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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA POLITÉCNICA DA USP MODALIDADE À DISTÂNCIA - EAD eHO-114 AGENTES FÍSICOS II (COM ESOCIAL E AGENTES BIOLÓGICOS) ALUNO SÃO PAULO, OUT. 2024 EPUSP/PECE CURSO: ESPECIALIZAÇÃO EM HIGIENE OCUPACIONAL– EHO MODALIDADE À distância (EAD) EDIÇÃO/ANO 1/2024 CRÉDITOS Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - EPUSP DIRETOR Prof. Dr. REINALDO GIUDICI Programa de Educação Continuada – PECE COORDENADOR GERAL Prof. Dr. WILSON SHIGUEMASA IRAMINA Curso de Especialização em Higiene Ocupacional COORDENADOR Prof. Dr. HOMERO DELBONI JÚNIOR ASSESSOR TÉCNICO Prof. Dr. Sérgio Médici de Eston ASSESSORA TÉCNICA/ADMINISTRATIVA Profª. Drª. MARIA RENATA MACHADO STELLIN Equipe de Instrutores Multimídia à distância - IMAD (TUTORIA) Engº. de Seg. do Trabalho DIEGO DIEGUES FRANCISCA Engº de Seg. do Trabalho FELIPE BAFFI DE CARVALHO Engª.de Seg. do Trabalho RENATA JULIANA LEMOS MARINHO ASSESSOR DE NOVOS PROJETOS EDUCACIONAIS VICENTE TUCCI FILHO Ω PP – PROFESSOR PRESENCIAL - DIEGO DIEGUES FRANCISCA (Capítulos: 7 e 8); - FELIPE BAFFI DE CARVALHO (Capítulo: 9); - GUSTAVO REZENDE (Capítulo: 5); - REINALDO MORELLI (Capítulo: 6); - ROBSON SPINELLI GOMES (Capítulos: 1, 2, 3 e 4); Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, sem a prévia autorização de todos aqueles que possuem os direitos autorais sobre este documento”. Sumário i SUMÁRIO CAPÍTULO 1. RADIAÇÕES DDS I....................................................................................... 2 1.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 3 1.1.1. O ÁTOMO ............................................................................................................... 3 1.1.2. O ELETRON-VOLT ................................................................................................ 4 1.1.3. IONIZAÇÃO E EXCITAÇÃO .................................................................................. 4 1.1.4. RADIAÇÃO IONIZANTE......................................................................................... 7 1.1.5. A RADIOATIVIDADE .............................................................................................. 7 1.1.6. FONTES DE RADIAÇÃO IONIZANTE................................................................... 8 1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES ................................................... 9 1.2.1. RADIAÇÕES DIRETAMENTE IONIZANTES ........................................................ 9 1.2.1.1. PARTÍCULAS ALFA .......................................................................................... 10 1.2.1.2. PARTÍCULAS BETA .......................................................................................... 12 1.2.2. RADIAÇÕES INDIRETAMENTE IONIZANTES ................................................... 13 1.2.2.1. RAIOS GAMA ...........................................................................................14 1.2.2.2. RAIOS X ....................................................................................................19 1.3. GRANDEZAS E UNIDADES ....................................................................................... 20 1.3.1. ATIVIDADE ........................................................................................................... 21 1.3.2. MEIA-VIDA FÍSICA ............................................................................................... 21 1.3.3. DOSE DE EXPOSIÇÃO ....................................................................................... 24 1.3.4. DOSE ABSORVIDA ............................................................................................. 24 1.3.5. DOSE EQUIVALENTE OU DOSE DE EFEITO ................................................... 24 1.4. TESTES ........................................................................................................................ 26 CAPÍTULO 2. RADIAÇÕES IONIZANTES II ..................................................................... 29 2.1. EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO IONIZANTE .............................................. 30 2.1.1. AÇÃO DIRETA E INDIRETA DA RADIAÇÃO...................................................... 30 2.1.2. RADIOSSENSIBILIDADE..................................................................................... 30 2.1.3. SÍNDROME AGUDA DAS RADIAÇÕES ............................................................. 31 2.1.4. OUTROS EFEITOS AGUDOS ............................................................................. 32 2.1.5. EFEITOS TARDIOS ............................................................................................. 33 2.1.6. ACIDENTES COM FONTES RADIOATIVAS ...................................................... 33 2.2. LIMITES PARA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE ........................................ 35 2.2.1. DIRETRIZES BÁSICAS DE RADIOPROTEÇÃO – CNEN NE 3.01 ................... 37 2.3. CONTROLE DA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE ....................................... 40 2.3.1. FONTE DE RADIAÇÃO EXTERNA ..................................................................... 40 2.3.1.1. TEMPO .....................................................................................................40 2.3.1.2. DISTÂNCIA ...............................................................................................40 2.3.1.3. BLINDAGEM .............................................................................................46 2.4. TESTES ........................................................................................................................ 54 CAPÍTULO 3. RADIAÇÕES IONIZANTES III .................................................................... 55 3.1. RADIAÇÃO INTERNA ................................................................................................. 56 Sumário ii 3.2. CONTAMINAÇÃO RADIOATIVA ................................................................................ 56 3.3. DESCONTAMINAÇÃO ................................................................................................ 58 3.4. DETECTORES DE RADIAÇÃO IONIZANTE ............................................................. 60 3.4.1. CÂMARA DE IONIZAÇÃO ................................................................................... 60 3.4.2. DETECTOR GEIGER MÜLLER ........................................................................... 60 3.4.3. DETECTOR DE CINTILAÇÃO ............................................................................. 61 3.4.4. CANETA DOSIMÉTRICA ..................................................................................... 61 3.4.5. FILME DOSIMÉTRICO ......................................................................................... 62 3.4.6. DOSÍMETRO TERMOLUMINESCENTE ............................................................. 62 3.5. TESTES ........................................................................................................................ 63 CAPÍTULO 4. RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES ............................................................... 65 4.1. A CIÊNCIA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE .......................................................... 66 4.1.1. IONIZAÇÃO E EXCITAÇÃO ................................................................................ 66 4.1.2. RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE .............................................................................. 67 4.1.2.1. ONDAS DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA (ELF) ......................... 71 4.1.2.2. ONDAS DE RÁDIO ...........................................................................................os dentistas solicitam ao paciente que segure o filme. Em termos de exposição à radiação ionizante, qual a diferença de o paciente ou o dentista segurar o filme? I. Caso o dentista segurasse o filme a sua dose anual seria maior que a do paciente, pois sua exposição é frequente. II. Não existe diferença na exposição, o procedimento é meramente operacional. III. O benefício recebido pelo paciente justifica a sua exposição e esta é eventual. IV. Caso o dentista segurasse o filme, ele estaria protegido apenas se estivesse com luvas. Assinale a alternativa com as afirmativas corretas: a) Apenas a I. b) Afirmativas I e II. c) Afirmativas I e III. d) Afirmativas II e IV. e) Todas as alternativas estão corretas. 8. Assinale Verdadeiro ou Falso: A radioatividade é definida como o fenômeno físico de emissão espontânea de radiação ionizante por núcleos atômicos instáveis. Este fenômeno e as propriedades radioativas de um núcleo dependem do estado físico ou químico em que este se apresenta. a) Verdadeiro. b) Falso. 9. Assinale Verdadeiro ou Falso: O elétron-volt é a energia adquirida por um elétron ao ser acelerado por uma diferença de potencial de 1 volt. a) Verdadeiro. b) Falso. 10. Assinale Verdadeiro ou Falso: A energia máxima com que os raios-X são emitidos é proporcional à diferença de potencial aplicada (voltagem de operação) e a intensidade do feixe é proporcional à corrente e à voltagem. a) Verdadeiro. b) Falso. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 29 CAPÍTULO 2. RADIAÇÕES IONIZANTES II OBJETIVOS DO ESTUDO Possibilitar a compreensão dos aspectos principais da proteção radiológica. Neste capítulo serão apresentados os efeitos biológicos, as normas básicas de proteção radiológica e os meios de controle das exposições. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: • Descrever os mecanismos de dano direto e indireto causado pela radiação ionizante no corpo humano; • Definir radiossensibilidade; • Definir efeito determinístico e efeito não-determinístico; • Definir e aplicar os princípios básicos de proteção radiológica na análise do risco de exposição à radiação ionizante; • Definir áreas livre, restrita, controlada e supervisionada; • Definir níveis de registro e de investigação; • Calcular o limite derivado para trabalhadores e indivíduos do público a partir do limite anual máximo admissível; • Explicar os princípios para controle da exposição à fonte externa de radiação ionizante; • Calcular a dose recebida por indivíduo exposto à fonte externa de radiação gama; • Calcular a distância para isolamento de área em operações com fonte externa de radiação gama; • Dado o coeficiente de atenuação linear, calcular a espessura da blindagem para fonte externa de radiação gama; • Calcular o número de camadas semirredutoras necessárias para blindagem de fonte externa de radiação gama. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 30 2.1. EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO IONIZANTE O primeiro efeito, que ocorre quase instantaneamente após a irradiação, é físico e consiste na ionização e excitação dos átomos e moléculas constituintes da célula. Os fragmentos gerados nesse processo (íons e radicais livres), altamente reativos e difusíveis, reagem quimicamente com as moléculas vizinhas e entre si. Essas reações dão origem a outras, nas quais macromoléculas, tais como proteínas, e cadeias metabólicas importantes sofrem alterações. Como resultado, ocorre a inibição ou retardo na síntese de constituintes essenciais da célula, especialmente aqueles necessários para manutenção da estrutura e funções celulares ou para divisão e crescimento. Essas alterações interferem temporariamente nas funções celulares ou, em casos mais extremos, causam a morte celular. 2.1.1. AÇÃO DIRETA E INDIRETA DA RADIAÇÃO A absorção da energia da radiação que ocorre por meio da ionização de outras moléculas protoplasmáticas que não a água, pode diretamente danificar estruturas celulares e comprometer funções vitais. A probabilidade de que as alterações em estruturas essenciais levem ao caos celular depende de sua importância dentro da célula, ou seja, quanto mais específicas, maior o dano. Quando as moléculas modificadas pela ionização são um ácido nucléico, uma enzima ou uma proteína, podem ocorrer efeitos específicos. A dissociação do ácido desoxirribonucleico danifica genes e, quando os danos não são adequadamente reparados, leva a mutações que são transmitidas para a próxima geração da célula irradiada. Uma forma indireta de danificar moléculas importantes, tal como o DNA, é mediante a produção de radicais livres no interior da célula. A ionização da água presente na célula, decorrente da absorção da energia da radiação, resulta na formação desses radicais que são altamente reativos. No caso de radiações com alta transferência linear de energia (elevada densidade de ionização), tal como as partículas alfa, os radicais são formados muito próximos, podendo reagir entre eles e formar peróxido de hidrogênio. Por ser altamente estável, o peróxido pode difundir-se para pontos remotos danificando moléculas ou células que não sofreram dano direto. 2.1.2. RADIOSSENSIBILIDADE A rápida e intensa resposta da matéria viva frente ao impacto de uma irradiação é denominada radiossensibilidade. Essa sensibilidade pode ser de uma célula, tecido ou indivíduo. A radiossensibilidade celular depende do estágio de divisão em que a célula se encontra, sendo máxima entre a última telófase e o começo da prófase seguinte, quando a cromatina oferece área superficial maior para irradiação. São mais sensíveis à radiação as células que possuem taxa mitótica mais alta e mantêm por mais tempo a capacidade de divisão. Outros fatores que aumentam a sensibilidade são a atividade metabólica elevada e o maior grau de especialização da célula. A presença de oxigênio em elevada concentração favorece a formação de peróxidos, conferindo maior sensibilidade à célula. Estas características explicam a classificação apresentada na tabela 2.1., onde a maior Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 31 radiossensibilidade é para as células precursoras de células sanguíneas, menos especializadas e com alta taxa mitótica. Tabela 2.1. Classificação das células segundo a radiossensibilidade. Radiossensibilidade Tipo de Célula Máxima Linfócitos, eritoblastos, mieloblastos, megacariócitos, epiteliais, basais da cavidade intestinal. Intermediaria Basais da pele, basais das glândulas secretoras, alveolares do pulmão, ductos biliares. Mínima Musculares, ósseas, cerebrais, nervosas, túbulos renais, endoteliais. A quantidade de células precursoras e de células diferenciadas, a capacidade de restauração e a frequência de mitoses são as características teciduais que influem na radiossensibilidade do tecido. A sensibilidade será aumentada em tecidos mais vascularizados e com concentração elevada de oxigênio, principalmente pelo favorecimento na formação dos peróxidos. Na tabela 2.2. nota-se que tecidos com quantidade elevada de células precursoras são os mais radiossensíveis. Tabela 2.2. Classificação dos tecidos segundo a radiossensibilidade. Radiossensibilidade Tipo de Tecido Máxima Leucócitos, formadores de sangue, endócrino. Intermediária Vasos sanguíneos, estruturas dérmicas, intestino,fígado, pâncreas. Mínima Rim, músculo, fibrocartilagem, osso, nervo, gordura. 2.1.3. SÍNDROME AGUDA DAS RADIAÇÕES Quando o corpo todo ou a maior parte dele é exposto a uma grande dose aguda de radiação penetrante (nêutrons, raios X e gama), desenvolve-se um quadro de afecções denominada síndrome aguda das radiações. A síndrome envolverá mais órgãos ou sistemas dependendo da dose recebida, e quanto maior a dose maior será o impacto sobre o organismo. Em função da sua gravidade, a síndrome aguda das radiações é subdividida em síndrome hematopoiética, síndrome gastrintestinal e síndrome do sistema nervoso central. Os sinais e sintomas comuns a todas as categorias são a ocorrência de náuseas e vômitos, mal-estar e fadiga, estado febril e contagem alterada de células sanguíneas. A síndrome apresenta-se em três estágios: inicial ou prodrômico, latência e doença manifesta. A rapidez com que a síndrome evolui de um estágio para outro depende da dose recebida pelo indivíduo, sendo que para as doses letais o período de latência não ocorre, evoluindo direto do estágio inicial para o da doença manifesta. A fase prodrômica, também denominada fase tóxica, é caracterizada pela ocorrência de náuseas e vômitos. A sua duração é de 1 a 2 dias, sendo que o período Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 32 tempo transcorrido entre a irradiação e o surgimento dos sintomas iniciais está diretamente relacionado com a magnitude da dose. Passada essa fase, o indivíduo sente-se relativamente bem, devido o abrandamento dos sintomas, porém internamente estão ocorrendo mudanças que irão produzir o quadro da doença manifesta. A extensão da fase de latência varia com a dose recebida, podendo ser de dias, semanas ou ainda nem ocorrer. A fase da doença manifesta corresponde à culminação das alterações que vinham se processando, desde a irradiação, na pele, tecidos hematopoiéticos e no revestimento do intestino delgado. Os sinais e sintomas associados a cada órgão ou sistemas mais diretamente envolvidos são: Pele: a epilação ocorre para doses a partir de 3,5 Gy, sendo completa e permanente em 7,5 Gy. A perda de pelos ou cabelos é mais evidente nas regiões do corpo que ficaram mais próximas da fonte de radiação; Órgãos Formadores de Sangue: seguindo doses relativamente baixas (acima de 2 Gy) há a atrofia da medula óssea, do baço e dos gânglios linfáticos. Em doses de 2 Gy ocorre a depressão medular e em 4 - 6 Gy há a aplasia medular. O decréscimo das células do sangue periférico depende do tempo de vida da célula em circulação e do tempo de maturação das células imaturas. Ocorre inicialmente uma leucopenia, ficando o organismo susceptível a infecções, particularmente na boca e garganta, podendo ocorrer pneumonia. A diminuição da quantidade de plaquetas circulante, leva a hemorragias na pele e nos tratos gastrintestinal, urinário e respiratório. As hemorragias podem ser pequenas, como as petéquias, ou profusas. Algumas semanas após, com queda na contagem de eritrócitos, a anemia fica evidente; Intestino Delgado: os distúrbios gastrintestinais aparecem em doses iguais ou superiores a 10 Gy como resultado da destruição das células epiteliais do intestino. Como as vilosidades ficam desnudadas ocorrem vômitos e diarréias com grande perda de líquidos, incapacidade de absorção de alimentos e infecções, decorrentes da invasão bacteriana nas paredes intestinais. Pode ocorrer insuficiência renal ou circulatória; Sistema Nervoso Centra (SNC): doses superiores a 20 Gy causam graves danos ao sistema nervoso central. Alguns minutos após a irradiação, ocorre a inconsciência, com o óbito acontecendo em horas ou poucos dias. Os sinais e sintomas específicos do comprometimento do SNC incluem ataxia, desorientação, choque e convulsões. O edema cerebral pode vir a ser um evento terminal. 2.1.4. OUTROS EFEITOS AGUDOS Em circunstâncias de irradiação parcial aguda, em que nenhum sistema ou órgão vital tenha sido exposto, efeitos localizados podem ser observados. Em face da sua localização no corpo a pele é o órgão que frequentemente recebe doses elevadas em irradiações acidentais. Para doses mais baixas (2 a 3 Gy) é observada a epilação. Entretanto, à medida que a dose aumenta, mais estruturas cutâneas são envolvidas ocorrendo eritema, radiodermatite, vesiculação, ulceração e necrose (>20 Gy). Nos olhos, Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 33 a inflamação da córnea e da conjuntiva pode ocorrer seguindo doses de vários Grays. A irradiação dos ovários ou dos testículos com doses de poucos Grays pode levar à esterilidade temporária, e em doses mais elevadas, à infertilidade. 2.1.5. EFEITOS TARDIOS Os efeitos tardios são decorrentes de uma única irradiação aguda e elevada ou exposição contínua a níveis de radiação mais baixos. Essa exposição contínua pode ser devida à irradiação externa ou como resultado da ingestão ou inalação de radioisótopos, que por sua similaridade química com metabólitos normais ficam depositados em tecidos ou órgãos. Durante o tempo de residência desses radioisótopos dentro do organismo, os tecidos ou órgãos são continuamente irradiados. Os efeitos tardios incluem o câncer, os efeitos hereditários e as cataratas. Os tipos de câncer observados com maior frequência são aqueles afetando o sistema hematopoiético, os pulmões, a tiroide, os ossos e a pele. 2.1.6. ACIDENTES COM FONTES RADIOATIVAS 1983 – Constituyentes, Argentina Morte de um indivíduo, seguindo uma excursão acidental durante a modificação do núcleo do reator. A dose recebida foi estimada ser 7 - 20 Gy de raios e 14 - 17 Gy de nêutrons. 1983 – Cidade Juarez, México Exposição de 300 a 500 indivíduos, dez dos quais a doses de 1 a 3 Gy. Não houve relato de mortes. A fonte consistiu de uma bomba de cobalto, armazenada inadequadamente, a qual foi levada junto com um carregamento de sucatas metálica e posteriormente convertida em aço processado. 1984 – Mohammedia, Marrocos Uma fonte de Irídio-192, usada em radiografia industrial, extraviou-se e foi achada por um transeunte que a levou para casa. Oito pessoas morreram em consequência da exposição à dose elevada de radiação. 1986 – Texas, Estados Unidos Duas mortes ocorreram em função de uma superexposição acidental em um acelerador linear de partículas (duas mortes adicionais ocorreram do mesmo mau funcionamento no Canadá e Yakima) 1986 – Chernobyl, antiga União Soviética Acidente ocorrido durante testes de engenharia no reator de potência, para os quais os sistemas de segurança foram desligados. Ocorreram duas mortes imediatas do pessoal envolvido na operação do reator, em decorrência da explosão. Cerca de 145 indivíduos sofreram de síndrome aguda da radiação, dos quais 29 morreram nos primeiros 3 meses. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 34 1987 – Goiânia, Brasil 13 de Setembro: Aparelho de radioterapia (bomba de césio) levado, de um prédio abandonado, por catadores de papel. Os catadores apresentam vômitos. 15 de Setembro: Um dos catadores procura assistência médica por causa de queimaduras na mão e antebraço. 19 de Setembro: O aparelho é vendido a um ferro-velho. 21 de Setembro: O dono do ferro-velho leva a maior parte da fonte para a sala da sua casa. A fonte, com atividade de 1375 Ci, é violada, deixando livre o cloreto de césio empastilhado. O donodistribui o pó a parentes e amigos, dando início a uma contaminação de 250 pessoas. Maria Gabriela Ferreira, esposa do dono do ferro-velho, é examinada em um hospital por apresentar vômitos e diarréia. 24 de Setembro: Leide das Neves Ferreira, 6 anos, passa o cloreto de césio em seu corpo e ingere um pouco do pó ao segurar com a mão contaminada o pão que comia. 28 de Setembro: A esposa do dono do ferro-velho, suspeitando que o mal-estar de seus familiares fosse devido ao pedaço da fonte, auxiliada por dois empregados leva este pedaço dentro de um saco plástico até o Centro de Vigilância Sanitária. 29 de Setembro: A CNEN é avisada do acidente, logo após a confirmação da suspeita. 30 de Setembro: Chegam à localidade o diretor da DIN da CNEN, acompanhado de dois técnicos, acionando o plano de emergência. 1 de Outubro: Seis pacientes são enviados ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. 3 de Outubro: Mais quatro pacientes são enviados para o Hospital Naval. 14 de Outubro: Um dos catadores teve o antebraço direito amputado. 23 de Outubro: Falece a esposa do dono do ferro-velho, Maria Gabriela Ferreira, e sua sobrinha, Leide das Neves Ferreira. 27 de Outubro: Um dos funcionários do ferro-velho que manuseou o equipamento vem a falecer. 28 de Outubro: Outro funcionário do ferro-velho que manipulou a fonte também falece. 1 de Outubro: Seis pacientes são enviados ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. 30 de Setembro a 20 de Dezembro: 112.800 pessoas foram monitoradas pela CNEN. Dessas, 1000 (não contaminadas) foram irradiadas com exposição acima da radiação natural. Cerca de 97% receberam doses entre 0,20 e 10 mGy. 249 pessoas apresentaram contaminação interna e/ou externa, das quais 49 tiveram que ser internadas. 21 dessas pessoas demandaram atendimento médico intensivo. 10 apresentaram estado grave com complicação, e 1 teve o seu antebraço amputado. Ocorreram 4 óbitos, 2 por hemorragia e 2 por infecção. A dosagem citogenética dos 20 pacientes com síndrome aguda da radiação foi: Grau I – 4 pacientes com dose entre 0,2 e 1 Gy Grau II – 3 pacientes com dose entre 1 e 2 Gy Grau III – 11 pacientes com dose entre 2 e 6 Gy (4 óbitos) Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 35 Grau IV – 2 pacientes com dose maior que 6 Gy 2.2. LIMITES PARA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE Os limites para exposição humana à radiação ionizante são estabelecidos para proteger tanto o trabalhador que tem contato direto com a fonte de radiação, quanto aquele cujo posto de trabalho ou área de trânsito é próxima à fonte. O primeiro é denominado indivíduo ocupacionalmente exposto e o segundo, indivíduo do público. Entretanto, a limitação da dose individual é o terceiro princípio das normas de proteção radiológica a ser considerado. O primeiro estabelece que a exposição deve ser justificada, ou seja, os benefícios devem ser comprovados e superar os danos eventualmente associados à prática. O segundo princípio determina que todos os esforços devem ser feitos para manter as doses o mais baixo que for praticável. Os limites ocupacionais de exposição foram fixados para prevenir os efeitos determinísticos e limitar a ocorrência dos efeitos não-determinísticos. As principais características dos efeitos determinísticos são: A curva dose resposta é sigmóide, ou seja, tem a forma de S. A gravidade do efeito aumenta suavemente até um valor de dose a partir do qual o aumento é mais acentuado chegando a um patamar de gravidade máxima, no qual acréscimos de dose não resultam em mudança na gravidade; Apresenta limiar de dose, abaixo da qual nenhum efeito é esperado; À medida que a dose aumenta, a gravidade do efeito aumenta até atingir o patamar, onde a gravidade é máxima; O indivíduo pode apresentar recuperação, quando o dano não é permanente. São efeitos determinísticos: a síndrome aguda das radiações, a catarata, a radiodermatite e a radionecrose. Os efeitos não-determinísticos apresentam as características: • A curva dose resposta é linear; • Não há limiar de dose, qualquer dose é eficaz para produzir o efeito; • À medida que a dose aumenta, a probabilidade de ocorrência do efeito aumenta; • O indivíduo não apresenta recuperação – irreversibilidade do efeito; • Uma única ionização pode dar origem ao efeito. Os principais efeitos não-determinísticos são o câncer e os efeitos hereditários. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 36 Quadro 2.1. Seguindo uma exposição da pele aos raios gama observou-se que dose absorvida inferior a 3Gy não resultava no aparecimento de sinais clínicos. Após receber uma dose absorvida de 3Gy de raios gama a pele irradiada apresentará eritema (avermelhamento). Ao aumentar a dose para 8Gy ocorrerá descamação seca. Aumentando para 15Gy ocorrerá a descamação úmida. Acima de 25Gy ocorrerá a necrose da pele. O efeito descrito acima é determinístico, ou não determinístico? Explicar. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 37 2.2.1. DIRETRIZES BÁSICAS DE RADIOPROTEÇÃO – CNEN NE 3.01 Princípios Básicos: Justificação: nenhuma prática deve ser autorizada a menos que sua introdução produza um benefício líquido positivo para a sociedade. Otimização: todas as exposições devem ser mantidas tão baixas quanto razoavelmente exequíveis, levando-se em conta fatores sociais e econômicos. Limitação da Dose Individual: as doses individuais de trabalhadores e indivíduos do público não devem exceder os limites anuais de dose equivalente estabelecidos na Norma. Limitação da Dose: Nenhum trabalhador deve ser exposto sem que seja necessário e, se for, que tenha conhecimento dos riscos e esteja devidamente treinado; Em exposições de rotina, nenhum trabalhador deve receber, por ano, doses equivalentes superiores aos limites da Tabela 2.3.; Nenhum indivíduo do público deve receber, por ano, doses superiores aos limites estabelecidos na Tabela 2.3.; Tabela 2.3. Limites primários anuais de dose equivalente. Dose Equivalente Trabalhador Indivíduo do Público Dose equivalente efetiva 50 mSv (5 rem)* 20 mSv (2 rem)** 1 mSv (0,1 rem) Dose equivalente para órgão ou tecido t 500 mSv (50 rem) 1 mSv/wt (0,1 rem/wt) Dose equivalente para pele 500 mSv (50 rem) 50 mSv (5 rem) Dose equivalente para cristalino 150 mSv (15 rem) 50 mSv (5 rem) Dose equivalente paras as extremidades 500 mSv (50 rem) 50 mSv (5 rem) *limite de dose para exposições eventuais **limite de dose para exposições frequentes Fonte: Diretrizes Básicas de Radioproteção – NE-3.01 – CNEN. Observação: extremidades são mãos, antebraços, pés e tornozelos. Wt é o fator de ponderação para tecido ou órgão t. A tabela 2.4. apresenta os riscos específicos a que indivíduos estão expostos segundo tecido/órgão afetado. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 38 Tabela 2.4. Fator de ponderação para órgão ou tecido t. Tecido/ Órgão Risco (Sv-1) Wt Gônadas 4,0x10-3 Risco genético para as duas primeiras gerações 0,25 Mama 2,5x10-3 Média para todas as idades e ambos os gêneros 0,15 Medula óssea vermelha 2,0x10-3 Leucemia 0,12 Pulmão 2,0x10-3Câncer 0,12 Tiroide 5,0x10-4 Câncer fatal 0,03 Superfície dos ossos 5,0x10-4 Osteossarcoma 0,03 Restante 5,0x10-3 Câncer, assumindo que nenhum tecido contribui com mais de 1/5 desse total 0,30 Total 1,6x10-2 1,00 Fonte: Diretrizes Básicas de Radioproteção – NE-3.01 – CNEN. Controle de Área: Área Livre: isenta de regras especiais, onde as doses equivalentes efetivas anuais (DEEA) não ultrapassam o limite primário para indivíduos do público. Área Restrita: sujeita a regras especiais, onde as condições de exposição podem ocasionar DEEA superiores a 2/100 do limite primário para trabalhadores. Área Controlada: área restrita onde as DEEA podem ser iguais ou superiores a 3/10 do limite primário para trabalhadores. Área Supervisionada: área restrita onde as DEEA são mantidas inferiores a 3/10 do limite primário para trabalhadores. Controle dos Trabalhadores: Nível de registro deve ser 1/10 da fração do limite anual aplicado ao período de monitoração; Nível de investigação deve ser 3/10 da fração do limite anual aplicado ao período de monitoração; Em áreas controladas as pessoas devem ser monitoradas individualmente; Imediatamente após exposições acidentais ou de emergência as doses devem ser avaliadas; Devem ser submetidos a controle médico, trabalhadores que receberem, em uma única exposição, dose superior a 2 vezes o limite primário. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 39 Quadro 2.2. A gamagrafia industrial é um ensaio não-destrutivo no qual é feita a radiografia de peças com uso de radiação gama, normalmente gerada por fonte de Irídio-192. Durante a operação a fonte é posicionada em um dos lados da peça e do lado diametralmente oposto é colocado um filme radiográfico. A exposição do filme à radiação gama produzirá a precipitação dos sais de prata, sendo o grau de enegrecimento do filme proporcional à quantidade de precipitado. Nas áreas mais espessas da peça passará menos radiação, consequentemente haverá menor precipitação e a coloração do filme será mais clara. Para efetuar a radiografia o operador posiciona o filme na face oposta da peça em relação à incidência da radiação, de modo que no filme aparecerão as características estruturais da peça. Nesta atividade o operador de gamagrafia industrial está frequentemente exposto à radiação gama. Calcular a taxa de dose equivalente em mSv/h (limite derivado), considerando uma jornada de 40 horas por semana e um total de 50 semanas por ano. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 40 2.3. CONTROLE DA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE 2.3.1. FONTE DE RADIAÇÃO EXTERNA As formas básicas de proteção contra a irradiação por uma fonte externa de radiação ionizante são: 2.3.1.1. Tempo A dose recebida pelo indivíduo é diretamente proporcional ao tempo de exposição, desse modo quanto menos tempo ele permanece junto à fonte de radiação menor será a sua dose. Por exemplo, se a taxa de dose equivalente a que um indivíduo estaria exposto fosse 100 Sv/h, teríamos as doses equivalente de 100 Sv para 1hora, 50 Sv para 30 minutos e 25 Sv para 15 minutos. tHH = • h Sv H = • 100 SvHh =→ 1001 SvH =→ 50min30 SvH =→ 25min15 2.3.1.2. Distância A dose varia aproximadamente com o inverso do quadrado da distância, então quanto maior a distância mantida entre o indivíduo e a fonte, menor é a dose recebida. No caso de fontes emissoras alfa e emissoras beta a distância em relação à fonte já é uma forma eficiente de proteção, posto que essas partículas têm um alcance relativamente curto, tendo sua energia absorvida pela camada de ar existente entre a fonte e o indivíduo. A relação da taxa de dose de exposição para uma fonte emissora gama é: 2d A X = • Onde: Γ = a constante de emissão específica de raios gama da fonte, a qual depende da energia e da quantidade de raios gama emitidos. A = a atividade da fonte. d = distância entre a fonte e o ponto de medição • X = taxa de dose de exposição Na tabela 2.5., são apresentados os valores da constante força da fonte, nas unidades do SI e antiga, para alguns dos radioisótopos mais utilizados. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 41 Tabela 2.5. Valores da constante Γ segundo o radionuclídeo. Radionuclídeo Γ Ckg-1m2Bq-1h-1 Rm2Ci-1h-1 Césio-137 2,30x10-15 0,33 Cobalto-60 9,19x10-15 1,32 Irídio-192 3,34x10-15 0,48 Iodo-131 1,53x10-15 0,22 Potássio-42 1,39x10-15 0,14 Rádio-226 5,75x10-15 0,825 Sódio-22 8,36x10-15 1,2 Sódio-24 12,80x10-15 1.84 Por exemplo, se a taxa de dose de exposição à qual o indivíduo estivesse exposto a 1 metro da fonte fosse 100 Ckg-1h-1, ao dobrarmos a distância esse valor seria reduzido a 25 Ckg-1h-1, ao triplicarmos seria 11,1 Ckg-1h-1 e ao quadruplicarmos seria 6,25 Ckg-1h-1. Quadro 2.3. Em decorrência de um acidente operacional, o operador do irradiador para esterilização de seringas descartáveis permaneceu a 50cm (0,5m) da fonte de Cobalto- 60, cuja atividade no dia era de 48.000 Curies, por um tempo estimado em 27 minutos. Qual a dose de exposição a que o trabalhador esteve exposto? Algum limite foi ultrapassado? Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 42 Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 43 Quadro 2.4. Ao realizar a atividade de gamagrafia de solda um dos procedimentos requeridos é o isolamento físico da área com uso de cordas, conhecido como balizamento. O objetivo é que as taxas de dose a partir da delimitação sejam tais que os limites anuais máximos admissíveis não sejam ultrapassados. Como a dose para trabalhadores e para indivíduos do público são diferentes, serão delimitadas duas áreas: a restrita (acesso permitido apenas para indivíduos ocupacionalmente expostos à radiação ionizante) e a livre (acesso livre para todos os trabalhadores). A dose para trabalhadores é maior do que para indivíduos do público, portanto, a distância para delimitação da área restrita será menor do que a distância para área livre. Sabendo que na operação de gamagrafia de solda é usada uma fonte de Irídio-192 com atividade no dia da operação de 30Ci, calcule a distância de balizamento para trabalhadores e indivíduos do público. Para o cálculo da distância o valor de dose equivalente a ser considerado deve ser o mais restritivo, ou seja, o menor valor, de modo que nenhum limite venha ser ultrapassado. O valor considerado é de dose equivalente efetiva. A exposição dos operadores de gamagrafia é frequente. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 44 Capítulo2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 45 Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 46 2.3.1.3. Blindagem Se o indivíduo tiver que trabalhar próximo à fonte por um longo período, a proteção mais eficiente é a blindagem da fonte ou a interposição de uma barreira. A atenuação de um feixe de raios gama é dada por: xeII −= 0 Onde: I = intensidade final do feixe de raios gama (após atravessar a blindagem). I0 = intensidade inicial do feixe de raios gama (antes de atravessar a blindagem). μ = coeficiente de atenuação linear do material, o qual é dependente da energia do raio gama. x = espessura do material. A intensidade inicial (I0) pode ser determinada a partir da relação: 2d A X = • O coeficiente de atenuação linear é uma medida da probabilidade que a interação do raio gama com o material ocorra, assim para uma dada energia quanto maior o número atômico do material, maior é essa probabilidade. Portanto, o termo e-μx representa o fator de redução do feixe de raios gama, o qual varia de 1 a 0. Ao ser aplicado sobre a intensidade inicial nos fornece o quanto sobrou após a interposição da barreira. Por exemplo, se o fator de redução é 0,25, isto significa que após interpor a barreira sobraram 25% dos raios gama que existiam inicialmente no feixe. Na tabela 2.6 são apresentados os valores do coeficiente de atenuação linear para água, alumínio e chumbo para alguns valores de energia de raio gama. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 47 Tabela 2.6. Valores de camada semirredutora segundo material e energia do raio gama. Energia (MeV) Água Alumínio Chumbo μ(cm-1) HVL (cm) μ(cm-1) HVL (cm) μ(cm-1) HVL (cm) 0,2 0,196 3,536 0,360 1,925 5,000 0,139 0,5 0,133 5,210 0,230 3,013 1,600 0,433 1,0 0,071 9,761 0,168 4,125 0,790 0,877 1,5 0,057 12,158 0,136 5,096 0,590 1,175 2,0 0,050 13,860 0,117 5,923 0,504 1,375 2,5 0,044 15,750 0,104 6,664 0,472 1,468 3,0 0,040 17,325 0,096 7,219 0,460 1,507 4,0 0,035 19,800 0,083 8,349 0,468 1,481 5,0 0,031 22,355 0,075 9,240 0,488 1,420 Quadro 2.5. Um irradiador usado para esterilização de seringas descartáveis irá operar com uma fonte de Cobalto-60 cuja atividade máxima será de 125000Ci. Para proteção dos trabalhadores que ficarão na sala de controle adjacente à sala de irradiação será construída uma parede de chumbo. Sabendo que a fonte ficará a 2m da parede, calcular a espessura de chumbo necessária para que a dose anual para trabalhadores não seja ultrapassada. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 48 Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 49 . Uma grandeza muito utilizada é a camada semirredutora ou HVL (Half Value Layer) que corresponde à espessura de material que reduziria a intensidade do feixe de radiação gama à metade. A relação entre a camada semirredutora e o coeficiente de atenuação linear é obtida ao substituir-se I por I0/2,: HVLeI I −= 0 0 2 Passando a exponencial para a esquerda e I0/2 para a direita temos: 2 2 0 0 == HVLHVL e I Ie Aplicando logarítimo neperiano em ambos os termos da equação temos: 2lnln =HVLe Segundo a propriedade dos logarítimos podemos passar o expoente para a frente do logarítimo: 2lnln =eHVL Como ln e = 1 e ln 2 = 0,693, substituindo na equação, temos: 693,0=HVL ou 693,0 =HVL Na tabela 2.6. são apresentados valores de camada semirredutora para água, alumínio e chumbo. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 50 A eficiência da blindagem para controle da exposição a fonte de externa de radiação gama pode ser notada no exemplo abaixo: h Sv H = • 1000 h Sv H = • 4000 h Sv HVL → 5001 h Sv HVL → 20001 h Sv HVL → 2502 h Sv HVL →10002 h Sv HVL →1253 h Sv HVL → 5003 h Sv HVL → 2504 h Sv HVL →1255 Neste exemplo verificamos que uma taxa de dose equivalente de 1000 Sv/h será reduzida a 125 Sv/h com 3 HVL, ao quadruplicarmos a taxa de dose, serão necessárias apenas mais 2 HVL para reduzi-la a 125 Sv/h. Quadro 2.6. Um irradiador usado para esterilização de seringas descartáveis irá operar com uma fonte de Cobalto-60 cuja atividade máxima será de 125000Ci. Para proteção dos trabalhadores que ficarão na sala de controle adjacente à sala de irradiação será construída uma parede de chumbo. Sabendo que a 2m da fonte a taxa de dose de exposição é 41250R/h, calcular quantas camadas semirredutoras será necessário para reduzir a taxa de dose de exposição a 0,001R/h. A partir do total de camadas semirredutoras obtidas no item anterior, calcular a espessura de água, alumínio e chumbo necessária para blindagem. Usar os valores correspondentes à energia de raio gama de 1,5MeV. Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 51 Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 52 Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 53 Capítulo 2. Radiações Ionizantes II ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 54 2.4. TESTES 1. Em um acidente ocorrido em 2005 com uma fonte de cobalto-60 utilizada para esterilização de seringas descartáveis, o operador ficou a 0,3 metro da fonte, durante 30 minutos. Qual a dose equivalente, em rem, recebida pelo operador nesse acidente, sabendo-se que a atividade da fonte em 2005 era 20.000Ci? a) 146.666 rem. b) 293.333 rem. c) 44.000 rem. d) 8.799.990 rem. e) 1.466.666 rem. 2. Para realização de uma operação de gamagrafia de solda com uma fonte de 12Ci de Irídio-192, deve ser feita a delimitação da área de acesso livre (indivíduos do público) e de acesso restrito (indivíduos ocupacionalmente expostos). Sabendo- se que o limite em taxa de dose de exposição para indivíduos do público é 0,00005R/h e para indivíduos ocupacionalmente expostos é 0,001R/h, quais os valores de distância para delimitação das áreas? a) 16 m para trabalhadores e 1520 m para indivíduos do público. b) 76 m para trabalhadores e 1520 m para indivíduosdo público. c) 16 m para trabalhadores e 339 m para indivíduos do público. d) 76 m para trabalhadores e 339 m para indivíduos do público. e) 76 m para trabalhadores e 678 m para indivíduos do público. 3. Deve ser construído um recipiente para transporte de fonte de Irídio-192 com capacidade máxima para 30Ci. Sabendo-se que fonte ficará uma distância de 10cm de cada parede do recipiente, qual a espessura de chumbo requerida para blindagem? Considerar no cálculo a taxa de dose de exposição para trabalhadores (0,001R/h). a) 8,86 cm. b) 17,95 cm. c) 16,17 cm. d) 32,75 cm. e) 35,90 cm. 4. Quantas camadas semirredutoras são necessárias para reduzir a taxa de dose de exposição de 100R/h à taxa de dose de exposição de 0,00005R/h? a) 7,3 camadas semirredutoras. b) 17,6 camadas semirredutoras. c) 27,6 camadas semirredutoras. d) 20,9 camadas semirredutoras. e) 2,1 camadas semirredutoras. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 55 CAPÍTULO 3. RADIAÇÕES IONIZANTES III OBJETIVOS DO ESTUDO Possibilitar a compreensão dos aspectos principais da proteção radiológica. Neste capítulo serão apresentados os conceitos de irradiação interna e contaminação radioativa, procedimentos de descontaminação, meios para controle do risco de irradiação interna e tipos de equipamentos para detecção das radiações ionizantes. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: • Definir irradiação interna e contaminação radioativa; • Descrever os mecanismos de contaminação radioativa; • Descrever os procedimentos para descontaminação interna e externa; • Descrever os meios para controle do risco de irradiação interna; • Definir os termos: meia-vida biológica e meia-vida efetiva; • Explicar os critérios técnicos para seleção de detectores de radiação ionizante; • Descrever os tipos de medidores de radiação ionizante e respectivos mecanismos para detecção da radiação. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 56 3.1. RADIAÇÃO INTERNA A irradiação interna é decorrente da ingestão, inalação ou absorção percutânea de material radioativo. A irradiação ocorre durante a passagem do material radioativo dentro do corpo e após a sua deposição em órgãos ou tecidos. Este material permanecerá irradiando os tecidos até sua completa eliminação pelo organismo. As formas de proteção adotadas quando existe o risco de irradiação interna visam prevenir o contato com o material radioativo, bem como a sua inalação ou ingestão. O tipo de controle ou de equipamento de proteção individual a ser adotado dependerá das características físico-químicas do radioisótopo. As formas de controle geralmente adotadas são: Uso de roupas, máscaras, luvas e sapatos para prevenir a contaminação da pele e a inalação de gases, vapores ou partículas radioativas; Manipulação de material radioativo em capelas ou sistemas enclausurados; Sistema de ventilação local exaustora provido de dispositivo de purificação do ar (filtros, lavadores de gases) nos locais de manipulação e ventilação geral nas áreas de trabalho. 3.2. CONTAMINAÇÃO RADIOATIVA A incorporação e subsequente retenção das substâncias radioativas em tecidos ou órgãos específicos do corpo resultam na irradiação dos locais em que se encontram concentrados, o que poderá causar danos. O tipo ou grau de dano causado depende da quantidade de isótopo radioativo depositado e da natureza (partículas carregadas, radiação eletromagnética, nêutrons) e energia da radiação emitida. As características físico-químicas do isótopo determinam a rota de entrada preferencial, o grau de retenção e o caminho percorrido dentro do corpo até sua excreção. As rotas de entrada para os radioisótopos são a inalação, ingestão e absorção percutânea. Após a sua ingestão ou inalação o isótopo é absorvido nos tratos digestivo e respiratório, atinge a corrente sanguínea e por meio dessa é distribuído pelo corpo, depositando-se em tecidos corpóreos. Em geral, os materiais insolúveis não são absorvidos e sua eliminação pelos tratos digestivo e respiratório é razoavelmente rápida. No caso de materiais insolúveis, dependendo do tamanho e forma dos aerodispersóides, eles podem ser removidos pela ação ciliar da mucosa do trato respiratório ou penetrarem nos sacos alveolares, ficando ali retidos. Apenas partículas com diâmetro igual ou inferior a 10 micrômetros atingem esse ponto dentro da árvore respiratória. Uma parte do material depositado nos alvéolos é capturada pelo sistema linfático e drenado para várias regiões do pulmão, podendo permanecer nos gânglios linfáticos por um longo período. Uma pequena fração pode atingir a corrente sanguínea e ser capturada pelo sistema reticulendotelial em várias regiões do corpo. O material insolúvel ingerido permanece no trato gastrintestinal, misturando-se ou fazendo parte do bolo fecal no intestino grosso, até ser eliminado. Entretanto, quando a substância ingerida é solúvel a absorção pelo sistema digestivo é eficiente, atingindo rapidamente a corrente sanguínea. Algumas substâncias, tal como o trítio, são prontamente absorvidas através da pele intacta, atingindo a corrente sanguínea. Nesse caso a rota dérmica é uma via importante de incorporação do radioisótopo. As demais substâncias depositam-se na pele, Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 57 irradiando-a até serem removidas. Nesse caso, o risco de incorporação é considerável apenas quando a pele que está em contato com a substância radioativa apresenta-se danificada (presença de cortes ou ferimentos). Os principais meios de eliminação do material incorporado são pelas fezes ou urina. A taxa de eliminação é normalmente expressa como meia-vida biológica, e depende da metabolização da substância pelo organismo. Essa grandeza é definida como o período de tempo necessário para que metade do material incorporado seja eliminada ou excretada. O risco total representado pela incorporação de radioisótopos depende da dose recebida, a qual é uma função da quantidade do material radioativo depositado. Portanto, a meia-vida efetiva corresponde ao período de tempo requerido para que a quantidade de material radioativo incorporado se reduza à metade. Essa quantidade irá variar em função da meia-vida física e da meia-vida biológica desse radioisótopo, segundo a relação: físicabiológica físicabiológica efetiva TT TT T 2/12/1 2/12/1 2/1 + = Na tabela 3.1. são apresentados a meias-vida e o local de deposição de alguns isótopos radioativos. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 58 Tabela 3.1. Meias-vida efetiva, biológica e física segundo o radionuclídeo e órgão de deposição. Isótopo Órgão T1/2física (dias) T1/2biológica (dias) T1/2efetiva (dias) H3 1 (óxido) Tecidos corpo 4,5x103 12 12 Na22 11 Corpo todo 950 11 11 P32 15 Ossos 14,3 1155 (257) 14,1 Cl36 17 Corpo todo 1,2x108 29 29 Ca45 20 Ossos 164 1,8x104(1,64x104) 162 Fe59 26 Baço 45,1 600 (800) 41,9 Co60 27 Corpo todo 1,9x103 9,5 9,5 Zn65 30 Corpo todo 245 933 194 Sr90 38 Ossos 1,0x104 1,8x104 (1,3x104) 6,4x103 I131 53 Tiroide 8 138 7,6 Cs137 55 Corpo todo 1,1x104 70 70 Ba140 56 Ossos 12,8 65 10,7 Ra226 88 Ossos 5,9x105 1,64x104(900)1,6x104 U234 92 Ossos 9,1x107 300(100) 300 U235 92 Rim 2,6x1011 15 (100) 15 Np239 93 Ossos 2,33 7,3x104 (3,9x104) 2,33 Pu239 94 Ossos 8,9x106 7,3x104 (6,5x104) 7,2x104 Pu241 94 Ossos 4,8x103 7,3x104 (6,5x104) 4,5x103 Fonte: adaptada da Publicação 2 do ICRP. Observação: T1/2biológica para o órgão crítico e para o corpo inteiro, em parênteses, quando diferente do órgão crítico. 3.3. DESCONTAMINAÇÃO O material radioativo deve ser removido ou eliminado do corpo o mais prontamente possível, a fim de reduzir a dose interna e externa que o indivíduo venha a receber. Na descontaminação pessoal externa adota-se métodos progressivamente agressivos, até a total remoção do material depositado. Este procedimento deve ser cuidadosamente realizado para preservar ao máximo a barreira mecânica proporcionada pela pele intacta. Os métodos, em ordem de agressividade, são apresentados na tabela 3.2. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 59 Tabela 3.2. Procedimentos para descontaminação externa segundo agressividade. Grau de Agressividade Método de Descontaminação Pessoal Externa I Jateamento com água II Água morna e sabão III Sabão abrasivo suave, escova macia e água IV Detergente V Mistura 50% detergente em pó e 50% fubá VI Solução quelante VII Ácido orgânico suave (ácido cítrico) Após a descontaminação externa, os indivíduos devem tomar um banho completo, com especial atenção para lavagem dos cabelos, mãos e unhas. Em caso de contaminação interna, o objetivo dos métodos adotados é reduzir a absorção e eliminar a maior parte retida no organismo. Os métodos de eliminação incluem a excreção renal dos materiais mais solúveis, eliminação nas fezes daqueles retidos no trato gastrintestinal ou secretados por via biliar e a exalação de gases e substâncias voláteis. Os procedimentos de descontaminação pessoal interna estão compreendidos em duas fases, a primeira de ordem mecânica e a segunda de natureza química. A fase mecânica intervém durante o período pré-metabólico e visa impedir a permanência da substância no organismo ou acelerar a sua excreção, sendo o procedimento dependente da rota de entrada da substância. Em caso de inalação de substâncias insolúveis administra-se expectorante comum. Quando há a ingestão de materiais radioativos procede-se à lavagem estomacal e administra-se purgantes e eméticos. A implementação fase química ocorre após a metabolização do material radioativo e visa aumentar a quantidade de material radioativo excretado, sendo que para cada isótopo adota-se um procedimento particular. Esses procedimentos incluem a diluição isotópica e administração de sais ou quelantes. No caso dos quelantes, a terapia é mais eficiente se for administrado logo após a contaminação ou no período em que estão nos tecidos moles, e ainda não foram complemente absorvidos. Na tabela 4.3. são apresentados os procedimentos adotados para algumas substâncias radioativas. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 60 Tabela 3.3. Procedimentos de descontaminação pessoal interna segundo o radioisótopo. Isótopo Procedimento Trítio Administração de diuréticos Aumento da ingestão de líquidos Césio Administração de adsorvente (azul da Prússia) Tálio Administração de adsorvente (azul da Prússia) Iodo Administração de iodeto de potássio Rádio Administração de EDTA (sal de cálcio e sódio) Estrôncio Administração de EDTA (sal de cálcio e sódio) Plutônio Administração de EDTA (sal de cálcio e sódio) Cádmio Administração de EDTA (sal de cálcio e sódio) 3.4. DETECTORES DE RADIAÇÃO IONIZANTE A radiação ionizante não pode ser detectada por nenhum dos sentidos humanos, sendo para tanto necessários instrumentos para sua detecção. Os detectores de radiação podem ser usados para medição das taxas de dose de radiação, por meio de leituras instantâneas, ou para quantificação da dose com leituras integradas no tempo total de exposição individual à radiação. A escolha do detector deve ser cuidadosa e levar em conta aspectos como o tipo de radiação, a energia, as taxas de dose máxima e mínima esperadas, condições de emissão da radiação (contínua ou em pulsos) e variável a ser avaliado (dose ou taxa de dose). Estes critérios são fundamentais, pois o uso de equipamento inadequado pode levar à subestimação dos níveis de radiação efetivamente existentes no local. 3.4.1. CÂMARA DE IONIZAÇÃO Em geral, esse detector consiste em uma câmara formada por dois discos paralelos. O espaço entre os discos é preenchido por volume de ar ou material equivalente. As faces externas são pintadas com tinta preta que proporciona o isolamento elétrico e previne a ocorrência de fuga de corrente. A radiação ao atravessar a câmara produz ionização no gás, sendo o número de íons coletados igual ao número de íons formados durante a irradiação. A corrente elétrica gerada é proporcional à intensidade do feixe de radiação eletromagnética. A câmara de ionização é um detector sensível a choques mecânicos, não possibilitando o seu uso em qualquer ambiente. É o mais indicado para avaliação de raios X, particularmente quando a fonte emite raios X em pulsos. 3.4.2. DETECTOR GEIGER MÜLLER O detector Geiger Müller consiste de um tubo metálico ou ampola de vidro preenchido com gás, podendo ser provido de extremidade ou lateral mais delgada (em geral mica). Ao atravessar o tubo, a partícula produz uma avalanche de ionizações, as quais geram um pulso elétrico. Cada partícula detectada produzirá um pulso elétrico, sendo o detector GM um excelente contador de partículas. Entretanto, como a amplitude Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 61 dos pulsos independe da ionização inicial, não há proporcionalidade com a energia da radiação e nem discriminação do tipo de radiação detectada. Este detector é o mais amplamente utilizado, por ser versátil e apresentar maior resistência a choques mecânicos. Pode ser usado na detecção de partículas alfa e beta, e de raios gama e X. 3.4.3. DETECTOR DE CINTILAÇÃO O detector de cintilação é constituído por um cristal, geralmente iodeto de sódio com impurezas de tálio e um tubo fotomultiplicador. O tubo fotomultiplicador possui na face de entrada, em contato com o cristal, um cátodo fotossensível. Ao longo do seu corpo possui uma série de placas paralelas, denominadas dinodos. Na extremidade de saída está localizado o ânodo. A radiação eletromagnética ao ser absorvida pelo cristal é reemitida na forma de luz visível, sendo a sua quantidade proporcional à energia da radiação incidente. Essa luz é dirigida para o cátodo, no qual a absorção da luz resultará na emissão de elétron. Os elétrons incidentes ao colidirem com o primeiro dinodo geram mais elétrons, que colidem no segundo dinodo gerando mais elétrons e assim sucessivamente até serem coletados no ânodo. Esse efeito multiplicador de elétrons a cada colisão, é responsável pela amplificação da corrente possibilitando a sua leitura pelo medidor. Esse tipo de detector pode ser danificado quando submetido a choques mecânicos, o que restringe o seu uso a condições de campo mais controladas. Por sua sensibilidade (permite detectar baixos níveis de radiação) e precisão é muito utilizado em medicina nuclear (procedimentos de radioterapia e de diagnóstico com uso de radiofármacos). Os cintiladores são também usados como medidoresde corpo inteiro para detecção e quantificação das doses internas decorrentes da incorporação de fontes radioativas. 3.4.4. CANETA DOSIMÉTRICA A caneta dosimétrica, ou eletroscópio, consiste em uma câmara selada e preenchida com gás, provida de dois eletrodos de fibra de quartzo, sendo um fixo e o outro móvel. Na extremidade de leitura é possível visualizar a escala, ao longo da qual o eletrodo móvel se desloca, registrando a dose. Quando o eletroscópio é carregado, os dois eletrodos ficam juntos, representando o zero na escala. À medida que ocorrem ionizações no interior da câmara, o eletroscópio é descarregado, sendo a descarga proporcional à intensidade de ionização produzida. Este instrumento é adequado para leitura diária de dose, a qual pode ser requerida em situações de ingresso eventual e não rotineiro em áreas controladas (onde estão as fontes de radiação). As principais desvantagens apresentadas por esse detector são a impossibilidade de calibração com ajuste da escala e a leitura de falsa dose, decorrente da sua descarga por meio de choques mecânicos, umidade e fuga de corrente. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 62 3.4.5. FILME DOSIMÉTRICO Consiste em dois filmes radiográficos, encerrados em invólucro de plástico ou de metal. À medida que o filme absorve a energia da radiação ocorre a precipitação dos sais de prata presentes na emulsão, aumentando a sua densidade óptica (enegrecimento do filme). A mudança na densidade óptica é proporcional à dose absorvida da radiação. A leitura da dose é feita com um densitômetro fotoelétrico, que mede a densidade óptica do filme. A correspondência entre essa grandeza e a dose é obtida por meio da curva de calibração do filme que contém a relação entre dose e densidade óptica. Este dosímetro pode ser usado tanto para partículas beta e nêutrons, quanto para raios X e gama. 3.4.6. DOSÍMETRO TERMOLUMINESCENTE Certos cristais como, fluoreto de cálcio dopado com magnésio e fluoreto de lítio, ao serem expostos à radiação ionizante e posteriormente aquecidos emitem luz. Por esta característica tais cristais são denominados termoluminescentes. A absorção da energia da radiação excita os átomos no cristal. O aquecimento do cristal produz a desexcitação dos átomos com a emissão de luz. A quantidade total de luz é proporcional ao número de elétrons excitados que, por sua vez, é proporcional à quantidade de energia absorvida da radiação. A correspondência entre a quantidade de luz e a dose é obtida por meio da curva de calibração do cristal. Os dosímetros termoluminescentes podem ser usados para medida de dose associada à exposição a partículas beta, elétrons, prótons, raios X e raios gama. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 63 3.5. TESTES 1. A irradiação é denominada interna quando o material radioativo encontra-se dentro do corpo. Assinale a alternativa incorreta: a) Uma das medidas de controle especificamente voltada para prevenir a entrada no corpo do material radioativo em forma de poeira é o uso de EPIs. b) Após a deposição do material radioativo nos órgãos ou tecidos é que se dá início à irradiação, porque durante o trânsito dentro do corpo a passagem é rápida e a dose é dependente do tempo de exposição. c) As principais formas pelas quais o material radioativo pode ingressar dentro do corpo é a inalação, a ingestão e a absorção percutânea. d) O tipo de controle ou de equipamento de proteção individual a ser adotado para prevenir a irradiação interna dependerá das características físico-químicas do radioisótopo. e) O uso de sistemas enclausurados para manipulação de material radioativo é a forma de controle preferencial contra a irradiação interna. 2. A contaminação radioativa é a deposição de material radioativo na superfície e dentro do corpo. As características físico-químicas do isótopo determinam a rota de entrada preferencial, o grau de retenção e o caminho percorrido dentro do corpo até sua excreção. Em relação à contaminação radioativa é correto afirmar: a) No caso de materiais insolúveis, apenas partículas com diâmetro igual ou inferior a 20 micrômetros penetrarem nos sacos alveolares, ficando ali retidos. b) O material insolúvel ingerido permanece no trato gastrintestinal, misturando-se ou fazendo parte do bolo fecal no intestino delgado, até ser eliminado. c) As principais formas pelas quais o material radioativo pode ingressar dentro do corpo é a inalação e a ingestão. d) Os principais meios de eliminação do material incorporado são pelas fezes, urina e suor. e) A taxa de eliminação é normalmente expressa como meia-vida biológica, e depende da metabolização da substância pelo organismo. 3. Em relação à descontaminação, assinale a alternativa incorreta: a) A fase mecânica intervém durante o período pré-metabólico e visa impedir a permanência da substância no organismo ou acelerar a sua excreção b) A implementação fase química ocorre após a metabolização do material radioativo e visa aumentar a quantidade de material radioativo excretado. c) Em caso de inalação de substâncias insolúveis administra-se expectorante comum. d) Os métodos de eliminação incluem a excreção renal dos materiais insolúveis. e) Quando há a ingestão de materiais radioativos procede-se à lavagem estomacal e administra-se purgantes e eméticos. Capítulo 3. Radiações Ionizantes III ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 64 4. Na descontaminação pessoal externa adota-se métodos progressivamente agressivos, até a total remoção do material depositado. Marque o grau de agressividade (de I a VII), sendo I o menos agressivo e VII o mais agressivo. ( ) Ácido orgânico suave (ácido cítrico). ( ) Mistura 50% detergente em pó e 50% fubá. ( ) Solução quelante. ( ) Sabão abrasivo suave, escova macia e água. ( ) Jateamento com água. ( ) Água morna e sabão. ( ) Detergente. a) VII, V, VI, III, I, II, IV. b) VII, VI, V, IV, I, II, III. c) VII, IV, VI, III, II, I, V. d) V, IV, III, VI, VII, I, II. e) VII, VI, IV, III, II, I, V. 5. Em relação aos detectores de radiação, assinale a alternativa incorreta: a) O detector Geiger-Muller pode ser usado na detecção de partículas alfa e beta, de raios gama e raios X contínuo. b) Os dosímetros termoluminescentes podem ser usados para medida de dose associada à exposição a todos os tipos de radiação ionizante. c) O filme dosimétrico pode ser usado para medida de dose tanto para partículas beta e nêutrons, quanto para raios X e gama. d) A câmara de ionização é um detector sensível a choques mecânicos, não possibilitando o seu uso em qualquer ambiente. e) A escolha do detector deve levar em conta o tipo de radiação, a energia, as taxas de dose máxima e mínima esperadas, as condições de emissão da radiação e a variável a ser avaliada. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 65 CAPÍTULO 4. RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES OBJETIVOS DO ESTUDO Neste capítulo são analisados os efeitos nocivos das radiações não ionizantes. Denominamos de radiação não ionizante à radiação com frequência inferior a 1016 Hz, cujos efeitos à saúde são diferentes daqueles causados pela radiação ionizante e, portanto, exigem outras ações corretivase de controle. À medida que a ciência e a tecnologia evoluem, novos problemas ocupacionais são criados. Como exemplo temos os problemas associados a forno de microondas, a terminais de vídeo ou a apontadores de laser. Não existem ainda evidências indicando que estes problemas são significativos, mas os cientistas continuam a pesquisar as possibilidades. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: • Definir radiação não ionizante; • Listar os principais tipos de radiação não ionizante que são nocivos ao ser humano; • Descrever os instrumentos disponíveis para medir a radiação não ionizante; • Apresentar várias maneiras pelas quais se pode reduzir os efeitos danosos da radiação não ionizante. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 66 4.1. A CIÊNCIA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE 4.1.1. IONIZAÇÃO E EXCITAÇÃO Em um átomo, os elétrons são encontrados girando ao redor do núcleo, distribuídos não de uma forma aleatória, mas sim em camadas ou orbitais eletrônicos (Figura 5.1). Cada uma dessas camadas é ocupada por um número específico de elétrons, os quais são mantidos presos ou ligados com uma determinada quantidade de energia (energia de ligação). Esta energia de ligação varia com o inverso da distância do orbital ao núcleo. Desse modo quanto mais próximo do núcleo estão os elétrons, maior é a energia que os mantém ligados ao átomo e mais fortemente presos eles estão. Em condições normais, o elétron ocupa o nível mais baixo de energia dentro da respectiva camada (estado fundamental), ou seja, aquele em que ele possui a menor energia, pois este confere maior estabilidade eletrônica ao átomo. Se por meios externos cedemos uma certa quantidade de energia ao elétron, este passará a executar uma órbita de raio maior (mais afastada do núcleo), e assim ocupando um nível superior (estado excitado) dentro da camada. Este processo físico, no qual o elétron ao absorver energia passa a ocupar orbitais mais externos, é conhecido como excitação eletrônica. No caso acima, se a energia fornecida é superior a energia de ligação da camada, o elétron será levado a executar uma órbita com raio tão grande que este não fica mais sob a influência do campo elétrico do núcleo. Nesta condição o elétron é removido do átomo. Este processo físico, no qual o elétron ao absorver energia afasta-se da influência do campo elétrico nuclear a ponto de ser removido, é conhecido como ionização. O elétron livre e o átomo positivamente carregado resultantes são denominados par iônico. A quantidade de energia necessária para ionizar o elétron mais fracamente ligado ao átomo é chamada de potencial de ionização. Radiação pode ser, portanto, entendida como a energia que é transmitida por ondas eletromagnéticas ou por partículas subatômicas e que poderá causar apenas a excitação eletrônica de átomos e moléculas (radição não ionizante) ou ser capaz também de ionizá-los (radição ionizante). As radiações eletromagnéticas são oscilações em fase e perpendiculares entre si dos campos elétricos e magnéticos, que autossustentando-se, se propagam na velocidade da luz (c, que no vácuo corresponde a 300.000 km/s) e que diferem entre si apenas pelo comprimento de onda () e por sua frequência (f). Já as radiações corpusculares consistem de feixes de partículas subatômicas, tais como elétrons, prótons, nêutrons, emitidas por núcleos de átomos instáveis. Esta energia corpuscular, capaz de ionizar o meio, é a energia cinética ou de movimento, e, portanto, diretamente proporcional ao quadrado da velocidade da partícula. http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81tomo http://pt.wikipedia.org/wiki/Mol%C3%A9cula http://pt.wikipedia.org/wiki/Ion http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscila%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Fase_(f%C3%ADsica) http://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_el%C3%A9trico http://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_magn%C3%A9tico http://pt.wikipedia.org/wiki/Feixe_(f%C3%ADsica) http://pt.wikipedia.org/wiki/El%C3%A9tron http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%B3ton http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%AAutron Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 67 Figura 4.1. Representação de um átomo com elétrons girando ao redor de seu núcleo e do núcleo atômico composto por prótons e neutrons Apesar de serem menos nocivas do que as radiações ionizantes, as radiações não ionizantes podem levar à ocorrência de lesões ou doenças em exposições sem controle. Outro ponto relevante e que dificulta seu controle é o fato das radiações serem invisíveis (com exceção da parte visível do espectro eletromagnético) e de difícil detecção pelas pessoas através de seus outros sentidos. A Figura 4.2 abaixo resume os principais tipos de radiação existentes: Figura 4.2. Classificação dos tipos de radiação 4.1.2. RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE O espectro eletromagnético é composto por todos os tipos de radiação. A Figura 4.3 apresenta parte do espectro eletromagnético. As radiações com comprimentos de onda inferiores a 100 nm são consideradas ionizantes, como por exemplo, a radiação cósmica, gama e raios X. A parte não ionizante do espectro é composta das radiações ultravioleta, visível, infravermelha, microondas, ondas de televisão, ondas de rádio e ELF (“extra low frequency” ou ondas de frequência muito baixas). R A D I A Ç Ã O ELETROMAGNÉTICA CORPUSCULAR • ELF • RADIOFREQUÊNCIA • MICROONDAS • INFRAVERMELHO • LUZ VISÍVEL • ULTRAVIOLETA • RAIOS X • RAIOS GAMA (γ) • PARTÍCULAS ALFA (α) • PARTÍCULAS BETA (β) • NÊUTRONS NÃO IONIZANTE IONIZANTE Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 68 Figura 4.3. O Espectro Eletromagnético e os TLVs relacionados * Os limites entre as regiões são adotados por convenção e não devem ser considerados como linhas divisórias absolutas. A Tabela 4.1 apresenta as radiações não ionizantes, em ordem crescente de comprimento de onda. Tabela 4.1. Radiação não ionizante e suas denominações em função dos parâmetros comprimento de onda e frequência. Nome Comprimento de onda Frequência Ultravioleta UVC 100 a 280 nm 30,0x1014 a 10,7x1014 Hz Ultravioleta UVB 280 a 315 nm 10,7x1014 a 9,5x1014 Hz Ultravioleta UVA 315 a 400 nm 9,5x1014 a 7,5x1014 Hz Visível * 400 a 760 nm 7,5x1014 a 3,9x1014 Hz Infravermelho IVA 760 nm a 1,4 m 3,9x1014 Hz a 2,1x1014 Infravermelho IVB 1,4 a 3 m 2,1x1014 Hz a 1,0x1014 Infravermelho IVC 3 m a 1 mm 1,0x1014 Hz a 300 GHz Microondas 1mm a 1 m 300 GHz a 300 MHz TV, FM, AM, CB 300 MHz a 300 Hz ELF 300 Hz a 1 Hz Observação: até o infravermelho é mais comum classificar a radiação em termos do comprimento de onda; para os comprimentos maiores costuma-se usar a frequência. * Na literatura encontra-se também a faixa de 380 a 780 nm para a luz visível. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 69 Quadro 4.1. Qual a diferença entre excitação eletrônica e ionização? Como o produto do comprimento de onda pela frequência é constante (igual a velocidade de propagação da onda eletromagnética no vácuo de 300.000 km/s), à medida que o comprimento de onda aumenta, diminui proporcionalmente a frequência. Quanto maior a frequência,maior a energia associada à radiação eletromagnética, que segundo a teoria dos “Quanta” desenvolvida por Max Planck em 1901 pode ser quantificada pela seguinte fórmula: E = h · ν Se considerarmos ν = f = c / λ, então: E = h · c / λ, sendo: E = Energia em erg h = constante de Planck (6,62·10-27 erg·s) c = velocidade da luz (3·1010 cm/s) (m/s) λ = comprimento de onda (cm) São características importantes das radiações eletromagnéticas, como destacadas as seguintes: • No vácuo propagam-se em linha reta quando não há interação com a matéria; • Conservam sua energia durante a propagação no vácuo; • Ao interagir com a matéria podem ser transmitidas, refletidas, absorvidas e espalhadas; • Atenuam a intensidade com o quadrado da distância da fonte emissora. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 70 Figura 4.4. Representação da interação da radiação eletromagnética com a matéria A atenuação pode ser entendida como a perda gradual de intensidade da radiação eleromagnética conforme seu distanciamento da fonte e obedece a “Lei do quadrado das distâncias”, ou seja: I(d2) = I(d1) · (d1/d2) Onde: I(d1) = intensidade da radiação eletromagnética a uma distância d1 da fonte I(d2) = intensidade da radiação eletromagnética a uma distância d2 da fonte Figura 4.5. Representação do fenômeno de atenuação da radiação eletromagnética Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 71 A transmissão (e respectivamente absorção) da radiação eletromagnética pela matéria pode ser equacionada da seguinte forma: xk eII − = 0 Em que: It = radiação transmitida I0 = radiação incidente e = número de Euler x = espessura do material kλ = coeficiente de absorção do material para o comprimento de onda 4.1.2.1. ONDAS DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA (ELF) Junto ao início da escala de frequências tem-se as ondas elétricas, que são geradas a partir da conversão de energia mecânica em energia elétrica. Os geradores para uso domiciliar produzem energia na frequência de 60 Hz, a qual pode ser transmitida a centenas de quilômetros através de fios condutores. São ondas de frequência extremamente baixa, cuja sigla ELF deriva dos termos “extra low frequency”. Um valor arbitrário de 104 Hz separa em princípio as ondas elétricas (abaixo de 104 Hz) das ondas de rádio (acima de 104 Hz). Todavia algumas aplicações elétricas usam frequências acima deste valor e alguns usos de radiofrequência se localizam abaixo deste valor limítrofe. Segundo a ACGIH por exemplo, as ELF se extendem até a frequência de 300 Hz [105]. 4.1.2.2. ONDAS DE RÁDIO As ondas de rádio e de televisão são utilizadas como transmissoras de sinais, e nós “ouvimos” o rádio ao sintonizar uma dada frequência. Grandes faixas (bandas) de frequência são alocadas para tipos particulares de transmissores de sinais, de modo que a TV usa uma banda de alta frequência enquanto a CB usa uma frequência mais baixa. As rádios AM e FM usam bandas intermediárias, entre a TV e a CB. O poder emissivo destas ondas de rádio é muito baixo e ainda não se conhece efeito danoso à saúde. São radiações de grande comprimento de onda e baixa frequência e que podem ser classificadas conforme apresentado na Tabela 5.2: Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 72 Tabela 4.2. Classificação de Radiofrequência (RF) Abreviação Designação Frequência VLF Muito baixa frequência, “very low frequency” 3 a 30 kHz LF Baixa frequência, “low frequency” 30 a 300 kHz MF Média frequência, “medium frequency” 300 kHz a 3MHz HF Alta frequência, “high frequency” 3 a 30 MHz VHF Muito alta frequência, “very high frequency” 30 a 300 MHz As radiofrequências podem também ser utilizadas em aplicações médicas, em equipamentos de aquecimento elétrico, existindo muitas aplicações usando aquecedores de alta frequência. Na metalmecânica tem sido usado aquecimento via ondas de rádio para endurecimento de dentes de engrenagens e superfícies de rolamentos, bem como para recozimento, fusão e soldagem. Nas fábricas de madeira tem sido usada para laminação e colagem em geral. Na indústria alimentícia o aquecimento por radiofrequência tem sido usado para esterilização de contêineres e eliminação de bactérias. Outras aplicações incluem radionavegação, comunicação da marinha e aeronáutica, monitor de vídeo moldagem de plásticos, vulcanização de borrachas, imposição de torção em têxteis e vedação térmica. Nestes aquecedores de altas frequências, um retificador transforma a corrente alternada de 60 Hz para corrente contínua. Em seguida, um gerador transforma a corrente contínua em energia na forma de radiofrequência. A frequência gerada é utilizada para aquecimento e se localiza na da faixa de 200 kHz a vários MHz, dependendo da aplicação. 4.1.2.3. MICROONDAS A radiação de microondas se localiza entre o infravermelho distante e as ondas de rádio, tendo sido uma das últimas a serem criadas no laboratório e terem aplicação comercial. Dependendo da faixa de frequência, as microondas podem ser classificadas como mostra a Tabela 4.3. Tabela 4.3. Classificação das Microondas Abreviação Designação Frequência UHF Ultra alta frequência, “ultra high frequency” 300 MHz a 3GHz SHF Super alta frequência, “super high frequency” 3 a 30 GHz EHF Extra alta frequência, “extremely high frequency” 30 a 300 GHz A energia de microondas é uma forma muito conveniente de aquecimento e em determinadas situações apresenta várias vantagens sobre outras fontes de calor. É limpa, flexível e reage instantaneamente ao mecanismo de controle. Além disso, impede Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 73 que os produtos de combustão ou o calor convectivo sejam adicionados ao ambiente de trabalho. A facilidade com que esta energia é convertida em calor proporciona altas taxas de conversão e aquecimento. Além de aquecimento doméstico e industrial (por exemplo em fornos), secagem e desidratação, encontramos outras aplicações de microondas na esterilização, vulcanização, radiodifusão FM, televisão, comunicação, ressonância magnética e radares. 4.1.2.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA A região do infravermelho se estende aproximadamente desde o vermelho visível (cerca de 750 nm) até a região de microondas (1 mm). A exposição a raios infravermelhos pode ocorrer para qualquer superfície que esteja a uma temperatura inferior a da superfície emissora, ocorrendo transferência de calor radiante quando a energia emitida por um corpo é absorvida por outro. A radiação infravermelha tem inúmeras aplicações associadas a aquecimento, e industrialmente pode-se citar. Secagem e cozimento de tintas, vernizes, adesivos, esmaltes, etc. Aquecimento de partes metálicas para ajuste na montagem, fundição, etc. Desidratação de têxteis, papel, couro, carnes, vegetais, potes de argila, etc. Descongelamento de vagões de mina no inverno de modo que possam ser descarregados. A radiação infravermelha é percebida pela pele como uma sensação de calor, com o aumento de temperatura da epiderme dependendo do comprimento de onda, do tempo de exposição e da quantidade total de energia transferida ao tecido. Conforme apresentado71 4.1.2.3. MICROONDAS .................................................................................................. 72 4.1.2.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ........................................................................ 73 4.1.2.5. RADIAÇÃO VISÍVEL ......................................................................................... 73 4.1.2.6. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA............................................................................ 73 4.1.2.7. LASER ............................................................................................................... 74 4.1.2.8 RADIAÇÃO SOLAR ............................................................................................ 75 4.2. A NATUREZA DO PROBLEMA .................................................................................. 77 4.2.1. RADIAÇÃO DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA (ELF) ...................... 77 4.2.2. ONDAS DE RÁDIO .............................................................................................. 77 4.2.3. MICROONDAS ..................................................................................................... 78 4.2.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ........................................................................... 78 4.2.5. RADIAÇÃO VISÍVEL ............................................................................................ 79 4.2.6. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ............................................................................... 80 4.2.7. LASER .................................................................................................................. 81 4.2.8. TERMINAIS DE VÍDEO ........................................................................................ 81 4.3. EXEMPLOS REAIS ..................................................................................................... 82 4.3.1. O PROBLEMA DOS CAMPOS MAGNÉTICOS................................................... 82 4.3.2. CAMPOS MAGNÉTICOS E LEUCEMIA.............................................................. 82 4.4. LIMITES ADMISSÍVEIS ............................................................................................... 84 4.4.1. RADIAÇÃO DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA (ELF) ...................... 84 4.4.2. MICROONDAS E ONDAS DE RÁDIO ................................................................. 84 4.4.3. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ........................................................................... 85 4.4.4. RADIAÇÃO VISÍVEL ............................................................................................ 85 4.4.5. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ............................................................................... 86 4.4.6. LASER .................................................................................................................. 86 4.5. METODOLOGIA DE MEDIÇÃO .................................................................................. 86 4.5.1. RADIÔMETROS ................................................................................................... 86 Sumário iii 4.5.2. FOTÔMETROS .................................................................................................... 87 4.5.3. MÉTODOS MISTOS ............................................................................................. 88 4.6. AÇÕES CORRETIVAS ................................................................................................ 89 4.6.1. ONDAS DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA ....................................... 89 4.6.2. RADIOFREQUÊNCIA ........................................................................................... 89 4.6.3. MICROONDAS ..................................................................................................... 89 4.6.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ........................................................................... 90 4.6.5. RADIAÇÃO VISÍVEL ............................................................................................ 90 4.6.6. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ............................................................................... 90 4.6.7. LASERS ................................................................................................................ 91 4.6.8. TERMINAIS DE VÍDEO ........................................................................................ 91 4.7. CASOS REAIS ............................................................................................................. 91 4.7.1. LÂMPADAS DE VAPOR DANIFICADAS ............................................................. 91 4.8. TESTES ........................................................................................................................ 93 CAPÍTULO 5. CONCEITOS EM AGENTES BIOLÓGICOS .............................................. 95 5.1. INTRODUÇÃO AOS AGENTES BIOLÓGICOS ......................................................... 96 5.2. CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS BIOLÓGICOS .......................................................... 99 5.3. CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE RISCOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS..... 102 5.4. LABORATÓRIO DE BIOSSEGURANÇA ................................................................. 111 5.5. TESTES ...................................................................................................................... 112 CAPÌTULO 6. AGENTES BIOLÓGICOS INSTRUMENTAÇÃO ..................................... 114 6.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 115 6.2. BIOAEROSOL ........................................................................................................... 115 6.3. MÉTODOS PARA COLETA DE MICRORGANISMOS NO AR ........................ 116 6.3.1 FILTRAÇÃO ......................................................................................................... 116 6.3.2 IMPACTAÇÃO ..................................................................................................... 117 6.3.3 AMOSTRAGEM EM MEIO ÚMIDO OU LÍQUIDO .............................................. 118 6.3.4 AMOSTRAGEM PASSIVA DE BIOAEROSSÓIS ............................................... 119 6.3.4.1PLACAS DE SEDIMENTAÇÃO ............................................................... 120 6.3.5 AMOSTRAGEM DE SUPERFÍCIES ................................................................... 120 6.3.5.1 SWABS ................................................................................................... 121 6.3.5.2 ASPIRAÇÃO A VÁCUO .......................................................................... 121 6.4. METODOLOGIAS DE ANÁLISE DE AMOSTRAS MICROBIOLÓGICAS DE AR123 6.4.1 MEIO NUTRITIVO DE CULTURA ....................................................................... 123 6.4.2 MICROSCOPIA ................................................................................................... 123 6.4.3 BIOLOGIA MOLECULAR .................................................................................... 123 6.5. PREPARAÇÃO PARA A AMOSTRAGEM DE BIOAEROSSÓIS – ESTRATÉGIA124 6.6. PADRÕES E DIRETRIZES PARA AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXPOSIÇÃO A BIOAEROSSÓIS ............................................................................................................... 124 6.7 TESTES ....................................................................................................................... 126 CAPÌTULO 7. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO AO CALOR ................... 128 Sumário iv 7.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 129 7.2. MECANISMOS DE TROCAS TÉRMICAS ................................................................ 129 7.3. REAÇÕES DO ORGANISMO AO CALOR ............................................................... 130 7.4. CLASSIFICAÇÃOanteriomente na Tabela 4.1, a radiação infravermelha costuma ser subdividida em Infravermelho A (IVA), Infravermelho B (IVB) e Infravermelho C (IVC). 4.1.2.5. RADIAÇÃO VISÍVEL A faixa visível do espectro eletromagnético tem comprimentos de onda entre 400 a 760 nm (ou 380 a 780 nm, segundo alguns autores), correspondendo à faixa de frequências entre 7,5 x 1014 Hz a 3,9 x 1014 Hz. As leis da radiação foram primeiro estudadas para a luz visível, e os problemas ocupacionais da iluminação são discutidos em um capítulo a parte. 4.1.2.6. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA A radiação ultravioleta tem frequências entre 7,5 x 1014 e 30,0 x 1014 Hz. A faixa mais distante, denominada UVC (100 a 280 nm), é usada para aplicações bactericidas como a eliminação de germes. Por isso é bastante empregada no setor de Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 74 controle de qualidade de processos industriais As lâmpadas que geram radiação de 245 nm podem também ser utilizadas para destruir bactérias e vírus. A radiação UVB é chamada também de eritermal e compreende a faixa de 280 a 315 nm (ou 320 nm segundo algumas classificações). Os seus efeitos benéficos incluem o bronzeamento da pele e a formação de vitamina D. A faixa ultravioleta mais próxima da visível vai de cerca de 320 a 400 nm e também é chamada de “luz negra” pois faz com que certos materiais fosforesçam. O espectro da luz solar natural se inicia em cerca de 295 nm, com os comprimentos de onda mais curtos sendo filtrados pela atmosfera. De modo similar, a composição e a espessura do vidro de lâmpadas, bem como as camadas de recobrimento de fósforo nas fontes de mercúrio e fluorescentes, atuam como filtros para as ondas de menores comprimentos de onda. 4.1.2.7. LASER O termo laser é uma abreviação para “light amplification by stimulated emission of radiation”, ou seja, amplificação da luz por emissão estimulada de radiação. A luz de fontes convencionais tem variados comprimentos de onda e se irradia em todas as direções, com interferências construtivas e destrutivas. É denominada de luz incoerente. Por outro lado, a luz de uma fonte laser vibra num único plano, se propaga numa única direção e é monocromática (tem um único comprimento de onda). É denominada de luz coerente. Um instrumento que gera radiação laser produz um feixe de apenas uma frequência, mas esta não precisa ser apenas da faixa visível. Um dos feixes mais poderosos utiliza dióxido de carbono e gera um fluxo contínuo e muito quente de radiação infravermelha. Outros lasers operam nas frequências ultravioletas. São inúmeras as aplicações de lasers, tanto na indústria como por exemplo, na microusinagem, soldagem de peças e corte do aço, alinhamento ótico, levantamentos telemétricos, fotocoagulação e holografia, quanto na odontologia e na medicina para tratamentos de pele, eliminação de tumores e em microcirurgias [104]. Quadro 4.2. As fontes de laser geram feixes de apenas uma frequência (luz coerente) da faixa visível do espectro magnético e também de outras faixas. Quais seriam estas faixas? Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 75 4.1.2.8 RADIAÇÃO SOLAR A radiação solar é composta por: Raios Cósmicos; Rádio Frequência; Radiação Visível; Radiação Infravermelha e Radiação Ultravioleta. Ao atravessar a camada da atmosfera a radiação solar perde cerca de 1/3 de sua energia. Assim chega à superfície da terra com apenas 2/3 da radiação inicial. Observa-se que a UVC é totalmente absorvida pela camada de ozônio, então a radiação solar que atinge o solo é composta aproximadamente por: 5% UV(95% UVA e 5% UVB) 40% RADIAÇÃO VISÍVEL 55% RADIAÇÃO INFRAVERMELHA Conforme já vimos, a radiação ultravioleta pode ser dividida em: UVC: 100 – 280 nm (10 a 20% dos efeitos danosos da radiação solar) UVB: 280 – 320 nm (ou 315 nm, conforme algumas classificações) (queimaduras, fotoenvelhecimento e câncer de pele) UVA: 320 – 400 nm Os fatores listados a seguir são bastantes importantes na exposição à radição ultravioleta: • Influência da Hora: 11 às 15hs: pior período de exposição 13hs: pico de exposição 12 às 14hs: 1/3 da radiação UV 10 às 16hs: ¾ da radiação UV • Influência da Latitude: próximo do equador a incidência é maior • Influência da Altitude: a cada 300 metros de altitude, a incidência aumenta em 4% • Influência da Cobertura de Nuvens: mesmo em tempo coberto de nuvens, pode-se receber queimaduras, pois as nuvens absorvem o infravermelho mas não a UV • Influência do Vento: o vento poderá dar uma sensação de conforto e poderemos eventualmente ficar mais expostos à radiação UV Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 76 A Figura a seguir representa o efeito da radiação UV na pele: UVB UVA Visível Infravermelho Epiderme Derme Figura 4.6. Penetração da radiação solar na pele: Quadro 4.3. Cada vez que uma frequência dobra de valor, dizemos que subimos uma oitava. Partindo da frequência de 1 Hz, a banda de frequências elétricas ELF teria correspondentemente quantas oitavas? Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 77 4.2. A NATUREZA DO PROBLEMA 4.2.1. RADIAÇÃO DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA (ELF) Linhas de transmissão de energia e certos instrumentos industriais operam com campos magnéticos e elétricos de baixas frequências, com 50 Hz na Europa e Ásia e 60 Hz nos Estados Unidos, Canadá e Brasil. No corpo humano os possíveis efeitos devido à exposição ao campo eletromagnético são de natureza elétrica e magnética. Como exemplos de efeitos decorrentes do campo elétrico podem ser citados choques, queimaduras e parada cardíaca. Já implicações de origem magnética são os efeitos térmicos, endócrinos e suas possíveis patologias causadas pela interação das cargas elétricas com o organismo. Uma corrente de pesquisa afirma que estas frequências podem afetar o sistema nervoso central e o funcionamento do cérebro, havendo energia ressonante muito similar à que o cérebro usa. Numerosos estudos relatam efeitos biológicos em animais em laboratório, mas não foram ainda confirmados efeitos patológicos. Quaisquer que sejam os mecanismos envolvidos nos efeitos induzidos por estes campos, eles ainda não são totalmente conhecidos e pesquisas continuam a serem efetuadas. A maioria dos estudos efetuados com seres humanos envolve trabalhadores atuando na área de linhas de eletricidade e pessoas que vivem nas proximidades de linhas de transmissão de altas voltagens. Estes estudos analisam fatores como a incidência de câncer, desordens no sistema reprodutor, saúde geral e disfunções congênitas, comparando os valores com dados da população geral. O que normalmente tem sido obtido são resultados sugestivos, mas não conclusivos, principalmente devido a problemas relativos a: • Amostras pequenas com limitada validade estatística; • Ausência de dados quantitativos apropriados quanto à duração da exposição e dos níveis envolvidos; • Incertezas no que se refere ao conceito de grupo de controle adequado. Os problemas com as pesquisas e experimentosnão os tornam inválidos, apenas dificultam sua validação e os tornam suspeitos em certo grau. Mas o fato é que cada vez mais se torna difícil vender casas próximas a linhas de alta voltagem! 4.2.2. ONDAS DE RÁDIO A única preocupação com as ondas de radio se refere ao aquecimento através de aquecedores de radiofrequência. Apesar da exposição poder eventualmente ocorrer, ela usualmente é bem localizada. Pessoas portadoras de próteses metálicas e/ou circuitos eletrônicos incorporados ao organismo devem ter cuidado especial quando expostas à este tipo de radiação. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 78 4.2.3. MICROONDAS Os efeitos no corpo humano devido à exposição a microondas podem ser de natureza térmica ou magnética e dependem da frequência, da potência dos geradores e do tempo de exposição. Os efeitos térmicos englobam as queimaduras (tanto internas quanto externas) e cataratas. Já os efeitos magnéticos compreendem alterações no sistema nervoso central, a elevação da pressão arterial e os distúrbios cardiovasculares e endócrinos [104]. Com relação aos fornos de microondas, existem algumas controvérsias sobre sua segurança. As microondas são absorvidas pelos alimentos produzindo-se um quase instantâneo aumento de temperatura. Este tipo de radiação não é ionizante nem gera material radiativo mas a exposição a ela faz com que o calor seja imediatamente absorvido pelo corpo. O calor faz com que as moléculas vibrem rapidamente, afastando- as de suas posições de equilíbrio, originando alterações químicas e eventualmente gerando morte celular. A energia gerada num forno de microondas provem de um tubo magnético, sendo similar a aquela emitida pelos radares. Os maiores perigos estão associados a vazamentos desta energia e estes normalmente ocorrem junto à porta do forno e envolvem as vizinhanças desta. Os vazamentos normalmente decorrem de vedações já gastas, trincos e fechaduras defeituosos e para aqueles com um visor, pela marca em volta da janela. A falha do sistema de desligamento do forno quando a porta se abre, pode expor pessoas nas proximidades a níveis de radiação muito acima dos níveis seguros. Se adequadamente projetados e instalados, os fornos de microondas raramente originam vazamentos, sendo o maior problema o inadequado uso pelas pessoas. Todavia mesmo fissuras tão finas quanto um fio de cabelo são perigosas. A radiação de microondas na zona de alta frequência pode gerar danos se ocorrerem múltiplas longas exposições. Podem ocorrer cataratas e esterilidade temporária e têm-se atribuído a ela casos de mortes fetais e câncer. Todavia não existem critérios quantitativos objetivos relativos a estes danos, sendo um valor máximo admitido como limite de tolerância 10 mW/cm2. Assim como na radiofrequência, as pessoas que portam marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos, pinos metálicos ou prótese precisam ter um cuidado especial quando sujeitas a esta radiação. 4.2.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA A exposição à radiação infravermelha de curto comprimento de onda ou IVA (760 nm a 1400 nm) pode causar aguda queimadura e aumento de pigmentação da pele. Pode também causar danos à córnea, à íris e ao cristalino. A excessiva exposição à radiação visível e infravermelha de fornalhas, fornos e outros corpos quentes similares tem sido conhecida como causadora da “doença dos sopradores de vidro” ou “catarata do calor”. Esta doença está associada a um embaçamento da superfície posterior do cristalino. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 79 4.2.5. RADIAÇÃO VISÍVEL A radiação visível apresenta a propriedade de ser sensível ao olho humano e deste modo, ser responsável pela iluminação natural e artificial. No entanto também pode ser nociva ao olho humano pois, como uma forma de radiação, ao ser interceptada e absorvida converte-se em outra forma de energia, usualmente calor. Assim ao entrar no olho a luz se transforma em calor e se a potência for considerável, pode ser nociva e até destrutiva, causando inflamação e queimaduras. Estes efeitos danosos associados à radiação excessiva são maiores nas faixas do vermelho e violeta, sendo menores nas faixas do verde ou amarelo. Isto porque para o mesmo nível de “visibilidade” as potências associadas são menores para as bandas verde ou amarela. A luz direta de solda a arco ou do sol produzem intensidade excessiva e se houver visualização por períodos prolongados ocorrerá queimadura. Os mecanismos de proteção automática do olho, como fechamento da pupila ou fechamento das pálpebras, não fornecem proteção adequada para as radiações excessivas. Uma queimadura decorrente de uma intensidade muito alta surge logo após a exposição, gerando vermelhidão nos olhos, inchaço e muito lacrimejamento, todavia a recuperação ocorre em poucos dias mesmo nos casos mais severos. Um dos problemas da luz visível associado à higiene ocupacional e a segurança do trabalho é o problema do ofuscamento. Denominamos de ofuscamento ao desconforto, incômodo, perda de visibilidade e diminuição de desempenho causado por uma luminância no campo visual maior que aquela para o qual o olho pode se adaptar. Apesar das múltiplas causas do ofuscamento, na maioria dos casos ele pode ser classificado como desconfortante ou desabilitante. O ofuscamento desconfortante ou desconfortável é incômodo, mas não conduz necessariamente ao impedimento da tarefa visual. Em geral é atribuído à tendência do olho de se fixar nos pontos mais brilhantes do campo visual. O grau de desconforto produzido por uma luminária é dependente de 4 fatores: a luminância da fonte, o tamanho da fonte, o ângulo entre a fonte e o observador e o nível de adaptação do olho do observador. O ofuscamento desabilitante ou inabilitador impede a execução da tarefa visual e pode ser causado de 3 modos diferentes: • Pela dispersão da luz na lente do olho produzindo uma luminância na retina; • Pela insuficiência de tempo para o olho se adaptar a um nível muito diferente de luminância; • Por imagens fantasmas, normalmente ocorrentes após se olhar para uma fonte muito brilhante. Os processos fotoquímicos essenciais para a visão ficam temporariamente alterados pelo fato do olho ter ficado sobrecarregado de luminosidade. O cérebro fica confuso se continua a “ver” uma sucessão de imagens do objeto brilhante. A visão perfeita é restaurada em cerca de 5 a 10 minutos. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 80 4.2.6. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA A radiação ultravioleta pode ser absorvida pelos tecidos humanos causando danos biológicos à pele e aos olhos. Para a pele podemos ter eritema, envelhecimento precoce, câncer, enquanto para os olhos podemos ter fotossensibilização e fotoconjuntivite, que é uma espécie de queimadura dos olhos pelo sol. A exposição à radiação ultravioleta provoca, através de reações químicas, danos não ionizantes às células da pele. Estas reações químicas podem induzir um precoce envelhecimento da pele devido à dilatação dos finos capilares sanguíneos, efeito conhecido como eritema, e ser a causa de 90% de todos os cânceres de pele. O câncer resulta da reação dos raios ultravioletas com o material genético das células, produzindo mutações. As maiores taxas de incidências ocorrem para as latitudes tropicais e pessoas de pele clara, como são os casos do Brasil, da Austrália e da África do Sul. A radiaçãoUVC é retida eficientemente pela camada de ozônio da atmosfera terrestre. Quando a atividade solar se torna anormalmente alta, esta camada não é 100% eficiente na retenção, e pode ocorrer uma excessiva exposição na superfície da terra. O câncer de pele conhecido como melanoma, em geral, aumenta num período de 2 a 3 anos após um período de atividade solar anormal. A banda de raios solares UVB tem comprimento de onda inicial com cerca de 295 nm, sendo responsável pelo bronzeamento e queimaduras na pele, além de também promover o câncer de pele. A banda UVB é conhecida como banda eritermal e pode sensibilizar a pele com relação à exposição à radiação UVA. A exposição a UVB permite ao corpo produzir vitamina D, mas esta exposição não requer mais do que 30 minutos diários ao sol. A banda UVA, também conhecida como ultravioleta próxima ou “luz negra”, é a maior responsável pelo bronzeamento da pele e seus efeitos danosos são importantes também na visão. Pode ocorrer exposição excessiva a UVA em regiões com neve, onde a reflexão de mais de 85% da radiação UV incidente pode causar a chamada “cegueira da neve”. Neste fenômeno ocorre a morte de células nas camadas mais externas do olho, com a consequente opacidade da cobertura do olho. Radiação UV de comprimento de onda muito curto é extremamente destrutiva ao olho. A exposição por alguns poucos minutos produz inflamações severas e dolorosas, com efeitos posteriores que podem durar anos. A exposição a UV de curto comprimento de onda gera poucos sinais exteriores, como inchaço e vermelhidão não pronunciados. Todavia, ocorre muita dificuldade para focalizar na leitura, principalmente sob luz artificial, e as dores internas sentidas no olho se tornam quase intoleráveis. A recuperação é lenta, requerendo meses ou mesmo anos, com alguns efeitos como a sensibilidade a curtos comprimentos de onda sendo permanentes. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 81 4.2.7. LASER Os efeitos no corpo humano devido à exposição ao laser variam muito em função da aplicação, da potência aplicada, da faixa de frequência de operação, entre outros fatores, sendo no entanto, os olhos e a pele as partes que podem ser mais afetadas [104]. As fontes de luz coerente podem causar danos na córnea (catarata) e deterioração epidérmica (tipo de queimadura). A exposição prolongada pode causar danos variando de leves queimaduras na retina até perda total da visão. A visualização restrita e óculos de lente podem oferecer alguma proteção exceto aos lasers muito potentes. As medidas de proteção são semelhantes às para os que trabalham com solda a arco, não se devendo olhar diretamente para a fonte. O uso de lasers é comum nos levantamentos topográficos e geodésicos, mas neste caso são usados lasers de baixa intensidade, o que ajuda na proteção visual. 4.2.8. TERMINAIS DE VÍDEO Até o presente não se caracterizou a emissão de radiações perigosas pelos terminais de vídeo, mas eles podem causar cansaço visual. Apesar das autoridades concordarem que trabalho em frente a terminais de vídeo não conduz a significantes danos à visão, existem relatórios reclamando de problemas visuais associados a eles. As reclamações variam de leves dores de cabeça após longos períodos em frente a vídeos até dores mais fortes, imagens fantasmas e perturbações do sistema visual. Não há dúvidas que o trabalho com terminais exige bastante da visão, mas em essência não mais que outras tarefas que também exigem muito do sistema visual. As exigências sobre a visão são sobre seu mecanismo de funcionamento, principalmente focalização e convergência, se o foco é mantido num ponto fixo por muito tempo, os músculos ciliares que controlam a acomodação podem ter espasmos. Isto pode ser desconfortável e causar certa ardência, mas não é perigoso para a vista, e o espasmo pode ser diminuído com relaxamento e, portanto, é melhor prevenir do que curar. Estes espasmos são menos prováveis de ocorrer se o foco for mudado regularmente e o objetivo de uma pausa é exatamente evitar o início da fadiga. Uma possibilidade operacional é permitir aos operadores uma certa flexibilidade para decidir quando efetuar paradas. Quadro 4.4. Qual radiação é conhecida por causar a “doença dos sopradores de vidro” ou “catarata do calor”? Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 82 4.3. EXEMPLOS REAIS 4.3.1. O PROBLEMA DOS CAMPOS MAGNÉTICOS As primeiras indicações de que campos magnéticos associados a linhas de transmissão e eletrodomésticos poderiam gerar riscos à saúde de seres humanos surgiram na antiga União Soviética. No início da década de 60, trabalhadores soviéticos de uma estação de transmissão começaram a se queixar de náuseas, dores de cabeça e falta de apetite sexual. Por falta de uma explicação adequada, cientistas soviéticos especularam que talvez estes efeitos estivessem associados aos campos magnéticos em torno do local. Todavia outros cientistas duvidaram da hipótese levantada. O tema permaneceu dormente até que no meio da década de 70, dois epidemiologistas da Universidade do Colorado, Nancy Wertheimer e Ed Leeper, analisaram novamente a questão. Eles encontraram um número incomumente alto de casos de leucemia em crianças moradoras perto de certos tipos de linhas de transmissão elétrica na cidade de Denver. Surgiram muitas críticas ao estudo, mas outro epidemiologista, David Savitz, encontrou resultados semelhantes num relatório da Comissão de Energia de Nova York. Desta vez o tema não foi esquecido e recebeu muita atenção quando, em junho de 1989, uma revista de Nova York publicou uma série de artigos do escritor científico Paul Brodeur. Ele apontava para a possibilidade de uma correlação entre campos magnéticos e certos tipos de câncer. Desde então o tema tem sido alvo de muita discussão, com certo alarde nas áreas residenciais dos Estados Unidos e Canadá que se situam junto a linhas de alta voltagem. O tema tem sido discutido com estudos favorecendo a correlação e outros nada indicando, e como muitas vezes acontece na área científica, conclusões claras e definitivas ainda não foram obtidas. Atualmente a maioria dos cientistas concordam que campos magnéticos têm algum efeito sobre organismos biológicos, uma hipótese que teria sido considerada radical demais há alguns anos. Contudo, existem profundas divisões sobre a natureza dos efeitos, e alguns especialistas lembram que a vida se desenvolveu sob condições muito distintas do ambiente urbano moderno, diariamente bombardeado por campos magnéticos artificiais. Alguns hospitais usam campos eletromagnéticos pulsantes para estimular o crescimento e recuperação de ossos, mostrando que nem todos os efeitos são maléficos. No estágio atual a situação parece bem definida por Paul Héroux, professor associado de eletromagnetismo e saúde na faculdade de medicina da Universidade McGill: “Acredito que haja um risco, mas ninguém sabe o quão grande ele é”. 4.3.2. CAMPOS MAGNÉTICOS E LEUCEMIA Um artigo apresentado no jornal canadense “Globe and Mail” em 1994 apresentava dados relativos à associação entre elevadas taxas de leucemia e campos magnéticos. O estudo envolvera 223.000 trabalhadores que trabalhavam na área industrial e elétrica nas províncias canadenses de Ontário e Quebec, bem como na França. A pesquisa custou U$4,5 milhões, sendo uma das maiores do tipo já realizadas no mundo e envolveram Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO–114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 83 trabalhadores das empresas Ontario Hydro, Hydro-Quebec e Eletricité de France, no período de 1979 a 1989. Durante o período de estudo, os trabalhadores desenvolveram 4151 casos de câncer, sendo 140 de leucemia. O estudo mostrou que aqueles expostos a campos magnéticos acima da média tinham taxas de leucemia 3 vezes maiores que aqueles expostos a campos mais fracos. Mostrou também que a incidência de câncer do cérebro nos trabalhadores expostos aos campos magnéticos mais intensos era 12 vezes maior que para aqueles expostos aos campos mais fracos. Os resultados, todavia não foram conclusivos porque o número de casos não era suficientemente grande. Os pesquisadores concluíram que os resultados indicavam uma associação entre exposição ocupacional a campos magnéticos e pelo menos um tipo de leucemia. Mas também admitiram que a evidência não era suficientemente forte para afirmar que a exposição a campos magnéticos causava leucemia. Não foram encontradas associações com outras formas de câncer, incluindo melanoma de pele, câncer mamário em homens e câncer de próstata. Os resultados completos foram apresentados no American Journal of Epidemiology de junho de 1994. Participaram da pesquisa durante 5 anos, 3 internacionalmente renomados epidemiologistas, os doutores Gilles Thériault da Universidade McGill em Montreal, Anthony Miller da Universidade de Toronto e Marcel Goldberg do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica de Paris. Os resultados se adicionaram às controvérsias sobre os efeitos dos campos magnéticos na saúde humana, os quais são gerados por todos os eletrodomésticos, de tostadoras a televisão, além dos fios de alta tensão. O doutor Miller, então chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Bioestatística da Universidade de Toronto, que conduziu a pesquisa com os trabalhadores da Ontario Hydro, afirmou que os estudos foram valiosos porque reforçavam pesquisas anteriores associando leucemia e campos magnéticos. Frisou porém que os resultados não eram diretamente aplicáveis à população em geral, pois ela estaria exposta a diferentes intensidades magnéticas com relação à exposição dos trabalhadores das empresas elétricas. Enfatizou também, que fontes como linhas de transmissão geram campos cuja intensidade cai drasticamente com a distância. Assim, as pessoas que vivem perto das linhas de transmissão não estão expostas aos mesmos níveis que os trabalhadores que operam junto às linhas. Finalmente concluiu que não se sabe ainda se as curtas, mas intensas exposições dos trabalhadores causam efeitos similares a exposições mais longas a níveis menores, como a que a estão submetidos moradores próximos das linhas de transmissão. Um dos resultados intrigantes da pesquisa é que não foi encontrada uma clara correlação entre as doses recebidas pelos trabalhadores e a taxa de incidência de câncer. Também não houve consistência para os resultados para cada empresa. Estes fatos levaram os pesquisadores em relutar a afirmar que tinham encontrado evidências conclusivas, relacionando câncer do sangue com exposição a campos magnéticos. Para a população geral a leucemia afeta 3 em cada 200 pessoas durante a vida média do ser humano no Canadá e França. Os trabalhadores analisados tinham sido expostos a campos magnéticos médios de até 5,4 microtesla, que é a unidade usada para medir este tipo de radiação. Estes resultados foram obtidos com dosímetros usados por grupos de 2000 trabalhadores Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 84 durante uma semana. De acordo com a Ontario Hydro, o valor médio nos domicílios é da ordem de 0,1 a 0,15 microtesla. Todavia, pessoas junto a aparelhos como fornos e secadores de cabelo podem ser expostas a campos mil vezes maiores. 4.4. LIMITES ADMISSÍVEIS A ACGIH publica anualmente seus limites de tolerância (TLV) e a radiação não ionizante é abordada na parte relativa a agentes físicos. A norma brasileira NR-15 trata do assunto no Anexo 7. 4.4.1. RADIAÇÃO DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA (ELF) Segundo o livreto da ACGIH [105], as exposições ocupacionais de corpo inteiro na faixa de extremamente-baixa-frequência não devem exceder o valor teto dado pela equação: BTLV = 60/f sendo: f = a frequência em Hz BTLV = a densidade de fluxo magnético em militesla (mT) 4.4.2. MICROONDAS E ONDAS DE RÁDIO O Anexo nº 7 da NR-15 da Portaria nº 3.214/78 define como radiações não ionizantes as microondas, ultravioletas e laser. A norma estabelece e considera insalubre operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não-ionizantes, sem a proteção adequada. A notificação deve ser feita em laudo de inspeção no local de trabalho. No entanto não há referências sobre limites de tolerância para exposição a microondas nem à radiofrequência na norma. Já no livreto da ACGIH [105], traduzido pela ABHO encontram-se agrupados os TLVs para estas radiações, como ilustrado na Figura 4.7. Os conceitos envolvidos não serão aprofundados, pois estão fora do escopo deste livro. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 85 Figura 4.7. TLVs para Radiação de Radiofrequência e Micro-ondas nos locais de trabalho (para corpo inteiro, com taxa de absorção específica [TAE/SAR]o laser como uma radiação não ionizante que, se exposta aos trabalhadores sem a proteção adequada, pode caraterizar a insalubridade da operação ou atividade. No entanto, não são definidos limites de tolerância para sua exposição. A ACGIH faz uma série de recomendações e seus limites de tolerância são estabelecidos em função do tipo de equipamento e da energia envolvida. 4.5. METODOLOGIA DE MEDIÇÃO 4.5.1. RADIÔMETROS Para a radiação ionizante todos os instrumentos de medição se baseiam no fato de que a energia da radiação desloca elétrons de suas órbitas normais, criando íons (partículas carregadas). Estes íons podem produzir outros efeitos como um feixe de luz ou uma corrente elétrica, que podem então ser amplificados e medidos. A radiação não ionizante não tem energia suficiente para retirar um elétron de sua órbita e formar um íon. A medição, portanto, segue outro princípio, com a energia radiante atingindo células feitas de materiais especiais e contidas nos instrumentos denominados radiômetros. Estes materiais permitem facilmente que se crie um fluxo de elétrons em seu interior ao serem atingidos pela energia radiante. Com o uso de tubos fotomultiplicadores pode-se fazer com que os elétrons liberados desloquem mais outros elétrons, de modo que a corrente possa ser lida numa escala. Ajustando-se a resposta, pode-se obter uma leitura de um número proporcional à intensidade da radiação. Com o uso de filtros pode-se bloquear todas as radiações menos as de interesse, de modo que a combinação adequada de filtros permite que se meça com um mesmo instrumento faixas específicas do espectro não ionizante. Estes instrumentos permitem que se faça medições de intensidade radiante com diferenças de várias ordens de magnitude. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 87 Os equipamentos mais utilizados para medição da radiação ultravioleta, por exemplo, utilizam célula fotovoltaica e termopilhas. Sua leitura é dada em W/cm2 (watts por cm2), ou seu equivalente J/(s · cm2) (joule por segundo por cm2). Figura 4.8. Medidores de radiação 4.5.2. FOTÔMETROS O fotômetro é um radiômetro que filtra todas as radiações fora da faixa de comprimentos de onda entre 380 e 780 nm. Além disso, reage à luz imitando a resposta do olho humano, através de uma compensação definida pela curva espectral de eficiência luminosa. Esta curva, definida internacionalmente e obtida a partir de experimentos com o olho humano, tem a forma de um sino com seu máximo valor de ordenada correspondendo à abscissa comprimento de onda de 555 nm (luz verde). A figura 4.9. ilustra esta curva, observando-se que nossa maior habilidade visual (f=1) ocorre para comprimento de onda de 555 nm, decaindo tanto para comprimentos maiores como para menores. Quando atingimos comprimentos de onda de 380 ou 780 nm, nossa capacidade de perceber a radiação cai a zero. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 88 Figura 4.9. Curva espectral de eficiência luminosa do olho humano. O valor de máxima eficiência do olho (f=1) corresponde à luz verde de 555 nm. Os fotômetros têm embutido filtros que simulam esta curva e a medida fornecida pelo instrumento é similar à habilidade do cérebro em perceber a radiação visível. A célula fotossensível dos fotômetros é usualmente feita de selênio, com a quantidade de elétrons liberada por este metal sendo proporcional à energia radiante atingindo a célula. O resultado da medição pode ser expresso em lux, que representa a quantidade de fluxo luminoso (lúmen) que atinge uma área de 1 m2. Lux é a unidade de iluminância, ou seja, a quantidade de luz visível por área. 4.5.3. MÉTODOS MISTOS Detectores de radiação podem operar também com base em outros princípios. Um simples termômetro pode detectar radiação infravermelha, pois a energia transformada em calor aumenta a energia das moléculas de álcool ou mercúrio, com a consequente expansão do fluido. Este termômetro pode ser protegido de outros tipos de fontes de calor de modo que apenas a energia radiante seja medida. Este tipo de termômetro será discutido com mais pormenores no capítulo sobre calor. A energia radiante pode afetar a resistência elétrica de um fio, de modo que pela detecção de pequenas alterações de corrente pode-se ter um instrumento para medir intensidades de uma faixa do espectro eletromagnético. Radares são instrumentos que captam os ecos do sinal por eles emitidos, sendo usados desde aviação até controle de velocidade nas estradas. Apesar de operarem na banda de frequência entre 100 Hz e 100 GHz, eles não medem exatamente radiação não ionizante e não podem ser classificados como radiômetros. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 89 Quadro 4.5. Qual a principal diferença entre o radiômetro e o fotômetro? 4.6. AÇÕES CORRETIVAS 4.6.1. ONDAS DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA Para as frequências extremamente baixas (ELF – “extremely low frequency”) praticamente qualquer superfície é uma eficiente barreira ao campo elétrico. As pessoas trabalhando com linhas de transmissão de alta voltagem ou em regiões de altos campos usam roupas de proteção condutivas. E uma ação administrativa é diminuir ao máximo o tempo de trabalho em locais com altos campos. Infelizmente não existe ainda um método prático de redução da exposição aos campos magnéticos ELF. As ações práticas incluem a diminuição do tempo de exposição ou a limitação dos campos magnéticos a níveis considerados seguros. Todavia o que seria um nível seguro ainda é motivo de estudos e controvérsias. 4.6.2. RADIOFREQUÊNCIA O controle dos riscos referentes à radiofrequência deve ser feito mediante: enclausuramento, dispositivos de bloqueio nos equipamentos (exemplo, em fornos) e sinalização adequada. Com relação aos aquecedores de radiofrequência devem ser seguidas as recomendações do fabricante e os aquecedores devem ser bem blindados para conter ou divergir a energia de radiofrequência. 4.6.3. MICROONDAS Entre as medidas de controle à radiação de microondas podem ser listadas as seguintes: enclausuramento das fontes mediante dispositivos de desligamento automático (como por exemplo no forno de microondas e nas áreas de antenas de radares), barreiras construídas dependendo da frequência de radiação (como malhas e telas metálicas), equipamentos de proteção individual dos trabalhadores (tais como óculos e roupas especiais) e sinalização adequada da área exposta à radiação [104.] Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 90 Com relação aos radares que são comumente usados para medir a velocidade nas estradas ou para mapear o clima não geram uma condição de perigo, a menos que sejam visualizados diretamente na frente da antena durante a operação e a uma distância de alguns metros. Todavia, radares maiores como os de busca ou de alarme podem gerar campos de intensidades perigosas, devendo ser checados antes que qualquer pessoa trabalhe em frente da antena. As pessoas que trabalham perto ou ao redor de antenas de radares de alta potência ou de instrumentos de teste de radares devem ser adequadamente treinadas e supervisionadas para diminuir a exposição além de ficaro menor tempo possível perto das regiões de risco. Para toda a gama de radiações de microondas, o dano só ocorrerá se as instruções do fabricante não forem seguidas. Cada equipamento tem suas instruções específicas e generalizações não devem ser feitas. 4.6.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA Devem ser usados protetores de olhos e de face, com as medidas contra o calor desta radiação sendo discutidas no capítulo sobre calor e conforto termocorporal. 4.6.5. RADIAÇÃO VISÍVEL Existem muitos modos de se evitar o ofuscamento desabilitante ou inabilitador, incluindo evitar luz direta pela colocação de anteparos, instalando cortinas em janelas, reduzindo a reflexão pelo uso de material fosco e pela disposição cuidadosa de mesas, terminais e fontes de luz. Visores e óculos escuros auxiliam quando ao ar livre num dia muito ensolarado. 4.6.6. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA Como a camada de ozônio bloqueia os efeitos da radiação UVC, seus riscos tornam-se desprezíveis. As radiações UVA e UVB são maiores na primavera e no verão. Em geral, a UVB é mais intensa entre 10 horas e 14 horas, enquanto a UVA é mais nociva no início da manhã e no final da tarde. Num dia ensolarado de verão, ao meio dia, 15 minutos podem ser suficientes para se criar uma queimadura numa pele desprotegida. Para proteger trabalhadores da radiação UV quando estão sob luz solar direta, deve ser usada roupa tightly-woven cobrindo o máximo possível do corpo além de se usar um chapéu. Proteção contra raios UV pode ser obtida também com o uso de loções e cremes contendo óxido de zinco e de titânio (ZnO e TiO2) e classificados de acordo com uma escala de proteção entre 1 e 18. A proteção será eficiente se for mantido um adequado filme sobre a pele e for usado um fator de proteção alto (>14). As telas de proteção e os óculos com lentes especiais podem proteger efetivamente contra UVA e UVB. Óculos de segurança de plástico são menos eficientes, mas filtram também a radiação UV. Outra medida de controle é o enclausuramento das fontes quando possível. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 91 4.6.7. LASERS Devido à variedade de lasers existentes, deve ser sempre levado em consideração o aconselhamento de fabricantes e especialistas. Alguns procedimentos gerais que podem ser apontados para diminuir seus efeitos são: a) Usar roupas pesadas e reflexivas (brancas); b) Adotar as mesmas medidas protetoras dos soldadores a arco, como uso de óculos com filtros para certos comprimentos de onda. Eles protegem contra quase todos os lasers, menos os mais potentes. O uso apropriado de óculos deve levar em conta sua densidade ótica com relação ao comprimento de onda do laser; c) As pessoas operando com lasers devem ser instruídas sobre os perigos dos mesmos para a visão e evitar olhar diretamente o feixe primário ou reflexões especulares do mesmo; d) O trabalho com laser deve ser feito em áreas com uma boa iluminação geral, para manter as pupilas contraídas, e desta forma, limitar a energia que poderia, impropriamente, penetrar nos olhos; e) Os equipamentos de laser devem ser operados por profissionais ou pessoas devidamente treinadas; f) Deve haver boa comunicação entre o operador do laser e as pessoas trabalhando nas proximidades, de modo que todos recebam um aviso quando o laser for ligado; e) Devem ser colocados avisos de perigo; g) Para levantamentos deve ser utilizado um laser de baixa energia, aumentando a segurança geral. 4.6.8. TERMINAIS DE VÍDEO O melhor procedimento para controlar os riscos associados à emissão de radiações pelos terminais de vídeo é fazer pausas curtas e frequentes, antes que se inicie a fadiga do músculo ciliar. Pausas longas e mais espaçadas não são tão eficientes na prevenção de espasmos do músculo e a mudança de foco auxilia no controle do início da fadiga visual. 4.7. CASOS REAIS 4.7.1. LÂMPADAS DE VAPOR DANIFICADAS Os trabalhadores da Pitts Engenharia de Construção, uma divisão da empresa Bannister Continental Ltda., aprenderam a importância de se investigar mesmo as pequenas modificações nas condições do ambiente de trabalho. A lente e a casca exterior do bulbo de uma lâmpada de mercúrio de um holofote usado durante a construção de uma obra em Whigtehorse, Yukon, tinham sido quebradas. As lâmpadas estavam colocadas a 1,8 m de altura do piso de uma escavação de 23 m de profundidade, e o dano deve ter sido ocasionado por operários trabalhando nas proximidades. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 92 As atividades do turno do dia fizeram com que o dano passasse desapercebido até que se iniciasse o turno da noite. Os trabalhadores do turno da noite fizeram seu serviço e foram embora ao término do turno. Porém na manhã seguinte todos os componentes do turno da noite relataram desconforto ocular a seus superiores na empresa. O resultado foram 9 lesões requerendo cuidados médicos e 8 lesões com perda de tempo. Uma lesão que requer cuidados médicos é uma lesão para a qual atendimento médico é dado, uma reclamação é estabelecida e um pagamento é feito pela WCB – “Workers Compensation Board”. Ela inclui as lesões com simples atendimento médico, as lesões com afastamento e as lesões fatais. Neste caso, a WCB pagou pelo tratamento médico de 9 trabalhadores e os salários de 8 trabalhadores com afastamento temporário do serviço. Uma investigação feita pela equipe de segurança e saúde da Pitts localizou a lâmpada danificada, sendo providenciada sua imediata substituição. Através de contatos efetuados com os fabricantes de lâmpadas, descobriu-se que as lâmpadas de vapor de mercúrio e as de vapor de sódio sob pressão são perigosas aos olhos se os bulbos forem danificados. Cada um dos trabalhadores tinha recebido um “flash” da luz ultravioleta da lâmpada, o qual gerara pequenas feridas nos olhos. Os 8 casos mais graves requereram descanso em casa por 1 a 2 dias para que não ocorresse infecção por poeira ou sujeira de obra. Investigações subsequentes revelaram que como cada olho é diferente não existe região segura próxima a bulbos danificados. Nos locais onde pessoas operam próximas a holofotes de vapor de mercúrio, a empresa passou a usar bulbos de segurança, que se forem danificados automaticamente extinguem o fluxo luminoso. Estas lâmpadas custam mais, mas este custo extra é compensado pelos benefícios em termos de higiene e segurança ocupacionais. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 93 4.8. TESTES 1. Qual dessas radiações não faz parte das radiações não ionizantes? a) Ultravioleta. b) Visível. c) Microondas. d) Cósmica. e) ELF. 2. Qual dessas radiações pode ser utilizada em equipamentos de aquecimento elétrico? a) Ondas de rádio. b) Ultravioleta. c) ELF. d) Ultravermelha. e) Visível. 3. Qual dessas radiações pode afetar o funcionamento do cérebro? a) Infravermelha. b) Ultravioleta. c) Laser. d) ELF. e) Ondas de rádio. 4. Analise as informações abaixo sobre radiações não ionizantes: I – Algumas pesquisas indicam que campos magnéticos aumentam o risco de leucemia II – As microondas geram material radioativo. III – Não há provas de que há emissão de radiações perigosas pelos terminais de vídeo. Qual a alternativa correta? a) Apenas I e II são verdadeiras. b) Apenas II e III são verdadeiras. c) Apenas II é falsa. d) Todas são falsas. e) Todas estão corretas. 5. Qual desses procedimentos não é eficientepara diminuir os efeitos de lasers? a) Evitar olhar o feixe primário e/ou suas reflexões especulares. b) Devem ser colocados avisos de perigo. c) Para levantamentos deve ser utilizado um laser de baixa energia, aumentando a segurança geral. d) Usar roupas pesadas e reflexivas. e) Utilização de óculos contra calor. Capítulo 4 Radiações Não Ionizantes ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 94 6. Em que faixa se encontra a radiação eritermal: a) 200 a 260 nm. b) 280 a 320 nm. c) 300 a 420 nm. d) 320 a 380 nm. e) N.d.a 7. Qual é faixa visível de comprimentos de onda do espectro eletromagnético: a) 380 a 780 nm. b) 220 a 460 nm. c) 480 a 740 nm. d) 360 a 680 nm. e) N.d.a 8. Quais os danos que a exposição à radiação infravermelha de curto comprimento de onda (aprox. 760 a 1400 nm) pode causar ao seres humanos: a) Aguda queimadura. b) Aumento de pigmentação da pele. c) Danos à córnea, à íris e ao cristalino. d) Todas as anteriores então corretas. e) N.d.a. 9. Assinale (V) Verdadeiro ou (F) Falso. Alguns procedimentos para diminuir os efeitos de lasers são os seguintes: a) Usar roupas leves e reflexivas (brancas). ( ) b) Adotar as mesmas medidas protetoras dos soldadores a arco, como uso de óculos com filtros para certos comprimentos de onda. Eles protegem contra quase todos os lasers menos os mais potentes. O uso apropriado de óculos deve levar em conta sua densidade ótica com relação ao comprimento de onda do laser. ( ) c) As pessoas operando com lasers devem ser instruídas sobre os perigos dos mesmos para a visão e evitar olhar diretamente o feixe primário ou reflexões especulares do mesmo. ( ) d) Deve haver boa comunicação entre o operador do laser e as pessoas trabalhando nas proximidades, de modo que todos recebam um aviso quando o laser for ligado. ( ) e) Devem ser colocados avisos de perigo. ( ) f) Para levantamentos deve ser utilizado um laser de alta energia, aumentando a segurança geral. ( ) Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 95 CAPÍTULO 5. CONCEITOS EM AGENTES BIOLÓGICOS OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar os diversos aspectos relacionados à exposição ocupacional aos agentes biológicos, ou seja, aos diversos tipos de micro-organismos potencialmente presentes em diferentes tipos de atividades profissionais. Bem como a abordagem da legislação pertinente ao tema, metodologias de avaliação qualitativa e medidas de preventivas e de controle pertinentes ao tema. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a identificar: • Identificar os agentes biológicos potencialmente presentes em diferentes tipos de atividades profissionais; • Classificar os agentes biológicos de acordo com os parâmetros de patogenicidade, virulência e propagação para a coletividade; • Efeitos à saúde causados pela exposição ocupacional aos agentes biológicos; • Entender os aspectos presentes na legislação trabalhista e previdenciária aplicadas aos agentes biológicos. Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 96 5.1. INTRODUÇÃO AOS AGENTES BIOLÓGICOS Os agentes biológicos incluem bactérias, vírus, fungos, parasitas, protozoários, príons, entre outros micro-organismos e suas toxinas associadas. Eles têm a capacidade de afetar adversamente a saúde humana de diversas maneiras, desde reações relativamente leves e alérgicas até sérias condições médicas - até mesmo a morte. Alguns micro-organismos, incluindo vários tipos de mofo e bactérias, são encontrados prontamente no ambiente natural e em diferentes tipos de construção. Muitos são capazes de se espalhar de pessoa para pessoa (por exemplo, patógenos transmitidos pelo sangue e vírus da influenza), direta ou indiretamente; alguns, incluindo o vírus da dengue, são transmitidos por vetores insetívoros. Em algumas formas, os agentes biológicos também podem ser usados em situações mais específicas, por exemplo, para uso em bioterrorismo ou outros crimes. Figura 5.1. Simbologia universal adotada para a rotulagem de recipientes, salas e materiais com potencial risco de contaminação de origem biológica Fonte: FIOCRUZ, 2019 Abaixo estão alguns exemplos de agentes biológicos e seus principais efeitos à saúde humana: Antrax O Antrax é uma doença infecciosa aguda causada por uma bactéria formadora de esporos chamada Bacillus anthracis. É geralmente adquirido após contato com animais infectados com antrax ou provindo de produtos produzidos por animais contaminados com a bactéria gram positiva do antrax. Gripe Aviária A gripe aviária é uma doença altamente contagiosa das aves que atualmente é epidêmica entre as aves na Ásia. Apesar das incertezas, os especialistas em aves de capoeira concordam que o abate imediato de aves infectadas e expostas é a primeira linha de defesa tanto para a proteção da saúde humana quanto para a redução de mais perdas no setor agrícola. Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 97 Prevenção de agentes patogênicos transmitidos pelo sangue e agulhas A OSHA estima que 5,6 milhões de trabalhadores da indústria da saúde e profissões relacionadas estão em risco de exposição ocupacional a patógenos transmitidos pelo sangue, incluindo o vírus da imunodeficiência humana (HIV), vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), e outros. O Anexo 3 da Norma Regulamentadora – NR 32 trata de diferentes tipos de proteção aplicadas aos materiais perfurocortantes, principalmente por meio da implementação do Plano de Prevenção de Acidentes com Materiais Perfurocortantes. Botulismo Os casos de botulismo estão geralmente associados ao consumo de alimentos conservados. No entanto, as toxinas botulínicas estão atualmente entre os compostos mais comuns explorados pelos terroristas para uso como armas biológicas. SARS-CoV-2 Um novo coronavírus que surgiu na China em 2019, causadora de uma das maiores pandemias já conhecidas pela humanidade. A doença causada pelo novo coronavírus é denominada como COVID-19, uma síndrome respiratória aguda grave, com sinais e sintomas como febre, tosse e falta de ar. Citomegalovírus (CMV) O citomegalovírus pertence à família dos herpesvírus, a mesma dos vírus da catapora, do herpes simples, do genital e do herpes-zóster. Os trabalhadores em creches e estabelecimentos de saúde estão entre os que correm maior risco de exposição ao CMV, um vírus comum que afeta dezenas de milhares de adultos todos os anos e que se propaga facilmente através do contato com saliva e outros fluidos corporais de indivíduos infectados. Ebola A febre hemorrágica interna do Ébola (EHF) (às vezes chamada de doença do vírus Ebola, ou EVD) é a doença causada pela infecção com um vírus Ebola. É um tipo de febre hemorrágica viral (VHF) causada por qualquer uma das várias cepas de vírus do gênero Ebolavirus. Os vírus Ebola são capazes de causar doenças graves e ameaçadoras para a vida. Doença de origem alimentar As doenças de origem alimentar são causadas por vírus, bactérias, parasitas, toxinas, metais e príons (partículas proteicas microscópicas). Os sintomas variam de gastrenterite leve a síndromes neurológicas, hepáticas e renaisque ameaçam a vida. Hantavírus Os hantavírus são transmitidos aos humanos a partir de excrementos secos, urina ou saliva de camundongos e ratos. Trabalhadores de laboratório de animais e pessoas que trabalham em edifícios infestados estão correndo um risco maior para esta doença. Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 98 Legionelose É uma doença bacteriana causada Legionella pneumophila (um bacilo gram- negativo). É frequentemente associada as exposições em torres de resfriamento de ar condicionado e sistemas de água potável mal conservados. O sarampo O sarampo é uma doença bacteriana, pertencente à família paramixoviridae e ao gênero morbilivírus, altamente contagiosa e potencialmente grave, mas que pode ser prevenida por vacinas. Viajantes não vacinados frequentemente trazem a doença de volta do exterior, espalhando-a para outras pessoas suscetíveis e causando surtos periódicos. MERS Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). A MERS é uma doença respiratória potencialmente fatal e emergente causada por um coronavírus que afeta principalmente os pulmões e as vias respiratórias. A MERS foi relatada pela primeira vez na Arábia Saudita em 2012, e pelo menos 25 outros países relataram casos confirmados de MERS. Fungos Atualmente são agrupados no reino Fungi. Este grupo inclui organismos diversos, que vivem em quase todos os ambientes terrestres e apresentam uma grande variação de formas e tamanhos. Podem ser desde fungos microscópicos, formados por uma única célula (unicelulares), como é o caso das leveduras, até mesmo pluricelulares que possuem um tamanho considerável, como os bolores e cogumelos. A infecção fúngica transmitida pelas mãos funciona como uma porta de entrada para infecções, causando sérios desconfortos, dores limitação física e ocupacional. Parasitas Parasita é um organismo que vive sobre outro organismo ou dentro dele; o parasita depende de outro organismo para se alimentar e para outras funções que garantem a sua sobrevivência. Sua vítima é denominada de hospedeiro, sendo, em geral, bem maior que o próprio parasita. Temos parasitas que podem viver dentro do organismo do hospedeiro, chamados de endoparasitas (vermes como a tênia e protozoários), e aqueles que vivem fora do organismo do hospedeiro como os ectoparasitas (carrapatos, como o carrapato- estrela, responsável pela transmissão da febre maculosa, piolhos e pulgas). Protozoários Os protozoários são organismos unicelulares, eucarióticos e que apresentam nutrição heterotrófica. Apesar de ser um termo bastante usado, não apresenta nenhum valor taxonômico, sendo considerado, portanto, um agrupamento artificial. Os protozoários em sua grande maioria apresentam vida livre e são encontrados em diferentes tipos de ambientes. Existem, no entanto, espécies que vivem em associação com outros organismos, como é o caso dos parasitas. Entre as doenças humanas Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 99 causadas por protozoários temos: amebíase, tricomoníase, toxoplasmose, leishmaniose, doença de Chagas e malária. A resposta de cada indivíduo à exposição a micro-organismos depende de seu estado de imunidade, ou seja, a capacidade de resposta do corpo do indivíduo para resistir à doença. Há muitos fatores envolvidos na imunidade, entre eles podemos citar: • se o indivíduo já passou por uma determinada doença; • níveis de imunização; • resistência imunológica individual; • níveis de fadiga; • idade; 5.2. CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS BIOLÓGICOS A Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS) do Ministério da Saúde, é o órgão responsável pela atualização da classificação dos agentes biológicos com potencial risco à saúde humana. A Comissão Intraministerial foi instituída pela Portaria GM/MS nº 1.683/2003, sendo coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e integrada pela: Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde (AISA), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Portaria GM/MS nº 1.608, de 5 de julho de 2007, delegou à CBS a responsabilidade de designar, instituir e coordenar a Comissão de Especialistas para a revisão e a atualização da Classificação de Risco dos Agentes Biológicos a cada dois anos a contar da publicação desta portaria e aprovou a primeira “Classificação de Risco dos Agentes Biológicos”. Quanto aos critérios de classificação de risco dos agentes biológicos destacam-se a infectividade, a patogenicidade e a virulência dos agentes biológicos, bem como a disponibilidade de medidas terapêuticas e profiláticas eficazes, modo de transmissão, estabilidade do agente, origem do material potencialmente patogênico, dose infectante, manipulação e eliminação do agente patogênico. Embora a classificação de risco seja indicativa para a observância do nível de biossegurança e das práticas indicadas para a manipulação do agente infeccioso em questão, a concentração do tal organismo na amostra deve ser considerada, como o risco de manipulação de amostras clínicas, cultivos em diversas escalas e sistemas biológicos, ou de animais infectados. Cabe destacar ainda que embora a presente classificação seja similar às internacionais há variações em virtude de fatores regionais específicos que influenciam na sobrevivência e na endemicidade do agente biológico. Para simplificar a forma como os riscos de diferentes micro-organismos devem ser gerenciados, eles são classificados em diferentes grupos de risco. Medidas de controle exigidas deverão ser compatíveis com o grupo de risco: • Classe de risco 1 – (baixo risco individual e à comunidade). Um organismo que é pouco provável de causar doença humana ou animal. • Classe de risco 2 – (risco individual moderado, risco limitado à comunidade). Um agente patogênico que pode causar doença humana ou animal e que pode ser um perigo Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 100 para os trabalhadores de laboratório, mas é improvável que se espalhe para a comunidade, gado ou o ambiente. Exposições laboratoriais podem causar infecção grave, mas o tratamento eficaz e medidas preventivas estão disponíveis e os riscos de propagação são limitados. • Classe de risco 3 – (elevado risco individual, risco reduzido para a comunidade). Um agente patogênico que pode causar doenças graves no homem, mas normalmente não se espalha de um indivíduo para outro. • Classe de risco 4 – (risco individual e à comunidade elevado). Um patógeno que geralmente produz doença humana ou animal grave e pode ser facilmente transmitido de um indivíduo para outro, direta ou indiretamente. Figura 5.2. Classes de risco para agentes biológicos Fonte: Classificação de risco dos agentes biológicos – 3ª edição, 2017. Devemos observar um outro importante aspecto na classificação de riscos biológicos que diz respeito a existência de medidas de profilaxia (medidas preventivas para a preservação da saúde, mais comumente relacionado à existência de vacinas, mas não apenas isso, medidas de higiene, atividades físicas e alimentação também estão inclusas) e de tratamento disponíveis. Caso não existam medidas preventivas ou de tratamento há um cenário muito grave, onde não háações ou procedimentos que possam garantir a prevenção da transmissibilidade ou mesmo o tratamento das pessoas acometidas pela patologia. A partir das classificações acima, é possível definir as prioridades, metas e objetivos das medidas preventivas e de controle aplicadas aos agentes biológicos. Na obra “Classificação de Risco dos Agentes Biológicos” (3ª edição – 2017) temos a citação de uma matriz de riscos para classificar os riscos biológicos baseados nas variáveis citadas: Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 101 Figura 5.3. Visão resumida das características das classes de riscos biológicos Fonte: Classificação de Riscos Biológicos”, Ministério da Saúde (3ª edição – 2017) No Anexo II da Norma Regulamentadora – NR 32 existe ainda uma segunda tabela para a classificação dos agentes biológicos, a saber: Figura 5.4. Especificação das legendas das notas usadas para a classificação de agentes biológicos Fonte: Norma Regulamentadora – NR 32 (Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde, 2005). Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 102 Figura 5.5. Classificação dos riscos biológicos Fonte: Norma Regulamentadora – NR 32 (Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde, 2005 - Adaptado). 5.3. CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE RISCOS DOS AGENTES BIOLÓGICOS A importância da avaliação de risco dos agentes biológicos está na estimativa do risco, no dimensionamento da estrutura para a contenção e na tomada de decisão para o gerenciamento dos riscos. Para isso, consideram-se alguns critérios, entre os quais se destacam: Natureza do Agente Biológico – organismos ou moléculas com potencial ação biológica infecciosa sobre o homem, animais, plantas ou o meio ambiente em geral, incluindo vírus, bactérias, archaea, fungos, protozoários, parasitos, ou entidades acelulares como príons, RNA ou DNA (RNAi, ácidos nucleicos infecciosos, aptâmeros, genes e elementos genéticos sintéticos, etc) e partículas virais (VPL). Virulência – é a capacidade patogênica de um agente biológico, medida pelo seu poder de aderir, invadir, multiplicar e disseminar em determinados sítos de infecção e tecidos do hospedeiro, considerando os índices de morbimortalidade que ele produz. A virulência pode ser avaliada por meio dos coeficientes de mortalidade e de gravidade. O coeficiente de mortalidade indica o percentual de casos da doença que são mortais, e o coeficiente de gravidade, o percentual dos casos considerados graves. Modo de transmissão – é o percurso feito pelo agente biológico a partir da fonte de exposição até o hospedeiro. O conhecimento do modo de transmissão do agente biológico é de fundamental importância para a aplicação de medidas que visem conter a disseminação do patógeno. Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 103 Estabilidade – é a capacidade de manutenção do potencial infeccioso de um agente biológico no meio ambiente, inclusive em condições adversas tais como a exposição à luz, à radiação ultravioleta, à temperatura, à umidade relativa e aos agentes químicos. Concentração e volume – a concentração está relacionada à quantidade de agentes biológicos por unidade de volume. Assim, quanto maior a concentração, maior o risco. O volume do agente biológico também é importante, pois na maioria dos casos os fatores de risco aumentam proporcionalmente ao aumento do volume. Origem do agente biológico potencialmente patogênico – deve ser considerada a origem do hospedeiro do agente biológico (humano ou animal), como também a localização geográfica (áreas endêmicas) e o vetor. Disponibilidade de medidas profiláticas eficazes – estas incluem profilaxia por vacinação, agentes antimicrobianos, antissoros e imunoglobulinas. Inclui ainda, a adoção de medidas sanitárias, controle de vetores e medidas de quarentena em movimentos transfronteiriços. Quando essas medidas estão disponíveis, o risco é reduzido. Disponibilidade de tratamento eficaz – tratamento capaz de prover a contenção do agravamento e a cura da doença causada pela exposição ao agente biológico. Inclui a utilização de antissoros, vacinas pós-exposição e medicamentos terapêuticos específicos. Deve ser considerada a possibilidade de ocorrência de resistência a antimicrobianos entre os agentes biológicos envolvidos. Dose infectante – consiste no número mínimo de agentes biológicos necessários para causar doença. Varia de acordo com a virulência do agente biológico e a susceptibilidade do indivíduo à infecção. Manipulação do agente biológico – a manipulação pode potencializar o risco, como por exemplo, em procedimentos para multiplicação, sonicação, liofilização e centrifugação. Além disto, deve-se destacar que nos procedimentos de manipulação envolvendo a inoculação experimental em animais, os riscos irão variar de acordo com as espécies e protocolos utilizados. Deve ser considerado ainda risco de infecções latentes que são mais comuns em animais capturados na natureza. Eliminação do agente biológico – o conhecimento das vias de eliminação do agente é importante para a adoção de medidas de contingenciamento. A eliminação por excreções ou secreções de agentes biológicos pelos organismos infectados, em especial, aqueles transmitidos por via respiratória, podem exigir medidas adicionais de contenção. As pessoas que lidam com animais experimentalmente infectados com agentes biológicos patogênicos apresentam um risco maior de exposição devido à possibilidade de mordidas, arranhões e inalação de aerossóis. Outro ponto de extrema importância é a avaliação de riscos biológicos baseado no conceito da própria NR 32 que estabelece o risco biológico como uma função da probabilidade de exposição aos agentes biológicos. Dessa forma, podemos entender que a probabilidade, ou seja, a chance de algo acontecer, neste caso a exposição é um fator fundamental para determinar a magnitude do risco biológico. Para considerar a probabilidade devemos tomar como base a frequência de contato com o material biológico em questão, seja um objeto, uma pessoa, um vetor, ou qualquer material potencialmente contaminado. Estamos lidando com uma avaliação qualitativa, Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 104 analisando a qualidade de algo, por meio de observações de campo, entrevista com os trabalhadores, supervisores e demais atores envolvidos no processo de trabalho, estudo das fontes de exposição, micro-organismo potencialmente envolvido e suas características genéticas, morfológicas, infecciosas e de transmissibilidade. Outros pontos a serem destacados neste tipo de abordagem são: • Levantamento das doenças transmissíveis presentes a partir de dados epidemiológicos disponíveis (neste caso, por exemplo, a parceria do SESMT de um hospital com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH é fundamental para o mapeamento dos possíveis focos, setores e procedimentos onde o contato com um determinado patógeno seja mais provável); • Levantamento das fontes de exposição presentes (pessoas, animais, objetos, materiais, alimentos água, entre outros); • Observar as situações de trabalhoonde ocorrem as exposições, ou seja, o contato entre a fonte de exposição e o(s) trabalhador(es); • Analisar a existência de barreiras que bloqueiem a via de transmissão (ventilação por pressão positiva, negativa, bioconcentação por barreiras de acrílico com limpeza e higienização constantes (ou por meio da aplicação de radiação ultravioleta no espectro UVC – comprimento de onda de 100 a 280 nm [nanômetros]); uso de Equipamentos de Proteção Respiratória – EPR (Peça Facial Filtrante – PFF 2, entre outros tipos de proteção respiratória). • Persistência do agente biológico no ambiente (bactérias são mais resistentes quando expostas as condições ambientais do que os vírus por exemplos, logo a capacidade infecção das bactérias, principalmente aquelas que desenvolvem um esporo (ou endósporo), uma estrutura que garante resistência a bactéria em ambiente desfavoráveis, com falta de nutrientes, tal fenômeno se chama esporulação). Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 105 Figura 5.6. Modelo de aplicação de uma planilha de reconhecimento, avaliação e controle de riscos em conformidade com os requisitos da NR 32 aplicada a uma exposição ao vírus da hepatite C – Parte 01 Persistência do Agente Biológico no Ambiente Fora de uma célula hospedeira o tempo de persistência do vírus no ambiente é baixo, estima-se que este tempo seja de aproximadamente 72 horas. Grupo de Exposição Similar - GES: 05 - Enfermagem Efeitos à Saúde Hepatite C Técnico de Enfermagem: Executar ações assistenciais de enfermagem, sob supervisão, observando e registrando sinais e sintomas apresentados pelo doente, fazendo curativos, ministrando medicamentos e outros. Auxiliar no controle de estoque de materiais, equipamentos e medicamentos. Operar aparelhos de eletrodiagnóstico. uxiliar o Enfermeiro na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral, em programas de vigilância epidemiológica e no controle sistemático da infecção hospitalar. Descrição das atividades dos cargos que compõe o GES: Transmissibilidade, Patogenicidade e Virulência do agente Classe de Risco 2: risco individual moderado para o trabalhador e com baixa probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças ao ser humano, para as quais existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Inspeção nos locais de trabalho e consulta aos trabalhadores, supervisores de enfermagem e análise dos procedimentos operacionais. Dispositivo de coleta para materiais perfurocortantes rígido e impermeável. Treinamento de Biossegurança Treinamento de Segurança durante Manipulação de Dispositivos Perfurocortantes Sinalização quanto ao uso dos Equipamentos de Proteção Individual, bem como quanto ao descarte de materais perfurocortantes. Procedimentos de limpeza concorrente e terminal no setor de trabalho. Luvas de Procedimento. Respirador N 95 (Equivalente a PFF 2) Óculos de Proteção. Não Aplicável Agentes Biológicos Vírus da Hepatite C Sangue contaminado com o vírus Contato Dérmico Média Análise Qualitativa / Quantitativa Medidas de Controle Existentes Equipamentos de Proteção Coletiva Medidas Administrativas Equipamentos de Proteção Individual Cargos: Auxiliar de Enfermagem e Técnico de Enfermagem. Horário de Trabalho: 8h00 às 17h00 Auxiliar de Enfermagem: Preparar pacientes para consultas e exames. Realizar e registrar exames, segundo instruções das equipes de enfermagem ou médica. Colher e ou auxiliar paciente na coleta de material para exames de laboratório, segundo orientação. Orientar e auxiliar pacientes, prestando informações relativas a higiene, alimentação, utilização de medicamentos e cuidados específicos em tratamento de saúde. Realizar imobilização do paciente mediante orientação. Descrição do Local de Trabalho: Setor com uma área construída de aproximadamente 40m², iluminação natural e artificial difusa por meio de lâmpadas fluorescentes, paredes de alvenaria pintadas na cor branco fosco, piso vinílico (com índice de absorção de água de 3,8%) com bordas arredondadas em todo perímetro; ventilação natural promovida pela circulação de ar por meio correntes provindas das aberturas de portas e janelas. Instrumentos Aplicados no Local de Trabalho: Agulha de sutura, escalpe para a coleta de sangue a vácuo, seringa de 1ml e de 3ml, equipo para transfusão sanguínea de camada dupla, curativos de malha de não tecido e algodão. Riscos Ambiental Tipo de Agente Fonte de Exposição e Reservatório Vias de Transmissão e Entrada Possibilidade de Exposição Reconhecimento, Avaliação e Controle dos Riscos Ambientais - Com base da NR 32 Unidade: Ambulatório de Especialidades Médicas Número de Trabalhadores Expostos: 8 Data: 23/06/2020Setor: Enfermagem Fonte: o autor Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 106 Figura 5.7. Modelo de aplicação de uma planilha de reconhecimento, avaliação e controle de riscos em conformidade com os requisitos da NR 32 aplicada a uma exposição ao vírus da hepatite C – Parte 02 Observações: Os levantamentos de riscos foram realizados em dia típico de trabalho, ou seja, selecionado aleatoriamente, inexistindo qualquer circunstância interna ou externa que pudesse caracterizar qualquer desvio de funcionalidade das atividades desempenhadas pelos trabalhadores que constituem o Grupo de Exposição Similar - GES. Equipamentos de Proteção Coletiva: Nem todos os materiais perfurocortantes apresentam mecanismos de fechamento semi-automático, como é o caso das seringas de 3 ml; faz-se necessário a aquisição de dispositivos perfurocortantes que atendam as características de proteção conforme o Anexo III da NR 32. Medidas Administrativas: Analisar os resultados globais do Plano de Prevenção de Acidentes com Materiais Perfurocortantes de acordo com os objetivos estabelecidos, bem como com os requisitos da NR 32. Equipamentos de Proteção Individual: Os Equipamentos de Proteção Individual estão de acordo com as características de exposição ocupacional do Grupo de Exposição Similar - GES. Estudos epidemiológicos, dados estatísticos e outras informações científicas a serem consideradas: 1. Notas Técnicas de Prevención - NTP 833 - Agentes biológicos. Evaluación simplificada, Instituto Nacional de Seguridad e Higiene em el Trabajo. 2. Modern Industrial Hygiene: Biological Aspects: Volume 2 3. Dados estatísticos internos coletados com a equipe de Comissão de Controlde de Infecção Hospitalar - CCIH 4. The Role of the industrial Hygienist in a Pandemic (American Industrial Hygiene Association) 5. Risco Biológico - Guia Técnico da NR 32 Recomendaçãoes de Medidas de Controle: Fonte: o autor Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 107 Figura 5.8. Modelo de aplicação de uma planilha de reconhecimento, avaliação e controle de riscos em conformidade com os requisitos da NR 32 aplicada a uma exposição ao vírus da SARS-CoV-2 (novo coronavírus) – Parte 01 Fora de uma célula hospedeira o tempo de persistência do vírus no ambiente é variável, pois depende diretamente do vetor ou meio em que ele se encontra, não sendo possível determinar um período exato. Alta COVID - 19 Inspeção nos locais de trabalho e consulta aos trabalhadores, supervisores de enfermagem e análise dos procedimentos operacionais. Sistema climatizado de troca de ar com renovação periódica e sistema de filtraçãoINTERNACIONAL DE ENFERMIDADES - OMS/75 (AS DOENÇAS PROVOCADAS PELA EXPOSIÇÃO AO CALOR) ...................................... 132 7.4.1. GOLPE DE CALOR (HIPERTERMIA OU CHOQUE TÉRMICO) ...................... 133 7.4.2. SÍNCOPE PELO CALOR (EXAUSTÃO PELO CALOR) ................................... 134 7.4.3. PROSTRAÇÃO TÉRMICA POR DESIDRATAÇÃO .......................................... 134 7.4.4. PROSTRAÇÃO TÉRMICA PELO DECRÉSCIMO DO TEOR SALINO ............ 134 7.4.5. CÃIBRAS DE CALOR ........................................................................................ 134 7.4.6. ENFERMIDADES DAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS .................................... 135 7.4.7. EDEMA PELO CALOR ....................................................................................... 135 7.4.8. OUTROS EFEITOS À SAÚDE ........................................................................... 135 7.5. ACLIMATIZAÇÃO...................................................................................................... 136 7.6. CONFORTO TÉRMICO ............................................................................................. 138 7.6.1 VELOCIDADE DO AR ......................................................................................... 138 7.6.2. UMIDADE RELATIVA DO AR ............................................................................ 139 7.7. ÍNDICES DE AVALIAÇÃO TÉRMICA....................................................................... 141 7.7.1. TEMPERATURA EFETIVA (TE) ........................................................................ 141 7.7.2 ÍNDICE DE SOBRECARGA TÉRMICA (IST) DE BELDING E HATCH ............. 143 7.7.3. ÍNDICE DE BULBO ÚMIDO - TERMÔMETRO DE GLOBO (IBUTG) .............. 146 7.8. NORMA REGULAMENTADORA Nº.15 - ANEXO Nº. 3 .......................................... 147 7.9. TEMPERATURA DE GLOBO ÚMIDO (TGU) ........................................................... 149 7.10. LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O TRABALHO EM AMBIENTES QUENTES 150 7.11. MEDIDAS DE CONTROLE (SOBRECARGA TÉRMICA) ...................................... 151 7.11.1. MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE .......................................................... 151 7.11.2. MEDIDAS RELATIVAS AO TRABALHADOR ................................................. 151 7.12. TESTES .................................................................................................................... 154 7.13. EXERCÍCIOS ........................................................................................................... 157 CAPÍTULO 8. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO FRIO160 8.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 161 8.1.1. TEMPERATURA DO NÚCLEO DO CORPO ..................................................... 161 8.1.2. TAXA DE RESFRIAMENTO PELO VENTO ...................................................... 161 8.2. FISIOPATOLOGIA DO FRIO .................................................................................... 164 8.3. EFEITOS BIOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO AO FRIO .............................................. 165 8.3.1. LESÕES NÃO-CONGELANTES ........................................................................ 165 8.3.1.1. HIPOTERMIA ......................................................................................... 165 8.3.1.2. GELADURA OU QUEIMADURA DO FRIO ........................................... 167 8.3.1.3. SÍNDROME DE IMERSÃO (“PÉS DE IMERSÃO” OU “PÉS DE TRINCHEIRA”) .................................................................................................... 167 8.3.2. LESÕES CONGELANTES ................................................................................. 167 8.3.2.1. CONGELAMENTO (“FROSTBITE”) ...................................................... 167 Sumário v 8.4. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO AO FRIO ........................................ 167 8.5. TESTES ...................................................................................................................... 172 8.6. EXERCÍCIOS ............................................................................................................. 174 CAPÍTULO 9. ESOCIAL ................................................................................................... 175 9.1 O ESOCIAL ............................................................................................................ 176 9.1.1 O QUE É O ESOCIAL .............................................................................. 176 9.1.2 SUJEITOS AO ESOCIAL ......................................................................... 178 9.1.3 EVENTOS DO ESOCIAL ......................................................................... 178 9.1.4 EVENTOS DE TABELAS – TABELAS DO EMPREGADOR .................. 179 9.1.5 EVENTOS NÃO PERIÓDICOS ................................................................ 179 9.1.6 EVENTOS PERIÓDICOS ......................................................................... 180 9.1.7 SEQUÊNCIA LOGICA DO PREENCHIMENTO DO ESOCIAL ............... 180 9.1.8 IDENTIFICADORES ................................................................................. 181 9.1.9 CONSULTA .............................................................................................. 181 9.1.10 LEIAUTES ................................................................................................ 181 9.1.11 TESTES .................................................................................................... 182 9.2 O ESOCIAL PARA A SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO ........................ 183 9.2.1 ELEMENTOS CONSTITUINTES DO ESOCIAL PARA SST .................. 183 9.2.2 TESTES .................................................................................................... 188 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 189 Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 2 CAPÍTULO 1. RADIAÇÕES DDS I OBJETIVOS DO ESTUDO Possibilitar a compreensão dos aspectos principais da proteção radiológica. Neste capítulo serão apresentados os tipos de fontes de radiação ionizante, a classificação das radiações segundo a forma de interação com a matéria, as grandezas e unidades radiológicas. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: • Estabelecer as características das partículas atômicas; • Definir os termos: isótopo, número atômico, número de massa e elemento químico; • Descrever os processos de emissão de partículas alfa, partículas beta, radiação gama, raios X e nêutrons; • Descrever a interação dos diferentes tipos de radiação ionizante com a matéria; • Identificar as fontes de radiação ionizante; • Avaliar os riscos potenciais associados ao uso de fontes de radiação; • Definir os termos: radioatividade, atividade, Curie, Becquerel e meia-vida física; • Calcular a constante de decaimento a partir da meia vida física de uma fonte radioativa • Calcular a atividade atual de uma fonte radioativa; • Definir dose de exposição, dose absorvida e dose equivalente e suas respectivas unidades. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 3 1.1. INTRODUÇÃO Desde os primórdios da humanidade o homem esteve exposto às radiações ionizantes proveniente do espaço exterior, do solo, da água, do ar e dos seres vivos. O crescente uso de fontes emissoras dessas radiações em atividades médico-hospitalares,interno do tipo HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance) Treinamento de Biossegurança Sinalização quanto ao uso dos Equipamentos de Proteção Individual, bem como quanto ao descarte de materais perfurocortantes. Procedimentos de limpeza concorrente e terminal no setor de trabalho. Luvas de Procedimento. Respirador N 95 (Equivalente a PFF 2) Óculos de Proteção. Realizada coleta de superfícies e de ar para fins de identificação do RNA viral. Resultado: A análise de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) identificou a presença do RNA viral na coleta de superfície 015 que foi coletada no balcão de enfermagem. Agentes Biológicos Sars-CoV-2 Gotículas e Aerossóis Via Respiratória Classe de Risco 4: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade elevada de disseminação para a coletividade. Apresenta grande poder de transmissibilidade de um indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Instrumentos Aplicados no Local de Trabalho: Agulha de sutura, escalpe para a coleta de sangue a vácuo, seringa de 1ml e de 3ml, equipo para transfusão sanguínea de camada dupla, curativos de malha de não tecido e algodão, ventiladores pulmonares usados para os casos de tratamento para o novo coronavírus. Riscos Ambiental Tipo de Agente Fonte de Exposição e Reservatório Vias de Transmissão e Entrada Transmissibilidade, Patogenicidade e Virulência do agente Persistência do Agente Biológico no Ambiente Possibilidade de Exposição Efeitos à Saúde Análise Qualitativa / Quantitativa Medidas de Controle Existentes Equipamentos de Proteção Coletiva Medidas Administrativas Equipamentos de Proteção Individual Descrição do Local de Trabalho: Setor com uma área construída de aproximadamente 40m², iluminação natural e artificial difusa por meio de lâmpadas fluorescentes, paredes de alvenaria pintadas na cor branco fosco, piso vinílico (com índice de absorção de água de 3,8%) com bordas arredondadas em todo perímetro; ventilação natural promovida pela circulação de ar por meio correntes provindas das aberturas de portas e janelas. Reconhecimento, Avaliação e Controle dos Riscos Ambientais - Com base da NR 32 Unidade: Hospital da cidade X Setor: Enfermagem Grupo de Exposição Similar - GES: 08 - Unidade de Terapia Intensiva Número de Trabalhadores Expostos: 12 Data: 23/06/2020 Cargos: Auxiliar de Enfermagem e Técnico de Enfermagem. Horário de Trabalho: 8h00 às 17h00 Descrição das atividades dos cargos que compõe o GES: Auxiliar de Enfermagem: Preparar pacientes para consultas e exames. Realizar e registrar exames, segundo instruções das equipes de enfermagem ou médica. Colher e ou auxiliar paciente na coleta de material para exames de laboratório, segundo orientação. Orientar e auxiliar pacientes, prestando informações relativas a higiene, alimentação, utilização de medicamentos e cuidados específicos em tratamento de saúde. Realizar imobilização do paciente mediante orientação. Técnico de Enfermagem: Executar ações assistenciais de enfermagem, sob supervisão, observando e registrando sinais e sintomas apresentados pelo doente, fazendo curativos, ministrando medicamentos e outros. Auxiliar no controle de estoque de materiais, equipamentos e medicamentos. Operar aparelhos de eletrodiagnóstico. uxiliar o Enfermeiro na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral, em programas de vigilância epidemiológica e no controle sistemático da infecção hospitalar. Fonte: o autor Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 108 Figura 5.9. Modelo de aplicação de uma planilha de reconhecimento, avaliação e controle de riscos em conformidade com os requisitos da NR 32 aplicada a uma exposição ao vírus da SARS-CoV-2 (novo coronavírus) – Parte 02 Observações: Os levantamentos de riscos foram realizados em dia típico de trabalho, ou seja, selecionado aleatoriamente, inexistindo qualquer circunstância interna ou externa que pudesse caracterizar qualquer desvio de funcionalidade das atividades desempenhadas pelos trabalhadores que constituem o Grupo de Exposição Similar - GES. Recomendaçãoes de Medidas de Controle: Equipamentos de Proteção Coletiva: Nem todos os materiais perfurocortantes apresentam mecanismos de fechamento semi-automático, como é o caso das seringas de 3 ml; faz-se necessário a aquisição de dispositivos perfurocortantes que atendam as características de proteção conforme o Anexo III da NR 32. Medidas Administrativas: Deve ser realizado o teste de vedação dos respiradores utilizados, bem como a elaboração de um procedimento para a verificação da vedação dos respiradores por parte dos trabalhadores que utilizam o Equipamento de Proteção Respitarória - EPR. Manter a inspeção e manutenção da qualidade do ar nos locais onde sejam usados sistemas de climatização por meio do PMOC - Plano de Manutenção, Operação e Controle. Equipamentos de Proteção Individual: Os Equipamentos de Proteção Individual estão de acordo com as características de exposição ocupacional do Grupo de Exposição Similar - GES. Estudos epidemiológicos, dados estatísticos e outras informações científicas a serem consideradas: 1. Notas Técnicas de Prevención - NTP 833 - Agentes biológicos. Evaluación simplificada, Instituto Nacional de Seguridad e Higiene em el Trabajo. 2. Modern Industrial Hygiene: Biological Aspects: Volume 2 3. Interim Infection Prevention and Control Recommendations for Healthcare Personnel During the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Pandemic, Centers for Disease Control and Prevention 4. Dados estatísticos internos coletados com a equipe de Comissão de Controlde de Infecção Hospitalar - CCIH 5. The Role of the industrial Hygienist in a Pandemic (American Industrial Hygiene Association) 6. Risco Biológico - Guia Técnico da NR 32 7. Portaria Conjunta 20, de 18 de junho de 2020 Fonte: o autor Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 109 Vejam que é extremamente importante identificar o agente biológico mais provável naquele setor ao qual os trabalhadores de um determinado GES – Grupo de Exposição Similar estão potencialmente expostos. Muitas vezes nos deparamos com descrições genéricas como: micro-organismos diversos, fungos, bactérias, vírus, entre outros. Todavia, tal classificação é muito superficial e não detalhe qual é o tipo de agente biológico que é presumidamente existente naquele local de trabalho. Quando digo presumido, me refiro a probabilidade daquele determinado patógeno estar presente no ambiente, pois em algumas situações tal presença não pode ser ratificada de forma absoluta, haja vista que isso depende do tipo de ambiente, em um setor de internação temos diferentes tipos de pacientes, com doenças distintas e agentes etiológicos (os micro-organismos causadores) com características singulares e que podem não estar presente a todo instante. O contrário acontece em outras situações como em determinadores serviços de saúde onde há o atendimento de determinadas doenças infecciosas como a tuberculose e a meningite, onde podemos pressupor a maior probabilidade da presença do mycobacteriumm tuberculosis e da neisseria meningitidis, respectivamente. Um ponto importante a ser considerado é que a legislação trabalhista, mais precisamente o Anexo 14 da Norma Regulamentadora – NR 15 (atividades e operações insalubres) não estabelece nenhum critério de avaliação para fins preventivos para os casos onde existem exposição aos agentes biológicos no ambiente de trabalho, seu uso está unicamenterestrito a caracterização do adicional de insalubridade em grau médio ou máximo, de acordo com as atividades previstas nesta parte da norma. Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 110 Figura 5.10. Anexo 14 da Norma Regulamentadora – NR 15 “Operações e Atividades Insalubres” Fonte: Portaria SSST n° 12, de 12 de novembro de 1979. Além da legislação trabalhista supracitada, temos o Anexo IV do Decreto 3.048/99 que estabelece, em seus códigos 3.0.0 e 3.0.1, as atividades, em caráter exaustivo, que dão ensejo a aposentadoria especial por 25 de exposição aos agentes biológicos. Porém, mais uma vez temos uma legislação de aplicabilidade restrita, que em momento algum pressupõe a realização de uma avaliação de riscos biológicos com objetivos preventivos. Figura 5.11. Códigos 3.0.0 e 3.0.1 do Anexo IV do Decreto 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social Fonte: Decreto 3.048/99 Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 111 5.4. LABORATÓRIO DE BIOSSEGURANÇA Existem também quatro níveis de Biossegurança que estabelecem as precauções de contenção que precisam ser usadas para controlar os riscos biológicos diferentes. Os níveis da faixa de contenção a partir do nível mais baixo de biossegurança 1 para o mais alto no nível 4. • Nível de biossegurança 1 – Pouca contenção ou segregação da instalação, mas com precauções, tais como separação e rotulagem dos resíduos. • Nível de biossegurança 2 – O pessoal tem formação específica na manipulação de agentes patogênicos, o acesso ao laboratório é limitado quando o trabalho está sendo realizado, precauções extremas são tomadas com itens contaminados, e certos procedimentos em que aerossóis infecciosos ou respingos podem ser criados são realizados em câmaras de segurança biológica. • Nível de biossegurança 3 – Todos os procedimentos envolvendo a manipulação de materiais infecciosos são realizados dentro de cabines de segurança biológica ou outros dispositivos de contenção física, ou por pessoal vestindo roupas de proteção individual e equipamentos adequados. O laboratório tem características especiais de engenharia e design, tais como zonas de porta de acesso duplas. • Nível de biossegurança 4 – A instalação fica em um prédio separado ou em uma área controlada dentro de um edifício. O estabelecimento tem ventilação controlada mantendo-a sob pressão negativa. Todas as atividades são realizadas em cabines de segurança biológica classe III, ou cabines de segurança biológica classe II usadas com uma vestimenta pessoal de pressão positivas de peça única ventilada por um sistema de suporte. Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 112 5.5. TESTES 1. A resposta de cada indivíduo à exposição a micro-organismos depende de seu estado de imunidade, ou seja, a capacidade de resposta do corpo do indivíduo para resistir à doença. Há muitos fatores envolvidos na imunidade, entre eles podemos citar: a) Estado de saúde, alimentação, fobia e esquema de vacinação; b) Estado de alerta, sono, vícios e prática de esporte; c) Se o indivíduo já passou por uma determinada doença, níveis de imunização, resistência imunológica individual, níveis de fadiga e idade; d) Níveis de imunização apenas; e) Comorbidade pré-existente e uso de medicamentos. 2.Quais são as classificações adotadas para agrupar os agentes biológicos em suas respectivas classes de riscos? a) 1A, 2B, 3C, 4D e 5E; b) 1, 2, 3 e 4; c) Qualitativa e Quantitativa. d) 3 e 4 apenas; e) Nenhuma das alternativas propostas. 3.Quais são as três variáveis a serem consideradas para a classificação de riscos biológicos de acordo com a matriz proposta por BINSFELD, et al., 2010? a) Risco de surto, epidemia e pandemia; b) Propagação para a coletividade; c) Apenas se a doença é infectocontagiosa ou não; d) Risco individual, Risco à coletividade e profilaxia ou terapia (tratamento eficaz); e) Risco individual e coletivo. 4. O que é a virulência de um agente biológico? a) Capacidade de se reproduzir na célula do hospedeiro; b) Taxa de sobrevivência do micro-organismo fora do hospedeiro; c) Se existe vacinação disponível; d) É o percurso feito pelo agente biológico a partir da fonte de exposição até o hospedeiro. O conhecimento do modo de transmissão do agente biológico é de fundamental importância para a aplicação de medidas que visem conter a disseminação do patógeno. e) É a capacidade patogênica de um agente biológico, medida pelo seu poder de aderir, invadir, multiplicar e disseminar em determinados sítos de infecção e tecidos do hospedeiro, considerando os índices de morbimortalidade que ele produz. A virulência pode ser avaliada por meio dos coeficientes de mortalidade e de gravidade. O coeficiente de mortalidade indica o percentual de casos da doença Capítulo 5. Conceitos em Agentes Biológicos ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 113 que são mortais, e o coeficiente de gravidade, o percentual dos casos considerados graves. 5.Qual é o objetivo do Anexo 14 da Norma Regulamentadora – NR 15 “Atividades e Operações Insalubres”? a) Determinar se o trabalhador está exposto aos riscos biológicos de acordo com técnicas e metodologias de análise de riscos que cruzem probabilidade e consequência; b) Analisar se o trabalhador tem direito ao adicional de penosidade; c) Analisar se o segurado tem ensejo à aposentadoria especial por 25 anos de exposição; d) Seu uso está unicamente restrito a caracterização do adicional de insalubridade em grau médio ou máximo, de acordo com as atividades previstas nesta parte da norma. e) Nenhuma das alternativas anteriores. Capítulo 6 Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 114 CAPÌTULO 6. AGENTES BIOLÓGICOS INSTRUMENTAÇÃO Prof. SÉRGIO MÉDICI DE ESTON Prof. JOAQUIM GOMES PEREIRA OBJETIVOS DO ESTUDO Apresentar os conceitos de bioaerossóis no contexto da exposição ocupacional, conhecer metodologias de coleta e análise de microrganismos presentes em amostras de ar. Os conceitos e técnicas para a avaliação da exposição ocupacional aos agentes biológicos, ou seja, aos diversos tipos de micro-organismos potencialmente presentes em diferentes tipos de atividades profissionais. Bem como a abordagem da legislação pertinente ao tema, metodologias de avaliação qualitativa e medidas de preventivas e de controle pertinentes ao tema. Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a: • Buscar informações sobre os possíveis bioaerossóis presentes em ambientes de trabalho; • Identificar tecnologias de amostragem adequadas para cada situação; • Discutir técnicas de análise adequadas a depender do objetivo da avaliação; • Propor medias de controle da exposição aos agentes biológicos com maior conhecimento da microbiota aérea do ambiente avaliado. Capítulo 6 Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 115 6.1. INTRODUÇÃO A avaliação da exposição ocupacional aos agentes biológicos inicia-se de forma qualitativa utilizando conceitos, normas e metodologias estabelecidas para identificação e classificação dos riscos em função de sua patogenicidade, virulência, modo de transmissão, origem do material potencialmente patogênico, dose infectante, forma de manipulação, entre outros aspectos. Entretanto, situações em que é identificada a presença de contaminantes biológicos suspensos no ar, pode ser necessário lançar mão de técnicas e instrumentação adequadas para a coleta e análise dos aerossóis de origem biológica, para que se tenha um maior entendimento das exposições aos agentes biológicos e seja possível tomar ações efetivas no sentido da proteção da saúde ocupacional. Contaminantes biológicos ocorrem no ar como aerossóis e podem incluir bactérias, fungos e vírus. Aerossóis são caracterizados como partículas sólidas ou líquidas suspensas no ar. Falar por 5 minutos e tossir pode produzir 3.000 núcleos de gotículas; espirros podem gerar aproximadamente 40.000 gotículas que evaporam em partículas na faixa de tamanho de 0,5 a 12 μm. As partículas em um aerossol biológico geralmente variam em tamanho dena superfície do plástico. O Método NIOSH 0800 descreve como coletar bactérias e fungos transportados pelo ar para análise por cultura de crescimento em edifícios usando um impactador Andersen em cascata. No Brasil, conforme estabelece a ANVISA em sua Resolução – RE nº 9, de 16 de janeiro de 2003 o impactador tipo Andersem deve ser utilizado para avaliação da qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente. A metodologia recomenda que a o impactador deve ser operado com bomba e amostragem na vazão de 28,3 L/min coletando ar de 5 a 15 minutos a 1,5 metros do chão. 6.3.3 AMOSTRAGEM EM MEIO ÚMIDO OU LÍQUIDO Esta técnica realiza a coleta do bioaerossol de forma que o fluxo de ar impacte em uma superfície líquida ou na parede de um ciclone umedecido com meio de coleta. Esses sistemas buscam evitar danos causados pela impactaçao em meio sólido, e a forte agitação associada aos impingers convencionais, que podem ser prejudiciais para alguns microrganismos, e pode ainda fornecer curvas de eficiência de coleta mais precisas. Um dos exemplos mais comuns de um amostrador de meio líquido é o amostrador SKC BioSampler. É semelhante ao antigo impinger AGI-30, más possui três bicos que se curvam de forma que o fluxo do aerossol seja tangencial à parede do recipiente de coleta. Isso faz com que o líquido de coleta gere menos agitação e borbulhamento, evitando a re-aerossolização observada em impingers tradicionais. O BioSampler coleta partículas com diâmetros aerodinâmicos de aproximadamente 0,3μm a 8μm no meio de coleta, embora o diâmetro de corte superior não seja claro na literatura. Deve ser utilizado em conjunto com uma bomba de vácuo operando na vazão exata de 12,5 L/min. O BioSampler pode ser usado com fluidos diversos como óleo mineral (não evaporativo), água, soluções tampão, etc. Caso se pretenda realizar análise molecular em PCR, a solução usada pode já conter algum meio de inativação para que após a Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 119 coleta seja seguida a sequência de diluições e preparações conforme a metodologia escolhida. Uma vantagem desta metodologia, é a possibilidade de coleta por períodos mais longos, por permitir uma melhor preservação dos microrganismos. Esta coleta em meio líquido é uma das tecnologias mais eficientes para coleta de microrganismos mais sensíveis com o os vírus. 6.3.4 AMOSTRAGEM PASSIVA DE BIOAEROSSÓIS Amostragem de bioaerossol passiva, permite que os bioaerossóis se fixem gravitacionalmente em um dispositivo de coleta, como uma placa de cultura, folha de alumínio ou tecido eletrostaticamente carregado. Em comparação com a amostragem ativa, a amostragem de bioaerossol passiva possui vantagens como simplicidade, baixo custo, ausência de perturbação do ar do ambiente e a capacidade de coletar por longos períodos. Entretanto, como desvantagem pode ser impactada por variáveis como as correntes de ar ao redor do dispositivo e o tamanho da partícula no ar. Como partículas maiores tendem a se assentar mais rapidamente do que as partículas menores, são muito mais prováveis de serem coletadas. Como resultado dessas variáveis limitantes, os resultados da amostragem passiva de bioaerossol não podem ser diretamente relacionados à concentração de partículas transportadas pelo ar e podem não se correlacionar bem com os resultados da amostragem ativa, que utiliza bombas que forcam a passagem do ar pelo coletor. No entanto, a amostragem passiva pode ser útil na avaliação da probabilidade de que as partículas de bioaerossol contaminem superfícies como feridas abertas em salas de cirurgia, cozinhas ou laboratórios, uma vez Amostrador em meio líquido BioSampler Impinger AGI-30 Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 120 que mimetizam o evento de contaminação de forma mais realista do que um amostrador ativo. 6.3.4.1Placas de Sedimentação As placas de sedimentação ou decantação, são placas de petri contendo meio de cultura nutriente que são abertas e colocadas com o lado da coleta para cima em um local de interesse. As partículas transportadas pelo ar podem assentar nas placas por um tempo especificado e as placas são então fechadas, incubadas e analisadas para verificar crescimento de fungos e bactérias. O ideal é que essas placas sejam colocadas entre 1,5 a 2 metros acima do solo para evitar a coleta de grandes partículas de poeira de outras fontes além das partículas transportadas pelo ar, como sapatos, roupas, pele e animais. Grades, telas ou proteções também podem ser colocados ao redor ou sobre o dispositivo de coleta para impedir a deposição de grandes partículas indesejadas. Placa de petri usada para sedimentação 6.3.5 AMOSTRAGEM DE SUPERFÍCIES A coleta de microrganismos em superfícies é amplamente utilizada em locais como pisos, carpetes, mesas ou maçanetas como um indicativo da presença de bioaerossóis em edificações. Esta abordagem permite a coleta de grandes quantidades de material, fornece amostras de longo prazo e não requer dispositivos de amostragem como bombas ou equipamentos. As partículas microbiológicas assentadas podem variar dentro de um ambiente, dependendo da localização e da superfície de coleta. Foram transportadas pelo no ar, mas podem ter sido produzidas por uma variedade de outros mecanismos ou organismos, tornando difícil distinguir a fonte. A poeira do chão e do carpete, por exemplo, incluirá material externo trazido por sapatos, flocos de pele, fibras de roupas e pelos de animais. Os locais de amostragem bem acima do nível do chão são frequentemente escolhidos para minimizar a quantidade de poeira que não é de partículas suspensas no ar. Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 121 6.3.5.1 Swabs Os swabs ou hastes flexíveis (cotonetes) são amplamente usados para coletar material transportado pelo ar que se fixou nas superfícies. No entanto, obter resultados consistentes e confiáveis da amostragem de esfregaço é muito mais difícil do que se imagina, e é necessária atenção cuidadosa à escolha do material de esfregaço, meio de eluição e método e área de coleta. Se as amostras de esfregaço forem cultivadas, uma técnica asséptica é necessária para evitar a contaminação. Diversas instituições internacionais como ASTM International, ISO, USP, NIOSH entre outras, possuem metodologias estabelecidas para coleta com swabs em superfícies para diferentes aplicações como salas limpas, local de colocação de alimentos, padrão para coleta de material fúngico, laboratórios etc. Um exemplo de protocolo validado para amostragem de esfregaço foi desenvolvido pelo NIOSH para amostragem de esporos de Bacillus anthracis em superfície. Neste procedimento, uma área definida é primeiro delineada usando um modelo ou uma régua e fita adesiva. Um esfregaço com uma espuma estéril é então umedecido com uma solução tampão que neutraliza os desinfetantes. A superfície é esfregada usando movimentos horizontais, seguidos por verticais e, finalmente, diagonais, e a amostra é então colocada em um tubo estéril para transporte e análise. A escolha do material do swab pode ter um impacto significativo na coleta de microrganismos de uma superfície. Coleta com Swab em superfície 6.3.5.2 Aspiração a vácuo Técnica muito utilizada em pisos e carpetes. O Departamento deHabitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos (HUD) desenvolveu um protocolo para a coleta a vácuo de amostras de poeira doméstica para teste de alérgenos. A coleta a vácuo da poeira assentada em pisos e carpetes é usada para determinar o Índice de Mofo Relativo Ambiental (ERMI), que é uma medida de contaminação por mofo em casas, permitindo uma classificação da qualidade do ar ambiental em residências dos EUA. Como a maioria das residências possuem sistema de aquecimento com vedação total, problemas com umidade e mofo são de interesse nacional. Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 122 Cassette MICROVACUUM para coleta de fungos em carpete, c/ filtro PC 6.3.5.3 Fita Adesiva Coletora Fitas adesivas podem ser usadas para coletar amostras de microrganismos em superfícies para análise microscópica. Normalmente, um lado da fita adesiva é pressionado suavemente sobre uma superfície de interesse, removida com uma força lenta e constante e, em seguida, fixada em uma lâmina de vidro ou colocada em um frasco. As amostras são relativamente simples de coletar, mas os resultados dependem da habilidade do examinador em identificar os microrganismos e seus fragmentos e não fornecem uma avaliação quantitativa da exposição. Fita adesiva adequada para coleta em superfícies 6.3.5.4 Placas de Contato (RODAC) As placas de contato são basicamente placas de petri com meios de cultura, nas quais o ágar é colocado de modo que sua superfície se sobressaia ligeiramente acima da borda da placa. Uma amostra de superfície é coletada invertendo a placa e pressionando o meio de cultura diretamente sobre a superfície plana de interesse. A placa é então removida, incubada e analisada quanto ao crescimento microbiano. Este método de amostragem é frequentemente chamado de procedimento de contato direto com ágar de Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 123 organismo replicado (RODAC) e é comumente usados para monitoramento de biocontaminação nas indústrias farmacêutica e alimentícia. Como muitas das superfícies de interesse nessas indústrias são desinfetadas rotineiramente, placas de contato estão disponíveis com meios que contêm neutralizadores para desinfetantes. 6.4. METODOLOGIAS DE ANÁLISE DE AMOSTRAS MICROBIOLÓGICAS DE AR Para determinar a presença, a quantidade, a composição e a taxonomia das amostras de bioaerossóis, as seguintes técnicas são as mais utilizadas: 6.4.1 MEIO NUTRITIVO DE CULTURA Meios de cultura são composições de substâncias que fornecem nutrientes necessários para o desenvolvimento de microrganismos. Ocorrendo o crescimento, é possível a identificação desses organismos através das suas atividades bioquímica e metabólica ou pela visualização direta de suas estruturas. Além dos nutrientes, existem condições ambientais para o crescimento microbiano, como temperatura, pH, umidade, presença ou não de oxigênio (condição aeróbia e anaeróbia), entre outros. Os meios de cultura são classificados de acordo com seu estado físico, podendo ser sólido, quando possui agentes solidificantes como o ágar; semissólido, quando a consistência de ágar e/ou gelatina é intermediária, ou líquido, quando não possui solidificantes, caracterizando-se como caldo. A metodologia de culturas de crescimento é a mais indicada quando se deseja analisar bactérias e fungos viáveis, ou seja, vivos. É possível identificar e quantificar sua concentração sendo expressa em unidades formadoras de colônia (UFC) por volume de ar ou área avaliada. Pode-se ainda isolar os microrganismos por gênero ou até espécies com precisão. 6.4.2 MICROSCOPIA A análise microscópica permite a contagem do número de células de microrganismos presentes na amostra e consequentemente sua concentração. É possível ainda analisar tanto os microrganismos viáveis como os não viáveis. Como desvantagem, temos o fato de não ser possível identificar com precisão a classificação taxonômica dos espécimes. 6.4.3 BIOLOGIA MOLECULAR Análise do perfil metabólico ou molecular, quando são identificados produtos específicos (únicos) dos organismos como seu material genético (DNA ou RNA), ou subprodutos não específicos como anticorpos, marcadores e proteínas. Com o avanço da biologia molecular nos últimos anos, hoje é possível realizar identificação e quantificação com grande precisão para uma grande variedade de organismos como bactérias, fungos e vírus. Esta tecnologia está cada vez mais presente e disponível, devido à diminuição de seus custos e grande difusão de suas vantagens. Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 124 6.5. PREPARAÇÃO PARA A AMOSTRAGEM DE BIOAEROSSÓIS – ESTRATÉGIA Assim como qualquer avaliação de campo, deve-se desprender a maior parte do tempo e esforços na etapa de estratégia de amostragem. No contexto da exposição aos bioaerossóis, é recomendável observar as orientações abaixo: • Considere as possíveis características e condições do aerossol, incluindo a faixa de tamanho das partículas, quantidade relativa de material inerte, concentração de microrganismos e fatores ambientais. • Determine o tipo de instrumentos de amostragem, o tempo de coleta e a duração do programa de amostragem. • Determine o número de amostras a serem coletadas. • Certifique-se de que equipamentos e suprimentos adequados estejam disponíveis. • Determine o método de análise que garantirá a recuperação ideal dos microrganismos. • Selecione um laboratório que fornecerá suporte microbiológico adequado e siga sempre suas orientações. • Certifique-se de que as amostras podem ser refrigeradas se não puderem ser analisadas no laboratório prontamente. 6.6. PADRÕES E DIRETRIZES PARA AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXPOSIÇÃO A BIOAEROSSÓIS Devido à limitação de dados disponíveis e da enorme variabilidade nos efeitos potenciais à saúde entre os diferentes tipos de bioaerossóis, os padrões referenciais para bioaerossóis com base em avaliações de risco à saúde ainda são incipientes. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não possuem diretrizes específicas para os níveis de concentração de bioaerossol (OMS, 2009). O Departamento de Saúde e Bem-Estar do Canadá também estabeleceu as seguintes diretrizes: a) 50 UFC/m3 de uma única espécie de fungo requer investigação imediata; b) 100 UFC/m3 é inaceitável para a presença de certos patógenos fúngicos; c) 150 UFC/m3 de espécies mistas é considerado normal; d) até 500 UFC/m3 devem ser aceitáveis se dominados por Cladosporium. No caso da Coréia do Sul, a concentração máxima permitida de bioaerossol bacteriano total é de 800 UFC/m3 (Ministério do Meio Ambiente, República da Coréia, 2010). No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleceu a Resolução – RE nº 9, de 16 de janeiro de 2003, que indica que o Valor Máximo Recomendável - VMR, para contaminação microbiológica deve ser até 750 UFC/m3 de fungos, para a relação I/E ≤1,5, onde I é a quantidade de fungos no ambiente interior e E é a quantidade de fungos no ambiente exterior. Recentemente houve a regulamentação da Lei 13.589/2018, que obriga os edifícios a dispor de um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC). A Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 125 legislação prevê, no Art. 3º, que os sistemas de climatização e seus PMOC obedeçam a “parâmetros de qualidade do ar em ambientes climatizados artificialmente, em especial no que diz respeito a poluentes de natureza física, química e biológica, suas tolerâncias e métodos de controle, assim como obedecer aos requisitos estabelecidos nos projetos de sua instalação”. Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 126 6.7 TESTES 1.Qual metodologia de coleta pode ser utilizada para amostragem pessoal com bombas de amostragem usadas em segurança do trabalho? a) Filtração b) Impactação c) Placa de sedimentação d) Meios líquidos e) Swabs 2. O que são os Bioaerossóis? a) São névoas geradas a partir da aplicação de solventes por aspersão; b) Capacidade de uma bactéria gerar infecção pelo contato com a pele. c) São aerodispersóides que podem ser compostos por animais, vegetais, bactérias, vírus, fungos, protozoários, bem como, por fragmentos de suas estruturas e subprodutos ou metabólitos como toxinas e enzimas. d) São fluidos corporais que podem contaminar profissionais de saúde durante procedimento de coleta de sangue; e) É a resistência de um microrganismo no ambiente fora do corpo do hospedeiro; 3.Quais itens são importantes para o desenvolvimento de uma estratégia de amostragem de bioaerossol adequada? a) Considere as possíveis características e condições do aerossol, incluindo a faixa de tamanho das partículas, quantidade relativa de material inerte, concentração de microrganismos e fatores ambientais; b) Selecione um laboratório que fornecerá suporte microbiológico adequado e siga sempre suas orientações; c) Determine o tipo de instrumentos de amostragem, o tempo de coleta e a duração do programa de amostragem; d) Determine o número de amostras a serem coletadas; e) Todas as alternativas anteriores. 4. Qual fator não influencia na sobrevivência dos microrganismos presentes no bioaerossol? a) Ruídos de fundo; b) Meio de suspensão – é comum que os microrganismos se liguem a partículas em suspensão como poeiras e gotículas, portanto, sua composição pode ajudar a preservar ou danificar estruturas biológicas; c) Umidade relativa; d) Temperatura; e) Sensibilidade ao oxigênio. Capítulo 6. Agentes Biológicos Instrumentação ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 127 5. Em quais locais são encontrados os bioaerossóis? a) No chão e nas superficies; b) Nas águas superficiais; c) Apenas em ambientes internos; d) Em ambientes internos e externos; e) Apenas em ambientes externos. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 128 CAPÌTULO 7. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO AO CALOR Prof. SÉRGIO MÉDICI DE ESTON Prof. JOAQUIM GOMES PEREIRA OBJETIVOS DO ESTUDO Neste capítulo serão discutidos os efeitos de altas temperaturas no ser humano. Calor e umidade nos locais de trabalho podem gerar efeitos indesejáveis como eficiência mais baixa, aumento do descaso com consequente geração de acidentes e condução a doenças e fatalidades. Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a: • Listar os fatores componentes da carga térmica; • Diferenciar entre carga térmica e esforço termocorporal; • Explicar os principais efeitos do calor no trabalhador; • Utilizar os limites de tolerância relativos a cargas térmicas ; • Avaliar se uma dada operação oferece uma exposição dentro dos limites legais admitidos; e • Apresentar algumas medidas mitigadoras com relação ao conforto termocorporal. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 129 7.1. INTRODUÇÃO Grande parte dos ambientes de trabalho oferecem condições propícias para a sobrecarga térmica, que pode provocar reações fisiológicas como: sudorese intensa, aumento da frequência das pulsações e o aumento da temperatura interna do corpo, que por sua vez, acabam provocando no trabalhador fadiga, diminuição da percepção e do raciocínio e perturbações psicológicas que o levam ao esgotamento. Esta sobrecarga térmica com o tempo pode provocar danos à saúde do trabalhador, com reflexos no sistema circulatório e endócrino. Os processos de trabalho como siderurgia, metalurgia, fundições, vidraria e outros aliados ao arranjo físico deficiente, pé direito muito baixo e ausência de elementos para a ventilação natural ou artificial, tornam os ambientes de trabalho inadequados sob o ponto de vista de calor, tornando necessária a adoção de medidas de controle, algumas bastante simples outras mais complexas, que exigem o conhecimento das características do ambiente de trabalho para a sua execução. Com a finalidade de se determinar os limites aceitáveis dessas exposições, utilizam-se diversos índices de sobrecarga térmica e dentre eles, o mais utilizado é o IBUTG, que por sua simplicidade, foi adotado pela nossa legislação. 7.2. MECANISMOS DE TROCAS TÉRMICAS A sobrecarga térmica no organismo humano, é resultante de dois tipos de carga térmica: uma carga externa (ambiental) e outra interna (metabólica). A carga externa é resultante de trocas por Condução/Convecção e Radiação e a carga metabólica é resultante do metabolismo basal e da atividade física. • CONDUÇÃO: Troca térmica entre dois corpos em contato, geralmente sólidos. No organismo essas trocas são muito pequenas, geralmente por contato com o corpo com ferramentas e superfícies. • CONVECÇÃO: Troca térmica realizada geralmente entre dois fluidos por diferença de densidade provocada pelo aumento da temperatura. Geralmente utilizamos a expressão condução/ convecção para esse tipo de troca. • RADIAÇÃO: Através da emissão de radiação infravermelha, os corpos de maior temperatura tendem a perder calor para corpos de menor temperatura numa tentativa de equilíbrio. As trocas por radiação, correspondem a 60% das trocas totais. • EVAPORAÇÃO: É a troca de calor produzida pela evaporação do suor, através da pele. Quando um líquido passa para o estado gasoso, ganha energia interna (a entalpia de vaporização da água é de 590 Cal/grama), assim sendo, absorve o calor da pele resfriando-a. Essa troca térmica é ainda facilitada pois nesse momento, está acontecendo a vasodilatação periférica. O mecanismo da evaporação é o único meio de perda de calor para o ambiente, quando a temperatura está mais alta que a temperatura do corpo, pois nesse caso, o corpo ganharia calor por condução/convecção e por radiação. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 130 Pelo mecanismo de trocas térmicas, o organismo ganha ou perde calor para o meio ambiente segundo a equação do equilíbrio térmico: M +/- C +/- R – E = S Onde: M - Calor produzido pelo metabolismo, sendo um calor sempre ganho (+) C - Calor ganho ou perdido por condução/convecçãoR - Calor ganho ou perdido por radiação (+/-) E - Calor sempre perdido por evaporação (-) S - Calor acumulado no organismo (sobrecarga) S > 0 hipertermia Sfor insuficiente para compensar as perdas por sudorese, podemos sofrer uma prostração térmica. As pessoas mais susceptíveis são as não aclimatizadas. A prostração térmica é caracterizada pelos sintomas: fadiga, tonturas, falta de apetite, náuseas, vômitos e cãibras musculares. As dores de cabeça, a constipação e a diarréia são bastante comuns, podendo ocorrer até a síncope pelo calor. 7.4.5. CÃIBRAS DE CALOR Apresenta-se na forma de dores agudas nos músculos, em particular os abdominais, coxas e aqueles sobre os quais a demanda física foi intensa. Elas ocorrem por falta de cloreto de sódio perdido pela sudorese intensa, sem a devida reposição e/ou aclimatização. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 135 O tratamento consiste no descanso em local fresco, com a reposição salina através de soro fisiológico (solução a 1%). A reposição hídrica e salina deve ser feita porém com orientação e acompanhamento médico, a fim de evitar uma possível hipertensão por administração inadequada de cloreto de sódio. A administração de uma solução a 0,1% tem sido adotada em muitos ambientes fabris com bons resultados, não se excluindo o acompanhamento médico. 7.4.6. ENFERMIDADES DAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS A exposição ao calor por um período prolongado e particularmente em clima muito úmido pode produzir alterações das glândulas sudoríparas que deixam de produzir o suor agravando o sistema de trocas térmicas, podendo levar os trabalhadores á intolerância ao calor. Esses trabalhadores deverão receber tratamento dermatológico e em alguns casos devem ser transferidos para tarefas onde não haja a necessidade de sudorese para a manutenção do equilíbrio térmico. 7.4.7. EDEMA PELO CALOR Consiste no inchaço das extremidades, em particular os pés e tornozelos. Ocorre comumente em pessoas não aclimatizadas, sendo muito importante a manutenção do equilíbrio hídrico-salino. 7.4.8. OUTROS EFEITOS À SAÚDE • Aumento da susceptibilidade a outras doenças (maior susceptibilidade às dermatoses e potencialização dos efeitos pela presença de outros agentes); • Diminuição do rendimento (pela sobrecarga do sistema cardiovascular, redução na atividade cerebral e do tempo de reação); • Catarata (exposição à radiação infravermelha provoca a degeneração do cristalino do olho, muito comum em pessoas idosas); • Efeitos nos órgãos solicitados pela sobrecarga térmica (Cardiovascular, Respiratório e Glândulas internas). Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 136 7.5. ACLIMATIZAÇÃO A aclimatização é a adaptação do organismo a um ambiente quente. Quando um trabalhador se expõe ao calor intenso pela primeira vez, tem sua temperatura interna significativamente elevada, com um aumento do ritmo cardíaco e baixa sudorese, gerando um desconforto muito grande, com tonturas, náuseas, desmaios etc. A aclimatização ocorre através de três fenômenos: • Aumento da sudorese. • Diminuição da concentração de sódio no suor (4 g/l para 1,0 g/l) e a quantidade de sódio perdido por dia passa de 15 a 25 gramas para 3 a 5 gramas. • Diminuição da frequência cardíaca, através do aumento do volume cistólito devido ao aumento da eficiência do coração no bombeamento. A aclimatização é realizada através de diversas etapas: • O tempo de exposição a altas temperaturas deve ser limitado nas primeiras semanas, ficando no entanto exposto no mínimo duas horas por dia. • A climatização é iniciada após 4 a 6 dias e satisfatória após 2 a 3 semanas. • Os fenômenos circulatórios associados à aclimatização são mais lentos que o aumento da sudorese e a diminuição do sódio no suor. • O diagnóstico da aclimatização é feito com base na temperatura retal, no grau de sudorese e na frequência cardíaca. • À medida que a frequência cardíaca vai baixando próximo aos níveis que seriam obtidos se o esforço fosse feito em um ambiente neutro, conclui-se que o processo de aclimatização está sendo realizado. A especificidade da aclimatização ao calor é um conceito muito importante, pois o trabalhador estará aclimatizado para aquela carga de trabalho naquele ambiente. Se mudarmos o ambiente ou a carga de trabalho, podem ocorrer danos físicos. O afastamento do trabalho por uma semana pode fazer com que o trabalhador perca de 1/4 a 2/3 da aclimatização e após três semanas a perda será total. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 137 Tabela 7.2. Aclimatização ao Calor MECANISMO CAUSA AUMENTO DA SUDORESE.(ponto final em todas as frases) Inicial: 1,5 l/h Não aclimatização. Início do suor a 36°C. Em 10 dias: 3,0 l/h Aclimatizados início do suor a 33°C. Em 6 semanas: 3,5 l/h Aumento da sudorese mais no dorso que no peito, ativando novas glândulas. DIMINUIÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE SÓDIO NO SUOR. 4,0 g/l 1,0 g/l 15 a 25 g/dia 3 a 5g/dia Adosterona. DIMINUIÇÃO DA FREQ. CARDÍACA DIANTE DA MESMA CARGA DE TRABALHO. Aumento do volume Sistólico. Aumento da eficiência cardíaca. Temperatura sobe menos. Aumento da sudorese. Aumento do Fluxo sanguíneo periférico. Vasodilatação. FATORES QUE DIFICULTAM A ACLIMATIZAÇÃO SEXO FEMININO OBESIDADE DESNUTRIÇÃO FORÇA AERÓBICA BAIXA DROGAS: Atropina, Salicilatos, Anfetaminas, Meprobanato Quadro 7.2. O que é aclimatização e quais os fenômenos que a caracterizam? Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 138 7.6. CONFORTO TÉRMICO O conforto térmico nos ambientes de trabalho dependem da Temperatura, Velocidade e Umidade Relativa do ar, além do metabolismo das tarefas a serem executadas. 7.6.1 VELOCIDADE DO AR A movimentação do ar é muito importante para o conforto térmico, pois aumenta as trocas de calor bem como possibilita a retirada de ar quente e umidade e a insuflação de ar frio nos ambientes. Ela é medida através dos anemômetros que podem ser de dois tipos: a) Mecânicos: Formados por palhetas rotatórias e devido à sua baixa sensibilidade são utilizados somente para velocidades mais que 0,75 m/s. b) Termoanemômetros: São bem mais sensíveis e se prestam para medir velocidades muito baixas ou altas. São constituídos por duas espirais de níquel,que formam os ramos de uma ponte de Wheatstone, sendo uma delas aquecida. A velocidade do ar tem um efeito refrigerante sobre o fio aquecido, o que faz variar sua resistência, que é medida em uma escala proporcional à velocidade do ar. Existe ainda um outro equipamento que serve para medir a velocidade do ar, que é o catatermômetro, usado em sistemas de refrigeração. É um termômetro de álcool com um bulbo maior que o normal e possui um depósito na parte superior e duas marcas de referencia em sua haste. Devido à sua alta sensibilidade, se presta para medir velocidades de 0,25 m/s ou menores. Muitas vezes torna-se necessário estimar a velocidade do ar, que pode ser feita da seguinte forma: Tabela 7.3. Estimativa da velocidade do ar Quando não se sente a movimentação do ar, provavelmente a sua velocidade é Inferior a 0,30 m/s. Quando se sente uma ligeira brisa, a velocidade do ar está entre 0,30e 0,60 m/s. Se o movimento do ar é suficientemente forte para movimentar peças leves de vestuário, ou os cabelos, sua velocidade é superior a 0,5 m/s. Quando a sensação é de se estar em uma corrente forte de ar, a velocidade é provavelmente de 1,5 m/s. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 139 7.6.2. UMIDADE RELATIVA DO AR A umidade relativa do ar é a relação em porcentagem da quantidade real de vapor de água que o ar contém e a quantidade que o ar poderia conter se estivesse saturado à mesma temperatura. A umidade relativa do ar é medida através de um psicrômetro, que é constituído por dois termômetros, um de bulbo seco e outro de bulbo úmido. Existem dois tipos de psicrômetro: a) Giratório: Através de movimentos giratórios, o ar entra em contato com os termômetros e evapora a água do bulbo úmido, numa relação inversamente proporcional à sua umidade relativa, resfriando o bulbo úmido. Com as duas temperaturas, entramos na carta psicrométrica e obtemos a umidade relativa. Quanto menor for a diferença entre as duas temperaturas, maior será a umidade relativa do ar. O psicrômetro é girado manualmente, numa velocidade constante de uma rotação por segundo, durante aproximadamente 1 minuto para atingir o ponto de equilíbrio. Existem tabelas, nas quais entramos com a temperatura de bulbo seco e com a diferença entre ela e a de bulbo úmido, obtendo a umidade relativa do ar. b) De aspiração: O ar é forçado a passar pelos dois bulbos, através de uma ventoinha mecânica ou elétrica. A Tabela 7.4 é utilizada para o cálculo da umidade relativa do ar a partir da temperatura do bulbo seco e de bulbo úmido. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 140 Tabela 7.4. Cálculo da umidade relativa do ar a partir da temperatura do bulbo seco e bulbo úmido. Tbs- Tbu (°C) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Tbs (°C) 15 100 88 78 69 61 53 16 100 88 79 69 61 54 48 17 100 88 79 70 62 54 48 42 18 100 89 79 70 62 55 49 44 19 100 89 79 71 63 56 50 44 38 20 100 89 80 71 63 57 51 45 39 21 100 89 80 72 63 57 51 45 40 35 22 100 90 81 72 64 58 52 46 41 36 23 100 90 81 72 65 58 42 46 41 37 24 100 90 81 72 65 58 52 47 42 37 33 25 100 91 82 74 67 60 54 48 43 38 33 28 26 100 92 84 76 68 61 55 49 44 39 34 30 25 27 100 93 85 78 70 63 56 50 45 40 35 31 26 21 28 100 93 86 79 71 65 57 51 45 41 36 32 27 23 18 29 100 93 86 80 73 66 59 53 47 42 37 33 28 24 20 30 100 93 86 80 73 66 59 53 47 42 37 32 28 24 20 31 100 93 87 80 74 68 62 56 50 45 40 34 31 26 22 19 14 32 100 93 87 80 74 68 62 57 51 46 41 36 31 27 23 20 16 20 12 33 100 93 87 81 74 68 63 58 52 47 42 38 33 29 25 21 17 13 10 34 100 94 87 81 75 69 63 59 54 49 44 39 34 30 26 22 19 14 12 35 100 94 88 82 76 70 64 59 54 49 44 40 36 32 28 23 20 17 13 - - 40 100 94 88 83 77 72 67 62 57 53 48 44 40 36 32 29 26 22 19 Quadro 7.3. Quais os principais fatores que influenciam o conforto térmico nos ambientes de trabalho? Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 141 7.7. ÍNDICES DE AVALIAÇÃO TÉRMICA Na avaliação das situações térmicas nos ambientes de trabalho existe um grande número de índices, no entanto os mais utilizados são: TE - TEMPERATURA EFETIVA TEC - TEMPERATURA EFETIVA CORRIGIDA IST - ÍNDICE DE SOBRECARGA TERMICA TGU - TEMPERATURA DE GLOBO ÚMIDO IBUTG - ÍNDICE DE BULBO ÚMIDO - TERMÔMETRO DE GLOBO Os dois primeiros (TE e TEC) são chamados de Índice de Conforto Térmico, pois levam em consideração apenas as variáveis ambientais. Os outros índices: IST, TGU e IBUTG são chamados de Índices de Sobrecarga Térmica pois levam em consideração todos os fatores que interferem na situação de exposição ao calor (variáveis ambientais e características da atividade). 7.7.1. TEMPERATURA EFETIVA (TE) A Temperatura Efetiva leva em consideração apenas as condições climáticas do ambiente como: Temperatura, Umidade e Velocidade do ar. Esse índice não é adequado para avaliações térmicas dos ambientes de trabalho, pois não leva em consideração o calor radiante e nem o metabolismo desenvolvido pelo trabalhador. Para a sua determinação, medimos: temperatura de bulbo seco, temperatura de bulbo úmido e velocidade do ar e entramos com esses valores em um nomograma que nos fornece a Temperatura Efetiva. Esse nomograma é constituído de uma escala vertical à esquerda, onde encontramos a temperatura de bulbo seco, na direita do nomograma, temos uma escala vertical com as temperaturas de bulbo úmido. Unindo esses dois valores, obtemos uma reta e na interseção desta reta com a curva de velocidade do ar, obtemos a Temperatura Efetiva. Exemplo: Em um ambiente de trabalho obtivemos os seguintes valores: Temp. de bulbo seco = 30ºC Temp. de bulbo úmido = 22ºC Velocidade do ar = 1,5 m/s Unindo o valor 30 da escala da esquerda (tbs) com o 22 da escala vertical da esquerda (tbu), obtemos uma reta que passa sobre uma figura central que fornece a temperatura efetiva em função da velocidade do ar, portanto onde a reta encontrar a curva de veloc. 1,5 m/s, obtemos a TE = 24ºC. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 142 Figura 7.2. Gráfico para o cálculo da temperatura efetiva ([T]= °C). Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 143 7.7.2 ÍNDICE DE SOBRECARGA TÉRMICA (IST) DE BELDING E HATCH O Índice de Sobrecarga Térmica indica a porcentagem da Evaporação necessária em relação à Máxima Evaporação possível. EVAPORAÇÃO REQUERIDA I S T = -------------------------------------------- x 100 EVAPORAÇÃO MAX.POSSIVEL Se o IST for maior que 100%, o ambiente é insalubre sofrendo o trabalhador uma sobrecarga térmica, pois o calor trocado por evaporação será maior que a máxima evaporação possível. No entanto se o IST é menor que 100% não significa que tudo esteja bem, pois para cada porcentagem da evaporação necessária sobre a máxima evaporação possível, indica uma situação de decréscimo no rendimento do trabalhador conforme a Tabela 7.5. A Evaporação Requerida é a quantidade de calor que o corpo deve dissipar através da evaporação do suor, a fim de manter o equilíbrio térmico, isto é a ausência de aumento significativo da temperatura corporal. Quando Ereq = Emax, significa que o IST = 100% isto é, a quantidade de calor que o corpo pode perder é igual à quantidade de calor que deve perder, para manter o equilíbrio térmico. É uma situação crítica, tolerada por 8 horas de trabalho somente por trabalhadores jovens, aclimatados e em excelente estado de saúde. O IST é difícil de ser calculado, no entanto, é muito útil para estudos sobre a exposição ao calor, em particular quando se projeta e avalia a eficiência das medidas de controle ambiental.Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 144 Figura 7.3. Índice de Sobrecarga Térmica Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 145 Tabela 7.5. Avaliação do Índice de Sobrecarga Térmica I S T CONSEQUÊNCIAS FISIOLÓGICAS E HIGIÊNICAS DA EXPOSIÇÃO POR 8 HORAS -20 -10 Tensão leve por frio. Esta condição se encontra com frequência em áreas nas quais as pessoas se recuperam da exposição ao calor. 0 Não há tensão térmica. +10 20 30 Tensão térmica leve a moderada. Quando um trabalho requer altas funções intelectuais, destreza ou estado de alerta, podem esperar-se diminuições sutis a substâncias no rendimento. Pode esperar-se uma diminuição ligeira no desempenho de tarefas físicas pesadas, a menos que a habilidade das pessoas para desempenhar esse trabalho, sem tensão térmica, seja marginal. 40 50 60 Tensão térmica severa, com ameaça para a saúde, a menos que as pessoas estejam em bom estado físico. São necessários períodos de adaptação para os não previamente aclimatados. Pode-se esperar diminuição do desempenho de trabalhos físicos. É desejável a seleção médica do pessoal, porque essas condições são inadequadas para os que tem problemas cardiovasculares e respiratórios ou dermatites crônicas. Estas condições de trabalho são também inadequadas para atividades que requeiram um esforço mental constante. 70 80 90 Tensão térmica grave. Pode-se esperar que apenas uma pequena porcentagem da população esteja qualificada para este trabalho. O pessoal deve ser selecionado: (a) mediante exame médico e (b) mediante exame no trabalho (transaclimatação). São necessárias medidas apropriadas para assegurar um insumo adequado de água e sal. É bastante desejável que se melhorem as condições de trabalho por todos os meios possíveis e cabe esperar que isto diminua o risco para a saúde e aumente, ao mesmo tempo, a eficiência no trabalho. As indisposições ligeiras que, na maioria das tarefas seriam suficientes para afetar o rendimento, podem incapacitar os trabalhadores para esta exposição. 100 A máxima tensão tolerada por homens jovens, em bom estado físico e aclimatados. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 146 7.7.3. ÍNDICE DE BULBO ÚMIDO - TERMÔMETRO DE GLOBO (IBUTG) O conforto térmico é avaliado também através de um índice chamado IBUTG (Índice de Bulbo Úmido - Termômetro de Globo). Esse índice deve ser medido através do conjunto chamado árvore dos termômetros, que é composto de três termômetros: Tbs - Termômetro de bulbo seco Tbn - Termômetro de bulbo úmido natural Tg - Termômetro de Globo. O IBUTG para ambientes internos sem carga solar é calculado a partir da medição de duas temperaturas: Tbn e Tg IBUTG = 0,7 Tbn + 0,3 Tg Para ambiente externos com carga solar o IBUTG é calculado a partir de três medições: Tbs, Tbn e Tg IBUTG = 0,7 Tbn + 0,2 Tg + 0,1 Tbs O Termômetro de Bulbo Úmido Natural possui uma manga de algodão imersa em água destilada, envolvendo o seu bulbo, tornando-o constantemente úmido e serve para avaliar a Umidade Relativa do ar, em conjunto com o termômetro de bulbo seco. O Termômetro de Globo é formado por uma esfera de cobre de 6", pintada de preto fosco, ficando o bulbo do termômetro no centro dessa esfera e serve para avaliar o Calor Radiante. O IBUTG leva ainda em consideração o tipo de atividade desenvolvida (LEVE, MODERADA e PESADA) A legislação prevê um regime de trabalho (Trabalho/Descanso) em função do valor do IBUTG e do tipo de atividade para duas situações: regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço e regime de trabalho intermitente com descanso em outro local. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 147 7.8. NORMA REGULAMENTADORA Nº.15 - ANEXO Nº. 3 Para utilziação da norma, o procedimento realizado deverá ser o seguinte: Primeiro medimos e calculamos o IBUTG do ambiente de trabalho (se houver mais de uma situação térmica, o IBUTB deve ser medido e calculado em cada local) e o IBUTG do ambiente de descanso (sempre que houver pausa para descanso). Com esses valores, calculamos o IBUTG médio da atividade analisada, bem como o metabolismo médio (Tabela 7.7) e entramos na tabela 7.6 para verificar se os limites foram atendidos ou não. Tabela 7.6. Limite de exposição ocupacional ao calor (NR-15 – ANEXO Nº 3 QUADRO Nº 1) Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 148 Tabela 7.7. Taxa metabólica por tipo de atividade (NR-15 – ANEXO Nº 3 QUADRO Nº 2 – reproduzida parcialmente) ----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll----ll---- Onde: Mt . Tt + Md . Td M = -------------------------- 60 IBUTGt . Tt + IBUTGd .Td IBUTG = ----------------------------------- 60 t = Trabalho d = Descanso M = Metabolismo Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 149 A medição deve seguir como base a metodologia apresentada na Norma de Higiene Ocupacional NHO-06 da FUNDACENTRO. Esta norma determina que o intervalo de medição deve ser de 1 hora ,sempre identificando o momento (de 1 hora) em que a situação de exposição é a pior, seja devido ao gasto metabólico (atividade muito pesada) ou devido a situação térmica excessíva, ou uma combinação dos dois fatores. 7.9. TEMPERATURA DE GLOBO ÚMIDO (TGU) A temperatura de globo úmido é obtida através do termômetro de globo úmido ou de Botsball, que é um termômetro de globo revestido com um tecido preto, constantemente umedecido, levando em consideração a velocidade do ar, sua umidade relativa e o calor radiante ambiente. Possui uma haste formada por dois tubos concêntricos de alumínio, passando pelo tubo central, o termômetro; e o externo serve de reservatório de alimentação de água para embeber o tecido do globo. Na extremidade superior da haste, está colocado o mostrador do termômetro. É recomendado para avaliação de calor em câmaras hiperbáricas e em tubulðes, onde a temperatura de globo úmido não deve ser superior a 27ºC. Os fabricantes fornecem tabelas de limites de tolerância para a temperatura de globo úmido, bem como correlações entre o IBUTG e o TGU. Uma das correlações sugeridas é a seguinte: IBUTG = 0,0212 B2 + 0,192 B + 9,5 onde B é a temperatura do Botsball. Figura 7.4. BOTSBALL ou Termômetro de Globo Úmido Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________industriais e de pesquisa, evidenciou o risco potencial da exposição humana a elas. A fim de melhor avaliar esse risco e proteger os indivíduos dos efeitos deletérios das radiações ionizantes, foram desenvolvidos instrumentos de detecção e procedimentos de controle da exposição. A Proteção Radiológica é a área do conhecimento que abrange os estudos sobre as diferentes formas de geração de radiação ionizante, os meios para detectá-las, a sua interação com sistemas biológicos e as técnicas para controlar a exposição humana a elas. 1.1.1. O ÁTOMO Toda a matéria é formada por átomos, os quais são compostos por partículas positivas, negativas e neutras. As partículas negativas (elétrons) são encontradas girando ao redor de um núcleo, arranjadas em camadas, denominadas orbitais eletrônicos. No interior do núcleo, ligadas de forma bastante coesa, encontram-se as partículas positivas (prótons) e as partículas neutras (nêutrons). Se um átomo possuir mais elétrons do que prótons, ele terá uma carga elétrica total negativa. E se o número de prótons for maior, a carga será positiva. Em geral, os átomos não apresentam carga elétrica (são neutros), o que significa que existe uma igual quantidade de prótons e de elétrons em sua constituição. As características macroscópicas ou observáveis dos átomos são determinadas por suas propriedades físico-químicas, dependentes da carga eletrônica do núcleo. Em outras palavras, a forma como um átomo se apresenta (em temperatura e pressão ordinárias, se é um sólido, líquido ou gás) e como reage com outros átomos para formar moléculas, depende dos prótons no interior do seu núcleo. Assim, átomos apresentando a mesma quantidade de prótons constituem-se em um elemento químico, pois apresentam propriedades físico-químicas idênticas. Portanto, se aumentamos ou diminuímos a quantidade de prótons em um núcleo temos átomos com características físico-químicas diferentes, ou seja, estamos transformando um elemento químico em outro totalmente diferente. No interior do núcleo também existem os nêutrons, os quais compõem, juntamente com os prótons, a massa do átomo. Existem 109 elementos químicos, cada um representado por dois números: o número de massa (A) e o número atômico (Z). O número de massa corresponde ao total de prótons e nêutrons existentes no interior do núcleo. O número atômico representa a quantidade de prótons do interior do núcleo e é igual ao total de elétrons distribuídos nas camadas eletrônicas, quando o átomo não é ionizado. O elemento químico é representado pela fórmula: XA Z Uma variação na quantidade de nêutrons não altera o comportamento macroscópico do átomo, pois este depende unicamente da quantidade de prótons. Dessa Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 4 maneira, átomos com quantidades diferentes de nêutrons e com um número igual de prótons correspondem a um mesmo elemento químico, pois apresentam as mesmas características físico-químicas apesar de terem massas diferentes (Figura 1.1.). Estes átomos são denominados isótopos, e é a mistura desses isótopos que compõe o elemento químico. Adicionalmente, quando alteramos a composição do núcleo, seja pela adição ou remoção de nêutrons, estamos apenas modificando a massa do átomo e não transformando um elemento químico em outro. H1 1 Prótio (estável) H2 1 Deutério (estável) H3 1 Trítio (instável – radioativo) Figura 1.1. Isótopos do elemento químico Hidrogênio 1.1.2. O ELETRON-VOLT A energia é definida como a capacidade de executar trabalho. Em geral, no Sistema Internacional a energia é medida em Joule. Esta unidade é apropriada quando a massa é da ordem de quilogramas. Quando trabalhamos em nível subatômico as massas envolvidas são muito pequenas e resultando em energias inferiores a microjoules. Portanto fez-se necessário definir unidade de energia muito menor que o joule. Esta unidade de energia é o elétron-volt, a qual representa a energia adquirida por um elétron ao ser acelerado por uma diferença de potencial de 1 volt. JouleseV 19106,11 −= 1.1.3. IONIZAÇÃO E EXCITAÇÃO Como foi exposto no início do capítulo, os elétrons são encontrados girando ao redor núcleo, distribuídos não de uma forma aleatória, mas sim em camadas ou orbitais eletrônicos. Cada uma dessas camadas é ocupada por um número específico de elétrons, os quais são mantidos presos ou ligados com uma determinada quantidade de energia (energia de ligação). Esta energia de ligação varia com o inverso da distância do orbital ao núcleo. Desse modo quanto mais próximo do núcleo estão os elétrons, maior é a energia que os mantém ligados ao átomo, e mais fortemente presos eles estão (Figuras 1.2. e 1.3.). Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 5 Figura 1.2. Orbitais eletrônicos do átomo. Átomo A Átomo B Átomo C Figura 1.3. Energias de ligação de 4 orbitais para 3 elementos químicos. Em condições normais, o elétron ocupa o nível mais baixo de energia dentro da respectiva camada (estado fundamental), ou seja, aquele em que ele possui a menor energia, pois este confere maior estabilidade eletrônica ao átomo. Se por meios externos cedermos uma certa quantidade de energia ao elétron, este passará a executar uma órbita de raio maior (mais afastada do núcleo), e assim ocupando um nível superior (estado excitado) dentro da camada. Este processo físico, no qual o elétron ao absorver energia passa a ocupar orbitais mais externos, é conhecido como excitação eletrônica (Figura 1.4.). K L M N E N E R G I A D E L I G A Ç Ã O Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 6 Figura 1.4. Excitação eletrônica do átomo. Se a energia fornecida ao átomo for superior à energia de ligação da camada, o elétron será levado a executar uma órbita com raio tão grande que este não fica mais sob a influência do campo elétrico do núcleo. Nesta condição o elétron é removido do átomo. Este processo físico, no qual o elétron ao absorver energia afasta-se da influência do campo elétrico nuclear a ponto de ser removido, é conhecido como ionização (Figura 1.5.). O elétron livre e o átomo positivamente carregados resultantes são denominados par iônico. A quantidade de energia necessária para ionizar o elétron mais fracamente ligado ao átomo é chamada de potencial de ionização. Figura 1.5. Ionização do átomo. K L M N K L M N Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 7 1.1.4. RADIAÇÃO IONIZANTE A classificação de uma radiação como ionizante está relacionada à sua capacidade de produzir ionização em sistemas biológicos. O corpo humano é constituído basicamente por água, hidrogênio, oxigênio, carbono e nitrogênio, cujos potenciais de ionização situam-se entre 12,4 e 15 eV. Portanto a energia mínima transportada pela radiação, capaz de produzir ionização nesses sistemas é 12,4 eV. Dentro do espectro eletromagnético são consideradas ionizantes as radiações com comprimentos de onda inferiores a 100 nm. Entretanto, não apenas as radiações eletromagnéticas apresentam esta propriedade, também radiações corpusculares, tais como prótons, elétrons e nêutrons, são capazes de produzireHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 150 7.10. LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O TRABALHO EM AMBIENTES QUENTES Na tabela a seguir veremos os limites de tolerância para o trabalho em ambientes quentes, em função da carga metabólica e da relação entre o tempo de trabalho e descanso, utilizando os índices: IBUTG e TGU (Botsball), em (ºC). Tabela 7.9. Limites de Tolerância para o trabalho em ambientes quentes Carga Metabólica (kcal/hora) Trabalho Contínuo Trabalha 45 min Descansa 15 min Trabalha 30 min. Descansa 30 min. Trabalha 15 min Descansa 45 min. IBUTG TGU IBUTG TGU IBUTG TGU IBUTG TGU 200 350 500 30,0 26,7 25,0 26,2 23,2 21,7 30,6 27,8 25,8 26,7 24,2 22,5 31,4 29,4 27,8 27,5 25,7 24,2 32,2 31,1 30,0 28,3 27,2 26,2 Onde: Trabalho Leve............ 100 a 200 kcal/h (200 kcal/h) Trabalho Moderado... 200 a 350 kcal/h (350 kcal/h) Trabalho Pesado........ 350 a 500 kcal/h (500 kcal/h) Correlação IBUTG e TGU sugerida: IBUTG = 1,01 TGU + 2,6 Quadro 7.4. Quais os índices de avaliação térmica mais utilizados na avaliação das situações térmicas nos ambientes de trabalho? Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 151 7.11. MEDIDAS DE CONTROLE (SOBRECARGA TÉRMICA) 7.11.1. MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE Ventilação • Introdução de ar fresco e eliminação do ar quente e umidade. • Aumento da velocidade de troca de calor pela evaporação. • Aumento da perda de calor por condução/convecção(Tarentre dois corpos em contato, geralmente sólidos. No organismo essas trocas são muito pequenas, geralmente por contato com o corpo com ferramentas e superfícies. b) É a troca térmica realizada geralmente entre dois fluidos por diferença de densidade provocada pelo aumento da temperatura. c) É Através da emissão de radiação infravermelha, os corpos de maior temperatura tendem a perder calor para corpos de menor temperatura numa tentativa de equilíbrio. d) Todas as anteriores estão corretas. e) N.d.a. 12. Os fatores importantes para se obter um conforto térmico adequado no ambiente de trabalho são: a) Temperatura, Velocidade. b) Umidade Relativa do ar. c) Metabolismo das tarefas. d) Todas as anteriores então corretas. e) N.d.a. Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 157 7.13. EXERCÍCIOS 1. Em dois ambientes internos de trabalho diferentes, foram feitas avaliações de calor, obtendo-se os seguintes valores: AMBIENTE 1 Tbn = 25C Tbs = 25C Tg = 30C M = 516W AMBIENTE 2 Tbn = 25C Tbs = 30C Tg = 35C M = 283W Qual desses ambientes é pior sob o ponto de vista de sobrecarga térmica? Explique. Resposta: Calculando-se o IBUTG para o Ambiente 1 teremos 26,5C, segundo o Quadro n° 1, NR 15 Anexo 3, para um metabolismo de 516 W, o máximo IBUTG é exatamente de 26,5C Para o Ambiente 2, obteremos IBUTG = 28,0C, comparando os valores com o Quadro n° 1, NR 15 Anexo 3, verificamos que o máximo IBUTG para 283 W é de 28,5 C. Aparentemente o Ambiente 2 é menos agressivo, no entanto no Ambiente 1 a Umidade Relativa é de 100% (Tabela 8.4) , tornando-se extremamente desconfortável. 2. Em um ambiente onde a temperatura de bulbo seco é de 26C e a de bulbo úmido é de 24C, qual é a umidade relativa? Reposta: Cálculo da Umidade Relativa Utilizando-se uma carta psicrométrica, entrando com a Tbu (24C) e a Tbs (26C), no encontro das duas retas obtemos a Umidade Relativa de 84% Utilizando-se uma tabela 8.4 de Umidade Relativa, precisamos da temperatura de bulbo seco e da diferença entre as duas temperaturas. 3. Calcule o IST em um ambiente de trabalho com as seguintes características: Tg = 40C Tbu = 25C Tbs = 30C Veloc.ar = 1m/s Metabolismo = 300 kcal/h Resposta: Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 158 Utilizando o gráfico do IST (Figura 7.3), utilizar os seguintes passos: 1) Trace uma linha horizontal(A) na temperatura de globo 40C. 2) No encontro da linha com velocidade do ar = 1 m/s, trace uma vertical (B) até encontrar o metabolismo. 3) No encontro dessa vertical(B) com o metabolismo de 5kcal/min, trace uma horizontal(C) (gráfico ISI) e visualize o gráfico da temperatura de bulbo seco. 4) Na temperatura de bulbo seco = 30C, trace uma vertical(X). 5) No encontro dessa vertical(X) com a TBU = 25C , trace uma horizontal(Y). 6) No encontro de Y com velocidade do ar= 1m/s, trace uma vertical(Z). 7) No encontro de Z com C, teremos a reta 120 %. O IST nesse caso é de 120%, isto é o calor requerido é maior que a capacidade máxima de evaporação, sendo o ambiente insalubre, isto é o trabalhador terá sobrecarga térmica. 4. Um trabalhador carrega uma estufa com peças leves durante 20 min e durante 10 min executa tarefas leves (em pé) em um ambiente de recuperação térmica coberta. ESTUFA LOCAL DE DESCANSO Tbn = 30 C Tbs = 38 C Tg = 47 C M = 243 W Tbn = 22 C Tbs = 26 C Tg = 28 C M = 126 W Essa atividade é insalubre? Resposta: Para um regime de trabalho de 20 minutos com 10 minutos de descanso, em uma hora, trabalhará 40 minutos e descansará 20 minutos. AMBIENTE DE TRABALHO (ESTUFA): IBUTG = 0,7 x 30 + 0,3 x 47 = 21 + 14,1 = 35,1 C Tempo de trabalho = 40 minutos Metabolismo da tarefa = 243 W AMBIENTE DE RECUPERAÇÃO TÉRMICA (LOCAL DE DESCANSO): IBUTG = 0,7 x 22 + 0,3 x 28 = 15,4 + 8,4 = 23,8 C CÁLCULO DO IBUTG MÉDIO: IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd x Td Capítulo 7. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Calor ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 159 ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯ 60 IBUTG = 35,1 x 40 + 23,8 x 20 ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯ = 31.33 C 60 CÁLCULO DO METABOLISMO MÉDIO: Mt x Tt + Md x Td 243 x 40 + 126 x 20 Metab.médio ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯ = ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯ = 204 W 60 60 Segundo o Quadro n° 1 do Anexo 3 da NR-15, para um Metabolismo médio de 204 W, o Máximo IBUTG deve ser de 30,1 C, como o IBUTG real é de 31,33 C, esse ambiente é insalubre e os trabalhadores terão sobrecarga térmica, portanto o trabalho não pode ser realizado sem que haja modificação do ambiente através de adoção de medidas de controle. Enquanto essas medidas não forem implantadas, a solução seria reduzir o número de ciclos de trabalho por hora, no caso se realizaria somente um ciclo de trabalho de 20 minutos e o resto (40 minutos) de descanso da exposição. Refazer o cálculo para verificar se esse regime é suficiente para evitar a sobrecarga térmica. OBS: Esta é uma sugestão de ajuste, não é necessariamente a solução mais otilizada. Refazendo os cálculos para 20 minutos de trabalho e 40 minutos de descanso, obteremos: (IBUTG médio = 27,6 C e Metab. Médio = 165 W) No Quadro n° 1, NR 15 Anexo 3, para 165 W o máximo IBUTG é de 31,2 C, como no nosso caso o IBUTG médio foi de 27,6 C , não haveria sobrecarga térmica e a, neste caso, empresa teria de alocar mais trabalhadores ou fazer rodízio entre eles. Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 160 CAPÍTULO 8. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO FRIO OBJETIVOS DO ESTUDO Possibilitar a compreensão dos aspectos principais da exposição humana ao frio. Neste capítulo serão apresentados os tipos de ambientes ou condições em que ocorrem a exposição ocupacional ao frio, a fisiologia do frio, medidas de temperatura, procedimentos para avaliação da exposição, efeitos biológicos e formas para controle da exposição. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: • Identificar ambientes ou condições que resultem na exposição ao frio; • Explicar os mecanismos de troca térmica e a sobrecarga biológica produzida pelo frio; • Reconhecer os efeitos biológicos da exposição ao frio; • Avaliar os riscos potenciais de trabalhos realizados em condições de baixas temperaturas; • Identificar as formas básicas para controle da exposição humana ao frio. Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 161 8.1. INTRODUÇÃO As atividades ocupacionais em ambientes frios cobrem uma longa faixa de temperaturas, como ilustra a tabela 8.1. Tabela 8.1. Valores de temperatura segundo a atividade ocupacional Temperatura Atividade -120 0C Câmara para crioterapia. -55 0C Câmara fria para armazenagem de carne e peixe congelados e produçãode produtos congelados. -28 0C Câmara fria para armazenagem de produtos congelados. +2/+12 0C Armazenagem, preparação e transporte de alimentos frescos. Trabalhos leves que demandem destreza manual precisam ser realizados em ambientes com temperatura superior a 0 0C, enquanto trabalhos mais pesados envolvendo atividade física elevada podem ser conduzidos em temperaturas tão baixas quanto -30 0C ou -40 0C. Devido a essa ampla variação das condições para manutenção do equilíbrio térmico no frio, nem sempre é fácil ou prático o estabelecimento de valores de temperatura aceitáveis para o trabalho no frio. 8.1.1. TEMPERATURA DO NÚCLEO DO CORPO A temperatura basal normal no núcleo do corpo é 36-38 0C. Essa é a temperatura mantida nos tecidos profundos do tórax e abdome. A manutenção dessa temperatura dependerá da geração de calor interno, por meio de atividade metabólica, e da troca térmica com o ambiente, na qual o corpo pode perder calor por radiação, condução e convecção e evaporação. 8.1.2. TAXA DE RESFRIAMENTO PELO VENTO Corresponde à perda de calor por um corpo, expressa em W/m2, a qual é uma função da temperatura do ar e da velocidade do vento incidindo sobre a pele. Para uma pessoa adequadamente aquecida uma temperatura de -29 0C representa pouco risco. Se o vento for de 16 km/h a temperatura será equivalente a -43 0C, para qual ocorre o congelamento da pele dentro de 1 ou 2 minutos. Se o vento for de 40 km/h a temperatura equivalente será de -59 0C, para qual ocorre o congelamento da pele em menos de 30 segundos. Outras temperaturas equivalentes podem ser verificadas na tabela 8.2. Sempre que os trabalhadores executarem atividades expostos a temperaturas inferiores a 4° C, deve ser fornecida a eles roupa isolantes seca, para se manter a temperatura do núcleo do corpo acima de 36°C. Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 162 Tabela 8.2. Potência de resfriamento do vento expressa em temperatura equivalente Velocidade Estimada do Vento (km/h) TEMPERATURA REAL (0C) 10 4 -1 -7 -12 -18 -23 -29 -34 -40 -46 -51 TEMPERATURA EQUIVALENTE DE RESFRIAMENTO (0C) Calmo 10 4 -1 -7 -12 -18 -23 -29 -34 -40 -46 -51 8 9 3 -3 -9 -14 -21 -26 -32 -38 -44 -49 -56 16 4 -2 -9 -16 -23 -31 -36 -43 -50 -57 -64 -71 24 2 -6 -13 -21 -28 -36 -43 -50 -58 -65 -73 -80 32 0 -8 -16 -23 -32 -39 -47 -55 -63 -71 -79 -85 40 -1 -9 -18 -26 -34 -42 -51 -59 -67 -76 -83 -92 48 -2 -11 -19 -28 -36 -44 -53 -62 -70 -78 -87 -96 56 -3 -12 -20 -29 -37 -46 -55 -63 -72 -81 -89 -98 64 -3 -12 -21 -29 -38 -48 -56 -65 -73 -82 -91 -100 (vento com v>64 km/h tem pouco efeito adicional) PERIGO REDUZIDO Emsão muito baixas os vasos sanguíneos contraem-se continuamente, resfriando as extremidades à temperatura ambiente o que pode causar ulcerações. A vasoconstrição pode ser insuficiente para controlar a perda de calor para o ambiente, levando a uma queda gradual da temperatura dos tecidos mais profundos do corpo. Os estímulos provocam forte desconforto térmico e gradualmente ativa os músculos em contrações rítmicas, os tremores de frio. Esses tremores começam nos músculos do tronco e braços, progredindo para as mandíbulas. As temperaturas centrais de 33 a 35 0C estão associadas com tremores intensos e reduzida capacidade de trabalho físico e mental. Esta condição muda gradualmente para um estágio de exaustão, fadiga, incapacidade neuromuscular, confusão mental, inconsciência e diminuição da Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 165 respiração e circulação. Nestas condições, o indivíduo está em perigo, incapaz de lidar com a situação e controlar a exposição. Apesar dos ajustamentos fisiológicos serem efetivos na redução da perda de calor como resposta ao resfriamento, eles interferem com o conforto e o desempenho. O resfriamento das extremidades reduz a capacidade para o trabalho manual e o resfriamento geral afeta o desempenho físico e mental. O contato da pele desprotegida com metais provoca o seu congelamento, posto que o metal é um excelente condutor térmico. Em condições de frio extremo, as mãos desprotegidas aderem-se fortemente ao metal porque esse contato faz a água presente na pele congelar, as tentativas de liberar as mãos podem remover a camada de pele congelada. A condutividade térmica da água é cerca de 20 vezes maior do que a do ar, desse modo a imersão em água à temperatura menor que a 21 0C pode ser suficiente para causar a hipotermia. A movimentação do corpo durante a imersão aumenta a perda de calor, posto que o movimento desloca a camada de água aquecida pela pele substituindo-a por uma camada fria, para qual o corpo troca calor por condução. A remoção de roupas tende a acelerar a perda de calor, posto que no contato direto com a água a perda por condução é maior. Na tabela 8.4 são apresentados os tempos médios de sobrevivência durante a imersão em água a diferentes temperaturas. Tabela 8.4. Valores de tempo de sobrevivência segundo a temperatura da água. Temperatura da Água (0C) Tempo de Sobrevivência >21 Indefinido 21-16 Menos de 12 horas 16-10 Menos de 6 horas 10-4 Menos de 3 horas 4-2 Menos de 1hora e 30 minutos dormência, sensibilidade ao frio e pele cinza-azulada. Pode ocorrer a necrose do pé, com a consequente amputação. 8.3.2. LESÕES CONGELANTES 8.3.2.1. CONGELAMENTO (“FROSTBITE”) O congelamento do tecido ocorre quando a pele se resfria a temperaturas próximas de zero. Esse congelamento envolve a formação nos tecidos de cristais de gelo e ruptura das células. Em geral atinge as áreas periféricas do corpo, tais como dedos, nariz, orelhas e bochechas. No congelamento superficial a pele e os tecidos subcutâneos são congelados, e a pele apresenta-se cinza-esbranquiçada, seca, dura e com perda da sensibilidade. O reaquecimento causa dor, vermelhidão, inchaço e formação de bolhas, a pele fica azul-arroxeada. No congelamento profundo são congelados músculos, ossos e tendões, além da pele e tecido subcutâneo. A área afetada apresenta-se pálida e sólida. Pode ocorrer a formação de vesículas hemorrágicas profundas, ulceração e necrose. A gangrena seca pode ser seguida de auto-amputação. 8.4. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO AO FRIO Os métodos para avaliação da exposição ao frio são usados para avaliar ou predizer condições críticas para a sobrevivência, risco de efeito agudos ou crônicos sobre a saúde, desempenho, produtividade e manutenção do conforto. As exposições ocupacionais ao frio em geral abrangem todas essas condições. Os limites e normas técnicas estabelecidas para essas exposições visam proteger os trabalhadores da hipotermia e do congelamento das extremidades. O objetivo principal é evitar que a Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 168 temperatura central caia abaixo de 36 0C e prevenir a ocorrência das lesões congelantes nas extremidades. As quatro variáveis importantes na exposição ao frio são a temperatura do ar, a velocidade do ar, a umidade do ar e a atividade física. A temperatura do ar é medida por meio de termômetro com escala em 0C, a velocidade do ar por meio de um anemômetro calibrado em m/s e a umidade do ar com higrômetro. A última grandeza é um pouco mais difícil de ser medida em campo, porém pode ser estimada a partir de tabelas de atividade metabólica. É a atividade física que irá determinar o ganho de calor internamente, posto que produz calor por meio de processos metabólicos. O tipo de atividade realizada em determinadas condições de temperatura, velocidade e umidade do ar definirão os procedimentos a serem adotados e o tipo de roupa a ser usada na sua execução. Na tabela 8.6 são apresentadas recomendações específicas para trabalhos a serem realizados em ambiente com temperatura do ar ou temperatura efetiva de resfriamento na faixa de –32 a 16ºC. Tabela 8.6. Recomendações para trabalho em ambientes frios segundo a temperatura. Temperatura (0C) Recomendação -32 Evitar atividade contínua com a pele desprotegida (TER)*. -17,5 Adotar o uso de luvas de mitene. -12 Introduzir sistema de trabalho em duplas (TER). Evitar atividades que produzam sudorese (TER). Trabalhos pesados - descanso e troca de roupa em sala de descanso aquecida (TER). Evitar longos períodos de inatividade durante o trabalho (TER). Jornada parcial para empregados novos (TER). -7 Atividades moderadas - adotar uso de luvas. Evitar contato acidental da pele com superfícies metálica. Prover sala de descanso aquecida. Registrar as temperaturas equivalentes de resfriamento inferiores. -1 Revestir partes metálicas com isolante térmico. Medição e registro, a cada 4 horas, da temperatura de bulbo seco. Trabalho interno, var > 2m/s - medir e registrar velocidade do ar. Atividades ao ar livre - medir e registrar a temperatura do ar e a velocidade do vento. 2 Trabalhos com roupas úmidas – prever troca de roupa e tratamento para hipotermia. 4 Fornecer roupa isolante térmica. Atividades leves – adotar uso de luvas. 16 Atividades de precisão com mãos nuas – introduzir sistema de aquecimento artificial das mãos. Atividades sedentárias - adotar uso de luvas. Prover Termômetro para monitoramento da temperatura. *TER: Temperatura Equivalente de Resfriamento Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 169 Quadro 8.1. Para se evitar a ocorrência de congelamento das mãos e dos pés, que procedimentos devem ser adotados pelo trabalhador? As atividades conduzidas em ambiente frio devem ser planejadas, prevendo-se regime de trabalho com pausas para reaquecimento em local mantido a temperatura amena. Durante essas pausas, os procedimentos adotados visam elevar a temperatura central, seja pelo ganho de calor do ambiente ou pelo aumento do calor interno com a ingestão de líquidos quentes. A perda de calor também é evitada pela troca constante das roupas que tenham ficado úmidas pelo suor gerado na atividade ou por contato com líquidos no processo de trabalho. Para o planejamento das atividades podem ser utilizadas as tabelas 8.7 e 8.8. Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 170 Tabela 8.7. Regime de Trabalho / Reaquecimento para jornada de 4 horas com atividade de moderada a pesada Tar (°C) Sem vento Vento de 1,6 m/s Vento de 3,2 m/s Vento de 4,8 m/s Vento de 6,4 m/s tmax (min) Nº pausas tmax (min) Nº pausas tmax (min) Nº pausas tmax (min) Nº pausas tmax (min) Nº pausas -26 a -28 120 1 120 1 75 2 55 3 40 4 -29 a -31 120 1 75 2 55 3 40 4 30 5 -32 a -34 75 2 55 3 40 4 30 5 -35 a -37 55 3 40 4 30 5 -38 a -39 45 4 30 5 -40 a -42 30 5 ≤ -43 APENAS TRABALHO DE EMERGÊNCIA tmáx – tempo máximo de exposição contínua ao frio Nº pausas – cada pausa corresponde a período de 10 minutos Tabela 8.8. Regime de trabalho e reaquecimento (norma DIN 33403.5) Tar (0C) tmáx (min) treaq (min) 15 a 10 150 10 usando medicamentos que aumentem a sensibilidade ao frio, tais como antidepressivos, tranquilizantes, hipnóticos, psicotrópicos, anestésicos, hipoglicêmicos, antitiroideanos e insulina. Quadro 8.2. O uso das roupas especiais para mergulhos visa a prevenir qual efeito? Por que este efeito ocorre? Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 172 8.5. TESTES 1. Analise as afirmações abaixo sobre o frio: I – Trabalhos pesados devem ser conduzidos em temperaturas mais altas em relação a trabalhos que demandem destreza manual. II – A perda de calor de um corpo é função apenas da temperatura ambiente, sendo o vento desprezível. III – Em –20ºC o corpo pode congelar dentro de 30 segundos. Qual a alternativa correta? a) Apenas I é verdadeira. b) Apenas I e III são verdadeiras. c) Apenas II é verdadeira. d) Todas são falsas. e) Todas são verdadeiras. 2. Qual desses sintomas não aparecem quando há exposição aos ambientes frios? a) Vasoconstrição. b) Aumento da pressão arterial. c) Diminuição do metabolismo interno. d) Diminuição do fluxo sanguíneo. e) N.d.a. 3. Qual dessas medidas não é eficiente no controle ao frio? a) Limitar o consumo de cafeína. b) Ingestão de água para prevenir a desidratação. c) Restringir o fumo. d) Aumentar o consumo de bebidas alcoólicas. e) Todas são eficientes. 4. O controle da exposição ao frio abrange procedimentos que visam evitar a perda de calor corpóreo e a vasoconstrição, qual das alternativas abaixo não representa um desses procedimentos. a) Proibir o consumo de bebidas alcoólicas e restringir o fumo. b) Estimular a ingestão de água para prevenir a desidratação. c) Limitar o consumo de cafeína, a qual aumenta a produção de urina e a circulação do sangue. d) Ingerir quantidade de sal acima do normal. e) N.d.a. Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 173 5. Assinale a alternativa incorreta. a) O congelamento do tecido ocorre quando a pele está a temperaturas próximas de –10°C. b) No congelamento superficial a pele e os tecidos subcutâneos são congelados. c) No congelamento profundo são congelados músculos, ossos e tendões, além da pele e tecido subcutâneo. d) A área afetada no congelamento profundo apresenta-se pálida e sólida e pode ocasionar a formação de vesículas hemorrágicas profundas, ulceração e necrose. e) N.d.a. 6. A condutividade térmica da água é cerca de ______ vezes maior do que a do ar, desse modo a imersão em água com temperatura _______ que a 210C pode ser suficiente para causar a ____________. a) 10 / maior / hipertermia. b) 20 / menor / hipotermia. c) 15 / menor / hipotermia. d) 20 / maior / hipertermia. e) N.d.a. 7. A síndrome de imersão apresenta um estágio com duração de vários dias e durante o qual a área afetada apresenta-se inchada, fria, adormecida e branca ou cianótica. Esse estágio é: a) Estágio hiperêmico. b) Estágio isquêmico. c) Estágio pós-hiperêmico. d) Estágio pós-isquêmico. e) N.d.a. Capítulo 8. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Frio ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 174 8.6. EXERCÍCIOS 1- Um trabalhador executa atividade pesada e em seguida ingressa em uma área com temperatura abaixo de -30C, na qual realiza atividade leve. As suas roupas estão úmidas de suor e as luvas que usa são de algodão. Quais os riscos a que estaria sujeito? Como preveni-los? Resposta: Em virtude da umidade da roupa a perda de calor para o ambiente é maior, aumentando o risco de hipotermia. Em relação às mãos, o baixo isolamento térmico do algodão e da umidade pode ocorrer o congelamento. A recomendação seria a troca das vestimentas úmidas e o uso de luvas que proporcionem isolamento térmico adequado. 2- Nas noites mais frias do inverno, é comum ocorrer morte de moradores de rua. Porque isso ocorre? Quais os meios de prevenção? Reposta: Como as vestimentas por eles usadas são insuficientemente isolantes e por estarem dormindo a geração de calor interno é baixa, ocorre a hipotermia. Os meios de prevenção incluem o uso de vestimentas isolantes e cobertores, a ingestão de líquidos quentes, e acomodação em abrigos. 3- Durante o trabalho de entregas de documento, em dias mais frios, um motociclista estaria sujeito a que risco? Como evitá-los? Resposta: Pode ocorrer hipotermia, em grau leve e por isso imperceptível, o que aumenta o risco. O motociclista deve estar usando roupas isolantes térmicas, capacete e luvas, para prevenir a perda de calor em decorrência do resfriamento pelo vento. 4- Um trabalhador executa atividade pesada em uma área com temperatura abaixo de 00C, que efeitos do frio seriam esperados e quais as formas de preveni-lo? Resposta: Seria esperada a ocorrência de hipotermia e congelamento das extremidades, particularmente as mãos. Para prevenir a hipotermia as roupas devem ser em camadas, sendo a última de tecido que facilite a respiração diminuindo o risco de sudorese, prever períodos de descanso em área aquecida para troca das roupas umidificadas pelo suor. O congelamento das mãos é prevenido usando-se luvas com características isolantes térmicas apropriadas para a faixa de temperatura do local de trabalho. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 175 CAPÍTULO 9. ESOCIAL OBJETIVOS DO ESTUDO Neste capítulo será discutida a ferramenta do eSocial. O eSocial tem uso obrigatório em relação ao fornecimento de alguns dados desde janeiro de 2018 e por isso aprender seus principais conceitos é fundamental para o higienista ocupacional. Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: • Conhecer datas de implantação do sistema; • Diferenciar as principais tabelas necessárias para seu preenchimento; • Conhecer quem será obrigado a utilizar a ferramenta; • Conhecer quais agentes e fatores de risco deverão ser preenchidos. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 176 9.1 O ESOCIAL 9.1.1 O QUE É O ESOCIAL O eSocial é uma ferramenta que está sendo programada desde 2004 pelo governo federal com o intuito de unificação de informações relacionadas à gestão (recursos humanos) e segurança do trabalho provenientes de qualquer empregador em território brasileiro (BRASIL, 2019). Com o decreto n° 8.373, de 2014, ficou instituído o “sistema de escrituração das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas – eSocial”. O decreto não altera nenhuma regra vigente normativa, somente estabelece o eSocial como ferramenta fiscalizadora. Com o portal, os empregadores irão ser obrigados a cumprir e prestar informações de forma unificada e digital obrigações, como: • GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social • CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados para controlar as admissões e demissões de empregados sob o regime da CLT • RAIS - Relação Anual de Informações Sociais. • LRE - Livro de Registro de Empregados • CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho• CD - Comunicação de Dispensa • CTPS – Carteira de Trabalho e Previdência Social • Outros É uma ação conjunta dos seguintes órgãos: • Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB; • Caixa Econômica Federal; • Instituto Nacional do Seguro Social – INSS; • Extinto Ministério do Trabalho – MTE. O eSocial coletará informações das empresas e as armazenará no “Ambiente Nacional do eSocial”, possibilitando aos órgãos governamentais citados acima a sua efetiva consulta e utilização para fins trabalhistas, fiscais e previdenciárias (BRASIL, 2022). Uma das principais razões da existência do eSocial se dá pela impossibilidade de o Estado fiscalizar todas as empresas existentes no território nacional. Atualmente, somente 3% delas são fiscalizadas. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 177 A dinâmica de funcionamento do eSocial pode ser expressa pela imagem a seguir: Figura 9.1 – Fluxograma de Informações do eSocial Fonte: MACHADO, 2017 De uma forma generalizada, diversas áreas dentro de uma empresa deverão “coordenar informações” sobre funcionários, admissões, áreas de riscos e outros para não passar informações discrepantes entre elas. Os eventos a serem gerados podem ser realizados em qualquer estabelecimento da empresa, não necessitando ser todos ao mesmo tempo, ou por procurado, mediante certificação digital. Um braço já ativo desde 01/10/2015 do eSocial é o “Módulo Empregador Doméstico”, o qual auxilia no recolhimento unificado dos tributos e FGTS para empregado doméstico exclusivamente. A diferença deste para o que irá ser implantado é que informações relacionadas à segurança não são necessárias. Todo aquele que contratar prestador de serviço pessoa física e possua alguma obrigação trabalhista, previdenciária ou tributária, em função dessa relação jurídica de trabalho, inclusive se tiver natureza administrativa, conforme a legislação pertinente, está obrigado a enviar informações por meio do eSocial. A ferramenta implicará uma nova era nas relações entre governo, empregado e empregadores. Ele incentiva a autorregularização das empresas e implica em diversas oportunidades, como fim da burocratização dos procedimentos com redução de custos operacionais, uma mudança do perfil profissional de Saúde e Segurança no Trabalho (SST), que hoje tende ao lado mais técnico do que gestor (MACHADO, 2022). Além disso, ele representará uma melhoria em termos de gestão de recursos e políticas para tomada de decisões estratégicas, uma vez que relacionará diretamente a área de recursos humanos com SST (MACHADO, 2022). Para o trabalhador também trará benefícios, com o aumento da segurança jurídica em relação a assuntos polêmicos como aposentaria especial, insalubridade e periculosidade (MACHADO, 2022). Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 178 9.1.2 SUJEITOS AO ESOCIAL O eSocial é obrigatório para informações relacionadas a recursos humanos desde 01/01/2018 para empregadores e contribuintes com faturamento no ano de 2016 acima de R$ 78.000.000,00 e em 01/07/2018 para os demais empregadores e contribuintes. Em junho de 2017 foi disponibilizado aos empregadores e contribuintes um ambiente de produção restrito com vistas ao aperfeiçoamento do sistema, com o intuito de realizar testes para adequação das empresas. A medida foi autorizada pela publicação da Resolução n° 9 do Comitê Gestor do eSocial e está disponível no site: https://www.gov.br/esocial/pt-br Este ambiente de teste é utilizado para a “ambientação” da empresa junto a ferramenta, podendo ser preenchido com dados fictícios ou não e sem efeitos jurídicos. Informações referentes a períodos anteriores à implantação do eSocial devem ser enviadas pelos sistemas utilizados a época, ou seja, nada retroativo deverá ser declarado. Ainda não se sabe ao certo se a parte de SESMT será implantada para o eSocial, embora exista um calendário oficial. Sua última atualização, datada de 4 de setembro de 2020 confirmou o adiamento do prazo devido à pandemia mundial do Corona vírus. A previsão inicial era que as primeiras informações relacionadas à Saúde e Segurança começassem a ser fornecidas em setembro, para o GRUPO 1 e até agora não foi definido novo prazo. Estes grupos são definidos pelos cronogramas oficiais, sendo separados em quatro: • GRUPO 1 - entidades empresariais com faturamento no ano de 2016 acima de R$ 78.000.000,00: • GRUPO 2 - entidades empresariais com faturamento no ano de 2016 de até R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões) e que não sejam optantes pelo Simples Nacional: • GRUPO 3 - empregadores optantes pelo Simples Nacional, empregadores pessoa física (exceto doméstico), produtor rural PF e entidades sem fins lucrativos: • GRUPO 4 - entes públicos e organizações internacionais: 9.1.3 EVENTOS DO ESOCIAL As informações a serem prestadas ao eSocial são separadas por grupos chamados “grupos de eventos”. Os grupos de eventos são separados em tabelas de, não periódicos, periódicos e de saúde e segurança no trabalho. Todos devem ser preenchidos pelo empregador. Cada grupo de eventos possui uma série de códigos, sempre identificados com uma letra “S” seguida de 4 números. Por exemplo S-2190 e S-1300. Cada sigla representa um item a ser preenchido obrigatoriamente ou não (por exemplo, uma empresa de mineração não necessita preencher o item S-1080, que fala sobre operadores portuários). Todos os códigos, assim como informações de preenchimento, são explicados no MOS (manual de operação do eSocial, disponibilizado em seu site oficial) https://www.gov.br/esocial/pt-br Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 179 9.1.4 EVENTOS DE TABELAS – TABELAS DO EMPREGADOR Transmitem informações que identificam o empregador/ contribuinte/ órgão público. As informações constantes do Evento de Tabelas são mantidas no eSocial de forma histórica, não sendo permitidas informações conflitantes para um mesmo item dentro da mesma Tabela e período de validade. De fato, grande parte dos eventos irá utilizar informações constantes dos Eventos de Tabelas, uma vez que estes dados constituem um “arcabouço” para os demais. No caso de encerramento de empresa, é necessário antes encerrar todas as suas tabelas, com o grupo de informações relativas à alteração, com a data fim de validade. Uma série de códigos são explicado no Manual do eSocial referentes a “obrigatoriedade do evento” e “obrigatoriedade do requisito”, um campo dentro de umas colunas a serem preenchidas: • “O” = obrigatório; • “N” = não obrigatório; • “OC” = obrigatório caso exista informação para o evento; • “N/A” = não se aplica. Em relação à data de admissão de um trabalhador, se ela aconteceu antes do funcionamento do eSocial, ela deve ser incluída na data de início da ferramenta. Por exemplo, se um trabalhador foi admitido em 2005, como o eSocial começou em 2018, a data de início deverá informar “2018-01” (janeiro de 2018). As informações dos Eventos de Tabelas serão mantidas de forma histórica e informações conflitantes não serão permitidas. Conforme ressaltado anteriormente, a perfeita manutenção destas tabelas é fundamental para a recepção dos demais Eventos e a adequação das bases de cálculos do eSocial. Também importante, a administração dos períodos de validade das informações impacta diretamente em determinados Eventos e assim seu período de vigência deve ser respeitado.9.1.5 EVENTOS NÃO PERIÓDICOS São eventos sem data pré-fixada para ocorrer, uma vez que dependem da relação exclusiva empregador/empregado e o reconhecimento de direitos e deveres trabalhistas, previdenciários e fiscais. É o caso de uma promoção, contratação de empregado ou serviço, desligamento e outros. O seu prazo de envio respeita regras que assegurem direitos trabalhistas e o manual do eSocial contém uma descrição de todos os eventos não periódicos e o prazo de envio para eles. De uma maneira geral, o recomendado é que estes eventos sejam transmitidos imediatamente após a sua ocorrência, a fim de impedir inconsistências e o risco da rede eSocial estar congestionada devido ao alto número de acessos nas últimas horas do prazo Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 180 9.1.6 EVENTOS PERIÓDICOS Eventos periódicos abordam situações que deverão ser repetidas mensalmente, como remuneração, benefícios e outros. Uma particularidade dos eventos periódicos é a reabertura e fechamento destes eventos. Todo mês antes do encerramento do prazo do eSocial (todo dia sete do mês), deve-se utilizar o S-1299, o “fechamento dos eventos periódicos”. Caso alguma informação tenha sido passada de forma equivocada, existe a possibilidade de reabertura destes eventos, através da S-1298 “reabertura dos eventos periódicos”. Com a reabertura, novas informações periódicas como remuneração, comercialização, aquisições e venda podem ser transmitidas. A Folha de Pagamento no eSocial é um conjunto de informações que reflete a remuneração de todos os trabalhadores que estiveram a serviço do empregador/contribuinte/órgão público naquela competência. Entretanto, cada trabalhador é tratado individualmente, de forma que a retificação da remuneração de um trabalhador não afeta os demais. A Folha de Pagamento, com eventos por trabalhador, deve ser enviada compondo um movimento com prazo para transmissão e fechamento até o dia 07 do mês seguinte ao do período de apuração, antecipando-se o vencimento para o dia útil imediatamente anterior, em caso de não haver expediente bancário. Em caso de atraso na declaração de qualquer evento do eSocial, uma multa de R$ 408,00 será aplicada por dia de atraso. 9.1.7 SEQUÊNCIA LOGICA DO PREENCHIMENTO DO ESOCIAL O empregador/contribuinte/órgão público deve considerar uma sequência lógica para o preenchimento e transmissão de informações ao eSocial. Primeiramente, deve-se realizar a identificação do empregador/contribuinte/órgão público, dentro dos Eventos de Tabela. Em segundo passo, devem ser enviadas as informações, caso existam, informações previstas nos Eventos Periódicos e Não Periódicos. Existe a possibilidade de eventuais retificações e alterações, que para o eSocial são diferentes. As alterações ocorrem somente nos eventos de Tabela e são atreladas a um período de validade. Essas alterações podem ser realizadas por meios de eventos não periódicos, como uma promoção ou desligamento. Toda alteração deve ser bem controlada para que não torne inconsistente os eventos periódicos já fechados. Por exemplo, alguém que é desligado da empresa por um evento não periódico, mas tem seu salário declarado normalmente dentro de um evento periódico. Ainda, por fim, é possível utilizar o comando exclusão, com o campo S-3000. A exclusão de um evento somente é realizada se ele se encontrar aberto. Caso não se encontre, deve-se utilizar a planilha “reabertura”, dentro dos eventos periódicos para posteriormente se efetuar a exclusão. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 181 9.1.8 IDENTIFICADORES A identificação do trabalhador é realizada com base no CPF, no NIS (número de identificação social) e na data de nascimento. Estes dados já podem ser validados junto a ferramenta e eventuais inconsistências antecipadas. Para isso, dentro do site do eSocial, deve-se buscar pelo item “consulta de qualificação cadastral”, na figura 9.5. Figura 9.5 – Consulta de Qualificação Cadastral Fonte: BRASIL, 2022 O uso da consulta de qualificação cadastral é optativo, mas de extrema importância. Ela pode ser realizada por CPF ou em lotes de até dez funcionários. Nesse caso de lotes, é obrigatório que o usuário possua certificado digital (e-CPF ou e-CNPJ). No caso de eventuais inconsistências, o aplicativo fornecerá as devidas orientações para regularização junto ao governo. A identificação do empregador é realizada a partir de seu CNPJ. 9.1.9 CONSULTA Qualquer arquivo previamente enviado poderá ser resgatado pelo empregador em qualquer momento através do S-4000 – “Solicitação de Totalização de Eventos”. Com essa função, um relatório será gerado com informações constantes do eSocial para o período desejado. 9.1.10 LEIAUTES O eSocial apresenta dois grupos de leiautes, o “Anexo I” e o “Anexo II”. No primeiro anexo, são atribuídos códigos que deverão ser utilizados para preenchimento correto da ferramenta. Um exemplo de tabela dentro do Anexo I é a tabela 24, que será mostrada no próximo capítulo. A tabela 24 contém os riscos existentes dentro do eSocial. Outros eventos, relacionados a recursos humanos, como folha de pagamento, admissão, demissão e outros, possuem outras tabelas auxiliares que são descritas no manual do eSocial. O Anexo II representa os leiautes do eSocial. Nesse anexo, são apresentadas regras de preenchimento do software e suas respectivas descrições. Um exemplo pode ser visto na figura 9.6. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 182 9.1.11 TESTES 1. É um evento não periódico, dentro do eSocial: a) Décimo terceiro salário. b) Demissão. c) Auxílio Moradia em caso de acordo. d) Vale refeição. e) Vale transporte. 2. Qual importância da “consulta de situação cadastral”? a) Verificar junto ao eSocial se determinado CPF está apto a entrar no sistema. b) Verificar débitos junto a receita federal. c) Verificar o CNPJ do contratante em relação a ações trabalhistas. d) Ela permite a inclusão direta de trabalhadores no eSocial. e) Ela é responsável pela declaração de compra e venda de insumos. 3. Não faz parte dos eventos do eSocial: a) Eventos de Tabela b) Eventos Periódicos c) Eventos Não Periódicos d) Eventos financiadores. e) Nda. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 183 9.2 O ESOCIAL PARA A SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO 9.2.1 ELEMENTOS CONSTITUINTES DO ESOCIAL PARA SST Alguns itens são definidos como eventos exclusivos a SST (Saúde e Segurança do Trabalho): • S-2210 – Comunicação de Acidente do Trabalho; • S-2220 – Monitoramento da Saúde do Trabalhador; • S-2240 – Condições Ambientais do Trabalho – Agentes Nocivos; O primeiro passo, conforme mostrado anteriormente, é a criação de um evento de admissão (S-2200), um evento não periódico. Após a admissão, deve-se reconhecer fatores de riscos e monitoramento biológico das diversas áreas dentro da empresa. Destacam-se, dentro dessa fase os itens a seguir. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 184 9.2.1.1 S-2220 – Monitoramento da Saúde do Trabalhador Neste eventoocorrerá o acompanhamento da saúde do trabalhador durante todo seu vínculo laboral, com a utilização das informações relativas aos atestados de saúde ocupacional (ASO). Os eventos contendo informações de exames admissionais devem ser enviados no mesmo prazo do envio do S-2200 “Admissão do Trabalhador”, para que não existam discrepâncias entre os eventos. Caso se trate de um exame de rotina, ele deverá ser enviado até o sétimo dia do mês posterior ao da realização do exame. No S-2220, serão enviados os resultados da monitoração da saúde, assim como exames complementares solicitados, a critério médico, buscando a verificação de ocorrências aos fatores de risco capazes de causarem danos à saúde do trabalhador. Não faz parte do evento de monitoramento da saúde do trabalhador informações constantes em atestados médicos no caso de afastamento por doença ou acidente. Entretanto, o exame de retorno ao trabalho do colaborador ausente por um período igual ou superior a 30 dias deve constar no S-2220. Todos os exames dos quadros I e II da NR-7 devem ser informados neste evento. Estes exames envolvem os controles biológicos da exposição ocupacional a agentes químicos e parâmetros para monitorização da exposição ocupacional a alguns riscos à saúde. 9.2.1.2 S-2240 – Condições Ambientais do Trabalho – Fatores de Risco Este evento realizará a vinculação do trabalhador com os ambientes, a criação e associação do trabalhador aos riscos contidos. No S-2240 serão individualizados os riscos existentes nos ambientes aos trabalhadores, assim como medidas de proteção coletivas e individuais. Os riscos abordados não necessariamente atingem a todos trabalhadores presentes no ambiente e, se atingirem, é possível que as intensidades, concentrações e doses não sejam uniformes para todos em todo o ambiente de trabalho. Assim, essa individualização promovida pelo S-2240 é fundamental. A tabela deve ser alimentada com os riscos presentes na tabela de fatores de riscos ambientais, presentes dentro do manual do eSocial e suas informações serão utilizadas para elaboração do PPP e deverão ser atualizadas anualmente, ou quando o ambiente e fatores de risco associados a ele mudarem. Os riscos possuem um código associado a cada um deles, assim como uma explicação do que ele representa. Eles são divididos em: • Físicos; • Químicos; • Biológicos; • Associação de agentes nocivos físicos, químicos e biológicos; • Outros; Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 185 Existe também a possibilidade de atribuir a um ambiente “ausência de agentes nocivos”, que é o último item dentro da tabela disponibilizada pelo eSocial. Ressalta-se a importância da não omissão de nenhum risco, uma vez que ele poderá ser descoberto devido ao cruzamento do S-1060 com outros eventos. Por exemplo, se a empresa faz a aquisição de produtos químicos e ele está presente em seu processo, ficará mais complicado justificar o não apontamento de nenhum risco químico para o governo. Uma outra função deste evento é a comunicação da mudança de um trabalhador entre ambientes ou encerramento de atividade em um ambiente (sendo este último caso complementado pelo evento de demissão, explicado anteriormente, se for o caso). Na fase de preenchimento do S-2240, será reconhecido a necessidade de adicionais de insalubridade ou periculosidade e/ou de aposentadoria especial, reconhecida pela medição quantitativa relativa aos diversos agentes presentes. Este evento deverá ser informado inclusive quando existir exercício de atividade desde antes da data da implantação do eSocial, seguindo mesma metodologia previamente explicada. Assim, esta informação somente produzirá efeitos a partir da data de obrigatoriedade de implantação do eSocial. Deverá ser informado a presença de EPC no ambiente ou a utilização ou não de EPI. Informações relacionadas ao atendimento da NR-06 e NR-09 sobre EPI também serão preenchidas. Junto com a associação do trabalhador com a presença ou ausência de riscos dentro do ambiente, também deverá ser informado um descritivo das atividades desempenhadas por cada colaborador da empresa. 9.2.1.3.1 FÍSICOS Riscos físicos envolvem ruído, campos magnéticos, radiações ionizantes e não ionizantes, estresse por calor ou por frio, pressões e vibrações. 9.2.1.3.1 QUÍMICOS Riscos químicos, conforme ressaltado anteriormente, envolvem 789 compostos que podem estar presentes dentro do ambiente a ser designado no evento S-1060. 9.2.1.3.3 BIOLÓGICOS Este item aborda todos os riscos relacionados a bactérias, vírus e outros microrganismos. Há uma descrição da atividade exercida, como “contato com pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas” ou “trabalho com carne, sangue e ossos”. Alguns exemplos podem ser visualizados na figura 9.7. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 186 Figura 9.7 – Exemplos de Riscos Biológicos Fonte: BRASIL, 2022. 9.2.1.3.4 ASSOCIAÇÃO DE AGENTES NOCIVOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS Item criado especificamente para mineração, conforme figura abaixo: Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 187 9.2.1.3.7 OUTROS Aqui há uma incoerência nesta Tabela do eSocial. O único fator presente dentro da parte “outros” é a umidade, sendo este mais “instintivamente” localizado dentro dos riscos físicos. Capítulo 9. ESOCIAL ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 188 9.2.2 TESTES 1. O que deverá ser realizado durante o preenchimento da tabela S-2240 do eSocial? a) A alocação do trabalhador ao ambiente de trabalho. b) A associação dos riscos inerentes a apenas um ambiente. c) A associação dos riscos inerentes a todos ambientes da empresa, de forma individualizada. d) A alocação de todos os trabalhadores e riscos aos ambientes dentro da empresa. e) A quantificação dos riscos físicos de um ambiente. 2. Não fazem parte dos riscos contidos dentro da tabela 23 do eSocial: a) Riscos Físicos. b) Riscos Químicos. c) Riscos Ernogômicos. d) Riscos Biológicos. e) Riscos Financeiros. 3. Riscos Ergonômicos são divididos em quais, segundo o eSocial? a) Biomecânicos, comportamentais e psicossociais. b) Intrínsecos e Extrínsecos. c) Biomecânicos, Mobiliário, Organizacionais, Ambientais e Psicossociais. d) Comportamentais, de Controle e Culturais. e) Nenhuma das alternativas anteriores é correta. Bibliografia ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 189 BIBLIOGRAFIA 1. ACGIH - CONFERÊNCIA AMERICANA DE HIGIENISTAS INDUSTRIAIS GOVERNAMENTAIS – Limites de Exposição para Substâncias Químicas, Agentes Físicos e Índices Biológicos - Tradução pela Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais ABHO, São Paulo, 2021. 2. ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. RE nº 9, de 16 de janeiro de 2003 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2003/anexo/anexo_res0009_16_01_2 003.pdf 3. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria Nº 12 de 06 de junho de 1983. Disponível em:https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no- trabalho/normas-regulamentadoras/nr-15-anexo-14.pdfAcesso em jun. 2022 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Classificação de Riscos Biológicos, 3ª Edição, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/classificacao_risco_agentes_biologicos_3ed. pdf Acesso em jun. 2021 5. BRASIL. Ministério da Economia. Norma Regulamentadora – NR 9: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Disponível em:https://www.gov.br/trabalho/pt- br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada- 2019.pdf Acesso em jun. 2021 6. Centers for Disease Control and Prevention. CDC-USA. Guidelines for Environmental Infection Control in Health-Care Facilities (2003) https://www.cdc.gov/infectioncontrol/guidelines/environmental/background/sampling.html 7. Coccia, A.M. et al. Airborne microorganisms associated with waste management and recovery: biomonitoring methodologies https://www.scielosp.org/article/aiss/2010.v46n3/288-292/en/ 8. EN-13098:2019. Workplace exposure - Measurement of airborne microorganisms and microbial compounds - General requirements 9. FIOCRUZ, Simbologia de riscos. Disponível em:http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/imagem/simbolos.htm Acesso em jun. 2021 10. Goeltzer, Berenice – Avaliação da Sobrecarga Térmica no Ambiente de Trabalho – ABPA/OMS 11. Górny, Rafał L. Microbiological Corrosion of Buildings: A Guide to Detection, Health Hazards, and Mitigation (Occupational Safety, Health, and Ergonomics) 1st Edition 12. Instituto Nacional de Saúde e Segurança do Trabalho – INSST. Nota Técnica de Prevenção – NTP 833.Disponível em:https://www.insst.es/documents/94886/328096/833+web.pdf/a8b17b38-f44c-4e9b- 85af-afcaf1c48e7f Acesso em jun. 2022 13. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho- FUNDACENTRO – 1981 14. Kim, K.; Kabir, E.; Jahan, S.A. Airborne bioaerosols and their impact on human health https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7128579/ 15. Limites de Exposição para substâncias químicas e agentes físicos – ACGIH 1999 - tradução da ABHO https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-15-anexo-14.pdf https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-15-anexo-14.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/classificacao_risco_agentes_biologicos_3ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/classificacao_risco_agentes_biologicos_3ed.pdf https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2019.pdf https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2019.pdf https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2019.pdf https://www.scielosp.org/article/aiss/2010.v46n3/288-292/en/ http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/imagem/simbolos.htm https://www.insst.es/documents/94886/328096/833+web.pdf/a8b17b38-f44c-4e9b-85af-afcaf1c48e7f https://www.insst.es/documents/94886/328096/833+web.pdf/a8b17b38-f44c-4e9b-85af-afcaf1c48e7f Bibliografia ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 190 16. Limites de Tolerância – FUNDACENTRO –1973 17. Lin, X, Reponen, T., Willeke K., Wang, Z., Grinshpun S.A., Trunov, M., “Survival of Airborne Microorganisms during Swirling Aerosol Collection.” Aerosol Science and Technology 32:184-196 (2000) 18. National Institute of Standards and Technology (NIST). Methods to Quantify Microbial Viability https://www.nist.gov/programs-projects/methods-quantify-microbial- viability 19. Portaria 3214 de 08/06/78 do MTb 20. Verreault, D., Moineau, S., Duchaine, C.. Methods for Sampling of Airborne Viruses https://journals.asm.org/doi/10.1128/MMBR.00002-08 21. Wells Astete, Martin; Giampaoli, Eduardo; Zidan, Leila Nadin – RISCOS FÍSICOS- FUNDACENTRO- 1981 22. William G. Lindsley, Brett J. Green, Francoise M. Blachere, Stephen B. Martin, Brandon F. Law, Paul A. Jensen and Millie P. Schafer, NIOSH, Sampling and characterization of bioaerosols; Manual of Analytical Methods (NMAM), 5th Edition 23. WHO Guidelines for indoor air quality - Dampness and mould https://apps.who.int/iris/rest/bitstreams/727129/retrieveionização. A energia corpuscular a ser transferida para o meio, ionizando-o, é a energia de movimento ou cinética, cuja magnitude é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade da partícula. Desse modo, qualquer partícula ordinária ao ser acelerada, fornecendo-lhe energia cinética superior a 12,4 eV, passará a ser ionizante, posto que será capaz de ionizar sistemas biológicos. 1.1.5. A RADIOATIVIDADE Se montarmos um gráfico da constituição nuclear dos átomos conhecidos (naturais e artificiais), representando no eixo vertical o número de nêutrons e no horizontal o de prótons, obteremos uma faixa larga e deslocada em direção ao eixo vertical (Figura 1.6.). Figura 1.6. Curva de estabilidade nuclear em função do número de prótons e de nêutrons. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 8 No seu trecho central e abaixo do número atômico 84, estão localizados núcleos que não modificam a sua constituição interna (quantidade de prótons e nêutrons) com o decorrer do tempo, sendo por esta razão considerados estáveis. Por outro lado, os núcleos localizados nas bordas da faixa e no trecho a partir de 84, apresentam uma variação na quantidade de prótons e nêutrons com o passar do tempo, e por isso são denominados instáveis. Em outras palavras, ou eles apresentam um excesso de partículas no seu interior, ou têm nêutrons demais ou nêutrons de menos para serem estáveis. Este estado de instabilidade representa um excesso de energia ou um gasto energético para o núcleo. Tendo-se em vista que todos os sistemas na Natureza buscam se rearranjar de tal forma que o seu gasto de energia seja mínimo, o núcleo atômico irá sofrer uma série de transformações espontâneas até atingir o estado que represente o de menor consumo energético (estado fundamental). Durante essas transformações o núcleo se libera do excesso de partículas e energia que possui, modificando assim a sua estrutura (desintegração) e diminuindo seu nível de energia (decaimento). A radioatividade é definida como o fenômeno físico de emissão espontânea de radiação ionizante por núcleos atômicos instáveis. Este fenômeno e as propriedades radioativas de um núcleo independem do estado físico ou químico em que este se apresenta. Tais propriedades dependem unicamente das características intrínsecas do núcleo, e não podem ser alteradas por quaisquer ações externas (aquecimento, congelamento, diluição, compressão, etc.). O fenômeno da emissão de radiação ionizante pode ocorrer naturalmente ou ser induzido por meio do bombardeamento de núcleos estáveis com partículas carregadas, como no caso de aceleradores de partículas, ou nêutrons, como ocorre nos reatores nucleares. Os átomos naturalmente radioativos estão agrupados em séries, nas quais um elemento se transforma em outro, sucessivamente, até atingir a estabilidade nuclear. O primeiro elemento da série é denominado pai e o último corresponde ao elemento estável. As quatro séries radioativas existentes na Natureza são o Tório, Netúnio, Urânio e Actínio, conforme mostra a tabela 1.1. Tabela 1.1. Séries radioativas naturais. Série Pai Isótopo estável Tório Th232 90 Pb208 82 Netúnio Pu241 94 Bi209 83 Uranio U238 92 Pb206 82 Actínio Th235 92 Pb207 82 1.1.6. FONTES DE RADIAÇÃO IONIZANTE As radiações ionizantes podem ser geradas em equipamentos eletrônicos, emitidas por materiais radioativos ou como resultado de reações nucleares. Nos equipamentos Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 9 eletrônicos a desaceleração de feixe de elétrons por um alvo resulta na emissão de radiação eletromagnética, conhecida como radiação de frenamento ou raios X. A emissão dessa radiação, em níveis significantes do ponto de vista biológico, ocorre para dar voltagem de operação superior a 15 kV e alvo com número atômico elevado (tal como chumbo ou tungstênio). Nessas condições são gerados raios X com energia superior a 5 keV, e os dispositivos emissores incluem: equipamentos de raios X, microscópios eletrônicos, soldagem com feixe de elétrons, retificadores e estabilizadores termiônicos de alta voltagem, tríodos de alta voltagem, magnetrons e tubos de raios catódicos. Os materiais radioativos podem ser encontrados na forma sólida (particulada ou compacta), líquida ou gasosa. Dependendo da finalidade de uso, o material pode estar contido no interior de uma cápsula lacrada. Tal configuração impede a dispersão do material para o ambiente, não havendo o risco de contaminação radioativa, exceto nos casos em que o lacre é rompido ou a cápsula apresente falha. São exemplos de fontes seladas os medidores de densidade, gramatura, espessura, nível, massa e umidade, e os irradiadores para terapia de câncer e para ensaios não destrutivos. Quando o material se encontra na sua forma livre, a fonte é denominada não selada. Nestas condições o material radioativo pode difundir-se para o ambiente, havendo o risco de contaminação radioativa. Este tipo de fonte é amplamente utilizado em Medicina Nuclear, para fins de diagnóstico. Um outro tipo de fonte de radiação consiste nos aceleradores de partículas. Nestes equipamentos as partículas (elétrons, nêutrons, íons positivos) são aceleradas até se alcançar a energia desejada. O uso destas fontes ocorre predominantemente nas áreas de terapia do câncer, de pesquisa e irradiação de materiais. Na última categoria, estão os reatores nucleares de pesquisa e de potência (geração de energia elétrica). A emissão de radiação (raios gama e nêutrons) é resultado das reações de fissão de elementos pesados, tal como o urânio. 1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES Ao ionizar a matéria a radiação transfere a sua energia, produzindo pares iônicos (íon positivo e íon negativo) ao longo de sua trajetória. Nos sistemas biológicos esses pares iônicos irão reagir com outros átomos e moléculas, interferindo no metabolismo celular ou danificando o DNA. Dependendo da forma como a radiação transfere a sua energia para o meio será classificada como radiação diretamente ionizante ou radiação indiretamente ionizante. 1.2.1. RADIAÇÕES DIRETAMENTE IONIZANTES As partículas carregadas ao se aproximarem de um átomo ou molécula irão atrair ou repelir o elétron orbital. Durante essa interação parte da energia da partícula é transferida para o átomo, arrancando o elétron de sua órbita e desacelerando-a. Por transferir a energia gradativamente, em atrações e repulsões sucessivas, as partículas carregadas são denominadas radiações diretamente ionizantes. Estão nessa categoria as partículas alfa e beta. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 10 1.2.1.1. PARTÍCULAS ALFA As partículas alfa consistem de 2 prótons e 2 nêutrons, e são emitidas quando o núcleo apresenta excesso de partículas nucleares. Seguindo a emissão da partícula alfa, na maioria dos decaimentos, ocorre também a emissão de radiação eletromagnética (raios gama). Nesse processo, como a proporção de prótons e nêutrons no interior do núcleo é alterada, ocorre a transformação de um elemento químico em outro, conforme a reação de desintegração: ++→ − − 4 2 4 2YX A Z A Z ++→ 4 2 222 86 226 88 RnRa Na Figura 1.7. é apresentado o esquema parcial de decaimento do Rádio-226. No esquema pode-se notar que o Rádio-226 tem três caminhos para transformar-se em Radônio-222, sendo que em dois deles ocorre a emissão deradiação gama. O elemento formado (Radônio) é instável e, portanto, também sofrerá transformação nuclear. Figura 1.7. Esquema parcial de decaimento do Rádio-226. Os átomos alfa emissores naturais apresentam número atômico elevado (Z>82) e emitem partículas com energia maior ou igual 3,93 MeV. A probabilidade de ocorrência da desintegração aumenta com a energia da partícula alfa. Desse modo, os átomos que se desintegram mais rapidamente emitem as partículas alfa mais energéticas. Como as partículas alfa são massivas e apresentam carga elétrica duplamente positiva, as interações com os elétrons orbitais são mais fortes e a trajetória por ela percorrida é linear. Em virtude e da forte atração, a transferência da energia ocorre mais rapidamente, resultando em uma densidade de ionização elevada e um curto alcance no meio. Por exemplo, uma partícula alfa com energia de 3 MeV, tem um alcance de 2,8 cm Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 11 no ar e produz 4000 pares iônicos/mm. Para a maioria dos alfa emissores, quando a fonte está localizada externamente ao corpo não se constitui em risco, posto que mesmo as partículas alfa mais energéticas não atravessam a camada morta da pele. Entretanto, em caso de irradiação interna, quando o material radioativo foi incorporado, o risco para o indivíduo é elevado. Nestas condições toda a energia da radiação é dissipada em tecidos vivos, produzindo o dano. Na tabela 1.2 são apresentados alguns exemplos de fontes emissoras de partículas alfa e as suas principais aplicações. Na coluna referente à energia, o valor em parênteses corresponde à porcentagem de desintegrações em que são emitidas partículas alfa com essa energia, e o termo em colchete é a energia do raio gama emitido após algumas das desintegrações. Tabela 1.2. Fontes emissoras de partículas alfa, segundo a meia vida física, energia da radiação e uso. Fonte Meia-Vida E (MeV) Usos Th232 90 1,41x1010anos 3,950 (23%) 4,011 (77%) (0,059)] Reator nuclear. No passado (1928 a 1955), como contraste em diagnóstico radiológico (Thorotrast - dióxido de tório). U238 92 4,51x109 anos 4,150 (23%) 4,200 (77%) [(0,048)] Reator nuclear. Po210 84 138,4 dias 5,305 (100%) (0,803)] Eliminadores de eletricidade estática. Pu238 94 86 anos 5,456 (28%) 5,499 (72%) [(0,044; 0,010; 0,153)] Detectores de fumaça. Am241 95 458 anos 5,443 (13%) 5,486 (86%) [(0,060)] Diagnóstico (fonte radioativa do analisador de mineral ósseo). Terapêutico (fonte radioativa intracavitária no tratamento de malignidades). Medidor de gramatura de papel. Detector de fumaça. Eliminador de eletricidade estática. Ra226 88 1602 anos 4,599 (5%) 4,782 (95%) [(0,187)] Terapêutico (tratamento de malignidades tais como: câncer uterino, orofaríngeo, de bexiga, de pele e câncer metastático dos nódulos linfáticos). No passado, como tinta de marcação. Rn222 86 3,825 dias 5,486 (100%) [(0,510)] Terapêutico (tratamento de malignidades tais como: câncer uterino, orofaríngeo, de bexiga, de pele e câncer metastático dos nódulos linfáticos). Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 12 1.2.1.2. PARTÍCULAS BETA As partículas beta são emitidas pelo núcleo quando há um excesso de nêutrons. O nêutron excedente se desintegra em um próton e um elétron, sendo esse último expulso do interior do núcleo. Desse modo, a carga e a massa dessa partícula são iguais às do elétron orbital. No decaimento beta ocorre a transformação de um elemento químico em outro, conforme a reação de desintegração: noantineutrieYX A Z A Z ++→ −+ 0 11 noantineutrieHn ++→ − 0 1 1 1 1 0 noantineutrieSP ++→ − 0 1 32 16 32 15 Na Figura 1.8. é apresentado o esquema de decaimento do Fósforo-32. No esquema de decaimento pode-se notar que o Fósforo-32 transforma-se no Enxofre-32 por um único caminho. O elemento formado (Enxofre) é estável. Figura 1.8. Esquema de decaimento do Fósforo 32. As partículas beta são emitidas com energia inferior à energia das partículas alfa, apresentando a maior parte valores abaixo de 4 MeV. Como a massa dessa partícula é da ordem da massa do elétron orbital, a sua trajetória dentro do meio é irregular e a sua velocidade é maior do que a da alfa. A densidade de ionização é relativamente elevada para as partículas com energia mais baixa, posto que a velocidade é menor e, portanto, o tempo de interação é maior. À medida que a energia aumenta o número, a densidade de ionização decresce, até o valor mínimo em 1 MeV. Em virtude de sua menor carga e maior velocidade a partícula beta será mais penetrante do que a alfa. Como exemplificado no tópico anterior, uma partícula beta com energia de 3MeV terá um alcance no ar de 1000 cm e produzirá 4 pares iônicos/mm. Em relação aos sistemas biológicos, a camada morta da pele já não oferece blindagem suficiente para essa radiação, sendo necessárias energias tão baixas quanto 70 keV para penetrá-la. As partículas beta com energia inferior a 200 keV apresentam uma penetrabilidade baixa, e as fontes que as emitem não são consideradas perigosas, P32 15 S32 16 - Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 13 quando estão fora do corpo. Apesar do alcance da partícula beta ser maior do que o da alfa, suas fontes emissoras são consideradas potencialmente perigosas em caso de irradiação interna. Uma atenção especial deve ser dada em relação ao material que encapsula ou blinda essas fontes, posto que ocorre a emissão de radiação eletromagnética penetrante, durante a desaceleração das partículas beta. A probabilidade de emissão aumenta com o número atômico do absorvedor. Blindagens com material de número atômico inferior a 13 (por exemplo, alumínio), são as mais recomendadas. Na tabela 1.3 são apresentados alguns exemplos de fontes emissoras beta puras e as suas principais aplicações. Na coluna referente à energia o valor em parênteses corresponde à porcentagem de desintegrações em que são emitidas partículas beta com essa energia. Tabela 1.3. Fontes beta-emissores puros, segundo a meia vida física, energia da radiação e uso. Fonte Meia-Vida E (MeV) Usos H3 1 12,35 anos 0,018 (100%) Diagnóstico (metabolismo de esteroides, consumo total de água). Pré-ionização de tubos eletrônicos. Tintas de marcação. C14 6 5730 anos 0,156 (100%) Diagnóstico (metabolismo, metabolismo de esteroides). P32 15 14,28 dias 1,710 (100%) Diagnóstico (taxa de destruição de eritrócitos, estudo de doença vascular periférica, localização de tumores ocular, de cérebro e de pele, estudo de carcinoma de mama, determinação de volume sanguíneo). Terapêutico (leucemia mieloide crônica, leucemia linfoide crônica, metástase esqueletal). Sr90 38 28,5 anos 0,546 (100%) Terapêutico (tratamento de condições benignas dos olhos tais como: pterígio, ulceração traumática corneal, cicatrizes corneais, hemangioma da pálpebra, vascularização da córnea e preparação para transplante de córnea). Medidor de espessura fixo. S35 16 87,51 dias 0,167 (100%) Diagnóstico (determinação do volume de fluído extracelular). 1.2.2. RADIAÇÕES INDIRETAMENTE IONIZANTES O nêutron e as radiações eletromagnéticas por não possuírem carga elétrica, não podem transferir sua energia por meio de atração ou repulsão dos elétronsorbitais. Em sua interação com o meio transferem parte ou a totalidade de sua energia para partículas Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 14 carregadas, e estas é que irão ionizar o meio de forma semelhante a das radiações diretamente ionizantes. Por necessitar de uma partícula secundária para produzir a ionização, essas radiações são denominadas indiretamente ionizantes. 1.2.2.1. Raios Gama Em grande parte das desintegrações por emissão de partículas alfa, ou beta, o núcleo resultante ainda apresenta um excesso de energia, sendo por isso instável. A fim de atingir a estabilidade o núcleo excitado emite esse excesso de energia na forma de radiação eletromagnética, denominada radiação gama. Como nesse processo há apenas mudança de nível energético, sem alteração na proporção de prótons e nêutrons, o elemento químico será o mesmo. Geralmente essa desexcitação ocorre imediatamente após a desintegração do núcleo, e dependendo dos níveis de energia do núcleo formado, pode haver a emissão de um ou mais raios gama. São exemplos desse processo as reações de decaimento, abaixo, ilustradas no esquema de decaimento da Figura 1.9. eNiCo 0 1 60 28 60 27 − +→ 260 28 60 28 +→ NiNi Figura 1.9. Esquema de decaimento do Cobalto-60. O elétron é a partícula secundária emitida após a absorção dos raios gama pelos átomos do material por ele atravessado. São três os mecanismos de interação gama com a matéria: a absorção fotoelétrica, o espalhamento Compton e a produção de pares. Na absorção fotoelétrica toda a energia do raio gama é transferida para o elétron fortemente ligado (Figura 1.10.), sendo a energia do fotoelétron dada pela relação: Lfe EEE −= Co60 27 Ni60 28 1 2 - Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 15 Figura 1.10. Absorção do raio gama com a emissão de elétron (Efeito Fotoelétrico). O fotoelétron irá dissipar a sua energia produzindo ionização ao longo de sua trajetória no meio. A absorção fotoelétrica é o mecanismo de interação predominante para raios gama de baixa energia e materiais de número atômico baixo. No espalhamento Compton ocorre a colisão elástica do raio gama com o elétron orbital cuja energia de ligação seja muito inferior à do raio gama (Figura 1.11.). Figura 1.11. Espalhamento do raio gama pelo elétron (Espalhamento Compton). Nesse processo parte da energia do raio gama é transferida para o elétron, que por sua vez irá dissipar sua energia produzindo ionização. A probabilidade de ocorrência desse tipo de interação decresce com o aumento da energia do raio gama e com o aumento do número atômico do absorvedor. Esse é o principal mecanismo de interação em elementos com baixo número atômico. K L M K L M Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 16 Para raios gama de energia superior a 1,02 MeV ocorre a produção de pares. Nesse mecanismo o fóton de raio gama ao passar nas proximidades de um núcleo, desaparece, formando um pósitron e um elétron (Figura 1.12.). Figura 1.12. Absorção do raio gama com a emissão de pósitron e elétron (Produção de Pares). A energia excedente na produção do par aparece como energia cinética do pósitron e do elétron criados, segundo as relações: MeV02,1EE ee =+ −+ 02,1EEcpar −= Em geral, o pósitron criado é aniquilado ao interagir com o elétron orbital do átomo em cujo núcleo foi produzido o par. Desse modo, a ionização produzida é decorrente da dissipação da energia cinética do elétron produzido por esse mecanismo. A produção de pares é o mecanismo predominante em materiais com número atômico elevado. Na interação do raio gama com a matéria, cada fóton é removido individualmente em um único evento. A redução da intensidade do feixe de raios gama é dada pelo coeficiente de atenuação linear, segundo a relação: xleII − = 0 Onde: I0 = intensidade do feixe sem o absorvedor x = espessura do absorvedor I = intensidade do feixe transmitida l = coeficiente de atenuação linear K L M Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 17 O coeficiente de atenuação linear corresponde à fração do feixe de raio gama atenuada por unidade de espessura do absorvedor, e representa a probabilidade de que a interação com a matéria ocorra. Esse coeficiente é dependente da energia do raio gama e do tipo de material do absorvedor, sendo a soma da probabilidade de ocorrência de cada um dos três mecanismos de interação: ppecefl ++= Onde: ef = probabilidade efeito fotoelétrico. eC = probabilidade espalhamento Compton. pp = probabilidade produção de pares. Em virtude de sua forma de interação, os raios gamas apresentam grande poder de penetração. Para os sistemas biológicos, a irradiação por fonte externa ao corpo, apresenta risco elevado, posto que a energia pode ser dissipada em tecidos mais profundos do corpo. Na tabela 1.4 são apresentados alguns dos emissores beta-gama mais comumente utilizados em atividades médicas e industriais. Na coluna referente à energia o valor em parênteses corresponde à porcentagem de desintegrações em que são emitidas partículas beta, e radiação gama com essa energia. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 18 Tabela 1.4. Fontes emissoras beta-gama, segundo a meia vida física, energia da radiação e uso. Fonte Meia-Vida E (MeV) Usos Pm147 61 2,62 anos 0,224 0,122 Medidores de espessura fixos. Pré-ionização de tubos eletrônicos. Tintas de marcação. Na24 11 15 horas 1,392(100%) 1,369(100%) 2,754(100%) Diagnóstico (determinação de sódio total, circulação periférica). I131 53 8,04 dias 0,250(3%) 0,336(9%) 0,607(87%) 0,810(1%) 0,080(2%) 0,284(5%) 0,364(80%) 0,637(9%) 0,723(3%) Diagnóstico (absorção intestinal de gordura, função pancreática, fluxo vascular periférico, fluxo vascular cerebral, mapeamento do cérebro, localização da placenta, determinação do volume plasmático, conversão de trioleína, função hepática, excreção hepática, função renal, fluxo sanguíneo renal, obstrução do tracto urinário, cintilografia estomacal, cintilografia renal, cintilografia do fígado, cintilografia cerebral, cintilografia da tiroide, função da tiroide, cisternografia). Terapêutico (câncer da tiroide, hipertireoidismo). Ir192 77 74,2 dias 0,672(95,5%) 0,296(29%) 0,308(30%) 0,317(81%) 0,468(49%) 0,589(4%) 0,604(9%) 0,612(7%) Medidores de nível. Radiografia industrial. Cs137 55 30 anos 0,514(93,5%) 1,176(6,5%) 0,662(93,5%) Terapêutico: fonte de teleterapia no tratamento de malignidades. Medidores de espessura. Medidores de densidade. Medidores de nível. Chaves de nível. Radiografia industrial. Esterilização de produtos médicos, farmacêuticos e alimentícios. Co60 27 5,26 anos 0,314(100%) 1,173(100%) 1,332(100%) Diagnóstico (teste de Schilling). Terapêutico (fonte intersticial ou intracavitária, ou fonte de teleterapia no tratamento de malignidades). Esterilizaçãode produtos médicos, farmacêuticos e alimentícios. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 19 1.2.2.2. Raios X A desaceleração de elétrons rápidos por colisão com um alvo resulta na emissão de radiação eletromagnética, denominada raios X. A maior parte da energia do elétron é transformada em calor e uma pequena parte na forma de raios X. Nos dispositivos eletrônicos a vácuo, os elétrons emitidos por um filamento aquecido (o cátodo) são acelerados pela diferença de potencial estabelecida entre o cátodo e o ânodo. Esses elétrons ao colidirem com o alvo (ânodo) são bruscamente desacelerados, aquecendo o alvo e emitindo radiação eletromagnética. O rendimento na produção de raios X é proporcional ao número atômico do alvo, ou seja, quanto mais elevado for o número atômico maior será a emissão de raios X. A energia máxima com que os raios-X são emitidos é proporcional à diferença de potencial aplicada (voltagem de operação), e a intensidade do feixe é proporcional à corrente e à voltagem. Como a proporção da energia do elétron que é emitida na forma de radiação eletromagnética segue uma distribuição normal, o espectro de emissão é contínuo. Por ser uma radiação eletromagnética, os mecanismos de transferência da energia dos Raios X para o meio são idênticos aos observados para os raios gama. Desse modo, a ionização será produzida pelos elétrons secundários emitidos nos processos de absorção fotoelétrica, espalhamento Compton e produção de pares. O poder de penetração dos raios-X dependerá da energia da radiação. Assim os raios X de energia muito baixa (E100 Evaporação de materiais. Soldagem de materiais. Fusão de materiais. Retificadores e Estabilizadores Termiônicos de Alta Voltagem >15 Geradores de Raio-X médico. Alimentador de tensão de equipamento analítico de Raio-X. Triodos de Alta Voltagem >15 Aquecedores industriais Válvulas transmissoras de alta potência. Unidades de Alta Voltagem a Vácuo (Interruptor, Chave, Relê, Capacitor, Divisor de Voltagem) 15-100 Transmissor de alta potência Estação comutadora de potência. Magnetron 15,00 15000,00 Radar da Marinha. 30,00 97000,00 Radar de alta potência. Klystron (Fonte Pulsante - pulso: 2,2s - 50/s) 20 280 2000 25000 Radar. Transmissor de alta frequência. 1.3. GRANDEZAS E UNIDADES As grandezas e unidades mais utilizadas em proteção radiológica são aquelas para mensuração de características da fonte radioativa e as relacionadas à energia absorvida da radiação pelo meio (dose). Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 21 1.3.1. ATIVIDADE A atividade expressa a quantidade de transformações nucleares que ocorre por unidade de tempo em um material contendo átomos com núcleos instáveis. Como em cada transformação é emitida 1 partícula, e em muitos casos, 1 ou mais raios gama, a atividade é uma medida da produção de radiação pelo material radioativo e nos permite avaliar quão radioativo é o material. A atividade é dada pela relação: teAA −= 0 Onde: A = atividade atual de fonte A0 = atividade inicial da fonte λ = constante de decaimento (probabilidade de ocorrência da desintegração) t = intervalo de tempo transcorrido Quando estamos interessados em saber a radioatividade de um material, a massa expressa em gramas não é uma boa medida da produção de radiação. Por exemplo, em 1 grama de rádio-226 irão ocorrer 3,7x1010 desintegrações por segundo com emissão igual quantidade de partículas, já em 1 grama de césio-137 ocorrerão 314,5x1010 desintegrações por segundo. Uma unidade adequada para quantificação da radioatividade deve ser baseada na atividade. Esta unidade é o Becquerel (Bq), a qual é definida como a quantidade de material radioativo na qual um núcleo se desintegra por segundo. 1Bq=1dps Antes da padronização dessa unidade pelo Sistema Internacional, era adotada como referência a atividade de 1 grama de Rádio, denominada Curie (Ci). Essa unidade era definida como a quantidade de material radioativo na qual 3,7 x1010 núcleos se desintegram por segundo. A equivalência entre as unidades é dada pela relação: 1Ci = 3,7x1010 Bq 1.3.2. MEIA-VIDA FÍSICA A meia-vida física (T1/2) corresponde ao intervalo de tempo necessário para que a quantidade de núcleos instáveis na amostra, ou seja, a atividade se reduza à metade da quantidade inicial. A meia-vida física é inversamente proporcional à constante de decaimento, segundo a relação: = 693,0 T 2/1 A constante de decaimento é uma medida da probabilidade de ocorrência da desintegração, e quanto maior é essa probabilidade menor é o tempo necessário para que a atividade da fonte se reduza à metade. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 22 Quadro 1.1. Sabendo-se que a atividade de uma fonte de Irídio-192 a 150 dias atrás era de 120 Curies, calcular a atividade atual da fonte: Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 23 Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 24 1.3.3. DOSE DE EXPOSIÇÃO A quantidade de energia da radiação eletromagnética transferida para uma unidade de massa de ar é denominada Dose de Exposição. A dose corresponde à densidade de ionização produzida por unidade de massa de ar, e a unidade será dada em termos da carga elétrica produzida por kg de ar. Portanto, a unidade de exposição (UE) é definida como a quantidade de raios X ou gama que produz íons carregando 1 Coulomb de carga de mesmo sinal por kg de ar, ou seja: 1 UE = 1C/kg de ar A equivalência entre a unidade de exposição definida pelo SI e a unidade de exposição antiga (Roentgen) é dada pela relação: 1 UE =3881R Como essa quantidade é uma função do campode radiação, e este depende da taxa de produção da radiação, geralmente o que se mede é a Taxa de Dose de Exposição. Ao multiplicarmos a taxa de dose pelo tempo total de exposição determinados a dose recebida, conforme a equação: tXX = • 1.3.4. DOSE ABSORVIDA Como a dose de exposição não permitia quantificar a energia absorvida de qualquer tipo de radiação ionizante por qualquer material, foi definida uma nova grandeza de dose. A dose absorvida é definida como a quantidade de energia da radiação absorvida por unidade de massa de material, sendo a sua unidade o Gray (Gy). O Gray é a dose absorvida de 1 Joule por quilograma, ou seja: 1 Gy = 1J/kg A equivalência entre a unidade de dose absorvida definida pelo SI e a unidade antiga (rad) é dada pela relação: 1 Gy = 100 rad Como essa dose depende da taxa de produção de radiação, o que se mede é a taxa de dose absorvida, sendo a dose dada pela integração da taxa no tempo, conforme a relação: tDD = • 1.3.5. DOSE EQUIVALENTE OU DOSE DE EFEITO Em sistemas biológicos, a mesma quantidade de dose absorvida de diferentes tipos de radiação resultará em efeitos diferentes, posto que o efeito ou dano depende da densidade de ionização produzida. Em virtude dessa variabilidade foi necessária a definição da dose equivalente, a qual corresponde à dose absorvida necessária para produzir um determinado efeito, ponderada pela eficiência da radiação em produzir esse efeito, ou seja: QDH = • , em que os valores do fator Q são dados na tabela 1.6. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 25 Tabela 1.6. Fator de qualidade segundo o tipo de radiação ionizante Radiação Ionizante Fator Q X, gama, beta e elétrons 1 Prótons e partículas com 1 unidade de carga, massa >1 u.m.a. e energia desconhecida 10 Nêutrons de energia desconhecida 20 Alfa, fragmentos de fissão, íons pesados 20 A unidade de dose equivalente é o Sievert (Sv), o qual é definido como a dose equivalente de radiação de 1 Joule por quilograma, ou seja: 1Sv = 1J/kg A equivalência entre a unidade de dose absorvida definida pelo SI e a unidade antiga (rem) é dada pela relação: 1 Sv = 100 rem Como essa dose depende da taxa de produção de radiação, o que se mede é a taxa de dose equivalente, sendo a dose dada pela integração da taxa no tempo, conforme a relação: tHH = • Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 26 1.4. TESTES 1. As propriedades físico-químicas de um átomo são determinadas pela quantidade de elétrons que tem em seus orbitais. Sendo o átomo eletricamente neutro ele possui igual quantidade de prótons no seu núcleo que de elétrons nos seus orbitais. Portanto átomos com igual número de prótons constituem um elemento químico. Em relação aos elementos químicos, assinale a alternativa correta: a) Os isótopos de um elemento químico são átomos com quantidades diferentes de nêutrons. b) Os isótopos de um elemento químico são átomos com quantidades diferentes de elétrons. c) Os isótopos de um elemento químico podem ter características observáveis, tais como forma ou cor diferentes. d) Os isótopos de um elemento químico podem reagir quimicamente com outras substâncias de forma diferente. e) Os isótopos de um elemento possuem massa atômica igual. 2. A ionização e a excitação são os processos físicos que levam a alterações na distribuição dos elétrons nos orbitais dos átomos. Estas alterações quando ocorrem em átomos que constituem o corpo humano dão início a uma série de reações químicas que podem danificar ou comprometer o funcionamento adequado das células. Em relação a estes processos, pode-se afirmar que: a) Na ionização, o elétron ao absorver energia passa a executar uma órbita de raio maior e ocupará um nível superior dentro da camada eletrônica. b) Excitação é o processo físico no qual o elétron ao absorver a energia afasta-se da influência do campo elétrico nuclear a ponto de ser removido. c) A quantidade de energia necessária para ionizar o elétron mais fracamente ligado ao átomo é chamada de potencial de ionização. d) Tanto na excitação quanto na ionização o elétron mais fracamente ligado ao átomo é arrancado e forma-se um par eletrônico. e) Os fragmentos gerados nesse processo (íons e radicais livres) são pouco reativos. 3. A classificação da radiação como ionizante está relacionada à sua capacidade de produzir ionização no corpo humano. Em relação à radiação ionizante assinale a alternativa incorreta: a) A energia mínima transportada pela radiação capaz de produzir ionização no corpo humano é 12,4 eV. b) Somente as partículas emitidas pelo núcleo têm energia cinética suficiente para produzir ionização no corpo humano. c) As radiações eletromagnéticas de comprimento de onda inferior a 100nm transportam energia suficiente para produzir ionização no corpo humano. d) Os elétrons, prótons e nêutrons com energia cinética superior a 12,4 eV são radiações ionizantes. e) Partículas alfa são exemplos de radiação ionizante. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 27 4. Ao ionizar o corpo humano, a radiação transfere a sua energia produzindo pares iônicos ao longo de sua trajetória. Esses pares iônicos irão reagir com outros átomos interferindo no metabolismo celular ou danificando o DNA. Dependendo da forma como a radiação transfere sua energia será classificada como diretamente ou indiretamente ionizante. Assinale a alternativa incorreta: a) As radiações diretamente ionizantes são partículas carregadas, pois a ionização ocorre diretamente pela atração ou repulsão do elétron orbital. b) As radiações indiretamente ionizantes são assim denominadas porque precisam transferir sua energia para partículas carregadas existentes no meio. c) As partículas alfa, partículas beta e os nêutrons são exemplos de radiações diretamente ionizantes. d) Raios gama são radiações indiretamente ionizantes. e) Partículas gama são radiações indiretamente ionizantes. 5. Em geral, o medidor de gramatura em indústria de papel consiste de um dispositivo contendo uma fonte de amerício-241, a qual emite basicamente partículas alfa. O processo é automatizado e o operador atua apenas quando há problemas e sua intervenção é movendo o dispositivo manualmente, fazendo o alinhamento e acionando comandos no painel de controle. Quando existiria risco de exposição que causasse dano ao operador? a) Durante a troca da fonte e alinhamento do dispositivo. b) Quando inalasse ou ingerisse o material radioativo durante a manipulação da fonte. c) Quando se posicionasse em frente ao feixe de radiação. d) Não existe risco para o operador. 6. Na indústria de tabaco a pesagem do fumo na linha de produção de cigarros é feita com uso de fonte de estrôncio-90, a qual é emissora beta pura. A fonte fica encerrada em dispositivo de aço. O operador trabalhando bem próximo ao dispositivo estaria exposto a alguma radiação ionizante? a) Estaria exposto a partícula beta. b) Não teria risco de exposição à radiação ionizante. c) Estaria exposto aos Raios X. d) Estará exposto às partículas alfa. e) Estará exposto às partículas gama. Capítulo 1. Radiações DDS I ___________________________________________________________________________________ eHO– 114 – Agentes Físicos II (com eSocial e Agentes Biológicos) 2º ciclo de 2024 28 7. Nos procedimentos de radiografia da arcada dentária