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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP JULIANA MARTINS MENDONÇA MARIA APARECIDA DA SILVA OLIVEIRA NATHALLIA KIMBERLY RIBEIRO SANTOS SIMONASSI WESLEY OLIVEIRA MOTA ABORDAGEM E ACOLHIMENTO DE ENFERMAGEM À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL: uma revisão da literatura GOIÂNIA 2022 JULIANA MARTINS MENDONÇA MARIA APARECIDA DA SILVA OLIVEIRA NATHALLIA KIMBERLY RIBEIRO SANTOS SIMONASSI WESLEY OLIVEIRA MOTA ABORDAGEM E ACOLHIMENTO DE ENFERMAGEM À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL: uma revisão da literatura Trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de graduação em Enfermagem apresentado a Universidade Paulista - UNIP Orientadora: Profa. Ma. JULYANA CALATAYUD CARVALHO GOIÂNIA 2022 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 6 METODOLOGIA 8 RESULTADOS 11 O cuidado de enfermagem a mulher vítima de violência.....................................20 Qualificação dos profissionais de enfermagem no acolhimento a mulheres vítimas de violência sexual..................................................................................................21 DISCUSSÃO........................................................................................................................24 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................26 REFERÊNCIAS 27 RESUMO Introdução: a violência sexual contra mulheres é um problema de saúde pública no Brasil, tendo significativos números de casos. Além de ser vítima de tal violência, a mulher é julgada como culpada perante a sociedade. Resultando em diversos traumas e consequências físicas e psicológicas. O atendimento humanizado é imprescindível, o cuidado que será prestado a essa mulher faz grande diferença naquele momento e diminui a chance de mais traumas posteriores. Portanto, tratar essa temática é essencial para aumento dos estudos para o avanço científico teórico e prático sobre esse assunto, na área da enfermagem. Objetivos: analisar o papel do enfermeiro no atendimento de mulheres vítimas de violência sexual em âmbito hospitalar e conhecer o entendimento dos enfermeiros quanto aos direitos dessas vítimas e a importância do atendimento humanizado. Método: estudo exploratório descritivo com abordagem qualitativa, realizado em um hospital público de grande porte do sul do Brasil. Participaram da pesquisa, a partir de entrevistas semiestruturadas, 5 enfermeiros da unidade da emergência obstétrica e ginecológica, em junho de 2022. Os dados foram analisados pela análise de conteúdos de Minayo. Resultado: dentro das cinco categorias elencadas e discutidas, identificou-se o conhecimento e desempenho dos enfermeiros no momento desses atendimentos, a importância de capacitação profissional, do atendimento humanizado e da garantia dos direitos das mulheres, e as percepções dos enfermeiros frente essas assistências e seus sentimentos. Conclusão: proporcionou através dos discursos dos entrevistados, um maior conhecimento sobre as ações do enfermeiro no atendimento dessas vítimas e mostrou que esse profissional é fundamental nesse momento, desde a chegada na emergência até a alta hospitalar. Além de expor o conhecimento que os enfermeiros possuem sobre os direitos dessas mulheres e a importância do atendimento humanizado. Palavras-chave: Violência sexual. Mulheres. Enfermagem. Saúde Pública ABSTRACT Introduction: sexual violence against women is a public health problem in Brazil, with significant numbers of cases. In addition to being a victim of such violence, women are judged guilty before society. Resulting in various traumas and physical and psychological consequences. Humanized care is essential, the care that will be provided to this woman makes a big difference at that moment and reduces the chance of further trauma later. Therefore, dealing with this issue is essential to increase studies for theoretical and practical scientific advancement on this subject, in the field of nursing. Objectives: to analyze the role of nurses in the care of women victims of sexual violence in hospitals and to learn about the understanding of nurses regarding the rights of these victims and the importance of humanized care. Method: descriptive exploratory study with a qualitative approach, carried out in a large public hospital in southern Brazil. Based on semi-structured interviews, 5 nurses from the obstetric and gynecological emergency unit participated in the research, in June 2022. Data were analyzed using Minayo's content analysis. Result: within the five categories listed and discussed, the knowledge and performance of nurses at the time of these consultations were identified, the importance of professional training, humanized care and the guarantee of women's rights, and the perceptions of nurses regarding these assistances and your feelings. Conclusion: it provided, through the speeches of the interviewees, a greater knowledge about the actions of the nurse in the care of these victims and showed that this professional is fundamental at that moment, from the arrival in the emergency to the hospital discharge. In addition to exposing the knowledge that nurses have about the rights of these women and the importance of humanized care. Keywords: Sexual violence. Women. Nursing. Public health INTRODUÇÃO A violência tem mais de um significado, é complexa e polissêmica, implica vários elementos e posições teóricas e esta acontece das mais várias formas. Conforme Modena (2016), a violência pode ocorrer de forma natural, pois ninguém está livre da violência, visto que ela é própria de todos os seres humanos, ou artificial, quando é proveniente de um abuso de força de um sobre outro. A prática da violência traduz atitudes contrárias à autonomia e ao arbítrio de alguém, em que reside a moralidade e a ética, o termo violência é característica de brutal, atroz, ato de crueldade, emprego de meios violentos, furor repentino, repressão que leva um indivíduo à subordinação de alguém (1,2). A Lei Maria da Penha, em seu Capítulo II, art. 7º, incisos I, II, III, IV e V traz especificações sobre os cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial: *Física: qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher; *Moral: qualquer conduta que importe em calúnia,quando o agressor afirma falsamente que aquela praticou crime que ela não cometeu; difamação. *Sexual: qualquer conduta que constranja a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; *Psicológica: qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, *Patrimonial: qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Em seu relatório, a OMS aponta que 35,0% das mulheres em todo o planeta relatam haver sofrido algum dos tipos de violência, entre física e sexual². A violência sexual contra a mulher, considerada violência de gênero é a manifestação do domínio do homem sobre a mulher, sendo um tipo de agressão, que causa danos que interferem em questões como o bem-estar físico, questões sexuais, reprodutivas, emocionais, mentais e sociais das mulheres arremetida pela violência. A violência sexual é definida pela OMS como: “todo ato sexual, tentativa de consumar um ato sexual ou insinuações sexuais indesejadas, ou ações para comercializar ou usar de qualquer outro modo a sexualidade de uma pessoa por meio da coerção por outra pessoa, independentemente da relação desta com a vítima, em qualquer âmbito, incluindo o lar e o local de trabalho” ². Dentre os vários tipos de violência, as consequências da violência sexual sãoconsideradas uma das mais danosas, visto que provoca grandes transtornos físicos e emocionais, como risco de contrair DST/AIDS e de gravidez indesejada, dores no corpo, ansiedade, medo, pesadelos, depressão, doenças psicossomáticas, além de suas vítimas serem mais propensas a outros tipos de violência, ao uso de drogas, prostituição, disfunções sexuais e ao suicídio³. No Brasil, atualmente, é alto o número de casos de violência sexual contra as mulheres segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre março de 2020 e dezembro de 2021 mais de 100 mil meninas e mulheres sofreram violência sexual. Fora os casos ocultos que não são revelados por motivos de medo dessa mulher por parte do abusador, além da questão cultural que faz com que a mulher abusada se sinta culpada, o que acarreta no fato do abusador não ser levado às autoridades para que responda na justiça por seus crimes4. A grande parte dos responsáveis pela violência contra a mulher no Brasil segundo o Mapa da Violência5 são homens com os quais a vítima em algum momento teve relações afetivas. E em geral, a maioria das vítimas tem idade entre 18 a 30 anos, faixa etária onde também está compreendida a maioria dos agressores. O fato de haver uma relação de violência contra a mulher e afetividade entre agressor e vítima, pode estar relacionado ao sentimento de posse culturalmente entranhado na sociedade como herança histórica, pois como já elucidado anteriormente a mulher era subjugada ao seu marido inclusive na jurisdição. Esse sentimento de posse é sustentado pela cultura influenciando a mídia de forma a romantizar tal posse6. Nesta proposição, entende-se que a concepção de violência é extremamente complexa e envolve vários fatores, elementos e posições teóricas, ainda mais em um país com amplo território como o Brasil, aqui, a violência está disseminada em diversas formas na sociedade, mas uma camada específica recebe o maior impacto, pois ao longo dos anos, são as mulheres, que ainda que asseguradas sua segurança por lei convivem diariamente com diversos tipos de violência7. A violência sexual contra a mulher é um fenômeno universal, em que não existem restrições de idade, etnia ou classe social, apesar de também atingir homens, as mulheres apresentam risco mais eminente de sofrer esse tipo de ofensiva. Esse tipo de violência consiste em uma questão de saúde pública, o que alerta para a relevância dos profissionais perceberem esse agravamento como assunto da saúde, no que se refere à essa perspectiva, entre 2020 e 2021, foram realizados mais de 56 mil atendimentos de mulheres no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para o estupro7. Frente a esta realidade, os profissionais da saúde devem ser instruídos e preparados emocionalmente para que possam encarar momentos de tensão no acolhimento de vítimas de violência, fornecendo absoluto acompanhamento8. Considerando que o profissional de enfermagem é uma das primeiras pessoas a ter contato com a vítima nesses casos de violência, é essencial que ele esteja capacitado para acolher essas situações. Apesar do esforço legal para garantir a segurança da mulher no Brasil (Lei Maria da Penha), a realidade mostrada pelos números que se referem à violência sexual no país ainda é muito alto. A atuação do Ministério da Saúde juntamente com a Secretaria de Atenção à Saúde a Mulher, incentivam a capacitação dos profissionais de Saúde para diagnosticar e atender os casos de violência sexual9 dessa forma este estudo busca responder a seguinte questão norteadora: Como deve ser a abordagem e o acolhimento do profissional de enfermagem para com as mulheres vítimas de violência sexual? Este estudo tem o intuito de refletir sobre o papel dos profissionais de enfermagem ao se depararem com mulheres vítimas de violência sexual em seus atendimentos, cujo propósito principal é abordar o cuidado e o acolhimento humano, fazendo com que gere uma relação de valores e emoções entre profissional e paciente, através de levantamento na literatura científica. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa de literatura que consistiu em um método de pesquisa que possibilita a síntese do conhecimento de um determinado assunto, além de indicar lacunas que deveriam ser preenchidas com novas pesquisas e permitiram uma conclusão geral a respeito da área em estudo10. A revisão integrativa é a mais ampla abordagem metodológica referente às revisões, e permite a inclusão de estudos experimentais e não experimentais para uma compreensão completa do fenômeno analisado. Combina também dados da literatura teórica e empírica, além de incorporar um vasto leque de propósitos dentre eles: definição de conceitos, revisão de teorias e evidências e análise de problemas metodológicos de um tópico particular. A ampla amostra, em conjunto com a multiplicidade de propostas, gera um panorama consistente e compreensível de conceitos complexos, teorias ou problemas de saúde relevantes para as diversas áreas da saúde10. Para etapa inicial buscou-se a delimitação do tema, definição dos descritores, definição das bases de dados e a formulação das questões norteadoras. Qual o papel do enfermeiro no acolhimento e assistência à mulher vítima de violência sexual? Para execução da segunda etapa, a ação foi de determinar os critérios de inclusão e exclusão dos estudos, Para a busca e seleção das publicações, foram seguidos os critérios de inclusão, sendo aceito como critério para inclusão: pesquisas que foram pesquisas originais, publicadas dentro do período de 2012 e 2022, nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa que trazem no resumo indicações de estudos sobre os cuidados prestados pela enfermagem as mulheres vítimas de violência sexual. Foram excluídos os artigos que por sua vez não respeitavam os critérios de inclusão, bem como foi tido como critério de exclusão artigos que por sua vez abordassem outros tipos de violência, ou outras populações, trabalhos como: manuais técnicos, protocolos operacionais padrão, revisões bibliográficas além de teses, dissertações e monografia também foram excluídos. A coleta dos dados deu-se entre fevereiro e março de 2022, a busca de artigos por sua vez foi realizada pela internet, nas seguintes bases de dados: Literatura da América Latina e do Caribe (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO), bem como utilizada a fonte de indexação Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para as pesquisas, foram utilizados os descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Violência Sexual”, cruzando com os descritores “enfermagem”, “cuidados de enfermagem” e “mulheres”, por meio do operador booleano AND. Foi realizado ainda o método de duplo cegamento para que se verificasse viés de busca. Após conclusão da busca foram avaliados os resultados e escolhidos os estudos que se adequavam aos critérios de inclusão e exclusão definidos anteriormente. Os artigos selecionados foram avaliados em texto completo, sendo excluídos os artigos publicados que por sua vez não atendiam exclusivamente ao tema da pesquisa. Para a análise de dados foi feito uso de um instrumento elaborado pelos pesquisadores com o uso do software Microsoft Office Excel 2010. As variáveis selecionadas para análise de cada estudo foram identificação e características metodológicas dos estudos e discussões acerca do assunto. Segue, no fluxograma abaixo, a quantidade de artigos encontrados durante o processo de busca, bem como os motivos de sua inclusão ou exclusão e o número de artigos utilizados no presente trabalho. Figura 01: Fluxograma da seleção amostral dos artigos incluídos na revisão integrativa. RESULTADOS Os resultados obtidos dos estudos são selecionados em bases de dados, nos quais são citados os títulos dos artigos, ano de publicação, periódico, autores (as), país, objetivo do estudo, metodologia, resultados e conclusão, como no Quadro 1. 26 Quadro 1: Distribuição dos estudos localizados na base de dados LILACS, MEDLINE, BVS, BDENF e IBECS, compreendendo o períodode 2012 a 2022. Autor Título Periódico Fator de impacto Ano Autores: Baraldi, A. C. P. et al. Violência contra a mulher na rede de atenção básica: o que os enfermeiros sabem sobre o problema? Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. Recife 0,63 2012 Autores: Cortes, Laura Ferreira; Padoin, Stela Maris de Mello; Arboit, Jaqueline Inter-sectorial network for assisting women in situations of violence: handicraft work built by the people. Revista Brasileira de Enfermagem 0,87 2022 Autores: Fornari, L. F., & Labronici, L. M. O processo de resiliência em mulheres vítimas de violência sexual: uma possibilidade de cuidado. Revista Cogitare Enfermagem. 0,33 2018 Autores: Santos, DGS, Evangelia KA; Backes, MTS; Giacomozzi, AI; Gomes, IEM; Kalivala, KMM Assistência de enfermagem às mulheres em situação de violência durante a pandemia da covid-19 / Nursing care for women in situations of violence during the covid-19 pandemic / Atención de enfermería a mujeres en situación de violencia durante la pandemia del covid-19 Revista Cogitare Enfermagem. 0,33 2018 Autores: Santos, DGS, Evangelia KA; Backes, MTS; Giacomozzi, AI; Gomes, IEM; Kalivala, KMM Atendimento de enfermagem às mulheres em situação de violência sexual: representações sociais de enfermeiros / Nursing care for women in situations of sexual violence: social representations of nurses / Atención de enfermería a mujeres en situaciones de violencia sexual: representaciones sociales de los profesionales de enfermería Revista Cogitare Enfermagem. 0,33 2018 Autores: Mota, AR; Machado, JC; Santos, NAS, Aline Vieira; Pires, VMMM; Rodrigues, VP. Práticas de cuidado da(o) enfermeira(o) à mulher em situação de violência conjugal / Care practices of the nurse to women in conjugal violence situation / Prácticas de cuidado de la enfermera a la mujer en situación de violencia conjugal Revista Cogitare Enfermagem. 0,33 2020 Autores: Albuquerque Netto, Leônidas de; Moura, Maria Aparecida Vasconcelos; Fernandes e Silva, Giuliana; Penna, Lucia Helena Garcia; Pereira, Adriana Lenho de Figueiredo.x Mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo: tomada de decisão por apoio institucional especializado. Rev. gaúch. enferm 0,85 2015 Autores: Sehnem, G. D., Lopes, E. B., Tier, C. G., Ribeiro, A. C., Maciel, V. de Q. S., & Castilhos, L Violência contra as mulheres: atuação da enfermeira na atenção primária à saúde Revista de Enfermagem da UFSM. NA 2019 Autores: Sobrinho N.C., Kasmirsck C., Soares J.S.S.F., Pinhero M.S., Fioravanti J.G.A Violência contra a mulher: a percepção dos graduandos de Enfermagem Journal of nursing and health 2.04 2019 Autores: Albuquerque Netto, Leônidas de; Moura, Maria Aparecida Vasconcelos; Fernandes e Silva, Giuliana; Queiroz, Ana Beatriz Azevedo; Leite, Franciele Maraboti Costa. Isolamento de mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo: uma condição em redes sociais Escola Anna Nery Revista de Enfermagem NA 2017 O enfermeiro no processo de gerenciar o cuidado em enfermagem é o grande responsável pelo sucesso e qualidade da assistência prestada. Cabe a ele avaliar e estabelecer metas de qualidade ao cuidado prestado através do gerenciamento da sua equipe. Diante disso, o cuidar para o enfermeiro é o seu objeto de trabalho e o foco principal da assistência. Quadro 2: síntese das informações relevantes dos artigos inclusos na análise Título/Ano/Periódico/A utores/País Objetivo Delineamento Nível de Evidência Resultados Título: Violência contra a mulher na rede de atenção básica: o que os enfermeiros sabem sobre o problema? Ano: 2012 Periódico: Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. Recife Autores: BARALDI, A. C. P. et al. refletir sobre o papel dos profissionais de enfermagem ao se depararem com mulheres vítimas de violência sexual em seus atendimentos Estudo quantitativo, transversal e descritivo. Participaram 51 enfermeiros, extraídos de um estudo maior com 221 profissionais de saúde. Os dados foram coletados por meio de questionário que investigava o conhecimento em relação à violência cometida contra as mulheres. 2A Os enfermeiros acertaram de 76% a 90,2% das questões sobre definição de violência de gênero e 78% obtiveram altos escores em questões sobre epidemiologia da violência; no entanto, 70,6% demonstraram desconhecer sua epidemiologia nos serviços de pré-natal. 83,7% dos enfermeiros demonstraram bom conhecimento sobre como abordar as vítimas para obter a revelação da violência ocorrida e 52% demonstraram conhecimento elevado sobre o manejo dos casos. Tìtulo: Inter-sectorial network for assisting women in situations of violence: handicraft work built by the people. Periódico: Revista Brasileira de Enfermagem refletir sobre o papel dos profissionais de enfermagem ao se depararem com mulheres vítimas de violência sexual em seus atendimentos Pesquisa Convergente Assistencial desenvolvida com a aplicação de um grupo de convergência com 32 participantes dos setores de saúde, assistência social ou segurança pública, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Os dados foram produzidos durante dez encontros, com base na metodologia de problematização, e submetidos à análise de conteúdo temático e interpretados com o referencial das redes. 2C A construção da rede é um trabalho artesanal realizado pelas pessoas continuamente, permeado por vínculos, comunicação e parcerias entre serviços e saberes dos processos de trabalho. As amarrações requerem movimento permanente. Ano: 2022 Autores: CORTES, Laura Ferreira; PADOIN, Stela Maris de Mello; ARBOIT, Jaqueline País: Brasil Título: O processo de resiliência em mulheres vítimas de violência sexual: uma possibilidade de cuidado. Ano: 2018 Periódico: Revista Cogitare Enfermagem. Autores: Fornari, L. F., & Labronici, L. M. País: Brasil Conhecer o processo de resiliência em mulheres vítimas de violência sexual. Pesquisa exploratória qualitativa, fundamentada no conceito de resiliência, realizada com 12 mulheres vítimas de violência sexual, em um Serviço de Atendimento Especializado e uma Delegacia da Mulher, de um município paranaense, de setembro de 2013 a fevereiro de 2014. 1B O sentimento de cuidado e responsabilidade promoveu a mobilização interna, início do processo de resiliência. A presença de pessoas dispostas a ouvir sem julgar tornou possível a representação do trauma vivido pelas participantes. A religação com Deus e a reativação da fé forneceram estímulos para acreditar que sobreviver era mais relevante do que ser vítima. Título: Assistência de enfermagem às mulheres em situação de violência durante a pandemia da covid-19 / Nursing care for women in situations of violence during the covid-19 pandemic / Atención de enfermería a mujeres en situación de violencia durante la pandemia del covid-19 Ano: 2018 Periódico: Revista Cogitare Enfermagem. Autores: Santos, DGS, Evangelia KA; Backes, MTS; Giacomozzi, AI; Gomes, IEM; Kalivala, KMM .País: Brasil Conhecer as adaptações realizadas pela enfermagem no atendimento às mulheres em situação de violência devido à pandemia da Covid-19. Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, abordagem qualitativa, realizado em um hospital universitário do Sul do Brasil. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada com 20 enfermeiros nos meses de julho e agosto de 2020. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo com apoio do software Qualitativa Data Analysis Mine. 3B Emergiram dos dados três categorias temáticas Redução do fluxo de atendimento às mulheres em situação de violência sexual no período de distanciamento social; A exacerbação da violência doméstica no período de distanciamento social; Mudanças na assistência de enfermagem às mulheres em situação de violência sexual em tempos de pandemia. Título: Atendimento de enfermagem às mulheres em situação de violência sexual: representações sociais de enfermeiros / Nursingcare for women in situations of sexual violence: social representations of nurses / Atención de enfermería a mujeres en situaciones de violencia sexual: representaciones sociales de los profesionales de enfermería Ano: 2018 Periódico: Revista Cogitare Enfermagem. Autores: Santos, DGS, Evangelia KA; Backes, MTS; Giacomozzi, AI; Gomes, IEM; Kalivala, KMM .País: Brasil conhecer as representações sociais de enfermeiros acerca do atendimento de enfermagem prestado às mulheres em situação de violência sexual. estudo qualitativo, tipo exploratório-descritivo, fundamentado na Teoria das Representações Sociais, realizado em um centro de referência de um Hospital Universitário do Sul do Brasil. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, com 20 enfermeiros. As entrevistas foram submetidas à análise de conteúdo com apoio do software Qualitativa Data Analysis Mine. 1A revelam, na vivência do atendimento prestado, representações como condutas desenvolvidas pelos enfermeiros; dificuldades encontradas para o desenvolvimento das atividades assistenciais às mulheres em situações de violência sexual; e sugestões para melhorar o atendimento a essas mulheres. Título: Práticas de cuidado da(o) enfermeira(o) à mulher em situação de violência conjugal / Care practices of the nurse to women in conjugal violence situation / Prácticas de cuidado de la enfermera a la mujer en situación de violencia conjugal Ano: 2020 Periódico: Revista Cogitare Enfermagem. Autores: Mota, AR; Machado, JC; Santos, NAS, Aline Vieira; Pires, VMMM; Rodrigues, VP. identificar a concepção de cuidar da mulher em situação de violência conjugal para as(os) enfermeiras da Estratégia Saúde da Família e descrever o cuidado desenvolvido à mulher em situação de violência conjugal pela(o) enfermeira(o). Pesquisa descritiva, qualitativa, realizada com 17 enfermeira(o)s das Unidades de Saúde da família de um município baiano. Os dados foram coletados por entrevistas semiestruturadas e organizados pela técnica de análise de conteúdo. 2B Para o(a)s entrevistado(a)s cuidar da mulher em situação de violência conjugal envolve acolhimento e trabalho em equipe multiprofissional. As(Os) enfermeiras(os) acolhem e buscam resolver as queixas da mulher. Entretanto, o silêncio da mulher, a contrarreferência e a capacitação profissional inadequada foram dificuldades encontradas. Título: Mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo: tomada de decisão por apoio institucional especializado. Ano: 2015 Periódico: Rev. gaúch. enferm Autores: Albuquerque Netto, Leônidas de; Moura, Maria Aparecida Vasconcelos; Fernandes e Silva, Giuliana; Penna, Lucia Helena Garcia; Pereira, Adriana Lenho de Figueiredo.x analisar fatores envolvidos na tomada de decisão de mulheres em situação de violência interpessoal, praticada pelo parceiro íntimo, na busca por apoio institucional de referência Pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. Dezesseis mulheres foram entrevistadas, entre junho e setembro de 2012, em um Centro de Referência à Mulher de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil, por meio de instrumento semiestruturado e individual. Os relatos foram analisados pelo método do Discurso do Sujeito Coletivo. 3A As mulheres buscaram suporte psicossocial quando a violência interpessoal alcançou o limite da tolerância. Este suporte possibilitou o resgate da autoestima e da confiança, além da tomada de consciência para a necessidade de mudança de vida e de autonomia econômica. Título: Violência contra as mulheres: atuação da enfermeira na atenção primária à saúde Ano: 2019 Periódico: Revista de Enfermagem da UFSM. Autores: SEHNEM, G. D., LOPES, E. B., TIER, C. G., RIBEIRO, A. C., MACIEL, V. de Q. S., & Castilhos, L conhecer a atuação da enfermeira nas Estratégias Saúde da Família frente à violência contra as mulheres. pesquisa qualitativa, descritiva, realizada em Estratégias Saúde da Família de um município do Rio Grande do Sul, em 2017. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas e aplicação de vinheta com enfermeiras, e os dados analisados à proposta operativa de Minayo 2A o vínculo, o acolhimento e a notificação compulsória constituíram fatores importantes para a atuação junto às mulheres em situação de violência. A falta de abordagem do tema na formação acadêmica e profissional e a desarticulação da rede de atenção foram identificadas como condições que dificultam à atenção. Título: Violência contra a mulher: a percepção dos graduandos de Enfermagem Ano: 2019 Periódico: Journal of nursing and health Autores: SOBRINHO N.C., KASMIRSCK C., SOARES J.S.S.F., PINHERO M.S., FIORAVANTI J.G.A conhecer as percepções dos graduandos em Enfermagem sobre violência contra a mulher. estudo qualitativo realizado com 16 graduandos em Enfermagem entre abril e junho de 2016. Dados coletados por entrevista e realizada a análise de conteúdo. 2C foram determinadas como categorias: entendimento sobre violência de gênero, abordagem da violência de gênero na formação dos graduandos, percepção sobre a atuação do enfermeiro na atenção às mulheres em situação de violência e considerações sobre o atendimento ideal à mulher em situação de violência. Título: Isolamento de mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo: uma condição em redes sociais Ano: 2017 Periódico: Esola Anna Nery Autores: Albuquerque Netto, Leônidas de; Moura, Maria Aparecida Vasconcelos; Fernandes e Silva, Giuliana; Queiroz, Ana Beatriz Azevedo; Leite, Franciele Maraboti Costa. Analisar o isolamento social de mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo. Pesquisa qualitativa, analítica, realizada no Centro Especializado de Atendimento à Mulher do Rio de Janeiro - Brasil, com 20 mulheres. Utilizou-se entrevista individual e análise de conteúdo. 1A Nos discursos, o isolamento social ocorreu pela restrição da liberdade pelo parceiro, provocando atitudes repressivas ao negar às mulheres o convívio social. O cuidado de enfermagem a mulher vítima de violência sexual Neste contexto, faz-se necessário um cuidado sensível, compreensivo e acolhedor. O acolhimento e o cuidado de enfermagem são muito além das diferentes formas que os profissionais veem a violência, em sua maioria, leem e constroem a realidade a partir do preconceito ou apenas de seus referenciais teóricos, enquanto outros o fazem a partir da experiência reflexiva11. É necessário também, que o enfermeiro possa, a partir do cuidado reflexivo, compreender todo o processo que evolve a violência sexual, a fim de ser apoio a vítima, dirimindo suas dúvidas e a auxiliando da melhor maneira possível. Observa-se que o acolhimento de enfermagem é mais que afinidades que se formam entre a vítima e os profissionais no cuidado à saúde, não se tratam de uma simples semelhança de prestação de serviço, o acolhimento sugere uma relação humanizada, de escuta individualizada. O cuidado de enfermagem tem um significado especial e é representado não só por procedimentos elaborados e sofisticados, mas também atitudes de sinceridade, como um sorriso, um toque, um abraço12. Sendo assim, o estudo de que objetivou identificar a percepção das vítimas de violência sexual em relação ao acolhimento prestado pela equipe de enfermagem no pronto atendimento de um hospital de referência no Brasil, os resultados do mesmo mostraram que o cuidado prestado vai além de procedimentos técnicos, acontece um cuidado individualizado com foco às necessidades de cada mulher. Ainda, a postura dos profissionais proporciona sentimentos positivos como segurança e tranquilidade13 . Ainda, nessa premissa12 menciona que a importância do cuidar consiste em adicionar gestos simples aos passos duros e frios das técnicas. A essência dessa atitude não é apenas o cuidar do aspecto frágil do ser humano, mas cuidar olhando, ouvindo, conversando, tocando e promovendo a saúde. Diante do exposto, reflete-se sobre a importância do acolhimento e de um cuidado individualizado, com ênfase nas necessidades de cada mulher vítima de violência sexual, vistoque desta maneira, estas sentem-se mais seguras e assim facilita a abertura do diálogo entre enfermeiro e a vítima. Quando o cuidado se efetiva facilita a abertura do diálogo entre enfermeiro e a vítima possibilitando a compreensão da vítima, ouvi-la com sensibilidade e solidariedade, o que caracteriza a qualidade do cuidado. Sendo assim, o acolhimento no trabalho de enfermagem é no sentido de realizar atitudes humanizadoras que se revelam no ato de receber, escutar e tratar da sua dor. A Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Ministério da Saúde e o Ministério da Justiça trabalham em conjunto o desenvolvimento de ações que possibilitem estratégias de prevenção, acolhimento, atendimento e proteção às pessoas em situação de violência. Ao mesmo tempo, criam estratégias para garantir a responsabilização e o combate à impunidade de autores (as) de agressão a serem implantadas e implementadas nas unidades da federação. Reunir essas iniciativas para a unificação de procedimentos é possível quando a articulação e atuação governamental expressam o desejo de possibilitar à pessoa em situação de violência sexual um atendimento digno, humanizado e resolutivo, buscando evitar revitalizações e torná-lo mais ágil e com menos exposição da pessoa que sofreu a violência14. Em relação ao acolhimento da equipe de enfermagem às vítimas de violência sexual, a literatura aponta fragilidades no tratamento com essas vítimas de abuso, pois estas sofrem algumas vezes uma exposição desnecessária por profissionais os quais não tem conhecimento prévio necessário4. Grande parte dessas mulheres sofre diante de profissionais, que tem uma abordagem de "culpa da vítima" quando surgem questões sobre por que uma mulher pode escolher permanecer em um relacionamento dessa maneira. Uma das principais razões que as mulheres mencionam para não divulgar a violência é pela vergonha, pois muitas vezes culpam um sobrevivente pela violência, dizendo que "pediu" ou "trouxe para si mesma" em função de características de estereótipos, bem como a forma como se vestem, arrumam o cabelo, maquiagem e entre outras15. É importante destacar que as vítimas de violência esperam dos profissionais de saúde um cuidado eficaz, no entanto, lhes são impostas muitas responsabilidades, sentem o preconceito, ainda as fazem suposições, promessas ou perguntas desnecessárias, fazendo com que sintam medo e fragilidade, sem uma orientação cuidadosa e segura. Todavia, no contexto da violência sexual contra a mulher faz-se necessário uma assistência de enfermagem que ofereça um ambiente com privacidade, livre de preconceitos, com uma escuta sensível, ofertando um cuidado de uma forma integral, bem como a necessidade de um protocolo específico para estes casos16. Qualificação dos profissionais de enfermagem no acolhimento a mulheres vítimas de violência sexual Em uma pesquisa realizada com enfermeiras que atuam na Unidade Básica de Saúde do município de Campina Grande no Brasil17 menciona que durante o desenvolvimento do estudo, observou-se ausência de protocolo direcionado para atendimento das vítimas de violência sexual. Esse fato demonstra o despreparo profissional, criando um ambiente de insegurança, principalmente na abordagem da vítima, no tratamento e no manejo adequado dos casos. Diante disso, faz-se necessário que o enfermeiro aprofunde o conhecimento de modo a promover a qualificação da equipe para o enfrentamento da violência sexual contra as mulheres18 compreendendo o contexto e auxiliando esta da melhor maneira possível para a resolução e superação do ocorrido. Nesta premissa, Ribeiro desenvolveram um estudo com o objetivo de descrever a experiência obtida no atendimento de acadêmicos de Enfermagem à mulheres vítimas de violência doméstica. Os pesquisadores identificaram que no atendimento a esta mulher, a paciente apenas relatou o caso de violência física, sexual e psicológica quando o profissional responsável pelo atendimento demonstrou empatia e favoreceu o vínculo, vencendo a barreira do medo e constrangimento que envolve grande parte desses casos. Observa-se que o cuidado neste contexto, foi humanizado, com empatia19. Ao discorrer sobre o cuidado, afirma que cuidar de alguém é estar com ele, e mais que isso, é ser-com-ele, andar lado a lado e no ritmo de seus passos. Trata-se de uma ação de passividade, é ser receptivo à pessoa vulnerável, é responder as suas necessidades, velando por sua integridade e a unidade de seu ser. Este cuidado é essencial, visto que a violência sexual contra a mulher causa um grande impacto na vida da mesma, trazendo traumas tanto físicos, psicológicos e mentais. Neste cenário, o enfermeiro poderá realizar um cuidado multidisciplinar, assim, a vítima receberá cuidados que contribuem diretamente com o tratamento, sobretudo na amenização da dor moral e emocional, a que foi submetida dentre outras consequências20. Apesar de todos os avanços nas políticas de saúde e leis de proteção às vítimas, a violência é um fenômeno frequente no dia a dia desta população e seu enfrentamento ainda é um desafio. Acredita-se que a falta de notificação por meio das mulheres vítimas, deve-se ao medo, à falta de confiança, bem como o preenchimento inadequado dos campos da ficha de notificação, tal fato, pode oportunizar a subnotificação de casos e comprometer a avaliação real das variáveis21. Em relação a notificação, os dados coletados devem ser rigorosamente anotados no prontuário e devem servir de guia para todos os membros da equipe multiprofissional, para evitar que a mulher reconte a história dessa agressão, para logo serem registradas em fichas unificadas e específicas com espaços para as observações de todas as categorias profissionais. O primeiro acolhimento da mulher ocorre na emergência, e este exige conhecimento teórico/prático por parte dos profissionais de enfermagem, o qual deve ser composto por entrevista, exame físico e ginecológico, coleta de amostras para diagnóstico de infecções genitais, coleta de material para identificação do provável autor da agressão e o preenchimento da ficha de notificação da Violência sexual22. Dessa forma, todos os serviços da rede hospitalar tornam-se responsáveis por essa atenção. Com bases nos estudos, observa-se que nos últimos anos aconteceram avanços nas ações voltadas para ao enfrentamento aos diferentes tipos de violência contra as mulheres no Brasil, porém, ainda existem casos que não são relatados pelas vítimas e ainda existe o agravante da subnotificação nos serviços de saúde, seja por desconhecimento dos instrumentos legais ou por insegurança. Contudo/apesar de, a literatura aponta a resiliência destas mulheres perante a violência sexual, quando o atendimento da enfermagem é baseado no cuidado integral e humanizado. O estudo que objetivou conhecer o processo de resiliência em mulheres vítimas de violência sexual, os resultados mostraram que o sentimento de cuidado e responsabilidade promovem uma mobilização interna, a qual proporciona o início de um processo de resiliência. Assim, a escuta acolhedora, sem julgamentos, tornou possível a representação do trauma vivido pelas mulheres. Ainda, destaca-se a espiritualidade, baseada na religação e na reativação da fé, as quais forneceram subsídios para acreditar que sobreviver é mais relevante do que ser vítima (23,24) mencionam que resiliência se refere à capacidade de o ser humano apresentar-se de forma positiva frente às dificuldades, mediante observação das formas positivas de conduta de pessoas que vivenciaram fatores negativos. É ter a capacidade de dar a volta por cima, superando adversidades e transformando experiências negativas em aprendizado, diante de situações traumáticas individuais, como o abuso sexual, ou coletivo. Podemos compreender que a resiliência só pode ser pensada a partir do momento em que o ser humano vivencia em sua trajetória de vida uma experiência traumática que exige a tomada de decisão, no sentido de querer enfrentá-la e seguir adiante. A experiência traumática neste estudo é a violência sexual sofridapelas mulheres, um fenômeno que pode deixar marcas visíveis e invisíveis, causando, dor e sofrimento25. A violência sexual é uma experiência traumática, pela qual a mulher poderá entregar-se ao sofrimento, todavia, ao decidirem enfrentar o trauma para retomar a compreensão da realidade, exercitam a resiliência. Estudo observou que as vítimas perceberam a necessidade de narrar à experiência vivida para outras pessoas, além de compartilharem o trauma vivido com os familiares, além disso, buscam os serviços integrantes da rede de atenção, bem como a importância e o fortalecimento da espiritualidade após o trauma, reativando a sua fé espiritual25. DISCUSSÃO · O primeiro contato que a vítima terá ao chegar no serviço de saúde, como na emergência hospitalar, será por meio do acolhimento realizado pelo enfermeiro de forma privativa e ágil, iniciando pela coleta da história da violência sexual sofrida e posteriormente destinado o atendimento para a equipe multiprofissional. Todos os profissionais devem manter o respeito, não julgar a vítima e prestar um cuidado confidencial, fazendo com que a mulher sinta-se confiante22. · Outro ponto apresentado foi a importância da profilaxia de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Os hospitais da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), no momento do atendimento buscam realizar a profilaxia de ISTs, pois o índice dessas infecções em vítimas de violência sexual são altos, precisando assim realizar a profilaxia de imediato23. · Indica-se a realização de profilaxia imediata de IST não virais (gonorreia, sífilis, clamídia e tricomoníase) nos casos de violência sexual, não possuindo um tempo exato limite para a iniciação. Diferente da profilaxia para o HIV que só pode ser feita se a exposição fizer no máximo até 72 horas. Além disso, precisa-se conferir o esquema vacinal em relação à hepatite B e caso não tenha sido realizado ou esteja incompleto, deve ser administrada a vacina. Salientando a importância da coleta dos exames de sorologias para acompanhamento24 . · Em seguida, a realização do exame ginecológico é aconselhável, seguidamente de uma explicação para a vítima sobre a importância e após sua autorização, com objetivo de coleta da amostra forense, avaliação de lesões e orientação dos cuidados necessários. Além disso, também deve ser realizado o exame físico, com o mesmo propósito23. · A continuidade do atendimento dessas mulheres, deve ocorrer com a realização de um acompanhamento multiprofissional após alta hospitalar. A violência sexual sofrida pela mulher resulta em diversos traumas na sua vida, em aspectos físicos e psicológicos. Que influenciam negativamente em atividades cotidianas, já que elas ficam com diversos medos resultantes do que sofreu, como o medo de se relacionar com as pessoas e de sofrer novamente uma violência. Logo, essas mulheres necessitam de um acompanhamento multiprofissional, para recuperar sua saúde física e psicológica, autoestima e vencer os seus medos1. · Sobre o papel do enfermeiro, são diversos os papéis que esses profissionais desenvolvem nesses atendimentos, desde assistência até o gerenciamento do cuidado. A conduta de enfermagem evidenciada como principal é o acolhimento, visto que quando realizado de maneira eficiente favorecera em um bom desenvolvimento na continuidade do cuidado. Esse primeiro contato do enfermeiro com a vítima possibilita uma aproximação entre ambos, por isso a importância de manter a empatia e o respeito para que a mulher sinta-se segura e acolhida3. Além do acolhimento há mais ações que os enfermeiros desempenham, como algumas delas: conhecer e seguir o protocolo, realizar anamnese e exame físico, notificar o caso de violência, preservar e coletar os vestígios da violência, encaminhar para realização de exames solicitados, conhecer e administrar a terapêutica medicamentosa e executar orientações necessárias8. · · No momento da assistência dessas vítimas, distintos sentimentos são provocados nesses profissionais. A empatia é um deles, ocasionando em um cuidado acolhedor e humanizado26. · De acordo com o Ministério da Saúde, os profissionais da área da saúde que atuam nessa assistência, necessitam receber capacitações para o atendimento emergencial e assumir cuidados de medidas protetoras. Além da realização de um atendimento humanizado, respeitando os direitos e atendendo as necessidades das vítimas27. · A aprimoração e a educação permanente influenciam positivamente na prática dos profissionais da saúde, sendo algo essencial para melhoria do atendimento dessas mulheres. Portanto, é fundamental capacitar constantemente os profissionais sobre o protocolo de cuidados e direitos das mulheres vítimas de violência sexual e seus familiares28. De acordo com a Lei nº 12.845, de 01 de agosto de 2013, no Art 1º consta que os hospitais devem oferecer às vítimas de violência sexual atendimento emergencial, integral e multidisciplinar, visando ao controle e ao tratamento dos agravos físicos e psíquicos decorrentes de violência sexual, e encaminhamento se for o caso, aos serviços de assistência social9. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao responder o objetivo do estudo, observou-se que o cuidado de enfermagem às vítimas da violência sexual, raramente é baseado na empatia. Existem muitos julgamentos aliado ao despreparo profissional que desconhecem e não utilizam um protocolo de atendimento e escuta humanizada. Apesar das leis e normas técnicas criadas, a efetividade do cuidado ainda é um desafio, contudo, observou-se a resiliência das mulheres, ao elencarem seus objetivos futuros e decidirem viver e superar o trauma causado pela violência, ora acometida. Tal resiliência deve-se, seja pelos filhos, seja pela religiosidade, e, ou por elas mesmas. Espera-se que este estudo traga contribuições para a enfermagem, a fim de repensar suas ações de cuidado neste contexto, bem como refletir sobre a importância da capacitação profissional e da utilização de protocolos efetivos que comportem uma rede de cuidados a fim de que esta mulher fique minimamente exposta. O estudo limita-se pela lacuna na produção científica que aborde os temas violência sexual e cuidado de enfermagem, bem como a busca em algumas das bases de dados. Neste sentido, sugere-se que os cursos de graduação em enfermagem construam disciplinas que aborde tal temática a fim de que possam formar profissionais mais atentos e empáticos neste contexto de cuidado. Ainda, a construção de projetos de pesquisa, ensino e extensão poderão instigar gestores e profissionais a adquirir abordagens eficazes no cuidado a mulher vítima de violência sexual. REFERÊNCIAS 1. Machado, C.L. et al. Gravidez após violência sexual: vivências de mulheres em busca da interrupção legal. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 31, n. 2, p. 345-353, 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00051714. Acesso em: 14 set. 2021. 2. Organização Mundial da Saúde. (2012). 3. Santos I.B.D., Leite F.M.C., Amorim M.H.C., Maciel P.M.A., Gigante D.P. Violence against women in life: study among Primary Care users. Cien Saude Colet. 2020 May;25(5):1935-1946. English, Portuguese. doi: 10.1590/1413-81232020255.19752018. Epub 2020 May 8. PMID: 32402032. 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