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DESCRIÇÃO O panorama do novo modelo de assistência em saúde do país, os níveis de atenção em saúde e a unidade multiprofissional em saúde com suas abordagens de trabalho na equipe. PROPÓSITO Compreender o novo modelo de assistência em saúde, sua fundamentação legal, a organização dos níveis de atenção em saúde e a abordagem de trabalho das equipes em uma unidade multiprofissional em saúde proporciona ao aluno conhecimentos para a sua futura atuação profissional. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar os contextos histórico, social e político-econômico do Brasil, a partir do início da ditadura militar, e os fatores que possibilitaram a transição do modelo de assistência em saúde MÓDULO 2 Descrever a organização dos níveis de atenção em saúde no Brasil e os cenários que os compõem MÓDULO 3 Listar as abordagens de trabalho de uma equipe multiprofissional da área da saúde, com base no modelo de assistência em saúde vigente no país INTRODUÇÃO A gestão de serviços assistenciais em saúde engloba o conhecimento aprofundado dos variados elementos formadores da área de saúde no Brasil, que está em um movimento de transformação desencadeado pelas mudanças nos âmbitos político-econômico e sociocultural. O entendimento do que é a saúde evoluiu com o passar dos anos e impactou, por completo, desde a estruturação dos modelos de assistência até a arquitetura dos cenários de saúde e a formação dos recursos humanos. A saúde a partir da perspectiva da produção social, ou seja, como resultante das políticas públicas desenvolvidas pelo país – até a educação do indivíduo como agente transformador de sua realidade e, por conseguinte, da sua vida e de seu ambiente de trabalho –, influenciou a fundação do modelo de saúde vigente no Brasil – o Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS faz parte do cotidiano de todos nós. Quando se compra um medicamento numa farmácia, quando se é atendido num posto de saúde ou ao se alimentar em um restaurante, por exemplo, lá está o SUS, garantindo o cumprimento das legislações vigentes e a produção de saúde para os brasileiros. MÓDULO 1 Identificar os contextos histórico, social e político-econômico do Brasil, a partir do início da ditadura militar, e os fatores que possibilitaram a transição do modelo de assistência em saúde ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE A área de saúde, no Brasil, vem sofrendo reformas ao longo dos anos, por influências políticas, sociais, culturais e econômicas. Com o mundo globalizado, uma mudança em determinada área, como uma descoberta científica, por exemplo, afeta a sociedade como um todo. Sendo assim, a área de saúde vem sendo modificada profundamente, desde a visão do que são saúde e doença até a organização dos cenários de saúde. Igualmente, a assistência em saúde vem sendo (re)construída, já que a visão do conceito de saúde foi alterada, assim como todos os elementos e recursos que estão presentes nessa grande área, tais como profissionais, serviços, cenários, legislações, entre outros. Imagem: Shutterstock.com Para compreender a atual organização da assistência em saúde, é preciso resgatar acontecimentos passados, fatos históricos, políticos, econômicos e sociais que influenciaram a mudança da área de saúde no Brasil. Vamos fazer um recorte temporal na história política do Brasil, começando a relembrar o contexto da década de 1970 até o ano de 1985, um marco na história do país com a queda da ditadura militar e o início da nova república (1985-1988). Imagem: Shutterstock.com Nesse período, a área de saúde apresentava uma rede hospitalar privada extensa, fruto do movimento de crescimento do país, estimulado pelo governo federal na década de 1970. A rede de atenção básica com os postos de saúde, tão vasta nos dias de hoje, começou nessa época. As prefeituras alugavam casas quase abandonadas para oferecer, uma ou duas vezes na semana, o atendimento com médicos e enfermeiros. A visão que prevalecia nesse tempo era a tradicional curativista, hospitalocêntrica e medicocentrista, ou seja, os serviços e profissionais de saúde só eram procurados quando o problema de saúde já estava agravado, o local para buscar atendimento era somente o hospital e o médico era o único profissional que podia auxiliar o indivíduo doente. Com a finalização do chamado “milagre econômico brasileiro” da década de 1970, que foi o incentivo para o crescimento da economia e a modernização do país, ocorrendo por meio de empréstimos internacionais e isenção de impostos dos mais ricos, o Brasil entrou em uma forte recessão econômica em 1980. Por trás das propagandas de prosperidade do país, o que aconteceu foi o aumento da concentração de renda, da desigualdade social, da corrupção e da exploração da mão de obra. Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com Nessa época, o Brasil estava com uma grande dívida externa, o êxodo rural havia ocorrido, os investimentos nas áreas da saúde, educação e previdência eram pouquíssimos. O crescimento desordenado das cidades gerou o crescimento das favelas nas periferias, onde as pessoas viviam sem saneamento, sem acesso à água tratada e ao esgoto encanado, e até mesmo sem energia elétrica. Esse ambiente insalubre favoreceu a proliferação de doenças, principalmente as infecto-parasitárias. Todo esse cenário caótico intensivou a crise no país, que já vivia uma forte opressão social por causa do regime militarista. Greves dos trabalhadores, como a do ABC, em São Paulo, começaram como uma resposta para a reivindicação de melhorias na política econômica. A crise também atingiu o setor da saúde, que tinha um modelo previdenciário. A assistência médica era financiada pela Previdência Social com uma burocracia técnica que privilegiava a mercantilização da saúde. Até 1964, ano em que ocorreu o golpe militar, a assistência médica previdenciária ofertada tinha como cenários os hospitais, ambulatórios e consultórios médicos da rede de serviços próprios dos Institutos; a partir de então, passou à contratação prioritária dos serviços de saúde privados. Imagem: Shutterstock.com Com isso, a organização da prática médica pela lógica do lucro foi fomentada e o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) tornou-se um grande comprador desses serviços de saúde privados. Por consequência, a chamada Medicina de Grupo, empresa de assistência médica criada para atender os empregados de outras empresas, cresceu significativamente, direcionada para a comercialização da saúde e pelo lucro. Essas empresas visavam atender principalmente os trabalhadores de maior poder aquisitivo. Foto: Anônimo / Wikimedia Commons / Licença (CC BY-SA 3.0) Esse modelo de saúde previdenciária entrou em crise juntamente com o governo militarista que o criou, pois apresentava alto custo da assistência, que era complexa, assim como pouco resolutiva e insuficiente para a demanda corrente. O modelo também foi atingido pelos desvios de recursos e menor arrecadação financeira oriunda da crise econômica. O resultado foi o sucateamento dos serviços prestados à população e o aumento da insatisfação social, o que gerou um cenário favorável para o surgimento dos movimentos sociais que denunciaram a ineficiência das estruturas de saúde pública e previdenciária, e reivindicaram melhores condições de vida e serviços de saúde à população mais prejudicada pela desigualdade social. RESUMINDO A assistência em saúde que prevaleceu no país até o final da ditadura militar era a médica especializada e hospitalar. No começo, esses serviços eram restritos aos trabalhadores que exerciam atividade remunerada e depois a cobertura foi estendida para os trabalhadores rurais. Os custos desses serviços eram financiados pelos institutos Caixas de Aposentadoria e Pensão - (CAPS), Institutos de Aposentadoria e Pensão - (IAPS), Instituto Nacional de Previdência Social - (INPS) e Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social - (INAMPS), o que provocouum aumento na desigualdade social. O resultado foi a formação de dois grupos na sociedade brasileira: pessoas com acesso aos serviços de saúde médica especializada e hospitalar (cobertos pela Previdência Social) e pessoas sem a cobertura da Previdência Social, com acesso apenas aos serviços de baixa qualidade de postos de saúde, ações de saúde oferecidas em campanhas e serviços de caridade. O INAMPS custeou uma grande parte da criação e do crescimento dos serviços de saúde privados, realizando empréstimos e abertura de convênios com os recursos financeiros arrecadados da população. Esse contexto, acrescido dos desvios de parte dos recursos do INAMPS para a iniciativa privada e a oferta de serviços de baixa qualidade e resolutividade, porém de alto custo para os cofres públicos, fez com que a falência do instituto ocorresse. A sociedade brasileira vivia um período de muita fragilidade política e econômica que impactou diretamente a população mais pobre. Isso robusteceu o movimento de oposição ao modelo de saúde existente, fazendo com que diversas parcelas da sociedade se unissem na busca pela transparência dos governos, descentralização da política de saúde e resgate da cidadania e autonomia. SEGUNDA REFORMA SANITÁRIA BRASILEIRA Essa reforma social teve a participação de profissionais dos sistemas de saúde, de organizações sindicais e populares, e de intelectuais de diferentes áreas. A chamada “segunda reforma sanitária brasileira” ganhou força em seu objetivo de luta pela garantia do direito universal à saúde e construção de um sistema único e estatal de serviços de saúde. Esse propósito foi influenciado pelos eventos internacionais que difundiram a visão da saúde como um direito humano fundamental, a importância das ações de promoção à saúde e a reorientação dos serviços de saúde. Esse período da história do Brasil foi marcado pelo fim do regime militar no controle da gestão do país e pelo estabelecimento do processo de redemocratização. Diante disso, a política e a economia do país precisaram ser reformuladas e, consequentemente, as demais áreas, como educação, saúde, segurança, entre outras. Em 1988, com a publicação da Nova Constituição da República Federativa do Brasil, a chamada Constituição Cidadã, a saúde passa a ser um direito de todos e um dever do Estado. Ou seja, todo cidadão brasileiro tinha o direito à saúde, independentemente de ser um trabalhador assalariado, como ocorria no modelo anterior. Imagem: Shutterstock.com Figura 3 – Constituição Federal do Brasil, de 1988. Por influência também da transformação da visão do conceito de saúde, divulgado na 8ª Conferência Nacional de Saúde realizada no ano de 1986, a saúde, que era definida pela OMS (1947) como “o completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”, tem seu sentido expandido para: UMA RESULTANTE DAS CONDIÇÕES DE ALIMENTAÇÃO, HABITAÇÃO, EDUCAÇÃO, RENDA, MEIO AMBIENTE, TRABALHO, TRANSPORTE, EMPREGO, LAZER, LIBERDADE, ACESSO E POSSE DA TERRA E ACESSO A SERVIÇOS DE SAÚDE. É, ANTES DE TUDO, O RESULTADO DAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL DA PRODUÇÃO, AS QUAIS PODEM GERAR GRANDES DESIGUALDADES NOS NÍVEIS DE VIDA. A SAÚDE NÃO É UM CONCEITO ABSTRATO. DEFINE-SE NO CONTEXTO HISTÓRICO DE DETERMINADA SOCIEDADE E NUM DADO MOMENTO DE SEU DESENVOLVIMENTO, DEVENDO SER CONQUISTADA PELA POPULAÇÃO EM SUAS LUTAS COTIDIANAS. (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007) Assim, com base no conceito ampliado, no resultado dos debates ocorridos na 8ª Conferência Nacional de Saúde e nos artigos presentes na Constituição, no que tange à saúde, no ano de 1990 foi criado o Sistema Único de Saúde ((SUS)) , por meio da Lei Orgânica da Saúde n. 8.080, aprovada pelo Congresso Nacional. Com a adoção de um sistema de saúde universal, integral e gratuito, a reorganização da saúde, bem como de todos os elementos presentes na área – profissionais, serviços, cenários –, fez-se mister. A população brasileira passou a ter direito à saúde integral, gratuita e universal; esses direitos estão determinados nos preceitos do SUS, que estabelece princípios e diretrizes norteadores dos serviços de saúde, ou seja, define como deve ser e funcionar o modelo de assistência nessa área. SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE O SUS é formado pelo conjunto de todas as ações e serviços de saúde prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público. À iniciativa privada é permitido participar desse sistema de maneira complementar; a assistência à saúde é livre à iniciativa privada, mas com restrições a empresas de capital estrangeiro (BRASIL, 1990). Dessa maneira, diferentemente do que ocorreu durante a ditadura militar – em que grande parte dos recursos recolhidos pelo governo era direcionada para financiar as empresas privadas de saúde –, com a criação do SUS, essas empresas passaram a poder participar de forma complementar, pois a prioridade era e permanece sendo a criação e o financiamento das instituições de saúde pública para o atendimento integral, universal e gratuito da população. O SUS simboliza a concretização de uma nova fase para a área de saúde no Brasil, tanto no que diz respeito ao entendimento do que é saúde até os mecanismos que a produzem. A lógica de uma assistência à saúde pautada na atuação curativista evoluiu para um cuidado preventivo, a ideia hospitalocêntrica foi modificada para a construção de novos cenários em saúde e a concepção medicocentrista acabou sendo remodelada para o trabalho de equipe de saúde. PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DO SUS Os princípios doutrinários do SUS são a universalidade, a integralidade e a equidade. Com esses valores, a assistência em saúde no país foi (re)estruturada de modo que todos os indivíduos nascidos no território brasileiro e estrangeiros residentes tenham acesso aos serviços de saúde, devendo ter suas demandas de saúde atendidas, independentemente de seu estado (doente ou saudável) e de acordo com a necessidade apresentada. Elaborado por Paula Villarinho, Adaptado por Flávio Borges. Figura 4 – Princípios doutrinários do SUS. Os princípios organizativos ou diretrizes do SUS são: Descentralização; Hierarquização; Regionalização; Participação social/comunitária. PARTICIPAÇÃO SOCIAL A diretriz participação social é uma resposta a toda a opressão vivida pela sociedade durante os anos do regime militar no poder. Com a participação da população no SUS, foi e continua sendo possível a criação de serviços essenciais às pessoas, assim como o controle do que é produzido, garantindo a transparência dos processos. A população participa em instâncias, ou seja, nos Conselhos de Saúde – órgãos colegiados de caráter permanente e deliberativo – e das Conferências de Saúde que ocorrem a cada quatro anos, com a representação de usuários, trabalhadores, gestores e prestadores de serviços. DESCENTRALIZAÇÃO O princípio da descentralização proporciona a redistribuição das responsabilidades quanto às ações e aos serviços de saúde entre os três níveis de governo – municipal, estadual e federal. Assim, ocorre não apenas o processo de transferência de responsabilidades, como também de recursos para os estados e para os municípios que assumem a incumbência de promover as ações e os serviços de saúde à população. Imagem: Elaborado por Paula Villarinho, adaptado por Flávio Borges. Figura 5 – Princípios organizativos. Os princípios da regionalização e hierarquização do sistema viabilizam o conhecimento amplo das demandas de saúde da população da área delimitada, facilitando ações de educação em saúde e controle de vetores, ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como das atividades de atenção ambulatorial e hospitalar em seus níveis de complexidade. Foto: Fronteira / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0 Figura 6 – Unidade ambulatorial. Imagem: Shutterstock.com Unidade hospitalar. Esse modelo deassistência em saúde vigente no Brasil é considerado um dos mais avançados do mundo: a saúde é um direito constitucional adquirido e o SUS está estruturado em dois subsistemas, o público e o privado, que são interdependentes. A rede de prestação de serviços de atenção à saúde é segmentada em serviços coletivos e de assistência médica. Os serviços coletivos realizam atividades de promoção à saúde, prevenção de doenças e controle de ações que têm repercussão sobre a saúde da população, tais como as vigilâncias ambiental, sanitária e epidemiológica, e o saneamento. Já a oferta de assistência médica ramifica-se em serviços ambulatoriais e hospitalares. COMENTÁRIO Uma das grandes demandas que fomentaram o movimento da reforma sanitária no país foi o percurso de financiamento do campo da saúde, atrelado ao intuito de que todos os brasileiros tivessem acesso aos seus serviços de maneira gratuita. A concepção de que a saúde é um dever do Estado e um direito dos cidadãos propiciou sua determinação como um direito constitucional e a necessidade de construção de uma nova estrutura de financiamento para garantir o cumprimento do determinado na lei. Assim, o SUS teve o seu financiamento referido na Lei n. 8.080/90, no art. 33, que assegura o depósito dos recursos financeiros em uma conta especial, os chamados Fundos de Saúde, em cada uma das três esferas de atuação (municipal, estadual e federal), e sua movimentação sob a vigilância dos Conselhos de Saúde. Imagem: Elaborado por Paula Villarinho, adaptado por Flávio Borges Figura 7 – Esferas de atuação do SUS. O princípio organizativo da descentralização assegurou os três níveis de governo como corresponsáveis pela gestão, assim como pelos mecanismos de negociação e pactuação das políticas adotadas na área da saúde. Então, no ano de 1993, foram criadas as Comissões Intergestores Tripartites ((CIT)) na esfera federal e a Comissão Intergestores Bipartite ((CIB)) no âmbito de cada estado, por meio da Norma Operacional Básica 01 ((NOB-SUS 01/93)) . A referida NOB é conhecida por ter iniciado o processo de municipalização no SUS, atribuindo maiores responsabilidades ao município, que deve proporcionar os elementos que oportunizem a produção da saúde da população sob sua responsabilidade. A especialista Paula Villarinho fala sobre os níveis de atenção em do SUS que possibilitam a operacionalização do sistema de saúde. Explica brevemente quais são os cenários que compõem os três níveis de atenção em saúde e a definição do propósito de cada nível. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (CONCURSO COMPANHIA DOCAS DO RIO GRANDE DO NORTE/RN – CODERN/RN – 2005). PODE-SE DIZER QUE O CONCEITO AMPLIADO DE SAÚDE, PROPOSTO PELA REFORMA SANITÁRIA PARA REORIENTAR O SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO, É COMPREENDIDO COMO: A) Visão ampla de todas as etapas do desenvolvimento do ser humano, desde a concepção até a velhice. B) Bem-estar físico, psicológico e social. C) Visão integral do ser humano, e não como um amontoado de partes. D) Resultado das condições de vida e do acesso a um sistema de saúde de qualidade. E) Apenas bem-estar físico. 2. (CONCURSO UFCG – 2014 – PREFEITURA DE NOVA FLORESTA/PB – MÉDICO VETERINÁRIO). O PROCESSO HISTÓRICO DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE NO BRASIL, MARCADO POR AVANÇOS SIGNIFICATIVOS, CULMINOU COM A CRIAÇÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS). EM RELAÇÃO A ESSE PROCESSO, ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR: I) ANTES DA CRIAÇÃO DO SUS, NÃO EXISTIA UM SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICO ESTABELECIDO NO BRASIL. II) A CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE, REALIZADA EM 1986, É CONSIDERADA UM GRANDE MARCO DA CHAMADA REFORMA SANITÁRIA BRASILEIRA. III) ANTES DA CRIAÇÃO DO SUS, O MODELO DE ASSISTÊNCIA EM SAÚDE ERA PREVENTIVO E CURATIVO. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA A SEQUÊNCIA CORRETA: A) I, II e III estão corretas. B) I e II estão corretas. C) II e III estão corretas. D) I e III estão corretas. E) Somente a III está correta. GABARITO 1. (Concurso Companhia Docas do Rio Grande do Norte/RN – CODERN/RN – 2005). Pode-se dizer que o conceito ampliado de saúde, proposto pela reforma sanitária para reorientar o sistema de saúde brasileiro, é compreendido como: A alternativa "D " está correta. O conceito ampliado de saúde é uma evolução da visão que se tinha como resultado de uma produção social. Ou seja, a saúde sofre influências positivas e negativas de variados elementos que impactam as condições de vida e de trabalho das pessoas. Saúde não é somente a ausência de doenças; é construída diariamente por meio da busca para diminuir as desigualdades sociais, oportunizando acesso a bens e serviços para toda a população de determinado país. 2. (Concurso UFCG – 2014 – Prefeitura de Nova Floresta/PB – Médico veterinário). O processo histórico da assistência em saúde no Brasil, marcado por avanços significativos, culminou com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação a esse processo, analise as proposições a seguir: I) Antes da criação do SUS, não existia um sistema de saúde público estabelecido no Brasil. II) A Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, é considerada um grande marco da chamada reforma sanitária brasileira. III) Antes da criação do SUS, o modelo de assistência em saúde era preventivo e curativo. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: A alternativa "B " está correta. Antes da criação do SUS, o acesso aos serviços de saúde ocorria de forma diferente: havia o indivíduo que podia pagar o atendimento particular; trabalhadores com carteira assinada podiam ser atendidos em hospitais privados, tendo pagos os serviços pelos institutos INPS e INAMPS (Previdência Social); e, por fim, pessoas sem recursos eram atendidas em instituições filantrópicas, como as Santas Casas de Misericórdia. A visão que prevalecia nesse tempo era a tradicional curativista, hospitalocêntrica e medicocentrista. Com a queda da ditadura militar e a restauração da democracia no país, no ano de 1986, ocorreu a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que impulsionou a criação de um sistema de saúde único e estatal, proporcionando saúde gratuita para todos. MÓDULO 2 Descrever a organização dos níveis de atenção em saúde no Brasil e os cenários que os compõem NÍVEIS DE ATENÇÃO EM SAÚDE Ao conceito de saúde, visto no módulo anterior, foram acrescidos os determinantes sociais da saúde (DSS), definidos pela OMS como “os fatores que estão relacionados às condições em que uma pessoa vive e trabalha”. Imagem: Shutterstock.com Imagem: SUCUPIRA, A. C. S. L. et al., p. 162, 2014. Figura 9 - Determinantes sociais da saúde. A Comissão dos Determinantes Sociais da Saúde ((CDSS)) define que os determinantes sociais da saúde são “os fatores [que] influenciam a ocorrência de problemas de saúde, sendo eles fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais”. Com o entendimento de que a saúde é produzida socialmente e, por conseguinte, acaba sendo impactada de forma benéfica ou maléfica pelas condições em que a população vive e trabalha, a necessidade da criação de políticas públicas saudáveis pelo Estado se intensificou. A partir disso, os serviços de saúde foram remodelados em níveis de atenção. Os princípios e as diretrizes do SUS, determinados na Lei n. 8.080/1990, criaram o sistema de saúde, assim como foi estruturado o novo modelo de assistência na saúde. Vale a pena rever alguns conceitos para entender melhor a aplicabilidade dos princípios e das diretrizes na assistência em saúde. Os princípios apresentam os valores, a doutrina do novo sistema de saúde do país, que são: Universalidade; Integralidade; Equidade. As diretrizes determinam os caminhos pelos quais o renovado modelo de assistência deve ser conduzido, indicam os passos para a sua operacionalização. Juntos, os princípios doutrinários e os princípios organizativos, outro nome usado para as diretrizes, permitem que o SUS seja posto em prática. A regionalização,como estratégia para estruturação do sistema de saúde, recebe grande ênfase a partir da publicação das Normas Operacionais da Assistência à Saúde (NOAS). Essas normas expressam a regionalização como estratégia para estruturação do sistema no território, com o intuito de fomentar maior equidade no acesso da população às atividades e aos serviços de saúde. Com a regionalização sendo posta em prática, iniciou-se a criação dos mecanismos que permitiram a organização desse inovador processo. Assim, as portas de entrada nos serviços, as regiões de saúde, a rede de atenção à saúde e o mapa da saúde foram criados. Vejamos cada um deles com mais detalhes a seguir. PORTAS DE ENTRADA As portas de entrada são os serviços de atendimento inicial à saúde do usuário no SUS e estão presentes na atenção primária, na atenção de urgência e emergência, na atenção psicossocial e nos serviços especiais de acesso aberto. Depois de começar o atendimento nesses serviços, conforme a demanda apresentada (o estado de saúde do indivíduo), os usuários são referenciados para outros serviços de atenção hospitalar, ambulatórios de especialidades ou outros cenários que tenham infraestrutura para maior complexidade e densidade tecnológica. REGIÕES DE SAÚDE As regiões de saúde são determinadas como “o espaço geográfico contínuo constituído por agrupamento de municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais, e de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde” (BRASIL, 2011). REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE A rede de atenção à saúde (RAS) é definida como “combinações organizadas por ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, garantem a integralidade do cuidado” (BRASIL, 2010). MAPA DA SAÚDE O mapa da saúde é “uma ferramenta para apoio à gestão, com a representação da distribuição de ações e serviços ofertados pelo SUS, investimentos e o desempenho aferido a partir de indicadores de saúde”. Por meio dele, é possível conhecer como os recursos humanos, e as atividades e os serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada estão distribuídos geograficamente (BRASIL, 2011). Juntos, esses mecanismos viabilizam a organização do processo de regionalização dos serviços de saúde, facilitando a construção dos objetivos e das metas a serem alcançados, e as ações e atividades que devem ser propostas para responder às necessidades de saúde locais. Dessa maneira, a assistência oferecida aos usuários, que está baseada no princípio da integralidade e na resolutividade da demanda, torna-se viável. Quanto à diretriz da hierarquização, foi estabelecido que os serviços tenham o começo do seu acesso pelas portas de entrada do SUS e que se integrem na rede regionalizada e hierarquizada, segundo o grau de complexidade do serviço. Os graus de complexidade criados no sistema de saúde atual são três: Atenção primária; Atenção secundária; Atenção terciária. Esses níveis foram criados para (re)organizar os serviços de saúde prestados à população a partir das suas necessidades de saúde. Em cada nível, o cenário de saúde, os profissionais envolvidos, os insumos e os recursos tecnológicos, juntamente com as atividades desenvolvidas, são bem definidos e distintos. Imagem: Elaborado por Paula Villarinho, adaptado por Flávio Borges. Figura 10 – Níveis de assistência em saúde. Desse modo, o usuário pode ser atendido no cenário em que deu entrada no SUS ou pode ser referenciado para outro local, subindo o nível de complexidade de acordo com a situação pela qual esteja passando. COMENTÁRIO Vale destacar que, com a nova visão sobre o que é a saúde, um mesmo círculo comunitário pode sofrer a influência de variados elementos; em outras palavras, o indivíduo – ou grupo – atua e modifica os muitos ambientes nos quais está inserido e vive. Logo, esses ambientes biológicos, naturais, culturais, econômicos e políticos exercem um impacto no que formam os determinantes do processo saúde- adoecimento. A saúde, entendida como um processo alimentado e retroalimentado por distintos fatores, possibilita compreender que, de maneira semelhante, ocorre o adoecimento, mediante um encadeamento de fatores que provocam um desequilíbrio, algo de valor nocivo à saúde do indivíduo. Com isso em mente, torna-se mais fácil a percepção do porquê foi de suma importância a montagem do atendimento da população em níveis de atenção. O nível de atenção aumenta na medida em que aumenta o grau de complexidade identificado na situação do indivíduo, o que possibilita uma assistência pautada nos princípios da integralidade e da equidade. Isso significa um atendimento integral, realizado independentemente do quadro ((saudável ou doente)) , e personalizado com a execução das ações e dos serviços pertinentes à necessidade do indivíduo. O ATENDIMENTO PELOS NÍVEIS DE ASSISTÊNCIA EM SAÚDE Dois usuários podem receber o mesmo diagnóstico médico, mas a continuidade do cuidado vai variar de acordo com as necessidades que apresentem. Um usuário pode ter outras doenças associadas e, por isso, um agravamento da complexidade do seu caso; o outro usuário, não. A atenção primária à saúde ((APS)) é o primeiro nível de atenção e se caracteriza por: UM CONJUNTO DE AÇÕES DE SAÚDE, NO ÂMBITO INDIVIDUAL E COLETIVO, QUE ABRANGE A PROMOÇÃO À SAÚDE, PREVENÇÃO DE DOENÇAS, PROTEÇÃO E RECUPERAÇÃO DA SAÚDE, BEM COMO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO, COM O OBJETIVO DE DESENVOLVER UMA ATENÇÃO INTEGRAL QUE IMPACTE POSITIVAMENTE NA SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS INDIVÍDUOS E DAS COLETIVIDADES. (BRASIL, 2015) Assim sendo, a APS funciona como um filtro que organiza o fluxo dos serviços nas redes de saúde, dos mais simples aos mais complexos, tendo por base os princípios da universalidade, da integralidade da atenção e da equidade. A APS assume o papel de principal porta de entrada do SUS e do centro de comunicação com toda a rede de atenção do SUS (BRASIL, 2015). TEORIA NA PRÁTICA Na APS, uma das portas de entrada do SUS, estão presentes as unidades básicas de saúde (UBS)/centros de saúde, postos de saúde, clínicas da família/unidades de saúde da família (USF) e os núcleos de apoio à saúde da família (NASF). Os centros de saúde/unidades básicas de saúde são cenários voltados para a realização de atendimentos de atenção básica e integral a uma população, de forma programada ou não, nas especialidades básicas, podendo oferecer também uma assistência odontológica e de outros profissionais de nível superior. E como a assistência deve ser prestada? RESOLUÇÃO Essa assistência deve ser permanente e prestada por médico generalista ou especialista nas áreas básicas Cirurgia Geral, Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia. Pode ou não oferecer um serviço de pronto atendimento 24 horas e serviço de apoio diagnóstico terapêutico (SADT). Imagem: Shutterstock.com ATENÇÃO PRIMÁRIA No âmbito da APS, as atividades são desenvolvidas com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, havendo diversas estratégias governamentais para cuidar da população no ambiente em que vive: o Programa Saúde na Hora, o Médicos pelo Brasil, o Previne Brasil e a Estratégia Saúde da Família são alguns exemplos. Outros dispositivos criados para atender às singularidades dos usuários são as unidades de saúde fluviais, as unidades odontológicas móveis (UOM) e as academias de saúde. Na APS, as atividades são direcionadas à redução do risco de doenças e à proteção da saúde, apresentando também um caráter preventivo. Nas UBS, os usuários podem realizar exames e consultas de rotina, ser atendidos por profissionais de medicina geral e familiar. Estes garantem uma atenção integral à saúde e consideram o usuário inserido em sua família e comunidade. Ocorre, portanto, a valorizaçãoda pessoa atendida como um ser único, singular e diferente de qualquer outro, com suas particularidades. Nesse nível, os profissionais se estruturam para atuar além das unidades de saúde, como também em espaços públicos da comunidade. Se preciso, fazem visitas domiciliares às famílias. Por sua vez, os postos de saúde são classificados como um cenário voltado à prestação de assistência a uma determinada população, de maneira programada ou não, por profissional de nível médio, com a presença intermitente ou não do profissional médico. E as clínicas da família, cenário de prática da Estratégia Saúde da Família, realizam atendimentos à população residente em um local delimitado, de maneira programada ou não, por uma equipe multiprofissional. Ofertam variados serviços, como consultas individuais e coletivas, visitas domiciliares, exames laboratoriais e de imagem, imunização e curativos, bem como acolhimento e acompanhamento dos usuários. ATENÇÃO SECUNDÁRIA A atenção secundária à saúde é o segundo nível da assistência em saúde e apresenta os serviços especializados encontrados em hospitais e ambulatórios. Envolve o atendimento voltado para setores como Ginecologia, Pediatria, Psiquiatria, Neurologia, Cardiologia, Ortopedia e demais especialidades médicas. O quadro de saúde apresentado pelo usuário aumenta em complexidade, necessitando tanto do olhar especializado dos profissionais para dar continuidade ao cuidado, como de diferentes insumos e tecnologias. Imagem: Shutterstock.com As unidades de pronto atendimento (UPA) fazem parte desse nível. Após serem acolhidos na atenção primária, quando necessário, os usuários são encaminhados para os outros cenários de saúde presentes no nível secundário. As UPA são os locais responsáveis pelos atendimentos de urgência e emergência, e funcionam durante 24 horas por dia, nos sete dias da semana. Casos que exigem atenção imediata, como, por exemplo, cortes, fraturas, traumas, infartos e derrames são direcionados para uma UPA. SAIBA MAIS Relacionadas ao processo de regionalização, conforme explicação do Ministério da Saúde (2011), as UPA são classificadas em: UPA Porte I: 5 a 8 leitos de observação. Atende até 150 pacientes por dia. População na área de abrangência de 50 mil a 100 mil habitantes. UPA Porte II: 9 a 12 leitos de observação. Atende até 300 pacientes por dia. População na área de abrangência de 100 mil a 200 mil habitantes. UPA Porte III: 13 a 20 leitos de observação. Presta serviços de saúde para até 450 pacientes por dia. Área de abrangência de 200 mil a 300 mil habitantes. Além das UPA, existe o serviço de atendimento móvel à urgência (SAMU 192) e o atendimento de média e alta complexidade feito nos hospitais. Já os hospitais – também atenção secundária – são determinados como os locais onde o usuário do SUS encontra atendimento em clínicas médicas especializadas, além de qualquer tratamento ou assistência de média e/ou alta complexidade. Assim, os hospitais podem ser qualificados sob várias vertentes, pelo seu porte, pelo perfil de assistência do estabelecimento ou pelo grau de complexidade das atividades realizadas. Segundo De Negri (2014), os hospitais podem ser classificados como: A) PORTE DO HOSPITAL: Pequeno porte: capacidade operacional de até 50 leitos; Médio porte: capacidade operacional de 51 a 150 leitos; Grande porte: capacidade de operação de 151 a 500 leitos; Acima de 500 leitos considera-se hospital de capacidade extra. B) PERFIL ASSISTENCIAL DOS ESTABELECIMENTOS: Hospital de clínicas básicas; Hospital geral; Hospital especializado; Hospital de urgência; Hospital universitário; Hospital de ensino e pesquisa. C) NÍVEL DE COMPLEXIDADE DAS ATIVIDADES PRESTADAS: Hospital de nível básico ou primário; Hospital de nível secundário; Hospital de nível terciário; Hospital de nível quaternário em cada estabelecimento (atenção básica, de média complexidade ou de alta complexidade). Na esfera secundária de assistência à saúde, os hospitais e centros de atendimento que objetivam à realização de exames mais avançados utilizam equipamentos com tecnologias mais específicas, tais como exames de imagem ou por vídeo, ecocardiograma, doppler ou endoscopia. De igual maneira, os profissionais de saúde que atuam nesse nível são especializados e treinados para a condução do atendimento e tratamento de complexidade média, ou seja, de situações de saúde relacionadas às doenças crônicas ou agudas. Em outras palavras, os serviços são especializados nos níveis ambulatorial e hospitalar, “com densidade tecnológica intermediária entre a atenção primária e a terciária, historicamente interpretada como procedimentos de média complexidade. Esse nível compreende serviços médicos especializados, de apoio diagnóstico e terapêutico, e atendimento de urgência e emergência”(BRASIL, 2010). ATENÇÃO TERCIÁRIA O último nível de atenção à saúde, o terciário, oferece assistência de alta complexidade, prestada nos hospitais de grande porte. As ações e os serviços realizados nessa esfera estão relacionados a procedimentos que exigem o uso de tecnologia de ponta de maior custo – por exemplo, partos de alto risco, transplantes, quimioterapia. Os profissionais especialistas que atuam nessa área têm como objetivo e proposta de trabalho tratar os casos em que ocorre o agravamento do quadro do usuário, bem como maior singularidade e complexidade. Imagem: Shutterstock.com Também são implementados serviços de reprodução assistida, distúrbios de doenças raras, genéticas e hereditárias, cirurgias reparadoras, radioterapia, hemoterapia, ressonância magnética e medicina nuclear, além do fornecimento de medicamentos excepcionais, tais como próteses ósseas, marca-passos, stent cardíaco, entre outros. Os níveis de atenção possibilitam a estratégia de reestruturação do sistema de saúde, tanto no que se refere à sua organização, quanto na qualidade e no impacto da atenção prestada. Também representam a concentração e o aperfeiçoamento da política de saúde com estratégias efetivas que possibilitam a consolidação do SUS e dos direitos humanos (BRASIL, 2010). A especialista Paula Villarinho explica a evolução dos conceitos dos paradigmas de saúde biomédico e biopsicossocial. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (CONCURSO QUADRIX – 2020 – CFP – ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA HOSPITALAR). ACERCA DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE (RAS), ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: A) A RAS é definida como o arranjo organizativo de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado. B) A operacionalização da RAS se dá por meio da interação entre seus três elementos constitutivos: população/região de saúde definidas; estrutura operacional; e sistema lógico de funcionamento determinado pelo modelo de atenção à saúde. C) O objetivo da RAS é promover a integração sistêmica entre ações e serviços de saúde, com provisão de atenção contínua, integral, de qualidade, responsável e humanizada, bem como incrementar o desempenho do sistema, em termos de acesso, equidade, eficácia clínica e sanitária, e eficiência econômica. D) A RAS fundamenta-se na compreensão da atenção básica como nível terciário de atenção, a partir do qual se realiza e coordena o cuidado em todos os pontos de atenção, enfatizando a função resolutiva dos cuidados secundários e terciários sobre os problemas mais comuns de saúde. E) A diferença entre a RAS baseada na atenção primária à saúde e a rede de urgência e emergência está no papel da atenção básica. Na rede de atenção às condições crônicas, ela funciona como centro de comunicação, mas, na rede de atenção às urgências e emergências, ela é um dos pontos de atenção, sem cumprir o papel de coordenação dos fluxos e contrafluxos dessa rede. 2. (CONCURSO UNIRIO – TÉCNICO EM ENFERMAGEM – 2019). O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) É USADO COMOMODELO DE REFERÊNCIA INTERNACIONAL, POR CONTA DO SEU ALCANCE E MULTIPLICIDADE DE SERVIÇOS DE SAÚDE. OS SERVIÇOS DE SAÚDE SÃO CLASSIFICADOS DE ACORDO COM O NÍVEL DE COMPLEXIDADE E ATENÇÃO DAS ATIVIDADES. ESSES NÍVEIS DE ATENÇÃO SÃO: ATENÇÃO PRIMÁRIA, ATENÇÃO SECUNDÁRIA E ATENÇÃO TERCIÁRIA. AÇÕES DE SAÚDE EM ATENÇÃO TERCIÁRIA SÃO AS QUE CARACTERIZAM, POR EXEMPLO, OS PROCEDIMENTOS DE ASSISTÊNCIA EM: A) Núcleos de apoio à saúde da família. B) Serviços de atendimento móvel às urgências. C) Serviços de transplantes de órgãos. D) Serviços médicos de apoio diagnóstico. E) Unidades de pronto atendimento. GABARITO 1. (Concurso Quadrix – 2020 – CFP – Especialista em Psicologia Hospitalar). Acerca da rede de atenção à saúde (RAS), assinale a alternativa incorreta: A alternativa "D " está correta. A rede de atenção à saúde (RAS) é a estruturação das ações e dos serviços de saúde, com diferentes densidades tecnológicas e graus de complexidade. Funciona por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, para assegurar a integralidade do cuidado prestado à população que dá entrada no SUS. Os níveis de atenção são estruturados de acordo com o grau de complexidade do caso apresentado e com os recursos humanos e materiais necessários para assistir o indivíduo em sua integralidade, com equidade e com foco na resolutividade. Logo, baseia-se no funcionamento do vigente modelo de saúde, que apresenta princípios e diretrizes estabelecidos pela lógica do atendimento integral, com foco na promoção à saúde e prevenção de doenças, uma visão não mais curativista das patologias e/ou dos agravos à saúde. 2. (Concurso Unirio – Técnico em Enfermagem – 2019). O Sistema Único de Saúde (SUS) é usado como modelo de referência internacional, por conta do seu alcance e multiplicidade de serviços de saúde. Os serviços de saúde são classificados de acordo com o nível de complexidade e atenção das atividades. Esses níveis de atenção são: atenção primária, atenção secundária e atenção terciária. Ações de saúde em atenção terciária são as que caracterizam, por exemplo, os procedimentos de assistência em: A alternativa "C " está correta. O nível terciário de atenção em saúde fornece uma assistência de alta complexidade, prestada nos hospitais de grande porte, com atividades e serviços realizados por profissionais de alta especialização. Os procedimentos realizados nesse nível exigem o uso de tecnologia de ponta e/ou insumos de alto custo, tais como processos de reprodução assistida, tratamento para distúrbios de doenças raras, sessões de quimioterapia, cirurgias de transplante de órgãos. MÓDULO 3 Listar as abordagens de trabalho de uma equipe multiprofissional da área da saúde, com base no modelo de assistência em saúde vigente no país O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE ATENÇÃO Você viu que o SUS provocou mudanças em todas as instituições de saúde brasileiras – públicas e privadas – e passou a reger o modelo trabalhado pelos profissionais da área em seu cotidiano. Hoje o atendimento tem como foco a promoção da saúde e a prevenção de doenças; é centrado na pessoa, considerando todos os setores que compõem sua vida e a impactam de maneira positiva ou negativa. Esses setores são o familiar, o laboral, o social, entre outros, que exercem influência na forma como o indivíduo vive e trabalha, e podem levá-lo ao adoecimento. Às equipes de saúde, compostas por diferentes profissionais – não apenas médicos e enfermeiros –, o SUS proporcionou o aumento da capacidade técnica de gestão dos processos: o trabalho é desenvolvido a partir de diferentes formações e leva em conta diferentes perspectivas sobre um mesmo fenômeno. E esses variados campos do conhecimento exigem multidisciplinaridade. ABORDAGENS DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE SAÚDE Três conceitos precisam ser bem compreendidos sobre os formatos de trabalho das equipes de saúde – o da multidisciplinaridade, o da interdisciplinaridade e o da transdisciplinaridade. MULTIDISCIPLINARIDADE INTERDISCIPLINARIDADE TRANSDISCIPLINARIDADE O conceito de multidisciplinaridade é de fácil entendimento. Significa reunir diversas disciplinas em prol de um só objetivo. Aplicando esse conceito na equipe de saúde, agrupam-se diversos profissionais para tratar de um mesmo caso. Em uma dimensão que contém tantos desdobramentos, em outras palavras, uma doença e/ou um agravo à saúde pode manifestar variados sinais, sintomas e multifacetadas possibilidades de cuidado, tornando inconcebível o tratamento conforme a visão de apenas um profissional. Vale ressaltar que, apesar de diversos profissionais estarem envolvidos no cuidado ao usuário, a avaliação realizada acontece de modo independente, não havendo, necessariamente, troca de visões entre eles. Sendo assim, cada profissional utiliza o seu método e pondera a importância de múltiplos pontos de vista para o tratamento de uma doença. O conceito de interdisciplinaridade remete a uma ação recíproca (prefixo “inter”). Nesse formato de trabalho há oportunidade de trocas: os profissionais discutem suas visões sobre o caso, cada um na sua área de saber. O diálogo favorece um planejamento mais adequado para atender ao caso do usuário e, por conseguinte, facilita a integração dos resultados. O conceito de transdisciplinaridade é inovador; não é possível separar as áreas, elas se envolvem além do diálogo. A equipe que considera essa concepção em sua forma de atuação, além de avaliar o usuário de acordo com a sua especialidade, acompanha em conjunto a continuidade da terapêutica empregada e os procedimentos que serão realizados. Ou seja, cada profissional de saúde que compõe a equipe deve estar ciente do diagnóstico, tanto na sua área quanto no campo de todos os seus colegas envolvidos no atendimento. Entendidos esses formatos de trabalho, reforça-se que a multidisciplinaridade é primordial para um cuidado de qualidade. Ela possibilita que o usuário tenha um tratamento integrado, considerando as suas especificidades e necessidades. Atuar segundo essa abordagem de multidisciplinaridade permite a composição de equipes com profissionais das mais diversas formações: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, educadores físicos, fonoaudiólogos, dentre outros. ATENÇÃO As atividades específicas estabelecidas pelas normas éticas de cada profissão obviamente têm que ser respeitadas. Os membros de uma equipe multiprofissional devem trabalhar de acordo com os limites e as especificidades de sua formação e, de igual maneira, respeitar essa singularidade; precisam também saber qual a atividade individual de cada um dos outros membros. Seguindo esse modelo de serviço, é factível implantá-lo nos três níveis de atenção à saúde; porém, cada local de trabalho deve adequar-se à sua realidade. Vale salientar que esse local onde o cuidado acontece desencadeia reflexões e discussões entre os profissionais da equipe de saúde e entre os usuários também. Reconhecer os usuários do SUS como parceiros para a construção do cuidado pautado na troca de conhecimento é um avanço. Essas reflexões e discussões estão diretamente relacionadas à evolução no conceito de saúde e à mudança no paradigma de paciente para usuário e/ou cliente. Ou seja, a perspectiva de passivo evolui para uma visão de atuação e escolhas no seu cuidado/terapêutica: é o indivíduo que produz a sua saúde e o seu bem-estar. UNIDADE MULTIPROFISSIONAL DE SAÚDE Uma unidade multiprofissional de saúde pode ser criada em uma UBS, para assistir os usuários do programa de hipertensão criado pelo Ministério da Saúde; também pode ser criada em um ambulatório hospitalar, para atender aos usuários que estão se preparando para realizar uma cirurgia bariátrica. Imagem: Shutterstock.com Figura 15 – Unidade multiprofissional de saúde. Esses exemplos revelam que atuar sob essa ótica propicia o cumprimento de um dos princípios doutrináriosdo SUS, a integralidade, assim como um dos seus objetivos, a resolutividade. Isso porque uma unidade multiprofissional de saúde, com uma composição multidisciplinar, viabiliza a construção de um cuidado singular e personalizado para atender à demanda identificada no usuário. Reforça-se a visão integral e sistêmica da construção do cuidado terapêutico, que não fragmenta o indivíduo e o resume a uma patologia e/ou um agravo, mas sim compreende que essa pessoa faz parte de várias esferas que têm relação e influência, positiva ou negativa, em sua vida e situação de saúde/doença. Apesar da estruturação dos serviços baseada nos níveis primário, secundário e terciário, a distribuição de recursos ainda prioriza o setor terciário de alta complexidade, densidade tecnológica e especialização, e produz grande impacto na vida dos indivíduos assistidos nessa esfera. Trata-se de usuários com agravamento em sua situação de doença que manifestam baixa resolutividade e aparecimento de sequelas. Devido à remodelação assistencial, rompem-se as atividades uniprofissionais, fragmentadas e desarticuladas, centradas nos prestadores de serviços, e o foco passa a ser o alinhamento na figura do indivíduo/usuário/cliente, que deixa de ser um portador de uma doença. MODELO BIOPSICOSSOCIAL Nesse caminhar, tem-se a transição do modelo biomédico para o modelo biopsicossocial, sendo este um paradigma que proporciona uma visão integral do ser e do adoecer, compreendendo as dimensões física, psicológica e social. Quando se incorpora esse modelo à formação do profissional de saúde, surge a necessidade de que ele, além de acompanhar a evolução das habilidades técnico-instrumentais- científicas, progrida em suas capacidades relacionais, de modo a viabilizar um vínculo adequado e uma comunicação efetiva. A especialista Paula Villarinho fala sobre o modelo biomédico e o modelo biopsicossocial, explica a evolução dos conceitos dos paradigmas de saúde biomédico e biopsicossocial e exemplifica a multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (CONCURSO TJ/PA ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA PSICOLOGIA – 2019). A RESPEITO DE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES E INTERDISCIPLINARES EM SAÚDE, ASSINALE A OPÇÃO CORRETA: A) Disciplinaridade refere-se ao conceito de comportamento ético esperado por todos os profissionais que trabalham em equipe. B) Em equipes multidisciplinares, todos os profissionais atuam conforme um padrão de conduta preestabelecido. C) Equipes multidisciplinares são caracterizadas por incluírem um psicólogo como membro efetivo. D) Interdisciplinaridade é definida pela presença de profissionais de todas as áreas de saúde em determinado serviço. E) Equipes multidisciplinares e interdisciplinares diferem principalmente quanto à forma de interação, atuação e tomada de decisões entre seus membros. 2. O TRABALHO EM EQUIPE É UMA PRÁTICA CRESCENTE NO ATENDIMENTO À SAÚDE. A EQUIPE MULTIDISCIPLINAR TEM COMO BASE O MODELO: A) Biocultural de saúde B) Biossocial de saúde C) Biopsicossocial de saúde D) Biopsicoespiritual de saúde E) Bioeconômico de saúde GABARITO 1. (Concurso TJ/PA Analista Judiciário – Área Psicologia – 2019). A respeito de equipes multidisciplinares e interdisciplinares em saúde, assinale a opção correta: A alternativa "E " está correta. Os formatos de trabalho das equipes multiprofissionais de saúde variam de acordo com a relação que os membros da equipe criam e sustentam entre si, a aplicabilidade dos conhecimentos de sua área de domínio, a forma como esses saberes são usados conjuntamente em prol da criação de uma proposta terapêutica para o caso apresentado pelo usuário/cliente/paciente. O compartilhamento dos saberes dos distintos profissionais para a construção colaborativa do cuidado e o acompanhamento de sua implantação, considerando as suas especificidades e as necessidades do indivíduo, viabilizam um tratamento integrado. 2. O trabalho em equipe é uma prática crescente no atendimento à saúde. A equipe multidisciplinar tem como base o modelo: A alternativa "C " está correta. O modelo biopsicossocial tem sido empregado na área da saúde a partir da evolução do conceito de saúde como resultado de uma produção social, na qual o indivíduo sofre influências positivas e/ou negativas dos vários ambientes em que circula, vive e trabalha. Relacionada ao mundo do trabalho, a visão integrada corpo-mente-ambiente norteia os padrões de relações de trabalho em todas as suas dimensões, características e abordagens. Numa equipe multidisciplinar que centra seu trabalho no indivíduo que está vivenciando um problema de saúde, esse modelo ampara a construção de um cuidado singular e personalizado, atendendo aos princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS A saúde é uma produção social que sofre influência de elementos determinantes das dimensões das quais as pessoas fazem parte e se relacionam. Por isso, tornou-se um indicador do grau de organização de um país. No Brasil, a partir da implantação e expansão das ações e dos serviços do SUS, o campo da saúde vive um período de intensas transformações, uma transição que abarca desde novos fundamentos legais (criação de leis, resoluções, portarias) até a construção de sistemas e processos operacionais. Incluem-se aí as alterações de infraestrutura nas instituições de saúde até as inovações nos moldes de formação dos recursos humanos e no cuidado (assistência) que é prestado/desenvolvido com e para os usuários e/ou pacientes. A abordagem biopsicossocial, que vem ganhando espaço na atuação cotidiana das equipes de saúde em variados cenários e graus de complexidade de atenção, tem proporcionado o cumprimento dos princípios e das diretrizes do SUS. Possibilita também que o usuário desse sistema torne-se um agente transformador de sua realidade, com um papel ativo na produção de sua saúde, já que o relacionamento com a equipe multiprofissional de saúde é baseado em mudanças de comportamento, com adesão às propostas por ela apresentadas. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS BRASIL. Casa Civil. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. Consultado na internet em: 10 fev. 2021. BRASIL. Casa Civil. Lei n. 8080, de 19 de setembro de 1990. Brasília, 1990. 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Unidades de Pronto Atendimento em Saúde (UPAS). Consultado na internet em: 13 fev. 2021. BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis – Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 77-93, abr. 2007. Consultado na internet em: 1 mar. 2021. DE NEGRI, A. O papel do hospital na Rede de Atenção à Saúde. Consensus, ano 2, ed. 11, 1 abr. 2014. Consultado na internet em: 13 abr. 2021. SUCUPIRA, A. C. S. L. et al. Determinantes sociais da saúde de crianças de 5 a 9 anos da zona urbana de Sobral, Ceará, Brasil. Rev. Bras. Epidemiol., São Paulo, v. 17, supl. 2, p. 160-177, 2014. EXPLORE+ Para conhecermais sobre o conteúdo estudado, assista a estes dois vídeos, disponíveis no Youtube: O que é Saúde para você? Determinantes sociais da Saúde – conexão SUS E leia o artigo Atenção em Saúde: modelo biomédico e biopsicossocial, uma breve trajetória, publicado na revista on-line Longeviver. CONTEUDISTA Paula Rocha Louzada Villarinho CURRÍCULO LATTES javascript:void(0);