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Anatomicamente, o abdome é dividido em 9 regiões e 4 quadrantes. As paredes abdominais são formadas por diversas camadas, que além de se contrair, é capaz de se distender a fim de acomodar as expansões causadas pela ingestão alimentar, gravidez, deposição de gordura e outras doenças. Os órgãos internos são revestidos pelo peritônio, uma membrana serosa que se dobra sobre as vísceras abdominais como uma bolsa, formando a cavidade peritoneal, cujas dobras dão passagem aos vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. O abdome é suprido pela aorta abdominal e suas ramificações, que são: artérias suprarrenais, renais, mesentéricas e ilíacas, que por sua vez irão se ramificar para suprir a pelve e membros inferiores, e o tronco celíaco, que dá origem às artérias hepática comum, esplênica e gástrica esquerda. Assim, o tronco celíaco irriga fígado, estruturas biliares, estômago e parte do pâncreas, a artéria mesentérica superior irriga os intestinos delgado e grosso, até a porção proximal do colo transverso, a mesentérica inferior irriga o restante do intestino grosso e porção proximal do reto. Interrogatório Entre os dados pessoais, é importante o sexo e idade. Determinadas doenças tem preferência por um ou outro sexo. Como exemplo, os órgãos genitais femininos são mais frequentes de manifestações abdominais, processos tumorais, hemorrágicos. A idade tem sua importância pois determinadas doenças afetam mais os jovens (como apendicite crônica) e não se encontram em pessoas acima de 30 anos. Motivo de consulta Traumatismo: contusões, feridas por arma branca ou de fogo. É importante recolher detalhes que contribuam para uma melhor informação do médico. Dor: é o mais frequente, pode se apresentar como aguda ou crônica. Muitas vezes pode, por si só, formar um diagnóstico correto. Como exemplo, dor aguda e periumbilical por crise é característico da oclusão do intestino delgado. Dor crônica epigástrica em um homem jovem, que parece com o estomago vazio e se acalma com a ingestão de alimentos corresponde a uma ulcera duodenal. A zona para onde a dor se irradia pode doer mais que o lugar em que ela se origina: Cólica renouretral: dor na fossa ilíaca. Quando é na direita, parece apendicites. Dor nas costas (mulheres): se diagnostica como reumáticas mas na verdade possuem litíases vesicular. A dor pode ser continua ou descontínua. Queimante, pulsante, gradativa, etc. Tumor: se o próprio paciente descobriu o tumor, deve-se perguntar como foi o começo, quanto tempo, se aumentou de tamanho, ritmo de crescimento, se apresenta mobilidade. Pode se apresentar como um quadro agudo ou crônico, com sintomas acompanhantes. Hemorragia: motivo grave e frequente. Pode ser acompanhado de vomito (hematemesis); ser eliminada pelo anus com sangue escuro (melena); fezes com sangue avermelhado (rectorragia); urina (hematúria); vagina (metorragia); menstruação (menorragia). Exame físico Existem paciente com faces compostas, que não parecem estar doentes. Porem existem pacientes que as faces podem mostrar alterações, são as faces hipocráticas, próprias do estado grave e seu estado terminal. A pele e a mucosa podem mostrar alterações. Estar atento as suas atitudes. Inspeção Deve ser realizado em decúbito dorsal. Forma: plano, globoso/distendido, escavado. Abdome escavado normalmente é sinal de desnutrição, enquanto o abdome pode ser globoso às custas de panículo adiposo, ascite, gases, tumores, etc, sendo importante sinalizar quando é globoso às custas de panículo adiposo e ascite. E além da conformação, é importante sinalizar se o abdome é simétrico ou não e se apresenta deformidades, utilizando as regiões e quadrantes para descrever a localização das anormalidades. Coloração Simetria: cicatrizes ou tumor. Cicatriz umbilical Excursão respiratória Fossas herniadas Avaliar a presença de hérnias, e para isso se realiza a manobra de Valsalva, que nada mais é do que solicitar ao paciente que sopre o punho fechado. Com isso, aumenta-se a pressão intra-abdominal, forçando o aparecimento das hérnias que podem estar presentes. Circulação colateral/tumores/massas Pode ser do tipo porta ou do tipo veia cava inferior, e indicam hipertensão portal. Auscultação Visa identificar dois principais sinais: ruídos hidro-aéreos (RHA) e sopro nas artérias abdominais – aorta, artérias renais e artérias ilíacas. Para isso, é preciso posicionar o estetoscópio em 7 pontos. A ausência de sopros pode ser confirmada quando não se ouve nenhum ruído nos pontos abaixo. Para ouvir os RHA basta posicionar o estetoscópio em áreas difusas do abdome. ID: 6 – 12 X IG: 3 – 4 X Lei de Stoke Todo músculo liso em contato com uma serosa inflamada se paralisa ILEO PARALITICO ausência de RHA Todo músculo estriado em contato com ua serosa inflamada se contrai CONTRATURA ABDOMINAL abdômen em tabla. Secreção/perfuração: suco gástrico, pus/matéria fecal, bílis, sangue. Percussão Buscar uma sonoridade conservada em todos os quadrantes, timpânico. Matidez hepática conservada. É usada para fazer a hepatimetria, ou seja, mensuração do tamanho do fígado, percussão do espaço de Traube, a fim de identificar visceromegalia (VCM) e percussão geral para identificar se o som é timpânico (normal) ou maciço, indicando que há massas sólidas anormais na cavidade abdominal. Signo de Jobert Mudança de matidez hepática para timpanismo. Casos de neumoperitoneo por perfuração de víscera oca. RX de tórax Coper cirúrgico Signo de mudança de matidez Na ascites, coloca o paciente sobre lado direito, tem matidez nesse lado. Quando muda de posição acontece o inverso. A percussão de tumores é importante, pois os que estão dentro da cavidade peritoneal dão matidez e os que estão retroperitoneais dão sonoridade anterior. A esplenomegalia pode ser identificada através de duas técnicas: percussão da região inferior esquerda da parede torácica anterior (espaço de Traube) e verificação da presença do sinal de percussão esplênica. O espaço de Traube fica entre a área de atimpanismo pulmonar e o rebordo costal abaixo, e ao percurtir esse espaço, deve-se ouvir som timpânico, indicando que não há visceromegalia, ou seja, que o espaço de Traube está livre. Palpação Realizada em dois momentos: palpação superficial e palpação profunda. Na palpação superficial, deve-se palpar todos os quadrantes, com apenas uma mão, sem excluir as regiões laterais, buscando áreas sensíveis e/ou alteração e consistência durante a palpação. Na palpação profunda são palpados as mesmas regiões, também buscando áreas sensíveis e alterações de consistência, mas nessa manobra devem se usar as duas mãos, uma apoiada sob a outra, pesquisando a presença de massas. Deve-se começar longe da área da dor. - Macio ou tenso; - Depressível ou pouco depressível; - Dor a palpação superficial (hipertensa cutânea); - Dor à palpação profunda; - Defesa muscular voluntaria; - Dor à descompressão brusca (revote); - Contração muscular involuntária; - Irritação peritoneal (peritônio patietal). Estruturas palpáveis que não indicam anormalidades patológicas aorta, a borda do fígado, alguns linfonodos, bexiga distendida, polo inferior do rim direito, músculo reto abdominal e seus tendões, cólon e fezes. Algumas manobras buscando palpar algumas estruturas devem ser realizadas nesse parte do exame físico, como o fígado e o baço. A palpação do fígado pode ser feita utilizando duas técnicas. Na técnica habitual, deve-se posicionar a mão por debaixo do paciente, paralela às 11° e 12°costelas, apoiando-as. Com isso, faz-se a compressão da mão esquerda para frente, palpando o fígado com a outra mão. Deve-se posicionar a mão direita à direita do abdome do paciente, lateralmente ao músculo reto, com as pontas dos dedos bem abaixo da borda inferior hepática. Nessa parte, deve-se fazer uma compressão suave para dentro e para fora, solicitar ao paciente que respire fundo, e na expiração deve sentir a borda do fígado, quando ela descer ao encontro dos dedos do médico. Nesse momento, deve-se diminuir a pressão na mão que está palpando e deslizar a ponta dos dedos para palpar a superfície anterior do fígado. É importante observar a presença de alguma hipersensibilidade ao toque e tentar delimitar as bordas medial e lateral do fígado. Quando o baço está aumentado, ele começa a ser palpado abaixo do rebordo costal. O baço fica acoplado no diafragma, na altura da 9° - 11° costelas, ocupando grande parte da região posterior à linha axilar média esquerda. Porém, em alguns adultos é possível palpar a ponta do baço normal abaixo do rebordo costal esquerdo. A técnica para palpar o baço é o médico deve segurar o paciente com a mão esquerda, apoiando e comprimindo para frente a região inferior da caixa torácica e dos tecidos moles adjacentes; com a mão direita, por baixo do rebordo costal esquerdo, faz-se pressão para dentro, na direção do baço. Então, inicia-se apalpação em um nível baixo suficiente que seja capaz de detectar um possível aumento, e nesse momento deve se solicitar ao paciente que inspire profundamente; quando o baço descer de encontro aos dedos do examinador, este deve palpar a margem ou ponta do baço, pesquisar sensibilidade ao toque e avaliar o contorno esplênico e a distância entre o ponto mais baixo do baço e o rebordo costal esquerdo. Após isso, deve-se repetir a mesma manobra com o paciente em decúbito lateral direito, pois nessa posição, a gravidade desloca o baço para um local mais acessível para palpação. Essa posição também é chamada de posição de Schust. Existem ainda algumas técnicas de palpação/percussão que auxiliam na pesquisa de ascite. As principais são as técnicas de macicez móvel, semi-círculo de skoda e pesquisa do sinal de piparote. As cicatrizes operatórias devem ser palpadas para encontrar eventuais eventos. As regiões herniais devem ser palpadas em busca e hérnias ocultas. Exame pelviano / Fundo de saco de Douglas O tato vaginal e retal na mulher permite reconhecer o estado dos órgão genitais que muitas vezes é responsável por quadros abdominais. Palpar o fundo de saco de Douglas é importante porque se fica doloroso nas hemorragias intraperitoneais e nas peritonites generalizadas. Permite também reconhecer a siembra peritoneal neoplásica. Quando a mulher sente, diz que é “abombado”. Em homens é importante por causa da próstata e o reto.