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40 Estratégia CONCURSOS Aula 01 Direito Tributário Jurisprudencial p/ AFRFB - 2016 Professor: Fábio Dutra Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra - Aula 01 Estratégia CO.CuRsos AULA 01: Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar (Parte 1) SUMÁRIO PÁGINA Observações sobre a aula 01 Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar 02 Princípios Constitucionais 03 Lista das Questões Comentadas em Aula 35 Gabarito das Questões Comentadas em Aula 42 Observações sobre a aula Olá, concurseiro(a)! Tudo bem? Seja muito bem-vindo ao nosso curso de Direito Tributário 3urisprudencial! É um prazer conduzi-lo rumo ao cargo de Auditor-Fiscal da RFB! Esse é o momento certo de se preparar com calma para o próximo concurso. No que se refere ao nosso curso, estamos trabalhando muito para fazer o melhor para você! Na aula de hoje, estudaremos a primeira parte das limitações constitucionais ao poder de tributar. Vamos tratar apenas dos princípios constitucionais, sendo que as imunidades ficarão para a próxima aula (parte II). Ok? Comecemos! Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 1- LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR Dando início ao nosso primeiro tópico, vamos falar um pouco sobre as limitações constitucionais ao poder de tributar. “(...) 2. A Emenda Constitucional n. 3, de 17.03.1993, que, no art. 2., autorizou a União a instituir o I.P.M.F., incidiu em vício de inconstitucionalidade, ao dispor, no parágrafo 2. desse dispositivo, que, quanto a tal tributo, não se aplica "o art. 150, III, b e VI", da Constituição, porque, desse modo, violou os seguintes princípios e normas imutáveis (somente eles, não outros): 1. - o princípio da anterioridade, que e garantia individual do contribuinte (art. 5., par.2., art. 60, par.4., inciso IV e art. 150, III, b da Constituição); 2. - o princípio da imunidade tributária reciproca (que veda a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre o patrimônio, rendas ou serviços uns dos outros) e que e garantia da Federação (art. 60, par.4., inciso I,e art. 150, VI, a, da C.F.); (STF, Pleno, ADI 939/DF, Rel. Min. Sydney Sanches, 14/12/1993) Perceba que neste julgado o STF considerou como cláusula pétrea o princípio da anterioridade e a imunidade tributária recíproca. Ambos assuntos serão abordados com maior profundidade em tópico específico e na próxima aula, respectivamente. Por hora, é necessário que o candidato saiba da existência dessas cláusulas pétreas. O que são cláusulas pétreas? São limitações ao poder de reforma da Constituição Federal, ou seja, são regras imutáveis pela via da emenda constitucional. Em nosso art. 60, § 4º, da CF/88, o legislador constituinte estabeleceu que não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir, dentre outros, os direitos e garantias individuais. Assim sendo, tudo o que for considerado direito e garantia individual não pode ser abolido por emenda constitucional. Com efeito, sendo o princípio da anterioridade considerado garantia individual do contribuinte, não pode uma emenda constitucional criar regra que tendente a abolir a aplicabilidade do referido princípio. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 QUESTÃO 01 – CESPE/MPE-RR/2008 Consoante jurisprudência firmada pelo STF, o poder que tem o Estado de tributar sofre limitações que são tratadas como cláusulas pétreas. CORRETA Comentário: Conforme o entendimento que expusemos acerca da jurisprudência do STF sobre o tema, podemos concluir que a questão está correta. 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Estudaremos, a partir de agora, os princípios constitucionais. 2.1 - Princípio da Legalidade No que se refere ao princípio da legalidade, é sabido que, quando se trata de tributo, há que se respeitar a estrita legalidade para sua instituição ou modificação. Isso quer dizer que se exige a edição de uma lei formal, tramitada no âmbito do Poder Legislativo. Com base nisso, as bancas gostam de cobrar os temas mais polêmicos, como as medidas provisórias. Por esse motivo, vejamos os julgados a seguir para saber tudo o que é necessário pra prova! Com a Emenda Constitucional de n° 32/2001, tivemos a expressa disposição sobre instituição ou majoração de impostos por meio de medidas provisórias. Contudo, há que se destacar que tal possibilidade (instituir ou modificar tributos) já havia sido prevista pelo STF antes mesmo da edição da referida EC, conforme vemos a seguir: “EMENTA: Recurso extraordinário. 2. Medida provisória. Força de lei. 3. A Medida Provisória, tendo força de lei, é instrumento idôneo para instituir e modificar tributos e contribuições sociais. Precedentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.” (STF, 2ª T., AgR no AI 236.976/MG, Rel. Min. Néri da Silva, j. em 17/08/1999, DJ de 24/09/1999). No mesmo sentido, temos o seguinte: EMENTA: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Aumento de alíquota da contribuição social sobre o lucro - CSLL. Medida provisória nº 1.807/99. Possibilidade. 3. Agravo regimental que se nega Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 provimento. (STF, 2ª T., AgR no RE 422.795/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. em 30/09/2008, DJe de 21/11/2008) QUESTÃO 02 – INÉDITA/2015 De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o Chefe do Poder Executivo pode se valer de medidas provisórias para instituição ou aumento de tributos, desde que obedecidos os requisitos constitucionais, pertinentes a tais atos normativos. Comentário: Vimos que a jurisprudência do STF é pacífica nesse sentido. Portanto, há a possibilidade de instituir ou majorar tributos por meio de medidas provisórias. Questão correta. Ainda sobre as medidas provisórias, vejamos como tem sido tratado o conceito de relevância e urgência (requisito constitucional para edição das MPs): EMENTA: - Ação Direta de Inconstitucionalidade. Medida Provisória nº 111/89. Prisão Temporária. Pedido de liminar. - Os conceitos de relevância e de urgência a que se refere o artigo 62 da Constituição, como pressupostos para a edição de Medidas Provisórias, decorrem, em princípio, do Juízo discricionário de oportunidade e de valor do Presidente da República, mas admitem o controle judiciário quando ao excesso do poder de legislar, o que, no caso, não se evidencia de pronto. (...) (STF, Pleno, Medida Cautelar na ADI 162/DF, Rel. Min. Moreira Alves, j. em 14/12/1989, DJ de 19/09/1997). Veja também: EMENTA: CONSTITUCIONAL. MEDIDA PROVISÓRIA: REEDIÇÃO: POSSIBILIDADE. REQUISITOS DE RELEVÂNCIA E URGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO: CONTRIBUIÇÃO DOS SERVIDORES PÚBLICOS AO PSSSP. MEDIDA PROVISÓRIA nº 560, de 26.7.94. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: C.F., art. 195, § 6º. I. - Reedição de medida provisória não rejeitada expressamente pelo Congresso Nacional: possibilidade. Precedentes do STF: ADIns 295-DF, 1.397-DF, 1.516-RO, 1.610-DF, 1.135-DF. II. - Requisitos de relevância e urgência: caráter político: em princípio, a sua apreciação fica por conta do Chefe do Executivo e do Congresso Nacional. Todavia, se uma ou outra, relevância ou urgência, evidenciar-se improcedente, no controle judicial, o Tribunal deverá Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 decidir pela ilegitimidade constitucional da medida provisória. Precedente: ADIn 162-DF (medida liminar), Moreira Alves, Plenário, 14.12.89; ADIn 1.397-DF, Velloso. RDA 210/294. III. (...). (STF, 2ª T.,do Brasil tem competência para firmar tratados (art. 52, § 2º, da Constituição da República), dela não dispondo a União, os Estados-membros ou os Municípios. O Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de Governo, mas como Chefe de Estado, o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. III, da Constituição. 4. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (STF, Pleno, RE 229.096/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, Julgado em 16/08/2007) Questão 37 – FGV/ADV. SENADO FED./2008 A vedação às isenções heterônomas impede a concessão de isenções em tratados internacionais. Comentário: De acordo com a jurisprudência do STF, quando o Presidente da República age em nome da República Federativa do Brasil, concedendo isenções de tributos estaduais ou municipais, não se caracteriza isenções heterônomas. Questão errada. 2.7.3 - Não Discriminação com Base em Procedência ou Destino Estudaremos tal princípio, ao analisarmos o art. 98, à luz da jurisprudência do STF. 2.7.4 - Princípio da Liberdade de Tráfego Sobre este princípio, o único ponto a ser destacado (pela simplicidade, dispensa-se a transcrição do julgado) é que o pedágio cobrado em vias conservadas pelo próprio Poder Público é considerado tributo, de espécie taxa. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Por outro lado, caso determinada via seja administrada por empresas em regime de concessão, permissão ou autorização, o pedágio por elas cobrado é considerado preço público ou tarifa, tendo em vista a natureza contratual (e não legal) da exação. Questão 38 – INÉDITA/2015 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, inclusive a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Comentário: Na verdade, a questão não trata de jurisprudência, mas apenas da literalidade da Constituição. O objetivo dessa questão é mostrar ao candidato que ele deve ter muito cuidado com questões que “parecem” transmitir exatamente o texto legal. Nessa questão, por exemplo, foi substituída a palavra “ressalvada” por “inclusive”. Eu espero que você não tenha errado. Caso tenha errado, não se deixe levar por essas pegadinhas da próxima vez, ok? Questão errada. Questão 39 – FGV/AFRE-RJ/2011 - Adaptada De acordo com o Princípio da Liberdade de Tráfego, é vedado à União, Estados e Municípios estabelecer tributos pelo fato de pessoa ou bem estar indo ou voltando de um ponto a outro. Por isso, o pedágio não pode ter natureza de tributo. Comentário: Como vimos acima, o pedágio pode sim ter natureza de tributo, desde que seja cobrado em vias conservadas pelo poder público. Fique atento! A questão está errada. Caro aluno(a), por hoje é só! Sempre que possível, resolva novamente as questões comentadas nessa aula, que foram inseridas, sem os respectivos comentários e gabaritos, logo abaixo. Um abraço e até a próxima aula! Prof. Fábio Dutra Email: fabiodutra08@gmail.com Facebook: http://www.facebook.com/FabioDutraFS Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 3 – LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA QUESTÃO 01 – CESPE/MPE-RR/2008 Consoante jurisprudência firmada pelo STF, o poder que tem o Estado de tributar sofre limitações que são tratadas como cláusulas pétreas. QUESTÃO 02 – INÉDITA/2015 De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o Chefe do Poder Executivo pode se valer de medidas provisórias para instituição ou aumento de tributos, desde que obedecidos os requisitos constitucionais, pertinentes a tais atos normativos. Questão 03 – INÉDITA/2015 Os requisitos constitucionais de urgência e relevância, no que se refere à edição de medidas provisórias, não pode, de forma alguma, ser apurado no âmbito do Poder Judiciário, pois possuem caráter político. Questão 04 – CESPE/AGU/2004 O prazo para o recolhimento do tributo, por se tratar de elemento que tem repercussão na definição do montante a ser recolhido, deve ser definido em lei, não podendo ser estabelecido tão somente em regulamento. Questão 05 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2013 O município pode atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual não superior ao índice oficial de correção monetária. Questão 06 – ESAF/SEFAZ-SP-APOF/2009 O princípio da capacidade contributiva aplica-se somente às contribuições. Questão 07 – ESAF/SEFAZ-SP-APOF/2009 O princípio da capacidade contributiva aplica-se somente aos impostos. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 08 – CESPE/AGU/2004 Visando implementar a justiça fiscal, a CF consagra o princípio da capacidade contributiva, segundo o qual os tributos devem ser graduados de acordo com a capacidade econômica do contribuinte. Questão 09 – ESAF/SEFAZ-SP-APOF/2009 O princípio da capacidade contributiva aplica-se indistintamente a todas as espécies tributárias. Questão 10 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 Dado que o estabelecimento da progressividade de alíquotas constitui instrumento a serviço do princípio da capacidade contributiva, entende o STF ser constitucional lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis, com base no valor venal do imóvel. Questão 11 – ESAF/MDIC/2012 Não há ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do simples aquelas cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado. Questão 12 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 Segundo o STF, não haverá ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei complementar, por motivos extrafiscais, imprimir tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime diferenciado aquelas cujos sócios tenham condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado. Questão 13 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 Segundo a jurisprudência do STF, ofende o princípio da isonomia tributária a instituição de lei que, por motivos extrafiscais, imprima tratamento desigual a microempresas de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do SIMPLES aquelas cujos sócios tenham condição de disputar o mercado de trabalho sem auxílio estatal. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 14 – ESAF/MDIC/2012 Viola o princípio da isonomia a instituição, por parte de lei estadual, de incentivos fiscais a empresas que contratem empregados com mais de quarenta anos. Questão 15 – ESAF/MDIC/2012 Não se permite a distinção, para fins tributários, entre empresas comerciais e prestadoras de serviços, bem como entre diferentes ramos da economia. Questão 16 – ESAF/ISS-RJ/2010 A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, não fere o princípio da isonomia tributária, ante a expressa previsão constitucional. Questão 17 – ESAF/AFRFB/2012 - Adaptada Considerando decisões emanadas do STF sobre o princípio da isonomia, julgue o seguinte item: A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, fere o princípio da isonomia tributária. Questão 18 – ESAF/AFRFB/2012- Adaptada Considerando decisões emanadas do STF sobre o princípio da isonomia, julgue o seguinte item: Lei complementar estadual que isenta os membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos fere o princípio da isonomia. Questão 19 – ESAF/ISS-RJ/2010 A proibição de importação de veículos usados não configura afronta ao princípio da isonomia. Questão 20 – ESAF/AFRFB/2012 - Adaptada Considerando decisões emanadas do STF sobre o princípio da isonomia, julgue o seguinte item: A exclusão do arrendamento mercantil do campo de aplicação do regime de admissão temporária não constitui violação ao princípio da isonomia tributária. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 21 – ESAF/MDIC/2012 A Constituição Federal, entre outras limitações ao poder de tributar, veda o tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Sobre esta isonomia tributária, é correto afirmar que o STF entendeu inconstitucional, por ofensa a tal princípio, norma que proibia a adoção do regime de admissão temporária para as operações amparadas por arrendamento mercantil. Questão 22 – ESAF/ATRFB/2009 O Supremo Tribunal Federal tem como referência, para análise da irretroatividade, o aspecto temporal da hipótese de incidência, ou seja, o momento apontado pela lei como sendo aquele em que se deve considerar ocorrido o fato gerador. Questão 23 – ESAF/ATRFB/2009 A lei instituidora ou majoradora de tributos tem de ser, como regra, prospectiva; admite-se, porém, a sua retroatividade imprópria. Questão 24 – INÉDITA/2015 Determinado estado brasileiro decidiu conceder, em 2010, desconto de 5% para pagamento antecipado do IPVA. No ano subseqüente, o referido estado editou uma lei que reduzia o desconto concedido para 3%. De acordo com a jurisprudência do STF, tal redução de desconto configura majoração de tributo. Questão 25 – ESAF/TRF/2003 Os tributos não podem ser cobrados no mesmo exercício financeiro em que foi publicado o ato legal que os criou ou majorou, com exceção de alguns impostos, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte ao de sua publicação os dispositivos de lei que criam ou majoram impostos sobre o patrimônio ou a renda. Questão 26 – CESPE/AGU/2002 Segundo o Código Tributário Nacional, os dispositivos de lei que revoguem isenções relativas a impostos sobre o patrimônio ou a renda somente entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 27 – CESPE/AGU/2002 Conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal as isenções não condicionadas ou sem prazo definido podem ser revogadas a qualquer tempo por lei e, uma vez revogada a isenção, o tributo volta a ser imediatamente exigível, sendo impertinente a invocação do princípio da anterioridade. Questão 28 – CESPE/DELEGADO/PF/2004 - Adaptada Considere que a União tenha instituído a cobrança de CPMF durante o período de 2 anos e, 1 mês antes de findar o prazo de vigência, em outubro, tenha prorrogado a cobrança por mais 6 meses. Em face dessa consideração, julgue o seguinte: a cobrança devida pela prorrogação não poderá ser realizada no mesmo exercício financeiro, tendo em vista o princípio da anterioridade. Questão 29 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 Segundo o STF, o prazo da anterioridade nonagesimal começa a ser contado a partir da promulgação da lei que resulte da conversão de medida provisória editada, e não da publicação da medida provisória que institua ou modifique contribuição. Questão 30 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2013 Configura-se o caráter confiscatório de determinado tributo sempre que o efeito cumulativo, resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal, afetar, substancialmente e de maneira irrazoável, o patrimônio ou os rendimentos do contribuinte. Questão 31 – ESAF/AFRFB/2009 Entre as limitações constitucionais ao poder de tributar, que constituem garantias dos contribuintes em relação ao fisco, é incorreto afirmar que a identificação do efeito confiscatório não deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mas sim em cada tributo isoladamente. Questão 32 – ESAF/AFRFB/2009 Uma alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 150%, por exemplo, não significa necessariamente confisco. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 33 – FGV/ICMS-RJ/2011 O princípio da vedação do tributo confiscatório impede a utilização de imposto com efeito de confisco, / mas não há percentual que estabeleça previamente os limites do tributo confiscatório. Questão 34 – ESAF/AFRFB/2014 Leis estaduais que estipulam margens mínima e máxima das custas, dos emolumentos e da taxa judiciária e realizam uma disciplina progressiva das alíquotas – somente sendo devido o pagamento dos valores elevados para as causas que envolvam considerável vulto econômico – configuram ofensa ao princípio constitucional do não confisco. Questão 35 – ESAF/AFRFB/2014 A chamada ‘multa moratória’, que tem por objetivo sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos, não possui caráter confiscatório, independentemente de seu importe. Questão 36 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2006 Consoante o princípio da uniformidade, é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a estado, ao DF ou a município, em detrimento de outro. Todavia, entende o STF ser admissível a fixação de alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI), de forma diferenciada por regiões, uma vez que há previsão constitucional para a execução. Questão 37 – FGV/ADV. SENADO FED./2008 A vedação às isenções heterônomas impede a concessão de isenções em tratados internacionais. Questão 38 – INÉDITA/2015 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, inclusive a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 39 – FGV/AFRE-RJ/2011 - Adaptada De acordo com o Princípio da Liberdade de Tráfego, é vedado à União, Estados e Municípios estabelecer tributos pelo fato de pessoa ou bem estar indo ou voltando de um ponto a outro. Por isso, o pedágio não pode ter natureza de tributo. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 4 - GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA 1 CORRETO 14 ERRADO 27 CORRETO 2 CORRETO 15 ERRADO 28 ERRADO 3 ERRADO 16 CORRETO 29 ERRADO 4 ERRADO 17 ERRADO 30 CORRETO 5 CORRETO 18 CORRETO 31 CORRETO 6 ERRADO 19 CORRETO 32 CORRETO 7 ERRADO 20 CORRETO 33 CORRETO 8 CORRETO 21 ERRADO 34 ERRADO 9 ERRADO 22 CORRETO 35 ERRADO 10 ERRADO 23 ERRADO 36 CORRETO 11 CORRETO 24 ERRADO 37 ERRADO 12 CORRETO 25 CORRETO 38 ERRADO 13 ERRADO 26 CORRETO 39 ERRADO Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 42 Page 1 Page 2 Page 3 Page 4 Page 5 Page 6 Page 7 Page 8 Page 9Page 10 Page 11 Page 12 Page 13 Page 14 Page 15 Page 16 Page 17 Page 18 Page 19 Page 20 Page 21 Page 22 Page 23 Page 24 Page 25 Page 26 Page 27 Page 28 Page 29 Page 30 Page 31 Page 32 Page 33 Page 34 Page 35 Page 36 Page 37 Page 38 Page 39 Page 40 Page 41 Page 42 Page 43RE 217.162/DF, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 14/12/1998, DJ de 26/02/1999) Vejamos como esse assunto poderia ser tratado pelas bancas examinadoras: Questão 03 – INÉDITA/2015 Os requisitos constitucionais de urgência e relevância, no que se refere à edição de medidas provisórias, não pode, de forma alguma, ser apurado no âmbito do Poder Judiciário, pois possuem caráter político. Comentário: Como vimos acima, apesar de terem realmente caráter político, os requisitos de urgência e relevância podem ser apurados pelo Poder Judiciário, na hipótese de evidente excesso de poder de legislar, por parte do Presidente da República. Questão errada. Além das medidas provisórias, o Plenário do STF (RE 632265 AgR-ED/RJ) também decidiu que somente lei em sentido formal pode instituir o regime de recolhimento do ICMS por estimativa. Dessa forma, foi declarada a inconstitucionalidade dos decretos estaduais do Estado do Rio de Janeiro que dispõem sobre o pagamento do ICMS no âmbito do referido Estado-Membro. De acordo com o Informativo 790, no caso, discutia-se a possibilidade de se disciplinar, mediante decreto, forma de recolhimento de tributo diferentemente do que prevista na LC 87/1996. A Corte afirmou que, apesar de o fato gerador do ICMS acontecer no momento da saída do estabelecimento, a circunstância de ser um imposto não-cumulativo (CF, art. 155, § 2º, I) impediria a cobrança após cada operação, salvo excepcionalmente, conforme estatuído na LC 87/1996. Dada a relevância desta jurisprudência, transcreve-se abaixo o trecho da respectiva ementa: (...) RECURSO EXTRAORDINÁRIO – TRIBUTO – FORMA DE CÁLCULO – PRINCÍPIO DA LEGALIDADE – INOBSERVÂNCIA – AUDIÇÃO DA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA. Envolvido, no recurso extraordinário, o princípio da legalidade tributária, no que, mediante decreto, veio a ser disciplinada forma de recolhimento de tributo diferente da prevista em lei complementar – artigo 26 da Lei Complementar nº 87/96 –, cumpre Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 aparelhar o processo para o crivo respectivo. (STF, Plenário, RE 632265 AgR-ED/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 30/10/2012) Acrescentamos também que as bancas de concurso público, cobram também as exceções ao princípio da legalidade, de acordo com a jurisprudência da Suprema Corte. Veja: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ICMS. MINAS GERAIS. DECRETOS N.ºS 30.087/89 E 32.535/91, QUE ANTECIPARAM O DIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO E DETERMINARAM A INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DE ENTÃO. ALEGADA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA ANTERIORIDADE E DA NÃO-CUMULATIVIDADE. Improcedência da alegação, tendo em vista não se encontrar sob o princípio da legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação tributária; já se havendo assentado no STF, de outra parte, o entendimento de que a atualização monetária do débito de ICMS vencido não afronta o princípio da não-cumulatividade (RE 172.394). Recurso não conhecido. (STF, 1ª T., RE 195.218/MG, Rel. Min. Ilmar Galvão, j. em 28/05/2002, DJ de 02/08/2002) A alteração do prazo de recolhimento do tributo pode ser feita por ato infralegal, sem ofensa ao princípio da legalidade! Questão 04 – CESPE/AGU/2004 O prazo para o recolhimento do tributo, por se tratar de elemento que tem repercussão na definição do montante a ser recolhido, deve ser definido em lei, não podendo ser estabelecido tão somente em regulamento. Comentário: Conforme entendimento expresso do STF, o prazo de recolhimento do tributo não está sujeito ao princípio da legalidade, podendo, portanto, ser alterado por ato infralegal. Dessa forma, a questão está errada. A atualização do valor monetário da base de cálculo foi expressamente dispensada do princípio da legalidade pelo § 2° do art. 97 do CTN. Ressalte-se que não se deve confundir atualização com aumento (aumento em percentual superior aos índices oficiais), este está sujeito a edição de lei. Nesse sentido, o STJ sumulou o seguinte entendimento: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Súmula STJ 160 – É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. Questão 05 – CESPE/JUIZ FEDERAL-2ª REGIÃO/2013 O município pode atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual não superior ao índice oficial de correção monetária. Comentário: A Súmula 160, do STJ, proíbe a atualização do IPTU mediante decreto em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. Interpretando a citada súmula a contrariu sensu, podemos afirmar que o município pode atualizar o IPTU mediante decreto, desde que em percentual não superior ao índice oficial. Questão correta. Satisfeitos tais requisitos, é possível, de acordo com o STF, complementar os conceitos abertos utilizados pelo legislador. Por exemplo, definiram-se por meio de atos normativos infralegais os conceitos de atividades preponderantes e grau de risco leve, médio e grave, que foram previstos na Lei 8212/91, e que se refere à contribuição para custear o SAT. EMENTA: - CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. (...) O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve, médio e grave, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. (...). (STF, Pleno, RE 343.446/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 20/03/2003, DJ de 04/04/2003) 2.2 - Princípio da Isonomia Esse é um dos princípios mais fartos de jurisprudência, no estudo do Direito Tributário. Prestemos, pois, total atenção no que virá a seguir. Em primeiro lugar, é importante sabermos que, embora o art. 145, § 1°, da CF/88, mencione expressamente apenas a submissão dos impostos ao princípio da capacidade contributiva, o STF entende que tal postulado é extensível a outras espécies tributárias, obedecendo, claro, as singularidades de cada uma delas. Nesse sentido, temos: “IPVA. Progressividade. Todos os tributos submetem-se ao princípio da capacidade contributiva (precedentes), ao menos em relação a um de Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 seus três aspectos (objetivo, subjetivo e proporcional), independentemente de classificação extraída de critérios puramente econômicos.” (STF, RE 406.955-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 4-10- 2011, Segunda Turma, DJE de 21-10-2011) Questão 06 – ESAF/SEFAZ-SP-APOF/2009 O princípio da capacidade contributiva aplica-se somente às contribuições. Comentário: Neste caso, o candidato deve ter em mente que cada tributo possui suas particularidades. Isso faz com que eles se submetam ao princípio da capacidade contributiva de formas diferentes. O importante é saber que o STF já mencionou que TODOS os tributos se submetem a este postulado. A questão está errada. Questão 07 – ESAF/SEFAZ-SP-APOF/2009 O princípio da capacidade contributiva aplica-se somente aos impostos. Comentário: Novamente, temos uma questão que restringe o campo de aplicação do princípio da capacidade contributiva. Lembre-se, segundo o STF, ele se aplica a todos os tributos. Questão errada. Questão 08 – CESPE/AGU/2004 Visando implementar a justiça fiscal, a CF consagra o princípio da capacidade contributiva, segundo o qual os tributos devem ser graduados de acordo com a capacidade econômica do contribuinte. Comentário: A questão explica como se dá a aplicação do princípio da capacidade contributiva. No entanto, observe que a questão se refere aos tributos, de forma geral, e não aos impostos,conforme preceitua a CF/88. Isso não torna a questão incorreta, pois a interpretação do STF a respeito do princípio da capacidade contributiva é ampla, conforme vimos. Questão correta. Na hora da prova, tenha muito cuidado com assertivas literais em relação ao princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º). SEMPRE leia as demais alternativas antes de tomar a decisão. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Destaque-se que, apesar de todos os tributos se submeterem ao princípio da capacidade contributiva, isso ocorre de maneira distinta. Questão 09 – ESAF/SEFAZ-SP-APOF/2009 O princípio da capacidade contributiva aplica-se indistintamente a todas as espécies tributárias. Comentário: Conforme comentamos, apesar de todos os tributos se submeterem ao referido princípio, a aplicação deste ocorre de maneira distinta, pois cada tributo guarda consigo certas peculiaridades. Questão errada. Sobre a progressividade de alíquotas, ressalte-se que não se confunde o fato de as alíquotas do IPVA serem diferenciadas por tipo e por utilização do veículo com progressividade. Veja este julgado: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPVA. LEI ESTADUAL. ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS EM RAZÃO DO TIPO DO VEÍCULO. 1. Os Estados-membros estão legitimados a ditar as normas gerais referentes ao IPVA, no exercício da competência concorrente prevista no artigo 24, § 3º, da Constituição do Brasil. 2. O Supremo possui orientação no sentido de que não há tributo progressivo quando as alíquotas são diferenciadas segundo critérios que não levam em consideração a capacidade contributiva. Agravo regimental a que se nega provimento”. (STF, RE 466.480-AgR/MG, Rel. Min. Eros Grau, 24/06/2008) Ainda sobre a progressividade de alíquotas, veja o que diz a súmula 656 de lavra do STF: SÚMULA STF 656 – É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis – ITBI com base no valor venal do imóvel. Questão 10 – CESPE/JUIZ-TJ-CE/2012 Dado que o estabelecimento da progressividade de alíquotas constitui instrumento a serviço do princípio da capacidade contributiva, entende o STF ser constitucional lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis, com base no valor venal do imóvel. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Comentário: O STF sumulou o seu entendimento (Súmula 656), afirmando no texto desta que a progressividade de alíquotas no ITBI, com base no valor venal do imóvel, são inconstitucionais. Questão errada. Da redação da súmula, em conjunto com o entendimento que tem sido demonstrado pelo STF, percebemos que a Corte não admite a progressividade de alíquotas para os impostos reais, salvo quando houver expressa permissão do texto constitucional. Para o STF, não é possível graduar impostos reais segundo a capacidade contributiva do contribuinte. Nesse contexto, o Supremo considera inconstitucional o seguinte: SÚMULA STF 668 – É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes da Emenda Constitucional 29/2000, alíquotas progressivas para o IPTU, salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana. No entanto, o ITCMD, embora tido como imposto real, possui características que tornam possível graduá-lo conforme a capacidade contributiva de cada um. Observe o julgado a seguir (um dos mais importantes da aula): “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI ESTADUAL: PROGRESSIVIDADE DE ALÍQUOTA DE IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CONSTITUCIONALIDADE. ART. 145, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRINCÍPIO DA IGUALDADE MATERIAL TRIBUTÁRIA. OBSERVÂNCIA DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO.”. (...) Transcrição parcial do voto da Min. Ellen Gracie: “Por revelar efetiva e atual capacidade contributiva inerente ao acréscimo patrimonial, o imposto sobre transmissão “causa mortis”, também conhecido como imposto sobre heranças ou sobre a sucessão, é um imposto que bem se vocaciona à tributação progressiva.” (STF, RE 562.045/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 06/02/2013, publicado em 27/11/2013) O STF entende que o ITCMD pode ser tributado com base em alíquotas progressivas, por ser possível graduá-lo conforme a capacidade contributiva de cada um. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 “EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE IMÓVEL TERRITORIAL E URBANA. IPTU. PROGRESSIVIDADE. ALÍQUOTA ÚNICA. VARIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO CONFORME A ESSENCIALIDADE OU A FRIVOLIDADE DO BEM (TIPOS DE IMÓVEL PRECÁRIO, POPULAR, MÉDIO, FINO E LUXO). ÍNDICE PRÓPRIO PARA MENSURAR A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DAR DIMENSÃO EXTRAFISCAL À EXAÇÃO. UTILIZAÇÃO ANTES DA EC 29/2000. IMPOSSIBILIDADE (...) O efeito extrafiscal ou a calibração do valor do tributo de acordo com a capacidade contributiva não são obtidos apenas pela modulação da alíquota. O escalonamento da base de cálculo pode ter o mesmo efeito. 3. Ao associar o tipo de construção (precário, popular, médio, fino e luxo) ao escalonamento crescente da avaliação do valor venal do imóvel, a Lei 3.326/1996 do Município de Campo Grande passou a graduar o valor do tributo de acordo com índice hábil à mensuração da frivolidade ou da essencialidade do bem, além de lhe conferir mais matizes para definição da capacidade contributiva. Impossibilidade, nos termos do texto constitucional anterior à inovação trazida pela EC 29/2000. Agravo regimental ao qual se nega provimento.” (STF, AI 583.636-AgR/MS, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 06/04/2010) Em síntese, o escalonamento da base de cálculo é capaz também de gerar o efeito extrafiscal do tributo ou calibrar este de acordo com a capacidade contributiva. Além disso, ressalte-se que associar o tipo de construção ao escalonamento crescente do valor venal do imóvel significa conferir progressividade fiscal ao IPTU, sendo esta vedada antes da EC 29/2000 (Súmula 668 do STF). No mesmo sentido, temos o AI 498.249- AgR, que não vamos citá-lo para não tornar a aula prolixa. A capacidade contributiva pode ser mensurada não só pela aplicação de diferentes alíquotas, mas também pelo escalonamento da base de cálculo. Ainda temos muitas outras jurisprudências relevantes para fins de concurso público, como as que vamos estudar a partir de agora! “EMENTA : - Isenção de IPTU, em razão da qualidade de servidor estadual do Agravante, postulada em desrespeito da proibição contida no art. 150, II, da Constituição Federal de 1988.” Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 (STF, AI 157.871-AgR/RJ, Rel. Min. Octabio Gallotti, 15/09/1995) Com base no entendimento do STF, fere o princípio da isonomia a discriminação com base na função ou ocupação exercida. EMENTA: ACÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS PROFISSÕES LIBERAIS. PERTINÊNCIA TEMÁTICA. LEGITIMIDADE ATIVA. PESSOAS JURÍDICAS IMPEDIDAS DE OPTAR PELO REGIME. CONSTITUCIONALIDADE. (...). 4. Não há ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do SIMPLES aquelas cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistênciado Estado. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. (STF, Pleno, ADI 1.643/UF, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. em 05/12/2002, DJ de 14/03/2003). Questão 11 – ESAF/MDIC/2012 Não há ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do simples aquelas cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado. Comentário: Não há como escapar, você vai ter que decorar isso. Tanto o CESPE como a ESAF já cobraram. Fique ligado, pois é cópia parcial da Ementa da ADI 1.643/UF. Questão correta. Questão 12 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 Segundo o STF, não haverá ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei complementar, por motivos extrafiscais, imprimir tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime diferenciado aquelas cujos sócios tenham condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado. Comentário: A questão faz cópia parcial da Ementa da ADI 1.643/UF. Repare que a questão menciona lei complementar devido a reserva de lei complementar prevista no art. 146, III, “d”, inserida pela EC 42/03, não existente à época do julgamento da ADI 1.643. Questão correta. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 13 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2011 Segundo a jurisprudência do STF, ofende o princípio da isonomia tributária a instituição de lei que, por motivos extrafiscais, imprima tratamento desigual a microempresas de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do SIMPLES aquelas cujos sócios tenham condição de disputar o mercado de trabalho sem auxílio estatal. Comentário: A questão nega o que foi estabelecido no julgamento da ADI 1.643. Não há ofensa ao princípio da isonomia quando a lei imprime tal tratamento diferenciado, por razões extrafiscais. Esse é o entendimento do STF que você deve levar para a prova. Questão errada. Sobre os incentivos fiscais, temos que: Ementa: Ao instituir incentivos fiscais a empresas que contratam empregados com mais de quarenta anos, a Assembléia Legislativa Paulista usou o caráter extrafiscal que pode ser conferido aos tributos, para estimular conduta por parte do contribuinte, sem violar os princípios da igualdade e da isonomia. (STF, ADI 1.276, Rel. Min. Ellen Gracie, 28/08/2002) Questão 14 – ESAF/MDIC/2012 Viola o princípio da isonomia a instituição, por parte de lei estadual, de incentivos fiscais a empresas que contratem empregados com mais de quarenta anos. Comentário: De acordo com o entendimento do STF, a lei estadual utilizou-se de caráter extrafiscal para estimular certo comportamento por parte dos contribuintes. Questão incorreta. Vejamos outra mais uma jurisprudência já cobrada em provas de concurso público sobre o princípio da isonomia: EMENTA: PROCESSO CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ADICIONAL. § 1º DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, não fere, à primeira vista, o princípio da isonomia tributária, ante a expressa previsão constitucional (Emenda de Revisão nº 1/94 e Emenda Constitucional nº 20/98, que inseriu o § 9º no art. 195 do Texto permanente). Liminar a que se nega referendo. Processo Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 extinto. (STF, AC 1.109-MC, Rel. Min. Marco Aurélio, 31/05/2007) Sobre esse assunto, preciso que você guarde ainda o disposto no art. 195, § 9º, da CF/88: “As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-deobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.” Lembrem-se que as referidas contribuições são aquelas a cargo do empregador. Questão 15 – ESAF/MDIC/2012 Não se permite a distinção, para fins tributários, entre empresas comerciais e prestadoras de serviços, bem como entre diferentes ramos da economia. Comentário: Tal distinção é permitida, pois há previsão constitucional nesse favor (art. 195, § 9º, da CF/88). Questão incorreta. Questão 16 – ESAF/ISS-RJ/2010 A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, não fere o princípio da isonomia tributária, ante a expressa previsão constitucional. Comentário: De acordo com o art. 195, § 9º, da CF/88, permite-se que as contribuições sociais a cargo do empregador tenham alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. Questão correta. Questão 17 – ESAF/AFRFB/2012 - Adaptada Considerando decisões emanadas do STF sobre o princípio da isonomia, julgue o seguinte item: A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, fere o princípio da isonomia tributária. Comentário: Veja como a ESAF gosta desse tipo de questão. Basta decorar o art. 195, § 9º da CF/88, bem como o posicionamento da Suprema Corte acerca deste assunto. É ponto certo na prova. Nesta, a banca afirmou que a sobrecarga fere o princípio da isonomia. Questão errada. “EMENTA: (...) 1. A lei complementar estadual que isenta os membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, notariais, Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos fere o disposto no artigo 150, inciso II, da Constituição do Brasil.” (STF, ADI 3.260, Rel. Min. Eros Grau, 29/03/2007) O dispositivo constitucional mencionado na ementa trata mais uma vez do princípio da isonomia. Questão 18 – ESAF/AFRFB/2012 - Adaptada Considerando decisões emanadas do STF sobre o princípio da isonomia, julgue o seguinte item: Lei complementar estadual que isenta os membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos fere o princípio da isonomia. Comentário: Conforme acabamos de estudar, tais isenções afrontam o princípio da isonomia, conforme jurisprudência do STF. Questão correta. EMENTA: Importação de automóveis usados. - Recentemente, o Plenário desta Corte, ao julgar os RREE 203.954 e 202.313, firmou o entendimento de que é inaceitável a orientação de que a vedação da importação de automóveis usados afronte o princípio constitucional da isonomia, sob a alegação de atuar contra as pessoas de menor capacidade econômica, porquanto, além de não haver a propalada discriminação, a diferença de tratamento é consentânea com os interesses fazendários nacional que o artigo 237 da Constituição Federal teve em mira proteger, ao investir as autoridades do Ministério da Fazenda no poder de fiscalizar e controlar o comércio exterior. (STF, RE 312.511, Rel. Min. Moreira Alves, 11/06/2002) Veja como caiu em prova: Questão 19 – ESAF/ISS-RJ/2010 A proibição de importação de veículos usados não configura afronta ao princípio da isonomia. Comentário: Não há qualquer ofensa ao princípio da isonomia, pois a vedação de importação de veículos usados apenas restringe algo consentâneo com os interesses fazendários nacional. Questão correta. Outro temajá cobrado em prova diz respeito à exclusão das operações de arrendamento mercantil do campo de aplicação do regime de admissão temporária, conforme a jurisprudência a seguir: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Violação do princípio da isonomia (art. 150, II da Constituição), na medida em que o art. 17 da Lei 6.099/1974 proíbe a adoção do regime de admissão temporária para as operações amparadas por arrendamento mercantil. Improcedência. A exclusão do arrendamento mercantil do campo de aplicação do regime de admissão temporária atende aos valores e objetivos já antevistos no projeto de lei do arrendamento mercantil, para evitar que o leasing se torne opção por excelência devido às virtudes tributárias e não em razão da função social e do escopo empresarial que a avença tem. (STF, RE 429.306/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgado em 01/02/2011) A admissão temporária é um regime aduaneiro especial que permite a importação, com suspensão total ou parcial de tributos, de bens que devam permanecer no país sobre prazo fixado. Para a Lei 6.099/74, as operações de arrendamento mercantil não se confundem com o referido regime aduaneiro especial, estando sujeitas às normas gerais de importação. O STF também se posicionou no mesmo sentido, tendo em vista que se assim não o fosse, as operações de arrendamento mercantil iriam se beneficiar das vantagens tributárias oferecidas pelo regime de admissão temporária. Questão 20 – ESAF/AFRFB/2012 - Adaptada Considerando decisões emanadas do STF sobre o princípio da isonomia, julgue o seguinte item: A exclusão do arrendamento mercantil do campo de aplicação do regime de admissão temporária não constitui violação ao princípio da isonomia tributária. Comentário: De acordo com o que vimos, o STF entende que a exclusão do arrendamento mercantil do campo de aplicação do regime aduaneiro especial de admissão temporária não ofende o princípio da isonomia. Questão correta. Questão 21 – ESAF/MDIC/2012 A Constituição Federal, entre outras limitações ao poder de tributar, veda o tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Sobre esta isonomia tributária, é correto afirmar que o STF entendeu inconstitucional, por ofensa a tal princípio, norma que proibia a adoção do regime de admissão temporária para as operações amparadas por arrendamento mercantil. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Comentário: Opa! Você percebeu, caro candidato, que a ESAF tem cobrado questões praticamente idênticas? Veja a importância do nosso curso para você garantir um bom desempenho nas provas. Conforme já dissemos, tal proibição não ofende o princípio da isonomia. Portanto, questão errada. Por fim, destaque-se que o STF considerou inconstitucional parte da Emenda Constitucional 41/2003, pois esta imprimia tratamento discriminatório entre servidores públicos da União e os dos Estados, Municípios e do DF, no que se refere ao limite a partir do qual incidiria contribuição previdenciária sobre aposentadoria e pensões. Observe a seguinte ementa: EMENTAS: (...) Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Bases de cálculo diferenciadas. Arbitrariedade. Tratamento discriminatório entre servidores e pensionistas da União, de um lado, e servidores e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária, que é particularização do princípio fundamental da igualdade. Ação julgada procedente para declarar inconstitucionais as expressões “cinquenta por cento do” e “sessenta por cento do”, constantes do art. 4º, § único, I e II, da EC nº 41/2003. Aplicação dos arts. 145, § 1º, e 150, II, cc. art. 5º, caput e § 1º, e 60, § 4º, IV, da CF, com restabelecimento do caráter geral da regra do art. 40, § 18. São inconstitucionais as expressões cinquenta por cento do e sessenta por cento do, constantes do § único, incisos I e II, do art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e tal pronúncia restabelece o caráter geral da regra do art. 40, § 18, da Constituição da República, com a redação dada por essa mesma Emenda. (STF, Pleno, ADI 3.105/DF, Rel. p/ Acórdão Min. Cezar Peluso, j. em 18/08/2004, DJ de 18/02/2005). 2.3 - Princípio da Irretroatividade Para facilitar a sua compreensão do posicionamento dos tribunais a respeito deste princípio, faz-se necessário conhecer dois importantes aspectos da hipótese de incidência tributária: o aspecto material e o temporal. O aspecto material se refere ao fato descrito na norma como ensejador do surgimento da obrigação tributária. Por exemplo, o fato de auferir rendas faz com que a pessoa se sujeite à tributação pelo Imposto de Renda. Já o aspecto temporal da hipótese de incidência diz respeito ao momento em que a lei considerar consumado o fato gerador da obrigação tributária. Por exemplo, o Imposto de Renda Pessoa Física tem o seu fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de cada ano, muito embora decorra de vários fatos isolados ao longo do ano-calendário. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Por falar do Imposto de Renda, devemos levar em consideração que se trata de um tributo complexivo, ou seja, é formado por um conjunto de fatos que ocorridos durante determinado período (exercício financeiro). Agora que você já entendeu tais conceitos, vamos à seguinte jurisprudência: EMENTA: Embargos de declaração acolhidos para complementar a fundamentação do acórdão embargado e alterar a respectiva ementa, que passa a ter o teor seguinte: "Contribuição social: correção monetária: atualização pela UFIR: constitucionalidade do art. 79 da L. 8.383, de 30.12.91: precedentes. Se o fato gerador da obrigação tributária relativa à contribuição social reputa-se ocorrido em 31 de dezembro, conforme a orientação do STF, a lei que esteja em vigor nessa data é aplicável imediatamente, sem contrariedade ao art. 5º, XXXVI, da Constituição." (STF, 1ª T., ED no AgR no AI 333.209/PR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. em 02/03/2007, DJ de 30/03/2007). Observação: A ementa se refere à CSLL, tributo que segue a mesma sistemática de apuração e pagamento do Imposto de Renda. Perceba, neste caso, que o STF adotou o aspecto temporal da hipótese de incidência, pois, para o Tribunal, basta que a lei esteja vigente na data da consumação do fato gerador para que se aplique a ele, bem como a todos os eventos dos quais ele é composto. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência, é interessante observarmos a redação da vetusta Súmula 584 do STF: Súmula STF 584 – Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano base aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. Em termos práticos, o STF quis dizer que, se uma lei que foi publicada em 2014 estiver produzindo efeitos em 2015, ela será aplicada sobre os rendimentos de 2014, pois a norma estava em vigor quando ocorreu a entrega da declaração (2015). Perceba que há total agressão ao princípio da irretroatividade. Observação: Lembre-se de que a entrega das declarações de imposto de renda das pessoas físicas ocorre sempre no ano-calendário subsequente. “E o princípio da anterioridade, professor?” Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Também foi agredido, caro aluno, pois a lei acabou por produzir efeitos sobre o fato gerador ocorrido no mesmo exercício de suapublicação. Destaque-se que, no julgamento do tão aguardado RE 183.130, o STF se manifestou no sentido da inaplicabilidade da Súmula 584, mas apenas quando se trata de majoração de alíquotas do IR utilizado com caráter extrafiscal, em relação ao lucro decorrente de operações incentivadas. Vejamos como ficou redigida a ementa deste julgado: Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. OPERAÇÕES INCENTIVADAS. LEI 7.988/89, ART. 1º, I. 1. Não é legítima a aplicação retroativa do art. 1º, I, da Lei 7.988/89 que majorou a alíquota incidente sobre o lucro proveniente de operações incentivadas ocorridas no passado, ainda que no mesmo exercício. Relativamente a elas, a legislação havia conferido tratamento fiscal destacado e mais favorável, justamente para incrementar a sua exportação. A evidente função extrafiscal da tributação das referidas operações afasta a aplicação, em relação a elas, da Súmula 584/STF. 2. Recurso Extraordinário improvido. (STF, Plenário, RE 183.130/PR, Rel. Min. Teori Zavascki, Julgamento em 25/09/2014) Ficou evidente que a Súmula 584 continuaria sendo adotada para fins de interpretação do fato gerador do imposto de renda, de modo a corroborar orientação no sentido de que, em razão de o fato gerador do imposto de renda ocorrer somente em 31 de dezembro, se a lei fosse editada antes dessa data, sua aplicação a fatos ocorridos no mesmo ano da edição não violaria o princípio da irretroatividade. Não houve revogação do texto da Súmula 584. Sua transcrição literal em uma questão de prova deve ser encarada como correta. O STJ (REsp 419.814/RS), no entanto, já decidiu em favor da inaplicabilidade do enunciado da Súmula 584 do STF, pois este foi editado na vigência da CF anterior, valendo, hoje, os princípios da anterioridade e irretroatividade da lei tributária. Vejamos: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 42 Ainda não entendi o que seria retroatividade imprópria. Poderia explicar melhor? Claro que sim! Corroborando o que já vimos, a retroatividade imprópria ocorre quando se considera apenas o aspecto temporal da norma, desconsiderando o seu aspecto material. Ou seja, ainda que a lei tenha sido publicada no meio ou no final de um ano (julho, por exemplo), ela se aplica a todos os rendimentos daquele período (janeiro a dezembro), mesmo que anteriores a ela (janeiro a junho), bastando apenas que esteja vigente em um determinado momento, o que no caso do IR, segundo a Súmula 584, seria no ano-calendário em que fosse entregue a declaração. Caso se considere o aspecto material da norma, ficaria evidente que a lei ofende o princípio da irretroatividade, tendo em vista que os rendimentos auferidos até a publicação desta sofrem a majoração do IR. Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 “A Súmula 584/STF está superada nos moldes colocados no seu verbete, entendendo-se que na atual redação da CF/88 aplica-se ao Imposto de Renda a lei vigente no ano antecedente, de modo a já estar ela com plena eficácia no início do ano-base. (...)” (STJ, EDcl no REsp 377.099/RS, Voto da Min. Relatora Eliana Calmon, Julgado em 02/03/2004) A pergunta agora seria: como tal assunto deve ser levado para a prova? • Deve ser considerada correta a questão que transcrever a literalidade do seu enunciado. • Está correta a questão que mencionar a inaplicabilidade da Súmula 584 em relação ao IR utilizado em caráter extrafiscal (lucro decorrente de operações incentivadas). • Se a questão invocar o entendimento do STJ, deve-se lembrar que esta Corte já decidiu no sentido da inaplicabilidade da súmula. Destaque-se que o fenômeno a que a Súmula 584 do STF nos remete é o da retroatividade imprópria, que ocorre quando uma lei tem aplicação sobre fatos que se iniciaram no passado, mas que ainda não foram concluídos. Nesse sentido, a lei é publicada no final do ano e alcança os fatos que ocorreram desde o início do mesmo ano. Já tivemos um voto da Ministra Ellen Gracie, no sentido de que deve se considerado o aspecto material da hipótese de incidência tributária, para que seja respeitado o princípio da irretroatividade tributária. Parece ainda cedo Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 para dizermos que o STF esteja alterando o seu posicionamento, mas, de qualquer forma, se o seguinte julgado for cobrado na íntegra, você pode considerar a questão como correta: “É o aspecto material – e não o aspecto temporal da norma – que deve ser considerado para fins de resguardo da irretroatividade e da anterioridade da lei tributária (...). Havendo afirmação constitucional expressa da irretroatividade da lei ao fato gerador, bem como da anterioridade da lei tributária, e considerando-se que tais garantias constituem desdobramentos inequívocos do princípio da segurança jurídica, pode-se concluir que não tem lugar, no direito tributário brasileiro, a chamada retroatividade imprópria.” (RE 587.008; Voto da Min. Ellen Gracie, Relator: Dias Toffoli, J. 02/02/2011, DJ 05/05/2011) Apenas siga o voto da Min. Ellen Gracie se a banca o exigir literalmente. Questão 22 – ESAF/ATRFB/2009 O Supremo Tribunal Federal tem como referência, para análise da irretroatividade, o aspecto temporal da hipótese de incidência, ou seja, o momento apontado pela lei como sendo aquele em que se deve considerar ocorrido o fato gerador. Comentário: Perceba que essa questão (2009) foi elaborada antes do voto da Ministra Ellen Gracie (2011), no qual é ressaltado a importância do aspecto material da hipótese de incidência. Fiquemos atento às próximas questão que possam versar sobre esse assunto. Questão correta. Questão 23 – ESAF/ATRFB/2009 A lei instituidora ou majoradora de tributos tem de ser, como regra, prospectiva; admite-se, porém, a sua retroatividade imprópria. Comentário: Perceba que, mesmo o STF considerando ainda válida a Súmula 584, a ESAF entende que a retroatividade imprópria não é admitida, motivo que fez a banca considerar esta questão como errada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 2.4 - Princípio da Anterioridade O princípio da anterioridade está previsto no art. 150, III, b, da CF/88. Segundo ele, é vedado cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou os aumentou, ressalvadas as suas exceções. Sobre tal princípio, temos as seguintes jurisprudências: “O princípio da anterioridade da lei tributária, além de constituir limitação ao poder impositivo do Estado, representa um dos direitos fundamentais mais importantes outorgados pela Carta da República ao universo dos contribuintes. (...)” (STF, Pleno, ADI 939/DF, Voto do Min. Celso de Mello, Rel. Min. Sydney Sanches, j. em 15/12/1993, DJ de 18/03/1994). A interpretação conjunta dos art. 5 º, § 2º e do art. 60, § 4º, IV, ambos da CF/88, permite-nos inferir claramente que o princípio da anterioridade tributária é uma cláusula pétrea. Ainda sobre esse princípio, temos: Súmula Vinculante 50 - Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. Observação: Esta súmula vinculante possui a mesma redação da Súmula 669 do STF. Isso significa que já se tratava de entendimento pacífico no STF. No mesmo sentido, a Suprema Corte também já decidiu: "EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PIS. FINSOCIAL. PRAZO DE RECOLHIMENTO. (...) A regra legislativa que se limita simplesmente a mudar o prazo de recolhimento da obrigação tributária, sem qualquer repercussão, não se submete ao princípio da anterioridade. Recurso extraordinário conhecido e provido". 2. Precedentes de ambas as Turmas, nos quaistêm sido rejeitados os argumentos em contrário, ora renovados pela agravante. 3. Agravo improvido." (RE 274.949 AgR/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Sydney Sanches, Julgado em 13/11/2001) Além disso, há outras situações que não se submetem ao princípio da anterioridade: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO - MATÉRIA TRIBUTÁRIA - SUBSTITUIÇÃO LEGAL DOS FATORES DE INDEXAÇÃO - ALEGADA OFENSA ÀS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO ADQUIRIDO E DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA - INOCORRÊNCIA - SIMPLES ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA QUE NÃO SE CONFUNDE COM MAJORAÇÃO DO TRIBUTO - RECURSO IMPROVIDO." (RE 200.844 AgR/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, Julgado em 25/06/2002) No que se refere às revogações de isenções, é interessante demonstrarmos o histórico da jurisprudência do STF. Nos idos de 1996, a Suprema Corte demonstrou entender que a revogação de isenção não configuraria majoração de tributo, não havendo porque observar o princípio da anterioridade. Contudo, recentemente, a Primeira Turma do STF alterou o seu entendimento, no sentido da necessidade de observância do princípio da anterioridade (anual e nonagesimal): (...) REVOGAÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL – PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE – DEVER DE OBSERVÂNCIA – PRECEDENTES. Promovido aumento indireto do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS por meio da revogação de benefício fiscal, surge o dever de observância ao princípio da anterioridade, geral e nonagesimal, constante das alíneas “b” e “c” do inciso III do artigo 150, da Carta. Precedente – Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.325/DF, de minha relatoria, julgada em 23 de setembro de 2004. (...) (STF, RE 564.225-AgR/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 02/09/2014) Assim, atualmente o STF entende que a revogação de benefício fiscal caracteriza aumento indireto de tributo, atraindo a aplicação do princípio da anterioridade (anual e nonagesimal). Ademais, entende a Corte que o prévio conhecimento da carga tributária tem como base a segurança jurídica e, como conteúdo, a garantia da certeza do direito. Leve isto para a sua prova: A majoração indireta de tributo, levada a cabo por meio de redução de benefício fiscal, atrai a aplicação dos princípios da anterioridade anual e nonagesimal. Caro concurseiro(a), embora o nosso curso seja focado em jurisprudência, chamo ainda a sua atenção para o art. 104, III, do CTN: Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: (...) III - que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Veja que, na dicção do art. 104, III, do CTN, a revogação ou redução de isenção deve obedecer ao princípio da anterioridade, mas esta lei só faz essa restrição em relação aos impostos sobre o patrimônio ou renda. Observe que para o STF, como já foi explicado, não houve tal restrição. É recomendável ao candidato que procure entender qual é a fonte utilizada para elaboração da questão, lembrando-se das palavras-chave do art. 104, do CTN: “vigor” e “impostos sobre o patrimônio ou a renda”. Observação: O art. 178, do CTN, refere-se à revogação de isenções onerosas (concedidas por prazo certo e sob determinadas condições). Tais isenções são irrevogáveis. Este assunto não será estudado nesta aula. Questão 25 – ESAF/TRF/2003 Os tributos não podem ser cobrados no mesmo exercício financeiro em que foi publicado o ato legal que os criou ou majorou, com exceção de alguns impostos, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte ao de sua publicação os dispositivos de lei que criam ou majoram impostos sobre o patrimônio ou a renda. Comentário: Nesta questão, embora a banca tenha se referido ao primeiro inciso do art. 104, é bom ficar atento ao fato de ter sido citado os “impostos sobre o patrimônio ou a renda”. A questão poderia ter abordado também o art. 104, III, do CTN. Questão correta. Questão 26 – CESPE/AGU/2002 Segundo o Código Tributário Nacional, os dispositivos de lei que revoguem isenções relativas a impostos sobre o patrimônio ou a renda somente entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte. Comentário: Conforme eu disse, se a questão seguir a literalidade do art. 104, III, do CTN, deve ser considerada como correta. Questão correta. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Questão 27 – INÉDITA/2015 Conforme entendimento do STF, promovido aumento indireto do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS por meio da revogação de benefício fiscal, surge o dever de observância ao princípio da anterioridade, geral e nonagesimal. Comentário: Se esse tema for cobrado nas provas da ESAF, certamente o será de forma literal, tal como tem feito a referida banca nos últimos anos. A ESAF adora cobrar literalidade dos julgados do STF. A questão está correta. Enfim, podemos dizer que não se submetem ao princípio da anterioridade: • Alteração do prazo para recolhimento da obrigação tributária; • Atualização monetária do tributo; Lembre-se de que tais casos também constituem exceções ao princípio da legalidade tributária. 2.5 - Princípio da Noventena A necessidade de se obedecer ao prazo de 90 dias para se cobrar tributos em geral somente surgiu com a EC 42/2003. Antes disso, tal prazo era aplicável apenas às contribuições para financiamento da seguridade social (art. 195, § 6º, da CF/88). Sobre este princípio, vejamos as principais jurisprudências dos tribunais: TRIBUTÁRIO. ICMS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PRORROGAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRAZO NONAGESIMAL (ARTIGO 150, III, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL). RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO. 1. A Lei paulista 11.813/04 apenas prorrogou a cobrança do ICMS com a alíquota majorada de 17 para 18%, criada pela Lei paulista 11.601/2003. 2. O prazo nonagesimal previsto no art. 150, III, c, da Constituição Federal somente deve ser utilizado nos casos de criação ou majoração de tributos, não na hipótese de simples prorrogação de alíquota já aplicada anteriormente. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido para possibilitar a prorrogação da cobrança do ICMS com a alíquota majorada. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 (STF, RE 584.100/SP, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgado em 25/11/2009) Questão 28 – CESPE/DELEGADO/PF/2004 - Adaptada Considere que a União tenha instituído a cobrança de CPMF durante o período de 2 anos e, 1 mês antes de findar o prazo de vigência, em outubro, tenha prorrogado a cobrança por mais 6 meses. Em face dessa consideração, julgue o seguinte: a cobrança devida pela prorrogação não poderá ser realizada no mesmo exercício financeiro, tendo em vista o princípio da anterioridade. Comentário: Como vimos, a mera prorrogação de alíquota já aplicada anteriormente não resulta em surpresa para o contribuinte, não sendo necessário respeitar tal prazo para continuar a cobrança. Questão errada. “EMENTA: - (...) O inciso I do art. 3º da Lei 7.787/89 não é fruto da conversão do disposto no art. 5º, I, da Medida Provisória 63/89. E, assim sendo, o período de noventa dias a que se refere o disposto no § 6º do art. 195 da ConstituiçãoFederal se conta, quanto a ele, a partir da data da publicação da Lei 7.787/89, e não de 1º de setembro de 1989. (STF, Pleno, RE 169.740/PR, Rel. Min. Moreira Alves, julgado em 27/09/1995, DJ de 17/11/1995). Colega concurseiro(a), sabemos que é possível a edição de medidas provisórias para instituir ou majorar tributos. No entanto, estando o tributo sujeito ao princípio da noventena, a contagem desse prazo se inicia, via de regra, a partir da publicação da MP. Podemos dizer que a jurisprudência acima aborda a exceção, que ocorre quando há mudanças significativas no texto da medida provisória, fazendo com que o prazo nonagesimal se inicie com a publicação da lei de conversão. Observação: Não se preocupe com o texto da ementa em si, pois o único objetivo é demonstrar que o STF entende da forma como expusemos acima. Questão 29 – CESPE/JUIZ-TJ-MA/2013 Segundo o STF, o prazo da anterioridade nonagesimal começa a ser contado a partir da promulgação da lei que resulte da conversão de medida provisória editada, e não da publicação da medida provisória que institua ou modifique contribuição. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Comentário: Não, como eu expliquei, a regra é a contagem a partir da publicação da medida provisória, salvo se houver alterações substanciais no texto da lei de conversão. Questão errada. Sobre o princípio da noventena, ainda podemos citar o seguinte julgado: Ementa: “(...) AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – IPI – MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA – PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL – LIMINAR – RELEVÂNCIA E RISCO CONFIGURADOS. Mostra-se relevante pedido de concessão de medida acauteladora objetivando afastar a exigibilidade da majoração do Imposto sobre Produtos Industrializados, promovida mediante decreto, antes de decorridos os noventa dias previstos no artigo 150, inciso III, alínea “c”, da Carta da República.” (STF, Pleno, ADI 4661 MC / DF, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgado em 20/10/2011, DJe de 23/03/2012). Embora o art. 150, III, c, da CF/88 mencione que aplica-se o princípio da noventena quando a “lei” instituir ou majorar tributos, devemos nos lembrar que o fato de o IPI poder ser majorado por “decreto” (exceção ao princípio da legalidade) não inibe a necessidade de respeitar o prazo nonagesimal. 2.6 - Princípio do Não Confisco Inicialmente, deve-se ter em mente que o que se coíbe com este princípio é o efeito confiscatório que os tributos podem ter, ao onerarem desproporcionalmente o patrimônio dos contribuintes. Por esse motivo, grave que o efeito é confiscatório é subjetivo, não havendo um valor constitucional ou legalmente estipulado como sendo o limite para se tributar. Vejamos os seguintes julgados: Ementa: "(...) A proibição constitucional do confisco em matéria tributária nada mais representa senão a interdição, pela Carta Política, de qualquer pretensão governamental que possa conduzir, no campo da fiscalidade, à injusta apropriação estatal, no todo ou em parte, do patrimônio ou dos rendimentos dos contribuintes, comprometendo-lhes, pela insuportabilidade da carga tributária, o exercício do direito a uma existência digna, ou a prática de atividade profissional lícita ou, ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais (educação, saúde e habitação, por exemplo). A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade de que dispõe o contribuinte - considerado o montante de sua riqueza (renda e Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 capital) - para suportar e sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à mesma pessoa política que os houver instituído (a União Federal, no caso), condicionando-se, ainda, a aferição do grau de insuportabilidade econômico- financeira, à observância, pelo legislador, de padrões de razoabilidade destinados a neutralizar excessos de ordem fiscal eventualmente praticados pelo Poder Público (...)" (STF, Pleno, ADC 8 MC / DF, Rel. Min. Celso de Mello, Julgado em 13/10/1999) Além de definir o conceito do princípio do não confisco, o julgado traz ainda como deve ser identificado o efeito confiscatório: É a soma de toda carga tributária a que o contribuinte esteja sujeito em relação à mesma pessoa política, dentro de determinado período. Faz-se necessário conhecer ainda o seguinte julgado: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. VEDAÇÃO DO USO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. AUMENTO DE ALÍQUOTA DE 4% PARA 14%. DEFICIÊNCIA DO QUADRO PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE REABERTURA DA INSTRUÇÃO NO JULGAMENTO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A caracterização do efeito confiscatório pressupõe a análise de dados concretos e de peculiaridades de cada operação ou situação, tomando-se em conta custos, carga tributária global, margens de lucro e condições pontuais do mercado e de conjuntura social e econômica (art. 150, IV da Constituição). 2. O isolado aumento da alíquota do tributo é insuficiente para comprovar a absorção total ou demasiada do produto econômico da atividade privada, de modo a torná-la inviável ou excessivamente onerosa. (STF, Segunda Turma, RE 448.432 AgR / CE, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgado em 20/04/2010) Questão 30 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2013 Configura-se o caráter confiscatório de determinado tributo sempre que o efeito cumulativo, resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal, afetar, substancialmente e de maneira irrazoável, o patrimônio ou os rendimentos do contribuinte. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 Comentário: Conforme estudamos, o efeito confiscatório é caracterizado pela soma das incidências tributárias a que o contribuinte esteja submetido em relação à mesma pessoa política. Questão correta. Questão 31 – ESAF/AFRFB/2009 Entre as limitações constitucionais ao poder de tributar, que constituem garantias dos contribuintes em relação ao fisco, é incorreto afirmar que a identificação do efeito confiscatório não deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mas sim em cada tributo isoladamente. Comentário: Conforme estudamos, o efeito confiscatório é caracterizado pela soma das incidências tributárias a que o contribuinte esteja submetido em relação à mesma pessoa política. A questão afirma algo errado, dizendo, no início, que isso está incorreto. Logo, está mesmo incorreto, e a questão é correta. Questão correta. Questão 32 – ESAF/AFRFB/2009 Uma alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 150%, por exemplo, não significa necessariamente confisco. Comentário: A análise do efeito confiscatório deve ser feita em relação a toda carga tributária a que o contribuinte esteja sujeito em relação à mesma pessoa política. Neste caso, não é possível dizer que tal alíquota seja confiscatória, pois o IPI é considerado um tributo extrafiscal, sendo utilizado como instrumento de intervenção do Estado na economia. Questão correta. Questão 33 – FGV/ICMS-RJ/2011 O princípio da vedação do tributo confiscatório impede a utilização de imposto com efeito de confisco, / mas não há percentual que estabeleça previamente os limites do tributo confiscatório. Comentário: Realmente, o conceito de tributo com efeito confiscatório é subjetivo e demanda a análise de outros fatores para verificar sua ocorrência. Questão correta. No que se refere às taxas, o efeito confiscatório é analisado de uma forma diferente: Ementa: "(...) Se o valor da taxa, no entanto, ultrapassaro custo do serviço prestado ou posto à disposição do contribuinte, dando causa, assim, a uma situação de onerosidade excessiva, que descaracterize essa relação de equivalência entre os fatores referidos (o custo real do serviço, de Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 um lado, e o valor exigido do contribuinte, de outro), configurar-se-á, então, quanto a essa modalidade de tributo, hipótese de ofensa à cláusula vedatória inscrita no art. 150, IV, da Constituição da República. (...)" (STF, Pleno, ADC 2.551 MC-QO / MG, Rel. Min. Celso de Mello, Julgado em 02/04/2003) A taxa é um tributo cuja instituição tem como objetivo custear certas atividades do Estado, devendo, portanto, guardar relação entre seu valor e o custo de tais atividades. Caso contrário, nota-se o efeito confiscatório do referido tributo. No que concerne às taxas judiciárias, o STF (ADI 2.078/PB) já decidiu que elas podem ter limites mínimos e máximos, também sendo possível a disciplina progressiva de alíquotas, somente sendo devido o pagamento de valores maiores para causas que envolvam considerável valor econômico. O tema é relevante e foi objeto de prova no concurso para AFRFB, realizado em 2014: Questão 34 – ESAF/AFRFB/2014 Leis estaduais que estipulam margens mínima e máxima das custas, dos emolumentos e da taxa judiciária e realizam uma disciplina progressiva das alíquotas – somente sendo devido o pagamento dos valores elevados para as causas que envolvam considerável vulto econômico – configuram ofensa ao princípio constitucional do não confisco. Comentário: O STF decidiu, ao julgar a ADI 2.078/PB que as custas, os emolumentos e a taxa judiciária podem ter limites mínimos e máximos, podendo, ainda, haver disciplina progressiva de alíquotas. Não há, portanto, qualquer ofensa ao princípio do não confisco. Questão errada. Vamos ao próximo julgado: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. §§ 2.º E 3.º DO ART. 57 DO ATO DAS DOSPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. FIXAÇÃO DE VALORES MÍNIMOS PARA MULTAS PELO NÃO-RECOLHIMENTO E SONEGAÇÃO DE TRIBUTOS ESTADUAIS. VIOLAÇÃO AO INCISO IV DO ART. 150 DA CARTA DA REPÚBLICA. A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em contrariedade ao mencionado dispositivo do texto constitucional federal. Ação julgada procedente. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 (STF, Pleno, ADI 551/RJ, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgado em 24/10/2002) Deve ficar claro que, para o STF, tanto as multas moratórias (decorrentes do não recolhimento no prazo) como as multas punitivas estão submetidas à proibição constitucional do confisco em matéria tributária. Observe a seguinte ementa: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. MULTA PUNITIVA. VEDAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO CONFISCATÓRIA. ART. 3º DA LEI 8.846/94. ADI 1.075-MC/DF. EFICÁCIA ERGA OMNES DA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I - É aplicável a proibição constitucional do confisco em matéria tributária, ainda que se trate de multa fiscal resultante do inadimplemento pelo contribuinte de suas obrigações tributárias. (STF, Primeira Turma, AI 482.281-AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgamento em 30/06/2009 O princípio da vedação ao efeito de confisco também é aplicável às multas tributárias, sejam elas moratórias ou punitivas. No entanto, as multas não se confundem com tributos. Questão 35 – ESAF/AFRFB/2014 A chamada ‘multa moratória’, que tem por objetivo sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos, não possui caráter confiscatório, independentemente de seu importe. Comentário: A multa moratória também pode vir a ter caráter confiscatório, conforme demonstra o entendimento do STF. Questão errada. Por fim, cabe ressaltar que a legislação aduaneira brasileira prevê hipóteses de perdimento de bens. Neste caso, isso é totalmente possível, pois não há que se confundir a penalidade de perdimento de bens (em consonância com o art. 5º, XLVI, b, da CF/88), com a tributação com efeitos confiscatórios. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 2.7 - Outros Princípios Constitucionais Tributários 2.7.1 - Princípio da Uniformidade Geográfica da Tributação Tal princípio está previsto no art. 151, I, com a seguinte redação: “Art. 151. É vedado à União: I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;” Sobre tal princípio, o STF assim já decidiu: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPI. CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS. ALÍQUOTAS REGIONALIZADAS. LEI 8.393/91. DECRETO 2.501/98. ADMISSIBILIDADE. 1. Incentivos fiscais concedidos de forma genérica, impessoal e com fundamento em lei específica. Atendimento dos requisitos formais para sua implementação. 2. A Constituição na parte final do art. 151, I, admite a "concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do país". 3. A concessão de isenção é ato discricionário, por meio do qual o Poder Executivo, fundado em juízo de conveniência e oportunidade, implementa suas políticas fiscais e econômicas e, portanto, a análise de seu mérito escapa ao controle do Poder Judiciário. Precedentes: RE 149.659 e AI 138.344-AgR. 4. Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção a contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE 159.026). 5. Recurso extraordinário não conhecido. (STF, Primeira Turma, RE 344.331/PR, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgado em 11/02/2003) Questão 36 – CESPE/JUIZ FEDERAL-5ª REGIÃO/2006 Consoante o princípio da uniformidade, é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a estado, ao DF ou a município, em detrimento de outro. Todavia, entende o STF ser admissível a fixação de alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI), de forma diferenciada por regiões, uma vez que há previsão constitucional para a execução. Comentário: Conforme vimos, o STF já decidiu favoravelmente à diferença de alíquotas do IPI entre diferentes regiões brasileiras. Questão correta. Prof. Fábio Dutra www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 42 Direito Tributário para AFRFB-2016 Curso de Jurisprudência Prof. Fábio Dutra -Aula 01 2.7.2 - Princípio da Vedação às Isenções Heterônomas Este princípio encontra guarida no art. 151, III, da CF/88. No entanto, caso o Presidente da República atue como Chefe de Estado, firmando tratados internacionais, ele está agindo em nome da República Federativa do Brasil, e não da União. Observe o seguinte julgado: EMENTA: “(...) 1. A isenção de tributos estaduais prevista no Acordo Geral de Tarifas e Comércio para as mercadorias importadas dos países signatários quando o similar nacional tiver o mesmo benefício foi recepcionada pela Constituição da República de 1988. 2. O artigo 98 do Código Tributário Nacional "possui caráter nacional, com eficácia para a União, os Estados e os Municípios" (voto do eminente Ministro Ilmar Galvão). 3. No direito internacional apenas a República Federativa