de contas. Seu objetivo é abordar aspectos orçamentários, �nanceiros, �scais, operacionais e patrimoniais, permitindo uma visão sobre a conformidade e o desempenho dos atos de gestão. Além disso, o Relatório de Gestão serve como meio de Disciplina ESTRUTURA DO SUS comprovação da aplicação dos recursos, apresentando os resultados alcançados com o cumprimento da Programação Anual de Saúde (PAS). Esses resultados orientam a elaboração da nova programação anual, apontam ajustes necessários no Plano de Saúde e são fundamentais para o monitoramento e avaliação da gestão do SUS em todas as esferas de governo (Brasil, 2018). SIOPS Relatório de Gestão Permite avaliar se o mínimo obrigatório estipulado está efetivamente sendo aplicado em ações e serviços públicos de saúde. Aborda aspectos de natureza orçamentária, �nanceira, �scal, operacional e patrimonial, para possibilitar uma visão de conformidade e desempenho dos atos de gestão praticados. Quadro 1 | Resumo dos objetivos: SIOPS e relatório de gestão. Vamos Exercitar? Para responder ao questionamento do estudo de caso, é importante que você compreenda os mecanismos de transferências intergovernamentais e as modalidades de repasses. Nesse caso, é possível, sim, que o município habilitado receba repasse federal na modalidade de transferência Fundo a Fundo, que ocorre como repasse regular e automático em municípios habilitados por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS), diretamente para o Fundo Municipal de Saúde (FMS). O repasse é então executado por meio do Banco do Brasil (BB), na mesma agência onde o município recebe os recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FMP). Vale ressaltar que o BB é a única instituição �nanceira para efetivação desses repasses dos recursos por parte do Ministério da Saúde. Para utilizar os recursos federais do SUS, os municípios habilitados devem usá-los exclusivamente no cumprimento de ações e serviços voltados para a saúde que foram previstos inicialmente no plano de saúde conforme descrito na Lei Orgânica da Saúde, a Lei nº 8080 de 1990, como também aprovado pelo respectivo Conselho de Saúde local. Saiba mais Estudante, as sugestões de links a seguir oferecem informações relevantes para o aprofundamento de seus estudos. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Para uma melhor compreensão acerca das transferências intergovernamentais, leia o artigo “Um estudo sobre a distribuição das transferências para o setor de saúde no Brasil", disponível em Scielo. Aprofundando-se no mesmo assunto, acesse o Painel das Transferências Intergovernamentais – Tesouro Nacional Transparente. Nele você poderá realizar consulta às cartilhas, veri�car a extração de dados dos valores desse painel, bem como ter acesso ao Sistema de Transferências Constitucionais. Acerca dos gastos dos serviços de saúde estudados, leia o artigo “A E�ciência dos Gastos Públicos nos Serviços de Saúde Municipal”, disponível em Congresso USP. Para acompanhar os gastos diretos em saúde, acesse o Portal da Transparência. Nele você poderá acessar os dados da Despesa Pública. Já para acompanhar as transferências de recursos federais, acesse a aba de Recursos Transferidos. Atualizando os conhecimentos acerca das modalidades de transferências, leia o texto “O�cializadas novas modalidades de transferências de recursos da União”, disponível em Gov.br. Para aprofundar os seus estudos acerca das modalidades de repasses federais, leia o material “Orientações sobre aplicação de recursos �nanceiros do SUS, repassados fundo a fundo”. Referências BAIÃO, A. L. da C., MOREIRA, A. S.; SOUZA, F. S. R. N. Papel das transferências intergovernamentais na equalização �scal dos municípios brasileiros. Revista do Serviço Público, Brasília, n. 68, v. 3, p. 583-610, 2017. Disponível em: https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/1406. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Ministério da Saúde, DF 2013 Regulamentação da Lei nº8.080/90. Brasília. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/decreto_7508.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Emenda 29 – Mais Dinheiro e Estabilidade para Saúde. Brasília. 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/emenda_29.pdf. Acesso em: 23 ago. 2021. BRASIL. Financiamento Público de Saúde. Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde. Eixo 1, v. 1, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/�nanciamento_publico_saude_eixo_1.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Gestão Financeira do Sistema Único de Saúde. Manual Básico. Ministério da Saúde, Brasília, 2003.Disponível em: http://siops.datasus.gov.br/Documentacao/Manual%20FNS.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. https://www.scielo.br/j/ee/a/rFMqvgZ384yTcJMZ79XpKgH/?format=html https://www.scielo.br/j/ee/a/rFMqvgZ384yTcJMZ79XpKgH/?format=html https://www.tesourotransparente.gov.br/visualizacao/painel-das-transferencias-intergovernamentais https://www.tesourotransparente.gov.br/visualizacao/painel-das-transferencias-intergovernamentais https://congressousp.fipecafi.org/anais/16UspInternational/120.pdf https://congressousp.fipecafi.org/anais/16UspInternational/120.pdf https://portaldatransparencia.gov.br/pagina-interna/603238-gastos-diretos-x-transferencias-de-recursos https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2021/06/oficializadas-novas-modalidades-de-transferencias-de-recursos-da-uniao https://www.mpgo.mp.br/portalweb/hp/2/docs/orientacoes_aplicacao_recursos_sus_2.pdf https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/1406 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/decreto_7508.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/emenda_29.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/financiamento_publico_saude_eixo_1.pdf http://siops.datasus.gov.br/Documentacao/Manual%20FNS.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Manual de obtenção de recursos federais para os municípios. Brasília, 2012. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/385453/Manual%20de%20Obten%C3%A7 %C3%A3o%20de%20Recursos%20Federais.pdf. Acesso: 19 mar. 2024. BRASIL. Mudanças do �nanciamento da saúde. CONASEMS. 2018. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Mudan%C3%A7as-no- Financiamento-da-Sa%C3%BAde.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Orientações sobre aplicação de recursos �nanceiros do sus, repassados fundo a fundo. Brasília, 2011. Disponível em: http://www.mpgo.mp.br/portalweb/hp/2/docs/orientacoes_aplicacao_recursos_sus_2.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Emenda Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc29.htm.Acesso em: 19 mar. 2024. CAMPELLI, M. G. R.; CALVO, M. C. M. O cumprimento da emenda constitucional nº. 29 no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, n. 13, v. 7, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/G9vWSh4xznqyYjhZc3rWFDj/?lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024. CEAP – Centro de Educação e Assessoramento Popular. Financiamento do SUS. A luta pela efetivação do direito humano à saúde. 2005. Disponível e: http://epsm.nescon.medicina.ufmg.br/dialogos2/Biblioteca/Artigos_pdf/cartilha_�nanciamento_ do_SUS_a_luta.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. GOMES, E. C. da S. Fundamentos das transferências intergovernamentais. Revista do TCU, 2007. Disponível em: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/415. Acesso em: 19 mar. 2024. SAMBIASE, A. G. F. Aspectos legais da Emenda Constitucional nº 29/00. Revista de Direito Sanitário, v. 4, n. 1,2003. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/view/82419. Acesso em: 19 mar. 2024. ZUCCHI, P.; DEL NERO, C.; MALIK, A. M. Gastos em saúde: os fatores que agem na demanda e na oferta dos serviços de saúde. Saúde e Sociedade, n. 9, p. 127-150, 2000. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/BVxTm8X5zqk9FxBx3XYKL4c/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024. Aula 3 Regulação https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/385453/Manual%20de%20Obten%C3%A7%C3%A3o%20de%20Recursos%20Federais.pdf https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/385453/Manual%20de%20Obten%C3%A7%C3%A3o%20de%20Recursos%20Federais.pdf https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Mudan%C3%A7as-no-Financiamento-da-Sa%C3%BAde.pdf https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Mudan%C3%A7as-no-Financiamento-da-Sa%C3%BAde.pdf http://www.mpgo.mp.br/portalweb/hp/2/docs/orientacoes_aplicacao_recursos_sus_2.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc29.htm https://www.scielo.br/j/csp/a/G9vWSh4xznqyYjhZc3rWFDj/?lang=pt http://epsm.nescon.medicina.ufmg.br/dialogos2/Biblioteca/Artigos_pdf/cartilha_financiamento_do_SUS_a_luta.pdf http://epsm.nescon.medicina.ufmg.br/dialogos2/Biblioteca/Artigos_pdf/cartilha_financiamento_do_SUS_a_luta.pdf https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/415 https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/view/82419 https://www.scielo.br/j/sausoc/a/BVxTm8X5zqk9FxBx3XYKL4c/?format=pdf&lang=pt Disciplina ESTRUTURA DO SUS Regulação Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, abordaremos as ações de regulação em saúde do acesso, práticas regulatórias e portas de entrada. Exploraremos como a regulação do acesso deve ser organizada para garantir a integralidade do cuidado. Discutiremos sobre auditoria, suas �nalidades, áreas de atuação e níveis de execução. Além disso, examinaremos os critérios utilizados em avaliações, normas e procedimentos e abordaremos os tipos de contratos, vantagens da contratualização e fases importantes desse processo para alcançar resultados satisfatórios. Ponto de Partida Estudante, a partir deste momento, vamos explorar o conceito de regulação. A relevância desse tema reside na capacidade de compreender o funcionamento �nanceiro e orçamentário de uma política pública, enquanto discute os desa�os contemporâneos. A regulação em saúde emerge como uma ferramenta essencial para a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), ao promover a coordenação de redes e �uxos assistenciais. Seu propósito é aprimorar os serviços de saúde oferecidos aos usuários, estabelecendo uma rede e�ciente e capaz de resolver integralmente suas demandas, com um atendimento humanizado. Para aprofundar as informações que você obteve até aqui, analise a situação seguinte com atenção e coloque em prática seus estudos: suponha que você é um assistente administrativo que trabalha no setor de regulação, mais especi�camente no sistema de transferências do SUS, em um hospital de alta complexidade, uma vez que é responsável pelo atendimento de usuários de uma macrorregião de saúde do estado de Minas Gerais. Esse complexo hospitalar, além de realizar atividades de cunho assistencial, também mantém vínculo com atividades de ensino e pesquisa. Sabe-se que sempre é realizada uma auditoria em saúde, um tipo de procedimento padrão normal nesse hospital, pois é uma ferramenta que visa fornecer elementos para o processo de gestão, objetivando sempre a melhoria e funcionalidade de cada setor. O que você, enquanto assistente administrativo, saberia dizer sobre o tipo de auditoria referida no texto? E qual a sua Disciplina ESTRUTURA DO SUS funcionalidade? Aproxime a re�exão do estudo de caso de sua realidade e vivência, de modo a reforçar o conteúdo abordado. Questione-se: você já conhecia essa diversidade de auditorias e as particularidades de cada uma? Vamos Começar! A regulação em saúde compreende um conjunto de medidas e ações para assegurar a qualidade, e�ciência e equidade dos serviços de saúde. Isso inclui a de�nição de normas e diretrizes para o funcionamento adequado do sistema, além do monitoramento e controle das atividades relacionadas à prestação de serviços. Seu escopo abarca aspectos econômicos, técnicos e assistenciais, visando controlar preços, garantir padrões de qualidade e organizar a oferta de serviços. Inclui também a avaliação de tecnologias, �scalização de estabelecimentos e participação da comunidade. A regulação em saúde se apoia em mecanismos como a Política Nacional de Regulação do SUS, auditoria e avaliação, e contratualização, visando uma gestão e�ciente e e�caz do sistema (Souza, 2018; Alcoforado, 2005). A Portaria GM/MS nº 1.559, de 1º de agosto de 2008, instituiu a Política Nacional de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), fundamentada na Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/1990. Ela visa suprir lacunas legislativas e promover a cooperação entre os entes federativos. Seu objetivo é induzir a colaboração nacional na regulação da saúde, sem comprometer a autonomia dos estados e municípios. Destina-se a garantir o direito à saúde da população, conforme preconizado na Constituição Federal de 1988. A inserção de ações regulatórias teve início com a norma operacional da assistência à saúde (NOAS) em 2001, seguida pelo Pacto pela Saúde em 2006, culminando na implementação da Política Nacional de Regulação em 2008 (Lima, 2020). Podemos dizer que a regulação está organizada em três formas de atuação, interligadas entre si. São elas: regulação de sistemas de saúde; regulação da atenção em saúde; regulação do acesso à assistência (regulação do acesso ou regulação assistencial). Para que você possa compreender mais as ações de regulação da saúde, as características de cada uma estão descritas conforme mostrado no Quadro 1. Regulação de Sistemas de Saúde Regulação da Atenção em Saúde Regulação do Acesso à Assistência Remete à gestão do SUS: objetivo de estruturar, fortalecer e consolidar o SUS; elaborar atos normativos; realizar o planejamento continuado, dando Intuito de organizar a atenção à saúde; proceder com as informações estratégicas para toada de decisões; realizar o controle de ações e serviços Promover a ordenação, quali�cação dos �uxos de acesso às ações e dos serviços de saúde; otimizar a utilização dos recursos disponíveis; Disciplina ESTRUTURA DO SUS direção; avaliar incorporação, utilização, exclusão de tecnologias; proceder com o monitoramento, o controle, a avaliação e a auditoria e realizar Vigilância em Saúde. de saúde; formalizar o instrumento contratual; proceder com a programação de ações e serviços de saúde e realizar pactuação entre gestores. promover a transparência, integralidade e igualdade no acesso às ações e nos serviços em tempo adequado. Quadro 1 | Características das ações de regulação em saúde do sistemabrasileiro. Além das características descritas anteriormente, as ações de regulação em saúde também apresentam objeto, sujeitos e objetivo alvos. As particularidades de cada uma estão descritas nas Figuras 1, 2 e 3. Figura 1 | Objeto, sujeitos e objetivo alvos da regulação de sistemas de saúde. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 2 | Objeto, sujeitos e objetivo alvos da regulação da atenção à saúde. Figura 3 | Objeto, sujeitos e objetivo alvos da regulação do acesso à assistência. Auditoria e avaliação no setor da saúde são ações sociais que fornecem relatórios e pareceres resultantes da interpretação dos objetos auditados e avaliados. São ferramentas essenciais para o processo de gestão, visando aprimorar sua e�ciência. A auditoria em saúde abrange diversas modalidades, sendo um processo sistemático e crítico que analisa ações e decisões de pessoas físicas e instituições de saúde. Seu objetivo é promover melhorias na gestão administrativa, veri�cando e controlando processos e resultados para garantir benefícios e conformidade com os regulamentos estabelecidos (Weber; Bordin, 2005). A auditoria também se fundamenta em princípios éticos básicos, como autonomia, bene�cência e justiça, exigindo uma compreensão próxima da realidade a ser auditada. Essa proximidade é essencial para melhorar a adequação dos programas propostos e superar a verticalidade do modelo assistencial predominante. Favorece a adoção de ações coletivas e preventivas, promove a divulgação e legitimação das atividades de saúde e oferece suporte à autonomia local (Weber; Bordin, 2005). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Segundo o Manual de Normas de Auditoria do Ministério da Saúde (Brasil, 1998), os auditores devem atender a requisitos especí�cos para garantir sua autonomia pro�ssional: Evitar con�itos de interesse ao auditar atividades em que estão envolvidos pro�ssionalmente. Agir com cautela, discrição, sigilo e diligência. Manter-se atualizado tecnicamente. Contar com o apoio e a con�ança dos coordenadores do serviço, usuários e instituições. Ser capaz de desenvolver normas, procedimentos e técnicas para a auditoria. Manter independência e imparcialidade em suas ações. Siga em Frente... Para reforçar as atividades de auditoria, foi criado o Sistema Nacional de Auditoria (SNA), instituído pelo art. 6º da Lei nº 8.689, de 27 de julho de 1993 e regulamentado pelo Decreto nº1651, de 28 de setembro de 1995, o qual se desdobra nos três níveis de gestão que compõem o SUS – federal, estadual e municipal. Segundo o Sistema Estadual de Auditoria Assistencial, a Auditoria pode ser classi�cada conforme o esquematizado nos Quadros 2, 3, 4 e 5. Auditoria Analítica Auditoria Operacional Baseia-se na análise de dados estatísticos, documentos, laudos, processos, relatórios, entre outros. Tem o intuito de veri�car o atendimento às normas e aos padrões que foram preestabelecidos e redirecionar o modelo de atenção à saúde. Consiste em atividades de controle das ações, com análise direta dos fatos e das situações. Esse método visa con�rmar ou não o atendimento às normas e leis, a adequação de conformidade, e�ciência e e�cácia do processo de trabalho em saúde; avaliação de controle interno, externo e regulação – sugerindo soluções alternativas para a melhoria do desempenho operacional. Quadro 2 | Classi�cação das auditorias quanto ao tipo: analítica e operacional. Auditoria Preventiva Auditoria Punitiva Disciplina ESTRUTURA DO SUS Objetivo de preservar o bom funcionamento de determinada política ou determinado órgão, evitando violação de normas por meio de esclarecimento e orientação. Objetivo de punir a violação das normas. Quadro 3 | Classi�cação das auditorias quanto à consequência de ações: preventiva e punitiva. Auditoria Regular/Programada Auditoria Especial Remete a um procedimento de rotina, tem uma programação estabelecida e aprovada. Geralmente acontece de uma forma repentina, a partir de denúncias por parte da imprensa, de outros órgãos ou de pessoas. Quadro 4 | Classi�cação das auditorias quanto à causa desencadeante: programada e especial Auditoria Nível Central Auditoria Espacial Remete a um procedimento de rotina, tem uma programação estabelecida e aprovada. Geralmente acontece de uma forma repentina, a partir de denúncias por parte da imprensa, de outros órgãos ou de pessoas. Quadro 5 | Classi�cação das auditorias quanto ao nível de gestão: central e regional. A avaliação é uma atividade conduzida por meio de pesquisa que visa abordar questões pertinentes a uma determinada comunidade, analisando a e�cácia das intervenções sociais. Em um contexto de saúde, por exemplo, a avaliação envolve a análise crítica das intervenções ou outros elementos associados para auxiliar na tomada de decisões. É crucial compreender que os objetivos da avaliação são diversos, mas podemos destacar os objetivos o�ciais e não o�ciais. Os objetivos o�ciais da avaliação podem ser resumidos em quatro aspectos: estratégico, formativo, somativo e fundamental (Cavalcanti; Cruz; Padilha, 2018; Souza, 2018; Hartz, 1997). As características de cada um estão descritas conforme demostrado na Figura 4. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 4 | Os quatro objetivos o�ciais da avaliação: estratégico; formativo; somativo e fundamental. Já os objetivos o�ciosos podem ser realizados pelos diferentes atores, os quais, na maioria das vezes, podem ser implícitos, sendo importante considerá-los. Ademais, os administradores que solicitarão uma avaliação podem ter outras intenções, conforme descrito na Figura 5. Figura 5 | Exemplos de objetivos o�ciosos presentes em uma avaliação pelos diferentes atores. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Com a criação do SUS, a contratualização e a regulação em saúde se tornaram elementos essenciais para auxiliar a gestão, juntamente com a auditoria e avaliação. Quando o poder público não consegue atender a todas as demandas em saúde, especialmente em procedimentos de média e alta complexidade, o SUS, respaldado pela Constituição Federal de 1988, pode contratar entes federados, com ou sem �ns lucrativos, para prestarem serviços, sendo remunerados com base na tabela de preços do SUS. Os objetivos da contratualização incluem melhorar a saúde da população, controlar despesas públicas com saúde, coordenar ações e fornecer informações aos cidadãos. Exemplos de instrumentos contratuais são convênios, contratos e termos de ajuste. O Ministério da Saúde iniciou o processo de contratualização em 2004, principalmente para reestruturar hospitais de ensino e �lantrópicos, adotando um novo modelo de �nanciamento baseado em incentivos �nanceiros calculados com base no histórico hospitalar de cada instituição (Ditterich et al., 2015; Costa e Silva; Escoval; Hortale, 2014). Vamos Exercitar? Para entender e resolver a situação-problema, é essencial relembrar a importância da regulação em saúde. Essa é uma ferramenta fundamental na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), coordenando redes e �uxos assistenciais para melhorar os serviços prestados aos usuários. Para isso, destacam-se a criação da Política Nacional de Regulação do SUS, a instituição da Portaria GM/MS nº 1.559/2008, as auditorias, a avaliação e o processo de contratualização para atender a todas as demandas de serviços em saúde. Neste estudo de caso, abordamos a realização de uma auditoria de saúde, um procedimento regular no hospital, planejado e aprovado previamente para garantir sua e�cácia. Saiba mais Para uma melhor compreensão acerca do sistema de regulação em saúde, leia o artigo “Regulação em Saúde: desa�os à governança do SUS”, disponível em Scielo. Acerca dos modelos estaduais de regulação, você pode ler o material da Subsecretaria de Saúde de Goiás. Para se inteirar melhor sobre o processo de auditoria e avaliação em saúde, você pode ler o artigo “Auditoria e Avaliação no Sistema Único de Saúde”. Reforçando os conhecimentos acerca de contratualização, você pode ler o artigo “A política de contratualização dos hospitais de ensino: o que mudou naprática?”, disponível em BVSalud. Referências https://www.scielo.br/j/cadsc/a/487tjCDYTQhNFdM7wnsYgDd/abstract/?lang=pt http://produtos.seade.gov.br/produtos/spp/v22n01/v22n01_11.pdf https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1350454 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1350454 Disciplina ESTRUTURA DO SUS ALCOFORADO, F. C. G. Contratualização e e�ciência no setor público: as organizações sociais. X Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Santiago, Chile, 2005. Disponível em: http://www.bresserpereira.org.br/Documents/MARE/OS/alcoforado_OS.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Contratualização. Ministério da Saúde. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/atencao-especializada-e- hospitalar/contratualizacao. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Manual de normas de auditoria. Brasília, 1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_normas_auditoria.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Portaria nº 3.390, de 30 de dezembro de 2013. Portaria nº 1.559, de 1 de agosto de 2008. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt1559_01_08_2008.html. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.390 de 30 de dezembro de 2013. Disponível em: https://observatoriohospitalar.�ocruz.br/biblioteca/portaria-gmms-no-3390-de-30-de- dezembro-de-2013. Acesso em: 19 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.410 de 30 de dezembro de 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt3410_30_12_2013.html. Acesso em: 19 mar. 2024. CAVALCANTI, R. P.; CRUZ, D. F.; PADILHA, W. N. P. Desa�os da regulação assistencial na organização do Sistema Único de Saúde. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 22, n. 2, 2018. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/09/913906/31872-92105-1-pb.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. CONASS – Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A regulação no SUS – Alguns conceitos. Guia de apoio à gestão estadual do SUS. Disponível em: https://www.conass.org.br/guiainformacao/a-regulacao-no-sus-alguns-conceitos/. Acesso em: 19 mar. 2024. COSTA e SILVA, V.; ESCOVAL, A.; HORTALE, V. A. Contratualização na atenção primária à saúde: a experiência de Portugal e Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, n. 19, v. 8, p. 3593-3604, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/g63cPSkvd7y5CBCdhgGvwZt/? format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024 DITTERICH, R. G.; et al. A contratualização como ferramenta da gestão na Atenção Primária à Saúde na percepção dos pro�ssionais da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Brasil. Saúde Debate, v. 39, n. especial, p. 207-220, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: http://www.bresserpereira.org.br/Documents/MARE/OS/alcoforado_OS.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/atencao-especializada-e-hospitalar/contratualizacao https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/atencao-especializada-e-hospitalar/contratualizacao https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_normas_auditoria.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt1559_01_08_2008.html https://observatoriohospitalar.fiocruz.br/biblioteca/portaria-gmms-no-3390-de-30-de-dezembro-de-2013 https://observatoriohospitalar.fiocruz.br/biblioteca/portaria-gmms-no-3390-de-30-de-dezembro-de-2013 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt3410_30_12_2013.html https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/09/913906/31872-92105-1-pb.pdf https://www.conass.org.br/guiainformacao/a-regulacao-no-sus-alguns-conceitos/ https://www.scielo.br/j/csc/a/g63cPSkvd7y5CBCdhgGvwZt/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/g63cPSkvd7y5CBCdhgGvwZt/?format=pdf&lang=pt Disciplina ESTRUTURA DO SUS https://www.scielo.br/j/sdeb/a/dXzc6KbdZv5qJpP8VKrGLSD/abstract/?lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024 HARTZ, Z. M. A. (org). Avaliação em saúde: dos modelos conceituais à prática na análise da implantação de programas. [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1997. 132 p. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/3zcft/pdf/hartz-9788575414033.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024 LIMA, F. de F. S. Política Nacional de Regulação do Sistema Único de Saúde – SUS à luz do guia prático de análise ex ante. Instituto Serzedello Corrêa, 2020. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/politica-nacional-de-regulacao-do-sistema-unico-de- saude-sus-a-luz-do-guia-pratico-de-analise-ex-ante- 8A81881F78EC6C5D0179A1E8960C7DF9.htm. Acesso em: 19 mar. 2024. SOUZA, A. N. Monitoramento e avaliação na atenção básica no Brasil: a experiência recente e desa�os para a sua consolidação. Revista Saúde Debate, n. 42, 2018. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/sdeb/2018.v42nspe1/289-301/. Acesso em: 19 mar. 2024. WEBER, C. A. T. W.; BORDIN, R. O papel da auditoria no Sistema Único de Saúde. Revista de Direito Sanitário, São Paulo, v. 6, n. 1/2/3, p. 119-131, 2005. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/view/80819. Acesso em: 19 mar. 2024. Aula 4 Desa�os e Re�exões sobre a Gestão do SUS Desa�os e re�exões sobre a gestão do SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos discutir a criação das Emendas Constitucionais nº 86/2015 e 95/2016 e sua relação com o agravamento do processo de sub�nanciamento do SUS, https://www.scielo.br/j/sdeb/a/dXzc6KbdZv5qJpP8VKrGLSD/abstract/?lang=pt https://static.scielo.org/scielobooks/3zcft/pdf/hartz-9788575414033.pdf https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/politica-nacional-de-regulacao-do-sistema-unico-de-saude-sus-a-luz-do-guia-pratico-de-analise-ex-ante-8A81881F78EC6C5D0179A1E8960C7DF9.htm https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/politica-nacional-de-regulacao-do-sistema-unico-de-saude-sus-a-luz-do-guia-pratico-de-analise-ex-ante-8A81881F78EC6C5D0179A1E8960C7DF9.htm https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/politica-nacional-de-regulacao-do-sistema-unico-de-saude-sus-a-luz-do-guia-pratico-de-analise-ex-ante-8A81881F78EC6C5D0179A1E8960C7DF9.htm https://www.scielosp.org/article/sdeb/2018.v42nspe1/289-301/ https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/view/80819 Disciplina ESTRUTURA DO SUS bem como os impactos negativos decorrentes disso. Além disso, abordaremos algumas práticas em gerência, tais como assistência multipro�ssional, gerenciamento de custos, gestão de ambientes hospitalares e garantia de qualidade. Também exploraremos a atuação do setor privado no SUS, destacando as características e diferenças entre saúde suplementar e complementar. Ponto de Partida Estudante, agora vamos explorar os desa�os e re�exões sobre a gestão do SUS. Este tema é de extrema importância, pois permite analisar o funcionamento �nanceiro e orçamentário de uma política pública, além de discutir os desa�os enfrentados atualmente. O Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecido como o maior plano de saúde do Brasil. Mesmo após 30 anos de existência, enfrenta diversos obstáculos que impactam seu desenvolvimento e sua capacidade de permanecer como uma política pública gratuita, abrangente e equitativa, voltada para o atendimento integral dos usuários. Estudante, que tal �xar as informações contextualizando sua aprendizagem? Analise atentamente a situação descrita a seguir para desenvolver uma re�exão. Suponha que você seja um pro�ssional de saúde em um unidade básica de saúde (UBS), mais especi�camente um enfermeiro. Sabe-se que, em toda unidade de saúde, deve haver a �gura do gestor e que ele deve possuir algumas características: ser equilibrado, atender às perspectivas dos usuários, superar as limitações que o serviço apresenta, trabalhar com o dé�cit de pessoal, de materiais e recursos, lidarcom o aumento do número de usuários e das demandas em saúde. O que você, enquanto pro�ssional de enfermagem, saberia dizer sobre o processo de gerenciamento em saúde no SUS? O que pode ser aplicado na prática nessa UBS? Vamos Começar! Antes de adentrarmos à análise do sub�nanciamento do SUS, é essencial compreender o panorama do �nanciamento do sistema de saúde, que envolve a interação entre os setores público e privado. No Brasil, os gastos com saúde são consideráveis, porém, há uma disparidade entre os gastos públicos e privados, o que pode gerar desigualdades no setor. Os gastos públicos em saúde, em relação aos gastos totais, costumam ser relativamente baixos, muitas vezes abaixo de 50%. A municipalização ou descentralização, apesar de ser um paradigma contraditório, trouxe avanços positivos para o SUS, como um aumento na cobertura dos serviços de saúde, especialmente na atenção primária à saúde (APS). No entanto, o sub�nanciamento do SUS continua sendo um problema signi�cativo, prejudicando o atendimento adequado à comunidade. Apesar de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ser destinado à saúde, os hospitais públicos frequentemente enfrentam sucateamento, resultando em falta de estrutura física, pro�ssionais e medicamentos. Isso se deve, em parte, à sobrecarga dos municípios, que agora precisam lidar com um �nanciamento insu�ciente para Disciplina ESTRUTURA DO SUS suprir as lacunas deixadas pelos governos estaduais e federal (Conass, 2019; Funcia, 2019; Mendes; Bittar, 2018). Embora o paradigma contraditório da municipalização ou descentralização ainda persista, esse processo demonstrou resultados positivos para o SUS. Ele resultou em um aumento signi�cativo na cobertura dos serviços de saúde, especialmente na atenção primária à saúde (APS). O aumento dos gastos públicos municipais em saúde desempenhou um papel importante ao compensar, pelo menos parcialmente, as consequências do sub�nanciamento causado pela redução dos gastos federais (Funcia, 2019; Mendes; Bittar, 2018). Figura 1 | Paradigma da municipalização ou descentralização. Aparentemente, o sub�nanciamento do SUS parece ter poucas perspectivas de reversão. Em resposta a essa questão, foi promulgada a Lei nº 13.097/2015, que abre espaço para a participação internacional nos serviços de saúde. Essa lei tende a introduzir novos e ativos agentes privados no sistema de saúde brasileiro, o que pode levar a uma maior segmentação. Nos próximos anos, espera-se um aumento nas captações de recursos para o setor de saúde por meio da atividade conhecida como private equity. Além disso, outro desa�o foi imposto pelo congelamento dos recursos destinados aos gastos públicos por 20 anos, estabelecido pela PEC 241/2016, visando equilibrar as contas públicas (Funcia, 2019). O sistema federativo brasileiro, em relação às relações entre estados, municípios, União e Distrito Federal, assim como às fontes de recursos para atender às demandas, precisa ser urgentemente revisado. É fundamental reexaminar a distribuição de responsabilidades entre estados, municípios e União, conforme estabelecido na Constituição Federal de 1988, bem como a lógica Disciplina ESTRUTURA DO SUS �nanceira que orienta os investimentos do país. Os desa�os relacionados ao (sub)�nanciamento do SUS estão intrinsecamente ligados aos seguintes problemas: o sistema tributário brasileiro é injusto e extremamente complexo, caracterizado por uma carga tributária elevada e serviços de baixa qualidade para a população; além disso, no Brasil, o setor de saúde privado representa uma parcela maior dos gastos do que o setor público (Funcia, 2019). Para estudarmos o contexto do subgerenciamento do SUS, bem como suas de�ciências, primeiro é necessário entender o processo de gerência em si e como ocorre na área da saúde. Siga em Frente... A gestão desempenha um papel fundamental na implementação de políticas, incorporando uma abordagem articuladora e integradora, fundamental para a organização e�ciente dos serviços de saúde e para a concretização das políticas sociais e de saúde. Para exercer uma gestão e�caz em uma equipe de saúde, o pro�ssional encarregado deve possuir certas características, tais como: equilíbrio emocional, consideração das necessidades e perspectivas dos usuários, capacidade de superar desa�os e limitações presentes no serviço, comprometimento com os princípios orientadores do SUS, habilidade para lidar com escassez de pessoal, materiais e recursos e gestão e�ciente da crescente demanda de usuários (Fernandes; Cordeiro, 2018). É amplamente reconhecido que as atividades de gestão na área da saúde enfrentam a ausência de uma base legal clara que de�na atribuições e responsabilidades. A falta de uma legislação especí�ca que regulamente o exercício da gerência pode gerar con�itos e disputas de poder dentro das equipes. Atualmente, a Política Nacional de Atenção Básica estabelece responsabilidades claras para o corpo clínico e os pro�ssionais da saúde da família, mas não oferece uma de�nição semelhante para os gestores das unidades básicas de saúde (UBS). Observa-se que essa política enfatiza que a gestão é uma responsabilidade compartilhada por todos os pro�ssionais, destacando a importância da participação de cada um no gerenciamento dos recursos necessários para o funcionamento adequado de uma UBS (Fernandes; Cordeiro, 2018). Geralmente, entre os pro�ssionais de saúde, é comum que a gestão de serviços de saúde seja atribuída aos enfermeiros, dada sua habilidade em organizar e sistematizar rotinas, mantendo a hierarquia e a disciplina nas instituições públicas. Este pro�ssional desempenha o papel de interlocutor e mediador no processo de trabalho, além de participar das tomadas de decisão que afetam a carga de trabalho, entre outras responsabilidades (Fernandes; Cordeiro, 2018; Fernandes; Machado; Anschau, 2009; Ermel; Fracolli, 2003). A gestão é uma competência atribuída ao enfermeiro no campo da assistência, da equipe de enfermagem ou do serviço, conforme estabelecido na Lei nº 7.498, Art. 11º, de 25 de junho de 1986. Além disso, as Diretrizes Nacionais Curriculares (DNC) incluem em sua formação conteúdos de administração/gestão e competências pro�ssionais. No entanto, ao assumir a gestão de uma unidade, é comum que enfrentem um acúmulo de funções, resultando em sobrecarga e prejudicando o desenvolvimento de seu trabalho, o que pode afetar a e�ciência da Disciplina ESTRUTURA DO SUS unidade em atender à população, agravando o problema de subgerenciamento do SUS (Fernandes; Cordeiro, 2018; Fernandes; Machado; Anschau, 2009; Ermel; Fracolli, 2003). Para compreendermos os desa�os e re�exões sobre a gestão do SUS, é importante estudar o papel do setor privado. O nosso sistema de saúde, o SUS, adota um formato híbrido de gestão da saúde, que envolve a prestação de serviços tanto pelo setor público e gratuito quanto pelo setor privado. Desde as décadas de 1960, 1970 e 1980, o setor privado tem desempenhado um papel relevante na oferta de serviços de saúde no Brasil (Silva et al., 1997). Mas como ocorre, de fato, a participação do setor privado nos serviços do SUS? Embora o Estado invista recursos para atender às demandas de saúde da população brasileira, o setor privado pode atuar de várias formas: oferecendo planos e seguros de saúde; mantendo hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios particulares; fornecendo serviços por meio de contratações (por exemplo, quando não há especialistas disponíveis na rede pública, prefeituras ou governos estaduais contratam serviços da iniciativa privada, posteriormente pagos com recursos públicos). A Constituição Federal Brasileira de 1988 menciona a complementaridade da participação privada no setor de saúde. Isso inclui atividades relacionadas à prevenção de doenças, promoção, proteção e recuperação da saúde, além de atividades de controle e �scalização. Ao desempenhar os serviços públicos, o setor privado deve ser complementar, e não substitutivo. Também é descrito, conforme estabelecido na Lei Orgânica daa necessidade de reestruturar a política de saúde com a criação do Sistema Único de Saúde. A conclusão do relatório �nal da comissão organizadora, presidida por Sérgio Arouca, uma das principais lideranças do Movimento da Reforma Sanitária (MRS), foi que o conceito de saúde deveria ser ampliado, sugerindo a revisão da legislação voltada para a promoção, proteção e recuperação da saúde. Após esse importante evento, o governo assumiu a bandeira da reforma sanitária, viabilizou as políticas de Ações Integradas de Saúde e criou o Sistema Uni�cado e Descentralizado de Saúde em 1987, o SUDS. Em 1988, a Constituição Federal integra a saúde, a previdência e a assistência social ao tripé da Política de Seguridade Social. À saúde coube cinco artigos que, juntos, constituem um sistema único, pautado pelos princípios de universalidade, equidade, integralidade e da participação da comunidade através do controle social, que resultou na criação do SUS (Portal da Reforma Sanitária, [s.d.]; Santos, 2013). Portanto, ao longo desse conteúdo, podemos perceber que a participação popular é uma necessidade no setor saúde. Como desenvolver ações voltadas à população sem ouvi-la? Essa participação também é importante para que haja controle social das ações governamentais em vários âmbitos: na gestão, na formulação de políticas, no emprego dos recursos �nanceiros, na avaliação da assistência prestada, entre outros. Vamos Exercitar? Como resposta, uma iniciativa que o prefeito poderia adotar seria a criação de um fórum de deliberação dedicado à re�exão e discussão de questões de interesse público municipal na área da saúde. Ao abrir um canal permanente de diálogo, sugestão e proposição com os usuários do SUS, pro�ssionais de saúde locais e pesquisadores da área da saúde na cidade, o prefeito não apenas conferiria maior legitimidade democrática à sua gestão, mas também se bene�ciaria ao ter acesso às melhores ideias e práticas de gestão para aprimorar continuamente os serviços de saúde e a infraestrutura de saúde pública no município. Isso permitiria que o prefeito atuasse de maneira inteligente na formulação e implementação de políticas públicas de saúde. Assim, ao longo do tempo, a gestão pública de saúde na cidade ganharia racionalidade, direção e sentido seguro, aumentando constantemente o potencial de Disciplina ESTRUTURA DO SUS e�ciência, e�cácia e efetividade no gerenciamento dos assuntos relacionados à saúde no município. Esta aula forneceu subsídios sobre o papel e o impacto histórico das Conferências Nacionais de Saúde no Brasil. Espera-se que você reconheça que estabelecer um mecanismo de debate público contínuo sobre os principais problemas, falhas e experiências bem-sucedidas nos serviços públicos ao longo dos anos pode orientar o planejamento e a implementação de políticas públicas de saúde na cidade com base em evidências. Saiba mais Para ampliar a perspectiva sobre como os movimentos sociais brasileiros mais recentes impactaram a con�guração institucional da gestão pública em nosso país, leia o artigo intitulado “Os movimentos feministas e o processo da Reforma Sanitária no Brasil: 1975 a 1988”, o qual re�ete sobre a atuação de movimentos feministas na implementação do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), lançado em 1983. Quer entender como funciona a dinâmica de uma Conferência Nacional de Saúde? Não deixe de assistir o vídeo da mesa de abertura! O Prof. Emerson Merhy (UFRJ), um médico e pesquisador sanitarista, aborda a saúde enquanto direito social e de que maneira o SUS surgiu como uma busca pela concretização desse direito por parte de movimentos sociais brasileiros. Para saber mais sobre a importância política da 8ª Conferência Nacional de Saúde, não deixe de ver o vídeo “Oitava: a conferência que auscultou o Brasil”, no qual membros do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira dão depoimento sobre suas experiências de mobilização política e sobre os resultados que foram alcançados por este movimento. Referências BRASIL. Decreto nº 6.788, de 30 de janeiro de 1941. Convoca a 1ª Conferência Nacional de Educação e a 1ª Conferência Nacional de Saúde e dá outras providências. Disponível em: http://www.ccs.saude.gov.br/cns/pdfs/1conferencia/1confna_ed.pdf. Acesso em: 24 jan. 2024. CARLOS, A. C. S. Movimentos Sociais e saúde: uma análise das lutas sociais pela saúde pública entre 1970 a 1990. Anais do V SERPINF e III SENPINF. 2018. Disponível em: https://editora.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/serpinf- senpinf/assets/edicoes/2020/arquivos/57.pdf . Acesso em: 24 jan. 2024. CONASS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. As conferências nacionais de saúde: evolução e perspectivas. Brasília: CONASS, 2009. MIRANDA, A. S. de. A reforma sanitária encurralada? Apontamentos contextuais. Saúde em Debate, v. 41, p. 385-400, 2017. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/7xXBBQJzhD5jffSPN6fhJZh/ http://www.ccs.saude.gov.br/cns/pdfs/1conferencia/1confna_ed.pdf https://editora.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/serpinf-senpinf/assets/edicoes/2020/arquivos/57.pdf https://editora.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/serpinf-senpinf/assets/edicoes/2020/arquivos/57.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS PAIM, J. S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: MedBook, 2014. PORTAL DA REFORMA SANITÁRIA. Movimento da reforma sanitária brasileira: os principais marcos históricos. Portal da Reforma Sanitária, [s.d.]. Disponível em: https://portaldareformasanitaria.org/movimento-da-reforma-sanitaria-brasileira-os-principais- marcos-historicos/. Acesso em: 24 jan. 2024. SANTOS, M. A. Lutas sociais pela saúde pública no Brasil frente aos desa�os contemporâneos. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 16, n. 2, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/sk3wMnW6NFQWWWNjQ3YNNrB. Acesso em: 24 jan. 2024. SOUTO, L. R. F.; OLIVEIRA, M. H. B. de. Movimento da reforma sanitária brasileira: um projeto civilizatório de globalização alternativa e construção de um pensamento pós-abissal. Saúde em Debate, v. 40, p. 204-218, 2016. Aula 3 Princípios do SUS Princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, teremos a oportunidade de compreender os princípios organizativos e as diretrizes do SUS, fundamentais para o funcionamento do sistema de saúde brasileiro. Universalidade, integralidade, equidade e participação social são pilares que orientam a oferta de serviços, promovendo acesso igualitário, cuidado abrangente, justiça na distribuição de recursos e envolvimento da comunidade. Está pronto? Vamos lá! Ponto de Partida https://portaldareformasanitaria.org/movimento-da-reforma-sanitaria-brasileira-os-principais-marcos-historicos/ https://portaldareformasanitaria.org/movimento-da-reforma-sanitaria-brasileira-os-principais-marcos-historicos/ https://www.scielo.br/j/rk/a/sk3wMnW6NFQWWWNjQ3YNNrB Disciplina ESTRUTURA DO SUS Estudante, estamos estudando todos os marcos históricos na conquista de assistência e melhorias na saúde até a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Vamos compreender seus princípios e diretrizes, que servem de base para o funcionamento e organização do sistema de saúde em nosso país, conquistados historicamente pelo povo brasileiro. Para compreendermos na prática, vamos ao estudo de caso a seguir: Dona Maria, 56 anos, faz tratamento para hipertensão na UBS (atenção básica) de seu bairro. Ela é sempre atendida por um médico e uma enfermeira, e os dois têm percebido que a pressão de Dona Maria não melhora, apesar de ela tomar as medicações corretamente, fazer exercícios e seguir a dieta que lhe foi passada. Descon�ando de que ela tem um problema cardíaco, o médico solicita um eletrocardiograma.Saúde, Lei nº 8.080/1990, em seu artigo 24, que a participação privada está vinculada à situação em que há insu�ciência na disponibilidade de serviços por parte dos órgãos e entidades públicos. Além disso, a previsão da participação da iniciativa privada como complementar está descrita no artigo 4º, seguindo o que foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988 sobre o caráter complementar da participação privada no SUS (Silva et al., 1997). Ao permitir que o Poder Público utilize os serviços privados de saúde quando os serviços públicos são insu�cientes, a complementaridade prevista pela CF/88 tinha como objetivo evitar contradições na administração pública. Na época, cerca de 70% dos serviços privados complementavam os serviços públicos, com respaldo do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), por meio de contratos e convênios com o setor privado, tanto lucrativo quanto sem �ns lucrativos. Diante das crises, que abrangem desde as questões de �nanciamento até as di�culdades da administração pública em gerir os serviços de saúde, surgiram novas formas de terceirização, tais como: organizações sociais (OS), organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP), cooperativas de serviços, fundações de apoio, parcerias público-privadas (PPPs). Atualmente, nossa realidade indica que seria mais desa�ador conduzir uma administração pública executora direta de serviços sem a participação do setor privado. Vamos Exercitar? Disciplina ESTRUTURA DO SUS Para entender e abordar a situação-problema, é essencial revisitar os aspectos relacionados à gestão em saúde. É conhecido que o SUS enfrenta um cenário de subgerenciamento, no qual não há uma legislação especí�ca que estabeleça as atividades, competências e quais pro�ssionais devem ocupar cargos de gerência. No entanto, é comum que a gestão em serviços de saúde seja liderada por enfermeiros. Nesse contexto, uma opção viável seria designar um pro�ssional de enfermagem para assumir a gerência da unidade básica de saúde (UBS). Em geral, entre os pro�ssionais que atuam na área da saúde, os enfermeiros costumam demonstrar mais interesse, aptidão e preparo para assumir essas responsabilidades. Os enfermeiros são adequados para essas funções devido à sua capacidade de organizar e sistematizar rotinas, bem como de estabelecer hierarquia e disciplina nas instituições de saúde. Além disso, eles desempenham um papel fundamental como intermediários e mediadores no processo de trabalho e na tomada de decisões. Adicionalmente, a gestão é uma competência assegurada aos enfermeiros no âmbito da assistência, da equipe de enfermagem ou do serviço, conforme estabelecido pela Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Durante sua formação, as Diretrizes Nacionais Curriculares (DNC) incluem conteúdos sobre administração/gestão e desenvolvimento de competências pro�ssionais. Investimentos são direcionados nessa direção, seguindo as políticas públicas nas áreas da saúde e da educação, e reforçados pela legislação dos órgãos pro�ssionais competentes. Saiba mais Para uma melhor compreensão acerca do processo de sub�nanciamento do SUS neste período de pandemia, leia o artigo “O sub�nanciamento do Sistema Único de Saúde e seus rebatimentos no enfrentamento da Covid-19”, disponível em Scielo. Com vistas a aprofundar seus conhecimentos sobre o trabalho de gerência do pro�ssional de enfermagem, leia o artigo: “Estratégia Saúde da Família: gerenciamento do cuidado de enfermagem”, disponível em Revistas UFG. Acerca do papel do setor privado e para aprimorar seus conhecimentos, leia o artigo “O SUS e o Setor Privado Assistencial: adaptações e contradições”. Para se inteirar melhor sobre a atuação e participação do setor público e privado em saúde, leia o texto “A hegemonia do SUS e a relação público/privado na assistência hospitalar”, disponível em Repositório ENAP. Referências CONASS – Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Desa�os do SUS. 2019.Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/desa�os-do-sus/. Acesso em: 19 mar. 2024. https://scielosp.org/article/physis/2020.v30n3/e300313/pt/ https://scielosp.org/article/physis/2020.v30n3/e300313/pt/ https://revistas.ufg.br/fen/article/view/42691 https://revistas.ufg.br/fen/article/view/42691 https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/28239 https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/28239 https://repositorio.enap.gov.br/handle/1/660 https://www.conass.org.br/biblioteca/desafios-do-sus/ Disciplina ESTRUTURA DO SUS ERMEL, R. C.; FRACOLLI, L. A. Processo de trabalho de gerência: uma revisão da literatura. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 37, n. 2 p. 89-96, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Rr9TZYBDqmg5QrBWJHrpHjf/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: Acesso em: 19 mar. 2024. FERNANDES, L. C. L.; MACHADO, R. Z.; ANSCHAU, G. O. Gerência de serviços de saúde: competências desenvolvidas e di�culdades encontradas na atenção básica. Ciência & Saúde Coletiva, 14, p. 1541-1552, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/D8PbGDr8QmXhym4wNwCvySr/?lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024. FERNANDES, J. C.; CORDEIRO, B. C. O gerenciamento de unidades básicas de saúde no olhar dos enfermeiros gerentes. Revista de Enfermagem UFPE online, n.12, v. 1, p. 194-202, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/23311/25979. Acesso em: 19 mar. 2024. FUNCIA, F. R. Sub�nanciamento e orçamento federal do SUS: referências preliminares para a alocação adicional de recursos. Ciência & Saúde Coletiva, n. 24 v. 12, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/n77WSKwsWhzyBHGXtgLfFMj/?lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2024. MENDES, J. D. V.; BITTAR, O. J. N. Perspectivas e desa�os da gestão pública no SUS. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, v. 16, n. 1, 2014. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/18597. Acesso em: 19 mar. 2024. SILVA, L. M. V. Algumas características do setor privado de saúde de Salvador, Bahia, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 13, n. 4, 1997. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/a4e0/e3d271ef54109eba4afc1912c47e114e9b37.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. SILVA, D. G. A. da.; et al. A concepção do enfermeiro sobre gerenciamento do custo hospitalar. Enfermería Global, 2010. Disponível em: https://scielo.isciii.es/pdf/eg/n19/pt_administracion2.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Rr9TZYBDqmg5QrBWJHrpHjf/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/D8PbGDr8QmXhym4wNwCvySr/?lang=pt https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/23311/25979 https://www.scielo.br/j/csc/a/n77WSKwsWhzyBHGXtgLfFMj/?lang=pt https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/18597 https://pdfs.semanticscholar.org/a4e0/e3d271ef54109eba4afc1912c47e114e9b37.pdf https://scielo.isciii.es/pdf/eg/n19/pt_administracion2.pdf Disciplina ESTRUTURA DO SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos nos aprofundar nas diversas formas de gestão que permeiam a organização pública. Vamos explorar os modelos de gestão adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), bem como discutir as complexidades do �nanciamento e da regulação nesse contexto. Além disso, vamos analisar de forma mais detalhada os desa�os enfrentados na gestão do SUS, incluindo questões como sub�nanciamento e subgerenciamento, e re�etir sobre possíveis soluções para esses problemas. Ponto de Chegada Estudante, para desenvolver a competência desta unidade, que é “Analisar o funcionamento �nanceiro e orçamentário da gestão de uma política pública”, você deverá primeiramente ter conhecimento sobreO exame é feito e apresenta uma alteração. O médico então decide encaminhar Dona Maria para uma avaliação com um cardiologista. Ele faz uma guia de referência com todo o histórico clínico e pede que a paciente marque uma consulta no ambulatório de especialidades na cidade. Ela vai até o local e consegue o agendamento. Ao ser atendida, o cardiologista solicita outros exames, pede que Dona Maria os faça no próprio ambulatório e que, em 30 dias, passe em nova consulta com ele. Após fazer os exames, ela retorna e é reavaliada pelo cardiologista, que considera necessária uma troca de medicamentos, prescreve um novo remédio, preenche a guia de contrarreferência, pede que ela entregue essa guia ao médico que a encaminhou e a orienta a retornar à UBS, a �m de dar continuidade ao seu tratamento. Recomenda ainda que ela deverá voltar ao ambulatório uma vez por ano. Considerando esse estudo de caso, de que maneira essas práticas estão alinhadas aos princípios da integralidade, equidade e hierarquização? Vamos Começar! As políticas de saúde no Brasil foram moldadas de acordo com o contexto histórico e a situação econômica do país. O Sistema Único de Saúde (SUS) é um re�exo do desenvolvimento social brasileiro e é reconhecido como a política pública de maior impacto social, apesar dos desa�os enfrentados. Para entender o seu funcionamento, é essencial começar compreendendo o conceito de sistema. Um sistema refere-se a um conjunto de elementos inter-relacionados que interagem para desempenhar uma função especí�ca. No contexto do SUS, esse sistema tem como objetivo proporcionar cuidados de saúde à população, abrangendo aspectos preventivos, curativos, de reabilitação e promoção da saúde (Solha, 2014). Para uma compreensão mais clara das partes constituintes desse sistema, observe a Figura 1: Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 1 | Elementos do SUS. Fonte: Solha (2014, p. 19). Como você pode perceber, não há um elemento principal, todos são inter-relacionados, e nenhum deles pode existir de forma independente. Explicando cada um deles, temos: Recursos �nanceiros: relacionam-se ao �nanciamento do sistema. Sem esses recursos, não se constroem prédios para abrigar os serviços, não se adquirem insumos e não se contratam pro�ssionais. Esses recursos, por si só, não têm signi�cado; sua aplicação é crucial. Eles provêm principalmente do pagamento de impostos pela sociedade. Recursos humanos: a oferta de assistência à saúde depende de equipes capacitadas; essas equipes vão além dos pro�ssionais com formação em saúde, incluindo, por exemplo, pessoal de recepção e higiene em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Infraestrutura física e equipamentos: alocar pro�ssionais e usuários em locais adequados é essencial para a prestação de assistência. É inviável realizar uma cirurgia em uma sala de vacinação, e vice-versa. Assistência à saúde, ensino e pesquisa: são os pilares que orientam os serviços do SUS. O ensino e a pesquisa desenvolvem pro�ssionais e técnicas de cuidados quali�cados, contribuindo para a assistência direta. Quando ocorrem de forma separada, a assistência perde qualidade e o ensino e a pesquisa se afastam dos problemas reais da prática. Uma forma de ilustrar o SUS como sistema é compará-lo ao sistema cardíaco do nosso corpo: o objetivo é suprir o corpo de oxigênio e nutrientes, e suas partes são coração, artérias, veias, sistema linfático e sangue. Cada um desses elementos exerce uma função e, quando qualquer um deles falha, o sistema todo cessa. Então, cada componente do SUS seria equivalente a um dos órgãos do corpo, funcionando com o objetivo de oferecer assistência à saúde da população (Solha, 2014). Todo sistema necessita de regras para assegurar seu funcionamento, e o SUS segue essa lógica. Ele está fundamentado em princípios éticos que orientam seu funcionamento, e diretrizes Disciplina ESTRUTURA DO SUS organizacionais que facilitam sua gestão, possibilitando a aplicação prática desses princípios. O Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Lei nº 8.080, também conhecida como “Lei Orgânica da Saúde”, estabelece, em seu artigo 7º, que as ações e serviços públicos de saúde, bem como os serviços privados contratados ou conveniados integrantes do SUS, devem ser desenvolvidos conforme as diretrizes estipuladas no artigo 198 da Constituição Federal. Além disso, seguem princípios especí�cos que serão discutidos de maneira individual e detalhada (Moreira, 2023; Solha, 2014). Entre esses princípios, considerados pelos pesquisadores especializados em gestão de políticas de saúde como fundamentais, destaca-se o denominado “princípio da universalidade”, que é a garantia de que todos os brasileiros têm acesso aos serviços de saúde e aos seus níveis de assistência, independentemente de condições sociais como sexo, raça, renda, ocupação ou outras particularidades. Todo cidadão é igual perante o SUS e será acolhido até o limite que o sistema possa oferecer (Moreira, 2023; Solha, 2014). A consagração do princípio da universalidade na gestão pública de saúde no Brasil está explicitamente prevista no ordenamento jurídico nacional. O inciso I da Lei Federal nº 8.080/1990, em seu artigo 7º, estabelece que deve haver “universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência” (Brasil, 1990, online). A institucionalização desse princípio foi fortemente in�uenciada pelo debate público conduzido no �nal da década de 1970 e início da década de 1980 pelo Movimento da Reforma Sanitária Brasileira. Nesse contexto, o movimento social destacou a importância do cuidado com a saúde nas dinâmicas de desenvolvimento humano e social. Re�etiu-se sobre o modelo privatista de assistência à saúde, o qual privilegiava os trabalhadores empregados com carteira assinada como o principal grupo social com garantias o�ciais de assistência à saúde, por meio de sua condição de segurado de institutos previdenciários, seja via CAPs, IAPs ou INPS. Tal modelo revelou-se insu�ciente para assegurar à população brasileira um estado de salubridade e higidez capaz de atender aos padrões mínimos de desenvolvimento humano e social. Com isso, o princípio da universalidade ganhou cada vez mais destaque e espaço na agenda política brasileira, culminando na sua institucionalização na estrutura organizacional do SUS (Julião; Arcari; Cardoso, 2020; Solha, 2014). O princípio da integralidade, considerado pelos pesquisadores do campo da gestão de políticas de saúde como fundamental para orientar a organização da gestão pública no âmbito do SUS, se refere à disposição de assistência, ou seja, a um conjunto articulado e contínuo de ações e serviços, tanto no âmbito individual quanto no coletivo, para promoção, proteção e reabilitação de saúde. Essas ações e serviços não podem ser fracionados. Assim, os serviços de saúde devem distinguir na prática que cada pessoa é um todo, indivisível e integrante de uma sociedade. Dessa forma, as unidades prestadoras de serviço e trabalhadores terão que ser capazes de prestar uma assistência integral, implicando a articulação com outras políticas públicas e intersetoriais entre as diversas áreas que tenham repercussão na saúde e na qualidade de vida dos seus usuários, atendendo o paciente em todas as suas necessidades (Moreira, 2014; Solha, 2014). Disciplina ESTRUTURA DO SUS A referida lei, em seu inciso II do art. 7º, estabelece que os serviços de saúde devem obedecer ao princípio da “integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema” (Brasil, 1990, online). Por esse motivo, para zelar pela saúde da população brasileira, o SUS deve fazer uso de todos os instrumentos necessários para promover, proteger e recuperar a saúde de seus cidadãos. Isso inclui assistência médica e hospitalar curativa com internação ou ambulatório, realização de exames biológicos laboratoriais para análises clínicas, fornecimento de medicamentosou de receitas médicas para acesso a estes, prestação de informações e orientações médicas, características próprias das ações de cuidado preventivo, entre outros (Julião; Arcari; Cardoso, 2020; Solha, 2014). Outro princípio, chamado de equidade, tem a �nalidade de diminuir a desigualdade. Apesar de todos terem direitos aos serviços de saúde pelo sistema único, os usuários não são iguais e, por isso, têm necessidades diferentes; a equidade é a garantia de que todas as pessoas em igualdade tenham os serviços de saúde que serão oferecidos conforme a necessidade do usuário. Esse princípio, portanto, implica que a prestação de atendimento ao cidadão nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), nos hospitais públicos e em outras instalações físicas que compõem a estrutura do SUS seja realizada com total respeito ao cidadão brasileiro, sem considerar quaisquer características socioeconômicas (se rico ou pobre), culturais (abrangendo preferências ideológicas e religiosas), raciais (se pardo, branco, preto, indígena ou amarelo) e outras diversidades e particularidades físicas e mentais dos indivíduos (Moreira, 2023; Solha, 2014). A Lei Federal nº 8.080/1990, entretanto, utiliza uma expressão de signi�cado semelhante ao estabelecer no inciso IV do art. 7º que os serviços de saúde devem aderir ao princípio da “igualdade na assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer natureza” (Brasil, 1990). Esses princípios constituem os alicerces da estratégia político-administrativa desenvolvida no país desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 e, desde então, têm servido ao propósito de fortalecer democraticamente a população brasileira no que se refere às condições necessárias para a promoção, proteção e recuperação da saúde (Julião; Arcari; Cardoso, 2020; Solha, 2014). Sabemos que o SUS é um sistema nacional em um país com regiões extremamente diferentes entre si, não é mesmo? Nesse sentido, como garantir um funcionamento uniforme do sistema em todo o país? Para isso, foram determinadas diretrizes que devem ser seguidas por todos os estados e os municípios, denominadas princípios organizacionais, que se referem à organização do sistema e ao modo pelo qual será oferecido à população brasileira, (Figura 2). Esses princípios são pontuados nas Leis 8.080/90 e 8.142/90 e desempenham papéis imprescindíveis no direcionamento do sistema (Moreira, 2023). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Figura 2 | Organização do SUS. Fonte: Moreira (2023, p. 20). Uma das diretrizes é a da descentralização; vamos compreendê-la? Até a regulamentação do SUS, as ações de saúde eram centralizadas no nível federal. Os programas eram desenhados a partir do per�l epidemiológico (per�l de adoecimento e mortalidade de uma região) do país e executados pelos estados e municípios. A descentralização objetivou a distribuição das responsabilidades pelas ações e pelos serviços de saúde para os municípios, tornando as três esferas (federal, estadual e municipal) responsáveis pelo desenvolvimento, pela coordenação, pela implantação e pela avaliação dos programas de saúde. Então, a descentralização busca distribuir o poder político, responsabilidades e recursos da esfera federal para as esferas estaduais e municipais (Solha, 2014). Esse processo desconcentra o poder da União, fortalecendo as diretrizes e princípios do SUS. As ações e as responsabilidades foram distribuídas da seguinte maneira: Em nível federal: Ministério da Saúde, responsável pelo desenvolvimento, coordenação e avaliação de programas de saúde. Em nível estadual: Secretaria de Estado da Saúde, responsável pela coordenação, desenvolvimento e avaliação dos programas de saúde. Em nível municipal: Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela programação, execução e avaliação do atendimento à saúde. Os estados e municípios têm a autonomia para desenvolver programas de saúde adaptados à sua realidade regional, contando com apoio técnico e suporte �nanceiro do governo federal. A execução dessas ações de saúde para os usuários, que envolvem condições gerais, técnicas, administrativas e �nanceiras, é predominantemente de responsabilidade dos municípios. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Oferecer ações de saúde mais próximas da população contribui para uma maior resolutividade. Cada esfera do governo mantém autonomia soberana em suas disposições e atividades, sempre em conformidade com os princípios do SUS (Moreira, 2023; Solha, 2014). A regionalização signi�ca que é preciso delimitar territórios para que os gestores locais possam atuar sobre eles, de forma planejada e organizada. Em alguns casos, isso só acontece com a ajuda das Secretarias Estaduais de Saúde, que devem apoiar os municípios no processo. Para isso, existem as Comissões Intergestoras Bipartites – estado e municípios –, nas quais são discutidas as necessidades de saúde regionais e as soluções. Para as discussões que envolvem o nível federal, existem as Comissões Intergestoras Tripartites, que têm, além de representantes dos estados e municípios, representantes do governo federal (Solha, 2014). Um importante resultado do processo de regionalização é a possibilidade de trabalhar a realidade local, com seus determinantes e suas características populacionais. Pense em uma cidade no Amazonas e outra no Rio Grande do Sul: os determinantes de saúde são os mesmos? As potencialidades para resolver problemas são iguais? As pessoas reagem da mesma forma diante das di�culdades? A resposta mais provável para essas perguntas é: não. Por isso é fundamental que a assistência à saúde seja pensada dentro dos municípios, que conhecem como ninguém sua realidade. O que pode dar certo em uma região talvez seja um erro gigante em a outra e vice-versa (Solha, 2014). A regionalização é preconizada em todos os níveis estruturais, desde o governo federal até o municipal, e permeia a organização dos serviços. No caso das Unidades Básicas de Saúde (UBS), por exemplo, essas unidades têm uma área de abrangência pela qual são responsáveis, sendo essa delimitação geográ�ca e baseada nas características da população atendida. Ao estabelecer essa área, há uma restrição na quantidade de pessoas atendidas pela unidade, o que facilita o planejamento e a oferta de ações de saúde. Embora algumas pessoas expressem insatisfação por não serem atendidas na unidade de sua escolha, a de�nição de uma área é importante para que a equipe da UBS possa analisar os problemas especí�cos dessa região e oferecer serviços adequados ao per�l da população. Sem essa delimitação, seria necessário atender quem chegasse, resultando em uma assistência limitada ao tratamento da queixa imediata, sem possibilitar uma compreensão mais abrangente dos problemas de saúde ao longo do tempo (Solha, 2014). Siga em Frente... Para estruturar a rede de serviços de assistência, o SUS reorganizou os serviços, considerando a complexidade tecnológica de cada um e classi�cando-os em diferentes níveis, conforme o tipo de cuidado oferecido. Foi estabelecido que a porta de entrada nos serviços deve ser a atenção básica (AB), sendo essencial que esteja capacitada para resolver até 85% dos problemas de saúde da população. Se a atenção básica alcançar a resolutividade esperada, apenas uma pequena parte da população precisará de cuidados especializados, com o acompanhamento de especialistas. Uma parcela ainda menor demandará centros de cuidados com tecnologia mais Disciplina ESTRUTURA DO SUS avançada, como os voltados à medicina nuclear (Solha, 2014). A Figura 3 ilustra a con�guração da hierarquização dos serviços, outra diretriz do SUS. Observe como a base é ampla: ela representa o número de pessoas que podem ser atendidas pela atenção básica. À medida que seguimos para o topo, a �gura se estreita. Fica evidente que apenas uma pequena parcela da população necessita de atendimentos de alta complexidade. Figura 3 | Níveis de atenção à saúde. Fonte: Solha (2014, p. 21). Observe as duas setas ao lado da pirâmide: referência e contrarreferência.Essa é a trajetória dentro dos serviços de saúde. Quando um usuário é atendido na atenção básica e necessita de um exame ou da avaliação de um especialista que não está disponível no serviço, ele é encaminhado, por meio de um relatório (guia) de referência, a um serviço mais complexo. Cada município tem seu próprio método de regular esse processo: em alguns, o usuário agenda sua Disciplina ESTRUTURA DO SUS consulta diretamente no local; em outros, a guia permanece na unidade emissora, que �ca encarregada do agendamento, entre outras abordagens. Ao ser atendido no novo serviço, o usuário deve entregar esse relatório ao pro�ssional responsável pela avaliação e pelo plano de tratamento; esse plano deve ser comunicado na mesma guia ao pro�ssional que solicitou a avaliação. Isso caracteriza a contrarreferência. O usuário pode ser encaminhado de volta para a atenção básica, para outro serviço no mesmo nível de atenção, ou mesmo para um nível superior, dependendo de suas necessidades. Essa estrutura não tem como objetivo di�cultar o acesso das pessoas aos serviços desejados, mas garantir que recebam o cuidado apropriado à sua condição de saúde. Devemos lembrar que, quanto mais complexo o cuidado, mais oneroso ele é, e quem arca com esses custos somos nós. Além disso, não existe uma hierarquia entre os níveis de atenção. Isso signi�ca que nenhum serviço é superior ao outro e que não há uma relação de superioridade entre eles, mas uma parceria com o propósito de proporcionar o melhor cuidado de saúde. Essa organização também é uma maneira de oferecer cuidados abrangentes, conforme de�nido pelos princípios do SUS (Solha, 2014). Como vimos, o sistema de saúde deve ser organizado de forma regionalizada e hierarquizada, admitindo o conhecimento dos maiores problemas relacionados à saúde da população de uma área delimitada. Com isso, bene�ciam-se ações de vigilância epidemiológica, sanitárias, controle de vetores, educação em saúde, além das ações da atenção ambulatorial e hospitalar. Quando o usuário procura um atendimento ou quando surge um problema de impacto sobre a sua saúde, os trabalhadores do sistema e as instituições devem ter habilidades para confrontá-los e resolvê- los até o nível da sua capacidade; quando necessário, se não forem capazes de dar a devida assistência, devem referenciar o usuário a outros níveis de complexidade de saúde (Moreira, 2023). Essa é a diretriz da resolubilidade! No que se refere à complementariedade do setor privado, a Constituição determina que, existindo a escassez do setor público, torna-se apropriado o contrato de serviços privados. No entanto, isso se deve dar sob as condições: o interesse público dominando sobre o particular; e o contratado deverá estar ajustado aos princípios e normas técnicas do SUS. Dominam, assim, os princípios do SUS, como se o contrato fosse público; todo serviço privado acertado deve adotar as determinações do sistema público, em conformidade com as regras de funcionamento, organização e articulação (Moreira, 2023). Por sua vez, a participação social está prevista na Lei n 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Estabelecida como um marco histórico na reforma sanitária brasileira, tornou-se uma diretriz essencial na organização e operacionalização do SUS em todas as suas esferas de gestão. Como conceber ações direcionadas à população sem escutá-la? Essa participação também é imprescindível para exercer o controle social sobre as ações governamentais em várias esferas. Na Constituição, a população, por meio de suas entidades representativas, participará do processo de formulação e avaliação das políticas de saúde e do controle da sua execução, em todos os níveis, desde o federal até o local; essa participação ocorre por meio dos Conselhos de Saúde. Vale destacar que esses conselhos são cruciais e obrigatórios para o adequado funcionamento do SUS (Moreira, 2023; Solha, 2014). Disciplina ESTRUTURA DO SUS Os Conselhos de Saúde são instituídos por lei e devem ser estabelecidos em todos os serviços de saúde. Existem conselhos em níveis nacional, estadual e municipal, sendo esta última esfera a de maior destaque, priorizando o aprimoramento dos conselheiros para o exercício de suas atribuições. Os conselheiros de saúde representam diversos setores da sociedade, desempenhando um papel ativo nas políticas de saúde. Os Conselhos de Saúde têm o direito de ocupar espaços privilegiados na busca de informações e orientações necessárias para compreender, acompanhar e participar efetivamente das políticas e programas de saúde no âmbito do SUS. Desta forma, o SUS assegura que todos tenham direito a um acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde, com tratamentos adequados, humanizados e efetivos, respeitando a individualidade, valores e direitos das pessoas (Moreira, 2023; Solha, 2014). Vamos Exercitar? Após o estudo aprofundado acerca dos princípios do SUS, vamos retomar o estudo de caso da Dona Maria, 56 anos, que faz tratamento para hipertensão arterial na UBS (atenção básica) de seu bairro. Ela é sempre atendida por um médico e uma enfermeira; os dois perceberam que a pressão de Dona Maria não melhorava, apesar de ela tomar as medicações corretamente, fazer exercícios e seguir a dieta que lhe foi passada. Então, o médico, descon�ando de que ela tem um problema cardíaco, solicitou um eletrocardiograma, o qual apresentou uma alteração; ele a encaminhou para uma avaliação com um cardiologista. Ele faz uma guia de referência com todo o histórico clínico e pede que a paciente marque uma consulta no ambulatório de especialidades na cidade. Ela vai até o local e consegue o agendamento. Ao ser atendida, o cardiologista solicita outros exames, pede que Dona Maria os faça no próprio ambulatório e que, em 30 dias, passe em nova consulta com ele. Após fazer os exames, ela retorna e é reavaliada pelo cardiologista, que considera necessária uma troca de medicamentos. Ele prescreve um novo remédio, preenche a guia de contrarreferência, pede que ela entregue essa guia ao médico que a encaminhou e a orienta a retornar à UBS, a �m de dar continuidade ao seu tratamento. Diz ainda que ela deverá voltar ao ambulatório uma vez por ano. De que maneira essas práticas estão alinhadas aos princípios da integralidade, equidade e hierarquização? O princípio da hierarquização foi aplicado da seguinte forma: Dona Maria inicialmente buscou assistência na atenção básica, representada pela unidade básica de saúde (UBS) do seu bairro. Nesse nível, ela recebeu atendimento para hipertensão arterial, envolvendo acompanhamento médico e enfermagem. Diante da persistência do problema de pressão arterial de Dona Maria, o médico da atenção básica identi�cou a necessidade de uma avaliação mais especializada para investigar possíveis problemas cardíacos. Para atender à necessidade especí�ca de Dona Maria, o médico solicitou um eletrocardiograma, um exame mais especí�co. Com os resultados indicando uma alteração, o médico tomou a decisão de encaminhar Dona Maria para um cardiologista, que faz parte de um nível de complexidade mais elevado. Dona Maria foi encaminhada para um cardiologista, representando o movimento de referência. Uma vez avaliada pelo especialista, a contrarreferência ocorrerá quando o cardiologista Disciplina ESTRUTURA DO SUS comunicar os resultados e as condutas ao médico da atenção básica, fechando o ciclo do atendimento. Assim, a aplicação do princípio da hierarquização assegurou que Dona Maria recebesse os cuidados adequados em diferentes níveis de complexidade, evitando um acesso direto aos serviços especializados e garantindo uma distribuição e�ciente dos recursos de saúde. Esse processo promove uma abordagem mais especializada, direcionada às necessidades especí�cas de cada paciente. O princípio da equidade foi aplicado da seguinte forma: Dona Maria teve acesso à atenção básica (UBS) independentemente de sua etnia, religião ou condição socioeconômica. O princípio da universalidade garante que todos os cidadãos têm direito a utilizar os serviços do SUS.O médico e a enfermeira na atenção básica ofereceram atendimento personalizado a Dona Maria, acompanhando-a no tratamento da hipertensão. O princípio da equidade busca proporcionar a cada pessoa o cuidado adequado às suas necessidades individuais, visando reduzir desigualdades em saúde. Ao identi�car a necessidade de avaliação cardiológica, Dona Maria foi encaminhada para um cardiologista. Esse encaminhamento visa garantir que ela receba um atendimento especializado e equitativo, considerando suas condições de saúde especí�cas. O princípio da integralidade foi aplicado da seguinte forma: a abordagem da saúde de Dona Maria foi integral, envolvendo não apenas o tratamento da hipertensão arterial, mas também a investigação de possíveis problemas cardíacos. O médico da atenção básica considerou diferentes aspectos da saúde da paciente para oferecer um cuidado abrangente. A articulação entre a atenção básica e o nível especializado (cardiologista) re�ete o princípio da integralidade. Dona Maria recebeu cuidados desde a identi�cação do problema até o encaminhamento e acompanhamento especializado, garantindo uma cobertura completa de suas necessidades de saúde. A referência e contrarreferência promovem a integralidade ao permitir que os pro�ssionais compartilhem informações sobre o caso de Dona Maria. O retorno de informações entre a atenção básica e o serviço especializado contribui para uma visão abrangente do cuidado. Portanto, a aplicação dos princípios da equidade e integralidade no caso de Dona Maria visou garantir um atendimento personalizado, justo e abrangente, considerando suas necessidades especí�cas de saúde. Saiba mais O desa�o de garantir integralidade aos serviços públicos em saúde prestados no âmbito do SUS está sempre sendo objeto de debates públicos por parte de pesquisadores do campo da gestão de políticas públicas e por parte dos gestores dessas políticas, que se renovam a cada novo Plano Nacional de Saúde implementado no país. Veja o que dizem alguns especialistas em saúde sobre a complexidade da implementação deste princípio no dia a dia do SUS através do Canal Saúde O�cial em relação à Unidiversidade-Integralidade do SUS. Referências Disciplina ESTRUTURA DO SUS BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 30 jan. 2024. JULIÃO, G. G.; ARCARI, J. M.; CARDOSO, K. Gestão de serviços de saúde [recurso eletrônico]. Porto Alegre: SAGAH, 2020. MATTOS, R. A. de. A integralidade na prática (ou sobre a prática da integralidade). Cadernos de Saúde Pública, v. 20, p. 1411-1416, 2004. Disponível em: https://cadernos.ensp.�ocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/2363. Acesso em: 30 jan. 2024. MOREIRA, D. de J. Saúde coletiva. [recurso eletrônico]. Santo André: Difusão Editora, 2023. ROCHA, J. S. Y. Manual de saúde pública & saúde coletiva no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Atheneu, 2017. SOLHA, R. K. T. Sistema único de saúde: componentes, diretrizes e políticas públicas. São Paulo: Érica, 2014. Aula 4 Estrutura institucional e decisória SUS Estrutura institucional e decisória no SUS Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Olá, estudante! Nesta videoaula, você conhecerá a atuação dos Conasems, que desempenham um papel crucial na promoção da gestão democrática no SUS; entenderá o papel do Conass e Cosems e a importância dos Conselhos e Conferências de Saúde, que asseguram a participação http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/2363 Disciplina ESTRUTURA DO SUS e o controle social, promovendo a transparência e a adequação das políticas de saúde às reais demandas da população. Eles fortalecem, assim, os princípios democráticos que regem o SUS. Está pronto? Vamos lá! Ponto de Partida Estudante, a e�cácia de um sistema de saúde depende signi�cativamente do modelo de gestão adotado. Para ilustrar, imagine uma clínica médica em um pequeno município no interior do Rio Grande do Norte, gerida pelo proprietário de uma clínica de luxo na cidade do Paraná. Decisões bené�cas para a clínica paranaense podem ter efeitos adversos quando aplicadas no Rio Grande do Norte, dada a disparidade de realidades. O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro adota uma gestão coparticipativa, menos hierárquica e com ênfase na municipalização. Isso se re�ete em instâncias colegiadas em cada esfera governamental, como Conselhos e Conferências de Saúde, envolvendo atores políticos imprescindíveis, como Conasems, Cosems, Conass e usuários. Nesta aula, exploraremos como os princípios da descentralização e participação social são fundamentais na gestão do SUS, destacando as instâncias colegiadas e seus participantes. Então, que tal aplicar seus conhecimentos neste cenário desa�ador? Imagine-se como secretário municipal de saúde em Paramirim, uma cidade no interior da Bahia, que se tornou referência nacional devido ao sucesso no atendimento. Agora, você recebe um convite para assumir o cargo de secretário de saúde na prefeitura de São Paulo, uma realidade totalmente diferente. Considerando o modelo de gestão do SUS e a importância da participação popular e controle social, aprimorar o serviço em São Paulo exigirá uma abordagem adaptada. Levando isso em consideração, o que você faria, baseado no modelo de gestão do SUS e reconhecendo a importância da participação popular e do controle social, para que a prefeitura de São Paulo melhorasse o serviço prestado e aumentasse sua resolutividade? Qual seria a sua primeira ação para resolver os problemas encontrados? O que não poderia faltar ao apresentar uma proposta de planejamento das ações a serem realizadas? Como as instâncias colegiadas e de controle social do SUS poderiam ser importantes no processo de formulação de estratégias para esse desa�o? Aproveite para aprofundar seus conhecimentos nesse tema! Bons estudos! Vamos Começar! O Brasil destaca-se por suas marcantes desigualdades, seja no âmbito econômico, sociocultural ou territorial (World Bank, 2020). Buscando mitigar tais disparidades e tornar a gestão menos hierárquica e mais e�ciente na resolução de questões locais, foi adotada a descentralização político-administrativa, por meio da municipalização, que impulsionou a reorganização dos serviços e ações em saúde. Ela redistribuiu poder e competências, conferindo aos municípios a responsabilidade na promoção de mudanças nos modelos assistenciais, planejamento, organização, controle, avaliação e gestão dos serviços públicos de saúde em seus territórios. Disciplina ESTRUTURA DO SUS Essa estratégia visa minimizar as desigualdades regionais, envolvendo não apenas a transferência de responsabilidades de execução das ações, mas também descentralização de recursos �nanceiros e poder (Moreira et al., 2018). Na década de 1990, ocorreram avanços signi�cativos no processo de descentralização do setor saúde no Brasil. A esfera municipal assumiu papel central na gestão da rede de serviços de saúde e na prestação direta da maioria das ações e programas. Diante da crise �scal e escassez de recursos, foram incorporadas à agenda questões de e�ciência, e�cácia, efetividade da ação governamental e qualidade dos serviços. Nesse contexto, a descentralização ganhou força, indo além da transferência de atribuições para ganho de e�ciência, incorporando a dimensão de redistribuição do poder. Ela visava à desburocratização e hierarquização dos processos decisórios. A atuação municipal, principalmente na década de 1990, destacou-se por abordagens inovadoras, estabelecendo