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Fundamentos da 
Contabilidade
Autor
Andréia de Lima
Indaial – 2021
1a Edição
Indaial – 2021
Fundamentos da 
Contabilidade
Prof. Andréia de Lima 
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2021
Elaboração:
Prof. Andréia de Lima
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
apresentação
A Contabilidade é uma ciência antiga que sempre buscou atender 
as necessidades dos seus usuários. Inicialmente utilizada para o controle 
patrimonial, nas últimas décadas passou a ser também um instrumento de 
controle gerencial para as empresas. 
Apesar da maioria das entidades ser obrigada por lei a manter a 
Contabilidade, seu maior benefício está no diferencial competitivo que a 
informação contábil pode gerar tanto para seus usuários internos (sócios 
e gerentes), quanto para os usuários externos (acionistas, sociedade, 
instituições financeiras, governos, etc.). Diante disso, o profissional contábil 
se tornou cada vez mais indispensável no mundo dos negócios.
Este caderno apresenta os aspectos iniciais da ciência contábil, 
contribuindo assim para a construção do seu conhecimento:
Na Unidade 1 você conhecerá aos aspectos introdutórios da 
contabilidade. Abordaremos desde a sua origem até sua utilização atualmente. 
Analisaremos os principais conceitos, a importância da informação contábil 
para seus usuários, as normas e princípios contábeis que devem ser seguidos 
pelo profissional desta área e também os principais elementos do patrimônio 
de cada entidade. 
Na Unidade 2 estudaremos principalmente as relações entre o Plano 
de Contas e a Escrituração Contábil, destacando os aspectos que devem ser 
considerados ao se realizar o registro dos atos e fatos contábeis, visando 
sempre a qualidade da informação contábil.
Por fim, na Unidade 3, operacionalizaremos os lançamentos contábeis 
básicos e mais comuns das entidades como: constituição da empresa, 
compras, vendas, provisão, etc. E, também a elaboração das demonstrações 
contábeis.
A Contabilidade é uma área vasta e neste caderno estão presentes 
os aspectos fundamentais. Assim, nossa pretensão consiste em apresentar o 
estudo dessa ciência e instigá-lo a pesquisar, e conhecer cada vez mais sobre 
o tema.
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi-
dades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-
mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui 
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida-
de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun-
to em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você 
terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-
tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
sumário
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL ................................................................. 9
TÓPICO 1 Aspectos Gerais ................................................................................................................ 11
Autoatividade ...................................................................................................................................... 21
TÓPICO 2 A Importancia da Informação Contábil ........................................................................ 22
Autoatividade ...................................................................................................................................... 29
TÓPICO 3 Elementos do Patrimônio ............................................................................................... 30
Autoatividade ...................................................................................................................................... 33
Resumo ................................................................................................................................................. 34
UNIDADE 2 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL .................................................................................. 35
TÓPICO 1 As Contas Contábeis ....................................................................................................... 37
Autoatividade ...................................................................................................................................... 44
TÓPICO 2 Plano De Contas ............................................................................................................... 45
Autoatividade ...................................................................................................................................... 63
TÓPICO 3 Ferramentas E Métodos Para Escrituração ................................................................. 64
Autoatividade ...................................................................................................................................... 75
Resumo ................................................................................................................................................. 76
UNIDADE 3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS .......................................................................... 77
TÓPICO 1 Os Lançamentos Contábeis ............................................................................................ 79
Autoatividade ...................................................................................................................................... 89
TÓPICO 2 Registro das Principais Operações ................................................................................ 90
Autoatividade .................................................................................................................................... 101
TÓPICO 3 Demonstrações Contábeis ......................................................................................... 102
Autoatividade .................................................................................................................................... 122
Resumo ............................................................................................................................................... 123
Referências ......................................................................................................................................... 124
9
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respirepara incorporação das necessidades 
de informação futuras. (PADOVEZE, 2017, p. 63).
A maioria dos sistemas contábeis traz uma estrutura de plano de contas 
seguindo os aspectos legais, o que facilita a elaboração das demonstrações 
contábeis. Entretanto, isso não significa que a empresa não possa fazer modificações 
que alterem alguma coisa da estrutura, mas poderá atrapalhar futuramente.
PLANO DE CONTAS
47
Composição
Agora que você estudou sobre o plano de contas, vamos discutir a sua 
composição. Ribeiro (2018) orienta que o plano de contas considera o elenco de 
contas, manual de contas e modelos de demonstrações contábeis padronizadas.
Elenco das contas
O elenco de contas é uma relação das contas utilizadas para o registro 
dos fatos administrativos responsáveis pela movimentação do patrimônio da 
empresa, bem como, dos atos administrativos considerados relevantes (das 
contas de compensação). O elenco de contas envolve a intitulação (rubrica, nome) 
e o código de cada conta. (RIBEIRO, 2018).
Como mencionado anteriormente, independente da empresa, é importante 
agrupar as contas de acordo com a estrutura estabelecida nas Leis e Normas 
Contábeis, o que facilita a elaboração das demonstrações contábeis. 
A elaboração do elenco de contas, conforme salientam, Greco e Arend 
(2017), considera a necessidade de atendimento aos usuários da informação 
contábil. Dessa forma, contêm os detalhes exigidos para efeitos da legislação do 
imposto de renda, e as informações de interesse da administração da empresa.
O elenco de contas pode ser sintético ou analítico. No aspecto sintético, 
as contas são agrupadas por elementos do ativo, passivo, patrimônio líquido, 
receitas, despesas, transitórias e de compensação. E, no analítico, as contas são 
distribuídas em grupos e/ou subgrupos do ativo, passivo, patrimônio líquido, 
receitas e despesas, incluindo as transitórias e de compensação.
 
Um elenco de contas nunca deve classificar as contas conforme a sua 
natureza (devedora/credora). Caso isso ocorra, as contas do Ativo ficariam no mesmo 
grupo que as Despesas, e as contas do Passivo ficariam no mesmo grupo que as 
Receitas. Essa forma de agrupamento é incorreto, pois essas contas representam 
situações diferentes e não devem estar juntas.
IMPORTANTE
Greco e Arend (2017) afirmam que o agrupamento mínimo do elenco de 
contas será: 
•  Ativo;
•  Passivo; 
•  Patrimônio líquido; 
48
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
•  Receitas; 
•  Despesas/Custos; 
•  Intermediárias/Transitórias; 
•  Compensado. 
As contas intermediárias são utilizadas para satisfazer uma situação 
transitória, registrando um fato ainda sem classificação definida. O seu uso é 
temporário, pois na sequência, o seu saldo será transferido para a conta adequada. 
Essas contas são constituídas para uso temporário, e seu saldo será futuramente 
transferido para a conta adequada, que registrará o fato após definido. 
As contas de compensação correspondem as contas que não fazem parte 
do patrimônio e servem apenas para controle, de modo geral, são contas que 
integrarão o patrimônio no futuro. Greco e Arend (2017) definem essas contas 
como um conjunto de contas optativo, que tem a finalidade informar os atos 
internos da empresa, servindo como meio para seu controle. 
Segundo a NBC-T-25, as contas de compensação constituem um sistema 
próprio com o registro dos atos relevantes, cujos efeitos possam ser traduzidos 
em modificações no patrimônio da entidade. A escrituração nas contas de 
compensação será obrigatória, somente nos casos em que haja determinação 
específica, expedida por órgão competente, e não serão permitidas nas 
demonstrações contábeis. 
Um exemplo de seu uso é o lançamento para registrar o valor de seguro 
contratado: 
DÉBITO Seguros Contratados 
CRÉDITO Contratos de Seguros 
Esse lançamento corresponde ao valor do seguro contratado e não ao 
valor do prêmio do seguro, que constitui uma despesa. 
Ao elaborar o elenco de contas é importante observar a estrutura das 
demonstrações contábeis. Para evitar um retrabalho, o de ter que adaptar as 
contas na hora de elaborar as demonstrações do período. 
A NBC TG 26 (R5) dispõe sobre apresentação das demonstrações contábeis, 
bem como a respeito de sua estrutura. Assim, determina sobre a organização 
das contas do Ativo segregadas em Ativo Circulante e Ativo Não Circulante. 
As constas do Ativo Não Circulante se subdivide em realizável a longo prazo, 
investimentos, imobilizado e intangível. Essas contas são ordenadas por grau de 
liquidez. No Ativo Circulante estão elencados todos os bens e direito da entidade 
realizáveis (que serão convertidos em dinheiro) durante um exercício social. 
PLANO DE CONTAS
49
O exercício social compreende um período de 12 meses e coincidente 
com o ano civil, que inicia no dia 1º de janeiro e finda em 31 de dezembro. Desse 
modo, ao final desse período, as empresas apuram os seus resultados e elaboram as 
Demonstrações Contábeis. 
IMPORTANTE
 Segundo Ribeiro (2018), o Ativo Circulante compreende os bens e direitos 
que estão em frequente circulação no Patrimônio, no capital de giro da empresa, 
nos valores transformados em dinheiro ou aqueles, que estejam em processo 
até o término do exercício social subsequente, bens a venda ou para consumo, 
despesas pagas antecipadamente com vencimentos fixados até 12 meses da data 
do Balanço, e os direitos com vencimentos no decorrer deste período.
Os valores realizáveis do Ativo Circulante não são convertidos diretamente 
em dinheiro. Sobretudo com os tributos que a empresa recolhe antecipadamente, e 
serão compensados com as obrigações fiscais, no pagamento aos órgãos públicos, 
ou com materiais de consumo e despesas pagas antecipadamente. 
O grupo dos Direitos Realizáveis no curso do exercício social seguinte, pode 
ser subdividido em créditos com clientes, outros créditos, tributos a recuperar, 
investimentos temporários a curto prazo e estoques. Os bens e os direitos que 
representam os recursos aplicados consistem em quantias de dinheiro presentes 
no caixa, ou depositadas em contas correntes, no nome da empresa, em bancos. 
De modo geral, essas contas são que possuem maior grau de liquidez entre as 
demais contas do Ativo. 
O crédito com clientes consiste nos direitos a receber de terceiros 
oriundos de vendas de mercadorias, ou de prestação de serviços realizados a 
prazo. Igualmente, os direitos a receber das administradoras de cartões de crédito 
que provêm das vendas de mercadorias ou de prestação de serviços realizados a 
prazo. Outros créditos representam os direitos da empresa em receber quantias 
de terceiros, que não correspondam as vendas a prazo de mercadorias e serviços. 
Os tributos a recuperar advêm dos impostos, taxas ou contribuições 
recolhidas antecipadamente, ou indevidamente, que por meio da Legislação, 
serão compensados em até 12 meses. Os investimentos temporários a curto prazo 
indicam as aplicações em dinheiro em instrumentos financeiros, como títulos e 
valore mobiliários, representativos ou não do capital de outras empresas. 
Nos estoques os bens são destinados à produção, prestação de serviços, 
venda ou consumo. Dessa forma, os estoques de mercadorias e produtos vendidos 
à vista são transformados em dinheiro, os estoques de materiais destinados 
ao processo produtivo, assim que incorporados aos produtos de fabricação, se 
50
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
tornam em custos. Os estoques de materiais destinados à prestação de serviços 
passam a ser custos, devido a sua aplicação na prestação dos serviços, e os estoques 
de materiais de consumo assim que forem consumidos se transformam em 
despesas. Em relação às despesas, as que são pagas antecipadamente, constituem 
em despesas do exercício seguinte, e as pagas, em exercício atual. 
As despesas pagas antecipadamente, são registradas no Ativo porque 
representam um o benefício futuro que ocorre no ato do pagamento. As 
assinaturas anuais são exemplos de despesaspagas antecipadamente, pois 
geralmente a empresa paga na data da contratação por algo que terá direito de 
usufruir durantes os próximos 12 meses. Outros exemplos desse tipo de despesas 
são seguros a vencer, encargos financeiros antecipados e juros sobre descontos de 
duplicatas.
O Ativo Não Circulante compreende os bens e direitos da entidade que 
possuem um grau de liquidez menor, sendo dividido em Ativo Realizável a Longo 
Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível. Os intangíveis são elementos 
que não possuem característica física definida, no caso dos Ativos são: marcas, 
patentes, fundo de comércio, softwares, direitos autorais etc.
Assim, para Ribeiro (2018), o Ativo realizável a Longo Prazo consiste em 
contas representativas dos recursos aplicados em bens e direitos, que começarão a 
circular após o término do exercício social seguinte. No grupo do Ativo, exceto das 
Disponibilidades, contará com as demais contas representativas das aplicações 
de recursos em bens e direitos, o que inclui as despesas pagas antecipadamente e 
que constam no Ativo Circulante com o prazo de realização superior a 12 meses. 
A Lei n. 6.404/1976, no inciso II do artigo 179, estabelece que no Ativo 
Realizável a Longo Prazo deve conter os direitos derivados de vendas, 
adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas, ou controladas, diretores, 
acionistas ou participantes no lucro da empresa. Sobretudo, independente do 
prazo de vencimento, esses direitos advenham de operações que não constituam 
negócios na exploração do objeto da companhia. 
Os Investimentos consistem em contas representativas das participações 
no capital de outras sociedades, que geram rendimentos para a empresa em forma 
de dividendos. Assim como, em contas representativas dos direitos de qualquer 
natureza não classificadas no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, que 
não são destinadas a manutenção da atividade principal da empresa. 
O Imobilizado configura as contas representativas dos recursos aplicados 
em bens corpóreos, propostos para manutenção das atividades da empresa, e 
as decorrentes de operações de transferência à companhia de benefícios, riscos 
e controle dos bens. Inclusive, se subdivide em operacional corpóreo (tangível) 
que integra as contas representativas dos recursos aplicados nos bens de 
uso da empresa, como móveis, computadores, veículos e etc. O operacional 
condiz as contas representativas dos capitais aplicados em recursos naturais, 
minerais ou florestais, de exploração da empresa. Outro tipo consiste no objeto 
PLANO DE CONTAS
51
de arrendamento mercantil, que considera as contas representativas dos bens 
utilizados pela empresa, mas que não pertencem a sua propriedade, como por 
exemplo, em bens arrendados a terceiros. E por fim, imobilizado em andamento 
que são contas representativas dos recursos aplicados nas construções ou 
aquisições em andamento. 
O Intangível configura as contas representativas dos recursos aplicados 
em bens não materiais. Dessa forma, são considerados como direitos que tenham 
por objeto bens incorpóreos destinados a manutenção das atividades da empresa, 
sendo os representativos de fundo de comércio adquirido a título oneroso.
Assim que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o 
exercício social, a classificação do circulante ou longo prazo terá por base o prazo 
desse ciclo (parágrafo único do artigo 179 da Lei n. 6.404/1976). 
Figura 9 — Exercício social
Data do balanço 365 dias depois
mais de 365 dias até 365 dias
circulante (curto prazo) não circulante (longo prazo)
Data do balanço 365 dias depois
mais de 365 dias até 365 dias
31.12.x6 31.12.x7
circulante (curto prazo) mais de 365 dias além do 01.01.x8
Fonte: Padoveze (2017).
Ciclo operacional é o espaço de tempo necessário, para que a empresa 
realize integralmente o seu processo operacional. Nas empresas comerciais, prestadoras 
de serviços e industriais em geral, o ciclo operacional dificilmente ultrapassa um mês.
IMPORTANTE
52
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Do mesmo modo, é aconselhável agrupar as contas do Passivo conforme 
as orientações das legislação e normatização. A NBC TG 26 (R5) estabelece que as 
contas que representam as obrigações e o Patrimônio Líquido serão reunidas no 
Passivo em três grupos principais: Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e 
Patrimônio Líquido.
No Passivo Circulante estão as obrigações da entidade vencíveis 
durante o exercício social, e apresenta diversas obrigações, como as Obrigações 
a Fornecedores com os compromissos oriundos da compra de mercadorias ou 
da utilização de serviços a prazo. Os Empréstimos e Financiamentos consistem 
em obrigações resultantes de compromissos assumidos pela empresa, durante 
a captação de recursos financeiros, para financiar o seu capital de giro. As 
Obrigações Tributárias representam os deveres da empresa com o governo, no 
pagamento dos impostos, taxas ou contribuições, para o desenvolvimento de suas 
atividades. As Obrigações Trabalhistas e previdenciárias apontam os encargos, 
que a empresa paga aos seus empregados ou recolhe aos órgãos públicos. 
Há inclusive, Outras Obrigações de curto prazo assumidas pela empresa, 
que não se caracterizam nos subgrupos do passivo circulante. As Participações e 
Destinações do Lucro Líquido constituem em situações assumidas pela empresa, 
que derivam dos lucros, ou seja, são obrigações dos proprietários em relação a 
juros e dividendos. 
No Passivo Não Circulante estão agrupadas as obrigações da empresa 
vincendas a mais de um exercício social. E, no Patrimônio Líquido estão as contas 
de Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação 
Patrimonial, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados. (RIBEIRO, 2018).
De acordo com Ribeiro (2018) no Passivo Não Circulante inclui um 
subgrupo para as Receitas Diferidas, que atuam como redutoras, as contas 
representativas das despesas ou custos correspondentes às respectivas receitas 
recebidas antecipadamente.
O Patrimônio Líquido, segundo Ribeiro (2018), consiste na parte do 
Balanço Patrimonial que corresponde aos capitais próprios, como recursos 
derivados dos proprietários ou do movimento do patrimônio. Assim, as contas 
representativas dos capitais próprios se classificam em Capital Social, Reservas 
de Capital, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em 
Tesouraria e Prejuízos Acumulados. 
O Capital Social representa a conta Capital com os valores investidos na 
empresa pelos titulares, e na conta Capital a Realizar que destaca a parcela do 
capital já subscrita pelos sócios, contudo, ainda não realizada. Inclusive, as contas 
que representam o montante do capital autorizado e a parcela desse capital ainda 
não subscrita. 
PLANO DE CONTAS
53
As Reservas de Capital são as contas representativas de algumas receitas, 
que conforme o § 1º do artigo 182 da Lei n. 6.404/1976, são proibidas de transitar 
pelo resultado do exercício. Assim, como no caso das receitas, que decorrem de 
ágio na emissão de ações e na alienação das partes beneficiárias, ou ainda, de 
bônus de subscrição.
Os Ajustes de Avaliação Patrimonial consistem em ajustes de avaliação 
patrimonial, desde que não computadas no resultado do exercício de competência. 
Em relação às contrapartidas de aumentos ou diminuições do valor atribuídos aos 
elementos do Ativo e do Passivo, sua avaliação de valor justo depende dos casos 
previstos na Lei ou nas normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma instituição brasileira que 
tem por objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores 
mobiliários no Brasil, dentre eles o mercado de ações.
UNI
Nas Reservas de Lucros considera as contas correspondentes as Reservas 
que advêm de parte dos lucros apurados pela empresa, como resultado de lei 
ou da vontade do proprietário, dos sócios ou administradores. As Ações em 
Tesouraria consideram as ações da própriaempresa adquiridas, e por fim, os 
Prejuízos Acumulados consistem em prejuízos da empresa o exercício atual ou 
em anteriores, que são compensados com lucros, saldos de reservas ou assumidos 
pelos sócios. 
Na figura 10 é apresentado um exemplo de elenco de contas patrimoniais:
54
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Figura 10 — Elenco das contas patrimoniais
ELENCO DE CONTAS 
GRÁFICO 1 - CONTAS PATRIMONIAIS
1. ATIVO 2. PASSIVO
1. ATIVO 2. PASSIVO
1.1 ATIVO CIRCULANTE
1.1.01 Caixa 
1.1.02 Bancos Conta Movimento
1.1.03 Clientes
1.1.04 Duplicatas a Receber
1.1.05 Promissórias a Receber
1.1.06 Ações de Outras Empresas
1.1.07 Estoque de Mercadorias
1.1.08 Estoque Material de Expediente
1.1.09 Estoque de Material de Consumo
1.2 ATIVO NÃO CIRCULANTE
1.2.01 Duplicatas a Receber
1.2.02 Promissórias a Receber
2.1 PASSIVO CIRCULANTE
2.1.01 Fornecedores
2.1.02 Duplicatas a Pagar
2.1.03 Promissórias a Pagar
2.1.04 Contribuições de Previdência a 
Recolher
2.1.05 FGTS a Recolher
2.1.06 Salários a Pagar
2.1.07 Impostos e Taxas a Recolher
2.2 PASSIVO NÃO CIRCULANTE
2.2.01 Duplicatas a Pagar
2.2.02 Promissórias a Pagar
1.2.03 Participações em Outras Empresas
1.2.04 Imóveis de Renda 
1.2.05 Computadores
1.2.06 Imóveis 
1.2.07 Instalações 
1.2.08 Móveis e Utensílios
1.2.09 Veículos
1.2.10 Fundo de Comércio
2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
2.3.01 Capital
2.3.02 Lucros Acumulados
Fonte: Ribeiro (2018, p. 38-39).
PLANO DE CONTAS
55
Figura 11 — Elenco das contas de resultado
ELENCO DE CONTAS 
Gráfico 2 - CONTAS DE RESULTADO
3. DESPESAS
3. DESPESAS
5. CONTAS DE APURAÇÃO DO
RESULTADO
4. RECEITAS
4. RECEITAS
3.1 DESPESAS OPERACIONAIS
3.1.01 Água e Esgoto
3.1.02 Aluguéis Passivos
3.1.03 Café e Lanches 
3.1.04 Combustíveis 
3.1.05 Contribuições de Previdência
3.1.06 Descontos Concedidos
3.1.07 Despesas Bancárias
3.1.08 Despesas de Organização
3.1.09 Encargos Sociais
3.1.10 Energia Elétrica e Comunicação
3.1.11 Fretes e Carretos
3.1.12 Impostos e Taxas
3.1.13 Juros Passivos
 3.1.15 Material de Consumo
 3.1.16 Salários
 3.1.17 Despesas Eventuais
5.1 RESULTADO LÍQUIDO
5.1.01 Resultado do Exercício
4.1 RECEITAS OPERACIONAIS
4.1.01 Aluguéis Ativos
4.1.02 Descontos Obtidos
4.1.03 Juros Ativos
4.1.04 Receitas de Serviços
4.1.05 Receitas Eventuais
Fonte: Ribeiro (2018, p. 39-40).
Na figura 11 você pode observar um exemplo do elenco de contas de 
resultado. 
Dessa forma, além das contas patrimoniais mais comuns, também 
existem as Contas Redutoras do Balanço, que geralmente aparecem no Balanço 
Patrimonial precedidas do sinal (-), e representa, que o valor dessa conta está 
negativo no grupo. 
56
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
As contas redutoras do Ativo, de acordo com Ribeiro (2018), são classificadas 
em Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa, Perdas por Redução 
ao Valor Realizável Líquido Conta redutora do grupo de estoques, Ajuste a Valor 
Presente, Depreciação Acumulada e, Amortização e Exaustão Acumuladas. Em 
relação às Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa substitui as 
denominações da antiga Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa ou 
Provisão para Devedores Duvidosos, figura no Ativo Circulante, no subgrupo 
Clientes como redutora da conta Duplicatas a Receber. Dessa forma, aponta as 
previsões de perdas que ocorrem no exercício seguinte, com base nas perdas já 
ocorridas em exercícios anteriores, ou em qualquer evidência que pertença a um 
ativo ou grupo de ativos financeiros sujeitos a perda do respectivo valor. 
Nas Perdas por Redução ao Valor Realizável Líquido Conta redutora do 
grupo de estoques, as perdas são reconhecidas quando o valor recuperável de 
itens de estoques constituir como inferior ao custo de aquisição ou transformação, 
conforme o inciso II do artigo 183 da Lei n. 6.404/1976 e item 9 da NBC TG 
16). Com referência ao Ajuste a Valor Presente poderá figurar no Ativo as contas 
redutoras de direitos a receber derivados das vendas de mercadorias a prazo, ou 
de operações financeiras realizadas. 
A Depreciação Acumulada figura no Imobilizado, como redutora das 
contas representativas dos bens de uso, que são apresentados no Balanço pelos 
seus valores originais diminuídos das depreciações. Desta forma, permite que 
esses bens sejam integrados ao patrimônio com seus valores reais que podem 
gerar fluxos de caixas futuros com a sua venda ou uso. 
A Amortização e Exaustão Acumuladas consiste na forma semelhante 
da Depreciação Acumulada, onde figura no Ativo Não Circulante as contas 
Amortização Acumulada e Exaustão Acumulada. Desse modo, se apresentam como 
redutoras de contas representativas de bens intangíveis e de recursos naturais, que 
se classificam respectivamente, no Ativo Intangível e no Ativo Imobilizado.
As contas redutoras do Passivo são contas de natureza devedora, mas 
que devem aparecer no lado direito do Balanço Patrimonial, comuns as contas 
redutoras do Patrimônio Líquido. 
Ribeiro (2018) apresenta alguns exemplos como os Custos/Despesas ou 
Encargos Vinculados às Receitas que consiste no conjunto de contas retificadoras 
que figuram no subgrupo Receitas Diferidas do Passivo Não Circulante. Visto 
que, são encargos oriundos das receitas recebidas antecipadamente, de natureza 
tributária ou de outra, que podem representar custos, perdas ou despesas, 
necessárias para a realização da receita. O uso do título da conta será adequado 
ao tipo da despesa correspondente.
Por exemplo, uma empresa comercial que atua no ramo do comércio 
de veículos usados pretende aumentar sua receita, e decidiu locar parte do 
imóvel de sua propriedade pelo período de um ano. Na data da assinatura do 
contrato de locação, exigiu que o locatário pagasse a importância de R$ 3.000, 
PLANO DE CONTAS
57
que corresponde a um mês de aluguel antecipado. Entretanto, para que o espaço 
pudesse ser locado, foi gasto em dezembro a importância de R$ 1.000 com 
pequenos reparos na rede elétrica e de água. Assim, como no mês de dezembro 
a empresa recebeu antecipadamente R$ 3.000, para realizar essa receita, contou 
com os gastos de R$ 1.000, no Balanço que será realizado em 31 de dezembro, no 
Passivo Não Circulante, subgrupo Receitas Diferidas, constará:
Aluguéis Ativos a Vencer............................................ 3.000 
(–) Despesas com Reformas ....................................... 1.000 
TOTAL............................................................................2.000 
O (-) Capital a Realizar figura no Patrimônio Líquido como redutora da 
conta que registra o capital social, referente a parcela do capital não integralizada 
pelos proprietários. Dessa forma, permite que o valor do capital somado ao 
patrimônio, apresente o montante que ingressou na empresa. 
Os (-) Prejuízos Acumulados figuram no Patrimônio Líquido como 
redutora de todo o grupo do Patrimônio Líquido, e apresenta os prejuízos apurados 
e que não foram compensados. As (-) Ações em Tesouraria figuram no grupo 
do Patrimônio Líquido que correspondem as ações representativas do capital da 
própria empresa, adquiridas nas circunstâncias permitidas pela Lei. Segundo 
o inciso 5º, do artigo 182 da Lei n. 6.404/1976, as ações em tesouraria deverão 
ser destacadas no Balanço como dedução da conta do Patrimônio Líquido, que 
registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Entretanto, quando 
houver dificuldades de identificação da origem do recurso, o contabilista escolhe 
o melhor posicionamento conforme a situação. 
Manual de contas 
Para Greco e Arend (2017), o manual de contas consiste no conjunto de 
informações que detalham as funções e o uso de cada uma das contas do elenco. 
Assim, cada conta informa não só para o que serve e o que deve conter, mas 
também, a respeito da contrapartida, que normalmente será encontrada na 
movimentação dessa conta.
Ribeiro (2018) explica que o manual de contas apresenta as informações 
detalhadas de cada conta, servindo de guia para que o profissional contábil, possa 
registrar uniformementetodos os eventos responsáveis pela movimentação do 
patrimônio da empresa. Esse instrumento é importante, inclusive, em caso de 
troca de profissionais que trabalham no setor contábil da empresa. O manual 
servirá de parâmetro para que todos os registros contábeis sejam padronizados. 
A figura 12 apresenta um modelo de manual de contas.
58
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Figura 12 — Manual de contas
Função, funcionamento e natureza da conta
1.ATIVO
Parte do Balanço Patrimonial que representa a aplicação dos recursos que a empresa tem 
à sua disposição. Englobada contas apropriadas para o registro dos bens e dos direitos de 
qualquer natureza.
1.1 ATIVO CIRCULANTE.
Um dos dois grupos principais em que se divide o Ativo. Engloba contas apropriadas 
para o registro e controle das disponibilidades, bem como de contas apropriadas para 
o registro e controle de bens e direitos de qualquer natureza, cuja realização em 
disponibilidades espera-se que ocorre a curto prazo, ou seja, até o término do 
exercício social seguinte ao Balanço.
1.1.1 DISPONIBILIDADES
Subdivisão do grupo Ativo Circulante. Engloba contas apropriadas para o registro 
e controle de bens numerários de livre e imediata movimentação. Compreende 
o dinheiro acumulado no caixa de empresa ou em estabelecimentos bancários, 
bem como os valores tratados como equivalentes de caixa, quais sejam, aquelas 
representados por aplicações financeiras efetuadas em instituições próprias, 
desde que garantam liquidez imediata, sendo que a empresa possa utilizá-la 
livremente, sem restrições. 
1.1.1.01 Caixa Geral.
Conta principal ou sintética. Representa o montante do dinheiro em 
espécie existente na empresa. Pode englobar quantias existentes em 
vários estabelecimentos ou localidades da entidade. Nesse montante, 
pode estar incluído também cheques recebidos de terceiros, quanto não 
forem descontados ou depositados em estabelecimentos bancários.
1.1.1.01.1 Matriz.
Subconta representativa do dinheiro existente no estabelecimento 
matriz.
1.1.1.01.1.001 Caixa.
Função: serve para controlar o fluxo de entradas e saídas dos 
bens numerários em poder da empresa, normalmente 
compostos por dinheiro e cheques.
Funcionamento: debitada pelas entradas de dinheiro ou 
cheques no caixa e creditada pelas saídas de dinheiro ou 
cheques do caixa.
Natureza do saldo: devedora. 
Fonte: Ribeiro (2018, p. 42).
PLANO DE CONTAS
59
Modelos das demonstrações contábeis
Além de modelos das demonstrações contábeis exigidas pela Lei n. 
6.404/1976, deverão constar, nos planos de contas, modelos dos demais quadros, 
livros auxiliares, fichas, mapas de apropriação ou rateio, relatórios, gráficos, 
ou seja, de todos os quadros sintéticos ou analíticos elaborados pelo setor de 
contabilidade da empresa. (RIBEIRO, 2018).
Na Unidade 3 aprofundaremos o estudo das demonstrações contábeis 
obrigatórias.
ESTUDOS FU
TUROS
Codificação
O manual de contas apresenta as mesmas alinhadas em uma espécie de 
níveis e cada uma possui uma numeração (código). O código da conta constitui 
um conjunto de algarismos utilizados para identificar cada uma das contas, que 
compõem o plano de contas de uma entidade. (RIBEIRO, 2018). 
Na apresentação de um plano de contas, sua estrutura deve ser codificada 
ou graduada, com a finalidade de criar um sistema classificatório das contas 
contábeis, em que cada conta possui um algarismo apresentado no lado esquerdo. 
(BAZZI, 2014). Dessa forma, segundo Padoveze (2010), a codificação é numérica, 
organizada de forma descendente em desdobramento ou detalhamento, partindo 
do código inicial da conta sintética, que sumariza um grupo de contas, até o 
código mais expandido da conta analítica, em que os saldos são obtidos por meio 
dos lançamentos contábeis.
Alguns sistemas de informação contábil integrados com os Sistemas 
Integrados de Gestão Empresarial ou ERPs permitem, que as contas contábeis fiquem 
num grande banco de dados, não estruturadas em código, e, a partir daí, extraem-se 
diversos planos de contas contábeis, sejam eles gerenciais ou legais. Alguns sistemas, 
inclusive, permitem que letras sejam utilizadas na codificação. 
UNI
Ribeiro (2018) destaca que a utilização de códigos agiliza os registros 
contábeis, principalmente os efetuados por meio de processamento eletrônico de 
dados. Assim, débitos e créditos são lançados pelo código da conta e não pela 
intitulação. 
60
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Os critérios para codificação do plano de contas ficam a critério de cada 
profissional contábil responsável pela empresa. Todavia, é importante que ao se 
definir esse elemento, leve-se em consideração os aspectos legais e gerenciais. 
Costuma-se utilizar a numeração da figura 13 para codificar os grandes grupos 
de contas: 
Figura 13 — Agrupamento de contas
Algarismos
1
Contas
Contas do Ativo
2 Contas do Passivo
3 Contas de Despesas 
4 Contas de Receitas
5 Contas de Apuração de Resultado
Fonte: Bazzi (2014, p. 142).
Os grandes grupos destacam desdobramentos, como já demonstrado 
anteriormente, e necessitam atribuir níveis diferentes para as contas. Assim, 
atribui-se o nome de grau a cada nível de desdobramento do grupo maior de 
contas, mesmo porque, um plano de contas pode ter quantos desdobramentos ou 
graus forem necessários. (PADOVEZE, 2017).
Um exemplo de codificação e graus das contas pode ser observado na 
figura 14. 
PLANO DE CONTAS
61
Figura 14 — Codificação e graus das contas
CÓDIGOS
1
TÍTULOS
ATIVO
1.1 ATIVO CIRCULANTE
1.1.1 DISPONIBILIDADES 
1.1.1.01 CAIXA GERAL
1.1.1.01.001 CAIXA
1.1.1.01.002 FUNDO FIXO DE CAIXA
1.1.1.01.2 Fábrica
1.1.1.02 Bancos conta Movimento
1.1.1.02.1 Matriz 
1.1.1.02.001 Banco Urupês S/A
Fonte: Ribeiro (2018, p. 44).
Ribeiro (2018) explicita sobre as funções dos dígitos que compõe o código. 
Assim, o primeiro dígito determina o grupo que pertence à conta, no sistema 
patrimonial, de resultado e compensação. O segundo dígito revela a que conta 
pertence, o terceiro destaca o seu subgrupo, o quarto e o quinto dígito são 
reservados para a conta principal, sendo que o quarto dígito será utilizado para 
representar a divisão de subgrupo, quando houver. O sexto dígito refere-se a 
subconta, que representa os estabelecimentos que compõem a entidade. 
Na ocasião em que a entidade possuir mais de nove estabelecimentos, 
precisará da reserva de dois, três ou mais algarismo, o que incidirá no aumento da 
quantidade de dígitos dos códigos das contas. Entretanto, caso seja representada 
por um só estabelecimento, se utiliza do algarismo 1, ou se excluí, restando as 
contas com oito dígitos. Nessa situação, deve-se manter um ponto após o quinto 
dígito, para facilitar a leitura do código da conta. Assim, do 7º ao 9º dígito serão 
reservados para o desdobramento da subconta ou de uma conta principal, e 
o algarismo 0 (zero) indicará a inexistência de grupo, subgrupo, divisão de 
subgrupo ou o detalhamento de conta principal ou secundária.
62
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Por exemplo, a conta 1.1.1.01.1.001 - Caixa é uma subconta da Matriz, do 
Caixa Geral, que se encontra nas Disponibilidades do Ativo Circulante, do Ativo 
da empresa. 
Para garantir a uniformização dos registros contábeis, somente deverão 
receber lançamentos a débito ou a crédito, as contas que contiverem o maior 
número de dígitos previstos no elenco de contas. No caso em questão, serão as 
contas com nove dígitos. (RIBEIRO, 2018).
Assim, no exemplo apresentado, todos os lançamentos referentes à 
movimentação do caixa devem ser feitos na conta 1.1.1.01.1.001 – Caixa e não na 
conta 1.1.1.01.1 – Matriz, por exemplo. De modo que, a conta 1.1.1.01.1 – Matriz 
é um grupo que envolve o Caixa e o Fundo Fixo de caixa. Em um primeiro 
momento, essa codificação pode parecer complicada e desnecessária, contudo, 
um plano de contas bem elaborado facilita o desenrolar da contabilidade dentro 
de qualquer organização.
63
AUTOATIVIDADE
1. O processo de elaboração, adequação, codificação ecriação do manual 
do plano de contas é um trabalho árduo. Cada conta contábil representa 
um elemento do patrimônio: Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas 
e Despesas. Juntamente, com as contas transitórias, de compensação e 
redutoras. Com base no que estudamos até aqui, disserte sobre a importância 
do Plano de Contas para a contabilidade de uma organização.
64
TÓPICO 3 
UNIDADE 2
FERRAMENTAS E MÉTODOS PARA 
ESCRITURAÇÃO 
Introdução 
Escrituração é uma técnica contábil que consiste em registrar nos livros 
próprios todos os acontecimentos que ocorrem na empresa, que modifiquem ou 
possam vir a modificar a situação patrimonial. Essa escrituração é feita por meio 
dos livros contábeis: Razão, Diário, Caixa, etc. (RIBEIRO, 2018).
Segundo o artigo 1.179 do Código Civil Brasileiro (Lei n. 10.406/2002), 
o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de 
contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de 
seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, apresentar 
anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
Somente o microempreendedor individual (MEI) está dispensado da 
escrituração contábil. 
ATENCAO
A escrituração contábil, portanto, é o registro dos atos e fatos 
administrativos. Os atos administrativos são os eventos que ocorrem na entidade 
e que não provocam alterações no patrimônio. Por exemplo, na admissão de 
empregado, assinatura de contratos de compra e venda, assinatura de contratos 
de seguro, fianças em favor de terceiros, avais de títulos, etc. (RIBEIRO, 2018).
Os atos administrativos não provocam alterações no patrimônio da 
entidade, e assim, nem todos serão passiveis de contabilização, apenas os 
relevantes. Os atos relevantes são aqueles cujos efeitos podem impactar em 
modificações futuras no patrimônio da empresa. 
Ribeiro (2018) exemplifica alguns atos administrativos passiveis de 
contabilização por meio das contas de compensação: 
•  remessas de bens a terceiros para industrialização e conserto ou como 
empréstimo;
FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO
65
•  recebimento de bens de terceiros para industrialização e conserto ou 
como empréstimo;
•  fianças a favor de terceiros – por exemplo: quando a empresa, por 
meio de titular ou sócios, assina um contrato de locação como fiadora 
de uma empresa locatária;
•  avais a favor de terceiros – por exemplo: quando a empresa, por meio 
de titular ou sócios, assina uma nota promissória como avalista de 
outra empresa que pretenda obter empréstimo junto a uma instituição 
financeira;
•  remessa de títulos ao banco para cobrança simples;
•  remessa de títulos ao banco, nos casos de empréstimos mediante 
caução;
•  assinatura de contratos de seguro com companhias seguradoras;
•  entrega de bens a terceiros como garantia de dívidas – por exemplo: 
hipotecas (bens imóveis), penhor (bens móveis);
•  recebimento de bens de terceiros em garantia de dívidas – por 
exemplo: hipoteca (bens imóveis), penhor (bens móveis);
•  assinaturas de contratos de compra e venda junto a fornecedores e 
clientes.
Segundo Ribeiro (2018), os fatos administrativos são os acontecimentos 
que ocorrem na empresa e que provocam modificações no patrimônio, sendo, 
portanto, objeto de contabilização por meio das contas patrimoniais ou das contas 
de resultado, podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido. Dessa forma, os fatos 
administrativos podem ser:
I. Permutativos, qualitativos ou compensativos: representam 
permutas (trocas) entre elementos ativos, passivos ou entre ambos 
simultaneamente, sem provocar variações no Patrimônio Líquido;
II. Modificativos ou quantitativos: provocam variações (modificações) 
no Patri- mônio Líquido;
III. Mistos: que envolvem, simultaneamente, um fato permutativo e um 
modificativo.
 Quanto aos fatos permutativos, Ribeiro (2018) aponta algumas situações:
•  Fatos permutativos entre elementos Ativos: envolvem somente 
contas do Ativo. Os mais comuns são os que correspondem às 
compras à vista; as vendas à vista ou a prazo, porém pelo preço de 
custo; as transferências de contas do Ativo Realizável a Longo Prazo 
para o Ativo Circulante em decorrência da diminuição do prazo de 
vencimento, etc.
66
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
•  Fatos permutativos entre elementos Passivos: envolvem apenas 
contas do Passivo (somente obrigações). Os mais comuns são os que 
representam as retenções efetuadas dos salários dos empregados 
nas folhas de pagamentos (compromissos dos empregados com 
Previdência, Imposto de Renda, Contribuição Sindical, etc.) e as 
transferências de contas do Passivo Exigível a Longo Prazo para o 
Passivo Circulante, esses últimos em decorrência da diminuição dos 
prazos de vencimento. 
•  Fatos permutativos entre elementos Ativos e Passivos, acarretando 
aumento no patrimônio: envolvem contas do Ativo e do Passivo 
em simultâneo; provocam aumento no patrimônio sem interferir 
no Patrimônio Líquido. Os mais comuns são os que representam as 
compras a prazo.
Quanto aos fatos permutativos, Ribeiro (2018) destaca a ocorrência de: 
•  Fatos permutativos entre elementos Ativos e Passivos, acarretando 
diminuição no patrimônio: envolvem, ao mesmo tempo, contas do 
Ativo e do Passivo; provocam diminuição no patrimônio sem interferir 
no Patrimônio Líquido. Os mais comuns são os que representam os 
pagamentos de obrigações.
•  Fatos modificativos aumentativos: envolvem uma conta patrimonial 
e uma ou mais contas de receita. Os mais comuns são os que 
representam recebimentos de receitas no momento da ocorrência do 
respectivo fato gerador. 
•  Fatos modificativos diminutivos: envolvem uma conta patrimonial 
e uma ou mais contas de despesa. Os mais comuns são os que 
representam pagamentos de despesas nas datas das ocorrências de 
seus fatos geradores. 
 Por fim, podem ocorrer fatos mistos de duas maneiras distintas, conforme 
orienta Ribeiro (2018):
•  Fatos mistos aumentativos: envolvem duas ou mais contas 
patrimoniais e uma ou mais contas de receita. Os mais comuns são os 
que representam vendas de bens com lucro, recebimento de direitos 
com juros, pagamento de obrigações com descontos, etc.
•  Fatos mistos diminutivos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais 
e uma ou mais contas de despesa. Os mais comuns são os que 
representam vendas de bens com prejuízo, recebimentos de direitos 
com descontos, pagamentos de obrigações com juros, etc.
FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO
67
Métodos e técnicas
O método de escrituração considera a forma de realização do registro 
dos atos e dos fatos administrativos. Bazzi (2014) menciona que a escrituração 
deve ser mantida pela empresa em registros permanentes, de acordo com as 
orientações legais e observando os princípios contábeis. Dessa forma, mantém 
a uniformidade em relação aos métodos e critérios contábeis, que reforça a 
importância de padronização para os registros contábeis, evitando distorções na 
informação gerada para os usuários finais. Os métodos mais conhecidos são o 
Método das Partidas Simples e o Método das Partidas Dobradas. 
Método das Partidas Simples
O Método das Partidas Simples consiste no registro de operações 
específicas envolvendo o controle de um só elemento, sem a necessidade de 
registro dos outros elementos patrimoniais ou de apuração de resultado. Um 
exemplo de escrituração, utilizando esse método, seria no Livro de Contas a 
Pagar, no qual para a empresa, interessa o controle específico das obrigações que 
possui com terceiros. Nesse livro não haverá, por exemplo, ao se diminuir o valor 
de uma obrigação registrada, um controle também do Caixa ou da conta bancária 
da qual o recurso para o pagamento saiu. 
Outro exemplo, seria o Livro Caixa, no qual a preocupação é o controle de 
dinheiro e os fatos são registrados, isentos da preocupação com outros elementos 
patrimoniais ou de resultado impactados, como na redução de um valor que a 
empresa tem para receber de clientes, ou no aumento de valor dos móveis de suapropriedade. 
Para Ribeiro (2018), esse método é deficiente e incompleto, pois não 
permite o controle global do patrimônio, e as entidades que utilizam apenas esse 
método de registro só conseguem controles estagnados de alguns eventos.
Método das partidas dobradas
O Método das Partidas Dobradas, como vimos na Unidade 1, foi 
apresentado pela primeira vez pelo Frei Luca Pacioli. Sua adoção permite o controle 
de todos os componentes patrimoniais, bem como, das variações do Patrimônio 
Líquido, que poderão resultar em lucro ou prejuízo. O princípio fundamental do 
método compreende a perspectiva de que não há devedor sem que haja credor, 
correspondendo a cada débito um crédito de igual valor. (RIBEIRO, 2018).
Neste sentido, Silva e Rodrigues (2018) complementam que cada transação 
afeta duas ou mais contas para manter a equação contábil básica em equilíbrio, 
e isso garante, que no final do exercício, a soma de todos os débitos será igual à 
soma de todos os créditos.
68
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
 Para entender melhor, vamos utilizar um exemplo. Imagine que você está 
pensando em abrir uma empresa de venda de equipamentos para informática 
(estamos utilizando essa atividade como exemplo, mas caberia qualquer outra). 
Para iniciar esse negócio, você vai investir R$ 15.000,00. Então, a partir desse 
momento, esse valor não é mais seu, porque contará como parte do patrimônio 
da empresa. O impacto desse fato na empresa será o seguinte:
Figura 15 — Funcionamento das partidas dobradas
Ativo
CAIXA
R$ 15.000,00
CAPITAL
R$ 15.000,00
Passivo Patrimônio
Líquido
Fonte: O autor (2021). 
 As contas caixa e capital sofrerão variação. O registro de R$ 15.000,00 
ao entrar no Caixa da empresa – disponível para começar as suas operações – 
refletirá no registro da integralização do capital do sócio no valor do investimento 
realizado, como contrapartida. 
Como esse método permite um controle simultâneo e quase total de todos 
os elementos e lançamentos contábeis, segundo Bazzi (2014), é considerado, em 
quase todos os países, como o método perfeito para a escrituração contábil. É por 
meio desse método, que os atos e fatos contábeis são registrados no Livro Diário 
e posteriormente no Livro Razão.
Livros para escrituração 
Os livros para escrituração, segundo Ribeiro (2018), variam conforme 
a quantidade e a espécie em função do porte, da forma jurídica e do ramo de 
atividade desenvolvido pela empresa. Os principais livros utilizados para 
os registros contábeis são os livros Diário e Razão. Entretanto, existem livros 
auxiliares, utilizados para o registro de eventos específicos, como os livros Caixa, 
Contas Correntes e Registro de Duplicatas. E, ainda os livros exigidos pelo Fisco 
que podem servir de suporte para a escrituração do Diário e do Razão.
FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO
69
Livro Diário 
Você já manteve um diário em algum momento da sua vida? Se sim, sabe 
que um diário pessoal é um documento no qual são escritos os acontecimentos 
do dia de um indivíduo. Mas o que seria o diário de uma empresa? De 
maneira semelhante, consiste no documento onde são registrados todos os 
acontecimentos (fatos contábeis) de uma entidade, que envolveram situações 
relacionadas ao patrimônio. 
O livro diário é obrigatório em todas as empresas, instituído pelo Decreto-
Lei 486 de 1969, e regulamentado pelo Decreto-Lei 64.567 de 1969, considerando 
todos os lançamentos registrados, que devem ter partidas dobradas de crédito e 
débito, e os resultados dos dois devem ser iguais. 
No livro diário são lançadas, individualmente, com clareza e indicação 
do documento comprobatório, diariamente por escrita direta ou reprodução, 
todos os acontecimentos que ocorrem na empresa e que provocam modificações 
no patrimônio. Assim, devem contemplar os fatos administrativos e aqueles 
que possam modificar futuramente o patrimônio, como os atos administrativos 
relevantes. (RIBEIRO, 2018).
Esses lançamentos devem ser feitos em ordem cronológica. Silva e 
Rodrigues (2018) salientam que para cada lançamento deverá ser apresentado:
1. Data do evento; 
2. Conta devedora;
3. Conta credora; 
4. Valor da transação; 
5. Histórico sobre o evento (breve explicação do evento, inclusive o tipo 
e número do documento que deu origem).
A figura 16 demonstra um exemplo do registro de um lançamento contábil, 
apresentado por Silva e Rodrigues (2018), referente aos seguintes acontecimentos:
•  Dia 1º/12/20X9 – Investimento do capital pelos sócios, no valor de 
R$20.000. 
•  Dia 1º12/20X9 – Compra de materiais elétricos a prazo, no total de 
R$1.500. 
•  Dia 2/12/20X9 – Pagamento do aluguel de uma sala comercial, de 
R$1.000.
70
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
 Figura 16 — Registro no diário
Data Conta e Histórico
Caixa 
 Capital
 Investimento no capital pelos sócios, em dinheiro.
1ª/dez.
Débito Crédito
Material de consumo 
 Contas a pagar
 Compra de materiais de consumo a prazo, conforme 
 NF 24.790.
1ª/dez.
Despesas de aluguel 
 Caixa
 Pagamento de despesa de aluguel em dinheiro, conforme
 recibo 001/20X9
1ª/dez.
20.000
20.000
1.500
1.500
1.000
1.000
Fonte: Silva e Rodrigues (2018, p. 98).
 Silva e Rodrigues (2018) destacam que a escrituração do livro diário: 
•  Evidencia em um único lugar o efeito completo da transação. 
•  Apresenta um registro cronológico de cada transação, na ordem em 
que acontecem. 
•  Previne ou mesmo facilita a identificação de possíveis erros no 
registro, pois o total dos débitos e créditos pode ser rapidamente 
comparado.
O Livro Diário passou por três estágios de escrituração, conforme aponta 
Ribeiro (2018):
a. Processamento manual: no princípio, toda escrituração era processada 
de forma manuscrita. Atualmente, esse processo está em desuso, 
embora ainda utilizado por algumas empresas de pequeno porte, é 
de grande utilidade para o ensino da contabilidade; 
b. Processamento mecânico: nesse estágio, a escrituração do 
Diário passou a ser feita em fichas ou em folhas soltas, as quais, 
posteriormente, eram copiadas por decalque em livro apropriado; 
c. Processamento eletrônico de dados: hoje, quase que a totalidade das 
empresas processam a escrituração do Diário por meio do computador, 
sendo que as folhas impressas são posteriormente encadernadas. 
A legislação tributária disciplina o uso da escrituração por meio do 
computador, cuidando inclusive dos critérios a serem observados 
quanto ao armazenamento de dados em arquivos magnéticos.
Independente do sistema de escrituração adotado pela empresa, o livro 
diário deve respeitar alguns requisitos destacados por Ribeiro (2018):
•  O Livro Diário deve ser encadernado com folhas numeradas 
sequencial e tipograficamente. 
FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO
71
•  O empresário ou a sociedade empresária que adotar escrituração 
mecanizada ou eletrônica, poderá substituir o Diário por conjunto 
de fichas ou folhas soltas, que também deverão ser numeradas 
tipograficamente, ou ainda por folhas contínuas que deverão ser 
numeradas mecânica ou tipograficamente. 
•  Os livros, fichas, folhas soltas ou contínuas do Diário deverão conter 
termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação 
no órgão competente do Registro do Comércio, quando se tratar de 
empresa civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório 
de Registro de Títulos e Documentos.
 Na figura 17 é apresentado um termo de abertura. 
 Figura 17 — Termo de abertura
TERMO DE ABERTURA 
Contém este livro,_____ folhas numeradas tipograficamente, de 1 a ____, 
e servirá de Diário n. _____ do empresário* _________________, sediado 
na Rua __________________n. ____, na cidade de _____________ Estado 
de ______________, Nire** __________, conforme atos constitutivos 
arquivados em __/__/__ inscrito no CNPJ sob n. ___________.
***_______________, ____ de ____________ de _________.
____________________________________________________________
(assinatura de titular, administradorou representante legal da empresa)
____________________________________________________________
(assinatura de contabilista habilitado)
*ou sociedade empresária. Neste caso, substituir a palavra “sediado” por 
“sediada” e a palavra “inscrito” por “inscrita”.
** Nire: Número de inscrição de Registro de Empresas na Junta 
Comercial.
***Localidade e data.
Fonte: Ribeiro (2018, p. 59).
72
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Termo de Encerramento é idêntico ao de Abertura, diferenciando-se 
somente no título – termo de encerramento – e no tempo dos verbos, alterados para o 
passado.
UNI
•  Os Termos de Abertura e de Encerramento devem ser incluídos, 
respectivamente, no anverso da primeira e no verso da última ficha 
ou folha numerada do Diário, na mesma data e antes de iniciada a 
escrituração, salvo quando a escrituração for realizada em fichas ou 
folhas soltas ou contínuas, caso em que, sendo o diário encadernado 
após a sua escrituração, os termos mencionados serão lavrados na 
data da autenticação.
•  A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente 
nacionais, em forma contábil, com individualização e clareza, por 
ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, 
nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as 
margens.
O livro diário pode ser em versão impressa ou digital, com o objetivo, que 
ocorra a convergência total para o meio digital no futuro.
RAZÃO
Os lançamentos no livro diário deverão ser realizados, também, no livro 
razão, utilizado para registrar a movimentação a débito ou a crédito, ocorrida 
em cada uma das contas da entidade. Na prática, as empresas utilizam uma 
simplificação desse livro, o razonete. (SILVA; RODRIGUES, 2018).
O razonete (do qual já estudamos na seção anterior) é uma representação 
gráfica das variações do patrimônio, em forma de T, onde no lado esquerdo são 
registrados os débitos e no lado direito os créditos. 
Figura 18 — Razonete
CLIENTES
Débito Crédito
Fonte: O autor (2021). 
FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO
73
Você deve pensar no tempo gasto para esse trabalho. Contudo, atualmente, 
há sistemas computadorizados que permitem a automatização desse processo, o que 
no pasado era uma tarefa essencialmente manual. 
UNI
No livro razão, ao invés do registro dos acontecimentos por ordem 
cronológica, os dados são demonstrados de maneira individualizada, conforme 
cada conta contábil. 
Na próxima unidade abordaremos os lançamentos contábeis demonstrados 
pelo seu registro nos razonetes.
ESTUDOS FU
TUROS
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO
O balancete de verificação não é um livro contábil, mas uma ferramenta 
de conferência dos lançamentos efetuados nesses livros. Visto que, ao final do 
exercício social serão apurados os saldos de todas as contas, e essa informação 
convertida nas demonstrações contábeis da empresa. 
 créditos deve ser igual ao valor da soma dos débitos. É de costume 
verificar essas igualdades periodicamente, relacionando todas as contas em 
demonstrações, denominadas de Balancetes de Verificação do Razão, Balancetes 
de Verificação ou, apenas, Balancetes. (IUDÍCIBUS, 2019).
Para Ribeiro (2018), o balancete é uma relação de contas extraídas do 
Livro Razão, com seus respectivos saldos devedores e credores. Ao se elaborar 
o balancete de verificação, cada conta é transferida do razonete para o balancete, 
com seu respectivo saldo, respeitando a natureza do saldo (crédito ou débito).
No Quadro 5 é apresentado um modelo de balancete de verificação: 
74
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
 Quadro 5 — Balancete de verificação
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO
N. DE ORDEM CONTAS SALDO
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Imóveis
Veículos
Móveis e Utensílios
Promissórias a Pagar
Estoque de Mercadorias
Caixas
Duplicatas a Pagar
Capital
Fornecedor
Totais
DEVEDOR 
24.000
5.000
5.000
-
3.000
4.500
-
-
-
41.500
CREDOR
-
-
-
1.000
-
-
6.500
30.000
4.000
41.500
Fonte: Ribeiro (2018, p. 117)
Note que, para o balancete de verificação foram transferidos somente os 
saldos das contas e não os valores de cada lançamento. Observe também, que o 
somatório total das colunas de saldo devedor é igual ao total do saldo credor, 
respeitando o método das partidas dobradas. 
O balancete pode apresentar formas diferenciadas, mas a sua finalidade 
sempre será a mesma. Além do que, esse demonstrativo é de grande auxílio para 
elaboração das demonstrações contábeis.
75
AUTOATIVIDADE
O Método das Partidas Dobradas norteia os lançamentos contábeis aceitos no 
Brasil. Para fazer tais registros, existem alguns livros contábeis obrigatórios, 
livros auxiliares e também ferramentas de verificação. Associe a primeira 
coluna com a segunda: 
(1) Livro diário 
(2) Livro razão 
(3) Balancete de verificação 
 
( ) deve ser lançado o total de crédito e débito de cada conta. 
( ) os lançamentos devem ser registrados de maneira individualizada. 
( ) os lançamentos devem ser registrados na ordem cronológica de sua 
ocorrência. 
GABARITO
1. Resposta: 3, 2, 1.
76
RESUMO
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
A teoria patrimonialista separa as contas contábeis em patrimoniais (Ativo 
e Passivo) e de Resultado (Receitas e Despesas);
As contas do Ativo e Despesa possuem natureza devedora, ou seja, para 
aumentar o saldo, deve-se efetuar um débito. Já as contas do Passivo e Receitas 
possuem natureza credora, dessa maneira para aumentar o saldo, deve-se realizar 
um crédito; 
O Plano de Contas consiste na relação das contas contábeis que norteia o 
trabalho dos profissionais na escrituração contábil; 
O Plano de Contas é composto pelo elenco de contas, manual de contas e 
modelos de Demonstrações Contábeis padronizadas. 
O Método das Partidas Dobradas é adotado para escrituração contábil no 
Brasil; 
Os principais livros utilizados para escrituração contábil, são o Livro 
Razão e Livro Diário.
77
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
UNIDADE 3
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um 
deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos 
conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 - Os lançamentos contábeis
TÓPICO 2 - Registro das prinipais operações
TÓPICO 3 - Demonstrações contábeis
A partir desta unidade você será capaz de:
• Descrever o passo a passo dos lançamentos contábeis 
• Operacionalizar os principais lançamentos contábeis 
• Elaborar as demonstrações financeiras. 
78
A contabilidade produz informação necessária para seus usuários, por 
meio da escrituração. Logo, é fundamental que todos os atos e fatos contábeis 
estejam corretamente lançados nos livros contábeis. Apesar de atualmente, os 
sistemas informatizados serem úteis nesse processo, permitindo inclusive, o 
cadastramento de lançamento-padrão, é fundamental que o profissional contábil 
entenda e lógica e consiga realizar os lançamentos com confiança. 
79
UNIDADE 3
OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
TÓPICO 1 
Introdução
O registro contábil efetuado por meio do método das partidas dobradas 
nos livros contábeis, recebe a denominação de escrituração contábil, e o.registro 
contábil escriturado é chamado de lançamento contábil. Os lançamentos contábeis 
são efetuados inicialmente no Livro Diário, e devem seguir os parâmetros 
mencionados na seção anterior, na qual estudamos sobre o referido livro. 
(PADOVEZE, 2017).
Para facilitar o raciocínio do profissional contábil, Ribeiro (2018) descreve 
um passo a passo para o lançamento contábil. Como por exemplo, no registro da 
compra de um automóvel marca Brasil, ano XXXX, conforme Nota Fiscal n. 1.996, 
da Auto Comercial Ltda., no valor de $ 100.000, pagos em dinheiro. Observe os 
seguintespassos:
1. Identificar o local e a data da ocorrência do fato. O local corresponde 
a cidade em que a empresa está estabelecida, e a data é a constante do 
documento comprobatório da ocorrência do fato. 
2. Verificar que documento foi emitido para comprovar a operação. No 
exemplo, o documento emitido foi a Nota Fiscal n. 1.996. Na prática, 
se não houver documento idôneo que comprove a ocorrência do 
evento (fato ou ato), não poderá ser contabilizado.
3. Identificar, no fato, os elementos envolvidos. Assim que você entra 
em uma padaria para comprar pão e paga em dinheiro, efetua-se uma 
troca, o dinheiro por pão. Da mesma forma, os fatos administrativos 
ocorrem em todas as empresas, a empresa entrega um elemento para 
um terceiro e recebe outro em troca. No exemplo a ser estudado, 
estamos comprando um automóvel e pagando em dinheiro, diante 
disso, trocamos o dinheiro por automóvel. Estes são os dois elementos 
envolvidos, o automóvel e o dinheiro.
4. Identificar as contas que serão utilizadas para registrar os elementos 
envolvidos no fato. A contabilidade registra os fatos por meio das 
contas, e atribuí para cada elemento componente do patrimônio, ou 
do resultado, uma conta apropriada. O nome da conta deve permitir 
fácil identificação do elemento envolvido, seja um bem, direito, 
obrigação, despesa, receita ou Patrimônio Líquido. Para encontrar 
as contas adequadas ao registro dos fatos, você deverá procurá-
las no Plano de Contas, conforme a sua natureza e classificação. 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
80
No exemplo, temos dois elementos o automóvel e o dinheiro, que 
representam bens, consequentemente, as contas apropriadas para 
registrá-los encontram-se no Ativo do plano de contas. Assim, basta 
ler todos os nomes das contas do Ativo para encontrar as contas que 
mais se identificam com os respectivos elementos. Assim, teremos: 
automóvel = Veículos; dinheiro = Caixa.
5. Identificar que conta será debitada e que conta será creditada. Após 
identificadas as contas que utilizaremos para registrar os elementos 
envolvi- dos, precisamos saber qual delas será debitada e qual será 
creditada. No exemplo, a Conta Veículos será debitada e a Conta 
Caixa será creditada. Como estamos comprando um automóvel, 
aplicamos o recurso na compra desse automóvel, então, a conta 
Veículos representa a aplicação desse recurso, que será debitada. Por 
outro lado, o recurso aplicado na compra do automóvel foi retirado 
da conta Caixa (originou-se do Caixa), por isso, essa conta será 
creditada.
6. Preparar o histórico do lançamento. O histórico do lançamento 
consiste na narração do fato ocorrido. Cada contador poderá elaborar 
o histórico à sua maneira, evitando de usar muitas palavras. Dessa 
forma, o histórico deverá conter pelo menos o número e espécie do 
documento comprobatório, nome da pessoa ou empresa com quem 
se transaciona, e a identificação da “coisa” transacionada.
7. Elaborar o lançamento no Livro Diário. Veja, agora, como deve ser 
escriturado o lançamento no Livro Diário. 
Figura 19 — Registro no livro diário
C. Débito. . . : 1521 VEÍCULOS 11.11.95 1 :
C. Crédito. . . : 1001 CAIXA 100.000 :
Histórico . . . : NF 1996 DA AUTO COML. LTDA REF. AUT. MARCA BRASIL :
CT03 - * SISTEMA CONTÁBIL ENSICOM * PÁG.01 :
Movimento Diário Referente ao Mês de Novembro.
Fonte: Ribeiro (2018, p. 68).
O registro se refere a um Livro Diário informatizado, ou seja, não é o livro 
manuscrito tradicional, pois esse está em desuso. Para facilitar a compreensão e 
a efetivação propriamente dita do lançamento contábil, Ribeiro (2018) sugere que 
se utilize o Quadro Auxiliar da Escrituração a seguir.
OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
81
Quadro 6 — Quadro Auxiliar de Escrituração
QUADRO AUXILIAR DE ESCRITURAÇÃO
I - Para elementos Patrimoniais:
a. Toda vez que aumentar o Ativo, DEBITAR a respectiva conta.
b. Toda vez que diminuir o Ativo, CREDITAR a respectiva conta.
c. Toda vez que aumentar o Passivo, CREDITAR a respectiva conta.
d. Toda vez que diminuir o Passivo, DEBITAR a respectiva conta. 
II - Para os elementos de Resultado:
e. Toda vez que ocorrer uma despesa, DEBITAR a respectiva conta.
f. Toda vez que se realizar uma receita, CREDITAR a respectiva conta.
Fonte: Ribeiro (2018, p. 66).
Ribeiro (2018) explica que o quadro é composto por seis regras, 
devidamente relacionadas pelas letras “a” a “f”, sendo que as constantes das 
letras “a” e “b” referem-se às contas do Ativo, as constantes das letras “c” e “d” 
aplicam-se às contas do Passivo, a constante da letra “e” aplica-se às contas de 
despesas e a constante da letra “f” aplica-se às contas de receitas.
Desse modo, aplicando ao exemplo, a conta Veículos ficará entre as letras 
“a” e “b” do Quadro Auxiliar da Escrituração, pois ela representa bens e, por isso, 
pertence ao Ativo. A compra do automóvel resultará em aumento no saldo dessa 
conta, debitada conforme estabelece a regra da letra “a”. Coincidentemente, a 
conta Caixa também representa bens, e ficará entre as letras “a” e “b”. Assim, 
como o pagamento em dinheiro resulta em redução do respectivo saldo, a conta 
Caixa será creditada conforme estabelece a regra da letra “b”. (RIBEIRO, 2018).
Até agora, estudamos os lançamentos, que envolvem uma conta de débito e 
outra de crédito, mas pode haver um ou mais débitos para cada crédito e vice-versa. 
No quadro 7, são apresentadas as formas existentes para os lançamentos contábeis.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
82
Quadro 7 — Fórmulas dos lançamentos
MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS
Denominações
1º Fórmula
Denominações
Débito
Crédito
2º Fórmula Débito
Crédito
3º Fórmula Débito
Crédito
4º Fórmula Débito
Crédito
Uma
Uma
Uma
Diversas
Diversas
Uma
Diversas
Diversas
Denominações
Fonte: Greco e Arend (2017, p. 144).
A primeira fórmula corresponde a um débito para cada crédito. A segunda 
fórmula permite que para cada débito haja mais de um crédito (desde que a soma 
dos créditos seja igual ao valor do débito). A terceira fórmula permite o contrário, 
que para cada crédito haverá dois ou mais débitos (desde que a soma dos débitos 
seja igual ao valor do crédito). E, a última fórmula possibilita a realização de 
vários débitos e vários créditos.
O trabalho desenvolvido na contabilidade não termina com o 
registro no Livro Diário. Iudícibus (2019) aponta uma sequência para os 
procedimentos contábeis, desde o registro no Livro Diário até a elaboração 
das Demonstrações Contábeis.
I. Lançamentos no Diário e respectivos registros no Razão; 
II. Levantamento do balancete de verificação (se possível, diretamente 
no quadro de ajustes); 
III. Preenchimento total do quadro de ajustes;
IV. Lançamentos de ajustes e de encerramento e respectivos registros no 
Diário e no Razão;
V. Levantamento de balancete de verificação, após encerramento;
VI. Preparação das demonstrações: Balanço e Resultado do 
Exercício.
Erros na escrituração
Atualmente, os processos contábeis se encontram informatizados, 
contudo, ainda é possível que ocorram erros no processo de escrituração. Dessa 
forma, os métodos de conferência (razão e balancete de verificação) são eficazes 
na correção dos erros identificados.
OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
83
Cabe ressaltar a diferença entre erro e fraude. Um erro pode acontecer por 
um descuido, uma desatenção, em que um lançamento é feito da maneira incorreta. A 
fraude ocorre quando há intenção no registro incorreto. Fraude contábil é um ato ilegal.
NOTA
A ITG 2000 (R1), que trata da escrituração contábil, estabelece que a 
retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro realizado 
com erro na escrituração contábil da entidade e pode ser realizado por:
a. Estorno;
b. Transferência; e
c. Complementação.
O estorno é o lançamento inverso ao realizado erroneamente, anulando-o 
totalmente, assim que houver um novo lançamento. Suponha que a empresa 
comprou um computadorà vista e, por um equívoco o lançamento foi realizado 
duas vezes. Uma solução para esse caso, seria em fazer o estorno do lançamento 
duplicado. O primeiro registro mostra o lançamento incorreto e o segundo, a 
retificação.
A transferência é aquele lançamento que promove a regularização de 
conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro 
para a conta adequada. Imagine que, a empresa adquiriu um veículo e, por um 
descuido, o lançamento foi realizado na conta de móveis e utensílios. Nesse 
caso, pode ser feita a transferência do valor correspondente da conta de móveis 
e utensílios para a conta de veículos. O primeiro registro mostra o lançamento 
incorreto e o segundo, a retificação.
Figura 20 — Lançamento de transferência
Data
01/02/20XX
Controle
99
Débito 
3.500,00
Crédito
3.500,00
Conta 
Máquinas e equipamentos
Caixa
Histórico 
Aquisição de computador, cfe NF-e 2120,
da Computadores Ltda.
01/02/20XX 100 3.500,00
3.500,00
Máquinas e equipamentos
Caixa
Aquisição de computador, cfe NF-e 2120,
da Computadores Ltda.
01/02/20XX 103 3.500,00
3.500,00
Caixa
Máquinas e equipamentos
Estorno do lançamento nº 100, efetuado
em duplicidade em 01/02/20XX, ref. 
aquisição de computador, cfe NF-e 2120, 
da Computadores Ltda.
Fonte: O autor (2021).
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
84
Pode-se observar na Figura 20 que o lançamento 100 é idêntico ao 99, 
sendo inclusive o mesmo item, valor e nota fiscal – ou seja, o lançamento foi 
realizado duas vezes. O lançamento 103 corresponde ao lançamento inverso, ou 
seja, ao estorno desse registro.
A transferência é aquele lançamento que promove a regularização de 
conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro 
para a conta adequada. Imagine que, a empresa adquiriu um veículo e, por um 
descuido, o lançamento foi realizado na conta de móveis e utensílios. Nesse 
caso, pode ser feita a transferência do valor correspondente da conta de móveis 
e utensílios para a conta de veículos. O primeiro registro mostra o lançamento 
incorreto e o segundo, a retificação.
Figura 21 — Lançamento de transferência
Data
01/02/20XX
01/02/20XX
Controle
106
107
Débito 
60.000,00
60.000,00
Crédito
60.000,00
60.000,00
Conta 
Móveis e utensílios
Caixa
Veículos
Móveis e utensílios
Histórico 
Compra de um automóvel, cfe NF-e 
5.201, da Veículos Ltda
Transferência que se processa da 2a
para a 1a conta, tendo em vista
lançamento indevido nº 106 de
01/02/20XX, ref. a compra de
automóvel, cfe NF-e. 5.201
Fonte: O autor (2021).
A complementação é o lançamento que vem posteriormente 
complementar, aumentando ou reduzindo o valor anteriormente registrado. 
Vamos supor agora que, você registrou o pagamento de uma fatura de energia 
elétrica e, posteriormente percebeu que esse lançamento foi feito com valor a 
menor do que o efetivamente pago. Observe na figura 21 o lançamento original 
e o lançamento de complementação. O primeiro registro mostra o lançamento 
incorreto e o segundo, a retificação.
Figura 22 — Lançamento de complementação
CAIXA
5.000,00
2.350,00
150,00 b.
1.500,00 c.
1.000,00 d.
CAPITAL SOCIAL
5.000,00
MOVEIS E UTENS.
a. 2.500,00
MAT. EXPED. (despesa)
 150,00
SALÁRIOS A PAGAR
c. 1.500,00
ALUGUEL A PAGAR
d. 1.000,00
CONTAS A PAGAR
2.500,00 a.
1.500,00 1.000,00
Fonte: O autor (2021).
OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
85
Independentemente da forma de retificação de lançamento utilizada, o 
histórico do lançamento precisa conter o motivo da retificação, a data e a localização 
do lançamento de origem.
IMPORTANTE
A omissão de um lançamento na época oportuna, segundo Ribeiro (2018), 
pode ser corrigido, assim que o contador efetuar o registro do fato no dia em 
que se verificou a omissão, mencionando, no histórico, o motivo e a data correta 
do evento. Eventualmente, se essa omissão implicar na falta de recolhimento de 
tributos, a empresa deverá providenciar os respectivos recolhimentos, conforme 
a legislação.
No período em que a escrituração contábil era feita de maneira manual, 
estava sujeita a erros de redação, borrões, rasuras, escritos nas entrelinhas, 
intervalos em branco, erros de valores lançados a maior ou a menor, troca de 
uma conta por outra, inversão de contas, etc. Com a informatização dos sistemas 
contábeis, a maioria dos lançamentos incorretos podem ser corrigidos por meio 
da alteração ou exclusão do lançamento incorreto, desde que, isso ocorra antes do 
encerramento da competência no sistema.
Escrituração da constituição da empresa
A escrituração contábil de uma entidade deve ser mantida desde o 
momento da sua abertura, até a finalização de suas atividades (caso venha a 
acontecer). Nesta seção, estudaremos os lançamentos contábeis correspondentes 
à constituição do capital de uma empresa. 
A partir deste ponto, não utilizaremos o modelo de escrituração do Livro Diário com os 
históricos. Para facilitar o entendimento, será apresentado um esquema resumido para 
identificação dos débitos e créditos nas contas contábeis.
UNI
A constituição do capital de qualquer empresa, seja ela individual 
(empresário) ou sociedade, a conta Capital será sempre creditada. Em 
contrapartida, será debitada a conta Caixa ou várias outras, que representem o 
conjunto de elementos entregues pelo titular ou pelos sócios, para constituição do 
respectivo capital. (RIBEIRO, 2018).
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
86
Cabe ressaltar, que dependendo do tipo de entidade (empresário individual, 
sociedade limitada, sociedade anônima, etc.) haverá algumas particularidades nesse 
lançamento, principalmente quanto à nomenclatura e a fórmula do lançamento utilizada. 
Para fins didáticos, consideraremos a constituição de uma sociedade limitada.
NOTA
No processo de escrituração da constituição do capital, devem ser 
observados dois momentos, a integralização (ou realização) e a subscrição (ou 
constituição) do capital. Ribeiro (2018) saliente que a subscrição do capital, é 
o momento no qual o titular, ou sócios, decidem sobre a fundação da empresa, 
valor do capital e sua composição (em dinheiro ou em diversos valores ativos), 
igualmente sobre a forma com que esse capital, será entregue para a empresa (de 
uma só vez ou em parcelas). 
Nessa etapa, os sócios assumem o compromisso de investir, na entidade, 
o valor da parte do capital que cabe a cada um deles, em dinheiro ou em diversos 
elementos. Normalmente, a subscrição ocorre com a assinatura do contrato ou do 
estatuto social. (RIBEIRO, 2018).
O lançamento contábil, nessa etapa, acontece efetuando-se o crédito da 
conta Capital, que pode ser denominada também de Capital Inicial, Capital 
Subscrito, Capital Social ou Capital Nominal. O débito de uma conta representa o 
direito, que a empresa tem de receber o valor do capital do sócio.
Assim, dependendo da entidade que estiver sendo constituída, a conta 
de débito pode receber intitulação própria, conforme demonstrado no quadro 8: 
Quadro 8 — Contas para débito da subscrição conforme tipo de entidade
Tipo de entidade Conta a ser debitada
Empresa individual (empresário) Titular conta Capital a Realizar (ou a Integralizar).
Sociedade por quotas de responsabilidade 
limitada Quotistas conta Capital a Realizar (ou a Integralizar)
Sociedade em nome coletivo Sócios conta Capital a Realizar (ou a Integralizar)
Sociedades anônimas (por ações) Acionistas conta Capital a Realizar (ou a Integralizar)
Fonte: Adaptado de Ribeiro (2018).
As denominações “Capital a Realizar” ou “Capital a Integralizar” são 
aceitas para qualquer entidade, que pode inclusive, haver na intitulação da conta 
uma denominação que caracterize cada sócio. Como exemplo, apontaremos o 
seguinte caso: vamos supor que Márcio e Amanda se conhecem há algum tempo e 
decidiram abrir um comércio de produtos de perfumaria e higiene pessoal. Os dois 
decidiram constituir uma sociedade limitadas sob a denominação de "Comércio 
OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
87de Perfumes Ltda." e acordaram que seria necessário investir inicialmente R$ 
5.000,00, sendo que cada um investirá a metade. O lançamento da subscrição do 
capital ficaria da seguinte forma:
DÉBITO Márcio - Capital a Integralizar R$ 2.500,00
 Amanda - Capital a Integralizar R$ 2.500,00
CRÉDITO Capital Social R$ 5.000,00
A próxima etapa consiste na integralização do capital. Esse é o momento, 
segundo Ribeiro (2018), no qual o titular ou os sócios entregam para a empresa os 
valores em dinheiro, ou em outros elementos, pelos quais se comprometeram no 
momento da subscrição do capital. 
Observe que a integralização do capital dos sócios não precisa ocorrer no 
ato da constituição da empresa, é comum que aconteça depois. Esse ato deve estar 
previsto no contrato ou estatuto social.
NOTA
O lançamento da integralização é simples, basta debitar as contas do 
Ativo, que representam o elemento ou o conjunto de elementos que cada sócio 
estiver entregando para a empresa, como pagamento de sua parte do capital, e 
creditar a conta que registrou, no lançamento da subscrição, o direito da empresa 
sobre o titular ou sócios.
Nem sempre os sócios fazem a integralização do capital em dinheiro, pode ser feita por 
meio da entrega de veículos ou outros bens.
NOTA
Voltando a situação exemplo, observe como será o lançamento da 
integralização de capital do “Comércio de Perfumes Ltda.”:
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
88
DÉBITO Caixa R$ 5.000,00
CRÉDITO Márcio - Capital a Integralizar R$ 2.500,00
 Amanda - Capital a Integralizar R$ 2.500,00
A organização do Balanço Patrimonial do "Comércio de Perfumes Ltda.", 
nesse momento, teria no seu demonstrativo um saldo de R$ 5.000,00 no Ativo 
Circulante, referente a conta Caixa, e R$ 5.000,00, no Patrimônio Líquido, referente 
a conta Capital Social.
89
AUTOATIVIDADE
1. Apesar da maioria dos sistemas contábeis facilitarem o processo de 
escrituração, o contador precisa conhecer o raciocínio do lançamento contábil. 
Esse saber facilita e permite que o processo seja efetuado da maneira mais 
rápida e correta, sendo que, há etapas que devem ser seguidas para a realização 
de um lançamento contábil. Ordene as etapas a seguir, conforme a lógica da 
escrituração de um fato contábil: 
 
( ) Preparar o histórico do lançamento 
( ) Descobrir o local e a data 
( ) Registrar o lançamento no Livro Diário. 
( ) Identificar as contas utilizadas para o lançamento 
( ) Averiguar o documento comprobatório 
( ) Definir a conta debitada e a conta creditada 
( ) Observar os elementos envolvidos 
Gabarito
1. Respostas: 6, 1, 7, 4, 2, 5, 3.
90
TÓPICO 2 
UNIDADE 3
REGISTRO DAS PRINCIPAIS 
OPERAÇÕES
Registros básicos
Nesta seção, estudaremos sobre os lançamentos básicos das situações 
mais comuns da empresa. 
Note que o objetivo é fornecer uma base para que você consiga desenvolver 
o seu raciocínio, para desenvolver os lançamentos contábeis. No trabalho do profissional 
contábil, certamente surgirão situações que não foram abordadas por esse Caderno. 
Nesse caso, você pode procurar orientação nas Normas e Instruções Contábeis a 
respeito do procedimento correto de escrituração. 
UNI
Para exemplificar os lançamentos básicos, utilizaremos o caso do 
“Comércio de Perfumes Ltda.”. Nesse sentido, a empresa ainda não começou a 
vender, mas algumas movimentações já estão acontecendo, conforme se pode 
observar no quadro 9.
Quadro 9 – Lançamentos básicos
 Data Descrição Valor (R$) 
a. 02/01/20XX Compra de móveis, com pagamento a prazo para 30 dias 2.500,00 
b. 03/01/20XX Compra de material de expediente para uso no mês, com 
pagamento a vista 150,00 
c. 05/01/20XX Pagamento de salários do mês anterior 1.500,00 
d. 05/01/20XX Pagamento de aluguel do mês anterior 1.000,00 
Fonte: O autor (2021). 
No início dos trabalhos de uma empresa, é muito comum a necessidade 
de adquirir itens do Imobilizado, para proporcionar o desenvolvimento das 
atividades. Assim, conforme o exemplo do “Comércio de Perfumes Ltda.”, vamos 
supor que os sócios identificaram a necessidade de adquirir alguns móveis, antes 
de iniciarem suas atividades. 
REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES
91
Ao efetuar um lançamento, lembre do passo a passo apresentado na seção 
anterior, que pode auxiliar nesse processo. 
DICAS
A aquisição dos móveis pode ocorrer de duas maneiras específicas, com 
pagamento à vista, e nesse caso, o crédito deve ser feito no Ativo Circulante, na 
conta Caixa ou Banco, dependendo de onde saiu o recurso para a compra, e o 
débito na conta de Móveis e Utensílios do Imobilizado, pertencente ao subgrupo do 
Ativo Não Circulante. Contudo, observe no fato “a”, que a compra dos móveis foi 
a prazo para 30 dias, isso significa que a contrapartida estará no Passivo Circulante. 
a. 
DÉBITO Móveis e utensílios R$ 2.500,00 
 
CRÉDITO Contas a pagar R$ 2.500,00 
O fato “b” consiste na compra de material de expediente, que neste caso, 
constitui uma despesa do mês, com pagamento a vista e em dinheiro. Portanto, a 
contrapartida da conta de despesa será o Caixa. 
b. 
DÉBITO Material de expediente (despesa) R$ 150,00 
CRÉDITO Caixa R$ 150,00 
Lembre-se que todos os lançamentos de despesas e receitas devem observar 
o princípio da competência. Ou seja, devem ser registrados na data de ocorrência do 
fato e independente do recebimento ou pagamento. 
ATENCAO
O item “c” corresponde ao pagamento dos salários incorridos no próprio 
mês. O lançamento pode ser feito da seguinte forma: 
92
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
c. 
DÉBITO Salários a pagar R$ 1.500,00 
 
CRÉDITO Caixa R$ 1.500,00 
E, o item “d” corresponde ao pagamento dos do aluguel do próprio mês. 
O lançamento pode ser feito da seguinte forma: 
d. 
DÉBITO Aluguel a pagar R$ 1.000,00 
 
CRÉDITO Caixa R$ 1.000,00 
Observe que todas as despesas foram incorridas e pagas no mesmo mês. 
Vejamos agora como ficariam os lançamentos transcritos para os razonetes:
Figura 22 – Registro nos razonetes
CAIXA
5.000,00
2.350,00
150,00 b.
1.500,00 c.
1.000,00 d.
CAPITAL SOCIAL
5.000,00
MOVEIS E UTENS.
a. 2.500,00
MAT. EXPED. (despesa)
 150,00
SALÁRIOS A PAGAR
c. 1.500,00
ALUGUEL A PAGAR
d. 1.000,00
CONTAS A PAGAR
2.500,00 a.
1.500,00 1.000,00
Fonte: O autor (2021). 
Como um modo de verificação, vamos elaborar também o Balancete 
de Verificação desse primeiro período. Para tanto, deve ser transcrito o saldo e 
movimentação das contas, conforme o modelo que a empresa optar por utilizar.
REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES
93
Figura 23 – Balancete de verificação
Balancete de Verificação 31/01/20XX
Conta
Caixa
Capital Social 
Móveis e Utensílios 
Contas a Pagar 
débito crédito
2.350,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
débito crédito
2.650,00
2.500,00
2.500,00
débito
Saldo anterior Movimento Saldo atual
5.000,00
crédito
2.500,00
Material de expediente 
Salários a pagar 
Aluguel a pagar 
Total 
150,00
-
-
5.000,00 5.000,00
150,00
1.500,00
1.000,00
5.150,00 5.150,005.000,00 5.000,00
1.500,00
1.000,00
Fonte: O autor (2021). 
Perceba que mesmo com todas as movimentações das contas, a coluna de 
débitos sempre corresponde ao mesmo valor da coluna de créditos do período. 
Assim, se isso não ocorrer, algume vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
UNIDADE 1 
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um 
deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos 
apresentados.
TÓPICO 1 - Aspectos gerais
TÓPICO 2 - A importancia da informação contábil
TÓPICO 3 - Elementos patrimoniais
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Compreender os principais aspectos da ciência contábil;
• Conhecer a importância dos princípios contábeis e normas vigentes;
• Definir os principais conceitos dos elementos de patrimoniais.
10
Você já parou para analisar a extensão do seu patrimônio e o quanto isso 
impacta na sua vida? Estou falando aqui não só dos seus bens, mas também das 
suas dívidas, caso existam.
Agora, pense que você quer realizar algum sonho e um amigo que sabe o 
quanto isso é importante para você, decidir te emprestar dinheiro para que coloque 
o seu sonho em prática. Logicamente, quando seu amigo te emprestou dinheiro, 
ele gostaria de saber como está sendo usado e, principalmente se ao final desse 
processo de seguir seu sonho, você será capaz de devolver esse valor para ele.
Essa lógica também é aplicada às empresas. Os sócios, acionistas e bancos, 
por exemplo, investem recursos financeiros, tempo e/ou capital intelectual em 
uma organização esperando que esses recursos retornem para eles no futuro. No 
acompanhamento desse processo de onde e como os recursos estão sendo aplicados, 
a Contabilidade é um instrumento essencial para divulgar as informações a respeito 
das variações patrimoniais de uma empresa para as partes interessadas.
11
UNIDADE 1
ASPECTOS GERAIS
TÓPICO 1
História da contabilidade
Você já pensou como estudamos todas as ciências de maneira separada, no 
entanto, às vezes nos esquecemos de como tudo está interligado? A contabilidade 
é talvez, uma das ciências mais antigas que se tem registro na história. Ela foi 
evoluindo através do tempo, acompanhando as necessidades das sociedades de 
cada período, e nos permite entender muitas vezes a própria história. 
A história da contabilidade é a história da nossa era; de muitas formas, 
a própria contabilidade conta essa história, pois os registros contábeis 
fazem parte da matéria-prima dos historiadores. Aprendemos muito 
a respeito de Isaac Newton e John Wesley graças aos livros contábeis 
que mantiveram. (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2014, p. 39).
Os registros não tinham por objetivo contar os acontecimentos da maneira 
que encontramos nos livros de história, por exemplo. Mas, apresentar os fatos 
que alteram o patrimônio, seja por meio de registros de despesas ou testamentos 
que ajudam os historiadores a compreenderem melhor as situações ocorridas na 
época. Um testamento, por exemplo, pode ajudar a compreender não somente o 
tamanho do patrimônio, mas também sobre os herdeiros de pessoas importantes 
na história, ou em relação a árvore genealógica de alguém. 
Não se sabe ao certo quem “inventou” a contabilidade. Lunkes e 
Schnorrenberger (2009, p. 2) salientam que alguns estudiosos defendem que 
“procedimentos contábeis já ocorriam quando os homens das cavernas precisavam 
prever a necessidade de comida para os longos invernos, bem como quando 
contavam suas ovelhas e avaliavam a evolução dos seus rebanhos”. Entretanto, 
há diversos registros de documentos contábeis na biblioteca de Alexandria.
[...] os agricultores egípcios nas margens do Nilo pagavam aos coletores 
de tributos com cereais e linhaça pelo uso de água para irrigação. Recibos 
eram dados aos agricultores desenhando-se figuras de recipientes de 
cereais nas paredes de suas casas. Os arqueólogos creem que as fichas 
de argila abundantes na Mesopotâmia eram usadas, de maneira similar, 
para fins contábeis. Sistemas contábeis sofisticados parecem ter existido 
na China já em 2.000 a.C., e referências intrigantes denotam uma 
familiaridade com o sistema de partidas dobradas em Roma no início 
da era cristã (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2014, p. 42).
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
12
O principal marco da história contábil é o livro Suma de arithmetica, 
geométrica, proportioni et porportionalitá, escrito em 1494, por Luca Pacioli – um 
frei franciscano, que segundo Hendriksen e Van Breda (2014), foi professor e 
estudante das universidades de Perúgia, Florença, Pisa e Bolonha. Luca Pacioli 
convidado pelo Papa Leão X, foi professor de Matemática na Universidade de 
Roma, onde encerrou sua carreira. O livro de Pacioli, publicado pouco tempo 
após a invenção da prensa, apesar de destacar a matemática, incluía uma seção 
sobre o sistema de escrituração de partidas dobradas
O Método das Partidas dobradas consiste basicamente em uma igualdade 
de valor entre os débitos e créditos. Ou seja, para todo débito deve haver um ou mais 
créditos que totalizem o valor e vice-versa. Desse modo, a soma dos saldos devedores 
sempre equivalerá à soma dos saldos credores.
ATENCAO
Contudo, os sistemas de escrituração Partidas Dobradas (no qual se 
baseiam os lançamentos contábeis) já eram utilizados antes da publicação do livro 
de Pacioli. O primeiro registro de um sistema completo de escrituração por Partidas 
Dobradas foi encontrado nos arquivos municipais da cidade de Gênova, Itália, no 
ano de 1340. Fragmentos anteriores foram encontrados nas contas de Giovanni 
Farolfi & Companhia, uma empresa de mercadores de Florença em 1299-1300, e 
nas de Rinieri Fini & Irmãos, que negociavam em feiras e eram famosos em sua 
época na região de Champagne, na França (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2014).
Crepaldi e Crepaldi (2017) mencionam que nos séculos seguintes ao livro 
de Pacioli, a contabilidade começou a ser utilizada por instituições como a Igreja e 
o Estado, tornando-se também um importante instrumento no desenvolvimento 
do capitalismo. Nesse período, as técnicas e as informações ficavam restritas ao 
dono do empreendimento, pois os livros contábeis eram considerados sigilosos. 
O que prejudicou o desenvolvimento da ciência. Pense comigo: se os dados 
contábeis eram sigilosos e de acesso a poucos, como haveria troca de ideias entre 
os profissionais possibilitando o desenvolvimento desta ciência?
Neste sentido, SOUZA (2014) destaca, que por volta do ano de 1500, 
surgiram os primeiros bancos e investidores, cujas fortunas vieram do comércio. 
Assim, em parceria com os reis e príncipes estabeleceram as primeiras associações 
de capital, gerando, consequentemente, a necessidade de haver contabilidade para 
prestação de contas aos principais investidores. Já com a Revolução Industrial, em 
1756, surgiram as primeiras fábricas. E, com a expansão do capitalismo, nasceram 
as primeiras corporações empresariais espalhadas por vários países, o que exigiu 
relatórios contábeis mais sofisticados.
ASPECTOS GERAIS
13
No Quadro 1, é apresentada a evolução da contabilidade ao longo dos 
últimos cinco séculos. 
Quadro 1 — Evolução da contabilidade
Período Principais características da contabilidade
1299 a 1300
Utilização do método das partidas dobradas nas contas de Giovanni Farolfi 
& Companhia, uma empresa de Florença, e nas de Rinieri Fini & Irmãos, da 
região de Champagne, na França.
Até 1500
Primórdios da era do pensamento científico da contabilidade, com a 
publicação da obra de Frei Luca Pacioli. Primeiras demonstrações contábeis 
preparadas para fins de prestação de contas aos financiadores das expedições 
marítimas.
1500 a 1900
Ênfase nos balancetes financeiros. Sistema de partidas dobradas para 
os registros contábeis preparados quase que exclusivamente para os 
proprietários do capital. Surgimento da auditoria interna e dos arrecadadores 
de impostos.
1900 a 1930
Primórdios da auditoria externa e dos contadores públicos certificados. 
Aparecimento das grandes corporações transnacionais americanas e 
aprimoramento das demonstrações contábeis para atender a finalidades 
tributárias e imposto de renda.lançamento deve estar com o valor incorreto. 
sse foi um exemplo básico do processo de lançamentos contábeis. 
Abordaremos casos específicos e a apuração do resultado nas próximas seções. 
ESTUDOS FU
TUROS
Caixa versus competência
Você já deve ter ouvido sobre o regime de caixa e o regime de competência. 
Sabemos que os lançamentos contábeis para as contas de resultado (despesas e 
receitas) devem sempre observar o regime de competência. Mas, o que seriam 
esses dois regimes? 
De acordo com Iudícibus (2019), no regime de competência as receitas e 
as despesas são consideradas em função do seu fato gerador (sua ocorrência) e 
não em função do recebimento da receita, ou pagamento da despesa. O Regime 
de Caixa considera as receitas e despesas do exercício que efetivamente são 
recebidas e pagas dentro desse período. Todavia, não é aceito na contabilidade 
das empresas. Por exemplo, na:
 Compra de material de escritório a prazo, em julho, o qual será 
consumido em agosto e cujo pagamento se dará em outubro. Não 
é lógico considerar a despesa no mês de aquisição, nem no mês do 
pagamento, mas no período em que o material for consumido e que, 
neste exemplo, é o mês de agosto. No Regime de Competência, deve 
ser dada atenção especial ao reconhecimento do fato gerador da receita 
94
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
e da despesa. Por exemplo, o fato gerador da despesa de material de 
escritório é o consumo dele, e não a compra ou o pagamento. Apenas 
quando os valores envolvidos forem muito pequenos pode-se aceitar 
o registro como despesa já no ato da aquisição. (IUDÍCIBUS, 2019).
 A observância do princípio da competência é fundamental para a correta 
apuração do resultado da empresa em cada exercício social. Em muitos casos, é 
importante que sejam feitos, não somente os lançamentos normais do período, 
mas a apropriação das despesas a pagar e receitas a receber. 
Para exemplificar vamos utilizar os salários dos colaboradores. Imagine 
que o “Comercial de Perfumes Ltda.” passou a pagar os seus funcionários no 
quinto dia útil do mês subsequente ao mês trabalhado (conforme permite a 
legislação). Dessa forma, o funcionário que trabalhar o mês de dezembro receberá 
seu pagamento até o quinto dia útil do mês de janeiro. 
Assim, se a contabilidade fizer o lançamento do pagamento do salário em 
janeiro, e utilizar como contrapartida a conta de despesa, ao se apurar o resultado 
do mês, ficará distorcido. De acordo com o lançamento efetuado, a despesa estará 
no mês de janeiro e não em dezembro, quando efetivamente aconteceu. Essa 
situação impacta no lucro ou prejuízo da empresa, principalmente na informação 
fornecida ao usuário. 
Nesse caso, o correto a se fazer é a apropriação da despesa. Assim em 
31/12/20XX, será feito o lançamento da despesa, utilizando como contrapartida a 
conta do Passivo Circulante, como no exemplo: 
DÉBITO Salários (despesa) R$ 1.500,00
 
CRÉDITO Salários a pagar R$ 1.500,00
Desse modo, a despesa ficará no exercício correto, e sinaliza para a 
contabilidade uma obrigação referente ao pagamento de salários, para cumprir 
no próximo exercício. Quando ocorre o pagamento, em 05/01/20XX, o lançamento 
será o seguinte:
DÉBITO Salários a pagar R$ 1.500,00
 
CRÉDITO Caixa R$ 1.500,00
Desse modo, encerra a obrigação, e o mesmo ocorre com os impostos sobre 
a folha de pagamento, impostos sobre as vendas, demais despesas e receitas de 
vendas e/ou prestação de serviços.
REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES
95
Operações mercadorias
O registro da venda de mercadorias é relativamente simples, credita-se a 
conta de Receita de vendas e debita-se a conta Caixa/Banco/Clientes. Porém, não 
se deve esquecer que as mercadorias vendidas tiveram um custo de produção ou 
aquisição.
Custo da Mercadorias Vendidas (CMV)
O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) pode ser apurado de duas 
formas, por meio de inventário periódico ou inventário permanente. No 
Inventário Periódico as empresas pequenas ou sem grandes controles, para 
apurarem o Resultado com a Venda das Mercadorias (RCM), realizam a contagem 
física do Estoque de Mercadorias ao final do período. A diferença entre o total 
das Mercadorias Disponíveis para Venda durante o período e o Estoque Final, 
resultará no Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) desse período. 
O Inventário Permanente realiza o controle de modo contínuo no Estoque 
de Mercadorias e registra a baixa do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) a 
cada venda. O controle permanente se aplica a todas as mercadorias vendidas 
(CMV) e as que não foram vendidas (Estoque Final). A soma dos custos das vendas 
define o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) total do período. Na realização 
do Inventário Permanente, se utiliza uma ficha de controle para conhecer o saldo 
em estoque, o que no Periódico somente será possível ao final do levantamento 
físico do estoque. 
No sistema de inventário permanente são registradas todas as compras 
diretamente na conta de Estoques de Mercadorias, e o CMV é apurado a cada 
venda. Vamos supor, que a "Comercial de Perfumes Ltda." adquiriu um estoque 
de mercadorias por R$ 30.000,00, com pagamento via transferência bancária e 
vendeu a metade por R$ 25.000,00 a prazo. Assim, temos: 
a. o lançamento da compra: 
 DÉBITO Estoque de mercadorias R$ 30.000,00 
 
 CRÉDITO Banco conta movimento R$ 30.000,00 
b. o lançamento da venda: 
 DÉBITO Clientes (Ativo Circulante) R$ 25.000,00 
 
 CRÉDITO Venda de mercadorias (Receita) R$ 25.000,00 
96
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
c. o lançamento do CMV: 
 DÉBITO Custo das Mercadorias Vendidas (despesa) R$ 15.000,00 
 
 CRÉDITO Estoque de Mercadorias R$ 15.000,00 
 Como o valor da aquisição das mercadorias foi de R$ 30.000,00 e foi 
vendido a metade, o CMV foi de R$ 15.000,00 (R$ 30.0000/2). 
O controle do estoque da empresa pode ser feito por meio de um Sistema 
Informatizado, ou com o auxílio de Fichas de Controle de Estoque, conforme a 
necessidade da empresa. 
NOTA
Devoluções de mercadorias
Há situações em que a empresa é obrigada a receber a devolução da 
mercadoria ou conceder um abatimento no valor. Essas situações advêm do tipo, 
qualidade, preço ou qualquer outro fator, que esteja em desacordo com o pedido, 
ou com a nota fiscal no conceito do cliente. No caso de devolução de mercadorias, 
o lançamento a ser feito será: 
DÉBITO Devoluções de Vendas (conta redutora da Receita)
CRÉDITO Caixa (ou Clientes) 
 
DÉBITO Estoque de Mercadorias 
CRÉDITO Custo das Mercadorias Vendidas 
É como se houvesse uma espécie de estorno da operação original. Já no 
caso de abatimento, o lançamento é mais simples: 
DÉBITO Abatimento sobre Vendas (conta redutora da Receita)
CRÉDITO Caixa (ou Clientes) 
Agora, se a empresa comprar uma mercadoria, e por algum motivo 
qualquer, precisar fazer a sua devolução ou solicitar o abatimento do valor, os 
lançamentos são outros. Para a devolução deve ser lançado: 
REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES
97
DÉBITO Fornecedores (ou Caixa) 
CRÉDITO Devoluções de Compras (redutora do estoque) 
E, para o abatimento: 
DÉBITO Fornecedores (ou Caixa) 
CRÉDITOAbatimentos sobre Compras 
Os encerramentos das contas de devoluções e abatimentos devem ser 
feitos sempre que a operação ocorra, para que o valor do Estoque de Mercadorias 
esteja correto ao final de cada período. 
Fretes e Seguros 
O custo real de uma mercadoria adquirida não é somente o constante 
na nota fiscal, mas o resultante da sua soma com todos os gastos necessários, 
para a colocação do produto em condições de venda. Normalmente, serão os 
custos de fretes e seguros que aparecerão com maior frequência. Dessa forma, 
seu lançamento será a débito na conta de Fretes e a contrapartida, na conta Caixa 
ou Contas a Pagar, dependendo da situação. No caso de Despesas com Fretes, 
devem ser lançadas como despesas normais do período, a serem calculadas na 
apuração do resultado líquido. (IUDÍCIBUS, 2019).
Imposto sobre compras e vendas 
Em quase todas as operações de compra e venda de mercadorias há a 
incidência de impostos. Esses impostos devem estar registrados conforme o 
regime de competência. Os impostos mais comuns são: 
a. Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre 
Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e 
de Comunicação (ICMS); 
b. Programa de Integração Social (PIS); 
c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); 
d. Imposto de Importação. 
As alíquotas desses impostos e os lançamentos contábeis dependem do 
regime tributário no qual a empresa se enquadra (Lucro Real, Lucro Presumido 
ou Simples Nacional) e da legislação fiscal. 
98
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Depreciação
Assim que a empresa adquire um bem do Ativo Imobilizado, um veículo, 
por exemplo, espera utilizar esse bem por mais de um exercício social. Contudo, 
esse veículo terá um determinado tempo útil, e com o tempo sofrerá os desgastes 
ou será consumido. Agora pense no regime da competência. Seria correto atribuir 
o valor do veículo (R$ 30.000,00) em sua totalidade, como despesa do período, 
no qual foi adquirido, sendo que, será utilizado por mais de um exercício social? 
A maioria dos itens do Imobilizado possui um tempo de vida útil limitado 
e estimável, que servirá de base para o rateio da despesa em cada exercício. A 
distribuição da despesa por vários períodos contábeis, no valor do ativo fixo, é 
feita pelo procedimento contábil denominado depreciação. (IUDÍCIBUS, 2019). 
Vamos utilizar como exemplo o veículo mencionado, que foi adquirido 
pelo valor de R$ 30.000,00 e tem uma vida útil estimada de cinco anos – conforme 
determina a Receita Federal, para fins fiscais. Para saber o valor da depreciação, o 
que se precisa fazer é dividir o valor de veículo pelo tempo, então temos um valor 
de depreciação de R$ 6.000,00/ano. 
A parcela de R$ 6.000,00 é a despesa de depreciação de um ano e deverá 
ser registrada por um lançamento de ajuste, porque, caso seja ignorada, o 
resultado líquido do período estará incorreto. Esse ajuste, bem como o de outras 
apropriações, poderá ser mensal mesmo quando o exercício for anual. 
O lançamento da depreciação ocorre por meio de um débito em conta de 
despesa (Despesa de Depreciação/Veículos) e um crédito em uma conta separada 
(Depreciação Acumulada/Veículos – Retificadora do Ativo Veículos). 
Iudícibus (2019) alerta que o crédito, ao contrário dos exemplos 
anteriores, não deve acontecer diretamente na conta de ativo (Veículos), por ser 
um valor calculado aproximadamente, e para que não cancele o custo histórico 
do investimento. 
Mas, o que acontece quando o saldo da conta Depreciação Acumulada 
se igualar ao valor do item do Ativo? O lançamento de ajuste cessará, porque o 
total de seu custo será apropriado ao Resultado. Dessa forma, se os elementos 
do Ativo, sujeitos à depreciação, forem adquiridos durante o período contábil, a 
depreciação deverá ser computada para um período fracionário. A depreciação 
constitui uma estimativa, sendo assim, parece desnecessário que o cálculo do 
período fracionário seja feito em dias. (IUDÍCIBUS, 2019). 
Apuração do resultado 
As entidades precisam fazer a apuração de resultados pelo menos uma 
vez por ano. O lucro ou prejuízo de um exercício depende do confronto das contas 
de receita e de despesa, e esse resultado líquido é apurado na conta Resultado. 
(IUDÍCIBUS, 2019). 
REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES
99
Para apurar o Resultado da empresa, as contas de receita e despesa devem 
ser encerradas, ou seja, o saldo dessas contas depois da apuração do resultado do 
exercício deve ser zero. O encerramento das contas de receita, conforme destaca 
Iudícibus (2019), será realizado pela transferência (débito) de seus saldos credores 
para crédito da conta Resultado. As contas de despesa são encerradas pela 
transferência (crédito) de seus saldos devedores para débito da conta Resultado. 
Assim, se ao final dessas transferências, a conta Resultado ficar com saldo 
credor, significa que as receitas foram superiores ao custo e despesas, e a entidade 
obteve lucro no período. O saldo da conta Resultado aparece como negativo, quando 
as despesas forem superiores às receitas e no período em questão, a empresa teve 
prejuízo. Esse saldo da conta Resultado deve ser transferido para a conta Lucros 
Acumulados ou para a conta Prejuízos Acumulados, do Patrimônio Líquido.
EXEMPLO: Vamos supor que ao final do exercício social a empresa 
apresentou os seguintes saldos nas contas de despesas e receitas: 
Figura 24 – Razonetes de encerramento das despesas
VENDA DE MERC.
2.500,00
1.500,00
1.000,00 
2.500,00
7.500,00
ENERGIA ELÉTRICA
110,00
ÁGUA E ESGOTO
52,00
MATERIAL DE EXPED.
 150,00
SALÁRIOS
 1.500,00
ALUGUEL
 1.000,00
CMV
2.500,00 
Fonte Autor (2011): 
Para encerramento da conta de Receita, vamos debitar o valor do saldo e 
creditar a conta Resultado do Exercício: 
DÉBITO Venda de Mercadorias R$ 7.500,00 
CRÉDITO Resultado do Exercício R$ 7.500,00 
Agora, para encerramento das constas de despesas, vamos creditar cada 
uma delas e debitar a conta de Resultado do Exercício: 
DÉBITO Resultado do Exercício R$ 5.312,00 
CRÉDITO Energia elétrica R$ 110,00 
 Água e esgoto R$ 52,00 
 Energia elétrica R$ 110,00 
 CMV R$ 2.500,00 
 Material de expediente R$ 150,00 
100
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Salários R$ 1.500,00 
 Aluguel R$ 1.000,00 
 Dessa maneira, todas as contas de Receitas e Despesas foram zeradas e a 
conta de Resultado do Exercício apresenta um saldo a crédito (portanto, lucro) no 
valor de R$ 2.188,00.
Figura 25 – Razonete de apuração do resultado
VENDA DE MERC.
7.500,005.312,00
2.188,00
Fonte: Autor (2011). 
Iudícibus (2019) apresenta a hipótese de se apurar lucro em determinado 
exercício, após ser transferido para a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, será 
distribuído desta para outras contas, por meio de lançamentos contábeis (livros 
Diário e Razão) de forma a atender: 
•  Normas legais, pela constituição da Reserva Legal;
•  Normas estatutárias, pela constituição de Reservas Especiais, sem 
prejuízo dos dividendos normais;
•  Proposta de distribuição da administração, ad referendum dos 
proprietários (sócios, acionistas), no pressuposto de sua aprovação 
formal posterior por esses proprietários.
O lançamento ocorrerá no débito na conta de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados, com crédito na conta de Reservas, ou Lucros a Distribuir. No caso 
de prejuízo do exercício, o saldo positivo (se houver) de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados será reduzido. Desse modo, se a contaficar com saldo devedor 
(Prejuízo Acumulado), obrigatoriamente serão transferidos para os saldos das 
Reservas de Lucros (a última a ser usada será sempre a Reserva Legal), para que 
seu saldo fique zerado. (IUDÍCIBUS, 2019). 
Por fim, concluída a escrituração dos livros Diário e Razão, após 
seu encerramento, apuração e distribuição do Resultado do Exercício, será 
levantado o Balancete de Verificação do Razão e, em seguida, são elaboradas as 
Demonstrações Contábeis.
101
AUTOATIVIDADE
1. A apuração do resultado do exercício consiste na etapa fundamental para 
elaboração das demonstrações contábeis. Para encerar os saldos das contas 
de resultado, transferindo os devidos valores para a conta de Resultado do 
exercício, o que é preciso? Assinale a alternativa CORRETA: 
a. Creditar as contas de despesas, debitar a conta Resultado do exercício, e, 
debitar as contas de receitas, creditar a conta Resultado do exercício.
b. Creditar as contas ao ativo circulante, debitar a conta Resultado do 
exercício, e, debitar as contas do passivo circulante, creditar a conta Resultado 
do exercício. 
c. Debitar as contas de despesas, creditar a conta Resultado do exercício, e, 
creditar o Patrimônio Líquido, debitar a conta Resultado do exercício. 
d. Debitar as contas de despesas, creditar a conta Resultado do exercício, e, 
creditar as contas de receitas, debitar a conta Resultado do exercício. 
102
TÓPICO 3 
UNIDADE 3
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
As demonstrações contábeis 
Estudamos na primeira unidade que o objetivo principal da Contabilidade 
é fornecer aos usuários internos e externos, informações uteis para que definam 
suas decisões. Mas, está claro para você como isso ocorre? Se você pensou nas 
demonstrações contábeis, está correto. 
A Norma Contábil que dispõe sobre a Apresentação das Demonstrações 
Contábeis no Brasil é a NBC TG 26 (R5). Em seu item 9, define as demonstrações 
contábeis como uma representação estruturada da posição patrimonial e 
financeira e do desempenho da entidade. 
O principal objetivo das demonstrações contábeis, ainda segundo a NBC 
TG 26 (R5), consiste em proporcionar informação referente a posição patrimonial 
e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade, que seja útil a 
um grande número de usuários em suas avaliações e decisões econômicas. 
As demonstrações contábeis objetivam apresentar os resultados da atuação 
na administração, em face de seus deveres e responsabilidades, na gestão dos 
recursos. Para satisfazer a esse objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam 
informação da entidade sobre: 
a. Ativos; 
b. Passivos; 
c. Patrimônio líquido; 
d. Receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas; 
e. Alterações no capital próprio mediante integralizações dos 
proprietários e distribuições a eles; e 
f. Fluxos de caixa. 
Essas informações, adicionadas a outras informações constantes das notas 
explicativas, ajudam os usuários das demonstrações contábeis, na previsão dos 
futuros fluxos de caixa da entidade e, em particular, a época e o grau de certeza 
de sua geração. 
De acordo com a NBC TG 26 (R5), o conjunto completo de demonstrações 
contábeis inclui: 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
103
a. Balanço patrimonial ao final do período; 
b. Demonstração do resultado do período; 
a. Demonstração do resultado abrangente do período; 
c. Demonstração das mutações do patrimônio líquido do período; 
d. Demonstração dos fluxos de caixa do período; 
a. Demonstração do valor adicionado do período, se exigido 
legalmente ou por algum órgão regulador, ou mesmo, se 
apresentada voluntariamente; 
e. Notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis 
significativas e outras informações elucidativas; 
a. Informações comparativas com o período anterior; 
f. Balanço patrimonial do início do período mais antigo, 
comparativamente apresentado, quando a entidade aplica uma 
política contábil retrospectivamente, ou procede à reapresentação 
retrospectiva de itens das demonstrações contábeis, ou quando 
procede à reclassificação de itens de suas demonstrações contábeis. 
O organograma 1 demonstra a classificação das demonstrações contábeis 
(ou financeiras) conforme o tipo de informação que fornecem ao usuário. 
Organograma 1 — Classificação das demonstrações contábeis
Balanço
Patrimonial
(BP)
Principais
demonstrações
contábeis
Notas
explicativas
Demonstração
das Mutações do
Patrimônio Líquido
(DMPL)
Demonstração
dos Lucros e
Prejuízos Acumulados
(DLPA) 
Demonstração do
Resultado do
Exercício (DRE)
Demonstração do
Resultado
Abrangente (DRA) 
Demonstração dos
Fluxos de Caixa
(DFC)
Demonstração do
Valor Adicionado
(DVA) Detalhamentos
Detalhamentos
Posição financeira
e patrimonial 
Fonte: Bazzi (2014, p. 203).
104
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Obrigatoriedade
A obrigatoriedade das Demonstrações Financeiras varia de acordo com 
o tipo de sociedade empresarial. A Lei n. 6.404/1976, dispõe sobre as Sociedades 
por Ações em seu artigo 176, determina que ao fim de cada exercício social, a 
diretoria apresentará, com base na escrituração mercantil da companhia, as 
seguintes demonstrações financeiras, que deve exprimir com clareza a situação 
do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: 
I. Balanço patrimonial; 
II. Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; 
III. Demonstração do resultado do exercício; 
IV. Demonstração das origens e aplicações de recursos; 
V. Demonstração dos fluxos de caixa; 
VI. Em companhia aberta a demonstração do valor adicionado. 
No inciso 2º do artigo 186, da Lei n. 6.404/1976, dispensa as companhias 
da obrigatoriedade de elaborar a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos 
Acumulados, desde que elaborem a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido. 
 A Demonstração do Valor Adicionado somente será obrigatória para 
as sociedades anônimas de capital aberto, e que a companhia fechada com 
Patrimônio Líquido, na data do Balanço, inferior a $ 2.000.000,00 (dois milhões 
de Reais), estará dispensada da elaboração da demonstração dos fluxos de caixa. 
(RIBEIRO, 2018). 
Quadro 10 — Obrigatoriedade da apresentação das DCs
Demonstração Contábil Tipo de Empresa
Balanço Patrimonial 
Demonstração do Resultado 
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
Demonstração dos Fluxos de Caixa
Demonstração do Valor Adicionado
Notas Explicativas
Relatório da Administração
Auditoria Externa
Publicação das Demonstrações Financeiras
*Sociedades Anônimas com ações cotadas nas bolsas de valores.
**Empresas que têm ativo total superior a R$ 240.000.000,00 ou receita bruta anal superior a R$300.000.000,00.
Todas as empresas
Todas as empresas 
Todas as empresas
Sociedades Anônimas de Capital Aberto “e Empresas de Grande Porte”
Companhias fechadas com Patrimônio Líquido superior a 
R$2.000.000,00
Sociedades Anônimas de Capital Aberto
Sociedades Anônimas e Empresas de Grande Porte (demais empresas 
quando necessário)
Sociedades Anônimas e Empresas de Grande Porte
Sociedades Anônimas de Capital Aberto e Empresas de Grande Porte
Sociedades Anônimas
Fonte: Padoveze (2017, p. 197).
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
105
O quadro 10 mostra as principais demonstrações contábeis e a sua 
obrigatoriedade conforme o tipo de entidade. O Balanço Patrimonial, por 
exemplo, é obrigatório para todas as empresas. Dessa forma, a Demonstração do 
Valor Adicionado será obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto 
(que negociam ações na bolsa de valores).
Publicação
A publicação das Demonstrações Contábeis ficará obrigatória somente para 
as sociedades anônimas, mas isso não desobriga os outros tipos de sociedade da 
sua elaboração. As Demonstrações de cada exercício devem ser publicadas, com a 
indicação dos valores correspondentes ao exercício social anterior. Dessa forma, o 
usuário conhecerá os valores do exercício atual e do exercício anterior,para efeito 
de comparabilidade. As demonstrações serão, portanto, apresentadas em duas 
colunas, uma para o ano atual e outra para o ano anterior. (RIBEIRO, 2018). 
Todas os demonstrativos contábeis devem conter, pelo menos, a 
denominação da empresa, o título de cada demonstração financeira e a data do exercício 
social. 
ATENCAO
As Demonstrações Financeiras podem ser apresentadas com a eliminação 
dos três últimos dígitos (três casas decimais), principalmente em números 
grandes. Nesse caso, deve-se colocar no cabeçalho das Demonstrações Financeiras 
a expressão “em $ milhares”. A eliminação de dígitos facilita as publicações e a 
visualização do usuário. 
As Demonstrações Financeiras das companhias abertas devem observar as 
normas internacionais de contabilidade, e são auditadas por auditores independentes 
registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 
NOTA
Período de apresentação 
A Lei das Sociedades por Ações (LSA), Lei no 6.404/76, estabelece que ao 
fim de cada período de 12 meses, a diretoria da empresa deverá elaborar, com 
base na Contabilidade, as Demonstrações Financeiras. Este período é denominado 
exercício social ou período contábil. Não há necessidade de que o exercício social 
coincida com o ano civil (01/01 a 31/12), todavia, para fins fiscais, o Imposto de 
Renda sugere o encerramento em 31/12. (MARION, 2018). 
106
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Mediante o exposto, após a definição do exercício social pela entidade, há 
necessidade de se manter sempre na data, para não prejudicar a comparabilidade 
da informação contábil. As empresas de capital aberto e as instituições financeiras 
(bancos, financeiras etc.) devem publicar as Demonstrações Financeiras 
semestralmente, para otimizar as informações ao público interessado, contudo, a 
divulgação pode ocorrer de modo trimestral. (RIBEIRO, 2018). 
Para atender às necessidades internas (fins gerenciais) e facilitar a 
administração da empresa, a Contabilidade deverá apresentar relatórios contábeis 
em períodos mais curtos (semanal, quinzenal, mensal, etc.). Todavia, em termos 
legais o período contábil (exercício social) será de 12 meses. 
A Lei n. 6.404/1976, em seu artigo 289, determina quanto à publicação 
das Demonstrações Financeiras para as sociedades anônimas de capital aberto. 
As publicações serão conduzidas ao órgão oficial da União, do Estado ou do 
Distrito Federal, conforme a localização da sede da companhia, e em outro jornal 
de maior circulação vinculado a sua localidade. Assim, a Comissão de Valores 
Mobiliários determina que as publicações ocorram em jornal de maior circulação 
em localidades onde os valores mobiliários da companhia sejam negociados em 
bolsa ou mercado de balcão, ou disseminadas por algum outro meio que assegure 
sua ampla divulgação e imediato acesso às informações. Contudo, se no lugar 
onde estiver situada a sede da companhia não houver jornal, a publicação poderá 
se em órgão de grande circulação local. As publicações deverão ser encaminhadas 
para o mesmo jornal e encaminhado um aviso aos acionistas no extrato da ata da 
assembleia-geral ordinária. 
As publicações deverão ser arquivadas no registro do comércio, sendo que 
as destinadas ao balanço e da demonstração de lucros e perdas poderão adotar a 
expressão monetária milhar de reais. Em conformidade com a lei, as companhias 
poderão disponibilizar as referidas publicações em locais na rede de internet. 
Você pode encontrar as demonstrações contábeis das companhias abertas, 
que negociam ações na Bolsa de Valores do Brasil no site da B3: 
DICAS
Balanço Patrimonial (BP) 
O Balanço Patrimonial registra a demonstração contábil obrigatória para 
qualquer empresa. Da mesma forma, consiste em um relatório que demonstra a 
situação patrimonial de uma empresa em termos de Ativo, Passivo e Patrimônio 
Líquido. (BAZZI, 2014). 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
107
Segundo Ribeiro (2018) a demonstração financeira tem por finalidade 
evidenciar quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, a posição 
patrimonial e financeira da entidade. O Balanço patrimonial equivale a um 
demonstrativo composto por duas partes, o Ativo e o Passivo. O Ativo é dividido 
em dois grupos, no Ativo Circulante e no Ativo Não Circulante. E o Passivo, 
dividido em três grupos, em Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e 
Patrimônio Líquido. 
Para relembrar os conceitos de Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido e as 
contas que compõe cada um desses grupos, leia novamente a Unidade 2. 
UNI
A NBC TG 26 (R5), em seu item 54, orienta que o balanço patrimonial 
deve apresentar, respeitada a legislação, as seguintes contas: 
a. Caixa e equivalentes de caixa; 
b. Clientes e outros recebíveis; 
c. Estoques; 
d. Ativos financeiros (exceto os mencionados nas alíneas “a”, “b” e “g”); 
e. Total de ativos classificados como disponíveis para venda (NBC TG 38) 
e ativos à disposição para venda de acordo com a NBC TG 31 – Ativo 
Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada; 
f. Ativos biológicos no alcance da NBC TG 29; 
g. Investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; 
h. Propriedades para investimento; 
i. Imobilizado; 
j. Intangível; 
k. Contas a pagar comerciais e outras; 
l. Provisões; 
m. Obrigações financeiras (exceto as referidas nas alíneas “k” e “l”); 
n. Obrigações e ativos relativos à tributação corrente, conforme definido 
na NBC TG 32, dos Tributos sobre o Lucro; 
o. Impostos diferidos ativos e passivos, como definido na NBC TG 32; 
p. Obrigações associadas a ativos à disposição para venda de acordo 
com a NBC TG 31; 
108
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
q. Participação de não controladores, apresentada de forma destacada 
no patrimônio líquido; e 
r. Capital integralizado e reservas, e outras contas atribuíveis aos 
proprietários da entidade. 
A elaboração do Balanço Patrimonial somente será possível após a 
apuração do resultado do exercício e da efetivação de todos os lançamentos 
necessários a apuração nos Livros Diário e Razão. Essa etapa é importante para 
que as demonstrações contábeis, refitam a real situação econômica e financeira da 
empresa. Do mesmo modo, será fundamental a análise cuidadosa dos saldos de 
todas as contas patrimoniais, que irão compor o Balanço Patrimonial da empresa, 
objetivando a correta avaliação desses saldos, conforme os artigos 183 e 184 da 
Lei n. 6.404/1976. 
Ribeiro (2018) destaca que a avaliação integra os procedimentos necessários 
à apuração do resultado do exercício, uma vez que, em decorrência de ajustes a 
serem efetuados nas contas patrimoniais, o resultado do exercício será afetado. 
Depois que todos os procedimentos, que visem ao ajuste dos saldos das 
contas Patrimoniais e de Resultado estiverem concluídos, como o resultado do 
exercício apurado, as deduções, as participações, as destinações do resultado do 
exercício calculadas e contabilizadas. Somente assim, as contas Patrimoniais e 
Extrapatrimoniais (de compensação) permanecerão com saldos no livro Razão. 
(RIBEIRO, 2018). 
Desta forma, antes de se elaborar o Balanço Patrimonial, é interessante a 
utilização do Balancete de Verificação, para se ter certeza de que os procedimentos 
de débitos e créditos foram efetuados da maneira correta. O Quadro 11 apresenta 
um exemplo da estrutura do Balanço Patrimonial. 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
109
Quadro 11 — Balanço Patrimonial
Fonte: Padoveze (2017, p. 198).
O exemplo não aborda os saldos, contudo, os dois lados do balanço 
devem “fechar”. Ou seja, deve conter o mesmo valor para o Ativo Total e para 
o Passivo Total.
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) 
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), conforme Ribeiro 
(2018), significa um relatório contábil, destinado a evidenciar a composição 
do resultado, formado num determinado período de operações da empresa. A 
DRE evidencia o resultado econômico da empresa (lucro ou prejuízo apurado 
no período),confrontando as receitas com os custos e despesas, de acordo 
com o regime de competência. O que caracteriza como um relatório gerencial 
indispensável nos trabalhos da contabilidade. 
110
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
As contas de resultado que integram a DRE são aquelas que representam 
as despesas e os custos incorridos, e as receitas realizadas em um determinado 
período. No momento de elaboração da DRE, todas as contas de resultado dever 
estar com seus saldos encerrados. (RIBEIRO, 2018). 
A estrutura da DRE está descrita no artigo 187 da Lei n. 6.404/1976, que 
discrimina a receita bruta das vendas e serviços, deduções das vendas, abatimentos 
e os impostos. Em relação à receita líquida das vendas e serviços, ao custo das 
mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto. A lei aborda sobre o lucro ou 
prejuízo operacional, as outras receitas e despesas, sobre o resultado do exercício 
antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto. Apresenta as 
participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, 
na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência, 
ou previdência de empregados que não caracterizada como despesa. E por fim, 
sobre o lucro ou prejuízo líquido do exercício e seu montante por ação do capital 
social.
O inciso 1º do artigo 187 da Lei n. 6.404/1976, informa que na determinação 
de resultado do exercício serão computados as receitas e os rendimentos ganhos 
no período, conforme sua realização em moeda. Inclusive, os custos, despesas, 
encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e 
rendimentos. 
Padoveze (2017), apresenta os principais conceitos dos componentes 
da demonstração do resultado do período, a Demonstração do Resultado do 
Exercício (DRE), a Receita Operacional Bruta, os tributos incidentes sobre vendas, 
as devoluções e abatimentos, a evidenciação da receita operacional bruta e de 
suas deduções em nota explicativa, a Receita Operacional Líquida, o custo das 
vendas, as despesas operacionais, o lucro operacional antes dos resultados 
financeiros, o resultado das operações descontinuadas, as despesas financeiras 
líquidas, a equivalência patrimonial, outras receitas e despesas, a provisão para 
imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, e por fim, a provisão 
para participação de administradores e empregados.
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) contará como referência 
um período de operações da entidade, que para fins gerenciais, há necessidade da 
demonstração do resultado de cada mês. Esses dados devem revelar o resultado 
acumulado que inclua o último trimestre de apresentação. Para fins societários 
e fiscais, será obrigatório a apresentação da demonstração do resultado anual, 
que na lei evidencia a Demonstração do Resultado como Exercício, sendo que o 
exercício compreende o tempo de um ano. Assim, em termos gerenciais a DRE 
pode ser de períodos menores que um ano. O exercício para fins societários, 
não coincide com o ano civil de janeiro a dezembro, pois considera o exercício 
assinalado no contrato ou estatuto social, sendo que, para fins fiscais há 
necessidade de se obedecer ao ano civil. 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
111
A Receita Operacional Bruta abrange o valor total da nota fiscal, contudo, 
exclui os tributos não cumulativos cobrados do comprador como o IPI e o 
ICMS de substituição tributária. Desta forma, inclui os demais tributos como 
o ICMS, PIS, Cofins e ISS. Os tributos incidentes sobre vendas compreendem 
os tributos de ICMS, PIS, Cofins e ISS, que são cobrados nas notas fiscais e o 
Simples de empresas que se enquadram nesse regime. Em relação às devoluções 
e abatimentos, as operações ocorrem em um determinado período considerado 
normal, como, por exemplo, na devolução de uma mercadoria imediatamente, 
os abatimentos caracterizam erros de preços ou de emissão de nota fiscal. 
Nessa situação, não se incluem os abatimentos posteriores, como os descontos 
concedidos em pagamentos antecipados ao vencimento no contrato.
Na evidenciação da receita operacional bruta e de suas deduções em 
nota explicativa, a interpretação dos CPCs aponta que a receita bruta como suas 
deduções não deve ser apresentada na demonstração dos resultados do exercício. 
Nesse sentido, devem ser evidenciadas em nota explicativa, incluindo as previstas 
na Lei 6.404/1976. O motivo seria em razão de que a receita de vendas consiste 
no fundamental elemento para comparação de tamanho das operações entre as 
empresas. Devido às variações tributárias no país, a comparação só ocorre pela 
receita operacional líquida, sendo que, a comparação pela receita operacional 
bruta não é adequada a situação. 
A Receita Operacional Líquida depende da interpretação dos CPCs, e a 
demonstração do resultado do exercício inicia pela receita operacional líquida. 
O custo das vendas consiste nos gastos necessários à produção dos produtos 
e serviços, ou organizados para aquisição das mercadorias para revenda. Em 
relação à indústria e serviços, a apuração do custo ocorre por meio do método 
de custeamento por absorção, o qual incorpora aos custos diretos de materiais 
e mão de obra direta. Igualmente, abrange os custos indiretos de fabricação e 
as depreciações da área industrial, se indústria, ou operacional, relacionado aos 
serviços. 
As despesas operacionais consistem em todos os gastos pertinentes 
as áreas administrativas e comerciais. Dessa forma, os gastos com pesquisas e 
desenvolvimento pertencem a esse grupo, e as despesas tributárias consideram 
apenas os tributos que não associados a venda ou compras, como o IPVA, IPTU, 
etc. Os tributos sobre vendas e comprar de mercadorias e serviços são excluídos 
das compras, quando recuperados e incluídos no valor das compras, e caso não 
sejam recuperáveis, como o imposto de Importação, o PIS e Cofins, no regime 
cumulativo. 
O lucro operacional antes dos resultados financeiros não se encontra 
previsto na Lei 6.404/1976, contudo, sua apresentação possui a recomendação 
do CPC e CFC. O objetivo seria em destacar o lucro operacional separado dos 
resultados financeiros. Em termos gerenciais, os resultados financeiros não se 
caracterizam como da operação, sendo decorrentes da estrutura do passivo da 
companhia, e da existência ou não, de aplicações financeiras.
112
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
O resultado das operações descontinuadas não está previsto na Lei 
6.404/1976, e procede da análise dos pronunciamentos contábeis referenciados. 
Essa situação ocorre quando a empresa vende ou aliena uma área de negócios no 
período do exercício. Assim, na demonstração do resultado do exercício em que 
houve a descontinuação das operações, os valores das receitas, custos e despesas 
dessas operações deverão ser objetos de segregação das demais receitas, custos e 
despesas, apresentando como resultante na forma destacada na DRE.
As despesas financeiras líquidas abrangem todos os encargos financeiros 
dos empréstimos, financiamentos, títulos descontados, títulos de dívida, 
atualização monetária e juros de passivos tributários, e outras despesas financeiras, 
que serão deduzidos das receitas financeiras de aplicações financeiras, atualização 
monetária e juros de tributos recuperáveis e outras receitas financeiras. 
A equivalência patrimonial resulta da aplicação do método de 
equivalência patrimonial nos investimentos em coligadas e controladas, oriundas 
da contabilização de lucros ou prejuízos proporcionais à participação societária 
nesses investimentos. Em relação a outras receitas e despesas são apresentadas 
após o lucro operacional, que representa as eventuais despesas e receitas não 
recorrentes na operação. Como exemplo, o valor das vendas de ativos de 
investimentos, imobilizados e intangíveis, e a baixa respectiva dos seus custos 
decorrente da alienação. No modo de apresentação antiga, era conhecida como 
resultados não operacionais. 
A provisão para imposto de renda e contribuição social sobre olucro 
líquido aponta sobre o valor dos tributos sobre o lucro apurado pelos regimes 
tributários de lucro presumido e lucro real. As empresas do lucro real possuem 
essa conta para incorporar os tributos diferidos, ativos ou passivos, que advêm 
das adições ou exclusões temporárias controladas na parte B do livro de apuração 
do lucro real, assim como, os tributos diferidos de prejuízos fiscais compensáveis. 
Na provisão para participação de administradores e empregados constam 
apenas as rubricas de participações estatutárias. Nesse caso, não se enquadram as 
remunerações variáveis pagas aos administradores, como os salários, ou o valor 
pago a título de participação dos empregados nos lucros, como o PPR e PLR, 
considerados como custos de pessoal no grupo encargos sociais espontâneos. 
A Tabela 2 apresenta um modelo de Demonstração do Resultado do 
Exercício.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
113
Tabela 2 — Demonstração do Resultado do Exercício
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Período de 01.01 a 31.12
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
(-) Tributos incidentes sobre vendas
(-) Devoluções e abatimentos
= RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA
(-) Custo das vendas
Custo dos produtos vendidos (se indústria) 
Custo dos mercadorias vendidas (se comércio)
Custo dos serviços prestados (se serviços)
=LUCRO BRUTO
(+) Outras receitas operacionais
(-) Despesas operacionais
Com vendas
Administrativas 
Pesquisa e Desenvolvimento
Tributárias
=LUCRO OPERACIONAL ANTES DOS RESULTADOS FINANCEIROS
Resultado das operações descontinuadas
(-) Despesas financeiras líquidas
Despesas financeiras (-) Receitas financeiras
Equivalência patrimonial 
= LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL
(+) Outras receitas
(-) Outras despesas
= RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA
(-)Provisão para imposto de renda e Contribuição social sobre o lucro líquido
(-) Participação dos administradores
(-) Participação dos empregados
= LUCRO (PREJUÍZO) DO EXERCÍCIO
Fonte: Padoveze (2017, p. 218).
Observe que a DRE parte dos ganhos (Receitas), para descontar os custos 
e despesas. Essa estrutura possibilita diversas análises por parte dos usuários.
Demonstração do Resultado Abrangente (DRA)
As receitas e despesas que, provisoriamente, não transitaram pela 
demonstração de resultados e foram contabilizadas diretamente no patrimônio 
líquido, normalmente na conta de Ajustes de Avaliação Patrimonial, se não 
estiverem evidenciadas na demonstração das mutações do patrimônio líquido, 
deverão ser apresentadas na demonstração dos resultados abrangentes. 
(PADOVEZE, 2017). 
114
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Figura 26 — Demonstração do Resultado Abrangente
DESCRIÇÃO EXERCÍCIO ATUAL $ EXERCÍCIO ANTERIOR $
1. Resultado do Exercício
2. Outros Resultados Abrangentes:
2.1 Variações na reserva de reavaliação (quando permitida 
legalmente)
2.2 Ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com 
benefício definido
2.3 Ganhos e perdas derivados de conversão de Demonstrações 
Contábeis de operações exterior
2.4 Ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e 
perdas na remensuração de Ativos financeiros disponíveis para 
venda.
2.5 Ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela 
de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de 
fluxo de caixa.
2.6 Parcela dos outros resultados abrangentes de empresas 
investidas reconhecida por meio de método de equivalência 
patrimonial.
3. Reclassificações dos outros resultados abrangentes para o 
resultado do exercício
4.Total do Resultado Abrangente do Exercício
5. Total do resultado Abrangente do Exercício atribuível aos:
*Acionistas Não Controladores
*Acionistas Controladores
Companhia:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO
Exercício findo em:
Fonte: Ribeiro (2018, p. 424).
A demonstração dos resultados abrangentes parte do lucro líquido do 
período, sendo que, os principais ajustes que podem acontecer serão considerados, 
até chegar ao resultado abrangente do período.
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) 
Para Padoveze (2017), a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
(DMPL) representa um prolongamento da demonstração da conta de lucros 
acumulados. Na realidade, engloba a demonstração de lucros acumulados, 
adicionando a movimentação das demais contas do patrimônio líquido. 
A finalidade da DMPL consiste em evidenciar a movimentação de todas 
as contas do patrimônio líquido, Capital Social, Reservas de Capital, Reservas 
de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Lucros e Prejuízos Acumulados. 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
115
E, consequentemente, a variação da riqueza dos donos da empresa, em que o 
patrimônio líquido representa o valor contábil da empresa para seus proprietários. 
As principais mutações do patrimônio líquido, conforme menciona 
Padoveze (2017), são: 
a. Integralização (aumento) de capital social em dinheiro; 
b. Aumento de capital social com reservas; 
c. Redução do capital social por saída de sócios ou acionistas; 
d. Redução do capital social por recompra de ações; 
e. Aumento de reservas de capital por ágio na integralização de capital 
social; 
f. Transferência de lucros acumulados para reserva legal; 
g. Transferência de lucros acumulados para reservas de lucros; 
h. Lucros distribuídos aos sócios ou acionistas; 
i. Compensação de prejuízo contábil do exercício com lucros 
acumulados; 
j. Compensação de prejuízo contábil do exercício com reservas de 
lucros ou reservas de capital; 
k. Redução do capital social por compensação de prejuízos acumulados; 
l. Aumento de reservas de lucros por lucro decorrente de subvenções 
ou doações governamentais; 
m. Movimentação de reservas de reavaliação realizadas antes de 
31.12.2007, ainda mantidas no patrimônio líquido por opção da 
empresa; 
n. Movimentações temporárias de ajuste de avaliação patrimonial; 
o. Saldos temporários de outros resultados abrangentes. 
A figura 27 demonstra a estrutura da DMPL. 
Figura 27 — Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
Movimentação Capital Social Reservas de Lucros Lucros Acumulados Total
Saldo Inicial - balanço inicial 
(+) Aumento de capital social em dinheiro 
(+) Lucro Líquido do exercício 
(-) Distribuição de lucros 
(-) Transferência para reservas de lucros 
Saldo final - balanço final 
50.000,00
30.000,00
-
-
-
80.000,00
10.900,00
-
-
-
4.000,00
14.900,00
4.200,00
-
7.800,00
-3.200,00
-4.000,00
4.800,00
65.100,00
30.000,00
7.800,00
-3.200,00
0,00
99.700,00
Fonte: Padoveze (2017, p. 226)
116
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Como a apresentação da demonstração das mutações do patrimônio 
líquido, incorpora a conta de lucros ou prejuízos acumulados, havendo a apresentação 
da DMPL, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) fica dispensada. 
NOTA
Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) 
A Demonstração do Fluxo de Caixa passou a ser obrigatória para as 
empresas em 2007, com a inclusão do inciso na Lei 6404/74. As informações 
contidas na DFC, em conjunto com outras demonstrações contábeis, devem ser 
suficientes para que seus usuários possam conhecer e avaliar a capacidade de 
geração de caixa da empresa (HOJI, 2017). 
Neste sentido, Martins (2020) afirma que por meio da DFC os usuários 
das demonstrações contábeis podem avaliar a capacidade de gerar fluxos futuros 
de caixa da entidade, de saldar obrigações e pagar dividendos, na flexibilidade 
financeira da empresa, referente a taxa de conversão do lucro em caixa, entre 
outros aspectos. 
A DFC deve apresentar entradas e saídas de caixa e equivalentes de 
caixa do exercício, classificados por atividades operacionais, de investimento 
e de financiamento. Martins (2020) define as atividades operacionais como as 
principais geradoras de receita da entidade, assim como as outras atividades 
que não se enquadram em financiamento ou investimento. Como exemplos, 
apresenta o pagamento a fornecedor, recebimento de clientes, pagamentos de 
salários, etc. As atividadesde investimentos referem-se à aquisição e venda de 
ativos (a longo prazo) e os investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa. 
Como exemplos, a compra e venda de imobilizados, aplicações financeiras de 
longo prazo, compra e venda de investimento coligadas, etc. As atividades de 
financiamento que afetam as mudanças no tamanho e composição do capital 
próprio e endividamento da entidade. Como exemplo, os empréstimos e 
financiamentos de longo prazo, emissão de debêntures, aumento de capital em 
dinheiro, distribuição de lucros, etc. 
Padoveze (2017) complementa que o fluxo de caixa pode ser apresentado 
pelo método indireto ou pelo método direto. O Método Indireto evidencia a 
movimentação do saldo de caixa no período, partindo da geração de caixa, por 
meio da demonstração de resultados e das variações dos elementos patrimoniais 
do balanço que geram ou necessitam de caixa. O Método Direto demonstra a 
movimentação do saldo de caixa do período, coletando as informações específicas 
das entradas e saídas de numerário constante das contas de disponibilidades 
(caixa, bancos e aplicações financeiras). 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
117
A figura 28 mostra a estrutura de apresentação do método indireto: 
Figura 28 — DFC - Método indireto
Discriminação
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA (Método Indireto)
$
I - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS
Lucro líquido do exercício 
(+/-) Receitas e despesas não efetivas financeiramente Depreciações
Depreciações
Equivalência patrimonial 
Baixa de bens do imobilizado e intangível
=Lucro gerado pelas operações 
(+/-) Ajuste por mudanças no capital de giro
 Contas a receber de clientes 
Estoque de mercadorias 
Fornecedores 
Salários e encargos a pagar 
Contas a pagar 
Tributos a recolher sobre mercadorias 
Tributos a recolher sobre lucros 
Subtotal 
TOTAL 
II - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Variação de financiamentos de curto prazo 
Variação de financiamentos de longo prazo 
Aumento de capital em dinheiro 
Distribuição de dividendos 
TOTAL 
III - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO
Variação do realizável a longo prazo 
Aquisição de investimentos
Aquisição de imobilizados 
TOTAL 
AUMENTO DE CAIXA DO PERÍODO (I+II+III) 
Saldo inicial de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras 
Saldo Final de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras 
7.800,00
7.600,00
0,00
0,00
15.400,00
-3.600,00
-4.000,00
3.000,00 
1.200,00 
-700,00
800,00 
-400,00 
-3.700,00 
11.700,00 
-11.500,00 
20.900,00 
30.000,00 
-3.200,00 
36.200,00 
0,00 
0,00
-41.000,00 
-41.000,00 
6.900,00
19.000,00 
25.900,00
Fonte: Adaptado de Padoveze (2017).
O objetivo desse método compreende em demonstrar o quanto do lucro 
líquido se transformou ou não em caixa. Desse modo, Padoveze (2017) afirma que, 
parte do lucro líquido encontram-se adicionadas despesas contábeis consideradas 
econômicas, mas que não apresentam impacto financeiro no período. Em seguida, 
são apurados os valores das movimentações das contas, que representam o capital 
de giro da empresa e alinhadas com suas operações. É natural que a variação do 
118
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
nível de atividade das operações da empresa, exija mais ou menos investimentos no 
capital de giro, razão pelo qual as variações dessas contas patrimoniais são alocadas 
no fluxo de caixa das atividades operacionais. A conclusão do fluxo de caixa acontece 
com a evidenciação dos recursos envolvendo as atividades de financiamento e 
investimento, que afetam financeiramente o caixa. (PADOVEZE, 2017). 
O método direto para elaboração do fluxo de caixa consiste na acumulação 
das informações que movimentaram as contas de caixa, bancos e aplicações 
financeiras. Nem todos os eventos econômicos da empresa são efetivados 
imediatamente no caixa. Desse modo, há eventos econômicos que se caracterizam 
por impactar diretamente o caixa. E, todos esses eventos caracteristicamente 
financeiros são acumulados em contas para elaboração do fluxo de caixa pelo 
método direto. (PADOVEZE, 2017). 
Figura 29 — DFC - Método direto
Discriminação
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA (Método Direto)
$
I - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS
RECEBIMENTOS
Clientes
PAGAMENTOS
Fornecedores
Salários e encargos sociais
Despesas gerais
Tributos sobre mercadoria
Tributos sobre lucro
Soma 
TOTAL 
II - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Novos empréstimos e financiamentos
(-) Redução dos empréstimos a curto prazi
Aumento do capital em dinheiro
Distribuição de dividendos 
TOTAL 
III - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO
Variação do realizável a longo prazo 
Aquisição de investimentos
Aquisição de imobilizados 
TOTAL 
(+) Receitas Financeiras
AUMENTO DE CAIXA DO PERÍODO (I+II+III)
Saldo inicial de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras 
Saldo Final de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras 
216.400,00
-129.000,00
-43.500,00
-19.000,00
-7.200,00
-4.300,00
-203.000,00
13,400,00
20.000,00
-13.000,00
30.000,00
-3.200,00
33.800,00
0,00
0,00
-41.000,00
-41.000,00
700,00
6.900,00
19.000,00
25.900,00
Fonte: Adaptado de Padoveze (2017).
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
119
As normas que regem a apresentação da DFC para usuários externos, 
segundo Padoveze (2017), determinam que transações que não envolvam 
caixa diretamente não sejam incluídas na DFC, e sim apresentadas em notas 
explicativas. Um exemplo comum, consiste na aquisição de imobilizado com um 
financiamento específico, que não transite pelas contas representativas de caixa. 
Nesse caso, não será apresentada nenhuma informação nos fluxos de caixa das 
atividades de financiamento e de investimento. 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 
A DVA é importante para se analisar a geração e distribuição do lucro, 
como para o processo de integração da empresa com a comunidade. Dessa forma, 
compõe o conjunto de informações do balanço social, correspondendo a dos 
relatórios mais ilustrativos da atuação social das empresas. 
De acordo com Padoveze (2017), a DVA objetiva evidenciar a geração do 
valor econômico agregado pelos produtos e serviços oferecidos pela empresa, e a 
sua distribuição. E, compõe basicamente de duas partes: 
a. A evidenciação do valor adicionado gerado - que é considerado a 
diferença entre o valor da receita bruta dos produtos e serviços, e os 
insumos e serviços adquiridos de terceiros; 
b. A evidenciação do valor adicionado distribuído – que compreende 
os valores incorridos com os funcionários, os impostos gerados e os 
juros incorridos e dividendos distribuídos 
120
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Tabela 3 — Demonstração do Valor Adicionado
Fonte: Padoveze (2017).
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
121
Essa demonstração apresenta cunho gerencial, e os dados possibilitam 
identificar a estrutura básica de custos da empresa. Retrabalhando as informações 
nela contidas, é possível identificar o quanto foi a participação de materiais, 
salários, encargos sociais, impostos, despesas e depreciações. Esse tipo de 
informação é gerencialmente importante, para a comparação entre as estruturas 
de custos da empresa, do setor e dos concorrentes. (PADOVEZE, 2017). 
Notas explicativas
Na necessidade de informações complementares, as demonstrações 
contábeis devem ser supridas por notas explicativas. Padoveze (2017) menciona 
quais as funções das notas explicativas: 
•  Apresentar os principais critérios de avaliação utilizados na elaboração 
das demonstrações básicas e as legislações e normas obedecidas. 
•  Detalhar os principais números do balanço patrimonial e da 
demonstração de resultados, quando necessários, tais como as 
principais contas dos estoques, contas a receber, imobilizado, 
investimentos, financiamentos, etc. 
•  Evidenciar critérios e procedimentos alternativos ou não usuais 
utilizados para o período em questão. 
•  Complementar com explicações sobre eventos econômicos não 
rotineirose significativos acontecidos no período e seus impactos 
patrimoniais. 
As principais notas explicativas devem abordar os seguintes itens e 
aspectos, segundo Padoveze (2017): 
Apresentar os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, 
especialmente estoques, cálculos de depreciação, amortização e exaustão, 
constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a 
perdas prováveis na realização de elementos do ativo; 
a. Expor os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; 
b. Divulgar o aumento de valor de elementos do ativo resultante de 
novas avaliações; 
c. Mostrar os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as 
garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais 
ou contingentes; 
d. Revelar a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das 
obrigações a longo prazo; 
e. Destacar o número, espécies e classes das ações do capital social; 
f. Indicar os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício 
que tenham ou possam vir a ter efeito relevante sobre a situação 
financeira e os resultados futuros da companhia. 
Cabe ressaltar que não há uma estrutura padrão para apresentação das 
notas explicativas. 
122
AUTOATIVIDADE
Certamente você já compreendeu a importância das demonstrações contábeis 
(ou financeiras) para os usuários internos e externos. Apesar de existir uma 
gama de demonstrações, nem todas são obrigatórias para as empresas de 
capital fechado (sociedades limitadas). Sobre as demonstrações contábeis, 
assinale a afirmativa verdadeira: 
a. O Balanço Patrimonial demonstra as entradas e saídas de caixa da empresa 
para o exercício social.
b. A Demonstração do Resultado do Exercício mostra situação financeira de 
uma empresa por meio dos seus bens, direitos e obrigações.
c. A Demonstração do Fluxo de Caixa evidencia se as operações de uma 
empresa estão gerando um lucro ou prejuízo.
d. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia as 
movimentações realizadas nas contas que compõem o patrimônio líquido.
123
RESUMO
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
Seguir um passo a passo para escrituração dos lançamentos contábeis 
pode ser de grande ajuda neste processo.
Mesmo com os sistemas informatizados podem ocorrer erros nos 
lançamentos, e para retificar, pode-se utilizar o estorno, transferência ou 
compensação. 
Para apuração do resultado é preciso encerrar todas as contas de Receitas 
e Despesas do período.
Após a apuração do resultado, é possível prosseguir com a elaboração das 
demonstrações contábeis. Que por sua vez, fornecem aos usuários informações 
sobre os ativos, passivos, patrimônio líquido; receitas e despesas, incluindo 
ganhos e perdas; alterações no capital próprio mediante integralizações dos 
proprietários e distribuições a eles; e fluxos de caixa da empresa.
As principais demonstrações contábeis são: balanço patrimonial, 
demonstração do resultado do período; demonstração do resultado abrangente; 
demonstração das mutações do patrimônio líquido; demonstração dos fluxos de 
caixa; demonstração do valor adicionado e notas explicativas.
124
REFERÊNCIAS
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Disponível em: ISBN: 9788544301333. Acesso em: 16 fev. 2021.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Norma Brasileira de 
Contabilidade, NBC TG Estrutura Conceitual, de 21 de novembro de 
2019. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL, que 
dispõe sobre a estrutura conceitual para relatório financeiro. Disponível 
em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2019/
NBCTGEC&arquivo=NBCTGEC.doc. Acesso em: 10 fev. 2021.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Completas. 2020. 
Disponível em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/
normas-completas/. Acesso em: 10 fev. 2021.
CREPALDI, Silvio Aparecido; CREPALDI, Guilherme Simões. Contabilidade 
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GRECO, Alvísio; AREND, Lauro R. Contabilidade: teorias e práticas básicas. 
5. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. Disponível em: ISBN 9788547210274. Acesso 
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HENDRIKSEN, Eldon S.; VAN BREDA, Michael F. Teoria da contabilidade. 
Tradução Antonio Zoratto Sanvicente'. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2014. Tradução 
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IUDÍCIBUS, Sérgio de (Coord.). Contabilidade introdutória. 12. ed. São 
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LUNKES, Rogério João; SCHNORRENBERGER, Darci. Controladoria: na 
coordenação dos Sistemas de Gestão. São Paulo: Atlas, 2009.
MARION, José Carlos. Contabilidade básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 
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2021.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade geral facilitada. Rio de Janeiro: 
Forense, 2017. Disponível em: ISBN: 978-85-309-7422-0. Acesso em: 8 fev. 
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RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. 
Disponível em: recurso online ISBN 9788547224806. Acesso em: 31 jan. 2021.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. 
OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
125
(Em Foco). Disponível em: ISBN 978-85-472-2081-5. Acesso em: 12 fev. 2021.
SCHIMIDT, Paulo; SANTOS, José Luiz dos. Avaliação de ativos intangíveis: 
goodwill, capital intelectual, marcas e patentes, propriedade intelectual, pesquisa 
e desenvolvimento. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 204 p.
SILVA, César Augusto Tibúrcio; RODRIGUES, Fernanda Fernandes. Curso prático 
de contabilidade: Analítico e didático. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018. Disponível 
em: ISBN 978-85-97-01794-6. Acesso em: 6 fev. 2021.
SOUZA, Ailton Fernando de. Contabilidade na prática. São Paulo: Trevisan, 
2014. Disponível em: recurso online ISBN 9788599519622. Acesso em: 3 fev. 2021.1930 a 1950 Surgimento da contabilidade de custos e dos primeiros relatórios da 
contabilidade gerencial.
1950 a 1970
Aprimoramento da contabilidade de custos. Desenvolvimento de técnicas e 
procedimentos para as análises de custos, estatísticas de produção, custo-
padrão, contabilidade pública, contabilidade e planejamento tributário.
1970 a 1990
Aperfeiçoamento da contabilidade gerencial, custeio por atividades, custo-
padrão, orçamento e planejamento estratégico. Primórdios da contabilidade 
social e ambiental. Nesse período, a contabilidade assume suas características 
como um sistema de informações à disposição dos gestores para as tomadas 
de decisões, com o uso intensivo da informática. São discutidas as primeiras 
tentativas da padronização dos procedimentos contábeis em âmbito 
internacional.
1990 a 2000
Surgimento do balance score card e disseminação da controladoria 
estratégica. Surgem no Brasil as primeiras dissertações e teses sobre 
capital intelectual. Globalização crescente da economia, dos investimentos 
internacionais e do uso de instrumentos financeiros.
2000 em diante Fortalecimento das práticas de governança corporativa e da tentativa de 
harmonização dos padrões de contabilidade internacional.
Fonte: Adaptado de Souza (2014) e Hendriksen e 
Van Breda (2014)
Cada etapa da história da contabilidade foi fundamental para que esta 
ciência se desenvolvesse do modo como está hoje. Desde os primeiros registros da 
utilização do método das partidas dobradas até os dias atuais, a ciência contábil 
está em constante evolução.
O surgimento das sociedades de capital aberto – que negociam ações 
na bolsa de valores – também merece destaque, pois atraiu a atenção para a 
contabilidade. Sendo que, a informação contábil que antes era sigilosa, passou 
a ser de interesse de todos os envolvidos (investidores, governo, fornecedores, 
clientes, etc.). 
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
14
Definição e objetivos 
Ao contrário do que muitos pensam, a contabilidade não é considerada 
uma ciência da área de exatas e sim uma ciência social aplicada. Isso 
significa, que ela visa atender os aspectos práticos da vida das pessoas e das 
organizações. (PADOVEZE, 2017).
Assim como a própria ciência, a sua definição foi aprimorada ao longo 
dos anos. Para RIBEIRO (2017, p. 2) a contabilidade “é uma ciência social 
que tem por objeto o patrimônio das entidades econômico-administrativas”. 
Desse modo, o principal objetivo da contabilidade é controlar as variações do 
patrimônio das entidades.
Mas o que é o patrimônio e o que são essas entidades? O patrimônio são todos 
os elementos necessários para a existência da entidade, segundo Ribeiro (2017). Por 
exemplo, as mercadorias, os materiais de consumo, móveis, imóveis, veículos, além 
de todos os valores, que a entidade tem para receber e pagar.
É estranho se pensar nas dívidas como patrimônio, entretanto os 
empréstimos, impostos, salários a pagar, e as dívidas com fornecedores, por 
exemplo. Esses elementos, financiam o desenvolvimento das atividades da 
entidade, sendo necessários para sua existência e, portanto, se enquadram na 
definição de patrimônio.
A entidade, segundo Padoveze (2017, p. 2), “é o conjunto patrimonial 
que pode ou deve ser objeto de controle individualizado, ou seja, merece um 
controle separado dos demais conjuntos patrimoniais possíveis”. Na Figura 1 são 
apresentados alguns exemplos de entidade.
Figura 1 — Exemplos de entidades
Indivíduo
Empresas
Governo
Instituições
Financeiras
Associação de
esportes
Famílias
Organizações sem
fins lucrativos
Fonte: Adaptado de Greco e Arend (2017). 
ASPECTOS GERAIS
15
No Brasil, a legislação atual estipula que não existe a obrigatoriedade de 
elaboração de contabilidade para as empresas individuais (pessoas jurídicas) que estejam 
enquadradas como MEI – Microempreendedor Individual. 
IMPORTANTE
De acordo com Greco e Arend (2017) as entidades podem ser pessoas 
físicas (indivíduos) ou pessoa jurídica (empresas e instituições). Logo, o campo de 
aplicação da contabilidade é composto por pessoas físicas ou jurídicas que exerçam 
atividades econômicas. Para algumas pessoas físicas e jurídicas, a contabilidade 
é obrigatória por lei, quando as pessoas físicas se utilizam da contabilidade para 
atender as exigências do imposto de renda. E, as pessoas jurídicas, salvo algumas 
exceções, são obrigadas pelo Código Civil a manterem os registros, declarações e/
ou escrituração contábil.
A contabilidade consiste na obrigatoriedade legal, e atua no registro, 
controle e análise das variações patrimoniais, e gera informação que auxilia a 
administração da entidade no processo de decisões. Para Greco e Arend (2017) a 
função da contabilidade determina o registro, estudo e interpretação (por análise) 
dos fatos financeiros e econômicos, que afetam a situação patrimonial da pessoa 
física ou jurídica. A situação patrimonial apresenta as demonstrações contábeis 
tradicionais e de relatórios de exceção específicos para determinadas finalidades, 
de acordo com a situação do usuário. 
Estudaremos sobre as demonstrações contábeis, a informação contábil e os 
usuários da contabilidade nas próximas seções deste material. 
UNI
Na Figura 2 é apresentado um diagrama que apresenta a atuação da 
contabilidade, bem como seus principais usuários. 
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
16
 Figura 2 — Atuação da contabilidade
A CONTABILIDADE 
FATOS CONTÁBEIS 
PESSOAS Instituições
(não lucrativas) 
Empresas (lucrativas)
de DIREITO PÚBLICO ou
de DIREITO PRIVADO
FÍSICAS
JURÍDICAS 
capta, registra, acumula, resume e interpreta os
isto é, os fenômenos que afetam patrimonial, financeira das
Fonte: Greco e Arend (2017, p. 3).
Greco e Arend (2017) destacam a finalidade da contabilidade em assegurar 
o controle do patrimônio, e fornecer as informações sobre a composição e variações 
patrimoniais, assim como, o resultado das atividades econômicas desenvolvidas. 
Essas informações devem permitir aos usuários uma nítida avaliação da situação 
patrimonial (econômica e financeira) da entidade. Neste sentido, Marion 
(2018) acrescenta que a contabilidade mensura os resultados das empresas, avalia 
o desempenho dos negócios, e fornece diretrizes para tomadas de decisões, ou 
seja, é a linguagem dos negócios.
Os usuários
Os usuários que utilizam das informações fornecidas pela contabilidade 
são pessoas interessadas na situação e informações da empresa. Assim, os 
administradores buscam, nesse tipo de informação, um apoio para gerirem melhor 
o seu negócio. De modo igual, os investidores (sócios ou acionistas) interessados 
no lucro, utilizam dos relatórios contábeis para analisarem se a empresa possui 
condições financeiras. As condições implicam no pagamento das dívidas, na 
possibilidade de empréstimo bancário, nos impostos gerados para os cofres 
públicos, e para conhecimento de outros interessados na situação da empresa como 
os empregados, sindicatos, concorrentes e outros. (MARION, 2018). 
Na figura 3 são apresentados os usuários da informação contábil.
ASPECTOS GERAIS
17
 Figura 3 — Usuários da contabilidade
Investidores/
Sócios
Bancos/
Financiadores
Informações
Contábeis
Empregadores/
Prestadores de
serviços
Fornecedores/
Consultores
Sindicatos/
Clientes
Setor público/
Governo
Analistas/
Administradores
Fonte: MARION (2018, p. 4).
De acordo com Silva e Rodrigues (2018) os usuários da informação contábil 
podem ser classificados em usuários internos ou externos. Os usuários internos 
da contabilidade são as pessoas que trabalham na entidade, por exemplo, os 
gerentes, os diretores e os empregados. Para esses usuários, a informação possui 
um caráter gerencial importante, pois são os responsáveis pela tomada de decisão 
na empresa.
O processo de tomada de decisão compreende estimar o que acontecerá 
no futuro, ou seja, a escolha sobre uma ação será de acordo com o que se espera 
do seu resultado, segundo um benefício futuro. Para se preparar para ofuturo é 
fundamental saber o que aconteceu no passado, bem como o que está acontecendo 
agora, e nesse aspecto a contabilidade é a principal fonte de informação. 
O administrador inteligente, que sabe usar a informação contábil e que 
conhece suas limitações, tem em suas mãos um poderoso instrumento 
de trabalho que lhe permite tomar decisões visando ao futuro com 
maior segurança, bem como conhecer a situação atual e o grau de 
acerto ou desacerto de suas decisões passadas. (MARION, 2018, p. 2).
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
18
A figura 4 apresenta as principais questões relacionadas aos usuários 
internos, que a contabilidade auxilia a responder. 
 Figura 4 — Questões de usuários internos
O que devo
produzir?
Qual é a
evolução do meu
resultado?
Obtive lucro
com a minha
filial?
Qual o preço do
meu produto?
Fonte: Silva e Rodrigues (2018, p. 9).
O gerente de produção, por exemplo, precisa saber se um produto terá 
aderência no mercado, e qual o seu custo de produção em relação ao resultado 
estimado para as vendas. Assim, caso essa equação seja negativa, pode ser que 
opte por não fabricar o produto. A alta gerência necessita dos dados gerados 
pela contabilidade para traçar estratégias em relação ao futuro da empresa, e que 
proporcionem o melhor resultado para seus sócios e acionistas. 
A informação contábil consiste no elemento fundamental como um 
diferencial competitivo para a empresa, quando utilizada de modo assertivo 
pelos seus usuários internos. Greco e Arend (2017) destacam que os interesses 
dos administradores, diretores e executivos de uma entidade atingem o grau 
mais profundo de análise e frequência, sendo que os usuários são os responsáveis 
pelas decisões que influenciam o futuro da empresa. Mas, para proceder dessa 
forma, é indispensável conhecer os fatos que aconteceram no passado, e o que 
acontece no atual momento.
Os usuários externos são indivíduos que mantêm uma relação indireta 
com a entidade, por exemplo, o governo, fornecedores, sociedade em geral e os 
investidores, principalmente do mercado de ações. Assim, os usuários externos 
não se envolvem diretamente com a entidade, e o nível de informação que recebem 
não será o mesmo que o de um usuário interno, assim ocorre o que chamamos de 
assimetria informacional. 
ASPECTOS GERAIS
19
A assimetria informacional é uma falha de mercado que ocorre quando um 
dos lados envolvidos em uma operação possui mais informação do que o outro. 
ATENCAO
Assim como os usuários internos, os usuários externos também se utilizam 
da contabilidade para buscar respostas para seus questionamentos a respeito da 
entidade. Conforme pode ser observado na Figura 5:
Figura 5 — Questões de usuários externos
A entidade está
endividada? 
Onde a entidade
está investindo?
A entidade está
ajudando o meio
ambiente?
O resultado da
entidade está
crescendo?
Fonte: Silva e Rodrigues (2018, p. 10).
Assim como demonstrado na figura 5, os fornecedores, bancos e 
investidores utilizam da informação contábil para identificar se a entidade 
apresenta dívidas. Os acionistas/investidores pretendem conhecer o resultado que 
a empresa apresenta, e em como a sociedade utiliza as informações divulgadas 
pela contabilidade, na análise do seu impacto no ambiente. 
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
20
Segundo Greco e Arend (2017), a informação contábil é utilizada para 
alguns grupos específicos dentre os usuários externos, como, por exemplo, os 
sócios, acionistas e investidores interessados na rentabilidade e segurança de 
seus investimentos, e que buscam na contabilidade informações como: 
•  Qual é a taxa de lucratividade propiciada ao seu investimento na 
empresa? 
•  A empresa oferece, a médio e longo prazo, perspectivas de 
rentabilidade e segurança para o investimento? 
•  Existe alternativa mais adequada para o investimento? 
Os bancos, instituições financeiras e outras fontes de empréstimo utilizam 
as mesmas informações dos acionistas, mas com uma análise aprofundada. O 
governo utiliza as informações contábeis para traçar a política tributária. Os 
economistas analisam os dados contábeis de diversas unidades microeconômicas, 
para fornecerem as bases adequadas para análises macroeconômicas de uma 
região ou do país.
21
AUTOATIVIDADE
1. A Contabilidade contribui em fornecer informações uteis que auxiliam 
nas decisões. Assim, diversos usuários se utilizam da informação contábil na 
busca de respostas para os seus questionamentos. Quanto aos usuários da 
informação contábil, associe a primeira coluna com a segunda: 
(1) Usuários internos 
(2) Usuários externos 
 
( ) Governo 
( ) Sócio-diretor 
(  ) Sociedade 
( ) Instituição financeira 
( ) Gerente 
Gabarito
Respostas: 2, 1, 2, 2, 1.
22
TÓPICO 2
UNIDADE 1
A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO 
CONTÁBIL
O objetivo da contabilidade, para Iudícibus (2019), consiste em fornecer aos 
seus usuários o máximo possível de informação sobre o patrimônio de uma entidade 
e suas mutações, para serem utilizadas nas decisões atuais, que impactarão no 
futuro da entidade. Entretanto, a contabilidade não consegue produzir informação 
suficiente para prever com exatidão o futuro, mas os registros dos fatos contábeis 
revelam dados para o planejamento do futuro, e na definição das metas e ações 
para uma entidade ao longo de um determinado período.
Para que a informação contábil seja realmente útil para os usuários 
é necessário que obedeça a alguns critérios e garanta, sobretudo, a sua 
fidedignidade. Ou seja, a informação contábil precisa ser confiável e tempestiva 
(no tempo certo) para que o usuário possa fazer uso com segurança. Inclusive, 
para que a informação seja significativa ao usuário, deve apresentar os fatos 
que realmente aconteceram, como no registro de um fato contábil, que se deve 
respeitar a prevalência da essência sobre a forma. 
 Iudícibus (2019) exemplifica na situação em que uma entidade arrenda um 
equipamento por três anos e depois o adquire por R$ 1,00. Nesse caso, a entidade 
assume o controle, os riscos e benefícios do equipamento, mesmo a princípio não 
sendo de sua posse por questões jurídicas, porque por garantia permanece no 
nome do banco financiador. O processo de contabilização dessa situação, situa 
o equipamento no balanço do banco, e não no da indústria. Assim, revela que o 
banco não possui direito recebível do financiamento, de igual modo não informa 
a dívida pertencente a indústria.
Agora pense, desse modo, como o usuário externo saberá o que está 
acontecendo? Acaso não tenha a informação correta e passa a saber disso, acarreta 
uma insegurança e dúvida sobre as informações contábeis. Desse modo, quando 
investir nessa empresa ou banco, exigirá um retorno maior, decorrente do risco 
que assumirá por desconhecer da ocorrência dos fatos. (IUDÍCIBUS, 2019).
A prevalência da essência sobre a forma constitui no pilar básico das normas 
internacionais de contabilidade, e faz com que uma operação seja registrada como 
se apresenta. No exemplo sobre o arrendamento e depois a aquisição do material, 
seria uma operação de compra de um equipamento pela indústria financiada 
pelo banco. Você percebeu sobre o impacto, que uma informação distorcida e 
fornecida pela contabilidade, pode impactar na vida das pessoas, empresas 
e demais instituições? Reflita sobre essa situação tendo em mente os conceitos 
estudados sobre o modo como a contabilidade deve apresentar as informações 
contábeis.
A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL
23
Qualidade da informação contábil
A informação contábil é divulgada para os seus usuários de diversas 
formas, e a mais comum é por meio das demonstrações contábeis. A NBC TG 
Estrutura Conceitual para relatório financeiro, emitida pelo Conselho Federal de 
Contabilidade (CFC), em seu Capítulo 2, apresenta as características qualitativas 
para que uma informação contábil-financeira seja útil, e as apresenta em duas 
categorias, conforme a Figura 6.
Figura 6 — Classificação da qualidade da informaçãoFundamentais
● Relevância.
● Representação
 Fidedigna. 
De melhoria 
● Comparabilidade.
● Verificabilidade.
● Tempestividade.
● Compreensibilidade.
Fonte: Adaptado de Conselho Federal de 
Contabilidade (2019).
As características qualitativas fundamentais apresentam a relevância, 
que corresponde à capacidade de uma informação contábil-financeira fazer 
a diferença no processo de decisão pelo usuário. Nesse sentido, a NBC TG 
Estrutura Conceitual para relatório financeiro, em seu Capítulo 2 estabelece 
sobre as informações financeiras que influenciam nas decisões dos usuários 
e no valor preditivo ou confirmatório. Uma vez que, os usuários utilizam das 
informações de valor preditivo são em processos para prever resultados futuros. 
As informações financeiras de valor confirmatório apresentam feedback sobre 
as avaliações anteriores. De modo geral, os valores preditivos e confirmatórios 
das informações financeiras se inter-relacionam. Por exemplo, as informações 
sobre receitas para o ano corrente, servem como base para prever a demanda dos 
próximos anos, e os resultados dessas comparações auxiliam o usuário a corrigir 
e melhorar os processos utilizados nas previsões anteriores.
Nesse processo de relevância é preciso observar a materialidade da 
informação. A referida norma, em seu item 2.11, sobre a materialidade, determina 
“a informação é material se a sua omissão, distorção ou obscuridade puder 
influenciar, razoavelmente, as decisões que os principais usuários de relatórios 
financeiros para fins gerais”. (BRASIL, 2019, s. p.). 
24
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
Na representação fidedigna a informação contábil deve ser completa, 
neutra e isenta de erros. Diante disso, a informação completa significa que inclui 
todas as informações necessárias, para que o usuário compreenda os fenômenos 
que estão sendo representados, inclusive todas as descrições e explicações 
necessárias. A neutralidade da informação consiste na imparcialidade em 
selecionar ou apresentar as informações financeiras, e a neutralidade associada 
ao princípio da prudência, que será estudado na próxima seção. 
As características qualitativas de melhoria referem-se à comparabilidade, 
que permite aos usuários a identificação e compreensão de aspectos similaridades 
e diferenças entre os itens. A verificabilidade aborda a percepção do usuário, 
e significa que diferentes observadores informados e independentes podem 
chegar ao consenso, embora discordem de alguns termos, de que a representação 
específica seja uma representação fidedigna. A tempestividade significa que a 
informação contábil deve ser fornecida/divulgada ao usuário a tempo, para que 
consiga realizar suas decisões. E, por fim, a compreensibilidade consiste em 
classificar, caracterizar e apresentar as informações de modo claro e conciso, para 
que tornem compreensíveis. (BRASIL, 2019).
Princípios e normas contábeis
As informações disponibilizadas por meio da contabilidade aos diversos 
usuários, implica que devem ser úteis e interpretadas de maneira igual por todos, e 
que o registro e análise dos fatos contábeis siga alguns padrões e princípios. Dessa 
forma, com o objetivo de parametrizar e garantir a qualidade da contabilidade, 
foram criadas as normas e regulamentações. Os princípios contábeis, de acordo 
com Greco e Arend (2017), são as normas que possibilitam a interpretação 
uniforme das demonstrações contábeis, abordados na Resolução CFC n. 750, de 
29/12/1993., contudo, foi revogada.
O Brasil adotou às normas internacionais de contabilidade e os princípios 
contábeis passaram a ser entendidos de maneira indireta pelo Pronunciamento 
Técnico CPC 00 (R2), emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que 
trata da Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro. Entretanto, alguns 
princípios apresentam importância em serem conhecidos e seguidos, como 
o da entidade; continuidade; oportunidade; do registro pelo valor original; da 
competência e o da prudência. 
 O princípio da entidade estabelece que o patrimônio dos sócios/acionistas 
não deve ser confundido com o patrimônio da organização. Greco e Arend (2017, 
p. 14) destacam que “a personalidade (entidade e proprietário(s) são pessoas 
distintas, juridicamente inclusive) e na autonomia patrimonial (patrimônio 
personalizado e autônomo)”. Portanto, seguir esse princípio é importante para 
manter a saúde financeira da empresa, principalmente em pequenas e médias 
empresas familiares, que por não respeitarem o princípio da entidade vivenciam 
problemas. Os valores e recebimentos pertencem exclusivamente à empresa, e 
não devem ser misturados com os valores a receber ou dívidas dos sócios. 
A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL
25
O princípio da continuidade, segundo Greco e Arend (2017) considera 
que vida da entidade é continuada, e, por consequência, como as demonstrações 
contábeis são estáticas, não podem ser desvinculadas dos períodos anteriores 
e subsequentes, mesmo que digam respeito a determinado exercício social. Ou 
seja, pressupõe que a instituição manterá suas atividades no futuro, e isso deve 
ser levado em consideração no registro dos fatos contábeis e na elaboração das 
demonstrações financeiras.
O princípio da oportunidade busca evitar a omissão de lançamentos 
de fatos contábeis. Desse modo, as variações no patrimônio da entidade devem 
ser registradas pela contabilidade, e assim que ocorram, precisam divulgar a 
informação contábil e sua relevância. 
O princípio do registro pelo valor original estabelece, que os elementos 
do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das 
transações, expressos em moeda nacional. 
Para saber mais sobre o registro dos componentes do patrimônio de 
uma entidade, bem como, outros parâmetros contábeis a serem seguidos, acesse os 
Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC. Disponíveis em: .
DICAS
O princípio da competência sugere que as receitas e despesas devem ser 
registradas pela contabilidade no período em que ocorreram, independente de 
seu recebimento ou pagamento. Por fim, o princípio da prudência estabelece 
a adoção do menor valor para os elementos do ATIVO, e do maior para os do 
PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas, para a 
quantificação das mutações patrimoniais que alterem o Patrimônio Líquido.
Caso você ainda não compreende a definição de Ativo e Passivo, não se 
preocupe. Esses conceitos serão apresentados na próxima seção. 
ESTUDOS FU
TUROS
No Brasil, até o ano de 2007, a contabilidade estava praticamente atrelada 
a normas fiscais. No entanto, a partir da promulgação da Lei nº 11.638/2007 e da 
Lei nº 11.941/2008, o país adotou as normas internacionais de contabilidade. A 
criação do CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e uma série de outras 
ações, constituíram como fatos importantes para esse processo. 
26
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis produz pronunciamentos, 
interpretações e orientações, a partir das normas internacionais emitidas por 
meio do IASB. O IASB é o órgão internacional que tem por objetivo a atualização 
dos IAS (International Accounting Standards) emitidos pelo IASC (International 
Accounting Standards Committee), a edição e atualização dos IFRS (International 
Financial Reporting Standards) com a finalidade de buscar a convergência com as 
normas contábeis nacionais dos países-membros. (IUDÍCIBUS, 2019).
Para saber mais sobre os órgãos internacionais de contabilidade, faça uma 
pesquisa rápida na internet. Esse conhecimento é importante para qualquer profissional 
contábil.
UNI
Como mencionado anteriormente, as normas internacionais de 
contabilidades foram convergidas pelos órgãos responsáveis para a realidade 
brasileira. No quadro 2, estão relacionadas essas normas.
A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL
27
Quadro 2 — Normas Brasileiras de Contabilidade
Nova numeração
NBC TG ESTRUTURACONCEITUAL
Resolução CFC
DOU 13/12/2019 
Nome de Norma
Estrutura Conceitual para Elaboração e 
Divulgação de Relatório Contábil Financeiro
CPC
CPC 00R2
IASB
FRAMEWORK
NBC TG 01 (R4) DOU 22/12/2017 Redução ao valor Recuperável de Ativos CPC 01R1 IAS 36
NBC TG 02 (R3) DOU 22/12/2017 Efeitos das Mudanças nas taxas de câmbio e 
conversão de demonstrações contábeis CPC 02R2 IAS 21
NBC TG 03 (R3) DOU 22/12/2016 Demonstração dos fluxos de caixa CPC 03R2 IAS 7
NBC TG 04 (R4) DOU 22/12/2017 Ativo Intangível CPC 04R1 FIAS 38
NBC TG 05 (R3) DOU 01/12/2014 Divulgação sobre partes relacionadas CPC 05R1 IAS 24
NBC TG 06 (R3) DOU 22/12/2017 Arrendamentos CPC 06R2 IFRS 16
NBC TG 07 (R2) DOU 22/12/2017 Subvenção e Assistência Governamentais CPC07R1 IAS 20
NBC TG 08 1.313/10 Custos de Transação e Prêmios na Emissão 
de Títulos e Valores Mobiliários CPC 08R1 IAS 39 (part)
NBC TG 09 1.138/08 Demonstração de valor adicionado (dva) CPC 09 Não há
NBC TG 10 (R3) DOU 22/12/2017 Pagamento baseado em ações CPC 10R1 IFRS 2
NBC TG 11 (R2) DOU 22/12/2017 Contratos de Seguro CPC 11 IFRS 4
NBC TG 12 1.151/09 Ajuste e Valor Presente CPC 12 Não há
NBC TG 19 (R2) DOU 06/11/2015 Negócios em Conjunto CPC 19R2 IAS 23
NBC TG 20 (R2) DOU 22/12/2017 Custos de Empréstimos CPC 20 IAS 23
NBC TG 21 (R4) DOU 22/12/2017 Demonstração Intermediária CPC 21 IAS 34
NBC TG 22 (R2) DOU 06/11/2015 Informações por Segmento CPC 22 IFRS 8
NBC TG 15 (R4) DOU 22/12/2017 Combinação de Negócios CPC 15R1 IFRS 3
NBC TG 16 (R2) DOU 22/12/2017 Estoques CPC 16R1 IAS 2
NBC TG 18 (R3) DOU 22/12/2017 
Investimento em Coligada, em Controlada e 
em Empreendimento Controlado em 
Conjunto.
CPC 18R2
NBC TG 13 1.152/09 Adoção inicial da lei nº.11.638/07 e da 
Medida Provisória nº 449/08 CPC 13 Não há
NBC TG 23 (R2) DOU 22/12/2017 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e 
Retificação de Erro CPC 23 IAS 8
NBC TG 24 (R2) DOU 22/12/2017 Evento Subsequente CPC 24 IAS 10
NBC TG 25 (R2) DOU 22/12/2017 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos 
Contingentes 
CPC 25 IAS 37
NBC TG 26 (R5) DOU 22/12/2017 Apresentação das Demonstrações Contábeis CPC 26R1 IAS 1
NBC TG 28 (R4) DOU 22/12/2017 Propriedade para Investimento CPC 28 IAS 40
NBC TG 27 (R4) DOU 22/12/2017 Ativo Imobilizado CPC 27 IAS 16
NBC TG 29 (R2) DOU 06/11/2015 Ativo Biológico e Produto Agrícola CPC 29 IAS 41
NBC TG 31 (R4) DOU 22/12/2017 Ativo Não Circulante Mantido para Venda e 
Operação Descontinuada 
CPC 31 IFRS 6
NBC TG 32 (R4) DOU 22/12/2017 Tributos sobre o Lucro CPC 32 IAS 12
NBC TG 33 (R2) DOU 06/11/2015 Benefícios a Empregados CPC 33R1 IAS 19
NBC TG 35 (R2) DOU 26/12/2014 Demonstrações Separadas CPC 35R2 IAS 27
NBC TG 36 (R3) DOU 06/11/2015 Demonstrações Consolidadas CPC 36R3 IAS 27
NBC TG 37 (R5) DOU 22/12/2017 Adoção Inicial das Normas Internacionais de 
Contabilidade
CPC 37R1 IFRS 1
NBC TG 39 (R5) DOU 22/12/2017 Instrumentos Financeiros: Apresentação CPC 39 IAS 32
NBC TG 40 (R3) DOU 22/12/2017 Instrumentos Financeiros: Evidenciação CPC 40 IFRS 7
NBC TG 41 (R2) DOU 22/12/2017 Resultado por Ação CPC 41 IAS 33
NBC TG 42 DOU 21/12/2018 Contabilidade em Economia 
Hiperinflacionária CPC 42 IAS 29
NBC TG 43 1.315/10 Adoção Inicial das NBC Ts Convergidas em 
2009 CPC 43R1 Não há
NBC TG 44 DOU 26/06/2013 Demonstrações Combinadas CPC 44 Não há
NBC TG 45 (R3) DOU 22/12/2017 Divulgação de Participações em Outras 
Entidades 
CPC 45 IFRS 12
NBC TG 46 (R2) DOU 22/12/2017 Mensuração de Valor Justo CPC 46 IFRS 13
NBC TG 47 DOU 22/12/2016 Receita de Contrato com Cliente CPC 47 IFRS 15
NBC TG 48 DOU 22/12/2016 Instrumentos Financeiros CPC 48 IFRS 9
NBC TG 49 DOU 24/05/2018 Contabilização e Relatório Contábil de 
Planos de Benefícios de Aposentadoria CPC 49 IAS 26
ITG 01 (R1) DOU 22/12/2017 Contratos de Concessão ICPC 01R1 IAS 12
ITG 07 (R1) DOU 20/12/2013 Distribuição de Lucros in Natura ICPC 07 IAS 17
IAS 28
28
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
ITG 08 1.398/12 Contabilização de proposta de Pagamento de 
Dividendos 
ICPC 08R1 Não há
ITG 09 (R1) DOU 22/12/2016 
Demonstrações Contábeis Individuais, 
Demonstrações Separadas, Demonstrações 
Consolidadas e Aplicação de Métodos de 
Equivalência Patrimonial
ICPC 09 Não há
ITG 16 (R2) DOU 22/12/2017 Extinção de Passivos Financeiros com 
Instrumentos Patrimoniais ICPC 16 IAS 19
ITG 17 1.375/11 Contratos de Concessão: Evidenciação ICPC 17 SIC 29
ITG 18 DOU 19/09/2013 Custos de Remoção de Estéril de Mina de 
Superf Fase de Produção ICPC 18 IFRIC 20
ITG 19 DOU 01/12/2014 Tributos ICPC 19 IFRIC 21
ITG 12 1.265/09 Mudanças em Passivos por Desativação, 
Restauração e Outros Passivos Similares ICPC 12 IAS 1
ITG 13 (R2) DOU 22/12/2017 
Direitos e Participações Decorrentes de 
Funções de Desativação, Restauração e 
Reabilitação Ambiental
ICPC 13 IAS 5
ITG 15 1.289/10 
Passivos Decorrentes de Participação em 
Mercado Específico Resíduos de 
Equipamentos Eletroeletrônicos
ICPC 15 IAS 6
ITG 10 1.263/09 
Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao 
Ativo Imobilizado e à Propriedade para 
Investimento 
ICPC 10 Não há
ITG 20 DOU 28/11/2014 
Limite de Ativo de Benefício definido, 
Requisitos de Custeio (funding) Mínimo e sua 
Interação
ICPC 20 IFRIC 14
ITG 21 DOU 22/12/2017 Transação em Moedas Estrangeira e 
Adiantamento ICPC 21 IFRIC 22
ITG 22 DOU 22/12/2017 Incerteza sobre Tratamento de Tributos sobre 
o Lucro 
ICPC 22 IFRIC 23
ITG 23 DOU 21/12/2018 Aplicação de Abordagem de Atualização 
Monetária Prevista na NBCTG 42 ICPC 23 IFRIC 7
CTG 02 1.157/09 Esclarecimentos sobre as Demonstrações 
Contábeis de 2008 OCPC 02 Não há
CTG 01 1.154/09 Entidades de Incorporação Imobiliária OCPC 01 Não há
CTG 04 1.317/10 Aplicação de Interpretação Técnica ITG 02 - 
Contrato de Contratos de Setor Imobiliário OCPC 04 Não há
CTG 05 1.318/10 Contratos de Concessão OCPC 05 Não há
CTG 06 DOU 26/06/2013 Apresentação de Informações Financeiras Pro 
Forma OCPC 06 Não há
CTG 07 DOU 01/12/2014 Evidenciação na Divulgação dos relatórios 
Contábil-financeiros de Propósito geral OCPC 07 Não há
Fonte: Conselho Federal de Contabilidade 
(recurso online, 2020).
Os trabalhos desenvolvidos na contabilidade necessitam acompanhar 
as mudanças do ambiente e as necessidades dos usuários. Outro aspecto a ser 
considerado consiste na revisão constante das normas, visto que, algumas se 
encontram na quarta revisão (R4). Esse fato representa o esforço das entidades, em 
se manterem informadas sobre a contabilidade atual, para atingir seus objetivos.
29
AUTOATIVIDADE
A informação contábil, seja fornecida por meio de relatórios gerenciais ou 
nas demonstrações contábeis, visa atender as necessidades do seu usuário. 
Em muitos casos, pode ser um diferencial competitivo para as empresas e 
investidores no processo de decisão, desde que mantenha sua qualidade. 
Neste sentido, disserte sobre as características que garantem a qualidade da 
informação contábil.
30
TÓPICO 3 
UNIDADE 1
ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO
Introdução
O que vem à sua mente quando alguém pergunta qual o tamanho do 
seu patrimônio? Para responder esse questionamento, geralmente pensamos 
na quantidade de bens mensuráveis em dinheiro que temos, como casa, carro, 
terrenos e outros.
Para Crepaldi (2013) o patrimônio de uma entidade é o conjunto de bens, 
direitos e obrigações, susceptíveis de avaliação em moeda, vinculados a uma 
empresa ou pessoa física, num determinado momento. Desse modo, no conceito 
de patrimônio estão inclusos os bens materiais e as dívidas de uma empresa. 
O patrimônio de uma organização é apresenta na demonstração contábil, 
denominada de Balanço Patrimonial.
Na Unidade 3 estudaremos as principais demonstrações contábeis, inclusive 
o Balanço Patrimonial.
ESTUDOS FU
TUROS
A representação gráfica do balanço patrimonial é apresentada no Quadro 3. 
Quadro 3 — Balanço Patrimonial
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Bens e direitos Obrigações
Patrimônio Líquido
Fonte: O autor (2021).
ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO
31
O patrimônio deuma entidade, demonstrado no quadro 3, apresenta o 
balanço patrimonial Ativo, que inclui os bens e direitos, assim como, o Passivo 
com as obrigações da entidade e o patrimônio líquido. Assim, a união dos três 
elementos, bens e direitos, obrigações e patrimônio líquido, representam a 
equação fundamental do patrimônio:
 PatrimônioLíquido = Ativo - Passivo (1)
A equação pode ser apresentada da seguinte maneira:
 Ativo = Passivo + PatrimônioLíquido (2)
Dessa forma, deve haver uma igualdade entre o valor registrado no 
lado esquerdo e o valor registrado no lado direito do Balanço Patrimonial. Essa 
informação lembra, mesmo que vagamente, o Método das Partidas Dobradas, 
apresentado na primeira seção? Pois bem, estudaremos os elementos que 
compõem o Balanço Patrimonial e você conhecerá mais sobre o assunto.
Ativo
O Ativo compreende os bens e direitos de uma entidade. A NBC TG 
Estrutura conceitual financeira, define Ativo, no seu item 4.3, como um recurso 
econômico presente e controlado pela entidade, como resultado de eventos 
passados. O Recurso econômico representa bens e direitos que apresentem 
potencial de geração de benefício futuro para a entidade. 
Marion (2018) esclarece que bens são as coisas úteis, capazes de satisfazer 
às necessidades das pessoas e das empresas. Os bens podem ser tangíveis ou 
intangíveis. Os bens tangíveis são aqueles que são palpáveis (mesa, automóvel, 
caneta, etc), e os intangíveis, não apresentam característica física (marcas, patentes, 
capital intelectual, etc). 
Para conhecer mais sobre os bens intangíveis, sugere-se a leitura do 
livro “Avaliação de ativos intangíveis: goodwill, capital intelectual, marcas e patentes, 
propriedade intelectual, pesquisa e desenvolvimento” dos autores Paulo Schimidt e José 
Luiz dos Santos.
DICAS
32
UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL
Os bens podem ser classificados em móveis e imóveis. Os bens móveis 
são aqueles que podem ser removidos por si próprios ou por outras pessoas, 
por exemplo, máquinas, equipamentos, estoques de mercadorias, etc. Os bens 
imóveis são aqueles que não podem ser retirados sem causar destruição ou danos, 
como os edifícios, construções, árvores etc. (MARION, 2018). Para Padoveze 
(2017), os bens mais comuns de uma entidade consistem no dinheiro, estoque de 
mercadorias, imóveis, instalações, veículos, móveis e utensílios, equipamentos de 
informática, máquinas e equipamentos, por exemplo.
O Ativo de uma entidade é composto pelos direitos que possui. Marion 
(2018) afirma, que no sentido contábil, direito é o poder de exigir algo. Por exemplo
Após um mês de trabalho, desde que o pagamento estabelecido seja 
mensal, você tem direito de receber seu salário. Assim, salários a 
receber é um direito. Depositando determinada quantia num banco, 
você tem direito de sacar esse depósito a qualquer momento. Assim, 
dinheiro depositado em bancos é um direito (MARION, 2018, p. 18).
Os direitos mais comuns de uma entidade são os saldos bancários, valores 
a receber de clientes, aplicações financeiras, impostos a recuperar e ações de 
outras empresas (caso a entidade seja acionista de outra empresa). 
Passivo 
No lado direito do Balanço Patrimonial está o Passivo, que compreende 
as obrigações da entidade. Padoveze (2017) informa que as obrigações decorrem 
de responsabilidades assumidas junto a terceiros, por utilização de produtos e 
serviços a serem liquidados no futuro.
Uma dívida com fornecedor, por exemplo, pode decorrer da compra de 
mercadorias ou matéria-prima, sendo que, no futuro será exigido o pagamento 
da dívida. Outra situação, compõe no empréstimo para financiar as atividades da 
empresa (muitas vezes para capital de giro), a instituição realizará a cobrança na 
data acordada. Assim como, um funcionário que trabalha o mês para empresa, e 
ao final deste período espera receber seu salário. Os contextos apresentados nos 
exemplos, são passivos comuns de uma empresa, o pagamento aos fornecedores, 
contas, empréstimos e financiamentos, salários, encargos trabalhistas, impostos a 
recolher, dentre outros. 
Mas se Passivo são somente esse tipo de obrigação, por que na imagem 
do Balanço Patrimonial destaca o Patrimônio Líquido no lado esquerdo do 
demonstrativo? Pense um pouco sobre isso. 
Segundo Greco e Arend (2017) no patrimônio líquido estão o capital social, 
que representa os recursos aplicados pelos proprietários (sócios, acionistas) 
em troca de cotas, ações ou outras modalidades de participação e também os 
lucros. Dessa forma, o sócio ou acionista ao investir na empresa, espera que o seu 
investimento gere um benefício econômico futuro, o que constitui uma espécie de 
obrigação com a empresa.
33
AUTOATIVIDADE
O patrimônio de uma entidade consiste em todos os elementos que possui, 
o, que representa sua riqueza. Isso inclui não somente os bens, mas também 
as suas dívidas. Pode-se dividir o patrimônio de uma entidade em Ativos 
e Passivos, incluído nesse último o Patrimônio Líquido. Com base no que 
você estudou, assinale a assertiva que corresponde somente à Ativos de uma 
entidade.
a. Dinheiro em espécie, terrenos e financiamentos;
b. Marca registrada, encargos trabalhistas e veículos;
c. Software, estoques e impostos a recuperar;
d. Aplicações financeiras, impostos a recolher e contas a receber.
34
RESUMO
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
34
A Contabilidade é uma ciência social muito antiga. Seu principal marco foi a 
publicação do livro ‘Suma de arithmetica, geométrica, proportioni et porportionalitá’, 
escrito por Luca Pacioli, que difundiu o Método das Partidas Dobradas;
Os usuários da informação contábil podem ser divididos em internos 
(sócios, diretores, gerentes, funcionários, etc.) e externos (investidores, governo, 
bancos, etc); 
Para garantir a qualidade da informação contábil, deve-se observar algumas 
características como, relevância, representação fidedigna, comparabilidade, 
verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade. 
O patrimônio de uma entidade é dividido em Ativo, que corresponde aos 
bens e direitos, e Passivo, que corresponde às obrigações (inclusive o patrimônio 
líquido).
35
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
UNIDADE 2
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um 
deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos 
conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 - As contas contábeis 
TÓPICO 2 - Plano de contas 
TÓPICO 3 - Ferramentas e métodos de escrituração 
A partir desta unidade você será capaz de:
•  Entender o funcionamento das contas contábeis;
•  Analisar a estrutura de um plano de contas;
•  Conhecer os métodos e instrumentos de escrituração.
36
Introdução da Unidade
A pessoa que é correntista de um banco possui, nessa instituição financeira, 
uma conta em seu nome e a quantia monetária. Por meio dessa conta, realiza as 
movimentações relacionadas aos depósitos, transferências e pagamentos. 
Na Contabilidade existem contas, organizadas de modo semelhante. 
Dessa forma, existe uma conta para cada elemento (terreno, dinheiro, veículos) 
ou grupo de elementos do patrimônio de uma entidade, com o registro da sua 
movimentação contábil. 
37
UNIDADE 2
AS CONTAS CONTÁBEIS
TÓPICO 1 
Teoria das contas
Ao longo do tempo, diversas escolas de pensamento contábil guiaram a 
teoria e prática contábil. Uma das mais conhecidas, a escola italiana, enfatizava 
a teoria das contas como um dos principais fundamentos da contabilidade. 
Entretanto, a partir de 1920, a escola norte-americana tem prevalecido em âmbito 
mundial, em decorrência de sua objetividade. (PADOVEZE, 2017).
Conta é o nome técnicoque identifica um elemento patrimonial ou um 
elemento de resultado, que pode constituir uma despesa ou receita. (RIBEIRO, 2018). 
IMPORTANTE
As escolas defendiam teorias diferenciadas a respeito do estudo das 
contas contábeis. Na figura 7, são apresentadas algumas noções. 
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
38
Figura 7 — Teorias das contas
Teorias das 
contas
Teoria materialista
Contas de correspondentes 
Contas dos agentes
consignatários 
Contas do proprietário
Bens
Direitos
Obrigações
Receitas
 Despesas
Situação Líquida
Direitos
Obrigações
Receitas
Despesas
Caixas
Ativo
Receitas
Despesas
Passivo
Integrais
Diferenciais
Contas patrimoniais 
Contas de resultado 
Teoria personalística 
Teoria patrimonialista 
Fonte: Bazzi (2014, p. 129).
Para a teoria Materialística, cujo nome de destaque é Fábio Besta, as contas 
representavam valores materiais, sendo divididas em dois grupos, em Integrais 
com os bens, direitos e obrigações, e Diferenciais que apontam sobre Patrimônio 
Líquido e suas variações. (BAZZI, 2014).
A teoria Personalista supõe que as contas representam a responsabilidade 
de pessoas na entidade. Ou seja, devem prestar contas, em relação as contas 
responsáveis para a administração da entidade. Essa teoria explica os conceitos 
de saldo devedor e credor das contas. Assim, de acordo com Padoveze (2017), o 
responsável pela conta de clientes deve para entidade, e o responsável pela conta 
de empréstimos é credor junto à entidade. Nessa teoria, as contas estão divididas 
em três grupos, dos agentes consignatários, de correspondentes e do proprietário. 
Os principais nomes dessa escola são Francesco Marchi e Giuseppe Cerboni.
AS CONTAS CONTÁBEIS
39
A teoria Patrimonialista, criada por Vincenzo Masi e usualmente adotada 
no Brasil, estabelece que o objeto de estudo da ciência contábil representa o 
patrimônio de uma entidade. Desse modo, a contabilidade tem como finalidade 
controlar o patrimônio e apurar o resultado das empresas, por meio do uso das 
contas patrimoniais e contas de resultado.
Classificação das contas
De acordo com a teoria patrimonialista as contas de uma entidade podem 
ser classificas em dois grupos, patrimoniais e de resultado. As contas patrimoniais, 
representam os elementos do patrimônio, e são subdividas em Ativas, sobre os 
bens e direitos da entidade, e as Passivas, que correspondem às obrigações e 
patrimônio líquido. 
No quadro 4 é apresentado uma representação gráfica das contas 
patrimoniais e sua posição no Balanço Patrimonial de uma entidade. 
Quadro 4 — Contas patrimoniais e de resultado
CONTAS PATRIMONIAIS
ATIVO PASSIVO
(Contas de natureza devedora) (Contas de natureza credora)
Bens (+)
Direitos (+)
(Contas de natureza devedora)
Obrigações (-)
Patrimônio líquido (+ ou -)
(Contas de natureza credora)
CONTAS DE RESULTADO
DESPESAS (-) 
 
RECEITAS (+)
Fonte: Ribeiro (2018, p. 31.)
As contas de resultado representam as variações patrimoniais por meio 
das receitas e despesas. As receitas de uma entidade decorrem da venda de 
bens, inclusive de mercadorias, produtos e prestação de serviços. Além dessas 
situações, também são receitas os descontos obtidos, o direito de receber juros e 
os aluguéis de bens que a empresa possua com espaços locados para terceiros. 
As Despesas caracterizam-se pelo consumo de bens e pela utilização 
de serviços durante o processo de obtenção das receitas. Por exemplo: 
a energia elétrica consumida, os materiais de limpeza consumidos 
(sabões, desinfetantes, vassouras, detergentes), o café consumido, os 
materiais de expediente consumidos (canetas, papéis, cartuchos de 
tintas para impressoras, impressos e outros), a utilização dos serviços 
telefônicos etc. (RIBEIRO, 2018, p. 31).
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
40
Existem algumas contas que podem aparecer no grupo das despesas e no 
grupo das receitas. Ou ainda, uma conta patrimonial do Ativo que também esteja 
elencada no Passivo. Para diferenciar o grupo de classificação de cada uma dessas 
contas, utiliza-se um termo, que complementa o nome da conta. Por exemplo, em 
relação ao aluguel: 
•  Aluguel – conta de resultado (despesa). 
•  Aluguel a pagar – conta patrimonial (passiva). 
•  Aluguel a receber – conta patrimonial (ativa). 
•  Receita de aluguel – conta de resultado (receita). 
Assim como o exemplo do aluguel, a complementação do termo ocorre 
em outras contas, como juros e descontos. Nesse momento dos estudos, o assunto 
pode parecer complexo, mas à medida que você conhecer o plano de contas, 
perceberá que é não é algo difícil de se compreender. 
Na próxima seção estudaremos sobre a codificação das contas, que será útil 
para o entendimento sobre a diferenciação entre os tipos de contas. 
ESTUDOS FU
TUROS
Funcionamento das contas 
As contas são uma ferramenta importante para a Contabilidade controlar 
a movimentação de todos os componentes patrimoniais (contas patrimoniais), 
extrapatrimoniais (contas de compensação) e das variações do patrimônio 
líquido (contas de resultado). Dessa forma, a sua finalidade integra a prestação 
de informações aos usuários sobre o patrimônio e suas variações. 
As contas de compensação são utilizadas para o registro de atos 
administrativos relevantes, cujos efeitos possam se concretizar no futuro, implicando 
em modificações no patrimônio. Por exemplo: a hipoteca, o penhor, as assinaturas de 
contratos de compra e vendas de mercadorias e as assinaturas de contratos de seguros. 
UNI
AS CONTAS CONTÁBEIS
41
As contas contábeis são movimentadas por meio de lançamento de 
créditos e débitos. Entretanto não se assemelham ao extrato bancário, pois crédito 
difere de uma situação positiva, assim como, o débito não significa uma situação 
favorável para uma conta. Antes de entendermos os conceitos de débito e crédito, 
faz-se necessário entender como a contabilidade registra e controla as variações 
das contas: 
Isso ocorre da seguinte maneira: o contabilista cria nos registros 
contábeis um gráfico em forma de T para controlar cada elemento 
patrimonial ou de resultado. Cada gráfico será identificado na 
contabilidade pelo nome do elemento componente do patrimônio 
ou representativo de despesa ou de receita, como: Caixa, Móveis 
e Utensílios, Aluguéis Passivos etc. Nesses gráficos, o contabilista 
controlará a movimentação de cada elemento, registrando seus 
aumentos (ingressos, entradas, compras) e suas diminuições (saídas, 
vendas). (RIBEIRO, 2018, p. 34).
Observe a o gráfico em forma de T apresentado na figura 8, perceba que 
no lado esquerdo estão os débitos e do lado direito, os créditos. 
Figura 8 — Razonete
CLIENTES
Débito Crédito
Fonte: O autor (2021). 
Segundo Ribeiro (2018) as contas do Ativo e as contas de despesas são 
consideradas de natureza devedora (que representam o destino dos recursos da 
empresa, ou seja, para onde vai o dinheiro), e as contas do Passivo, bem como as 
contas de receitas, de natureza credora (que representam as origens dos recursos, 
ou seja, de onde vêm o dinheiro da empresa). Em termos gerais, significa que 
os débitos aumentam o saldo positivo das contas do Ativo, e das de despesas 
e dos créditos reduzem o valor dessas contas. Desse modo, o inverso é válido, 
onde, os créditos aumentam o valor das contas do Passivo, e das receitas e dos 
débitos diminuem o valor dessas contas. Exemplo: a conta de clientes é uma conta 
patrimonial do Ativo que representa os valores a receber de clientes oriundos de 
vendas a prazo. Agora, vamos analisar as seguintes situações e o seu impacto no 
saldo da conta. 
1. Venda de mercadoria a prazo, gerando o direito de a empresa receber 
R$ 500,00 de cliente. Esse lançamento será a débito já que a conta dos 
clientes é uma conta patrimonial e aumentará o saldo dessa conta.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
42
2. Recebimento de clientes no valor de R$ 200,00. Esse lançamento será 
a crédito na conta clientes e diminuirá seu saldo.
3. Venda de mercadoria a prazo no valor deR$ 100,00. Esse lançamento, 
assim como o primeiro, será a débito e aumentará o saldo da conta.
Essas movimentações estão demonstradas na tabela 1. 
Tabela 1 — Registro no razonete da conta Clientes
CLIENTES
Débito Crédito
1 500,00
3 100,00
 400,00
200,00 2
Fonte: O autor (2021). 
Observe, que se somarmos todas as vendas a prazo (débitos) e subtrairmos 
os pagamentos (crédito), ao final dos lançamentos, a conta clientes fica com um 
saldo a débito de R$ 400,00. Esse saldo é positivo e significa que a empresa ainda 
possui R$ 400,00 para receber de suas vendas a prazo. 
Essa lógica é aplicada de maneira semelhante para as demais contas 
contábeis. Ribeiro (2018) lembra que:
•  As contas com saldos de natureza devedora serão debitadas sempre 
que ocorrer entradas de valores nas respectivas contas, ou seja, serão 
debitadas para registrar os aumentos em seus saldos; da mesma 
forma essas contas serão creditadas para registrar saídas de valores, 
ou seja, diminuições em seus saldos. 
•  As contas com saldos de natureza credora serão creditadas sempre 
que ocorrer entradas de valores nas respectivas contas, ou seja, serão 
creditadas para registrar os aumentos em seus saldos; da mesma 
forma essas contas serão debitadas para registrar saídas de valores, 
ou seja, diminuições em seus saldos.
A conta Fornecedores, por exemplo é uma conta patrimonial do Passivo 
que representa os valores das obrigações com fornecedores decorrentes de 
compras a prazo. Agora, vamos analisar as seguintes situações e o seu impacto 
no saldo da conta. 
AS CONTAS CONTÁBEIS
43
1. Compra de mercadorias para revenda, a prazo, no valor de R$ 
5.000,00. Esse lançamento será a crédito, pois a conta Fornecedores 
é uma conta do Passivo – para as quais os créditos aumentam o seu 
valor.
2. Pagamento de fornecedores no valor de R$ 2.000,00. Esse lançamento 
será a débito, diminuindo assim o valor da conta.
3. Compra de mercadorias para revenda, a prazo, no valor de R$ 3.000,00. 
Assim como o primeiro lançamento, esse também será a crédito, para 
aumentar o saldo da conta.
Essas movimentações estão demonstradas na tabela 2. 
Tabela 2 — Registro no razonete da conta Fornecedores
FORNECEDORES
Débito Crédito
2 2000,00 5.000,00 1
3.000,00 3
6.0000,00
Fonte: O autor (2021). 
Observe, que se somarmos todas as compras a prazo (créditos) e subtrairmos 
os pagamentos (débitos), ao final dos lançamentos, a conta Fornecedores fica com 
um saldo a débito de R$ 6.000,00. Esse saldo é positivo e significa que a empresa 
ainda possui R$ 6.000,00 para de dívidas com fornecedores. 
44
AUTOATIVIDADE
1. Ao longo do tempo, surgiram escolas contábeis com teorias diversas a 
respeito da classificação das contas contábeis. A teoria utilizada hoje em dia 
é a patrimonialista que separa as contas em patrimoniais e de resultado. A 
respeito disso, classifique as assertivas em "V" se verdadeiro e "F" se falso: 
( ) As Despesas são contas de natureza credora, ou seja, seu saldo aumenta 
se creditadas. 
( ) As contas do Ativo são de natureza devedora, para indicar um aumento 
no seu saldo devem ser debitadas. 
( ) As contas de Receitas aumentam seu saldo com lançamento no lado 
direito do razonete. 
( ) As contas do Passivo devem ser debitadas para indicar um aumento no 
valor de seu saldo. 
Gabarito
1. Resposta: F, V, V, F.
45
TÓPICO 2 
UNIDADE 2
PLANO DE CONTAS
Definição 
Na Unidade 1 estudamos sobre as necessidades dos usuários da 
contabilidade, em saberem sobre as informações, e que as informações contábeis 
devem seguir critérios para serem relevantes, úteis e capazes de interpretação. 
Desse modo, é fundamental um sistema ordenado de contas que apresente as 
variações patrimoniais de uma entidade. 
Podemos definir plano de contas como o conjunto de contas contábeis, 
estruturado de forma ordenada e classificada, criado e necessário para 
permitir a captura e registro dos lançamentos contábeis das transações 
dos eventos econômicos e obter os saldos e movimentos das contas 
contábeis, de modo a ensejar a elaboração das demonstrações contábeis 
societárias, fiscais e gerenciais, traduzindo-se na espinha dorsal do 
sistema de informação contábil (PADOVEZE, 2017, p. 62).
Bazzi (2014) complementa que o plano de contas é um conjunto de dados 
que atende as necessidades de registro das contas patrimoniais e de resultado, 
possibilitando também o desenvolvimento ordenado das demonstrações 
contábeis. Assim, serve de orientação à escrituração contábil, e possibilita unidade 
de trabalho, dificulta a existência de erros naturais causados pela ausência de 
sistematização, facilita a transmissão de serviços e constitui um meio de controle. 
(GRECO; AREND, 2017).
O plano de contas, segundo Ribeiro (2018), é um conjunto de contas, 
diretrizes e normas que disciplina as tarefas do setor de contabilidade, objetivando 
a uniformização dos registros contábeis. Mas, não significa que existe uma 
estrutura engessada de plano de contas obrigatória para todas as entidades.
É importante salientar que existem exceções. As instituições financeiras, 
dentre elas os estabelecimentos bancários, estão sujeitas à adoção do plano de contas 
específico das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF). Da mesma forma, as 
companhias que atuam no ramo de seguros estão sujeitas à adoção do Plano de Contas 
específico aprovado pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). 
UNI
46
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Um plano de contas deve ser criado de acordo com as necessidades específicas 
de cada entidade, observando a Legislação e as Normas Brasileiras de Contabilidade. 
Assim, para Ribeiro (2018) tendo em vista o porte, o ramo de atividade da empresa, 
bem como a quantidade de informações demandadas pelos usuários, o plano de 
contas poderá conter um número maior ou menor de informações. 
Segundo Padoveze (2017) um plano de contas deve: 
I. Capturar a visão da organização, sua estrutura física, organizacional 
e hierárquica; 
II. Capturar a visão dos negócios da organização, suas áreas de negócios, 
produtos e serviços;
III. Identificar as necessidades de informações de todos os usuários nos 
seus três níveis hierárquicos, nesta ordem: presidência e diretoria, 
gerência média e chefia.
Padoveze (2017) salienta que após identificadas todas as necessidades 
gerenciais, obtidas nesses três aspectos apresentados, o contador deverá 
incorporar as necessidades legais (societárias e fiscais), e por último suas 
necessidades operacionais. 
A elaborar um plano de contas requer, que atenda às necessidades 
gerenciais da entidade, e depois às necessidades fiscais. O principal propósito da 
contabilidade é fornecer informações para os usuários internos e externos, que 
para a alta gerência a informação contábil significa na possibilidade de alterar 
o rumo da empresa. Por isso é importante que o plano de contas atenda às 
necessidades gerenciais de informação. Em relação ao plano de contas:
a) Deve atender primeiramente as necessidades gerenciais específicas 
de cada entidade e atender às necessidades de informações de todos 
os usuários da organização; b) Em segundo lugar, deve atender as 
necessidades legais, societárias e fiscais; c) A classificação deve partir 
do geral para o particular; d) O plano de contas deve ser codificado 
para facilitar o processo de trabalho e integração computacional com os 
demais sistemas de informações da organização; e) Os agrupamentos 
de contas devem ser elaborados a partir das necessidades de geração 
das demonstrações contábeis, financeiras e relatórios futuros; f) Os 
títulos das contas contábeis devem refletir imediatamente e com 
precisão semântica os eventos econômicos que formaram os saldos das 
contas; g) Deve ter flexibilidade