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DIDÁTICA DO ENSINO 
SUPERIOR
Unidade 1
Didática do ensino 
superior e o docente
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA FERREIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
LISIANE LUCENA BEZERRA 
4 DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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Lisiane Lucena Bezerra 
Olá. Sou licenciada em Ciências Agrárias, mestre em 
Fitotecnia e doutora em Agronomia/Fitotecnia, com experiência 
técnico-profissional na área de licenciatura de mais de 10 anos. 
Atualmente, leciono disciplinas na área de Educação em curso 
de licenciatura, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Sou 
apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência 
de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. 
5DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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ÍC
O
N
ES
Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:
OBJETIVO
Para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência. DEFINIÇÃO
Houver necessidade 
de apresentar um 
novo conceito.
NOTA
Quando necessárias 
observações ou 
complementações 
para o seu 
conhecimento.
IMPORTANTE
As observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você.
EXPLICANDO 
MELHOR
Algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado.
VOCÊ SABIA?
Curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias.
SAIBA MAIS
Textos, referências 
bibliográficas 
e links para 
aprofundamento do 
seu conhecimento.
ACESSE
Se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast.
REFLITA
Se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a 
ser refletido ou 
discutido.
RESUMINDO
Quando for preciso 
fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens.
ATIVIDADES
Quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada. TESTANDO
Quando uma 
competência for 
concluída e questões 
forem explicadas.
6 DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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A didática no ensino superior .................................................. 9
Conceitos .............................................................................................................. 9
Didática tradicional e moderna .......................................................................15
Relação da prática educativa com a sociedade .................... 20
Educação e sociedade ......................................................................................20
Vínculos existentes entre sociedade e educação ........................................ 24
Importância da didática na formação dos profissionais do 
ensino superior ........................................................................ 29
Didática e sua importância ..............................................................................30
Abordagens do processo de ensino ............................................................. 33
A didática e a construção da identidade docente no ensino 
superior .................................................................................... 41
A docência e a didática .....................................................................................41
A construção da identidade e a docência .....................................................43
A construção da identidade do profissional docente e o contexto 
social ....................................................................................................................47
SU
M
Á
RI
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7DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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A
PR
ES
EN
TA
ÇÃ
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Você sabe o que é didática? Didática é a arte de ensinar. 
Como disciplina, a Didática analisa os objetivos, os conteúdos, 
os meios e as condições do processo de ensino, considerando 
os alvos educacionais, que são sempre sociais. A sociedade 
influencia no meio educacional e vice-versa, além de poder ser 
percebida e inserida no meio educacional, como também as 
responsabilidades das instituições sobre a adoção de didáticas 
para abranger a gama de conhecimentos a serem ensinados 
aos alunos. A prática educativa exerce influência sobre o 
sujeito nos espaços mais variados de convivência na sociedade, 
influenciando de forma direta a formação do indivíduo, e como 
consequência atua na construção da sua cidadania. O uso da 
didática apresenta uma grande importância no que se refere à 
formação dos profissionais no ensino superior, pois ela mostra 
caminhos para que o profissional aprenda. Assim, a identidade 
pode ser vista como um processo em que os sujeitos em sua face 
profissional são construídos. Entendeu? Ao longo desta unidade 
letiva, você vai mergulhar neste universo!
8 DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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BJ
ET
IV
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Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é 
auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais, até o término desta etapa de estudos:
1. Compreender a didática no ensino superior.
2. Entender a relação da prática educativa com a 
sociedade.
3. Discernir sobre a importância da didática na formação 
de professores do ensino superior.
4. Relacionar a didática com a construção da identidade 
docente no ensino superior.
E aí? Você se sente preparado para mergulhar nesse mundo 
de novos conhecimentos? Vamos lá!
9DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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A didática no ensino superior
OBJETIVO
Ao finalizar este capítulo, você será capaz de 
compreender a didática no ensino superior. 
Isso será de fundamental importância para o 
exercício de sua profissão. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então, vamos lá. 
Avante!
Conceitos 
Antes de falarmos sobre didática do ensino superior, vamos 
ver alguns conceitos de didática. 
A palavra didática vem da expressão grega “didaktiké”, 
que pode ser traduzida como a arte de ensinar. Essa expressão 
propagou-se após o surgimento da obra Didactica Magna de Jan 
Amos Comenius (1592-1670), que foi publicada em 1657. Foi por 
meio dos trabalhos de Comenius e de outros pedagogos, que a 
didática encontrou seus fundamentos, até o final do século XIX, 
quase que exclusivamente na Filosofia. 
ACESSE
Você quer se aprofundar mais sobre a história 
da didática? Recomendamos o acesso ao vídeo 
“Didática Magna - Comenius”, disponível aqui . 
Segundo Rodrigues, Moura e Testa (2011, p. 1), “como 
arte, a didática não objetiva apenas o conhecimento pelo 
conhecimento, mas procura aplicar os seus próprios princípios à 
finalidade concreta que é a instrução educativa.”
https://www.youtube.com/watch?v=FNBbgawBddM
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DEFINIÇÃO
Conforme Dicio (c2023, on-line) didática é: “Arte de 
ensinar, de transmitir conhecimentos por meio do 
ensino”. “Conjunto de teorias e técnicas relativas 
à transmissão do conhecimento”. “Procedimento 
pelo qual o mundo da experiência e da cultura 
é transmitido pelo educador ao educando, nas 
escolas ou em obras especializadas”.
A disciplina didática é teórica e tem como função o estudo 
relacionado à pedagogia nas suas ações e às práticas utilizadas 
no ensino, como também objetiva alguns aspectos no que se 
refere às normas para que os problemas sejam resolvidos. 
Figura 1 – Objetivos da didática 
Explicar
Descrever
Enunciar
Fundamentar
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Ela também contribui para que o espaço de diálogo e 
reflexão existente entre a teoria e prática sejam consolidados 
enquanto campo de estudo.
Como disciplina, a didática analisa os objetivos, os 
conteúdos, os meios e as condições do processo de ensino, 
considerando os alvos educacionais, que são sempre sociais. Por 
meio da ajuda desses conhecimentos é que se vai pensar sobre 
assuntos pertinentes à educação e à sala de aula.
Enquanto arte de ensinar, a didática é tão antiga 
como o próprio ensino. Pode-se dizer ainda mais: ela 
é tão antiga como o próprio homem, pois, em todos 
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os tempos houve “exímios educadores e exímios 
mestres, que, guiados poruma fina observação e por 
um grande talento inato, conseguiram os melhores 
resultados no domínio do ensino e da educação, antes 
mesmo da existência da ciência da didática”. (OTÃO et 
al., 1965 apud RODRIGUES; MOURA; TESTA, 2011, p. 1)
Para realização do trabalho docente, o professor precisa 
de uma instrumentalização teórica e técnica, criando sua própria 
didática, colocando sua prática de ensino especificamente diante 
do contexto social ao qual está inserido. 
Figura 2 – Didática: arte de ensinar 
Fonte: Pixabay 
Apenas na segunda metade do século XX que houve 
preocupação na formação de professor para o ensino superior, 
em que a preocupação científica com a organização, composição 
e estruturação da didática aconteceu, primeiramente, na 
esfera do ensino primário, seguindo para o ensino médio. Isso 
aconteceu devido ao fato de que prevalecia a persuasão de quem 
sabe ensinar.
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Isso acarretou o acréscimo de uma didática para o ensino 
superior, pois a comunidade acadêmica considera que no ensino 
superior é preciso saber ensinar, uma vez que, somente o 
domínio de conteúdo não é satisfatório para o ensino. 
Ao falar da didática no ensino superior é preciso ter bastante 
cuidado, pois é uma discussão bastante delicada, uma vez que 
é onde menos se examina, menor diversidade em relação às 
práticas pedagógicas. Gil (2015 apud SILVA, 2018) expõe sobre a 
didática no ensino superior que
esse campo tem progredido com novos conceitos e 
métodos, onde o estudante visto anteriormente como 
sujeito passivo, é hoje substituído pelo sujeito ativo da 
aprendizagem, entrelaçando o que lhe é transmitido 
com o que ele próprio procura. Com isto, o ensino passa 
a ser mais do que a transmissão de conhecimento. 
Entretanto, grande maioria dos professores 
universitários ainda vê o ensino como transmissão 
de conhecimento por meio de aulas expositivas e/ou 
atitudes conservadoras. Por esse motivo, tendem a se 
ver como especialistas na disciplina que lecionam a 
um grupo de alunos interessados em assistir a suas 
aulas, e os saberes pedagógicos fica a sabor dos dotes 
naturais de cada professor. (GIL, 2015 apud SILVA, 
2018, p. 207)
Conforme Althaus (2004), os amplos desafios que se 
atribuem à prática docente no ensino superior estão relacionados 
às possibilidades de articular as duas ações didáticas, na 
conjuntura de sala de aula.
13DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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Figura 3 – Ações didáticas no contexto sala de aula
Ensinar
Aprender
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Nem sempre quem domina conhecimentos para 
sua atuação profissional sabe transpô-los para uma 
situação de aprendizagem! Entendo, deste modo, 
que dificilmente um professor consegue planejar, 
gerir e avaliar situações didáticas eficazes para o 
desenvolvimento da autonomia dos acadêmicos se 
não compreender os conteúdos próprios de sua área 
de atuação, que serão objeto de sua ação didática. 
Assim, se a docência é sua área de atuação, além 
das especificidades inerentes aos diferentes campos 
de conhecimento, a Didática também compõe o 
quadro como conteúdo próprio da prática pedagógica 
universitária. (ALTHAUS, 2004, p. 102)
Ainda, esse campo tem avançado com novos conceitos 
e métodos, pois o estudante, que antes era visto como 
sujeito passivo, está sendo substituído pelo sujeito ativo da 
aprendizagem, relacionando o que lhe é transmitido com o que 
ele busca, tornando o ensino mais do que uma mera transmissão 
de conhecimento. 
14 DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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Entretanto, grande maioria dos professores 
universitários ainda vê o ensino como transmissão 
de conhecimento por meio de aulas expositivas e/ou 
atitudes conservadoras. Por esse motivo, tendem a se 
ver como especialistas na disciplina que lecionam a 
um grupo de alunos interessados em assistir a suas 
aulas, e os saberes pedagógicos fica a sabor dos dotes 
naturais de cada professor. (SILVA, 2018, p. 207)
Infelizmente, nem todos os professores universitários 
obtêm uma preparação pedagógica específica ou suficiente, uma 
vez que ao longo da sua trajetória profissional, dificilmente eles 
têm a oportunidade de participar em cursos e seminários sobre 
métodos de ensino e avaliação da aprendizagem. E diante dessa 
situação, vem-se as seguintes indagações:
Figura 4 – Indagações feitas pelos professores universitários
Até que ponto determinado aprendizado será significativo para os 
alunos?
Quais estratégias são mais adequadas para facilitar o 
aprendizado?
Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Silva (2018). 
Perante tais situações, o professor do ensino superior 
deixa de exercer a sua função de ensinar e passa a ajudar o 
aluno a aprender, na medida em que a ênfase é colocada na 
aprendizagem. Assim seu papel passa a ser:
 • Formar pessoas.
 • Prepará-las para a vida e para a cidadania.
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 • Treiná-las como agentes privilegiados do progresso 
social. 
No entanto, para que o professor exerça tal função, é 
preciso um conhecimento pedagógico geral, por exemplo, 
planejamento do conteúdo, organização do tempo, material, 
espaço de aprendizagem e do grupo. Ademais, deve-se incluir 
um conhecimento sobre Desenvolvimento Humano, História, 
Filosofia, e sobre as leis educacionais (FERREIRA, 2010 apud 
SILVA, 2018, p. 208).
Quanto à formação da prática docente para uma efetiva 
atuação em sala, o processo de formação do professor deve 
dispor das seguintes etapas: 
Figura 5 – Etapas do processo de formação do professor 
 • Conhecimento específico da disciplina
 • Familiarização com a sala de aula e inserção no ambiente escolar
 • Capacitação quanto ao uso de metadologias adequadas para o 
ensino do conteúdo
 Formação teórico-científica
 Formação prática
 Formação didática
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Didática tradicional e moderna
Diante de um aspecto histórico e em todos os níveis de 
ensino, seja ensino infantil, fundamental, médio ou superior, é 
possível falar tanto da didática tradicional, quanto da didática 
16 DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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moderna. Assim, nessa perspectiva, as didáticas podem ser 
divididas em: 
Figura 6 – Perspectiva histórica da didática 
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Com uma atenção específica para o ensino superior, 
pergunta-se: Em que, fundamentalmente, elas se 
diferenciam? Envoltos nessa problemática, comparar-
se-á, nas linhas que seguem, com o intuito de identificar 
as suas diferenças, os dois modelos didáticos, a partir 
dos seus componentes fundamentais: professor, 
aluno, objetivo, matéria e método. Tal empresa será 
desenvolvida em dois momentos distintos, mas 
essencialmente interligados: primeiro, a didática 
tradicional; segundo, a didática moderna. (RODRIGUES; 
MOURA; TESTA, 2011, p. 2)
Na didática tradicional, o ensinar predominava o aprender, 
ou seja, o ensino sobre a aprendizagem, tornando, assim, o ensino, 
em todos os seus graus, um paradigma. Conforme Rodrigues, 
Moura e Testa (2011), no ensino superior, especificamente, esse 
paradigma é exposto, em sua aparição efetiva. 
No ensino superior, a apreensão é com o próprio ensino, 
em que o professor transmite aos alunos informações e 
conhecimentos firmados para eles por meio de estudos e 
atividades profissionais, e com isso, espera-se que o aluno as 
assimile, e depois, reproduza por meio da avaliação.
17DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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Ainda que tenha tido períodos na história da didática, 
quando o valor do ensinar prevaleceu sobre o aprender. Na 
didática moderna, o destaque no “ser que aprende”, quanto 
paradigma para o ensino superior, modifica o papel dos 
integrantes do processo, em que o aprendiz é responsável pelas 
ações para que a aprendizagem aconteça.
Portanto, quem ensina o aluno a aprender é o professor, e 
ainda, como também ensina o aluno a ensinar aos outros o que 
ele aprendeu. Assim, ele é um elemento orientador, incentivadore regulador da aprendizagem. Entretanto, trata de um ensinar 
em que o aluno é sujeito da ação. 
Diante disso, fica claro que o professor é o formador, no 
entanto, ele precisa ser:
Figura 7 – Professor da didática moderna 
Autodidata
Flexível Eficiente Criativo
Integrador Comunicador
Colaborador
Gerador de 
conhecimento
Difusor de 
mudanças
Comprometido 
com a mudança
Questionador
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Diante disso, o professor passa a ser somente um orientador 
e organizador das ocasiões de ensino, deixando de ser um sujeito 
do processo ensino/aprendizagem. Assim,
No desempenho adequado do papel do professor, o 
que não se pode deixar de cumprir são as funções 
18 DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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inerentes ao exercício de uma docência produtiva. 
O professor, agora, tem o papel de coordenar as 
atividades, perceber como cada aluno se desenvolve 
e propor situações de aprendizagens significativas. 
Torna-se um orientador que remove obstáculos à 
aprendizagem, localiza e trabalha as dificuldades do 
aluno. Elabora aulas a partir das necessidades geradas 
e da interação acadêmico-professor, em sala de aula. 
(RODRIGUES; MOURA; TESTA, 2011, p. 4-5)
É importante deixar claro que a utilização da didática 
moderna tem permitido a formação de alunos que superam os 
obstáculos da apropriação dos conteúdos, passando a serem 
sujeitos críticos, com opinião própria e investigativos. 
A introdução do diálogo em sala de aula colaborou em 
muito para a construção dessa ocasião, uma vez que foi dado 
preferência à maneira como o aluno aprende, realçando a 
construção do conhecimento conforme a sua realidade.
SAIBA MAIS
Você quer se aprofundar mais nesse tema? 
Recomendamos o acesso à seguinte fonte de 
consulta e aprofundamento no artigo: ”O estilo de 
atuação do professor universitário — uma questão 
de ênfase”, de Gil (2000), disponível aqui . 
https://revistas.pucsp.br/pensamentorealidade/article/viewFile/8558/6358 
19DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza 
de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido sobre o conceito 
de didática como sendo a arte de ensinar, e 
que a expressão “didática” se propagou após o 
surgimento da obra Didactica Magna, de Comenius. 
Como disciplina, a Didática analisa os objetivos, os 
conteúdos, os meios e as condições do processo de 
ensino, considerando os alvos educacionais, que 
são sempre sociais. E que, diante de um aspecto 
histórico e em todos os níveis de ensino, seja 
ensino infantil, fundamental, médio ou superior, é 
possível falar tanto da didática tradicional quanto 
da didática moderna
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Relação da prática educativa 
com a sociedade
OBJETIVO
Ao finalizar este capítulo, você será capaz de 
entender sobre a relação existente entre a 
prática educativa com a sociedade. Isso será de 
fundamental importância para o exercício de sua 
profissão. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então, vamos lá. Avante!
Educação e sociedade
A prática educativa exerce influência sobre o sujeito nos 
espaços mais variados de convivência na sociedade, influenciando 
de forma direta a formação do indivíduo e, como consequência, 
atua na construção da sua cidadania. 
Nesse contexto, o trabalho da docência integra um processo 
educativo de forma globalizada, em que os membros que 
compõem a sociedade têm uma preparação para viver e conviver 
inseridos nela. A prática educativa é vista como dois fenômenos.
Figura 8 – Fenômenos representados pela prática educativa 
Fenômeno Universal
Fenômeno Social
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
A prática educativa é uma atividade importante e necessária 
para que todas as sociedades existam e funcionem. Assim, as 
sociedades individualmente podem:
 • Tutelar a formação de seus indivíduos.
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 • Proporcionar auxílio para que as capacidades físicas e 
espirituais dos cidadãos se desenvolvam.
 • Disponibilizar meios para preparar os indivíduos para 
que participem de forma ativa e transformadora das 
mais variadas instâncias que compõem a vida social.
Podemos concluir, dessa forma, que não existe sociedade 
sem a participação da prática educativa e não existe prática 
educativa sem a presença da sociedade.
A prática da educação não se limita a uma exigência que 
a sociedade impõe, mas ela representa também um processo 
em que é fornecido ao indivíduo, experiências culturais e 
conhecimentos de forma que eles adquiram aptidão para atuar 
na sociedade, e o transforme baseando-se em suas necessidades 
de coletividade, de política como também sociais.
Através da ação educativa o meio social exerce 
influências sobre os indivíduos e estes, ao 
assimilarem e recriarem essas influências, 
tornam-se capazes de estabelecer uma relação 
ativa e transformadora em relação ao meio 
social. Tais influências se manifestam através de 
conhecimentos, experiências, valores, crenças, 
modo de agir, técnicas e costumes acumulados 
por muitas gerações de indivíduos e grupos, 
transmitidos, assimilados e recriados pelas 
novas gerações. Em sentido amplo, a educação 
compreende os processos formativos que 
ocorrem no meio social, nos quais os indivíduos 
estão envolvidos de modo necessário e inevitável 
pelo simples fato de existirem socialmente; (...)Em 
sentido restrito, a educação ocorre em instituições 
específicas, escolares ou não, com finalidades 
explícitas de instrução e ensino mediante uma 
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ação consciente, deliberada e planificada, embora 
sem separar-se daqueles processos formativos 
gerais. (LIBÂNEO, 1994, p. 17) 
Ainda de acordo com Libâneo (1994), no que se refere 
aos estudos sobre os mais variados tipos de educação, 
frequentemente as influências exercidas pela educação são 
caracterizadas como:
 • Influências educativas não intencionais.
 • Influências educativas intencionais.
Influências não intencionais
Fazem referência às influências do meio ambiente e do 
contexto social sobre os indivíduos que fazem parte dessa 
sociedade. Essas influências, que também podem ser chamadas 
de educação informal, estão intrinsecamente ligadas a processos 
de aquisição de algumas características.
Figura 9 – Características resultantes da educação informal e o processo de aquisição 
Experiências
Conhecimento
Práticas
Ideias Valores
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Essas características adquiridas por meio desse processo 
de aquisição junto à educação informal não se ligam de forma 
específica a uma instituição como também não são conscientes 
23DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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e intencionais. Elas correspondem às experiências e situações, 
consideradas espontâneas, não organizadas e casuais, mesmo 
que resultem em influências, para que o ser humano seja 
formado, a exemplo:
 • Das relações humanas que fazem parte da família, na 
comunidade e no trabalho.
 • Das formas políticas e econômicas em que a sociedade 
é organizada.
 • Das relações de grupos de convivência humana.
 • Do clima sociocultural que faz parte da sociedade. 
Influências intencionais
Já esse tipo de influência educacional faz referência ao 
objetivo e intencionalidade de influências que são definidos 
de forma consciente, por exemplo, a educação na escola, 
como também a extraescolar. Nesse caso, há uma consciência 
e intenção partindo do educador em direção às tarefas e aos 
objetivos prévios que devem ser cumpridos, seja ele, o professor, 
o pai ou de forma geral, os adultos. 
Existem lugares, técnicas, métodos e condições específicas 
que são criadas previamente e de forma deliberada para 
fomentar ideias, conhecimentos, comportamentos e atitudes. 
Enfim, são encontradas várias formas de educação intencional, 
e que de acordo com a pretensão do objetivo,os meios podem 
variar. 
Todas as formas em que a prática educativa assume, 
se interpenetram, sejam formais e não formais, escolares e 
extraescolares, não intencionais ou intencional. Onde quer que 
ocorra o processo educativo, ele é descrito de forma política ou 
social. Pois existe uma subordinação à sociedade que:
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 • Determina objetivos.
 • Providencia meios e condições de ação.
 • Faz exigências.
SAIBA MAIS
Você quer se aprofundar mais nesse tema? 
Recomendamos o acesso à seguinte fonte de 
consulta e aprofundamento do vídeo: ”José 
Carlos Libâneo no SINPRO: Palestra intitulada 
Prática de ensino em um contexto de mudanças”, 
disponível aqui . 
Vínculos existentes entre 
sociedade e educação
Como já visto anteriormente, a educação é vista como um 
fenômeno social. Significando dizer que ela é parte integrante 
das relações culturais, políticas, econômicas e sociais de uma 
sociedade específica. 
Na sociedade brasileira atual, a estrutura social 
brasileira se apresenta dividida em classes e grupos 
sociais com interesses distintos e antagônico; esse 
fato repercute tanto na organização e política quanto 
na prática educativa. Assim, as finalidades e meios 
da educação subordinam-se a estrutura e dinâmica 
das relações entre as classes sociais, ou seja, são 
socialmente determinados (...) A estrutura social e as 
formas sociais pelas quais a sociedade se organiza 
são uma decorrência do fato de que, desde o início 
da sua existência, os homens vivem em grupos, sua 
vida está na dependência da vida dos outros membros 
do grupo social, ou seja, a história humana, a história 
da sua vida e a história da sociedade se constituem 
e se desenvolvem na dinâmica as relações sociais. 
(LIBÂNEO, 1994, p. 18 e 19)
https://www.youtube.com/watch?v=AcZEWkA8--E
25DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
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Ainda segundo o autor, consequentemente a prática 
educativa é parte que integra a dinâmica relacionada às relações 
sociais, como também da organização social em suas formas. 
De modo que os interesses antagônicos pertencentes às classes 
sociais determinem as finalidades e processos. No que se refere 
à prática docência, os interesses de toda ordem estão presentes, 
onde manifesta-se a prática educativa. 
Figura 10 – Interesses de toda ordem da prática educativa 
Sociais Políticos Econômicos Culturais
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Esses interesses de toda ordem apresentam a necessidade 
dos alunos de serem compreendidos por parte dos professores. 
Porém, também é preciso haver compreensão de que as relações 
sociais que fazem parte da sociedade não são estabelecidas para 
sempre, ou seja, elas não são imutáveis ou estáticas. Ao contrário, 
elas mostram dinâmica, pois são constituídas pela ação humana 
dentro da vida na sociedade. Significando dizer que pode ocorrer 
transformações sociais pelos indivíduos que fazem parte dela. 
Com isso, percebe-se que a prática da educação está 
intrinsecamente ligada à sociedade por diversos aspectos, como:
 • No cotidiano da vida.
 • No objetivo que a educação apresenta.
 • No trabalho de docência.
 • Nas relações do professor com o aluno, entre outros. 
A percepção sobre o aluno está cheia de significados 
que envolvem a sociedade e que são constituídos na dinâmica 
existente nas relações que ocorrem entre classes, entre grupos 
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religiosos, entre as raças, entre jovens e adultos, entre mulheres 
e homens. 
Na presença da diversidade provinda das relações que tem 
reciprocidade, em que vários contextos são travados, as coisas, 
às ideias, as pessoas ganham significado resultante dos seres 
humanos, e é por meio da socialização que as ideologias, ideias e 
opiniões são formadas (LIBÂNEO, 1994). 
Ainda segundo o autor, esse fato torna-se fundamental 
para que haja compreensão de como é produzida e desenvolvida 
cada sociedade, como a prática educativa se encaminha e como 
é organizada por meio de suas contradições e seus conflitos. 
Para profissionais que trabalham com a educação, 
objetivando a formação humana direcionada aos indivíduos 
que vivem em determinados contextos sociais, torna-se 
imprescindível que haja o desenvolvimento de:
 • Capacidade de descobrimento das reais relações sociais 
incluídos em cada acontecimento.
 • Em cada realidade de situações de sua profissão e da 
sua vida.
 • De cada discurso e matéria que ensina.
 • No cotidiano das relações tanto na família como no 
trabalho.
 • Nos meios de comunicação.
Com isso, é apresentado pelo autor Libâneo (1994), em 
relação à atuação profissional do professor e a sociedade, que:
O campo específico de atuação profissional e política do 
professor é a escola, à qual cabem tarefas de assegurar 
aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e 
habilidades, o desenvolvimento de suas capacidades 
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intelectuais, de pensamento independente, crítico e 
criativo. Tais tarefas representam uma significativa 
contribuição para a formação de cidadãos ativos, 
criativos e críticos, capazes de participar nas lutas pela 
transformação social. Podemos dizer que, quanto mais 
se diversificam as formas de educação extra-escolar e 
quanto mais a minoria dominante refina os meios de 
difusão da ideologia burguesa tanto mais a educação 
escolar adquire importância, principalmente para as 
classes trabalhadoras. (LIBÂNEO, 1994, p. 22) 
Dessa forma, pode-se observar a grandiosidade da 
responsabilidade social, tanto dos professores quanto da escola, 
pois lhe compete a escolha de qual concepção de sociedade e 
de vida deve-se trazer para que os alunos a considerem, e quais 
os métodos e conteúdos proporciona a eles o domínio sobre 
o conhecimento como também a capacidade necessária para 
raciocinar no que diz respeito à compreensão da realidade em 
âmbito social como também à prática da atividade profissional, 
nos movimentos sociais e políticos.
O ensino, assim como a educação, é determinado pela 
sociedade. O ensino ao mesmo tempo que busca cumprir as 
exigências e objetivos da sociedade de acordo com os interesses 
de classes sociais e grupos que fazem parte de sua constituição, 
ele também produz condições.
Figura 11 – Condições criadas pelo ensino 
Organizativas
Metodológicas
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Essas condições fornecidas pelo ensino favorecem ao 
processo criando a possibilidade de transmitir e assimilar 
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conhecimentos, como também contribui para que os processos 
mentais e capacidades intelectuais sejam desenvolvidos, 
buscando o entendimento de maneira crítica em relação aos 
problemas sociais (LIBÂNEO, 1994). 
Dessa forma, a educação é considerada um dos mais 
importantes mecanismos que pode transformar um povo, e a 
escola por sua vez tem esse papel de promover a transformação 
por meio da democracia, mostrando comprometimento em 
impulsionar o ser humano de forma íntegra, com estímulo para 
se formar hábitos, comportamentos e valores que objetivam 
respeitar as diferenças e características ditas próprias de 
minorias e grupos.
Portanto, a essencialidade da educação pode ser notada 
no processo de formação de qualquer meio social, abrindo 
caminhos para que a cidadania de um povo possa ser preparada, 
sempre buscando a diminuição das desigualdades que, por sua 
vez, são históricas em meio à sociedade. 
Diante dessa realidade, o papel cumprido pela educação é 
essencial e crítico, pois é por meio dela que as pessoas podem 
ser preparadas para viver em um lugar que a cada dia se torna 
culturalmente mais diversificado, disponibilizando de uma 
educação que ensine a tolerar e respeitar os demais, como também 
adquirir aprendizado na convivência de uns com os outros. 
Na realidade atual, pode-se observar que a educação não se 
limita a nos informar sobre a sociedade, mas nela também estão 
os traços do passado, de acordo com o que ela faz transmissãodo que foi elaborado nela como também do futuro, que será 
destinado para aqueles profissionais que terão o papel de fazer. 
Inserindo-se no papel social.
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Desde sua gênese, funções e objetivos, a educação é 
considerada um fenômeno social, relacionando aos contextos: 
econômicos, científicos, políticos e culturais de uma sociedade 
determinada. 
Em todas as sociedades, no que se refere a sua história, 
educar é um ato que tem em si um processo constante, não 
apresentando igualdade em todos os lugares e tempos, e em sua 
essência pode ser considerada um processo social. E, por fim, 
a sociedade e a prática educacional estão correlacionadas, pois 
uma exerce influência sobre a ocorrência de transformações no 
interior da outra. 
SAIBA MAIS
Você quer se aprofundar mais nesse tema? 
Recomendamos o acesso à seguinte fonte de 
consulta e aprofundamento do capítulo do livro 
Didática: “Educação escolar, pedagogia e didática”, 
de Libâneo (1994), disponível aqui . 
RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza 
de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido sobre a relação 
existente entre o processo de educação com a 
sociedade, como a sociedade influencia no meio 
educacional e vice-versa. Você pôde observar que 
a sociedade pode ser percebida e inserida no meio 
educacional, como também as responsabilidades 
das instituições sobre a adoção de didáticas para 
abranger a gama de conhecimentos a serem 
ensinados aos alunos. Observou também os 
vínculos existentes entre a educação e a sociedade, 
mostrando a sua relação com a estrutura social e 
interesses de grupos diferenciados e antagônicos. 
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Importância da didática na 
formação dos profissionais do 
ensino superior
OBJETIVO
Ao finalizar este capítulo, você será capaz de 
conhecer a importância da didática para a formação 
dos profissionais do ensino superior. Isso será de 
fundamental importância para o exercício de sua 
profissão. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então, vamos lá. Avante!
Didática e sua importância
O uso da didática apresenta uma grande importância no 
que se refere à formação dos profissionais no ensino superior, 
pois ela mostra caminhos para que o profissional aprenda.
Ela possibilita a revisão constante do currículo que, por 
sua vez, proporciona a preparação do profissional para muitas 
situações, como:
Figura 12 – Preparação profissional para diversas situações 
Selecionar conteúdos e problemas;
Realizar o desenvolvimento de estratégias de ensino;
Elaborar novas maneiras para incentivo e avaliação de situações de 
aprendizado e desenvolvimento dos alunos.
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Quando esses profissionais estão sendo formados, eles 
têm a possibilidade de reconhecer e, dessa forma, admitir que 
não se separa a teoria da prática quando está relacionado ao 
processo referente ao ensino-aprendizagem. Pois, a didática que 
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faz parte especificamente da pedagogia realiza investigações 
sobre os fundamentos, sobre os processos próprios para que o 
conhecimento seja construído como também as condições. 
(...) na atualidade, em pleno avanço social, esse 
profissional precisa refletir não somente na ação, mas 
também sobre a ação, para diagnosticar os dilemas da 
prática educativa, determinar as metas e entrar com os 
meios viáveis; é justamente nesse aspecto que entra 
a didática que, como ciência da educação, subsidia 
nas escolhas dos recursos adequados. A tarefa de 
ensinar a pensar e a aprender a aprender exige do 
educador o conhecimento de estratégias de ensino 
e o desenvolvimento de suas próprias competências 
de pensar, porquanto, se este é incapaz de refletir e 
planejar sua ação, será impossível aguçar nos alunos a 
necessidade de aprender. (PAIVA; SILVA, 2015, p. 111)
Diante disso, ainda segundo as autoras, deve ser propiciado 
ao aluno por meio do educador uma educação baseada na 
humanização, nesse sentido, é necessária a reflexão sobre o 
aluno como responsável pelo seu próprio conhecimento, nas 
suas relações interpessoais, nos seus contextos econômicos e 
sociais como também nas suas relações interpessoais. 
Além de estimular o crescimento cognitivo, a educação 
deve promover o auxílio ao aluno para que ele interaja 
junto a um contexto social, desse modo, ele atuará e terá um 
pensamento com autonomia e criticidade, assim como ser social 
ele reconhecerá seus deveres e direitos. 
Em tempos atrás, havia restrição no que se refere à atuação 
docente, de forma que ele limitava-se a transmitir informações, 
porém, nos dias de hoje, diante da sociedade em avanço, deve 
ser realizada uma reflexão por parte do profissional tanto na 
ação como também sobre ela, nesse sentido há um diagnóstico 
sobre os dilemas existentes na prática da educação.
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Ainda, deve também fazer determinação de metas para que 
meios viáveis sejam inseridos, e é justamente nesse ponto que a 
didática é utilizada como uma ciência educacional, tornando-se 
responsável pelas escolhas adequadas dos recursos. 
O educador tem uma exigência relacionada à tarefa 
do ensinamento ao pensar e ao aprender, essas exigências 
compreendem suas competências próprias sobre o pensar como 
também o conhecimento de estratégias de ensino, é por meio 
dessa capacidade de planejar e refletir que se tornará possível 
instigar os alunos à necessidade do aprendizado. 
Grande parte dos profissionais do ensino superior, ao 
serem postos mediante a uma sala de aula, apresentam uma 
tendência em mostrar especialidade sobre a disciplina a qual 
estão lecionando para um grupo de alunos que mostram 
interesse sobre as suas aulas, assim o desenvolvimento de ações 
dentro de sua sala de aula podem se expressar também pelo 
verbo “ensinar” ou seus sinônimos. 
Figura 13 – Práticas em sala de aula que se assemelham ao verbo “ensinar” 
Instruir
Preparar Formar
Treinar
Orientar
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
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Esses correlatos da palavra “ensinar”, de forma geral fazem 
parte de uma reprodução de processos em que o professor viveu 
e passou no decorrer de sua formação, com isso, essa atividade é 
centralizada nas habilidades e qualidades de sua própria pessoa.
Existem professores que enxergam os alunos como os 
agentes principais no que se refere ao processo educativo. Eles 
se preocupam em realizar a identificação de: aptidões, interesse 
e necessidades, objetivando fornecer um auxílio para que 
informações sejam coletadas no intuito de:
 • Facilitar o desenvolvimento de habilidades novas.
 • Para que atitudes e comportamentos sejam 
modificados.
 • Busca nas pessoas, coisas e fatos novos significados.
As atividades geridas pelo professor estão centradas na 
figura do aluno, sem considerar suas capacidades, aptidões, 
interesses, expectativas, condições para aprendizado, 
oportunidades e possibilidades. 
SAIBA MAIS
Você quer se aprofundar mais nesse tema? 
Recomendamos o acesso à seguinte fonte 
de consulta e aprofundamento do artigo ”A 
importância da didática no processo de ensino e 
aprendizagem: a prática do professor em foco”, de 
Paiva e Silva (2015), disponível aqui . 
Abordagens do processo de 
ensino 
Não se define o fenômeno educacional com uma realidade 
totalmente acabada, que em seus múltiplos aspectos possa 
ser precisa, clara e identificada. Porém, por se tratar de um 
http://www.gerson.110mb.com/index_arquivos/Didatica.pdf 
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fenômeno histórico e humano, diferentes óticas promovem sua 
abordagem.
São definidas, pela autora Mizukami (1986), cinco tipos de 
abordagens:
Figura 14 – Tipos de abordagens no processo de ensino 
Sociocultural
Tradicional
ComportamentalistaCognitivista Humanista
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Abordagem tradicional 
No tipo de abordagem tradicional, o professor como 
especialista é privilegiado, ele é considerado o elemento principal 
e fundamental para transmitir os conteúdos educacionais. 
Nela, considera-se o aluno apenas como receptor passivo 
do conhecimento, até o momento em que ele se apropria 
dos conhecimentos considerados necessários, a partir desse 
momento ele apresenta a capacidade para exercer a profissão 
com eficiência sendo capaz de ensiná-los.
Na abordagem tradicional, uma visão individualista tanto 
referente ao processo educativo como também relacionada ao 
acúmulo de conhecimento é denotada. Nela, a memorização 
por parte do aluno e o verbalismo do professor caracterizam o 
ensino. 
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Resume-se à didática utilizada nesse tipo de ensinamento 
como o professor expõe o conteúdo e o aluno o memoriza. Já a 
avaliação é realizada de forma fundamental, para a verificação de 
que o conteúdo foi reproduzido de forma exata ao comunicado 
em sala de aula pelo professor.
Abordagem comportamentalista
Nesse tipo de abordagem, conhecida como 
comportamentalista ou também behaviorista, a experiência 
resulta na construção do conhecimento. Reconhecidamente a 
escola funciona como uma agência que formalmente promove a 
educação, nela ocorre o desenvolvimento de modelos educativos 
com base na análise dos processos, há uma modelagem e reforço 
no comportamento.
Nela, o professor atua como planejador educacional, 
transmitindo o conteúdo objetivando que competências sejam 
desenvolvidas. 
(...) consideram a experiência ou experimentação 
planejada como base do conhecimento. Evidencia-se, 
pois, sua origem empirista, ou seja, a consideração de 
que conhecimento é o resultado direto da experiência 
(...) Para os comportamentalistas, a ciência consiste 
numa tentativa de descobrir a ordem na natureza 
e nos eventos. Pretendem demonstrar que certos 
acontecimentos se relacionam sucessivamente 
uns com os outros. Tanto a ciência quanto o 
comportamento são considerados, principalmente, 
como uma forma de conhecer os eventos, o que 
se torna possível a sua utilização e o seu controle. 
(MIZUKAMI, 1986, p. 19 e 20)
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Abordagem humanista
Nesse tipo de abordagem, existe uma predominância no 
desenvolvimento ligado à personalidade de cada indivíduo, ela 
tem como seu principal teórico Carl Rogers. 
Na abordagem humanista, não há transmissão de conteúdos 
pelo professor, ele atua como um facilitador da aprendizagem, 
assistenciando os alunos. Os conteúdos estudados são advindos 
das experiências próprias vividas pelos alunos, que, por sua vez, 
são vistos como um contínuo processo de descoberta de si. 
A atenção é voltada para o sujeito, porém, o ambiente é uma 
das condições necessárias para que ocorra o desenvolvimento 
individual. Dessa forma, a escola apresenta o papel de 
oferecimento de condições que mostrem possibilidades para 
que os alunos tenham sua autonomia para a construção do 
conhecimento. 
Abordagem cognitivista
A interação é considerada fundamental nesse tipo de 
abordagem. O conhecimento é visto como o resultado de 
interações que ocorrem do sujeito com o objeto, de forma que 
nenhum polo dessa relação tenha destaque.
Na abordagem cognitivista, o indivíduo é considerado 
um sistema aberto, passando por sucessivas reestruturações, 
sempre buscando um estágio final que por sua vez nunca é 
alcançado de forma completa. Dessa forma, para que o estudante 
possa aprender por si próprio, a escola deveria proporcionar 
possibilidades para que ocorra investigação individual. 
Segundo Mizukami (1986), são consideradas nessa 
abordagem, as pessoas e suas formas de: 
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 • Lidar com os estímulos do ambiente.
 • Organizar dados.
 • Sentir e resolver problemas.
 • Adquirir conceitos.
 • Empregar símbolos verbais.
Nesse contexto, a estratégia geral no que se refere a esse 
processo está direcionado ao de disponibilizar ajuda para o 
estudante desenvolver pensamentos. 
Figura 15 – Pensamentos que devem ser desenvolvidos pelos alunos 
Autônomo Crítico Criativo
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Essa estratégia consiste em mediar o processo de 
aprendizagem, exercendo contribuições para que o raciocínio 
possa ser organizado, objetivando o manejo das informações, 
entre os conteúdos são estabelecidas relações e há uma condução 
direcionada à generalização cognitiva que proporcionasse a 
possibilidade de sua aplicação em outros momentos ligados à 
aprendizagem como também em outras situações. 
Nesse caso, o papel ocupado pelos professores consiste 
em disponibilizar da orientação necessária para que ocorra a 
exploração dos objetos pelos estudantes sem que soluções 
prontas para os problemas sejam oferecidas. 
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Abordagem sociocultural
Nesse tipo de abordagem, o processo de aprendizagem é 
envolvido pelos aspectos socioculturais, podendo ser considerado 
também interacionista. Porém, ela dá um destaque especial ao 
sujeito de forma que ele elabora e cria o conhecimento. 
A educação torna-se, portanto, fator de suma 
importância na passagem das formas mais primitivas 
de consciência para uma consciência crítica. Sendo 
o ser humano sujeito de sua própria educação, as 
ações educativas devem ter como principal objetivo 
promovê-lo e não ajustá-lo à sociedade. Um dos 
principais representantes desta corrente é Paulo 
Freire, para quem a verdadeira educação é a educação 
problematizadora, que auxilia na superação da relação 
opressor-oprimido. A essência desta educação é a 
dialogicidade, por meio da qual educador e educando 
tornam-se sujeitos de um processo em que crescem 
juntos. Nessa abordagem, o conhecimento deve ser 
entendido como uma transformação contínua e não 
transmissão de conteúdos programados. (SILVA; 
BORBA, 2011, p. 13) 
Com isso, para que aconteça o ensino da didática, faz-se 
necessário haver uma visão baseada na totalidade do processo 
referente ao ensino-aprendizagem, partindo de uma perspectiva 
multidimensional, por exemplo as dimensões: 
 • Técnica.
 • Político-social.
 • Humana. 
Essas dimensões são direcionadas à prática pedagógica 
que por sua vez devem ser trabalhadas e compreendidas 
articuladamente. 
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Dessa forma, pode-se perceber que as competências, tanto 
técnica quanto política que fazem parte do professor exige uma 
a outra de forma mútua, não sendo possível a dissociação entre 
elas. 
Com isso, deve-se pensar na dimensão técnica que compõe 
a prática pedagógica, baseando-se na orientação do projeto 
pedagógico social. As tarefas e objetivos do ensino diante da 
sociedade são figurados ente os conteúdos básicos da didática, 
que por sua vez tem como base uma visão acerca do homem e 
da sociedade, e com isso, está subordinada aos propósitos.
Figura 16 – Propósitos os quais a didática está subordinada 
Pedagógicos Sociais Políticos
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
SAIBA MAIS
Você quer se aprofundar mais nesse tema? 
Recomendamos o acesso à seguinte fonte 
de consulta e aprofundamento do artigo 
“A importância da didática na formação de 
professores na Educação Superior”, de Freitas, 
Oliveira e Duarte (2016), disponível aqui . 
https://www.ufmt.br/endipe2016/downloads/233_9922_36110.pdf
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RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza 
de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido sobre o papel da 
didática na formação de profissionais do ensino 
superior, mostrando como ela faz parte do 
aprendizado para o aperfeiçoamento curricular do 
profissional. Podemos observar também sobre os 
tipos de abordagens educacionais no processo de 
ensinoque são: tradicional, comportamentalista, 
humanista, cognitivista e sociocultural vendo 
suas características gerais e como funciona o 
processo de aprendizagem com a sua utilização. 
Dessa forma, percebe-se a grande importância 
da didática no processo de formação desses 
profissionais, pois a partir dela que a eficiência 
no ensinamento de determinados conteúdos vai 
definir a satisfatoriedade de sua utilização ou não
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A didática e a construção da 
identidade docente no ensino 
superior
OBJETIVO
Ao finalizar este capítulo, você será capaz de 
identificar a didática e a construção da identidade 
docente no ensino superior. Isso será de 
fundamental importância para o exercício de sua 
profissão. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então, vamos lá. Avante!
A docência e a didática
A docência é uma profissão que tem como característica 
a não linearidade, geralmente, de acordo com as inúmeras 
mudanças de turmas e escolas no decorrer de sua vida 
profissional. Dessa forma, a identidade do docente é influenciada 
por numerosos meios como também:
 • Da formação que teve inicialmente.
 • Das experiências adquiridas no ambiente escolar e sala 
de aula.
 • Nas relações de interpessoalidade com seus pares no 
decorrer de sua carreira, entre outros. 
Todos esses pontos observados, entre outros, nos levam a 
considerar a não linearidade da docência.
Na formação de um profissional docente, a Didática Geral 
apresenta o papel de iniciação e mediação de conhecimento, 
ela exerce a função de inicialização dos estudantes sobre a 
pedagogia, de forma que os levam a conhecer variados pontos. 
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Figura 17 – Pontos que os estudantes de docência passam a conhecer por meio da didática 
Teorias pedagógicas
Concepções epistemológicas
Teorias de ensino aprendizagem
Concepções sobre planejamento
Medição dos processos formativos
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Já no que se refere às didáticas específicas, seu objetivo é 
detalhar o trabalho inicial visto na Didática Geral, fazendo com que 
os estudantes deem início de matéria específica partindo-se de:
 • Hábitos, atitudes e habilidades apropriados.
 • As características observadas em cada área de 
conhecimento.
 • Por meio da mobilização de saberes.
Dessa forma, podemos concluir que uma didática não 
indica que a outra deve ser negada. 
A Didática e as metodologias específicas das matérias 
de ensino formam uma unidade, mantendo entre si 
relações recíprocas. A Didática trata da teoria geral 
do ensino. As metodologias específicas, integrando 
o campo da Didática, ocupam-se dos conteúdos e 
métodos próprios de cada matéria na relação com 
fins educacionais. A Didática com base em seus 
vínculos com a Pedagogia, generaliza processos e 
procedimentos obtidos na investigação das matérias 
específicas, da ciência que dão embasamento ao 
ensino e a aprendizagem e das situações concretas 
da prática docente. Com isso, pode generalizar para 
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todas as matérias, sem prejuízo das peculiaridades 
metodológicas de cada uma, o que é comum e 
fundamental no processo educativo escolar. (LIBÂNEO, 
1994, p. 26)
Segundo o autor, um dos principais ramos da pedagogia 
é a Didática. Pois, por meio dela são investigados os modos em 
que a instrução e o ensino são realizados, como suas condições e 
fundamentos. Compete a ela a conversão de objetivos pedagógicos 
e sociopolíticos em objetivos relacionados ao ensino, seleção de 
métodos e conteúdos, com base nesses objetivos, como também 
o estabelecimento de vínculos existentes em meio ao ensino e a 
aprendizagem com o intuito de que as capacidades mentais dos 
alunos se desenvolvam. 
A construção da identidade e a 
docência
De acordo com Dubar (2006), a existência de modos que 
possam identificar a afirmação em que a identidade de um 
sujeito pode ser além de construída, também reconstruída, e 
isso contradiz a ideia imutável da identidade. Ele ainda destaca o 
quanto é importante a identidade profissional para a identidade 
individual ser construída, pois ocorre a transição dela entre o 
meio social e o indivíduo a qual a pertence. 
A identidade pode ser vista como um processo em que os 
sujeitos em sua face profissional são construídos. A casualidade 
marca esse processo e que por sua vez induz a abertura que é 
característica. 
Ela também é observada como um campo vasto, sendo 
um importante objeto de estudo para as psicologias social e 
educacional, como também para a Filosofia, a Antropologia 
e a Sociologia, pelo fato de que esse tema apresenta grande 
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importância para o posicionamento e compreensão dos sujeitos 
no espaço em que atuam profissionalmente como educadores 
como também no mundo (PROENÇA; TENO, 2012).
Ainda segundo os autores, pode-se concluir os limites da 
identidade profissional, não estão apenas na maneira de agir 
dentro do contexto profissional como também de relacionamento, 
mas ela também abrange a pessoalidade e o lado profissional, 
e que como sujeito possuidor de conhecimentos faz interações 
com as situações que vivencia na profissão, com isso é capaz de 
desenvolver a construção de saberes que o encaminham para se 
identificar. 
Docência
A docência é uma formação profissional, e é composta pela 
articulação e coordenação entre um conjunto de disciplinas, de 
forma que os conteúdos e objetivos devem convergir, resultando 
em uma unidade teórico metodológica referente ao curso. 
A formação de um profissional docente é considerada um 
processo pedagógico, organizado e intencional, em que ocorre 
uma preparação técnica e teórico-científica do docente para que 
possa de forma competente dirigir o processo de ensino. 
Para Libâneo (1994), para ocorrer a formação docente, duas 
dimensões precisam ser abrangidas, são elas:
 • A formação teórico-científica.
 • A formação técnico-prática.
Formação teórica-científica
Nela está inclusa a formação acadêmica com especificidade 
nas disciplinas as quais o docente vai buscar especialização 
como também a formação referente à Pedagogia, em que os 
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conhecimentos sobre Sociologia, História, Filosofia, são como o 
da própria pedagogia, pois elas exercem contribuição para que o 
fenômeno educativo dentro do contexto da sociedade possa ser 
esclarecido.
Formação técnico-prática
Essa formação apresenta o objetivo de que o profissional 
seja preparado especificamente para a docência, de forma a 
incluir as metodologias específicas relacionadas as matérias, a 
pesquisa ligada à educação, à Psicologia educacional, à Didática, 
entre outras. 
SAIBA MAIS
Você quer se aprofundar mais nesse tema? 
Recomendamos o acesso à seguinte fonte de 
consulta e aprofundamento o capítulo I do livro 
Didática: “Prática educativa, pedagogia e didática: 
A didática e a formação profissional do professor”, 
de Libâneo (1994), disponível aqui . 
Três aspectos podem tornar possível mesmo que aos 
poucos a identificação do profissional do ensino superior com a 
profissão que irá exercer.
Figura 18 – Aspectos para possibilitar a construção da identidade do profissional docente 
Conhecimentos
Saberes
Experiências
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
https://www.professorrenato.com/attachments/article/161/Didatica%20Jose-carlos-libaneo_obra.pdf
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Esses aspectos são adquiridos tanto na sua formação inicial 
como também de forma contínua. 
EXPLICANDO 
MELHOR
É no momento de formação inicial no ensino 
superior que o docente tem a possibilidade 
de realizar a construção, desconstrução e 
reconstrução de sua identidade ligada à docência, 
isso ocorre devido ao gosto e afeição estabelecido 
durante esse tempo pelo professor de acordo 
com suas vivências, experiências e sentimentos 
como também as diversas situações que o 
ambiente de trabalho proporcionadurante o seu 
desempenho profissional, e é no decorrer desse 
percurso que seus saberes poderão ser colocados 
em prática como também obter à construção de 
novos, partindo das relações que nesse mesmo 
ambiente foram concretizadas (COELHO FILHO; 
GHEDIN, 2018).
Historicamente, os docentes vêm sendo impulsionados 
a adotarem as concepções de educação e prática 
pedagógica ditadas pelas acepções de diferentes grupos 
sociais dominantes da sociedade que, geralmente, 
ditam normas, currículos, modos de avaliação, sem 
a discussão dessas práticas pelos professores. De 
tempos em tempos são-lhes impostos vários tipos 
de personagens, ora tradicionais, escolanovistas, 
progressistas, rogerianos, construtivistas, e assim 
por diante. Assim, vão representando os seus papéis, 
muitas vezes sem serem consultados sobre a atividade 
que terão que desenvolver profissionalmente nas 
escolas. (PROENÇA; TENO, 2012, p. 138)
Assim, a lógica que representa a formação é considerada a 
das práticas, já a lógica que envolve o ensino é tida nos discursos 
que se constituem pela sua coerência interna, existe diferença 
entre essas lógicas, porém a lógica referente à formação acarreta 
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saberes, que, por sua vez, só ganham sentido quando são 
direcionados aos objetivos pertencentes às práticas. 
A construção da identidade do 
profissional docente e o contexto 
social
A caracterização da identidade é vista como um processo 
de alteração e mudanças, de forma que os papéis sociais que 
são reconhecidos, vão se construindo à medida que os contextos 
da sociedade podem ser transacionados entre os atores que são 
incluídos no processo referente à identificação, porém, não é 
uma característica acabada ou imóvel. 
Com isso, somos direcionados à reflexão sobre como a 
identidade profissional pode ser construída dependendo do seu 
contexto, das situações sociais pertencentes àquele contexto que 
necessitam imediatamente de respostas ou não. E para buscar 
essas respostas, o sujeito:
 • Se constitui.
 • Contribui.
 • Se identifica.
Assim, podemos ver o porquê é inseparável a constituição 
do professor e da pessoa.
A construção da identidade profissional realizada dessa 
maneira, em alguns casos, como em países em desenvolvimento 
ou emergentes, é frequente. Resultado do percurso histórico 
desses países, geralmente a identificação em torno da atuação 
na docência é construída pelo fato de eles terem a consciência 
relacionada ao contexto social a qual eles fazem parte.
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Quando o sujeito assume o papel de ser professor 
buscando a contribuição no que se refere à condição social a 
qual está inserido, ele vai buscar se aprimorar, e por iniciativa 
própria estudar mais. Sua profissionalidade passa por alto-
desenvolvimento, ele busca se aprofundar e manter a construção 
identitária focando na profissão de docência, sempre buscando 
atualizar os seus conteúdos por meio de investigações pessoais. 
Dessa forma, esse profissional mostra ter consciência a respeito 
do compromisso com a sociedade, que o ajuda a construir sua 
identidade junto à docência, trazendo dentro de si algumas 
características adquiridas com o tempo. 
Figura 19 – Características que o profissional adquire com a docência e a sociedade no 
decorrer do tempo 
Saberes
RepresentaçõesHistórias de vida
Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
Diante disso, é possível ter a percepção que as histórias que 
os professores vivenciam no decorrer de suas vidas contribuem 
para que sua identidade junto à docência seja construída 
em diferentes composições sociais. Por sua vez, depende do 
papel que o magistério ocupa para os profissionais, podendo 
ter expressão em grande parte pelas condutas e ações em 
comparado a palavras, em meio social sua identidade profissional 
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será manifestada em meio social tanto de forma individual como 
também em coletividade. 
Porém, temos de ter entendimento que a identidade 
formada a partir da coletividade somente é construída partindo-
se das redes de relações entre o sujeito e outros profissionais da 
área docente.
EXPLICANDO 
MELHOR
Essa construção identitária tem sua construção 
iniciada pelas interações que ocorrem com outros 
profissionais docentes em meio a um contexto 
como também da cultura que todos estão 
inclusos, o que pode se constituir modelos, de 
acordo com Vygotsky apresenta em suas obras. 
Ao nosso ver, essas interações podem ocorrer 
por meio de discussões realizadas em grupos no 
ambiente escolar, como também em um processo 
direcionado a formação continuada que tem 
a escola como centro, entre outros (BARROS; 
GONÇALVES, 2004).
Dessa forma, podemos compreender que a identidade 
construída no ensino superior se ligando a prática social que por 
sua vez é construída pela atuação de influências como também 
de grupos que representam a existência da humanidade. Assim, 
consideramos que a prática educativa também é uma prática 
social, com isso, a formação da identidade perante a docência só é 
obtida na essência dessa prática em comparado com outros, como 
o grupo à qual pertence. Diante disso, ter a compreensão sobre 
esse processo passa pelo entendimento de seu próprio caráter.
A identidade também se constitui de forma relacional, 
ou seja, refere-se à relação do sujeito consigo mesmo 
e também com o outro. É a um só tempo uma relação 
de identidade e de alteridade, construída através de um 
processo contínuo de identificação e de diferenciação 
imbricado na experiência com o próximo. Nesse 
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particular é muito importante o papel conferido ao 
ambiente de trabalho e a relação entre os professores 
e seu meio. É na relação com os pares que a identidade 
profissional ganha forma: observando, refletindo, 
discutindo para se compreender os afazeres do métier e 
assumir, assim, um certo perfil singular de ser professor, 
uma identidade, porém construída na relação e no 
contexto do trabalho (...). (D’ÁVILA, 2014, p. 215)
Ainda de acordo com a autora, a identidade profissional 
ao ser construída apresenta uma relação estreita com a 
profissionalidade, representando um conjunto de habilidades, 
conhecimentos e capacidades, ou seja, são competências 
consideradas gerais que se sobrepõem à disciplina que o 
profissional ensina. 
Essa identidade se mostra como um modo de ser, devido 
a qualidades que promovem identificação de elementos 
fundamentais para a profissão. A formação inicial articula-se 
com a profissionalidade, enquanto a experiência é resultante da 
formação continuada e da prática. Quando há uma identificação 
com a profissão, o sujeito começa o desenvolvimento de um 
perfil, como também de um modo de ser, dessa forma, ganha 
uma nova dimensão frente à qual é posto como profissional. 
Passa a desenvolver sua profissionalidade. 
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RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido sobre a construção 
da identidade profissional docente do ensino 
superior por meio da didática. Nesse capítulo, 
pudemos observar conceitos de docência, didática 
e da construção da identidade profissional, como 
também a relação existente entre a construção da 
identidade profissional docente junto à sociedade, 
como sua construção pode ser influenciada pelo 
meio social em que o profissional está inserido 
e como esse meio participa da sua formação 
como também as características adquiridas 
devido a essa influência social que existe em sua 
profissionalização
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	A didática no ensino superior
	Conceitos 
	Didática tradicional e moderna
	Relação da prática educativa com a sociedade
	Educação e sociedade
	Vínculos existentes entre sociedade e educação
	Importância da didática na formação dos profissionais do ensino superior
	Didática e sua importância
	Abordagens do processo de ensino 
	A didática e a construção da identidade docente no ensino superior
	A docência e a didática
	A construção da identidade e a docência
	A construção da identidade do profissional docente e o contexto social

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