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Fundamentos da Contabilidade Autor Andréia de Lima Indaial – 2021 1a Edição Indaial – 2021 Fundamentos da Contabilidade Prof. Andréia de Lima 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2021 Elaboração: Prof. Andréia de Lima Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: apresentação A Contabilidade é uma ciência antiga que sempre buscou atender as necessidades dos seus usuários. Inicialmente utilizada para o controle patrimonial, nas últimas décadas passou a ser também um instrumento de controle gerencial para as empresas. Apesar da maioria das entidades ser obrigada por lei a manter a Contabilidade, seu maior benefício está no diferencial competitivo que a informação contábil pode gerar tanto para seus usuários internos (sócios e gerentes), quanto para os usuários externos (acionistas, sociedade, instituições financeiras, governos, etc.). Diante disso, o profissional contábil se tornou cada vez mais indispensável no mundo dos negócios. Este caderno apresenta os aspectos iniciais da ciência contábil, contribuindo assim para a construção do seu conhecimento: Na Unidade 1 você conhecerá aos aspectos introdutórios da contabilidade. Abordaremos desde a sua origem até sua utilização atualmente. Analisaremos os principais conceitos, a importância da informação contábil para seus usuários, as normas e princípios contábeis que devem ser seguidos pelo profissional desta área e também os principais elementos do patrimônio de cada entidade. Na Unidade 2 estudaremos principalmente as relações entre o Plano de Contas e a Escrituração Contábil, destacando os aspectos que devem ser considerados ao se realizar o registro dos atos e fatos contábeis, visando sempre a qualidade da informação contábil. Por fim, na Unidade 3, operacionalizaremos os lançamentos contábeis básicos e mais comuns das entidades como: constituição da empresa, compras, vendas, provisão, etc. E, também a elaboração das demonstrações contábeis. A Contabilidade é uma área vasta e neste caderno estão presentes os aspectos fundamentais. Assim, nossa pretensão consiste em apresentar o estudo dessa ciência e instigá-lo a pesquisar, e conhecer cada vez mais sobre o tema. Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi- dades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra- mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida- de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun- to em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen- tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE sumário UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL ................................................................. 9 TÓPICO 1 Aspectos Gerais ................................................................................................................ 11 Autoatividade ...................................................................................................................................... 21 TÓPICO 2 A Importancia da Informação Contábil ........................................................................ 22 Autoatividade ...................................................................................................................................... 29 TÓPICO 3 Elementos do Patrimônio ............................................................................................... 30 Autoatividade ...................................................................................................................................... 33 Resumo ................................................................................................................................................. 34 UNIDADE 2 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL .................................................................................. 35 TÓPICO 1 As Contas Contábeis ....................................................................................................... 37 Autoatividade ...................................................................................................................................... 44 TÓPICO 2 Plano De Contas ............................................................................................................... 45 Autoatividade ...................................................................................................................................... 63 TÓPICO 3 Ferramentas E Métodos Para Escrituração ................................................................. 64 Autoatividade ...................................................................................................................................... 75 Resumo ................................................................................................................................................. 76 UNIDADE 3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS .......................................................................... 77 TÓPICO 1 Os Lançamentos Contábeis ............................................................................................ 79 Autoatividade ...................................................................................................................................... 89 TÓPICO 2 Registro das Principais Operações ................................................................................ 90 Autoatividade .................................................................................................................................... 101 TÓPICO 3 Demonstrações Contábeis ......................................................................................... 102 Autoatividade .................................................................................................................................... 122 Resumo ............................................................................................................................................... 123 Referências ......................................................................................................................................... 124 9 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respirepara incorporação das necessidades de informação futuras. (PADOVEZE, 2017, p. 63). A maioria dos sistemas contábeis traz uma estrutura de plano de contas seguindo os aspectos legais, o que facilita a elaboração das demonstrações contábeis. Entretanto, isso não significa que a empresa não possa fazer modificações que alterem alguma coisa da estrutura, mas poderá atrapalhar futuramente. PLANO DE CONTAS 47 Composição Agora que você estudou sobre o plano de contas, vamos discutir a sua composição. Ribeiro (2018) orienta que o plano de contas considera o elenco de contas, manual de contas e modelos de demonstrações contábeis padronizadas. Elenco das contas O elenco de contas é uma relação das contas utilizadas para o registro dos fatos administrativos responsáveis pela movimentação do patrimônio da empresa, bem como, dos atos administrativos considerados relevantes (das contas de compensação). O elenco de contas envolve a intitulação (rubrica, nome) e o código de cada conta. (RIBEIRO, 2018). Como mencionado anteriormente, independente da empresa, é importante agrupar as contas de acordo com a estrutura estabelecida nas Leis e Normas Contábeis, o que facilita a elaboração das demonstrações contábeis. A elaboração do elenco de contas, conforme salientam, Greco e Arend (2017), considera a necessidade de atendimento aos usuários da informação contábil. Dessa forma, contêm os detalhes exigidos para efeitos da legislação do imposto de renda, e as informações de interesse da administração da empresa. O elenco de contas pode ser sintético ou analítico. No aspecto sintético, as contas são agrupadas por elementos do ativo, passivo, patrimônio líquido, receitas, despesas, transitórias e de compensação. E, no analítico, as contas são distribuídas em grupos e/ou subgrupos do ativo, passivo, patrimônio líquido, receitas e despesas, incluindo as transitórias e de compensação. Um elenco de contas nunca deve classificar as contas conforme a sua natureza (devedora/credora). Caso isso ocorra, as contas do Ativo ficariam no mesmo grupo que as Despesas, e as contas do Passivo ficariam no mesmo grupo que as Receitas. Essa forma de agrupamento é incorreto, pois essas contas representam situações diferentes e não devem estar juntas. IMPORTANTE Greco e Arend (2017) afirmam que o agrupamento mínimo do elenco de contas será: • Ativo; • Passivo; • Patrimônio líquido; 48 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL • Receitas; • Despesas/Custos; • Intermediárias/Transitórias; • Compensado. As contas intermediárias são utilizadas para satisfazer uma situação transitória, registrando um fato ainda sem classificação definida. O seu uso é temporário, pois na sequência, o seu saldo será transferido para a conta adequada. Essas contas são constituídas para uso temporário, e seu saldo será futuramente transferido para a conta adequada, que registrará o fato após definido. As contas de compensação correspondem as contas que não fazem parte do patrimônio e servem apenas para controle, de modo geral, são contas que integrarão o patrimônio no futuro. Greco e Arend (2017) definem essas contas como um conjunto de contas optativo, que tem a finalidade informar os atos internos da empresa, servindo como meio para seu controle. Segundo a NBC-T-25, as contas de compensação constituem um sistema próprio com o registro dos atos relevantes, cujos efeitos possam ser traduzidos em modificações no patrimônio da entidade. A escrituração nas contas de compensação será obrigatória, somente nos casos em que haja determinação específica, expedida por órgão competente, e não serão permitidas nas demonstrações contábeis. Um exemplo de seu uso é o lançamento para registrar o valor de seguro contratado: DÉBITO Seguros Contratados CRÉDITO Contratos de Seguros Esse lançamento corresponde ao valor do seguro contratado e não ao valor do prêmio do seguro, que constitui uma despesa. Ao elaborar o elenco de contas é importante observar a estrutura das demonstrações contábeis. Para evitar um retrabalho, o de ter que adaptar as contas na hora de elaborar as demonstrações do período. A NBC TG 26 (R5) dispõe sobre apresentação das demonstrações contábeis, bem como a respeito de sua estrutura. Assim, determina sobre a organização das contas do Ativo segregadas em Ativo Circulante e Ativo Não Circulante. As constas do Ativo Não Circulante se subdivide em realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Essas contas são ordenadas por grau de liquidez. No Ativo Circulante estão elencados todos os bens e direito da entidade realizáveis (que serão convertidos em dinheiro) durante um exercício social. PLANO DE CONTAS 49 O exercício social compreende um período de 12 meses e coincidente com o ano civil, que inicia no dia 1º de janeiro e finda em 31 de dezembro. Desse modo, ao final desse período, as empresas apuram os seus resultados e elaboram as Demonstrações Contábeis. IMPORTANTE Segundo Ribeiro (2018), o Ativo Circulante compreende os bens e direitos que estão em frequente circulação no Patrimônio, no capital de giro da empresa, nos valores transformados em dinheiro ou aqueles, que estejam em processo até o término do exercício social subsequente, bens a venda ou para consumo, despesas pagas antecipadamente com vencimentos fixados até 12 meses da data do Balanço, e os direitos com vencimentos no decorrer deste período. Os valores realizáveis do Ativo Circulante não são convertidos diretamente em dinheiro. Sobretudo com os tributos que a empresa recolhe antecipadamente, e serão compensados com as obrigações fiscais, no pagamento aos órgãos públicos, ou com materiais de consumo e despesas pagas antecipadamente. O grupo dos Direitos Realizáveis no curso do exercício social seguinte, pode ser subdividido em créditos com clientes, outros créditos, tributos a recuperar, investimentos temporários a curto prazo e estoques. Os bens e os direitos que representam os recursos aplicados consistem em quantias de dinheiro presentes no caixa, ou depositadas em contas correntes, no nome da empresa, em bancos. De modo geral, essas contas são que possuem maior grau de liquidez entre as demais contas do Ativo. O crédito com clientes consiste nos direitos a receber de terceiros oriundos de vendas de mercadorias, ou de prestação de serviços realizados a prazo. Igualmente, os direitos a receber das administradoras de cartões de crédito que provêm das vendas de mercadorias ou de prestação de serviços realizados a prazo. Outros créditos representam os direitos da empresa em receber quantias de terceiros, que não correspondam as vendas a prazo de mercadorias e serviços. Os tributos a recuperar advêm dos impostos, taxas ou contribuições recolhidas antecipadamente, ou indevidamente, que por meio da Legislação, serão compensados em até 12 meses. Os investimentos temporários a curto prazo indicam as aplicações em dinheiro em instrumentos financeiros, como títulos e valore mobiliários, representativos ou não do capital de outras empresas. Nos estoques os bens são destinados à produção, prestação de serviços, venda ou consumo. Dessa forma, os estoques de mercadorias e produtos vendidos à vista são transformados em dinheiro, os estoques de materiais destinados ao processo produtivo, assim que incorporados aos produtos de fabricação, se 50 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL tornam em custos. Os estoques de materiais destinados à prestação de serviços passam a ser custos, devido a sua aplicação na prestação dos serviços, e os estoques de materiais de consumo assim que forem consumidos se transformam em despesas. Em relação às despesas, as que são pagas antecipadamente, constituem em despesas do exercício seguinte, e as pagas, em exercício atual. As despesas pagas antecipadamente, são registradas no Ativo porque representam um o benefício futuro que ocorre no ato do pagamento. As assinaturas anuais são exemplos de despesaspagas antecipadamente, pois geralmente a empresa paga na data da contratação por algo que terá direito de usufruir durantes os próximos 12 meses. Outros exemplos desse tipo de despesas são seguros a vencer, encargos financeiros antecipados e juros sobre descontos de duplicatas. O Ativo Não Circulante compreende os bens e direitos da entidade que possuem um grau de liquidez menor, sendo dividido em Ativo Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível. Os intangíveis são elementos que não possuem característica física definida, no caso dos Ativos são: marcas, patentes, fundo de comércio, softwares, direitos autorais etc. Assim, para Ribeiro (2018), o Ativo realizável a Longo Prazo consiste em contas representativas dos recursos aplicados em bens e direitos, que começarão a circular após o término do exercício social seguinte. No grupo do Ativo, exceto das Disponibilidades, contará com as demais contas representativas das aplicações de recursos em bens e direitos, o que inclui as despesas pagas antecipadamente e que constam no Ativo Circulante com o prazo de realização superior a 12 meses. A Lei n. 6.404/1976, no inciso II do artigo 179, estabelece que no Ativo Realizável a Longo Prazo deve conter os direitos derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas, ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da empresa. Sobretudo, independente do prazo de vencimento, esses direitos advenham de operações que não constituam negócios na exploração do objeto da companhia. Os Investimentos consistem em contas representativas das participações no capital de outras sociedades, que geram rendimentos para a empresa em forma de dividendos. Assim como, em contas representativas dos direitos de qualquer natureza não classificadas no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, que não são destinadas a manutenção da atividade principal da empresa. O Imobilizado configura as contas representativas dos recursos aplicados em bens corpóreos, propostos para manutenção das atividades da empresa, e as decorrentes de operações de transferência à companhia de benefícios, riscos e controle dos bens. Inclusive, se subdivide em operacional corpóreo (tangível) que integra as contas representativas dos recursos aplicados nos bens de uso da empresa, como móveis, computadores, veículos e etc. O operacional condiz as contas representativas dos capitais aplicados em recursos naturais, minerais ou florestais, de exploração da empresa. Outro tipo consiste no objeto PLANO DE CONTAS 51 de arrendamento mercantil, que considera as contas representativas dos bens utilizados pela empresa, mas que não pertencem a sua propriedade, como por exemplo, em bens arrendados a terceiros. E por fim, imobilizado em andamento que são contas representativas dos recursos aplicados nas construções ou aquisições em andamento. O Intangível configura as contas representativas dos recursos aplicados em bens não materiais. Dessa forma, são considerados como direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados a manutenção das atividades da empresa, sendo os representativos de fundo de comércio adquirido a título oneroso. Assim que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação do circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo (parágrafo único do artigo 179 da Lei n. 6.404/1976). Figura 9 — Exercício social Data do balanço 365 dias depois mais de 365 dias até 365 dias circulante (curto prazo) não circulante (longo prazo) Data do balanço 365 dias depois mais de 365 dias até 365 dias 31.12.x6 31.12.x7 circulante (curto prazo) mais de 365 dias além do 01.01.x8 Fonte: Padoveze (2017). Ciclo operacional é o espaço de tempo necessário, para que a empresa realize integralmente o seu processo operacional. Nas empresas comerciais, prestadoras de serviços e industriais em geral, o ciclo operacional dificilmente ultrapassa um mês. IMPORTANTE 52 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Do mesmo modo, é aconselhável agrupar as contas do Passivo conforme as orientações das legislação e normatização. A NBC TG 26 (R5) estabelece que as contas que representam as obrigações e o Patrimônio Líquido serão reunidas no Passivo em três grupos principais: Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido. No Passivo Circulante estão as obrigações da entidade vencíveis durante o exercício social, e apresenta diversas obrigações, como as Obrigações a Fornecedores com os compromissos oriundos da compra de mercadorias ou da utilização de serviços a prazo. Os Empréstimos e Financiamentos consistem em obrigações resultantes de compromissos assumidos pela empresa, durante a captação de recursos financeiros, para financiar o seu capital de giro. As Obrigações Tributárias representam os deveres da empresa com o governo, no pagamento dos impostos, taxas ou contribuições, para o desenvolvimento de suas atividades. As Obrigações Trabalhistas e previdenciárias apontam os encargos, que a empresa paga aos seus empregados ou recolhe aos órgãos públicos. Há inclusive, Outras Obrigações de curto prazo assumidas pela empresa, que não se caracterizam nos subgrupos do passivo circulante. As Participações e Destinações do Lucro Líquido constituem em situações assumidas pela empresa, que derivam dos lucros, ou seja, são obrigações dos proprietários em relação a juros e dividendos. No Passivo Não Circulante estão agrupadas as obrigações da empresa vincendas a mais de um exercício social. E, no Patrimônio Líquido estão as contas de Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados. (RIBEIRO, 2018). De acordo com Ribeiro (2018) no Passivo Não Circulante inclui um subgrupo para as Receitas Diferidas, que atuam como redutoras, as contas representativas das despesas ou custos correspondentes às respectivas receitas recebidas antecipadamente. O Patrimônio Líquido, segundo Ribeiro (2018), consiste na parte do Balanço Patrimonial que corresponde aos capitais próprios, como recursos derivados dos proprietários ou do movimento do patrimônio. Assim, as contas representativas dos capitais próprios se classificam em Capital Social, Reservas de Capital, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados. O Capital Social representa a conta Capital com os valores investidos na empresa pelos titulares, e na conta Capital a Realizar que destaca a parcela do capital já subscrita pelos sócios, contudo, ainda não realizada. Inclusive, as contas que representam o montante do capital autorizado e a parcela desse capital ainda não subscrita. PLANO DE CONTAS 53 As Reservas de Capital são as contas representativas de algumas receitas, que conforme o § 1º do artigo 182 da Lei n. 6.404/1976, são proibidas de transitar pelo resultado do exercício. Assim, como no caso das receitas, que decorrem de ágio na emissão de ações e na alienação das partes beneficiárias, ou ainda, de bônus de subscrição. Os Ajustes de Avaliação Patrimonial consistem em ajustes de avaliação patrimonial, desde que não computadas no resultado do exercício de competência. Em relação às contrapartidas de aumentos ou diminuições do valor atribuídos aos elementos do Ativo e do Passivo, sua avaliação de valor justo depende dos casos previstos na Lei ou nas normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma instituição brasileira que tem por objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil, dentre eles o mercado de ações. UNI Nas Reservas de Lucros considera as contas correspondentes as Reservas que advêm de parte dos lucros apurados pela empresa, como resultado de lei ou da vontade do proprietário, dos sócios ou administradores. As Ações em Tesouraria consideram as ações da própriaempresa adquiridas, e por fim, os Prejuízos Acumulados consistem em prejuízos da empresa o exercício atual ou em anteriores, que são compensados com lucros, saldos de reservas ou assumidos pelos sócios. Na figura 10 é apresentado um exemplo de elenco de contas patrimoniais: 54 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Figura 10 — Elenco das contas patrimoniais ELENCO DE CONTAS GRÁFICO 1 - CONTAS PATRIMONIAIS 1. ATIVO 2. PASSIVO 1. ATIVO 2. PASSIVO 1.1 ATIVO CIRCULANTE 1.1.01 Caixa 1.1.02 Bancos Conta Movimento 1.1.03 Clientes 1.1.04 Duplicatas a Receber 1.1.05 Promissórias a Receber 1.1.06 Ações de Outras Empresas 1.1.07 Estoque de Mercadorias 1.1.08 Estoque Material de Expediente 1.1.09 Estoque de Material de Consumo 1.2 ATIVO NÃO CIRCULANTE 1.2.01 Duplicatas a Receber 1.2.02 Promissórias a Receber 2.1 PASSIVO CIRCULANTE 2.1.01 Fornecedores 2.1.02 Duplicatas a Pagar 2.1.03 Promissórias a Pagar 2.1.04 Contribuições de Previdência a Recolher 2.1.05 FGTS a Recolher 2.1.06 Salários a Pagar 2.1.07 Impostos e Taxas a Recolher 2.2 PASSIVO NÃO CIRCULANTE 2.2.01 Duplicatas a Pagar 2.2.02 Promissórias a Pagar 1.2.03 Participações em Outras Empresas 1.2.04 Imóveis de Renda 1.2.05 Computadores 1.2.06 Imóveis 1.2.07 Instalações 1.2.08 Móveis e Utensílios 1.2.09 Veículos 1.2.10 Fundo de Comércio 2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2.3.01 Capital 2.3.02 Lucros Acumulados Fonte: Ribeiro (2018, p. 38-39). PLANO DE CONTAS 55 Figura 11 — Elenco das contas de resultado ELENCO DE CONTAS Gráfico 2 - CONTAS DE RESULTADO 3. DESPESAS 3. DESPESAS 5. CONTAS DE APURAÇÃO DO RESULTADO 4. RECEITAS 4. RECEITAS 3.1 DESPESAS OPERACIONAIS 3.1.01 Água e Esgoto 3.1.02 Aluguéis Passivos 3.1.03 Café e Lanches 3.1.04 Combustíveis 3.1.05 Contribuições de Previdência 3.1.06 Descontos Concedidos 3.1.07 Despesas Bancárias 3.1.08 Despesas de Organização 3.1.09 Encargos Sociais 3.1.10 Energia Elétrica e Comunicação 3.1.11 Fretes e Carretos 3.1.12 Impostos e Taxas 3.1.13 Juros Passivos 3.1.15 Material de Consumo 3.1.16 Salários 3.1.17 Despesas Eventuais 5.1 RESULTADO LÍQUIDO 5.1.01 Resultado do Exercício 4.1 RECEITAS OPERACIONAIS 4.1.01 Aluguéis Ativos 4.1.02 Descontos Obtidos 4.1.03 Juros Ativos 4.1.04 Receitas de Serviços 4.1.05 Receitas Eventuais Fonte: Ribeiro (2018, p. 39-40). Na figura 11 você pode observar um exemplo do elenco de contas de resultado. Dessa forma, além das contas patrimoniais mais comuns, também existem as Contas Redutoras do Balanço, que geralmente aparecem no Balanço Patrimonial precedidas do sinal (-), e representa, que o valor dessa conta está negativo no grupo. 56 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL As contas redutoras do Ativo, de acordo com Ribeiro (2018), são classificadas em Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa, Perdas por Redução ao Valor Realizável Líquido Conta redutora do grupo de estoques, Ajuste a Valor Presente, Depreciação Acumulada e, Amortização e Exaustão Acumuladas. Em relação às Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa substitui as denominações da antiga Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa ou Provisão para Devedores Duvidosos, figura no Ativo Circulante, no subgrupo Clientes como redutora da conta Duplicatas a Receber. Dessa forma, aponta as previsões de perdas que ocorrem no exercício seguinte, com base nas perdas já ocorridas em exercícios anteriores, ou em qualquer evidência que pertença a um ativo ou grupo de ativos financeiros sujeitos a perda do respectivo valor. Nas Perdas por Redução ao Valor Realizável Líquido Conta redutora do grupo de estoques, as perdas são reconhecidas quando o valor recuperável de itens de estoques constituir como inferior ao custo de aquisição ou transformação, conforme o inciso II do artigo 183 da Lei n. 6.404/1976 e item 9 da NBC TG 16). Com referência ao Ajuste a Valor Presente poderá figurar no Ativo as contas redutoras de direitos a receber derivados das vendas de mercadorias a prazo, ou de operações financeiras realizadas. A Depreciação Acumulada figura no Imobilizado, como redutora das contas representativas dos bens de uso, que são apresentados no Balanço pelos seus valores originais diminuídos das depreciações. Desta forma, permite que esses bens sejam integrados ao patrimônio com seus valores reais que podem gerar fluxos de caixas futuros com a sua venda ou uso. A Amortização e Exaustão Acumuladas consiste na forma semelhante da Depreciação Acumulada, onde figura no Ativo Não Circulante as contas Amortização Acumulada e Exaustão Acumulada. Desse modo, se apresentam como redutoras de contas representativas de bens intangíveis e de recursos naturais, que se classificam respectivamente, no Ativo Intangível e no Ativo Imobilizado. As contas redutoras do Passivo são contas de natureza devedora, mas que devem aparecer no lado direito do Balanço Patrimonial, comuns as contas redutoras do Patrimônio Líquido. Ribeiro (2018) apresenta alguns exemplos como os Custos/Despesas ou Encargos Vinculados às Receitas que consiste no conjunto de contas retificadoras que figuram no subgrupo Receitas Diferidas do Passivo Não Circulante. Visto que, são encargos oriundos das receitas recebidas antecipadamente, de natureza tributária ou de outra, que podem representar custos, perdas ou despesas, necessárias para a realização da receita. O uso do título da conta será adequado ao tipo da despesa correspondente. Por exemplo, uma empresa comercial que atua no ramo do comércio de veículos usados pretende aumentar sua receita, e decidiu locar parte do imóvel de sua propriedade pelo período de um ano. Na data da assinatura do contrato de locação, exigiu que o locatário pagasse a importância de R$ 3.000, PLANO DE CONTAS 57 que corresponde a um mês de aluguel antecipado. Entretanto, para que o espaço pudesse ser locado, foi gasto em dezembro a importância de R$ 1.000 com pequenos reparos na rede elétrica e de água. Assim, como no mês de dezembro a empresa recebeu antecipadamente R$ 3.000, para realizar essa receita, contou com os gastos de R$ 1.000, no Balanço que será realizado em 31 de dezembro, no Passivo Não Circulante, subgrupo Receitas Diferidas, constará: Aluguéis Ativos a Vencer............................................ 3.000 (–) Despesas com Reformas ....................................... 1.000 TOTAL............................................................................2.000 O (-) Capital a Realizar figura no Patrimônio Líquido como redutora da conta que registra o capital social, referente a parcela do capital não integralizada pelos proprietários. Dessa forma, permite que o valor do capital somado ao patrimônio, apresente o montante que ingressou na empresa. Os (-) Prejuízos Acumulados figuram no Patrimônio Líquido como redutora de todo o grupo do Patrimônio Líquido, e apresenta os prejuízos apurados e que não foram compensados. As (-) Ações em Tesouraria figuram no grupo do Patrimônio Líquido que correspondem as ações representativas do capital da própria empresa, adquiridas nas circunstâncias permitidas pela Lei. Segundo o inciso 5º, do artigo 182 da Lei n. 6.404/1976, as ações em tesouraria deverão ser destacadas no Balanço como dedução da conta do Patrimônio Líquido, que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Entretanto, quando houver dificuldades de identificação da origem do recurso, o contabilista escolhe o melhor posicionamento conforme a situação. Manual de contas Para Greco e Arend (2017), o manual de contas consiste no conjunto de informações que detalham as funções e o uso de cada uma das contas do elenco. Assim, cada conta informa não só para o que serve e o que deve conter, mas também, a respeito da contrapartida, que normalmente será encontrada na movimentação dessa conta. Ribeiro (2018) explica que o manual de contas apresenta as informações detalhadas de cada conta, servindo de guia para que o profissional contábil, possa registrar uniformementetodos os eventos responsáveis pela movimentação do patrimônio da empresa. Esse instrumento é importante, inclusive, em caso de troca de profissionais que trabalham no setor contábil da empresa. O manual servirá de parâmetro para que todos os registros contábeis sejam padronizados. A figura 12 apresenta um modelo de manual de contas. 58 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Figura 12 — Manual de contas Função, funcionamento e natureza da conta 1.ATIVO Parte do Balanço Patrimonial que representa a aplicação dos recursos que a empresa tem à sua disposição. Englobada contas apropriadas para o registro dos bens e dos direitos de qualquer natureza. 1.1 ATIVO CIRCULANTE. Um dos dois grupos principais em que se divide o Ativo. Engloba contas apropriadas para o registro e controle das disponibilidades, bem como de contas apropriadas para o registro e controle de bens e direitos de qualquer natureza, cuja realização em disponibilidades espera-se que ocorre a curto prazo, ou seja, até o término do exercício social seguinte ao Balanço. 1.1.1 DISPONIBILIDADES Subdivisão do grupo Ativo Circulante. Engloba contas apropriadas para o registro e controle de bens numerários de livre e imediata movimentação. Compreende o dinheiro acumulado no caixa de empresa ou em estabelecimentos bancários, bem como os valores tratados como equivalentes de caixa, quais sejam, aquelas representados por aplicações financeiras efetuadas em instituições próprias, desde que garantam liquidez imediata, sendo que a empresa possa utilizá-la livremente, sem restrições. 1.1.1.01 Caixa Geral. Conta principal ou sintética. Representa o montante do dinheiro em espécie existente na empresa. Pode englobar quantias existentes em vários estabelecimentos ou localidades da entidade. Nesse montante, pode estar incluído também cheques recebidos de terceiros, quanto não forem descontados ou depositados em estabelecimentos bancários. 1.1.1.01.1 Matriz. Subconta representativa do dinheiro existente no estabelecimento matriz. 1.1.1.01.1.001 Caixa. Função: serve para controlar o fluxo de entradas e saídas dos bens numerários em poder da empresa, normalmente compostos por dinheiro e cheques. Funcionamento: debitada pelas entradas de dinheiro ou cheques no caixa e creditada pelas saídas de dinheiro ou cheques do caixa. Natureza do saldo: devedora. Fonte: Ribeiro (2018, p. 42). PLANO DE CONTAS 59 Modelos das demonstrações contábeis Além de modelos das demonstrações contábeis exigidas pela Lei n. 6.404/1976, deverão constar, nos planos de contas, modelos dos demais quadros, livros auxiliares, fichas, mapas de apropriação ou rateio, relatórios, gráficos, ou seja, de todos os quadros sintéticos ou analíticos elaborados pelo setor de contabilidade da empresa. (RIBEIRO, 2018). Na Unidade 3 aprofundaremos o estudo das demonstrações contábeis obrigatórias. ESTUDOS FU TUROS Codificação O manual de contas apresenta as mesmas alinhadas em uma espécie de níveis e cada uma possui uma numeração (código). O código da conta constitui um conjunto de algarismos utilizados para identificar cada uma das contas, que compõem o plano de contas de uma entidade. (RIBEIRO, 2018). Na apresentação de um plano de contas, sua estrutura deve ser codificada ou graduada, com a finalidade de criar um sistema classificatório das contas contábeis, em que cada conta possui um algarismo apresentado no lado esquerdo. (BAZZI, 2014). Dessa forma, segundo Padoveze (2010), a codificação é numérica, organizada de forma descendente em desdobramento ou detalhamento, partindo do código inicial da conta sintética, que sumariza um grupo de contas, até o código mais expandido da conta analítica, em que os saldos são obtidos por meio dos lançamentos contábeis. Alguns sistemas de informação contábil integrados com os Sistemas Integrados de Gestão Empresarial ou ERPs permitem, que as contas contábeis fiquem num grande banco de dados, não estruturadas em código, e, a partir daí, extraem-se diversos planos de contas contábeis, sejam eles gerenciais ou legais. Alguns sistemas, inclusive, permitem que letras sejam utilizadas na codificação. UNI Ribeiro (2018) destaca que a utilização de códigos agiliza os registros contábeis, principalmente os efetuados por meio de processamento eletrônico de dados. Assim, débitos e créditos são lançados pelo código da conta e não pela intitulação. 60 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Os critérios para codificação do plano de contas ficam a critério de cada profissional contábil responsável pela empresa. Todavia, é importante que ao se definir esse elemento, leve-se em consideração os aspectos legais e gerenciais. Costuma-se utilizar a numeração da figura 13 para codificar os grandes grupos de contas: Figura 13 — Agrupamento de contas Algarismos 1 Contas Contas do Ativo 2 Contas do Passivo 3 Contas de Despesas 4 Contas de Receitas 5 Contas de Apuração de Resultado Fonte: Bazzi (2014, p. 142). Os grandes grupos destacam desdobramentos, como já demonstrado anteriormente, e necessitam atribuir níveis diferentes para as contas. Assim, atribui-se o nome de grau a cada nível de desdobramento do grupo maior de contas, mesmo porque, um plano de contas pode ter quantos desdobramentos ou graus forem necessários. (PADOVEZE, 2017). Um exemplo de codificação e graus das contas pode ser observado na figura 14. PLANO DE CONTAS 61 Figura 14 — Codificação e graus das contas CÓDIGOS 1 TÍTULOS ATIVO 1.1 ATIVO CIRCULANTE 1.1.1 DISPONIBILIDADES 1.1.1.01 CAIXA GERAL 1.1.1.01.001 CAIXA 1.1.1.01.002 FUNDO FIXO DE CAIXA 1.1.1.01.2 Fábrica 1.1.1.02 Bancos conta Movimento 1.1.1.02.1 Matriz 1.1.1.02.001 Banco Urupês S/A Fonte: Ribeiro (2018, p. 44). Ribeiro (2018) explicita sobre as funções dos dígitos que compõe o código. Assim, o primeiro dígito determina o grupo que pertence à conta, no sistema patrimonial, de resultado e compensação. O segundo dígito revela a que conta pertence, o terceiro destaca o seu subgrupo, o quarto e o quinto dígito são reservados para a conta principal, sendo que o quarto dígito será utilizado para representar a divisão de subgrupo, quando houver. O sexto dígito refere-se a subconta, que representa os estabelecimentos que compõem a entidade. Na ocasião em que a entidade possuir mais de nove estabelecimentos, precisará da reserva de dois, três ou mais algarismo, o que incidirá no aumento da quantidade de dígitos dos códigos das contas. Entretanto, caso seja representada por um só estabelecimento, se utiliza do algarismo 1, ou se excluí, restando as contas com oito dígitos. Nessa situação, deve-se manter um ponto após o quinto dígito, para facilitar a leitura do código da conta. Assim, do 7º ao 9º dígito serão reservados para o desdobramento da subconta ou de uma conta principal, e o algarismo 0 (zero) indicará a inexistência de grupo, subgrupo, divisão de subgrupo ou o detalhamento de conta principal ou secundária. 62 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Por exemplo, a conta 1.1.1.01.1.001 - Caixa é uma subconta da Matriz, do Caixa Geral, que se encontra nas Disponibilidades do Ativo Circulante, do Ativo da empresa. Para garantir a uniformização dos registros contábeis, somente deverão receber lançamentos a débito ou a crédito, as contas que contiverem o maior número de dígitos previstos no elenco de contas. No caso em questão, serão as contas com nove dígitos. (RIBEIRO, 2018). Assim, no exemplo apresentado, todos os lançamentos referentes à movimentação do caixa devem ser feitos na conta 1.1.1.01.1.001 – Caixa e não na conta 1.1.1.01.1 – Matriz, por exemplo. De modo que, a conta 1.1.1.01.1 – Matriz é um grupo que envolve o Caixa e o Fundo Fixo de caixa. Em um primeiro momento, essa codificação pode parecer complicada e desnecessária, contudo, um plano de contas bem elaborado facilita o desenrolar da contabilidade dentro de qualquer organização. 63 AUTOATIVIDADE 1. O processo de elaboração, adequação, codificação ecriação do manual do plano de contas é um trabalho árduo. Cada conta contábil representa um elemento do patrimônio: Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas e Despesas. Juntamente, com as contas transitórias, de compensação e redutoras. Com base no que estudamos até aqui, disserte sobre a importância do Plano de Contas para a contabilidade de uma organização. 64 TÓPICO 3 UNIDADE 2 FERRAMENTAS E MÉTODOS PARA ESCRITURAÇÃO Introdução Escrituração é uma técnica contábil que consiste em registrar nos livros próprios todos os acontecimentos que ocorrem na empresa, que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial. Essa escrituração é feita por meio dos livros contábeis: Razão, Diário, Caixa, etc. (RIBEIRO, 2018). Segundo o artigo 1.179 do Código Civil Brasileiro (Lei n. 10.406/2002), o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, apresentar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Somente o microempreendedor individual (MEI) está dispensado da escrituração contábil. ATENCAO A escrituração contábil, portanto, é o registro dos atos e fatos administrativos. Os atos administrativos são os eventos que ocorrem na entidade e que não provocam alterações no patrimônio. Por exemplo, na admissão de empregado, assinatura de contratos de compra e venda, assinatura de contratos de seguro, fianças em favor de terceiros, avais de títulos, etc. (RIBEIRO, 2018). Os atos administrativos não provocam alterações no patrimônio da entidade, e assim, nem todos serão passiveis de contabilização, apenas os relevantes. Os atos relevantes são aqueles cujos efeitos podem impactar em modificações futuras no patrimônio da empresa. Ribeiro (2018) exemplifica alguns atos administrativos passiveis de contabilização por meio das contas de compensação: • remessas de bens a terceiros para industrialização e conserto ou como empréstimo; FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO 65 • recebimento de bens de terceiros para industrialização e conserto ou como empréstimo; • fianças a favor de terceiros – por exemplo: quando a empresa, por meio de titular ou sócios, assina um contrato de locação como fiadora de uma empresa locatária; • avais a favor de terceiros – por exemplo: quando a empresa, por meio de titular ou sócios, assina uma nota promissória como avalista de outra empresa que pretenda obter empréstimo junto a uma instituição financeira; • remessa de títulos ao banco para cobrança simples; • remessa de títulos ao banco, nos casos de empréstimos mediante caução; • assinatura de contratos de seguro com companhias seguradoras; • entrega de bens a terceiros como garantia de dívidas – por exemplo: hipotecas (bens imóveis), penhor (bens móveis); • recebimento de bens de terceiros em garantia de dívidas – por exemplo: hipoteca (bens imóveis), penhor (bens móveis); • assinaturas de contratos de compra e venda junto a fornecedores e clientes. Segundo Ribeiro (2018), os fatos administrativos são os acontecimentos que ocorrem na empresa e que provocam modificações no patrimônio, sendo, portanto, objeto de contabilização por meio das contas patrimoniais ou das contas de resultado, podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido. Dessa forma, os fatos administrativos podem ser: I. Permutativos, qualitativos ou compensativos: representam permutas (trocas) entre elementos ativos, passivos ou entre ambos simultaneamente, sem provocar variações no Patrimônio Líquido; II. Modificativos ou quantitativos: provocam variações (modificações) no Patri- mônio Líquido; III. Mistos: que envolvem, simultaneamente, um fato permutativo e um modificativo. Quanto aos fatos permutativos, Ribeiro (2018) aponta algumas situações: • Fatos permutativos entre elementos Ativos: envolvem somente contas do Ativo. Os mais comuns são os que correspondem às compras à vista; as vendas à vista ou a prazo, porém pelo preço de custo; as transferências de contas do Ativo Realizável a Longo Prazo para o Ativo Circulante em decorrência da diminuição do prazo de vencimento, etc. 66 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL • Fatos permutativos entre elementos Passivos: envolvem apenas contas do Passivo (somente obrigações). Os mais comuns são os que representam as retenções efetuadas dos salários dos empregados nas folhas de pagamentos (compromissos dos empregados com Previdência, Imposto de Renda, Contribuição Sindical, etc.) e as transferências de contas do Passivo Exigível a Longo Prazo para o Passivo Circulante, esses últimos em decorrência da diminuição dos prazos de vencimento. • Fatos permutativos entre elementos Ativos e Passivos, acarretando aumento no patrimônio: envolvem contas do Ativo e do Passivo em simultâneo; provocam aumento no patrimônio sem interferir no Patrimônio Líquido. Os mais comuns são os que representam as compras a prazo. Quanto aos fatos permutativos, Ribeiro (2018) destaca a ocorrência de: • Fatos permutativos entre elementos Ativos e Passivos, acarretando diminuição no patrimônio: envolvem, ao mesmo tempo, contas do Ativo e do Passivo; provocam diminuição no patrimônio sem interferir no Patrimônio Líquido. Os mais comuns são os que representam os pagamentos de obrigações. • Fatos modificativos aumentativos: envolvem uma conta patrimonial e uma ou mais contas de receita. Os mais comuns são os que representam recebimentos de receitas no momento da ocorrência do respectivo fato gerador. • Fatos modificativos diminutivos: envolvem uma conta patrimonial e uma ou mais contas de despesa. Os mais comuns são os que representam pagamentos de despesas nas datas das ocorrências de seus fatos geradores. Por fim, podem ocorrer fatos mistos de duas maneiras distintas, conforme orienta Ribeiro (2018): • Fatos mistos aumentativos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais e uma ou mais contas de receita. Os mais comuns são os que representam vendas de bens com lucro, recebimento de direitos com juros, pagamento de obrigações com descontos, etc. • Fatos mistos diminutivos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais e uma ou mais contas de despesa. Os mais comuns são os que representam vendas de bens com prejuízo, recebimentos de direitos com descontos, pagamentos de obrigações com juros, etc. FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO 67 Métodos e técnicas O método de escrituração considera a forma de realização do registro dos atos e dos fatos administrativos. Bazzi (2014) menciona que a escrituração deve ser mantida pela empresa em registros permanentes, de acordo com as orientações legais e observando os princípios contábeis. Dessa forma, mantém a uniformidade em relação aos métodos e critérios contábeis, que reforça a importância de padronização para os registros contábeis, evitando distorções na informação gerada para os usuários finais. Os métodos mais conhecidos são o Método das Partidas Simples e o Método das Partidas Dobradas. Método das Partidas Simples O Método das Partidas Simples consiste no registro de operações específicas envolvendo o controle de um só elemento, sem a necessidade de registro dos outros elementos patrimoniais ou de apuração de resultado. Um exemplo de escrituração, utilizando esse método, seria no Livro de Contas a Pagar, no qual para a empresa, interessa o controle específico das obrigações que possui com terceiros. Nesse livro não haverá, por exemplo, ao se diminuir o valor de uma obrigação registrada, um controle também do Caixa ou da conta bancária da qual o recurso para o pagamento saiu. Outro exemplo, seria o Livro Caixa, no qual a preocupação é o controle de dinheiro e os fatos são registrados, isentos da preocupação com outros elementos patrimoniais ou de resultado impactados, como na redução de um valor que a empresa tem para receber de clientes, ou no aumento de valor dos móveis de suapropriedade. Para Ribeiro (2018), esse método é deficiente e incompleto, pois não permite o controle global do patrimônio, e as entidades que utilizam apenas esse método de registro só conseguem controles estagnados de alguns eventos. Método das partidas dobradas O Método das Partidas Dobradas, como vimos na Unidade 1, foi apresentado pela primeira vez pelo Frei Luca Pacioli. Sua adoção permite o controle de todos os componentes patrimoniais, bem como, das variações do Patrimônio Líquido, que poderão resultar em lucro ou prejuízo. O princípio fundamental do método compreende a perspectiva de que não há devedor sem que haja credor, correspondendo a cada débito um crédito de igual valor. (RIBEIRO, 2018). Neste sentido, Silva e Rodrigues (2018) complementam que cada transação afeta duas ou mais contas para manter a equação contábil básica em equilíbrio, e isso garante, que no final do exercício, a soma de todos os débitos será igual à soma de todos os créditos. 68 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Para entender melhor, vamos utilizar um exemplo. Imagine que você está pensando em abrir uma empresa de venda de equipamentos para informática (estamos utilizando essa atividade como exemplo, mas caberia qualquer outra). Para iniciar esse negócio, você vai investir R$ 15.000,00. Então, a partir desse momento, esse valor não é mais seu, porque contará como parte do patrimônio da empresa. O impacto desse fato na empresa será o seguinte: Figura 15 — Funcionamento das partidas dobradas Ativo CAIXA R$ 15.000,00 CAPITAL R$ 15.000,00 Passivo Patrimônio Líquido Fonte: O autor (2021). As contas caixa e capital sofrerão variação. O registro de R$ 15.000,00 ao entrar no Caixa da empresa – disponível para começar as suas operações – refletirá no registro da integralização do capital do sócio no valor do investimento realizado, como contrapartida. Como esse método permite um controle simultâneo e quase total de todos os elementos e lançamentos contábeis, segundo Bazzi (2014), é considerado, em quase todos os países, como o método perfeito para a escrituração contábil. É por meio desse método, que os atos e fatos contábeis são registrados no Livro Diário e posteriormente no Livro Razão. Livros para escrituração Os livros para escrituração, segundo Ribeiro (2018), variam conforme a quantidade e a espécie em função do porte, da forma jurídica e do ramo de atividade desenvolvido pela empresa. Os principais livros utilizados para os registros contábeis são os livros Diário e Razão. Entretanto, existem livros auxiliares, utilizados para o registro de eventos específicos, como os livros Caixa, Contas Correntes e Registro de Duplicatas. E, ainda os livros exigidos pelo Fisco que podem servir de suporte para a escrituração do Diário e do Razão. FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO 69 Livro Diário Você já manteve um diário em algum momento da sua vida? Se sim, sabe que um diário pessoal é um documento no qual são escritos os acontecimentos do dia de um indivíduo. Mas o que seria o diário de uma empresa? De maneira semelhante, consiste no documento onde são registrados todos os acontecimentos (fatos contábeis) de uma entidade, que envolveram situações relacionadas ao patrimônio. O livro diário é obrigatório em todas as empresas, instituído pelo Decreto- Lei 486 de 1969, e regulamentado pelo Decreto-Lei 64.567 de 1969, considerando todos os lançamentos registrados, que devem ter partidas dobradas de crédito e débito, e os resultados dos dois devem ser iguais. No livro diário são lançadas, individualmente, com clareza e indicação do documento comprobatório, diariamente por escrita direta ou reprodução, todos os acontecimentos que ocorrem na empresa e que provocam modificações no patrimônio. Assim, devem contemplar os fatos administrativos e aqueles que possam modificar futuramente o patrimônio, como os atos administrativos relevantes. (RIBEIRO, 2018). Esses lançamentos devem ser feitos em ordem cronológica. Silva e Rodrigues (2018) salientam que para cada lançamento deverá ser apresentado: 1. Data do evento; 2. Conta devedora; 3. Conta credora; 4. Valor da transação; 5. Histórico sobre o evento (breve explicação do evento, inclusive o tipo e número do documento que deu origem). A figura 16 demonstra um exemplo do registro de um lançamento contábil, apresentado por Silva e Rodrigues (2018), referente aos seguintes acontecimentos: • Dia 1º/12/20X9 – Investimento do capital pelos sócios, no valor de R$20.000. • Dia 1º12/20X9 – Compra de materiais elétricos a prazo, no total de R$1.500. • Dia 2/12/20X9 – Pagamento do aluguel de uma sala comercial, de R$1.000. 70 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Figura 16 — Registro no diário Data Conta e Histórico Caixa Capital Investimento no capital pelos sócios, em dinheiro. 1ª/dez. Débito Crédito Material de consumo Contas a pagar Compra de materiais de consumo a prazo, conforme NF 24.790. 1ª/dez. Despesas de aluguel Caixa Pagamento de despesa de aluguel em dinheiro, conforme recibo 001/20X9 1ª/dez. 20.000 20.000 1.500 1.500 1.000 1.000 Fonte: Silva e Rodrigues (2018, p. 98). Silva e Rodrigues (2018) destacam que a escrituração do livro diário: • Evidencia em um único lugar o efeito completo da transação. • Apresenta um registro cronológico de cada transação, na ordem em que acontecem. • Previne ou mesmo facilita a identificação de possíveis erros no registro, pois o total dos débitos e créditos pode ser rapidamente comparado. O Livro Diário passou por três estágios de escrituração, conforme aponta Ribeiro (2018): a. Processamento manual: no princípio, toda escrituração era processada de forma manuscrita. Atualmente, esse processo está em desuso, embora ainda utilizado por algumas empresas de pequeno porte, é de grande utilidade para o ensino da contabilidade; b. Processamento mecânico: nesse estágio, a escrituração do Diário passou a ser feita em fichas ou em folhas soltas, as quais, posteriormente, eram copiadas por decalque em livro apropriado; c. Processamento eletrônico de dados: hoje, quase que a totalidade das empresas processam a escrituração do Diário por meio do computador, sendo que as folhas impressas são posteriormente encadernadas. A legislação tributária disciplina o uso da escrituração por meio do computador, cuidando inclusive dos critérios a serem observados quanto ao armazenamento de dados em arquivos magnéticos. Independente do sistema de escrituração adotado pela empresa, o livro diário deve respeitar alguns requisitos destacados por Ribeiro (2018): • O Livro Diário deve ser encadernado com folhas numeradas sequencial e tipograficamente. FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO 71 • O empresário ou a sociedade empresária que adotar escrituração mecanizada ou eletrônica, poderá substituir o Diário por conjunto de fichas ou folhas soltas, que também deverão ser numeradas tipograficamente, ou ainda por folhas contínuas que deverão ser numeradas mecânica ou tipograficamente. • Os livros, fichas, folhas soltas ou contínuas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, quando se tratar de empresa civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Na figura 17 é apresentado um termo de abertura. Figura 17 — Termo de abertura TERMO DE ABERTURA Contém este livro,_____ folhas numeradas tipograficamente, de 1 a ____, e servirá de Diário n. _____ do empresário* _________________, sediado na Rua __________________n. ____, na cidade de _____________ Estado de ______________, Nire** __________, conforme atos constitutivos arquivados em __/__/__ inscrito no CNPJ sob n. ___________. ***_______________, ____ de ____________ de _________. ____________________________________________________________ (assinatura de titular, administradorou representante legal da empresa) ____________________________________________________________ (assinatura de contabilista habilitado) *ou sociedade empresária. Neste caso, substituir a palavra “sediado” por “sediada” e a palavra “inscrito” por “inscrita”. ** Nire: Número de inscrição de Registro de Empresas na Junta Comercial. ***Localidade e data. Fonte: Ribeiro (2018, p. 59). 72 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Termo de Encerramento é idêntico ao de Abertura, diferenciando-se somente no título – termo de encerramento – e no tempo dos verbos, alterados para o passado. UNI • Os Termos de Abertura e de Encerramento devem ser incluídos, respectivamente, no anverso da primeira e no verso da última ficha ou folha numerada do Diário, na mesma data e antes de iniciada a escrituração, salvo quando a escrituração for realizada em fichas ou folhas soltas ou contínuas, caso em que, sendo o diário encadernado após a sua escrituração, os termos mencionados serão lavrados na data da autenticação. • A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma contábil, com individualização e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. O livro diário pode ser em versão impressa ou digital, com o objetivo, que ocorra a convergência total para o meio digital no futuro. RAZÃO Os lançamentos no livro diário deverão ser realizados, também, no livro razão, utilizado para registrar a movimentação a débito ou a crédito, ocorrida em cada uma das contas da entidade. Na prática, as empresas utilizam uma simplificação desse livro, o razonete. (SILVA; RODRIGUES, 2018). O razonete (do qual já estudamos na seção anterior) é uma representação gráfica das variações do patrimônio, em forma de T, onde no lado esquerdo são registrados os débitos e no lado direito os créditos. Figura 18 — Razonete CLIENTES Débito Crédito Fonte: O autor (2021). FERRAMENTAS E MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO 73 Você deve pensar no tempo gasto para esse trabalho. Contudo, atualmente, há sistemas computadorizados que permitem a automatização desse processo, o que no pasado era uma tarefa essencialmente manual. UNI No livro razão, ao invés do registro dos acontecimentos por ordem cronológica, os dados são demonstrados de maneira individualizada, conforme cada conta contábil. Na próxima unidade abordaremos os lançamentos contábeis demonstrados pelo seu registro nos razonetes. ESTUDOS FU TUROS BALANCETE DE VERIFICAÇÃO O balancete de verificação não é um livro contábil, mas uma ferramenta de conferência dos lançamentos efetuados nesses livros. Visto que, ao final do exercício social serão apurados os saldos de todas as contas, e essa informação convertida nas demonstrações contábeis da empresa. créditos deve ser igual ao valor da soma dos débitos. É de costume verificar essas igualdades periodicamente, relacionando todas as contas em demonstrações, denominadas de Balancetes de Verificação do Razão, Balancetes de Verificação ou, apenas, Balancetes. (IUDÍCIBUS, 2019). Para Ribeiro (2018), o balancete é uma relação de contas extraídas do Livro Razão, com seus respectivos saldos devedores e credores. Ao se elaborar o balancete de verificação, cada conta é transferida do razonete para o balancete, com seu respectivo saldo, respeitando a natureza do saldo (crédito ou débito). No Quadro 5 é apresentado um modelo de balancete de verificação: 74 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Quadro 5 — Balancete de verificação BALANCETE DE VERIFICAÇÃO N. DE ORDEM CONTAS SALDO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Imóveis Veículos Móveis e Utensílios Promissórias a Pagar Estoque de Mercadorias Caixas Duplicatas a Pagar Capital Fornecedor Totais DEVEDOR 24.000 5.000 5.000 - 3.000 4.500 - - - 41.500 CREDOR - - - 1.000 - - 6.500 30.000 4.000 41.500 Fonte: Ribeiro (2018, p. 117) Note que, para o balancete de verificação foram transferidos somente os saldos das contas e não os valores de cada lançamento. Observe também, que o somatório total das colunas de saldo devedor é igual ao total do saldo credor, respeitando o método das partidas dobradas. O balancete pode apresentar formas diferenciadas, mas a sua finalidade sempre será a mesma. Além do que, esse demonstrativo é de grande auxílio para elaboração das demonstrações contábeis. 75 AUTOATIVIDADE O Método das Partidas Dobradas norteia os lançamentos contábeis aceitos no Brasil. Para fazer tais registros, existem alguns livros contábeis obrigatórios, livros auxiliares e também ferramentas de verificação. Associe a primeira coluna com a segunda: (1) Livro diário (2) Livro razão (3) Balancete de verificação ( ) deve ser lançado o total de crédito e débito de cada conta. ( ) os lançamentos devem ser registrados de maneira individualizada. ( ) os lançamentos devem ser registrados na ordem cronológica de sua ocorrência. GABARITO 1. Resposta: 3, 2, 1. 76 RESUMO Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA A teoria patrimonialista separa as contas contábeis em patrimoniais (Ativo e Passivo) e de Resultado (Receitas e Despesas); As contas do Ativo e Despesa possuem natureza devedora, ou seja, para aumentar o saldo, deve-se efetuar um débito. Já as contas do Passivo e Receitas possuem natureza credora, dessa maneira para aumentar o saldo, deve-se realizar um crédito; O Plano de Contas consiste na relação das contas contábeis que norteia o trabalho dos profissionais na escrituração contábil; O Plano de Contas é composto pelo elenco de contas, manual de contas e modelos de Demonstrações Contábeis padronizadas. O Método das Partidas Dobradas é adotado para escrituração contábil no Brasil; Os principais livros utilizados para escrituração contábil, são o Livro Razão e Livro Diário. 77 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS UNIDADE 3 Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 - Os lançamentos contábeis TÓPICO 2 - Registro das prinipais operações TÓPICO 3 - Demonstrações contábeis A partir desta unidade você será capaz de: • Descrever o passo a passo dos lançamentos contábeis • Operacionalizar os principais lançamentos contábeis • Elaborar as demonstrações financeiras. 78 A contabilidade produz informação necessária para seus usuários, por meio da escrituração. Logo, é fundamental que todos os atos e fatos contábeis estejam corretamente lançados nos livros contábeis. Apesar de atualmente, os sistemas informatizados serem úteis nesse processo, permitindo inclusive, o cadastramento de lançamento-padrão, é fundamental que o profissional contábil entenda e lógica e consiga realizar os lançamentos com confiança. 79 UNIDADE 3 OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS TÓPICO 1 Introdução O registro contábil efetuado por meio do método das partidas dobradas nos livros contábeis, recebe a denominação de escrituração contábil, e o.registro contábil escriturado é chamado de lançamento contábil. Os lançamentos contábeis são efetuados inicialmente no Livro Diário, e devem seguir os parâmetros mencionados na seção anterior, na qual estudamos sobre o referido livro. (PADOVEZE, 2017). Para facilitar o raciocínio do profissional contábil, Ribeiro (2018) descreve um passo a passo para o lançamento contábil. Como por exemplo, no registro da compra de um automóvel marca Brasil, ano XXXX, conforme Nota Fiscal n. 1.996, da Auto Comercial Ltda., no valor de $ 100.000, pagos em dinheiro. Observe os seguintespassos: 1. Identificar o local e a data da ocorrência do fato. O local corresponde a cidade em que a empresa está estabelecida, e a data é a constante do documento comprobatório da ocorrência do fato. 2. Verificar que documento foi emitido para comprovar a operação. No exemplo, o documento emitido foi a Nota Fiscal n. 1.996. Na prática, se não houver documento idôneo que comprove a ocorrência do evento (fato ou ato), não poderá ser contabilizado. 3. Identificar, no fato, os elementos envolvidos. Assim que você entra em uma padaria para comprar pão e paga em dinheiro, efetua-se uma troca, o dinheiro por pão. Da mesma forma, os fatos administrativos ocorrem em todas as empresas, a empresa entrega um elemento para um terceiro e recebe outro em troca. No exemplo a ser estudado, estamos comprando um automóvel e pagando em dinheiro, diante disso, trocamos o dinheiro por automóvel. Estes são os dois elementos envolvidos, o automóvel e o dinheiro. 4. Identificar as contas que serão utilizadas para registrar os elementos envolvidos no fato. A contabilidade registra os fatos por meio das contas, e atribuí para cada elemento componente do patrimônio, ou do resultado, uma conta apropriada. O nome da conta deve permitir fácil identificação do elemento envolvido, seja um bem, direito, obrigação, despesa, receita ou Patrimônio Líquido. Para encontrar as contas adequadas ao registro dos fatos, você deverá procurá- las no Plano de Contas, conforme a sua natureza e classificação. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 80 No exemplo, temos dois elementos o automóvel e o dinheiro, que representam bens, consequentemente, as contas apropriadas para registrá-los encontram-se no Ativo do plano de contas. Assim, basta ler todos os nomes das contas do Ativo para encontrar as contas que mais se identificam com os respectivos elementos. Assim, teremos: automóvel = Veículos; dinheiro = Caixa. 5. Identificar que conta será debitada e que conta será creditada. Após identificadas as contas que utilizaremos para registrar os elementos envolvi- dos, precisamos saber qual delas será debitada e qual será creditada. No exemplo, a Conta Veículos será debitada e a Conta Caixa será creditada. Como estamos comprando um automóvel, aplicamos o recurso na compra desse automóvel, então, a conta Veículos representa a aplicação desse recurso, que será debitada. Por outro lado, o recurso aplicado na compra do automóvel foi retirado da conta Caixa (originou-se do Caixa), por isso, essa conta será creditada. 6. Preparar o histórico do lançamento. O histórico do lançamento consiste na narração do fato ocorrido. Cada contador poderá elaborar o histórico à sua maneira, evitando de usar muitas palavras. Dessa forma, o histórico deverá conter pelo menos o número e espécie do documento comprobatório, nome da pessoa ou empresa com quem se transaciona, e a identificação da “coisa” transacionada. 7. Elaborar o lançamento no Livro Diário. Veja, agora, como deve ser escriturado o lançamento no Livro Diário. Figura 19 — Registro no livro diário C. Débito. . . : 1521 VEÍCULOS 11.11.95 1 : C. Crédito. . . : 1001 CAIXA 100.000 : Histórico . . . : NF 1996 DA AUTO COML. LTDA REF. AUT. MARCA BRASIL : CT03 - * SISTEMA CONTÁBIL ENSICOM * PÁG.01 : Movimento Diário Referente ao Mês de Novembro. Fonte: Ribeiro (2018, p. 68). O registro se refere a um Livro Diário informatizado, ou seja, não é o livro manuscrito tradicional, pois esse está em desuso. Para facilitar a compreensão e a efetivação propriamente dita do lançamento contábil, Ribeiro (2018) sugere que se utilize o Quadro Auxiliar da Escrituração a seguir. OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS 81 Quadro 6 — Quadro Auxiliar de Escrituração QUADRO AUXILIAR DE ESCRITURAÇÃO I - Para elementos Patrimoniais: a. Toda vez que aumentar o Ativo, DEBITAR a respectiva conta. b. Toda vez que diminuir o Ativo, CREDITAR a respectiva conta. c. Toda vez que aumentar o Passivo, CREDITAR a respectiva conta. d. Toda vez que diminuir o Passivo, DEBITAR a respectiva conta. II - Para os elementos de Resultado: e. Toda vez que ocorrer uma despesa, DEBITAR a respectiva conta. f. Toda vez que se realizar uma receita, CREDITAR a respectiva conta. Fonte: Ribeiro (2018, p. 66). Ribeiro (2018) explica que o quadro é composto por seis regras, devidamente relacionadas pelas letras “a” a “f”, sendo que as constantes das letras “a” e “b” referem-se às contas do Ativo, as constantes das letras “c” e “d” aplicam-se às contas do Passivo, a constante da letra “e” aplica-se às contas de despesas e a constante da letra “f” aplica-se às contas de receitas. Desse modo, aplicando ao exemplo, a conta Veículos ficará entre as letras “a” e “b” do Quadro Auxiliar da Escrituração, pois ela representa bens e, por isso, pertence ao Ativo. A compra do automóvel resultará em aumento no saldo dessa conta, debitada conforme estabelece a regra da letra “a”. Coincidentemente, a conta Caixa também representa bens, e ficará entre as letras “a” e “b”. Assim, como o pagamento em dinheiro resulta em redução do respectivo saldo, a conta Caixa será creditada conforme estabelece a regra da letra “b”. (RIBEIRO, 2018). Até agora, estudamos os lançamentos, que envolvem uma conta de débito e outra de crédito, mas pode haver um ou mais débitos para cada crédito e vice-versa. No quadro 7, são apresentadas as formas existentes para os lançamentos contábeis. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 82 Quadro 7 — Fórmulas dos lançamentos MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS Denominações 1º Fórmula Denominações Débito Crédito 2º Fórmula Débito Crédito 3º Fórmula Débito Crédito 4º Fórmula Débito Crédito Uma Uma Uma Diversas Diversas Uma Diversas Diversas Denominações Fonte: Greco e Arend (2017, p. 144). A primeira fórmula corresponde a um débito para cada crédito. A segunda fórmula permite que para cada débito haja mais de um crédito (desde que a soma dos créditos seja igual ao valor do débito). A terceira fórmula permite o contrário, que para cada crédito haverá dois ou mais débitos (desde que a soma dos débitos seja igual ao valor do crédito). E, a última fórmula possibilita a realização de vários débitos e vários créditos. O trabalho desenvolvido na contabilidade não termina com o registro no Livro Diário. Iudícibus (2019) aponta uma sequência para os procedimentos contábeis, desde o registro no Livro Diário até a elaboração das Demonstrações Contábeis. I. Lançamentos no Diário e respectivos registros no Razão; II. Levantamento do balancete de verificação (se possível, diretamente no quadro de ajustes); III. Preenchimento total do quadro de ajustes; IV. Lançamentos de ajustes e de encerramento e respectivos registros no Diário e no Razão; V. Levantamento de balancete de verificação, após encerramento; VI. Preparação das demonstrações: Balanço e Resultado do Exercício. Erros na escrituração Atualmente, os processos contábeis se encontram informatizados, contudo, ainda é possível que ocorram erros no processo de escrituração. Dessa forma, os métodos de conferência (razão e balancete de verificação) são eficazes na correção dos erros identificados. OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS 83 Cabe ressaltar a diferença entre erro e fraude. Um erro pode acontecer por um descuido, uma desatenção, em que um lançamento é feito da maneira incorreta. A fraude ocorre quando há intenção no registro incorreto. Fraude contábil é um ato ilegal. NOTA A ITG 2000 (R1), que trata da escrituração contábil, estabelece que a retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro realizado com erro na escrituração contábil da entidade e pode ser realizado por: a. Estorno; b. Transferência; e c. Complementação. O estorno é o lançamento inverso ao realizado erroneamente, anulando-o totalmente, assim que houver um novo lançamento. Suponha que a empresa comprou um computadorà vista e, por um equívoco o lançamento foi realizado duas vezes. Uma solução para esse caso, seria em fazer o estorno do lançamento duplicado. O primeiro registro mostra o lançamento incorreto e o segundo, a retificação. A transferência é aquele lançamento que promove a regularização de conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro para a conta adequada. Imagine que, a empresa adquiriu um veículo e, por um descuido, o lançamento foi realizado na conta de móveis e utensílios. Nesse caso, pode ser feita a transferência do valor correspondente da conta de móveis e utensílios para a conta de veículos. O primeiro registro mostra o lançamento incorreto e o segundo, a retificação. Figura 20 — Lançamento de transferência Data 01/02/20XX Controle 99 Débito 3.500,00 Crédito 3.500,00 Conta Máquinas e equipamentos Caixa Histórico Aquisição de computador, cfe NF-e 2120, da Computadores Ltda. 01/02/20XX 100 3.500,00 3.500,00 Máquinas e equipamentos Caixa Aquisição de computador, cfe NF-e 2120, da Computadores Ltda. 01/02/20XX 103 3.500,00 3.500,00 Caixa Máquinas e equipamentos Estorno do lançamento nº 100, efetuado em duplicidade em 01/02/20XX, ref. aquisição de computador, cfe NF-e 2120, da Computadores Ltda. Fonte: O autor (2021). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 84 Pode-se observar na Figura 20 que o lançamento 100 é idêntico ao 99, sendo inclusive o mesmo item, valor e nota fiscal – ou seja, o lançamento foi realizado duas vezes. O lançamento 103 corresponde ao lançamento inverso, ou seja, ao estorno desse registro. A transferência é aquele lançamento que promove a regularização de conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro para a conta adequada. Imagine que, a empresa adquiriu um veículo e, por um descuido, o lançamento foi realizado na conta de móveis e utensílios. Nesse caso, pode ser feita a transferência do valor correspondente da conta de móveis e utensílios para a conta de veículos. O primeiro registro mostra o lançamento incorreto e o segundo, a retificação. Figura 21 — Lançamento de transferência Data 01/02/20XX 01/02/20XX Controle 106 107 Débito 60.000,00 60.000,00 Crédito 60.000,00 60.000,00 Conta Móveis e utensílios Caixa Veículos Móveis e utensílios Histórico Compra de um automóvel, cfe NF-e 5.201, da Veículos Ltda Transferência que se processa da 2a para a 1a conta, tendo em vista lançamento indevido nº 106 de 01/02/20XX, ref. a compra de automóvel, cfe NF-e. 5.201 Fonte: O autor (2021). A complementação é o lançamento que vem posteriormente complementar, aumentando ou reduzindo o valor anteriormente registrado. Vamos supor agora que, você registrou o pagamento de uma fatura de energia elétrica e, posteriormente percebeu que esse lançamento foi feito com valor a menor do que o efetivamente pago. Observe na figura 21 o lançamento original e o lançamento de complementação. O primeiro registro mostra o lançamento incorreto e o segundo, a retificação. Figura 22 — Lançamento de complementação CAIXA 5.000,00 2.350,00 150,00 b. 1.500,00 c. 1.000,00 d. CAPITAL SOCIAL 5.000,00 MOVEIS E UTENS. a. 2.500,00 MAT. EXPED. (despesa) 150,00 SALÁRIOS A PAGAR c. 1.500,00 ALUGUEL A PAGAR d. 1.000,00 CONTAS A PAGAR 2.500,00 a. 1.500,00 1.000,00 Fonte: O autor (2021). OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS 85 Independentemente da forma de retificação de lançamento utilizada, o histórico do lançamento precisa conter o motivo da retificação, a data e a localização do lançamento de origem. IMPORTANTE A omissão de um lançamento na época oportuna, segundo Ribeiro (2018), pode ser corrigido, assim que o contador efetuar o registro do fato no dia em que se verificou a omissão, mencionando, no histórico, o motivo e a data correta do evento. Eventualmente, se essa omissão implicar na falta de recolhimento de tributos, a empresa deverá providenciar os respectivos recolhimentos, conforme a legislação. No período em que a escrituração contábil era feita de maneira manual, estava sujeita a erros de redação, borrões, rasuras, escritos nas entrelinhas, intervalos em branco, erros de valores lançados a maior ou a menor, troca de uma conta por outra, inversão de contas, etc. Com a informatização dos sistemas contábeis, a maioria dos lançamentos incorretos podem ser corrigidos por meio da alteração ou exclusão do lançamento incorreto, desde que, isso ocorra antes do encerramento da competência no sistema. Escrituração da constituição da empresa A escrituração contábil de uma entidade deve ser mantida desde o momento da sua abertura, até a finalização de suas atividades (caso venha a acontecer). Nesta seção, estudaremos os lançamentos contábeis correspondentes à constituição do capital de uma empresa. A partir deste ponto, não utilizaremos o modelo de escrituração do Livro Diário com os históricos. Para facilitar o entendimento, será apresentado um esquema resumido para identificação dos débitos e créditos nas contas contábeis. UNI A constituição do capital de qualquer empresa, seja ela individual (empresário) ou sociedade, a conta Capital será sempre creditada. Em contrapartida, será debitada a conta Caixa ou várias outras, que representem o conjunto de elementos entregues pelo titular ou pelos sócios, para constituição do respectivo capital. (RIBEIRO, 2018). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 86 Cabe ressaltar, que dependendo do tipo de entidade (empresário individual, sociedade limitada, sociedade anônima, etc.) haverá algumas particularidades nesse lançamento, principalmente quanto à nomenclatura e a fórmula do lançamento utilizada. Para fins didáticos, consideraremos a constituição de uma sociedade limitada. NOTA No processo de escrituração da constituição do capital, devem ser observados dois momentos, a integralização (ou realização) e a subscrição (ou constituição) do capital. Ribeiro (2018) saliente que a subscrição do capital, é o momento no qual o titular, ou sócios, decidem sobre a fundação da empresa, valor do capital e sua composição (em dinheiro ou em diversos valores ativos), igualmente sobre a forma com que esse capital, será entregue para a empresa (de uma só vez ou em parcelas). Nessa etapa, os sócios assumem o compromisso de investir, na entidade, o valor da parte do capital que cabe a cada um deles, em dinheiro ou em diversos elementos. Normalmente, a subscrição ocorre com a assinatura do contrato ou do estatuto social. (RIBEIRO, 2018). O lançamento contábil, nessa etapa, acontece efetuando-se o crédito da conta Capital, que pode ser denominada também de Capital Inicial, Capital Subscrito, Capital Social ou Capital Nominal. O débito de uma conta representa o direito, que a empresa tem de receber o valor do capital do sócio. Assim, dependendo da entidade que estiver sendo constituída, a conta de débito pode receber intitulação própria, conforme demonstrado no quadro 8: Quadro 8 — Contas para débito da subscrição conforme tipo de entidade Tipo de entidade Conta a ser debitada Empresa individual (empresário) Titular conta Capital a Realizar (ou a Integralizar). Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Quotistas conta Capital a Realizar (ou a Integralizar) Sociedade em nome coletivo Sócios conta Capital a Realizar (ou a Integralizar) Sociedades anônimas (por ações) Acionistas conta Capital a Realizar (ou a Integralizar) Fonte: Adaptado de Ribeiro (2018). As denominações “Capital a Realizar” ou “Capital a Integralizar” são aceitas para qualquer entidade, que pode inclusive, haver na intitulação da conta uma denominação que caracterize cada sócio. Como exemplo, apontaremos o seguinte caso: vamos supor que Márcio e Amanda se conhecem há algum tempo e decidiram abrir um comércio de produtos de perfumaria e higiene pessoal. Os dois decidiram constituir uma sociedade limitadas sob a denominação de "Comércio OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS 87de Perfumes Ltda." e acordaram que seria necessário investir inicialmente R$ 5.000,00, sendo que cada um investirá a metade. O lançamento da subscrição do capital ficaria da seguinte forma: DÉBITO Márcio - Capital a Integralizar R$ 2.500,00 Amanda - Capital a Integralizar R$ 2.500,00 CRÉDITO Capital Social R$ 5.000,00 A próxima etapa consiste na integralização do capital. Esse é o momento, segundo Ribeiro (2018), no qual o titular ou os sócios entregam para a empresa os valores em dinheiro, ou em outros elementos, pelos quais se comprometeram no momento da subscrição do capital. Observe que a integralização do capital dos sócios não precisa ocorrer no ato da constituição da empresa, é comum que aconteça depois. Esse ato deve estar previsto no contrato ou estatuto social. NOTA O lançamento da integralização é simples, basta debitar as contas do Ativo, que representam o elemento ou o conjunto de elementos que cada sócio estiver entregando para a empresa, como pagamento de sua parte do capital, e creditar a conta que registrou, no lançamento da subscrição, o direito da empresa sobre o titular ou sócios. Nem sempre os sócios fazem a integralização do capital em dinheiro, pode ser feita por meio da entrega de veículos ou outros bens. NOTA Voltando a situação exemplo, observe como será o lançamento da integralização de capital do “Comércio de Perfumes Ltda.”: DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 88 DÉBITO Caixa R$ 5.000,00 CRÉDITO Márcio - Capital a Integralizar R$ 2.500,00 Amanda - Capital a Integralizar R$ 2.500,00 A organização do Balanço Patrimonial do "Comércio de Perfumes Ltda.", nesse momento, teria no seu demonstrativo um saldo de R$ 5.000,00 no Ativo Circulante, referente a conta Caixa, e R$ 5.000,00, no Patrimônio Líquido, referente a conta Capital Social. 89 AUTOATIVIDADE 1. Apesar da maioria dos sistemas contábeis facilitarem o processo de escrituração, o contador precisa conhecer o raciocínio do lançamento contábil. Esse saber facilita e permite que o processo seja efetuado da maneira mais rápida e correta, sendo que, há etapas que devem ser seguidas para a realização de um lançamento contábil. Ordene as etapas a seguir, conforme a lógica da escrituração de um fato contábil: ( ) Preparar o histórico do lançamento ( ) Descobrir o local e a data ( ) Registrar o lançamento no Livro Diário. ( ) Identificar as contas utilizadas para o lançamento ( ) Averiguar o documento comprobatório ( ) Definir a conta debitada e a conta creditada ( ) Observar os elementos envolvidos Gabarito 1. Respostas: 6, 1, 7, 4, 2, 5, 3. 90 TÓPICO 2 UNIDADE 3 REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES Registros básicos Nesta seção, estudaremos sobre os lançamentos básicos das situações mais comuns da empresa. Note que o objetivo é fornecer uma base para que você consiga desenvolver o seu raciocínio, para desenvolver os lançamentos contábeis. No trabalho do profissional contábil, certamente surgirão situações que não foram abordadas por esse Caderno. Nesse caso, você pode procurar orientação nas Normas e Instruções Contábeis a respeito do procedimento correto de escrituração. UNI Para exemplificar os lançamentos básicos, utilizaremos o caso do “Comércio de Perfumes Ltda.”. Nesse sentido, a empresa ainda não começou a vender, mas algumas movimentações já estão acontecendo, conforme se pode observar no quadro 9. Quadro 9 – Lançamentos básicos Data Descrição Valor (R$) a. 02/01/20XX Compra de móveis, com pagamento a prazo para 30 dias 2.500,00 b. 03/01/20XX Compra de material de expediente para uso no mês, com pagamento a vista 150,00 c. 05/01/20XX Pagamento de salários do mês anterior 1.500,00 d. 05/01/20XX Pagamento de aluguel do mês anterior 1.000,00 Fonte: O autor (2021). No início dos trabalhos de uma empresa, é muito comum a necessidade de adquirir itens do Imobilizado, para proporcionar o desenvolvimento das atividades. Assim, conforme o exemplo do “Comércio de Perfumes Ltda.”, vamos supor que os sócios identificaram a necessidade de adquirir alguns móveis, antes de iniciarem suas atividades. REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES 91 Ao efetuar um lançamento, lembre do passo a passo apresentado na seção anterior, que pode auxiliar nesse processo. DICAS A aquisição dos móveis pode ocorrer de duas maneiras específicas, com pagamento à vista, e nesse caso, o crédito deve ser feito no Ativo Circulante, na conta Caixa ou Banco, dependendo de onde saiu o recurso para a compra, e o débito na conta de Móveis e Utensílios do Imobilizado, pertencente ao subgrupo do Ativo Não Circulante. Contudo, observe no fato “a”, que a compra dos móveis foi a prazo para 30 dias, isso significa que a contrapartida estará no Passivo Circulante. a. DÉBITO Móveis e utensílios R$ 2.500,00 CRÉDITO Contas a pagar R$ 2.500,00 O fato “b” consiste na compra de material de expediente, que neste caso, constitui uma despesa do mês, com pagamento a vista e em dinheiro. Portanto, a contrapartida da conta de despesa será o Caixa. b. DÉBITO Material de expediente (despesa) R$ 150,00 CRÉDITO Caixa R$ 150,00 Lembre-se que todos os lançamentos de despesas e receitas devem observar o princípio da competência. Ou seja, devem ser registrados na data de ocorrência do fato e independente do recebimento ou pagamento. ATENCAO O item “c” corresponde ao pagamento dos salários incorridos no próprio mês. O lançamento pode ser feito da seguinte forma: 92 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS c. DÉBITO Salários a pagar R$ 1.500,00 CRÉDITO Caixa R$ 1.500,00 E, o item “d” corresponde ao pagamento dos do aluguel do próprio mês. O lançamento pode ser feito da seguinte forma: d. DÉBITO Aluguel a pagar R$ 1.000,00 CRÉDITO Caixa R$ 1.000,00 Observe que todas as despesas foram incorridas e pagas no mesmo mês. Vejamos agora como ficariam os lançamentos transcritos para os razonetes: Figura 22 – Registro nos razonetes CAIXA 5.000,00 2.350,00 150,00 b. 1.500,00 c. 1.000,00 d. CAPITAL SOCIAL 5.000,00 MOVEIS E UTENS. a. 2.500,00 MAT. EXPED. (despesa) 150,00 SALÁRIOS A PAGAR c. 1.500,00 ALUGUEL A PAGAR d. 1.000,00 CONTAS A PAGAR 2.500,00 a. 1.500,00 1.000,00 Fonte: O autor (2021). Como um modo de verificação, vamos elaborar também o Balancete de Verificação desse primeiro período. Para tanto, deve ser transcrito o saldo e movimentação das contas, conforme o modelo que a empresa optar por utilizar. REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES 93 Figura 23 – Balancete de verificação Balancete de Verificação 31/01/20XX Conta Caixa Capital Social Móveis e Utensílios Contas a Pagar débito crédito 2.350,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 débito crédito 2.650,00 2.500,00 2.500,00 débito Saldo anterior Movimento Saldo atual 5.000,00 crédito 2.500,00 Material de expediente Salários a pagar Aluguel a pagar Total 150,00 - - 5.000,00 5.000,00 150,00 1.500,00 1.000,00 5.150,00 5.150,005.000,00 5.000,00 1.500,00 1.000,00 Fonte: O autor (2021). Perceba que mesmo com todas as movimentações das contas, a coluna de débitos sempre corresponde ao mesmo valor da coluna de créditos do período. Assim, se isso não ocorrer, algume vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL UNIDADE 1 Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 - Aspectos gerais TÓPICO 2 - A importancia da informação contábil TÓPICO 3 - Elementos patrimoniais A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • Compreender os principais aspectos da ciência contábil; • Conhecer a importância dos princípios contábeis e normas vigentes; • Definir os principais conceitos dos elementos de patrimoniais. 10 Você já parou para analisar a extensão do seu patrimônio e o quanto isso impacta na sua vida? Estou falando aqui não só dos seus bens, mas também das suas dívidas, caso existam. Agora, pense que você quer realizar algum sonho e um amigo que sabe o quanto isso é importante para você, decidir te emprestar dinheiro para que coloque o seu sonho em prática. Logicamente, quando seu amigo te emprestou dinheiro, ele gostaria de saber como está sendo usado e, principalmente se ao final desse processo de seguir seu sonho, você será capaz de devolver esse valor para ele. Essa lógica também é aplicada às empresas. Os sócios, acionistas e bancos, por exemplo, investem recursos financeiros, tempo e/ou capital intelectual em uma organização esperando que esses recursos retornem para eles no futuro. No acompanhamento desse processo de onde e como os recursos estão sendo aplicados, a Contabilidade é um instrumento essencial para divulgar as informações a respeito das variações patrimoniais de uma empresa para as partes interessadas. 11 UNIDADE 1 ASPECTOS GERAIS TÓPICO 1 História da contabilidade Você já pensou como estudamos todas as ciências de maneira separada, no entanto, às vezes nos esquecemos de como tudo está interligado? A contabilidade é talvez, uma das ciências mais antigas que se tem registro na história. Ela foi evoluindo através do tempo, acompanhando as necessidades das sociedades de cada período, e nos permite entender muitas vezes a própria história. A história da contabilidade é a história da nossa era; de muitas formas, a própria contabilidade conta essa história, pois os registros contábeis fazem parte da matéria-prima dos historiadores. Aprendemos muito a respeito de Isaac Newton e John Wesley graças aos livros contábeis que mantiveram. (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2014, p. 39). Os registros não tinham por objetivo contar os acontecimentos da maneira que encontramos nos livros de história, por exemplo. Mas, apresentar os fatos que alteram o patrimônio, seja por meio de registros de despesas ou testamentos que ajudam os historiadores a compreenderem melhor as situações ocorridas na época. Um testamento, por exemplo, pode ajudar a compreender não somente o tamanho do patrimônio, mas também sobre os herdeiros de pessoas importantes na história, ou em relação a árvore genealógica de alguém. Não se sabe ao certo quem “inventou” a contabilidade. Lunkes e Schnorrenberger (2009, p. 2) salientam que alguns estudiosos defendem que “procedimentos contábeis já ocorriam quando os homens das cavernas precisavam prever a necessidade de comida para os longos invernos, bem como quando contavam suas ovelhas e avaliavam a evolução dos seus rebanhos”. Entretanto, há diversos registros de documentos contábeis na biblioteca de Alexandria. [...] os agricultores egípcios nas margens do Nilo pagavam aos coletores de tributos com cereais e linhaça pelo uso de água para irrigação. Recibos eram dados aos agricultores desenhando-se figuras de recipientes de cereais nas paredes de suas casas. Os arqueólogos creem que as fichas de argila abundantes na Mesopotâmia eram usadas, de maneira similar, para fins contábeis. Sistemas contábeis sofisticados parecem ter existido na China já em 2.000 a.C., e referências intrigantes denotam uma familiaridade com o sistema de partidas dobradas em Roma no início da era cristã (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2014, p. 42). UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL 12 O principal marco da história contábil é o livro Suma de arithmetica, geométrica, proportioni et porportionalitá, escrito em 1494, por Luca Pacioli – um frei franciscano, que segundo Hendriksen e Van Breda (2014), foi professor e estudante das universidades de Perúgia, Florença, Pisa e Bolonha. Luca Pacioli convidado pelo Papa Leão X, foi professor de Matemática na Universidade de Roma, onde encerrou sua carreira. O livro de Pacioli, publicado pouco tempo após a invenção da prensa, apesar de destacar a matemática, incluía uma seção sobre o sistema de escrituração de partidas dobradas O Método das Partidas dobradas consiste basicamente em uma igualdade de valor entre os débitos e créditos. Ou seja, para todo débito deve haver um ou mais créditos que totalizem o valor e vice-versa. Desse modo, a soma dos saldos devedores sempre equivalerá à soma dos saldos credores. ATENCAO Contudo, os sistemas de escrituração Partidas Dobradas (no qual se baseiam os lançamentos contábeis) já eram utilizados antes da publicação do livro de Pacioli. O primeiro registro de um sistema completo de escrituração por Partidas Dobradas foi encontrado nos arquivos municipais da cidade de Gênova, Itália, no ano de 1340. Fragmentos anteriores foram encontrados nas contas de Giovanni Farolfi & Companhia, uma empresa de mercadores de Florença em 1299-1300, e nas de Rinieri Fini & Irmãos, que negociavam em feiras e eram famosos em sua época na região de Champagne, na França (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 2014). Crepaldi e Crepaldi (2017) mencionam que nos séculos seguintes ao livro de Pacioli, a contabilidade começou a ser utilizada por instituições como a Igreja e o Estado, tornando-se também um importante instrumento no desenvolvimento do capitalismo. Nesse período, as técnicas e as informações ficavam restritas ao dono do empreendimento, pois os livros contábeis eram considerados sigilosos. O que prejudicou o desenvolvimento da ciência. Pense comigo: se os dados contábeis eram sigilosos e de acesso a poucos, como haveria troca de ideias entre os profissionais possibilitando o desenvolvimento desta ciência? Neste sentido, SOUZA (2014) destaca, que por volta do ano de 1500, surgiram os primeiros bancos e investidores, cujas fortunas vieram do comércio. Assim, em parceria com os reis e príncipes estabeleceram as primeiras associações de capital, gerando, consequentemente, a necessidade de haver contabilidade para prestação de contas aos principais investidores. Já com a Revolução Industrial, em 1756, surgiram as primeiras fábricas. E, com a expansão do capitalismo, nasceram as primeiras corporações empresariais espalhadas por vários países, o que exigiu relatórios contábeis mais sofisticados. ASPECTOS GERAIS 13 No Quadro 1, é apresentada a evolução da contabilidade ao longo dos últimos cinco séculos. Quadro 1 — Evolução da contabilidade Período Principais características da contabilidade 1299 a 1300 Utilização do método das partidas dobradas nas contas de Giovanni Farolfi & Companhia, uma empresa de Florença, e nas de Rinieri Fini & Irmãos, da região de Champagne, na França. Até 1500 Primórdios da era do pensamento científico da contabilidade, com a publicação da obra de Frei Luca Pacioli. Primeiras demonstrações contábeis preparadas para fins de prestação de contas aos financiadores das expedições marítimas. 1500 a 1900 Ênfase nos balancetes financeiros. Sistema de partidas dobradas para os registros contábeis preparados quase que exclusivamente para os proprietários do capital. Surgimento da auditoria interna e dos arrecadadores de impostos. 1900 a 1930 Primórdios da auditoria externa e dos contadores públicos certificados. Aparecimento das grandes corporações transnacionais americanas e aprimoramento das demonstrações contábeis para atender a finalidades tributárias e imposto de renda.lançamento deve estar com o valor incorreto. sse foi um exemplo básico do processo de lançamentos contábeis. Abordaremos casos específicos e a apuração do resultado nas próximas seções. ESTUDOS FU TUROS Caixa versus competência Você já deve ter ouvido sobre o regime de caixa e o regime de competência. Sabemos que os lançamentos contábeis para as contas de resultado (despesas e receitas) devem sempre observar o regime de competência. Mas, o que seriam esses dois regimes? De acordo com Iudícibus (2019), no regime de competência as receitas e as despesas são consideradas em função do seu fato gerador (sua ocorrência) e não em função do recebimento da receita, ou pagamento da despesa. O Regime de Caixa considera as receitas e despesas do exercício que efetivamente são recebidas e pagas dentro desse período. Todavia, não é aceito na contabilidade das empresas. Por exemplo, na: Compra de material de escritório a prazo, em julho, o qual será consumido em agosto e cujo pagamento se dará em outubro. Não é lógico considerar a despesa no mês de aquisição, nem no mês do pagamento, mas no período em que o material for consumido e que, neste exemplo, é o mês de agosto. No Regime de Competência, deve ser dada atenção especial ao reconhecimento do fato gerador da receita 94 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS e da despesa. Por exemplo, o fato gerador da despesa de material de escritório é o consumo dele, e não a compra ou o pagamento. Apenas quando os valores envolvidos forem muito pequenos pode-se aceitar o registro como despesa já no ato da aquisição. (IUDÍCIBUS, 2019). A observância do princípio da competência é fundamental para a correta apuração do resultado da empresa em cada exercício social. Em muitos casos, é importante que sejam feitos, não somente os lançamentos normais do período, mas a apropriação das despesas a pagar e receitas a receber. Para exemplificar vamos utilizar os salários dos colaboradores. Imagine que o “Comercial de Perfumes Ltda.” passou a pagar os seus funcionários no quinto dia útil do mês subsequente ao mês trabalhado (conforme permite a legislação). Dessa forma, o funcionário que trabalhar o mês de dezembro receberá seu pagamento até o quinto dia útil do mês de janeiro. Assim, se a contabilidade fizer o lançamento do pagamento do salário em janeiro, e utilizar como contrapartida a conta de despesa, ao se apurar o resultado do mês, ficará distorcido. De acordo com o lançamento efetuado, a despesa estará no mês de janeiro e não em dezembro, quando efetivamente aconteceu. Essa situação impacta no lucro ou prejuízo da empresa, principalmente na informação fornecida ao usuário. Nesse caso, o correto a se fazer é a apropriação da despesa. Assim em 31/12/20XX, será feito o lançamento da despesa, utilizando como contrapartida a conta do Passivo Circulante, como no exemplo: DÉBITO Salários (despesa) R$ 1.500,00 CRÉDITO Salários a pagar R$ 1.500,00 Desse modo, a despesa ficará no exercício correto, e sinaliza para a contabilidade uma obrigação referente ao pagamento de salários, para cumprir no próximo exercício. Quando ocorre o pagamento, em 05/01/20XX, o lançamento será o seguinte: DÉBITO Salários a pagar R$ 1.500,00 CRÉDITO Caixa R$ 1.500,00 Desse modo, encerra a obrigação, e o mesmo ocorre com os impostos sobre a folha de pagamento, impostos sobre as vendas, demais despesas e receitas de vendas e/ou prestação de serviços. REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES 95 Operações mercadorias O registro da venda de mercadorias é relativamente simples, credita-se a conta de Receita de vendas e debita-se a conta Caixa/Banco/Clientes. Porém, não se deve esquecer que as mercadorias vendidas tiveram um custo de produção ou aquisição. Custo da Mercadorias Vendidas (CMV) O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) pode ser apurado de duas formas, por meio de inventário periódico ou inventário permanente. No Inventário Periódico as empresas pequenas ou sem grandes controles, para apurarem o Resultado com a Venda das Mercadorias (RCM), realizam a contagem física do Estoque de Mercadorias ao final do período. A diferença entre o total das Mercadorias Disponíveis para Venda durante o período e o Estoque Final, resultará no Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) desse período. O Inventário Permanente realiza o controle de modo contínuo no Estoque de Mercadorias e registra a baixa do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) a cada venda. O controle permanente se aplica a todas as mercadorias vendidas (CMV) e as que não foram vendidas (Estoque Final). A soma dos custos das vendas define o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) total do período. Na realização do Inventário Permanente, se utiliza uma ficha de controle para conhecer o saldo em estoque, o que no Periódico somente será possível ao final do levantamento físico do estoque. No sistema de inventário permanente são registradas todas as compras diretamente na conta de Estoques de Mercadorias, e o CMV é apurado a cada venda. Vamos supor, que a "Comercial de Perfumes Ltda." adquiriu um estoque de mercadorias por R$ 30.000,00, com pagamento via transferência bancária e vendeu a metade por R$ 25.000,00 a prazo. Assim, temos: a. o lançamento da compra: DÉBITO Estoque de mercadorias R$ 30.000,00 CRÉDITO Banco conta movimento R$ 30.000,00 b. o lançamento da venda: DÉBITO Clientes (Ativo Circulante) R$ 25.000,00 CRÉDITO Venda de mercadorias (Receita) R$ 25.000,00 96 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS c. o lançamento do CMV: DÉBITO Custo das Mercadorias Vendidas (despesa) R$ 15.000,00 CRÉDITO Estoque de Mercadorias R$ 15.000,00 Como o valor da aquisição das mercadorias foi de R$ 30.000,00 e foi vendido a metade, o CMV foi de R$ 15.000,00 (R$ 30.0000/2). O controle do estoque da empresa pode ser feito por meio de um Sistema Informatizado, ou com o auxílio de Fichas de Controle de Estoque, conforme a necessidade da empresa. NOTA Devoluções de mercadorias Há situações em que a empresa é obrigada a receber a devolução da mercadoria ou conceder um abatimento no valor. Essas situações advêm do tipo, qualidade, preço ou qualquer outro fator, que esteja em desacordo com o pedido, ou com a nota fiscal no conceito do cliente. No caso de devolução de mercadorias, o lançamento a ser feito será: DÉBITO Devoluções de Vendas (conta redutora da Receita) CRÉDITO Caixa (ou Clientes) DÉBITO Estoque de Mercadorias CRÉDITO Custo das Mercadorias Vendidas É como se houvesse uma espécie de estorno da operação original. Já no caso de abatimento, o lançamento é mais simples: DÉBITO Abatimento sobre Vendas (conta redutora da Receita) CRÉDITO Caixa (ou Clientes) Agora, se a empresa comprar uma mercadoria, e por algum motivo qualquer, precisar fazer a sua devolução ou solicitar o abatimento do valor, os lançamentos são outros. Para a devolução deve ser lançado: REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES 97 DÉBITO Fornecedores (ou Caixa) CRÉDITO Devoluções de Compras (redutora do estoque) E, para o abatimento: DÉBITO Fornecedores (ou Caixa) CRÉDITOAbatimentos sobre Compras Os encerramentos das contas de devoluções e abatimentos devem ser feitos sempre que a operação ocorra, para que o valor do Estoque de Mercadorias esteja correto ao final de cada período. Fretes e Seguros O custo real de uma mercadoria adquirida não é somente o constante na nota fiscal, mas o resultante da sua soma com todos os gastos necessários, para a colocação do produto em condições de venda. Normalmente, serão os custos de fretes e seguros que aparecerão com maior frequência. Dessa forma, seu lançamento será a débito na conta de Fretes e a contrapartida, na conta Caixa ou Contas a Pagar, dependendo da situação. No caso de Despesas com Fretes, devem ser lançadas como despesas normais do período, a serem calculadas na apuração do resultado líquido. (IUDÍCIBUS, 2019). Imposto sobre compras e vendas Em quase todas as operações de compra e venda de mercadorias há a incidência de impostos. Esses impostos devem estar registrados conforme o regime de competência. Os impostos mais comuns são: a. Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); b. Programa de Integração Social (PIS); c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); d. Imposto de Importação. As alíquotas desses impostos e os lançamentos contábeis dependem do regime tributário no qual a empresa se enquadra (Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional) e da legislação fiscal. 98 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Depreciação Assim que a empresa adquire um bem do Ativo Imobilizado, um veículo, por exemplo, espera utilizar esse bem por mais de um exercício social. Contudo, esse veículo terá um determinado tempo útil, e com o tempo sofrerá os desgastes ou será consumido. Agora pense no regime da competência. Seria correto atribuir o valor do veículo (R$ 30.000,00) em sua totalidade, como despesa do período, no qual foi adquirido, sendo que, será utilizado por mais de um exercício social? A maioria dos itens do Imobilizado possui um tempo de vida útil limitado e estimável, que servirá de base para o rateio da despesa em cada exercício. A distribuição da despesa por vários períodos contábeis, no valor do ativo fixo, é feita pelo procedimento contábil denominado depreciação. (IUDÍCIBUS, 2019). Vamos utilizar como exemplo o veículo mencionado, que foi adquirido pelo valor de R$ 30.000,00 e tem uma vida útil estimada de cinco anos – conforme determina a Receita Federal, para fins fiscais. Para saber o valor da depreciação, o que se precisa fazer é dividir o valor de veículo pelo tempo, então temos um valor de depreciação de R$ 6.000,00/ano. A parcela de R$ 6.000,00 é a despesa de depreciação de um ano e deverá ser registrada por um lançamento de ajuste, porque, caso seja ignorada, o resultado líquido do período estará incorreto. Esse ajuste, bem como o de outras apropriações, poderá ser mensal mesmo quando o exercício for anual. O lançamento da depreciação ocorre por meio de um débito em conta de despesa (Despesa de Depreciação/Veículos) e um crédito em uma conta separada (Depreciação Acumulada/Veículos – Retificadora do Ativo Veículos). Iudícibus (2019) alerta que o crédito, ao contrário dos exemplos anteriores, não deve acontecer diretamente na conta de ativo (Veículos), por ser um valor calculado aproximadamente, e para que não cancele o custo histórico do investimento. Mas, o que acontece quando o saldo da conta Depreciação Acumulada se igualar ao valor do item do Ativo? O lançamento de ajuste cessará, porque o total de seu custo será apropriado ao Resultado. Dessa forma, se os elementos do Ativo, sujeitos à depreciação, forem adquiridos durante o período contábil, a depreciação deverá ser computada para um período fracionário. A depreciação constitui uma estimativa, sendo assim, parece desnecessário que o cálculo do período fracionário seja feito em dias. (IUDÍCIBUS, 2019). Apuração do resultado As entidades precisam fazer a apuração de resultados pelo menos uma vez por ano. O lucro ou prejuízo de um exercício depende do confronto das contas de receita e de despesa, e esse resultado líquido é apurado na conta Resultado. (IUDÍCIBUS, 2019). REGISTRO DAS PRINCIPAIS OPERAÇÕES 99 Para apurar o Resultado da empresa, as contas de receita e despesa devem ser encerradas, ou seja, o saldo dessas contas depois da apuração do resultado do exercício deve ser zero. O encerramento das contas de receita, conforme destaca Iudícibus (2019), será realizado pela transferência (débito) de seus saldos credores para crédito da conta Resultado. As contas de despesa são encerradas pela transferência (crédito) de seus saldos devedores para débito da conta Resultado. Assim, se ao final dessas transferências, a conta Resultado ficar com saldo credor, significa que as receitas foram superiores ao custo e despesas, e a entidade obteve lucro no período. O saldo da conta Resultado aparece como negativo, quando as despesas forem superiores às receitas e no período em questão, a empresa teve prejuízo. Esse saldo da conta Resultado deve ser transferido para a conta Lucros Acumulados ou para a conta Prejuízos Acumulados, do Patrimônio Líquido. EXEMPLO: Vamos supor que ao final do exercício social a empresa apresentou os seguintes saldos nas contas de despesas e receitas: Figura 24 – Razonetes de encerramento das despesas VENDA DE MERC. 2.500,00 1.500,00 1.000,00 2.500,00 7.500,00 ENERGIA ELÉTRICA 110,00 ÁGUA E ESGOTO 52,00 MATERIAL DE EXPED. 150,00 SALÁRIOS 1.500,00 ALUGUEL 1.000,00 CMV 2.500,00 Fonte Autor (2011): Para encerramento da conta de Receita, vamos debitar o valor do saldo e creditar a conta Resultado do Exercício: DÉBITO Venda de Mercadorias R$ 7.500,00 CRÉDITO Resultado do Exercício R$ 7.500,00 Agora, para encerramento das constas de despesas, vamos creditar cada uma delas e debitar a conta de Resultado do Exercício: DÉBITO Resultado do Exercício R$ 5.312,00 CRÉDITO Energia elétrica R$ 110,00 Água e esgoto R$ 52,00 Energia elétrica R$ 110,00 CMV R$ 2.500,00 Material de expediente R$ 150,00 100 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Salários R$ 1.500,00 Aluguel R$ 1.000,00 Dessa maneira, todas as contas de Receitas e Despesas foram zeradas e a conta de Resultado do Exercício apresenta um saldo a crédito (portanto, lucro) no valor de R$ 2.188,00. Figura 25 – Razonete de apuração do resultado VENDA DE MERC. 7.500,005.312,00 2.188,00 Fonte: Autor (2011). Iudícibus (2019) apresenta a hipótese de se apurar lucro em determinado exercício, após ser transferido para a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, será distribuído desta para outras contas, por meio de lançamentos contábeis (livros Diário e Razão) de forma a atender: • Normas legais, pela constituição da Reserva Legal; • Normas estatutárias, pela constituição de Reservas Especiais, sem prejuízo dos dividendos normais; • Proposta de distribuição da administração, ad referendum dos proprietários (sócios, acionistas), no pressuposto de sua aprovação formal posterior por esses proprietários. O lançamento ocorrerá no débito na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, com crédito na conta de Reservas, ou Lucros a Distribuir. No caso de prejuízo do exercício, o saldo positivo (se houver) de Lucros ou Prejuízos Acumulados será reduzido. Desse modo, se a contaficar com saldo devedor (Prejuízo Acumulado), obrigatoriamente serão transferidos para os saldos das Reservas de Lucros (a última a ser usada será sempre a Reserva Legal), para que seu saldo fique zerado. (IUDÍCIBUS, 2019). Por fim, concluída a escrituração dos livros Diário e Razão, após seu encerramento, apuração e distribuição do Resultado do Exercício, será levantado o Balancete de Verificação do Razão e, em seguida, são elaboradas as Demonstrações Contábeis. 101 AUTOATIVIDADE 1. A apuração do resultado do exercício consiste na etapa fundamental para elaboração das demonstrações contábeis. Para encerar os saldos das contas de resultado, transferindo os devidos valores para a conta de Resultado do exercício, o que é preciso? Assinale a alternativa CORRETA: a. Creditar as contas de despesas, debitar a conta Resultado do exercício, e, debitar as contas de receitas, creditar a conta Resultado do exercício. b. Creditar as contas ao ativo circulante, debitar a conta Resultado do exercício, e, debitar as contas do passivo circulante, creditar a conta Resultado do exercício. c. Debitar as contas de despesas, creditar a conta Resultado do exercício, e, creditar o Patrimônio Líquido, debitar a conta Resultado do exercício. d. Debitar as contas de despesas, creditar a conta Resultado do exercício, e, creditar as contas de receitas, debitar a conta Resultado do exercício. 102 TÓPICO 3 UNIDADE 3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As demonstrações contábeis Estudamos na primeira unidade que o objetivo principal da Contabilidade é fornecer aos usuários internos e externos, informações uteis para que definam suas decisões. Mas, está claro para você como isso ocorre? Se você pensou nas demonstrações contábeis, está correto. A Norma Contábil que dispõe sobre a Apresentação das Demonstrações Contábeis no Brasil é a NBC TG 26 (R5). Em seu item 9, define as demonstrações contábeis como uma representação estruturada da posição patrimonial e financeira e do desempenho da entidade. O principal objetivo das demonstrações contábeis, ainda segundo a NBC TG 26 (R5), consiste em proporcionar informação referente a posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade, que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações e decisões econômicas. As demonstrações contábeis objetivam apresentar os resultados da atuação na administração, em face de seus deveres e responsabilidades, na gestão dos recursos. Para satisfazer a esse objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam informação da entidade sobre: a. Ativos; b. Passivos; c. Patrimônio líquido; d. Receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas; e. Alterações no capital próprio mediante integralizações dos proprietários e distribuições a eles; e f. Fluxos de caixa. Essas informações, adicionadas a outras informações constantes das notas explicativas, ajudam os usuários das demonstrações contábeis, na previsão dos futuros fluxos de caixa da entidade e, em particular, a época e o grau de certeza de sua geração. De acordo com a NBC TG 26 (R5), o conjunto completo de demonstrações contábeis inclui: DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 103 a. Balanço patrimonial ao final do período; b. Demonstração do resultado do período; a. Demonstração do resultado abrangente do período; c. Demonstração das mutações do patrimônio líquido do período; d. Demonstração dos fluxos de caixa do período; a. Demonstração do valor adicionado do período, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador, ou mesmo, se apresentada voluntariamente; e. Notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis significativas e outras informações elucidativas; a. Informações comparativas com o período anterior; f. Balanço patrimonial do início do período mais antigo, comparativamente apresentado, quando a entidade aplica uma política contábil retrospectivamente, ou procede à reapresentação retrospectiva de itens das demonstrações contábeis, ou quando procede à reclassificação de itens de suas demonstrações contábeis. O organograma 1 demonstra a classificação das demonstrações contábeis (ou financeiras) conforme o tipo de informação que fornecem ao usuário. Organograma 1 — Classificação das demonstrações contábeis Balanço Patrimonial (BP) Principais demonstrações contábeis Notas explicativas Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Detalhamentos Detalhamentos Posição financeira e patrimonial Fonte: Bazzi (2014, p. 203). 104 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Obrigatoriedade A obrigatoriedade das Demonstrações Financeiras varia de acordo com o tipo de sociedade empresarial. A Lei n. 6.404/1976, dispõe sobre as Sociedades por Ações em seu artigo 176, determina que ao fim de cada exercício social, a diretoria apresentará, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deve exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I. Balanço patrimonial; II. Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III. Demonstração do resultado do exercício; IV. Demonstração das origens e aplicações de recursos; V. Demonstração dos fluxos de caixa; VI. Em companhia aberta a demonstração do valor adicionado. No inciso 2º do artigo 186, da Lei n. 6.404/1976, dispensa as companhias da obrigatoriedade de elaborar a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, desde que elaborem a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. A Demonstração do Valor Adicionado somente será obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto, e que a companhia fechada com Patrimônio Líquido, na data do Balanço, inferior a $ 2.000.000,00 (dois milhões de Reais), estará dispensada da elaboração da demonstração dos fluxos de caixa. (RIBEIRO, 2018). Quadro 10 — Obrigatoriedade da apresentação das DCs Demonstração Contábil Tipo de Empresa Balanço Patrimonial Demonstração do Resultado Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Demonstração dos Fluxos de Caixa Demonstração do Valor Adicionado Notas Explicativas Relatório da Administração Auditoria Externa Publicação das Demonstrações Financeiras *Sociedades Anônimas com ações cotadas nas bolsas de valores. **Empresas que têm ativo total superior a R$ 240.000.000,00 ou receita bruta anal superior a R$300.000.000,00. Todas as empresas Todas as empresas Todas as empresas Sociedades Anônimas de Capital Aberto “e Empresas de Grande Porte” Companhias fechadas com Patrimônio Líquido superior a R$2.000.000,00 Sociedades Anônimas de Capital Aberto Sociedades Anônimas e Empresas de Grande Porte (demais empresas quando necessário) Sociedades Anônimas e Empresas de Grande Porte Sociedades Anônimas de Capital Aberto e Empresas de Grande Porte Sociedades Anônimas Fonte: Padoveze (2017, p. 197). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 105 O quadro 10 mostra as principais demonstrações contábeis e a sua obrigatoriedade conforme o tipo de entidade. O Balanço Patrimonial, por exemplo, é obrigatório para todas as empresas. Dessa forma, a Demonstração do Valor Adicionado será obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto (que negociam ações na bolsa de valores). Publicação A publicação das Demonstrações Contábeis ficará obrigatória somente para as sociedades anônimas, mas isso não desobriga os outros tipos de sociedade da sua elaboração. As Demonstrações de cada exercício devem ser publicadas, com a indicação dos valores correspondentes ao exercício social anterior. Dessa forma, o usuário conhecerá os valores do exercício atual e do exercício anterior,para efeito de comparabilidade. As demonstrações serão, portanto, apresentadas em duas colunas, uma para o ano atual e outra para o ano anterior. (RIBEIRO, 2018). Todas os demonstrativos contábeis devem conter, pelo menos, a denominação da empresa, o título de cada demonstração financeira e a data do exercício social. ATENCAO As Demonstrações Financeiras podem ser apresentadas com a eliminação dos três últimos dígitos (três casas decimais), principalmente em números grandes. Nesse caso, deve-se colocar no cabeçalho das Demonstrações Financeiras a expressão “em $ milhares”. A eliminação de dígitos facilita as publicações e a visualização do usuário. As Demonstrações Financeiras das companhias abertas devem observar as normas internacionais de contabilidade, e são auditadas por auditores independentes registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). NOTA Período de apresentação A Lei das Sociedades por Ações (LSA), Lei no 6.404/76, estabelece que ao fim de cada período de 12 meses, a diretoria da empresa deverá elaborar, com base na Contabilidade, as Demonstrações Financeiras. Este período é denominado exercício social ou período contábil. Não há necessidade de que o exercício social coincida com o ano civil (01/01 a 31/12), todavia, para fins fiscais, o Imposto de Renda sugere o encerramento em 31/12. (MARION, 2018). 106 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Mediante o exposto, após a definição do exercício social pela entidade, há necessidade de se manter sempre na data, para não prejudicar a comparabilidade da informação contábil. As empresas de capital aberto e as instituições financeiras (bancos, financeiras etc.) devem publicar as Demonstrações Financeiras semestralmente, para otimizar as informações ao público interessado, contudo, a divulgação pode ocorrer de modo trimestral. (RIBEIRO, 2018). Para atender às necessidades internas (fins gerenciais) e facilitar a administração da empresa, a Contabilidade deverá apresentar relatórios contábeis em períodos mais curtos (semanal, quinzenal, mensal, etc.). Todavia, em termos legais o período contábil (exercício social) será de 12 meses. A Lei n. 6.404/1976, em seu artigo 289, determina quanto à publicação das Demonstrações Financeiras para as sociedades anônimas de capital aberto. As publicações serão conduzidas ao órgão oficial da União, do Estado ou do Distrito Federal, conforme a localização da sede da companhia, e em outro jornal de maior circulação vinculado a sua localidade. Assim, a Comissão de Valores Mobiliários determina que as publicações ocorram em jornal de maior circulação em localidades onde os valores mobiliários da companhia sejam negociados em bolsa ou mercado de balcão, ou disseminadas por algum outro meio que assegure sua ampla divulgação e imediato acesso às informações. Contudo, se no lugar onde estiver situada a sede da companhia não houver jornal, a publicação poderá se em órgão de grande circulação local. As publicações deverão ser encaminhadas para o mesmo jornal e encaminhado um aviso aos acionistas no extrato da ata da assembleia-geral ordinária. As publicações deverão ser arquivadas no registro do comércio, sendo que as destinadas ao balanço e da demonstração de lucros e perdas poderão adotar a expressão monetária milhar de reais. Em conformidade com a lei, as companhias poderão disponibilizar as referidas publicações em locais na rede de internet. Você pode encontrar as demonstrações contábeis das companhias abertas, que negociam ações na Bolsa de Valores do Brasil no site da B3: DICAS Balanço Patrimonial (BP) O Balanço Patrimonial registra a demonstração contábil obrigatória para qualquer empresa. Da mesma forma, consiste em um relatório que demonstra a situação patrimonial de uma empresa em termos de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. (BAZZI, 2014). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 107 Segundo Ribeiro (2018) a demonstração financeira tem por finalidade evidenciar quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da entidade. O Balanço patrimonial equivale a um demonstrativo composto por duas partes, o Ativo e o Passivo. O Ativo é dividido em dois grupos, no Ativo Circulante e no Ativo Não Circulante. E o Passivo, dividido em três grupos, em Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido. Para relembrar os conceitos de Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido e as contas que compõe cada um desses grupos, leia novamente a Unidade 2. UNI A NBC TG 26 (R5), em seu item 54, orienta que o balanço patrimonial deve apresentar, respeitada a legislação, as seguintes contas: a. Caixa e equivalentes de caixa; b. Clientes e outros recebíveis; c. Estoques; d. Ativos financeiros (exceto os mencionados nas alíneas “a”, “b” e “g”); e. Total de ativos classificados como disponíveis para venda (NBC TG 38) e ativos à disposição para venda de acordo com a NBC TG 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada; f. Ativos biológicos no alcance da NBC TG 29; g. Investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; h. Propriedades para investimento; i. Imobilizado; j. Intangível; k. Contas a pagar comerciais e outras; l. Provisões; m. Obrigações financeiras (exceto as referidas nas alíneas “k” e “l”); n. Obrigações e ativos relativos à tributação corrente, conforme definido na NBC TG 32, dos Tributos sobre o Lucro; o. Impostos diferidos ativos e passivos, como definido na NBC TG 32; p. Obrigações associadas a ativos à disposição para venda de acordo com a NBC TG 31; 108 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS q. Participação de não controladores, apresentada de forma destacada no patrimônio líquido; e r. Capital integralizado e reservas, e outras contas atribuíveis aos proprietários da entidade. A elaboração do Balanço Patrimonial somente será possível após a apuração do resultado do exercício e da efetivação de todos os lançamentos necessários a apuração nos Livros Diário e Razão. Essa etapa é importante para que as demonstrações contábeis, refitam a real situação econômica e financeira da empresa. Do mesmo modo, será fundamental a análise cuidadosa dos saldos de todas as contas patrimoniais, que irão compor o Balanço Patrimonial da empresa, objetivando a correta avaliação desses saldos, conforme os artigos 183 e 184 da Lei n. 6.404/1976. Ribeiro (2018) destaca que a avaliação integra os procedimentos necessários à apuração do resultado do exercício, uma vez que, em decorrência de ajustes a serem efetuados nas contas patrimoniais, o resultado do exercício será afetado. Depois que todos os procedimentos, que visem ao ajuste dos saldos das contas Patrimoniais e de Resultado estiverem concluídos, como o resultado do exercício apurado, as deduções, as participações, as destinações do resultado do exercício calculadas e contabilizadas. Somente assim, as contas Patrimoniais e Extrapatrimoniais (de compensação) permanecerão com saldos no livro Razão. (RIBEIRO, 2018). Desta forma, antes de se elaborar o Balanço Patrimonial, é interessante a utilização do Balancete de Verificação, para se ter certeza de que os procedimentos de débitos e créditos foram efetuados da maneira correta. O Quadro 11 apresenta um exemplo da estrutura do Balanço Patrimonial. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 109 Quadro 11 — Balanço Patrimonial Fonte: Padoveze (2017, p. 198). O exemplo não aborda os saldos, contudo, os dois lados do balanço devem “fechar”. Ou seja, deve conter o mesmo valor para o Ativo Total e para o Passivo Total. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), conforme Ribeiro (2018), significa um relatório contábil, destinado a evidenciar a composição do resultado, formado num determinado período de operações da empresa. A DRE evidencia o resultado econômico da empresa (lucro ou prejuízo apurado no período),confrontando as receitas com os custos e despesas, de acordo com o regime de competência. O que caracteriza como um relatório gerencial indispensável nos trabalhos da contabilidade. 110 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As contas de resultado que integram a DRE são aquelas que representam as despesas e os custos incorridos, e as receitas realizadas em um determinado período. No momento de elaboração da DRE, todas as contas de resultado dever estar com seus saldos encerrados. (RIBEIRO, 2018). A estrutura da DRE está descrita no artigo 187 da Lei n. 6.404/1976, que discrimina a receita bruta das vendas e serviços, deduções das vendas, abatimentos e os impostos. Em relação à receita líquida das vendas e serviços, ao custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto. A lei aborda sobre o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e despesas, sobre o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto. Apresenta as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência, ou previdência de empregados que não caracterizada como despesa. E por fim, sobre o lucro ou prejuízo líquido do exercício e seu montante por ação do capital social. O inciso 1º do artigo 187 da Lei n. 6.404/1976, informa que na determinação de resultado do exercício serão computados as receitas e os rendimentos ganhos no período, conforme sua realização em moeda. Inclusive, os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Padoveze (2017), apresenta os principais conceitos dos componentes da demonstração do resultado do período, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a Receita Operacional Bruta, os tributos incidentes sobre vendas, as devoluções e abatimentos, a evidenciação da receita operacional bruta e de suas deduções em nota explicativa, a Receita Operacional Líquida, o custo das vendas, as despesas operacionais, o lucro operacional antes dos resultados financeiros, o resultado das operações descontinuadas, as despesas financeiras líquidas, a equivalência patrimonial, outras receitas e despesas, a provisão para imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, e por fim, a provisão para participação de administradores e empregados. A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) contará como referência um período de operações da entidade, que para fins gerenciais, há necessidade da demonstração do resultado de cada mês. Esses dados devem revelar o resultado acumulado que inclua o último trimestre de apresentação. Para fins societários e fiscais, será obrigatório a apresentação da demonstração do resultado anual, que na lei evidencia a Demonstração do Resultado como Exercício, sendo que o exercício compreende o tempo de um ano. Assim, em termos gerenciais a DRE pode ser de períodos menores que um ano. O exercício para fins societários, não coincide com o ano civil de janeiro a dezembro, pois considera o exercício assinalado no contrato ou estatuto social, sendo que, para fins fiscais há necessidade de se obedecer ao ano civil. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 111 A Receita Operacional Bruta abrange o valor total da nota fiscal, contudo, exclui os tributos não cumulativos cobrados do comprador como o IPI e o ICMS de substituição tributária. Desta forma, inclui os demais tributos como o ICMS, PIS, Cofins e ISS. Os tributos incidentes sobre vendas compreendem os tributos de ICMS, PIS, Cofins e ISS, que são cobrados nas notas fiscais e o Simples de empresas que se enquadram nesse regime. Em relação às devoluções e abatimentos, as operações ocorrem em um determinado período considerado normal, como, por exemplo, na devolução de uma mercadoria imediatamente, os abatimentos caracterizam erros de preços ou de emissão de nota fiscal. Nessa situação, não se incluem os abatimentos posteriores, como os descontos concedidos em pagamentos antecipados ao vencimento no contrato. Na evidenciação da receita operacional bruta e de suas deduções em nota explicativa, a interpretação dos CPCs aponta que a receita bruta como suas deduções não deve ser apresentada na demonstração dos resultados do exercício. Nesse sentido, devem ser evidenciadas em nota explicativa, incluindo as previstas na Lei 6.404/1976. O motivo seria em razão de que a receita de vendas consiste no fundamental elemento para comparação de tamanho das operações entre as empresas. Devido às variações tributárias no país, a comparação só ocorre pela receita operacional líquida, sendo que, a comparação pela receita operacional bruta não é adequada a situação. A Receita Operacional Líquida depende da interpretação dos CPCs, e a demonstração do resultado do exercício inicia pela receita operacional líquida. O custo das vendas consiste nos gastos necessários à produção dos produtos e serviços, ou organizados para aquisição das mercadorias para revenda. Em relação à indústria e serviços, a apuração do custo ocorre por meio do método de custeamento por absorção, o qual incorpora aos custos diretos de materiais e mão de obra direta. Igualmente, abrange os custos indiretos de fabricação e as depreciações da área industrial, se indústria, ou operacional, relacionado aos serviços. As despesas operacionais consistem em todos os gastos pertinentes as áreas administrativas e comerciais. Dessa forma, os gastos com pesquisas e desenvolvimento pertencem a esse grupo, e as despesas tributárias consideram apenas os tributos que não associados a venda ou compras, como o IPVA, IPTU, etc. Os tributos sobre vendas e comprar de mercadorias e serviços são excluídos das compras, quando recuperados e incluídos no valor das compras, e caso não sejam recuperáveis, como o imposto de Importação, o PIS e Cofins, no regime cumulativo. O lucro operacional antes dos resultados financeiros não se encontra previsto na Lei 6.404/1976, contudo, sua apresentação possui a recomendação do CPC e CFC. O objetivo seria em destacar o lucro operacional separado dos resultados financeiros. Em termos gerenciais, os resultados financeiros não se caracterizam como da operação, sendo decorrentes da estrutura do passivo da companhia, e da existência ou não, de aplicações financeiras. 112 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS O resultado das operações descontinuadas não está previsto na Lei 6.404/1976, e procede da análise dos pronunciamentos contábeis referenciados. Essa situação ocorre quando a empresa vende ou aliena uma área de negócios no período do exercício. Assim, na demonstração do resultado do exercício em que houve a descontinuação das operações, os valores das receitas, custos e despesas dessas operações deverão ser objetos de segregação das demais receitas, custos e despesas, apresentando como resultante na forma destacada na DRE. As despesas financeiras líquidas abrangem todos os encargos financeiros dos empréstimos, financiamentos, títulos descontados, títulos de dívida, atualização monetária e juros de passivos tributários, e outras despesas financeiras, que serão deduzidos das receitas financeiras de aplicações financeiras, atualização monetária e juros de tributos recuperáveis e outras receitas financeiras. A equivalência patrimonial resulta da aplicação do método de equivalência patrimonial nos investimentos em coligadas e controladas, oriundas da contabilização de lucros ou prejuízos proporcionais à participação societária nesses investimentos. Em relação a outras receitas e despesas são apresentadas após o lucro operacional, que representa as eventuais despesas e receitas não recorrentes na operação. Como exemplo, o valor das vendas de ativos de investimentos, imobilizados e intangíveis, e a baixa respectiva dos seus custos decorrente da alienação. No modo de apresentação antiga, era conhecida como resultados não operacionais. A provisão para imposto de renda e contribuição social sobre olucro líquido aponta sobre o valor dos tributos sobre o lucro apurado pelos regimes tributários de lucro presumido e lucro real. As empresas do lucro real possuem essa conta para incorporar os tributos diferidos, ativos ou passivos, que advêm das adições ou exclusões temporárias controladas na parte B do livro de apuração do lucro real, assim como, os tributos diferidos de prejuízos fiscais compensáveis. Na provisão para participação de administradores e empregados constam apenas as rubricas de participações estatutárias. Nesse caso, não se enquadram as remunerações variáveis pagas aos administradores, como os salários, ou o valor pago a título de participação dos empregados nos lucros, como o PPR e PLR, considerados como custos de pessoal no grupo encargos sociais espontâneos. A Tabela 2 apresenta um modelo de Demonstração do Resultado do Exercício. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 113 Tabela 2 — Demonstração do Resultado do Exercício DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Período de 01.01 a 31.12 RECEITA OPERACIONAL BRUTA (-) Tributos incidentes sobre vendas (-) Devoluções e abatimentos = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (-) Custo das vendas Custo dos produtos vendidos (se indústria) Custo dos mercadorias vendidas (se comércio) Custo dos serviços prestados (se serviços) =LUCRO BRUTO (+) Outras receitas operacionais (-) Despesas operacionais Com vendas Administrativas Pesquisa e Desenvolvimento Tributárias =LUCRO OPERACIONAL ANTES DOS RESULTADOS FINANCEIROS Resultado das operações descontinuadas (-) Despesas financeiras líquidas Despesas financeiras (-) Receitas financeiras Equivalência patrimonial = LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL (+) Outras receitas (-) Outras despesas = RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA (-)Provisão para imposto de renda e Contribuição social sobre o lucro líquido (-) Participação dos administradores (-) Participação dos empregados = LUCRO (PREJUÍZO) DO EXERCÍCIO Fonte: Padoveze (2017, p. 218). Observe que a DRE parte dos ganhos (Receitas), para descontar os custos e despesas. Essa estrutura possibilita diversas análises por parte dos usuários. Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) As receitas e despesas que, provisoriamente, não transitaram pela demonstração de resultados e foram contabilizadas diretamente no patrimônio líquido, normalmente na conta de Ajustes de Avaliação Patrimonial, se não estiverem evidenciadas na demonstração das mutações do patrimônio líquido, deverão ser apresentadas na demonstração dos resultados abrangentes. (PADOVEZE, 2017). 114 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Figura 26 — Demonstração do Resultado Abrangente DESCRIÇÃO EXERCÍCIO ATUAL $ EXERCÍCIO ANTERIOR $ 1. Resultado do Exercício 2. Outros Resultados Abrangentes: 2.1 Variações na reserva de reavaliação (quando permitida legalmente) 2.2 Ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido 2.3 Ganhos e perdas derivados de conversão de Demonstrações Contábeis de operações exterior 2.4 Ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na remensuração de Ativos financeiros disponíveis para venda. 2.5 Ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa. 2.6 Parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio de método de equivalência patrimonial. 3. Reclassificações dos outros resultados abrangentes para o resultado do exercício 4.Total do Resultado Abrangente do Exercício 5. Total do resultado Abrangente do Exercício atribuível aos: *Acionistas Não Controladores *Acionistas Controladores Companhia: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO Exercício findo em: Fonte: Ribeiro (2018, p. 424). A demonstração dos resultados abrangentes parte do lucro líquido do período, sendo que, os principais ajustes que podem acontecer serão considerados, até chegar ao resultado abrangente do período. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Para Padoveze (2017), a Demonstração das Mutações do Patrimônio (DMPL) representa um prolongamento da demonstração da conta de lucros acumulados. Na realidade, engloba a demonstração de lucros acumulados, adicionando a movimentação das demais contas do patrimônio líquido. A finalidade da DMPL consiste em evidenciar a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido, Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Lucros e Prejuízos Acumulados. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 115 E, consequentemente, a variação da riqueza dos donos da empresa, em que o patrimônio líquido representa o valor contábil da empresa para seus proprietários. As principais mutações do patrimônio líquido, conforme menciona Padoveze (2017), são: a. Integralização (aumento) de capital social em dinheiro; b. Aumento de capital social com reservas; c. Redução do capital social por saída de sócios ou acionistas; d. Redução do capital social por recompra de ações; e. Aumento de reservas de capital por ágio na integralização de capital social; f. Transferência de lucros acumulados para reserva legal; g. Transferência de lucros acumulados para reservas de lucros; h. Lucros distribuídos aos sócios ou acionistas; i. Compensação de prejuízo contábil do exercício com lucros acumulados; j. Compensação de prejuízo contábil do exercício com reservas de lucros ou reservas de capital; k. Redução do capital social por compensação de prejuízos acumulados; l. Aumento de reservas de lucros por lucro decorrente de subvenções ou doações governamentais; m. Movimentação de reservas de reavaliação realizadas antes de 31.12.2007, ainda mantidas no patrimônio líquido por opção da empresa; n. Movimentações temporárias de ajuste de avaliação patrimonial; o. Saldos temporários de outros resultados abrangentes. A figura 27 demonstra a estrutura da DMPL. Figura 27 — Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Movimentação Capital Social Reservas de Lucros Lucros Acumulados Total Saldo Inicial - balanço inicial (+) Aumento de capital social em dinheiro (+) Lucro Líquido do exercício (-) Distribuição de lucros (-) Transferência para reservas de lucros Saldo final - balanço final 50.000,00 30.000,00 - - - 80.000,00 10.900,00 - - - 4.000,00 14.900,00 4.200,00 - 7.800,00 -3.200,00 -4.000,00 4.800,00 65.100,00 30.000,00 7.800,00 -3.200,00 0,00 99.700,00 Fonte: Padoveze (2017, p. 226) 116 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Como a apresentação da demonstração das mutações do patrimônio líquido, incorpora a conta de lucros ou prejuízos acumulados, havendo a apresentação da DMPL, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) fica dispensada. NOTA Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) A Demonstração do Fluxo de Caixa passou a ser obrigatória para as empresas em 2007, com a inclusão do inciso na Lei 6404/74. As informações contidas na DFC, em conjunto com outras demonstrações contábeis, devem ser suficientes para que seus usuários possam conhecer e avaliar a capacidade de geração de caixa da empresa (HOJI, 2017). Neste sentido, Martins (2020) afirma que por meio da DFC os usuários das demonstrações contábeis podem avaliar a capacidade de gerar fluxos futuros de caixa da entidade, de saldar obrigações e pagar dividendos, na flexibilidade financeira da empresa, referente a taxa de conversão do lucro em caixa, entre outros aspectos. A DFC deve apresentar entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa do exercício, classificados por atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Martins (2020) define as atividades operacionais como as principais geradoras de receita da entidade, assim como as outras atividades que não se enquadram em financiamento ou investimento. Como exemplos, apresenta o pagamento a fornecedor, recebimento de clientes, pagamentos de salários, etc. As atividadesde investimentos referem-se à aquisição e venda de ativos (a longo prazo) e os investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa. Como exemplos, a compra e venda de imobilizados, aplicações financeiras de longo prazo, compra e venda de investimento coligadas, etc. As atividades de financiamento que afetam as mudanças no tamanho e composição do capital próprio e endividamento da entidade. Como exemplo, os empréstimos e financiamentos de longo prazo, emissão de debêntures, aumento de capital em dinheiro, distribuição de lucros, etc. Padoveze (2017) complementa que o fluxo de caixa pode ser apresentado pelo método indireto ou pelo método direto. O Método Indireto evidencia a movimentação do saldo de caixa no período, partindo da geração de caixa, por meio da demonstração de resultados e das variações dos elementos patrimoniais do balanço que geram ou necessitam de caixa. O Método Direto demonstra a movimentação do saldo de caixa do período, coletando as informações específicas das entradas e saídas de numerário constante das contas de disponibilidades (caixa, bancos e aplicações financeiras). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 117 A figura 28 mostra a estrutura de apresentação do método indireto: Figura 28 — DFC - Método indireto Discriminação DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA (Método Indireto) $ I - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS Lucro líquido do exercício (+/-) Receitas e despesas não efetivas financeiramente Depreciações Depreciações Equivalência patrimonial Baixa de bens do imobilizado e intangível =Lucro gerado pelas operações (+/-) Ajuste por mudanças no capital de giro Contas a receber de clientes Estoque de mercadorias Fornecedores Salários e encargos a pagar Contas a pagar Tributos a recolher sobre mercadorias Tributos a recolher sobre lucros Subtotal TOTAL II - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO Variação de financiamentos de curto prazo Variação de financiamentos de longo prazo Aumento de capital em dinheiro Distribuição de dividendos TOTAL III - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO Variação do realizável a longo prazo Aquisição de investimentos Aquisição de imobilizados TOTAL AUMENTO DE CAIXA DO PERÍODO (I+II+III) Saldo inicial de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras Saldo Final de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras 7.800,00 7.600,00 0,00 0,00 15.400,00 -3.600,00 -4.000,00 3.000,00 1.200,00 -700,00 800,00 -400,00 -3.700,00 11.700,00 -11.500,00 20.900,00 30.000,00 -3.200,00 36.200,00 0,00 0,00 -41.000,00 -41.000,00 6.900,00 19.000,00 25.900,00 Fonte: Adaptado de Padoveze (2017). O objetivo desse método compreende em demonstrar o quanto do lucro líquido se transformou ou não em caixa. Desse modo, Padoveze (2017) afirma que, parte do lucro líquido encontram-se adicionadas despesas contábeis consideradas econômicas, mas que não apresentam impacto financeiro no período. Em seguida, são apurados os valores das movimentações das contas, que representam o capital de giro da empresa e alinhadas com suas operações. É natural que a variação do 118 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS nível de atividade das operações da empresa, exija mais ou menos investimentos no capital de giro, razão pelo qual as variações dessas contas patrimoniais são alocadas no fluxo de caixa das atividades operacionais. A conclusão do fluxo de caixa acontece com a evidenciação dos recursos envolvendo as atividades de financiamento e investimento, que afetam financeiramente o caixa. (PADOVEZE, 2017). O método direto para elaboração do fluxo de caixa consiste na acumulação das informações que movimentaram as contas de caixa, bancos e aplicações financeiras. Nem todos os eventos econômicos da empresa são efetivados imediatamente no caixa. Desse modo, há eventos econômicos que se caracterizam por impactar diretamente o caixa. E, todos esses eventos caracteristicamente financeiros são acumulados em contas para elaboração do fluxo de caixa pelo método direto. (PADOVEZE, 2017). Figura 29 — DFC - Método direto Discriminação DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA (Método Direto) $ I - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS RECEBIMENTOS Clientes PAGAMENTOS Fornecedores Salários e encargos sociais Despesas gerais Tributos sobre mercadoria Tributos sobre lucro Soma TOTAL II - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO Novos empréstimos e financiamentos (-) Redução dos empréstimos a curto prazi Aumento do capital em dinheiro Distribuição de dividendos TOTAL III - FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO Variação do realizável a longo prazo Aquisição de investimentos Aquisição de imobilizados TOTAL (+) Receitas Financeiras AUMENTO DE CAIXA DO PERÍODO (I+II+III) Saldo inicial de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras Saldo Final de Caixa/Bancos/Aplicações Financeiras 216.400,00 -129.000,00 -43.500,00 -19.000,00 -7.200,00 -4.300,00 -203.000,00 13,400,00 20.000,00 -13.000,00 30.000,00 -3.200,00 33.800,00 0,00 0,00 -41.000,00 -41.000,00 700,00 6.900,00 19.000,00 25.900,00 Fonte: Adaptado de Padoveze (2017). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 119 As normas que regem a apresentação da DFC para usuários externos, segundo Padoveze (2017), determinam que transações que não envolvam caixa diretamente não sejam incluídas na DFC, e sim apresentadas em notas explicativas. Um exemplo comum, consiste na aquisição de imobilizado com um financiamento específico, que não transite pelas contas representativas de caixa. Nesse caso, não será apresentada nenhuma informação nos fluxos de caixa das atividades de financiamento e de investimento. Demonstração do Valor Adicionado (DVA) A DVA é importante para se analisar a geração e distribuição do lucro, como para o processo de integração da empresa com a comunidade. Dessa forma, compõe o conjunto de informações do balanço social, correspondendo a dos relatórios mais ilustrativos da atuação social das empresas. De acordo com Padoveze (2017), a DVA objetiva evidenciar a geração do valor econômico agregado pelos produtos e serviços oferecidos pela empresa, e a sua distribuição. E, compõe basicamente de duas partes: a. A evidenciação do valor adicionado gerado - que é considerado a diferença entre o valor da receita bruta dos produtos e serviços, e os insumos e serviços adquiridos de terceiros; b. A evidenciação do valor adicionado distribuído – que compreende os valores incorridos com os funcionários, os impostos gerados e os juros incorridos e dividendos distribuídos 120 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Tabela 3 — Demonstração do Valor Adicionado Fonte: Padoveze (2017). DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 121 Essa demonstração apresenta cunho gerencial, e os dados possibilitam identificar a estrutura básica de custos da empresa. Retrabalhando as informações nela contidas, é possível identificar o quanto foi a participação de materiais, salários, encargos sociais, impostos, despesas e depreciações. Esse tipo de informação é gerencialmente importante, para a comparação entre as estruturas de custos da empresa, do setor e dos concorrentes. (PADOVEZE, 2017). Notas explicativas Na necessidade de informações complementares, as demonstrações contábeis devem ser supridas por notas explicativas. Padoveze (2017) menciona quais as funções das notas explicativas: • Apresentar os principais critérios de avaliação utilizados na elaboração das demonstrações básicas e as legislações e normas obedecidas. • Detalhar os principais números do balanço patrimonial e da demonstração de resultados, quando necessários, tais como as principais contas dos estoques, contas a receber, imobilizado, investimentos, financiamentos, etc. • Evidenciar critérios e procedimentos alternativos ou não usuais utilizados para o período em questão. • Complementar com explicações sobre eventos econômicos não rotineirose significativos acontecidos no período e seus impactos patrimoniais. As principais notas explicativas devem abordar os seguintes itens e aspectos, segundo Padoveze (2017): Apresentar os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, cálculos de depreciação, amortização e exaustão, constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo; a. Expor os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; b. Divulgar o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações; c. Mostrar os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; d. Revelar a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; e. Destacar o número, espécies e classes das ações do capital social; f. Indicar os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham ou possam vir a ter efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. Cabe ressaltar que não há uma estrutura padrão para apresentação das notas explicativas. 122 AUTOATIVIDADE Certamente você já compreendeu a importância das demonstrações contábeis (ou financeiras) para os usuários internos e externos. Apesar de existir uma gama de demonstrações, nem todas são obrigatórias para as empresas de capital fechado (sociedades limitadas). Sobre as demonstrações contábeis, assinale a afirmativa verdadeira: a. O Balanço Patrimonial demonstra as entradas e saídas de caixa da empresa para o exercício social. b. A Demonstração do Resultado do Exercício mostra situação financeira de uma empresa por meio dos seus bens, direitos e obrigações. c. A Demonstração do Fluxo de Caixa evidencia se as operações de uma empresa estão gerando um lucro ou prejuízo. d. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia as movimentações realizadas nas contas que compõem o patrimônio líquido. 123 RESUMO Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA Seguir um passo a passo para escrituração dos lançamentos contábeis pode ser de grande ajuda neste processo. Mesmo com os sistemas informatizados podem ocorrer erros nos lançamentos, e para retificar, pode-se utilizar o estorno, transferência ou compensação. Para apuração do resultado é preciso encerrar todas as contas de Receitas e Despesas do período. Após a apuração do resultado, é possível prosseguir com a elaboração das demonstrações contábeis. Que por sua vez, fornecem aos usuários informações sobre os ativos, passivos, patrimônio líquido; receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas; alterações no capital próprio mediante integralizações dos proprietários e distribuições a eles; e fluxos de caixa da empresa. As principais demonstrações contábeis são: balanço patrimonial, demonstração do resultado do período; demonstração do resultado abrangente; demonstração das mutações do patrimônio líquido; demonstração dos fluxos de caixa; demonstração do valor adicionado e notas explicativas. 124 REFERÊNCIAS BAZZI, Samir. Contabilidade em ação. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2014. 256 p. Disponível em: ISBN: 9788544301333. Acesso em: 16 fev. 2021. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG Estrutura Conceitual, de 21 de novembro de 2019. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL, que dispõe sobre a estrutura conceitual para relatório financeiro. 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SILVA, César Augusto Tibúrcio; RODRIGUES, Fernanda Fernandes. Curso prático de contabilidade: Analítico e didático. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018. Disponível em: ISBN 978-85-97-01794-6. Acesso em: 6 fev. 2021. SOUZA, Ailton Fernando de. Contabilidade na prática. São Paulo: Trevisan, 2014. Disponível em: recurso online ISBN 9788599519622. Acesso em: 3 fev. 2021.1930 a 1950 Surgimento da contabilidade de custos e dos primeiros relatórios da contabilidade gerencial. 1950 a 1970 Aprimoramento da contabilidade de custos. Desenvolvimento de técnicas e procedimentos para as análises de custos, estatísticas de produção, custo- padrão, contabilidade pública, contabilidade e planejamento tributário. 1970 a 1990 Aperfeiçoamento da contabilidade gerencial, custeio por atividades, custo- padrão, orçamento e planejamento estratégico. Primórdios da contabilidade social e ambiental. Nesse período, a contabilidade assume suas características como um sistema de informações à disposição dos gestores para as tomadas de decisões, com o uso intensivo da informática. São discutidas as primeiras tentativas da padronização dos procedimentos contábeis em âmbito internacional. 1990 a 2000 Surgimento do balance score card e disseminação da controladoria estratégica. Surgem no Brasil as primeiras dissertações e teses sobre capital intelectual. Globalização crescente da economia, dos investimentos internacionais e do uso de instrumentos financeiros. 2000 em diante Fortalecimento das práticas de governança corporativa e da tentativa de harmonização dos padrões de contabilidade internacional. Fonte: Adaptado de Souza (2014) e Hendriksen e Van Breda (2014) Cada etapa da história da contabilidade foi fundamental para que esta ciência se desenvolvesse do modo como está hoje. Desde os primeiros registros da utilização do método das partidas dobradas até os dias atuais, a ciência contábil está em constante evolução. O surgimento das sociedades de capital aberto – que negociam ações na bolsa de valores – também merece destaque, pois atraiu a atenção para a contabilidade. Sendo que, a informação contábil que antes era sigilosa, passou a ser de interesse de todos os envolvidos (investidores, governo, fornecedores, clientes, etc.). UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL 14 Definição e objetivos Ao contrário do que muitos pensam, a contabilidade não é considerada uma ciência da área de exatas e sim uma ciência social aplicada. Isso significa, que ela visa atender os aspectos práticos da vida das pessoas e das organizações. (PADOVEZE, 2017). Assim como a própria ciência, a sua definição foi aprimorada ao longo dos anos. Para RIBEIRO (2017, p. 2) a contabilidade “é uma ciência social que tem por objeto o patrimônio das entidades econômico-administrativas”. Desse modo, o principal objetivo da contabilidade é controlar as variações do patrimônio das entidades. Mas o que é o patrimônio e o que são essas entidades? O patrimônio são todos os elementos necessários para a existência da entidade, segundo Ribeiro (2017). Por exemplo, as mercadorias, os materiais de consumo, móveis, imóveis, veículos, além de todos os valores, que a entidade tem para receber e pagar. É estranho se pensar nas dívidas como patrimônio, entretanto os empréstimos, impostos, salários a pagar, e as dívidas com fornecedores, por exemplo. Esses elementos, financiam o desenvolvimento das atividades da entidade, sendo necessários para sua existência e, portanto, se enquadram na definição de patrimônio. A entidade, segundo Padoveze (2017, p. 2), “é o conjunto patrimonial que pode ou deve ser objeto de controle individualizado, ou seja, merece um controle separado dos demais conjuntos patrimoniais possíveis”. Na Figura 1 são apresentados alguns exemplos de entidade. Figura 1 — Exemplos de entidades Indivíduo Empresas Governo Instituições Financeiras Associação de esportes Famílias Organizações sem fins lucrativos Fonte: Adaptado de Greco e Arend (2017). ASPECTOS GERAIS 15 No Brasil, a legislação atual estipula que não existe a obrigatoriedade de elaboração de contabilidade para as empresas individuais (pessoas jurídicas) que estejam enquadradas como MEI – Microempreendedor Individual. IMPORTANTE De acordo com Greco e Arend (2017) as entidades podem ser pessoas físicas (indivíduos) ou pessoa jurídica (empresas e instituições). Logo, o campo de aplicação da contabilidade é composto por pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividades econômicas. Para algumas pessoas físicas e jurídicas, a contabilidade é obrigatória por lei, quando as pessoas físicas se utilizam da contabilidade para atender as exigências do imposto de renda. E, as pessoas jurídicas, salvo algumas exceções, são obrigadas pelo Código Civil a manterem os registros, declarações e/ ou escrituração contábil. A contabilidade consiste na obrigatoriedade legal, e atua no registro, controle e análise das variações patrimoniais, e gera informação que auxilia a administração da entidade no processo de decisões. Para Greco e Arend (2017) a função da contabilidade determina o registro, estudo e interpretação (por análise) dos fatos financeiros e econômicos, que afetam a situação patrimonial da pessoa física ou jurídica. A situação patrimonial apresenta as demonstrações contábeis tradicionais e de relatórios de exceção específicos para determinadas finalidades, de acordo com a situação do usuário. Estudaremos sobre as demonstrações contábeis, a informação contábil e os usuários da contabilidade nas próximas seções deste material. UNI Na Figura 2 é apresentado um diagrama que apresenta a atuação da contabilidade, bem como seus principais usuários. UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL 16 Figura 2 — Atuação da contabilidade A CONTABILIDADE FATOS CONTÁBEIS PESSOAS Instituições (não lucrativas) Empresas (lucrativas) de DIREITO PÚBLICO ou de DIREITO PRIVADO FÍSICAS JURÍDICAS capta, registra, acumula, resume e interpreta os isto é, os fenômenos que afetam patrimonial, financeira das Fonte: Greco e Arend (2017, p. 3). Greco e Arend (2017) destacam a finalidade da contabilidade em assegurar o controle do patrimônio, e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, assim como, o resultado das atividades econômicas desenvolvidas. Essas informações devem permitir aos usuários uma nítida avaliação da situação patrimonial (econômica e financeira) da entidade. Neste sentido, Marion (2018) acrescenta que a contabilidade mensura os resultados das empresas, avalia o desempenho dos negócios, e fornece diretrizes para tomadas de decisões, ou seja, é a linguagem dos negócios. Os usuários Os usuários que utilizam das informações fornecidas pela contabilidade são pessoas interessadas na situação e informações da empresa. Assim, os administradores buscam, nesse tipo de informação, um apoio para gerirem melhor o seu negócio. De modo igual, os investidores (sócios ou acionistas) interessados no lucro, utilizam dos relatórios contábeis para analisarem se a empresa possui condições financeiras. As condições implicam no pagamento das dívidas, na possibilidade de empréstimo bancário, nos impostos gerados para os cofres públicos, e para conhecimento de outros interessados na situação da empresa como os empregados, sindicatos, concorrentes e outros. (MARION, 2018). Na figura 3 são apresentados os usuários da informação contábil. ASPECTOS GERAIS 17 Figura 3 — Usuários da contabilidade Investidores/ Sócios Bancos/ Financiadores Informações Contábeis Empregadores/ Prestadores de serviços Fornecedores/ Consultores Sindicatos/ Clientes Setor público/ Governo Analistas/ Administradores Fonte: MARION (2018, p. 4). De acordo com Silva e Rodrigues (2018) os usuários da informação contábil podem ser classificados em usuários internos ou externos. Os usuários internos da contabilidade são as pessoas que trabalham na entidade, por exemplo, os gerentes, os diretores e os empregados. Para esses usuários, a informação possui um caráter gerencial importante, pois são os responsáveis pela tomada de decisão na empresa. O processo de tomada de decisão compreende estimar o que acontecerá no futuro, ou seja, a escolha sobre uma ação será de acordo com o que se espera do seu resultado, segundo um benefício futuro. Para se preparar para ofuturo é fundamental saber o que aconteceu no passado, bem como o que está acontecendo agora, e nesse aspecto a contabilidade é a principal fonte de informação. O administrador inteligente, que sabe usar a informação contábil e que conhece suas limitações, tem em suas mãos um poderoso instrumento de trabalho que lhe permite tomar decisões visando ao futuro com maior segurança, bem como conhecer a situação atual e o grau de acerto ou desacerto de suas decisões passadas. (MARION, 2018, p. 2). UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL 18 A figura 4 apresenta as principais questões relacionadas aos usuários internos, que a contabilidade auxilia a responder. Figura 4 — Questões de usuários internos O que devo produzir? Qual é a evolução do meu resultado? Obtive lucro com a minha filial? Qual o preço do meu produto? Fonte: Silva e Rodrigues (2018, p. 9). O gerente de produção, por exemplo, precisa saber se um produto terá aderência no mercado, e qual o seu custo de produção em relação ao resultado estimado para as vendas. Assim, caso essa equação seja negativa, pode ser que opte por não fabricar o produto. A alta gerência necessita dos dados gerados pela contabilidade para traçar estratégias em relação ao futuro da empresa, e que proporcionem o melhor resultado para seus sócios e acionistas. A informação contábil consiste no elemento fundamental como um diferencial competitivo para a empresa, quando utilizada de modo assertivo pelos seus usuários internos. Greco e Arend (2017) destacam que os interesses dos administradores, diretores e executivos de uma entidade atingem o grau mais profundo de análise e frequência, sendo que os usuários são os responsáveis pelas decisões que influenciam o futuro da empresa. Mas, para proceder dessa forma, é indispensável conhecer os fatos que aconteceram no passado, e o que acontece no atual momento. Os usuários externos são indivíduos que mantêm uma relação indireta com a entidade, por exemplo, o governo, fornecedores, sociedade em geral e os investidores, principalmente do mercado de ações. Assim, os usuários externos não se envolvem diretamente com a entidade, e o nível de informação que recebem não será o mesmo que o de um usuário interno, assim ocorre o que chamamos de assimetria informacional. ASPECTOS GERAIS 19 A assimetria informacional é uma falha de mercado que ocorre quando um dos lados envolvidos em uma operação possui mais informação do que o outro. ATENCAO Assim como os usuários internos, os usuários externos também se utilizam da contabilidade para buscar respostas para seus questionamentos a respeito da entidade. Conforme pode ser observado na Figura 5: Figura 5 — Questões de usuários externos A entidade está endividada? Onde a entidade está investindo? A entidade está ajudando o meio ambiente? O resultado da entidade está crescendo? Fonte: Silva e Rodrigues (2018, p. 10). Assim como demonstrado na figura 5, os fornecedores, bancos e investidores utilizam da informação contábil para identificar se a entidade apresenta dívidas. Os acionistas/investidores pretendem conhecer o resultado que a empresa apresenta, e em como a sociedade utiliza as informações divulgadas pela contabilidade, na análise do seu impacto no ambiente. UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL 20 Segundo Greco e Arend (2017), a informação contábil é utilizada para alguns grupos específicos dentre os usuários externos, como, por exemplo, os sócios, acionistas e investidores interessados na rentabilidade e segurança de seus investimentos, e que buscam na contabilidade informações como: • Qual é a taxa de lucratividade propiciada ao seu investimento na empresa? • A empresa oferece, a médio e longo prazo, perspectivas de rentabilidade e segurança para o investimento? • Existe alternativa mais adequada para o investimento? Os bancos, instituições financeiras e outras fontes de empréstimo utilizam as mesmas informações dos acionistas, mas com uma análise aprofundada. O governo utiliza as informações contábeis para traçar a política tributária. Os economistas analisam os dados contábeis de diversas unidades microeconômicas, para fornecerem as bases adequadas para análises macroeconômicas de uma região ou do país. 21 AUTOATIVIDADE 1. A Contabilidade contribui em fornecer informações uteis que auxiliam nas decisões. Assim, diversos usuários se utilizam da informação contábil na busca de respostas para os seus questionamentos. Quanto aos usuários da informação contábil, associe a primeira coluna com a segunda: (1) Usuários internos (2) Usuários externos ( ) Governo ( ) Sócio-diretor ( ) Sociedade ( ) Instituição financeira ( ) Gerente Gabarito Respostas: 2, 1, 2, 2, 1. 22 TÓPICO 2 UNIDADE 1 A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL O objetivo da contabilidade, para Iudícibus (2019), consiste em fornecer aos seus usuários o máximo possível de informação sobre o patrimônio de uma entidade e suas mutações, para serem utilizadas nas decisões atuais, que impactarão no futuro da entidade. Entretanto, a contabilidade não consegue produzir informação suficiente para prever com exatidão o futuro, mas os registros dos fatos contábeis revelam dados para o planejamento do futuro, e na definição das metas e ações para uma entidade ao longo de um determinado período. Para que a informação contábil seja realmente útil para os usuários é necessário que obedeça a alguns critérios e garanta, sobretudo, a sua fidedignidade. Ou seja, a informação contábil precisa ser confiável e tempestiva (no tempo certo) para que o usuário possa fazer uso com segurança. Inclusive, para que a informação seja significativa ao usuário, deve apresentar os fatos que realmente aconteceram, como no registro de um fato contábil, que se deve respeitar a prevalência da essência sobre a forma. Iudícibus (2019) exemplifica na situação em que uma entidade arrenda um equipamento por três anos e depois o adquire por R$ 1,00. Nesse caso, a entidade assume o controle, os riscos e benefícios do equipamento, mesmo a princípio não sendo de sua posse por questões jurídicas, porque por garantia permanece no nome do banco financiador. O processo de contabilização dessa situação, situa o equipamento no balanço do banco, e não no da indústria. Assim, revela que o banco não possui direito recebível do financiamento, de igual modo não informa a dívida pertencente a indústria. Agora pense, desse modo, como o usuário externo saberá o que está acontecendo? Acaso não tenha a informação correta e passa a saber disso, acarreta uma insegurança e dúvida sobre as informações contábeis. Desse modo, quando investir nessa empresa ou banco, exigirá um retorno maior, decorrente do risco que assumirá por desconhecer da ocorrência dos fatos. (IUDÍCIBUS, 2019). A prevalência da essência sobre a forma constitui no pilar básico das normas internacionais de contabilidade, e faz com que uma operação seja registrada como se apresenta. No exemplo sobre o arrendamento e depois a aquisição do material, seria uma operação de compra de um equipamento pela indústria financiada pelo banco. Você percebeu sobre o impacto, que uma informação distorcida e fornecida pela contabilidade, pode impactar na vida das pessoas, empresas e demais instituições? Reflita sobre essa situação tendo em mente os conceitos estudados sobre o modo como a contabilidade deve apresentar as informações contábeis. A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL 23 Qualidade da informação contábil A informação contábil é divulgada para os seus usuários de diversas formas, e a mais comum é por meio das demonstrações contábeis. A NBC TG Estrutura Conceitual para relatório financeiro, emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em seu Capítulo 2, apresenta as características qualitativas para que uma informação contábil-financeira seja útil, e as apresenta em duas categorias, conforme a Figura 6. Figura 6 — Classificação da qualidade da informaçãoFundamentais ● Relevância. ● Representação Fidedigna. De melhoria ● Comparabilidade. ● Verificabilidade. ● Tempestividade. ● Compreensibilidade. Fonte: Adaptado de Conselho Federal de Contabilidade (2019). As características qualitativas fundamentais apresentam a relevância, que corresponde à capacidade de uma informação contábil-financeira fazer a diferença no processo de decisão pelo usuário. Nesse sentido, a NBC TG Estrutura Conceitual para relatório financeiro, em seu Capítulo 2 estabelece sobre as informações financeiras que influenciam nas decisões dos usuários e no valor preditivo ou confirmatório. Uma vez que, os usuários utilizam das informações de valor preditivo são em processos para prever resultados futuros. As informações financeiras de valor confirmatório apresentam feedback sobre as avaliações anteriores. De modo geral, os valores preditivos e confirmatórios das informações financeiras se inter-relacionam. Por exemplo, as informações sobre receitas para o ano corrente, servem como base para prever a demanda dos próximos anos, e os resultados dessas comparações auxiliam o usuário a corrigir e melhorar os processos utilizados nas previsões anteriores. Nesse processo de relevância é preciso observar a materialidade da informação. A referida norma, em seu item 2.11, sobre a materialidade, determina “a informação é material se a sua omissão, distorção ou obscuridade puder influenciar, razoavelmente, as decisões que os principais usuários de relatórios financeiros para fins gerais”. (BRASIL, 2019, s. p.). 24 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL Na representação fidedigna a informação contábil deve ser completa, neutra e isenta de erros. Diante disso, a informação completa significa que inclui todas as informações necessárias, para que o usuário compreenda os fenômenos que estão sendo representados, inclusive todas as descrições e explicações necessárias. A neutralidade da informação consiste na imparcialidade em selecionar ou apresentar as informações financeiras, e a neutralidade associada ao princípio da prudência, que será estudado na próxima seção. As características qualitativas de melhoria referem-se à comparabilidade, que permite aos usuários a identificação e compreensão de aspectos similaridades e diferenças entre os itens. A verificabilidade aborda a percepção do usuário, e significa que diferentes observadores informados e independentes podem chegar ao consenso, embora discordem de alguns termos, de que a representação específica seja uma representação fidedigna. A tempestividade significa que a informação contábil deve ser fornecida/divulgada ao usuário a tempo, para que consiga realizar suas decisões. E, por fim, a compreensibilidade consiste em classificar, caracterizar e apresentar as informações de modo claro e conciso, para que tornem compreensíveis. (BRASIL, 2019). Princípios e normas contábeis As informações disponibilizadas por meio da contabilidade aos diversos usuários, implica que devem ser úteis e interpretadas de maneira igual por todos, e que o registro e análise dos fatos contábeis siga alguns padrões e princípios. Dessa forma, com o objetivo de parametrizar e garantir a qualidade da contabilidade, foram criadas as normas e regulamentações. Os princípios contábeis, de acordo com Greco e Arend (2017), são as normas que possibilitam a interpretação uniforme das demonstrações contábeis, abordados na Resolução CFC n. 750, de 29/12/1993., contudo, foi revogada. O Brasil adotou às normas internacionais de contabilidade e os princípios contábeis passaram a ser entendidos de maneira indireta pelo Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2), emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata da Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro. Entretanto, alguns princípios apresentam importância em serem conhecidos e seguidos, como o da entidade; continuidade; oportunidade; do registro pelo valor original; da competência e o da prudência. O princípio da entidade estabelece que o patrimônio dos sócios/acionistas não deve ser confundido com o patrimônio da organização. Greco e Arend (2017, p. 14) destacam que “a personalidade (entidade e proprietário(s) são pessoas distintas, juridicamente inclusive) e na autonomia patrimonial (patrimônio personalizado e autônomo)”. Portanto, seguir esse princípio é importante para manter a saúde financeira da empresa, principalmente em pequenas e médias empresas familiares, que por não respeitarem o princípio da entidade vivenciam problemas. Os valores e recebimentos pertencem exclusivamente à empresa, e não devem ser misturados com os valores a receber ou dívidas dos sócios. A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL 25 O princípio da continuidade, segundo Greco e Arend (2017) considera que vida da entidade é continuada, e, por consequência, como as demonstrações contábeis são estáticas, não podem ser desvinculadas dos períodos anteriores e subsequentes, mesmo que digam respeito a determinado exercício social. Ou seja, pressupõe que a instituição manterá suas atividades no futuro, e isso deve ser levado em consideração no registro dos fatos contábeis e na elaboração das demonstrações financeiras. O princípio da oportunidade busca evitar a omissão de lançamentos de fatos contábeis. Desse modo, as variações no patrimônio da entidade devem ser registradas pela contabilidade, e assim que ocorram, precisam divulgar a informação contábil e sua relevância. O princípio do registro pelo valor original estabelece, que os elementos do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional. Para saber mais sobre o registro dos componentes do patrimônio de uma entidade, bem como, outros parâmetros contábeis a serem seguidos, acesse os Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC. Disponíveis em: . DICAS O princípio da competência sugere que as receitas e despesas devem ser registradas pela contabilidade no período em que ocorreram, independente de seu recebimento ou pagamento. Por fim, o princípio da prudência estabelece a adoção do menor valor para os elementos do ATIVO, e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas, para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o Patrimônio Líquido. Caso você ainda não compreende a definição de Ativo e Passivo, não se preocupe. Esses conceitos serão apresentados na próxima seção. ESTUDOS FU TUROS No Brasil, até o ano de 2007, a contabilidade estava praticamente atrelada a normas fiscais. No entanto, a partir da promulgação da Lei nº 11.638/2007 e da Lei nº 11.941/2008, o país adotou as normas internacionais de contabilidade. A criação do CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e uma série de outras ações, constituíram como fatos importantes para esse processo. 26 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL O Comitê de Pronunciamentos Contábeis produz pronunciamentos, interpretações e orientações, a partir das normas internacionais emitidas por meio do IASB. O IASB é o órgão internacional que tem por objetivo a atualização dos IAS (International Accounting Standards) emitidos pelo IASC (International Accounting Standards Committee), a edição e atualização dos IFRS (International Financial Reporting Standards) com a finalidade de buscar a convergência com as normas contábeis nacionais dos países-membros. (IUDÍCIBUS, 2019). Para saber mais sobre os órgãos internacionais de contabilidade, faça uma pesquisa rápida na internet. Esse conhecimento é importante para qualquer profissional contábil. UNI Como mencionado anteriormente, as normas internacionais de contabilidades foram convergidas pelos órgãos responsáveis para a realidade brasileira. No quadro 2, estão relacionadas essas normas. A IMPORTANCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL 27 Quadro 2 — Normas Brasileiras de Contabilidade Nova numeração NBC TG ESTRUTURACONCEITUAL Resolução CFC DOU 13/12/2019 Nome de Norma Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil Financeiro CPC CPC 00R2 IASB FRAMEWORK NBC TG 01 (R4) DOU 22/12/2017 Redução ao valor Recuperável de Ativos CPC 01R1 IAS 36 NBC TG 02 (R3) DOU 22/12/2017 Efeitos das Mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis CPC 02R2 IAS 21 NBC TG 03 (R3) DOU 22/12/2016 Demonstração dos fluxos de caixa CPC 03R2 IAS 7 NBC TG 04 (R4) DOU 22/12/2017 Ativo Intangível CPC 04R1 FIAS 38 NBC TG 05 (R3) DOU 01/12/2014 Divulgação sobre partes relacionadas CPC 05R1 IAS 24 NBC TG 06 (R3) DOU 22/12/2017 Arrendamentos CPC 06R2 IFRS 16 NBC TG 07 (R2) DOU 22/12/2017 Subvenção e Assistência Governamentais CPC07R1 IAS 20 NBC TG 08 1.313/10 Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários CPC 08R1 IAS 39 (part) NBC TG 09 1.138/08 Demonstração de valor adicionado (dva) CPC 09 Não há NBC TG 10 (R3) DOU 22/12/2017 Pagamento baseado em ações CPC 10R1 IFRS 2 NBC TG 11 (R2) DOU 22/12/2017 Contratos de Seguro CPC 11 IFRS 4 NBC TG 12 1.151/09 Ajuste e Valor Presente CPC 12 Não há NBC TG 19 (R2) DOU 06/11/2015 Negócios em Conjunto CPC 19R2 IAS 23 NBC TG 20 (R2) DOU 22/12/2017 Custos de Empréstimos CPC 20 IAS 23 NBC TG 21 (R4) DOU 22/12/2017 Demonstração Intermediária CPC 21 IAS 34 NBC TG 22 (R2) DOU 06/11/2015 Informações por Segmento CPC 22 IFRS 8 NBC TG 15 (R4) DOU 22/12/2017 Combinação de Negócios CPC 15R1 IFRS 3 NBC TG 16 (R2) DOU 22/12/2017 Estoques CPC 16R1 IAS 2 NBC TG 18 (R3) DOU 22/12/2017 Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto. CPC 18R2 NBC TG 13 1.152/09 Adoção inicial da lei nº.11.638/07 e da Medida Provisória nº 449/08 CPC 13 Não há NBC TG 23 (R2) DOU 22/12/2017 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro CPC 23 IAS 8 NBC TG 24 (R2) DOU 22/12/2017 Evento Subsequente CPC 24 IAS 10 NBC TG 25 (R2) DOU 22/12/2017 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes CPC 25 IAS 37 NBC TG 26 (R5) DOU 22/12/2017 Apresentação das Demonstrações Contábeis CPC 26R1 IAS 1 NBC TG 28 (R4) DOU 22/12/2017 Propriedade para Investimento CPC 28 IAS 40 NBC TG 27 (R4) DOU 22/12/2017 Ativo Imobilizado CPC 27 IAS 16 NBC TG 29 (R2) DOU 06/11/2015 Ativo Biológico e Produto Agrícola CPC 29 IAS 41 NBC TG 31 (R4) DOU 22/12/2017 Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada CPC 31 IFRS 6 NBC TG 32 (R4) DOU 22/12/2017 Tributos sobre o Lucro CPC 32 IAS 12 NBC TG 33 (R2) DOU 06/11/2015 Benefícios a Empregados CPC 33R1 IAS 19 NBC TG 35 (R2) DOU 26/12/2014 Demonstrações Separadas CPC 35R2 IAS 27 NBC TG 36 (R3) DOU 06/11/2015 Demonstrações Consolidadas CPC 36R3 IAS 27 NBC TG 37 (R5) DOU 22/12/2017 Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade CPC 37R1 IFRS 1 NBC TG 39 (R5) DOU 22/12/2017 Instrumentos Financeiros: Apresentação CPC 39 IAS 32 NBC TG 40 (R3) DOU 22/12/2017 Instrumentos Financeiros: Evidenciação CPC 40 IFRS 7 NBC TG 41 (R2) DOU 22/12/2017 Resultado por Ação CPC 41 IAS 33 NBC TG 42 DOU 21/12/2018 Contabilidade em Economia Hiperinflacionária CPC 42 IAS 29 NBC TG 43 1.315/10 Adoção Inicial das NBC Ts Convergidas em 2009 CPC 43R1 Não há NBC TG 44 DOU 26/06/2013 Demonstrações Combinadas CPC 44 Não há NBC TG 45 (R3) DOU 22/12/2017 Divulgação de Participações em Outras Entidades CPC 45 IFRS 12 NBC TG 46 (R2) DOU 22/12/2017 Mensuração de Valor Justo CPC 46 IFRS 13 NBC TG 47 DOU 22/12/2016 Receita de Contrato com Cliente CPC 47 IFRS 15 NBC TG 48 DOU 22/12/2016 Instrumentos Financeiros CPC 48 IFRS 9 NBC TG 49 DOU 24/05/2018 Contabilização e Relatório Contábil de Planos de Benefícios de Aposentadoria CPC 49 IAS 26 ITG 01 (R1) DOU 22/12/2017 Contratos de Concessão ICPC 01R1 IAS 12 ITG 07 (R1) DOU 20/12/2013 Distribuição de Lucros in Natura ICPC 07 IAS 17 IAS 28 28 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL ITG 08 1.398/12 Contabilização de proposta de Pagamento de Dividendos ICPC 08R1 Não há ITG 09 (R1) DOU 22/12/2016 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação de Métodos de Equivalência Patrimonial ICPC 09 Não há ITG 16 (R2) DOU 22/12/2017 Extinção de Passivos Financeiros com Instrumentos Patrimoniais ICPC 16 IAS 19 ITG 17 1.375/11 Contratos de Concessão: Evidenciação ICPC 17 SIC 29 ITG 18 DOU 19/09/2013 Custos de Remoção de Estéril de Mina de Superf Fase de Produção ICPC 18 IFRIC 20 ITG 19 DOU 01/12/2014 Tributos ICPC 19 IFRIC 21 ITG 12 1.265/09 Mudanças em Passivos por Desativação, Restauração e Outros Passivos Similares ICPC 12 IAS 1 ITG 13 (R2) DOU 22/12/2017 Direitos e Participações Decorrentes de Funções de Desativação, Restauração e Reabilitação Ambiental ICPC 13 IAS 5 ITG 15 1.289/10 Passivos Decorrentes de Participação em Mercado Específico Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos ICPC 15 IAS 6 ITG 10 1.263/09 Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Ativo Imobilizado e à Propriedade para Investimento ICPC 10 Não há ITG 20 DOU 28/11/2014 Limite de Ativo de Benefício definido, Requisitos de Custeio (funding) Mínimo e sua Interação ICPC 20 IFRIC 14 ITG 21 DOU 22/12/2017 Transação em Moedas Estrangeira e Adiantamento ICPC 21 IFRIC 22 ITG 22 DOU 22/12/2017 Incerteza sobre Tratamento de Tributos sobre o Lucro ICPC 22 IFRIC 23 ITG 23 DOU 21/12/2018 Aplicação de Abordagem de Atualização Monetária Prevista na NBCTG 42 ICPC 23 IFRIC 7 CTG 02 1.157/09 Esclarecimentos sobre as Demonstrações Contábeis de 2008 OCPC 02 Não há CTG 01 1.154/09 Entidades de Incorporação Imobiliária OCPC 01 Não há CTG 04 1.317/10 Aplicação de Interpretação Técnica ITG 02 - Contrato de Contratos de Setor Imobiliário OCPC 04 Não há CTG 05 1.318/10 Contratos de Concessão OCPC 05 Não há CTG 06 DOU 26/06/2013 Apresentação de Informações Financeiras Pro Forma OCPC 06 Não há CTG 07 DOU 01/12/2014 Evidenciação na Divulgação dos relatórios Contábil-financeiros de Propósito geral OCPC 07 Não há Fonte: Conselho Federal de Contabilidade (recurso online, 2020). Os trabalhos desenvolvidos na contabilidade necessitam acompanhar as mudanças do ambiente e as necessidades dos usuários. Outro aspecto a ser considerado consiste na revisão constante das normas, visto que, algumas se encontram na quarta revisão (R4). Esse fato representa o esforço das entidades, em se manterem informadas sobre a contabilidade atual, para atingir seus objetivos. 29 AUTOATIVIDADE A informação contábil, seja fornecida por meio de relatórios gerenciais ou nas demonstrações contábeis, visa atender as necessidades do seu usuário. Em muitos casos, pode ser um diferencial competitivo para as empresas e investidores no processo de decisão, desde que mantenha sua qualidade. Neste sentido, disserte sobre as características que garantem a qualidade da informação contábil. 30 TÓPICO 3 UNIDADE 1 ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO Introdução O que vem à sua mente quando alguém pergunta qual o tamanho do seu patrimônio? Para responder esse questionamento, geralmente pensamos na quantidade de bens mensuráveis em dinheiro que temos, como casa, carro, terrenos e outros. Para Crepaldi (2013) o patrimônio de uma entidade é o conjunto de bens, direitos e obrigações, susceptíveis de avaliação em moeda, vinculados a uma empresa ou pessoa física, num determinado momento. Desse modo, no conceito de patrimônio estão inclusos os bens materiais e as dívidas de uma empresa. O patrimônio de uma organização é apresenta na demonstração contábil, denominada de Balanço Patrimonial. Na Unidade 3 estudaremos as principais demonstrações contábeis, inclusive o Balanço Patrimonial. ESTUDOS FU TUROS A representação gráfica do balanço patrimonial é apresentada no Quadro 3. Quadro 3 — Balanço Patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Bens e direitos Obrigações Patrimônio Líquido Fonte: O autor (2021). ELEMENTOS DO PATRIMÔNIO 31 O patrimônio deuma entidade, demonstrado no quadro 3, apresenta o balanço patrimonial Ativo, que inclui os bens e direitos, assim como, o Passivo com as obrigações da entidade e o patrimônio líquido. Assim, a união dos três elementos, bens e direitos, obrigações e patrimônio líquido, representam a equação fundamental do patrimônio: PatrimônioLíquido = Ativo - Passivo (1) A equação pode ser apresentada da seguinte maneira: Ativo = Passivo + PatrimônioLíquido (2) Dessa forma, deve haver uma igualdade entre o valor registrado no lado esquerdo e o valor registrado no lado direito do Balanço Patrimonial. Essa informação lembra, mesmo que vagamente, o Método das Partidas Dobradas, apresentado na primeira seção? Pois bem, estudaremos os elementos que compõem o Balanço Patrimonial e você conhecerá mais sobre o assunto. Ativo O Ativo compreende os bens e direitos de uma entidade. A NBC TG Estrutura conceitual financeira, define Ativo, no seu item 4.3, como um recurso econômico presente e controlado pela entidade, como resultado de eventos passados. O Recurso econômico representa bens e direitos que apresentem potencial de geração de benefício futuro para a entidade. Marion (2018) esclarece que bens são as coisas úteis, capazes de satisfazer às necessidades das pessoas e das empresas. Os bens podem ser tangíveis ou intangíveis. Os bens tangíveis são aqueles que são palpáveis (mesa, automóvel, caneta, etc), e os intangíveis, não apresentam característica física (marcas, patentes, capital intelectual, etc). Para conhecer mais sobre os bens intangíveis, sugere-se a leitura do livro “Avaliação de ativos intangíveis: goodwill, capital intelectual, marcas e patentes, propriedade intelectual, pesquisa e desenvolvimento” dos autores Paulo Schimidt e José Luiz dos Santos. DICAS 32 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA CONTÁBIL Os bens podem ser classificados em móveis e imóveis. Os bens móveis são aqueles que podem ser removidos por si próprios ou por outras pessoas, por exemplo, máquinas, equipamentos, estoques de mercadorias, etc. Os bens imóveis são aqueles que não podem ser retirados sem causar destruição ou danos, como os edifícios, construções, árvores etc. (MARION, 2018). Para Padoveze (2017), os bens mais comuns de uma entidade consistem no dinheiro, estoque de mercadorias, imóveis, instalações, veículos, móveis e utensílios, equipamentos de informática, máquinas e equipamentos, por exemplo. O Ativo de uma entidade é composto pelos direitos que possui. Marion (2018) afirma, que no sentido contábil, direito é o poder de exigir algo. Por exemplo Após um mês de trabalho, desde que o pagamento estabelecido seja mensal, você tem direito de receber seu salário. Assim, salários a receber é um direito. Depositando determinada quantia num banco, você tem direito de sacar esse depósito a qualquer momento. Assim, dinheiro depositado em bancos é um direito (MARION, 2018, p. 18). Os direitos mais comuns de uma entidade são os saldos bancários, valores a receber de clientes, aplicações financeiras, impostos a recuperar e ações de outras empresas (caso a entidade seja acionista de outra empresa). Passivo No lado direito do Balanço Patrimonial está o Passivo, que compreende as obrigações da entidade. Padoveze (2017) informa que as obrigações decorrem de responsabilidades assumidas junto a terceiros, por utilização de produtos e serviços a serem liquidados no futuro. Uma dívida com fornecedor, por exemplo, pode decorrer da compra de mercadorias ou matéria-prima, sendo que, no futuro será exigido o pagamento da dívida. Outra situação, compõe no empréstimo para financiar as atividades da empresa (muitas vezes para capital de giro), a instituição realizará a cobrança na data acordada. Assim como, um funcionário que trabalha o mês para empresa, e ao final deste período espera receber seu salário. Os contextos apresentados nos exemplos, são passivos comuns de uma empresa, o pagamento aos fornecedores, contas, empréstimos e financiamentos, salários, encargos trabalhistas, impostos a recolher, dentre outros. Mas se Passivo são somente esse tipo de obrigação, por que na imagem do Balanço Patrimonial destaca o Patrimônio Líquido no lado esquerdo do demonstrativo? Pense um pouco sobre isso. Segundo Greco e Arend (2017) no patrimônio líquido estão o capital social, que representa os recursos aplicados pelos proprietários (sócios, acionistas) em troca de cotas, ações ou outras modalidades de participação e também os lucros. Dessa forma, o sócio ou acionista ao investir na empresa, espera que o seu investimento gere um benefício econômico futuro, o que constitui uma espécie de obrigação com a empresa. 33 AUTOATIVIDADE O patrimônio de uma entidade consiste em todos os elementos que possui, o, que representa sua riqueza. Isso inclui não somente os bens, mas também as suas dívidas. Pode-se dividir o patrimônio de uma entidade em Ativos e Passivos, incluído nesse último o Patrimônio Líquido. Com base no que você estudou, assinale a assertiva que corresponde somente à Ativos de uma entidade. a. Dinheiro em espécie, terrenos e financiamentos; b. Marca registrada, encargos trabalhistas e veículos; c. Software, estoques e impostos a recuperar; d. Aplicações financeiras, impostos a recolher e contas a receber. 34 RESUMO Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 34 A Contabilidade é uma ciência social muito antiga. Seu principal marco foi a publicação do livro ‘Suma de arithmetica, geométrica, proportioni et porportionalitá’, escrito por Luca Pacioli, que difundiu o Método das Partidas Dobradas; Os usuários da informação contábil podem ser divididos em internos (sócios, diretores, gerentes, funcionários, etc.) e externos (investidores, governo, bancos, etc); Para garantir a qualidade da informação contábil, deve-se observar algumas características como, relevância, representação fidedigna, comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade. O patrimônio de uma entidade é dividido em Ativo, que corresponde aos bens e direitos, e Passivo, que corresponde às obrigações (inclusive o patrimônio líquido). 35 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL UNIDADE 2 Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 - As contas contábeis TÓPICO 2 - Plano de contas TÓPICO 3 - Ferramentas e métodos de escrituração A partir desta unidade você será capaz de: • Entender o funcionamento das contas contábeis; • Analisar a estrutura de um plano de contas; • Conhecer os métodos e instrumentos de escrituração. 36 Introdução da Unidade A pessoa que é correntista de um banco possui, nessa instituição financeira, uma conta em seu nome e a quantia monetária. Por meio dessa conta, realiza as movimentações relacionadas aos depósitos, transferências e pagamentos. Na Contabilidade existem contas, organizadas de modo semelhante. Dessa forma, existe uma conta para cada elemento (terreno, dinheiro, veículos) ou grupo de elementos do patrimônio de uma entidade, com o registro da sua movimentação contábil. 37 UNIDADE 2 AS CONTAS CONTÁBEIS TÓPICO 1 Teoria das contas Ao longo do tempo, diversas escolas de pensamento contábil guiaram a teoria e prática contábil. Uma das mais conhecidas, a escola italiana, enfatizava a teoria das contas como um dos principais fundamentos da contabilidade. Entretanto, a partir de 1920, a escola norte-americana tem prevalecido em âmbito mundial, em decorrência de sua objetividade. (PADOVEZE, 2017). Conta é o nome técnicoque identifica um elemento patrimonial ou um elemento de resultado, que pode constituir uma despesa ou receita. (RIBEIRO, 2018). IMPORTANTE As escolas defendiam teorias diferenciadas a respeito do estudo das contas contábeis. Na figura 7, são apresentadas algumas noções. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 38 Figura 7 — Teorias das contas Teorias das contas Teoria materialista Contas de correspondentes Contas dos agentes consignatários Contas do proprietário Bens Direitos Obrigações Receitas Despesas Situação Líquida Direitos Obrigações Receitas Despesas Caixas Ativo Receitas Despesas Passivo Integrais Diferenciais Contas patrimoniais Contas de resultado Teoria personalística Teoria patrimonialista Fonte: Bazzi (2014, p. 129). Para a teoria Materialística, cujo nome de destaque é Fábio Besta, as contas representavam valores materiais, sendo divididas em dois grupos, em Integrais com os bens, direitos e obrigações, e Diferenciais que apontam sobre Patrimônio Líquido e suas variações. (BAZZI, 2014). A teoria Personalista supõe que as contas representam a responsabilidade de pessoas na entidade. Ou seja, devem prestar contas, em relação as contas responsáveis para a administração da entidade. Essa teoria explica os conceitos de saldo devedor e credor das contas. Assim, de acordo com Padoveze (2017), o responsável pela conta de clientes deve para entidade, e o responsável pela conta de empréstimos é credor junto à entidade. Nessa teoria, as contas estão divididas em três grupos, dos agentes consignatários, de correspondentes e do proprietário. Os principais nomes dessa escola são Francesco Marchi e Giuseppe Cerboni. AS CONTAS CONTÁBEIS 39 A teoria Patrimonialista, criada por Vincenzo Masi e usualmente adotada no Brasil, estabelece que o objeto de estudo da ciência contábil representa o patrimônio de uma entidade. Desse modo, a contabilidade tem como finalidade controlar o patrimônio e apurar o resultado das empresas, por meio do uso das contas patrimoniais e contas de resultado. Classificação das contas De acordo com a teoria patrimonialista as contas de uma entidade podem ser classificas em dois grupos, patrimoniais e de resultado. As contas patrimoniais, representam os elementos do patrimônio, e são subdividas em Ativas, sobre os bens e direitos da entidade, e as Passivas, que correspondem às obrigações e patrimônio líquido. No quadro 4 é apresentado uma representação gráfica das contas patrimoniais e sua posição no Balanço Patrimonial de uma entidade. Quadro 4 — Contas patrimoniais e de resultado CONTAS PATRIMONIAIS ATIVO PASSIVO (Contas de natureza devedora) (Contas de natureza credora) Bens (+) Direitos (+) (Contas de natureza devedora) Obrigações (-) Patrimônio líquido (+ ou -) (Contas de natureza credora) CONTAS DE RESULTADO DESPESAS (-) RECEITAS (+) Fonte: Ribeiro (2018, p. 31.) As contas de resultado representam as variações patrimoniais por meio das receitas e despesas. As receitas de uma entidade decorrem da venda de bens, inclusive de mercadorias, produtos e prestação de serviços. Além dessas situações, também são receitas os descontos obtidos, o direito de receber juros e os aluguéis de bens que a empresa possua com espaços locados para terceiros. As Despesas caracterizam-se pelo consumo de bens e pela utilização de serviços durante o processo de obtenção das receitas. Por exemplo: a energia elétrica consumida, os materiais de limpeza consumidos (sabões, desinfetantes, vassouras, detergentes), o café consumido, os materiais de expediente consumidos (canetas, papéis, cartuchos de tintas para impressoras, impressos e outros), a utilização dos serviços telefônicos etc. (RIBEIRO, 2018, p. 31). ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 40 Existem algumas contas que podem aparecer no grupo das despesas e no grupo das receitas. Ou ainda, uma conta patrimonial do Ativo que também esteja elencada no Passivo. Para diferenciar o grupo de classificação de cada uma dessas contas, utiliza-se um termo, que complementa o nome da conta. Por exemplo, em relação ao aluguel: • Aluguel – conta de resultado (despesa). • Aluguel a pagar – conta patrimonial (passiva). • Aluguel a receber – conta patrimonial (ativa). • Receita de aluguel – conta de resultado (receita). Assim como o exemplo do aluguel, a complementação do termo ocorre em outras contas, como juros e descontos. Nesse momento dos estudos, o assunto pode parecer complexo, mas à medida que você conhecer o plano de contas, perceberá que é não é algo difícil de se compreender. Na próxima seção estudaremos sobre a codificação das contas, que será útil para o entendimento sobre a diferenciação entre os tipos de contas. ESTUDOS FU TUROS Funcionamento das contas As contas são uma ferramenta importante para a Contabilidade controlar a movimentação de todos os componentes patrimoniais (contas patrimoniais), extrapatrimoniais (contas de compensação) e das variações do patrimônio líquido (contas de resultado). Dessa forma, a sua finalidade integra a prestação de informações aos usuários sobre o patrimônio e suas variações. As contas de compensação são utilizadas para o registro de atos administrativos relevantes, cujos efeitos possam se concretizar no futuro, implicando em modificações no patrimônio. Por exemplo: a hipoteca, o penhor, as assinaturas de contratos de compra e vendas de mercadorias e as assinaturas de contratos de seguros. UNI AS CONTAS CONTÁBEIS 41 As contas contábeis são movimentadas por meio de lançamento de créditos e débitos. Entretanto não se assemelham ao extrato bancário, pois crédito difere de uma situação positiva, assim como, o débito não significa uma situação favorável para uma conta. Antes de entendermos os conceitos de débito e crédito, faz-se necessário entender como a contabilidade registra e controla as variações das contas: Isso ocorre da seguinte maneira: o contabilista cria nos registros contábeis um gráfico em forma de T para controlar cada elemento patrimonial ou de resultado. Cada gráfico será identificado na contabilidade pelo nome do elemento componente do patrimônio ou representativo de despesa ou de receita, como: Caixa, Móveis e Utensílios, Aluguéis Passivos etc. Nesses gráficos, o contabilista controlará a movimentação de cada elemento, registrando seus aumentos (ingressos, entradas, compras) e suas diminuições (saídas, vendas). (RIBEIRO, 2018, p. 34). Observe a o gráfico em forma de T apresentado na figura 8, perceba que no lado esquerdo estão os débitos e do lado direito, os créditos. Figura 8 — Razonete CLIENTES Débito Crédito Fonte: O autor (2021). Segundo Ribeiro (2018) as contas do Ativo e as contas de despesas são consideradas de natureza devedora (que representam o destino dos recursos da empresa, ou seja, para onde vai o dinheiro), e as contas do Passivo, bem como as contas de receitas, de natureza credora (que representam as origens dos recursos, ou seja, de onde vêm o dinheiro da empresa). Em termos gerais, significa que os débitos aumentam o saldo positivo das contas do Ativo, e das de despesas e dos créditos reduzem o valor dessas contas. Desse modo, o inverso é válido, onde, os créditos aumentam o valor das contas do Passivo, e das receitas e dos débitos diminuem o valor dessas contas. Exemplo: a conta de clientes é uma conta patrimonial do Ativo que representa os valores a receber de clientes oriundos de vendas a prazo. Agora, vamos analisar as seguintes situações e o seu impacto no saldo da conta. 1. Venda de mercadoria a prazo, gerando o direito de a empresa receber R$ 500,00 de cliente. Esse lançamento será a débito já que a conta dos clientes é uma conta patrimonial e aumentará o saldo dessa conta. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 42 2. Recebimento de clientes no valor de R$ 200,00. Esse lançamento será a crédito na conta clientes e diminuirá seu saldo. 3. Venda de mercadoria a prazo no valor deR$ 100,00. Esse lançamento, assim como o primeiro, será a débito e aumentará o saldo da conta. Essas movimentações estão demonstradas na tabela 1. Tabela 1 — Registro no razonete da conta Clientes CLIENTES Débito Crédito 1 500,00 3 100,00 400,00 200,00 2 Fonte: O autor (2021). Observe, que se somarmos todas as vendas a prazo (débitos) e subtrairmos os pagamentos (crédito), ao final dos lançamentos, a conta clientes fica com um saldo a débito de R$ 400,00. Esse saldo é positivo e significa que a empresa ainda possui R$ 400,00 para receber de suas vendas a prazo. Essa lógica é aplicada de maneira semelhante para as demais contas contábeis. Ribeiro (2018) lembra que: • As contas com saldos de natureza devedora serão debitadas sempre que ocorrer entradas de valores nas respectivas contas, ou seja, serão debitadas para registrar os aumentos em seus saldos; da mesma forma essas contas serão creditadas para registrar saídas de valores, ou seja, diminuições em seus saldos. • As contas com saldos de natureza credora serão creditadas sempre que ocorrer entradas de valores nas respectivas contas, ou seja, serão creditadas para registrar os aumentos em seus saldos; da mesma forma essas contas serão debitadas para registrar saídas de valores, ou seja, diminuições em seus saldos. A conta Fornecedores, por exemplo é uma conta patrimonial do Passivo que representa os valores das obrigações com fornecedores decorrentes de compras a prazo. Agora, vamos analisar as seguintes situações e o seu impacto no saldo da conta. AS CONTAS CONTÁBEIS 43 1. Compra de mercadorias para revenda, a prazo, no valor de R$ 5.000,00. Esse lançamento será a crédito, pois a conta Fornecedores é uma conta do Passivo – para as quais os créditos aumentam o seu valor. 2. Pagamento de fornecedores no valor de R$ 2.000,00. Esse lançamento será a débito, diminuindo assim o valor da conta. 3. Compra de mercadorias para revenda, a prazo, no valor de R$ 3.000,00. Assim como o primeiro lançamento, esse também será a crédito, para aumentar o saldo da conta. Essas movimentações estão demonstradas na tabela 2. Tabela 2 — Registro no razonete da conta Fornecedores FORNECEDORES Débito Crédito 2 2000,00 5.000,00 1 3.000,00 3 6.0000,00 Fonte: O autor (2021). Observe, que se somarmos todas as compras a prazo (créditos) e subtrairmos os pagamentos (débitos), ao final dos lançamentos, a conta Fornecedores fica com um saldo a débito de R$ 6.000,00. Esse saldo é positivo e significa que a empresa ainda possui R$ 6.000,00 para de dívidas com fornecedores. 44 AUTOATIVIDADE 1. Ao longo do tempo, surgiram escolas contábeis com teorias diversas a respeito da classificação das contas contábeis. A teoria utilizada hoje em dia é a patrimonialista que separa as contas em patrimoniais e de resultado. A respeito disso, classifique as assertivas em "V" se verdadeiro e "F" se falso: ( ) As Despesas são contas de natureza credora, ou seja, seu saldo aumenta se creditadas. ( ) As contas do Ativo são de natureza devedora, para indicar um aumento no seu saldo devem ser debitadas. ( ) As contas de Receitas aumentam seu saldo com lançamento no lado direito do razonete. ( ) As contas do Passivo devem ser debitadas para indicar um aumento no valor de seu saldo. Gabarito 1. Resposta: F, V, V, F. 45 TÓPICO 2 UNIDADE 2 PLANO DE CONTAS Definição Na Unidade 1 estudamos sobre as necessidades dos usuários da contabilidade, em saberem sobre as informações, e que as informações contábeis devem seguir critérios para serem relevantes, úteis e capazes de interpretação. Desse modo, é fundamental um sistema ordenado de contas que apresente as variações patrimoniais de uma entidade. Podemos definir plano de contas como o conjunto de contas contábeis, estruturado de forma ordenada e classificada, criado e necessário para permitir a captura e registro dos lançamentos contábeis das transações dos eventos econômicos e obter os saldos e movimentos das contas contábeis, de modo a ensejar a elaboração das demonstrações contábeis societárias, fiscais e gerenciais, traduzindo-se na espinha dorsal do sistema de informação contábil (PADOVEZE, 2017, p. 62). Bazzi (2014) complementa que o plano de contas é um conjunto de dados que atende as necessidades de registro das contas patrimoniais e de resultado, possibilitando também o desenvolvimento ordenado das demonstrações contábeis. Assim, serve de orientação à escrituração contábil, e possibilita unidade de trabalho, dificulta a existência de erros naturais causados pela ausência de sistematização, facilita a transmissão de serviços e constitui um meio de controle. (GRECO; AREND, 2017). O plano de contas, segundo Ribeiro (2018), é um conjunto de contas, diretrizes e normas que disciplina as tarefas do setor de contabilidade, objetivando a uniformização dos registros contábeis. Mas, não significa que existe uma estrutura engessada de plano de contas obrigatória para todas as entidades. É importante salientar que existem exceções. As instituições financeiras, dentre elas os estabelecimentos bancários, estão sujeitas à adoção do plano de contas específico das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF). Da mesma forma, as companhias que atuam no ramo de seguros estão sujeitas à adoção do Plano de Contas específico aprovado pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). UNI 46 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Um plano de contas deve ser criado de acordo com as necessidades específicas de cada entidade, observando a Legislação e as Normas Brasileiras de Contabilidade. Assim, para Ribeiro (2018) tendo em vista o porte, o ramo de atividade da empresa, bem como a quantidade de informações demandadas pelos usuários, o plano de contas poderá conter um número maior ou menor de informações. Segundo Padoveze (2017) um plano de contas deve: I. Capturar a visão da organização, sua estrutura física, organizacional e hierárquica; II. Capturar a visão dos negócios da organização, suas áreas de negócios, produtos e serviços; III. Identificar as necessidades de informações de todos os usuários nos seus três níveis hierárquicos, nesta ordem: presidência e diretoria, gerência média e chefia. Padoveze (2017) salienta que após identificadas todas as necessidades gerenciais, obtidas nesses três aspectos apresentados, o contador deverá incorporar as necessidades legais (societárias e fiscais), e por último suas necessidades operacionais. A elaborar um plano de contas requer, que atenda às necessidades gerenciais da entidade, e depois às necessidades fiscais. O principal propósito da contabilidade é fornecer informações para os usuários internos e externos, que para a alta gerência a informação contábil significa na possibilidade de alterar o rumo da empresa. Por isso é importante que o plano de contas atenda às necessidades gerenciais de informação. Em relação ao plano de contas: a) Deve atender primeiramente as necessidades gerenciais específicas de cada entidade e atender às necessidades de informações de todos os usuários da organização; b) Em segundo lugar, deve atender as necessidades legais, societárias e fiscais; c) A classificação deve partir do geral para o particular; d) O plano de contas deve ser codificado para facilitar o processo de trabalho e integração computacional com os demais sistemas de informações da organização; e) Os agrupamentos de contas devem ser elaborados a partir das necessidades de geração das demonstrações contábeis, financeiras e relatórios futuros; f) Os títulos das contas contábeis devem refletir imediatamente e com precisão semântica os eventos econômicos que formaram os saldos das contas; g) Deve ter flexibilidade